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Gestão de Riscos: Saúde,
Ambiente e Trabalho

O Saber para conquistar um lugar

Janaína Rocha Furtado

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Ambiente e Trabalho Janaína Rocha Furtado Florianópolis 2017 . Universidade Federal de Santa Catarina Centro Socioeconômico Departamento de Ciências da Administração Gestão de Riscos: Saúde.

Título.© 2017 Departamento de Ciências da Administração CSE/UFSC. A cópia desta obra sem autorização expressa ou com intuito de lucro constitui crime contra a propriedade intelectual. – Florianópolis : Departamento de Ciências da Administração / UFSC. 190 p. 2. O conteúdo desta obra foi licenciado temporária e gratuita- mente para utilização no âmbito do Programa O Saber para conquistar um lugar. CDU: 658 Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071 . com sanções previstas no Código Penal. parágrafos 1º ao 3º. Todos os direitos reservados. 6. e sua reprodução e distribuição ficarão limitadas ao âmbito interno dos cursos. Programa: O saber para conquistar um lugar Inclui referências Curso de Capacitação ISBN: 978-85-7988-312-5 1. 5. Avaliação de riscos de saúde. 2017. Seguro de acidentes do trabalho. A citação desta obra em trabalhos acadêmicos e/ou profissionais poderá ser feita com indicação da fonte. Gestão de riscos. O leitor se compromete a utilizar o conteúdo desta obra para aprendizado pessoal. Avaliação de riscos ambientais – Metodologia. Seguro de risco ambiental. Segurança dos trabalhadores. através da UFSC. 4. sem prejuízo das sanções cíveis cabíveis à espécie. 3. I. Janaina Gestão de riscos : saúde. PRESIDENTE DA REPÚBLICA Michel Temer MINISTRO DA SAÚDE Ricardo Barros SECRETÁRIO EXECUTIVO Antonio Carlos Figueiredo Nardi SUBSECRETÁRIO DE ASSUNTOS ADMINISTRATIVOS Leonardo Rosário de Alcântara COORDENADOR-GERAL DE GESTÃO DE PESSOAS Pablo Marcos Gomes Leite COORDENADORA DE DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS Delciene Aparecida Oliveira Pereira F992g Furtado. ambiente e trabalho / Janaina Rocha Furtado. artigo 184. A responsabilidade pelo conteúdo e imagens desta obra é do(s) respectivo(s) autor(es).

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA REITOR Luiz Carlos Cancellier de Olivo VICE-REITORA Alacoque Lorenzini Erdmann CENTRO SOCIOECONÔMICO DIRETOR Irineu Manoel de Souza VICE-DIRETORA Maria Denize Henrique Casagrande DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO CHEFE DO DEPARTAMENTO Eduardo Lobo SUBCHEFE DO DEPARTAMENTO André Luís da Silva Leite PROJETO MINISTÉRIO DA SAÚDE/UFSC/CSE/CAD COORDENADOR Gilberto de Oliveira Moritz SUBCOORDENADOR Alexandre Marino Costa COORDENADOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Marcos Baptista Lopez Dalmau COORDENADOR ADMINISTRATIVO Silvio Machado Sobrinho COORDENADOR DE APOIO LOGÍSTICO Marcus Venícius Andrade de Lima COORDENADOR DO CONSELHO EDITORIAL Maurício Fernandes Pereira COORDENADOR TÉCNICO Rogério da Silva Nunes COORDENADOR DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Eduardo Lobo COORDENADOR DE PRODUÇÃO DE VÍDEO Aureo Moraes .

DIAGRAMAÇÃO E FINALIZAÇÃO Cláudio José Girardi ORGANIZAÇÃO DE CONTEÚDO Janaína Rocha Furtado .LABORATÓRIO DE PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS PARA A FORMAÇÃO DE GESTORES – LABGESTÃO COORDENADOR-GERAL Gilberto de Oliveira Moritz SUBCOORDENADOR Alexandre Marino Costa COORDENADORA DE PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS Denise Aparecida Bunn SUPERVISORA DE PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS Claudia Leal Estevão DESIGNER INSTRUCIONAL Patricia Regina da Costa REVISÃO TEXTUAL Patricia Regina da Costa PROJETO GRÁFICO Annye Cristiny Tessaro Rita Castelan Minatto CAPA.

Prefácio

A Subsecretaria de Assuntos Administrativos do Ministério da Saúde
(MS), por meio da Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas, atenta às ne-
cessidades de desenvolvimento e valorização de seus servidores, reafirmou
convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para ofertar
ações de educação a distância neste ano de 2017.
O ensino na modalidade a distância tem sido cada vez mais utilizado nas
organizações públicas. A evolução das tecnologias de informação e comunicação
possibilita inúmeras escolhas e estratégias para lidar com a crescente produção
e disseminação de conhecimentos e informações. A gestão do conhecimento
e o desenvolvimento dos trabalhadores da saúde são imprescindíveis para o
cumprimento do preceito constitucional do direito à saúde – nosso objetivo
maior.
Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde está dando continuidade ao
Programa de Educação a Distância iniciado em 2007, em parceria com a
UFSC, que já qualificou mais de 10 mil trabalhadores do MS em todo o território
nacional, em diferentes ações de atualização e aperfeiçoamento profissional.
Com outras iniciativas, essa atividade contribui para o desenvolvimento
do Plano de Educação Permanente do Ministério da Saúde, quer pela reconhe-
cida excelência da UFSC, quer pelo empenho de nossas Unidades responsáveis
pela gestão de pessoas, no apoio à utilização desse instrumental.
Esta é mais uma oportunidade para que você, trabalhador da saúde,
possa qualificar seu processo de trabalho e contribuir para a melhoria dos
serviços públicos prestados aos cidadãos!

Ministério da Saúde

Sumário

Sobre o Curso.............................................................................................13
Apresentação.............................................................................................15

UNIDADE 1
Introdução ao Conceito de Risco
Conceito de Risco......................................................................................21
Riscos: um conceito que muda com o tempo....................................21
O Risco Percebido e a Construção Social do Risco...........................34
Risco, Saúde e Ambiente: algumas reflexões pertinentes ao universo
do trabalho.........................................................................................38
Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e suas etapas...........44
Resumo......................................................................................................59

UNIDADE 2
Análise de Riscos
Análise de Riscos.......................................................................................63
Histórico, Conceitos e Definições da Análise de Riscos....................63
Análise de Riscos: Análise Preliminar de Riscos (APR)...................67
Técnica de Incidentes Críticos...........................................................77
Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE).................................80
Análise de Perigos e Operabilidade – Hazard and
Operability Studies (HAZOP)............................................................83
Confiabilidade de Sistemas: Análise de Árvore de Falhas (AAF)
e Análise de Diagrama de Blocos (ADB)...........................................90
Resumo......................................................................................................100

....................................................134 Resumo.144 Seguro de Riscos Ambientais....................................................................................................................................................................111 Metodologias para Avaliação deRiscos Ambientais.................................165 A Importância dos Planos de Gestão de Riscos para a Saúde Pública................................138 UNIDADE 4 Mecanismos de Seguro Mecanismos de Seguro...................................................................................................UNIDADE 3 Análise de Riscos Ambientais Análise de Riscos Ambientais.......................................................123 Avaliação Quantitativa de Riscos (AQR).105 A Inserção da Análise de Riscos no Processo de Avaliação de Impacto Ambiental.................................................................................161 UNIDADE 5 Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos....165 A Análise dos Riscos Ambientais e Ocupacionais sobre a Saúde................154 Resumo............................................................................................168 .......151 O que é o Seguro de Responsabilidade Civil – Poluição Ambiental?....................127 Mapas de Riscos Ambientais para Prevenção de Acidentes de Trabalho.143 Seguro de Acidentes do Trabalho........................................................................................................................................116 Análise de Consequências e Vulnerabilidade...................................................143 Quais são os Mecanismos............................................................................105 Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) .....................................

....182 Referências....................................................................................................173 Planos de Contingência em Saúde......................................177 Comunicação de Risco e Saúde...............................................................................184 ............... Saúde do Trabalhador: reduzir riscos e promover saúde...................................................................179 Resumo.......................

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Carga Horária 60 horas. das 8h às 20h. Entender o Programa de Gerenciamen- to de Riscos. O Saber para conquistar um lugar Sobre o Curso Curso de Capacitação Gestão de Riscos: Saúde. Identificar as estratégias de implantação de Planos de Gestão de Riscos com foco na Gestão Pública da Saúde. Execução Departamento de Ciências da Administração do Centro Socioeconômico da Universidade Federal de Santa Catarina. Promoção Ministério da Saúde. Ambiente e Trabalho Objetivo Conhecer o conceito de riscos. Reconhecer as metodologias para análise de riscos e a análise de consequências e de vul- nerabilidade. 13 . Identificar a Análise de Riscos e suas técnicas. Público Participante Servidores do Ministério da Saúde com escolaridade mínima de nível médio completo. Horário de Atendimento De segunda a sexta. Entender o mecanismo do seguro de acidentes de trabalho e de riscos ambientais. SAA/CGRH/CODER.

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definindo-se mais comumente como a probabilidade de ocorrência de um evento cujas consequências são indesejáveis. Olhar cuidadosamente antes de atravessar a rua. Ambiente e Trabalho. acidentes de todos os tipos. de um modo ou de outro. não podemos negar que os riscos estão presentes em nosso cotidiano e que. Fato que se deve aos acidentes rela- cionados ao trabalho e à ocorrência de desastres ambientais diversos no decorrer do processo de industrialização da nossa sociedade. justamente. Desastres socioambientais. colocar luvas ao pegar materiais perfurocortantes (que perfura e corta ao mesmo tempo) são. Com o objetivo de atuar de modo a prevenir os eventos adversos e minimi- zar os seus impactos humanos. O Saber para conquistar um lugar Apresentação Caro participante. exemplos de que gerenciar riscos não é totalmente uma novidade para o cidadão contemporâneo. respeitar a orientação das bandeiras na praia ao entrar no mar. ambientais e econômicos. com a implementação das medidas 15 . a palavra risco foi se incorporando ao vocabulá- rio e às práticas das pessoas e das organizações. contaminação por produtos perigosos. Aos poucos. epidemias. Processo que se inicia com a identificação dos riscos e finaliza. enfim. agimos de forma a manejar alguns dos riscos aos quais estamos expostos diariamente. A redução dos riscos e das suas consequências por meio do seu adequado tratamento é o fim último de um programa eficiente de gerenciamento de riscos. estudos e metodologias voltadas ao gerenciamento de risco foram desenvolvidas e aplicadas nos mais distintos contextos sociais. Seja bem-vindo ao curso de Gestão de Riscos: Saúde.

você terá acesso a uma série de conhecimentos acerca desse assunto. a partir dos quais você poderá aplicar técnicas e modelos de gestão de riscos. ainda. Os processos de gestão de riscos podem. de tal forma que se encontre um equilíbrio entre os riscos socialmente aceitáveis. ambiente e trabalho. qualitativa e mista. implementar uma melhoria contínua nos ambientes de trabalho. na capacitação e na sensibilização dos trabalhadores e da sociedade em geral. Muito precisa ser feito. planejadas de acordo com o grau de risco. na in- formação. para garantir a segurança e a saúde do trabalhador e para incluí-lo em todas as etapas da gestão dos riscos aos quais estão suscetíveis. hoje em dia temos disponível um conjunto de metodologias.O Saber para conquistar um lugar de tratamento. De antemão temos de alertá-lo que risco zero é uma meta pra- ticamente impossível no âmbito das organizações. Dividido em cinco Unidades. da população e dos ecossistemas vulneráveis e os interesses econô- micos do país. tendo em vista a complexidade dos processos produtivos existentes na sociedade moderna. 16 . entretanto. este curso abordará o tema gestão de riscos: saúde. que focam no gerenciamen- to de riscos ou mais especificamente em algumas de suas etapas. com diferentes abordagens e ênfases. a proteção dos trabalhadores. níveis de tolerância e aceitabilidade e outros aspectos previamente definidos durante o planejamento das ações. Cientes de que a prevenção se baseia. e que nem sempre há consenso acerca de quais fatores que estão relacionados ao risco e mesmo da sua representação social. agregando a sua formação profissional e habilitando-o para exercer o controle e a fiscalização dos riscos existentes no seu contexto de trabalho. Trata-se de um tema que envolve os saberes de diferentes dis- ciplinas e áreas de atuação. de ordem quantitativa. No entanto. essencialmente. buscando-se padronizar a investigação e a análise dos riscos.

as definições e os métodos relacionados à Análise de Riscos. a importantes instrumentos que permitem identificar e avaliar os riscos existentes em contextos específicos de investigação. Na Unidade 5. Para abordar o tema. abordaremos a análise de risco voltada à saúde ambiental e ocupacional. a Unidade 4 tratará exclusivamente sobre os mecanismos de seguro. Desejamos um excelente curso e bons estudos! Professora Janaína Rocha Furtado 17 . por fim. os planos de contingência em saúde. O Saber para conquistar um lugar Na Unidade 1 discutiremos o conceito de risco. será possível debater brevemente sobre algumas estratégias de implantação de planos de gestão de riscos com foco na Gestão Pública da Saúde. também. comunicação em saúde e pontos relevantes sobre a política nacional de saúde do trabalhador. o foco está na Análise de Riscos no processo de avaliação de impacto ambiental. Você terá acesso. Na Unidade seguinte. finalizando com a avaliação quantitativa de riscos. no que con- siste um programa de gerenciamento de risco e quais são as suas principais etapas. permitindo uma reflexão mais aprofundada sobre as relações entre risco. Para tanto. tal como as organizações e outros ambientes de trabalho. Tendo em vista que você recebeu nas unidades anteriores in- formações suficientes dos conceitos e dos métodos de identificação. serão apre- sentadas outras metodologias de estudo. Você conhecerá quais os seguros existentes relacionados a acidentes de trabalho e a riscos ambientais. Nessa Unidade apresentaremos. entre outros temas transversais. serão tratados os conceitos. análise de riscos e avaliação de impacto ambiental. então. Já na Unidade 3. saúde e ambiente.

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1 UNIDADE Introdução ao Conceito de Risco .

você vai: „„ Entender o conceito de risco. saúde e ambiente no universo do trabalho e conhecer as etapas. „„ Identificar os aspectos sociais relacionados à definição de risco. . a partir do reconhecimento de sua dimensão multifacetada. Objetivos Nesta Unidade. e „„ Refletir sobre os temas risco. as características e a finalidade de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). com ênfase no risco percebido.

Você sabe o que são riscos? Você acredita que todos os riscos têm consequências negativas. com a probabilidade de ocorrência de danos ou prejuízos? E será que todas as pessoas percebem os perigos a que estão expostas da mesma forma? Quais as principais etapas para desenvol- ver um Programa de Gerenciamento de Riscos? Essas são algumas perguntas que nortearão o estudo desta e das outras Unidades deste curso. consequentemente. Situação em que há Nos dias de hoje é comum falar sobre os riscos associados à probabilidades mais saúde. Fonte: Ferreira (2010). à probabilidade de sermos afetados por esses fenômenos. por exemplo. Bons estudos! Riscos: um conceito que muda com o tempo Risco 1. cisão de investimento. dos cidadãos modernos. o significado de risco está relacionado à ex. ou numa de- posição a um perigo. num jogo de azar. 21 . entre ou menos previsíveis de outros aspectos da vida em sociedade. ao território. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Conceito de Risco Olá participante. ameaça ou inconveniente e. 2. Palavra comum no vocabulário perda ou ganho como. O nosso objetivo nesta Uni- dade é debater os principais conceitos. ao ambiente e às condições de trabalho. Perigo ou possibi- lidade de perigo. ampliando a noção comum que temos sobre os riscos e sobre as maneiras de gerenciá-los.

No decorrer dos séculos XVIII e XIX. Também era recorrente o entendimento máquinas-ferramentas. passamos a falar mais frequentemente produção de ferro. ocorreram alterações na forma de conceber esses eventos. volvimento e implementação de tecnologias.suapesquisa. A Revolução Industrial teve. assunto em: <http:// www. a introdução da noção de risco e mesmo do uso de métodos de produção da palavra em nosso cotidiano é bastante recente considerando a artesanais para a história da humanidade. 2017. o uso crescente acidentes nos diversos contextos da vida diária eram compreendidos da energia a vapor e o como uma origem divina. ainda que de uma perspectiva restrita a causas e efeitos di- retos. com produção por máquinas.com/ Com a sociedade industrial e a percepção de que as mudanças industrial/>. biocombustíveis pelo Desse modo. Até então. os riscos eram significados como tendo uma origem carvão. trabalhadores. natural. sociais. portanto. além da substituição desses eventos como frutos do acaso. sorte ou destino (SPINK et al. Não se abordava a prevenção e a gestão de riscos. As pessoas eram responsabilizadas individualmente pelos transformando inúmeros aspectos da vida acidentes. e pelos perigos a que cotidiana em geral. 22 .. impactando as relações novos processos de e o ambiente de trabalho. As situações pontuais que geravam os acidentes. os eficiência da energia da água. frente aos quais pouco se podia fazer uma grande impacto nos vez que não associávamos os riscos a falhas humanas ou aos processos processos de trabalho. “Ira de Deus contra os desenvolvimento das equívocos da humanidade”. maior de riscos e das condições e fatores que os produzem. estavam expostas. 2007). da madeira e de outros 2008. doenças e calamidades que sofriam. CAPONI. “castigo dos Deuses”. a fabricação de novos as transformações decorrentes da Revolução Industrial e do desen- produtos químicos.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Revolução Industrial foi Figura 1: Representação de risco a transição para novos Fonte: Reynard (2011) processos de manufatura que incluiu a transição No entanto. por exemplo. Acesso em: no universo do trabalho provocavam acidentes e adoecimento dos 30 jan. objetiva e externa. Pesquise mais sobre o sendo que o único meio possível de evitá-los era por meio da fé.

a percepção do risco pelo público e a gestão dos riscos (que passou a envolver a comunicação do risco para o público). por exemplo. Portanto. a partir de meados do século XX. controladas e evitadas. é a noção de risco associada a uma ameaça ou perigo. (2008). possibilitaram o incremento de cálculos para a análise dos riscos. por sua vez. a progressiva formalização do con- ceito de risco ocorreu com o aperfeiçoamento das técnicas de cálculo dos riscos e com sofisticadas análises estatísticas e probabilísticas de riscos. Mais comum. de que muitas empresas se expõem ao risco para progre- dir no ramo de seus negócios. como técnicas preventivas e de contenção aos acidentes (PORTO. a partir da percepção dos sujeitos envolvidos. aspectos sub- jetivos e culturais na compreensão dos mesmos. a formatação de um campo de saber muito específico denominado gestão de riscos. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco tornaram-se passíveis de serem previstas. Os estudos sociais e a psicologia inseriram. sorte e chance. Lembre-se. por meio de um agente. Perigo frequentemente diz respeito a uma característica potencialmente danosa à saúde. Emergiram desse contexto a normatização e a criação de procedimen- tos operacionais nas ações de trabalho. especialmente os estudos matemáticos de probabilidade e estatística. a noção moderna de que os riscos podem ser identificados. Para Spink et al. o desenvolvimento dos princípios científicos. O conceito de risco também pode ser visto como uma oportunidade. máquina. De acordo com Spink et al. 2000). Posteriormente. processo ou ambiente. consequentemente na segunda metade do século XX. entretanto. possibilitando a ideia de um futuro passível de controle e introduzindo. a análise dos riscos assentou-se em três pilares: o cálculo do risco. 23 . analisados e gerenciados é bastante recente em nossa história e ainda hoje a definição de risco suscita muitos debates entre os pesquisadores de diferentes disciplinas. (2008). substância.

e constitucional da saúde depende de um conjunto de aspectos. art. pode avaliar uma situação que para um especialista envolve um determinado grau de risco (morar em área sujeita à inundação) como uma oportunidade (ter acesso à água para plantio). assim como visa à re- cuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores subme- tidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho. os riscos estão mais em: <http:// relacionados a algo que pode acontecer no futuro e. na maioria das www. ccivil_03/leis/l8080. você perceberá que a noção de risco envolve. incluindo as características como direito de todos e dever do Estado. htm>. 2017. Ela pode. Observe que o modo como as pessoas percebem os riscos muda a forma como elas os enfrentam. diversa das pessoas comuns. (BRASIL. em variadas circunstâncias. 8. pois. algumas contradições.planalto. De modo geral. dos riscos percebidos pela população em geral (ADAMS.080/90: Conjunto de atividades que se destina. A literatura sobre o risco tende a diferenciar os riscos “objetivos”. de domínio dos especialistas. mutável e não prática do princípio fixo. na Lei n. 1990. é flexível. 24 . está associado à probabilidade de algo danoso vir a acontecer. Tem variado com o tempo e com as transformações sociais. avaliar que os be- nefícios decorrentes da sua escolha são mais importantes do que o risco envolvido da situação. Como definimos o que é risco afinal? Vamos O Sistema Único de ver a seguir! Saúde (SUS) foi criado por esta lei. Uma pessoa. por exemplo. à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores. 2009). Essa lei é a tradução ser um conceito central na nossa sociedade.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Mesmo a noção de risco utilizada pelos técnicos e cientistas se apresenta. Acesso em: 30 Observe a definição de saúde do trabalhador tal como consta jan. 6º. através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária. ainda. Certamente. grifo nosso). apesar de Orgânica da Saúde”. que também é chamada de “Lei Partimos do pressuposto que o conceito de risco. Saiba culturais de uma dada população.gov.br/ vezes.

A partir de uma concep- ção abrangente de risco à saúde do trabalhador. ser definido como: medida de danos ou prejuízos potenciais. por meio de normas de saúde. Nessas citações podemos verificar a associação de risco com ameaças e as suas consequências indesejáveis. esses eventos serão denominados como ameaças ou perigos. expressa em termos de probabilidade estatís- tica de ocorrência e de intensidade ou grandeza das con- sequências previsíveis. 7º. grifo nosso). seja por meio de acidentes. provocando danos ou consequências prejudiciais às pessoas. populações e ao ambiente. a depender da eminência do evento ocorrer ou não. ainda. 1988. Em diferentes contextos. a noção de risco se refere à probabilidade de que determinados eventos ocorram durante um período de tempo definido. Neste curso. 2000). ou da terminologia utilizada no material de referência. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco A Constituição Federal de 1988 determina em seu artigo 7º. art. são elas: 25 . inclusive. que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. polui- ção ambiental ou do sofrimento decorrente do processo de trabalho (PORTO.” (BRASIL. higiene e segurança. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: “XXII – re- dução dos riscos inerentes ao trabalho. doenças. Pode. Três questões simples podem nos ajudar a compreender e servem para nortear o que são riscos. devemos considerar toda e qualquer possibilidade de algum elemento ou circunstância existente no processo e ambiente de trabalho que possa causar danos à saúde do trabalhador.

Risco se apresenta. assim. ou seja. em maior ou menor grau. o conceito traz consigo a ideia de incerteza. Adams (2009) adverte que os riscos são passíveis de avaliação. Convencionalmente. de cálculo probabilístico. supondo que você não gostaria de que essas situações acontecessem com você e que suas consequências lhe trariam efeitos indesejados. de modo que tais situações dependem dos sujeitos envolvidos e das con- dições concretas em que estas situações ocorrem. Mary Douglas e Wildavsky (2007) pontuam que risco é a maneira moderna de avaliar o perigo em termos de probabilidade. de que podem ou não ocorrer. como a probabilidade de que uma ameaça ou perigo provoque consequências adversas (prejudiciais ou danosas) a uma determinada pessoa. Os trabalhadores expostos ao risco têm o direito de decidir quais riscos aceitar ou não. 26 . é expresso pelas seguintes equações: RISCO = PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA X CONSEQUÊNCIA RISCO = AMEAÇA X VULNERABILIDADE A probabilidade de um evento adverso ocorrer. ambientais e econômica dos riscos). já a incerteza se refere a tudo aquilo que não pode ser mensurado em termos numéricos. Essas perguntas são orientadoras.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰ O que pode dar errado? ‰‰ Qual é a probabilidade de que isso aconteça? ‰‰ Quais são as consequências (se der errado)? Lembre-se de que certo e errado são julgamentos sociais. Nesse sentido. depende diretamente das ameaças ou perigos aos quais estamos expostos (medida pela sua probabilidade de ocorrência) e das condições de vulnerabilidade frente a essas ameaças (estimativa das consequências humanas. população ou ambiente. num contexto de incerteza. Como os riscos estão relacionados à probabilidade de fenôme- nos futuros acontecerem.

das ca- racterísticas das pessoas e ambientes expostos a essas substâncias químicas e das condições existentes de ma- nejá-las (seja no armazenamento. descarte ou outra atividade relacionada). os tipos de substâncias químicas que podemos entrar em contato. as suas características específicas de toxicidade. entre outros aspectos. transporte. 27 . Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Figura 2: Risco no ambiente de trabalho Fonte: HC Assessoria Técnica (2017) Podemos tomar como exemplo o risco de contaminação química no ambiente de trabalho. Dentre outros aspectos. o nível de exposição. dependerá. Observe que o grau de risco também dependerá da vul- nerabilidade existente nesse contexto. O grau de risco implicado nessa situação hipotética será determinado pelas características da(s) ameaça(s). da percepção do trabalhador com relação a essas ameaças. do conhecimento ou disponibi- lidade de informações acerca de como deve ser realizado esse manejo e dos procedimentos locais que orientem as ações de enfrentamento ou ações preventivas. ou seja. também. ou seja.

então. é preciso que haja sistemas sociais e/ou ambientais expostos e a presença de determinadas condições de vulnerabilidade. frequên- cia. se configure. química. local de incidência. menor será a probabilidade de essas ameaças afetarem a saúde do trabalhador. por sua vez. os eventos físicos se transformam em ameaças com verdadeiro potencial de gerar perdas e danos futuros aos sistemas sociais e ambientais. com probabilidade de ocorrer no futuro. características e condições próprias de uma pessoa. entre outros. e que pode ser caracterizada de acordo com sua origem (biológica. no tempo e no espaço. os riscos são o resultado da interação. intensidade. que se torna suscetível aos efeitos danosos de uma ameaça. duração. dos eventos físicos potenciais com os elementos expostos e suas condições de vulnerabilidade. A ameaça ou perigo se apresenta como fenômeno físico latente. as quais possuem características diferentes em cada contexto social e territorial. A vulnerabilidade interatua com as ameaças para criar condições de risco. educacionais. Dentro dessa perspectiva. entre outros aspectos. para que um evento se caracterize como uma ameaça. e o risco. 28 . que tor- nam determinadas pessoas ou sistemas mais suscetíveis a sofrerem com os efeitos adversos de uma dada ameaça. políticos. administrativos. Agora vamos desenvolver um pouco mais esses conceitos porque eles serão importantes quando tratarmos mais es- pecificamente sobre gestão de riscos. organizacionais.). físicos. está atrelada aos aspectos intrín- secos. A vulnerabilidade. A vulnerabilidade pode ser caracterizada pelos fatores socioeconômicos. culturais. Em tal interação. etc.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Quanto maior a capacidade existente para gerenciar os riscos de contaminação química no local de trabalho e mais ações preventivas e preparatórias que visem evitar e reduzir estes riscos. coletivo ou ambiente. Assim. física. ambientais.

