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19.04.

2010

Apelação

Atualmente não se caracteriza mais conforme a natureza do ato, mas


sim do seu conteúdo (hipóteses de sentença dispostos nos artigos 267 e 269).

Dentro da normalidade, o recurso cabível contra a sentença é a


apelação, disciplinada pelos artigos 513 a 521. Há, contudo, situações
excepcionais:

1) Artigo 296: quando o juiz indeferir liminarmente a petição inicial (art.


295 do CPC), o recurso cabível será o de apelação (art. 267, I). O réu não foi
citado previamente. A apelação seguirá, então, o regime do art. 296.

É fácil perceber que, se houver apelação, ela será interposta pelo autor.
Ela será devolvida inicialmente ao juiz (efeito devolutivo diferido), pois ele
poderá, se for o caso, retratar-se em 48 horas. Se o juiz se retratar, ele cassa
a sentença e ordena a citação do réu para a regular tramitação do processo.
Caso o juiz mantenha a sentença, o réu não será citado, nem para apresentar
contrarrazões, e o Estado-juiz será o apelado no recurso de apelação
interposto pelo autor. Negando-se provimento ao recurso, mantém-se a
sentença e o processo é extinto. Dando-se provimento, anula-se a sentença e
cita-se o réu para o trâmite normal da marcha processual.

O artigo 267, inciso I, conforme dito acima, estabelece que a decisão


que indefere a petição inicial (hipóteses previstas no art. 295) é sentença sem
resolução de mérito. O inciso IV do art. 295, por sua vez, estabelece que, em
casos de prescrição e decadência legal, a petição inicial será indeferida de
plano.

Ocorre que o artigo 269 estabelece que a prescrição e a decadência


legal são casos de sentença de resolução de mérito. Assim, o artigo 267, I,
deveria ressalvar que há resolução do mérito nos casos de prescrição e
decadência legal. Prescrição é sempre legal, pois tem a natureza de objeção,
sendo matéria de ordem pública (art. 219, §1º). Já a decadência pode ser
estabelecida por lei (legal) ou pelo contrato (convencional) – artigos 210 e 211
do Código Civil, respectivamente. No primeiro caso, a decadência terá
natureza de objeção, daí a previsão do art. 295, IV; se ela for convencional,
terá natureza de exceção (o juiz só conhecerá dela se provocado). Na
hipótese do art. 295, IV, não há citação do réu, então não há alegação de
decadência convencional.

Ainda no caso do art. 295, IV, faz-se coisa julgada formal e material. O
autor, no futuro, não poderá ajuizar nova ação em razão da coisa julgada.
Para que o réu tenha a oportunidade de alegar isso, dispõe o art. 219, §6º que
o réu será comunicado (intimado) da sentença ou acórdão, para que tenha
ciência de que houve processo e de qual foi o resultado do processo.

2) Artigo 285-A: de acordo com o artigo 285, o juiz julgará


antecipadamente o pedido (sem produção de provas), quando não houver
questões (pontos controvertidos) de fato, mas apenas de direito. Pressupõe-se
que houve citação do réu e apresentação de contestação.

O julgamento antecipadíssimo (julgamento de causas repetitivas ou de


massa), contudo, estabelece que será proferida sentença antes da citação do
réu, quando a mesma matéria de direito, que será a controvertida (não
haverá questão de fato), já tiver sido decidida anteriormente por este juiz (por
pelo menos duas vezes). Julga-se, portanto, por precedente (técnica de
common law). Havendo unicamente matéria de direito, já decidida pelo juiz,
este estará autorizado a prolatar sentença sem citar o réu, sendo tal sentença
de mérito.

Se for interposta apelação pelo autor, aplicam-se os parágrafos do


artigo 285-A. Há 5 dias para o juiz se retratar. Retratando-se, o réu é citado e
o processo segue seu normal andamento. Caso não haja retratação, o réu
será citado para se, querendo, ofertar contrarrazões, em que se alega aquilo
que se argüiria na contestação1. Dando-se provimento ao recurso, anula-se a
sentença. Em caso contrário, esta é mantida. Caso seja dado provimento, mas
se entende que a questão é só de direito, o Tribunal pode julgar
antecipadamente a causa, pois já ocorreu o devido contraditório
(contrarrazões). Por isso é importante que o réu/apelado, nas contrarrazões,
conteste a ação.

