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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

623

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Die

Periodisierung

der

815-823.

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455. Portugiesisch: Varietäten- linguistik des Portugiesischen

Linguistics variacional do portugues

0. Notas introdutorias sobre a linguistica varia- cional do portugues

1. Variedades linguisticas na historia da linguis- tica portuguesa

2. Sobre o estado actual do diassistema portu- gues

3. Sobre o contraste entre «portugues comum» e variedades do portugues

4. Linguistica variacional e gramatica/gramati- cografia do portugues

5. Linguistica variacional e lexico/lexicografia do portugues

6. Variedades linguisticas na literatura portu- guesa

7. Conclusoes finais e perspectivas

8. Bibliografia (seleccäo)

0. Notas introdutorias sobre a linguistica varia-

cional do portugues

Ate ao presente, uma «linguistica variacional do portugues» algo queestä - see queesta - quando muito nos seus come9os. certo que existe uma serie de trabalhos sobre a lingua portuguesa dos quais decorre que tambem na lusitanistica o estudo das variedades linguisti- cas vem sendo de ha muito um reconhecido campo de investiga9§o (cf. 1.)· Todavia tem faltado ate hoje uma elaboracäo sistemätica do conjunto das variedades do portugues (cf. Kies- ler 1989, XIII). Dada essa circunstäncia, näo pode ser o objective deste trabalho fornecer uma descri9äo completa, exaustiva, do dias- sistema da lingua portuguesa. Tentar-se-ä, an- tes, partindo de uma compilafäo dos artigos

que figuram neste volume sobre as diversas areas da lingua portuguesa e äs suas variedades, oferecer um panorama do estado actual da in- vestiga9äo sobre äs variedades do portugues e nessa base apresentar as possibilidades, as li- nhas de evolu9äo e äs fronteiras de uma linguis- tica variacional do portugues. Uma tentativa deste genero pode orientar-se pelos trabalhos ja existentes sobre outras lin- guas romänicas e äs suas variedades (—» 203, 281, 337, 404). Neste ponto näo se trata de apresentar novamente principios teoricos gerais da linguistica variacional do portugues (—» 73) mas sim da questäo de averiguar ate que ponto os principios gerais da linguistica variacional - por controversas que tenham sido ate hoje a sua aclaracäo e a sua defmi9äo - seräo aplicä- veis äs circunstäncias particulares e äs tenden- cias da evolu9äo da lingua portuguesa ao longo da historia e na epoca presente. O facto de a lingua como elemento constitu- tive de um grupo social näo apresentar uma estrutura homogenea correspondente ao con- ceito de competencia de um falante/ouvinte ideal mas de ser antes constituida por um dias- sistema de diversas variedades (—»309b, 2.1.) diz respeito, sem sombra de duvida, tambem ao portugues. Ha contudo que aclarar ate que ponto a varia9äo regional, a varia9äo especifica de camadas socioculturais e a varia9äo diassi- tuativa/estilistica do portugues se distingue da das restantes linguas romänicas, especialmente das linguas afins, e em que medida a historia dos estudos lusitanisticos que se vem fazendo tem tornado consciencia das particularidades da lingua por eles analisada e dado entrada nos seus trabalhos aos tra9os especificos do portu- gues.

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624 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

L Variedades linguisticas na historia da linguis- tica portuguesa

Para dar resposta a questäo de saber quais os centres de interesse que se formaram dentro da linguistica portuguesa na investigate» de varie- dades isoladas e em que medida a lusitanistica se tern ocupado do conjunto de variedades do portugues tornado como um todo, tratar-se-ä aqui, com base nos volumes suplementares da ZrP elaborar uma visäo geral estatistica sobre os mais importantes pontos de incidencia e tendencias da historia da investiga9äo. Para esse fim foram utilizados os volumes dos anos 1940 a 1988 da Romanische Bibliographie (cf. ultimamente Ineichen 1991) para averiguar quais os trabalhos sobre variedades do portu- gues que estäo especialmente assinalados. Essa seleccäo foi alargada com indica9Öes colhidas dos artigos especializados constantes deste vo- lume e por outras fontes bibliograficas, como Dietrich 1980, Chatham/Scales 1984 e Ferreira 1989, äs quais mostram que se encontram em- bora lacunas na Romanische Bibliographie mas que äs afirmacöes tendenciais podem sem du- vida arrogar-se um elevado grau de representa- tividade. Esta investigaiäo - relativamente a quäl näo poderäo num caso ou noutro ex-

cluir-se decisöes de caräcter subjective quanto ä ordena9äo dos trabalhos sobre os campos espe- ciais da linguistica variacional - concentra-se nos seguintes sectores da linguistica portugue-

sa:

- os campos

da repartiere diatopica, da ex-

pansäo do portugues e la linguistica que se ocupa dos problemas de contactos, tradicio- nalmente predominantes na historia dos estu- dos lusitanisticos;

- temas sociolinguisticos e socioculturais de ca- räcter geral, especialmente problemas de nor- ma e norma9äo, de pedagogia da lingua nas escolas e no sistema de ensino em geral, par- ticularidades das formas de tratamento e for- mas linguisticas especificas do sexo dos falan- tes e, por fim, temas politico-linguisticos, in- cluindo a lingua na/da politica;

- linguagens tecnicas e linguagens especiais, ni- veis de lingua e estilos de linguagem, lingua- gem falada e linguagem escrita, valoriza9öes da linguagem;

- pontos de partida para uma perspective lin- guistico-variacional no sentido de tomar em considera9äo um grande numero de varieda- des da lingua portuguesa e de analisar äs re- la9Öes de variedades entre si. Dos mais de 160 titulos aqui seleccionados ca- bem cerca de 20 % ao sector diatopico e da lin- guistica dos contactos, cerca de 30 % a so- ciolinguistica geral e a politica da lingua, cerca

de 40 % ao conjunto das varia9Öes internas do diassistema portugues, restando uns escassos

10 % para o sector, a tratar mais pormenori- zadamente, dos trabalhos sobre linguistica va-

riacional.

Desses diversos sectores seräo extraidos al- guns dados, sem que sejam aqui apresentadas todas äs indica9Öes particulares que se encon- tram nesses artigos especializados acerca da lin- gua portuguesa (cf. tambem o cap. 2). Como representantes dos trabalhos sobre äs variedades diatopicas do portugues e äs suas classifica9Öes nomeiem-se a titulo de exemplo:

Boleo 1942, Carvalho 1961, Boleo/Süva 1962, Cintra 1964-1971, Vazquez Cuesta/Mendes da

Luz (1971, vol. l, 37-169) (-»450). Com a ex- pansäo do portugues na Africa, na America do Norte e na America do Sul e com as variedades regionais e locais e com a sua analise ocu- pam-se por exemplo Massa 1979, Ramele 1981, Perl/Schäfer 1983, Blanco 1984/1985, Fonseca 1985, Simöes 1985, diversas contribui9öes em Cintra et al. 1985-1987, Batalha 1986, Endru- schat 1986, Perl 1986, Stolz 1987, Dias 1989 (—»451-453). Fenomenos da linguistica dos contactos e problemas de bilinguismo e de plu- rilinguismo säo tratados, por exemplo, nos tra- balhos de Hensey 1976, Bergen/Bills 1983, Ma- tias 1984 (tambem Schlieben-Lange 1991), Thun 1986, Trigo 1987, Döll 1988, Mota 1988 e Flor 1989(-*439). Dominantes na analise de variedades linguis- ticas isoladas do portugues säo os trabalhos sobre temas sociolinguisticos e socioculturais, sobre norma e norma9äo e sobre particulari- dades, por exemplo, das formas de tratamento ou da linguagem especifica do sexo dos falan- tes; cf. por exemplo o trabalho, publicado re- lativamente cedo, de Correia 1935, e, alem dele, Cintra 1972, Carvalho 1974, Barreno 1976, Head 1976, Brandäo 1979, Camacho 1982, Hammermüller 1982, Kilbury-Meissner 1982, Leal 1982, Hauy 1983, Elia 1984, artigos em Holtus/Radtke 1984, Bortoni-Ricardo 1985, Cunha 1985, Alkmim 1986, Faria 1986 a e b, Faria/Grosso/Lopes 1986, Koike 1986 (-*434, 436, 440; cf. tambem Ferreira 1989, s. v. socio- linguistica). Dos temas da lingua como instru- mento da politica e da lingua na politica ocu- pam-se, entre outros, Boleo 1944, Scotti-Rosin 1982, Alves 1983, Klare/Sieke 1983, Schmidt- Radefeldt 1983, Fleischmann 1984, Murias 1984, Abdala 1985, Trigo 1985, Endruschat 1990 (-^444). De uma tradi9äo extraordinariamente longa e rica dentro da linguistica portuguesa gozam os trabalhos sobre linguagens tecnicas e espe- ciais; cf. ja Correia 1918, Bessa 1919, Dauzat 1920, China 1932, Perdigäo 1940, Louro 1941,

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Castro 1947, Pereira 1949, Matte/Müller 1952, Aguilar 1958, Lapa 1959, Kroll 1960, Joda 1967, Barata 1969, Alves 1969/1970, Azevedo 1974, Nobre 1979, Li Ching 1980, Pedro 1982, Scheinowitz 1983-1985, Alves 1984, Franchi 1984, Pereira 1984, Preti 1984, Ferreira 1985, Nobre 1986, Kroll 1990 (-^435, 437, 438). Pouco numerosos säo, pelo contrario, os tra- balhos que tratam as variedades diafäsicas do portugues e äs diferen9as nas marcas dos niveis; cf. p. ex. Kroll 1981, Preti 1982, Chamber- lain/Harmon 1983, Cacciaglia 1984 (-»429, 431, 442). As diferen9as entre a linguagem

portuguesa falada e a escrita säo objecto de tra- balhos como os de Houwens Post 1958, Tho- mas 1969, Hutchins 1975, Thomas 1975, Kroll 1980-1986, contribuiföes em Schmidt-Rade- feldt 1983 e Holtus/Radtke 1984, Pimentel Pin- to 1986, Castilho/Preti 1986/1987, Franco 1991 (—»432). Acerca da valoriza9§o da linguagem em geral e da avalia9äo do vocabulario cf. por ex. Aguilar 1959 e Alheia 1972 (-»442; cf. tam- bem Mateus 1989, 31). Em todos estes trabalhos säo descritas e in- terpretadas variedades isoladas da lingua portuguesa na historia da sua forma9äo e/ou do seu funcionamento actual. Desse modo eles säo

- como muitos outros trabalhos de investigacäo

aqui näo citados - elementos constitutivos de uma ampla linguistica variacional do portu- gues. Virä a ser alcan9ado um nivel qualitati- vamente diferente quando forem comparadas äs influencias reciprocas de diversas variedades entre si e estabelecidas äs suas inter-rela9oes. Neste ponto trata-se da interdependencia de va- riedades, especialmente de variedades diatopi- cas, diasträticas e diafäsicas/diassituativas, da tentativa de uma Iocaliza9äo e interpreta9äo de variedades isoladas em todo o conjunto de va- riedades da lingua portuguesa. Pontos de par- tida para uma tal analise do diassistema portu- gues säo sensivelmente mais raros de encontrar (e significative o facto de na bibliografia relati- vamente bem informada de Ferreira 1989 se en- contrarem, e certo, rubricas especiais para os temas «Crioulos, Dialectologia, Estilistica, Ex- pansäo da Lingua, Formas de Tratamento, Gi- ria e Caläo, Portugues do Brasil, Pragmätica, Sociolinguistica» mas faltar uma rubrica para a linguistica variacional do portugues); todavia podem encontrar-se por ex. nos seguintes tra- balhos, que se ocupam do inter-relacionamento de variedades diatopicas e diasträticas na co- munidade linguistica: Santos 1978, Faria 1983, Koike 1985, Perl 1985, Cuesta 1986, Endru- schat 1986b, Gärtner 1987, Faria/Duarte 1989, Kiesler 1989, Mateus 1989, Petruck 1989, Cäc- camo 1989 (cf. cap. 2.). Partindo destes trabalhos aparecidos nos

tempos mais recentes far-se-ä seguidamente a tentativa de apontar algumas das tendencies evolutivas bem como o estado actual do dias- sistema portugues nos seus contornos essen- ciais, para desse modo fazer ressaltar mais cla- ramente äs tarefas que se depararäo a uma fu- tura linguistica variacional do portugues.

2. Sobre o estado actual do diassistemaportu- gues De um ponto de vista diatopico o diassistema do portugues caracteriza-se - apesar da existen- cia de pequenas diferen9as (—» 359, 2.7.) - por um grau relativamente elevado de homogenei-

dade (-» 450.2. e 5.; para esclarecimento e para

a historia da forma9äo dos conceitos e bem as-

sim para äs indica9Öes bibliogräficas em geral

— 73, 1.;

203, 0.; 281, 1. e 2.; 337, 1. e 7.; 404,

1.-3.; cf. tambem 309b, 3.). Esta observa9äo tem alias de se restringir ä area europeia do portugues. Considerada a totalidade do espa9o de lingua portuguesa, podem, contudo, efec- tuar-se diferencia9Öes verdadeiramente essen-

ciais quanto ä reparti9äo geogräfica no atinente ao portugues do Brasil (—»451), a difusäo do portugues na Africa (—» 452) e na Äsia (—» 453)

e ainda aos diferentes tipos de linguas crioulas

portuguesas (—»487) resultantes do contacto com o portugues. Igualmente de atender seriam aqui formas mistas como o portafricänder, porlalemäo, porlingles, portolandes, portufla- mengo, portufrances, portunhol etc. (cf. Dias 1989, 53-73). A diasträtica do portugues apresenta-se em essencia caracterizada por uma diferencia9äo a tres niveis: estrato social alto, estrato social me- dia, estrato social baixo (-» 434, 4.), a quäl se

faz notar nos sectores da varia9ao fonetica, morfologica e sintactica (—»434, 4.1.). Acres- cem ainda, no conjunto das variedades do portugues, variedades devidas a faixa etäria (—»435) e ao sexo dos usuärios da lingua (—»436). Justamente neste ultimo caso desem- penham tambem papel de relevo factores de ca- racter mais generico, näo especificamente lin- guisticos, como sejam desvantagens sociais ou formas de comportamento tradicionais em de- terminadas estruturas da sociedade. Atendendo a que a diferencia9ao diatopica do portugues europeu comparada com outras linguas romanicas pode ser taxada como me- nor, abre-se aqui para a lusitanistica urn largo campo de estudo das variedades diafäsi- cas/diassituativas de uma lingua. As investiga- 9Öes acerca dos diferentes registos do portugues encontram-se de modo geral ainda num estädio relativamente pouco adiantado, limitando-se principalmente a dominios isolados como seja a

