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UNEMAT UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO DIREITO ADMINISTRATIVO 6.º SEMESTRE DE ADMINISTRAÇÃO

APOSTILA DE DIREITO ADMINISTRATIVO

01. Noções gerais de direito administrativo

CONCEITO

“Direito administrativo é o conjunto harmônico de princípios jurídicos que

regem os órgãos, os agentes, as atividades públicas tendentes a realizar, concreta, direta

e imediatamente os fins desejados do Estado” (Hely Lopes Meireles)

O Professor Celso Antônio Bandeira de Melo fala em: “o ramo do direito público que disciplina a função administrativa e os órgãos que a exercem” Já Maria Sylvia Zanella Di Pietro o define como: “o ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública”.

IMPORTANTE:

Direito Público: tem por objeto principal a regulação dos interesses da sociedade como um todo, a disciplina das relações entre esta e o Estado, e das relações das entidades e órgãos estatais entre si. Tutela ele o interesse público, só alcançandoas condutas individuais de forma indireta ou reflexa”

particulares como forma de possibilitar o convívio das pessoas em sociedade e umaharmoniosa fruição de seus bens”

Direito

Privado:

tem

por

escopo

principal

a

regulação

dos

interesses

SÃO CARACTERÍSTICAS DO DIREITO ADMINISTRATIVO:

está

submetido, principalmente, s regras de caráter público (assim como ocorre em relação ao direito tributário e constitucional, por exemplo)

1.

Pertence

DIREITO

PÚBLICO,

ao

ramo

do

ou

seja,

2.

É considerado NÃO CODIFICADO já que não há uma única

lei que trata de todas as matérias, mas sim várias leis específicas, a exemplo da lei de licitações, lei de improbidade administrativa, etc.

Possui regras que se traduzem em PRINCÍPIOS

CONSTITUCIONAIS e INFRACONSTITUCIONAIS

4. Tem como OBJETO DE ESTUDO a organização e estruturação

da administração pública

3.

FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO

1. LEI - é fonte primária do direito administrativo;

Importante: são exemplos de leis administrativas relevantes:

a. Lei 8.112/1990 regime jurídico dos servidores públicos federais estatutários;

b. Lei 8.666/1993 normas gerais sobre licitações e contratos administrativos;

c. Lei 8.987/1995 lei geral das concessões e permissões de serviços públicos;

2. DOUTRINA formada pelos estudiosos da matéria;

3. JURISPRUDÊNCIA - são as decisões reiteradas dos tribunais;

4. COSTUMES: conjunto de regras não escritas, porém observadas

de modo uniforme pelo grupo social, qe as considera obrigatórias.

PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO.
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO.

PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO.

PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO.
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO.
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO.

CONSTITUCIONAIS

1. LEGALIDADE

2. IMPESSOALIDADE

3. MORALIDADE

4. PUBLICIDADE

5. EFICIÊNCIA

Constituição Federal, Artigo 37, Caput.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da

União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de

legalidade,

impessoalidade,

moralidade,

publicidade

e

eficiência

e,

também,

ao

Método mnemônico:

L

EGALIDADE

 

I

IMPESSOALIDADE

 

M

ORALIDADE

dica: LIMPE

P

UBLICIDADE

E FICIÊNCIA

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude

de lei (art. 5.º, II, da CF).

O princípio da legalidade representa uma garantia para os administrados, pois

qualquer ato da Administração Pública somente terá validade se respaldado em lei.

Representa um limite para a atuação do Estado, visando à proteção do administrado em

relação ao abuso de poder.

O princípio em estudo apresenta um perfil diverso no campo do Direito Público

e no campo do Direito Privado. No Direito Privado, tendo em vista o interesse privado, as partes poderão fazer tudo o que a lei não proíbe; no Direito Público, diferentemente, existe uma relação de subordinação perante a lei, ou seja, só se pode fazer o que a lei expressamente autorizar.

• medidas provisórias: são atos com força de lei, mas o administrado só se submeterá
medidas provisórias: são atos com força de lei, mas o administrado só
se submeterá ao previsto em medida provisória se elas forem editadas dentro
dos parâmetros constitucionais, ou seja, se presentes os requisitos da relevância
e da urgência. Vêm sendo considerados fatos
urgentes, para efeito de medida provisória, aqueles assuntos que não
podem esperar mais que noventa dias;
estado de sítio e estado de defesa: são momentos de anormalidade
institucional. Representam restrições ao princípio da legalidade porque são
instituídos por um decreto presidencial que poderá obrigar a fazer ou deixar de
fazer mesmo não sendo lei.
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE

É a obrigação, o dever atribuído à Administração, de dar total transparência a

todos os atos que praticar, ou seja, como regra geral, nenhum ato administrativo pode

ser sigiloso.

