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OS LIVROS POÉTICOS

Por

Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki

Este texto tem por propósito o estudo dos cinco livros do


Antigo Testamento conhecidos como “Poéticos”. Não se nutre o
desejo de originalidade, mas apenas um esboço didático para
aqueles que, em poucas palavras, querem respostas rápidas, mas,
pesquisadas em fontes seguras.
Neste texto não foi usado as letras hebraicas por dois
motivos: para facilitar aos leitores que não as conhecem; e, nem
todos os programas de computador tem as mesmas “fontes” de letras
hebraicas.
Adota-se uma perspectiva conservadora. Embora também busco em
obras liberais o que eles podem contribuir com seus estudos, não
ignoro os seus pressupostos anti-sobrenaturalistas quanto a
inspiração da Escrituras Sagrada.

1. Autoria
Há algumas opiniões discordantes quanto à autoria desta obra.
A tradição judaica (Baba Bathra 14b e 15a) declara que o autor foi
Moisés do livro de Jó. Vejamos algumas objeções à autoria mosaica:
1. A obra foi escrita no mesmo estilo de Provérbios (Mashal);
este estilo literário teve início no período do reinado de
Salomão.
2. Se o livro fosse de autoria mosaica, sua posição no Cânon
hebraico seria diferente. Jó é classificado como “Ketubim”
(Escritos), e se encontra dentro do Texto Massorético
entre o livro de Salmos e Provérbios. Se ele fosse uma
obra mosaica, certamente seria colocado na mesma categoria
que a Lei, ou subseqüente a ela.
3. A Lei era a referência para as demais obras do AT, seria
difícil que uma obra de natureza refletiva ou meditativa
tenha sido escrita por alguém cuja principal ocupação era
a legislatura, mas este argumento não é decisivo. Davi era
um rei com uma sensibilidade poética aguçada.
Sobre a autoria parece mais sensato que a obra foi redigida
no tempo de Salomão. Vejamos alguns argumentos em seu favor:
1. Era uma época de paz em que as atividades literárias de
sabedoria se desenvolveram. Um período propício para
compor este livro.
2. O livro de Jó tem o caráter dos livros da sabedoria
(hokhmah). Os comentaristas Keil-Delitzch observam que “é
um característica daquele período criador e incipiente da
hokhmah, daquela época salomônica da ciência e da arte, do
mais profundo pensamento em matéria de religião e da arte,
do mais profundo pensamento em matéria de religião
revelada e de cultura inteligente e progressiva das formas
tradicionais da arte, duma época sem precedentes, em que a
literatura correspondeu ao zênite da magnificência
gloriosa para que o reino da promissão tendia.” 1
3. Há uma exaltação semelhante de sabedoria piedosa entre Pv
8 e Jó 28.
4. O autor mostra uma clara preferência pelo nome Elohim
(traduzido por “Deus”). O nome Yahweh ocorre somente duas
vezes no cap. 1, uma vez no cap. 12, uma vez no cap. 38,
três vezes no cap. 40, e cinco vezes no cap. 42. Isto
associa com os escritos de Salomão que geralmente utiliza
o nome Elohim, e menos o nome Yahweh. 2

2. Data da Escrita
Existem várias datas propostas: 3
1. Na época de Salomão: Keil, Delitzsch, Haevernick
2. No séc. VIII (antes de Amós): Hengstenberg
3. No princípio do séc. VII: Ewald Riehm,
4. Primeira metade do séc. VII: Staehelin, Noeldeke
5. Na época de Jeremias: Koenig, Gunkel, Pfeiffer
6. No exílio babilônico: Cheyne, Dillmann
7. No séc. V: Moore, Driver, Gray, Dhorme
8. No séc. IV: Eissfeldt, Voltz
9. No séc. III: Cornill

Adoto uma posição apoiada em evidências literárias. O livro


foi escrito durante o reinado de Salomão. Os três amigos eram
árabes. O local onde Jó residia era Harã, ao norte da Palestina,
perto de Damasco. Não há qualquer referência à Lei de Moisés, ou
registro de fatos da história judaica. “Jó pertence em pensamento
e forma à corrente literária que se originou com Salomão; daí ter

1
C.F. Keil & F. Deltzch, Commentary on the Old Testament: Job-Psalms vol.5, p.
19 (Books for the Ages, 1997), CD-Master Library Christian 01/02, in loco.
2
Gleason L. Archer, Merece Confiança o Antigo Testamento? p. 410
3
Edward J. Young, Introdução ao Antigo Testamento, pp. 334-338
maior semelhança ao livro de Provérbios do que qualquer outro
livro no Velho Testamento.” 4

3. Gênero Literário
Quanto ao estilo literário Sellin-Fohrer observam que o livro
nos mostra que seu autor é um mestre da palavra raramente
superado, um mestre dotado de poder de criatividade barroca e
possuidor de elevada cultura, como nos indicam não só as
imagens, numerosas e multiformes, que exprimem os sentimentos
mais variados em um só e mesmo discurso, como também as
expressões raras, ou que já nem mesmo se usavam. 5

Samuel J. Schultz considera o livro de Jó como sendo


“apropriadamente classificado como um drama épico. Apesar de que a
porção principal da composição seja de natureza poética e tenha a
forma de um debate, o arcabouço é escrito em prosa. Neste último,
a narrativa provê a base para a discussão inteira.” 6

4. Situação Histórica
Jó foi um personagem histórico como indicam Ez 14:14 e Tg
5:11. Parece que Jó viveu no período dos patriarcas, embora, não
se pode fazer nenhuma afirmação absoluta. Vejamos algumas
evidências:
1. Jó é identificado como um habitante de Uz, e não de um
lugar fictício (1:1). As referências bíblicas a Uz sugerem
um local a leste de Edom (Gn 10:23; Jr 25:20; Lm 4:21). A
LXX traduz terra dos Aisitai, povo, que segundo o geógrafo
Ptolomeu, se localiza no deserto da Arábia perto dos
edomitas do monte Seir.
2. Elifaz, amigo de Jó, era de Temã, localidade bem conhecida
perto de Edom.
3. Eliú pertencia aos buzitas, região perto dos caldeus;
4. A riqueza é medida pela quantidade em animais. Isso nos
lembra os dias de Abraão (Gn 13:1-11);
5. A narrativa faz menção a uma época anterior à legislação
do Sinai (1:5).
6. A ausência de citações sobre as instituições israelitas,
indica um cenário patriarcal.
7. Jó viveu um modelo patriarcal de vida e religião.
8. A idade avançada de 140 anos de Jó (42:16) está mais de
acordo com a idade atingida pelos patriarcas.

4
Clyde T. Francisco, Introdução ao Velho Testamento, p. 216
5
E. Sellin, G. Fohrer, Introdução ao Antigo Testamento, vol.II, p. 480
6
Samuel J. Schultz, A História de Israel no Antigo Testamento (São Paulo, Ed.
Vida Nova, 1995), p. 265
5. Propósito
5.1. Propósito Didático
Mostrar como Deus pode usar a adversidade, bem como a
prosperidade para ensinar o seu povo, para se dar a conhecer a Si
mesmo (Jó 42:5).

