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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO Campus X COLEGIADO DE HISTORIA

ANAIS

II Semana Estadual de História Os povos indígenas na Bahia: história, conflitos e territorialidade

26 a 28 de abril de 2016

Teixeira de Freitas Ba Universidade do Estado da Bahia - UNEB

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3 REITORIA JOSÉ BITES DE CARVALHO VICE-REITORIA CARLA LIANE NASCIMENTO DOS SANTOS DIREÇÃO DO DEPARTAMENTO DE

REITORIA JOSÉ BITES DE CARVALHO

VICE-REITORIA CARLA LIANE NASCIMENTO DOS SANTOS

DIREÇÃO DO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS X MINERVINA JOSELI ESPINDOLA REIS

COORDENAÇÃO DO NUPEX ELZICLEIA TAVARES DOS SANTOS

COORDENAÇÃO DO COLEGIADO DE HISTÓRIA JONATHAN DE OLIVEIRA MOLAR

COMISSÃO ORGNIZADORA

DOCENTES

Ariosvaldo Alves Gomes Benedito de Souza Santos Ediane Lopes de Santana Fernando César Coelho da Costa Maria Geovanda Batista Guilhermina Elisa Bessa da Costa Gislaine Romana de Carvalho Joelson Pereira dos Santos Jonathan de Oliveira Molar Liliane M. Fernandes Cordeiro Gomes Marcio Soares santos Priscila Santos da Glória Uerisleda Alencar Moreira Yolanda Aparecida de Castro Almeida Vieira

TÉCNICO ADMINISTRATIVO Frederico Loyola Viana

DISCENTES

Fabíola Gangá Helena Aparecida de Sousa Vieira Jasmim Lima dos Santos Sarah Quimba Pinheiro Jamile Stephane dos Santos Souza

Jaqueline Nunes Jéssica Silva Kevelin Souza Santos Mirla Kleille Oliveira Correia

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Patrícia Alvez Silva Pablo Viana Cruz Raí Souza Costa Yasmin Silva Santos de Jesus

COMISSÃO CIENTÍFICA

Ariosvaldo Alves Aomes Benedito Souza Santos Ediane Lopes de Santana Fernando César Coelho da Costa Guilhermina Elisa Bessa da Costa Halysson Gomes da Fonseca Joelson Pereira de Sousa Jonathan de Oliveira Molar Liana Gonçalves Pontes Sodré Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes Márcio Soares Santos Maria Heovanda Batista Priscila Santos da Glória Uerisleda Alencar Moreira Yolanda Aparecida Castro Cristiane Gomes Cristhiane Ferreguett

Organização

Uerisleda Alencar Moreira Frederico Loyola Viana Marcio Soares Santos

Diagramação Jasmim Lima dos Santos

Marca do Evento

Santos Diagramação Jasmim Lima dos Santos Marca do Evento II SEMANA DE HISTÓRIA Observação: a adequação

II SEMANA DE HISTÓRIA

Lima dos Santos Marca do Evento II SEMANA DE HISTÓRIA Observação: a adequação técnico-linguística dos

Observação: a adequação técnico-linguística dos textos, bem como seus conteúdos, são de responsabilidade dos autores.

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A II SEMANA ESTADUAL DE HISTÓRIA

A II Semana Estadual de História, promovida pelo Colegiado de História e pelo Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, Campus X, visa constituir- se como um evento de relevância no estado da Bahia para integração de acadêmicos da graduação e da pós-graduação, docentes e pesquisadores que se debruçam sobre o campo histórico e áreas afins. Dessa forma, pretende-se, a partir da realização desta segunda edição, consolidar um evento estadual que a cada dois anos reúna atividades de ensino, pesquisa e extensão Campus X da UNEB. Nesta edição, a II Semana Estadual de História propõe a temática Os povos indígenas na Bahia: história, conflitos e territorialidade, e tem como objetivo fomentar espaços de formação e divulgação de pesquisas em História que colaborem para a construção do conhecimento histórico a partir de um viés socioeconômico, além de cumprir com a função social da academia, debatendo problemáticas atuais, como a questão indígena no extremo sul da Bahia. O evento prioriza o debate atual frente aos últimos acontecimentos que evidenciaram o conflito em torna da demarcação das terras indígenas no Extremo Sul da Bahia, bem como oportunizar a apresentação de comunicações de discentes e docentes nos âmbitos da pesquisa, do ensino e da extensão, fortalecendo vínculos entre os pesquisadores espalhados pelos mais de vinte e quatro campi da UNEB no estado e de demais universidades, tanto na Bahia quanto nos outros estados da federação. Além disso, ocorrerão minicursos e palestras ministradas por pesquisadores envolvidos diretamente com a temática. Desse modo, a II Semana Estadual de História do Campus X é compreendida, portanto, como um espaço privilegiado para o debate acadêmico, a socialização de conhecimentos e a troca de experiências, visando gerar, com isso, o incentivo a novas reflexões sócio-acadêmicas. Em suma, o conhecimento produzido dentro e fora dos muros da universidade não pode ficar recluso apenas em salas de aula ou em projetos de pesquisa, é necessário que o campo científico seja divulgado e, mais do que isso, discutido. Nesse sentido, os eventos são meios privilegiados para que se alcance tal objetivo, inserindo-se nessa proposta tem-se a II Semana Estadual de História do Campus X. O evento se realizará nos dias 26 a 29 de abril de 2016, no Departamento de Educação Campus X, localizado à Avenida Kaikan, Jardim Caraípe, Teixeira de Freitas-Ba, CEP:

45995-000.

Importante ressaltar que a localização do Campus X da UNEB tem um valor adicional no estabelecimento de eventos científicos, pois este departamento da Universidade encontra- se em um local que requer cada vez mais eventos desta natureza para atender a demanda de graduandos e graduados em História; além disso, deve-se levar em consideração que o

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município de Teixeira de Freitas é um micro-pólo do Extremo Sul da Bahia, afinal, ao seu redor concentram-se 21 municípios, a saber: Alcobaça, Belmonte, Caravelas, Eunápolis, Guaratinga, Ibirapuã, Itabela, Itagimirim, Itamarajú, Itanhém, Itapebi, Jucuruçu, Lajedão, Medeiros Neto, Mucuri, Nova Viçosa, Porto Seguro, Prado, Santa Cruz de Cabrália e Vereda, além do próprio município de Teixeira de Freitas e seus mais de 190 mil habitantes. No total, essa micro-região abrange uma área de cerca de 30.420 km², cujos estudantes, permanentemente, procuram pelos cursos oferecidos pela UNEB de Teixeira de Freitas (Campus X). Dessa forma, em decorrência da grande área sócio geográfica abarcada pelo Campus X, pretende-se com a II Semana Estadual de História intensificar ainda mais as produções científicas dos discentes e docentes que se encontram no Campus X e, principalmente, fomentar as trocas de experiências e discussões epistemológicas entre os pesquisadores do estado da Bahia e do país. Ou seja, o evento quer se fazer ser estadual, ultrapassando assim, as fronteiras regionais já consolidadas, de modo a atrair para o Campus X um espaço intenso de divulgação e reconhecimento de demandas científicas. Em outros termos, pretende-se reunir na UNEB de Teixeira de Freitas docentes e discentes oriundos das mais diversas Instituições de Ensino Superior da Bahia e do Brasil, fortalecendo o diálogo e a fraternidade entre elas, princípio fundamental da concepção de pesquisa e conhecimento.

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SUMÁRIO

RESUMOS

01 SIMPÓSIO HISTÓRIA DA BAHIA COLONIAL: ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE POSSÍVEIS ROTAS FLUVIAS NAS COMARCAS DO SUL UM PROJETO PARA O JEQUITINHONHA E RIO PARDO Julian de Souza Mota Joceneide Cunha

A PERSEGUIÇÃO AO TUPINAMBÁ DURANTE AS VISITAÇÕES DO

SANTO OFÍCIO NA BAHIA: (1591-1595; 1618-1620). Laiane De Jesus Santos Macedo Suzana Maria de Sousa Santos Severs HOMENS DA FRONTEIRA: ÍNDIOS, CAPITÃES E SERTANISMO NA ILHÉUS SETECENTISTA.

Rafael dos Santos Barros

02 BRASIL IMPÉRIO - HISTÓRIAS DE LIBERDADE NA ESCRAVIDÃO E NO PÓS- ABOLIÇÃO: TRAJETÓRIAS, ALFORRIA E TRABALHO ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA UMA CAMUFLAGEM DA

LIBERDADE.

Angerlândia Carvalho dos Santos Laylla Raphaela dos Santos Silva Cardoso Marina Rios da Cunha Santa Rosa PASSANDO PELOS RITOS SACRAMENTAIS, NASCER E O MORRER:

DAS CRIANÇASESCRAVIZADAS NA FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DO CARMO, VILA DE BELMONTE (1867-1888) Jamilly Bispo Laureano Joceneide Cunha;

O BATISMO DE ESCRAVOS APÓS A LEI DO VENTRE LIVRE (1871)

EM CARAVELAS, BA

Priscila Santos da Glória Fernanda Silva Souza

A PARTICIPAÇÃO POPULAR NO PROCESO DE INDEPENDÊNCIA DO

BRASIL NA DECADA DE 1820

Ramom Pereira de Jesus Moreira Priscila Santos da Glória POLÍTICAS INDIGENISTAS: RESISTÊNCIA INDÍGENA NA COMARCA DE CARAVELAS NO SÉCULO XIX

Sarah Quimba Pinheiro

03 BRASIL REPÚBLICA: SUBALTERNIZADOS EM MOVIMENTO -

INDAGANDO DESATENÇÕES HISTORIOGRÁFICAS AS CIÊNCIAS NO BRASIL REPUBLICANO: O CONTROLE DOS CORPOS NA SOCIEDADE DO FINAL DO XIX E INÍCIO DO SÉCULO

XX.

Artur Silva Almeida

ÍNDIOS MAXAKALI: ESTRATÉGIAS E TÁTICAS DE RESISTÊNCIA

CAMUFLADAS.

Agnes Cristine Mende Carolina Ferreira Ferraz; Eduardo Antônio Bonzatto

A ATIVIDADE EXTRATIVISTA E O SURGIMENTO DO POVOADO DE

TEIXEIRA DE FREITAS.

Ailton de Oliveira Junior

A DEFESA DO SALÁRIO MÍNIMO NO CONGRESSO NACIONAL: O

CASO DO PARLAMENTAR PAULO PAIM DO PARTIDO DOS

TRABALHADORES (1986-2006).

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Glauber Eduardo Ribeiro Cruz FOI-SE O TEMPO DO CORONELISMO? RUPTURAS, PERMANÊNCIAS, PRÁTICAS POLÍTICAS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM TEIXEIRA DE FREITAS BA (1985-2012). Junio Viana Gomes BOLETIM DIOCESANO, DIOCESE CARAVELAS BAHIA, 1982:

REGISTROS E POSICIONAMENTOS SOBRE DISPUTAS DE TERRA ENVOLVENDO POVOS PATAXO HÃ-HÃ-HÃE. Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes APOSENTADORIA E SINDICALISMO: DIREITOS E ESTRATÉGIAS DE TRABALHADORES NA ZONA RURAL DO MUNICÍPIO DE ITABERABA, BAHIA, DE 1971 A 1988.

Marcelo Oliveira dos Santos ESPAÇOS NOTURNOS DE SOCIABILIDADE NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO (1900-1930).

Patrícia Alves Silva

04 EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E ENSINO DE HISTÓRIA

A CANÇÃO SERTANEJA E SUAS POSSIBILIDADES NO ENSINO DE

HISTÓRIA DO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL. Lucieleny Ribeiro Jardim EDUCAÇÃO E METODO DE ENSINO: AGENTES TRANSFORMADORES EM UMA PERSPECTIVA ETINICORRACIAL. Wêrany Brites dos Santos Portugal ENTRE O DITO E O NÃO DITO: O AUDIOVISUAL E AS POSSIBILIDADES DA LINGUAGEM FÍLMICA NO ENSINO DE HISTÓRIA.

Maurício Dias Rosimeire de Jesus Carvalho ESCOLA, ESCOLAS, O FESTIVAL ANUAL DA CANÇÃO ESTUDANTIL DA BAHIA E A CONSTRUÇÃO DA TRILHA SONORA NO ENSINO DE HISTÓRIA .

Lucieleny Ribeiro Jardim RELATO DE EXPERIÊNCIA DA OFICINA: LITERATURA DE CORDEL COMO FONTE DE PRODUÇÃO E VALORIZAÇÃO DA HISTÓRIA LOCAL.

Joel Bastos Alves RELATO DE EXPERIÊNCIA DA OFICINA: DIREITOS DOS POVOS:

CULTURA INDÍGENA NO EXTREMO SUL BAIANO. Daiane Felix dos Santos; Franciele Santos Soares AS TIC’S NO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM NO ENSINO DA DITADURA MILITAR NO BRASIL (1964-1985). José Carlos Gomes de Campos

COMPREENDENDO AS CATEGORIAS DE ANÁLISE DA GEOGRAFIA PARA UMA MELHOR COMPREENSÃO DA HISTÓRIA. Yolanda Aparecida de Castro OS JESUÍTAS E O ENSINO: EDUCAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE DOMINAÇÃO.

Fábio Pereira Barros RELATÓRIO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO III:

REGÊNCIA NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL. Yasmin Silva Santos de Jesus

A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NA DISCIPLINA DE HISTÓRIA NO

ENSINO FUNDAMENTAL.

Diógenes Santa Santos Jasmim Lima dos Santos

A CULTURA LOCAL NO ENSINO DE HISTÓRIA. Geniclécia Lima dos Santos Rayla Roberta Silva de Oliveira; Iris Verena Santos de Oliveira

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A CONSTRUÇÃO DO INDÍGENA NOS LIVROS DE HISTÓRIA E DE

LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO MÉDIO: O QUE DIZ O PNLD?

Edevard França Pinto JÚNIOR Stéfano Couto Monteiro FORMAÇÃO POLÍTICA DO PROFESSOR DE HISTÓRIA. Marconey de Jesus Oliveira UMA ANÁLISE DECOLONIAL DA REPRESENTAÇÃO INDÍGENA

NOS LIVROS DIDÁTICOS DA REDE MUNICIPAL DE ARACRUZ-ES. Paulo de Tássio Borges da Silva Aciara Carvalho Guarani; Keilla Pereira da Rosa Tupinikim

05 HISTÓRIA, RELAÇÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADES

A SULBATERNIZAÇÃO DA MULHER NA SOCIEDADE

CAPITALISTA, PATRIARCAL, RACISTA E HETEROSSEXISTA. Delliana Ricelli Ribeiro da Silva OS DISCURSOS DA IGREJA SOBRE O COMPORTAMENTO E CORPO

FEMININO, NA AMÉRICA PORTUGUESA DO SÉCULO XVII. Nadiny Chaiany Santos Luz

A ATUAÇÃO DAS MULHERES ÍNDIGENAS PATAXÓ NO EXTREMO

SUL DA BAHIA.

Andreia Silva

UM OLHAR SOBRE O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO DAS (OS) AGENTES COMUNITÁRIAS (OS) DE SAÚDE NA USF DA URBIS

À LUZ DA POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À

SAÚDE DA MULHER (PNAISM).

Ada Fernanda Batista Correia Tigre CORPOS SUBJUGADOS: UMA HISTÓRIA DAS MULHERES NO FILME DESMUNDO.

Pablo Viana Cruz RABALHADORAS RURAIS: MEMÓRIAS, TRAJETÓRIAS E GÊNERO NA LAVOURA DE CAFÉ EM ITAMARAJU-BA (1975-1995). Gabriele Balieiro Oliveira POR UMA HISTÓRIA DAS EXCLUÍDAS: MULHERES E PROSTITUIÇÃO NA RUA MAUÁ EM TEIXEIRA DE FREITAS. Mirla Kleille Oliveira Correia TRADIÇÃO RESISTENTE CATÓLICA: (RE) PENSANDO O CONCÍLIO VATICANO II.

Helena Aparecida de Souza Vieira SOBRE “PERDAS CULTURAIS” EM SEXUALIDADES INDÍGENAS. Paulo de Tássio Borges da Silva

06 CAMINHOS PARA A PESQUISA HISTÓRICA:

AS INSTITUIÇÕES ARQUIVÍSTICAS E AS FONTES DOCUMENTAIS E PATRIMONIAIS

A FESTA DE PESCADORES EM CONCEIÇÃO DA BARRA-ES E

MUCURI-BA (1970-2015).

Josiane Anacleto da Silva Stefane Souza Santos FESTA DE SÃO JOÃO NO INTERIOR DO EXTREMO SUL BAIANO:

VALORES CULTURAIS X VALORES ECONÔMICOS. Franciele Santos Soares Marluce dos Santos CABOCLO NO TERREIRO, NO VALE E NA LÍNGUA:

REPRESENTAÇÕES SEMIÓTICAS E RELIGIOSAS DO ÍNDIO. Bougleux Bomjardim da Silva Carmo OS REGISTROS ECLESIAIS PARA O ESTUDO DO BATISMO DE CRIANÇAS INDÍGENAS EM PORTO SEGURO (1837-1845). Uerisleda Alencar Moreira CEMITÉRIOS, SEPULTAMENTOS E URBANIZAÇÃO EM TEIXEIRA DE FREITAS (1980-2015).

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Maria D´Ajuda Rodrigues RELAÇÕES MATRIMONIAIS NA IGREJA DE SÃO BERNARDO DE ALCOBAÇA, BAHIA, EM MEADOS DO SÉCULO XIX. Uerisleda Alencar Moreira Laís Assunção Moreira ANÁLISE DAS FONTES DOCUMENTAIS DA LEGISLAÇÃO SOBRE A INCLUSÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL (2005-

2015).

Romário Santos da Silva Frederico Loiola Viana Guilhermina Elisa Bessa da Costa INTERLOCUÇÕES ENTRE PESQUISA, HISTÓRIA E MEMÓRIA:

RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ESPAÇOS NÃO-ESCOLARES.

Gislaine Romana Carvalho da Silva Guilhermina Elisa Bessa da Costa

07 HISTÓRIA, ÁFRICA E AFRICANIDADES PORTUGAL ÁFRICA E O ENCONTRO COM A ILHA BRASILIS:

DIFERENTES PERSONAGENS QUE CONSTRUÍRAM A IDENTIDADE BRASILEIRA.

Mariana Dourado da Silva Maríllia de Oliveira Pinho REIFICAÇÃO E RESISTÊNCIA NAS RELAÇÕES RACIAIS À BRASILEIRA.

Jéssica Silva Pereira ESCRAVIDÃO E RESISTÊNCIA NEGRA: FORMAÇÃO DE QUILOMBOS.

Ramom Pereira de Jesus Moreira AFROINDÍGENAS, MEDIAÇÃO E EMPODERAMENTO: UMA EXPERIÊNCIA DO MOVIMENTO CULTURAL ARTE MANHA EM CARAVELAS-BA.

Benedito de Souza Santos

A FIGURA DOS PRETOS-VELHOS: REPRESENTAÇÕES ENTRE

LINGUAGEM E MEMÓRIA.

Bougleux Bomjardim da Silva Carmo MEMÓRIA CULTURAL E SOCIAL DA COMUNIDADE QUILOMBOLA BOITARACA.

Tailine Nascimento Argôlo

OS ESPAÇOS OCUPADOS PELOS NEGROS COMO AFIRMAÇÃO DA

LIBERDADE NO RIO DE JANEIRO.

Helena Aparecida de Souza Vieira

08 HISTÓRIA SEM FRONTEIRAS: ASPECTOS FILOSÓFICOS DO SABER HISTÓRICO FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: DIDÁTICA, METODOLOGIA E CURRÍCULO.

Fábio Pereira Barros POÉTICAS DOS POVOS ORIGINÁRIOS E O SISTEMA DA ARTE CONTEMPORÂNEA.

Alessandra Mello Simões Paiva Aluizio Mendes A INFLUÊNCIA DA RELIGIÃO NA FORMAÇÃO HUMANA:

IDEOLOGIA E O DESAFIO DO DIFERENTE.

Izaiane Ferreira Costa

AS EXPERIÊNCIAS TOTALITÁRIAS NO SÉCULO XX E O FIM DA

TRADIÇÃO NO PENSAMENTO DE HANNAH ARENDT: A HISTÓRIA CONHECIDA CHEGA AO FIM.

Raí Souza Costa HANNAH ARENDT E A CRISE DA MODERNIDADE: ASPECTOS HISTÓRICOS.

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Brendo Stoco Vidal HANNAH ARENDT E A TRANSGRESSÃO METODOLÓGICA COMO PONTO DE PARTIDA PARA O PENSAMENTO Joelson Pereira de Sousa

09 A HISTÓRIA EM MOVIMENTO E SONS: AS LINGUAGENS E OS NOVOS OBJETOS NA PESQUISA HISTÓRICA CACAU E SUOR: ROMANCE PROLETÁRIO OU CENÁRIOS DA REVOLTA OU O VENENO E O ANTIDOTO.

Maurício Dias

OUTRAS LINGUAGENS NO ENSINO DE HISTÓRIA: A FOTOGRAFIA

E A MEMÓRIA.

Cristiane Silva de Meireles Cardoso DISCUTINDO VIOLÊNCIA E RACISMO ÉTNICO ATRAVÉS DOS HQFORISMOS.

Danielle Barros Silva Fortuna “NÃO ENTREI NO CANGAÇO, ME BOTARAM NELE”: AS CANGACEIRAS E O INGRESSO INVOLUNTÁRIO NO BANDITISMO. Michele Soares Santos

ARTIGOS

A ATIVIDADE EXTRATIVISTA E O SURGIMENTO DO POVOADO DE

TEIXEIRA DE FREITAS

Ailton de Oliveira Junior

A FIGURA DOS PRETOS-VELHOS: REPRESENTAÇÕES ENTRE

LINGUAGEM E MEMÓRIA

Bougleux Bomjardim da Silva Carmo RELATO DE EXPERIÊNCIA DA OFICINA: DIREITOS DOS POVOS:

CULTURA INDÍGENA NO EXTREMO SUL BAIANO.

Brendo Stoco Vidal Daiane Felix dos Santos Franciele Santos Soares Marluce Santos Janusa Neres

OUTRAS LINGUAGENS NO ENSINO DE HISTÓRIA: A FOTOGRAFIA

E A MEMÓRIA

Cristiane Silva de Meireles Cardoso

A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NA DISCIPLINA DE HISTÓRIA NO

ENSINO FUNDAMENTAL.

Diógenes Santa Santos Jasmim Lima dos Santos Prof. Me. Ariosvaldo Alves Gomes Prof. Me. Gislaine Romana Carvalho da Silva

FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: DIDÁTICA, METODOLOGIA E

CURRÍCULO

Fábio Pereira Barros

OS JESUÍTAS E O ENSINO: EDUCAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE

DOMINAÇÃO

Fábio Pereira Barros

A CULTURA LOCAL NO ENSINO DE HISTÓRIA

Geniclécia Lima dos Santos Rayla Roberta Silva de Oliveira Iris Verena Santos de Oliveira ESCOLA, ESCOLAS, O FESTIVAL ANUAL DA CANÇÃO ESTUDANTIL DA BAHIA E A CONSTRUÇÃO DA TRILHA SONORA NO ENSINO DE HISTÓRIA

Lucieleny Ribeiro Jardim ESPAÇOS NOTURNOS DE SOCIABILIDADE NA CIDADE DO RIO DE

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JANEIRO (1900-1930)

Patrícia Alves Silva OS REGISTROS ECLESIAIS PARA O ESTUDO DO BATISMO DE CRIANÇAS INDÍGENAS EM PORTO SEGURO (1837-1845) Uerisleda Alencar Moreira

RELAÇÕES MATRIMONIAIS NA IGREJA DE SÃO BERNARDO DE ALCOBAÇA, BAHIA, EM MEADOS DO SÉCULO XIX Laís Assunção Moreira Uerisleda Alencar Moreira

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RESUMOS

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SIMPÓSIO TEMÁTICO 01

HISTÓRIA DA BAHIA COLONIAL: ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE Proponente: Poliana Cordeiro de Farias (IFBaiano) Coordenação: Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes

Ementa: As últimas décadas caracterizaram-se por um crescimento considerável do número de pesquisas dedicadas à história da Bahia colonial. A abertura dos historiadores para perspectivas de análise mais complexas permitiram a produção de novos estudos, abordando diferentes aspectos da época referida, e a construção de novos olhares sobre temas tradicionais da história colonial. Neste sentido, partindo da compreensão do grande vigor das investigações, este Simpósio Temático objetiva propiciar um espaço de diálogo e de debate desses novos olhares que permitam repensar aspectos econômicos, sociais e políticos da Bahia dos séculos XVI ao início do XIX. Pesquisadores de variadas filiações teóricas serão bem vindos, buscando estimular o diálogo e confronto entre pontos de vista e perspectivas de análises diversas, importando apenas que se atenham ao período e espaço determinados.

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POSSIVEIS ROTAS FLUVIAS NAS COMARCAS DO SUL UM PROJETO PARA O JEQUITINHONHA E RIO PARDO.

Julian de Souza Mota Graduando do curso de L. em História-DCHT-XVIII-UNEB E-mail: Juliansmotta@hotmail.com

Drª. Joceneide Cunha Professora do DCHT-XVIII- UNEB E-mail- Joceneidecunha@gmail.com

As Vilas do litoral Sul foram durante muito tempo alijadas da historiografia baiana, para estas restaram o estigma do atraso, da decadência econômica, do pouco povoamento e da desordem, assim como, da incivilidade dos seus povos “gentios”, tais afirmativas são evidenciadas por Stuart Schwartz (1985), Kátia Mattoso (1992) e Bert Barickman (2003) que de maneira rasa cita as Comarcas do Sul em seus trabalhos, que são referência do estudo da Bahia de modo geral e da região aqui enfocada de modo particular. No entanto uma onda de novos trabalhos que buscam discutir a hinterlândia das atuais regiões Sul e Extremo Sul da Bahia tem se proliferado no meio historiográfico, sobretudo para romper com esse estigma, que excluía a região do contexto nacional e provincial do final do século XVII até finais do século XIX, David Barbuda Ferreira (2011) e Francisco Cancela (2012) são expoentes nesse novo estudo, que passa a caracterizar a região como uma “zona tampão” entre a Província de Minas e da Bahia. Somando-se a tais pesquisas, esta comunicação objetiva destacar o grande interesse demonstrado pela presidência da Província em estabelecer uma comunicação eficiente entre as Comarcas do Sul e a capital da Província mas, sobretudo com a Província vizinha de Minas Gerais. O projeto visava fazer dos rios Jequitinhonha e Pardo rotas fluviais possíveis e que inserisse de alguma forma as supraditas Vilas nas rotas comerciais. Tais rotas buscavam escoar a produção das Vilas, e demonstra uma atividade das destas vilas. Desse modo, fazendo uso dos relatórios da presidência da Província da Bahia da primeira metade do século XIX, tentaremos traçar as estratégias utilizadas pelos Presidentes da Província para evidenciar a grande importância de firmar núcleos de povoamento e atrelado a isso uma rede comercial que pudesse inserir a região no contexto econômico e habitacional da Província.

Palavras-chave: Comarcas do Sul, Comercio, Província da Bahia.

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A PERSEGUIÇÃO AO TUPINAMBÁ DURANTE AS VISITAÇÕES DO SANTO OFÍCIO NA BAHIA: (1591-1595; 1618-1620)

Laiane De Jesus Santos Macedo Email: lay_parcelli@hotmail.com Departamento de Ciências Humanas, Campus V, Santo Antônio de Jesus

Prof. Dra. Suzana Maria De Sousa Santos Severs Email: ssevers@uneb.br Departamento de Ciências Humanas, Campus V, Santo Antônio de Jesus

O levantamento sobre idade, sexo, origem e profissão, levou-nos a identificar, e reconhecer o

perfil dos indígenas processados pelo Santo Ofício, que tiveram envolvimento com o movimento religioso da Santidade de Jaguaripe. No entanto, com uma análise minuciosa feita através de fontes documentais inquisitoriais identificamos outros delitos cometidos pelos Tupinambás, não relacionados à esta Santidade, e é sobre esses casos que delineamos nossa pesquisa, estendendo-a à Visitação do Santo Ofício no Estado do Grão-Pará (1763-1769). Apesar dos estudos de Jorge Calazans e Ronaldo Vainfas sobre a Santidade de Jaguaripe, nenhum deles fez uma projeção quantitativa sobre os envolvidos, pois seus interesses voltavam-se para o fenômeno religioso, deixando de lado o perfil socioeconômico destes personagens. Recentemente foi defendida a Dissertação de Mestrado de Jamile Oliveira (UFBA), na qual a Santidade é o foco. Embora analise prosopograficamente as personagens, restringiu-se apenas aos participantes do movimento religioso. Nossa pesquisa tem como objeto de estudo os Tupinambá denunciados ao Tribunal de Lisboa, durante as Visitações feitas à Bahia ((1591-1595;1618-1620). Contudo, outros crimes não relacionados ao movimento foram identificados. Dentre eles encontramos a sodomia, a bigamia, o gentilismo, feitiçaria e sacrilégios. De tal modo, procuramos ampliar o conhecimento sobre os Tupinambá denunciados e processados pelo Santo Ofício durante as duas Visitações à capitania da Bahia, enfocando aqueles pouco conhecidos por não terem seus nomes vinculados à Santidade de Jaguaripe. A prosopografia e a análise micro histórica foram as metodologias empregadas nesta pesquisa, mediante as quais pudemos identificar socioculturalmente o grupo indígena processado pelo Tribunal de Lisboa, levantando e quantificando dados que traduzissem o lugar social dos Tupinambá do Recôncavo baiano, bem como os comportamentos e crenças que o tornaram hereges frente ao catolicismo dominante. A pesquisa no fundo “Tribunal do Santo Ofício” no site do Arquivo Nacional da Torre do Tombo encontrou mais cinco casos de indígenas processados, os quais não se encontram registrados no arrolamento realizado por Anita Novinsky sobre os prisioneiros naturais do Brasil em seu livro Inquisição: Prisioneiros

do Brasil. E que agora vem a engrossar as estatísticas dos Índios cristão “hereges”. Após um ano de leituras bibliográficas, leitura e análise de fontes primárias e exercício intelectual para

a redação dos resultados da pesquisa, podemos concluir que: a) em relação a origem dos

processados fica claro a mescla étnica existente no Brasil colonial, estes eram índios e mamelucos filhos de portugueses cristãos-novos ou cristãos-velhos; muitos trabalhavam na terra, sobretudo como plantadores de cana. b). Analisando a questão de gênero entres os processados veremos que cerca de 50% eram homens nascidos na Bahia, enquanto que 42,9% são mulheres nascidas na capitania do Grão-Pará. Os delitos atribuídos a estes homens e mulheres são arrolados em catorze casos de gentilismo, cinco de bigamia, quatro de sodomia, quatro de sacrilégio, quatro de feitiçaria, sete de idolatria, e três de blasfêmias. As sentenças atribuídas foram desde penitências espirituais com humilhação pública a repreensão na Mesa do Santo Ofício. Assim registramos 41 índios naturais do Brasil julgados pelo Tribunal de Lisboa, muitos receberam sentenças. Enfim, o Tribunal da Inquisição fez registros da dita “animalidade” dos indígenas, estes Tupinambá e praticantes de rituais que iam de encontro aos dogmas da fé católica, estabelecida como fé única e absoluta.

Palavras-Chave: Inquisição ibérica, Visitações do Santo Ofício, Capitania da Bahia, índios.

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HOMENS DA FRONTEIRA: ÍNDIOS, CAPITÃES E SERTANISMO NA ILHÉUS SETECENTISTA.

