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FASA FACULDADE SANTO ANDRÉ. CURSO: PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM:

GEOPROCESSAMENTO E GEORREFERENCIAMENTO DE IMÓVEIS URBANOS E RURAIS.

FASA – FACULDADE SANTO ANDRÉ. CURSO: PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM: GEOPROCESSAMENTO E GEORREFERENCIAMENTO DE IMÓVEIS URBANOS

ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DAS NORMAS TÉCNICAS DE GEORREFERENCIAMENTO DE IMOVES RURAIS NO BRASIL.

MARIELY APARECIDA RIBEIRO

FASA – FACULDADE SANTO ANDRÉ. CURSO: PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM: GEOPROCESSAMENTO E GEORREFERENCIAMENTO DE IMÓVEIS URBANOS

CACOAL-RO

AGOSTO/2015

MARIELY APARECIDA RIBEIRO

ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DAS NORMAS TÉCNICAS DE GEORREFERENCIAMENTO DE IMOVES RURAIS NO BRASIL.

Trabalho de conclusão de curso Monografia - submetida à avaliação da Coordenação do Curso de Pós-Graduação da FASA Faculdade Santo André, como exigência parcial para a obtenção do Título de Especialização em:

GEOPROCESSAMENTO E GEORREFERENCIAMENTO DE IMÓVEIS URBANOS E RURAIS.

Orientador: Profª. Ms. Maildes Sampaio

CACOAL-RO

AGOSTO/2015

ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DAS NORMAS TÉCNICAS DE GEORREFERENCIAMENTO DE IMOVES RURAIS NO BRASIL.

ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DAS NORMAS TÉCNICAS DE GEORREFERENCIAMENTO DE IMOVES RURAIS NO BRASIL. MARIELY APARECIDA RIBEIRO

MARIELY APARECIDA RIBEIRO

Trabalho de Conclusão de Curso Monografia Apresentado a

Banca Examinadora e Aprovada em ___

/

/

___

___.

_______________________________________________

Prof. Orientador

_______________________________________________

Prof. Co-Orientador

________________________________________________

1º Avaliador

________________________________________________

2º Avaliador

Sumário

LISTA DE FIGURAS

LISTA DE REDUÇÕES

RESUMO

ABSTRACT

  • 1.0 INTRODUÇÃO

9

 
  • 2.0 - OBJETIVOS

11

  • 2.1 Objetivo Geral

11

  • 2.2 Objetivo Específico

11

  • 3.0 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...............................................................................

12

  • 4.0

METODOLOGIA ..................................................................................................

15

  • 5.0 ANALISE DAS NORMAS TÉCNICAS PARA GEORREFERENCIMENTO

DOS

IMÓVEIS RURAIS ...............................................................................................

16

  • 5.1 - Definição de Imóvel Rural

16

  • 5.2 - Sistema Geodésico de Referência

16

  • 5.3 - Sistema de Coordenadas e Projeção

18

  • 5.4 Imóvel Rural Passível de Georreferenciamento

20

  • 5.5 Descrição dos Limites

20

  • 5.6 Precisão Posicional

21

  • 5.7 Documentos a serem apresentados

22

  • 5.8 Análise do Processo

22

  • 5.9 Tipos de Vértices

24

5.10 Codificação dos Vértices

25

5.11- Posicionamento relativo estático

26

  • 6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

27

  • 7.0 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...............................................................................

28

LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Tipos de limites com seus respectivos códigos de

21

Figura 2- Tipos de limites com seus respectivos códigos de

21

Figura 3- Tipos de Vértices

24

Figura 4- Exemplo de Codificação dos Vértices

25

Figura 5 - Codificação dos Vértices

26

Figura 6- Características técnicas para posicionamento relativo

26

LISTA DE REDUÇÕES

Abreviações

art.

artigo

n°.

número

pg.

página

Siglas

ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas

ART

Anotação de Responsabilidade Técnica

CNIR

Cadastro Nacional de Imóveis Rurais

GNSS

Global Navigation Satellite System

GPS

Global Positioning System

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INCRA

Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

MDA

Ministério de Desenvolvimento Agrário

NAVSTAR

Navigation Satellite with Time and Ranging

NBR

Normas Brasileiras

NTGIR

Norma Técnica para Georreferenciamento de Imóveis Rurais

RMBC

Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo

RTM

Regional Transverso de Mercator

SAD-69

South Américam Datum of 1969

SCN

Sistema Cartográfico Nacional

SGB

Sistema Geodésico Brasileiro

SGL

Sistema Geodésico Local

SIGEF

Sistema de Gestão Fundiária

SIRGAS

Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas

SNCR

Sistema Nacional de Cadastro Rural

UTM

Universal Transversa de Mercator

UGGI

Union Géodésique et Géophysique Internationale

RESUMO

A necessidade de conhecer a localização da terra é antiga, existe registros históricos que

comprova a existência desta necessidade antes do Cristianismo, passando pelo Império

Romano e chegando a Revolução Industrial, mas sempre focando o mesmo objetivo.

Anteriormente à Lei nº. 10.267/01, a identificação dos imóveis rurais para fins de registro

era baseada, unicamente, em descrições literais, não havendo exigência de medições.

Com a aprovação da referida lei, criou-se a obrigação do georreferenciamento, que

consiste na descrição do imóvel rural, seus limites, características e confrontações, através

de memorial descritivo assinado por profissional habilitado, com a devida ART, contendo

as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais georreferenciado

ao SGB. Através da evolução das legislações agrárias, com o aprimoramento de técnicas

e a facilidade de disseminação de informações, o INCRA elaborou sua 1ª NTGIR em

2003, com o propósito de padronizar os processos e orientar os profissionais, tornou-se

então o principal elemento no processo de certificação de imóveis rurais. Em fevereiro de

2010, o INCRA lança sua 2ª NTGIR, trazendo mudanças sobre alguns métodos de

levantamento e posicionamento, implementando os usos de novas tecnologias, além de

rever o tempo necessário para a coleta de algumas informações. Porém o processo de

georreferenciamento no Brasil, continuava de forma lenta e ineficaz, a partir da ideia de

se automatizar o processo de georreferenciamento e se ter um controle maior sobre as

informações produzidas a partir destes processos, o INCRA decide criar o SIGEF, sistema

responsável por todos os processos de certificação sendo realizado de forma digital, para

atender a essa nova forma de certificação dos imóveis, o INCRA lança em 2013, a 3ª

NTGIR. Tendo isso em mente, foi desenvolvido o presente trabalho através da análise da

evolução das NTGIRs, com o intuito de estudar, comparar, determinar e apresentar as

diferenças entre as normativas do INCRA.

