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3 GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DOS DESPORTOS SECD UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE UERN CURSO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO CAMPUS DE NATAL DISCIPLINA: Produção Textual Profa. Dra. Araceli Sobreira Benevides

Unidade 1 Conceito de domínio discursivo, gêneros textuais, texto, discurso, enunciado.

Importância da leitura no ambiente acadêmico.

enunciado . Importância da leitura no ambiente acadêmico. Questões introdutórias Estamos iniciando o curso de

Questões introdutórias

Estamos iniciando o curso de Ciências da Religião, semestre letivo de 2013.1, com a disciplina de Produção Textual. Essa disciplina irá fornecer orientações acerca do funcionamento da linguagem sob o aspecto discursivo-dialógico, tanto na modalidade escrita quanto oral. A perspectiva de trabalho gira em torno de alguns pressupostos que serão explicitados ao longo do semestre, mas que irão compor uma série de orientações teóricas e atividades com base em textos (orais e escritos) que circularão no mundo acadêmico da área das Ciências da Religião, privilegiando as questões em torno dos conhecimentos de língua com os quais um/a aluno/a universitário interage ao longo dos anos na academia.

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Para tanto, tomaremos como ponto de partida o pensamento de Bakhtin sobre o caráter dialógico (interativo) da linguagem e a concepção de gêneros do discurso para elaborarmos o plano teórico dessa disciplina. Segundo Bakhtin (1999, p. 113):

toda palavra comporta duas faces. Ela é determinada tanto pelo

fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela constitui justamente o produto da interação do locutor e do ouvinte. Toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro. Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em

] [

última análise à coletividade. A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros. A palavra se apoia sobre mim numa extremidade, na outra apoia-se sobre meu interlocutor.

Que aspectos da linguagem são estudados em um curso universitário?

A perspectiva adotada neste curso toma a língua como um conjunto de práticas enunciativas e não como forma descarnada. Você verá logo mais, no texto de Rubem Alves, O prazer da leitura, um exemplo de forma descarnada quando ele comentar sobre o modo como se ensinava a ler no tempo dele. Aquele texto lido sem a compreensão das condições de produção, fato que inclui conhecimento das metodologias de ensino de língua materna vigentes na época de sua produção e do contexto histórico, científico e social envolvidos nessa produção, poderia ser entendido como forma descarnada. Isso porque as palavras e a frase que foi formada com aquelas não existem no uso rotineiro, não estão na língua viva (encarnada). O mesmo acontece com o estudo da palavra ou da frase realizado fora de um contexto enunciativo ou, no dizer de Antunes, de (2009, p. 31-33):

uma gramática descontextualizada, amorfa, da língua como potencialidade; gramática que é muito mais “sobre a língua”, desvinculada, portanto dos usos reais da língua escrita ou falada na comunicação do dia-a-dia;

uma gramática fragmentada, de frases inventadas, da palavra e da frase isoladas, sem sujeitos interlocutores, sem contexto, sem função; frases feitas para servir de lição, para virar exercício;

uma gramática da irrelevância, com primazia em questões sem importância para a competência comunicativa dos falantes. [ ]

uma gramática voltada para a nomenclatura e a classificação das unidades; portanto, uma gramática dos “nomes” das unidades, das classes e subclasses dessas unidades (e não das regras de seus usos).

uma gramática inflexível, petrificada, de uma língua supostamente uniforme e inalterável, irremediavelmente “fixada” num conjunto de regras que, conforme constam nos manuais, devem manter-se a todo custo imutáveis (apesar dos muitos usos ao contrário), como se o processo de mudança das línguas fosse apenas um fato do passado, algo que já aconteceu e não acontece mais. [ ]

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Uma gramática predominantemente prescritiva, preocupada apenas com marcar o “certo” e o “errado”, dicotomicamente extremados, como se falar e escrever bem fosse apenas uma questão de falar e escrever corretamente, não importando o que se diz, como se diz, quando se diz, e se tem algo a dizer. Por essa gramática, professores e alunos só veem a língua pelo prisma da correção e, o que é pior, deixam de ver outros muitíssimos fatos e aspectos linguísticos (os fatos textuais e discursivos, por exemplo), realmente relevantes.

A reorientação que daremos ao estudo da Língua Portuguesa na disciplina Produção Textual toma um rumo diferente do posto acima sobre o que se pratica (ou se praticou) em outros momentos de nossas vidas (como estudantes e como professora). Primeiramente, o foco maior de nosso estudo será o ensino de língua através de textos, ou seja, procederemos a leitura e a produção de textos (falados ou escritos), entendidos aqui como entidades concretas realizados materialmente e corporificados em algum gênero discursivo (MARCUSCHI, 2007). Nesse sentido, estaremos utilizando enunciados concretos que se apresentam no mundo da vida e se materializam em textos, entendidos como “pensamentos sobre pensamentos, vivências das vivências, palavras sobre palavras, textos sobre textos” (BAKHTIN, 2003, p.307) Em seguida, trabalharemos com a noção de gêneros do discurso (a ser compreendida ao longo do semestre) e de domínio discursivo. Essas noções estarão relacionadas ao que os/as estudantes de Produção Textual precisam ter para as atividades realizadas na prática acadêmica de leitura e produção escrita de textos.

Grupo de Estudo Como o período de estudo, para alguns estudantes, é bastante curto, indicamos a formação de pequenos grupos para desenvolvimento das atividades que requerem reflexão crítica, aprofundamento teórico e pesquisa. A dinâmica de estudo ficará por conta dos componentes, porém, nossa orientação é que este grupo tenha horário e dias definidos para encontros e que todos se envolvam na realização das atividades propostas.

Domínio Discursivo e Gêneros textuais

Nos estudos de Marcuschi (2005; 2008), encontra-se referência ao conceito de domínio discursivo: são “as grandes esferas da atividade humana em que os textos

circulam” (2005, p. 24-25). O autor afirma que o domínio discursivo “constitui muito mais uma ‘esfera da atividade humana’ no sentido bakhtiniano do termo do que um

princípio de classificação de textos e indica instâncias discursivas [ 2008, p. 155) (aspas e itálico do autor).

(MARCUSCHI,

]”.

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Assim, entendemos como domínio discursivo uma esfera da vida social ou institucional (religiosa, jurídica, jornalística, pedagógica, política, industrial, militar, familiar, lúdica etc.) na qual se dão práticas que organizam formas de comunicação e respectivas estratégias de compreensão. Assim, os domínios discursivos produzem modelos de ação comunicativa que se estabilizam e se transmitem de geração para geração com propósitos e efeitos definidos e claros. Além disso, acarretam formas de ação, reflexão e avaliação social que determinam formatos textuais que em última instância desembocam na estabilização dos gêneros textuais. Para Marcuschi (2008, p. 194), a relação não é definitiva nem representativa; trata-se de “um campo aberto ao debate e à investigação” e que “seria mais relevante e de interesse tratar a questão de modo mais sistemático e menos intuitivo” (2008, p. 159).

