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FACULDADE DE ARACRUZ

DEPARTAMENTE DE ARQUITETURA E URBANISMO

JOÃO CARLOS RAMOS DOS SANTOS QUEIROZ


JULIANA APARECIDA CARMILATO SIRTOLI
LAYRA FREIRE PEREIRA
MARILANFELA MARTINS SEVERO
ORLANDO VINICIUS RANGEL NUNES

ARQUITETURA ITALIANA
NO ESPÍRITO SANTO

ARACRUZ
2008
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JOÃO CARLOS RAMOS DOS SANTOS QUEIROZ


JULIANA APARECIDA CARMILATO SIRTOLI
LAYRA FREIRE PEREIRA
MARILANFELA MARTINS SEVERO
ORLANDO VINICIUS RANGEL NUNES

ARQUITETURA ITALIANA
NO ESPÍRITO SANTO

Pesquisa apresentado ao Departamento


de Arquitetura e Urbanismo da
Faculdade de Aracruz, como requisito
parcial para obtenção de nota na
disciplina de História das Construções
III.
Professora: Andrea Alvarenga

ARACRUZ
2008
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

A arquitetura italiana esta presente na cultura capixaba desde a imigração por volta
de 1875, período do qual os italianos saíram da Itália em busca de oportunidades,
de uma vida melhor. Neste tempo a escravidão era parte integrante da economia
brasileira. Contudo, já no final do período escravocrata a imigração tende a substituir
essa mão-de-obra, já não tão rentável, devido às pressões estrangeira.
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Os italianos esperavam encontrar um “mundo novo”, no qual as oportunidades


florescem com certa facilidade. Na verdade é sabido que os imigrantes italianos
vieram ao Brasil devido seu baixo nível econômico, afinal os ricos não viriam a um
“mundo novo” sem nenhuma perspectiva estável, ou seja, sem a garantia de que
seria uma boa escolha vir ao Brasil.

De fato eles esperavam muito do Brasil e o Brasil deles. Entretanto não fora esta a
atitude do país para com os imigrantes, pois os recursos físicos (infra-estruturar
física e trabalhística) eram precário, não condizente com sua função primordial para
economia nacional. O Brasil escolheu povoar-se de imigrantes para ocupar os
vazios demográficos de regiões onde o trabalho fosse necessário, neste contexto
enquadra-se o Espírito Santo e outros estados.

Há, ainda, uma vontade por parte do governo brasileiro, anseio do qual não fora
explicitamente externado, de “melhoria da raça brasileira”, ou seja, era conveniente
que acontece-se um “branqueamento” do povo brasileiro, pois fora esta a forma
encontrada para diminuir uma possível fama ou realidade, não se sabe ao certo, de
“indolente, vadio, imprevidente e preguiçoso”.

Inicialmente, no Espírito Santo, as colônias de imigrantes estavam circunscritas às


terras altas e “frias” do centro da província, devido à semelhança climática de
regiões como Santa Teresa e Ibiraçu, por exemplo. Nestas regiões os imigrante
italianos ampliaram fronteiras agrícolas e geraram riquezas, para o estado.

2. ARQUITETURA ITALIANA

Basicamente o que determinou as características das construções ítalo-brasileiras


foram os materiais disponíveis no próprio lote, segundo Júlio Posenato (pág.54)
estes seriam as pedras para alicerce e muros, madeira da melhor qualidade para
fundações, estruturas, piso, paredes, aberturas e coberturas; além da herança
cultural, como uma formidável habilidade artesanal; ainda à capacidade de
assimilação, ou seja, eles conseguiram combinar a antiga herança cultural com a
posterior tradição; sendo que pode-se considerar o amor ao trabalho com as
próprias mãos dos imigrantes italianos.
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No inicio eram feitas construções provisórias, sob as copas das árvores, eles
buscavam apenas uma proteção, mesmo que improvisado, estas podiam ser
também em: barrancos escavados, gruta naturais, troncos ocos, raízes salientes e
na falta disto erguia-se uma abrigo com ramadas e folhagens.

Com o passar do tempo eles erguiam um abrigo rústico, ou seja, uma choupana ou
palhoça, surgido da mata derrubada ou queimada, coberta de ramagens, neste
período os imigrantes absorveram a técnica da taipa de mão dos luso-brasileiros.
Nesta edificação existia apenas uma ambiente para todas as atividades, como cozer
e dormir.

