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Direito da seguridade social

EVOLUÇÃO DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO

No caminhar entre a assistência prestada por caridade , até hoje, a assistência prestada como direito
subjetivo do cidadão, temos o reflexo da beneficência , da assistência e da previdência, ora uma ou
outra se sobressaindo entre as demais.

Entre nós, primeiramente prevaleceu a beneficência inspirada pela caridade – Santa Casa de
Misericórdia Pe. José de Anchieta – séc.:XVI.

Da assistência pública têm-se noticia inaugural em 1828, com a Leio Orgânica dos Municípios , e o
surgimento do Montepio Geral da Economia em 1835. NO caso do seguro social pouco se formulou ,
nos tempos anteriores ao séc. XX. .

ACIDENTE DO TRABALHO:
Na Europa a legislação sobre acidente do trabalho data de 1884, sendo adotada na Guatemala em
1906.
No Brasil as tentativas para estabelecer-se tal legislação remonta a 1904, com o projeto do deputado
Medeiros e Albuquerque, que infelizmente não prosperou.. Em 1919, logrou aprovada a proposta da
Comissão Especial de Legislação Social – Lei nº 3724 de 15/01/19, que tornou compulsório o seguro
contra acidente de trabalho. Sendo certo que somente com a emenda nº 1 de 1969,, em seu artigo 165,
XVI, inclui-se o acidente de trabalho entre os denominados riscos sociais, no diploma constitucional.

SEGURO SOCIAL:
No fim do Império algumas medidas começaram a ser tomadas , com o fim de proporcionar aos
empregados públicos certas formas de proteção. Caixa de socorro das estradas de ferro do Estado
(1888),n Fundo de Pensões do Pessoal das Oficinas da Imprensa Nacional (1889).

Mas para empregados de empresa privada , até 1923 , nada se tinha feito, em 24 de janeiro de 1923,
veio a ser promulgada a lei nº4682 – Lei Eloy Chaves, instituindo a Caixa de Aposentadoria e pensões
junto a cada empresa ferroviária e tornando seus empregados segurados obrigatórios. Sendo previstos
para eles os seguintes benefícios : assistência médica, aposentadoria por tempo de serviço e por idade
avançada,, invalidez após dez anos de serviço e pensão aos seus dependentes. Em 1926, defere-se
igual regime aos empregados de empresa de navegação marítima, fluvial, bem como,aos portuários.

Em 1930 cria-se o ministério do trabalho, com atribuições para assuntos de previdência social ,
aparecem institutos , amparando não mais os servidores de uma só empresa, porém o pessoal
assalariado de uma determinada categoria profissional em todo o território nacional, desse modo foram
criados os institutos: IAPM, IAPAC, IAPETC, etc..

De par com essas entidades previdenciárias , vieram as de cunho assistencial e foram tomadas
providências a fim de proporcionar aos trabalhadores variada forma de serviços dessa natureza. Em
1940 foi criado o Serviço de Alimentação da Previdência Social, em 41 foi instituído o abono em
benefício das famílias de prole numerosa, em 1942 cria-se a LBA, em 42 , cria-se, também, o SENAI;
em 46 o SENAC, o SESI e o SESC.

Em 1945 ter-se-ia uma previdência social unificada, mas a lei permaneceu letra morta, em 1947 o Dep.
Aluízio Alves apresenta um projeto de lei que previa o amparo social de toda a população, que deu
origem a Lei 3.807 de 26/08/60, denominada de LEI ORGÂNICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (LOPS). ,
que proporcionou unidade de tratamento para os denominados segurados e dependentes , mas não
unificou os organismos gestores , nem assegurou proteção a toda população já que dela excluíam-se os
domésticos e os trabalhadores do campo.

Em 1963 – O ESTATUTO DO TRABALHADOR RURAL, pretendeu levar a proteção trabalhista e


previdenciária ao campo, não logrando êxito, o que só veio a ocorrer completamente em 1971, com a lei
complementar de número 11.

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Direito da seguridade social

Em 1966, pelo Decreto-lei nº 72, unificou as instituições de previdência, criando assim o INSTITUTO
NACIONAL DE PREVIDÊNCIA – INSS , quando, também, deu-se nova feição ao sistema jurisdicional
da previdência social, constituindo-o de juntas de recurso da previdência social e Conselho de
Recursos da Previdência Social.

Quanto ao trabalhador do campo, só logrou-se êxito em 1971, com a instituição do amparo do


PRORURAL, em molde autárquico.

Era necessário a criação de um Ministério, específico para assuntos previdenciários, exigindo-se, assim,
a separação do Ministério do Trabalho e Previdência Social em duas pastas. Em 1º de maio de 1974,
criou-se o Ministério da Previdência e Assistência Social – MPAS, subordinando a ele as autarquias e
órgãos atuantes nesses dois ramos de atuação estatal.

Em 1976 o Decreto-lei 77.077, cria-se a CLPS.

Dado ao crescimento de setores da atividade econômica e a necessidade da penetração dos serviços


no interior do país, em 1977, pela Lei 6.439, reformula-se o sistema previdenciário, onde :
INPS: cabia as prestações em moeda e os serviços de assistência complementar;
INAMPS: competiria a prestação de assistência médica;
LBA: a prestação de assistência social;
DATAPREV: o processamento de dados e tudo relativo a informatização;
IAPAS: cuidaria das atividades administrativas e financeiras da previd6encia e assist6encia social.
Essas instituições teriam como campo de atuação as atividades de amparo social antes existentes
(INPS, FUNRURAL, IPASE) abrangendo as atividades urbanas e rurais , bem como, os servidores da
União. Essa reestruturação previdenciária, não alterou os direitos subjetivos previstos na legislação
anterior , somente sendo uma reformulação administrativa e orgânica.

FONTES DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO:

A lei é a expressão máxima da normatividade jurídica , mas ao lado dela podemos citar como fontes os
costumes , a jurisprudência, a doutrina os princípios gerais de direito , além da equidade.

Direito previdenciário, trata-se de um ramo autônomo do direito, com regras próprias, inclusive,
constitucionais.

A primeira aparição do Direito Previdenciário em nossa legislação, remonta a Constituição de 1824, em


seu artigo 179, XXXI, de nítida inspiração revolucionária Francesa, em que “A constituição também
garante os socorros públicos”.

Na constituição de 1934 , espelhava-se a solidariedade social – garantindo assistência médica ao


trabalhador e a gestante, descanso para esta antes e após o parto, etc...

A Carta Magna de 1937, não deu solução de continuidade nas conquistas anteriores, sendo diferente
as Constituições subseqüentes.

A Constituição de 1988, em seu artigo 8º, XVII, c, reserva competência dada à União Federal, para
assuntos de previdência social, não excluída a dos Estados, desde que respeitada a legislação federal ,
significa que os Estados NÃO podem legislar sobre o assunto já tratado em lei federal , restando ao
legislador estadual o branco da lei.
No artigo 21 § 2º , I, e artigo 43 , temos que somente a União poderá criar contribuições de cunho
social , no interesse da previdência social e de seu custeio .

O artigo 165, garante ao trabalhador a prestação do salário família , das prestações do auxílio doença ,
aposentadoria por velhice e invalidez, pensão por morte, proteção em caso de infortúnio do trabalho e
maternidade.

Temos ainda, as leis:


8.212 de 24/07/91 – lei de Custeio;

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8.213 de 24/07/91 – lei de benefícios;


EC. 20

SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL

Segurança é um dos termos do binômio que com a liberdade, forma o sustentáculo da felicidade
humana.

A seguridade social é o conjunto de regras que tendem a atuar como instrumento protetor , que garanta
o bem estar material, moral e espiritual de todos os indivíduos da população , abolindo todo o estado
de necessidade social em que estes podem se encontrar.

Seguridade Social: tranqüilidade no caso de algum evento, atender a família, tem 3 aspectos:
Previdência Social, Assistência Social e Saúde.

• Previdência Social: mediante contribuições cobrir riscos, doença, morte. Artigo 201 da CF.

• Assistência Social: prestada sem contribuição- atender aos hiposuficientes – renda mensal que
atenda pessoas em estado de miserabilidade; Artigo 203 da CF.

• Saúde: prevenir riscos , habilitar e reabilitar os indivíduos.

A seguridade social é gênero , da qual, Previdência Social , assistência social e saúde são espécies.

PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL – ARTIGO 194, PARÁGRAFO ÚNICO DA CF.

1- UNIVERSALIDADE ou COMPREENSIVIDADE: deve atingir a todos os cidadãos . Todo o


membro da sociedade , acometido pela necessidade , ameaçado pela miséria, à assistência social tem
direito.

2- UNIFORMIDADE e EQUIVALÊNCIA: tanto em benefícios como em serviços o rural e o doméstico


têm os memos direitos dos trabalhadores urbanos.

3- SELETIVIDADE e DISTRIBUTIVIDADE: ou seja, a seguridade social vai pagar conforme o seu


“caixa” e os mais necessitados serão “ajudados”, com prejuízo dos demais..

4- IRREDUTIBILIDADE DOS BENEFÍCIOS:confirmado pelo artigo 201§ 2º,e o caput do artigo 202 da
CF. Salário Contribuição é o que serve de base para a contribuição previdenciária.

5- EQUIDADE NA FORMA DE PARTICIPAÇÃO DO CUSTEIO: quem recebe mais contribui mais,


quem recebe menos contribui menos.

6- DIVERSIDADE DA BASE DE FINANCIAMENTO: relaciona-se com o princípio anterior . A recente


carta constitucional não diz como as anteriores que a previdência social será custeada pela
contribuição tríplice de segurados, empregadores e União Federal, é o custeio suportado
compulsoriamente por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante contribuições sociais e
recursos provenientes da receita tributária da União na forma da lei. A contribuição dos empregadores,
não se limita tão somente à incidente na forma de salário, já que pela lei pode ser calcada nos lucros
da empresa.
O artigo 195 da CF, deixa para o legislador ordinário a tarefa de fixar as contribuições sociais em suas
novas bases e modalidades, e conforme § 4º , do mesmo artigo, novas figuras de tributo podem ser
criadas .

7- GESTÃO DEMOCRÁTICA E DESCENTRALIZADA: com a participação dos trabalhados,


empresários, aposentados e o governo.

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Direito da seguridade social

SEGURADOS E DEPENDENTES

GENERALIDADES:

As regras de direito previdenciário, se distribuem em três categorias:

1- RELAÇÃO DE VINCULAÇÃO OU DE FILIAÇÃO: é a que liga um cidadão a uma instituição


previdenciária, tornando-o segurado seu, e se instaura, de modo automático , no momento em
que o dito cidadão exibe as condições , na lei mencionada, como caracterizadoras dos
segurados da referida instituição. Depende, pois da verificação de pressupostos fáticos e legais.

2- RELAÇÃO DE AMPARO ou de PROTEÇÃO: em que o cidadão já vinculado adquire o direito às


prestações previstas na lei, mas , as aquisições desses direitos só efetuando-se no momento
em que o cidadão satisfaz a todos os pressupostos estabelecidos para tornar-se credor da
prestação.

3- RELAÇÃO DE CUSTEIO: forma pela qual são custeados os benefícios.

Pelo nosso sistema jurídico atual a relação jurídica de filiação ou vinculação se estabelece ope legis,
entre o cidadão de um lado, e as entidades criadas pelo Estado para a execução de seu programa de
proteção social de outro lado.

SEGURADO E DEPENDENTES – CONCEITO:

A lei ao definir que pessoas estão vinculadas a determinada instituição previdenciária, rotulá-os de
segurados e dependentes, englobando-os sob o título de beneficiários.

BENEFICIÁRIO DIRETO: é o segurado, pessoa indicada pela lei como participante do rol dos
indivíduos vinculados;
BENEFICIÁRIO INDIRETO: é o dependente, que embora venha ser sujeito ativo da relação jurídica de
amparo, tem seu direito originado da vinculação do segurado a que se liga por relação de
dependência.

SEGURADO é pois , o cidadão aquele a lei indica precisamente como ligado a órbita de ação de uma
entidade previdenciária, da qual, por força dessa relação vinculante poderá pretender determinadas
formas de amparo, nos casos dispostos pela lei. O que define o segurado não é o fato de que tenha
recolhido as contribuições, mas a situação declarada na lei como deferindo-lhe esse status.

DEPENDENTE: será o cidadão a quem por estar ligado ao segurado por uma relação de depend6encia
econômica , a lei, igualmente, confere direitos subjetivos à proteção da entidade previdenciária.
DO SEGURADO:

Estabelece a lei 8.213, de 24 07 de 1991, o REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL, o qual filia
ao INSS os trabalhadores vinculados à iniciativa privada, classificados como empregados ,
autônomos , empresários avulsos e especiais, segundo a forma pela qual exerçam suas
atividades. A EC. Constitucional nº 20 deu nova redação ao artigo 40 da CF, dizendo que ficam
vinculados ao referido Regime Geral, os servidores públicos ocupantes , exclusivamente, de cargos em
comissão , declarados de livre nomeação e exoneração , bem como, de outros cargos temporários ou
empregos públicos. A filiação, como já vista, opera-se ope legis, independente da vontade dos
segurados.

Ao lado desses segurados obrigatórios , a lei em seu artigo 13, permite a vinculação voluntária do
cidadão maior de 14 anos, que não esteja em situação incluída na hipótese de incidência do artigo 11,
salvo se estiverem amparados por regime próprio de previdência.

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SEGURADOS OBRIGATÓRIOS:

EMPREGADOS: para a lei previdenciária é a pessoa física que presta serviços de natureza não
eventual a empregador, sob a dependência deste mediante salário (CLT-art.3º) a mesma CLT define
EMPREGADOR como a empresa , individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade
econômica , admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.

EMPREGADOS os que prestem serviço de natureza urbana ou rural empresa em caráter não eventual ,
sob subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; o que, contratado pela
empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviços para atender a
necessidade transitória de substituição do pessoal regular e permanente ou a acréscimo de serviço de
outras empresas; o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil, para trabalhar como
empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; aquele que presta serviço no
Brasil a missão diplomática ou repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas
subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não-brasileiro sem residência
permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva
missão diplomática ou repartição consular; o brasileiro civil que trabalha para a União no exterior, em
organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá
domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma de legislação vigente no país do domicílio; o
brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em
empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital
nacional;

EMPREGADO DOMÉSTICO – aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família,
âmbito residencial desta, em atividade sem fim lucrativo;

EMPRESÁRIO – o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não-empregado, o membro de


conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria e o sócio
cotista que participe da gestão ou receba remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana
ou rural; relativamente aos sócios-cotistas, a lei deixa claro que só os que trabalham efetivamente para
a sociedade, dando por sua atividade vida e ação à empresa, são segurados, pois quantos apenas
contribuam com o capital não se entendem exercer atividade econômica, da qual retirem sua
subsistência.

EMPRESÁRIOS RURAIS – trabalhador assalariado, o “produtor rural, proprietário ou não, que, sem
empregado, trabalhe na atividade rural, individualmente, ou em família, indispensável à própria
subsistência e exercido em condições de mútua dependência e colaboração”; o cultivador direto e
pessoal, caracterizando-o como ö que exerce a atividade de exploração rural, de modo direto, na
qualidade de proprietário, arrendatário ou parceiro, com auxílio de seu conjunto familiar, residindo no
imóvel e vivendo em mútua dependência”; os empresários rurais podem ser distinguidos em três
categorias: individuais, a associação empresarial de interesse conjunto e a associação empresarial de
interesses contrapostos; o empresário rural depende da definição de empresa rural, que nos é dada
pelo Estatuto da Terra, nos seguintes termos: “Empresa rural é o empreendimento de pessoa física ou
jurídica, pública ou privada, que explora econômica e racionalmente imóvel rural, dentro da condição de
rendimento econômico da região em que se situe e que explore área mínima agricultável do imóvel
segundo padrões fixados, pública e previamente pelo Poder Executivo”. Essa proteção assim é
concedida:
a) os cultivadores diretos e pessoais, trabalhando em terra própria ou alheia, regem-se pelo art. 11,
VII, como segurados especiais;
b) b) os cultivadores diretos, que cultivam terra própria ou de outrem, com o auxílio de empregados,
além do dos membros da família, estão incluídos no regime de amparo com base no mesmo artigo,
V, a;
c) c) os diretores de empresa agrária, bem como os sócios, inclusive os de indústria, são segurados
do regime geral pelo art. 11,III. A vinculação de que derivam os direitos às prestações pressupõe
direta e imediata dedicação aos labores do campo, ou seja, à agricultura em sentido lato.

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SEGURADO ESPECIAL – o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o garimpeiro, o


pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam suas atividades individualmente ou em regime de
economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como os respectivos cônjuges ou
companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem,
comprovadamente, com o grupo familiar respectivo.
AGRICULTURA – a lei se refere aos trabalhadores na agricultura não basta, sejam eles assalariados
ou não, porque a exigência de esclarecer-se o que seja agricultura permanece. No conceito de Malta
Cardoso:
a)“os trabalhos da terra, para produção primária de vegetais e animais, indispensáveis à vida humana”;
b) as agrícolas por destinação, acessórias e dirigidas ao mais perfeito aproveitamento da terra;
c) as rurais por conexão, quando exercitadas em complemento das principais;
d) as agrícolas por necessidade, como a manipulação e a transformação do produto básico, cuja
colocação exija tais práticas.
São agrícolas, em princípio, as atividades do lavrador, do pecuarista, do extrativista, do agroindustrial.
Mas, em certos casos, essas atividades têm lindes de difícil demarcação, com aquelas, alheias ao trato
do ager e integradas no comércio ou na indústria, propriamente ditos, pois com elas se interpenetram,
criando uma zona cinzenta de trabalhosa tratação. É uma atividade complexa, que visa à produção de
bens essencialmente de desfruto, quer explorando a fertilidade do solo, por intermédio de energia
latente contida no embrião vegetal, quer transformando os produtos vegetais, por intermédio de
indústrias anexas.Atividades conexas – figura da empresa, em torno da qual se esforçavam em seus
argumentos, teve disciplina, no concernente às lides agrárias, sem afeiçoa-las às normas do Direito
Comercial. Quando exercidas pelo agricultor, mas apenas até o ponto em que seu exercício não exceda
ao que, habitualmente, se pratica no setor essencialmente agrícola, isto é, o expurgo, a seleção, o
benefício, a padronização, a classificação, o condicionamento etc., assim não se considerando,
entretanto, as atividades que transformem o produto in natura, caso se deverá ter na conta de processo
industrial, propriamente dito, alheio às atividades rurais; por outro lado, a ação das cooperativas de
agricultores, mesmo quando exercida especialmente para a venda de produtos, ou a fim de beneficia-
los, em favor de cooperados produtores, não se considera alheia ao ciclo rural, desde que não se
empenhe na prática de atividades excedentes do que a tal ciclo normalmente pertença.
CULTIVADORES – colocou o produtor rural a que se refere em seu art.3°,§ 1°, b, configuram a
empresa agrária familiar, pois, ser ele o proprietário, como pode ser o arrendatário, o parceiro, o simples
possuidor. Condição é que mantenha a exploração com trabalho próprio e de pessoas de sua família,
sem empregados, vale dizer, sem auxílio alheio ao do conjunto familiar ativo. O proprietário de terra em
zona rural, que não a explore pessoalmente, seja porque a mantenha inculta,seja porque deferiu essa
exploração a terceiro, por arrendamento ou parceria, ou admitiu que outrem dela se apossasse e à
exploração, não é empresário, não é produtor, e não tem, portanto, qualificar-se segurado. Mas, além
do proprietário, há outros produtores que, exercendo a exploração de forma direta e pessoal, sem
auxílio de trabalho assalariado, como segurados são contemplados. O arrendatário recebe, pelo ajuste
firmado com o dono da gleba, o uso e a fruição do fundo, pelo preço e as condições calcadas nos
modelos da legislação agrária. Um cultivador direto, mas só o será direto e pessoal no caso de explorar
a gleba com o auxílio preponderante de pessoas da família. O parceiro é outra figura que pode assumir
a feição agora examinada, de cultivador direto e pessoal, e que tem a sua origem contratual no Direito
Romano. Esse contrato oscilou entre as regras da locação e as da sociedade, dando-o uns como
contrato misto(158), outros alinhando-o entre as formas de locação (159) de permeio com formas
específicas.considera-se cultivador direto o que alicia mão-de-obra, mesmo de forma não-contínua; e
como cultivador direto e pessoal o que, trabalhando com seu conjunto familiar ativo, eventualmente
contrate trabalhadores para ajuda-lo. O que se entende por conjunto familiar ativo passaremos a ver em
seguida.

CONJUNTO FAMILIAR – a existência, ao lado do cultivador, de pessoas de sua família, com ele
trabalhando, indica ter sido reconhecido, pela lei, um rol de segurados, além dos que trabalham
assalariados e dos denominados cultivadores, que dirigem a empresa agrária, como chefes do
empreendimento. Apurado que esse conjunto familiar ativo é um elemento associativo na condução da
pequena empresa agrária, vemos, de modo igual, que no nosso direito ele não foi ignorado. O art. 180
do Estatuto do Trabalhador Rural isentava da aplicação de normas protetoras do trabalho as relações
“entre o pequeno proprietário e os membros da sua família, quando só com eles explore a propriedade”.
O termo proprietário era insuficiente para exprimir o intento do legislador, devendo-se ler, em seu lugar,

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Direito da seguridade social

a palavra cultivador, pois as mesmas razões ocorriam para que assim se entendesse no que se referia
aos membros de qualquer família cultivadora, proprietária ou não, da terra. O Direito Agrário consagra o
conjunto familiar como partícipe do arrendamento rural. Esses parentes, que com o cultivador se
dedicam à cultura do fundo, nem são dependentes seus, nem podem ser equiparados aos assalariados.
Pelo texto legal agora vigente, ampara-se, como membros do conjunto familiar ativo, trabalhadores
rurais, portanto, o cônjuge, o companheiro e os filhos maiores de quatorze anos, bem como os que aos
filhos se equiparem (art.16, § 2°). Define o conjunto familiar como atividade exercida “sem utilização de
empregados”. A expressão parece conflitar-se com o texto do inciso VII, que ressalta a atividade “ainda
que com auxílio eventual de terceiros”. O auxílio de terceiros limitar-se-á à contratação dos chamados
“safristas”, trabalhadores encontradiços no meio rural, cujo trabalho na doutrina italiana é rotulado de
lavoro staggionale, assinalando, assim, a marca de sua descontinuidade.

TRABALHADOR AUTÔNOMO – o que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter


eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; a pessoa física que exerce, por conta
própria, atividade econômica, de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, e como equiparado ao
autônomo, a pessoa física, proprietária ou não, que explore atividade agropecuária, pesqueira ou de
extração de minerais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos, e
com ou sem auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, embora de forma não contínua; o
membro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de
ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em
razão de outra atividade ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de
inativo; o empregado, de organismo oficial internacional ou estrangeiro, em função no Brasil, salvo
quando coberto por sistema próprio de previdência social; o brasileiro civil que trabalhe no exterior para
organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado,
salvo quando coberto por sistema de previdência social do país de domicílio;

TRABALHADOR AVULSO – quem presta, a diversas empresas sem vínculo empregatício, serviço de
natureza urbana ou rural, definidos no Regulamento;

EMPRESA – é um conceito arredio ao direito, usando-se, de coito, a definição que a economia fornece.
ao conceito jurídico de empresa não se chega fácil, quiçá porque, em regra, é para isso preciso superar
a dificuldade de converter-se o objeto de direito em sujeito de direitos, ou seja, considerar, como certa
corrente deseja, a empresa como pessoa jurídica; na lei trabalhista, definiu como “organização do
trabalho alheio, sob regime de subordinação hierárquica, tendo em vista a produção de determinado
bem econômico”. A empresa rural é definida em nosso Direito Agrário (lei n° 4.504, de 30/11/64, art. 4°,
VI) como o empreendimento de pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que explora
economicamente e racionalmente imóvel rural, em condições de rendimento econômico. Cada uma
dessas formas dá lugar, para o empresário que a dirige, a uma diversa forma de vinculação
previdenciária, como veremos a seguir, ao tratarmos dos segurados rurais.

TRABALHADORES TEMPORÁRIOS – o trabalhador temporário diferencia-se do autônomo porque não


traz a marca da eventualidade. É transitório, mas não ocasional, pois trata do trabalho temporário como
sendo o que é prestado através de certa empresa, dadora da mão-de-obra, que fornece a prestação a
outras empresas, tomadoras do serviço.

Princípio da universalidade: o tratamento dado ao trabalhador rural e urbano são iguais.

DEPENDÊNCIA:
Dependentes são beneficiários, ditos indiretos, relacionados com o segurado por dependência
econômica, vínculo mais abrangente que aquele resultante dos laços de família civil, critério que se
adota em razão das finalidades da proteção social. Principalmente porque as relações derivadas do
Direito de Família são insuficientes. Entretanto, o direito do dependente não é, como se poderá pensar,
um direito transmitido pelo segurado. É ele, na realidade, ius proprium, que pelo dependente pode ser
exercido contra a instituição, pois desde que se aperfeiçoem aquelas duas situações o dependente
passa a ostentar esse direito subjetivo.Boa parte, os dependentes mencionados na lei previdenciária

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Direito da seguridade social

coincidem com aqueles que a lei civil reconhece credores de alimentos a serem prestados pelo
segurado. A reposição de renda perdida: aquela renda que o segurado proporcionaria, caso não o
atingisse um risco social; as relações de que cogita a lei civil não exaurem as situações em que possa
ocorrer necessidade para os dependentes do segurado, abrindo campo à ação da proteção social, é
que a lei previdenciária fundamentou o direito do dependente no critério da necessidade, mais do que
no crédito de alimentos entre parentes; para a lei previdenciária, consiste na situação em que certa
pessoa vive, relativamente a um segurado, por ele sendo, no todo ou em parte, efetivamente ou
presumidamente, mantida e sustentada, assim , a um estado de fato, não a uma decorrência puramente
jurídica das relações entre parentes; no momento da morte do trabalhador, surge o direito daqueles a
quem ele provia de alimentos, segundo a ordem prevista na lei de amparo social, como direito próprio. A
lei, dando a lista dos dependentes, tal como os admite, pode, não obstante, para alguns reconhecer
uma presunção de necessidade, ao passo que não o faz relativamente a outros casos. Os critérios de
maior relevo são:
a) aquele que funda a dependência em relação de família, admitindo um direito subjacente a
alimentos;
b) aquele pelo qual, além dos vínculos de família, exige-se a demonstração de um requisito de idade
ou de incapacidade para o trabalho;
c) o que fundamenta a dependência na demonstração de coabitação ou de vida em comum que a
denuncie efetivamente;
d) o que faz depender o direito da evidência de uma situação de dependência total ou parcial, em
relação ao segurado;
e) o que admite a indicação do segurado como prova da situação de dependência, ou que a aceita
em conjunto com provas de real “vivenza a carico”.
Tais critérios ditam, como resultante, o aparecimento de classes de dependentes, que se excluem uma
à outra, quando concorrentes.

A DEPENDÊNCIA ECONÔMICA NA LEI N° 8.213


A lei arrola os beneficiários indiretos, titulares do direito às prestações por morte e por reclusão do
trabalhador, em três classes, a primeira delas abrangente do cônjuge, do companheiro ou da
companheira, do filho menor de vinte e um anos, ou inválido; a segunda, refere-se aos pais; a terceira,
engloba os irmãos, menores de vinte e um anos ou inválidos; ao filho, a lei equipara, desde que exista
declaração nesse sentido do segurado, o enteado, o menor que, por determinação judicial, esteja sob
sua guarda, e o menor, seu tutelado, que não tenha fonte própria de subsistência; caso, adquirida a
plena capacidade, o direito à prestação, para esse dependente, deixa de existir, porque a razão da
presunção de dependência já não ocorre.

CONCORRÊNCIA ENTRE DEPENDENTES


A existência de vários dependentes arrolados na mesma classe decreta a concorrência entre eles e a
partilha da prestação previdenciária; inversamente, e em linha de princípio, a competição entre
dependentes de classes diversas determina a exclusão do direito dos dependentes alinhados nas
classes subseqüentes, pois que, em tal caso, o direito se reputa verificado em favor dos dependentes
da classe primeiro arrolada pela lei.

DEPENDÊNCIA PRESUMIDA E COMPROVADA


Certos dependentes, em face dos vínculos de parentesco civil ou de relações jurídicas estabelecidas no
Direito de Família (esposa, marido inválido, filhos) têm sua dependência econômica presumida em
relação ao segurado. A prova do parentesco ou da relação matrimonial basta para que se tenha por
dependente quem a exibe. Não se fará, em caso algum, exigência da prova de dependência econômica
em relação ao segurado, instituidor da prestação; no caso do companheiro ou da companheira, exigível
será a prova de que o casal configurava aquela união estável de que trata o art. 226, § 3°, da
Constituição Federal. Trata-se de hipótese em que o texto constitucional declara existente uma unidade
familiar, pelo que lhe garante a proteção do Estado; a lei exige comprovada, em cada caso, a efetiva
dependência econômica; essa prova pode ser feita por documentos e por testemunhas, ouvidas em
justificação, requerida pelo interessado; a Carteira de Trabalho, nomeando seus dependentes, ainda
que possa ser exigida a prova da permanência dos motivos que geraram a designação; para o

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Direito da seguridade social

trabalhador rural, dadas as dificuldades inerentes ao meio agrário, a anotação em Carteira de Trabalho
poderá ser substituída por documento emanado do sindicato de classe.

CÔNJUGES
No Direito Civil, ao marido, em regra, compete o sustento da esposa; natural, pois, que a esta caiba o
direito às prestações que se instituem em razão da perda da renda fornecida ao lar, pelo trabalho do
marido, falecido ou recluso; a lei anterior contemplava apenas o marido, quando inválido. Mas hoje é de
considerar que a mulher casada dedica-se, em grande número de casos, a atividades fora do lar,
trazendo para a economia doméstica sua contribuição, algumas vezes maior que a do marido;
suprimida essa participação nos encargos domésticos, é justo que ao marido se atribua direito à
pensão, substitutiva da participação da mulher nos referidos encargos; o cônjuge separado
judicialmente ou divorciado, sem que a decisão judicial lhe assegurasse alimentos pelo outro cônjuge,
deixa de ser titular do direito às prestações da previdência social; igualmente é de interesse a questão
dos efeitos do casamento nulo ou anulável, como gerador de direito à prestação para o cônjuge
sobrevivente; o art. 12 do Regulamento do FUNRURAL aludia à anulação do casamento como causa da
perda da qualidade de dependente, o mesmo se verificando no Regulamento aprovado pelo dec. n°
83.080, art. 18, I, para o regime da CLPS.

FILHOS
O preceito da lei previdenciária faz com que o direito dos filhos sofra a limitação derivada de qualquer
circunstância, da qual se infira razoavelmente, a cessação do estado de dependência; a lei refere-se a
filho de qualquer condição; ao mencionar filhos legítimos, naturais, adulterinos ou incestuosos; são
vedadas pelo art. 227, § 6°, da Carta Magna, onde se assegura aos filhos de qualquer condição (para
usar a expressão mui empregada em textos previdenciários) tratamento idêntico ao dispensado àqueles
que foram havidos da relação do casamento; para o filho, o implemento da maioridade foi considerado
pelo legislador como elemento indicativo da capacidade própria de manter-se pelo trabalho, o que exclui
a dependência em relação ao segurado; em caso de invalidez, tem-se a incapacidade como persistente,
após a maioridade; mas pelo casamento, os filhos perdem, a qualquer tempo, a condição de
beneficiários indiretos; a filha mulher, porque passa a dependente do marido; como incapacidade, ou
invalidez, entende-se qualquer fato que inabilite o dependente para o exercício de atividade
remunerada; a condição inválido, como a de menor, e quaisquer outras acaso mencionadas na lei como
integrantes da condição de dependência, devem ser verificadas no momento em que, falecido o
segurado, tem lugar o nascimentos do direito à prestação; a filha maior e inválida, mas separada
judicialmente, por ser dependente, em princípio, do marido, não é dependente do pai, a menos que por
ele venha a ser assim designada.

PESSOAS EQUIPARADAS
Do mesmo modo que os filhos, são considerados dependentes preferenciais, da primeira das classes,
o enteado e o tutelado quando não tenha bens próprios, capazes de assegurar-lhe o sustento.
O enteado filho da esposa entra para o lar do segurado no lugar de seu filho, equiparado a esta
situação. Quanto ao tutelado recebe-o o segurado no cumprimento de um encargo, devendo dele
incumbir-se para criá-lo, orientá-lo, dirigi-lo, educa-lo, tão bem como seu filho fosse. Se o tutelado não
possui bens , é evidente que mantido estará sendo pelo segurado e será dependente seu.

COMPANHEIROS
O direito da companheira de receber prestações previdenciárias, decorrente de sua união marital com o
segurado , só aos poucos foi reconhecida.
Chegou-se a um estágio que a companheira é dada por dependente , ainda que exita a esposa do
segurado, que com ela concorra ao benefício. E mesmo quando não se possa provar a vida em comum
por tempo alongado, não está a companheira ao desabrigo, porque a lei a contempla demonstrando que
ao fim de tudo, a realidade social veio impor ao legislador a necessidade de afeiçoar a lei aos fatos da
vida.

