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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO, CIÊNCIAS CONTÁBEIS E CIÊNCIAS
ECONÔMICAS

JIAN DE PAULA OLIVEIRA

OS PROGRAMAS DE INCENTIVOS FISCAIS FOMENTAR E
PRODUZIR: POLÍTICA VERSUS RENÚNCIA FISCAL

GOIÂNIA
2013

JIAN DE PAULA OLIVEIRA

OS PROGRAMAS DE INCENTIVOS FISCAIS FOMENTAR E
PRODUZIR: POLÍTICA VERSUS RENÚNCIA FISCAL

Monografia apresentada à Faculdade de
Economia da Universidade Federal de
Goiás, como requisito para conclusão do
Curso de Graduação em Ciências
Econômicas

Orientadora: Professora Dra. Sabrina Faria de Queiroz

GOIÂNIA
2013

Oliveira, Jian de Paula
Os programas de incentivos fiscais Fomentar e Produzir: política versus
renúncia fiscal / Jian de Paula Oliveira, Goiânia/GO:
FACE-UFG, 2013.
45f.
Monografia apresentada à Faculdade de Economia-UFG;
Campus Samambaia, 2013.
Orientadora: Dra. Sabrina Faria de Queiroz
Banca examinadora: Dra. Cláudia Regina Rosal Carvalho, Dr. Sérgio
Fornazier Meyrelles Filho.
1. Incentivos fiscais. 2. Fomentar. 3. Produzir. 4. Goiás.

JIAN DE PAULA OLIVEIRA

OS PROGRAMAS DE INCENTIVOS FISCAIS FOMENTAR E
PRODUZIR: POLÍTICA VERSUS RENÚNCIA FISCAL

Nota: ______

Monografia apresentada ao Curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Goiás,
para obtenção de título de bacharel em Ciências Econômicas, aprovada em _____ de
_________________ de 2013, pela Banca Examinadora constituída pelos seguintes
professores:

_______________________________________________________________
Orientadora: Profa. Dra. Sabrina Faria de Queiroz

______________________________________________________________
Profa. Dra. Claudia Regina de Rosal Carvalho

______________________________________________________________
Prof. Dr. Sérgio Fornazier Meyrelles Filho

frente à indústria nacional.RESUMO Os programas de incentivos fiscais. . que mesmo sendo necessário um grande esforço. são favoráveis aos programas. na medida sugerem o crescimento da indústria goiana. são analisados dados e indicadores que mostram a evolução da economia goiana. contribuíram para o desenvolvimento da indústria goiana. Para estes fins. enquanto ferramenta de desenvolvimento industrial têm bastante relevância no contexto da economia regional brasileira. de forma a compensar o incentivo que o estado outorgou às empresas neste período. Fomentar e Produzir. com vistas a desenvolver um parque industrial capaz de competir com o restante da indústria nacional. Produzir. As principais teorias que discorrem sobre o tema. vis-à-vis os valores concedidos pelo Estado em forma de incentivos. os programas citados foram de grande importância para o desenvolvimento da indústria goiana. Observou-se. que precisou utilizar esse tipo de política. As conclusões apresentadas. inclusive em Goiás. Goiás. por parte do Estado. PALAVRAS-CHAVE: Incentivos Fiscais. em incentivos. de modo geral. gerando uma grande concentração industrial na região centro-sul do país. Fomentar. O principal objetivo desta monografia é analisar. enquanto minimiza-se a deterioração da receita fiscal do Estado. se os benefícios concedidos através dos principais programas de incentivos fiscais do Estado de Goiás. ligam a necessidade desse tipo de política à forma como ocorreu o processo de industrialização brasileiro.

................ MOVIMENTOS DE CONCENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL......17 2..........................................................................................................2 Movimento de desconcentração industrial a partir de 1980..................................3 A reformulação do programa e sua substituição pelo Produzir............................4 1.......................................7 1..............3 A descentralização política e fiscal a partir da Constituição de 1988.....1 Movimento de concentração industrial (1930-1970).......40 BIBLIOGRAFIA...............................44 ....14 2.... CONSIDERAÇÕES FINAIS.17 2...................................................................................................................................7 1...........................2 As modificações do programa à partir dos anos 90..........1 A implantação do programa Fomentar............12 1.....SUMÁRIO INTRODUÇÃO........28 4. OS PROGRAMAS FOMENTAR E PRODUZIR.............. 25 3........................................................................ OS IMPACTOS DO PROGRAMA PRODUZIR.......................................20 2..................

e depois em políticas específicas para estimulação da indústria nascente. o Fomentar passou por algumas adversidades e sofreu modificações. que consistem basicamente na concessão de financiamentos de parte dos impostos devidos ao estado durante as operações das empresas. enquanto as economias mais periféricas ficaram à margem deste processo. que permitiu aos estados brasileiros uma maior autonomia no que diz respeito à captação e uso de recursos. buscando diminuir as falhas apresentadas pelo programa anterior. criando então em 1984 o programa Fomentar. para tornar este processo possível. . Nesse contexto surgiram os chamados programas de incentivos fiscais. Para isso foram necessários vários tipos de investimentos. Durante este processo. visando assim atrair novos investimentos industriais. até ser reformulado e substituído pelo Produzir em 2000. com a promulgação da constituição de 88. que é o principal instrumento utilizado para estas políticas. e cumprir os objetivos propostos de estimulo à indústria goiana. permitindo que estes elaborassem as suas próprias políticas regionais de desenvolvimento industrial. principalmente o ICMS.INTRODUÇÃO O processo de industrialização brasileiro se deu de forma tardia. A partir dos anos 80 houve uma descentralização fiscal no país. que algumas economias centrais conseguiram absorver este desenvolvimento. necessitando assim de políticas específicas para reduzir a dependência do mercado externo e estimular a produção industrial interna. Este tipo de política se tornou comum no Brasil a partir dos anos 80 e Goiás não ficou fora deste processo. Este programa visou o desenvolvimento da indústria goiana. as políticas nacionais de desenvolvimento se desenrolaram de tal forma. Este que tomou outras direções. Durante o tempo que esteve em vigor. primeiramente em infraestrutura básica.

durante o processo de industrialização brasileiro. de forma a compensar o incentivo que o Estado outorgou neste período. até a sua substituição pelo Produzir. e analisar os efeitos do Produzir sobre a indústria. e pesquisa bibliográfica.5 Este é um trabalho de cunho histórico. O trabalho parte da seguinte pergunta problema: Os benefícios gerados pelos programas de incentivos fiscais no Estado de Goiás. sua implantação. para o levantamento de dados estatísticos e informações em geral. além de detalhar o seu substituto. e a renúncia fiscal utilizada para tal efeito tenha sido minimizada ao longo dos programas. e analisar quais foram os benefícios destes programas frente à renúncia a que o Estado se impôs. o contexto da renúncia fiscal por parte do estado. Produzir. funcionamento e modificações. Para estes fins. Fomentar e Produzir. Os objetivos específicos do trabalho são: analisar o contexto no qual se formaram as políticas de incentivos fiscais em Goiás. as modificações sofridas a partir dos anos 90 até o final do programa no ano 2000. foram capazes de compensar a renúncia fiscal? A hipótese é que as políticas de incentivos fiscais desenvolvidas no Estado de Goiás contribuíram para o desenvolvimento da indústria goiana. o produto e o emprego no estado de Goiás. o método utilizado foi pesquisa exploratória. desde a sua implantação. com vistas a obter informações sobre as principais políticas de desenvolvimento industrial e os seus efeitos sobre a concentração industrial no Brasil. Detalhar o programa Produzir e suas principais modificações em relação ao Fomentar. Essa última buscou primeiramente contextualizar o histórico dos movimentos de concentração e desconcentração industrial. . comparativamente aos benefícios fiscais concedidos pelo Estado. suas adversidades. detalhar o programa Fomentar. O objetivo geral do trabalho é analisar se os benefícios concedidos através dos programas Fomentar e Produzir contribuíram para o desenvolvimento da indústria goiana. que visa detalhar o contexto do programa fomentar.

os empregos gerados durante este período. Os dados estatísticos foram buscados principalmente em sites de órgãos governamentais. Além desta Introdução. Por fim. o trabalho foi dividido em mais quatro partes. Depois é abordada sua reformulação e substituição pelo Produzir. e trabalhos anteriores. . visando complementar as análises em busca dos objetivos do trabalho. são analisados os principais efeitos do Produzir sobre a indústria goiana. e os valores concedidos em benefícios para as empresas beneficiárias. detalhar os programas Fomentar e Produzir. o crescimento do produto goiano. a seguir é abordado o processo de desconcentração industrial e reconcentração em direção ao interior do centro-sul do país. seus principais objetivos e funcionamento. Já no capítulo 3. são traçadas considerações finais sobre o tema. sites governamentais. bem como suas principais modificações em relação ao programa anterior.6 A pesquisa documental buscou detalhar através da legislação. Primeiramente é mostrada a implantação do programa Fomentar. frente ao produto nacional. e buscar informações complementares para a realização do trabalho. e finalmente a descentralização fiscal que permitiu a criação dos programas. Em seguida são abordadas as modificações ocorridas a partir dos anos 90. composto pelo processo histórico de concentração que favoreceu a criação dos programas de incentivos fiscais. bem como sua participação na indústria nacional. O capítulo 1. como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea e Instituto Mauro Borges – IMB. e seu histórico e modo de funcionamento. Primeiramente é abordado o histórico de concentração durante a formação industrial do país. No capítulo 2 são detalhados os programas Fomentar e Produzir.