Nestes casos. Sendo assim. é relacional. uma pessoa idosa ou uma criança pode ser mais vulnerável frente a uma ameaça que uma pessoa de outra faixa etária. considerando que 29 . os conceitos de risco. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco A vulnerabilidade está mais comumente relacionada à exposição e às condições de fragilidade frente às ameaças. Assim. às condições para enfrentar os riscos e mobilizar ativos para se proteger. utilizamos a pala- vra perigo para expressar a possibilidade de um evento provocar danos dentro de uma perspectiva temporal. É importante que você tenha clareza de que a ameaça e/ou perigo são um componente do risco e se referem ao agente ou ao elemento que pode provocar danos à saúde humana ou do ambiente. refere-se a uma ameaça eminente para a qual é possível estimar intervalos de tempo de ocorrência. apresenta-se necessariamente o intervalo de tempo quantificado. Risco sempre se refe- re a algo específico. Da mesma forma. Podemos considerar o mesmo para as organizações que não possuem processos e políticas apropriadas de gestão de risco ou a ambientes que não contam com uma estrutura física adequada. ou seja. ou seja. ou seja. risco de alguma coisa. ameaça e pe- rigo já estiveram fortemente associados dentro da lite- ratura científica acerca do assunto. um trabalhador que desconhece as situações de risco a que está exposto tende a ser mais vulnerável que outro trabalhador com esse conhecimento. Em algumas situações. As características das ameaças como as das vulnerabilidades dependem do contexto em que são analisadas. portanto. varia de contexto para contexto. Como já afirmamos.

‰‰ Risco de Ferimento. Com relação aos riscos para as pessoas. As consequências frequentemente são descritas em unidades numéricas como reais. como intensidade e frequência. Na imagem. entre outras. tempo. as consequências po- dem ser variadas: ‰‰ Risco de Fatalidade. ‰‰ Imediata. Os impactos ou consequências associadas aos riscos podem ser dimensionados do ponto de vista humano. acidentes. ‰‰ Retardada. expressado pelo grau de risco. am- biental e econômico. ‰‰ Risco de Defeito Genético. e ‰‰ Crônica. ‰‰ Temporário.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco nestes cenários há. em geral. em relação às fragilidades existentes dos elementos expostos no cenário de risco considerado. a presença de multiameaças em que diferentes situações de risco se sobrepõem em um mesmo local. É importante que as situações de risco não sejam menosprezadas em função do entendimento de que naquele contexto tais circunstâncias estão controladas. ‰‰ Permanente. ‰‰ Aguda. ‰‰ Risco de Doença. depende justamente da interação entre ameaças e vulnerabili- dades e probabilidade de ocorrência. O potencial de danos e consequências. você pode visualizar algumas das consequências nessas três dimensões: 30 . vidas perdidas. a seguir. das características das ameaças. Ou seja.

) trabalho águas subter- râneas ‰‰ Interrupção ‰‰ Consequências do processo psicológicas ‰‰ Impactos so. etc. a seguir. estresse. Neste 31 . danos e consequên- cias. instala- ‰‰ Acidentes de o subsolo e ções. As consequências estão fortemente relacionadas às condições de vulnerabilidade destes elementos e sistemas. e aquática ‰‰ Alteração da ‰‰ Imagem nega- tiva paisagem Figura 3: Impactos e consequências dos riscos Fonte: Elaborada pela autora deste livro Na equação. comumente utilizada nas metodologias de Análise de Riscos. terrestre ‰‰ Perda de mer- ga. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Impactos Impactos Impactos Ambientais Humanos Econômicos ⇓ ⇓ ⇓ ‰‰ Contaminação no local ou ‰‰ Prejuízos materiais e ‰‰ Mortes extensiva de estruturais solo. bre a fauna e a flora. você encontrará um quadro com a apre- sentação desses componentes e de outros conceitos relacionados. produtivo ‰‰ cansaço. vulnerabilidade. cado etc. RISCO = PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA X CONSEQUÊNCIA Pois bem! Até aqui nós abordamos os diferentes sentidos atribuídos ao conceito de risco ao longo do tempo e seus principais componentes de análise: ameaça. ar e água ‰‰ Doenças (equipamen- ‰‰ Efeitos sobre tos. fadi. o risco é quantificado. estimado ou descrito em função da probabilidade de ocorrência das ameaças e dos possíveis danos potenciais ou consequências que o evento adverso provocará nos elementos expostos ao risco. No final desta Unidade.

equipamentos. produtos e substâncias. ‰‰ As ameaças. atualmente há o entendimento de que esses riscos são resultado dos processos de trabalho e.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco momento vamos apresentar importantes considerações relacionadas à abordagem dos riscos em contextos diversos. enquanto característica de um grupo populacional ou diretamente ligado a falha do trabalhador ou como consequência sempre direta do ambiente físico. isolada ou unilateral. raras às vezes se manifestam de forma individual. Nesse sentido. Se. É mais comum observarmos inter-relações e sinergias entre diferentes ameaças em um mesmo contexto. mas como inseridos em processos de trabalho par- ticulares. ‰‰ Riscos não devem ser compreendidos de forma estáti- ca. local ou território. das máquinas. os riscos ocupacionais eram compreendidos como acidentes ou fatalidades. 32 . ainda que possam ser claramente distinguí- veis segundo o seu tipo. Observe o que é importante você saber sobre riscos: ‰‰ Riscos são resultado de processos sociais. inicialmente. Depende da interação entre diferentes componentes e fatores. e sua análise deve levar em conta o conjunto destes fatores (PORTO. risco é dinâmico e processual e não um objeto fixo de análise. com organizações do trabalho e formas de gerenciamento próprias. da gestão desses processos. mais especificamente. Situações de risco são construídas a partir da interação humana com o ambiente e estão relacionados a aspectos sociais. e tendem a modificar-se com o tempo. a partir das intervenções humanas e mudanças ambientais e organizacionais. 2000). que derivam das relações humanas com o ambiente. políticos e econômicos. que modificam a sociedade e os contextos de trabalho.

a determinação da probabilidade ou do grau de risco é realizada em contextos e áreas específicas e não de maneira generalizada. e os riscos percebidos pela pessoa ou população. 33 . Trataremos deste tema mais à frente. neste sentido. sistemas produtivos e/ou infraestruturas situados neste local. ‰‰ A literatura faz referência entre os riscos objetivos. por exemplo. Os riscos podem ser localizados e mapeados. a forma como os trabalhadores e as organizações. A linha de causalidade é muitas vezes complexa e implica diferentes fatores e processos que devem ser considerados em sua compreensão. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰ Riscos não devem ser analisados a partir de relações estritas de causa e efeito. ‰‰ O risco se manifesta em território definido e circuns- crito. Devemos considerar. para avaliar os riscos existentes e como eles são produzidos. coletividades. doenças ou outras formas de sofrimento dos trabalhadores. impactando indivíduos. É necessário investigar a dinâmica das práticas sociais nos contextos de trabalho. certas áreas podem estar sujeitas a um determinado risco e outras não. Assim. Todos esses elementos influenciam direta ou indiretamente na geração de acidentes. por exemplo. por exemplo. As ações de gestão de risco devem ser dispostas de acordo com as caracte- rísticas e distribuição do risco no local e das pessoas que ali trabalham ou residem. atuam e participam das decisões relacionadas aos riscos nos locais de trabalho. Dentro de uma organização. identificados e calculados pelos cientistas. bem como nas possibi- lidades de enfrentamento aos riscos e nos processos preventivos e de gestão dos mesmos. percebem.

políticos e econômicos que permitem conceber os fenômenos e cenários como sendo de risco ou não. Você deve estar se perguntando: como assim? Muito bem. como está o seu aprendizado até o momen- to? É muito importante que você entenda o que estamos tratando para poder continuar seus estudos. vamos à resposta! 34 . entre em contato com o seu tutor. que pode impactar todos os trabalhadores desta. ele está prepa- rado para ajudá-lo! O Risco Percebido e a Construção Social do Risco Os discursos sobre os riscos vão além de uma perspectiva pura- mente técnica. Muito bem. Em caso de dúvidas. pois incluem aspectos sociais. Em contextos sociais diversos é possível encontrar diferentes percepções sobre o que é risco. sendo que risco primário se refere às condições de risco existentes no contexto em análise e o risco secundário às condições específicas de risco que se originam com o impacto de um fenômeno físico perigoso.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰ Podemos fazer uma distinção entre risco primário e secundário. Considere como exemplo de risco secundá- rio a falta de água decorrente de uma explosão em um setor de uma fábrica.

35 . tanto para um indivíduo como para um grupo. Observe o seu local de trabalho. o contexto social. A análise dos riscos deve considerar. A percepção proporciona. como racional e afetivo. O risco e a percepção de risco são resulta- dos de construções sociais. sendo que é fundamentalmente ativa e conectada com as nossas experiências anteriores. Kuhnen (2009) adverte que o risco não é um mero es- tímulo físico objetivo que pode ou não ser percebido independente das pessoas que o veem. A nossa relação com o ambiente ocorre integradamente tanto no nível perceptual (sensorial). portanto. as informações básicas que determinam e orientam as ideias que um indivíduo forma sobre o ambiente. assim. pode ser que você encontre elementos ali dispostos que antes você nem sequer havia notado. os princípios de seleção e os sujeitos envolvidos como parte integrante de um mesmo sistema. tendo uma dimensão física. A percepção se dá de forma seletiva. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco A percepção ambiental é o processo de conhecer e de reconhecer o ambiente físico-social imediato por meio dos vários sentidos dando a ele uma organização de alguma maneira coerente e significativa. o que é fundamental para direcionar o comportamento. subjetiva e multidimensional. por exemplo. uma vez que não lhe pareciam importantes para o seu desempenho ou orientação. uma vez que as pessoas selecionam certos aspectos ou pro- priedades do ambiente em detrimento de outros. Diferentes características da vida social ou de um grupo provocam diferentes respostas frente ao perigo ou ameaça.

níveis de informação e conhecimento sobre os riscos. portanto. 36 .Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Como isso acontece? Embora possamos ter uma estru- tura e aparelho sensório motor semelhante. ‰‰ características de idade. A nossa maneira de perceber o ambiente está relacionada com atitudes. ‰‰ valores sociais e culturais adotados pelas pessoas em relação aos perigos e seus benefícios. 2009). motivações. gênero. entre outros fatores: ‰‰ crenças. A percepção de riscos é. ambiental ou social (KUHNEN. emoções e normas das pessoas. seja ela tecnológica. Se você pergun- tar a um colega os elementos que lhe chamam a atenção em seu ambiente de trabalho. valores. atitudes. influen- ciando na forma de entender o risco ou a fonte de risco provável. A percepção de risco envolve. especialmente de perdas em acidentes. ou seja. raça e etnia. incluem certos riscos e ignoram outros a depender de suas prioridades. vantagens ou benefícios implicados. Cada arranjo social eleva certos riscos e rebaixa outros. não vemos e avaliamos o mundo da mesma forma. crenças. é possível que ele lhe re- vele um conjunto de objetos e impressões bem diferentes das suas. ‰‰ estrutura social e política (confiança nas pessoas que informam). sentimentos e normas. julgamentos. um fator fundamental no julgamento sobre se determinado risco é aceitável e se as medidas de gerenciamento de risco são suficientes ou não para a solução do problema. ‰‰ experiências anteriores.

acreditando que não são passíveis de acidentes de trabalho ou que não são necessários para evitar o perigo. fluenciados por uma série de fatores. 2010). 2007). Julgamentos sociais como responsabilidade. trabalhadores que se negam a usar os equipamentos de proteção. culpa e confiança na gestão dos riscos e nos gestores também interferem na percepção e aceitação dos riscos (AVEN. Os estudos de percep- ção podem. de acordo com o nível percebido de controle que um indi- víduo pode exercer sobre ele. em grande medida. Homens tendem a julgar os riscos como menores e menos problemáticos do que as mulheres (SLOVIC. por exemplo. sendo que há diferenças significativas entre indivíduos e grupos. e novos riscos tendem a ser percebidos como mais perigosos que os riscos familiares (FONSECA et al. não havendo uma relação direta entre o conhecimento dos riscos e perigos e a utilização de medidas de proteção efetivas. Riscos impostos tendem a ser menos tolerados. facilitando a adequação das medi- das protetivas. Em certos contextos. as pessoas selecionam os riscos que devem dar importância e os que não devem. ademais. identificar as reais necessidades dos trabalhadores. de acordo com Adams (2009). A aceitação de um determinado nível de risco varia. Tolerabilidade Qualidade.. a aceitação e a tolerabilidade do risco são in- condição de tolerável. como medo e conhecimento. estado ou A percepção. De modo geral. há o entendimento de que o que é invisível não traz riscos e certo viés otimista em que a pessoa 37 . O aumento na percepção de be- nefícios relativos aos riscos está associado com a perda da percepção desses riscos e vice e versa. 2003). Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Também é muito importante para compreender porque comportamentos preventivos não são adotados por cer- tas pessoas. Fonte: Houaiss (2009).

A saúde dos trabalhadores envolve os riscos nos locais de trabalho. no entanto. Para alterar a seleção e a percepção de riscos é necessário promover mudanças na organização social. O processo saúde-doença do trabalhador. moradia. Paul Slovic (2010) enfatiza que não existe um risco independente das nossas mentes e culturas esperando ser medido. O processo de gestão de riscos deve integrar as diferentes representações sociais dos riscos. a relação entre saúde e segurança precisa ser observada. é muito mais abrangente que os riscos ambientais e os fatores de risco presentes no contexto do trabalho.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco acredita que não será afetada pelo risco. do processo de trabalho em si e das condições gerais de vida. existência de creche no trabalho e a participação nas decisões da sociedade (PORTO. Saúde e Ambiente: algumas reflexões pertinentes ao universo do trabalho No campo da saúde do trabalhador. concepções e técnicas de avaliação subjetivas ou intuitivas. partimos da compreensão de que os riscos à saúde do trabalhador dependem das condições ambientais e materiais do trabalho. além da análise de suas consequências. 38 . lazer. 2000). Uma perspectiva participativa pressupõe a contextualização dos riscos em suas várias dimensões e representações. a partir do entendi- mento vigente na Constituição Federal que a saúde do trabalhador abrange a totalidade política da dimensão da saúde como direito de todos e dever do Estado de garanti-la e vigiar para que seja garantida. muitas vezes. estan- do também relacionada a condições gerais de trabalho e vida. Risco. Nesse sentido. di- ferentes dos modelos científicos. As pessoas têm seus próprios modelos. nas quais se incluem salário. inicialmente. Nesse sentido. alimentação. as quais são.

Os riscos ambientais à saúde do trabalhador são passíveis de serem analisados articulando os aspectos tecnológicos. tanto do ponto de vista individual como coletivo. epidemioló- gicos e sociais envolvidos. integrada e transdisciplinar. 39 . centrando-se nos aspectos técnicos e científicos de análise e cálculo de probabilidade dos riscos. podemos conceber a segurança e saúde no trabalho a partir de duas perspectivas: o aspecto preventivo dos da- nos e prejuízos à saúde pelo trabalho. abordando os conjuntos de problemas que cercam a saúde no trabalho. muitas vezes. processos de trabalho e condições de vida. A engenharia de segurança e de saúde ocupacional tende a focar nas questões ambientais a partir do viés dos riscos envolvidos nas atividades ocupacionais. e das medidas preventivas necessárias. Reconhecer os riscos ocupacionais é o primeiro passo para elaborar e implementar programas de seguran- ça do trabalho e de redução de riscos com o intuito de manter a qualidade de vida dos trabalhadores. Considere como risco ocupacional aqueles que incidem sobre a saúde. são tratados de maneira isolada e imediata para os quais se busca. abordando a proteção contra os riscos de acidentes e doenças ocupacionais. a vida ou o bem-estar dos trabalhadores e que são decorrentes de suas atividades ocupacionais. buscamos desenvolver uma abordagem sistêmica. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Tradicionalmente. e. causas diretas no ambiente do trabalho que podem causar danos à saúde humana. mais amplamente. a saúde do trabalhador. Os riscos. Nesse caso. Já a abordagem da medicina social e da saúde coletiva introduz uma compreensão social da relação saúde/trabalho que se articula com os processos de produção de maneira mais geral. centrada nas inter-relações entre trabalho. restritamente.

Exemplos: levantamento inapropriado de peso. de incêndio. a seguir. 2017. os tipos de riscos ambientais descritos na legis- camara. intensidade ou tempo de exposição. Acesso em: 1º fev. causando-lhe al- gum desconforto ou afetando diretamente a sua saúde.pdf>. concentração. ritmo excessivo de trabalho. repetitividade. Riscos de acidentes Qualquer fator que coloque ou venha a colocar o tra- balhador em situação de vulnerabilidade e que possa vir a afetar tanto a sua integridade. Riscos ergonômicos Quaisquer fatores que possam interferir em caracterís- ticas psicofisiológicas do trabalhador. Veja. radiações 40 . Riscos físicos São consideradas agentes de riscos físicos as variadas formas de energia a que possam expor-se os trabalha- dores. como. são capazes de causar danos à saúde das pessoas e do trabalhador. arranjo físico inapropriado.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Os riscos ambientais são aqueles causados por agentes físicos. de 1978. armazenamento inadequado. com intuito de preservar tanto trabalhadores quanto seus respectivos empregadores. probabilidade de explosão. RISCOS DE ACIDENTES NO AMBIENTE DE TRA- BALHO A Portaria de n° 3. Leia a portaria completa em: <http://www.214. postura inade- quada de trabalho. químicos. consolida uma série de normas regulamenta- doras relativas à medicina e à segurança no trabalho.br/sileg/ lação brasileira. biológicos e ergonômicos que. os riscos no ambiente de trabalho podem ser classificados em cinco tipos diferentes. etc. quanto o seu bem estar físico e psíquico. do Ministério do Tra- balho. Exemplos de risco de acidente: uso de máquinas e equipamentos sem correta prote- ção. den- tre outros. por exemplo: ruído. integras/839945. umidade.gov. em função de sua natureza. presentes nos ambientes de trabalho. De acordo com ela.

prostração térmica. frio. Agentes de Risco nos Efeitos para a Saúde do Trabalhador Locais de Trabalho Cansaço. de maneira ge- ral e irrestrita. bactérias. Cansaço. vibração. Riscos biológicos São considerados agentes de risco biológico os vírus. nos formatos de fumos. irrita- ção. etc. vapores ou nevoas. intermação (afecção orgânica produzida pelo Calor calor). lesões circulatórias. Riscos químicos Substâncias. entre outros. Cabe aos empregadores e aos empregados. compostos ou mesmo produtos que pos- sam penetrar pela via respiratória dentro do organis- mo dos trabalhadores. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ionizantes e não ionizantes. dentre outros. fadiga térmica perturbações das funções digestivas. Taquicardia. dores de cabeça. O quadro a seguir apresenta os possíveis efeitos à saúde do trabalhador em relação aos tipos de riscos nos locais de trabalho. choque térmico. ou que seja pela natureza da atividade exercida. quedas. Doenças do aparelho respiratório. problemas Vibrações digestivos. neblinas. lesões ósseas. e que possam ser absorvidos pelo organismo por meio da pele ou pela ingestão. doenças Umidade na pele. dores na coluna. dores nos membros. diminuição da audição. pres- são. doenças circulatórias. a manutenção das especificações de Norma Regulamentadora a fim de que os riscos de acidentes de trabalho sejam permanentemente minimizados. aumento de pulsação. doença do movimento. hi- pertensão. irritação. de expo- sição. etc. problemas Ruídos do aparelho digestivo. aumento da pressão arterial. gases. taquicardia e perigo de in- farto. poeiras. artrite. calor. fungos. irritação. parasitos. 41 . etc. a que os tra- balhadores possam se contaminar quando da natureza de sua atividade e consequente exposição. lesões dos tecidos moles. cansaço.

AIDS. etc. hipertensão mento e transporte ma- arterial. úlcera. Ex.: hepatite. ácido sulfúrico. diabetes. bactérias e Doenças infecto-contagiosas. soda cáustica. etc. sonolência. Névoas. etc. Vírus. hélio. ansiedade. náuseas. metano. sabilidade Iluminação deficiente Fadiga. cardiopatia (angina. cetonas.: butano. respon. dores musculares. cloreto de carbono. dores musculares. hipertensão arterial. medo. Asfixiantes: dores de cabeça. tes. nio. nitrogê- (substâncias compostas. Quadro 1: Efeitos para a saúde do trabalhador em relação aos agentes de risco nos locais de trabalho Fonte: Norma Regulamentadora n. Ex. jornada saúde e no comportamento. compostos ou produtos monóxido de carbono. Esforço físico. Armazenamento Acidentes por estocagem de materiais sem obser- inadequado vação das normas de segurança. comportamentos estereotipados. etc. trabalho de turno e Cansaço.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Irritantes: irritação das vias aéreas superiores. químicos em geral) Anestésicos: (a maioria dos solventes orgânicos). asma. aldeídos. Ação depressiva sobre o sistema nervoso. tos. prolongada. acetileno. morte. exigências dentes e problemas da coluna vertebral. cólera. de postura Ritmos excessivos. danos aos diversos órgãos. cloro. problemas visuais e acidentes de trabalho. Ex. coma. levanta- Cansaço. amônia. tensão.). alterações noturno. aci- nual de pesos. dióxido de carbono. etc. digestivo (gastrite. úlcera. protozoários amebíase. propano. tétano. controle taquicardia. 9 (2017) Porto (2000) e Porto e Freitas (1997) salientam alguns aspectos relevantes que devemos considerar ao compreender os riscos para a saúde do trabalhador: ‰‰ As consequências do trabalho para a saúde não são apenas aquelas mais diretas e visíveis ou mensurá- 42 . doenças nervosas. Ex. fraquezas.: hidrogênio. álcoois.: ácido clorídrico. gases e vapores convulsões. infarto). com reflexos na repetitividade. fraquezas. ansiedade. etc. monotonia e do sono e da libido e da vida social. benzeno. doenças do aparelho outras situações (confli. ao sistema formador do san- gue. doenças nervosas. diabe- rígido de produtividade.

mas também do entorno. procedimentos e instruções de manuais e gerências. com o trabalho em situações reais. ‰‰ É preciso ponderar que há uma diferença entre o tra- balho prescrito nas regras. já que eles realizam o trabalho cotidiano e sofrem seus efeitos e. e a vida da população em geral. agravando-as. com a participação ativa dos trabalhadores. a sociedade deve ser trazida para o debate. é necessário considerar uma ampla gama de danos e de consequências relativa ao trabalho. ‰‰ Os riscos podem gerar efeitos à saúde de curto prazo. 43 . Por isso. participando da tomada de decisão acerca do gerenciamento de risco. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco veis. ‰‰ A análise dos riscos nos locais de trabalho deve neces- sariamente incorporar a vivência. como nas doenças relacionadas ao trabalho. ‰‰ Os riscos existentes nos locais de trabalho podem afetar diretamente a vida do trabalhador. ou a médio e longo prazo. envolvendo outras formas de sofrimento. como no caso dos acidentes. Sendo assim. na eliminação e no controle dos riscos. Em muitos casos. convém avaliar as consequências dos danos à saúde do trabalhador globalmente dentro de diferentes temporalidades. é importante trabalhar integradamente as questões re- lacionadas à saúde do trabalhador e ao meio ambiente. o conhecimento e a participação dos trabalhadores. Isso quer dizer que as análises dos riscos nos locais de trabalho sempre devem considerar as situ- ações reais de trabalho. ou ainda contribuem para doenças que possuem outras causas além do trabalho. portanto. Sendo assim. possuem um papel fundamental na identificação.

Se surgirem dúvidas. Cada pessoa apresentará maior ou menor resistência às agressões do meio. mas também de natureza ética e política. entre em contato com seu tutor. Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e suas etapas Quando acidentes ocorrem ou trabalhadores ficam doentes em função dos processos de trabalho devemos concluir que havia uma exposição ao risco. E então.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰ Trata-se de um problema que não é puramente técni- co. certo? Mas também que houve alguma falha no processo de gestão de riscos da empresa ou organização. Da mesma forma. devido às suas condições de vulnerabilidade intrínsecas. como está o seu entendimento até agora? Lembre- -se: é muito importante que você entenda o que estamos tratando para continuar seus estudos. e estão relacionados às discrepâncias de poder na sociedade e nas empresas. ele está preparado para ajudá-lo. acima dos limites suportáveis para o organismo humano podem provocar o adoecimento ou a ocorrência de acidentes. No processo de gestão dos riscos ambientais. Os Progra- mas de Gerenciamento de Riscos (PGR) são praticados com o amplo 44 . o ambiente sofre diferentemente com os impactos das ações humanas sobre ele. As pessoas reagem diferentemente aos fatores ambientais. devemos integrar a análise e o tratamento dos riscos que podem afetar à saúde do trabalhador com aqueles que podem afetar o meio ambiente e a população circunvizinha à organização.

buscando a efetiva redução dos riscos. pois 45 . Mais recentemente. Busca-se elaborar estratégias e procedimentos que visem prevenir e reduzir os Este tema será tratado riscos identificados por meio de um processo de Análise de Riscos e. com a implementação de medidas adequadas (políticas. as ações de gestão de riscos estavam mais forte- mente voltadas. para minimizar as consequências dos eventos adversos depois de sua ocorrência ou para equilibrar os custos e benefícios dos riscos assumidos. análise. atividades e políticas com ênfase na identificação. mapeamento e monitoramento dos riscos e das atividades humanas. evitar os danos e prejuízos que possam afetar as pessoas. avaliação. portanto. organizações e territórios. a aplicação de um processo sistemático e contínuo de iden- tificação. Figura 4: Prevenção do risco identificado Fonte: Funny Safety Pictures (2017) Assim. Inicialmente. condutas e recursos) para reduzir os riscos. à segurança. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco objetivo de atuar sobre o controle e eliminação dos riscos. à integridade profissional e institucional e ao meio ambiente. a partir de estudos. Ainda é possível notar um descompasso entre conhecimento e ação. na próxima Unidade. comunicação e controle dos riscos e seus possíveis impactos à saúde. é possível observar uma preocupação maior das empresas/instituições em desenvolver ações preventivas. dessa forma. o Programa de Gerenciamento do Risco prevê. tanto por parte das instituições e organizações públicas como privadas. procedimentos.

