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O Crescimento Pentecostal no Brasil

José Leonardo Paiva Pessoa

Resumo: O presente trabalho é parte das minhas reflexões sobre o pentecostalismo no Brasil e consequentemente o pluralismo religioso que se apresenta a partir deste. O crescimento Pentecostal no Brasil: Um relato da expansão do pentecostalismo no Brasil. Demonstrando que esse fato esta relacionado com um pluralismo religioso e de mercado, cercado por um contexto caracterizado por um sistema socioeconômico de grande vulnerabilidade social, a concentração de poder eclesiástico e o acesso midiático.

Palavras-chave: Religião/religiosidade popular, pentecostalismo, expansão religiosa.

Introdução

O pentecostalismo brasileiro é formado por uma série de movimentos em

constante mudança, que a partir de um conceito novo de religião esta contemplado com o que

chamamos de movimentos neopentecostais ou ainda, religiosidade popular. Seu

desenvolvimento ocorreu na medida em que seus adeptos começaram a propagar suas

supostas “experiências”. O movimento religioso Pentecostal no Brasil é uma das forças mais

populares e crescentes em nossos dias. As principais características apresentadas aos seus

frequentadores é o movimento do batismo do Espírito Santo, o dom de línguas, as profecias, o

dom de curas a ênfase na experiência pessoal e na prosperidade o que produziu uma grande

expansão religiosa deste novo pentecostalismo.

No Brasil, a magnitude do pentecostalismo é evidente a todos os observadores. Há

muitos anos esse segmento congrega a maioria dos protestantes. De acordo com o Censo de

2000, dos 26,2 milhões de evangélicos brasileiros, 17,7 milhões são pentecostais (67%) 1 .

Primeiramente tentaremos abordar a questão do crescimento vertiginoso que o pentecostalismo brasileiro tem experimentado em décadas recentes. Por causa dos seus pressupostos explícitos ou implícitos, esse movimento tem uma notável capacidade de reinventar-se, assumindo formas novas e inusitadas, em seguida apresentaremos a relação do crescimento do pentecostalismo com o público de massa, as questões socioeconômicas que atrai essa “clientela”, o poder midiático e a questão do poder eclesiástico com moldes empresariais.

Lembrando o que Rubem Alves fala sobre a religião como busca sobre a realidade “esforço para pensar a realidade a partir da exigência de que a vida faça algum sentido”. (1981, p.8). A religião protestante revela-se ou pode ser apresentada como um sistema de coerência social baseada em um conjunto de crenças, códigos morais e atitudes que visa conhecer e se relacionar com o sagrado. Para o pentecostalismo dentro desse sistema de crenças apresenta além do relacionamento com o divino e sobrenatural a solução para os problemas socioeconômicos do individuo que se entrega a esse conhecimento revelado. Desenvolvendo um crescimento acelerado o pentecostalismo recebeu grande contribuição do movimento religioso popular. A busca pelo quantitativo foi alcançado segundo Ricardo Mariano “por denominações que priorizaram o proselitismo dos estratos pobres da população, orientação que caracterizam os que ocupam o topo”. (2008, p. 70).

A dinâmica deste trabalho consiste, por assim dizer, em demonstrar o poder de crescimento do pentecostalismo nas camadas sociais mais pobres do que em camadas mais abastardas e a sua herança da religiosidade popular para essa expansão religiosa tão forte nas ultimas décadas.

1. O que significa religião/religiosidade popular?

De fato, tentar dar um significado a expressão religião/religiosidade popular pode nos acarretar um erro grave. Segundo Marta Abreu:

A utilização da expressão religiosidade popular, especialmente em trabalhos de história traz o risco de se reduzir a complexidade do fenômeno religioso, simplificando a análise das relações entre religião e sociedade, religião e classes sociais, e finalmente religião e história 2 .

2 LIMA, Lana Lage da Gama et al. História & Religião. Rio de Janeiro: FAPERJ: Mauad Editora Ltda, 2002.

O que poderíamos dizer para tentar apresentar uma alternativa para entender o que

seria religiosidade popular, assim entender o movimento pentecostal enquanto recebedor de grande influencia de crenças populares. Seria apontar que a religiosidade popular é algo que esta “entrelaçada” dentro de uma parte da população é uma memoria preservada por segmentos da sociedade que formam “redes sociais” de trocas entre agentes e usuários. É a comunidade manifestando sua crença legitimando sua fé, muitas vezes voltados para uma igreja local, um grupo fechado, ou uma personalidade, mas também não se limita a lugares sociais ou a período especifico, podendo arrebanhar seguidores via os grandes canais da mídia, produzindo o aumento de seu seguidores. O que chama a atenção é o fato do próprio pentecostalismo adaptar algumas práticas da Religiosidade popular para agregar seguidores em suas denominações na busca da expansão religiosa.

