Ação do vento
Neste item são apresentados os principais procedimentos para a determinação da ação do vento sobre edificações, extraídos da NBR 6123 (ABNT, 1988).
2.3.1 Procedimentos para o cálculo das forças devidas ao vento nas edificações
As forças devido ao vento devem ser calculadas separadamente para: elementos de vedação e suas fixações (telhas, vidros, esquadrias, painéis de vedação, etc.); partes da estrutura (telhados, paredes, etc.); e estrutura como um todo. Além disso deve ser dada atenção também para a verificação da estrutura parcialmente executada, utilizando-se uma velocidade característica do vento menor.
2.3.1.1 Determinação das forças estáticas devidas ao vento
a) definir a velocidade básica do vento V 0 , para a região;
b) determinar a velocidade característica, V k :
S
3
para: q em N/m 2
V k em m/s
2.3.1.1.1 Coeficientes de pressão
Como a força do vento depende da diferença de pressão nas faces opostas da parte da edificação em estudo, os coeficientes de pressão são dados para superfícies externas e
superfícies internas.
Pressão efetiva ( p ), em um ponto da superfície de uma edificação:
p
pe
pi
p
c
pe
sendo:
pi = pressão efetiva interna; c pe = coeficiente de pressão externa; c pi = coeficiente de pressão interna. A seguinte notação é válida:
pe = pressão efetiva externa;
Coeficientes de pressão (interno ou externo):
|
sobrepressão
|
+ |
|
sucção Pressão efetiva (externa): |
- |
|
sobrepressão
|
+ |
|
sucção |
- |
2.3.1.1.2 Coeficientes de pressão
A força do vento sobre um elemento plano de edificação de área “A”, atua em direção
perpendicular ao mesmo, sendo dada por:
sendo:
F
F
F
e
C
F
i
e
C
i
F e = força externa à edificação, na superfície “A”; F i = força interna na edificação, na superfície “A”; C e = coeficiente de forma externa; C i = coeficiente de forma interno.
1
A seguinte notação é válida:
Coeficientes de forma (interno ou externo):
|
sobrepressão
|
+ |
|
sucção Força do vento (externa): |
- |
|
sobrepressão
|
+ |
sucção De acordo com a NBR 6123 (ABNT, 1988), a pressão interna é uniformemente distribuída no interior da edificação, portanto para superfícies planas, pode admitir que c pi é igual a C i . - |
|
2.3.2 Velocidade característica do vento V k
2.3.2.1 Velocidade básica V 0
Velocidade básica do vento V 0 , é definida como a velocidade de uma rajada de 3 segundos, excedida em média uma vez em 50 anos a 10 metros acima do terreno em campo aberto e plano. A velocidade básica é obtida a partir das isopletas fornecidas pela norma. Na figura abaixo, apresenta-se as isopletas para o Brasil.
FIGURA 21 – Isopletas da velocidade básica (m/s) – (Fonte: NBR 6123 - ABNT, 1988)
2.3.2.2 Fator topográfico S 1
Este fator leva em consideração as variações do relevo do terreno sendo determinado de acordo com os procedimentos apresentados abaixo:
a) Terreno plano ou fracamente acidentado: S 1 = 1,0;
b) Taludes e morros:
2
FIGURA 22 – fator topográfico S 1 (z) - (Fonte: NBR 6123 - ABNT, 1988) Nos pontos A (morros) e, A e C (taludes): S 1 = 1,0; No ponto B (S 1 (z)):
S 1 (z) = 1,0;
6
17
S
1
( z ) 1, 0
2
,
5
S
1 1,
( z )
0
2
,
5
< 45 , vale a interpolação linear. Para regiões
entre A e B e, B e C, S 1 também é obtido por interpolação linear.
z = altura medida a partir da superfície do terreno no ponto considerado; d = diferença de nível entre a base e o topo do talude ou morro; = inclinação média do talude ou encosta do morro.
c) Vales profundos protegidos do vento: S 1 = 0,9.
2.3.2.3 Rugosidade do terreno, dimensões da edificação e altura sobre o terreno: fator S 2
Este fator combina os efeitos da rugosidade do terreno, variação da velocidade do vento com a altura acima do terreno e as dimensões da edificação ou parte da edificação em consideração. 2.3.2.3.1 Rugosidade do terreno Categoria I: Superfícies lisas de grandes dimensões, com extensão superior a 5 Km na direção e sentido do vento. (Exemplos: mar calmo, lagos e rios, pântanos sem vegetação). Categoria II: Terrenos abertos em nível, com poucos obstáculos isolados, como árvores e edificações baixas com cotas médias inferiores a 1,0 metro. (Exemplos: zonas costeiras planas, pântanos com vegetação rala, campos de aviação). Categoria III: Terrenos planos ou ondulados com obstáculos, tais como sebes ou muros, poucos quebra-ventos de árvores, edificações baixas e esparsas, com cota média dos obstáculos de 3,0 metros. (Exemplos: granjas e casas de campo, fazendas com sebes e/ou muros, subúrbios a considerável distância do centro com casas esparsas e baixas). Categoria IV: Terrenos cobertos por obstáculos numerosos e pouco espaçados, em zona florestal, industrial ou urbanizada, com cota média dos obstáculos de 10 metros. (Exemplos:
Para os seguintes intervalos: 3 <
<6
e 17
<
sendo:
zonas de parques e bosques com muitas árvores, cidades pequenas e seus arredores, subúrbios densamente construídos de grandes cidades, áreas industriais plena ou parcialmente desenvolvidas).
