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STF - DJe nº 116/2010

Divulgação: quinta-feira, 24 de junho

Publicação: sexta-feira, 25 de junho

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PROCED.

: SÃO

PAULO

RELATOR : MIN.

GILMAR MENDES

EMBTE.(S) : ASSOCIAÇÃO DAS EMPRESAS IMOBILIÁRIAS DO VALE DO PARAÍBA E LITORAL NORTE ADV.(A/S) : REGINA APARECIDA LARANJEIRA BAUMANN E OUTRO(A/S) EMBDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL

Decisão: A Turma, à unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2ª Turma, 25.05.2010. Ementa: Idêntica ao de nº 747

(749)

ORIGEM

: AI - 943771 - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA

PROCED.

: RIO GRANDE DO SUL

RELATOR : MIN. GILMAR

EMBTE.(S) : GILSON ANTÔNIO TAUFER E OUTRO(A/S)

ADV.(A/S) : MAURÍCIO DAL AGNOL E OUTRO(A/S) EMBDO.(A/S) : BRASIL TELECOM S/A

ADV.(A/S)

MENDES

: GUSTAVO CARDOSO PEIXOTO E OUTRO(A/S)

Decisão: A Turma, à unanimidade, recebeu os embargos de declaração como recurso de agravo, a que negou provimento, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2ª Turma, 25.05.2010. EMENTA: Embargos de declaração em agravo de instrumento. 2. Decisão monocrática. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. 3. Telefonia. Contrato de participação financeira. Subscrição de ações. Matéria infraconstitucional. Precedentes. AI-RG 729.263. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.

(750)

ORIGEM

: RESP - 1017474 - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA

PROCED.

: RIO GRANDE DO SUL

RELATOR

: MIN. GILMAR

MENDES

EMBTE.(S)

: CALÇADOS NUNES LTDA E OUTRO(A/S)

ADV.(A/S)

: MAURÍCIO DAL AGNOL

EMBDO.(A/S)

: BRASIL TELECOM S/A

ADV.(A/S)

: PAULO CEZAR PINHEIRO CARNEIRO E OUTRO(A/S)

Decisão: A Turma, à unanimidade, recebeu os embargos de declaração como recurso de agravo, a que negou provimento, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2ª Turma, 25.05.2010. Ementa: Idêntica ao de nº 749

(751)

ORIGEM

: RESP - 974295 - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA

PROCED.

: RIO GRANDE DO SUL

RELATOR : MIN. GILMAR

EMBTE.(S) : ARMANDO MENEGAZ E COMPANHIA LTDA

ADV.(A/S) : MAURÍCIO DAL AGNOL E OUTRO(A/S) EMBDO.(A/S) : BRASIL TELECOM S/A

ADV.(A/S)

MENDES

: THIAGO SILVA DE MORAES E OUTRO(A/S)

Decisão: A Turma, à unanimidade, recebeu os embargos de declaração como recurso de agravo, a que negou provimento, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2ª Turma, 25.05.2010. Ementa: Idêntica ao de nº 749

(752)

ORIGEM

: RESP - 978521 - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA

PROCED.

: RIO GRANDE DO SUL

RELATOR

: MIN. GILMAR

MENDES

EMBTE.(S) : BENJAMIM CECATTO

ADV.(A/S) : MAURÍCIO DAL AGNOL E OUTRO(A/S) EMBDO.(A/S) : BRASIL TELECOM S/A

ADV.(A/S)

: PAULO CEZAR PINHEIRO CARNEIRO E OUTRO(A/S)

Decisão: A Turma, à unanimidade, recebeu os embargos de declaração como recurso de agravo, a que negou provimento, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2ª Turma, 25.05.2010. Ementa: Idêntica ao de nº 749

(753)

ORIGEM

: AI - 937062 - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA

PROCED.

: RIO GRANDE DO SUL

RELATOR

: MIN. GILMAR

MENDES

EMBTE.(S)

: VALTER PEDRO WEIZENMANN

ADV.(A/S)

: MAURÍCIO DAL AGNOL E OUTRO(A/S)

EMBDO.(A/S)

: BRASIL TELECOM S/A

ADV.(A/S)

: MARIA EDUARDA DUTRA DE OLIVEIRA SILVA E OUTRO(A/S)

Decisão: A Turma, à unanimidade, recebeu os embargos de declaração como recurso de agravo, a que negou provimento, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2ª Turma, 25.05.2010. Ementa: Idêntica ao de nº 749

Brasília, 24 de junho de 2010. Guaraci de Sousa Vieira Coordenador de Acórdãos

SECRETARIA JUDICIÁRIA Decisões e Despachos dos Relatores

PROCESSOS ORIGINÁRIOS

(754)

ORIGEM

: AC - 26731 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

PROCED.

: SÃO

PAULO

RELATORA

:MIN. ELLEN GRACIE

REQTE.(S)

: BRASCARD PROCESSADORA DE CARTÕES DE

ADV.(A/S)

CRÉDITO LTDA : ELIANA RACHED TAIAR

ADV.(A/S)

: LEO KRAKOWIAK

REQDO.(A/S)

: UNIÃO

ADV.(A/S)

: ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO

1.Trata-se de ação cautelar, com pedido de medida liminar, proposta por Brascard Processadora de Cartões de Crédito Ltda., com o objetivo de atribuir efeito suspensivo ao RE 503.507. 2.A liminar foi indeferida (fls. 503-507). 3.Verifico que foi homologada renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação nos autos do citado recurso extraordinário (fl. 524). 4.Ante o exposto, julgo prejudicada a presente ação cautelar (RISTF, art. 21, § 1º). Publique-se. Brasília, 21 de junho de 2010. Ministra Ellen Gracie Relatora

AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.319 ORIGEM : PROC - 200703000923441 - TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL 3A. REGIAO - SP

(755)

PROCED.