Rafael dos Santos Barros (UFBA) Email: barrosrafaeldossantos@gmail.com

Esta comunicação discorrerá sobre uma etapa das expedições que percorreram a Capitania dos Ilhéus durante a primeira metade do século XVIII. Formada por inúmeros agentes coloniais, estas jornadas devassaram o interior dessa região em busca de índios para serem escravizados, metais preciosos e quilombos para serem destruídos. Além desses objetivos, as entradas tinham como principal responsabilidade fazer com que os contra-ataques indígenas não desviassem a sobredita donataria do seu objetivo principal, a produção de viveres para Salvador. Diante dessa situação, a Coroa vai investir de poder as autoridades locais, premiando com cargos e mercês aqueles que realizassem a maior quantidade de conquista, seja territorial ou de mão de obra. Um das autoridades responsável pela expansão da fronteira da supracitada capitania foi o Capitão-mor Antônio Veloso da Silva, o qual além de possuir o título nobiliárquico de capitão conseguiu uma légua de terra demarcada e ribeiros auríferos para explorar no rio de Contas. Imersos nesse contexto estavam os indígenas, os quais não só foram vítimas pacificas da exploração portuguesa, mas souberam incorporar os códigos de funcionamento do sistema colonial, agindo, quando tinham espaço, em função dos seus interesses, ora combatendo grupos inimigos ora denunciando a sua localização. Para dar suporte a essa pesquisa foram consultadas fontes do fundo Avulsos da Bahia da Coleção Resgate do Arquivo Histórico Ultramarino, os quais detém boa parte da documentação que tramitava pelo Conselho Ultramarino, incluindo processos, representações, pareceres e outros documentos de cunho jurídico. Nesses fundos se buscou todo documento que diz respeito as expedições sertanistas que percorreram as terras do Camamu, a busca nos CDs dos documentos avulsos se orientou pelos catálogos publicados nos Anais da Biblioteca Nacional (vols. 32, 36 e 37).

Palavras-chave: índios, sertanistas, Capitania de Ilhéus.

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SIMPÓSIO TEMÁTICO 02

BRASIL IMPÉRIO: HISTÓRIAS DE LIBERDADE NA ESCRAVIDÃO E NO PÓSABOLIÇÃO: TRAJETÓRIAS, ALFORRIA E TRABALHO

Proponente: Flaviane Ribeiro Nascimento (IFBA)

Ementa: O desmonte do escravismo na segunda metade do século dezenove foi resultado de um processo de acúmulo de lutas antiescravistas de cativos, libertos e livres, bem como de leis emancipacionistas levadas a cabo pelo Império Brasileiro numa conjuntura de ilegitimidade da escravidão. Nesse contexto, a luta pela alforria e pela realização da liberdade introduziu cativos e libertos em uma “cultura jurídica” que seria mobilizada mesmo depois da abolição. Os tribunais, o Parlamento e os jornais foram arena de um intenso debate em torno dos significados da liberdade que, em muitos momentos, desvelavam a força da escravidão, assentada na defesa da propriedade privada e da força moral que fazia senhores de gente e de terras das mais diversas cores políticas e ideológicas pactuarem em defesa de seus interesses. Por certo, a segunda metade do século dezenove foi uma conjuntura de ascensão do abolicionismo, enquanto movimento que pretendeu um projeto de sociedade para o pós- abolição. Assim, a historiografia mais recente tem se debruçado sobre as questões relativas à luta, sentidos e realização da liberdade pretendida pelos cativos, libertos e seus descendentes na metade final do século dezenove. Por sua vez, os estudos sobre o pós-abolição têm enfocado trajetórias de libertos, significados da liberdade, lutas por direitos, conflitos em torno de terra e de trabalho e processos de racialização. Nesse sentido, entre os temas de interesse neste Simpósio Temático, estão os debates sobre a solução do problema servil, a luta dos cativos pela alforria e realização da liberdade, os sentidos emprestados à liberdade, os processos de emancipação, abolicionistas e abolicionismos, as expectativas geradas com a extinção da escravidão, as reconfigurações das relações de trabalho e os reordenamentos das hierarquias sociais e raciais no período pós-abolição.

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ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA UMA CAMUFLAGEM DA LIBERDADE

Angerlândia Carvalho dos Santos Graduanda em Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia- UNEB- Campus XIV Email: angerlandiaa@gmail.com

Laylla Raphaela dos Santos Silva Cardoso Graduanda em Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia- UNEB- Campus XIV

Email: laylla_cardoso@hotmail.com

Marina Rios da Cunha Santa Rosa Graduanda em Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia- UNEB- Campus XIV Email: ninastarosa@hotmail.com

Esse artigo tem como objetivo demostrar o descaso sistemático das autoridades em relação ao cumprimento das leis antiescravistas antes da abolição em 1888 e como foram fundamentais nesse processo. Este artigo é resultado de uma produção realizada no curso de Licenciatura em História na UNEB (Universidade do Estado da Bahia) - Campus XIV. É um produto final da disciplina Brasil Império que foi ministrada pela Professora/Doutora Iris Verena Santos de Oliveira. Abordaremos as trajetórias das leis abolicionistas: de 07 de novembro de 1831 “Proibição de tráfico de escravos” (Todos os escravos, que entrarem no território ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres); 04 de setembro de 1850 “Eusébio de Queiroz” (Lei de extinção do tráfico negreiro no Brasil); 28 de setembro de 1871 “Lei do ventre livre” (Declara de condição livre os filhos de mulher escrava que nascerem desde a data desta lei), dando ênfase à conivência do Estado com o contrabando de milhares de africanos diante das leis. No decorrer desse artigo vamos enfatizar como foi precária a experiência da liberdade para os negros no Brasil oitocentista. Também apontaremos as instabilidades políticas, jurídicas e sociais em que os negros viviam e contra a qual lutavam, buscando entender como se arquitetou a emaranhada engenharia institucional para silenciar o contrabando ilegal de africanos no Brasil Império. Outro aspecto relevante que iremos discutir são as relações entre escravos e senhores, escravos e libertos, escravos e escravos e como essas relações sócias são retratadas nos contos de Machado de Assis. Para produção do mesmo dialogamos com os autores/pesquisadores do tema:

Sidney Chalhoub, José Murilo de Carvalho e Jaime Rodrigues, onde os mesmos em suas obras sobre escravidão deixam transparecer que a abolição da escravatura no Brasil foi um movimento complexo e de muitas incertezas. Reconhecendo a precária experiência da liberdade dos negros no século XIX, enfatizando que essa estava a mercê de uma série de interesses da elite brasileira.

Palavras- chave: Leis antiescravistas, Abolição, Conivência do Estado, Relações de poder, Liberdade.

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A SOCIEDADE OITOCENTISTA: OS LAÇOS CONSTRUÍDOS ATRAVÉS DOS RITOS SACRAMENTAIS DAS CRIANÇAS ESCRAVIZADAS NA FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DO CARMO, VILA DE BELMONTE (1867-1888)

Jamilly Bispo Laureano Graduanda do Curso Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia E-mail: jamillylaureano@gmail.com

Joceneide Cunha dos Santos Professora da Universidade do Estado da Bahia E-mail: joceneidecunha@gmail.com

Estudar a população escravizada de origem africana na Bahia Oitocentista parece um tema já bastante explorado pelos historiadores, entretendo é importante chamar atenção para as mudanças que a historiografia brasileira vem passando nas últimas décadas. Dentro das novas perspectivas historiográficas, o presente trabalho tem por finalidade apontar alguns elementos sobre o nascer e do morrer das crianças escravizadas na Freguesia de nossa Senhora do Carmo, situada no Litoral Sul da província baiana. Analisando os registros é possível perceber características da formação familiar dos escravizados. Utilizaremos os documentos eclesiásticos de batismo (1867-1888) e óbito (1872-1888) da Freguesia interiormente citada. Segundo Bassanezi (2011) os registros eclesiásticos são fontes populares, pois, escravizados, índios, crianças enjeitadas dentre outros, também tiveram seus eventos vitais registrados. A criança criava a possibilidade de estabelecer vínculos com a população livre, muitos dos seus padrinhos eram livres e/ou libertos. O batismo possibilitou a construção de mais uma relação de parentesco para os escravizados, através do apadrinhamento tinha-se uma nova aliança sendo formada. Possivelmente, essas crianças foram batizadas com até dois meses e todas na sede Freguesia. Em relação ao rito derradeiro, algumas mortes de crianças escravizadas também foram registradas, possivelmente as que tiveram direito ao rito final e foram sepultadas na Igreja ou no seu cemitério. Ou seja, o nascer e o morrer de algumas crianças escravizadas foram registrados, consistiam em momentos importantes na vida dessas crianças, e que permitiam a socialização dos seus familiares. Ressalta-se que a pesquisa ainda está em andamento.

Palavras chaves. Crianças, Escravizados, Belmonte.

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O BATISMO DE ESCRAVOS APÓS A LEI DO VENTRE LIVRE (1871) EM CARAVELAS, BA

Priscila Santos da Glória Mestre em História Regional e Local Professora Assistente UNEB/Campus X E-mail: priumani@yahoo.com.br

Fernanda Silva Souza Discente do curso de História UNEB/Campus X E-mail: fernandasouza33@hotmail.com

A presente apresentação nos convida a refletir sobre o sacramento de batismo em Caravelas na Bahia, especificamente o batismo de escravos, em um contexto de transformação do final do século XIX. Com a Lei do Ventre Livre, promulgada em setembro de 1871, os filhos e filhas de escravos ganharam a condição de livres, no entanto, ainda continuaram sob a guarda de suas mães e dos senhores das mesmas, a partir deste processo a comunicação pretende discutir as mudanças nos registros de batismo quanto ao perfil da população escrava de Caravelas. Utilizaremos os registros paroquiais como fontes privilegiadas para iniciarmos esta discussão, fontes localizadas na Cúria Diocesana de Teixeira de Freitas. Apoiaremos-nos também nas análises de Sidney Chalhoub (1991) para tratarmos do contexto do fim da escravidão, Stephen Gudeman e Stuart Schwartz (1988; 2001), Líbano Soares (2010) e Jonis Freire (2012) para compreendermos as relações de batismo, ainda Eni Mesquita (1989), Sheila Faria (1998) e Robert Slenes (1999) para refletirmos sobre as famílias escravas no Brasil, e por fim Uerisleda Moreira (2014) no intuito de entendermos as relações de parentesco em Caravelas-BA. A apresentação aqui exposta trata-se de um projeto de pesquisa ainda em desenvolvimento, com algumas análises iniciais. Em geral os registros de batismo trazem poucas informações sobre o sujeito batizado, seus pais e respectivos padrinhos. Na maioria dos registros dos livros de batismo encontrados na Cúria Diocesana poucos batizados têm a identificação da cor, os párocos destacavam apenas a condição social dos inocentes quando não eram brancos, pois queriam demarcar a origem dos ingênuos através do seu estatuto legal (Escravo). Com a Lei de Ventre Livre houve uma mudança nos registros de batismo onde os representantes religiosos buscaram enfatizar a condição social dos ingênuos por uma classificação racial.

Palavras-chave: Batismo, Escravos, Lei do Ventre Livre.

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A PARTICIPAÇÃO POPULAR NO PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA DÉCADA DE 1820.

Ramom Pereira de Jesus Moreira Graduando no curso de História UNEB/ Campus X E-mail: ramom.moreira@hotmail.com

Priscila Santos da Glória Professora Assistente da UNEB/ Campus X Mestre em História Regional e Local E-mail: priumani@yhaoo.com.br

Esta comunicação busca apresentar elementos que objetiva discutir como se efetivou a participação popular no processo de emancipação politica do Brasil na então região Norte (Maranhão, Pernambuco e Bahia). Compreender a independência do Brasil é também analisar todo um conjunto de acontecimentos que cercava o império brasileiro (ou o fim dele) a partir de meados do século XVIII, pelos quais podemos destacar sendo provenientes de duas ordens, fatores externos como: Revolução Francesa, os ideais iluministas e o liberalismo político e econômico já difuso em quase toda a Europa, além dos de caráter interno como a inconfidência mineira e a conjuração baiana, embora uma e outra representassem interesses mais locais podem ser compreendidas como os fatores iniciais aos movimentos revoltosos de com feições separatista que buscava o fim da relação mantida entre Portugal e Brasil, destacando a Participação do “partido Negro” na “independência” que ocorreu no 02 de Julho de 1823 na Bahia. Destacando ainda acontecimentos que favoreceram a intensificação de movimentos insurrecionais e de caráter separatistas e a possível abertura política as camadas mais populares da sociedade (pretos, pardos, livres ou escravos) vislumbrada por estes. Este Estudo é de grande relevância para a comunidade acadêmica em geral e para todos os cidadãos que constituem a dimensão pública da vida, na medida em que possibilita entender de que forma as camadas populares participaram efetivamente no processo de emancipação política do Brasil. A pesquisa é resultado de uma revisão bibliográfica que se pautou, entre outros estudiosos com, João José Reis (1989); Luiz Geraldo Santos da Silva (2006); Matthias Rohrig Assunção (2005); Hendrik Kraay (2006) que apontam como essa participação se desenvolveu nestas regiões, possibilitando a compreensão das diferentes intenções que permeavam o imaginário destes grupos envolvidos, uma vez que eles compunham um grupo heterogêneo, na década de 1820.

Palavras-chave: Participação Popular, independência, Brasil, séc. XIX.

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POLÍTICAS INDIGENISTAS: RESISTÊNCIA INDÍGENA NA COMARCA DE CARAVELAS NO SÉCULO XIX

Sarah Quimba Pinheiro Graduanda no curso de História Universidade do Estado da Bahia UNEB Departamento de Educação Campus X E-mail: sari_nha_qp@hotmail.com

RESUMO: Considerando que durante muito tempo a história do Brasil foi contada sobre a ótica das elites excluindo os demais sujeitos e somente a partir do século XX, com novas correntes históricas, como a História Nova, surge outro olhar, outras possibilidades de estudo, dando ênfase a sujeitos como os negros, as mulheres e os povos indígenas, estes últimos apresentados na história contada pelas elites, como sendo preguiçosos, submissos, que foram praticamente extintos. Esse outro olhar consente também o estudo regional, permitindo o estudo do que está próximo, e não somente dos grandes centros. Desta forma este artigo tem como objetivo apresentar as políticas indigenistas do século XIX, relatando como os índios do sul da Bahia mais especificamente os da Comarca de Caravelas resistiam à elas. A metodologia usada para o desenvolvimento deste artigo foi revisão bibliográfica das obras de MOISÉS (1992), CUNHA (1992), ALMEIDA (2010), FERREIRA (2011) e CANCELA (2012), que exibem quais foram as políticas voltadas para a questão indígena nesse período e apresentam os índios enquanto sujeitos históricos, que encontraram diferentes formas de sobreviver socialmente e culturalmente, pois as políticas do século XIX tinham como objetivo a assimilação dos povos indígenas, extinguindo a certo modo suas comunidades e suas culturas, em nome do “desenvolvimento e progresso” da nação, pois os povos indígenas neste século estavam sendo considerados o empecilho, os selvagens, os não trabalhadores, e donos de terras, terras que os colonos queria provar serem devolutas. Dentre as políticas estavam o Regulamento das Missões - Decreto nº 426 de 24 de Julho 1845 e a Lei nº 601 de 18 de Setembro de 1850, conhecida com a Lei de Terras.

Palavras-chave: Políticas indigenistas, Sul da Bahia, Resistência.

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SIMPÓSIO TEMÁTICO 03

BRASIL REPÚBLICA: SUBALTERNIZADOS EM MOVIMENTO - INDAGANDO DESATENÇÕES HISTORIOGRÁFICAS

Proponente: Liliane Mª Fernandes C.Gomes (UNEB)

Ementa: Discute reflexões acerca da história do Brasil no período republicano enfocando

ações de segmentos sociais subalternizados, neste sentido dialoga também com pesquisas que

tratem da história regional e local. Problematiza produções historiográficas a respeito do

período indicado, analisando silenciamentos de conflitos e confrontos. Debate a organização e

os enfrentamentos experienciados por movimentos sociais, em diferentes territorialidades

nacionais, e suas memórias.

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AS CIÊNCIAS NO BRASIL REPUBLICANO: O CONTROLE DOS CORPOS NA SOCIEDADE DO FINAL DO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX

Artur Silva Almeida Graduando em História Universidade do Estado da Bahia E-mail: arrtualmeida@gmail.com

Ediane Lopes Santana Mestra e docente da UNEB E-mail: edianezeferina@gmail.com

Esse trabalho busca evidenciar o processo de penetração da eugenia no Brasil de forma a analisar como as ciências médicas buscaram intervir no cotidiano dos sujeitos. No sentido de se estabelecer, enquanto instrumento de orientação para a constituição dos indivíduos buscando a disciplinar e ordenar as sociedades, em especial, os corpos, buscando ensinar e orientar a percepção do espaço que rodeia esse indivíduo. E para tal empreitada a figura do “médico politico”, trazida por Lilia Moritz Schwarcz (1993), é essencial para análise da maneira como esses ideais foram introduzidos na sociedade e influenciaram a maneira que esta procurará aplicar tais princípios no seu cotidiano. O mecanismo de pesquisa utilizado nesse trabalho foi o de pesquisa bibliográfica e para tal é utilizado autores como: Liane Maria Bertucci (2013), Lilia Moritz Schwarcz (1993), Maria Eunice de S. Maciel (1999), Foucault, Michael (1979). A leitura desses autores deram mecanismos para que fosse possível a análise do processo de transformação pelo qual a medicina passou entre os séculos XVIII e XIX, a criação das teorias eugênicas e higienistas na Europa e Estados Unidos e a importação dessas ideias para o Brasil ao final do XIX e durante o período republicano. Como consideração fica nítido a preocupação no final do século XIX e início do XX em sanar a sociedade. A sociedade será vista como um grande laboratório de experimentação e aplicação das teorias científicas formuladas por acadêmicos, que, extasiados pelas teorias europeias, copiam e até mesmo criam conceitos e práticas que fossem aplicadas ao contexto brasileiro. E importante sinalizar que os teóricos da época não vislumbravam limites para aplicar suas ideias, mesmo que para implementá-las, fosse preciso cercear as liberdades individuais dos cidadãos visando o saneamento do principal veículo de disseminação de doenças, os hábitos e costumes da população.

Palavras-chave: Eugenia, Saúde, Brasil, Limpeza, Saneamento.

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ÍNDIOS MAXAKALI: ESTRATÉGIAS E TÁTICAS DE RESISTÊNCIA CAMUFLADAS

Agnes Cristine Mendes Estudante do Bacharelado Interdisciplinar de Saúde Universidade Federal do Sul da Bahia, Teixeira de Freitas E-mail: agnescristine@live.com

Carolina Ferreira Ferraz Estudante do Bacharelado Interdisciplinar de Humanidades Universidade Federal do Sul da Bahia, Teixeira de Freitas E-mail: carolinaferferraz@gmail.com

Eduardo Antônio Bonzatto Professor do IHAC Universidade Federal do Sul da Bahia, Teixeira de Freitas E-mail: eabonzatto@gmail.com

Este trabalho tem por objetivo compreender o conflito cultural, principalmente no que tange à questão da bebida alcoólica, entre o povo indígena semi-nômade Maxakali do Vale do Mucuri, do estado de Minas Gerais e a cultura do homem não-indígena. O problema de pesquisa centra-se no questionamento sobre os modos de enfrentamento e resistência desse povo, que foi e continua sendo silenciado pelos “erros” de análise historiográficas. O objeto de pesquisa consiste na análise dos dados apurados por Rachel de Las Casas na tese Saúde Maxakali, recursos de cura e gênero: análise de uma situação social, defendida no Programa de Pós-Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 2007. Para tanto, utilizamos como fontes teóricas o trabalho de análise social desse grupo produzido por Rachel de Las Casas e as reflexões sobre povos “primitivos” de Pierre Clastres. Como operadores de análise, utilizamos os conceitos de rizoma, Estado e máquina de guerra, de Gilles Deleuze, e as proposições de Michel de Certeau sobre as lógicas dos fazeres cotidianos. Adotamos como indícios para a pesquisa, na etapa exploratória, material jornalístico publicado por sites noticiosos regionais sobre conflitos entre o povo Maxacali e outros grupos moradores dos municípios do extremo sul baiano em espaço urbano e dados sobre a coletividade Maxakali e a situação social de Rachel de Las Casas. Esse corpus teórico tem como princípio recusar o papel de vítimas sociais que o uso de bebidas alcoólicas normalmente registra e impõe a esse grupo: O conceito de máquina de guerra primitiva admite reconhecer estratégias e táticas camufladas por imprecisão do preconceito que os não indígenas carregam e que pretendemos subverter, aceitando que esse grupo atua como sujeitos de sentidos, munidos de recursos para confrontar as crescentes limitações territoriais de seu nomadismo.

Palavras-chave: Semi-nomadismo, Máquina de guerra, Etnografia.

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A ATIVIDADE EXTRATIVISTA E O SURGIMENTO DO POVOADO DE TEIXEIRA DE FREITAS

Ailton de Oliveira Junior Graduado em Licenciatura Plena em História Universidade do Estado da Bahia DEDC X E-mail: bob_junior_historia@hotmail.com

O município de Teixeira de Freitas, situado no Extremo Sul baiano, próximo ao norte do estado do Espírito Santo, surge e se desenvolve enquanto povoado no período nacional desenvolvimentista na década de 1950, a partir da extração de madeira e da consequente chegada das primeiras levas de moradores à região. Nesse primeiro momento, o povoado passa a crescer e se desenvolver, principalmente, por meio de atividades privadas, guiada pela lógica do capitalismo, inserido em meio à divisão sócio-espacial do trabalho. Essa pesquisa aborda a atividade madeireira/extrativista no Extremo Sul da Bahia e sua contribuição para o desenvolvimento urbano inicial de Teixeira de Freitas, desde o seu surgimento, até achegada da Rodovia BR-101, em 1972, quando a localidade passa a ter nova dinâmica de crescimento. Para isso, analisamos o contexto econômico do momento histórico pesquisado e sua influência no processo de urbanização do até então povoado, nos servindo de estudos de autores como Mumford (2008), Castells (1983), Singer (2002), Rolnik (1995), Sposito (2012), Santos & Silveira (2008) e Hobsbawn (1995). Perceber as relações entre economia, política e sociedade na conformação do cenário urbano é de grande importância, apontando espaços de exploração e opressão, levando-se em consideração que a localidade teve como vetor de progresso a ação de empresas de extração de madeira, fazendas de pecuárias e comércio, em um contexto mais amplo de crescimento econômico nacional e global. Para além do contexto histórico, foi feita a reconstrução do espaço urbano teixeirense no período delimitado por meio do cruzamento das fontes orais, jornalísticas, como o Jornal Alerta, bibliográfica e historiográficas, como as monografias de Ferreira (2010), de Guerra & Silva (2010) e de Pinto (2014). A pesquisa aponta que, mesmo não sendo uma cidade industrial, Teixeira de Freitas cresceu com base na lógica capitalista industrial. Seu crescimento acompanhou o crescimento urbano e populacional que assolou não apenas o Brasil, mas todo o mundo. Maior atenção foi dada ao espaço nuclear da cidade, onde hoje se localiza o “Centro” da cidade e seus arredores, espaços onde o município começou a se desenvolver.

Palavras-chave: Urbanização, Extrativismo, Teixeira de Freitas, Povoado.

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A DEFESA DO SALÁRIO MÍNIMO NO CONGRESSO NACIONAL: O CASO DO PARLAMENTAR PAULO PAIM DO PARTIDO DOS TRABALHADORES (1986-

2006)

Glauber Eduardo Ribeiro Cruz Mestre em História Universidade Federal de Minas Gerais E-mail: glaubereduardo@uol.com.br

O objetivo do texto é apresentar como o deputado federal - entre o período de 1986 e 2002 e o senador entre os anos de 2002 e 2006 Paulo Paim construiu uma carreira política tendo como um dos focos o salário mínimo, considerado digno e necessário para o trabalhador. Para isso, a fonte principal são os discursos disponibilizados nos sites da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. As principais referências teóricas que possibilitaram o pensar historiográfico da situação do parlamentar foram os trabalhos de Ana Lúcia Aguiar Melo (1998), Paulo Roberto Figueira Leal (2005), e Sônia Ranincheski, Nathália Cordeiro (2008) que têm como foco os deputados federais. Existe uma realidade em que poucos estudiosos se dispuseram a examinar o partido sob a ótica dos seus parlamentares, havendo lacunas sobre a atuação congressual e a relação entre a estrutura partidária e o mandato parlamentar. Na perspectiva metodológica, o uso da análise de discurso feito é baseado em Pocock (2003). Para o autor, é importante partir da variedade das linguagens políticas, dos atores e dos contextos históricos, lingüísticos e políticos, em que se percebem construções e valores sociais reconhecidos na performance discursiva. Por isso, o discurso político é prático e pode causar abalos, constituindo-se num instante privilegiado para a ação política, em meio aos fatos e aos acontecimentos, e “certamente devemos estudar as transformações no discurso na medida em que elas geram transformações na prática, mas há sempre um intervalo no tempo, suficiente para gerar heterogeneidade no efeito” (POCOCK, 2003, p. 82). Ainda como contribuição à metodologia, Albuquerque Júnior (2009) afirma que a utilização dos discursos como objeto de pesquisa requer a necessidade de serem mapeados em regularidades, em séries, em saberes, em temas e em conceitos, para localizar a construção de imagens de si e dos outros, lutas políticas e batalhas discursivas. Os discursos são considerados como elementos identitários, que proferidos na atividade partidária, se consolidam como fonte de inspiração, paixão e consciência para a consolidação de uma carreira e de uma identidade política. Os discursos do parlamentar Paulo Paim elucidam que: enquanto deputado federal (1986-2002) e senador (2002-2006) o petista consolidou sua carreira política por meio da bandeira do salário mínimo: propondo projetos de lei, criticando as propostas dos governos federais para protelar e minimizar a importância do tema, participando de comissões de estudos e definindo critérios políticos para a consolidação do tema do salário mínimo como sua especificidade e sua singularidade como ator político do PT e como questão fundamental para os trabalhadores e a sociedade brasileira.

Palavras-chave: carreira política, discurso, Partido dos Trabalhadores, Paulo Paim e salário mínimo.

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FOI-SE O TEMPO DO CORONELISMO? RUPTURAS, PERMANÊNCIAS, PRÁTICAS POLÍTICAS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM TEIXEIRA DE FREITAS BA (1985-2012)

Junio Viana Gomes Licenciado em História Universidade do Estado da Bahia E-mail: juniovgomes@gmail.com

Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes Mestre em História Local e Regional Professora da Universidade do Estado da Bahia E-mail: liufernandesc@yahoo.com.br

Este estudo tem como objetivo analisar em que medida o desenvolvimento da região do Extremo Sul da Bahia, e da cidade de Teixeira de Freitas em especial, contribuiu para o enfraquecimento de forças e práticas políticas tradicionais. O recorte temporal que embasa este trabalho vai do ano em que ocorreu a primeira eleição na cidade de Teixeira de Freitas, 1985, ao ano em que houve a última eleição municipal, 2012. Para alcançar o objetivo exposto realizou-se uma revisão bibliográfica de como parte da historiografia existente analisa o fenômeno do coronelismo, em autores como Vitor Nunes Leal (2012), Eul Soo Pang (1979) e José Murilo de Carvalho (1997, 2001), discutindo conceitos como “coronelismo”, “mandonismo”, “filhotismo” e “clientelismo”. São destacados aspectos da organização política e administrativa na história brasileira que contribuem para compreensão da origem e evolução do fenômeno. Discute-se como a imagem do Nordeste está associada ao coronelismo, e na história de Teixeira de Freitas considera elementos que nos possibilitam perceber a permanência de traços do coronelismo em tempos recentes, através de um estudo que teve por base a análise de documentos oficiais, o uso de fonte jornalística e entrevistas orais. Um olhar sobre o desenvolvimento desta região indica uma mudança na forma de ver a política, e, paradoxalmente, a existência de práticas tradicionais não compatíveis com a dinâmica de uma sociedade democrática. Conforme a aceleração no ritmo do desenvolvimento regional começou a se processar, a pesquisa aponta que há indicativos de mudanças sobre a permissividade das pessoas em relação a estas práticas, não mais vistas como adequadas à sociedade atual.

Palavras-chave: Mandonismo, Coronelismo, Desenvolvimento Regional, Extremo Sul.

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BOLETIM DIOCESANO, DIOCESE CARAVELAS BAHIA, 1982: REGISTROS E POSICIONAMENTOS SOBRE DISPUTAS DE TERRA ENVOLVENDO POVOS PATAXO HÃ-HÃ-HÃE

Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes Profª Assistente da Universidade do Estado da Bahia DEDC/X Mestra em História Regional e Local E-mail: liufernandesc@yahoo.com.br

O objetivo deste artigo é refletir sobre alguns posicionamentos da Diocese de Caravelas Bahia frente à conjuntura experienciada pela comunidade indígena Pataxo Hã-hã-hãe no extremo sul da Bahia no início da década de 1980, buscando compreender de que forma enfrentamentos desta comunidade indígena, no que diz respeito à propriedade e uso da terra eram apresentados por documento produzido pela diocese, documento este que circulava entre seus fiéis, posto se tratar de um periódico impresso, o que implica dizer que o mesmo tinha caráter público. Tal investigação foi possível a partir do acesso ao Boletim Diocesano dos meses novembro/dezembro de 1982 que se encontra no arquivo da Cúria Diocesana de Teixeira de Freitas/Caravelas. Este Boletim traz elementos das Diretrizes pastorais da região nordeste III, composta pelos estados da Bahia e Sergipe, e ali está expresso o apoio dado à luta dos Pataxo Hã-hã-hãe da área indígena Paraguaçu-Caramuru que buscavam recuperar suas terras. Entre os autores utilizados como referencial teórico destaca-se Polanyi (2000) que defende a existência de amalgamas entre a economia dos homens e suas relações sociais, Motta (2009) que aborda o uso da terra enquanto construção histórica indicando diferentes dimensões ali estabelecidas, Deelen (1966) utilizado para referendar a concentração fundiária na região da diocese de Caravelas desde a década de 1960. A pesquisa indica conflitos de terra existentes em diversos lugares que compõem a referida Diocese, ao tempo que aponta, a partir da análise da fonte acessada, imbricamentos das tomadas de decisão do campo religioso com o universo político e social. Neste sentido sugere que a Diocese era orientada por seu bispo, à época Dom Filipe Tiago Broers, a defender comunidades indígenas, no sentido de que o Estado respeitasse as concepções de territorialidade destes, que entendem e vivenciam a terra como algo que transcende e diverge da noção capitalista, na qual esta é vista unicamente como mercadoria. Há indícios de que esta orientação não foi acolhida por todos, como de fato não poderia ser, em razão, inclusive, da concentração fundiária também ser protagonizada por integrantes desta comunidade religiosa.

Palavras-chave: Diocese Teixeira de Freitas/Caravelas, Terra, Pataxó Hã-hã-hãe, Conflitos.