Texto 1 Domínio ficcional - romance

Eu ouvi aquilo demais. O pacto! Se diz - o senhor sabe. Bobéia. Ao que a pessoa vai, em

meia-noite, a uma encruzilhada, e chama fortemente o Cujo - e espera. Se sendo, há-

de que vem um pé-de-vento, sem razão, e arre se comparece uma porca com ninhada de pintos, se não for uma galinha puxando barrigada de leitões. Tudo errado,

remedante, sem completação

se retém - então dá um cheiro de breu queimado. E o dito - o Coxo - toma espécie, se

forma! Carece de se conservar coragem. Se assina o pacto. Se assina com sangue de pessoa. O pagar é a alma. Muito mais depois. O senhor vê, superstição parva?

Estornada!

podia? O Hermógenes - demônio. Sim só isto. Era ele mesmo. (p.45)

Provei. Introduzi. Com ele ninguém

O senhor imaginalmente percebe? O crespo -a gente

"0 Hermógenes

tem

pautas

"

O demo, tive raiva dele? Pensei nele? Em vezes. O que era em mim valentia, não

pensava; e o que pensava produzia era dúvidas de me-enleios. Repensava, no esfriar do dia. A quando é o do sol entrar, que então até é o dia mesmo, por seu remorso. Ou então, ainda melhor, no madrugal, logo no instante em que eu acordava e ainda não abria os olhos: eram só os minutos, e, ali durante, em minha rede, eu preluzia tudo

isto eu

claro e explicado. Assim: Tu vigia, Riobaldo, não deixa o diabo te pôr sela

divulgava. Aí eu queria fazer um projeto: como havia de escapulir dele, do Temba, que

eu tinha mal chamado. Ele rondava por me governar? (p.458)

(ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,

1986.)

Texto 2 Alguns símbolos religiosos (texto não-verbal do Domínio Religioso)

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7 Texto 3 e 4 – Domínio Ficcional ou Domínio do Lazer As cobras – tirinhas

Texto 3 e 4 Domínio Ficcional ou Domínio do Lazer

As cobras tirinhas de Luis Fernando Veríssimo (Pesquisa Google)

– tirinhas de Luis Fernando Veríssimo (Pesquisa Google) Texto 5 – Domínio Ficcional - crônicas publicadas
– tirinhas de Luis Fernando Veríssimo (Pesquisa Google) Texto 5 – Domínio Ficcional - crônicas publicadas

Texto 5 Domínio Ficcional - crônicas publicadas em jornal + relato pessoal

“CONSELHOS LITERÁRIOS DE CARLOS, MEU PAI”

Pela vida afora, meu pai, que nunca teve intenção de ser professor de nada, me tem dado, quase sem querer, alguns conselhos, que me são de utilidade cada vez que improviso alguns passos na literatura. O primeiro é antigo, de quando eu tinha quatro ou cinco anos e, um dia, sentada no chão, comecei a cantar:

"Dei rosa, dei rosa, Dei cravo, dei cravo, Pra que que eu fui dar

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A rosa mais linda Do meu coração?"

Meu pai gostou da brincadeira e quando soube que eu mesma a inventara, anotou minhas palavras e explicou-me, de maneira singela, que eu

acabara de compor um poema. Fiquei surpreendida, porque, até então,nessa matéria, só conhecia os versinhos que decorava no jardim da infância. Então poesia era isso, essa repetição cadenciada, essa ida e volta

rít mica.

Naturalmente não formulei, na época, nenhuma dessas perguntas. Mas acho que aprendi difusamente, e para sempre, a identificar o fenômeno poético onde quer que ele se esconda. A prova é que até hoje me lembro com nitidez do episódio. Mais tarde, já no colégio, quando tinha que fazer as primeiras redações e colava um cromo cheio de p ur pur ina no cad er no , e le me aconselhou a descrever prime iro a cena ilustrada (uma ga linha r o deada d e pintinhos, uma casa de campo) e só depois construir a história que quisesse. Fiquei sabendo, assim, que o primordial numa página escrita é a objetividade. Estando no curso de admissão, escrevi, certa vez, que, assustada, eu me deitara "enroladinha como uma bola". A severa professora modificou a frase para "enrijecida como um feixe", e, como essas palavras não faziam parte do meu vocabulário de 10 anos, tive a sensação de que escrever direito era sinônimo de escrever difícil. Meu pai, a quem mostrei a correção, desfez-me a ilusão, indicando-me que é exatamente o contrário: no caso, minha comparação, simples c natural, era bem mais expressiva do que a de dona Mirtes. A lição foi dupla, pois descobri também que os professores não são infalíveis. Já moça, tentando burilar um conto, embatuquei de repente num qualificativo para Lua. Meu pai veio em meu auxílio e me fez ver como era inútil pretender acrescentar mais atributos a todos os que se acham implícitos nessa

Esses nomes de flor que diziam muito mais do que significavam?

palavra, tão cheia de poder evocativo: Ela já é em si branca de prata, misteriosa, leitosa, bela, comovedora, tudo e qualquer adjetivo só pode empobrecê-la. As coisas têm um nome pelo qual devem ser chamadas: é o substantivo que importa e que necessita ser preservado em todo o seu valor. Mas, se eu insistisse e m

mostrar minha L ua so b mão de o ut r as fo r mas

ine s per a da s, ca paz es d e produzir um impacto no

leitor. Sugeriu-me "Lua de abril", que aceitei imediatamente. Por outro lado, e sem entrar em co ntradição, mostrou-me que

é pe la es co lha do s ad jet ivo s qu e s e reconhece um escritor. Comentando certa frase, em que eu mencionava um "fino agradecimento, elogiou a

combinação: esse fino modificava sutilmente a qualidade do agradecimento, indicando que quem o escrevera gostava de cultivar os bons autores.

Nesse po nto meu pai orientou -me de forma eclét ica, mas no fu ndo se mp r e t ive a impr e ss ão de q ue, segundo ele, se eu me limitasse a ler Machado de Assis, não necessitaria de outra aprendizagem. Acostumei-me, as s im, a

contos que ar gu me nt a l

é se cu nd ár ia e no s interessa, sobretudo, a inquietante análise

psicológica dos personagens; a crônicas em que o tema supostamente fundamental serve apenas de ponto de partida para as divagações, pois é no mínimo que se encontra a

essência do acontecimento.

u m

â ngu lo d ife r e nt e, e nt ão t er ia que la nça r

têm

co meço,

me io

e fim;

a ro mances

em

que

a

linha

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Também a seu conselho, li e reli o Journal , de Jules Renard, e os

Carnets , de Joubert, dois catedráticos do pensamento cético e condensado. Em Flaubert meu pai chamou-me a atenção para a frequência do emprego da t er ce ir a do

singular, em vez do eu reve lador.

