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Behaviorismo (Behaviorism em inglês, de behaviour (RU) ou behavior

(EUA): comportamento, conduta), Comportamentalismo, Análise do


Comportamento ou Psicologia Objetiva[1] é o conjunto das teorias
psicológicas que postulam o comportamento como único, ou ao menos mais
desejável, objeto de estudo da Psicologia. Os behavioristas afirmam que os
processos mentais internos não são mensuráveis ou analisáveis, sendo,
portanto, de pouca utilidade para a Psicologia empírica.

As raízes do Comportamentalismo podem ser traçadas até os fisiólogos


russos Vladimir Mikhailovich Bechterev[1] e Ivan Petrovich
Pavlov[2]. Bechterev, grande estudioso de neurologia e
psicofisiologia, foi o primeiro a propor uma Psicologia cuja
pesquisa se baseasse no comportamento, em sua Psicologia
Objetiva[1]. Pavlov, por sua vez, foi o primeiro a propor o modelo de
condicionamento do comportamento conhecido como
comportamento respondente, e tornou-se conceituado com suas
experiências de condicionamento com cães. Sua obra inspirou a
publicação, em 1913, do artigo Psychology as the Behaviorist views
it, de John B. Watson. Este artigo apresenta uma contraposição à
tendência até então mentalista (isto é, internalista, focada nos
processos psicologicos internos, como memória ou emoção) da
Psicologia do início do século XX, além de ser o primeiro texto a
usar o termo Behaviorismo. Também é o primeiro artigo da
vertente denominada Behaviorismo Clássico ou Behaviorismo
Metodológico. Behaviorismo Clássico

O Behaviorismo Clássico (também conhecido como Behaviorismo Metodológico,


Behaviorismo Watsoniano e, menos comumente, Psicologia S-R e Psicologia da
Contração Muscular[3]) apresenta a Psicologia como um ramo puramente objetivo e
experimental das ciências naturais. A finalidade da Psicologia seria, então, prever e
controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo.

A proposta de Watson era abandonar, ao menos provisoriamente, o estudo dos


processos mentais, como pensamento ou sentimentos, mudando o foco da Psicologia,
até então mentalista, para o comportamento[3]. Para Watson, a pesquisa dos processos
mentais era pouco produtiva, de modo que seria conveniente concentrar-se no processo
psicológico observável, o comportamento. No caso, comportamento seria qualquer
mudança observada, em um organismo, que fossem conseqüência de algum estímulo
ambiental anterior, especialmente alterações nos sistemas glandular e motor. Por esta
ênfase no movimento muscular, alguns autores referem-se ao Behaviorismo Clássico
como Psicologia da Contração Muscular[3].

O Behaviorismo Clássico partia do princípio de que o comportamento era modelado


pelo paradigma pavloviano de estímulo e resposta conhecido como condicionamento
clássico. Em outras palavras, para o Behaviorista Clássico, um comportamento é sempre
uma resposta a um estímulo específico. Esta proposta viria a ser superada por
comportamentalistas posteriores, porém. Ocorre de se referirem ao
Comportamentalismo Clássico como Psicologia S-R (sendo S-R a sigla de Stimulus-
Response, estímulo-resposta em inglês).

É importante notar, porém, que Watson em momento algum nega a existência de


processos mentais. Para Watson, o problema no uso destes conceitos não é tanto o
conceito em si, mas a inviabilidade de, à época, poder analisar os processos mentais de
maneira objetiva. De fato, Watson não propôs que os processos mentais não existam
(como faria Skinner, posteriormente), mas sim que seu estudo fosse abandonado,
mesmo que provisoriamente, em favor do estudo do comportamento observável. Uma
vez que, para Watson, os processos mentais devem ser ignorados por uma questão de
método (e não porque não existissem), o Comportamentalismo Clássico também ficou
conhecido pela alcunha de Behaviorismo Metodológico.

Watson era um defensor da importância do meio na construção e desenvolvimento do


indivíduo. Ele acreditava que todo comportamento era conseqüência da influência do
meio, a ponto de afirmar que, dado algumas crianças recém-nascidas arbitrárias e um
ambiente totalmente controlado, seria possível determinar qual a profissão e o caráter de
cada uma delas. Embora não tenha executado algum experimento do tipo, por razões
óbvias, Watson executou o clássico e controvertido experimento do Pequeno Albert,
demonstrando o condicionamento dos sentimentos humanos através do
condicionamento responsivo.

