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Ponto dos Concursos

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Atenção.

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CURSO ON-LINE – PACOTE DE EXERCÍCIOS PARA TÉCNICO DO MPU

SAUDAÇÕES E APRESENTAÇÃO PESSOAL

Seja bem-vindo a este curso de exercícios para o cargo de


técnico do Ministério Público da União (MPU).
Permita-me uma breve apresentação. Sou o professor Albert
Iglésia, formado em Letras (Português/Literatura) pela Universidade de
Brasília (UnB) e pós-graduado em Língua Portuguesa pelo Departamento de
Ensino e Pesquisa do Exército Brasileiro em parceria com a Universidade
Castelo Branco. Ministro aulas de Língua Portuguesa desde o ano de 2001.
Iniciei minhas atividades docentes no Rio de Janeiro – meu estado de
origem. Desde 2004 moro em Brasília, onde dou aulas de gramática,
interpretação de texto e redação oficial voltadas para concursos públicos.
Trabalho ainda na Casa Civil da Presidência da República. Lá sou responsável
pelo setor de capacitação de servidores. Também integro o quadro de
instrutores da Esaf e recentemente ministrei o curso de Redação de
Correspondências Oficiais e Atualização Gramatical para auditores fiscais e
analistas tributários da Receita Federal. Aqui no Ponto já participei de
diversos trabalhos. Em 2010, por exemplo, já me envolvi com os seguintes
preparatórios: CGU, Susep, Anvisa, Incra, TCM-CE, TCU, MinC, MPOG, DPU.
Meu endereço eletrônico é albert@pontodosconcursos.com.br. Sempre que
precisar, faça contato comigo. Se eu não lhe responder imediatamente, é
provável que esteja envolvido com aulas ou até mesmo esclarecendo outras
dúvidas dos demais alunos.

LÍNGUA PORTUGUESA E O CONCURSO DO MPU

Quem se submeteu ao último concurso do MPU se lembra de que


a banca examinadora foi a Fundação Carlos Chagas (FCC). Na ocasião, o
programa de Língua Portuguesa foi o seguinte:

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Ortografia oficial. Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbal. Pronomes:


emprego, formas de tratamento e colocação. Emprego de tempos e modos
verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. Regência nominal e
verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Redação (confronto e
reconhecimento de frases corretas e incorretas). Intelecção de texto.

O concurso deste ano, porém, será organizado pelo Cespe, que


ainda não publicou o edital. O último fato tem uma relevância muito grande
para alunos e professores. Todos ficamos sujeitos a alguns ajustes durante o
curso causados justamente pela definição do conteúdo programático.
Todavia não há motivo para desânimo. Aliás, um forte candidato não estuda
na última hora; antes, antecipa-se aos fatos. O acompanhamento dos
concursos organizados pelo Cespe permite-nos uma aproximação daquilo
que comumente esse Centro exige em suas provas. Sendo assim, eis abaixo
o programa de Língua Portuguesa que estudaremos neste curso:

1 – Compreensão e interpretação de textos. 2 – Tipologia textual. 3 –


Ortografia oficial. 4 – Acentuação gráfica. 5 – Emprego das classes de
palavras. 6 – Emprego do sinal indicativo de crase. 7 – Sintaxe da oração e
do período. 8 – Pontuação. 9 – Concordância nominal e verbal. 10 –
Regência nominal e verbal. 11 – Significação das palavras. 12 – Redação de
correspondências oficiais.

Como de costume, nossa disciplina deve ficar no grupo


Conhecimentos Básicos. A julgar pela importância que o Cespe/UnB atribui
às provas de português, creio que ela trará cerca de 20 ou 25 questões.

O CURSO QUE PROPONHO

Este curso de exercícios se dividirá em sete aulas (incluindo


esta, a aula demonstrativa. O conteúdo programático está assim distribuído:

Aula 0 – Texto: tipologia, compreensão e interpretação;


Aula 1 – Ortografia, seleção vocabular e acentuação gráfica;

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Aula 2 – Emprego das classes de palavras;


Aula 3 – Regência e crase;
Aula 4 – Sintaxe da oração e do período;
Aula 5 – Pontuação e sintaxe de concordância;
Aula 6 – Redação de correspondências oficiais.

Uma observação: adotarei como referência o Manual de


Redação da Presidência da República, que, na verdade, serve de base
para os demais. Além disso, as questões de concursos públicos que dizem
respeito a essa área do conhecimento normalmente se circunscrevem ao
conteúdo nele existente. Não obstante, também darei especial atenção aos
casos que, porventura, o extrapolem.
Utilizarei questões de provas elaboradas anteriormente
pelo Cespe/UnB para direcionar os nossos estudos. Reproduzirei os textos
e os itens (será respeitada a grafia original dos enunciados) que tratam
do(s) assunto(s) abordado(s) em cada aula. Como a instituição tem o
costume de usar um mesmo texto para, a partir dele, apresentar várias
assertivas, é natural que eu tenha de repetir o mesmo texto (ou fragmento
dele) na explicação do conteúdo de outras aulas. Portanto, não estranhe se
isso acontecer. O procedimento é puramente didático. Dessa forma,
pretendo aproximar você – futuro servidor do MPU – daquilo que vem sendo
exigido pelo Cespe/UnB acerca de determinado assunto da Língua
Portuguesa em concursos públicos.
Ressalto que, em um curso de exercícios, é importante que o
aluno tenha um conhecimento prévio e razoável dos temas que estudará,
pois a parte teórica – ainda que não seja negligenciada, obviamente – não
constitui a ênfase do curso.
Espero que aproveite cada explicação e cada exemplo da melhor
forma possível. Suplico que você interaja comigo por meio de mensagens
eletrônicas no fórum de discussão. A sua participação é fundamental para o
bom rendimento do curso. No mais, vamos ao que interessa!

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TIPOLOGIA TEXTUAL

Tipologia textual designa uma espécie de sequência


teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição
(aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas).

Ex.: descrição, narração, exposição, argumentação e injunção.

Obs.: Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG) usa o termo


“dissertação” em vez de “exposição” e “argumentação”, mas faz
distinção entre o tipo argumentativo “strictu sensu” e o tipo não
argumentativo “stricto sensu”.

Para efeito de prova, usaremos as terminologias: texto


expositivo e texto argumentativo (ou dissertação expositiva e
dissertação argumentativa).

Cuidados para evitar envenenamentos

1 Mantenha sempre medicamentos e produtos tóxicos fora


do alcance das crianças;
Não utilize medicamentos sem orientação de um médico
4 e leia a bula antes de consumi-los;
Não armazene restos de medicamentos e tenha atenção
ao seu prazo de validade;
7 Nunca deixe de ler o rótulo ou a bula antes de usar
qualquer medicamento;
Evite tomar remédio na frente de crianças;
10 Não ingira nem dê remédio no escuro para que não haja
trocas perigosas;
Não utilize remédios sem orientação médica e com
13 prazo de validade vencido;
Mantenha os medicamentos nas embalagens originais;

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Cuidado com remédios de uso infantil e de uso adulto


16 com embalagens muito parecidas; erros de identificação
podem causar intoxicações graves e, às vezes, fatais;
Pílulas coloridas, embalagens e garrafas bonitas,
19 brilhantes e atraentes, odor e sabor adocicados
despertam a atenção e a curiosidade natural das
crianças; não estimule essa curiosidade; mantenha
22 medicamentos e produtos domésticos trancados e fora
do alcance dos pequenos.
Internet: <189.28.128.100/portal/aplicacoes/noticias> (com adaptações).

1. (Cespe/MS/Agente Administrativo/2008) O emprego do imperativo nas


oito primeiras frases depois do título indica que se trata de um texto
narrativo.

Comentário – O texto caracteriza-se pelo emprego da linguagem apelativa


como meio de persuadir o leitor a adotar certos cuidados quanto à
manipulação de medicamentos e produtos tóxicos. As formas verbais
empregadas no imperativo afirmativo (“Mantenha”, “Evite”) e negativo
(“Não utilize”, “Não armazene”) conferem à mensagem um tom coercitivo, a
fim de que o resultado desejado seja obtido. Além disso, o fato de o emissor
dirige-se diretamente ao receptor por meio do pronome de tratamento
(você, implícito na desinência verbal) evidencia a tentativa de envolvê-lo no
processo verbal. O tipo de texto é injuntivo ou instrucional.
Resposta – Item errado.

1 Por obrigação profissional, vivo metido no meio de pessoas de


sucesso, marcadas pela notável superação de limites. Vejo
como o brilho provoca a ansiedade do reconhecimento
4 permanente. Aplauso vicia. Arriscando-me a fazer psicologia
de botequim, frase de livro de auto-ajuda ou reflexões vulgares da
meia-idade, exponho uma desconfiança: o adulto que gosta de
7 brincar e não faz sucesso tem, em contrapartida, a magnífica

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chance de ser mais feliz, livre do vício do aplauso, mais próximo


das coisas simples. O problema é que parece ridículo uma escola
10 informar aos pais que mais importante do que gerar bons
profissionais, máquinas de produção, é fazer pessoas felizes por
serem o que são e gostarem do que gostam.
Gilberto Dimenstein. O direito de brincar. In: Folha de S. Paulo, 2/11/2001, p. C8 (com adaptações).

2. (Cespe/PRF/Policial Rodoviário/2004) A opção pelo emprego do ponto


de vista em primeira pessoa atribui ao texto certo grau de subjetividade
e configura um gênero de artigo em que as opiniões são assumidas de
forma pessoal.

Comentário – É frequente o Cespe/UnB fazer esta afirmativa, portanto


acostume-se com ela. De fato, o uso de primeira pessoa do singular (eu e
suas formas correspondentes: me, mim, comigo) confere ao texto maior
grau de subjetividade, pois revela a posição do narrador em relação ao que
está sendo tratado. Também a opção pelo uso da primeira pessoa do plural
(nós e formas correlatas: nos, conosco) pode denotar a intenção do autor
em incluir o leitor na relação de pessoas que compartilham de sua opinião.
O enunciador pode lançar mão de uma série de
procedimentos por meio dos quais imprime sua marca no enunciado, seja
explicitamente, seja implicitamente. Essas marcas que deixam o enunciado
mais subjetivo são os pronomes pessoais, as desinências verbais de pessoa,
os pronomes possessivos e os pronomes de tratamento.
Ele possui, além das possibilidades lexicais, escolhas
sintáticas que propiciam, em princípio, dois tipos de formulações, a saber: o
discurso subjetivo e o discurso objetivo. No primeiro, o enunciador se
confessa explicitamente como sendo a fonte avaliadora da asserção
enunciada, enquanto, no segundo, ele procura apagar qualquer vestígio de
sua existência individual.
Resposta – Item certo.

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3. (Cespe/PRF/Policial Rodoviário/2004) Expressões como “vivo metido no


meio de pessoas” (l. 1) e “psicologia de botequim” (l. 2) denotam
interesse em produzir um texto coloquial, informal, que se distancia dos
gêneros próprios do discurso científico.

Comentário – O discurso científico caracteriza-se, entre outros aspectos,


pelo emprego de linguagem formal, objetiva e clara. Utiliza o padrão
estabelecido nas gramáticas normativas. Dispensa gírias, figuras de
linguagem e qualquer construção que denote ambigüidade ou ironia. Não é o
caso do texto em análise, cujas expressões destacadas traduzem
informalidade e se aproximam do universo coloquial, impróprio ao gênero
científico.
Resposta – Item certo.

1 Um lugar sob o comando de gestores, onde os


funcionários são orientados por metas, têm o desempenho
avaliado dia a dia e recebem prêmios em dinheiro pela
4 eficiência na execução de suas tarefas, pode parecer tudo —
menos uma escola pública brasileira. Pois essas são algumas
das práticas implantadas com sucesso em um grupo de
7 escolas estaduais de ensino médio de Pernambuco. A
experiência chama a atenção pelo impressionante progresso
dos estudantes depois que ingressaram ali.
10 Como é praxe no local, o avanço foi quantificado.
Os alunos são testados na entrada, e quase metade deles tirou
zero em matemática e notas entre 1 e 2 em português. Isso
13 em uma escala de zero a 10. Depois de três anos, eles
cravaram 6 em tais matérias, em uma prova aplicada pelo
Ministério da Educação. Em poucas escolas públicas
16 brasileiras, a média foi tão alta. De saída, há uma
característica que as distingue das demais: elas são
administradas por uma parceria entre o governo e uma
19 associação formada por empresários da região. Os

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professores são avaliados em quatro frentes: recebem notas


dos alunos, dos pais e do diretor e ainda outra pelo
22 cumprimento das metas acadêmicas. Aos melhores, é
concedido bônus no salário.
Veja, 12/3/2008, p. 78 (com adaptações).