Fez -me medit ar so bre o iníc io

da

par t e VI d e L'Education Sentimentale , quando, falando de Frederic Moreau,

desiludido, Flaubert se limita a anotar: II voyagea. II connut Iamelancholie dês

paquebots

E dessa maneira isenta, discretíssima, transmite o sofrimento e a solidão do homem, durante os anos em que esteve longe de Mme. Arnoux. Aprendi que economia de palavras e de emoção são indispensáveis para quem tenciona escrever. Ensinou-me também a usar o dicionário sem preguiça e com prazer, a não dispensar um dicionário de verbos e regimes, a colecionar todos os dicionários, a fugir da tentação de fazer literatura epistolar e a só escrever car t as par a dar e pedir not ícias, a não ser exigente dema is co migo mes ma e ad mit ir hu mild ement e cert as repetições de palavras e de sons, das quais os escritores franceses abusam, sem preocupação. E sobretudo a evitar a prolixidade:

Escrever é cortar palavras ele me vem repetindo sem cessar e com razão. É por isso que, na esperança de ser capaz, pelo menos hoje, de seguir este conselho difícil, vou ficando por aqui.

." .

ANDRADE. Maria Julieta Drummond de. Jornal do Brasil, 26/10/1982, supl. p.10.

Texto 6 Domínio Ficcional - crônicas publicadas em jornal e site + relato pessoal

Para quem quer mais!

O autor do texto 6 é um dos teólogos com que você irá travar contato na formação em Ciências da Religião. Além de obras que variam de estilo e linguagem, ele também possui um site, de onde retiramos o texto O prazer da leitura. Informe-se, com detalhes sobre esse autor, visitando o site:

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Rubem Alves

O prazer da leitura

Alfabetizar é ensinar a ler. A palavra alfabetizar vem de “alfabeto“. “Alfabeto“ é o conjunto das letras de uma língua, colocadas numa certa ordem. É a mesma coisa que “abecedário“. A palavra “alfabeto“ é formada com as duas primeiras letras do alfabeto grego: “alfa“ e “beta“. E “abecedário“, com a junção das quatro primeiras letras do nosso alfabeto: “a“, “b“, “c“ e “d“. Assim sendo, pensei a possibilidade engraçada de que “abecedarizar“, palavra inexistente, pudesse ser sinônima de “alfabetizar“

“Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendo-se as letras do alfabeto. Primeiro as letras. Depois, juntando-se as letras, as sílabas. Depois, juntando-se as sílabas, aparecem as palavras

E assim era. Lembro-me da criançada repetindo em coro, sob a regência da

Estou olhando para um

cartão postal, miniatura de um dos cartazes que antigamente se usavam como tema de

redação: uma menina cacheada, deitada de bruços sobre um divã, queixo apo iado na mão, tendo à sua frente um livro aberto onde se vê “fa“, “fe“, “fi“, “fo“, “fu“ (Centro de Referência do Professor, Centro de Memória, Praça da Liberdade, Belo Horizonte, MG.)

professora: “be a ba; be e be; be i bi; be o bo; be u bu”

Se é assim que se ensina a ler, ensinando as letras, imagino que o ensino da música

deveria se chamar “dorremizar“: aprender o dó, o ré, o mi

música aparece! Posso imaginar, então, uma aula de iniciação musical em que os alunos ficassem repetindo as notas, sob a regência da professora, na esperança de que,

da repetição das notas, a música aparecesse

Juntam-se as notas e a

Todo mundo sabe que não é assim que se ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando uma canção de ninar. E o nenezinho entende a canção. O que o nenezinho ouve é a música, e não cada nota, separadamente! E a evidência da sua compreensão está no fato de que ele se tranquiliza e dorme mesmo nada sabendo sobre notas! Eu aprendi a gostar de música clássica muito antes de saber as notas:

minha mãe as tocava ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabeça. Somente depois, já fascinado pela música, fui aprender as notas porque queria tocar piano. A aprendizagem da música começa como percepção de uma totalidade e nunca com o conhecimento das partes.

Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras,

as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura começa

antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. “Erotizada“ – sim, erotizada! pelas delícias da leitura ouvida, a criança se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los

porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da

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pessoa que o está lendo.

No primeiro momento as delícias do texto se encontram na fala do professor. Usando

uma sugestão de Melanie Klein, o professor, no ato de ler para os seus alunos, é o “seio bom“, o mediador que liga o aluno ao prazer do texto. Confesso nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não eram aulas. Eram concertos. A professora lia, interpretava o texto, e nós ouvíamos extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas. Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a experiência prazerosa de leitura experiência vagabunda! e a experiência de ler a fim de responder questionários de interpretação

e compreensão. Era sempre uma tristeza quando a professora fechava o livro

Vejo, assim, a cena original: a mãe ou o pai, livro aberto, lendo para o filho

experiência é o aperitivo que ficará para sempre guardado na memória afetiva da criança. Na ausência da mãe ou do pai a criança olhará para o livro com desejo e inveja. Desejo, porque ela quer experimentar as delícias que estão contidas nas palavras. E inveja, porque ela gostaria de ter o saber do pai e da mãe: eles são aqueles

que têm a chave que abre as portas daquele mundo maravilhoso! Roland Barthes faz uso de uma linda metáfora poética para descrever o que ele desejava fazer, como professor: maternagem: continuar a fazer aquilo que a mãe faz. É isso mesmo: na escola, o professor deverá continuar o processo de leitura afetuosa. Ele lê: a criança ouve, extasiada! Seduzida, ela pedirá: “Por favor, me ensine! Eu quero poder entrar no livro por conta própria “

Essa

Toda aprendizagem começa com um pedido. Se não houver o pedido, a aprendizagem não acontecerá. Há aquele velho ditado: “É fácil levar a égua até o meio do ribeirão. O difícil é convencer a égua a beber“. Traduzido pela Adélia Prado: “Não quero faca nem queijo. Quero é fome“. Metáfora para o professor: cozinheiro, Babette, que serve

o aperitivo para que a criança tenha fome e deseje comer o texto

Onde se encontra o prazer do texto? Onde se encontra o seu poder de seduzir? Tive a resposta para essa questão acidentalmente, sem que a tivesse procurado. Ele me disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e citou a primeira frase. Fiquei feliz porque eu também amava aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema aquele poema que eu amava estava horrível na sua leitura. As palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois elementos: as palavras, com o seu significado. E a

música

Percebi, então, que todo texto literário se assemelha à música. Uma sonata

de Mozart, por exemplo. A sua “letra“ está gravada no papel: as notas. Mas assim, escrita no papel, a sonata não existe como experiência estética. Está morta. É preciso

que um intérprete dê vida às notas mortas. Martha Argerich, pianista suprema (sua interpretação do concerto n. 3 de Rachmaninoff me convenceu da superioridade das

mulheres

as toca: seus dedos deslizam leves, rápidos, vigorosos, vagarosos, suaves,

nenhum deslize, nenhum tropeção: estamos possuídos pela beleza. A mesma partitura,

as mesmas notas, nas mãos de um pianeiro: o toque é duro, sem leveza, tropeções, hesitações, esbarros, erros: é o horror, o desejo que o fim chegue logo.

