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DIREITO COMERCIAL I – AULA 2 – 06/02/2009

DIREITO COMERCIAL BRASILEIRO: Fase Colonial; Fase Imperial; Fase Republicana. PRINCIPAIS
RAMOS DO DIREITO COMERCIAL: Teoria Geral do Direito Comercial; Direito Societário; Direito
Cambiário; Direito Falimentar; Direito Bolsístico; Direito Securitário; Direito de Navegação; Direito da
Propriedade Industrial.

(...) – a aula já tinha começado; o mp3 player estava distante; Aderaldo conversava muito...
esse início é a exposição do que foi dado na aula passada.

Ato de comércio subjetivo e ato de comércio acessório.

(...)

Um cidadão chamado de Cesário (César) discutiu essa divisão do direito privado, dizendo que
não tinha razão para essa divisão, foi severamente criticado. Mas aos poucos, principalmente
lá na Itália, abraçando os teóricos de direito comercial, abraçando a teoria de Benedito
Mussoline, então trouxe a idéia de coorporação, trazendo aqui para a teoria de empresa, ou
seja, seria aquele titular da atividade negocial e não seria mais o comerciante, e sim o
empresário.

Empresário seria aquele que reúne os fatores de produção, o capital e o trabalho; portanto a
mão-de-obra, isso de maneira organizada e por sua conta e risco. E ai, fazendo surgir a idéia
de funcionamento do Estado, trazendo a teoria de Mussoline.

Então ai, com a necessária adaptação, nós temos no atual C.C. (Código Civil) no art.966 a
definição do que seria empresário: empresário é aquele que exerce profissionalmente
atividade econômica organizada, visando a produção – olha, antigamente esta atividade, meio
de produzir, não era considerada de comerciante – a circulação de bens – ai sim a atividade de
comerciante – e a prestação de serviços – uma outra atividade que não era considerada
atividade comercial. Então, deu uma abrangência maior, surgindo a figura do empresário.

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens ou de serviços

Lá na Itália, esse período, teve início na década de 1940 e no Brasil, só com a entrada em
vigor do atual C.C.. Ok? Bom, isto aqui foi visto ontem.

DIREITO COMERCIAL BRASILEIRO

No Brasil, temos essas etapas aqui:

-FASE COLONIAL

Na fase Colonial, você sabe que o brasileiro não poderia produzir absolutamente nada. Se
quisesse adquirir qualquer bem manufaturado, tinha q vir da Europa, de Portugal. A legislação
aplicada era as ordenanças do rei de Portugal, as ordenanças afonsinas, manuelinas e filipinas.
Um período bastante importante foi a vinda da coroa portuguesa para o Brasil em 1808,
inclusive quem assistiu aquele seriado da globo, O Quinto dos Infernos, retrata muito bem
essa época. Então aqui, em 1808, a coroa portuguesa fugindo dos franceses vieram para o
Brasil – vocês sabem aquele detalhe todo da cabeça raspada, por causa de piolho, pulga etc
durante a viagem. Temos aqui um elemento importantíssimo:

O primeiro deles foi a abertura dos portos, pois antes não poderiam aqui atracaram nenhuma
outra embarcação de outra bandeira, a não ser dos ingleses, devido a um tratado de 1600 e
pouco, permitindo, desde que na vinda e no retorno os navios ingleses passassem uma vistoria
em Portugal. Ai, com esse visto, poderia atracar. Então, o que é que aconteceu? Os ingleses,
desde a idade media, incentivaram a pirataria e em conseqüência escritórios na Inglaterra
facilitava o contrabando de produtos brasileiros. – aqui vcs sabem q não tinha ninguém
corrupto, aqui no Brasil, já havia corrupto, já nessa época. E a coroa portuguesa se
preocupando com essa evasão de recursos naturais, baixou uma lei, uma ordenança, dizendo
que: se certa pessoa fosse flagrada facilitando o contrabando de uma das 17 madeiras nobres
elencadas, dependendo da quantidade poderia ser açoitado em praça pública, preso, preso e
açoitado; poderia, dependendo da gravidade, se reincidente, poderia ser deportado para a
África e se a pessoa fosse irrecuperável, deportado para o Brasil, a pena máxima. Alguém
desavisado diria que foi a primeira lei ambiental, mas o objetivo dela não era a preservação de
nossos recursos naturais, e sim a preservação dos interesses econômicos da coroa portuguesa.
Essa lei não é uma lei ambiental, é de cunho econômico. Por isso que se fala, madeira de lei,
madeira de lei é a que esta constando numa dessa relação; madeira de lei, madeira que consta
na lei, posto num alvará. Isto, só a título de observação. Aqui só podia atracar poderia atracar
navios ingleses se na vinda e na ida atracasse no porto lá em Portugal – isso vacilou
enormemente o contrabando. Ai, em 1808, com a vinda da coroa portuguesa a primeira
determinação foi a de abertura dos portos para as nações amigas, isso é um ponto
importantíssimo q fomentou o desenvolvimento e a vinda de italianos, portugueses, em fim,
dos europeus para o Brasil; isso fomentou o desenvolvimento e facilitou a vinda dessas
pessoas para o Brasil- com a abertura dos portos.