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forma de tratamento (cf. por ex. Kilbury- Meissner 1982) ou entäo o emprego dos pro- nomes (Petruck 1989). Uma conexäo ampla dos metodos de trabalho de caräcter estilistico, so- ciolinguistico e pragmalinguistico (—»431) com os novos conhecimentos trazidos pela lingui- stica variacional näo passou ate hoje - no re- speitante ä lingua portuguesa - da sua fase in- icial (-»· 429, 7.). A par dos tres niveis de variedades diatopi- cas, diasträticas e diafäsicas/diassituativas tentou-se recentemente - partindo de consi- deracöes metalexicogräficas (cf. Hausmann 1977 e diversos artigos em Hausmann et al. 1989-1991) sobre a marcacäo diassistemätica em dicionärios (cf. como exemplo um «Systeme de marques et connotations sociales dans quel- ques dictionnaires culturels francais», Girardin 1987) - criar um «macromodelo» das varieda- des virtualmente possiveis, modelo no quäl todo o conjunto de variedades deverä ser abrangido no diassistema de uma lingua. Aqui ha que comefar por nomear a marca diamedial, que indica uma variedade como per- tencente primariamente ä diferencia9§o, intro-

duzida

Müller (1975) da concep9äo de um enunciado nos moldes das regras e conven9Öes da lingua falada (code parle) e da lingua escrita (code ecrit). Aqui ha que distinguir da reparti9äo fundamental de lingua na sua realiza9äo como discurso articulado oralmente (code phonique) e como texto apresentado por escrito, apreensivel visualmente (code graphique), distin9äo que em ultima analise possui validade para todas as va- riedades de uma lingua. Formas com marca diassistemätica podem ser realizadas em forma fonica e/ou gräfica, podendo o tipo de marca variar e, conforme o texto/situa9äo, aparecer de modos diversos. - Em portugues a distin9äoen- tre uma linguafalada e uma lingua escrita näo e täo acentuada como por ex. no frances (-*· 432). Uma gramalica do portugues falado, elaborada separadamente como complemento de uma gramatica da lingua escrita, poderia constituir uma tarefa altamente interessante. Porem com isso se atingiriam menos äs diferen- 9as gramaticais internas do sistema reconduzi- veis ä oposi9äo entre falado vs. escrito do que criterios sociolinguisticos e marcas de registos dependentes de situa9<5es, referidas especial- mente ao grau de formalidade do acto de co- munica9äo (e, desse modo, pertencendo mais ao nivel das variedades diasträticas, por um la- do, e, por outro, ao das variedades diafäsi- cas/diassituativas e/ou diatextuais). Um pouco diferentemente se apresenta a situa9äo quanto ao portugues do Brasil, onde äs diferen9as entre a lingua falada e a lingua escrita säo muito mais

por Soll (1974, 3 1985) e alargada por

consideräveis que no portugues europeu (-»432, 2.). Como particular expressäo do nivel diame- dial pode ver-se a ja aludida marca diatextual. Uma caracteriza9äo usual e, na prätica, a ordena9§o de variedades por ex. em textos li- terärios ou poeticos, podendo, contudo, em principio, todos os tipos de texto ser abrangi-

dos por esta marca (—»· 37, 38). - Na linguistica

e na teoria da literatura portuguesas a investi-

ga9äo do nivel diatextual (—» 430) e quase sem- pre encarada em Iiga9äo com a estilistica e com

a investiga9äo linguistica aplicada e a critica

linguistica (-* 429, l.). Assim, e por ex. mencio- nado o conceito de estilo de Herculano de Car-

valho (1970; 6 1983, 302) no ämbito de uma esti- listica variacional e posto em correla9äo com a

inten9äo de comunicar da pessoa que fala/es- creve (—»· 429, 6.). Pelo contrario, escasseiam os estudos sobre certos tipos de textos isolados, sobre a utiliza9äo de certos padröes e organi- za9äo de textos (-»-428, 5.1.). Uma outra caracteriza9äo diz respeito a mar- ca dianormativa. Conforme o tipo de norma que e reconhecida assim podem äs variedades ser consideradas mais ou menos correctas, como desvios, a evitar ou a tolerar, de uma nor- ma a determinar em cada caso (descritiva ou prescritiva). - Em Portugal os pressupostos para a cria9äo de uma norma relativamente unitäria de uma lingua padräo manifestaram-se mais cedo do que em outros paises da Roma-

Itälia (—> 440, 2.), tan-

to no respeitante ao uso escrito (ib., 4.1.) como

ao uso oral (ib., 4. 4.; -»· 444, 3.). Inversamente, no portugues do Brasil assinala-se uma nitida discrepäncia entre uma norma teorica orienta- da num sentido prescritivo e uma norma real descritiva (—* 440, 6.3.), o que levou a marcas dianormativas correspondentes em manuais, gramäticas e dicionärios (sobre o portugues padräo na antiga Africa portuguesa -> ib., 7.). Estreitamente ligado ao nivel dianormativo estä o nivel diavalorativo (tambem diaconota- tivo), segundo o quäl com o emprego de certas formas linguisticas estäo associadas valoriza- föes quanto ä especie de designa9äo linguistica ou do acto de fala em geral. Neste ponto re- vela-se uma afinidade parcial particularmente quanto ä marca diassituativa. - Tambem no portugues a marca diavalorativa se caracteriza fundamentalmente pelo grau de desvio da lin- gua padräo transmitida atraves da historia da lingua e da historia da literatura e favorecida pelo sistema de ensino. Na literatura portugue-

do

sa äs variedades linguisticas que se desviam

nia, tal como Fran9a ou

padräo säo empregadas como instrumento de caricatura ou de ironia, fornecendo assim si- multaneamente com o emprego de variedades

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

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uma opiniäo valorativa sobre essa forma lin- guistica e o seu usuärio (sobre exemplos —> 440,

4.5.).

Do facto de pertencer primariamente a le- xemas, mas tambem a modos de forma9äo morfologicos e estruturas sintäcticas proprias de certas linguagens tecnicas, resulta a marca diatecnica, a quäl se refere äs peculiaridades de determinados grupos profissionais e da respec- tiva linguagem. Aqui encontramo-nos perante uma transi9äo, em ultima anälise näo claramen- te definivel, para uma inclusäo de variedades de determinados grupos sociais e da ou das suas linguagens especiais. - Em portugues, os estu- dos das variedades diatecnicas e a criafäo de terminologias autonomas sofreram, especial- mente a partir dos anos sessenta do seculo XX, um notävel desenvolvimento, apos durante lar- go tempo se haver praticado, em vez disso, uma recepcäo irreflectida e uma imitafäo do voca- bulärio cientifico e tecnico existente em outras linguas (—» 437, 5.; sobre äs linguagens especiais Portugueses —» 438). O grau de integra^äo de variedades de uma outra lingua (lingua estrangeira) no sistema da lingua de referenda e decisive para o genero de marca diaintegrativa. Em sentido lato pode- riam abranger-se aqui tambem os emprestimos de outras variedades (por ex. de sectores com marca diatopica ou de linguagens especiais). - Tambem o espaco linguistico portugues dispöe actualmente de uma rede consideravelmente ra- mificada de instäncias de normaiäo no que toca a integra9§o do material proveniente de linguas estrangeiras (—> 447, 464) e ä forma9äo de terminologias autonomas (—» 437, 5.2.), em- bora a tomada de consciencia do significado politico (linguistico) deste sector se tenha veri- ficado relativamente tarde, e embora a lingua portuguesa - devido tambem a faltar uma ocu- pa^äo com o posicionamento dos problemas da marca diaintegrativa da lingua e devido ä au- sencia de confronta9§o com problemas levanta- dos pelo contacto com outras linguas - em mui- tos aspectos näo tenha ainda podido ocupar a nivel internacional o lugar que Ihe cabe como lingua mundial. Em consequencia de uma marca nos sectores ate aqui aludidos pode resultar uma descricäo de variedades linguisticas em fun9äo da fre- quencia com que se mostram. A marca diafre- quente surge principalmente em conexäo com a marca diatextual e com a marca diatecnica. - Na lingua portuguesa - tal com sucede noutras linguas romänicas - os estudos sobre marcas diafrequentes produziram efeitos corresponden- tes em especial em sectores da investiga9äo lin- guistica aplicada e na lexicografia (—> 457). Resta aludir ä marca diacronica, a quäl se

refere ao surgimento de variedades linguisticas no tempo e diz respeito ao aparecimento de uma forma nova ou a perda de uma forma usual ate entäo. Ai depara-se por sua vez com inter-rela9Öes especialmente com a marca dia- textual, a diaintegrativa e a dianormativa. - Dominio principal da marca diacronica e, tam- bem no portugues, tradicionalmente a investi- gacäo do vocabulärio e da sua historia (—» 447), ao passo que äs indica9Öes diacronicas relativamente a presen9a de outros fenomenos linguisticos (por ex. morfologicos ou sintäcti- cos) ou entäo a historia dos tipos de textos säo ainda pouco de encontrar. E caracteristico das diferentes marcas diassis- temäticas aqui apresentadas o elas aparecerem näo apenas isoladamente como tambem e pre- cisamente em Iiga9äo umas com as outras. Des- sa circunstäncia deriva a necessidade de näo se proceder a anälise de sectores particulares do diassistema de uma lingua isoladamente - di- gamos, no sentido de uma sociolinguistica con- centrada na estratifica9äo social de uma lingua, de uma estilistica, uma retorica ou uma linguis- tica textual que apenas tomam em conta, por exemplo, afirma9<3es valorativas, conotativas ou especificas textuais, ou de uma dialectologia exclusivamente centrada na reparticäo geogrä- fica de uma lingua. O que em vez disso se torna necessärio e averiguar tambem a influencia re- ciproca dessas variedades, reconhecer a sua in- terdependencia no ämbito do diassistema de uma lingua, para desse modo constituir o ob- jecto de uma linguistica variacional de grande amplitude. Uma investiga9äo desse tipo e igual- mente adequada ao portugues, conjugada com a praxis das marca9Öes diassistematicas na gra- maticografia e na lexicografia (cf. cap. 4. e 5.).

3. Sobre o contraste entre «portugues comum»

e variedades do portugues

3.0. Com rela9äo ao portugues, a anälise con- trastiva entre tra9os de variedades linguisticas e äs caracteristicas de uma lingua padräo co- mummente aceite far-se-ä da melhor maneira sobre campos particulares do sistema linguisti- co, ou seja, sob forma de uma compila9äo das divergencias nos campos da fonia e da grafia, da morfologia (formacäo de palavras e flexäo), da (morfo)sintaxe e do lexico. Uma descri9äo sistemätica e completa das particularidades lin- guisticas de cada uma das variedades do dias- sistema - tal como existe por exemplo para o

frances falad o (—337,

6.), par a o «italiano

d'uso comune» (—>281, 3.1.), para os compo- nentes sociolectais/diasträticos do romeno (—»203, 2.) ou (em mais modesta amplitude) para äs variedades actuais do espanhol (-> 404,

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628 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

4.) - näo parece ser possivel para o portugues por dois motives (actualmente). Por um lado, o estado actual da investiga9äo sobre äs varieda- des do portugues näo o permite, e, por outro, (possivelmente em consequencia do primeiro), a diferen9a entre as diversas variedades do dias- sistema portugues näo säo pronunciadas como äs das outras linguas romänicas, acerca das quais se verifica a existencia, embora limitada, de um consenso sobre quais os factores isolados que entram na forma9äo dos tra£os constituti- vos de uma variedade realmente existente, por exemplo, de um «italiano dell'uso medio» ou de um «code parle» frances (-» 62; cf. Kiesler 1989, 6-52).

3.1. Fonia e grafia Seguidamente seräo explanados alguns dostra- 908 caracteristicos do portugues padräo com vista äs possibilidades de varia9äo de fonia e grafia. Uma visäo global e apresentada princi- palmente nas descricöes de Teyssier (1976, 17-54), Cunha/Cintra (1985, 25-74) e Mateus et al. (1983, 507-543), e ainda nos artigos espe- cializados contidos neste volume (—»418,420; outros exemplos foram colhidos tambem dos artigos 434, 436, 440, 450, 451, 452b e 453b). As variedades foneticas do portugues euro- peu näo se desviam na sua generalidade täo fortemente umas das outras a ponto de a co- munica9äo entre falantes de diferentes regiöes deparar com dificuldades essenciais (-»418, 1.3.)· O portugues europeu pode ser dividido, com base em cinco isoglossas foneticas, em uma metade norte e uma metade centro-meridional; na regiäo norte anula-se a oposicäo /v/ e /b/ (somente /b/), mantem-se contudo em oposi9ao /tf/ e HI, mantem-se a oposi9ao parcial entre [s] äpico-alveolar e [s] dental (passo, pafo), conser- vam-se os ditongos ou e ei (na regiäo centro- -meridional monotongados em [o] e [e]; -» 440, 3.1.; 444,3.2.). Os tra9os foneticos mais importantes dos seis falares mais correntes na dialectologia portu- guesa säo ilustrados atraves de exemplos por Heinz Kroll (-» 450, 4.2.) e bem assim as varia- 90es foneticas dos dialectos de Portugal (ib.,

4.5.).

As diferen9as foneticas essenciais entre portugues europeu e portugues do Brasil säo apresentadas sinopticamente por Teyssier (1976, 17-40). Essas diferen9as referem-se, no vocalismo, ä reparticäo de [a] e [a] dentro do acento principal, ao grau de abertura de e e antes das consoantes nasais m e n, a passagem de [e] a [B] antes das consoantes palatais [j ],[3], [ ] e [n] no portugues da zona central, a redu- 9ao do -a atono final no portugues europeu, a

1

transforma^ao do -e final em [i] no portugues do Brasil, bem como a outras particularidades em silabas inacentuadas. No consonantismo ha que nomear - a par da oposicäo /b/ vs. /v/ e de alguns encontros consonantais (-dm-, -dv-, -bs-, -ps- entre outros) - especialmente a palatiza9ao de [ti] e [di] no portugues do Brasil (> [tji], [tfi]; > [dji], [dy]), a pronuncia brasileira, apenas predominante na area do Rio de Janeiro, do s final ou em posi9ao final de silaba como [f] (juntamente com a intercalate de um [j] em silaba tonica terminada em [fl ou [3]) e bem assim a pronuncia alias considerade «vulgar» e «incorrecta» de Ih com [j] (cf. ib., 37; para mais pormenores cf. Cunha/Cintra 1985, 25-62; para particularidades foneticas do portugues do Bra- sil —» 451, 4.3., 6.1. e 3., do portugues de Africa -»•452b, 3.1. e Mateus et al. 1983, 25, do su- deste asiatico -*· 453b, 2.2.). Antes das palatais [ ] e |ji] bem como antes de [f] e [3] na silaba seguinte podem aparecer em todas as vogais (com excep9äo de [i]) a par da pronuncia estandardizada tambem varia90es com ditonga9ao [[], cf. malha ['maiXa], graxa ['grajja]; do mesmo modo, antes de palatal - especialmente em Lisboa - podem realizar-se os fonemas /e/ e / / como [e], [ ] ou [B] com [j] semiconsoante, cf. velho ['ve(i)Xu] ou f'vBQXu]

(-»418,4.3.)· encontro vocalico /ow / (ditongo ou) so aparece no norte de Portugal (—»-418, 4.4.3.), deparando-se ai com varia9oes determinadas pela camada social a que pertence o falante (_* 434, 4.1.2.). Em Coimbra a pronuncia procedente do lat. £ ou £fl mantem-se como [ ] ou [e] (velho, ore- Ihd), enquanto em Lisboa em ambos os casos se

simplifica em [B] (—*· 440,

Diferen9as especificas do sexo dos falantes aparecem nas duas localidades fronteiri9as Campo Maior e Ouguela (Alto Alentejo) na realiza9ao das vogais finais ätonas -u e -e: nos falantes do sexo masculino da camada media e

baixa [u] e [i], nos falantes do sexo feminino em todas as faixas etarias da camada baixa e na geracäo de meia-idade e de idade superior per- tencentes a camada media [o], raramente tam-

bem [u] ou [ ] e -

ainda mais raramente - [i];

falantes do sexo feminino mais jovens perten- centes a camada media aproximam-se da pro- nuncia preferida pelos falantes do sexo mascu- lino; outras diferencia90es dizem respeito ao aparecimento do yeismo ([ ], [y],[ds]); —» 436,

5.1.

As vogais nasais em silaba tonica de que dis- pöe o portugues säo as seguintes: duas anterio-

res (p], [e]), uma central ([ä]) e duas posteriores ([o], [ü]); a par delas aparecem em Lisboa tam- bem as variantes [ ] e [5] com um maior grau de

4.4.):

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguislik des Portugiesischen

629

abertura, verificadas em certas formas verbais do presente paradigmätico do indicative (ven- des; rompes; etc.), em oposisäo äs formas do presente do conjuntivo; predominantemente no norte podem aparecer tambem [ ], [ä] e [5] em lugar de [e], [a] e [o] (-*418, 4.4.2.). Em silaba pretonica pode aparecer [a] em vez de [o] - marcado como «idiolecto populär ou pouco cuidado»: olhar, ouvir (—»418, 5.4.1.). Na realizacäo do e (oral ou nasal) aparecem oscilacöes na silaba ätona: melhot'Imilhor; ne- nhum/ninhum, etc.; em palavras como militar, ministro, visita, vizinho um [i] inacentuado e usado principalmente por falantes do sexo fe- minino (-* 434, 4.1.1.).

No campo do consonantismo encontram-se na pronuncia de Lisboa poucas varia9Öes, como por ex. a realiza9äo de /R/ como vibrante apical multipla ou de /r/ como constritiva pos- terior sonora (—»-418, 6.1.1.; cf. Mateus et al.