)

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Todo texto literário é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele surfa sobre as palavras, se ele está possuído pelo texto a beleza acontece. E o texto se apossa do corpo de quem ouve.

Mas se aquele que lê não domina a técnica, se ele luta com as palavras, se ele não desliza sobre elas a leitura não produz prazer: queremos que ela termine logo. Assim, quem ensina a ler, isto é, aquele que lê para que seus alunos tenham prazer no texto, tem de ser um artista. Só deveria ler aquele que está possuído pelo texto que lê. Por isso eu acho que deveria ser estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de leitura“. Se há concertos de música erudita, jazz e MPB por que não concertos de leitura? Ouvindo, os alunos experimentarão os prazeres do ler. E acontecerá com a leitura o mesmo que acontece com a música: depois de ser picado

Se os jovens

pela sua beleza é impossível esquecer. Leitura é droga perigosa: vicia

não gostam de ler, a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas sobre os textos - gramática, usos da partícula “se“, dígrafos, encontros consonantais, análise sintática que não houve tempo para serem iniciados na única coisa que importa: a beleza musical do texto literário: foi-lhes ensinada a anatomia morta do texto e não a sua erótica viva. Ler é fazer amor com as palavras. E essa transa literária se inicia

antes que as crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler elas já são sensíveis à beleza. E a missão do professor? Mestre do kama-sutra da leitura

APERITIVOS

1. “Analfabeta não é a pessoa que não sabe ler. É a pessoa que, sabendo ler, não gosta

de ler.“ (Quem foi que disse isso? Acho que foi o Mário Quintana).

2. A menininha de 9 anos me explicou como as crianças na sua escola aprendiam a

ler: “Aqui na Escola da Ponte não aprendemos letras e silabas. Só aprendemos totalidades ”

3. Os compositores colocam em suas partituras indicações para orientar o intérprete:

lento, presto, adagio, alegretto, forte, piano, ralentando. Os escritores deveriam fazer o mesmo com seus textos. Há textos que devem ser lidos lentamente,

expressivamente, tristemente. Outros que exigem leveza, rapidez, riso. O leitor experiente não precisa dessas indicações. Mas elas poderiam ajudar os principiantes.

4.

“Mais valem dois marimbondos voando que um na mão“ (Almanak do Aluá).

5.

Graciliano Ramos relata que, quando menino, na escola lhe ensinaram um ditado:

“Fale pouco e bem e ter-te-ão por alguém“. Ele repetia o ditado mas ficava com uma

dúvida: “Quem será esse ‘Tertião’?“

(Correio Popular, Caderno C, 19/07/2001.)

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1.

Questões Teóricas

Texto: conceito 1

Para Mikhail Bakhtin, as Ciências Humanas são as ciências do homem em sua especificidade, e não de uma coisa muda ou um fenômeno natural. E, por isso, ele afirma que não há possibilidades de se compreender o homem que não seja através dos textos signícos criados ou ainda por se criar. Por trás de todo texto há um sujeito, um autor que fala e escreve, porque ali está o contato entre indivíduos e não entre coisas. Nessa concepção, “a palavra dirige-se a um interlocutor” e, nesse sentido, “ela é o produto da interação de dois indivíduos socialmente organizados e, mesmo que não haja um interlocutor real, este pode ser substituído pelo representante médio do grupo social ao qual pertence o locutor”. (VOLOCHINOV, 1999, p.112). A relação entre o sujeito e seu interlocutor acontece porque ambos são seres sociais, estão contextualizados e essa relação nunca se dá de modo passivo. Os sujeitos interagem entre si e se comunicam através da linguagem, através dos enunciados. É nessa perspectiva que Bakhtin/Volochinov desenvolvem a noção de sujeito dialógico, argumentando que “toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro. Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em última análise, em relação à coletividade”. (VOLOCHINOV, 1999, p. 113). Nessa perspectiva, a interação se torna, então, o princípio fundador da linguagem. Essa palavra, segundo Bakhtin, seja ela realizada em fala externa ou interna 2 , tem um significado que é entendido em termos de significado social e é envolvido sempre por uma dimensão de pluralidade. A operação de compreensão do significado, então, é decorrente do “fato de sua produção e recepção serem sempre contextualizadas”. (FARACO, 2001). Desse modo, o signo é construído e constituído na interação verbal, além de sempre ser refração do mundo, ou seja, “nenhuma palavra reflete seu objeto de forma totalmente acurada”. (FARACO, 2003, 69). Na concepção bakhtiniana, a palavra, como signo social, “funciona como

1 Adaptação livre de trechos do capítulo Leitura e dialogia um caminho para a autonomia retirado da tese de doutorado de BENEVIDES, Araceli Sobreira. (2005).

2 Para Volochinov (1999, p. 37), a palavra também pode ser entendida como material semiótico da vida interior, da consciência (discurso interior), ou seja, ela pode ser utilizada como signo interior, que funciona sem expressão externa.

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elemento essencial que acompanha toda criação ideológica, seja ela qual for”. (VOLOCHINOV, 1999, p. 37). Como as ciências humanas, “ciências que tratam do espírito e ciências das letras”, voltam-se para o homem, entendido como produtor de

textos (discursos), Bakhtin propõe o estudo desse homem a partir de sua especificidade

de expressar-se por meio de textos.

Alguns conceitos de texto que merecem destaque

Texto ou discurso é a unidade básica da comunicação. Uma unidade processual, uma unidade semântica, um evento (MARCUSCHI, 2008, p.

72)

O texto é um evento comunicativo em que convergem ações linguísticas, sociais e

cognitivas. (BEAUGRANDE, 1997, p.10 3 , citado em MARCUSCHI, 2008, p. 72).

O texto pode ser tido como um tecido estruturado, uma entidade significativa, uma

entidade de comunicação e um artefato sócio-histórico.

O texto é determinado por dois fatores: sua intenção (propósito) e a execução dessa

intenção. Define-se como:

a) objeto de significação

b) produto de criação ideológica do que estiver subentendido, ou seja, o texto não existe fora da sociedade, mas só existe nela e não pode ser reduzido à materialidade linguística ou dissolvido na subjetividade daquele que o produz ou

interpreta.

c) Dialógico: diálogo entre os interlocutores e pelo diálogo com outros textos (interdiscursividade).

d) Objeto único, irreproduzível, não repetível. (Bakhtin, 2003)

Escrever e ler para produzir sentidos.

3 BEAUGRANDE, Robert de. New Foundations for a Science of Text and Discourse. Norwood:

Ablex, 1997.

