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INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA

LINDA L DAVIDOFF

Tradutores

AURIPHEBO BERRANCE SIMÕES MARIA DA GRAÇA LUSTOSA

Revisor Técnico

ANTONIO GOMES PENNA

Universidade Federal do Rio de Janeiro

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O DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO LÓGICO

O bebê humano é uma criatura de reflexos cujo pensar parece ser bastante limitado. O adulto humano é um pensador sutil e sofisticado. Nesta seção descrevemos como parece desenvolver-se a capacidade para pensamento dirigido.

Teoria de Piaget do desenvolvimento mental

O cientista comportamental suíço Jean Piaget (1896-1980), um gigante no estudo do desenvolvimento do pensamento, passou mais de cinqüenta anos fazendo um mapa do mundo mental da criança. Piaget, retratado na Figura 9-1, passou a interessar-se pelo pensar das crianças quando notou que os jovens consistentemente cometiam certos tipos de erros em testes de inteligência. Depois de questioná-las sobre seu raciocínio, descobriu que as crianças pensavam diferentemente e não meramente menos que os adultos. Costumava-se imaginar a mente da criança como um livro de fotografias de cenas retratadas e que acumula- va instantâneos. Quando ocorriam novas experiências, eram acrescentadas novas fotografias. De acordo com este ponto de vista, as mentes dos jovens e dos adultos diferiam principal- mente em termos do número de itens armazenados. Piaget assumiu a perspectiva construcio- nista. Afirmou que as pessoas precisam usar suas imaginações para fazerem sentido de suas experiências. Em outras palavras, para entender o pensamento, o cientista teve de descobrir o que as pessoas tiram de suas experiências e o que acrescentam a suas "construções". Piaget passou a acreditar que, à medida que as crianças ficam mais velhas, suas capacidades para

que as crianças ficam mais velhas, suas capacidades para Figura 9-1. Na maior parte de sua

Figura 9-1. Na maior parte de sua vida, Jean Piaget esteve ativamente envolvido em observar crianças. Aqui ele observa crianças brincando. As observações de brinquedos comuns gerou diver- sos insights no desenvolvimento de capacidades intelectuais. (Yves Debraine, Black Star.)

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interpretar ou construir a realidade progridem através de um número de estágios até que suas capacidades mentais se pareçam com as dos adultos. Examinemos os métodos de pesquisa, os pressupostos e os estágios de Piaget e descrevamos alguns dos maiores pontos de discor- dância.

Métodos de pesquisa de Piaget. A fim de recolher informação a respeito do pensamento, Piaget usava diversos métodos empíricos. Algumas vezes simplesmente perguntava às crianças "De onde vem o vento?" ou "O que faz você sonhar?" Outras vezes observava o progresso da pessoa individualmente. De perto e com astúcia, observava seus próprios filhos, por exemplo. Piaget e seus colaboradores também efetuavam investigações em minia- tura à maneira de experimentos. Para um estudo, as crianças individualmente receberam moedas e flores e lhes foi perguntado "Quantas flores podem ser compradas com seis cruzei- ros se o preço de cada flor é uma moeda?" Depois o observador interrogava cada criança na tentativa de descobrir seu modo de raciocinar. A descrição e o diálogo abaixo são dos escri- tos de Piaget.

coloca 5 flores em oposição a 6 cruzeiros, depois faz

uma troca na base de uma coisa pela outra, de 6 cruzeiros por 6 flores (levando a flor extra do suprimento de reserva). Os cruzeiros estavam em uma fileira e as flores esta- vam formando um ramalhete.

Gui (quatro anos; quatro meses)

OBSERVADOR: "O que foi que fizemos?" GUI: "Fizemos uma troca." OBSERVADOR: "Então há o mesmo número de flores e cruzeiros?" GUI: "Não." OBSERVADOR: "Não há mais de um lado?" GUI: "Sim." OBSERVADOR: "Onde?" GUI: "Lá (cruzeiros)."

Depois de observar como as crianças lidam com numerosas perguntas a respeito de causalidade, espaço, tempo, número, velocidade e muitas outras matérias, Piaget formulava uma teoria abrangente sobre o quão logicamente o, pensamento se desenvolve. Em seus amplos esboços, esta teoria é geralmente aceita.

