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TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO

São Paulo

 

Registro: 2017.0000831477

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 1029892-67.2014.8.26.0576, da Comarca de São José do Rio Preto, em que são apelantes/apelados GILBERTO MOREIRA e VÂNIA MARIA TARRAF MOREIRA, são apelados/apelantes WANESSA REGINA BORIM JANJÚLIO e MARCUS VINICIUS PAVANI JANJULIO.

ACORDAM, em 30ª Câmara Extraordinária de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento aos recursos. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ARALDO TELLES (Presidente) e CARLOS DIAS MOTTA.

São Paulo, 24 de outubro de 2017

NATAN ZELINSCHI DE ARRUDA

RELATOR

Assinatura Eletrônica

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo Apelação Cível n.º 1.029.892-67.2014.8.26.0576 Apelantes e

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

Apelação Cível n.º 1.029.892-67.2014.8.26.0576

Apelantes e reciprocamente apelados:

WANESSA REGINA BORIM JANJÚLIO E OUTROS

Comarca:

GILBERTO

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

MOREIRA,

Voto n.º 38.787

- Recurso redistribuído à Trigésima Câmara

Extraordinária de Direito Privado, com base na

Resolução n.º 737/2016 e Portaria nº 02/2017.

- Rescisão contratual, cumulada com reintegração na

posse. Devido processo legal observado. Desnecessidade

de prova oral. Pendência existente reclama

exclusivamente prova documental. Reconvenção

pleiteando reconhecimento de quitação.

Inadmissibilidade. Pagamento abrangendo a aquisição

está vinculado ao termo de desistência da preempção.

Ausência de documentação hábil para tanto. Condição

suspensiva que afasta a inadimplência. Alegação dos

réus reconvintes de que ocorrera a quitação do preço

sem supedâneo, pois não existe comprovação

abrangendo os valores e na forma constantes da

relação negocial. Ilações e conjecturas são insuficientes

para tanto. Improcedência da ação e da reconvenção

em condições de prevalecer. Sentença apta a sobressair.

Apelos desprovidos.

Apelação nº 1029892-67.2014.8.26.0576 - São José do Rio Preto - VOTO Nº 2/6

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo 1. Trata-se de apelações interpostas tempestivamente com base

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1. Trata-se de apelações interpostas tempestivamente

com base na r. sentença de págs. 473/477, aclarada pelos embargos de pág.

488, que julgou improcedente ação de rescisão contratual, cumulada com

reintegração na posse envolvendo alienação de loja em shopping center.

Alegam os autores apelantes que a sentença merece ser

anulada, ante o cerceamento de defesa, uma vez que requereram o

depoimento pessoal dos réus envolvendo o negócio. Continuando declararam

que pleitearam expedição de ofício à administração do shopping para que

informasse acerca da apresentação ou não do termo de renúncia envolvendo o

direito de preempção, no entanto, houve julgamento antecipado. A seguir

disseram que a produção da prova oral seria essencial, reportando-se a textos

legais. No mais mencionaram que o termo de renúncia ao direito de

preempção fora apresentado aos apelados, reportando-se à cláusula oitava do

contrato, além do que, a renúncia ao direito de preempção foi formalizada no

próprio contrato. Prosseguindo expuseram que a inadimplência dos apelados

é notória, e o imóvel se encontra alugado a terceiros, sendo que os apelantes

sequer têm poderes para o recebimento dos aluguéis, mencionando, inclusive,

situação fática em relação ao imóvel substitutivo para as atividades dos

apelados. Por último requereram o provimento do apelo, com anulação da

sentença ou procedência da ação.

Os réus também recorreram, aduzindo que a reconvenção

fora julgada improcedente, pois já fora pago integralmente o valor

contratado, inclusive em quantia superior, além de receberem os locativos

gerados pelo imóvel. A seguir pleitearam a restituição de valores pagos a

maior, reportando-se à doutrina e a textos legais. Prosseguindo expuseram

que os autores infringiram a cláusula quinta do contrato, devendo suportar as

penalidades impostas, correspondente à multa de 20% sobre o valor total

Apelação nº 1029892-67.2014.8.26.0576 - São José do Rio Preto - VOTO Nº 3/6

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo corrigido do preço de cessão, reiterando, assim, o

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corrigido do preço de cessão, reiterando, assim, o pagamento da indenização.

Por último requereram o provimento do apelo.