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os textos diferem enormemente, pois dependem da multiplicidade de

propósitos que envolvem; por exemplo: um aviso tem uma finalidade

comunicativa bem diferente daquela de um ensaio ou de um editorial;

os textos obedecem a certos padrões mais ou menos fixos; são, pois uma

espécie de modelos, resultantes de convenções estabelecidas pelas

comunidades em que circulam e a que servem; por exemplo, um relatório,

um requerimento seguem certas convenções sedimentadas pelas próprias

instituições que os adotam;

os textos se organizam, assim, em estruturas típicas , as quais, por sua vez,

se compõem de blocos ou partes, cada uma desempenhando uma função

também determinada; um artigo científico, por exemplo, tem uma

configuração própria, inclui diferentes partes, cada uma com uma função

particular;

os textos na conformação a essas estruturas contém elementos

obrigatórios e elementos opcionais. Os primeiros, mais que os segundos,

marcam o que, efetivamente, é típico de um gênero, ou, mais precisamente,

de uma classe de gênero; por exemplo, em uma resenha, é obrigatório um

bloco em que se apresente uma síntese do conteúdo da obra resenhada; é

opcional a apresentação do sumário ou de comentários acerca da bibliografia

referida.

In: IRANDÈ, 2009, p.54

Reproduzimos, a seguir, um quadro elaborado segundo Marcuschi (2008, p. 194 196) que dá uma ideia sobre os diversos domínios discursivos existentes. O quadro geral que se segue é uma tentativa de distribuição dos gêneros da oralidade e escrita no enquadre dos respectivos domínios discursivos, porém não representa um sistema fechado nem completo, ao contrário, indica como são amplas as possibilidades de trabalho com os gêneros discursivos.

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Quadro de alguns gêneros textuais por domínios discursivos e modalidades.

DOMÍNIOS

MODALIDADES DE USO DA LÍNGUA

DISCURSIVOS

ESCRITA

ORALIDADE

INSTRUCIONAL

Artigo científico, Verbete de enciclopédia, relatórios científicos, notas de aula, nota de rodapé, diários de campo, teses, dissertações, monografias, glossário, artigos de divulgação científica, tabelas, mapas, gráficos, resumos de artigos de livros, resumos de conferências, resenhas, comentários, biografias, projetos, solicitação de bolsas, cronograma de trabalho, organograma de atividade, monografia de curso, monografia de disciplina, definição, autobiografias, manuais de ensino, bibliografia, ficha catalográfica, memorial, curriculum vitae, parecer técnico, verbete, parecer sobre tese, parecer sobre artigo, parecer sobre projeto, carta de apresentação, carta de recomendação, ata de reunião, sumário, índice remissivo, diploma, índice onomástico, dicionário, prova de língua, prova de vestibular, prova de múltipla escolha, certificado de especialização, certificado de proficiência, atestado de participação, epígrafe etc.

Conferências, debates, discussões, exposições, comunicações, aulas participativas, aulas expositivas, entrevistas de campo, exames orais, exames finais, seminários de iniciantes, seminários avançados, seminários temáticos, colóquios, prova oral, arguição de tese, arguição de dissertação, entrevista de seleção de curso, aulas de concursos, aula em vídeo, aulas pelo rádio, aconselhamentos etc.

(Científico, Acadêmico e

Educacional)

Jornalístico

Editoriais, notícias, reportagens, artigo de opinião, entrevista, anúncios, cartas ao leitor, resumo de novela, reclamações, capa de revista, expediente, errata, charge, programação semanal, agenda de viagem, roteiro de viagem etc.

Entrevistas, notícias de radio e TV, reportagem ao vivo, comentários, discussões, debates, apresentações etc.

Religioso

Orações, rezas, catecismo, homilias, hagiografias, cânticos religiosos, missal, bulas papais, jaculatórias, penitências, encíclicas

Sermões, confissões, rezas, cantorias, orações, lamentações, benzeções, cantos medicinais

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papais etc.

etc.

Saúde

Receita médica, bula de remédio, parecer médico

Consulta, entrevista médica, conselho médico

Comercial

Rótulo, nota de venda, fatura, nota de compra, classificados, publicidade, anúncio, comprovante de pagamento, nota promissória, nota fiscal, boleto, boletim de preços, logomarca, comprovante de renda, carta comercial, parecer de consultoria, formulário de compra, carta-resposta, comercial, memorando, nota de serviço, controle de estoque, controle de vendas, copyright, bilhete de avião, bilhete de ônibus, carta de representação, certificado de garantia, atestado de qualidade, lista de espera, balanço comercial etc.

Publicidade de feira, publicidade de TV, publicidade de rádio, refrão de feira, refrão de carro de venda de rua etc.

Industrial

Instruções de montagem, descrição de obras, avisos, controle de estoque, código de barras, atestado de validade, manuais de instrução.

Ordens

Instrucional

Receitas caseiras, receitas culinárias, manuais de instrução, regras de jogo, regulamentos, contratos, horóscopos, formulários, editais, advertência, glossário, verbete, placas, mapas, catálogos, papel timbrado, diplomas, certificado de curso etc.

Aulas em video, programas de culinária, vídeos instrutivos, programas infantis etc.

Jurídico

Contratos, leis, regimentos, estatutos, certidões (batismo, nascimento, casamento, óbito, de bons antecedentes, negativas), atestados, certificados, diplomas , normas, regras, pareceres, boletim de ocorrência, edital de convocação, edital de concurso, aviso de licitação, auto de penhora, auto de avaliação, documentos pessoais, requerimentos, autorização de funcionamento, alvará de soltura, alvará de prisão,

Tomada de depoimento, declarações, arguição, exortações, inquérito judicial, inquérito policial, ordem de prisão, leitura de sentenças, etc.

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sentença de condenação, citação criminal, mandato de busca, decreto-lei, medida provisória, desmentido, regulamentos, contratos, advertência etc.

 

Publicitário

Propagandas, publicidades, anúncios, cartazes, folhetos, logomarca, endereço postal, endereço eletrônico etc.

Publicidade na TV, publicidade no rádio etc.

Lazer

Piadas, jogos, adivinhas, histórias em quadrinhos, palavras cruzadas, caça-palavras, etc.

Fofoca, piadas, adivinhas, jogos teatrais etc.

Interpessoal

Cartas pessoais, cartas comercial, cartas abertas, cartas do leitor, cartas oficiais, carta convite, cartões de visita, e-mail, bilhetes, atas, telegramas, memorandos, boletins, relatos, agradecimentos, convites, diário pessoal, aviso fúnebre, volante, lista de compras, endereço postal, endereço eletrônico, autobiografia, formulários, placa, mapa, catalogo, papel timbrado etc.

Recados, conversações espontâneas, telefonemas, bate- papo, convites, agradecimentos, advertências, avisos, ameaças, provérbios.

 

Ordem

do

dia,

roteiro de

 

Militar

cerimônia official, lista de tarefas, advertência etc.

Ordem do dia

Ficcional

Épica, lírica, dramática, poemas, diários, contos, mito, peça de teatro, lenda, parlenda, fábulas, histórias em quadrinhos, romances, dramas, crônicas, roteiro de filme etc.

Fábulas, contos, lendas, poemas, declarações, encenações etc.