: SÃO

PAULO

RELATOR

:MIN. DIAS TOFFOLI

AUTOR(A/S)(ES)

: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

REU(É)(S)

: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

INTDO.(A/S)

: JOSÉ CARLOS OCTAVIANI

ADV.(A/S)

: GIULIANO TRAVAIN

DECISÃO:

Vistos. Trata-se de conflito negativo de atribuição instaurado pelo Ministério Público Federal em face do Ministério Público do Estado de São Paulo em que discute a quem caberia investigar possíveis desvios e emprego irregular de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), no Município de Agudos/SP. Em inquérito que tramitava perante o Tribunal de Justiça de São Paulo visando apurar a prática de crime por Prefeito Municipal, requereu o Ministério Público Estadual o envio do procedimento ao Ministério Público Federal em virtude de decisão desta Corte, na ACO nº 911/SP, relator o Ministro Ricardo Lewandowski, em que ficou assentado competir ao último investigar desvio de verbas do FUNDEF (fls. 620/621), o que foi acolhido (fl.

622).

Pela manifestação de folhas 658/666 o Ministério Público Federal rechaçou sua atribuição para funcionar no feito, sustentando que cabe ao Ministério Público do Estado investigar eventual desvio de verbas originadas do FUNDEF, uma vez que os recursos que integram o Fundo, no Estado de São Paulo, são oriundos das receitas tributárias do próprio Estado e Município, não havendo qualquer complementação de recursos por parte da União. Requereu, então, ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região fosse suscitado conflito de competência. Pelo acórdão de folhas 788/798 o Tribunal Regional Federal da 3ª Região entendeu não haver conflito de competência, mas sim de atribuição entre o Ministério Público Federal e Estadual, porquanto não emitido qualquer juízo acerca da competência pelo Tribunal de Justiça, daí remetendo o feito a esta Corte. O Ministério Público Federal, pelo parecer da ilustre Subprocuradora-

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Geral da República, Dra. Cláudia Sampaio Marques, aprovado pelo então Procurador-Geral, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza, manifestou-se pelo não conhecimento do conflito e, no mérito, pelo “reconhecimento da atribuição do Ministério Público Federal para atuar em matéria penal” (fls. 804/814). Examinados os autos, decido. Inicialmente, reconheço a competência desta Corte para o julgamento da controvérsia, uma vez que se trata de verdadeiro conflito de atribuição entre Ministério Público Federal e Estadual. Com efeito, tendo os órgãos jurisdicionais que intervieram no feito se limitado a remeter os autos a outro Tribunal a requerimento dos representantes do Ministério Público, sem emitir qualquer juízo expresso acerca da competência, não houve formação dessa espécie de conflito. Nesse sentido, já decidiu o Tribunal Pleno desta Corte:

“1. COMPETÊNCIA. Atribuições do Ministério Público. Conflito negativo entre MP de dois Estados. Caracterização. Magistrados que se limitaram a remeter os autos a outro juízo a requerimento dos representantes do Ministério Público. Inexistência de decisões jurisdicionais. Oposição que se resolve em conflito entre órgãos de Estados diversos. Feito da competência do Supremo Tribunal Federal. Conflito conhecido. Precedentes. Inteligência e aplicação do art. 102, I, "f", da CF. Compete ao Supremo Tribunal Federal dirimir conflito negativo de atribuição entre representantes do Ministério Público de Estados diversos. COMPETÊNCIA CRIMINAL. Atribuições do Ministério Público. Ação penal. Formação de opinio delicti e apresentação de eventual denúncia. Delito teórico de receptação que, instantâneo, se consumou em órgão de trânsito do Estado de São Paulo. Matéria de atribuição do respectivo Ministério Público estadual. Conflito negativo de atribuição decidido nesse sentido. É da atribuição do Ministério Público do Estado em que, como crime instantâneo, se consumou teórica receptação, emitir a respeito opinio delicti, promovendo, ou não, ação penal” (Pet nº 3.631/SP, Tribunal Pleno, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de de 6/3/08 – grifos no original). Verifico que o presente conflito de atribuição perpassa por questão relativa à competência para o julgamento de possível ação para discutir desvio de verbas do FUNDEF (atual FUNDES), se da Justiça Estadual ou Federal.

Assim, imprescindível a análise dos dispositivos constitucionais que definem a referida competência, a saber, o art. 109, incisos I e IV, in verbis:

“Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; ( ) IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;" Como se vê, a competência da Justiça Federal se diferencia a depender da matéria discutida na causa, se cível (inciso I) ou penal (inciso IV). No primeiro caso, será competente quando a União tiver interesse processual, atuando como autora, ré, assistente ou opoente. Já no âmbito penal, é preciso que o crime seja praticado em detrimento de bens, serviços ou interesses federais.

Verifico que o FUNDEF, no Estado de São Paulo, não recebe recursos da União a título de complementação. É que somente fazem jus às verbas complementares da União os Estados em que a receita originalmente gerada seja insuficiente para garantir um valor anual por aluno equivalente ou superior ao piso mínimo nacional delimitado pelo chefe do Executivo Federal (art. 6º da Lei nº 9.424/96), não sendo este o caso do Estado de São Paulo. Observo, todavia, que o FUNDEF é composto por verbas do Fundo de Participação do Estado e dos Municípios (FPE e FPM); por receita gerada com a arrecadação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) proporcional às exportações do Estado; e por verbas federais destinadas a compensar a perda dos Estados com a desoneração do ICMS sobre as exportações determinada pela Lei Complementar nº 87/96 (art. 1º, § 1º, da Lei n° 9.424/96). Assim, mesmo que não contribua a título de complementação, a União destina recursos ao referido fundo, seja por meio da receita do IPI ou de parcela que compensa a perda com a arrecadação do ICMS nos Estados. Por esse motivo, o desvio de verbas do FUNDEF, embora atinja interesses econômicos local, atrai a competência da Justiça Federal e a consequente atribuição do Ministério Público Federal. De qualquer forma, tenho que o interesse de que trata o art. 109, inciso IV, da Constituição Federal não se restringe ao âmbito econômico, podendo ser de ordem moral, social, dentre outros. É verdade que o ensino fundamental compete prioritariamente aos Estados e Municípios, conforme dispõe o art. 211, §§ 2º e 3º, da Constituição Federal. No entanto, tal previsão não exclui o papel da União na promoção do ensino básico, tanto é que o caput do dispositivo prevê que “a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino”. Aliás, a redação dada pela Emenda Constitucional nº 14/96 ao art. 211, § 1º, da Constituição, dispõe que a União possui “função redistributiva e

supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”. O art. 23, inciso V, da Constituição da República, estabelece como competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios "proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência".

