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Apertem os cintos, o consumidor mudou!


2007-09-04 15:09:32 by João Carlos Caribé

Não se trata de uma nova versão da classica comedia pastelão, e sim de mais uma constatação de que o
mercado mudou e continua mudando numa velocidade cada vez maior. Os sinais estão por toda parte: Este
ano as verbas publicitárias digitais estão superando as mais tradicionais mídias, o mercado da comunicação
está mudando, os publicitários não entendem de internet e o consumidor fica cada dia mais sabido e
exigente, isto sem falar na quebra da comunicação corporativa por conta das redes sociais que ja são
usadas como potentes ferramentas de CRM.

O perfil do novo consumidor vem sendo traçado com frequencia, alias cada dia fica mais dificil traçar algum
perfil, o consumidor esta “derretendo” engordando a cauda longa que não para de crescer. Este novo
consumidor é a antintese do consumidor de massa do passado. Antes consumia-se para pertencer à uma
“tribo”, hoje também! Só que as “tribos” diminuiram e ficaram mais diversificadas.

O agente catalizador da evolução sempre foi a infomação, hoje temos isto de sobra, alias temos em
excesso. Com o advento da Internet cada consumidor de informação passa a ser um emissor de uma
comunicação em rede, um ambiente liquido, onde a informação pode ser fragmentada, reconstruida, fundida
e novamente fragmentada… No meio do ecossistema da nova comunicação, a publicidade é interpretada
como ruído e é descartada na primeira fragmentação, ou pior, muitas vezes totalmente descartada antes
mesmo de ser exibida.

Quem viveu os primórdios da Internet no Brasil deve lembrar como este mercado se comportava. Era um
imenso latifundio a ser explorado, projetos e ideias mirabolantes surgiam a todo instante, o espirito
empreendedor ganhava auras de desbravador, e a Internet parecia uma infidável mina de ouro. Vivemos
hoje entropia semelhante no mercado da comunicação, a diferença é que encontrar a formula ideal pode ser
a chave da sobrevivência em um futuro muito próximo.

Quebrando paradigmas

Tem muito profissional de comunicação que nunca vai entender o novo consumidor, e muito menos o que
houve com o mercado de comunicação. Não que ele não tenha capacidade intelectual para isto, ele não
conseguirá entender isto com os fundamentos teóricos e ferramentas usuais ele não possui uma vivência
que permita este entendimento, não faz parte da sua cultura. Muitos paradigmas precisam ser quebrados:

• Mídia - Esqueça mídia, para de pensar em mídia, pare de tentar tangibilizar um conceito que não se
aplica ao novo consumidor. Mídia simplesmente não faz sentido para um público que tem a
liberdade de escolher se quer ou não ser impactado pela propaganda. Lembre-se em tempos de
comunicação líquida, o meio é a mensagem.

• Internet não é midia - Internet não é midia, quem te disse isto? Internet hoje é um complexo
ecossistema social que chamamos de ciberespaço. Chamar a internet de mídia é subestimar a sua
capacidade, ela não chega a ser o metaverso em si, afinal ela esta muito presente no mundo real,
mas possui autonomia suficiente para sê-lo. Temos de “destangibilizar” nosso conceito de mídia, a
Internet congrega informações, serviços, lembranças e emoções, tudo em bits, tudo líquido.

• Internauta é mãe ! - Tratar um usuário de internet por internauta é uma forma de distancia-lo, é
trata-lo como um ser diferente. As interpretações podem ser desde uma forte dose latente do
emitente em tentar manter seu status quo, como a simples tentativa de rotular um grupo de
pessoas. Descontando a face emocional do discursso, sobra a ignorância. A nova cultura é a
cibercultura, é a cultura da geração conectada, que a cada dia expande tanto horizontalmente
quanto verticalmente atingindo indivíduos cada vez mais novos e mais velhos. Se sou um internauta
posso afirmar que em muito breve todos seremos, então os diferentes serão os desconectados.

• Vivemos cada vez mais conectados - Quem pensa que a internet fica no computador precisa rever
seus conceitos. Foi risível a matéria do Fantástico deste fim de semana, onde uma mãe
desesperada “desligou a internet” do filho viciado. Enquanto existir esta “guerra” entre o real e o
virtual vão existir interpretações tendenciosas como estas. O problema é psicológico, o vício poderia
ser em qualquer coisa. Mas voltando ao assunto, há muito a internet “saiu” do computador, hoje ela
é acessível por wap (celular), pelo telefone (VXML) e integrando soluções com dispositivos como o
RFID, além é claro da TV Digital que corre um sério risco de ser engolida pela IPTV. O certo é que
vivemos cada vez mais conectados, nossas casas, carros, eletrodomésticos e o que mais for
possivel imaginar estarão conectados.

Este artigo não tem a ambição de ser conclusivo, nem tem uma visão generalista, apenas tem por objetivo
apontar fortes tendências. Ele foi motivado por um artigo que retrata a visão de profissional que é muito
parecida com a minha, e como me resaltou o Gilberto Pavoni, ele possui a grife “Forrester Research”. Eu na
verdade pesquiso para montar a minha pequena agência que vai nascer mês que vem, mas construi um
background suficiente para um cargo executivo em uma grande agência. O futuro? Who Knows the future?