No portugues do Brasil a oposi9§o entre /e/ e

/ /, /o/ e /D/ e /a/ e /a/ em silaba tonica antes de consoante nasal e anulada a favor do fonema fechado a (abstemio, cömico, amamos l* pess.

do pi. do pret. perfeito), enquanto no portugues

europeu a pronuncia aberta e assinalada pelo acento agudo (abstemio, comico, amamos) (-»•420, 4.4.2.; cf. Teyssier 1976, 19; para mais pormenores Cunha/Cintra 1985, 73s.). - As

duas variantes aqui mencionadas foram regu- lamentadas pela reforma ortogräfica de 1990 em favor de uma escrita sem «consoantes mu- das» e da manuten9äo dos acentos em confor- midade com a diferen9a de pronuncia (sendo contudo toleradas possibilidades de variacäo). No conjunto, os exemplos aqui nomeados re- velam que a varia9äo se refere na maior parte dos casos ou ä reparticäo diatopica do portu-

gues europeu (caso especial do norte) ou entäo

a diferen9a entre o portugues europeu e o

1983,

529 n. 6).

portugues do Brasil. So em casos excepcionais

r tradicionalmente rolado (carro, rei) vem

sendo - a partir de Lisboa - cada vez mais

O

geracöes, dependencia do grau de cultura)

aparece ao lado ou em vez da diferenciacäo dia- topica uma descri9äo diastratica ou um desvio

substituido por [R] uvular, impondo-se nas ci-

da

forma padräo ligada ä idade ou ao sexo dos

dades e seus arredores, ao passo que a Variante

falantes masculinos ou femininos. E de reparar

rolada se mantem na provincia (diferen9a de

(-» 440, 4.4.); sobre as varia90es do r no portu-

que a descri9äo da varia9äo em alguns dos ca- sos tambem se circunscreve a uma indicacäo generalizante como «em alguns idiolectos», ou

gues do

Brasil —» 440, 6.6.

semelhante.

A ja mencionada oposi9äo fonologica exis-

tente no sul de Portugal entre /b/ e /v/ näo e geral no norte; a recente e em parte artificial reintrodu9äo da labiodental /v/ leva a uma nova valora9§o fonologica do fonema /b/ no norte (—>418, 1.3. e 5.); em outras areas o /v/ substitui o /b/ do portugues padräo e vice-versa

(-»418,6.1.1.).

Nos encontros consonänticos como /pt/, /bt/ e outros pode ser por vezes inserido um [a], cf. obter [obs'ter], no portugues do Brasil de quan- do em quando tambem [i], cf. opitar por oplar

(-» 418, 6.1.6; cf. Mateus et al. 1983, 528 n. 4).

A queda da africada /tj/ que aparece no falar

de Gemache - exceptuada a gera9§o acima dos 70 anos - reconduz-se menos a uma influencia provinda de Lisboa do que a influencias ema- nadas de Coimbra (—»418, 1.4.). Entre äs diferencas essenciais na grafia do portugues europeu e do portugues do Brasil - alem de alguns pormenores quanto ao emprego das maiusculas, do hifen, do trema e da divisäo siläbica - conta-se a queda das «consoantes mudas» no portugues do Brasil (diretor, adotar,

batizar), enquanto no portugues europeu, em consequencia da oposi9äo fonologica entre uma forma reduzida e uma forma aberta, a consoan- te «muda» continua sendo grafada como forma de indicar o grau de abertura da vogal prece- dente (director, adaptor, baptizar).

3.2. Morfologia

Matias (—»434, 4.1.2.) apresenta sucintamente uma serie de possibilidades de variacöes mor- fologicas, que säo de reconduzir ä influencia do estrato social:

- forma9äo do plural -äo > -des (cristöes, ir- möes) no «estrato social inferior»;

- oscila9Öes entre capeläesjcapelöes, escri- väes/escrivöes no estrato social medio;

- formas diferentes do pronome pessoal da3* pessoa do singular e do plural em posi9§o enclitica, por ex. digo-lhe(s) (estrato social superior), digo-lhe(s) e digo-le(s) no estrato social medio, digo-le(s) e digo-lhe(s) no estrato social inferior e ainda do pronome in- definido qualquer, quaisquer no estrato social superior, qualquer, quaisquer, quaisqueres no estrato social medio, calquer, qualquer, cais- queres, quaisqueres no estrato social inferior;

- generalizafao do -j analogico na 2' pessoa do singular do preterite perfeito simples nos estratos sociais inferior e medio (cantastes, bebestes);

- desloca9§o analogica do acento no paradig- ma verbal do presente do conjuntivo, por ex. cömamos, vejamos (inferior, em parte tam- bem medio);

- formas verbais desviadas da norma no pre-

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630 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

terito perfeito simples em caber, saber, trazer no estrato social inferior, em parte tambem no medio (cube, sube, truxe), no presente do conjuntivo de dar (deia, deias, etc.), com ha- ver na 2*pessoa do singular e na 3* pessoa do plural do presente do indicative (hades, hadern). Quanto as caracteristicas morfologicas das va- riedades dialectais do portugues europeu enu-

mera Kroll (—»· 450, 4.3.) os seguintes tra9os:

- üa por wna (Minho, Tras-os-Montes),

- mia por minha,

deira por -dora (trabalhadeira),

- sufixo diminutive -inho em parte sem -z (ho- minho por homenzinhd),

- sufixo diminutivo com manuten9äo de um -n- intervocälico (canito por caözito) (Alentejo, Algarve),

- sufixos -ico e -alho, -urn,

- forma do preterite perfeito -stes com urn -s analogico na 2* pessoa do singular (tufostes),

muitas vezes -steis, -aides, -endes, -sides na 2* pessoa do plural,

- frequentes «regulariza9Öes» na constru^äo das formas, por ex.fazerei (porfarei), ouvisto (por ouvido), vos por voces (Beira; norte),

— em vez de -äo (orgäo > orgo),

- baroa por baronesa,

- diversas forma^öes de plural (-äos, -öes, -äes),

- mafäes por mafäs (Minho).

Urn pequeno numero de particularidades mor- fologicas dos falares crioulos e apresentado por Elia (-»451, 4.3.) para o Brasil (ca- como pre- fixo diminutivo, cafula, formas de tratamento familiäres como sinho, nho, etc.), por Caud- mont para sudeste asiatico (—»453b, 2.3., especialmente 1.-3.), por Mateus et al. (1983, 25) para a Africa (queda do s do plural, cf. as coisa). Sobre os traces da formafäo de palavras (prefixa9ao, sufixa9ao) nas linguagens tecnicas e nas linguagens especiais portuguesas —> 437, 4.2.1. e 438, 3.2.1. A forma9äo de palavras em portugues dispoe de um largo espectro de sufixos diminutivos e aumentativos, cujo emprego estä frequentemen- te ligado a uma marca diassistemätica (por ex. conota9äo pejorativa, refor9o de afectividade, cultura erudita/cientifica, perten9a de falantes do estrato social inferior, etc.). Uma rela9§o pormenorizada e fornecida pela gramatica de Cunha/Cintra (1985, 87-101, cf. tambem Teys- sier 1976, 70ss.; Hundertmark-Santos Martins 1982, 62-68). Sobre as repeü9Öes estereotipadas conjuntamente com uso frequente por exem- plo do sufixo diminutivo -inho na linguagem de falantes do sexo feminino manifesta-se critica- mente Matias (—» 436, 5.2.).

Deriva90es diminutivas com sufixo -(z)i- nhoja (com substantives, adjectives, adverbios) näo permitem uma afirmacäo exacta acerca da escolha com ou sem -z-. A par de formas lexi- calizadas e infiuencias per analogia o uso na «linguagem popular» tende para a Variante com -z (chavenazinha, malgazinha), na «norma cul- ta», pelo contrario, mais para chaveninha, mal- guinha. Vilela formula algumas tendencias e regras (-» 422, 1.3.2.3.). Na forma9äo de palavras as variantes sufi- xais -säo e -xäo ja näo constituem hoje uma classe produtiva (vocabulario remanescente ou relatiniza9äo). Nos «nomina actionis» existem nas deriva9Öes deverbais duas possibilidades em -äo e em -mento, lade a lade (sensacäo, senti- mento; convicfäo, convencimento) (->422,

1.1.1.1.).

Na morfologia do portugues aparecem na forma9äo do plural de substantives flutua90es importantes na vogal ou ditongo final, especial-

mente nos substantives em -äo, ende ha a re- gistar uma tendencia na «linguagem corrente» para o plural em -öes; no entanto continua a verificar-se a inexistencia de normas fixas; cf. por ex. anciäo com o plural anciöes, anciäos, anciäes; aldeäo com aldeöes, aldeäos, aldeäes, etc. (cf. Cunha/Cintra 1985, 174-182, especial- mente 176s.). Na forma9äo de siglas säo diminutas äs di- feren9as a assinalar entre o portugues de Portu- gal e o portugues do Brasil, por ex. (Organizafäo do Tratado do Aflanlico Norte) no Brasil, NATO (North Atlantic Treaty Organi- zation) em Portugal, e ainda a acentuacäo na primeira silaba de ONU no Brasil, e no U em Portugal (cf. ib., 115).

A forma9äo do adverbio realiza-se normal-

mente a partir da forma feminina do adjective; a par disso existem formas como portuguesmen- te, cortesmente, irmämente. Alem disso apare- cem forma9Öes perifrästicas (a meia haste, (gre- ve) de brafos caidos). Especialmente na lingua- gem publicitäria e em slogans säo ultimamente usadas (por analogia com pagar caro, vender baratö) novas forma9Öes como veslir jovem, vo-

tar socialista (-* 422, 4.). Na «linguagem coloquial» pode a deriva9äo

de adverbio por meio dos sufixos -inho, -zinho assumir a fun9äo de um superlative, cf. vem ce- dinho, diz baixinho (Cunha/Cintra 1985, 539).

A forma reduzida do adverbio muito (muf) e

antiquada eja so se encontra em textos poeticos (Hundertmark-Santos Martins 1982, 404).

Na compara9äo existe em Portugal ao lado da forma comparativa menor tambem a varian- te mais usual mais pequeno (Cunha/Cintra

1985, 254).

As variantes de artige definido lo(s) e la(s)

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

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conhecidas no portugues antigo ja so aparecem hoje em formas estereotipadas do tipo mai-lo, ou como espanholismos (a la cria, a la fresco) ou na titulatura El-Rei, ou ainda em toponimos (cf. ib., 200s.). Quanto aos pronomes pessoais, «na lingua- gem popular e na literäria popularizante de Portugal» a seguir aos adverbios näo e bem, aos pronomes quem, alguem, ninguem e a outras pa- lavras terminadas em vogal nasal aparecem tambem äs variantes no(s) e na(s) (ib,,271). Os pronomes pessoais atones o(s) e a(s) säo por vezes substituidos pelas formas ele(s) e ela(s) (conheco ele); embora em desacordo com a norma gramatical oficial, estas formas pe-

netram «dans certains registres de la langue ecrite» (Teyssier 1976, 88). No portugues do Brasil a diferenca entre o pronome demonstrative este e esse e anulada em detrimento de este, especialmente na fala espontänea (cf. ib., 114). As variantes dos numerais cardinais corren- tes em Portugal (dezasseis, dezassete, dezanove em lugar de dezesseis, dezessete, dezenove) näo säo usadas no Brasil (ai, a par de quatorze tam- bem catorze) (cf. Cunha/Cintra 1985, 363). Na morfologia verbal manifesta-se entre o portugues europeu e o portugues do Brasil um grande numero de diferen9as devidas ä alter- näncia vocälica, äs quais se referem principal-

[o] e aos

verbos com grafia etimologica (sobre exemplos cf. 3.1.; cf. Cunha/Cintra 1985, 402ss.; Teyssier 1976, 157-167). Conforme a marca diassistemätica (lingua- gem literäria ou «langue populaire») podem aparecer no portugues do Brasil varia9Öes na morfologia verbal, por ex. em verbos como pre- miar, negociar ou sentenciar 'condamner', que säo conjugadas por analogia ou com enviar ou com odiar (sobre o paradigma cf. ib., 169). No portugues do Brasil chegou-se a redu- 9Öes/simplifica9öes ainda maiores no paradig- ma verbal do presente do indicative e do con- juntivo (queda da 2* pessoa do singular e do plural, ensurdecimento da termina9äo em -r, queda da terminasäo -mos) (cf. ib., 187). Uma serie de verbos possui uma forma dupla do participio passado (confundido, confuso; fri- gido, frito; ocultado, oculto; etc.). Näo existe uma regulamenta9äo exacta, mais devendo fa- lar-se de algumas (vagas) tendencias que se re- velam no seu emprego (cf. ib., 241-246; Hun- dertmark-Santos Martins 1982, 299s.; ->421,

mente ao grau de abertura de [e] e

7.1.1.).

O imperativo exprime-se em portugues na 2" pessoa do singular e do plural na forma afir- mativa atraves de formas proprias (canta, can- tai); na 3 a pessoa do singular e do plural («quase

exclusivamente na linguagem escrita», segundo Hundertmark-Santos Martins 1982, 267), e tambem na forma negativa de todas as pessoas, atraves das formas do presente do conjuntivo. A par dessa existem como possibilidades de va-

ria9ao diversos substitutes, seja atraves de uma expressäo nominal (Silencio!, Avante!), atraves

do presente do indicativo (atenua9ao) (O senhor

me traz dinheiro amanha), atraves do future

do presente simples (atenua9ao ou tambem re-

for9o) (Tu iras comigo, Näo mataras), do imper- feito do conjuntivo ((E) se voce se calasse!?), do infinitive (ordern, proibi9äo) (Marchar!, Näo fumar) ou do gerundio (frequente na «lingua- gem popular», depreciativo) (Andando!, Corren-

dof), da perifrase com ir (na negativa) ( me dizer quefoi o Diabo) ou (interrogativa) com querer (presente ou imperfeito) (Quer le- vanlar-se?, Queria fechar ajanela?) ou ainda de outras perifrases (subordinantes) (Ordeno-te que me respondas) (Cunha/Cintra 1985, 467ss.; —»421, 7.2.6.)· Alem disso existem tambem -

em

rela9ao com a entoa9ao na linguagem fala-

da

e com outros elementos afectivos - outras

possibilidades de refor9ar ou de atenuar uma

ordern (Cunha/Cintra 1985, 469ss.).

preterite mais-que-perfeito do indi-

cativo näo existem ate agora senäo indica90es provisorias acerca da ordena9ao aos diversos registos linguisticos das tres formas diferentes (cantara: linguagem literäria; tinha cantado: lin- guagem falada e escrita; havia cantado: rara- mente, apenas linguagem escrita) e acerca da distribui9ao das variantes no seu emprego (-> 421, 7.2.4.).

Sobre

3.3, Morfossintaxe e sintaxe

A sintaxe e a semäntica do portugues säo

apresentadas desenvolvidamente per Met-

zeltin/Candeias (1982).

Influencias sintäcticas da lingua dos escravos oriundos de Africa sobre portugues do Brasil säo dificilmente verificaveis (—»451, 4.3.). Numerosos tra9os morfossintacticos do portugues falado em Africa encontram parale-

los na linguagem coloquial brasileira (exemplos

acerca de concordäncia, de pronomes da 3' pes-

soa, de conjun9Öes, pronomes relatives, prepo-

si9Öes, de Valencia e regencia de verbos, do em- prego de modo, etc.; —» 452b, 3.2.). Os verbos impessoais, verbos sem sujeito, säo usados sempre na 3° pessoa do singular; somen- te com haver e tratar-se se depara ocasional- mente tambem com uma concordäncia (näo normativa) do verbo com o objecto que se Ihe

segue: Haviam outros rezadores

.) pelas vi-

zinhancas; Tratam-se de trabalhos de ämbito uni-

versitario (—»427, 2.1.).

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632 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

nem o

verbo vai por vezes para o plural: Nem Joäo

nem Carlos seräo eleitos presidente do clube (Cunha/Cintra 1985, 501).

