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artigo inédito

Estudo cefalométrico computadorizado da projeção maxilar e seus efeitos sobre os tecidos moles sobrejacentes após a cirurgia ortognática

Computerized cephalometric study of the maxillary projection and its effects on the overlying soft tissues after orthognathic surgery

Resumo

O objetivo do presente estudo

consistiu em realizar a análise cefalométrica computadorizada retrospectiva da projeção maxi-

lar e de seus efeitos sobre os teci-

dos moles da região anterior da maxila de 15 pacientes portado- res de deformidade dentofacial

esquelética caracterizada por prognatismo mandibular (Pa-

drão III). Seis indivíduos eram

do gênero masculino e 9 do gê-

nero feminino, com idade média de 26,06 anos (desvio-padrão

de 7,34). Esses pacientes foram

submetidos à cirurgia ortogná- tica para avanço de maxila, por meio da osteotomia Le Fort I, e recuo de mandíbula, por meio da osteotomia sagital bilateral da mandíbula. As radiografias cefalométricas pré e pós-opera- tórias, com intervalo médio de 30,13 meses (desvio-padrão de 15,76), foram analisadas com base na comparação de medidas lineares e angulares por meio da

utilização do programa Dolphin Imaging ® 10.0 (Dolphin/3M - EUA) e os dados obtidos foram

submetidos à análise estatística pelo teste não paramétrico de Wilcoxon. Ocorreu redução significativa da projeção nasal

e aumento não significativo da

base nasal e do ângulo nasola- bial. Os valores do SNA con- firmam o avanço da maxila e os

valores do SNB o recuo de man- díbula, enquanto que o ANB e

o trespasse horizontal tornaram-

-se positivos. Pode-se concluir que o avanço maxilar produz efeitos na projeção maxilar e nos tecidos moles sobrejacentes.

Tais efeitos, na maioria dos ca- sos, mostram uma tendência ao aumento das medidas lineares

e angulares envolvidas, porém

essa tendência pode variar de acordo com o montante e di- reção do movimento, além de características relacionadas aos indivíduos e aos procedimentos.

Palavras-chave:

Perfil facial. Maxila/cirurgia. Le Fort I. Alterações tecidos moles.

100

Rev Clín Ortod Dental Press. 2011 jun-jul;10(3):100-5

Julierme Ferreira roCha* Eduardo Dias riBeiro* Renato Yassutaka Faria yaedú** Eduardo sant’ana*** Eduardo Sanches gonçales****

Abstract

The aim of this study was to perform a retrospective comput- erized cephalometric analysis of maxillary projection and its ef- fects on the soft tissues of the anterior maxilla in 15 patients with dentofacial deformity char-

acterized by skeletal mandibular prognathism (Pattern III). Six patients were male and 9 fe- male, mean age was 26.06 years (standard deviation 7.34). These patients underwent or-

thognathic surgery for maxillary advancement via Le Fort I oste- otomy and mandibular setback by means of bilateral sagittal split osteotomy of the mandible. The cephalometric radiographs before and after surgery, with an average interval of 30.13

months (SD 15.76), were ana- lyzed based on the comparison of linear and angular measure- ments by using the software Dol- phin Imaging ® 10.0 (Dolphin / 3M - USA) and the data were

subjected to statistical analy- sis by Wilcoxon nonparametric test. There was a significant re- duction of nasal projection and non-significant increase of the nasal base and the nasolabial angle. The SNA values confirm the advancement of the maxilla and the SNB values confirm the mandibular setback, while the ANB and overjet became posi- tive. It can be concluded that the maxillary advancement af- fects the maxillary projection and the overlying soft tissues. Such effects, in most cases, show an upward trend of linear and angular measures involved, but this trend may vary with the amount and direction of move- ment, and characteristics related to individuals and procedures.

Keywords:

Facial profile. Maxilla/surgery. Le Fort I. Soft tissue changes.

Professor Assistente do curso de Odontologia da Universidade Federal de Campi- na Grande. ** Doutor em Estomatologia pela Faculdade de Odontologia de Bauru-Universidade de São Paulo (FOB-USP). Professor Livre Docente da Disciplina de Cirurgia do Departamento de Estomatolo- gia da Faculdade de Odontologia de Bauru-Universidade de São Paulo (FOB-USP). **** Professor Doutor da Disciplina de Cirurgia do Departamento de Estomatologia da Faculdade de Odontologia de Bauru-Universidade de São Paulo (FOB-USP).

