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Ministra destaca "virar de página" na negociação com


sindicatos de professores
18.04.2008, Isabel Leiria

Entendimento foi assinado ontem, mas a plataforma sindical diz que continua a haver razões
para "lutar" contra as políticas
do Governo

a O entendimento entre o Ministério da Educação (ME) e a plataforma que reúne os 11 sindicatos de


professores está assinado, mas as declarações que ambas as partes fizeram questão de anexar ontem à acta
mostra que as divergências sobre a política educativa continuam a ser as mesmas. Com uma diferença:
enquanto os sindicatos mantêm um discurso de repúdio e promessa de contestação às medidas do Governo, a
tutela optou por um tom mais conciliador.
"O ministério, consciente da necessidade de valorizar o papel social dos professores, apresentou propostas com
soluções que foram ao encontro das preocupações manifestadas pela Plataforma Sindical de Professores",
começa-se por justificar na declaração do ME. "É muito importante virar esta página e iniciar processos de
negociação em que aquilo que se procura não é convencer o outro dos pontos de vista, mas sim respeitar os
pontos de vista diferentes e encontrar aquele que deverá ser o caminho comum", disse a ministra Maria de
Lurdes Rodrigues, citada pela Lusa, já no final da cerimónia.
Quanto aos futuros processos negociais, incluindo aqueles que decorrem de vários pontos estabelecidos no
entendimento, a ministra mostrou-se confiante de que as "condições são muito diferentes das que existiam até
aqui". E as negociações são retomadas já na próxima segunda-feira.
Para já, fica a constatação de que nunca em três anos de governação, Maria de Lurdes Rodrigues se reuniu
tantas vezes e tantas horas com os dirigentes sindicais. Nem nunca a tutela tinha respondido tão positivamente
a várias reivindicações dos professores.
O ME aceitou, por exemplo, que a avaliação de desempenho se fizesse este ano de forma simplificada e igual
em todas as escolas; que os sindicatos integrem uma comissão paritária, com acesso a todos os documentos
relativos à avaliação e que preparará a negociação de eventuais alterações ao modelo; ou ainda que os
professores contratados por menos de quatro meses possam ser avaliados e não percam tempo de serviço.
A definição de determinadas condições relativas aos horários dos docentes e a criação de mais um escalão no
topo da carreira, sem aumentar a sua duração, foram outros dos pontos acordados e que representam um
"ganho" para os docentes, na opinião da plataforma sindical.
Mas, para os sindicatos, estes "recuos" não são sinónimo nem de acordo nem de tréguas. Pelo contrário, os
dirigentes vêem neste desenvolvimento a "confiança" para continuarem a "lutar" contra o Estatuto da Carreira
Docente, que dividiu a carreira em duas categorias, o novo modelo de gestão das escolas, que classificam de
"antidemocrático" pela alegada excessiva concentração de poderes no director do estabelecimento de ensino, e
o próprio modelo de avaliação.
Na declaração que anexaram à acta congratulam-se, no entanto, com a resposta às "reclamações de carácter
imediato que, na Marcha da Indignação, os professores e educadores exigiram ver resolvidas no 3.º período do
presente ano lectivo".
A ministra da Educação considera que
o entendimento melhorou as condições para voltar a negociar
com os sindicatos

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