[editar] Neobehaviorismo Mediacional

O Behaviorismo Clássico postulava que todo comportamento poderia ser modelado por
conexões S-R; entretanto, vários comportamentos não puderam ser modelados desta
maneira. Em resposta a isso, vários psicólogos propuseram modelos behavioristas
diferentes em complemento ao Behaviorismo Watsoniano. Destes podemos destacar
Edward C. Tolman, primeiro psicólogo do comportamentalismo tradicionalmente
chamado Neobehaviorismo Mediacional.

[editar] Eduard C. Tolman

Tolman publicou, em 1932, o livro Purposive behavior in animal and men. Nessa obra,
Tolman propõe um novo modelo behaviorista se baseando em alguns princípios
dissoantes perante a teoria watsoriana. Esse modelo apresentava um esquema S-O-R
(estímulo-organismo-resposta) onde, entre o estímulo e a resposta, o organismo passa
por eventos mediacionais, que Tolman chama de variáveis intervenientes (em oposição
às variáveis independentes, i. e. os estímulos, e às variáveis dependentes, i. e. as
respostas). As variáveis intervenientes seriam, então, um componente do processo
comportamental que conectaria os estímulos e as respostas, sendo os eventos
mediacionais processos internos.

Baseado nesses princípios, Tolman apresenta uma teoria do processo de aprendizagem


sustentada pelo conceito de mapas cognitivos, i. e., relações estímulo-estímulo, ou S-S,
formadas nos cérebros dos organismos. Essas relações S-S gerariam espectativas no
organismo, fazendo com que ele adote comportamentos diferentes e mais ou menos
previsíveis para diversos conjuntos de estímulos. Esses mapas seriam construídos
através do relacionamento do organismo com o meio, quando observa a relação entre
vários estímulos. Os processos internos que permitem a criação de um mapa mental
entre um estímulo e outro são usualmente chamados gestalt-sinais.

Como se vê, Tolman aceitava os processos mentais, assim como Watson, mas, ao
contrário desse, efetivamente os utilizava no estudo do comportamento. O próprio
Tolman viria a declarar que sua proposta behaviorista seria uma reescrita da Psicologia
mentalista em termos comportamentalistas. Tolman também acreditava no caráter
intencional do comportamento: para ele, todo comportamento visa alcançar algum
objetivo do organismo, e o organismo persiste no comportamento até o objetivo ser
alcançado. Por essas duas características de sua teoria (aceitação dos processos mentais
e proposição da intencionalidade do comportamento como objeto de estudo), Tolman é
considerado um precursor da Psicologia Cognitiva.

[editar] Clark L. Hull

Em 1943, a publicação, por Clark L. Hull, do livro Principles of Behavior marca o


surgimento de um novo pensamento comportamentalista, ainda baseada o paradigma S-
O-R, que viria a se opor ao behaviorismo cognitivista de Tolman.

Hull, assim como Tolman, defendia a idéia de uma análise do comportamento baseada
na idéia de variáveis mediacionais; entretanto, para Hull, essas variáveis mediacionais
eram caracterizadamente intra-organísmicas, i. e., neurofisiológicas. Esse é o principal
ponto de discordância entre os dois autores: enquanto Tolman efetivamente trabalhava
com conceitos mentalistas como memória, cognição etc., Hull rejeitava os conceitos
cognitivistas em nome de variáveis mediacionais neurofisiológicas.

Em seus debates, Tolman e Hull evidenciavam dois dos principais aspectos das escolas
da análise do comportamento. De um lado, Tolman adotava a abordagem dualista
watsoniana, onde o indivíduo é dividido entre corpo e mente (embora assumindo-se que
o estudo da mente não possa ser feito diretamente); de outro, Hull, embora
mediaconista, adota uma posição monista, onde o organismo é puramente
neurofisiológico.

[editar] Behaviorismo Filosófico

O Behaviorismo Filosófico (também chamado Behaviorismo Analítico e Behaviorismo


Lógico[4]) consiste na teoria analítica que trata do sentido e da semântica das estruturas
de pensamento e dos conceitos. Defende que a idéia de estado mental, ou disposição
mental, é, na verdade, a idéia de disposição comportamental ou tendências
comportamentais. Afirmações sobre o que se denomina estados mentais seriam, então,
apenas descrições de comportamentos, ou padrões de comportamentos. Nesta
concepção, são analisados os estados mentais intencionais e representativos. Esta linha
de pensamento fundamenta-se basicamente nos postulados de Ryle e Wittgenstein[4].

