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Superior Tribunal de Justiça

AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 697.099 - RJ (2015/0089545-3)

RELATOR : MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE

AGRAVANTE : TOYLAND COMERCIAL, DISTRIBUIDORA, TECIDOS E APLICATIVOS DE CONSTRUCAO CIVIL LTDA

ADVOGADOS

:

MARCIO S. POLLET E OUTRO(S)

AGRAVADO

:

WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA E OUTRO(S) SELMA BETTINI SAMPAIO

ADVOGADO

:

ANDRÉ DALLALANA E OUTRO(S) EMENTA

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. 1. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO QUANTO AO REQUISITO DA HIPOSSUFICIÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. 2. ALTERAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO E ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. 3. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

1.

O fato do julgamento não atender à expectativa da parte, não caracteriza vício ou ausência

expectativa da parte, não caracteriza vício ou ausência de fundamentação na entrega da prestação jurisdicional.

de fundamentação na entrega da prestação jurisdicional. A Corte a quo avaliou que, diante da desigualdade estabelecida entre as partes, a cláusula de eleição de foro deveria ser anulada, devendo prevalecer o foro do domicílio da agravada no presente feito.

2.

A inversão de entendimento importa a análise e interpretação de cláusulas do contrato e o

revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado pelos enunciados n. 5 e 7 da Súmula desta Corte Superior.

3.

Agravo regimental improvido. ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, João Otávio de Noronha, Paulo de Tarso Sanseverino e Ricardo Villas Bôas Cueva (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 03 de novembro de 2015 (data do julgamento).

MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Relator

Superior Tribunal de Justiça

AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 697.099 - RJ (2015/0089545-3)

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE:

Trata-se de agravo regimental interposto por Toyland Comercial, Distribuidora, Tecidos e Aplicativos de Construção Civil Ltda. contra decisão monocrática de minha relatoria que negou provimento ao agravo em recurso especial assim ementada (e-STJ, fl. 221):

agravo em recurso especial assim ementada (e-STJ, fl. 221): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA.

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL 1. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. 2. ALTERAÇÃO DO JULGADO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. 3. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM ENTENDIMENTO DESTA CORTE. SÚMULA N. 83 DO STJ. 4. AGRAVO IMPROVIDO

Em suas razões, sustenta a agravante que "não busca o reexame fático, tampouco inovar sobre questões versadas, mas evitar uma injustiça decorrente de atecnia criada pelo juízo de Primeira Instância, que gerou uma reação em cadeia de máculas processuais, nas demais instâncias". (e-STJ, fl. 229).

Alega, ainda, que a forma utilizada pelo juiz para explicar o requisito da hipossuficiência, não satisfaz os requisitos dos arts. 165 e 458 do CPC, sendo o fundamento incompleto e sem demonstração de qualquer situação pontual a justificar a hipossuficiência da agravada.

Pretende, ao final, a reconsideração da decisão agravada ou sua reforma pela Turma Julgadora.

Impugnação ofertada às fls. 242-246 (e-STJ).

É o relatório.

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AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 697.099 - RJ (2015/0089545-3)

VOTO

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE(RELATOR):

Em que pese os fundamentos expendidos nas razões recursais, destaca-se que o Colegiado a quo se pronunciou de forma suficiente para embasar a solução da controvérsia, sobretudo quanto à nulidade da cláusula de eleição de foro firmado entre as partes.

O A Destaca-se o seguinte trecho do acórdão recorrido: "( )Depreende-se no
O
A
Destaca-se o seguinte trecho do acórdão recorrido:
"(
)Depreende-se
no

fato do julgamento não atender à expectativa da parte, não caracteriza

vício ou ausência de fundamentação na entrega da prestação jurisdicional.

Corte a quo avaliou que, diante da desigualdade estabelecida entre as

partes, a cláusula de eleição de foro deveria ser anulada, devendo prevalecer o foro do domicílio da agravada no presente feito.

do Acórdão que a 2ª Seção do Superior Tribunal de

justiça assentou entendimento de que a competência prevista no art. 39 da Lei 4.886/65, com redação alterada pela L.8.420/92, é relativa, podendo as partes elegerem local diferente daquele previsto em Lei,

salvo se houver hipossuficiência do representante ou dificuldade deste

acesso à justiça. No mesmo sentido do esposado acima também já

se

manifestou esta E. Corte de Justiça:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. AÇÃO AJUIZADA EM RAZÃO DE CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. COMPETÊNCIA DO FORO DO DOMICÍLIO DO REPRESENTANTE COMERCIAL, ESTABELECIDA PELO ART. 39, LEI Nº 4.886/65, QUE É RELATIVA, PODENDO SER OBJETO DE ALTERAÇÃO PELA VONTADE DAS PARTES, DESDE QUE ISSO NÃO IMPORTE EM OBSTÁCULO AO ACESSO À JUSTIÇA PARA A PARTE HIPOSSUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA OU VULNERABILIDADE E DIFICULDADE DE ACESSO À JUSTIÇA. ADMISSIBILIDADE DA CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. DES. HELENA CANDIDA LISBOA GAEDE - Julgamento:

30/01/2014 - DECIMA OITAVA CAMARA CIVEL - 0004725- 42.2014.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO.

O

caso em tela se subsume à hipótese acima colacionada, valendo

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destacar ainda que pelo que se verifica da documentação acostada, trata-se de contrato de adesão, onde há campo específico para inserção do nome da pessoa que pretende a representação. Portanto, não há qualquer liberdade ao contratar. Assim, constatada a hipossuficiência da agravada, andou bem a decisão recorrida que, com sensibilidade, observou o comprometimento do princípio do acesso à justiça".

