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2 Opinião Florianópolis, abril de 2010

O UNIVERSITÁRIO EDITORIAL ZERO NO TEMPO


e as esculturas
Felipe Machado
Proximidade e confiança
Passava um pouco das 6h quando a direto- os aparelhos, mas que teriam que se compro-
ra da Escola Estadual de Educação Básica Leo- meter a mantê-los desligados durante as au-
poldo Meinen ouviu um barulho estranho em las. Funcionou”, conta. Quando se afastou da
frente à sua casa, na pequena cidade de Forta- direção, no fim de 2009, Jurema voltou a ser
leza dos Valos, planalto médio gaúcho. Jurema homenageada pela comunidade.
Catarina Bastos Fontana acordou o marido e A história de Jurema é uma exceção em
foi ver o que estava acontecendo. Lá fora, pais, meio a tantas notícias de violência contra pro-
alunos e professores faziam uma serenata em fessores. Reportagem do jornal O Dia revelou
homenagem ao Dia do Diretor. que, no Rio de Janeiro, a diretora da Escola Mu-
O episódio aconteceu em 12 de novembro nicipal General Humberto de Souza Mello foi
de 2006, quase três anos depois de Jurema ter agredida e ameaçada de morte por alunos do
assumido a direção da escola. Lá, eles nunca ti- Ensino Fundamental. Professores afirmam que
veram problemas com violência, mas ela sentia ela foi alvo de socos e pontapés ao tentar sepa-
falta de uma relação mais próxima com a co- rar uma briga. Com medo, a diretora disse à
munidade. Jurema passou então a convidar os polícia que as agressões foram apenas verbais.
pais a participarem das atividades do colégio. Nesta edição uma reportagem especial tenta
Nem todos se animaram, é claro, mas a direto- entender as razões dessa violência. As explica-
ra insistiu. “Nós organizamos jantares, fizemos ções são muitas, e a maioria das causas apon-
camisetas. Aos poucos, os outros pais começa- tadas está longe do alcance da escola. Reflexo O velho telefone fixo anda tão obsoleto
ram a aparecer”, lembra. E não só para jantar. da violência na sociedade e da desestruturação quanto o verbo discar. Por isso mesmo a re-
- Inspirado na obra de Frankl Aos sábados, Jurema organizava mutirões de das famílias, uma legislação que deixa os pro- portagem do ZERO sobre o Disque-amizade,
in
e com um nome que bem pod Cascaes
eria ser de pais para realizar pequenas obras no colégio. fessores sem ação. Falta estrutura, os salários publicada em maio de 1994, exala mais do que
uma música de Caetano Veloso
Incandescente foi a grande atr , o Boitatá Com os estudantes, a relação é baseada na são baixos. Por fim, o grande número de alunos um compreensível cheiro de naftalina. Para a
começo de semestre na UFSC. ação desse confiança. “Esses tempos quiseram proibir o atendidos por cada professor impede que se crie maioria dos universitários, a ideia de aprovei-
Com seus uso de celulares na escola. Eu não deixei. Cha- uma relação mais próxima entre eles – como tar uma distração dos pais para pegar o telefone
15 metros de altura e 1897 qui
escultura construída com ma los, a mei os alunos e disse que eles poderiam trazer aquela conquistada em Fortaleza dos Valos. escondido e discar 145 não faz nenhum sentido.
ter
reaproveitado da Ponte Hercíli ial Agora, se alguém viesse falar de um serviço que
teria mesmo como passar des o Luz não
per
CHARGE junta, aleatoriamente, cinco desconhecidos em
– o que não seria motivo par cebida uma mesma sala de bate-papo, não haveria ne-
a descuidar nhuma surpresa. Iam achar que era um novo
da publicidade.
tipo de chat.
Logo no título, a matéria avisa que “roda
de amigos, piadas e palavrões povoam 145”. Ao
- Notas distribuídas à imprensa, autorida- lado, uma correlata define o serviço de bate-
des presentes, discursos prontos. A reitoria papo como “o paraíso dos voyeurs”. Tudo muito
não havia planejado nada de diferen- familiar ao que seria dito alguns anos depois
te para a inauguração da escultura, sobre a internet. O Disque-amizade, que come-
colocada às margens do lago que separa çou a ser oferecido em Florianópolis em 1990,
o Centro de Cultura e Eventos e o Centro funcionava 24 horas por dia, custava duas vezes
de Convivência da UFSC. Eis então que o mais que uma ligação normal e agrupava até
Diretório Central dos Estudantes (DCE) cinco linhas. Em uma central, quatro monito-
entra em cena com o que estava faltando. ras direcionavam e acompanhavam as ligações.
Armados de pranchas de surfe, boias e Quem ligava só para contar piada, falar pala-
máscaras de mergulho, os estudantes
vrão e perturbar os outros era advertido.
invadem - ou melhor, ocupam - a água.
