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Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer

Do Estado de Mato Grosso

SEDUC-MT

Técnico Administrativo Educacional

Volume I

Edital Nº 01/2017 - 03 de Julho de 2017

JL018-A-2017

SEDUC-MT Técnico Administrativo Educacional Volume I Edital Nº 01/2017 - 03 de Julho de 2017 JL018-A-2017

DADOS DA OBRA

Título da obra: Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer do Estado de Mato Grosso - SEDUC-MT

Cargo: Técnico Administrativo Educacional

(Baseado no Edital Nº 01/2017 - 03 de Julho de 2017)

Volume I

• Língua Portuguesa

• Noções de Informática

• Legislação Básica

• História do Estado do Mato Grosso • Geografia do Estado do Mato Grosso

Volume II • Noções de Administração Pública

• Noções de Ética e Filosofia

• Políticas Públicas da Educação • Redação Oficial

• Noções Básicas de Arquivo

• Raciocínio Lógico e Matemático

• Relações Interpessoais

• Estatística Básica

Gestão de Conteúdos Emanuela Amaral de Souza

Produção Editorial/Revisão Elaine Cristina Igor de Oliveira Camila Lopes Suelen Domenica Pereira

Capa

Natália Maio

Editoração Eletrônica Marlene Moreno

Gerente de Projetos Bruno Fernandes

Domenica Pereira Capa Natália Maio Editoração Eletrônica Marlene Moreno Gerente de Projetos Bruno Fer nandes

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*Utilize sempre os 8 primeiros dígitos. Ex: FV054-17 PASSO 3 Pronto! Você já pode acessar os

SUMÁRIO

Língua Portuguesa

1. Interpretação de texto: informações literais e inferências possíveis; ponto de vista do autor; significação contextual

de palavras e expressões; relações entre ideias e recursos de coesão; figuras de estilo

2. Conhecimentos linguísticos: ortografia: emprego das letras, divisão silábica, acentuação gráfica, encontros vocálicos

e consonantais, dígrafos; classes de palavras: substantivos, adjetivos, artigos, numerais, pronomes, verbos, advérbios, preposições, conjunções, interjeições: conceituações, classificações, flexões, emprego, locuções. Sintaxe: estrutura da oração, estrutura do período, concordância (verbal e nominal); regência (verbal e nominal); crase, colocação de prono-

mes; pontuação

01

26

Noções de Informática

1. Conceito de Internet e Intranet

2. Ferramentas e aplicativos de navegação, de correio eletrônico, de grupo de discussão, de busca e

3. Procedimentos, aplicativos, dispositivos para armazenamento de dados e para realização de cópia de segurança

01

01

10

4. Principais aplicativos para edição de textos, planilhas eletrônicas, geração de material escrito, audiovisual e ou-

 

13

5. Pacote Microsoft Office

13

Legislação Básica

1. Constituição Federal de 1988

01

1.1 Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei nº 8.069 de

24

1.2 LDBEN- Lei nº 9.394 de 1996

63

2. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação

81

3. Plano Nacional de

92

4. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove)

108

5. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação

117

6. Plano Estadual de Educação Lei 10111 de 06 de junho de 2014, Lei Orgânica dos Profissionais do Ensino Básico (LO-

PEB);

125

7. Lei Complementar nº 50/98 de 01de outubro de 1998;

137

8. Lei 7.040/98;

151

9. Resolução nº 150/1999 – CEE/MT;

158

10. Resolução n° 257/06 – CEE/MT;

163

11. Resolução nº 249/07 – CEE/MT;

166

12. Resolução nº 630/08, LC 206 de 29 de dezembro de 2004 e LC 04 de 15 de outubro de

168

História do Estado do Mato Grosso

Período

01

1. Os Bandeirantes: escravidão indígena e exploração do

05

2. A fundação de Cuiabá: tensões políticas entre os fundadores e a administração

09

3. A fundação de Vila Bela da Santíssima Trindade e a criação da Capitania de Mato

11

4. A escravidão negra em Mato Grosso

15

Período Imperial

20

1 A crise da mineração e as alternativas econômicas da

26

2 A Rusga

34

3 Os quilombos em Mato

37

4 Os Presidentes de Província e suas

42

econômicas da 26 2 A Rusga 34 3 Os quilombos em Mato 37 4 Os Presidentes

SUMÁRIO

5 A Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai e a participação de Mato Grosso

80

6 A economia mato-grossense após a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai

85

7 O fim do Império em Mato Grosso

88

 

Período

90

1

O coronelismo em Mato Grosso

103

2

Economia de Mato Grosso na Primeira República: usinas de açúcar e criação de

106

3

Relações de trabalho em Mato Grosso na Primeira República

108

4

Mato Grosso durante a Era Vargas: política e

112

5

Política fundiária e as tensões sociais no

117

6.

Os governadores estaduais e suas

121

Geografia do Estado do Mato Grosso

1.

Mato Grosso e a região Centro-Oeste,

01

2.

Geopolítica de Mato Grosso,

10

3.

Ocupação do território,

23

4.

Aspectos físicos e domínios naturais do espaço mato-grossense

29

5.

Aspectos político-administrativos,

32

6.

Aspectos socioeconômicos de Mato Grosso,

34

7.

Formação étnica,

37

8.

Programas governamentais e fronteira agrícola mato-grossense,

41

9.

A economia do Estado no contexto nacional,

44

10. A urbanização do Estado

47

mato-grossense, 41 9. A economia do Estado no contexto nacional, 44 10. A urbanização do Estado

LÍNGUA PORTUGUESA

1. Interpretação de texto: informações literais e inferências possíveis; ponto de vista do autor; significação contextual de

palavras e expressões; relações entre ideias e recursos de coesão; figuras de estilo

2. Conhecimentos linguísticos: ortografia: emprego das letras, divisão silábica, acentuação gráfica, encontros vocálicos

e consonantais, dígrafos; classes de palavras: substantivos, adjetivos, artigos, numerais, pronomes, verbos, advérbios, preposições, conjunções, interjeições: conceituações, classificações, flexões, emprego, locuções. Sintaxe: estrutura da oração, estrutura do período, concordância (verbal e nominal); regência (verbal e nominal); crase, colocação de prono-

mes; pontuação

01

26

concordância (verbal e nominal); regência (verbal e nominal); crase, colocação de prono - mes; pontuação 01

LÍNGUA PORTUGUESA

Interpretação de Texto Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor que também é transmitida
Interpretação de Texto
Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor
que também é transmitida através de figuras, impregnado
de subjetivismo. Ex: um romance, um conto, uma poesia
(Conotação, Figurado, Subjetivo, Pessoal).
Argumentativo: Os textos argumentativos, ao contrá-
rio, têm por finalidade principal persuadir o leitor sobre o
ponto de vista do autor a respeito do assunto. Quando o
texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e
modifica seu comportamento, temos um texto dissertativo
-argumentativo.
Exemplos: texto de opinião, carta do leitor, carta de soli-
citação, deliberação informal, discurso de defesa e acusação
(advocacia), resenha crítica, artigos de opinião ou assinados,
editorial.
Exposição: Apresenta informações sobre assuntos, ex-
põe ideias; explica, avalia, reflete. (analisa ideias). Estrutura
básica; ideia principal; desenvolvimento; conclusão. Uso de
linguagem clara. Ex: ensaios, artigos científicos, exposições
etc.
Texto Não-Literário: preocupa-se em transmitir uma
mensagem da forma mais clara e objetiva possível. Ex: uma
notícia de jornal, uma bula de medicamento. (Denotação,
Claro, Objetivo, Informativo).
O objetivo do texto é passar conhecimento para o lei-
tor. Nesse tipo textual, não se faz a defesa de uma ideia.
Exemplos de textos explicativos são os encontrados em
manuais de instruções.
Injunção: Indica como realizar uma ação. É também
utilizado para predizer acontecimentos e comportamentos.
Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua
maioria, empregados no modo imperativo. Há também o
uso do futuro do presente. Ex: Receita de um bolo e ma-
nuais.
Diálogo: é uma conversação estabelecida entre duas ou
mais pessoas. Pode conter marcas da linguagem oral, como
pausas e retomadas.
Informativo: Tem a função de informar o leitor a res-
peito de algo ou alguém, é o texto de uma notícia de jornal,
de revista, folhetos informativos, propagandas. Uso da fun-
ção referencial da linguagem, 3ª pessoa do singular.
Descrição: Um texto em que se faz um retrato por es-
crito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A
classe de palavras mais utilizada nessa produção é o ad-
jetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem
mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou senti-
mentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade.
Significa “criar” com palavras a imagem do objeto descrito.
É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da persona-
gem a que o texto se refere.
Entrevista: é uma conversação entre duas ou mais pes-
soas (o entrevistador e o entrevistado), na qual perguntas
são feitas pelo entrevistador para obter informação do en-
trevistado. Os repórteres entrevistam as suas fontes para
obter declarações que validem as informações apuradas ou
que relatem situações vividas por personagens. Antes de ir
para a rua, o repórter recebe uma pauta que contém infor-
mações que o ajudarão a construir a matéria. Além das in-
formações, a pauta sugere o enfoque a ser trabalhado assim
como as fontes a serem entrevistadas. Antes da entrevista
o
repórter costuma reunir o máximo de informações dis-
Narração: Modalidade em que se conta um fato, fictí-
cio ou não, que ocorreu num determinado tempo e lugar,
envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do
mundo real. Há uma relação de anterioridade e posteriori-
dade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos
cercados de narrações desde as que nos contam histórias
infantis, como o “Chapeuzinho Vermelho” ou a “Bela Ador-
mecida”, até as picantes piadas do cotidiano.
poníveis sobre o assunto a ser abordado e sobre a pessoa
que será entrevistada. Munido deste material, ele formula
perguntas que levem o entrevistado a fornecer informações
novas e relevantes. O repórter também deve ser perspicaz
para perceber se o entrevistado mente ou manipula dados
nas suas respostas, fato que costuma acontecer principal-
mente com as fontes oficiais do tema. Por exemplo, quando
o repórter vai entrevistar o presidente de uma instituição
pública sobre um problema que está a afetar o fornecimen-
to
de serviços à população, ele tende a evitar as perguntas
Dissertação: Dissertar é o mesmo que desenvolver ou
explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto dis-
sertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, junta-
mente com o texto de apresentação científica, o relatório, o
texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio, o texto
dissertativo não está preocupado com a persuasão e sim,
com a transmissão de conhecimento, sendo, portanto, um
texto informativo.
e a querer reverter a resposta para o que considera positivo
na instituição. É importante que o repórter seja insistente. O
entrevistador deve conquistar a confiança do entrevistado,
mas não tentar dominá-lo, nem ser por ele dominado. Caso
contrário, acabará induzindo as respostas ou perdendo a
objetividade.
As entrevistas apresentam com frequência alguns sinais
de pontuação como o ponto de interrogação, o travessão,
aspas, reticências, parêntese e as vezes colchetes, que ser-
vem para dar ao leitor maior informações que ele suposta-
mente desconhece. O título da entrevista é um enunciado
1

LÍNGUA PORTUGUESA

curto que chama a atenção do leitor e resume a ideia básica da entrevista. Pode
curto que chama a atenção do leitor e resume a ideia básica
da entrevista. Pode estar todo em letra maiúscula e recebe
maior destaque da página. Na maioria dos casos, apenas as
preposições ficam com a letra minúscula. O subtítulo intro-
duz o objetivo principal da entrevista e não vem seguido de
ponto final. É um pequeno texto e vem em destaque tam-
bém. A fotografia do entrevistado aparece normalmente na
primeira página da entrevista e pode estar acompanhada
por uma frase dita por ele. As frases importantes ditas pelo
entrevistado e que aparecem em destaque nas outras pági-
nas da entrevista são chamadas de “olho”.
Jornalismo e literatura: É assim que podemos dizer que
a crônica é uma mistura de jornalismo e literatura. De um
recebe a observação atenta da realidade cotidiana e do
outro, a construção da linguagem, o jogo verbal. Algumas
crônicas são editadas em livro, para garantir sua durabili-
dade no tempo.
Interpretação de Texto
O
primeiro passo para interpretar um texto consiste em
decompô-lo, após uma primeira leitura, em suas “ideias bá-
sicas ou ideias núcleo”, ou seja, um trabalho analítico bus-
cando os conceitos definidores da opinião explicitada pelo
Crônica: Assim como a fábula e o enigma, a crônica é
um gênero narrativo. Como diz a origem da palavra (Cro-
nos é o deus grego do tempo), narra fatos históricos em
ordem cronológica, ou trata de temas da atualidade. Mas
não é só isso. Lendo esse texto, você conhecerá as princi-
pais características da crônica, técnicas de sua redação e
terá exemplos.
Uma das mais famosas crônicas da história da literatu-
autor. Esta operação fará com que o significado do texto
“salte aos olhos” do leitor. Ler é uma atividade muito mais
complexa do que a simples interpretação dos símbolos
gráficos, de códigos, requer que o indivíduo seja capaz de
interpretar o material lido, comparando-o e incorporando
-o à sua bagagem pessoal, ou seja, requer que o indivíduo
mantenha um comportamento ativo diante da leitura.
Os diferentes níveis de leitura
ra
luso-brasileira corresponde à definição de crônica como
“narração histórica”. É a “Carta de Achamento do Brasil”, de
Pero Vaz de Caminha”, na qual são narrados ao rei portu-
guês, D. Manuel, o descobrimento do Brasil e como foram
os primeiros dias que os marinheiros portugueses passa-
ram aqui. Mas trataremos, sobretudo, da crônica como
gênero que comenta assuntos do dia a dia. Para começar,
uma crônica sobre a crônica, de Machado de Assis:
O nascimento da crônica
Para que isso aconteça, é necessário que haja matu-
ridade para a compreensão do material lido, senão tudo
cairá no esquecimento ou ficará armazenado em nossa
memória sem uso, até que tenhamos condições cognitivas
para utilizar.
De uma forma geral, passamos por diferentes níveis
ou etapas até termos condições de aproveitar totalmente
o assunto lido. Essas etapas ou níveis são cumulativas e vão
sendo adquiridas pela vida, estando presente em pratica-
mente toda a nossa leitura.
“Há um meio certo de começar a crônica por uma tri-
vialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se
isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro,
ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do
calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas con-
jeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela,
manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue
está começada a crônica. ( )
(Machado de Assis. “Crônicas Escolhidas”. São Pau-
lo: Editora Ática, 1994)
O
Primeiro Nível é elementar e diz respeito ao perío-
do de alfabetização. Ler é uma capacidade cerebral muito
sofisticada e requer experiência: não basta apenas conhe-
cermos os códigos, a gramática, a semântica, é preciso que
tenhamos um bom domínio da língua.
O
Segundo Nível é a pré-leitura ou leitura inspecional.
Tem duas funções específicas: primeiro, prevenir para que a
leitura posterior não nos surpreenda e, sendo, para que te-
Publicada em jornal ou revista onde é publicada, desti-
na-se à leitura diária ou semanal e trata de acontecimentos
nhamos chance de escolher qual material leremos, efetiva-
mente. Trata-se, na verdade, de nossa primeira impressão
sobre o livro. É a leitura que comumente desenvolvemos
cotidianos. A crônica se diferencia no jornal por não buscar
exatidão da informação. Diferente da notícia, que procura
relatar os fatos que acontecem, a crônica os analisa, dá-
lhes um colorido emocional, mostrando aos olhos do leitor
uma situação comum, vista por outro ângulo, singular.
O leitor pressuposto da crônica é urbano e, em princí-
pio, um leitor de jornal ou de revista. A preocupação com
esse leitor é que faz com que, dentre os assuntos tratados,
“nas livrarias”. Nela, por meio do salteio de partes, respon-
dem basicamente às seguintes perguntas:
- Por que ler este livro?
- Será uma leitura útil?
- Dentro de que contexto ele poderá se enquadrar?
o
cronista dê maior atenção aos problemas do modo de
vida urbano, do mundo contemporâneo, dos pequenos
acontecimentos do dia a dia comuns nas grandes cidades.
Essas perguntas devem ser revistas durante as etapas
que se seguem, procurando usar de imparcialidade quanto
ao ponto de vista do autor, e o assunto, evitando preconcei-
tos. Se você se propuser a ler um livro sem interesse, com
olhar crítico, rejeitando-o antes de conhecê-lo, provavel-
mente o aproveitamento será muito baixo.
Ler é armazenar informações; desenvolver; ampliar
horizontes; compreender o mundo; comunicar-se melhor;
escrever melhor; relacionar-se melhor com o outro.
2