In: Marcuschi (2008)

Segundo Marcuschi, “Esta lista é reveladora de um aspecto singular: há domínios discursivos mais produtivos em diversidade textuais e outros mais resistentes” (2008, p.196). Durante o Curso de Ciências da Religião, com certeza, você terá acesso a vários domínios discursivos, porém o destaque será dado para os textos pertencentes ao domínio científico-acadêmico e os relacionados ao discurso religioso e ficcional, tanto na modalidade escrita quanto na modalidade oral. Dessa forma, os textos têm história, são históricos e sempre se realizam em algum gênero textual particular, seja uma notícia, uma aula, uma reportagem, um relato, uma apresentação em eventos científicos. Cada gênero tem maneiras bem especiais de ser entendidos. Não se pode ler uma receita culinária como se lê um artigo de opinião

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ou um artigo científico ou um poema. O gênero textual é um indicador importante, pois a produção e o trato de um resumo ou resenha são diversos dos de uma tirinha ou anúncio publicitário. Os gêneros são formas de ação social e são orientadores da compreensão, segundo Bakhtin (2003).

Referências

ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Martins Fontes, 2003. BAKHTIN, M. (VOLOCHÍNOV, V. N.). Marxismo e Filosofia da Linguagem. 9ª ed. São Paulo: Hucitec, 1999. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. MARCUSCHI, L.A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A; MACHADO, A.R; e BEZERRA, M.A. Gêneros textuais e ensino. 4. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. p. 19-36.

Atividade 1 Produção textual

PROJETO: A prática da leitura em nossas vidas lembranças e retratos

Produção de um relato pessoal com base nas ideias encontradas no texto de Rubem Alves e Maria Julieta Drummond de Andrade.

Lembre-se de um episódio marcante ocorrido com você em que a prática da leitura esteve presente. Pode ser um fato bom ou mesmo uma experiência ruim e escreva um relato sobre essa experiência. O objetivo é recuperar como a prática da leitura esteve ou não presente em sua vida e construir reflexões futuras sobre a importância dessa atividade em todo o percurso formativos das pessoas, principalmente no de professores/as.

a) Antes de começar a escrever seu relato pessoal, pense no leitor => o público alvo desse texto é a própria classe de Produção Textual. Essa atividade ajudará a criar laços de afetividade entre a turma e a conhecer um pouco das histórias pessoais dos estudantes a partir das experiências pessoais.

b) Relate o(s) episódio(s) procurando situá-lo(s) no tempo e no espaço, cite as pessoas envolvidas, descreva o que você sentiu no momento, etc. Escreva na 1ª pessoa e empregue os verbos principalmente no passado. Use uma variedade linguística adequada à situação e ao interlocutor. Verifique se você é o protagonista dos fatos. Faça comentários aos fatos expostos.

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c) Faça primeiro um rascunho no caderno e, quando terminar seu texto, realize uma revisão cuidadosa, seguindo as orientações acima. Se necessário, refaça o texto.

d) Passe o relato a limpo, digitando-o e ponha seu nome no final.

e) Dê um título a seu texto.

Trabalhando com o gênero relato pessoal Orientações sobre o gênero

O relato apresenta, em uma sequência temporal e do modo mais fiel possível, fatos vividos e que podem ser acompanhados de comentários. São características dos relatos:

Presença de verbos no pretérito perfeito do indicativo.

Presença de marcadores . Exemplos:

Advérbios e locuções adverbiais (ontem, hoje, sempre às quatro horas )

Conjunções e locuções conjuntivas (quando, antes que depois

que

assim

que

)

Preposições e locuções prepositivas (após, antes de, depois de

Data de entrega: 17 de julho de 2013.

Algumas orientações sobre a entrega dos trabalhos escritos:  Entregar os trabalhos nas datas agendadas.
Algumas orientações sobre a entrega dos trabalhos escritos:
 Entregar os trabalhos nas datas agendadas.
 Agendar com a bolsista um horário para estudo e/ou para tirar as dúvidas.
 Não acumule leituras nem atividades avaliativas.
 Toda atividade escrita vale nota.
 Se faltar, comunique-se com algum colega, para saber dos conteúdos e atividades.
Mantenha-se em contato com o líder de sua turma e/ou com a monitora da disciplina.
 E-mail da professora para uso estritamente profissional: aracelisobreira@yahoo.com.br

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21 GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DOS DESPORTOS SECD UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE UERN CURSO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO CAMPUS DE NATAL DISCIPLINA: Produção Textual Profa. Dra. Araceli Sobreira Benevides

Unidade 1 Produção textual + A língua em foco

O verbo na construção do texto

Atividade escrita: Elaborar um comentário sobre a cena mais emocionante do filme Escritores da Liberdade. Esse comentário deve ter, no máximo, uma página digitada. Imagine que esse comentário sairá em um fórum de um blog que comenta filmes que devem ser vistos por professores. Você é mais um comentarista a emitir sua opinião e deseja que seu texto seja escolhido e publicado. Data da correção das atividades sugeridas a seguir: 17 e 18 de julho de 2013. Entrega do texto escrito: 24 de julho de 2013.

Leia o texto:

Ler romances me parece uma atividade muito normal, mas escrevê-los é algo tão

Pelo menos é o que penso, até me lembrar como as duas coisas

estão firmemente relacionadas (nada de declarações defensivas, apenas alguns

comentários).

difícil de fazer

Primeiramente porque escrever é praticar, com especial intensidade e atenção, a arte de ler. Você escreve para ler o que escreveu, ver se está bom e, é claro, como nunca está, reescrever uma vez, duas, quantas forem necessárias para que fique algo que você suporte reler. Você é seu próprio primeiro leitor, e talvez o mais severo. "Escrever é julgar a si mesmo", inscreveu Ibsen no frontispício de um de seus livros. É difícil imaginar escrever sem reler.

Mas o que você escreve diretamente nunca é bom? Sim, é claro: às vezes até mais do que isso. O que sugere, pelo menos para esta romancista, que, com um olhar mais atento ou lendo em voz alta isto é, mais uma leitura -, talvez fique ainda melhor. Não estou dizendo que o escritor precisa penar e suar para produzir algo de bom. "O que se escreve sem esforço geralmente se lê sem prazer", disse o dr. Johnson, e a máxima parece tão distante do gosto contemporâneo quanto seu autor. Certamente muito do que se escreve sem esforço produz grande prazer.

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Não, a questão não é a opinião dos leitores que bem podem preferir o trabalho mais espontâneo, menos elaborado de um autor-, mas um sentimento dos escritores, esses profissionais da insatisfação. Você pensa: se consegui chegar a esse ponto na primeira tentativa, sem grande esforço, não poderia ficar ainda melhor?

E embora isso, reescrever e reler, pareça um esforço, na verdade é a parte mais

prazerosa da escrita. Às vezes a única parte prazerosa. Começar a escrever, quando se tem na cabeça a ideia de "literatura", é formidável, desafiador. Um mergulho num lago gelado. Depois vem a parte quente: quando você já tem alguma coisa para aperfeiçoar, editar.