Nesta edição, o ZERO traz uma reportagem
sobre o ChatRoulette. Assim como no 145, os
- A manifestação era contra encontros no site criado por Andrey Ternovskiy
o dinheiro
gasto na revitalização do lag são completamente aleatórios. Existem algumas
o.
contra o Boitatá, muito pelo Nada diferenças, é claro. No ChatRoulette são agru-
con
O DCE só acha que existem coi trário. padas apenas duas pessoas por vez, que, além
importantes do que uma obr sas mais de conversarem, podem se ver por meio das
a
tica. Salas de aula, por exemp paisagís- Sobre a chargista Para os chargistas webcams. O alcance também é um pouquinho
lo. Mas o
protesto lança luz sobre a já maior. Enquanto o 145 oferecia 24 grupos de até
incandescen- Maria Luiza Gil tem 20 anos e é estudante de Se você é daqueles que quando lê uma notícia
te figura do Boitatá e faz bro cinco pessoas, o novo chat já tem mais de dez
tar
dos insatisfeitos dúvidas sob no peito Jornalismo da UFSC. Atualmente estagia como logo a imagina numa charge, desenhe para
mil usuários cadastrados em todo mundo.
re o futuro de fotógrafa da Agência de Comunicação da UFSC. o ZERO e envie para zero@cce.ufsc.br. Sua
uma escultura na UFSC.
Para entrar em contato com a autora, escreva charge pode ser publicada nesse espaço e fazer
para o e-mail marialuizagil@yahoo.com.br parte das próximas edições do jornal.
ardião
- Coberto de rachaduras, O Gu ta arca do
permanece sentado em sua gas REDAÇÃO Cinthia Raasch, Dael Limaco, Fernanda Burigo, Francisco Dantas, Larissa Cabral, Leonardo Gorges,
bosque ao
saber. Escondida no pequeno a, a obra de Luíza Fregapani Silva, Maria Luiza Gil, Mariana Porto, Marina Martini Lopes, Rafael Balbinotti, Rayani Mariano
lado da Bibliot eca Un ive rsit ári dos Santos, Yasmine Holanda Fiorini EDIÇÃO Capa Felipe Machado Opinião Daniel Ludwich Entrevista Ga-
pelos alunos
Elke Hering é vista de costas briela Cabral Debate Marcone Tavella Geral Daniela Ferreira, Felipe Machado Saúde Natalia Izidoro Educação
de est udo indivi-
que frequentam a sala Alessandra Lopes Flores Especial Anna Bárbara Medeiros Economia Fábio Queiroz, Rafael Hertel, Thomas
par ece m ser os seus
dual. Mas esses não Michel Comportamento Ana Clara Montez Esporte Bruno Volpato Contracapa Verônica Lemus Imagem
verdadeiros admiradores. Felipe Machado Fotografia Felipe Machado, Larissa Cabral, Maria Luiza Gil, Rafael Balbinotti, Rayani Ma-
riano dos Santos Editoração Cinthia Raasch, Cláudia Mussi, Daniel Ludwich, Felipe Machado, Fernanda
Burigo, Jacqueline de Carvalho Moreno, Joice Balboa, Marcone Tavella, Maria Luiza Gil, Mariana Porto, Marina
- Bitucas de cigarro, um maço vazio, JORNAL LABORATÓRIO ZERO Martini Lopes, Natalia Izidoro, Nathale Ethel Fragnani, Nathalia Vieira Carlesso Infografia Joice Balboa,
fatias chupadas de limão, sachês de sal Ano XXVIII - Nº 1 - Abril de 2010 Maria Luiza Gil, Mariana Porto, Nathale Ethel Fragnani, Rafael Balbinotti professor-Coordenador
usados. Um saco de gelo, sacolas de três Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC Jorge Kanehide Ijuim MTb/SP 14.543 Coordenação Gráfica Sandro Lauri Galarça MTb/RS 8357
supermercados diferentes, latas de cerveja Fechamento: 7 de abril Monitoria Gabriela Cabral, Juliana Passos Impressão Diário Catarinense Circulação Nacional
e uma pacote vazio de Lovetex. Ainda pró- Tiragem 5.000 exemplares
ximas ao círculo de concreto que sustenta Curso de Jornalismo - CCE - UFSC - Trindade
a escultura, as embalagens de um picolé Florianópolis - CEP 88040-900
de limão e de um salgadinho de bacon. Tel.: (48) 3721-6599/ 3721-9490 Melhor Peça Gráfica I, II, III, IV, V e XI Set Universitário / PUC-RS (1988, 89, 90, 91, 92 e 98)
Pouco visitado durante o dia, O Guardião Site: www.zero.ufsc.br Melhor Jornal-Laboratório no I Prêmio Foca Sindicato dos Jornalistas de SC 2000
parece ter uma vida noturna agitada. E-mail: zero@cce.ufsc.br 3º melhor Jornal-Laboratório do Brasil EXPOCOM 1994