Palavras-chaves: Georreferenciamento de imóveis rurais, INCRA, NTGIR.

ABSTRACT

The need to know the land location is old, there is historical record that proves the

existence of this need before Christianity, through the Roman Empire and reaching the

Industrial Revolution, but always focusing on the same goal. Prior to Law n°. 10.267/01,

the identification of rural properties for registration was based solely on literal

descriptions, with no requirement measurements. With the approval of this law, it created

the obligation of georeferencing, which is the rural property description, its limits,

features and confrontations through descriptive memorandum signed by a qualified

professional, with due ART, containing the coordinates of the defining vertices the limits

of georeferenced rural properties to the SGB. Through the evolution of agrarian

legislation, the improvement of techniques and the ease of dissemination of information,

INCRA has produced its 1ª NTGIR in 2003 in order to standardize processes and guide

the professionals, then became the main element in the process of rural land certification.

In February 2010, INCRA launches its 2ª NTGIR, bringing some changes on survey

methods and positioning, implementing the use of new technologies, in addition to

reviewing the time needed to collect some information. But the georeferencing process in

Brazil, still slow and ineffective way, from the idea to automate the process of

georeferencing and have greater control over the information produced from these

processes, INCRA decides to create the SIGEF, accountable system by all certification

processes being carried out in digital form, to meet this new form of certification of real

estate, INCRA launches in 2013, the 3ª NTGIR. With this in mind, it developed this study

by analyzing the evolution of NTGIRs in order to study, compare, determine and present

the differences between the regulations of the INCRA.

Keywords: georeferencing of rural properties, INCRA, NTGIR.

1.0 INTRODUÇÃO

A história da propriedade imobiliária no Brasil, teve um início bastante

conturbado, antes mesmo do seu descobrimento as terras brasileiras já pertenciam ao

domínio da Coroa Portuguesa e a jurisdição da Ordem de Cristo, devido a assinatura do

Tratado de Tordesilhas em 1492 e após seu descobrimento em 1500, o primeiro

instrumento jurídico utilizado na colonização foi o regime de concessão sesmarias.

A necessidade de conhecer a localização da terra é antiga, existe registro histórico

que comprova a existência desta necessidade antes do Cristianismo. Com o passar dos

séculos, as leis foram sucedendo-se, mas toda a legislação pertinente à questão de terras,

não era capaz de sanar os problemas existentes quanto às propriedades imobiliárias

deixados pela colonização.

Foi no período do regime militar que se iniciou o processo de reforma agrária,

através da promulgação da Lei conhecida como Estatuto da Terra, que estabeleceu um

conjunto de medidas, de política agrícola, destinadas a promover o desenvolvimento rural

e criou o Cadastro de Imóveis Rurais, determinando a realização de um levantamento de

prédios rurais em todo o País, sob responsabilidade do órgão federal INCRA.

A partir do Estatuto da Terra, foram surgindo outras leis agrárias e atualmente a

lei que dispõe sobre o registro público, é a Lei n°. 6.015/73, que se encontra em vigor até

hoje alterada pela Lei n°. 10.267/01.

A Lei n°. 10.267/01, criou a obrigação do georreferenciamento, sendo

regulamentada através do Decreto n°. 4.449/02, que estipulou os prazos e sendo alterados

pelo Decreto n°. 5.570/05. Essa lei é considerada pelo governo federal como sendo a “Lei

de criação do Sistema Público de Registro de Terras” e veio estabelecer um marco

histórico para a organização territorial.

O georreferenciamento de imóveis rurais, consiste na descrição do imóvel rural,

seus limites, características e confrontações, através de memorial descritivo assinado por

profissional habilitado, com a devida ART, contendo as coordenadas dos vértices

definidores dos limites dos imóveis rurais georreferenciado ao SGB.

Com a referida lei, a especificação técnica para a definição das dimensões das

propriedades rurais deixou de ser meramente descritiva passando a exigir também a

precisão posicional, permitindo com que os dados contidos na matrícula possam ser fiéis

as representações encontradas nos limites dos imóveis rurais.

Neste sentido, o INCRA desenvolveu a primeira Norma Técnica de

Georreferenciamento de Imóveis Rurais no ano de 2003, foi elaborada com o propósito

de orientar os profissionais que atuam no mercado de demarcação, medição e

georreferenciamento de imóveis rurais visando o atendimento da Lei n°. 10.267/01.

Com as dificuldades existentes na localização, nos perímetros definidores dos

limites e na dominialidade das propriedades que muitas vezes não consegue definir o

domínio efetivo do imóvel rural através do seu registro imobiliário e das informações

constantes do SNCR, pois a situação legal não reflete a situação real encontrada no terreno

e muitos imóveis rurais estão sobrepostos a outros. Se fez necessário com o passar do

tempo, com o avanço da tecnologia e inovações em relação ao georreferenciamento fazer

alterações na 1ª NTGIR, publicando a 2ª NTGIR e aprimorando ainda mais a norma,

publicou-se no ano de 2013 a 3ª NTGIR.

Tendo essas gradativas alterações das normativas em mente, foi desenvolvido o

presente trabalho com o intuito de fazer um levantamento sobre alguns aspectos que

abrangem as três Normativas do INCRA.

2.0

- OBJETIVOS

  • 2.1 Objetivo Geral

Objetivo geral deste trabalho é analisar as orientações técnicas fixadas na Norma

Técnica para o Georreferenciamento de Imóveis Rurais em suas edições.

  • 2.2 Objetivo Específico

Este trabalho tem como objetivos específicos:

  • a) Comparar as legislações e os procedimentos técnicos a serem realizados no processo de Georreferenciamento de Imóveis Rurais;

  • b) Apresentar, estudar e determinar as mudanças que ocorreram entre as Normativas do INCRA;

3.0 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

O georreferenciamento consiste na descrição do imóvel rural em suas

características, limites e confrontações, realizando o levantamento das coordenadas dos

vértices definidores dos imóveis rurais, georreferenciados ao sistema geodésico

brasileiro, com precisão posicional fixada pelo INCRA (OLIVEIRA, 2007).