Vale a pena lembrar. que segundo as Diretrizes sobre Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho. com relação a medidas de prevenção e controle. publicada pela Organização Internacional do Trabalho (2005). 2009). o empregador deverá fornecer gratuitamente equipamento de proteção individual apropriado. consta: ‰‰ Fatores de risco (perigos) e riscos relacionados à se- gurança e à saúde dos trabalhadores devem ser iden- tificados e avaliados de forma contínua. ainda. ‰‰reduzir ao mínimo os fatores de risco (perigos) e riscos através da concepção de sistemas seguros de trabalho que compreendam medidas administrativas de controle. periodicamente. ‰‰controlar o fator de risco (perigo) e risco na fonte com a adoção de medidas de controle de engenharia ou medidas organizacionais. e adotar medidas que assegu- rem o uso e a manutenção desses equipamentos. ‰‰ Devem ser estabelecidos procedimentos ou medidas de prevenção e de controle de fatores de risco (perigos) que: ‰‰sejam adaptados aos fatores de risco (perigos) e riscos presentes na organização. ‰‰sejam analisados e modificados. As medidas preventivas e de proteção devem ser implementadas de acordo com a seguinte ordem de prioridade: ‰‰eliminar o fator de risco (perigo) e riscos. se necessário. e ‰‰se os fatores de risco (perigos) e riscos residuais não puderem ser controlados por meio de medidas cole- tivas.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco muitos programas ignoram o princípio de fazer o máximo para evitar os piores danos (ADAMS. incluindo vestuário. 46 .

Com relação à prevenção. a comunicação interna e a coordenação necessárias para proteger todas as pessoas em situações de emergência no local de trabalho. em todos os ní- veis. serviços de segurança e saúde do trabalhador e outros serviços. As medidas de- vem considerar o porte e a natureza da atividade da organização. incluindo as informações ou os relatórios procedentes de organizações. 47 . ‰‰fornecer informação e estabelecer comunicação com autoridades competentes. à preparação e ao atendimento a situações de emergência. preparação e atendimento a situações de emergência devem ser adotadas e man- tidas. preparação e atendimento a situações de emergência. incluindo exercícios periódicos de prevenção. vizinhança e serviços de atendimento a situações de emergência. Elas também devem: ‰‰garantir a informação. Essas medidas devem identificar o potencial de ocorrência de acidentes e situações de emergência e direcionar a prevenção dos riscos de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) a eles associados. e ‰‰levem em consideração o estado atual do conheci- mento. organizar serviços de primeiros socorros e assistência médica. conforme o caso. consta: ‰‰ Medidas de prevenção. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰satisfaçam as condições previstas na legislação nacional e reflitam boas práticas. combate a incêndios e evacuação de todas as pessoas que se encontrem no local de trabalho. como serviços de inspeção do trabalho. e ‰‰oferecer informação e capacitação pertinentes a todos os membros da organização.

48 . onde aplicáveis. e as ações de controle. ‰‰ identificar as ameaças. ‰‰ aumentar a resiliência da organização. ‰‰ atender as normas nacionais e internacionais e os requisitos legais e regulatórios pertinentes. vulnerabilidades e capacidades existentes.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰ Medidas de prevenção. definindo uma metodologia adequada para controle dos riscos. Finalidades do Programa de Gerenciamento de Risco (PGR) Quais são as finalidades de um Programa de Gerenciamento de Risco? Dentre os inúmeros escopos das ações voltadas à redução dos riscos. podemos destacar: ‰‰ identificar e tratar os riscos (existentes e futuros) transversalmente em toda a organização. ‰‰ aperfeiçoar a governança. melhorando a confiança das partes envolvidas. ‰‰ alocar e utilizar eficazmente os recursos para trata- mento do risco. ‰‰ melhorar a eficácia e eficiência operacional. preparação e atendimento a situações de emergência devem ser estabelecidas em colaboração com os serviços de emergência externos e outros órgãos. ‰‰ definir uma classificação dos riscos e apresentar os que precisam ser controlados e eliminados. ‰‰ estabelecer uma base segura para a tomada de decisão e o planejamento. ‰‰ determinar os níveis de risco aceitáveis.

adaptação às mudanças. na medida do pos- sível. influir de forma negativa na atividade principal. facilitando a melhoria con- tinua das organizações. de modo 49 . O PGR requer. integralidade. integrando-se às diversas unidades da organização para que as metas e objetivos traçados possam ser al- cançados. e ‰‰ melhorar a aprendizagem organizacional. iteratividade. Observe que um Programa de Gerenciamento de Riscos precisa ter algumas características. Características do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) A consecução de tais objetivos depende. Para tanto. deve estar integrado à política e à estratégia financeira da organização. continuidade. devemos considerar fatores humanos e culturais nos processos de gestão. envolvendo o maior número de atores possível. Como dissemos nas Unidades anterio- res. como dinamismo. acessibilidade. Não deve. à redução dos danos e a uma boa gestão de acidentes. Convém esclarecer que a elaboração de um projeto ou a implementa- ção de procedimentos isolados e pontuais não constituem por si um processo de gestão de riscos. da elabo- ração de um bom e eficiente Programa de Gerenciamento de Riscos. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰ estabelecer estratégias e políticas adequadas visando à prevenção dos riscos. estruturas e mecanismos organizacio- nais permanentes. também. de forma transparente e inclusiva. obviamente. consolidados e sustentáveis.

o PGR é desenvolvido de forma a atuar preventivamente sobre esses componentes.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco que se conservem os recursos necessários para a sua manutenção. Um sistema integrado de gerenciamento de risco envolve os diferentes setores: Qualidade. ‰‰ Integração. e ‰‰ Controle. todos devem estar cientes e capacitados para atu- ar de acordo com as orientações estipuladas. incluindo o apoio da direção. Ainda. Saúde Ocupacional e Responsabilidade Social. o que demanda que qualquer programa seja atualizado com certa regularidade. Além disso. Segurança. uma vez que fará parte da política da organização. ‰‰ Documentação. Lembre-se de que o risco é dimensionado em função da frequência e da probabilidade de sua ocorrência e das pos- síveis consequências e danos (impactos) gerados pelos eventos adversos. ‰‰ Conscientização. as ameaças e as vulnerabilidades mudam constantemente ao longo do tempo. Meio Ambiente. 50 . O sucesso no desenvolvimento e implantação de um PGR está intimamente ligado aos seguintes aspectos: ‰‰ Apoio. reconhecendo às suas responsabilidades e atribuições dentro do programa. Sendo assim. os cenários de risco.

emergências. ção. do treinamento e ‰‰ disponibilidade de qualificação. ‰‰ medidas de conten- mentos. Também define o foco do plano de ação de emergência. que determina os procedimentos 51 . incluindo a capacitação de recursos humanos e a revisão sistemática do processo de análise dos riscos. informações sobre ‰‰ rotina de inspeções. ‰‰ aumento na ‰‰ medidas adequadas disponibilidade de socorro e assis- dos sistemas de tência durante as segurança. ambiente e confiabi- lidade dos equipa. resposta a acidentes e outros eventos ‰‰ disponibilidade de adversos. incluin. Programa de Geren- ciamento de Risco (PGR). Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Observe o esquema a seguir: Riscos Redução da Redução das Frequência Consequências Prevenção Proteção Prevenção Gerenciamento Proteção Exemplos: dos Riscos Exemplos: ‰‰ melhorias tecnológi- cas nas instalações. Figura 5: Objetivos da Gestão de Riscos Fonte: Adaptada de CETESB (2000) Um Programa de Gerenciamento de Risco define procedimentos operacionais. informações sobre os riscos. ‰‰ elaboração e treina- mento do Plano de ‰‰ elaboração e Ação de Emergência implementação do (PAE).

ele está preparado para resolver seus problemas! Etapas do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) De acordo com a CETESB (2000) as etapas do PGR visam responder às seguintes perguntas: ‰‰ O que deve ser feito? ‰‰ Como deve ser feito? ‰‰ Quando deve ser feito? ‰‰ Quem faz? Você pode encontrar informações relevantes ‰‰ Quem verifica? sobre gerenciamento de riscos no documento Nesse sentido. e a implementação das estratégias e projetos concretos.files. pdf>. gestravp. Na figura a seguir. Em caso de dúvidas. entre em contato com seu tutor. Acesso em: 2 fev. de avaliação com/2013/06/iso31000- e retroalimentação.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco específicos para a proteção das pessoas e do ambiente durante emer- gências e acidentes. 52 . ge- da Norma Brasileira ralmente. envolvidos em um Processo de Gerenciamento de Riscos. que se faça o dimensionamento dos riscos (identificação e da ABNT NBR ISO estimativa). você poderá observar os aspectos gerais 2017. que está disponível em: <ttps:// lação de políticas e estratégias de intervenção e tomada de decisões. Como está o seu entendimento até o momento? Você pre- cisa entender o que estamos tratando para poder continuar seus estudos. gestc3a3o-de-riscos. a determinação dos níveis de risco aceitáveis. os processos de gestão de risco demandam. a postu- 31000:2009.wordpress.

representam os riscos levando-se em conta. as informações do encontrados. ‰‰ Monitoramento da exposição aos fatores de risco. 20 anos. ‰‰ Acompanhamento das medidas de controle implementas. 53 . inclusive. metas e cronogramas. e ‰‰ Avaliação periódica do programa. Unidade 3. ‰‰ Registro e manutenção dos dados por. o PGR deve conter precisamente ou esboço (croqui) do as seguintes etapas: local de trabalho. Ver a Mapa de Risco. 2009) Em geral. com círculos coloridos que ‰‰ Antecipação e identificação dos fatores de risco. ‰‰ Estabelecimento de prioridades. ‰‰ Avaliação dos fatores de risco e da exposição dos tra- balhadores. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco O Mapa de Risco é a representação gráfica dos fatores ambientais presentes nos locais de trabalho que podem acarretar prejuízo à Figura 6: Principais ações da gestão de riscos saúde dos trabalhadores. no mínimo. apresenta-se como uma planta baixa De acordo com Moraes (2010). Fonte: Adaptada da NBR ISO 31000 (ABNT.

público atingido. cujas consequências tenham causado mortes. de forma que tais procedimentos e ações venham minimizar os efeitos e consequências dos impactos gerados pelas situações de emergência sobre os funcionários. pelo menos.). 54 . Acesso em: 2 fev. procedimentos operacionais e de manutenção. nos últimos cinco anos. leia a pior caso. ainda: ‰‰ Série Histórica de Acidentes: relação dos acidentes ocorridos com as substâncias de interesse. ‰‰ Plano de Ações de Emergência: trata-se de um conjunto de procedimentos para disciplinar as a ações a serem realizadas quando da ocorrência de situações de emer- gência dentro do empreendimento. para cada cenário.261 disponível em: <http:// ‰‰ Sistema de Gerenciamento: o Sistema de Gerenciamento www.cetesb. Deve se basear acidentes.pdf>. investigação de acidentes e auditorias. plano integrado ao serão escolhidos alguns cenários para simulação dos PGR. Esta etapa avaliação de risco.br/ permitirá a perfeita implementação e integração entre wp-content/uploads/ os elementos integrantes. revisada. O Plano de Ações de ‰‰ Análise de Consequências: por meio da utilização de Emergência (PAE) se caracteriza como um modelos matemáticos e com o auxílio de “softwares”. ‰‰ Planos de Prevenção de Acidentes: os planos preventivos incluirão em sua estrutura todas informações de segu- rança. as instalações. etc.gov. verificando-se a magnitude de suas conse- nos resultados obtidos no estudo de análise e quências (alcance.sp. estudos de análise de riscos. ferimentos ou danos à propriedade e ao meio ambiente. Para deverá ser realizada considerando-se a situação do mais informações. com a formação de uma sites/11/2013/11/P4261- comissão permanente do PGR. Norma CETESB P4. 2017. a fim de permitir o funcio- namento normal das atividades produtivas em uma situação extremamente baixa de perigos associados. o meio ambiente e a comunidade.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) pode conter. treinamento.

incluindo a vizinhança sob risco. bem como discutir os passos que precisarão ou poderão ser tomados a fim de reduzir os riscos de exposição aos mesmos. de acordo com os impactos esperados e avaliados no estudo de análise de riscos. Segundo o estabelecido na Norma CETESB P4. listas 55 . ‰‰ cenários acidentais considerados. evacuação. de acordo com os diferentes cenários acidentais estimados. ‰‰ fluxograma de acionamento.) e ações de recuperação. o Plano de Ação de Emergência (PAE) deve contemplar os seguintes aspectos: ‰‰ estrutura do plano.261 – Manual de orientação para a elaboração de estudo de análise de riscos. considerando procedimentos de avaliação. isolamento. ‰‰ ações de resposta às situações emergenciais compatíveis com os cenários acidentais considerados. contemplando as atribuições e responsabilidades dos envolvidos. integração com outras ins- tituições e manutenção do plano. controle de vazamentos. ‰‰ divulgação. ‰‰ tipos e cronogramas de exercícios teóricos e práticos. ‰‰ estrutura organizacional. ‰‰ descrição das instalações envolvidas. controle emergencial (combate a incêndios. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco ‰‰ Plano de Comunicação Externa: A comunicação or- denada dos riscos permitirá estabelecer e manter um diálogo com o público sobre os perigos inerentes à planta industrial. ‰‰ recursos humanos e materiais. implantação. etc. ‰‰ área de abrangência e limitações do plano. ‰‰ documentos anexos: plantas de localização da insta- lação e layout.

fazendo com que todos se vejam diante do medo de sofrer com as inúmeras ameaças resultantes 56 . deve-se decidir qual tratamento a dar e quais recursos alocar. listas de equi- significa compartilhar pamentos. O PGR deve ter um documento base que apresente com clareza quais os objetivos e metas do programa. elaborada pelo sociólogo Ulrich Beck (2001). gostaríamos que você lesse alguns pontos abordados em uma das principais referências na litera- tura sobre risco. Ulrich Beck apresenta a tese de que a partir da década de 1970 iniciou-se um processo de transição da sociedade industrial ou de classes para a sociedade pós-industrial. Sociedade de risco: rumo a uma outra mo- dernidade Nesta obra. Antes de finalizar a primeira parte desta Unidade.. É interessante que pelo me- nos uma vez ao ano. bem como aqueles que devem ser transferidos para seguros específicos. Essa transição veio a provocar um período de ruptura.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Transferência de risco de acionamento (internas e externas). sistemas de comunicação e alternativos de com outra parte o energia elétrica. torna- mecanismos de seguro cujo tema abordaremos na -se viável a definição dos riscos a serem prevenidos e tratados pela Unidade 4. etc. seja realizada uma análise global do plano para avaliação do seu desenvolvimento. Ressaltamos que após a categorização dos riscos. refere-se aos ou eventos indesejáveis e seus respectivos danos e perdas. Complementando.. Identificados e quantificados os riscos e possíveis acidentes Tipicamente. É fundamental que as ações de gerenciamento de risco estejam integradas à rotina da organização e sejam aplicadas no dia a dia dos processos de trabalho. própria organização. realização dos ajustes necessários e estabelecimento de novas metas e prioridades. relatórios. benefício ou perda associada a um risco.

trazendo a necessidade de mecanismos complexos de gestão que considerem a origem. Para Beck. por outro lado. aos efeitos e danos já ocorridos e às suas cau- sas. a compreensão dos riscos nos remete ao passado. Compreende. contaminação dos alimentos por uso excessivo de agrotóxicos. Beck denomina esse tempo de sociedade de risco para pontuar a complexidade dos riscos modernos. Pondera que se. efeitos colaterais do modo de produção industrial. produ- tos do desenvolvimento da ciência e da tecnologia – e a progressiva tendência à globalização desses riscos. a abrangência e as causas dos riscos. Os riscos de agora resultam. mas que estão prestes a acontecer. estamos vivendo um momento em que todos estamos sujeitos a algum risco. Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco do desenvolvimento do atual modelo produtivo. possíveis acidentes nucleares. por exemplo: em problemas ambientais. estão relacionados a amplos processos sociais. entre outros. que o conceito de risco não é neutro. portanto. ou seja. uma vez que a sua definição está atrelada a uma concepção de mundo. afirma o autor. que decor- rem. nos lança ao futuro. sob um ameaça global que pode provocar autodestruição da vida na Terra. nos quais se incluem as novas tecnologias e os processos de modernização. O ris- co iminente de sermos atingidos por uma situação de ameaça dá novos contornos à sociedade. da atual fase de desenvolvimento das forças produtivas. ainda. enfatizando a presença crescente dos riscos manufaturados. à previsão das destruições que ainda não ocorreram. por um lado. 57 . são frutos da modernidade. Surge então uma nova sensibilidade: a crescente percepção de que os riscos são sistêmicos.

os riscos da modernização cedo ou tarde acabarão alcançando aqueles que os produziram ou aqueles que lucram com os riscos. surgir uma nova forma de solidariedade através da qual a humanidade é forçada a se unir para superar os riscos advindos da modernidade. Pode. os riscos são para muitos. seja sob a forma de ameaças à saúde ou ameaças à legitimidade. o autor acredita que não é possível dimensionar os danos que os inúmeros riscos podem provocar. Neste sentido. não tem um direcionamento único. o autor afirma que não é suficiente analisar apenas a possibilidade de ser atingido. à propriedade e ao lucro. A distribuição dos riscos e seus efeitos não é igual para todos. O autor considera que existem fissuras e trincheiras entre a racionalidade científica e a social ao lidar com os riscos. senão para todos. assim como não há possibilidades de mudanças que possam reduzir totalmente os riscos ou evitar seus efeitos calamitosos. Enquanto as riquezas são para os ricos. que negam ou afirmam certos aspectos. A partir de uma perspectiva um tanto catastrófica.Unidade 1 – Introdução ao Conceito de Risco Entender o risco nos permite determinar certas situ- ações que devem ser evitadas. sim. servindo a certos interesses sociais ou aos interesses do capital. A ciência. podendo utilizar defini- ções de risco muitas vezes contraditórias. é preciso con- siderar também a capacidade que o atingido tem para enfrentar os riscos ou compensá-los. sendo que am- bas se desconsideram mutuamente. contudo. No entanto. 58 .

Dano Ou ainda. caso seja perdido o controle sobre o risco. socie- dade ou organização que pode ser utilizada para atingir a resiliência. Condição intrínseca ao corpo ou sistema receptor que. e a intensidade do dano consequente. institucional e de mobilização comunitária até o co- nhecimento e capacidades humanas como atitude. comunidades. Combinação de todos os atributos estruturais e não es- truturais. caso ela se concretize. em interação com a magnitude do evento ou acidente. observe: Conceitos Importantes Medida de danos ou prejuízos potenciais. instalações e/ ou ecossistemas. Medida que define a intensidade ou severidade da lesão resultante de um acidente ou evento adverso. elaboramos um quadro para você com os conceitos mais im- portantes e que serão úteis durante todo este curso. materiais ou ambientais. A capacidade inclui desde a infraestrutura fí- Capacidade sica. disponíveis dentro de uma comunidade. A medida da capacidade abrange as possibilidades de um grupo social em comparação aos objetivos desejados. expressa em termos de probabilidade estatística de Ameaça concretização do evento e da provável magnitude de sua manifestação. Ou ainda. física ou funcional. lide- rança e relações sociais. insti- tuições. induzidas às pessoas. material ou ambiental. a relação existente entre a magnitude da ameaça. Perda hu- mana. a intensidade das perdas humanas. 59 . É a re- lação existente entre a probabilidade de ocorrência de uma ameaça em relação a estimativa de suas consequências. expressa em ter- mos de probabilidade estatística de ocorrência e de inten- Risco sidade ou grandeza das consequências previsíveis. carac- teriza os efeitos adversos. medidos em termos de intensi- Vulnerabilidade dade dos danos prováveis. Resumo RESUMO Para resumir o assunto que tratamos nesta Unidade. Estimativa de ocorrência e magnitude de um evento ad- verso. que pode resultar. como consequên- cia de um acidente ou desastre.

Classificação hierárquica adotada para diferenciar a gravidade e o potencial dos danos envolvidos nos riscos investigados. em termos Perigo de lesões ou ferimentos para o corpo humano ou danos para a saúde. as capacidades técnicas e humanas para evitar ou limitar a extensão dos danos (sensibilidade para o risco. equipamentos de paragem de emergência. monitori- de Risco zação e controle do risco. este é o momento de você con- ferir o seu aprendizado. para o património e para o ambiente. a frequência e a duração da exposição a um determinado Fatores de perigo. Elementos que podem influenciar a possibilidade de ocor- rência de um determinado acontecimento. Para tanto. por exemplo. Para avaliar se determinado Grau de Risco ambiente de trabalhado oferece riscos.Resumo Refere-se principalmente aos agentes físicos. a probabilidade de ocorrência de um aconteci- Risco mento perigoso. Ocorrência desfavorável. presentes nos am- Agente de Risco bientes de trabalho que podem provocar danos à saúde humana e ao meio ambiente. por meio de cri- Risco térios comparativos de risco. Aconte- Evento Adverso cimento que traz prejuízo. análise. ele poderá auxiliá-lo no que você precisar. de acordo com a intensidade do risco. equipamentos de proteção). ou uma se- Acidente quência de eventos que geram consequências indesejáveis. visando à definição da es- tratégia de gerenciamento do risco. biológicos. químicos. Caso precise de ajuda. Gerenciamento Processo sistemático de identificação. realize as atividades propostas no Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem (AVEA). A classificação pode variar entre 1 e 4. Baseia-se nos critérios definidos duran- te a avaliação dos riscos. Concluímos a Unidade 1. Fenômeno causa- dor de acidentes e/ou desastres. infortúnio. Bons estudos! 60 . a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) descreve a classificação de grau de risco considerando o ramo de ati- vidade da organização. prejudicial. imprópria. Evento específico não planejado e indesejável. entre em contato com seu tutor. Processo pelo qual os resultados da estimativa de risco Avaliação de são utilizados para a tomada de decisão. entre outros. redução de velocidade. mecânicos. Fonte ou situação com potencial para o dano.

2 UNIDADE Análise de Riscos .

Objetivos Nesta Unidade. . e „„ Entender alguns aspectos relacionados à aceitabilidade do risco. „„ Identificar as principais metodologias de Análise de Riscos em organizações. você vai: „„ Conhecer a Análise de Risco.

Considere que a Análise de Risco busca compreender como os acidentes e outros eventos adversos podem acontecer e quais as suas 63 . inicialmente. muitas vezes são restritas ao aspecto objetivo dos riscos ambientais e fatores de risco mensuráveis nos locais de trabalho. identificar e avaliar os riscos exis- tentes. etapa fundamental para definir quais as medidas necessárias para a redução dos riscos. vamos ao trabalho e bons estudos! Histórico. como poderemos gerenciá-los? Sendo assim. esta Unidade abordará os principais concei- tos e metodologias para a Análise de Riscos em organiza- ções. Não deixe de considerar as reflexões que desenvol- vemos na Unidade anterior no que se refere aos diversos sentidos e aspectos relacionados à abordagem dos riscos. portanto. embora importantes. Você deve ter observado na Unidade 1 que para desenvol- ver um programa adequado de gerenciamento de riscos é necessário. Então. podendo ser utilizadas a serviço dos interesses das organizações e/ou ignorando a percepção das pessoas com relação aos riscos a que estão expostas e a outros efeitos psicossociais diversos decorrentes desta exposição. Se não sabemos quais os riscos podem causar danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas e quais processos os produzem. Conceitos e Definições da Análise de Riscos As metodologias de Análise de riscos. Unidade 2 – Análise de Riscos Análise de Riscos Caro estudante. A Análise de Riscos é.

64 . e a população de Bhopal ainda luta para tentar conseguir Observe que o esforço da ciência em avançar na ava- alguma indenização do liação de riscos se deve. ocupou um papel central nesse processo. proprie- como o pior acidente industrial de todos os dades e meio ambiente. Estima-se Minamata.Unidade 2 – Análise de Riscos O Desastre de Bhopal foi consequências. Acesso foques sistêmicos. a Análise de Riscos ganhou tempos. leva- que mais de 500 mil pessoas foram expostas ram ao aparecimento de importantes leis e regulamentações sobre ao isocianato de metila. simulados. Cerca de 40 Na época. Cidade do México. Seveso). 2017. Envolve a utilização sistemática de informações dis- considerado por muitos poníveis para identificar e estimar os riscos para indivíduos. Alguns acidentes industriais conhecida como Union de grande repercussão durante as décadas de 1970/1980 (Island. por sua vez. da fábrica abandonada. a uma deman- governo dos EUA. investiu-se em testes.com. Carbide. Ainda existe em movimentos ambientalistas a produzirem uma nova dinâmica nas grande quantia de lixo discussões sobre os riscos tecnológicos ambientais. Ocorreu na visibilidade mais fortemente a partir da década de 1970. Leia sobre mais desastres da das organizações em minimizar o grau de incerteza industriais em: <http:// relacionado aos acidentes industriais e aperfeiçoar as www. por essa razão. sendo que a engenharia em: 6 fev. as regulações e os procedimentos operacio- br/acontecimentos- nais baseando-se em evidências científicas e técnicas historicos/36612-7- desastres-industriais. entre outros. segurança industrial e controle ambiental nos principais países in- um composto altamente dustrializados. en- os-tempos. sem origem norte-americana o devido treinamento para operá-las. a industrialização e o desenvolvimento de tecnolo- toneladas de gases gias influenciaram o aumento considerável no número de acidentes tóxicos vazaram de uma fábrica de pesticidas de devido a equipamentos e máquinas cada vez mais sofisticadas. Para tanto.megacurioso. Os estudos de Análise de Riscos potencializaram os danoso para o corpo humano. mais-terriveis-de-todos. rigorosas. de 1984. decisões. Historicamente. cálculos probabilísticos. 1997).htm>. FREITAS. na ciência passou a desenvolver teorias e aplicar novas metodologias para Índia. métodos epidemiológicos. Bhopal. por exemplo tóxico nas redondezas (PORTO. quando a cidade de Bhopal. na madrugada do dia 3 de dezembro estimar e avaliar os riscos de maneira quantitativa e probabilística.

