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Mat. Dentários II: bloco 1, aula 3

ODONTOUERJ 2014.1 Paulo Rogério

Elastômeros

Introdução

São materiais de maior precisão, que irão ser utilizados quando desejamos modelos precisos (usados para trabalhos de facetas, próteses, coroa) Assim, São utilizados para todos os tipos de modelos, onde irá ser construído sobre esses, trabalhos indiretos que precisam de precisão pois senão esses não irão ser colocados na boca se não forem bem adaptados.

Os elastômeros são polímeros (borrachas). Existem as borrachas naturais que vem das seringueiras e essas não têm resistência, são pegajosas e assim não servem para o nosso uso. Assim essa borracha natural passa por um processo de vulcanização onde ela recebe enxofre em sua composição e assim é produzida uma borracha que pode ser utilizado na odontologia. Depois dessas borrachas naturais, vieram as borrachas sintéticas que são as borrachas que hoje mais usamos.

Dessa forma os elastômeros são polímeros sintéticos. Eles são polímeros pois são formados por moléculas grandes (macromoléculas), e esses polímeros sofrem uma reação química produzindo uma cadeia rica em ligações cruzadas. Essas ligações cruzadas garantem o comportamento elástico desses materiais. Assim esses materiais podem se deformar quando sofrem alguma tensão e depois conseguem retornar a forma original quando essa tensão é liberada.

Após a boca ser moldada, conseguimos tirar o material dela sem ter grandes distorções. Assim, ele é capaz de suportar as deformações da remoção da moldeira e retornar a posição original sem distorção, passando para o laboratório de prótese as informações do dente mais fiel possível.

Existem grupos dos elastômeros:

  • - polissulfetos (ou mercaptanas)

  • - poliéteres

  • - silicones . de adição . de condensação

Características gerais

De forma geral os elastômeros podem ter várias viscosidades. Essas viscosidades são consistências. Assim essas viscosidades irão depender do peso molecular dos polímeros. Quanto maior o peso molecular tem o polímero, maior é a viscosidade (consistência) do material, e assim mais durinho ele é. Quanto menor o peso molecular mais fluído ele é. Além do peso molecular irá depender da carga que ele contém. As cargas são estruturar inorgânicas acrescentadas no material e que conferem resistência e controlam essa viscosidade. Assim quanto maior a quantidade de carga mais encorpada é o material, e quanto menor o número de carga, mais fluido ele é. Assim existem vários tipos de viscosidades (consistências).

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Existem as consistências de massa (que parece uma massinha mesmo), e a consistência de pasta (que pode ser a leve, média e pesada).

Os elastômeros possuem algumas características que interferem na maneira como agente lida com esses materiais. Por serem materiais elásticos, eles possuem a capacidade de serem comprimidos quando tensionados e depois, a partir dessas tensões, de liberarem as tensões. Só que com isso pode existir algumas distorções.

Ex: durante o ato de moldagem, se insere a moldeira e se durante a moldagem agente ficar comprimido, empurrando essa moldeira no lugar, o material vai aceitar essa tensão. Porém irá existir uma resposta e essa compressão contrária. Então quando agente remover essa moldeira, as tensões irão ser liberadas e essa moldagem irá se distorcer.

Então durante a moldagem com o elastômero não se pode ficar comprimindo a moldeira e agente não deve também ultrapassar o tempo de trabalho. Lembrando que o tempo de trabalho é o tempo que você leva pra manipular, inserir na moldeira pra levar na boca, é o tempo que você está manuseando o material. Desde o início da manipulação o material começa a reagir, começando a formar ligações. E essas ligações vão contribuindo aos poucos para que exista essa memória elástica.

Os elastômeros possuem outra característica que é a viscoelasticidade. O comportamento visco elástico é quando o material se comporta tanto como um líquido viscoso quanto um sólido elástico.

Mat. Dentários II: bloco 1, aula 3 ODONTOUERJ 2014.1 Paulo Rogério Existem as consistências de massa

Quando se força o material já com as propriedades visco elástico adquirido, prontamente a parte elástica responde. Na fig. A, a parte elástica ainda não respondeu por que esse compartimento A2 de liquido viscoso está em paralelo com o M2. Com a continuidade da força a molinha já vai cedendo e é o que visualizamos a partir da fig. B. Assim demora-se um tempo até que esse pêndulo responda. Quando são removidas as forças ele não volta imediatamente à posição, precisando

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de outro tempo para aos poucos voltar a posição. Isso ocorre à custa do lado viscoso.

