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O Local da Mulher no Mercado de Trabalho

Lígia Carvalho de Sillos

RESUMO

Este projeto se propõe a analisar a existência, ou não, de um local determinado


para a mulher no mercado de trabalho.
A mulher conseguiu ganhar espaço no mercado de trabalho, muitas posições que
um dia foram ocupadas unicamente por homens atualmente são também ocupadas
pelas mulheres. O que se nota, no entanto, é que ainda não existe uma
homogeneidade no mercado, ainda existem profissões que são ocupadas
predominantemente por homens e outras por mulheres.

Palavras Chave: Mulher, Mercado de Trabalho, Desigualdade de gênero

1- INTRODUÇÃO

Este projeto se propõe a analisar a existência, ou não, de um local


determinado para a mulher no mercado de trabalho. Essa questão é
importante para a compreensão da sociedade em que vivemos, pois com a
atual dinâmica da sociedade é difícil perceber as nuances de cada uma das
mudanças que à atingem. Especificamente no caso da realidade social
feminina, as mudanças devem ser analisadas para que seja possível verificar
o quanto esse campo mudou historicamente a mulher sofreu uma enorme
opressão masculina.
Atualmente ela ainda carrega o estigma das tarefas domésticas, após a
introdução do modo de produção capitalista foi introduzida no mercado de
trabalho a mão-de-obra feminina, mas o trabalho doméstico não deixou de ser
considerado algo inerente a mulher, só que foi acrescido ao seu arcabouço de
responsabilidades o trabalho fora de casa para ajudar no sustento da família.
Para a realização deste trabalho foram feitas buscas em sites com as
seguintes palavras-chave: mulher, mercado de trabalho, desigualdade de
gênero.
Para a construção da argumentação passaremos por uma breve
abordagem histórica da ascensão social feminina, seu reconhecimento no
campo civil e por fim a tentativa de apontar os locais onde a mulher se
enquadra atualmente no mercado de trabalho e as dificuldade que existiram,
e ainda existem para que elas sejam reconhecidas como iguais aos homens
pelos empregadores.

2- UM BREVE HISTÓRICO

A mulher enfrentou muitas dificuldades para alcançar seus direitos,


isso porque durante muito tempo foi vista como um ser insignificante,
considerando apenas suas funções domésticas e sua função de conceber e
gerar, encontrando-se longe de qualquer preocupação social.
Das civilizações mais antigas até o surgimento do capitalismo foram
poucas as participações das mulheres na vida social, cultural e principalmente
na vida política, a participação era predominantemente masculina.
Durante a antiguidade, e em vários outros períodos, as mulheres são
incumbidas das tarefas domésticas e a posição social pública é
desapropriada para elas, já que o objetivo de suas vidas é o casamento e a
gravidez. Assim ocorreu com a mulher grega. Elas, em geral, eram
despossuídas de direitos políticos ou jurídicos, não recebiam educação e
encontravam-se inteiramente submetidas socialmente. Na sociedade romana
as mulheres ocupavam uma posição de maior dignidade do que na Grécia,
elas possuíam uma considerável liberdade, mas, ainda assim, não podiam
exercer cargos públicos, privativos do homem.

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Com a decadência do feudalismo e a chegada do capitalismo, houve o
esgotamento das possibilidades de trabalho no campo, o que levava as
jovens trabalhadoras para a cidade. A mulher burguesa tinha como função
ajudar o marido no trabalho exercido, isso se tornava um trabalho para ela. As
mulheres da aristocracia já não exerciam um trabalho propriamente dito,
contudo administravam os serviços da casa, e ainda conquistaram o direito de
discutir com seu marido assuntos como literatura e filosofia. Enfim as
mulheres conseguiram maiores oportunidades na área social, contudo, não foi
sinônimo de grandes perspectivas para elas. O capital assalariado multiplicou
sua opressão, principalmente por meio do trabalho manual a domicílio.
O papel da mulher na sociedade começou a mudar a partir da
Revolução Francesa (1789), quando as mulheres passaram a atuar de forma
significativa na sociedade, mas a exploração e a limitação de direitos
marcaram essa participação feminina.
Na segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, a
absorção do trabalho feminino pelas indústrias, como forma de baratear os
salários, inseriu definitivamente a mulher na produção. Ela passou a ser
obrigada a cumprir jornadas de até 17 horas de trabalho em condições
insalubres e submetidas a espancamentos e humilhações, além de receber
salários até 60% menores que os dos homens.
Segundo Fatima Nazareth (2006), as manifestações operárias surgiram
na Europa e nos Estados Unidos, tendo como principal reivindicação a
redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Em 1819, depois de um
enfrentamento em que a polícia atirou contra os trabalhadores, a Inglaterra
aprovou a lei que reduzia para 12 horas o trabalho das mulheres e dos
menores entre 9 e 16 anos. Foi também a Inglaterra o primeiro país a
reconhecer, legalmente, o direito de organização dos trabalhadores, com a
aprovação, em 1824, do direito de livre associação e os sindicatos se
organizaram em todo o país.
Apesar de grandes conquistas durante a Revolução, principalmente no
meio trabalhista, a mulher se encontrava longe de um reconhecimento
profissional e ainda se estava vedada de qualquer participação da vida
política e do exercício da cidadania.

