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7º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE FABRICAÇÃO 7 t h BRAZILIAN CONGRESS ON MANUFACTURING ENGINEERING
7º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE FABRICAÇÃO 7 t h BRAZILIAN CONGRESS ON MANUFACTURING ENGINEERING

7º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE FABRICAÇÃO 7 th BRAZILIAN CONGRESS ON MANUFACTURING ENGINEERING 20 a 24 de maio de 2013 – Penedo, Itatiaia – RJ - Brasil May 20 th to 24 th , 2013 – Penedo, Itatiaia – RJ – Brazil

COMPETÊNCIAS E RECURSOS DA REDE DE MANUFATURA ADITIVA (RMA) NO BRASIL

Neri Volpato, nvolpato@utfpr.edu.br 1 Carlos Alberto Costa, cacosta@ucs.br 2

1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), DAMEC/PPGEM, Núcleo de Prototipagem e Ferramental (NUFER), Av. Sete de Setembro, 3165, Curitiba-PR, 80230-901 2 Universidade de Caxias do Sul, CCET, Núcleo de Projeto e Fabricação em Engenharia. Rua Francisco Getúlio Vargas, 1130. Caxias do Sul, RS. 95070-560

Resumo: A Manufatura Aditiva (AM – Additive Manufacturing) é um processo de fabricação que já se encontra no mercado há mais de 20 anos. No entanto, a evolução e o surgimento de novos processos, bem como de novas possibilidades de aplicações, ainda fazem da AM uma tecnologia em plena expansão. No Brasil, algumas instituições estão engajadas nesta área desde o final dos anos 90 e novas instituições vêm percebendo a sua importância como processo de fabricação, principalmente no apoio a competitividade e inovação para as empresas nacionais. Visando aproximar os pesquisadores, fortalecer a área e dar maior visibilidade para o setor, foi estruturada no Brasil, em 2011, a Rede de Manufatura Aditiva (RMA). O objetivo deste trabalho é apresentar a caracterização inicial dessa Rede com relação as suas competências na área de AM. Tal caracterização foi realizada por meio de uma pesquisa com 23 grupos de pesquisa que atuam na área, seja na formação de pessoal, com oferta de cursos de pós-graduação, seja em pesquisas, aplicando ou desenvolvendo tecnologia. O estudo demonstra uma consolidação da área nos meios científicos e tecnológicos evidenciando o potencial da RMA para o apoio a competitividade das empresas nacionais.

Palavras-chave: Manufatura Aditiva, Prototipagem Rápida, Rede de Manufatura Aditiva, RMA

1 INTRODUÇÃO

A Manufatura Aditiva (AM – Additive Manufacturing) é um processo de fabricação de objetos a partir de um

modelo CAD (Computer Aided Design) tridimensional, que se caracteriza pela adição de material, geralmente em camadas sucessivas (Gibson et al, 2010). A AM não utiliza molde ou ferramental moldante e se contrapôe aos tradicionais processos de fabricação por remoção de material, tais como a usinagem. A AM engloba tecnologias de Prototipagem Rápida, Ferramental Rápido e Manufatura Rápida. Algumas tecnologias já se encontram no mercado há mais de 20 anos (Chua et al, 2010; Gibson et al, 2010), no entanto, a evolução e o surgimento de novos processos, bem como de novas possibilidades de aplicações, ainda fazem da AM uma tecnologia em plena expansão. No Brasil, algumas instituições estão engajadas nesta área desde o final dos anos 90 (Ahrens et al, 2006) e novas instituições vêm percebendo a sua importância como processo de fabricação. Com o objetivo principal de aproximar os pesquisadores atuando na área de AM, organizou-se no Brasil a Rede de Manufatura Aditiva (RMA). Um dos trabalhos iniciais da RMA foi fazer um mapeamento dessa área no Brasil, identificando pesquisadores que atuam na área e realizando um levantamento das competências dessa Rede. O objetivo deste trabalho é relatar este levantamento realizado apresentando um panorama geral da área.

2 REDE DE MANUFATURA ADITIVA - RMA

A RMA é uma rede de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de Tecnologias voltadas para o processo de AM. Tal

rede agrega pesquisadores atuando em temas tais como: Projeto para AM (DFAM - Design for AM), Planejamento de Processo para AM, Materiais para AM, Desenvolvimento de tecnologias de AM e Aplicações de AM em todas as áreas de conhecimento, tais como prototipagem, manufatura rápida, biomodelos, ferramental rápido, entre outros. A seguir são apresentados o histórico, os objetivos, o escopo e a organização da RMA.

© Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas 2013

7º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE FABRICAÇÃO 15 a 19 de Abril de 2013. Penedo, Itatiaia-RJ

2.1 Histórico

A RMA foi oficialmente criada em uma reunião da área realizada em 13/04/2011 em Caxias do Sul-RS, durante o Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação - COBEF 2011. Esta rede é consequência da ampliação da rede formada inicialmente pelo antigo grupo de prototipagem rápida (GPR) da Rede de Automação da Manufatura (MANET). Naquela reunião foram expostos os objetivos e as motivações para a criação da rede como sendo: identificar pesquisadores que estivessem trabalhando com os processos de AM, levantamento das competências na área, organização do grupo possibilitando aproveitar oportunidades de projetos e redes temáticas conjuntamente e formalização da área de Manufatura Aditiva junto às associações de engenharia, como por exemplo, a Associação Brasileira de Engenharias e Ciências Mecânicas (ABCM). Algumas finalidades adicionais da rede foram pontuadas, tais como: possibilidade de cooperação na formação de pessoal (mestrado, doutorado e pós-doutorado), colaboração na divulgação das tecnologias de AM, com a possibilidade futura de atualização e ampliação do primeiro livro na área em português (Volpato, 2007), ou elaboração de um novo, e possibilidade de realização de seminário nacional específico da área.

2.2 Objetivos

O principal objetivo da RMA é aproximar os pesquisadores atuando na área de AM, facilitando a cooperação e uma

maior integração dos trabalhos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico. Pretende assim, aumentar o êxito na captação de recursos humanos e materiais para as pesquisas e, como decorrência, melhorar a qualidade dos trabalhos realizados e da sua representação no meio industrial. As finalidades da rede são:

mapear e organizar as informações sobre os grupos e instituições (panorama nacional) atuando na área de AM.

organizar os grupos visando aproveitar as oportunidades de projetos e redes temáticas, oriundas dos órgãos de fomento ou de empresas.

fomentar a cooperação entre as instituições para a formação de pessoal (mestrado, doutorado e pós-doutorado).

cooperar por meio da disponibilização de infraestrutura dos laboratórios para os membros da rede para pesquisas na área.

formalizar a área de AM junto aos órgãos de fomento e associações de engenharia nacionais e internacionais.

colaborar na divulgação das tecnologias de AM no meio educacional e empresarial, por meio de artigos, livros e meios digitais.

cooperar na realização de evento nacional específico da área.

2.3 Escopo

Conforme relatado acima, a AM é um processo de fabricação por adição de material em camadas sucessivas. A possibilidade de adição de material para união de peças (componentes) ou sua recuperação/recobrimento, comuns, por exemplos, em processo de soldagem ou aspersão térmica, não se caracteriza como processo de AM. No entanto, pode-se considerar o processo de soldagem (ou microssoldagem) como um processo de AM, se o objetivo for fabricar integralmente um componente (Katou et al, 2007; Karunakaran et al, 2009).

2.4 Organização da RMA

A RMA é formada pelos seus membros, ou seja, pesquisadores de instituições que estejam liderando pesquisas na

área de AM. A rede é representada formalmente por um dos membros, denominado coordenador geral da RMA. A coordenação técnica da RMA é executada pelo coordenador geral sendo auxiliado por um colegiado formado por quatro membros. A participação de alunos se dá de forma indireta por meio dos grupos de pesquisas liderados pelos pesquisadores (membros). Em função do caráter de pesquisa, é vetada a participação de empresas/representantes de tecnologias de AM, bem como de empresas ou laboratórios puramente prestadores de serviço. A participação de empresas é prevista na forma de possíveis parcerias em projetos de pesquisa e desenvolvimento. Atualmente, a RMA possui 23 membros cadastrados. Para fazer parte da rede, o proponente deve preencher uma Planilha de Competências, que pode ser solicitada com os coordenadores da RMA. Esta planilha é analisada pelo colegiado, que aprova ou não a entrada do proponente. Não existem taxas de associação a rede.

