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Entrevista do Presidente do PSD ao “Jornal de Notícias - 16 de Maio de 2010

Passos Coelho: "Não dei a mão ao Governo, dei a mão ao país"

JOSÉ LEITE PEREIRA, JORGE PINTO E ALEXANDRA FIGUEIRA

Presidente do PSD diz que, se há meio ano fosse ele o primeiro-ministro, teria evitado a actual situação de crise. Em entrevista ao JN, disse que o partido social-democrata quer flexibilizar o mercado de trabalho e que os impostos só descem se o Estado emagrecer.

foto Alfredo Cunha/Global Imagens

se o Estado emagrecer. foto Alfredo Cunha/Global Imagens Vamos começar por uma provocação: veio ao Porto

Vamos começar por uma provocação: veio ao Porto pedir perdão ao Papa?

Não. Fui convidado pelo bispo do Porto e pelo presidente da Câmara e não tinha nenhuma razão para não vir. Isso não deve ser confundido com a conferência de Imprensa da véspera, em que pedi desculpa aos portugueses pelo pacote de austeridade relativamente severo que, com o Governo, anunciámos.

Em que papel acha que os seus apoiantes o vêem: de alguém que ajudou num momento crucial ou de quem deu a mão ao Governo?

Não dei a mão ao Governo, dei a mão ao país. Foi preciso cooperar com o Governo para evitar uma situação mais difícil ainda para Portugal. Tenho pena que o Governo não tenha transmitido com toda a latitude, para não dizer com o mínimo realismo, a situação que o país tem vivido. Se o tivesse feito, talvez o país percebesse por que razão fomos forçados a tomar estas medidas. Teria sido mais fácil perceber que atravessamos uma situação extremamente difícil, não apenas porque estamos contagiados por uma situação financeira muito difícil em toda a Europa, mas também porque temos fragilidades próprias, que nos colocaram na primeira linha da ameaça. Só conseguiremos sair dessa primeira linha se mudarmos alguma coisa de estrutural. O sector financeiro passou por uma das crises mais graves de que há memória, nestes últimos 15 dias (e que está lentamente a ser ultrapassada), e o Estado esteve na iminência de não assegurar, em condições sustentáveis, o financiamento à República. Só agora, que a resposta a nível europeu

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foi encontrada e que alguma confiança pôde ser transmita aos mercados, o Estado estará em condições de fazer esse financiamento.

Imaginou, quando tomou posse, que, dois meses depois, estaria ao lado do PS a aprovar medidas de tão severa austeridade?

Quando tomei posse disse que devíamos começar a mudar estruturalmente a sociedade, repensar as funções do Estado, diminuir a despesa pública e tomar decisões estratégicas, enquanto tínhamos autonomia para escolher o caminho que queríamos fazer. E temos perdido tempo. Perdemos os últimos anos e não ganhámos nos últimos dois meses nem realismo nem capacidade de iniciativa. Essa foi a razão por que nos mostrámos mais frágeis e tivemos de

apresentar medidas que, noutras circunstâncias, não teriam sido necessárias. Por essa razão, também, entendi que não devia ter uma posição de arrogância ao comunicar as decisões: sempre defendi que a primeira linha de resposta deveria ser o corte da despesa e não o aumento dos impostos. E, se temos mais cortes na despesa, deve-se à pressão forte exercida por nós. Mas reconheço que não era possível ter uma posição externa credível se não tivéssemos aumentado

os impostos.

O pedido de desculpa não pode ser entendido como uma desresponsabilização de quem, há bem pouco tempo, dizia que a sociedade não aguentava mais impostos?

Continuamos no limite da sustentabilidade dos impostos. Não há mais espaço para continuar este caminho. Mesmo que o Estado aumente impostos no futuro, os resultados serão muito escassos. Se eu tivesse sido primeiro-ministro neste tempo, garanto que as medidas importantes que tiveram de ser agora adoptadas sob pressão externa tinham sido tomadas há muito mais tempo, com menos dor, sem necessidade de aumentar os impostos. Quanto mais cedo fizermos o nosso trabalho de casa, mais depressa poderemos trabalhar para o crescimento da economia e da coesão social. Não fui eu, portanto, que deixei chegar o país a esta situação, mas, chegados a este ponto, em que medidas drásticas têm de ser tomadas e rapidamente, concedo que não há outra possibilidade de aparecer perante Bruxelas e o Banco Central Europeu sem uma solução deste tipo. E por isso achei que fazia sentido começar por dizer ao país que lamentava e pedia desculpa por ter contribuído para esta solução, a única que podemos apresentar nos dias de hoje. Mas isso não significa lavar as mãos.

