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Capítulo I: A Engenharia de Fundações

1- Conhecimentos necessários para o projeto e execução de
fundações
Geotecnia 
Geologia

de

engenharia:

em

regiões

extensas

e

desconhecidas o engenheiro de fundações pode identificar
problemas que deverão ser resolvidos por um geólogo 
Mecânica das rochas: para estruturas que transmitem
esforções para maciços rochosos é importante a participação
de um geólogo.

 Mecânica dos solos: o engenheiro de fundações deve
possuir sólidos conhecimentos dos seguintes tópicos: 

Origem e formação dos solos, 

Caracterização e classificação dos solos (parâmetros
físicos, granulometria, limites de Atterberg etc.), 

Investigações geotécnicas, 

Percolação nos solos e controle da água subterrânea, 

Resistência ao cisalhamento, capacidade de carga e
empuxos, 

Compressibilidade e adensamento e 

Distribuição de pressões e cálculo de deformações e
recalques.

Cálculo

estrutural:

o

engenheiro

de

fundações

deve

conhecê-lo sob dois aspectos. 

Para que possa dimensionar estruturalmente os
elementos da fundação e as obras que, em geral, são
necessárias a execução das fundações propriamente
ditas (por exemplo, um escoramento) 

Para

que

possa,

como

foi

dito,

avaliar

o

comportamento da estrutura diante dos inevitáveis
deslocamentos das fundações.

Vivência e experiência

Entenda-se por vivência o fato de o profissional projetar ou
executar inúmeras fundações, de diversos tipos e em condições
diversas, passando de um caso para outro baseado, apenas, na
sua própria observação do comportamento dos casos
passados, sem dados quantitativos.

A

experiência

seria

a

vivência

completada

quantitativos referentes ao desempenho da obra.

com

dados

Conhecimento do subsolo

Outro aspecto que deve ser assinalado diz respeito ao conhecimento
do solo, que fica restrito, quase sempre, ao que fornecem às
sondagens a percussão de simples reconhecimento.

Assim, pode-se dizer com segurança que, em nosso País, a técnica
das fundações não tem recebido o tratamento cientifico
adequado. Essa afirmação pode ser comprovada se se considerar
quão pequeno é o número de conceitos gerais, estabelecidos em
base científica, utilizados na técnica das fundações.

por outro lado. . de maneira inescrupulosa.O projeto de fundações. ou mais precisamente seu dimensionamento. pelo menos no presente. está calçado na utilização de correlações que são estabelecidas para determinadas regiões e extrapoladas para outras condições. "um mal necessário". as vezes. É necessário que seus autores sejam bastante explícitos e precisos na caracterização das condições em que foram estabelecidas e que. aqueles que vão utilizá-las o façam com critério. Tem-se que reconhecer que essas correlações são. comparando aquelas condições com as que têm diante de si.

o que é impossível. nem sempre é fácil conciliar as respectivas precisões (há casos em que o Engenheiro Estrutural impõe ao Engenheiro de Fundações um requisito de recalque zero. pois toda fundação.Importante atenção especial para dois pontos: • Uma vez que os problemas de Geotecnia apresentam um maior grau de incerteza que os de Cálculo Estrutural. ainda que sobre rocha) .

o que aconteceu em duas obras no Rio de Janeiro. enquanto encontrado). pois. que devem ser consideradas adequadamente (menciona-se. em que na primeira encontrou-se um número razoável de matacões que obrigaram a sucessivas mudanças de posição das estacas.• Devem-se evitar as generalizações. ambas em estacas metálicas. em terrenos vizinhos. cada obra apresenta suas peculiaridades. em Fundações. na grande maioria dos casos. na segunda nenhum matacão foi . como exemplo.

Podem ocorrer ganhos significativos na economia da obra. na Geotecnia. isto é. tem que aceitá-lo tal como ele se apresenta.CONCEITOS NA ABORDAGEM DE UM PROBLEMA DE FUNDAÇÕES • Verifica-se que. considerar as condições do solo do local. . com suas propriedades e comportamento específicos. de forma mais ampla. o profissional vai lidar com um material natural sobre o qual pouco pode atuar. Importante desde o inicio da concepção do projeto de uma obra. na Engenharia de Fundações ou.