4. (Cespe/STF/Técnico Judiciário/2008) Predomina no fragmento o tipo


textual narrativo ficcional.

Comentário – Nada nele é ficção. As informações são verídicas e nos


contam a experiência observada em Pernambuco. O intuito é dar-nos
conhecimento acerca de um fato interessante ocorrido no sistema de
educação daquele Estado. O texto é dissertativo expositivo.
Resposta – Item errado.

Grupo Móvel — O Sr. se lembra quando o Grupo esteve aqui


antes?
Jacaré — Hum! Olha, acho que faz uns oito anos...
4 Grupo Móvel — Saiu um monte de gente, por que o Sr. não
saiu?
Jacaré — É, saiu um monte de gente, mas o patrão pediu para
7 ficar e eu fiquei.
Grupo Móvel — O que o Sr. fez com o dinheiro da
indenização que recebeu na época?
10 Jacaré — Construí um barraquinho... Comprei umas
vaquinhas...
Grupo Móvel — Depois disso, o Sr. recebeu mais alguma
13 coisa?
Jacaré — Não, não recebi mais nada, além de comida. Ele
disse que eu teria de pagar pelo dinheiro que recebi.
16 Grupo Móvel — Mais nada?

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Companheira de Jacaré — Ele diz que a gente ainda está


devendo e não deixa tirar nossas vacas, diz que são dele. Até as
19 leitoas que pegamos no mato ele diz que são dele.
Grupo Móvel — Por que o Sr. continua trabalhando?
Companheira de Jacaré — Porque ele não quer ir embora sem
22 receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar.
Grupo Móvel — Quantos anos o Sr. tem?
Jacaré — Tenho 64 anos.
25 Grupo Móvel — E trabalha para ele há quantos anos?
Jacaré — Faz uns 30 anos.
Grupo Móvel — O Sr. pede dinheiro para ele?
28 Jacaré — Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha,
não precisa pedir.

O dilema de Eduardo Silva, conhecido como Jacaré,


31 enfim, foi resolvido. Ele foi retirado da fazenda em Xinguara,
no Pará. O Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho
Escravo do MTE abriu para ele uma caderneta de poupança,
34 onde foi depositado o valor das verbas indenizatórias devidas,
cerca de R$ 100 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 43 (com adaptações).

5. (Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008) Por suas características


estruturais, é correto afirmar que o texto em análise é uma descrição.

Comentário – As características estruturais do texto são típicas de um texto


informativo, cujo gênero é a entrevista, muito comum nos meios de
comunicação. Normalmente construída em forma de diálogo e sobre um
assunto específico, a entrevista possui um interlocutor determinado e um
locutor – ou arguidor – que conduz a conversa de modo a extrair dela as
informações que deseja. A estrutura de um texto informativo como este
pode ser representada por perguntas e respostas ou por parágrafos
propriamente ditos.
Resposta – Item errado.

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Trabalho escravo:
longe de casa há muito mais de uma semana
1 O resgate de trabalhadores encontrados em situação
degradante é uma rotina nas ações do Grupo Especial Móvel
de Combate ao Trabalho Escravo, do MTE. Desde que
4 iniciou suas operações, em 1995, já são mais de 30 mil
libertações de trabalhadores submetidos a condições
desumanas de trabalho. “Chamou-me a atenção o caso de um
7 trabalhador que há 30 anos não via a família”, lembra
Cláudio Secchin, um dos oito coordenadores das operações
do Grupo Móvel. Natural de Currais Novos, no Rio Grande
10 do Norte, José Galdino da Silva — Copaíba, como gosta de
ser chamado — saiu de casa com 10 anos de idade para
trabalhar no Norte. Nunca estudou. Durante 40 anos, veio
13 passando de fazenda em fazenda, de pensão em pensão,
trabalhando com derrubada de mata e roça de pasto. Nunca
teve a carteira de trabalho assinada e perdeu a conta de
16 quantas vezes não recebeu pelo trabalho que fez. Copaíba
nunca se casou nem teve filhos. “Não conseguia dormir
direito por não conseguir juntar dinheiro sequer para retornar
19 à minha cidade e rever a família”, relatou. Quando uma
fazenda no município paraense de Piçarras foi fiscalizada em
junho deste ano, Copaíba foi localizado pelo Grupo Móvel,
22 resgatado e recebeu de indenização trabalhista mais de
R$ 5 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 40-2 (com adaptações).

6. (Cespe/MTE/Administrador/2008) Empregam-se, no texto, alguns


elementos estruturais da narrativa que, nesse caso, são fundamentais
para a consolidação de sua natureza informativa e jornalística.

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Comentário – A natureza informativa e jornalística do texto expressa-se


por meio do gênero notícia – relato de um fato ou de uma série de fatos
relacionados ao mesmo evento, começando pelo fato ou aspecto mais
relevante. Portanto, é natural que sejam empregados nesse tipo de texto
alguns elementos estruturais da narrativa (quem, o que, quando, onde,
como, porque/para que) a partir da notação mais relevante: o resgate de
trabalhadores encontrados em situação degradante feito pelo GEMCTE, do
MTE.
Resposta – Item certo.

1 O termo groupthinking foi cunhado, na década de


cinquenta, pelo sociólogo William H. Whyte, para explicar
como grupos se tornavam reféns de sua própria coesão,
4 tomando decisões temerárias e causando grandes fracassos.
Os manuais de gestão definem groupthinking como um
processo mental coletivo que ocorre quando os grupos são
7 uniformes, seus indivíduos pensam da mesma forma e o
desejo de coesão supera a motivação para avaliar alternativas
diferentes das usuais. Os sintomas são conhecidos: uma
10 ilusão de invulnerabilidade, que gera otimismo e pode levar
a riscos; um esforço coletivo para neutralizar visões
contrárias às teses dominantes; uma crença absoluta na
13 moralidade das ações dos membros do grupo; e uma visão
distorcida dos inimigos, comumente vistos como iludidos,
fracos ou simplesmente estúpidos.
16 Tão antigas como o conceito são as receitas para
contrapor a patologia: primeiro, é preciso estimular o
pensamento crítico e as visões alternativas à visão
19 dominante; segundo, é necessário adotar sistemas
transparentes de governança e procedimentos de auditoria;
terceiro, é desejável renovar constantemente o grupo, de

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22 forma a oxigenar as discussões e o processo de tomada de


decisão.
Thomaz Wood Jr. O perigo do groupthinking. In: Carta
Capital, 13/5/2009, p. 51 (com adaptações).

7. (Cespe/TCU/AFCE/2009) A sequência narrativa inicial, relatando a


origem do termo “groupthinking” (l.1), não caracteriza o texto como
narrativo, pois integra a organização do texto predominantemente
argumentativo.

Comentário – Dificilmente alguém escreve um texto homogêneo, ou seja,


puramente narrativo, descritivo, argumentativo, informativo ou instrucional.
No caso do texto da prova, há ainda elementos que descrevem, definem ou
caracterizam o conceito de “groupthinking”.
Contudo, o autor do texto, sutilmente (entre elementos
narrativos e descritivos), expõe seu ponto de vista a respeito dele. No
segundo parágrafo, Thomas Wood classifica-o negativamente de “patologia”
e propõe categoricamente medidas (“receitas”) para tratá-lo, por considerá-
lo indesejável.
Resposta – Item certo.

8. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Apesar de a definição de “groupthinking” (l.5-


9) sugerir neutralidade do autor a respeito desse processo, o uso
metafórico de palavras da área de saúde, como “sintomas” (l.9),
“receitas” (l.16) e “patologia” (l.17), orienta a argumentação para o
valor negativo e indesejável de groupthinking.

Comentário – Durante o processo descritivo do que é groupthinking, o


autor tenta se manter imparcial, mas logo deixa transparecer seu ponto de
vista sobre ele por meio das palavras citadas pela banca, as quais assumem
carga semântica negativa.
Resposta – Item certo.

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COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Passo agora a tratar de compreensão e interpretação de texto. É


muito comum nas provas elaboradas pelo Cespe/UnB constarem itens que
exigem conhecimentos sobre processos de coesão textual, argumentos
dedutivos e indutivos e de reescritura de texto (paráfrase). O que se
pretende com esse tipo de exigência é verificar a capacidade do aluno de
assimilar e transmitir a informação lida. São assuntos fáceis de entender,
mas exigem atenção por parte dos candidatos. A instituição costuma fazer
um “jogo de palavras” para tentar confundi-los.

1 Falei de esquisitices. Aqui está uma, que prova ao


mesmo tempo a capacidade política deste povo e a grande
observação dos seus legisladores (...).
Machado de Assis. A semana. Obra completa, v. III.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 757.

9. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Após o termo


“uma” (l. 1), subentende-se a elipse da palavra esquisitice.

Comentário – Morfologicamente, os artigos têm a propriedade de associar-


se a um substantivo, determinando ou indeterminado seu significado. De
acordo com o contexto, após o vocábulo “uma” (artigo indefinido) deveria
surgir o substantivo “esquisitice”, que, apesar da elipse, nos remete à
palavra “esquisitices” (note que não há outro substantivo anterior).
Resposta – Item certo.

Caro eleitor,
1 Nos últimos meses, a campanha política mobilizou
vivamente os brasileiros. No primeiro turno, foram
alcançadas marcas extraordinárias: além do alto índice de
4 comparecimento às urnas e de uma irrepreensível votação,
em que tudo aconteceu de forma tranqüila e organizada, a

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apuração dos resultados foi rápida e segura, o que coloca o


7 Brasil como modelo nessa área.
Amanhã serão definidos os nomes do presidente da
República e dos governadores de alguns estados. O país,
10 mais do que nunca, conta com você.
Democracia é algo que lhe diz respeito e que se
aperfeiçoa no dia-a-dia. É como uma construção
13 bem-preparada, erguida sobre fortes alicerces. Esses
alicerces são exatamente os votos de todos os cidadãos.
Quanto mais fiel você for no exercício do direito de definir
16 os representantes, mais sólidas serão as bases da nossa
democracia. Por isso, é essencial que você valorize essa
escolha, elegendo, de modo consciente, o candidato que
19 julgar com mais condições para conduzir os destinos do país
e de seu estado.
Você estará determinando o Brasil que teremos nos
22 próximos quatro anos. Estará definindo o amanhã, o seu
próprio bem-estar e de sua família, o crescimento geral, a
melhoria do emprego, da habitação, da saúde e segurança
25 públicas, do transporte, o preço dos alimentos. O momento
é decisivo e em suas mãos — entenda bem, em suas mãos —
está depositada a confiança em dias felizes.
28 Compareça, participe. Não se omita, não transfira a
outros uma escolha que é sua. Pense e vote com a firmeza de
quem sabe o que está fazendo, com a responsabilidade de
31 quem realmente compreende a importância de sua atitude
para o progresso da nação brasileira. Esta é a melhor
contribuição que você poderá dar a sua Pátria.
Ministro Marco Aurélio de Mello. Pronunciamento oficial. Internet: <www.tse.gov.br> (com adaptações).

10. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) A expressão “nessa


área” (l. 7) retoma a idéia implícita, no parágrafo, de processo
eleitoral.

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Comentário – Note que, no final do primeiro parágrafo, o ministro Marco


Aurélio faz comentário sobre a campanha política, o alto índice de
comparecimento às urnas, a agilidade com que os votos foram contados e a
segurança de que tivemos uma votação expressiva. É em relação ao
processo eleitoral (“nessa área”) que o Brasil surge como modelo, nas
palavras do ministro.
Resposta: Item certo.