Pressupostos de Piaget sobre funções herdadas. Piaget acreditava que os bebês huma- nos, assim como outros animais, nasciam com a necessidade e a capacidade para se adapta- rem a seu ambiente. A adaptação ocorre naturalmente quando os organismos interagem com seus ambientes. Aprendem a enfrentar; e sua capacidade mental se desenvolve automatica- mente. A adaptação, segundo Piaget, envolve dois subprocessos: assimilação e acomodação. Na maioria das vezes as pessoas recebem, ou assimilam informação e a categorizam em termos que já conhecem. O comportamento do bebê sugando e pondo na boca uma xícara mostra assimilação. Uma resposta muito básica, sugar, apropriada para amamentar, é usada para tratar de uma situação correta. Abaixo, um dos exemplos de assimilação de Piaget:

Com vinte e um meses, Jacqueline (filha de Piaget) viu uma concha e disse "xícara".

No dia

Depois de ter dito isto, pegou a concha e fez de conta que estava bebendo

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seguinte, vendo a mesma concha, disse "copo", depois "xícara", depois "chapéu" e finalmente "barco na água".

Ocasionalmente, as pessoas encontram situações que não podem ser categorizadas em termos que elas já conheçam. Nestes casos, precisam acomodar, criar novas estratégias, modificar ou combinar estratégias antigas para lidar com o desafio. Os bebês que levam xíca- ras à boca, por fim acabam se acomodando, desenvolvendo a estratégia apropriada para beber. Piaget registrou esta ilustração adicional de acomodação de seu filho Laurent.

Com 16 meses e 5 dias, Laurent está sentado ante uma mesa e eu coloco à sua frente, fora de alcance, um pedaço de pão. Também, à direita da criança, coloco um bastão com cerca de 25 cm de comprimento. De início Laurent procura pegar o pedaço de pão

sem dar qualquer atenção ao instrumento, e depois desiste. A seguir, coloco o bastão entre ele e o pão; a criança não troca o objetivo, mas não obstante leva em si a inegável sugestão visual. Laurent novamente olha para o pão, sem se mover, olha muito breve- mente para o bastão, depois subitamente o agarra e o dirige para o pão. Porém ele agarrou o bastão no meio e não por uma das extremidades, tornando-o muito curto para atingir o objetivo. Laurent coloca o bastão sobre a mesa e volta a estender a mão para o pão. Depois, sem despender muito tempo neste movimento, apanha novamente

o bastão, desta vez por uma de suas extremidades

e arrasta o pão para perto de si

Duas tentativas sucessivas proporcionam o mesmo resultado. Uma hora mais tarde, coloco um brinquedo à frente de Laurent (fora de seu alcance) e um outro bastão perto dele. Ele nem ao menos tenta agarrar o objetivo com sua mão; pega imediatamente o bastão e arrasta o brinquedo para perto de si.

Além da capacidade de adaptação, os animais também herdam uma tendência de com- binar dois ou mais processos físicos e/ou psicológicos em um sistema que funciona perfeita- mente. Piaget chama esta capacidade de organização. Um bebê pequeno, por exemplo, tanto pode olhar como agarrar. Por fim, as crianças coordenam as duas ações para que possam agarrar objetos específicos à sua vista. Tanto a adaptação como a organização continuam a atuar através do desenvolvimento. Quando as crianças crescem, seus estilos gerais de interagir com o ambiente se modifi- cam. Piaget aplica o termo esquema (ou estrutura) tanto para os comportamentos observá- veis como para os conceitos associados que são usados para processar os dados sensoriais que chegam. "Olhar e pegar" e "sugar" são considerados esquemas. Estas ações procedem das idéias sobre como tratar dos eventos sensoriais e podem ser aplicadas em muitas situa- ções diferentes. Conquanto os esquemas iniciais pareçam ser compostos principalmente de reflexos e comportamentos simples, os que vêm mais tarde consistem grandemente em estra- tégias, planos, regras, pressupostos e outras capacidades mentais. Através de assimilação e acomodação, os esquemas se modificam continuamente, de modo que os indivíduos podem enfrentar mais efetivamente seus ambientes.

Teoria do estágio de Piaget. Piaget acreditava que o pensamento se desenvolve na mes- ma seqüência fixa de estágios em todas as crianças. Em pontos específicos do desenvolvi- mento surgem esquemas característicos. Presume-se que as realizações de cada estágio se constróem a partir dos precedentes. Embora Piaget tenha enfatizado a influência da heredi-

