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INDUSTRIALIZAÇÃO NA AMÉRICA LATINA:


DA "CAIXA-PRETA" AO
"CONJUNTO VAZIO"*

Fernando Fajnzy1ber

"Capírulos I (páginas 11 .33) e VIl (páginas !65 a 167), na série Cuadernos d, Ia CEr.iL, n''. 60 (LCI
G.1534/Rev.l-P), Santiago do Chile, 1990. Publicação das Nações Unidas, n" de venda: 89.11.G 5.
O subtírulo deste capírulo em espanhol é "de 'Ia caja negra' .1 'casillero vacto'". A expressão "casillero
vacío" tem por referência uma matriz em que na verrical consta crescimento c na horizontal corista dis-
rribuição de renda. Na América Ll{in~Earses u, simulcancamcn{c ar '1 U"n.im.icos c ÜY.C
boa discribui ão de renda: é o "casillero vacío" ou "conjunto vazio" nessa região.

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I. o CONJUNTO VAZIO

1. INDUSTRIALIZAÇÃO. CRESCIMENTO E EQüIDADE

NA AMfRICA LATINA

Definiremos como critério de dinamismo o ritmo de expansão alcançado pelos


p~íses avançad~s_ nos últimos vinte ano~ (2.~% anuais do PIB por habitante).
e será aceita como definição da eqüidade a relação entre a renda dos 40% da
população com renda mais baixa e os 1O%da população com renda mais alta.
Essa rela ão. nos pafses avançados, atingia uma média de 0,8 no fim da déca-
da de 1970 e início da de 1980, isto é. os 40% da população de_renda mais
baixa tinham uma receita equivalente a 80% da obtida pelos 10% de renda
mais alta. Suponhamos que, na América Latina, a linha divisória entre os países
qu~seguiram maior e menor eqüidade seja definida por essa mesma rela-
ção. mas com um valor de 0,4, isto é. metade do que é observado nos países
industrializados (Banco Mundial, 1986a). Ao cruzar as variáveis de crescimen to
e eqüidade, aplicando como linha divisória do dinamismo o crescimento médio
dos países avançados no período de 1965 a 1984 e, com respeito à eqüidade,
aplicando a relação entre os 40% mais pobres e os 10% mais prósperos
(Tabela I), gera-se uma matriz de entrada dupla em que resta um conjunto
vazio: ele corresponde aos países que poderiam ter alcançado, ao mesmo tem-
po, um crescimento m;ill acel~adJU!ll~o dos p-aíses avan ados e um nível de
~qüidade sup-erior a O 4. Esse conjunto vazio levanta a pergunta-chave que
tentaremos esclarecer neste rrabaiho.

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CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL TEXTOS SELECIONADOS

TABELA I
Até aqui, o conjunto do crescimento com eqüidade está vazio, pelo me-
AMJ:RICA LATINA: nos no que diz respeiro aos países sobre os quais se dispõe de informações
OBJETIVOS ESTRATJ:GICOS: CRESCIMENTO E EQÜIDADE
passíveis de comparação. A situação dos diferentes conjuntos, naturalmente,
Eqüidade 40% de renda mais baixa ( 1970-1984) depende do nível que se defina como diviso r de águas. Assim, por exemplo,
10% de renda mais alra se o limite da eqüidade fosse ligeiramente deslocado para baixo, apareceriam
no conjunto superior direito países como a Cosra Rica, o Chile e a Venezuela;
<OA' >0,4
e, se o limire de crescimento fosse deslocado para cima, o número de países
Bolívia Casca Rica Argentina dinâmicos se reduziria, sendo mantidos o Brasil, o México, o Equador e a
Chile E1 Salvador Uruguai
<2,4%b Peru Cuarernala Colômbia.
Vcnczuc!a Honduras Seria de imaginar que o conjunto vazio só pudesse ser preenchido por
Nicarágua
palses que houvessem avançado em seu processo de desenvolvimento, mas
Haui essa suposição é refutada pelos faros, ao considerarmos países de outras

Crescimento ( 15,9)' (11,5)' regiões com níveis de renda e de desenvolvimento equiparáveis aos da Amé-
do ['IB/hab, rica Latina, Há elo menos seis aíses de regiões diferentesl inclusive com
( 1965-1984)
Brasil Panamá "'-'=~====:'::":;j'olíticos disrint~ (Tabela 2) que _gundo
(u!úlllbiJ Rcp. Dominicaria as mesmas fontes de informa ão (Banco Mundial), poderiam ser coloca-
dos no con'unto g~Rermanece vaz.io na América Latina: Coréia do Sul,
>2.4% Equador
México Es anha, Iugoslávia, Hun ria, Israel e Porrug2.!, Trata-se de países que, pelo
Paraguai
tamanho de seu território e por sua economia, são comparáveis a diferen-
(72.6)'
tes países da América Latina. Eles apresentam caracrerísricas variadas quan-
Fonte: Divisâc Conjuma CEP ..••
UONUDI de Indústria c Tccnolugia. com b.HC em doados do B a nco Mundial.
• Metade da relação comparável dos p;/Ilscs industrializados . to à origem de suas sociedades e sua inserção geopolítica, que atendem a
•. Crescimento do PlBvbabua me dos países industrializados em 1965-1984.
, Panicipaçãc no riR regional. condições de crescimento econômico e eqüidade, Assim, caberia indagar;
se é a e~pecificid,ade do desenvolvimento latino-americano gue dá origem
ao conjunto Vaz.IO,
Aproximadamente 73% do produco interno bruto regional é gerado em
países que poderíamos denomir,ar de dinâmicos desarticulados Brasil Colôm-
bia, Egua or, México, Panamá, Paraguai e República Dominicana); 11 %
~Eondem ao extremo oposco: países integrados ou articulados, mas estegna-
dos (Argentina e Uruguai); e os 16% restantes correspondem a países onde ocor-
rem ao mesmo tempo a desarticulação e a estagnaç~o, Nesta última categoria
estariam alguns casos potencialmente explosivos, na medida em que, dada a
situação de estagnação e desarticulação social, que se traduz numa distribuição
não eqüitativa da renda, é presumível que apareça uma ampla gama de propos-
tas alternativas que convoquem a sociedade a superar essa realidade insatisfarória.

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CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL
TEXTOS SELECIONADOS

TABELA 2
bruscamente ara 3%j a arrici ação de engenheiros e cientistas é de 2,4%, e os
OUTROS pAfSES: OBJETIVOS ESTRATfGICOS:
CRESCIMENTO E EQüIDADE
recursos de que dispõem esses engenheiros e cientistas para esenvolver suas
atividades representam a enas 1,8%. Por úlrimo, no gue se refere à re resenta-
.,:ão de autores científicos, com roda a precariedade desse tipo de indicadores, a
Eqüidade 40% de renda m.is baixa (1970-1984) América Latina su era li eiramente a marca de 1%.
10% de renda mais .11. Uma característica fundamental do desenvolvimento regional, portanto, seria
que o conjunto do valor intelectual com os recursos humanos e naturais dispo-
<0,4' >0.4
níveis tem sido particularmente exfguo, o que implica, de uma ou outra rnanei-
ra, que se ([Jta de um desenvolvimenro ue é mais fruto da imitação do ue de~'
Crescimento u e e ão sobre as carências e potencialidades inre n s. A
do PI8/nab, inad,eqllação do prpcçsso de desenyolvimento, sob diversas formas e dimensões,
(1965·1984)
no que concerne às carências específicas e às potencial idades dos diferentes pa-
Coréia do Sul
íses da região, será um tema recorrente a que faremos referência ao efetuarmos
Espanha
Iugoslávia as comparações internacionais, mais adiante. Ao que parece, porranto, o traço
Hungria
Israel
central do processo de desenvolvimento latino-americano é a incorporJção in- I
Portugal
suficiente do ro resso técnico -sua contribuição escassa de um pensamenra
Fonte: Divuâo Conjunta CErAI.IONUOI de Indústria e Tecnologia. com bas e em dados do Banco Mundial. original, baseado na realidade, para definir o leque de decisões que a transfor-
• Metade da rclaç~o companve!
b Crescimento do ri R/h,d)j(~n(c
nos países industrializados.
tios países industrializados em 1965.1984.
mação econômica e social pressupõe. a conjunto vazio estaria diretamente vin-
culado ao que se poderia chamar de incapacidJde de abrir a "caixa-preta" do ~
progresso técnico, tema este no qual incidem a origem das sociedades latino-
americanas, suas instituições, o contexto cultural e um conjunto de farores eco-
Neste trabalho, tentaremos compreender o caso latino-americano, com base
nórnicos e estruturais cuja vinculação com o meio sociopolüico é complexa,
no estudo comparado de diferentes países, dentro e fora da região. Para os histo-
mas indiscutível. Esta avaliação, embora constitua uma hipótese preliminar de
riadores, é evidente que, para se compreender uma região como a América Latina, trabalho, exerce a função de fio condutor para o argumen to que virá a seguir.
é imprescindível conhecer o resto do mundo; entretanto, essa verdade nem sem- a reconhccimenra dJ carência :lssociadJ ao conjunco VJzio é perf<:i[J[nc~
pre foi levada em conta ao se analisar o rema do desenvolvimenro da região. com~arfvel com o reconhecimento das profundas transformações por que pas-
Para iniciar a exploração, talvez seja interessante comparar a situação relati- saram a economia e a sociedade latino-americanas nos últimos trinta anos (1950-
va da América Larina em diferentes ramos de atividade, com respeito à econo- - 1981),~~ esses que Hirschman (1986) denominou de trintena gloriosa da
mia internacional. Constata-se, nesse caso, um faro que talvez sirva como pista ~ca Latina, na qual, de faro, a produção foi quintuplicada, com uma po-
inicial:~ião contribui mais em lermos de RO ulação do ue de ua ~er I pulação que passou de 155 milhões parJ quase 400 milhões de habitantes; na
outro indicador de arividade econômica. Ap'arece também uma clara tendência qual houve um processo de urbanização acelerado: a ponra de vários países da

a sue diminua a participação da região à medida que cresce o valor agregado região, que em 1950 mantinham mais da metade da população na agricultura,
já não absorverem nela senão um quarto ou um terço da população; e na qual a
intelectual: em rermos o ul::tcionais 8% corresJ2ondem à regiãQj em produro
educação e as condições de saúde melhoraram, elevando-se consideravelmente
interno bruro, 7%; e em produção indus([ial, 6%. Quando, no seror manu:
a expectativa de vida em rodos os países da região, além de se haverem criado
fJlureiro, a arenç:ío é concentradJ nos bens de capital, a presença da região baixa
instituições que favoreceram sua integração econômica, social, política e cultural.