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Direito da seguridade social

A expressão “união estável “ da norma constitucional deve ser entendida como “existente por um tempo
mais ou menos longo”. Poderá ser havida como união estável a que perdure por mais de cinco anos,
aquela da qual resultem filhos, e aquela em que os companheiros pratiquem atos demonstrativos de
seu empenho em solidificá-la (ex.: conta conjunta, outorga de procuração, etc..).
A norma constitucional , complementada pela lei n º 8971/94, assegura ao companheiro de pessoa
solteira, separada judicialmente, divorciada ou viúva, que com ele viva há mais de 5 anos, o direito à
alimentos e à sucessão hereditário.

AQUISIÇÃO PERDA E MANUTENÇÃO DO STATUS DE SEGURADO

DO STATUS:
A relação jurídica formada entre o cidadão e entidade não mais se presta ao cunho contratual. É um
aspecto da intervenção do Estado no sentido de proporcionar amparo, mediante serviços públicos para
esse fim cridos e mantidos , do que resulta para o cidadão, assim contemplado pela letra da lei, não
uma situação de parte contratante, mas a de um status – o status de segurado.

Esse status , gerador dos direitos do segurado (e, por conseqüência os de seus dependentes), passa a
existir , tem origem no momento em que o cidadão se encontra em qualquer da situações de fato às
quais a lei se reporta para determinar a proteção social.

Para qualquer delas , a aquisição do status , o estabelecimento da relação jurídica de filiação, entre o
beneficiário e a instituição depende, só e unicamente, de sua integração na situação fática a que a lei se
refere definindo-o como condição de ser beneficiário. Aperfeiçoa-se esse vínculo no mesmo momento
em que tais situações fática se tem configuradas, independentemente de quaisquer outras
circunstâncias, como tempo de serviço ou versamento de contribuições que para essa relação jurídica
são indiferentes.

INSCRIÇÃO DO SEGURADO:
Inscrição do segurado é o ato pelo qual o segurado faz constar do assentamento da instituição
previdenciária seus dados identificadores e os de seus dependentes – ato meramente declaratório.

PROVA DA INSCRIÇÃO:
Ao fazer a inscrição deve o segurado provar sua condição e a de seus dependentes . A prova mais
comum da condição de segurado , ao menos dos que mantêm vínculo empregatício, é a Carteira de
Trabalho e Previdência Social devidamente anotada. Contudo, não é obstáculo a que se intente a prova
por outros meios , sempre que pela carteira não possa ser feita.

PERDA DA VINCULAÇÃO E SEUS EFEITOS:


A existência da relação de vinculação, como dos direitos do beneficiário, dela derivados, a situação
fática descrita na lei, que ela, uma vez abolida , apagada, tornada inexistente, acarreta o desfazimento
da referida relação, faz desaparecer o status de beneficiário.
No regimento do RGPS, o afastamento da atividade vinculativa por mais de 12 meses, tem como efeito
a perda da condição do segurado.
No momento mesmo em que o segurado preenche as condições em lei previstas para que assim seja
considerado, do mesmo modo se terá ele por desvinculado, desde que deixe de preencher as referidas
condições.

PERSISTÊNCIA DO VÍNCULO:
Porque a perda da vinculação coloca o beneficiário ao desabrigo da incidência dos riscos sociais, é que
o legislador teve o cuidado de acautelá-lo contra esses efeitos declarando persistente os efeitos da
vinculação por períodos que ultrapassam a data da exclusão do cidadão do rol dos segurados. Assim,
em princípio a perda da condição só se tem por verificado após um ano do afastamento de atividade
vinculada.

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Direito da seguridade social

Há hipóteses em que a lei admite a permanência do vínculo , mesmo quando afastado o segurado das
situações que lhe conferem a filiação. Conveniente ressaltar : persistência do vínculo até então
existente, jamais vinculação nova:

a) SEGREGAÇÃO : Algumas doenças impõem, como medida de Saúde Pública internação do


paciente em estabelecimentos hospitalares, afastando-o do convívio social. Configurada que
seja , entretanto, essa necessidade, e internado um segurado, fica mantido o vínculo durante o
período de tratamento. O prazo só se considerará fluente a contar do dia em que cessar a
segregação, voltando o seguradoà vida normal.

b) DETENÇÃO ou RECLUSÃO: Semelhante é a disposição referente o segurado detento ou


recluso, por efeito de decisão judicial. A relação vinculativa se tem por persistente durante o
cumprimento da pena, e o prazo de um ano, só ira ser contado a partir do dia da liberação.

c) SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO: a lei na alínea c , refere-se


a serviço militar prestado pelo segurado, que é uma causa de suspensão do contrato de
trabalho. Outras causas têm , entretanto, de ser consideradas. Na suspensão, as cláusulas do
ajuste se mantêm, mas não operam, ao passo que na interrupção apenas algumas cláusulas se
sustam, seu cumprimento.
Pela CLT são causas de suspensão: cumprimento de serviço militar ou outro cargo público,
exercício de mandato sindical, suspensão disciplinar imposta como preliminar de inquérito para
apuração de falta grave; a greve não ocorrida em serviço públicos e atividades definidas em lei
como essenciais, o afastamento do empregado doente ou temporariamente inválido amparado
pela previdência social.
Pela CLT são causas de interrupção: as ausências do trabalhador, quando para registrar o
filho no registro civil, ou as determinadas por motivo de gala, nojo e prestação,de testemunho
ante a Justiça; as férias e a licença da gestante, a paralisação da empresa , se temporária.

d) GOZO DO BENEFÍCIO: É de ser considerada mantida sua vinculação, pois a relação de


amparo, que então se instaura, impede a caducidade de relação de filiação.A caducidade , no
caso, só se pode contar o dia em que cessa o direito à prestação.

e) DEMANDA TRABALHISTA: a aplicação da pena de suspensão pela empresa não terá efeitos
sobre a fluência do prazo de caducidade, do mesmo modo que a dispensa do empregado. Um
caso entretanto será de excepcionar Se a empresa , tendo aplicado a suspensão prévia instaura
contra o empregado o inquérito a fim de apurar falta grave por ele cometida, a demanda evita se
haja, desde logo, como perdida a vinculação, ainda que a solução demore mais de 12 meses.
Se a sentença não acolher a pretensão da empresa e, ao invés, determinar a reintegração, o
tempo decorrido será de normal relação empregatícia, de tal modo que as contribuições se terão
por devidas pela empresa, e já vimos que a falta de recolhimento pontual da contribuição pelo
empregador em nada afeta o direito do segurado.

f) SERVIÇO MILITAR: A prestação de serviço militar, acarreta para empresa a obrigação de


reintegra-lo no emprego, com as mesmas vantagens que lhe caberiam se a prestação laborativa
não tivesse sido suspensa. Basta que, para reingressar à empresa , o empregado avise o
empregador de sua intenção em 30 dias a contar da baixa do serviço que a Nação vinha
prestando.Durante o tempo em que presta esse serviço a vinculação previdenciária se mantém
inalterada, ocorrendo o prazo de três meses para sua extinção , após a conclusão do serviço
prestado.

g) LICENÇA NÃO REMUNERADA: o empregado licenciado sem remuneração só manterá o


vínculo previdenciário durante o prazo previsto na lei. Após a fluência desse prazo, seu direito
se extingue, salvo no caso de vir a usar do direito de contribuir em dobro.

h) O DESEMPREGADO: o desempregado tem 24 meses de prazo para voltar a contribuir , sem


que perca a condição de segurado. Isto , entretanto, se condiciona ao fato de ter levado ao
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Direito da seguridade social

órgão próprio do Ministério do Trabalho a notícia de sua condição e o seu desejo de regressar a
atividade em outro emprego. A persistência após 24 meses, acarreta a perda da condição de
segurado.

i) CASO DE VINCULAÇÃO ANTIGA: se o segurado , ao interromper as contribuições, já era


vinculado por mais de 10 anos, a lei concede dois anos de prazo para que torne a vincular-se
sem perda da condição que lhe assegura a proteção do órgão previdenciário.

MANUTENÇÃO DO VÍNCULO:
A lei coloca nas mãos do titular do direito à vinculação a maneira de evitar que esse direito venha a
caducar
Outorga-lhe a possibilidade de substituir sua condição de integrado em certa atividade pela pura e
simples, a manifestação de sua vontade de permanecer vinculado , abrindo-se desse modo ,
exceção ao princípio de que a filiação previdenciária terá como base a regra legal apenas.
O direito de manter a vinculação pela contribuição voluntária só existe quando o segurado não está
vinculado a outro regime de amparo, de modo obrigatório.

REGIME E VINCULAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS:


Lei 8.213/91 – 8112/90.
Os Estados e alguns Municípios, criam para seus servidores regime previdenciários próprios. Na
inexistência destes, os servidores, estarão vinculados ao Regime Geral, para que sem amparo não
permaneçam.

RELAÇÃO JURÍDICA DE PROTEÇÃO.

FUNÇÃO ECONÔMICA DA PRESTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA:


Sobre os fins da seguridade social: absorvendo os antigos sistemas de previsão, converte-se, aos
poucos em serviço público de amparo social, mantido por receita tributária ou assemelhada, mercê da
qual o Estado realiza de modo efetivo.
Ë um mecanismo de transferência das responsabilidades pelos efeitos dos riscos sociais , das pessoas
atingidas para as componentes de grupos mais fortes economicamente, e destes para o conjunto de
pessoas mais apto a suporta-las: a sociedade inteira.

NATUREZA JURÍDICA DA PRESTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA:


Desde que o estado reconhece a conveniência de amparar o cidadão contra as conseqüências de tais
riscos, deve disciplinar essa proteção, indicando os critérios de identificação dos casos em que a norma
ditada deve aplicar-se , em hipótese o cidadão se torna titular de um direito.
A regra jurídica previdenciária, apresenta-se provida de hipótese e conseqüência. Na primeira, um dos
elementos formadores, figura um fato que se tem na condição de risco social, dando sua descrição;
outro elemento estabelece a oportunidade, o momento em que esse evento deverá ocorrer , para que
se torne motivo da proteção .

AQUISIÇÃO DO DIREITO À PRESTAÇÃO:


O cidadão , mão adquirir a condição de beneficiário, por força da lei que regula a relação de filiação,
não tem ainda direito a nenhuma das prestações ou melhor , a vinculação não é condição suficiente
para gerar o direito à prestação , malgrado seja condição necessária. Nem mesmo tem direito
expectativo.
A situação do segurado é a de um expectante, apenas, no sentido de , algum dia, e por efeito de
determinadas circunstâncias, tornar-se titular do direito a alguma das prestações previstas na lei.
A lei poderá, a qualquer tempo, mudar as condições de aquisição, criar ou suprimir prestações,
respeitando , unicamente, o direito dos que, por terem satisfeito as condições legais de aquisição, já
são titulares do direito à prestação, porque já haverá, aí, situação jurídica perfeitamente definida.
Na regra legal de amparo, a hipótese de incidência vem figurada de forma completa, sem referência a
qualquer elemento formativo gerador anterior, de modo que, até se apure ela realizada no campo
fático, não há como dizer-se existente algum direito à prestação. Na sua hipótese de incidência a
admite como complementar de um direito já nascido , mas apenas aponta-se como conferindo certos
direitos a pessoas que, em razão de outra regra, e por estarem em determinadas situações jurídicas.
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Direito da seguridade social

O vínculo estabelecido na regra de filiação não confere direito às prestações, as quais se consideram
decorrentes de fatos a que referida norma é indiferente.
Se o direito a prestação ainda não nasceu, porque ainda não ocorrido o fato que geraria, direito ainda
não é, nem poderia extinguir-se.
Não é a esse direito a que se faz menção, mas ao de ser segurado e, por conseqüência titular do
direito à prestação, quando verificado seu fato gerador. A existência do direito que decorre da relação
de vinculação coloca o cidadão entre os vinculados a determinado regime de proteção (ditos
beneficiários), mas a existência desse direito não se confunde com o que , após a materialização do
risco, faz com que o cidadão filiado se torne credor da prestação.
Pode o cidadão ser segurado, e jamais vir a suceder, para lê, o fato determinante da concessão da
prestação à qual, portanto, jamais virá a ter direito.
Assim, até que tal fato ocorra, a relação de vinculação poderá extinguir-se, sem ofensa a qualquer
direito, pois a regra jurídica formadora pressupõe uma situação fática dependente tão-só, de fatores
personalíssimos de seu titular (estar ou não exercendo atividade dita vinculada).

Extinto pela caducidade , o direito ao vínculo, o direito à prestação, derivado de um fato posterior e
ainda não ocorrido , não mais será expectável para o direito do titular do direito morto: a expectativa
deixa de existir, igualmente.

A reintegração do segurado no rol de cidadãos vinculados, pelo seu reingresso em atividade


protegida, não lhe restaura, por si mesma, o direito à prestação , que anteriormente existira , sem a
contagem de novo período de carência.

ELEMENTO MATERIAL DA HIPÓTESE:


O campo de eventualidades coberto pela proteção social tornou-se sobremaneira extenso. Os riscos por
ela previstos são todos os que possam ser abrangidos pela conceituação. A necessidade de ser futuro e
incerto o risco faz com que se exclua da proteção o segurado que, ao tempo da vinculação, já era
portador da moléstia ou lesão que venha a ser invocada como suporte material do direito à prestação,
que sustenta a relação jurídica formada pela prestação laborativa, já que a moléstia ou a lesão não
impedem-na de consumar-se. São várias as classificações que foram sugeridas para tais riscos:
1. fisiológicos – como a doença, a morte, a maternidade, a invalidez, a velhice;
2. profissionais – tais como os acidentes de trabalho e as moléstias profissionais,assim como o
desemprego;
E os riscos do grupo familiar, assim indicados os encargos de família que se divide em :
1. fisiológicos – morte, doença, seja a comum, seja a profissional, a invalidez e a velhice;
2. econômicos-sociais – desemprego, ônus familiares, reduções de jornada de trabalho e
convocação ao serviço militar.

No campo da proteção social, as prestações referidas aos riscos se tornam devidas, como vimos, desde
que, previsto em lei um desses riscos, como elemento material da hipótese de incidência da lei, no
instante e no local pressupostos, no mundo fáctico essa hipótese se venha a materializar, criando um
estado de necessidade para o trabalhador ou para seus dependentes. O benefício constitui um direito
subjetivo do segurado ou seu dependente, o serviço não. é certo que o serviço está condicionado a
possibilidades administrativas, técnicas e financeiras da entidade. Mas, estabelecidas em plano geral
tais possibilidades, claro é que poderá qualquer beneficiário pretender a prestação de servi,o, nos
moldes previamente estabelecidos, exigindo-o como satisfação de seu direito, caso lhe venha a ser
negado pela administração previdenciária.

PRESTAÇÕES PECUNIÁRIAS
No RGPS, a lei institui os seguintes:
1. aos segurados auxílio-doença - no qual o elemento material da hipótese de incidência é a
eclosão de enfermidade ou incapacidade laborativa temporária, na pessoa do segurado;
2. salário-maternidade – prestação devida nos casos do art. 995 da CLT;
3. auxílio-acidente – em casos de acidente do trabalho, a que fazem jus apenas os segurados
empregados, avulsos e especiais;

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Direito da seguridade social

4. aposentadoria – agora regida pelo art. 201, § 3°, da Lei Maior, na redação dada pela Emenda
Constitucional n° 20, que estabelece, como requisitos para a concessão, o limite mínimo de
idade de 65 anos para o homem e 60 para a mulher, a efetiva contribuição durante 35 anos para
o homem para a mulher. Para o trabalhador rural o limite de idade é, aplicando-se aos
participantes dos conjuntos familiares ativos, aos garimpeiros e aos pescadores artesanais,
sendo de 60 anos para o sexo masculino e 55 para o feminino.
Na constituição foram eliminadas as figuras de aposentadoria por idade, isoladamente considerada, e
por tempo de serviço, encarado com exclusividade, ficando como única forma de presunção de
incapacidade peculiar a aposentadoria especial, reservada aos trabalhadores exercentes de atividades
penosas, insalubres e perigosas, consoante vier a ser disposto em lei complementar (art.201, § 1°).
Aos dependentes, a lei concede o auxílio-reclusão, o salário-família e a pensão por morte.
A Emenda Constitucional n° 20, ao reduzir a amplitude do direito a aposentadoria, não poderia deixar de
ressalvar os casos dos segurados que já tivessem adquirido o direito a essa prestação, na forma da
legislação então em vigor. No seu artigo 3°, assegura ela aos segurados e seus dependentes que, até a
data de sua publicação, tenham cumprido os requisitos legais até então exigidos. De igual modo, e
visando a atender a uma situação de transição, o art. 9° da Emenda permite aos segurados de Regime
Geral aposentar-se com valores proporcionais ao seu tempo de serviço, satisfeitas as condições de que
adiante cuidaremos.

ELEMENTO MATERIAL – RISCO SOCIAL


Para o estabelecimento da relação jurídica de proteção, é necessário que certa hipótese, na lei
configurada, venha a verificar-se efetivamente, em relação a um beneficiário da previdência social, isto
é, certo fato suceda em circunstâncias de tempo e lugar na lei prevista. Esses fatos são as hipóteses de
risco que o legislador deseja prever. Constituem os denominados riscos sociais: riscos advindo de
incapacidade para o trabalho, risco-morte, riscos da maternidade ou da natalidade, os decorrentes de
acréscimos nos encargos familiares e a proteção à velhice.

INCAPACIDADE LABORATIVA
Capacidade para o trabalho, de modo geral, é uma legítima aspiração, profundamente humana,
encontrada em qualquer trabalhador, a de poder ultimar um trabalho em condições de integridade
pessoal idênticas àquelas com as quais o tenha iniciado, e que, em garantia dessa aspiração, deveria
existir, no ordenamento jurídico de qualquer nação, uma forma de reconhecimento e de segurança
completa. Entretanto, mesmo uma criteriosa legislação de prevenção jamais poderá impedir esses
riscos de se materializarem em todos os casos, não só pela natural falibilidade humana como,
principalmente, pela própria natureza de muitos riscos, inerentes à pessoa do trabalhador e à sua vida
em sociedade. O texto previdenciário, o trabalhador só passa a sujeito de direitos após a eclosão do
sinistro, afetar-lhe a capacidade. Capacidade laborativa é o complexo de aptidões físicas, técnicas e
morais, que permitem realizar o trabalho, do que decorre o conceito de “capacita di guadagno”, que é
um aspecto unilateral e finalístico da aptidão do trabalhador disposto a utilizar sua capacidade laborativa
com o propósito de obter sustento próprio e de seus dependentes. Tanto pode causar necessidade o
evento futuro e incerto, que venha a ocorrer, como a invalidez ou enfermidade, quanto aquele
acontecimento que aumenta os encargos do trabalhador a serem satisfeitos com uma remuneração
limitada, como o nascimento de um filho. Há ainda aí, embora por extensão, a incapacidade de ganho: a
incapacidade de ganhar, pelo trabalho, o bastante para o sustento do núcleo familiar.

ASPECTOS DA INCAPACIDADE LABORATIVA


Conceituação de uma incapacidade genérica, isto é, aquela referida a qualquer ofício, profissão ou
atividade possível para o lesionado, em oposição à incapacidade específica, que se distingue por ser a
relativa a certa atividade, em particular. A incapacidade de que cogitam as leis previdenciárias é, em
princípio, a genérica, até porque as práticas da reabilitação podem recuperar um trabalhador para o
exercício de atividade diversa da que antes exercia. Mais importante é, a diferenciação entre
incapacidade temporária e incapacidade permanente. Considera-se permanente a incapacidade que se
manifesta de forma irrecuperável, diminuindo ou abolindo a aptidão do trabalhador para o exercício de

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Direito da seguridade social

sua atividade normal. Temporária será a que, por certo tempo, causa o mesmo efeito, mas permite uma
recuperação pelo tratamento adequado.

INCAPACIDADE COMPROVADA E PRESUMIDA


A verificação de uma incapacidade para o trabalho, de forma comprovada, em geral por perícia médica
feita pelo órgão previdenciário, é o elemento material determinante de uma prestação previdenciária, a
ser concedida pela instituição a que seja vinculado o trabalhador lesionado ou enfermo. A verificação
desse fato, se encarada como de forma permanente, acarreta a concessão da prestação denominada,
de hábito, aposentadoria por invalidez, dando lugar, se temporária, à concessão auxílio-doença.
Contudo, em que a lei, em face de circunstâncias que presume invalidantes, concede aposentadoria,
sem apurar e comprovar, pericialmente, a ocorrência do fator incapacitante, é assim que é a velhice. O
caráter da prestação, é explicável de duas formas:
1. a de uma pensão que garanta ao trabalhador um repouso a que fez jus, após uma vida de
esforços;
2. e a de uma presunção de invalidez, de que decorreria a pensão como aposentadoria .
Isto mostra como as duas concepções não conduzem às mesmas conseqüências, porque a idade da
aposentadoria, na primeira delas, depende de considerações nitidamente econômicas, ao passo que é
a condição de invalidez que a determina na segunda, influindo nela e na sua avaliação, o sexo, a
profissão e outros fatores. A fixação da idade-limite, na qual o fator invalidez se presumirá presente,
sofre, de fato, a influência do sexo, sendo na mor parte dos países adotado o critério de fixa-la em 65
anos para o homem e 60 para a mulher. Nesta prestação (aposentadoria por velhice), inspira-se nossa
lei no fator incapacitante, presumido, deixando o denominado droit de retraite para alicerçar outra
prestação, igualmente denominada de aposentadoria (por tempo de serviço). Não é apenas a velhice
que serve de fundamento para presumir-se a invalidez do trabalhador e conceder-lhe afastamento
remunerado. A prestação estabelecida como aposentadoria especial, tendo por destinatário o
trabalhador em atividades consideradas perigosas, penosas ou insalubres, tem por causa uma invalidez
presumida que, na hipótese permite fácil assimilação a uma velhice prematura, semelhança notada por
Waline em todos os casos de invalidez. A lei, para o caso, presume uma incapacidade instalada em
razão do exercício de certas profissões, especialmente danosas à saúde, durante determinado tempo.

RISCO-MORTE
O homem é o único animal que sabe que vai morrer. Essa certeza o acompanha todos os dias da vida e
o torna consciente de que algum dia deixará de existir e que deve fazer algo para assegurar a
subsistência de sua prole, quando ele já não o possa fazer. A idéia desse risco não se afasta do
conceito geral de risco, porque, embora não seja incerto quanto à verificação, o é relativamente à época
em que poderá ocorrer. A lei, contudo, trata os casos de forma genérica, imprimindo, não obstante, à
prestação, caráter tão individualizado quanto possível, atendido o salário-benefício, como também o
número de beneficiários da pensão outorgada. O caráter temporário a prestação que se concede aos
filhos, geralmente é limitada a certa idade, e de caráter permanente à viúva e à companheira, esta
quando à viúva equiparada. Ao filho invalido será assegurada uma pensão enquanto assim permanecer
vitalícia, e a esposa perderá a pensão ao contrair novo matrimônio, tornando-se dependente de outro
homem. A pensão é, em regra, concedida em forma de renda mensal, favorecendo os dependentes,
observada a ordem legal de habitação. A legislação comparada nos mostra que o conceito de
dependentes vem sendo ampliado, não apenas relativamente aos que possam ter direito à pensão,
como ao limite de idade em que deve ser ela concedida.

MORTE PRESUMIDA
Refere-se ao ausente como pessoa que tenha desaparecido de seu domicílio, sem que dela haja
notícia, para determinar que o Juiz, a requerimento de algum interessado ou do Ministério Público, lhe
designe curador, que se incumba de administrar-lhe os bens. Decorridos dois anos da última notícia do
ausente, se não tiver deixado representante ou procurador, ou quatro anos, se os deixou, poderão os
interessados promover a abertura de sucessão provisória, de acordo com o art. 469 do C. Civil –
sucessio praematura, em que se presume a morte do ausente, agindo-se como se ele falecido fosse,
com absoluta certeza e conhecimento pleno de todos. Mas, para que a sucessão se tenha por definitiva,
dispensados da caução os herdeiros provisórios, é mister que decorram pelo menos 30 anos do trânsito
em julgado da sentença que determinou a abertura da sucessão provisória, ou que o ausente atinja a
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Direito da seguridade social

idade de 80 anos, estando desaparecido durante 5 anos, pelo menos (art. 481 – C. Civil). Essa
orientação, visa a resguardar os bens do ausente, favorecendo seus herdeiros. A morte presumida tem
por endereço o reconhecimento do direito do dependnete à pensão, no caso em que, em face da
ausência do segurado, durante apenas seis meses, se provoque da autoridade judiciária sua declaração
de ausente, limitada, em tal caso, ao efeito de permitir a habilitação do dependente à prestação. Diverso
é o caso de pessoas desaparecidas em naufrágio, inundações, incêndio, terremoto, ou outra catástrofe,
bem como no curso de operações bélicas, desde que provada sua presença no local e não tenha sido
possível encontrar-se o cadáver para o exame cabível. O texto legal vigente não fala em prazos. Assim,
e para efeito da concessão da prestação previdenciária ao dependente de segurado ausente ou
desaparecido em acidentes ou catástrofes, cumpre distinguir:
a) cuidando-se de segurado desaparecido de seu domicílio há mais de seis meses, poderá
o interessado justificar ante autoridade judiciária esse desaparecimento, e dela obter a
declaração de morte presumida do desaparecido, para o fim de ser-lhe deferida a
pensão;
b) cuidando-se, porém, de segurado que tenha desaparecido em acidente, desastre ou
catástrofe, e provando-se que estava no local do evento, não mais tendo reaparecido
após ele, a prova desses fatos faz dispensável a declaração de ausência e torna devida
a pensão a partir do sinistro, já que os fatos, tais como demonstrados, fornecem como
que uma certeza moral do óbito.
É dispensável qualquer outra cautela quanto é evidente o endereço da disposição, que visa a proteger
o dependente, assegurando-lhe a continuidade da renda de que o desaparecimento do segurado o
privou, na própria lei se preceituando que o reaparecimento eventual do segurado fará sustar o
pagamento da prestação, sem que o dependente seja, em nenhum caso, obrigado à devolução de
qualquer quantia.

RECLUSÃO COMO RISCO


Diz respeito ao risco que afeta o trabalhador, privando sua família da renda, de maneira temporária, do
mesmo modo que a doença. A prestação prevista é uma forma de pensão paga a dependentes do
segurado que, recluso ou detento, fica impossibilitado de auferir ganhos com seu trabalho, do que
resulta o desamparo de seus familiares. O elemento material da regra que o concede prevê a situação
de “segurado recluso ou detento, que não receba qualquer espécie de remuneração da empresa”. A
ausência de remuneração, a inexistência de pagamento, pela empresa ao empregado detento ou
recluso, de quantia correspondente ao cumprimento de cláusulas do ajuste laborativo. Se o empregador
dá ao trabalhador ou a seu dependente qualquer importância de modo espontâneo, caracterizando um
auxílio, esse fato não pode ser considerado obstáculo ao exercício do direito à prestação. Entende-se
que o dado que estabelece, como elemento material da prestação, o próprio decreto de prisão ou a
sentença condenatória de reclusão ou de detenção, porém exige-se que seja comprovada a própria
reclusão, exclui-se da percepção o dependente do segurado que se tenha evadido, deixando
voluntariamente de submeter-se à medida restritiva de liberdade. Se a prestação é, induvidosamente,
estabelecida intuitu familiae, e se tem como elemento material da hipótese de incidência legal a ordem
judicial de detenção ou de reclusão, o fato de ter-se evadido o segurado, de estar foragido, em nada
altera os termos da questão, nem melhora a situação de seus dependentes, os titulares da prestação de
que se cuida.

MATERNIDADE
O nascimento de filho do segurado determina a concessão de auxílio, o salário-maternidade, hipótese
que tem por elemento material de seu fato gerador a gestação da segurada no período de vinte e dois
dias antes e noventa e dois após o parto. Essa prestação anteriormente era um direito assegurado à
trabalhadora gestante, pelo art. 393 da CLT, cabendo ao empresário o cumprimento da obrigação de
pagar à empregada o salário integral durante o período mencionado acima. Com a atual regra, a
prestação previdenciária assume o lugar até então ocupado pela responsabilidade patronal, encarando-
se a maternidade como um risco social da trabalhadora.

16
Direito da seguridade social

ENCARGOS FAMILIARES
O encargo de família, pesando sobre o minguado orçamento de grande parte dos trabalhadores, se faz
pensar no salário familiar como solução para o problema que assim se apresenta. Salário familiar é uma
prestação que visa a dar ao trabalhador renda de maior vulto, na proporção dos encargos de família que
suporte. Foi instituído o salário-família em 1963, pela Lei n° 4.266. O benefício é devido ao segurado
empregado, exceto o doméstico, e ao avulso, na proporção do número de filhos ou equiparados que
mantenha. O aposentado por invalidez, ou por idade, e os demais aposentados, após completarem 65
anos, se homens, ou 60 se mulheres, fazem jus a essa prestação, que com a aposentadoria lhes será
paga. A cada filho de até catorze anos, ou inválido, corresponderá uma cota, que a lei fixa, sempre
sujeita à correção do art. 134. essas cotas não se incorporam ao salário e aos benefícios para qualquer
efeito.

DESEMPREGO E SUAS CAUSAS


Um dos riscos sociais de efeitos mais deploráveis é o desemprego. Nas sociedades contemporâneas, a
necessidade, gerada por diferentes fatores, impõe formas de combate mas conciliadas com o respeito
pela liberdade e pela dignidade do homem, sem que, aqui ou ali, deixem de inspirar-se em semelhantes
considerações econômicas. O afastamento do trabalhador sadio dos quadros da atividade remunerada
não exprime apenas a perda de seu sustento: é bem mais que isto, a diminuição do poder de consumo
coletivo, tornando mais dificultosa a superação da crise econômica que tenha deflagrado as
despedidas. Reorganizando o mercado de trabalho, foram empregadas várias providências:
a) afastar, de preferência, os trabalhadores na indústria, recém-advindos da agricultura;
b) as mulheres, que não fossem arrimo de família;
c) os estrangeiros, se em número excedente do percentual máximo admitido para eles;
d) redução do horário de trabalho;
e) proibição da cumulação de empregos, vedando-se, especialmente, a contratação dos que já se
empenhavam em outra atividade, cumprindo nela a jornada máxima admitida.
Entretanto, tais medidas, aplicáveis em determinados casos com certo sucesso, não são panacéia de
prescrição indiscriminada para todas as situações de desemprego, onde quer que se verifiquem.

CONCEITOS DE DESEMPREGADO COMO RISCO SOCIAL


A lei de amparo social, visando a proteger o cidadão dos efeitos desse risco, e contra a necessidade
dele emergente, estabelece as situações em que se deve encontrar o trabalhador a proteger. A
proteção do trabalhador em situação de desemprego involuntário rege-se atualmente pela Lei n° 8.900,
de 30/06/94, para cujas disposições remetemos o leitor, até porque parece-nos tema de Assistência
Social, e não de Previdência, aqui abordado apenas porque foi expressamente mencionado no art.
201,III, da Constituição. A exigência de ter trabalhado durante trinta e seis dos últimos quarenta e oito
meses mostra que o benefício se dirige aos trabalhadores colhidos pela desocupação após uma
permanência no ou nos empregos anteriores, o que afasta a hipótese do paro estacional. A dispensa
sem justa causa (ou a paralisação do empregador) valem pela afirmação de que o beneficiário será
sempre o desempregado involuntário, pois a lei não poderá amparar quem se tenha afastado da
atividade por sua vontade, provocando, assim, a própria situação de carência. E a circunstância de não
estar em gozo de prestações previdenciárias tem dupla significação: de um lado, aponta como
destinatário do auxílio-desemprego o trabalhador válido para o trabalho, pois o que se revele portador
de incapacidade física já encontra na lei previdenciária meios de proteção pertinentes ao seu caso;
além disso, a expressão “estar em gozo de”, pensamos deva ser compreendida como “ter direito a”, de
modo que aquele que se revele inapto fisicamente para o trabalho, sob este aspecto deve ser atendido
e não como desempregado.

ADVERTÊNCIA OPORTUNA
O Decreto-lei e seu regulamento referem-se à prestação de amparo que criaram, denominando-o de
seguro-desemprego. Com isto, se aferraram à concepção do seguro-social, já ultrapassada, e com a
qual o auxílio criado nem mesmo se aparenta. O auxílio, em razão de sua evidente feição assistencial.

17
Direito da seguridade social

Denomina-se auxílio ao desempregado, correspondente a 50% do salário-mínimo durante o prazo


previsto no art.4° do referido decreto.

MOMENTO DA AQUISIÇÃO DO DIREITO À PRESTAÇÃO


A prestação, como direito subjetivo do beneficiário, torna-se devida a contar de certo momento, que a lei
define e fixa, para cada caso. Verificado que o sinistro (materialização do risco) consumou-se no tempo
a que a lei se reporta, nasce o direito, e o beneficiário dele se torna titular. Tais condições, referidas ao
tempo, se distribui em três categorias diversas, influindo, também de modo diferente, cada uma delas,
na aquisição do direito à prestação. A primeira das categorias é a que se denomina, habitualmente, de
“período de carência”, isto é, um prazo mínimo de vinculação cumprido antes da eclosão do evento que
justifica a prestação. Outra é a submissão pessoal do segurado a condições de trabalho com
agravamento de risco, durante determinado período. A terceira é um lapso de tempo exigido,
previamente, para que a prestação cabível possa vir a ser deferida, como o que se exige para o início
do pagamento do auxílio-enfermidade (15 dias de afastamento do trabalho, por motivo de doença).

