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DEM

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ENG176

REFRIGERAÇÃO E AR CONDICIONADO

PARTE II AR CONDICIONADO

Prof. Dr. Marcelo José Pirani

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ÍNDICE

CAPÕTULO 1 ñ CONFORTO T…RMICO

1

1.1 ñ IntroduÁ„o

1

1.2 ñPar‚metros B·sicos em Condicionamento de Ar

2

1.3 ñ Diagramas

de Conforto

5

 

1.3.1 ñ O Diagrama Bioclim·tico dos Irm„os Olgyay

5

1.3.2 ñ A Temperatura Efetiva de Houghton e Yaglou

5

1.3.3 ñ Norma ASHRAE 55

6

1.3.4 ñ As EquaÁıes de Conforto de Fanger

7

1.3.5 ñ As Zonas de Conforto de

10

1.4

ñQualidade do Ar Interno

11

CAPÕTULO 2 ñ CONCEITOS FUNDAMENTAIS

17

2.1 ñ

IntroduÁ„o

17

2.2 ñ

DefiniÁıes

17

2.3 ñ Propriedades Termodin‚micas de uma Subst‚ncia

19

2.4 ñ Diagramas de MOLLIER para Fluidos Refrigerantes

20

2.5 ñ Primeira Lei da Termodin‚mica

21

CAPÕTULO 3 ñ CICLOS DE REFRIGER O POR COMPRESS O DE VAPOR

24

3.1 ñ

IntroduÁ„o

24

3.2 ñ Ciclo TeÛrico de RefrigeraÁ„o por Compress„o de Vapor

24

3.3 ñ Ciclo Real de Compress„o de Vapor

26

3.4 ñ BalanÁo de Energia para o Ciclo de RefrigeraÁ„o por Compress„o de Vapor

27

 

3.4.1 ñ

Capacidade frigorÌfica

27

3.4.2 ñ PotÍncia teÛrica de compress„o

28

3.4.3 ñ Calor rejeitado no condensador

29

3.4.4 ñ Dispositivo de expans„o

30

3.4.5 ñ Coeficiente de performance do ciclo

31

CAPÕTULO 4 ñ REFRIGERA« O POR ABSOR« O DE VAPOR

38

4.1 ñ IntroduÁ„o

38

4.2 - Ciclo de AbsorÁ„o

39

CAPÕTULO 5 ñ ESTIMATIVA DE CARGA T…RMICA SENSÕVEL E LATENTE

41

5.1 IntroduÁ„o

ñ

41

5.2 CaracterÌsticas do Recinto

ñ

41

5.3 ñ Fatores Que Influenciam na Carga TÈrmica do Ambiente

42

 

5.3.1

ñ InsolaÁ„o

42

5.3.1.1 ñ DeterminaÁ„o do Fator de Sombreamento -FS

45

5.3.2

ñ InsolaÁ„o AtravÈs de Vidros

46

5.4

ñ Armazenamento de Calor

49

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5.5

ñ InsolaÁ„o nas paredes externas

52

5.6

ñ

InsolaÁ„o

sobre

Telhados

53

5.7

ñ Transmiss„o de Calor devido ‡ diferenÁa de Temperatura

5.7.1

5.7.2 Vidros

Vidros

ñ

Externos

Internos

55

ñ

55

55

5.7.3 Paredes Internas

ñ

55

5.7.4

ñ Tetos e Pisos

55

5.8

ñ Carga de IluminaÁ„o ñ

5.8.1

L‚mpadas

Incandescentes

56

56

5.8.2

ñ L‚mpadas

Fluorescentes

56

5.9

ñ Carga de Ocupantes

56

5.10

ñ Carga de Motores ElÈtricos

56

5.10.1 ñ Motor e m·quina se encontram nos recintos

56

5.10.2 ñ Apenas a m·quina se encontra no recinto

57

5.10.3 ñ SÛ o motor se encontra no recinto

57

5.11 ñ

Equipamentos EletrÙnicos

57

5.12 ñ Zoneamento

57

CAPÕTULO 6 ñ PSICROMETRIA

60

6.1

ñ DefiniÁıes Fundamentais

60

6.1.1 ñ Press„o Parcial (Lei de Dalton) 6.1.2 ñ

Ar

seco.

60

60

6.1.3 ñ Ar N„o Saturado e Ar

61

6.1.4 Umidade

Absoluta

61

6.1.5 ñ Umidade Relativa (φ)

62

6.1.6 ñ Entalpia EspecÌfica do Ar ⁄mido

62

6.1.7 ñ Volume EspecÌfico do Ar ⁄mido

64

6.1.8 ñ Temperatura de Bulbo

64

6.1.9 ñ SaturaÁ„o

64

6.1.10 ñ Temperatura de Bulbo

65

6.1.11 ñ Temperatura de

66

6.1.12 ñ A Carta PsicromÈtrica

66

6.2

ñ TransformaÁıes PsicromÈtricas

69

6.2.1 ñ Mistura Adiab·tica de Duas Correntes de Ar

69

6.2.2 ñ Aquecimento SensÌvel ou Aquecimento

69

6.2.3 ñ

Resfriamento

70

6.2.4 ñ Resfriamento e DesumidificaÁ„o

71

6.2.5 ñ Resfriamento e

73

6.2.6 ñ

Aquecimento

e

UmidificaÁ„o

74

6.2.7 ñ Aquecimento

e

DesumidificaÁ„o

74

6.3

ñ IntroduÁ„o ao C·lculo PsicromÈtrico

75

6.3.1 DefiniÁıes

ñ

75

6.3.2 Carga

ñ

TÈrmica

77

6.3.3 ñ Curva de Carga do Recinto

77

6.3.4 ñ Condicionamento de Ar de Ver„o

79

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CAPÕTULO 7 ñ CARACTERÕSTICAS DOS SISTEMAS DE CONDICIONAMENTO DE AR

84

7.1 ñ

IntroduÁ„o

84

7.2 ñ InstalaÁıes Apenas Ar

85

 

7.2.1

ñ InstalaÁıes com um Duto e VariaÁ„o da Temp. e/ou da Vaz„o (Zona ⁄nica)

85

7.2.1.1 ñ InstalaÁıes com regulagem da serpentina de

85

7.2.1.2 - InstalaÁıes com by-pass da serpentina de

86

7.2.1.3 ñ InstalaÁıes com regulagem da serpentina de

87

7.2.2

ñ InstalaÁıes com um Duto e VariaÁ„o da Temp. e/ou da Vaz„o (M˙ltiplas

88

7.2.2.1 ñ InstalaÁıes com vaz„o constante e temperatura vari·vel

88

7.2.2.2 ñ InstalaÁıes com temperatura constante e vaz„o vari·vel

88

7.2.2.3 ñ InstalaÁıes com temperatura e vaz„o vari·vel

90

7.2.2.4 ñ InstalaÁıes com vaz„o vari·vel e recirculaÁ„o

90

7.2.2.5 InstalaÁıes Duplo

91

7.3

ñ InstalaÁıes

95

7.3.1 ñ InstalaÁıes de InduÁ„o a Dois

95

7.3.2 ñ InstalaÁıes de InduÁ„o a TrÍs

100

7.3.3 ñ InstalaÁıes de InduÁ„o a Quatro

102

7.3.4 - InstalaÁıes de Fan-Coils Com Ar Prim·rio

103

 

7.3.4.1 ñ InstalaÁ„o de fan-coil a dois tubos com ar prim·rio

104

7.3.4.2 ñ InstalaÁ„o de fan-coil a trÍs tubos com ar

105

7.3.4.3 ñ InstalaÁ„o de fan-coil a quatro tubos com ar prim·rio

107

7.4

ñ InstalaÁıes Apenas £gua

109

7.4.1 - InstalaÁ„o de Fan-Coils a Dois

109

7.4.2 ñ InstalaÁ„o de Fan-Coils a TrÍs

111

7.4.3 ñ InstalaÁ„o de Fan-Coils a Quatro Tubos

112

7.5

ñ InstalaÁıes de

Expans„o Direta

113

CAPÕTULO 8 ñ TERMOACUMULA« O

118

8.1 ñ

IntroduÁ„o

118

8.2 ñ Escolhendo Armazenagem Total ou Parcial

121

CAPÕTULO 9 ñ MELHORIAS ENERG…TICAS

124

9.1 ñ

124

9.2 ñ Sistemas de Condicionamento de

126

9.3 ñ ReduÁ„o do Consumo de Energia em InstalaÁıes de Ar

130

9.3.1 ñ Sistemas Com Vaz„o de Ar Vari·vel (VAV)

130

9.3.2 ñ Sistemas Com Vaz„o Constante (VAC)

131

9.3.3 ñ Sistemas de InduÁ„o

131

9.3.4 ñ Sistemas Duplo Duto

131

9.3.5 ñ Sistemas de Zona

132

9.3.6 ñ Sistemas Com Reaquecimento Terminal

132

9.4

ñ O Ciclo Economizador

133

9.4.1 ñ Ciclo Economizador Controlado por Temperatura de Bulbo

133

9.4.2 ñ Ciclo Economizador Controlado por

134

9.5 ñ

Resfriamento

135

9.6 ñ Controle e Regulagem

137

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9.7 ñ Uso de Motores Eficientes

137

9.8 - Uso de Inversores de Freq¸Íncia (VSD)

138

9.9 ñ Troca de Centrais de £gua Gelada (CAG)

140

REFER NCIAS BIBLIOGR£FICAS

147

ANEXO I: DIAGRAMAS DE MOLLIER PARA OS REFRIGERANTES R22 E

149

ANEXO II: ROTEIRO DE C£LCULO DE CARGA T…RMICA

151

ANEXO III: EXEMPLO COMPLETO DE C£LCULO DE CARGA T…RMICA

156

ANEXO IV - TABELAS

169

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Capítulo 1– Conforto Térmico

1.1 – Introdução

Nesta seÁ„o s„o apresentados quatro Ìndices e critÈrios existentes utilizados para an·lise e avaliaÁ„o de conforto tÈrmico de edifÌcios. Frota (Frota, Manual de Conforto TÈrmico, p.17), estima em trÍs dezenas os Ìndices de conforto existentes e disponÌveis para a avaliaÁ„o de edifÌcios, como habitaÁıes, escolas escritÛrios etc

N„o se pode afirmar que exista hoje um Ìndice ideal para se estabelecer uma zona de conforto adequada para ambientes climatizados e n„o climatizados no Brasil. Existem alguns Ìndices propostos por pesquisadores do exterior e existem tambÈm alguns trabalhos desenvolvidos por pesquisadores brasileiros que analisaram estes Ìndices, buscando avaliar a sua aplicabilidade no nosso paÌs e buscando identificar zonas de conforto nas quais, brasileiros, possam se sentir confort·veis.

Estabelecer os limites de uma zona de conforto È uma tarefa extremamente difÌcil porque a sensaÁ„o de conforto, alÈm de estar ligada a uma sÈrie de vari·veis, est· tambÈm ligada ‡ adaptaÁ„o ao meio em que se vive, dificultando ainda mais a tarefa de encontrar um limite para o qual se possa afirmar, que dentro dele, se tem conforto e fora dele se tem desconforto.

ambientais

sensaÁ„o de bem-estar ‡s pessoas que ali est„o.

Conforto

TÈrmico:

condiÁıes

de

temperatura

e

umidade

que

proporcionam

TÈrmico : condiÁıes de temperatura e umidade que proporcionam Figura 1.1 ñ Fatores que afetam o

Figura 1.1 ñ Fatores que afetam o conforto tÈrmico.

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Metabolismo: processo pelo qual o corpo converte a energia dos alimentos em calor e trabalho.