A partir das metodologias que serão tratadas no decorrer desta Unidade. inclusive. a Sociedade de Análise de Riscos. econômicas e políticas passaram a ser fundamen.. em: <http:// autores.org>. organizações de setores públi- cos e privados e para a sociedade em um nível local. FREITAS.] mais do que uma resposta técnica às preo. que em: 30 jan. a Psicologia e a Medicina do Trabalho. 65 . ‰‰ análise de frequência. observamos a emergência da Ciência da é uma sociedade Análise de Riscos que “[.sra. a comunicação de riscos. todos aqueles que estão interessados em análise tadas em bases restritamente técnicas e científicas que. cupações coletivas. Inicialmente. você deve considerar três etapas principais da Análise de Riscos: ‰‰ identificação de perigos e ameaças. multidisciplinar. tais ferramentas eram utilizadas somente nas áreas militar e espacial. p. e ‰‰ análise de consequência. que determinadas um fórum aberto para escolhas sociais. outras áreas passam a desenvolver um corpo de conhecimento técnico-científico relacionado à Análise de Riscos.. é uma organização internacional de referência no assunto. convertia-se também numa determinada resposta interdisciplinar. despolitizaram o debate acerca da aceitabilidade dos riscos. no contexto de riscos de interesse para indivíduos. como a Epidemiologia. Para a Sociedade de Análise de Risco. Esta Sociedade de Análise de Riscos Na década de 1980. Isso quer dizer. acadêmica e política à formação de consenso social nos processos decisórios” internacional que oferece (PORTO. Além da Engenharia. regio- nal. a Análise de Risco é amplamente definida para incluir a avaliação de riscos. 1997. segundo os de risco. a ges- tão de riscos e a política de risco. www. Acesso Nessa década surgiu. nacional ou global. in- troduziu instrumentos para a solução de problemas relacionados à segurança. a caracterização de riscos. 67). 2017. Unidade 2 – Análise de Riscos A Engenharia de Segurança de Sistemas. popularizando-se a partir da década de 1970. por exemplo.

quantitativa ou semi- quantitativa (mista). suas consequências e a probabilidade de ocorrência destes fenômenos. condições. análise e avaliação de riscos são: 66 . que são importantes (críticos) em relação ao risco. componentes. etc. é possível: ‰‰ estabelecer uma imagem de risco. de modo que eles possam ser avaliados e devidamente tratados. ‰‰ demonstrar o efeito de várias medidas sobre o risco. a Análise de Risco envolve a apreciação das causas e das fontes de risco. a análise pode ser qualitativa. sistemas. da finalidade da análise e das infor- mações. dependendo do risco. ‰‰ escolher entre várias soluções alternativas e atividades enquanto na fase de planejamento de um sistema.Unidade 2 – Análise de Riscos Essas etapas permitem que se desenvolva uma compreensão dos riscos. dependendo das circunstâncias. e ‰‰ documentar um nível aceitável de segurança e risco. mas não constro- em um modelo matemático do risco como sugerido pelas análises probabilísticas. atividades. dados e recursos disponíveis. As principais técnicas de identificação. A análise de risco qualitativa usa palavras ou cores para identificar e avaliar riscos ou apresenta uma descrição por escrito do risco. ou uma combinação destas. números à probabilidade e às consequências para um risco. Assim. Ao realizar uma Análise de Risco. As avaliações de risco semiquantitativas tendem a atribuir. Já a análise de risco quantitativa calcula proba- bilidades numéricas sobre as possíveis consequências. ‰‰ comparar diferentes alternativas e soluções em termos de risco. Como dissemos. A análise de riscos pode ser realizada com diversos graus de detalhe. semiquantitativa ou quantitativa. por sua vez. considerando os diferentes tipos e níveis de risco. ‰‰ identificar fatores. A Análise de Risco pode ser qualitativa.

‰‰ Análise de Causas e Consequências (ACC). o método deveria assegurar que medidas preventivas fossem incorporadas. No decorrer desta Unidade vamos abordar algumas dessas meto- dologias. de concepção ou planejamento (DE CICCO. ‰‰ Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE) = FMEA (Failure Modes and Effects Analysis). não deixe de procurar seu tutor. a Análise Preliminar de (APP). De origem militar. ‰‰ Análise da Árvore de Eventos (AAE). Métodos de Árvore: ‰‰ Análise da Árvore de Falhas (AAF). FANTAZZINI. ‰‰ What If (WI). Análise de Riscos: Análise Preliminar de Riscos (APR) Este método também é conhecido como Análise Preliminar de Perigos Como o nome desse método informa. Unidade 2 – Análise de Riscos Métodos qualitativos mais gerais: ‰‰ Análise Preliminar de Riscos (APR) = Análise Preli- minar de Perigos (APP). Caso fosse inevitável. Métodos mais detalhados: ‰‰ Análise de Operabilidade de Perigos (HAZOP). a APR foi desenvolvida com o objetivo de evitar o uso desnecessário de materiais. 2003). Caso você tenha dúvidas. Riscos (APR) se caracteriza como um estudo qualitativo que visa identificar os riscos potenciais de um novo sistema ou processo ainda em sua fase operacional. ‰‰ Diagramas de Bloco. projetos e procedimentos de alto risco. ‰‰ Técnica de Incidentes Críticos (TIC). 67 .

do produto ou do sistema com o objetivo de determinar os eventos perigosos. é realizada uma avaliação qualitativa dos riscos associados. por meio da aplicação de formulários estruturados. entre outros. são sugeridas medidas preventivas e/ou mitigadoras dos riscos. patrimônio. do processo. como está o seu entendimento até agora? É muito importante que você entenda bem o que estamos tratando para poder continuar seus estudos! Se surgirem dúvidas. inicialmente. Por fim. ambiente. O método prevê. a fim de eliminar as causas ou reduzir as consequências dos cenários de acidente identificados. produto ou atividade. é precursora de outros métodos de análise de riscos. popu- lação circunvizinha. A análise é centrada na identificação dos riscos existentes para as pessoas. características e efeitos nos trabalhadores. Muito bem.Unidade 2 – Análise de Riscos Dessa forma. a identificação dos possíveis riscos. O grau de risco é determinado por uma matriz de risco gerada por profissionais com maior experiência na unidade orientada pelos técnicos que aplicam a análise. a APR é utilizada como primeira abordagem do objeto de estudo para estabelecer medidas iniciais de controle de riscos. ele está pronto para ajudá-lo! 68 . o patrimônio. envolvendo as falhas de componentes. Em seguida. as causas. equipamentos ou sistemas. Como estudo preliminar. como erros operacionais ou de manutenção. os modos de detecção e as consequên- cias e de estabelecer medidas de controle. entre em contato com seu tutor. sejam aquelas que tenham origem na instalação do processo. A identificação dos riscos abrange diversas causas. o meio ambiente. a APR é aplicada na etapa inicial do projeto. identificando-se aqueles que requerem priorização. suas causas. a continuidade operacional e a imagem da empresa. Em geral.

o relatório deve conter a identificação do sistema. danos a equipamentos e perda de materiais. 69 . ‰‰ Verificação de procedimentos de operação – análise dos objetivos. exigências de desempenho. observe: ‰‰ Revisão de problemas conhecidos ou similares – por meio de analogias ou busca de similaridades com sistemas. os subsistemas. as causas e as consequências do risco. Para essa verificação. Sendo assim. ‰‰ Verificação de falhas de componentes ou sistemas. principais funções e procedimentos. perda de função. como eventuais erros operacionais ou de manutenção – identificando os riscos iniciais e contribuintes com potencialidade para causar lesões diretas imediatas. que sejam compatíveis com as exigências dos sistemas. objetivando eliminar ou minimizar os riscos. estabelecendo os limites de atuação e delimitando o sistema. Unidade 2 – Análise de Riscos Etapas para Desenvolver uma Análise Preliminar de Riscos (APR) O desenvolvimento de uma APR segue algumas etapas básicas. a categoria dos riscos encontrados e as medidas de prevenção e de correção. e identificando os responsáveis para ações corretivas e preventivas. é preciso elaborar a Série de Riscos. ‰‰ Revisão dos meios de eliminação ou controle dos riscos – estabelecimento das medidas necessárias e possíveis para a mitigação dos riscos e limitação dos danos gerados pela perda de controle dos riscos.

o modo de detecção. ‰‰ layout da instalação. Instrumentos para aplicação da Análise Preliminar de Riscos (APR) A sistematização das informações e os resultados da APR são registrados numa planilha e num relatório de estudo. são apresentados os perigos identificados. ‰‰ descrição dos principais sistemas de proteção e segurança ‰‰ substâncias. ‰‰ premissas de projeto. Para cada etapa do processo.Unidade 2 – Análise de Riscos Dados e Equipe Necessários para Desenvolver uma Análise Preliminar de Riscos (APR) De acordo com as etapas descritas para desenvolver uma APR. as categorias de 70 . ‰‰ características de inflamabilidade. ‰‰ especificações de equipamento. e ‰‰ características de toxicidade. Dentre os membros da equipe. é preciso ter um membro com experiência em segurança de instalações e. é necessário obter o seguinte: ‰‰ dados demográficos. as causas. ‰‰ propriedades físicas e químicas. ‰‰ dados climatológicos. A APR deve ser realizada por uma equipe contendo entre cinco e oito pessoas. mais um que seja conhecedor do processo envolvido. pelo menos. ‰‰ instalações. ‰‰ especificações técnicas de projeto. para o levantamento de algumas informações. as consequências potenciais.

A partir de então. a severidade e o risco. damos continuidade ao preenchimento da planilha de APR para cada módulo de análise definido. não fornecendo estimativas numéricas. bem como as medidas corretivas e/ ou preventivas para cada cenário. a coleta de informações sobre a região. Incialmente. A planilha adotada para a realização da APR. cujo modelo é apresentado no quadro a seguir. A ordenação qualitativa dos cená- rios de acidentes identificados pode ser utilizada como um primeiro elemento na priorização das medidas propostas para redução dos riscos da instalação/sistema analisado. devemos realizar a definição dos objetivos e do escopo da análise. Unidade 2 – Análise de Riscos frequência. Em seguida. Fazemos. também. Ressaltamos que os resulta- dos obtidos são qualitativos. deve ser preenchida conforme a descrição respectiva a cada campo. a instalação e os riscos envolvidos. definimos a área e as fronteiras do processo/instalação a serem analisadas. é preciso realizar a subdivi- são do processo/instalação em módulos de análise. Para facilitar a aplicação da ferramenta. Objetivo Órgão: da Análise: Folha: Módulo ou Fase: Número: Executa- do por: Data: Modos de Evento Causas Detecção e Consequência Frequência Severidade Risco Recomendações Salvaguardas Quadro 2: Modelo de formulário para aplicação da APR Fonte: Adaptado de Aguiar (1996) 71 .

aos sistemas ou às ações capazes de interromper a cadeia de eventos.Unidade 2 – Análise de Riscos Para o efetivo preenchimento da planilha de APR. 72 . ‰‰visual (operador de campo ou operador na sala de controle). ‰‰liberação de gás inflamável. ‰‰reação descontrolada. ‰‰falhas humanas (operacionais ou de manutenção). às instalações ou ao meio ambiente. devemos considerar as seguintes instruções: Evento: é todo possível acidente ou condições físicas ‰‰ ou químicas com potencial para causar danos às pes- soas. Exemplos: ‰‰não detectável. ‰‰outros. ‰‰odor (operador de campo). As salvaguardas ou fatores atenuantes referem-se aos dispositivos. as quais podem envolver falhas de equi- pamentos ou falhas humanas. ‰‰outros. Modos de Detecção e Salvaguardas: refere-se à ‰‰ maneira pela qual podemos identificar a ocorrência de um determinado evento. Exemplos: ‰‰vazamentos. ‰‰liberação de líquido tóxico. Exemplos: ‰‰liberação de líquido inflamável. Causas: trata-se de identificar as causas responsáveis ‰‰ pelo perigo. ‰‰transbordamento. ‰‰falhas de gerenciamento – eventos externos.

73 . Frequência: fornece a indicação qualitativa da ‰‰ frequência esperada para ocorrência de cada cenário de risco particular. os cenários de acidente ou risco devem ser classificados em categorias de frequência. na con- tinuidade operacional da organização. Envolve diferentes aspectos. As categorias de ocorrência são divididas em cinco classes: extremamente remota. O cenário de risco é formado pela descrição do perigo. como: radiação térmica. Unidade 2 – Análise de Riscos ‰‰ruído/vibração. entre outros. ‰‰contaminação ambiental. que fornecem uma indicação qualitativa da frequência esperada de ocorrência para cada um dos cenários identificados. Exemplos: ‰‰incêndio. De acordo com a metodologia da APR. ‰‰explosão confinada. conforme detalhado nos itens anteriores. ‰‰outros. sobre pressão ou dose tóxica. ‰‰alarme de nível alto no local ou na sala de controle. no patrimônio. ‰‰contaminação do solo (se possível especificar volume). ‰‰contaminação de recursos hídricos (especificar). Consequências: são os efeitos dos acidentes nas ‰‰ pessoas. no meio ambiente. ‰‰outros. das causas e das consequên- cias.

Nível Característica Extremamente Remota – conceitualmente possível. Existe redundância plena. improvável. Remota – não esperado ocorrer durante a vida útil da instalação. Provável – esperado ocorrer até uma vez durante a vida útil da D instalação. os cenários de risco também devem ser classificados de acordo com a severidade. mas extre- A mamente improvável de ocorrer durante a vida útil da instalação. Existem registros de ocorrências frequentes. provável ou frequente. 74 . Quadro 3: Classificação dos níveis de frequência dos cenários de riscos Fonte: Adaptado de Aguiar (1996) Além da frequência. sendo que cada categoria recebe uma descrição como apresentado a seguir. à propriedade e/ou ao meio ambiente. Improvável – pouco provável de ocorrer durante a vida útil da C instalação. Severidade: as categorias de severidade fornecem ‰‰ uma indicação qualitativa da severidade esperada de ocorrência para cada um dos cenários identificados. B Sem registros de ocorrências. de terceiros I Desprezível (não funcionários) e/ou pessoas (indústrias e comu- nidade). Frequente – esperado ocorrer várias vezes durante a vida útil da E instalação. Evento sob controle com existência de meios de proteção eficazes. Observe as categorias utilizadas a seguir: Categoria Denominação Descrição/Características Sem danos ou danos insignificantes aos equipa- mentos. o máximo que pode ocorrer são casos de primeiros socorros ou tratamento médico menor. não ocorrem lesões/mortes de funcionários. Meios de controle e proteção precisam de melhorias.Unidade 2 – Análise de Riscos remota.

prestadores de serviço ou em membros da comunidade. Danos irreparáveis aos equipamentos. Quadro 4: Classificação dos níveis de severidade dos cenários de risco Fonte: Adaptado de Aguiar (1996) Risco: para se estabelecer o nível de Risco. à propriedade e/ou ao meio ambiente (reparação lenta ou impos- IV Catastrófica sível). As categorias de risco são: desprezível. Danos severos aos equipamentos. prestadores de serviço ou em III Crítica membros da comunidade (probabilidade remota de morte). à propriedade e/ou ao meio ambiente (os danos materiais são controláveis e/ou II Marginal de baixo custo de reparo). Remota 1 Desprezível II Marginal B Remota 2 Menor III Crítica C Improvável 3 Moderado IV Catastrófica D Provável 4 Sério E Frequente 5 Crítico Quadro 5: Matriz de risco para classificação das categorias de risco dos cenários identificados Fonte: Adaptado de Aguiar (1996) 75 . sério e crítico. exige ações corretivas imediatas para evitar seu desdobramento em catástrofe. à propriedade e/ ou ao meio ambiente. moderado. conforme indicado a seguir: Frequência Originalmente. provoca mortes ou lesões graves em várias pessoas (empregados. lesões leves em empregados. Unidade 2 – Análise de Riscos Danos leves aos equipamentos. lesões de gravidade modera- da em empregados. devemos ‰‰ utilizar uma matriz indicando a frequência e a severi- dade dos eventos indesejáveis. menor. o A B C D E grau dos riscos está identificado por cores: IV 2 3 4 5 5 1 Desprezível = verde SEVERIDADE III 1 2 3 4 5 2 Menor = azul II 1 1 2 3 4 3 Moderado = amarelo I 1 1 1 2 2 4 Sério = marrom Severidade Frequência Risco 5 Crítico = vermelho I Desprezível A Ext. prestadores de serviço ou em membros da comunidade).

sendo que podemos considerar que os riscos situados na região em vermelho. indicando a quantidade de cenários por categorias de frequência e de severidade e a quantidade de cenários por cada categoria de risco. treinamento sobre postura ade- quada. os indicativos necessários para a priorização dos cenários. normas técnicas. de severidade e de risco. ‰‰realizar simulados de emergência. ‰‰outros. Como resultado da elaboração das estatísticas dos cenários. entre outros. A matriz de risco fornecerá informações que permitam priorizar a implementação das recomendações propostas. ‰‰aplicar treinamentos teóricos e práticos sobre com- bate a incêndios para todos os operadores do setor. etc.Unidade 2 – Análise de Riscos A matriz de risco fornece. 76 . tendo em vista que os níveis de risco e os graus de controle não estão diretamente associados. enquanto os situados na região verde. com os sistemas a serem analisados ou solicitações de órgãos ambientais. seriam um indicativo de controle adequado. No entanto. Exemplos: ‰‰organização de uma brigada para o controle de emergências. seriam indi- cativos de necessidade de controle mais rígidos.. Após o preenchimento das planilhas de APR. Recomendações: esta coluna deve conter as reco- ‰‰ mendações de medidas mitigadoras de risco propostas pela equipe e validadas pela organização. temos uma matriz de riscos. ‰‰ginástica laboral. nível crítico. O cliente ou a organização pode fazer modificações nas categorias de acordo com as suas necessidades. nível de risco desprezível. a tarefa seguinte corresponde ao levantamento do número de cenários de acidentes identificados por categorias de frequência. não é recomendado fazer uma leitura generalizada da matriz de risco. portanto.

o foco são eventos. cujos procedimentos envolvem o fator humano em qualquer grau. O resultado será uma análise preliminar de caráter qualitativa. 1978). instalações e equipamentos (DE CICCO. Perdas e danos. É fundamental o levantamento prévio de informações para facilitar a análise dos riscos. incidentes ou acidentes de pequena gravidade. Consideramos os seguintes conceitos para aplicação da Técnica de Incidentes Críticos (TIC): Acidente: é a ocorrência anormal que contém even- ‰‰ to danoso. Unidade 2 – Análise de Riscos Observe que após a listagem das recomendações de me- didas preventivas e/ou mitigadoras propostas pela Equipe da APR. sempre ocorrem. o passo final é a preparação do relatório da análise realizada. quanto os erros humanos. 77 . Sendo assim. condições de instalações e relações entre homens. além de diversos tipos de fatores de risco. atitudes. Técnica de Incidentes Críticos A Técnica de Incidentes Críticos (TIC) também conhecida em inglês como Incident Recall caracteriza-se pela identificação de perigos que podem provocar “quase-acidentes”. O objeto desse método de caráter qualitativo é a análise dos sistemas e as instalações na fase operacional. que pode orientar outras análises de risco incluindo os métodos quantitativos. Lembre-se de que a APR deve analisar todos os possíveis even- tos perigosos da unidade incluindo tanto as falhas intrínsecas de equipamentos. instrumentos e materiais. ainda que desprezíveis. comportamentos. que não tenham sido relatados.

ser estimulados a relatarem os aspectos que recordarem. equivale ao incidente. condições inseguras que tenham lhes chamado a atenção. Um entrevistador interroga os participantes e os incita a re- cordar e a descrever os incidentes críticos. mas não evolui para efeito danoso. também. Incidente: é a ocorrência anormal que contém evento ‰‰ perigoso ou indesejado. os atos inseguros que tenham cometido ou observado e. Além da identificação dos acidentes críticos.Unidade 2 – Análise de Riscos Acidente de trabalho: se houver lesão ou disfunção ‰‰ orgânica. Fatores aleatórios ou sistemas de controle impedem a sequência danosa. essa técnica também objetiva o tratamento dos riscos identificados. Procedimentos para aplicação da Técnica de Inciden- tes Críticos (TIC) A TIC utiliza uma amostra aleatória estratificada de observa- dores-participantes. sendo recomendado para situações em que o tempo é restrito ou para identificar perigos sem a utilização de técnicas mais sofisticadas. “Quase-acidente”: é o evento real ou virtual que ‰‰ por pouco não se transforma em acidente. portanto. identificar erros e condições inse- guras que contribuem para a ocorrência de acidentes com lesões reais e potenciais. Devem. selecionados dentro da população de interesse. ou seja. bem como os fatores de risco como comportamentos e atitudes. procurando representar as diversas operações da mesma a partir de diferentes categorias de risco. 78 . Os observadores-participantes são selecionados entre os principais departamentos da organização. Esse método visa. ainda. Os observadores-participantes devem ser estimulados a descrever os incidentes críticos.

‰‰ análise do conteúdo dos incidentes coletados. ‰‰ construção das questões que serão apresentadas aos entrevistados que fornecerão os incidentes críticos da atividade em estudo. A técnica deve ser aplicada periodicamente. para aferir a eficiência das medidas já implementadas. reciclando os observadores-participantes a fim de detectar novas áreas-problema e. devem ser transcritos e classificados em categorias de risco. uma série de indícios para identificação de soluções para situações problemáticas. definindo a partir daí as áreas-problema e a priorização das ações para a poste- rior distribuição dos recursos disponíveis. ‰‰ levantamento de frequências dos comportamentos positivos e/ou negativos que vão fornecer. 79 . descritos pelos entrevistados. observe: ‰‰ determinação dos objetivos da atividade. Podemos utilizar um formulário simples para registrar os incidentes relatados. ainda. Dela Coleta (1974) apresenta um conjunto de etapas a serem consideradas na aplicação da Técnica de Incidentes Críticos. Unidade 2 – Análise de Riscos Os incidentes pertinentes. buscando isolar os comportamentos críticos emitidos. posterior- mente. ‰‰ delimitação da população ou amostra de entrevistados. ‰‰ coleta dos incidentes críticos. tanto para a correção das situações existentes como para prevenção de problemas futuros. ‰‰ agrupamento dos comportamentos críticos em cate- gorias mais abrangentes. Uma inspeção planejada pode ser utilizada para verificar condições inseguras identificadas pela TIC.

A participação do setor de psicologia pode contri- buir com a organização e com a dinâmica de aplicação da TIC. 80 . ‰‰ As causas dos acidentes sem lesão. que conduzem a acidentes industriais. levantadas pela TIC. A AMFE consiste em identificar os modos de falha dos componentes de um sistema. podemos concluir. de modo a garantir o sucesso da aná- lise. Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE) A Análise de Modos de Falhas e Efeitos (AMFE). ‰‰ É capaz de identificar fatores causais. podem ser utilizadas para identificar as causas dos acidentes com lesão. entre outros aspectos. em termos de erros e condições inseguras. De modo geral.Unidade 2 – Análise de Riscos Como se trata de uma técnica baseada no relaciona- mento interpessoal é necessário conquistar a confiança dos participantes. resultando em um desempenho mais eficaz. a TIC busca identificar as exigências para o desenvolvimento de uma determinada atividade. que a TIC: ‰‰ Revela com confiança os fatores causais. também co- nhecida pela sigla FMEA (Failure Modes and Effects Analysis). os efeitos dessas falhas para o sistema. é uma técnica de análise de riscos de uso geral. prioritariamente qualitativa. detalhada. como a acidentes sem lesão. associados tanto a acidentes com lesão. A partir de estudos descritos por De Cicca (1978).

Para De Cicco e Fantazzini (2003). através do uso de com- ponentes com confiabilidade alta. ‰‰ calcular a probabilidade de falha de componentes. ‰‰ determinar os componentes cujas falhas teriam efeito crítico na operação do sistema (falhas de efeito crítico). o objeto da AMFE são os sistemas. redundâncias no projeto ou ambos. essa técnica permite analisar as maneiras pelas quais um equipamento. 81 . estimar as taxas de falhas e os efeitos que poderão advir e estabelecer as mudanças que deverão ser feitas para aumentar a probabilidade de que o sistema ou equipamento funcione satisfatoriamente. ‰‰ determinar os efeitos que tais falhas terão em outros componentes do sistema. ‰‰ dividir o sistema em componentes. Dessa forma. montagem e subsistemas. Unidade 2 – Análise de Riscos o meio ambiente e para o próprio componente. Segundo De Cicco e Fantazzini (2003). um componente ou um sistema podem falhar. os principais objetivos da AMFE são: ‰‰ revisar sistematicamente os modos de falha de um componente para garantir danos mínimos ao sistema. Procedimentos para Aplicação da AMFE O método caracteriza-se pelo desenvolvimento de algumas etapas. também. E o foco está nos componentes e nas suas falhas que poderão resultar em situações de acidente ambiental ou de segurança ocupacional. como: ‰‰ selecionar um sistema. Permite.

o ambiente e o próprio componente. ‰‰ verificar se há meios de tomar conhecimento de que a falha está ocorrendo ou tenha ocorrido. A análise inicia-se com o estudo qualitativo das etapas do proces- so e a identificação de potenciais falhas que possam ocorrer em cada componente.Unidade 2 – Análise de Riscos ‰‰ descrever as funções dos componentes. ‰‰ verificar os efeitos das falhas para o sistema. 82 . bem como na determinação de como poderiam ser reduzidas essas probabilidades. a capacidade de detecção dessa falha e a pro- babilidade de ocorrência são avaliadas no sentido de avaliar o nível de risco de cada um dos modos de falha. devem ser identificadas as potenciais causas e os seus efeitos (gravidade). A hierarquização de cada um dos modos de falha leva ao estabelecimento de um plano de ações com vista à eliminação das causas dessa falha ou ao estabelecimen- to de mecanismos de detecção da falha. Posteriormente. podemos proceder à análise quantitativa para estabelecer a confiabili- dade ou a probabilidade de falha do sistema ou subsistema. e ‰‰ estabelecer medidas de controle de risco e de controle de emergências. Assim. subsistemas e sistemas. verificando as falhas possíveis. inclusive pelo uso de componentes com confiabilidade alta ou pela verificação de redundâncias de projeto. ‰‰ aplicar a lista de modos de falha aos componentes. Para cada uma dessas situações. a partir das probabilidades individuais de falha de seus componentes. por meio do cálculo de probabilidades de falhas de montagens.

seja ela de identificação de perigos. Modos Possíveis Categoria Métodos Ação de Compen- nentes de Efeitos de Risco de sação e Reparos Falha Detecção Em outros No sistema compo- nentes Quadro 6: Modelo de formulário para aplicação da AMFE Fonte: Adaptado de De Cicco e Fantazzini (2003) A utilização da AMFE necessita de um analista experiente e qualificado para diagnosticar possíveis falhas e desdobramentos. Análise de Perigos e Operabilidade – Hazard and Operability Studies (HAZOP) O HAZOP é um método qualitativo de análise de riscos que tem como objetivo tanto os problemas de segurança. funcionamento e falhas comuns. Unidade 2 – Análise de Riscos Observe um modelo para aplicação da AMFE que preparamos para você. podemos dar seguimento à análise. O bom conhecimento do sistema em que se atua é o primeiro passo para o sucesso na aplicação de qualquer técnica. Conhecido o sistema e suas especificidades. Análise de Modos de Falha e Efeitos Data: Empresa: Sistema: Elaborada por: Compo. buscando identificar 83 . análise ou avaliação de riscos. conhecer os equipamentos. AMFE Folha n. sua constituição. cabendo à empresa ou à organização idealizar o modelo que melhor se adapte a ela.