[editar] Behaviorismo Radical

Ver artigo principal: Behaviorismo Radical

Como resposta às correntes internalistas do Comportamentalismo e inspirado pelo


Behaviorismo Filosófico, Burrhus F. Skinner publicou, em 1945, o livro The
Operational Analysis of Psychological Terms. A publicação desse livro marca o início
da corrente comportamentalista conhecida como Behaviorismo Radical.

O Behaviorismo Radical foi desenvolvido não como um campo de pesquisa


experimental, mas sim uma proposta de filosofia sobre o comportamento humano. As
pesquisas experimentais constituem a Análise Experimental do Comportamento,
enquanto as aplicações práticas fazem parte da Análise Aplicada do Comportamento. O
Behaviorismo Radical seria uma filosofia da ciência do comportamento. Skinner foi
fortemente anti-mentalista, ou seja, considerava não pragmáticas as noções
"internalistas" (entidades "mentais" como origem do comportamento, sejam elas
entendidas como cognição, id-ego-superego, inconsciente coletivo, etc.) que permeiam
as diversas teorias psicológicas existentes. Skinner jamais negou em sua teoria a
existência dos processos mentais (eles são entendidos como comportamento), mas
afirma ser improdutivo buscar nessas variáveis a origem das ações humanas. A análise
de um comportamento (seja ele cognitivo, emocional ou motor) deve envolver, além das
respostas em questão, o contexto em que ele ocorre e os eventos que seguem as
respostas. Tal posição evidentemente opunha-se à visão watsoniana do Behaviorismo,
pela qual a principal razão para não se estudar fenômenos não fisiológicos seria apenas
a limitação do método, não a efetiva inexistência de tais fenômenos. O Behaviorismo
skinneriano também se opunha aos neobehaviorismos mediacionais, negando a
relevância científica de variáveis mediacionais: para Skinner, o homem é uma entidade
única, uniforme, em oposição ao homem "composto" de corpo e mente.

Skinner desenvolveu os princípios do condicionamento operante e a sistematização do


modelo de seleção por consequências para explicar o comportamento. O
condicionamento operante segue o modelo Sd-R-Sr, onde um primeiro estímulo Sd, dito
estímulo discriminativo, aumenta a probabilidade de ocorrência de uma resposta R. A
diferença em relação aos paradigmas S-R e S-O-R é que, no modelo Sd-R-Sr, o
condicionamento ocorre se, após a resposta R, segue-se um estímulo reforçador Sr, que
pode ser um reforço (positivo ou negativo) que "estimule" o comportamento (aumente
sua probabilidade de ocorrência), ou uma punição (positiva ou negativa) que iniba o
comportamento em situações semelhantes posteriores.

O condicionamento operante difere do condicionamento respondente de Pavlov e


Watson porque, no comportamento operante, o comportamento é condicionado não por
associação reflexa entre estímulo e resposta, mas sim pela probabilidade de um estímulo
se seguir à resposta condicionada. Quando um comportamento é seguido da
apresentação de um reforço positivo ou negativo, aquela resposta tem maior
probabilidade de se repetir com a mesma função; do mesmo modo, quando o
comportamento é seguido por uma punição (positiva ou negativa), a resposta tem menor
probabilidade de ocorrer posteriormente. O Behaviorismo Radical se propõe a explicar
o comportamento animal através do modelo de seleção por consequências. Desse modo,
o Behaviorismo Radical propõe um modelo de condicionamento não-linear e
probabilístico, em oposição ao modelo linear e reflexo das teorias precedentes do
Comportamentalismo. Para Skinner, a maior parte dos comportamentos humanos são
condicionados dessa maneira operante.

[editar] Argumentos behavioristas


Os comportamentalistas apresentam várias razões pelas quais seria razoável adotar uma
postura behaviorista. Uma das razões mais comuns é epistêmica[5]: afirmações sobre
estados internos dos organismos feitas por observadores são baseadas no
comportamento do organismo. Por exemplo, a afirmação de que um rato sabe o
caminho para o alimento em uma caixa de Skinner é baseada na observação do fato de
que o animal chegou até o alimento, o que é um comportamento. Para um behaviorista,
os chamados fenômenos mentais poderiam muito bem ser apenas padrões de
comportamento.