O calor que È gerado continuamente pelo corpo deve ser eliminado a fim de que a temperatura interna se mantenha constante. A energia total, M, produzida no interior do corpo È dissipada da seguinte maneira:

Trabalho externo realizado pelos m˙sculos, W.

DissipaÁ„o de calor sensÌvel atravÈs da porÁ„o exposta da pele e roupas por convecÁ„o e radiaÁ„o, C + R.

DissipaÁ„o de calor latente por transpiraÁ„o, Ersw, e difus„o de umidade pela pele, Ediff.

DissipaÁ„o de calor sensÌvel por meio da respiraÁ„o, Cresp.

DissipaÁ„o de calor latente devida ‡ respiraÁ„o, Eresp.

Em condiÁıes de regime permanente,

M W =

(

C + R + E

rsw

+ E

diff

)

+

(

C

resp

+ E

resp

)

(1.1)

A taxa de liberaÁ„o de calor pelo corpo humano pode variar de 120 W para atividade sedent·ria atÈ 440 W para atividade intensa (ver Tab. 48, pg. 1-94 Carrier). Este calor representa uma parcela muitas vezes importante da carga tÈrmica de resfriamento de um sistema de ar condicionado.

Embora nem todos os fatores que afetam o conforto sejam completamente entendidos, sabe-se que o conforto È diretamente afetado pelos seguintes fatores:

Temperatura

Umidade

CirculaÁ„o do ar

RadiaÁ„o de superfÌcies vizinhas

Odores

Poeira

RuÌdo

1.2 –Parâmetros Básicos em Condicionamento de Ar

Um sistema de ar condicionado deve controlar diretamente quatro par‚metros ambientais:

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Temperatura do ar (bulbo seco)

Temperatura das superfÌcies circundantes

Umidade do ar

Velocidade do ar

A temperatura do ar È facilmente medida enquanto que a umidade do ar pode ser descrita, para uma dada press„o, utilizando-se termos definidos em psicrometria. Estes incluem a temperatura de bulbo ˙mido e de orvalho, que podem ser medidas diretamente, e a umidade relativa, que deve ser determinada indiretamente a partir das duas temperaturas acima. A velocidade do ar pode ser medida diretamente e, atÈ certo ponto, estimada dos conceitos teÛricos desenvolvidos em mec‚nica dos fluidos. A temperatura das superfÌcies circundantes est· diretamente relacionada com as trocas radiantes entre uma pessoa e a sua vizinhanÁa. O par‚metro b·sico utilizado para descrever as condiÁıes de troca radiante em um espaÁo condicionado È a temperatura radiante mÈdia, definida a seguir.

negro

imagin·rio com o qual a pessoa trocaria a mesma quantidade de calor por radiaÁ„o que aquela trocada com o invÛlucro real.

O instrumento mais comumente utilizado para se medir a temperatura radiante mÈdia È o termômetro de globo de Vernon. Este consiste de uma esfera oca de 6î de di‚metro, pintada de preto, com um termopar ou termÙmetro de bulbo no seu centro. De um balanÁo de energia, pode-se mostrar que a temperatura de equilÌbrio do globo (temperatura do globo) est· relacionada ‡ temperatura radiante mÈdia por

Temperatura

radiante

mÈdia:

temperatura

superficial

uniforme

de

um

invÛlucro

onde:

4

T

mrt

4

= T

g

+ CV

1/ 2

(

T

g

T

a

)

T mrt temperatura radiante mÈdia, R ou K

T g temperatura do globo, R ou K

T a temperatura do ar ambiente (bulbo seco), R ou K

V velocidade do ar, ft/min ou m/s

C = 0,103 x 10 9 (unidades inglesas) e 0,247 x 10 9 (SI)

(1.2)

Pode-se definir ainda:

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Temperatura operacional: temperatura uniforme de um ambiente imagin·rio com o qual a pessoa trocaria a mesma quantidade de calor por convecÁ„o e radiaÁ„o que aquela trocada com o meio real.

A temperatura operacional È a mÈdia entre a temperatura radiante mÈdia e a temperatura do ar ambiente ponderadas pelos respectivos coeficientes de transferÍncia de calor. Entretanto, para as aplicaÁıes pr·ticas usuais, a temperatura operacional pode ser tomada simplesmente como:

T

op

=

T

bs

+

2

T

mrt

denominada temperatura de bulbo seco ajustada.

As restriÁıes ‡ utilizaÁ„o da aproximaÁ„o acima s„o:

Temperatura radiante mÈdia menor que 50 °C

Velocidade do ar menor que 0,4 m/s

(1.3)

Considerada o par‚metro ambiental mais comum e de aplicaÁ„o mais difundida, a temperatura efetiva, ET * , È a temperatura de um ambiente com 50% de umidade relativa que causaria a mesma perda total pela pele que aquela verificada no ambiente real. Portanto, a temperatura efetiva combina a temperatura de bulbo seco e a umidade relativa em um ˙nico Ìndice de maneira que dois ambientes com a mesma temperatura efetiva causariam a mesma sensaÁ„o tÈrmica embora os valores individuais de temperatura e umidade possam diferir de um caso a outro. Uma vez que a sensaÁ„o tÈrmica de indivÌduos depende das vestimentas e do nÌvel de atividade fÌsica, define-se uma temperatura efetiva padrão, SET * , para condiÁıes internas tÌpicas. Estas s„o:

Isolamento devido ‡s vestimentas = 0,6 clo*

Õndice de permeabilidade ‡ umidade = 0,4

NÌvel de atividade metabÛlica = 1,0 met **

Velocidade do ar < 0,10 m/s

Temperatura ambiente = temperatura radiante mÈdia

* 1 clo = 0,155 m 2 °C/W admitindo-se um isolamento uniforme sobre todo o corpo.

** 1 met = 58,2 W/m 2 , taxa metabÛlica de uma pessoa sedent·ria (sentada, em repouso) por unidade de ·rea superficial do corpo.

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1.3 – Diagramas de Conforto

1.3.1 – O Diagrama Bioclimático dos Irmãos Olgyay

Os irm„os Victor e Aladar Olgyay foram, segundo Izard (1983), os primeiros cronologicamente a estudar com profundidade a noÁ„o de conforto tÈrmico e, segundo Scarazzato (1987), os primeiros a tentar estabelecer suas relaÁıes com os ambientes interiores das edificaÁıes, atravÈs do chamado diagrama bioclim·tico, que representa uma preocupaÁ„o em estabelecer relaÁıes entre conforto fisiolÛgico, clima e arquitetura. As pesquisas dos irm„os Olgyay resultaram em um gr·fico conhecido como Diagrama Bioclim·tico de Olgyay que relaciona a temperatura do ar e a umidade relativa, criando uma zona de conforto entre estes dois par‚metros. A Figura 1.2 indica este diagrama para pessoas que estejam realizando trabalho sedent·rio e vestindo um ìcloî em climas quentes. um ìcIoî È equivalente a uma pessoa exercendo uma atividade sentada em edifÌcio de escritÛrio e trajando paletÛ de l„, gravata e camisa, para o sexo masculino ou o equivalente para o sexo feminino. Trata-se de um diagrama muito utilizado por alguns pesquisadores e algumas vezes criticado por outros.

alguns pesquisadores e algumas vezes criticado por outros. Figura 1.2: Diagrama bioclim·tico dos irm„os Olgyay.

Figura 1.2: Diagrama bioclim·tico dos irm„os Olgyay.

1.3.2 – A Temperatura Efetiva de Houghton e Yaglou

O diagrama da temperatura efetiva -TE, conforme indicado na Figura 1.3, foi construÌdo sobre escalas de temperatura, umidade relativa e velocidade do ar, onde, pelo cruzamento destes trÍs

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dados, obtÈm-se a temperatura efetiva corrigida -TEC. RamÛn (1980) ressalta que este foi o primeiro Ìndice que considerou a umidade relativa na definiÁ„o de conforto ambiental, alÈm da temperatura do ar. O diagrama proposto contÈm uma ·rea com hachuras que indica uma zona de conforto para pessoas em trabalho normal, leve, e vestindo um clo.

para pessoas em trabalho normal, leve, e vestindo um clo. Figura 1.3: Diagrama de Temperatura Efetiva

Figura 1.3: Diagrama de Temperatura Efetiva de Houghton e Yaglou.

1.3.3 – Norma ASHRAE 55

A norma ASHRAE Standard 55 define as condiÁıes para um ambiente termicamente aceit·vel, mostradas esquematicamente como zonas de conforto na Figura 1.4. Os limites superiores e inferiores foram tomados considerando-se fenÙmenos associados ‡ umidade do ar, como por exemplo, ressecamento da pele, irritaÁ„o dos olhos, dificuldades respiratÛrias, proliferaÁ„o de microorganismos, etc. As linhas limÌtrofes oblÌquas correspondem a valores determinados de ET * .

As coordenadas das zonas de conforto s„o:

Inverno:

T op = 20 a 23,5 °C e 60% de umidade de relativa

T op = 20,5 a 24,5 °C e T d = 2 °C

ET * igual a 20 e 23,5 °C

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Ver„o:

T op = 22,5 a 26 °C e 60% de umidade de relativa

T op = 23,5 a 27 °C e T d = 2 °C

ET * igual a 23 e 26 °C

Finalmente, as zonas de conforto da Figura 1.4 podem sofrer alteraÁıes quando houver

variaÁıes da velocidade do ar. Por exemplo, temperaturas mais altas do ar podem ser toleradas

quando houver um aumento da velocidade do ar.

ser toleradas quando houver um aumento da velocidade do ar. Figura 1.4 ñ Faixas aceit·veis para

Figura 1.4 ñ Faixas aceit·veis para a temperatura operacional e umidade para pessoas em roupas tÌpicas de ver„o e inverno e exercendo atividade sedent·ria (< 1,2 met).

1.3.4 – As Equações de Conforto de Fanger

Os estudos de Fanger na ·rea de conforto iniciaram-se na "KSU - Kansas State University"

em 1966 e 1967 e continuaram por um perÌodo mais longo na "Technical University of Denmark". O

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objetivo principal de Fanger foi estabelecer uma condiÁ„o preditiva de conforto que pudesse ser calculada mediante sete par‚metros, sendo quatro do prÛprio meio ambiente e trÍs dos usu·rios, a saber:

Temperatura de bulbo seco;

Umidade relativa;

Temperatura radiante mÈdia;

Velocidade do ar;

Taxa metabÛlica por atividade;

ResistÍncia tÈrmica da roupa;

EficiÍncia mec‚nica.