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APOSENTADORIA E SINDICALISMO: DIREITOS E ESTRATÉGIAS DE TRABALHADORES NA ZONA RURAL DO MUNICÍPIO DE ITABERABA, BAHIA, DE 1971 A 1988

Marcelo Oliveira dos Santos Graduando em Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia, UNEB, Campus XIII, Itaberaba E-mail: macelo_o18@hotmail.com

A aposentadoria foi uma das grandes conquistas dos trabalhadores. Porém, este benefício foi alcançado em momentos diferentes no Brasil, a partir de 1923, para algumas categorias de trabalhadores urbanos e, apenas em 1971, para os trabalhadores rurais. O objetivo principal deste trabalho é analisar os impactos trazidos pelas obtenções de direitos previdenciários e assistenciais para os idosos da zona rural do município de Itaberaba, Bahia, bem como as estratégias desenvolvidas por estes trabalhadores no intuito de conquistar estes benefícios, no período de 1971 a 1988. Por meio da análise de um dos periódicos locais, O Paraguaçu, foi possível notar que após a criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Itaberaba, em 1975, atenuou-se os conflitos entre os patrões e empregados, principalmente, no que concerne a aposentadoria e ao atendimento médico. Antes desta data ambas as classes eram representadas pelo Sindicato Rural de Itaberaba, também chamado de Sindicato Patronal. Através de algumas entrevistas, foi possível notar, também, que existia, no âmbito local, uma significativa concepção de direito sobre aqueles benefícios, mesmo entre os trabalhadores que não tiveram contato direto e frequente com o STR e, foi através da posse deste conhecimento que eles, utilizaram de vários meios para alcançá-los. Nota-se nisso, um significativo grau de consciência de classe. A luz das concepções de classe de E. P. Thompson, mostrarei que os trabalhadores rurais se solidarizavam uns com os outros e percebiam, que esta solidariedade era necessária para a resistência e luta contra os fazendeiros da região. Este ato era, também, uma questão de sobrevivência. O processo de “aposentação” era marcado por meios, muitas vezes, diversos do caminho normal através da comprovação de idade e do exercício de atividade rural. Apontarei, indícios que nem todos seguiram este percurso. Alguns se aproximaram dos grandes proprietários de terra, políticos e até mesmo os pequenos proprietários de terra para conquistar os benefícios previdenciários e assistenciais.

Palavras-chave: Aposentadoria rural, Sindicalismo, Classe social.

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ESPAÇOS NOTURNOS DE SOCIABILIDADE NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

(1900-1930)

Patrícia Alves Silva Graduanda em História Universidade do Estado da Bahia UNEB Campus X E-mail: patricia_linf@hotmail.com

Liliane Maria Fernandes C. Gomes Profª Assistente da Universidade do Estado da Bahia DEDC/X Mestra em História Regional e Local E-mail: liufernandesc@yahoo.com.br

O artigo tem como objetivo identificar espaços noturnos de sociabilidade na cidade do Rio de Janeiro (1900-1930), percebendo como o surgimento destes locais também está relacionado ao processo de modernização do espaço citadino, e as condições sociais da população carioca. Esses meios de entretenimento vão surgindo, alguns desaparecendo e outros se desenvolvendo até alcançar o auge e promover novas funções onde os “desocupados” começam a atuar. Juntamente com esses lugares a música e seus diversos estilos vai dando cores e performances, contribuindo para essas mudanças. Os espaços noturnos de sociabilidade da cidade do Rio de Janeiro se constituíram reflexos da situação vigente do período de transição do século XIX para o XX, em que as inspirações europeias adentravam no Brasil gerando ações como o processo de modernização da cidade, mudanças nas estruturas físicas, mas também nas relações dos indivíduos, essas ocorreram, inclusive, nos ambientes construídos pelos negros aos cuidados das tias e os cabarés. A cidade do Rio de Janeiro no período de 1900-1930 vai se mostrando um lugar heterogêneo e de complexa habitação, pois ao depender da sua condição social as pessoas eram simplesmente despejadas de suas casas e obrigadas a procurar outro lugar, o que não era diferente no que se diz respeito às condições de trabalho, em que por vezes eram sujeitados a situações precárias, pouco ganhavam, mal conseguiam sustento. Uma vez identificado estes espaços o artigo procurou analisar a relação de pessoas que ali viviam, através das leituras realizadas a partir de autores como Sidney Chalhoub em seu livro Trabalho, Lar e Botequim que vem mostrando minuciosamente a relação do botequim com os trabalhadores que ali frequentavam e como, tanto o ambiente, quanto o sujeito era visto pelas pessoas de alta renda. O autor Luiz Noronha em Malandros: Noticias de um submundo distante, trás detalhadamente os inúmeros ambientes de socialização. O método utilizado foi, portanto, a pesquisa bibliográfica. O despertar para a pesquisa neste tema perpassa pela compreensão de quanto, estes ambientes são ricos em detalhes para a compreensão tanto das ações, como das condições de vida dos sujeitos históricos.

Palavras-chave: Sociabilidade, Modernização, Músicas.

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SIMPOSIO 4

ENSINO DE HISTÓRIA E EDUCAÇÃO

Proponente: Jonathan Molar e Márcio Soares (UNEB)

Ementa: O presente simpósio visa discutir e inscrever trabalhos que estejam relacionados ao Ensino de História em seus aspectos metodológicos, didáticos, curriculares, atuação em espaços formais ou não, abordagens teóricas e relatos de experiência. Além disso, abarca também interlocuções com a Educação de modo geral, abrigando produções de outras Licenciaturas e demais áreas do conhecimento histórico e historiográfico.

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A CANÇÃO SERTANEJA E SUAS POSSIBILIDADES NO ENSINO DE HISTÓRIA DO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

Lucieleny Ribeiro Jardim Mestranda em Ensino na Educação Básica na Universidade Federal do Espírito SantoCEUNES/UFES E-mail: lucieleny@hotmail.com

Ailton Pereira Morila Professor permanente do Mestrado Acadêmico em Ensino na Educação Básica do Departamento de Educação e Ciências Humanas na Universidade Federal do Espírito SantoCEUNES-UFES E.mail: apmorila@gmail.com

O repertório musical sertanejo é pouco usual nos livros didáticos, raramente citado como fonte histórica ou como crônica do cotidiano. Geralmente, os materiais de apoio didático exploram canções que abordam dois grandes períodos da História do Brasil: a Era Vargas e a Ditadura Militar no Brasil. Mesmo em outras situações em que as canções não exploram tais momentos históricos, pouco se percebe a canção sertaneja, também denominada “caipira” como possibilidade de problematização no ensino de História. Contrapondo a esta tendência, realizei um estudo sobre o ensino da História do Brasil, refletindo a canção sertaneja ou de raiz, como instrumento de possibilidades didáticas. Pretendi demonstrar que o trabalho com fontes contribui para a efetivação de uma consciência histórica, visto que são instrumentos de comunicação de ideias que facilitam a sistematização dos conteúdos curriculares da disciplina. A proposta trouxe como referência empírica, canções sertanejas do denominado Rei do Baião, Luiz Gonzaga, cantor relevante no Brasil, especialmente no nordeste e de influencia na MPB. O trabalho tratou de temas históricos, especialmente os que refletem a profundidade das permanências ainda existentes, acerca do passado do homem do campo, e de que forma a canção sertaneja aliada ao fazer docente, pode nortear o trabalho do professor enquanto recurso didático no ensino da História do Brasil. Esta investigação foi embasada em minha própria prática no ensino de história do 9º ano do Ensino Fundamental, na aplicação da canção sertaneja como documento histórico e recurso didático-pedagógico, com objetivo de contribuir para o aprimoramento de um processo ensino-aprendizagem significativo, dinâmico e agradável nas aulas de História do Brasil. Como referencial teórico, revisitei Burke (1997) e (2005), Brasil (2002) e (2006), Cândido (1990), Chaves (2014) Fernandes (2015), Morila (2012), Pinsky org. (2009), Schmidt e Cainelli (2009), Snyders (1995) Sobanski (2009) entre outros. Neste sentido, para alcançar os objetivos, além do aprofundamento na literatura acadêmica, foram utilizados abordagem qualitativa e estudo de caso. Todo procedimento empírico foi realizado no Colégio Estadual Inácio Tosta Filho, Itamaraju, Bahia.

Palavras Chave: Ensino- História- Fontes- Canções - Sertanejo

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EDUCAÇÃO E METODO DE ENSINO: AGENTES TRANSFORMADORES EM UMA PERSPECTIVA ETINICORRACIAL

Wêrany Brites dos Santos Portugal Graduanda em História na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Campus V weranyportugal@hotmail.com

A educação no Brasil ainda é algo discutível não só em relação às más condições de ensino e

a desvalorização do professor, mas em relação ao modo de transmitir o conteúdo que

continua, muitas vezes, sendo pautado em uma educação positivista, onde decorar e

memorizar são sinônimos de aprendizagem, engessando o ensino a uma metodologia na qual

o desenvolvimento do pensamento crítico não é exercitado, viabilizando o comodismo e a

falta de interesse, em relação aos professores, que deixam de inovar os métodos de ensino, e em relação aos alunos, que optam pela proposta mais fácil, e ficam prejudicados ao decorrer das séries. Levando em conta que até hoje a disciplina de História é vista, apesar de várias discussões, para alguns, principalmente para os estudantes do ensino fundamental e médio, como uma disciplina entediante, que aborda o passado, e o passado como algo chato e desinteressante, busco com este trabalho desmistificar essa concepção e propor novas formas e possibilidades de praticas pedagógicas. O presente artigo almeja criticar a educação baseada na memorização de fatos, que ainda é uma pratica recorrente de muitos docentes da área de História. Discorre sobre a importância do discente se auto compreender como sujeito histórico ressaltando suas vivencias que, interagindo com o meio, favorece na construção da própria história. Discorre sobre algumas dificuldades encontradas em ressignificar as diferenças culturais nas práticas pedagógicas em sala de aula, e na hora de abordar a temática étnicorracial, assim como a invisibilidade do negro na sociedade e de como isso pode afetar o discente não só no ambiente escolar, mas também no familiar e social. As formas de pesquisa estabelecidas para atender os objetivos deste trabalho foram baseadas em observações em salas de aula, e na análise de teóricos como Fernando Seffener, Ana Célia da Silva, Helena Teodoro e Amadou Hampaté Bâ.

Palavras-chave: Educação, Metodologia de ensino, Pensamento crítico, Questões étnico raciais.

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ENTRE O DITO E O NÃO DITO: O AUDIOVISUAL E AS POSSIBILIDADES DA LINGUAGEM FÍLMICA NO ENSINO DE HISTÓRIA

Maurício Dias Graduado em História pela Universidade do Estado da Bahia UNEB, Campus X. His_toriaviva@hotmail.com.

Rosimeire de Jesus Carvalho Graduada em História pela Universidade do Estado da Bahia UNEB, Campus X. Rosimeiredejesuscarvalho@hotmail.com.

Jonathan Oliveira Molar Orientador Professor da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, campus X. jonathanmolar@hotmail.com.

Marcio Soares Santos Orientador Professor da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, campus X. marciusuarez@hotmail.com.

RESUMO Além da Nova História surge também a “Nova Escola” responsável pela busca por novos recursos, fontes e linguagens que pudessem dinamizar o processo de ensino e aprendizagem e que trouxessem novos mecanismos que pudessem auxiliar o professor/pesquisador/intelectual em sala de aula. Sendo assim, a partir das experiências do projeto PIBID vivenciadas no Centro Educacional Machado de Assis (CEMAS) em Teixeira de Freitas BA pôde-se notar certas limitações e fronteiras nas aulas de História quanto ao manuseio e exploração abrangente dos recursos audiovisuais e, mais especificamente, da fonte cinematográfica no processo de ensino-aprendizagem. Desta forma, munido metodologicamente da análise qualitativa e quantitativa pretendemos intercruzar os dados obtidos com a pesquisa de campo e com o grupo focal e as observações internas à sala de aula objetivando problematizar a linguagem cinematográfica e audiovisual em intersecção com os estudos de (BELLONI, 2005), (BITTENCOURT, 2004), (MCLAREN, 1997), (FREIRE, 1996), (NAPOLITANO, 2006) entre outros, no intuído de refletir sobre as problemáticas ainda existentes que orbitam em torno de sua utilização. A utilização das linguagens na instituição pesquisada, ao contrário do apropriado, parece estar se resumindo a mera distração ou a um “assistir” passivamente, sendo assim, sem que se ultrapasse está fronteira, nesse formato, o que haverá em sala de aula será somente transposição de informação e não construção problematizada do conhecimento. De fato a linguagem fílmica e audiovisual tem muito a oferecer, todavia, é imprescindível uma reflexão sobre a práxis que vem sendo implementada nas aula de História da instituição de ensino CEMAS, de maneira que venha fomentar ações consequentes e duradouras.

Palavras-chave: Audiovisual. Cinema. História. PIBID.

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ESCOLA, ESCOLAS, O FESTIVAL ANUAL DA CANÇÃO ESTUDANTIL DA BAHIA E A CONSTRUÇÃO DA TRILHA SONORA NO ENSINO DE HISTÓRIA

Lucieleny Ribeiro Jardim Mestranda em Ensino na Educação Básica na Universidade Federal do Espírito SantoCEUNES/UFES E-mail: lucieleny@hotmail.com

Ailton Pereira Morila Professor permanente do Mestrado Acadêmico em Ensino na Educação Básica do Departamento de Educação e Ciências Humanas na Universidade Federal do Espírito SantoCEUNES-UFES E.mail: apmorila@gmail.com

RESUMO

A historiografia tradicional foi questionada pela Escola dos Annales, imprimindo novos

olhares para o conhecimento das sociedades. Conforme Burke (2008), a Nova História Cultural foi germinada neste novo olhar, contribuindo no alargamento das fronteiras do

conhecimento histórico. Considerando a importância dessas novas perspectivas, quais seriam

as ferramentas de trabalho necessárias para ensinar e aprender a pensar historicamente, o

saber-fazer, o saber-fazer-bem? Talvez a reinvenção das fontes, como aponta Ailton Morila (2012), para justificar transformações necessárias no ensino, demonstrando que é possível ensinar e estudar história com instrumentos passíveis de leitura diversas, formas e ângulos particulares. Revisitando os PCNs de História, encontramos reflexões que apontam as canções como fontes no sentido mais amplo, e adotadas como documento pelos historiadores, são consideradas sinais de realidades históricas, expressando não somente a influência de fatores

sociais e políticos, mas, sobretudo representando as manifestações culturais da época de quem

os

produziu. Bahia (2008) diz que a Lei 11.769/08 que torna a música componente obrigatório

no

currículo da Educação Básica), estimulou a implementação do Festival Anual da Canção

Estudantil na Bahia, que espera promover o desenvolvimento do ensino da música nos contextos escolares da rede estadual da educação da Bahia. A investigação acerca deste tema

compreende importante estudo no campo da cultura escolar e inserção da música no ensino de história, e foram tomados como referencial teórico os seguintes autores: Burke (1997) e (2008), de Certeau (2003), Foucault (2005) Nunes (1992) e (1996) Silva (2002), Bahia (2008), Morila (2006) e (2012), Mattos (2006) Schmidt e Cainelli (2009) Rocha (2009) Swanwick (2003), entre outros. O objetivo deste trabalho configurou-se em investigar, por

meio de pesquisa bibliográfica e análise documental de que forma este movimento cultural, pode contribuir no espaço escolar, para um processo de produção de sentidos sobre o mundo e

a sociedade, considerando os saberes na área de conhecimento das humanidades.

Interpretações documentais, organização e compreensão de atividades realizadas com alunos, foram realizadas na intenção de compreender suas especificidades e contextualizá-las com a literatura teórica, tomando-as positivamente como referência empírica na produção do conhecimento proposto.

Palavras chave: História- Ensino- Música- Cultura escolar- Festival

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RELATO DE EXPERIÊNCIA DA OFICINA: LITERATURA DE CORDEL COMO FONTE DE PRODUÇÃO E VALORIZAÇÃO DA HISTÓRIA LOCAL.

Joel Bastos Alves (UNEB, Campus XIII) Email: joelbastos19@hotmail.com

RESUMO

Esta atividade foi organizada pelo grupo de bolsistas do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) da UNEB Campus XIII que atua no Centro Territorial de Educação Profissional Piemonte do Paraguaçu I, sob a supervisão da professora Gilsiane Brito Leão de Oliveira. O grupo é composto por pibidianos. A oficina foi realizada com os alunos do 3º Ano de Agricultura. O trabalho teve como objetivos principais, compreender e resgatar a função social do gênero cordel, bem como contribuir para a valorização da identidade através do resgate da história local, além de refletir acerca da formação profissional do professor de Educação do Ensino Médio e as diversas linguagens da Literatura de Cordel. Dessa forma, a Literatura de Cordel para a turma do 3º Ano de Agricultura, torna- se significativa, pois, conhecer a arte de outras culturas é fundamental. É nesse sentido que deve haver nas escolas reflexões acerca da Literatura de Cordel e sua importância como gênero facilitador de aprendizagens, além de favorecer uma aproximação do aluno de suas raízes histórico-geográficas. Nessa perspectiva, a discussão sobre a temática e sua efetiva aplicação na sala de aula, auxiliará á construção de uma educação que venha a desenvolver no aluno o gosto pela leitura e a capacidade de escrita através da rica cultura popular brasileira. A literatura de cordel é um desses meios, pois possibilita contar de maneira simples histórias de pessoas e lugares desconhecidos por muitos. A preparação da atividade e sua aplicação foram catalogadas na compreensão do grupo, pois, entende-se que são significativas as práticas pedagógicas que contemplem o gênero cordel e venham possibilitar um encontro com a experiência cultural que emana desta literatura e toda sua riqueza expressiva, já que oportuniza a articulação de várias linguagens como verbal oral, verbal escrita, musical através da análise de xilogravuras, etc. Nesse sentido, a Literatura de Cordel é de suma importância, pois possibilita a aproximação do aluno com sua realidade histórica, além de permitir apreciação e socialização artístico-literária, contribuindo para uma melhor cidadania. O desenvolvimento da oficina foi somado por momentos de discussão e de atividades práticas e lúdicas que envolveram todos os participantes. A literatura de Cordel oferece aos alunos uma maneira de pensar o mundo e de afirmar uma identidade, traçando caminho de liberdade, e a escola como agente desse espaço poético de luta.

Palavras-Chave: Literatura de Cordel, História Local, Prática Lúdica.

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RELATO DE EXPERIÊNCIA DA OFICINA: DIREITOS DOS POVOS: CULTURA INDÍGENA NO EXTREMO SUL BAIANO.

Daiane Felix dos Santos Graduanda em História pela Universidade do Estado da Bahia E-mail: felix_daiane@hotmail.com

Franciele Santos Soares Graduanda em História pela Universidade do Estado da Bahia E-mail: franciele_pessoa@hotmail.com

Jonathan de Oliveira Molar Orientador. Professor da Universidade do Estado da Bahia E-mail: jonathanmolar@hotmail.com

Márcio Soares Santos Orientador. Professor da Universidade do Estado da Bahia E-mail: marciusuarez@hotmail.com

RESUMO

Esse relato de experiência é resultado de uma oficina com a temática Direitos dos Povos:

Cultura indígena no extremo sul baiano, cujo objetivo foi o de compreender o processo de luta e resistência dos povos indígenas no Brasil em busca da concretização dos seus direitos como cidadãos brasileiros, além de terem acesso a uma educação, Saúde e Segurança de qualidade, realizada pelo subprojeto PIBID de História, intitulado “A História e o social: a comunidade e os espaços da cidade como integrantes do processo de ensino-aprendizagem”, do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), do Campus X da Universidade do Estado da Bahia UNEB, em Teixeira de FreitasBA, no ambiente escolar do Colégio Estadual Democrático Ruy Barbosa - CEDERB. Quanto à metodologia utilizada no âmbito desse trabalho, consiste na revisão bibliográfica de textos de autores como: LUCIANO (2006), SAMPAIO (2000), BATISTA (2004), GERLIC (2007), FREIRE (1996), SCHMIDT; GARCIA (2005), que oferecem aporte teórico e pedagógico para a confecção do projeto e a aplicação da oficina. A oficina se deu através da explanação dos aspectos gerais dos povos indígenas do extremo sul baiano, seguido de: 1- dinâmicas para captar a percepção dos alunos a cerca da temática. A partir das falas foi-se tecendo novas informações. 2 Apresentação do vídeo As caravelas passam, fazendo a desconstrução da visão criada pelos portugueses, tanto da aparência como da passividade do índio brasileiro, ao longo da história, 3 Ressaltou-se a presença do índio no Extremo Sul baiano, em específico na cidade baiana de Teixeira de Freitas, 4 Uso de charges sobre a temática, 5 - Apresentação uma cartilha sobre o povo indígena Pataxó, especificamente do distrito de Cumuruxatiba-Ba. 6 - Produção textual, baseada em toda a discussão que foi realizada durante a oficina. Todo o processo de desconstrução dessas ideias foi satisfatório, utilizando para esse objetivo discussões que não buscaram impor uma verdade, mas simplesmente apresentar visões históricas diferentes, dados gerais e depoimentos dos próprios índios, o que despertou mudança de pensamento, e o questionamento dos estereótipos existentes.

Palavras-chave: Direitos, Povos indígenas, Extremo Sul da Bahia.

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AS TIC’S NO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM NO ENSINO DA DITADURA MILITAR NO BRASIL (1964-1985)

José Carlos Gomes de Campos Universidade Estadual de Santa Cruz Graduando em Ciências Sociais E-mail: Ze.karlos@msn.com

RESUMO

O presente trabalho relata a experiência do uso das Tecnologias da Informação e

Comunicação TICs com o projeto intitulado “Assim sendo declaro vaga a presidência da república”: 50 anos depois, cujo o principal objetivo foi realização de oficinas com alunos e

professores da rede de ensino pública do estado da Bahia, na microrregião de Jequié, para fins

de capacitar no resgate da memória no sentido da violação dos direitos humanos durante o

Regime Civil Militar Brasileiro (1964 1985). As oficinas tiveram como instrumentos de trabalho, filmes, documentários, áudios da época do regime, assim, possibilitando uma maior compreensão do período trabalhado no projeto. O ensino e a aprendizagem estão cada vez mais ligados ao processo de comunicação. Há uma mutação pedagógica no processo educacional influenciando profundamente a relação aluno-professor-instituição de ensino. O que antes era acessório para o desenvolvimento profissional e educacional, hoje se mostra como parte essencial da educação. Sandhaltz (2008) afirma que na inter-relação entre pesquisa, formação de professores e prática pedagógica com o uso da TIC, a área de conhecimento tecnologia em educação se transforma e avança a partir dos resultados das investigações e novos conhecimentos produzidos. O projeto foi elaborado para ser executado em ações divididas em três etapas distintas. Na primeira etapa trata-se da aquisição dos materiais que foram utilizados nas oficinas: Áudios, Documentários, Vídeos, Jornais e Livros. Esta etapa ficou de minha responsabilidade na confecção desse acervo digital. Posteriormente, após a confecção do acervo, teve inicio a segunda etapa. De maio de 2014 a dezembro do mesmo ano foram realizadas as oficinas, que serão descritas a partir de agora. Inicialmente é realizado um momento de apresentação da proposta do projeto, com uma palestra sobre A ditadura Militar e a violação dos direitos humanos durante esse período, esse contato inicial possibilitou envolvimento e compreensão dos professores e alunos acerca da temática, assim, facilitando o processo de aplicação da oficina, proporcionando aos mesmos uma maior abertura/aceitação aos conteúdos abordados. A realização desse trabalho permitiu apontar que boa parte dos participantes, adquiram a compreensão do motivo de ser necessário tem uma noção social da história do seu país, a exposição dos materiais de multimídia, os relatos pessoais foram partes bastante relevantes para o trabalho. Foi possível promover estudos a cerca dos diversos métodos de violação dos direitos humanos, durante o regime militar. A tortura como instrumento repressor, os setores do Estados que se organizavam para à realização dessas práticas, e as vítimas que até o presente momento se encontram da situação de desaparecidos.

Palavras chave: Memória. Direitos Humanos.

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COMPREENDENDO AS CATEGORIAS DE ANÁLISE DA GEOGRAFIA PARA UMA MELHOR COMPREENSÃO DA HISTÓRIA

Yolanda Aparecida de Castro Almeida Universidade do Estado da Bahia yalmeida@uneb.br

RESUMO Nas duas últimas décadas muito se escreveu sobre o ensino interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar na Educação Básica. Esta nova maneira de ensinar já se materializa no Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, onde as disciplinas escolares são cobradas dentro das grandes áreas do conhecimento. Porém, o que se percebe é uma grande dificuldade em efetivar nas salas de aula um trabalho onde o entrelaçar das disciplinas se concretize. Numa tentativa de se pensar em um trabalho transdisciplinar constante, este projeto busca mostrar como as categorias de análise da Geografia podem e devem ser trabalhadas constantemente com o ensino da História. Justifica-se esta preocupação por se entender não ser possível uma compreensão completa do processo histórico sem uma análise geográfica. A abordagem empregada assenta-se no entendimento da perspectiva da percepção geográfica, onde as representações das categorias de análise que balizam a ciência geográfica podem melhorar o ensino da História. A metodologia compreende relacionar tempo espaço, mostrando como o uso consciente das categorias de análise da Geografia possibilita maior compreensão das narrativas históricas são ensinadas nas aulas da Educação Básica. Para isto, as categorias serão explicadas a partir de conceitos e analogias. E em seguida alguns exemplos de conteúdos cobrados no ensino da História serão explicados a partir das categorias de análise da Geografia. Os resultados mostrarão ser possível ao professor de História trabalhar as categorias de análise da Geografia para uma melhor compreensão dos fatos históricos ensinados durante o ensino médio. Para elaborar este artigo, recorreu-se aos seguintes teóricos: Carlos, Claval, Haesbaert, Harvey, Kant, Moraes, Moreira, Santos e Tuan.

Palavras-chave: Ensino Categorias de análise da Geografia História -

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OS JESUÍTAS E O ENSINO: EDUCAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE DOMINAÇÃO

Fábio Pereira Barros Mestrando em Ensino na Educação Básica na Universidade Federal do Espírito SantoUFES E-mail: fabiosaojose2000@hotmail.com

RESUMO Os Jesuítas trouxeram para o Brasil, junto com o catolicismo, a educação, marcando o início de sua história na colônia e o suporte ideológico necessário à estruturação e à manutenção da sociedade exploratória e dos privilégios da classe dominante, os quais não poderiam se solidificar apenas na força do aparelho repressor da Coroa. Foi estruturado na colônia um aparelho ideológico fundamentado na Igreja Católica e vinculado diretamente a Coroa. A pedagogia utilizada pelos jesuítas definia-se em transformar índios em bons cristãos, instruí- los nos hábitos de trabalho dos europeus. Os colonizadores tendiam forçosamente a concentrar todo seu pensamento e todos os seus esforços na exploração e defesa das colônias. Identifica-se que a educação não lhe interessava senão como meio de submissão e de domínio político, que mais facilmente se podiam alcançar pela propagação da fé, com a autoridade da Igreja. A partir dessa breve análise histórica pretendeu-se discutir a educação como meio de submissão e domínio político, e entender a posição assumida pelos jesuítas e pela Igreja. Discutiu-se ainda a utilização da educação para impor um poder de dominação que, segundo Bourdieu (2014) essa dominação se dá através da ação pedagógica impondo um arbitrário cultural não percebido e assim aceito como legítimo. A imposição implica sempre o exercício de violência simbólica por parte de uma autoridade pedagógica. Este estudo realizou uma pesquisa bibliográfica, recorrendo a procedimentos como leitura e fichamento de algumas obras que tratam desse assunto. Com base na análise e interpretação dos dados encontrados nos textos selecionados, foi desenvolvido o estudo e estruturado o texto que é apresentado aqui. Foi tomada como referencial teórico o pensamento de Almeida (2000), Bourdieu (2014), Cambi (1999), Costa e Lima (2008), Veiga (1992) entre outros, para a investigação, análise e interpretação da realidade histórico-educacional da colônia brasileira. Ao longo do estudo, conclui-se que somos herdeiros de uma história, cujos alicerces são profundamente de base autoritária e alheia aos interesses da coletividade. Os interesses religiosos e políticos da Companhia de Jesus, sem dúvida, moveram a ação educativa desses padres, que encontraram no ensino, um meio eficaz de submissão e domínio. O sentido da educação, portanto, na dominação fica bastante evidente, referindo-se a um sentido de educação basicamente elitista.

Palavras-chave: Jesuítas. Ensino. Dominação. Educação.

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RELATÓRIO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO III: REGÊNCIA NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

RESUMO

Yasmin Silva Santos de Jesus Graduanda em História- UNEB Campus X yasminsilva.tm@gmail.com

Prof. Me. Ariosvaldo Alves Gomes UNEB Campus X tyry@tdf.com.br (orientador)

Prof.ª Me. Liliane Maria Fernandes C. Gomes UNEB Campus X liufernandesc@yahoo.com.br (orientadora)

O presente trabalho trata-se de um relatório de estágio de regência, realizado para a disciplina

de Estágio Supervisionado III do Curso de Licenciatura em História, do Departamento de Educação Campus X, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Objetivando relatar elementos que caracterizam as atividades desenvolvidas na Escola Municipal João Mendonça junto aos alunos dos 6º e 7º anos, no período vespertino, a partir da realização de uma oficina de história que procurava discutir as formas como as comunidades indígenas vêm sendo representadas através de imagens e vídeos, buscando possibilitar reflexões junto aos estudantes de forma a contribuir no processo de desconstrução de alguns estereótipos referentes a estas comunidades. As aulas da oficina de História foram realizadas durante cinco semanas, cada encontro teve a duração de 5 horas nas quartas-feiras, com exceção de um

encontro extra, realizado em uma quinta-feira. Para realização deste trabalho utilizou-se como referencial teórico autores(as) como Dayrell (1996), Demo (2001), Luckesi (1996), Pimenta e Lima (2005/2006), Ribeira (2004) no sentido de colaborar com a discussão teórica, no que tange a aspectos como a importância do estágio, a avaliação enquanto processo, o espaço escolar e os múltiplos olhares que devemos ter sobre a educação e a cultura. Utilizou-se como imagens principais a pintura “A primeira missa no Brasil”, autoria de Victor Meirelles (1861)

e algumas charges de Maurício de Sousa que fazem uma releitura do quadro de Victor

Meirelles. O desenvolvimento de tais atividades contribuiu de forma significativa para o crescimento dos estudantes e da estagiária, conforme descrições e análise apresentadas no relatório, isso se deu em razão da oficina ter oportunizado que eles e elas na prática aprendessem a tecer novos discursos, que confrontaram os relatos eurocêntricos de descrição das comunidades indígenas, além de permitir uma aproximação com a história destes, percebendo algumas de suas contribuições na formação cultural do nosso país, além de

compreender como agem e reagem às tentativas de exclusão na história local e nacional; suas resistências e avanços, no sentido, por exemplo, de garantirem leis afirmativas como conquistas de grupos tidos como minorias.

Palavras-chave: estágio de regência representação dos povos indígenas ensino de História.

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A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NA DISCIPLINA DE HISTÓRIA NO

ENSINO FUNDAMENTAL.