Comportamentalistas também fazem notar o caráter anti-inatista típico do


Behaviorismo. Muito embora o inatismo não seja interente ao mentalismo, é bastante
comum que tais teorias assumam que existam procedimentos mentais inatos.
Behavioristas, por crerem que todo comportamento é conseqüência de
condicionamento, geralmente rejeitam a idéia de habilidades inatas aos organismos.
Todo comportamento seria aprendido através de condicionamento[5].

Outro argumento muito popular a favor do Behaviorismo é a idéia de que estados


internos não provêm explicações para comportamentos externos por eles mesmos serem
comportamentos. Explicar o comportamento animal exigiria uma apresentação do
problema em termos diferentes do conceito sendo apresentado (isto é, comportamento).
Para um comportamentalista (especialmente um comportamentalista radical), estados
mentais são, em si, comportamentos, de modo que utilizá-los como estímulos resultaria
em uma referência circular. Para o behaviorista, estados internos só seriam válidos
como comportamentos a serem explicados; uma teoria que seguisse tal princípio,
porém, seria comportamentalista.

Para Skinner, em especial, utilizar estados internos como elementos essencialmente


diferentes dos comportamentos abriria possibilidades para uso de conceitos
anticientíficos na argumentação psicológica, como substâncias imateriais ou
homúnculos que controlassem o comportamento[5]. Entretanto, é importante notar que,
para Skinner, não havia nada de inadequado em se discutir estados mentais no
Behaviorismo: o erro seria discuti-los como se não fossem comportamentos.

Vale notar, entretanto, que o argumento do estado interno como comportamento é


polêmico, mesmo entre vários comportamentalistas[5]. O Neo-behaviorismo
Mediacional, por exemplo, trata os estados internos como elementos mediadores
inerentemente diferente dos comportamentos[3].

[editar] Críticas
O Behaviorismo, embora ainda muito influente, não é mais um modelo dominante na
Psicologia[6]. Seus críticos apontam inúmeras prováveis razões para tal fato.

Uma das razões comumente apontadas é o desenvolvimento das neurociências. Essas


disciplinas jogaram nova luz sobre o funcionamento interno do cérebro, abrindo
margens para paradigmas mais modernos na Psicologia. Por seu compromisso com a
idéia de que todo comportamento pode ser explicado sem apelar para conceitos
cognitivos, o Behaviorismo, em especial o Behaviorismo radical, leva a uma postura por
vezes desinteressada em relação às novas descobertas das neurociências[6]. Os
behavioristas afirmam, porém, que as descobertas neurológicas apenas definem os
fenômenos físicos e químicos que servem de base ao comportamento, pois o organismo
não poderia exercer comportamentos independentes do ambiente por causas
neurológicas.

Outra crítica ao Behaviorismo afirma que o comportamento não depende tanto mais dos
estímulos quanto da história de aprendizagem ou da representação do ambiente do
indivíduo[6]. Por exemplo, independentemente de quanto se estimule uma criança para
que informe quem quebrou um objeto, a criança pode simplesmente não responder, por
estar interessada em ocultar a identidade de quem o fizera. Do mesmo modo, estímulos
para que um indivíduo coma algum prato exótico podem ser de pouca valia se o
indivíduo não vir o prato exótico como um estímulo em si.

Vários críticos apontam para o fato de que um comportamento não precisa ser,
necessariamente, conseqüência de um estímulo postulado. Uma pessoa pode se
comportar como se sentisse cócegas, dor ou qualquer outra sensação mesmo se não
estiver sentindo nada. Algumas propriedades mentais, como a dor, possuem uma
espécie de "qualidade intrísceca" que não pode ser descrita em termos
comportamentalistas[6].

Noam Chomsky foi um grande crítico do Behaviorismo, e apresentou uma importante


limitação do Comportamentalismo para modelar a linguagem, especialmente a
aprendizagem. O Behaviorismo não pode, segundo Chomsky, explicar bem fenômenos
linguísticos como a rápida apreensão da linguagem por crianças pequenas[6]. Chomsky
afirmava que, para um indivíduo responder a uma questão com uma frase, ele teria de
escolher dentre um número virtualmente infinito de frases qual usar, e essa habilidade
não era alcançada perante o constante reforçamento do uso de cada uma das frases. O
poder de comunicação do ser humano, segundo Chomsky, seria resultado de
ferramentas cognitivas gramaticais inatas[6]. Tal argumento surgiu de uma crítica de
Chomsky a um livro de Skinner sobre o comportamento verbal[6]; Skinner afirmou
apenas que Chomsky não havia entendido a obra[carece de fontes?].