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tariedade no processo de desenvolvimento, ele sustentava que o ambiente social e físico pode afetar a idade quando envolvem capacidades específicas. Vamos descrever os pontos altos de cada período de desenvolvimento. Estágio sensorimotor (do nascimento a aproximadamente dois anos). Durante os primeiros vinte e quatro meses, os bebês descobrem o sentido daquilo que os cerca, vendo, tocando, provando, cheirando e manipulando. Em outras palavras, confiam em seus siste- mas sensoriais e motores. Durante esta época desenvolvem-se algumas capacidades cogni- tivas fundamentais. As crianças descobrem que comportamentos específicos têm conseqüên- cias definidas. Sacudir os pés afasta cobertores pesados. Erguer e baixar o corpo faz dançar o móbile pendurado sobre o berço. No início, "fora da vista" pode ser equivalente a "inexis- tente". Gradualmente, o bebê desenvolve uma noção de permanência, e um entendimento de que as pessoas e objetos existem mesmo quando não estão sendo percebidos. Uma pessoa esconder-se e depois mostrar-se com um "Achou!" pode deliciar os bebês, porque eles acreditam que o adulto realmente desaparece. Conseqüentemente, ficam legitimamente sur- presos (e contentes) de ver a pessoa reaparecer. Durante o estágio sensorimotor, os bebês desenvolvem uma outra habilidade, qual seja a de encontrar novos usos para velhos objetos. A brincadeira de jogar o ursinho no chão e ver o pai apanhá-lo pode ser uma prova exaspe- rante desta capacidade. Conseguir imitar novas respostas completas muito precisamente, mesmo quando o modelo está ausente, é considerado uma outra realização do período senso- rimotor. Uma criança pequena que viu um coleguinha em um acesso de birra pode "tentar coisa igual" diversos dias mais tarde. Para conseguir isto, a criança deve ter armazenado algum quadro mental do ato. A imitação diferenciada, portanto, sugere que as crianças começam a formar representações simples de eventos durante seus dois primeiros anos. Ainda assim, durante o período sensorimotor, o pensamento da criança é em grande parte confinado à ação. Estágio pré-operacional (aproximadamente dois a sete anos). Durante estes anos, as crianças confiam muito fortemente em suas percepções da realidade. Amiúde, podem resol- ver problemas manipulando objetos concretos. Contudo, têm muitos problemas resolvendo versões mais abstratas dos mesmos problemas. Uma criança pré-operacional, por exemplo, pode facilmente indicar a maior de três caixas. Mas ela mesma raramente pode lidar com a versão abstrata: "Se A é maior do que B, e B é maior do que C, qual é a maior?" Durante o estágio pré-operacional, as crianças tornam-se capazes de pensar a respeito do ambiente pela manipulação de símbolos (inclusive palavras) que representam os ambientes. As principais realizações deste estágio incluem (1) uso da linguagem, (2) formação de conceitos simples (por exemplo, "Totó, Bigão e Nero são todos cachorros"), (3) empenhando-se em brincadeira imaginativa (uma vareta pode ser empregada como uma espada, uma vassoura como um cavalo e uma boneca como um bebê) e (4) fazer figuras que representam a realidade. A clas- sificação é um tipo de conceito que as crianças pré-operacionais começam a compreender. Suponhamos que uma criança seja solicitada a classificar diversos cartões como os da Figura 9-2. Alguns cartões são brancos, outros cinzas, alguns pequenos, outros grandes, alguns circulares, outros quadrados. Uma criança que compreenda classificação pode agrupar os cartões por cor, tamanho e forma. Embora as crianças pré-operacionais consigam lidar com esta tarefa, elas mostram problemas em lidar com relacionamentos entre classes. Por exem- plos, se receberem vinte e cinco brinquedos — digamos, dezoito vacas e sete cachorros — as crianças pré-operacionais classificam os objetos em cachorros e vacas bem corretamente. Entretanto, quando perguntadas: "Há mais vacas ou mais animais?" elas ficam perplexas.

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PENSAMENTO E LINGUAGEM 347 Figura 9-2. Algumas ve- zes são usados cartões como estes para investi-

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Figura 9-2. Algumas ve- zes são usados cartões como estes para investi- gar as habilidades de clas- sificação das crianças.

De acordo com Piaget, falham neste tipo de teste porque não podem conceber itens indivi- duais pertecendo a duas classes diferentes ao mesmo tempo. (Uma vaca não pode ser concei- tuada simultaneamente como vaca e como animal.) Neste estágio, aparentemente os peque- ninos tratam somente de uma dimensão de cada vez. Piaget também caracteriza o pensamento das crianças pré-operacionais como particularmente egocêntrico. Elas tendem a ver o mundo, em grande parte, de suas próprias perspectivas. Elas encontram dificuldade em se colocarem na posição dos outros e compreender pontos de vista alternativos. Este exemplo humorístico de pensamento egocêntrico é reportado em Winnie-the-Pooh, de autoria de A.A. Milne, 1926.