MOVIMENTOS DE CONCENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL A partir da década de 30. Até o período da crise de 1929. o modelo de crescimento baseado no dinamismo ditado pelas exportações entra em crise. a economia brasileira era primário-exportadora. o primeiro 1 Os investimentos na periferia. sofrendo movimentos de concentração e desconcentração industrial. os investimentos na indústria brasileira foram atraídos principalmente para a região centro-sul do país. entre 1970 e 1985. Durante a recuperação da crise. A estrutura de produção baseada em grandes propriedades e grande escala. 2007). outras áreas produtivas do país1.1. uma vez que anteriormente não havia no país política governamental de industrialização. acabaram aumentando o grau de complementaridade com a estrutura produtiva instalada no eixo dinâmico. passaram a ser desenvolvidas no país políticas governamentais de desenvolvimento industrial. acarretando uma enorme fuga de capital do país e fortes desvalorizações cambiais. 1. então. existia apenas um incipiente processo de industrialização onde havia algumas fábricas com base na atividade agropecuária (CANO. na tentativa de alavancar a indústria naqueles espaços que ficaram à margem do processo de industrialização brasileiro. O objetivo é compreender melhor como o país chegou a um nível de desigualdade regional tão elevado que exigiu de algumas regiões a implementação de uma política de crescimento regional. Neste capítulo será exposto o histórico da formação industrial brasileira. num processo de integração produtiva que acabou estimulando uma espécie de solidariedade entre regiões na medida em que o crescimento do centro gerava efeitos positivos na periferia. Durante esse processo. afetando então. (COSTA. Após o período de agravamento da crise de 1929. . propiciaram uma acumulação primitiva de capital considerável em São Paulo.1 Movimento de concentração industrial (1930-1970) A análise da concentração industrial parte da dinâmica nacional pós crise de 29. 2012). iniciou-se a chamada Industrialização Restringida.

ocorreu o que foi chamado de processo de desenvolvimento via substituição de importações. enxugou a capacidade ociosa industrial que teria sido gerada na década anterior e. . mas ao mesmo tempo renovando este mesmo problema devido às contradições geradas entre a necessidade de crescimento e uma barreira à importação.8 período de desenvolvimento industrial do Brasil. foi basicamente uma resposta às dificuldades encontradas no setor externo da economia. onde a dinâmica da economia passa a ser determinada pela demanda interna. com seus impulsos sendo gerados pelos desequilíbrios do mercado externo. um aumento da produção interna e um estabelecimento de um novo nível de preços relativos. A partir deste. segundo Bielschowsky (2010). do qual resulta uma série de modificações estruturais da economia. 41-42). a uma série de respostas aos sucessivos desafios colocados pelo estrangulamento do setor externo. associado à queda na capacidade para importar e à mudança na estrutura de preços relativos tornaram o país mais propício ao desenvolvimento e expansão da indústria nacional. Assim.PSI. os desequilíbrios gerados pelas restrições à importação. Nesta fase houve uma diminuição das importações. explica o surgimento do processo de substituição de importações: A nossa tese central é de que a dinâmica do processo de desenvolvimento por substituição de importações pode atribuir-se. Nesse mesmo sentido. Tavares (1972). essa recuperação a partir de 1933. A autora mostra que a adoção do Programa de Substituição de Importações . foram superados pela produção interna. durante o Primeiro Governo Vargas. o que acabou colocando o mercado interno como fator dinâmico principal da economia brasileira nos anos seguintes. p. ainda na década de 30. vão-se manifestando sucessivos aspectos da contradição básica que lhe é inerente entre as necessidades de crescimento e a barreira que representa a capacidade para importar (TAVARES. Ao longo desse processo. o que permitia solucionar o problema de insuficiência de divisas. 1972. em síntese. através dos quais a economia vai se tornando quantitativamente menos dependente do exterior e muda qualitativamente a natureza dessa dependência. centrada na indústria. Segundo Cano (2007).

9 – 2. com a participação das demais regiões do país na produção nacional.4%).5 % da produção industrial brasileira em 1930. Minas Gerais (5. e para uma indústria concentrada em apenas algumas regiões do país. depois para 49% em 1949 e chegando a 52% entre 1955 e 1956. respondendo à crise no limite das suas forças. modernização e ampliação das suas bases produtivas enquanto na periferia nacional. Durante a grande crise.6%) e Nordeste (16% . A magnitude dessa concentração industrial pode ser analisada quando comparada a participação de São Paulo. a partir da década de 50. com a consolidação de vez. pois o mesmo dependia de divisas. até então. Neste primeiro período do processo de industrialização Brasileiro. A partir de então é implantado um processo de estímulo da indústria durante o Plano de Metas (1956 – 1960). com estrutura diversificada e lastreada nas mais desenvolvidas relações capitalistas de produção do país.5% da indústria brasileira. de São Paulo como principal centro industrial do país em função da sua . Essa fase. deixando esta sem competitividade. não foi vinculado a uma política que articulasse a indústria com os demais setores da economia. salvo raríssimas exceções. segundo Cano (2007).9%). conhecida por industrialização ampliada. dependente do investimento e da proteção do Estado. 2007).9 O PSI. no período de 1919 a 1949 a participação na indústria era muito baixa: Centro-oeste (0. que estimulou por consequência a integração do mercado nacional. o centro do país se recuperou com avanço. passou para 41% em 1939. Enquanto isso. Aquele estado alcançou uma concentração de 37. obsoleta.6. A forma como foi conduzido o processo de industrialização contribuiu para um aumento da concentração de renda. se dá novamente por um processo de substituição de importações. antes do plano de metas. nas outras regiões. dentre outros (CANO. já em 1930.4% . houve uma tomada de direção no processo de desenvolvimento brasileiro. portanto. o crescimento econômico até então continuava muito fraco. quem mais se destacou dentro da economia nacional foi o estado de São Paulo. Em um segundo período.5%). Santa Catarina (1. voltada para a produção de bens de consumo não duráveis. apesar de fomentar o processo industrial do país. durante o Governo Juscelino Kubitschek.4% – 0. São Paulo concentrava 37. e quem gerava as mesmas era São Paulo.

Mas o Plano não se restringiu apenas à infraestrutura. foi considerada o marco que orientou a economia brasileira para sua internacionalização. Por sua vez. como cita Rabelo (2002). principalmente no que diz respeito à indústria siderúrgica e automobilística. Porém isto não seria interpretado como importação. 2002). Deste modo. para o favorecimento da implantação industrial. o Plano de Metas. 2012). criando um ambiente favorável à entrada de capital estrangeiro no país. O plano consistia em um conjunto de objetivos “metas” a serem alcançados em diversos setores da economia.10 crescente capacidade de acumulação de capital. a instrução foi uma maneira de obter divisas. Segundo Cano.Sumoc e pela política econômica do Plano de Metas é que a taxa de crescimento industrial saltaria para níveis ainda mais elevados. somente a partir da concretização dos principais investimentos estimulados pela Instrução 113 da Superintendência da Moeda e do Crédito . em . julgados também como necessários ao desenvolvimento do país (RABELO. (2007) mesmo a partir de 1953 surgindo algumas indústrias produtoras de bens de consumo duráveis e de produção. A Instrução 113 da Sumoc. sem onerar o balanço de pagamentos (CAPUTO. educação e indústria básica. Embora o Plano de Metas tenha colaborado fortemente para o desenvolvimento da indústria brasileira. de 17 de janeiro de 1955. como energia e transportes. instituído durante o governo de Juscelino Kubitschek estabelecia uma política clara de incentivo a indústria de bens intermediários e bens de capital. Essa instrução permitiu a importação sem cobertura cambial. e sim como investimento direto. introdução de novas tecnologias e diversificação da estrutura produtiva (MONTEIRO. 2007). tendo a indústria nacional como assunto de suma importância. Algumas metas principais do governo englobavam os setores de infraestrutura. uma vez que o investidor estrangeiro teria participação societária na empresa nacional. O Estado atuou diretamente ou indiretamente a favor da instalação do setor de bens intermediários e de capital. além de outros setores como alimentação. de máquinas e equipamentos para completar ou aperfeiçoar os conjuntos já existentes. vale ressaltar.

2002. 48). e consolidando São Paulo como principal centro industrial do país a partir do Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek. iniciando durante a industrialização restringida e o programa de Substituição de Importações durante o Governo Vargas.6% da produção nacional em 1959. apenas 0. principalmente em São Paulo. (RABELO.11 seu estudo sobre a consolidação do capitalismo industrial no Brasil. esse movimento ocorreu na medida em que se instalavam as chamadas indústrias pesadas. Dessa forma.2% em 1970. esse período de expansão acelerada levou a um agravamento da concentração industrial na região centro-sul do país. 2007) Portanto. (CANO. se caracterizou por aprofundar a concentração industrial no Brasil. por exemplo. embora tenha apresentado crescimento. partia de um diagnóstico sobre os “pontos de estrangulamento” da economia nacional situados em três setores básicos: infraestrutura. o domínio de São Paulo passou de 48. mesmo diminuindo o ritmo chegou a 58. nem define metas com relação à distribuição espacial ou pessoal da renda.9% em 1949 para 55. atingindo ao final da implantação dos investimentos do Plano de Metas. que se aproveitou da matura indústria de autopeças já existente. E no período posterior. Já a região Centro-Oeste. indústria de bens intermediários e indústria de bens de equipamentos. Pode-se ver. O Plano não se preocupa especialmente com a agropecuária. p. nome oficial da política econômica de JK. o caso da implantação da indústria automobilística em São Paulo. Assim como concentração de renda. Segundo Cano (2007). devido a uma maior diversificação industrial que existia no local antes deste processo. no nível agregado da indústria de transformação. Assim. Dessa forma as regiões menos desenvolvidas industrialmente ficaram marginalizadas desse período de crescimento industrial.6% da produção nacional. a falta de preocupação com a distribuição de renda: O “Programa de Metas”. sua participação na indústria nacional continuava muito baixa. o período de 1930-1970. . os efeitos de encadeamento nessa região foram muito maiores que na periferia brasileira. Paraná e Rio de Janeiro também ganharam destaque com o crescimento durante o período.

