Sie sind auf Seite 1von 30

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 719.350 - SC (2005/0012879-0)

RELATOR

: MINISTRO LUIZ FUX

:

:

:

:

RECORRENTE

WHIRLPOOL S/A

ADVOGADOS

SAVIO DE FARIA CARAM ZUQUIM E OUTRO(S)

RECORRIDO

MARIA RITA GRADILONE SAMPAIO LUNARDELLI E OUTRO(S) INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

REPR. POR

PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA

RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 973.733/SC). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR/CEDENTE DE MÃO-DE-OBRA X TOMADOR/CESSIONÁRIO DE MÃO-DE-OBRA. ARTIGO 31, DA LEI 8.212/91. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA). PERÍODO POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO). RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.131.047/MA). AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE

(RESP 1.131.047/MA). AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 148, DO CTN, C/C ARTIGO 33, §

CÁLCULO. ARTIGO 148, DO CTN, C/C ARTIGO 33, § 6º, DA LEI 8.212/91. PROCEDIMENTO REGULADO POR ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. TAXA SELIC. APLICAÇÃO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PAGOS A DESTEMPO. LEI 9.065/95.

1.

ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia

ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009).

2. Nesse segmento, o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se

pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício

seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).

3. In casu, os fatos imponíveis atinentes à contribuição previdenciária (não declarada, nem

O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de

Superior Tribunal de Justiça

paga) ocorreram no período de novembro de 1991 a janeiro de 1999, tendo sido lavrado o ato de lançamento em 03.07.2001, razão pela qual se revela caduco o direito potestativo de constituição dos créditos anteriores ao ano de 1996 (vale dizer: de 1991 a 1995). 4. Destarte, remanesce a análise da insurgência especial atinente à responsabilidade tributária do tomador/cessionário de mão-de-obra no que concerne às contribuições

previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999, à luz dos disposto no artigo 31, da Lei 8.212/91.

5. Com efeito, o sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa física ou jurídica,

privada ou pública, a quem incumbe o dever jurídico de adimplir a prestação pecuniária equivalente ao tributo.

6. À luz do artigo 121, do CTN, tanto o contribuinte, quanto o responsável podem figurar

como sujeito passivo da obrigação tributária principal.

7.

O contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto

na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal,

ou destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN), ao passo que o responsável

tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto) não apresenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN).

8.

No que concerne à responsabilidade tributária, o artigo 128, do CTN, preceitua que:

"Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação , excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação."

9.

pecuniária devida ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos (artigos 134, 135 e

A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o cumprimento da prestação

137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818).

10. Quanto à extensão do dever jurídico imposto ao terceiro, a responsabilidade tributária

distingue-se em solidária ou subsidiária (em havendo co-obrigados) e pessoal, como bem

elucida doutrina abalizada:

"Será pessoal se competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação, desde o início (responsabilidade de terceiros, por infrações e substituição). Será subsidiária se o terceiro for responsável pelo pagamento da dívida somente se constatada a impossibilidade de pagamento do tributo pelo devedor originário. E, finalmente, será solidária se mais de uma pessoa integrar o pólo passivo da relação permanecendo todos eles responsáveis pelo pagamento da dívida." (Maria Rita Ferragut, in "Responsabilidade

Tributária e o Código Civil de 2002", 2ª ed., 2009, Ed. Noeses, págs. 34/35).

11. Acerca da obrigação tributária solidária, forçoso ressaltar que é de sua essência a

unicidade da relação jurídica tributária em seu pólo passivo, o que autoriza a autoridade administrativa a direcionar-se contra qualquer um dos co-obrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável), que responderá in totum et totaliter pelo débito fiscal.

Superior Tribunal de Justiça

12. Destarte, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que regem (ou regeram)

as relações jurídicas tributárias sub examine (atinentes a fatos imponíveis ocorridos entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999), a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s) pelo ente tributante legiferante e o grau da responsabilidade instituído entre os co-obrigados (contribuinte ou responsável).

13. Deveras, a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, determina que, no âmbito federal, o

orçamento da Seguridade Social (conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes

públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social) é composto das receitas das contribuições sociais, entre outras.

14. À luz do aludido diploma legal, as contribuições sociais são devidas pelas empresas

(incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço e incidentes sobre
(incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço e incidentes
sobre faturamento e lucro) e pelos trabalhadores (incidentes sobre o seu
salário-de-contribuição), entre outros.
15.
Além das contribuições sociais a seu cargo, compete às empresas a arrecadação e
recolhimento das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e trabalhadores
avulsos (artigo 30, da Lei 8.212/91).
16.
Nesse segmento, o artigo 31, da Lei 8.212/91 (em sua redação original), erigiu hipótese
de responsabilidade tributária solidária do contratante de quaisquer serviços executados
mediante cessão de mão-de-obra, no que diz respeito às contribuições previdenciárias
devidas pela empresa prestadora do serviços (incidentes sobre a remuneração paga ou
creditada aos segurados cedidos à tomadora) e àquelas que deveriam ter sido retidas dos
salários-de-contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos cedidos,
ressalvado o direito de regresso do contratante contra o executor e admitida a retenção de
importâncias garantidoras do cumprimento das obrigações previdenciárias.
17.
O aludido dispositivo legal, em sua redação primitiva, estabelecia que:
"Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de
mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o
executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto
quanto ao disposto no art. 23.
§
1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e
admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das
obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento.

§ 2° Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação, à disposição do

contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e

outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente de contratação."

18. A Lei 9.032, de 28 de abril de 1995, alterou a redação do § 2º, do artigo 31, da Lei

8.212/91, que passou a considerar, como cessão de mão-de-obra, "a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as

atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação" .

19. Outrossim, a Lei 9.032/95 inseriu os §§ 3º e 4º ao artigo 31, da LOAS, instituindo

hipótese de elisão da responsabilidade solidária, verbis :

da natureza e da forma

"Art. 31. ( (

)

)

Superior Tribunal de Justiça

§ 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se

for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços

executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura .

§ 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão-de-obra deverá elaborar

folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento ."

20. O § 2º, do artigo 31, da Lei 8.212/91, restou modificado, ainda, pelas Leis 9.129/95 e

9.528/97, que ora restringiram, ora ampliaram a definição da atividade de cessão de mão-de-obra para fins da legislação previdenciária.