CARÊNCIA – CONCEITO
Para certas prestações, verificado o fato material que as explica, tem lugar o nascimento do direito
subjetivo à prestação, em favor do cidadão beneficiário, independentemente da época em que tal fato
venha a ocorrer. Em outras, entretanto, o legislador estabeleceu prazos e condições para a aquisição
desse direito, além do fato de ser o cidadão vinculado ao sistema. E esses prazos para aquisição do
direito à prestação, contados do ingresso do segurado no regime vinculado a uma instituição,
denomina-se “períodos de carência”’ costumando-se defini-los como “o lapso de tempo durante o qual
os beneficiários não têm direito a determinadas prestações, em razão de não haver o segurado
completado o número mínimo de contribuições mensais exigido para esse fim”. O que a lei, na verdade,
exige do segurado, especialmente do seguro-desemprego, é a permanência do vínculo, durante certo
lapso de tempo, e não, especificadamente, a contribuição devida nesse período, que pode ou não ter
sido vertida, sem embargo de seu direito se aperfeiçoar com o passar do tempo. Mais acertado será ver
na exigência de período mínimo de vinculação, para a concessão de certas prestações, a natural
cautela contra tentativas de fraude, pelas quais se intentasse configurar uma filiação, de fato não
existente, a fim de obter uma prestação indevida. A contagem dos prazos, para que se gere o direito ao
benefício, é feita a partir da vinculação. A esse respeito é bastante esclarecedora a orientação
ministerial, derivada de pré-julgado, no sentido de que “perdida a qualidade, caducam os direitos a ela
inerentes. Por conseguinte, é inadmissível que o ex-segurado possa desfrutar benefícios próprios de
uma situação da qual já não participa ou de uma condição que não mais ostenta”. No reingresso no
sistema da previdência social, as contribuições pertinentes ao direito decaído não elidem a exigência de
novos períodos de carência, como salientou a autoridade ministerial no processo. É necessário
considerar que, perdido o status de segurado, se este novamente se vincula ao regime, o tempo de
filiação anterior será levado em conta, para efeito de carência, após ser mantido o novo vínculo por
período igual a um terço da carência fixada para a prestação pretendida.
Tempo computável – para a formação do período de aquisição do direito à prestação, é de se levar em
conta, a permanência do segurado, vinculado à previdência social, sempre que a lei exija. Em
determinadas situações jurídicas, o tempo de serviço ou de vinculação se amplia em favor do
beneficiário. Ainda é computável o tempo de aprendizado profissional em escolas técnicas, o de
freqüência em escolas técnicas mantidas por entidades privadas, endereçadas aos seus empregados
aprendizes, e o dos cursos de aprendizagem ministrados pelos empregadores aos seus empregados,
bem como o realizado em cursos do SENAC ou do SENAI, para a formação de trabalhadores menores.

PRESTAÇÕES INDEPENDENTES DE CARÊNCIA


Certas prestações, contudo, pela natureza do risco a que se referem, tornam dispensável qualquer
cautela contra a possível fraude e repelem, por outro lado, a possibilidade de exigência de períodos de
vinculação. Uma delas é a aposentadoria, bem como a pensão por morte decorrente das enfermidades
ali citadas. Trata-se de doenças de caráter excepcionalmente grave, de difícil cura ou de aparecimento
súbito, quando manifestadas após o ingresso do segurado no sistema (após o dia da vinculação). Essas
doenças estão, da mesma forma e para o mesmo fim, arroladas no art. 178, III do Estatuto dos
Funcionários Públicos Civis da União. Cogita-se de previdência, isto é, de cobertura de danos futuros, e
não de seguridade, que seria a atividade de amparo a qualquer manifestação de necessidade
18
Direito da seguridade social

decorrente de risco social, a presença do dano no próprio momento da vinculação distorceria a


finalidade do sistema. Adverte-se ainda, não poder ser a norma interpretada com rigor extremo. Só se o
segurado, ao vincular-se já acometido de uma enfermidade arrolada, agir de evidente má fé, se lhe
poderá negar prestação, pois tal não seria justo fazer caso ele desconhecesse seu estado mórbido ou
ignorasse o diagnóstico exato. A recente legislação revela-se progressiva e avançada, ao dispensar de
carência a pensão por morte, o auxílio-acidente. Excluído o último, antes já isento de carência, nos
demais teve-se em consideração que se cuida de proteger a família do segurado, que a exigência
poderia lançar em situação de miséria. Também foram excluídos da imposição de carência o auxílio-
doença e a aposentadoria por invalidez, nos caos de acidente de qualquer natureza ou causa, bem
como nos casos em que o segurado, após filiar-se, venha a ser acometido por uma das doenças
arroladas no art. 151 da Lei n° 8.213. Também escapam à exigência os segurados especiais, quando
comprovem atividade rural, mesmo descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento,
de igual número de meses ao da carência do benefício postulado. O serviço social e a reabilitação
profissional do mesmo modo estão imunes à carência.

OUTRAS DISPOSIÇÕES
No art.143 da Lei 8.213/91 concede ao trabalhador rural empregado, autônomo ou especial (art.11 –
VII), a aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo, durante quinze anos contados da
vigência da lei, quando comprovem o exercício da atividade rural, mesmo descontínua, no período
imediatamente anterior ao requerimento do benefício, em número de meses igual à carência da referida
prestação.

PRESTAÇÕES SUJEITAS À CARÊNCIA


As prestações pecuniárias asseguradas pelo RRPS são condicionadas ao cumprimento do prazo de
doze meses de vinculação, nos casos de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, e de cento e
oitenta meses, nos demais caos de aposentadoria por idade, tempo de serviço e especial. Entretanto, a
doença ou a invalidez decorrerem de acidente de qualquer natureza, a aposentadoria e o auxílio
correspondente, em tais casos, não dependerão de nenhuma carência. Do mesmo tratamento gozam
as prestações devidas aos segurados especiais, que são os cultivadores diretos e pessoais. O
segurado, deixando de exercer atividade abrangida pela Previdência Social, durante mais de doze
meses, deixa de estar a ela vinculado, isto é, perde a condição de segurado, não importando por quanto
tempo já tenha vertido contribuições. Se, após a interrupção, volta a vincular-se, as contribuições
relativas a vinculação anterior, só serão computados em seu prol após contar, a partir de nova
vinculação, com um terço, no mínimo, de contribuições exigidas para o cumprimento da carência
estabelecida para a proteção de que se cogita.

TERMO INICIAL DO PRAZO


A lei manda contar o prazo de carência a partir do dia em que o segurado se vincula ao sistema. Para o
segurado empregado, bastando ter em conta que a vinculação se têm verificada a contar da data em
que o empregado passa a exercer atividade econômica. Em relação ao segurado autônomo, uma
situação injusta e desigual criou-se, distinguindo-se 0nde jamais fora admissível se distinguisse.
“Tratando-se de trabalhador autônomo, a data a que se refere o artigo 64 da Lei n° 3.807, de 1960, em
seu § 1°, será aquela em que for efetuado o primeiro pagamento de contribuições”. O trabalhador
autônomo, segurado obrigatório como os demais, quando em mora de contribuições iniciais, passa a
contar o prazo de carência, para direito às prestações, a partir do dia em que perfizer a primeira
contribuição, e não a contar do em que começar a exercer a atividade vinculada. A nova lei persistiu em
consagrar essa injustiça, em seu art. 27, II, dispondo que para o segurado doméstico, empresário,
autônomo, a carência contar-se-á da primeira contribuição feita sem atraso, desconsiderando as que,
exigidas com base na lei, tenham sido vertidas a destempo, mas com os acréscimos legalmente
exigíveis. A vinculação desses segurados é obrigatória a contar do primeiro dia de atividade ligada ao
regime, e que a previdência social pode exigir-lhes as contribuições correspondentes, porém jamais
deveria poder recusar-lhes as prestações, por desconsiderar o período em que essas contribuições
tenham sido recolhidas fora do prazo legal.

19
Direito da seguridade social

OUTROS ELEMENTOS TEMPORAIS


De par com carência, outros elementos temporais são de observar na aquisição do direito à prestação.
São eles critérios fixados pela lei, para algumas prestações, e que lhes balizam a concessão.

CONTAGEM RECÍPROCA DO TEMPO DE SERVIÇO


A Lei n° 6.226/75 permitiu a contagem do tempo de serviço prestado nas duas áreas de atividade,
pública e privada, concedendo ao segurado com um mínimo de 60 meses de vinculação ao regime da
CLPS o direito de contar o tempo de serviço prestado à administração federal direta ou autárquica, ao
passo que deferia ao servidor federal da administração direta ou autárquica, com cinco anos de efetivo
exercício o direito de contar tempo de serviço na empresa privada, do regime da CLPS. O tempo de
serviço que já tenha servido de base para aposentadoria em outro sistema não poderá ser computado
em contagem recíproca, nem o tempo em dobro, quando a lei o mande assim computar. A prestação
laborativa nas duas áreas, pública e privada, cumulativamente não se contará. A contar de 1° março de
1981, assegura-se aos servidores estaduais e municipais, ou de suas autarquias dos Estados e
Municípios, a contagem de tempo de serviço prestado em atividade sujeita à previdência urbana, para o
efeito de aposentadoria por invalidez, por tempo de serviço ou compulsória, pelos cofres estaduais ou
municipais.

LOCAL DO SINISTRO
Uma das características diferenciais entre os sistemas de proteção fundados em previdência social e os
denominados de seguridade social reside em que, neste, a proteção dirige-se à necessidade, onde
verificada, provenha ela de onde provier, instale-se como e quando instalar-se, não importando os
fatores de local ou de tempo. As prestações estão ainda condicionadas por esses fatores, sendo
explicadas não apenas pela necessidade que visam atender, mas pela origem dessa necessidade, pelo
acontecimento que as determina. O fato tempo (ocasião, momento da eclosão do fator danoso), o local
em que ela vem a ocorrer influi, em várias prestações. Assim é que, em várias prestações, a hipótese
em que o lugar da ocorrência é de importância na verificação ou não do direito do beneficiário, embora
em muitas delas seja ele desinfluente. O lugar não é levado em conta para tal fim, no auxílio-doença, na
aposentadoria comum por invalidez, na aposentadoria por velhice, na concedida por tempo de serviço,
no auxílio-natalidade, no salário-família, no salário-maternidade, na pensão do art.55, no auxílio-
reclusão, no auxílio-funeral e na renda mensal vitalícia, assim como na concessão das diferentes
espécies de assistência. Mas em outras prestações sua investigação é imperativa.

ATIVIDADES PENOSAS, PERIGOSAS E INSALUBRES


A aposentadoria que se concede ao trabalhador, empenhado em atividades que a lei julga
incapacitantes após período mais curto de exercício, somente se poderá deferir quando o efetivo
trabalho do segurado se tenha desenvolvido, não apenas durante o prazo legal referido no texto, mas
submetido, durante todo esse prazo, às condições desfavoráveis a que a lei aludiu, como presunção do
fator invalidante. Após certo tempo de trabalho (15, 20, 25 anos, conforme o caso), o trabalhador sujeito
a condições especialmente desfavoráveis de ambiente e esforço invalida-se para qualquer ofício ou
profissão, devendo ser aposentado. No caso, uma presunção de incapacidade genérica para o trabalho,
em tais casos, que se exige, para conceder-se essa aposentadoria, deva o segurado afastar-se, não
apenas da atividade especial que determina a aposentadoria antecipada. O tempo, porém, conta-se
singelo, jamais em dobro, como certa ocasião se pretendeu, à semelhança do disposto para o servidor
civil em relação ao tempo em que tenha participado de operações de guerra. Uma exceção ao princípio
de que só o exercício da tarefa especialmente danosa à saúde do trabalhador enseja a aposentadoria
especial. Foi mandado contar, para esse tempo de afastamento que corresponda ao exercício de
cargos de administração ou representação sindical (art.9° da Lei n°5.890/73).

AERONAUTAS
A aposentadoria especial dos aeronautas é outro caso em que o local de trabalho influi para a
verificação ou não do direito de pleitear a prestação. A lei define aeronauta como aquele que, habilitado

20
Direito da seguridade social

pelo Ministério da Aeronáutica, exerça função remunerada a bordo de aeronave civil nacional. Essa
categoria de trabalhadores, desempenhando funções em condição de risco agravado, desfruta do
direito de aposentar-se após período de trabalho mais curto que os trabalhadores em atividades
comuns. O diferencia esse tratamento é, precisamente, o local em que as funções são desempenhadas
– a bordo de aeronave. Porém, quando se afasta, de modo voluntário, do desempenho de tais funções,
embora permaneça ligado, por vínculo empregatício, a qualquer empresa do ramo, após dois anos de
afastamento o aeronauta perde o direito à aposentadoria especial concedida a essa categoria de
trabalhadores. Entendemos, portanto, que o aeronauta, que interrompe por mais de dois anos o
exercício de funções a bordo, só perde o direito à aposentadoria especial aos 25 anos se não regressa
a essas funções e nelas não completa o tempo exigido pela lei.

JORNALISTAS PROFISSIONAIS
Outra atividade que é objeto de tratamento especial é a do jornalista profissional. E, ainda aí, o fator
local de trabalho revela-se influente para a formação do direito subjetivo à prestação. Jornalista
profissional, o titular do direito da aposentar-se aos 30 anos de serviço, com 95% do salário-benefício, é
o profissional cuja atividade é exercida em torno da redação do periódico, na trilha da notícia, na busca
de informação e da documentação...etc.

PRESCRIÇÃO E CUMULATIVIDADE DAS PRESTAÇÕES


Ponto importante é o referente à prescrição do direito às prestações. No quadro geral do direito, o
princípio é o prescritibilidade dos direitos patrimoniais. A prestação previdenciária corresponde ao
atendimento de uma necessidade de índole eminentemente alimentar; mas que isto, a uma
necessidade de preservação da vida e da saúde do cidadão. O direito à prestação não prescreve, mas
as prestações, uma a uma, incorrem em prescrição qüinqüenal. A faculdade de pretender a prestação
permanece íntegra, resguardada pelo direito que a alicerça. Mas, se o titular do direito se vai mantendo
inerte, a cada qüinqüênio vencido, uma prestação se torna inexigível, sem que, contudo, esse titular
sofra ataque direto sobre a existência mesma da pretensão (art. 34 da Lei Complementar n° 11 de
1971). Nem a perda da condição de segurado, após o preenchimento dos requisitos legais exigidos
para a concessão de aposentadoria ou pensão, poderá importar em extinção do direito a essas
prestações, já então integradas no patrimônio do segurado, constituindo direito adquirido.
Cumulatividade – a acumulação de benefícios da previdência social foi, em passadas épocas, tema
dos mais tempestuosos, face da multiplicidade de instituições e verdadeira colcha de retalhos legislativa
que as regulava. Em 1946, o Decreto-lei n° 8.821, dispondo sobre o assunto, tornou possível a
acumulação de:
a) pensões de cargos civis com militares;
b) pensão com vencimento, remuneração ou salário de cargo, função ou emprego público;
c) pensão com proventos de disponibilidade, aposentadoria ou reforma.
Na Lei Orgânica (1960) já se precisou mais – tornou-se lícita a percepção cumulativa de:
a) auxílio-doença com aposentadoria; diferentes aposentadorias em conjunto; de auxílio-
natalidade.
No art. 124, a Lei n° 8.214, veda a acumulação de aposentadoria com auxílio-doença, de mais de uma
aposentadoria, de salário-maternidade e auxílio-doença, de mais de um auxílio-acidente, de mais de
uma pensão deixada por cônjuge e/ou companheiro, ressalvado o direito de opção pela mais vantajosa,
bem como o recebimento conjunto de seguro-desemprego com qualquer benefício de prestação
continuada, salvo pensão por morte e auxílio-acidente.

PRESTAÇÕES NO REGIME GERAL PREVIDÊNCIA SOCIAL

ELEMENTO QUANTITATIVO
Os elementos material, temporal e espacial mencionado pela norma jurídica de proteção, a
conseqüência será o aparecimento do direito do beneficiário, pela mesma norma indicada, a uma das
prestações previdenciárias. Normalmente, esse direito é balizado, quantificado pela própria norma, pois
nela vem indicada a medida da prestação a deferir. Algumas prestações que têm por metro uma quantia
certa, constituem exceção; na mor parte dos casos, a regra jurídica estabelece a forma de cálculo, a
maneira de conhecer-se, em cada caso, o valor da prestação a conceder.

21
Direito da seguridade social

SALÁRIO-BENEFÍCIO
Salário-benefício é a base de cálculo legal para a fixação dos valores das prestações asseguradas aos
seus ayants-droit, especialmente as chamadas “prestações continuadas” ou de trato sucessivo. É ele a
média aritmética dos últimos salários de contribuição, dos meses imediatamente anteriores ao fato
gerador da prestação (ou da entrada do requerimento) no máximo de 36 contribuições, apuradas em
período não superior a 48 meses. No caso de contar o segurado com número de contribuições menor
de 24, no período mencionado, a aposentadoria por idade, tempo de serviço ou especial, e o abono de
permanência terão o salário-benefício igual a 1/24 avos dos salários apurados. E para o auxílio-doença
e a aposentadoria por invalidez, se o segurado não contar com 36 contribuições no período, o salário-
benefício corresponderá à soma dos salários-de-contribuição, dividida pelo número apurado. O salário-
benefício jamais será inferior a um salário mínimo, nem superior ao limite máximo do salário-de-
contribuição, na data do início do benefício. Exceção ocorre em relação ao ex-combatente. O aumento
do salário-de-contribuição excedente do limite legal, não será considerado, a menos que homologado
pela Justiça do Trabalho, em caso de promoção regulada por normas da empresa, de sentença
normativa ou reajuste salarial da categoria respectiva.

SEGURADOS COM MAIS DE UMA ATIVIDADE


Quando o segurado tiver mais de uma atividade concomitantes, seu salário-benefício se calculará com
base na soma de seus salários-contribuição, observadas as regras do art. 32 da Lei n° 8.213.

CLASSIFICAÇÃO DAS PRESTAÇÕES


As prestações previdenciárias representam o cumprimento, pelo legislador, do mandamento
constitucional. Fixa o artigo, apenas, a finalidade da lei previdenciária, deixando para o texto a seguir a
normatividade contida nos juízos hipotéticos geradores de relações jurídicas. As prestações deferidas
no sistema do RGPS são as que enumera. As prestações podem ser classificadas e estudadas
segundo o elemento material da hipótese de incidência que as determina, desdobrando-se em:
a) prestações por incapacidade;
b) prestações pela perda do sustento proporcionado pelo trabalhador aos seus dependentes;
c) prestações para o suplemento de renda familiar.

PRESTAÇÕES POR INCAPACIDADE


Auxílio-doença – o auxílio-doença corresponderá a uma renda mensal de noventa e um por cento
(91%) do salário-benefício, não podendo ser inferior ao salário-mínimo. A ele fazem jus os empregados,
e o empresário, a partir do início da incapacidade instaurada, menos nos 15 primeiros dias, cujos
salários serão pagos pela empresa. E a contar do início da incapacidade, para os demais segurados, ou
da entrada do requerimento, quando ocorrer após o 30° dia de afastamento. No caso de segregação
compulsória, o benefício tem seu início com a internação do segurado. Este, se com menos de 55 anos,
está sujeito a periódicos exames médicos, bem como ao processo de reabilitação profissional, não
podendo ser coagido a tratamento cirúrgico, nem a transfusão de sangue. O auxílio cessa pela
recuperação da capacidade, ou pela aposentadoria por invalidez.
Aposentadoria – no que se refere à prestação assim denominada, a Emenda Constitucional n° 20,
trouxe enorme alteração nos seus requisitos de aquisição do direito. Antes, a lei previa várias formas
para essa aquisição
1. a que se deferia por incapacidade comprovada;
2. a que se concedia por implemento de certa idade;
3. a que se fundava na prestação laborativa por determinado tempo;
4. e a especial, que contemplava o trabalhador que se empenhara em atividade
especialmente incapacitante (penosa, insalubre ou perigosa) durante período
estabelecido pela lei.
A reforma da Constituição eliminou a concessão por tempo de serviço, isoladamente, fazendo depender
o deferimento da prestação à exigência conjunta de limites de idade mínima. A conjunção do fator
tempo de serviço com o da idade avançada toma mais segura a presunção de incapacidade. A adoção
da Emenda Constitucional n° 20 cria, para o trabalhador da iniciativa privada, diversas situações,
consoante a data em que se tenha vinculado ao regime ou a situação jurídica definitivamente

22
Direito da seguridade social

constituída em que se encontre. De fato, se na data da publicação da Emenda, o segurado ou seu


dependente já tiverem satisfeito os requisitos para a aquisição do direito à aposentadoria ou à pensão,
na forma de concessão prevista na lei agora alterada, seu direito se tem por adquirido e poderá ser
exercido a qualquer tempo. Mas, se o segurado, embora ainda não tenha atendido aos referidos
requisitos, se tiver vinculado ao Regime Geral até a data da promulgação da Emenda, esta lhe
assegura a opção de aposentar-se, cumpridas as seguintes condições:
1. contar cinqüenta e três anos de idade, se homem, e quarenta e oito anos se mulher;
2. contar tempo de contribuição igual à soma de trinta e cinco anos, se homem ou trinta se mulher;
3. mais um período adicional de vinte e cinco por cento do tempo que, na data da publicação da
Emenda, faltaria para atingir o limite de tempo constante da alínea anterior.
Poderá, igualmente, aposentar-se com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, se atender
aos limites de idade acima afixados, e contar tempo de contribuição igual a, pelo menos, 30 anos se
homem, ou 25 anos , se mulher, mais um período adicional de 40% do tempo que, na data da
publicação da Emenda, faltaria para atingir o limite de tempo fixado na alínea anterior. Para os
segurados em geral, especialmente para os que de aqui em diante venham vincular-se ao RGPS, a
Emenda Constitucional em foco estabelece condições gerais seguintes: o tempo de efetiva contribuição
de 35 anos para o homem e de 30 anos para a mulher, e a idade de 65 anos para o homem e 60 anos
para a mulher. Para o trabalhador rural de ambos os sexos e para os que mantiverem atividade em
regime de economia familiar, inclusive o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal, bem como
para o professor que possa comprovar tempo de serviço exclusivamente em função de magistério, no
ensino infantil, fundamental ou médio, a Emenda concede a redução de 5 anos no período de
contribuições. Os tempos de contribuição, para fins de aposentadoria, acumulam-se entre os relativos
ao exercício de funções na Administração Pública e os referentes à iniciativa privada. Norma diversa
será fixada em lei, para os que trabalhem em atividades penosas, insalubres ou perigosas.

Aposentadoria por invalidez – esta prestação é devida ao segurado incapacitado definitivamente para
o trabalho e insuscetível de reabilitação profissional. É concedida mediante exame médico-pericial,
procedido pela previdência social. Consiste a prestação em uma renda mensal de 100% do salário-
benefício. Esse valor será acrescido de 25% se o aposentado carecer de assistência permanente de
outra pessoa, acrescido devido ainda que o valor da prestação atinja o máximo legal e será recalculado
a cada reajuste do benefício. No caso de recuperação da capacidade, apurada em exame médico, se
ela ocorrer dentro dos primeiros cinco anos de afastamento, o pagamento é sustado imediatamente, se
o segurado tiver direito ao retorno à função que antes desempenhava ou, em caso contrário, será o
pagamento suspenso tantos meses após a recuperação quantos sejam os anos de afastamento. Se a
recuperação for parcial, ou ocorrer após cinco anos de afastamento, a aposentadoria será mantida sem
prejuízo da volta à atividade, pelo seu valor integral, nos primeiros seis meses, na base de 50% no
semestre seguinte e na base de 25% no consecutivo.

Aposentadoria por idade – neste caso, o implemento da idade faz presumir a incapacidade laborativa,
que se tem por verificada. É esta aposentadoria devida ao empregado, inclusive o doméstico, a partir da
data do desligamento do emprego, se requerida 90 dias após essa data, ou a contar da data do
requerimento, se não ocorrer desligamento, ou for requerida após os 90 dias. Para os demais
segurados, é devida sempre a partir da data do requerimento. Consiste em uma renda mensal de 70%
do salário-benefício, mais 1% por ano de vinculação, até o máximo de 30%. O segurado do sexo
masculino, aos 7o anos, e o sexo feminino aos 65, poderão ter a sua aposentadoria requerida pela
empresa, sendo ela compulsória, garantida a indenização prevista nas leis trabalhistas em caso de
rescisão de ajuste laborativo.

Aposentadoria por tempo de serviço – a essa prestação faz jus o segurado que completar 30 anos
de atividade, se do sexo masculino, ou de 25 anos do sexo feminino. Se a atividade do aposentado for
do magistério, o prazo reduz-se para 30 anos e 25 anos, consoante for do sexo masculino ou feminino,
respectivamente, de acordo com o art. 202, II e III, da Constituição Federal. A prestação consiste em
uma renda mensal, para a mulher, de 70% do salário-benefício, mais 6% a cada ano excedente de 25,
até o máximo de 100%; e para o homem, de 70%, mais 6% a cada ano de atingido o período legal de
30, ou de 25 anos de trabalho, respectivamente homem e mulher perceberão 100% do salário-
benefício. Atenção especial ao art. 61, quando classifica a prova exclusivamente testemunhal, como
inaceitável, salvo em casos de força maior, isto é, em casos nos quais se tenham extraviado
justificadamente os elementos documentais necessários.

23
Direito da seguridade social

Aposentadoria especial – esta aposentadoria concede-se ao segurado que exercer por 15, 20 ou 25
anos, conforme o caso, atividade que o sujeite a condições excepcionais de trabalho, prejudiciais à sua
saúde ou integridade física. O tempo em que exerça cargo de administração ou representação sindical
da categoria, igualmente será computado para a concessão da prestação. Se o trabalhador exercer,
alternadamente, atividades comuns e excepcionais, os períodos serão somados, após sua conversão
pela tabela de que trata o art. 64 do Regulamento esta aposentadoria consiste em uma renda mensal
de 100%.

Aposentadoria do anistiado – concede-se esta aposentadoria aos que, anistiados de acordo com o
art. 8° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, tenham sido servidores públicos, ou de
fundação, empresa pública ou sob controle estatal, ou trabalhadores do setor privado, que em razão de
atividade política, foram atingidos por ato de exceção, pelo qual tenham sido punidos, demitidos ou
afastados da atividade, quando abrangida pela previdência social, no período de 18 de setembro de
1946 a 5 de outubro de 1988.

O EX-COMBATENTE
O ex-combatente tem regra especial para a concessão de seus benefícios. O fundamento desse
tratamento especial é a própria condição de ex-membro de corporação nacional empenhada em
atividades bélicas. Limita-se ao ex-combatente:
a) ter direito a aposentadoria ou a abono de permanência aos 25 anos de serviço;
b) ser de 100% do salário-benefício a renda mensal das prestações por invalidez, e de 95% para
as demais aposentadorias, contando-se como tempo de serviço o período em que prestou
serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial;
c) mas, para aqueles que se aposentaram antes da revogação da Lei n° 40297, a situação foi
mantida, em respeito ao direito adquirido, do mesmo modo se procedendo relativamente àquele
que, na promulgação a aposentadoria.

FERROVIÁRIOS EM REGIME ESPECIAL


Prescrições também especiais existem relativamente aos ferroviários classificados como servidores
públicos ou em regime especial. A lei assegura-lhes a percepção, quando aposentados, de diferenças e
complementação de proventos, gratificações adicionais, qüinqüênios e outras vantagens (salvo o
salário-família) que o órgão previdenciário pagará, observado o direito do segurado, segundo a lei que o
rege, pagamento que fará por conta da União Federal, como parcela complementar.

PRESTAÇÕES POR PERDA DO SUSTENTO


São estas prestações as que a lei reserva para os dependentes, por direito próprio, que nasce com a
ocorrência do fato (morte ou reclusão do segurado), que vem priva-los do amparo que o segurado lhes
proporcionava. São elas a pensão por morte, inclusive a excepcional para os dependentes de
anistiados, e o auxílio-reclusão.
Pensão por morte – esta prestação é devida aos dependentes do segurado falecido, aposentado ou
não, independente de carência. É deferida a contar da data do óbito e, no caso de morte presumida, a
partir da decisão judicial que a proclamar. Consiste em renda mensal de 100% da aposentadoria que o
segurado recebia ou teria direito de receber, se aposentado fosse. A pensão partilha-se entre os
dependentes existentes, observadas rigorosamente a ordem de preferência entre as classes de
dependentes, cada uma delas excludente da classe seguinte. A pensão por morte presumida se deferirá
a contar de seis meses de ausência, declarada judicialmente, ou a contar do evento que caracterize
catástrofe, acidente ou desastre. Fica esclarecido que o reaparecimento do segurado faz sustar o
pagamento da prestação, dispensada a reposição das mensalidades já pagas aos beneficiários.
Cessando o pagamento a um dos dependentes, sua cota reverte em favor dos demais. Extingue-se a
pensão pelo implemento de idade, salvo caso de invalidez, ou pela cessação desta. Se o filho menor
invalidar-se antes da maioridade, ser-lhe-á mantida a prestação. Caso de indagar-se é se o cônjuge
viúva, pensionista, contraindo novo matrimônio, conserva o direito à prestação. Em princípio, e tendo
em conta a presunção de dependência econômica, que explica a concessão, seria de cancelar-se o

24
Direito da seguridade social

pagamento, já que, especialmente no caso de viúva, passa ela, pelo matrimônio sucessivo, à
dependência do novo cônjuge.
Auxílio-reclusão – é ele devido nas mesmas condições previstas para a pensão por morte, aos
dependentes do segurado recolhido à prisão, que não receber remuneração, nem outra
prestação previdenciária, ocorrendo o pagamento a partir da data do recolhimento à
prisão. Conforme o art. 13 da Emenda Constitucional, o auxílio-reclusão passou a ser
devido somente aos dependentes que tenham renda bruta igual ou inferior a R$360,00 até
que a lei venha regular o assunto, ressalvados, evidentemente, os casos de reclusões já
efetivadas.
Pensão decorrente de anistia – o regulamento esclarece que, se o anistiado falecer sem estar
aposentado, a pensão será deferida aos dependentes com base na aposentadoria que no caso caberia.
O valor da prestação calcula-se como definido para a pensão por morte. Mas, a pensão será revista
para que seu valor mensal tome por base a remuneração a que ele teria direito se continuasse em
atividade a contar de 5 de outubro de 1988, se falecido antes desta data, ou na data do óbito, se finado
posteriormente.

PRESTAÇÕES COMO SUPLEMENTO DE RENDA FAMILIAR


J’á foi dito que certas prestações se voltam para o atendimento de situações que não configuram,
propriamente, conseqüências de riscos sociais, no sentido vulgar da palavra. Tais prestações, assim,
têm por finalidade reforçar os orçamentos familiares comprometidos pelo acréscimo de gastos
carreados por esses acontecimentos, embora muitos deles motivo de júbilo. Quanto ao auxílio-reclusão
existem alterações decorrentes da Emenda Constitucional n° 20, que se aplicam:
Salário-família – esta prestação, destinada, mais que qualquer outra, a reforçar o salário do
trabalhador, a ele é deferida quando mantém filho menor ou inválido, ou pessoa a ele equiparada. São
titulares do direito à prestação os trabalhadores empregados, exceto os domésticos, e os avulsos e
também os aposentados por invalidez ou idade, e os que se tenham aposentado por outras causas, ao
contarem 65 anos, se do sexo masculino e 6o se do sexo feminino. A cada filho ou pessoa equiparada,
menor de 14 anos ou inválido, corresponderá uma cota no valor de R$ 8,65, quando o segurado tiver
remuneração de R$ 324,45 mensais ou menor, e de R$ 1,07 se maior for a remuneração do segurado.
No caso de separação judicial ou de fato, ou ainda de divórcio do trabalhador, com a perda, por
qualquer causa, do pátrio poder, o salário-família deverá ser pago a quem for atribuída a posse e
guarda do menor, cabendo ao juiz determinar tal pagamento. O salário-família cessa com o fato que lhe
comanda a pretensão (implemento de idade, morte do filho, recuperação da invalidez) e também com o
fim da relação de emprego para o segurado empregado. O recebimento da prestação, fora dos casos
em que ela é devida, sujeita o segurado à devolução das quantias recebidas, com as sanções penais
cabíveis.
Salário-maternidade – esta prestação é devida à segurada empregada, à avulsa, à doméstica e à
especial, consistindo, para as seguradas empregada e avulsa, no pagamento de sua remuneração que
seu empregador lhe fará durante cento e vinte dias, levando em conta a ocorrência do parto. Do que
pagar a este título, o empregador se reembolsará, por compensação, no primeiro recolhimento de
contribuições que tiver de fazer. À segurada doméstica e à especial, a Previdência Social efetuará
diretamente o pagamento, na base do último salário-contribuição, para aquela, e de um salário-mínimo,
para esta.

REAJUSTE DE PRESTAÇÕES
O reajuste das prestações previdenciárias de pagamento continuado vem dando ensejo a árduas
disputas, levadas a Juízo, e que ainda não foram pacificadas. O art. 67 da Lei n° 3.807, de 26/08/60,
dispõe que os valores das prestações em manutenção seriam reajustados sempre que alterado o
salário-mínimo, vigorando a contar de sessenta dias após o término do mês em que entrasse em vigor o
novo salário, e se regeria pelos índices da política salarial, onde estabelece que o reajuste seria devido
a partir da data da vigência do novo salário-mínimo. Somente as prestações continuadas, mantidas pela
previdência social na data da promulgação da Constituição, são susceptíveis de receber a revisão de
seus valores de acordo com os critérios do art. 58 do ADCT, cuja incidência, temporariamente limitada,
não se projetaria sobre situações constituídas após 5/10/88. Desse modo, o reajuste dos benefícios,
que salvo no período de vigência do art. 58 da ADCT, e relativamente às prestações então encontradas
em manutenção, não pode ser feito com base nas variações do salário-mínimo, mas sim nos índices
25
Direito da seguridade social

expressamente indicados nas leis de regência do assunto. Recentemente, a Medida Provisória n°


1.415, de 20/04/96, reajustou as prestações em tela a partir de 1° de maio seguinte, pela variação do
IGP-DI, arredondando esse reajuste em 15%.