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CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL TEXTOS SELECIONADOS

Assentaram-se inclusive as bases do desenvolvimento tecnológico em ramos contração do mercado interno (I 980-1983), ao dinamismo das importações dos
importantes. ligados à agricultura. às obras públicas e à energia. Estados Unidos em 1984 e à queda relativa da taxa de investimentos internos no
Desde a Segunda Guerra Mundial. o mundo cresceu e se transformou, primeiro qüinqüênio dos anos 1980, enquanto outros o inam ue o rande es-
em termos econômicos. sociais, políticos e culturais, num ritmo que não tem forço de investimentos do Brasil na década de 1970, no setor industrial, teria lan-
precedentes na história universal; também na América Latina ocorreram muitas gdo as bases ara a era ão de um su erávit manufarureiro sólid~ c7e;cente
dessas transformações. mas o reconhecimento das mudanças positivas produ- (Barros de Castro, 1985). A deterioração do saldo comercial do setor manufarureiro
zidas na região não nos deve inspirar aurocomplacência. em 1986. associada a um forte aumento da demanda interna, avivou essa polêmica,
que sem dúvida interessa ao restante da região.

2. CARACTERíSTICAS COMUNS DA INDlJSTRIALIZAÇÁO

LATINO-AMERICANA TABELA. 3

AMf.RICA LATINA: BALANÇO COMERCIAL POR SETORES DE


Quatro tracos definem o padrão de industrializac?o da América Latina: (a) uma ATIVIDADE ECONOMICA, 1985
(Milhões de dólares)
participação no mercado internacional quase que exclusivamente baseada num.
superávit comercial gerado nos recursos naturais, na agriculrura, na energia e na.
Total dos Agricuhura Indúsrria Energia Mineração Outros
mineração, e um déficit comercial sistemático no setor manufatureiro (com exce-. setores rnanufa-
_çdQ do Brasil. a panir de 1982); (b) estrurura comercial concebida e impulsiona- rurcira'

da. fundamentalmente, com vistas ao mercado interno; (c) aspiração a reproduzir 6.282 -57
Total da América Latina 34.541 19.372 -13.649 22.593
o estilo de vida dos países avançados. tanro no p.lano do consumo quanto, erIJ
graus variáveis, no da produção interna; e (d) pequena valorização social da fun- Países exportadores
de petróleo 20.241 -285 -11.606 29.566 2.593 -27
__ !;ão emf.lfesarial e liderança precária do empresariado nacional, público e privado.
Bolívia -17 -107 -538 371 257
nos setores cujo dinamismo e conteúdo definem o perfil industrial de cada país. Equador 1.258 743 -1.346 1.897 -35 -I
México 9.197 -209 -5.092 14049 455 -6
Peru 1.084 224 -948 637 1.171
, a) A inserção inrernacional por inrermidio dos maririas-primas .. Venezuela 8.719 ·936 -3.682 12.612 745 -20
Países não exportadores 14.300 19.657 -2.043 -6.973 3.689 -30
de petróleo
Depois de mais de quarenta anos de industrialização. e havendo tomado consciência -1.113 -34 I
Argentina 4.581 5.576 151
desde cedo da tendência para a deterioração da relação dos preços de intercâmbio Brasil 11.625 8.567 5.791 -4.901 1.822 -14
no que concerne aos recursos narurais - dos quais, tal como nos Estados Unidos. Colômbia -559 1.748 -2.271 94 -114 -16
Costa Rica -159 595 -570 -165 -19
existe uma abundância -, em comparação com os produtos manufaturados, 887 -I 523 -512 2.052
Chile 904
verifica-se que todos os países da região, sem nenhuma exceção até 1982. apresen- EI Salvador -493 234 -470 -253 -4
Guaremala -305 641 -487 -447 -12
tavam um saldo comercial positivo somente na agriculrura, na energia ou na mi-
Honduras -171 549 -520 -220 -21 -I
neração, conforme o caso, e um déficit no setor manufarureiro (Tabela 3). A par- Nicarágua -799 143 -596 -339 -7
tir de J os.::'. o Brasil r~;~tr[lu um superãvir no setor mar ufarureiro. mas os demais Paragua i -197 237 -286 -142 -6
r..;,:..' .•~ "'.. :::.:..;;.-..:..::~ ~~-~ :-:' .."'::':'~; C",~l.~~Fc-: :.. ..1_'" B~:;. ~~- Uruguai 233 480 -2 -239 -10

naram-se várias opin iôes sobre o caráter talvez estrutural


~:::.:~,-:i
.." ..:.-:-::;-.
'~.
do superávit do setor
---- Fonte: Divisão Conjunta CErALJONUOJ de l ndúst ria c Tecnologia. :,HU2IiIldo com base no Banco de Dados de Comér-
cio Exterior da América Latina c Caribe (BAoEcn).
manufarureiro; há quem afirme que se trata de uma situação efêmera. ligada à • A indústria manufatureira inclui as seções CUCl 5 a 8. menos o cap írulo 68 (Metais não ferroscs).

858 , . 859

--_._-----~----------_.._----------_ -._--- .•..•


• • _----------- --_ •• _-- o - - ."_,"_ ._- ••
CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL

Quanto à relação dos preços de intercâmbio, constata-se que as apreen-


sões da década de 1940 foram plenamente confirmadas: entre 1950 e 1985, o
índice de preços relativos entre a agricultura e a indústria baixou de 168 para
81 (I 979-1981 = 100); na mineração, de 124 para 79; e no petróleo, de 26,
em 1950, caiu para 13 em 1970, subiu para 107 em 1980, e tornou a cair
para 101 em 1985 (Banco Mundial, 1986b).
A região denunciou essas tendências, mas as mudanças de estrutura pro-
dutiva não bastaram Rara neutralizar seus efeitos adversos:- Em meados da
década de 1970, alguns países da região, à luz dos resultados insarisfatórios
desse padrão de industrialização, adotaram políticas que levaram à elevação
do déficit do setor manufatureiro, sem trazerem grande modificação para o
superávit dos setores de recursos naturais. Graças à liquidez financeira inter-
nacional, foi possível amortecer circunstancialmente esse impacto, mas o pro-
blema tornou a aflorar, de manei ra mais dramática, a partir de 1982, quando
o fluxo líquido de recursos financeiros tornou-se negativo e acentuou-se a
queda dos termos de intercâmbio (c Erc\!. , 1986a e b).
Isso é ainda mais grave na medida em que o déficit manufatureiro con-
k centra-se, precisamente, nos setores de maior dinamismo e conteúdo tecno-
lógico: bens de capital, indústria química e indústria aurornotiva. A região
está mal nas rubricas que apresentam um futuro promissor para o comércio
internacional e bem naqueles que não o oferecem.

bi A induJlri,z/i:.llcão I'olfad.z para o mercado interno <

Desde o final da década de 1970, os investimentos voltados para a ex-


Sejam quais forem as particularidades de cada país, às quais aludiremos mais portação competiram não apenas com o cômodo e protegido mercado in-
adiante, em todos eles~p-ortacões industriais regrese ta li a a' a pc - terno, ma; também com um atrativo ainda mais sedutor: as inversões no
centagem da produção indusrrial e, a julgll..p'or sua tecnologia de tl o ut , mercado financeiro internacional, com altas taxas de juros em dólares. Para
processamento e fabricação, ela foi fundamentalmente concebida para abas- aquilatar a magnitude desse novo fenômeno - que ataca os investimentos
tecer o mercado interno. Essa característica não exclui o faro de ter havido produtivos, tanto voltados para a exportação quanto para o mercado interno,
exceções em alguns períodos, setores e países, e de, em meados da década de e que está ligado, entre outros fatores, ao déficit dos Estados Unidos -,
1960, terem sido adoradas políticas de promoção das exportações. O dado basta assinalar que, apenas no mercado de eurodólares, negocia-se anual-
([!lcial é q!le a rentabilidade do mercado interno semp-re foi su erior à do mente vo ume e uivalente a 25 V(,2eS o do comércio internacional de
mercado internacional (Tabela 4). bens e serviços; mesmo que tenha sido considerável a contabilidade dupla

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~------------ _._ .._---------_. __ . __ ._ .._-- ------------ ..


CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL
TEXTOS SELECIONADOS

dessas operações, as ordens de grandeza co n li rrn am que surgiu um fenôme-


() O padrão d( consumo _
no novo e de grande significado p-otencial.
Até para o Brasil, CUj3S ex orra ões industriais re resenrarn metade das
A ânsia de reproduzir o estilo de vida dos países avançados, e em particular o dos
e~ortações de produtos manufaturados da região e mais de 50% de suas pró-
Estados Unidos, é comum ao conjunto dos países da região, e é ainda uma ânsia
prias ex orra ões totais, o coeficiente de ex orra ões industriais é baixo e, para
aparentemente compartilhada pela esmagadora maioria da população mundial,
a m3ioria das em resas e setores, o mercado interno continua a ser o oQjetivo
sejam quais forem seus níveis de desenvolvimento, seus sistemas socioeconômicos
prioritárior. Em 1980, o coeficiente de exportações como valor bruto da pro-
e suas origens étnicas. O que há de específico na região é a modalidade pela qual
dução foi de 5,3%, com uma definição estrita dos manufaturados, e de 8,0%,
esta se incorpora na demanda e na oferta industrial, na plataforma energética, na
com uma definição ampla. Isso se aplica, sem grandes variações, às firmas
comercialização, nas comunicações e no financiamento do consumo. O grau com
privadas nacionais, às estrangeiras e às estatais. Essa situação, num país cujo
que se disseminam os diferentes objetos, desde o auge até a base da pirâmide de
PIB equivale ao do conjunto da Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia (to-
renda, varia de acordo com o preço unitário. Nos produtos baratos (bebidas, arti-
dos eles voltados par;! o mercado internacional), agrava-se nos países médios
gos de vesruario e alguns eletrodomésticos), a disseminação atinge até mesmo os
e pequenos da região (com coeficientes de exportação da ordem de 10%).
setores rurais; se incluirmos a elerrônica de consumo, ela atinge os setores popula-
Assim, re roduz-se o esquema estadunidense de concentração da 12roduÇ.jo
res urbanos e, no caso do automóvel (o produto que simboliza, em certa medida,
no mercado interno, com a ressalva de ue o aís de maior mercado interno
esse padrão de consumo), a penetração chega aos setores médios O egilo de vi~
da re ião (o Brasil) rel2rescnta hoje 1/13 dos Estados Unidos. Aotérmino da
de referência foi gerado dentro de um país em que a renda per (apita equivale, na
Se~unda Guer~a Mundial. r_epresentava 1/25 dos Estadoslliidos, quando esse] aOlO/idade, a mais de sete Vezes a renda per (apita da América Latina, e cuia di-
p:lIS gerava 40 10 da produção mundial e 60% das exportações mundiais, com
mensão eronômiCí! equivale praticamente a cinco ve:u:.s a do conjunto dos países
uma população equivaierue a 6% do total mundial. ,
larino-americanos. Além disso, o PLÓprio país de origem assina/ali recentemente,
A peculiaridade (h região, no entanto, não está em ela haver adotado uma
Que se trata de estilo de vi ;! rã caro ue nem mesmo lá os recursos internos
política de subsriruição de importações - o mesmo fez o mundo inteiro, com
sã u .p.a);a e - ~r p.o !)e...Q E~d,gs Unidps p~ram, rec -
exceção da Inglaterra, no final do século XVIII e no in ício do século XIX- , temente, para a categoria de devedor líQuido com a única diferen a de Que eles
mas na modalidade econômica que ela empregou. A substiruição de importa-
emitem a moeda na qual sua dívida é conrabilizaga, Para recuperar a capacidade
ções foi parte inregran te de um padrão de industrialização caracterizado por um
de concorrência internacional e evitar o atraso em termos de crescimento e pro-
conjunto de elementos que se apóiam e se reforçam rnu tuarnenre, isolar qual-
dutividade, o país teve que recorrer à desvalorização, para reduzir o nível relativo
quer desses compolH:lltes c:concentrar nele 3 atençâo revela-se mais simples, mas
das remunerações internas,
é improcedente, quando se trata de conceber estratégias diferentes de indusrria-
Na América Latina, os objetos físicos foram rransplant3dos numa medida
lização. Todavia, convém destacar que uma região na qU31 o custo horário do
>S:(-maior do que os conhecimentos ~ as instit~i ões, ne.cessários ara ~e - os,
setor manufarureiro
volvidos,
oscila entre
com uma carga tributaria
1/7 e 1120 do que prevalece
inferior, com níveis de produtividade
nos países desen-
que
pro UZI- os, e ada~tá-Ios às condlç~es locaiS: ~ ansra de ter .esses objetos nas I(
mãos tem Sido maior do que a palxao de assimilar a rnodernidade dos conhe-I
cimentos e das relações interpessoais com base nos quais eles foram concebidos. I
não atingiriam 50% do que vigora nos países desenvolvidos, e com acesso a
tecnologias similares, dificilmente poderia manter de maneira passiva um pro-
Admitindo como dado fundamental que o estilo de vida dos Estados Uni-
tecionismo elevado e indiscrimin3do. A experiênci3 intern3cional ensina que
dos faz Bane de um ideal coletivo, o desafio consiste em comparibilizar esse ~
também n~o convém uma abcr,tur3 radical ~ r~anca, mas qu.e será p'reciso defi- ~ ~ d~m a busca da articulacão econômica social interna e de uma inserçio
nlr, em cara ter setonal e temporano, um3 era/erana de aprendizagem tecnológlCa só/ida na economia internacional. N.a..Am.é.J:iQ..Larina a aspi.c.a..ção de rewoduzir
interna que leve 3 um3 c%CJç50 segura no mercado inrernacional. o.esrílo.de .,:ida dQ.~..EID.d,g . e p.reci.ominado na pane da r-irâmide de

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TEXTOS SELECION"'DOS
CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL

IJ ~e~da que pode arcar com os [Ufços dos diferentes p.rodutos. super.andQ os..oh-
em matéria
sumo interno
de alimentação
foi resolvido
-, o problema
(o consumo
dos alimentos
de calorias
básicos
por habitante
para o con-
na Argenti-
jetIvos d,;,art~culação nacional e de uma sólida inserção internacional. Esse fato
na é semelhante ao dos Estados Unidos e superior ao da Europa e do Japão).
p~de ser: aquilaradq por exemplo, na densidade de consumo de certos objetos
Quanto ao conteúdo da dieta, observa-se (Tabela 5) um nítido contraste;,
~lspen~lO:os (o automóvel), que é muito maior do que em outros países de
industrialização tardia com um nível de renda comparável; além disso, diversa- enrre um !2aís que busca a adequação das carências e potencial idades internas
~enre de outros países e regiões, estabeleceu-se uma produção local de~ (Coréia do Sul) e os países da América Latina. que tentam rqlroduzir no ro o
jel2.§..p.ara o mercado nacional, com um gr:;nde número de fábricas de escala da pirâmide de renda. o padrão alimentar dos Estados Unidos, com uma pro-
reduzida, ue são estruturalmente incom atÍveis na maioria dos aÍses co as porção maior de alimentos de origem animal, especialmente carne de boi,
exigências do mercado internacional. O acesso a esses bens foi facilitado, medi- enquanto, na Coréia, predominam os cereais e o pescado. Embora o teor de
ante uma re.produção dos mecanismos de crédito ao consumo que vigoram nos calorias e proteínas seja comparável, a composição é muito diferente. Na
~aíses de OrIgem, com as inevitáveis conseqüências sobre a poupança das faml- América Latina, a configuração resulta da superposição da dieta dos setores
lias e a disponibilidade de recursos para investimento. urbanos médios e altos, cujo teor é muito semelhante ao dos Estados Unidos,
Num país avançado como o Japão, também de industrialização tardia, e no à dieta dos setores camponeses e populares urbanos, a qual, em níveis absolu-
qual a renda per capita representa quase 80% da dos Estados Unidos, a densida- ros e em teor de carne e leite, é patentemente inferior.
de,d~ automóveis equivale a 40% da deste último país, e a disponibilidade de Um contraste adicional entre os regimes alimentares considerados é o que
crédito para o consumo equivale, em relação ao PIB, à sétima parte. O curioso é diz respeito à eficiência energética (entendendo-se por isso a energia biológica
que o Japão é o primeiro fornecedor estrangeiro de automóveis aos Estados ou comercial necessária or unidade de caloria alimentar-in _erida or um con-
Unidos. Vários dos .países nórdicos, com níveis de renda per capita comparáveis sumidor médio) entre eles. Basta recordar as perdas de eficiência pressupostas
aos dos Est~dos Unld~s e com mercados, em termos do PIB, maiores que os dos pela rransformação dos grãos em alimenros de origem animal e as estimativas
países médios da região, apresentam uma densidade elevada de consumo de referentes ao sistema alimentar norre-americano - que é o padrão que se: tende
automóveis, mas não instalaram uma produção interna. A Coréia do Sul, com a imitar _, que indicam que são necessárias cerca de nove calorias de energia
ren~a per capita semelhante à dos maiores países da região, com uma produção fóssil para cada caloria disponível "no praro do consumidor" (Sreiharr e Steihart,
equivalente a um terço da do Brasil e à metade da do México, e que atualmente 1985). O modelo de consumo japonês e, com mais razão, o da Coréia exigiri-
export~ aut~móveis para o Canadá e para os Estados Unidos a partir de empre- am, muito provavelmente, menos de metade da cifra indicada. Somente: a gran-
sas nacionars, tem uma densidade de automóveis que equivale a uma cifra entre
de desigualdade dos padrões de consumo de alimenros na América Latina per-
1/5 e 1/1 O da que prevalece nos países da região latino-americana. .
mite que, no ropo da escala, o padrão de referência vigore plenamente, pois,
.No setor alimentício, observa-se um claro descaso para com os Rrodutos
segundo Schejrrnan, "no caso específico da América do Sul, seria preciso em-
básicos voltados para o mercado interno, no Br:.sil e no México. Na última
pregar duas vezes o total de seu consumo atual de petróleo bruto (1980), caso se
d~cada, houve um aumento significativo da rodução agrícola p~exporta-
generalizassem os padrões de produção e as modalidades de consumo do mo-
çao e da rodu ão <kSlOa-de-a~úc~ ara substituir o Rerróle,Q.1lo Brasij, jun-
delo que se tende a imitar" (Schejrrnan, 1985, p. 53).
~amente com uma ueda da produ ão de cereais p-er cap)ta,;...9 coeficiente de
No Japão e na Coréia também houve uma tendência a se evoluir para o
I~po.rtação. de. cereais foi-se elevando sistematicamente nos dois países, até
estilo de vida norte-americano, tanto no que se refere aos velculos quanro no
atIngir, no início dos anos 1980, um nível aproximado de 20%. Na Argenti-
que diz respeito à dieta, mas essa tendência, de caráter mundial, foi modera-
na, esses produtos coincidem com as principais rubricas de exportação.
da, de maneira a proteger o dinamismo, a competitividade internacional e as
Na Argentina e na Coréia - na primeira, pela dotação generosa de recur-
normas mínimas de eqüidade, favorecendo o processo de integração social.
sos naturais, e na segunda, pela valorização de estratégias de auto-suficiência