LÍNGUA PORTUGUESA

Pré-Leitura Nome do livro Autor Dados Bibliográficos Prefácio e Índice Prólogo e Introdução O primeiro
Pré-Leitura
Nome do livro
Autor
Dados Bibliográficos
Prefácio e Índice
Prólogo e Introdução
O
primeiro passo é memorizar o nome do autor e a edi-
ção do livro, fazer um folheio sistemático: ler o prefácio e o
índice (ou sumário), analisar um pouco da história que deu
origem ao livro, ver o número da edição e o ano de publica-
ção. Se falarmos em ler um Machado de Assis, um Júlio Verne,
um Jorge Amado, já estaremos sabendo muito sobre o livro.
É muito importante verificar estes dados para enquadrarmos
o livro na cronologia dos fatos e na atualidade das informa-
ções que ele contém. Verifique detalhes que possam contri-
buir para a coleta do maior número de informações possível.
Tudo isso vai ser útil quando formos arquivar os dados lidos
no nosso arquivo mental. A propósito, você sabe o que seja
um prólogo, um prefácio e uma introdução? Muita gente
pensa que os três são a mesma coisa, mas não:
Veja bem: a esta altura já conhecemos bem o livro e o ato
de interromper a leitura não vai fragmentar a compreensão
do assunto como um todo. Será, também, nessa etapa que
sublinharemos os tópicos importantes, se necessário. Para
ressaltar trechos importantes opte por um sinal discreto pró-
ximo a eles, visando principalmente a marcar o local do texto
em que se encontra, obrigando-o a fixar a cronologia e a
sequência deste fato importante, situando-o no livro.
Aproveite bem esta etapa de leitura. Para auxiliar no es-
tudo, é interessante que, ao final da leitura de cada capítulo,
você faça um breve resumo com suas próprias palavras de
tudo o que foi lido.
Prólogo: é um comentário feito pelo autor a respeito do
tema e de sua experiência pessoal.
Prefácio: é escrito por terceiros ou pelo próprio autor,
referindo-se ao tema abordado no livro e muitas vezes tam-
bém tecendo comentários sobre o autor.
Introdução: escrita também pelo autor, referindo-se ao
livro e não ao tema.
O
segundo passo é fazer uma leitura superficial. Pode-
se, nesse caso, aplicar as técnicas da leitura dinâmica.
O
Terceiro Nível é conhecido como analítico. Depois de
vasculharmos bem o livro na pré-leitura, analisamos o livro.
Para isso, é imprescindível que saibamos em qual gênero
o
livro se enquadra: trata-se de um romance, um tratado,
um livro de pesquisa e, neste caso, existe apenas teoria ou
são inseridas práticas e exemplos. No caso de ser um livro
teórico, que requeira memorização, procure criar imagens
mentais sobre o assunto, ou seja, veja, realmente, o que está
lendo, dando vida e muita criatividade ao assunto. Note
bem: a leitura efetiva vai acontecer nesta fase, e a primeira
coisa a fazer é ser capaz de resumir o assunto do livro em
duas frases. Já temos algum conteúdo para isso, pois o en-
cadeamento das ideias já é de nosso conhecimento. Procure,
Um Quinto Nível pode ser opcional: a etapa da repe-
tição aplicada. Quando lemos, assimilamos o conteúdo do
texto, mas aprendizagem efetiva vai requerer que tenhamos
prática, ou seja, que tenhamos experiência do que foi lido na
vida. Você só pode compreender conceitos que tenha visto
em seu cotidiano. Nada como unir a teoria à prática. Na lei-
tura, quando não passamos pela etapa da repetição aplicada,
ficamos muitas vezes sujeitos àqueles brancos quando que-
remos evocar o assunto. Para evitar isso, faça resumos.
Observe agora os trechos sublinhados do livro e os re-
sumos de cada capítulo, trace um diagrama sobre o livro, es-
force-se para traduzi-lo com suas próprias palavras. Procure
associar o assunto lido com alguma experiência já vivida ou
tente exemplificá-lo com algo concreto, como se fosse um
professor e o estivesse ensinando para uma turma de alunos
interessados. É importante lembrar que esquecemos mais nas
próximas 8 horas do que nos 30 dias posteriores. Isto quer di-
zer que devemos fazer pausas durante a leitura e ao retornar-
mos ao livro, consultamos os resumos. Não pense que é um
exercício monótono. Nós somos capazes de realizar diaria-
mente exercícios físicos com o propósito de melhorar a apa-
rência e a saúde. Pois bem, embora não tenhamos condições
de ver com o que se apresenta nossa mente, somos capazes
de senti-la quando melhoramos nossas aptidões como o ra-
ciocínio, a prontidão de informações e, obviamente, nossos
conhecimentos intelectuais. Vale a pena se esforçar no início
e criar um método de leitura eficiente e rápido.
Ideias Núcleo
agora, ler bem o livro, do início ao fim. Esta é a leitura efetiva,
aproveite bem este momento. Fique atento! Aproveite todas
as
informações que a pré-leitura ofereceu. Não pare a leitura
para buscar significados de palavras em dicionários ou sub-
linhar textos, isto será feito em outro momento.
O primeiro passo para interpretar um texto consiste em
decompô-lo, após uma primeira leitura, em suas “ideias bási-
cas ou ideias núcleo”, ou seja, um trabalho analítico buscando
os conceitos definidores da opinião explicitada pelo autor.
Esta operação fará com que o significado do texto “salte aos
olhos” do leitor. Exemplo:
O
Quarto Nível de leitura é o denominado de controle.
Trata-se de uma leitura com a qual vamos efetivamente aca-
bar com qualquer dúvida que ainda persista. Normalmente,
os termos desconhecidos de um texto são explicitados nes-
te
próprio texto, à medida que vamos adiantando a leitura.
Um mecanismo psicológico fará com que fiquemos com
aquela dúvida incomodando-nos até que tenhamos a res-
posta. Caso não haja explicação no texto, será na etapa do
controle que lançaremos mão do dicionário.
“Incalculável é a contribuição do famoso neurologista aus-
tríaco no tocante aos estudos sobre a formação da personali-
dade humana. Sigmund Freud (1859-1939) conseguiu acender
luzes nas camadas mais profundas da psique humana: o in-
consciente e subconsciente. Começou estudando casos clínicos
de comportamentos anômalos ou patológicos, com a ajuda
da hipnose e em colaboração com os colegas Joseph Breuer
e Martin Charcot (Estudos sobre a histeria, 1895). Insatisfeito
com os resultados obtidos pelo hipnotismo, inventou o método
que até hoje é usado pela psicanálise: o das ‘livres associações’
3
LÍNGUA PORTUGUESA de ideias e de sentimentos, estimuladas pela terapeuta por pa- lavras dirigidas ao
LÍNGUA PORTUGUESA
de ideias e de sentimentos, estimuladas pela terapeuta por pa-
lavras dirigidas ao paciente com o fim de descobrir a fonte
das perturbações mentais. Para este caminho de regresso às
origens de um trauma, Freud se utilizou especialmente da lin-
guagem onírica dos pacientes, considerando os sonhos como
compensação dos desejos insatisfeitos na fase de vigília.
Mas a grande novidade de Freud, que escandalizou o
mundo cultural da época, foi a apresentação da tese de que
toda neurose é de origem sexual.”
(Salvatore D’Onofrio)
- Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para
melhor compreensão;
-
-
Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte)
do texto correspondente;
Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada
questão;
-
-
Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ),
Primeiro Conceito do Texto: “Incalculável é a contribui-
ção do famoso neurologista austríaco no tocante aos estudos
sobre a formação da personalidade humana. Sigmund Freud
(1859-1939) conseguiu acender luzes nas camadas mais pro-
fundas da psique humana: o inconsciente e subconsciente.”
O autor do texto afirma, inicialmente, que Sigmund Freud
ajudou a ciência a compreender os níveis mais profundos
da personalidade humana, o inconsciente e subconsciente.
não, correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, ex-
ceto, e outras; palavras que aparecem nas perguntas e que,
às vezes, dificultam a entender o que se perguntou e o que
se pediu;
Quando duas alternativas lhe parecem corretas, pro-
curar a mais exata ou a mais completa;
-
Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um
fundamento de lógica objetiva;
-
-
Cuidado com as questões voltadas para dados su-
perficiais;
-
Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela
Segundo Conceito do Texto: “Começou estudando casos
clínicos de comportamentos anômalos ou patológicos, com
a ajuda da hipnose e em colaboração com os colegas Joseph
Breuer e Martin Charcot (Estudos sobre a histeria, 1895). In-
satisfeito com os resultados obtidos pelo hipnotismo, inven-
tou o método que até hoje é usado pela psicanálise: o das
‘livres associações’ de ideias e de sentimentos, estimuladas
pela terapeuta por palavras dirigidas ao paciente com o fim
de descobrir a fonte das perturbações mentais.” A segunda
ideia núcleo mostra que Freud deu início a sua pesquisa es-
tudando os comportamentos humanos anormais ou doen-
tios por meio da hipnose. Insatisfeito com esse método,
criou o das “livres associações de ideias e de sentimentos”.
Terceiro Conceito do Texto: “Para este caminho de re-
gresso às origens de um trauma, Freud se utilizou especial-
mente da linguagem onírica dos pacientes, considerando os
sonhos como compensação dos desejos insatisfeitos na fase
de vigília.” Aqui, está explicitado que a descoberta das raí-
zes de um trauma se faz por meio da compreensão dos
sonhos, que seriam uma linguagem metafórica dos desejos
não realizados ao longo da vida do dia a dia.
resposta, mas a opção que melhor se enquadre no sentido
do texto;
Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras
denuncia a resposta;
-
Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas
pelo autor, definindo o tema e a mensagem;
-
- O autor defende ideias e você deve percebê-las;
- Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito
são importantíssimos na interpretação do texto. Exemplos:
Ele morreu de fome.
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a cau-
sa na realização do fato (= morte de “ele”).
Ele morreu faminto.
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que
“ele” se encontrava quando morreu.
-
As orações coordenadas não têm oração principal,
apenas as ideias estão coordenadas entre si;
-
Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele
maior clareza de expressão, aumentando-lhe ou determi-
nando-lhe o significado;
- Esclarecer o vocabulário;
Quarto Conceito do Texto: “Mas a grande novidade de
Freud, que escandalizou o mundo cultural da época, foi a
apresentação da tese de que toda neurose é de origem sexual.”
Por fim, o texto afirma que Freud escandalizou a sociedade
de seu tempo, afirmando a novidade de que todo o trauma
psicológico é de origem sexual.
- Entender o vocabulário;
- Viver a história;
- Ative sua leitura;
Ver, perceber, sentir, apalpar o que se pergunta e o que
se pede;
-
Não se deve preocupar com a arrumação das letras
nas alternativas;
-
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa
interpretação de texto. Para isso, devemos observar o se-
guinte:
-
As perguntas são fáceis, dependendo de quem lê o
texto ou como o leu;
-
Cuidado com as opiniões pessoais, elas não existem;
-
Sentir, perceber a mensagem do autor;
Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do
assunto;
-
-
Cuidado com a exatidão das questões em relação ao
texto;
-
Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
-
Descobrir o assunto e procurar pensar sobre ele;
a leitura, vá até o fim, ininterruptamente;
-
Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto
Todos os termos da análise sintática, cada termo tem
seu valor, sua importância;
-
pelo menos umas três vezes;
-
Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
Todas as orações subordinadas têm oração principal
e as ideias se completam.
-
4

LÍNGUA PORTUGUESA

Vícios de Leitura Por acaso você tem o hábito de ler movimentando a ca- beça?
Vícios de Leitura
Por acaso você tem o hábito de ler movimentando a ca-
beça? Ou quem sabe, acompanhando com o dedo? Talvez
vocalizando baixinho
Você não percebe, mas esses movi-
mentos são alguns dos tantos que prejudicam a leitura. Es-
ses movimentos são conhecidos como vícios de linguagem.
Movimentar a cabeça: procure perceber se você não está
movimentando a cabeça enquanto lê. Este movimento, ao fi-
nal de pouco tempo, gera muito cansaço além de não causar
nenhum efeito positivo. Durante a leitura apenas movimen-
tamos os olhos.
Regressar no texto, durante a leitura: pessoas que têm di-
ficuldade de memorizar um assunto, que não compreendem
algumas expressões ou palavras tendem a voltar na sua lei-
tura. Este movimento apenas incrementa a falta de memória,
pois secciona a linha de raciocínio e raramente explica o des-
conhecido, o que normalmente é elucidado no decorrer da
leitura. Procure sempre manter uma sequência e não fique
“indo e vindo” no livro. O assunto pode se tornar um bicho
de sete cabeças!
Ler palavra por palavra: para escrever usamos muitas
palavras que apenas servem como adereços. Procure ler o
conjunto e perceber o seu significado.
Sub-vocalização: é o ato de repetir mentalmente a pala-
vra. Isto só será corrigido quando conseguirmos ultrapassar
a marca de 250 palavras por minuto.
Usar apoios: algumas pessoas têm o hábito de acompa-
nhar a leitura com réguas, apontando ou utilizando um objeto
que salta “linha a linha”. O movimento dos olhos é muito mais
rápido quando é livre do que quando o fazemos guiado por
qualquer objeto.
preocupamos em aprimorar este processo. É lendo que vamos
construindo nossos valores e estes são os responsáveis pela
transformação dos fatos em objetos de nosso sentimento.
Leitura é um dos grandes, senão o maior, ingrediente
da civilização. Ela é uma atividade ampla e livre, fato com-
provado pela frustração de algumas pessoas ao assistirem a
um filme, cuja história já foi lida em um livro. Quando lemos,
associamos as informações lidas à imensa bagagem de co-
nhecimentos que temos armazenados em nosso cérebro e
então somos capazes de criar, imaginar e sonhar.
É por meio da leitura que podemos entrar em conta-
to com pessoas distantes ou do passado, observando suas
crenças, convicções e descobertas que foram imortalizadas
por meio da escrita. Esta possibilita o avanço tecnológico e
científico, registrando os conhecimentos, levando-os a qual-
quer pessoa em qualquer lugar do mundo, desde que saibam
decodificar a mensagem, interpretando os símbolos usados
como registro da informação. A leitura é o verdadeiro elo in-
tegrador do ser humano e a sociedade em que ele vive!
O
mundo de hoje é marcado pelo enorme fluxo de infor-
mações oferecidas a todo instante. É preciso também tornar-
mo-nos mais receptivos e atentos, para nos mantermos atua-
lizados e competitivos. Para isso, é imprescindível leitura que
nos estimule cada vez mais em vista dos resultados que ela
oferece. Se você pretende acompanhar a evolução do mundo,
manter-se em dia, atualizado e bem informado, precisa preo-
cupar-se com a qualidade da sua leitura.
Observe: você pode gostar de ler sobre esoterismo e
uma pessoa próxima não se interessar por este assunto. Por
outro lado, será que esta mesma pessoa se interessa por um
livro que fale sobre História ou esportes? No caso da leitura,
não existe livro interessante, mas leitores interessados.
A
pessoa que se preocupa com a qualidade de sua leitura
Leitura Eficiente
Ao ler realizamos as seguintes operações:
e com o resultado que poderá obter, deve pensar no ato de ler
como um comportamento que requer alguns cuidados, para
ser realmente eficaz.
Captamos o estímulo, ou seja, por meio da visão, enca-
minhamos o material a ser lido para nosso cérebro.
-
-
Atitude: pensamento positivo para aquilo que deseja
ler. Manter-se descansado é muito importante também. Não
-
Passamos, então, a perceber e a interpretar o dado
sensorial (palavras, números etc.) e a organizá-lo segundo
nossa bagagem de conhecimentos anteriores. Para essa eta-
adianta um desgaste físico enorme, pois a retenção da in-
formação será inversamente proporcional. Uma alimentação
adequada é muito importante.
pa, precisamos de motivação, de forma a tornar o processo
mais otimizado possível.
-
Ambiente: o ambiente de leitura deve ser prepara-
-
Assimilamos o conteúdo lido integrando-o ao nos-
so “arquivo mental” e aplicando o conhecimento ao nosso
cotidiano.
A
leitura é um processo muito mais amplo do que pode-
mos imaginar. Ler não é unicamente interpretar os símbolos
gráficos, mas interpretar o mundo em que vivemos. Na ver-
dade, passamos todo o nosso tempo lendo!
O psicanalista francês Lacan disse que o olhar da mãe
configura a estrutura psíquica da criança, ou seja, esta se vê
a partir de como vê seu reflexo nos olhos da mãe! O bebê,
então, segundo esta citação, lê nos olhos da mãe o sentimen-
to com que é recebido e interpreta suas emoções: se o que
encontra é rejeição, sua experiência básica será de terror; se
encontra alegria, sua experiência será de tranquilidade, etc. Ler
do para ela. Nada de ambientes com muitos estímulos que
forcem a dispersão. Deve ser um local tranquilo, agradável,
ventilado, com uma cadeira confortável para o leitor e mesa
para apoiar o livro a uma altura que possibilite postura cor-
poral adequada. Quanto a iluminação, deve vir do lado pos-
terior esquerdo, pois o movimento de virar a página aconte-
cerá antes de ter sido lida a última linha da página direita e,
de outra forma, haveria a formação de sombra nesta página,
o que atrapalharia a leitura.
-
Objetos necessários: para evitar que, durante a lei-
está tão relacionado com o fato de existirmos que nem nos
tura, levantarmos para pegar algum objeto que julguemos
importante, devemos colocar lápis, marca-texto e dicionário
sempre à mão. Quanto sublinhar os pontos importantes do
texto, é preciso aprender a técnica adequada. Não o fazer na
primeira leitura, evitando que os aspectos sublinhados pa-
recem-se mais com um mosaico de informações aleatórias.
5