84 . em que pessoas de diferentes funções dentro de uma empresa são estimuladas a fazerem uso de criatividade. pode se orientar integradamente para iden- tificação de perigos no âmbito da Higiene e Segurança Ocupacionais e. para aspectos ambientais. o desenvolvimento do HAZOP alia a experiência e competência individual com as vantagens indiscutíveis do trabalho em equipe. trabalhando sozinha. O seu foco está na identificação de problemas que po- dem comprometer a segurança das instalações e naque- les que podem causar perda de continuidade operacio- nal da instalação ou perda de especificação do produto. O método HAZOP permite investigar de forma detalha- da e estruturada cada segmento do processo. e a compreensão dos problemas de diferentes áreas e interfaces do sistema em análise seja atingida. A base conceitual da realização de técnica considera que uma pessoa. mesmo competente. podem causar perda de produção ou podem afetar a qualidade do produto ou a eficiência do processo. A técnica é aplicada por uma equipe técnica por meio de traba- lho em equipe. para que os “esquecimentos” sejam evitados. frequentemente está sujeita a erros por desconhecer os aspectos alheios a sua área de trabalho. portanto. suas causas e consequências. também. como também os problemas de operabilidade. Assim. embora não sejam perigosos. visando a identificar os possíveis desvios das condições normais de operação. A sua aplicação. que.Unidade 2 – Análise de Riscos os perigos que possam colocar em risco os operadores e os equipa- mentos da instalação. propondo por fim medidas para eliminação ou controle dos riscos e problemas encontrados.

a reação. entre outros. é determinado se existe alguma proteção para aquele tipo de ocorrência e se a mesma é suficiente. a temperatura. em que são analisadas diversas variáveis. separando o projeto em seções gerenciáveis com limites definidos. sendo que as mais usuais e tradicionais são: NENHUM. Unidade 2 – Análise de Riscos Para o seu desenvolvimento é necessário dispor de um diagra- ma detalhado do processo. MAIOR. 85 . MAIS QUE. de forma a assegurar a análise de todos os equipamentos da unidade. A metodologia segue todos os fluxogramas de processo e to- dos os fluxogramas de linhas e instrumentos. No final do processo é emitida uma lista de desvios e aspectos a corrigir ou procedimentos a adop- tar que visam a aumentar a segurança da instalação. Posteriormente. são utilizadas de forma sistemática e estruturada “palavras guias” (guide words) para o emprego de perguntas sobre desvios típicos que podem ocorrer durante o funcionamento de uma unidade de produção. os caudais. TAMBÉM. não se aplica essa metodologia antes de dispor dos fluxogramas e das informações necessárias. Dessa forma. as concentrações. entre outros. MENOR. A partir de então. Os principais objetivos da metodologia HAZOP são: ‰‰ identificação de perigos e desvios operacionais. para fixar a atenção nos riscos mais significativos no sistema. PARTE DE. As palavras guias conduzem o raciocínio do grupo de estudo. os níveis. MENOS QUE. Para cada combinação das diversas variáveis identifi- cadas e “Palavras-Guia” é avaliado o que pode aconte- cer e se tal constitui um perigo ou um problema opera- cional. por exemplo. a pressão.

de fluxogramas atualizados. ‰‰ Diagrama lógico de intertravamento. como. procedimentos de operação e de manutenção ou por pessoas com qualificação técnica e experiência. discos de ruptura. com descrição completa. ‰‰ meios de detecção. ‰‰ Dados de projeto e setpoints de todas as válvulas de alívio. Os documentos que podem ser necessários. especificações técnicas. devidamente atu- alizados. ‰‰ Folhas de dados de todos os equipamentos da instalação. exigindo o empenho de uma equipe técnica responsável. Tais informações podem ser obtidas por meio de documentação.Unidade 2 – Análise de Riscos ‰‰ causas geradoras de cada desvio. ‰‰ Dados de projeto de instrumentos. 86 . Devemos dispor. etc. de informações sobre o processo. ‰‰ Fluxogramas de processo e balanço de materiais. a instrumentação e sobre a operação da instalação. Procedimentos para Aplicação do HAZOP Como a metodologia HAZOP é aplicada a partir dos fluxogra- mas de processo e todos os fluxogramas de linhas e instrumentos de forma detalhada. ‰‰ Especificações e padrões dos materiais das tubulações. ‰‰ consequências de cada desvio. ‰‰ Matrizes de causa e efeito. incluindo a filosofia de projeto. ‰‰ Memorial descritivo. incialmente. válvulas de con- trole. ‰‰ recomendações. são: ‰‰ Fluxogramas de engenharia – Diagramas de Tubulação e Instrumentação (P&IDs). o seu desenvolvimento é um pouco demorado. etc.

De forma geral. ‰‰ Especificações das utilidades. ar comprimido. água de refrigeração. por exem- plo. maior vazão e menor pressão. como vapor. etc. Unidade 2 – Análise de Riscos ‰‰ Diagrama unifilar elétrico. O conjunto de desvios possíveis contém o subconjunto dos desvios perigosos. Assim. o método assume que um problema de segu- rança ou de operação somente pode ocorrer quando há um desvio dos propósitos do projeto ou operação. que podem atuar como agentes de ruptura ou promotores de capacidade agressiva. Observe no quadro a seguir a lista de desvios para o Hazop. Desvio é a diferença entre o valor de uma variável em dado instante e o valor normal. ‰‰ Desenhos mostrando interfaces e conexões com outros equipamentos na fronteira da unidade/sistema analisado. Parâmetro Palavra-Guia Desvio Fluxo Nenhum Nenhum Fluxo Menos Menos Fluxo Mais Mais Fluxo Reverso Fluxo Reverso Também Contaminação Pressão Menos Pressão Baixa Mais Pressão Alta Temperatura Menos Temperatura Baixa Mais Temperatura Alta Nível Menos Nível Baixo Mais Nível Alto Viscosidade Menos Viscosidade Baixa Mais Viscosidade Alta Reação Nenhum Nenhuma Reação Menos Reação Incompleta Mais Reação Descontrolada Reverso Reação Reversa Também Reação Secundária Quadro 7: Lista de Desvios para HAZOP de Processos Contínuos Fonte: Adaptado de Cardella (2008) 87 . a pressão maior pode romper uma tubulação.

Vejamos. (exemplo: fluxo). pres- são. temperatura. no HAZOP de palavras-guia. Bem como Parte de Decréscimo qualitativo (exemplo: parte de concentração). um de cada vez. é preciso propor medidas para eliminar.Unidade 2 – Análise de Riscos Como dissemos anteriormente. quanto aos mais específicos (exemplo: pressão. nível etc. o grupo focaliza pontos especí- ficos do sistema que são pontos onde os parâmetros são investigados quanto aos desvios. As palavras-guia são aplicáveis tanto aos parâmetros mais gerais (exemplo: reação. Substituição completa (exemplo: outro quê). Outros quês. os tipos de desvios associados às palavras-guia. Nenhum Negação do propósito do projeto (exemplo: nenhum fluxo). Com a aplicação do procedimento operacional. Mais. Menos Decréscimo quantitativo (exemplo: menos temperatura). Também. Acréscimo qualitativo (exemplo: também). Senão Quadro 8: Tipos de desvios associados às palavras-guia Fonte: Adaptado de Cardella (2008) Depois de as causas e as consequências de cada tipo de desvio serem verificadas. Maior Acréscimo quantitativo (exemplo: mais pressão). etc. Palavras-Guia Desvios considerados Não. a técnica é baseada em um procedimento que gera perguntas de uma maneira sistemática por meio da determinação de pontos específicos do sistema (chamados de nós) e exame dos desvios dos parâmetros por meio de palavras-guia. Essas palavras são usadas para garantir que o projeto ou o sistema seja explorado de todas as maneiras possíveis. mitigar 88 . a seguir.). o grupo identifica um número razoavelmente grande de desvios. Os parâmetros envolvidos podem ser vários: temperatura. ou seja. Reverso Oposição lógica do propósito do projeto.). transferência etc. cada um dos quais deve então ser considerado de maneira tal que as causas e consequências potenciais possam ser identificadas.

. especialmente. entre outras escrito na forma apropriada. 1. HAZOP Identificação de Perigos e Operabilidade Objeto da Análise (Nó): Órgão Folha Executado por: Número Data Variável Medidas de con- Desvios Causas Consequências trole de risco e de Palavra. problema de operabilidade da instalação. contudo. Unidade 2 – Análise de Riscos Entendemos por processos contínuos aquelas ou controlar em níveis aceitáveis o risco ou quem sabe até sanar o atividades que não param. Instalar alarme de Ausência de fluxo Bloqueio indevido Superaquecimento na . problemas técnicos. não é campos para o registro dos desvios. por necessidades técnicas. A maioria das operações O HAZOP deve ser registrado em formulário próprio com industriais. controlando variáveis de operação consideradas relevantes e até mesmo cruciais para a segurança do sistema. Quadro 9: Modelo de formulário para registro de informações – HAZOP Fonte: Adaptado de Cardella (2008) O HAZOP é bastante difundido no meio industrial por ser apli- cável a processos contínuos. para os descontínuos o requisito principal é o procedimento e esgoto.1. Para processos contínuos. sem maiores a seguir. Utiliza palavras-guia para pontuar os desvios. conforme modelo apresentado interrupção a qualquer momento. denunciando os nós do processo operacional que necessitam de cor- reção e controle.. descontínuos. Vazão 1. causas.Guia emergência Ex: 1. podendo sofrer de controle de risco e de emergência. como as encontradas em O HAZOP pode ser aplicado tanto a processos contínuos quanto refinarias. siderurgias. 89 . consequências. medidas contínua. o fluxograma é requisito es- em tratamento de água sencial. Nenhum vazão baixa. atividades.

A confiabilidade tem as seguintes características: ‰‰ possui natureza probabilística. enquanto a confiabilidade é uma medida da qualidade dependente do tempo. Por exemplo: quatro falhas em 1. sob um dado conjunto de condições de operação. Os métodos buscarão a probabilidade de falha do sistema e/ou equipamento. A confiabilidade difere do controle de qualidade no sentido de que este independe do tempo.004 por hora. 90 . é chamada taxa de falha e é medida pelo número de falhas para cada hora de operação ou número de operações do sistema. queremos dar uma paradinha para perguntar a você se surgiu alguma dúvida! Lembre-se de que seu tutor está preparado para ajudá-lo no que for necessário. denominando assim o índice de “não confiabilidade”. ‰‰ varia em função das condições de operação. entre em contato com ele se precisar! Confiabilidade de Sistemas: Análise de Árvore de Falhas (AAF) e Análise de Diagrama de Blocos (ADB) A confiabilidade é a probabilidade de um equipamento ou siste- ma desempenhar satisfatoriamente suas funções específicas. ‰‰ apresenta dependência temporal. ‰‰ depende do critério de sucesso considerado. num certo intervalo de tempo.Unidade 2 – Análise de Riscos Estamos praticamente no meio deste curso. por um período determinado de tempo. até certa data.000 horas de operação representam uma taxa de falha de 0. A frequência com que as falhas ocorrem.

A diferença dessas metodologias é que elas representam os perigos ou falhas do sistema por meio de diagramas lógicos estruturados. incon- ‰‰ troláveis e. Unidade 2 – Análise de Riscos As falhas que ocorrem em equipamentos e sistemas são de três tipos: Falhas prematuras: ocorrem durante o período de ‰‰ depuração ou “queima” devido a montagens pobres ou fracas. Esses compo- nentes são substituídos gradualmente. Falhas por desgaste: iniciam-se quando os com- ‰‰ ponentes tenham ultrapassado seus períodos de vida útil. O período durante o qual as falhas são devidas principalmente a falhas casuais. Esse nível é atribuído às falhas casuais. que falham logo depois de postos em funcionamento. é a vida útil do componente ou sistema. os quais apresentam a lógica asso- ciada a essas falhas e permitem resultados quantitativos. desconhecidas. A taxa de falha aumenta rapidamente devido ao tempo e a algumas falhas casuais. uma vez que visam à identificação de falhas potenciais de um sistema. 91 . Falhas casuais: resultam de causas complexas. a partir da identi- ficação de falhas de seus componentes e operadores. Observe que a Análise de Árvore de Falhas e o Diagra- ma de Blocos são metodologias quantitativas de confia- bilidade de sistemas. até a taxa de falha total atingir um nível praticamente constante. ou componentes abaixo do padrão. algumas vezes. verificando-se a diminuição da taxa de falha prematura. Agora veremos as características desses dois métodos.

é muito co- mumente usada também por seu aspecto qualitativo porque. em qualquer si- tuação a ser investigada. Assim. 92 . assim os resultados quantitativos não requerem muitos esforços adicionais. os vários fatores. dessa forma e de maneira sistemática. Os resultados da análise quantitativa.Unidade 2 – Análise de Riscos Análise de Árvore de Falhas (AAF) Trata-se de uma metodologia que possibilita a análise conjugada de aspectos que podem dar origem à falha. seja um acidente ambiental ou de trabalho. na medida em que permitirá identificar as condições de possibilidade de ocorrência de um acidente. A AAF é uma técnica dedutiva que determina as frequências de eventos indesejáveis (evento topo) a partir da combinação lógica das falhas dos diversos componentes do sistema. Embora tenha sido desenvolvida com o principal intuito de determinar probabilidades. o sistema é dissecado de cima para baixo. combinando falhas de equipamentos e erros humanos que possam resultar em um acidente. O evento indese- jado recebe o nome de evento “topo” por uma razão bem lógica. Para proceder à análise quantitativa deve ser realizada primeiramente a análise qualitativa. são desejáveis para muitos usos. É aplicável à identificação de riscos ambientais ou de higiene e segurança. como técnica quantitativa. pois são eles que dão origem a todos os eventos de nível mais alto. Os eventos do nível inferior recebem o nome de eventos básicos ou primários. a AFF viabiliza o estudo dos fatores que poderiam causar um evento indesejável (falha) e encontra sua melhor aplicação na investigação de situações complexas. ele é colocado no nível mais alto. A partir desse nível. entretanto. enumerando todas as causas ou combinações delas que levam ao evento indesejado. podem ser visualizados. já que na montagem da árvore de falhas.

e ‰‰ considerar erros humanos. a Árvore de Fa- lhas permite: ‰‰ revelar os pontos mais susceptíveis às falhas. 93 . indicando o relacionamento entre os eventos considerados. Procedimentos para Aplicação da AAF O analista começa com um acidente ou evento indesejável que deve ser evitado e identifica as causas imediatas do evento. que indicam o relacionamento casual entre eventos dos níveis inferiores que levam ao evento topo. As combinações sequenciais desses eventos formam os diversos ramos da árvore. A AAF é um diagrama que mostra a inter-relação lógica entre as causas básicas e o acidente. cada uma deve ser examinada até que o analista tenha identificado as causas básicas de cada evento. A diagramação lógica da árvore de falhas é feita utilizando-se símbolos e comportas lógicas. testes e manutenção. As duas unidades básicas ou comportas lógicas envolvidas são os operadores booleanos “E” e “OU”. ‰‰ ajudar na escolha entre várias alternativas de um projeto. De acordo com De Cicco e Fantazzini (2003). erros operacionais ou outros defeitos podem causar o evento topo. Já a avaliação quantitativa é utilizada para determinar a probabilidade de falha no sistema pelo conhecimento das probabilidades de ocorrência de cada evento em particular. Unidade 2 – Análise de Riscos A avaliação qualitativa pode ser usada para analisar e determinar que combinações de falhas de componen- tes.

determinando as condições. o relacionamento entre os eventos é feito através das comportas lógicas citadas. dados do projeto. Desenhada a árvore de falhas. exigências do sistema etc. até o evento topo. 94 .. ou seja. dire- tamente. mostrando o inter-relacionamento entre esses eventos e das falhas. cuja probabi- lidade de ocorrência deve ser determinada. ‰‰ Por meio de Álgebra Booleana são desenvolvidas as expressões matemáticas adequadas. O processo inicia com os eventos que poderiam. À medida que se retrocede. por ações de adição ou multiplicação. em relação ao evento topo. ‰‰ Revisão dos fatores intervenientes: ambiente. ‰‰ Montagem. dos eventos contribuintes e das falhas levantados na etapa anterior. passo a passo. formando o primeiro nível – o nível básico. Cada comporta lógica tem implícita uma operação matemática. de acordo com De Cicco e Fantazzini (2003): ‰‰ Seleção do evento indesejável ou falha. ‰‰ Determinação da probabilidade de falha de cada componente. por meio da diagramação sistemática. são adicionadas as combinações de eventos e falhas contribuintes. podendo ser traduzida. causar tal fato. eventos particulares ou falhas que pos- sam vir a contribuir para ocorrência do evento topo selecionado. a probabilidade de ocorrência do evento topo será investigada pela combinação das probabilidades de ocorrência dos eventos que lhe deram origem.Unidade 2 – Análise de Riscos A aplicação da AFF ocorre a partir das seguintes etapas. em última análise. que representam as entradas da árvore de falhas.

A combinação entre as diversas causas que acarretam um determinado tipo de efeito é feita normalmente através de portões lógicos “E” ou “OU”. Caso qualquer uma das causas possa acarretar a ocorrência do evento topo. Caso as causas não possam ser combinadas utilizando-se apenas um único portão lógico. devendo ser redefinidas. elas devem ser conectadas ao evento topo através de um portão lógico “OU”. Unidade 2 – Análise de Riscos A construção de uma árvore de falhas é feita partindo-se do evento “topo” e investigando-se todas as causas imediatas que podem levar diretamente à ocorrência do evento “topo” e como tais causas devem ser combinadas. Assim. Veja a seguir símbolos e definições que podem ser utilizados para a construção de uma AAF. Figura 7: Modelos de símbolos que podem ser utilizados para elaboração de uma AAF Fonte: Alsconsultoria (2016) 95 . elas devem ser conectadas a este evento topo por meio de um portão lógico “E”. A construção e a quantificação de árvores de falhas geralmente requerem o uso de programa de computador e a disponibilidade de alguns documentos. isto significa que algumas delas foram definidas inadequadamente. caso todas as causas tenham que ocorrer simultanea- mente para que o evento topo exista.

Dependendo do sistema. Num diagrama de blocos. cálculo de confiabili- dade. Essa técnica permite identificar o comporta- mento lógico de um sistema constituído por poucos componentes. o diagrama de blocos é uma representação por meio de símbolos das funções desempenhadas por cada componente e do fluxo dos sinais. as variáveis do sistema estão ligadas entre si por meio de blocos funcionais.Unidade 2 – Análise de Riscos A AAF encontra aplicação para inúmeros outros usos. investigação de acidentes. como solução de problemas diversos de manutenção. A representação por diagramas de blocos tem como princi- pal vantagem a simplificação da análise dos sistemas. calculando as probabilidades de sucesso ou falha do mesmo. o diagrama de blocos não contém nenhuma informação relativa à estrutura física do sistema. decisões administrativas. No entanto. a análise pode ser feita em série ou em paralelo. estimativas de riscos. por meio da análise das probabilidades de sucesso ou falha de cada bloco. entre outros. Veja um exemplo de uma ADB para um sistema em série: Figura 8: Exemplo da ADB em série Fonte: Professores Unisanta (2016) 96 . Análise por Diagrama de Blocos (ADB) A análise por diagrama de blocos se utiliza de um fluxograma em blocos do sistema. O bloco é uma representação das operações que são efetuadas sobre o sinal à sua entrada. Assim.

P) = [(1 . Dessa forma. a confiabilidade de cada componente (bloco) do sistema.P(A) x P(B) x P(C).P(A)) x (1 . a probabilidade de falha (insucesso) é: Q = (1. Por consequência. Definidas as probabilidades de falha. Agora veja um exemplo de uma ADB para um sistema em paralelo. Figura 9: Exemplo de uma ADB para um sistema em paralelo Fonte: Professores Unisanta (2016) A probabilidade de sucesso para o esquema colocado será dada por P = 1 . P(B) e P(C) representam as probabilidades de sucesso. Unidade 2 – Análise de Riscos Os valores P(A).P (i) ) = 1 .P(A)) x (1 .[(1 .P) = (1 .P(B))]. ou seja. então. podemos determinar o risco de cada sistema e as possíveis perdas decorrentes. O que depende do compromisso entre os riscos. custos e benefícios e podendo variar de um contexto para 97 . representada por: Q = (1 . a probabilidade de sucesso ou a confiabilidade do sistema é dada por P = P(A) x P(B) x P(C).P(B))]. Aceitabilidade do Risco A aceitabilidade de risco se refere ao processo de decisão sobre quais riscos aceitar ou não. A probabilidade de falha para um sistema em paralelo é.

pois a aceitação está relacionada ao controle. Os grandes acidentes industriais sobre os quais falamos antes alertaram muitos países a definirem critérios de aceitabilidade ou tolerabilidades de riscos em suas organizações. uma questão política. à credibi- lidade. Tolerar análise dos custos X um risco não significa que devemos considerá-lo negligenciável ou benefícios visando à implementação das que podemos ignorá-lo. sempre. ao conhecimento disponível acerca da exposição aos riscos. o reconhecimento de que não é possível eliminar completamente todos os riscos e perigos. Douglas e Widalsky (2007) afirmam que o estudo relacionado à aceitabilidade dos riscos implica. Reasonably Practicable (ALARP) considera que no topo existe um nível de risco que é claramente inaceitável. determinando a ne- cessidade de estabelecer medidas de segurança adicionais ou para balizar a concessão de licenças ambientais. Significa Para o estabelecimento de critérios de aceitabilidade de risco estabelecer um nível de risco tão baixo quanto podemos considerar algumas abordagens diferentes. mas algo que devemos manter sob revisão medidas de controle e redução constante. em linhas gerais. que exige redução inde- 98 . à percepção. de acordo com o nível percebido de controle que o indivíduo pode exercer sobre ele e. uma vez que a escolha depende das alternativas. à reversibilidade das consequências e. uma tarefa muito difícil. como estará disposta a representar interesses específicos e indicar determinadas soluções. desenvolveu seus critérios partindo da premissa que o risco ALARP é uma expressão de uma atividade perigosa para um indivíduo da comunidade não deve usada para realizar ser significativo se comparado com os riscos do seu cotidiano. Para os autores. dos riscos. valores e crenças em pauta. em grande medida. no caso dos riscos impostos. O “risco aceitável” é. no entanto. Traçar um parâmetro limite é. A As Low as possível.Unidade 2 – Análise de Riscos o outro. Adams (2009) adverte que a aceitação de um determinado nível estatístico de risco varia. entre outros aspectos. toda e qualquer abordagem não só será incapaz de fornecer uma resposta definitiva. por exemplo. com os motivos percebidos de quem os impõe. Os riscos impostos tendem a ser menos tolerados. O governo holandês.

Figura 10: Critérios de aceitabilidade de riscos Fonte: Adaptada de Moraes (2013) A Figura 10 mostra os critérios para o risco individual. há uma região de- nominada de ALARP em que os riscos podem ou não ser aceitáveis dependendo das situações individuais.. que não justificam medidas obrigatórias.com/como-fazer-analise-de-risco/>. sendo considerados aceitáveis somente se tiverem sido tomadas todas as medidas razoavelmente praticáveis para reduzi-los. sugerimos a leitura deste link: „„ Segurança do Trabalho – como fazer análise de risco: <http://seguranca- dotrabalhonwn. Acesso em: 30 jan. 2017. os riscos são toleráveis. Para que você compreenda melhor o que tratamos nesta Unidade. Unidade 2 – Análise de Riscos pendentemente de qual o nível de custos e de benefícios. certos riscos são tão insignificantes.. Nessa região ALARP. baseados na abordagem ALARP. Entretanto. 99 . Observe a figura a seguir. Vale a pena lembrar que a definição desses critérios depende dos estudos de riscos realizados. Complementando. Entre esses critérios de segurança.

considerando a tolerância aos riscos assumida não pela própria organização que se beneficia do risco. a avaliação de riscos pode levar à decisão de se proceder a uma análise mais aprofundada.Unidade 2 – Análise de Riscos RESUMO Nesta Unidade. uma vez que permitem a participação ampliada da população na avaliação dos impactos ambientais de um empreen- dimento. operamos a avaliação de riscos visando a auxiliar a tomada de decisões com base nos resultados da análise. regulatórios e outros requisitos disponíveis. Assim. Portanto. por exemplo. Os critérios de aceitabilidade ou tolerabilidade dos riscos são. mas também pelos trabalhadores. que as audiências públicas são um importante instrumento no processo de licenciamento ambiental de um projeto. as decisões relacionadas à redução dos riscos devem levar em conta o contexto mais amplo do risco. Em algumas circunstâncias. Após uma adequada análise dos riscos. comunidades e demais pessoas e instituições que podem ser afetados pelos ris- cos identificados. de fato. convém que as decisões sejam tomadas de acordo com os requisitos legais. você estudou a Análise de Riscos e alguns importantes métodos para realizá-la. Na próxima Unidade veremos. sobre quais riscos necessitam de tratamento e a prioridade para a implementação do tratamento. aspectos cruciais no que se refere à confiabilidade quanto à segurança do projeto. De modo geral. 100 .

Unidade 2 – Análise de Riscos a definição desses critérios faz parte do processo de ge- renciamento dos riscos e da implementação de medidas de redução de riscos. Caso precise de ajuda. para conferir o seu apren- dizado. entre em contato com seu tutor. preparamos algumas atividades disponibilizadas no Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem (AVEA) para você. Chegamos ao final da Unidade 2. ele está pronto para auxiliá-lo no que for preciso. Bons estudos! 101 .