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No mercado de trabalho brasileiro, as mulheres também encontraram
muitas dificuldades, recebendo salários muito inferiores aos dos homens,
exercendo em sua grande maioria atividades de média e baixa qualificação
profissional. Além dessas dificuldades, enfrentava a dupla jornada de
trabalho ou trabalho redobrado (no emprego e no lar) que sobrecarrega
violentamente a mulher.
Além de receberem baixos salários e de exercerem a dupla jornada de
trabalho, as mulheres eram vítimas de preconceitos (por exemplo, o da
chamada "inferioridade" do sexo feminino em relação ao masculino) e abusos
(por exemplo, o assédio sexual no trabalho) que são reveladores do
tratamento desigual a que estavam sujeitas. Ainda hoje, apesar de grandes
conquistas, o caráter patriarcal e machista da sociedade brasileira está na
base da marginalização profissional da mulher (MENEZES, 2004).

3- A MULHER NA SOCIEDADE CIVIL

A instituição do Estado proporciona uma maior democratização da


justiça, surgem novos mecanismos de controle da sociedade, a sociologia se
propõe então a estudar os pontos existentes entre a norma jurídica e os
valores e práticas sociais.
A análise sociológica das conseqüências jurídicas que a
implementação de direitos às mulheres trouxe para a sociedade, casos de
discriminação feminina, violência contra a mulher, etc., são de extrema
importância para que haja um entendimento dos processos pelos quais a
sociedade passou e está passando.
A Declaração dos Direitos Humanos de 1948 em seus três primeiros
artigos declara: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e
direitos (...) Todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as
garantias estabelecidas nesta declaração, sem distinção de qualquer espécie,
seja raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza,
origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição
(...) Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”.
Contudo, ao longo da história da humanidade, a concepção de direitos
humanos tem sofrido variações, de acordo com o modo de organização da

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vida social e política de cada país. A primeira geração dos direitos humanos
trava luta pela conquista dos direitos individuais ou de liberdade. A segunda
geração considerou como direitos fundamentais “os direitos sociais,
econômicos e culturais”. A terceira geração foi marcada pela ampliação da
noção desses direitos. Foram incorporados os direitos à paz, à
autodeterminação dos povos e a um meio ambiente saudável e
ecologicamente equilibrado. (LOCHE; FERREIRA; SOUZA; IZUMINO, 1999).
Essas afirmações não podem ser esquecidas e deveriam ter valor real para
todos, mas infelizmente quanto à desigualdade entre gêneros a realidade
ainda está distante do ideal “garantido” pela declaração.
É possível inferir de um senso comum a grande precarização ainda
existente quanto à igualdade entre direitos femininos e masculinos.
Historicamente a busca pela igualdade entre os gêneros teve um grande
avanço quando no modo de produção capitalista fez-se necessária a entrada
das mulheres no campo de trabalho. Não que antes disso as mulheres não
trabalhassem, elas sempre foram encarregadas da administração da casa,
dos filhos, enfim, as tarefas que até hoje ainda cabem por excelência às
mulheres.

4- A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO

A mulher conseguiu ganhar espaço no mercado de trabalho, muitas


posições que um dia foram ocupadas unicamente por homens atualmente são
também ocupadas pelas mulheres. O que se nota, no entanto, é que ainda
não existe uma homogeneidade no mercado, ainda existem profissões que
são ocupadas predominantemente por homens e outras por mulheres. Uma
pesquisa sobre o trabalho a domicílio demonstra a predominância feminina
nesse meio.
Lavinas (2000) expõe que:

As mulheres continuam a prevalecer no trabalho a domicílio, uma vez que


carecem de mobilidade e de flexibilidade de opções no mercado de
trabalho. Tanto em virtude do viés de gênero presente nas definições de
postos de trabalho como pelas responsabilidades familiares que recaem
sobre elas e seus fortes vínculos comunitários, as mulheres constituem a
principal oferta de trabalho a domicílio. (LAVINAS, p.8, 2000)