ACIDENTE DO TRABALHO

PROTEÇÃO CONTRA O INFORTÚNIO NO TRABALHO


Em sucessivos diplomas legais, o legislador brasileiro esforçou-se por criar um mecanismo de amparo
ao trabalhador, quando vítima de acidente de trabalho. Os homens que sofrem danos, deveram-no às
condições sociais do meio em que vivem. Todo mundo, pois, deles se aproveitou e não apenas o
proprietário. Na Constituição de 1988, o texto do art. 7° item XXVIII, inclui entre os direitos do
trabalhador “seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a
que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa”. Mas, onde entendemos que incorreu em
lastimável retrocesso o legislativo, é na locução a cargo do empregador. Aí se apresenta a negação de
toda a evolução doutrinária já exposta, no sentido da responsabilidade social que já íamos atingindo
pela inclusão da reparação de acidentes de trabalho entre as prestações previdenciárias. A Emenda
Constitucional n° 20 deu ao art. 201, § 1°, da Carta Magna, a seguinte redução: “Lei disciplinará a
cobertura dos riscos de acidente de trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo Regime Geral da
Previdência Social e pelo setor privado”.

ACIDENTE DE TRABALHO
Uma das formas encontradas para tornar efetiva a proteção do trabalhador contra o infortúnio no
trabalho foi a de criar a obrigação, para o empregador, de contratar um seguro de seus empregados,
contra riscos derivados da atividade laborativa, ficando o segurador sub-rogado nas obrigações do
empregador. O que o legislador teve em vista, na realidade, foi substituir a indenização por morte ou
incapacidade por prestações previdenciárias tais como auxílio-doença, auxílio-acidente, auxílio-
suplementar, aposentadoria por invalidez, pensão por morte e pecúlios, com o que caracterizava a
proteção contra o acidente de trabalho como pura e simples ação da previdência social. A lei define o
acidente de que se ocupa, com o objetivo de faze-lo causa de reparação, de forma específica. Vincula
sua ocorrência ao trabalho, embora, em ulterior passagem, dê maior abrangência ao conceito, como
resultado de construção jurisprudencial que, com o tempo, apontou várias hipóteses carecedoras de
amparo, por razões semelhantes. O implícito comando do art.4°, determinando o direito dos acidentes,
exigiria preceito definidor para completar o entendimento da hipótese de incidência, dizendo como e
quando se tornariam devidas as prestações prometidas. É essa a definição que vem no art. 2°.

É AQUELE QUE OCORRER PELO EXERCÍCIO DO TRABALHO


A ocorrência do acidente de trabalho caracteriza-se quando o acidentado está a serviço do empregador,
e o sucedido se relaciona com a prestação laborativa subordinada. É bastante que o evento suceda por
ocasião do trabalho e cause dano físico ao empregado. Somente um fato voluntário do trabalhador,
estranho ao exercício do trabalho, pode deixar não estabelecido o nexo de causalidade entre o fato do
trabalho e o dano decorrente, tornando, assim, não verificada a hipótese de incidência legal.

A SERVIÇO DA EMPRESA
A lei define empresa como empregador em geral, na definição incluindo pessoas jurídicas de variado
naipe, e até entidades não-personalizadas, o que mostra quanta razão teve Russomano (265), em dizer
que a lei previdenciária evadiu-se do difícil conceito de empresa. No tocante à lei de infortunística, a
transferência da responsabilidade pelo pagamento das prestações para a previdência social diluiu as
dificuldades que poderiam surgir, já que empresa é, nesse caso, isto é, no que se refere à
responsabilidade pelo acidente, apenas o elemento especial da hipótese de incidência, o lugar onde o
evento poderá ocorrer.

26
Direito da seguridade social

PERDA OU REDUÇÃO DE CAPACIDADE


Já que é dano que se cogita, nos objetivos da lei de infortunística, ter-se-á sempre em conta que a
reparação a ser prestada não corresponde ao infortúnio, em si mesmo, mas às conseqüências
patrimoniais ou financeiras que dele possam advir, não constituem o dano, em casos de acidente de
trabalho, na privação ou redução da capacidade, propriamente ditas. A lei exige, assim, que a lesão ou
a pertubação funcional decorrente do evento, provoquem uma perda ou redução funcional com reflexos
na capacidade de ganho do trabalhador, ainda que transitoriamente. A incapacidade resultante será
permanente quando à redução ou a perda da capacidade forem irredutíveis. Temporária, será a que
afete o obreiro por certo tempo, mas possa ser objeto de recuperação com os recursos da ciência
médica. Total, a que for por inteiro abolida; parcial, quando apenas em parte elimine a capacidade
normal do ser humano. Genérica, diz-se da que se refere a qualquer atividade que o trabalhador possa
exercer; específica, se relativa à profissão ou atividade que, no momento do evento, era por ele
exercida. Ainda hoje se cuida de amparo a proporcionar ao trabalhador acidentado, cuja necessidade é
de presumir, é que deve ser objeto da ação protetora do Estado, representando a sociedade.

NEXO DE CAUSALIDADE
A lei prevê que a perda ou a redução da capacidade notada no trabalhador decorra de acidente de
trabalho, tal como nela definido. Esse nexo deve ser claro e insofismável, para que possa a lei incidir e
dar lugar ao reconhecimento do direito à prestação esperada. Causa é o que, por hipótese suprimida,
impede se realize o resultado. Para que uma incapacidade seja considerada efeito do acidente, basta
apurar se – abstraído dito evento – ter-se-ia ele verificado. Saber se o evento é ou não causa única da
incapacidade, ou se pode operar como concausa, é importante e influente na decisão da contenda,
acaso travada, máxime em casos de doença profissional, em que poderá ver no infortúnio um
agravamento do estado patológico anterior do trabalhador. Titulares – tendo em vista o que determina
o art. 18, § 1°, da Lei n° 8.213, são titulares das prestações por acidente de trabalho os empregados, os
avulsos e os segurados especiais do art. 11, VII (produtor, parceiro, meeiro, arrendatário, no âmbito
rural, e o garimpeiro, o pescador artesanal e o assemelhado que exerçam suas funções individualmente
ou em regime de economia familiar).

O PRESIDIÁRIO
Os presidiários a que se refere a lei são os indicados pelos arts. 1°, IV, V E VI, E 9° DA Lei n° 3.274, de
03/10/57. nessa lei se regula o trabalho obrigatório dos sentenciados, sua percepção de salários e
garantia que se lhes deve dispensar contra o infortúnio no trabalho, seja o que realizam nos
estabelecimentos penais, seja o que executam externamente.

AUTÔNOMO TITULAR DE DIREITOS


Um trabalhador classificado como autônomo tem, não obstante, direito às prestações por acidentes de
trabalho. É especialmente de notar esse titular, porque com relação a ele apuram-se as ocorrências de
que cuida o art. 2°, § 1°, IV, da Lei n° 6.367, de 1976. trata-se do médico-residente. Resta acrescentar
que, cogitando-se, inegavelmente, de segurado autônomo, como qualifica o art. 4°, caput, da lei em tela,
está ele na obrigação de contribuir para a previdência social.

EMPREGADO DOMÉSTICO
Doméstico é o trabalhador que atua no âmbito familiar do empregador, sem ligar-se às atividades
econômicas. Caracteriza-se pelas condições por que exerce suas funções, não pela natureza destas. O
cozinheiro contratado por uma fábrica, para fazer as refeições dos operários, é um industriário.. por
outro lado, é doméstico e não trabalhador rural, o caseiro contratado para zelar por um sítio de recreio.
Não se pode mais recusar empregado doméstico os benefícios da legislação de infortunística. Entre os
direitos assegurados a esse empregado, no art. 7°, parágrafo único, está o de “sua integração à
previdência social”. No art. 201, a Constituição diz que: “Os planos de previdência social, mediante

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Direito da seguridade social

contribuição, atenderão, nos termos da lei: I) cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte,
incluindo os resultantes de acidentes de trabalho, velhice e reclusão”. Se assim é, integrar-se à
previdência social significa estar coberto contra todos esses riscos, do que resulta que ao doméstico
foram asseguradas as medidas protetoras contra o risco profissional, devendo ser aguardada a lei que
assim disponha, segundo o art. 194, parágrafo único.

CASOS EQUIPARADOS
A lei (art.21) equipara ao acidente em serviço, no âmbito da empresa, outros casos, cujas
circunstâncias aconselham a que eles se ampliem a cobertura dos riscos. Passamos a examina-los.
O acidente que, ligado ao trabalho, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído
para a morte ou a perda ou redução da capacidade para o trabalho.
Nesta passagem, a lei refere-se à figura da concausa, para dizer que sua existência não exclui a
responsabilidade pelo acidente. Em nossa legislação vem sendo dada acolhida à teoria da equivalência
dos antecedentes causais, como se verifica no Código Penal, para o qual nenhum elemento de que
depende a produção do resultado pode ser excluído da linha do desdobramento causal. Para o caso
dos acidentes de trabalho, causa será o evento que faça desencadear um estado mórbido, ainda latente
e que possivelmente viria a eclodir em data posterior. Ou aquele que provoque uma agravação de
moléstia, ainda que, sem o acidente, tal agravação viesse a acontecer tempos depois apenas.
Acidente sofrido pelo empregado no local e hora do trabalho, em conseqüência de: a) ato
de sabotagem ou de terrorismo, praticado por terceiro, inclusive companheiro de
trabalho.

ATO DE TERCEIRO
Volta-se ao exame da causa alheia ao trabalho, para indicar a indenizabilidade do dano sofrido pelo
obreiro, se causado por ato de terceiro, inclusive companheiro de trabalho, no local e no momento da
prestação laborativa. Quando se entendia que a carga da responsabilidade recaía sobre o patrão, mais
seguradamente se dirá agora, quando o encargo do ressarcimento recai não mais sobre ele, mais sim
que recai sobre os fundos previdenciários, pelo Estado arrecadador para fazer face às prestações de
amparo social.

Ofensa física intencional, inclusive por terceiro, por motivo de disputa relacionada com o
trabalho.
A alínea prevê o caso de ferimentos ou de morte do empregado, causado por agressão, mesmo que
praticada por pessoa alheia à empresa. O ato doloso, em si mesmo, não configurará o acidente, se não
tiver origem em disputa relacionada com o trabalho. Ponto importante será o de saber se a agressão,
ocorrida no âmbito do relacionamento, mas tendo a desavença origem em assunto não relacionado com
o trabalho, poderá ser arrolada como acidente. A lei parece negar a possibilidade de assim se pensar, já
que limita a proteção à agressão relacionada com o trabalho.
Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro, inclusive companheiro de
trabalho.
O texto nos fala dos atos ilícitos culposos, arrolados no art. 159 do Código Civil, como fundamento de
direito à reparação. Imprudente é quem omite cautelas que normalmente deveriam ser tomadas para a
execução de certos atos, e o uso de determinados instrumentos ou objetos.
Negligência é o descuido, a desatenção, o proceder leviano, em uma situação que demanda
comportamento sério e compenetrado.
Imperícia é o mau desempenho de certo mister, sem a exata observância de normas estabelecidas pela
técnica ou pelo uso. Ocorrida uma dessas hipóteses durante o trabalho, o prejudicado fará jus às
prestações cabíveis.

O ato de pessoa privada da razão.


A lei desce a detalhes, decerto para evitar a ocorrência de debate em situações menos previsíveis. A
responsabilidade civil dos alienados sempre esbarrou no problema da imputabilidade, quando
relacionada com conceito de culpa. Assim, em princípio, o ato de um demente, praticado contra o

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Direito da seguridade social

operário, deixaria este sem ter contra quem se voltar em Juízo, porque o autor da agressão seria não-
imputável. Mas, o ato do demente é um ato de terceiro, não afasta a responsabilidade pelo evento.

Desabamento, inundação ou incêndio.


Essas ocorrências poderiam ser abrangidas pela menção geral da vis maior, mas a lei preferiu a elas
referir-se isoladamente, como causas de acidente de trabalho. A evolução que agora se nota na lei é de
festejar, como adiante veremos.

Outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior.


Nos primórdios da legislação sobre acidentes de trabalho a força maior e o caso fortuito excluíam a
responsabilidade do empregador. Tem-se como força maior o fato que é impossível conjurar, aquele
cuja verificação a capacidade humana não basta para evitar. É o terremoto, o maremoto, o ciclone, o
raio. Fortuito é o acontecimento alheio à vontade do contratante, que dele não poderia prever ou evitar.
Passo a passo, foi-se alargando a trilha para a admissão dos casos imprevistos e inevitáveis, como
fatores do infortúnio abrigado na lei. A lei brasileira, concisamente, os rejeita como excludentes.

A doença proveniente de contaminação acidental do pessoal da área médica, no exercício


da atividade.
A lei, neste passo, não se apresenta um primor de redação. No inciso I equipara ao acidente de trabalho
a moléstia profissional, assim entendida a que seja inerente a determinada atividade ou profissão, em
que o obreiro seja obrigado a entrar em contato com elementos patogênicos. Adiante, no 2°, acrescenta
a essas doenças as que possam ter origem no trabalho, em razão do nexo causal que, em relação a
ele, apresentem. Temos no inciso a previsão de enfermidades que são explicadas como surgindo em
razão do trabalho exercido. Seria o caso do enfermeiro que, trabalhando em um hospital de tuberculose,
viesse a contrair a enfermidade. Esta teria sido, provavelmente, adquirida no local e por ocasião do
trabalho. A prova, no caso, se dirigiria à probabilidade do contágio.

O acidente, sofrido pelo empregado, ainda que fora do local e horário de trabalho.
O legislador abrange, na definição de acidente de trabalho, eventos que ocorrem fora do local e do
horário do trabalho, mas que são, à evidência, a ele intimamente ligado. O caso de um contramestre
que, tendo punido um operário, seu subordinado, por ele é tocaiado e ferido, fora do recinto da empresa
e após o horário de trabalho, isto mostra claramente o acidente de trabalho, porque o fato se relaciona
com a prestação de labor e é dela uma conseqüência. Outra hipótese será a da ofensa física intencional
contra o operário em serviço, fora das lindes do estabelecimento do empregador. Em todas as ocasiões
em que a lei inclui o fato de terceiro como fato determinante do acidente laborativo, será ele de assim
ser contemplado, quando ocorra fora do local e do período de trabalho, mas em circunstância como
adiante serão relacionadas. Serão casos de imprudência, de negligência, de imperícia, do ataque do
alienado, do fato da natureza, ou do ato culposo ou doloso de terceiro.

Na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa.


Um dos elementos caracterizadores da relação de emprego é a subordinação hierárquica. Se, mesmo
fora do local de trabalho, e até excedendo o horário a que se acha obrigado, o trabalhador está
cumprindo ordens do patrão, deve ser entendido como em pleno exercício de suas funções e, como tal,
de trabalho será o acidente que então com ele ocorra.

Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou


proporcionar proveito.
A linha de raciocínio a desenvolver aqui é a mesma que inspira o comentário da alínea anterior. A
prestação laborativa no caso, se teria prolongado além do horário e fora das condições normais do
trabalho, mas sempre em proveito da empresa, embora por iniciativa do obreiro.

Em viagem a serviço da empresa, seja qual for o meio de locomoção utilizado, inclusive
veículo de propriedade do empregado.
Em muitas ocasiões, o empregado realiza para a empresa serviços que o levam a locais fora do
habitual lugar de trabalho. Profissões há, cujo normal exercício é realizado fora do recinto dos
estabelecimentos empregadores, como as de vendedores e viajantes comerciais. Aí o empregado está

29
Direito da seguridade social

no seu lugar de trabalho, e no horário de seu desempenho, onde quer que se encontre, no exercício de
suas funções. Pactuada a relação empregatícia, prevendo a ida do assalariado a locais fora do
estabelecimento, ou que empreenda viagens a serviço do empregador, não haverá como duvidar da
índole do acidente, em tais circunstâncias: é acidente de trabalho.

No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela.


Na legislação anterior à inclusão do acidente de trabalho entre os encargos da previdência social, a
responsabilidade patronal pelo acidente in itinere, na ida para o trabalho ou no regresso dele, só se
dava por empenhada se o patrão assumisse o encargo de promover o transporte do empregado. Hoje,
a doutrina equipara o trajeto para o trabalho ou volta para a residência, como um prolongamento da
prestação laborativa. Só se reputa liberado de suas obrigações com o empregador, o trabalhador que
de todo se desligou das tarefas em que se empenha, e já pode entregar-se ao lazer. Assim, haverá
acidente de trabalho – em qualquer dos dois sentidos – quando ocorrido durante a viagem entre a
residência e o local de trabalho. Entretanto, deve ficar induvidosamente provado que o acidentado
estava fazendo o trajeto exato a que alude a alínea, porque o acidente não será de trabalho se por
ocasião dele o assalariado se tinha afastado do trajeto que o levaria ao destino alegado. E é
indispensável que o percurso já tivesse sido encetado, tendo o empregado deixado sua residência em
demanda do estabelecimento, ou este em direção àquela. Porém, em todas as hipóteses enumeradas
nas alíneas retro, se ocorridas in itinere, o acidente será de trabalho; ou a agressão de terceiro por
motivo relacionado com o trabalho; ou o ato de terrorismo ou sabotagem; ou a imprudência, negligência
ou imperícia de terceiro; ou a força maior ou o caso fortuito.

Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de


necessidades fisiológicas, no local de trabalho, ou durante este, o empregado será
considerado a serviço da empresa.
Se o empregado se acidenta no local de trabalho, não importa que esteja na hora da refeição, ou
satisfazendo alguma necessidade fisiológica. Para a lei, estará ele em serviço. Do mesmo modo se
entenderá se as tarefas forem cumpridas fora do estabelecimento do empregador. Também, então,
ocorrido o evento na hora da refeição ou durante a satisfação das aludidas necessidades, ter-se-‘` o
acidente de trabalho, pois o local e o momento devem em tal caso considerar-se como abrangidos na
definição legal.

MOLÉSTIA PROFISSIONAL
Doença profissional é, para todo trabalhador de certos ofícios, sob o ponto de vista técnico, o risco
corporativo, em virtude do qual são expostos com ou sem predisposição física, aos ataques lentos e
insidiosos de uma afecção orgânica, específica, fácil de prever in genere; afecção que, sob o ponto de
vista patológico, quando se revela num deles, como conseqüência súbita e objetiva do exercício normal
da profissão, determina para o mesmo, com o correr do tempo, uma incapacidade temporária ou
permanente, dando lugar à redução parcial ou total de suas faculdades produtivas.

NEXO CAUSAL DA DOENÇA PROFISSIONAL


O primeiro marco definidor da doença profissional apontado é como a dos trabalhadores que lidam com
chumbo ou mercúrio. É o risco corporativo, ou seja, o risco encontrado de modo constante, ou com
marcante assiduidade, de modo a permitir que a ciência médica prognostique a probabilidade lesiva,
classificando a profissão como uma das que podem dar lugar a uma doença profissional. Na lei
brasileira faz-se igual referência a agentes causadores de morbidez. Abriu-se campo à ampliação dos
quadros da enumeração, sempre que apurada a particular influência hostil de algum outro elemento
sobre a saúde dos operários. É moléstia profissional aquela produzida ou desencadeada pelo simples
exercício de trabalho peculiar a determinada atividade, constante entre as relacionadas pelo Ministério
competente. Ao lado da moléstia profissional, o texto legal refere-se à doença do trabalho, dando-a
como adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado, e
com ele diretamente relacionado, sendo tais patologias igualmente relacionadas pelos órgãos oficiais.
Assim, doença profissional será a que decorre do mero exercício de certa atividade, pela exposição ou
o contato com substâncias ou agentes nocivos, pertinentes a essas atividades. Já a doença do trabalho
será a que decorre do exercício de uma atividade em si mesma não-nociva, mas que se torna danosa
pelas condições especialíssimas por que é posta em prática. A lei equipara ao acidente de trabalho
certas doenças, inerentes ou peculiares a determinadas atividades, exatamente as que deram lugar à
iniciativa originária de proteger o trabalhador contra males que lhe podem advir do trabalho. Mas,
30
Direito da seguridade social

embora haja, realmente, doenças dessa índole, e tenham sido elas a razão primária da lei de proteção
contra as doenças derivadas do trabalho, não é só delas que se deve cogitar. Das enfermidades de que
se deve tratar, em tema de infortunística, se classifica quatro espécies, segundo as causas que lhes dão
origem:
1ª) as devidas ao uso de substâncias tóxicas ou cáusticas;
2ª) as que decorrem da insalubridade das oficinas e instalações de trabalho;
3ª) as causadas por condições climáticas desfavoráveis;
4ª) as que derivam de excesso de atividade de certos órgãos do corpo humano.
As primeiras são as que se incluem na relação anexa ao regulamento, e das quais os fatores
patogênicos, por elas responsáveis, são apontados; as segundas devem-se a correntes de ar, à
umidade ambiente, à falta ou ao excesso de iluminação, ao ruído excessivo; as terceiras são as
causadas pela baixa temperatura, ou à insolação; e as últimas podem ser provocadas por um esforço
superior ao que o organismo humano possa suportar, ou que pela continuidade venha a tornar-se
maléfico.

ENUMERAÇÃO OU EXEMPLIFICAÇÃO
Tem-se discutido se a relação que acompanha o regulamento é uma enumeração cerrada, insuscetível
de ampliação, sem intervenção do legislador, ou se é admissível contemplar outras doenças como
profissionais, desde que provado serem elas decorrentes do exercício de certa atividade. No parágrafo
em exame percebe-se que o legislador admite a existência possível de outras doenças.

MOLÉSTIA DO TRABALHO
Não poderá haver hesitação em tê-las como doenças profissionais, desde que apurado o exercício da
atividade alegada e a efetiva exposição ao agente patogênico.

CASOS EXCLUÍDOS
A Lei n° 8.213, em seu art. 20, § 1°, exclui da proteção por acidentes de trabalho, as moléstias
degenerativas, as peculiares a grupos etários e as que não determinam incapacidade laborativa.
Poderão ocorrer casos em que a índole degenerativa da doença não impeça que seja acolhida como
fator do risco profissional, nos termos da lei brasileira. Para que a essa conclusão se chegue, deve ser
verificado como o trabalho pode ter influído no aparecimento ou na agravação do mal. De início,
devemos verificar a possibilidade de se fazer alargar a faixa de doenças relacionadas no anexo do
regulamento. A relação de situações acidentárias constantes do regulamento do Seguro de Acidentes
de Trabalho declara: não tem caráter exaustivo, cabendo sempre ao Poder Judiciário a caracterização
do acidente indenizável, subsumível no conceito legal, independente de sua catalogação no
regulamento. Assim, seja qual for a doença revelada nos exames periciais, poderá ela ser tida como
doença profissional, contanto possa ser considerada como defragada por trabalho em condições
agressivas, ou ação de ambiente malsão ou excepcionalmente áspero. Desde logo, cabe uma
advertência: não basta que o trabalho seja agressivo, ou a ambiente desfavorável, porque é de exigir
que o seja de forma excepcional, ainda que transitoriamente, desde que tenha sido durante essa fase
passageira que o mal tenha sido contraído ou agravado no operário. Assim, e a partir do princípio de
que causa é tudo que contribui para a verificação do resultado, os Tribunais entendem que, não
obstante a presença de moléstia preexistente, a sua agravação pelas condições excepcionais de
trabalho caracteriza a doença profissional.

COMUNICAÇÃO E DIA DO ACIDENTE


É obrigação da empresa comunicar a ocorrência de acidente do trabalho à Previdência Social, até o dia
útil seguinte e, em caso de morte, imediatamente leva-lo ao conhecimento da autoridade competente,
sob pena de multa. Da comunicação, deverá ela fornecer cópia ao segurado ou aos seus dependentes,
bem como ao sindicato da categoria profissional do acidentado. Dia do acidente é, no caso de moléstia
profissional ou do trabalho, o do início da incapacidade laborativa, ou da segregação compulsória, ou
ainda o dia em que for conhecido o respectivo diagnóstico.

PRESTAÇÕES
A incapacidade decorrente do acidente para o trabalhador, ou a sua morte, geram para ele ou para seus
dependentes o direito às seguintes prestações:

31
Direito da seguridade social

a- auxílio-doença – concedido nos caos de incapacidade temporária, na base de


91% do salário-benefício;
b- aposentadoria por invalidez - quando a incapacidade revelar-se
permanente, fixada em prestação igual ao salário-benefício ou de auxílio-
doença, se este for superior;
c- pensão por morte – devida aos dependentes do segurado falecido, desde a
data do óbito, em prestação igual à da aposentadoria;
d- auxílio—acidente – concedido quando o segurado sofrer redução da
capacidade laborativa que lhe exija maior esforço ou necessidade de
adaptação, para exercer a atividade anterior, sem recorrer à reabilitação
profissional.

SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR PÚBLICO

PLANO DE SEGURIDADE SOCIAL


A Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, em seu título VI, institui o Plano de Seguridade Social para
o servidor público civil e sua família. A lei define, como segurado, o servidor público civil, enumera seus
dependentes, arrola e detalha as prestações que lhes são devidas, dispondo ainda sobre o custeio
respectivo.

SEGURADOS E DEPENDENTES
Segurados vinculados ao Plano são os servidores públicos civis da União Federal, prestando serviço na
administração direta, nas autarquias, incluídas em regime especial, e nas fundações públicas.
Dependentes do servidor são os que a lei define como por ele mantidos e sustentados, dele
dependendo, pois, economicamente, de modo total ou parcial. São dependentes: o cônjuge, a pessoa
desquitada do servidor, dele separada judicialmente ou divorciada, com percepção de pensão
alimentícia, o companheiro ou a companheira por ele designado que comprove a união estável como
unidade familiar, os filhos ou enteados, menores de 21 anos ou inválidos, o menor sob sua guarda ou
tutela, até os 21 anos de idade, a mãe e o pai; a pessoa designada que, para a pensão vitalícia, seja
maior de 60 anos ou portadora de deficiência e, para a pensão temporária, seja menor de 21 anos ou
inválido, o irmão órfão até os 21 anos de idade ou inválido.
Dependência econômica - a lei exige a prova da dependência econômica do pai, da mãe, da pessoa
designada e do irmão órfão. Os demais dependentes têm presumida a sua dependência econômica.
Nem mesmo à companheira será lícito exigir tal comprovação, bastando que prove a existência da
união estável com o segurado.
Concorrência entre dependentes – para a concessão da pensão vitalícia, a existência do cônjuge e
de companheira (ou companheiro), exclui do direito de postularem a prestação os pais e a pessoa
designada. Para a pensão temporária, a habilitação de filhos ou de menores sob a guarda ou tutela
exclui a de irmão e de pessoas designadas. A ocorrência, pois, apura-se em relação a cada uma das
espécies de pensão.
Perda da condição de dependente – acarretam a perda da qualidade: o falecimento, a anulação do
casamento, a cessação da invalidez, esta quando for motivo da concessão da prestação, e a
maioridade dos filhos e pessoas a eles equiparadas, irmão órfão e pessoas designadas; a acumulação
de pensão e a expressa renúncia ao benefício.
Prescrição – o direito à prestação não prescreve, mas incorrem em prescrição as prestações exigíveis
há mais de cinco anos.

PRESTAÇÕES POR INCAPACIDADE


O servidor público civil da União faz jus, se incapaz para o trabalho, às seguintes prestações:
aposentadoria, licença para tratamento de saúde e licença por acidente em serviço.
Aposentadoria – o servidor tem direito a aposentar-se por invalidez, quando a prestação decorre de
acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, tais como:
tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira posterior ao
ingresso no serviço público, hanseníase, cardiopatia grave, doença de Parkinson, paralisia irreversível e
incapacitante, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados do mal de Paget

32
Direito da seguridade social

(osteíte deformante), síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS), e outras que a medicina


especializada indicar. A Emenda Constitucional n° 20, alterou a forma de concessão de aposentadoria
do servidor público, como também ampliou o rol dos destinatários dessa prestação, em sua nova forma.
Os servidores públicos, incluindo os magistrados, e fazem jus à aposentadoria nas seguintes hipóteses:
a) por invalidez permanente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, sendo
integrais os proventos se a incapacidade tiver por causa acidente em serviço, moléstia
profissional, ou doença grave, contagiosa ou incurável, segundo as definir a lei;
b) compulsoriamente, aos 79 anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de
contribuição;
c) voluntariamente, desde que cumprido no mínimo o período de 10 anos de exercício no serviço
público e 5 anos no cargo que estiver ocupando, e atenda mais às seguintes condições – ter 60
anos de idade e 35 anos de contribuição, se homem, ou 55 anos de idade e 30 anos de
contribuição, se mulher, ou 65 anos de idade, se homem, e 60 anos, se mulher, neste caso com
proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
Quanto à pensão, por morte do servidor, a Emenda remete ao legislador o encargo de regula-la, desde
logo a declarando igual à remuneração ou aos proventos do servidor falecido, conforme esteja em
atividade ou aposentado, e com direito aos reajustes que ocorrerem na remuneração dos servidores em
atividade, de igual classe ou cargo. Para a aposentadoria do professor empenhado no ensino infantil,
médio ou fundamental, os requisitos de idade e de tempo de contribuição são reduzidos em 5 anos. A
Emenda admite a adoção de critério diferenciado para a aposentadoria do servidor cujas funções sejam
exercidas em condições penosas, insalubres ou perigosas, consoante a lei assim as declarar. A
aposentadoria será calculada com base na remuneração do servidor, em seu cargo efetivo, e não
poderá exceder a esse valor. Ressalvados os casos de acumulação autorizada, não se admite a
percepção de mais de uma aposentadoria.
Proventos do aposentado – além dos proventos integrais, nos casos de invalidez e tempo de serviço
integral, e proporcionais nos demais casos, tem o aposentado direito à revisão de seus proventos,
sempre que sejam alteradas para mais as remunerações dos servidores em atividade, com eles
mantendo a paridade. Faz, outrossim, jus aos benefícios e vantagens que, após a sua aposentadoria,
sejam concedidos aos servidores ativos, inclusive quando decorrentes de transformação ou
reclassificação do cargo ou função em que se aposentou. Se o servidor foi aposentado com proventos
proporcionais e, posteriormente foi acometido de uma das doenças graves, retro-elencadas, passa a ter
direito a proventos integrais. Licença para tratamento de saúde – o servidor enfermo e, por esse
motivo afastado do serviço ativo, considerar-se-á licenciado e terá direito à remuneração integral.
Licença por acidente em serviço – do mesmo modo será licenciado o servidor, com remuneração
integral, se sofrer acidente em serviço. Caracteriza-se o acidente em serviço pelo dano físico ou mental
sofrido pelo servidor, relacionado mediata ou imediatamente com as atribuições do cargo exercido. A
prova do acidente deve ser produzida nos primeiros 10 dias de sua ocorrência, e o acidentado terá
direito de receber do Poder Público o tratamento médico de que carecer.

PRESTAÇÕES PELA PERDA DO SUSTENTO


Pensão por morte – a morte do servidor faz nascer, para seus dependentes, o direito de perceberem
uma pensão mensal entre eles partilhada no valor da respectiva remuneração ou provento, e a partir da
data do óbito. A lei classifica a pensão como vitalícia e temporária. Da pensão vitalícia já foi dito que
são titulares o cônjuge, a pessoa desquitada, separada judicialmente ou divorciada do servidor, com
direito a prestação de alimentos, o companheiro ou a companheira, o pai e a mãe, e a pessoa
designada, com mais de 60 anos de idade ou deficiente físico, mantida pelo instituidor da pensão.
Da pensão temporária se beneficiam os filhos, o menor sob guarda ou tutela, o irmão órfão e a
pessoa designada, de menor idade ou inválido. A pensão se partilha entre dependentes habilitados, em
parcelas iguais, reservando-se a metade para os beneficiários da pensão vitalícia e a outra metade para
os da pensão temporária, caso existam os de ambas as classes. É, finalmente, vedada a acumulação
de mais de duas pensões, ressalvado o direito de opção.
Auxílio-reclusão e salário-família - até que a lei disponha a respeito, a concessão dessas prestações
aos servidores e aos seus dependentes será limitada àqueles que tenham renda bruta de até R$
360,00.