5.2. Propósito Teológico


Mostrar a soberania de Deus. Deus usa os piores ataques de
Satanás para o cumprimento do seu santo decreto (Jó 42:2). O
soberano Deus ilustra através da vida de Jó, que “todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).

6. Estrutura do Livro
1. O Contexto Familiar................. 1:1-2:13
2. Lamentação de Jó.................... 3:1-26
3. Discursos Com os Três Amigos........ 4:1-31:40
1. primeiro ciclo de discursos.... 4:1-14:22
2. segundo ciclo de discursos..... 15:1-21:34
3. terceiro ciclo de discursos.... 22:1-31:40
4. Discursos de Eliú................... 32:1-37:24
5. Pronuncio do Senhor................. 38:1-42:6
6. Conclusão........................... 42:7-17

1. Prólogo (prosa)..................... 1-2


2. Diálogos............................ 3-28
2.1. Lamento inicial de Jó........ 3
2.2. Diálogo entre Elifaz e Jó.... 4-5; 15; 22
2.3. Diálogo entre Bildade e Jó... 8; 18; 25
2.3. Diálogo entre Zofar e Jó..... 11; 20
4. Poema de sabedoria.................. 28
5. Série de discursos.................. 29-42
5.1. Jó alega inocência........... 29-31
5.2. Discursos de Eliú............ 32-37
5.3. Discursos de Yahweh.......... 38-42:6
6. Epílogo............................. 42:7-17

7. Análise do Conteúdo
Sellin-Fohrer fazem uma preciosa contribuição em perceber que
o poeta de Jó não aborda o problema da Teodicéia, sob a forma
do sofrimento merecido do justo, ou sob a forma da justiça de
Deus, em contraposição com a experiência humana. Isto estaria
em contradição com o pensamento concreto e subjetivo do
israelita. Também ele não apresenta pura e simplesmente um
acontecimento. Pelo contrário: trata-se aí de um problema
vital: o problema da existência humana vivida no sofrimento;
trata-se da questão sobre o modo de proceder corretamente
dentro dessa existência. Jó vive o comportamento que lhe parece
possível e correto. Os amigos querem ensinar-lhe um
comportamento que, no seu parecer, é o melhor, e Deus o coloca
diante do problema decisivo no que respeita a seu
comportamento. (...) A narrativa que enquadra o poema
interpreta o sofrimento como provação do homem que deve, por
este meio, confirmar a sua piedade que alimentar até então. Os
amigos de Jó atribuem a infelicidade às culpas do homem, e o
convidam a se desviar do mal, a se voltar humildemente para
Deus e a se converter radicalmente. (...) Passando por cima de
todas estas opiniões – as ortodoxas e as heréticas -, o poeta
de Jó, que faz Deus condenar, inclusive, os amigos de Jó,
apesar de sua fé imaculada, e recomendá-los à intercessão
daquele Jó que antes parecia tão herético, parte em busca de
sua própria solução, a qual atesta a profunda influência da fé
profética: a atitude correta do homem no sofrimento é o
silêncio humilde, na plena entrega de si mesmo, brotando da paz
com Deus, e baseada não somente na intuição de que o sofrimento
decorre de uma intervenção misteriosa, impenetrável, mas
inteiramente lógica de Deus, mas também na certeza da comunhão
com Deus, a qual faz com que tudo o mais seja secundário. 7

8. Unidade
O livro demonstra uma unidade natural e estrutural. 8 Não há
discussões quanto a este aspecto.

9. Fatos Interessantes
1. Jó é a maior de todas as obras dramáticas do AT.
2. Nenhum livro da Bíblia revela tanto da pessoa e do caráter
de Satanás.
3. É citado explicitamente uma vez no NT (1 Co 3:19 – Jó
5:13).
4. Implica que a terra é esférica (22:14), pendurada no
espaço (26:7).

SALMOS

7
E. Sellin, G. Fohrer, Introdução ao Antigo Testamento, vol.II, pp. 496-497
8
Aage Bentzen, Introdução ao Antigo Testamento, vol.II, pp. 197-202, considera
a prosa e a maior parte das seções poéticas como uma unidade.
1. Título
O título hebraico significa “livro dos louvores”. O título
adotado pela LXX não é muito apropriado, pois a palavra Psalmoi
(salmos) é a tradução da palavra hebraica Mizmor. O Codex
Alexandrinus da LXX nomeia este livro de Psalterion. A Vulgata
adotou o seu título apenas transliterando da LXX. 9

2. Autoria
A tradição judaica Baba Bathra 14b declara “Davi escreveu o
livro dos Salmos auxiliado por dez anciãos: Adão, Melquisedeque,
Abraão, Moisés, Hemã, Jedutum, Asafe e três filhos de Coré”.
Evidentemente que Davi ao compor os “Salmos” não teve a
assistência destas pessoas. Esta afirmação deve ser
reinterpretada, por não possuir qualquer fundamento histórico.
Melhor do que nós, os “homens da Grande Sinagoga” que escreveram o
Talmud, certamente, sabiam do distanciamento cronológico entre
estes personagens bíblicos e Davi. Provavelmente, que Davi compôs
muitos dos salmos, outros foram escritos durante o seu reinado e o
reinado de Salomão, e os demais foram escritos num período pós-
exílico. Há algumas considerações que devemos fazer ao confirmar a
autoria davídica de muitos dos salmos:
1. Algumas passagens do AT indicam Davi compondo cânticos
para o santuário (1 Cr 6:31; 16:7; 25:1; Ed 3:10; Ne
12:24, 36,45-46; Am 6:5).
2. Sabe-se que Davi foi talentoso músico.
3. Davi também era poeta (2 Sm 1:19-27).
4. Ele era um homem de profunda sensibilidade e riqueza de
imaginação. “A riqueza da sua imaginação está patente na
propriedade dos termos e nas freqüentes figuras que
emprega”. 10
5. Davi era um homem piedoso, de sentimentos religiosos, com
uma profunda percepção de quem Deus era e como Ele agia,
um verdadeiro adorador de Deus. Os salmos não poderiam ser
escritos por alguém que não amasse o Senhor, e que não
tivesse de modo experimental conhecido ao Senhor.
6. Era um homem vivido. Possuindo uma larga experiência de
vida como pastor, soldado, músico, chefe, rei,
administrador, poeta, pai, perseguido pelo seu rei (Saul),
e traído pelo próprio filho (Absalão), com uma família
atribulada e manchada de incesto e sangue. Ele estava apto
para exprimir as alegrias da graça, e também as angústias
do pecado.

9
Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament (Grand Rapids, Wm. B.
Eerdmans Publishing Company, 1988), pp. 976-977
10
Edward J. Young, Introdução ao Antigo Testamento, p. 314
7. Davi era um homem capacitado pelo Espírito de Deus (1 Sm
16:13).
8. É importante lembrar que Davi escreveu muitos salmos, mas
não todos.