1
O réu só poderá alegar nas contrarrazões que a sentença está correta. Se ele alegar matéria
de fato, estará afirmando que o juiz aplicou erradamente o art. 285-A, sendo contrário ao seu
próprio interesse. Seria um recurso contra si mesmo (recurso contra se venire), e não seria
admitido.
Nos casos do artigo 285-A, o réu deve ser intimado da sentença
transitado em julgado (art. 219, § 6º), pois há trânsito em julgado material da
decisão.

Extensão e Profundidade da Apelação

Extensão – O Tribunal pode decidir apenas dentro dos limites da


irresignação do apelante (artigo 515, caput). Caso o réu impugne apenas o
dispositivo da sentença que estabelece os honorários, por exemplo, o Tribunal
poderá reformar a sentença apenas nesse tocante, e não acerca da
procedência do pedido (mérito). Portanto, quem determina a extensão da
devolução é quem recorre.

Profundidade (§§ do art. 515 do CPC) – Uma coisa é reexaminar os


pedidos julgados na sentença; outra é o reexame dos fundamentos da
sentença, que é regido pela lei. Os §§ 1º e 2º do art. 515 do CPC, conjugados,
determinam que a apelação devolverá para o Tribunal o reexame da matéria
não conhecida no juízo de origem.

Todos os fundamentos são devolvidos ao tribunal. Por exemplo, o juiz


prolata sentença suscitando prescrição e, no Tribunal, é afastada a alegação
da prescrição. Como o acolhimento da prescrição prejudica a análise do
restante aduzido na petição inicial, o Tribunal continua na análise dos outros
fundamentos sequer apreciados no juízo de origem. Ressalva-se que a
continuação da análise só se opera quando há conjunto probatório suficiente
para tanto. Se a alegação de prescrição é afastada, só se poderá analisar a
questão, por exemplo, da culpabilidade se já houve prova constituída nos
autos que permita o conhecimento dos fatos pertinentes. Se houver, o
Tribunal continua na análise da demanda rumo à apreciação jurisdicional;
caso contrário, o Tribunal simplesmente anula a sentença e os autos retornam
ao juízo de origem para a devida produção probatória.

26.04.2010

Procedimento padrão da Apelação

Quando a apelação não se encaixar em nenhuma das hipóteses dos


artigos 296 e 285-A, esta seguirá procedimento padrão, delineado pelos
artigos 513 a 521: a parte recorre, o juiz recebe o recurso (juízo – prévio e
provisório – de admissibilidade), a outra parte é intimada para oferecer
contrarrazões e o processo é encaminhado para o Tribunal. O primeiro exame
de admissibilidade é realizado, pois, pelo juízo a quo. Assim, se o juiz verificar
a ausência de qualquer pressuposto de admissibilidade para o recurso, ele
indeferirá de plano a apelação. Neste caso, trata-se de decisão interlocutória,
contra a qual cabe agravo nos termos do art. 522 do CPC.

Quando o magistrado de primeiro grau recebe a apelação, este ato de


recebimento tem caráter provisório. Ele ordena a intimação da parte
contrária, que pode indicar a ausência de um pressuposto qualquer nas
contrarrazões (preliminar). O juiz que já havia recebido a apelação poderá
indeferi-la diante das contrarrazões (art. 518, §2º: “apresentada a resposta, é
facultado ao juiz, em cinco dias, o reexame dos pressupostos de
admissibilidade do recurso”). Na prática, o §2º do art. 518 do CPC tem pouca
relevância/incidência porque os juízes, de modo geral, não lêem as
contrarrazões, cabendo ao Tribunal apreciar os pressupostos. O juízo de
admissibilidade final nunca é do órgão a quo, mas do órgão ad quem.

Pelo artigo 518, § 1º, visualiza-se instituto inspirado na common law, em


que se dispõe que o juiz não receberá o recurso de apelação quando a
sentença estiver fundada em entendimento contrário a súmula/enunciado
sumular do STJ ou do STF, pois não há possibilidade de o recurso ser provido
em face da expressa previsão legal sumulada. É a chamada “súmula
impeditiva de recurso” (doutrina).