A outra medida também importante foi a criação do Ministério de Desenvolvimento,


Comércio, Agricultura, Manufatura – um nome enorme. Tinha objetivo de um amplo
desenvolvimento.

Outra medida interessante, visando Tb o desenvolvimento de nossa colônia, foi a criação do


Banco do Brasil, para financiar e propiciar o desenvolvimento, em 1808, agora completou 200
anos, no ano passado, em fevereiro do ano passado.

Outra medida foi a criação da Real Junta Comercial, com o objetivo de registrar os
comerciantes. Ok? Com isso, claro, houve aquele crescimento gigantesco no Brasil. Ok?
Bom.

-FASE IMPERIAL

Com o retorno da coroa portuguesa à Portugal e já sabendo de nossa intenção de nos


tornarmos independentes, deixa o príncipe Dom Pedro, que com sua bravura decretou a
Independência do Brasil, mas sabemos que a historia é outra: foi uma maneira de perpetuação
da coroa portuguesa, para que tivesse alguém aqui mandando. Então. O que que acontece?
Com a independência do Brasil, toda a legislação de Portugal foi recepcionada aqui com as
devidas adaptações.
Em 1832, um período de turbulência política, com vários deputados sendo assassinados,
perseguição política, foi elaborado uma comissão para elaboração do anteprojeto do C.Cm.
(código comercial). Em 1834, este anteprojeto já estava concluído e enviado para mo
congresso; e ficou em tramitação até 1850, quando foi editado o atual C.Cm..

Este C.Cm. constava de parte geral, que foi revogado agora com o C.C. e tratava da figura do
comerciante, entidades comerciais, agentes auxiliares de comercio, os requisitos para o
exercício da atividade comercial etc. Teve como base o C. Comercial Francês de 1808. A
segunda parte, que ainda esta em vigor, trata do comércio marítimo. E a terceira parte tratava
das quebras, hoje falências, mas foi revogado, não durou muito tempo não.

O C.Cm tinha um retrocesso muito grande que era o título único que tratava dos tribunais de
comércio – veja que foi um retrocesso para a fase corporativista, tendo uma justiça própria –
mas é claro que foi severamente criticado esse título único e antes da Proclamação da
República foi revogado; só durou 20 e poucos anos. Então, as contendas envolvendo
comerciantes e entidades comerciais passam a ser julgadas pela justiça comum.

-FASE REPUBLICANA

Depois da Proclamação da República, a Real Junta Comercial passa a ser Junta Comercial,
mas como a mesma atribuição: registro dos comerciantes e das entidades comerciais. Isso
permaneceu até a lei 8.934, com alguma modificações do atual CC (agente vai estudar isso
mais na frente).

Depois, em 1908, tivemos um decreto-lei tratando dos títulos de crédito e outro tratando das
quebras. Em 1910-12, tinha um cidadão chamado Inglês de Sousa, convocado para elaborar o
C.C.; havia uma comissão formada por Clóvis Beviláqua e outros; pois até então não existia
Código Civil, o que havia eram as ordenanças do reino de Portugal. O CC entra em vigor em
1917, publicado em 1916, e revogado agora em 2002.

Em 1919, nós tivemos um decreto-lei (nº 3.708) que tratava de ‘sociedade por quota de
responsabilidade limitada’ um decreto com várias imperfeições e que sofria severas críticas.
Foi derrogado com o atual C.C.. Agora, o que há é sociedade limitada.