O ensino, em todos os seus níveis, é tratado de forma tão relevante pela Constituição que um dos casos de intervenção federal nos Estados e nos Municípios ocorre quando não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita estadual ou municipal em sua manutenção (arts. 34, inciso VII, alínea “e”, e 35, inciso III). Destaco, ainda, que é atribuição comum da União, dos Estados e dos Municípios fiscalizar as verbas do fundo, conforme determinam os arts. 5º da Lei nº 9.424/96 que instituiu o FUNDEF, e 26 da Lei nº 11.494/07 que regulamenta o FUNDES, sucessor do FUNDEF. Destarte, relevante é o papel da União na manutenção, fiscalização e desenvolvimento do ensino, em todos os seus níveis, daí porque o seu interesse em assegurar a adequada destinação dos recursos investidos nessa área.

Na divergência ora tratada, tem-se a notícia de eventual desvio de verbas, o que enseja punição na esfera penal. O resultado, então, seria a possibilidade de propositura de ação penal pelo Ministério Público Federal. Em casos este , há julgados nesta Suprema Corte. Confira-se:

“DECISÃO: O Procurador-Geral da República requer, nos seguintes termos, a instauração de conflito negativo de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal. ( ) 2. A Lei n. 9.424/96 estabeleceu sistema fiscalizatório concorrente entre a União, Estados e Municípios no que tange às verbas destinadas ao FUNDEF, devendo prevalecer a competência da Justiça Federal quando houver malversação desses recursos. Em matéria penal, basta à definição da competência da Justiça Federal a ocorrência de lesão a interesse da União, lesão que não se restringe ao aspecto econômico. Nesse passo, o art. 211 da Constituição do Brasil (redação dada pela EC n. 14/96) atribuiu à União função retributiva e supletiva visando à garantia de equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. 3. É patente o interesse da da União, consubstanciado na universalização de um padrão mínimo de qualidade do ensino, independentemente de repasse ou não da verba federal. Acolhendo a

manifestação ministerial, conheço do conflito negativo de atribuições a fim de que o Ministério Público Federal atue em matéria penal” (ACO 1.237/DF, Relator o Ministro Eros Grau, Dje de 2/2/09); “Trata-se de conflito negativo de atribuições no qual se discute a quem compete - ao Ministério Público Estadual ou ao Ministério Público Federal - a investigação de supostas irregularidades praticadas por Prefeito Municipal na gestão de recursos oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF.

) (

Para o deslinde do conflito,bastam dois fundamentos:

1) o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF é composto de recursos provenientes dos Estados e dos Municípios, que são complementados pela União mediante repasse de recursos financeiros transferido sem moeda, a título de compensação financeira pela perda de

receitas decorrentes da desoneração das exportações, conforme o disposto no art. 2º, § 2º, da Lei n° 9.424/96; 2) compete ao Tribunal de Contas da União fiscalizar a regular aplicação pelos Municípios dos recursos do FUNDEF.

) (

Esta Corte já possui entendimento fixado nesse sentido, como se pode verificar na ementa do acórdão proferido no HC n° 80.867/PI, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 12.4.2002):

'EMENTA: 'Habeas Corpus'. Crime previsto no art. 2º, I do Decreto- lei nº 201/67. Prefeito municipal. Fraude em licitações. Desvio de verbas provenientes do FUNDEF, do FNDE e do FPM. Art. 71, VI da CF. Sujeição de quaisquer recursos repassados pela União a Estados, Distrito Federal e Municípios à fiscalização pelo Congresso Nacional, por intermédio do Tribunal de Contas da União. Presença de interesse da

União a ser preservado, evidenciando a Competência da Justiça Federal para processar e julgar os crimes contra esse interesse (art. 109, IV da CF). Havendo concurso de infrações, essa competência também alcança os outros crimes. Precedentes citados: HHCC nºs 68.399, 74.788 e 78.728. 'Habeas corpus' deferido parcialmente.'

) (

Ante o exposto, conheço do conflito para declarar a atribuição do Ministério Público Federal, para onde deverão ser remetidos os presentes autos” (ACO nº 1.041/SP, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJe de 30/4/08); “Trata-se de Conflito Negativo de Atribuições, suscitado pelo Ministério Público Federal, em face do Ministério Público do Estado de São Paulo (fls. 209-216 verso). Consta dos autos que o Ministério Público do Estado de São Paulo

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instaurou procedimento para a investigação de suposto desvio e emprego irregular de verbas do FUNDEF - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério -, na Municipalidade de Mirassol. ( ) Bem examinados os autos, há que se reconhecer que a competência é do Ministério Público Federal. ( ) Quanto ao mérito, o FUNDEF é, nos termos do art. 1º e parágrafos da Lei 9.424/96, um fundo contábil, cujos recursos são provenientes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, do Fundo de Participação dos Estados - FPE, do Fundo de Participação dos Municípios - FPM, do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e de recursos transferidos, em moeda, pela União aos Estados, Distrito Federal e Municípios, a título de compensação financeira pela perda de receitas decorrentes da desoneração das exportações, nos termos da Lei Complementar 87/96 e de outras que vierem a ser instituídas. Como bem mencionou o Procurador-Geral da República, o Ministro Gilmar Mendes, ao relatar a ACO 658/PE, consignou:

hipóteses é de atribuição do Ministério Público Federal para a apuração do fato” (fl. 814). Ante o exposto, conheço do presente conflito para determinar a atribuição do Ministério Público da União para oficiar na esfera penal. Publique-se. Brasília, 17 de junho de 2010. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente

(756)

ORIGEM : ACO - 1492 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

PROCED.