LÍNGUA PORTUGUESA

Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finalidade a identificação de um leitor autônomo.
Os concursos apresentam questões interpretativas que
têm por finalidade a identificação de um leitor autônomo.
Portanto, o candidato deve compreender os níveis estruturais
da língua por meio da lógica, além de necessitar de um bom
léxico internalizado.
As frases produzem significados diferentes de acordo
com o contexto em que estão inseridas. Torna-se, assim, ne-
cessário sempre fazer um confronto entre todas as partes que
compõem o texto. Além disso, é fundamental apreender as
informações apresentadas por trás do texto e as inferências a
que ele remete. Este procedimento justifica-se por um texto
ser sempre produto de uma postura ideológica do autor dian-
te de uma temática qualquer.
Na verdade, quatro passos básicos para uma boa in-
terpretação político-ideológica de uma charge. Afinal, se a
corrida eleitoral para a Presidência da República já começou,
não vai mal dar uma boa olhada nas charges publicadas em
cada jornal, impresso ou eletrônico, para ver o que se passa
na cabeça dos donos da grande mídia sobre esse momento
ímpar no processo democrático nacional…
Como ler e interpretar uma charge
Interpretar cartuns, charges ou quadrinhos exigem três
habilidades: observação, conhecimento do assunto e vocabu-
lário adequado. A primeira permite que o leitor “veja” todos
os ícones presentes - e dono da situação - dê início à des-
crição minuciosa, mas que prioriza as relevâncias. A segunda
requer um leitor “antenado” com o noticiário mais recente,
caso contrário não será possível estabelecer sentidos para o
que vê. A terceira encerra o ciclo, pois, sem dar nome ao que
vê, o leitor não faz a tradução da imagem.
Desse modo, interpretar charges - ou qualquer outra for-
ma de expressão visual – exige procedimentos lógicos, aten-
ção aos detalhes e uma preocupação rigorosa em associar
imagens aos fatos.
Amarildo. A Gazeta-ES, 12/04/2010
Passo 1: Procure saber do que a charge está tratando: A
charge geralmente está relacionada, por meio do uso de
ANALOGIAS, a uma notícia ou fato político, econômico, so-
cial ou cultural. Portanto, a primeira tarefa de um “analis-
ta de charges” será compreender a qual fato ou notícia a
charge em questão está relacionada.
Passo 2: Entenda os elementos contidos na charge:
Numa charge de crítica política ou econômica, sempre há
um protagonista e um antagonista da situação – ou seja,
um personagem alvejado pela crítica do chargista e outro
que faz a vez de porta-voz da crítica do chargista. Não ne-
cessariamente o antagonista aparece na cena… O próprio
cenário da charge, uma nota de rodapé ou a própria situa-
ção na qual o protagonista está inserido pode fazer a vez
de antagonista. Já nas charges de caráter social ou cultural,
geralmente não há protagonistas e antagonistas, mas ele-
mentos do fato ou da notícia que são caricaturizados – isto
é, retratados humoristicamente – com vistas a trazer força
à
notícia representada na charge. No caso das charges de
crítica econômica e política, a identificação dos papéis de
protagonista e antagonista da situação é fundamental para
Benett. Folha de São Paulo, 15/02/2010
Charges são desenhos humorísticos que se utilizam da
ironia e do sarcasmo para a constituição de uma crítica a uma
situação social ou política vigente, e contra a qual se preten-
de – ou ao menos se pretendia, na origem desse fenômeno
artístico, na Inglaterra do século XIX – fazer uma oposição.
Diferente do cartoon, arte também surgida na Inglaterra e
que pretendia parodiar situações do cotidiano da sociedade,
constituindo assim uma crítica dos costumes que ultrapassa
os limites do tempo e projeta-se como crítica de época, a
charge é caracterizada especificamente por ser uma crônica,
ou seja, narra ou satiriza um fato acontecido em determinado
momento, e que perderá sua carga humorística ao ser des-
vencilhada do contexto temporal no qual está inserida. Toda-
via, a palavra cartunista acabou designando, na nossa lingua-
gem cotidiana, a categoria de artistas que produz esse tipo de
desenho humorístico (charges ou cartoons)
próximo passo na interpretação desta charge.
Passo 3: Identifique a linha editorial do veículo de co-
municação: Não é novidade para nenhum de nós que a
imparcialidade da informação é uma mera ilusão, da qual
nos convenceram de tanto repetir. Não existe imparciali-
dade nem nas ciências, quanto mais na imprensa! E por
mais que a manipulação da notícia seja um ato moralmen-
te execrável, a parcialidade na informação noticiada pelos
meios de comunicação não apenas é inevitável, como tam-
bém pode vir a ser benéfica no que tange ao processo da
constituição de posicionamentos críticos e ideológicos no
debate democrático. Reafirmando aquele lugar-comum,
mas válido, do dramaturgo Nelson Rodrigues (do qual eu
nunca encontrei a citação, confesso), “toda unanimidade é
burra”. Por isso, é preciso compreender e identificar a linha
editorial do veículo de comunicação no qual a charge foi
publicada, pois esta revela a ideologia que inspira o foco
de parcialidade que este dá às suas notícias.
o
6
LÍNGUA PORTUGUESA Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País das Maravilhas,
LÍNGUA PORTUGUESA
Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País
das Maravilhas, e cada pessoa que mergulha nesse espelho de
papel sai numa dimensão diferente e vivencia experiências di-
versas, pois o lado de lá é como o albergue espanhol do ditado:
Thiago Recchia. Gazeta do Povo, 01/04/2010
Passo 4: Compreenda qual o posicionamento ideológico
frente ao fato, do qual a charge quer te convencer: Assim
como a notícia vem, como já foi comentado, carregada de
parcialidade ideológica, a charge não está longe de ser um
meio propício de comunicação de um ponto de vista. E
com um detalhe a mais: a charge convence! Por seu efei-
to humorístico, a crítica proposta pela charge permanece
enraizada por tempo indeterminado em nossa imagina-
ção e, por decorrência, como vários autores da consagra-
da psicologia da imagem já demonstraram, nos processos
inconscientes que podem influenciar as decisões e esco-
lhas que julgamos serem estritamente voluntárias. Com-
preender a mensagem ideológica da qual é composta uma
charge acaba tendo a função de tornar conscientes estes
processos, fazendo com que nossa decisão seja funda-
mentada numa decisão mais racional e posicionada, e ao
mesmo tempo menos ingênua e caricata da situação. Aí,
sim, a charge poderá auxiliar na formulação clara e cônscia
de um posicionamento perante os fatos e notícias apre-
sentados por esses meios de comunicação!
cada um só encontra nele o que trouxe consigo. Além disso, o
significado de uma imagem muda com o passar do tempo, até
para o mesmo observador.
Variam, também, os níveis de percepção de uma foto-
grafia. Isso ocorre, na verdade, com todas as artes: um músi-
co, por exemplo, é capaz de perceber dimensões sonoras in-
teiramente insuspeitas para os leigos. Da mesma forma, um
fotógrafo profissional lê as imagens fotográficas de modo
diferente daqueles que desconhecem a sintaxe da fotografia,
a “escrita da luz”. Mas é difícil imaginar alguém que seja
insensível à magia de uma foto.
(Adaptado de Pedro Vasquez, em Por trás daquela foto.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010)
1.
O segmento do texto que ressalta a ação mesma da
percepção de uma foto é:
(A)
A câmara fotográfica é uma verdadeira máquina do
tempo.
(B)
a fotografia congela o tempo.
(C)
nosso olhar é a varinha de condão que descongela o
instante aprisionado.
(D)
o significado de uma imagem muda com o passar do
tempo.
(E)
Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à ma-
gia de uma foto.
2.
No contexto do último parágrafo, a referência aos vários
níveis de percepção de uma fotografia remete
(A)
à diversidade das qualidades intrínsecas de uma foto.
(B)
às diferenças de qualificação do olhar dos observadores.
(C)
aos graus de insensibilidade de alguns diante de uma foto.
(D)
às relações que a fotografia mantém com as outras artes.
(E)
aos vários tempos que cada fotografia representa em
Exercícios
si mesma.
Atenção: As questões de números 1 a 5 referem-se ao
texto seguinte.
3.
Atente para as seguintes afirmações:
Fotografias
I. Ao dizer, no primeiro parágrafo, que a fotografia congela
o tempo, o autor defende a ideia de que a realidade apreendi-
da numa foto já não pertence a tempo algum.
II. No segundo parágrafo, a menção ao ditado sobre o al-
Toda fotografia é um portal aberto para outra dimen-
são: o passado. A câmara fotográfica é uma verdadeira má-
quina do tempo, transformando o que é naquilo que já não
é
mais, porque o que temos diante dos olhos é transmu-
dado imediatamente em passado no momento do clique.
Costumamos dizer que a fotografia congela o tempo, pre-
servando um momento passageiro para toda a eternidade,
isso não deixa de ser verdade. Todavia, existe algo que
descongela essa imagem: nosso olhar. Em francês, imagem
e
bergue espanhol tem por finalidade sugerir que o olhar do
observador não interfere no sentido próprio e particular de
uma foto.
III. Um fotógrafo profissional, conforme sugere o terceiro
parágrafo, vê não apenas uma foto, mas os recursos de uma
linguagem específica nela fixados.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMEN-
TE em
(A)
I e II.
e
magia contêm as mesmas cinco letras: image e magie.
(B)
II e III.
Toda imagem é magia, e nosso olhar é a varinha de condão
que descongela o instante aprisionado nas geleiras eternas
do tempo fotográfico.
(C)
I.
(D)
II.
(E)
III.
7

LÍNGUA PORTUGUESA

4. No contexto do primeiro parágrafo, o segmento Toda- 6. A afirmação de que os
4.
No contexto do primeiro parágrafo, o segmento Toda-
6.
A afirmação de que os dicionários podem ajudar a in-
via, existe algo que descongela essa imagem pode ser substituí-
do, sem prejuízo para a correção e a coerência do texto, por:
cendiar debates confirma-se, no texto, pelo fato de que o ver-
bete discriminar
(A)
Tendo isso em vista, há que se descongelar essa imagem.
(A)
padece de um sentido vago e impreciso, gerando por
(B)
Ainda assim, há mais que uma imagem descongelada.
isso inúmeras controvérsias entre os usuários.
(C)
Apesar de tudo, essa imagem descongela algo.
(B)
apresenta um sentido secundário, variante de seu sen-
(D) Há, não obstante, o que faz essa imagem descongelar.
tido principal, que não é reconhecido por todos.
(E)
Há algo, outrossim, que essa imagem descongelará.
(C)
abona tanto o sentido legítimo como o ilegítimo que
se costuma atribuir a esse vocábulo.
5.
Está clara e correta a redação deste livre comentário so-
(D)
faz pensar nas dificuldades que existem quando se tra-
bre o texto:
ta
de determinar a origem de um vocábulo.
(A)
Apesar de se ombrearem com outras artes plásticas,
(E)
desdobra-se em acepções contraditórias que corres-
a fotografia nos faz desfrutar e viver experiências de natureza
pondem a convicções incompatíveis.
igualmente temporal.
(B)
Na superfície espacial de uma fotografia, nem se ima-
gine os tempos a que suscitarão essa imagem aparentemente
congelada
7. Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a
desigualdade.
Da afirmação acima é coerente deduzir esta outra:
(C)
Conquanto seja o registro de um determinado espaço,
(A)
Os homens são desiguais porque foram tratados com
uma foto leva-nos a viver profundas experiências de caráter
temporal.
o
mesmo critério de igualdade.
(B)
A igualdade só é alcançável se abolida a fixação de um
(D)
Tal como ocorrem nos espelhos da Alice, as experiên-
mesmo critério para casos muito diferentes.
cias físicas de uma fotografia podem se inocular em planos
(C)
Quando todos os desiguais são tratados desigualmen-
temporais.
te, a desigualdade definitiva torna-se aceitável.
(E)
Nenhuma imagem fotográfica é congelada suficien-
(D)
Uma forma de perpetuar a igualdade está em sempre
temente para abrir mão de implicâncias semânticas no plano
temporal.
tratar os iguais como se fossem desiguais.
(E)
Critérios diferentes implicam desigualdades tais que os
injustiçados são sempre os mesmos.
Atenção: As questões de números 6 a 9 referem-se ao tex-
to seguinte.
8.
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamen-
te o sentido de um segmento em:
Discriminar ou discriminar?
Os dicionários não são úteis apenas para esclarecer o sen-
tido de um vocábulo; ajudam, com frequência, a iluminar teses
controvertidas e mesmo a incendiar debates. Vamos ao Dicio-
nário Houaiss, ao verbete discriminar, e lá encontramos, entre
outras, estas duas acepções: a) perceber diferenças; distinguir,
discernir; b) tratar mal ou de modo injusto, desigual, um indiví-
duo ou grupo de indivíduos, em razão de alguma característi-
ca pessoal, cor da pele, classe social, convicções etc.
Na primeira acepção, discriminar é dar atenção às diferen-
ças, supõe um preciso discernimento; o termo transpira o senti-
do positivo de quem reconhece e considera o estatuto do que é
diferente. Discriminar o certo do errado é o primeiro passo no
caminho da ética. Já na segunda acepção, discriminar é deixar
agir o preconceito, é disseminar o juízo preconcebido. Discrimi-
nar alguém: fazê-lo objeto de nossa intolerância.
Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a de-
sigualdade. Nesse caso, deixar de discriminar (no sentido de dis-
cernir) é permitir que uma discriminação continue (no sentido de
preconceito). Estamos vivendo uma época em que a bandeira da
(A)
iluminar teses controvertidas (1º parágrafo) = amainar
posições dubitativas.
(B)
um preciso discernimento (2º parágrafo) = uma arrai-
gada dissuasão.
(C)
disseminar o juízo preconcebido (2º parágrafo) = dis-
suadir o julgamento predestinado.
(D)
a forma mais censurável (3º parágrafo) = o modo mais
repreensível.
(E)
As acepções são inconciliáveis (3º parágrafo) = as ver-
sões são inatacáveis.
9.
É preciso reelaborar, para sanar falha estrutural, a reda-
ção da seguinte frase:
(A)
O autor do texto chama a atenção para o fato de que
desejo de promover a igualdade corre o risco de obter um
efeito contrário.
o
(B)
Embora haja quem aposte no critério único de julga-
mento, para se promover a igualdade, visto que desconside-
ram o risco do contrário.
discriminação se apresenta em seu sentido mais positivo: trata-se
de aplicar políticas afirmativas para promover aqueles que vêm
sofrendo discriminações históricas. Mas há, por outro lado, quem
veja nessas propostas afirmativas a forma mais censurável de
(C)
Quem vê como justa a aplicação de um mesmo crité-
rio para julgar casos diferentes não crê que isso reafirme uma
situação de injustiça.
(D)
Muitas vezes é preciso corrigir certas distorções apli-
discriminação
É o caso das cotas especiais para vagas numa
universidade ou numa empresa: é uma discriminação, cujo senti-
do positivo ou negativo depende da convicção de quem a avalia.
As acepções são inconciliáveis, mas estão no mesmo verbete do
dicionário e se mostram vivas na mesma sociedade.
(Aníbal Lucchesi, inédito)
cando-se medidas que, à primeira vista, parecem em si mes-
mas distorcidas.
(E)
Em nossa época, há desequilíbrios sociais tão graves
que tornam necessários os desequilíbrios compensatórios de
uma ação corretiva.
8

LÍNGUA PORTUGUESA

Atenção: As questões de números 10 a 14 referem-se à crônica abaixo. 11. Atente para
Atenção: As questões de números 10 a 14 referem-se
à crônica abaixo.
11.
Atente para as seguintes afirmações sobre o texto:
I. A analogia entre a baleia e a União Soviética insinua,
entre outros termos de aproximação, o encalhe dos gigantes.
Bom para o sorveteiro
Por alguma razão inconsciente, eu fugia da notícia. Mas
a notícia me perseguia. Até no avião, o único jornal abria na
minha cara o drama da baleia encalhada na praia de Saqua-
rema. Afinal, depois de quase três dias se debatendo na areia
da praia e na tela da televisão, o filhote de jubarte conseguiu
ser devolvido ao mar. Até a União Soviética acabou, como
foi dito por locutores especializados em necrológio eufórico.
Mas o drama da baleia não acabava. Centenas de curiosos
foram lá apreciar aquela montanha de força a se esfalfar em
vão na luta pela sobrevivência. Um belo espetáculo.
À noite, cessava o trabalho, ou a diversão. Mas já ao
raiar do dia, sem recursos, com simples cordas e as próprias
mãos, todos se empenhavam no lúcido objetivo comum. Co-
mum, vírgula. O sorveteiro vendeu centenas de picolés. Por
ele a baleia ficava encalhada por mais duas ou três semanas.
Uma santa senhora teve a feliz ideia de levar pastéis e em-
padinhas para vender com ágio. Um malvado sugeriu que se
desse por perdida a batalha e se começasse logo a repartir
os bifes.
Em 1966, uma baleia adulta foi parar ali mesmo e em
quinze minutos estava toda retalhada. Muitos se lembravam
da alegria voraz com que foram disputadas as toneladas da
vítima. Essa de agora teve mais sorte. Foi salva graças à re-
ligião ecológica que anda na moda e que por um momento
estabeleceu uma trégua entre todos nós, animais de sangue
quente ou de sangue frio.
Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás. Logo
uma estatal, ó céus, num momento em que é preciso dar
provas da eficácia da empresa privada. De qualquer forma,
eu já podia recolher a minha aflição. Metáfora fácil, lá se foi,
espero que salva, a baleia de Saquarema. O maior animal
do mundo, assim frágil, à mercê de curiosos. À noite, sonhei
com o Brasil encalhado na areia diabólica da inflação. A bor-
do, uma tripulação de camelôs anunciava umas bugigangas.
Tudo fala. Tudo é símbolo.
(Otto Lara Resende, Folha de S. Paulo)
II.
As reações dos envolvidos no episódio da baleia en-
calhada revelam que, acima das diferentes providências, ati-
nham-se todos a um mesmo propósito.
III.
A expressão Tudo é símbolo prende-se ao fato de que o
autor aproveitou o episódio da baleia encalhada para também
figurar o encalhe de um país imobilizado pela alta inflação.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
(A)
I, II e III.
(B)
I e III, apenas.
(C)
II e III, apenas.
(D)
I e II, apenas.
(E)
III, apenas.
12.
Foram irrelevantes para a salvação da baleia estes
dois fatores:
(A)
o necrológio da União Soviética e os serviços da trai-
neira da Petrobrás.
(B)
o prestígio dos valores ecológicos e o empenho no
lúcido objetivo comum.
(C)
o fato de a jubarte ser um animal de sangue frio e o
prestígio dos valores ecológicos.
(D)
o fato de a Petrobrás ser uma empresa estatal e as
iniciativas que couberam a uma traineira.
(E)
o aproveitamento comercial da situação e a força des-
comunal empregada pela jubarte.
13.
Considerando-se o contexto, traduz-se adequada-
mente o sentido de um segmento em:
(A)
em necrológio eufórico (1º parágrafo) = em façanha
mortal.
(B)
Comum, vírgula (2º parágrafo) = Geral, mas nem tanto.
(C)
que se desse por perdida a batalha (2º parágrafo) =
que se imaginasse o efeito de uma derrota.
(D)
estabeleceu uma trégua entre todos nós (3º parágrafo)
=
derrogou uma imunidade para nós todos.
(E)
é preciso dar provas da eficácia (4º parágrafo) = con-
vém explicitar os bons propósitos.
14.
Está clara e correta a redação deste livre comentário
sobre o último parágrafo do texto.
(A)
Apesar de tratar do drama ocorrido com uma baleia, o
10. O cronista ressalta aspectos contrastantes do caso
de Saquarema, tal como se observa na relação entre estas
duas expressões:
cronista não deixa de aludir a circunstâncias nacionais, como
o
impulso para as privatizações e os custos da alta inflação.
(B) Mormente tratando de uma jubarte encalhado, o
(A)
drama da baleia encalhada e três dias se debatendo
na areia.
cronista não obsta em tratar de assuntos da pauta nacional,
como a inflação ou o processo empresarial das privatizações.
(B)
em quinze minutos estava toda retalhada e foram
(C)
Vê-se que um cronista pode assumir, como aqui ocor-
disputadas as toneladas da vítima.
reu, o papel tanto de um repórter curioso como analisar fatos
(C)
se esfalfar em vão na luta pela sobrevivência e levar
oportunos, qual seja a escalada inflacionária ou a privatização.
pastéis e empadinhas para vender com ágio.
(D)
O incidente da jubarte encalhado não impediu de que
(D)
o filhote de jubarte conseguiu ser devolvido ao mar e
o cronista se valesse de tal episódio para opinar diante de
lá se foi, espero que salva, a baleia de Saquarema.
(E)
Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás e
outros fatos, haja vista a inflação nacional ou a escalada das
privatizações.
Logo uma estatal, ó céus.
(E)
Ao bom cronista ocorre associar um episódio como
o
da jubarte com a natureza de outros, bem distintos, sejam
os da economia inflacionada, sejam o crescente prestígio das
privatizações.
9

