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Portugal e a Constituição do Seu Território Nacional

Entender geograficamente qualquer lugar implica que uma das primeiras tarefas
seja situá-lo à superfície da Terra, analisando o contexto em que está inserido e as
múltiplas relações que mantém com os espaços que o envolvem.
Portugal ocupa, no contexto internacional, uma posição geográfica privilegiada
na extremidade sudoeste da Europa, localizando-se no Cabo da Roca o ponto mais
ocidental de todo o continente, com uma localização absoluta de 9º 30’O. Esta
orientação geográfica oferece ao nosso país novas perspectivas no contexto das relações
internacionais, com o desenvolvimento dos meios de transporte, das comunicações e do
actual processo de globalização, facilitando o desenvolvimento económico, social e
cultural.
Após a II Guerra Mundial, em 1951, a fim de promover a cooperação económica
e política, garantindo uma paz mais duradoura na Europa ocidental, foi criada a
Comunidade Europeia Do Carvão e do Aço (CECA), que em 1992 com o Tratado de
Maastricht passa a União Europeia. A integração económica e política entre os estados-
membros da EU implica a tomada de decisões em conjunto, no âmbito de vários
assuntos, o que conduziu ao desenvolvimento de políticas comuns em vários domínios,
desde a agricultura à energia, passando pelos transportes e pelo ambiente, entre outros.
Portugal aderiu às comunidades europeias em 1 de Janeiro de 1986, a seguir à
Revolução de 25 de Abril, período de ruptura com o antigo regime de ditadura, altura
em que se deu início a uma maior abertura do país ao exterior. Apesar de alguma
controvérsia inicialmente gerada, a adesão de Portugal à EU tem-se revelado
francamente positiva. Os avultados subsídios concedidos, a abertura de novos mercados,
a participação em múltiplos programas e projectos comunitários têm permitido ao país
resolver problemas económicos e sociais, assim como aproximar o nível de vida do
cidadão português do dos restantes cidadãos da União Europeia.
Portugal, apesar de possuir uma superfície e um total de habitantes reduzidos,
impõe a sua presença no Mundo contemporâneo através da língua portuguesa falada
num vasto espaço lusófono, por quase 200 milhões de pessoas, das numerosas
comunidades de portugueses e de luso-descendentes espalhados por todo o Mundo e da
participação em várias organizações mundiais como a ONU (Organização das Nações
Unidas) ou a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O português, para
além de Portugal, constitui a língua oficial de: Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé
e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor-Leste, países que no seu conjunto
formam o espaço lusófono e a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). A
língua portuguesa representa, assim, um elo de ligação histórica e cultural a esses
países, promove a cooperação entre eles e ajuda à protecção do nosso país no contexto
internacional.
A actual extensão do território português está confinada a cerca de 92 000 km2,
dividido por duas parcelas de dimensões muito diferentes: o Portugal Peninsular (com
88 500 km2) e Portugal Insular, que integra o arquipélago dos Açores (cerca de 2400
km2) e o arquipélago da Madeira (cerca de 800 km2). No Continente, a extensão
Norte/Sul atinge os 561 km e a distância máxima Este/Oeste é de 218 km. Portugal
Continental faz fronteira a Norte e a Leste com a Espanha, sendo limitado a Oeste e a
Sul pelo Oceano Atlântico, ao longo de uma costa com cerca de 848 km.
Administrativamente divide-se em 18 distritos: Viana do Castelo, Vila Real, Bragança,
Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, Santarém,
Portalegre, Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e Faro; que por sua vez se subdividem em
concelhos, num total de 311, e estes ainda em freguesias. A Região Autónoma dos
Açores é constituída por nove ilhas que se dividem em três grupos: O Ocidental, o
Central e Oriental. Do grupo Ocidental fazem parte as ilhas Flores e Corvo, do grupo
Central as ilhas Graciosa, S. Jorge, Terceira, Faial e Pico e do grupo Oriental as ilhas de
S. Miguel, Santa Maria e ilhéu das Formigas. Por sua vez, a Região Autónoma da
Madeira é formada pelas ilhas da Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens.