1 Um fator a ser revisto no MERCOSUL é o foco: não


adianta debater uma agenda mirabolante, com 40 ou 50 temas.
É preciso focar as ações de modo pragmático, com as seguintes
4 prioridades: concluir a união aduaneira; eliminar barreiras
jurídicas e monetárias; facilitar os negócios entre as empresas
dos países-membros e obter financiamentos em nome do bloco
7 no Banco Mundial, para ampliar a infra-estrutura regional, o que
até agora sequer foi pleiteado. As questões alfandegária e
fitossanitária devem ser harmonizadas o mais rapidamente
10 possível, pois não haverá bloco econômico viável enquanto
houver entrave no intercâmbio entre os Estados-membros.
Finalmente, é preciso considerar que, no mundo globalizado, as
13 relações externas afetam o cotidiano das empresas e das pessoas.
O atual impasse no MERCOSUL só será superado se os
empresários se organizarem na defesa de seus interesses e
16 direitos, por meio da informação e da mobilização da sociedade
sobre as implicações internas das decisões tomadas em fóruns
internacionais.
Abram Szajman. O Globo, 26/11/2006 (com adaptações).

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11. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Na linha 7, o termo


“o que” retoma o antecedente “ampliar a infra-estrutura regional”.

Comentário – A expressão em destaque resgata a oração “obter


financiamentos em nome do bloco no Banco Mundial”, que integra a
sequência de prioridades enumeradas no texto.
Resposta – Item errado.

1 Um dos lugares-comuns do pensamento político é o de que


o sistema democrático exige a descentralização do poder.
Democracia não é só o governo do povo, mas o governo do povo
4 a partir de sua comunidade. Esse é um dos argumentos clássicos
para o voto distrital: o eleitor fortalece seu poder, ao associá-lo ao
de seus vizinhos. Em países de boa tradição democrática, esses
7 vizinhos discutem, dentro dos comitês dos partidos, mas também
fora deles, suas idéias com os candidatos. Embora isso não
signifique voto imperativo — inaceitável em qualquer situação
10 —, o parlamentar escolhido sabe que há o eleitor múltiplo e bem
identificado, ao qual deverá dar explicações periódicas. Se a esse
sistema se vincula a possibilidade do recall, do contramandato,
13 cresce a legitimidade do instituto da representação parlamentar.
O fato é que, com voto distrital ou não, tornou-se inadiável a
discussão em torno do sistema federativo. Quem conhece o Brasil
16 fora das campanhas eleitorais sabe das profundas diferenças entre
os estados.
Mauro Santayana. Jornal do Brasil, 24/11/2006.

12. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Acerca das relações


lógico-sintáticas do texto acima, assinale a opção incorreta.

A) “-lo”, em “associá-lo” (l. 5), refere-se a “poder” (l. 2).


B) “deles” (l. 8) refere-se a “comitês dos partidos” (l. 7).
C) “isso” (l. 8) refere-se a “discutem, dentro dos comitês dos partidos, mas
também fora deles, suas idéias com os candidatos” (l. 7-8).

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D) “ao qual” (l. 11) refere-se a “parlamentar escolhido” (l. 10).

Comentário – Em A, o pronome oblíquo átono “o” surge acompanhado de


“l”, em virtude da ênclise formada com o verbo “associar”, que perde a letra
“r” e recebe acento agudo no “a”, por se tratar de oxítona terminada em “a”.
Em B, o vocábulo “deles” é composto pela preposição “de”
(“fora de”) e pelo pronome pessoal do caso oblíquo tônico “eles”. Este
retoma a expressão “comitês dos partidos”.
Na alternativa C, há uma recuperação anafórica da expressão
em destaque feita pelo emprego do pronome demonstrativo “isso”.
Em D, a preposição “a” (que surge em decorrência da
regência do verbo “dar” – transitivo direto e indireto) une-se ao pronome
relativo “o qual” para retomar “o leitor múltiplo e bem identificado”.
Resposta – Certo; certo; certo; errado – conforme o gabarito oficial. Mas a
mim me pareceu que, na alternativa A, a referência é ao “poder”
mencionado também na linha 5. Tenho a impressão de que a banca errou ao
digitar “(l.2)”.

Grupo Móvel — O Sr. se lembra quando o Grupo esteve aqui


antes?
Jacaré — Hum! Olha, acho que faz uns oito anos...
4 Grupo Móvel — Saiu um monte de gente, por que o Sr. não
saiu?
Jacaré — É, saiu um monte de gente, mas o patrão pediu para
7 ficar e eu fiquei.
Grupo Móvel — O que o Sr. fez com o dinheiro da
indenização que recebeu na época?
10 Jacaré — Construí um barraquinho... Comprei umas
vaquinhas...
Grupo Móvel — Depois disso, o Sr. recebeu mais alguma
13 coisa?
Jacaré — Não, não recebi mais nada, além de comida. Ele
disse que eu teria de pagar pelo dinheiro que recebi.

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16 Grupo Móvel — Mais nada?


Companheira de Jacaré — Ele diz que a gente ainda está
devendo e não deixa tirar nossas vacas, diz que são dele. Até as
19 leitoas que pegamos no mato ele diz que são dele.
Grupo Móvel — Por que o Sr. continua trabalhando?
Companheira de Jacaré — Porque ele não quer ir embora sem
22 receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar.
Grupo Móvel — Quantos anos o Sr. tem?
Jacaré — Tenho 64 anos.
25 Grupo Móvel — E trabalha para ele há quantos anos?
Jacaré — Faz uns 30 anos.
Grupo Móvel — O Sr. pede dinheiro para ele?
28 Jacaré — Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha,
não precisa pedir.

O dilema de Eduardo Silva, conhecido como Jacaré,


31 enfim, foi resolvido. Ele foi retirado da fazenda em Xinguara,
no Pará. O Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho
Escravo do MTE abriu para ele uma caderneta de poupança,
34 onde foi depositado o valor das verbas indenizatórias devidas,
cerca de R$ 100 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 43 (com adaptações).

13. (Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008) Em “Porque ele não quer ir


embora sem receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar”
(l. 21-22), nas duas ocorrências, o pronome “ele” refere-se à mesma
pessoa.

Comentário – Perceba a astúcia da banca examinadora. Quis induzir os


candidatos a crerem que, nos dois casos, o pronome em destaque fazia
alusão, provavelmente, ao personagem “Jacaré”. Talvez, por se tratar da
proximidade entre a entrada em “cena” de “Jacaré” e o elemento de coesão.
Portanto, prezado aluno, fique atento! O primeiro emprego do pronome “ele”
retoma, de fato, o personagem “Jacaré”, a quem a pergunta (l. 20) foi

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dirigida. Mas o segundo emprego recupera “patrão”, personagem que


aparece pela primeira vez na linha 6.
Resposta – Item errado.

1 Um governo, ou uma sociedade, nos tempos


modernos, está vinculado a um pressuposto que se apresenta
como novo em face da Idade Antiga e Média, a saber: a
4 própria ideia de democracia. Para ser democrático, deve
contar, a partir das relações de poder estendidas a todos os
indivíduos, com um espaço político demarcado por regras
7 e procedimentos claros, que, efetivamente, assegurem o
atendimento às demandas públicas da maior parte da
população, elegidas pela própria sociedade, através de suas
10 formas de participação/representação.
Para que isso ocorra, contudo, impõe-se a existência
e a eficácia de instrumentos de reflexão e o debate público
13 das questões sociais vinculadas à gestão de interesses
coletivos — e, muitas vezes, conflitantes, como os direitos
liberais de liberdade, de opinião, de reunião, de associação
16 etc. —, tendo como pressupostos informativos um núcleo de
direitos invioláveis, conquistados, principalmente, desde
o início da Idade Moderna, e ampliados pelo
19 Constitucionalismo Social do século XX até os dias de hoje.
Fala-se, por certo, dos Direitos Humanos e Fundamentais de
todas as gerações ou ciclos possíveis.
Rogério Gesta Leal. Poder político, estado e sociedade.
Internet: <www.mundojuridico.adv.br> (com adaptações).

14. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Na organização da argumentação, o segundo


parágrafo do texto estabelece a condição de o debate e a reflexão sobre
os direitos humanos vinculados aos interesses coletivos estarem na
base da ideia de democracia.

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Comentário – A condição é ressaltada logo no segmento inicial “Para que


isso ocorra (...) impõe-se a existência e a eficácia de instrumentos de
reflexão e o debate público...”. Note que a “existência e a eficácia de
instrumentos de reflexão e o debate público” são fundamentais para que
haja um governo democrático, com um espaço político demarcado por
regras e procedimentos claros (a ideia sublinhada – l. 4-7 – é retomada pelo
pronome demonstrativo “isso”).
Resposta – Item certo.

15. (Cespe/TCU/AFCE/2009) O desenvolvimento das ideias demonstra que,


na linha 4, a flexão de singular em “deve” estabelece relações de
coesão e de concordância gramatical com o termo “democracia”.

Comentário – Embora esteja expresso apenas no período anterior,


subentende-se na linha 4 o termo “governo”, com o qual o verbo “deve”
mantém relações de coesão e de concordância.
Resposta – Item errado.

16. (Cespe/TCU/AFCE/2009) O pronome “isso” (l.11) exerce, na


organização dos argumentos do texto, a função coesiva de retomar e
resumir o fato de que as “demandas públicas da maior parte da
população” (l.8-9) são escolhidas por meio de “formas de
participação/representação” (l.10).

Comentário – Apontei acima a referência do pronome “isso”: a ideia de um


governo democrático, com um espaço político demarcado por regras e
procedimentos claros.
Resposta – Item errado.

1 O exercício do poder ocorre mediante múltiplas


dinâmicas, formadas por condutas de autoridade, de domínio,
de comando, de liderança, de vigilância e de controle de uma

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4 pessoa sobre outra, que se comporta com dependência,


subordinação, resistência ou rebeldia. (..)
Maria da Penha Nery. Vínculo e afetividade: caminhos das relações
humanas. São Paulo: Ágora, 2003, p. 108-9 (com adaptações).

17. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Nas relações de coesão que se estabelecem no


texto, o pronome “que” (l.4) retoma a expressão “exercício do poder”
(l.1).

Comentário – Volte ao texto e releia o seguinte fragmento: “controle de


uma pessoa sobre outra, que se comporta com dependência, subordinação,
resistência ou rebeldia”. Quem se comportar dessa maneira? A pessoa
controlada., representada no texto pelo vocábulo “outra” (= outra pessoa).
Resposta – Item errado.

(...)
Para muitos, os carros de luxo que trafegam pelos
bairros elegantes das capitais ou os telefones celulares não
10 constituem indicadores de modernidade.
Modernidade seria assegurar a todos os habitantes
do país um padrão de vida compatível com o pleno exercício
13 dos direitos democráticos. Por isso, dão mais valor a um
modelo de desenvolvimento que assegure a toda a população
alimentação, moradia, escola, hospital, transporte coletivo,
16 bibliotecas, parques públicos. Modernidade, para os que
pensam assim, é sistema judiciário eficiente, com aplicação
rápida e democrática da justiça; são instituições públicas
19 sólidas e eficazes; é o controle nacional das decisões
econômicas.
Plínio Arruda Sampaio. O Brasil em construção. In: Márcia Kupstas (Org.). Identidade
nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997, p. 27-9 (com adaptações).

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18. (Cespe/MJ-DPF/Agente/2009) O trecho “os que pensam assim” (l.16-


17) retoma, por coesão, o referente de “muitos” (l.8), bem como o
sujeito implícito da oração “dão mais valor a um modelo de
desenvolvimento” (l.13-14).

Comentário – Textualmente, o trecho “os que pensam assim” aponta para


aqueles que não consideram “os carros de luxo que trafegam pelos bairros
elegantes das capitais ou os telefones celulares” exemplos da modernidade.
Eles são os que “dão mais valor a um modelo de desenvolvimento”.
Resposta – Item certo.

Então, como está indo? As questões apresentadas até aqui


expressam aquilo que o Cespe/UnB espera que você saiba. Porém ainda há
mais dois pontos que eu preciso abordar: diferença entre interpretações
dedutiva e indutiva e reescritura de texto. Vamos a eles!