EficiÍncia mec‚nica no Ìndice de Fanger È a componente da energia metabÛlica que n„o È transformada em calor e devolvida ao ambiente, mas È transformada em trabalho. Em atividades tÌpicas de escritÛrio esta componente È igual a 1 e portanto desconsiderada nas equaÁıes. Por meio de equaÁıes, Fanger possibilitou o c·lculo de determinadas vari·veis como, por exemplo, a temperatura de conforto do ar ou a temperatura radiante necess·ria para o conforto ou a temperatura de conforto de um indivÌduo vestindo 2,0 cIo. Uma outra possibilidade de aplicaÁ„o do trabalho de Fanger consiste na determinaÁ„o do Voto Estimado MÈdio -VEM (do inglÍs PMV - Predicted Mean Vote) ou do Percentual de Pessoas Insatisfeitas - PPI (do inglÍs PPD - Predicted Percentage Dissatisfied). Neste caso, as equaÁıes de Fanger s„o utilizadas de forma a comparar os resultados do VEM e PPI obtidos por elas mediante a entrada dos dados reais medidos nos estudos de caso, com os resultados dos nÌveis de satisfaÁ„o dos usu·rios obtidos por meio dos question·rios. Como forma de acelerar os c·lculos e a aplicaÁ„o das equaÁıes de Fanger, utilizou-se uma rotina computacional elaborada por Vittorino e testada em in˙meras pesquisas conduzidas pelo LaboratÛrio de Higrotermia e IluminaÁ„o do Instituto de Pesquisas TecnolÛgicas do Estado de S„o Paulo -IPT. As equaÁıes propostas por Fanger foram normatizadas pelas normas ISO (International Organization for Standardization, (1984). ISO - 7730 - Moderate Thermal Environments -Determination of the PMV and PPD indices and specification of the conditions for thermal comfort. Switzerland) e vÍm sendo aplicadas por pesquisadores de diversas instituiÁıes no Brasil e no exterior, sendo tambÈm reconhecidas pela ASHRAE, como umas das referÍncias de avaliaÁ„o do nÌvel de satisfaÁ„o de conforto ambiental. Os critÈrios adotados pela ASHRAE e pela norma ISO-7730 para os valores aceit·veis de Fanger, s„o apresentados na Tabela 1.1.

Nota-se pela Tabela 1.1 que os valores da norma ISO s„o mais restritivos que os valores da ASHRAE. Entretanto, as aplicaÁıes de Fanger feitas pelo IPT em edifÌcios dos mais variados na cidade de S„o Paulo, tÍm demonstrado a escala de valores da ASHRAE È mais adequada para

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ambientes n„o climatizados enquanto que a escala da ISO È adequada para ambientes climatizados.

Fanger trabalha com uma escala de sete pontos, sendo uma situaÁ„o ideal e neutra, trÍs situaÁıes

tendendo para o quente e trÍs situaÁıes tendendo para o frio, segundo a classificaÁ„o apresentada

na Tabela 1.2

Tabela 1.1 ñ VariaÁıes de valores aceit·veis em Fanger.

VariaÁıes de valores aceit·veis em Fanger

Entidade

VEM

ISO-773O

-0,5 a +0,5

ASHRAE

-0,85 a +0,85

PPI

10%

20%

Tabela 1.2 ñ Escala de Fanger.

-3 = gelado

-2 = frio

-1 = ligeiramente frio

0 = neutro

+1 = ligeiramente quente

+2 = quente

+3 = muito quente

A ASHRAE aceita uma populaÁ„o m·xima de insatisfeitos de 20% enquanto que a Norma

ISO aceita um m·ximo de 10% de insatisfeitos. A tÌtulo de exemplo, aplicando as equaÁıes de

Fanger para uma situaÁ„o bastante usual e utilizada no projeto de climatizaÁ„o de edifÌcios no Brasil,

obtÍm-se os resultados apresentados na Tabela 1.3

Tabela 1.3 ñ Resultados da aplicaÁ„o das equaÁıes de Fanger.

T (°C)

24,0

URA (%)

50,0

TR (°C)

24,5

ResistÍncia da Vestimenta (clo)

1,0

Velocidade do Ar (m/s)

0,1

Taxa de Metabolismo (%)

70,0

Resultados para esta simulaÁ„o:

VME

+0,58

PPI

12,1 %

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Na an·lise de Fanger, um usu·rio nas condiÁıes de simulaÁ„o possui Voto MÈdio Estimado de +0,58 e sente-se entre o neutro (O) e ligeiramente quente (+1), n„o atendendo, portanto, a norma ISO-7730, atendendo apenas a ASHRAE. A PopulaÁ„o MÈdia de Insatisfeitos para as mesmas condiÁıes È de 12,1%, n„o atendendo tambÈm a norma ISO-7730, atendendo somente as recomendaÁıes da ASHRAE. Este È um dado interessante tendo em vista que a simulaÁ„o realizada, feita com base na norma internacional ISO, indica que uma parcela significativa dos projetos de climatizaÁ„o para os edifÌcios de escritÛrio na cidade de S„o Paulo n„o atende a esta norma.

1.3.5 – As Zonas de Conforto de Givoni.

As pesquisas de Givoni e Berner-Nir no BRS - Building Research Station em Haifa, Israel, em 1967, resultaram na proposiÁ„o de um novo Ìndice chamado IFT - Õndice de Fadiga TÈrmica ou "lndex of Thermal Stress" que descreve os mecanismos de troca de calor entre o corpo e o meio. A partir da aplicaÁ„o e aferiÁ„o do IFT, Givoni propÙs um diagrama baseado na carta psicromÈtrica, com uma zona de conforto tÈrmico e quatro outras zonas, nas quais os nÌveis de conforto podem ser atingidos mediante o fornecimento ou a retirada de calor de forma passiva ou ativa, conforme a Figura 1.5. Os Ìndices de conforto tÈrmico assumem uma import‚ncia maior quando se considera que s„o eles que fornecem os par‚metros para a realizaÁ„o de projetos de climatizaÁ„o. Suas concepÁıes foram baseadas em avaliaÁıes comportamentais e nÌveis de satisfaÁ„o de usu·rios entrevistados em diversos cantos do planeta. Na verdade, utilizam-se hoje no Brasil Ìndices para concepÁ„o de projetos que foram baseados em populaÁıes n„o adaptadas e n„o familiarizadas com as condiÁıes clim·ticas brasileiras.

adaptadas e n„o familiarizadas com as condiÁıes clim·ticas brasileiras. Figura 1.5: Zona de conforto de Givoni.

Figura 1.5: Zona de conforto de Givoni.

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1.4 –Qualidade do Ar Interno

Um ambiente interno pode ser confort·vel sem ser saud·vel. Atualmente, as condiÁıes essenciais ‡ sa˙de humana, tanto quanto o conforto, fazem parte das consideraÁıes do projetista de sistemas de condicionamento de ar. PorÈm, apesar da sa˙de, seguranÁa e custo terem crescido em import‚ncia, conforto ainda È a preocupaÁ„o principal da ind˙stria RAVA.

Qualidade do Ar Interno (IAQ). Termo usado para designar condiÁıes do ar interno que assegurem conforto aos seus ocupantes em um ambiente limpo, saud·vel e sem odores.

Qualidade Aceit·vel do Ar Interno ñ ar no qual n„o h· nenhum contaminante conhecido em concentraÁıes consideradas nocivas ‡ sa˙de pelas autoridades competentes e no qual 80% ou mais das pessoas ali presentes n„o manifestam insatisfaÁ„o.

As fontes de contaminaÁ„o do ar interno s„o divididas em quatro grandes grupos:

Grupo I – Contaminação Interior:

Pessoas, plantas e animais.

LiberaÁ„o de contaminantes pela mobÌlia e acessÛrios domÈsticos.

Produtos de limpeza.

Tabagismo.

OzÙnio resultante de motores elÈtricos, copiadoras, etc.

Grupo II – Contaminação Exterior:

A necessidade de ventilaÁ„o e renovaÁ„o do ar interno pode levar ‡ introduÁ„o de ar externo

contaminado. Dependendo de sua condiÁ„o normal e ponto de captaÁ„o, o ar externo pode se apresentar com concentraÁıes significativas de v·rios gases e materiais particulados poluentes.

Grupo III – Contaminação oriunda do Sistema de Condicionamento de Ar:

O prÛprio equipamento condicionador de ar, caso n„o seja tratado e limpo regularmente, pode

se tornar fonte de algas, fungos, poeiras, etc. Em especial, devem ser mencionados:

Dutos. A poeira acumulada pode dar origem ao desenvolvimento de fungos e outros microrganismos;

Unidades de tratamento de ar. As bandejas de condensado re˙nem as condiÁıes b·sicas para o desenvolvimento de bactÈrias e outros microrganismos.

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Grupo IV – Deficiências do Projeto Global de Condicionamento:

Agrupam-se aqui os fatores n„o diretamente ligados aos contaminantes ou ao equipamento condicionador, mas que tÍm uma influÍncia direta sobre a qualidade do ar interno. Por exemplo:

InsuficiÍncia de ar externo.

M· distribuiÁ„o do ar interno.

OperaÁ„o incorreta do equipamento condicionador.

ModificaÁıes inadequadas do edifÌcio, etc

SÌndrome do PrÈdio Doente Sick Building Syndromeî) ñ termo utilizado para designar prÈdios

onde uma porcentagem atÌpica dos ocupantes (20%) apresenta problemas de sa˙de tais como irritaÁ„o dos olhos, garganta seca, dores de cabeÁa, fadiga, sinusite e falta de ar.

Os contaminantes mais comuns s„o:

1. CO 2

Produto da respiraÁ„o de todos os mamÌferos

N„o constitui um risco direto ‡ sa˙de humana

A sua concentraÁ„o È indicativa da boa ou m· ventilaÁ„o de um ambiente

2. CO

Fontes mais comuns: a combust„o incompleta de hidrocarbonetos e fumaÁa de cigarro.

Fornalhas mal ventiladas, chaminÈs, aquecedores de ·gua e incineradores causam problemas muitas vezes.

G·s altamente tÛxico.

PrÈdios com tomadas de ar externo localizadas prÛximas a locais de muito tr·fego apresentam altos nÌveis de CO.

3. ”xidos de enxofre

Produzidos pela utilizaÁ„o de combustÌveis contendo enxofre

Na presenÁa de ·gua pode formar ·cido sulf˙rico, o que causar· problemas respiratÛrios aos ocupantes.

Penetram em um edifÌcio atravÈs das tomadas de ar externo ou de vazamentos em equipamentos de combust„o no interior do mesmo.

4. ”xidos de nitrogÍnio

Produzidos pela combust„o com ar a altas temperaturas (motores a combust„o interna e efluentes industriais).

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Opiniıes divergem quanto ‡ sua toxicidade

Dentro de limites pr·ticos, a sua concentraÁ„o deve ser mantida a mais baixa possÌvel.

Penetram em um edifÌcio atravÈs das tomadas de ar externo ou de vazamentos em equipamentos de combust„o no interior do mesmo.

5. RadÙnio

G·s radioativo naturalmente produzido pelo decaimento do r·dio

Risco de c‚ncer do pulm„o

A sua entrada em um prÈdio pode se dar por frestas no piso ou paredes de porıes, atravÈs do suprimento de ·gua ou atravÈs de materiais de construÁ„o contendo ur‚nio ou tÛrio.

A pressurizaÁ„o do espaÁo condicionado, a ventilaÁ„o de porıes e a vedaÁ„o de frestas s„o medidas eficazes para a diminuiÁ„o de sua concentraÁ„o.

6. Compostos Org‚nicos Vol·teis (COV)

Presentes em um ambiente interno como produtos de combust„o, mas tambÈm presentes em pesticidas, materiais de construÁ„o, produtos de limpeza, solventes, etc.

Normalmente as concentraÁıes est„o abaixo dos limites recomendados, mas algumas pessoas s„o hipersensÌveis.

O g·s formaldeÌdo È um dos COV mais comuns, sendo irritante dos olhos e das mucosas e com possÌvel aÁ„o cancerÌgena.

7. Material Particulado

Uma amostra tÌpica de ar externo contÈm fuligem, fumaÁa, sÌlica, argila, matÈria vegetal e animal putrefata, fibras vegetais, fragmentos met·licos, fungos, bactÈrias, pÛlen e outros materiais vivos.

H· ainda material particulado origin·rio do prÛprio ambiente como fungos e poeira de tapetes, roupas de cama, etc

Algumas partÌculas s„o muito pequenas (0,01 µm), o que dificulta e encarece a limpeza do ar.

Quando esta mistura se encontra suspensa no ar È denominada aerossol.

Podem ser a causa de alergias e outros males.