*

***

Rocha JF, Ribeiro ED, Yaedú RYF, Sant’Ana E, Gonçales ES

INTRODUçãO

As deformidades dentofaciais são defeitos no crescimento dos ossos da face 1 , sendo classificadas segundo padrões trans- versais, verticais e anteroposteriores, além das alterações assimé- tricas e anomalias associadas às síndromes, cuja abordagem é bastante complexa 2 . As alterações decorrentes das deformida- des dentofaciais podem ser visualizadas nos ossos, dentes, mús- culos e articulação temporomandibular, traduzindo-se em más oclusões, dores articulares e musculares, dificuldades mastigató- rias, fonéticas, respiratórias e de deglutição, além de reabsorção óssea (especialmente alveolar) e perda de dentes, dentre outras. Para minimizar ou eliminar tais problemas, o tratamento ortodôntico-cirúrgico tem como objetivo primário devolver a relação equilibrada e harmoniosa dos componentes dentofa- ciais, considerando também a importância dos tecidos moles na composição da estética do complexo facial 3 . Entretanto,

o correto diagnóstico e o plano de tratamento, os procedi-

mentos cirúrgicos, o comportamento dos tecidos moles da face e a estabilidade de resultados merecem atenção. Nesse contexto, a análise cefalométrica e os programas de VTO (Vi- sualized Treatment Objectives) ocupam papel de destaque no diagnóstico da deformidade, plano de tratamento e verifi- cação dos resultados e efeitos da movimentação óssea sobre os tecidos adjacentes ao osso movimentado. Segundo Ilg 4 , a osteotomia total da maxila, como conhece- mos hoje, representa um dos maiores avanços da cirurgia para correção das deformidades dentofaciais. O sucesso da técnica

é facilmente compreensível, pois por meio dela muitas deformi-

dades podem ser tratadas, tais como excessos verticais, deficiên- cias horizontais e discrepâncias transversais 5 . A osteotomia total da maxila está indicada para movimentar a maxila nos três planos do espaço, bem como nivelar as arcadas dentárias, modificar o formato das arcadas e corrigir discrepâncias transversais entre as arcadas dentárias superior e inferior 4 . A movimentação da porção óssea, invariavelmente, é acompanhada de efeitos sobre os teci- dos moles adjacentes, uma vez que a porção óssea da face é re- coberta basicamente por periósteo, músculos e pele. Apesar de esperar-se que a movimentação óssea seja acompanhada pelos tecidos moles na proporção de 1:1, isso parece não ocorrer 5 . Essa variabilidade no comportamento dos tecidos moles pode ter im- plicações no resultado do tratamento cirúrgico, uma vez que a sua movimentação pode não acompanhar o tecido ósseo subja- cente, resultando em distorções na estética e harmonia da face. O objetivo do presente estudo consiste em avaliar, por meio de análise cefalométrica computadorizada, a projeção da maxila e seus efeitos sobre os tecidos moles adjacentes em pacientes submetidos à cirurgia ortognática maxiloman- dibular, com avanço maxilar e recuo mandibular.

MATERIAl E MéTODOS

Utilizou-se neste estudo uma amostra de 15 pacientes sub- metidos à cirurgia ortognática maxilomandibular, com avanço maxilar e recuo da mandíbula, para correção de deformidade dentofacial Padrão III (Tab. 1). Todos os procedimentos foram re- alizados pela mesma equipe cirúrgica, com uso de fixação interna rígida e bloqueio maxilomandibular transoperatório. Realizou-se análise cefalométrica pré e pós-operatória, por meio de telerra- diografias digitalizadas, com régua específica do programa Dol- phin Imaging ® 10.0 (Dolphin/3M, EUA) com marcação dos pontos cefalométricos descritos para a análise de Arnett e McLaughlin 6 . Os pontos cefalométricos utilizados foram: Pórion (Po), Or- bitário (Or), Ponto A (A), Espinha Nasal Anterior (ANP), Sela (S), Násio (N), Subnasal (SN), Ponto A’, Base Alar (AB), Násio mole (N’), Ápice Nasal (AP), Dorso Nasal (DN), Pró-nasale (Pn), Jun- ção Columela-Lóbulo (CLJ), Labial superior (Ls), Estômio supe- rior (USt) e Incisal superior (U1I). As mensurações cefalométricas realizadas foram: Lineares — Projeção nasal, tecido mole da base nasal, ponto A em tecido mole, porção anterior do lá- bio superior, Mx1, overbite e overjet; Angulares — ângulo do lábio superior, ângulo nasolabial, SNA, SNB e ANB. Para cada paciente utilizou-se duas telerradiografias de perfil (pré e pós- -operatória), com intervalo de pelo menos 6 meses decorridos da cirurgia, para que o edema pós-operatório não alterasse o posicionamento dos pontos cefalométricos em tecido mole. Após coleta e tabulação dos dados, os mesmos foram sub- metidos à análise estatística por meio do teste não paramétrico de Wilcoxon. Um valor de p<0,001 foi considerado como esta- tisticamente significativo.