865
864 ,.
CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL TEXTOS SELECIONADOS

o
o d) P~quroa VaÚJ"ZIlfãosocial ~ lidaanfa pmdria do mlpma"ado nacional ~
o

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-~-f'I""'IN\.CI -f'-.-N-- o
r-; A liderança dos setores industriais mais dinâmicos (indústria aurornoriva,
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NC\f'-.\.!:)-I"f""\~C'\

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~t'I""'lrf")cx)If',~N-r--..'<rcx)~
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indústria química, bens de capital) portadores do progresso técnico, que de-
'<r N- o finem o perfil produtivo nacional, não tem sido exercida, na maioria dos ca-
:= sos, pelas empresas privadas nacionais; no conjunto das maiores empresas de
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cada país, as grandes indústrias privadas nacionais ocupam um modesto ter-
.v ceiro lugar, atrás das empresas públicas e das transnacionais (Fajnzylber, no
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o relo): ao comparar a situação dos países da região, no que se refere à presença
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e ao peso das empresas pequenas e médias, que, por definição, são empresas
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privadas nacionais, observa-se que elas têm muito menos importância do que
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nos países avançados e de industrialização tardia de outras regiões (Itália, Ja-
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pão, índia e Espanha),
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O O peso acentuado que têm as indústria_~R~Quenase médias e a atenção
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u ~ cr~cellt~ue elas recebem nos pa[ses avançados, em diversos setore~ todos


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N dererrninisrno cojn l:jJILÇ.omumente se examina o tamanho reduzido dos
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~ có mercados internos. Com esse fator, costuma-se justificar tanto a ausência de
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.... avançados. desde meados da década de 1970, o dinamismo muito maior des-
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sas empresas não apenas quanto ao emprego, mas também quanto à flexibili-
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dade e à inovação recnológica. Por último, quando se analisa a parcela que
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-.:i...ó~...óOrt"\r--.:-.ó ~~-=~N"':-=NÓr.O~""': '<r ::>
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O corresponde ao setor privado nacional nas atividades de pesquisa e desenvol-
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vimento tecnológico, verifica-se que, até nos países mais adiantados da re-
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H")O!"t"'l gião, essa participação é marginal.
Acrescentam-se a isso dois fatos que, embora difíceis de qua nrificar,
não deixam de ter importância: a função empresarial, seja qual for o regime
de propriedade, goza de uma baixa valorização social na América Latina,
mas o tema da propriedade, profundamente ideologizado, desperta grande
interesse no debate público. Enquanro, nos aspectos do padrão de consu-
mo, da orientação preferencial para o mercado interno e da inserção inter-
nacional por intermédio dos recursos naturais, mantém-se a semelhança

866 867
,-

--~~~- .~------------------.----------------- ----------- ------


CINqÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL
TEXTOS SELECIONADOS

com os Estados Unidos, neste quarto aspecto a diferença não poderia ser
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maior. Essa, além disso, é uma das caracterfsticas que diferenciam a re- V)

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gião dos países de industrialização tardia que conseguiram competir com .•
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exrto nos mercados internacionais. A valorização social e a capaCidade! u
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(\1\0 ~~ ik.Rropriedade, são uma condição inelur;ilvdp;m ql!l: se sllpere a mo_
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~ ')1,; dernidade de fachada a que vimos aludindo. A complexidade desse tema r-, -e-
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transcende o âmbito da política comercial, fiscal ou monetária, e não pode ::E "'
ser submetida a posições doutrinárias passíveis de imposição por decreto.
Os instrumentos da política econômica e os decretos podem favorecer ou
Vl
prejudicar, mas não bastam por si mesmos. Trata-se de uma dimensão ~ ô
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cultural e axiológica, na qual representam um papel inescapável o debate -c
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político pautado na realidade, o pacto social, a transparência na transmis- o:: o-

são de informações, os meios de comunicação de massa e o processo edu- :::õ


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cacional. Vl
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Nesse aspecto, verificam-se várias diferenças básicas entre a Coréia do '-4l L.:J
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Sul e os aíses da América Latina. No rimeiro caso, uma característica do- d
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_mioan.t.e....wíJjs.Jceru.u.a.da...ain~~J.atlãQ, é a emeira vinculaço e tre
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o Estado e um conju e con lomerados nacionais Que se concentram o:: -c
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pa.r.ticu Â. ar:wfatureiw, mas qu.e mosrraro_um-.gtau eleva-
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do de diversificaÇcão. Os dez conglomerados principais (Tabela 6) geram Vl
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quase um quarto do produto nacional bruto, e os 46 conglomerados prin- o
O
Vl
cipais originam 43% do PIE. OS conglomerados privados nacionais da Amé- L.:J

rica Latina não atin em nem de 1011 'e esse eso e Sll:! vincula 50 or. ânica ::;
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com o Estado é muito menor. Por outro lado, enquanto, na Coréja, ~r
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úblico exerceu uma fun ão determinante na intermedia .10 financeira, na ( ••ré', ::

América Latina os bancos públicos de deser.volvimento, apesar de relativa- t:A-L -~


>
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mente irnporran rex, coexistem com um setor bancário privado que é majo-_
ritário na inrermediação financeira de CUrto prazo (Asian Deve/opment Review,
1984).

A im ortância relativa das filiais de em resas rransnaclOnais é muito menor


na Coréia do Sul do gue nos países da América Latina, onde elas exercem a
liderança e se concenrram no mercado interno.

868 869
,.

~-------------- -----_._- ----_._- -------


CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAl

TEXTOS SELECIONADOS

sobretudo num período em que vêm desaparecen?o os fluxos líq~idos de ca-


pital para a região e são facilitadas as inversões privadas no ~xt~nor. . .
â..aP.eriência regional e internacional su~~ara atingir os obletlv~~
gerais do desenvolvimento, é preciso avançar slJnulta~e:une~te rumo à am ~
~ a ~o econômica socla. I .Interna e a uma soilida
I amclp'a . ao na_. economia ~
internacional. É uma ilusão aspirar a essa participação excluindo ~a~clalmen-
. . e cerras reglOes,
te cerros setores sociais .- uma vez que as tensões
'.' sociais latentes
. »:

traduzem-se inexoravelmente em incerteza e, em última mstancra, compro-


metem o investimento e o crescimento. Por outro lado, ~oncentr.ar toda a aten-
ão na articulação interna, em detrimento da inserção InternaCIOnal.. mo:tra-
e cada vez mais aleatório, tanto pela crescente eficiência das comunlcaçoes e
ua conseqüente transmissão de aspirações e padrões de conduta, l ~
quan~o pe
ato ainda mais concreto de que a elevação do nível de vida da populaç~o esr
igada ao aumento da produtividade. Isso se associa com o processo de I.ncor-Jj
1') Rc!.1 ÔCS recl TOcasentre as caracterísúms undammtaú . ora ão do ro resso técnico, .
ue re uer crescimento, e l2ar a o ual a Jnser-
ção ionternacional é ao mesmo tem o, uma v ia de acesso e um .' esrím ulo. der
As quatro características comuns relacionam-se umas com as outras e se re- O padrão de industrialização caracterizado pela co.nverg~nc.la da m~ -
forçam mutuamente. Assim, é difícil entender o transplante da modernid~de id d de fachada com o cômodo mercado interno, a Inserçao.Jnternac~onal
de fachada e a orienta ão sistemática ara o mercado interno sem a recarie- ru a e _ d d d nacional
or meio dos recursos naturais e a precarieda e o empresa~la o .
'ce-v rsa. A conver. ência dos três fatores, ;,n", a debilidade daquilo qu, foi def oido, oum ",b,lh~ anterror (F'I nzylber, 1/
por seu turno, eXDlica o fato de gue, dep.ois de várias décadas de industrializa- 1983), comq Q nÚcleo endógeno de dinamizado tecnol~glc,!. Modlfi~ar:: 1/
ção ersista a inser ão internacional or intermédio dos recursos naturais. A padrão implicaria, precisamente, reforçar e arricular esse núcleo e os subsiste
disponibilidade desses recursos, por sua vez, influin» modalidade de indus- de bens e serviços que o integram. . _
trialização adorada.
. d - I d
As expressões nacionais desse pa rao resu tarn a combinação " dessas ca-
.
Do ponto de vista da formulação de novas estrarégias de industrialização, racterfsricas comuns com os traços específicos de cada sociedade e do próprio
o que interessa é presumir a interdependência desses fatores e abordá-los em setor industrial.
seu conjunro. o exem 10 a aten ão se volta exclusivamente ara a
necessidade de abrir os mercados inrernos, o efeiro imediaro é intensificar a
modernidade de Fachada, debilirar ainda mais a frágil base emp-resarial e acen- 3. TRAÇOS DIFERENCIAIS DOS PROCESSOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO
tuar a inserção por intermédio dos recursos naturais. Por OUtro lado, é arbi- - NAS SOCIEDADES LATINO-AMERICANAS
rrária a intenção de reforçar a base empresarial nacional adorando o expediente,
aparentemente eficaz, de transferir a p-rop-riedade das em resas'á estabelecidas O padrão de industrialização descrito anreriorrnen te .oc~rre em sociedades q~e
a-ª.gentes diferenres lp-rivariza ão ou~atizaç_ão), e mantendo constante um apresentam grandes diferenças
entre si. Nas peculiaridades do procdessofj e
padrão de consumo que dificilmente seria comparível com o crescimento, industrialização, id
no que concerne ao conteu 0., aos resu Itados : aos . esauem
IOS
para o futuro e às estratégias e políticas necessárias para enfrenta-Ios,mfl
870
871
,-

u.em
CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO
NA CEPAL
TEXTOS SELECIONADOS
diretamenre a i -
, , nrera ao en tre as características
..tna IIZa..Ç o as anicularidades d ~ comuns do adrão de indus- larivarnente concentrada, inclui um grande número de proprietários médios
ue errnem as so ' d d '
centraremos a atenção em I cie a es nacIOnais, Con-
a guns aspecros, nos quais Ih e pequenos. Nesse caso, atenua-se a hererogeneidade estrutural. a distribui-
parecem exercer maior influ ' ',' d as seme anças e diferel25as ção da renda roma-se mais favorável e tende a haver um reforço da autono-
, enCla, (Jp,o e recurs '
-..sJS!.C1Il.iI...a ' omenro h ,-,--, os naturaiS, caracter{sticas do
- , Istonco em ue é d d d' -~ mia relativa da sociedade em relação ao Estado,
ç~o, dinâmica o ulacional ta h d esenca ea a a Industrializa_ Numa tipologia muito simplificada da agricultura latino-americana,
, , man o os mer d '
mlnanre, ca os e Sistema oUtico redo-
talvez se destaque a distinção entre os casos limites da Argentina e do Uru- r

guai, por um lado, e do restante da região, por outro, Os ('rimeiros con-


a) Tipo d~ recursosnaturais tam com terras férteis bastante homogêneas. com uma alta disponibilida-
.. de por habitante; suas categorias básicas de exportação coincidem com a
O tipo de recursos naturais que ' dieta interna de carnes e cereais. com um forre predomínio das empresas
" permite o aces d d
InrernaclOnal e a natureza em ' I d 50 e ca a pafs à economia comerciais médias a grandes e pouca importância do campesinato. com
' ,
fl uencia diversificada no ' I presana e Sua expl -
I _ oraçao exercem uma in-
, ruve], na evo uçao e n bilid d uma recnologia agropecuária avancada e baixa dualidade recnológica dentro
VISas;na distribuição dessa disp ibilid d d ,a,esta I I a e da receita de di- da agricultura e entre ela e o restante da economia, Na agricultura dos.
, orn I I a e e dlvl d'c
economicos; no peso econô' I' sas entre os lJerenres agentes demais países, embora existam em alguns deles subsistemas semelhantes
d mico rc anvo do Estad' '
e e no exterior; e nas variações da duri id d o no conjunto da socieda- ao Çjue foi descrito, e talvez com um geso crescente, predominam os cul-
-, pro UtlVI a e D d
raçoes an teflores que o ti ' epreen e-se das conside-
po e a natureza dos re ' tivos industriais. a fertilidade desigual da terra, uma forte influência da
sua modalidade espedfica d _ Cursos naturaiS, assim como
e gesrao empres 'I ' fI ' irri ação. a combina ão de randes ex lorações modernas com uma im-
encadeamcnros para trás no seror I' d 'I ( afia: rnr uern dlretamenre nos portante economia camponesa e uma dependência crescente das importa-
n usrna maténas' ,
pamenros), bem como na demand~ de ' -pnmas, Insumos e equi- ções para abastecer o consumo básico de alimentos (cereais); nesse caso,
pulação, a produ tos mdustriais por pane da po-
ocorre uma forte dualidade tecnológica dentro da agricultura e entre e1~
, Nos Jife,renres países da região latino-american '_ o restante da economia,
\

vanadas, EXistem ene/ave d '_ a ocorreram sJ(uaçoes muito


, s e mlneraçao adrnin: d
trangelros, que depois foram rran c id nlstra os por empresários es- b) O caraur tardio M industriali:wção
, sren os para emp 'bl'
maneira, passaram a se c " , resas pu rcas e que, dessa
onsnru., no esteIO d fi
estrangeira e parcialment d' as Inanças públicas em moeda
, e em moe a nacio nn] Pr ' , O momento histórico em que se desencadeou o processo de industrializa-
na qual predominam os cultivos ind " atlcou-se uma agncultura ção também exerce uma influência significativa em seu alcance e conteú-
" d usrriai, em grand I -
nars mo ernas, de propriedade d " , es exp oraçoes empresa- do, Embora se aluda com freqüência à "industrialização tardia" da região,
, e capirars naclOnai '
sumiram uma função de' s, que postenormenre as-
protagonIstas no dI' na realidade englobam-se nessa apreciação genérica desde os países em que
ve situações análogas n' esenvo vrrnenrr, industrial, Hou-
, as qualS a responsabilid d ' o processo foi iniciado no fim do século passado (a União Industrial da
empresas que atuam no plano i , a e empresanal recaiu sobre
d " ano InternaCIOnal O i d' , Argentina foi fundada em 1887 e a Sociedade de Fomento Fabril do Chi-
uas ultimas situações n ' I _ ,mpacto Iferenclado destas
as vincu açoes e no I ' le, em 1883) até outros em que o processo parece haver começado depois
como no esrilo de desenv I ' ,pape postenor do Estado bem
o Vlmento, esra Íon d ' ' da Segunda Guerra Mundial, além de situações intermediárias nas quais a
rem situações em que os setores 'I d ge e ser margmal. Também ocor-
' agnco as e expo - " Primeira Guerra Mundial e a crise dos anos 1930 teriam atuado como
a Irrnenro , básicos para ' rraçao COInCIdem com os de
consumo Interno detonadoras do processo, Poder-se-ia argumentar que, quanto mais tarde
e em que a propriedade, embora re-
um país chega à industrialização, mais avançado é o nível tecnológico a
872
873

"
CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL
TEXTOS SELECIONADOS

que ele pode aceder. Entretanto, essa vantagem é contrabalançada pela


c) O tamanho da tConomÍil nacional
maior defasagem que passa a existir entre as modalidades de funcionamento
da sociedade pré-industrial e as exigências feitas pela introdução da lógica
. dimensão econormca • . d os. países é um fator de diferenciação d
industrial. Quanto mais se prolonga a sociedade pré-industrial, maiores
Logicamente,
. a ..
o de indústria I'Izaçao,- sobretudo em virtude e que os
são, talvez, os atrasos e tensões sociais latentes. Soma-se a isso o fato de
que inclde no process " . d inados setores, assim como os
que a modernização dos serviços de saúde é mais rápida do que o desen- I· das fabricas em eterrn ..
tamanhos m Olmos . dif dido (cimento, Siderurgia,
volvimento industrial, com os conseqüentes efeitos na dinâmica popu- . diãri de uso multo I un . _
dos insumos Interme I riOS . I s bens de capital seriados,
laciona!. A abundância populacional na América Latina, desde o tédio do ica) . d setor aurornortvo e a gun h d
petroqulmlca e aIO a o.. . mpatíveis com o taman o o
campo até o néon urbano, atinge ritmos sem comparação no processo de . - dificilmente seriam co _ .
atingem dimensões que I' di Igumas obras de infra-es-
industrialização dos países desenvolvidos. Antigamente os excluídos dQ , d I uns aíses .. A em ISSO, a fi
mercado Interno e a - . õesl exi um alto montante IXO
pro resso ta bé o eram da informa ão e da 12artici -ª..ç,ão 12 /{tica s't . 'a cornurncaçoes eXigem
0 trutura (transporte, energl '. países de maior porre eco-
a ão esta ue foi sU12erada desde a a~ão t que fez com..qJ.1 . é mais fácli de pagar nos
de investimentos, que h do país mais elevado é o
ch S5 tanto à 12o12ula ão mar inalizada urbana uanto à i P-att, I nto menor é o taman o ,
do cam12esinato a asp,iraç,ãQ....Çoletiva da moder ida e, c lcada d nômico. Em gera, qua . I . dif enciada é sua configuração no
grau de especialização industria e mais I er
mipados simbolos de consumo e estilos de vida~ As tensões sociais gera-
tocante à estrutura serorial. . _ a realidade da estrutura
das na sociedade pré-industrial são reforçadas, nas fases iniciais da indus- s as consldera&oes com I
trialização, pela incorporação dos excluídos na aspiração comum de
ingresso na modernidade, nem que seja pela frágil modalidade do COntato - , ias e oltticas In ustrlals. " .
fisico com alguns objetos. concepçao das estrateg P dificilmente senarn justifica-
id - de outra natureza, que
ses, por consi eraçoes . I" desenvolveram-se setores
Não se dispõe de antecedentes emplricos confláveis e comparáveis para . • co ou recrio OgICO,
veis do ponto de VIsta econorm . . a dimensão dos países
avaliar o peso do setor industrial na economia, no conjunto da América Latina, I I imas Incompatíveis com
industriais com esca as m n, não se desenvolveram ou-
nos últimos anos do século passado. Entretanto, pelo conjunto de fontes dis- . . a) ao mesmo tempo que I
poniveis, parece que a Argentina, o Brasil, o Chile, o México e Cuba teriam (siderurgia autornonv .' ibilid d não existia, como, por exemp o,
. ssa IOcompan II a e d f
chegado à Primeira Guerra Mundial com um certo grau de desenvolvimento tros para os quals e . é' Além disso, o grau e rag-
. I - oduzidos em s ne. _.
industrial, fundamentalmente ligado aos produtos têxteis, vestuário, moinhos, alguns bens de caplta nao pr . I d gem de capacidade ociosa
roduriva e a e eva a mar .
calçados e alguns implemenros metálicos. Entre essa ocasião, a crise dos anos men tação da estrutura P I' de vários setores e de muitos
q ( - iruíram caracter sncas
1930 e a Segunda Guerra Mundial, desencadeou_se a industrialização na ue ela pressupoe co nst I d ituaçâo esta que era econo-
'- d fodos pro onga os, s N
Colômbia, Peru, Costa Rica e Bolfvia, sendo ela iniciada depois da Segunda palses da reglao urante per.. levado e indiscriminad,o. o
ibili d pelo protecrornsmo e
Guerra Mundial na Venezuela, Paraguai, Honduras, Guatemala, Panamá, micamente pOSSI I Ita a . _. ompensou em parte a
o-americano, a 10 tegraçao c . .
Equador, Nicarágua, República Dominicana, Haiti e OUtros paises do Caribe. mercado comum centr .. G Andino, conseguiu-se, mUI-
P d d nacionais e, no rupo
Essa, evidentemente, é uma apreciação grosseira, que tem por objetivo prin- equenez os merca os ., E I os efeitos lirnitanres prove-
objetivo m gera, d
cipal acentuar o amplo leque de situações abarcadas pela denominação~ to precariamente, o mesmo .. enruararn-se em virtude as
d s mercados internos ac .
dustrialização tardia"; desde países com mais de um século de industrializa-
nientes. da. pequenez o . , S!~~:E!l~ç~ã~oL9d~es~s~a~l~im:!.!.!.it~a::.tç.::.ão.:..,:...
•...
p_o_r_IO __ter-
ção até OUtros em que a história industrial não passa de três décadas. políricas Internas, e, na p rática, a_compensa_ _ fi iente
médio da integração, não recebeu atençao su IC .

874
875
,.
r

CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL TEXTOS SELECIONADOS

d) Os sisumas po/iÚcos Em 1985, o produto manufaturado per capita atingia, na América Lati-
na, um índice de 89 t1980 = 100) e o PIB per capita era de 93 (1980 = 100). A
~ ju~gar pelos texto~ co~stirucionais, OS sistemas políricos da região Costumam recuperação industrial de 1984 e 1985 (2,6% e 1,9% no produto manufatu-
inspIrar-se na dournna liberal européia do século passado, o que não se ~oadu-
rado per capital não bastou par;l recuper:lr os níveis de 1980. Em nenhum
na c~m o f~to de que somente uma (nfirna proporção da população latino-
país da região sobre o qual se disponha de informações comparáveis o produ-
amencana VIveu, durante várias décadas sucessivas no sistema d d .
. , e emocr.!cla to manufaturado per capita, em 1985, superou o de 1980, apeS;lr das notórias
represenranva, Desde o começo da década de 1980 ' . d 1-
. . . ' uma malOna a popu açao diferenças de comportamento entre os diferentes países.
r~glOnal. conseguIU. Incorporar em seu coridiano essa modalidade de convivên-
Se abstrairmos o crescimento populacional e concentrarmos a atenção no
cia polínca. A relativa falra de democracia representativa como um d d
Id . . ' a o estru- nível da produção industrial. veremos alguns casos extremos, como os da
tura. a hlstóna olítica da América Latina, talvez contribua, em arte, ara~
Colômbia, Equador e Venezuela, em que a produção manufarureira de 1985
~cllc,ar o desenvolv,imen~o insuficiente do processo de integracão r ional o
superou em 8% a de 1980, e o caso da Bolívia, onde a produção manufarureira
qual, a luz da ex enencla Internacional e re ional, é favorecido elo estabeleci-
equivaleu a 61 % da que tinha sido alcançada em 1980 (53% em termos de
mento de regimes. democráticos. O recente avanço mais significativo foi o acor-
produto manufaturado per capital.
do e~tre a Arge~,nn~ e o Brasil, cujo conteúdo é uma inovação qualitativa com / /
respeito à cxpenencra regional de inregração (CEP.AJ" 1987). /1
b) Faroresexplicativos ( evolução da CTiu industrial,

4. A CRISE INDUSTRIAL DOS ANOS 1980 Entre os múltiplos fatores que influem nessa evolução dlspar, destacam-se
os graus de industrialização e de integração do parque industrial. o volume
a) Ala nirude relaÚva d.J crise industrial latino-americana e a destinação serorial dos investimentos e o crescimento industrial da dé-
cada anterior, a natureza e a intensidade do impacto negativo externo (rela-
:or fatores pred,ominantemente externos, mas com a convergência de fatores ção dos preços de intercâmbio, grau de endividamenro, fluxo de capitais,
Inter~os de carater estrutural e de política econômica, as economias latino- incidência da taxa de juros e evolução do mon tanre das exportações), e as
americanas experimentaram a partir de 1980 um' c políticas internas macroeconômicas e setoriais adoradas pelos diferentes
. '. ' , a cnse que afetou com ar-
ncular Inten~ldade o setor industriill. Ao se acentuar a restrição das divisas o países durante a crise.
setor p d d . . d . ,
r~ u trvo e maior teor e importações e com escassa capacidade de No contexto geral de uma redução do produto industrial P'" capit a no
exporta~ao e, por co~seguinte, com um forte déficit comercial, tinha que passar período de 1980-1983, com uma recuperação em 1984-1985, houve uma
por um Impacto mais acentuado do que o conjunto da atividade econômica. forte influência da evolução do Brasil. que responde por cerca de um rerço
Pelo lado da demanda, ele foi mais do que proporcionalmente afetado pela da produção rnanufatureira regional. Nesse país, deu-se uma queda contínua
queda da ren~a nacional e, pelo lado da oferta, a restrição das divisas dificultou até 1983, com uma recuperação sustentada nos anos posteriores, mas isso
o acesso aos I~sumos, às peças de reposição e aos equipamentos, além de os não ocorreu na maioria dos outros países da região. Em alguns deles, a queda
~aver ~ncarecldo. A falra de ex eriência e a natureza das fábricas rodutivas se manteve desde 1980 até hoje (Bolívia, Guatemala, Honduras e Panamá);
irn edlU, com rar:lS exce ões nacionais e setoriais, ue se com ensasse a ue- em outros, desde a queda inicial até 1982-1983-1984, não houve uma recu-
da do merc.ado Interno com ex orta ões, havendo-se somado a isso a eleva ão peração clara nos anos seguintes (Argentina, Uruguai); em outros ainda, a
da taxa de Juros e o sUfJerendividamcnto arrastado desde a década de 197Õ. queda inicial foi pequena ou nula no começo, mas se registrou posteriormente

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,.
CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL
TEXTOS SELECIONADOS

(J 982- J 983 no México e no Equador). No México, foi formulado e im-


C~~Õ(J do pafol moriai .
plantado um programa expliciro de "defesa da fábrica produtiva", que ate-
nuou e adiou o impacto do ajuste. Numa Outra categoria estariam os países A evolução diferenciada do setor industrial t~b~m .se projeta ~~ perfil serorial.
que, havendo passado por uma recessão industrial, em momenro algum atin- No período anterior à crise, os setores mais dinâmicos da reg.lao eram os ma-
giram uma grande magnitude (Colômbia, Venezuela e Paraguai), o nível mais teriais de transporte, a indústria química e os bens de ~~Pltal, e os menos
baixo da produção industrial nesses países foi de 96, na Colômbia, em 1982; dinâmicos eram os produtos têxteis, os artigos de vestuan~ e. o couro. Esse
98 na Venezuela, em 1981; e 97 no Panamá, em 1983; a produção industri- perfil, semelhante ao dos países avançados, originou-se p~mCl~almente nos
al per cap ita chegou a 91 na Colômbia e na Venezuela em 1983, e a 88 no aíses industrialmente mais avançados da região. Na Colômbia, po.r exern-
Panamá em 1985. PI '0 bom desempenho econômico já foi assinalado, o setor de alimentos
p o, CU) à . h ven
O Brasil é um caso excepcional. Ele é o único pais da região em que se figurou entre os mais dinâmicos no período anter.io~ c~lse, o mesmo a -
alcançou, nesse período e pela primeira vez, um superávit comercial no setor do ocorrido nos países de menor grau de industrialização.
industrial.
dusrrializados
Contribuindo com 50% do total de exportações
da América Latina, ele registra o maior grau de desenvolvimento
relativo do setor de bens de capital, e seu caráter pró-cíclico
de produtos

explica tanto a
in-

TAXAS DE CRESCIMENTO DO VALOR AGREGADO rOR HABITANTE: rOR


TABELA 7 I
ÁREAS ECONOMICAS E REGIOES EM DESENVOLVIMENTO. 1963-1985
queda mais rápida do setor industrial, no penedo de J 980- I 983, quanto a (Taxas médias anuais. em percentagens)
expansão continua dos anos seguintes, que se manteve até 1986; em 1984,
quando a economia mundial foi estimulada pelo aumento das importações 1963/ 1973/ 1981 1982 1983' 1984' 1985' 1980/
dos Estados Unidos (27%), as exportações do Brasil para esse país subiram 1973 1980 1985
54%, enquanto as do conjunto da América Latina tiveram apenas um aumento
Países desenvolvidos com O -2.9
de 7%. As exportações do Sudeste Asiático para os Estados Unidos tiveram economia de mercado 46 1.0 -.1 2.4 6.1 2.5 1.6

um aumento de 34% no mesmo ano. O resultado obrido pelo Brasil foi fruto Pafses de planejamento 1.9 2.1
central 8.6 6.1 3.7 3. 2.7 2.8
de um investimenro
do investimento
contínuo
feito no segundo
durante três décadas e, muito particularmente,
qüinqüênio dos anos 1970, que teria con-
PalsA;r:adesenvolvimenro ~:~ ;:~ =~:; =~:~ 1.0
-2.0
7.0
1.3
3.7
2.0
1.5
0.1
Ásia ocidental 6.2 2.3 -2.0 5.1
tribuído para a elevação do saldo de divisas do setor indusrrial, que passou de
Ási. meridional 6 1.0 8.0
3 bilhões de dólares em 1981-1982 para 5 bilhões em 1983 e 7 bilhões em I 46 5.4 3. 9.6 6.2 d7.9
e orienta
América latina
.
5.1. 28 -5.1 -3 .9 -5.3 2.6 1.9 -2.0
1984 (ONUO!, 1985).
Fonte DIV1ÚO Conjunta CEPAllONUOI de In~úsma e Tecnclcgia. com b ase em 10 formações de ONUDI, World InduIlry:J 1I 'I

Nos palses de maior dinamismo industrial na década de 1970, qual- A S,a""ua' Rmf'" J 985 (UNIDO!1S 590). Viena. 1985
• A preços consumes de 1975.
quer que ten ha sido seu grau de indusrrializaçao e o tamanho de seu mer- ~ Cifras preliminares.
c Cifn.s esrirnarivas.
cado interno (Brasil, México, Venezuela, Colômbia, Equador, Costa Rica, , 1982·1985.
Panamá, Paraguai e República Dominicana), a evolução foi mais favorá-
vel na década de 1980 do que nos demais países (Argentina, Chile, Uru-
guai e Peru). Nestes últimos, a crise externa superpôs-se a farores internos N I d d 1980-1983 três fatos principais se destacaram do pOntO de
anterIores. o per o o e d
!. de material
vista da modificação do perfil setonal: o deslocamento os setores. . '
de transR0rte e bens de capital ara o gru o dos setores de menor dlOamlsm..3'

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CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CHAL
TEXTOS SELECIONADOS

o que é compreensível por sua função no processo de investimentos e peIo


.l!:w2acto com lementar da eleva ão das taxas de .uros e da' ueda do PlB; a Esse fato mostra como é exígua a valorização social e política que esse

*'
manutenção do setor de química industrial (CIIU, 35 J) como setor dinâmico, aspecto merece na região, e como é precário o vínculo entre essas atividades e

antes e durante a crise, o que reflete a grande disseminação desse tipo de pro- a produção industrial, voltada para o mercado inter.no. Nos. palse~ ~ue se
dutos no conjunto da atividade p'rodutora (agricultura er çÁQ, COO5[OI- apóiam no setor industrial para competir no merc~do Int~rnaclOnal, e incon-
ção civil. consumo de bens não duráveis); e, em rerceiro lugar, o faro de que o cebfvel que, por razões de austeridade orçame~tána, s~cnfiquem-s~ ~s recur- ~

seror de êneros alimentícios, cu'a ex ansão está associada às necessidades


sos destinados à pesquisa cientlfica e tecnológlCl, conSideradas deCISIVas para
a capacidade de concorrência internacional.
básicas de sobrevivência, situou-se, a rartir de J 980, na categoria de setor de
alto dinamismo, em Qaíses tão dif~rentes ~uant<l.2..Brasil, o ~xic;,o Chile
a Re ública Dominicana e a Venezuela. e) Caracterização geral da situação atual

No conjunro da região, os setores mais dinâmicos no período da crise foram


A situação atual do setor industrial da América Latina poderia ser resu.mida
os de alimentos e dois setores de insumos intermediários, a indústria química
nas seguintes caracterlsticas: margens relativamen.te el:vadas de ~apaclda~e
e a indúsrria siderúrgica (no caso deste último setor, tiveram influência as
o,ciosa em inúmeros países e em diversos setores.; sltuaçao financ~l~a precán,~
exportações do Brasil). No perlodo de recuperação de alguns dos países até
das empresas, associada com a queda do mercado mterno; su eren.dlVl~amento,
J 984 e J 985, observa-se, apesar do caráter fragmenrado das informações dis-
taxas de juros elevadas; e, em vários palses, impacto das ~vl!9rlZaçoes~-
poníveis, que o perfil produtivo anrerior à crise reconstruiu-se, com uma re-
sivas nas importações e no serviço da divida externa. .
cuperação acentuada do dinamismo por pane do setor aurornotivo e, em al-
A queda acentuada da taxa de investimentos, que em vários ~als.es alcan-
guns países, em particular o Brasil, do setor de bens de capital.
çou apenas limites suficientes para a reposição, aumentou a antl,?uldade ~o
Na maioria dos países da região, ainda não se observa um processo de
.
ar ue Industna . I', Rreclsamente num er Io d o e m ue , no lano. mternacio-
.
recuperação industrial, e seria prematuro avaliar a modificação que o perfil
nal, acelerava-se a mudan a tecnoló ica no setor de bens de ca iral, com. I.SSO
produtivo sofrerá, embora, seguramente, setores como o auromotivo e algu-
aumentando o grau de obsolescência técnica; a isso veio somar-se a debIll~a-
mas indústrias que produzem insumos inrermcdiários de uso muito difundi-
ção e, em alguns casos, o desmanrelarnenro de grupos encarregados do dmgn
do, como a petroquímica e a siderurgia, experimentarão processos de racio-
lem empresas fabris e em empresas de engenharia, e a .degradação d~ nl~el de
nalização profunda, além do processo geral de recsrruturação industrial que
preparo da parte da mão-de-obra industrial que, em virtude da paralisação do r
deverá oco rrer.
Itrabalho, foi deslocada para outras atividades. . ..
.No setor público, além da restrição dos recursos destinados ao investi-
dJ E ri/os sobre as aril'itl,ldes de pes I/isa fic'!JI!fiCil (,ecnológic~ mento, concentrou-se a atenção na resolução de problemas de c~rto prazo,
com a inevitável ne li ência da weRara ão das estraté ias necessánas ara dar
Talvez a caracrerísrica mais reveladora da indústria Iarino-americana seja que, uma orientação mínima à atividade empresarial. Além disso, a queda das re-
em marcanre conrrasre com o ue acontece nos aíses desenvolvidos, os gas- munerações no setor público e a restrição o quadro de pessoal po.dem ter
~ ro e gesQuisa e desenvolvimento tecnológico, estreitamente associados ao conrribuído para a eliminação de atividades prescindlvei.s, .mas debilitaram o
orçamen to público, tiveram uma ,gueda sistemática, inclusive no Brasil. Essa apoio público em certos setores decisivos, tais como a atiVidade de desenvol-
tendência foi quanrificada em relação J Argentina, Brasil, México, Chile, Peru vime~to~ecnológico. Essa conjunção de fatores desfavoráveis teria afe:ado co~
e Venezuela. maior intensidade: as empresas de menor porte e com ligações políticas mais
frágeis com as instâncias governamentais.
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,. 881

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CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAl

Esses não são roblemas onruais ue afetem a enas determinados entes


ou setores e o . ue fica em uestão é todo o sistema industrial, inre rado elos
agenres rodutlvos, financeiros, tecnol6gicos, privados e públicos, bem como'
<LÇonsenso no tocanre à validade das polfricas necessárias à industrializa ão
Ao f .
~esmo te~. o, en renra.-se o desafio de reativar o setor empresarial,
reonenrar a ativIdade I2rodu nva, favorecer a articulação da indústria co
. m os
rec~rsos n~rurals e os serviços, idealizar estrarégias e poIfticas, e fortalecer diver-
sas InStitUI. ões úblicas e rivadas ue influenciam o funcionamenro do se-
tor industrial.

VII. CONCLUSÕES

Entre as lições que este exercício explorarório pode ensinar, parece interessan-
te destacarmos as seguintes:

A solidez da participação no mercado inrernacional está estreiram~a-


a à capacidade que têm os palses de somar um valor inrelectual a sua dora-
~ção natural de recursos. Seria ilusório aspirar a uma posição sólida nos merca-
dos mundiais, sem que os países incorporem o progresso récnico a esses
recursos. O faro de se conrar com recursos naturais não implica que se abdi-
que da receita que eles podem gerar, mas que é imprescindível que esta seja
empregada para transformar e modernizar o setor agrlcola e para promover o
desenvolvimento de um setor industrial com crescente participação e compe-
rirividade nos mercados internacionais.

• A idéia largamenre difundida de que existe uma lei de compensações enrre


o crescimenro e a eqüidade não se sustenra, ao examinarmos a realidad~
c:.mpírjca de um amplo lsq e situações nacionais. J: certo que, no interior
da América Latina, esses dois objetivos não convergiram. e que palses com
maior egüidade sofreram uma estagnação, enquanto palses com maior dina~
mismo não tiveram eqüidade; entretanto, essa apreciação localista da relação
entre os dois objetivos é refutada uando se com[2ara o padrão latioo-ame-
ricano com o de outras regiões com sistemas socioeconômicos e graus de de-
senvolvimenro diferentes. Diversamente do crescimenro esporádico, o cresci-

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,.
CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAL TEXTOS SELECIONADOS

mento sustentado exige uma sociedade internamente articulada e eqüitativa, • l? difícil conceber como será cumprida a tarefa, enfrentada pelos países da
o .sue cria as condições propícias para um esforço contfnuo de incorp.ora~ região, de transformar não apenas as estruturas econômicas, mas ainda a con-
do~resso técn ico e de elevação da produtividade e, ar conse _uinte, ara cepção das diferentes camadas da sociedade sobre o desafio que elas enfren-
o cresclmenro. tam e a maneira de encarã-lo, a menos que as forças dessas distintas camadas
sociais possam voltar-se, inteira e confiantemente, para a busca de solu~ões.
• Na medida em que a elite das sociedades latino-americanas continuar a Sem uma demoçratiza.ç.á.o..JUs. sociedades latino-americanas, que permita a
resumir suas expectativas na aspiração mfoRe e r.rosaica de imitar, n topo da participação ativa e permanente daqueles que até agora não foram benefici~-
pirâmide duenda p;Ld..!:fu; e 8 es ava f; S Qmitind o fªto e dos pelo padrão de desenvolvimento, é difícil acreditar que se possa p~odu~,r
que esse padrão, mesmo nos Estados Unidos, seu pafs de origem, já é diffcil uma mudança favorável. Entretanto, não se deve esquecer que tambem nao
de sustentar, e, além disso, na medida em que ela tencione prolEgá-lo como está garantida a capacidade de legitimação econômica do processo d~ demo-
uma aspiração coletiva ao resro da sociedade (conformando a esse objetivo a cratização num contexto como o descrito, nem rarnpouco sua capaCIdade de
estrutura do uso da terra, da energia; dos transportes e das comunicações), reagir a curto prazo às carências atualmente enfrentad~. Em a~ ,uns afses d.a
Eoderemos assistir a uma evolução tal gue, onde hoje existe uma coluna va- ~gião, a democratiza ão foi, em arte, um reflexo da Inca aClaade d~s .re ~-
zia, chegue-se amanhã a uma outra situação, de canse üências im revisfvei mes autoritários ue a Rrecederam de resolver esses roblemas, e s~ge-
como seria a de a~luna mais concorrida ser a da esta na ão com desartjÇ..Y;- !luo supor gue os benefícios simbólicos difundidos ela democratização pos-
líj,ç50 socia I . sam suprir, or muito tem o, as solu ões concretaS ue ai uns desses !2foblemas
exi em com ur ência. Por conseguinte, o potencial do processo de democra-
• A abertura da caixa-preta do progresso técnico constitui uma tarefa que trans- tização a médio e longo prazos entra em choque, a curto praz~, com o estí-
cende o âmbito industrial e empresarial e faz parte de toda uma postura social mulo à busca de formas de legitimação em serores fundamentais.
frente a esse tema. Essa nova atitude, de valorização social da imaginaçã.o
criariya. ou seia. da busca de fórmulas Que atendam às carências e às poten.- • O gue foi dito acima leva, necessariamente, a considerarmos a Ro~siliilida-
cialidades internas. pressupõe uma modiucação da elite da qyal nascem Q$ de de gue ha'a acesso aos recursos p'~~i~nt~49sJ2afses_4çsenY.Qlvldos Rara
_-\-l~u.u~:-a-UJ:l&Ju..tação que se disseminam pelo conjunro da sociedad.<!. Seria ap,oiar essa recu era ão. Até aqui, destacou-se a imp~rtância das transform~-
diFícil cornparibilizar uma liderança na qual têm Forte peso os serores rentistas ções internas, e chegou-se até a assinalar que não seria procedente um JpOIO
e de inrcrrnediação financeira, independentemente de eles terem um caráter financeiro do exterior que conduzisse: pura e simplesmente, ao pro!ongam~nt~/
privado ou público, com a difusão, pelo conjunto da sociedade, de valores do padrão de desenvolvimenro anterior. Contu~o, a tr~nsFormaçao economl
em que as carências e potencial idades internas se transformem no eixo con- ca, social, polftica e cultural re uerida na Aménca Latina, ue tem como es
dutor da transformação econômica e social. A crescente difusão de produtos teia o esforço interno, requer um apoio externo comr.lem.entar. Se os pa~ses
modernos na América Latina não modifica em nada a precariedade do caráter dotados de excedentes, isto é, aqueles que têm a pOSSIbilidade de canalizar
tradicional das relações sociais em que esses objetos são inseridos. A moder- recursos para forade suas fronteiras (principalmente o japão e a República
nidade de uma sociedade tem menos a ver com os objetos que nela se difun- Federal da Alemanha), se desinteressarem da situação dos países menos de-
dem do que com a modernidade das instituições e das relações a partir das senvolvidos e continuarem, como nos últimos anos, concentrando sua aten-
quais se dá a concepção, a aquisição, a escolha e a avaliação da utilidade des- ção na possibilidade de resolver os desequilíbrios que surgem entre el~s, so-
ses 05Jetos. bretudo em vista da situação externa e fiscal deficitária dos Estados Un Idos, é
possível que eles venham a enconrrar uma fórmula de convívio civilizado entre

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,.
T

I.'

CINQÜENTA ANOS DE PENSAMENTO NA CEPAl

si, virando as costas para o drama crescente que se desenrola no hemisfério


sul. O principal país devedor, os Estados Unidos, teria que adotar as medidas
necessárias para adequar seu estilo de vida a suas possibilidades, e os países
superavirãrios, em vez de orientarem os recursos para a manutenção do pa-
drão de consumo dos Estados Unidos, deveriam dirigi-Ios para os países do
sul. Seria vital que esses países investissem, no plano endógeno, em transfor-
TRANSFORMAÇÃO PRODUTIVA COM
~óes econômicas e sociais que Ihes permitissem absorver esses recursos, para!
transformar seu padrão de desenvolvimento, e que esses recursos permitissem EQÜiDADE: A TAREFA PRIORITÁRIA DO
compatibilizar os requisitos de curto prazo, associados à crise atual, gerandd
transforma óes num sentido tal ue fosse ossível reencher o con'unt~
DESENVOLVIMENTO DA AMÉRICA LATINA E
atualmente vazio. DO CARIBE NOS ANOS 1990* ~

/" < se ..ê ·a Q~Qarece ser dep.reendida deste estudo é a da eqüidade, aus- CEPAL
, teridade, crescimento e comp.etitividade. Ela difere da teoria que começa pela
competitividade e não destaca Q cpnreIÍdo recnplógico dos prodllros exp0r['l.-
_dos, para depois esperar que o crescimento resulte do efeito dinamizador do
mercado internacional, que terminaria na incorporação paulatina dos ex-
cluídos. Tanto a experiência quanto as considerações internas e externas, po-
líticas e econômicas, mostram que, na América Latina, será cada vez mais difícil
adiar o tema da eqüidade, ainda que isso implique colocar em discussão al-
guns temas ingratos do passado, que pareciam haver caducado com o adven-
to da modernidade .

• Um fator importante na geração de recursos no norte e nas modalidades de


utilização desses recursos no sul é a diminuição do gasto com armamentos.
No norte, prevalece uma relação inversa entre a cornperirividade industrial e
o esforço bélico, o que sugere que uma dimin uição desses gastos facilitaria a
desejada recuperação dos equilíbrios comerciais e financeiros internacionais.
A isso vem somar-se o impacto que haveria no clima polírico mundial e suas
conseqüências benéficas para a paz social, a modernização democráti~a e a
consolidação dos processos de integração regional no sul e, muito particular-
mente, na América Latina. 'Capltulo I. "Introdução e síntese" (páginas u a i9) e capfrulo V,. "Contorno, de algumas polltica:;~
sicas" (páginas 10 i a i 04), em Traniformaâón produmva (on (qu.dad. La tarea p"OrlUma dei :"'i990
d( América Latina y d Carib« m 10, ano' noventa (LC/G.i60 i-P), Santiago do Chlle'dmorço F e d·
Publicação das Naçôcs Unidas, n" de venda: S.90.IJ.G.6. O documento fOI coordena o por eman o
Fajnzylbcr.

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