3 LEVANTAMENTO DAS COMPETÊNCIAS

A caracterização e mapeamento da RMA levou em consideração 4 dimensões básicas de análise: Caracterização da

Instituição, Formação de Pessoal, Atuação em Pesquisa e Infraestrutura (tecnologias disponíveis). Com base nessas dimensões um instrumento de pesquisa, composto por questões, abertas e fechadas, foi elaborado e enviado aos grupos participantes. Entre os principais pontos solicitados aos respondentes estão:

identificação da instituição (ensino, pesquisa, serviço), laboratório ou grupo de pesquisa e contatos;

vinculação com programa(s) de pós-graduação próprio com formação específica na área de AM;

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principal área de atuação (CNPq) em pesquisa;

linhas e foco de pesquisas em andamento;

infraestrutura disponível específica de AM e correlatas (fabricante, tipo/modelo, tamanho da bandeja, data aquisição),

envolvimento com prestação de serviços para terceiros.

A planilha possuía também uma seção aberta para informações adicionais sobre as competências do grupo.

A população ficou restrita a grupos de pesquisa, geralmente ligados as Instituições de ensino e pesquisa, conforme a

própria definição da RMA. O instrumento de pesquisa foi realizado por meio de uma planilha eletrônica em formato excel®, chamada de Planilha de Competências. A distribuição do instrumento de pesquisa e amostra inicial de pesquisa foi realizada principalmente por meio da indicação dos pares. Um total de 25 grupos de pesquisa foram identificados e convidados a participar do levantamento, dentre os quais, 23 responderam com as planilhas de forma completa e confiável. A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2012.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Essa seção apresenta os resultados da pesquisa realizada discutindo as características identificadas e que caracterizam as competências da RMA.

4.1 Caracterização dos Grupos de Pesquisa e suas Instituições

A Tab.(1) apresenta a relação das instituições/grupos de pesquisa que responderam a planilha em ordem alfabética.

Os grupos de pesquisa foram estratificados por região (Fig.1a) e as respectivas instituições caracterizadas quanto a sua natureza, i.e. pública ou não-pública (Fig.1b). Pode-se observar que em torno de 88% dos grupos encontram-se nas

regiões sul e sudeste do país, sendo a maior parte das suas instituições (74%) de natureza pública (mantidas pelos Governos Federal ou Estadual).

Grupos de Pesquisa por Região Centro ‐ Oeste Norte 4% 4% Nordeste 4% Sul 44%
Grupos de Pesquisa por Região
Centro ‐ Oeste
Norte
4%
4% Nordeste
4%
Sul
44%
Sudeste
44%
(a)
Tipo de Instituições Não ‐ públicas 26% Públicas (Federais/ Estaduais) 74% (b)
Tipo de Instituições
Não ‐ públicas
26%
Públicas
(Federais/
Estaduais)
74%
(b)

Figura 1. Apresentação dos grupos por região (a) e por origem dos recursos (b).

Com relação ao perfil de atuação dos grupos de pesquisa, considerando ensino, pesquisa e serviços (Fig. 2), observa-se com clareza o tipo de rede que se espera estruturar, sendo que todas atuam em pesquisa. Isto é explicado pela própria natureza da formação da RMA. A maioria dos grupos pesquisados (48% + 43%) tem também o ensino como foco principal. A prestação de serviços para terceiros está presente em mais da metade dos grupos. Ressalta-se que esta prestação de serviços, nem sempre é para o setor privado, podendo ser somente para fins de pesquisa de outros grupos (um detalhamento deste aspecto é apresentado na seção 4.4). Por fim, salienta-se que somente 9% dos grupos não se envolvem com ensino.

Perfil de Atuação da RMA Composição de Atividades Só Pesquisa 0% Todos (Ensino,Pesquisa Ensino e
Perfil de Atuação da RMA
Composição de Atividades
Só Pesquisa
0%
Todos
(Ensino,Pesquisa
Ensino e
Serviços)
Pesquisa
48%
43%
Pesquisa e
Serviços
9%

Figura 2. Perfil de atuação dos grupos de pesquisa quanto a ensino, pesquisa e serviços.

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Tabela 1. Relação das instituições e respectivos grupos de pesquisa participantes do levantamento.