os investimentos realizados no final da década de 70 ainda repercutiam. Mesmo não alcançando um padrão de crescimento. foram verificados alguns aspectos importantes e que sustentam a tese do movimento de desconcentração da indústria. evitando as deseconomias de aglomeração das grandes cidades. que se beneficiaram dos investimentos em papel e celulose. se modifica em meados dos anos 80. como consequência do esforço do setor exportador na economia. Segundo Pacheco (1999). Essas deseconomias derivaram do crescimento urbano-industrial nas grandes cidades. em paralelo ao desenvolvimento de novas economias de aglomeração em outros espaços urbanos. herdadas de investimentos do II PND (PACHECO. Pará e Maranhão. Primeiramente. e traziam consigo forte componente de desconcentração. assim as empresas buscaram fugir da menor disponibilidade de terrenos e maiores custos de instalação e operação dos grandes centros (PACHECO. como Espírito Santo.12 1. 1999). tem sido um tema constante em estudos atuais. A problemática da desconcentração industrial no Brasil. extrativismo mineral e siderurgia (PACHECO. verificado no período de 1930 a 1970. Esses fatores propiciaram o movimento de desconcentração industrial no Brasil. 1999). a partir dos anos 80. que ainda se fortaleciam nos anos 80. os investimentos gerados neste processo foram muito importantes para algumas regiões. dentre outras indústrias de bens intermediários. Em terceiro lugar. houve um crescimento da tendência de localização de novas atividades industriais fora das áreas metropolitanas. por exemplo. O primeiro ponto desse movimento de desconcentração .2 Movimento de desconcentração industrial a partir de 1980 O processo de concentração industrial. no início da década de 80. foram ampliadas as alternativas localizadas de dinamismo econômico. nas bases regionais da indústria brasileira. Esse fato pode ser exemplificado pela indústria química e de extrativismo mineral. da distribuição do capital pelo território. buscando verificar se ele tem continuado ou não. o analisar os movimentos da indústria brasileira na década de 80 e início dos anos noventa. Em segundo lugar. ou seja. 1999).

ficou mais restrita e este espaço do país. entre 1970 e 1985. Algumas das medidas adotadas foram os investimentos produtivos diretos. a fronteira mineral do Norte. Assim. Assim a participação paulista no emprego e na indústria caiu de 34% e 44% respectivamente. e o crescimento via incentivos fiscais no Norte e Nordeste do país. principalmente em cidades de porte médio. quando se reduz o papel do governo federal como principal articulador das políticas regionais. estas passam a ser elaboradas pelos próprios . segundo Paschoal. o milagre econômico. Embora o processo de desconcentração industrial tenha expandido a fronteira agrícola do Centro-Oeste. o país vivia um movimento de desconcentração industrial. A partir disso. facilitando assim a localização das indústrias em novas áreas. ficou constatado que o mesmo foi relativamente contido na Região Centro-Sul do país. o segundo ponto deste processo refere-se ao crescimento da infraestrutura econômica do país. A partir de 1984. com as chamadas deseconomias de aglomeração. Além disso. principalmente na região metropolitana de São Paulo em direção ao interior. investimentos em infraestrutura e políticas de incentivos fiscais. energia e comunicação tornaram o mercado brasileiro mais forte e unificado. 2001). a partir do qual houve um grande processo de crescimento industrial com desconcentração geográfica. 1996). o aumento dos custos na área metropolitana de São Paulo e o desenvolvimento de economias de aglomeração nas cidades de porte médio fizeram com que as cidades menores se tornassem mais atrativas à indústria do que a capital paulista. 1996). a atração de indústrias que levam a um maior grau de encadeamento para frente e para trás.13 industrial foi a reversão da polarização da área metropolitana de São Paulo. De acordo com Diniz e Crocco (1996). isso em um período de apenas 15 anos. e em algumas regiões próximas na região centro-sul do Brasil. para 28% e 29%. revertendo o quadro de concentração. (DINIZ e CROCCO. (PASCHOAL. Investimentos em transportes. Isso tudo como resultado de um ciclo expansivo da economia brasileira. (DINIZ & CROCCO. O que possibilitou esses primeiros movimentos de desconcentração industrial foi a atuação do Estado na economia. ao aplicar alguns tipos de políticas compensatórias. no início dos anos 80.

14 governos estaduais. durante o governo de José Sarney. A partir de então surgem algumas políticas nacionais na tentativa de reversão deste quadro. desconcentrar recursos e promover o desenvolvimento regional. que tinha por objetivo possibilitar um maior envio de recursos para pagamento da dívida externa. afirmando além da preocupação com o crescimento da renda e do emprego. Assim a economia brasileira é levada para um período de estagnação e inflação acentuada. a necessidade de fortalecer os estados e municípios. a partir de incentivos fiscais e financeiros. Segundo Diniz (1999). Neste contexto. Ao estudar os dados em relação ao emprego no país. ainda no final do Regime Militar. Primeiramente o III Plano Nacional de Desenvolvimento. agravando ainda mais a desigualdade de renda que já era verificada nos anos 70 (Senra. Os principais credores do país defendiam fortemente um ajuste estrutural. 2001). acontecendo o que é chamado de “desconcentração concentrada”. onde sua preocupação . 1. os estados fora da região Centro-Sul. Assim. 2009). surge o I Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova República. o autor verifica que este cresce no interior da Região Centro-Sul. excluindo a região metropolitana de São Paulo. da alta dos juros e da recessão norte-americana. passando a ser de cunho eminentemente regional. os investimentos voltam a se concentrar nas regiões mais dinâmicas do país. precisariam de políticas mais específicas para desenvolvimento da indústria local. (PASCHOAL. Logo após o final daquele regime.3 A descentralização política e fiscal a partir da Constituição de 1988 A década de 80 foi marcada pelos impactos decorrentes da segunda crise do petróleo. mas não fora dela. voltados para a atração de indústrias. neste período acontece ainda um processo de reconcentração industrial em direção à região centro-sul do país. e é neste contexto que este estudo analisa os impactos do programa de incentivos fiscais Fomentar/Produzir que foi realizado no Estado de Goiás para atratividade industrial.

1988). na década de 80 o planejamento nacional caiu em descrédito. duas delas são importantes para se entender melhor o federalismo. o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Neste mesmo período houve o fim do regime militar. p. enquanto a primeira forma evitou as reações . Esse aumento se deu de diversas formas. A primeira forma foi a transferência de alguns impostos federais para os estados. principalmente a do seu principal imposto. prefeitos e movimentos sociais. governadores. fiscal e administrativa. Segundo Senra (2009). juntamente com compromissos de melhorar os serviços públicos e de promover a distribuição da renda. a inflação e o fracasso dos planos de estabilização econômica contribuíram para o abandono dos planos de desenvolvimento. A Constituição de 1988 trouxe a ideia da redemocratização nacional. com prioridade absoluta. o único limite sendo a transferência de 25% para os municípios. A segunda forma de aumento das receitas subnacionais aconteceu a partir do aumento do percentual das transferências dos impostos federais que constituem os fundos de participação. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II . Deste modo. fiscal e administrativa e da “restauração” do federalismo. segundo Souza (1999).15 com o desenvolvimento regional está basicamente voltada para a Região Nordeste do país. A maioria dessas demandas recebeu tratamento especial na Constituição de 1988 (SOUZA.7). aumentando sua bases tributária. levando à promulgação da nova Constituição Federal de 1988. lutaram a favor da descentralização do poder público. com o objetivo de reverter as condições de subdesenvolvimento da região. De acordo com o artigo 155 da Constituição Federal: Art. 1999. e assim a descentralização política. Neste contexto. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (BRASIL. (BRASIL. 155.operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. 1986). A partir da descentralização fiscal proposta pela constituição a participação do governo federal na receita pública diminuiu e foram aumentadas as receitas dos municípios e estados da federação. A constituição também deu maior liberdade aos estados para determinar os critérios de cobrança do ICMS e total liberdade no que se refere ao uso desta contribuição. Segundo Souza (1999): A redemocratização traz consigo a bandeira da descentralização política.

pois o ICMS é o maior imposto em termos absolutos. 2001. Assim vários destes programas são instalados nos estados brasileiros. a partir da constituição de 1988: A gênese deste movimento centra-se na Constituição de 1988. a ter uma maior autonomia. Estevam (1997) destaca a importância dos incentivos fiscais para a implantação da agroindústria no Estado de Goiás: “A implantação da agroindúsnia em Goiás se deu em momento anterior com relação ao Centro-Oeste “quando os incentivos estaduais e a localização da capital federal constituíam fatores de atratividade de grande importância”. utilizando a liberdade sobre o uso e arrecadação do ICMS como instrumento. para a implantação da agroindústria. p. inclusive no Estado de Goiás. estabelecer concessões envolvendo o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. a segunda por sua vez. A adoção de incentivos fiscais passa a ser cada vez mais utilizada. utilizando o ICMS como arma para melhorar a competitividade do estado na atração de investimentos industriais. beneficia os estados economicamente mais frágeis. voltados para o desenvolvimento da indústria. visando atração de indústrias. pelos seus programas de incentivos fiscais. dentro dos parâmetros formulados pela legislação vigente. Goiás se destaca neste meio. para formulação de políticas voltadas para o crescimento econômico regional. inclusive. uma vez que sua fórmula de cálculo redistribui os recursos de acordo com o tamanho da população e a renda per capita. se aproveitando principalmente do forte setor agropecuário existente. que amplia a participação de Estados e de Municípios na receita tributária.16 contrárias dos estados economicamente mais fortes. Paschoal (2001) discute sobre o movimento dos programas de incentivos fiscais. sendo. Os estados passam então. permitindo a estes. .17). um dos fatores de atração de novos investimentos para seus espaços econômicos (PASCHOAL.