Georreferenciar uma imagem ou um mapa significa tornar suas coordenadas

conhecidas num dado sistema de referência. O georreferenciamento foi instituído em

nosso sistema jurídico via alteração dos artigos 176° e 225° da Lei n°. 6.015/73 - Lei dos

Registros Públicos e por força da Lei Federal n°. 10.267/01, que criou o CNIR e

determinou a obrigatoriedade de georreferenciamento ao SGB dos imóveis rurais após

transcorridos os prazos fixados por ato do Poder Executivo (OLIVEIRA, 2007).

Por esses dispositivos, o proprietário rural, em prazos que a norma

regulamentadora viria instituir, deveria promovê-la, mediante utilização do sistema

geodésico brasileiro e às suas expensas, em casos de desmembramento, parcelamento e

remembramento e, obrigatoriamente, em caso de alienação do imóvel rural, pena de ver

gessado o direito de fruição de seu imóvel. Tais dispositivos foram regulamentados pelo

Decreto n°. 4.449/02, que pormenorizou os deveres do proprietário.

A referida lei veio estabelecer mudanças entre o sistema cadastral e o sistema

registral. Essa nova legislação estabelece que os elementos, que compõe as informações

relativas a identificação de um imóvel rural, na qual a partir da regulamentação da lei, os

seus limites passam a serem obtidos através de um memorial descritivo, de

responsabilidade de um profissional habilitado, com a apresentação da ART. Esse

memorial descritivo deverá conter as coordenadas dos vértices definidores dos limites das

propriedades rurais, georreferenciadas ao SGB, com precisão posicional e normas

técnicas estabelecidas pelo INCRA, através de atos normativos.

Anteriormente à Lei nº. 10.267/01, a identificação dos imóveis rurais para fins de

registro era baseada, unicamente, em descrições literais, não havendo exigência de

medições. O que se percebia é que esse método era impreciso e inseguro, acarretando em

indefinições dos limites de um determinado imóvel e em superposições de áreas. Com o

advento da referida lei, foi estabelecido um novo preceito na identificação dos imóveis

rurais, com base na medição do imóvel com suporte geodésico. São inúmeros os

benefícios trazidos por essa nova sistemática, caracterizada pela padronização de

procedimentos técnicos e sua aplicação, podendo citar como principais a identificação

inequívoca dos imóveis rurais do país, a segurança aos detentores de tais imóveis e aos

terceiros e a eficiência no gerenciamento territorial (FOLE, sem data).

O georreferenciamento de acordo com a Lei n°. 10.267/01, tem duas funções

básicas: a de servir de instrumento de Registro Público, possibilitando a segurança no

tráfico jurídico de imóveis; e a de servir de instrumento de cadastro, com a finalidade

preponderantemente fiscalizatória, como, aliás, dispõe o art. 1° e seus parágrafos da Lei

n°. 5.868/72, que trata do cadastramento rural, alterado também pela dita Lei n°.

10.267/01 (FOLE, sem data).

Segundo Vieira (2007), a necessidade de conhecer a localização da terra é antiga,

há registro histórico que comprova a existência desta necessidade antes do Cristianismo,

passando pelo Império Romano e chegando a Revolução Industrial, mas sempre focando

o mesmo objetivo. Somente no século XX, especificamente nos anos 70 em função do

gerenciamento dos recursos terrestres foi impulsionado o aparecimento de sensores para

o mapeamento da superfície terrestre. Nos anos 40 começou-se a trabalhar com o SGB,

passando sua responsabilidade a partir dos anos 60 para o IBGE. Somente no ano de

2001, com a Lei n°. 10.267, tentando minimizar ou eliminar a grilagem de terras no Brasil

é que surgiu o georreferenciamento, que nada mais é do que a localização de todas as

propriedades da área rural brasileira via satélite, usando o GPS, como um aparelho

moderno e de alta precisão.

Desde o ano de 1846, data do primeiro registro hipotecário no Brasil, a

especificação técnica que definia a propriedade imobiliária no país consistia num sistema

meramente descritivo e sem maior rigor técnico. Com a aprovação da Lei n°. 10.267/01,

a especificação técnica deixa de ser meramente descritiva, passando a exigir também, a

precisão posicional (PEREIRA, 2004).

De forma a impedir a sobreposição de áreas e identificar as propriedades de forma

inequívoca, a lei estabelece no seu artigo 3º que os vértices definidores dos limites dos

imóveis rurais devem ser georreferenciados ao SGB, sendo que sua precisão posicional

foi estabelecida pelo INCRA em 0,5 metros (PEREIRA, 2004).

Ainda segundo Pereira (2004), o SGB começou a ser implantado pelo IBGE em

17 de maio de 1944. Ao longo de seus mais de 40 anos, a componente planimétrica do

SGB utilizou diferentes métodos de posicionamento. Inicialmente foram empregados os

denominados métodos clássicos (triangulação, métodos astronômicos e poligonação

geodésica), que foram responsáveis pela determinação de coordenadas em um conjunto

de vértices, cuja a ocupação era imprescindível na materialização do Sistema Geodésico

de Referência. Em 1978, a Geodésia à Satélite, passou a ser utilizada através do emprego

do sistema TRANSIT, o que possibilitou que a Região Amazônica, inacessível até então,

fosse integrada ao SGB. Em 1991, o IBGE passou a empregar exclusivamente o

NAVSTAR/GPS, para a densificação da componente planimétrica do SGB, gerando a

Rede Nacional GPS. A operacionalização da RBMC, iniciada em 1996, implantou o

conceito de rede ativa, através do monitoramento contínuo de satélites do GPS.

Os registros de terra têm em geral alicerçado pesquisas sobre a estrutura fundiária

e conflitos pela propriedade da terra. Contudo, pensamos que seu tratamento por meio do

georreferenciamento permite refinar nossos conhecimentos sobre as alternativas adotadas

pelos lavradores nos processos de ocupação e uso do solo, a partir da incorporação de

dados sobre o terreno ocupado, por exemplo rede hidrográfica, declividade do terreno ou

qualidade do solo (CARRARA, 2013).