LÍNGUA PORTUGUESA

Atenção: As questões de números 15 a 18 referem-se ao texto abaixo. II. O autor
Atenção: As questões de números 15 a 18 referem-se ao
texto abaixo.
II. O autor do texto manifesta-se francamente favorável
à razão do mérito, a menos que uma situação de real im-
passe imponha a resolução pelo voto.
A razão do mérito e a do voto
Um ministro, ao tempo do governo militar, irritado com a
campanha pelas eleições diretas para presidente da Repúbli-
ca, buscou minimizar a importância do voto com o seguinte
argumento: − Será que os passageiros de um avião gostariam
de fazer uma eleição para escolher um deles como piloto de
III. A conotação pejorativa que o uso de aspas confe-
re ao termo “assembleísmo” expressa o ponto de vista dos
que desconsideram a qualificação técnica.
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afir-
ma em
(A)
I.
(B)
II.
(C)
III.
seu voo? Ou prefeririam confiar no mérito do profissional mais
(D)
I e II.
abalizado?
(E)
II e III.
A perfídia desse argumento está na falsa analogia entre
uma função eminentemente técnica e uma função eminente-
17.
Considerando-se o contexto, são expressões bas-
mente política. No fundo, o ministro queria dizer que o governo
estava indo muito bem nas mãos dos militares e que estes sa-
beriam melhor que ninguém prosseguir no comando da nação.
Entre a escolha pelo mérito e a escolha pelo voto há neces-
sidades muito distintas. Num concurso público, por exemplo, a
avaliação do mérito pessoal do candidato se impõe sobre qual-
quer outra. A seleção e a classificação de profissionais devem
ser processos marcados pela transparência do método e pela
adequação aos objetivos. Já a escolha da liderança de uma as-
sociação de classe, de um sindicato deve ocorrer em confor-
midade com o desejo da maioria, que escolhe livremente seu
representante. Entre a especialidade técnica e a vocação polí-
tica há diferenças profundas de natureza, que pedem distintas
formas de reconhecimento.
Essas questões vêm à tona quando, em certas instituições,
tante próximas quanto ao sentido:
(A)
fazer uma eleição e confiar no mérito do profissional.
(B)
especialidade técnica e vocação política.
(C)
classificação de profissionais e escolha da liderança.
(D)
avaliação do mérito e reconhecimento da qualificação.
(E)
transparência do método e desejo da maioria.
18.
Atente para a redação do seguinte comunicado:
Viemos por esse intermédio convocar-lhe para a as-
sembleia geral da próxima sexta-feira, aonde se decidi-
rá os rumos do nosso movimento reivindicatório.
As falhas do texto encontram-se plenamente sanadas em:
prestígio do “assembleísmo” surge como absoluto. Há quem
pretenda decidir tudo no voto, reconhecendo numa assembleia
a “soberania” que a qualifica para a tomada de qualquer deci-
são. Não por acaso, quando alguém se opõe a essa generaliza-
ção, lembrando a razão do mérito, ouvem-se diatribes contra
o
(A) Vimos, por este intermédio, convocá-lo para a as-
sembleia geral da próxima sexta-feira, quando se decidirão
os rumos do nosso movimento reivindicatório.
(B)
Viemos por este intermédio convocar-lhe para a as-
sembleia geral da próxima sexta-feira, onde se decidirá os
rumos do nosso movimento reivindicatório.
a
“meritocracia”. Eis aí uma tarefa para nós todos: reconhecer,
(C)
Vimos, por este intermédio, convocar-lhe para a as-
caso a caso, a legitimidade que tem a decisão pelo voto ou pelo
reconhecimento da qualificação indispensável. Assim, não ele-
geremos deputado alguém sem espírito público, nem votare-
mos no passageiro que deverá pilotar nosso avião.
(Júlio Castanho de Almeida, inédito)
sembleia geral da próxima sexta-feira, em cuja se decidirão
os rumos do nosso movimento reivindicatório.
(D)
Vimos por esse intermédio convocá-lo para a assem-
bleia geral da próxima sexta-feira, em que se decidirá os ru-
mos do nosso movimento reivindicatório.
(E)
Viemos, por este intermédio, convocá-lo para a as-
15.
Deve-se presumir, com base no texto, que a razão do
mérito e a razão do voto devem ser consideradas, diante da
tomada de uma decisão,
sembleia geral da próxima sexta-feira, em que se decidirão
os rumos do nosso movimento reivindicatório.
(A)
complementares, pois em separado nenhuma delas
Respostas: 01-C / 02-B / 03-E / 04-D / 05-C / 06-E / 07-B
satisfaz o que exige uma situação dada.
/ 08-D / 09-B / 10-C / 11-B / 12-E / 13-B / 14-A / 15-E / 16-A
(B)
excludentes, já que numa votação não se leva em con-
/ 17-D / 18-A
ta nenhuma questão de mérito.
(C)
excludentes, já que a qualificação por mérito pressu-
Significação das Palavras
põe que toda votação é ilegítima.
(D)
conciliáveis, desde que as mesmas pessoas que votam
sejam as que decidam pelo mérito.
Quanto à significação, as palavras são divididas nas se-
guintes categorias:
(E)
independentes, visto que cada uma atende a necessi-
dades de bem distintas naturezas.
Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproxima-
do. Exemplo:
16.
Atente para as seguintes afirmações:
- Alfabeto, abecedário.
I. A argumentação do ministro, referida no primeiro pa-
rágrafo, é rebatida pelo autor do texto por ser falaciosa e
- Brado, grito, clamor.
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
escamotear os reais interesses de quem a formula.
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
10

LÍNGUA PORTUGUESA

Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinô- nimo pelo outro. Embora irmanados
Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinô-
nimo pelo outro. Embora irmanados pelo sentido comum,
os sinônimos diferenciam-se, entretanto, uns dos outros,
por matizes de significação e certas propriedades que o
escritor não pode desconhecer. Com efeito, estes têm sen-
tido mais amplo, aqueles, mais restrito (animal e quadrúpe-
de); uns são próprios da fala corrente, desataviada, vulgar,
outros, ao invés, pertencem à esfera da linguagem culta,
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e di-
ferentes na escrita.
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir).
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar).
Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato
de consertar).
-
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar).
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar).
literária, científica ou poética (orador e tribuno, oculista e
oftalmologista, cinzento e cinéreo).
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar).
- Censo (recenseamento) e senso (juízo).
A
contribuição Greco-latina é responsável pela existên-
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar).
cia, em nossa língua, de numerosos pares de sinônimos.
Exemplos:
- Paço (palácio) e passo (andar).
- Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo).
-
Adversário e antagonista.
-
-
Translúcido e diáfano.
Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cas-
sar = anular).
-
Semicírculo e hemiciclo.
Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e
sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo).
-
-
Contraveneno e antídoto.
-
Moral e ética.
-
Colóquio e diálogo.
-
Transformação e metamorfose.
Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pro-
núncia.
-
Oposição e antítese.
- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo).
- Cedo (verbo), cedo (advérbio).
O
fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinoní-
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir).
mia, palavra que também designa o emprego de sinônimos.
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar).
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
Antônimos: são palavras de significação oposta. Exemplos:
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir).
- Ordem e anarquia.
- Soberba e humildade.
- Louvar e censurar.
- Mal e bem.
A antonímia pode originar-se de um prefixo de senti-
do oposto ou negativo. Exemplos: Bendizer/maldizer, sim-
pático/antipático, progredir/regredir, concórdia/discórdia,
explícito/implícito, ativo/inativo, esperar/desesperar, co-
munista/anticomunista, simétrico/assimétrico, pré-nupcial/
pós-nupcial.
Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pro-
núncia: Coro e couro, cesta e sesta, eminente e iminente,
tetânico e titânico, atoar e atuar, degradar e degredar, céti-
co e séptico, prescrever e proscrever, descrição e discrição,
infligir (aplicar) e infringir (transgredir), osso e ouço, sede
(vontade de beber) e cede (verbo ceder), comprimento e
cumprimento, deferir (conceder, dar deferimento) e diferir
(ser diferente, divergir, adiar), ratificar (confirmar) e retifi-
car (tornar reto, corrigir), vultoso (volumoso, muito grande:
soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).
Homônimos: são palavras que têm a mesma pronún-
Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma signifi-
cia, e às vezes a mesma grafia, mas significação diferente.
Exemplos:
cação. A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia.
Exemplos:
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo).
-
Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar
- Aço (substantivo) e asso (verbo).
as plantas ou apagar incêndios; árvore frutífera; grande
curral de gado.
Só o contexto é que determina a significação dos ho-
mônimos. A homonímia pode ser causa de ambiguidade,
por isso é considerada uma deficiência dos idiomas.
- Pena: pluma, peça de metal para escrever; punição; dó.
- Velar: cobrir com véu, ocultar, vigiar, cuidar, relativo
O
que chama a atenção nos homônimos é o seu aspec-
to fônico (som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em:
Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e dife-
rentes no timbre ou na intensidade das vogais.
ao véu do palato.
Podemos citar ainda, como exemplos de palavras po-
lissêmicas, o verbo dar e os substantivos linha e ponto, que
têm dezenas de acepções.
- Rego (substantivo) e rego (verbo).
Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras po-
- Colher (verbo) e colher (substantivo).
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo).
dem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido fi-
gurado. Exemplos:
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo).
- Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
- Para (verbo parar) e para (preposição).
- Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
- Providência (substantivo) e providencia (verbo).
- As águas pingavam da torneira, (sentido próprio).
- Às (substantivo), às (contração) e as (artigo).
- As horas iam pingando lentamente, (sentido figurado).
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o).
11

LÍNGUA PORTUGUESA

Denotação e Conotação: Observe as palavras em des- taque nos seguintes exemplos: 07. O do
Denotação e Conotação: Observe as palavras em des-
taque nos seguintes exemplos:
07.
O
do prefeito foi
ontem.
a) mandado - caçado
- Comprei uma correntinha de ouro.
- Fulano nadava em ouro.
No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou desig-
na simplesmente o conhecido metal precioso, tem sentido
próprio, real, denotativo.
No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas,
poder, glória, luxo, ostentação; tem o sentido conotativo,
possui várias conotações (ideias associadas, sentimentos,
evocações que irradiam da palavra).
b) mandato - cassado
c) mandato - caçado
d) mandado - casçado
e) mandado - cassado
08.
Marque a alternativa cujas palavras preenchem cor-
retamente as respectivas lacunas, na frase seguinte: “Ne-
cessitando
o número do cartão do PIS,
a data de
meu nascimento.”
Exercícios
a) ratificar, proscrevi
b) prescrever, discriminei
01.
Estava
a
da guerra, pois os homens
nos
c) descriminar, retifiquei
erros do passado.
d) proscrever, prescrevi
a) eminente, deflagração, incidiram
e) retificar, ratifiquei
b) iminente, deflagração, reincidiram
c) eminente, conflagração, reincidiram
09. “A
científica do povo levou-o a
de feiticeiros
d) preste, conflaglação, incidiram
os
em astronomia.”
e) prestes, flagração, recindiram
a) insipiência tachar expertos
b) insipiência taxar expertos
c) incipiência taxar espertos
02.
“Durante a
solene era
o desinteresse do
d) incipiência tachar espertos
mestre diante da
demonstrada pelo político”.
e) insipiência taxar espertos
a) seção - fragrante - incipiência
b) sessão - flagrante - insipiência
c) sessão - fragrante - incipiência
10.
Na oração: Em sua vida, nunca teve muito
,
apre-
d) cessão - flagrante - incipiência
sentava-se sempre
no
de tarefas
As palavras
e) seção - flagrante - insipiência
adequadas para preenchimento das lacunas são:
a) censo - lasso - cumprimento - eminentes
03.
Na
plenária estudou-se a
de direitos territo-
b) senso - lasso - cumprimento - iminentes
riais a
c) senso - laço - comprimento - iminentes
a)
sessão - cessão - estrangeiros
d) senso - laço - cumprimento - eminentes
b)
seção - cessão - estrangeiros
e) censo - lasso - comprimento - iminentes
c)
secção - sessão - extrangeiros
d)
sessão - seção - estrangeiros
Respostas:
(01.B)(02.B)(03.A)(04.D)(05.B)(06.C)(07.B)
e)
seção - sessão - estrangeiros
(08.E)(09.A)(10.B)
04.
Há uma alternativa errada. Assinale-a:
Coesão
a)
A eminente autoridade acaba de concluir uma via-
gem política.
b) A catástrofe torna-se iminente.
c) Sua ascensão foi rápida.
d) Ascenderam o fogo rapidamente.
e) Reacendeu o fogo do entusiasmo.
05.
Há uma alternativa errada. Assinale-a:
a) cozer = cozinhar; coser = costurar
Uma das propriedades que distinguem um texto de
um amontoado de frases é a relação existente entre os ele-
mentos que os constituem. A coesão textual é a ligação,
a relação, a conexão entre palavras, expressões ou frases
do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que
servem para estabelecer vínculos entre os componentes do
texto. Observe:
b) imigrar = sair do país; emigrar = entrar no país
c) comprimento = medida; cumprimento = saudação
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum
de anotações, que segurava na mão.”
d) consertar = arrumar; concertar = harmonizar
e) chácara = sítio; xácara = verso
06.
Assinale o item em que a palavra destacada está
incorretamente aplicada:
a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes.
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece
conexão entre as duas orações. O iraquiano leu sua decla-
ração num bloquinho comum de anotações e segurava na
mão, retomando na segunda um dos termos da primeira:
b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros.
c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche.
d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever.
bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, e a
conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão.
Leia o texto que segue:
e) A cessão de terras compete ao Estado.
12
LÍNGUA PORTUGUESA Arroz-doce da infância “Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera
LÍNGUA PORTUGUESA
Arroz-doce da infância
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera
na cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.”
Ingredientes
O
pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.
1
litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem
1
pitada de sal
como um pensador cín iço e descrente do amor e da amizade.”
4
colheres (sopa) de açúcar
O
pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas;
1
colher (sobremesa) de canela em pó
o pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis.
Preparo
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada
de sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o
açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em
um recipiente, polvilhe a canela. Sirva.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4.
São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos tra-
jando roupa escura.”
O
numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desani-
mado com a fila.”
O
advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingre-
dientes e modo de preparar. As informações apresentadas na
primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes men-
cionados pela primeira vez na lista de ingredientes vêm prece-
didos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções,
a de indicar que o termo determinado por ele se refere ao
mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera menção.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se
adiciona o açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se
dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar, pois se
trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos
ingredientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: re-
tomada ou antecipação de palavras, expressões ou frases e
encadeamento de segmentos.
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos
funcionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço
aos servidores.”
A
forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai
inaugurar e seu complemento.
-
Em princípio, o termo a que o anafórico se refere deve es-
tar presente no texto, senão a coesão fica comprometida, como
neste exemplo:
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há
vários meses.”
A
rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um
anafórico, pois não está retomando nenhuma das palavras
citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica to-
talmente prejudicado: não há possibilidade de se depreen-
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra
gramatical
(pronome, verbos ou advérbios)
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há
total igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ga-
nham menos do que aqueles em cargos equivalentes.”
der o sentido desse pronome.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refi-
ra a nenhuma palavra citada anteriormente no interior do
texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos
típicos da cultura em que se inscreve o texto. É o caso de
um exemplo como este:
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” reto-
ma o termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a pala-
vra homens.
Os termos que servem para retomar outros são de-
nominados anafóricos; os que servem para anunciar, para
antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a
seguir, desta antecipa abandonar a faculdade no último ano:
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava
desesperado, porque eram 21 horas e ela não havia compa-
recido.”
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o prono-
me “ela” é um anafórico que só pode estar-se referindo à
palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo,
o
desespero só pode ser pelo atraso da noiva (representa-
da por “ela” no exemplo citado).
-
O artigo indefinido serve geralmente para introduzir
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no
último ano?”
São anafóricos ou catafóricos os pronomes demons-
informações novas ao texto. Quando elas forem retomadas,
deverão ser precedidas do artigo definido, pois este é que
tem a função de indicar que o termo por ele determinado
trativos, os pronomes relativos, certos advérbios ou locu-
ções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer,
é
idêntico, em termos de valor referencial, a um termo já
mencionado.
o
artigo definido, os pronomes pessoais de 3ª pessoa (ele,
o,
a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:
13

LÍNGUA PORTUGUESA

“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na
sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito di-
nheiro dentro, mas nem um documento sequer.”
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se
A
repetição do termo presidente estabelece a coesão
entre o último período e o que vem antes dele.
a
dois termos distintos, há uma ruptura de coesão, porque
ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja
escrito de tal forma que o leitor possa determinar exatamente
qual é a palavra retomada pelo anafórico.
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os as-
tros sempre o atraíram.
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo
astros, que recupera os hipônimos estrelas, planetas, satélites.
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por
causa da sua arrogância.”
O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra
ator quanto a diretor.
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que tra-
balha na mesma firma.”
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao ter-
mo amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico “que”
por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do
homem era regido por humores (fluidos orgânicos) que per-
corriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade
em nosso corpo. Eram quatro os humores: o sangue, a fleuma
(secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos
fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), ao Fogo (quente)
e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro pe-
ríodos se faz pela repetição da palavra humores; entre o ter-
Retomada por palavra lexical
(substantivo, adjetivo ou verbo)
ceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
É
preciso manejar com muito cuidado a repetição de
Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição,
quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipôni-
mo ou antonomásia.
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui
o
mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproximado:
injúria e afronta, alegre e contente.
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma
relação do tipo contém/está contido;
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma
relação do tipo está contido/contém. O significado do termo
rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois
toda rosa é uma flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é,
pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
Antonomásia é a substituição de um nome próprio por
um nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ocor-
re, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada
por uma característica notória ou quando o nome próprio de
uma personagem famosa é usada para designar outras pes-
soas que possuam a mesma característica que a distingue:
palavras, pois, se ela não for usada para criar um efeito de
sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo.
No trecho transcrito a seguir, por exemplo, fica claro o uso
da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes,
vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a
condição secundária que um provável flamenguista atribui
ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de pia-
das sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me
provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um fla-
menguista.”
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-pre-
sidente do clube, vice-campeão carioca e bi vice-campeão
mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Ca-
rioca de basquete, no Brasileiro de basquete e na Taça Gua-
nabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem.
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000,
p. 4-7.
A
elipse é o apagamento de um segmento de frase que
“O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.”
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa
recente minissérie de tevê.”
Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver
lutado pela liberdade na Europa e na América.
pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Também cons-
titui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um
termo que seria repetido, e o preenchimento do vazio dei-
xado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamen-
te, que se faça correlação com outros termos presentes no
contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a fala.
“Ele é um hércules (=um homem muito forte).
Referência à força física que caracteriza o herói grego
Hércules.
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de
Machado de Assis:
“Um presidente da República tem uma agenda de traba-
lho extremamente carregada. Deve receber ministros, embai-
xadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo
momento tomar graves decisões que afetam a vida de muitas
pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do
dia e terminar sua jornada altas horas da noite.”
( )
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979,
v.III, p. 151.
14

LÍNGUA PORTUGUESA

Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes
daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica suben-
tendido, é omitido por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja
que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidi-
do (ou apagado) antes de sentiu e parou:
-
Gradação: há operadores que marcam uma grada-
ção numa série de argumentos orientados para uma mes-
ma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que
indicam o argumento mais forte de uma série: até, mesmo,
até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala
com argumentos mais fortes: ao menos, pelo menos, no mí-
nimo, no máximo, quando muito.
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada
no peito e parou.”
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No
exemplo que segue, aquela promoção é complemento tan-
to de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas
depois do segundo verbo:
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é
bem articulado, conhece bem o assunto de que fala e é até
sedutor.”
Toda a série de qualidades está orientada no sentido
de comprovar que ele é bom conferencista; dentro dessa
série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte.
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido.
Afinal, queria muito, desejava ardentemente aquela promoção.”
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos
que têm regência diferente, a coesão é rompida. Por exem-
plo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois
o
verbo conhecer rege complemento não introduzido por
preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, por-
tanto teríamos uma preposição indevida: “Conheço (deste
livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó
os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento
em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo verbo
implicar.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável
“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho.
Chegará a ser pelo menos diretor da empresa.”
Pelo menos introduz um argumento orientado no mes-
mo sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de
trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos
mais fortes para comprovar que ele tem as qualidades re-
queridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente
da empresa) e que se está usando o menos forte; ao me-
nos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor
positivo.
colocar o complemento junto ao primeiro verbo, respei-
tando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um
anafórico, acrescentando a preposição devida (Conheço
este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico
com estranhos palpiteiros e os dispenso sem dó).
é
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o
segundo grau.”
No máximo introduz um argumento orientado no mes-
mo sentido de ter muita dificuldade de aprender; supõe
que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma
faculdade) e que se está usando o argumento menos for-
te da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no
máximo e quando muito estabelecem ligação entre argu-
mentos de valor depreciativo.
Coesão por Conexão
-
Conjunção Argumentativa: há operadores que as-
Há na língua uma série de palavras ou locuções que
são responsáveis pela concatenação ou relação entre seg-
mentos do texto. Esses elementos denominam-se conecto-
res ou operadores discursivos. Por exemplo: visto que, até,
ora, no entanto, contudo, ou seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do
texto: estabelecem entre elas relações semânticas de di-
versos tipos, como contrariedade, causa, consequência,
condição, conclusão, etc. Essas relações exercem função
argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos
não podem ser usados indiscriminadamente.
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não
alcançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está
adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com
orientação argumentativa contrária.
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o
resultado seria um paradoxo semântico, pois esse operador
discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação
argumentativa, sendo o segmento introduzido por ele a
conclusão do anterior.
sinalam uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um
conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada
conclusão: e, também, ainda, nem, não só
mas também,
tanto
como, além de, a par de.
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o
diretor da escola, é muito respeitado pelos funcionários e
também é muito querido pelos alunos.”
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o
interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. O último
deles é introduzido por “e também”, que indica um argu-
mento final na mesma direção argumentativa dos prece-
dentes.
Esses operadores introduzem novos argumentos; não
significam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já
foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores
de conjunção segmentos que representam uma progres-
são discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que
o assaltaram e continuou seu discurso”, porque o segundo
segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não
teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois
segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram
e escondeu o choro que tomou conta dele”.
15