Significa levar o Governo às costas, como diz Alberto João Jardim?

O Governo é que governa, exerci o papel que devia ter exercido para não abandonar Portugal e

evitar que o país caísse no caos em que teria caído, se estas medidas não fossem aprovadas. Estou de consciência tranquila de ter posto primeiro Portugal e o meu sentido de dever numa situação que era de emergência nacional . Isso não significa que tenha decidido fazer um Governo com o Partido Socialista ou que esteja a fazer um acordo parlamentar com o PS. Pelo contrário, estou a dizer que estarei muito vigilante na forma como o Governo vai agora

concretizar essas medidas.

Podemos concluir deste acordo que não haverá eleições legislativas antecipadas por iniciativa do PSD?

Seria a coisa mais simples do mundo ter precipitado eleições, na medida em que o Governo não teria credibilidade externa para prosseguir caminho sem as medidas que apresentou. Simplesmente, nós teríamos muito mais do que eleições: teríamos o Fundo Monetário Internacional e uma recessão séria nos próximos anos. Era o que teria acontecido, se o PSD quisesse uma desforra política, até porque não temos qualquer responsabilidade na situação. Este primeiro-ministro é primeiro-ministro há seis anos, não há dois nem há um.

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Tem responsabilidade, agora?

Tenho a responsabilidade de ter dito que o país precisava de, nos próximos seis anos, fazer o trabalho de casa que não fez nos últimos seis, de ter dado oportunidade ao país de, em vez de mergulhar no caos social, ganhar credibilidade externa para manter condições políticas de estabilidade e fazer o trabalho de casa. Se vai ser feito ou não, depende do Governo.

Pode responsabilizar-se o Governo e o PSD pelas consequências das medidas adoptadas?

Sim, e espero que sejam boas. Apresentarmos no final do ano um resultado de finanças públicas mais sustentável do que o que tínhamos: em vez de um défice de 9,4%, poderemos chegar ao final do ano próximo dos 7% para, no próximo ano, apresentar um resultado até 4,6%. Isto significa que podemos garantir financiamento externo à economia, manter a Banca portuguesa aliviada do garrote da liquidez e, sobretudo, que, em Portugal, se faça confronto político em torno do que devem ser as reformas estruturais. Esse debate precisa de ser aprofundado para que o país escolha livremente se quer manter o rumo seguido nos últimos anos ou se quer mudar de rumo.

Quando os sindicatos saírem à rua em protesto contra estas medidas vai sentir-se pessoalmente atingido?

Espero que todos os que mostrarão o seu desagrado tenham consciência de que essas medidas são, hoje, as estritamente necessárias. Não estou a dizer que as pessoas têm razões para celebrar; têm razões para estar aborrecidas e contrariadas, eu também estou contrariado - e não acredito que o Governo esteja feliz -, mas as medidas são necessárias. O importante é que o Estado não recorreu apenas ao aumento dos impostos, também deu o exemplo: pediu mil milhões em impostos, mas ofereceu mil milhões em cortes da despesa.

Uma parte significativa veio do subsídio de desemprego

Não é significativa, é alguma. Estima-se em cerca de 120 a 150 milhões de euros o que o Estado pode reduzir de despesa face ao ano anterior com uma maior fiscalização das prestações sociais, evitando fraudes, abusos, com a redução do valor do subsídio de desemprego e também das medidas anti-cíclicas que estavam anunciadas e que representavam, no essencial, acções de formação pagas para sectores muito específicos que têm vindo a recuperar no primeiro quadrimestre deste ano, em particular o sector automóvel. Há um esforço grande do Estado para cortar despesa, cerca de 250 milhões de euros, por exemplo, em consumos intermédios, em aquisições de bens e serviços, apesar de, há cerca de duas semanas, o Governo ter dito na Assembleia da República que as propostas do PSD eram uma mão cheia de nada. Pelos vistos não são.