Digamos que esteja uma droga. Mas você tem a oportunidade de corrigir. Tenta ser mais claro. Ou mais profundo. Mais eloquente. Mais excêntrico. Você tenta ser fiel a um mundo. Quer que o livro seja mais abrangente, mais decisivo. Você quer se extrair de si mesmo. Quer extrair o livro de sua mente indecisa. Assim como a estátua está inclusa no bloco de mármore, o romance está em sua cabeça. Você tenta libertá-lo. Tenta colocar aquela balbúrdia na página da forma mais próxima do que você acha que seu livro deva ser o que você sabe, em seus espasmos de inspiração, que ele pode ser. Você lê as sentenças várias vezes. É esse o livro que estou escrevendo? Só isso? Ou digamos que esteja indo bem; porque às vezes vai bem (se não fosse, em alguns momentos, você ficaria louco). Lá está você, e, mesmo que seja o mais lento dos escribas e o pior dos datilógrafos, um rastro de palavras vai-se depositando, e você quer continuar; então relê. Talvez não ouse ficar satisfeito, mas ao mesmo tempo gosta do que escreveu. Descobre-se tendo prazer - o prazer do leitor - com o que está na página.

Saltar, voar, cair. Escrever é, afinal, uma série de permissões que você se dá para expressar-se de certas maneiras. Para inventar. Saltar. Voar. Cair. Descobrir sua maneira característica de narrar e insistir; isto é, descobrir sua própria liberdade interior. Ser rígido sem ser muito autocrítico. Não parar muitas vezes para reler. Permitir-se, quando você ousa pensar que está indo bem (ou não muito mal), simplesmente continuar remando. Sem esperar pelo sopro da inspiração.

É claro que escritores cegos nunca podem reler o que ditam. Talvez isso não

tenha tanta importância para os poetas, que com frequência escrevem quase

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tudo na cabeça antes de colocar no papel (os poetas vivem do ouvido muito mais que os autores de prosa). E a incapacidade de enxergar não significa que não se façam revisões. Não imaginamos que as filhas de Milton, ao fim de cada dia de ditado de "O Paraíso Perdido", liam tudo de novo em voz alta para o pai e depois anotavam suas correções?

Mas os autores de prosa que trabalham numa serraria de palavras - não conseguem conter tudo na cabeça. Eles precisam ver o que escreveram. Mesmo os escritores que parecem mais animados e prolíficos devem sentir isso (Sartre, quando ficou cego, anunciou que sua época de escritor havia terminado). Pense no portentoso e venerável Henry James andando de um lado para o outro num quarto em Lamb House, compondo "The Golden Bowl" (A Tigela Dourada) em voz alta para uma secretária. Deixando de lado a dificuldade de imaginar como a prosa madura de James poderia ser ditada, ainda mais sob a matraca de uma Remington 1900, não supomos que James relesse o que fora datilografado e fosse pródigo em suas correções?

Quando me tornei, mais uma vez, uma paciente de câncer dois anos atrás e precisei interromper o trabalho quase terminado de "In America", um bom amigo de Los Angeles, sabendo de meu desespero e meu medo de não conseguir acabá- lo, ofereceu-se para tirar uma licença do emprego, vir para Nova York e ficar comigo pelo tempo necessário, para anotar meu ditado do resto do romance.

É verdade que os primeiros oito capítulos estavam prontos (isto é, reescritos e

relidos muitas vezes), eu tinha começado o penúltimo capítulo e achava que a estrutura desses dois últimos estivesse inteiramente em minha cabeça. Mas tive de recusar essa oferta tocante e generosa. Não apenas porque eu já estava atordoada demais por um terrível coquetel químico e montes de analgésicos para

me lembrar do que pretendia escrever. Eu precisava ver o que escrevia, não apenas escutar. Precisava ser capaz de reler.

Ler geralmente precede o escrever. E o impulso de escrever é quase sempre despertado pela leitura. A leitura, o amor pela leitura, é o que faz você sonhar com tornar-se escritor. E, muito depois de você ter se tornado escritor, ler os livros escritos por outros - e reler os livros que amou no passado - constitui uma distração irresistível da escrita. Distração. Consolo. Tormento. E, sim, inspiração.

É claro que nem todos os escritores admitem isso. Lembro-me de um dia ter dito

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algo para V.S. Naipaul sobre uma novela inglesa do século 19 que eu amava, uma novela muito conhecida, que eu supunha que ele, como todas as pessoas que eu conhecia interessadas por literatura, admirasse tanto quanto eu. Mas não, ele disse que não a havia lido e, vendo a sombra de surpresa em meu rosto, acrescentou gravemente: "Susan, eu sou um escritor, não um leitor".

Muitos autores que já não são jovens afirmam que, por motivos diversos, leem muito pouco e que acham a leitura e a escrita incompatíveis, de certa forma. Talvez o sejam, para alguns autores. Não cabe a mim julgar. Se o motivo for a preocupação de não ser influenciado, então me parece um temor vão e infundado. Se o motivo for falta de tempo existem apenas tantas horas em um dia, e aquelas que se passa lendo evidentemente são subtraídas às que poderiam ser usadas para escrever-, então se trata de um ascetismo ao qual não aspiro.

Perder-se em um livro a velha frase não é uma fantasia fútil, mas uma realidade ideal e viciante. Virginia Woolf disse celebremente, em uma carta: "Às vezes acho que o céu deve ser uma leitura contínua e inesgotável". Com certeza a parte celestial é que -mais uma vez, nas palavras de Woolf- "o estado de leitura consiste na total eliminação do ego". Infelizmente nunca perdemos o ego, assim como não podemos pisar em nossos próprios pés. Mas a leitura, esse êxtase incorpóreo, é tão semelhante a um transe que nos faz sentir livres do ego.

Pedaços de mim mesmo. Assim como a leitura extática, escrever ficção - habitar outros eus também parece com perder-se. Hoje todo mundo gosta de pensar que escrever é apenas uma forma de autoanálise. Também chamada auto expressão. Assim como supostamente não temos mais a capacidade de verdadeiros sentimentos altruístas, não se supõe que sejamos capazes de escrever sobre qualquer coisa além de nós mesmos. Isso não é verdade. William Trevor fala da ousadia da imaginação não-autobiográfica. Por que você não escreveria para escapar de si mesmo assim como poderia escrever para se expressar? É muito mais interessante escrever sobre os outros.

Desnecessário dizer, empresto pedaços de mim mesma a todos os meus personagens. Quando, em "In America", meus imigrantes poloneses chegam ao sul da Califórnia em 1876 eles estão perto da aldeia de Anaheim , vagam pelo deserto e sucumbem a uma visão apavorante e transformadora da vastidão, com certeza aproveitei minhas lembranças de infância das caminhadas pelo deserto no sul do Arizona próximo ao que então era uma cidadezinha, Tucson nos anos

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40. No primeiro esboço desse capítulo havia grandes cactos "saguaros" no deserto da Califórnia. No terceiro esboço excluí os "saguaros", com relutância (infelizmente não existem "saguaros" a oeste do rio Colorado).