A import‚ncia das questıes relativas ‡ qualidade do ar de interiores (QAI) se faz evidente pela publicaÁ„o em 28 de agosto de 1998 da portaria N° 3.523 do MinistÈrio da Sa˙de. Esta portaria, em vista da Ìntima correlaÁ„o entre a qualidade do ar de interiores, a produtividade e a sa˙de dos

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ocupantes, determina que ser„o objeto de regulamento tÈcnico, a ser elaborado por aquele MinistÈrio, medidas especÌficas referentes a padrıes de qualidade do ar em ambientes climatizados. Estas medidas dir„o respeito:

¿ definiÁ„o de par‚metros fÌsicos e composiÁ„o quÌmica do ar de interiores;

¿ identificaÁ„o de poluentes de natureza fÌsica, quÌmica e biolÛgica, suas toler‚ncias e mÈtodos de controle;

Aos prÈ-requisitos de projetos de instalaÁ„o e de execuÁ„o de sistemas de climatizaÁ„o.

Diretamente

relacionados

a

estas

medidas

est„o

os

quatro

mÈtodos

b·sicos

para

a

manutenÁ„o da qualidade do ar de interiores (McQuiston e Parker, 1994):

1. EliminaÁ„o ou modificaÁ„o da fonte de contaminantes ñ mÈtodo mais eficiente para se reduzir a concentraÁ„o de contaminantes n„o gerados diretamente pelos ocupantes ou pelas atividades no interior do edifÌcio.

2. DistribuiÁ„o do ar interno ñ remoÁ„o de contaminantes gerados por fontes localizadas antes que se espalhem pelo ambiente climatizado.

3. Uso de ar externo ñ necess·rio para manter-se uma porcentagem mÌnima de oxigÍnio no ar interno e ao mesmo tempo diluir-se a concentraÁ„o de contaminantes.

4. Limpeza do ar ñ passo final de um projeto de condicionamento para se assegurar um ambiente limpo e saud·vel.

de condicionamento para se assegurar um ambiente limpo e saud·vel. Figura 1.6 - Sistema de climatizaÁ„o

Figura 1.6 - Sistema de climatizaÁ„o tÌpico.

14

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A utilizaÁ„o de ar externo tem um efeito direto sobre a carga tÈrmica e por isto È estudada em

detalhe. Referindo-se ‡ Figura 1.6, s„o definidas as seguintes vazıes:

vaz„o de ar suprido ao ambiente climatizado que passou por processos de

condicionamento. vaz„o n„o intencional de ar externo para o interior do ambiente climatizado atravÈs de frestas, portas e janelas.

Q retorno vaz„o de ar conduzido pelo sistema de condicionamento para fora do ambiente climatizado.

Q

Q

Q

insuflado:

infiltraÁo

vaz„o de ar removida do ambiente climatizado e descarregada na atmosfera.

Q recirculado vaz„o de ar removida do ambiente condicionado que se pretende reutilizar como parte

do ar insuflado (suprido). Esta vaz„o ser· diferente da vaz„o de retorno somente se houver alguma exaust„o ou alÌvio, isto È, se Q alÌvio for diferente de zero.

vaz„o n„o intencional de ar interno para o exterior do ambiente climatizado atravÈs de frestas, portas e janelas.

Q

alÌvio

exfiltraÁo

Q exausto vaz„o de ar para o exterior do ambiente atravÈs de chaminÈs, lareiras, etc.

Q

renovaÁo

vaz„o de ar fresco da atmosfera externa, admitida livre de contaminantes, requerida pelos ocupantes para compensar as vazıes de exaust„o, alÌvio e exfiltraÁ„o. Sendo tambÈm denominada de ar de renovação.

Em alguns casos, a vaz„o de ar de ventilaÁ„o requerida para se manter a qualidade do ar interno pode ser menor do que a vaz„o de ar suprido devido a exigÍncias de conforto (manutenÁ„o da temperatura e umidade). Em outros casos, a vaz„o mÌnima de ar suprido È fixada por requerimentos de ventilaÁ„o para se manter a qualidade do ar interno.

Aplicando-se a equaÁ„o da continuidade a um VC em torno do ambiente climatizado e admitindo-se um valor constante para a densidade do ar:

Q

t

= Q

suprido

+ Q

inf iltraÁ„o

= Q

retorno

+ Q

exfiltraÁ„o

+ Q

exaust„o

(1.4)

A lei da conservaÁ„o da massa se aplica igualmente para qualquer contaminante entrando e

saindo do ambiente climatizado. Admitindo-se:

OperaÁ„o em regime permanente.

Mistura completa.

Taxa de geraÁ„o do contaminante no ambiente constante.

ConcentraÁ„o uniforme do contaminante no espaÁo climatizado e no ar que entra.

Densidade constante.

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Tem-se:

onde:

Q t

C s

N

Ce

Q C

t

e

+ N = Q C

t

s

(1.5)

vaz„o total de ar entrando ou saindo do ambiente

concentraÁ„o mÈdia do contaminante no interior do ambiente

taxa de geraÁ„o do contaminante no espaÁo

concentraÁ„o do contaminante no ar que entra

Desta equaÁ„o obtÈm-se a concentraÁ„o do contaminante no espaÁo climatizado, C s , ou a

vaz„o de ar necess·ria, Q t , para se manter o nÌvel de concentraÁ„o deste contaminante aquÈm de

um valor limite. A norma ASHRAE Standard 62 descreve dois mÈtodos para se estabelecer e manter

a qualidade do ar interno requerida pelos ocupantes. O primeiro destes mÈtodos, denominado

Ventilation Rate Procedure, prescreve as vazıes mÌnimas de ar fresco necess·rias a cada tipo de

ambiente climatizado e os mÈtodos aplic·veis de condicionamento deste mesmo ar. Uma vers„o

simplificada desta norma È dada na Tab. 4-2 de McQuiston e Parker (1994). O Manual de Aire

Condicionado Carrier tambÈm apresenta uma tabela semelhante (Cap. 6, Tab. 45), porÈm mais

simples. Deve-se enfatizar que qualquer tentativa de reduÁ„o das vazıes mÌnimas como forma de

conservaÁ„o de energia requerer· a limpeza do ar de recirculaÁ„o.

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Capítulo 2– Conceitos Fundamentais

2.1 – Introdução

Este capÌtulo tem por objetivo apresentar algumas definiÁıes termodin‚micas e as propriedades das subst‚ncias mais usadas na an·lise de sistemas frigorÌficos. Mostrar· ainda, as relaÁıes entre as propriedades termodin‚micas de uma subst‚ncia pura, que È o caso dos fluÌdos frigorÌficos. Esta apresentaÁ„o, contudo, n„o se deter· em an·lises termodin‚micas rigorosas, ao contr·rio, far· apenas uma apresentaÁ„o superficial de tais definiÁıes e das propriedades termodin‚micas e suas inter-relaÁıes suficientes para o propÛsito deste estudo. TambÈm ser„o apresentados os conceitos b·sicos relacionados com transferÍncia de calor.

2.2 – Definições

Propriedades termodinâmicas - S„o caracterÌsticas macroscÛpicas de um sistema, como:

volume, massa, temperatura, press„o etc.

Estado Termodinâmico - Pode ser entendido como sendo a condiÁ„o em que se encontra a subst‚ncia, sendo caracterizado pelas suas propriedades.

Processo - … uma mudanÁa de estado de um sistema. O processo representa qualquer mudanÁa nas propriedades da subst‚ncia. Uma descriÁ„o de um processo tÌpico envolve a especificaÁ„o dos estados de equilÌbrio inicial e final.

Ciclo - … um processo, ou mais especificamente uma sÈrie de processos, onde o estado inicial e o estado final do sistema (subst‚ncia) coincidem.

Substância Pura - … qualquer subst‚ncia que tenha composiÁ„o quÌmica invari·vel e homogÍnea. Ela pode existir em mais de uma fase (sÛlida, lÌquida e gasosa), mas a sua composiÁ„o quÌmica È a mesma em qualquer das fases.

Temperatura de saturação - O termo designa a temperatura na qual se d· a vaporizaÁ„o de uma subst‚ncia pura a uma dada press„o. Essa press„o È chamada ìpress„o de saturaÁ„oî para a temperatura dada. Assim, para a ·gua (utiliza-se a ·gua para facilitar o entendimento da definiÁ„o dada acima) a 100 o C, a press„o de saturaÁ„o È de 1,01325 bar, e para a ·gua a 1,01325 bar de press„o, a temperatura de saturaÁ„o È de 100 o C. Para uma subst‚ncia pura h· uma relaÁ„o definida entre a press„o de saturaÁ„o e a temperatura de saturaÁ„o correspondente.

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Líquido Saturado - Se uma subst‚ncia se encontra como lÌquido ‡ temperatura e press„o de saturaÁ„o, diz-se que ela est· no estado de lÌquido saturado.

Líquido Sub-resfriado - Se a temperatura do lÌquido È menor que a temperatura de saturaÁ„o, para a press„o existente, o lÌquido È chamado de lÌquido sub-resfriado (significa que a temperatura È mais baixa que a temperatura de saturaÁ„o para a press„o dada), ou lÌquido comprimido, (significando ser a press„o maior que a press„o de saturaÁ„o para a temperatura dada).

que a press„o de saturaÁ„o para a temperatura dada). Figura 2.1 - Estados de uma subst‚ncia

Figura 2.1 - Estados de uma subst‚ncia pura.

Título (x) - Quando uma subst‚ncia se encontra parte lÌquida e parte vapor, na temperatura de saturaÁ„o (isto ocorre, em particular, nos sistemas de refrigeraÁ„o, no condensador e no evaporador), a relaÁ„o entre a massa de vapor e a massa total, isto È, a massa de lÌquido mais a massa de vapor, È chamada de tÌtulo (x). Matematicamente, tem-se:

x

m

v

m

v

=

=

m

l

+

m

v

m

t

(2.1)

Vapor Saturado - Se uma subst‚ncia se encontra completamente como vapor na temperatura de saturaÁ„o, È chamada de ìvapor saturadoî, e neste caso o tÌtulo È igual a 1 ou 100%, pois a massa total (m t ) È igual ‡ massa de vapor (m v ).

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Vapor Superaquecido - Quando o vapor est· a uma temperatura maior que a temperatura de saturaÁ„o È chamado ìvapor superaquecidoî. A press„o e a temperatura do vapor superaquecido s„o propriedades independentes, e neste caso, a temperatura pode ser aumentada para uma press„o constante. Em verdade, as subst‚ncias que chamamos de gases s„o vapores altamente superaquecidos.

A Erro! A origem da referência não foi encontrada. retrata a terminologia que acabou de ser definida, para os diversos estados termodin‚micos em que se pode encontrar uma subst‚ncia pura.

2.3 – Propriedades Termodinâmicas de uma Substância

Uma propriedade de uma subst‚ncia È qualquer caracterÌstica observ·vel dessa subst‚ncia. Um n˙mero suficiente de propriedades termodin‚micas independentes constitui uma definiÁ„o completa do estado da subst‚ncia.

As propriedades termodin‚micas mais comuns s„o: temperatura (T), press„o (P), volume especÌfico (v) e massa especÌfica (ρ). Alem destas propriedades termodin‚micas mais familiares, e que s„o mensur·veis diretamente, existem outras propriedades termodin‚micas fundamentais para a an·lise de transferÍncia de calor, trabalho e energia, n„o mensur·veis diretamente, que s„o: energia interna (u), entalpia (h) e entropia (s).

Energia Interna (u). … a energia que a matÈria possui devido ao movimento e/ou forÁas intermoleculares. Esta forma de energia pode ser decomposta em duas partes:

a) Energia cinÈtica interna relacionada ‡ velocidade das molÈculas;

b) Energia potencial interna relacionada ‡s forÁas de atraÁ„o entre as molÈculas.