 

: SÃO

PAULO

RELATOR

 

AUTOR(A/S)(ES)

:MIN. EROS GRAU : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

REU(É)(S)

: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

 

PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

'Estes recursos são aplicados para a manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental público e na valoração do magistério e são distribuídos no âmbito de cada Estado e Distrito Federal, na proporção do número de alunos matriculados anualmente nas escolas cadastradas,consideradas as matrículas da 1ª a 8ª séries do ensino fundamental. Conforme disposição da Lei nº 9.424, de 1996, o custo por aluno será analisado de acordo com os níveis de ensino e tipos de estabelecimento. a valor mínimo anual por aluno é fixado por ato do Presidente da República, e seu cálculo é efetuado a partir da razão entre a previsão da receita total para o FUNDEF e a matrícula total do ensino fundamental do ano anterior, acrescido do total estimado de novas matrículas, cujos dados são obtidos do censo anual educacional realizado pelo Ministério da Educação. A União somente complementará os recursos destinados ao FUNDEF, no âmbito de cada Estado e Distrito Federal, acaso o destes recursos não alcance o mínimo anual, quanto o procedimento de tal cálculo, encontra claro suporte no art. 6ª, § 1º,da Lei nº 9.424, de 1996. (ACO nº 658/PE, Min. Gilmar Mendes, DJ 14.02.2003)' (fl. 229). Assevera, ainda, em seu parecer, que a fiscalização da aplicação dos recursos federais é atribuição do Tribunal de Contas da União. A Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União (Lei 8.443/92), apoiada no art. 71, VI, da CF/88, definiu, em seu art. 41, IV, que compete ao TCU 'fiscalizar, na forma estabelecida no regimento interno, a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumento congêneres,a Estado, ao Distrito Federal ou ao Município' (fi.

DECISÃO: O Procurador-Geral da República manifesta-se nestes termos (fls. 156/162):

“1. Trata-se de conflito negativo de atribuição suscitado pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO em face do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, para dar regular processamento ao Inquérito Policial 050.07.088546-0 ‘DIPO 4.2.1/SP’ (I.P. 428/2007 Polícia Civil/ SP), inclusive com documentos provenientes das ‘Peças Informativas’ MPF/PR/SP de nº 1.34.001.007809/2006-12, do ‘protocolado’ MP/SP nº 18.0007.37640/07-6 e do Procedimento Administrativo Criminal MPT/PRT2ª nº 14799/2006, que tratam de apuração dos crimes do art. 203, caput (frustração de direito assegurado por lei trabalhista) e do art. 197, § 4º (omissão de anotação na CTPS de dados relativos a contrato de trabalho), ambos do Código Penal).

 

2.

De acordo com os autos, no processo nº 01022-2006-081-02-00-4

(Reclamatória Trabalhista), em trâmite na 81ª Vara do Trabalho de São Paulo

Capital, no qual figuram como reclamante ROBSON PAULO ROSA e como

reclamada PREMIUM DESIGN INDÚSTRIA E COMÉRCIA, a Juíza do Trabalho Maria Cristina Fisch determinou a expedição de ofícios a alguns

órgãos, dentre eles o Ministério Público do Trabalho, objetivando providências diante do exposto no termo de audiência (fls. 26/27).

 

3.

A Procuradora do Trabalho Viviann Rodriguez Mattos, da

Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região, examinando, por meio do

230).

O Regimento Interno do TCU, por sua vez, dispõe, no art. 6º, inciso VII, que a jurisdição do Tribunal abrange 'os responsáveis pela aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município' (fi.230). Já o art. 5º da lei instituidora (Lei 9.424/96) prevê que 'os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais, mensais e atualizados, relativos aos recursos repassados, ou recebidos, à conta do Fundo a que se refere o art. 1º, ficarão, permanentemente, à disposição dos conselhos responsáveis pelo acompanhamento e fiscalização, no âmbito do Estado, do Distrito Federal ou do Município, e dos órgãos federais, estaduais e municipais de controle interno e externo'. Parece-me, portanto, na esteira do preconizado pelo parecer do Procurador-Geral, que há competência fiscalizatória concorrente entre os entes, os Estados e a União, e, nesse caso, é prevalente a competência federal para conhecer e julgar a ação penal respectiva, nos termos do art. 78, IV, do Código de Processo Penal (Nesse sentido: HC 80.867/PI, Rel. Min. Ellen Gracie; HC 68.399/DF e HC 74.788/MS, Rel. Min. Sepúlveda Pertence e ACO 852/BA, Rel. Min. Carlos Britto). Diante do exposto, reconheço ser competência do Ministério Público da União a averiguação das alegadas irregularidades” (ACO nº 911/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewahdowski, DJ de 1º/2/07). No mesmo sentido: ACO nº 1.457/ES, de minha relatoria, DJe de 21/5/10; ACO nº 1.193/PI, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJ de 3/12/09; ACO nº 1.137/MG, Relator o Ministro Eros Grau, DJ de 1/7/09; ACO nº 1.239/DF, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJ de 20/10/08; ACO nº 1.041/SP, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJ de 30/4/08; CO nº 911/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJ de 1/2/07; ACO nº 852/BA, Relator o Ministro Ayres Britto, DJ de 3/5/06. Outro não foi o entendimento do Ministério Público Federal. Leio no

procedimento nº 13799/2006, a documentação enviada pelo Juízo, deixou consignado o seguinte (fls. 34/35):

 

(

)

verifica-se que sob a falsa rotulagem de trabalho autônomo, a

empresa deixou de efetuar o registro do contrato de trabalho na CTPS do reclamante. Pois bem. Infere-se de tal situação que a representante legal da Premium Design Indústria e Comércio – Cátia Almeida da Silva –, e nesta qualidade, de forma premeditada, por meio de expediente fraudulento,

falsamente rotulou o trabalhador como ‘autônomo’, a fim de frustrar a incidência de direitos trabalhistas e os encargos trabalhistas decorrentes, bem como omitiu deliberadamente a anotação da vigência do contrato de trabalho na CTPS do trabalhador. Essa conduta pode ser enquadrada, em tese, no art. 203, ‘caput’ e no § 4º do art. 297, c/c art. 69 (concurso material), todos do Código Penal.’