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3 UNIDADE Análise de Riscos Ambientais .

Objetivos Nesta Unidade. . e „„ Compreender o que é e como se elabora um mapa de riscos ambientais para a prevenção de acidentes de tra- balho. „„ Conhecer as metodologias existentes para análise e redução dos impactos ambientais. „„ Identificar as etapas da análise de consequências e vulnerabilidade e da análise quantitativa de riscos. você vai: „„ Refletir sobre os principais conceitos relacionados à Análise de Riscos Ambientais.

De um ponto de vista amplo. química ou bio- lógica. Saiba que os impactos ambientais consistem nas principais consequências dos acidentes e dos desastres decorrentes dos riscos nas organizações. Nas Unidades anteriores discutimos sobre os principais conceitos relacionados ao processo de gestão de riscos. com o entendimento do que é ambiente e de que maneira ele pode ser afetado. Vamos ao trabalho! A Inserção da Análise de Riscos no Processo de Avaliação de Impacto Ambiental As implicações relativas à gestão de risco na avaliação de impacto ambiental estão relacionadas. meio ambiente se refere ao sistema global constituído por elementos naturais e artificiais de natureza física. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Análise de Riscos Ambientais Caro participante. A identificação dos impactos ambientais e dos perigos e danos à segurança e à saú- de ocupacional é um dos pontos cruciais do planejamento adequado para manejo de riscos e dos programas de ges- tão de riscos a serem implementados. Nesta Unidade trataremos mais especificamente da gestão de risco associado aos impac- tos ambientais. apresentando as principais metodologias existentes para investigá-los e mitigá-los. socioculturais e suas interações. em permanente modificação pela interação humana ou natural. Também abordaremos outras metodolo- gias relacionadas à análise de riscos e consequências que possam contribuir com o tema de estudo. em certa medida. 105 .

Impacto Ambiental é [. Acesso em: 8 fev. Por outro. biológicas do meio ambiente. e o bem-estar da população. o primeiro dispositivo legal associado à Avaliação de Impactos Ambientais deu-se por meio da aprovação 106 . Segundo o artigo 1º da Resolução (SISNAMA). portanto. ambiente envolve componentes como terra/solo. químicas. 2017. do Sistema Nacional do Meio Ambiente provocada pela ação humana. causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indiretamente: ●● A saúde.gov. organismos vivos. Da perspectiva jurídica. (chamados recursos naturais) para a sua sobrevivência e para manter os mma.br/port/ processos produtivos e socioeconômicos diversos.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Assim. podendo ser negativo ou positivo. ●● As condições estéticas e sanitárias ambientais. n. água. o conceito de impacto ambiental refere-se. o ambiente conama/legiabre.] qualquer alteração das propriedades físicas. aos efeitos da ação humana sobre o meio ambiente. a segurança. ●● As atividades sociais e econômicas. exclusivamente. matérias/ou materiais orgânicos e inorgânicos.. o ambiente é o meio a partir do qual a sociedade extrai os recursos em: <http://www. Se. em um ou mais de seus componentes. (CONAMA) é o órgão Nesse sentido. 001/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (1986). No Brasil. ar e camadas atmosféricas. Como o processo de inte- ração com o ambiente é permanente não nos é possível pensar o próprio O Conselho Nacional do Meio Ambiente ambiente como algo estático. ●● A biota. funções ecológicas que são essenciais à vida. por um Esta Resolução pode ser lida na íntegra lado. sistemas naturais em interação. A definição de impacto ambiental está associada à alteração ou efeito ambiental considerado significativo por meio da avaliação do projeto de um determinado empreendimento. ●● A qualidade dos recursos ambientais. mas dinâmico e em constante modificação. é o próprio meio de vida cuja integridade depende da manutenção das cfm?codlegi=23>. impacto ambiental diz respeito a qualquer consultivo e deliberativo alteração do meio ambiente. no âmbito federal..

‰‰ caracterização dos efeitos negativos. impedir maiores ocorre por um tempo desastres ambientais e voltar determinado. 6. Quadro 10: Tipos de impactos ambientais de acordo com as suas características Fonte: Adaptado da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (1986) 107 .938. ‰‰ Adversos: é aquele que ‰‰ Global: são os impactos de causa danos ao meio proporções mundiais. ser controlada. não acontecem de forma imediata. Acesso em: 8 fev. ‰‰ Imediatos: quando o efeito é ‰‰ Indiretos: quando a instantâneo à ação. consequência é simples. dentre outras obrigações. Esta Lei está disponível em: <http://www. Essa Lei estabelece a planalto. ambiente em função da atividade humana. passou-se a exigir que todos os empreendimentos potencialmente impactantes procedessem. e dá outras providências. ‰‰ definição de ações e meios para mitigação dos impactos negativos. manifestação dos efeitos ‰‰ Irreversíveis: quando não é do impacto não há como possível recuperar. que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais da Lei Federal n. mulação e aplicação. ‰‰ Estratégicos: quando afeta um ecossistema ou recurso ambiental fundamental em outras estruturas. ‰‰ Benéficos: consiste ‰‰ Locais: quando é restrito a no resultado de uma um único ambiente onde foi norma ou medida que deflagrado. de 31 de agosto de 1981. relação entre causa e ‰‰ Médio e Longo Prazos: quando consequência é em cadeia.br/ Política Nacional do Meio Ambiente e estabelece o Sistema Nacional ccivil_03/LEIS/L6938. Os Impactos Ambientais podem ser: ‰‰ Diretos: quando a ‰‰ Cíclicos: que é sazonal. de Meio Ambiente (SISNAMA) como órgão executor. htm>. A partir dela. ‰‰ Temporários: ocorre ‰‰ Reversíveis: que é possível mudar quando o impacto seu curso. na: ‰‰ identificação dos impactos ambientais.gov. à formação mais próxima do ‰‰ Permanentes: quando a original. e volta de relação entre causa e tempos em tempos. seja melhor para o meio ‰‰ Regionais: quando atinge mais ambiente lugares na região. seus fins e mecanismos de for. e demoram de médio a um longo tempo para impactar. 2017.

2017. Minas Gerais.globo. atingiu a bacia hidrográfica do Rio Doce. que se estende por 230 municípios dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Esse é considerado o maior desastre socioambiental brasileiro e ocorreu Figura 11: Exemplo de erosão no solo no dia 5 de novembro de 2015.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais A seguir. Acesso em: 7 fev. html>. Figura 12: Exemplo de descarte de dejetos na água Fonte: Notícias 24hs (2016) 108 . vamos apresentar alguns exemplos de impacto am- Um recente caso biental: de grande impacto ambiental no Brasil No solo: erosão do solo causado pela atividade agro- ‰‰ foi o rompimento da pecuária barragem em Mariana. com/espirito-santo/ Na água: descarte de dejetos em recursos hídricos ‰‰ noticia/2015/11/mais. utilizados como fonte de água para abastecimento de-2-t-de-peixes-mortos. ao romper- se. ja-foram-recolhidas- no-rio-doce-diz-ibama. Era uma barragem de rejeitos da extração de minério de ferro e. público. Saiba mais Fonte: Embrapa (2017) em: <http://g1.

001/86 indica que o estudo de impacto ambiental da área de influência do projeto de um empreendimento deve abranger. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Na atmosfera: a eliminação de poluentes. no mínimo. as seguintes atividades técnicas: 109 . ‰‰ Figura 13: Exemplo de poluentes na atmosfera Fonte: Opinião e Notícia (2015) Em áreas isoladas: aterros sanitários. ‰‰ Figura 14: Exemplo de aterro sanitário Fonte: O Globo (2013) A Resolução CONAMA n.

destacando os sítios e monumen- Organization for tos arqueológicos. tal como existem. produtos e 110 .Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais A Conferência das I – Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto. as águas. antes da implantação do projeto. destacando as espécies indicadoras da qualidade am- desenvolvimento das biental. os tipos e aptidões da política ambiental do solo. pela iniciativa b) o meio biológico e os ecossistemas naturais – a fauna e a privada. diretos e indiretos. através do flora. foi fundada relevantes. teve um biental da área. 9000. toramento dos impactos positivos e negativos. e serviços. as normas da Série ISO 14000 estabelecem procedimentos para que as empresas possam realizar a gestão ambiental de suas atividades. Sendo assim. de modo a caracterizar a situação am- a ECO-92. com Nações Unidas no Rio a completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas in- de Janeiro. suas propriedades cumulativas e sinérgicas. os recursos federação mundial ambientais e a potencial utilização futura desses recursos. históricos e culturais da comunidade. que padronizam. considerando: papel fundamental a) o meio físico – o subsolo. de valor científico e econômico. previsão da magnitu- de 110 países com sede de e interpretação da importância dos prováveis impactos em Genebra. c) o meio socioeconômico – o uso e ocupação do solo. comércio a distribuição dos ônus e benefícios sociais. terações. os usos A International da água e a sócio economia. discriminando: os impactos positivos e negativos em 1947 para promover (benéficos e adversos). a topografia. avaliando a eficiência de cada uma delas. as Standardization (ISO). fatores e parâmetros a serem considerados. as correntes atmosféricas. – Sistema de Gestão IV – Elaboração do programa de acompanhamento e moni- Ambiental – TC 207. ISO 14000. entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tra- do Comitê Técnico 207 tamento de despejos. por meio de requisitos. relações de dependência entre a sociedade local. 14000: Sistema de Gestão Ambiental. por meio vos. o ar e o clima. os corpos d’água. indicando os a série ISO 14001. 6º). imediatos e a mé- o desenvolvimento de dio e longo prazos. através de identificação. A ISO III – Definição das medidas mitigadoras dos impactos negati- desenvolveu. (CONAMA. em 1992. seu grau de normas internacionais reversibilidade. raras e ameaçadas de normas da série ISO extinção e as áreas de preservação permanente. as correntes mundial. temporários e permanentes. 1986. procedimentos para a implantação da gestão ambiental. notadamente marinhas. A Associação Brasileira de Normas Cabe ressaltar que o modelo de gestão ambiental empresa- Técnicas (ABNT) é a representante do Brasil rial mais difundido no Brasil é o proposto pelas normas da Série na ISO. o regime hidrológico. composta de entidades II – Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas de normalização de mais alternativas. desta- no redirecionamento cando os recursos minerais. na indústria. baseada na série ISO art.

devemos considerar: ‰‰ Meio Físico – contaminação do solo – contaminação de águas – contaminação atmosférica – alterações climáticas. Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) 2017. A implantação das normas serve como um guia para que as instituições invistam na melhoria contínua do seu desempenho ambiental. Tais procedimentos visam a assegurar. devido às exigências legais de realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais serviços.rc. Com relação aos riscos para o meio ambiente. Acesso em: 9 fev. ‰‰ Meio Socioeconômico – destruição de sítios/monumentos Leia mais sobre essa arqueológicos – interrupção da atividade produtiva – avaliação em: <http:// comprometimento futuro de meios produtivos. html>. como um instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente. De modo geral. A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente e foi regulamentada para a análise da viabilidade ambiental de empreendimentos (obras ou ati- vidades). destacando-se que a implantação das normas é voluntária. www. que se faça um exame sistemático dos impactos ambientais de uma proposta e suas alternativas e que resultados se- jam apresentados de forma adequada ao público e aos responsáveis pela tomada de decisão.br/igce/ aplicada/ead/estudos_ ambientais/ea20b. ‰‰ Meio Biológico e Ecossistemas Naturais – danos à flora e à fauna. desde o início do processo.unesp. o Brasil dispõe de dispositivos legais que nor- matizam e regulam os procedimentos necessários para a avaliação dos impactos ambientais. cabendo à empresa a decisão de implementá-las ou não. os quais 111 . A AIA é um instrumento bastante difundido no Brasil desde 1986.

‰‰ operação e ampliação de um empreendimento é ne- cessário que o empreendedor adquira. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) – apre- ‰‰ sentação das informações técnicas geradas no EIA em um documento em linguagem acessível ao público. por meio da qual serão estipuladas condições. Com a inclusão da exigência de realização de análises de riscos para os empreendimentos considerados perigosos. uma licença ambiental. instalação. que estará sujeito a penalidades e ao cancelamento da licença no caso de não cumpri- mento ou inadequações das atividades. instalação. operação e ampliação de um empreendimento com atividades potencialmente degradadoras do ambiente. perante órgão licenciador competente. restrições e métodos de controle ambiental das atividades. pelo órgão licenciador como um requisito para o pedido de licença ambiental pelo empreendedor da atividade. A elaboração de um AIA é apoiada em estudos ambientais elaborados por equipes multidisciplinares. Licença Ambiental – para a localização. em muitas situações. alguns órgãos de controle ambiental passaram também a exigir a apresentação de um 112 . descrições. Os principais instrumentos que estruturam o processo de Ava- liação de Impacto Ambiental (AIA) são: Estudo de Impacto Ambiental (EIA) – são os ‰‰ estudos que analisam as condições ambientais da área a ser afetada pela localização. Todas as diretrizes impostas pela licença deverão ser realizadas pelo empreendedor.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais requerem o desenvolvimento de um conjunto estudos ambientais que permitam a análise de impacto. os quais apresentam diagnósticos. análises e avaliações sobre os impactos ambientais efetivos e potenciais do projeto. Este estudo é exigido.

de um conjunto de procedimentos orga- nizados de maneira estruturada e lógica. o lembra-se? Em caso de qual tem que ser feito a partir dos resultados da análise de riscos. tal avaliação viabiliza identi- ficar qual a provável situação futura de um determina- do indicador ambiental (exemplo: solo. etc. na Unidade 5 abordaremos a avaliação dos riscos ambientais no A identificação dos riscos ambientais deve considerar todos os contexto da Saúde do aspectos e perigos à segurança e saúde ocupacionais. tem Assunto que já discutimos na Unidade. Como falamos ao longo das Unidades. Trabalhador. Trata-se. Não se preocupe. mente de existirem mecanismos de controle ou não. água. sido solicitada a realização de um Plano de Ação de Emergência. Portanto. ‰‰ gerenciamento de resíduos. a coletividade e à saúde humana.) em relação a sua situação presente ou a comparação entre a provável situação futura de um indicador ambiental com a modificação (o projeto. a finalidade úl- tima da avaliação de riscos ambientais é evitar ou re- duzir os seus efeitos sobre o ambiente. dúvida. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Programa de Gerenciamento de Risco (PGR) como forma de controle e monitoração dos riscos avaliados. independente. ‰‰ outras questões locais relativas ao meio ambiente e à comunidade. Como requisito adicional. volte e releia o texto. Devemos levar em consideração: ‰‰ emissões atmosféricas. e fundamentar uma decisão a respeito. ‰‰ lançamentos em corpos d’água. ‰‰ uso de matérias-primas e recursos naturais. com o objetivo de analisar a viabilidade ambiental de projetos. por exemplo) e sem ela. pois. 113 . planos e programas.

biológicos. 114 . sociais e outros. avaliação e mitigação. dentre outros). 01/86 aponta os requisitos mínimos a serem contemplados em uma AIA: ‰‰ Triagem: lista positiva dos empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental (posteriormente foram incluídos critérios de localização e sensibilidade ou importância do ecossistema receptor. explicitação da metodologia adequada à correta avaliação dos impactos ambientais relevantes. minimizar ou compensar os efeitos negativos relevantes biofísicos. a AIA é um processo de identificação. ergonômicos. tipos de impactos. determinação se o EIA é ou não necessário. sua abrangência e nível de detalhamento. ‰‰ Proteger a produtividade e a capacidade dos sistemas naturais assim como os processos ecológicos que man- tém suas funções. De acordo com a Associação Internacional de Avaliação de Im- pactos (IAIA. ‰‰ Assegurar que as considerações ambientais sejam explicitamente tratadas e incorporadas ao processo decisório. a Resolução CONAMA n. evitar. No Brasil. Os objetivos da avaliação de impacto ambiental são: ‰‰ Promover o desenvolvimento sustentável e otimizar o uso e as oportunidades de gestão de recursos. 1999). predição. ‰‰ Antecipar. químicos e acidentes). nos meios biofísico. ‰‰ Escopo: plano de trabalho determinando os elementos e conteúdo dos estudos. de efeitos relevantes de propostas de desenvolvimento antes que decisões sejam tomadas e compromissos assumidos.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais ‰‰ perigos (físicos. alternativas a serem consideradas. social e outros.

possibi- lidade de várias audiências públicas para informações. de maneira que modificações possam ser feitas com recursos bem menores que aqueles necessários após a montagem das instalações. exigindo monitoramento e avaliações per- manentes e periódicas. custos por conta do empreendedor. ‰‰ Consulta pública: RIMA acessível ao público interessado que tem prazo para se manifestar e colaborar. a AIA é um instrumento de análise sistemática de riscos e fatores de riscos ambientais e seus respectivos impactos associados a um determinado projeto. 115 . Este processo também possibilita balancear o nível de risco aceitável. uma vez que possui o papel de interlocutor entre os projetos públicos e/ou privados com a sociedade na qual esses projetos estão inseridos. auxiliando o processo de tomada de decisão e de negociação. ‰‰ Análise técnica: a cargo do órgão licenciador. Deve estar claro para você que o processo de avaliação dos ris- cos ambientais permite identificar quais as medidas de redução de risco são necessárias e podem ser tomadas ainda na fase de projeto. identificação. é um processo contínuo e constante. plano de gestão e monitoramento. previsão e avaliação dos impactos. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais ‰‰ Elaboração do EIA/RIMA: estudos efetuados a partir das diretrizes e conteúdos mínimos exigidos no escopo. favorecendo que as instalações sejam construídas dentro de critérios de segurança previamente definidos. execução por equipe multidisciplinar. discussões e contribuições. como já discuti- mos nas Unidades anteriores. Observe que o gerenciamento de risco. Nesse sentido. Baseia-se em parâmetros técnico- -científicos.

a avaliação de impacto ambiental com relação aos aspectos socio- econômicos envolve as questões relativas à subjetividade. percepção e critérios de aceitabilidade de risco discutidos nas Unidades anteriores. então. Além disso.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Metodologias para Avaliação de Riscos Ambientais A análise de riscos é usada normalmente para a identificação de riscos nas diferentes unidades de produção. De modo geral. segundo a CETESBE (2000): 116 . Finalmente. certo? Como as relações e inter-relações dos ecossistemas são bastante complexas. todas as etapas são combinadas para produzir um documento final de referência sobre a análise de riscos. A Análise de Risco Ambiental engloba as seguintes etapas. vista aqui como fonte potencial dos impactos. procede-se uma descrição técnica da ins- talação/empreendimento. A partir de então. este processo de análise se caracteriza por sua interdisci- plinaridade e exige profissionais de diferentes áreas de atuação. os processos de análise deman- dam que os pontos a serem avaliados sejam selecionados. Em seguida. Devemos fazer a avaliação dos efeitos a partir de dados dispo- níveis (por exemplo: toxicológicos) com o objetivo de se determinar os efeitos dos perigos sobre os organismos expostos (por exemplo: grau de contaminação). Existem diferentes metodologias para avaliação de impacto ambiental. dificultando a avaliação exata e a dinâmica da propagação dos impactos no tempo e no espaço. descreve-se o ambiente no qual o impacto será desenvolvido (ambiente de referência). A ex- posição aos perigos é. expressa em dados qualitativos e quantitativos. avaliada para a qual podem ser utilizados alguns modelos ambientais.

‰‰ Cálculo dos Riscos Ambientais (probabilidades e consequências). ‰‰ Análise de Vulnerabilidade. conjunto de dados e informações. ‰‰ Definição das frequências ou probabilidades de ocor- rência de cenários de acidentes ambientais. D e E). Severidade I II III IV A 3 4 5 5 B 2 3 4 5 Frequência C 1 2 3 4 D 1 1 2 3 E 1 1 1 2 117 . ‰‰ Análise de Consequências (perdas e/ou danos). podemos utilizar a Matriz de Risco que é definida pelas categorias da gravidade (severidade: I. limites. II. A organização deve definir uma prioridade para a solução dos inúmeros impactos ambientais que podem ser identificados duran- te a implantação do seu Sistema de Gestão Ambiental. conforme apresentamos na descrição do método Avaliação Preliminar de Riscos (APR). C. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais ‰‰ Definição do escopo da análise: objetivos. ‰‰ Avaliação dos Riscos Ambientais. III e IV) das consequências dos eventos ou impactos ambientais no eixo horizontal e pelo nível da frequência ou probabilidade de ocorrência destes impactos no eixo vertical (frequências: A. B. classificação e priorização dos aspectos e impactos ambientais. Para essa priorização. ‰‰ Identificação. ‰‰ Gerenciamento dos Riscos Ambientais: prevenção (re- dução das frequências ou probabilidades) e proteção (redução de consequências) contra os riscos ambientais.

118 . Utilizada em do projeto e as condições ambientais. Inclui sibilidades que levem análise de aspectos técnicos e econômicos e consiste a um denominador na formação de grupos de trabalho multidisciplinares comum e eficaz para com profissionais qualificados em diferentes áreas de solucionar problemas e entraves que impe. os quais seguir adiante. Fonte: podem ser caracterizados e sumariados por meio de Lacombe (2009). de forma que é elaborada possível de ideias. propostas e pos. matrizes. redes e modelagem. A técnica sobre impactos ambientais de uma proposta.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Critério Critério Critério utilizado para utilizado para utilizado para FREQUÊNCIA SEVERIDADE RISCO A Muito Improvável I Desprezível 1 Desprezível B Improvável II Marginal 2 Menor C Ocasional III Crítica 3 Moderado D Provável IV Catastrófica 4 Sério E Frequente 5 Crítico Figura 15: Matriz de Risco Fonte: Adaptada de Aguiar (1996) Brainstorming Expressão inglesa que De acordo com Magrini (1990). especificamente para cada projeto particular. Ad hoc: trata-se de uma metodologia baseada em pa- ‰‰ Com isso. soluções inovadoras. overlays. checklists. comparar e organizar informações e dados de um grupo. atuação. sugerindo qualquer Agora vejamos alguns métodos de Avaliação de Impacto Am- pensamento ou ideia biental: que vier à mente a res- peito do tema tratado. Dentre os principais métodos estratégias de criação e empregados na Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) estão: ad hoc. inovação para explorar a potencialidade criati. incluindo os meios de propõe que o grupo se reúna e utilize a diversi- comunicação para a apresentação escrita e visual dessas informações. os métodos a serem utilizados significa tempestade para a avaliação de impacto ambiental variam com as características de ideias. Os impactos são identificados rapidamente de dem um projeto de forma qualitativa através de brainstorming. mapas e matrizes. São estruturados va de um indivíduo ou para coletar. espera-se receres de especialistas acerca os impactos decorrentes reunir o maior número da implantação do projeto. tabelas. dade de pensamentos e Mapas de risco e mapas de exposição podem ser gerados a fim de experiências para gerar facilitar essa comunicação e facilitar a tomada de decisão necessária. analisar. vi- sões.

contabilizando 8. processo. criada em 1971. São associados aos impactos julgamentos de valor (magnitude e importância) numa escala de O-10. Matrizes: as matrizes são utilizadas para relacionar ‰‰ as diversas ações do projeto aos fatores ambientais. Entre as mais utilizadas encontra-se a Matriz de Leopold. A lista pode ter subdivisões por especialidade de trabalho ou qualquer outra que se julgar conveniente. 119 . Os impactos são identificados e enumerados. que relaciona uma centena de ações do projeto a 88 fatores ambientais (do meio social e natural). dispostos em uma lista para que sejam constantemente verificados. sistema. equipamento.800 possíveis interseções. representam o impacto de cada componente do projeto sobre cada fator ambiental. A avaliação do impacto é obtida quantitativamente a partir do estabelecimento de pesos e valores a cada fator ambiental e possível alteração. Caracteriza-se por uma listagem de controle bidimen- sional. baseado nas informações previa- mente disponíveis de especialistas ou pessoas com experiência nos aspectos investigados. identificando se são positivos (+) ou negativos (-). instalação. São avaliados os desvios em relação aos padrões da lista. Podem também ser introduzidas variáveis temporais e parâmetros que permitam a valoração dos impactos. Pode ser aplicada a quase todo tipo de implantação de projeto. Caracteriza-se por ser um método qualitativo simples. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Listagens de verificação ou Checklists: são lis- ‰‰ tas padronizadas dos fatores ambientais associados a projetos específicos. na qual as quadrículas. mas o método não avalia as relações entre causa e efeito. O objeto pode ser área. onde se identificam os impactos prováveis. definidas pela interseção das linhas e colunas.

O método possibilita orientar as medidas mitigadoras. afim de reduzir os riscos e os impactos do projeto. situam as relações entre causas-condições-efeitos. Pode utilizar parâmetros probabilísti- cos para visualização de tendências e frequentemente os resultados são apresentados por meio de gráficos. estabe- lecendo relações de precedência entre as ações e os impactos decorrentes. de controle e monitoramento dos fatores ambientais.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Figura 16: Exemplo de Matriz de Leopold Fonte: Emaze (2017) Redes de interação: as redes de interação consis- ‰‰ tem em esquemas que representam o seguimento de operações entre os elementos de um projeto. 120 . retratando o impacto inicial e o conjunto de ações que o desencadeou direta ou indiretamente. Assim.

Os mapas indicam uma característica cultural. Consiste um método comum para ações de planejamento territorial. As cores podem ser utilizadas como recurso para demonstrar diferentes graus de impacto e a extensão deles. Os dados são organizados em categoria e são utilizadas fotografias aéreas ou imagens de satélite sobrepostas. localizando e identificando a extensão dos efeitos sobre uma dada área geográfica. 121 . importância e probabilidade). social e física que refletem um determinado impacto ou as vulnerabilidades da área investigada. visando a obter um índice global de impacto. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Uma das redes mais conhecidas é a de Sorensen. Podem ser associados parâmetros de valor (magnitude. Figura 17: Exemplo de uma rede simplificada de interação de impactos de uma situação hipotética Fonte: Santos (2013) Métodos de superposição de cartas (overlays): ‰‰ trata-se de métodos cartográficos por meio dos quais se elaboram cartas temáticas para cada fator ambiental.

modelos matemáticos. Nos métodos qualitativos. Os métodos apresentados nesta Unidade são. sendo que alguns combinam dados e análises quanti- tativas usando. bem como exige programas e o emprego de equipamentos e softwares apropriados. Esse mé- todo requer profissionais técnicos e experientes. por exemplo. qualitativos. prioritariamente. os indicadores. os pesos e os valores das variáveis uti- 122 .Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Figura 18: exemplo de sobreposição de imagens Fonte: Pontuschka (2013) Simulação: as simulações são métodos desenvolvi- ‰‰ dos por meio de modelos matemáticos que objetivam representar a estrutura e o funcionamento dos siste- mas ambientais por meio de relações complexas entre componentes quantitativos ou qualitativos. biológicos ou socioeconômicos. Possibilitam representar relações de causa e efeito de determinadas ações ou comportamento de parâmetros ambientais a partir de um conjunto de hipótese ou pressupostos. físicos.