Geralmente através do título do Salmos 11 pode-se identificar


o autor. A preposição hebraica l denominada pelos estudiosos de
lamedh auctoris pode significar:
1. escrito por
2. pertencente à
3. ligado com
4. dedicado à
5. a respeito de

Acerca deste assunto, mesmo os eruditos liberais Sellin-


Fohrer aceitam que “a concepção de que, no caso dos salmos, se
trate de um lamed auctoris, é reforçada pelo fato de que em várias
passagens se indica a ocasião em que Davi deve ter composto um
salmo, e que dificilmente se trataria de um comentário
posterior.” 12

O livro de Salmos é uma coletânea de escritos de diversos


autores:
1. Atribuí-se 1 salmo à Moisés (90)
2. Atribuí-se 73 salmos à Davi (3-9, 11-32, 34-41, 51-65, 68-
70, 86, 101, 103, 108-110, 122, 124, 131, 133, 138-145.
3. Atribuí-se 2 salmos à Salomão (72, 127)
4. Atribuí-se 12 salmos à Asafe (50, 73-83)
5. Atribuí-se 12 salmos aos Filhos de Coré (
6. Atribuí-se 1 salmo à Hemã, o ezraíta (88)
7. Atribuí-se 1 salmo à Etã, o ezraíta (89)
8. São 48 salmos órfãos/anônimos

Autores sugeridos pelos tradutores da Septuaginta:


1. Atribuí-se 15 salmos à Ezequias (120-134)
2. Atribuí-se 1 salmo à Jeremias (137)
3. Atribuí-se 1 salmo à Ageu (146)
4. Atribuí-se 1 salmo à Zacarias (147)
5. Atribuí-se 1 salmo à Esdras (119)

3. Os Títulos dos Salmos


3.1. Os títulos são indicadores da natureza literária de cada
Salmo. Alguns títulos se referem ao uso litúrgico dos salmos a

11
Salmos, no plural e com letra maiúscula refiro-me ao livro, salmo no singular
e com letra minúscula indico o capítulo.
12
E. Sellin, G. Fohrer, Introdução ao Antigo Testamento, vol.II, p. 410
serem cantados em certas ocasiões. Há títulos descritivos da
característica poética:
1. 57 salmos são chamados de Mizmor. Referem-se a música que
deve ser cantada acompanhada de instrumentos de cordas.
2. Shir, cântico de qualquer qualidade ou espécie, ocorre 30
vezes (46, 120-134).
3. Mashkil, um cântico de especial qualidade, ocorre em 13
salmos, podendo significar vários tipos de cânticos:
meditativos, didáticos (32).
4. Miktam, salmo com idéia de lamentação pessoal (16, 56-60);
5. Shiggayon só ocorre uma vez (7).
6. Tephillah, significa “oração” (17, 86, 90, 102, 142);
7. Tehillah, somente ocorre uma vez (145), significa
“louvor”.

3.2. Títulos que indicam a direção musical: 13


1. Lamnatseach, é a palavra que vem ao titulo de 55 salmos. A
Vulgata traduz “in finem”, e a Versão Almeida “para o
cantor mor” (IBB), e “ao mestre de canto” (SBB).
2. Neginoth, aparece em 6 títulos, sempre combinado com
Lamnatseach. O termo significa “instrumentos de cordas”.
Quatro dos títulos em que aparece, vem associado ao termo
Mizmor.
3. ‘Al hashsheminith, ocorre duas vezes, nos Sl 6 e 12,
significa “sobre a oitava”.
4. ‘Al ‘alamoth, se encontra no título do Sl 46, significa
“instrumentos de cordas”.
5. Gittith aparece em três títulos, podendo significar
“canção de vindima”.
6. Nehiloth, só ocorre no Sl 5, é traduzido pela SBB “para
flautas”.
7. Mahalath, literalmente significa “doença, aflição”,
possivelmente, indicava um salmo fúnebre. No título do Sl
88 aparece como Mahalath Leannnoth, que a SBB traduz “para
ser cantado com cítara”.
8. Selah esta palavra não aparece nos títulos, mas no fim de
algumas seções (Sl 46:7). Esta palavra chama a atenção por
ocorrer 71 vezes no Livro I, 30 vezes no Livro II, 20 no
Livro III, e 4 no Livro V. 14 É uma indicação musical, não
para ser lida, mas significando uma pausa no cântico, para
um interlúdio instrumental, ou, uma elevação de som
(forte).

3.3. Treze salmos em seus títulos preservam a tradição histórica


da vida de Davi, fornecendo o seu contexto:

13
Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament, pp. 978-979
14
Stanley A. Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento, p. 166
1. Salmo 3..... 2 Sm 15:1-18:33
2. Salmo 18.... 2 Sm 22:1-51
3. Salmo 30.... 2 Sm 5:11-7:29
4. Salmo 34.... 1 Sm 21:10-15
5. Salmo 51.... 2 Sm 11-12:1-25
6. Salmo 52.... 1 Sm 22
7. Salmo 54.... 1 Sm 23; 26:1
8. Salmo 56.... 1 Sm 21:13-15
9. Salmo 57.... 1 Sm 24
10.Salmo 59.... 1 Sm 19:11
11.Salmo 60.... 2 Sm 8:13; 1 Cr 18:12
12.Salmo 63.... 2 Sm 15:23-28
13.Salmo 142... 1 Sm 24:1-3

4. Classificação dos Salmos


O modo como podemos classificar os salmos é diverso. Nenhuma
classificação é perfeita, mas todas são úteis e necessárias para
entendermos os temas e ênfases dos salmos.
Hermann Gunkel foi o pioneiro a elaborar um esquema de
classificação que divide o livro em cinco principais categorias, a
partir do seu lugar vivencial (Sitz im Leben): 15
1. Hinos, como meio para adorar a Deus, podendo ser em solos
ou coros. Salmos 8, 19, 29, 33, etc.
2. Lamentos comunitários, por causa de alguma ocorrência de
desastre nacional ou calamidade diante de Deus, quando
apelam para o auxílio de Deus. Salmos 44, 74, 79, 80, etc.
3. Salmos reais, que relatam acontecimentos importantes na
vida dos reis hebreus. Salmos 2, 18, 20, 21, 45, 72, 89,
101, 110 e 132.
4. Lamentos individuais, expressam anseios pessoais. Salmos
3, 7, 13, 25, 51, etc.
5. Ações de graças individuais, recitados ou cantados em
relação as cerimônias no Templo. Salmos 30, 32, 34, etc.

Roland K. Harrison propõe a possibilidade duma classificação


a partir da experiência religiosa: 16
1. Salmos de oração, envolvendo pedidos de proteção,
libertação, intervenção ou bênçãos.
2. Salmos de adoração, por motivos gerais e específicos.
3. Salmos penitenciais, incluindo a representação da
confissão.
4. Salmos de declaração de fé, em Deus como rei justo, um
juiz ético, e governador do universo.

15
Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament, p. 991
16
Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament, p. 997
5. Salmos homiléticos, dividido com sabedoria, poder divino,
o verdadeiro serviço a Deus, e ao lugar da Toráh na vida
nacional e individual.
6. Salmos imprecatórios, constituindo uma resposta aos
inimigos nacionais, e suplicando a Deus o exercício da
justa retribuição.
7. Salmos sobre problemas de ordem moral, envolvendo os
sofrimentos dos justos, a prosperidade dos ímpios, e a
esperança da imortalidade.