Com o georreferenciamento se pretende criar uma base de dados de todos imóveis

rurais que compõem o território nacional objetivando, aumentar a confiabilidade das

informações do meio rural através da integração das diversas fontes, dar maior

consistência, uniformidade e integridade aos dados de natureza fundiária e dispor para

o setor público um instrumento de apoio eficaz no combate a grilagem de terras, além

de potencializar as ações de caráter fiscal, ambiental, de desenvolvimento rural e de

Reforma Agrária (VIEIRA, 2007).

Com a evolução das legislações agrárias e as discussões a respeito da precisão

posicional dos vértices que compõem o perímetro dos imóveis, das técnicas a serem

utilizadas, dos equipamentos e dos profissionais habilitados para tal trabalho, o INCRA

elaborou a Norma Técnica para o Georreferenciamento de Imóveis Rurais, aprovada pela

Portaria INCRA n°. 1.101, do dia 20 de novembro de 2003, com o propósito de orientar

os profissionais que atuam o mercado de demarcação, medição e georreferenciamento de

imóveis rurais, visando sempre ao atendimento da Lei n°. 10.267/01.

A parir desse ponto, a NTGIR, se tornou o principal elemento no processo de

certificação de imóveis rurais. Busca-se através da construção desses documentos

permitir, de forma inequívoca, a obtenção, a partir de sua leitura, da forma, dimensão e

exata localização do imóvel rural (TOLEDO; BERTOTTI, 2014).

4.0 METODOLOGIA

O presente trabalho caracteriza-se por ser uma pesquisa bibliográfica e

exploratória desenvolvida a partir de consulta a materiais referentes as Normas Técnicas

de Georreferenciamento de Imóveis Rurais.

A mesma partiu da análise e estudo das NTGIR 1° Edição, 2° Edição e 3° Edição

publicada pelo INCRA nos anos de 2003, 2010 e 2013 respectivamente.

A revisão das Normas Técnicas de Georreferenciamento de imóveis rurais se fez

necessária, diante da alteração e atualização de normativos que regem a Certificação de

Imóveis Rurais no INCRA e, que por conveniência e oportunidade, foram analisadas os

procedimentos técnicos e a legislação.

O trabalho foi realizado em duas etapas. Na primeira etapa foram realizados uma

conferência dos procedimentos técnicos. E a segunda etapa caracteriza-se pelos pré-

requisitos legais e normativos, que foram aplicáveis para fins das três normas.

5.0

ANALISE DAS NORMAS TÉCNICAS PARA GEORREFERENCIMENTO

DOS IMÓVEIS RURAIS

  • 5.1 - Definição de Imóvel Rural

Para efeitos das normas técnicas 1ª e 2 ª edição, o INCRA para fins cadastrais

utilizava-se do conceito de imóvel rural criado pela Lei n°. 4.504/64 Estatuto da Terra

e alterado pela Lei 8.629/93, no inciso I do artigo 4°, diz o seguinte.

Art. 4° [

]

... I – “Imóvel rural”, o prédio rústico de área contínua, qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial;

Por força da Norma de Execução INCRA nº. 95/2010, considera como sendo um

único imóvel rural, duas ou mais áreas confinantes podendo ser composto de vários

registros de um ou mais proprietários, desde que contemple a unidade de exploração

econômica, ativa ou potencial. A Lei n°. 9.393/96 prevê em seu parágrafo 2° do artigo 1°,

sendo o imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras,

localizada na zona rural do município.

A NTGIR 3ª Edição, vem trazendo uma inovação conceitual quando comparada

com suas edições anteriores, adotando o conceito de imóvel rural contido na Lei n°.

6.015/73 - Lei de Registros Públicos, fato este que aproxima os procedimentos de

certificação e o registro de imóveis.

A 3ª NTGIR, adota o conceito de que o imóvel será rural, independentemente de

sua localização, considerando-se a unidade imobiliária o prédio rústico descrito na sua

respectiva matrícula, em observância ao princípio da unitariedade da matrícula, ou seja,

cada imóvel terá sua própria matrícula e cada uma representará um único imóvel, em

termos conceituais o imóvel rural a ser considerado nos serviços de

georreferenciamento é aquele objeto do título de domínio, bem como aquele passível

de titulação.

  • 5.2 - Sistema Geodésico de Referência

A Lei n°. 10.267/01, visando dar à devida garantia à propriedade e ao proprietário

estabelece em seu texto, que todas as coordenadas definidoras dos vértices dos limites

dos imóveis rurais serão referenciadas ao SGB, estabelecendo a prioridade do sistema de

referência para o registro imobiliário e para o cadastro de imóveis.

Para o desenvolvimento das atividades geodésicas, é necessário o estabelecimento

de um sistema geodésico que sirva de referência ao posicionamento no território nacional.

O SGB é definido a partir do conjunto de pontos geodésicos implantados na porção da

superfície terrestre delimitada pelas fronteiras do país pontos estes que são

determinados por procedimentos operacionais e coordenadas calculadas, segundo

modelos geodésicos de precisão compatível com as finalidades a que se destinam” (IBGE,

1995, pg. 1).

O sistema coordenado utilizado para representar características terrestres, sejam

elas geométricas ou físicas adotado na primeira norma técnica, era o referencial

planimétrico (Datum horizontal), em vigor no País corresponde ao Sistema Geodésico

Sul-americano - SAD 69, conforme sua realização de 1996. Para o SGB SAD 69, a

imagem geométrica da Terra é definida pelo Elipsoide de Referência Internacional de

1967.

Com o advento da tecnologia GPS e dos sistemas globais por satélites GNSS

tornou-se mandatória a adoção de um novo sistema de referência, geocêntrico, compatível

com a precisão dos métodos de posicionamento correspondentes e também com os

sistemas adotados no restante do globo terrestre.

Essa necessidade de mudança para um sistema de referência geocêntrico, foi

atendida no Brasil e estabelecida na legislação a partir do Decreto n°. 5.334/05 e suas

alterações. Como órgão responsável, o IBGE, pela execução, normatização e

materialização do SGB, estabeleceu através da Resolução PR 1/05, que o novo sistema

de referência passa a ser o SIRGAS2000, como novo sistema de referência geodésico

para o SGB e para o SCN.

Assim sendo, a partir da segunda norma técnica, o SGB usado no

georreferenciamento é o Sistema Geodésico para as Américas - SIRGAS. O Projeto

SIRGAS foi criado durante a Conferência Internacional para a definição de um Datum

geocêntrico para a América do Sul, que ocorreu em outubro de 1993, em Assunção,

Paraguai (IBGE, 2005).