2. O Pentecostalismo e seu crescimento

A primeira manifestação de entusiasmo religioso no protestantismo brasileiro é atribuída por Émile Léonard ao movimento liderado por Miguel Vieira Ferreira (1837-1895) 3 . Esse engenheiro, presbítero e pregador leigo da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, membro de uma família aristocrática de São Luís do Maranhão, acreditava que Deus ainda se revelava diretamente às pessoas, como nos tempos bíblicos. Dotado de um temperamento místico, certa vez teve uma espécie de transe, ficando totalmente imóvel por longo período de tempo. Afastado de suas atividades eclesiásticas pela igreja por insistir nas suas ideias, o presbítero Miguel Ferreira retirou-se com um grupo de crentes, a maior parte parentes seus, e criou a Igreja Evangélica Brasileira (1879), que subsiste até hoje. Todavia, esse grupo é diferente em vários aspectos do movimento pentecostal surgido algumas décadas mais tarde 4 . A partir de movimentos como esse o Pentecostalismo começou a se desenvolver-se e adquirir novas experiências e meios de agregar novos seguidores. Esse fenômeno ainda em evolução tem como proposta religiosa básica a cura, exorcismo e a prosperidade.

A história do pentecostalismo brasileiro esta ligado à evolução da mídia e os meios de

comunicação mais acessíveis às classes sociais de massa no país. Em um período da nossa

3 LÉONARD, Émile-G. O iluminismo num protestantismo de constituição recente. São Bernardo do Campo:

Ciências da Religião, 1988. 4 RIVERA, Paulo Barrera. A reinvenção de uma tradição no protestantismo brasileiro: a Igreja Evangélica Brasileira entre a Bíblia e a Palavra de Deus. Revista USP n° 67 (set.-nov. 2005), p. 78-99.

breve história algumas denominações disputavam concessões de transmissão televisiva de governos militares ditatoriais nos anos de 1960 e 1970 (Frestom 1993). Foram principalmente as denominações pentecostais que saíram na frente ao comprarem emissoras de TV ou mesmo espaços em rede nacional de TV para apresentarem seu programas. Ricardo Mariano aponta a seguinte questão:

A arrecadação financeira quando aplicada no evangelismo eletrônico, no trabalho missionário, na manutenção de extensa rede de pastores e na aquisição de novos locais de culto constitui fator crucial para a expansão denominacional. Pois, quem arrecada mais pode investir mais que as concorrentes no evangelismo eletrônico, na ampliação de sua presença eletrônica e geográfica e de seu número de pontos de pregação, de congregações e de templos, dilatando a capacidade de sua oferta religiosa atingir um público mais amplo e, com isso, criar novas demandas e clientelas 5 .

Temos a consciência de que definir o tamanho do poder midiático e sua influencia na sociedade a partir de um ponto de vista da comunicação é analisar o processo de forma periférica, assim como também é escolher e analisar um dos campos sociais já citados acima. O campo religioso se apropria das novas configurações do espaço midiático para legitimar e atualizar a existência das “velhas igrejas”, ou melhor, das igrejas tradicionais, com o objetivo de reconfigurar o mercado religioso. Os dividendos do proselitismo eletrônico dependem, porém, de quão atraente é a mensagem veiculada e da potência da emissora de rádio ou tevê utilizada. Os programas religiosos que mais atraem pessoas às igrejas são os que destacam o poder transformador de Deus na vida dos homens, centrados na exibição de testemunhos de curas, milagres, intervenções e bênçãos divinas de toda espécie. Em contraste, mostram-se pouco eficazes os que enfatizam o ensino doutrinário, transmitem sermões e discussões teológicas.

Diante das realidades de sofrimento e alienação que caracterizam uma parcela da sociedade moderna, principalmente nos grandes centros urbanos, essas igrejas oferecem espaços de solidariedade e acolhimento, gerando um forte senso de dignidade entre os seus participantes. Por outro lado, elas revelam uma clara tendência para práticas sincréticas e mágicas, tais como a utilização crescente de objetos e rituais como mediação do sagrado, a adoção do vocabulário e práticas da religiosidade popular brasileira e o uso da Bíblia apenas

5 MARIANO Ricardo. Crescimento pentecostal no Brasil: fatores internos. Revista de Estudos da Religião, PUC, São Paulo, SP, p. 68-95, dezembro 2008, p. 75.

como um instrumento para a solução de problemas. Antônio Gouveia Mendonça faz a seguinte critica ao movimento pentecostal:

Essas igrejas não constituem comunidades de crentes comprometidos com a koinonia cristã. Estão sempre cheias, mas de clientes que buscam solução mágica para os problemas do cotidiano e que estão sempre em trânsito, na maioria das vezes mantendo sua identidade religiosa tradicional. Não são, portanto, igrejas, mas clientela de bens de religião obtidos magicamente 6 .