Portugal Continental apresenta uma grande diversidade na morfologia do seu
território: montanhas, planaltos, colinas, vales, entre outros. Existe uma notória
diferença entre o Norte e o Sul. A metade a Norte do Rio Tejo apresenta-se muito
acidentada, com uma altitude superior a 400 metros, recortada por vales encaixados e
rios com caudais significativos. Por sua vez, a metade a Sul é suavemente ondulada,
com altitudes fracas, onde predominam as planícies. As serras com maior altitude estão
situadas na parte Norte, destacando-se as Serras da Estrela (1991m), Gerês (1508m),
Marão (1416m) e Caramulo (1075m). Na parte Sul salientam-se as Serras de
Monchique (902m) e Caldeirão (577m). O relevo português completa-se com uma
franja de planícies litorais, realçando-se três grandes conjuntos: a planície da Beira
Litoral formada pelas planícies aluviais do Vouga e Mondego, a planície do Algarve e
as planícies aluviais do Tejo e do Sado. Os arquipélagos dos Açores e Madeira têm
origem vulcânica e contam com um relevo acidentado. Nos Açores as costas marítimas
são abruptas e rochosas, ao passo que a região interior é extremamente montanhosa,
atingindo-se aqui a altitude máxima portuguesa no Pico, com 2351 metros. A Madeira
caracteriza-se por ter uma elevada cadeia montanhosa na parte central das ilhas.
Quanto à hidrografia, a maior parte dos grandes rios que atravessam o país tem
origem em Espanha. Destes rios luso-espanhóis destacam-se: o Minho, que nasce na
Serra da Meira, tem 300 km de extensão e desagua em Caminha; o Douro, que nasce na
Serra de Urbião, tem 927 km de extensão e desagua junto ao Porto; o Tejo, da Serra de
Albarracin, com uma extensão de 1.100 km, que desagua em Lisboa e o Guadiana, que
nasce em Campo Montiel, tem uma extensão de 810 km e desagua em Vila Real de
Santo António. Dos rios nacionais, os mais importantes são: o Mondego, que nasce na
Serra da Estrela e desagua na Figueira da Foz, após percorrer 234 km; o Sado, que
nasce na Serra da Vigia, tem uma extensão de 180 km e desagua em Setúbal; o Vouga,
com uma extensão de 148 km, que nasce na Serra da Lapa e desagua na Ria de Aveiro;
e o Mira, que nasce na Serra do Caldeirão e desagua em Vila Nova de Milfontes, após
percorrer 145 km.
Devido à posição de Portugal, a sudoeste da Europa, e à sua longa linha de costa,
é possível explicar, em grande parte, as suas características de clima ameno. Em
Portugal continental, as temperaturas médias são de 13º C no norte e 18º C no sul. As
ilhas da Madeira e dos Açores, devido à sua localização no Atlântico, são mais húmidas
e chuvosas, e com um intervalo de temperaturas menor. Normalmente, os meses da
Primavera e Verão são ensolarados e as temperaturas são altas durante Julho e Agosto,
com máximo no centro do país entre 30º C e 35º C. O Outono e o Inverno são
tipicamente ventosos e chuvosos, mas os dias de sol não são raros, as temperaturas
raramente descem abaixo dos 5º C, ficando próximas dos 10º C na maioria dos casos.
Relativamente à precipitação, a sul do Tejo só em alguns locais é que ultrapassa
os 800 a 1.000 mm por ano, enquanto que a norte chega a ultrapassar os 2.800 no
Minho. A neve é comum nas áreas montanhosas do norte, especialmente na Serra da
Estrela. O clima português é classificado como temperado mediterrânico em todo o
Portugal continental e ilhas. A única excepção é o Grupo Ocidental do Arquipélago dos
Açores que é temperado marítimo, por não ter estação seca.
Porém, o clima mediterrâneo vai perdendo, em Portugal Continental, as suas
características de Sul para Norte e do Litoral para o Interior. O Sul do país e o vale
superior do Douro (localizado no NE de Portugal), apresentam características
tipicamente mediterrâneas, onde os verões são quentes e secos, e os invernos suaves e
com fracos totais de precipitação. No Litoral Centro e Norte, o clima mediterrâneo
degrada-se e adquire uma feição marítima. Os Verões são relativamente frescos, com
uma reduzida estação seca, os Invernos suaves, com elevados valores mensais de
precipitação. As amplitudes térmicas não ultrapassam, geralmente, os 10ºC. No Interior,
especialmente, no Nordeste, o clima mediterrâneo também se degrada, adquirindo uma
feição continental. Os Invernos são muito frios e os Verões são muito quentes. As
amplitudes térmicas anuais variam entre os 15ºC e os 20ºC. Os totais mensais e anuais
de precipitação são inferiores aos do litoral e, no Inverno, é frequente a queda de neve.
Além da influência da continentalidade, esta área do país encontra-se exposta aos ventos
de leste provenientes do interior da Península Ibérica, cujas características são as
seguintes: secos e frios no Inverno e secos e quentes no Verão.
A agricultura está presente desde o início da existência do Homem, dada a sua
necessidade de satisfazer uma das suas carências básicas: a alimentação. Contudo, a
agricultura tem sido caracterizada por deficiências estruturais que têm condicionado o
seu desenvolvimento, traduzindo, por exemplo, baixos níveis de produtividade e de
rendimento. As deficiências estruturais que caracterizam a agricultura nacional podem
ser de ordem natural ou estrutural.