. Entre eles.• Há. problemas que são inerentes a Engenharia Geotécnica e que levaram autores e pesquisadores a desenvolverem conceitos gerais que merecem uma maior divulgação entre os profissionais da especialidade. Risco Calculado e Método Observacional. destacam-se os Conceitos de Previsões. assim.

• Estimar a confiabilidade de cada uma de suas previsões. • Selecionar e executar ações baseadas nas previsões mais confiáveis. funcionalidade e economia do projeto.Previsões (Lambe. • Utilizar as previsões no projeto e na construção. 1973) E fácil compreender a importância das previsões na prática da Engenharia Civil. Qualquer tomada de decisão é baseada numa previsão. o engenheiro deve: • Identificar previsões que são criticas para a segurança. • Determinar as consequências das previsões. . Assim.

A seguir é apresentado o esquema do processo de previsão em Engenharia Geotécnica. .

com bastante proveito. conhecimentos de . pode-se utilizar. prospecção do subsolo. considerar as condições mais desfavoráveis. a fim de elaborar um modelo. tornar médias.Em geral. o processo será aplicado a um problema de fundações: o Determinar a situação de campo . Nesta etapa. ensaios de campo e de laboratório. o Simplificar . condições de vizinhos etc.a etapa em que o engenheiro colhe os dados de campo: topografia. a heterogeneidade e variação dos dados colhidos são de tal ordem que se é obrigado a eliminar dados.A título de exemplo.

o engenheiro deve determinar envolvidos exemplo. que no ele mecanismo caso. . o Selecionar método e parâmetros . o Determinar mecanismos .Nesta etapa. mecanismo de por um deslizamento é mais importante que o mecanismo de ruptura de uma sapata isolada. cabe estabelecer o método de análise desse mecanismo e os parâmetros do solo que serão utilizados. Smith.Fixado o mecanismo. embora os dois mecanismos devam ser analisados. pode Numa concluir ou mecanismos construção que o em estarão encosta. p. ex.Teoria das Probabilidades e Estatística (ver. 1986)..

devese fazer uma análise paramétrica. Para cada método escolhido. . cuja análise e interpretação conduzirão a etapa final do processo.o Manipular método e parâmetros para chegar a previsão. ter-se-á uma quantidade apreciável de resultados. Por exemplo. curvas carga-recalque-tempo constituem a melhor representação de comportamento de uma obra cujo processamento de recalques está sendo estudado.A representação ou o "retrato" da previsão dá ao engenheiro uma perspectiva e um entendimento do processo em estudo. o Representar a previsão . esta etapa é muito facilitada com a utilização de computadores e programas (comerciais ou preparados para casos específicos). atualmente. No final.

Classificações das previsões (Lambe. 1973) .

Risco calculado (Casagrande. a expressão "risco calculado" envolve dois diferentes aspectos: • O uso de um conhecimento imperfeito. orientado pelo bom senso e pela experiência. 1965) Para Casagrande. margem levando em de segurança conta fatores econômicos e a magnitude das perdas que resultariam de um colapso. para estimar as variações prováveis de todas as quantidades que entram na solução de um problema. . •A decisão adequada. com ou base grau de em uma risco.

considerando os possíveis efeitos combinados de: (1°) transmissão lateral de poropressões.O autor exemplifica com o seguinte caso fictício: um aterro a ser construído sobre argila mole. O limite inferior é baseado na experiência e no bom senso do projetista. O limite superior foi obtido de ensaios convencionais de laboratório em amostras indeformadas e de ensaios in situ de palheta (vane tests). . o projetista conclui que a resistência ao cisalhamento in situ pode variar entre 20 e 30 kPa. a qual reduziria a resistência ao cisalhamento média ao longo de uma superfície de deslizamento potencial. A partir das investigações. em consequência da estratificação da camada argilosa.