Instituições

Grupos de Pesquisa

Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI - Renato Archer)

Tecnologias Tridimensionais (DT3D)

Instituto de Estudos Avançados (IEAv)

Laboratório Multiusuário de Desenvolvimento de Aplicações de Lasers e Óptica (DEDALO)

Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC)

Desenvolvimento e atualização tecnológica de máquinas automáticas

Instituto Nacional de Tecnologia (INT)

Laboratório de Modelos Tridimensionais (LAMOT)

Instituto Superior Tupy - Sociedade Educacional de Santa Catarina (IST – SOCIESC)

Cadeia de Manufatura de produtos plásticos que utilizam moldes (PROMOLDE)

Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)

Centro de Competência em Manufatura (CCM)

Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Paleo Vertebrados / Arqueologia (LAPID)

Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

Materiais e Processos de Fabricação

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

Modelagem Tridimensional Física e Virtual (NEXT)

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Centro Tecnológico de Mecânica de Precisão - SENAI)

Núcleo de Desenvolvimento Tecnológico (NDT)

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI CIMATEC)

Desenvolvimento Integrado de Produtos

Universidade de Brasília (UnB)

Grupo de Inovação em Automação Industrial (GIAI)

Universidade de Caxias do Sul (UCS)

Projeto e Fabricação em Engenharia (PROFEN)

Universidade de São Paulo (USP - São Carlos)

Projeto Mecânico (Neticom)

Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Grupo de Polímeros (GRUPOL)

Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP - Arquitetura e Urbanismo - FEC)

Teorias e tecnologias contemporâneas aplicadas ao projeto

Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP - Processos Químicos)

INCT-BIOFABRIS

Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Design, tecnologia, projeto e inovação

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC - Engenharia Mecânica)

Projeto e Fabricação de Componentes de Plástico (CIMJECT)

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC - Engenharia Mecânica e Engenharia Química)

Núcleo de Pesquisa em Materiais Cerâmicos e Vítreos (CERMAT)

Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Design, logística e planejamento de transporte da Amazônia (Transportar)

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Laboratório de Design e Seleção de Materiais (LdSM)

Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Núcleo de Prototipagem e Ferramental (NUFER)

4.1 Formação de Pessoal

Com relação a meios para a formação de pessoal, a RMA possui um forte vínculo (78%) com a pós-graduação (Lato e Stricto Senso), com atuação em temas relacionados a AM (Fig. 3a). Destes grupos com vínculo, todos estão associados a pelo menos um programa de Mestrado (Fig. 3b). Um total de 58% atua também em programas de Doutorado e Pós-doutorado, 17% atua também em Especialização e Doutorado e 8% também em Especialização. Uma parcela de 17% dos grupos com vínculo atua somente em programa de Mestrado. Neste sentido, pode-se ressaltar que no Brasil já é possível obter uma formação de pós-graduação especificamente na área de AM.

Perfil de Atuação da RMA Pós‐Graduação Não Possui Vínculo 22% Possui Vínculo 78% (a)
Perfil de Atuação da RMA
Pós‐Graduação
Não Possui
Vínculo
22%
Possui Vínculo
78%
(a)
Perfil de Pós ‐Graduação da RMA Só Especialização 0% Só Mestrado 17% Especialização e Mestrado
Perfil de Pós ‐Graduação da RMA
Só Especialização
0%
Só Mestrado
17%
Especialização e
Mestrado
8%
Mestrado,
Doutorado e
Pósdoutorado
Especialização,
58%
Mestrado e
Doutorado
17%
(b)

Figura 3. Grupos com vínculo com a pós-graduação (a) e estratificação por cursos oferecidos (b).

