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O Discurso do(s) Rei(s) Laurice Levy

Esse filme, que ganhou o Oscar de melhor ator pela brilhante atuação de Colin Firth, nos surpreende ao ganhar também o Oscar de melhor filme e melhor roteiro original disputando com grandes superproduções como A Origem entre outros. Essa premiação poderia nos levar a refletir no que motivou tal escolha. Afinal de contas o filme não tem um grande elenco

milionário, milhões de figurantes ou efeitos especiais extraordinários. Até porque esses itens concorrem em categorias separadas. Mas de qualquer forma, o que quero dizer é que a

originalidade está

em uma simples novela familiar (como diria Freud). E por isso mesmo é

tão comovente.

Para nos terapeutas familiares e psicanalistas é fácil entender que apesar de ser uma história monárquica com conflitos e questões palacianas, no fundo trata-se apenas de uma família com seus mandatos, para o bem e para o mal. O filme todo se passa em apenas duas locações ou “setting” como nos terapeutas a chamamos: a “casa-consultório” do terapeuta e o palácio. Muito pouco, na verdade, para os dias de hoje onde os filmes em 3D são a grande atração e inovação desse inicio de século. Nessa sensível cine-biografia, acompanhamos o drama do irmão mais novo Albert Frederick Arthur Georg, o Bertie para os íntimos e o be,be,be,be Bertie para o escárnio da família ter que assumir o cargo (ou será o encargo) de ser Rei da Inglaterra,para o qual jamais foi preparado. Assim, acompanhar a gagueira constrangedora de um homem prestes a assumir um trono, discursar para seus súditos e ter que acalmar seu povo pela iminência de uma segunda guerra mundial, emociona pelo enorme desafio e exposição que é. A dificuldade incapacitante de se expressar é apenas um sintoma manifesto de vários outros sofrimentos que aparecem no subtexto para um olhar sistêmico atento. O futuro Rei da Inglaterra consegue a superação através da mão firme e carinhosa de um homem, que nem titulo universitário possuía, e por isso mesmo toca em nossa humanidade. Percebem-se questões familiares e pessoais fortemente enraizados em todos os seres homens. Consciente ou inconscientemente.

Simplesmente porque constatamos nós aparentemente insolúveis serem desatados com meiguice e firmeza aos poucos e de modo incontestável. Podemos dizer que é a palavra do pai, que dá limites, que dá segurança, que ensina e é muito firme quando necessário que opera o milagre. O olhar do outro, espelho de nosso eu, afetivo e cuidador no melhor sentido da palavra é quem “salva e cura” o menino desamparado que nem sabe falar. Recriar até mesmo o setting terapêutico foi pensado de forma intuitiva pelo terapeuta espontâneo para que houvesse uma placenta reconfortadora. E funcionou. Tanto funcionou que a amizade entre os dois homens continuou por toda vida.

O filme aponta para questões de auto-estima, de papeis enrijecidos. Fala da aceitação pacifica e passiva do lugar que nos é designado pela e na família. Estamos falando da missão que cada um carrega dentro de si, seja ele monarca ou plebeu, pobre ou rico. É muito difícil se rebelar contra esse determinismo familiar, contra esse script escrito muito antes de nosso nascimento. Romper com esse destino aparentemente inexorável sempre implica em um preço muito alto. Mesmo o filho mais velho pagou seu preço por recusar seu papel pré-determinado de ser o Rei da Inglaterra.

Concluindo, podemos dizer que o fato de ganhar o premio de melhor filme original nos faz pensar em quanto os problemas familiares apesar de parecerem tão diferentes entre si são tão corriqueiros mesmo que tomem formas tão originais. A historia nos mostra também que é possível superar até mesmo os maiores desafios contanto que haja uma ambiência propicia. Acredito que todo ser humano deseja isso. Assim como todas as mulheres (hoje) desejam ser Michelle Obama só porque seu marido, um outro Rei, em um outro discurso, diz para todo o mundo ouvir o quanto a ama (se é verdade ou não, não importa aqui). Parece que no fundo toda demanda é uma demanda de amor. Ou não ?

Psicanalista, Terapeuta de Casais, Família e Grupos, Psicodramatista, Professora, Supervisora, Mestre em Psicologia Clínica, autora do livro Integrando diferenças Possíveis caminhos da vivência terapêutica e de inúmeros artigos em livros, revistas e sites especializados.

Consultórios: Leblon e Barra da Tijuca Diretora da Integrare - Indíviduo, Família, e Sociedade Fone: (021) 3388-5788 / 9395-6395