A actividade agrícola está muito dependente do solo e do clima de uma região.
Segundo dados do INE (Instituto Nacional de Estatística), Portugal tem cerca de 26%
dos solos com aptidão agrícola, dos quais só 11% são de boa qualidade, ou seja, são de
um modo geral, pobres e pouco profundos. A pouca fertilidade dos solos está associada
à natureza das rochas e ao clima temperado mediterrâneo.
Os condicionalismos estruturais estão relacionados com a estrutura das
explorações agrícolas, com os sistemas de cultivo e com as características da população
agrícola. Verifica-se, ultimamente, uma diminuição do número de explorações agrícolas
no território nacional, no entanto, predominam no Norte e Centro Litoral,
nomeadamente nas regiões agrárias de Trás-os-Montes, Beira Litoral e Entre Douro e
Minho. A sua estrutura fundiária (tamanho e forma) reflecte dois problemas estruturais:
o decréscimo da dimensão média e a fragmentação e dispersão das explorações,
condicionando a introdução de novas tecnologias agrícolas e assim traduzindo-se num
aumento dos custos de produção. A forma como um agricultor ou uma sociedade
agrícola usufrui da sua terra é designado sistema de cultivo, e este é subdividido em
intensivo e extensivo. Num sistema intensivo existe uma ocupação contínua dos
campos, que se apresentam normalmente com forma irregular e separados por vedações,
sendo de pequenas dimensões e onde é utilizada muita mão-de-obra, elevando os custos
de produção. Contrariamente, num sistema extensivo a ocupação do solo é descontínua,
em regime de afolhamento com rotação cultural e pousio, os campos apresentam-se com
uma forma regular, não estando separados entre si por quaisquer vedações, sendo de
grandes dimensões. A utilização de máquinas é elevada, ou seja, pouco exigente na
necessidade de mão-de-obra, oferecendo custos de produção baixos e uma
produtividade elevada. Uma população agrícola que, apesar do decréscimo, ainda
continua a ser das mais elevadas da EU; o envelhecimento e o baixo nível de instrução e
formação profissional dos agricultores nacionais caracterizam uma agricultura
tradicional.
Em 2007, existiam em Portugal, segundo o INE, 151 cidades, 139 no
Continente. O crescimento urbano iniciado em Portugal nas últimas décadas não pára de
aumentar a um ritmo muito significativo. Os centros urbanos, principalmente os do
Litoral e, de forma particular, as cidades que integram as Grandes Áreas Metropolitanas
de Lisboa e Porto, continuam a atrair população, oferecendo emprego e melhores
condições de vida. As áreas rurais do interior continuam a despovoar-se, a registar um
envelhecimento demográfico acentuado e a perder dinamismo, aprofundando-se assim,
os contrastes com o Litoral. As disparidades Litoral/Interior também se reflectem em
disparidades Norte/Sul, em contrastes na repartição das actividades económicas e na
distribuição da rede de transportes e acessibilidade.
A mobilidade de mercadorias e de pessoas depende da rede de transportes e da
sua ligação à rede internacional. A rede rodoviária portuguesa, além de apresentar uma
das redes principais com menor densidade no conjunto dos países da EU, distribui-se
também, muito irregularmente no país. Os contrastes observados na densidade da rede
de estradas e na intensidade de tráfego sublinham as assimetrias regionais entre o litoral
e o interior, o norte e o sul. As regiões do norte e litoral, mais populosas e mais
desenvolvidas, apresentam-se bem servidas de estradas e são as que registam maior
volume de tráfego. Pelo contrário, o interior e sul, menos populoso e economicamente
menos dinâmicos, caracterizam-se por uma rede rodoviária mais rarefeita.
Qualquer sector da vida económica e a qualidade de vida da população
dependem, hoje, do consumo de energia. Não seria possível conceber indústrias,
transportes, agricultura, ou simplesmente conforto, sem o recurso à utilização de
energia. Neste contexto, parece relevante conhecer a distribuição das principais energias
utilizadas no nosso país. É no Litoral Norte que se observa a maior densidade da rede e
as linhas de melhor potência, já que é ai que se localizam a maior parte das centrais
termoeléctricas, que asseguram a grande fracção da energia eléctrica consumida em
Portugal.
O crescimento harmonioso do país passa pela redução das disparidades internas
e estas pelo desenvolvimento das áreas rurais, que se desejam mais equipadas, de forma
a oferecer à população residente condições de vida mais atractivas e com mais
qualidade. É também fundamental promover a implantação de serviços e potencializar
os recursos endógenos para aumentar a dinâmica económica destes espaços.