A análise das consequências e vulnerabilidade faz parte do processo de análise dos riscos ambientais e está diretamente re- lacionada às causas. como está o seu entendimento até o momento? Se tiver alguma dúvida. nos quais vigoram mais fortemente aspectos subjetivos na composição das ferramentas de investigação e no processo de análise dos resultados. Análise de Consequências e Vulnerabilidade Conforme vimos. às ameaças e perigos. Diversos métodos de avaliação de impacto ambiental apresentados 123 . É muito importante para o seu aprendizado que você entenda bem o que estamos tratando. especialmente na avaliação dos impactos ambientais. E então. estrutura.) que esteja suscetível e exposta a estas ameaças. com indicações das áreas internas e externas que são afetadas pelos impactos do acidente. etc. ideias e entendimentos do investigador em relação aos padrões encontrados nos dados. os quais podem afetar determinada área (ambiente. Na Unidade 2 nos profundamos em métodos de iden- tificação e avaliação de riscos. a análise de riscos ambientais envolve um conjunto de etapas. ou seja. em sua maioria. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais lizadas são elaborados a partir de conceitos. Os métodos qualitativos empregam procedimentos interpretativos. não experimentais. que vai desde a identificação dos perigos e ame- aças até a avaliação dos riscos e elaboração de medidas protetivas e mitigatórias. sendo que nesta Unidade nos centra- mos nos riscos ambientais. Essas análises fornecem informações fundamentais e práticas para o planejamento de controle de emergências. ele está pronto para ajudá-lo no que for necessário. populações. entre em contato com seu tutor.

‰‰ Estimativa de perdas e danos à propriedade e outros impactos econômicos. Buscamos estimar as áreas potencialmente sujeitas aos efeitos físicos danosos (sobre pressão. São realizadas simulações de acidentes que permitem estimar a extensão e a magnitude das consequências. por meio de medições e/ou modelagem. A análise de consequências baseia-se justamente na estima- tiva desses efeitos.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais viabilizam a identificação dos efeitos físicos decorrentes dos riscos ambientais mal geridos. 124 . por meio de modelos matemáticos específicos para cada cenário acidental. De acordo com Souza et al. Cada hipótese acidental exige procedimentos apropriados de cálculo. ‰‰ Identificação dos impactos ambientais. é necessário definir a extensão da área no entorno das instalações que pode estar sujeita aos efeitos de possíveis acidentes. sendo realizada a partir de hipóteses acidentais identificadas. na direção dos receptores de interesse. especialmente no que se refere às concentrações atmosféricas. como: ‰‰ Caracterização da quantidade. ‰‰ Avaliação dos efeitos na saúde e segurança relacionados aos níveis de exposição projetados. considerando as características e o comportamento das ameaças envolvidas dentro de um contexto específico de análise. Para tanto. (2012). a análise de consequências envolve atividades que tentam relacionar as fontes de perigo com os receptores potenciais. radiação térmica e nuvem de gases tóxicos) de liberações acidentais de substâncias perigosas ou de energia descontrolada. ‰‰ Estimativa. considerando as condições ambientais pre- dominantes da região. do transporte de materiais e propagação de energia pelo meio ambiente. forma e taxa de material e energia liberadas para o meio ambiente.

a localização do vazamento na instalação e as suas condições físico- -químicas no momento do vazamento. por meio da identificação e priorização de cená- rios críticos e da descrição desses cenários. a quantidade de produto que é liberada para o ambiente durante certo tempo (denominada ‘taxa de emissão’). Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Os modelos matemáticos permitem quantificar os efeitos dos possíveis acidentes. aplicam-se os modelos de cálculo. em algum grau. por exemplo. estima-se. Os cálculos permitem dimensionar o alcance dos impactos dos acidentes no espaço da instalação industrial e de sua vizinhança. A análise de vulnerabilidade está relacionada à caracterização e estimativa destes impactos danosos para as pessoas. Observe que as consequências dos acidentes são estima- das com base nos resultados das análises de vulnerabilida- de e de consequências. que permitem estimar uma variada gama de eventos acidentais. Esses efeitos físicos possuem o potencial de ocasionar danos às pessoas. às instalações e ao meio ambiente e sua extensão é proporcional à intensidade do efeito físico cau- sador do dano. instalações e ao meio ambiente. e em seguida determina-se a evolução espacial e a temporal desses efeitos. como o produto vazado. obtendo-se assim a delimitação das áreas que poderão ser atingidas por cada um dos efeitos físicos de interesse. É requerida para os em- 125 . deve haver impacto do acidente. que consiste na apresen- tação de todas as condições físicas e hipóteses necessárias para a determinação dos efeitos físicos do acidente. é denominado espaço vulnerável. Na segunda etapa. Na análise das consequências. A primeira etapa é a caracterização do cenário de acidente ou definição de hipóteses acidentais. O espaço definido pelos modelos sobre o qual.

em função da Concentração Letal 50 (CL50) da substância em análise. considerar a dispersão máxima.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais preendimentos que apresentem Índice de Risco igual a 3 e deve ser apresentada aos órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental. com destaque para o layout da instalação analisada. considerando populações e demais áreas sensíveis ao cenário de riscos mais crítico (que tenham maior índice de risco). sobre a qual seriam traçadas as curvas demarcatórias das áreas de vulnerabilidade identificadas para os efeitos decorrentes de emissões tóxicas. de acordo com Glasmeyer (2006): ‰‰ Para substâncias tóxicas. ‰‰ Para situações que representem risco de incêndio em poças de fogo (incêndio oriundo de poças de materiais vertidos e lançados em fase líquida a um determinado local de contenção. até que seja atingido o limite inferior de inflamabilidade da substância. Para a delimitação de áreas vulneráveis devem ser considerados os seguintes limites. Para Glasmeyer (2006). considerar a dispersão máxima. Baseia-se em critérios determinísticos com dados relativos à área do entorno. o resultado da análise de vulnerabilidade pode ser apresentado sob a forma de mapas da região. estabelecido pelo Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional (National Institute for Occupational Safety and Health – NIO- SH – USA) ou calculado conforme já referenciado. ‰‰ Para dispersão de substâncias inflamáveis. também conhecido como pool fire) ou jatos de fogo (incêndio proveniente da perda 126 . incêndios ou explosões. até o ponto de concentração equivalente ao valor máximo da concentração da substância no ar à qual pode se expor uma pessoa por 30 minutos sem danos irreversíveis. o qual é denominado Immediately Dangerous to Life and Health (IDLH) (Imediatamente Perigoso para Vida e Saúde).

confinadas ou não confinadas). Sempre que os mapas obtidos indicarem presença de populações externas ou áreas sensíveis no interior das áreas de risco calculadas por este critério. correspondendo ao limite para o qual sejam esperadas as primeiras lesões de elevada gravidade a indivíduos expostos. ou 500 mbar (correspondendo ao limite para apresentação de lesões sérias e irreversíveis. sendo exigida a realização de Estudos de Análise Quantitativa de Riscos para o cenário em estudo. bem como danos em estruturas e quebra de vidros) e 14 kPa. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais de contenção de gases inflamáveis que. que passará a ser considerado como 4. também conhecido como jet fire). 127 . de maneira a fornecer uma base objetiva para a aceitação ou não dos riscos e para auxiliar na priorização e na decisão de escolha entre as diferentes alternativas. ao escoarem em alta velocidade e encontrando fonte de ignição. sejam obtidas as curvas de sobrepressão equivalentes a 5 kPa. provoquem fogo nas proximidades do ponto de vaza- mento. com o intuito de reduzir os riscos não aceitáveis. explosões físi- cas. ou 140 mbar (correspondendo ao limite de tolerância estimado para 1% da população exposta). ‰‰ Para situações que representem risco de explosão de qualquer natureza (nuvens de vapor. deverá ser calculada e demarcada a curva equivalente ao nível de fluxo térmico igual a 5 KW/m2. Avaliação Quantitativa de Riscos (AQR) A Avaliação Quantitativa de Riscos (AQR) permite a quantifi- cação dos riscos existentes em uma instalação. deverá ser efetuada a reclassificação do índice de risco.

Pode. levando a um melhor nível de preparação para emergências. ‰‰ O segundo elemento corresponde à frequência esperada de ocorrência do cenário de acidente. ser caracterizado por um conjunto de três elementos: ‰‰ O primeiro elemento fornece a descrição completa do cenário de acidente. 2004). Como dissemos inúmeras vezes. Fundamentalmente. quantificando a frequência esperada de ocorrência e as consequências associadas com cada um destes cenários. 128 . De acordo com a CETESB (2000). ainda. os riscos identificados. O risco pode. através de modelos matemáticos. no caso de ocorrência deste cenário. ‰‰ identificação de perigos e consolidação dos cenários de acidentes. A AQR permite quantificar. identificando a causa básica do acidente (evento iniciador) e a evolução do acidente. então.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais A aplicação da AQR possibilita identificar sistematicamente os riscos existentes e seus impactos. O processo de desenvolvimento de uma AQR pode ser dividido em cinco etapas. ‰‰ O terceiro elemento corresponde às consequências in- desejadas previstas. ser usada para expressar as mudanças nos impactos causados em função de mudanças em medidas preventivas ou mudanças no projeto da instalação (CAMACHO. o método procura identificar todos os cenários de acidente que podem vir a ocorrer em uma determinada instalação. em função do desempenho dos sistemas de proteção existentes. como: ‰‰ caracterização do sistema a analisar. a AQR fornece uma base numérica para comunicar os riscos às partes interessadas e para adotar as medidas protetivas necessárias. a análise de riscos procura identificar os riscos em potencial e os seus impactos.

Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais ‰‰ estimativa das consequências dos acidentes – análise de vulnerabilidade e efeitos físicos. Fonte: CETESB (2000) 129 . Observe a seguir o fluxograma das etapas para elaboração de estudo de AQR. ‰‰ estimativa e avaliação dos riscos. ‰‰ estimativa das frequências de ocorrência dos acidentes. Figura 19: Fluxograma das etapas para elaboração de estudo de AQR.

tendo dimensão de ano) e a da determinação das conse- quências de cada cenário de acidente (utiliza-se estudo de probabilidade de morte). desenvolveremos duas principais etapas de cálculo. substâncias químicas utilizadas. a localização geográfica. sistemas de proteção e segurança. apresentação de fluxogramas de processos. em relação a características como: as fronteiras do em- preendimento. como: Análise Preliminar de Riscos (APR). é onde os resultados são calculados e apre- 130 . A seguir. A estimativa e avaliação dos riscos é a etapa final de uma AQR e. de instrumentação e de tubulações. normalmente. portanto. Na etapa de identificação dos perigos. entre outros. 2000). obtemos os indicadores de risco desejados. HAZOP. com consolidação dos cenários acidentais e uma hierarquização dos riscos associados. Trata-se de uma etapa qualitativa da análise de risco e objetiva identificar todos os eventos iniciadores de incidentes. entre outros (CETESB. arranjo da instalação. distribuição populacional e características meteorológicas da região. a da determinação das frequências dos eventos iniciadores e dos cenários desenvolvidos a par- tir de cada um (a frequência de ocorrência de um cená- rio acidental é o número de vezes que o cenário ocorre e é. É possível fazer uso dos métodos apresentados na Unidade 2. descrição do processo. topografia.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais A primeira etapa consiste numa descrição do sistema a ser analisado. chegamos a uma relação dos eventos iniciadores de acidente a serem quantificados. expressa em uma base anual. A partir da combinação dos resultados dos cálculos de frequ- ências e consequências de cada cenário.

Esta curva é determinada pela interseção de pontos com os mesmos valores de risco provenientes de uma mesma instalação industrial e é também conhecida como “contorno de risco”. A apresentação dos resultados é feita através de curvas de iso- -riscos (contornos de risco individual). de acordo com CPR14E (2005). Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais sentados. as quais atingem alguma área populacional e compará-las com os limites de tolerabilidade para o risco individual estabelecidos por CETESB (2000). Essas condições indicam os eventos que devem seguir para a quinta etapa da AQR. considerando a natureza do dano que pode ocorrer e o período de tempo em que o mesmo pode acontecer (CETESB. devemos usar programas computacionais específicos. Riscos Individuais O risco individual é definido como o risco para uma pessoa presente na vizinhança de um perigo. fora dos limites do estabelecimento. 131 . 2000). nas condições de que: (1) a frequência de ocorrência é igual ou superior a 10–8 por ano e (2) ocorre letalidade maior que 1%. Apenas os eventos que contribuem para o risco indivi- dual ou para o risco social devem ser incluídos na AQR. os quais permitem visualizar a distribuição geográfica do risco em diferentes regiões. Os resultados de uma AQR são expressos através do risco em duas dimensões: o Risco Social e o Risco Individual. O analista deve prestar atenção nas curvas de iso-riscos. Para esse procedimento.

Nesse sentido. 132 . A forma de apresentação do risco social é feita através da curva F-N. representados em termos de número de vítimas fatais (CETESB. 2000). obtida por meio da plotagem dos dados da frequência acumulada de ocorrência do evento final e seus respectivos efeitos. o risco social procura responder a perguntas como estas: ‰‰ Quantas pessoas estão sob risco? ‰‰ Quantas pessoas podem ser afetadas em caso de um acidente? ‰‰ Quais os efeitos globais sobre a comunidade? Os indicadores de risco social são aqueles que conseguem dis- tinguir a significância do risco de diferentes acidentes (os de grande número de vítimas daqueles de baixo número de vítimas e respectivas frequências de ocorrência). Fonte: Estudo de Impacto Ambiental (2017) Riscos Sociais O risco social diz respeito aos acidentes que podem causar da- nos a um número razoavelmente grande de pessoas.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Figura 20: Exemplo de curvas de iso-riscos em uma usina nuclear.

Se não for possível minimizar os riscos. por região ALARP (As Low As Reasonably Praticable). 133 . novamente. a AQR refeita até que os riscos sejam toleráveis. volte à como critério para avaliação do risco social. Quando os riscos são toleráveis. adotada por CETESB (2000) não se lembrar. abaixo da região intolerável. Figura 21: Curva FN de tolerabilidade para risco social Fonte CETESB (2000) A AQR é um processo iterativo. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Vimos este assunto na Unidade 2. os estudos devem ser igual- mente incorporados como informação relevante para o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) da empresa. se você A Figura 21 mostra a curva F-N. por meio da implementação de medidas adequadas de redução de risco e de uma nova avaliação dos índices de risco. apesar de estarem favor. Quando os riscos são intoleráveis. Os riscos situados na Unidade e releia. devemos avaliar se eles podem ser minimizados ou não. o projeto deve ser revisto e. os riscos devem ser reduzidos tanto quanto possível. isso quer dizer que após a ela- boração de estimativas é preciso verificar se os riscos são toleráveis ou não.

apresenta-se como uma planta baixa ou esboço (croqui) do local de trabalho. Figura 22: Modelo de Mapa de Risco Fonte: Marcondes (2016) O Mapa de Risco é elaborado pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) com a orientação do Serviço Especializado em Engenharia e Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da empresa. levantam a planta do estabelecimento e obtêm dados estatísticos para definir as prioridades. Em geral. Por meio de círculos de diferentes tamanhos e cores. é necessário: 134 . Para elaborar um Mapa de Risco. sendo uma ferramenta essencial para a Segurança e Saúde do Trabalho.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Mapas de Riscos Ambientais para Prevenção de Acidentes de Trabalho O Mapa de Risco é a representação gráfica dos fatores ambien- tais presentes nos locais de trabalho que podem acarretar danos à saúde dos trabalhadores. por meio de fácil visua- lização das ameaças presentes. Ambos tomam conhecimento dos trabalhos anteriores. o mapa de risco tem o objetivo de informar e de conscientizar os funcionários.

O mapa indica. o Mapa de Risco deverá ser afixado em cada local analisado. acidentes de trabalho ocorridos. por meio dos círculos. ‰‰ Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia: medidas de proteção coletiva. ficando de fácil acesso aos trabalhadores. as atividades exercidas. o grupo a que pertence o risco. 135 . doenças profissionais diagnosticadas. o ambiente. idade. dividindo-o em partes. devemos utilizar o mesmo círculo. medidas de proteção indi- vidual. Quando em um mesmo local houver incidência de mais de um risco de igual gravidade. ‰‰ Identificar os indicadores de saúde. ‰‰ Identificar os riscos existentes no local analisado. especificar o agente e a intensidade do risco. treinamentos profissionais e de segurança e saúde). causas mais frequentes de ausência ao trabalho. Também pode informar o número de trabalhadores expostos ao risco. con- forme a classificação específica dos riscos ambientais. ‰‰ Conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local. Após discutido e aprovado pela CIPA. os instrumentos e materiais de trabalho. pintando-as com a cor corresponden- te ao risco. sexo. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais ‰‰ Conhecer o processo de trabalho no local analisado: os trabalhadores (número. medidas de organização do trabalho. de acordo com a cor padronizada. a jornada. medidas de higiene e conforto. queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos.

webnode. 2017.com. o Mapa de Risco tem o objetivo de-risco/>. Toda empresa que apresentar risco em suas atividades deve realizar o mapa de risco. „„ Neste curso nós não adentramos nas Normas Regulamentadoras – NR 136 . cautelosa e mais preparada para pt/como-montar-e- interpretar-um-mapa- lidar com as ocorrências laborais. tamanho ou segmento da empresa. Acesso em: 30 jan. Acesso em: final de reduzir o número de acidentes de trabalho e danos à saúde do 15 mar. „„ Se você tiver interesse de saber mais sobre o sistema de gestão ambiental baseado na norma ISO 14000.. ciente dos riscos a que está exposta. trabalhador dentro da empresa. leia o artigo “O sistema de gestão ambiental baseado na ISO 14000: importância do instrumento no caminho da susten- tabilidade ambiental”. „„ Você também pode acessar o site certificação ISO 14001 em: <http:// certificacaoiso.ufsm. independentemente do número de funcionários. Afinal. Complementando. 2017. 2017.. o gráfico faz com que a equipe se torne mais mapaderiscos.br/iso-14001>.br/reget/ article/viewFile/15206/pdf>. disponível em: <https://periodicos. Acesso em: 30 jan.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais Figura 23: Simbologia das Cores nos mapas de risco Confira as cores originais Fonte: Mapa de Risco (2010) de cada tipo de risco neste site: <http:// Além de informar.

Acesso em: 30 jan. que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Então.com.br/legislacao/nrs. se você tiver interesse em saber mais sobre essas normas. htm>. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais relativas à segurança e à medicina do trabalho. acesse: <http://www. 137 . bem como pelos órgãos dos Poderes Legis- lativo e Judiciário.guiatrabalhista. 2017. que são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta.

esta Unidade procurou ampliar o seu le- 138 . Você pôde obser- var que a saúde.Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais RESUMO Nesta Unidade abordamos a análise dos riscos asso- ciada à avaliação dos impactos ambientais para a aprovação de qualquer projeto ou empreendimento. Lembre-se de que as consequências estão diretamente relacionadas aos perigos aos quais determinada população. Você também teve acesso a algumas metodologias utilizadas para avaliação dos impactos ambientais que possibilitam aprimorar a análise das consequências e a gestão dos riscos nas organizações. considerando que se trata de uma etapa fundamental para a adequada avaliação e priorização dos riscos ambientais. Em seguida. configuram fatores essenciais para análise desses impactos. apresentando obrigatoriamente as medidas mitigadoras adotadas para os impactos negativos. No Brasil. Assim. As Unidades anteriores focaram em metodologias diversas. os dispositivos legais existentes por meio das resoluções do CONAMA exigem que se faça o diagnóstico ambiental das áreas de influência do projeto. ambiente ou estrutura estão expostos. descriminando os possíveis impactos no meio físico. aden- tramos na metodologia de Análise das Consequências e Vulnerabilidades. assim como a qualidade dos recursos ambientais entre outros aspectos. bioló- gico e socioeconômico. a segurança e o bem-estar da população. sendo grande parte de caráter qualitativo ou misto.

permitindo a fácil visualização dos riscos existentes no ambiente de trabalho pelos trabalhadores. apresentamos os conceitos e as etapas para a elabora- ção do mapa de riscos ambientais que é uma ferramenta simples e eficaz. concluímos mais uma Unidade. pois a partir de agora você está quase concluindo o curso. conferir o aprendizado desta Unidade. Muito bem. Prepara-se para a Unidade 4 na qual falaremos sobre os mecanismos de seguro. assim. Bons estudos! 139 . Lembre-se de que seu tutor está pronto para ajudá-lo no que for preciso. Por fim. solicitada para a implementação de projetos com alto grau de risco ou para os riscos priorizados pela análise qualitativa. Unidade 3 – Análise de Riscos Ambientais que de conhecimentos. não hesite em entrar em contato com ele. neste momen- to. você deve fazer as atividades propostas no Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem (AVEA) e. abordando também os principais aspectos da Avaliação Quantitativa de Riscos. Esperamos que você tenha aproveitado os conteúdos desta Unidade e das Unidades anteriores.

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4 UNIDADE Mecanismos de Seguro .

você vai: „„ Compreender como funcionam os mecanismos de seguro e de que modo podem ser inseridos no sistema de ge- renciamento de riscos da organização. Objetivo Nesta Unidade. .

a infraestrutura. No entanto. o ambiente. a melhor resposta pode ser transferi-los para terceiros. Como afirmamos inúmeras vezes nas Unidades anteriores. Isso pode ser feito por meio de seguros ou contratualmente através de cláusulas específicas e garantias. à redução e à eliminação dos riscos que podem afetar a saúde dos trabalhadores. O nosso intuito é compreender como funcionam e de que modo podem ser inseridos no sistema de gerenciamento de riscos da orga- nização. Nesta Unidade trataremos sobre os mecanismos de se- guro. os bens e serviços da organização e. os equipamentos e sistemas também estão suscetíveis a falhas e a interferências internas e externas ao ambiente da organização. 143 . Unidade 4 – Mecanismos de Seguro Mecanismos de Seguro Caro participante. prioritariamente. Diversas metodologias pro- põem estratégias de identificação e análise de riscos que possam dar suporte para a tomada decisão adequada. os progra- mas e sistemas de gerenciamento de riscos visam. especificamente o Seguro de Acidentes de Trabalho (SAT) e o seguro de riscos ambientais. Além do fator humano envolvido. também. vamos ao trabalho e bons estudos! Quais são os Mecanismos Existem várias estratégias ou combinação delas que podem ser adotadas com relação aos riscos identificados em uma organização. é muito difícil alcançar um nível de risco zero. a sua imagem. Decorre que para alguns riscos. Então. a partir de determinados critérios de aceitabilidade e tolerância de riscos.

o seguro se caracteriza como um contrato entre um indivíduo ou uma empresa (segurado) e uma seguradora. a transferência do risco de perda de uma entidade (empresa ou indivíduo) para outra entidade (seguradora). como os chamados seguros sociais. A transferência de riscos pode ser considerada. que assume os riscos e recebe em troca um prêmio. Neste último se enquadra o seguro de acidentes e doenças de- correntes do trabalho. e outros como seguros agrícolas. permanente ou temporária. que são de interesse geral.planalto.gov. portanto. Os acidentes de trabalho podem ser classificados da seguinte forma: 144 . ainda. os mecanismos de seguro são uma estratégia bastante usada de gerenciamento do risco. por exemplo. Envolve. O risco é transferido do segurado para a seguradora e o documento que formaliza esse contrato se chama apólice. Alguns riscos podem ser assumidos por seguradoras por meio de contratos específicos. Assim. o acidente de trabalho (AT) é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empre- sa ou pelo exercício do trabalho dos segurados. da capacidade para o trabalho. mas também para garantir a disponibilidade de recursos no caso de acidentes ambientais. Segundo o artigo 19 da Lei n. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. Leia esta lei na íntegra em: <http:// www. Outros são assumidos pelos governos.Unidade 4 – Mecanismos de Seguro Essa opção é particularmente útil para mitigar riscos financeiros ou riscos de ativos. 8. os quais dependem de um conjunto de ob- servações e estudos relacionados à análise dos riscos existentes na organização ou àqueles aos quais está exposta. 2017. Acesso em: 9 fev.htm>. Seguro de Acidentes do Trabalho br/ccivil_03/leis/ L8213cons. para transferir o nível de exposição da organização ou porque outra organização é mais capaz de gerenciar o risco. Em outras palavras.213/91.

haja contribuído diretamente para a morte do segurado. constante da relação mencionada no inciso I. II – O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho. c) ato de imprudência.213/91 conceituam. de negligência ou de imperícia de ter- ceiro ou de companheiro de trabalho. ‰‰ Doença profissional ou do trabalho – desencadeada pelo exercício de determinada função. ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação.213/91 equipara a acidente de trabalho: I – O acidente ligado ao trabalho que. aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. ‰‰ Acidente de trajeto – acontece no trajeto entre a residên- cia do trabalhador e o local de trabalho. inclusive de terceiro. 20) O artigo 21 da Lei n. art. para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho. característica de um emprego específico. ou vice-versa. II – Doença do trabalho. 1991. incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. em consequência de: a) ato de agressão. 8. sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho. embora não tenha sido a causa única. 8. aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é reali- zado e com ele se relacione diretamente. Unidade 4 – Mecanismos de Seguro ‰‰ Acidente típico – decorrente da característica da ati- vidade profissional que o indivíduo exerce. por motivo de disputa relacionada ao trabalho. 145 . (BRASIL. b) ofensa física intencional. e) desabamento. ainda: I – Doença profissional. Os incisos do artigo 20 da Lei n. d) ato de pessoa privada do uso da razão. inundação.

no local do trabalho ou durante este. IV – O acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa. Não são consideradas doenças do trabalho: Doença degenerativa. 1991. inclusive veículo de proprieda- de do segurado. art. qualquer que seja o meio de locomoção. inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para me- lhor capacitação da mão de obra. 21) Saiba que a responsabilidade por verificar o acidente de trabalho recai sob o perito. o emprega- do é considerado no exercício do trabalho. (BRASIL. d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela. Deve-se considerar que nos períodos destinados a refeição ou descanso. A doença endêmica adquirida por habitante de região em que ela se desenvolva. c) em viagem a serviço da empresa. ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas. É o médico perito quem dá a última palavra sobre o retorno do indivíduo ao exercício de sua função ou se este deverá ser afastado permanente ou tempora- riamente do emprego. inclusi- ve veículo de propriedade do segurado. de modo bas- tante conciso. Aquela que não produza incapacidade laborativa. Doença inerente ao grupo etário. cujo trabalho. b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito.Unidade 4 – Mecanismos de Seguro III – A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade. é estabelecer uma relação entre o aciden- te e a lesão. 146 . independentemente do meio de locomoção utilizado.