 

4.

A Procuradora do Trabalho Maria Beatriz Almeida Brandt, ao

conhecer pela primeira vez do feito (procedimento MPT nº 13799/2006), com

resultados de atos investigatórios, emitiu relatório de arquivamento do mesmo

determinou a remessa de cópia integral dos autos ao Ministério Público Federal, a quem caberia a apuração em tela (fls. 49-51).

e

 

5.

O Ministério Público Federal, por meio da Procuradora da

República Adriana Scordamaglia Fernandes Marins (PR-SP), após referir-se aos autos do procedimento MPF/PR/SP 1.34.001.007809/2006-12, instaurado

a

partir do recebimento dos documentos oriundos do Ministério Público do

Trabalho, apresentou ao Juízo Federal uma ‘Promoção de arquivamento’ pela inexistência de prova da materialidade do delito tipificado pelo art. 337-A do Código Penal, inserindo entendimento no sentido de ser incompetente a

justiça federal para processar e julgar os crimes previstos no art. 203, caput e 297, § 4º, do CP (fls. 06-09).

 

6.

Segue, por relevante, trecho da lavra da mencionada Procuradora

da República (fl. 07):

 
 

(

)

no que se refere aos crimes de frustração de direito trabalhista e

parecer:

de não anotação do contrato de trabalho na CTPS, cumpre observar que não

“( ) Em suma, as ações e procedimentos afetos ao atual FUNDEB, no âmbito criminal, são atribuição do Ministério Público Federal, independentemente de complementação, ou não, com recursos federais. Em matéria cível, contudo, a atribuição de cada um dependerá da presença, ou não, de algum ente federal, pois, nesse caso, a competência é ratione personae. No presente caso, como visto, cogita-se da possibilidade de ter havido desvio de recursos, o que configura delito, em tese, praticado pelo Prefeito Municipal de Agudos-SP. Conforme os fundamentos apresentados, a

ocasionaram ofensa a bens, serviços ou interesse da União, mas sim ao interesse do próprio empregado sendo a competência, por conseguinte, da Justiça Comum Estadual.’

 

7.

Acolhida a manifestação ministerial pelo Juiz Federal Toru

Yamamoto (seguidamente à instauração do Processo 2007.61.81.001664-0), foi determinada a remessa de cópia integral dos autos ao Ministério Público do Estado de São Paulo (fls. 59/60).

 

8.

Recebidos os autos, o Ministério Público do Estado de São Paulo

requisitou a instauração de inquérito policial (fls. 66).

 
 

9.

Diligências policiais efetuadas (nos autos do I.P. 428/2007-

STF - DJe nº 116/2010

Divulgação: quinta-feira, 24 de junho

Publicação: sexta-feira, 25 de junho

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DOSAST/Polícia Civil/SP) e encaminhados os autos, com relatório, à Justiça Estadual, o Ministério Público do Estado de São Paulo suscitou o presente conflito negativo de atribuição (fls. 121-124), servindo-se, em essência, das seguintes razões (fls. 121):

Desde logo entendo inaplicável, in casu, o art. 203 do Código Penal,

seja porque um único fato não pode configurar dois crimes distintos (em face do princípio da unidade do fato, decorrência natural do princípio da legalidade do direito penal insculpido no art. 5º, inciso XXXIX, da Constituição Federal), seja porque não vislumbro qualquer ‘fraude ou violência’ na conduta investigada apta a subsumi-la no tipo penal em comento.

obtempero que a competência para o crime previsto no art. 297, §

4º, do Código Penal, pertence à Justiça Federal. E tal se dá não apenas porque da conduta decorre, em tese, prejuízo à autarquia (INSS) em face do

não recolhimento da contribuição previdenciária concernente ao contrato de trabalho, mas também porque a Constituição Federal claramente atribui à União a fiscalização das leis trabalhistas (art. 21, inciso XXIV, da Lex )’

10. A Juíza de Direito Ariane de Fátima Alves Dias, em virtude do

conteúdo da aludida peça ministerial e como base no art. 105, I, alínea ‘g’, da

Constituição Federal, determinou o encaminhamento dos autos ao Superior Tribunal de Justiça (fls. 125 e 125v.).

11. Chegados os autos à Corte Superior, foram eles autuados e

registrados (Conflito de Atribuição nº 229 – 2009/0076141-7), recebendo parecer do Ministério Público Federal (fls. 130132), bem como a regular decisão, extraindo-se desta a seguinte ementa:

‘PENAL. CONFLITO DE ATRIBUIÇÃO. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL E MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. NÃO-INCIDÊNCIA DE QUAISQUER DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ART. 105, INCISO I, ALÍNEA G, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE CONFLITO DE

ATRIBUIÇÃO. CONFLITO DE ATRIBUIÇÃO NÃO CONHECIDO. 1. O dissenso entre representantes ministeriais implica hipótese de conflito não- elencada no preceito constante do art. 105, inciso I, alínea g, da Carta da República. 2. Tratando-se de matéria eminentemente processual, incumbe aos representantes do Ministério Público indicar suas razões e opinar pela competência jurisdicional, cabendo à autoridade judiciária perante a qual atuam decidir sobre a questão. 3. A manifestação precoce do Superior Tribunal sobre as atribuições ministeriais, com evidente reflexo sobre a competência para o processo e o julgamento de determinada causa penal, em relevo a suposta economia processual, implica manifesta supressão de instância. 4. Conflito de atribuições não-conhecido.’ (CAt 229/SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe 08.10.2009)

12. Em seguida, os autos foram encaminhados à Juíza Ariane de

Fátima Alves, que determinou a remessa dos mesmos a essa Suprema Corte

(fls. 149/149v).