O objecto directo tem em certos casos de ser

introduzido pela preposi^äo a (—> 427, 2.2.2. l.);

em outros casos (antes do pronome indefmido referente a pessoas ninguem, em intercala9Öes ou extraposifoes), a coloca9äo da preposi9ao e facultativa. Ao passo que no portugues europeu o objec- to indirecto e indicado por um grupo preposi- cional com a, aparece frequentemente no portu- gues do Brasil para (Respondi para ela; -» 427,

2.2.3.).

Os pronomes pessoais sujeitos aparecem com maior frequencia na linguagem falada do que

na escrita; para isso contribui a necessidade de, em virtude das formas homofonas da l* e da 3' pessoas do singular, produzir uma marca uni- voca no contexto de situa9äo (—> 421, 8.).

O pronome ele («expletivo») e corrente na

camada popular, «com certa vitalidade» nos fa- lantes da classe media como sujeito gramatical de verbos impessoais (Ele ha azares na vida); na linguagem literaria e usado como «caracteristica da linguagem populär ou popularizante» (—»•434, 4.1.3.), «na linguagem populär ou po-

pularizante de Portugal» (Cunha/Cintra 1985,

Na linguagem coloquial com nem

274).

O

uso de a gente com o significado de 'nos'

encontra-se com muita frequencia entre falan- tes de estratos sociais inferiores, por vezes no estrato social medio e «na linguagem familiär» do estrato social alto (—»-434, 4.1.3.), em regra seguido do verbo na 3* pessoa do singular (a gente cantamos), no estrato social inferior com preferencia ainda da 1* pessoa do plural (a gen- te cantamos), bem como em dialectos (especial- mente no sul, —> 450, 4.4.1.) e na linguagem li- teraria com matiz regional: «Le pluriel se trou- ve parfois dans la langue populaire, mais il est senti comme une incorrection» (Teyssier 1976,

190). pronome pessoal vos precedido de prepo- si9ao so muito raramente e usado na linguagem

culta, sendo na linguagem corrente substituido por voces (Hundertmark-Santos Martins 1982,

125).

Depois da preposi9ao entre aparece normal- mente a forma obliqua do pronome pessoal to- nico, todavia vem-se impondo «na linguagem coloquial» a forma recta, «constru9ao que se vai insinuando na linguagem literaria»: Entre eu e tu (Cunha/Cintra 1985, 291s.). Nos pronomes pessoais pode da mistura de duas frases como Isto näo e trabalho para eu fazer e Isto näo e trabalho para mim resultar uma nova constru9ao com a forma obliqua do

pronome e o infinitivo: Isto näo e trabalho para mim fazer - «A constru9ao parece ser desco- nhecida em Portugal, mas no Brasil ela estä muito generalizada na lingua familiar, apesar do sistemätico combate que Ihe movem os gra- maticos e os professores do idioma» (ib., 290). No portugues do Brasil encontram-se, em re- lacäo ao portugues europeu, alguns desvios quanto a coloca9ao dos pronomes pessoais äto- nos (por ex. me no inicio da frase, cf. Teyssier 1976, 95, proclise em certas constancies, cf. Cunha/Cintra 1985, 307s.). Entre os pronomes atonos em posicäo pro- clitica e amiude - principalmente por escritores Portugueses - intercalado um elemento, por ex. näo: Era impossivel que Ihe näo deixasse uma lembranfa (ib., 305). pronome demonstrative o, que se refere, como recapitula9ao, ao que foi dito antes, e na maioria dos casos omitido na linguagem cor- rente: Este aluno e bom, mas aquele tambem (o) e (cf. Hundertmark-Santos Martins 1982, 91).

Os pronomes relatives oja qual na linguagem corrente so säo usados em Iiga9ao com prepo- si9oes (Vai ser vendida a colecfäo de selos do meu colega, da qual eu tanto gosto). As formas equivalentes a urn genitivo cujo(s), cuja(s) dei- xaram (ja) de ser usadas na linguagem corrente

(Aquelas alunas cuja

ram todas no exame) (cf. ib., 105ss.); na lingua- gem escrita pode aparecer ocasionalmente o qual em lugar de que, «en particulier dans de longues phrases ou l'identification de 1'antece- dent souleverait autrement des problemes»: Li com vivissimo Interesse os artiges recentemente publicados em revistas brasileiras sobre as obras de Guimaräes Rosa, os quais me parecem de um modo geral muito penetrantes (Teyssier 1976,

aplicacäo eu louvei passa-

117).

Numa frase relativa com valor restritivo o sujeito e representado apenas por que, podendo nas frases näo restritivas se-lo tambem por o qual, o mesmo se dizendo quanto ao objecto directo; mas neste ultimo caso pode tambem aparecer a quern na linguagem literaria, quando referido a pessoas, em ambos os tipos de frases (-> 427, 6.5.1.). A coloca9ao do artigo definido antes de pro- nomes adjectivos possessivos, com poucas ex- cep90es obrigatoria no portugues europeu, e no portugues do Brasil pouco frequente (Meu avo materno foi verdadeiramente minha primeira amizade, companheiro de brinquedo da minha primeira infancia; Cunha/Cintra 1985, 208). Ai pode tambem dispensar-se o artigo antes de Pa- lacio, «quando, em fun9äo de adjunto adver- bial, designa a residencia ou o local de despa- cho do Chefe da Na9ao ou do Estado e vem desacompanhada da competente determina9§o

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

633

ou qualifica(äo» (O Governador chamou-o a Pa- lacio, pedindo-lhe que desse um termo a luta\ ib., 215), e ainda «dans la langue populaire du Bre- sil, et dans la litterature qui s'en inspire» com substantives «pris dans un sens general et in- determine»: Sempre me pareceu que mulher e urn bicho esquisito (Teyssier 1976, 82). Em com- pensacäo, o artige definido aparece com grande frequencia «na linguagem popular e no trato familiar» do portugues do Brasil, estando no portugues europeu a anteposicäo do artigo «praticamente generalizada na linguagem cor- rente» (Cunha/Cintra 1985, 218), com «urn torn de afetividade ou de familiaridade» (cf. Teyssier 1976, 76: «dans le registre familier»). Em determinados contextos de linguagens tecnicas ou especiais, «discursos caracterizados por uma grande condensa9§o de informacäo» (como estilo telegrafico, cabecalhos jornalisti- cos), omite-se artigo definido: Tia chega hoje as 16 horas (Mateus et al. 1983, 76). Por vezas e feita uma diferenfa no portugues do Brasil - aocontrario doportugues europeu - entre todo acompanhado de artigo definido (todo o 'inteiro', 'total') ou näo acompanhado (todo 'qualquer, cada'): Toda casa ('qualquer casa') cedo ou tarde precisa de reforma, Toda a casa ('a casa inteira') foi reformada (Cunha/ Cintra 1985, 225). Na linguagem coloquial aparece artigo in- defmido «com acentuado valor intensivo em certas frases da linguagem coloquial caracteri- zadas por uma entoa9ao particular» em expres- söes como Ela e de uma candural. Tens umas ideias! (ib., 231). Acerca de um emprego dos tempos (e dos modos) dependente da faixa etaria dispoe-se apenas de estudos isolados (—> 435, 12). O uso do futuro do indicativo no portugues falado decaiu sensivelmente; em seu lugar apa- recem presente do indicativo ou construcöes

perifrasticas como haver de + infinitive, ter de + infinitive, ir + infinitive (->421, 7.2.2.; 450, 4.4.1.; cf. Teyssier 1976, 205: «dans la langue parlee du Portugal on assiste ä la quasi-dispa- rition du futur utilise avec sa valeur temporel-

le»).

Em lugar do condicional emprega-se na lin- guagem corrente frequentemente o imperfeito (Eu näo tinha tanta paciencia como ele!) (Hundertmark-Santos Martins 1982, 186; Teys-

sier 1976, 206: «Dans la langue parlee il est d'un usage normal au Bresil. Au Portugal, en revan- che, il a largement disparu de la langue parlee, comme le futur de l'indicatif ä valeur tempo-

dans la conversation familiere tous

relle (

les conditionnels sont remplaces par des impar- faits de l'indicatif»). Em vez do condicional simples (em especial

):

na linguagem corrente) e em certos casos (con- di90es para a prätica de um acto, expressäo de incerteza, modestia, etc.) usado imperfeito (Desejava bem, mas näo me atrevoi) (Hundert- mark-Santos Martins 1982, 208s.), e em vez do condicional composto muitas vezes o mais- -que-perfeito (Aqui, nunca Ihe tinha acontecido tal coisa) (ib., 214). Em ora90es condicionais irreais encontram- se na linguagem corrente as seguintes varia90es no emprego dos tempos e dos modos:

- presente do indicativo em lugar do imperfeito ou mais-que-perfeito do conjuntivo (Se eu sei uma coisa dessas, nunca la tinha ido),

- preterite perfeito composto (por vezes) em lugar do mais-que-perfeito do conjuntivo (Valha-me Deus, se a senhora tern dito, cf, ib., 166 e 181; Teyssier 1976, 224s.: «dans la lan- gue parlee familiere du Portugal», «dans la langue parlee du Portugal (registre fami- lier)»),

- imperfeito do indicativo em lugar do condi- cional na ora9ao principal (Se eu a visse, näo a reconhecia),

- mais-que-perfeito do indicativo em vez do condicional composto na oracäo principal (Se eu a tivesse visto, näo a teria/tinha reco- nhecido) (Hundertmark-Santos Martins 1982,

250ss.).

Em certas expressoes aparece em ora90es afir- mativas indicativo, em casos particulares uma vez que outra conjuntivo, e, na forma nega- tiva, conjuntivo ou indicativo (por ex. em expressoes de informa9äo); neste caso deveria, num emprego performative aparecer con- juntivo (Näo digo que ela seja mais interessante), encontrando-se contudo muitas vezes indica- tivo tambem quando se faz uma negacäo do facto (Näo digo que foi bem feito) (—*· 427, 3.2.3.1.1.1.3., N· 5). Depois da conjuncao como pode na lingua- gem escrita (latinizante) em vez do indicativo colocar-se tambem conjuntivo: Como näo conseguisse dissuadi-lo, resolveu acompanha-lo (Teyssier 1976, 219); em urn «registre plus fa- milier» dir-se-ia: Como näo conseguia Näo obstante a resistencia oposta por gra- mäticos puristas, as construcöes gerundivas com funcäo atributiva, especialmente a partir do sec. XVIII sob a influencia da literatura francesa, impuseram-se actualmente em todos os tipos de texto e em todos os paises de lingua oficial portuguesa, tanto com significacäo res- tritiva (Ha empregados precisando de treina- mento?) como sem essa significacäo (A coluna, subindo ate a superficie, tera uma altura de 68 metros; —»-427, 3.2.3.2.2.); a constni9ao ge- rundiva coordenada pode tambem ser usada como oracäo subordinada desenvolvida e na li-

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634 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

teratura narrativa dos nossos dias toma tam- bem a funfäo de redu^äo de ora9<5es in- dependentes (cf. Cunha/Cintra 1985, 599).

A Iiga9äo de em + gerundio com significa9§o

temporal e considerada uma caracteristica da «linguagem populär de norte a sul» (em queren- do almofar 'est ä n a mesa' ; —*· 450 , 4.4.) . Quanto ä regencia de certos verbos manifes- tam-se em parte modifica9Öes na linguagem co- loquial, por ex. äs constru9Öes Esqueceu os de-

veres religiöses e Esqueceu-se dos deveres reli-

em Esqueceu dos deveres reli-

giöses: «Tal constru9äo, considerada viciosa pe- los gramäticos, mas muito freqüente no colo-

quio diärio dos brasileiros, ja se vem insinuan- do na linguagem literäria, principalmente quan- do o complemento de esquecer e um infinitivo» (Cunha/Cintra 1985, 514). Das tres constru9Öes Lembro-me do aconte- cimento / Lembra-me o acontecimento / Lem- bra-me do acontecimento e a primeira a usada com maior frequencia, «seja na linguagem co- loquial, seja na literäria» (ib., 518). No portugues do Brasil a nega9äo pode tam- bem ser posposta ao verbo: Eies foram näo ä praia (Mateus et al. 1983, 155).

O caracter de ora9§o interrogativa e indicado

na linguagem falada pela entoa9§o (eleva9äo da voz no fim da fräse), aparecendo na linguagem escrita tambem a inversäo de sujeito e predica- do (em perguntas de decisäo tambem com a

constru9§o de realce e

Na linguagem coloquial brasileira o sujeito das ora9Öes interrogativas introduzidas por uma particula interrogativa e colocado fre- quentemente antes do verbo (Quem voce salva?) em vez de se fazer a inversäo normal no portu- gues europeu (e tambem no do Brasil) (Que querem eles?) (-»-427, 5.1.5.2.). Aparecendo numa tematiza9äo alem de um adverbio livre tambem ainda um sujeito tema- tizavel mas näo tematizado, este e na linguagem coloquial colocado antes do predicado (Na hora da tabuada a professora apontava os numeros no quadra negro com o ponteiro), sendo na lingua- gem literaria culta tambem colocado depois, desde que se Ihe siga ainda um bloco rematico

(Em dois de seus trabalhos, agitou ele o problema da dialectacäo da lingua portuguesa em nosso pais)(-+ 427, 4.1.1.1.). Especialmente na linguagem falada surgem

e para focalizar ou

giöses resultaram

que; —»427, 5.1.1.).

constru90es como que

e

que por ex. para enfatizar predicado (Agora

e

que se semeia) (—* 450, 4.4.2.); em ora90es in-

terrogativas mantem-se por esse meio a posi9ao do sujeito antes do predicado, e a particula in- terrogativa fica enfatizada (Porque e que voce näo mata a sua sograT) (Hundertmark-Santos Martins 1982, 547; «Cette locution s'est ge-

neralisee dans la langue moderne, surtout dans

le registre parle», Teyssier 1976, 126; cf. ib.,

193).

3.4. Lexico Particularmente acentuada e a varia9ao lexical entre portugues europeu e portugues do Brasil nos campos do vocabulario influenciados pelos falantes africanos e autoctones. De par com variantes lexicais aparecem aqui tambem matizes semänticos ou diferentes cria9Öes de neologismos e tecnicismos (refrigerador vs. fri- gorifico, aeromoca vs. hospedeira, etc.; —»447,

4.6.).

lexico do portugues africano e do sudeste asiatico com os seus desvios da lingua padräo europeia e pormenorizadamente ilustrado nos artigos especializados (-> 452b, 3.3.; 453b, 2.1.). Sob o ponto de vista diatopico o territorio linguistico do portugues europeu pode em mui- tas areas do vocabulario ser dividido em uma zona norte (lexema latino, por ex. segada 'cei- fa', decrua 'primeira lavra funda a terreno que esteve em cru de pousio muito tempo', soro, etc.) e uma zona sul (lexemas de origem arabe, por ex. ceifa, alqueire 'antiga medida de capa- cidade, de origem arabe', almece, etc.). Sob ponto de vista da manuten9äo de um vocabu- lario arcaico da Romania, pode encontrar-se uma diferencia9äo entre o noroeste, por um lado (conservador), e sudeste de Portugal, por outro lado (por ex. anho, cordeiro vs. borrego; espiga vs. macaroca, etc.; —> 450, 4.4.3.; cf. Cu- nha/Cintra 1985, 18). Como pertencentes as varia90es na area do vocabulario com marcas diatopicas contam-se tambem as perifrases verbais que aparecem com frequencia variävel, por meio das quais pode ser expressa a perspectiva9ao espectfica de uma ac9ao (durativa, incoativa), por ex. come- car a + infinitivo, estar a + infinitivo, estar + gerundio, andar a + infinitivo, andar + ge- rundio, ir + gerundio (—»450, 4.4.1.). A perifrase estar em + infinitivo aparece nas mais das vezes em Iiga9ao com os verbos dizer e crer; com urn outro verbo considera-se marcada diassistematicamente como «inusual e colo- quial» (Hundertmark-Santos Martins 1982, 340); ficar a + gerundio e marcado, diferente- mente da sua combina9ao com o infinitivo, como «mais raro, mais da linguagem escrita»

(ib., 357).

Como exemplo «clässico» dos diferentes mo- dos de expressäo das camadas sociais vale exemplo com as variantes portuguesas embria- gar-se («gente fina»), embebedar-se («o ple- beu»), tomar a carraspana (o pifao / o pile- que j ficar grosso / colher a trompa) (—» 434,

4.1.3.).