Aquilo sobre o que escrevo está fora de mim. O que escrevo também é mais inteligente do que sou. Porque posso reescrevê-lo. Meus livros sabem o que eu já soube de modo espasmódico, intermitente. E colocar as melhores palavras na página não parece mais fácil, mesmo depois de tantos anos escrevendo. Pelo contrário. Essa é a grande diferença entre ler e escrever. Ler é uma vocação, uma habilidade na qual, com a prática, você provavelmente se torna mais capaz. O que você acumula como escritor são sobretudo incertezas e preocupações.

Todas essas sensações de incompetência da parte do escritor desta escritora, pelo menos decorrem da convicção de que a literatura é importante. Importante é com certeza uma palavra muito tênue. De que existem livros que são "necessários", isto é, livros que, enquanto você está lendo, já sabe que vai reler. Talvez mais de uma vez. Existe privilégio maior do que ter a consciência expandida, preenchida, burilada pela literatura?

Livro de sabedoria, exemplar de recreação mental, dilatador de simpatias,

gravador fiel de um mundo real (e não apenas da agitação dentro da própria

cabeça), servo da história, defensor de emoções opostas e rebeldes romance que parece necessário pode ser - deve ser - a maioria dessas coisas.

Um

Se continuarão existindo leitores com essa ideia elevada da ficção? Bem

uma pergunta sem futuro", como respondeu Duke Ellington quando lhe indagaram por que estava fazendo apresentações matinais no Apollo. É melhor apenas continuar remando.

"Essa é

Susan Sontag, escritora e crítica norte-americana, ganhadora do National Book Award em 2000 pelo romance "Na América". A Escrita como Leitura, publicado em Questão de Ênfase São Paulo, Companhia das Letras, 2004, páginas 335 a 341

Roteiro de Leitura

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1. Nesse texto, a autora apresenta suas impressões de sua experiência com o ato de escrever e ler. O que é dito de importante, logo nos primeiros parágrafos sobre isso?

2. Como a autora pensa que alguém que escreve deve proceder? Quais as orientações que ela dá para quem pretende escrever?

3. Qual o valor que a autora do texto atribui ao ato de ler? Que conclusões podemos tirar disso?

4. Por que a literatura é importante para a autora? E para você?

5. Você já tinha lido algo escrito por essa autora? Em caso negativo, pesquise mais sobre ela.

6. Que sentido tem o seguinte trecho? “Aquilo sobre o que escrevo está fora de mim. O que escrevo também é mais inteligente do que sou. Porque posso reescrevê-lo. Meus livros sabem o que eu já soube – de modo espasmódico, intermitente.”

7. Nos relatos, é comum o emprego da descrição, usada para caracterizar as pessoas, os lugares, os objetos, etc. Pela descrição feita no relato, como a autora descreve as ações realizadas quando um texto está uma droga?

8. Releia os seguintes trechos do relato e observe as palavras destacadas.

Quando me tornei, mais uma vez, uma paciente de câncer dois anos atrás e precisei interromper o trabalho quase terminado de "In America", um bom amigo de Los Angeles, sabendo de meu desespero e meu medo de não conseguir acabá-lo, ofereceu-se para tirar uma licença do emprego, vir para Nova York e ficar comigo pelo tempo necessário, para anotar meu ditado do resto do romance.

a) Os pronomes destacados referem-se a que pessoa do discurso?

b) Em que tempo estão as formas verbais destacadas?

c) A autora participa da história como observadora ou como protagonista?

9) Que tipo de variedade linguística predomina no texto? Ela é formal ou informal?

10) Levante hipóteses: A que tipo de público esse relato pessoal se destina?

O verbo (re)construindo o conceito

(Re)veja, com o auxílio de uma Gramática, as noções de verbo, locução verbal, conjugação verbal e tempo e modos verbais. Anote os conceitos principais e alguns

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exemplos, em seu caderno. Você irá precisar desses conceitos para os exercícios, a seguir.

Verbos são palavras que exprimem ação, estado, mudança de estado e fenômenos meteorológicos, sempre em relação a determinado tempo.

Dois ou mais verbos com valor de um formam uma locução verbal.

Ex.: Vai ficar tudo bem.

Quem está falando?

a) Identifique no texto exemplos de verbos que indicam, para isso consulte o que diz a Gramática que você escolheu para estudo:

estado

ação

b) Identifique no texto pelo menos três exemplos de locução verbal.

c) Releia o seguinte trecho, retirado do relato de Susan Sontag:

“É verdade que os primeiros oito capítulos estavam prontos (isto é, reescritos e relidos muitas vezes), eu tinha começado o penúltimo capítulo e achava que a estrutura desses dois últimos estivesse inteiramente em minha cabeça. Mas tive de recusar essa oferta tocante e generosa. Não apenas porque eu já estava atordoada demais por um terrível coquetel químico e montes de analgésicos para me lembrar do que pretendia escrever. Eu precisava ver o que escrevia, não apenas escutar. Precisava ser capaz de reler.”

Reconheça o modo em que estão as formas verbais destacadas no texto. Por que, na sua opinião, eles foram empregados nesse tempo e nesse modo verbal?

d) A forma tinha começado é uma locução verbal e pode ser substituída por uma forma verbal simples, isto é, por uma única palavra. Qual é essa forma verbal? Em que modo verbal ela está?

e) Suponha que você precise procurar no dicionário o significado do verbo a que pertence cada uma das formas verbais abaixo. No dicionário, os verbos aparecem apenas no infinitivo. Que palavras você buscaria no dicionário?

Você escreve

eu pus

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Eu coube

eu visto

Quando ele vier

ele diria

Eles viram

nós viemos

f) Complete as sentenças a seguir com os verbos indicados, empregando-os nas formas adequadas ao contexto, de acordo com a variedade padrão.

Quando eu

, todas as outras pessoas também

as sacolas e nós

Ele

os refrigerantes. (trazer)

(sair)

Se nós

,

elas também

(gritar)

Você

o

que eu

?

(fazer)

Nós

os agasalhos, mas eles não

(pôr)

g) Há, a seguir, algumas frases em que o locutor se refere à ida de Pedro ao médico. Escreva essas frases em seu caderno e numere-as, indicando qual das seguintes intenções cada uma revela

1. certeza

2. possibilidade

3. ordem

4. permissão

5. conselho

6. hipótese

7. necessidade

8. desejo

a) Quero que Pedro vá ao médico hoje.

b) Pedro, vá ao médico hoje.

c) Pedro vai ao médico hoje.

d) Pedro, acho bom você ir ao médico hoje.

e) É provável que Pedro vá ao médico hoje.

f) Pedro pode ir ao médico hoje.

g) Pedro precisa ir ao médico hoje.

h) Pedro, pode ir ao médico hoje.

Referências

ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola Editorial,

2009.

CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens. 3.ed. São Paulo: Atual, 2006.

SONTAG, Susan. Questão de Ênfase São Paulo, Companhia das Letras, 2004, páginas 335 a 341.

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