Freitas et. al (2000), ressalta que a adoção do SIRGAS segue uma tendência

mundial atual, tendo em vista as potencialidades do GPS e as facilidades oferecidas para

os usuários, uma vez que num sistema geocêntrico, as coordenadas podem ser aplicadas

diretamente aos levantamentos cartográficos evitando-se a necessidade de transformação

e integração entre os dois referenciais.

O Sistema Geodésico SAD 69 e SIRGAS 2000 são sistemas de concepções

diferentes. Enquanto a definição, orientação do SAD 69 é topocêntrica, ou seja, o ponto

de origem e orientação está na superfície terrestre, a definição, orientação do SIRGAS

2000 é geocêntrica. Isso significa que esse sistema adota um referencial que é um ponto

calculado computacionalmente no centro da terra (geóide). Os dados fornecidos pelo

SAD 69 e pelo SIRGAS 2000 não são compatíveis entre si, ou seja, não podem ser

inseridos num mesmo mapa. Há um deslocamento espacial entre as coordenadas

determinadas pelos dois sistemas (variável, dependendo do local onde se está). A

distância média para o mesmo ponto em SAD 69 e SIRGAS 2000 é algo em torno de 65

metros. (IBGE, 2006).

5.3 - Sistema de Coordenadas e Projeção

Entre uma das exigências da Lei n°. 10.267/01 está a de se definir um imóvel rural

através das coordenadas de seus vértices que serão georreferenciados ao SGB. A

utilização das coordenadas georreferenciadas a um único sistema de referência para se

demarcar os limites da propriedade rural pela nova legislação, garante que esse limite é o

único a ocupar aquela posição na superfície terrestre, uma vez que cada vértice definidor

desse limite será ocupado apenas por um par de coordenadas geométricas.

Segundo Cordini & Loch (2000, pg. 20), todos os levantamentos, sejam eles

geodésicos ou topográficos, desenvolvidos em um país ou região devem ser coordenados,

isto é, devem estar relacionados a um único sistema de referência: ao Sistema

Fundamental de Coordenadas. Esse sistema irá servir de apoio aos trabalhos

cartográficos, sendo definido pelas coordenadas geodésicas latitude e longitude, além

de altitude de precisão, determinadas por processos geodésicos. Tais coordenadas

esféricas ou elipsóidicas são transformadas em coordenadas plano-retangulares através

da aplicação do sistema de projeção UTM. As coordenadas topográficas são então,

vinculadas ao sistema fundamental através das coordenadas UTM dos pontos

fundamentais.

A cartografia brasileira utiliza o Sistema UTM desde 1955, após este ter sido

recomendado pela UGGI, na IX, Assembleia realizada em Bruxelas, em 1951.

Destaca-se que na primeira e segunda norma técnica todos os cálculos, visando

atender a medição, demarcação e georreferenciamento de imóveis rurais deveriam ser

realizados no plano de projeção UTM, ou seja, para efeito da norma, adota-se para cálculo

e distância, área e azimute o plano de projeção UTM.

A utilização de coordenadas UTM em imóveis situados em mais de um fuso causa

grandes transtornos. No Brasil temos milhares de imóveis nesta situação. A área calculada

sobre o plano UTM apresenta maiores distorções em relação a área real. A utilização de

um sistema automatizado para certificação e geração de documentos, permitiu a quebra

de um paradigma que era a utilização de coordenadas UTM para a descrição dos limites

de imóveis.

A nova proposta de sistema de projeção dada pela 3ª NTGIR, SGL incorre de

alguns erros antes praticado pelos profissionais quando na utilização do sistema UTM,

pois este possui 60 fusos e cada fuso possui 6º de amplitude e apresenta valores de k de

variam de 0,9996 no meridiano central e 1,001 no extremo do fuso, sendo assim se a

propriedade encontra-se em dois fusos o profissional teria que realizar o

georreferenciamento da propriedade considerando cada fuso, um erro praticável era

realizar o georreferenciamento considerando apenas um fuso.

Na 3ª NTGIR, o cálculo de área deve ser realizado com base nas coordenadas

cartesianas locais referenciadas ao SGL. Desta forma, os resultados obtidos expressam

melhor a realidade física, quando comparados aos valores referenciados ao Sistema UTM,

adotado anteriormente. As distorções nos valores de área se tornam maiores na medida

em que as parcelas aumentam sua superfície.

O cálculo de área deve ser realizado pela fórmula de Gauss, com base nas

coordenadas cartesianas locais (e, n, u) e expresso em hectares, com a intenção de

apresentar uma área mais próxima da realidade.

O sistema do INCRA é mais preciso que a ABNT NBR 14.166/98 que passa para

topográfico local e não com base nas coordenada cartesianas locais.

A NBR 14.166/98, por exemplo, no item 5.4 (pg.8), diz que “os elementos da

Rede de Referência Cadastral, da estrutura geodésica de referência, podem ter suas

coordenadas plano-retangulares determinadas nos Sistemas Transverso de Mercato

(UTM, RTM, LTM) como no Sistema Topográfico Local.

5.4

Imóvel Rural Passível de Georreferenciamento

Para o imóvel rural ser passível de georreferenciamento, a NTGIR 1ª e 2ª Edição,

exigiam como comprovante de domínio da área um título definitivo, ou seja, a

propriedade deveria possuir um documento oficial que formalizasse a aquisição da sua

titularidade sobre a mesma.

Na NTGIR 3ª Edição, o imóvel rural a ser considerado nos serviços de

georreferenciamento seria aquele objeto do título de domínio, bem como aquele passível

de titulação. Se diferenciando em relação a dominialidade, passando a incluir também o

georreferenciamento em imóvel objeto de ação de regularização fundiária.

Neste quesito os imóveis rurais passíveis de titulação em área pública ocupada

por particular, incluída em ação de regularização fundiária promovida por órgão público

e/ou área particular sobre a qual é exercida a posse ad usucapionem (área cuja propriedade

pode ser adquirida por usucapião), quando levados a registro precisariam de

georreferenciamento assim como as áreas que já possuem títulos públicos. Lembrando

que o imóvel somente será certificado após a titulação.