Nesses casos, a parte pode recorrer, mas o juiz está impedido de


receber a apelação. Isso apenas teoricamente, pois em alguns casos
específicos a súmula pode ter sido revogada, não ser aplicável ao caso ou,
ainda, tratar-se de matéria de fato controvertida, que precisa ser provada,
discutida etc.

Portanto, a apelação será indeferida (decisão interlocutória, da qual


cabe agravo de instrumento – o que permite à parte chegar ao Tribunal por
via oblíqua) quando a súmula tiver sido corretamente aplicada ao caso
concreto. Trata-se de dispositivo, na visão do professor, que visa tão somente
diminuir o volume de trabalho nos Tribunais, e não resguardar os interesses
dos jurisdicionados. Tem-se, na verdade, uma força persuasiva psicológica
maior que uma força jurídica: a parte sabe que o juiz irá indeferir o
recebimento da apelação e que ela deverá interpor agravo, o que envolve
custas (preparo), além das custas da apelação, e o risco de recorrer. É uma
regra que não atende ao interesse do jurisdicionado, mas sim, ao interesse do
Poder Judiciário de reduzir o volume de causas (mecanismo de restrição do
acesso aos tribunais).

O professor chama a atenção para a imprecisão técnica do artigo 518,


pois o parágrafo 2º (antigo § único) está ligado ao caput, e não ao § 1º (mais
recente). O caput e o § 2º tratam de casos em que a apelação é recebida,
enquanto o § 1º trata dos casos em que a apelação não deve ser recebida. Há,
portanto, quebra de coerência interpretativa, de tal maneira que o mais
correto seria ter transformado o § 1º em 518-A ou § 2º.

Nos Juizados Especiais, não há recurso de apelação, mas sim um recurso


inominado, julgado por uma Turma Recursal, composto por três juízes de
primeiro grau. O prazo de interposição deste recurso é de 10 dias.

Embargos Infrigentes (arts. 530 a 534)

As Câmaras do Tribunal de Justiça são compostas por 5


desembargadores titulares. Normalmente, estes dividem-se em turmas
julgadoras de 3.

Quando o recurso chega ao Tribunal, o relator é sorteado. O mesmo


relator sempre compõe a turma com o mesmo revisor e o mesmo 3º juiz. A
definição da composição das turmas é prévia, ficando adstrita ao sorteio do
relator qual será a turma julgadora de determinado recurso.

Supondo que o relator, o revisor e o 3º juiz concordem com o resultado


do julgamento, há votação unânime (v.u.), de tal maneira que pouco
importaria, por uma questão aritmética, saber como votariam os outros 2
desembargadores que compõem a Câmara.

Em casos de unanimidade, portanto, não cabem os embargos


infringentes, mas apenas nos casos em que exista maioria (ou seja, quando
haja um voto vencido).

Normalmente, o voto do relator, quando acompanhado pelos outros


desembargadores, se “transforma” no acórdão, o que não impede a
declaração de voto vencedor pelos outros desembargadores, não obstante ser
raro. Quando não há unanimidade, contudo, necessariamente declara-se no
acórdão o voto vencido.
Além disso, cabem embargos infringentes apenas contra acórdão que
julga (i) recurso de apelação que ataca sentença de mérito (casos do
artigo 269 do CPC) e (ii) ação rescisória, e, ainda, caso o resultado do
julgamento (da apelação ou da rescisória) seja procedente.

Quando o acórdão nega provimento ao recurso ou julga improcedente a


rescisória, portanto, de maneira alguma cabem embargos infringentes,
mesmo que a decisão seja por maioria e o recurso seja advindo de sentença
de mérito (apelação) ou em julgamento de ação rescisória.

Em suma, as condições de cabimento dos embargos infringentes são: (i)


a publicação de acórdão que não seja unânime; (ii) que seja o acórdão que
julgue recurso de apelação que ataca sentença de mérito (não cabem os
embargos, pois, nas hipóteses de sentenças terminativas) ou de julgamento
de ação rescisória; e (iii) seja dado provimento o recurso/ a rescisória
(julgados procedentes).