RESUlTADOS

Observou-se redução significativa da projeção nasal e au- mento não significativo da base nasal, além da projeção mais anterior do ponto A em tecido mole e o aumento do ângulo nasolabial. Porém, ambos de forma não significativa. Os valores do SNA confirmam o avanço da maxila e os valores do SNB o recuo de mandíbula, enquanto o ANB e o trespasse horizontal tornaram-se positivos. Apesar do valor de Mx1 (medida da pro- jeção do incisivo superior em relação à linha vertical verdadei- ra) ter sofrido alteração significativa, essa medida pode sofrer mudança decorrente da mecânica ortodôntica utilizada (Tab. 4). A Tabela 2 mostra as medidas lineares e a Tabela 3 mostra as medidas angulares obtidas nos períodos inicial (I) (pré-ope- ratório) e final (F) (pós-operatório). A Tabela 4 evidencia as mé- dias e medianas das mensurações iniciais e finais demonstra- das nas Tabelas 2 e 3 e sua respectiva significância estatística.

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Caso ClÍniCo

Estudo cefalométrico computadorizado da projeção maxilar e seus efeitos sobre os tecidos moles sobrejacentes após a cirurgia ortognática

Tabela 1 Sexo, idade e período pós-operatório de 15 indivíduos submetidos à cirurgia ortognática para correção do Padrão III (avanço de maxila + recuo de mandíbula).

Paciente

   

sexo

 

Idade (anos)

 

Período pós-operatório (meses)

 

1

 

F

 

24

 

13

2

M

23

30

3

M

23

11

4

F

26

52

5

F

41

18

6

F

42

56

7

M

29

34

8

F

27

40

9

F

23

11

10

M

19

23

11

F

26

35

12

M

30

19

13

M

24

50

14

F

16

45

15

F

18

15

 

Média

   

26,07

 

30,14

Desvio-padrão

     

7,34

 

15,76

Tabela 2 Medidas lineares (mm) obtidas nos períodos inicial (I) (pré-operatório) e final (F) (pós-operatório).

 

Paciente

Projeção nasal

Base nasal

Ponto A’

Ponto anterior do lábio superior

mx1

overbite

overjet

   

I: 16,9

I: -9,1

 

I: 1,8

 

I: 5,8

I: -6,5

I: -0,7

I: -2,9

1

F: 17,2

F: -7,9

F: 1,9

F: 5,6

F: -8,1

F: 0,8

F: 3,9

2

 

I: 22,9

I: -12,1

 

I: 5,2

 

I: 16,4

I: 3,5

I: 2,5

I: -10

F: 18,9

F: -15,4

F: 3,1

F: 13,4

F: -8,1

F: 0,7

F: 4,3

3

 

I: 22,7

I: -7,1

 

I: 4,8

 

I: 11

I: -2,2

I: 2,3

I: -5,8

F: 17,8

F: -11,5

F: 0,8

F: 4,5

F: -16

F: 1,5

F: 3,4

4

 

I: 17,1

I: -17

 

I: -1,8

 

I: 1,3

I: -14,0

I: -1,6

I: -0,5

F: 15,5

F: -16,8

F: 0,1

F: 2,0

F: -18,5

F: 0,4

F: 2,4

   

I: 19,5

I: -11,4

 

I: 0,8

 

I: 3,8

I: -8,0

I: -1,1

I: -3,3

5

F: 16,2

F: -11

F: 0,6

F: 3,3

F: -11,7

F: -0,5

F: 2,4

   

I: 18,2

I: -13,0

 

I: -3,2

 

I: 0,1

I: -18,3

I: -2,1

I: -2,7

6

F: 16,8

F: -12,5

F: -1,3

F: 2,7

F: -16,0

F: -2,6

F: 1,0

   