Cavaco Silva "despertou a consciência nacional"

Qual foi o papel do presidente da República em todo este processo?

Foi um papel mais discreto do que visível, mas foi suficientemente pressentido para ajudar a opinião pública a perceber que havia uma necessidade clara de dar respostas, apelando ao sentido de responsabilidade dos partidos. Foi um papel moderador, equilibrado.

A forma como se chegou a acordo coloca o destino do país nas mãos dos líderes dos dois principais partidos e deixa de lado os restantes líderes da Oposição e o presidente da República. É bom ou mau?

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O presidente da República não tem que ter uma intervenção directa nestes problemas. A intervenção que teve, apesar de discreta, foi importante, porque despertou uma certa consciência nacional, condição para que os partidos pudessem intervir sem que fosse considerado de cariz partidário, mais do que nacional. Quanto aos restantes partidos, cada um falará por si. A mim preocupou-me que os principais partidos (e o PSD, que tem responsabilidades futuras de Governo) estivessem mais preocupado com a situação do país do que com o seu calendário. Não tive a preocupação de concertar posições com o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda ou o CDS/PP. Mas tenho mantido uma boa relação com o presidente do CDS/PP.

O CDS continua a ser o parceiro natural para uma coligação?

O CDS/PP não é um concorrente directo. O PSD, para chegar ao Governo, precisa sobretudo de

conquistar o coração do país e apresentar-se como motor de mudança credível, e essa afirmação de credibilidade não se faz contra o CDS/PP. O meu desejo é que pudéssemos fazer este caminho de afirmação de forma individualizada. Somos partidos diferentes, temos perspectivas diferentes. Já estivemos coligados no passado e podemos vir a estar no futuro. Mas é demasiado cedo. A primeira coisa a fazer é comunicar com o país e alinhar uma agenda de reformas que o

país perceba ser importante.

Impostos só descem se o Estado emagrecer

"O PS acha que já as fez todas: que já fez a reforma da Justiça, das leis laborais, que no

arrendamento já fez o que era possível

cumprido" Passos Coelho insiste nas reformas estruturais. PS está "em fim de legislatura"

Por isso, está com uma espécie de sensação de dever

Que garantias pode dar de que as medidas de combate são mesmo transitórias?

O compromisso de que a redução da despesa se vai fazer, efectivamente. Esperamos até ao final

de 2011 reavaliar as medidas e vamos acompanhar essa evolução, o Governo aceitou a monitorização mensal da execução através de um entidade independente , sediada no Parlamento. Se houver - esperamos que não - processos de desorçamentação, quer dizer, despesas que são feitas à margem do autorizado, será público em muito pouco tempo e permitir- nos-á fazer correcções. Vamos ter, ao longo de ano e meio, uma noção continuada sobre se

estamos na direcção do resultado que pretendíamos ou não…

Pode garantir que o Governo vai avançar com as reformas estruturais que permitirão cortar a despesa do Estado?

Nós podemos, nestes três anos, encurtar o défice com estas medidas, mas, se não tomarmos medidas estruturais, voltaremos a ter défices maiores no futuro. Não há um acordo com o Partido Socialista para as reformas, o PS acha que já fez as fez todas: que já fez a reforma da Justiça, das leis laborais, que no arrendamento já fez o que era possível… por isso, está com uma espécie de sensação de dever cumprido. Está mais propriamente em fim de legislatura do que em início de legislatura. A nossa perspectiva é diferente: é que houve tentativas de reforma, mas, excepto a realizada na Segurança Social, a maior parte falhou. E vai ter que ser empreendida. Saber se este Governo tem condições para as fazer ou não só o futuro o dirá, não depende do PSD, mas de Sócrates e do Partido Socialista. Do nosso ponto de vista, os resultados têm que ser atingidos.

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Mas vai tomar alguma iniciativa agora ou vai esperar que o PS o faça?