Por outro lado devemos tentar entender o que está em torno desse crescimento numérico do Pentecostalismo: um dos fatores sem duvida é a capacidade de mobilização e o oferecimento de soluções mágicas para os problemas do cotidiano, esta mensagem está em sintonia com as demandas espirituais da população brasileira de todas as camadas sociais. Esse pentecostalismo se adapta muito bem à moderna cultura urbana influenciada pela mídia e pela ética do capitalismo de consumo. Organizam meios de controle para administrarem com eficácia o grande fluxo de pessoas e financeiro. Ricardo Mariano aponta o seguinte sobre o fortalecimento dos pentecostais:

Os autores apontam a emergência da transformação de seitas pentecostais em empresas produtoras de bens de salvação, geridas segundo a lógica do mercado. Desde então, esse fenômeno recrudesceu. Tanto que as denominações pentecostais que mais crescem no país, como Igreja Universal e Deus é Amor, concentram o poder eclesiástico, centralizam a administração e os recursos financeiros e adotam modelo de gestão em moldes empresariais. Nas últimas décadas, a lógica de mercado tornou-se cada vez mais presente nesse meio religioso, promovendo a concentração do poder através da adoção de gestão centralizada e do estabelecimento de governos eclesiásticos episcopais, comandados verticalmente por bispos, missionários, apóstolos e profetas 7 .

A

respeito

do

pentecostalismo

a

crença

pode

diferenciado conforme as diferentes denominações.

apresentar

um

comportamento

A riqueza e o sucesso são apontados como provas da fidelidade a Deus e das benções de Deus sobre a vida das pessoas, criando uma espiritualidade individualista, egocêntrica, onde a pessoa só busca seus projetos e objetivos pessoais, deixando de lado os interesses da

6 MENDONÇA, Antonio Gouvêa. Protestantes, pentecostais & ecumênicos. São Bernardo do Campo, SP:

UMESP, 1997, p. 165; 7 MARIANO Ricardo. Crescimento pentecostal no Brasil: fatores internos. Revista de Estudos da Religião, PUC, São Paulo, SP, p. 68-95, dezembro 2008.

comunidade. No entanto, há coisas positivas também. Muita gente foi beneficiada pelo tra- balho das igrejas pentecostais. Muitas famílias e comunidades foram transformadas. Para o pensamento reformado os neopentecostais precisam enfrentar os desafios do amadurecimento e ter uma fé mais centrada no divino e nas Escrituras e menos na experiência individual, além de ter um maior compromisso com a sociedade brasileira.

Considerações finais

Vimos que o pentecostalismo mantém uma utilização dos meios de comunicação. A facilidade com que algumas igrejas pentecostais se move no mundo midiático, possui uma explicação no fato de que ela já nasceu midiática, diferentemente de outras igrejas, mais históricas e com um passado e uma tradição consideráveis, que hoje recorrem ao processo de midiatização. Vimos também que muitas dessas novas igrejas pentecostais visam o quantitativo, o numero de novos participantes, onde sua maioria são originários de classes mais pobres, focando na arrecadação, tem modelos empresariais de administração e só enxergam os meios de comunicação como suporte para a difusão do Evangelho e suas ideias.

Hoje as igrejas não possuem um público de fiéis fixo e estável. Devido ao surgimento possibilidades de utilização de meios midiáticos, no caso das igrejas pentecostais isso é positivo, pois agregam telespectadores e aumentam suas arrecadações. O público passou a ser itinerante, que não mais se reúnem apenas nos bancos de igrejas, mas em qualquer lugar do universo midiático, por conta do processo de midiatização. Vivemos num novo ambiente religioso brasileiro.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. O que é religião. São Paulo: Brasiliense, 1981.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Os deuses do povo. 3.ed. Uberlandia: Editora da UDUFU,

2007.

FRESTON, Paul. Protestantes e políticos no Brasil: da constituinte ao impeachment. Campinas: IFCH, tese de doutorado em sociologia, 1993.

LÉONARD, Émile-G. O iluminismo num protestantismo de constituição recente. São Bernardo do Campo: Ciências da Religião, 1988;

LIMA, Lana Lage da Gama et al. História & Religião. Rio de Jneiro: FAPERJ: Mauad Editora Ltda, 2002.

MARIANO Ricardo. Crescimento pentecostal no Brasil: fatores internos. Revista de Estudos da Religião, PUC, São Paulo, SP, p. 68-95, dezembro 2008.

MENDONÇA, Antonio Gouvêa. Protestantes, pentecostais & ecumênicos. São Bernardo do Campo, SP: UMESP, 1997.

RIVERA, Paulo Barrera. A reinvenção de uma tradição no protestantismo brasileiro: a Igreja Evangélica Brasileira entre a Bíblia e a Palavra de Deus. Revista USP n° 67 set.- nov. 2005.

000pdf. Acesso em 03/11/2012.