Durante o período em que o programa Fomentar esteve em vigor. água. foi criado em 1984.700. de 19 de setembro de 1973.2. a partir da qual se originou o Produzir. . associada ao início do II PND. O programa buscou assim. Em uma ação conjunta entre o Estado e os municípios. ISS e IPTU. Fomentar. Nesse capítulo serão descritos desde o aspecto da criação do programa. houve diversos obstáculos e modificações. concedendo isenções de impostos como ICMS. estimular investimentos capazes de alterar aquele quadro.1 A implantação do programa Fomentar O Fundo de Expansão da Indústria e Comércio do Estado de Goiás – FEINCOM foi o primeiro programa de incentivo à industrialização implantado em Goiás. amparado pela Lei nº 7. principalmente no que diz respeito à energia elétrica. programa que continua em vigor até esta data (2013). 2001). frente à força dos principais centros industriais brasileiros. O objetivo principal do FEINCOM foi a criação de uma infraestrutura básica. Esta lei. foram atraídas várias indústrias para Goiás. de acordo com os interesses do Estado e de investidores. até as suas necessárias modificações e a reformulação ocorrida em de 1999. 2009). promovendo um maior nível de industrialização da economia do Estado. estabeleceu incentivos à industrialização do Estado e criou o Conselho Superior de Prioridades para o Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás para colocar em prática a política de desenvolvimento industrial do Estado e fixar as normas para concessão de benefícios previstos pela lei (CHAVES. em prol dos seus objetivos. serviços de comunicações e estradas. visando garantir uma estrutura para o recebimento de novas indústrias. 2. sendo 90 projetos aprovados apenas no primeiro ano (PASCHOAL. OS PROGRAMAS FOMENTAR E PRODUZIR O principal programa de incentivos fiscais em Goiás. para combater o fraco poder de concorrência da indústria goiana.

como créditos orçamentários destinados pelo poder público ou rendimentos operacionais de cobrança de encargos financeiros. de 19 de julho de 1984. 1984). começavam a aparecer alguns programas voltados para o âmbito regional. Além do recurso do ICMS. por meio de projetos de implantação e expansão das atividades industriais. desde que não ultrapassasse o limite de 12% de todas as saídas registráveis no período de competência.  Apoiar o desenvolvimento das grandes indústrias consideradas de maior relevância social e econômica para o Estado. De acordo com a Secretaria de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás (2011). já no início do II PND. pequenas e médias empresas. apresentando os seguintes objetivos:  Incrementar as atividades industriais no Estado. Também associado ao movimento do II PND. o programa Fomentar foi criado com o discurso de promover o desenvolvimento industrial em Goiás.18 Assim. mas também a expansão das indústrias já existentes. por meio da Lei nº 9.489. de . foram definidas principalmente sobre o ICMS a ser recolhido das indústrias implantadas ou expandidas com o apoio do programa. foram definidas outras fontes de recursos secundárias para o programa. e que contribuam efetivamente para o desenvolvimento econômico de Goiás. preferencialmente do ramo da agroindústria. As fontes de recursos utilizadas para alcançar aqueles objetivos. principalmente no que diz respeito à introdução de infraestrutura básica visando atrair investimentos que fossem capazes de levar o crescimento econômico à regiões que não tinham grande atratividade para a indústria. com intuito de incrementar a implantação e a expansão de atividades que promovessem o desenvolvimento industrial do Estado de Goiás (GOIÁS. foi criado posteriormente o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás – FOMENTAR.  Apoiar técnica e financeiramente as atividades que promovam o desenvolvimento dos setores de micros. Segundo esse sistema as empresas ficariam temporariamente isentas de 70% do ICMS devido. Logo o programa visava não só a atração de novas indústrias para o Estado.

00. venda de terrenos a preço simbólico e apoio financeiro direto.007.4% a. o programa também reduziu o valor do ICMS sobre o faturamento mensal das empresas de 17% para 7%. 2009). o programa se mostrou um forte atrativo de investimentos para o Estado. ou seja. Na primeira parte do programa. entre 1985 e 1989.27. por meio de concessão de financiamentos para a implantação ou expansão de empreendimentos enquadrados no programa (PASCHOAL. sendo que destes.223. realização de obras de infraestrutura básica de interesse das empresas. pagariam 30% do ICMS mensalmente.a. e o seu pagamento seria efetuado mensalmente após esse período. 210 foram para a instalação de novas empresas. os outros 70% seriam o valor do incentivo fiscal. a integração do parque industrial de Goiás. O total de investimentos em capital fixo que foram projetados nessa fase do Fomentar foram estimados em R$ 939.19 reembolso de capital despendido e aplicação em títulos mobiliários dentre outros (PASCHOAL. Algumas outras formas de apoio fornecidas pelo governo foram a isenção de correção monetária (para os projetos aprovados até 31 de dezembro de 1998).176. foi cercado de uma série de questionamentos quanto à sua forma de atuação. passando pelo financiamento. o Governo de Goiás dava total apoio à implantação e expansão industrial. Além da isenção temporária do ICMS. para transações realizadas entre as empresas beneficiadas pelo Fundo. como Ordens de Provisão Financeira e Orçamentária. (CHAVES. promovia a integração entre as empresas beneficiadas.. Mesmo o programa se mostrando um forte atrativo para investimentos. Desta maneira. 2001). . Segundo a legislação inicial do Fomentar. elaboração e assessoramento de projetos e chegando à isenção temporária do ICMS. que teria seu recolhimento protelado pelo prazo de 5 anos. as empresas beneficiárias. e o total de benefícios outorgados no mesmo período foi de R$ 2. e com um prazo de mais 5 anos. desde o fornecimento dos recursos mais básicos. Sobre o valor total do débito seriam cobrados juros não capitalizáveis de 2. 2001).200. Além disso. o Governo de Goiás aprovou um total de 245 projetos. mas o montante total até o período de pagamento não seria acrescido de correção monetária. elaboração de projetos de edificações de obras.510. e da mesma forma.

questiona a real intenção inicial do programa: Assim.20 Segundo o exemplo hipotético. acabou por não ter nenhum fundamento. Portanto. com intuito de não cobrar efetivamente o valor do ICMS protelado (PASCHOAL. Assim. o programa sofreu uma série de modificações distanciando assim.. entre 1989 a 1993 no exemplo citado pelo autor. de efetiva renúncia fiscal. a ideia inicial de “empréstimo”. que era indicada na legislação. levava a que os 70% do ICMS devido pelas empresas beneficiárias se constituísse praticamente em isenção fiscal. desde o início da implantação do Programa. a legislação do Fomentar foi bastante modificada. Em um segundo período. a partir dos anos 90. Algumas mudanças como a inclusão das micro. as micro. a intenção era de isenção de 70% do ICMS devido por 5 anos. perto do valor corrigido. apresentado por Paschoal (2001). p. a primeira parte do programa ficou caracterizada pela real renúncia fiscal por parte do Estado. pequenas e médias empresas.2 As modificações do programa a partir dos anos 90 A partir dos anos 90. Deste modo. a ausência de correção monetária sobre o valor do benefício. como forma de atratividade de investimentos para a indústria goiana. isso sem contar com os juros praticados abaixo do valor do mercado. 54). levando à adoção de outras medidas. e não apresentava sinais de diminuição. a não cobrança de correção só pode ser entendida por qualquer analista econômico como intenção de desvalorização da dívida. verifica-se que o valor pago pelas empresas se torna irrisório. Paschoal (2001). dos seus objetivos iniciais.a. à medida que a inflação foi controlada no início dos anos 90. não foram contempladas com os seus benefícios. Na fase inicial do programa. Tendo em vista que no período da formulação do programa. Quando a correção monetária é aplicada sobre o montante do benefício de uma empresa hipotética. no período de pagamento. pequenas e médias empresas e os aumentos no prazo de fruição dos benefícios ganharam destaque neste período. o que dificultava muito a sua . tal expediente passou a não mais funcionar. a inflação girava em torno de 200% a. 2001. o que se evidencia é que. 2. Para nós. No entanto.

2001). Art. e com as normas legais do FOMENTAR. incentivar este tipo de empreendimento. tributárias.). conjugada com as determinações do artigo nº 179. estabeleceu algumas modificações na legislação inicial do Fomentar. A União. seguidas modificações na legislação reduziram ainda mais este prazo e aumentaram as taxas de juros. 1988). reduzindo a geração de empregos (PASCHOAL. Até a data de edição desta lei. aprofundando essa discrepância e levando à saída de um grande número de pequenas empresas do programa. assim definidas em lei. o financiamento de até 400 (quatrocentas) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional.180.21 concorrência com as grandes empresas beneficiárias e contestava a função social do Fundo. dentre elas aumentando o apoio às empresas de pequeno porte. O programa Fomentar se ajustou então à legislação. previdenciárias e creditícias. visando corrigir a prática até então adotada pelo programa. o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte. principalmente no que diz respeito ao prazo dos benefícios que era muito menor. II. dando a elas uma maior força para competir com as grandes empresas no mercado. para garantir a presença de empresas de pequeno e médio porte no programa. V. empresas de pequeno e de médio porte não eram contempladas. A lei nº 11. 2001. 56). mas isto se deu em piores condições que as das grandes empresas. Essas normas passaram a garantir às empresas em questão. que visava. tratamento jurídico diferenciado. estas só passaram a usufruir dos benefícios do Programa. os Estados. No que diz respeito ao prazo de fruição dos benefícios e ao prazo de protelação dos pagamentos. 179. de 19 de abril de 1990. (PASCHOAL. As empresas de pequeno porte passaram então a ter os mesmo benefícios das grandes empresas. mais juros não capitalizáveis. se tornavam mais intensivos em capital do que em trabalho. Além disso. p. quando da edição da Resolução nº 029/85 (fls. Essas . levando a um aumento dos prazos e por consequência do tempo de renúncia fiscal por parte do estado. 2001). uma vez que grandes empreendimentos que se utilizavam dos avanços da tecnologia de automação. 158/159. ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei (BRASIL. o que se faz com o total amparo da nova Constituição Federal. houveram constantes modificações na legislação do programa. visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas. no artigo nº 179. como ficou demonstrado no “Relatório de Auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Goiás”. Houve ainda outras alterações no programa. semelhantes aos estabelecidos para as demais indústrias (PASCHOAL. da Constituição Federal de 1988.

de 27/12/1991 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Até 10 (dez) anos para: empreendimentos situados na área abrangida pelo PRONORDESTE e AMAZÔNIA LEGAL. 4.000 habitantes. de 28/04/1986 Dispõe sobre o prazo de resgate dos benefícios do Tesouro Nacional Concede ao pagamento o mesmo tempo de fruição dos benefícios. Para indústrias com projetos que visam à redução de sua capacidade ociosa. 5 anos. pelo quadro abaixo: QUADRO I ALTERAÇÕES NOS PRAZOS DO FOMENTAR ENTRE 1985 E 1998 Decreto ou Lei 1. Para indústrias com projetos de expansão de sua capacidade instalada. de 22/02/1985 Conteúdo Dispõe sobre o prazo de utilização dos benefícios dentro do programa Efeito provocado no programa Concede 5 anos de prazo para utilização dos benefícios. Até 7 (sete) anos para: Indústrias estabelecidas em distritos industriais. mantidas pelo Estado de Goiás. com diferenciação de prazos para pagamentos de encargos. Lei nº 11. de 08/08/1990 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Ratificando para ambos o prazo de 5 anos 5. Investimentos industriais em municípios de até 20. Indústrias pioneiras no seu ramo de atividade. Decreto nº 2. 2.22 modificações se deram por meio da edição de 7 leis e 4 decretos entre 1985 e 1998. de 19/04/1990 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Até 10 anos para empreendimentos situados nas áreas da Amazônia Legal e 7 anos para as demais localidades. como foram apresentados por Paschoal (2001). Decreto nº 2. Lei nº 11.180.453. Até 5 (cinco) anos para: Indústrias não enquadráveis nas normas Anteriores.660. Projetos considerados de alta relevância para o desenvolvimento sócio-econômico do Estado de Goiás. ou seja. 3. Decreto nº 3. . Indústrias que destinam mais de 50% de suas mercadorias para venda no Estado. Indústrias que fabricam produtos sem similares no Estado de Goiás.579. Indústrias que pertencem a grupos que possuem 3 ou mais empresas amparadas pelo programa.503.