A obrigação do principal partido da Oposição que deseja ser alternativa de Governo é apresentar as suas propostas e nós temos em marcha a elaboração de um ante-projecto de revisão constitucional que iremos debater com o país e iniciar diálogo constitucional com…

e que não foi muito bem acolhido por nenhum partido…

… com o Partido Socialista. A verdade é que, se não houver mudanças constitucionais importantes, há reformas (Educação, Justiça, das políticas públicas), que não serão feitas. Esta é uma boa oportunidade, para que o país faça esse debate. Em segundo lugar, vamos centrar, a propósito da revisão do programa do PSD, muita da nossa atenção na economia social: a coesão social precisa de ser fortalecida, para mais em tempos tão difíceis quanto estes que temos pela frente. Vamos insistir no debate sobre reformas do emprego, da lei do arrendamento, da Justiça, de toda a área económica incluindo privatizações, e vamos avançar com propostas concretas. Vamos produzir iniciativas visíveis e que, muito antes de a sessão legislativa terminar, conhecerão projectos próprios, no apoio à exportação, dos incentivos especiais em políticas activas de emprego, durante o período de vigência do Programa de Estabilidade e Crescimento.

Mas acabe de responder à pergunta: caso as metas estabelecidas sejam atingidas em 2011, qual é o compromisso do PSD face aos impostos transitórios?

Do PSD e do PS, porque esse foi o acordo. No final de ano e meio, se os resultados atingidos os anunciados, não precisaremos de manter este nível de impostos, poderemos regressar ao patamar inicial. Isso é muito importante porque, nestes dez anos, praticamente não foi feito. Passamos por duas crises orçamentais e, sempre que os impostos subiram, ficaram. E essa é a razão por que o Estado está mal habituado e aumentou a despesa para o novo nível de receita que entretanto foi gerado. Na altura em que o PSD esteve no Governo os impostos aumentaram para responder à crise orçamental do fim do guterrismo e ficaram (o IVA passou de 17 para 19%); quando o PS chegou, subiu impostos de forma generalizada, e o IVA de 19 para 21% (só no Verão de 2008 diminuiu um ponto). Precisamos de baixar a carga fiscal para níveis de há dez anos e de regressar a um peso da despesa pública idêntico ao de há 10 ou 15 anos. Em 1995, o peso da despesa pública no PIB, em proporção da riqueza criada, era de 34%; em 1999, já era de 42%; e o ano passado foi de 52%. Como é evidente, os impostos têm que subir. Só podem baixar se a despesa do Estado baixar estruturalmente. Isso significa que há coisas que o Estado vai ter que deixar de fazer.

A subida de impostos acontece quando o país se prepara para mergulhar numa recessão. Que expectativa tem?

Se as medidas não tivessem sido aprovadas não só íamos ter uma forte recessão económica como íamos ter o caos económico. É importante que isto seja transmitido, porque porventura ficaram com a sensação que as medidas só são necessárias porque o Banco Central Europeu achou que era preciso ser muito exigente com Portugal. É verdade que exigiu resultados a Portugal e a Espanha e à Irlanda e à Itália, mas também é verdade que a razão pela qual estes resultados foram exigidos está na directa razão da nossa indisciplina e das nossas políticas erradas. Portugal estive muito próximo de uma crise tão ou mais grave do que a de 1983, quando o FMI teve que entrar em Portugal. E as pessoas não têm a correcta percepção deste problema porque o Governo deve ter entendido que dizer isso é o mesmo que confessar o fracasso da sua política dos últimos seis anos. E foi por essa emergência absoluta que entendemos que - apesar de estarmos na Oposição e de o PSD ter uma liderança que não teve responsabilidades de Governo nos últimos 20 anos e que deveríamos estar, como estamos, a

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preparar uma alternativa de Governo ao Partido Socialista -, o PSD se dispôs a cooperar com o Governo.

PSD quer flexibilizar contratos de trabalho

O PSD era contra a adjudicação do comboio de alta velocidade, que acabou por ser assinada. Usou-a como moeda de troca para dar o acordo com PEC?

Como ultimato? Não utilizei porque essa é uma responsabilidade do Governo e porque o que me preocupava era evitar uma situação de caos no país. As obras públicas são, do ponto de vista político, um sinal de irrealismo para o Governo. Fico satisfeito por saber que acabou por ceder na grande maioria das obras públicas e por fazer o que devia ter feito logo de início, que era ter adiado. Não o quis fazer. Julgo que o Governo acabará por ser forçado, por razões de ordem financeira, a sentar à mesa o consórcio vencedor e renegociar condições para que as obras sejam adiadas.

Da mesma forma, com a introdução de portagens reais nas Scut, defendeu que não deviam ser portajadas se não tivessem alternativas.