Arnold B. Rhodes realiza uma classificação mais detalhada dos


salmos: 17
1. Hino de adoração
1.1. Adoração por motivos diversos: 100,113,117,145,150;
1.2. Adoração ao SENHOR da Criação: 8,19,29,104;
1.3. Adoração ao SENHOR da história
1.3.1. A história da salvação: 68,78,105,106,111,114,149;
1.3.2. O reinado de Deus: 47,93,96,97,98,99;
1.3.3. O reinado dos ungidos:
18,20,21,45,61,63,72,89,101,132,144;
1.4. Adoração ao SENHOR da Criação:
33,65,103,115,135,136,146,147,148;
1.5. Adoração ao SENHOR de Sião
1.5.1. Em geral: 46,48,76,87;
1.5.2. Canções de peregrinos: 84,122,134;
1.5.3. Entrada em Sião: 15,24;
2. Orações em tempo de aflição
2.1. Lamentos do povo:
12,44,58,60,74,77,79,80,83,90,94,106,123,137;
2.2. Lamentos individuais
2.2.1. Em geral: 3,5,6,13,22,25,31,39,42-43,52,54-
57,61,63,64,71,86,88,120,141,142
2.2.2. Protestos de inocência: 7,17,26,59;
2.2.3. Imprecações contra os inimigos:
35,59,69,70,109,137,140;
2.2.4. Orações de Confissão: 6,32,38,51,102,130,143;
3. Declarações de fé: 4,11,16,23,27,46,62,63,90,91,121,125,131;
4. Cânticos de ações de graças
4.1. Gratidão da comunidade: 67,75,107,118,124;
4.2. Gratidão individual:18,30,32,34,41,66,92,116,138;
5. Poesia sapiencial:1,2,37,41,49,73,111,112,119,127,128,133,139;
6. Liturgias
6.1. Liturgias didáticas: 15,24;
6.2. Hino e benção sacerdotal: 134;
6.3. Liturgias reais: 2,20,110,132;

17
Arnald B. Rhodes, “The Book of Psalms” in Layman’s Bible Commentary
(Richmond, John Knox Press, 1960), vol.IX, pp.26-27
6.4. Liturgias proféticas
6.4.1. Em geral: 12,75,85,126;
6.4.2. Misto de Hino e oráculo: 81,95;
6.4.3. Estilo livre de imitação de profecia: 14,50,82;
7. Poemas mistos
7.1. Adaptação de materiais antigos: 36,40,89,90,107,108,144;
7.1. Composições autônomas: 9,10,78,94,119,123,129,139;

5. Data de Compilação Final 18


Davi se preocupou em formar uma coleção dos seus salmos.
Instituiu o seu uso litúrgico, determinando que fossem cantados no
santuário (1 Cr 15:16-24; 16:4-43).
Podemos crer que Ezequias tivesse compilado e acrescentado
outros salmos ao livro que Davi havia iniciado (2 Cr 23:18;
29:30). Ainda é possível que num período posterior ao exílio
babilônico Esdras e Neemias tenham dado a forma final ao
realizarem suas reformas sociais e religiosas (Ed 3:10; Ne
12:24,27).
O livro apócrifo Eclesiástico 47:8-10 mostra que uma coleção
de salmos sob o nome de Davi já circulava no tempo de Sirac (200
a.C.).

6. Propósito
6.1. Propósito Teológico
Ao cantar, o povo aprendia e refletia sobre quem Deus é, ou
seja, meditava-se nos Atributos Divinos. Aprendiam acerca da
Aliança da graça, sobre o perdão dos pecados, a justiça, o
proceder do justo na santificação, acerca do Messias, a vida
futura, etc. Aage Bentzen declara que “foi criado a fim de conter
a expressão autoritativa da religião de Israel, da mesma forma que
a Lei, os Profetas e a literatura sapiencial, que foram
colecionados com o mesmo escopo.” 19

6.2. Propósito Litúrgico


O Saltério fora compilado para ser usado liturgicamente no
templo e em reuniões festivas do povo de Deus. O título do livro
aponta para o seu objetivo literário: “o livro dos louvores”. Este
era o seu hinário!

6.3. Propósito Histórico


Os salmos são parte da história de Israel, como também narram
acerca desta história (Sl 78, 105, 106, 135 e 136).

18
A.F. Kirkipatrik, The Book of Psalms (London, Cambridge University Press,
1910), para uma análise de datas de salmos individuais.
19
Aage Bentzen, Introdução ao Antigo Testamento, vol. II, p.192
6.4. Propósito Devocional
É um modelo para a prática devocional dos filhos de Deus. Um
completo livro de louvor e oração, que ensina o crente a dirigir-
se a Deus, como Ele mesmo requer.
Os crentes de todas as épocas e lugares percebem a unidade do
povo de Deus, por possuírem os mesmos anseios, temores, tristezas,
sofrimentos, dúvidas, e por poderem esperar em Deus com esperança
e confiança o cuidado providencial do Deus da Aliança.

7.Estrutura do Livro
7.1. O livro de Salmos é dividido em 5 livros. 20 As divisões do
livro correspondem aos 5 livros da Lei:
Primeiro Livro... 1-41
Segundo Livro.... 42-72
Terceiro Livro... 73-89
Quarto Livro..... 90-106
Quinto Livro..... 107-150
1. Esta divisão não segue uma ordem cronológica;
2. Não é por autoria;
3. Não está dividida por classificação literária;
4. Não se sabe qual o critério adotado para esta divisão.

7.2. Cada um dos 5 livros termina com uma doxologia especial a


servir de conclusão a todo o Saltério:
Primeiro Livro... Sl 41:13
Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, da eternidade
para a eternidade! Amém e amém!
Segundo Livro.... Sl 72:18-20
Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, que só
ele opera prodígios. Bendito para sempre o seu
glorioso nome, e da sua glória se encha toda a terra.
Amém e amém! Findam as orações de Davi, filho de
Jessé.
Terceiro Livro... Sl 89:52
Bendito seja o SENHOR para sempre! Amém e amém!
Quarto Livro..... Sl 106:48
Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a
eternidade; e todo o povo diga: Amém! Aleluia!
Quinto Livro..... Sl 150:6
Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia!

7.3. Há certos grupos que seguem arranjos naturais:


1. Uma seqüência de 15 salmos intitulados “cântico dos
degraus” ou “cânticos da ascensão” (120-134). A versão ARA

20
Para uma análise mais detalhada vide*, Stanley A. Ellisen, Conheça Melhor o
Antigo Testamento, p. 163
traduz o título como “cântico de romagem”, o que é uma
tradução ruim da expressão hebraica original. A palavra
“romagem” no português significa “peregrinação à Roma”,
uma alusão à prática idólatra da Igreja Católica Romana. O
título hebraico é uma referência à peregrinação dos
israelitas em suas idas anuais à cidade de Jerusalém, que
ficava sobre o monte Sião (“cântico da ascensão”), quando
chegavam e esperavam nas escadarias da porta do Templo;
2. Os salmos alfabéticos/acrósticos. Os salmos 9, 10, 25, 34,
37, 111, 112, 119, 145 desenvolvem seu texto seguindo a
ordem alfabética hebraica. O salmo 119 é o mais completo e
possuí uma rígida elaboração na divisão dos versículos;
3. Existem 11 salmos de “Aleluia” (111-113; 115-117; 146-
150);

8. Análise do Conteúdo
Cada salmo é uma unidade, sem ligações com os salmos
antecedentes ou posteriores.
O que une os cinco livros, além da categoria literária?
Existe um tema unificador? Isso seria um assunto para ser debatido
pela Teologia do Antigo Testamento.