Diógenes Santa Santos Graduando em História UNEB Campus X E-mail: diogenessantana.ds94@gmail.com

Jasmim Lima dos Santos Graduanda em História UNEB Campus X E-mail: jasminlimas.jl@gmail.com

Ariosvaldo Alves Gomes Professor da UNEB Campus X . (Orientador) Prof. Me. Gislaine Romana Carvalho da Silva Professora da UNEB Campus X. (Orientadora)

RESUMO

O presente artigo é resultado das aulas tidas na disciplina de estagio supervisionado I, onde

através das aulas observadas na escola em que atuávamos como estagiários surgiram algumas

indagações a respeito do ensino de historia e sua aplicabilidade, tal artigo tem como objetivo analisar o processo de aprendizagem dos alunos na disciplina de história no ensino fundamental, identificando quais os fatores que contribuem para este processo de desenvolvimento seja ele positivo ou negativo. Para entender melhor sobre isto, iremos falar sobre o ensino de história, sua aplicabilidade, o papel do professor como agente responsável

de transmitir a matéria, metodologias, didáticas e como a forma de se aplicar e ver o ensino de

historia pode influenciar no desenvolvimento do aluno. Para isso, utilizaremos autores como Circer Bittencourt, Leandro Karnal entre outros, para debater sobre o ensino de historia, sua importância, a visão dos alunos e o papel do professor, para que assim possamos compreender melhor sobre os temas que pretendemos abordar. Para esta analise foram entrevistados 30 alunos mais o professor de história, onde foram feito perguntas sobre sua visão a respeito da

matéria, o seu olhar sobre o desenvolvimento da sala e o objetivo da disciplina, a partir dai iremos analisar como o ensino de história tem sido trabalhado em sala de aula, a metodologia

e a didática usada pelo o professor da disciplina, qual é a visão dos alunos a respeito à

importância da matéria, a opinião que possuem sobre a função da história em sala de aula e seu impacto individual, dialogando com a visão sobre as mesmas questões vistas pelo o professor educador da matéria. Com isso, buscamos identificar quais são os fatores que contribuem para o processo do desenvolvimento da aprendizagem dos alunos na disciplina, buscando entender as falhas que o ensino de história na sala de aula ainda comete e que prejudicam na formação dos alunos, a fim de que assim possamos ter uma melhor compreensão de como aplicar a matéria de história em sala de aula. Cabe então ao docente educador permanecer em seu objetivo, acreditando estar evoluindo e buscando sempre identificar quais são as causas para o mal rendimento de sua turma, caso haja, pois identificando o problema é possível buscar soluções, onde o professor não pode olhar a turma apenas como um todo, mas considerar seus avanços individuais de cada individuo, pois talvez

não se possa alcançar a totalidade no ensino em uma única sala, mas a minoria não pode ser ignorada nem tão pouco desvalorizada, pois ela representa os avanços e conquistas de sua pratica como docente.

Palavras-Chave: Ensino de História, Ensino Fundamental, Aprendizagem.

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A CULTURA LOCAL NO ENSINO DE HISTÓRIA

Geniclécia Lima dos Santos UNEB Graduanda em Licenciatura em História, Bolsista de Iniciação Científica FAPESB

Rayla Roberta Silva de Oliveira UNEB Graduanda em Licenciatura em História, Bolsista de Iniciação Científica FAPESB raylla.roberta@hotmail.com

Iris Verena Santos de Oliveira UNEB Doutora em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA irisveren@gmail.com

RESUMO

O presente trabalho discute a importância da abordagem da cultura local e da memória no

ensino de História no ensino fundamental I a partir da análise de Fichas Pedagógicas, documento produzido nos planejamentos por docentes e coordenadores pedagógicos. Analisamos como o ensino de História é pensado através dos planos de aula do ensino fundamental e apontamos sugestões de como o uso das memórias dos alunos, da comunidade e das experiências dos docentes e discentes podem ser o ponto de partida para se pensar o estudante enquanto sujeito ativo na produção do conhecimento, assim como sugere autores da terceira geração dos Analles, que para os estudiosos da área da educação pode ser denominado de formação cidadã, substituindo o acúmulo de conhecimentos sistematizados. É

importante ressaltar, que a relativização do conhecimento histórico de modo a buscar práticas onde os conteúdos sejam contextualizados com o meio social do individuo não implica, necessariamente, em uma perda de significados, legitimidade ou referencial. Entendemos ainda, que a dada importância e inclusão dessa cultura local, necessita de uma consciência e

de um comprometimento das práticas docentes, para que possam perceber quais são as reais

demandas a serem vivenciadas. Não menos importante, é a incorporação de diferentes linguagens usada pelo professor e a atenção que este deve ter aos diferentes níveis de desenvolvimento do seu alunado. Tomamos como base fundamental para esta discussão, principalmente, o conceito de culturasegundo Clifford Geertz e para dialogar com este, utilizamos da área da educação, Ana Maria Monteiro (formação em História e Educação), entre outros. Nosso principal objetivo é reafirmar a importância de se estimular a produção de narrativas locais a partir de vivências selecionadas, a fim de fortalecer a memória e a história local.

Palavras-Chave: Ensino de história, cultura, memória, história local.

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A CONSTRUÇÃO DO INDÍGENA NOS LIVROS DE HISTÓRIA E DE LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO MÉDIO: O QUE DIZ O PNLD?

Edevard França Pinto Júnior Mestrando em História - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) edevardjunior@gmail.com

Stéfano Couto Monteiro Mestrando em Educação - Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) stecoutmon@yahoo.com.br

RESUMO

A inserção da temática indígena no âmbito da Educação Básica embora seja obrigatória desde

2008, enfrenta desafios quanto à clareza e a abordagem, em especial, quando considerado os

livros disponibilizados através do Programa Nacional do Livro Didático PNLD. Nesse

sentido, a presente comunicação tem por objetivo expor os avanços e as limitações das coletâneas resenhadas e disponibilizadas para o Ensino de História e de Língua Portuguesa e suas respectivas Literaturas, no âmbito do Ensino Médio, no triênio compreendido entre 2015

e 2017, tendo em vista o ensino desta temática sob a perspectiva intercultural (CANDAU,

2011; WALSH, 2010). Para isso, como procedimento metodológico procedeu-se a análise documental com a exploração das resenhas presentes nos Guias Didáticos (BRASIL, 2015b), do Edital PNLD (BRASIL, 2015a) e de cada um dos volumes das obras analisadas pelo Ministério da Educação. Para isso, a análise tomou como parâmetro as compreensões teóricas de BATISTA (2010) e VALENTE (2004) quanto às definições dos critérios para a escolha do Livro Didático, as construções conceituais de WALSH (2010), FLEURI (2013), BACKES (2014) quanto a abordagem intercultural sob perspectiva crítica, a visão de BITTENCOURT (2004) referente ao Ensino de História, assim como as contribuições advindas do Ensino da Língua Portuguesa e da Literatura (CEREJA, 2009; ABAURRE, 2014). A análise contemplou um total de 29 (vinte e nove) coletâneas e aponta que há uma insistência em prol do atendimento do mercado editorial a qual cita o indígena, seja sob a condição de personagem literário ou de sujeito histórico, como ser deslocado, mítico, litorâneo, pitoresco, miscigenado, uno, tribal, isolado, embora haja iniciativas que caminham em diálogo com a proposta de reconhecer o indígena como sujeito contextualizado, responsável pela ressignificação de sua identidade.

Palavras-chave:

Interculturalidade.

Lei

11.645/2008,

Livro

Didático,

Ensino

de

História,

Literatura

e

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FORMAÇÃO POLÍTICA DO PROFESSOR DE HISTÓRIA

Marconey de Jesus Oliveira Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus IV Graduando no Curso de Licenciatura em História marconeydeoliveira@gmail.com

RESUMO O presente trabalho tem por objetivo discutir os principais percalços na formação dos professores de história e ao mesmo tempo avaliar a atuação dos docentes iniciantes dentro das instituições de ensino. Pensar a formação docente no século XXI é vislumbrar um caminho com grandes dificuldades e desafios. Pesquisa realizada pela Revista Nova Escola entre os meses de janeiro e fevereiro de 2010, mostra que apenas 2% dos alunos do ensino médio entrevistados, pretendem prestar vestibular para os cursos de licenciaturas e pedagogia, ambos têm como principal intuito a formação de professores, esses dados constatados pela pesquisa mostram o desprestigio que a profissão vem sofrendo nos últimos anos. Busco escrever esse trabalho motivado pela minha experiência como aluno da graduação do curso de licenciatura em história pela UNEB campus IV, é através de minha convivência no determinado assunto que tento perceber os principais desafios e percalços que se encontra na formação docente da atualidade. Uso como base para as minhas considerações, textos e discussões trabalhados pelos meus professores do ensino superior dentro da sala de aula e outros escritos sobre o tema para ajudar na formação de opinião. Além da análise da reportagem Atratividade da Carreira Docente, da revista Nova Escola 2010. Diversos autores já se mostraram interessados na tentativa de caracterizar os problemas vivenciados pelos professores. Para Maurice Tardif (2000), a formação no magistério se dar em um modelo “aplicacionista” acarretando assim uma série de problemas. A formação do professor e principalmente o de história tem que ser feita de uma forma crítica para que ele possa pensar, compreender e perpassar essa mesma visão para seus futuros alunos, algo a mais que uma simples transmissão do conhecimento, para MAGALHÃES (2011), são exigidas novas formas de conhecimentos aos docentes de história. São usados como referenciais autores como Pedro Demo “ De que Escola Estamos Falando” (2002), Antônio J. Severino “Preparação técnica e formação ético-política dos professores” (2003), Marcos Silva e Selva Guimarães “Ensinar História no Século XXI: Em busca do tempo entendido” (2007), e Rodrigo L. Simões “Formação de professores na área de história: Entre prática e discursos” (2012) entre outros. A Revista Nova Escola (2010), aponta para várias formas de melhorar a situação dos professores, além de uma boa reforma no piso salarial, melhorar também a formação inicial e resgatar o valor da profissão na sociedade entre outros. A tarefa não é fácil, mas tenho certeza de que venceremos, não apesar, mas porque somos professores.

Palavras chaves: Formação, História, Ensino, Professores iniciantes.

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UMA ANÁLISE DECOLONIAL DA REPRESENTAÇÃO INDÍGENA NOS LIVROS DIDÁTICOS DA REDE MUNICIPAL DE ARACRUZ-ES

Paulo de Tássio Borges da Silva Doutorando em Educação/Proped-UERJ E-mail: paulodetassiosilva@yahoo.com.br

Aciara Carvalho Guarani Licenciana no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena Tupinikim e Guarani- UFES E-mail: aciaracarvalho12@gmail.com

Keilla Pereira da Rosa Tupinikim Licenciana no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena Tupinikim e Guarani- UFES E-mail: keilla-almeida@bol.com.br

RESUMO A proposta em questão é oriunda de reflexões construídas na disciplina “Conhecimento e Interculturalidade” no curso de Licenciatura Intercultural Indígena Tupinikim e Guarani da Universidade Federal do Espírito Santo UFES. Como encerramento da disciplina foi proposto ao coletivo de estudantes um análise dos livros didáticos recebidos pelas escolas Tupinikim e Guarani no Programa Nacional do Livro Didático PNLD, com uso de 2016 a 2018. Durante a análise dos livros localizamos naqueles destinados ao Ensino Fundamental I, nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e História, a presença de imagens e informações dos Povos Indígenas do Xingu, bem como outros da região Norte e Centro- Oeste, o que vemos como problemático, tendo em vista que a representação construída nestes livros em muito difere do Povo Tupinikim e Guarani que habitam o município de Aracruz. Vale ressaltar que, o Povo Tupinikim e o Povo Guarani já sofreram campanhas difamatórias acerca de suas identidades étnicas, sendo marginalizados por “falsos índios”, o que nos leva a crer que a não representação destes nos livros didáticos só reforça estereótipos e preconceitos regionais sobre os mesmos. A justificativa para tais livros estarem nas escolas indígenas é que estes são destinados à Educação do Campo, estando as escolas indígenas mais próximas deste contexto do que o urbano. A justificativa é problemática, uma vez que a a Educação Escolar Indígena é uma modalidade indenpendente da Educação do Campo, e como tal deve ser respeitada, tendo livro didático próprio. Neste sentido, perseguindo uma interculturalidade crítica decolonial, reiteramos que tais práticas fragilizam e (re)colonizam identidades, epistemes, localidades, entre outros. Desta forma, cabe registrar a necessidade da produção de materiais didáticos que dialoguem com os contextos e especificidades das comunidades indígenas.

Palavras-chave:

Tupinikim;

Guarani.

Decolonialidade;

Livros

Didádicos;

Licenciatura

Indígena;

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SIMPOSIO 05

HISTÓRIA, RELAÇÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADES

Proponente: Ediane Lopes (UNEB)

Ementa: Para compreendermos a história dos movimentos sociais, temos que levar em consideração a pluralidade dos mesmos. Os movimentos sociais com seus objetivos e bandeiras de lutas organizam-se a partir dessa pluralidade. Isso significa que são movimentos que podem ter horizontes ou objetivos comuns, mas, atuam de maneiras as mais diversas para concretizá-los. O movimento feminista deita as suas origens nos mais diversos movimentos de mulheres. Em suas raízes encontram-se mulheres ligadas à educação, ao movimento operário, ao movimento negro, ao movimento LGBT, etc. Pensando esses movimentos, é importante evidenciar as mudanças ocorridas ao longo das décadas de 1960 e 1970. A virada da década de 60 para a década de 70 do século XX é marcada por uma nova forma de pensar o corpo e a sexualidade. Em 1975, no Brasil, é lançado o Movimento pela libertação Homossexual no Brasil. A questão posta naquele momento era se gays e lésbicas iriam lutar pela sua integração ao mundo da forma como se encontrava ou iriam lutar pela criação de uma comunidade com cultura própria. Levando em consideração todas essas histórias e essa diversidade, o Simpósio temático História, gênero e sexualidades objetiva reunir trabalhos envolvendo as diversas histórias das mulheres, bem como as muitas discussões acerca das novas sexualidades. Além disso, histórias envolvendo as mudanças das sexualidades ao longo das lutas e conquistas dos movimentos de gays e lésbicas. O ST também debaterá os diversos feminismos e movimentos de mulheres e LGBT's que, ao longo da história, embasaram teórica e politicamente diversas experiências de resistência.

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A SULBATERNIZAÇÃO DA MULHER NA SOCIEDADE CAPITALISTA, PATRIARCAL, RACISTA E HETEROSSEXISTA

Delliana Ricelli Ribeiro da Silva Instituto Federal da Bahia IFBA- Campus Eunápolis Graduada em Filosofia/ Mestre em Linguagens e Representações Email: dellianitaricelli@gmail.com

O Feminismo é uma corrente diversificada, e exatamente por esse motivo o ideal é referir-se a ele no plural. É sabido que quando se trata de gênero, essa nomenclatura não engloba apenas o sexo, mas classe, raça/etnia, orientação sexual. Assim, todas essas diferenças precisam ser percebidas e consideradas dentro dos movimentos feministas. Por mais que o gênero nos una, a homossexualidade una gays e lésbicas, a geração una idosas e jovens, a classe e a raça/etnia nos divide dentro da ordem capitalista. Nosso objetivo é apresentar os desafios dos movimentos feministas brasileiro no combate a opressões, as quais não se dão de forma homogênea, como já foi aqui sinalizado, sobretudo, quando se trata de mulheres negras. Ser negra é estar numa situação de vulnerabilidade, se além de ser mulher e negra, a pessoa for gorda, lésbica ou bissexual, travesti ou transexual, pobre ou cadeirante esse risco se torna ainda maior. Tem gente que só de sair na rua já é motivo de piada; é a "nega" do cabelo duro, é a sapatona, é a gorda rolha de poço, é o traveco. É mais fácil humilhar, enxovalhar quem é minoritorizado e como a empatia é moeda escassa, esses subgrupos não encontram um lenitivo pra sua dor nos movimentos feministas tradicionais. Apesar de ter a consciência que as versões de feminismos não dão conta das opressões vividas pelas mulheres brasileiras, também reconhecemos que essa discussão só é possível graças a existência desses movimentos.

Palavras- chave: Feminismos, Raça/ Etnia, Classe.

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OS DISCURSOS DA IGREJA SOBRE O COMPORTAMENTO E CORPO FEMININO NA AMÉRICA PORTUGUESA DO SÉCULO XVII.

Nadiny Chaiany Santos Luz Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Campus V Graduanda do Curso Licenciatura de História Email: nadiny-luz95@hotmail.com

O presente estudo é um projeto de pesquisa acadêmica, elaborado para atender ao requisito do curso de Licenciatura em História, oferecido pela Universidade do Estado da Bahia, campus V. Este projeto tem como objetivo, mostrar o imaginário e as normas de comportamento criadas a partir do olhar clérigo sobre o corpo feminino na América portuguesa. As estratégias de regulação do corpo feminino foram historicamente construídas sobre uma perspectiva de dominação do masculino sobre o feminino. Até o final do século XVIII, o clero detinha o monopólio do saber, sendo ele o incumbido de pensar as questões da humanidade e orientar os homens no plano da salvação. Todavia, a formação destes eclesiásticos era distanciada do convívio com as mulheres, o que resultava em uma representação do feminino a distância, sem nada saberem delas. Devemos refletir e analisar quais as concepções de mulher é projetado pelo discurso da Igreja e as consequências morais e sociais que delas podem ser retiradas. Vale ressaltar que a hierarquia sexual, não foi iniciada pelo cristianismo, o discurso da Igreja Católica seria provavelmente uma justificação religiosa de uma ordem social anteriormente estabelecida. Há importância em tratar deste assunto, pois ele contribui para compreensão da mulher e homem de maneira geral e as relações de hierarquia de poder. A escolha do tema abordado vem de uma inquietação pessoal em entender os princípios das ideias de desigualdade de gênero existente sociedade cristã no Brasil. Apesar do aumento nos estudos sobre as mulheres ainda há dificuldades nas fontes, o que dificulta o trabalho dos historiadores. Pretende-se contribuir para o conjunto de estudos historiográficos sobre a história da mulher, no que se refere ás ideologias de repressão. Na análise será feito o uso de pesquisa bibliográfica e de fontes documentais, como cartas e textos da igreja. O estudo apresentado tem uma temática que pode e será discutido no campo histórico como domínio, a História das Mulheres voltada para o campo da História Cultural, dialogando com a História do Imaginário.

Palavras-chave: Igreja, mulheres, gênero.

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A ATUAÇÃO DAS MULHERES ÍNDIGENAS PATAXÓ NO EXTREMO SUL DA

BAHIA

Andreia Silva Graduanda do Curso Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia

Francisco Cancela Doutor em História Social do Brasil Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia Professor da Universidade do Estado da Bahia- UNEB

Estudar sobre a população indígena tem sido de extrema importância, a valorização e o conhecimento da história e cultura desses povos tem despertado avanços historiográficos que ao longo do tempo trouxe novas possibilidades de estudos e também novos olhares acerca das novas fontes. Dentro dessa perspectiva a mulher indígena vem se destacando em sua maneira de atuação, reivindicando espaços e políticas que adequem suas comunidades sem que interfira em sua cultura, enfatizando sua importância enquanto mulher conhecedora de seus saberes e atuante no movimento de mulheres indígenas. Este trabalho tem como finalidade discutir á ativa presença das mulheres indígenas na liderança das aldeias Pataxó no extremo Sul da Bahia, designadamente nas comunidades de Coroa Vermelha, Aldeia Juerana e Reserva da Jaqueira. Tal comunicação propõe realizar uma discussão sobre a atuação feminina num espaço que ainda é tido como masculino na sociedade brasileira e nas próprias comunidades indígenas, levando uma reflexão sobre o papel do gênero como instrumento de discussões voltadas para compreensão das especificidades dessas mulheres indígenas. Além dos levantamentos bibliográficos que se dividem entre historiadores e antropólogos como Manuela Carneiro da Cunha, Jonh Monteiro, Francisco Cancela, Maria Hilda Paraíso, entre outros teóricos, utilizaremos as cartas, escritas pelo movimento de mulheres indígenas, nelas podemos analisar como essas mulheres se articulam e como as mesmas reivindicam seus direitos diante a constituição. As entrevistas, que também enriquecem esse projeto, mostrando na íntegra a força e a voz dessas guerreiras que buscam reconhecimento de gênero no conceito de igualdade, respeito e enfretamento diante as políticas públicas. Vale se destacar que essa pesquisa ainda está em construção.

Palavras-chave: Mulheres Indígenas, Gênero, Políticas Públicas, Aldeia Pataxó.

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UM OLHAR SOBRE O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO DAS (OS) AGENTES COMUNITÁRIAS (OS) DE SAÚDE NA USF DA URBIS À LUZ DA POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER (PNAISM)

Ada Fernanda Batista Correia Tigre Graduanda do Curso Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia Campus X . Email: ada-fernanda@hotmail.com

Ediane Lopes de Santana Mestre em História Social do Brasil Email: edianezeferina@gmail.com

Esta pesquisa, oriunda do Grupo de pesquisa Ecos no Silêncio da História: participação das mulheres na organização do município de Teixeira de Freitas, Bahia, UNEB, CAMPUS X, objetiva entender como as (os) agentes de saúde têm desenvolvido seu trabalho na Unidade de Saúde da Família do bairro Urbis, em Teixeira de Freitas-Ba, entre 2004 e 2015 a partir da perspectiva de Gênero inserida na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM). Através de pesquisa qualitativa sob o viés da História Oral, analisamos dados que serão debatidos qualitativamente junto ao referencial teórico. Para tanto, analisaremos entrevistas realizadas com as (os) agentes de saúde da Unidade de Saúde da Família (USF) da Urbis buscando compreender a maneira como a perspectiva de Gênero perpassa (ou não) o trabalho junto à comunidade. Compreendendo a necessidade de por em pauta discussões recentes da historiografia envolvendo conflitos das relações de gênero, destacamos dentre estas discussões os estudos a respeito da invisibilidade das mulheres e dos silenciamentos na História, especialmente a partir de PERROT (2007) e SCOTT (2012), além da noção de Integralidade exigida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) alicerçada na perspectiva das relações de Gênero discutida por REZENDE (2011) entre outros. Espera-se, a partir desta pesquisa, contribuir para o registro histórico referente ao desenvolvimento do trabalho das (os) agentes comunitárias (os) de saúde do bairro Urbis na cidade de Teixeira de Freitas-Ba, através da análise do olhar específico das (os) próprias (os) agentes sobre si e sobre sua atuação na USF e comunidade. Objetivamos também observar alguns caminhos percorridos para a formação profissional a partir dessa política pública de saúde e acumular entrevistas no intuito de construir um acervo de fontes orais, que deverão compor o que chamamos de Museu da Palavra. Os Museus da Palavra podem ser organizados em blogs ou sites gratuitos, onde pretendemos disponibilizar, em breve, os áudios e as transcrições de forma a contribuir para outros trabalhos acadêmicos.

Palavras- chave: Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, Agentes Comunitários de Saúde, Relações de Gênero.

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CORPOS SUBJUGADOS: UMA HISTÓRIA DAS MULHERES NO FILME DESMUNDO

Pablo Viana Cruz Discente do Curso de História UNEB/Campus X Email: pabloviana_13@hotmail.com

Priscila Santos da Glória Mestre em História Regional e Local Professora Assistente UNEB/Campus X Email: priumani@yahoo.com.br

A trajetória das mulheres no Brasil vem desde o período colonial, apesar de por muito ter sido silenciada pela historiografia. No século XX a história das mulheres começa abordar temas como o matrimônio, maternidade, submissão e todo um processo histórico da sexualidade feminina em uma sociedade colonial patriarcal. O objetivo deste estudo é através de uma análise fílmica da obra “Desmundo” (2003) narrar características das condições de vida da mulher no Brasil colonial e sua posição na sociedade. Na obra temos como personagem principal a Oribela uma órfã portuguesa enviada de Portugal a colônia no período do século XVI para se casar e constituir família com um colono de posses. No enredo também encontramos outras personagens que denotam os conflitos que as mulheres coloniais enfrentaram em um ambiente inóspito e violento. A partir destas trajetórias femininas abordadas no filme e as obras de Michele Perrot (2008) e Emanuel Araújo (2007) pretende-se explorar os diferentes aspectos da visão sobre a mulher no decorrer dos séculos e como se legitimou toda uma cultura que inferioriza, fragiliza e a subjuga nessa hierarquia dos sexos como alguém que devesse sempre estar no campo da proteção e do recolhimento. Características de um processo histórico que sempre buscou intimidar, taxar e julgar a figura feminina na sociedade. Sondando cenas da obra fílmica com o apoio das obras historiográficas utilizadas no estudo, constatamos uma forte herança machista em nossa história, notamos os papéis das mulheres, como eram tratadas nas diferentes idades, de como eram inibidas na intimidade e na sexualidade, a sua importância no lar, sua autonomia política e como eram comparadas aos homens em seu nascimento e morte. Com base no estudo constata-se uma forte herança machista, desigual e homogênea na nossa sociedade e formação colonial, história essa que nos reflete aos dias de hoje denotando violência, distinção de trabalhos, abusos, representações e o simbolismo da mulher.

Palavras-Chave: Mulheres, Desmundo, História.

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TRABALHADORAS RURAIS: MEMÓRIAS, TRAJETÓRIAS E GÊNERO NA LAVOURA DE CAFÉ EM ITAMARAJU-BA (1975-1995)

Gabriele Balieiro Oliveira UNEB - Campus X, Licencianda em História

Ediane Lopes de Santana Professora da UNEB - Campus X Mestre em História Social do Brasil Email: edianezeferina@gmail.com

A presente pesquisa busca entender o processo de inserção das mulheres na lavoura do café e

as relações de gênero na dinâmica do trabalho rural em Itamaraju BA (1975-1995).

Utilizamos fontes documentais, mas as principais fontes são orais, as entrevistas concedidas pelas trabalhadoras rurais. O percurso teórico metodológico delineia-se principalmente através dos estudos de Thompson (1992), Lozano (2006), Scott (1989), Silva (1981), Silva (2006), Melo e Novais (1998), Hirata (2002), Ávila (2002), Costa e Soares (2002). Os resultados das análises cruzados ao referencial teórico apontam que as trabalhadoras rurais migraram do campo para a cidade devido ao processo de industrialização do campo, concentração fundiária e a reestruturação produtiva, bem como as promessas de modernidade que a cidade oferecia, como saúde, educação e melhores condições de trabalho. Mas, encontram na cidade baixos índices de ofertas de empregos para os trabalhadores e as trabalhadoras que não tinham formação escolar ou profissional, e as poucas vagas ofertadas pela indústria eram ocupadas por homens. As trabalhadoras rurais acabam por voltar ao trabalho no campo, mas agora como boias-frias, residindo na cidade e trabalhando no campo.

A trajetória dessas mulheres evidencia a transformação de colonas e pertencentes da

agricultura familiar, para trabalhadoras individualizadas onde o vínculo com a terra é sobreposto aos quantitativos da produção. Enquanto mulheres, eram invisibilizadas pela figura do homem, seja irmão, pai, marido ou filho, seu trabalho sempre era visto predominantemente como complementar/auxiliar, como boias-frias, na “labuta” da lavoura. As mulheres exercem as mesmas atividades braçais e pesadas que os homens, recebem referente ao que produzem/colhem, estão em situação desigual por serem ou poderem ser mães, filhas ou esposas, já que, são as principais responsáveis pelo trabalho produtivo em suas famílias. O que para os patrões é visto com desagrado, porque, são elas que levam os filhos para o trabalho e “atrapalham a produção” com o resguardo. Estes elementos mostram a desigualdade de gênero tanto na agricultura familiar quanto no agronegócio. O patriarcado está enraizado nas práticas e na subjetividade do dia-a-dia no trabalho e no convívio social-

familiar. Os homens ocupam um lugar de poder, de comando e de chefia que não é absoluto nem homogêneo, já que as mulheres exercem várias formas de resistência.

Palavras-chave: História das Mulheres, Trabalhadoras Rurais, História Oral, Itamaraju - Bahia.

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POR UMA HISTÓRIA DAS EXCLUÍDAS: MULHERES E PROSTITUIÇÃO NA RUA MAUÁ EM TEIXEIRA DE FREITAS

Mirla Kleille Oliveira Correia UNEB - Campus X, Licencianda em História Email: mirla_oliver@hotmail.com

Ediane Lopes de Santana Professora da UNEB - Campus X Mestre em História Social do Brasil Email: edianezeferina@gmail.com

Este estudo teve seu início no Grupo de pesquisa ECOS NO SILÊNCIO DA HISTÓRIA:

Participação das mulheres na organização do município de Teixeira de Freitas, Bahia, UNEB, CAMPUS X, que está sob a coordenação da Profª Msª Ediane Lopes de Santana. Tem como objetivo analisar a histórias de mulheres em prostituição, considerando como se deu o processo histórico através da categoria das relações de gênero. Buscamos compreender as histórias envolvendo as mulheres e os homens que trabalham/trabalharam e/ou frequentam/frequentaram a Rua Mauá na cidade de Teixeira de Freitas-Ba. O processo de organização da pesquisa se baseia na busca por documentos que nos ajude a compreender, através da perspectiva histórica, as histórias das mulheres na prostituição e as relações de gênero construídas em torno dessa atividade. Entendendo a necessidade de perceber as mulheres que estão/estiveram na prostituição, de seu papel enquanto sujeitas da história da sociedade teixeirense, devemos nos apropriar de entrevistas com as mesmas. Nesse sentido, o recorte temporal da pesquisa inicia a partir da década de 1960, onde já foram apontados em algumas falas a intensa movimentação e crescimento populacional pela incidência de madeireiras interessadas na extração da madeira da região, onde a prostituição na Rua Mauá começa a aparecer, atraindo mulheres trabalhadoras da região e outros estados. Posteriormente, a construção de estradas, especialmente da BR-101 também trouxeram muitas pessoas. O marco temporal final ainda esta por ser definido, pois a pesquisa está em curso. Em detrimento da complexidade das questões postas quando discutimos relações de gênero na História, fica nítido a partir de reflexões como a da prostituição, que imprescindíveis o entendimento de conceitos como de gênero, corpo e sexualidade. Além disso, é significante a apropriação dos debates acerca da ausência da mulheres enquanto sujeitas na História, apontadas por autoras como SCOTT (1989), PERROT (2003), DEL PRIORE (2011). Pretendemos, a partir dessa pesquisa, evidenciar especialmente as perspectivas de mulheres que tem suas histórias comumente ocultadas, bem como a partir dos olhares das pessoas que participaram, contribuíram e se relacionaram com o cotidiano da Rua Mauá.

Palavras-chave: Teixeira de Freitas/Ba, Mulheres, Relações de gênero, Prostituição.

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TRADIÇÃO RESISTENTE CATÓLICA: (RE) PENSANDO O CONCÍLIO VATICANO II

Helena Aparecida de Souza Vieira Universidade do Estado da Bahia Graduanda do curso em licenciatura plena em História Email: helena018@gmail.com

Ediane Lopes de Santana Universidade do Estado da Bahia Docente do curso de licenciatura plena em História Email: edianezeferina@gmail.com

Este trabalho é parte da pesquisa de TCC “Tradição Resistente Católica: Cotidiano e relações de gênero na juventude do Apostolado Nossa Senhora do Rosário de Teixeira de Freitas (2011-2012).” É oriundo do grupo de pesquisa ECOS NO SILÊNCIO DA HISTÓRIA:

Participação das mulheres na organização do município de Teixeira de Freitas, Bahia, da UNEB, sob a coordenação da Profª Msª Ediane Lopes de Santana. Tem como objetivo compreender como a juventude da Tradição Resistente Católica de Teixeira de Freitas vivencia as relações de gênero no seu cotidiano, buscando compreender os fatores que contribuíram para que estes jovens do Apostolado Nossa Senhora do Rosário opinassem em prol da formação tradicional, favorecendo a permanência de tradições milenares Católicas que foram reavaliadas no Concílio Ecumênico Vaticano II (CEVII). Compreender também em que processo se deu a criação do grupo Tradicionalista em Teixeira de Freitas, questionando como no ano de 2011-2012, a cidade se encontrava para suscitar aos jovens desta comunidade firmar posicionamentos tradicionalistas. A análise contextual deste trabalho partirá da abertura do CEVII em 1962, na tentativa de compreendermos se essas alterações na instituição Católica influenciaram nos rumos dos grupos tradicionais Católicos. A partir dessa análise, partimos da hipótese que a criação do grupo Tradição Resistente de Teixeira de Freitas é fruto dessas mudanças realizadas no CEVII. Nosso referencial teórico é: Costa (2013), que traça uma perspectiva ecumênica do Concílio Vaticano II; Libânio (2005), que nos possibilitou ter noção da contextualização sociocultural em que o Concílio Vaticano II foi desenvolvido; Melo (2013), que possibilitou uma análise sobre a sistematização do Concílio, conceituando-o. Para melhor conhecer Teixeira de Freitas usaremos as monografias de Fabiano; Silva (2011), Guerra; Silva (2010), Santos; Maia (2010) e Oliveira (2012). Além de bibliografia pertinente, faremos uso de documentos diversos e entrevistas.