Lei nº 12.543. o meio encontrado pelo governo para isentar as empresas do imposto. de 10/07/1992 Fixa novos prazos para fruição dos benefícios e a nova pontuação a ser alcançada Até 10 anos: Conforme estipulado pela lei nº 11. de 19/04/1996 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Concede mais 5 anos para indústrias de autopeças e de tratores. 11. 10. Para indústrias que destinem mais de 50% de sua produção à venda no mercado interno do Estado de Goiás. adequação ou reformulação daquele anteriormente aprovado.822. levando o impacto a ser muito maior do que o de uma isenção de 5 anos. 7. E. de 13/01/1998 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Concede 20 anos de prazo para os demais setores beneficiados. Até 5 (cinco) anos: Para indústrias não enquadráveis nas normas acima.000 (mil) empregos diretos. ao longo de 13 anos. foi o aumento dos prazos. Lei nº 12. de 31/12/1998 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Concede 30 anos para os beneficiários do programa para fruição e resgate dos benefícios. (2001). a estes setores. Fonte: PASCHOAL. locais diversos de onde se encontram instaladas montadoras de automóveis e de tratores. Para indústrias pertencentes a grupo possuidor de 3 (três) ou mais estabelecimentos fabris amparados pelo Fomentar.425. de 27/12/1991 Até 7 (sete) anos: Para indústrias que ofereçam mais de 1. de 28/12/1994 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Estende os 15 anos às indústrias de tratores instaladas nos distritos industriais do Estado 9. 8. gradativamente. ou 60 anos no caso de a empresa utilizar dois benefícios. Decreto nº 3.660. . Lei nº 13. após a estabilização da inflação.23 6. Para indústrias que fabriquem produtos similares no Estado de Goiás. no entanto. de 15/08/1994 Fixa novos prazos de fruição e de resgate dos benefícios Concede 15 anos: para indústrias de autopeças instaladas em distritos industriais mantidos pelo Estado de Goiás. Lei nº 12. o Estado elevou o prazo de fruição e resgate dos benefícios de 5 para 30 anos. Lei nº 13. devem manter integrado.436.855. Deste modo. que contenham projetos novos de enquadramento.246.

Apenas as empresas que não tinham aplicado devidamente as cauções tiveram que desembolsar uma pequena parte do pagamento.662.220. grande parte dos pagamentos não ocorreu.32 entre os dois. a diferença entre o que era realmente devido e o que foi contabilizado.428. Outro fator responsável pela maior renúncia fiscal se deve aos créditos de ICMS gerados que deixaram de ser contabilizados. com mais 30 como prazo de pagamento.387. logo o fundamental era zerar legalmente esses débitos.654. pois os grandes passivos gerados às empresas impediam as mesmas de obterem financiamentos. foi observada uma diferença de R$ 193. com 89% de desconto para as empresas quitarem os valores devidos. dos R$ 773. após sua fase de transição para o Produzir. uma média mais de 100 projetos por ano.24 pois passou a se tratar de uma isenção de 30 anos. Esse desconto foi calculado para que as empresas conseguissem quitar as suas dívidas utilização apenas a calção que teria sido feita para adentrar ao programa.903. Além disso. No período de 1990 até o fim do programa em 2003. foi criado o leilão dos créditos de ICMS. enquanto na primeira parte do programa a ausência de correção monetária foi o gerador da renúncia fiscal. entre 1986 e 1994.671. arrecadando um total de apenas R$ 72. Segundo o Paschoal (2001). sendo destes. pago em grande parte com os créditos de CDBs. (PASCHOAL. foram aprovados mais 1320 projetos. 689 para instalação de novas empresas. sendo estimado em um total de R$ 34. Deste modo.133.07 devidos pelas empresas em 1999. no que diz respeito à atração de investimentos essa segunda fase do programa se mostrou ainda mais forte que a anterior. A partir daí. no segundo momento a não contabilização de cerca de 90% dos créditos de ICMS nos dá a indicação de que o governo continuaria no regime de renúncia fiscal.849. e os outros 1% de desconto se devem ao fato de que essa calção deveria estar aplicada em Certificados de Depósito Bancário . .CDBs. Mesmo com os problemas citados. O valor do benefício concedido pelo estado foi exorbitante neste período.03 (CHAVES. ou seja.642.47. 2001). R$ 626. 2009). Deste modo.80 foram levados a leilão. quando realizaram a correção monetária do ICMS devido e das Ordens de Provisão Financeira e Orçamentárias.954.

6 bilhões de reais em 13 anos. buscando transformar Goiás em um polo industrial de crescente importância. e ao mesmo tempo diminuir as desigualdades sociais e regionais. Como um projeto de reformulação da política anterior. tanto no cenário nacional. (CHAVES.591. Assim. 2009) Uma das modificações importantes no programa é a nova tentativa de inclusão das empresas de pequeno porte. desde que o faturamento não ultrapasse o limite fixado para o enquadramento no mencionado regime.25 Embora a segunda fase do programa tenha sido novamente um sucesso para a atração de investimentos. regional e ambiental. de 18 de janeiro de 2000. quando Marconi Perillo assumiu o Governo de Goiás. voltado para este tipo de empresa. Art. visando corrigir as distorções que aconteceram no programa Fomentar. e diversificar a capacidade produtiva. . 2. as distorções causadas pelo seu modo de funcionamento. estimular a realização de investimentos. surgiu a partir da Lei nº 13. considerado prioritário e que abrangerá as ações voltadas para as empresas industriais. criando a partir do art. mas continuando com o mesmo perfil de política de incentivo à industrialização via incentivos fiscais (MAIA. tentando assim dar uma real competitividade de mercado à indústria goiana.Fica instituído o MICROPRODUZIR. social. (GOIÁS. quanto internacional. do ponto de vista econômico. o Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás – Produzir. tendo os enormes prazos como vilões. 7º da lei do Produzir. sendo mais de R$ 5. surgindo então a ideia da criação de um novo programa. 7º . levaram o programa a ser reformulado a partir de 1999. o Produzir veio com objetivos mais fortes. 2005). 2000). um subprograma. a renovação das estruturas produtivas e usar essa expansão e modernização para um desenvolvimento sustentável. sendo depois substituído pelo Produzir. enquadradas ou não no Regime Simplificado de Recolhimento dos Tributos Federais.3 A reformulação do programa e sua substituição pelo Produzir Á partir de 1999. foi solicitada uma reformulação do programa Fomentar. gerar emprego e renda. subprograma integrante do PRODUZIR. dentre outros.

por meio de apoio financeiro.  TELEPRODUZIR (Lei nº. inclusive por trading company.919 de 04/10/2001) .839 de 15/05/01) – Prestação de assistência financeira destinada ao financiamento de parcela do custo do investimento realizado.Prestação de incentivo financeiro destinado a motivar investimentos privados para a construção da torre central do “Teleporto Parque Serrinha”.  TECNOPRODUZIR (Lei nº.186 de 27/06/02) .  COMEXPRODUZIR (Lei nº. 14. telecomunicação. Além do Microproduzir.Incentivar a instalação e expansão de empresas operadoras de Logística de Distribuição de produtos no Estado de Goiás.244 de 29/07/02) . 13. que poderiam financiar uma parcela maior do valor mensal do ICMS. teriam melhores condições de subsídios para realização dos investimentos. melhores encargos financeiros e diminuição da burocracia para se conseguir os benefícios. 14. a instalação. os principais foram:  CENTROPRODUZIR (Lei nº.  LOGPRODUZIR (Lei nº.26 Esse subprograma atuaria então com enquadramento diferenciado e privilegiado para as empresas beneficiárias. Concede um crédito outorgado de ICMS. eletroeletrônico e utilidades domésticas em geral. compensando o imposto devido pela empresa no valor de até 65% sobre o saldo devedor do imposto no período correspondente às operações internacionais. 13. segundo a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado de Goiás (2011). foram criados outros subprogramas visando o crescimento de áreas específicas que beneficiassem o programa. móvel.Apoiar operações de comércio exterior no Estado de Goiás. a ser apropriado na saída interestadual de mercadorias importadas. à empresa de telecomunicação que instalar unidade central de atendimento (call center) no Estado de Goiás. 13. realizadas por empresa comercial importadora. O incentivo consiste na concessão de crédito outorgado sobre o ICMS incidente sobre as operações interestaduais de transportes pela empresa operadora de logística. . no Estado de Goiás. que operem exclusiva ou preponderantemente com essas operações.844 de 01/06/01) – Visava Incentivar. de central única de distribuição de produtos de informática.