13. Inicialmente, destaca-se que no caso em tela não há uma decisão

proveniente de Juízo Estadual acerca da competência para processo e julgamento das infrações penais em apuração. Percebendo tal ocorrência, o

Ministro Arnaldo Esteves Lima, Relator do Conflito de Atribuição nº 229/SP (conflito não conhecido pelo STJ), manifestou-se em seu voto nos seguintes termos (fls. 138):

incumbe aos representantes do Parquet indicar suas razões e

opinar pela competência jurisdicional, cabendo à autoridade judiciária perante a qual atuam decidir sobre a questão. No caso, entretanto, a matéria não foi apreciada pelo Juízo estadual perante o qual atua o órgão ministerial suscitante, mas apenas pelo Juízo Federal, razão por que não há conflito de competência a ser dirimido. ( )’

14. Nessa linha, se por um lado o Juiz Federal Toru Yamamoto, sem

maiores considerações, atendeu o pedido formulado pelo Ministério Público Federal, para remessa de cópia integral dos autos ao Ministério Público do Estado de São Paulo para a adoção das providências cabíveis quanto aos crimes tipificados nos arts. 203 e 297, § 4º, do Código Penal (fls. 59/60 – observando-se o arquivamento pela ausência de prova da materialidade do crime previsto no art. 337-A do Código Penal) por outro lado a Juíza Estadual

Ariane de Fátima Alves Dias simplesmente determinou o encaminhamento do feito à superior instância (fls. 125/125v. e fls. 149/149v.) para a solução do conflito suscitado pelo Ministério Público estadual.

15. Nesse contexto, não se pode concluir, nesse momento, pela

competência do Supremo Tribunal Federal, haja vista a possibilidade de o Juízo Estadual exarar seu entendimento sobre a questão em conformidade com o Ministério Público do Estado de São Paulo, a constituir conflito de competência (Nesse sentido: ACO 846, Rel.: Min. MENEZES DE DIREITO, DJ

) (

(

)

16/10/2007; PET 2220, Rel.: Min. JOAQUIM BARBOSA, DJ 11/10/1007).

16. Verifica-se que esta mesma preliminar já foi acolhida pelo Ministro

relator na ACO 1282/SP, em 02/02/2009, nos seguintes termos:

‘Acolho a preliminar suscitada pelo Ministério Público Federal. As manifestações dos juízos federal e estadual a respeito de suas competências possibilitarão aferir se há conflito de competência ou de atribuições, este a ser julgado pelo Superior Tribunal de justiça, aquele pelo Supremo Tribunal Federal.

Remetam-se os autos ao Juízo Distribuidor da Comarca de Piracicaba/SP, a fim de que o Juízo a quem o feito for distribuído manifeste-se a respeito de sua competência.’

17. No mérito, assiste razão ao Ministério Público do Estado de São

Paulo.

18. O objeto deste conflito negativo de atribuições é a definição de

qual órgão do Ministério Público, estadual ou federal, deve ser responsável pelo trâmite do procedimento criminal, tendo em vista a levantada divergência

sobre a atribuição para a persecutio criminis no que tange ao delito de frustração de direito assegurado por lei trabalhista (art. 203, caput, do CP) e ao delito de omissão de anotação de dados referentes a contrato de trabalho na CTPS (art. 297, § 4º, do CP), eventualmente cometidos pelos representantes da empresa PREMIUM DESIGN INDÚSTRIA E COMÉRCIO.

19. Quando do julgamento do RE 398.041/PA, o Plenário do Supremo

Tribunal Federal fixou o seguinte entendimento:

Quaisquer condutas que possam ser tidas como violadoras não somente do sistema de órgãos e instituições com atribuições para proteger os direitos e deveres dos trabalhadores, mas também os próprios trabalhadores, atingindo-os em esferas que lhes são mais caras, em que a Constituição lhes confere proteção máxima, são enquadráveis na categoria dos crimes contra a

organização do trabalho, se praticados no contexto das relações do trabalho.’ (RE 398.041/PA, Rel. Min. Joaquim Barbosa, J. 30.11.2006)

20. As condutas que, em tese, amoldar-se-iam ao tipo previsto no art.

203, caput, do Código Penal (frustração de direito assegurado por lei

trabalhista), voltando ao caso concreto, não se revelam como atentatórias ao ‘sistema de órgãos e instituições com atribuições para proteger os direitos e deveres dos trabalhadores’, mas contra um trabalhador, razão pela qual, a contrario sensu da decisão emanada desta Suprema Corte no RE 398.041/PA,

a competência para processar e julgar a infração penal ora em exame contra

a organização do trabalho é da Justiça Estadual.

21. Por outro lado, tem-se que o ilícito previsto no art. 297, § 4º, do

Código Penal (omissão de anotação de informações relativas ao contrato de

trabalho na CTPS) passou a integrar o texto do referido Código com o advento da Lei nº 9.983/2000.

22. O citado diploma legal transportou a alínea ‘g’, do art. 95 da Lei nº

para o Código Penal, passando a constituir o inciso II do novo §

3º do art. 297 do Código Penal. É nítido que este dispositivo (art. 297, § 3º, II) prevê conduta ilícita comissiva na CTPS (falsidade ideológica) ou ‘em documento que deva produzir efeito perante a previdência social’, sendo aproveitado para a incriminação da conduta omissiva insculpida no novo § 4º

do mesmo artigo, igualmente acrescentado pela Lei nº 9.983/2000.

23. Observa-se que a Lei 9983/2000 não somente acrescentou

conteúdo na parte especial do Código Penal (e alterou dispositivos lá existentes), mas também revogou normas incriminadoras na Lei 8.212/91, almejando aperfeiçoar, formal e substancialmente, o conjunto de normas incriminadoras contra crimes em detrimento da Previdência Social.

14. Insta destacar que o antigo § 4º do art. 95, da Lei 8.212/91,

revogado pela Lei 9.983/2000, já deixava transparecer o interesse da Seguridade Social, integrada pela Previdência Social, na apuração dos delitos administrativamente, com a apreensão de documentos, sendo que os ilícitos

faziam parte do art. 95 da Lei 8.212/91 (o que incluía o que hoje pode ser encontrado no art. 297, § 3º, II, do Código Penal).