Palavras-chave:

Cotidiano.

Tradição

Resistente

Católica;

Concílio

Vaticano

II;

Igreja

Católica;

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SOBRE “PERDAS CULTURAIS” EM SEXUALIDADES INDÍGENAS

Paulo de Tássio Borges da Silva Doutorando em Educação/Proped-UERJ E-mail: paulodetassiosilva@yahoo.com.br

Em quase uma década de pesquisas com povos indígenas brasileiros, em particular, povos indígenas da região nordeste, as expressões de gênero e sexualidades tem me feito refletir acerca de seus lugares e não lugares, bem como suas fronteiras e cruzamentos no que veio sendo delineado e normalizado como identidade indígena. Neste sentido, apontei, numa discussão anterior, uma vinculação das práticas de sexualidades não heterossexuais às perdas culturais e à “mistura identitária”. Nesta perspectiva, é negociado um bloco de indianidade homogêneo, numa lógica de adequação em que o Estado brasileiro define o que vem a ser índio mais ou menos “puro”, obedecendo uma regra de inteligibilidade baseada num fetiche identitário calcificado, sendo essa definição requisito de acesso às políticas públicas e programas indigenistas pelas etnias. Na busca por uma categoria que não fosse colonizadora das sexualidades indígenas, e entendendo que o termo “homossexualidade indígena” levaria a uma concepção binária com a “heterossexualidade indígena”, optei, dentro de uma perspectiva derridiana (DERRIDA, 1997, 1994), tratar como rasura a questão, usando o termo “sexualidades indígenas indecidíveis”, percebendo estas como “condições de possibilidades”, lugares do “não-conceito”. Vale dizer que, muitos são os relatos e as pesquisas que trazem experiências de “sexualidades indígenas indecidíveis” no Brasil (MOTT, 1998; TORRES, 2011; TREVISAN, 1986; CANCELA, SILVEIRA & MACHADO, 2010; SILVA, 2012). No entanto, vivências sexuais indígenas que fogem à representação da heterossexualidade são tratadas como características de povos com “perdas culturais”. Neste sentido, ainda há uma vinculação espectral de perdas culturais em torno das identidades indígenas ao evolucionismo cultural, o que faz Oliveira (1998) nos convidar a pensar numa etnologia que vá além das perdas e ausências culturais: uma etnologia dos índios misturados. Desta forma, acredita-se que para se avançar no estudo das “sexualidades indígenas indecidíveis”, o diálogo deverá perpassar as fronteiras e os cruzamentos em que os povos indígenas se encontram e desejam estar, o que se vincula à intenção desta proposta.

Palavras-chave: Povos Indígenas; Espectro; Sexualidades Indígenas.

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SIMPOSIO 06 CAMINHOS PARA A PESQUISA HISTÓRICA: AS INSTITUIÇÕES ARQUIVÍSTICAS E AS FONTES DOCUMENTAIS E PATRIMONIAIS

Proponentes: Gislaine Romana de Carvalho (UNEB) e Uerisleda Alencar Moreira (UNEB)

Ementa: O presente simpósio temático tem por finalidade propiciar um espaço para o debate acerca das fontes documentais e patrimoniais amplamente utilizadas para a pesquisa histórica. Nesta, serão privilegiados os trabalhos de cunho acadêmico que abordem o campo metodológico para a construção do conhecimento histórico a partir de documentos e monumentos. Também serão priorizados os relatos de experiência no trato documental, seja em acervos públicos e/ou privados. Assim, pretende-se discutir diferentes perspectivas acerca do uso documental e patrimonial para a produção do conhecimento, seja em relatos de experiência em estágio ou mesmo o resultado de pesquisa científica.

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A FESTA DE PESCADORES EM CONCEIÇÃO DA BARRA ES E MUCURI BA

(1970-2015)

Josiane Anacleto da Silva Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Graduanda do curso de Licenciatura em História Email: bianacleto20@gmail.com

Stefane Souza Santos Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Graduanda do curso de Licenciatura em História E-mail: tete_1294@hotmail.com

Priscila Santos da Glória Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Mestre em História Regional e Local pela UNEB E-mail: priumani@yahoo.com.br

O presente trabalho busca abordar a manifestação cultural da festa dos pescadores, nas duas

cidades litorâneas, Conceição da Barra- ES e Mucuri-Ba, partindo do ano de 1970 até 2015, tendo como objetivo mostrar as permanências e rupturas da festa, fazendo um comparativo entre as duas regiões citadas acima. A festa dos pescadores é realizada no dia 29 de junho, conhecida também como a festa de São Pedro, o padroeiro dos pescadores. No período do dia 25 até o dia 29 de junho, as Igrejas e as praças são preparadas para a celebração e o ritual do Santo Padroeiro dos Pescadores. Durante a realização, as pessoas se divertem com brincadeiras e gincanas seguidas de premiação. A tradição Cultural da Festa sofreu modificações ao longo do tempo. O passado, a memória e o presente dessa gente deixa vivo na história sua tradição carregada de significados. A partir de pesquisa com fontes orais, por

meio de entrevistas, analisou-se as narrativas dos pescadores sobre as suas memórias do festejo, isso será possível através da metodologia da história oral. Também serão realizadas pesquisas escritas com arquivos documentais encontrados nas Colônias de Pescadores e das prefeituras dos municípios em questão. Como embasamento teórico, utilizaremos Geraldo Silva (2001), Brandão (2011), Michael Pollak (1992), Amado (1995) e Portelli (2001; 1997).

Esta proposta de trabalho ainda encontra-se em construção, visto que, faz parte de um projeto

de pesquisa em andamento. A festa representa uma tradição cultural que há muito tempo vem

fazendo parte da vida social, religiosa e econômica dos moradores.

Palavras-Chave: Festa, tradição, memória, permanências e rupturas.

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FESTA DE SÃO JOÃO NO INTERIOR DO EXTREMO SUL BAIANO: VALORES CULTURAIS X VALORES ECONÔMICOS

Franciele Santos Soares Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Graduanda do curso de Licenciatura em História E-mail: franciele_pessoa@hotmail.com

Marluce dos Santos Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Graduanda do curso de Licenciatura em História E-mail:luli-perigo@hotmail

Gislaine Romana Carvalho da Silva Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Doutoranda em Ciência da Educação E-mail: gislainercs@gmail.com

Priscila Santos da Glória Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Mestre em História Regional e Local pela UNEB E-mail: priumani@yahoo.com.br

Este trabalho é resultado de um projeto de pesquisa que tem como objetivo compreender o processo de apropriação econômica do festejo do São João no interior do extremo sul baiano. Observar a leitura que o homem contemporâneo faz aliado a teóricos à respeito da temática proposta no projeto, tornou-se importante para a compreensão da percepção que se tem do tema pela própria comunidade, para tal, utilizou-se um relatório do Governo do Estado da Bahia (2013) sobre os aspectos econômicos da festa de São João em algumas cidades do interior baiano e autores como: Peter Berger e Thomas Luckmann (1985); Norberto Luiz Guarinelo (2001); Cássia Lobão Assis e Cristiane Maria Nepomuceno (2008); Lúcia Helena Vitalli Rangel (2008); Rita Amaral (1998) e Jânio Roque Barros Castro (2009). Os autores vieram contribuir para a compreensão a partir do entendimento que a vida cotidiana nos remete a realidade, onde as festas são a reprodução do nosso cotidiano, sendo está um conjunto de conhecimentos e práticas vivenciadas pelo povo e para o povo, ou seja, cultura popular. Sendo as festas juninas comemoradas no país inteiro, em que suas tradições culturais permanecem, percebe-se as rupturas no sentido de que as pessoas não conhecem a origem do festejo, assim como o caráter religioso e social da festa que se modificaram no decorrer do tempo. Porém, sabe-se que mesmo com o multiculturalismo e uma apropriação mercantil do festejo, não impediu que as características primeiras se perdessem; apenas que se modificassem. Desse modo, utilizou-se como base metodológica a revisão bibliográfica e a utilização de pesquisa oral. O comprometimento com as estratégias metodológicas permitiram o desenvolvimento reflexivo dos pontos-chave para a compreensão da temática bem como a percepção da comunidade sobre a temática.

Palavras-chave: Festa, Cultura Popular, São João, Cotidiano.

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CABOCLO NO TERREIRO, NO VALE E NA LÍNGUA: REPRESENTAÇÕES SEMIÓTICAS E RELIGIOSAS DO ÍNDIO

Bougleux Bomjardim da Silva Carmo Universidade Estadual de Santa Cruz Mestre em Letras / Profletras E-mail: bug7raio@gmail.com

No terreno do simbólico a relação entre a constituição semiótica de determinados atores sociais se desmembram de sua condição primeira e passa a fazer parte de novos universos simbólicos e sociais. Nesse contexto, a figura do caboclo, mais do que um elemento social em permanente luta por representatividade político-cultural, constitui-se numa representação que salta do nível profano e alcança um status religioso no âmbito das configurações míticas em determinados segmentos sincrético-religiosos. Diante desse quadro, o presente trabalho tem por objetivo refletir sobre a formação religiosa da figura do caboclo no seio de determinadas crenças. Em meio a essa reflexão, pontua-se a presença da linguagem como um item de identização e representação cabocla. Para tanto, analisa-se a presença dessa figura no âmbito das linhas da Umbanda, do Candomblé e do Vale do Amanhecer, espaços onde o caboclo exerce papel proeminente. Nossa discussão apoia-se nos estudos culturais (HALL, 2013), na compreensão da figura cabocla (RIBEIRO, 1983; SILVA; MAUÊS, 2005; CASALI, 2014), partindo do conceito antropológico de cultura (ARANTES, 1990; LARAIA, 2014; CHARTIER, 1995). Tendo em conta o diálogo entre estudos disciplinares concernentes à História, Linguagem e Cultura, realiza-se uma análise qualitativa das representações ao passo que as inflexões teóricas se convergem para uma compreensão semiótica dessas representações. Dessa forma, adota-se uma metodologia bibliográfico-analítica. Uma leitura interdisciplinar e atenta das questões aqui postas demonstra que, no contexto atual, a figura cabocla encontra-se num paradoxo, qual seja a deslegitimação social e o status religioso em determinadas linhas de crenças. Igualmente, na sua constituição semiótica de caboclo, a língua é marca de identidade e do primitivismo que passa a ter cunho místico no espaço religioso. Finalmente, concebe-se a necessidade de melhor entendimento dessas figuras nos vários espaços sociais, de forma central, no âmbito pedagógico, tendo em consideração a educação das relações étnico-raciais, de forma a legitimar social, política, cultural e religiosamente o caboclo.

Palavras-chave: Representações simbólicas, Caboclo, Linguagem, Semiótica, Religiosidade.

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OS REGISTROS ECLESIAIS PARA O ESTUDO DO BATISMO DE CRIANÇAS INDÍGENAS EM PORTO SEGURO (1837-1845)

Uerisleda Alencar Moreira Docente da Universidade do Estado da Bahia - DEDC Campus X Mestre em História Regional e Local E-mail: uerisleda@yahoo.com.br

O presente estudo surgiu de uma inquietação frente ao silenciamento da história da criança e

da infância no extremo sul da Bahia. Deste modo, com um olhar voltado para as crianças, a presente proposta procura estudar a história da criança sul baiana a partir dos registros contidos nos livros de batismo da Igreja Matriz Nossa Senhora da Penna da Vila de Porto Seguro, no período de 1837 a 1845. Para tal, o trabalho se apóia na análise documental em um modelo quali-quantitativo, que possibilitou através da construção de uma base de dados, atribuir valores e significados às características levantadas e quantificadas. Nos registros

eclesiais termos como inocente, legítimos e naturais foram utilizados para se referir às crianças batizadas, estes termos foram analisados juntamente com o contexto de produção dos registros eclesiásticos de modo a possibilitar a compreensão do sujeito infante para a Igreja Católica e, consequentemente, para a sociedade em foco. Evidenciar questões relacionadas às práticas voltadas à infância que sobreviveram no tempo e no espaço podem contribuir para a construção da História da infância. O estudo busca compreender o papel assumido pelo rito de batismo junto a população porto-segurense em meados do século XIX de modo a tentar analisar as múltiplas facetas assumidas pelo ritual em foco. Os assentos de batismo permitiram entrever a presença da criança indígena no rito católico. Considera-se que os assentos permitem entrever a participação indígena nos rituais católicos bem como apreender

o conceito de criança forjado num território em que sujeitos de várias origens étnicas (brancos, negros, índios e mestiços) criaram as relações as mais diversas sob o condicionamento da colonização portuguesa.

Palavras-Chaves: Registros eclesiais, Crianças, índios, Porto Seguro.

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CEMITÉRIOS, SEPULTAMENTOS E URBANIZAÇÃO EM TEIXEIRA DE FREITAS (1980-2015)

Maria D´Ajuda Rodrigues Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Graduanda do curso de Licenciatura em História E-mail: dajudam6@gmail.com

Priscila Santos da Glória Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Mestre em História Regional e Local pela UNEB E-mail: priumani@yahoo.com.br

A presente pesquisa tem a intenção de abordar os sepultamentos e cemitérios em Teixeira de Freitas- Ba na década de 1980 até 2015, tendo como objetivo compreender a relação entre os locais de sepultamento, o crescimento e a urbanização da cidade. O crescimento da cidade de Teixeira de Freitas está ligado a sua emancipação e urbanização, esse processo influenciou o comércio funerário, pois a elite buscou formas privadas de sepultamento, enquanto a população reivindicou ao poder municipal a construção de cemitérios públicos. O comércio funerário dividiu as classes populares e uma elite que dispôs de sepultamentos diferenciados, assim buscamos entender como os símbolos que são característicos de cada classe social são representados após a morte. Para a análise utiliza-se a pesquisa de campo, onde se realizou entrevistas através da metodologia da história oral, buscou-se analisar as narrativas dos entrevistados para compreender a relação dos cemitérios em Teixeira com sua urbanização, mas também como as memórias reportam a símbolos funerários. Em paralelo, utilizam-se as seguintes referências: Marc Bloch (2002), João José Reis (1991) e André RIBEIRO (2008). A presente proposta é ainda um projeto de pesquisa em desenvolvimento, mas que já possuí alguns resultados, como a percepção da urbanização de Teixeira de Freitas de forma precipitada e seu crescimento desordenado, esses dois elementos fizeram com que houvesse um aumento populacional e um crescimento nos números de mortos. Então, o poder público buscou formas de ordenar e higienizar a cidade percebendo a necessidade de criar um lugar oficial para sepultar seus mortos, influenciando na construção do primeiro cemitério em Teixeira de Freitas. Constata-se também que os cemitérios carregam valores que estão diretamente ligados à representação de estigmas econômicos e sociais.

Palavras-Chave: Cemitérios, símbolos, urbanização.

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RELAÇÕES MATRIMONIAIS NA IGREJA DE SÃO BERNARDO DE ALCOBAÇA, BAHIA, EM MEADOS DO SÉCULO XIX

Laís Assunção Moreira Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Graduanda do curso de Licenciatura em História E-mail: laismoreira8@hotmail.com

Uerisleda Alencar Moreira Docente da Universidade do Estado da Bahia - DEDC Campus X Mestre em História Regional e Local E-mail: uerisleda@yahoo.com.br

A pesquisa investigará as relações matrimoniais em meados do século XIX, com objetivo de delinear as escolhas matrimoniais realizadas entre sujeitos de diferentes extratos sociais na Igreja Matriz São Bernardo de Alcobaça, de modo a conhecer e contribuir para a composição da História Local e Regional. Assim, serão analisadas as relações sociais que se desenrolaram a partir do matrimônio. Além de analisar as relações elitistas, que foi enfatizada e priorizada por muito tempo pela história deixando de lado a história das classes marginalizadas. Serão abordadas as relações de toda a sociedade que fez uso do sacramento no local e período em estudo, evidenciando todos os sujeitos presentes nas fontes. Para desenvolver a pesquisa, se recorrerá às fontes eclesiásticas, oriundas da administração dos sacramentos católicos que tiveram papel fundamental - pelo fato de ser o único meio de conseguir o casamento legal - na documentação matrimonial no período em estudo. As fontes eclesiásticas oferecem uma grande riqueza de informações de onde é possível desenvolver pesquisas sobre como a Igreja propagava o ideal de família, composto pela união conjugal de um homem e de uma mulher. Ao lado das fontes matrimoniais, a legislação eclesiástica para a formação familiar será consultada, pois se entende fundamental conhecer os preceitos que originaram as fontes a serem privilegiadas na presente proposta de pesquisa. No registro de matrimônio, informações como nome de ambos os nubentes, idade, origem de nascimento, filiação, cor da pele, condição jurídica e de origem étnica, são observados no documento como modo de possibilitar traçar um perfil dos nubentes. Também são encontradas informações como dia, mês, ano, horário e local onde fora realizada a cerimônia, além da descrição de dispensa de impedimento, informações que dizem respeito aos próprios legislativos sinodais e sua aplicação na Matriz em estudo. Assim, busca-se analisar a norma e a prática dos dispositivos legais, de modo a compor um panorama das relações matrimoniais em foco e problematizar as relações que se desenvolveram a partir do matrimônio na localidade, na região e no século apontado.

PalavrasChave: Fontes Eclesiais, Igreja Católica, Matrimônio, Século XIX.

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ANÁLISE DAS FONTES DOCUMENTAIS DA LEGISLAÇÃO SOBRE A INCLUSÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL (2005-2015)

Romário Santos da Silva Universidade do Estado da Bahia - DEDC Campus X Graduando do curso Licenciatura em História Bolsista da Iniciação Cientifica PICIN/UNEB E-mail: romario_silva01@hotmail.com

Frederico Loiola Viana Graduando do curso de Licenciatura em Letras Inglês e suas Respectivas Literaturas Universidade do Estado da Bahia - DEDC Campus X Voluntário da Iniciação Cientifica E-mail: fredyloy@hotmail.com

Guilhermina Elisa Bessa da Costa Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Orientadora da Iniciação Científica/PICIN/UNEB Mestre em Educação E-mail: guilbessa@yahoo.com.br

O presente trabalho buscar analisar as fontes documentais da legislação brasileira sobre a inclusão das pessoas com deficiência no Brasil, no período histórico de 2005 a 2015, na perspectiva de refletir sobre a inclusão social, mais precisamente, sobre a inclusão escolar. A inclusão social promove a criação de condições que favoreçam ao máximo a autonomia das pessoas em uma comunidade. Nesse sentido, a escola necessita propiciar ao educando romper barreiras que permeiam o convívio social, que por vezes, se mostra preconceituosa e discriminatória, com vistas a atender os princípios da alteridade, por isso surge a necessidade de conhecer os seus direitos, preconizados na legislação brasileira. O objetivo da educação inclusiva é buscar condições de refletir e buscar ações propositivas para minimizar a exclusão social e proporcionar o respeito a diversidade, debatendo acerca dos problemas individuais, não menosprezando a capacidade física, intelectual e cultura dos educandos, mas enriquecendo o seu aprendizado. As fontes documentais a serem analisadas, referem-se a decretos, resoluções e leis brasileiras promulgadas pelo Governo Federal, as quais influenciam nas políticas públicas dos estados e municípios. O referencial teórico centra-se nos estudos de Ainscow (1999), Brasil (2013) e (2015), Crochik (2011), Diniz; Barbosa; Santos (2009) dentre outros. Trata-se de uma pesquisa de caráter teórico e bibliográfico. Os resultados preliminares demonstram que existe um distanciamento entre os direitos preconizados na legislação e sua aplicabilidade na prática e no cotidiano da vida das pessoas com deficiência no Brasil.

Palavras-chaves: Fontes documentais, legislação, Pessoas com deficiência.

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INTERLOCUÇÕES ENTRE PESQUISA, HISTÓRIA E MEMÓRIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ESPAÇOS NÃO- ESCOLARES

Gislaine Romana Carvalho da Silva Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Doutoranda em Ciência da Educação E-mail: gislainercs@gmail.com

Guilhermina Elisa Bessa da Costa Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Mestre em Educação E-mail: guilbessa@yahoo.com.br

O presente texto consiste no relato de experiência de estágio supervisionado dos graduandos do VI semestre do curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia, do Departamento de Educação Campus X, realizado em arquivos públicos e particulares da

microrregião de Teixeira de Freitas, territorialidade do Extremo Sul da Bahia, Brasil

Estágio supervisionado fundamentou-se nas discussões teóricas e metodológicas dos autores:

Arroyo (2000); Candau (2002); Alarcão (2003); Freire (2000); Lima (2002), Libâneo (2006); Pimenta (2004); e Veiga (1998), Lima (2002); Bloch (2001); Flamareon (1994); Pinsky (2004); Júnior (1995); Abreu (2003); Horn e Germinari (2006); entre outros teóricos tanto das disciplinas pedagógicas quanto das especificas do curso de História. O projeto de intervenção foi elaborado com a participação do (a)s acadêmico (a)s prevendo a sua execução em espaços socioeducativos, não-escolares (ONGs, Museus, Arquivos públicos e particulares, comunidades religiosas, entre outras. O estágio foi dividido em três momentos: estudos teóricos com vistas a elaboração do projeto, execução do projeto com a utilização de fichas de registro e acompanhamento das atividades de intervenção nos arquivos, durante o trabalho de campo; subsídios para memória e relatório escrito do momento da observação e exploração documental e para análise reflexiva e articulação das informações e do aprendizado produzido nas experiências vivenciadas no contexto do estudo, foi proposto a realização de Seminário de socialização para analisar as informações suscitadas no decorrer do Estagio Supervisionado, o qual proporcionou aos acadêmico(a)s envolvido(a)s, o acesso a ferramentas voltadas para o desenvolvimento de habilidades específicas ao historiador(a), como: manusear, conservar, armazenar e interpretar com propriedade, documentos das rotinas administrativas, burocráticas e seus expedientes, história oral e vestígios históricos dos arquivos pesquisados. Conclui-se que o estágio em arquivos é imprescindível para agregar conhecimentos e experiências significativas, concatenando teoria e prática. Observa-se a relevância do estágio no processo de formação tanto dos educadores em exercício, como dos futuros educadores/historiadores.

O

Palavras-chave: História local e regional, Arquivos e Memória.

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SIMPOSIO 07 HISTÓRIA, ÁFRICA E AFRICANIDADES

Proponente: Benedito de Souza Santos (UNEB)

Ementa: Este simpósio temático tem como objetivo fomentar discussões em torno das resistências negras no pós travessia atlântica e provocar discussões sobre formação de quilombos como experiências de resistências convergentes entre africanos e indígenas no Brasil. Fomentar pesquisa para compreender influência da cultura indígena nas comunidades quilombolas, bem como a influência da cultura afro-brasileira e africana nas aldeias indígenas. Apontar possibilidades de pesquisas históricas com abordagem teórico- metodológica interdisciplinar sobre apropriações e usos da categoria afroindígena por atores sociais contemporâneos. Discutir as emergências étnicas a partir da perspectiva dos próprios atores sociais.

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PORTUGAL ÁFRICA E O ENCONTRO COM A ILHA BRASILIS: DIFERENTES PERSONAGENS QUE CONSTRUÍRAM A IDENTIDADE BRASILEIRA

Mariana Dourado da Silva Universidade do Estado da Bahia UNEB - Campus IV Graduanda no Curso Licenciatura em História

Maríllia de Oliveira Pinho Universidade do Estado da Bahia UNEB - Campus IV Graduanda no Curso Licenciatura em História

Ao se pensar num Brasil com múltiplas faces culturais e étnicas, surge a necessidade de refletir sobre a identidade do povo brasileiro e dar voz aos personagens da história brasileira que construíram a nossa brasilidade. Nesse sentido, é preciso compreender todo um processo histórico que se inicia num período pré-colonial quando a ilha brasilis assim denominada pelos europeus era habitada somente pelos povos indígenas e o período colonial quando os portugueses chegam ao Brasil e o momento em que se inicia o tráfico negreiro para a colônia. Desse modo, o projeto busca não somente discutir sobre a formação da identidade, mas provocar questionamentos no tocante a ideia de identidade nacional, bem como entender o que instiga um indivíduo a se autodeclarar brasileiro, de modo que possa identificar aspectos culturais oriundos das três etnias (índios, portugueses e africanos) que inicialmente compõe a civilização brasileira e a diversidade cultural. Segundo Milton Moura, o estabelecimento ou a

numa sociedade colonial, a

identidade não se coloca como problema até o momento em que o poder metropolitano é enfrentado e posto em questão”. Nesse sentido o enfrentamento entre colonizador e colonizado proporciona as novas formulações de identidade. Portanto, o projeto vem com o intuito de proporcionar um novo entendimento sobre o que se discute em relação a identidade nacional, de modo que, instigue os indivíduos a questionar sua própria concepção de identidade e valorizar cada personagem da história do pais e as culturas de cada povo que juntas formam um Brasil mestiço e diversificado, reafirmando o que Gilberto Freyre postula em seu estudo a miscigenação é a identidade do país. A partir do Estagio Supervisionado II que possibilita-nos a aplicação de minicurso em locais não formais, materializamos este projeto buscando oportunizar discussões com os participantes, utilizando recursos didáticos e midiáticos para um melhor aprimoramento. Este Simpósio contribuíra e nos possibilitará agregar novas abordagens para enriquecimento do projeto em questão.

consolidação de uma identidade é um processo complexo. “

PalavrasChave: Identidade, diversidade cultural, sociedade colonial.

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REIFICAÇÃO E RESISTÊNCIA NAS RELAÇÕES RACIAIS À BRASILEIRA

Jéssica Silva Pereira Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Graduanda do curso de Licenciatura em História E-mail: jspereira422@gmail.com

Benedito de Souza Santos Docente Substituto da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Professor assistente de Sociologia da Faculdade do Sul da Bahia-FASB Mestre e Doutorando em Estudos Africanos (CEAO-UFBA) E-mail: estudantedeafrica@hotmail.com

No presente artigo pretende-se discutir o conceito de raça nas suas múltiplas reproduções histórica a partir de revisão de literatura, buscando apresentar o contexto geral a partir do último quartel. Estes estudos têm a pretensão de compor o primeiro capítulo do trabalho de conclusão de curso, que visa desconstruir o entendimento do lugar social do negro pardo, moreno, mulato, etc. enquanto representação de não-sujeito da população negra antes, durante e no pós-abolição. Contribui, portanto, para o constante refazer da História do Negro no Brasil, pois a cada dia torna evidente o quanto o racismo no cotidiano brasileiro, pautado numa construção histórica das relações raciais que agrega novas estratégias, perpetua na sociedade em questão. Camuflada na ideia de “democracia racial”, acaba colocando as margens discussões que precisam fazer parte dos espaços educacionais e políticos. As manutenções de tais perspectivas reafirmam a lógica histórica de reificar a representação do negro na sociedade brasileira. Nesta direção este trabalho procura apresentar o contexto social que, de maneira coercitiva, leva parte significativa da população negra se reconhecer como pardos. A principal hipótese desta proposta é que tal contexto multirracial brasileiro influencia o processo de invisibilidade e manutenção da reificação do “ser negro”, atravessada pela ideologia racista de branqueamento que foi disseminada no Brasil onde o “mestiço” por hora teria a sua mobilidade social e em tempo possibilitaria a superação da degeneração e do atraso do país. Para delinear o objeto de pesquisa foi utilizado como metodologia, revisão bibliográfica, tendo como base estudos empreendidos por Appiah (1997), Guimarães (1999), Santos (2002), Skidmore (1976), dentre outros estudos que são de reconhecida importância para temática. Dessa forma, busca-se propor a reflexão sobre o lugar imposto à população negra por aqueles que historicamente ocuparam espaço de privilégio, bem como discutir os mecanismos e estratégias de resistência da população negra enquanto atores sociais que se inquietaram e se inquietam com o lugar lhes reservados nas relações sociais/raciais da sociedade brasileira. Terá essa contextualização geral representação local no Extremo Sul da Bahia? É possível, a princípio, que mesmo diante de um grande número de pessoas negras esse território de identidade promova a invisibilidade do “ser negro” enquanto representação étnica-racial.

Palavras-chave: Raça, Negros, Representações sociais, Relações raciais.

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ESCRAVIDÃO E RESISTÊNCIA NEGRA: FORMAÇÃO DE QUILOMBOS

Ramom Pereira de Jesus Moreira Graduando em História pela UNEB - CAMPUS X. E-mail: ramom.moreira@hotmail.com

Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes (Orientadora). Profª Assistente do Colegiado de História/UNEB - CAMPUS X Mestra em História Regional e Local - UNEB - Campus V. E-mail: liufernandesc@yahoo.com.br

Este artigo busca apresentar elementos que integram o primeiro capitulo do Trabalho de Conclusão de Curso que esta sendo produzido, e busca discutir questões referentes à escravidão, tomando as dimensões que permeiam o início desta prática ainda em África, para percebermos quais elementos provocaram as transformações das dimensões escravistas em algumas regiões do continente, a partir da entrada de “agentes externos” que foram responsáveis pelo tráfico transaariano e transatlântico de cativos para diversas regiões do mundo, inclusive para o Brasil. No século XV, quando se iniciou o processo de escravização realizado pelos europeus no continente africano, essa prática não se caracterizou como um fato novo, levando em consideração que a escravidão estava longe de ser um fenômeno da idade moderna, segundo estudos de Lovejoy (2002). A partir destas concepções, discutiremos as ações de africanos e seus descendentes para resistirem à escravidão a qual eram submetidos, das muitas formas de resistência utilizadas por eles, discutiremos sobre a fuga e formação de quilombos, entendendo que, onde houve o uso do trabalho escravo, ocorreram diversas formas de resistência. A pesquisa é resultado de uma revisão bibliográfica que se pautou, entre outros estudiosos, em Lovejoy (2002) que discorre acerca das transformações da escravidão interna africana a partir das invasões dos agentes externos (árabes e europeus); Albuquerque e Fraga Filho (2010) contribuem com a história do negro no Brasil, discutindo as muitas formas encontradas por africanos e seus descendentes contra o sistema escravocrata; Moura (1987) contribui ao sinalizar que a formação de grupos de escravos, em locais recanteados na floresta à dentro, ia além da intenção de se livrarem dos trabalhos forçados, nas fazendas de café e de algodão, no plantio da cana de açúcar, ou nos engenhos e moinhos, também sendo possível afirmar que ali havia o desejo de preservar a cultura, crenças, expressões religiosas e míticas trazidas do continente africano para cá e que a diáspora via Atlântico não foi capaz de fazê-los esquecer. A analise das leituras feitas fortalece a ideia dos quilombos como a reprodução de uma nova África, onde os fugidos reproduziriam antigos costumes e formas de sobrevivência ao tempo em que faziam ajustes relacionados ao seu tempo presente, integrando-se no local em que se vivia no Brasil.

Palavras Chaves: Escravidão, resistência, quilombos.