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455. Portugiesisch:

Varietätenlinguistik

des Portugiesischen

635

Variantes lexicas determinadas por faixas etärias levam muitas vezes a que lexemas com matizes regionais venham a ser preferidos pela geracäo de meia-idade e, ainda mais acentua- damente, pela gera9äo mais idosa (—*· 435, 2.). Um exemplo de diferencia9äo semäntica no uso da lingua condicionado pela faixa etäria e for- necido por mestre/mestra, termo que no signi- ficado de 'professor primärio' foi substituido por professor/professora, sendo mestra em al- gumas regiöes ainda corrente com o significado de 'senhora que recebe em casa criangas em ida- de pre-escolar, ensinando-lhes rudimentos de leitura e excrita' ao passo que no seu significa- do orginärio ja so e usado pela geracäo mais

idosa (-»-435, 13.). Exemplos de variaföes com marcas diatecni- cas e diaintegrativas no vocabulärio säo apresentados nos artigos dedicados äs lingua- gens tecnicas e äs linguagens especiais, ä histo- ria externa da lingua e ä historia do vocabulä- rio (-» 437, 438, 444, 447, 6.). Nos latinismos encontram-se frequentemente variantes com marca diacronica, por ex. ditoso, antigamente, hoje/e/j'z. Formas duplas deste tipo, que resul- tam em oposi9Öes como por exemplo lingua- gem popular vs. culta (ou proprio de animal vs. homem) aparecem principalmente nas designa- 9Öes de partes do corpo, por ex. beifo vs. läbio, bofe vs. pulmäo, ventäs vs. narinas, etc.; ha par alem disso formas que se desenvolveram na lin- guagem populär em 8 a formas latini- zantes usadas em diferente medida pelos escri- tores (Gil Vicente: avondanfa, avondar, avondo- so; «Os Lusiadas»: abundanfa, abundante, abundoso, etc.; —» 444, 4.4.4.). Como lexemas em contraste com a lingua padräo apontam-se por ex. os seguintes adver- bios, preposi9Öes e conjun9Öes com marca dias- sistemätica (indica9Öes segundo Hundertmark- -Santos Martins 1982, 388-518):

- sobremodo, sobremaneira «raro» (391),

- entrementes «raro»,

- ora «antiquado»,

- jamais «enfätico-literärio»,

- amiude «raro» (393),

- a desoras «raro»,

- de quando em quando «literärio» (397),

- nenhures «raro» (399),

- quäo «literärio»,

- assaz «antiquado» (404), — nem ainda «literärio» (410),

- quifa «raro» (412),

- ante «raro»,

- apös «linguagem escrita» (421),

- ir ao cheiro de «populär» (432),

- sentenciar a «menos frequente» (433),

- pelejar com «antiquado» (438),

- amercear-se «raro»,

- jactar-se «raro» (453),

- padecer «antiquado» (454),

- dar fe «coloquial»,

- coevo «raro»,

- repleto «nivel estilistico elevado» (455),

- estimar em «raro» (465),

- rogar por «culto»,

- velar por «culto» (479),

- sobre ('depois de') «ja muito pouco usado»

(481),

- sobre ('alem de') «antiquado» (482),

- näo obstante «linguagem escrita»,

- que ('mas') «hoje literärio, antigamente fre- quente em proverbios, adagios, etc.» (502),

- no caso que«raro» (506),

- se bem que, conquanto, posto que «nivel esti- listico elevado» (509),

- que ('porque') «hoje raro»,

- porquanto «culto»,

- visto como «antiquado» (511),

- como que«raro»,

- quenem «linguagem coloquial» (513).

caracteristicas da lin-

guagem coloquial portuguesa säo apresentadas

na gramätica de Hundertmark-Santos Martins

(1982, 519-533). Considera9äo

cem aquelas particulas tipicas da linguagem fa-

lada (—» 423) cujo uso justamente na linguagem falada (corrente) exige profunde conhecimento do seu emprego e da sua regulamenta9äo no contexto (sobre pois como resposta familiar a uma pergunta formulada de forma positiva cf.

por

558). Varia9Öes em unidades fraseologicas podem ser encaradas como tra9os de determinadas va- riedades linguisticas; particularidades regionais e socioculturais deixam os correspondentes ves- tigios nos fraseologismos modificados ou for- mados independentemente (—» 424, 2.3.). Como exemplos de formas diferentes no portugues eu- ropeu e no portugues do Brasil apontem-se no campo da varia9äo lexical os seguintes: dei- tar j jogar lenha na fogueira, etc.; de varia9äo morfossintäctica dentro de fraseologismos: dar no duro j dar (um) duro, tremer como vara/s verde/s etc. - Modifica9Öes de fraseologismos correspondentes tambem tiveram lugar nas va- riedades africanas do portugues: 0109. näo haver mäos a medir (em vez de ter), mo9. fazer vida cara a alg. (em vez de fazer a vida negra a alg.) etc. - E frequente os fraseologismos com senti- do figurado simbolico serem, do ponto de vista estilistico, marcados como coloquiais, familiä- res ou descuidados (—> 424, 2.6.) em confronto com um modo de expressäo de caräcter «mais neutro».

Algumas

interjei9Öes

especial mere-

ex.

Hundertmark-Santos

Martins

1982,

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636 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

4. Linguistica variacional e gramaticalgramati- cogrqfia do portugues

De entre äs numerosas gramaticas mais recen- tes da lingua portuguesa (-* 456) seräo a seguir escolhidas quatro obras de consulta gramatical e analisadas sob o ponto de vista da praxis das marcasöes de variedades diassistematicas. A esse proposito tratar-se-ä no caso de ambas äs gramaticas de Cunha/Cintra (1985) e de Hundertmark-Santos Martins (1982) de pro- duzir preponderantemente afirmayöes estatisti- cas sobre a totalidade das descri9Öes sob o pon- to de vista da linguistica variacional, para desse modo proceder ä verifica9§o da amplitude com que säo abrangidas variedades compreendidas entre a linguagem oral quotidiana, por um la- do, e textos literarios, por outro (-* 456, 7.) e, sendo caso disso, por em relevo äs diferen$as entre uma gramatica elaborada numa area de lingua portuguesa e outra numa area de lingua alemä. Com base na gramatica de Mateus et al. (1983) mostrar-se-a depois quäl o valor que as- sumem os conhecimentos da linguistica varia- cional na concepcäo global de uma descri9äo gramatical que se serve essencialmente dos meios de descrifäo formalizantes proprios da gramatica transformacional, da dicotomia do tra9o e de formulas de varies tipos para a con- stni9äo da fräse (-»· 456, 8.3.)· Finalmente irä mostrar-se relativamente ao Manuel de langue portugaise de Teyssier (1976) quais äs diferen- 935 de marcas diassistematicas que se podem revelar na descri9äo do portugues europeu e do portugues do Brasil em casos particulares. Aqui ha que renunciar consideravelmente a apreciar trabalhos especializados como por ex. o de Ma- cedo (1976) ou o de Petruck (1989). Nos Elementes para uma estrutura de lingua portuguesa os temas de linguistica variacional sao abordados apenas sob uma forma generica, por ex. na descri9äo estrutural do sistema lin- guistico e seus sub-sistemas (Macedo 1976, 57), na introdu9ao do contexto e a sua influencia na semäntica de lexemas e frases (ib., 111s.) ou na constata9äo generica acerca da importäncia de factores extra-linguisticos («todos os valores temporais, sociologicos, psicologicos, etc.», 115) para a compreensäo de textos. O trabalho de Petruck (1989), de Münster, orientado por Wolf Dietrich, oferece uma visäo pormenorizada da dependencia do uso dos pro- nomes em portugues em relacäo a cada escolha dos registos linguisticos. O autor estabelece a diferen9a, num modelo de varia9Öes assimetrico diasträtico-diafäsico, entre o estilo formal e o informal de falantes das camadas altas e das camadas medias e o sociolecto de falantes das camadas inferiores (17ss.), e, num modelo de

registos reduzido, entre um registo escritural formal, um registo oral formal e um registo oral informal (19-25). Como resultado dessa inves- tigafäo verifica-se que o emprego informal se orienta predominantemente pela mudan9a de direccäo da inten9äo principal na verbalizacäo de uma afirma^äo feita pelo EU-falante ser- vindo-se de processes subjectivos, especialmen- te atraves de uma insistencia no EU e de um realce da sua propria posicäo (cf. 284). O enun- ciado no registo escritural formal visa a uma explica9äo, tanto quanto possivel inteligivel in- terindividualmente e convincente, do mundo real, em que entra tambem a categoria do in- dividuo humano (ib.). O registo oral formal aparece como Variante linguistica espontänea oral de um emprego escritural formal da lingua, compartilhando da mesma direc9§o da inten- fäo principal na verbaliza9äo, no acesso tanto quanto possivel objective, conceptual, ä reali- dade extra-linguistica. Como direccäo da inten- 930 principal na verbaliza9äo, ha tambem, con- siderando o emprego do pronome para o regis- to oral formal, que partir do desejo da pessoa do falante de se afirmar atraves de uma verba- Iiza9äo objectiva, conceptualmente inovadora, do mundo real (cf. 285). Das gramaticas seleccionadas para a investi- gacäo que se segue (cf. tambem Vasquez Cues- ta/Mendes da Luz 1971) e a Nova Gramatica do Portugues Contemporäneo de Celso Cunha e

Luis F. Lindley Cintra (

amplo tratamento aos aspectos da linguistica variacional. Logo na introducäo (1-24) e acentuada a importäncia do diassistema para a descri9äo gramatical de uma lingua: «A partir da nova concep9äo da lingua como DIASSIS- TEMA, tornou-se possivel o esclarecimento de numerosos casos de polimorfismo, de plu- ralidade de normas e de toda a inter-rela9äo dos fatores geograficos, historicos, sociais e psi- cologicos que atuam no complexo operar de uma lingua e orientam a sua deriva» (3). Esta elevada pretensäo teoretica com vista a consi- dera9äo das variedades diassistematicas encon- tra cumprimento cabal nesta gramatica. Nas paginas 25-692 aparecem aproximadamente 1.500 marcas diassistematicas em forma mais ou menos explicita (o que significa em media cerca de duas marcas por pagina), cuja distri- bui9äo ira ser descrita sumariamente a titulo de exemplifica9äo para outras descri9Öes (somente se podem apresentar em cada caso alguns exemplos representatives; os dados referem-se

sempre a Cunha/Cintra

A parte preponderante das marcas refere-se, de acordo com a concep9äo desta gramatica (descri9äo das duas variantes do portugues na Europa e no Brasil bem como de outras varie-

2

1985) que da o mais

2

1985).

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

637

dades; cf. XIIIss.; —> 456,

pico do diassistema (cerca de 340 marcas, o que

corresponde a 23 % da totalidade das marcas apontadas nesta gramätica). Em segundo lugar aparecem indica9Öes diafrequentes sobre o em-

prego de formas e constni9Öes isoladas (cerca de 240, cerca de 16 %). Uma posicäo media e ocupada pelas marcas diafäsicas/diassituativas (cerca de 170, cerca de 11 %), bem como pelas marcas diacronicas (cerca de 160, cerca de

11 %), pelas diavalorativas/diaconotativas e pe-

las diatextuais (cerca de 150 cada, cerca de

10 %) e pelas dianormativas (cerca de 140, cer-

ca de 9 %). Numericamente menos significati- vas säo äs marcas diatecnicas (cerca de 50, cer-

ca de 3 %), äs diastraticas (cerca de 40, cerca de 3 %), äs diamediais (cerca de 30, cerca de 2 %)

e äs diaintegrativas (cerca de 10, cerca de l %); (sobre os problemas das fronteiras e a deter- minacäo de cada uma das descri$öes diassiste- mäticas cf. cap. 2.). Para transmitir uma impressäo da multipli- cidade e da dependencia reciproca e do inter- -relacionamento das anota9Öes citar-se-äo se- guidamente os exemplos tipicos de marcas dias- sistematicas na gramätica de Cunha/Cintra

^ 1985) (näo sendo, dada a abundäncia de

exemplos, aqui comentados os proprios feno- menos gramaticais). Acentue-se mais uma vez que a ordenacäo das anotacoes aos niveis do diassistema na teoria destacados uns dos outros se apresenta em näo poucos casos como pro- blematica, necessitando de um comentärio por- menorizado. Marcas diatopicas:

- «variedades regionais» (38), «variantes» (284, 286, 301, 402);

- «portugues de Portugal» (38, 58, 71, 208, 225, etc.), «portugues normal de Portugal» (31, 32, 37, 402, 404, etc.), «portugues europeu» (41,46, 74, 287,407, etc.), «portugues-padräo de Portugal» (70, 71, 73, 385), «portugues- -padräo europeu» (71);

- «portugues de Lisboa» (31, 32, 37, 46, 676, etc.), «fala populär de Setubal» (46), «A9ores» (384), «na maior parte de Portugal» (46), «muitas areas da lingua portuguesa» (677), «certas regiöes de Portugal» (44), «algumas regiöes de Portugal» (53), «falar de outras zo- nas de Portugal» (37), «dialetos centro-meri- dionais de Portugal» (384), «falares meridio- nais de Portugal» (49, 50), «dialetos portu- gueses setentrionais» (70, 385), «do Norte de Portugal» (32, 49);

- «portugues do Brasil» (40, 41, 47, 49, 51, etc.), «portugues normal do Brasil» (31, 32, 37, 38, 39, etc.), «portugues-padräo do Bra- sil» (70,71, 74), «luso-brasileiro» (645), «cada regiäo (do Brasil)» (47), «a maior parte do

6.4.), ao nivel diato-

Brasil» (284, 478, 487), «extensas zonas do Brasil» (31, 46), «vastas zonas do Brasil» (47), «varias regiöes do Brasil» (46), «algumas regiöes do Brasil» (49, 406), «certas regiöes do Brasil» (44);

- «portugues do Rio de Janeiro» (31, 43,49, 76, 677, etc.), «portugues de Säo Paulo» (31, 32, 46), «zonas costeiras do Brasil» (32, 43, 47), «portugues de areas näo bem delimitadas de Mato Grosso e regiöes circunvizinhas, no Brasil» (32), «no Sul do Brasil» etc. (92, 284), «portugues do Rio Grande do Sul» (32, 46), «regiäo Sul de Minas» (46), «Norte (do Bra- sil)» (284), «Nordeste brasileiro» (664);

- «portugues das na9Öes africanas» (127, 307, 384, 616), «Angola» (127, 275). Marcas diastraticas:

- «classe social» (284, 286), «hierarquia» (284, 286), «senhoras de qualquer classe social» (286), «igual(itario)» (284), «superior» (284, 286), «inferior» (284, 286), «certas camadas sociais altas» (284), «altas autoridades» (287), «nobres» (285), «senhoras das classes sociais mais humildes» (286), «certas famüias» (284), «familia real ou imperial» (285), «pa- rentes» (318), «irmäos» (284), «avos/tios/ne- tos/sobrinhos» (284), «companheiros/com- patriotas/correligionarios» (318), «colega»

(284);

- «idade» (284), «faixa etaria» (284), «jovem solteira» (284), «pai/filhos» (284);

- «marido e mulher» (284), «pessoas do sexo masculino» (615). Marcas diafäsicas/diasituativas:

- «todas äs formas da lingua» (655), «atos diä- rios de comunica9äo» (619);

- «linguagem corrente» (176, 218, 277, 287, 300, etc.), «coloquio diärio dos brasileiros» (514), «linguagem do coloquio» (48, 51, 216, 250, 288, etc.), «coloquial» (287);

- «linguagem formal» (276, 519), «linguagem cuidada» (299), «linguagem culta» (58, 91, 301, 342, 411, etc.), «culto» (47, 57, 58, 91, 178, etc.), «linguagem erudita» (366), «erudi- to» (90,93,99, 366,656, etc.), «estilo elevado»

(262);

- «linguagem informal» (352), «familiär» (218, 281, 290), «linguagem populär» (60, 91, 218, 271, 274, etc.), «populär» (46, 65, 411, 431, 468, etc.), «popularizante» (271, 274), «vul- gan> (92, 281), «vulgarismo» (644);