21. A Lei 9.711, de 20 de novembro de 1998, por sua vez, reformulou inteiramente o artigo

31, da Lei 8.212/91, transmudando a responsabilidade solidária da empresa tomadora/cessionária de serviços de
31, da Lei 8.212/91, transmudando a responsabilidade solidária da empresa
tomadora/cessionária de serviços de mão-de-obra em responsabilidade pessoal, mediante a
instituição de hipótese de substituição tributária, verbis :
"Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de
mão-de-obra , inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor
bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o
dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da
empresa cedente da mão-de-obra , observado o disposto no § 5º do art. 33.
§
1º O
valor retido de que trata o caput , que deverá ser destacado na nota fiscal
ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da
empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à
Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço .
§
2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo
anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.
§
3º Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à
disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem
serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam
a natureza e a forma de contratação.
4º Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros
estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços:
§
I - limpeza, conservação e zeladoria;
II - vigilância e segurança;

III - empreitada de mão-de-obra;

IV - contratação de trabalho temporário na forma da Lei n o 6.019, de 3 de janeiro

de 1974.

§ 5º O cedente da mão-de-obra para cada contratante."

22. A novel redação do artigo 31, da Lei 8.212/91, somente produziu efeitos a partir de

deverá elaborar folhas de pagamento

distintas

1º.02.1999, ex vi do disposto no artigo 29, da Lei 9.711/98.

23. Assim, a Primeira Seção, em sede de recurso especial representativo da controvérsia,

consolidou a tese de que "a partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do

valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mão-de-obra" (REsp 1131047/MA, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 24.11.2010, DJe 02.12.2010).

24. Como de sabença, a aplicação da legislação tributária material obedece ao princípio

Superior Tribunal de Justiça

constitucional da irretroatividade, alcançando apenas os fatos jurídicos tributários ocorridos a partir de sua vigência que, por sua vez, condiciona-se aos pirncípios constitucionais da anterioridade geral e da anterioridade mitigada.

25. O Codex Tributário explicita, ainda, que não se aplica, ao lançamento tributário, a

legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha atribuído

responsabilidade tributária a terceiro (artigo 144, § 1º). 26. Conseqüentemente, os créditos tributários ora exigíveis (cujos fatos imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999) subsumem-se ao regime legal anterior à vigência das alterações introduzidas pela Lei 9.711/98, razão pela qual sobressai a responsabilidade tributária solidária do cessionário da mão-de-obra no período, o que

facultava ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo da obrigação tributária entre os respectivos co-obrigados, observada, entre outras, a possibilidade de o cessionário elidir sua responsabilidade acaso demonstrasse que o cedente comprovara o recolhimento prévio das contribuições sociais pertinentes (mediante cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento), quando da quitação da nota fiscal ou da fatura correspondente aos serviços executados.

27.

Os artigos 136 e 137, do CTN (que versam sobre a responsabilidade tributária por

do CTN (que versam sobre a responsabilidade tributária por infrações à legislação tributária), não conflitam com

infrações à legislação tributária), não conflitam com a responsabilidade tributária solidária instituída pela Lei 8.212/91 (com base no artigo 128, do mesmo código), máxime tendo em vista a conexão entre o nascimento da obrigação tributária solidária do cessionário e o descumprimento de seu dever de fiscalização da prestação pecuniária que deveria ter sido adimplida pelo cedente.

28.

In casu, restou assente na origem que:

"O que se observa no caso em tela é que a empresa impetrante, não tendo realizado as obrigações acessórias (§§ 3º e 4º, do art. 31, da Lei 8.212/91) relativas à fiscalização do pagamento das exações devidas pelas empresas que lhe prestavam serviços, não tomou ciência de que as mesmas não estavam cumprindo com suas obrigações perante o fisco.

Deveria a apelante, para eximir-se da instituída responsabilidade solidária, ter-se acautelado com a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias pelas empresas contratadas. Tornou-se, assim, conforme disposição legal, responsável solidária pelo débito, vindo a ser executada pelo INSS. ( ) Apuradas diferenças a menor no recolhimento da contribuição previdenciária, então, a autarquia poderia executar qualquer dos devedores, posto que cada um deles responde

in totum pela obrigação. Movendo-se contra a impetrante ao lavrar as NFLD's, resta apenas o

direito regressivo da apelante contra as empresas por ela contratadas, a fim de reaver, em ação própria, o montante que não era de sua responsabilidade. Destarte, ante o entendimento acima exposto, descabida qualquer alegação de impossibilidade de penalização por irregularidades cometidas pela empresa cedente de serviço, vez que cabia à empresa cessionária a fiscalização, sua obrigação acessória Não há qualquer mácula aos arts. 136 e 137, porque há disposição legal sobre a responsabilidade da empresa apelante."

29. Outrossim, a Administração Tributária pode proceder à aferição indireta ou arbitramento

da base imponível do tributo, nas hipóteses enumeradas no artigo 148, do CTN, verbis :

"Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração,

o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora,

mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não

mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial."

Superior Tribunal de Justiça

30. O artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, determina que, "se, no exame da escrituração

contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário" .

31. Destarte, a ausência de documentação que reflita, de maneira idônea, a realidade dos

fatos, autoriza a autoridade fiscal a proceder à aferição indireta das contribuições sociais devidas, desde que observados os princípios da finalidade da lei, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contribuinte, sendo certo, ainda, que a expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita.

A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na

32.

atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei

ACÓRDÃO MINISTRO LUIZ FUX Relator
ACÓRDÃO
MINISTRO LUIZ FUX
Relator

9.065/95.

33. Recurso especial desprovido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Arnaldo Esteves Lima, Benedito Gonçalves (Presidente) e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília (DF), 16 de dezembro de 2010(Data do Julgamento)

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 719.350 - SC (2005/0012879-0)

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Cuida-se de recurso especial interposto por WHIRLPOOL S/A (atual denominação social da EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A - EMBRACO), com fulcro na alínea "a", do permissivo constitucional, no intuito de ver reformado acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, cuja ementa restou assim vazada:

"CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Deve-se 2. autolançamento poderia ter sido efetuado. 3. 4.
"CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA.
1. Deve-se
2.
autolançamento poderia ter sido efetuado.
3.
4.

CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.

LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.

RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. LEI COMPLEMENTAR. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO. REGULAMENTAÇÃO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC.

dar em cinco anos a constituição dos tributos sujeitos a

lançamento por homologação, contados a partir da ocorrência do fato

gerador da respectiva obrigação, desde que haja, contudo, o 'pagamento antecipado'.

Inexistindo recolhimento, o INSS tem cinco anos para o lançamento de

ofício, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o

A empresa tomadora de serviços é igualmente responsável pelas

contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos

empregados das prestadoras dos serviços. O instituto da responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem.

A empresa tomadora de serviços deve lastrear-se das informações

relativas à fiscalização do pagamento das exações devidas pelas empresas que prestavam serviços, exigindo, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.

5. Apuradas diferenças a menor no recolhimento da contribuição

previdenciária, o INSS pode executar qualquer dos devedores, posto que cada um deles responde in totum pela obrigação. Movendo-se contra a

tomadora de serviços mediante a lavratura na NFLD, resta apenas o direito regressivo da apelante contra as empresas por elas contratadas.

6. Os arts. 7º, inciso XXVIII e art. 195, inciso I da Constituição federal

permitem a instituição de contribuição ao SAT por meio de lei ordinária,

não se fazendo necessária a lei complementar.

7. Os Decretos nºs. 356/91, 612/92 e 2.173/97, ao tratarem da atividade

econômica preponderante e do grau de risco acidentário, delimitaram conceitos necessários à aplicação concreta da lei nº 8.212/91, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma, nem violando princípios em matéria tributária.

8. A SELIC tem natureza jurídica de taxa remuneratória de capital,

englobando juros reais e correção monetária. Cabível a sua aplicação sobre tributos pagos em atraso, por força do disposto no art. 13 da Lei

Superior Tribunal de Justiça

9.065/95."

Noticiam os autos que EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A - EMBRACO impetrou mandado de segurança preventivo, em 05.07.2002, fundado no receio da prática de suposto ato ilegal e abusivo pelo CHEFE DO SERVIÇO DE ARRECADAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS EM JOINVILLE. Na exordial, alegou que: (i) em 03.07.2001, foram lavrados, em seu desfavor, notificações fiscais de lançamentos de débitos atinentes às contribuições previdenciárias devidas por empresas contratadas para prestação de serviços diversos (mão-de-obra terceirizada) durante o período compreendido entre 1991 e 1999; (ii) as NFLD's foram expedidas em face da impetrante, sob o fundamento de que não foram apresentadas as GRPS para fins de elisão da responsabilidade solidária a que estava sujeita até 31.01.1999; (iii) o fundamento dos lançamentos reportou-se ao disposto no artigo 31, da lei 8.212/91 (responsabilidade tributária pelo recolhimento da contribuição ao INSS das empresas contratantes de serviços de mão-de-obra terceirizada via contrato de cessão de mão-de-obra); e (iv) na seara administrativa, foram desprovidos os recursos manejados pela impetrantes, o que motivou a impetração do mandamus. Como causa de pedir, a impetrante pugnou: (i) pela decadência do direito à constituição do crédito tributário atinente às contribuições previdenciárias cujos fatos geradores ocorreram no qüinqüênio anterior ao ato de lançamento (ou seja, anteriores a 03.07.1996); (ii) pela inconstitucionalidade da responsabilidade solidária instituída pelo artigo 31, da Lei 8.212/91, ante a inexistência de qualquer vínculo trabalhista com a empresa de quem contrata os serviços ou com os empregados que executarão o serviço contratado; (iii) pela flagrante violação do artigo 128, do CTN, uma vez que a empresa tomadora do serviço não configura terceiro vinculado ao fato gerador da contribuição incidente sobre a folha de salários da empresa contratada; (iv) pela responsabilidade pessoal do agente que praticou o ato ilícito (ou seja, do prestador de serviços pelas infrações cometidas quando da prática da escrituração fiscal) à luz dos artigos 136 e 137, do CTN; (v) pela inconstitucionalidade das normas que instituíram a contribuição destinada ao SAT, quais sejam o artigo 22, II, da Lei 8.212/91, e a Lei 9.528/97; e (vi) pela inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic aos créditos tributários. Ao final, requereu a "improcedência das notificações fiscais" e a declaração de inconstitucionalidade, incidenter tantum , dos dispositivos legais inquinados.

incidenter tantum , dos dispositivos legais inquinados. Sobreveio sentença que concedeu parcialmente a segurança

Sobreveio sentença que concedeu parcialmente a segurança para:

"

decotar

35.305.054-7,

das NFLDs

nºs 35.305.048-2,

35.305.059-8,

35.305.060-1,

35.305.050-4,

35.305.061-0,

35.305.053-9,

as

parcelas

Superior Tribunal de Justiça

atinentes às competências até 12/95, eis que fulminadas pela decadência (CTN: art. 173-I). No mais, julgo improcedente o pedido extinguindo o feito forte no art. 269-I, do CPC, ressalvando as vias ordinárias em relação ao período de 01-01-96 a 11-10-96 para provar a impetrante que o INSS o autuou sem antes fiscalizar a cedente de mão-de-obra."

Interpostas apelações por ambas as partes, o Tribunal de origem negou provimento aos recursos voluntários e à remessa oficial, nos termos da ementa anteriormente reproduzida. No voto-condutor do acórdão recorrido, restou assente que: (i) o prazo decadencial, in casu , obedece o disposto no artigo 173, I, do CTN; (ii) não há se falar em prazo prescricional decenal, ante a inconstitucionalidade da norma inserta no artigo 45, da Lei 8.212/91, por versar sobre matéria reservada à lei complementar; (iii) revela-se inaplicável, à espécie, as disposições da Lei 9.711/98, tendo em vista as datas em que ocorridos os fatos jurídicos tributários (antes da égide da aludida lei); (iv) a observância da redação original do artigo 31, da Lei 8.212/91, impõe a aplicação do instituto da responsabilidade solidária ao tomador do serviço de mão-de-obra, uma vez não cumprido o dever instrumental de fiscalização do pagamento das exações devidas pelas empresas prestadoras de serviço; (v) o princípio da legalidade não se revela violado com a lavratura de lançamento por arbitramento (aferição indireta da base de cálculo ante a imprestabilidade da documentação apresentada pelo contribuinte) com base nas Ordens de Serviço 165/97 e 176/97; (vi) revela-se constitucional a contribuição destinada ao SAT, máxime porque a Lei 8.212/91 "define satisfatoriamente todos os elementos capazes de fazer nascer uma obrigação tributária válida" ; e (v) legalidade da aplicação da Taxa Selic aos créditos tributários.