Interpretação Dedutiva X Interpretação Indutiva

Observe que nas provas do Cespe/UnB é comum aparecerem


questões sobre interpretação de texto que exigem uma resposta do
candidato com base em argumentos dedutivos (“Depreende-se...”.
“Conclui-se...”) ou indutivos (“Infere-se...”). Às vezes, o enunciado pode
ser um pouco diferente, ou não tão claro como tentei transmitir. Mas, em
última análise, é isso mesmo o que a banca está querendo de você.
Dependendo da abordagem, a sua resposta será diferente. A tabela abaixo
certamente lhe será útil:

Dedução Indução (inferência)


Parte, geralmente, de uma verdade Geralmente, parte de enunciados
universal para se chegar a uma particulares, singulares e, deles,
verdade particular ou singular. infere-se um enunciado universal.
Este método de raciocínio é válido Não fornece provas evidentes para a
quando suas premissas podem verdade de uma conclusão. Ela pode,
fornecer provas evidentes para apenas, fornecer alguns indícios.
uma conclusão.

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Em todo argumento dedutivo, a O grande problema do processo


conclusão deve estar presente indutivo é seu caráter
nas premissas. probabilístico.
Os argumentos dedutivos são A indução pode ir além das
estéreis, não apresentam nenhum premissas — por oferecer novas
conhecimento novo. Assim como já informações que as premissas não
está contida nas premissas, a possuíam.
conclusão nunca vai além delas.

Agora você deve responder às questões de provas do


Cespe/UnB.

Grupo Móvel — O Sr. se lembra quando o Grupo esteve aqui


antes?
Jacaré — Hum! Olha, acho que faz uns oito anos...
4 Grupo Móvel — Saiu um monte de gente, por que o Sr. não
saiu?
Jacaré — É, saiu um monte de gente, mas o patrão pediu para
7 ficar e eu fiquei.
Grupo Móvel — O que o Sr. fez com o dinheiro da
indenização que recebeu na época?
10 Jacaré — Construí um barraquinho... Comprei umas
vaquinhas...
Grupo Móvel — Depois disso, o Sr. recebeu mais alguma
13 coisa?
Jacaré — Não, não recebi mais nada, além de comida. Ele
disse que eu teria de pagar pelo dinheiro que recebi.
16 Grupo Móvel — Mais nada?
Companheira de Jacaré — Ele diz que a gente ainda está
devendo e não deixa tirar nossas vacas, diz que são dele. Até as
19 leitoas que pegamos no mato ele diz que são dele.

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Grupo Móvel — Por que o Sr. continua trabalhando?


Companheira de Jacaré — Porque ele não quer ir embora sem
22 receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar.
Grupo Móvel — Quantos anos o Sr. tem?
Jacaré — Tenho 64 anos.
25 Grupo Móvel — E trabalha para ele há quantos anos?
Jacaré — Faz uns 30 anos.
Grupo Móvel — O Sr. pede dinheiro para ele?
28 Jacaré — Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha,
não precisa pedir.

O dilema de Eduardo Silva, conhecido como Jacaré,


31 enfim, foi resolvido. Ele foi retirado da fazenda em Xinguara,
no Pará. O Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho
Escravo do MTE abriu para ele uma caderneta de poupança,
34 onde foi depositado o valor das verbas indenizatórias devidas,
cerca de R$ 100 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 43 (com adaptações).

19. (Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008) O que faz de Eduardo Silva


objeto de interesse da ação do Grupo Móvel é o fato de que o
trabalhador optou por trabalhar sem receber a remuneração
correspondente, conforme se depreende do trecho “o patrão pediu para
ficar e eu fiquei” (l. 6-7).

Comentário – O texto indica (l. 28) que Jacaré espera receber pelo trabalho
que desempenha na fazenda do patrão. Além disso, o Grupo Móvel ficou
impressionado com o fato de Jacaré ter permanecido na fazenda (l. 4)
mesmo depois da inspeção anterior realizada pelo próprio Grupo (l. 1). Isso
o correu há cerca de oito anos (l. 3), quando saíram de lá vários
trabalhadores (l. 4) que, ao que tudo indica, estavam em condições
semelhantes à de Jacaré.
Resposta – Item errado.

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No início de 2005, muito ouvimos falar de Davos – um lugar na


Suíça onde se reuniram os luminares de todo o mundo para discutir as
ansiedades que nos paralisam e as perplexidades que nos mobilizam.
Por coincidência, Davos é também o cenário onde se monta a
ação de um famoso romance escrito por Thomas Mann, A Montanha Mágica.
O romance é de 1924 e descreve a vida de um grupo de personagens
doentes que, no princípio do século, se instalaram no Sanatório Berghof,
procurando recuperar a saúde.
(...)
Affonso Ramos de Sant’anna, Correio Brasiliense, 6/2/2005 (com adaptações)

20. (Cespe/TCU/ACE/2005) Infere-se do texto que, em Davos, está sendo


filmada a adaptação cinematográfica de uma obra literária do início do
século passado.

Comentário – O texto associa a circunstância de tempo indicada por “no


princípio do século” a “um grupo de personagens doentes”. Naquela época,
eles “se instalaram no Sanatório Berghof, procurando recuperar a saúde”. A
obra literária encenada em Davos é de 1924, isto é, do século passado;
porém 24 anos depois do seu início.
Resposta – Item errado.

21. (Cespe/TCU/ACE/2005) Subentende-se, da leitura do primeiro


parágrafo, que o autor julga haver vários tipos de ansiedade e que
todos eles paralisam o ser humano.

Comentário – Subentender o que diz a banca examinadora neste item é


desconsiderar completamente as evidências escritas no texto. Toda e
qualquer inferência deve limitar-se às “pistas”, aos “rastros” encontrados no
próprio texto, e não extrapolá-lo deliberadamente. Assim sendo, observe
que as orações subordinadas adjetivas RESTRITIVAS “que nos paralisam” e
“que nos mobilizam” limitam semanticamente o alcance dos substantivos
“ansiedades” e “perplexidades”. Portanto podemos subentender que existem
certas ansiedades e perplexidades que não nos afetam como outras.

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Resposta – Item errado.

Desenvolvimento, ambiente e saúde


(...)
O desenvolvimento, como processo de incorporação
sistemática de conhecimentos, técnicas e recursos na
16 construção do crescimento qualitativo e quantitativo das
sociedades organizadas, tem sido reconhecido como
ferramenta eficaz para a obtenção de uma vida melhor e mais
19 duradoura. No entanto, esse desenvolvimento pode conspirar
contra o objetivo comum, quando se baseia em valores,
premissas e processos que interferem negativamente nos
22 ecossistemas e, em conseqüência, na saúde individual e
coletiva.
Paulo Marchiori Buss. Ética e ambiente. In: Desafios éticos, p. 70-1 (com adaptações).

22. (Cespe/TCU/ACE/2007) Depreende-se do último período do texto que a


saúde, individual e coletiva, está diretamente relacionada aos
ecossistemas que constituem valores, premissas e processos de um
desenvolvimento sustentável.

Comentário – Muito cuidado com este jogo de palavras que a banca


examinadora faz para ludibriar os candidatos. Apenas a primeira parte da
assertiva está correta. A saúde individual e coletiva guarda estreita relação
com os ecossistemas, de modo que uma interferência neles causa reflexos
nela. Apesar disso, a parte final do item traz uma construção sintática cujo
teor semântico não encontra respaldo no texto original. Tomar as
expressões “valores”, “premissas” e “processos” em oração adjetiva
restritiva caracterizadora dos ecossistemas é admitir que há outros
ecossistemas que não influenciam a saúde individual e coletiva. Note que, no
período original, o substantivo “ecossistemas” é empregado em sentido
amplo, não restrito.
Resposta – Item errado.

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1 Berço da civilização ocidental, o mar Mediterrâneo


banha 21 países e abriga praias e enseadas paradisíacas que
atraem nada menos que 200 milhões de turistas por ano.
4 Pesquisa recente mostra que ele é o mais poluído dos mares
do planeta. A cada ano, suas águas recebem: 9 milhões de
toneladas de resíduos industriais e domésticos não tratados,
7 60% produzidos por França, Itália e Espanha; 15 milhões de
toneladas de detritos produzidos por 200 milhões de turistas
que visitam suas praias; 600.000 toneladas de petróleo
10 derramadas por navios durante o movimento de carga e
descarga e 30.000 toneladas perdidas em acidentes; redes de
pesca e embalagens plásticas, responsáveis pela morte de
13 50.000 focas que confundem esses objetos com alimentos.
Veja, 1.º/8/2007, p.116-7 (com adaptações).

23. (Cespe/TCU/ACE/2007) Depreende-se da argumentação do texto que,


se o Mar Mediterrâneo não fosse o “Berço da civilização ocidental” (l. 1),
seus níveis de poluição não seriam tão altos.

Comentário – Não há como sustentar o que a banca examinadora


argumenta em nenhuma passagem do texto. Ele aponta causas
contemporâneas para a poluição do Mar Mediterrâneo. Contribuem para esse
tipo de raciocínio os verbos empregados no presente do indicativo. O fato de
ele ser o “Berço da civilização ocidental” nada mais é do que outra
característica daquele mar, sem qualquer relação direta com seu atual
estado de conservação.
Resposta – Item errado.

1 O exercício do poder ocorre mediante múltiplas


dinâmicas, formadas por condutas de autoridade, de domínio,
de comando, de liderança, de vigilância e de controle de uma
4 pessoa sobre outra, que se comporta com dependência,

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subordinação, resistência ou rebeldia. Tais dinâmicas não se


reportam apenas ao caráter negativo do poder, de opressão,
7 punição ou repressão, mas também ao seu caráter positivo,
de disciplinar, controlar, adestrar, aprimorar. O poder em si
não existe, não é um objeto natural. O que há são relações de
10 poder heterogêneas e em constante transformação. O poder
é, portanto, uma prática social constituída historicamente.
Na rede social, as dinâmicas de poder não têm
13 barreiras ou fronteiras: nós as vivemos a todo momento.
Consequentemente, podemos ser comandados, submetidos
ou programados em um vínculo, ou podemos comandá-lo
16 para a realização de sua tarefa, e, assim, vivermos um novo
papel social, que nos faz complementar, passivamente ou
não, as regras políticas da situação em que nos encontramos.
Maria da Penha Nery. Vínculo e afetividade: caminhos das relações
humanas. São Paulo: Ágora, 2003, p. 108-9 (com adaptações).

24. (Cespe/TCU/AFCE/2009) É correto concluir, a partir da argumentação


do texto, que o poder é dinâmico e que há múltiplas formas de sua
realização, com faces heterogêneas, positivas ou negativas; além disso,
ele afeta todos que vivem em sociedade, tanto os que a ele se
submetem, quanto os que a ele resistem.

Comentário – A banca fez um resumo do texto, a partir dos próprios


elementos (das evidências) dele. Repare e compare: “

“O exercício do poder ocorre mediante múltiplas dinâmicas”


(l 1-2)”;
“Tais dinâmicas não se reportam apenas ao caráter
negativo do poder (...), mas também ao seu caráter
positivo” (l. 5-7);
“O que há são relações de poder heterogêneas” (l. 9-10);

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“Na rede social (...) podemos ser comandados, submetidos


ou programados em um vínculo, ou podemos comandá-lo”
(l. 12-15).

Resposta – Item certo.

25. (Cespe/TCU/AFCE/2009) De acordo com a argumentação do texto, o


poder “não é um objeto natural” (l.9) porque é criado artificialmente
nas relações de opressão social.

Comentário – O problema aqui está na razão que a banca alega para


sustentar o fato de o poder não ser um objeto natural. O texto é claro em ao
dizer que “Tais dinâmicas [as que acarretam o exercício do poder] não se
reportam apenas ao caráter negativo do poder, de opressão, punição ou
repressão, mas também ao seu caráter positivo, de disciplinar, controlar,
adestrar, aprimorar” (l. 5-8). O Cespe simplesmente desprezou as
evidências do próprio texto.
Resposta – Item errado.