- «estilistico» (226, 312, 448, 474, 478, etc.), «efeitos» (226, 295, 605, 607, 659, etc.), «ade- quadamente» (632), «emprego sabiamente dosado» (621), «comedidamente» (659), «sobriamente» (632), «emprego indiscrimi- nado» (149, 342), «pesado» (460), «clareza» (237,280,313,327, 342, etc.);

- «ambiguo» (280, 312), «gosto pessoal» (432),

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638 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

«pode + inf.» (208, 209, 210, 212, 213, etc.), «o torn de voz» (447, 467, 469, 471), «sinal melodico» (636, 643), «ritmo da fräse» (474, 568, 625), «linguagem animada» (322), «eu- fonico» (89, 432), «afetivo» (314, 327, 346, 454, 570, etc.), «soar artificial» (299), «malsoante» (460), «dissonante» (341). Marcas diamediais:

- «os que falam ou escrevem» (432), «a pessoa que fala ou escreve» (615), «leitores ou ou- vintes» (276);

- «comunica9äo oral» (283, 287, 448, 614, 625, etc.);

- «conversasäo» (448);

- «lingua escrita» (202, 218, 283, 287, 625,

etc.);

- «osque escrevem» (644);

- «obras impressas» (645);

- «os que leem» (619), «leitor» (623, 632, 638). Marcas diatextuais:

- «literatura» (662, 664, 665, 672, 688, etc.), «nas literaturas de lingua portuguesa» (662,

667, 672, 692);

- «lingua literäria» (93, 262, 271, 300, 518, 608, etc.);

- «a moderna literatura narrativa» (622);

- «linguagem poetica» (278);

- «autores» (258, 341, 491, 619, 674);

- «locutor» (618, 624), «interlocutor» (205,

470);

- «oradores» (276, 277);

- «escritores» (200, 203, 296, 441, 515, etc.), «escritores antigos» (632);

- «prosa» (655), «narrador» (618, 620, 622, 624), «estilos literarios narrativos» (619), «ro- mancistas» (438,441), «poetas» (52, 654, 659, 669, 686, etc.);

- «versificado» (60, 163), «trovadores galego- -portugueses» (661, 664, 665, 672), «poesia trovadoresca» (663, 672, 682, 686);

- «nos seculos XII e XIII» (682), «Renascimen- to» (686), «classicos» (342, 510, 668, 671, 686, etc.), «escritores do seculo passado» (520, 528), «poetas romänticos» (657, 669, 685, 687, 689), «parnasianismo» (657, 671, 678), «simbolista» (668, 678), «modernista» (510, 661, 668), «escritores modernes» (526, 536, 632), «modernes cantadores» (664), «contex- to literärio contemporäneo» (510), «escritores atuais» (521), «escritores contemporäneos»

(645);

- «correspondencia» (287, 633), «diario intimo, caderno de notas» (605);

- «protocolar» (287). Marcas dianormativas:

- «norma» (176, 279, 301, 654), «uso» (157, 324), «os usos e modismos da lingua» (296), «fator logico» (308), «valor logico» (456), «ato da escolha» (474), «emprego seletivo»

(478), «e Hcito» (303), «dispensävel» (235), «sem obediencia a qualquer regra» (690);

- «correto» (290), «bom» (259, 349, 386, 491), «bom senso e bom gosto» (259), «melhor» (69), «admitir» (50, 221, 235, 503, 632, etc.), «puristas» (510), «justificävel» (258, 272, 308, 350), « por» (654), «convem» (280, 281, 283), «se recomenda» (191), «aconselha» (291, 308, 432), «prevalece» (278), «pre- fere-se» (189,251,429,448,678), «preferencia» (176, 191, 254, 384, 508, etc.), «(näo) deve-se + inf.» (66, 69, 86, 281, 528, etc.), «obriga- torio» (208, 215, 225, 304, 339, etc.), «impor» (67), «e de rigor» (303, 342), «regular» (291), «exige» (308), «combate» (290);

- «evite-se» (69, 281, 299, 301, 327), «abuso» (438), «vicioso» (519, 608), «condenavel» (608, 654), «condenado» (386, 508, 519, 525), «banido» (300);

- «portugues-padräo» (70, 71, 73, 385), «gra- matica» (290, 342, 369, 478, 508, etc.), «ortografia» (72, 73, 74, 86, 202, etc.), «Aca- demias» (287);

- «metricistas» (678). Marcas diavalorativas/diaconotativas:

- «normal» (31, 37, 49, 366, 404, etc.);

- «matiz/valor (afetivo)» (327, 351, 570, 620, 643, etc.), «atenuar» (439, 440, 447, 467, 470, etc.), «reforcar» (447, 468, 469), «intensificar

» (328, 329), «requeri-

mentos» (287, 633), «enfase» (157, 227, 277, 474, 504, etc.);

- «civildade» (279, 470), «distäncia» (278, 286),

«cortesia» (284, 471), «apreco» (278, 330), «polidez» (440, 447, 451, 470), «precioso»

(250), «prazer» (605, 643, 650, 668), «agra- davel» (432, 657), «solene» (287), «respeito» (284, 285, 287), «cerimonia (277, 278, 283,

os sentimentos de

287, 317);

- «inten9äo igualitaria» (284), «intimidade»

(284, 439), «forma delicada» (439);

- «ironico» (327, 329), «artificial» (299, 300, 341, 654), «operasäo artistica» (261);

- «descortesia» (277), «desagradävel» (432), «insolente» (471), «rudeza» (439, 468, 470,

471);

- «depreciativo» (217, 329, 468), «pejorativo» (89, 92, 93, 102). Marcas diatecnicas:

- «terminologia cientifica» (93, 95, 107), «no- menclatura tecnica» (107), «nomenclatura li- teräria» (107);

- «trabalhos de lingüistica e de filologia» (648), «nomenclatura gramatical portuguesa» (55,

193, 241, 374, 452, etc.), «nomenclatura gra- matical brasileira» (133, 369, 530, 548, 592, etc.);

- «edi9Öes criticas» (648);

- «profissöes» (284, 285, 287), «institu9oes»

(114);

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

639

- «linguagem administrativa» (366), «lingua- gem da Corte» (201);

- «partido politico» (114,284), «homens de po-

litica» (287);

- «Igreja» (277, 285), «o chamado estilo bibli- co» (570, 613), «sacerdote» (287), «monges» (285), «os catolicos» (278), «o culto refor- mado» (278);

- «giria portuguesa» (102). Marcas diaintegrativas:

- «forma estrangeira» (47), «estrangeirismo»

(644);

- «espanholismo» (200);

- «por influencia francesa» (448), «galicismo» (234, 254, 386, 599), «decalque do frances»

(599).

Marcas diafrequentes:

- «freqüente, freqüencia» (208, 218, 225, 236, 243, etc.), «corrente» (46, 127, 341, 366), «se usa, usado, usual» (92, 189, 210, 287, 302, etc.), «geralmente» (59, 67, 99, 222, 327, etc.), «habitualmente» (181), «normalmente» (47, 58, 160, 235, 363, etc.), «ser de regra» (213, 224, 259, 488, 491, etc.), «muitas vezes» (105, 507), «comum» (176, 287, 305, 539, 614, etc.), «tem largo emprego» (287, 663), «costuma-se + inf.» (211, 215, 234, 276, 305, etc.);

- «certas formas cultivadas» (672), «teve certa voga» (663), «näo falta» (491), «tendencia» (161, 284, 303, 474, 501, etc.), «emprego e sensivelmente maior» (285), «dominante» (525), «predominante» (157, 278, 339, 385, 478, etc.), «principalmente» (47, 501, 514);

- «se vai insinuando» (292, 508, 514), «estabi- lizar-se» (308), «generalizar-se» (93), «o em- prego tem-se alargado» (284), «generalizado» (114, 180, 218, 258, 286, etc.);

- «por vezes» (46, 100, 210, 274, 487, etc.), «ocorre» (46, 92, 304);

- «emprego restrito» (286, 287), «cada vez me- nos» (287), «pouco usual» (523, 671, 688), «muito pouco cultivado» (670), «apenas» (341, 362), «raramente» (92, 285, 325, 526, 564, etc.), «anulado» (342, 501), «näo se usa» (67, 224, 285, 363, 510, etc.). Marcas diacronicas:

- «fator historico» (308), «tradi9äo» (291, 323, 349, 508, 513);

- «diversas fases de lingua portuguesa» (473);

- «conservador» (201);

- «ainda» (278, 284, 287, 363, 520);

- «ate principios do seculo XVI» (669), «no se- culo XVI» (663, 667), «ate comecos do seculo XVIII» (599), «ate bem pouco tempo» (286);

- «arcaizante» (278, 510), «outroura» (101, 277, 363, 429, 456), «deixou de + inf.» (308), «antiquado» (288), «antigo» (46, 89, 101, 200, 417, etc.), «portugues antigo» (278, 299, 300, 341, 526, etc.), «portugues medio» (299,

341, 351, 521, 526), «medieval» (278, 307, 664), «portugues clässico» (203, 278, 307), «arcaizar-se» (564), «arcaico» (201, 281), «ar- caismo» (644);

- «desde os tempos antigos» (654), «desde os come9os da lingua» (363), «desde a epoca trovadoresca» (663), «desde o seculo XVI» (654), «desde o seculo passado» (386, 665), «do seculo passado» (520, 528);

- «neologismos» (108, 644), «nas ultimas de- cadas» (287), «ha poucos anos» (46), «recente» (97, 284, 688), «nos dias que correm» (599, 656, 667), «moderno» (92, 114, 200, 299, 313, etc.), «contemporäneo» (46, 84, 225, 278, 340, etc.), «lingua contemporänea» (46, 84), «hoje» (89, 101, 200, 258, 667, etc.), «atual» (50, 251, 307, 429, 553, etc.), «lingua atual» (50, 251, 429, 511, 564, etc.), «lingua viva» (50, 206, 656). Igualmente a gramatica de M. T. Hundert- mark-Santos Martins (1982) se evidencia como um bom exemplo do significado das marcas diassistemäticas na descricäo de fenomenos gramaticais da lingua portuguesa. Nas suas 604 päginas de texto encontram-se cerca de 240

marcas, o que corresponde a uma media de aproximadamente 4 marcas por cada 10 pägi- nas. Logo numa primeira avaliacäo da-se conta da inegavel dificuldade que representa uma ordena9äo rigorosa das marcas äs variedades do diassistema acima descritas (2.). Na prätica surgem neste campo frequentes interferencias e multiplas descri9Öes, e em muitos casos näo se torna possivel uma clara delimitasäo entre o emprego de uma linguagem-objecto e uma des- cri9äo metalinguistica de uma forma da lingua. Com ressalva destas restri9Öes obtem-se o quadro estatistico a seguir descrito, sobre a re- parti9äo das marcas diassistemäticas (os nume- ros entre parenteses referem-se äs indica9Öes das päginas da gramatica aqui analisada; serä, novamente, mencionado apenas um nümero mäximo de cinco comprova9Öes seleccionadas para cada exemplo).

A percentagem preponderante de marcas

diassistemäticas (quase 2/3 da totalidade dos exemplos encontrados) refere-se a variedades de caräcter diafäsico/diassituativo (cerca de

37 %) e ao nivel da descri9äo diavalorativa e

de 23 %), cuja distincäo

entre si se näo pode fazer com nitidez. Apare-

cem äs marcas diafäsicas/diassituativas seguin-

diaconotativa (cerca

tes:

- „Umgangssprache" (linguagem corrente) (14,

50, 91, 105, 107, etc.), „Umgangston" (torn

coloquial) (6), „kolloquial" (coloquial, fa- miliär) (340, 455);

- „familiär" (familiär) (868, 137, 140, 408, 521, etc.);

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640 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

- „populär" (linguagem usual popular) (173

432,511,520,531);

- „gehoben" (linguagem elevada, linguagem culta) (135, 235,479, 511), „höhere Stilebene" (nivel estilistico mais elevado) (455, 509);

- „stilistische Gründe" (por razöes de estilo) (105, 277, 573);

- „niedere Umgangssprache" (linguagem cor- rente de nivel mais baixo) (50);

diafasicas/diassituativas acima citadas) re- ferem-se a diferen9as devidas äs faixas etärias e ao sexo ou a estruturas hierarquicas na socie- dade:

- „Erwachsene" (adultos) (584, 586), „ältere" (mais velhos) (584);

- „Verwandte" (parentes) (584);

- „Kinder" (criancas, filhos) (529, 531, 584,

586, 587);

-

„rhetorisch" (retorico) (39, 114), „starker

- „Männer" (homens) (584, 587), „Frauen"

- „Untergeordnete" (subordinados) (582),

Ausdruck" (expressäo forte) (523), „empha- tisch" (enfätico) (132, 393, 405, 544, 573,

(mulheres) (584, 586);

etc.), „Hervorhebung" (realce) (277, 544, 547,

„Dienstboten"

(empregados domesticos)

569, 571), „Rhythmus" (ritmo) (544, 573),

(586).

„Klarheit" (clareza) (277), „Euphonie" (eu- fonia) (277).

Afirma9Öes sobre marcas diacronicas surgem em 14 casos (cerca de 6 %):

Entre äs marcas que poderiam antes ser con- sideradas diavalorativas/diaconotativas con-

-

„veraltet" (antiquado) (34, 264, 393, 438, 454, etc.), „früher" (antigamente) (502);

tam-se:

-

„fünfziger Jahre" (anos cinquenta) (584);

- „scherzhaft" (jocoso) (99), „ironisch" (ironi-

-

„heute" (hoje) (502, 511, 584).

co) (6, 57, 62, 63);

A

marca diatextual (13 comprovacöes) limita-se

- „Beschimpfung" (insulto, torn de ralho) (99),

äs

indica9Öes de «literärio» e «poetico» e ä lin-

„herabsetzend" (depreciativo) (57, 62, 63),

guagem da Biblia e da Igreja:

„pejorativ" (pejorative) (57, 62, 64, 65, 66,

- „literarisch" (literärio) (182, 286, 393, 404,

etc.), „abwertend" (desvalorizante) (6, 63),

502);

„Herabwürdigung" (menosprezo, rebaixa-

- „poetisch" (poetico) (404);

mento) (99);

-

„Bibelsprache" (linguagem biblica) (427),

- „Distanzierung" (distanciamento) (99), „Kri- tik" (critica) (99), „Distanz" (distäncia) (6,

„Kirche" (Igreja) (l114). Como anunciado na introdufäo (VI), esta gra-

581);

mätica so em casos excepcionais aborda äs di-

- „höflich" (com delicadeza, cortesia) (99, 171, 384, 553, 584, etc.), „förmlich" (cerimonioso) (583), „formell" (formal) (585, 588), „offi- ziell" (oficial) (589), „respektvoll" (respeito-

ferencas diatopicas, sobretudo no tocante a di- ferencia5§o entre o portugues europeu e o portugues do Brasil. Ha apenas 3 comprova- 9Öes a mencionar:

so) (585, 588);

-

„regional" (regional) (114);

- „neutral" (neutro) (582, 584);

-

„brasilianisch" (brasileiro) (395, 583).

- „vertraut" (intimo) (581, 582, 585), „zärtlich"

A

linguagem tecnica da publicidade (slogans)

(carinhoso) (99);

so

e feita referenda num lugar (11), näo tendo

- „bescheiden" (modesto, com modestia) (115,

171).

Marcas diafrequentes aparecem num total de 27 casos (cerca de 11 %):

- „gebräuchlich" (usual) (399, 524), „verbrei- tet" (muito divulgado) (110, 584);

- „setzt sich durch" (vai-se impondo) (299);

- „weniger gebräuchlich" (pouco usado) (238, 481), „selten" (raro) (46, 135, 391, 412, 506,

etc.);

- „ungebräuchlich" (desusado, caido em desu- so) (299);

- „Wahl steht frei" (escolha livre) (299).

A uma caracterizacäo diamedial e feita re- ferenda em 20 casos (cerca de 8 %):

assim sido atribuida releväncia nesta gramätica

äs marcas diatecnicas e diaintegrativas.