da aplicação da Taxa Selic aos créditos tributários. Nas razões do especial, alega a recorrente que

Nas razões do especial, alega a recorrente que o acórdão hostilizado incorreu em violação: (i) do artigo 128, do CTN, uma vez que não se justifica a instituição da responsabilidade solidária prevista no artigo 31, da Lei 8.212/91, porque "as empresas tomadoras dos serviços contratados não têm qualquer vínculo com o fato gerador da contribuição incidente sobre a folha de salários das empresas contratadas , na medida em que NÃO EXISTE VÍNCULO DE NATUREZA TRABALHISTA ENTRE OS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E A RECORRENTE pois a relação empregatícia é personalíssima e exige dos empregadores a responsabilidade pelos riscos da atividade econômica e do pagamento das remunerações acordadas" ; (ii) dos artigos 136 e 137, do CTN, ao argumento de que as irregularidades apontadas no relatório fiscal das NFLD's referem-se à "prática de atos contrários às determinações legais realizadas única e exclusivamente pelas cedentes dos serviços contratados e que acabaram motivando a constituição dos créditos tributários em

Superior Tribunal de Justiça

face da recorrente" ("irregularidades contábeis e fiscais na emissão e recolhimento das referidas contribuições" ), sobressaindo, portanto, a responsabilidade pessoal do agente que praticou o ato ilícito (vale dizer, da empresa cedente da mão-de-obra). No particular, assinala que "questões circunscritas ao contribuinte originário, às quais os adquirentes dos bens, ou tomadores de serviços, são pessoas estranhas, e nem mesmo têm acesso - porque não lhes cabe o poder de polícia, de cunho fiscalizatório - competem exclusivamente ao poder público" ; (iii) do artigo 150, § 4º, do CTN, uma vez que o dies a quo do prazo decadencial, para o exercício do direito potestativo de constituição do crédito tributário, é a data da ocorrência do fato imponível; (iv) do artigo 97, do CTN, porque "não se pode admitir que o arbitramento da base de cálculo tenha se dado com base nas determinações das Ordens de Serviço do INSS nº 165/97 e 176/97, uma vez que estas dispuseram sobre matéria de competência exclusiva da lei"; e (v) do artigo 161, § 1º, do CTN, tendo em vista a inaplicabilidade da Taxa Selic aos créditos tributários.

a inaplicabilidade da Taxa Selic aos créditos tributários. O prazo para oferecimento de contra-razões decorreu in

O prazo para oferecimento de contra-razões decorreu in albis, tendo sido o recurso admitido na origem.

Em 06.09.2005, deu-se o sobrestamento do presente feito até o julgamento, pela Corte Especial, da argüição de inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei 8.212/91, suscitada pelo e. Ministro Teori Albino Zavascki, no âmbito do Agravo Regimental no Recurso Especial

616.348/MG.

A submissão do Recurso Especial 1.131.047/MA ao rito do artigo 543-C, do CPC,

manteve o sobrestamento do feito.

É o relatório.

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 719.350 - SC (2005/0012879-0)

EMENTA

RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 973.733/SC). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR/CEDENTE DE MÃO-DE-OBRA X TOMADOR/CESSIONÁRIO DE MÃO-DE-OBRA. ARTIGO 31, DA LEI 8.212/91. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA). PERÍODO POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO). RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.131.047/MA). AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 148, DO CTN, C/C ARTIGO 33, § 6º, DA LEI 8.212/91. PROCEDIMENTO REGULADO POR ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. TAXA SELIC. APLICAÇÃO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PAGOS A DESTEMPO. LEI 9.065/95. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). 2. Nesse segmento, o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico

10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Documento: 574862 - Inteiro Teor do Acórdão

Superior Tribunal de Justiça

Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).

3. In casu, os fatos imponíveis atinentes à contribuição previdenciária

(não declarada, nem paga) ocorreram no período de novembro de 1991 a

janeiro de 1999, tendo sido lavrado o ato de lançamento em 03.07.2001, razão pela qual se revela caduco o direito potestativo de constituição dos créditos anteriores ao ano de 1996 (vale dizer: de 1991 a 1995).

4. Destarte, remanesce a análise da insurgência especial atinente à

responsabilidade tributária do tomador/cessionário de mão-de-obra no

que concerne às contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999, à luz dos disposto no artigo 31, da Lei 8.212/91.

5. 6. 7. 8. preceitua que:
5.
6.
7.
8.
preceitua que:

Com efeito, o sujeito passivo da obrigação tributária principal é a

pessoa física ou jurídica, privada ou pública, a quem incumbe o dever

jurídico de adimplir a prestação pecuniária equivalente ao tributo.

À luz do artigo 121, do CTN, tanto o contribuinte, quanto o

responsável podem figurar como sujeito passivo da obrigação tributária principal.

O contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo

direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal,

direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN), ao passo que o responsável tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto) não

apresenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN).

No que concerne à responsabilidade tributária, o artigo 128, do CTN,

"Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação , excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação."

9. A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o

cumprimento da prestação pecuniária devida ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário:

Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818). 10. Quanto à extensão do dever jurídico imposto ao terceiro, a responsabilidade tributária distingue-se em solidária ou subsidiária (em

Superior Tribunal de Justiça

havendo co-obrigados) e pessoal, como bem elucida doutrina abalizada:

"Será pessoal se competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação, desde o início (responsabilidade de terceiros, por infrações e substituição). Será subsidiária se o terceiro for responsável pelo pagamento da dívida somente se constatada a impossibilidade de pagamento do tributo pelo devedor originário. E, finalmente, será solidária se mais de uma pessoa integrar o pólo passivo da relação permanecendo todos eles responsáveis pelo pagamento da dívida."

(Maria Rita Ferragut, in "Responsabilidade Tributária e o Código

Civil de 2002", 2ª ed., 2009, Ed. Noeses, págs. 34/35).