33
Direito da seguridade social

PRESTAÇÕES DE AUXÍLIO À ECONOMIA FAMILIAR


Auxílio-natalidade – este auxílio é devido à servidora, pelo nascimento de filho, inclusive se natimorto,
e será pago no valor do menor vencimento do serviço público. Em caso de parto múltiplo, o valor do
auxílio será acrescido de metade, por nascituro. O auxílio será pago ao servidor, cônjuge ou
companheiro, quando parturiente não for servidora.
Licença à gestante, ao adotante e à paternidade – à servidora gestante é concedida licença
remunerada por 120 dias, tendo início no primeiro dia do nono mês de gestação, salvo antecipação por
prescrição médica. Em caso de nascimento prematuro, conta-se o início do parto. Se ocorrer parto de
natimorto, a licença será de trinta dias, o mesmo ocorrendo em caso de aborto.
O servidor, pelo nascimento ou adoção de filho, tem direito a cinco dias de licença remunerada. Para
amamentar o filho até seis meses de idade, dar-se-á à servidora uma hora de descanso diária. Se a
servidora adotar criança de até um ano de idade, terá noventa dias de licença remunerada; se a criança
adotada contar mais de um ano, a licença será de trinta dias.
Auxílio-funeral – este auxílio será pago à família do servidor ativo ou aposentado, no valor de um mês
da remuneração ou provento, pagando-se o maior valor no caso de acumulação de cargos. O
pagamento pode ser feito a terceiro que tenha custeado o funeral.. o erário paga também o transporte
do corpo, se o servidor falecido estiver, por ocasião do óbito, fora da sede de trabalho.
Assistência à saúde – o servidor, ativo ou inativo, bem como sua família, têm direito à assistência
médica, hospitalar, odontológico e farmacêutica, prestada pelo Sistema Único de Saúde, ou diretamente
pelo órgão a que esteja vinculado.
Custeio – o Plano de Seguridade Social do servidor será custeado por contribuições vertidas pelos
servidores dos Três Poderes da União, mas a aposentadoria é custeada pelo Tesouro Nacional,
disposição vetada, mas mantida [elo Congresso Nacional.

SERVIÇOS ASSISTENCIAIS

A ASSISTÊNCIA SOCIAL E A SAÚDE NA CONSTITUIÇÃO DE 1988


Ao lado das prestações em moeda, proporcionadas pela Previdência Social, a Constituição Federal de
1988, em seu art. 196, assegurou ao cidadão os cuidados para a preservação de sua saúde, como
direito de todos, comprometendo, ainda, o Estado Brasileiro, no art. 203, com a promoção de uma
assistência social à população.

OS PRECEITOS DA LEI N° 8.212


Na Lei n° 8.212, fala-se de Seguridade Social, como adequadamente integrada por atividades da
promoção da saúde, da assistência social e da previdência social.

A ASSISTÊNCIA MÉDICA
Entre os serviços assistenciais prometidos pela Constituição e pela lei, avulta em importância a
assistência médica. A intenção de proporcionar a toda a população uma assistência desse gênero,
completa e ampla, assume, pelas proporções do problema, aspectos de indisfarçável demagogia,
mormente quando a lei a promete sob as formas “clínica, cirúrgica, farmacêutica e odontológica”.

SERVIÇOS PRÓPRIOS E CONVÊNIOS


Em muitas localidades interioranas, nota-se a absoluta ausência de serviços médicos. Ponderávamos,
então, ser indispensável a interiorização dos serviços assistenciais.

O PROBLEMA FINANCEIRO
A prestação de assistência médica suscita, como vimos, graves e indisfarçáveis problemas. De um lado,
temos um imenso número de beneficiários (hoje cerca de 88,7% da população ativa e seus
dependentes) que ostentam o direito de reclama-la, embora sujeitos às limitações derivadas do volume
de recursos.

CREDENCIAÇÃO E LIVRE ESCOLHA


A instituição de serviços de saúde, de modo generalizado, para uma parcela ponderável da população,
ou para toda ela, já se tornou realidade em alguns países. Esta escolha entre nós se torna possível
34
Direito da seguridade social

quando os cuidados médicos estão confiados a credenciados pelo INAMPS, especialmente em lugares
onde não há serviços próprios.

URGÊNCIA
A previdência social não assume a responsabilidade pelas despesas médicas feitas pelo beneficiário,
sem autorização prévia do organismo previdenciário. Assim, a consulta feita a médico não-credenciado,
o socorro prestado por estabelecimento não incluído na lista dos autorizados, a intervenção não
solicitada ou recomendada por elemento credenciado não obrigam o INAMPS, que se eximirá de pagá-
los. Desse modo, a jurisprudência, quer a administrativa, quer a judiciária, têm decidido que: “Estando o
segurado em estado de choque e com hemoptise, fraturas, enfisema subcutâneo, e contusão do
parênquima pulmonar, em conseqüência de acidente automobilístico, e merecendo, portanto, socorro
urgente, não tem condições de escolher casa de saúde que mantenha convênio com o INPS. Nessa
hipótese, a assistência médica necessária há de se dar no primeiro hospital ao seu alcance. Se o
estabelecimento não possui convênio, em que a remuneração se ache relacionada também com a
continuidade de serviços, não está obrigado, bem assim a vítima, às tabelas do INPS”. A autorização
prévia para hospitalização descabe quando o doente, atendido em hospital conveniado, apresenta lesão
ou doença que exige tratamento urgente, reconhecido como tal.

CUSTEIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

PROTEÇÃO SOCIAL COMO ENCARGO COLETIVO


O conjunto de riscos, encarado como objetivo da ação estatal, pouco a pouco tornou-se inspirador de
uma política de governo a recomendar a aceitação de encargos públicos, a criação de serviços para
atende-los, a procura de recursos para custear seu atendimento. Ora, ao passo que o Estado assume,
de modo cada vez mais direto, o combate aos efitos dos riscos sociais, o problema de como obter
recursos financeiros para a realização desse objetivo torna-se, dia a dia, mas importante, e uma nova e
relevante faceta de sua política financeira.

CAPITALIZAÇÃO E REPARTIÇÃO
Nos sistemas apoiados em contribuições individuais, paralelamente cumpre anotar uma alteração do
modo de empregar a receita, isto é, os fundos arrecadados, na outorga das prestações deferidas aos
segurados e dependentes. O funcionamento financeiro das instituições de seguro social, sob esse
aspecto, normalmente obedece a dois tipos: o da capitalização e o da repartição. Pelo primeiro, são
colocadas em reserva as cotizações dos segurados, durante um período que se pretende mais ou
menos longo, para que o capital se acumule. Dito sistema admite duas formas: a da capitalização
individual, no qual as cotizações se creditam à conta individual de cada segurado, e a da capitalização
coletiva, em que as contribuições dos segurados, em seu conjunto, são consideradas favorecendo a
coletividade segurada. Já pelo sistema da repartição, o volume das quantias arrecadadas em cada
período servirá para o custeio das prestações que devidas forem no mesmo período. Esse sistema
repousa na idéia de solidariedade entre indivíduos e entre gerações, e com ele as contribuições dos que
são aptos para o trabalho, dos que têm renda, são empregadas no amparo dos que tal situação não
ostentam.

RELAÇÃO JURÍDICA DE CUSTEIO


Qualquer que seja a forma pela qual se estruture o custeio das prestações previdenciárias, seja
escolhida a fórmula das contribuições, seja eleita a de imposição tributária pura e simples, não se
poderá desconhecer que os preceitos legais que dispõem a respeito – numa ou em outra das fórmulas –
cuidam de uma relação jurídica: estabelecem a relação jurídica de custeio. Obrigacional por índole, a
dita relação cria obrigações para uma das partes (o contribuinte) e direitos para outra parte (a
instituição).

35
Direito da seguridade social

NATUREZA JURÍDICA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA


As leis brasileiras, ao disporem sobre o custeio da previdência social, referem-se às quantias, que aos
entes previdenciários devem ser pagas, como “contribuições”. Realmente, desde que não mais se
cogita de interligar a contribuição (o dever de contribuir) com o direito à prestação (direito de ser
amparado), quando esse direito advém, principalmente, da relação de vinculação (situação especial em
que alguém, por se achar nela, é dito beneficiário), ao passo mesmo em que se abandona toda idéia de
correspondência entre pago e recebido, perdem valor todas as noções que poderiam lembrar as de
prêmio e de reservas técnicas, para passar-se às de dever de contribuir e de repartição do fundo
formado. De nossa parte, cremos indubitável que a contribuição previdenciária tem indisfarçável caráter
de tributo, até pela sua inteira acomodação ao conceito fornecido pelo art. 3° da Lei n° 5.172, de
25/10/66 (Código Tributário Nacional). É uma prestação pecuniária compulsória, que só a lei pode
instituir, não constituindo pena por ilícito, e exigível por ação administrativa estritamente vinculada. A
contribuição, mesmo a do segurado, quando dele descontada ou por ele recolhida (caso dos
autônomos), não serve de suporte ao custo dos serviços eventualmente prestados ao segurado que
pagou, mas à massa de segurados vinculada ao sistema. O que o segurado tem é um direito eventual a
certas prestações, direito que nasce no momento em que se verificam os fatos formadores da hipótese
de incidência da norma de amparo.

CONTRIBUIÇÃO NA CONSTITUIÇÃO
Um dos argumentos de mais freqüente invocação para os que repelem a classificação das contribuições
previdenciárias como tributo é o seu posicionamento no atual texto constitucional. Assim, manteve-se o
nome de contribuições sociais para as que servem de base financeira para as prestações
previdenciárias (salário-família, aposentadoria, acidentes do trabalho, pensões, salário-maternidade
etc). mas, colocado o assunto fora do capítulo próprio do Sistema Tributário, pode-se ter a impressão
que o legislador teve em mira excluir tais contribuições da qualificação de tributos. Ao atribuir-se ao
Congresso competência para legislar sobre o custeio previdenciário (com o que não se lhe acresceu em
nada a competência, que só ele teria), não se definiu a natureza jurídica da contribuição afeiçoada ao
custeio da previdência social. Na Constituição de 1988 apregoa-se a “diversidade da base de
financiamento”, advertindo-se no art.195, § 4°, que a lei poderá instituir outras fontes de receita
destinadas a manter e expandir a seguridade social, obedecido o art.154. este, em seu inciso I, submete
à lei complementar a criação de impostos, ainda não elencados no texto constitucional, sob a condição
de serem não-cumulativos e não terem base-de-cálculo ou fato gerador próprios dos tributos já criados.
Tudo isto, ao lado da previsão de contribuições sociais, no interesse de categorias profissionais, no art.
149, vem em disposições na mor parte inseridas no Capítulo I do Título VI (Do Sistema Tributário
Nacional), a demonstrar que o legislador constituinte viu essa matéria como de índole tributária.

SISTEMAS CONTRIBUTIVOS E NÃO-CONTRIBUTIVOS


Já vimos que os sistemas de proteção social evoluem do amparo de certas classes de trabalhadores e
suas famílias para o da sociedade inteira, e que, dessa evolução, outra decorre, a do tipo de custeio,
no início contribuição para o seguro social primitivo, em seguida a adoção de imposições especiais, com
as quais os integrantes de grandes setores da comunidade sustentam as prestações que aos
componentes desses setores são asseguradas, e finalmente a arrecadação de tributo à sociedade
inteira, quando a proteção social e ela se estender de modo uniforme. No ponto em que se encontra a
evolução de nosso sistema de proteção social, como que a meio caminho da seguridade social, seria
inevitável um hibridismo de formas, no custeio das prestações, criado ao sabor das tendências de cada
lei e das necessidades de cada momento. Assim, temos um sistema que ainda pode ser chamado de
contributivo, no qual a arrecadação, embora predominantemente exigida da empresa, é referida ao
segurado, seu salário, sua atividade e outro, entretanto, incidente no faturamento e no lucro das
empresas, e o que recai na receita bruta da comercialização dos segurados especiais. Dessa forma,
uma das conseqüências que mais imediatamente se podem prever é a de que, pelo consumo, as
populações urbanas pagarão o custeio da previdência do trabalhador rural, cuja contribuição, suportada
pelo adquirente, recai na primeira colocação.

FONTES FINANCEIRAS
O custeio das prestações de previdência social faz-se, pois, por diferentes formas de incidência,
assumindo aspectos de um regime misto, que tem larga faixa de tributação não-contributiva para o

36
Direito da seguridade social

segurado, mas que dessa concepção de custeio ainda não se liberou totalmente. Esse sistema híbrido
está consagrado no art. 195 da Constituição Federal.

CONTRIBUIÇÕES PARA O RGPS

QUADRO GERAL DAS CONTRIBUIÇÕES


Variadas são as contribuições pelas quais se forma a receita da Previdência Social. Entre elas contam-
se: as devidas pelo segurado empregado, inclusive o doméstico, e o trabalhador avulso, calculadas em
alíquotas graduadas de 8% a 10% sobre os salários percebidos; as devidas pelos autônomos
empresários e contribuintes facultativos, na base de 10% e 20%; pelas empresas, de 20% sobre o total
das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados empregados, empresários,
avulsos e autônomos ligados às suas atividades; pela empresa, para a complementação do
financiamento das prestações de acidente do trabalho, incidentes nas remunerações pagas ou
creditadas a segurados empregados e avulsos, distribuída em alíquotas de 1, 2 e 3, consoante a
gravidade do risco inerente à sal atividade; um adicional de 2,5% devido pelas empresas de atividades
financeiras e seguradoras; da empresa, ainda, sobre o faturamento e o lucro, calculadas em 2% sobre a
receita bruta e em 10% sobre o lucro líquido do período-base, antes da previsão para o Imposto de
Renda, sendo de 15% as incidentes em empresas bancárias e de seguro; a devida pelo empregador
doméstico, fixada em 12% do salário-de-contribuição de seus empregados; do produtor rural, do
pescador e do garimpeiro, recaindo em 3% da comercialização, receita bruta, operada pelo segurado
especial (art. 12, VII, da Lei n° 8.213); a renda líquida dos concursos de prognósticos; a metade dos
prêmios cobrados por companhias seguradoras que operam com seguro de acidentes causados por
veículos automotores terrestres, dando origem a danos pessoais. A União Federal concorre para o
custeio da Seguridade Social com recursos adicionais do Orçamento Fiscal, fixados anualmente.

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA
Nos pródromos do Seguro Social, as prestações criadas em favor dos segurados mantinham-se por
contribuições por eles vertidas, guardando-se relação entre contribuição e prestação esperada. Os fins
da Seguridade em nossos dias não podem mais admitir tais parâmetros, cuja observância inviabilizaria
a indispensável redistribuição de rendas, para fazer com que os mais favorecidos concorram para o
auxílio aos menos afortunados. A escala de alíquotas estabelecida para a contribuição dos segurados,
em razão do porte de seus ganhos, vale por medida, ainda tímida, de uma redistribuição de rendas,
sendo, pois, de aplaudir. As contribuições empresariais que recaem sobre o faturamento e o lucro, de
seu lado, bem como a renda dos concursos de prognósticos e a contribuição da União Federal, cuja
origem repousa sobre os impostos gerais, são uma forma de fazer com que a coletividade inteira, sob o
signo da solidariedade social, traçada no art. 195 da Constituição Federal, suporte o custeio da
Seguridade Social.

CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES NO SALÁRIO


De modo geral, incidem essas contribuições sobre os ganhos do trabalhador vinculado. A lei,
estabelecendo a obrigação de contribuir, fixa-lhe a medida e a oportunidade do nascimento,
descrevendo o fato econômico que, ao suceder, no mundo fáctico, causa o seu aparecimento. Em tais
casos, é sempre o fato do pagamento (ou do crédito) dos ganhos do trabalhador, o chamado fato
gerador da obrigação. No caso dos autônomos, dos empresários titulares de firma individual, dos
facultativos e dos que contribuem para a manutenção do vínculo, há a presunção do recebimento de
uma renda, determinada pela fluência de um prazo. A fixação desse momento importa, já que dele
correrá o prazo de decadência, impeditivo do lançamento contra o contribuinte, criando-se o crédito
tributário em favor da previdência social. Para que se tenha, pois, como verificada a hipótese de
incidência, basta se apure ocorrido o fato nela descrito, ou seja, a percepção de renda real ou ficta,
decorrente de certa atividade econômica. Nas hipóteses consideradas vemos presentes os elementos
normais da hipótese de incidência: o material, percepção de renda; o temporal, momento em que
ocorre; o pessoal, o contribuinte. Para conhecer a quem cabem as obrigações determinadas pela
ocorrência da hipótese legal de incidência, e contra quem se formam os créditos de contribuições em
favor das instituições de previdência, deve ser apreciado, com atenção, o texto da legislação. Nos casos
de contribuições incidentes no pagamento de remuneração do trabalhador, salvo em certos casos,
apura-se que contribuinte é sempre quem efetua o pagamento da remuneração – a empresa ou
37
Direito da seguridade social

empregador. Nem mesmo, no tocante à contribuição de seus empregados, poderá socorre-la o direito,
que tem, de descontar de suas remunerações o montante das contribuições a eles cabentes. O preceito
não é válido para caracterizar o segurado como contribuinte, porque é dito que esses descontos se
presumem feitos, impondo a compreensão de que se trata de um mecanismo de repercussão jurídica,
de que a empresa dispõe, mas do qual não é lícito retirar excusa para o inadimplemento de sua
obrigação de recolher, tenha ou não operado o desconto, em lei determinado. Feito ou não o desconto,
a empresa deve a contribuição que deveria ter retido, bem como a sua própria, em uma relação
obrigacional de Direito Público. O direito de descontar é uma relação jurídica entre ela e o empregado,
ou o avulso que para ela trabalhe, relação essa de Direito Privado. Assim, em regra contribuinte é a
empresa, salvo quanto aos autônomos e os facultativos, que assumem pessoalmente a obrigação de
seus recolhimentos.

EMPRESA
Diz a lei ser a empresa o obrigado ao recolhimento, mas à empresa equipara outras entidades, sem
paridade possível com ela, seja do ponto de vista finalístico, seja no aspecto funcional. Ao tratar da
empresa rural, como tem sido laboriosa a definição jurídica de empresa, porque, para a ela chegar-se, é
indispensável transpor a barreira consistente em admiti-la como sujeito de direitos, quando até então foi
dita como objeto deles; em suma, atribuir-lhe personalidade. No campo da intervenção estatal da
economia, o direito muito se aproximou da personalização da empresa. Foi, exatamente, nesse terreno
que a personalidade jurídica ou moral trilhou longo caminho, sempre batizado pelo interesse estatal.
Mas, de qualquer forma, no texto previdenciário, o termo “empresa” tem compreensão própria: pode ser
o empregador, tal como definido na CLT; pode ser a sociedade civil de fins não-lucrativos; ou a
fundação pública ou privada; ou ainda, a repartição ou o serviço público em geral, quando mantenham a
seu serviço trabalhadores vinculados ao regime. Melhor se diria, caso a definição se voltasse para o
contribuinte, configurando-o como quem quer que, pessoa física ou jurídica, tomasse parte em algum
fato ou praticasse qualquer ato pela lei descrito como gerador da obrigação de recolher contribuições,
ou a colocação de produtos rurais no mercado urbano.

BASES DE CÁLCULO
Para as contribuições incidentes em remuneração ou proventos de atividade econômica, a lei
estabelece diferentes bases de cálculo, conforme se cuide de segurados empregados, autônomos,
avulsos, domésticos ou empresários. Para o empregado, essa base denomina-se salário de
contribuição; para os demais se chama salário-base, que é um salário ou um rendimento fixado com
apoio em presunção de renda. Nas contribuições referidas aos salários, a base-de-cálculo é o salário-
de-contribuição, que se entende, para os empregados e avulsos, a remuneração efetivamente recebida
ou creditada durante o mês, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, tendo por limites, o
salário mínimo e o máximo fixado no art.28, § 5°, da Lei n° 8.212. O décimo-terceiro salário integra o
salário-de-contribuição, sendo devida a contribuição no pagamento da última parcela ou na data de
rescisão do contrato de trabalho. No pagamento de diárias, o excedente a 50% da remuneração integra
a base-de-cálculo. O empregado doméstico tem sua contribuição calcada na remuneração recebida,
devidamente registrada em sua Carteira de Trabalho. O salário-de-contribuição: as cotas de salário-
família recebidas nos termos da lei; a parcela in natura recebida de acordo com os programas de
alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho; as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos
pelo aeronauta; os abonos de férias não excedentes aos limites da legislação trabalhista; a importância
recebida a título de aviso prévio indenizado, férias indenizadas, indenização por tempo de serviço, e a
indenização a que se refere o art. 9° da Lei n° 7.238, de 29.10.84; a parcela recebida a título de vale
transporte, na forma da legislação própria; a ajuda de custo recebida exclusivamente em decorrência de
mudança de local de trabalho do empregado; as diárias de viagem quando não excedentes de 50% da
remuneração mensal; a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de
estagiário, quando paga nos termos da lei. A propósito dessas exclusões, pensamos caberem algumas
considerações, tendo em vista que a lei, ao excluir da regra geral algumas hipóteses, só abrange os
casos que especifica. Várias dessas espécies de remuneração deram ensejo a polêmica: assim, a
gratificação de balanço, paga no final do exercício. A doutrina entende que integra o salário-
contribuição, mas que deve ser computada como remuneração do mês em que é paga. O aviso-prévio,
de modo igual, levantou disputa, e assim as férias. Na doutrina, sustenta-se que, não correspondendo a
períodos de trabalho, de modo efetivo, mas a indenizações por desatendimento de preceitos da lei
38
Direito da seguridade social

trabalhista, descaberá a incidência de contribuições. No mesmo sentido o entendimento jurisprudencial,


seja quanto ao aviso-prévio, seja no tocante às gratificações. Porém as prestações relativas ao salário-
família, quando recebidas na forma da lei que as instituiu, não integram a base de cálculo da
contribuição previdenciária, como a ela não estão sujeitas as parcelas in natura, recebidas pelo
empregado por programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. As gratificações
atribuídas a título de prêmios e as quantias pagas por horas de serviço extraordinário, são parte
integrante do salário-contribuição. Tem por este limite o salário-mínimo regional, isto é, não pode ser
menor que esse salário, em seu valor mensal, diário ou horário, consoante se tiver ajustado o modo de
pagamento. O menor aprendiz tem por limite mínimo de salário-contribuição a metade ou os dois terços
do salário-mínimo regional, conforme se cuide de aprendiz na primeira ou na segunda metade de seu
período de aprendizagem. O salário-maternidade é base de cálculo de contribuição. Os segurados
autônomos e os empresários, que não têm sua remuneração fixada em ajustes de caráter trabalhista,
contribuem sobre um salário-base, que é estabelecido em escala progressiva, tendo em vista o tempo
de exercício de atividade vinculada para o autônomo.

PESSOAS OBRIGADAS
Como deixa claro as regras dos artigos 25 e 30, III e IV, da Lei n° 8.212, diversos são os obrigados à
contribuição, segundo as circunstâncias ocorrentes. Quando o Estado cria um sistema de proteção para
uma parte da população, reputada especialmente carente de recursos, evidentemente que age em
nome da coletividade, e se propõe usar dos recursos colhidos da outra parte da população, mais
abastada. Tributando rendas, bens ou serviços, para obter esses recursos, em última análise impõe a
esses elementos da população, mais capazes, a obrigação de assistência aos que estão colocados fora
da posse ou da fruição dos bens ou dos serviços tributados, e que, por demais, são ainda afligidos pela
incidência de riscos sociais que lhes podem afetar, em grau mais intenso, a condição econômica já
combalida e empurra-los para o plano da indigência. A íntima ligação entre os programas de política
social do Estado, com fins específicos da previdência social, se apresenta irmanados por orientação de
conjunto, associado na realização de uma obra de amparo, calcada na redistribuição de rendas. É
sempre a coletividade em seu conjunto, a economia nacional em sua totalidade. Embora a lei defina o
produtor como devedor da contribuição de 3% sobre o valor dos produtos rurais, esclarece, igualmente,
que dita contribuição deve ser recolhida pelo adquirente ou consignatário. Mais uma vez, se estabelece
a substituição tributária, deslocando-se a obrigação do contribuinte de fato (produtor) para o contribuinte
de iure (adquirente ou consignatário). A lei desloca o fato gerador, fazendo-o materializar-se na
colocação do produto rural no mercado urbano. E o fato de assim dispor obrigou o legislador a designar
como contribuinte o adquirente ou consignatário, visando a pessoa que intervém de maneira decisiva,
no tráfico comercial constitutivo do objeto da imposição. Ao produtor reservou-se a posição de
contribuinte, sempre que ele mesmo utiliza o produto rural como consumidor final ou opera a sua
colocação última (não a primeira de uma série de possíveis operações de circulação). Desse modo,
cabe ao produtor a posição de contribuinte quando: a) vende o produto diretamente ao consumidor; b)
exporta o produto; c) processa a sua industrialização. No regulamento aprovado inclui-se a cooperativa
entre os contribuintes, entendimento com o qual não podíamos comungar, já que vimos nessa inclusão
a criação de uma figura de contribuinte sem lei que autorizasse essa criação. Obrigada ao recolhimento,
a cooperativa deve faze-lo sobre os produtos que recebe durante o mês, dos produtores a ela
associados, e pelo valor pago ou creditado a eles. O momento da incidência, isto é, o momento em que
a contribuição se torna devida, é: para o adquirente, o da tradição; para o consignatário, o da colocação
do produto; para o produtor, o da venda do produto; para a cooperativa, o do recebimento. A
contribuição incide: para o adquirente, no valor da compra; para o consignatário e o produtor que coloca
diretamente seus produtos, ou que os exporta, no valor da venda; para o produtor que industrializa seus
produtos, no valor corrente do mercado; e para a cooperativa, no valor pago ou creditado ao produtor,
tomando como base de cálculo mínima o preço de venda corrente para os produtores.

PRODUTO RURAL
A lei fala de incidência sobre o valor da comercialização dos produtos, dizendo, no § 2° do art. 25, de
que produto se deve cogitar. Só estes produtos podem figurar no elemento material da hipótese de
incidência, só eles dão lugar à obrigação de recolher a contribuição.são os que, de origem vegetal ou
animal, inclusive as espécies aquáticas, apresentam-se, normalmente, em estado primário, in natura, ou
no máximo, tendo passado por processo de beneficiamento. O texto define o que se deva entender por
beneficiamento. São os processos de descaroçamento, pilagem, descascamento, limpeza, abate e
secionamento de árvores, pasteurização, resfriamento, secagem, aferventação etc.
39
Direito da seguridade social

COMPANHIAS SEGURADORAS
As companhias seguradoras que mantêm seguros obrigatórios de danos pessoais causados por
veículos automotores de vias terrestres, são obrigadas a transferir para a Seguridade Social a metade
do valor dos prêmios cobrados, para custeio da assistência médica e hospitalar dos segurados, vítimas
de acidentes de trânsito.

CONCURSOS DE PROGNÓSTICOS
A receita líquida de concursos de prognósticos pertence à Seguridade Social. Concurso de prognóstico
é todo e qualquer sorteio de números, loterias, ou apostas, inclusive o realizado em reuniões hípicas, no
âmbito federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal. Entende-se por receita líquida o total da
arrecadação, deduzido os valores dos prêmios, impostos e despesas de administração.
Contribuições do empregador – em sua redação original, o art.195 da Constituição Federal criava para o
empregador a obrigação de verter contribuições previdenciárias incidentes na folha de salários, no
faturamento e no lucro. Entretanto, a Lei n° 8.212/91 exigia contribuições sobre remuneração paga a
autônomos e administradores. Mas, agora a Emenda Constitucional n° 20 restaura a pretensão do
INSS, dando nova redação ao art. 195, I, a, da Carta Magna, referindo-se “à folha de salários e demais
rendimentos de trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, a pessoa física que lhe preste serviço,
mesmo sem vinculo empregatício”.
Contribuições sociais – anteriormente à Constituição Federal de 1988, fora promulgado o Decreto-lei n°
1.940, de 25/05/72, que criou o FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL (FINSOCIAL), destinado a dar
sustento financeiro a programas de caráter assistencial, relacionado com alimentação, habitação
popular, saúde, educação e amparo ao pequeno agricultor. Com o advento da Carta de 1988, o art. 56
do ADCT manteve a exigência da contribuição para o FINSOCIAL, como integrante da receita da
Seguridade Social, até que foi editada a Lei n° 7.689/88, em cujo art. 9° se mantinha a contribuição
criada pelo Decreto-lei n° 1.940/82, sobre o faturamento das empresas. Em seu lugar, e para exata
observência do art. 195, I, da Constituição, foi editada a Lei Complementar n° 70, de 30/12/91,
instituindo uma contribuição social (COFINS) para financiamento da Seguridade Social, devida pelas
pessoas jurídicas, na base de 2% do seu faturamento, sujeita à fiscalização da Secretaria da Receita
Federal.

OBRIGAÇÃO DE CONTRIBUIR INFRAÇÕES E CRIMES FISCAIS

OBRIGAÇÃO DE CONTRIBUIR
Ocorridos os fatos a que a lei atribui força geradora da obrigação de contribuir, surge, para a entidade
previdenciária, o direito de exigir o cumprimento dessa obrigação, pelo recolhimento integral e oportuno
das contribuições devidas. Pelo lançamento, a autoridade administrativa encarregada da cobrança de
tributos apura a existência, a razão e o valor de um crédito, denunciando o devedor e aplicando-lhe, se
cabível, a penalidade, por infração cometida. Do contribuinte exige-se (da empresa, do segurado
autônomo, do empregador doméstico, do segurado especial) essa atividade, no prazo pela lei previsto.
É evidente que, não praticado o ato, ou não efetuado com a imperativa exatidão, caberá à repartição
arrecadadora apurar a omissão ou inexatidão, operando o lançamento de ofício para corrigir a omissão
ou a imprecisão. Como a empresa é o contribuinte, em relação às contribuições incidentes nos salários
que paga, a lei presume feito o desconto das contribuições devidas pelos segurados, nos salários que
lhes são devidos, ficando a empresa responsável pelas quantias correspondentes, obrigada ao seu
recolhimento, tenha ou não operado o desconto. Tais contribuições devem ser recolhidas até o quinto
dia útil do mês seguinte àquele ao qual se refiram. Esse prazo conta-se com a inclusão do sábado e a
exclusão de domingos e feriados, mas antecipa-se o vencimento para o primeiro dia útil anterior, se no
quinto dia útil não houver expediente bancário.

CONSEQÜÊNCIAS DO INADIMPLEMENTO
A falta de cumprimento da obrigação de recolher as contribuições acarreta para o contribuinte da
previdência social a imposição de penalidades e acréscimo de encargos, compensatórios da mora. O
primeiro deles é a exigência de juros moratórios de 1% ao mês. Outro é a imposição de multa variável

40
Direito da seguridade social

de 10% a 60%, na gradação estabelecida pelo art. 35 da Lei n° 8.212, sofrendo, ainda, a correção
monetária. Ponto sobre o qual muito se debateu, é o de saber se as multas impostas pelo
descumprimento da obrigação de recolher, sofre correção de seus valores. A opinião que acalenta essa
correção funda-se no argumento de que, uma vez aplicada a multa, transforma-se ela em obrigação
principal, dívida de obrigação. Outra importante questão que se suscita é no relativo às multas referidas
à mora do contribuinte. São elas proporcionais ao débito e se graduam em função do retardamento do
contribuinte no cumprimento da obrigação. Mas é de salientar que, nos textos legais – inclusive no da
CLPS – não se fazia referência a essa automaticidade que só os Regulamentos referiam. De fato, a
penalidade de multa somente deveria ser exigida após sua imposição em processo administrativo-fiscal,
regularmente instaurado, no qual se assegure ao infrator pleno direito de defesa. O texto refere-se à
multa, chegando, mesmo, a falar de multa imposta, o que afastaria a idéia de automaticidade,
reclamando para a exigência atividade administrativa de imposição. A CLPS, referindo-se ao art.82,
parágrafo único, da Lei n° 3.807, de 1960, preceituava que “a infração de qualquer dispositivo desta
Consolidação, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável,
conforme a gravidade da infração, à multa de uma a dez vezes o maior valor de referência vigente no
país”, acrescentando, entretanto: “ sem prejuízo do disposto no art. 146”. Esta última locução não é
encontrada nos textos trazidos à Consolidação, não passando de inútil tentativa de conciliar a cobrança
de juros e multa moratória automática. Não obstante, a pena prevista no texto consolidado é uma
sanção pecuniária, a ser aplicada ao infrator por processo regular, com possibilidade de defesa ante o
órgão que a aplique e de recurso para as instâncias de revisão. Não será possível, desse modo, admitir
a exigência dessa multa, de modo automático, isto é, sem processo de imposição e defesa, a menos
que a lei venha a determina-lo, configurando-a como sobretaxa, o que, como demonstrado, até aqui não
faz. Na lei agora vigente, o caráter de pena pecuniária foi mantido, de modo que se exige, para sua
cobrança, o ato administrativo da imposição.

EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO
Operado o lançamento, torna-se líquida a obrigação do contribuinte, que deverá cumpri-la para
desobrigar-se. O pagamento (recolhimento) é a forma comum da extinção da obrigação tributária
principal, embora outras sejam de apontar como igualmente cabíveis. Uma delas é a da decadência,
outra a da prescrição. Refere-se a primeira à prática do lançamento, ferindo o direito de formação do
crédito, já então formado. Feito, assim, um recolhimento inexato ou havendo omissão de recolhimento
devido, a fiscalização previdenciária só poderá oficiar, apurando um possível débito, até o fim do prazo
de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele a que o débito se refira. Ainda uma
forma de extinção do crédito tributário é a dação em pagamento. O pagamento só em moeda se admite,
em regra. A dação de bens em pagamento, pelo devedor, não pode ser imposta ao credor, que é livre
de aceita-la ou não.