  • 5.5 Descrição dos Limites

Conforme definido na NTGIR 3ª Edição, os limites são descritos por segmentos

de reta interligados por vértices. Esses seguimentos de reta descritos nos títulos de

domínio e representados em planta, em geral, referem-se a elementos físicos que definem

em campo o limite entre imóveis.

Nos serviços de georreferenciamento, os diferentes elementos físicos são

enquadrados como tipos de limites, estes por sua vez, sofreram alteração nas demais

normas técnicas conforme a adoção de novas técnicas de levantamento, acompanhando o

avanço tecnológico e o aprimoramento do processo de certificação ao longo do tempo.

A NTGIR 1ª Edição, identifica os tipos de limites como: linha seca, estrada de

rodagem; estrada de ferro, linha de transmissão, oleoduto, gasoduto, cabos óticos e outros;

rio e córrego; vértice; marco; marco testemunho; ponto e vértice virtual.

Na NTGIR 2ª Edição, os tipos de limites são apresentados na Figura 1 a seguir,

que foi retirada da Norma Técnica, (INCRA, 2010, pg.51).

Figura 1- Tipos de limites com seus respectivos códigos de identificação. Na NTGIR 3ª Edição, os

Figura 1- Tipos de limites com seus respectivos códigos de identificação.

Na NTGIR 3ª Edição, os tipos de limites foram circunscritos, a Figura 2 ilustra a

situação comentada (retirada da NTGIR 3° Edição, Manual Técnico de Limites e

Confrontações, pg. 15).

Figura 1- Tipos de limites com seus respectivos códigos de identificação. Na NTGIR 3ª Edição, os

Figura 2- Tipos de limites com seus respectivos códigos de identificação.

5.6 Precisão Posicional

O Incra através da portaria nº 954 de 13 de novembro de 2002, conforme

exigências contidas no art. 3º da Lei nº. 10.267/2001 e do art. 9º do Decreto nº.

4.449/2002, definiu o padrão de precisão do levantamento utilizado na primeira e segunda

norma técnica.

O artigo 1° da portaria citada descreve: “Estabelecer que o indicador da precisão

posicional a ser atingido na determinação de cada par de coordenadas, relativas a cada

vértice definidor do limite do imóvel, não deverá ultrapassar o valor de 0,50 metros,

conforme o estabelecido nas Normas Técnicas para Levantamentos Topográficos”.

Na segunda norma ainda se destaca que para limites naturais a precisão deverá ser

menor ou igual à 2,00 metros (≤ 2,00m).

Na NTGIR em vigor tem-se que os valores de precisão posicional a serem

observados para vértices definidores de limites de imóveis são:

  • a) para vértices situados em limites artificiais: melhor ou igual a 0,50 m;

  • b) para vértices situados em limites naturais: melhor ou igual a 3,00 m; e

  • c) para vértices situados em limites inacessíveis: melhor ou igual a 7,50 m.

A partir da precisão posicional pretende-se alcançar a qualidade geométrica na

identificação inequívoca da propriedade rural.

  • 5.7 Documentos a serem apresentados

De acordo com a 1ª NTGIR, o processo de georreferenciamento era protocolado

com 14 peças técnicas e na 2ª NTGIR, o número de peças técnicas sofreu uma redução,

sendo necessária apresentar somente 9 itens.

Na 3ª NTGIR, não há mais a necessidade de apresentar nenhum documento

técnico ao INCRA, apenas orienta-se o profissional a arquivar todo o material que

subsidiou o credenciado na identificação dos limites referentes ao georreferenciamento

do imóvel rural. Faz-se necessária a manutenção desse material para sanar possíveis

dúvidas ou divergências quanto à localização dos limites apresentados pelo credenciado.

Tais informações poderão ser requeridas pelo INCRA, quando julgar necessário.

Assim os documentos que antes era arquivado pelo INCRA agora são arquivados

pelos próprios profissionais.

  • 5.8 Análise do Processo

Na Lei n°. 6.015/73 em seu artigo 176° parágrafo 5°, destaca que caberá ao

INCRA certificar que a poligonal objeto do memorial descritivo não se sobrepõe a

nenhuma outra constante de seu cadastro georreferenciado e que o memorial atenda às

exigências técnicas, conforme ato normativo próprio (incluído pela Medida Provisória nº.

458, de 2009). Cabendo a análise aos servidores do INCRA obedecendo a primeira e a

segunda norma técnica.

Devido a modernização do processo de certificação de imóveis rurais

no INCRA, levando em consideração o grande volume de processos protocolados em

todo o país e a constatação da ineficiência da metodologia utilizada para a análise

técnica/cartográfica e visando atribuir a celeridade necessária, o INCRA, resolveu em sua

NTGIR 3ª Edição, seguir os preceitos da Instrução Normativa n°. 77/2013, que

regulamenta o procedimento de certificação do poligonal objeto de memorial descritivo

de imóveis rurais a que se refere o parágrafo 5º do art. 176° da Lei nº. 6.015/73.

Em seu art. 3º da citada instrução normativa descreve: “A análise dos dados será

automática pelo SIGEF e restrita à verificação da consistência dos dados prestados pelo

profissional credenciado e à eventual sobreposição com outras existentes no cadastro

georreferenciado do INCRA.

O SIGEF é um sistema desenvolvido pelo MDA/INCRA para gestão de

informações fundiárias do meio rural brasileiro. Por ele são efetuadas a recepção,

validação, organização, regularização e disponibilização das informações

georreferenciadas de limites de imóveis rurais.

No requerimento de certificação o trâmite processual deixa de ser em meio

analógico e passa a ser exclusivamente em meio digital, sendo as peças técnicas geradas

automaticamente pelo SIGEF.

Devido a análise do processo de certificação ser manual acontecia demora nas

análises, erros secundários, mão de obra escassa, como tudo era analisado pelos

servidores do INCRA a análise estava sujeita a falhas e impessoalidade, o tempo médio

para se analisar os processos se arrastava ao longo dos anos.