11. Acerca da obrigação tributária solidária, forçoso ressaltar que é de

sua essência a unicidade da relação jurídica tributária em seu pólo

12. co-obrigados (contribuinte ou responsável). 13. 14.
12.
co-obrigados (contribuinte ou responsável).
13.
14.

passivo, o que autoriza a autoridade administrativa a direcionar-se contra qualquer um dos co-obrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável), que responderá in totum et totaliter pelo débito fiscal.

Destarte, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que

regem (ou regeram) as relações jurídicas tributárias sub examine (atinentes a fatos imponíveis ocorridos entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999), a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s) pelo ente tributante legiferante e o grau da responsabilidade instituído entre os

Deveras, a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, determina que, no

âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social (conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social)

é composto das receitas das contribuições sociais, entre outras.

À luz do aludido diploma legal, as contribuições sociais são devidas

pelas empresas (incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço e incidentes sobre faturamento e lucro) e pelos trabalhadores (incidentes sobre o seu salário-de-contribuição), entre outros.

15. Além das contribuições sociais a seu cargo, compete às empresas a

arrecadação e recolhimento das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e trabalhadores avulsos (artigo 30, da Lei

8.212/91).

16. Nesse segmento, o artigo 31, da Lei 8.212/91 (em sua redação

original), erigiu hipótese de responsabilidade tributária solidária do contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de

mão-de-obra, no que diz respeito às contribuições previdenciárias devidas pela empresa prestadora do serviços (incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados cedidos à tomadora) e àquelas que deveriam ter sido retidas dos salários-de-contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos cedidos, ressalvado o direito de regresso do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias garantidoras do cumprimento das obrigações previdenciárias.

17. O aludido dispositivo legal, em sua redação primitiva, estabelecia que:

Superior Tribunal de Justiça

"Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23.

§ 1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante

contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2° Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação,

no

de

manutenção, vigilância e outros assemelhados regulamento, independentemente da natureza contratação."
manutenção,
vigilância
e
outros
assemelhados
regulamento,
independentemente
da
natureza
contratação."
18.
19.
(
"Art. 31. (
)
)
§

e

especificados

da

forma

A Lei 9.032, de 28 de abril de 1995, alterou a redação do § 2º, do

artigo 31, da Lei 8.212/91, que passou a considerar, como cessão de mão-de-obra, "a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação" .

Outrossim, a Lei 9.032/95 inseriu os §§ 3º e 4º ao artigo 31, da

LOAS, instituindo hipótese de elisão da responsabilidade solidária, verbis :

3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo

somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento

prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura .

§ 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da

mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento ."

20. O § 2º, do artigo 31, da Lei 8.212/91, restou modificado, ainda, pelas

Leis 9.129/95 e 9.528/97, que ora restringiram, ora ampliaram a definição

da atividade de cessão de mão-de-obra para fins da legislação previdenciária.

21. A Lei 9.711, de 20 de novembro de 1998, por sua vez, reformulou

inteiramente o artigo 31, da Lei 8.212/91, transmudando a responsabilidade solidária da empresa tomadora/cessionária de serviços de mão-de-obra em responsabilidade pessoal, mediante a instituição de hipótese de substituição tributária, verbis :

"Art.

31. A empresa

contratante

de serviços

executados

Superior Tribunal de Justiça

mediante cessão de mão-de-obra , inclusive em regime de trabalho

temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra , observado o disposto no § 5º do art. 33.

§ 1º O valor retido de que trata o caput , que deverá ser

destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço .

§ 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo
§
2º Na impossibilidade de haver compensação integral na
forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de
restituição.
§
3º Para os fins desta Lei, entende-se
como cessão de
mão-de-obra a colocação à disposição do contratante,
em suas
dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços
contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa,
quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
§
4º Enquadram-se na situação prevista no parágrafo
anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes
serviços:
I - limpeza, conservação e zeladoria;
II - vigilância e segurança;
III
IV
- empreitada de mão-de-obra;
- contratação de trabalho temporário na forma da Lei
n o 6.019, de 3 de janeiro de 1974.
5º O cedente da mão-de-obra deverá elaborar folhas de
pagamento distintas para cada contratante."
§
22.
A novel redação do artigo 31, da Lei 8.212/91, somente produziu
efeitos a partir de 1º.02.1999, ex vi do disposto no artigo 29, da Lei
9.711/98.

23. Assim, a Primeira Seção, em sede de recurso especial representativo

da controvérsia, consolidou a tese de que "a partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo

recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mão-de-obra" (REsp 1131047/MA, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 24.11.2010, DJe

02.12.2010).

24. Como de sabença, a aplicação da legislação tributária material

obedece ao princípio constitucional da irretroatividade, alcançando

apenas os fatos jurídicos tributários ocorridos a partir de sua vigência que, por sua vez, condiciona-se aos pirncípios constitucionais da anterioridade geral e da anterioridade mitigada.

25. O Codex Tributário explicita, ainda, que não se aplica, ao lançamento

tributário, a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador

Superior Tribunal de Justiça

da obrigação, tenha atribuído responsabilidade tributária a terceiro (artigo

144, § 1º).

26. Conseqüentemente, os créditos tributários ora exigíveis (cujos fatos

imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999) subsumem-se ao regime legal anterior à vigência das alterações introduzidas pela Lei 9.711/98, razão pela qual sobressai a responsabilidade tributária solidária do cessionário da mão-de-obra no

período, o que facultava ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo da obrigação tributária entre os respectivos co-obrigados, observada, entre outras, a possibilidade de o cessionário elidir sua responsabilidade acaso demonstrasse que o cedente comprovara o recolhimento prévio das contribuições sociais pertinentes (mediante cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento), quando da quitação da nota fiscal ou da fatura correspondente aos serviços executados.

27. no o 28. In casu, restou assente na origem que:
27.
no
o
28. In casu, restou assente na origem que:

Os artigos 136 e 137, do CTN (que versam sobre a responsabilidade

tributária por infrações à legislação tributária), não conflitam com a

responsabilidade tributária solidária instituída pela Lei 8.212/91 (com base

artigo 128, do mesmo código), máxime tendo em vista a conexão entre

nascimento da obrigação tributária solidária do cessionário e o descumprimento de seu dever de fiscalização da prestação pecuniária que deveria ter sido adimplida pelo cedente.