9. Dificuldades de Interpretação
É fácil perceber o absurdo de uma interpretação literal
aplicado na poesia. Clyde T. Francisco declara que
interpretar as passagens poéticas do Velho Testamento de
qualquer outra forma além da exaltação como se apresentam é
ignorar o método divino que acolhe poetas acima de todos os
outros, a fim de acenar aos homens do passado e do futuro. 21

9.1. Princípios de Interpretação dos Salmos:


1. Se o título dá a situação histórica, deve ser considerado.
Se não, há pouca chance de recriar o contexto;
2. Tentar classificar o salmo segundo as formas já
existentes, mas não forçá-lo a se enquadrar numa forma;
3. Identificar as figuras de linguagem, tipos de paralelismo,
e explicar o significado;

9.2. Salmos Imprecatórios.


Como é possível conciliar a graça e o amor de Deus com o
sentimento de vingança?

10.Fatos Interessantes

21
Clyde T. Francisco, Introdução ao Velho Testamento, p. 214
1. O livro de Salmos levou aproximadamente 1000 anos para ser
completado (Sl 90 de Moisés ... Sl 137 pós-exílico).
2. É o livro mais conhecido e usado na literatura mundial de
todos os tempos.
3. São mencionados cerca 90 vezes no NT. 22
4. Sinônimos de salvo/justo nos Salmos: 23
1. os retos
2. o oprimido
3. o humilde
4. o pobre
5. o fraco
6. os retos de coração
7. os piedosos
8. os fiéis
9. os limpos
10.os santos
11.o necessitado
12.o servo
13.os simples
14.os bons
15.todos os que se escondem em ti
16.os que amam o teu nome
17.aqueles que conhecem o teu nome
18.aqueles que te buscam
19.os que amam a tua salvação
20.o que confia em ti
21.o que teme ao Senhor
22.que anda na Lei do Senhor
23.contritos de coração
24.pobres de espírito
25.mansos da terra
26.fiéis

5. Sinônimos de ímpio nos Salmos:


1. os pecadores
2. os transgressores
3. os injustos
4. os perversos
5. os apóstatas
6. povo sem virtude
7. inimigos do Senhor
8. os néscios
9. insensatos
10.insensatos/sem entendimento

22
Vide alguns exemplos em: Stanley A. Ellisen, Conheça Melhor o Antigo
Testamento, pp. 169-170
23
Frans van Deursen, Los Salmos (Rijswijk, FELiRe, 1996), vol.I, pp. 45-46
11.os altivos
12.os soberbos
13.os enganadores
14.os traidores
15.hipócritas
16.os de lábios enganosos
17.os mentirosos
18.os sanguinários
19.os violentos

6. O livro de Salmos era o hinário do povo israelita;


7. O Sl 53 é uma repetição do 14, mas emprega Elohim (Deus),
em vez de Yahweh (SENHOR).
8. 21 salmos se referem à história de Israel (do êxodo ao
retorno do exílio).
9. Os salmos apresentam o Messias de maneira semelhante aos
evangelistas:
a. Mateus (Rei) 2, 18, 20, 21, 24, 47, 110, 132
b. Marcos (Servo) 17, 22, 23, 40, 41, 69, 109
c. Lucas (Filho do Homem) 8, 16, 40
d. João (Filho de Deus) 19, 102, 118

PROVÉRBIOS

1. Título
O título origina de uma raiz hebraica que significa “ser
como”. Por isso, tem primariamente o sentido de “comparação”
indicando duas situações de similar caráter.

2. Autoria
Há pelo menos sete indicações da autoria no próprio livro:
1. 1:1 – “provérbios de Salomão”.
2. 10:1 – “provérbios de Salomão” (título).
3. 22:17 – “palavras dos sábios”.
4. 24:23 – “provérbios dos sábios”.
5. 25:1 – “também estes são provérbios de Salomão, os quais
transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá”.
6. 30:1 – “palavras de Agur, filho de Jaque, de Massa”
(título).
7. 31:1 – “palavras do rei Lemuel, de Massa, as quais lhe
ensinou sua mãe”.
O livro é prefaciado com o nome de Salomão, mas há uma seção
atribuída aos “sábios”, e dois capítulos são atribuídos: um a Agur
e o outro a Lemuel. Há quem tente explicar o fato, dizendo que
Lemuel e Agur são outros nomes de Salomão, mas isso é improvável.
A tradição judaica no Baba Bathra 15a afirma que “Ezequias e
seus companheiros escreveram os Provérbios”. Provavelmente que
esta declaração talmúdica refira-se a “Ezequias e seus
companheiros” não como autores, mas como compiladores que
ajuntaram e editaram o livro, acrescentando outros provérbios.
Podemos admitir algumas conclusões:
1. A maior parte dos provérbios são realmente de Salomão.
Conforme 2 Rs 4:32 lemos que Salomão “disse três mil
provérbios e foram o seus cânticos mil e cinco”.
2. Agur foi o autor do cap. 30, e nada se sabe a seu
respeito.
3. O rei Lemuel foi o autor do cap. 31, e também, nada se
sabe sobre a sua identidade.
4. Podemos deduzir que Salomão tenha compilado e incluído os
provérbios pré-existentes aos seus, os “provérbios dos
sábios”. Edward J. Young observa que “pode ser que esta
referência aos sábios não seja indicação de autoria, mas
mostre simplesmente que as palavras empregadas pelo
escritor são as aprovadas ou seguidas pelos sábios, ou
pelo menos estão de acordo com os seus ditos”. 24
5. Ezequias e sua equipe adicionaram em seus dias (cerca 700
a.C.), outros provérbios, talvez do próprio Salomão, e de
outros sábios, que igualmente foram inspirados e guiados
pelo Espírito Santo.
6. Os dois últimos capítulos são unidades independentes, de
autores desconhecidos. Seriam como apêndices.

3. Data
Não há motivos sólidos para abandonarmos a autoria de Salomão
da primeira parte do livro. Nesse caso, a data provável seria
aproximadamente 950-900 a.C., para a escrita dos capítulos 1-24,
na metade final do seu reinado, e aproximadamente 725-700 a.C.
para os últimos capítulos 25-31, que foram compilados por
“Ezequias e seus companheiros”.
O livro apócrifo Eclesiástico 47:17, cita Pv 1:6. Este
apócrifo é datado em 200 a.C.. Ao citar Provérbios isso aponta
algumas evidências da data do livro:
1. Provérbios já existia tempo suficiente, antes de
Eclesiástico, para que tornasse reconhecido como fonte de
autoridade canônica.