Ao aprimorar ainda mais as moradias eles chegaram ao estágio de cabana, como


paredes quase sempre de taipa e coberta com palha ou escândulas. Nesta
edificação eles permaneciam por um bom tempo. As cabanas possuíam uma
cozinha, no andar térreo e dormitório na água furtada. Elas serviam para proteger
contra feras e intempéries.

Alguns elementos decorativos também foram utilizados, principalmente no período


tardio e apogeu. Foram utilizados varandas, que embelezavam as fachadas,
controlavam a insolação direta, dentre outras variadas. Já as sacadas pertenceram
mais ao período do apogeu, localizava-se no centro do pavimento superior, em geral
sobre a porta da entrada principal. Os balcões eram muito parecidos com as
sacadas, contudo possuíam cobertura própria, em geral formada pelo
prolongamento do telhado do prédio. Havia ainda, guarda-corpos (uma janela
rasgada com um para-peito); proteção ao acesso principal; e às vezes, uma ligação
entre a cozinha (separada da casa) e o edifício principal.

As estruturas eram em geral de madeira que palatinamente fora substituída por


pedras ou tijolos. A estrutura de madeira fora largamente utilizada devido a sua
incrível capacidade de absorver esforços tanto de compressão quando de tração. Já
as estruturas de pedra, sobre saltava-se pela durabilidade, grande resistência ao
esforço de compressão, a solidez tornaram a pedra um excelente material estrutural.
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Existia ainda algumas casa que possuíam uma estrutura de madeira e fundações
em pilares de tijolos, em geral eram residências com estrutura independente.

Na cobertura fora utilizada largamente, nos primeiros anos da imigração, as


folhagens e palhas, sedo abandonada mais tarde pelos imigrantes e seus
descendentes, a não ser para construções provisórias ou sem importância. Foram
também utilizadas as Escândulas, que na mais é que pequenas tábuas, chamada
por eles de tabuinhas, sendo remontada aos romanos, esta modalidade fora
introduzida pelos próprios italianos no Brasil. Já em 1860 metade das casa do
Espírito Santo possuíam telhas cerâmicas, mas só quinze anos depois que esta
cobertura fora definitivamente para as casa italianas. Existiram ainda telas de ferro
galvanizado e ardósias, contudo foram utilizada em menor escala e em um período
mais tardio.

3. A CASA

3.1. PARTICULARIDADES HISTÓRICAS

A casa foi construída em meados do ano de 1946, na sua segunda geração de


italianos no estado do Espírito Santo, por Giusep Gatti. Localiza-se em Ribeirão do
Sapê, na zona rural de João Neiva. É constituída de: uma casa grande com uma
varanda, onde ficava a sala que segue para os dois quartos mais a passagem para o
sótão e a outra edificação que compunha da copa e cozinha que se encontravam
separada da casa grande. Não havia banheiro integrado com quaisquer umas das
edificações.

Houve dois moradores na casa, Benedito Narastone e Ernesto Herculano, na qual


só a habitaram não a possuíram como propriedade. Nesse caso a casa não foi
modificada.

Após o último e ainda proprietário, Erildo Santório com 20 anos de domicílio na


edificação, houve uma integração da casa grande juntamente com o compartimento
da cozinha e copa, retirando a varanda e agregando o banheiro na casa juntamente
com um pequeno hall para o acesso dos dois compartimento agora unificado. A casa
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grande só foi pintada por dentro devido ao concerto de pequenos orifícios feitos por
pregos. Com a unificação da casa o outro compartimento foi reformado. Mais tarde
ao lado da casa, há um pequeno talude de altura média que se encontrava perto da
edificação, mas foi afastado para a construção de uma garagem que se estende ao
comprimento da edificação.

Como fora dito, poucas mudanças foram feitas no corpo principal da edificação.
Sendo a maior parte das mudanças feita na ligação entre esta e a cozinha, em que
fora criado um banheiro.

3.2. ARQUITETURA DA EDIFICAÇÃO

A estrutura da obra é típica da época a qual esta foi erguida, composta de pedras
sobrepostas cerca de 40 a 50 cm a partir do chão e mais uma camada de tijolos
artesanais maciços, os mesmos utilizados nas paredes,sustentadora das vigas de
madeira que suportavam a obra. Logo acima dessa “camada sustentadora” as
paredes iniciavam a volumetria da obra, dando início aos cômodos da casa que por
sinal eram consideravelmente grandes e bem acabados as paredes internas eram
rebocadas e revestidas com tinta e as esquadrias eram padronizadas, na parte
original da casa, ou seja, na parte onde não houve ampliação, as janelas tinham
duas folhas com uma bandeira superior e eram de madeira, devido principalmente a
abundancia do material naquele período, as portas principais também eram de duas
folhas revestidas com tinta.