LÍNGUA PORTUGUESA

- Disjunção Argumentativa: há também operadores “ Qualquer atleta do time principal é tão bom
-
Disjunção Argumentativa: há também operadores
Qualquer
atleta do time principal é tão bom quanto
que indicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem
uma conexão entre segmentos que levam a conclusões
opostas, que têm orientação argumentativa diferente: ou,
ou então, quer
quer, seja
seja, caso contrário, ao contrário.
os das divisões de base.”
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade
da promoção, pois ele estaria declarando que os atletas do
time principal são tão bons quanto os das divisões de base.
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar
a briga, para que ele não apanhasse.”
-
Explicação ou Justificativa: há operadores que in-
O
argumento introduzido por ao contrário é diame-
troduzem uma explicação ou uma justificativa em relação
ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.
tralmente oposto àquele de que o falante teria agredido
alguém.
-
Conclusão: existem operadores que marcam uma
conclusão em relação ao que foi dito em dois ou mais
enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações
de que decorre a conclusão fica implícita, por manifestar
uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo,
portanto, por conseguinte, pois (o pois é conclusivo quando
não encabeça a oração).
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem au-
torização da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da
guerra.”
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa
para a tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos
com o custo da guerra contra o Iraque.
-
Contrajunção: os operadores discursivos que assina-
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao
controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte,
não é moralmente defensável.”
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à
afirmação exposta no primeiro período.
- Comparação: outros importantes operadores discur-
sivos são os que estabelecem uma comparação de igual-
dade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos,
com vistas a uma conclusão contrária ou favorável a certa
lam uma relação de contrajunção, isto é, que ligam enuncia-
dos com orientação argumentativa contrária, são as conjun-
ções adversativas (mas, contudo, todavia, no entanto, entre-
tanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de
que, conquanto, ainda que, posto que, se bem que).
Qual é a diferença entre as adversativas e as conces-
sivas, se tanto umas como outras ligam enunciados com
orientação argumentativa contrária?
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento
introduzido pela conjunção.
ideia: tanto
quanto, tão
como, mais
(do) que.
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais gra-
ves quanto maior for a corrupção entre os agentes peniten-
ciários.”
O
comparativo de igualdade tem no texto uma função
argumentativa: mostrar que o problema da fuga de presos
cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agen-
tes penitenciários; por isso, os segmentos podem até ser
permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do
ponto de vista argumentativo, pois não há igualdade argu-
mentativa proposta, “Tanto maior será a corrupção entre os
agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da
fuga de presos”.
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a con-
clusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diá-
logo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de
futebol:
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levan-
ta mais decidido a vencer.”
Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclu-
são negativa sobre um processo ocorrido com o atleta,
enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma
conclusão positiva. Essa segunda orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é
bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primei-
ro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplanta-
da pela falta de beleza; no segundo, que a falta de beleza
perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as
conjunções adversativas, introduz-se um argumento com
vistas a determinada conclusão, para, em seguida, apresen-
tar um argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argu-
mentativa que predomina é a do segmento não introduzi-
do pela conjunção.
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gra-
mática, trata-se de capacidades diferentes.”
Precisamos
promover atletas das divisões de base
A
oração iniciada por “embora” apresenta uma orien-
para reforçar nosso time.
Qualquer
atleta das divisões de base é tão bom quan-
to os do time principal.”
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da pro-
moção, pois ele declara que qualquer atleta das divisões de
base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time princi-
pal, o que significa que estes não primam exatamente pela
excelência em relação aos outros.
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os
segmentos na sua fala:
tação argumentativa no sentido de que saber escrever e
saber gramática são duas coisas interligadas; a oração prin-
cipal conduz à direção argumentativa contrária.
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estraté-
gia argumentativa é a de introduzir no texto um argumento
que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro
mais forte com orientação contrária.
A
diferença entre as adversativas e as concessivas, por-
tanto, é de estratégia argumentativa. Compare os seguin-
tes períodos:
16

LÍNGUA PORTUGUESA

“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-se
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação
(argumento mais fraco), a realidade mostrou-se mais com-
plexa (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação (argu-
mento mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais com-
plexa (argumento mais forte).”
-
Retificação ou Correção: há ainda os que indicam
uma retificação, uma correção do que foi afirmado antes:
ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer
dizer, ou seja, em outras palavras. Exemplo:
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou
passar a viver junto com minha namorada.”
-
Argumento Decisivo: há operadores discursivos que
O
conector inicia um segmento que retifica o que foi
introduzem um argumento decisivo para derrubar a argu-
mentação contrária, mas apresentando-o como se fosse
um acréscimo, como se fosse apenas algo mais numa sé-
rie argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso,
ademais.
dito antes.
Esses operadores servem também para marcar um
esclarecimento, um desenvolvimento, uma redefinição do
conteúdo enunciado anteriormente. Exemplo:
“Ele está num período muito bom da vida: começou a
namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empre-
sa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo
e, além disso, ganhou uma bolada na loteria.”
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros
nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interes-
ses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os
da saúde.”
O
conector introduz um esclarecimento sobre o que
O
operador discursivo introduz o que se considera a
prova mais forte de que “Ele está num período muito bom
da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se
fosse apenas mais uma.
foi dito antes.
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um re-
forço do conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:
-
Generalização ou Amplificação: existem operado-
res que assinalam uma generalização ou uma amplificação
do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, tam-
bém, é verdade que.
“Quando a atual oposição estava no comando do país,
não fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário,
suas políticas iam na direção contrária do que prega atual-
mente.
O
conector introduz um argumento que reforça o que foi
“O problema da erradicação da pobreza passa pela ge-
ração de empregos. De fato, só o crescimento econômico
leva ao aumento de renda da população.”
dito antes.
-
Explicação: há operadores que desencadeiam uma
explicação, uma confirmação, uma ilustração do que foi
afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
O
conector introduz uma amplificação do que foi dito
antes.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto
se processavam as negociações, atacou de surpresa.”
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os
que atualmente militam no nosso futebol.
O
operador introduz uma confirmação do que foi afir-
O
conector introduz uma generalização ao que foi afir-
mado antes.
mado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol são
retranqueiros.
Coesão por Justaposição
-
Especificação ou Exemplificação: também há ope-
radores que marcam uma especificação ou uma exempli-
ficação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo,
como.
É a coesão que se estabelece com base na sequência
dos enunciados, marcada ou não com sequenciadores.
Examinemos os principais sequenciadores.
-
Sequenciadores Temporais: são os indicadores de
“A violência não é um fenômeno que está dissemina -
do apenas entre as camadas mais pobres da população. Por
exemplo, é crescente o número de jovens da classe média
que estão envolvidos em toda sorte de delitos, dos menos
aos mais graves.”
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica,
exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenô-
meno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da
população”.
anterioridade, concomitância ou posterioridade: dois meses
depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são
utilizados predominantemente nas narrações).
“Uma semana antes de ser internado gravemente
doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos
para o futuro.”
-
Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de po-
sição relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc.
(são usados principalmente nas descrições).
17

LÍNGUA PORTUGUESA

“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, repre- sentando o amor e a castidade,
“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, repre-
sentando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval de
forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins
-
que apoiariam a campanha de combate à fome (oração
subordinada substantiva objetiva direta da segunda oração)
-
que foi lançada pelo governo federal (oração subordina-
de cassa finíssima. (
)
Do outro lado, há uma lareira, não de
da
adjetiva restritiva da terceira oração).
fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na
maior força do inverno.”
José de Alencar. Senhora.
São Paulo, FTD, 1992, p. 77.
-
Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a or-
dem dos assuntos numa exposição: primeiramente, em segun-
da, a seguir, finalmente, etc.
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das
agruras por que passam as populações civis; em seguida, discor-
rerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente,
exporei suas consequências para a economia mundial e, portanto,
para a vida cotidiana de todos os habitantes do planeta.”
Observe-se que falta o predicado da primeira oração.
Quem escreveu o período começou a encadear orações su-
bordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em perío-
dos longos. No entanto, mesmo quando se elaboram períodos
curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente comple-
tos e para que suas partes estejam bem conectadas entre si.
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não
basta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade de
sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não
passarão de um amontoado injustificado. Exemplo:
-
Sequenciadores para Introdução: são os que, na con-
“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelen-
tes restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também o Rio
de Janeiro tem favelas.”
versação principalmente, servem para introduzir um tema ou
mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao
assunto, fazendo um parêntese, etc.
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma
o substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação entre o
segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pes-
soas. A propósito, era um homem que sabia agradar às mulheres.”
a palavra cidade, vinculando o terceiro ao segundo período.
O
operador também realiza uma conjunção argumentativa,
-
Operadores discursivos não explicitados: se o texto
for construído sem marcadores de sequenciação, o leitor de-
verá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores
discursivos não explicitados na superfície textual. Nesses ca-
sos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados,
na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula,
ponto-e-vírgula, dois-pontos.
relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse
conjunto não é um texto, pois não apresenta unidade de sen-
tido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição
necessária, mas não suficiente, para produzir um texto.
Coerência
Infância
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da
fidelidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus in-
teresses e não de acordo com um programa partidário. Assim,
não há bases governamentais sólidas.”
O
camisolão
O jarro
O
passarinho
O
oceano
A
vista na casa que a gente sentava no sofá
Esse texto contém três períodos. O segundo indica a cau-
sa de a reforma política ser indispensável. Portanto o ponto-
final do primeiro período está no lugar de um porque.
Adolescência
A
língua tem um grande número de conectores e se-
Aquele amor
Nem me fale
quenciadores. Apresentamos os principais e explicamos sua
função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mos-
tramos que o uso inadequado dos conectores e a utilização
inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na
coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a
não ter o sentido desejado. Outra falha comum no que tange
a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do
período. Analisemos este exemplo:
Maturidade
O
Sr. e a Sra. Amadeu
Participam a V. Exa.
O
feliz nascimento
De sua filha
Gilberta
Velhice
“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha
de combate à fome que foi lançada pelo governo federal.”
O
período compõe-se de:
-
As empresas
que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva
da primeira oração)
-
O netinho jogou os óculos
Na latrina
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas.
4ª Ed. Rio de Janeiro
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161.
18

LÍNGUA PORTUGUESA

Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao me- nos à primeira vista,
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao me-
nos à primeira vista, seja a ausência de elementos de coesão,
quer retomando o que foi dito antes, quer encadeando seg-
mentos textuais. No entanto, percebemos nele um sentido
unitário, sobretudo se soubermos que o seu título é “As qua-
tro gares”, ou seja, as quatro estações.
Com essa informação, podemos imaginar que se trata
de flashes de cada uma das quatro grandes fases da vida: a
infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. A primeira
é
caracterizada pelas descobertas (o oceano), por ações (o
jarro, que certamente a criança quebrara; o passarinho que
ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que se per-
cebia na sala apropriada e o camisolão que se usava para
dormir); a segunda é caracterizada por amores perdidos, de
que não se quer mais falar; a terceira, pela formalidade e pela
responsabilidade indicadas pela participação formal do nas-
cimento da filha; a última, pela condescendência para com a
traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a ação).
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo,
o mais rico sempre é quem vence!
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira
(orgs).
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987,
p. 53.
Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção;
adolescência e escolha profissional; relações sociais sob o
capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si.
Esse fato, prejudicando a continuidade semântica entre as
partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura
um texto incoerente.
Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que
o compõem, e, por isso, costuma-se falar em vários níveis
de coerência.
Coerência Narrativa
A
primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, uma
A
coerência narrativa consiste no respeito às implica-
frase em que falta um nexo sintático; a terceira, a participação
do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração comple-
ta, porém aparentemente desgarrada das demais.
Como se explica que sejamos capazes de entender esse
poema em seus múltiplos sentidos, apesar da falta de marca-
dores de coesão entre as partes?
A
explicação está no fato de que ele tem uma qualidade
indispensável para a existência de um texto: a coerência.
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se
estabelece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a com-
preender a outra, produzindo um sentido global, à luz do
qual cada uma das partes ganha sentido. No poema acima,
os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” e “Ve-
lhice” garantem essa unidade. Colocar a participação formal
do nascimento da filha, por exemplo, sob o título “Maturida-
de” dá a conotação da responsabilidade habitualmente asso-
ciada ao indivíduo adulto e cria um sentido unitário.
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que
um conjunto de enunciados pode formar um todo coerente
mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo
sem a presença explícita de marcadores de relação entre as
diferentes unidades linguísticas. Em outros termos, a coesão
funciona apenas como um mecanismo auxiliar na produção
da unidade de sentido, pois esta depende, na verdade, das
relações subjacentes ao texto, da não-contradição entre as
ções lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para
que um sujeito realize uma ação, é preciso que ele tenha
competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efe-
tuá-la. Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte
exemplo: o narrador conta que foi a uma festa onde to-
dos fumavam e, por isso, a espessa fumaça impedia que se
visse qualquer coisa; de repente, sem mencionar nenhuma
mudança dessa situação, ele diz que se encostou a uma
coluna e passou a observar as pessoas, que eram ruivas,
loiras, morenas. Se o narrador diz que não podia enxer-
gar nada, é incoerente dizer que via as pessoas com tanta
nitidez. Em outros termos, se nega a competência para a
realização de um desempenho qualquer, esse desempenho
não pode ocorrer. Isso por respeito às leis da coerência nar-
rativa. Observe outro exemplo:
“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná
Clube, entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. O Pa-
raná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Campi-
nas, alguns dias antes. O repórter queria saber o que tinha
acontecido. Edinho não teve dúvida sobre os motivos:
Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo
ataque do Guarani.”
Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina.
partes, da continuidade semântica, em síntese, da coerência.
A
surpresa implica o inesperado. Não se pode ser sur-
A
coerência é um fator de interpretabilidade do texto,
preendido com o que já se esperava que acontecesse.
pois possibilita que todas as suas partes sejam engloba-
das num único significado que explique cada uma delas.
Quando esse sentido não pode ser alcançado por faltar re-
Coerência Argumentativa
lação de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente,
como este:
A
coerência argumentativa diz respeito às relações de
A
todo ser humano foi dado o direito de opção entre a
mediocridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de
uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
A
adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam.
De repente vejo que não sou mais uma “criancinha” depen-
dente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que
escolher uma profissão para me realizar e ser independente
financeiramente.
implicação ou de adequação entre premissas e conclusões
ou entre afirmações e consequências. Não é possível al-
guém dizer que é a favor da pena de morte porque é con-
tra tirar a vida de alguém. Da mesma forma, é incoerente
defender o respeito à lei e à Constituição Brasileira e ser
favorável à execução de assaltantes no interior de prisões.
Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às
premissas. Não há coerência, por exemplo, num raciocínio
como este:
19

LÍNGUA PORTUGUESA

Há muitos servidores públicos no Brasil que são verda- deiros marajás. Coerência do Nível de
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verda-
deiros marajás.
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado
O
candidato a governador é funcionário público.
A
coerência do nível de linguagem utilizado é aquela
Portanto o candidato é um marajá.
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode con-
cluir nada com certeza baseado em duas premissas parti-
culares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás
não permite concluir que qualquer um seja.
A
falta de relação entre o que se diz e o que foi dito
anteriormente também constitui incoerência. É o que se vê
neste diálogo:
que concerne à compatibilidade do léxico e das estruturas
morfossintáticas com a variante escolhida numa dada situa-
ção de comunicação. Ocorre incoerência relacionada ao ní-
vel de linguagem quando, por exemplo, o enunciador utiliza
um termo chulo ou pertencente à linguagem informal num
texto caracterizado pela norma culta formal. Tanto sabemos
que isso não é permitido que, quando o fazemos, acrescen-
tamos uma ressalva: com perdão da palavra, se me permi-
tem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível:
Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento
de pedágio para circular no centro da cidade?
É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes
cidades. A degradação urbana atinge a todos nós e, por con-
seguinte, é necessário reabilitar as áreas que contam com
abundante oferta de serviços públicos.”
Coerência Figurativa
“Tendo recebido a notificação para pagamento da cha-
mada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, senhora prefeita,
para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida,
porque o IPTU foi aumentado, no governo anterior, de 0,6%
para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as
despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destina-
ção dos resíduos sólidos produzidos pelos moradores de nossa
cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta armação da
Prefeitura: jogar mais um gasto nas costas da gente.”
A
coerência figurativa refere-se à compatibilidade das
figuras que manifestam determinado tema. Para que o lei-
tor possa perceber o tema que está sendo veiculado por
uma série de figuras encadeadas, estas precisam ser com-
patíveis umas com as outras. Seria estranho (para dizer o
mínimo) que alguém, ao descrever um jantar oferecido no
palácio do Itamarati a um governador estrangeiro, depois
de falar de baixela de prata, porcelana finíssima, flores, can-
delabros, toalhas de renda, incluísse no percurso figurativo
guardanapos de papel.
Como se vê, o léxico usado no último período do texto
destoa completamente do utilizado no período anterior.
Ninguém há de negar a incoerência de um texto como
Coerência Temporal
este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º andar e deixou
um bilhete no parapeito explicando a razão de seu suicí-
dio, em que há evidente violação da lei sucessivamente dos
eventos. Entretanto talvez nem todo mundo concorde que
seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar do
Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, al-
guém poderia objetivar que é preconceito considerá-los
inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal,
determina se um texto é ou não coerente?
A
natureza da coerência está relacionada a dois concei-
Por coerência temporal entende-se aquela que concer-
ne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enun-
ciados do ponto de vista de sua localização no tempo. Não
se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi executado
na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.
tos básicos de verdade: adequação à realidade e conformi-
dade lógica entre os enunciados.
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: nar-
rativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada nível, temos
duas espécies diversas de coerência:
-
extratextual: aquela que diz respeito à adequação
Coerência Espacial
entre o texto e uma “realidade” exterior a ele.
-
intratextual: aquela que diz respeito à compatibili-
A
coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos
enunciados do ponto de vista da localização no espaço.
Seria incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A
Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um homem
que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a di-
versidade da vida na capital, pois aqui já não suportava mais
a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no interior, o enunciador
dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de
algum lugar distante do interior; portanto ele não poderia
usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o tédio”
que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em
síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o mes-
mo lugar.
dade, à adequação, à não-contradição entre os enunciados
do texto.
A
exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajus-
tar-se pode ser:
-
o conhecimento do mundo: o conjunto de dados
referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao con-
teúdo das ciências, etc. que constitui o repertório com que
se produzem e se entendem textos. O período “O homem
olhou através das paredes e viu onde os bandidos escon-
diam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente,
pois nosso conhecimento do mundo diz que homens não
vêem através das paredes. Temos, então, uma incoerência
figurativa extratextual.
20