RESTITUIÇÃO DO INDEVIDO
Na Lei n° 8.212, o artigo 89 proíbe a restituição de contribuições, com a exceção única das que tenham
sido indevidamente recolhidas, caso em que será feita com correção monetária. A hipótese deve ser
encarada consoante os preceitos do art. 165 da Lei n° 5.172/66 (CTN), esclarecido que dita restituição
se faz independentemente de prévio protesto do contribuinte ante a indevida exigência. Tratando-se de
quantias por ele recebidas para o recolhimento (descontos aos empregados ou cota de previdência), a
restituição só lhe poderá ser deferida se provar que não operou a retenção autorizada, ou que está
munido de poderes para requere-la, conferidos por quem tenha sofrido a retenção. A lei admite o
depósito se o contribuinte, irresignado com o débito exigido, desejar recorrer da decisão impositiva, sem
ficar submetido à correção monetária e aos juros de mora. Cabe examinar o que ocorre se, feito o
depósito, vem o contribuinte a ser vitorioso na sua impugnação ao lançamento. A respeito temos
pronunciamento, transcrito em nota, no qual a questão foi resolvida pela devolução acrescida de
correção monetária, a contar da data em que se escoou o prazo para a devolução do depósito ao
contribuinte. Quanto a direito de requerer a restituição de quantias indevidamente recolhidas, o art. 78
do Regulamento o dá por prescrito em cinco anos, contados da data do recolhimento ou da decisão
administrativa ou judicial corrida em julgado, pela qual o lançamento tenha sido anulado, reformado ou
revogado. O prazo, contudo, é de decadência, e não pode ser interrompido. De prescrição é o prazo
que tem o contribuinte para ajuizar ação contra o despacho administrativo que denegue a restituição.
Tal prazo, por aplicação do art. 169 do CTN, e de dois anos. Da decisão, podendo ser de órgão inferior,
caberá recurso.

41
Direito da seguridade social

CASOS DE SUSPENSÃO E DE EXCLUSÃO


Pode correr que o crédito previdenciário, antes de ser extinto pelo pagamento ou por outra forma legal
admissível, tenha sua exigibilidade sustada, ou venha a ser excluído. No primeiro dos casos, ocorre
que, durante certo prazo, o crédito, embora formado, não pode ser exigido, a ação de cobrança não
pode ser exercida. Um desses casos é o da moratória no qual o vencimento é tido por adiado. É o que
se encontra no art. 38 da Lei n° 8.212, onde o administrador é autorizado a conceder parcelamento dos
débitos do contribuinte, durante um prazo máximo de 60 meses. Trata-se de moratória considerada
individual, pela qual, na forma do art. 153 do CTN, a lei prevê as condições em que o favor pode ser
deferido. Apurado que o contribuinte se encontra nas condições legalmente figuradas, o administrador
deferirá a moratória, operando-se para o contribuinte a sustação da exigibilidade do crédito. A redação
do art. 153, itens I e II, da Lei n° 5.172, de 1966, sugere se tenha como moratória a concessão do
parcelamento de dívida fiscal, atribuindo-lhe os efeitos de suspensão da exigibilidade do crédito de
tributos. Concessões, como a de que ora se cuida, importando em uma protelação do prazo para a
solutio pelo contribuinte, são feitas em razão de se reconhecer evidente que a exigência do tributo, no
exato prazo legal, constituiria excessivo rigor, tendo em vista a situação econômica do devedor. Em tais
situações, o favor tanto pode ser relativo ao prazo, como abrigando outras formas de facilitação do
pagamento. A Lei n° 9.711, de 20/11/98, deu nova redação ao art. 38 da Lei n° 8.212/91, dispondo
sobre o parcelamento dos débitos de contribuições previdenciárias. Não se poderá conceder
parcelamento a quem tenha sonegado parcela referente ao salário-família e ao salário-maternidade
reembolsados. O reparcelamento se é de admitir uma única vez. O parcelamento se condiciona ao
pagamento da primeira parcela para ter vigência. Não cumprida qualquer das cláusulas do acordo
firmado, este se rescinde, e a divida remanescente será inscrita para cobrança judicial. Não se poderá
conceder parcelamento a empresa cuja falência tenha sido decretada. Certidão alusiva a débito,
incluído em tal acordo, vale por certidão negativa de débito (art. 206 – CTN). Ao órgão previdenciário
será lícito, em casos de inadimplemento do acordo, ajuizar a cobrança de tais títulos ou protesta-los
previamente. Mas dita emissão de títulos é feita pro solvendo e não desnatura o crédito tributário, que
permanece dotado de suas garantias e privilégios. O parcelamento não se concederá em relação ao
débito de contribuições descontadas dos empregados, inclusive os domésticos, aos avulsos, bem como
ás contribuições em que fiquem sub-rogados o adquirente, o consignatário e a cooperativa que tenham
recebido do segurado especial sua produção,, nem será deferido, em nenhuma hipótese, sem o
recolhimento prévio dessas contribuições. Também não se dará parcelamento ao contribuinte que
tenha, anteriormente, obtendo vantagem ilícita em prejuízo da Seguridade Social, pela prática de crime
apenado no art. 95, j, da lei em comentário.

NÃO-INCIDÊNCIA
No Decreto-lei n° 1.976, de 1982, eximiu-se de contribuição aquele que edificar residência unifamiliar,
para o próprio uso, de área não superior a 70 m2, sem a utilização de mão-de-obra assalariada, ou a
reforma nas mesmas condições. A lei aí foi uma superfetação, uma gritante excrescência. É evidente
que, se não há mão-de-obra estipendiada, não poderá haver débito de contribuições, seja qual for o
porte da obra. Mas, a hipótese não configura uma isenção, como já se pretendeu, mas simples caso de
não=incidência. O art. 30, VII, da Lei n° 8.212, repete o equívoco, dispondo sobre o impossível. Renova-
se aqui a objeção que antes fizéramos. O preceito rege a construção modesta, executada pelo
proprietário, sem contratar mão-de-obra assalariada. Se não há pagamento de remunerações, as
contribuições ao art. 22 não incidem, simplesmente, porque não se configura o fato gerador.

RESPONSABILIDADE LEGAL TRIBUTÁRIA


A lei tributária prevê, no art. 128 do CTN, que é válido atribuir, de forma expressa, a responsabilidade
pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da obrigação, excluída a obrigação do
contribuinte ou atribuindo-a também a este, em caráter total ou parcial. O responsável legal tributário,
não é contribuinte de iure. Acrescenta que, em tais casos, o direito outorgado ao Estado de exigir a
prestação ao responsável só pode ocorrer após a não-satisfação dessa prestação pelo contribuinte.
Diferente é o caso da substituição tributária, em que alguém é colocado na posição de contribuinte, no
lugar daquele em que, normalmente, a lei incidiria. Na Lei n° 8.212, encontram-se casos de
responsabilidade legal tributária e de substituição tributária. Assim, o adquirente, o consignatário e a
cooperativa são substitutos tributários do produtor, quando dele recebem, em consignação ou não, os
produtos por ele alienados ou transferidos. É o que dispõe o art. 30, I, c, IV, não sendo, pois,
responsáveis, mas contribuintes. Caso de responsabilidade legal tributária é o previsto no mesmo art.,

42
Direito da seguridade social

I, c,VI, onde se estabelece que o proprietário e o incorporador são responsáveis pelas contribuições
devidas pelo construtor, qualquer que seja a forma de contratação da construção, com direito regressivo
contra ele, e podendo exercer direito de retenção das quantias que lhe devam, em garantia das
contribuições devidas. Também se apura responsabilidade tributária solidária entre empresas
integrantes de grupo econômico (mesmo art, I, c, IX). E o contratante de serviços executados mediante
cessão de mão-de-obra, responde com o executor pelas obrigações deste, em relação aos serviços
prestados, exceto às contribuições devidas sobre o faturamento e o lucro.

OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Dizem-se acessórias as impostas pela lei ao contribuinte, ao lado da obrigação principal, de pagar o
tributo. Destinam-se elas a facilitar a arrecadação e a fiscalização do cumprimento da obrigação
principal. A lei arrola, como obrigação acessória, o preparo das folhas de pagamento, o lançamento das
quantias que constituem fato gerador das obrigações de recolher na escrita contábil, a prestação de
informações plenas à fiscalização previdenciária e à da Receita Federal, com a exibição dos
documentos correspondentes, que terão de ser arquivados por dez anos, cabendo à fiscalização a
verificação da exatidão das contribuições incidentes no salário (estas à fiscalização da Previdência
Social) e as das contribuições incidentes em faturamento e no lucro. A lei é clara quando excluí do
assunto os efeitos dos artigos 17 e 18 do Código Comercial, protetores do sigilo das escritas mercantis.
Nessa passagem a Lei n° 5.172/66 admite seja calculada a quantia exigível, incidente o tributo sobre o
preço ou o valor de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, desde que à autoridade lançadora não
tenham sido prestadas as informações sejam reputadas desmerecedoras de fé. A faculdade de arbitrar,
contudo, não afina pelo mero arbítrio. A primeira condição para que tal procedimento seja admitido é
que tenha ocorrido, realmente, omissão ou falha na prestação de esclarecimentos e informações ao
fisco. Provada a ocorrência da infração (descumprimento do dever de prestar esclarecimentos e
informações) poderá a autoridade fiscal recorrer ao arbitramento; mas, entenda-se e ressalte-se: jamais
de maneira arbitrária. Poderá arbitrar, isto é, estimar, calcular, buscar a verdade dentro ou fora da
omissão, reticência, mentira. Poderá arbitrar, nesse sentido, mas não praticar o arbítrio puro e simples,
indo até o absurdo ou às vizinhanças dele. Assim, o procedimento fiscal que arbitre um débito de
contribuições deverá fundar-se em fatos conhecidos, limitando ao conhecimento da base de cálculo.
Jamais será lícito presumir a ocorrência do próprio fato gerador, tal como a existência de assalariados
ou a aquisição de produtos rurais, mas apenas seu valor, quando evidenciado que tais hipóteses, de
fato, ocorrem. No caso da construção civil, permite-se a estimativa do valor das contribuições devidas,
em função da área construída.

GARANTIAS E PRIVILÉGIOS
Os créditos decorrentes de contribuições devidas à previdência social equiparam-se aos da União
Federal, seguindo-se a estes na ordem de preferência , nos casos de falência, concordata e concurso
de credores. Assim, tais créditos preferem quaisquer outros, sem embargo da natureza ou data de
constituição, excetuado pelos de origem trabalhista.
A previdência social não está sujeita a habilitar seus créditos em falência, concurso creditórios ,
concordatas, é parte legítima para reivindicar as quantias que tenham sido descontados pelas empresas
aos seus empregados e demais segurados sujeitos a desconto em seus ganhos, bem como as quantias
retidas do público.
A empresa em seu débito, não garantido em execução, não poderá distribuir dividendos a seus
acionistas, atribuir a seus sócios ou dirigentes participação em lucros.

CRIMES CONTRA A PREVIDÊNCIA SOCIAL


O crime de sonegação fiscal inclui os procedimentos falsos ou omissões dolosas, adotada pelo
contribuinte , com a intenção de eximir-se , total ou parcialmente do pagamento dos tributos. A lei os
enumera:
Falta de inclusão de salário pago a empregado em folha de pagamento na lançamento de descontos e
retenções operadas na escrita mercantil.
Para que se apene o sonegador torna-se indispensável , ao lado do elemento objetivo ( efetiva
subtração), ocorra o dado subjetivo, a intentio que se tenha apurado que o infrator recorreu, de modo
deliberado, a uma ação bem determinada, com o propósito de sonegar.
Ë também figura criminal a apropriação indébita, ou seja, a falrta de recolhimento, em época própria de
contribuições ou outras quantias, descontadas ou retidas, de segurados ou do público, bem como, o
43
Direito da seguridade social

não pagamento de salário-família devido aos empregados, quando reembolsado pela previdência
social. Observe-se que se não ficar provado que houve o desconto ou a retenção de maneira efetiva e
indiscutível, o simples não recolhimento de contribuições presumidamente descontadas ou retidas
configurará infração e não criume de apropriação indébita.
A lei pune a ação de quem contribui para criar , falsamente em proveito próprio ou alheio, condição de
segurado ou direito à prestação previdenciária.Equipara, a lei ao estelionato, diferentes procedimentos
lesivos ao patrimônio da entidade previdenciária, pelos quai se tente auferir ou se aufira, efetivamente
prestação , vantagem ou retribuição de serviço em caso de manifestamente indevidos serem.
Pelos crimes são pessoalmente responsáveis os titulares de firma individual, os sócios solidários,
gerentes, diretores ou administradores, que participem ou tenham participado de gestão da empresa,
assim como, o segurado acaso beneficiado pela prática sob cominação.

DECADÊNCIA – PRESCRIÇÃO E PROCESSO

A lei refere-se ao direito da Previdência Social de constituir seus créditos. Limitando o prazo à 10 anos.,
contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído ou
da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado
A prescrição da aço de cobrança das dívidas dos contribuintes (ou seja, a exigibilidade dos créditos
previdenciários já constituídos) tem prazo prescricional de 10 anos.

O direito de postular prestações vencidas restituições e diferenças devidas pelo INSS prescreve em 5
anos.

Ao contrário da decadência a prescrição interrompe-se - pela citação pessoal do devedor, pelo protesto
judicial, por algum ato que constitua o devedor em mora, por qualquer ato inequívoco deste,
reconhecendo a existência e validade do crédito exigido. Interrompida a prescrição começa ela a correr.

Prescrevem em 5 anos as parcelas mensais vencidas correspondentes às prestações não reclamadas.

Prescreve em 180 dias , contados da decisão final proferida na fase administrativa, o direito de postular
em juízo a declaração de nulidade de lançamento de contribuição previdenciária.

Contra os incapazes não corre prescrição.

Trato especial a lei dedica às ações por acidente do trabalho, Prescrevem elas em 5 anos – salvo
contra incapazes - esse prazo conta-se do acidente, quando dele resultar morte ou incapacidade
temporária, apurada, esta, em perícia médica a cargo da Previdência Social ou do dia em que esta
reconhecer a incapacidade permanente instalada no segurado.

COBRANÇA DE CRÉDITO:
É competente as Varas Federais , para as ações em que sejam partes a União Federal ee suas
autarquias – por exceção –as causas referentes a prestações previdenciárias, bem como as execuções
de débitos por prestações devidas ao INSS, são propostas ante as Justiças Estaduais, nas localidades
que não sejam sede de Vara Federal.

A justiça do Trabalho é competente para julgar a execução das contribuições previdenciárias incidentes
nas condenações que proferir – em matéria de salários a execução caberá ao INSS promover.

AÇÕES CONTRA A PREVIDÊNCIA SOCIAL


As lides demandadas contra a Previdência Social em valor não superior a R$ 4.488,57 são isentas de
custas, sem que o autor peça a concessão da justiça gratuita.

FORMA DA EXECUÇÃO:
Estabelece a Constituição Federal o regime de precatórios para efetivação dos pagamentos devidos
pela Fazenda Pública, resultantes de condenação judicial – com EXPRESSA EXCLUSÃO dos créditos
de índole alimentar (como os salários dos trabalhadores e as parcelas à eles equiparadas , entre elas
as prestações previdenciárias – submetidas ao regime comum de execução imediata e pronto
pagamento).
44
Direito da seguridade social

LINHA JURISDICIONAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL


É a denominação dada ao conjunto de órgãos julgadores da esfera administrativa da previdência social
.
As decisões proferidas por esses sistema de recursos obrigam tanto os segurados como as empresas
e o próprio ente administrativo previdenciário, de forma que para os primeiros resta-lhes, ainda, o
Judiciário, no caso de inconformismo, e para o órgão previdenciário tais decisões são de acatamento
irrestrito.
Dentro da escala de recursos , o apelo em primeiro grau cabe ao conhecimento das Juntas de Recurso
da Previdência Social – compete à elas apreciar recursos de empresas, sobre débitos de contribuição e
multas aplicadas, inclusive no tocante à cota de previdência , de beneficiários , sobre prestações
decorrentes de acidente do trabalho. Esses recursos são interpostos 30 dias – do conhecimento da
decisão pelo interessado, sendo de 60 dias no caso de acidente do trabalho.
A ciência é dada na forma do regulamento:
1- pessoalmente – assinatura no processo
2- carta registrada;
3- por edital publicado no jornal da cidade;

Das decisões proferidas pelas Juntas de Recurso cabe apelo para uma das Turmas do CRPS –
interpostos no mesmo prazo.
Das decisões tomadas Turmas cabe recurso para um Grupos de Turmas – nos casos de infringência
de lei ou regulamento, prejulgado ou ato normativo, prejulgado ou ato normativo do Ministério , ou por
divergência decisão de Turma ou de Grupo de Turmas, em última e definitiva instância
PIS/PASEP

Previa o inciso V do art. 158 da Constituição de 1967 a integração do trabalhador na vida e no


desenvolvimento da empresa. 0 inciso V do art. 165 da Emenda Constitucional no.1, de 1969,
determinava a integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, segundo fosse
estabelecido em lei.

0 PIS (Programa de Integração Social) foi criado pela Lei Complementar no. 7, de 7-9-1970, e o Pasep
(Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) foi instituído pela Lei Complementar no. 8,
de 3-12-1970. 0 objetivo da criação do PIS-Pasep era promover a integração do trabalhador na vida e
no desenvolvimento da empresa, tentando materializar a participação do trabalhador nos lucros das
empresas, porém não se confundindo com aquela.

Havia duas contribuições: uma incidente sobre o faturamento e a outra como dedução do imposto de
renda devido pelas empresas. 0 Decreto-lei no. 2.445, de 29-6-1988, extinguiu a contribuição que se
deduzia do imposto de renda.

0 art. 239 da Constituição estabeleceu que a partir de 5 de outubro de 1988 0 PIS e o Pasep iriam
financiar, nos termos da lei, o programa de seguro-desemprego e o abono do PIS. Esse último passou a
ser devido apenas aos empregados que percebessem até 2 salários mínimos de remuneração mensal,
sendo assegurado o pagamento de 1 salário mínimo (§ 3o. do art. 239 da Lei Maior).

A Cofins é uma contribuição incidente sobre o faturamento e tem por fundamento a alínea b do inciso 1
do art. 195 da Constituição (art. 12 da Lei Complementar no. 70/91). A base da exigência do PIS/Pasep
está no art. 239 da Constitui, que o prevê para financiar o seguro-desemprego e o abono anual. Tem o
Pis/Pasep natureza de contribuição social destinada ao custeio da seguridade social(art. 149 c/c § 6o.
do art. 195 da Constituição). 0 STF entendeu que a legislação do PIS/Pasep anterior à Constituição de
1988 foi recepcionada por esta (RE 169.091, Pleno, j. 7-6-95, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU, 4-8-
95, p. 22.522/3).

São contribuintes do PIS: (a) as pessoas jurídicas de direito privado e a elas equiparadas pela
legislação do imposto de renda, inclusive as empresas Públicas e sociedades de economia mista e suas
subsidiárias, com base no faturamento do mês; (b) as entidades sem fins lucrativos, definidas como
empregadoras Pela legislação trabalhista, inclusive as fundações, com base na folha de salários; (c) as
soas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e
das transferências correntes e de capital recebidas.
45
Direito da seguridade social

As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão,


também, a contribuição calculada na forma da letra “a” supra, em relação às receitas decorrentes de
operações praticadas com não associados.

Considera-se faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda,
proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do
resultado auferido nas operações de conta alheia (art. 39 da Lei no. 9.715/98).

Na receita bruta não se incluem: (a) as vendas de bens e serviços cancelados, descontos incondicionais
concedidos, o IPI e o ICMS, retido pelo vendedor bens ou prestador de serviços na condição de
substituto tributário (parágrafo único do art. 3o. da Lei no. 9.715/98). 0 extinto TFR entendia que o ICM
incluía-se na base de cálculo do PIS (S. 258). 0 STJ entende que o ICM integra a base de cálculo do
PIS (S. 68); (b) as reversões de provisões operacionais e recuperações créditos baixados como perda,
que não representem ingresso de novas receitas o resultado positivo da avaliação de investimentos
pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo
custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (c) os valores que, computados como
receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas as normas regulamentadoras
expedidas pelo Poder Executivo; (d) a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.

Nas operações realizadas em mercados futuros, considera-se receita bruta o resultado positivo dos
ajustes diários ocorridos no mês.

Nas operações de câmbio realizadas por instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil,
considera-se receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda
estrangeira.

São excluídas da base de cálculo as receitas correspondentes: a) aos serviços prestados a pessoa
jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento
represente ingresso de divisas; b) ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de
bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em
moeda conversível; c) ao transporte internacional de cargas ou passageiros.

Excluem-se também das contribuições sobre a folha de pagamento das entidades sem fins lucrativos,
definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações, Os valores correspondentes à
folha de pagamento das instituições ali referidas, custeadas com recursos originários dos orçamento
Fiscal e da Seguridade social.

A contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de


substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o preço fixado para venda do produto no
varejo, multiplicado por 1,38 (art. 5o. da Lei no. 9.715/98). o Poder Executivo poderá alterar o coeficiente
mencionado.

A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado
para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o
menor valor, no país, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo
da contribuição incidente sobre suas próprias vendas (art. 6o. da Lei no. 9.715).

o PIS/Pasep devido pelas refinarias de petróleo será calculado com base nasalíquotas de: (a) 2,07%,
incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; (b)
2,23%, incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; (c) 2,56%, incidente sobre a
receita bruta da venda de gás liquefeito de petróleo; (d) 0,65%, incidente sobre a receita bruta
decorrente das demais atividades.

0 PIS/Pasep devido pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes será calculado com base nas
alíquotas de: (a) 1,46%, incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins
carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (b) 0,65%, incidente sobre a receita bruta decorrente
das demais atividades.

46
Direito da seguridade social

Na hipótese de importação de álcool carburante, a incidência ocorrerá à razão de: (a) 1,46%, quando
realizada por distribuidora do produto; (b) 0,65% nos demais casos.

0 Pleno do STF declarou inconstitucionais os Decretos-leis no. 2.445/88 e 2.449/88, que alteraram a
cobrança do PIS (RE no. 148.754-2), pois a referida alteração não poderia ser feita por decreto-lei,
apenas por lei complementar. A Resolução no. 49, de 9-10-95, suspende a execução dos Decretos-leis
no. 2.445/88 e 2.449/88. A contribuição do PIS volta a ser devida à razão de 5% do imposto de renda
(PIS repique), além da alíquota de 0,75% sobre a receita bruta.

A Emenda Constitucional no 10, de 4-3-96, deu nova redação ao art. 71 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, que trata do Fundo de EstabilizaÇão Fiscal, a partir de 12 de janeiro de
1996. Quanto ao PIS, a alíquota passou a ser 0,75% sobre a receita bruta operacional, como definida
na legislação do imposto de renda, até 30-12-1999, podendo a lei ordinária alterá-la.

Foi alterado o porcentual das empresas em geral para 0,65% sobre a receita bruta operacional das
pessoas jurídicas ou a elas equiparadas pelo Imposto de Renda; das entidades sem fins lucrativos,
fundações e condomínios para 1% sobre a folha de salários; e das pessoas jurídicas de direito público
interno para 1% sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de
capital recebidas.

A alíquota da contribuição do PIS para as entidades financeiras, inclusive as que exploram essa
atividade na forma de empresas públicas e sociedades de economia mista, é de 0,75% (arts. 2o. e 3o. da
Lei no. 9.701/98). 0 prazo para pagamento da contribuição daquelas entidades é até o último dia útil da
quinzena subsequente e ao mês da ocorrência dos fatos geradores.

0 prazo para recolhimento do PIS é até o último dia útil da primeira quinzena do mês subseqüente ao da
ocorrência do fato gerador.

À contribuição do PIS/Pasep aplicam-se as penalidades e acréscimos previstos na legislação do


imposto sobre a renda.

A administração e fiscalização do PIS/Pasep será feita pela Secretaria da Receita Federal.

0 processo administrativo de determinação e exigência das contribuições para o PIS/Pasep, bem como
o de consulta sobre a aplicação da respectiva legislação serão regidos pelas normas do processo
administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União. 0 processo administrativo
fiscal é disciplinado pelo Decreto no. 70.235, de 6-3-72.

PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR

GENERALIDADES

0 Decreto-lei no. 73/66 criou o seguro privado.

A previdência privada complementar, aberta ou fechada, foi disciplinada pela Lei no. 6.435, de 15-7-
1977. Visava complementar o sistema de previdência social oficial, que, na época, era pago pelo INPS.
0 Decreto no. 81.240, de 20-1-1978, tratava da previdência privada fechada e o Decreto no. 81.402, de
23-2-1978, da aberta.

A Emenda Constitucional no. 20/1998 promoveu alterações no sistema, determinando que a matéria
fosse regulada por lei complementar (art. 202 da Constituição).

A previdência privada complementar passou a ser regida pela Lei no. 109, de 29-5-2001. Essa norma
revogou a Lei no. 6.435/77.

47
Direito da seguridade social

SISTEMA

A previdência complementar demonstra que o benefício previdenciário do INSS não é suficiente para
atender a todas as necessidades do segurado, principalmente quando o limite máximo é de
aproximadamente 10 salários mínimos.

0 regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação


ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que
garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar (art. 202 da Constituição).

A previsão constitucional mostra que o regime geral de previdência social não Permite o pagamento de
benefício no valor igual ao da última remuneração do segurado, necessitando da instituição de um
regime complementar. Esse regime não é compulsório, mas facultativo.

A lei complementar assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência


privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos.

As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais Previstas nos estatutos,


regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de
trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a
remuneração dos Participantes, nos termos da lei.

É vedado o apode de recursos à entidade de previdência privada mantida pela União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, em. presas públicas, sociedades de economia mista
e outras entidades públicas, Salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma,
sua contribuição normal poderá exceder à do segurado.

A Lei Complementar no. 109, de 29-5-2001, dispôs sobre o regime de previdência complementar ao
benefício pago pelo INSS.

A relação jurídica é: (a) de trato sucessivo, em razão de que perdura no tempo, não se esgotando numa
única prestação; (b) onerosa: há necessidade de contribuição para o segurado fazer jus ao benefício;
(c) sinalagmática, pois envolve direitos e obrigações em relação aos envolvidos; (d) aleatória, pois há
incerteza quanto às prestações.

A relação diz respeito a duas pessoas: o segurado e a empresa.

Envolve a previdência privada natureza securitária, contratual e não de resseguro. Tem o aspecto
social, mas o ponto importante é a contratualidade.

Os benefícios da previdência privada complementar não têm por objetivo aplicação financeira, mas
segurança e estabilidade da pessoa.

A natureza do benefício é de uma forma de poupança individual em vez de social.

0 sistema de previdência complementar envolve a capitalização (funding), a formação de uma espécie


de poupança que será devolvida à pessoa nas condições pactuadas. Não se trata de regime de
repartição simples (pay as you go).

PRINCÍPIOS

A previdência privada complementar é caracterizada pela autonomia da vontade. O sistema de


previdência complementar é facultativo. Logo, vale a autonomia privada da vontade em contratar. A
pessoa tem a possibilidade de entrar no sistema, de nele permanecer e dele retirar-se, de requerer ou

48
Direito da seguridade social

não o benefício, dependendo de sua vontade. Valerá o que for contratado entre as partes (pacta sunt
servanda).

0 princípio da portabilidade significa que a pessoa pode levar o valor que contribuiu para uma entidade
diversa daquela em que iniciou a contribuição.

Portabilidade não se confunde com resgate. A portabilidade ocorre quando o participante tem cessado
seu vínculo de emprego com o patrocinador, transferindo o numerário de um fundo de previdência
privada para outro.

Esclareceu o inciso II do art. 14 da Lei Complementar no 109 que a portabilidade pode ser feita "Para
outro plano". Não fez distinção entre plano de previdência privada aberta ou fechada. Logo, como aquilo
que não é proibido é permitido, é possível a transferência e um fundo para qualquer outro, pouco
importando se é de um de previdência aberta para fechada ou vice-versa. Dá a entender o art. 27 da Lei
Complementar no. 109 que é possível a portabilidade de valores pertinentes à previdência aberta : para
"plano de benefício de entidade fechada".

Não se pode falar exatamente em solidariedade se o regime é de capitalização. A pessoa recebe sobre
o que pagou. 0 sistema é contratual.

AÇÃO DO ESTADO

A ação do Estado será exercida com o objetivo de:

a. formular a política de previdência complementar;

b. disciplinar, coordenar e supervisionar as atividades reguladas de previdência complementar,


compatibilizando-as com as políticas previdenciária e de desenvolvimento social e econômico-
financeiro;

c. determinar padrões mínimos de segurança econômico-financeira e atuarial, com fins específicos de


preservar a liquidez, a solvência e o equilíbrio dos planos de benefícios, isoladamente, e de cada
entidade de previdência complementar, no conjunto de suas atividades;

d. assegurar aos participantes e assistidos o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus
respectivos planos de benefícios;

e. fiscalizar as entidades de previdência complementar, suas operações, e aplicar penalidades;

f. proteger os interesses dos participantes e assistidos dos planos de benefícios.

PLANOS

Os planos de benefícios atenderão a padrões mínimos fixados pelo órgão regulador e fiscalizar, com o
objetivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio econômico-financeiro e atuarial.

Participante é a pessoa física que adere aos planos de benefícios.

Assistido é o participante ou seu beneficiário em gozo de benefício de prestação continuada.

Patrocinador é o empregador que vai contribuir financeiramente para o plano de Previdência


Complementar de seus empregados.

ENTIDADES FECHADAS

Nas entidades fechadas, o acesso é exclusivo:

49
Direito da seguridade social

a. aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores;

b. aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional classista ou setorial,


denominadas instituidores.

São as entidades fechadas chamadas de fundos de pensões, por serem acessíveis apenas a
determinadas pessoas. Geralmente, dizem respeito a empregados de uma empresa ou grupo de
empresas. Exemplos: Petros (Petrobrás), Previ (Banco do Brasil), Cetrus (Banco Central) etc.

As entidades fechadas serão organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins
lucrativos.

Têm as entidades fechadas como objeto a administração e execução de pianos de benefícios de


natureza previdenciária. Não poderão prestar outros serviços que não estejam no âmbito de seu objeto.

Podem as entidades fechadas ser qualificadas da seguinte forma:

1 -de acordo com os planos que administram:

a. de plano comum, quando administram plano ou conjunto de planos acessíveis ao universo de


participantes;

b. com multiplano, quando administram plano ou conjunto de planos de benefícios para diversos grupos
de participantes, com independência patrimonial;

2 -de acordo com seus patrocinadores ou instituidores:

a. singulares, quando estiverem vinculadas a apenas um patrocinador ou instituidor;

b. multipatrocinadas, quando congregarem mais de um patrocinador ou instituidor.

Os planos de benefícios de entidades fechadas poderão ser instituídos por patrocinadores e


instituidores.

A formalização da condição de patrocinador ou instituidor de um plano de benefício dar-se-á mediante


convênio de adesão a ser celebrado entre o patrocinador ou instituidor e a entidade fechada, em
relação a cada plano de benefícios por esta administrado e executado.

Os planos de benefícios deverão prever as seguintes hipóteses:

a. benefício proporcional diferido, em razão da cessação do vínculo empregatício com o patrocinador ou


associativo com o instituidor antes da aquisição do direito ao benefício pleno, a ser concedido quando
cumpridos os requisitos da elegibilidade;

b. portabilidade do direito acumulado pelo participante para outro plano;

c. resgate da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante, descontadas as parcelas
do custeio administrativo;

d. faculdade de o participante manter o valor de sua contribuição e a do patrocinador, no caso de perda


parcial ou total da remuneração recebida, para assegurar a percepção dos benefícios nos níveis
correspondentes àquela remuneração.

Enquanto não cessado o vínculo de emprego do participante com o patrocinador, será vedada a
portabilidade.

50
Direito da seguridade social

A portabilidade, quando efetuada para entidade aberta, somente será admitida quando a integralidade
dos recursos financeiros correspondentes ao direito acumulado do participante for utilizada para a
contratação de renda mensal vitalícia o por prazo determinado, cujo prazo mínimo não poderá ser
inferior ao período em, que a respectiva reserva foi constituída, limitado ao mínimo de 15 anos.

Não caracteriza resgate a portabilidade.

É vedado que os recursos financeiros correspondentes transitem pelos participantes dos planos de
benefícios, sob qualquer forma.

0 direito acumulado corresponde às reservas constituídas pelo participante ou à reserva matemática, o


que lhe for mais favorável.

Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos empregados dos


patrocinadores ou associados dos instituidores. São equiparáveis aos empregados e associados os
gerentes, diretores, conselheiros e ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e
instituidores. É facultativa adesão aos planos.

Ao participante que tenha cumprido os requisitos para obtenção dos benefícios previstos no plano é
assegurada a aplicação das disposições regulamentar vigentes na data em que se tornou elegível a um
benefício de aposentadoria.

0 regime financeiro de capitalização é obrigatório para os benefícios de pagamento em prestações que


sejam programadas e continuadas.

As contribuições são:

a. normais, as destinadas ao custeio dos benefícios previstos no respectivo plano;

b. extraordinárias, as destinadas ao custeio de déficits, serviço passado outras finalidades não incluídas
na contribuição normal.

ENTIDADES ABERTAS

As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por
objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda
continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.

Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser:

a. individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas;

b. coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários pessoas físicas vinculadas,
direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante.

0 plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas.

0 vínculo indireto refere-se aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas
contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas.

Os grupos de pessoas poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados
de um mesmo empregador, podendo abranger empresas são coligadas, controladas ou subsidiárias, e
por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus
cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos.

São equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos


eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante.

51
Direito da seguridade social

É vedada à entidade aberta a contratação de plano coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal
seja estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coletivos.

Os participantes têm direito à portabilidade, inclusive para plano de benefício de entidade fechada, e ao
resgate de recursos das reservas técnicas, provisões e fundos, total ou parcialmente.