Após uma moldagem quando o material sai da boca ele é distendido para sair das áreas mais amplas dos dentes e depois ele tende a retornar a sua posição original. Mas isso não acontece prontamente. Assim após a nossa moldagem devemos esperar um tempinho para a recuperação elástica.

Quanto maior a deformação que causa nesse lado viscoso dos materiais visco elástico, mais é a deformação permanente. A retirada da moldeira deve ser de forma perpendicular ao eixo dos dentes.

Mat. Dentários II: bloco 1, aula 3 ODONTOUERJ 2014.1 Paulo Rogério de outro tempo para aos
  • 1. Polissulfetos (ou mercaptanas)

. Tem sido usado muito pouco. É provável devido à substituição de outros materiais tão eficazes quanto o polissulfeto, e quando ao comércio e a importação desse material. . São materiais que tem o grupo terminal mercaptana em sua cadeia ( -SH). . Apresentam na consistência apenas de pasta, não existindo de massa. . Apresentação:

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- pasta base:

Polímero de cadeia pequena. Durante a reação ele aumenta a cadeia, e deixa de ser uma pasta, virando uma borracha.

Composto por polímero de polissulfeto + carga + plastificante (que dá consistência) + enxofre (dá um odor desagradável).

-pasta ativadora:

Dióxido de Chumbo + Ac. Oleico (retardador) + plastificante + carga.

. Assim esse dióxido de chumbo vai oxidar esses terminais - SH vai liberar um subproduto que é a água, e uma cadeia vai se ligando com a outra formando ligações cruzadas.

. Essa reação é sensível à umidade e temperatura, e assim o tempo de presa pode ser encurtado através de elevação de temperatura e também pela umidade. Assim quando se misturar as duas pastas na lâmina de vidro e ela estiverem meio úmida, isso pode influenciar no tempo de presa dele.

Mat. Dentários II: bloco 1, aula 3 ODONTOUERJ 2014.1 Paulo Rogério - pasta base: Polímero de

O dióxido de enxofre vai se decompor e desse forma vai oxidar os Hidrogênios, liberando H2O.

Assim ocorre uma reação de polimerização, ou seja, os monômeros irão se unir e formarão polímeros.

A polimerização pode ser feita por condensação (onde se perde algo durante a reação) ou adição.

A desvantagem da condensação é justamente por ela liberar subprodutos e isso não é bom, pois se perde algo, significa que o material contraiu e assim a moldagem distorceu.

. Tempo de mistura 45s – 1 min. . Tempo de presa: 6 – 10 min*

*depende da consitência.

. Lembrar que a resistência e a deformação continuam a melhorar durante várias horas após a presa inicial. Assim no tempo de presa existe um tempo mínimo da moldagem na boca, para não haver a remoção pré-matura e o material adquirir sua memória elástica (por meio das ligações cruzadas) e assim no final deformar menos.

. A deformação permanente é de 2% - 3%. . É um material que não tem muita estabilidade dimensional.

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. O vazamento de gesso deve ser feito de forma imediata, nos primeiros 30 min. . Odor desagradável . Hidrófobo (não tendo afinidade com áreas úmidas, podendo gerar bolhas no gesso, e outras coisas).

  • 2. Silicone por condensação

. É super prático, sendo o silicone o único dos materiais que possui consistência de massa.

. Relação custo-benefício bom aqui no Brasil . Apresentação

  • - parte base:

Cadeia de polidimetilsiloxano com grupos terminais reativos de hidroxila (OH).

  • - parte aceleradora:

Octoato de estanho (catalizador) e um silicato tri ou tetra fucional.

. O silicato tetra funcional reage com os grupos terminais hidroxila do polidimetilsiloxano, na presença do sal octoato de estanho, cujo esse dá certa instabilidade no produto, influenciando no tempo de armazenagem. Porém esse octoato de estanho é importante, pois ele ativa a reação entre o silicato e os grupos terminais do polidimetilsiloxano, entretanto não faz parte da cadeia.

Mat. Dentários II: bloco 1, aula 3 ODONTOUERJ 2014.1 Paulo Rogério . O vazamento de gesso

O

. subproduto da reação é o álcool etílico. A formação desse subproduto é ruim, sendo

pior ainda que a da H20.