"O que se observa no caso em tela é que a empresa impetrante, não tendo realizado as obrigações acessórias (§§ 3º e 4º, do art. 31, da Lei 8.212/91) relativas à fiscalização do pagamento das exações devidas pelas empresas que lhe prestavam serviços, não tomou ciência de que as mesmas não estavam cumprindo com suas obrigações perante o fisco. Deveria a apelante, para eximir-se da instituída responsabilidade solidária, ter-se acautelado com a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias pelas empresas contratadas. Tornou-se, assim, conforme disposição legal, responsável solidária pelo débito, vindo a ser executada pelo INSS. ( ) Apuradas diferenças a menor no recolhimento da contribuição previdenciária, então, a autarquia poderia executar qualquer dos devedores, posto que cada um deles responde in totum pela obrigação. Movendo-se contra a impetrante ao lavrar as NFLD's, resta apenas o direito regressivo da apelante contra as empresas por ela contratadas, a fim de reaver, em ação própria, o montante que não era de sua responsabilidade. Destarte, ante o entendimento acima exposto, descabida qualquer alegação de impossibilidade de penalização por irregularidades cometidas pela empresa cedente de serviço, vez que cabia à empresa cessionária a fiscalização, sua obrigação acessória Não há qualquer mácula aos arts. 136 e 137, porque há disposição legal sobre a responsabilidade da empresa apelante."

29. Outrossim, a Administração Tributária pode proceder à aferição

indireta ou arbitramento da base imponível do tributo, nas hipóteses enumeradas no artigo 148, do CTN, verbis :

Superior Tribunal de Justiça

"Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial."

30. O artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, determina que, "se, no exame da

escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário" . 31. Destarte, a ausência de documentação que reflita, de maneira idônea, a realidade dos fatos, autoriza a autoridade fiscal a proceder à

32. 33. Recurso especial desprovido. VOTO
32.
33. Recurso especial desprovido.
VOTO

aferição indireta das contribuições sociais devidas, desde que observados os princípios da finalidade da lei, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contribuinte, sendo certo, ainda, que a expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita.

A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de

juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95.

O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, revela-se

cognoscível a insurgência especial, uma vez prequestionada a matéria federal ventilada.

No presente recurso especial, discute-se (i) o dies a quo do prazo decadencial

para o exercício do direito potestativo de constituição do crédito tributário; (ii) a

legalidade/constitucionalidade da responsabilidade tributária solidária atribuída ao tomador de

serviço de mão-de-obra pelo artigo 31, da Lei 8.212/91; (iii) a legalidade do regramento da

aferição indireta da base de cálculo do tributo via ordens de serviço expedidas pela autarquia

previdenciária; e (iv) a aplicação ou não da Taxa Selic aos créditos tributários.

O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário

(lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o

lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado

Superior Tribunal de Justiça

da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009).

Nesse segmento, o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).

3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). In casu , os fatos imponíveis atinentes

In casu, os fatos imponíveis atinentes à contribuição previdenciária (não declarada, nem paga) ocorreram no período de novembro de 1991 a janeiro de 1999, tendo sido lavrado o ato de lançamento em 03.07.2001, razão pela qual se revela caduco o direito potestativo de constituição dos créditos anteriores ao ano de 1996 (vale dizer: de 1991 a 1995).

Destarte, remanesce a análise da insurgência especial atinente à responsabilidade tributária do tomador/cessionário de mão-de-obra no que concerne às contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999, à luz dos disposto no artigo 31, da Lei 8.212/91.

Com efeito, o sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa física ou jurídica, privada ou pública, a quem incumbe o dever jurídico de adimplir a prestação pecuniária equivalente ao tributo.

À luz do artigo 121, do CTN, tanto o contribuinte, quanto o responsável podem figurar como sujeito passivo da obrigação tributária principal.

Superior Tribunal de Justiça

O contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN), ao passo que o responsável tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto) não apresenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN).

No que concerne à responsabilidade tributária, o artigo 128, do CTN, preceitua

que:

tributária, o artigo 128, do CTN, preceitua que: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo,

"Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação , excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação."

A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o cumprimento da prestação pecuniária devida ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818).

Quanto à extensão do dever jurídico imposto ao terceiro, a responsabilidade tributária distingue-se em solidária ou subsidiária (em havendo co-obrigados) e pessoal, como bem elucida doutrina abalizada:

"Será pessoal se competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação, desde o início (responsabilidade de terceiros, por infrações e substituição).

Será subsidiária

somente

devedor originário.

se o terceiro for responsável

a impossibilidade

da dívida

de pagamento do tributo pelo

será solidária se mais de uma pessoa

pelo pagamento

se constatada

E, finalmente,

Superior Tribunal de Justiça

integrar o pólo passivo da relação permanecendo

todos eles responsáveis

pelo pagamento da dívida." (Maria Rita Ferragut, in "Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002", 2ª ed., 2009, Ed. Noeses, págs.

34/35)

Acerca da obrigação tributária solidária, forçoso ressaltar que é de sua essência a

unicidade da relação jurídica tributária em seu pólo passivo, o que autoriza a autoridade

administrativa a direcionar-se contra qualquer um dos co-obrigados (contribuintes entre si,

responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável), que responderá in totum et totaliter pelo

débito fiscal.

que responderá in totum et totaliter pelo débito fiscal. Destarte, exsurge a necessidade de exame dos

Destarte, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que regem (ou

regeram) as relações jurídicas tributárias sub examine (atinentes a fatos imponíveis ocorridos

entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999), a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s)

pelo ente tributante legiferante e o grau da responsabilidade instituído entre os co-obrigados

(contribuinte ou responsável).

Deveras, a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, determina que, no âmbito federal, o

orçamento da Seguridade Social (conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e

da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência

social) é composto das receitas das contribuições sociais, entre outras.

À luz do aludido diploma legal, as contribuições sociais são devidas pelas

empresas (incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço e

incidentes sobre faturamento e lucro) e pelos trabalhadores (incidentes sobre o seu

salário-de-contribuição), entre outros.

Além das contribuições sociais a seu cargo, compete às empresas a arrecadação

e recolhimento das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e trabalhadores

avulsos (artigo 30, da Lei 8.212/91).