No novo processo de certificação pelo SIGEF a certificação pode ser feita em

segundos, o sistema assegura a transparência e impessoalidade, garante o fluxo

processual, publicidade dos dados e segurança no uso de certificados digitais. A entrada

de dados se dá a partir de uma planilha eletrônica no formato ODS, seu envio é feito ao

servidor do SIGEF por meio do seu site, onde o servidor verifica se a sobreposição de

parcelas, erros no preenchimento, erros referentes ao sentido do levantamento e dados

divergentes. Se o processo for aprovado, a certificação do imóvel é imediata, onde o mapa

do imóvel georreferenciado e o memorial descritivo, são criados a partir do próprio

sistema, de forma automática.

5.9 Tipos de Vértices

Conforme definido na NTGIR 3ª Edição, vértice de limite é o ponto onde a linha

limítrofe do imóvel rural muda de direção ou onde existe interseção desta linha com

qualquer outra linha limítrofe de imóvel contíguo. Na descrição, os vértices definidores

dos limites de imóveis são classificados por tipos, com o propósito de evidenciar a forma

de posicionamento (direto ou indireto) e a sua caracterização em campo.

Na 1ª NTGIR, os vértices eram representados de três formas distintas, sendo M

(Marco, ocupado e materializado), P (Ponto, ocupado, mas não materializado) e V

(Vértice Virtual, não ocupado nem materializado).

A NTGIR 2ª Edição, acrescentou em seu roteiro o tipo de vértice do tipo “O”

(Paralelo a eixo levantado), que é uma variação do vértice tipo V, onde a obtenção de

suas coordenadas se dá a partir da projeção de linhas paralelas ao eixo levantado efetuado

sobre limites que possuem delineamentos sinuosos, tais como estradas, ferrovias, cursos

d’agua entre outros.

Excluiu-se o vértice tipo “O” da 3ª NTGIR, pois caso o INCRA mantivesse o

vértice tipo “O” eles deveriam criar um novo tipo para cada forma de obtenção de

coordenadas por posicionamento indireto.

A figura a seguir (retirada da NTGIR 3° Edição, Manual Técnico de Limites e

Confrontações, pg. 18), traz o resumo dos tipos de vértices com seus respectivos códigos

de identificação.

5.9 – Tipos de Vértices Conforme definido na NTGIR 3ª Edição, vértice de limite é o

Figura 3- Tipos de Vértices

Nesta norma os vértices definidores do limite do tipo marco (vértice cujo

posicionamento é realizado de forma direta e é materializado em campo por marco) em

limites consolidados, definidos por elementos físicos, fica a critério do agrimensor e do

proprietário a implantação do marco, quando os proprietários se respeitam.

5.10 Codificação dos Vértices (Materializados)

Nas NTGIR 1ª e 2ª Edição, os vértices do tipo Marco, Ponto e Virtual do imóvel

rural serão identificados, cada um deles, por um código único que era gerado pelo

credenciado responsável pelos serviços de georreferenciamento. Este código era

constituído por oito caracteres, conforme figura a seguir que retirado da norma técnica,

(INCRA, 2003, pg.10), ilustra a situação comentada.

5.10 – Codificação dos Vértices (Materializados) Nas NTGIR 1ª e 2ª Edição, os vértices do tipo

Figura 4- Exemplo de Codificação dos Vértices

Os três primeiros campos eram preenchidos pelo código do credenciado

responsável pelos serviços do georreferenciamento. O quarto campo era preenchido pela

letra correspondente ao tipo de vértice (M, P, V e O). Os quatro últimos campos eram

preenchidos sempre pelo credenciado, por meio de uma numeração sequencial,

começando pelo número 0001 até atingir o número 9999, posteriormente o credenciado

deveria reiniciar esta sequência, substituindo no primeiro campo a esquerda, o número 9

pela letra “A”. A nova sequência será encerrada quando a alcançar a configuração A999,

alcançando este valor, a sequência era reiniciada substituindo a letra “A” pela Letra “B”

e assim sucessivamente até alcançar a Letra Z.

Essa numeração sequencial deveria ser adotada pelo credenciado para todos os

imóveis georreferenciados por ele, visando o atendimento da Lei n°. 10.267/2001, de

forma que nenhum código, já utilizado em qualquer vértice de outros imóveis

georreferenciados anteriormente por este mesmo profissional, venha a ser reutilizado.

Na NTGIR 3ª Edição, a codificação do vértice está definida como o código

inequívoco do vértice que se refere a um conjunto de caracteres alfanuméricos

organizados de tal forma que não ocorra mais de um vértice, mesmo que em imóveis

distintos com

mesmo código, conforme figura (retirada da 3ª NTGIR, 2013, pg. 3) a

seguir.

distintos com mesmo código, conforme figura (retirada da 3ª NTGIR, 2013, pg. 3) a seguir. Figura

Figura 5 - Codificação dos Vértices

Nesta norma técnica os quatro primeiros campos são preenchidos pelo código do

credenciado este possui quatro letras, o quinto campo é ocupado pelo tipo de vértice (M,

P, V) e no sexto campo começa a contagem do número do vértice, este sendo infinito.

5.11- Posicionamento relativo estático

Na NTGIR 1ª Edição, o método de posicionamento relativo estático a sessão de

rastreio se estende por um longo período, sendo o tempo mínimo de ocupação de 30

minutos para distâncias de até 20 quilômetros, este tempo aumenta conforme aumenta a

distância entre os pontos a serem levantados, sendo subdivididos em 120 minutos para

distancias de 20 a 50 quilômetros e 240 minutos acima de 100 quilômetros.

A partir da NTGIR 2ª Edição, o tempo mínimo para o rastreamento passa a ser de

20 minutos para distâncias de 0 a 10 quilômetros, o tempo para a coleta da coordenada

aumenta conforme aumenta a distância entre os vértices podendo ser dividida em 6 linhas

de base, conforme figura (retirada da NTGIR 3ª Edição, Manual Técnico de

Posicionamento, pg. 9).

distintos com mesmo código, conforme figura (retirada da 3ª NTGIR, 2013, pg. 3) a seguir. Figura

Figura 6- Características técnicas para posicionamento relativo estático.

6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio da Lei n°. 10.267/01, que institui o cadastro púbico de registro de terras

e estabeleceu os parâmetros e definições que foram aplicadas através de suas normas

técnicas, que com o passar dos anos tem-se aperfeiçoado e utilizado de novas tecnologias

para se obter uma maior eficácia no mapeamento do território rural brasileiro.