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4.2 Atuação em Pesquisa

Especificamente em relação à atuação em pesquisa, a Fig. (4) apresenta o perfil da RMA quanto as linhas e foco das pesquisas. Na Fig. (4a) é apresentada uma distribuição das linhas de pesquisas da RMA em cinco grandes área relacionadas a: desenvolvimento de tecnologias próprias, desenvolvimento de materiais específicos para AM, a aplicação das tecnologias comerciais em geral, projeto de produtos para serem fabricados por AM (DFAM) e planejamento de processo para AM (envolvendo software de planejamento, estudo de parâmetros de processamento, etc.). Enfatiza-se que cada grupo podia identificar mais de uma linha de pesquisa que vem atuando. Desta forma, os percentuais são em relação ao total de participantes da rede. Por exemplo, do total de 23 membros, 65% (15) estão envolvidos com a aplicação da AM nas mais variadas áreas. O gráfico da Fig. (4b) demonstra o perfil dos grupos de pesquisa, apresentando uma distribuição diversificada do foco das suas pesquisas. Os interesses dos grupos variam entre as áreas de prototipagem em geral, manufatura rápida, ferramental rápido, design, saúde, e outras. Da mesma forma que na questão anterior, cada instituição podia escolher mais de uma área. A forte ênfase em prototipagem, provavelmente está relacionada a origem da AM e as restrições dos equipamentos comercias. No início, as tecnologias eram denominadas de Prototipagem Rápida, pois a sua principal aplicação era para obtenção de protótipos físicos. Sendo assim, é natural que, em adquirindo uma tecnologia comercial, a primeira ação em termos de pesquisa seja, por exemplo, estudar o impacto desta no processo de desenvolvimento de produto, nas fases iniciais de prototipagem. Somam-se a isto as limitações impostas pelos fabricantes das tecnologias AM, quanto a utilização de matéria-prima exclusiva, a liberdade de variação de parâmetros de processo, etc. Merece destaque, no entanto, o grande interesse de aplicar a AM para a fabricação final de produtos (Manufatura Rápida). Isto demostra uma preocupação em cada vez mais utilizar este princípio de fabricação para obter peças finais.

Linhas de Pesquisa (%) 70 65 65 57 60 50 39 40 30 26 20
Linhas de Pesquisa (%)
70
65
65
57
60
50
39
40
30
26
20
10
0
Projeto para AM
(DFAM)
Planejamento de
Processo para AM
Des. de Materiais
para AM
Des. de Tecnologia
de AM
Aplicação da AM
em várias áreas
(a)
100 87 Foco das Pesquisas (%) 90 80 74 70 65 60 52 50 43
100
87 Foco das Pesquisas (%)
90
80
74
70
65
60
52
50
43
40
35
30
20
10
0
Prototipagem
Manufatura
Saúde
Ferramental
Design
Outros
Rápida
(biomodelo)
Rápido
(b)

Figura 4. Linhas (a) e foco (b) das pesquisas desenvolvidas pela RMA.

Com relação especificamente a questão do desenvolvimento de tecnologias de AM próprias, observa-se que 65% dos grupos (15 ocorrências) relataram estar trabalhando nesta linha, sendo que estas tecnologias são principalmente para materiais poliméricos (48%), cerâmicos (30%) e metálicos (26%) (Fig. 5a e 5b). Este resultado demonstra que existe uma preocupação da rede em desenvolver tecnologias nacionais e que no futuro, alguns destes poderão chegar ao mercado através de parcerias e de cessão para empresas da iniciativa privada. A diversidade de materiais também aponta para a preocupação de desenvolver processos não só com materiais poliméricos, mas com outros que são bastante adequados para processos de fabricação final (Manufatura Rápida).

Desenvolvimento de Tecnologia AM Não envolvido em desenvolvimento 35% Desenvolvimento de Tecnologia de AM 65%
Desenvolvimento de Tecnologia AM
Não envolvido em
desenvolvimento
35%
Desenvolvimento
de Tecnologia de
AM
65%
(a)
Tecnologias de AM Desenvolvidas para quais 60 Materiais de Adição(%) 48 50 40 30 30
Tecnologias de AM Desenvolvidas para quais
60
Materiais de Adição(%)
48
50
40
30
30
26
20
9
10
0
Polímero
Metal
Cerâmica
Outros
(b)

Figura 5. Grupos desenvolvendo tecnologia AM (a) e para quais materiais de adição (b).

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A Fig. (6) apresenta a estratificação dos grupos da RMA (57% ou 13 membros – Fig. 4a) que estão atuando no desenvolvimento de materiais. Neste caso, a distribuição ficou entre materiais poliméricos (43%), cerâmicos (30%), metálicos (22%) e outros (entre eles apareceram compósitos, metal-cerâmicos, etc.).