A regra do princípio que veda o sigilo comporta algumas exceções, como

quando os atos e atividades estiverem relacionados com a segurança nacional ou quando

o conteúdo da informação for resguardado por sigilo (art. 37, § 3.º, II, da CF/88).

Importante:   publicidade, entretanto, A   só será admitida se tiver fim educativo,

Importante:

Importante:   publicidade, entretanto, A   só será admitida se tiver fim educativo,
 

publicidade,

entretanto,

A

 

será

admitida

se

tiver

fim

educativo,

aparecimento de

informativo ou de orientação social, proibindo-se a promoção pessoal de

autoridades ou de servidores públicos por meio de

nomes, símbolos e imagens.

São instrumentos constitucionais utilizados para assegurar o recebimento de

informações o

habeas data, art. 5.º, LXXII, da CF e o Mandado de Segurança, art. 5.º,

LXIX e LXX, da CF.

PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE

PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE

PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE

Deve ser observado em duas situações distintas:

Em relação aos administrados: significa que a Administração Pública não poderá

atuar discriminando pessoas de forma gratuita, a não ser aquelas que venham privilegiar

o interesse público, ou seja, a Administração Pública deve permanecer numa

posição de neutralidade em relação às pessoas privadas

.

A atividade administrativa

deve ser destinada a todos os administrados, sem discriminação nem favoritismo,

constituindo assim um desdobramento do princípio geral da igualdade, art. 5.º, caput,

CF. Ex.: contratação de serviços por meio de licitação vinculação ao edital regras

iguais para todos que queiram participar da licitação;

• em relação à própria Administração Pública: a responsabilidade dos atos

administrativos praticados deve ser imputada não ao agente e sim à pessoa jurídica

Administração Pública direta ou indireta

.

Segundo o art. 37, § 6.º, da CF “as pessoas

jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos

responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,

assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”

.

Teoria do Órgão: a responsabilidade deve ser imputada ao órgão/pessoa jurídica e não

ao agente público.

PRINCÍPIO DA MORALIDADE
PRINCÍPIO DA MORALIDADE

PRINCÍPIO DA MORALIDADE

PRINCÍPIO DA MORALIDADE
PRINCÍPIO DA MORALIDADE
PRINCÍPIO DA MORALIDADE

O ato e a atividade da Administração Pública devem obedecer não só à lei, mas

também à moral.

A Lei n. 8.429/92 1 , no seu art. 9.º, apresentou, em caráter exemplificativo, as

hipóteses de atos de improbidade administrativa; esse artigo dispõe que todo aquele que

objetivar algum tipo de vantagem patrimonial indevida, em razão de cargo, mandato,

Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências.

emprego ou função que exerce, estará praticando ato de improbidade administrativa.

São exemplos: •
São exemplos:
 

usar

bens

e

equipamentos

públicos

com

finalidade

particular;

 
 

intermediar liberação de verbas;

 

estabelecer contratação direta quando a lei manda licitar;

 

vender bem público abaixo do valor de mercado;

 

adquirir

bens

acima

do

valor

de

mercado

(superfaturamento).

Instrumentos para combater atos de improbidade: Ação Popular, art. 5.º, LXXIII,

da CF e Ação Civil Pública, Lei n. 7347/85, art. 1.º, desde que neste caso o interesse

seja difuso.

Sanções aplicáveis (art.37, § 4.º, da CF):

1.

suspensão dos direitos políticos;

2.

perda da função pública;

 

3.

indisponibilidade dos bens;

 

4.

ressarcimento ao erário.

 
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA

PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA

PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA

A EC n. 19 trouxe para o texto constitucional o princípio da eficiência, que

obrigou a Administração Pública a aperfeiçoar os serviços e as atividades que

presta, buscando otimização de resultados e visando atender o interesse público com

maior eficiência.

Devemos ressaltar, todavia, que já constava em

Nossa legislação infraconstitucional o mencionado princípio, a exemplo do Dec. Lei n. 200/67 (arts.13 e 25, V), da Lei de Concessões e Permissões (Lei n. 8987/95, arts. 6.º e 7.º) e do Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8078/90, arts. 4.º, VII e 6.º, X e

22).