O zumbido significa alguma coisa. Você não arranja um zumbido como esse, zumbindo, zumbindo, sem que isso signifique alguma coisa. Se há um zumbido, alguém está

zumbindo, e a única razão para zumbir, que eu saiba, é porque você é uma abelha

única razão para ser abelha que eu saiba é para fazer mel mel é para que eu possa comê-lo.

e a única razão para fazer

e a

Uma tarefa usada para avaliar pensamento egocêntrico. Estágio de operações concretas (aproximadamente dos setes aos onze anos). Durante este estágio, as crianças desenvolvem a capacidade de usar a lógica e param de confiar tão fortemente em informação sensorial simples para compreenderem a natureza das coisas. Adquirem a capacidade de fazerem em suas cabeças o que anteriormente tinham de fazer literalmente. Lembre-se da difícil estratégia de Gui, de quatro anos de idade, que foi solicitado a dizer quantas flores podiam ser compradas com seis cruzeiros. As crianças com seis anos de idade que conseguem contar, usam tipicamente a tática da combinação quando recebem, digamos cinco bastões e são solicitadas em mais cinco. As crianças de mais idade que adqui- riram algumas habilidades cognitivas adicionais, que Piaget chama de operações concretas, podem contar os bastões mentalmente. Quando as crianças confiam mais na razão para

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348 INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA Figura 9-3. Foram mostrados a estas meninas modelos tridimensionais de montanhas sobre

Figura 9-3. Foram mostrados a estas meninas modelos tridimensionais de montanhas sobre uma mesa e lhes foram feitas numerosas perguntas sobre como o modelo pareceria visto de outros pontos. A criança pré-operacional chamada Tricia (à esquerda) está mostrando como a vista seria de uma posição ligeiramente à sua direita. De um modo geral, Tricia estava certa a respeito de sua atual perspectiva, mas não a respeito das perspectivas dos outros observadores. A irmã mais velha de Tricia (à direita) conseguiu descrever com bastante constância as perspectivas dos outros. De acordo com Piaget, as crianças pré-operacionais não podem compreender a relatividade de seus próprios pontos de vista. Mas as crianças podem ter dificuldade com esta tarefa por razões diferentes. As crianças têm dificuldade em trabalhar em problemas abstratos que pouco tenham a ver com suas realidades cotidianas. Se uma tarefa de perspectiva semelhante estiver inseri- da em uma situação interpessoal conhecida, a criança trata-a com mais exatidão. (Cortesia de Mary Sime. A Childs eye view. Thames and Hudson Ltd., 1973.)

resolver problemas, sua capacidade para categorizar e classificar objetos se expande. Uma habilidade importante que se expande durante este estágio é a capacidade para distinguir aparência de realidade e características temporárias de permanentes. Se a laranjada é despe- jada de uma vasilha larga e curta para uma estreita e alta (ver a Figura 9-4), a criança que usa operações concretas conclui que a quantidade permaneceu a mesma, porque não se lhe tirou coisa alguma. Em contraste, uma criança pré-operacional acredita que a quantidade de laranjada aumentou porque o nível está mais alto. As crianças pequenas não podem explicar uma transformação em aparência, porque se apóiam principalmente em percepção ao invés de usarem a lógica. Durante o experimento da laranjada, elas tendem a centrar a atenção em um aspecto da aparência física, o nível do líquido, e deixam de perceber outras transforma- ções. A criança de operações concretas domina a lição importante de que as características sensoriais, como tamanho e forma, podem mudar sem afetar propriedades mais básicas, como quantidade. Conquanto as crianças no nível operacional concreto lidem logicamente com os objetos, ainda não são capazes de lidar racionalmente com idéias abstratas. Freqüen- temente, podem seguir o raciocínio, mas raramente podem examiná-lo para verem se houve enganos. Tendem a resolver problemas por ensaio e erro, e não seguindo sistematicamente uma estratégia eficiente como a de pensar em várias soluções possíveis e separando as que não são apropriadas.

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PENSAMENTO E LINGUAGEM 349 Figura 9-4. Este menino está procurando calcular se a quantidade se altera

Figura 9-4. Este menino está procurando calcular se a quantidade se altera quando o líquido na va- silha curta é despejado na alta e estreita. As crianças pré-operacionais têm dificuldade com esta tarefa, presumivelmente por enfocarem so- mente uma dimensão sensorial — a aparência do novo nível. (Mimi Forsyth/Monkmeyer Press Photo Service.)