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AFROINDÍGENAS, MEDIAÇÃO E EMPODERAMENTO: UMA EXPERIÊNCIA DO MOVIMENTO CULTURAL ARTE MANHA EM CARAVELAS-BA

Benedito de Souza Santos Docente Substituto da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Professor assistente de Sociologia da Faculdade do Sul da Bahia-FASB Mestre e Doutorando em Estudos Africanos (CEAO-UFBA) E-mail: estudantedeafrica@hotmail.com

Neste artigo apresento o Movimento Cultural Arte Manha em Caravelas como mediador de ações representadas por diferentes atores de diferentes compreensões de pertença étnica, que se movimentam em busca do fortalecimento de suas identidades. Destacamos a mediação como estratégia de empoderamento do Arte Manha nas relações com grupos de representações étnicas variadas, usando como pano de fundo suas múltiplas audefinições como meio de inserção e diálogo. O uso do relato e da história de vida no formato de gravação foi possível através da produção de um documentário realizado pelo Arte Manha na Aldeia Renascer no dia 08/09/2013 que teve como um dos objetivos a denúncia das condições a que os indígenas daquela aldeia são submetidos. A gravação foi realizada com a participação marcante do Cacique Bawai que relatou parte de sua trajetória e suas perspectivas em relação ao futuro da aldeia. A partir da história de vida de um indivíduo, nesta experiência em particular, foi possível retratar parte da experiência da comunidade. Para dialogar com a pesquisa utilizamos Agier (2001), Arruti (1997), Bartolomé (2006) e Hall (2000) que nos permite discutir identidade cultural, emergência étnica e etnogênese enquanto categorias políticas aplicadas a uma experiência nativa. Assim, a pesquisa oferece dados para reflexão como o quanto os participantes do Movimento Cultural Arte Manha, na ação de mediar os interesses dos grupos étnicos com outros atores sociais, acabam por se inserir em uma zona de empoderamento no seu sentido amplo.

Palavras-chave: Afroindígena, identidade, empoderamento, mediação.

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A FIGURA DOS PRETOS-VELHOS: REPRESENTAÇÕES ENTRE LINGUAGEM E MEMÓRIA

Bougleux Bomjardim da Silva Carmo Universidade Estadual de Santa Cruz Mestre em Letras / Profletras E-mail: bug7raio@gmail.com

O presente trabalho situa-se no contexto dos estudos em História e Cultura Afro-brasileira, tendo

como objetivo central discorrer acerca das representações da figura do preto-velho, para constituição de um panorama de um dos ícones relativos às manifestações históricas, culturais e religiosas da matriz africana no Brasil. Nesse sentido, abre-se uma discussão entre questões de identidade e memória centradas na linguagem. Este trabalho ancora-se nos estudos culturais e questões identitárias em Hall (2013) como contextualização ampla. Igualmente, são revisitados estudos acerca dos elementos religiosos e históricos que envolvem a representatividade e simbolismo dos pretos-velhos,

nos termos de Santos (1999) e sobre conceitos fundamentais de memória e identidade (SOUZA, 2007; ANDRÉ, 2008; ALKIMIM; LOPEZ, 2009) Nesse quadro, o conceito de cultura adotado segue em consonância com Arantes (1990), Laraia (2014) e Chartier (1995), conceito esse que envolve múltiplos aspectos e polifonia de vozes. A metodologia utilizada é qualitativa de cunho bibliográfico,

na confluência interdisciplinar entre estudos históricos, da linguagem e culturais. Como resultado de

nossa revisitação teórica e análise das representações constituídas, destacamos a construção mítico- religiosa dessas figuras de escravos e/ou entidades espirituais como uma representação específica de

nossa religiosidade, bem como tendo a linguagem como elemento de coesão identitária, memória, espaço das ressignificações e de luta cultural. Nessa perspectiva, o panorama aqui constituído pode

servir de base para estudos diversos e aprofundamentos relativos aos aspectos da diversidade e da memória de elementos da cultura afro-brasileira centrados nas peculiaridades dessa figura nomeada de preto-velho, em destaque ao papel da linguagem para sua concepção semiótica e religiosa. Além disso, constatou-se que tal linguagem tem suas raízes em um lento processo de contato linguístico, endoculturação, acomodação e dominação colonial. Os traços linguísticos e o comportamento peculiar

do escravo permaneceram como uma unidade de identização do preto-velho que são assumidas como

espíritos desencarnados, de luz, mentores e/ou guias espirituais numa gama de representações mítico- religiosas.

Palavras-chave: Preto-velho, Representações socioculturais, Linguagem, Memorialidades.

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MEMÓRIA CULTURAL E SOCIAL DA COMUNIDADE QUILOMBOLA BOITARACA

Tailine Nascimento Argôlo Universidade do Estado da Bahia UNEB Campus V Graduanda do curso de Licenciatura em História E-mail: tai_gospel_gta@hotmail.com

O projeto tem como objetivo analisar as experiências culturais e sociais, averiguar a memória,

a ancestralidade e as tradições orais como estratégias no processo de construção da identidade

a partir da experiência da comunidade Boitaraca localizada no município de Nilo Peçanha

baixo sul da Bahia. As formas de pesquisa estabelecida para atender os objetivos do trabalho em questão, foram baseadas na análise das formas simbólicas de ações sociais e culturais, e embasadas nós teóricos como Tomaz Tadeu, Muniz Sodré, Alfredo Wagner, Stuart Hall, salientando que o trabalho busca trazer reflexões a cerca da dinâmica sócio territorial do Quilombo do Boitaraca, categoria de análise que traz a tona, questões que emanam de aspectos simbólicos como, por exemplo, a cultura de um grupo social. Contudo, cabe aqui mencionar que o estágio preliminar de uma pesquisa com culturas é a etnografia, através de entrevistas e outros tipos de coletas de dados com o objetivo de reconstruir as maneiras como as formas simbólicas são interpretadas e compreendidas nos vários contextos da vida social. As comunidades quilombolas negras no Brasil enfrentam diversos obstáculos na garantia de direitos aos seus territórios ancestrais e neste contexto de lutas identidades político/culturais são criadas, recriadas ou inventadas. A escolha comunidade quilombola Boitaraca como objeto de estudo, vem da necessidade de compreender de que forma os remanescentes quilombolas se apropriam de sua identidade, como forma de resistência, presentes na formação das comunidades. Outro fato de fundamental importância está relacionado ao grau de parentesco com os moradores dessa comunidade.

Palavras-chave: Quilombo, memória, territorialidade, cultura.

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OS ESPAÇOS OCUPADOS PELOS NEGROS COMO AFIRMAÇÃO DA LIBERDADE NO RIO DE JANEIRO

Helena Aparecida de Souza Vieira Graduanda do curso de Licenciatura em História Universidade do Estado da Bahia - DEDC - Campus X E-mail: helena018@gmail.com

Priscila Santos da Glória Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC Campus X Mestre em História Regional e Local pela UNEB E-mail: priumani@yahoo.com.br

Este trabalho é parte das atividades propostas da disciplina de História do Brasil (Século XIX) tendo como objetivo investigar o processo de apropriação dos cortiços, analisando a sua utilização como ferramenta de contra sujeição. Partindo desta indagação inicial que fomentou a compreensão acerca do processo abolicionista no Brasil, identificando os fatores que levaram gradativamente os negros a conquistarem sua liberdade, não deixando de analisar as medidas tomadas contra este novo estado social em que o negro está a se afirmar enquanto pessoa livre. Destarte, este referente trabalho sendo uma revisão bibliográfica necessita-se teóricos que além de ajudar na compreensão acerca do tema provocou enxergar este período histórico em outra vertente, vertente esta que proporcionou perceber maiores resistências, apropriações de espaços como afirmação de liberdade que por muito foi negligenciada, sendo assim, para uma maior contextualização utilizou-se de Walter Fraga Filho (2006); Albuquerque (2006) que retrata o Brasil no período abolicionista onde o insere numa contextualização deste processo, igualmente utiliza-se de Chalhoub (1990) que através dos relatos pôde evidenciar como esta apropriação de determinados espaços foi crucial para que estes negros se firmassem enquanto libertos; novamente fazendo uso de Chalhoub (1996) que analisa os cortiços enquanto espaço epidêmico e como foi manuseados segundo os respectivos interesses envolvidos. Utilizou-se de Schwarcz (1993) que nos apresenta como a medicina foi utilizada para uma concepção social e estrutural na perspectiva hegemônica de higienização, numa forma de sanar.

Palavras-chave: Processo abolicionista, Apropriação dos cortiços, Negros, Liberdade.

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SIMPOSIO 08

HISTÓRIA SEM FRONTEIRAS: ASPECTOS FILOSÓFICOS DO SABER HISTÓRICO

Proponente: Joelson Pereira de Sousa (UNEB)

Ementa: Propõe um espaço transdisciplinar conveniente ao encontro de múltiplas abordagens do saber histórico (todos, entretanto, convergentes no objeto geral de estudo: a relação entre história e filosofia). Deseja-se chamar à inscrição estudantes e pesquisadores que, com respeito à necessária transposição de obstáculos metodológicos, venham produzindo pesquisas em uma perspectiva histórica capaz de realizar aproximações e/ou integrações entre as mais diversas áreas do conhecimento, seja no campo das ciências, das artes ou das humanidades.

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FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO: DIDÁTICA, METODOLOGIA E CURRÍCULO

Fábio Pereira Barros Universidade Federal do Espírito SantoUFES Mestrando em Ensino na Educação Básica E-mail: fabiosaojose2000@hotmail.com

A obrigatoriedade do ensino de Filosofia pela LEI 11.684/2008 impulsionou o debate acerca da Filosofia, dos conteúdos que são trabalhados e a forma como são trabalhados. Seu ensino tem sido alvo de investigações constantes e incessantes por parte dos educadores, com o objetivo de desenvolver uma metodologia específica para seu ensino e prática. No que concerne ao currículo de Filosofia havia escolas que priorizavam temas filosóficos, como Ética, Lógica, entre outros; em detrimento da História da Filosofia. Por outro lado, havia também, escolas que priorizavam a História da Filosofia, fazendo desta o próprio conteúdo da

disciplina. O professor de Filosofia recorre a uma metodologia e didática para suas aulas que Rancière (2000) chama de lógica da explicação. Essa postura carrega implícita a crença de que aquele que explica é o detentor dos conhecimentos filosóficos necessários que lhe permitem assumir a responsabilidade de transmitir os conteúdos da Filosofia àqueles que não

o possuem. O presente estudo se propôs a investigar o ensino de Filosofia no Ensino Médio,

no intuito de analisar o seguinte problema: há uma didática e uma metodologia específicas para ensinar Filosofia? O que ensinar e como ensinar? Com base na análise e interpretação dos dados encontrados nos textos selecionados, foi desenvolvido o estudo e estruturado o texto que é apresentado aqui. Foi tomada como referencial teórico o pensamento de Cerletti (1999), Deleuze (1992), Gallo e Kohan (2000), Lipiman (1994), Lorieri (2002), Navia (2004), Rancière (2000) entre outros, para a investigação, análise e interpretação da realidade acerca do ensino de Filosofia no Brasil. Esse estudo nos revelou que na educação brasileira ainda prevalece a perspectiva positivista de valorização das disciplinas das áreas de ciências Físico- Biológicas e Matemáticas. Onde o tecnicismo permeia a educação que se volta para a

preparação do jovem para o mercado de trabalho. E no que se refere à Filosofia e seu ensino,

a maneira como os conteúdos são abordados em aula se apresenta insuficiente, muitas vezes,

para desenvolver no estudante uma atitude filosófica. Onde prevalecem os conhecimentos prontos visando uma assimilação mecânica. Não havendo também uma didática nem uma metodologia própria para o ensino de Filosofia. Mas, possibilidades diversas de se trabalhar a Filosofia em sala de aula.

Palavras-Chave: Filosofia, Ensino Médio, Didática, Currículo.

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POÉTICAS DOS POVOS ORIGINÁRIOS E O SISTEMA DA ARTE CONTEMPORÂNEA

Alessandra Mello Simões Paiva Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Doutora/Professora Adjunta E-mail: alesimoespaiva@gmail.com

Aluízio Mendes Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Aluno/Bacharelado Interdisciplinar Ciências Humanas E-mail: aluiziooms@hotmail.com

Considerando a recente indicação da artista Arissana Pataxó para o prêmio PIPA 2016, uma das chancelas mais relevantes no sistema da arte contemporânea brasileira, este trabalho tem como objetivo debater as relações entre arte indígena e arte contemporânea, suas interfaces e dissonâncias teóricas, e paralelismos históricos. A metodologia partiu do planejamento e dos desdobramentos do Componente Curricular intitulado “Movimentos artísticos e linguísticos dos povos pré-colombianos e diaspóricos nas Américas”, oferecido no primeiro quadrimestre de 2016 na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Segundo a ementa da disciplina, procurou-se abordar sistemas de pensamento, culturas, artes e línguas que sustentam expressões artísticas dos povos originários das Américas, analisados a partir de referencial teórico transdisciplinar. A partir desta proposta inicial, este trabalho alcançou como resultado o entendimento da produção artística indígena latino-americana nas seguintes abordagens: a) Compreensão do momento em que se torna possível a conjugação da estética e da etnografia na História da Arte em suas relações com os povos originários; b) Inter-relações entre a produção histórica e atual destes povos; c) Entendimento da atual situação da arte dos povos originários nas Américas e sua inserção nos meios de produção e circulação da arte contemporânea; d) Reconhecimento da arte dos povos originários das Américas enquanto produção estética legítima, marcada por suas especificidades autorais e regionais; e) Apreensão de seus processos de criação enquanto heranças identitárias, passíveis de serem utilizadas em diálogo com seus próprios sistemas poéticos e subjetividades.

Palavras-chave: arte indígena, artes visuais, arte contemporânea, poéticas ameríndias.

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A INFLUÊNCIA DA RELIGIÃO NA FORMAÇÃO HUMANA:

IDEOLOGIA E O DESAFIO DO DIFERENTE

Izaiane Ferreira Costa Universidade do Estado da Bahia DEDC - Campus X Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID Discente do curso de Licenciatura em História E-mail: izaiane_ferreira@hotmail.com

Joelson Pereira de Sousa Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC - Campus X Mestre em Filosofia - Universidade São Judas Tadeu - USJT E-mail: joelson.filo@hotmail.com

Trabalhando numa perspectiva interdisciplinar e abordando não só o campo da História, mas também elementos existentes dentro do campo da Filosofia, da Psicologia e da Sociologia, este trabalho tem como objetivo compreender como a incerteza do novo pode levar ao desafio do diferente, estabelecendo uma ligação entre a ideia de apropriação e não compreensão do outro no meio em que ele vive. Apontando assim, a ideologia como fator implicante no pensamento reducionista para explicar a realidade do outro. Apoiando-me em estudos dos autores Edgar Morin, Marta Kohl de Oliveira e Louis Althusser irei analisar a influência religiosa e as polêmicas que a envolvem dentro do contexto social. Afinal, quando se trata de dogma religioso tudo fica mais complexo e inquestionável. Mostrando o seu poder de apropriação sobre outros fatores influentes nessa formação cultural, identificando a maneira como a Igreja influi na formação de normas e na orientação das éticas, já que atualmente as ideologias responsáveis pela alienação de indivíduos são em grande parte de cunho religioso. Levando em conta que a ideia de submeter uma cultura ou uma religião à outra não surgiu no século atual. Podemos observar isso claramente se fizermos uma breve análise do Brasil Colônia, onde, com a chegada dos portugueses houve a evangelização/catequização dos índios baseada na implantação do ensino religioso forçado. E olhando por esse ângulo é possível afirmar que apesar dos tempos terem avançado, a religião continua sendo fator implicante na formação mental dos seres humanos. Já que o ser humano nasce inserido em um sistema, e esse sistema de relações sociais varia de acordo com a sua cultura. E na maioria das vezes, é esse sistema que dita à forma como esse ser irá agir, se vestir, se comunicar e até mesmo pensar.

Palavras-chave: Religião, Ideologia, Cultura, Formação humana.

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AS EXPERIÊNCIAS TOTALITÁRIAS NO SÉCULO XX E O FIM DA TRADIÇÃO NO PENSAMENTO DE HANNAH ARENDT: A HISTÓRIA CONHECIDA CHEGA AO FIM

Raí Souza Costa Universidade do Estado da Bahia DEDC - Campus X Bolsista do Programa de Iniciação Científica da FAPESB Discente do curso de Licenciatura em História E-mail: raicosta_rsc@hotmail.com

Joelson Pereira de Sousa Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC - Campus X Mestre em Filosofia - Universidade São Judas Tadeu - USJT E-mail: joelson.filo@hotmail.com

O presente trabalho é fruto de pesquisa de Iniciação Científica e visa apresentar o modo como Hannah Arendt aborda as experiências totalitárias ocorridas no século XX, destacando, sob uma perspectiva histórica, sua tese de fim da tradição. Com essa finalidade, propomos o seguinte percurso: 1) crítica arendtiana da historiografia positivista em relação às fontes de pesquisa sobre os regimes nazista e stalinista; 2) as experiências totalitárias como acontecimento central na ruptura histórica entre passado e futuro e 3) a compreensão da tese arendtiana de fim da tradição. Isso porque, segundo Hannah Arendt, os fenômenos políticos, sociais, militares e econômicos oriundos deste período, trouxeram à cena histórica fatos radicalmente novos e sem precedentes no mundo ocidental. Neste sentido, a pesquisa consiste na revisão bibliográfica acerca da concepção de teoria da história possibilitando um espaço de diálogo para novas conspecções acerca da temática. A pesquisa consiste em revisão bibliográfica das seguintes obras: Origens do totalitarismo (1951) e Entre o passado e o futuro (1954) de Hannah Arendt, avançando para textos secundários como: A Alemanha de Hitler: origens, interpretações, legados (2002) de Roderick Stackelberg Hannah Arendt história e liberdade (2012) de Sônia Maria Schio e por fim, a dissertação de Mestrado Hannah Arendt: entre a política e a história (2009) de Márcia Raquel Branco. Diante desse percurso espera-se avançar no campo da reflexão sobre a teoria da história colaborando para o desenvolvimento de novas abordagens sobre as temáticas em destaque no contexto desta pesquisa a fim de abrir caminho para novas discussões acerca deste campo da história e os meandros pelos quais passam o seu entendimento.

Palavras-chave: Hannah Arendt, Regimes Totalitários, História, Tradição, Ruptura.

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HANNAH ARENDT E A CRISE DA MODERNIDADE: ASPECTOS HISTÓRICOS

Brendo Stoco Vidal Universidade do Estado da Bahia DEDC - Campus X Bolsista no Programa de Iniciação Científica da FAPESB Discente do curso de Licenciatura em História E-mail: brendooescolhido@hotmail.com

Joelson Pereira de Sousa Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC - Campus X Mestre em Filosofia - Universidade São Judas Tadeu - USJT E-mail: joelson.filo@hotmail.com

Este trabalho é resultado de pesquisa realizada no âmbito da iniciação científica e tem como objetivo apresentar o modo como Hannah Arendt aborda a crise da modernidade. Uma crise tão profunda que, segundo Arendt, resulta na decadência das formas de pensamento que serviram de fundamento e de referência para o desenvolvimento da própria cultura ocidental. Neste sentido, propomos o seguinte percurso histórico: 1) a crise da religião, latente já nos séculos XVII e XVIII com o avanço da dúvida metodológica do campo da ciência e da filosofia em direção ao questionamento dos dogmas e das verdades religiosas; 2) a crise da tradição como perda do fio condutor que guiou a humanidade com segurança através de todo seu passado, de modo que sem uma tradição firmemente ancorada, toda a dimensão do passado é colocada em perigo; e por fim, 3) a crise da autoridade que, segundo Hannah Arendt, é a consequência final das crises da religião e da tradição e, por isso, consolida-se como a crise mais emblemática e decisiva quanto à decadência da autoridade do passado. Com isso, Arendt traz uma importante reflexão que nos permite problematizar o centro da crise que se abateu sobre a modernidade, a saber, o desaparecimento da autoridade no mundo moderno. Quanto à metodologia utilizada no âmbito desse trabalho, consiste na revisão bibliográfica de textos como: Entre o passado e o futuro (1961) de Hannah Arendt, especialmente os ensaios ‘O que é autoridade?’ e ‘O que é liberdade’ e ‘A crise na cultura – sua importância social e política’; bem como de comentadores: PETRY (2012), OLIVEIRA (2006) e ALMEIDA (2012) que abordam a origem da noção de autoridade e sua decadência na sociedade moderna. Tal comprometimento com as estratégias metodológicas permitiram o desenvolvimento reflexivo de pontos-chave para a compreensão da temática da autoridade em Arendt: a crise na religião, a crise na tradição e por fim a crise da própria autoridade.

Palavras-chave: Hannah Arendt, Crise, Autoridade, Tradição, Religião.

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HANNAH ARENDT E A TRANSGRESSÃO METODOLÓGICA COMO PONTO DE PARTIDA PARA O PENSAMENTO

Joelson Pereira de Sousa Docente da Universidade do Estado da Bahia DEDC - Campus X Mestre em Filosofia - Universidade São Judas Tadeu - USJT E-mail: joelson.filo@hotmail.com

O objetivo desta comunicação é problematizar uma possível estratégia metodológica

encontrada na obra de Hannah Arendt, responsável por trazer ao conjunto de seus textos uma reconhecida originalidade na abordagem de temas considerados clássicos na história da filosofia, como política, história, pensamento e ação. Neste sentido, essa apresentação não se trata de uma abordagem conceitual dos conteúdos tratados pela autora, mas sim de uma tentativa de alcançar alguns elementos do percurso intelectual que pairam sobre a escrita

arendtiana, tais como: a experiência do choque, a paixão por compreender e o pensar sem corrimão. Como se vê, importa destacar aqui aspectos muitas vezes externos ao texto, mas que, sem dúvida, representam disposições internas de caráter espontâneo que marcam a personalidade desta pensadora. Assim, interessa observar bem menos o que o texto arendtiano

diz e muito mais aquilo que pode ser dito sobre ele, especialmente quando estes elementos do

seu percurso intelectual servem como motivação para o desenvolvimento de reflexões, sem que necessariamente sejam reconhecidos e citados em algum momento pela própria autora. Por conseguinte, além de concentrar esse trabalho na leitura da obra de Hannah Arendt, vale destacar os estudos de Celso Lafer e Eduardo Jardim, que apontaram em seus trabalhos alguns elementos característicos do percurso intelectual de Hannah Arendt, de forma não só inequívoca mais, sobretudo, distintiva do modo como ela concebe seu próprio pensamento. Diante disso, espera-se, além de identificar e discutir a presença de um modo de pensar que reverbera em toda a obra arendtiana, contribuir para a superação dos obstáculos metodológicos que muitas vezes condicionam os trabalhos acadêmicos a verdadeiros

confinamentos científicos, onde o conhecimento parece um fim em sim mesmo e não um meio para alcançar a emancipação e a autonomia intelectual.

Palavras-chave: Hannah Arendt, Aspectos metodológicos, Pensamento, Autonomia.

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SIMPOSIO 09

A HISTÓRIA EM MOVIMENTO E SONS: AS LINGUAGENS E OS NOVOS OBJETOS NA PESQUISA HISTÓRICA

Proponente: Caroline Lima (UNEB)

Ementa: A produção historiográfica brasileira interessada em perceber relações e tensões estabelecidas no cotidiano vem, desde os anos 1970, demonstrando interesse por fontes e objetos de estudos que registraram e deixaram impressões de juízos e valores sobre relações estabelecidas entre os sujeitos em seus modos de fazer, saber, sentir, através dos quais buscam construir seus lugares na história. Nesse sentido, o Simpósio Temático apresentado tem como proposta reunir estudantes e pesquisadores para divulgação e debates sobre os resultados de pesquisa, estas localizadas na relação História e Linguagens (literatura, cinema, fotografia, música, cordéis e afins), nos oferecendo ricas discussões sobre identidade, gênero, memória, representações e relações de poder.

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CACAU E SUOR: ROMANCE PROLETÁRIO OU CENÁRIOS DA REVOLTA OU O VENENO E O ANTIDOTO

Maurício Dias Universidade do Estado da Bahia - DEDC Campus X Graduado em Licenciatura em História E-mail: His_toriaviva@hotmail.com.

Jonathan Oliveira Molar Docente na Universidade do Estado da Bahia - DEDC - Campus X Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) E-mail: jonathanmolar@hotmail.com.

A presente pesquisa objetiva analisar o processo de construção do pensamento de Jorge Amado sobre a identidade nacional nas obras escritas entre as décadas de 1930-35, mais especificamente, visa compreender essa construção a partir das relações tecidas pelo autor com seu contexto histórico, reservando lugar central para as influências tanto políticas, sociais e, principalmente, culturais, ideológicas e “científicas” em torno do campo intelectual do qual Jorge Amado estava integrado no início de sua carreira literária. Metodologicamente, este trabalho adotou a pesquisa bibliográfica e a representação social. Primeiramente foi feita uma investigação sobre as entrevistas concedidas pelo autor contemporaneamente a cada obra ou posteriores. Foram utilizadas também as declarações, os discursos, as entrevistas concedidas e biografias para tentar entender a lógica de pensamento de Jorge Amado. Também recorreu-se aos estudos de Magalhães (2011), Meucci (2006), Goldstein (2003), Calixto (2011), Schwarcz (1994), Patricio (1999), Chalhoub (1998), Albuquerque Júnior (1999), Mello e Souza (2006), Souza (2008), Linhares (1990), Fausto (2006) e outros foram fundamentais na tessitura desta pesquisa. O romance proletário era uma literatura “de luta e de revolta” e, “sem senso de imoralidade”, deveria fixar “vidas miseráveis sem piedade, mas com revolta”, desta forma, esta tipologia literária tomava para si uma função inconfundível, uma necessidade, qual seja, a de “movimento de massa”, além disso, não sem um tom idílico e idealizado, Jorge Amado retomando o processo histórico de mistura étnico-cultural novamente legitima a miscigenação como repositória da identidade nacional baiana/brasileira. Para o autor, inclusive, dessa mistura “mágica” entre as culturas e entre as raças é que o povo brasileiro encontraria forças para superar os problemas e a realidade terrível que a envolvia. Nesse sentido, a miscigenação além de possibilitar o apagamento das diferenças e a formação de uma sociedade multirracial seria, também, uma espécie de antidoto contra a miséria e opressão. A mistura é entendida como significante de nossa peculiaridade enquanto povo em relação às outras nações, pois, apesar da dor e de todo sofrimento porque passava o povo, ainda assim conseguiria sorrir, ser alegre, carnavalesco, alegórico, esperançoso, solidário, acolhedor, generoso.

Palavras-chave: Identidade, Regionalismo, Literatura e História.

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OUTRAS LINGUAGENS NO ENSINO DE HISTÓRIA: A FOTOGRAFIA E A MEMÓRIA

Cristiane Silva de Meireles Cardoso Espírito SantoCEUNES/UFES Aluna especial de Mestrado em Ensino na Educação Básica na UFES E-mail: criscardosoicm@hotmail.com

Ailton Pereira Morila Docente permanente do Mestrado Acadêmico em Ensino na Educação Básica Departamento de Educação e Ciências Humanas na CEUNES-UFES E-mail: apmorila@gmail.com

O ensino de história tem sido foco de reflexão quanto a necessidade de romper com uma

metodologia que impõe atitude passiva ao aluno, impedindo-o de atuar como sujeito do processo de sua aprendizagem. Os PCNs (1998) trazem o ensino de História como um

oportunizador de realização de cidadãos, estes tomando gosto pelo conhecimento, aprendendo

a aprender. Auxiliando esse pressuposto, as fontes históricas ganharam destaque, aponta Ailton Morila (2012), e diz que a imagem e a fotografia vêm recebendo atenção desde a

abertura proposta pelos Annales. Pinckler (2010) coloca que os avanços tecnológicos digitais prosseguiram a grande velocidade e atualmente há utilização massiva dessas novas técnicas e

há de se considerar a fotografia recurso visual, iconográfico midiático. Para Pinheiro e Soares

(2011), a fotografia desde o seu surgimento esteve a serviço da memória e da história, e em um fazer histórico baseado no cotidiano, o uso dessa ferramenta possibilita o regaste e a preservação da memória. Chauí (2011) afirma que a memória é a evocação do passado e vivemos num tempo em que a palavra de ordem é mudança, a constância perdeu espaço para

o novo e o agora, imediatismo, portanto falar de memória é também falar de permanências e

mudanças, além do impacto da sociedade em constante transformação. Boris Kossoy (1999) diz que os homens colecionam pedaços do passado em forma de imagens, tendo sempre na imagem o start da lembrança, da recordação. O estudo desse tema traz importante contribuição quanto à inclusão das ferramentas midiáticas, principalmente as iconográficas e em particular a fotografia nas aulas de História, e apresenta como referencial teórico Le Goff (1924), Morila (2012), Pinckler (2010), Pinheiro e Soares (2011), Chauí (2011), Schmidt e Cainelli (2009), Boris Kossoy (1999) Freud (1901), entre outros. Esse Trabalho objetiva

identificar, através de pesquisa bibliográfica, entrevista semi-estruturada e pesquisa analisada através de métodos quantitativos e qualitativos, como a imagem iconográfica, especialmente a fotografia, possibilita a construção de memórias, discutindo o uso destas na impressão dos sentidos e desejos de eternizar o passado. Investigando o seu uso como fonte histórica para resgate de memórias e reconstrução do passado através de imagens, aperfeiçoa o olhar e aguça

a imaginação reveladora da realidade contribuindo para uma interpretação que “desperte e a imaginação e a motivação dos alunos” nas aulas de História.

Palavras-Chave: História, Ensino, Memórias, Fotografia.

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DISCUTINDO VIOLÊNCIA E RACISMO ÉTNICO ATRAVÉS DOS HQFORISMOS

Danielle Barros Silva Fortuna Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ) Mestre em Ciências, Doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde E-mail: danbiologa@gmail.com

Edgar Silveira Franco Universidade Federal de Goiás (UFG) Pós-doutor em arte e tecnociência (UnB), Doutor em (USP) E-mail: ciberpaje@gmail.com

De acordo com alguns dicionários de filosofia, aforismos são proposições que exprimem de maneira sucinta uma verdade, uma regra ou uma máxima concernente à vida prática

(ABBAGNANO, 2007). Na Grécia antiga, os aforismos eram utilizados para transmitir conhecimentos, uma vez que a base do ensino se estabelecia através do diálogo, sobretudo segundo o nascimento das ideias, no pensamento socrático. Alguns pesquisadores têm feito aproximações entre aforismos e literatura, primeiro porque muitos autores literários os escrevem, segundo porque muitos aforismos possuem de fato uma estrutura narrativa. Neste trabalho estabelecemos uma ponte entre aforismos e histórias em quadrinhos. Em uma perspectiva mais ampla, a união de texto e imagem caracterizam as histórias em quadrinhos (GUIMARÃES, 2003). Os HQforismos constituem-se um subgênero de quadrinhos poéticos- filosóficos que consiste na experimentação da linguagem: a união de imagem e textos aforismáticos (BARROS; FRANCO, 2013). O trabalho tem objetivo de discutir o conceito de HQforismos e apresentar experimentação quadrinhística em HQforismo postado na internet pela autora do trabalho tomando como temática o assassinato de Vitor Pinto, criança indígena da etnia Kaingang de 2 anos de idade, morto no colo da mãe enquanto amamentava, em Florianópolis (SC) em dezembro de 2015, e sua baixa repercussão midiática. Partimos da hipótese de que a violência contra os povos tradicionais no Brasil e a construção de uma imagem negativa em torno dos índios têm sido motivada por racismo, agronegócio e pela indústria da produção animal. Metodologia: através da triangulação de métodos (MINAYO, 2007) articulando estudo de caso (GIL, 2009) com experimentação criativa de HQforismo e pesquisa exploratória em sites de notícias no período de dezembro 2015 a fevereiro de 2016 sobre o tema. Resultados: o HQforismo criado com a temática escolhida foi disponibilizado em blog, teve mais de 400 visualizações e em rede social atingiu 15.000 pessoas diretamente,

e indiretamente através de compartilhamentos não foi possível obter o número de acessos. A

interação do público através de comentários, em sua maioria, lamentava o ocorrido, a situação dos povos indígenas no Brasil, o racismo, mas, sobretudo ressaltando a baixa cobertura nacional na mídia e que o HQforismo era a primeira fonte de acesso à notícia. Considerações:

Acreditamos que assim como as charges e cartuns promovem a expressão de críticas socioculturais e filosóficas, os HQforismos na mesma perspectiva, permitem instigar reflexão

e problematizar aspectos da realidade histórica e cultural de grupos étnicos bem como de

outros grupos em desvantagem social - através da experimentação quadrinhística, constituindo-se um espaço pertinente e potencial de denúncia, crítica social e política.