Nesse segmento, o artigo 31, da Lei 8.212/91 (em sua redação original), erigiu

hipótese de responsabilidade tributária solidária do contratante de quaisquer serviços executados

mediante cessão de mão-de-obra, no que diz respeito às contribuições previdenciárias devidas

pela empresa prestadora do serviços (incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos

segurados cedidos à tomadora) e àquelas que deveriam ter sido retidas dos

Superior Tribunal de Justiça

salários-de-contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos cedidos, ressalvado o direito de regresso do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias garantidoras do cumprimento das obrigações previdenciárias.

O aludido dispositivo legal, em sua redação primitiva, estabelecia que:

"Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime
"Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados
mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho
temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações
decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto
quanto ao disposto no art. 23.
§
1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante
contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas
para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma
estabelecida em regulamento.
§ 2° Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação,
à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros,
de segurados que realizem serviços contínuos cujas características
impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das
contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação,
manutenção,
vigilância
e
outros
assemelhados
especificados
no
regulamento,
independentemente
da
natureza
e
da
forma
de
contratação."
A
Lei 9.032, de 28 de abril de 1995, alterou a redação do § 2º, do artigo 31, da Lei
8.212/91, que passou a considerar, como cessão de mão-de-obra, "a colocação à disposição
do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem
serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da
empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e
outros, independentemente da natureza e da forma de contratação" .

Outrossim, a Lei 9.032/95 inseriu os §§ 3º e 4º ao artigo 31, da LOAS, instituindo hipótese de elisão da responsabilidade solidária, verbis :

"Art. 31. ( (

)

)

§ 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo

somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento

prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura .

§ 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da

mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo

Superior Tribunal de Justiça

esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura,

cópia autenticada da guia de recolhimento de pagamento ."

quitada e respectiva folha

O § 2º, do artigo 31, da Lei 8.212/91, restou modificado, ainda, pelas Leis 9.129/95 e 9.528/97, que ora restringiram, ora ampliaram a definição da atividade de cessão de mão-de-obra para fins da legislação previdenciária.

A Lei 9.711, de 20 de novembro de 1998, por sua vez, reformulou inteiramente o

artigo 31, da Lei 8.212/91, transmudando a responsabilidade solidária da empresa tomadora/cessionária de serviços de
artigo 31, da Lei 8.212/91, transmudando a responsabilidade solidária da empresa
tomadora/cessionária de serviços de mão-de-obra em responsabilidade pessoal, mediante a
instituição de hipótese de substituição tributária, verbis :
"Art. 31. A empresa contratante de serviços executados
mediante cessão de mão-de-obra , inclusive em regime de trabalho
temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou
fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia
dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou
fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra , observado o
disposto no § 5º do art. 33.
§
1º O valor retido de que trata o caput , que deverá ser
destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será
compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da
mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à
Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a
seu serviço .
§
2º Na impossibilidade de haver compensação integral na
forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de
restituição.

como cessão de

em suas

dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.

§ 4º Enquadram-se na situação prevista no parágrafo

mão-de-obra a colocação à disposição do contratante,

§ 3º Para os fins desta Lei, entende-se

anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes

serviços:

I - limpeza, conservação e zeladoria; II - vigilância e segurança;

III - empreitada de mão-de-obra;

IV - contratação de trabalho temporário na forma da Lei

n o 6.019, de 3 de janeiro de 1974.

§ 5º O cedente da mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante."

A novel redação do artigo 31, da Lei 8.212/91, somente produziu efeitos a partir

de 1º.02.1999, ex vi do disposto no artigo 29, da Lei 9.711/98.

Superior Tribunal de Justiça

Assim, a Primeira Seção, em sede de recurso especial representativo da controvérsia, consolidou a tese de que "a partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mão-de-obra" (REsp 1131047/MA, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 24.11.2010, DJe 02.12.2010).

Albino Zavascki, julgado em 24.11.2010, DJe 02.12.2010). Como de sabença, a aplicação da legislação tributária

Como de sabença, a aplicação da legislação tributária material obedece ao princípio constitucional da irretroatividade, alcançando apenas os fatos jurídicos tributários ocorridos a partir de sua vigência que, por sua vez, condiciona-se aos pirncípios constitucionais da anterioridade geral e da anterioridade mitigada.

O Codex Tributário explicita, ainda, que não se aplica, ao lançamento tributário, a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha atribuído responsabilidade tributária a terceiro (artigo 144, § 1º).

Conseqüentemente, os créditos tributários ora exigíveis (cujos fatos imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999) subsumem-se ao regime legal anterior à vigência das alterações introduzidas pela Lei 9.711/98, razão pela qual sobressai a responsabilidade tributária solidária do cessionário da mão-de-obra no período, o que facultava ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo da obrigação tributária entre os respectivos co-obrigados, observada, entre outras, a possibilidade de o cessionário elidir sua responsabilidade acaso demonstrasse que o cedente comprovara o recolhimento prévio das contribuições sociais pertinentes (mediante cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento), quando da quitação da nota fiscal ou da fatura correspondente aos serviços executados.

Os artigos 136 e 137, do CTN (que versam sobre a responsabilidade tributária por infrações à legislação tributária), não conflitam com a responsabilidade tributária solidária instituída pela Lei 8.212/91 (com base no artigo 128, do mesmo código), máxime tendo em vista a conexão entre o nascimento da obrigação tributária solidária do cessionário e o descumprimento de seu dever de fiscalização da prestação pecuniária que deveria ter sido adimplida pelo cedente.

Superior Tribunal de Justiça

In casu, restou assente na origem que:

"O que se observa no caso em tela é que a empresa impetrante, não tendo realizado as obrigações acessórias (§§ 3º e 4º, do art. 31, da Lei 8.212/91) relativas à fiscalização do pagamento das exações devidas pelas empresas que lhe prestavam serviços, não tomou ciência de que as mesmas não estavam cumprindo com suas obrigações perante o fisco. Deveria a apelante, para eximir-se da instituída responsabilidade solidária, ter-se acautelado com a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias pelas empresas contratadas. Tornou-se, assim, conforme disposição legal, responsável solidária pelo débito, vindo a ser executada pelo INSS. ( ) Apuradas diferenças a menor no recolhimento da contribuição previdenciária, então, a autarquia poderia executar qualquer dos devedores, posto que cada um deles responde in totum pela obrigação. Movendo-se contra a impetrante ao lavrar as NFLD's, resta apenas o direito regressivo da apelante contra as empresas por ela contratadas, a fim de reaver, em ação própria, o montante que não era de sua responsabilidade.

própria, o montante que não era de sua responsabilidade. Destarte, ante o entendimento acima exposto, descabida

Destarte, ante o entendimento acima exposto, descabida qualquer alegação de impossibilidade de penalização por irregularidades cometidas pela empresa cedente de serviço, vez que cabia à empresa cessionária a fiscalização, sua obrigação acessória Não há qualquer mácula aos arts. 136 e 137, porque há disposição legal sobre a responsabilidade da empresa apelante."