A portabilidade não caracteriza resgate.

É vedado, no caso de portabilidade:

a. que os recursos financeiros transitem pelos participantes sob qualquer forma;

b. a transferência de recursos entre participantes.

Geralmente, os planos são estabelecidos para pagamento em 10, 15, 20 ou 25 anos, para que o
beneficiário faça jus a algum direito. Alguns fatores são sopesados, como: idade de ingresso, idade de
saída e renda mensal que se pretende a título do benefício. Há planos de contribuição definida, em que
o valor do benefício a ser concedido dependerá do total acumulado. Existem planos livres, em que o
próprio participante faz os depósitos por ele determinados. A pessoa pode escolher quanto tempo quer
pagar, quanto vai pagar, quanto quer receber e a partir de quando irá começar a receber o benefício.

NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATO

0 contrato de complementação de aposentadoria pela previdência complementar tem natureza de pacto


de adesão. Mesmo sendo um contrato de adesão, depende da vontade da pessoa em celebrar o pacto.
Assim, sua natureza é contratual.

0 trabalhador não é obrigado a aderir ao plano, que é facultativo.

As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos,


regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o
contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram
a remuneração dos participantes (art. 68 da Lei Complementar no. 109).

Concessão

Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as


condições estabelecidas pela elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano.

A concessão de benefício pela previdência complementar independe da concessão de benefício pelo


regime geral de previdência social (§ 22 do art. 68 da Lei Complementar no. 109/2001). Isso indica a
autonomia dos regimes. Estamos diante do acessório que independe do principal. Pode existir
complemento sem haver o principal. Se o INSS conceder o benefício previdenciário, não quer dizer que
o fundo de pensão terá de conceder a complementação de aposentadoria. Da mesma forma, concedida
a complementação, não há necessidade de que o benefício do INSS tenha sido concedido. Há
independência entre as prestações.

Esclarece a Súmula 92 do STJ que "o direito à complementação de aposentadoria, criado pela
empresa, com requisitos próprios, não se altera pela instituição de benefício previdenciário por órgão
oficial".

Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios
de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e
contribuições de qualquer natureza.

Vesting é o valor proporcional pago ao participante que perdeu o vínculo de emprego com a
patrocinadora, mas que não cumpriu todos os requisitos contratuais necessários à percepção do

52
Direito da seguridade social

benefício (art. 14, 1, da Lei Complementar no. 109/01). No vesting, o segurado pode transferir também a
parte paga pela empresa.

Prescrição

Sem prejuízo do benefício, prescreve em cinco anos o direito às prestações não pagas nem reclamadas
na época própria, resguardados os direitos dos menores dependentes, dos incapazes ou dos ausentes,
na forma do Código Civil.

Fiscalização

Até que seja publicada lei sobre o assunto, as funções do órgão regulador e do órgão fiscalizador serão
exercidas:

a. pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, por intermédio, respectivamente, do Conselho de


Gestão da Previdência Complementar e da Secretaria de Previdência Complementar, quanto às
entidades fechadas;

b. pelo Ministério da Fazenda, por intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da
Superintendência de Seguros Privados (Susep), em relação, respectivamente, à regulação e
fiscalização das entidades abertas.

INTERVENÇÃO E LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL

A intervenção na entidade de previdência complementar ocorrerá desde que se verifique, isolada ou


cumulativamente:

a. irregularidade ou insuficiência na constituição das reservas técnicas, provisões e fundos, ou em sua


cobertura por ativos garantidores;

b. aplicação dos recursos das reservas técnicas, provisões e fundos de forma inadequada ou em
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos competentes;

c. descumprimento de disposições estatutárias ou de obrigações previstas nos regulamentos dos planos


de benefícios, convênios de adesão ou contratos dos planos coletivos;

d. situação econômico-financeira insuficiente à preservação da liquidez e solvência de cada um dos


planos de benefícios e da entidade no conjunto de suas atividades;

e. situação atuarial desequilibrada;

f. outras anormalidades definidas em regulamento.

As entidades de previdência privada fechada não poderão solicitar concordata e não estão sujeitas a
falência, mas somente a liquidação extrajudicial (art. 47 da Lei Complementar no. 109.)

A liquidação extrajudicial será decretada quando reconhecida a inviabilidade de recuperação da


entidade de previdência complementar ou pela ausência de condição para seu funcionamento.

Conclusão

Pretende-se fazer uma transformação em nosso sistema de Previdência Social. Seria garantido um
mínimo ao trabalhador até certo valor, como, por exemplo, três salários mínimos. 0 restante ficaria a
cargo da previdência privada complementar.

0 sistema assim só vai beneficiar as seguradoras ou bancos que estiverem interessados em atuar na
área, por ser muito rendosa.

53
Direito da seguridade social

0 sistema público de concessão de benefícios deve ser mantido, ainda que em um nível básico, pois o
sistema privado não se tem mostrado adequado. Exemplos são as empresas que passaram a prestar
serviços na área e posteriormente faliram, como Capemi, Mongeral e outras, em que o trabalhador
pagou vários anos a elas e depois não teve como receber o benefício na hora em que necessitava.
Assim, é preferível o sistema público, que pode não ser o melhor, mas pelo menos sabe-se que no final
do mês ou no futuro haverá um recebimento.

Não adianta querermos importar para o Brasil sistemas como o chileno ou outros. Se a previdência
privada chilena fosse boa, os militares não se teriam excluído de imediato do referido sistema.

PREVIDÊNCIA FECHADA DE ENTES PÚBLICOS

Observado o disposto no art. 202 da Constituição, lei complementar dispor sobre as normas gerais para
a instituição de regime de previdência complementar pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e
pelos Municípios, para atender seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo (§ 1 o. do art. 40 da
Constituição).

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que institua regime de previdência
complementar para seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor
das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de aposentadoria pública, o limite
máximo estabelecidos para os benefícios do regime geral de previdência social.

Somente mediante sua prévia e expressa opção o disposto nos parágrafos anteriores poderá ser
aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de
instituição do correspondente regime de previdência complementar.

Determinou o § 4o. do art. 202 da Constituição que lei complementar disciplinará a relação entre a
União, os Estados, o Distrito Federal ou os Municípios, inclusive suas autarquias, fundações,
sociedades de economia mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto
patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada, e suas respectivas entidades fechadas
de previdência privada. A lei complementar será aplicada, no que couber, às empresas privadas
permissionárias ou concessionárias de prestação de serviços públicos, quando patrocinadoras de
entidades fechadas de previdência privada (§ 5o.- do art. 202 da Constituição). Serão estabelecidos
requisitos para a designação dos membros das diretorias das entidades fechadas de previdência
privada, disciplinando a inserção dos participantes nos colegiados e instâncias de decisão em que seus
interesses sejam objeto de discussão e deliberação (§ 6o. do art. 202 da Constituição).

A Previdência Privada fechada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, inclusive
suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e empresas controladas direta ou
indiretamente, enquanto patrocinadoras de entidades fechadas de previdência complementar, é
disciplinada pela Lei Complementar no 108, de 29-5-2001. Essas entidades de previdência privada
fechada serão organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos.

Os planos de benefícios atenderão às seguintes regras:

a. carência mínima de 60 contribuições mensais a plano de benefícios e cessação do vínculo com o


patrocinador, para se tomar elegível a um benefício de prestação que seja programada e continuada;

b. concessão de benefício pelo regime de previdência ao qual o participante esteja filiado por intermédio
de seu patrocinador, quando se tratar de plano na modalidade benefício definido, instituído depois da
publicação da Lei Complementar no. 108.

Os reajustes dos benefícios em manutenção serão efetuados de acordo com critérios estabelecidos nos
regulamentos dos planos de benefícios, vedado o repasse de ganhos de produtividade, abono e
vantagens de qualquer natureza para tais benefícios.

54
Direito da seguridade social

Nas sociedades de economia mista e empresas controladas direta ou indiretamente pela União, pelos
Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, a proposta de instituição de plano de benefícios ou
adesão a plano de benefícios em execução será submetida ao órgão fiscalizador, acompanhada de
manifestação favorável do órgão responsável pela supervisão, pela coordenação e pelo controle do
patrocinador. As alterações no plano de benefícios que impliquem elevação da contribuição de
patrocinadores serão objeto de prévia manifestação do órgão responsável pela supervisão, pela
coordenação e pelo controle.

É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, suas autarquias, fundações,
empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas o aporte de recursos a
entidades de previdência privada de caráter complementar, salvo na condição de patrocinador.

CUSTEIO

0 custeio dos planos de benefícios serão de responsabilidade do patrocinador e dos participantes,


inclusive assistidos.

É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União, pelos Estados, pelo
Distrito Federal e pelos Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de
economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em
hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder à do segurado (§ 3o. do art. 202 da
Constituição).

A contribuição normal do patrocinador para plano de benefícios não poderá exceder à do participante.

Além das contribuições normais, os planos poderão prever o aporte de recursos pelos participantes, a
título de contribuição facultativa, sem contrapartida do patrocinador.

0 patrocinador não poderá assumir encargos adicionais para o financiamento dos planos de benefícios
além dos previstos nos respectivos planos de custeio.

ACIDENTE DO TRABALHO

O estudo da infortunística começou a surgir com a Revolução Industrial, em que foi substituído o
trabalho manual pelo uso de máquinas. 0 tear e a máquina a vapor eram os causadores dos acidentes
do trabalho. A partir desse momento é que começa a haver uma preocupação com o acidentado.

Verificava-se que o acidentado no trabalho não conseguia nova colocação em outras empresas, ficando
totalmente desprotegido.

A primeira legislação a tratar do tema acidente do trabalho foi a alemã, em 6-7-1884, por intermédio de
Bismarck. Estabeleceu-se ampla definição de acidente do trabalho, incluindo o ocorrido no curso do
contrato de trabalho. Havia a assistência médica e farmacêutica. Determinava-se o pagamento de um
valor pecuniário para compensar o fato de que o empregado iria ficar sem receber salário, assim como
assegurava-se auxílio-funeral, caso ocorresse o acidente fatal. 0 empregado recebia uma prestação
correspondente a 100% de seu salário enquanto durasse a incapacidade. Pagava-se pensão em caso
de morte. Em um primeiro momento o seguro era feito mutuamente e depois garantido pelo Tesouro
alemão. A lei era aplicada apenas às indústrias que tinham atividades perigosas, estabelecendo-se
também um sistema de normas de segurança no trabalho.

Na Inglaterra, a primeira norma a versar sobre o tema foi em 1897. Não era prevista assistência médica.
Em caso de morte não se pagava pensão aos dependentes, mas benefícios limitados a um prazo
máximo de três anos. 0 emprega

dor não era obrigado a segurar o empregado. Havendo negligência por parte do trabalhador, não se
admitia a existência de acidente do trabalho. Hoje, se aplica o sistema implantado em 1946, pelo plano

55
Direito da seguridade social

Beveridge, consubstanciado na "Consolidation Act", de 1965. Há um sistema tripartite de contribuições,


tendo proteção para incapacidade, morte, assistência médica e hospitalar, reabilitação etc.

Na França, em 9-4-1898, surge a lei sobre acidentes do trabalho. Aplicava-se apenas a algumas
atividades consideradas perigosas, como as indústrias de construção, de manufatura, de transporte
terrestre e fluvial, de carga e descarga, mineira. Era observada apenas a trabalhadores empregados. 0
acidente do trabalho também era considerado como o decorrente de doença profissional. Pagava-se ao
acidentado ou a seus dependentes uma renda vitalícia ou temporária. Era previsto o auxílio-funeral, a
assistência médica e financeira. 0 seguro era facultativo. As sociedades de mútuo socorro faziam os
seguros ou então as caixas ou sociedades, nos casos das minas.

Na Itália, em 17-5-1898, estabeleceu-se a primeira lei sobre o tema. Aplicava. se inicialmente a poucas
indústrias, Em 29-6-1903, foi complementada Por nova lei. Houve a fusão dos dois diplomas legais em
janeiro de 1904.

Na Espanha, em 30-1-1900, foi editada a primeira lei sobre acidentes do trabalho. 0 acidente do
trabalho era definido como "toda lesão corporal que o operário sofra na ocasião ou em conseqüência do
trabalho que executa Por conta alheia". Hoje a lei existente praticamente é a mesma, tendo sido
substituída a palavra "operário" por trabalhador. 0 seguro era facultativo por parte do empregador. Em
Portugal, a primeira lei a versar sobre o tema foi a Lei no. 83, de 24-7-1913, que foi regulamentada pelo
Decreto no. 4.288, de 9-3-1918.

Nos Estados Unidos a legislação começou a ser expedida a partir de 1908, para os funcionários
públicos da União, e a partir de 1911 passou a se adotar legislações em cada Estado.

No âmbito da OIT temos: a Convenção no. 12, de 1921, sobre a reparação de acidentes do trabalho na
agricultura; a Convenção no 17, de 1925, sobre indenizações em caso de morte ou incapacidade
permanente, pagas sob a forma de renda; a Convenção no. 18, de 1925, versando sobre reparação de
doenças profissionais; a Convenção no. 19, de 1925, especificando sobre a igualdade do tratamento
entre nacionais e estrangeiros nos casos de acidentes do trabalho; a Convenção no. 42, de 1934, sobre
doenças profissionais; a Convenção no. 102, de 1952, que indicou as eventualidades cobertas para
efeito da proteção acidentária; a Convenção no. 118, de 1962, sobre a igualdade de tratamento de
nacionais e estrangeiros em matéria de previdência social e, principalmente, quanto a acidente do
trabalho; a Convenção no. 121, de 1964, que reviu a Convenção no. 102. As Recomendações no. 22 e
23 complementaram a Convenção no. 17; a Recomendação n9 121 complementou a Convenção no.
121. A Convenção no. 134 da OIT foi aprovada pelo Decreto Legislativo no. 43, de 10-4-95, tratando
sobre prevenção de acidentes do trabalho dos marítimos. A Convenção no. 152 da OIT, de 1979, foi
aprovada pelo Decreto Legislativo, no. 84, de 11-12-89, e promulgada pelo Decreto no. 99.534, de 19-9-
90. Trata da proteção contra acidentes dos trabalhadores empregados na carga e descarga dos navios.

0 Decreto no. 4.085, de 15-1-2002, promulga a Convenção no. 174 da OIT, que trata da prevenção de
acidentes industriais maiores.

Surgia a necessidade de adaptação do conceito de responsabilidade civil para efeito de pagamento da


indenização de acidente do trabalho. Assim, passam a aparecer teorias ou legislações amparando o
acidentado.

TEORIAS QUE FUNDAMENTAM A PROTEÇÃO AO ACIDENTADO

Culpa Aquiliana

A teoria da culpa aquiliana tem por base a Lex Aquilia do Direito Romano, que tratava da reparação dos
danos causados às coisas alheias. Era também Chamada de teoria extracontratual ou de culpa delitual.

O dano a ser indenizado decorria da demonstração de culpa. Havia necessidade de se estabelecer a


prova do dano, quem o tinha cometido, se havia nexo entre o dano e a falta. A teoria da culpa era
aplicada na Inglaterra em 1837. No Brasil, antes da Lei no 3.724, de 15-1-1919, adotava-se a teoria da
culpa. Poder-se-ia dizer que o ônus da prova era de incumbência das vítimas, caso pretende, sem

56
Direito da seguridade social

receber indenizações, tendo por base a culpa do empregador, comprovada negligência, imprudência ou
imperícia do último. Aplicava-se, na verdade, o ar 159 do Código Civil, no sentido de que aquele que por
ação ou omissão causar prejuízo a outrem ficava obrigado a reparar o dano. Na prática, o acidentado
não conseguia provar a culpa do empregador, ficando totalmente desamparado em razão do infortúnio.

Teoria do Contrato

A teoria do contrato era a que entendia que o empregador tinha obrigação d~ proteger o operário de
acidente do trabalho em razão de cláusula que estada implícita no contrato de trabalho. 0 empregador
deveria velar pela segurança do trabalhador. Se o trabalho era perigoso, mais uma razão havia para a
referida proteção. Na execução do trabalho, o empregador deveria restituir o empregado ao final da
jornada de forma como o tinha recebido no seu início, sob pena de pagar uma indenização. A referida
teoria invertia o ônus da prova, sendo que a existência dE acidente importava na presunção relativa da
culpa do empregador, mas admiti~ prova em sentido contrário.

Na prática, o empregado continuava completamente desprotegido, pois o empregador acabava


demonstrando que cumpria as normas legais e técnicas, adotando medidas de prevenção de acidentes.
Na maioria das vezes, verificava-se, até mesmo, que o acidente teria ocorrido ou por culpa do
empregado ou por força maior, continuando o empregado sem qualquer proteção.

Responsabilidade pelo Fato da Coisa

Essa teoria tinha por base o fato de que o dano causado ao empregado deveria ser reparado pelo
proprietário do objeto que o causou, ou seja, o proprietário da máquina, o empregador, deveria ser
responsabilizado pelo acidente. Tomava-se por base a parte final da alínea primeira do art. 1.382 e os
arts. 1.385 e 1.386 do Código de Napoleão, que prescreviam a responsabilidade dos proprietários de
animais e de prédios em ruínas de responderem pelo danos causados a terceiros, de maneira objetiva.
Assim, quem fosse proprietário da máquina, por analogia àquelas disposições, deveria reparar o dano
causado ao empregado pelo acidente. Não se cogitava da culpa do empregador.

Um dos principais defensores da referida teoria era Louis Josserand (1936: 43). Esse autor, porém,
indicava as limitações da citada teoria, declinando que ela não só se aplicaria aos acidentes
decorrentes de culpa do obreiro, pois não seja proveniente da coisa, máquina, do empregador. Muitos
eventos também não eram contemplados, como acidente de trajeto. Daí a necessidade de se elaborar
outra teoria, inclusive para abarcar os casos em que o próprio empregado incorria em negligência,
imprudência ou imperícia dando causa ao acidente, que eram os mais freqüentes.

Teoria do Risco Profissional

A teoria do risco profissional veio introduzir definitivamente a teoria da responsabilidade objetiva do


empregador, afastando a discussão em torno da culpa.

Os acidentes vinham ocorrendo em função de uma série de conseqüências decorrentes de doenças


profissionais, em que não se poderia cogitar quanto à culpa do empregador ou do empregado. Assim,
havia a necessidade de se estabelecer uma teoria que cobrisse os riscos de força maior e outros
completamente aleatórios. Deveria se estabelecer uma situação objetiva para cobrir o risco e reparar o
trabalhador na ocorrência do acidente. Observava-se que o patrão explorava seu negócio, expondo o
trabalhador a certos riscos, beneficiando-se do trabalho do obreiro. Em contrapartida, ocorrendo o
infortúnio, deveria o empregador responsabilizar-se pela indenização a ser paga ao operário, sem se
discutir se a falta foi ou i não por sua culpa. Era a aplicação da máxima latina ubi emolumentum íbi
onus. Essa teoria era defendida por Paul Pic (1912:868).

Como a indenização para o pagamento do dano decorrente de acidente do trabalho independia até
mesmo da culpa do empregado, era preciso se estabelecer alguma limitação à referida indenização,
pois do contrário implicaria a própria sobrevivência do negócio do empregador. Surge, então, uma forma
de indenização tarifária, estabelecida de acordo com uma certa tarifa ou tabela para o pagamento da
indenização de acidente do trabalho. De imediato sabia-se quanto era a indenização a ser paga. Se o
empregado perdia o dedo, a indenização era $ 10, se perdia o braço era $ 20, e assim por diante. Como

57
Direito da seguridade social

a indenização era obrigatória, surgia i uma forma de se segurar o trabalhador de modo a lhe pagar uma
importância caso ocorresse o sinistro. Na prática essa teoria só amparava aqueles que trabalhassem
em atividades perigosas, não se estendendo aos demais trabalhadores.

Teoria do Risco de Autoridade

A teoria do risco de autoridade era baseada na relação jurídica de subordinação entre o empregado e o
empregador, ou do poder de direção do empregador

sobre o empregado, proveniente do contrato de trabalho. Pelo fato de o empregador admitir e dirigir a
atividade do empregado, deveria repará-lo pela existência de qualquer acidente ocorrido no local de
trabalho, tanto direta como indiretamente, mas inerente à atividade do empregador. Tinha, portanto, a
idéia do perigo existente na atividade do empregador e que era proporcionado ao empregado. Essa
teoria era mais condizente com a atividade industrial, em que existiam máquinas e ocorriam na maioria
das vezes os acidentes, mas não na atividade comercia, ou na agricultura, em que esses praticamente
inexistiam.

Verificava-se, portanto, que a idéia do risco da autoridade era pelo fato de que o empregador dirigia a
atividade do empregado, implicando a responsabilidade do patrão, mais se justificando em razão da
subordinação do que do perigo resultante da atividade do primeiro (Juan D. Pozzo, 1972:378). Assim,
nota-se que a responsabilidade decorria da existência do contrato de trabalho. 0 empregador, por
natureza, é aquele que assume os riscos de sua atividade, em função também da existência do poder
de direção sobre o empregado. 0 empregado não poderia assumir os riscos de sua atividade, que ficava
por conta do patrão, em razão de ser por este dirigido. Caso o acidente ocorresse, deveria ficar a cargo
do empregador repará-lo, Pois, se este tinha a autoridade, deveria pagar a indenização pelo acidente
ocorrido (André Rouast e Maurice Givord, 1934: 26).

Seguro Social

A teoria do seguro social ou do risco social é baseada na solidariedade que informa a Seguridade
Social, de que todos os membros da sociedade têm de se solidarizar na proteção de contingências
sociais que possam ocorrer em relação ao trabalhador, como as decorrentes de desemprego, invalidez,
velhice, morte e também inerentes ao acidente do trabalho. 0 que se observa é que os riscos de
acidentes do trabalho são socializados, ou seja, repartidos igualmente entre todos os membros da
sociedade. A responsabilidade deixa de ser do empregador para ser do Estado, suportada por todas as
pessoas, por meio do seguro social. 0 trabalhador tem as mesmas necessidades no acidente do
trabalho do que na ocorrência da velhice, do desemprego, da invalidez etc., que deveriam ser
suportadas pela Previdência Social. É necessário o pagamento de um valor ao segurado em
decorrência do infortúnio enquanto permanecer impossibilitado de trabalhar, sendo que a indenização
deve ser paga pelo Estado. Não seria apenas em decorrência de atividade perigosa do empregador que
seria devida a reparação (como na teoria do risco profissional), nem em relação ao fato de o
empregador dirigir o empregado (teoria do risco da autoridade), mas até mesmo seja estendida em
relação a outras pessoas que nem mesmo vínculo de emprego possuem, como no caso do trabalhador
avulso e do autônomo.

PREVENÇÃO DE ACIDENTES

0 empregador tem obrigação de constituir uma comissão interna de prevenção de acidentes (Cipa), de
acordo com as instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou locais de
obra, de acordo com o art. 163 da CLT, bastando ter mais de 20 empregados em cada estabelecimento.

Cabe à empresa também cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;
instruir seus empregados, por meio de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de
evitar acidentes do trabalho ou doenÇas ocupacionais; adotar as medidas que lhes sejam determinadas
pelo Ministério do Trabalho, por meio do órgão regional competente; facilitar o exercício da fiscalização
pela autoridade competente (art. 157 da CLT).

58
Direito da seguridade social

A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamento de proteção individual


(EPI) adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as
medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à
saúde dos empregados (art. 166 da CLT). 0 equipamento de proteção individual só poderá ser posto à
venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho (art. 167 da
CLT).

0 empregado, por sua vez, deve: observar as normas de segurança e medi ia do trabalho, inclusive as
instruções expedidas pela empresa quanto às precauções sobre acidentes do trabalho ou doenças
ocupacionais; colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos sobre segurança e medicina do
trabalho. Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: à observância das instruções
expedidas pelo empregador já mencionadas; ao uso dos equipamentos de proteção individual
fornecidos pela empresa (art. 158 e seu parágrafo único da CLT).

As empresas deverão observar, entre outras determinações, as regras inseridas em códigos de obras
ou regulamentos sanitários dos Estados ou Municípios que se situem os seus estabelecimentos, bem
como daquelas oriundas de convenções coletivas de trabalho quanto a regras de segurança e medicina
do trabalho (art. 154 da CLT).

Com base no art. 200 da CLT, de acordo com a redação da Lei no. 6.514, de 12-1977, que deu nova
redação a todo o Capítulo V da CLT sobre medicina e segurança do trabalho, ficou autorizado o
Ministério do Trabalho a expedir normas sobre o tema. Surgiu em 8 de junho de 1978 a Portaria no.
3.214, que aprovou as normas Regulamentadoras (NR) quanto às regras de proteção de acidentes nas
empresas e outras. A NR 5 trata da Cipa. A NR 6 especifica as regras sobre EPIs. Outras NRs da
mesma portaria versam sobre condições insalubres, perigosas, sobre ergonomia, sobre instalações e
serviços de eletricidade, sobre exames médicos etc.

Nos casos de negligência quanto às normas-padrão de segurança e higiene trabalho indicados para a
proteção individual e coletiva, a Previdência Social proporá ação regressiva contra os responsáveis (art.
120 da Lei no. 8.213).

DENOMINAÇÃO

No Brasil, a denominação utilizada é "acidente do trabalho". Na França, emprega-se a expressão


accident du travail. Na Inglaterra, industrial accident. Na Alemanha, Betriebsunfall. Na Espanha,
accidentes de trabajo. Na Itália, infortunio sul lavoro.

CONCEITO DE ACIDENTE DO TRABALHO

0 art. 19 da Lei no. 8.213 conceitua acidente do trabalho como "o que ocorre exercício do trabalho a
serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados 'especiais', Provocando lesão corporal
ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho".

Seria melhor conceituar o acidente do trabalho como a contingência que ocorre pelo exercício de
trabalho a serviço do empregador ou pelo exercício de trabalho dos segurados especiais, Provocando
lesão corporal ou perturbação funcional cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou
temporária, da capacidade para o trabalho. Nesse conceito há que se destacar o gênero próximo, que é
a contingência, e a diferença específica, que diz respeito ao restante da definição.

De Plano constata-se que no conceito de acidente do trabalho é incluído aquele no exercício do


trabalho e dos segurados especiais, o que não se verificava na Lei no. 6.367176.

O termo mais correto é contingência, e não evento, como inclusive consta do inciso I do art. 201 da
Constituição. Evento é o jogo de futebol, o espetáculo, mas não o acidente do trabalho. Morte, por
exemplo, não pode ser considerada evento, pois do contrário seria uma festa, um espetáculo.

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Direito da seguridade social

Prefiro utilizar a expressão empregador, e não empresa, pois o primeiro é o que tem empregados,
podendo tanto ser a pessoa física, como a jurídica. Empresa é algo abstrato ou então é a atividade
organizada para a produção de bens e serviços para o mercado, que pode ou não ter empregados.

0 acidente do trabalho, em princípio, é aquele que decorre do exercício do trabalho. Não se pode
considerar, portanto, acidente do trabalho o proveniente de acidente de trânsito que nada tenha a ver
com o trabalho.

É preciso que, para existência do acidente do trabalho, exista um nexo entre o trabalho e o efeito do
acidente. Esse nexo de causa-efeito é tríplice, pois envolve o trabalho, o acidente, com a conseqüente
lesão, e a incapacidade, resultante da lesão. Deve haver um nexo causal entre o acidente e o trabalho
exercido.

Inexistindo essa relação de causa-efeito entre o acidente e o trabalho, não se poderá falar em acidente
do trabalho. Mesmo que haja lesão, mas que esta não venha a deixar o segurado incapacitado para o
trabalho, não haverá direito a qualquer prestação acidentária.

É mister também que ocorra um nexo causal entre a contingência e o trabalho, resultando na lesão com
a conseqüente incapacidade do operário para o trabalho, seja ela temporária ou definitiva. É o que se
chama de "causalidade direta" "acidente-tipo" ou "acidente típico".

Assim, temos que o acidente-tipo se verifica quando o empregado estiver no exercício do trabalho a
serviço da empresa ou em relação ao segurado especial Deve haver uma lesão corporal ou perturbação
funcional que possa resultar em morte ou incapacidade laborativa temporária ou permanente, total ou
parcialmente 0 acidente-tipo ocorre apenas com um único evento, que é totalmente imprevisto e de
conseqüências imediatas.

A causalidade direta ocorre porque o acidente do trabalho é um acontecimento ou evento imprevisto,


em que não há a vontade do empregado em se machucar. Verifica-se a prejudicialidade, porque
envolve lesão corporal ou uma perturbação funcional que origina a morte, a perda ou a redução
permanente ou temporária da capacidade do trabalho do operário.
Não se confunde, porém, o nexo causal com o nexo etiológico. Neste verifica-se o fato que origina ou
desencadeia o acidente do trabalho. Já no primeiro Pode haver a abrangência sobre o agravamento das
lesões ou doenças decorrentes do trabalho.

Doenças do Trabalho

Considera-se, ainda, acidente do trabalho:

1.a doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício de trabalho
peculiar a determinada atividade e constante da relação do Anexo II do Decreto no. 3.048. São doenças
inerentes exclusivamente à profissão e não ao trabalho, embora possam ser desenvolvidas no trabalho.

As doenças profissionais são as causadas por agentes físicos, químicos ou biológicos inerentes a
certas funções ou atividades. Não se confundem com os acidentes-tipo, pois têm atuação lenta no
organismo humano. São também denominadas de idiopatias, tecnopatias ou ergopatias.

2. doença do trabalho, que é a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o


trabalho é realizado e com ele se relaciona diretamente, desde que constante da relação mencionada
no Anexo II do Decreto no. 3.048. São chamadas de mesopatias.

Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída nos itens 1 e 2 anteriores resultou de
condições especiais, em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência
Social deve considerá-la como acidente do trabalho.

A doença do trabalho é o gênero do qual a doença profissional é espécie. 0 que deve ser ressaltado é
que nem toda doença pode ser considerada do trabalho, pois somente aquelas determinadas pela lei é
que o serão, na forma determinada pelo Anexo II do Decreto n2 3.048. As doenças encontradas nessa

60
Direito da seguridade social

relação são chamadas "tecnopatias" ou "ergopatias". As que não estão relacionadas no mencionado
anexo não dão direito a prestações por acidente do trabalho, sendo chamadas de "mesopatias", como
ocorre com exposição a agentes químicos, como benzeno, chumbo; físicos, como ruído, radiações;
biológicos, como microorganismos e parasitas que causem infecções etc. A exceção à regra se dá
quando as mesopatias não relacionadas no citado anexo tenham resultado de condições especiais em
que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, que serão consideradas pela
Previdência como acidente do trabalho (§ 2o. do art. 20 da Lei no. 8.213).

Não são consideradas como doença do trabalho.

a. a doença degenerativa;

b. a inerente a grupo etário, como osteoporose, esclerose etc.;

c. a que não produz incapacidade laborativa;

d. a doença endêmica adquirida por segurados habitantes de região em que ela se desenvolva,
salvo comprovação de que resultou de exposição 00 contato direto determinado pela natureza do
trabalho. É o que ocorreria com doenças como malária, febre amarela, que ocorrem mais na Amazônia,
ou dengue.

Consiste a espondilolistose, no deslizamento de uma vértebra. Predomina o entendimento de que se


trata de afecção de natureza congênita ou degenerativa, sem relação com as condições de trabalho.

Causalidade Indireta

O art. 21 da Lei no. 8.213 equipara também ao acidente do trabalho outras hipóteses em que o
segurado venha a sofrer uma lesão que é relacionada com sua atividade laboral. É chamada
causalidade indireta.

São equiparados ao acidente do trabalho os seguintes casos:

a. o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário de trabalho, proveniente de:

1. ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiros ou companheiro de trabalho;

2. ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada com o trabalho;

3. ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiros, ou de companheiro de trabalho;

4. ato de pessoa privada do uso da razão;

5. desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos decorrentes de força maior;

b. a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade;

c. o acidente sofrido, ainda que fora do local e horário de trabalho:

1. na execução de ordem ou na realização de serviços sob a autoridade da empresa;

Nesse item pode ser enquadrado o acidente do empregado que portava BlP, pois não importa se o
acidente ocorreu fora do local e do horário de trabalho. Assim, se o empregado estiver portando BIP e
ocorrer o acidente, terá direito aos benefícios dele decorrentes, pois se encontrava à disposição do
empregador aguardando ordens, segundo o art. 49 da CLT. Entretanto, melhor examinando a questão,
entendemos que o fato de o empregado portar 131P não implica hora de "sobreaviso", para se aplicar
por analogia o § 2L' do art. 244 da CLT, pois o empregado não tem privada a sua liberdade de
locomoção, de modo a ficar exclusivamente na sua residência aguardando ser chamado, como ocorre
no "sobreaviso". 0 trabalhador não está exatamente executando ordens ou realizando serviço. Logo,

61
Direito da seguridade social

não se pode considerar o trabalhador que porta BIP como à disposição do empregador, nem se poderá
falar em acidente do trabalho, se ocorrer o infortúnio;

2. na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar
proveito;

3. em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiada por esta, dentro de seus
planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado,
inclusive veículo de propriedade do segurado;

4. no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja meio de
locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. E o que se chama de acidente in itinere.

Verificamos que a lei determina que outras hipóteses podem desencadear o lente do trabalho, ainda
que indiretamente. Esses eventos podem ocorrer tanto no local e no horário do trabalho, como fora
destes.