LÍNGUA PORTUGUESA

- os mecanismos semânticos e gramaticais da lín- gua: o conjunto dos conhecimentos sobre o
- os mecanismos semânticos e gramaticais da lín-
gua: o conjunto dos conhecimentos sobre o código lin-
guístico necessário à codificação de mensagens decodifi-
cáveis por outros usuários da mesma língua. O texto se-
guinte, por exemplo, está absolutamente sem sentido por
inobservância de mecanismos desse tipo:
-
A situação de comunicação:
A
telefônica.
Era
hoje?
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma
carreira universitária informações críticas a respeito da
Esse diálogo não seria compreendido fora da situação
de interlocução, porque deixa implícitos certos enunciados
que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:
realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos
métodos criativos nos ensinos de primeiro e segundo grau:
estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as
quais, serão a praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão
associadas a testes vocacionais sérios de maneira discursiva
O empregado da companhia telefônica que vinha
consertar o telefone está aí.
Era hoje que ele viria?
a
analisar conceituações fundamentais.”
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.
-
O conhecimento de mundo:
Fatores de Coerência
31 de março / 1º de abril
Dúvida Revolucionária
- O contexto: para uma dada unidade linguística, fun-
ciona como contexto a unidade linguística maior que ela:
a
sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba;
Ontem foi hoje?
Ou hoje é que foi ontem?
a
oração, para a palavra; o período, para a oração; o texto,
para o período, e assim por diante.
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Na-
Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema:
o
poli, cruzar a Ipiranga com a avenida São João, o “Parmera”,
que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”.
No entanto, as duas datas colocadas no início do poema
o
“Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.”
e
o título remetem a um episódio da História do Brasil, o
À
primeira vista, parece não haver nenhuma coerência
na enumeração desses elementos. Quando ficamos saben-
do, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado
“100 motivos para gostar de São Paulo”, o que aparente-
mente era caótico torna-se coerente:
golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse
fato deve fazer parte de nosso conhecimento de mundo,
assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril,
mas sua comemoração foi mudada para 31 de março, para
evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.
-
As regras do gênero:
100 motivos para gostar de São Paulo
1.
Um chopps
2.
E dois pastel
“O homem olhou através das paredes e viu onde os ban-
didos escondiam a vítima que havia sido sequestrada.”
(
)
5.
O polpettone do Jardim de Napoli
(
)
30.
Cruzar a Ipiranga com a av. São João
(
)
43.
O “Parmera”
(
)
45.
O “Curíntia”
( )
59.
Todo mundo estar usando cinto de segurança
(
)
O
texto apresenta os traços culturais da cidade, e to-
dos convergem para um único significado: a celebração da
capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois
primeiros itens de nosso exemplo referem-se a marcas lin-
guísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tor-
nou conhecido o restaurante chamado Jardim de Napoli; o
quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais
populares da cidade são denominados na variante linguís-
tica popular; o último à obediência a uma lei que na época
ainda não vigorava no resto do país.
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é
completamente coerente no mundo criado pelas histórias
de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo,
tem força praticamente ilimitada; pode voar no espaço a
uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa ve-
locidade, vence a barreira do tempo e pode transferir-se
para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver
através de qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc.
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que
efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar, etc.: ele inclui
também os mundos criados pela linguagem nos diferentes
gêneros de texto, ficção científica, contos maravilhosos,
mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras lógicas.
Assim, o que é incoerente num determinado gênero não o
é, necessariamente, em outro.
21

LÍNGUA PORTUGUESA

- O sentido não literal: “As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a qualquer
- O sentido não literal:
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir
a
qualquer momento.”
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo,
pois, nessa acepção, o termo ideias não pode ser qualificado
por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao
mesmo tempo, as qualidades verde e incolor; o verbo dormir
deve ter como sujeito um substantivo animado.
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido não
literal, como concepções ambientalistas, o período pode ser
lido da seguinte maneira: “As idéias ambientalistas sem atrativo
estão latentes, mas poderão manifestar-se a qualquer momento.”
- O intertexto:
Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro
dirigido por Penny Marshall em 1988, com Tom Hanks) e “Um
convidado bem trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968,
com Peter Sellers), há cenas em que os respectivos protago-
nistas exibem comportamento incompatível com a ocasião,
mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo converge
para que o espectador se solidarize com eles, por sua ingenui-
dade e falta de traquejo social. Mas, se aparece num texto uma
figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza
de que se trata de uma quebra de coerência proposital, com
vistas a criar determinado efeito de sentido, vai pensar que se
trata de contradição devida a inabilidade, descuido ou igno-
rância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da in-
versão da realidade seu princípio constitutivo; da incoerência,
um fator de coerência. São exemplos as obras de Lewis Car-
rol “Alice no país das maravilhas” e “Através do espelho”, que
pretendem apresentar paradoxos de sentido, subverter o prin-
cípio da realidade, mostrar as aporias da lógica, confrontar a
lógica do senso comum com outras.
a chuva me deixa triste
a mim me deixa molhado.
José Paulo Paes. Op. Cit., p 79.
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que con-
tém mais de um exemplo do que foi abordado:
Muitos textos retomam outros, constroem-se com base
Teresa
em outros e, por isso, só ganham coerência nessa relação com
o
texto sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de
intertextualidade. É o caso desse poema. Para compreendê-lo,
A
primeira vez que vi Teresa
é
preciso saber que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
poeta Fernando Pessoa; que heterônimo não é pseudônimo,
mas uma individualidade lírica distinta da do autor (o ortô-
nimo); que para Caeiro o real é a exterioridade e não deve-
mos acrescentar-lhe impressões subjetivas; que sua posição é
antimetafísica; que não devemos interpretar a realidade pela
inteligência, pois essa interpretação conduz a simples concei-
tos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de Caeiro. Por
outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando Pessoa
ele mesmo) exprime suas emoções, falando da solidão interior,
do tédio, etc.
Quando vi Teresa de novo
Achei que seus olhos eram muito mais velhos
[que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
[que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E
o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face
[das águas.
Incoerência Proposital
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1986, p. 214.
Existem textos em que há uma quebra proposital da coe-
rência, com vistas a produzir determinado efeito de sentido,
assim como existem outros que fazem da não-coerência o
próprio princípio constitutivo da produção de sentido. Poderia
alguém perguntar, então, se realmente existe texto incoerente.
Sem dúvida existe: é aquele em que a incoerência é produzida
involuntariamente, por inabilidade, descuido ou ignorância do
enunciador, e não usada funcionalmente para construir certo
sentido.
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador
dissemina pistas no texto, para que o leitor perceba que ela
faz parte de um programa intencionalmente direcionado para
veicular determinado tema. Se, por exemplo, num texto que
mostra uma festa muito luxuosa, aparecem figuras como pes-
soas comendo de boca aberta, falando em voz muito alta e em
linguagem chula, ostentando sua últimas aquisições, o enuncia-
dor certamente não está querendo manifestar o tema do luxo,
do requinte, mas o da vulgaridade dos novos-ricos. Para ficar
no exemplo da festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big,
Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no
mínimo, que nosso conhecimento de mundo inclua o poema:
O Adeus de Teresa
A primeira vez que fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A
valsa nos levou nos giros seus
Castro Alves
Para identificarmos a relação de intertextualidade entre
eles; que tenhamos noção da crítica do Modernismo às esco-
las literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, em que ne-
nhuma musa seria tratada com tanta cerimônia e muito menos
teria “cara”; que façamos uma leitura não literal; que perceba-
mos sua lógica interna, criada pela disseminação proposital de
elementos que pareceriam absurdos em outro contexto.
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LÍNGUA PORTUGUESA

Figuras de Estilo Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer figuras de linguagem está no
Figuras de Estilo
Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer
figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimen-
to, além de auxiliar a compreender melhor os textos literá-
rios, deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao
significado simbólico das palavras e dos textos.
Definição: Figuras de linguagem são certos recursos
não--convencionais que o falante ou escritor cria para dar
maior expressividade à sua mensagem.
- o efeito pela causa.
Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substi-
tui o trabalho)
Perífrase
É
a designação de um ser através de alguma de suas
características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.
A
Veneza Brasileira também é palco de grandes espetá-
culos. (Veneza Brasileira = Recife)
A
Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Ci-
dade Maravilhosa = Rio de Janeiro)
Metáfora
É
o emprego de uma palavra com o significado de ou-
tra em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É
uma comparação subentendida.
Minha boca é um túmulo.
Essa rua é um verdadeiro deserto.
Antítese
Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
Nada com Deus é tudo.
Tudo sem Deus é nada.
Comparação
Consiste em atribuir características de um ser a outro,
em virtude de uma determinada semelhança.
Eufemismo
Consiste em suavizar palavras ou expressões que são
desagradáveis.
Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu
O
meu coração está igual a um céu cinzento.
=
O
carro dele é rápido como um avião.
morrer)
Os homens públicos envergonham o povo. (homens pú-
blicos = políticos)
Prosopopeia
uma figura de linguagem que atribui características
humanas a seres inanimados. Também podemos chamá-la
de PERSONIFICAÇÃO.
É
Hipérbole
É
O
céu está mostrando sua face mais bela.
O
cão mostrou grande sisudez.
um exagero intencional com a finalidade de tornar
mais expressiva a ideia.
Ela chorou rios de lágrimas.
Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.
Sinestesia
Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes
(mistura dos cinco sentidos).
Raquel tem um olhar frio, desesperador.
Aquela criança tem um olhar tão doce.
Ironia
Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos
contrário do que pensamos.
Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Se você gritar mais alto, eu agradeço.
Onomatopeia
Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz na-
tural dos seres.
Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.
Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite
toda.
o
Catacrese
o emprego de uma palavra no sentido figurado por
falta de um termo próprio.
É
O menino quebrou o braço da cadeira.
A manga da camisa rasgou.
Metonímia
É a substituição de uma palavra por outra, quando
existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos
Aliteração
Consiste na repetição de um determinado som conso-
nantal no início ou interior das palavras.
que permite essa troca. Ocorre metonímia quando empre-
gamos:
O
rato roeu a roupa do rei de Roma.
- O autor pela obra.
Li
Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)
-
o continente pelo conteúdo.
O
ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo
Elipse
Consiste na omissão de um termo que fica subentendi-
do no contexto, identificado facilmente.
Após a queda, nenhuma fratura.
os torcedores)
-
a parte pelo todo.
Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto substitui
casa)
Zeugma
Consiste na omissão de um termo já empregado ante-
riormente.
Ele come carne, eu verduras.
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LÍNGUA PORTUGUESA

Pleonasmo Consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado. Nós
Pleonasmo
Consiste na intensificação de um termo através da sua
repetição, reforçando seu significado.
Nós cantamos um canto glorioso.
São oito as figuras de pensamento:
1) Antítese
É
a aproximação de palavras ou expressões de sentidos
Polissíndeto
É a repetição da conjunção entre as orações de um pe-
ríodo ou entre os termos da oração.
Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para
dançar.
opostos. O contraste que se estabelece serve para dar uma
ênfase aos conceitos envolvidos, o que não ocorreria com a
exposição isolada dos mesmos. Exemplos:
Viverei para sempre ou morrerei tentando.
Do riso se fez o pranto.
Hoje fez sol, ontem, porém, choveu muito.
2) Apóstrofe
Assíndeto
Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas
orações.
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos
para dançar.
É
assim denominado o chamamento do receptor da
mensagem, seja ele de natureza imaginária ou não. É utilizada
para dar ênfase à expressão e realiza-se por meio do vocativo.
Exemplos:
Anacoluto
Consiste numa mudança repentina da construção sin-
tática da frase.
Ele, nada podia assustá-lo.
- Nota: o anacoluto ocorre com frequência na lingua-
gem falada, quando o falante interrompe a frase, abando-
nando o que havia dito para reconstruí-la novamente.
Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?
Pai Nosso, que estais no céu;
Ó meu querido Santo António;
3) Paradoxo
É uma proposição aparentemente absurda, resultante da
união de ideias que se contradizem referindo-se ao mesmo
termo. Os paradoxos viciosos são denominados Oxímoros (ou
oximoron). Exemplos:
“Menino do Rio / Calor que provoca arrepio
Anáfora
Consiste na repetição de uma palavra ou expressão
para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior ex-
pressividade.
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fer-
nando Pessoa)
“Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não
se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desa-
tina sem doer;” (Camões)
4) Eufemismo
Consiste em empregar uma expressão mais suave, mais
nobre ou menos agressiva, para atenuar uma verdade tida
como penosa, desagradável ou chocante. Exemplos:
“E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir Deus lhe
pague”. (Chico Buarque).
paz derradeira = morte
Silepse
Ocorre quando a concordância é realizada com a ideia
e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse:
5) Gradação
gênero, número e pessoa.
Na gradação temos uma sequência de palavras que in-
tensificam a mesma ideia. Exemplo:
-
De gênero: Vossa excelência está preocupado com as
“Aqui
além
mais longe por onde eu movo o passo.” (Cas-
notícias. (a palavra vossa excelência é feminina quanto à
forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a
pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não
com o sujeito).
tro Alves).
6) Hipérbole
É
a expressão intencionalmente exagerada com o intuito
-
De número: A boiada ficou furiosa com o peão e der-
rubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a
ideia de plural da palavra boiada).
- De pessoa: As mulheres decidimos não votar em de-
terminado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo
de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os partici-
pantes de um sujeito em 3ª pessoa).
de realçar uma ideia, proporcionando uma imagem emocio-
nante e de impacto. Exemplos:
“Faz umas dez horas que essa menina penteia esse cabelo”.
Ele morreu de tanto rir.
Fonte:http://juliobattisti.com.br/tutoriais/josebferraz/
figuraslinguagem001.asp
7) Ironia
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação,
pela contradição de termos, pretende-se questionar certo
tipo de pensamento. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Exemplos:
São conhecidas pelo nome de figuras de pensamento
os recursos estilísticos utilizados para incrementar o signi-
ficado das palavras no seu aspecto semântico.
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que
estão por perto.
“Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra
como uma porta: / um amor.” (Mário de Andrade).
24

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8) Prosopopeia ou Personificação Consiste na atribuição de ações, qualidades ou carac- terísticas humanas a
8) Prosopopeia ou Personificação
Consiste na atribuição de ações, qualidades ou carac-
terísticas humanas a seres não humanos. Exemplos:
Chora, viola.
A
morte mostrou sua face mais sinistra.
Zeugma
Ao contrário da elipse, na zeugma ocorre a omissão
de um termo já expresso no discurso. Constatemos: Maria
gosta de Matemática, eu de Português.
Observamos que houve a omissão do verbo gostar.
O
morro dos ventos uivantes.
Figuras de construção ou sintaxe integram as cha-
madas figuras de linguagem, representando um subgrupo
destas. Dessa forma, tendo em vista o padrão não conven-
cional que prevalece nas figuras de linguagem (ou seja, a
subjetividade, a sensibilidade por parte do emissor, deixan-
do às claras seus aspectos estilísticos), devemos compreen-
der sua denominação. Em outras palavras, por que “figuras
de construção ou sintaxe”?
Podemos afirmar que assim se denominam em virtude
de apresentarem algum tipo de modificação na estrutura
da oração, tendo em vista os reais e já ressaltados objetivos
da enunciação (do discurso) – sendo o principal conferir
ênfase a ela.
Assim sendo, comecemos entendendo que, em termos
convencionais, a estrutura sintática da nossa língua se perfaz
de uma sequência, demarcada pelos seguintes elementos:
Anáfora
Essa figura de linguagem se caracteriza pela repetição
intencional de um termo no início de um período, frase ou
verso. Observemos um caso representativo:
A Estrela
Vi
uma estrela tão alta,
Vi
uma estrela tão fria!
Vi
uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
[ ]
Manuel Bandeira
SUJEITO
+
PREDICADO
+
COMPLEMENTO
Notamos a utilização de termos que se repetem suces-
sivamente em cada verso da criação de Manuel Bandeira.
(Nós)
CHEGAMOS ATRASADOS
À REUNIÃO.
Temos, assim, um sujeito oculto – nós; um predicado
verbal – chegamos atrasados; e um complemento, repre-
sentado por um adjunto adverbial de lugar – à reunião.
Quando há uma ruptura dessa sequência lógica, mate-
rializada pela inversão de termos, repetição ou até mesmo
omissão destes, é justamente aí que as figuras em questão
se manifestam. Desse modo, elas se encontram muito pre-
sentes na linguagem literária, na publicitária e na lingua-
gem cotidiana de forma geral. Vejamos cada uma delas de
modo particular:
Polissíndeto
Figura cuja principal característica se define pela repe-
tição enfática do conectivo, geralmente representado pela
conjunção coordenada “e”. Observemos um verso extraí-
do de uma criação de Olavo Bilac, intitulada “A um poeta”:
“Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!”
Assíndeto
Diferentemente do que ocorre no polissíndeto, mani-
festado pela repetição da conjunção, no assíndeto ocorre a
omissão deste. Vejamos: Vim, vi, venci (Júlio César)
Depreendemos que se trata de orações assindéticas,
justamente pela omissão do conectivo “e”.
Elipse
Tal figura se caracteriza pela omissão de um termo na
oração não expresso anteriormente, contudo, facilmente
identificado pelo contexto. Vejamos um exemplo:
Rondó dos cavalinhos
[ ]
Anacoluto
Trata-se de uma figura que se caracteriza pela inter-
rupção da sequência lógica do pensamento, ou seja, em
termos sintáticos, afirma-se que há uma mudança na cons-
trução do período, deixando algum termo desligado do
restante dos elementos. Vejamos:
Os cavalinhos correndo,
E
nós, cavalões, comendo
O
Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo
Essas crianças de hoje, elas estão muito evoluídas.
Notamos que o termo em destaque, que era para re-
presentar o sujeito da oração, encontra-se desligado dos
demais termos, não cumprindo, portanto, nenhuma função
sintática.
O
sol tão claro lá fora,
O
sol tão claro, Esmeralda,
E
em minhalma — anoitecendo!
Manuel Bandeira
Notamos que em todos os versos há a omissão do ver-
bo estar, sendo este facilmente identificado pelo contexto.
Inversão (ou Hipérbato)
Trata-se da inversão da ordem direta dos termos da
oração. Constatemos: Eufórico chegou o menino.
Deduzimos que o predicativo do sujeito (pois se tra-
ta de um predicado verbo-nominal) encontra-se no início
da oração, quando este deveria estar expresso no final, ou
seja: O menino chegou eufórico.
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LÍNGUA PORTUGUESA