Os recursos foram contra-arrazoados, pelos requeridos,

págs. 541/550, e requerentes, págs. 554/566, sendo rebatidas integralmente as

pretensões dos apelantes.

É o relatório.

2. A r. sentença apelada merece ser mantida.

De início, repele-se a preliminar de cerceamento de

defesa, na medida em que o acervo probatório formado no processo é

satisfatório para a apreciação do mérito da demanda.

Assim, o pretenso cerceamento do direito de prova não

está configurado, já que o devido processo legal foi observado e a matéria

não carece de dilação probatória, visto que a análise pormenorizada do

constante dos autos foi suficiente para a entrega da prestação jurisdicional.

A doutrina assim entende:

“Se o juiz aceitar suficientes as provas documentais

apresentadas e dispensar as orais, a tendência é de que

a lide seja julgada antecipadamente (CPC 330 I). O

exame do caso concreto é que fornecerá ao juiz, nos

termos dos CPC 131, condições de avaliar a

conveniência ou não da dispensa da prova a ser

realizada em audiência”. (Nelson Nery Junior, Código

de Processo Civil Comentado e Legislação

Extravagante, 9ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais,

2006, p. 558).

Entendimento esse que vem corroborado pela

jurisprudência:

Apelação nº 1029892-67.2014.8.26.0576 - São José do Rio Preto - VOTO Nº 4/6

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo Pelo princípio do livre convencimento do magistrado, ao

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Pelo princípio do livre convencimento do

magistrado, ao relevar questões fáticas suficientes ao

julgamento do feito, não pode o mesmo ser obrigado a

autorizar a produção de prova testemunhal, ainda mais

quando entender já existirem nos autos elementos

suficientes para firmar o seu convencimento.” (EDcl no

REsp n.º 1.191.626/MT. Relator Ministro Aldir

“(

)

Passarinho Junior. Quarta Turma. J. 14-12-2010).

Com efeito, o devido processo legal se faz presente, na

medida em que a comprovação dos pagamentos é demonstrada por

documentação hábil e não por prova oral.

Por outro lado, a desistência do direito de preempção

exige documento específico, consequentemente, não se identifica suporte

para a caracterização de cerceamento de defesa.

O pactuado pelas partes fez constar expressamente que o

início do pagamento das parcelas ficava condicionado à apresentação do

termo de renúncia ao direito de preempção emitido por MC Mall Properties

S/A, portanto, os pagamentos estão vinculados à apresentação do documento

mencionado.

De outra banda, no caso em exame, nada constou sobre

quem efetivamente deveria providenciar o aludido documento.

Assim, alegações superficiais dos autores de que já

existiria referido documento não tem consistência, bem como o termo de

renúncia ao direito de preempção envolveu outras partes e não os litigantes,

cláusula oitava, pág. 22.

Portanto, existe condição suspensiva abrangendo a

adimplência, pois somente com a apresentação da desistência da preempção é

Apelação nº 1029892-67.2014.8.26.0576 - São José do Rio Preto - VOTO Nº 5/6

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo que teria início o pagamento das parcelas livremente

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que teria início o pagamento das parcelas livremente pactuadas, e não

ocorrendo a apresentação de documentação hábil a ausência de requisito

essencial descaracteriza a alegada inadimplência por parte dos compradores.

Quanto à reconvenção envolvendo suposta quitação do

preço, sem nenhum respaldo, haja vista que os pagamentos devem ser

comprovados observados os valores e a forma ajustados, e não por ilações e

conjecturas como pretendem os réus reconvintes.

Desta forma, os pagamentos poderiam ser demonstrados

inclusive por movimentação bancária, ou outros itens correlatos, o que não

consta dos autos, portanto, desconsiderados.

Assim, a improcedência da ação e da reconvenção está

apta a sobressair, não se verificando embasamento para alteração da sentença,

que se apresenta clara e precisa, além de devidamente fundamentada.

Finalmente, não é caso de majoração dos honorários

advocatícios por serviços adicionais, porquanto se trata de sentença proferida

sob a égide do Código de Processo Civil de 1973.

3. Com base em tais fundamentos, nega-se provimento

aos apelos.

NATAN ZELINSCHI DE ARRUDA

C265

RELATOR

Apelação nº 1029892-67.2014.8.26.0576 - São José do Rio Preto - VOTO Nº 6/6