As mudanÁas na velocidade das molÈculas s„o identificadas, macroscopicamente, pela alteraÁ„o da temperatura da subst‚ncia (sistema), enquanto que as variaÁıes na posiÁ„o s„o identificadas pela mudanÁa de fase da subst‚ncia (sÛlido, lÌquido ou vapor).

Entalpia (h). Na an·lise tÈrmica de alguns processos especÌficos, freq¸entemente s„o encontradas certas combinaÁıes de propriedades termodin‚micas. Uma dessas combinaÁıes ocorre quando se tem um processo a press„o constante, resultando a combinaÁ„o u + pv. Assim È conveniente definir uma nova propriedade termodin‚mica chamada ìentalpiaî, a qual È representada pela letra h. Matematicamente, tem-se:

h = u + p v

(2.2)

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Entropia (s). Esta propriedade termodin‚mica representa, segundo alguns autores, uma medida da desordem molecular da subst‚ncia ou, segundo outros, a medida da probabilidade de ocorrÍncia de um dado estado da subst‚ncia.

Cada propriedade de uma subst‚ncia, em um dado estado, tem somente um valor finito. Essa propriedade sempre tem o mesmo valor para um estado dado independentemente de como foi atingido tal estado.

2.4 – Diagramas de MOLLIER para Fluidos Refrigerantes.

As propriedades termodin‚micas de uma subst‚ncia s„o freq¸entemente apresentadas, alÈm das tabelas, em diagramas que podem ter por ordenada e abscissa, temperatura e entropia, entalpia e entropia, press„o absoluta e volume especÌfico ou press„o absoluta e entropia.

Os diagramas tendo como ordenada press„o absoluta (P) e como abscissa a entalpia especÌfica (h) s„o bastante utilizados para apresentar as propriedades dos fluidos frigorÌficos, visto que estas coordenadas s„o mais adequadas ‡ representaÁ„o do ciclo termodin‚mico de refrigeraÁ„o por compress„o de vapor. Estes diagramas s„o conhecidos como diagramas de Mollier. A Figura 2.2 mostra os elementos essenciais dos diagramas press„o-entalpia, para qualquer subst‚ncia pura. Diagramas completos para leitura de dados a serem usados nas an·lises tÈrmicas de sistemas frigorÌficos, s„o dados em anexo.

tÈrmicas de sistemas frigorÌficos, s„o dados em anexo. Figura 2.2 - Esquema de um diagrama de

Figura 2.2 - Esquema de um diagrama de Pxh (Mollier) para um refrigerante.

Estes diagramas s„o ˙teis, tanto como meio de apresentar a relaÁ„o entre as propriedades termodin‚micas, como porque possibilitam a visualizaÁ„o dos processos que ocorrem em cada uma das partes do sistema. Assim, no estudo de um ciclo de refrigeraÁ„o ser· utilizado o diagrama de

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Mollier para mostrar o que ocorre em cada componente do sistema de refrigeraÁ„o (compressor,

condensador, dispositivo de expans„o e evaporador). O ciclo completo de refrigeraÁ„o por

compress„o de vapor tambÈm ser· representado sobre o diagrama de Mollier.

No diagrama de Mollier podem se destacar trÍs regiıes caracterÌsticas, que s„o:

a) A regi„o ‡ esquerda da linha de lÌquido saturado (x=0), chamada de regi„o de lÌquido sub-

resfriado.

b) A regi„o compreendida entre as linhas de lÌquido saturado (x=0) e vapor saturado (x=1),

chamada de regi„o de vapor ˙mido ou regi„o de lÌquido mais vapor.

c) A regi„o ‡ direita da linha de vapor saturado (x=1), chamada de regi„o de vapor

superaquecido.

Para determinar as propriedades termodin‚micas de um estado nas condiÁıes saturadas,

basta conhecer uma propriedade e o estado estar· definido. Para as regiıes de lÌquido sub-resfriado

e vapor superaquecido È necess·rio conhecer duas propriedades para definir um estado

termodin‚mico.

2.5 – Primeira Lei da Termodinâmica.

A primeira lei da termodin‚mica tambÈm È conhecida como o ìPrincipio de ConservaÁ„o de

Energiaî, o qual estabelece que a energia n„o pode ser criada nem destruÌda, mas somente

transformada, entre as v·rias formas de energia existentes.

Para se efetuar balanÁos de energia, isto È, para se aplicar a primeira lei da termodin‚mica, È

necess·rio primeiro estabelecer o conceito de sistema termodin‚mico. Assim, o sistema

termodin‚mico consiste em uma quantidade de matÈria (massa), ou regi„o, para a qual a atenÁ„o

est· voltada. Demarca-se um sistema termodin‚mico em funÁ„o daquilo que se deseja analisar, e

tudo aquilo que se situa fora do sistema termodin‚mico È chamado meio ou vizinhanÁa.

do sistema termodin‚mico È chamado meio ou vizinhanÁa. (a) (b) Figura 2.3 ñ (a) Sistema Fechado

(a)

sistema termodin‚mico È chamado meio ou vizinhanÁa. (a) (b) Figura 2.3 ñ (a) Sistema Fechado e

(b)

Figura 2.3 ñ (a) Sistema Fechado e (b) Sistema aberto (volume de controle).

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O sistema termodin‚mico È delimitado atravÈs de suas fronteiras, as quais podem ser mÛveis,

fixas, reais ou imagin·rias. O sistema pode ainda ser classificado em sistema fechado (Figura 2.3.a),

correspondendo a uma regi„o onde n„o ocorre fluxo de massa atravÈs de suas fronteiras (tem

massa fixa), e sistema aberto (Figura 2.3.b), que corresponde a uma regi„o onde ocorre fluxo de

massa atravÈs de suas fronteiras, sendo tambÈm conhecido por volume de controle.

O balanÁo de energia estabelece que, para um determinado intervalo de tempo, o somatÛrio

dos fluxos de energia entrando no volume de controle, È igual ao somatÛrio dos fluxos de energia

saindo do volume de controle mais a variaÁ„o da quantidade de energia armazenada pelo mesmo,

durante o intervalo de tempo considerado. Matematicamente, tem-se:

onde:

E

E

E

t

ent

sai

vc

!

E

ent

=

!

E

sai

+

E

vc

t

representa qualquer forma de energia entrando no volume de controle.

representa qualquer forma de energia saindo do volume de controle.

representa a quantidade total de energia armazenada no volume de controle.

representa o intervalo de tempo considerado.

(2.3)

… importante ressaltar que, do ponto de vista termodin‚mico, a energia È composta de energia

cinÈtica (E c ), energia potencial (E p ) e energia interna (U). A energia cinÈtica e a energia potencial s„o

dadas pelas equaÁıes (2.4) e (2.5), respectivamente, e, conforme mencionado anteriormente, a

energia interna est· associada ao movimento e/ou forÁas intermoleculares da subst‚ncia em an·lise.

E

E

c

p

=

=

m

V

2

2

m g z

(2.4)

(2.5)

onde:

m

representa a massa do sistema;

V

representa a velocidade do sistema.

g

representa a aceleraÁ„o da gravidade;

z

representa a cota (elevaÁ„o) com relaÁ„o a um referencial adotado para o sistema.

Entre as formas de energia que podem atravessar a fronteira de um volume de controle, isto È,

!

entrar ou sair do volume de controle, est„o incluÌdos os fluxos de calor ( Q ), os fluxos de trabalho

!

( W ) e os fluxos de energia associados ‡ massa atravessando estas fronteiras. Uma quantidade de

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massa em movimento possui energia cinÈtica, energia potencial e energia cinÈtica. AlÈm disto, como geralmente o fluxo m·ssico ( m ) È gerado por uma ìforÁa motrizî, h· ma outra forma de energia associada ao fluxo, a qual est· relacionada com a press„o. Esta ˙ltima forma de energia È chamada de ìtrabalho de fluxoî, sendo dada pelo produto da press„o pelo volume especÌfico do fluÌdo. Assim, apÛs algumas simplificaÁıes, a primeira lei da termodin‚mica pode ser escrita como:

!

!

Q

+

ent

!

m

 

V

2

V

2

2

2

+

gz

+

u

+

pv

=

!

W

+

sai

!

m

+

gz

+

u

+

pv

+

E

vc

t

(2.6)

Duas observaÁıes importantes podem ser efetuadas com relaÁ„o ‡ equaÁ„o acima. A primeira

se refere ‡ soma das parcelas ìu + pvî que, como visto anteriormente (Eq. 2), corresponde ‡ entalpia

da subst‚ncia (h). A segunda observaÁ„o est· relacionada ao fato de que, para a grande maioria dos

sistemas industriais, a variaÁ„o da quantidade de energia armazenada no sistema (E vc ) È igual a

zero. Para esta condiÁ„o, diz-se que o sistema opera em regime permanente, e a equaÁ„o acima

pode ser escrita como:

!

Q

+

ent

 

m ! h

+

V

2

+

=

m ! h

+

V

2

2

 

gz

sai

2

+ gz

+

!

W

(2.7)

Para aplicaÁ„o da primeira lei da termodin‚mica, È necess·rio estabelecer uma convenÁ„o de

sinais para trabalho e calor. A Figura 2.4 mostra esta convenÁ„o de sinais e, como pode ser

observado, o trabalho realizado pelo sistema e o calor transferido ao sistema tÍm sinal positivo, ao

mesmo tempo em que o trabalho realizado sobre sistema e o calor transferido pelo sistema tÍm sinal

negativo. No Sistema Internacional, a unidade de fluxo de trabalho e calor È o Watt [W], a unidade da

vaz„o m·ssica È [kg/s], a unidade da entalpia È [J/kg], a de velocidade È [m/s] e a unidade da cota È

[m]. A aceleraÁ„o da gravidade, que pode ser considerada constante, È igual a 9,81 m/s 2 .

pode ser considerada constante, È igual a 9,81 m/s 2 . Figura 2.4 - ConvenÁ„o dos

Figura 2.4 - ConvenÁ„o dos sinais para trabalho e calor.

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Capítulo 3– Ciclos de Refrigeração por Compressão de Vapor.

3.1 – Introdução

Se um lÌquido for introduzido num vaso onde existe, inicialmente, um grau de v·cuo e cujas paredes s„o mantidas a temperatura constante, ele se evaporar· imediatamente. No processo, o calor latente de vaporizaÁ„o, ou seja, o calor necess·rio para a mudanÁa do estado lÌquido para o estado vapor È fornecido pelas paredes do vaso. O efeito de resfriamento resultante È o ponto de partida do ciclo de refrigeraÁ„o, que ser· examinado neste capÌtulo.

¿ medida que o lÌquido se evapora, a press„o dentro do vaso aumenta atÈ atingir,

eventualmente, a press„o de saturaÁ„o para a temperatura considerada. Depois disto nenhuma quantidade de lÌquido evaporar· e, naturalmente, o efeito de resfriamento cessar·. Qualquer quantidade adicional de lÌquido introduzido permanecer· no neste estado, isto È, como lÌquido no fundo do vaso. Se for removida parte do vapor do recipiente conectando-o ao lado de sucÁ„o de uma bomba, a press„o tender· a cair, isto provocar· uma evaporaÁ„o adicional do lÌquido. Neste aspecto, o processo de resfriamento pode ser considerado contÌnuo. E, para tal, necessita-se: de um fluido adequado, o refrigerante; um recipiente onde a vaporizaÁ„o e o resfriamento sejam realizados, chamado de evaporador; e um elemento para remoÁ„o do vapor, chamado de compressor.