De todas as edições das normas técnicas de georreferenciamento, a 3ª NTGIR, traz

mudanças significativas no processo de georreferenciamento, sendo que entre todas, a

mais importante é o conceito de imóvel rural, que nas normas anteriores, se utilizava da

definição de imóvel rural estabelecido no Estatuto da Terra e a partir da 3ª NTGIR, todo

imóvel rural em território brasileiro, no caso de georreferenciamento, devem utilizar-se

do conceito de imóvel rural contido na Lei dos Registros Públicos Lei n°. 6.015/93.

Além das mudanças referente ao conceito de imóvel rural, todo o procedimento

de georreferenciamento se concentrava em apenas um documento oficial, e agora este

está subdivido, a 3ª NTGIR, se complementa através de outros dois manuais,

o Manual Técnico de Posicionamento, e o Manual Técnico de Limites e Confrontações.

O Manual Técnico de Posicionamento, se refere aos métodos de posicionamento

homologados, para serem utilizados no processo de georreferenciamento, os cálculos

para conversão em coordenadas locais e a codificação da relação entre o tipo de vértice

e o método de posicionamento. O Manual Técnico de Limites e Confrontações traz

informações de como se deve caracterizar os limites do imóvel rural, bem como suas

respectivas codificações e confrontações.

O lançamento da 3ª NTGIR e a implementação do SIGEF, é um marco no processo

de georreferenciamento e na forma de se construir uma base de dados referente a estrutura

fundiária do nosso país, sendo esse um sistema que utiliza das geotecnologias, e dos meios

informatizados para uma melhor gestão e automação dos processos referente aos imóveis

rurais.

Os procedimentos descritos cumprem integralmente as novas regras dispostas na

3ª NTGIR, sendo que agora o processo de georreferenciamento, se torna mais rápido e

eficiente, porém a responsabilidade técnica sobre o profissional aumenta, forçando assim,

os diversos profissionais a buscarem novos meios de se atualizarem a respeito do processo

de certificação, afim de não cometerem falhas, que possam de certa forma comprometer

o real o levantamento do imóvel, e assim sua reputação.

7.0 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

BRASIL. Decreto nº 4.449, de 30 de outubro de 2002, que regulamenta a Lei Nº 10.267.

BRASIL. Lei n° 5.868, de 12 de dezembro de 1972. Cria o Sistema Nacional de Cadastro

rural SNCR.

BRASIL. Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Dispões sobre o imposto sobre a

propriedade territorial rural ITR

BRASIL. Lei n°. 10.267, de 28 de agosto de 2001. Altera dispositivos das leis 4.947, de

6 de abril de 1966, 5.868, de 12 de dezembro de 1972, 6.015, de 31 de dezembro de 1973,

6.739, de 5 de dezembro de 1979, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e dá outras

providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 29 ago.

2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10267.htm>.

Acesso em: 10 mai. 2015.

BRASIL. Portaria INCRA/P/nº 954, de 13 de novembro de 2002, que estabelece o

indicador da precisão posicional a ser atingida em cada par de coordenadas.

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REVISTA DE HISTÓRIA [29]; João Pessoa, jul./dez. 2013.

FOLE, Francis Perondi. O GEORREFERENCIAMENTO DE IMÓVEL RURAL E O

REGISTRO DE IMÓVEIS. Sem data. Artigo extraído do trabalho de conclusão de curso

apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Ciências Jurídicas

e Sociais da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do

Sul.

FREITAS, Silvio Rogério Correia.; DALAZOANA Regiane. Efeitos na Cartografia

Devido a Evolução do Sistema Geodésico Brasileiro e Adoção de um Referencial

Geocêntrico. Revista Brasileira de Cartografia. Número 54 - novembro de 2003.

INCRA. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Instrução Normativa n°.

  • 77 de 23 de agosto de 2013. Regulamenta o procedimento de certificação do poligonal

objeto de memorial descritivo de imóveis rurais a que se refere o § 5º do art. 176 da Lei

nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Diário Oficial da União, 03 de setembro de 2002,

Seção 1, p. 67.

INCRA. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Instrução Normativa n°.

  • 95 de 30 de agosto de 2010. Estabelece procedimentos administrativos e técnicos nas

ações de obtenção de terras para assentamento de trabalhadores rurais. Diário Oficial da

União, 30 de agosto de 2010, Seção 1, pg. 99.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em

www.ibge.gov.br. Acessado em março 2014.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Revista Ponto de Referência.

Ano 1. Número 1 de 21 de agosto de 2006).

Instrução Normativa no 77, de 23 de agosto de 2013. Regulamenta o procedimento de

certificação do poligonal objeto de memorial descritivo de imóveis rurais a que se refere

o § 5º do art. 176 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Diário Oficial [da]

República Federativa do Brasil, 3 set. 2013, Brasília, DF, 2013. Seção 1, p. 67.

Lei n°. 4.504, de 30 de novembro de 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá

outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF,

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Lei n°. 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos, e dá

outras providências.Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 1

jan. 1974. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6015.htm>.

Acesso em: 10 mai. 2015.

Lei n°. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos

constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da

Constituição Federal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Casa Civil,

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Manual Técnico de Posicionamento; Georreferenciamento de Imóveis Rurais, 1°

Edição. Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA, INCRA, 2013.

Manual Técnico de Limites e Confrontações: Georreferenciamento de Imóveis

Rurais, 1° Edição. Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA, INCRA, 2013.

Norma ABNT NBR 13.133 – “ Execução de levantamento topográfico”, de 30- 06-

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Procedimento”, aprovado pela Lei 14.166, de agosto de 1998.

Norma Técnica para Georreferenciamento de Imóveis Rurais, 1° Edição Ministério

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agosto de 2001 e do Decreto 4.449, de 30 de outubro de 2002.

Norma Técnica para Georreferenciamento de Imóveis Rurais, 2° Edição Ministério

do Desenvolvimento Agrário-MDA, INCRA, 2010. Aplicada à Lei 10.267, de 28 de

agosto de 2001 e do Decreto 4.449, de 30 de outubro de 2002.

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VIEIRA, Francisco Pedro. Importância do Georreferenciamento. 2007. Artigo

(trabalho de conclusão de curso) que será apresentado ao curso de Pós-Graduação em

Georreferenciamento, da Faculdade de Rolim de Moura Farol em Cacoal/Rondônia.

THUM, A.B, Veronez, M.R., Souza,G.C. de, Reinhardt,

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