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FEVEREIRO

2007

ARTIGO

 

PUC MINAS

 

O direito à privacidade

 

D os muitos direitos fundamentais con- sagrados constitu-

to ao patrimônio; e o es- tupro, pois viola a liberda- de sexual. Poucas são as pessoas, porém, que compreendem as múlti- plas violações que po- dem ser praticadas con- tra o direito à privacidade e, dentre elas, mais raras são as que dão ao fato a

uma casa devidamente fechada e com cortinas opacas foi uma garantia contra os olhos e ouvidos de intrusos, atualmente as modernas tecnologias informáticas não só per- mitem que se observe à distância por microcâme- ras e se ouça por micro-

Assim, o antigo “direi- to de ser deixado só” ga- nhou contornos bem mais abrangentes para tutelar não só o isola- mento físico das pesso- as, mas também, e princi- palmente, os direitos de não ser monitorado, de não ser registrado e de

pois não há expectativa de que isso ocorra. É claro que a ilegalidade e as conseqüências seriam ainda maiores se a refe- rida imagem fosse divul- gada para terceiros. Imaginemos agora uma praia. Um banhista que lá se encontre tem,

ilícito, pois há alguma ex- pectativa de registro de imagens, já que se trata de um local público. O mesmo não se pode afir- mar em relação à divulga- ção desses registros na Internet ou em outro meio de comunicação de massa. O simples fato de

cionalmente, o direito à privacidade talvez seja um dos menos compre- endidos pelos cidadãos sem formação jurídica. Qualquer pessoa, por mais simplória que seja,

compreende que um ho-

micídio é um ato ilícito, pois atenta contra o direi- to à vida de alguém; da mesma forma, um furto, pois atenta contra o direi-

devida importância.

O direito à privacida- de há muito não se limita à sua clássica concepção de “direito de ser deixa- do só”. Se, no passado,

fones, mas, sobretudo,

não ter registros pesso-

ais publicados. E é aqui que se encontra uma das principais dificuldades na correta compreensão do direito à privacidade: não é porque alguém tem o direito de monitorar ou- trem que se pode deduzir daí,necessariamente, que este alguém pode também registrar as ce- nas e gravar os sons. De forma semelhante, não é porque se pode registrar que se pode necessaria- mente divulgar. E é aqui que surgem os proble- mas. Tomemos um exem- plo simples. Em um ves- tiário masculino os rapa- zes furam a parede de tal forma que consigam ver as moças trocando de roupa no vestiário femi- nino ao lado. Obviamen- te, trata-se de uma moni- toração ilegal e, muito mais grave ainda seria o registro fotográfico das imagens e sua divulga- ção. Se uma moça, no entanto, entra em um vestiário feminino e en- contra sua colega tro- cando de roupa, eviden- temente ela não comete nenhum ato ilícito por vi- sualizar a cena, pois é perfeitamente previsível que outra mulher entre no recinto e a veja em trajes sumários. Se, po- rém, com sua câmera de celular ela fotografa sua colega despida, trata-se evidentemente de uma violação à privacidade,

 

se

encontrar em um local

permitem que estas infor- mações sejam gravadas e, posteriormente, publi- cadas nos meios de co- municação de massa.

         

“A RÁPIDA

 

público não gera em nin- guém a expectativa de ter sua imagem ou suas conversas divulgadas posteriormente para um número potencialmente infinito de pessoas. Toda e qualquer análi-

DIMINUIÇÃO DAS

 

Valf

DIMENSÕES DOS

DIMENSÕES DOS

INSTRUMENTOS

se do direito à privacida-

de

deve partir do pressu-

TECNOLÓGICOS DE

REGISTRO, ALIADA AO

posto de que há três graus possíveis de viola- ção desse direito funda- mental: a monitoração, o registro e a publicação. Os limites desse direito estarão condicionados à expectativa de privacida- de de cada um em cada momento. A rápida diminuição das dimensões dos ins- trumentos tecnológicos de registro, aliada ao crescente interesse pú-

CRESCENTE

INTERESSE PÚBLICO

PELA VIDA

PARTICULAR, NÃO SÓ

DE CELEBRIDADES,

MAS DE PESSOAS

COMUNS,

blico pela vida particular não só de celebridades, mas de pessoas comuns, remete-nos a um futuro aterrador, no qual todos vigiam as ações de todos

REMETE-NOS A UM

FUTURO ATERRADOR”

e

onde ninguém é livre

em sua solidão. É preciso

por certo, o direito de monitorar com seus sen- tidos as cenas que estão a seu redor. Pode ouvir a conversa do casal ao

lado e apreciar a imagem

que cada cidadão com-

preenda que seu direito à privacidade é muito mais que uma simples garantia de estar só, consistindo principalmente na garan-

das moças que perambu-

tia

de agir livremente sem

lam pela areia. É possível admitir ainda que esse banhista tenha o direito de gravar a referida con- versa e fotografar um to- pless de uma moça na praia sem que isto impli- que por si só em um ato

o julgo alheio.

 

Túlio Vianna

Professor da PUC Minas Doutor em Direito pela UFPR www.tuliovianna.org

o julgo alheio.   Túlio Vianna Professor da PUC Minas Doutor em Direito pela UFPR www.tuliovianna.org

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