Entre äs marcas diassistematicas aqui citadas podem em casos particulares existir afinidades no sentido de que algumas descri9Öes, por ex. a

nivel diafrequente, se ligam repetidas vezes a certas marcas diacronicas ou diafasicas/diassi- tuativas, podendo por essa maneira resultar uma grada9äo, por exemplo no grau de in- tensidade da marca. Os casos seguintes säo apontados a titulo de exemplifica9äo:

- O adjectivo atributivo e anteposto ao subs- tantivo quando usado com sentido «retorico», «em expressoes convencionais do jornalismo ou de discursos» (39).

-

„Schriftsprache" (linguagem escrita) (4, 104,

- 2! pessoa do plural do pronome sujeito vos

A

155, 242, 414, etc.);

e

«antiquada», sendo usada «ja so regional-

-

„gesprochene Sprache" (linguagem falada)

mente», «na Igreja» e fora disso «por vezes

vos so «raramente» e usado «na linguagem

(4, 155, 189, 286). Algumas das indicacöes diasträticas (entre äs quais poderiam contar-se algumas das marcas

retoricamente» (114); a seguir a preposi9Öes,

culta» (125).

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

641

- Como verbo auxiliar dos tempos compostos o verbo haver «desapareceu da linguagem fa- lada»; na «linguagem escrita» e «ainda por vezes» usado no preterito-mais-que-perfeito em vez de ter, «para variar o estilo» (155).

- A perifrase verbal estar em e com um outro verbo (que näo dizer, crer) «pouco frequente» e «mais coloquial» (340).

- A ligasäo ficar + gerundio e «pouco fre- quente», «mais propria da linguagem escrita» do queßcar a + infmitivo (357).

- A forma apocopada mui (em vez de muito) e «antiquada», aparecendo «ja so em textos poeticos» (404).

- O adverbio eis e «raramente usado», «nalin- guagem corrente praticamente desusado», so- mente aparecendo «na linguagem culta e na linguagem escrita» (414).

- A preposicäo a coloca-se antes do objecto directo quando este e Deus, «na linguagem literäria» e em especial «na linguagem bibli- ca», «por vezes» tambem com nomes de pes- soas ou de coisas personificadas (427).

- A preposicäo sobre no seu significado tem- poral de 'depois de' «ja näo e muito usual»

(481).

- A adversativa queno sentido de 'mas' e «hoje literäria», «antigamente frequente em prover- bios, adägios, etc.» (502). — As interjeicöes homessa!, caspite! aparecem na «linguagem corrente», na «linguagem po- pulär», sendo contudo «mais raramente usa- dos» que caramba! (521).

- Estando a negativa nada anteposta ao verbo (Ett nada querof), a construfäo torna-se «en- fätica», «poetica»; o seu emprego em cada caso depende de lactores tais como «realce, ritmo da fräse, etc.» (544).

- Voce emprega-se como «forma de tratamento entre pessoas da mesma categoria social e/ou etaria» («muitas vezes com um matiz de in- timidade»), ou «para com subordinados», ou seja, sempre que o senhor, a senhora soaria «demasiado formal» mas o tu «demasiado in- timo» («no Brasil» usa-se voce em vez de tu)

(582s.).

A Gramatica da lingua portuguesa de Maria

Helena Mira Mateus, Ana Maria Brito, Ines Silva Duarte e lsabel Hub Faria (1983) trata, e

certo, tambem com relativa pormenoriza9äo äs

variedades da lingua portuguesa, sendo porem

äs anota9Öes diassistemäticas nos varies cam-

pos gramaticais muito menos numerosas. De acordo com o subtitulo Elementes para a des- cricäo da estrutura, funcionamento e uso do portugues actual, apresentam as autoras uma descri9äo da estrutura do portugues actual (Parte III) e uma introdu9äo a praxis comuni- cativa do uso da lingua portuguesa (Parte II). O

capitulo inicial introdutorio e dedicado in- tegralmente äs «Variedades de portugues» (17-35). Aborda primeiramente - depois defor- necida uma visäo geral da difusäo do portugues na sua totalidade - äs variedades diatopicas do portugues europeu, abordando depois a «diver- sifica9äo socio-cultural» (31s.) e as redoes en- tre äs variedades («a interpenetracäo de varian- tes linguisticas socio-culturais e dialectais», 34). No inicio da segunda parte faz uma explicacäo mais detida dos objectives da comunica9§o que atraves do emprego de variedades se podem al- can9ar mais diferenciadamente (41s.). Na des- cri9äo da «gramätica de comunicacao do portu- gues» investigam-se nos lugares a seguir apontados os aspectos de linguistica variacio- nal: a supressäo do artigo defmido, especifica dos meios de comunicacao, usada na linguagem jornalistica (epigrafes) (76); elementos afectivos e elementos especificos de certos grupos profis- sionais no emprego do artigo (82); diferentes formas de nega^äo no portugues europeu e no portugues do Brasil (155); a competencia so- cio-semäntica do falante, a sua «competencia de comunicacao» e os diferentes registos lin- guisticos de que ele dispöe (163ss.); o significa- do do contexto de situacäo e «a situacionali- dade de um texto» (189). A descricäo da «estru- tura gramatical do portugues», na terceira par- te, dedica-se, entre outras coisas, ä «proprieda- de» de enunciados linguisticos em determinados contextos de situacäo (247), ao uso do gerundio em lugar de uma «estrutura [a + INF] nas cons- tru9Öes com valor aspectual durativo» no portugues do Brasil e nas variedades regionais do portugues europeu (284), äs particularidades da flexäo «na maior parte das variedades do portugues» (292; aqui: o desaparecimento da 2' pessoa do plural), as "tag-questions" e suas fun- 90es pragmaticas (371ss.), a exemplos de pro- lungamento do acento usado nas linguagens te- cnicas do desporto e dos militares (520), äs di- feren9as em sequencias de consoantes no portu- gues europeu e no portugues do Brasil (inter- cala<;äo de um [i]) (528), variantes foneticas do [R] em dialectos Portugueses (529) bem como a alguns desvios no sistema fonologico (queda do M (543). Na generalidade revela-se, todavia, que äs elevadas exigencias que, depois de Udo o capi- tulo introdutorio fundamental sobre as varie- dades do portugues, foram criadas no leitor, so em parte e dada satisfacäo. Abstraindo dos exemplos aqui tratados e de uma outra marca diafrequente (368), a practica das marcas dias- sistemäticas concentra-se primordialmente no quarto capitulo sobre o «nivel fonologico do portugues» (507-543), onde se encontram afir- ma90es sobre marcas diatopicas, dianormati- vas, diamediais, diafrequentes e diacronicas:

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642 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

- «portugues europeu» (524, 529, 534, 535, 537, etc.), «dialectos do portugues» (526), «dialectos locais» (526), «dialectos do portu- gues europeu» (543), «alguns dialectos» (529), «dialecto de Lisboa» (524), «dialectos setentrionais de Portugal» (527), «dialecto de S. Miguel, » (527), «portugues do Bra- sil» (524, 527, 528, 540);

- «norma-padräo de Portugal» (155, 524, 529, 542), «padräo acentual do portugues» (515), «norma brasileira» (155), «padronizado» (539, 540, 541);

- «registo oral» (540, 542, 543), «pronuncia os- cilante» (539), «processo fonetico» (542);

- «cada vezmais frequente» (368), «muito fre- quente» (542);

- «estado actual da lingua portuguesa» (543).

De estranhar e o facto de äs marcas dos registos

nem sempre serem diferenciadas com maior exactidäo; cf. ao todo äs seguintes comprova- 9Öes: «certos registos» (515, 540, 541), «diferen- tes registos» (539), «em registos näo padroni- zados» (539, 542),

O Manuel de langue portugaise (Portugal -

Bresil) de Paul Teyssier (1976) assinala-se por uma separa9äo consequente das nortnas e das regras gramaticais do portugues europeu e do portugues do Brasil, äs quais säo comparadas entre si atraves da colocacäo em colunas nos lugares correspondentes. Estäo compreendidas aqui especialmente äs descricöes pormenoriza- das sobre äs diferer^as nos capitulos sobre fo- netica (17-40), sobre ortografia (52-54) e sobre äs formas de tratamento (98-102, que apresen- tam numerosas marcas diassistematicas. Como

exemplo enumere-se aqui a referenda a diferen- 535 foneticas entre [u] e [o] ou na realizacäo do a: «Au Portugal ces distinctions phonetiques sont de regle. Au Bresil elles sont parfois assez etrangeres aux tendances de la langue sponta- nee. Les formes de ce genre apparaissent sou- vent comme artificielles» (40). A seguir dar-se-a abreviadamente uma selec9äo de outras marcas sobre as variedades do portugues europeu e do portugues do Brasil:

- diminutivos em -inho, -zinho «dans la langue

familiere du

Portugal et du Bresil» (70);

- superlatives em -issimo, hoje apenas «dans

un registre savant et assez artificiel» (71);

- a gente: «Ces fa9ons de dire, tres frequentes

dans la conversation courante, doivent evi- demment etre evitees dans les autres registres,

en particulier dans la langue ecrite officielle»

(87);

- conhefo ele, näo vi eles: «Ces tournures, qui

sont tout a fait contraires ä la norme gram-

.), penetrent dans cer-

maticale officielle

tains registres de la langue ecrite» (88);

- supressäo da diferen9a entre o pronome de-

monstrative este e esse no portugues do Bra- sil, «chez les ecrivains dont le style s'efforce d'imiter le langage spontane» (114);

«Cette lo-

cution s'est generalisee dans la langue mo- derne, surtout dans le registre parle» (126);

- simplifica9Öes na morfologia verbal da «lan- gue populaire» no Brasil;

- o pronome vos «est aujourd'hui entierement [sorti] de l'usage, et ne constitue plus qu'une survivance litteraire. Le tu est en revanche tres vivant au Portugal ainsi que dans l'ex- treme sud et dans Pextreme nord du Bresil»

-

que e que

?,

quando e que

?:

(189);

- a gente On' com o verbo no singular: «Le pluriel se trouve parfois dans la langue po- pulaire, mais il est senti comme une incorrec- tion» (190). No caso seguinte, facto de pertencer a uma variedade diassistemätica conduz a uma di- ferencia9ao na morfologia de verbos: «Plusieurs verbes du meme genre sont, au Bresil, conju- gues comme enviar dans la langue litteraire et comme odiar dans la langue populaire, ex. pre- miar, negociar, sentenciar ('condamner')» (169).

5. Linguistica

variacional e

do portugues

lexico/lexicografla

A questäo de saber quäl o papel que desempe-

nham as marcas diassistematicas conhecidas da linguistica variacional na investiga9§o do vo- cabulario portugues no seguinte sera discutida a titulo de exemplifica9äo, com base no Dicio- nario da lingua portuguesa editado pela «Aca- demia das Ciencias de Lisboa», de que foi publicado em 1976 o primeiro volume relative

ä letra A. Na redac9§o deste dicionario cola-

boraram - como resulta da pormenorizada des- cri9§o do projecto (VII-XIII) e da introdu9§o (XV-XLIV) - ilustres representantes da lusita- nistica. No tocante ao diassistema do portugues säo tratados os temas seguintes: variedades dia- topicas, particularidades estilisticas (na marca diaconotativa e estabelecida diferen9a entre «o valor afectivo» e «o valor evocative», XXXVss.), variedades diatecnicas do vocabu- lario portugues e, em conexäo, tambem o pro-

blema da descri9ao diaintegrativa e da descri- 9äo diacronica (XXXIX-XLIV). Uma primeira impressäo da pluralidade de marcas diassistematicas (que seräo) utilizadas neste dicionario e dada pelas quatro rubricas

- «Classifica9ao semantico-estilistica»,

- «Classifica9ao do vocabulario quanto ä re- parti9ao geografica»,

- «Classifica9ao do vocabulario quanto a re- partifao por ciencias, tecnicas e formas de ac- tividade»,

- «Outras indica90es» (CXII-CXV).

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

643

As listas referentes ao dominio diatopico e ao diatecnico apoiam-se nas conhecidas reparti- 9Öes da difusäo regional do portugues, por um lado, e na totalidade - relevante näo somente para a lingua portuguesa - dos sectores parti- culares cientificos e tecnicos, por outro lado. A primeira lista referente äs marcas semantico- -estilisticas contem no total os seguintes itens:

afectivo, arcaico/arcaismo, anglicismo, antigo, antonomäsia, burlesco, caläo, clässico, comum, depreciativo, desusado, disfemismo, espanholis- mo, etimologia populär, eufemismo, expressive, familiär, figurado, galicismo, giria, giria escolar, humoristico, infantil, ironico, italianismo,jocoso, literärio, medievallmedievalismo, melaforico\me- taforicamente, metonimico, neologismo, onoma- topeiajonomatopeico, plebeismo, poelico, popu- lär, por antonomäsia, por catacrese, por disfe- mismo, por elipse, por especializafäo, por ex- tensäo, por hipälage, por hiperbole, por limita- fäo, por meiafora, por metonimia, por restricäo, por sinedoque, portugues, pouco usado, selecto, solecismo, vulgär. Do grupo das outras abrevia- turas mencionem-se a par das indica9Öes lin- guisticas ainda os seguintes termos com rele- väncia diassistemätica: cultismo, dialectal, eru- dito, moderno e regionalismo. Na generalidade ressalta o facto de na prätica das marcas virem deste modo a ser consideradas tambem figuras de retorica e campos semänticos. Um exame deste primeiro volume mostra que foram incluidos aspectos da linguistica varia- cional em numero muito elevado. Nas 678 pä- ginas encontram-se cerca de 3.300 marcas so para esta letra A, o que corresponde a uma media de quase cinco marcas diassistemäticas por pägina deste volume. Desta abundäncia de casos particulars seräo recolhidos seguidamen- te alguns casos de interesse, que se distinguem seja por uma combina9äo de värias anota^öes, seja por respeitarem a particularidades tipicas do vocabulario portugues ou a singularidades em confronto com outras linguas romänicas e com a prätica das suas marcas diassistemäticas no vocabulario (cf. Holtus, no prelo).

- abaixar v. intr. 'diminuir na altura' e consi- derado «class, e pop.», sendo alias mais de esperar uma ligacäo das marcas «class, e lit.» (assim, por ex. abatimento s. m. 'diminui9äo de poder, estado, fortuna; decadencia') ou «class, e p. us.» (s. v. abarbar); esta mesma ligayäo existe em abaslar v. intr. 'ser suficien- te ou bastante, bastar'; perante a anotafäo que se encontra s. v. acrescentar «A forma clässica acrecentar subsiste como regional e populär» ergue-se alias a suspeita de que «class.» (que em geral aparece com muita fre- quencia, cf. por ex. s. v. abalanyar, abanaf) e empregado menos como marca diassistemä-

tica do que como indica9äo de «significado primitive», «da epoca clässica».

- abatanado s. m. 'porcäo normal de cafe ser-

vida em chävena grande' e caracterizado como «gir. de cafe» - uma marca de uma lin- guagem especial, diassituativa, que em outras linguas (como LEI para o italiano) näo e usual (cf. Holtus 1992).

- v. ablativo s. m. «culto» estäo expressöes idiomäticas como fazer ablativo de viagem

'fazer os Ultimos preparatives para uma via- gem, preparar-se para partir' ou estar em ablativo de viagem 'estar prestes a seguir via- gem' marcadas como «joc.»: uma estranha Iiga9äo de jogos verbais com variantes cultas.

- abovila s. f. 'certo tecido de lä que se fabri- cava na cidade francesa de Abbeville', «termo antigo restaurado», «arc.» representa apenas uma descricäo explicita de uma marca dia-

s.

cronica/diaintegrativa.

- abundar v. tr. 'abastecer copiosamente, en- cher', «class, e lit. p. us.»: marca diatextual e diafrequente (cf. tambem acariciativo).

- Torna-se notado que marcas diafrequentes como «p. us.» sejam empregadas com o pro-

posito de diferenciar um uso pouco frequente de uma palavra em geral (cf. s. v. acalento), uma unica significaiäo de uma palavra (cf.

s. v. acafroar) ou uma (entre värias) forma de

constru^äo de uma palavra (cf. s. v. acalo-

rar).

- Marcas como «lit.» e «class.» aparecem tam- bem em Iiga9äo com a indicacäo de forma- 9Öes retoricas (cf. s. v. accäo, n°. 9: «por restr. lit.», n°. 10: «por espec. class.», n°. 11: «por melon, class.»).