Pleonasmo Figura que consiste na repetição enfática de uma ideia O fonema s: antes expressa,
Pleonasmo
Figura que consiste na repetição enfática de uma ideia
O
fonema s:
antes expressa, tanto do ponto de vista sintático quanto
semântico, no intuito de reforçar a mensagem. Exemplo:
Vivemos uma vida tranquila.
Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substan-
tivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel,
corr e sent: pretender - pretensão / expandir - expansão /
ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão
/ submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - im-
O
termo em destaque reforça uma ideia antes ressal-
pulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer
tada, uma vez que viver já diz respeito à vida. Temos uma
repetição de ordem semântica.
A ele nada lhe devo.
- recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir
- consensual
Percebemos que o pronome oblíquo (lhe) faz refe-
rência à terceira pessoa do singular, já expressa. Trata-se,
portanto, de uma repetição de ordem sintática demarcada
pelo que chamamos de objeto direto pleonástico.
Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes deri-
vados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced,
prim ou com verbos terminados por tir ou meter: agredir
-
agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão /
Observação importante: O pleonasmo utilizado sem
a intenção de conferir ênfase ao discurso, torna-se o que
denominamos de vício de linguagem – ocorrência que deve
ser evitada. Como, por exemplo: subir para cima, descer
para baixo, entrar para dentro, entre outras circunstâncias
linguísticas.
ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
compromisso / submeter - submissão
*quando o prefixo termina com vogal que se junta com
a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimé-
trico / re + surgir - ressurgir
*no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem-
plos: ficasse, falasse
Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos
de origem árabe: cetim, açucena, açúcar
*os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
Juçara, caçula, cachaça, cacique
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu,
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço,
esperança, carapuça, dentuço
*nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção /
deter - detenção / ater - atenção / reter - retenção
*após ditongos: foice, coice, traição
*palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r):
marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção
O
fonema z:
Escreve-se com S e não com Z:
Ortografia
A
ortografia é a parte da língua responsável pela gra-
fia correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão
culto da língua.
As palavras podem apresentar igualdade total ou par-
cial no que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo ten-
do significados diferentes. Essas palavras são chamadas
de homônimas (canto, do grego, significa ângulo / canto,
do latim, significa música vocal). As palavras homônimas
dividem-se em homógrafas, quando têm a mesma grafia
(gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo
gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, pa-
lácio ou passo, movimento durante o andar).
Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-
se observar as seguintes regras:
*os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs-
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês,
freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.
*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, meta-
morfose.
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis,
quiseste.
*nomes derivados de verbos com radicais terminados
em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender -
empresa / difundir - difusão
*os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho
*após ditongos: coisa, pausa, pouso
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar
Escreve-se com Z e não com S:
*os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje-
tivo: macio - maciez / rico - riqueza
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de
origem não termine com s): final - finalizar / concreto - con-
cretizar
26

LÍNGUA PORTUGUESA

*como consoante de ligação se o radical não terminar com s: pé + inho -
*como consoante de ligação se o radical não terminar
com s: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis +
inho - lapisinho
Questões sobre Ortografia
01.
(TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre
as frases que seguem, a única correta é:
O
fonema j:
a) Ele se esqueceu de que?
b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distri-
Escreve-se com G e não com J:
bui-lo entre os presentes.
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
gesso.
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim.
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge.
c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas críticas.
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações
dos funcionários.
e)
Não sei por que ele mereceria minha consideração.
02.
(Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alter-
Observação: Exceção: pajem
*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
litígio, relógio, refúgio.
*os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir.
*depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, sur-
nativa cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo
com a norma-
-padrão.
(A)
Os tabeliãos devem preparar o documento.
(B)
Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
(C)
Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
(D)
Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
gir. *depois da letra “a”, desde que não seja radical termi-
nado com j: ágil, agente.
(E)
Cuidado com os degrais, que são perigosos!
03.
(Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP –
Escreve-se com J e não com G:
2013). Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para
*as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
*as palavras de origem árabe, africana ou exótica: ji-
boia, manjerona.
*as palavras terminada com aje: aje, ultraje.
informar os usuários sobre o festival Sounderground.
Prezado Usuário
de oferecer lazer e cultura aos passageiros do
metrô,
desta segunda-feira (25/02),
17h30,
começa o Sounderground, festival internacional que presti-
O
fonema ch:
Escreve-se com X e não com CH:
*as palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba-
caxi, muxoxo, xucro.
*as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J):
gia os músicos que tocam em estações do metrô.
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen-
tarão e divirta-se!
Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se
preencher as lacunas, correta e respectivamente, com as
expressões
xampu, lagartixa.
*depois de ditongo: frouxo, feixe.
*depois de “en”: enxurrada, enxoval.
A) A fim
a partir
as
B) A fim
à partir
às
C) A fim
a partir
às
D) Afim
a partir
às
Observação:
Exceção: quando a palavra de origem
E) Afim
à partir
as
não derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
04.
(TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2011)
Escreve-se com CH e não com X:
As palavras estão corretamente grafadas na seguinte frase:
*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
(A)
Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa-
geiros nos aeroportos.
As letras e e i:
(B)
Comete muitos deslises, talvez por sua espontanei-
*os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
*os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
escritos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os
verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui.
- atenção para as palavras que mudam de sentido
quando substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (super-
fície), ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir)
/ emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estân-
cia, que anda a pé), pião (brinquedo).
Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portu-
gues/ortografia
dade, mas nada que ponha em cheque sua reputação de
pessoa cortês.
(C)
Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do só-
cio de descançar após o almoço sob a frondoza árvore do
pátio.
(D)
Não sei se isso influe, mas a persistência dessa má-
goa pode estar sendo o grande impecilho na superação
dessa sua crise.
(E)
O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta
quantia, mas não quiz ser taxado de conivente na conces-
são de privilégios ilegítimos.
27

LÍNGUA PORTUGUESA

05.Em qual das alternativas a frase está corretamente escrita? GABARITO A) O mindingo não depositou
05.Em qual das alternativas a frase está corretamente
escrita?
GABARITO
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa.
01.E
02. D
03. C
04. A
05. B
B) O mendigo não depositou na caderneta de poupança.
06. E
07. C
08. E
09. A
10. C
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa.
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa.
RESOLUÇÃO
06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) – VU-
1-)
NESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas
(A)
Ele se esqueceu de que? = quê?
ela cresceu
– está corretamente reescrito no plural, com o
(B)
Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para
verbo no tempo futuro.
distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
(A)
Mas elas cresceram
(C)
Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos ex-
(B)
Mas elas cresciam
cessivos nas críticas.
(C)
Mas elas cresçam
(D)
O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindi-
(D)
Mas elas crescem
cações dos funcionários.
(E)
Mas elas crescerão
(E)
Não sei por que ele mereceria minha consideração.
07.
(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM – CCI] – VU-
2-)
NESP/2011 - ADAPTADA) Assinale a alternativa em que o
(A)
Os tabeliãos devem preparar o documento.
= ta-
trecho – O teste decisivo e derradeiro para ele, cidadão an-
beliães
sioso e sofredor
está escrito corretamente no plural.
(A)
Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadãos
(B)
Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
ansioso e sofredores
= cidadãos
(B)
Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães
(C)
Para autenticar as certidãos, procure o cartório lo-
ansioso e sofredores
cal. = certidões
(C)
Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos
(E)
Cuidado com os degrais, que são perigosos = de-
ansiosos e sofredores
graus
(D)
Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadões
ansioso e sofredores
(E) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães
ansiosos e sofredores
08. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – FUJB/2011)
Assinale a alternativa em que a frase NÃO contraria a nor-
ma culta:
A)
Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios,
por isso posso me queixar com razão.
3-) Prezado Usuário
A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me-
trô, a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa
o Sounderground, festival internacional que prestigia os mú-
sicos que tocam em estações do metrô.
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen-
tarão e divirta-se!
A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado;
antes de horas: há crase
B)
Sempre houveram várias formas eficazes para ultra-
passarmos os infortúnios da vida.
4-) Fiz a correção entre parênteses:
C)
Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que
(A)
Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é
vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida.
D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento,
principalmente daqueles que procuram viver com dignida-
de e simplicidade.
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa-
geiros nos aeroportos.
(B)
Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua
E)
As dificuldades porque passamos certamente nos
espontaneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque)
sua reputação de pessoa cortês.
fazem mais fortes e preparados para os infortúnios da vida.
(C)
Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio
de descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza
09.Assinale a alternativa cuja frase esteja incorreta:
A) Porque essa cara?
B) Não vou porque não quero.
C) Mas por quê?
D) Você saiu por quê?
(frondosa) árvore do pátio.
(D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência
dessa mágoa pode estar sendo o grande impecilho (empe-
cilho) na superação dessa sua crise.
(E)
O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção
10-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO
FORENSE - CESPE/2013 - adaptada) Uma variante igual-
mente correta do termo “autópsia” é autopsia.
dessa alta quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de coni-
vente na concessão de privilégios ilegítimos.
(
) Certo
(
) Errado
28
LÍNGUA PORTUGUESA 5-) A) O mindingo não depositou na cardeneta de pou- Classificação das palavras
LÍNGUA PORTUGUESA
5-)
A)
O mindingo não depositou na cardeneta de pou-
Classificação das palavras quanto ao número de
sílabas
pansa. = mendigo/caderneta/poupança
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans-
sa. = mendigo/caderneta/poupança
-
Monossílabas: possuem apenas uma sílaba. Exemplos:
mãe, flor, lá, meu;
D)
O mendingo não depozitou na carderneta de pou-
-
Dissílabas: possuem duas sílabas. Exemplos: ca-fé,
pansa. =mendigo/depositou/caderneta/poupança
i-ra, a-í, trans-por;
-
6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas
elas crescerão
Trissílabas: possuem três sílabas. Exemplos: ci-ne-ma,
pró-xi-mo, pers-pi-caz, O-da-ir;
-
Polissílabas: possuem quatro ou mais sílabas. Exem-
7-)
Como os itens apresentam o mesmo texto, a alter-
plos: a-ve-ni-da, li-te-ra-tu-ra, a-mi-ga-vel-men-te, o-tor
-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta.
nativa correta já indica onde estão as inadequações nos
demais itens.
Divisão Silábica
8-) Fiz as correções entre parênteses:
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infor-
Na divisão silábica das palavras, cumpre observar as
seguintes normas:
túnios, por isso posso me queixar com razão.
B)
Sempre houveram (houve) várias formas eficazes
-
Não se separam os ditongos e tritongos. Exemplos:
para ultrapassarmos os infortúnios da vida.
foi-ce, a-ve-ri-guou;
C)
Devemos controlar nossas emoções todas as vezes
que vermos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte
de nossa vida.
Não se separam os dígrafos ch, lh, nh, gu, qu. Exem-
plos: cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha, fre-guês, quei-xa;
-
-
Não se separam os encontros consonantais que ini-
D)
É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto so-
ciam sílaba. Exemplos: psi-có-lo-go, re-fres-co;
frimento, principalmente daqueles que procuram viver com
dignidade e simplicidade.
E) As dificuldades porque (= pelas quais; correto) pas-
samos certamente nos fazem mais fortes e preparados
-
Separam-se as vogais dos hiatos. Exemplos: ca-a-tin-
ga, fi-el, sa-ú-de;
-
Separam-se as letras dos dígrafos rr, ss, sc, sç xc.
Exemplos: car-ro, pas-sa-re-la, des-cer, nas-ço, ex-ce-len-
para os infortúnios da vida.
te;
-
Separam-se os encontros consonantais das sílabas
9-) Por que essa cara? = é uma pergunta e o pronome
está longe do ponto de interrogação.
internas, excetuando-se aqueles em que a segunda con-
soante é l ou r. Exemplos: ap-to, bis-ne-to, con-vic-ção,
a-brir, a-pli-car.
10-) autopsia s.f., autópsia s.f.; cf. autopsia
(fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/
Acento Tônico
sys/start.htm?sid=23)
RESPOSTA: “CERTO”.
Divisão Silábica
Sílaba
Na emissão de uma palavra de duas ou mais sílabas,
percebe-se que há uma sílaba de maior intensidade sonora
do que as demais.
calor - a sílaba lor é a de maior intensidade.
faceiro - a sílaba cei é a de maior intensidade.
sólido - a sílaba só é a de maior intensidade.
A palavra amor está dividida em grupos de fonemas
pronunciados separadamente: a - mor. A cada um des-
ses grupos pronunciados numa só emissão de voz dá-se
o nome de sílaba. Em nossa língua, o núcleo da sílaba é
sempre uma vogal: não existe sílaba sem vogal e nunca
há mais do que uma vogal em cada sílaba. Dessa forma,
para sabermos o número de sílabas de uma palavra, deve-
mos perceber quantas vogais tem essa palavra. Atenção:
Obs.: a presença da sílaba de maior intensidade nas pa-
lavras, em meio à sílabas de menor intensidade, é um dos
elementos que dão melodia à frase.
Classificação da sílaba quanto a intensidade
-Tônica: é a sílaba pronunciada com maior intensidade.
as letras i e u (mais raramente com as letras e e o) podem
representar semivogais.
- Átona: é a sílaba pronunciada com menor intensidade.
- Subtônica: é a sílaba de intensidade intermediária.
Ocorre, principalmente, nas palavras derivadas, correspon-
dendo à tônica da palavra primitiva.
29

LÍNGUA PORTUGUESA

Classificação das palavras quanto à posição da sí- laba tônica 4-Assinale o item em que
Classificação das palavras quanto à posição da sí-
laba tônica
4-Assinale o item em que todas as sílabas estão corre-
tamente separadas:
a) a-p-ti-dão;
De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábu-
los da língua portuguesa que contêm duas ou mais sílabas
são classificados em:
b) so-li-tá-ri-o;
c) col-me-ia;
d) ar-mis-tí-cio;
e) trans-a-tlân-ti-co.
-
Oxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a última.
Exemplos: avó, urubu, parabéns
5- Assinale o item em que a divisão silábica está errada:
-
Paroxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a penúl-
a) tran-sa-tlân-ti-co / de-sin-fe-tar;
tima. Exemplos: dócil, suavemente, banana
b) subs-ta-be-le-cer / de-su-ma-no;
Proparoxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a an-
tepenúltima. Exemplos: máximo, parábola, íntimo
-
c) cis-an-di-no / sub-es-ti-mar;
d) ab-di-ca-ção / a-bla-ti-vo;
e) fri-is-si-mo / ma-ci-is-si-mo.
Saiba que:
-
São palavras oxítonas, entre outras: cateter, mister,
6- Existe erro de divisão silábica no item:
Nobel, novel, ruim, sutil, transistor, ureter.
a) mei-a / pa-ra-noi-a / ba-lai-o;
-
São palavras paroxítonas, entre outras: avaro, aziago,
b) oc-ci-pi-tal / ex-ces-so / pneu-má-ti-co;
boêmia, caracteres, cartomancia, celtibero, circuito, decano,
c) subs-tân-cia / pers-pec-ti-va / felds-pa-to;
filantropo, fluido, fortuito, gratuito, Hungria, ibero, impu-
dico, inaudito, intuito, maquinaria, meteorito, misantropo,
necropsia (alguns dicionários admitem também necrópsia),
Normandia, pegada, policromo, pudico, quiromancia, rubri-
ca, subido(a).
d) su-bli-nhar / su-blin-gual / a-brup-to;
e) tran-sa-tlân-ti-co / trans-cen-der / tran-so-ce-â-ni-co.
7- A única alternativa correta quanto à divisão silábica é:
a) ma-qui-na-ri-a / for-tui-to;
-
São palavras proparoxítonas, entre outras: aerólito,
b) tun-gs-tê-nio / ri-tmo; ;
bávaro, bímano, crisântemo, ímprobo, ínterim, lêvedo, ôme-
ga, pântano, trânsfuga.
c) an-do-rin-ha / sub-o-fi-ci-al;
d) bo-ê-mi-a / ab-scis-sa;
-
As seguintes palavras, entre outras, admitem dupla
e) coe-são / si-len-cio-so.
tonicidade: acróbata/acrobata, hieróglifo/hieroglifo, Oceâ-
nia/Oceania, ortoépia/ortoepia, projétil/projetil, réptil/reptil,
zângão/zangão.
8- Indique a alternativa em que as palavras “sussurro”,
”iguaizinhos” e “gnomo”, estão corretamente divididas em
sílabas:
Exercícios
a) sus - su - rro, igu - ai - zi - nhos, g - no - mo;
b) su - ssu - rro, i - guai - zi - nhos, gno - mo;
c) sus - su - rro, i - guai - zi - nhos, gno - mo;
1-Assinale o item em que a divisão silábica é incorreta:
d) su - ssur - ro, i - gu - ai - zi - nhos, gn - omo;
a) gra-tui-to;
e) sus - sur - ro, i - guai - zi - nhos, gno - mo.
b) ad-vo-ga-do;
c) tran-si-tó-rio;
9- Na expressão “A icterícia nada tem a ver com he -
d) psi-co-lo-gi-a;
e) in-ter-stí-cio.
modiálise ou disenteria”, as palavras grifadas apresentam-
se corretamente divididas em sílabas na alternativa:
a) i-cte-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ria;
2-Assinale o item em que a separação silábica é incor-
reta:
b) ic-te-rí-ci-a, he-mo-diá-li-se, dis-en-te-ria;
c) i-c-te-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ria;
a) psi-có-ti-co;
d) ic-te-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ri-a;
b) per-mis-si-vi-da-de;
e) ic-te-rí-cia, he-mo-di-á-li-se, di-sen-te-ria.
c) as-sem-ble-ia;
d) ob-ten-ção;
10- Assinale a única opção em que há, um vocábulo cuja
e) fa-mí-lia.
separação silábica não esta feita de acordo com a norma or-
tográfica vigente:
3-Assinale o item em que todos os vocábulos têm as
sílabas corretamente separadas:
a) es-cor-re-gou / in-crí-veis;
b) in-fân-cia / cres-ci-a;
a) al-dei-a, caa-tin-ga , tran-si-ção;
c) i-dei-a / lé-guas;
b) pro-sse-gui-a, cus-tó-dia, trans-ver-sal;
d) des-o-be-de-ceu / cons-tru-í-da;
c) a-bsur-do, pra-ia, in-cons-ci-ên-cia;
e) vo-ou / sor-ri-em.
d) o-ccip-tal, gra-tui-to, ab-di-car;
e) mis-té-rio, ap-ti-dão, sus-ce-tí-vel.
Respostas: 1-E / 2-C / 3-E / 4-D / 5-C / 6-D / 7-A / 8-E
/ 9-E / 10-D
30