24
Edward J. Young, Introdução ao Antigo Testamento, p. 327
2. O livro de Provérbios influenciou o estilo literário de
Eclesiástico, o que indica uma imitação daquilo que se
tornara “padrão” no estilo Mashal.

4. Propósito
4.1. Propósito Didático
Advertir dos grandes perigos que resultam inevitavelmente por
seguir os ditames da natureza ou paixões pecaminosas (Pv 1:1-7).
“O propósito do escritor aqui é traçar o contraste mais nítido
entre as conseqüências de buscar e encontrar a sabedoria e as de
seguir uma vida de insensatez.” 25

4.2. Propósito teológico


Foi escrito para dar ao povo de Deus um guia prático e
memorável de como aplicar o conhecimento de Deus (o temor do
Senhor) à vida diária, para aqueles que já entraram num
relacionamento de Aliança com Ele. Mostrando como a Aliança com
Deus tem aplicação extremamente prática no seu cotidiano.

5. Estrutura do Livro
5.1. Primeiro modelo:
1. Prólogo..................................... 1:1-7
2. Provérbios aos jovens....................... 1:8-9:18
3. Miscelânea de Provérbios.................... 10-24
4. Coleção de Ezequias......................... 25-29
5. Apêndice de Agur e Lemuel................... 30-31

5.2. Segundo Modelo:


1. Título e assunto............................ 1:1-7
2. Vários discursos............................ 1:8-9:18
3. Primeira coleção de provérbios de Salomão... 10:1-22:16
4. Primeira coleção das “palavras dos sábios”.. 22:17-23:14
5. Discursos adicionais........................ 23:15-24:22
6. Segunda coleção das “palavras dos sábios”... 24:23-34
7. Segunda coleção de provérbios de Salomão.... 25:1-29:27
8. As palavras de Agur......................... 30:1-33
9. As palavras de Lemuel....................... 31:1-9
10.O elogio à esposa prudente.................. 31:10-31

6. Análise do Conteúdo
O livro de Provérbios é uma excelente antologia de
declarações sábias. Estimula de forma provocante a imaginação,

25
W.S. Lasor, D.A. Lasor, F.W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 502
levando o leitor a refletir nas implicações de uma verdade simples
e evidente.
R.K. Harrison observa que “os provérbios consistem geralmente
de breves e incisivas declarações em que podem ser usadas com
grande efeito na comunicação de verdades morais e espirituais,
sobre a conduta.” 26
Klaus Homburg comenta que “no provérbio da sabedoria são
formulados expressões proverbiais segundo os critérios da analogia
e do paradoxo.” 27

7. Contribuição ao Cânon
O texto do Talmud, Shabbath 30b registra a dúvida entre os
rabinos quanto à canonicidade de Provérbios. Declara o Talmud que
“o livro de Provérbios, também o procuraram esconder, por haver
contradições no seu contexto”. E cita como exemplo a passagem de
26:4-5 que diz “não respondas ao insensato segundo a sua
estultícia (...), ao insensato responde segundo a sua
estultícia...”. Mas o próprio Talmud interpreta a situação
afirmando que “não há dificuldade; um refere-se a assuntos da lei
e o outro a negócios seculares.”

8. Fatos Interessantes
1. Em 1 Rs 4:32, Salomão fez 3000 provérbios e 1005 cânticos.
O livro de Provérbios contém apenas 915 destes 3000. 28
2. O cap. 31 inclui um poema acróstico (a primeira palavra de
cada versículo começa com uma letra do alfabeto hebraico,
vide* TM).

ECLESIASTES

1. Título
Qoheleth deriva de uma raiz hebraica que significa “chamar”,
ou “reunir”. Vários significados tem sido sugeridos a Qoheleth.
Uns dizem que significa “alguém que reúne uma audiência”. Outros,
insinuam a idéia de um colecionador de verdades. Outros ainda,
afirmam que significa aquele que debate ou discursa, ou seja, um
pregador. Talvez, este último seja o melhor significado da palavra

26
Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament, p. 1011
27
Klaus Homburg, Introdução ao Antigo Testamento, p. 188
28
Samuel J. Schultz, A História de Israel no Antigo Testamento, p. 273, nota 13
qoheleth, como adotam a maioria de nossas versões em português. A
tradução da LXX deriva da palavra grega ekklesia.

2. Autoria
A tradição judaica Baba Bathra 15ª declara que “Ezequias e
seus companheiros Eclesiastes”. Esta afirmação se refere apenas à
compilação e redação dos livros escritos por Salomão. Em outros
trechos a tradição judaica de forma explícita diz que Salomão foi
o autor de Megilla 7ª e Shabbath 30). 29
O erudito conservador Edward J. Young rejeita a autoria de
Salomão e oferece algumas objeções: 30
1. Por quê Salomão usaria tão estranho título (qoheleth)?
2. O nome de Salomão não aparece no livro, como ocorre em
Cantares e Provérbios.
3. As condições históricas não parecem ser da época de
Salomão. Em 1:16 o autor afirma que sobrepujou em
sabedoria “a todos os que antes de mim em Jerusalém”.
Salomão foi o segundo rei, no regime da teocracia de
Israel, a morar em Jerusalém.
4. O livro supõe um contexto histórico de opressão (4:1-3,13;
5:8; 7:10; 8:2,9; 9:14-16; 10:6-7,16-17,20).
5. Foi autor desconhecido, que viveu num posterior pós-
exílico, que colocou as suas palavras na boca de Salomão.
A linguagem, o uso das palavras e o estilo contém muito do
aramaico.

Argumentos em defesa da autoria salomônica:


1. Visto ser o livro de Eclesiástico um livro de refinada
retórica, nada impediria Salomão referir a si mesmo como o
título de “qoheleth”.
2. É fato que há a omissão do nome de Salomão, mas, ele se
identifica de um modo inconfundível como sendo “filho de
Davi, rei de Jerusalém”.
3. A afirmação “a todos os que antes de mim em Jerusalém”
pode ser uma referência aos reis da cidade-estado de
Jerusalém, no período que os jebuseus eram senhores sobre
aquele lugar, ou, aos demais reis das nações pagãs (2 Cr
9:22).
4. Embora o autor fale de opressão, miséria, perversão da
justiça, isso pode ser uma descrição daquilo que Salomão
viu nos outros reinos antes dele, como também, em reinos
pagãos. Todavia, não devemos cair no erro de pensar que o
reinado de Salomão fora perfeito. Foi um reinado próspero,
o melhor período da história de Israel, mas nunca poderia

29
Gleason L. Archer, Merece Confiança o Antigo Testamento? pp. 436-437
30
Edward J. Young, Introdução ao Antigo Testamento, pp. 362-363
ser considerado um período de perfeição magisterial, ou
isento de corrupções (1 Rs 12:4); Salomão não está
preocupado em fazer propaganda positivista do seu reinado,
mas mostrar a corrupção que o poder pode causar.
5. As possíveis ocorrências de palavras aramaicas, podem ser
explicadas pelo contado comercial internacional (1 Rs
9:10-10:29), como também pelas esposas estrangeiras (1 Rs
11:1-2).
6. Se o autor não foi Salomão, então o escritor mentiu. As
auto-identificações do autor indicam Salomão. “Caso
Salomão não fosse seu autor, a falsa personificação do
mais sábio de todos os homens sábios teria sido descoberta
há muito tempo pelos rabinos de Israel, e esses não
permitiriam a inclusão do livro no Cânon.” 31 Note o
seguinte:
a. O autor afirma “venho sendo rei em Jerusalém” (ARA).
b. A descrição de Eclesiastes 2:1-11 confere com as
riquezas que Salomão possuiu e construiu (2 Cr 8:1-
9:28).
c. O autor identifica-se como aquele que reuniu e
organizou muitos provérbios (12:9).
d. Ninguém possuiu tanta sabedoria, prosperidade e
expressão mundial no período monárquico, quanto
Salomão, de fato, ele se tornou uma referência em
muitos sentidos para seus posteriores.