Se se tratar de importante barragem. ele poderá decidir adotar o valor bastante conservativo de 6 kPa. adotando uma ampla margem de segurança. cuja ruptura causaria uma catástrofe. ele estaria protegendo-se contra a ampla margem de incerteza. quando a argila e submetida a uma deformação cisalhante não drenada. Depois de estabelecer o intervalo de variação para a resistência ao cisalhamento.(2°) a redução da resistência em longo prazo. o projetista escolhe um valor característico (ou valor de projeto) que será utilizado em suas análises de estabilidade. o projetista poderia optar por instalar um certo número de . Para conseguir uma maior economia sem comprometer a segurança. Com isso.

o projetista poderia permitir um major risco de ruptura. poderia modificar o projeto se isso se mostrasse necessário (Método Observacional. utilizaria a obra como ensaio em verdadeira grandeza e. Consequentemente. com base nas observações piezométricas. Peck. Nesse caso. .piezômetros na camada de argila e elaborar um projeto inicial com uma margem de segurança bem menor. 1969). Se a obra fosse um aterro rodoviário para o qual uma ruptura parcial pouco representasse em termos econômicos. poderia utilizar uma resistência ao cisalhamento de 12 kPa.

Riscos humanos: A maioria dos riscos humanos. podem ser agrupados em: • Organização insatisfatória. . • Riscos calculados.Os riscos podem ser classificados em: Riscos de Engenharia: • Riscos desconhecidos.Classificação dos riscos . incluindo divisão de responsabilidade entre projeto e supervisão de construção. • Corrupção. • Uso insatisfatório do conhecimento disponível e do bom senso. tanto desconhecidos como calculados.

o que pode facilitar a corrupção. não ha uma nítida demarcação entre esses três grupos de riscos humanos.Frequentemente. quase sempre. a divisão de responsabilidade é. a causa do uso insuficiente do conhecimento disponível e do bom senso. . Em particular.

• Perdas financeiras toleráveis. provavelmente sem perda de vidas. • Sérias perdas financeiras.As perdas potenciais em obras de terra e fundações podem ser classificadas em: • Perdas catastróficas de vidas e propriedades. • Pesadas perdas de vidas e propriedades.Classificação de perdas potenciais . . sem perda de vidas.

ser observados e investigados. . através do qual podem. pelo menos. uma estimativa qualitativa da resposta de todos os solos e rochas quando submetidos às atividades convencionais das obras de Engenharia. então. Em outras palavras: é muito pouco provável encontrarem-se riscos desconhecidos. os conhecimentos atuais de Geotecnia permitem que se tenha. Na opinião de Casagrande.Riscos de Engenharia Riscos desconhecidos – São aqueles que são desconhecidos ate que se revelam em um acidente.

sob elevadas pressões confinantes. de argilas não drenadas.Riscos calculados . • Deslizamentos por liquefação em argilas extremamente sensíveis. . a longo prazo.Correspondem aos fenômenos para os quais a Geotecnia ainda não apresentou uma análise quantitativa satisfatória. incluindo enrocamentos. • Características tensão-deformação-resistência. Casagrande enumera os seguintes: • Deslizamentos por liquefação em solos granulares. • Características tensão-deformação-resistência em materiais granulares grossos.

• Características de estabilidade de argilas rijas e argilas siltosas muito plásticas. • Controle de fissuras transversais e longitudinais no núcleo de barragens de enrocamento de grande altura. • Efeitos de terremotos em barragens de terra ou enrocamento de grande altura. .

pelo menos. Seleção de parâmetros a serem observados durante a construção. 3.Método Observacional (Peck. 4. Estabelecimento do projeto com base em uma hipótese de trabalho de comportamento antecipado sob as condições mais prováveis. 1969. a natureza. a distribuição e as propriedades. . em geral. sem necessidade de detalhes. a Geologia desempenha importante papel. 1984) 1. 2. Exploração (investigação) suficiente para estabelecer. Avaliação das condições mais prováveis e dos desvios. em reação a essas condições. Nesta avaliação. e cálculo de seus valores antecipados com base na hipótese de trabalho. dos depósitos. mais desfavoráveis que se possa imaginar.

Cálculo dos valores dos mesmos parâmetros sob as condições mais desfavoráveis compatíveis com os dados disponíveis referentes ao terreno. 6. Medição de parâmetros a serem observados e avaliação das condições reais. 7. Seleção antecipada de um plano de ação ou de modificação de projeto para cada desvio significativo previsível entre os valores observados e os determinados com base na hipótese de trabalho. Modificação de projeto para adequação as condições reais. . 8.5.