Os embargos infringentes devem se pautar no voto vencido, isto é,


devem ser necessariamente fundados (nada fora e além) do voto vencido. A
declaração do voto vencido é, portanto, fundamental para dar substância
argumentativa aos embargos infringentes. Assim, por exemplo, se a
divergência disser respeito tão somente ao valor dos honorários, e não
propriamente ao mérito da questão, os embargos infringentes só podem
versar sobre essa matéria.2

A motivação diferente no acórdão não enseja oposição de embargos


infringentes, mas apenas a decisão diferente (procedência e improcedência).3

2
Cf. Moreira, José Carlos Barbosa, Comentários ao Código de Processo Civil, lei 5.869, de 11
de janeiro de 1973, vol V: arts. 476 a 565, 15.ed., Rio de Janeiro, Forense, 2010, p. 531-532:
“Compreensível [...] que a extensão dos embargos se meça pela extensão da divergência. Se
o desacordo foi total, o embargante poderá pedir a reapreciação integral da matéria
apreciada no acórdão embargado. Se parcial, tudo aquilo em que houve unanimidade escapa
ao âmbito dos embargos [...]. Compondo-se o acórdão de mais de um capítulo, serão
embargáveis os capítulos a cujo respeito houver voto vencido. Assim, v.g., se o pedido
compreendia três parcelas, x, y e z, rejeitada a primeira por votação unânime e as duas
outras por maioria, só em relação a y e z é embargável o acórdão. O embargante, porém, fica
livre de abranger no seu recurso ambas essas parcelas ou uma única; o que não lhe seria
lícito é pretender, nos embargos, a reforma do acórdão no tocante à parcela x (art. 505)”.
3
Cf. Moreira, José Carlos Barbosa, Comentários..., p. 529: “Apura-se o desacordo pela
conclusão do pronunciamento de cada votante, não pelas razões que invoque para
fundamentá-lo: a desigualdade de fundamentações não é bastante para tornar embargável o
acórdão”.
Há apenas um caso em que cabem embargos infringentes em apelação
advinda de sentença terminativa, consoante a jurisprudência do STJ. Trata-se
do caso do artigo 515, § 3º (“julgamento de causa madura”), em que a
sentença não enfrenta o mérito (art. 267) e o Tribunal reforma a decisão por
entender que o juiz a quo já estivesse em condições de resolver as questões
de mérito no momento em que proferiu a sentença, passando a julgar o
mérito da causa. Em outras palavras, o tribunal desempenha, além da sua
função inerente (julgar o recurso de apelação), outra função determinada pela
lei: julgar o mérito da causa. Assim, dispõe o aludido art. 515, §3º do CPC que
“nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o
tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão
exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento”.

Ocorrida tais questões, o acórdão da apelação julgará o mérito. Assim,


verificados os pressupostos de oposição de embargos infringentes
supracitados, estes são cabíveis, não obstante a sentença de primeira
instância ser terminativa.

Portanto, onde se lê “sentença de mérito” no artigo 530, substitui-se por


“julgamento de mérito”.

No julgamento dos embargos infringentes, a turma julgadora é


composta por 5 desembargadores.

Os embargos são opostos perante o relator do acórdão. Este,


monocraticamente, procede ao exame de admissibilidade dos embargos.
Indeferidos, cabe agravo regimental em 5 dias aos 3 julgadores que
compuseram a Turma.

Caso os embargos sejam acolhidos (pelo relator ou, posteriormente,


pela Turma), forma-se a Turma Julgadora dos embargos, composta pelos 5
desembargadores que compõem a Câmara. Os outros 2 julgadores que não
participaram do julgamento do recurso cujo acórdão foi embargado tornam-
se, nesse novo julgamento, relator e revisor. Trata-se de medida que visa não
manter o mesmo “voto influente” (como é chamado o voto do relator) do
acórdão anterior. Apesar disso, é plenamente possível que haja inversão do
voto.
Nos embargos infringentes, ocorre devolução horizontal do processo
(não há deslocamento entre instâncias diferentes dos autos). Opõe-se o
recurso e a matéria impugnada é devolvida “ao mesmo lugar”.