25. O objeto jurídico protegido pelos §§ 3º e 4º do art. 297 do CPB é a

fé pública, em especial a veracidade dos documentos relacionados à Previdência Social. Ou seja, o sujeito passivo é, primeiramente, o Estado e, em caráter subsidiário, o segurado e seus dependentes que vierem a ser

prejudicados (DELMANTO, Celso [ET al]. Código penal comentado, 6. ed. atual. e ampl. RJ: Renovar, 2002, p. 588).

26. A norma penal exige a lisura na relação estabelecida pelo

empregador com o órgão da Previdência Social, constituindo os

assentamentos da CTPS os parâmetros legítimos para os cálculos contributivos. O segurado, por sua vez, é protegido porque somente a partir de informações válidas serão alcançados benefícios igualmente válidos (JESUS, Damásio E. de. CTPS. Deixar de registrar empregado não é crime. Revista Síntese do Direito Penal e Processual Penal, nº 18. Fev – Mar/2003. P. 12/13).

27. Não se pode negar, portanto, a existência de um interesse

específico da União, já que se tem um dano potencial aos serviços federais

que têm a privacidade de sua expedição, estando a eles necessariamente vinculados (RTJ 116/162, Rel. Min. Rafael Mayer; RE nº 135.243/DF. Rel. Min. Celso de Mello. DJ 17.6.2005).

28. Dessarte, sendo o bem jurídico tutelado a fé pública e o sujeito

passivo a Previdência Social, é inegável a aplicação do art. 109, IV, da Constituição Federal, significa dizer, a atribuição é do Ministério Público Federal (ACO 1261/SP. Rel. Min. Menezes Direito. DJ de 21/11/2008).

29. Assim sendo, a competência para processar e julgar o feito é da

Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV, da Constituição Federal (ACO 1258/SP. Rel. Min. Menezes Direito. DJ de 21/11/2008).

30. Dessa forma, em havendo, como visto, informações sobre a

prática, em tese, de delitos de competência estadual (art. 203, caput, do CP) e

federal (art. 297, § 4º, do CP), conexos, o feito deve ser julgado pela Justiça Federal (Súmula 122 do STJ).

31. Ante o exposto, manifesta-se o Ministério Público Federal pelo

não conhecimento do presente conflito, e consequentemente pelo retorno dos autos ao Juízo Estadual, a fim de que este profira pronunciamento acerca de sua competência para o feito. Caso ultrapassada a preliminar, manifesta-se pelo reconhecimento da atribuição do Ministério Público Federal.” 2.Evidenciada a ocorrência, ao menos em tese, de crime da competência da Justiça Federal, não obstante a conexão com crime de

8.212/91 [

],

STF - DJe nº 116/2010

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90

competência da Justiça Estadual (Súm. 122/STJ), a atribuição é do Ministério Público Federal em São Paulo. Conheço do conflito negativo, declarando a atribuição do Ministério Público de São Paulo. Publique-se. Brasília, 22 de junho de 2010. Ministro Eros Grau - Relator -

Estadual, averiguou-se que o terreno em epígrafe pertence à Imobiliária Continental IV, havendo apenas uma servidão de uso em favor da empresa Furnas Centrais Elétricas S/A.

11.

Desse modo, devem prevalecer os argumentos do Procurador da

República que alegou que não há obrigatoriedade da inclusão da empresa

Furnas Centrais Elétricas S/A no pólo passivo de eventual ação civil pública a ser ajuizada, eis que não é ela a proprietária da área afetada e, portanto, não detém a responsabilidade pela reparação do dano ambiental (fls. 312):

 

(

)

O simples fato da empresa Furnas Centrais Elétricas S/A deter

(757)

uma servidão administrativa em parte da área afetada, cuja propriedade é da Imobiliária Continental IV, não tem o condão de deslocar a competência da Justiça Estadual para a Federal como pretende o DD Promotor de Justiça. Isto porque eventual propositura de ação civil pública não implica necessariamente a inclusão da empresa Furnas Centrais Elétricas no pólo passivo da ação, apenas pelo fato de ter antenas de alta tensão instaladas em parcela do terreno, posto que a responsabilidade pela reparação do dano ambiental é da proprietária do imóvel. Cumpre destacar, ainda, que, muito embora as investigações do Ministério Público Estadual não tenham identificado o responsável pelo

ORIGEM

: ACO - 1509 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

PROCED.

: SÃO

PAULO

RELATOR

: MIN.

EROS GRAU

AUTOR(A/S)(ES)

: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

REU(É)(S)

: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO : PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

PROC.(A/S)(ES)

DECISÃO: O Procurador-Geral da República requer, pelas razões a seguir, seja instaurado conflito de atribuições entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo (fls. 320/323):

despejo de entulho no terreno, em nenhum momento a empresa Furnas Centrais Elétricas S/A foi apontada como autora de tal conduta, ou seja, não há que se falar em responsabilização da empresa em questão. ( )’

“2. Preliminarmente, cabe ressaltar que compete ao Supremo Tribunal Federal o julgamento dos conflitos de atribuição entre o Ministério Público Federal e o Estadual, conforme o entendimento firmado na PET nº 3.528/BA, verbis:

COMPETÊNCIA – CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES – MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL VERSUS MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. Compete ao Supremo a solução de conflito de atribuições a envolver e o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual. CONFLITO NEGATIVO DE ATRIBUIÇÕES – MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL VERSUS MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL – ROUBO E DESCAMINHO. Define-se o conflito considerado o crime de que cuida o processo. A circunstância de, no roubo, tratar-se de mercadoria alvo de contrabando não desloca a atribuição, para denunciar, do Ministério Público Estadual para o Federal.’ (PET 3528/BA. Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ 03.03.2006, p. 71).

12.