1 Nossos projetos de vida dependem muito do futuro


do país no qual vivemos. E o futuro de um país não é
obra do acaso ou da fatalidade. Uma nação se constrói.
4 E constrói-se no meio de embates muito intensos — e, às
vezes, até violentos — entre grupos com visões de futuro,
concepções de desenvolvimento e interesses distintos e
7 conflitantes.
Para muitos, os carros de luxo que trafegam pelos
bairros elegantes das capitais ou os telefones celulares não
10 constituem indicadores de modernidade.
Modernidade seria assegurar a todos os habitantes
do país um padrão de vida compatível com o pleno exercício
13 dos direitos democráticos. Por isso, dão mais valor a um
modelo de desenvolvimento que assegure a toda a população
alimentação, moradia, escola, hospital, transporte coletivo,

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16 bibliotecas, parques públicos. Modernidade, para os que


pensam assim, é sistema judiciário eficiente, com aplicação
rápida e democrática da justiça; são instituições públicas
19 sólidas e eficazes; é o controle nacional das decisões
econômicas.
Plínio Arruda Sampaio. O Brasil em construção. In: Márcia Kupstas (Org.). Identidade
nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997, p. 27-9 (com adaptações).

26. (Cespe/MJ-DPF/Agente/2009) Infere-se da leitura do texto que o futuro


de um país seria “obra do acaso” (l.3) se a modernidade não
assegurasse um padrão de vida democrático a todos os seus cidadãos.

Comentário – Inferir isso é desconsiderar completamente o que está dito


nas linhas 2 e 3, por exemplo: “...o futuro de um país não é obra do acaso
ou da fatalidade.” O autor é contundente quanto a isso. Além do mais, não é
unânime a ideia de que a modernidade assegura (repare o verbo no
presente, indicando um acontecimento real, concreto) um padrão de vida
democrático a todos os seus cidadãos, como dá a entender a banca
examinadora por meio da abordagem que faz. Repare que o texto (e sempre
temos que nos reportar a ele) informa que, para alguns, a modernidade é
evidenciada pela alta tecnologia, pelas belas construções e pelos
deslumbrantes automóveis e, para outros, ela “seria” (repare agora o uso do
subjuntivo, indicando apenas uma possibilidade, um fato ainda não
estabelecido) o que o enunciado, em outras palavras, diz que ela já é.
Resposta – Item errado.

Entraremos na última parte desta aula. Tratarei então de


reescritura de texto ou de parte dele.

Reescritura de Texto

Esclareço que toda vez que uma obra faz alusão à outra, ocorre
a intertextualidade. Isso se concretiza de várias formas. Aqui, abordarei

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aquela que costuma aparecer em provas e que pode ser cobrada no


concurso que você fará, só que com outra “roupagem”: a paráfrase.
Na paráfrase, as palavras são mudadas, porém a ideia do
texto original é confirmada pelo novo texto; a alusão ocorre para
atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer
com outras palavras o que já foi dito. E não apenas com outras
palavras, mas também com outra estruturação sintática.
Normalmente, as bancas indagam se, nesse processo, a coesão
(correção gramatical) e a coerência (significado original do texto) foram
mantidas. É muito importante que esses dois aspectos sejam respeitados na
hora de parafrasear o texto original.
Passemos à análise de questões do Cespe/UnB que envolvem
esse assunto, o último desta aula.

1 A cidade estivera agitada por motivos de ordem


técnica e politécnica. Outrossim, era a véspera da eleição de
um senador para preencher a vaga do finado Aristides Lobo.
4 Dous candidatos e dous partidos disputavam a palma com
alma. Vá de rima; sempre é melhor que disputá-la a cacete,
cabeça ou navalha, como se usava antigamente. A garrucha
7 era empregada no interior. Um dia, apareceu a Lei Saraiva,
destinada a fazer eleições sinceras e sossegadas. Estas
passaram a ser de um só grau. Oh! ainda agora me não
10 esqueceram os discursos que ouvi, nem os artigos que li por
esses tempos atrás pedindo a eleição direta! A eleição direta
era a salvação pública. Muitos explicavam: direta e censitária.
13 Eu, pobre rapaz sem experiência, ficava embasbacado quando
ouvia dizer que todo o mal das eleições estava no método;
mas, não tendo outra escola, acreditava que sim, e esperava
16 a lei.
(...)
Machado de Assis. Op. Cit., p. 706.

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27. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) A correção


gramatical e as idéias originais serão mantidas, caso se reescreva o
trecho “me não esqueceram (...) artigos que li” (l. 9-10) da seguinte
forma: não me esqueço dos discursos que ouvi, nem dos artigos que li.

Comentário – No texto original, o verbo esquecer é empregado como


transitivo indireto. Tem como sujeito toda a expressão “os discursos que
ouvi, nem os artigos que li por esses tempos atrás pedindo a eleição direta”.
Seu objeto indireto é representado pelo pronome oblíquo átono “me”, que –
em virtude da existência de duas palavras atrativas – antecede o verbo,
podendo ficar entre elas ou depois da última. Na nova redação, a ideia
original foi preservada; contudo mudou-se a estruturação sintática da frase.
Agora, o verbo utilizado é o esquecer-se, pronominal. O que funcionava
anteriormente como sujeito tornou-se objeto indireto; e o antigo objeto
indireto (“me”) transformou-se em parte integrante do verbo. Tudo de
acordo com a perfeita correção gramatical e com o significado original do
texto.
Resposta – Item certo.

Caro eleitor,
1 Nos últimos meses, a campanha política mobilizou
vivamente os brasileiros. No primeiro turno, foram
alcançadas marcas extraordinárias: além do alto índice de
4 comparecimento às urnas e de uma irrepreensível votação,
em que tudo aconteceu de forma tranqüila e organizada, a
apuração dos resultados foi rápida e segura, o que coloca o
7 Brasil como modelo nessa área.
(...)
Ministro Marco Aurélio de Mello. Pronunciamento oficial. Internet: <www.tse.gov.br> (com adaptações).

28. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Na linha 3, a


substituição do sinal de dois-pontos por ponto final e o emprego de

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inicial maiúscula em “além” provocam truncamento sintático, o que


prejudica a coerência do texto.

Comentário – Minha sugestão é que você reescreva, à parte, o trecho da


forma que a banca sugere, sempre que possível e principalmente se tiver
dificuldades em “visualizar” as modificações propostas. Então, mãos à obra!
No primeiro turno, foram alcançadas marcas extraordinárias.
Além do alto índice de comparecimento às urnas e de uma
irrepreensível votação, em que tudo aconteceu de forma
tranqüila e organizada, a apuração dos resultados foi rápida e
segura, o que coloca o Brasil como modelo nessa área.

Agora, atente para o que a banca está dizendo. Ela argumenta


que essa forma de reescritura causa “truncamento sintático” e prejuízo à
“coerência do texto”. Em outras palavras, o Cespe/UnB alega que as
modificações causam problemas quanto à correção gramatical e à
preservação do sentido original das informações. Compare os dois modelos e
constate que o texto continua coeso, correto e coerente.
Resposta – Item errado.

(...)
10 A despeito das recentes turbulências, a Tailândia,
primeira vítima da crise asiática, mostra índices melhores do
que então. Houve um golpe militar, em setembro de 2006,
13 quando foi deposto o primeiro-ministro acusado de
corrupção e malversação de dinheiro. Aos poucos, volta a
confiança dos investidores no país, governado por um
16 conselho de segurança nacional provisório, com eleições
previstas para o fim do ano.
Carta Capital, 1.º/8/2007, p. 12 (com adaptações).

29. (Cespe/TCU/ACE/2007) Mantêm-se a coerência textual e a correção


gramatical ao se transformar o aposto final do texto em uma oração
desenvolvida: cujas eleições são previstas para o fim de ano.

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Comentário – Conhecimento sobre análise sintática é importante para a


resolução deste item. Para ser mais didático, dividirei minha explicação em
dois momentos: o primeiro sobre aposto, e o segundo sobre oração
subordinada adjetiva explicativa.
Aposto é o termo de caráter nominal que se junta a um
substantivo, ou a qualquer palavra substantivada, para explicá-lo,
especificá-lo, esclarecê-lo, desenvolvê-lo ou resumi-lo. No texto original, ele
é representado pela expressão “com eleições previstas para o fim do ano”.
Note também que ele estabelece um nexo semântico de caráter
explicativo com o substantivo a que se refere (“país”). Outra característica
desse tipo de aposto é sua separação do substantivo por meio de uma
vírgula.
A alteração proposta no item analisado traz uma oração
(observe a presença da locução verbal “são previstas”) também de caráter
explicativo. Esta é introduzida pelo pronome relativo “cujas”, que,
semanticamente, estabelece uma relação de posse/dependência entre os
substantivos “país” e “eleições”.
Diante disso, não há nenhuma alteração na linha
argumentativa (coerência) do texto original ao se proceder à substituição de
um termo nominal de caráter explicativo (aposto) por outro de base verbal
também de caráter explicativo (oração subordinada adjetiva
explicativa). Em relação à correção gramatical, a alteração proposta
respeita as normas da gramática normativa.
Resposta – Item certo.

Celular recebe ligação e relâmpago

Não é recomendável usar telefones celulares durante


tempestades com raios e trovões, sob risco de atrair as descargas
elétricas. O alerta foi feito por médicos recentemente.
Os especialistas relataram o caso de uma menina de
15 anos que usava o telefone em um parque quando foi

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eletrocutada por um raio. A jovem sobreviveu, mas teve danos


permanentes à saúde.
O fenômeno é raro, mas é um problema de saúde
pública. A população precisa ser educada para o risco. Assim,
poderemos prevenir casos fatais como esse, no futuro, disse
Swinda Esprit, médica do Northick Park Hospital, no Reino
Unido.
Ela explicou, ainda, que, quando uma pessoa é atingida
pela descarga elétrica de um raio, a alta resistência da pele
humana conduz a energia pelo corpo, em um fenômeno chamado
flashover. No entanto, se algum objeto feito de metal, como um
telefone celular, estiver em contato com a pele, interrompe-se o
flashover e aumenta a gravidade dos ferimentos internos.
Jornal do Brasil, 24/6/2006 (com adaptações).

Os itens a seguir são reescritas de trechos do texto. Julgue-os quanto à


correção gramatical.

30. (Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006) Durante tempestades,


médicos, recentemente, alertaram que eles não recomendam o uso de
telefones celulares que, com raios e trovões, atraíam descargas
elétricas.

Comentário – O texto reescrito dessa forma estabelece uma distinção entre


os celulares que atraem descargas elétricas e os que não os atraem. Isso
ocorre por causa da utilização inoportuna da oração subordinada adjetiva
“que (...) atraíam descargas elétricas”, que restringe o significado semântico
de “telefones celulares”. Além disso, os médicos não fizeram o alerta,
estando eles mesmos em uma circunstância de chuva.
Resposta – Item errado.

31. (Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006) Os médicos mencionaram


uma situação em que, em um parque, uma jovem de 15 anos de idade,

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ao usar o telefone celular, foi eletrocutada por um raio. Ela não morreu,
tendo sofrido, no entanto, danos irreparáveis à saúde.

Comentário – Paráfrase perfeita. Tanto a correção gramatical, quanto a


informação primeira do texto foram preservadas. Note as transformações
feitas:
“Os especialistas relataram o caso de...”
Os médicos mencionaram uma situação em que...

“A jovem sobreviveu...”
Ela não morreu...

“...mas teve danos permanentes à saúde.”


tendo sofrido, no entanto, danos irreparáveis à saúde.

Resposta – Item certo.

32. (Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006) A médica acrescentou,


também, que, caso uma pessoa for vítima de um raio, a pele dela,
altamente resistente, conduzirá a energia elétrica pelo corpo,
tratando-se o fenômeno do que se denomina flashover.

Comentário – A correção gramatical é infringida. A utilização da conjunção


subordinativa condicional “caso” obriga o verbo ser a flexionar-se no
presente do subjuntivo: seja. É importante salientar que, se fosse
empregada a conjunção subordinativa condicional se, a forma verbal “for”
(futuro do subjuntivo) estaria também correta.
Resposta: Item errado.