Os dormitórios eram bem ventilados e iluminados devido a quantidade de janelas no


recinto, o quarto de casal possuía quatro e o de solteiro três janelas, a sala, o local
para onde os quartos davam acesso direto, 3 janelas e duas portas, a entrada para
escada, a partir da sala, possuía mais uma janela, e uma escada de dois lances e
um patamar (vide planta baixa, nos Anexos) que dava acesso a um “sótão”, com
quatro aberturas, duas na frente a duas na parte de trás. Na parte superior pode-se
observar nitidamente a estrutura do telhado com 4 águas, sendo duas tacaniças e
telhas francesas, o assoalho de madeira e típico da época. A extração da madeira de
lei nesse período não era proibida, devido a isso, tudo o que se trata de madeira na
obra, era da mesma.
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Havia também uma certa “ampliação” que se dava por banheiro, que foi acoplado a
parte interna da casa, uma vez que no período construído os banheiros se
localizavam na parte externa da casa sempre próximo a um rio ou córrego para
facilitar o escoamento dos dejetos.

A cozinha no inicio era separada da casa, típico do período. Existia ainda uma
ligação, uma espécie de varanda que unia o corpo principal da casa a cozinha. Nas
reformas fora construída em parte da varanda, um banheiro, a varanda fora fechada
e viria a virar um hall que ligaria então a porta secundária do corpo principal, o
banheiro e a cozinha. Na seqüência fora construído uma área de serviço e um local
para carro, anexo ao fundo da casa.

A parte externa da obra, ou seja, a fachada conserva as cores da época, mantendo


uma tarja branca onde passam as vigas e pilares, formando assim retângulos ao
longo da obra, as janelas são de cor cinza claro, típico também.

É interessante poder observar que os proprietários estão interessados na


conservação da casa, para que outras pessoas possam usufruir de uma cultura que
passou a ser nossa.

4. PARALELO ENTRE A ARQUITETURA DA IMIGRAÇÃO E DA CASA

Como pode ser observado no decorrer desta pesquisa, a casa se enquadra


perfeitamente em um modelo construtivo típico da imigração italiana. Com seus
elementos decorativos disposta segundo a moda ítalo-brasileira vigente. Sendo
ainda muito bem observada a disposição espacial dos cômodos e a obtenção de um
sótão.

A cozinha como de praxe localizava-se fora da casa, ou seja, uma edificação a


parte, que no futuro fora integrada a edificação principal, assim como aconteceu com
a maior parte das casas descendentes da imigração italiana.

A utilização do tijolo junto com a telha cerâmica nos mostra que a casa não fora
construída no inicio da imigração, muito menos como abrigo provisório. Afinal na
morou por um longo período seus criadores e mesmo após vendida abrigou
confortavelmente as seguidas famílias que nela passou.
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5. CONCLUSÃO

A proposta de visita a uma casa com características italianas foi muito válida, pois
acrescentou muito ao nosso conhecimento prático, atualmente em déficit devido o
pouco tempo de exposição ao obras fisicamente apresentadas.

Pode ser concluído ainda que a imigração italiana fora muito importante para a
formação da cultura capixaba. Pode-se dizer que fora ela a responsável pela
formação da identidade da cultura capixaba, pois fora ela que legou ao estado uma
arquitetura própria, podendo ser denominada “ítalo-espirito-brasileiro”.

A cultura ítalo-espirito-brasileira não se resume apenas a uma arquitetura própria, a


legado italiano se estende à forma de pensar, se vestir e orar. Uma cultura realmente
rica que junto à cultura brasileira, também rica, mostra-se um mix de criatividade e
transformação.

6. REFERÊNCIAS

POSENATO, JÚLIO. Arquitetura da Imigração Italiana. Ed. Evangraf LTDA. Porto


Alegre, 1995.
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SCHAYDER, JOSÉ P. História do Espírito Santo: Uma abordagem didática e


atualizada - 1535-2002. Ed. Companhia da Escola. Campinas, SP, 2002.
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APÊNDICES
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