Nada obstante, insta salientar que, ainda que a empresa Furnas

Centrais Elétricas S/A venha a ocupar o pólo passivo de eventual ação civil pública, por ser subsidiária da ELETROBRÁS, estão não detém foro na

Justiça Federal, devendo ser aplicado o teor das Súmulas 556 do STF e 42 do STJ, que tratam da competência da Justiça Comum Estadual para julgar as ações em que é parte sociedade de economia mista.

13.

Note-se que a Constituição Federal delimitou a competência da

Justiça Federal, expressa em rol taxativo no art. 109, dando tratamento residual às competências das Justiças Estaduais.

14.

No caso em tela, tratando-se de sociedade de economia mista,

não mencionada no art. 109, I, da Constituição, afasta-se a competência da Justiça Federal para julgar o caso e, consequentemente, a atribuição do Ministério Público Federal. A matéria encontra-se, inclusive, sumulada nessa

Corte: ‘É competente a justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista’ (Súmula nº 556).

3.

A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Guarulhos/SP, a

15.

Logo, o eventual interesse da União no feito dever ser por ela

partir de ofício da Polícia Militar do Estado de São Paulo, instaurou o Inquérito Civil nº 25/04 para apurar a existência de atividade de degradação do meio ambiente em área de preservação ambiental no Município de Guarulhos/SP, consistente no despejo de resíduos sólidos – entulho – no Parque Continental

manifestado, o que poderá acarretar o deslocamento do feito para a Justiça

Federal. Nesse sentido é o enunciado da Súmula nº 517 do Supremo Tribunal Federal: ‘As sociedades de economia mista só têm foro na justiça federal quando a União intervém como assistente ou opoente’.

IV.

16.

Nesse ponto, considerando que em matéria de Ação Civil Pública

4.

Após a realização de uma série de diligências, o Ministério Público

 

Estadual declinou de sua atribuição e determinou a remessa dos autos ao Ministério Público Federal, sob o seguinte fundamento (fls. 398):

‘Considerando que a ação civil pública a ser ajuizada para a reparação dos danos ambientais verificados nestes autos deverá incluir a

ambiental a propriedade da área em que o dano ou o risco de dano se manifesta é um dos critérios definidores da legitimidade para agir do Ministério

Público Federal e que a degradação ambiental foi praticada em área de preservação permanente, de propriedade privada, constata-se que não há interesse direto e específico da União a atrair a competência da justiça federal.

Furnas Centrais Elétricas S/A no pólo passivo, revejo meu posicionamento anterior e, atento ao disposto no art. 109, I, da Constituição Federal, declino de minha atribuição para atuar no feito e determino a remessa dos autos à Procuradoria da República em Guarulhos, para adoção das medidas que entender pertinentes.’

Assim sendo, compete à Justiça Estadual o processo e

julgamento de ação civil pública que visa à apuração de possível dano ambiental em área de preservação permanente perpetrada em terras particulares, pois não ficou demonstrada a existência de eventual lesão a bens, serviços ou interesses da União, a ensejar a competência da Justiça Federal.

17.

No entanto, ao receber os autos, a Procuradoria da República em

Guarulhos declinou de sua atribuição para o Ministério Público do Estado de São Paulo (fls. 303/304) e suscitou o presente conflito negativo de atribuições (fls. 310/314), ao argumento que, sendo a proteção ao meio ambiente matéria de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e inexistindo dispositivo constitucional ou legal expresso sobre a matéria, é da Justiça comum a competência para o processo e julgamento dos crimes ambientais.

5.

18.

Pelo exposto, requer o Procurador-Geral da República a

instauração do conflito de atribuições, pedindo que seja declarada a atribuição

do Ministério Público do Estado de São Paulo para promover as medidas judiciais que considerar cabíveis.” Acolhendo o parecer ministerial, conheço do conflito negativo declarando a atribuição do Ministério Público do Estado de São Paulo. Publique-se. Brasília, 18 de junho de 2010. Ministro Eros Grau

-

Relator -

6.

Inicialmente, cumpre destacar que o caso em tela afigura-se como

verdadeiro conflito de atribuições, tendo em vista que não houve a manifestação de qualquer órgão jurisdicional acerca da competência para julgar a matéria. Com efeito, os presentes autos apenas tramitaram entre os Ministérios Públicos envolvidos, de modo que a Corte Suprema equipara-o ao

litígio entre a União e o Estado-federado, nos termos do art. 102, I, f, da Constituição Federal.

ORIGEM : ACO - 1532 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PROCED. : SANTA CATARINA

(758)

7.

No mérito, o objeto do presente conflito negativo de atribuições é

definir qual será o Ministério Público competente para investigar a suposta

RELATOR

:MIN. EROS GRAU

ocorrência de dano ambiental em área de preservação, consubstanciado pelo depósito de entulho em terreno privado no Bairro Continental IV, na periferia de Guarulhos/SP.

AUTOR(A/S)(ES) : ESTADO DE SANTA CATARINA

PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA

8.

De início, cumpre salientar que os critérios e normas para a

REU(É)(S)

: UNIÃO

criação, implantação e gestão das unidades de conservação estão previstos na Lei nº 9.985/2000, que estabelece que a Área de Preservação Ambiental pode ser instituída tanto em propriedade pública quanto em particular, sendo que nestas podem ser estabelecidas normas e restrições para sua utilização. 9. No presente caso, por tratar-se de propriedade particular, a responsabilidade da limpeza do terreno é do seu proprietário ou daquele que comprovadamente efetuou os despejos de resíduos sólidos. No entanto, das investigações preliminares realizadas pelo Ministério Público Estadual não se pode constatar o responsável pelo despejo do entulho do terreno. 10. Na verdade, das diligências efetuadas pelo Ministério Público

ADV.(A/S) : ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO

DESPACHO: Em virtude das alegações de matéria preliminar na contestação apresentada pela ré, ouça-se o autor, no prazo de 10 [dez] dias, nos termos do disposto no art. 327 do CPC. Publique-se. Brasília, 18 de junho de 2010. Ministro Eros Grau

 

-

Relator -