1 Nossos projetos de vida dependem muito do futuro


do país no qual vivemos. E o futuro de um país não é
obra do acaso ou da fatalidade. Uma nação se constrói.
4 E constrói-se no meio de embates muito intensos — e, às
vezes, até violentos — entre grupos com visões de futuro,

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concepções de desenvolvimento e interesses distintos e


7 conflitantes.
(...)
Plínio Arruda Sampaio. O Brasil em construção. In: Márcia Kupstas (Org.). Identidade
nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997, p. 27-9 (com adaptações).

33. (Cespe/MJ-DPF/Agente/2009) Para evitar o emprego redundante de


estruturas sintático-semânticas, como o que se identifica no trecho
“Uma nação se constrói. E constrói-se no meio de embates muito
intensos” (l.3-4), poder-se-ia unir as ideias em um só período sintático
— Uma nação se constrói no meio de embates —, o que
preservaria a correção gramatical do texto, mas reduziria a intensidade
de sua argumentação.

Comentário – A reescritura preserva a correção gramatical e a coerência,


mas realmente a força argumentativa é diminuída com o apagamento da
reiteração da estrutura aludida.
Resposta: Item certo.

Por hoje é só. Na próxima aula falarei sobre ortografia,


seleção/adequação vocabular e acentuação gráfica. Em virtude do novo
Acordo Ortográfico, é bom ficar atento às possíveis “pegadinhas” que o
Cespe/UnB poderá armar para cima de você. Portanto, não perca a próxima
aula e intensifique seus estudos.
Um grande abraço e até a próxima!

Professor Albert Iglésia

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QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS

Cuidados para evitar envenenamentos

1 Mantenha sempre medicamentos e produtos tóxicos fora


do alcance das crianças;
Não utilize medicamentos sem orientação de um médico
4 e leia a bula antes de consumi-los;
Não armazene restos de medicamentos e tenha atenção
ao seu prazo de validade;
7 Nunca deixe de ler o rótulo ou a bula antes de usar
qualquer medicamento;
Evite tomar remédio na frente de crianças;
10 Não ingira nem dê remédio no escuro para que não haja
trocas perigosas;
Não utilize remédios sem orientação médica e com
13 prazo de validade vencido;
Mantenha os medicamentos nas embalagens originais;
Cuidado com remédios de uso infantil e de uso adulto
16 com embalagens muito parecidas; erros de identificação
podem causar intoxicações graves e, às vezes, fatais;
Pílulas coloridas, embalagens e garrafas bonitas,
19 brilhantes e atraentes, odor e sabor adocicados
despertam a atenção e a curiosidade natural das
crianças; não estimule essa curiosidade; mantenha
22 medicamentos e produtos domésticos trancados e fora
do alcance dos pequenos.
Internet: <189.28.128.100/portal/aplicacoes/noticias> (com adaptações).

1. (Cespe/MS/Agente Administrativo/2008) O emprego do imperativo nas


oito primeiras frases depois do título indica que se trata de um texto
narrativo.

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1 Por obrigação profissional, vivo metido no meio de pessoas de


sucesso, marcadas pela notável superação de limites. Vejo
como o brilho provoca a ansiedade do reconhecimento
4 permanente. Aplauso vicia. Arriscando-me a fazer psicologia
de botequim, frase de livro de auto-ajuda ou reflexões vulgares da
meia-idade, exponho uma desconfiança: o adulto que gosta de
7 brincar e não faz sucesso tem, em contrapartida, a magnífica
chance de ser mais feliz, livre do vício do aplauso, mais próximo
das coisas simples. O problema é que parece ridículo uma escola
10 informar aos pais que mais importante do que gerar bons
profissionais, máquinas de produção, é fazer pessoas felizes por
serem o que são e gostarem do que gostam.
Gilberto Dimenstein. O direito de brincar. In: Folha de S. Paulo, 2/11/2001, p. C8 (com adaptações).

2. (Cespe/PRF/Policial Rodoviário/2004) A opção pelo emprego do ponto


de vista em primeira pessoa atribui ao texto certo grau de subjetividade
e configura um gênero de artigo em que as opiniões são assumidas de
forma pessoal.

3. (Cespe/PRF/Policial Rodoviário/2004) Expressões como “vivo metido no


meio de pessoas” (l. 1) e “psicologia de botequim” (l. 2) denotam
interesse em produzir um texto coloquial, informal, que se distancia dos
gêneros próprios do discurso científico.

1 Um lugar sob o comando de gestores, onde os


funcionários são orientados por metas, têm o desempenho
avaliado dia a dia e recebem prêmios em dinheiro pela
4 eficiência na execução de suas tarefas, pode parecer tudo —
menos uma escola pública brasileira. Pois essas são algumas
das práticas implantadas com sucesso em um grupo de
7 escolas estaduais de ensino médio de Pernambuco. A

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experiência chama a atenção pelo impressionante progresso


dos estudantes depois que ingressaram ali.
10 Como é praxe no local, o avanço foi quantificado.
Os alunos são testados na entrada, e quase metade deles tirou
zero em matemática e notas entre 1 e 2 em português. Isso
13 em uma escala de zero a 10. Depois de três anos, eles
cravaram 6 em tais matérias, em uma prova aplicada pelo
Ministério da Educação. Em poucas escolas públicas
16 brasileiras, a média foi tão alta. De saída, há uma
característica que as distingue das demais: elas são
administradas por uma parceria entre o governo e uma
19 associação formada por empresários da região. Os
professores são avaliados em quatro frentes: recebem notas
dos alunos, dos pais e do diretor e ainda outra pelo
22 cumprimento das metas acadêmicas. Aos melhores, é
concedido bônus no salário.
Veja, 12/3/2008, p. 78 (com adaptações).

4. (Cespe/STF/Técnico Judiciário/2008) Predomina no fragmento o tipo


textual narrativo ficcional.

Grupo Móvel — O Sr. se lembra quando o Grupo esteve aqui


antes?
Jacaré — Hum! Olha, acho que faz uns oito anos...
4 Grupo Móvel — Saiu um monte de gente, por que o Sr. não
saiu?
Jacaré — É, saiu um monte de gente, mas o patrão pediu para
7 ficar e eu fiquei.
Grupo Móvel — O que o Sr. fez com o dinheiro da
indenização que recebeu na época?
10 Jacaré — Construí um barraquinho... Comprei umas
vaquinhas...

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Grupo Móvel — Depois disso, o Sr. recebeu mais alguma


13 coisa?
Jacaré — Não, não recebi mais nada, além de comida. Ele
disse que eu teria de pagar pelo dinheiro que recebi.
16 Grupo Móvel — Mais nada?
Companheira de Jacaré — Ele diz que a gente ainda está
devendo e não deixa tirar nossas vacas, diz que são dele. Até as
19 leitoas que pegamos no mato ele diz que são dele.
Grupo Móvel — Por que o Sr. continua trabalhando?
Companheira de Jacaré — Porque ele não quer ir embora sem
22 receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar.
Grupo Móvel — Quantos anos o Sr. tem?
Jacaré — Tenho 64 anos.
25 Grupo Móvel — E trabalha para ele há quantos anos?
Jacaré — Faz uns 30 anos.
Grupo Móvel — O Sr. pede dinheiro para ele?
28 Jacaré — Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha,
não precisa pedir.

O dilema de Eduardo Silva, conhecido como Jacaré,


31 enfim, foi resolvido. Ele foi retirado da fazenda em Xinguara,
no Pará. O Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho
Escravo do MTE abriu para ele uma caderneta de poupança,
34 onde foi depositado o valor das verbas indenizatórias devidas,
cerca de R$ 100 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 43 (com adaptações).

5. (Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008) Por suas características


estruturais, é correto afirmar que o texto em análise é uma descrição.

Trabalho escravo:
longe de casa há muito mais de uma semana

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1 O resgate de trabalhadores encontrados em situação


degradante é uma rotina nas ações do Grupo Especial Móvel
de Combate ao Trabalho Escravo, do MTE. Desde que
4 iniciou suas operações, em 1995, já são mais de 30 mil
libertações de trabalhadores submetidos a condições
desumanas de trabalho. “Chamou-me a atenção o caso de um
7 trabalhador que há 30 anos não via a família”, lembra
Cláudio Secchin, um dos oito coordenadores das operações
do Grupo Móvel. Natural de Currais Novos, no Rio Grande
10 do Norte, José Galdino da Silva — Copaíba, como gosta de
ser chamado — saiu de casa com 10 anos de idade para
trabalhar no Norte. Nunca estudou. Durante 40 anos, veio
13 passando de fazenda em fazenda, de pensão em pensão,
trabalhando com derrubada de mata e roça de pasto. Nunca
teve a carteira de trabalho assinada e perdeu a conta de
16 quantas vezes não recebeu pelo trabalho que fez. Copaíba
nunca se casou nem teve filhos. “Não conseguia dormir
direito por não conseguir juntar dinheiro sequer para retornar
19 à minha cidade e rever a família”, relatou. Quando uma
fazenda no município paraense de Piçarras foi fiscalizada em
junho deste ano, Copaíba foi localizado pelo Grupo Móvel,
22 resgatado e recebeu de indenização trabalhista mais de
R$ 5 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 40-2 (com adaptações).

6. (Cespe/MTE/Administrador/2008) Empregam-se, no texto, alguns


elementos estruturais da narrativa que, nesse caso, são fundamentais
para a consolidação de sua natureza informativa e jornalística.

1 O termo groupthinking foi cunhado, na década de


cinquenta, pelo sociólogo William H. Whyte, para explicar
como grupos se tornavam reféns de sua própria coesão,

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4 tomando decisões temerárias e causando grandes fracassos.


Os manuais de gestão definem groupthinking como um
processo mental coletivo que ocorre quando os grupos são
7 uniformes, seus indivíduos pensam da mesma forma e o
desejo de coesão supera a motivação para avaliar alternativas
diferentes das usuais. Os sintomas são conhecidos: uma
10 ilusão de invulnerabilidade, que gera otimismo e pode levar
a riscos; um esforço coletivo para neutralizar visões
contrárias às teses dominantes; uma crença absoluta na
13 moralidade das ações dos membros do grupo; e uma visão
distorcida dos inimigos, comumente vistos como iludidos,
fracos ou simplesmente estúpidos.
16 Tão antigas como o conceito são as receitas para
contrapor a patologia: primeiro, é preciso estimular o
pensamento crítico e as visões alternativas à visão
19 dominante; segundo, é necessário adotar sistemas
transparentes de governança e procedimentos de auditoria;
terceiro, é desejável renovar constantemente o grupo, de
22 forma a oxigenar as discussões e o processo de tomada de
decisão.
Thomaz Wood Jr. O perigo do groupthinking. In: Carta
Capital, 13/5/2009, p. 51 (com adaptações).

7. (Cespe/TCU/AFCE/2009) A sequência narrativa inicial, relatando a


origem do termo “groupthinking” (l.1), não caracteriza o texto como
narrativo, pois integra a organização do texto predominantemente
argumentativo.

8. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Apesar de a definição de “groupthinking” (l.5-


9) sugerir neutralidade do autor a respeito desse processo, o uso
metafórico de palavras da área de saúde, como “sintomas” (l.9),
“receitas” (l.16) e “patologia” (l.17), orienta a argumentação para o
valor negativo e indesejável de groupthinking.

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1 Falei de esquisitices. Aqui está uma, que prova ao


mesmo tempo a capacidade política deste povo e a grande
observação dos seus legisladores (...).
Machado de Assis. A semana. Obra completa, v. III.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 757.

9. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Após o termo


“uma” (l. 1), subentende-se a elipse da palavra esquisitice.

Caro eleitor,
1 Nos últimos meses, a campanha política mobilizou
vivamente os brasileiros. No primeiro turno, foram
alcançadas marcas extraordinárias: além do alto índice de
4 comparecimento às urnas e de uma irrepreensível votação,
em que tudo aconteceu de forma tranqüila e organizada, a
apuração dos resultados foi rápida e segura, o que coloca o
7 Brasil como modelo nessa área.
Amanhã serão definidos os nomes do presidente da
República e dos governadores de alguns estados. O país,
10 mais do que nunca, conta com você.
Democracia é algo que lhe diz respeito e que se
aperfeiçoa no dia-a-dia. É como uma construção
13 bem-preparada, erguida sobre fortes alicerces. Esses
alicerces são exatamente os votos de todos os cidadãos.
Quanto mais fiel você for no exercício do direito de definir
16 os representantes, mais sólidas serão as bases da nossa
democracia. Por isso, é essencial que você valorize essa
escolha, elegendo, de modo consciente, o candidato que
19 julgar com mais condições para conduzir os destinos do país
e de seu estado.