Estágio de operações formais (aproximadamente de onze a quinze anos). Durante estes anos, as crianças desenvolvem a capacidade de compreensão lógica abstrata — pensar a res- peito do pensamento. De acordo com um adolescente: "Encontro-me pensando a respeito de meu futuro e depois começo a pensar porque eu estava pensando a respeito de meu futuro, e depois começo a pensar por que eu estava pensando por que estava pensando a respeito de meu futuro." Quando uma criança que usa operações concretas pode surgir com uma solu- ção única para um problema, a que usa operações formais tem a probabilidade de gerar muitas alternativas. Quando perguntado por que uma mulher poderia estar deitada no chão, por exemplo, o indivíduo no estágio de operações formais poderia sugerir: "ferida na cabe- ça", "está brincando", "embriagada", "ataque cardíaco", e "acidente". As pessoas que usam operações formais checam mentalmente as soluções alternativas para problemas. Também examinam a coerência lógica de suas crenças. Uma criança ao nível de operações formais se preocuparia com noções contraditórias, tais como a existência de um Deus benig- no e milhões de seres humanos sofredores. Neste estágio, muitas vezes as pessoas formam teorias, pensam a respeito do futuro, compreendem metáforas e fazem o papel do advogado do diabo por apoiarem uma posição que é contrária ao fato. Ao final deste período, as crian- ças possuem as mesmas capacidades mentais que os adultos.

Avaliação da teoria de Piaget. Piaget estudou o desenvolvimento mental, um tópico que há muito tempo vinha sendo ignorado e não era apreciado, fazendo-o de modo imagina- tivo e abrangente. Muitos psicólogos americanos sentiram-se fascinados por seus escritos e atraídos para os vastos e inexplorados territórios de pesquisa que haviam sido abertos. Correntemente, numerosos investigadores estão procurando replicar as observações de Piaget, muitas vezes com controles mais rigorosos na tradição behaviorista (Capítulo 1).

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Muitas das constatações de Piaget foram confirmadas e seu trabalho ainda é altamente con- siderado, posto que certas conclusões são questionadas. Esbocemos alguns dos principais pontos de contestação.

1. As crianças de determinadas idades são coerentes em suas operações mentais? Numerosos estudos sugerem que os mais jovens podem ser bastante variáveis em suas estratégias intelectuais. Os de quatro anos de idade, por exemplo, nem sempre são egocêntricos. A pesquisa mostra que eles levam a audiência em consideração quando entregando uma mensagem, tornando suas comunicações mais curtas e mais simples para os que têm dois anos de idade do que para os adultos. Do mesmo modo, uma criança de doze anos pode usar lógica para tratar de um problema e impressões sensoriais para um outro.

2. Todas as crianças alcançam o estágio final? Há pouco tempo Piaget emendou sua teoria a fim de sugerir que todos os indivíduos alcalçam o estágio de operações formais aos vinte anos de idade "consoante suas aptidões e especializações". Mas há evidência de que o pensamento em operações formais é usado relativamente por uma pequena fração (cerca de 15 a 25%) de estudantes de curso colegial. Alguns psicólogos argumentam que a teoria de Piaget refere-se à capacidade e não necessa- riamente à estratégia habitual.

3. O crescimento mental é irreversível? Em outras palavras, as crianças podem perder as capacidades intelectuais que anteriormente haviam conseguido? Conforme foi indicado no Capítulo 3, muitas vezes o desenvolvimento é repetitivo. Os bebês recém-nascidos imitam durante suas primeiras semanas. Depois a imitação confiá- vel desaparece até o final do primeiro ano, mais ou menos. As capacidades mentais podem aparecer, desaparecer e reaparecer durante o início da primeira infância também.

4. O que molda as capacidades cognitivas? A pesquisa sugere que as crianças alcançam vários marcos mentais em idades diversas e que a aprendizagem em uma determt- nada família e cultura tem um efeito poderoso sobre o tempo em que se desenvol- vem capacidades específicas. Muitos cientistas comportamentais acreditam que Piaget enfatizou excessivamente o papel da genética e da maturação e subestimou a importância do ambiente das crianças.

5. A análise de Piaget do comportamento de solução de problemas das crianças consi- dera a linguagem, a memória e as capacidades de percepção de modo suficiente? Em geral, os estudos de Piaget não lhe permitiram diferençar entre lógica, linguagem, memória ou inadequações de percepção. A pesquisa recente sugere que a liguagem, a memória e as deficiências de percepção podem ser de importância-chave. Os bebês podem não procurar brinquedos que desapareceram porque não se lembram de os terem visto, e não porque tenham falta de um conceito de permanência de objeto. Crianças mais velhas têm problemas em tarefas abstratas (como: A é maior do que B e B é maior do que C. Qual é maior?) porque não compreendem a linguagem nem se lembram dos detalhes. E as crianças podem falhar em problemas de conservação porque não prestam atenção e não percebem as dimensões relevantes.