Para uma pessoa entrar para a Administração Pública, deve haver concurso público. A CF/88 dispõe quais os títulos e provas hábeis para o serviço público, a

natureza e a complexidade do cargo.

Para adquirir estabilidade, é necessária a eficiência

(nomeação por concurso, estágio probatório de três anos etc.).

Para perder a condição de servidor (art. 41, § 1.º, CF/88), é necessário sentença

judicial transitada em julgado, processo administrativo com ampla defesa e insuficiência

de desempenho.

O

conceito

do

princípio

da

eficiência

é

conceituado

por

ALEXANDRE

MORAES, da seguinte forma:

"Assim, princípio da eficiência é o que impõe à administração pública direta e indireta e
"Assim, princípio da eficiência é o que impõe à administração pública
direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum, por meio do
exercício de suas competências de forma imparcial, neutra, transparente,
participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade, rimando
pela adoção dos critérios legais e morais necessários para melhor utilização
possível dos recursos públicos, de maneira a evitarem-se desperdícios e
garantir-se maior rentabilidade social."
PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS

Supremacia do Interesse Público - O interesse público têm SUPREMACIA sobre o interesse individual; Mas essa supremacia só é legítima na medida em que os interesses públicos são atendidos. Presunção de Legitimidade - Os atos da Administração presumem-se legítimos, até prova em contrário (presunção relativa ou juris tantum ou seja, pode ser destruída por prova contrária.) Finalidade - Toda atuação do administrador se destina a atender o interesse público e garantir a observância das finalidades institucionais por parte das entidades da Administração Indireta. Auto-Tutela - a autotutela se justifica para garantir à Administração: a defesa da legalidade e eficiência dos seus atos; nada mais é que um autocontrole SOBRE SEUS ATOS.

Importante: De acordo com o princípio da autotutela, a Administração Pública exerce controle sobre seus
Importante:
De acordo com o princípio da autotutela, a Administração
Pública exerce controle sobre seus próprios atos, tendo a possibilidade
de anular os ilegais e de revogar os inoportunos. Isso ocorre pois a
Administração está vinculada à lei, podendo exercer o controle da
legalidade de seus atos.

Continuidade do Serviço Público - O serviço público destina-se a atender necessidades sociais. É com fundamento nesse princípio que nos contratos administrativos não se permite que seja invocada, pelo particular, a exceção do contrato não cumprido. Os serviços não podem parar !

Razoabilidade - Os poderes concedidos à Administração devem ser exercidos na medida necessária ao atendimento do interesse coletivo, SEM EXAGEROS.

Portanto,

“A razoabilidade é um conceito jurídico indeterminado, elástico e variável no tempo e no espaço. Consiste em agir com bom senso, prudência, moderação, tomar atitudes adequadas e coerentes, levando-se em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a pratica do ato”. 2

QUESTÕES:

1. Defina direito administrativo.

2. Discorra sobre os princípios constitucionais do direito administrativo, abordando todos eles.

3. Quais são as características do direito administrativo?

4. Quais são as fontes do direito administrativo?

2 RESENDE, Antonio José Calhau. O princípio da Razoabilidade dos Atos do Poder Público. Revista do Legislativo. Abril, 2009.

Material retirado das seguintes fontes:

APOSTILAS E SITES

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

LEI DE LICITAÇÕES

LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Ementa da disciplina disponível em:

Bibliografia Básica:

MEIRELLES, Hely Lopes - “Direito Administrativo Brasileiro”. SP, 30 Edição, Malheiros Editores, 2005

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antonio - "Curso de Direito Administrativo" 16 Edição, Editora Malheiros, 2003.

BASTOS, Celso Ribeiro - "Curso de Direito Administrativo"- Editora Saraiva, 2002

Bibliografia Complementar:

CRETELLA JÚNIOR, José - “Comentários às Leis de Desapropriação”, SP, José Buschatsky

CRETELLA JÚNIOR, José -“Manual de Direito Administrativo”, Rio, Forense.

CRETELLA JÚNIOR, José - “Empresa Pública”- Ed. Universidade de São Paulo.

DALLARI, Dalmo de Abreu - “Elementos de Teoria Geral do Estado”. SP, Saraiva.

DI PIETRO, Mona Sylvia Zanella - "Direito Administrativo" - Editora Atlas.

GASPARINI, Diógenes - "Direito Administrativo"- Editora Saraiva.

SERRA FAGUNDES, Miguel - “O Controle dos Atos Administrativos pelo Poder Judiciário” Rio, Forense