Materiais em Desenvolvimento (%) 50 43 45 40 35 30 30 25 22 20 17
Materiais em Desenvolvimento (%)
50
43
45
40
35
30
30
25
22
20
17
15
10
5
0
Polimérico
Metálico
Cerâmico
Outros
(metal+cerâmico, compósitos, etc.)
Figura 6. Linhas de pesquisa em desenvolvimento de materiais para AM.
4.3
Infraestrutura

Com relação a infraestrutura disponível, os grupos apresentam um total de 44 máquinas comerciais, sendo a maior ocorrência (Fig. 7) das tecnologias FDM (Modelagem por Fusão e Deposição), 3DP (Impressão Tridimensional) e IJP (Ink-jet printing). Outras tecnologias como a SLA (Estereolitografia), LOM (Manufatura Laminar de Objetos), SLS (Sinterização Seletiva a Laser) - de polímero e metal - aparecem em número bem menores. Neste último grupo encontra-se uma das tecnologias mais caras (SLS) e isto explica, em parte, a sua menor ocorrência. Contudo, pode-se afirmar que a RMA congrega a maior parte das tecnologias disponíveis mundialmente.

Tecnologia AM Comerciais Disponíveis SLS ‐ Polímero 5% SLS ‐ Metal 2% 3DP 31% IJP
Tecnologia AM Comerciais Disponíveis
SLS ‐ Polímero
5%
SLS ‐ Metal
2%
3DP
31%
IJP
22%
SLA
5%
LOM
2%
FDM
33%
Figura 7. Tipos de tecnologias de AM disponíveis pela RMA.

Grande parte das instituições envolvidas com a RMA (78%) usa as tecnologias disponíveis para a prestação de serviços formal para terceiros, seja restrito para outras instituições de pesquisa, seja para empresas do setor privado (Fig. 8a). A Fig. (8b) apresenta um detalhamento desta prestação, indicando que 67% das que prestam serviços, o fazem tanto para pesquisa quanto para fins comerciais. Observa-se que muitas instituições prestam serviços para fins comerciais, visando a operacionalização de seus próprios equipamentos (aquisição de matéria-prima e manutenção), uma vez que os recursos obtidos por fomento nem sempre contemplam, de forma suficiente, verbas para esse fim. Ressalta-se que a prestação de serviços permite uma aproximação da RMA com o setor industrial, propiciando um maior envolvimento com demandas desse setor na área de pesquisa e tecnologia, o que normalmente gera resultados positivos.

5

CONCLUSÕES

Este trabalho abordou um primeiro mapa das competências disponíveis no Brasil com relação a área de AM. O trabalho foi realizado dentro do escopo da RMA (Rede de Manufatura Aditiva) onde foram identificadas, por meio de um instrumento de pesquisa, competências associadas a formação de pessoal, linhas de pesquisa, infraestrutura e prestação de serviços. Um total de 23 grupos de pesquisa participou deste levantamento. Deve-se ressaltar que nesta pesquisa não foram abrangidas todas as instituições brasileiras que possuem ações na área de AM, podendo, neste momento, alguns grupos terem ficado fora deste primeiro levantamento. Esforços futuros devem ser feitos no sentido de

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ampliar o número de grupos/instituições participantes da Rede. Ressalta-se ainda que, apesar deste artigo ter se restringido aos grupos de instituições brasileiras, a RMA não está restrita nacionalmente. A possibilidade de membros de fora do país deve contribuir para a elaboração de projetos internacionais em conjuntos, ampliando-se as fontes de fomentos.

Prestação de Serviços da RMA Não envolvidos com Prestação de Servicos 22% Prestação de Serviços
Prestação de Serviços da RMA
Não envolvidos
com Prestação de
Servicos
22%
Prestação de
Serviços para
Terceiros:
78%
(a)
Prestação de Serviços ‐ Detalhamento Comercial 0% Pesquisa 33% Ambos (Pesquisa e Comercial) 67% (b)
Prestação de Serviços ‐ Detalhamento
Comercial
0%
Pesquisa
33%
Ambos (Pesquisa e
Comercial)
67%
(b)

Figura 8. Grupos envolvidos com prestação de serviços (a) e especificação da finalidade desta prestação (b).