3. Data
Aproximadamente 935 a.C. O livro é uma retrospectiva na
velhice, da vida vazia em que ele viveu com o coração desviado do
temor do Senhor (1 Rs 11:1-8). Ellisen observa que “o conteúdo e
as conclusões certamente combinam bem com os anos de maturidade de
Salomão.” 32 Esta tese é confirmada, pela tradição judaica na
Midrash (Shir Hashirim Rabá 1,10), que afirma ter o rei Salomão
escrito o livro de Cantares na sua juventude e o Eclesiastes na
sua velhice. 33
O comentarista A.R. Fausset esclarece que Eclesiastes fica
“como selo e testemunho de arrependimento de sua apostasia no
período de intervenção (Sl 89:30,33) a prova de sua penitência.” 34

4. Propósito

31
Stanley A. Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento, p.191
32
Stanley A. Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento, p. 191
33
Meir Matzliah Melamed, Torá a Lei de Moisés, p. 647
34
Jamieson, Fausset, Brown Commentary, vol.2, pp.93-94 (Books for the Ages,
1997), CD-Master Library Christian 01/02, in loco.
O propósito é descobrir qual o melhor bem da vida. Trata do
prazer, sabedoria, da riqueza, mas considerando-os sem-sentido. O
melhor bem da vida somente pode ser conseguido se alguém teme a
Deus e guarda os seus mandamentos (12:13). A vida sem Deus, ou,
fora da vontade de Deus é fútil.
Busca pelo verdadeiro significado da vida. Longe de Deus a
vida não é vida, pois só Deus lhe pode dar o verdadeiro
significado.
O homem e sua relação com o mundo. “A única interpretação
possível do mundo é considerá-lo, pois como criação de Deus e usá-
lo e gozá-lo apenas para a Sua glória.” 35

5. Estrutura do Livro
1. Prólogo: Tudo é vaidade........ 1:1-11
2. Monólogo: Vida sem sentido..... 1:12-12:1-8
3. Epílogo: Temor de Deus........... 12:9-14

6. Análise do Conteúdo
O lingüista Lyman Abbott faz uma análise do livro dizendo
assim, o livro de Eclesiastes é um monólogo dramático,
apresentando as complicadas experiências da vida; essas vozes
estão em conflito, porém apresentam ou relatam o conflito de
uma simples alma em guerra consigo mesma. Nesse monólogo, o
homem se apresenta monologando consigo mesmo, comparando as
experiências da vida umas as outras. Assim, o livro de
Eclesiastes é deliberadamente de uma confusa intenção, porque é
o quadro de experiências confusas de uma alma dividida contra
si mesma. 36

7. Contribuição ao Cânon
Vários fragmentos de Eclesiastes foram encontrados na caverna
4 de Qumran, que datam, aproximadamente, da metade do século II
a.C.. Disto pode-se concluir que na época ele já possuía
reconhecido valor canônico.

8. Dificuldades de Interpretação
Devemos ter cuidado para que a nossa mentalidade
existencialista (antropocêntrica) não seja um princípio regulador
na aplicação da nossa hermenêutica neste livro. O livro deve ser

35
Edward J. Young, Introdução ao Antigo Testamento, p. 367
36
Lyman Abbott, Life and Literature of the Ancient Hebrews (New York, Houghton
Mifflin and Company, 1901), pp. 292-293
interpretado como um todo. A chave para a interpretação do livro é
o texto final 12:13-14.

9. Fatos Interessantes
1. Os argumentos do livro não são os argumentos de Deus, e
sim os registros de Deus para os argumentos do homem.
2. O autor usa somente o nome “Elohim” (Deus), nunca o nome
“Yahweh” (SENHOR), “assim o autor pode estar enfatizando o
relacionamento do homem com Deus, à parte da experiência
da redenção”. 37
3. Os judeus lêem este livro na Festa dos Tabernáculos. O
rabino David Gorodovits explica a razão desta prática
entre os judeus “sendo Sucót considerado Zeman Simchatênu,
ou seja, ‘época de nossa alegria’, quando, em Israel, os
celeiros estão abarrotados com os frutos da colheita,
seria fácil entregar-se a futilidades e lazer, esquecendo
de onde veio a benção que resultou no sucesso do trabalho.
É exatamente quando a leitura do Cohelét, com suas
mensagens profundas, conscientiza-nos da bondade e da
justiça do Eterno, sem as quais nenhum sucesso pode ser
alcançado pelo ser humano.” 38

CÂNTICO dos CÂNTICOS

1. Título
Considerando que Salomão escreveu 1005 cânticos (1 Rs 4:32),
este seria o “cântico dos cânticos”, ou seja, “o melhor de todos
os seus cânticos”.

2. Autoria
O Talmud Baba Bathra 15a declara “Ezequias e seus
companheiros escreveram o Cântico dos cânticos.” Mas, a mesma
afirmação feita acerca do livro de Provérbios (vide* autoria), é
repetida sobre este, tendo o mesmo significado. “Ezequias e seus
companheiros” não são os autores de Cânticos, mas apenas os
compiladores das obras de Salomão. Algumas evidências internas e
externas a respeito da autoria:

37
David Merkh, Síntese do VT, p. 57
38
Meir Matzliah Melamed, Torá a Lei de Moisés, p. 669
1. O primeiro versículo atribui o livro a Salomão com o
prefixo hebraico para autoria (lamedh auctoris).
2. A obra parece referir-se a uma época histórica anterior à
divisão do reino. O autor menciona várias localidades do
país, como sendo único reino, por exemplo, Jerusalém,
Carmelo, Sarom, Líbano, Em-Gedi, Hermon, Tirza, etc..
3. A comparação da noiva com “as éguas dos carros de Faraó”
(1:9), é interessante, se atendermos a que foi Salomão
quem importou os cavalos do Egito (1 Rs 10:28).
4. A autor mostra-se também conhecedor de plantas e animais
exóticos: 15 espécies de animais e 21 variedades de
plantas (1 Rs 4:33).
5. Salomão escreveu 1005 cânticos, sendo Cantares o único
preservado (1 Rs 4:32).
6. Negar a autoria, afirmando que um homem polígamo não
poderia ter escrito este cântico de fidelidade conjugal é
a mesma coisa que fazer objeção à autoria salomônica de
Provérbios, baseando-se no fato dele ter violado tantos
dos seus próprios princípios.
7. A tradição judaica considera universalmente Salomão como o
autor. Os judeus lêem liturgicamente todos os anos por
ocasião da Festa da Páscoa, atribuindo-o a Salomão.