Vem também a lei a estender o acidente do trabalho para aquele evento ocorrido no percurso da
residência do empregado para o local de trabalho e vice-a, qualquer que seja o meio de locomoção,
inclusive veículo de propriedade do segurado. Chama-se a isso de acidente in itinere, ou aquele
ocorrido no percurso -e a residência e o trabalho e para a sua volta, vindo a incapacitar o obreiro a o
trabalho.

A expressão in itinere tem origem no latim iter, que tem o significado de "caminho", "itinerário". Fica
caracterizado o acidente in itinere quando ocorre no trajeto do retorno do trabalho para a casa dos pais,
nada impedindo que o trabalhador tenha dupla residência. Já se decidiu que um pequeno desvio de
percurso não impede a caracterização do acidente do trabalho. A interrupção do percurso deve ser de
tal maneira que desapareça a relação com o trabalho. 0 fato de a pessoa parar na farmácia, na padaria,
no supermercado para fazer pequenas compras não irá descaracterizar o acidente que sa nesse
período ocorrer. Também já se entendeu que fica caracterizado o acidente in itinere se o trabalhador
exercia atividade sindical, sem desvinculação com empregador .

Se o empregado é assaltado no percurso para o trabalho e morre, existe o acidente do trabalho, pois a
lei reconhece o acidente de trajeto.

Ocorre também o acidente in itinere quando o empregado vai fazer o intervalo legal ou quando dele
retoma para a empresa.

Não se exige que o trabalhador preste direta e imediatamente o serviço na ida e volta ao trabalho. A
exigência decorre da existência de contrato de trabalho.

Se embora suspenso o contrato de trabalho, o empregado comparece ao empregador para cuidar de


assuntos atinentes ao pacto laboral, como entrega de documentos exigidos pelo empregador,
considera-se como acidente de trajeto se a empregada vai até sua residência buscar esses documentos
exigidos pela empresa da mesma forma, caracteriza-se o acidente do trabalho no evento ocorrido em
dia útil em horário comercial, quando o trabalhador exerce atividade sindical, sem desvinculação com a
empregadora. No caso, houve suspensão ou interrupção do contrato de trabalho, visto que o
empregado recebia remuneração da empresa, exercendo a atividade sindical, havendo inclusive
recolhimento de contribuições previdenciárias.

0 acidente ocorrido em jogo de futebol, quando o empregado está vestindo a camisa da empresa, é
considerado como acidente do trabalho. Na ocasião os funcionários da empresa tiveram a oportunidade
da integração com outras pessoas, resultando melhor relacionamento e entrosamento entre os
participantes, o que pode proporcionar melhoria na qualidade do serviço e melhor produtividade. A
empresa goza da publicidade ao colocar o seu nome na camisa do seu time de futebol. Já o
empregado, ao vestir a camisa da empresa, prestava serviços a ela, consistentes na divulgação do
nome do empregador, fazendo propaganda da marca deste. 0 empregador convoca para essas

62
Direito da seguridade social

competições apenas aqueles empregados mais talentosos, que irão vestir suas cores, e não qualquer
pessoa. 0 lazer auferido pelo empregado não foi, assim, proveito apenas do obreiro, mas também da
empresa. Há também acidente do trabalho quando o empregado volta do evento esportivo para sua
residência, tendo participado de jogo pelo empregador, que se considera como acidente de trajeto.

0 dolo do acidentado, excluirá, porém, a configuração de acidente do trabalho.

Concausalidade

A concausalidade do acidente do trabalho pode ser observada no inciso I do art. 21 da Lei no. 8.213/91,
quando a lei equipara ao acidente do trabalho "o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha
sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para a redução ou perda da
sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação".
A exceção prevista no inciso I do art. 21 da Lei no. 8.213/91 é conhecida, portanto, como
concausalidade. Tendo o fato ocorrido como uma condição fundamental para o acidente do trabalho,
estará configurado o infortúnio. É o que ocorre quando o fato superveniente a um evento vem a resultar,
por exemplo, na morte do empregado. Seria a hipótese de um empregado quebrar um braço no local de
trabalho e posteriormente vir a perdê-lo por gangrena. Como vemos, o segundo fato contribuiu para a
ocorrência do evento final: a perda de todo o braço do trabalhador. 0 evento tempo entre o primeiro fato
e o segundo não descaracteriza o acidente do trabalho, pois se o operário não tivesse quebrado o braço
na empresa, não teria necessidade de amputar esse mesmo braço posteriormente.

Esclarece Octávio Bueno Magano que "a concausa pode ser preexistente, superveniente ou simultânea.
Se o trabalhador sofre ferimento leve e não obstante vem a morrer porque era diabético, tem-se que a
concausa é preexistente, Se o trabalhador recebe ferimento leve e vem a morrer em virtude do tétano,
trata-se de concausa superveniente. Se o trabalhador, acometido de mal súbito, cai de um andaime,
morrendo em conseqüência, configura-se a concausa simultânea".

Pode-se, por exemplo, considerar como concausa o portador de esquizofrenia que teve moléstia
desencadeada. em decorrência de.

Períodos de Intervalo na Jornada de Trabalho

0 empregado é considerado no exercício do trabalho no intervalo para refeições e descanso, ou


qualquer outro período em que tenha de satisfazer Outras necessidades fisiológicas.

Dessa forma, quando o empregado está se alimentando ou descansando dentro da jornada de trabalho,
até mesmo jogando futebol nas dependências da empresa, pode ocorrer o acidente do trabalho.

0 mesmo pode-se dizer quando o empregado encontra-se satisfazendo necessidades fisiológicas


durante a jornada de trabalho.

Agravamento do Acidente

Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que, resultante de


acidente de outra origem, se associe ou se superponha às conseqüências do anterior. Será considerado
agravamento de acidente do trabalho aquele sofrido pelo acidentado quando estiver sob a
responsabilidade da Reabilitação Profissional.

Dia do Acidente

Considera-se como dia do acidente, na ocorrência de doença profissional ou do trabalho, a data do


início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o dia de segregação
compulsória, ou o dia em que for realizado 0 diagnóstico, valendo para esse efeito o que ocorrer.

APLICAÇÃO

As prestações relativas a acidente do trabalho são devidas:

63
Direito da seguridade social

a. ao empregado, com exceção do doméstico, incluindo o empregado Urbano (CLT), o rural (Lei no.
5.889/73) e o trabalhador temporário (Lei n9 6.019/74);

b. ao trabalhador avulso;

c. ao segurado especial.

As prestações de acidente do trabalho não se observam ao médico residente que é considerado


autônomo pela Lei no. 6.932181. Não se podem estender ao médico residente as prestações de
acidente do trabalho, pois não há custeio para tanto (§ 5o. do art. 195 da Constituição). Destaque-se,
também, que a própria Lei no. 8.213 não trata do assunto. Além disso, as prestações de acidente do
trabalho não são deferidas a autônomos.

Não se aplicam os benefícios acidentários aos empregados domésticos, aos trabalhadores autônomos
e equiparados, aos empresários, aos segurados facultativos e aos dependentes dos segurados
mencionados, aos servidores públicos estatutários; no entanto, aplicam-se ao servidor regido pela CLT.
Aquelas pessoas não recolhem contribuição para custear o acidente do trabalho, não fazendo jus ao
respectivo benefício.

O fato de o empregado não estar registrado não implica a perda do direito ao benefício. 0 mesmo ocorre
se a empresa não recolhe as contribuições previdenciárias, pois o empregado continuará tendo direito
aos benefícios.

Se o empregado tem menos de 16 anos e mesmo assim presta serviços ao empregador, terá direito à
reparação pelo infortúnio, pois se há o trabalho não poderá ficar desprotegicio. 0 inciso XXXIII do art. 7 o.
da Constituição não pode ser interpretado em prejuízo do próprio menor. Assim, se o acidente do
trabalho ocorreu, mesmo tendo o empregado menos de 16 anos, é de se reconhecer o acidente do
trabalho e o pagamento do respectivo benefício.

Determina o art. 1o. da Convenção no. 19 da OIT, promulgada pelo Decreto no. 41.721, de 25-6-57, que
o país compromete-se a conceder aos nacionais de qualquer outro membro que tenha ratificado a
referida norma internacional, em relação a pessoas que forem vítimas de acidentes do trabalho
ocorridos em seu território ou em territórios sob sua dependência, terão o mesmo tratamento
assegurado aos seus próprios acidentes em matéria de indenização por acidente do trabalho. Isso
significa que será aplicada a lei brasileira ao estrangeiro.

COMUNICAÇÃO DO ACIDENTE

0 acidente deverá ser comunicado pela empresa à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao
da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável
entre o limite mínimo e máximo do salário-de-contribuição, sucessivamente aumentada nas
reincidências.

0 acidentado e seus dependentes receberão cópia da comunicação do acidente do trabalho, bem como
o sindicato a que corresponda a sua categoria.

Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus
dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública,
não prevalecendo nesses casos o prazo de comunicação anteriormente mencionado. A comunicação
eximirá a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do prazo. Ressalte-se que o inciso
XXVIII do art. 7o. da Lei Maior prevê o seguro contra acidentes do trabalho a cargo do empregador, sem
excluir a indenização a que este está obrigado nos casos de incorrer em dolo ou culpa.

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Direito da seguridade social

A obrigação de comunicar o acidente é da empresa e não do acidente não se podendo exigir deste,
como condição da ação judicial, a comunicação ao INSS. Para propositura da ação não há
necessidade de postulação Prévia na área administrativa.

Assim, o empregado não precisa trazer a CAT aos autos como Prova de notifiação do INSS quando o
empregador não cumpre a obrigação legal.

Somente se poderia entender como indispensável a juntada da CAT com a inicial quando o evento é
comunicado ao INSS pela empresa.

CARACTERIZAÇÃO DO ACIDENTE

0 acidente deverá ser caracterizado:


a) administrativamente por meio ao setor de benefícios do INSS, que estabelecerá o nexo entre o
trabalho exercido e o acidente;
b) tecnicamente, por intermédio da Perícia Médica do INSS, que estabelecerá o nexo da causa e
efeito entre:
i. o acidente e a lesão;
ii. a doença e o trabalho;
iii. a causa mortis e o acidente;
iv. judicialmente, por perícia determinada pelo juiz.

0 INSS anotará na CTPS do empregado o acidente do trabalho e os seus benefícios (art. 30 da CLT).

PERÍODO DE CARÊNCIA

Não há necessidade de período de carência para que o segurado possa perceber os benefícios
acidentários. A partir do momento em que o trabalhador passa a ter a condição de segurado, já tem
direito às prestações decorrentes de acidente de trabalho. Pode ocorrer, assim, que o empregado
venha a se acidentar no primeiro dia de trabalho na empresa, sem nunca ter contribuído para a
Previdência Social, por ser o seu primeiro emprego, tendo direito às prestações por acidente trabalho,
observados os requisitos da lei.

PRESTAÇÕES

O acidentado e seus dependentes têm direito às seguintes prestações:

1. quanto ao segurado: auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e auxílio-acidente;

2. quanto ao dependente: pensão por morte;

3. quanto ao segurado e dependente: serviço social e reabilitação profissional.


Poder-se-ia dividir as prestações de pagamento continuado em auxílio-doença, auxílio-acidente,
aposentadoria por invalidez e pensão.

O beneficiário em gozo de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e pensão por


morte tem direito ao abono anual (13o.salário dos aposentados)

CUMULAÇÃO

0 auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez, decorrentes de acidente do trabalho, não podem ser
acumulados com o auxílio-doença e qualquer aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social.

CÁLCULO

0 valor do benefício de acidente do trabalho será calculado com base no salário-de-benefício (art. 28 da
Lei no. 8.213/91). Não mais se adota a regra de que se deve observar o salário-de-benefício de acordo

65
Direito da seguridade social

com a média dos 36 salários-de-contribuição devidamente corrigidos ou o salário-de-contribuição da


data do acidente, o que fosse mais favorável ao segurado. No cálculo ~o entra o 13 o. salário, que não
faz parte do salário-de-benefício (§ 3o. do art. 28 da Lei no. 8.213).

Todos os salários-de-contribuição computados no cálculo do benefício serão corrigidos


monetariamente.

Esclarece a Súmula 159 do STJ que o benefício acidentário, no caso de contribuinte que perceba
remuneração variável, deve ser calculado com base na média aritmética dos últimos 12 meses de
contribuição.

Não se considera no cálculo de salário-de-benefício o aumento do salário-de-contribuição excedente ao


limite legal, inclusive o voluntariamente concedido nos 36 meses imediatamente anteriores ao início do
benefício, exceto se houver homologação pela Justiça do Trabalho, resultante de promoção regulada
por normas gerais da empresa, admitida pela legislação do trabalho, de sentença normativa ou de
reajustamento salarial obtido pela categoria respectiva.

A renda mensal dos benefícios por acidente do trabalho, como auxílio-doença, aposentadoria por
invalidez e pensão por morte, não poderá ser inferior ao salário mínimo.

0 benefício decorrente de acidente do trabalho não poderá ser inferior ao salário mínimo, tendo o
mesmo teto dos demais benefícios, pois depende da previsão legal.

EXAME MÉDICO

0 acidentado em gozo de benefício por incapacidade está obrigado, sob pena de suspensão do
benefício, a submeter-se a exame médico a cargo da Previdência Social, processo de reabilitação
profissional, por ela prescrito e custeado, e tratamento dispensado gratuitamente, com exceção do
cirúrgico e da transfusão de sangue, que são facultativos.

TRANSFORMAÇÃO

0 aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social que, tendo ou não retornado à atividade,
apresentar doença profissional ou do trabalho relacionada com a atividade que antes exercia, não terá
direito à transformação de sua aposentadoria em aposentadoria por invalidez acidentária, desde que
atenda às condições exigidas para a concessão desse benefício. Isso ocorre porque o art. 123 da Lei n.
8.213 foi revogado pela Lei no. 9.032/95.

RETORNO À ATIVIDADE DO APOSENTADO

0 segurado em gozo de aposentadoria por tempo de serviço, especial ou por idade, que permanecer ou
voltar a exercer atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social somente terá direito, em
caso de acidente do trabalho, à reabilitação profissional e ao auxílio-acidente, não fazendo jus a outras
prestações, salvo as decorrentes de sua condição de aposentado. Não fará jus então ao auxílio-doença
acidentário, nem a salário-maternidade pago pela Previdência Social.

Se o acidente do trabalho acarretasse invalidez ao aposentado, este poderia optar pela transformação
de sua aposentadoria em aposentadoria por invalidez acidentária. No caso de morte, seria concedida a
pensão decorrente do acidente do trabalho, quando mais vantajosa. Entretanto, o art. 123 da Lei no.
8.213 foi revogado pela Lei no. 9.032/95, não mais sendo permitidas tais situações de transformação de
aposentadoria.

NATUREZA JURÍDICA DA PRESTAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO

Com a Lei no. 5.316/67 o acidente do trabalho passou a ser uma prestação previdenciária. Não mais se
poderia falar que a prestação teria natureza privada, ou decorrente do seguro privado. Na verdade,
seria uma forma de seguro social, em que o benefício é pago pelo INSS. Não se trata de contrato de
seguro, mas :de prestação decorrente de lei, ex lege.

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Direito da seguridade social

Nas normas posteriores a orientação é a mesma, como se verificava da Lei ,no. 6.367/76 ou da atual
Lei no. 8.213191.

No acidente do trabalho, indeniza-se a incapacidade e não a lesão em si.

A legislação acidentária ampara lesões que impliquem redução da capacidade funcional do trabalhador
e não lesões estéticas. Danos estéticos devem ser postulados de acordo com a legislação civil.

PRESTAÇõES RELATIVAS A ACIDENTE DO TRABALHO

Auxílio-doença Acidentário

O auxílio-doença acidentário será devido ao acidentado que ficar incapacitado para seu trabalho por
mais de 15 dias consecutivos. Em relação ao trabalhador avulso, o auxílio-doença ficará a cargo da
Previdência Social a contar do dia seguinte ao do acidente.

A renda mensal do auxílio-doença acidentário é de 91% do salário-de-benefício (art. 61 da Lei no.


8.213). Nota-se que o porcentual não mais se aplica em relação ao que for mais favorável ao segurado,
mas sobre o salário-de-benefício.

O auxílio-doença será devido a contar do 169 dia seguinte ao do afastamento do trabalho em


conseqüência do acidente.

Os 15 primeiros dias seguintes ao acidente serão pagos pela empresa, inclusive o dia do acidente.
Quando o acidentado não se afastar do trabalho no dia do acidente, os 15 dias de responsabilidade da
empresa pela sua remuneração integral são contados a partir da data do afastamento.

Aposentadoria por Invalidez Acidentária

A aposentadoria por invalidez decorrente de acidente do trabalho será devida ao acidentado que,
estando ou não em gozo do auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho e insusceptível de
reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência.

Se a perícia médica inicial concluir pela existência de incapacidade total e definitiva para o trabalho, a
aposentadoria por invalidez será devida a contar da data em que o auxílio-doença deveria ter início.

A renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez acidentária será igual a 100% do salário-de-
benefício (art. 44 da Lei no. 8.213).

Estando o acidentado em gozo de auxílio-doença, o valor da aposentadoria Por invalidez será igual ao
do auxílio-doença se este, por força de reajustamento, for superior ao previsto neste parágrafo.

0 valor da aposentadoria por invalidez do segurado que, em conseqüência do acidente do trabalho,


necessitar da assistência permanente de outra pessoa, será acrescido de 25% e devido ainda que o
valor da aposentadoria atinja o limite máximo legal, sendo recalculado quando o benefício que lhe deu
origem for reajustado.

Em caso de falecimento do segurado, o porcentual de 25% não se incorpora à pensão, por ser
personalíssimo, dizendo respeito à necessidade de assistência Permanente de outra pessoa.

Ocorre necessidade de assistência permanente, na forma do Anexo 1 do Decreto no. 3.048, quando
houver:

• cegueira total;

67
Direito da seguridade social

• perda de nove dedos das mãos ou superior a esta;

• paralisia dos dois membros inferiores ou superiores;

• perda dos membros inferiores, acima dos pés, quando a prótese for impossível;

• perda de uma das mãos e de dois pós, ainda que a prótese seja Possível;

• perda de um membro superior e outro inferior, quando a prótese for impossível;

• alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e social;

• doença que exija permanência contínua no leito;

• incapacidade permanente para as atividades da vida diária.

Essas hipóteses são taxativas e não meramente exemplificativas.

0 início do benefício se dará a partir do 16o. dia após a constatação da invalidez. Assim, os primeiros 15
dias do afastamento ficarão por conta do empregador,

Na hipótese de o segurado aposentado por invalidez voltar a exercer atividade remunerada, de maneira
voluntária, acarretará, automaticamente, o cancelamento da concessão do benefício (art. 46 da Lei no.
8.213/91).

0 art. 122 da Lei no. 8.213 previa a possibilidade da transformação da aposentadoria comum em
aposentadoria por invalidez acidentária, se esta fosse mais vantajosa. Na prática, a opção pela
aposentadoria por invalidez acidentária era mais vantajosa, pois o segurado teria o coeficiente de 100%,
podendo optar pelo salário do dia do acidente. Tal critério deixa de existir, em razão de que o referido
artigo foi revogado pelo art. 82 da Lei no. 9.032.

Pensão por Morte Acidentária

A pensão por morte será devida aos dependentes do segurado falecido em conseqüência de acidente
do trabalho, a contar da data do óbito.

A renda mensal inicial da pensão por morte será de 100% do valor da aposentadoria que o segurado
recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento
(art. 75 da Lei no. 8.213). o valor da renda mensal não poderá ser inferior ao do salário mínimo, nem
superior ao do limite máximo do salário-de-contribuição. Não será, também, inferior à renda maiensal do
salário-de-benefício, independentemente do número de dependentes.

Será a pensão por morte devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou
não, a contar da data: (a) do óbito, quando requerida até 30 dias depois deste; (b) do requerimento,
quando requerida após o prazo previsto no inciso anterior.

Havendo mais de um pensionista, haverá rateio entre todos, em partes iguais, revertendo em favor dos
demais a parte cujo direito à pensão cessar.

A extinção da cota da pensão se dará:

• pela morte do pensionista;

• para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou ao
completar 21 anos de idade, salvo se for inválido;

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Direito da seguridade social

• para o pensionista inválido, pela cessação da invalidez, verificada em exame médico-pericial a


cargo da Previdência Social.

• o cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que recebia pensão de alimentos


concorrerá em igualdade de condições com os dependentes de que trata o inciso 1, do art. 16,
da Lei no. 8.213, que são o cônjuge, a(o) companheira(o) e o filho de qualquer condição, não
emancipado menor de 21 anos ou inválido.

• o segurado que falecer em razão de acidente do trabalho não outorga a seus dependentes duas
pensões: uma por acidente do trabalho e outra que seria a pensão comum, previdenciária.
Temos que o fato gerador morte dá direito apenas a um benefício. Se a atividade do segurado é
uma só, o benefício só pode ser um, pois o regime previdenciário não determina o pagamento
de duas pensões. Não foi intuito do legislador estabelecer dois benefícios, caso contrário o faria
expressamente. Inexiste violação ao inciso 1 do art. 201 da Constituição, pois tal dispositivo não
estabelece o pagamento de duas pensões, apenas menciona cobertura dos eventos de morte,
mas não determina o pagamento de duas pensões. 0 fato de haver fonte de custeio própria para
a prestação de acidente por parte do empregador não implica dizer que serão duas as pensões
concedidas, uma por acidente do trabalho e outra por morte. A proteção previdenciária é uma
só, o benefício, em conseqüência, também é um só.

0 parágrafo único do art. 122 da Lei no. 8.213 permitia a conversão da penSãO Por morte decorrente de
acidente do trabalho em pensão acidentária, se mais vantajosa. Esse critério não mais existe, pois o art.
8o. da Lei no. 9.032 revogou o referido art. 122 da Lei no. 8.213.

0 inciso VI do art. 124 da Lei no. 8.213 veda a acumulação de mais de uma pensão deixada por cônjuge
ou companheiro, ressalvado o direito de opção pela mais vantajosa.

Auxílio-acidente

0 art. 70 da Lei no. 5.316/67 previa o "auxílio-acidente", no caso de redução Permanente da capacidade
para o trabalho em porcentagem superior a 25%, quando não houvesse direito a benefício por
incapacidade ou após sua cessação, e independentemente de qualquer remuneração ou outro
atendimento. 0 auxílio-acidente seria mensal, reajustável na forma da legislação previdenciária,
calculado sobre o valor mensal igual ao do salário-de-contribuição devido ao empregado no dia do
acidente não podendo ser inferior ao salário-de-benefício.

O artigo 9o. da lei no. 6.367/76 dispunha que o acidentado do trabalho que, após a consolidação das
lesões resultantes do acidente, apresentasse, como seqüelas definitivas, perdas anatômicas ou redução
da capacidade funcional, constantes de relação previamente elaborada pelo Ministério da Previdência e
Assistência Social, as quais, embora não impedindo o desempenho da mesma atividade,
demandassem, permanentemente, maior esforço na realização do trabalho, faria jus, a partir da
cessação do auxílio-doença, a um auxílio mensal que corresponderia a 20% do valor mensal igual ao do
salário-de-contribuição, vigente no dia do acidente, não podendo ser inferior ao de seu salário-de-
benefício.

0 auxílio-acidente é previsto no art. 86 da Lei no. 8.213.

São verificadas várias denominações em relação ao benefício em estudo. Na Lei no. 5.316/67, a
denominação empregada era auxílio-acidente. Na vigência da Lei no. 6.367/76, o nome utilizado na
prática era auxílio suplementar. Atualmente, na Lei no. 8.213, volta-se a utilizar a denominação auxílio-
acidente.

0 auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após a consolidação das
lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem seqüelas que impliquem redução da
capacidade para o trabalho que habitualmente exercia (art. 86 da Lei no. 8.213/91). Verifica-se que a
condição para o recebimento do auxílio-acidente é a consolidação das lesões decorrentes do sinistro.
Sua natureza passa a ser de indenização, como menciona a lei, mas indenização de natureza
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Direito da seguridade social

previdenciária e não civil. Tem natureza indenizatória para compensar o segurado da redução da sua
capacidade laborai.

Mostra o art. 86 da Lei no. 8.213 que o acidente é de qualquer natureza, o que é bastante amplo, não
mais mencionando apenas acidente do trabalho ou doença do trabalho e doença profissional. Isso
evidencia que tanto faz se o segurado se acidenta no trabalho ou fora dele, pois terá direito ao auxílio-
acidente. Acidente de qualquer natureza tem de ser interpretado de acordo com a condição, mais
favorável ao segurado. Dessa forma, será pago o auxílio-acidente se decorrer: de acidente comum (de
qualquer natureza). Mesmo assim, só serão beneficiários da referida prestação os segurados
empregado, trabalhador avulso e especial.

0 auxílio-acidente mensal e vitalício corresponderá a 50% do salário-de-benefício do segurado (§ 1o. do


art. 86 da Lei no. 8.213). Assim, verifica-se que o pagamento do auxílio-acidente é mensal e será devido
enquanto o segurado acidentado viver. 0 benefício do auxílio-acidente é personalíssimo. Em caso de
falecimento do segurado, não será transferido para os dependentes.

Será o auxílio-acidente devido até a véspera do início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito
do segurado. 0 § 1o. do art. 86 da Lei no. 8.213 não az distinção quanto à espécie de aposentadoria,
que poderá ser acidentária, excepcional do anistiado, por tempo de serviço, idade, especial. Depreende-
se também da lei que o benefício cessa com a aposentadoria e com o óbito do segurado, não se
transferindo, portanto, para os dependentes.

Com a revogação do antigo § 4o. do art. 86 da Lei no. 8.213 pela Lei 9032, não é mais possível, se o
segurado falecer em gozo de auxílio-acidente, a incorporação da metade do valor do auxílio à pensão,
se a morte não resultar de acidente do trabalho. Agora, o auxílio-acidente não se incorpora à pensão,
no caso de morte do segurado que estava recebendo aquele benefício, em nenhuma hipótese.

Inexistem os porcentuais de 30%, 40% ou 60% decorrentes da redução da capacidade do segurado,


que eram previstos na redação original do § 1o. do art. 86 da Lei no. 8.213, mas apenas o porcentual de
50% sobre o salário-de-benefício. Atualmente, não se discute o grau de incapacidade, sendo o
porcentual único de 50%.

Nota-se das novas disposições do art. 86 da Lei no. 8.213, com a redação da Lei no. 9.528, que o
auxílio-acidente não tem natureza suplementar, como ocorria na Lei no. 6.367/76, nem complementar,
mas de forma a compensar, a indenizar o segurado pelo fato de não ter plena capacidade de trabalho
em razão do acidente.

Os beneficiários do auxílio-acidente são o empregado, o segurado especial e o trabalhador avulso (§ 1 o.


do art. 18 da Lei no. 8.213). Deixando o trabalhador de ser empregado, não terá direito ao auxílio-
acidente, pois o benefício depende de o trabalhador estar empregado. As exceções seriam o segurado
especial e o trabalhador avulso.

Os incisos 1 e 11 do art. 39 da Lei no. 8.213191 não prevêem o auxílio-acidente ao segurado especial.
Entretanto, o segurado especial contribui para o custeio das prestações de acidente do trabalho, o que
inclui o auxílio-acidente (art. 25, II, da Lei no. 8.212). Há expressa previsão do pagamento do auxílio-
acidente no § 1o. do art. 18 da Lei no. 8.213, que teve nova redação determinada pela Lei no. 9.032,
enquanto a redação do art. 39 da Lei no. 8.213 é a original de 1991. Prevalece, portanto, a redação do §
1o. do art. 18 da Lei no. 8.213, que é posterior à do art. 39 da mesma lei. Assim, tem direito o segurado
especial ao auxílio-acidente.

Será devido o auxílio-acidente a contar do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença,


independentemente de qualquer remuneração ou rendimento aufeirido pelo acidentado, vedada sua
acumulação com qualquer aposentadoria (§ 2o. do art- 86 da Lei no. 8.213). 0 auxílio-acidente pode ser
acumulado com o pagamento de salário ou outra remuneração do segurado. Entretanto, o benefício não
poderá ser acumulado com qualquer aposentadoria, pois o § 1o. do art. 86 da Lei no. 8.213 dispõe que o
auxílio-acidente é devido até a véspera do início de qualquer aposentadoria. Concedida esta, cessa o
auxílio-acidente. A jurisprudência anterior à edição da Lei no. 9.528 entendia sobre a possibilidade da
cumulação do auxílio-acidente com a aposentadoria, especialmente a por tempo de serviço e a

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Direito da seguridade social

especial, desde que a causa da aposentadoria fosse diversa da incapacidade. Agora, com a disposição
dos §§ 2o. e 3o. do art. 86 da Lei no. 8.213, com a redação determinada pela Lei no. 9.528, não é mais
possível a acumulação com qualquer aposentadoria.

Não prejudica a continuidade do recebimento do auxílio-acidente o pagamento de salário ou concessão


de outro benefício, exceto de aposentadoria (§ 3o. do art. 86 da Lei no. 8.213). Isso quer dizer que o
segurado poderá perceber salário-maternidade ou salário-família. Com a aposentadoria, porém, haverá
a cessação do auxílio-acidente. Não haverá a cumulação com o auxílio-doença, pois é com a cessação
do auxílio-doença que se inicia o benefício do auxílio-acidente (§ 2o. do art. 86 da Lei no. 8.213).

0 parágrafo único do art. 11o. da Lei no. 8.213 permitia que o segurado reabilitado pudesse receber
remuneração menor do que a da época do acidente, mediante compensação com o valor do auxílio-
acidente. A empresa, assim, Poderia pagar salário inferior ao que pagava anteriormente ao empregado,
pois havia per. missão legal, embora tal orientação contrariasse o inciso VI do art. 72 da Constituição,
que só permite a redução de salário por acordo ou convenção coletiva. o referido parágrafo foi revogado
pela Lei no. 9.032. Logo, o segurado não Poderá receber remuneração menor do que a da época do
acidente, nem poderá haver compensação com o auxílio-acidente recebido da previdência social.

Será vedada a cumulação de mais de um auxílio-acidente (art. 124, V, da lei no. 8.213). Se o
empregado tem mais de um emprego, só fará jus a um único auxílio-acidente.

A base de cálculo do auxílio-acidente não pode ser a aposentadoria, Porque esta é concedida com base
nos critérios da legislação previdenciária comum, enquanto o auxílio tem natureza acidentária, que deve
ser calculado com base no porcentual próprio sobre o salário-de-benefício (50%).

Em caso de o segurado ter de ingressar com ação para postular o auxílio-acidente, o benefício é devido
a partir da citação e não da data do laudo, pois passa a ser devido da data em que o réu tomou
conhecimento oficialmente da pretensão do autor, que justamente ocorre com a citação.

A perda da audição, em qualquer grau, somente proporcionará a concessão do auxílio-acidente quando,


além do reconhecimento de causalidade entre o trabalho e a doença, resultar, comprovadamente, em
redução ou perda da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia (§ 2o. do art. 86 da Lei no.
8.213). É preciso haver nexo de causalidade entre o trabalho e a doença. Inexistindo essa dependência,
não terá direito o segurado ao auxílio-acidente. Em certos casos, será difícil o segurado comprovar que
o nexo causal ocorreu no trabalho que desenvolvia, perdendo o direito ao benefício. Terá de provar
também a redução ou perda da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. Poderá ocorrer
de a perda da audição não importar na redução ou perda da capacidade para o trabalho, ficando
prejudicado o segurado, que não terá direito ao auxílio-acidente.

0 aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social que permanecer em atividade sujeita a este
Regime, ou a ele retomar, não fará jus a nenhuma prestação da Previdência Social em decorrência do
exercício dessa atividade, exceto ao salário-família e à reabilitação profissional (§ 2o. do art. 18 da Lei
no. 8.213, com . a redação da Lei no. 9.528). Não fará, portanto, jus ao auxílio-acidente, como previa a
redação do § 2o. do art. 18 da Lei no. 8.213, conforme a redação da Lei no.9.032195.

0 valor mensal do auxílio-acidente integra o salário-de-contribuição, para fins de cálculo do salário-de-


benefício de qualquer aposentadoria (art. 31 da Lei no. 9 8.213). Não há referência à integração para o
cálculo do auxílio-doença, pois com a cessação deste que se inicia o auxílio-acidente.

Pecúlio

0 pecúlio era devido ao segurado ou a seus dependentes, em caso de invalidez ou morte decorrente de
acidente do trabalho.

Consistia o pecúlio em um pagamento único de 75% do limite máximo do salário-de-contribuição, no


caso de invalidez e de 150% desse mesmo limite caso de morte.

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Direito da seguridade social

Com a edição da Lei no. 9.032, de 28-04-95, o pecúlio deixa de existir, pois foram revogados a alínea a,
do inciso III, do art. 18, o os arts. 82, 83 e 85 da Lei no. 8.213. A Lei no. 9.129/95 revogou o art. 81 da
Lei no. 8.213/91, ficando, de vez, extinto o pecúlio.

Abono Anual Acidentário

0 abono anual será devido ao segurado que receber durante o ano civil prestações de auxílio-doença
acidentário, auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez acidentária ou pensão por morte decorrente de
acidente do trabalho.

Será o abono anual calculado, no que couber, da mesma forma que a gratificação de Natal dos
trabalhadores, tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de dezembro de cada ano.

Não será pago em duas parcelas como o 13o. salário, mas apenas em uma Considera-se mês o período
igual ou superior a 15 dias.
O benefício deverá ser pago até o dia 15 de janeiro do ano seguinte ao do exercício vencido.

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