Palavras-chave:

Histórias em Quadrinhos, Gênero Poético-filosófico, HQforismos.

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“NÃO ENTREI NO CANGAÇO, ME BOTARAM NELE”: AS CANGACEIRAS E O INGRESSO INVOLUNTÁRIO NO BANDITISMO

Michele Soares Santos Universidade do Estado da Bahia - Campus XVIII Graduada em Licenciatura em História E-mail: michelisoares@hotmail.com

A comunicação ora apresentada é resultado do trabalho de conclusão de curso (TCC),

intitulado De Maria Clódia a Maria Bonita: as representações sociais das cangaceiras no cinema brasileiro. O objetivo consiste em identificar como sucedeu o ingresso involuntário das mulheres no cangaço e a violência física e de gênero imposta a elas. Como embasamento teórico-metodológico a presente pesquisa conta com estudos de gênero e sobre as cangaceiras. Como resultado deste trabalho são discutidas as relações desenvolvidas entre homens e mulheres, dentro do grupo que deram certo e as que foram mal sucedidas, o código de ética

que foi instituído pelos líderes, que reflete uma cultura machista, patriarcalista e, como os cangaceiros lidaram com as companheiras que transgrediram as normas do bando. Para além

de discutir a violência que elas sofreram, este trabalho apresenta mulheres, que mesmo com

todo o controle de gênero, mostraram-se insubordinadas quando infringiram o código civil da sociedade e de ética do cangaço, quando romperam intencionalmente ou não com o padrão estabelecido sobre o ser feminino. Esta pesquisa contribui nos estudos, relacionado às cangaceiras, visto que há uma grande lacuna em produções bibliográficas e cinematografias sobre o tema, isto se deve ao fato dessas mulheres, independentemente da forma de inserção

no cangaço, terem representado uma ameaça ao código civil de 1916, que estipulava o ideal

feminino e suas funções na sociedade. Conforme Caroline Santos (2010), tais mulheres romperam voluntariamente ou involuntariamente em parte com o padrão imposto pela sociedade que delimitava como função da mulher casar e ser mãe, tornando-se assim um perigo ao modelo feminino da época. Assim, a elas foram adicionados adjetivos negativos,

quando representadas na imprensa da época e no cinema, ou relegadas à sombra dos cangaceiros, aparecendo sempre em segundo plano, sendo escassas pesquisas sobre as mesmas.

Palavras-chave: cangaço, gênero, mulheres.

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ARTIGOS

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A ATIVIDADE EXTRATIVISTA E O SURGIMENTO DO POVOADO DE TEIXEIRA DE FREITAS

INTRODUÇÃO

Ailton de Oliveira Junior 1

O presente trabalho aborda o surgimento urbano do atual município baiano de Teixeira

de Freitas na década de 1950, quando um número considerável de residentes começou a se

fixar na região, estimulados pelas atividades madeireiras (extrativismo), até o ponto do seu

desenvolvimento urbano, demarcado pelo ano da inauguração da BR-101, em 1972, que

inaugura uma nova dinâmica de crescimento inserida no plano desenvolvimentista nacional

(GUERRA & SILVA, 2010).

Buscamos entender de que maneira as empresas de extração de madeira nortearam a

formação inicial do povoado de Teixeira de Freitas, quando a localidade ainda não era

emancipada 2 , para compreender de que formas o processo histórico inicial de urbanização

marca o atual contexto municipal. Maior atenção é dada ao espaço nuclear da cidade,

sobretudo onde hoje se localiza centro da cidade e seus arrabaldes. Trata-se do espaço

geográfico onde o município de Teixeira de Freitas começou a se desenvolver em termos

urbanos, com suas primeiras ruas, calçadas, bairros, casas comerciais e residências, espaços

de sociabilidade, etc., e como este é percebido pela população residente.

Em termos mais amplos, no interior do processo de urbanização capitalista industrial,

no qual Teixeira de Freitas se insere por meio da divisão socioespacial do trabalho, torna-se

necessário problematizar certas questões, tais como: o sentido original das primeiras vias de

tráfego abertas na cidade; a existência de lugares destinados ao lazer e a sociabilidade; a

significação que os distintos moradores davam a tais espaços; quais alterações interferiram

drasticamente na paisagem local; as insatisfações da população local; e os problemas

urbanísticos mais citados à época.

Tais questões são fundamentais para compreender, por meio da dimensão espaço-

temporal do lugar, a dinâmica e a forma de reprodução geográfica dos meios necessários à

acumulação de capital, para percebermos quais as formas que a dominação econômica,

representada pelas empresas madeireiras, implantou no âmbito sociopolítico, no interior do

processo de desenvolvimento urbano em Teixeira de Freitas entre as décadas de 1950 e 1970.

Compreender as inter-relações entre economia, política e sociedade na conformação

do cenário urbano - levando-se em consideração que a localidade teve como vetor de

1 Graduado em Licenciatura em História pela Universidade do Estado da Bahia UNEB, Departamento de Educação DEDC, Campus X. 2 A emancipação de Teixeira de Freitas dos municípios de Alcobaça e Caravelas se deu em 9 de Maio de 1985, sob a lei 4452 (GUERRA & SILVA, 2010).

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desenvolvimento inicial a ação de empresas de extração de madeira - em meio ao contexto mais amplo de crescimento econômico nacional, denominado período desenvolvimentista (FERREIRA, 2010), é de grande importância, pois aponta mecanismos de exploração e opressão, indica espaços de resistência criados pelos moradores da localidade, bem como os limites e as possibilidades do processo local de urbanização.

A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA E O REARRANJO SOCIOESPAL

O Brasil dos anos 1950/60 passava por uma retomada do processo de industrialização, em curso desde o período Vargas (1930-45), acompanhando o forte crescimento econômico do pós Segunda Guerra Mundial (HOBSBAWM, 1995). Nesse contexto, vários centros urbanos se desenvolvem, no intuito de atender as demandas da industrialização. Destaca-se nesse processo o estado de São Paulo, a partir de onde se consolidou posições regionais diferenciadas, em que cada “centro urbano” buscou encontrar sua “posição” dentro da divisão territorial do trabalho”, conceito utilizado por Maria Sposito em seu livro Capitalismo e Urbanização (2012). Nesse sentido:

A crescente especialização funcional que a industrialização provocou, e a ampliação

dos mercados que sua produção em série exigiu, ao fortalecer a articulação entre os

lugares, e principalmente entre as cidades, reforçou a divisão social do trabalho, que

se manifestou a nível espacial a divisão territorial do trabalho. Ou seja, os lugares também se especializam funcionalmente, à medida que transformações estruturais foram se dando a nível da sociedade; o espaço foi sendo produzido socialmente para atender esta nova realidade a de uma economia com forte base no desenvolvimento industrial (SPOSITO, 2012, p. 53-54).

O aumento populacional mundial após novo surto de desenvolvimento industrial na segunda metade do século XX acelerou o crescimento de vários aglomerados urbanos (HOBSBAWM, 1995). A chegada de grande número de pessoas, atraídas pelo desenvolvimento econômico e de melhores condições para de vida e possibilidades de realizações pessoais, gerou uma vasta improvisação na ocupação do espaço urbano. Os recém-chegados iam se acumulando onde encontravam espaço (MUMFORD, 2008). Esse alentado crescimento urbano, segundo Sposito (2012), iniciou-se nas economias capitalistas ao norte do globo, Grã-Bretanha, França, Holanda, EUA, entre outras, após a Revolução Industrial no século XVIII. No Brasil, ocorreu na segunda metade do século XX, sob o período do capitalismo tardio 3 , na conjuntura das políticas nacionais desenvolvimentistas

3 O conceito de “capitalismo tardio” é esclarecido pelo economista brasileiro Paul Singer na apresentação que faz da obra máxima de Ernest Mandel, O Capitalismo Tardio (1982). De acordo com Singer, Mandel atribui ao

subfase da época imperialista. A periodização adotada distingue

uma fase do capitalismo concorrencial (dividida em duas subfases) e uma fase de capitalismo monopolista ou imperialismo, dividida na subfase ‘clássica’ e na subfase atual do ‘capitalismo tardio’” (p. X). A subfase do capitalismo tardio inicia-se a partir da Terceira Revolução Tecnológica entre 1940/45, nos EUA e nas potências capitalistas. Essa terceira fase da revolução industrial ou tecnológica é distinguida pela automação eletrônica, ou

capitalismo contemporâneo a condição de “[

]

91

iniciadas no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e levadas à adiante durante a ditadura civil-militar (1964-1985) (SANTOS & SILVEIRA, 2008). Ademais, além da crescente instalação das indústrias nos centros urbanos, houve também uma tendência à localização de indústrias nas proximidades de suas fontes de energia, matérias-primas e meios de transporte. Para Sposito (2012, p.52), “quando isto ocorreu, a indústria gerou a cidade”. A indústria tornou-se, também no Brasil, a grande força impulsionadora do processo de urbanização, a despeito da influência incontestável do setor primário na produção da riqueza nacional, sobretudo nas áreas menos urbanizadas do país, como é o caso do Extremo Sul baiano (CERQUEIRA NETO, 2013).

O INÍCIO DA ATIVIDADE MADEIREIRA

Localizada no Extremo Sul do estado da Bahia, próximo às divisas dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, situa-se o município de Teixeira de Freitas. Este, elevado à condição de município em 1985, possui atualmente vários problemas ligados à infraestrutura urbana: muitas ruelas, aglomerados humanos desordenados, precária sinalização de trânsito, pavimentação insuficiente, sistema inadequado para drenagem de água, ausência de cobertura adequada de saneamento básico, parca cobertura vegetal urbana, falta de espaços e equipamentos públicos de lazer e para locomoção segura dos transeuntes, aproveitamento insuficiente das praças públicas, problema no uso do solo, dentre inúmeros outros dilemas urbanísticos. Em geral, tais problemas são oriundos de um rápido crescimento urbano (MUMFORD, 2008), somado a expressa incompetência e descaso dos poderes públicos municipais para com as demandas crescentes da população local. Por outro lado, esses fenômenos são resultantes das contradições sociais próprias do modo de desenvolvimento orientado pela dependência de capital no modo de produção e reprodução capitalista (CASTELLS, 1983). O quadro urbanístico sumariado acima apresenta a dinâmica do território em que hoje está situado o município Teixeira de Freitas, na condição de cidade. Na região onde se desenvolveu o povoado de Teixeira de Freitas, a lógica do capitalismo industrial, que já impulsionava o desenvolvimento econômico no âmbito nacional e regional, ainda não tinha se instalado até a década de 1960. A região do Extremo Sul baiano era ainda predominantemente rural, tendo grande parte de seu território coberto por vegetação nativa (Mata Atlântica), com exceção do litoral - em que a presença europeia, remontada ao período colonial brasileiro, já tinha iniciado a ocupação e urbanização de alguns centros, como Porto Seguro, Prado, Alcobaça e Caravelas (PRADO JÚNIOR, 2011).

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FIGURA 1: Mapa da área da Mata Atlântica no Extremo Sul da Bahia (1945).

da área da Mata Atlântica no Extremo Sul da Bahia (1945). Fonte: AMORIM, R. R; OLIVEIRA,

Fonte: AMORIM, R. R; OLIVEIRA, R. C. Degradação ambiental e novas territorialidades no extremo sul da Bahia. Caminhos de Geografia. Uberlândia, V.8, n. 22, p. 18-37, setembro de 2007.p 28.

A ocupação do território, marcada, no primeiro momento, pela ausência de investimento de capital, não seguia um plano estabelecido pelos interesses econômicos regionais (Bahia) e nacionais (Brasil) em âmbito local, mas se dava de forma espontânea”, nem mesmo havia, nesse primeiro momento, um propósito consciente de urbanização da região.

Em entrevistas feitas por Ferreira (2010), em sua monografia, intitulada A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960, a historiadora destaca que antes da abertura da primeira estrada para escoamento da nascente produção extrativista, o que se tinha é uma grande área de plantação de mandioca, mais especificamente junto a propriedade de Hermenegildo Félix de Almeida. Frei Elias Hooij (2011) remonta ao início do povoado ao ano de 1948, quando, segundo ele, chega Manuel Ferreira de Duque de Caxias, o “Arriba-Saia”, construindo, então, duas casas no meio da mata virgem. Antes de 1950 já existiam algumas propriedades rurais na região, em grande parte pertencentes às pessoas negras, obtendo destaque a fazenda Nova América, adquirida na década de 1920, por José Felix de Freitas Correa. Outra que merece ser citada é a Fazenda Cascata, situada às margens do rio Alcobaça, próxima a BA-290 (HOOIJ, 2011). Esta, diferentemente, era de propriedade de descendentes de portugueses adquirida pelo Coronel Joaquim Muniz de Almeida na segunda metade do século XIX.

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A partir de 1950, em meio ao novo processo de industrialização do Brasil (SANTOS & SILVEIRA, 2008), é aberta a BR-5, precursora da atual BR-101. Esta estrada ligava a Bahia ao estado do Espírito Santo. A BR-5 influenciou o crescimento inicial da atividade madeireira (AMORIM & OLIVEIRA, 2007). Antes da abertura da rodovia BR-5 e das estradas abertas pela atividade madeireira, existiam apenas picadas no meio da mata, aberta por moradores rurais. A própria BR-5 foi uma extensão de uma dessas estradas, a chamada BA-02 (OLIVEIRA JUNIOR, 2015). Possuindo grande reserva de mata nativa, portanto muita “madeira de lei”, com a BR-5 houve maior facilidade de escoamento das madeiras. Gradativamente, a região passa a atrair empresas, iniciando o ciclo da atividade extrativista madeireira. O empresário Eleosippo Cunha é o primeiro madeireiro a chegar, explorando as terras no território onde futuramente se surgirá o município de Teixeira de Freitas. O início da atividade madeireira trouxe trabalhadores à região, grande parte vindos dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. A abertura das primeiras estradas de escoamento de produtos, como já foi dito, ligou o comercinho dos pretos (um dos primeiros nomes pelo qual o povoado era conhecido) aos municípios circunvizinhos e à pequenos aglomerados urbanos nas proximidades. A Praça Castro Alves, conhecida popularmente como Praça dos Leões, pode ser considerada o marco zero do município, pois, segundo Oliveira Junior (2015), foi onde se montou o primeiro acampamento da empresa de Eleosippo Cunha. Tal acampamento é significativo, pois dá início ao crescimento do povoado em termos urbanos pela primeira vez. Sobre o fator de atração gerado pelas oportunidades de trabalho, Singer (2002) argumenta que a demanda por trabalho não pode ser entendida como sendo restrita a atividade produtiva, nesse caso a atividade extrativista, pois com o aumento populacional gerado pela imigração há a necessidade de expansão dos serviços. Historicamente a instalação de atividades produtivas em qualquer localidade tende a atrair pessoas às cercanias. O aumento do número da população faz crescer a demanda por bens e serviços (sobretudo o consumo). Surgem escolas, hospitais, feiras, comércio varejista, etc. A elevação da renda e do consumo passa a ser um atrativo para novas atividades produtivas que, suprindo essas novas demandas, incrementam a diversificação da economia local. Os imigrantes que não se inserem na economia urbana, muitas vezes por não atenderem as exigências do mercado, normalmente passam a reproduzir na cidade a lógica da “economia marginal” por meio de atividades autônomas, como vendedores ambulantes, domésticas, carregadores, etc. (SINGER, 2002).

A PRIMEIRAS ESTRADAS E O DELINEAMENTO URBANO DO POVOADO

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Com o início da atividade de extração da madeireira, logo se fez necessário abrir vias para o escoamento da mercadoria. Para Teixeira de Freitas essas estradas foram abertas inicialmente por Eleosippo Cunha, já na década de 1950. A primeira estrada aberta, que ainda permanece com o mesmo traçado inicial, compreende um trecho da Avenida Getúlio Vargas (BA-290), entrando na Rua Mauá, passando pela Praça dos Leões, seguindo pela Rua Princesa Isabel, Rua Lomanto Júnior, Avenida São Paulo até o seu final, onde a estrada se encerra encontrando com a BR-5, atual BR-101 (OLIVEIRA JUNIOR, 2015). Após a abertura da primeira estrada cortando o povoado, via de transporte de mercadoria de Barcelona para o porto de Santa Luzia, em Nova Viçosa, a empresa de Eleosippo Cunha abriu uma segunda estrada, desta vez ligando a primeira estrada à Fazenda Cascata, de onde já existia uma estrada ligando a propriedade à cidade de Caravelas trata-se da atual BA-696 (OLIVEIRA JUNIOR, 2015).

FIGURA 2: Mapa atual do município de Teixeira de Freitas, com o traçado da primeira e da segunda estrada aberta por Eleosippo Cunha (destacada em vermelho e preto, respectivamente, no mapa)

(destacada em vermelho e preto, respectivamente, no mapa) Fonte: OLIVEIRA JUNIOR, A. Ocupação e desenvolvimento do

Fonte: OLIVEIRA JUNIOR, A. Ocupação e desenvolvimento do espaço urbano teixeirense (1950 1970). Teixeira de Freitas, 2015. Monografia apresentada ao Colegiado de História do DEDC/Campus X da UNEB.

O mapa acima destaca as duas estradas abertas pela madeireira de Eleosippo Cunha. A primeira, destacada em vermelho, e a segunda, destacada em preto. É possível visualizar o ponto de encontro das duas estradas, região onde se fixaram os primeiros moradores. A estradas posteriormente passam a delimitar os limites entre os territórios pertencentes aos municípios de Alcobaça e Caravelas (OLIVEIRA JUNIOR, 2015). A empresa de Eleosippo Cunha foi a primeira a explorar o território, mas sua atividade somente se iniciou após a abertura das grandes estradas locais, a BA-2 e posteriormente a BR-

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5. Com o passar do tempo começam a chegar os capixabas à região, interessados na extração

da madeira. São eles os introdutores das serrarias.

Para além do interesse nas madeiras nobres, a abertura de estradas era motivada por

incentivos fiscais cedidos pelo poder público. Tais concessões não se limitaram ao empresário

Eleosippo Cunha. Várias empresas posteriormente se fixam na região, expandido a

exploração da madeira tendo também isenção fiscal (OLIVEIRA JUNIOR, 2015).

Percebe-se então o interesse do estado na região do Extremo Sul baiano, no qual se

insere Teixeira de Freitas, embora não preocupado por sua urbanização. Oferecer o benefício

de isenção de imposto de renda às empresas de extração de madeira para que estas se instalem

na região visava o suprimento das demandas dos grandes centros econômicos do país (Rio de

Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte), mostrando o papel do Extremo Sul da Bahia na divisão

territorial do trabalho, ao qual o povoado de Teixeira de Freitas era fornecedor de “madeira

nobre” para polos industriais em outros estados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A atividade econômica extrativista, como se viu, é quem fornece os contornos do

avanço urbano inicial. Os incentivos fiscais cedidos pela prefeitura de Alcobaça em troca da

abertura das estradas indica o interesse do poder público no desenvolvimento do comércio no

Extremo Sul da Bahia, pois isso implicaria em elevação da arrecadação. Mesmo sendo uma

região rural e não industrializada, é a lógica do capital que impulsiona a ação das empresas

madeireiras e, consequentemente, o desenvolvimento urbano da futura Teixeira de Freitas.

Desta maneira, não se pode analisar o processo de desenvolvimento urbano de

Teixeira de Freitas sem levar em conta o histórico do seu caráter extrativista predatório e

mercantil, não deixando de incorporar-se espontaneamente à lógica capitalista industrial,

quando da participação desta atividade no circuito da divisão territorial do trabalho” típica do

período desenvolvimentista do Brasil (anos 1950-80).

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SPOSITO, M. E. B. Capitalismo e Urbanização. 16.ed. São Paulo: Contexto, 2012. A FIGURA DOS PRETOS-VELHOS: REPRESENTAÇÕES ENTRE LINGUAGEM E MEMÓRIA

INTRODUÇÃO

Bougleux Bomjardim da Silva Carmo 4

4 Mestre em Letras Profletras / UESC. Membro do Grupo de Pesquisa Ensino de Língua Materna e Estrangeira UESC. Projeto financiado pela CAPES. Esse trabalho é uma reconstituição do trabalho de conclusão de curso da especialização em História e Cultura Afro-Brasileira pela Faculdade Vale do Cricaré. E-mail:

bug7raio@gmail.com

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O presente trabalho visa discorrer acerca das representações da figura do preto-velho, para constituição de um panorama de um dos ícones relativos às manifestações históricas, culturais e religiosas da matriz africana no Brasil, como ponto de partida para discussão de questões de identidade e memória centradas na linguagem. Em termos teóricos são revisitados precipuamente estudos acerca dos elementos religiosos e históricos que envolvem a representatividade e simbolismo dos pretos-velhos, conforme as pesquisas de Santos (1999) e sobre conceitos fundamentais de memória e identidade em Souza (2007) e André (2008). Dessa forma, planificamos esse artigo em três momentos: no primeiro expomos em breves linhas a questão da aculturação e da subjetivação do negro. No segundo, delineamos as representações simbólicas, históricas e religiosas da figura do preto-velho nas diversas correntes religiosas. Finalmente, destacamos a linguagem e seu papel na construção das representações, em sua caracterização e relação semiótica, social, cultural e religiosa.

1 ACULTURAÇÃO E SUBJETIVIDADE

Quais memórias culturais trazem os pretos-velhos em seu acervo linguageiro, agora aculturados no vernáculo português? Linguística e geograficamente é correto afirmar que a Bahia constituiu-se o primeiro locus de rupturas e ressignificações, como palco laboratorial de transformações linguísticas, por meio também dos candomblés como estratégia de perpetuação e/ou resistência de seus valores culturais contemporâneos, como sobrevivência à opressão e reclusão escravocrata (MINGA, 2012). Sob essa ótica, afirmamos que essa transformação é uma via de mão dupla, na qual a língua transformou os sujeitos africanos e esses a língua colonizadora. Toda essa transformação se efetiva em um lento processo de apagamento de memórias culturais, em grande medida, politicamente motivado, fazendo com que gradativamente o africano absorva a língua colonizadora pela quebra das linhagens biológicas, étnicas e costumes originais (PRANDI, 2000). Entretanto, o traço religioso é o único item institucional, que sobrevive a esse processo de apagamento, pois todos os traços culturais originais foram se diluindo nos novos rearranjos étnicos, geográficos e de aculturação promovidos pelos colonizadores, instaurando-se uma identização menos africana e mais brasileira como forma de integrar-se à nova condição. Além disso, a questão da aculturação e ressignificação identitária contribuíram para uma nova configuração dessas figuras, diluídas da origem e apropriadas por outras formas de memória, como resultado da criatividade popular que em seu curso elabora e propagam suas versões, histórias, personagens, hábitos e lembranças divergentes das do colonizador e assumem sua legitimidade, na qual o formato dos cultos de várias linhas religiosas é

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manipulado pelos devotos numa bricolagem de doutrinas, histórias e significados desse período da escravidão (SOUZA, 2007). Em síntese, a conotação mítico-religiosa dos pretos-velhos é construída no contexto histórico afro-brasileiro, em meio às rupturas culturais e étnicas da escravidão, na resistência e recriação de suas crenças e, dessa maneira, nos domínios da memorialidade popular esses personagens assumem uma função espiritual, em um lento processo de subjetivação, ou seja, ao passo que os negros escravizados trazidos e já os nascidos no Brasil são obrigados a reconstituírem-se enquanto ser, enquanto humanidade. Para Prandi (1996) o surgimento dos cultos afro-brasileiros é tardio, pelas últimas levas de escravizados às cidades em meados do século XIX e é nos primeiros centros urbanos, pela possibilidade de maior contato e interação, que os negros escravizados formam os primeiros cultos organizados. Todavia, essa nova subjetivação se dá em meio a representações negativas do colonizador num contínuo tratamento de estigmatização, apesar da popularidade (SOUZA, 2007). Essa estigmatização ainda é presente, construída sob a perspectiva da “invisibilização” e branqueamento do afrodescendente. Segundo André (2008) não foram poucas as teorias, comportamentos e práticas institucionais que construíram representações sociais negativas do negro, que construíram processos de exclusão sistematizados em todos os âmbitos sociais. A nosso ver, tal contexto tem suas raízes no chamado etnocentrismo, fenômeno relacionado a não aceitação e depreciação dos sistemas culturais do outro (LARAIA, 2007), já que o homem enxerga o mundo conforme seus padrões culturais. É histórico e institucional esse fenômeno no Brasil no comportamento etnocêntrico do colonizador e da anulação da alteridade. Assim, se na escravidão os negros eram apenas mercadoria, após ela deu-se um agudo processo de estratificação relegando o liberto à marginalidade e exclusão social, dessa forma “o negro foi renomeado com os mesmos predicados de antes, agora revisitados com ênfase: preguiçoso, vadio, criminoso, alcoólatra, desgarrado, macumbeiro, assinalando negativamente a sua situação social” (ANDRÉ, 2008, p. 141). Todos os padrões afrodescendentes passam a ser taxados de baixo nível herdados da “África selvagem”. Tendo em conta esses fatores, em relação aos pretos-velhos temos dois efeitos opostos: a semiotização mítico-religiosa construída no seio da cultura popular, integrando-se aos padrões religiosos afro-brasileiros e, ao mesmo tempo, a representação negativa marcada pelo processo concomitante de estigmatização no contexto exterior à religiosidade.

2 A FIGURA DOS PRETOS-VELHOS: Representações

Nessa seção apresentamos uma silhueta das representações simbólico-culturais de nossos personagens. Essas simbologias não são superpostas, mas apresentam contatos e

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distanciamentos, pelos quais aspectos da subjetivação dos pretos-velhos se mantiveram, por meio da bricolagem e releituras. Essa condição é específica da religiosidade afro-brasileira. De fato, as religiões africanas em si mesmas não têm nessas figuras como elemento de devoção e culto. De fato, no que tange à África subsaariana, diferentemente da influência islâmica e da cultura egípcia antiga, as religiões tribais tem nos orixás, sejam familiares ou tribais, suas referências mítico-religiosas, relacionadas às forças da natureza, seus ritos e xamanismo peculiares, além de uma constituição mítica seguindo sua própria lógica e padrões. Na tradição popular católica, pode-se descrever um preto-velho conforme os seguintes traços: sentado num tronco embaixo de alguma árvore, vestido com roupas simples, talvez brancas, fumando seu cachimbo ou fumo de rolo. Sua pele muito negra, “negro preto”. Seu nome? João, José, Joaquim, Cipriano, etc., cansado da lida na roça, contador de histórias, prepara chás, ervas e outros benzimentos para ajudar curar alguém que procura sua ajuda. A voz rouca, com um linguajar brejeiro, coluna curvada, ritmo lento e portador de uma sabedoria que não prescinde de livros e estudos. Comumente chamado de pai ou vovô, tem um caráter resignado, benevolente, astuto, conciliador e conselheiro. É um homem típico de norte a sul do país, escravo resignado em sua condição (SANTOS, 2007). Até adquirir essa conotação religiosa, a sociedade brasileira, nos afirma Santos (2007) tratava a cor da pele em várias superposições classificatórias, dentre elas os mais “pretos” eram tidos como pessoas de má reputação, má vida, de conotações muito negativas ratificadas pela cultura judaico-cristã que opunha o branco a tudo o que é bom e o preto a tudo que é mau.

Nessa oposição, o folclore popular o absorveu dando sempre um caráter depreciativo e estereotipado do “negro preto”. Fenômeno relacionado ao permanente branqueamento que a sociedade faz como consequência do etnocentrismo e aceitação social. Nesse sentido, “a superstição da cor preta, a que também se ligam as imagens do Preto Velho, é revestida de um forte sentido religioso que funde o negro ao demônio e à maldade, e a cor branca à beleza e à bondade” (SANTOS, 2007, p. 164). Somente mais tarde, a “alma” desses pretos é “branqueada” surgindo, por exemplo, o mito de Pai João, na sua passividade frente à escravização, afetividade e respeito aos valores culturais do branco, em consonância com o sistema colonial (SANTOS, 2007). Ramos 5 (1954) apud Santos (2007, p. 165) nos dá uma breve descrição dessa simbologia enquanto mistura de várias personagens como “o griot das selvas africanas, guardador e transmissor da tradição, o velho escravo conhecedor das crônicas de família, o bardo, o músico cantador de melopeias nostálgicas”, dentre outros.