I: 16,2

I: -8,3

 

I: -0,1

 

I: 5,8

I: -6,5

I: 0,3

I: -2,3

7

F: 18,2

F: -10,1

F: -2,4

F: 5,6

F: -8,1

F: 1,5

F: 3,2

8

 

I: 17,2

I: -13,0

 

I: -1,1

 

I: -0,2

I: -16,7

I: 0,6

I: -2,4

F: 16,7

F: -10,0

F: 0,6

F: 4,9

F: -17,9

F: -0,8

F: 1,9

9

 

I: 14,8

I: -13,8

 

I: -3,3

 

I: -3,0

I: -15,4

I: -1,1

I: 1,4

F: 13,8

F: -11,4

F: -2,3

F: 1,0

F: -18,5

F: 1,0

F: 3,6

10

 

I: 18,2

I: -10,0

 

I: -4,6

 

I: -3,8

I: -13,5

I: -4,4

I: 0,2

F: 16,2

F: -12,3

F: -4,7

F: -2,7

F: -22,8

F: -0,2

F: 2,6

   

I: 15,6

I: -11,9

 

I: -2,4

 

I: 4,3

I: -10,9

I: 0,7

I: -4,8

11

F: 14,6

F: -14,1

F: -1,7

F: 4,5

F: -16,5

F: 1,3

F: 6,3

12

 

I: 14,9

I: -9,8

 

I: -1,2

 

I: 2,1

I: -9,5

I: 1,1

I: -6,3

F: 13,2

F: -9,2

F: -0,3

F: 3,9

F: -14,4

F: 0,5

F: 2,4

13

 

I: 16,7

I: -12,4

 

I: -2,7

 

I: 0,8

I: -14,9

I: -0,2

I: -3,0

F: 17,6

F: -11,8

F: 0,2

F: 5,9

F: -18,7

F: -0,4

F: 4,9

   

I: 15,5

I: -10,1

 

I: -1,5

 

I: 4,3

I: -10,9

I: -2,0

I: -2,0

14

F: 15,4

F: -8,9

F: -0,6

F: 4,5

F: -16,5

F: 0,5

F: 4,2

   

I: 14,3

I: -7,1

 

I: 0,9

 

I: 2,1

I: -9,5

I: -0,4

I: -6,5

15

F: 11,5

F: -9,8

F: 1,1

F: 3,9

F: -14,4

F: -0,7

F: 3,5

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Rev Clín Ortod Dental Press. 2011 jun-jul;10(3):100-5

Rocha JF, Ribeiro ED, Yaedú RYF, Sant’Ana E, Gonçales ES

Tabela 3 Medidas angulares (graus) obtidas nos períodos inicial (I) (pré-operatório) e final (F) (pós-operatório).

Paciente

Ângulo labial superior

Ângulo nasolabial

snA

snB

AnB

 

I: 16,2

I: 94,9

I: 87,8

I: 87,5

I: 0,3

1

F: 9,1

F: 104,7

F: 92,2

F: 85,9

F: 6,3

 

I: 37,1

I: 74,1

I: 87,8

I: 103,2

I: -12,5

2

F: 22,5

F: 84,2

F: 90,1

F: 96,5

F: -8,7

 

I: 34,3

I: 65,9

I: 84,1

I: 93,9

I: -9,9

3

F: 7,1

F: 95,1

F: 90,0

F: 89,4

F: 0,6

 

I: -2,8

I: -0,2

I: 80,9

I: 86,4

I: -3,6

4

F: -0,2

F: 108,2

F: 82,7

F: 83,0

F: -2,1

 

I: 1,2

I: 88,3

I: 85,3

I: 88,1

I: -2,9

5

F: 0,1

F: 110,9

F: 90,8

F: 87,8

F: 3,0

 

I: -6,9

I: 111,4

I: 86,5

I: 88,8

I: -2,3

6

F: 1,5

F: 119,1

F: 87,9

F: 86,2

F: 1,7

 

I: 16,2

I: 94,9

I: 92,3

I: 92,8

I: -0,5

7

F: 9,1

F: 104,7

F: 95,0

F: 92,0

F: 3,0

 

I: -9,1

I: 103,3

I: 88,0

I: 92,6

I: -4,6

8

F: 12,4

F: 93,2

F: 91,3

F: 88,4

F: 2,8

 

I: -20,0

I: 130,4

I: 90,5

I: 87,1

I: 4,0

9

F: -5,2

F: 114,0

F: 91,1

F: 86,4

F: 4,1

 