O sistema apresentado atÈ agora n„o È pr·tico, pois envolve um consumo contÌnuo de

refrigerante. Para evitar este problema È necess·rio converter o processo num ciclo. Para fazer o vapor retornar ao estado lÌquido, o mesmo deve ser resfriado e condensado. Usualmente, utiliza-se a

·gua ou o ar, como meio de resfriamento, os quais se encontram a uma temperatura, substancialmente, mais elevada do que a temperatura reinante no evaporador. A press„o de vapor correspondente ‡ temperatura de condensaÁ„o deve, portanto, ser bem mais elevada do que a press„o no evaporador. O aumento desejado de press„o È promovido pelo compressor.

A liquefaÁ„o do refrigerante È realizada num condensador que È, essencialmente, um

recipiente resfriado externamente pelo ar ou ·gua. O g·s refrigerante quente (superaquecido) com alta press„o È conduzido do compressor para o condensador, onde È condensado. Resta agora completar o ciclo, o que pode ser feito pela inclus„o de uma v·lvula ou outro dispositivo regulador, que ser· usado para injeÁ„o de lÌquido no evaporador. Este È um componente essencial de uma

instalaÁ„o de refrigeraÁ„o e È chamado de v·lvula de expans„o.

3.2 – Ciclo Teórico de Refrigeração por Compressão de Vapor

Um ciclo tÈrmico real qualquer deveria ter para comparaÁ„o o ciclo de CARNOT, por ser este o ciclo de maior rendimento tÈrmico possÌvel. Entretanto, dado as peculiaridades do ciclo de

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refrigeraÁ„o por compress„o de vapor, define-se um outro ciclo que È chamado de ciclo teórico, no qual os processos s„o mais prÛximos aos do ciclo real e, portanto, torna-se mais f·cil comparar o ciclo real com este ciclo teÛrico (existem v·rios ciclos termodin‚micos ideais, diferentes do ciclo de Carnot, como o ciclo ideal de Rankine, dos sistemas de potÍncia a vapor, o ciclo padr„o ar Otto, para os motores de combust„o interna a gasolina e ·lcool, o ciclo padr„o ar Brayton, das turbinas a g·s, etc). Este ciclo teÛrico ideal È aquele que ter· melhor performance operando nas mesmas condiÁıes do ciclo real.

performance operando nas mesmas condiÁıes do ciclo real. Figura 3.1 - Ciclo teÛrico de refrigeraÁ„o por

Figura 3.1 - Ciclo teÛrico de refrigeraÁ„o por compress„o de vapor.

A Figura 3.1 mostra um esquema b·sico de um sistema de refrigeraÁ„o por compress„o de vapor com seus principais componentes, e o seu respectivo ciclo teÛrico construÌdo sobre um diagrama de Mollier, no plano P-h. Os equipamentos esquematizados na Figura 3.1 representam, genericamente, qualquer dispositivo capaz de realizar os respectivos processos especÌficos indicados.

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Os

processos

equipamentos s„o:

termodin‚micos

que

constituem

o

ciclo

teÛrico

em

seus

respectivos

a) Processo 12. Ocorre no compressor, sendo um processo adiab·tico reversÌvel e, portanto, isentrÛpico, como mostra a Figura 3.1. O refrigerante entra no compressor ‡ press„o do evaporador (P o ) e com tÌtulo igual a 1 (x =1). O refrigerante È ent„o comprimido atÈ atingir a press„o de condensaÁ„o (P c ) e, ao sair do compressor est· superaquecido ‡ temperatura T 2 , que È maior que a temperatura de condensaÁ„o T C .

b) Processo 23. Ocorre no condensador, sendo um processo de rejeiÁ„o de calor, do refrigerante para o meio de resfriamento, ‡ press„o constante. Neste processo o fluido frigorÌfico È resfriado da temperatura T 2 atÈ a temperatura de condensaÁ„o T C e, a seguir, condensado atÈ se tornar lÌquido saturado na temperatura T 3 , que È igual ‡ temperatura T C .

c) Processo 34. Ocorre no dispositivo de expans„o, sendo uma expans„o irreversÌvel a entalpia constante (processo isent·lpico), desde a press„o P C e lÌquido saturado (x=0), atÈ a press„o de vaporizaÁ„o (P o ). Observe que o processo È irreversÌvel e, portanto, a entropia do refrigerante na saÌda do dispositivo de expans„o (s 4 ) ser· maior que a entropia do refrigerante na sua entrada (s 3 ).

d) Processo 41. Ocorre no evaporador, sendo um processo de transferÍncia de calor a press„o constante (P o ), conseq¸entemente a temperatura constante (T o ), desde vapor ˙mido (estado 4), atÈ atingir o estado de vapor saturado seco (x=1). Observe que o calor transferido ao refrigerante no evaporador n„o modifica a temperatura do refrigerante, mas somente muda sua qualidade (tÌtulo).

3.3 – Ciclo Real de Compressão de Vapor

As diferenÁas principais entre o ciclo real e o ciclo teÛrico est„o mostradas na Figura 3.2, as quais ser„o descritas a seguir. Uma das diferenÁas entre o ciclo real e o teÛrico È a queda de press„o nas linhas de descarga, lÌquido e de sucÁ„o assim como no condensador e no evaporador. Estas perda de carga P d e P s est„o mostradas na Figura 3.2.

Outra diferenÁa È o sub-refriamento do refrigerante na saÌda do condensador (nem todos os sistemas s„o projetados com sub-refriamento), e o superaquecimento na sucÁ„o do compressor, sendo este tambÈm um processo importante que tem a finalidade de evitar a entrada de lÌquido no compressor. Outro processo importante È o processo de compress„o, que no ciclo real È politrÛpico (s 1 s 2 ), e no processo teÛrico È isentrÛpico.

Devido ao superaquecimento e ao processo politrÛpico de compress„o a temperatura de descarga do compressor (T 2 ) pode ser muito elevada, tornando-se um problema para os Ûleos

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lubrificantes usados nos compressores frigorÌficos. A temperatura de descarga n„o deve ser superior

a 130 °C, o que, por vezes, exige o resfriamento forÁado do cabeÁote dos compressores,

principalmente quando s„o utilizados os refrigerantes R717 e R22, (com baixas temperaturas de

evaporaÁ„o). Muitos outros problemas de ordem tÈcnica, dependendo do sistema e sua aplicaÁ„o,

podem introduzir diferenÁas significativas alÈm das citadas atÈ aqui. Problemas tÈcnicos e de

operaÁ„o ser„o abordados nos prÛximos capÌtulos.

e de operaÁ„o ser„o abordados nos prÛximos capÌtulos. Figura 3.2 ñ DiferenÁas entre o ciclo teÛrico

Figura 3.2 ñ DiferenÁas entre o ciclo teÛrico e o real de refrigeraÁ„o.

3.4 – Balanço de Energia para o Ciclo de Refrigeração por Compressão de Vapor

O balanÁo de energia do ciclo de refrigeraÁ„o È feito considerando-se o sistema operando em

regime permanente nas condiÁıes de projeto, ou seja, ‡ temperatura de condensaÁ„o (T C ), e

temperatura de vaporizaÁ„o (T O ). Os sistemas reais e teÛricos tÍm comportamentos idÍnticos, tendo

o ciclo real apenas um desempenho pior. A an·lise do ciclo teÛrico permitir·, de forma simplificada,

verificar quais par‚metros tÍm influÍncia no desempenho do ciclo.

3.4.1 – Capacidade frigorífica

!

o ) , È a quantidade de calor, por unidade de tempo, retirada do meio

que se quer resfriar (produto), atravÈs do evaporador do sistema frigorÌfico. Este processo est·

indicado na Figura 3.3. Considerando-se que o sistema opera em regime permanente e

desprezando-se as variaÁıes de energia cinÈtica e potencial, pela primeira lei da termodin‚mica,

tem-se:

A capacidade frigorÌfica ( Q

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da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica Figura 3.3 ñ Processo de transferÍncia de calor

Figura 3.3 ñ Processo de transferÍncia de calor no evaporador.

!

Q

o

=

!

m (h

f

1

h

4

)

(3.1)

Normalmente, se conhece a capacidade frigorÌfica deve do sistema de refrigeraÁ„o, a qual

deve ser igual ‡ carga tÈrmica, para operaÁ„o em regime permanente. Se for estabelecido o ciclo e o

fluido frigorÌfico com o qual o sistema deve trabalhar, pode-se determinar o fluxo m·ssico que circula

atravÈs dos equipamentos, pois as entalpias h 1 e h 4 s„o conhecidas e, conseq¸entemente o

compressor fica determinado.

A quantidade de calor por unidade de massa de refrigerante retirada no evaporador È

chamada de ìEfeito FrigorÌficoî (EF), e È um dos par‚metros usados para definir o fluido frigorÌfico

que ser· utilizado em uma determinada instalaÁ„o.

EF = h

1

h

4

(3.2)

em uma determinada instalaÁ„o. EF = h 1 − h 4 (3.2) Figura 3.4 ñ Evaporador

Figura 3.4 ñ Evaporador para resfriamento de ar (c‚maras frigorÌficas)

3.4.2 – Potência teórica de compressão

Chama-se de potÍncia teÛrica de compress„o ‡ quantidade de energia, por unidade de tempo,

que deve ser fornecida ao refrigerante, no compressor, para se obter a elevaÁ„o de press„o

necess·ria ao do ciclo teÛrico. Neste ciclo o processo de compress„o È adiab·tico reversÌvel

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(isentrÛpico), como indicado na Figura 3.5. No sistema de refrigeraÁ„o real o compressor perde calor

para o meio ambiente, entretanto, este calor È pequeno quando comparado ‡ energia necess·ria

para realizar o processo de compress„o. Aplicando-se a primeira lei da termodin‚mica, em regime

permanente, no volume de controle da figura baixo e desprezando-se a variaÁ„o de energia cinÈtica

e potencial tem-se Eq. (3.3).

!

W

c

=

!

m

f

(h

2

h )

1

(3.3)

tem-se Eq. (3.3). ! W c = ! m f (h 2 − h ) 1

Figura 3.5 ñ Processo de compress„o adiab·tico reversÌvel no compressor.

de compress„o adiab·tico reversÌvel no compressor. Figura 3.6 ñ Compressor Alternativo semi-hermÈtico e
de compress„o adiab·tico reversÌvel no compressor. Figura 3.6 ñ Compressor Alternativo semi-hermÈtico e

Figura 3.6 ñ Compressor Alternativo semi-hermÈtico e compressor parafuso.

3.4.3 – Calor rejeitado no condensador

Conforme mencionado, a funÁ„o do condensador È transferir calor do fluido frigorÌfico para o

meio de resfriamento do condensador (·gua ou ar). Este fluxo de calor pode ser determina atravÈs

de um balanÁo de energia no volume de controle da Figura 3.8. Assim, considerando o regime

permanente, tem-se:

!

Q

c

=

!

m

f

(h

2

h

3

)

(3.4)

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da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica Figura 3.7 ñ Condensador a ar (remoto) Figura

Figura 3.7 ñ Condensador a ar (remoto)

Mec‚nica Figura 3.7 ñ Condensador a ar (remoto) Figura 3.8 ñ Processo de transferÍncia de calor

Figura 3.8 ñ Processo de transferÍncia de calor no condensador.

Assim, o condensador a ser especificado para o sistema de refrigeraÁ„o deve ser capaz de rejeitar a taxa de calor calculada pela Eq. (3.4), a qual depende da carga tÈrmica do sistema e da potÍncia de compress„o.