- Por vezes encontram-se indicacöes diacroni- cas como «arc.» ou «ant.» com a marca dias- trätica/diafäsica «pop.»; cf. s. v. acipreste

s. m. «arc. e pop.», acolher 2 v. tr. «arc. e

pop.», acrescer «do ant. e pop. acrecer», inda

s. v. ainda «var. ant. e pop.», atentar 2 v. tr.

«ant. e pop.», avoar v. intr. «class, e pop.», avonde adv. «arc. e pop.».

- Acidentalmente säo feitas para uma palavra tambem indica9Öes explicitas sobre o uso do modo quando especifico de uma variedade (marca diacronica): ainda que «No port, class, usava-se com verbo no indicative; no port, moderno exige verbo no conjuntivo».

- alagoa s. f. 'lagoa' e anotada triplamente como «ant., pop. e poet.», albarda s. f. com sentido de 'jaqueta ou casaco mal feito; fato grosseiro e ridicule' como «fig. disfem. pop. e fam.», com sentido de Opressäo, domi- na9äo, sujei9äo' como «fig. pop. e fam.».

- Anota90es isoladas referem-se a indica90es dianormativas em rela9äo ä integracäo de emprestimos de outras linguas; cf. aliseo

2

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644 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

adj./s. m. 'alisado': «Se a palavra vem do fr., como parece, äs formas aliseo e aliseu representam adapta9Öe$ artificiais menos re- comendäveis que alisado. Alisio corresponde ä forma espanhola»; no nivel diafrequente, cf. almeice s. m.: » A forma evoluida almece parece mais difundida que almeice»; para a frequencia em värios niveis diassistemäticos, cf. aonde adv.: «E corrente, em vez de onde,

na linguagem pop. e fam.» (cf. ainda s. v. ar-

rebentafäo, arrugar); para a correccäo de va- riantes na flexäo cf. s. v. alumiar v. refl.: «No

portugues clässico, e ainda em Gonzaga, ocorre a conjuga^äo com as formas alumeio, -as, etc., hoje consideradas erroneas», atolar v. tr./refl.: «Tambem surge intr. no port, class.»; para a correccäo de variantes na for- macäo de palavras cf. s. v. aräquide s. f.: «A forma aräquida näo e perfeitamente correc- ta», atlas s. m.: «A forma correcta seria at- lante», auto-hemoterapia s. f.: «A forma cor- recta seria autemoterapia», azigos s. f. sing./pl.: «Como s. f., a forma correcta seria aziga», etc.

- Entre marcas isoladas podem ainda existir diferen9as no grau de intensidade ou da espe- cificacäo de um tra9o; cf. s. v. armento s. m. «lit. (geralmente poet.)».

- Afirma9Öes dianormativas ou diavalorativas podem tambem estar mais ou menos impli- citas em uma marca; cf. s. v. assecuratorio adj. 'que assegura ou garante' «forma culta artificial», autölatra s. m./f. 'pessoa que tem ou cultiva a autolatria' «neol. erud. extrava- gante». Em suma ha que reter que äs marcas no Di-

cionärio da lingua portuguesa se encontram com relativa abundäncia e que o usuärio desse dicio- närio adquire desse modo numerosas indica- 9Öes acerca da situa9äo de lexemas isolados dentro do diassistema do vocabulärio portu- gues. Alias, nota-se que äs transi9Öes entre sec- tores parciais das marcas nem sempre säo com- preensiveis para o leitor; isto pode afirmar-se, por exemplo, acerca das fronteiras näo explici- tamente declaradas entre äs marcas de «erudi- to», «culto», «classico», «literärio», «poetico», entre outras anota9Öes. Perante a abundäncia do material e provävel que aqui tambem se te- nham posto fronteiras a uma pormenoriza9äo da descri9äo do vocabulärio portugues, frontei- ras que no ämbito de uma exposi9äo global so dificilmente podem ser ultrapassadas.

A resultados um pouco diferentes quanto ä

tomada em consideracäo elementos da lingua- gem falada na lexicografia portuguesa chegou um estudo recentemente publicado por Michael Scotti-Rosin (1991; um estudo mais apro- fundado estä anunciado para 1992; cf. ib., 679),

no quäl se lamenta um estado de atraso consi- derävel em que se encontram os dicionärios Portugueses de defini9Öes e sobretudo os dicio- närios de equivalencias e e referida a frequente ausencia de indica9Öes de marcas (ib., 664s.). Esta critica poderä ser justa pelo que concerne os dicionärios bilingues alemäo-portugues e portugues-alemäo analisados por Scotti-Rosin; contudo, o ser essa critica alias välida na mes- ma medida para dicionärios unilingues e para dicionärios bilingues, e se por meio de provas feitas ao acaso em outros dicionärios unilingues e bilingues se obterä um resultado semelhante (ib., 679) e um facto que, dada a prätica de marcasäo relativamente pormenorizada no Di- cionärio da lingua portuguesa, se apresenta para ja como ainda duvidoso. Pelo menos seria de comprovar a critica aos sectores ainda näo ana- lisados por Scotti-Rosin. Acordo pode receber Scotti-Rosin quanto aos justos reparos feitos ao facto de termos da linguagem oral, como pa, pois, pois claro, pois näo, bem, bom, portanto, ora, ora bem, vamos lä, bom pois, oifa, olhe la, pois pois, pro, pros e a gente estarem insufi- cientemente explicados e marcados, e ao facto de expressöes e lexemas coloquiais näo terem achado entrada sistemätica no vocabulärio re- colhido nos dicionärios (por ex. bica, papo-seco, santanario, desmorecido, chingaria, velhaquice, estapor, cacaizada, morrafa, gaiatagem, gade- Ihudo, porrada,andar a porrada, pirar-se; cf. ib.,

671-678).

6. Variedades linguisticas na literatura portugue-

sa

Contrariamente ao estädio relativamente avan- 9ado da inclusäo de aspectos da linguistica va- riacional na gramaticografia e na lexicografia portuguesa, faz-se sentir ainda a ausencia de uma reuniäo sistemätica do significado das va- riedades linguisticas para a historia da litera- tura portuguesa. Abstraindo da constata9äo ge- nerica de que äs variedades linguisticas podem desempenhar importante fun9§o na constni9äo de textos literärios, na caracteriza9äo de per- sonagens, na cria9äo de um determinado am- biente, etc., apenas ha conhecimento de alguns estudos concretos isolados em que a funcäo das variedades linguisticas dentro de uma obra li- teräria e investigada em pormenor. Um dos primeiros exemplos de anälise de va- riedades dentro de uma obra literäria e ofere- cido por Leite de Vasconcellos (1933), que ana- lisa a lingua de preto no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (seculo XVI) (sobre a di- ferenciacäo entre plurilinguismo ao nivel dos estilos de lingua e plurilinguismo a nivel litera- rio e ainda sobre o contraste de variedades en-

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455. Portugiesisch: Varietätenlinguistik des Portugiesischen

645

tre «linguagem dos musseques» e o portugues padräo -*· 439, 4.2.; um exemplo de um uso li- terario de portingles num poema de Jose Brites e apresentado por Dias 1989, 65s.). O autor for- nece alem disso outros exemplos tirados da lin- guagem dos judeus, da linguagem populär de Gil Vicente, do ceceo dos ciganos, da aravia, do picardo e do guine negro, e ainda, dos tempos mais recentes, da lingua popular, do galego e, novamente, da lingua de preto (Vasconcellos

1933, 241).

M. Metzeltin mostrou que papel pode desem- penhar a linguagem popular na caracterizacäo da gente humilde em Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes: «a gente da cidade fala uma linguagem culta, os garotos e os operarios uma linguagem populan) (1984, 220), salientando a esse pro- posito näo somente as particularidades das for- mas de tratamento em portugues como ainda as diferenfas foneticas, morfologicas, sintacticas e lexicais. - Algumas afirmacoes metalinguisticas sobre significado das variedades linguisticas para uma descri9ao, orientada pela realidade, da sociedade humana encontram-se igualmente em Miguel Torga e em Urbano Tavares Rodri- gues (cf. Holtus 1984). Sobre o emprego extre- mamente pormenorizado de registos de lingua- gem oral no romance A Floresta em Bremerha- ven, de Olga Gon alves cf. agora Scotti-Rosin

(1991).

Poder-se-iam apresentar ainda mais exem- plos, especialmente os tirados da literatura do neo-realismo (Alves Redol) (-»443, 13.6.). Nos estudos estilisticos realizados em Portugal fo- ram discutidos ocasionalmente esses temas, como por exemplo em Guerra da Cal (1954), em Lessa (1966), Barbadinho Neto (1972) ou emPreti(1982)(-»429, 4.). De um modo geral, as relacöes entre variacäo diassistematica e estudos estilisticos constituem ainda porem um campo de investigafäo da lu- sitanistica pouco explorado (cf. 429, 7.).

7. Conclusoes fmais e perspectivas Embora as variedades linguisticas venham sen- do desde ha muito tratadas nas diferentes filo- logias que näo so a Romanistica, a tentativa no sentido de apresentar uma descricäo do diassis- tema de uma lingua romanica em forma de uma linguistica variacional e de data recente. Pelo que näo e de causar admiracäo o facto de näo existir tambem na lusitanistica ate hoje uma de- senvolvida descri(ao da linguistica variacional portuguesa. que tern sido escrito sobre a ana- lise de variedades, particularmente na gramati- cografia e na lexicografia portuguesas, revela, contudo, que ja foram realizados consideraveis trabalhos preparatorios.

As marcas diassistematicas concentram-se ai

- aplicadas ä totalidade do sistema linguistico

portugues e sua descricäo nas gramaticas espe- cializadas - preferentemente nos campos da fo- netica/fonologia (Cunha/Cintra 1985, Mateus

et al. 1983, Teyssier 1976), em sectores isolados

da formacäo de palavras (Cunha/Cintra 1985), principalmente da sufixacao e dos diminutivos

e aumentativos (Hundertmark-Santos Martins

1982), no emprego dos tempos e modos, espe-

cialmente do condicional e do conjuntivo (Hundertmark-Santos Martins 1982) e, final- mente, no inventärio das formas de tratamento, abundante de caracteristicas no portugues (Hundertmark-Santos Martins 1982, Teyssier

1976).

Quanto a todas estas marcas ha que consi- derar que a forma de etiquetar elementos lin- guisticos isolados e tambem influenciada pela concepcäo de norma e de valor que tern cada um dos autores e que näo estä unicamente de- pendente dos criterios de diferenciacäo reco- nhecidos pela generalidade. Nessa medida, a marca linguistica das variedades contem sempre em si urn elemento estatico comparativamente ao caräcter dinämico da lingua, que - tal como

a propria comunidade linguistica - se encontra

num permanente processo de desenvolvimento, ficando assim submetida a uma transformafao mais ou menos continua, ao passo que o gra- matico e o lexicografo em regra so podem rea- gir retrospectivamente a tendencias inovadoras da evolufäo da lingua. Quanto a isto continua, porem, fora de duvida que as marcas diassiste- maticas em gramaticografia e em lexicografia säo de grande utilidade para todo aquele que consulta obras linguisticas como gramaticas e dicionärios, e que para aquelas pessoas cuja lin- gua materna näo e portugues mas que fa- lam, o escrevem, o ouvem e o leem elas ofere- cem uma possibilidade verdadeiramente inesti- mävel de uma orientagao quanto as situa^oes linguisticas e äs tendencias da sua evolu?ao. Para concluir, resta apenas desejar que, (tam- bem) com pormenorizado tratamento dado neste volume as diferentes variedades do portu- gues, se tenham facilitado os pressupostos da cria9äo de uma sintese de grande amplitude e que os estimulos para uma intensificacäo da linguistica variacional do portugues recebam novos impulses.

8. Bibliografia

(selec(äo)

Abdala Junior, Benjamin, Linguagem e poder. Uma perspective individual e national, in: Les litteratures africaines de langue portugaise. Actes du collogue in- ternational, Paris, 28 novembre - 1" decembre 1984, Paris, Gulbenkian, 1985, 447^56.

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646 VI. Sprachen und Sprachgebiete: Portugiesisch

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456. Portugiesisch: Grammatiko- graphie

Gramaticografia

1. Gliederung und Schwerpunktsetzung

2. Die Anfinge in der Renaissance

3. 17. und 18. Jahrhundert: Fortschritt in der Erfassung der Morphologie; zählebiger Tra- ditionalismus und «grammaire generate» in der Syntax

4. An der Schwelle des 19. Jahrhunderts: zwei zukunftsträchtige Neuansätze

5. 19. und 20. Jahrhundert: der Beitrag der hi- storischen Sprachwissenschaft

6. 19. und 20. Jahrhundert: wissenschaftlich fundierte Gebrauchsgrammatiken - führen-

de Rolle Brasiliens - brasilianisches Portu- giesisch

7. 19. und 20. Jahrhundert: der Beitrag des Auslands und die kontrastiven Grammati-

ken

8. Zweite Hälfte des 20. Jahrhunderts: neuere

methodische Ansätze - Klassischer Struktu- ralismus - Transformationsgrammatik - Valenzgrammatik u. a.

9. Monographische Arbeiten

portugiesische

und brasilianische Nomenklatur - Flexions- und Rektionsübersichten 11. Desiderate der Forschung bzw. der gram- matikographischen Erfassung in Gesamt-

10. Nachschlagewerke: offizielle

darstellungen 12. Bibliographie (in Auswahl)

/. Gliederung und Schwerpunktsetzung

1.1. Um die im Laufe der Jahrhunderte erfolgte Gesamterfassung der portugiesischen Gram- matik zu verdeutlichen und dabei das sich ver- ändernde Verhältnis zum Modell der lateini- schen Grammatik, insbesondere die teilweise nur zögerliche Loslösung von diesem Modell herauszuarbeiten, erfolgt eine im wesentlichen chronologische Darstellung. Da die beiden er- sten Grammatiken des Portugiesischen als Pio- nierleistungen auch im Hinblick auf die gesamt-

456. Portugiesisch: Grammatikographie

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Günter Holtus, Trier

romanische Grammatikographie von großer Bedeutung sind, wird ihnen größerer Raum eingeräumt, als dies die dort z. T. nur selektive Behandlung des grammatischen Gesamtgebäu- des rechtfertigen würde. Auf Abhängigkeiten und Neuerungen insbesondere gegenüber der italienischen und spanischen Grammatikogra- phie hat - nicht immer zuverlässig - hier vor allem Maria Leonor Carvalhäo Buescu (cf. Barros 1971, XXXVI-LXXV und 294-376; Buescu 1984, 17-98) mit vielerlei Einzelbe- obachtungen - hauptsächlich allerdings zum Phonetisch-Graphischen - hingewiesen. Eine detaillierte vergleichende Gesamtschau, vor al- lem im Hinblick auf die französische Gram- matikographie, ist ein Desiderat. 1.2. Bereits in den ersten grammatischen Wer- ken zum Portugiesischen erweisen sich be- stimmte Teilkomplexe als markante Prüfsteine für die adäquate Erkenntnis portugiesischer bzw. gesamtromanischer Neuerungen gegen- über dem Lateinischen (so der Artikel) bzw. für den Grad der Loslösung vorn Modell der la- teinischen Grammatiker (Frage der Weiterexi- stenz der Kasus; deren Anzahl). Auf diese Teil- bereiche wird auch für die darauffolgende Zeit exemplarisch das Augenmerk gerichtet. Als ge- meinromanisch schwierige Komplexe, mit weit- gehend gleichgelagerter Problematik, sollen die des Imperfekts und der Stellung des attributi- ven Adjektivs zur Sprache gelangen, freilich in Anbetracht der Komplexität der Materie nur an einigen markanten Punkten der Geschichte der Grammatikographie und mit knappen Hin- weisen. Auch romanistisch interessanter sind im übrigen zwei grammatische Idiomatismen des Portugiesischen, von denen daher wiederholt die Rede sein wird: die Abweichung von allen anderen romanischen Sprachen bei der Funk- tion des zusammengesetzten Perfekts und in Form des flektierten Infinitivs, der seinerseits vom auch im Spanischen vorhandenen Infinitiv mit Subjekt zu scheiden ist. Neben diesen Phä- nomenen werden andere weitgehend in den

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