Observa-se que o posicionamento está em sintonia com a jurisprudência desta Corte, que é pacífica no sentido de considerar válida a cláusula de eleição de foro, salvo quando comprovada a hipossuficiência da parte ou o prejuízo ao acesso à justiça.

A propósito, os seguinte precedentes: 1. 2.
A propósito, os seguinte precedentes:
1.
2.

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.

PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. HIPOSSUFICIÊNCIA DA REPRESENTANTE. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. NULIDADE. SÚMULA Nº 83/STJ.

O acórdão recorrido está em perfeita sintonia com a jurisprudência

deste Tribunal, firmada no sentido de que a regra de competência

prevista no art. 39 da Lei nº 4.886/1965 é relativa e destinada à proteção do representante comercial, podendo ser livremente alterada pelas partes, salvo se verificada a hipossuficiência da parte ou o prejuízo ao acesso à Justiça. Incidência da Súmula nº 83/STJ.

Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 683.773/SP,

Relator o Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, TERCEIRA TURMA, DJe de 10/09/2015);

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM

RECURSO ESPECIAL. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA DA LIDE. SÚMULA 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. VALIDADE.

1. A tese defendida no recurso especial demanda o reexame do

conjunto fático e probatório dos autos, vedado pelo enunciado 7 da

Súmula do STJ.

2. A cláusula de eleição de foro é válida quando não for comprovada a

hipossuficiência.

3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp

701.481/CE, Relatora a Ministra Maria Isabel Gallotti, QUARTA

TURMA,DJe de 27/08/2015).

Ademais, a inversão de entendimento importa a análise e interpretação de cláusulas do contrato e o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado pelos enunciados n. 5 e 7 da Súmula desta Corte Superior.

Nesse sentido:

DIREITO EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. CLÁUSULA DE

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ELEIÇÃO DE FORO. NULIDADE. HIPOSSUFICIÊNCIA DA REPRESENTANTE. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. 1. "A competência prevista no art. 39 da Lei n. 4.886/1965 é relativa, podendo ser livremente alterada pelas partes, mesmo via contrato de adesão, desde que não haja hipossuficiência entre elas e que a mudança de foro não obstaculize o acesso à justiça do representante comercial" (EREsp n. 579.324/SC, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/3/2008, DJe 2/4/2008). 2. No caso, o Tribunal de origem fixou premissas fáticas segundo as quais a representante comercial é parte hipossuficiente na relação contratual e a imposição de foro pela representada dificulta à representante o acesso à jurisdição. Alterar tais conclusões demandaria o reexame do contexto fático-probatório, o que é inviável em recurso especial (Súmula n. 7/STJ). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no EDcl no REsp n. 1.076.384/DF. Relator Ministro Antônio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJE 27/6/2013).

Antônio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJE 27/6/2013). AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM

AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. FORO DE ELEIÇÃO. ART. 39 DA LEI N. 4.886/65. COMPETÊNCIA RELATIVA, SALVO SE VERIFICADA A HIPOSSUFICIÊNCIA DA PARTE OU PREJUÍZO AO ACESSO À JUSTIÇA. REVISÃO DO JULGADO. SÚMULA 7/STJ. 1. A competência prevista no art. 39 da Lei n. 4.886/65, não obstante o seu caráter protetivo em relação ao representante comercial, é relativa, podendo ser livremente alterada pelas partes, salvo se verificada a hipossuficiência da parte ou prejuízo ao acesso à Justiça. Precedentes. 2. Na espécie, assentando o Tribunal de origem que o deslocamento da ação da comarca de Fortaleza/CE para a comarca de Igrejinha/RS restringiria o amplo acesso à Justiça dos representantes comerciais, a revisão do julgado demandaria a reapreciação do conjunto fático-probatório dos autos, providência inviável em sede de recurso especial ante o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 266.616/CE. Relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJE 12/3/2013).

havendo

agravada, nego provimento ao agravo regimental.

Diante

do

exposto,

não

É como voto.

argumentos

a

infirmar

a

decisão

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA TURMA

Número Registro: 2015/0089545-3

AgRg

no

AREsp 697.099 / RJ

Números Origem: 00428680320148190000 201524553463

EM MESA

JULGADO: 03/11/2015

Relator Exmo. Sr. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE

AUTUAÇÃO : : : : AGRAVO REGIMENTAL :
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
AGRAVO REGIMENTAL
:

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS ALPINO BIGONHA

Secretária Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA

AGRAVANTE

TOYLAND COMERCIAL, DISTRIBUIDORA, TECIDOS E APLICATIVOS DE CONSTRUCAO CIVIL LTDA MARCIO S. POLLET E OUTRO(S) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA E OUTRO(S) SELMA BETTINI SAMPAIO ANDRÉ DALLALANA E OUTRO(S)

ADVOGADOS

AGRAVADO

ADVOGADO

ASSUNTO: DIREITO CIVIL

AGRAVANTE

TOYLAND COMERCIAL, DISTRIBUIDORA, TECIDOS E APLICATIVOS DE CONSTRUCAO CIVIL LTDA MARCIO S. POLLET E OUTRO(S) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA E OUTRO(S) SELMA BETTINI SAMPAIO ANDRÉ DALLALANA E OUTRO(S)

ADVOGADOS

:

AGRAVADO

:

ADVOGADO

:

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, João Otávio de Noronha, Paulo de Tarso Sanseverino e Ricardo Villas Bôas Cueva (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator.