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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Vistos,

relatados

ACÓRDÃO

e

discutidos

Registro: 2017.0000671164

estes

autos

do

Apelação

0173271-27.2012.8.26.0100, da Comarca de São Paulo, em que são apelantes MARIA DA GRAÇA

FARIA RODRIGUES (E OUTROS(AS)) e JOSE EDUARDO RODRIGUES, é apelado ELIANA

REGINA RETT.

ACORDAM, em 28ª Câmara Extraordinária de Direito Privado do Tribunal de

Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de

conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmo. Desembargadores ENIO ZULIANI

(Presidente sem voto), PAULO ALCIDES E MAURO CONTI MACHADO.

São Paulo, 30 de agosto de 2017.

Teixeira Leite RELATOR Assinatura Eletrônica

Voto nº 27297 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Processo Redistribuído

Voto nº 27297

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Processo Redistribuído em cumprimento à Resolução 737/2016 e à Portaria 1/2016. DOAÇÃO. Revogação por suposto descumprimento de encargo. Prova dos autos que demonstraram que a apelada é proprietária dos bens, em tese, doados por escritura pública. Impossibilidade do pedido elaborado pelos autores. Sentença mantida. Recurso desprovido.

Trata-se de apelação contra r. sentença (fls. 201/202), que julgou improcedente ação de revogação de doação proposta por MARIA DA GRAÇA FARIA RODRIGUES e JOSÉ EDUARDO RODRIGUES contra ELIANA REGINA RETT, sob o fundamento de que é impossível o pedido de anulação, porquanto a ré é proprietária dos bens em discussão.

Inconformados, em suas razões de apelação (fls. 206/236), Maria da Graça e José Eduardo, preliminarmente, sustentam nulidade da r. sentença por falta de fundamentação, isto porque não se ateve aos fatos por eles provados, Aduzem inadequado o acolhimento da defesa porquanto apresentada fora do prazo legal, razão pela qual deve ser

M Apelação nº 0173271-27.2012.8.26.0100 - São Paulo - voto nº 27297

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO decretada a revelia. No mérito,

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

decretada a revelia. No mérito, reiteram que as doações de 50% dos imóveis localizados em Perdizes e na cidade de Campos do Jordão, tinha como condição a doação pela apelada a seus filhos de imóvel localizado em Pinheiros. No entanto, diante da venda, em descumprimento ao acordo firmado por escritura pública, mister é a revogação da doação. No mais, afirma que o d. Magistrado se baseou em pedaço de escritura pública juntada pela apelada em afronta a todo acerco probatório por eles apresentado. Pede a reforma da r. sentença. Contrarrazões às fls. 241/247. Por oportuno, observo que esse recurso deu entrada em 26 de janeiro de 2015, distribuído para a 10ª Câmara de Direito Privado, e, foi redistribuído em 19 de setembro de 2016, a este Relator, na qualidade de integrante de Câmara Extraordinária voltada a reduzir acervo do Tribunal de Justiça. Nesse caso, considerando a data da interposição, aplicam-se as regras do Código de Processo Civil vigente à época, daí sem qualquer surpresa ou prejuízo aos litigantes.

É o relatório. Preliminarmente, afasto a alegação de ausência de fundamentação da r. sentença porquanto esta para julgar improcedente a ação, claramente, se valeu da propriedade dos bens em nome da apelada, logo houve a devida fundamentação em respeito ao artigo 93, IV da Constituição da República.

Em síntese, pretendem os apelantes a revogação de doação de 50% de dois imóveis (um em Perdizes e outro em Campos do Jordão) a apelada em decorrência de descumprimento de encargo, previsto em escritura pública, atinente à doação de bem localizado em Pinheiros aos filhos de José Eduardo com a apelada.

M Apelação nº 0173271-27.2012.8.26.0100 - São Paulo - voto nº 27297

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Pois bem. Como é cediço,

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Pois bem.

Como é cediço, a revelia produz apenas uma presunção relativa de veracidade dos fatos alegados na inicial, de maneira que o juiz também se pautará na prova dos autos.

A propósito “Mesmo não podendo o réu fazer prova de fato sobre o qual pesa a presunção de veracidade, como esta é relativa, pelo conjunto probatório pode resultar a comprovação da prova em contrário àquele fato, derrubando a presunção que favorecia o autor(Nelson Nery Jr. e Rosa Maria de Andrade Nery, CPC comentado e legislação extravagante, 11ª ed., SP: RT, 2010, nota 3 ao art. 319, p.

620).

direito

indisponível apto a desde logo afastar a presunção de veracidade, o Superior Tribunal de Justiça, vem entendendo que:

Assim,

ainda

que

não

se

trate

de

Processo civil. Recurso especial. Revelia. Deferimento de produção de provas pelo réu revel. Possibilidade. Admite-se que o réu revel produza contraprovas aos

fatos narrados pelo autor, na tentativa de elidir a presunção relativa de veracidade, desde que

intervenha no processo antes de encerrada a fase instrutória. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 677720/RJ, Rel Ministra NANCY ANDRIGHI. TERCEIR. TURMA. julgado em 10/11/2005, D.J 12/12/2005 p 375)

Nesse rumo, sem razão o pedido de procedência da ação com base exclusiva na revelia até porque, os próprios apelantes também fizeram juntar as escrituras dos imóveis em discussão (fls.

M Apelação nº 0173271-27.2012.8.26.0100 - São Paulo - voto nº 27297

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 93/95vº) que, de fato, constam

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

93/95vº) que, de fato, constam a apelada como proprietária. Aliás, com o

apelante.

Daí, se a propriedade se comprovou, ou seja,

uma outra circunstância, não há como discutir a anulação de doação de

bens que são da apelada, mais ainda se cogitar de descumprimento de

encargo.

Aliás, em abono desse contexto, prepondera que

a na escritura assinada pelas partes, foram contraídas recíprocas

obrigações, bem como, expressamente e destacado o permissivo legal, a

possibilidade de qualquer exigência, o que aqui não se procedeu, além do

que cabe anotar que esta ação foi proposta mais de quatro anos do pacto;

ou seja, as promessas ali registradas permaneceram por todo esse tempo

em exigência ou, modificação.

Neste rumo, por bem decida a questão, o melhor

é manter a r. sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos.

Ante o exposto, voto pelo desprovimento do

recurso.

TEIXEIRA LEITE Relator

M Apelação nº 0173271-27.2012.8.26.0100 - São Paulo - voto nº 27297

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