I: -20,3

I: 126,7

I: 80,6

I: 86,4

I: -5,8

10

F: -20,3

F: 123,0

F: 84,7

F: 82,4

F: 2,4

 

I: 6,0

I: 93,2

I: 84,4

I: 87,7

I: -3,4

11

F: 4,7

F: 107,3

F: 85,8

F: 86,9

F: -1,1

 

I: 5,6

I: 106,8

I: 92,3

I: 95,0

I: -2,7

12

F: 11,5

F: 94,9

F: 86,1

F: 90,8

F: -4,7

 

I: 13,6

I: 88,4

I: 92,2

I: 89,8

I: 2,4

13

F: 12,3

F: 88,4

F: 92,2

F: 89,8

F: 2,4

 

I: 6,0

I: 93,2

I: 86,4

I: 86,2

I: 0,3

14

F: 4,7

F: 107,3

F: 88,8

F: 84,4

F: 4,4

 

I: 5,6

I: 106,8

I: 88,4

I: 93,4

I: -5,0

15

F: 11,5

F: 94,9

F: 89,5

F: 87,1

F: 2,4

Tabela 4 Médias e medianas das mensurações iniciais e finais demonstradas nas Tabelas 2 e 3 e sua respectiva significância estatística.

medidas

Inicial

Final

significância*

média

DP

média

DP

Projeção nasal

17,38

2,61

15,97

2,02

S

Base nasal

-11,07

2,67

-11,51

2,45

NS

Ponto A’

-0,56

2,84

-0,32

1,93

NS

Ponto anterior do lábio superior

3,38

5,14

4,20

3,36

NS

Mx1

-9,50

6,32

-13,84

6,18

S

Ângulo labial superior

6,23

16,70

5,60

9,20

NS

Ângulo nasolabial

99,16

17,13

103,32

11,23

NS

SNA

86,71

3,49

89,21

3,26

S

SNB

90,66

4,62

87,80

3,60

S

ANB

-3,60

4,05

1,10

3,84

S

Overbite

-0,40

1,78

0,20

1,09

NS

Overjet

-2,95

3,38

3,30

1,33

S

*S= significativo; NS= não significativo.

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Caso ClÍniCo

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Estudo cefalométrico computadorizado da projeção maxilar e seus efeitos sobre os tecidos moles sobrejacentes após a cirurgia ortognática

DISCUSSãO

Nos pacientes portadores de Padrão III, o tratamento cirúrgico prevê o recuo de mandíbula associado ao avanço de maxila. Obviamente, espera-se alterações nos tecidos moles de recobrimento da face como resultado das movi- mentações ósseas 6,7 , sendo que, apesar de esperar-se que a movimentação óssea seja acompanhada pelos tecidos mo- les na proporção de 1:1, isso parece não ocorrer 5 . Tavares et al. 8 comentaram que a desproporção entre movimentos dos tecidos duros/moles pode ocorrer em virtude do tônus, espessura e aderência dos tecidos moles da face e do tipo de osteotomia utilizada. Radney e Jacobs 9 examinaram os efeitos da intrusão to- tal da maxila (com osteotomias Le Fort I) em 10 adultos que apresentavam excesso vertical maxilar, e constataram que as respostas do ângulo nasolabial variam de acordo com a dire- ção e a quantidade de intrusão maxilar. Dentre as movimen- tações da maxila, o avanço maxilar é o que tem maior influ- ência na morfologia nasal (na base alar e ápice nasal) sendo realizado por meio da osteotomia Le Fort I. A base alar e o lábio superior tendem a avançar e a columela a ser diminuí- da. Observa-se, também, alargamento da base alar, aprofun- damento do sulco nasogeniano e projeção do ápice nasal 4 . Honrado et al. 10 concluíram que as alterações no nariz ocorrem após a cirurgia ortognática. Ocorreu aumento es- tatisticamente significativo na largura da base alar com o movimento maxilar, porém não foi possível estabelecer uma correlação entre as alterações e o montante de movimento maxilar. O avanço maxilar não mostrou qualquer alteração significativa na projeção do ápice nasal ou comprimento da columela, com os dados evidenciando tanto aumento quan- to redução nas medidas. O ângulo nasolabial nos pacientes que se submeteram ao avanço e impacção maxilar foi a úni- ca medida que mostrou aumento significativo. Para Chew, Sandham e Wong 11 , diferentemente da man- díbula, os tecidos moles sobrejacentes à maxila seguem um padrão não linear após a movimentação óssea, enquanto Donatsky et al. 12 acreditam que tais variações de padrão de movimento do tecido mole sobrejacente podem ser decor- rentes de características individuais. Marsan, Cura e Emekli 13 asseveraram que a cirurgia bi- maxilar produziu perfil mais harmonioso nos pacientes Pa- drão III. Os perfis dos tecidos duros e moles melhoraram, assim como a postura dos lábios. O ângulo nasolabial au- mentou, enquanto o ângulo lábio/mento diminuiu, melho- rando a estética facial. Nossos dados corroboram os dados de Radney e Jacobs 9 e Honrado et al. 10 , que mostraram que ocorrem alterações