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Você estará determinando o Brasil que teremos nos


22 próximos quatro anos. Estará definindo o amanhã, o seu
próprio bem-estar e de sua família, o crescimento geral, a
melhoria do emprego, da habitação, da saúde e segurança
25 públicas, do transporte, o preço dos alimentos. O momento
é decisivo e em suas mãos — entenda bem, em suas mãos —
está depositada a confiança em dias felizes.
28 Compareça, participe. Não se omita, não transfira a
outros uma escolha que é sua. Pense e vote com a firmeza de
quem sabe o que está fazendo, com a responsabilidade de
31 quem realmente compreende a importância de sua atitude
para o progresso da nação brasileira. Esta é a melhor
contribuição que você poderá dar a sua Pátria.
Ministro Marco Aurélio de Mello. Pronunciamento oficial. Internet: <www.tse.gov.br> (com adaptações).

10. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) A expressão “nessa


área” (l. 7) retoma a idéia implícita, no parágrafo, de processo
eleitoral.

1 Um fator a ser revisto no MERCOSUL é o foco: não


adianta debater uma agenda mirabolante, com 40 ou 50 temas.
É preciso focar as ações de modo pragmático, com as seguintes
4 prioridades: concluir a união aduaneira; eliminar barreiras
jurídicas e monetárias; facilitar os negócios entre as empresas
dos países-membros e obter financiamentos em nome do bloco
7 no Banco Mundial, para ampliar a infra-estrutura regional, o que
até agora sequer foi pleiteado. As questões alfandegária e
fitossanitária devem ser harmonizadas o mais rapidamente
10 possível, pois não haverá bloco econômico viável enquanto
houver entrave no intercâmbio entre os Estados-membros.
Finalmente, é preciso considerar que, no mundo globalizado, as
13 relações externas afetam o cotidiano das empresas e das pessoas.

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O atual impasse no MERCOSUL só será superado se os


empresários se organizarem na defesa de seus interesses e
16 direitos, por meio da informação e da mobilização da sociedade
sobre as implicações internas das decisões tomadas em fóruns
internacionais.
Abram Szajman. O Globo, 26/11/2006 (com adaptações).

11. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Na linha 7, o termo


“o que” retoma o antecedente “ampliar a infra-estrutura regional”.

1 Um dos lugares-comuns do pensamento político é o de que


o sistema democrático exige a descentralização do poder.
Democracia não é só o governo do povo, mas o governo do povo
4 a partir de sua comunidade. Esse é um dos argumentos clássicos
para o voto distrital: o eleitor fortalece seu poder, ao associá-lo ao
de seus vizinhos. Em países de boa tradição democrática, esses
7 vizinhos discutem, dentro dos comitês dos partidos, mas também
fora deles, suas idéias com os candidatos. Embora isso não
signifique voto imperativo — inaceitável em qualquer situação
10 —, o parlamentar escolhido sabe que há o eleitor múltiplo e bem
identificado, ao qual deverá dar explicações periódicas. Se a esse
sistema se vincula a possibilidade do recall, do contramandato,
13 cresce a legitimidade do instituto da representação parlamentar.
O fato é que, com voto distrital ou não, tornou-se inadiável a
discussão em torno do sistema federativo. Quem conhece o Brasil
16 fora das campanhas eleitorais sabe das profundas diferenças entre
os estados.
Mauro Santayana. Jornal do Brasil, 24/11/2006.

12. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Acerca das relações


lógico-sintáticas do texto acima, assinale a opção incorreta.

A) “-lo”, em “associá-lo” (l. 5), refere-se a “poder” (l. 2).


B) “deles” (l. 8) refere-se a “comitês dos partidos” (l. 7).

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C) “isso” (l. 8) refere-se a “discutem, dentro dos comitês dos partidos, mas
também fora deles, suas idéias com os candidatos” (l. 7-8).
D) “ao qual” (l. 11) refere-se a “parlamentar escolhido” (l. 10).

Grupo Móvel — O Sr. se lembra quando o Grupo esteve aqui


antes?
Jacaré — Hum! Olha, acho que faz uns oito anos...
4 Grupo Móvel — Saiu um monte de gente, por que o Sr. não
saiu?
Jacaré — É, saiu um monte de gente, mas o patrão pediu para
7 ficar e eu fiquei.
Grupo Móvel — O que o Sr. fez com o dinheiro da
indenização que recebeu na época?
10 Jacaré — Construí um barraquinho... Comprei umas
vaquinhas...
Grupo Móvel — Depois disso, o Sr. recebeu mais alguma
13 coisa?
Jacaré — Não, não recebi mais nada, além de comida. Ele
disse que eu teria de pagar pelo dinheiro que recebi.
16 Grupo Móvel — Mais nada?
Companheira de Jacaré — Ele diz que a gente ainda está
devendo e não deixa tirar nossas vacas, diz que são dele. Até as
19 leitoas que pegamos no mato ele diz que são dele.
Grupo Móvel — Por que o Sr. continua trabalhando?
Companheira de Jacaré — Porque ele não quer ir embora sem
22 receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar.
Grupo Móvel — Quantos anos o Sr. tem?
Jacaré — Tenho 64 anos.
25 Grupo Móvel — E trabalha para ele há quantos anos?
Jacaré — Faz uns 30 anos.
Grupo Móvel — O Sr. pede dinheiro para ele?

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28 Jacaré — Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha,


não precisa pedir.

O dilema de Eduardo Silva, conhecido como Jacaré,


31 enfim, foi resolvido. Ele foi retirado da fazenda em Xinguara,
no Pará. O Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho
Escravo do MTE abriu para ele uma caderneta de poupança,
34 onde foi depositado o valor das verbas indenizatórias devidas,
cerca de R$ 100 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 43 (com adaptações).

13. (Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008) Em “Porque ele não quer ir


embora sem receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar”
(l. 21-22), nas duas ocorrências, o pronome “ele” refere-se à mesma
pessoa.

1 Um governo, ou uma sociedade, nos tempos


modernos, está vinculado a um pressuposto que se apresenta
como novo em face da Idade Antiga e Média, a saber: a
4 própria ideia de democracia. Para ser democrático, deve
contar, a partir das relações de poder estendidas a todos os
indivíduos, com um espaço político demarcado por regras
7 e procedimentos claros, que, efetivamente, assegurem o
atendimento às demandas públicas da maior parte da
população, elegidas pela própria sociedade, através de suas
10 formas de participação/representação.
Para que isso ocorra, contudo, impõe-se a existência
e a eficácia de instrumentos de reflexão e o debate público
13 das questões sociais vinculadas à gestão de interesses
coletivos — e, muitas vezes, conflitantes, como os direitos
liberais de liberdade, de opinião, de reunião, de associação
16 etc. —, tendo como pressupostos informativos um núcleo de
direitos invioláveis, conquistados, principalmente, desde

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o início da Idade Moderna, e ampliados pelo


19 Constitucionalismo Social do século XX até os dias de hoje.
Fala-se, por certo, dos Direitos Humanos e Fundamentais de
todas as gerações ou ciclos possíveis.
Rogério Gesta Leal. Poder político, estado e sociedade.
Internet: <www.mundojuridico.adv.br> (com adaptações).

14. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Na organização da argumentação, o segundo


parágrafo do texto estabelece a condição de o debate e a reflexão sobre
os direitos humanos vinculados aos interesses coletivos estarem na
base da ideia de democracia.

15. (Cespe/TCU/AFCE/2009) O desenvolvimento das ideias demonstra que,


na linha 4, a flexão de singular em “deve” estabelece relações de
coesão e de concordância gramatical com o termo “democracia”.

16. (Cespe/TCU/AFCE/2009) O pronome “isso” (l.11) exerce, na


organização dos argumentos do texto, a função coesiva de retomar e
resumir o fato de que as “demandas públicas da maior parte da
população” (l.8-9) são escolhidas por meio de “formas de
participação/representação” (l.10).

1 O exercício do poder ocorre mediante múltiplas


dinâmicas, formadas por condutas de autoridade, de domínio,
de comando, de liderança, de vigilância e de controle de uma
4 pessoa sobre outra, que se comporta com dependência,
subordinação, resistência ou rebeldia. (..)
Maria da Penha Nery. Vínculo e afetividade: caminhos das relações
humanas. São Paulo: Ágora, 2003, p. 108-9 (com adaptações).

17. (Cespe/TCU/AFCE/2009) Nas relações de coesão que se estabelecem no


texto, o pronome “que” (l.4) retoma a expressão “exercício do poder”
(l.1).

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(...)
Para muitos, os carros de luxo que trafegam pelos
bairros elegantes das capitais ou os telefones celulares não
10 constituem indicadores de modernidade.
Modernidade seria assegurar a todos os habitantes
do país um padrão de vida compatível com o pleno exercício
13 dos direitos democráticos. Por isso, dão mais valor a um
modelo de desenvolvimento que assegure a toda a população
alimentação, moradia, escola, hospital, transporte coletivo,
16 bibliotecas, parques públicos. Modernidade, para os que
pensam assim, é sistema judiciário eficiente, com aplicação
rápida e democrática da justiça; são instituições públicas
19 sólidas e eficazes; é o controle nacional das decisões
econômicas.
Plínio Arruda Sampaio. O Brasil em construção. In: Márcia Kupstas (Org.). Identidade
nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997, p. 27-9 (com adaptações).

18. (Cespe/MJ-DPF/Agente/2009) O trecho “os que pensam assim” (l.16-


17) retoma, por coesão, o referente de “muitos” (l.8), bem como o
sujeito implícito da oração “dão mais valor a um modelo de
desenvolvimento” (l.13-14).

Grupo Móvel — O Sr. se lembra quando o Grupo esteve aqui


antes?
Jacaré — Hum! Olha, acho que faz uns oito anos...
4 Grupo Móvel — Saiu um monte de gente, por que o Sr. não
saiu?
Jacaré — É, saiu um monte de gente, mas o patrão pediu para
7 ficar e eu fiquei.
Grupo Móvel — O que o Sr. fez com o dinheiro da
indenização que recebeu na época?

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10 Jacaré — Construí um barraquinho... Comprei umas


vaquinhas...
Grupo Móvel — Depois disso, o Sr. recebeu mais alguma
13 coisa?
Jacaré — Não, não recebi mais nada, além de comida. Ele
disse que eu teria de pagar pelo dinheiro que recebi.
16 Grupo Móvel — Mais nada?
Companheira de Jacaré — Ele diz que a gente ainda está
devendo e não deixa tirar nossas vacas, diz que são dele. Até as
19 leitoas que pegamos no mato ele diz que são dele.
Grupo Móvel — Por que o Sr. continua trabalhando?
Companheira de Jacaré — Porque ele não quer ir embora sem
22 receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar.
Grupo Móvel — Quantos anos o Sr. tem?
Jacaré — Tenho 64 anos.
25 Grupo Móvel — E trabalha para ele há quantos anos?
Jacaré — Faz uns 30 anos.
Grupo Móvel — O Sr. pede dinheiro para ele?
28 Jacaré — Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha,
não precisa pedir.

O dilema de Eduardo Silva, conhecido como Jacaré,


31 enfim, foi resolvido. Ele foi retirado da fazenda em Xinguara,
no Pará. O Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho
Escravo do MTE abriu para ele uma caderneta de poupança,
34 onde foi depositado o valor das verbas indenizatórias devidas,
cerca de R$ 100 mil.
Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 43 (com adaptações).

19. (Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008) O que faz de Eduardo Silva


objeto de interesse da ação do Grupo Móvel é o fato de que o
trabalhador optou por trabalhar sem receber a remuneração

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correspondente, conforme se depreende do trecho “o patrão pediu para


ficar e eu fiquei” (l. 6-7).