Observa-se uma diversidade de linhas e foco de pesquisa, bem como de tecnologias disponíveis pela RMA, mostrando uma preocupação dos participantes quanto ao domínio dessa tecnologia com relação a equipamentos e com relação ao desenvolvimento de novos materiais. Com base nos dados pode-se afirmar que já existe um ambiente para a formação de recursos humanos nessa área no Brasil em nível de pós-graduação. Um fator importante levantado é o grande envolvimento dos grupos com o desenvolvimento de tecnologias AM. Sem dúvidas, alguns destes trabalhos devem ser consolidados em produtos finais. Em relação a este ponto, uma informação relevante que não foi levantada no atual trabalho diz respeito ao estágio destes desenvolvimentos. Pretende- se incluir na Planilha de Competências, a coleta deste estágio, incluindo patentes na área. Espera-se assim, ter-se uma noção sobre quão avançados estão os desenvolvimentos na área. Adicionalmente, outro aspecto importante a ser levantado, e que pode direcionar políticas futuras de fomento para a área, é a quantidade de recursos que tem sido captada pelos participantes da rede para apoio as suas pesquisas. Um aspecto que também merece atenção é compreender o quanto da pesquisa realizada atualmente é fruto de motivação direta, ou está alinhada, com o setor industrial. Nesse sentido trabalhos adicionais devem ser realizados nesta área. Somado a isso, a pesquisa foi realizada somente com grupos vinculados as instituições de pesquisa e ensino (elegíveis a fazer parte da RMA). Por fim, seria interessante somar a este levantamento da RMA, as informações colhidas a partir de empresas privadas específicas prestadoras de serviço na área para assim compor um mapa geral da realidade brasileira na área. Eventualmente, isso poderia ser feito em parceria com associações envolvidas com as áreas de prestação de serviço no país.

6 AGRADECIMENTOS

A todos os membros da RMA que contribuíram com a entrevista realizada.

7 REFERÊNCIAS

Ahrens, C. H., Ferreira, C. V., Petrusch, G., Maia, I. A., Carvalho, J. de, Santos, J. R. L., Silva, J.V.L. e Volpato, N. 2006, Prototipagem Rápida no Brasil Realidade e Perspectivas, Cadware Technology, São Paulo, 01 junho. 15 de Agosto 2012 <http://www.cadware-technology.com/cet/protrap/pr02_p0.aspx> Chua, C. K., Leong, K. F. and Lim, C.S., 2010, Rapid Prototyping: Principles and Applications (3dr edition), World Scientific Publishing Company, January, 540p. Gibson, I., Rosen, D.W. and Stucker, B., 2010, Additive Manufacturing Technologies: Rapid Prototyping to Direct Digital Manufacturing, Springer, 459p. Katou, M., Oh. J., Miyamoto, Y., Matsuura, K. and Kudoh, M., 2007, Freeform fabrication of titanium metal and intermetallic alloys by three-dimensional micro welding, Materials and Design, Vol. 28, pp. 2093–2098. Karunakaran, K. P., & Suryakumar, S., Pushpa V. and Akula S., 2009, Retrofitment of a CNC machine for hybrid layered manufacturing, International Journal of Advanced Manufacturing Technology, Vol. 45, pp.690–703. Volpato, N. (Editor), 2007, Prototipagem Rápida – Tecnologias e aplicações, Edgar Blücher, São Paulo, 1ª edição,

244p.

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8 DIREITOS AUTORAIS

Os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo do material impresso incluído neste trabalho.

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COMPETENCES AND RESOURCES OF THE ADDITIVE MANUFACTURING NETWORK (RMA) IN BRAZIL

Neri Volpato, nvolpato@utfpr.edu.br 1 Carlos Alberto Costa, cacosta@ucs.br 2

1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), DAMEC/PPGEM, Núcleo de Prototipagem e Ferramental (NUFER), Av. Sete de Setembro, 3165, Curitiba-PR, 80230-901 2 Universidade de Caxias do Sul, CCET, Núcleo de Projeto e Fabricação em Engenharia. Rua Francisco Getúlio Vargas, 1130. Caxias do Sul, RS. 95070-560

Abstract. The Additive Manufacturing (AM) is a manufacturing process that has been in the market for over 20 years. However, the evolution and application of new manufacturing processes make AM an important and booming technology. In Brazil, some research institutions are engaged in this area since the late 90s and new institutions are realizing its importance as a manufacturing process, especially in supporting the competitiveness and innovation for national companies. Aiming to bring together researchers, strengthen the area and give greater visibility to the industry was structured in Brazil, in 2011, the Additive Manufacturing Network (RMA). The aim of this paper is to present the initial characterization of this network with respect to their competence in the area of AM. This characterization was performed by means of a survey with 23 research groups working in the area. These groups are mainly related to education, with graduate courses, and to research, applying or developing AM technology. The study shows a consolidation of the area in the scientific and technological environment stressing the RMA potential to support the competitiveness of domestic companies.

Keywords: Additive manufacturing, rapid prototyping, Additive Manufacturing Network, RMA.

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