LÍNGUA PORTUGUESA

Acentuação Gráfica A acentuação é um dos requisitos que perfazem as re- gras estabelecidas pela
Acentuação Gráfica
A
acentuação é um dos requisitos que perfazem as re-
gras estabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se com-
põe de algumas particularidades, às quais devemos estar
atentos, procurando estabelecer uma relação de familia-
ridade e, consequentemente, colocando-as em prática na
linguagem escrita.
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi total-
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.:
mülleriano (de Müller)
À
medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a
til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vo-
gais nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã
prática de redigir, automaticamente aprimoramos essas
competências, e logo nos adequamos à forma padrão.
Regras fundamentais:
Palavras oxítonas:
Regras básicas – Acentuação tônica
A
acentuação tônica implica na intensidade com que
são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá
de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba tônica.
As demais, como são pronunciadas com menos intensida-
de, são denominadas de átonas.
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”,
“o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – ci-
pó(s) – armazém(s)
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifica-
das como:
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
guidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se-
guidas de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – com-
pô-lo
Paroxítonas:
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a
última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai
na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato
– passível
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
- i, is : táxi – lápis – júri
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum
l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax –
fórceps
-
-
ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica
está na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tím-
pano – médico – ônibus
-- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para
quê? Repare que essa palavra apresenta as terminações das
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM =
fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização!
Como podemos observar, os vocábulos possuem mais
de uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com
uma sílaba somente: são os chamados monossílabos que,
quando pronunciados, apresentam certa diferenciação
quanto à intensidade.
Tal diferenciação só é percebida quando os pronun-
ciamos em uma dada sequência de palavras. Assim como
podemos observar no exemplo a seguir:
-ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
não de “s”: água – pônei – mágoa – jóquei
Regras especiais:
“Sei que não vai dar em nada,
Seus segredos sei de cor”.
Os monossílabos classificam-se como tônicos; os de-
mais, como átonos (que, em, de).
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
palavras paroxítonas.
* Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma
palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são
acentuados. Ex.: herói, céu, dói, escarcéu.
Os acentos
Antes
Agora
acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i»,
«u» e sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras
representam as vogais tônicas de palavras como Amapá,
caí, público, parabéns. Sobre as letras “e” e “o” indica, além
da tonicidade, timbre aberto.Ex.: herói – médico – céu (di-
tongos abertos)
assembléia assembleia
idéia
ideia
geléia
geleia
jibóia
jiboia
apóia (verbo apoiar) apoia
paranóico
paranoico
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”,
“e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.:
tâmara – Atlântico – pêssego – supôs
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acom-
panhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca
– baú – país – Luís
31

LÍNGUA PORTUGUESA

Observação importante: Não se acentuam mais as palavras homógrafas que Não serão mais acentuados “i”
Observação importante:
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
hiato quando vierem depois de ditongo: Ex.:
Antes
Agora
antes eram acentuadas para diferenciá-las de outras seme-
lhantes (regra do acento diferencial). Apenas em algumas
exceções, como:
bocaiúva
bocaiuva
A
forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do
feiúra
feiura
Sauípe
Sauipe
pretérito perfeito do modo indicativo) ainda continua sen-
do acentuada para diferenciar-se de pode (terceira pessoa
do singular do presente do indicativo). Ex:
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
abolido. Ex.:
Ela pode fazer isso agora.
Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou
Antes
Agora
crêem
creem
lêem
leem
O
mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
vôo
voo
enjôo
enjoo
preposição por.
- Quando, na frase, der para substituir o “por” por “co-
locar”, estaremos trabalhando com um verbo, portanto:
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER.
“pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex:
Faço isso por você.
Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
Repare:
Questões sobre Acentuação Gráfica
1-) O menino crê em você
Os meninos creem em você.
2-) Elza lê bem!
Todas leem bem!
3-) Espero que ele dê o recado à sala.
Esperamos que os garotos deem o recado!
4-) Rubens vê tudo!
Eles veem tudo!
01.
(TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA –
VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as palavras
são acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que
justificam, respectivamente, as acentuações de: década,
relógios, suíços.
(A)
flexíveis, cartório, tênis.
(B)
inferência, provável, saída.
* Cuidado! Há o verbo vir:
(C)
óbvio, após, países.
Ele vem à tarde!
Eles vêm à tarde!
(D)
islâmico, cenário, propôs.
(E)
república, empresária, graúda.
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan-
do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru
-im, con-tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz
02.
(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013)
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti-
verem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Assinale a alternativa com as palavras acentuadas segundo
as regras de acentuação, respectivamente, de intercâmbio
e antropológico.
(A)
Distúrbio e acórdão.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
(B)
Máquina e jiló.
(C)
Alvará e Vândalo.
(D)
Consciência e características.
As formas verbais que possuíam o acento tônico na
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
“e” ou “i” não serão mais acentuadas. Ex.:
(E)
Órgão e órfãs.
03.
(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE –
Antes
apazigúe (apaziguar)
averigúe (averiguar)
argúi (arguir)
Depois
apazigue
averigue
TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) As pa-
lavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria” são acentuadas de
acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
argui
(
) CERTO
(
) ERRADO
Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do
plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo vir)
04.
(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS
A regra prevalece também para os verbos conter, obter,
reter, deter, abster.
ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm
ele retém – eles retêm
ele convém – eles convêm
GERAIS – OFICIAL JUDICIÁRIO – FUNDEP/2010) Assinale a
afirmativa em que se aplica a mesma regra de acentuação.
A) tevê – pôde – vê
B) únicas – histórias – saudáveis
C) indivíduo – séria – noticiários
D) diário – máximo – satélite
32
LÍNGUA PORTUGUESA 05. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- 2-) Para que saibamos qual alternativa
LÍNGUA PORTUGUESA
05.
(ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
2-) Para que saibamos qual alternativa assinalar, primei-
PE/2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego
do acento gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
ro temos que classificar as palavras do enunciado quanto à
posição de sua sílaba tônica:
(
)
CERTO
(
) ERRADO
06.
(ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
Intercâmbio = paroxítona terminada em ditongo; An-
tropológico = proparoxítona (todas são acentuadas). Ago-
ra, vamos à análise dos itens apresentados:
PE/2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência”
recebem acento gráfico com base na mesma regra de acen-
tuação gráfica.
(A)
Distúrbio = paroxítona terminada em ditongo;
acórdão = paroxítona terminada em “ão”
(B)
Máquina = proparoxítona; jiló = oxítona terminada
(
)
CERTO
(
) ERRADO
em “o”
(C)
Alvará = oxítona terminada em “a”; Vândalo = pro-
07.
(BACEN – TÉCNICO DO BANCO CENTRAL – CES-
paroxítona
GRANRIO/2010) As palavras que se acentuam pelas mes-
mas regras de “conferência”, “razoável”, “países” e “será”,
respectivamente, são
(D)
Consciência = paroxítona terminada em ditongo;
características = proparoxítona
(E)
Órgão e órfãs = ambas: paroxítona terminada em
a) trajetória, inútil, café e baú.
“ão” e “ã”, respectivamente.
b) exercício, balaústre, níveis e sofá.
c) necessário, túnel, infindáveis e só.
d) médio, nível, raízes e você.
e) éter, hífen, propôs e saída.
3-) “Conteúdo” é acentuada seguindo a regra do hiato;
calúnia = paroxítona terminada em ditongo; injúria = paro-
xítona terminada em ditongo.
RESPOSTA: “ERRADO”.
08.
(CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) São acen-
tuados graficamente de acordo com a mesma regra de
4-)
acentuação gráfica os vocábulos
A)
tevê – pôde – vê
A) também e coincidência.
Tevê = oxítona terminada em “e”; pôde (pretérito per-
B) quilômetros e tivéssemos.
C) jogá-la e incrível.
D) Escócia e nós.
E)
correspondência e três.
feito do Indicativo) = acento diferencial (que ainda preva-
lece após o Novo Acordo Ortográfico) para diferenciar de
“pode” – presente do Indicativo; vê = monossílaba termi-
nada em “e”
B)
únicas – histórias – saudáveis
09.
(IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
Únicas = proparoxítona; história = paroxítona termi-
PE/2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de
acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
nada em ditongo; saudáveis = paroxítona terminada em
ditongo.
(
)
CERTO
(
) ERRADO
C)
indivíduo – séria – noticiários
Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; séria =
GABARITO
paroxítona terminada em ditongo; noticiários = paroxítona
terminada em ditongo.
01.
E
02. D
03. E
04. C
05. E
D)
diário – máximo – satélite
06.
C
07. D
08. B
09. E
Diário = paroxítona terminada em ditongo; máximo =
proparoxítona; satélite = proparoxítona.
RESOLUÇÃO
1-) Década = proparoxítona / relógios = paroxítona
terminada em ditongo / suíços = regra do hiato
(A)
flexíveis e cartório
= paroxítonas terminadas em
5-) Análise = proparoxítona / mínimos = proparoxíto-
na. Ambas são acentuadas pela mesma regra (antepenúlti-
ma sílaba é tônica, “mais forte”).
RESPOSTA: “ERRADO”.
ditongo / tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida
de “s”)
(B)
inferência = paroxítona terminada em ditongo /
provável = paroxítona terminada em “l” / saída = regra do
hiato
(C)
óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após
6-) Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; diária
= paroxítona terminada em ditongo; paciência = paroxítona
terminada em ditongo. Os três vocábulos são acentuados
devido à mesma regra.
RESPOSTA: “CERTO”.
= oxítona terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato
(D)
islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona
7-) Vamos classificar as palavras do enunciado:
terminada em ditongo / propôs = oxítona terminada em
“o” + “s”
(E)
república = proparoxítona / empresária = paroxíto-
na terminada em ditongo / graúda = regra do hiato
1-) Conferência = paroxítona terminada em ditongo
2-) razoável = paroxítona terminada em “l’
3-) países = regra do hiato
4-) será = oxítona terminada em “a”
33

LÍNGUA PORTUGUESA

a) trajetória, inútil, café e baú. Adjetivo Pátrio (ou gentílico) Trajetória = paroxítona terminada em
a)
trajetória, inútil, café e baú.
Adjetivo Pátrio (ou gentílico)
Trajetória = paroxítona terminada em ditongo; inútil =
paroxítona terminada em “l’; café = oxítona terminada em “e”
b)
exercício, balaústre, níveis e sofá.
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser.
Observe alguns deles:
Exercício = paroxítona terminada em ditongo; balaústre =
regra do hiato; níveis = paroxítona terminada em “i + s”; sofá
= oxítona terminada em “a”.
Estados e cidades brasileiros:
Alagoas
c)
necessário, túnel, infindáveis e só.
Amapá
Necessário = paroxítona terminada em ditongo; túnel =
Aracaju
paroxítona terminada em “l’; infindáveis = paroxítona termina-
da em “i + s”; só = monossílaba terminada em “o”.
Amazonas
Belo Horizonte
Brasília
d)
médio, nível, raízes e você.
Cabo Frio
Médio = paroxítona terminada em ditongo; nível = paro-
Campinas
alagoano
amapaense
aracajuano ou aracajuense
amazonense ou baré
belo-horizontino
brasiliense
cabo-friense
campineiro ou campinense
xítona terminada em “l’; raízes = regra do hiato; será = oxítona
terminada em “a”.
Adjetivo Pátrio Composto
e)
éter, hífen, propôs e saída.
Éter = paroxítona terminada em “r”; hífen = paroxítona
terminada em “n”; propôs = oxítona terminada em “o + s”;
saída = regra do hiato.
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru-
dita. Observe alguns exemplos:
8-)
África afro- / Cultura afro-americana
A)
também e coincidência.
Também = oxítona terminada em “e + m”; coincidência =
paroxítona terminada em ditongo
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto
-inglesas
América
américo- / Companhia américo-africana
B)
quilômetros e tivéssemos.
Quilômetros = proparoxítona; tivéssemos = proparoxítona
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
China sino- / Acordos sino-japoneses
C)
jogá-la e incrível.
Espanha
hispano- / Mercado hispano-português
Oxítona terminada em “a”; incrível = paroxítona termina-
da em “l’
D) Escócia e nós.
Escócia = paroxítona terminada em ditongo; nós = mo-
nossílaba terminada em “o + s”
Europa euro- / Negociações euro-americanas
França
Grécia
franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
E)
correspondência e três.
Correspondência = paroxítona terminada em ditongo;
três = monossílaba terminada em “e + s”
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
Flexão dos adjetivos
9-)
Pó = monossílaba terminada em “o”; só = monos-
sílaba terminada em “o”; céu = monossílaba terminada em
ditongo aberto “éu”.
RESPOSTA: “ERRADO”.
O adjetivo varia em gênero, número e grau.
Gênero dos Adjetivos
Classes de palavras
Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou ca-
racterística do ser e se relaciona com o substantivo.
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, perce-
bemos que, além de expressar uma qualidade, ela pode ser
colocada ao lado de um substantivo: homem bondoso, moça
bondosa, pessoa bondosa.
Já com a palavra bondade, embora expresse uma quali-
dade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem
bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, portanto,
não é adjetivo, mas substantivo.
Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:
Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mas-
culino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa,
mau e má, judeu e judia.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
feminino somente o último elemento. Por exemplo: o moço
norte-americano, a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
Morfossintaxe do Adjetivo:
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro
de uma oração) relativas aos substantivos, atuando como ad-
junto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).
Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino
como para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher
feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no
feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença po-
lítico-social.
34

LÍNGUA PORTUGUESA

Número dos Adjetivos Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade No comparativo de
Número dos Adjetivos
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
No
comparativo de igualdade, o segundo termo da com-
Plural dos adjetivos simples
Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo
com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos subs-
paração é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão.
tantivos simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e felizes, ruim
e ruins
boa e boas
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
que estiver qualificando um elemento for, originalmente,
um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo:
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe-
rioridade Analítico
No comparativo de superioridade analítico, entre os
dois substantivos comparados, um tem qualidade supe-
rior. A forma é analítica porque pedimos auxílio a “mais do
que” ou “mais
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe-
rioridade Sintético
a palavra cinza é originalmente um substantivo; porém, se
estiver qualificando um elemento, funcionará como adje-
tivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos
cinza.
Veja outros exemplos:
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su-
perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles:
Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior,
grande/maior, baixo/inferior.
Observe que:
a)
As formas menor e pior são comparativos de supe-
rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, res-
pectivamente.
Adjetivo Composto
b)
Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normal-
mente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o últi-
mo elemento concorda com o substantivo a que se refere; os
demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos ele-
mentos que formam o adjetivo composto seja um substanti-
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações fei-
tas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se
usar as formas analíticas mais bom, mais mau,mais grande e
mais pequeno. Por exemplo:
vo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável. Por
exemplo: a palavra rosa é originalmente um substantivo, po-
rém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como
adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um
adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o ad-
jetivo composto inteiro ficará invariável. Por exemplo:
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
mentos.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
duas qualidades de um mesmo elemento.
Sou menos alto (do) que você.
= Comparativo de In-
ferioridade
Sou menos passivo (do) que tolerante.
Camisas rosa-claro.
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.
Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual-
Superlativo
O
superlativo expressa qualidades num grau muito
elevado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser
absoluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades:
quer adjetivo composto iniciado por cor-de-
são sempre
invariáveis.
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha
têm os dois elementos flexionados.
Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de
um ser é intensificada, sem relação com outros seres. Apre-
senta-se nas formas:
Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de pala-
vras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo:
Grau do Adjetivo
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a inten-
sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o
comparativo e o superlativo.
O secretário é muito inteligente.
Sintética: a intensificação se faz por meio do acrésci-
mo de sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.
Observe alguns superlativos sintéticos:
benéfico beneficentíssimo
bom
Comparativo
comum
cruel
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri-
buída a dois ou mais seres ou duas ou mais característi-
cas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de
igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe
os exemplos abaixo:
difícil
doce
fácil
fiel
boníssimo ou ótimo
comuníssimo
crudelíssimo
dificílimo
dulcíssimo
facílimo
fidelíssimo
35

LÍNGUA PORTUGUESA

Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada em relação a um
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um
ser é intensificada em relação a um conjunto de seres. Essa
relação pode ser:
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em
excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto,
quão, tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase,
de todo, de muito, por completo.
De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
Note bem:
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, etc.,
antepostos ao adjetivo.
2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob duas
formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, de ori-
gem vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do
adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou érrimo. Por
exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A forma popular é
constituída do radical do adjetivo português + o sufixo -íssi-
mo: pobríssimo, agilíssimo.
3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariís-
simo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual, as
formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desa-
gradável hiato i-í.
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora,
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes,
doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, en-
fim, afinal, breve, constantemente, entrementes, imediata-
mente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
quando, de quando em quando, a qualquer momento, de
tempos em tempos, em breve, hoje em dia
de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá,
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí,
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures,
adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, exter-
namente, a distância, à distancia de, de longe, de perto, em
cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta
de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum
O
advérbio, assim como muitas outras palavras existen-
tes na Língua Portuguesa, advém de outras línguas. Assim
sendo, tal qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a ideia de
proximidade, contiguidade. Essa proximidade faz referência
de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavel-
mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe
ao processo verbal, no sentido de caracterizá-lo, ou seja, indi-
cando as circunstâncias em que esse processo se desenvolve.
O
advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no senti-
de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efe-
tivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubi-
tavelmente (=sem dúvida).
do de caracterizar os processos expressos por ele. Contudo,
ele não é modificador exclusivo desta classe (verbos), pois
também modifica o adjetivo e até outro advérbio. Seguem
alguns exemplos:
de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
mente, simplesmente, só, unicamente
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto,
você está até bem informado.
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o adjeti-
vo alheio, representando uma qualidade, característica.
de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, também
de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
de designação: Eis
O artista canta muito mal.
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifi-
ca outro advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos
pudemos verificar que se tratava de somente uma palavra
funcionando como advérbio. No entanto, ele pode estar de-
marcado por mais de uma palavra, que mesmo assim não
deixará de ocupar tal função. Temos aí o que chamamos de
locução adverbial, representada por algumas expressões, tais
como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, de modo algum,
entre outras.
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advér-
bios, eles se classificam em distintas categorias, uma vez ex-
pressas por:
de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quan-
do? (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade),
para quê? (finalidade)
Locução adverbial
É reunião de duas ou mais palavras com valor de ad-
vérbio. Exemplo:
Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pressas,
às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos pou-
cos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a
frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior parte dos
que terminam em -”mente”: calmamente, tristemente, propo-
sitadamente, pacientemente, amorosamente, docemente, es-
candalosamente, bondosamente, generosamente
Há locuções adverbiais que possuem advérbios cor-
respondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu
apressadamente.
Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de
modo são flexionados, sendo que os demais são todos in-
variáveis. A única flexão propriamente dita que existe na
categoria dos advérbios é a de grau:
36