Primeiramente.4% ao ano e sem correção monetária. que aquela presente em 1984. s. os custos disso foram muito grandes. Outro aspecto importante do programa era sua preocupação com o desenvolvimento de ideias e capacitação profissional. no caso dos médios e grandes empreendimentos. encontrou uma planta industrial muito mais forte. com prazo para pagar até 2020. Já o Microproduzir. 2012). quando efetivado. Comparativamente ao Fomentar. apenas diminuir os exorbitantes prazos de protelação e pagamento concedidos pelo Fomentar. em segundo lugar. e embora os prazos concedidos pelo Produzir ainda fossem altos. instalada no Estado de Goiás. as empresas deveriam investir uma parcela do benefício. 2009). o programa não teve que lidar com o problema inflacionário. financiava até 90% do ICMS para as micro e pequenas empresas. em conjunto o Fomentar/Produzir foi eficiente na atração industrial. Assim. entre os anos de 2000 e 2011. e concedeu mais de R$ 150 bilhões em créditos para as empresas beneficiárias (SEPLAN. o PRUDUZIR. sendo essa corespondente a 10% do imposto devido em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A aplicação dessa parcela ficou sujeita a aprovação por parte da empresa de um Plano de Inovação Tecnológica Industrial – PITI e de um Plano de Capacitação de Recursos Humanos – PCRH (CHAVES. e/ou capacitação de recursos humanos (RH). mas embora os investimentos. . não se pode compará-los aos concedidos pelo antigo programa. que corroeu a dívida de ICMS das empresas beneficiárias da primeira fase do Fomentar. por suposto. O programa determinou que obrigatoriamente. com prazo de 5 anos e também com juros de 2. deveriam gerar mais renda e por consequência maior arrecadação.d). o Produzir atraiu quase R$ 32 bilhões em investimento fixo. Os outros subprogramas por sua vez financiavam uma média de 65% do ICMS para pagar até 2020 (PASCHOAL. Deste modo. Assim restou ao Produzir.27 O Produzir passou a funcionar então sob forma de financiamento de até 73% do imposto devido. o Produzir conseguiu reduzir algumas distorções. para Goiás.

d. estrutura do PIB goiano – 1999 a 2010/SEGPLAN (S. TABELA I ESTADO DE GOIÁS: ESTRUTURA DO PRODUTO INTERNO BRUTO . OS IMPACTOS DO PROGRAMA PRODUZIR Para analisar os efeitos gerados pelo programa Produzir.8% Serviços 65.0% Agropecuária 20.8%.5% 18. modificando assim a sua estrutura produtiva.8% do setor agropecuário e 59.).5% 27.0% 100.2% 62. foi realizada uma pesquisa exploratória. elevando assim a participação da indústria na composição do Produto Interno Bruto – PIB do estado.6% 12.d.d.0% 100.d.6% 28.2% 17.4% do setor de serviços.d.9% 59. Um dos objetivos dos programas de incentivos fiscais.2% 27.4% 59.0% 100.0% 72. 101. PIB industrial goiano e nacional – 1990 a 2009/IPEA (S.).1990 A 1997 Setor 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 PIB Total 100. valor adicionado industrial e agropecuário das cinco maiores economias goianas – 1999 a 2010/SEGPLAN (S. entre 1999 e 2010.5% 7.d. segundo Paschoal.3. .2% 27.).6% 10.8% Indústria 14. utilizando os seguintes dados: estrutura do PIB goiano – 1990 a 1997/Paschoal (2001).4% Fonte: PASCHOAL. até 1997 o programa Fomentar ainda não havia cumprido esse objetivo.0% 100.).). benefícios outorgados pelo Fomentar – 1985 a 2003/Chaves (2009). modernização e diversificação do setor industrial Goiano.0% 12.0% 100.5% 17. benefícios outorgados pelo Produzir – 2000 a 2010/SEGPLAN (2012).d.8% 11. número de admissões e desligamentos em Goiás – 2000 a 2008/IPEA (S. elaborados para o Estado de Goiás.0% 100. postos de trabalho ocupados em Goiás – 1999 a 2010/SEGPLAN (S.8% 59. taxa de crescimento do PIB – 1987 a 2010/IPEA (2013).0% 100. e arrecadação de ICMS do Estado de Goiás – 1995 a 2010/IPEA (S. uma vez que naquele período a participação na indústria no PIB goiano era de apenas 12. p.0% 74.). número de indústrias de transformação existentes em Goiás – 2006 a 2011/IBGE (2012). PIB das dez maiores economias goianas – 1999 a 2010/SEGPLAN (S. contra 27. contraposto aos efeitos do programa Fomentar.).5% 10. De acordo com o estudo apresentado por Paschoal (2001). era contribuir para a expansão. A tabela I mostra a estrutura do PIB do Estado de Goiás.0% 12. 2001.0% 71.

5% 14.9%.2% 25. Esse ritmo de crescimento se acentuou com a maturação dos projetos aprovados pelo Fomentar e com a criação do Produzir.7% 62. Além disso.5% 57. houve um pequeno ritmo de crescimento da participação do setor industrial. a composição do PIB neste período se mostrou bem diferente do que o apresentado na década anterior. o programa Produzir buscava elevar a competitividade de Goiás no cenário nacional. ultrapassou a participação do setor agropecuário. Assim. Dados: SEGPLAN/IMB.1999 A 2010 Setor 1999 2000 2001 2002 2003 2004 PIB Total 100% 100% 100% 100% 100% 100% Agropecuária 12. a participação da indústria era de 21. até chegar aos 12.1% Indústria 26.4% 23.3% 17.4% 58.9% 23. havendo crescimento em todos os anos que se seguiram.8% em 1997.7% 18.3% Fonte: Elaborado pelo próprio autor.1% no mesmo período.7% 63. chegando a 26.5% 27.5% para 14.1% 18.29 Ainda assim.0% Serviços 65. a tabela mostra que a participação do setor industrial no PIB. enquanto o setor de serviços pouco se modificou.0% 24. Em 1999. essa participação era de apenas 7.3% 11. fortalecendo a economia local e ao mesmo tempo buscando uma maior participação no produto brasileiro.2% 27.0% 26.0% 60.0% 26.0% 59.). que entre os anos de 1993 e 1997.8% 14.0% 59.0% 15. enquanto a participação agropecuária passou de 12. as modificações realizadas no programa Fomentar ao longo dos anos 90 surtiram algum efeito.0% 26.2% 62. A tabela III mostra a taxa de .4% 10.6% Serviços 60. Em 1993. com o setor industrial ficando a frente do setor agropecuário.d.9% TABELA II ESTADO DE GOIÁS: ESTRUTURA DO PRODUTO INTERNO BRUTO .0% 61.2% Indústria 21. no período de 1999 a 2010. Ela permite visualizar essa modificação na estrutura produtiva do estado.6% em 2010. (S.1999 A 2010 (CONTINUAÇÃO) Setor 2005 2006 2007 2008 2009 2010 PIB Total 100% 100% 100% 100% 100% 100% Agropecuária 13. sendo verificado então. A tabela II mostra a composição do Produto Interno Bruto de Goiás. No período analisado.0% 12.5% 57.0% 14. TABELA II ESTADO DE GOIÁS: ESTRUTURA DO PRODUTO INTERNO BRUTO .6%.9% 24.

15 5. durante o Produzir. o produto interno goiano correspondia a apenas 1.03 -0.53 -0. Já nos anos 2000. Esse crescimento da participação de Goiás no PIB se deve em parte ao crescimento da participação da indústria goiana no PIB industrial do país.33 4.24 5.13 0.47 7.76 0. TABELA III TAXA DE CRESCIMENTO DO PIB GOIÁS/BRASIL .79% do produto interno brasileiro.85 6. o Estado de Goiás não conseguiu manter grandes taxas de crescimento.64 4.01 2.16 3.99 0. Pode-se notar então que mesmo durante o programa Fomentar.75 5.66 1.53 Fonte: Elaborado pelo próprio autor. Assim Goiás alcançou uma maior participação no PIB nacional. à exceção do ano de 2009.30 crescimento do PIB do Estado de Goiás frente à taxa de crescimento do PIB Brasileiro entre 1987 e 2010. Dados: IPEA.42 2.47 4. sofrendo com grandes oscilações.09 5.93 8.43 2.83 1. Em 1985.46 6.19 3.71 3.64% em 2009. houve um grande salto dessa participação.67 5. chegando a 2.84 2.15 3. que mostra a evolução da taxa de participação do PIB industrial de Goiás no PIB industrial brasileiro.22 4.38 1.04 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 1. já a partir de 2000.18 3. .34 5.1987 A 2010 Ano Goiás Brasil Ano Goiás Brasil 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 2.96 6. foram mantidas altas taxas de crescimento.06 3. 2013.17 -0.33 7. onde mesmo assim a taxa de crescimento do PIB goiano foi maior que a nacional como em grande parte deste período.53% no início do programa Produzir em 2002.25 4.31 2.32 0.01 3. como observado no gráfico I. e continuou crescendo até 2.10 5.31 1.16 -4.35 1.32 4.71 1.38 0.

Paschoal (2001).72% 2.50% 1.d.31 GRÁFICO I .40% 1. Nesse período houve um grande salto da participação da indústria goiana no cenário nacional.32% 1.EVOLUÇÃO DA TAXA DE PARTICIPAÇÃO DA INDUSTRIA GOIANA NO PIB INDUSTRIAL DO PAÍS – 1990 A 2009 3.72% em 2009. (S.32% 1.44% 2.28% 2. laticínios e confecções).99% 1. conseguia atrair apenas indústrias de setores mais tradicionais (alimentos.13% 2. aquele Estado.11% 1.17% 0.00% 1.12% 2. No que diz respeito aos empreendimentos efetivados em Goiás. segundo o Cadastro Central de Empresas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.14% 1.50% 2.16% 2.50% 0. química e eletroeletrônica eram atraídas para os grandes centros urbanos do país. como aponta a tabela IV. O número de indústrias de transformação existentes no estado de Goiás de acordo com o seu ramo de atividade. Dados: IPEA.27% 2.00% 1. após as correções das falhas ocorridas durante o programa Fomentar através da sua substituição pelo Produzir. passando de 0.39% 0. enquanto os empreendimentos de maior integração inter-industrial.00% Fonte: Elaborado pelo próprio autor. . Seis anos após o início do programa Produzir.40% 1. que a principal alavancagem da indústria goiana se deu a partir dos anos 2000.78% 1.56% 1. Nota-se então.). e chegando a uma taxa de participação de 2. como as indústrias de máquinas e equipamentos. entre 2006 e 2011.99% em 1990 para 2.00% 2.30% em 2002. este quadro se mostrou um pouco diferente.30% 2.47% 1. conclui que até 1999.