Na década de 1930, o Brasil foi signatário da chamada ‘lei uniforme de Genebra’, que tratava
de letra de câmbio e nota promissória, buscando dá uniformidade a nível praticamente global
e uma segurança maior de resgate daquela importância. Surgiu uma celeuma muito importante
porque o congresso não decretou, apenas na década de 1960 o presidente decretou, aí a
questão foi parar no Supremo (pq para recepcionar uma norma internacional deve haver
decreto do Congresso) que acabou aceitando esta situação, continuando em vigor, mas com
reservas.

Em 1945, tivemos a edição do decreto-lei 7661 – lei de falência e concordata. Que terminou
sendo revogada pela lei 11.101/05. Atualmente, não temos a concordata, nem a preventiva
nem a suspensiva; nós temos a recuperação judicial e extra-judicial, e continua a falência,
quando não é mais recuperável, para preservar os interesses dos credores.

Bom, na década de 1960, tivemos aí: a lei do cheque, duplicata mercantil de serviço e foi feita
a comissão para elaboração do atual CC., que tramitou por vários anos, e já o vemos
ultrapassado – engenharia genética, reprodução humana, muita coisa o CC deixou de abordar
justamente pelo atraso, pela demora e pq não se imaginava muito nossa atual situação. Mas
abraçou a teoria da empresa.

Bom, já citei em 2005 uma lei importante, mas houve vária outras: lei de registro público de
empresas mercantis e atividades afins (de 1994), a lei da propriedade industrial (de 1996) etc.,
que serão melhor abordadas no decorrer de nosso curso.

Em 2006, temos a Lei Complementar nº. 123 (Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e
da Empresa de Pequeno Porte entre outras coisas) que trata da Microempresa e da Empresa de
Pequeno Porte e do conceito de pequeno empresário, além de outros fatores de matéria
trabalhista, previdenciário, fiscal, enfim, uma lei que visa a proteção do pequeno
empreendedor.

Ai vc vê, que podemos notar alguns avanços no direito comercial, mas carece de uma
modificação mais ousada. Estamos caminhando para isso com o governo Lula.

PRINCIPAIS RAMOS DO DIREITO COMERCIAL

- TEORIA GERAL DO DIREITO COMERCIAL

Estuda o objeto, a delimitação do dir. comercial. Quais seus princípios, suas características,
sua abrangências, seus titulares etc.

- DIREITO SOCIETÁRIO

Estuda as sociedades empresárias (não é empresarial; antiga sociedade comercial) e a


sociedade simples (antiga sociedade civil). Veremos ainda este semestre.

- DIREITO CAMBIÁRIO (OU CARTULAR)

Estuda os títulos de crédito: cheque, duplicata mercantil, letra de câmbio, nota promissória
etc. Assunto do próximo semestre.

- DIREITO FALIMENTAR (OU CONCURSAL)

Estuda a falência, a recuperação judicial, a recuperação extra-judicial e os crimes previstos


pela Lei 11.101.
A falência é um instituto direcionado apenas ao empresário e à sociedade empresária. Quem
se enquadrar no conceito de empresário está sujeito à falência; quem não se enquadra (pessoa
física, sociedade simples etc.) estará sujeito a um instituto similar, a insolvência civil. A
falência é o último recurso, pois a lei possibilita a recuperação, e é decretada pelo juiz, por
iniciativa de um credor ou do titular da empresa.
A recuperação judicial é feita perante o judiciário quando a empresa ainda é viável.
A recuperação extra-judicial é feito pela proposta de acordo do titular da empresa perante os
credores ou 3/5 (60%) deles (plano de recuperação extra-judicial), sendo facultativo a
homologação do judiciário caso haja acordo com a totalidade de credores.

- DIREITO BOLSÍSTICO
Estuda as ações nas bolsas de mercadorias e valores e os títulos do dívida pública.
As bolsas de mercadorias também trata do mercado futuro, como a negociação de uma safra
futura.

- DIREITO SECURITÁRIO

Estuda os contratos de seguro, os segurados e as empresas de seguros; que é a atividade


controlada pela SUSEP.

- DIREITO DE NAVEGAÇÃO

Estuda a navegação marítima, fluvial e aérea.

- DIREITO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL

Estuda os privilégios dos bens patenteáveis: as invenções (algo novo, não compreendido na
área técnica, que não existia) e os modelos de utilidade (inovação do que já foi criado); os
registros de marcas, de desenho industrial, de indicações geográficas; além dos crimes etc. É
regulamentado por uma lei própria e por dispositivos correlatos.

Bom final de semana a todos e até a próxima!