. O silicone é um grupo que tem consistência de massa. Essa massa serve como modelo individual. Então primeiro agente molda com essa massa e depois reembaza com um material mais leve. Porém essa massa que previamente moldamos diminui a quantidade do material leve. O fabricante já sabe que a contração de polimerização de condensação no silicone é muito maior que nos outros. Dessa forma a saída é diminuir a quantidade de material leve. Sabemos que quem atua na contração é o monômero e que a massa tem muita carga e tem menos monômero, e o leve tem pouca carga e mais monômero, e dessa forma quem contrai mais é o leve. Quando é jogada uma moldagem com massa previamente, é diminuída a necessidade uma quantidade de material mais leve assim diminui um pouco a contração de polimerização. Essa contração de

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polimerização nos silicones ser tão elevada parte do subproduto liberado ser o álcool etílico, por peso molecular enorme. . O vazamento de gesso deve ser feito de forma imediata, nos primeiros 30 min. . Hidrófobo. . Inibição de polimerização por contato de luvas de látex e substâncias de afastamento gengival (na prática é visto isso mais no silicone por adição).

Obs: a consistência mais leve é a que dá detalhes e vai fazer a cópia de forma mais precisa da moldagem.

. Depois de ter feito a moldagem inicial com a massa, mistura a base leve com o catalisador, onde irá colocar sobre a lâmina de vidro, comprimentos iguais desses dois, e não quantidades. Após isso se coloca essa mistura sobre a moldagem inicial, levando novamente na boca no mesmo luar. Dessa forma, o material leve reembaza, dando detalhes da moldagem.

  • 3. Silicone por adição

. A diferença para o silicone por condensação é o tipo de polimerização. . Apresentação:

  • - parte base:

vinilpolisiloxano (com grupos terminais vinilicos CH=CH2) e hidroxisiloxano.

  • - parte aceleradora:

Sal de platina e vinilpolisiloxano. . Não existem subprodutos, pois a incorporação do monômero é través da quebra dessa ligação dupla, adição de um hidrogênio nessa região, virando simples. Com ausência desses subprodutos aumenta a estabilidade adicional. . O sal de platina atua acelerando a reação, não fazendo parte da reação.

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. A

Mat. Dentários II: bloco 1, aula 3 ODONTOUERJ 2014.1 Paulo Rogério . A quantidade de ligações

quantidade de ligações cruzadas obtidas no silicone de adição é muito maior que no de condensação. Dessa forma a recuperação elástica é muito melhor, e assim a fidelidade é bem maior.

. Esse é um produto mais caro. . Hidrofílico (devido a um sulfactante, ele vai ficando hidrofílico).

. Pode ocorrer a liberação de gás hidrogênio, mas não é contado como subproduto, e assim não compromete a contração do material.

. Vazamento do gesso após uma hora, pois se houver liberação de gás, esse será liberado e não dará bolha. Caso seja feito de imediato o vazamento, há mais chances de formar bolhas se o gás for liberado.

. Nesse tipo de silicone são duas massas misturadas onde uma é a base e outra catalisadora. Essa mistura se dá por uma pistola que possui um sistema de auto mistura.

4.

Poliéteres

. É o único material de moldagem que foi produzido primordialmente pela odontologia.

. É apresentado na consistência só de pasta.

. A reação de polimerização se dá por uma reação catiônica, onde ocorre a passagem de cargas positivas.

. Existe um éster de polimerização catiônica que atua sendo um iniciador catiônico, e esse abre os anéis da pasta base e se liga na região, e assim a carga positiva passa para a outra extremidade e assim vai abrindo o outro anel e passando a carga. O aumento da cadeia ocorre pela passagem das cargas positivas adiante.

. Não há subproduto.

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. Hidrofílico (por natureza).

. Não deve se levar no umidificador, pois ele é extremamente hidrofílico, tendo chances de absorver a umidade se for colocado.

Nem um dos elastômeros precisa ir pro umidificador, apenas o elastômero, pois ele é formado por água, e então vai pro

. Possui elevada rigidez. Isso é observado tanto na hora de manipular quanto depois de polimerizado é extremamente rígido, sendo muito difícil de sair da boca.

Mat. Dentários II: bloco 1, aula 3 ODONTOUERJ 2014.1 Paulo Rogério . Hidrofílico (por natureza). .

Desinfecção dos elastômeros

O glutaraldeildo é um dos desinfetantes que podem ser usados, porém os hipoclitos são um dos mais utilizados a 1% por 30 min.

No caso do poliéter não usar técnica de imersão, apenas borrifamento por 10 min por causa da incorporação da umidade.

Assim desinfecta o modelo, lava a solução e depois seca.