. eletrônicos e ópticos 50 49 51 54 58 49 Máquinas.32 TABELA IV NÚMERO DE INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO EXISTENTES NO ESTADO DE GOIÁS 2006 A 2011 Setor 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Produtos Alimentícios 2612 2840 2800 2702 2882 2562 Bebidas 94 91 96 105 133 101 Fumo 11 16 7 8 9 9 Têxtil 275 298 336 371 429 440 Vestuário e acessórios 3718 3774 4065 4157 4526 4560 Artefatos de couro e calçados 469 495 511 500 527 541 Produtos de madeira 261 279 295 305 302 297 Papel. (2012). celulose e derivados 100 107 110 118 175 125 Impressão e reprodução de gravações 539 584 650 722 725 775 Biocombustíveis e derivados do petróleo 32 45 54 57 59 54 Química 271 289 310 338 370 362 Produtos farmoquímicos e farmacêuticos 56 68 61 68 68 56 Produtos de borracha e plástico 328 352 356 364 357 368 Produtos Minerais não-metálicos 872 943 992 1103 1206 1347 Metalúrgica 73 92 97 101 105 92 Produtos de metal 812 902 999 1082 1175 1266 Informática. aparelhos e materiais elétricos 70 77 79 81 81 101 Máquinas e equipamentos 187 192 209 227 241 267 Veículos automotores. reboques e carrocerias 162 170 181 192 212 223 Equipamentos de transporte 38 35 40 37 43 40 Mobiliário 619 625 647 683 756 833 Diversos 274 258 293 352 409 463 Manutenção e instalação de máquinas e equipamentos 373 418 498 600 672 746 Total 12296 12999 13737 14327 15520 15677 Fonte: IBGE – Cadastro Central de Empresas.

que em 1996. e ao fim de 2011 tem apenas 2562. foi observada uma maior diversificação produtiva. foi atrair indústrias. mas sem gerar concentração industrial. no período de 1999 a 2010. objetivando dotá-las de benefícios necessários ao seu desenvolvimento (Paschoal. como os situados no centro-sul do estado e como também àquelas áreas desprovidas de infra-estrutura. e a indústria de veículos automotores. com uma melhor distribuição espacial dos empreendimentos. as cidades que concentraram a maior parte dos investimentos do Fomentar. outros setores menos tradicionais cresceram. Outro objetivo buscado pelos programas de incentivos fiscais em Goiás. Enquanto isso. Fomentar e Produzir.92). Destacam-se os setores de máquinas e equipamentos. p. A tabela V mostra a evolução da participação dos municípios goianos no PIB estadual. chegou a ter 3470 estabelecimentos industriais instalados no Estado. foi verificado um aumento significativo do número de indústrias nos setores de maior integração. elevando o numero total de indústrias que passou de 9420 em 1999. Assim. Após o início do Produzir. segundo Paschoal (2001). como o observado por Paschoal. havendo até mesmo uma redução de um dos setores mais tradicionais da indústria goiana. . o setor de alimentos. Os dados sugerem uma contribuição da redução da participação do setor agropecuário no PIB do Estado para essa redução do número de indústrias de produtos alimentícios. Se comparado ao estudo realizado por Paschoal (2001). mostrando essa integração entre setores na economia goiana. contemplando municípios considerados ricos em recurso naturais. reparos e instalação de máquinas e equipamentos. para 15677 em 2011. onde foram compreendidos os estabelecimentos industriais no período de 1991 a 1999. ao longo dos programas foram criados cerca de 45 distritos agroindustriais para o recebimento de plantas industriais. 2001.33 No período de 2006 a 2011. acompanhado pelo setor de manutenção. segundo Paschoal (2001). são praticamente as mesmas apontadas pela SEGPLAN (2013) como as maiores economias de Goiás. O objetivo era levar a industrialização a um maior número de regiões. a indústria química. ou seja. foi verificado que o poder de concentração das 10 maiores economias de Goiás praticamente não se modificou. Mesmo com os esforços do governo para levar a industrialização a várias regiões.

64% 56.33% 5.12% 1.18% 2.27% Itumbiara 2.82% 3.04% 2.41% 27.57% 3.47% 2.68% 4.32% Jataí 2.17% 8.13% 2.70% 57.70% 57.67% 6.20% Luziânia 2.49% 2.71% 2.64% 4.05% Anápolis 5.71% 3.26% Catalão 4.00% 60.59% 2.02% 2.87% 6.26% 4.74% 4.38% 2.05% 2.66% 1.76% 4.66% 1.79% 2.40% 4. .32% 9.31% Aparecida de Goiânia 4.07% 25. a participação da capital ao longo deste período diminuiu.30% Embora as dez maiores economias de Goiás tenham mantido a concentração de cerca de 60% do PIB goiano ao longo de dez anos do Produzir.32% 4.).78% 1.00% 3.39% 2.45% 4.17% 2.46% 4.15% 5.51% 2.51% 2.06% 3.36% 4.21% 2. Rio Verde e Senador Canedo aumentam o seu poder de concentração.76% Anápolis 6.16% Fonte: Elaborado pelo próprio autor.80% 60.28% 30.17% 2.57% 5.67% Senador Canedo 1.16% 3.62% 7.01% 59.94% Rio Verde 3.07% Senador Canedo 3.83% 3.12% 3.41% 4.73% 4.47% 1.26% 2.73% 4.20% 3.36% 2. reeditando o que Diniz (1999) chamou em São Paulo de “desconcentração concentrada”.30% 2.97% 25.11% 25.86% 27.55% 3.72% 4. mas as outras cidades mais dinâmicas do estado.50% 2.11% 3.47% 3.72% 1.78% Jataí 2.75% 5.90% 2.80% 4.66% 4.72% 2.23% 28.59% 1.98% 4.98% 4.58% Catalão 2.76% 5.02% 3.80% 2.65% 2. como Anápolis.56% São Simão 1.28% Rio Verde 4. Em 1999.85% 24.13% São Simão 1.69% 2.71% 2.47% 2.05% Itumbiara 2.62% 1.76% 27.04% Total 60.34% TABELA V EVOLUÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DOS MAIORES MUNICÍPIOS GOIANOS NO PIB ESTADUAL 1999 A 2010 – (CONTINUAÇÃO) Cidade 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Goiânia 26.40% 2.65% 2. 61. Goiânia concentrava cerca de 32% do PIB goiano.66% Luziânia 2.25% 60.55% 2.31% Aparecida de Goiânia 3.81% 3.d.37% 5.47% 10.25% 3.46% 60. Aparecida de Goiânia.05% 4.59% 6. uma vez que na capital há um processo de desconcentração.37% 25. já no ano de 2010 passou a concentrar apenas cerca de 25%.42% Total 58.67% 2.00% 58.31% 3.73% 2.28% 4. Dados:SEGPLAN (S.34 TABELA V EVOLUÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DOS MAIORES MUNICÍPIOS GOIANOS NO PIB ESTADUAL 1999 – 2010 Cidade 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Goiânia 32.

TABELA VI RAZÃO ENTRE VALOR ADICIONADO INDUSTRIAL/VALOR ADICIONADO AGROPECUÁRIO 1999-2010 Cidade 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Anápolis 20.81 Catalão 7.33 150.19 101.92 3.62 4.71 146.84 0. como mostra a tabela VI. alterando as regiões de economias basicamente movidas pela agropecuária.60 102.d.66 9. estimulando a realização de investimentos.33 103. modernização e diversificação do setor industrial de Goiás.36 Aparecida de Goiânia 112.59 121.O PRODUZIR tem por objeto social contribuir para a expansão.50 Goiânia 123.62 138. (S.73 4. acontece no período em que o Fomentar se transforma no Produzir.35 2.05 76.08 2.08 0.54 Rio Verde TABELA VI RAZÃO ENTRE VALOR ADICIONADO INDUSTRIAL/VALOR ADICIONADO AGROPECUÁRIO 1999-2010 – (CONTINUAÇÃO) Cidade 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Anápolis 28.79 10.61 Goiânia 133.14 155. a renovação tecnológica das estruturas produtivas e o aumento da competitividade estadual.06 150.35 Outro fator importante a ser considerado é a proporção entre o produto industrial e o produto agropecuário nas principais economias goianas. um contínuo processo de industrialização.).31 126.06 41.64 2.46 19.81 22.19 36.01 0.28 88.06 119.36 18.55 4.94 63.78 20.36 85.64 52.81 1.88 Fonte: Elaborado pelo próprio autor.15 Aparecida de Goiânia 131.82 1.33 Rio Verde 2.80 55. onde são mais fortes os fatores de desconcentração industrial. conforme citado no artigo 2º da Lei 13.00 51.84 142. Art.17 1.59 76.31 142. Percebe-se então. que à exceção de Goiânia.35 4.89 7.591. .44 2.04 4. Dados:SEGPLAN. 2º . prevista na legislação do Produzir como um dos seus objetivos principais.06 119. de 18 de janeiro de 2000. com ênfase na geração de emprego e renda e na redução das desigualdades sociais e regionais (GOIÁS.48 9. para regiões com potencial industrial.09 7. 2000).78 148.94 Catalão 3.31 22. Um dos fatores mais importantes a serem analisados é a geração de empregos.

A tabela VII mostra o número de vínculos empregatícios ativos em Goiás no período de 1999 a 2011. comprovando a eficácia do Estado na busca pela criação de empregos. O gráfico II.672 2000 663. .313. No período analisado. TABELA VII POSTOS DE TRABALHO OCUPADOS EM GOIÁS .135. embora o objetivo de criação de empregos tenha sido alcançado com sucesso.230 Fonte: Elaborado pelo próprio autor. houve uma crescente variação do número de empregos ocupados no Estado de Goiás.310 2010 1.209.046 2009 1.822 2007 2008 1. colocando em prática os empregos previstos nos projetos aprovados pelo Produzir.443 827. Porém.824 944.039 2004 2005 872. o número de desligamentos também cresceu.1999 A 2011 Ano Postos de trabalho ocupados 1999 610.902 2001 730.641 2011 1. o número de empregos no estado cresceu mais de 100%.d.36 Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.426 1. Dados: SEGPLAN.061. segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED. (S.).385.608 2002 2003 781. mostra a evolução do número de admitidos e desligados em Goiás. entre 2000 e 2008.927 2006 992.