3.4.4 – Dispositivo de expansão

No dispositivo de expans„o, que pode ser de v·rios tipos, o processo teÛrico È adiab·tico, como mostra a Figura 3.9, e, neste caso, aplicando-se a primeira lei da termodin‚mica, em regime permanente, desprezando-se as variaÁıes de energia cinÈtica e potencial, tem-se:

as variaÁıes de energia cinÈtica e potencial, tem-se: Figura 3.9 ñ Processo no dispositivo de expans„o.

Figura 3.9 ñ Processo no dispositivo de expans„o.

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da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica Figura 3.10 ñ V·lvula de expans„o termost·tica. h

Figura 3.10 ñ V·lvula de expans„o termost·tica.

h

3

= h

4

(3.5)

3.4.5 – Coeficiente de performance do ciclo

O coeficiente de performance, COP, È um par‚metro importante na an·lise das instalaÁıes

frigorÌficas. Embora o COP do ciclo real seja sempre menor que o do ciclo teÛrico, para as mesmas

condiÁıes de operaÁ„o, pode-se, com o ciclo teÛrico, verificar que par‚metros influenciam no

desempenho do sistema. Assim, o COP È definido por:

COP =

Energia Util

!

Q

o

=

Energia Gasta

!

W

c

(3.6)

Pode-se inferir da Eq. (3.6) que, para ciclo teÛrico, o COP È funÁ„o somente das propriedades

do refrigerante, conseq¸entemente, depende das temperaturas de condensaÁ„o e vaporizaÁ„o. Para

o ciclo real, entretanto, o desempenho depender· em muito das propriedades na sucÁ„o do

compressor, do prÛprio compressor e dos demais equipamentos do sistema, como ser· visto adiante.

Outra forma de indicar eficiÍncia de uma m·quina frigorÌfica È a Raz„o de EficiÍncia EnergÈtica

(EER), cujo nome se deriva do inglÍs ìEnergy Efficiency Rateî, sendo dada pela express„o abaixo:

Btu / h

Watts

EER =

EF

W

c

(3.7)

Uma forma bastante usual de indicar a eficiÍncia de um equipamento frigorÌfico È relacionar o

seu consumo, em kW/TR, com a capacidade frigorÌfica, em TR, o que resulta em:

kW / TR =

!

W

Watts

TR

c

!

Q

o

(3.8)

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kW / TR

=

12 Watts

EER

TR

(3.9)

3.5 Parâmetros que Influenciam o COP do Ciclo de Refrigeração

V·rios par‚metros influenciam o desempenho do ciclo de refrigeraÁ„o por compress„o de

vapor. A seguir ser· analisada a influÍncia de cada um deles separadamente.

3.5.1 – Influência da temperatura de evaporação no COP do ciclo teórico

Para ilustrar o efeito que a temperatura de evaporaÁ„o tem sobre a eficiÍncia do ciclo ser·

considerado um conjunto de ciclos em que somente a temperatura de evaporaÁ„o (T o ), È alterada.

Estes ciclos est„o mostrados na Figura 3.11. Nesta an·lise utilizou-se R22 como refrigerante, o qual

È tÌpico de sistemas de ar condicionado. Como pode ser observado, uma reduÁ„o na temperatura de

evaporaÁ„o resulta em reduÁ„o do COP, isto È, o sistema se torna menos eficiente.

3.5.2 Influência da temperatura de condensação no COP do ciclo teórico

Como no caso da temperatura de vaporizaÁ„o, a influÍncia da temperatura de condensaÁ„o È

mostrada em um conjunto de ciclos onde apenas se altera a temperatura de condensaÁ„o (T c ). Esta

an·lise est· mostrada na Figura 3.12. Observe que uma variaÁ„o de 15 o C na temperatura de

condensaÁ„o, resultou em menor variaÁ„o do COP, se comparado com a mesma faixa de variaÁ„o

da temperatura de evaporaÁ„o.

3.5.3 – Influência do sub-resfriamento do líquido no COP do ciclo teórico

De forma idÍntica aos dois casos anteriores, a Figura 3.13 mostra a influÍncia do sub-

resfriamento do lÌquido na saÌda do condensador sobre a eficiÍncia do ciclo. Embora haja um

aumento no COP do ciclo com o aumento do sub-resfriamento, o que È Ûtimo para o sistema, na

pr·tica se utiliza um sub-resfriamento para garantir que se tenha somente lÌquido na entrada do

dispositivo de expans„o, o que mantÈm a capacidade frigorÌfica do sistema, e n„o com o objetivo de

se obter ganho de eficiÍncia.

3.5.4 Influência do superaquecimento útil no COP do ciclo teórico

Quando o superaquecimento do refrigerante ocorre retirando calor do meio que se quer resfriar, chama-

se a este superaquecimento de ìsuperaquecimento ˙tilî. Na Figura 3.14 È mostrada a influÍncia desse superaquecimento na performance do ciclo de refrigeraÁ„o. Como pode ser observado no ˙ltimo ìslideî desta figura, a variaÁ„o do COP com o superaquecimento depende do refrigerante. Nos casos mostrados, para o R717 o COP sempre diminui, para R134a o COP sempre aumenta e para o R22, o caso mais complexo, h· um

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aumento inicial e depois uma diminuiÁ„o. Para outras condiÁıes do ciclo, isto È, T o e T c , poder· ocorrer comportamento diferente do aqui mostrado. Mesmo para os casos em que o superaquecimento melhora o COP ele diminui a capacidade frigorÌfica do sistema de refrigeraÁ„o. Assim, sÛ se justifica o superaquecimento do fluido, por motivos de seguranÁa, para evitar a entrada de lÌquido no compressor.

Este aspecto da influÍncia do superaquecimento na capacidade frigorÌfica do sistema ser· estuda com mais detalhes quando da an·lise operacional dos compressores alternativos e de sua eficiÍncia volumÈtrica.

alternativos e de sua ef iciÍncia volumÈtrica. 7.00 LEGENDA R-717 6.00 R-134a R-22 5.00 4.00 3.00
alternativos e de sua ef iciÍncia volumÈtrica. 7.00 LEGENDA R-717 6.00 R-134a R-22 5.00 4.00 3.00
alternativos e de sua ef iciÍncia volumÈtrica. 7.00 LEGENDA R-717 6.00 R-134a R-22 5.00 4.00 3.00
alternativos e de sua ef iciÍncia volumÈtrica. 7.00 LEGENDA R-717 6.00 R-134a R-22 5.00 4.00 3.00
alternativos e de sua ef iciÍncia volumÈtrica. 7.00 LEGENDA R-717 6.00 R-134a R-22 5.00 4.00 3.00
7.00 LEGENDA R-717 6.00 R-134a R-22 5.00 4.00 3.00 2.00 -30.00 -20.00 -10.00 0.00 10.00
7.00
LEGENDA
R-717
6.00
R-134a
R-22
5.00
4.00
3.00
2.00
-30.00
-20.00
-10.00
0.00
10.00
Temperatura de VaporizaÁ„o, To, em
Celsius
Coeficiente de Performance, C.O.P.

Figura 3.11 ñ InfluÍncia da temperatura de evaporaÁ„o no COP do ciclo teÛrico.

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da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 6.0 LEGENDA o To = - 10 C
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 6.0 LEGENDA o To = - 10 C
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 6.0 LEGENDA o To = - 10 C
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 6.0 LEGENDA o To = - 10 C
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 6.0 LEGENDA o To = - 10 C
6.0 LEGENDA o To = - 10 C R-717 5.0 R-134a R-22 4.0 3.0 2.0
6.0
LEGENDA
o
To = - 10
C
R-717
5.0
R-134a
R-22
4.0
3.0
2.0
30.0
40.0
50.0
60.0
Temperatura de CondensaÁ„o, Tc , em Celsius
Coeficiente de Performance, C.O.P.

Figura 3.12 - InfluÍncia da temperatura de evaporaÁ„o no COP do ciclo teÛrico.

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da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 4.4 Legenda o R-717 Tc = 45 To
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 4.4 Legenda o R-717 Tc = 45 To
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 4.4 Legenda o R-717 Tc = 45 To
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 4.4 Legenda o R-717 Tc = 45 To
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 4.4 Legenda o R-717 Tc = 45 To
4.4 Legenda o R-717 Tc = 45 To = - 10 C o C 4.2
4.4
Legenda
o
R-717
Tc = 45
To = - 10
C
o
C
4.2
R-134a
R-22
4.0
3.8
3.6
3.4
3.2
3.0
0.0
4.0
8.0
12.0
16.0
Sub-Resfriamento,
∆Tsr
, em Celsius
Coeficiente de Performance, C.O.P

Figura 3.13 ñ InfluÍncia do sub-resfriamento no COP do ciclo teÛrico.

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da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 3.90 LEGENDA o Tc = 45 C o
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 3.90 LEGENDA o Tc = 45 C o
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 3.90 LEGENDA o Tc = 45 C o
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 3.90 LEGENDA o Tc = 45 C o
da Bahia DEM ñ Departamento de Engenharia Mec‚nica 3.90 LEGENDA o Tc = 45 C o
3.90 LEGENDA o Tc = 45 C o To = - 10 C R-717 R-134a
3.90
LEGENDA
o
Tc = 45
C
o
To = - 10
C
R-717
R-134a
3.80
R-22
3.70
3.60
3.50
0.0
4.0
8.0
12.0
16.0
20.0
Superaquecimento ⁄til,
∆Tsa
, em Celsius
Coeficiente de Performance, C.O.P.

Figura 3.14 - InfluÍncia do superaquecimento no COP do ciclo teÛrico.

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CONVERSÃO DE UNIDADES

Pressão

1,0 kgf/cm 2 1,0 bar 1,0 kgf/cm 2 1,0 atm 1,0 atm

9,8067x10 4 Pa 10 5 Pa 14,2234 Psi 1,0332 kgf/cm 2 14,6959 Psi

Temperatura

o

o

o

C

C

R

K - 273,15 ( o F - 32)/1,8 o F + 459,67

Potência

1,0 Hp

641,13 kcal/h

1,0 hp

745,5 W

1,0 kW

860,0 kcal/h

1,0 TR

3024 kcal/h

1,0 TR

12000 BTU/h

1,0 TR

3,516 kW

 

Energia

1,0 kcal

4,1868 kJ

1,0 kcal

3,968 Btu

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Capítulo 4 – Refrigeração Por Absorção De Vapor

4.1 – Introdução

Suponhamos que um lÌquido seja introduzido num vaso em que inicialmente havia v·cuo e que as paredes do recipiente sejam mantidas a uma temperatura constante. O lÌquido se evapora imediatamente e no processo seu calor latente de vaporizaÁ„o È extraÌdo dos lados do vaso. O efeito resultante de resfriamento È o ponto de partida do ciclo de refrigeraÁ„o a ser examinado.

¿ medida que o lÌquido se evapora a press„o dentro do vaso sobe atÈ que eventualmente

atinja uma press„o de vapor de saturaÁ„o para a temperatura em consideraÁ„o. A partir daÌ, a evaporaÁ„o cessa e o efeito de resfriamento nas paredes do vaso n„o È mantido pela introduÁ„o contÌnua do refrigerante. O ˙ltimo simplesmente permanece no estado lÌquido e se acumula no fundo

do recipiente. Para tornar o processo de resfriamento contÌnuo È necess·rio, conforme visto anteriormente, remover o refrigerante no estado de vapor na mesma taxa pela qual ela È formada. No ciclo de compress„o de vapor esta remoÁ„o È feita conectando-se o evaporador ao lado da sucÁ„o da bomba. Um resultado semelhante pode ser obtido conectando-se o evaporador a um outro vaso que contÈm uma subst‚ncia capaz de absorver o vapor. Assim, se o refrigerante fosse a ·gua, um material higroscÛpico, como o brometo de lÌtio, poderia ser usado no absorvedor. A subst‚ncia utilizada para absorÁ„o do vapor refrigerante È chamada de ìportadoraî (ou absorvedora).