Outrossim, a Administração Tributária pode proceder à aferição indireta ou arbitramento da base imponível do tributo, nas hipóteses enumeradas no artigo 148, do CTN, verbis :

"Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial."

O artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, determina que, "se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário" .

Superior Tribunal de Justiça

Destarte, a ausência de documentação que reflita, de maneira idônea, a realidade dos fatos, autoriza a autoridade fiscal a proceder à aferição indireta das contribuições sociais devidas, desde que observados os princípios da finalidade da lei, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contribuinte, sendo certo, ainda, que a expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita.

A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei

9.065/95.

atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO

Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA

Número Registro: 2005/0012879-0

Número Origem: 200272010025501

PAUTA: 01/09/2005

REsp

719350 / SC

JULGADO: 01/09/2005

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX

AUTUAÇÃO : : : CERTIDÃO
AUTUAÇÃO
:
:
:
CERTIDÃO

Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. CÉLIA REGINA SOUZA DELGADO

Secretária Bela. MARIA DO SOCORRO MELO

RECORRENTE :

EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A EMBRACO MARCELO CRISTIANO ALCÂNTARA DA SILVA E OUTROS INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS CLÓVIS JUAREZ KEMMERICH E OUTROS

ADVOGADO

RECORRIDO

PROCURADOR

ASSUNTO: Tributário - Contribuição - Social - Previdenciária

Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

A Turma, por unanimidade, suspendeu o julgamento do recurso especial até que o Supremo Tribunal Federal decida a matéria constitucional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, dispensada a lavratura de acórdão. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda e José Delgado votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão.

Brasília, 01 de setembro de 2005

MARIA DO SOCORRO MELO Secretária

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA

Número Registro: 2005/0012879-0

Número Origem: 200272010025501

PAUTA: 01/09/2005

REsp

719350 / SC

JULGADO: 06/09/2005

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX

AUTUAÇÃO : : : CERTIDÃO
AUTUAÇÃO
:
:
:
CERTIDÃO

Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. CÉLIA REGINA SOUZA DELGADO

Secretária Bela. MARIA DO SOCORRO MELO

RECORRENTE :

EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A EMBRACO MARCELO CRISTIANO ALCÂNTARA DA SILVA E OUTROS INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS CLÓVIS JUAREZ KEMMERICH E OUTROS

ADVOGADO

RECORRIDO

PROCURADOR

ASSUNTO: Tributário - Contribuição - Social - Previdenciária

Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

Retificando decisão proferida na sessão do dia 1º.9.2005, a Turma, por unanimidade, em questão de ordem levantada pelo Sr. Ministro Relator, suspendeu o julgamento do recurso especial até que a Corte Especial decida a argüição de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, suscitada pelo Sr. Ministro Teori Albino Zavascki no julgamento do AgRg no Resp 616.348/MG. Dispensada a lavratura de acórdão. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda e José Delgado votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão.

Brasília, 06 de setembro de 2005

MARIA DO SOCORRO MELO Secretária

Superior Tribunal de Justiça

ERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA

Número Registro: 2005/0012879-0

REsp 719350 / SC

Número Origem: 200272010025501

PAUTA: 16/09/2008

JULGADO: 16/09/2008

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX

AUTUAÇÃO : : : : WHIRLPOOL S/A SAVIO DE FARIA CARAM ZUQUIM E OUTRO(S) INSTITUTO
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
WHIRLPOOL S/A
SAVIO DE FARIA CARAM ZUQUIM E OUTRO(S)
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
PROCURADORIA-GERAL FEDERAL
CERTIDÃO

Presidente da Sessão Exma. Sra. Ministra DENISE ARRUDA

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. JOÃO FRANCISCO SOBRINHO

Secretária Bela. MARIA DO SOCORRO MELO

RECORRENTE

ADVOGADO

RECORRIDO

REPR. POR

ASSUNTO: Tributário - Contribuição - Social - Previdenciária

Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"Adiado por indicação do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."

Brasília, 16 de setembro de 2008

MARIA DO SOCORRO MELO Secretária

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA

Número Registro: 2005/0012879-0

REsp 719350 / SC

Número Origem: 200272010025501

PAUTA: 17/12/2009

JULGADO: 17/12/2009

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX

AUTUAÇÃO : : : : CERTIDÃO
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
CERTIDÃO

Presidente da Sessão Exma. Sra. Ministra DENISE ARRUDA

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. AURÉLIO VIRGÍLIO VEIGA RIOS

Secretária Bela. BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA

RECORRENTE

WHIRLPOOL S/A SAVIO DE FARIA CARAM ZUQUIM E OUTRO(S) MARIA RITA GRADILONE SAMPAIO LUNARDELLI E OUTRO(S) INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL

ADVOGADOS

RECORRIDO

REPR. POR

ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO - Contribuições - Contribuições Previdenciárias

Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"Retirado de Pauta por indicação do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."

Brasília, 17 de dezembro de 2009

BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA Secretária

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA

Número Registro: 2005/0012879-0

REsp 719.350 / SC

Número Origem: 200272010025501

PAUTA: 16/12/2010

JULGADO: 16/12/2010

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIZ FUX

AUTUAÇÃO : : : : CERTIDÃO
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
CERTIDÃO

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro BENEDITO GONÇALVES

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. AURÉLIO VIRGÍLIO VEIGA RIOS

Secretária Bela. BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA

RECORRENTE

WHIRLPOOL S/A SAVIO DE FARIA CARAM ZUQUIM E OUTRO(S) MARIA RITA GRADILONE SAMPAIO LUNARDELLI E OUTRO(S) INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL

ADVOGADOS

RECORRIDO

REPR. POR

ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO - Contribuições - Contribuições Previdenciárias

Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Arnaldo Esteves Lima, Benedito Gonçalves (Presidente) e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 16 de dezembro de 2010

BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA Secretária