deixando o saldo de criação de empregos bem abaixo do esperado para o nível de concessões que foram realizadas durante o programa. Assim os resultados apresentados foram obtidos através de um grande esforço por parte do Governo de Goiás.1985 A 2003 Ano Valor (MIL R$) 1985 185.901 1990 1.167 413.706 279.943 1991 1.797 243.381 19.000 200. TABELA VIII BENEFÍCIOS OUTORGADOS PELO FOMENTAR .208 386.990 21.751 454.490.598 265.181 1995 2. os programas Fomentar e Produzir aprovaram juntos mais de 186 bilhões de reais em incentivos fiscais.153 47. Em busca destes objetivos.536 365.667 1989 607.751 1997 2. entre 1985 e 2003.557 Admissões 348.087 298. Dados: IPEA (S. que foi quando o Fomentar começou a trilhar este caminho.000 545. que o número de desligamentos cresce praticamente no mesmo ritmo do número de admissões.672 21.381.342 280.000 346.EM MIL R$ .347 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 0 Fonte: Elaborado pelo próprio autor.317.810 1993 1.345 498.404 380.807 292.253 31.605 300.685 309.061 41.135.000 300. outorgados pelo programa Fomentar.812 1986 289.597.106 Desligamentos Diferença 21.d.498 1994 3.).000 400.053 .529 37.000 100.574 1988 304.263 19.37 GRÁFICO II .710 500.015 1992 5.215 270.935 1996 842. a partir de 1985.EVOLUÇÃO DA ADMISSÕES E DESLIGAMENTOS EM GOIÁS 2000 – 2008 – EM PESSOAS 600.450.269 1987 619. Foi observado então neste período. A tabela VIII mostra o valor dos incentivos fiscais (em mil R$).832.

entre 2000 e 2010.024 Total 36.013 2002 22. Vale ressaltar que. 2009.138.356 Fonte: CHAVES.586 2009 6.481.038 1999 4. outorgados pelo programa Produzir. durante o ano de 2001. TABELA IX BENEFÍCIOS OUTORGADOS PELO PRODUZIR .411. durante os 18 anos de funcionamento. comparado ao Fomentar.709 2001 318.910. Dados: SEGPLAN. porém apena 3 deles.379 2004 10.757.820. segundo Paschoal (2001). em 2000.101 2007 41.221.600 2006 20. o que mais se destacou foi a partir dos anos 90. o programa concedeu um valor muito maior em benefícios em um curto período de tempo. grande parte dos incentivos fiscais concedidos pelo programa fomentar não foram contabilizados.886.083 2003 3.356 2005 16. somente no . Assim. em apenas 10 anos de funcionamento.537.636 2010 3.627 2002 1. o programa ganhou uma força ainda maior. quando o programa sofreu uma grande série de reformulações.108 2001 1.080 2000 3.237. mas alguns projetos do programa anterior ainda foram aprovados até 2003. O Produzir aprovou quase 150 bilhões de reais em incentivos fiscais. 2009). Após a reformulação que transformou o Fomentar em Produzir.047. o Fomentar foi substituído pelo Produzir. (2012). Sendo que dentro deste período. foram aprovados apenas projetos de expansão (CHAVES. foram para criação de novas empresas.EM MIL R$ 2000 A 2010 Ano Valor (MIL R$) 2000 142.400. Mas vale também ressaltar que.38 1998 4.164. O Fomentar aprovou um total de quase 37 bilhões de reais em incentivos. A tabela IX mostra o valor dos incentivos fiscais (em mil R$).933.327 Fonte: Elaborado pelo próprio autor.084 2008 32.637 Total 149. e nos anos seguintes. como dito anteriormente.262.213 2003 15.714.

que em 1999.977.560. TABELA X VALOR DO ICMS ARRECADADO PELO ESTADO DE GOIÁS .727. Explicando assim a grande discrepância entre os benefícios concedidos pelos dois programas.077.89 3.01 5.117.831.84 6.751.522.845. enquanto em 2010 foi arrecadado o valor de R$ 7.441.342. .538.759.00 em ICMS.810.37 4.574.00 1.759. Enquanto os benefícios repassados pelo Fomentar.00 1.196.916.086.91 3.00 2. entre 1995 e 2010.520.38 7.086.000. mostra os valores de ICMS arrecadados pelo Estado. foram concedidos.691. 1.845.135.807.00 1.142.958. a arrecadação de ICMS em Goiás aumentou cerca de 344%.282.50 2.902.447.57 6.691.96 4.269.d). A tabela X. segundo Paschoal (2001).88 Foi observado.311.560.345.1995 A 2010 Ano Valor (Em R$) 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: IPEA.182.511. o Produzir conseguiu minimizar a renúncia fiscal por parte do estado.66 2.150. Mostrando então que o programa conseguiu minimizar o efeito de renúncia fiscal que ocorria durante o programa Fomentar.705. (S.810. após dez anos do programa Produzir.450. ou seja.824.333. sob regime de praticamente isenção fiscal.914.00 1.810.729.390. o estado arrecadou R$ 1.39 período entre (1986 e 1994) estima-se que em média 91% dos créditos de ICMS gerados deixaram de ser contabilizados.88.077. desta maneira a arrecadação de ICMS do Estado de Goiás deu um grande salto a partir do ano 2000.608.737.241.910.078.

Como o Estado de Goiás apresentava um setor secundário fraco e de pequena dimensão. visando diminuir a dependência do país em relação ao mercado externo e desenvolver a indústria brasileira. Não se pode negar que os planos desenvolvimentistas contribuíram para o processo de desenvolvimento brasileiro. O primeiro programa com alguma expressão nesse sentido foi o FEICOM. A partir dessa fase. Essa tendência resultou no que Diniz (1999) chamou de um processo de desconcentração concentrada. Logo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A forma de condução do processo de industrialização brasileiro agravou as desigualdades regionais entre os anos de 1930 e 1970. para lançar as políticas de incentivos fiscais. excluindo-se as grandes metrópoles. que abriu as portas do incentivo fiscal em Goiás.4. A partir dos anos 80. principalmente devido ao crescimento da tendência de localização das atividades industriais fora das áreas metropolitanas. O PSI vigorou durante o governo Vargas. e foi adotado novamente na década de 50. essa desconcentração industrial se deu principalmente em direção às cidades do interior da região centro-sul. Em 1929 iniciava-se. Porém. . houve um agravamento da concentração industrial naquele período. no país. o panorama da concentração industrial brasileira se modificou. devido às deseconomias de aglomeração. o PSI. foi possível aos Estados utilizarem a liberdade sobre o uso e arrecadação do ICMS como principal instrumento para atração de investimento industrial. Porém. por meio do Plano de Metas. os estados que ficaram à margem do processo de industrialização brasileiro. Nesse contexto. ocorrida na década de 80. um processo de industrialização voltado para o mercado interno. tiveram que buscar outras formas de desenvolver seu setor industrial. principalmente em São Paulo. eles aproveitaram a descentralização fiscal. por meio de um modelo de desenvolvimento específico. ele aderiu a este movimento e passou a fazer uso de políticas que visassem o aumento e o crescimento do mesmo.

E mesmo crescendo o número de indústrias no estado. nem na participação do Estado no produto nacional. Assim o Produzir contribuiu para que a indústria goiana ganhasse maior dinamismo. então para uma maior participação do Estado de Goiás no PIB total brasileiro. os dados sugerem uma maior proximidade de chegar em grande parte dos objetivos que não foram alcançados pelo programa anterior. beneficiaram o empresariado em detrimento do Estado. Porém. os resultados são animadores. Além disso. Instrumentos como ausência de correção monetária. Logo. A indústria goiana também obteve um salto. foi efetivado em 1984 o Fomentar. Dessa forma.41 Para dar sequencia ao objetivo de industrialização. atraíram inúmeros investimentos industriais para o estado. não houve uma grande diversificação. para corrigir essas distorções apresentadas ao longo do programa. tomou um caminho diferente do programa anterior. o mesmo foi reformulado. Setores como produção de máquinas e equipamentos. corrigindo os efeitos da renúncia fiscal. assim os principais setores da indústria que cresciam eram aqueles tradicionais. de . Outro objetivo alcançado pelo programa foi uma maior diversificação das indústrias instaladas. Este. e consequentemente uma maior participação no PIB estadual. ocorreu um grande movimento de renúncia fiscal por parte do Estado. e então substituído pelo Produzir. No início do ano 2000. os quase 37 bilhões de reais concedidos em incentivos fiscais. contabilização a menor dos impostos devidos e leilões dos créditos de ICMS. a competitividade goiana frente aos outros estados brasileiros cresceu. por sua vez. e aumentando em 344% a arrecadação de ICMS do estado. uma vez que esta cresce a uma média maior que a nacional. principalmente indústria alimentícia. Essa evolução contribuiu. e embora ainda esteja longe de ser uma das maiores economias do país. durante o Fomentar. no que diz respeito a sua participação no PIB industrial do país. buscando incrementar a implantação e a expansão de atividades que promovessem o desenvolvimento industrial no Estado de Goiás. porém não há um grande indicativo de mudança no panorama da fraca competitividade da indústria goiana.

sendo este um dos principais requisitos para adentrar ao programa. por sua vez. Embora o Fomentar não tenha conseguido alcançar seus objetivos. a manutenção destes empregos é preocupante. o resultado não foi tão satisfatório. Enquanto isso. O Produzir. se realmente buscando desenvolver a indústria ou somente beneficiar o empresariado. os programas de incentivos fiscais Fomentar e Produzir. A principal ressalva quanto aos objetivos do Produzir pode ser feita em relação à geração de empregos. mostrando que a mudança de direção. contribuíram para o desenvolvimento industrial do Estado de Goiás. e contribuiu para uma melhora dos indicadores da economia goiana e da indústria. De acordo com os dados analisados. O número de desligamentos dos registros empregatícios tem crescido quase que na mesma proporção que o número de admissões. mesmo que atuando em regime de quase isenção fiscal. o que se observa é que a situação da concentração da indústria goiana apresenta o mesmo padrão que a indústria nacional. Quanto à desconcentração regional. do Produzir. setores mais tradicionais como o de produtos alimentícios mostraram uma regressão. e sua administração seja questionável quanto ao caráter dos mesmos.42 veículos automotores e indústria química tiveram crescimento satisfatório. tornando então questionável. uma vez que a concentração no principal centro produtivo tem reduzido. Embora o programa tenha sido eficiente quanto à criação dos mesmos. o programa ainda atraiu vários investimentos. fazendo com que o a política de incentivos fiscais goiana passasse a cumprir a sua função original. enquanto nas principais cidades do interior essa concentração tem aumentado. . serviu de base para que a implantação do Produzir fosse realizada com sucesso. explicada pelo maior crescimento da indústria em relação à agropecuária. Porém. tomada a partir de uma reformulação do programa anterior. foram realizados nas principais economias do estado. o caráter da criação destes empregos por parte das empresas beneficiadas. uma vez que grande maioria dos investimentos. cumpriu a grande maioria dos seus objetivos. E. compensando os esforços que o Governo de Goiás fez através dos incentivos fiscais. surtiu um efeito satisfatório.

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