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nasais após a cirurgia ortognática, uma vez que se observou redução significativa da projeção nasal e aumento não sig- nificativo da base nasal. Radney e Jacobs 9 afirmaram, ainda, que o lábio superior tende a avançar, dado este que está em consonância com nossos resultados, pois o ponto A em te- cido mole (A’) apresentou-se mais projetado anteriormente. Uma questão relevante é o comportamento do ângulo nasolabial. Autores como Radney e Jacobs 9 , Honrado et al. 10 , Marsan, Cura e Emekli 13 referem aumento do ângulo nasola- bial, especialmente em procedimentos de avanço e impac- ção maxilar. Observou-se em nossos resultados aumento do ângulo nasolabial, porém de forma não significativa. Tal fato provavelmente decorre do montante e tipo de movimento realizado, além do tônus, espessura e aderência dos tecidos moles da face e do tipo de osteotomia utilizada, conforme relataram Tavares et al. 8 , e características individuais 12 . De acordo com Marsan, Cura e Emekli 13 , que assevera- ram que a cirurgia bimaxilar produziu perfil mais harmonioso nos pacientes Padrão III, indicamos a cirurgia bimaxilar para a correção do prognatismo mandibular, seja por excesso de crescimento mandibular, deficiência de crescimento maxilar ou ambos. Nesse estudo, os valores do SNA confirmam o avanço da maxila e os valores do SNB o recuo de mandí- bula, enquanto o ANB e o trespasse horizontal tornaram-se positivos, confirmando a correção da relação maxilomandi- bular Padrão III, provavelmente gerando nos indivíduos um perfil mais harmonioso e condições de função do sistema estomatognático adequadas. Após o desenvolvimento das osteotomias maxilares para a correção de deformidades dentofaciais, houve uma evolução significativa quanto ao planejamento cirúrgico desses casos. Existem vários sistemas de análise cefalomé- trica digital 14-18 e de VTO 19,20,21 para planejamento cirúrgico. Gossett et al. 22 compararam a precisão do programa de VTO Dolphin Imaging ® System 8.0 com os procedimentos de VTO convencionais. Concluíram que ambos os meios podem ser utilizados, com a mesma precisão. Porém, Po- wer et al. 23 citaram que a versão 8.0 do programa Dolphin Imaging ® necessitava de revisão para correção de erros no programa, que resultavam em uma inexatidão de cálculo. Gonçales 24 realizou estudo cefalométrico computadorizado do espaço aéreo faríngeo de pacientes submetidos à cirur- gia ortognática para correção de prognatismo mandibular, por meio da utilização do programa Dolphin Imaging ® Sys- tem 10.0 e concluiu que, dentre outras, o Programa Dolphin Imaging ® 10.0, pode ser utilizado como ferramenta para análise cefalométrica do espaço aéreo faríngeo. Kaipatur e Flores-Mir 25 realizaram revisão sistemática com o propósito de verificar a eficácia dos programas de computadores em

Rocha JF, Ribeiro ED, Yaedú RYF, Sant’Ana E, Gonçales ES

detectar as respostas dos tecidos moles associadas com as mudanças das bases ósseas após cirurgia ortognática. Os autores concluíram que a adição de erros pode ter impli- cações clínicas, principalmente na região de lábio inferior. Assim, acredita-se que os sistemas digitais de análise cefa- lométrica e VTO são ferramentas úteis e podem auxiliar os profissionais envolvidos no tratamento dos pacientes com deformidade facial esquelética.

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eduardo sanches Gonçales Al. Octávio Pinheiro Brisola, 9-75 – 17.012-901 Bauru / SP E-mail: eduardogoncales@usp.br

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