Para se obterem ciclos fechados tanto para o refrigerante como para o portador o est·gio seguinte do processo deve ser a liberaÁ„o do refrigerante absorvido numa press„o conveniente para sua subseq¸ente liquefaÁ„o num condensador. Isto È conseguido no ìgeradorî, onde o calor È fornecido ‡ soluÁ„o (portadora + refrigerante) e o refrigerante È liberado como vapor.

O absorvedor e o gerador juntos substituem o compressor no ciclo de compress„o de vapor.

Com relaÁ„o ao refrigerante, o restante do ciclo de absorÁ„o È semelhante ao ciclo de compress„o, isto È, o vapor se liquefaz no condensador e È trazido para o evaporador atravÈs de expans„o. O

lÌquido absorvente, ao sair do gerador naturalmente retorna ao absorvedor para outro ciclo.

Num sistema de refrigeraÁ„o por absorÁ„o, requer-se resfriamento do condensador e do absorvedor, o que pode ser feito atravÈs da ·gua de uma torre de resfriamento.

As principais vantagens do ciclo de absorÁ„o em relaÁ„o a outros sistemas de refrigeraÁ„o s„o que ele pode operar com energia de baixa qualidade termodin‚mica em forma de calor (vapor de exaust„o, ·gua quente a press„o elevada) e que tem poucas partes mÛveis. Teoricamente, apenas uma ˙nica bomba È necess·ria, para transportar a soluÁ„o (absorvedora + refrigerante) do absorvedor a baixa press„o para o gerador a relativamente elevada press„o. Na pr·tica, duas bombas adicionais s„o muitas vezes usadas, uma para recircular a soluÁ„o sobre as serpentinas de

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resfriamento no absorvedor e outra para recircular o refrigerante sobre a serpentina de ·gua gelada no evaporador.

4.2 – Ciclo de Absorção

Os ciclos de refrigeraÁ„o por absorÁ„o mais comuns utilizam os pares ·gua-amÙnia (absorvedor-refrigerante) ou brometo de lÌtio e ·gua (absorvedor-refrigerante). Em termos do ciclo mostrado na Figura 4.1, a soluÁ„o de brometo de lÌtio e ·gua entra no gerador, sendo aquecida, e liberando vapor de ·gua. O vapor de ·gua liberado no gerador segue rumo ao condensador, onde È condensado. ApÛs a reduÁ„o da press„o da ·gua, esta segue para o evaporador, onde ir· retirar calor da ·gua de processo (·gua gelada do sistema de condicionamento de ar). O vapor de ·gua de baixa press„o, formado no evaporador, È ent„o absorvido pelo brometo de lÌtio, contido no absorvedor. No ciclo, o trabalho da bomba para a circulaÁ„o do fluido È muito pequeno, uma vez que a bomba opera com lÌquido de baixo volume especÌfico.

que a bomba opera com lÌquido de baixo volume especÌfico. Figura 4.1 ñ M·quina de RefrigeraÁ„o

Figura 4.1 ñ M·quina de RefrigeraÁ„o por absorÁ„o.

O maior inconveniente das m·quinas de absorÁ„o È o seu consumo de energia, muito mais elevado que o das m·quinas de compress„o de vapor. As m·quinas de absorÁ„o podem consumir uma quantidade de energia superior a sua produÁ„o frigorÌfica. Por outro lado, estas m·quinas tÍm a vantagem de utilizar a energia tÈrmica (calor) em lugar de energia elÈtrica que È mais cara e mais nobre.

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Elas permitem por esta raz„o, uma melhor utilizaÁ„o das instalaÁıes de produÁ„o de calor, ociosas. … o caso, por exemplo, das instalaÁıes de aquecimento, destinadas ao conforto humano durante o inverno, as quais podem fornecer energia tÈrmica a preÁo acessÌvel durante o ver„o.

As m·quinas de absorÁ„o permitem tambÈm a recuperaÁ„o do calor perdido no caso de turbinas e, outros tipos de instalaÁıes que utilizam o vapor dí·gua.

Atualmente em instalaÁıes importantes, est· sendo utilizada para a refrigeraÁ„o a combinaÁ„o de m·quinas de compress„o mec‚nica, tipo centrÌfugas, acionadas por turbinas a vapor, com m·quinas de absorÁ„o aquecidas pelo vapor parcialmente expandido nas turbinas, o que aumenta grandemente o rendimento do conjunto.

AlÈm das vantagens apontadas, as instalaÁıes de absorÁ„o se caracterizam, pela sua simplicidade, por n„o apresentarem partes internas mÛveis (as bombas s„o colocadas ‡ parte), o que lhes garante um funcionamento silencioso e sem vibraÁ„o.

adaptam bem as variaÁıes de carga (atÈ cerca de 10% da carga m·xima),

apresentando um rendimento crescente com a reduÁ„o da mesma.

Sua principal desvantagem È o elevado custo inicial, variando de 550 a 900 US$/TR (GPG-256, 1999) e, conforme mencionado, o seu baixo COP, o qual segundo Wang (2000), varia de acordo com o tipo de equipamento, como mostrado na Tabela 4.1.

Elas se

Tabela 4.1 ñ COP de m·quinas de absorÁ„o

Tipo

COP

Resfriada a Ar (1 est·gio) Resfriada a £gua (1 est·gio) 2 Est·gios Queima Direta ñ 2 Est·gios

0,48* a 0,60 0,60* a 0,70 0,95* a 1,0 0.95* a 1,08

* corresponde aos valor mÌnimo, segundo a ASHRAE/IESNA Standard 90.1-1999

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Capítulo 5 – Estimativa de Carga Térmica Sensível e Latente

5.1 – Introdução

A funÁ„o b·sica de um sistema de condicionamento de ar È manter:

CondiÁıes de conforto para o homem;

CondiÁıes requeridas por um produto ou processo industrial.

Para atender uma ou outra destas necessidades deve-se instalar um equipamento com capacidade adequada. Esta capacidade È determinada pelos picos instant‚neos de carga tÈrmica. Geralmente, È impossÌvel medir o pico real de carga tÈrmica em um dado recinto; por isto normalmente estas cargas s„o estimadas.

Duas condiÁıes s„o b·sicas para a estimativa da carga tÈrmica, isto È, as ìcondiÁıes internasî e as ìcondiÁıes externasî. A norma ABNT NBR6401 apresenta indicaÁıes para estas condiÁıes para v·rias localizaÁıes e tipos de ambientes.

5.2 – Características do Recinto

Antes de proceder com a estimativa da carga tÈrmica, devem ser considerados os seguintes aspectos fÌsicos para o ambiente a ser condicionado:

a) OrientaÁ„o da construÁ„o. LocalizaÁ„o do recinto a ser condicionado com relaÁ„o a:

PosiÁ„o geogr·fica ñ Efeitos do sol e vento;

'Efeitos de sombreamento de estruturas vizinhas;

SuperfÌcies refletoras ñ ·gua areia, estacionamentos, entre outras.

b) Uso do recinto. EscritÛrio, residencial, hospital, comercial, industrial, etc;

c) Dimensıes fÌsicas do recinto. Comprimento, largura e altura.

d) Materiais de construÁ„o. Materiais e espessuras de paredes, teto, assoalho, divisÛrias, entre outros.

e) CondiÁıes exteriores. Cor exterior de paredes e telhados, forros ventilados ou n„o, espaÁos condicionados ou n„o ñ temperaturas dos ambientes;

f) Janelas. Tamanho e localizaÁ„o, caixilho em madeira ou metal, tipo de vidro, tipo de equipamento para sombreamento (toldo, cortina, etc.)

g) Portas. LocalizaÁ„o, tipo, tamanho e freq¸Íncia de uso;

h) Elevadores e escadas. LocalizaÁ„o e temperatura se forem ligados a ambientes n„o condicionados;

i) Pessoas. N˙mero, horas de permanÍncia, natureza da atividade;

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j) IluminaÁ„o. Tipo (fluorescente ou incandescente);

k) Motores. LocalizaÁ„o e potÍncia nominal;

l) Equipamentos eletrÙnicos.

5.3 – Fatores Que Influenciam na Carga Térmica do Ambiente

a) InsolaÁ„o pelos vidros das janelas, insolaÁ„o sobre paredes e telhados;

b) TransferÍncia de calor devido ‡ diferenÁa de temperatura entre partes externas e o ambiente a ser condicionado, atravÈs de paredes, vidros de janelas, telhado e assoalho.

c) TransferÍncia de calor devido ‡ diferenÁa de temperatura entre partes internas n„o condicionadas e o ambiente a ser condicionado;

d) Calor de iluminaÁ„o e de equipamentos;

e) Calor de ocupantes (sensÌvel e latente);

f) Ar de ventilaÁ„o;

g) InfiltraÁ„o de ar e umidade.

h) Ganho de calor em dutos.

5.3.1 – Insolação

A terra faz uma rotaÁ„o em torno do seu eixo em 24 horas e completa uma revoluÁ„o ao redor

do sol em aproximadamente 365,25 dias, em uma trajetÛria aproximadamente circular, com o sol deslocado ligeiramente do centro do cÌrculo. A dist‚ncia mÈdia da terra ao sol È de 1,5.10 8 Km. PrÛximo a primeiro de janeiro, a terra encontra-se mais prÛxima do sol, e em torno de primeiro de

julho encontra-se mais afastada em cerca de 3,3%. Tendo em vista que a intensidade da radiaÁ„o solar incidente no topo da atmosfera varia inversamente com o quadrado da dist‚ncia terra-sol, conclui-se que a terra receber· mais energia solar (radiaÁ„o) em janeiro do que em julho.

O eixo de rotaÁ„o da terra est· inclinado de 23,5 em relaÁ„o ao plano de sua Ûrbita em torno

do sol. Esta inclinaÁ„o È bastante significativa, pois juntamente com os movimentos de rotaÁ„o e translaÁ„o, promovem a distribuiÁ„o da radiaÁ„o solar sobre a superfÌcie da terra, variando a duraÁ„o dos dias e das noites, e mudando as estaÁıes do ano. Na Figura 5.1 apresenta-se o efeito da inclinaÁ„o da terra em v·rias Èpocas do ano. Na Figura 5.2 mostra-se a posiÁ„o relativa da terra em relaÁ„o aos raios solares para o solstÌcio de ver„o do hemisfÈrio sul.

Mostra-se, esquematicamente, na Figura 5.3 um caminho aparente do sol e definem-se os ‚ngulos azimute φ solar e altitude solar β. O ponto P representa a posiÁ„o de um observador na superfÌcie da terra para uma dada latitude. A Tabela 18, apresentada no anexo IV, fornece os valores

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dos ‚ngulos altitude solar e azimute solar para latitudes, Èpocas do ano e hora solar do dia considerado.

EquinÛcio SolstÌcio de Inverno SOL SolstÌcio de Ver„o EquinÛcio Figura 5.1: Movimento da terra em
EquinÛcio
SolstÌcio
de Inverno
SOL
SolstÌcio
de Ver„o
EquinÛcio
Figura 5.1: Movimento da terra em torno do sol.
EquinÛcio Figura 5.1: Movimento da terra em torno do sol. Figura 5.2: SolstÌcio de ver„o hemisfÈrio

Figura 5.2: SolstÌcio de ver„o hemisfÈrio sul.

Sol O β S P N φ β - Altitude Solar φ - Azimute Solar