3
Categoria V: Terrenos cobertos por obstáculos numerosos, grandes, altos e pouco espaçados, com cota média do topo dos obstáculos maior que 25 metros. (Exemplos: florestas com árvores altas de copas isoladas, centros de grandes cidades, complexos industriais bem desenvolvidos).
2.3.2.3.2 Dimensões da edificação Classe A: Toda edificação na qual a maior dimensão horizontal ou vertical não exceda 20 metros. Classe B: Toda edificação para a qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície frontal esteja entre 20 e 50 metros. Classe C: Toda edificação para a qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície frontal exceda 50 metros. OBS.: Caso alguma dimensão exceda 80 metros, deve-se verificar o anexo A da norma. O valor de S 2 é obtido a partir da tabela abaixo:
4
TABELA 1 – Fator S 2 - (Fonte: NBR 6123 - ABNT, 1988)
2.3.2.3.3 Fator estatístico S 3 Este fator leva em conta o grau de segurança e a vida útil da edificação. Os valores de S 3 estão apresentados na tabela abaixo:
TABELA 2 – Fator S 3 - (Fonte: NBR 6123 - ABNT, 1988)
2.3.3 Coeficientes aerodinâmicos para edificações correntes
2.3.3.1 Coeficientes de pressão e de forma
Para o cálculo de elementos de vedação e de suas fixações a peças estruturais deve-se utilizar o fator S 2 correspondente à classe A, com o valor de C e ou c pe médio aplicável à zona em que se situa o respectivo elemento. Para o cálculo das peças estruturais deve ser usado o fator S 2
5
correspondente à classe A, B ou C com o valor de C e aplicável à zona em que se situa a respectiva peça estrutural.
TABELA 3 – Coeficientes de pressão e de forma, externos, para paredes de edificações de
planta retangular - (Fonte: NBR 6123 - ABNT, 1988)
Na região A 3 :
Para a/b=1:
Para a/b 2:
Para 1<a/b<2:
mesmo valor das partes A 2 e B 2 ; C e =-0,2; Interpolar linearmente.
6
TABELA 4 – Coeficientes de pressão e de forma, externos, para telhados com duas águas, simétricos, em edificação de planta retangular - (Fonte: NBR 6123 - ABNT, 1988)
Para vento a 0 , nas partes I e J o coeficiente de forma C e tem os seguintes valores:
Para a/b=1:
Para a/b 2:
Para 1<a/b<2:
mesmo valor das partes F e H; C e =-0,2; Interpolar linearmente.
7
2.3.3.2 Coeficientes de pressão interna (c pi = C i )
Se a edificação for impermeável, não há c pi . São considerados impermeáveis os seguintes elementos construtivos e vedações: paredes de alvenaria sem portas, janelas ou quaisquer outras aberturas; todos os demais são considerados permeáveis. Define-se o índice de
permeabilidade de uma parte da edificação à relação entre área das aberturas e a área total desta parte, sendo permitido um valor máximo de 30%, exceto para o caso de abertura dominante, sendo esta, uma abertura cuja área é igual ou superior à área total das outras aberturas que constituem a permeabilidade considerada sobre toda a superfície externa da edificação. De acordo com a norma são abordados os seguintes casos:
a) Duas faces igualmente permeáveis; as outras faces impermeáveis:
vento perpendicular a uma face permeável c pi = +0,2
vento perpendicular a uma face impermeável c pi = -0,3
b) Quatro faces igualmente permeáveis:
considerar o valor mais nocivo entre c pi = -0,3 e 0
c) Abertura dominante em uma face; as outras faces de igual permeabilidade:
- abertura dominante na face de barlavento. Proporção entre a área de todas as
aberturas na face de barlavento e a área total das aberturas em todas as faces submetidas a
sucções externas:
|
1 |
c pi = +0,1 |
|
1,5 |
c pi = +0,3 |
|
2 |
c pi = +0,5 |
|
3 |
c pi = +0,6 |
|
6 ou mais |
c pi = +0,8 |
- abertura dominante na face de sotavento:
Adotar o valor do coeficiente de forma externo, C e , correspondente a esta face (Tabela 3).
- abertura dominante em uma face paralela ao vento:
Abertura dominante não situada em zona de alta sucção externa, adotar o valor do coeficiente
de forma externo, C e , correspondente ao local da abertura nesta face. Abertura dominante situada em zona de alta sucção externa, proporção entre a área de
abertura dominante (ou área das aberturas situadas nesta zona) e a área total das outras aberturas situadas em todas as faces submetidas a sucções externas:
|
0,25 |
c pi = -0,4 |
|
0,50 |
c pi = -0,5 |
|
0,75 |
c pi = -0,6 |
|
1,0 |
c pi = -0,7 |
|
1,5 |
c pi = -0,8 |
|
3,0 ou mais |
c pi = -0,9 |
Para edificações efetivamente estanques e com janelas fixas que tenham uma probabilidade desprezível de serem rompidas por acidente, considerar o mais nocivo entre 0,2 e 0.
8
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