3. Data
Escrito depois dele ter adquirido muitas carruagens do Egito
e ter ampliado suas vinhas até o vale de Jezreel. O seu harém de
esposas e concubinas era bem menor, 60 a 80 mulheres, em
comparação com as 700 esposas e 300 concubinas, posteriormente.
Cantares, talvez, seja o mais antigo livro canônico de
Salomão. Reflete sua juventude vigorosa, do mesmo modo que
Provérbios reflete sua meia-idade, e Eclesiastes mostra a sua
maturidade nos seus anos finais.
A data aproximada para Cantares pode ser o ano 900 a.C.

5. Propósito
5.1. Propósito Histórico
Comemorar o casamento de Salomão com a Sulamita e expressar o
prazer do sexo no casamento como uma dádiva de Deus.

5.2. Propósito Didático


Edward J. Young afirma que o livro foi escrito
para leitores que vivem num mundo de pecado, de prazeres e de
paixões, onde violentas tentações nos assaltam e procuram
afastar-nos do tipo modelar de casamento, nos moldes da lei de
Deus, e lembra-nos de um modo particularmente sublime, quão
puro e quão nobre é o verdadeiro amor. 39

6. Análise do Conteúdo
O cântico apresenta interação entre Salomão, a Sulamita, e o
coro, passando repentinamente de uma pessoa para outra e de uma
cena para outra. A identificação é geralmente feita pelos pronomes
pessoais usados.

7. Contribuição para Teologia AT


Sellin-Fohrer comentam que
a importância do Cântico dos Cânticos deve ser vista não só no
fato de que ele evita, de um lado, uma divinização sacral do
elemento sexual, de que estavam impregnados os cultos míticos
da fecundidade do Antigo Oriente, mas de que, por outro lado,
contradiz também aquela atitude de desdém e de repulsa pelo
sexo, que partiu sobretudo do judeu-cristianismo de cunho
essênio e da mística platônico-helenística. O Cântico dos
Cânticos indica que, desde o momento em que o matrimônio está
de acordo com a vontade de Deus, o amor sexual vale igualmente
como seu pressuposto e como seu fundamento. 40

8. Contribuição ao Cânon
Na tradição judaica, Mishnah, Yadim 3:5, lemos uma afirmação
do rabino Aqiba, da escola de Hillel, acerca da canonicidade de
Cantares que diz “pois em todo o mundo nada há que possa comparar-
se ao dia em que Cantares de Salomão foi dado a Israel. Todos os
escritos são santos, mas num grau superior o Cântico dos
Cânticos”. 41
Fazendo uma comparação temática entre Provérbios e Cantares,
William M. Ramsay fornece um precioso motivo em favor da
canonicidade deste poema tão sensual. Ramsay observa que
livros como Provérbios, todavia, celebram a obra de Deus na
criação. A vida diária, de acordo com a literatura sapiencial,
é um dom de Deus. Assim, tão natural é a função da união sexual
como parte da boa criação de Deus. Crendo que a natureza é um
dom do Criador, o sábio não poderia separar o “secular” do
“sagrado”. Deste modo, o poema de amor, é igualmente, um poema
de amor sensual, não podendo ficar fora das Escrituras. 42

39
Edward J. Young, Introdução ao Antigo Testamento, p. 351
40
E. Sellin, G. Fohrer, Introdução ao Antigo Testamento, vol.II, p. 446
41
Roland K. Harrison, Introduction to the Old Testament, p. 1051
42
William M. Ramsay, The Westminster Guide to the Books of the Bible
(Louisville, Westminster John Knox Press, 1994), p. 178
9. Dificuldades de Interpretação
Há controvérsias acerca da interpretação deste livro por
muitos séculos. Três interpretações principais são usadas: 43
1. A alegorização judaica. A método alegórico é o mais antigo
de todos. Segundo esta posição o livro estaria descrevendo
em linguagem figurada a relação entre Yahweh e Israel. 44
2. A alegorização da Igreja Primitiva. Seguindo o método
alegórico a Igreja Primitiva (Orígenes e Hipólito)
interpretou o livro como sendo uma descrição do amor de
Cristo e a Igreja (ainda usada pela Igreja Católica
Romana:
a. 1:5 fala da cor morena, ou negra, pelo pecado, mas
bela pela conversão (Orígenes);
b. 1:13 “entre os meus seios” refere-se às Escrituras do
AT e NT, entre os quais se encontra Cristo (Cirilo de
Alexandria);
c. 2:12 alude à pregação dos apóstolos (Pseudo-
Cassiodoro)
d. 5:1 é uma alusão à Ceia do Senhor (Cirilo de
Alexandria)
e. 6:8 refere-se às oitenta heresias (Epifâneo).
3. O uso da alegorização no período moderno pelos
protestantes. Os dois heruditos em AT Hengstenberg e Keil
aplicam a interpretação alegórica neste livro. Também a
Versão Autorizada Inglesa em seus títulos de divisão:
a. 1-3.... O mútuo amor de Cristo e da sua Igreja
b. 4...... As graças da Igreja
c. 5...... O amor de Cristo para com ela
d. 6-7.... A Igreja manifesta a sua fé
e. 8...... O amor da Igreja para com Cristo
4. A interpretação do método Gramático-histórico, e o
Histórico-crítico interpretam como uma descrição do amor
humano, num relacionamento de pureza conjugal conforme
Deus estabeleceu para o casamento desde o princípio.

10. Fatos Interessantes


1. Os judeus lêem este livro na Páscoa.

43
Para outras propostas hermenêuticas, vide* Edward J. Young, Introdução ao
Antigo Testamento, pp. 348-350
44
Ainda hoje os judeus interpretam o livro de Cantares como sendo “símbolo do
amor de Deus pela Congregação de Israel, sendo o dia de sábado seu
intermediário.” Meir Matzliah Melamed, Torá a Lei de Moisés, p. 648. Em outro
lugar, o comentarista faz a seguinte observação “apesar das expressões de amor
e nostalgia parecerem referir-se ao amor humano e à beleza física feminina, seu
objetivo não é outro senão descrever alegoricamente as virtudes do povo de
Israel e sua fidelidade ao Criador e a Seus preceitos, como também o amor de
Deus a Seu povo predileto”. p. 655
2. Assuntos não mencionados: nenhum dos nomes de Deus.
pecado; culto de Israel; nem alusão a outro livro do AT.
3. Na época da escrita, Salomão já tinha 60 rainhas e 80
concubinas (1 Rs 11:3, 700 rainhas e 300 concubinas).
4. O único livro dedicado completamente ao amor conjugal,
romântico e sexual.
5. Salomão e Sulamita são sinônimos. Seria o casamento do
“pacificador” e da “pacificadora”. O casamento deve ser
construído sobre o Shalom de Yahweh.

tokashiki@ronnet.com.br
Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki
Pastor da Igreja Presbiteriana de Cerejeiras – Rondônia
Professor de Teologia Sistemática no STPBC – Extensão em Ji-Paraná