No início de 2005, muito ouvimos falar de Davos – um lugar na


Suíça onde se reuniram os luminares de todo o mundo para discutir as
ansiedades que nos paralisam e as perplexidades que nos mobilizam.
Por coincidência, Davos é também o cenário onde se monta a
ação de um famoso romance escrito por Thomas Mann, A Montanha Mágica.
O romance é de 1924 e descreve a vida de um grupo de personagens
doentes que, no princípio do século, se instalaram no Sanatório Berghof,
procurando recuperar a saúde.
(...)
Affonso Ramos de Sant’anna, Correio Brasiliense, 6/2/2005 (com adaptações)

20. (Cespe/TCU/ACE/2005) Infere-se do texto que, em Davos, está sendo


filmada a adaptação cinematográfica de uma obra literária do início do
século passado.

21. (Cespe/TCU/ACE/2005) Subentende-se, da leitura do primeiro


parágrafo, que o autor julga haver vários tipos de ansiedade e que
todos eles paralisam o ser humano.

Desenvolvimento, ambiente e saúde


(...)
O desenvolvimento, como processo de incorporação
sistemática de conhecimentos, técnicas e recursos na
16 construção do crescimento qualitativo e quantitativo das
sociedades organizadas, tem sido reconhecido como
ferramenta eficaz para a obtenção de uma vida melhor e mais
19 duradoura. No entanto, esse desenvolvimento pode conspirar
contra o objetivo comum, quando se baseia em valores,
premissas e processos que interferem negativamente nos

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22 ecossistemas e, em conseqüência, na saúde individual e


coletiva.
Paulo Marchiori Buss. Ética e ambiente. In: Desafios éticos, p. 70-1 (com adaptações).

22. (Cespe/TCU/ACE/2007) Depreende-se do último período do texto que a


saúde, individual e coletiva, está diretamente relacionada aos
ecossistemas que constituem valores, premissas e processos de um
desenvolvimento sustentável.

1 Berço da civilização ocidental, o mar Mediterrâneo


banha 21 países e abriga praias e enseadas paradisíacas que
atraem nada menos que 200 milhões de turistas por ano.
4 Pesquisa recente mostra que ele é o mais poluído dos mares
do planeta. A cada ano, suas águas recebem: 9 milhões de
toneladas de resíduos industriais e domésticos não tratados,
7 60% produzidos por França, Itália e Espanha; 15 milhões de
toneladas de detritos produzidos por 200 milhões de turistas
que visitam suas praias; 600.000 toneladas de petróleo
10 derramadas por navios durante o movimento de carga e
descarga e 30.000 toneladas perdidas em acidentes; redes de
pesca e embalagens plásticas, responsáveis pela morte de
13 50.000 focas que confundem esses objetos com alimentos.
Veja, 1.º/8/2007, p.116-7 (com adaptações).

23. (Cespe/TCU/ACE/2007) Depreende-se da argumentação do texto que,


se o Mar Mediterrâneo não fosse o “Berço da civilização ocidental” (l. 1),
seus níveis de poluição não seriam tão altos.

1 O exercício do poder ocorre mediante múltiplas


dinâmicas, formadas por condutas de autoridade, de domínio,
de comando, de liderança, de vigilância e de controle de uma
4 pessoa sobre outra, que se comporta com dependência,
subordinação, resistência ou rebeldia. Tais dinâmicas não se

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reportam apenas ao caráter negativo do poder, de opressão,


7 punição ou repressão, mas também ao seu caráter positivo,
de disciplinar, controlar, adestrar, aprimorar. O poder em si
não existe, não é um objeto natural. O que há são relações de
10 poder heterogêneas e em constante transformação. O poder
é, portanto, uma prática social constituída historicamente.
Na rede social, as dinâmicas de poder não têm
13 barreiras ou fronteiras: nós as vivemos a todo momento.
Consequentemente, podemos ser comandados, submetidos
ou programados em um vínculo, ou podemos comandá-lo
16 para a realização de sua tarefa, e, assim, vivermos um novo
papel social, que nos faz complementar, passivamente ou
não, as regras políticas da situação em que nos encontramos.
Maria da Penha Nery. Vínculo e afetividade: caminhos das relações
humanas. São Paulo: Ágora, 2003, p. 108-9 (com adaptações).

24. (Cespe/TCU/AFCE/2009) É correto concluir, a partir da argumentação


do texto, que o poder é dinâmico e que há múltiplas formas de sua
realização, com faces heterogêneas, positivas ou negativas; além disso,
ele afeta todos que vivem em sociedade, tanto os que a ele se
submetem, quanto os que a ele resistem.

25. (Cespe/TCU/AFCE/2009) De acordo com a argumentação do texto, o


poder “não é um objeto natural” (l.9) porque é criado artificialmente
nas relações de opressão social.

1 Nossos projetos de vida dependem muito do futuro


do país no qual vivemos. E o futuro de um país não é
obra do acaso ou da fatalidade. Uma nação se constrói.
4 E constrói-se no meio de embates muito intensos — e, às
vezes, até violentos — entre grupos com visões de futuro,

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concepções de desenvolvimento e interesses distintos e


7 conflitantes.
Para muitos, os carros de luxo que trafegam pelos
bairros elegantes das capitais ou os telefones celulares não
10 constituem indicadores de modernidade.
Modernidade seria assegurar a todos os habitantes
do país um padrão de vida compatível com o pleno exercício
13 dos direitos democráticos. Por isso, dão mais valor a um
modelo de desenvolvimento que assegure a toda a população
alimentação, moradia, escola, hospital, transporte coletivo,
16 bibliotecas, parques públicos. Modernidade, para os que
pensam assim, é sistema judiciário eficiente, com aplicação
rápida e democrática da justiça; são instituições públicas
19 sólidas e eficazes; é o controle nacional das decisões
econômicas.
Plínio Arruda Sampaio. O Brasil em construção. In: Márcia Kupstas (Org.). Identidade
nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997, p. 27-9 (com adaptações).

26. (Cespe/MJ-DPF/Agente/2009) Infere-se da leitura do texto que o futuro


de um país seria “obra do acaso” (l.3) se a modernidade não
assegurasse um padrão de vida democrático a todos os seus cidadãos.

1 A cidade estivera agitada por motivos de ordem


técnica e politécnica. Outrossim, era a véspera da eleição de
um senador para preencher a vaga do finado Aristides Lobo.
4 Dous candidatos e dous partidos disputavam a palma com
alma. Vá de rima; sempre é melhor que disputá-la a cacete,
cabeça ou navalha, como se usava antigamente. A garrucha
7 era empregada no interior. Um dia, apareceu a Lei Saraiva,
destinada a fazer eleições sinceras e sossegadas. Estas
passaram a ser de um só grau. Oh! ainda agora me não
10 esqueceram os discursos que ouvi, nem os artigos que li por

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esses tempos atrás pedindo a eleição direta! A eleição direta


era a salvação pública. Muitos explicavam: direta e censitária.
13 Eu, pobre rapaz sem experiência, ficava embasbacado quando
ouvia dizer que todo o mal das eleições estava no método;
mas, não tendo outra escola, acreditava que sim, e esperava
16 a lei.
(...)
Machado de Assis. Op. Cit., p. 706.

27. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) A correção


gramatical e as idéias originais serão mantidas, caso se reescreva o
trecho “me não esqueceram (...) artigos que li” (l. 9-10) da seguinte
forma: não me esqueço dos discursos que ouvi, nem dos artigos que li.

Caro eleitor,
1 Nos últimos meses, a campanha política mobilizou
vivamente os brasileiros. No primeiro turno, foram
alcançadas marcas extraordinárias: além do alto índice de
4 comparecimento às urnas e de uma irrepreensível votação,
em que tudo aconteceu de forma tranqüila e organizada, a
apuração dos resultados foi rápida e segura, o que coloca o
7 Brasil como modelo nessa área.
(...)
Ministro Marco Aurélio de Mello. Pronunciamento oficial. Internet: <www.tse.gov.br> (com adaptações).

28. (Cespe/TSE/Analista Judiciário/Administrador/2007) Na linha 3, a


substituição do sinal de dois-pontos por ponto final e o emprego de
inicial maiúscula em “além” provocam truncamento sintático, o que
prejudica a coerência do texto.

(...)
10 A despeito das recentes turbulências, a Tailândia,
primeira vítima da crise asiática, mostra índices melhores do

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que então. Houve um golpe militar, em setembro de 2006,


13 quando foi deposto o primeiro-ministro acusado de
corrupção e malversação de dinheiro. Aos poucos, volta a
confiança dos investidores no país, governado por um
16 conselho de segurança nacional provisório, com eleições
previstas para o fim do ano.
Carta Capital, 1.º/8/2007, p. 12 (com adaptações).

29. (Cespe/TCU/ACE/2007) Mantêm-se a coerência textual e a correção


gramatical ao se transformar o aposto final do texto em uma oração
desenvolvida: cujas eleições são previstas para o fim de ano.

Celular recebe ligação e relâmpago

Não é recomendável usar telefones celulares durante


tempestades com raios e trovões, sob risco de atrair as descargas
elétricas. O alerta foi feito por médicos recentemente.
Os especialistas relataram o caso de uma menina de
15 anos que usava o telefone em um parque quando foi
eletrocutada por um raio. A jovem sobreviveu, mas teve danos
permanentes à saúde.
O fenômeno é raro, mas é um problema de saúde
pública. A população precisa ser educada para o risco. Assim,
poderemos prevenir casos fatais como esse, no futuro, disse
Swinda Esprit, médica do Northick Park Hospital, no Reino
Unido.
Ela explicou, ainda, que, quando uma pessoa é atingida
pela descarga elétrica de um raio, a alta resistência da pele
humana conduz a energia pelo corpo, em um fenômeno chamado
flashover. No entanto, se algum objeto feito de metal, como um
telefone celular, estiver em contato com a pele, interrompe-se o
flashover e aumenta a gravidade dos ferimentos internos.
Jornal do Brasil, 24/6/2006 (com adaptações).

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Os itens a seguir são reescritas de trechos do texto. Julgue-os quanto à


correção gramatical.

30. (Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006) Durante tempestades,


médicos, recentemente, alertaram que eles não recomendam o uso de
telefones celulares que, com raios e trovões, atraíam descargas
elétricas.

31. (Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006) Os médicos mencionaram


uma situação em que, em um parque, uma jovem de 15 anos de idade,
ao usar o telefone celular, foi eletrocutada por um raio. Ela não morreu,
tendo sofrido, no entanto, danos irreparáveis à saúde.

32. (Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006) A médica acrescentou,


também, que, caso uma pessoa for vítima de um raio, a pele dela,
altamente resistente, conduzirá a energia elétrica pelo corpo,
tratando-se o fenômeno do que se denomina flashover.

1 Nossos projetos de vida dependem muito do futuro


do país no qual vivemos. E o futuro de um país não é
obra do acaso ou da fatalidade. Uma nação se constrói.
4 E constrói-se no meio de embates muito intensos — e, às
vezes, até violentos — entre grupos com visões de futuro,
concepções de desenvolvimento e interesses distintos e
7 conflitantes.
(...)
Plínio Arruda Sampaio. O Brasil em construção. In: Márcia Kupstas (Org.). Identidade
nacional em debate. São Paulo: Moderna, 1997, p. 27-9 (com adaptações).

33. (Cespe/MJ-DPF/Agente/2009) Para evitar o emprego redundante de


estruturas sintático-semânticas, como o que se identifica no trecho
“Uma nação se constrói. E constrói-se no meio de embates muito
intensos” (l.3-4), poder-se-ia unir as ideias em um só período sintático

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— Uma nação se constrói no meio de embates —, o que


preservaria a correção gramatical do texto, mas reduziria a intensidade
de sua argumentação.

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GABARITO DAS QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS

1. Item errado 30. Item errado


2. Item certo 31. Item certo
3. Item certo 32. Item errado
4. Item errado 33. Item certo
5. Item errado
6. Item certo
7. Item certo
8. Item certo
9. Item certo
10. Item certo
11. Item errado
12. Certo, certo, certo, errado (ler
a ressalva)
13. Item errado
14. Item certo
15. Item errado
16. Item errado
17. Item errado
18. Item certo
19. Item errado
20. Item errado
21. Item errado
22. Item errado
23. Item errado
24. Item certo
25. Item errado
26. Item errado
27. Item certo
28. Item errado
29. Item certo

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