No caso das Scut há duas situações importantes. Primeiro, o Governo não pode restringir a introdução de portagens apenas a algumas Scut, deve fazê-lo em todo o território nacional; a segunda é analisar com cuidado pelo menos todas as áreas que correspondem a obras que o Governo fez em cima da única alternativa de comunicação que existia. E nesses casos julgo que não é correcto introduzir portagens.

Mas não as discutiu nas negociações do PEC?

Eu não discuti com o Governo o Programa de Estabilidade e Crescimento. É patente que o Governo aprovou o PEC sem consultar os restantes partidos.

Deu o seu acordo às alterações

Estas são as primeiras alterações que, na prática, estão a ser introduzidas ao Programa de

Estabilidade e Crescimento e que terão que ser assumidas perante Bruxelas até ao final do ano. Se eu tivesse, nesta altura, que rever o PEC em toda a sua extensão teríamos que estar a conversar sobre política de privatizações, sobre as reformas estruturais necessárias ao

crescimento

negociações com esse horizonte.

A situação de emergência em que o país estava não se compadecia com

Uma das reformas estruturais é a da lei do trabalho. O país tem um milhão de precários, mais de meio milhão de desempregados, muitos deles de longa duração, com baixas qualificações e mais de 35 anos. O que se faz a estas pessoas e como é que mudar a lei laboral as pode ajudar?

Há investidores que não investem em Portugal por causa desta lei laboral, o que significa que há pessoas que não têm oportunidades de emprego porque o país tem uma lei demasiado rígida.

Está a falar de despedimentos?

Não, estou a falar da lei laboral no seu todo e não apenas da flexibilidade para despedir, mas na própria flexibilidade contratual. Portugal ainda é, hoje, um país com uma legislação demasiado rígida. Nós vamos tomar iniciativas nessa matéria, ainda que com carácter excepcional.

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Sabemos que há limites, até constitucionais, para a revisão do Código Laboral, mas, em tempos de excepção, nós devemos ter leis excepcionais.

Não quer concretizar quais?

Não quero, para já é cedo, mas a muito curto prazo o PSD vai apresentar iniciativas que apontam para alguma flexibilidade dos instrumentos contratuais, durante este período em que as pessoas precisam de mais oportunidades de emprego e não de mais subsídios de desemprego.

"Não me parece que a comissão se encaminhe para conclusões categóricas"

A comissão de inquérito ao caso PT/TVI valeu a pena?

Não estou em condições de fazer essa avaliação. A comissão está a chegar ao fim. Na próxima semana, tenciono proceder a essa avaliação e, no fim dos trabalhos, tirar conclusões. Do que tem sido público, não me parece que a comissão se encaminhe para conclusões categóricas. É importante que possa chegar ao fim do trabalho e que, o que tiver apurado, seja publicitado.

Se estivesse no lugar de José Sócrates, teria respondido em presença?

Há coisas mais importantes para estabelecermos as diferenças. Eu não estou no lugar dele, felizmente. Se tivesse, como primeiro-ministro, de ser chamado ao Parlamento por alguma matéria grave, a minha primeira predisposição seria de responder perante o Parlamento. Ele vai fazer isso, mas por escrito. É uma prerrogativa que tem. O importante é que responda.

O PSD é o único partido a admitir ouvir as escutas. Não poderá passar para a opinião

pública uma intromissão na Justiça?

Espero que não. As escutas foram solicitadas por se supor que possam trazer alguma luz ao processo. É preciso ter muito cuidado no manuseamento dessa informação e tenho a certeza que os deputados que as consultarem o terão. Eu não gostaria, sinceramente, de ver este primeiro- ministro sair do Governo que não fosse por uma plena responsabilidade política. O que se passou nestes anos tem responsabilidade política e deve ser avaliado. Em primeira instância em eleições; mas, numa segunda instância, no confronto político. As circunstâncias excepcionais que determinaram a abertura da comissão devem justificar o trabalho rápido e a publicação objectiva de toda a matéria apurada. Se tiver responsabilidade política, tem que ser assumida. Mas à política o que é da política e aos tribunais o que é dos tribunais. Não gostaria de ver nem esta comissão nem o Parlamento a fazer de tribunal.

“Jornal de Notícias”, 16 de Maio de 2010

http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=1571090