5 RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. Rio de Janeiro: Ed Carioca, 1954.

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Simultaneamente, o processo de cristianização promovido pelo catolicismo colonizador desde o início tratou de acomodar as crenças africanas à exclusão ao passo que fez com que os traços da negritude fossem incorporados à crença dos santos, como forma de acolhimento e aculturação, ou seja, perceberam na cor e na martirização uma ponte para evangelização e dominação religiosa, já que a vida dos santos forneceu um modelo para cristianização do negro, pela qual o sofrimento se constitui passo para ascensão espiritual e divinização, inclusive na criação de irmandades e missões que contribuíram para o apagamento das crenças afro (SANTOS, 2007). De fato, a partir da formação do candomblé, o processo de ancestralidade começa a fazer parte da conotação simbólica dos pretos-velhos. A complexidade da formação dos candomblés se deu lentamente na formação cultural e social brasileira, em um contexto de endoculturação, luta cultural e acomodação. Como também, sua ritualística ajudou a reconstituir a sociedade e religiosidade africana, por meio das linhagens mítico-espirituais dos orixás e, dessa maneira, as mães e pais de santo personificam esta herança baseada até então na família de sangue (PRANDI, 2000). Sob a ótica dessa formação, pode-se afirmar que os pretos-velhos não são parte da mítica religiosa dos candomblés, embora muitos dos adeptos dessa corrente religiosa os aceitem e, como nos afirma Negrão (1996, p. 213), “para o Candomblé, os pretos-velhos seriam simplesmente espíritos de mortos, os eguns, não teriam a dignidade transcendente dos deuses, como os Orixás”. Nessa mesma linha, embora historicamente os pretos-velhos fizessem parte do mesmo processo de dominação e contribuindo para a resistência cultural africana em solo brasileiro, muitos barracões de candomblé não aceitam essas figuras como parte de seu panteão. Para Jagun (s.d.) os pretos-velhos poderiam ser considerados ancestrais e podem ser considerados como fundadores verdadeiros do candomblé, merecendo devotamento e respeito dos mais novos. Portanto, ora não são aceitos como parte do panteão de culto, reconhecidos como espíritos de mortos (eguns), ora são parte desse conjunto de crenças como espíritos protetores, fundadores e portadores da ancestralidade africana. Tal diferenciação, ao que parece, depende fundamentalmente da interpretação que os barracões fazem da simbologia herdada historicamente. Não obstante, é na Umbanda que essas figuras passam a assumir uma posição, de forma definitiva, cristianizada e mesclada por elementos afro, católicos e espíritas. Tidos como feiticeiros e curandeiros, desde a origem dessa linha religiosa que os pretos-velhos exercem papel proeminente. A origem da Umbanda é controversa e figura-se sob a repressão, tanto externa por meio da polícia, das políticas públicas, do catolicismo dominante e das comunidades espíritas kardecistas em formação no início do século XX. Segundo Rohde (2009), existe um mito da fundação da umbanda centrada na figura de Zélio de Moraes, médium kardecista que teria recebido o Caboclo das 7 Encruzilhadas e um Preto-Velho, os quais teriam proferido um discurso que, por sua vez, em seu teor delatava o desprezo dos

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brancos kardecistas a essas entidades e que, portanto, os pretos-velhos e caboclos a partir de então, teriam uma nova religião para praticarem a caridade em nome de Jesus Cristo. Essa anunciação teria ocorrido no Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1908. Zélio de Moraes tinha 17 anos e teria sido curado de problemas de saúde. Essa narrativa, sem documentação oficial comprobatória, mas cercada de inúmeras outras narrativas, ainda constitui o marco da fundação das tendas umbandistas, sendo a Tenda Espirita Nossa Senhora da Piedade o primeiro terreiro, assumindo a mística e ritualística especifica dessa corrente (NUNES, 2008). Entretanto, independente de como a constituição da Umbanda se deu, é evidente a ruptura estabelecida com o kardecismo, ao passo que desta linha, a Umbanda adota inúmeros princípios. Na Umbanda, de acordo a descrição dos estudos de Negrão (1996), os pretos-velhos assumem uma postura serena, de meiguice, procurando sempre o apaziguamento dos que os procuram ou clientes, fazendo benzementos. São representantes da humildade e são pacíficos. Nos terreiros ou tendas, costumam fazer as curas e é onde a cristianização se firma devido o passado da escravidão como forma de sublimação. Nesse sentido, trabalham somente para o bem se valendo de todo o acervo cultural adquirido com a experiência da escravidão, por meio das mandingas, rezas, terços, benzementos, patuás e orientações. É também o feiticeiro que, com sua fala mansa, realiza o seu trabalho de magia 6 . A linguagem dessas figuras na Umbanda é simples, com os traços característicos do português vernáculo com influências das línguas bantas, iorubas, etc. Alkmim e Lopez (2009) afirmam que além da memória cultural, os pretos-velhos como espíritos de escravos africanos exibem no comportamento linguístico as peculiaridades dessa condição. Apesar da ruptura com o Kardecismo a posteriori, nos diversos centros kardecistas ou casas espíritas eram comuns a incorporação de entidades africanas. Inicialmente, como afirma Henrique (2013) somente após meados do século XX começa a haver o distanciamento e separação, ou seja, passou-se a não admitir que entidades africanas comunicassem em casas kardecistas, bem como os médiuns eram instruídos a não veicular comunicação ou trabalhos dessas entidades. Buscando uma pretensa pureza doutrinária, os centros espíritas a partir de 1949, bem como a Federação Espírita Brasileira, passaram a repelir qualquer simbologia africana e a considerar qualquer entidade afro como inferior e necessitada de doutrinação evangélica e, portanto, não tinham mais permissão para comunicar (HENRIQUE, 2013). Nesse contexto de rupturas, os pretos-velhos foram banidos dos centros, passando a ser considerada como entidades carentes luz e que necessitavam de orientação e evolução. Segundo o referido autor, atualmente verifica-se progressos com relação a aceitação dos pretos-velhos em centros espíritas kardecistas.

6 Essa descrição baseia-se nas informações contidas no sítio do Terreiro Pai Maneco. Disponível em:

<http://www.paimaneco.org.br/entidades/espiritos>. Acesso em: 20 jul. 2015.

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Atualmente, um dos entraves nessa relação se deve à opinião 7 de Divaldo Franco, um dos maiores pregadores do Kardecismo, que atribui a essas figuras uma condição de ignorância e que não devem ser levados a sério, considerando haver uma discriminação inconsciente ao assumir sua apresentação espiritual na condição de preto e velho. Chico Xavier, outro expoente do Kardecismo no Brasil, em uma entrevista 8 ao Programa Pinga Fogo em 1971 afirma que a condição da cor não deve ser tomada em consideração, apesar do respeito à nova organização religiosa. Nesse contexto, há reconhecimento da posição evangélica da Umbanda, mas não o há em relação à atribuição mítico-religiosa dos pretos-velhos. Á linguagem dessas figuras é atribuída desvalorização, na qual maneirismos, africanismos e fonética são atribuições a um modo errado de se falar. Entretanto, para alguns pensadores dessa linha religiosa, importa mais o conteúdo das mensagens do que propriamente o modo de falar. A completa cristianização e conotação positiva, bem como tendo papel doutrinário fundamental na constituição religiosa do preto-velho se desdobra, da Umbanda, para o Vale do Amanhecer. Nesse movimento religioso surgido em 1969 em Brasília, por Neiva Chavez Zelaya, constitui-se em uma corrente espiritualista que sincretiza elementos do catolicismo, umbanda, kardecismo, tradições orientais e elementos históricos de povos antigos. Nessa corrente as entidades, dentre elas os pretos-velhos, são consideradas servidores que trabalham sob uma filosofia: amor, humildade e tolerância (OLIVEIRA, 2013). Conforme descrição de Zelaya (2009, p. 113), os pretos-velhos são espíritos de alta hierarquia, com a missão de desintegrar correntes negativas pela força do amor, além disso, “trabalham na lei do auxílio e, nesta roupagem de simplicidade e carinho, atuam em ação desobsessiva, aliviando as pessoas de suas dores materiais e espirituais”. Nessa corrente, a linha de pretos-velhos realiza o trabalho doutrinário de evangelização, limitando-se a receitar água fluidificada e os trabalhos realizados no templo, não podendo interferir no livre-arbítrio do consulente, prever futuro ou solicitar a interrupção de qualquer tratamento médico. Para Labarrere (s.d.) essa nova configuração desses personagens se refere a um processo de crioulização, na assimilação e reestruturação de outros sistemas culturais do crioulo, além das demais doutrinas. Além disso, uma das figuras proeminentes nessa corrente doutrinária também é um preto-velho chamado Pai João de Enoque, responsável pela execução da doutrina, dispondo de toda autoridade no âmbito espiritual e doutrinário frente aos adeptos e/ou médiuns. Pai João de Enoque tem em suas mãos a lei a ser seguida pelos missionários jaguares, como são chamados os adeptos dessa corrente.

3 ASPECTOS DA LINGUAGEM DOS PRETOS-VELHOS

7 Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jiSlMMCtSlE>. Acesso em: 20 jul. 2015.

8 Entrevista disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=BRCiUyxNOOs>. Acesso em: 20 jul. 2015.

103

Maniacky (2010) ao refletir na importância de se estudar a linguagem africana nos dispõe de pistas para compreendermos alguns aspectos importantes na compreensão da linguagem dos pretos-velhos, principalmente, como alvo de inúmeras representações de preconceitos. Esse autor nos mostra que o processo de cristianização visava forçar, também, determinada variante do vernáculo português colonizador, em desprezo e detrimento das línguas crioulas e bantas. A língua é um ponto de conflito da luta cultural, um espaço de intersecção do acoplamento de culturas e tradições, como nos afirma Hall (2013). O contato linguístico entre as línguas africanas e o português colonizador promoveu o apagamento das línguas colonizadas, ao passo que recebeu inúmeras influências ou africanismos, influências essas ainda vistas com muito desprezo e preconceito, frutos de um processo violento de dominação. Além disso, a destruição da própria língua significa a destruição da própria história e humanidade, forçando o alheamento e a aceitação do mundo do colonizador (CARENO,

2010).

Por outro lado, Careno (2010) nos mostra que os africanismos imbricaram-se no português vernáculo promovendo variações lexicais, na estrutura morfossintática, nas formas

e tempos verbais, em traços fonético-fonológicos, bem como na estrutura dos atos verbais

negativos, na estrutura de sentenças com diminutivos, dentre outros elementos. Toda essa composição determina, por conseguinte, a caracterização da linguagem dos pretos-velhos. De fato, os elementos simbólicos oriundos das crenças nos orixás, o uso dos elementos medicinais tradicionais, os costumes adquiridos e ressignificados em solo colonizador, as reinvenções de mitos e lendas, a acoplagem com o catolicismo tradicional, dentre outros inúmeros fatores, compõem a base semiológica que permeia o linguajar dessas figuras. Alkmin e Lopez (2009) explica que dentre as características da fala escrava estaria a iotização (lh > i como em “mió” – melhor); a apócope (supressão de letra ou sílaba no fim de palavra: “comê” – comer); a redução de ditongos (ai > a; ou > ô como em “baxo” / baixo; “chegô” / chegou); a redução da concordância (“dissero que nóis vai ganha”; “esses bicho todo”); a paragoge (adição de sílaba no fim de palavras: “adeuzi” – adeus); a palatização (s > x como em: “ixo” / isso; “xabe” / sabe), sendo a paragoge e palatização, com o uso de uma

partícula muito característica das línguas bantas. Todos esses matizes linguísticos, por conseguinte, também são alvos de depreciação

preconceituosa, por fazer parte de variantes linguísticas desprestigiadas. A linguagem como um todo encerra em si um prisma variado de histórias, constituição identitária, símbolos, ritos

e representações. Daí ser um dos elementos centrais na constituição mítico-religiosa, bem como ser o espaço para o dinamismo ético e estético das figuras dos pretos-velhos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

104

O preto-velho, como personagem religioso, é criado no contexto do Brasil colonial e

atual, não tendo essa conotação em outros contextos. Aqui, essa figura passou a fazer parte do

panteão de entidades espirituais no âmbito ritualístico, cerimonial, das crenças e da

espiritualidade brasileira em um profundo sincretismo, primeiramente na Umbanda, depois no

Vale do Amanhecer e tardiamente aceito, com inúmeras restrições, em espaços do Candomblé

e do Kardecismo.

Nesse âmbito, a linguagem se posiciona como espaço de memórias, rupturas,

resistência e emancipação. Memórias, porque é na linguagem que a caracterização dessas

figuras mantém traços linguísticos, tradições, mitos, pensamentos e uma infinidade de

elementos que mantiveram uma unidade, identidade e identização do “ser negro” na figura do

preto-velho. Rupturas tendo em vista sua dissociação tardia da tradição católica e do

kardecismo, constituindo-se ainda em espaço de luta cultural contra diversas representações

negativas oriundas dos agentes externos ao contexto religioso.

Igualmente, os traços de resistência e emancipação dessas figuras encontram-se na

simbologia, ritualistica, crença e institucionalização, principalmente na Umbanda e no Vale

do Amanhecer, que independente de suas peculiaridades, concebem a figura do preto-velho

em sua divindidade, como servidor de uma causa: a caridade.

REFERÊNCIAS

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105

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ZELAYA, Carmem Lúcia. Os símbolos na doutrina do Vale do Amanhecer: sob os olhos da clarividente. Brasília: Editora Tia Neiva Publicações Ltda., 2009.

106

RELATO DE EXPERIÊNCIA DA OFICINA: DIREITOS DOS POVOS: CULTURA INDÍGENA NO EXTREMO SUL BAIANO.

1. INTRODUÇÃO

Brendo Stoco Vidal 9

Daiane Felix dos Santos²

Franciele Santos Soares³

Marluce Santos 4

Janusa Neres 5

O subprojeto PIBID de História, intitulado “A História e o social: a comunidade e os espaços da cidade como integrantes do processo de ensino-aprendizagem”, do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID),do Campus X da Universidade do Estado da Bahia UNEB, em Teixeira de FreitasBA, realiza atividades por meio de minicursos temáticos no ambiente escolar do Colégio Estadual Democrático Ruy Barbosa - CEDERB, problematizando questões relacionadas à disciplina de história. Desse modo, é importante atrelar a história local com o conhecimento histórico de proporção mais ampla. Segundo Freire (1996), podemos nos perguntar:

por que não se discutir com os estudantes a realidade concreta à sua volta? Por que não associar o conteúdo programático da disciplina à realidade em que eles vivem? É necessário apresentar os saberes curriculares fundamentais à experiência individual dos discentes, poiseducação formal só terá sentido se o saber se definir como um conjunto de processos de socialização dos indivíduos, parte constitutiva de qualquer sistema cultural de um povo, englobando mecanismos que visam a sua produção e mudança. Paulo Freire (1996) em sua obra pedagogia da autonomia ressalta a importância que se tem de respeitar a autonomia do “ser” do educando. A educação escolar deve abrir caminhos para o acesso a conhecimentos universais, mas sem deixar de interliga-los com saberes locais, para dar aos alunos, assim, a oportunidade de reconhecerem criticamente o espaço em que vivem situarem-se nele entendendo que o espaço escolar deve se gerar um:

] [

coletivas, de relação dos sujeitos com os diferentes saberes envolvidos na produção do saber escola. Dessa forma, ampliando

espaço de compartilhamento de experiências individuais e

se o entendimento da aula de história, abrindo novas perspectivas

para o debate [

]

(SCHMIDT & GARCIA, 2005 p. 298)

9,2,3,4 e 5 Alunos (as) do curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia UNEB / DEDC- Campus X. Projeto: A História e o social: a comunidade e os espaços da cidade como integrantes do processo ensino-aprendizagem, do Programa Institucional de bolsa de Iniciação a Docência.

107

Assim cabe ao educador perceber e reconhecer a autonomia dos seus alunos bem como tentar lançar mão de métodos para se alcançar uma relação entre o conteúdo e a vida cotidiana desses alunos de modo que o ensino/aprendizagem possa ser atingido e assim por meio de novos questionamentos, mudar a sua realidade. Foi e então que, a partir de uma preocupação local com a realidade da formação étnica regional, com forte presença de comunidades indígenas e seus descendentes, surgiu a ideia de realizar uma oficinasobre o assunto, cuja temática seria assim intitulada: “Direitos dos Povos: Cultura Indígena no Extremo Sul Baiano”. A proposta dessa oficina é discutir o Direito dos povos indígenas no mundo globalizado, em especial as etnias que compõem o extremo sul da Bahia, desconstruindo também a ideia romantizada do “ser índio” que tanto é estereotipada pela literatura brasileira e que em pleno século XXI ainda se reproduz tais equívocos sobre esses povos. Observamos no Brasil o fenômeno da etnogênese, o despertar da consciência étnica e o processo de reivindicação de direitos que são verídicos e que lhes são garantidos na constituição. É errôneo dizer que o indígena invade terras, os mesmos reocupam suas terras tradicionais, a Constituição Federal reconhece o direito originário dessas populações, porém faltam outros direitos a serem reconhecidos, como acesso a saúde e educação de qualidade, segurança e tantos outros. Mas sabemos que essas lutas não são isoladas, e sim demanda que a maioria da sociedade brasileira também busca. Dessa forma há uma tentativa deaproximá-los das comunidades indígenas da região, em específico os Pataxó, instalados em Cumuruxatiba-Ba, distrito que pertence ao Prado-BA e está a 111 Km de distância da cidade em que o publico alvo vive, além da existência do Parque Nacional do descobrimento bem próximo a reserva indígena.

2. DELIMITAÇÃO DO TEMA

Sampaio (2000), em um artigo intitulado “História e Presença dos povos indígenas na Bahia” aponta a presença de povos indígenas nessa região desde o século XVI. Também informa que no entorno do rio Corumbau houve a formação de um aldeamento composta por índios da etnia Pataxó e da família Linguística Maxacali, a mando do Presidente da Província em 1861. Posteriormente, em 1940, este passou a ser denominada “Barra Velha”. Em 1951 houve uma tentativa de expulsão dos indígenas daquela áreapor pressão do Estado, com intervenção do governo federal para que se retirarem deste espaço os índios, com a intensão de transformar aquele território em um parque de preservação do monumento natural e histórico, ação que só se concretiza em 1961 com a implantação do parque nacional

108

de monte pascoal, sob a gestão do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF). Os indígenas tiveram de se dispersar, pois estavam proibidos de plantar em seu próprio território. Após dez anos de muitas lutas e entraves com o Estado, finalmente a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), juntamente com lideranças indígenas (De quais povos?) conquistaram o direito de habitar seu território novamente, com a criação do posto “Barra Velha”. Com isso foram realizados estudos antropológicos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) no propósito de ajudar na demarcação de territórios de comunidades indígenas do Extremo Sul baiano, em parceria com a FUNAI e o Programa de Pesquisas de Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB). Em 1970 deu-se o embasamento técnico necessário para a recuperação de terras que no passado foram ocupadas pelos indígenas e que agora estavam sendo exploradas por madeireiros, criadores de gado etc. Trazendo a questão para realidade local, Batista (2004) discorre em sua dissertação de mestrado a respeito do povoado de Cumuruxatiba, relembrando memórias de tempos antigos, mais precisamente de 1815, quando nesta chegaram os primeiros brancos e escravos negros africanos, para os trabalhos de derrubadas das matas, limitando o espaço geográfico das comunidades indígenas (Pataxó e Aimorés ) que existiam no local. Nos dias atuais a comunidade Pataxó de Cumuruxatiba - BA, esta com seu território reduzido e delimitado pelo governo. Luciano (2006), que traz aspectos contemporâneos sobre a situação dos povos indígenas, nos mostra um avançoacerca da demarcação de terras indígenas no Brasil. Antes da constituição de 1988 os direitos dos povos indígenas eram muito pouco explícitos, deixando esses povos sob tutela de administradores públicos e dirigentes políticos que nem sempre defendiam os seus interesses O objetivo era reduzir a quantidade de terras destinadas a estes povos, de forma que os mesmos não pudessem empreendersua sobrevivência, perdendo parte de sua identidade enquanto povo, para assim mais tarde serem inseridos na cultura nacional. Esse era o projeto nacional, portanto político. Gerlic (2007) que produz uma cartilha com relatos da comunidade Pataxó no Prado, onde o índio é tratado sobre sua própria perspectiva Nos relatos da vivência dessa comunidade que, apesar de terem o seu direito à terra resguardado, por se tratar de uma reserva indígena vivem com medo dos fazendeiros da região e parcialmente enclausurados e sofrem discriminação a partir da construção que foi feita ao longo da formação nacional. Essa reviravolta na história da comunidade Pataxó e de tantas outras comunidades no Brasil são frutos do forte apoio de setores progressistas da sociedade brasileira e da articulação e mobilização indígena que garantiu uma serie de direitos entre os quais as suas terras

109

tradicionais, estas passaram a ser vistas por políticos defensores da causa indígenacomo necessidades vitais para sua sobrevivência e reprodução física e cultural. Segundo os dados da Associação Nacional Indígena (ANAI) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essas novas condições permitiram que houvesse um aumento populacional significativo desses povos, o que, consequentemente, deu a eles condições para retomarem suas culturas e reassumirem suas identidades de povos ligados à terra. O que acontece é que em algumas regiões, como o Nordeste, este fenômeno de retomada de terras e recuperação de suas identidades étnicas tem sido dinâmica, com aumento expressivo da participação política em níveis importantes de maneira que houve uma diminuição do preconceito e discriminação dessas comunidades, pois ao contrário do que se pregavam nos períodos coloniais, essas comunidades são capazes de gerenciar e decidir seus destinos e ainda contribuir para o desenvolvimento país. (LUCIANO, 2006) Há muitos desafios a serem vencidos, mas atualmente através dos meios de comunicação e outros recursos (Quais?) essas causas não ficam mais restritas a um lugar, mas tem-se um caráter de dimensão regional, nacional e muitas vezes internacional, fazendo com que as autoridades responsáveis tomem posições mais rápidas ao invés de travaram os processos como faziam antigamente. (LUCIANO,

2006)

Quando analisamos a questão indígena e sua importância para o processo de construção do Brasil, não podemos deixar de dar evidência à lei de n° 11.645 sancionada durante o governo Lula, no dia 10 de março de 2008, ela nos leva a refletiracerca da deficiência que as escolas têm ao se trabalhar a temática indígena na sala de aula e, principalmente as consequências desse não reconhecimento da história desses povos, reproduzindo mais preconceitos e ampliando o abismo entre as instituições sociais e essas comunidades indígenas dentro do território brasileiro. Durante muito tempo os livros didáticos preservaram a visão do “colonizador” e seu domínio sobre o “colonizado” mostrando muitas vezes uma realidade harmoniosa e reproduzindo a ideia de os indígenas como povos sem Deus, sem rei

e sem lei, necessitam da “tutela” do para chegar ao estágio de “civilização”. Essa ideia de incivilizados fez aparte do estratagema empreendido pelo europeu colonizador para explorar a mão de obra indígena e lucrar com o trabalho desses povos. Não podemos deixar de evidenciar a realidade de nossa região, que abrange

o Extremo Sul Baiano, correspondendo a outrora “terra do descobrimento”, hoje “costa do descobrimento”.

110

3. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES REALIZADAS E OS SEUS RESULTADOS

Através das discussões realizadas nas reuniões de planejamento do PIBID de História da UNEB Campus X, e refletindo sobre as ações realizadas pela instituição em defesa das comunidades indígenas da região, surgiu a necessidade de transpor essa questão para além do universo acadêmico e repensar a questão indígena na atualidade analisando os conflitos territoriais e preconceitos em relação a esses povos que estão presentes no extremo sul baiano. Com esse objetivo pensamos em realizar a oficina no Colégio Estadual Democrático Ruy Barbosa CEDERB, que esta localizado no Bairro Bela Vista na cidade de Teixeira de Freitas BA, que atende à estudantes do ensino médio, nosso proposito com essa oficina era evidenciar as dificuldades vividas por essas comunidades na busca pela preservação de suas tradições, crenças e costumes além de problematizar as questões ligadas a demarcação de terras indígenas nessa região. A apresentação da oficina “Direito dos povos: cultura indígena no extremo sul baiano” tratou de expor aspectos gerais dos povos indígenas no Extremo Sul baiano. Buscou-se, de início, por meio de uma dinâmica a construção do entendimento dos estudantes a respeito do assunto, ao partir de perguntas acerca da temática, os mesmos retiravam perguntas de uma caixa e deviam responder em voz alta para que todo o grupo pudesse ouvir. A partir das falas foi-se construindo novas informações. Utilizando o vídeo “As caravelas passam” 10 , em que um repórter entrevista diversas pessoas nas ruas, perguntando qual a ideia que os mesmos tem sobre o índio. Tenta-se, assim, como no vídeo, fazer a desconstrução da visão criada pelos portugueses, tanto da aparência como da passividade do índio brasileiro, ao longo da história. Também foram apresentados dados gerais acerca da quantidade de indígenas na época da colonização, fazendo-se um comparativo com os dados atuais, que demonstram uma gigantesca redução no número de indivíduos indígenas, o que provocou certo espanto por parte dos estudantes, pois estes acreditavam que desde sempre havia poucas “tribos” e que em geral elas habitavam

10 Título: “As Caravelas Passam

Sinopse: Através dos depoimentos de importantes lideranças indígenas do Nordeste e do Antropólogo José

Augusto Laranjeiras Sampaio, o vídeo procura desfazer preconceitos a respeito da realidade indígena do Nordeste, mostrando a verdadeira realidade desses povos. Suas dinâmicas culturais, as relações com a sociedade não indígena ao longo de 500 anos de contato e suas principais reivindicações.

Direção: Ivo Souza Realização: Instituto Nosso Chão/CE 2000, 23’

111

litoral da Bahia e a floresta amazônica. Foram indicadas, a partir de dados do IBGE, as principais localidades e povos indígenas neles instalados, apontando alguns povos em específico, bem como seu os costumes, as tradições eos hábitos. Assim, acreditamostornaro conhecimento maisenriquecedor, com base nas informações que tínhamos acerca desses povos. Relatamos também com base bibliográficos sobre as instituições que atualmente, procuram preservar a cultura indígena, como por exemplo, a FUNAI, de também de instituições não governamentais que tratam da questão desses povos . Buscando entender se essas instituições realmente auxiliam, se o seu trabalho tem resultado efetivo na proteção e benefício dos indígenassua cultura, suas tradições, etc.

Falou-se também acerca da presença do índio no Extremo Sul baiano, em específico na cidade baiana de Teixeira de Freitas. Foi trabalhada a presença indígena em Teixeira, tanto no presente, quanto no passado, sendo expostos detalhes importantes e desconhecidos por grande parte dos ouvintes, mas também da população que reside em Teixeira de Freitas. Algo ressaltado e que chamou a nossa atenção, foi acerca da área em que se encontra aPraça da Bíblia e arredores, que para os indígenas da etnia Maxacali era considerado um local sagrado. A atual cidade de Teixeira de Freitas era um local de passagem dos índios Maxacali, quando transitavam de território para território, em todo o extremo sul. Outra técnica utilizada dentro da oficina, e de bastante eficácia, foram as charges acerca do tema indígena. Charges que retratavamuma realidade muitas vezes está oculta. Nestas, liam-se frases como estas: “Quando vieram eles tinham a bíblia e nós a terra, e nos disseram, fechem os olhos e rezem, quando abrimos os olhos nós tínhamos a bíblia e eles a terra”. Foi um material que provocou uma ótima reflexão, e despertou um pensamento crítico e reflexivo nos ouvintes. Uma das charges apresentava a imagem de um pequeno índio com seu pai, parados em frente a uma floresta desmatada Opequeno índio dizia a seu pai: “agora que cresci entendo por que precisamos de cesta básica para sobreviver”. O que mais chamou a atenção é que estas simples charges geraram uma grande discussão acerca do tratamento que sempre foi e ainda é dado ao indígena. Os alunos comentaram que era dado a eles o que comer e era tirada deles o direito de viver A discussão continuou pensando-se na ideia interessante de que se falava muito sobre a preservação da cultura indígena, mas ao mesmo tempo o local desses povos era destruído, e toda riqueza existente ia diretamente para a mão dos colonizadores. O entendimento e os questionamentos deles acerca desse assunto nos impressionaram, pois para quem tinha de início parco conhecimento, fazer essas indagações e ter o interesse de buscar respostas que antes nem passavam

112

pela cabeça deles, realmente provou que a oficina teve resultados melhores do que esperamos. Apresentou-se também a questão do auto reconhecimento indígena. Foram realizadas uma série de depoimentos por parte dos alunos e dos apresentadores da oficina, buscando conhecer se os presentes tinham alguma relação de descendência com os povos indígenas. Foi descoberto inclusive que havia alguns participantes que tinham relação hereditária com os povos indígenas, o que auxiliou no aumento do interesse pela questão por parte dos ouvintes. Houve um momento de lanche e descontração e logo após um descanso. Após, foi retomada a discussão. Foi apresentada uma cartilha sobre o povo indígena Pataxó, especificamente do distrito de Cumuruxatiba-Ba. Foi entregue aos estudantes da oficina alguns depoimentos dos próprios indígenas pataxós, o que foi realmente bom, pois fez com que eles entendessem como pensam esses povos. Fez com que eles vissem algo que não partia de uma visão exterior. Puderam perceber todo o sofrimento e o preconceito pelos quais eles passaram; uma visão “interior”, de quem lutou e ainda luta pra manter a sua cultura e resistindo a todas as dificuldades. Realizou-se também, ao final das discussões, uma atividade para os alunos presentes. Foi solicitada uma produção textual, baseada em toda a discussão que foi realizada durante a oficina, nos vídeos que foram apresentados e discutidos, nas charges que geraram a reflexão crítica e na cartilha indígena. Praticamente todos levaram essa atividade realmente a sério, como se esperava. Produziram textos que mostraram a mudança que a discussão realizara durante a oficina. Durante a socialização dos textos produzidos, pôde-se perceber que o objetivo da oficina foi alcançado, pois os pensamentos iniciais agora estavam modificados, sobretudo a maneira de abordar e falar acerca do tema. As palavras dos alunos demonstraram um pensamento crítico e reflexivo, que com certeza será passado para outras pessoas próximas.

11 “Bom essa oficina teve um papel fundamental para forçar o que eu pensava a respeito dos indígenas, ela contribuiu também trazendo conhecimentos fantásticos sobre esse povo no qual tenho orgulho de chamar de meu povo, pois tenho convicção de que sangue indígena correndo em minhas veias. O triste é saber que os indígenas sofrem com a repressão de auto Clero, é preciso formar uma sociedade mais justa e que valorize mais a cultura indígena. É preciso que os Brasileiros e Brasileiras reconheçam que os índios são os patriarcas da nossa cultura e merecem o nosso respeito. É preciso também que nós Brasileiros e Brasileiras carreguemos esta causa indígena cobrando do congresso e do senado federal leis que beneficiam esses povos.”

11 João Felipe Alves Malaquias, estudante do 1° ano do ensino médio do Colégio Estadual Democrático Ruy Barbosa.

113

Com isso podemos perceber a importância da desconstrução das ideias preconceituosas presentes na vida cotidiana. Pois quando o assunto,é abordado de uma perspectiva crítica o pensamento preconceituoso é lançado por terra, junto com os estereótipos que os sustentam, tão utilizados por todos.

12 “Eu particularmente tinha uma visão geral muito pobre sobre esses

triste saber que,

fazemos parte de uma sociedade que tem a capacidade de ser tão

petulantes a ponto de se apropriar de algo que não é seu, e ainda

querer ter a razão. [

se esquecer que índios é gente, tem sentimentos, sofre, que amam o

que fazem, e quem são. Espero um dia ver meus filhos nascerem em uma sociedade menos capitalista, mais humana e que tenham a noção que: não tem como conquistar o que já foi conquistado.”

de ter a terra, temos uma capacidade de

povos tão ricos em cultural e sabedoria. [

]Além

O povo indígena precisa (e exige) ser reconhecido em seus termos, A sua cultura, suas tradições e costumes, tão diversos e tão ricos, estão colocados na luta que enfrentam. Acreditamos ser de extrema importância realizar essas discussões sobre a diversidade do povo brasileiro e sobre as mazelas sofridas pelos povos indígenas no Brasil para que possamos desenvolver o sentimento de empatia para com essas etnias que já habitam esse território á mais de 500 anos. As falas dos alunos nos enchem de esperança demostrando que é necessário repensar a importância dos povos indígenas, novos questionamentos são essenciais para se descontruir os estereotipo em volta desses povos. Após a socialização foi realizado o encerramento da oficina. Os rostos eram sorridentes e convencidos da importância da cultura indígena em todo o mundo. Tivemos a compreensão a partir dessas e demais observações que o objetivo da oficina foi alcançado, além do que era esperado por nós organizadores, os debates foram fundamentais para abrir portas a cerca da questão indígena evidenciando que essa oficina foi o começo de muitas outras oficinas sobre o assunto.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante a realização da oficina foi assumido o compromisso de apresentar de forma clara o tema ‘’Direito dos povos: cultura indígena no extremo sul baiano’’. O uso de recursos audiovisuais nos auxiliaram à chegar aos objetivos esperados. Com a apresentação e debate das ideias de cada pessoa presente, foi possível identificar ideias preconceituosas e errôneas acerca da questão indígena. Todo o processo de desconstrução dessas ideias foi realizado com sucesso, utilizando para esse objetivo discussões que não buscaram impor uma verdade, mas simplesmente

12 Lorrane Cardoso de Almeida, estudante do 2° ano do ensino médio do Colégio Estadual Democrático Ruy Barbosa.

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apresentar visões históricas diferentes, dados gerais e depoimentos dos próprios

índios, o que despertou mudança de pensamento, e o questionamento dos

estereótipos existentes.

Tivemos diversas surpresas durante a apresentação da oficina, e foi possível

despertar nos estudantes outros pensamentos, que esperamos sejam críticos e