De 15 a 24 de Abril no Centro Social Autogerido de Toulouse, França.

Desde há 5 anos para cá, nós, membros da CREA (Campanha de Requisição, Ajuda Mutua e autogestão), ocupamos
edifícios vazios, públicos ou privados, para ter casa, organizarmo-nos, viver segundo as nossas próprias necessidades e
os nossos próprios meios. Rejeitamos ver uma cidade transformar-se de acordo com os desejos dos ricos e ver que os
interesses financeiros levam a uma guerra contra os pobres. Desde o início das nossas acções que nos opomos às
lógicas especulativas da miséria organizada pelos poderes estabelecidos e pelo capitalismo, porque queremos viver
com dignidade; não surpreende a ideia de que sofremos repressão que aumenta de ano para ano. Sabemos, como
vocês, que isso não vai parar, porque as nossas lutas ameaçam os seus interesses e privilégios. À nossa exigência de
justiça social e dignidade, respondem com violência repressiva que justificam com grandes discursos políticos e de
justiça burguesa. Durante todos estes anos não nos deixaram de lado: mais de 80 despejos, dezenas de processos,
todo o tipo de pressões, golpes, humilhações… Assim, sentimo-nos naturalmente relacionados com outras histórias…
Da absolvição de Damien Saboudjan, o polícia que assassinou Amine Bentounsi, aos trabalhadores da Goodyear
condenados a prisão por defender os seus postos de trabalho; às condições desumanas dos refugiados de Calais; ao
racismo contra os habitantes dos bairros populares; ao controlo administrativo de qualquer tipo de prisão pura e
simples; à criminalização do movimento BSD; até ao estado de emergência…
A repressão continua e aumenta o seu trabalho a longo prazo.
Por isso, apelamos a dar forma, por nós e para nós mesmos, a uma rede de auto-defesa. Estabelecemos dez dias em
Abril para criar momentos onde podemos encontrar-nos para falar sobre diferentes formas de repressão que sofremos
a nível local, mas também a nível nacional e internacional. Dez dias para nos encontrarmos, organizarmo-nos, ter um
intercâmbio de análises e estratégias, construir ferramentas, criar redes para ampliar e alimentar a luta aqui (e em
todas as partes) e agora, para que sejamos mais fortes perante a repressão cada vez maior.
Trata-se de construir uma frente comum mantida por gente no terreno, que se oponha à repressão no dia-a-dia, para
desenvolver ferramentas adequadas. Esta iniciativa engloba-se na continuidade de encontros precedentes realizados
por outros colectivos onde se participou (como a jornada de apoio aos acusados de Villiers-le-Bel, no verão passado) e
é nesse estado de ânimo que queremos, hoje, tentar construir uma resposta comum à exigência do nível do problema.
Para estes dez dias foram iniciadas algumas ideias: construir ideias estes dias, em torno da luta particular e/ou da
forma de repressão vivida por uns e outros. Desenvolver também temas à volta de diferentes formas de repressão, que
não faltam: papéis, fronteiras, violência policial, alojamento, requisição, aborrecimentos administrativos, modo de
olhar os bairros populares, violência laboral, plano de despejos, racismo, islamofobia, ciganofobia, prisões de todo o
tipo, luta contra o patriarcado, sexismo, homofobia, transfobia, fascismos… Será também uma ocasião para vincular as
nossas lutas locais e a nossa solidariedade com os combatentes anti-colonialistas e anti-imperialistas, encabeçadas por
todos os povos em luta (Curdos, Palestinianos…).
Estes dias serão também ocasião para a troca intercultural através de festas, concertos no fim-de-semana e momentos
amistosos durante as jornadas: cozinha popular, actividades para crianças, intercâmbio de conhecimentos, microfone
aberto… Uma parte dos lucros vai para uma caixa anti-repressão do CREA (utilizada para pagar todos os gastos
inerentes ao movimento: multas, advogados e administrativos, ingressos…) e o que sobra será partilhado com as
organizações/colectivos presentes e que necessitem.
A programação destes dez dias não está definida, o que quer dizer que cada colectivo e organização pode participar
concretamente na planificação de novos temas e iniciar actividades segundo o modo mais adequado que
encontrámos: palestras, workshops, acções, projeções…
Enquanto as vossas respostas chegam, está ser estabelecido um plano, e será transmitido à medida que vá estando
pronto, até ao programa definitivo no final de Fevereiro. Pedimos que nos comuniquem a vossa disponibilidade o mais
cedo possível para os dias de 14 a 24 de Abril. Se planeias algo, envia por mail o tema, a hora, o tempo de duração
estimado e uma descrição.
Esperamos que se tenha transmitido a nosso desejo/vontade e a nossa motivação!
Tudo para todxs!
Poder ao povo!
Mail para a organização: antirepcrea2016@riseup.net
www.autodefensepopulaire.net
Facebook: 10 jours d'autodéfense populaire

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