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O exemplo do trabalho a domicílio, que é precário, não exige
escolaridade e não proporciona um plano de carreira, pode ilustrar a situação
feminina no campo do trabalho, o gênero feminino é muito procurado para a
realização de serviços mais precários.
A reestruturação do trabalho trouxe uma nova realidade, muitas
fábricas optam por terceirizar parte da produção, a idéia de linha de produção
já não existe mais. A confecção de roupas é um bom exemplo de como a
produção está se tomando ocorrendo com uma nova dinâmica, com a
intenção de baratear o custo de produção e aumentar os lucros o empresário
procura então costureiras que trabalham em suas casas e pagam por peça
feita, a roupa que sai da fábrica muitas vezes passa pelas mãos dessas
costureiras que fazem pequenos trabalhos nas peças e ganham muito pouco
pelo serviço.
A pesquisa feita em Goiânia sobre as costureiras que trabalham em
casa fazendo pequenos trabalhos para empresas maiores demonstra o
quanto que existe uma predominância do gênero feminino nesse meio e a
enorme exploração dessa mão-de-obra. (NUNES, 2006)
A questão aqui colocada não é o fato de a mulher encontrar ou não
espaço no mercado de trabalho, mas sim quais são esses espaços que ela
pode ocupar. Dados da Fundação Carlos Chagas apontam que o número de
mulheres empregadas aumentos de 7,3 milhões em 1976, para 15, 2 milhões
em 2002.
De acordo com os dados do balanço social e ambiental da Petrobras, a
empresa possui políticas internas que tentam buscam a inclusão das
mulheres na mão-de-obra e a igualdade entre os gêneros dentro do trabalho
da empresa. O balanço informa que “A participação das mulheres na força de
trabalho cresceu de 12% em 2003 para 15,5% em 2007”.
A Declaração sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher
feita pelas Nações Unidas em 1979, e reconhecida pelo Brasil em 1984
possui trinta artigos que determinam o caminho para que a discriminação
contra o gênero feminino seja extinta. Mas seus artigos não possuem
aplicação real, a discriminação contra a mulher está no seio da sociedade,

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não é uma prática unicamente masculina, muitas mulheres reproduzem esse
pensamento arcaico.
A realidade encontrada no mercado de trabalho é também um reflexo
da enorme discriminação que o gênero feminino sofre. A precarização, a
diferença salarial, e todas as outras características encontradas nos
empregos que são predominantemente femininos são produtos da realidade
social.

5- CONCLUSÃO

Este ensaio baseado em pesquisa bibliográfica possui muitas


limitações, para que o tema proposto pudesse ser melhor entendido seria
preciso mais tempo de estudo sobre autores que tratam do tema e muito mais
pesquisa empírica para que a indagação sobre o local da mulher no mercado
de trabalho pudesse ser respondida.
O que se pode afirmar é que as mulheres atualmente estão integradas
no modo de produção capitalista e que a lógica desse modo não sobreviveria
sem essa mão-de-obra, mas os empregos ocupados por mulheres as
sujeitam a longas jornadas, visto que o trabalho feito em seu próprio domicílio
acaba por ocupar mais do que as oito horas diárias dos contratos de serviço
usuais, e as condições que lhes são impostas são muito precárias.
Existem políticas públicas e políticas empresariais internas que tentam
diminuir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho, proporcionado
condições e oportunidades iguais para homens e mulheres. Mas o trabalho
doméstico ainda é uma função feminina, então, além do trabalho fora de casa
a mulher precisa cuidar do serviço da casa e dos filhos. Assim, mesmo que as
condições de trabalho no mercado não sejam precárias, a mulher ainda é
obrigada a cumprir uma dupla jornada de trabalho.

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Referências Bibliográficas

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<http://www2.petrobras.com.br/ResponsabilidadeSocial/portugues/pdf/BSA20
07.pdf>. Acesso em: 03, dez 2008.

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<http://www.fcc.org.br/mulher/series_historicas/tabelas/mmt1.html>. Acesso
em: 03, dez 2008.

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Brasil. Disponível em: <http://www.frigoletto.com.br/GeoPop/mulher.htm>.
Acesso em 9 nov. 2008.

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novas formas de contratualidade. Textos Para Discussão Ipea, IPEA, v.
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KUHLMANN, S. A mulher frente aos direitos da personalidade. Disponível


em: <http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=2473&print=1>.
Acesso em: 9 nov. 2008.

LOCHE, A. et al. Sociologia Jurídica. Estudos de sociologia, direito e


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UNIDAS, N. Declaração dos Direitos Humanos (1948). Assembléia Geral


das Nações Unidas, 1948.

UNIDAS, N. Declaração sobre a Eliminação da Discriminação contra a


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<http://www.inesc.org.br/biblioteca/legislacao/convencao-sobre-a-eliminacao-
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dez 2008.