A CAT é fornecida pela unidade de Recursos Humanos ou por sua chefia imediata ao servidor. que deve apresentá-la com seus documentos básicos aos órgãos competentes. ou seja. A Previdência Social (INSS) disponibiliza. sendo as mais relevantes aquelas previdenciário. sem excluir a indenização a que este está obrigado quando incorrer em dolo ou culpa. Getúlio Vargas) assumiu maior relevância jurídica a partir da Lei n. Caso essas determinações não sejam observadas. também será possível gerar o formulário da CAT em branco para. ser preenchido de forma manual. com 147 . determinado a partir da definição da atividade desenvolvida pela empresa. Como Funciona o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT)? O Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) é uma contribuição que as empresas pagam para custear a cargo do empregador. da Constituição Federal. trabalhadores que contribuem o INSS. pois o seguro é destinado a beneficiários ocorreram atingidos por doença ou acidente. 5. é um direito do trabalhador conforme o artigo 7º. No caso de morte. desde que preenchidos todos os campos obrigatórios. a comunicação deve ser imediata.367/76 e pela Lei n. de 14 de setembro de 1967. Sua principal característica é Inúmeras alterações a sua função de seguridade. que estejam associados ao sistema posteriormente. in- ciso XXVIII. Unidade 4 – Mecanismos de Seguro A empresa tem o dever de fazer uma comunicação informando sobre o acidente de trabalho no mesmo dia ou até o primeiro dia útil após o fato. um aplicativo que permite o registro da CAT de forma on-line. ainda. Essa contribuição é formada pelo percentual do Risco de Acidente de Trabalho (RAT). A contribuição ao SAT (instituído na época do presidente 6.212/91. Através do aplicativo. promovidas pela Lei n. em último caso.316. Essa comunicação é realizada mediante a emissão de um documento especial chamado de Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT). a empresa deverá reali- zar o pagamento de multa. que estatizou o seguro e o colocou na administração da previdência social. 8.

Unidade 4 – Mecanismos de Seguro

base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), e
divulgado por meio de Decreto do Poder Executivo. O valor é multi-
plicado pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP), divulgado para
cada empresa pelo órgão previdenciário, sendo que o resultado (RAT
X FAP) é aplicado sobre toda a folha de pagamento da empresa.
Em caso de acidente do trabalho ou de doença do trabalho, a
morte ou a perda ou redução de capacidade para o trabalho darão
direito, independentemente de período de carência, às prestações
previdenciárias cabíveis, concedidas, mantidas, pagas e reajustadas
na forma e pelos prazos da legislação de previdência social.

Quais são os Benefícios do Seguro de Acidente do
Trabalho?

Os benefícios do Seguro de Acidente de Trabalho são estes:

Auxílio-doença – é o benefício concedido ao segurado
‰‰
impedido de trabalhar, devido à doença ou acidente,
por mais de 15 dias consecutivos. Os primeiros 15 dias
são pagos pelo empregador. No caso do contribuinte
individual (como empresários, profissionais liberais
e autônomos), a Previdência paga todo o período da
doença ou do acidente (desde que o trabalhador tenha
requerido o benefício). Têm direito ao auxílio-doença
acidentário o empregado, o trabalhador avulso, o mé-
dico-residente e o segurado especial. O benefício não é
concedido quando, mesmo doente, o trabalhador tem
condições de permanecer em atividade. A concessão do
auxílio-doença acidentário não exige tempo mínimo
de contribuição. O auxílio deixa de ser pago quando o
segurado recupera a capacidade e retorna ao trabalho
ou quando o benefício é trocado pela aposentadoria
por invalidez.

148

Unidade 4 – Mecanismos de Seguro

Auxílio-acidente – é um benefício concedido, como
‰‰
forma de indenização, ao segurado empregado, ao tra-
balhador avulso urbano e rural e ao segurado especial
quando, após consolidação das lesões decorrentes de
acidente de qualquer natureza, resulte em sequela de-
finitiva que impeça as atividades laborais. Essa regra
não inclui o trabalhador doméstico, o contribuinte
individual e o segurado facultativo. Caso o segurado
não se reabilite em 15 dias, deve solicitar o benefício.
Aposentadoria por invalidez – concedida aos
‰‰
trabalhadores que, por doença ou acidente, forem con-
siderados incapacitados para exercer suas atividades ou
outro tipo de serviço que lhes garanta o sustento. Não
tem direito à aposentadoria por invalidez quem, ao se
filiar à Previdência Social, já tiver doença ou lesão que
geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade
resultar do agravamento da enfermidade. Quem recebe
aposentadoria por invalidez deve passar por perícia
médica de dois em dois anos. A aposentadoria deixa
de ser paga quando o segurado recupera a capacidade.
Para ter direito, o trabalhador tem que contribuir por no
mínimo 12 meses, no caso de doença. Se for acidente,
esse prazo não é exigido, mas é preciso estar inscrito
na Previdência.
Aposentadoria especial – benefício concedido ao
‰‰
segurado que tenha trabalhado em condições preju-
diciais à saúde ou à integridade física. O trabalhador
deve comprovar, além do tempo de trabalho, efetiva
exposição aos agentes físicos, biológicos ou associação
de agentes prejudiciais pelo período exigido (depen-
dendo do agente, 15, 20 ou 25 anos). A comprovação
será feita em formulário do Perfil Profissiográfico

149

Unidade 4 – Mecanismos de Seguro

Previdenciário (PPP), preenchido pela empresa com
base em Laudo Técnico de Condições Ambientais de
Trabalho (LTCA), expedido por médico do trabalho
ou engenheiro de segurança do trabalho.
Pensão por morte – os dependentes de segurado
‰‰
que recebia benefício como aposentadoria ou auxílio-
-doença e faleceu podem requerer a pensão por morte.

Quando Ocorre o Cancelamento desses Benefícios?

Os benefícios são cancelados quando há:

‰‰
Recuperação da capacidade para o trabalho (alta médica).
‰‰
Transformação do benefício em Aposentadoria por
Invalidez ou Auxílio-Acidente de qualquer natureza
ou causa.
‰‰
Falecimento do segurado.
‰‰
Concessão de aposentadoria de qualquer espécie:
retorno voluntário ao trabalho sem prévia perícia
médica – alta antecipada.

É importante esclarecer que para trabalhador contribuinte sem
carteira assinada, inclusive o (a) doméstico (a), a Previdência Social
paga o seguro assim que se der a incapacidade. Enquanto ela perdurar,
o trabalhador continua a receber o auxílio financeiro.
Para suportar as altas indenizações que são fixadas nas ações
movidas pelos empregados acidentados, algumas empresas contratam
um seguro de responsabilidade civil, cujo valor pago pela Seguradora
pode ser compensado com aquele fixado pelo Juiz. Não há obrigação
legal de o empregador contratar o seguro de responsabilidade civil.
Nesses casos, considera-se que o seguro contratado pela organização
com uma empresa privada de seguros não se confunde com o seguro

150

de 26 de dezembro de 1991 – e mais tarde modificado em parte pela Circular PRESI-023/97. criou-se em 1991. 8. Dessa iniciativa. com o objetivo de minimizar os gastos na hipótese de acidentes de trabalho com culpa do empregador. 2002). de 1º de agosto de 1997 (POLIDO. o modelo brasileiro da apólice de Responsabilidade Civil – Poluição Ambiental. já que não tem previsão em norma e decorre de decisão voluntária da empresa. por meio da iniciativa do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). conforme previsto na Constituição Federal e de acordo com a Lei n. o seguro privado não se configura obri- gação do empregador. tendo como objetivo assegurar o empregado independentemente de culpa. A implementação de leis relacionadas ao meio ambiente im- pulsionou outras ações como a formação de novo Grupo de Trabalho. a Federação Nacional das Empresas de Seguros e de Capitalização (FENASEG) constituiu um Grupo de Trabalho.212/91. tendo sido divulgado pelo IRB por meio da Circular PRESI-052/91. 151 . Seguro de Riscos Ambientais No Brasil. Enquanto o SAT é um direito dos trabalhadores. as iniciativas em relação aos seguros ambientais surgiram na década de 1970 quando o mercado passou a buscar al- ternativas para resolver as questões envolvendo os danos ambientais decorrentes das atividades organizacionais. De acordo com Polido (2002). em 1978. que desenvolveu um projeto de Seguros de Riscos de Poluição do Meio Ambiente. Unidade 4 – Mecanismos de Seguro obrigatório de acidente de trabalho.

Unidade 4 – Mecanismos de Seguro

Veja algumas Leis relacionadas ao meio ambiente
‰‰
Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (n. 6.938/81): artigo 14, §
1º – Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo,
é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a
indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a tercei-
ros, afetados por sua atividade.
‰‰
Constituição Federal (1988): artigo 225 – todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e
à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes
e as futuras gerações.
‰‰
Lei Federal n. 9.605, de 12, de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Am-
bientais): artigo 3º – As pessoas jurídicas serão responsabilizadas
administrativa, civil e penalmente (CRIMINALMENTE) conforme o
disposto nesta lei;
‰‰
Decreto n. 59.263, de 5 de junho de 2013: Regulamenta a Lei no
13.577, de 8 de julho de 2009, que dispõe sobre diretrizes e proce-
dimentos para a proteção da qualidade do solo e gerenciamento de
áreas contaminadas, e dá providências correlatas.

Apesar de alguns avanços na área e da perspectiva de que o
tema da cobertura para os riscos ambientais passa a ser questionado
com mais propriedade nos últimos anos, é consenso que os seguros
referentes aos riscos ambientais existem ainda de forma bastante
singela no país, sendo que a sua contratação não é ainda adotada de
maneira maximizada (POLIDO, 2004; POLIDO, 2014).
O Seguro Ambiental não é, portanto, obrigatório no Brasil apesar
dos dispositivos legais criados. Polido (2004) apresenta, inclusive,
inúmeras razões para que ele não se torne obrigatório, dentre as quais
o fato de o seguro não constituir uma “licença” para poluir. Esse tema
é alvo de muitos debates, os quais são encontrados em pesquisas na
web sobre o assunto. Por sua vez, muitas empresas ainda desconhecem
os benefícios advindos da contratação do seguro ambiental.

152

Unidade 4 – Mecanismos de Seguro

As dificuldades com relação à contratação de seguros ambien-
tais no país estão relacionadas às lacunas na aplicação de multas
devidas ao poluidor (pessoa física ou jurídica), os quais se eximem
da necessidade do pronto-atendimento, imediato e eficiente, na
questão da remediação ambiental. Ademais, os riscos graduais são
mais complexos de serem identificados e analisados dificultando a
disponibilidade de profissionais com experiência na área, estimulando
a contratação de seguro apenas para as situações súbitas. Os danos,
muitas vezes, são percebidos apenas a curto prazo, para os quais as
organizações deixam de investir em seguro adequado.
Assim, Polido (2002) afirma que os mercados, ao longo dos
últimos 20 anos, vêm acobertando o risco de natureza “súbita” e
“acidental” – para os danos ambientais – cujos eventos trazem con-
sigo o caráter repentino, inesperado – ocorridos durante a vigência
da apólice – Responsabilidade Civil Geral. No entanto, a poluição
“gradual” – de natureza paulatina, de longa latência não encontra
cobertura facilitada nos mercados internacionais e também no Brasil.
Essa parcela nunca foi e nem será, isoladamente, um típico seguro
de risco ambiental, devido a sua limitação em termos de coberturas,
conforme o modelo padrão utilizado pelas seguradoras brasileiras.
Ele se limita apenas a garantir a responsabilidade civil decorrente
de danos a bens patrimoniais com titularidade conhecida, segundo
a sua concepção (POLIDO, 2014).

O Seguro de Responsabilidade Civil – Poluição Am-
biental oferece, entretanto, uma cobertura ampla que
abrange poluição súbita e gradual. Vejamos um pouco
mais sobre o Seguro de Responsabilidade Civil – Polui-
ção Ambiental.

153

Unidade 4 – Mecanismos de Seguro

O que é o Seguro de Responsabilidade
Civil – Poluição Ambiental?

O Seguro de Responsabilidade Civil garante o reembolso de
indenizações que o segurado venha a ser obrigado a pagar em conse-
quência de lesões corporais ou danos materiais, sofridos por terceiros
por culpa involuntária do segurado ou de pessoas pelas quais deva
responder civilmente. Conforme dito anteriormente, o mercado se-
A poluição consiste gurador brasileiro oferece várias coberturas de responsabilidade civil,
na contaminação dos pertinentes aos riscos da poluição, em que o risco é alocado em vários
ambientes vitais, que
ramos de seguros, de acordo com o tipo de atividade do segurado.
são terra, água e ar,
pela introdução de O Seguro de Responsabilidade Civil – Poluição Ambiental,
substâncias nocivas,
particularmente, foi instituído no Brasil em 26 de dezembro de 1991.
acarretando efeitos
A apólice de Seguro Responsabilidade Civil – Poluição Ambiental
negativos sobre os
minerais, vidas animal e oferece uma cobertura ampla, para atender à demanda quanto à
vegetal. poluição súbita e gradual e mais as coberturas que abrangem. Segundo
Polido (1995), a apólice abarca:

‰‰
Danos Pessoais e Materiais causados a terceiros, quando
no Território Brasileiro, inclusive as perdas financeiras
relacionadas com o uso de tais propriedades.
‰‰
Custas Judiciais e Honorários Advocatícios – Foro Cível.
‰‰
Despesas para neutralizar ou limitar as consequências
de um sinistro.
‰‰
Despesas com defesa do Segurado na Esfera Criminal.

A apólice também garante a responsabilidade civil do segurado
em relação às reparações por danos ambientais e consequentes danos
corporais ou materiais, involuntariamente e acidentalmente, causados
a terceiros, em decorrência de poluição ambiental e provocada pelas
operações dos estabelecimentos industriais previstos no contrato
(POLIDO, 2002).

154

Cabe à segu- radora verificar o grau de exposição a riscos da empresa proponente e. sobre seguros podem credenciadas pela seguradora. Por meio de um questionário-proposta. recomendar providências para diminuir o índice de potenciais sinistros. para uma análise preliminar do risco pela seguradora. Entre outras observações. abarcando também as custas judiciais e honorários advocatícios para a defesa do segurado na esfera cível e as despesas com a defesa do segurado na esfera criminal. ou seja. evitando o sinistro. Mais informações Um roteiro de inspeção é aplicado por empresas especializadas. a importância segurada. É importante salientar que a responsabilidade da seguradora é limitada ao capital indicado na apólice. 2017. 155 . que complementa a proposta de seguro. a empresa segurada preenche um questionário padrão. que deve ser determinada pelo próprio segurador. 1997). em: <http://www. e também os laudos colhidos du. se necessário. de forma integral ou parcial. quando ocorrer a contratação do Seguro Responsabilidade Civil – Poluição Ambiental. A contratação de um seguro dessa complexidade deve partir de uma proposta de seguro preenchida minuciosamente. php?c=1388>. cujo modelo encontra-se na Circular PRESI-023/97 (INSTITUTO DE RESSE- GUROS DO BRASIL. De modo geral. tudosobreseguros. A seguradora tem por base um padrão próprio de medidas de segurança e de gerenciamento de riscos para aceitar ou não a proposta. a seguradora em: 10 fev. nará de diversas maneiras as informações fornecidas pela empresa org.br/portal/pagina. que fica a critério da seguradora. como também se cumpre algum outro acordo anterior a esse período. Acesso rante as inspeções técnicas. nos locais a serem protegidos pelo ser encontradas seguro. interessada em adquirir o seguro. considerará se a proponente do seguro possui algum Termo de Ajus- tamento de Conduta (TAC) nos últimos cinco anos. Unidade 4 – Mecanismos de Seguro As despesas de contenção servem para neutralizar ou limitar as consequências de um acidente. a seguradora exami.

e ‰‰ proteções e planos emergenciais disponíveis. e ‰‰ transporte das emissões – condições geológicas. que são: ‰‰ tipo da vizinhança – densidade da população existente. ‰‰ tipo de processos aplicados na indústria. a qual depende de vários fa- tores a serem analisados para a composição do custo dos prêmios. ‰‰ tipo de utilização dos recursos naturais. 156 . Outro passo avalia o potencial de sinistros presentes na circun- vizinhança da empresa. denominando-se Extensões Prováveis. ‰‰ tipo de emissões – Atmosfera – Água – Solo. ‰‰ quantidade de poluentes estocada. ‰‰ serviços públicos existentes. ‰‰ tipo de tratamento aplicado para os resíduos. segundo Polido (2002). baseada na ava- liação do risco ambiental.Unidade 4 – Mecanismos de Seguro A última etapa consiste na tarifação. hi- drológicas e atmosféricas. Essa etapa denomina-se Localização do Risco Segurável que. com determinação de uma possível ocorrência. envolve: ‰‰ tipo de atividade desenvolvida pelo Segurado. Um primeiro passo deste processo de ava- liação considera os fatores de emissão de poluentes e os fatores de riscos representados pela própria empresa segurada. ‰‰ valores acumulados na circunvizinhança – naturais e edificados.

3% dos danos de Mariana. ocorrido em Mariana (MG) em 5 de novembro de 2015.. que compreende os seis meses do desastre completados em maio. estima Terra Brasis materia/seguro-protege- menos-de-9-dos-danos- de-mariana-estima- terra-brasis/>. Unidade 4 – Mecanismos de Seguro Complementando. Mas as estimativas apon- tam para uma cobertura de 8. sendo R$ 2 bilhões para danos patrimoniais. publicado pelo site Riscos Seguro Você pode saber Brasil. RC Empregador. R$ 250 milhões para RC e zero para danos ambientais. mais em: <http:// riscosegurobrasil. A conclusão está num relatório especial recém-divulgado sobre o episódio. Riscos de En- genharia. D&O. mostra que as coberturas que “prova- velmente” serão acionadas são a Patrimonial.25 bilhões.3% do total de danos apurados até agora. 157 . RC Obras. Responsabilidade Civil.com/ Seguro cobre 8. Do ponto de vista do mercado segurador e ressegurador. A estimativa do valor segurado total chega a R$ 2.. ainda traz poucas definições das coberturas e apólices efetivamente acionadas. elaborado pela resseguradora Terra Brasis. Para um breve estudo de caso. O trabalho. Acesso em: 10 fev. veja o relato sobre a questão do seguro referente ao desastre de Mariana. E&O e Vida. 2017. o desastre da Samarco.

entre outros). falta de marco regulatório legal e questões culturais. diz a resseguradora. que é bastante peculiar. é visível o aumento da quantidade de profissionais dedicados à matéria e da qualidade dos estudos e publicações que têm sido feitos. perto de 90% das mil maiores empresas do Brasil não contratam seguro ambiental. sendo que a maior parte (R$ 23 bilhões) está direta ou indiretamente ligada a questões socio- ambientais (recuperação do Rio Doce. ações judiciais. “Acreditamos que por isso existe uma grande probabilidade da não existência de tal cobertura para o evento de Mariana”. multas. 8. “Mesmo com estas dificuldades. O seguro ambiental está em “estágios embrionários” no Brasil. Pelo dados informados no relatório. Segundo o relatório.Unidade 4 – Mecanismos de Seguro Já os danos totais estimados pela resseguradora devam chegar a R$ 26. Visível também é o aumento do número de seguradoras que vem tentando desenvolver produtos mais adequados à realidade ambiental do Brasil. Os motivos seriam um sistema de fiscalização e responsabilização ineficiente.2 bilhões. avalia a Terra Brasis. 158 .” Confusão Tamanha brecha de contratação pode ser explicada em parte por certa confusão entre as coberturas do seguro ambiental propriamente dito e a Cláusula Particular de Poluição Súbita e Acidental do Seguro de Responsabilidade Civil Geral. Ficou de fora As apólices ambientais específicas parecem estar comple- tamente de fora dessa cobertura.3% dos danos esta- riam cobertos por seguro.

nos Estados Unidos e mesmo na Argentina. entre outros eventos. diz a Terra Brasis. Para comparar: o volume de prêmios no Brasil ficou em R$ 45 milhões em 2015. a Cláusula Particular é contratada de forma complementar ao RC Geral. cobrindo danos causados pelo segurado. Com maior abrangência. Já o seguro ambiental “compreende coberturas híbridas. des- carrilamento e explosão de trem com químicos (2003). Unidade 4 – Mecanismos de Seguro A contratação deste segundo modelo. Normalmente. A recorrência de acidentes e eventos que causam grandes danos econômicos e ambientais parece reforçar a necessidade de maior proteção nesta área. “restritos a terceiros. deslizamento de terra no Rio de Janeiro (2011). explica a resseguradora. de afundamento da plataforma petrolei- ra P36 (2001). ou seja. no entanto. Pionei- ros. Nos últimos tempos o Brasil foi palco. os norte-americanos têm um mercado de mais de US$ 500 milhões neste produto. de incêndio de seis tanques de combustível no porto de Santos (2015). avalia a resseguradora. 159 . com cerca de 40 seguradoras trabalhando no setor. não ga- rante todas as coberturas necessárias para um evento como o de Mariana. de ciclone tropical em Santa Catarina (2004). e aquelas relativas a terceiros e danos ecológicos”. e muitas vezes obrigatório na Europa. garante as indenizações dos próprios locais segura- dos. de propriedade. “O seguro ambiental revela-se cada vez mais necessário para minimizar e gerenciar riscos das empresas”. por exemplo. o seguro ambiental é tendência mundial. e tam- bém mediante limitações temporais no que tange ao início e cessação de eventos de poluição”.

o Terra Report avalia que se operou um bom exemplo de técnica de seguros no episódio da Samarco. Um é o “sintoma de maturidade técnica de subscrição. estão retidos no Brasil cerca de R$ 300 milhões (13.8% do total). sem grandes repercussões. que “coerentemente com sua correta capacidade é capaz de reter no Brasil perto de 13%” de um grande risco e manter sua sol- vência. Outro é o que chama de pujança e capacidade do mercado local. com utilização também de cosseguro. naquilo que chegou à mesa dos subs- critores. O estudo estima que entre duas e cinco seguradoras parti- cipem das apólices.Unidade 4 – Mecanismos de Seguro Boa técnica De qualquer forma.9% do resseguro. De acordo com essa estimativa. Resseguradoras do exterior ficam com R$ 1. retroce- dendo a maior parte (59. em caso de sinistro. 160 .2%) das responsabilidades seguradas. ao ter uma forte proteção própria contratada para um sinistro deste porte”. Essa avaliação se baseia nas retenções médias e nos índices de retrocessão praticados no mercado de grandes riscos e disponibilizados pela Susep. Para a Terra Brasis. As resseguradoras locais retiveram 71. informa o relatório.95 bilhão (86.8%) ao exterior. esses números mostram “dois excep- cionais” destaques para o mercado local.

Unidade 4 – Mecanismos de Seguro

RESUMO

Muito bem, nesta Unidade, você recebeu informações
sobre os mecanismos de seguro com relação aos riscos de
acidentes de trabalho e aos riscos ambientais. Para o apro-
fundamento acerca de Seguro de Acidente do Trabalho
(SAT), sugerimos que você acesse o site da Previdência So-
cial. Já para saber mais sobre seguro de riscos ambientais,
sugerimos a leitura da publicação “Programa de seguros
de riscos ambientais no Brasil: estágio de desenvolvimento
atual” (POLIDO, 2014).

Chegamos ao fim de mais uma Unidade, este é o momento
de você conferir o seu aprendizado. Para tanto, realize as
atividades propostas no Ambiente Virtual de Ensino-Apren-
dizagem (AVEA). Caso surjam dúvidas, entre em contato
com seu tutor, ele está pronto para ajudá-lo.
Bom trabalho!

161

5
UNIDADE
Estratégia de Implantação de
Planos de Gestão de Riscos com
Foco na Gestão Pública da Saúde

Objetivos Nesta Unidade. você vai: „„ Refletir acerca das possíveis estratégias de implantação de planos de gestão de riscos com foco na gestão pública da saúde. „„ Debater sobre a saúde do trabalhador a partir da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. . „„ Identificar as principais etapas e a relevância dos planos de contingência em saúde. e „„ Reconhecer a relevância da comunicação de riscos no processo de gestão de riscos ambientais e ocupacionais. „„ Conhecer alguns aspectos da análise de riscos ambientais e ocupacionais sobre a saúde do trabalhador.

Trabalho (CAT). esta é a última Uni- dade. Posteriormen- te. Abordaremos. profissionais autônomos. Estamos chegando ao fim do curso. Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos Caro participante. aqueles regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). alguns aspectos relativos à análise de riscos ambientais e ocupacionais sobre a saúde do trabalhador. por meio do Mais de 40 milhões de notificações de acidentes de trabalho encaminhamento da foram registradas pelo sistema de Comunicação de Acidente de CAT. inicialmente. excluindo os empregados informais. Então. trabalhadores domésticos informais. O sistema opera exclusivamente para notificações de ocorrências com trabalha- dores formais. ou seja. vamos ao trabalho! Lembre-se: na Unidade anterior informamos que a empresa tem o dever de fazer uma comunicação A Importância dos Planos de Gestão de informando sobre o Riscos para a Saúde Pública acidente de trabalho no mesmo dia ou até o primeiro dia útil após o fato. desde a sua criação na década de 1960. mi- litares e estatutários. abordaremos a saúde do trabalhador a partir da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora e a importância dos planos de contingência em saúde. empregadores. refletiremos brevemente sobre a relevância da comunica- ção de riscos no processo de gestão de riscos à saúde. nela vamos refletir acerca das possíveis estratégias de implantação de planos de gestão de riscos com foco na gestão pública da saúde. 165 . Por fim.

• Derramamento de óleo no Golfo do Há de se considerar. ocorrida em 20 de abril de 2010. antigo instituto de considerado o maior desastre ambiental do Brasil e o maior acidente radioterapia em com barragens no mundo no último século. consequências econômicas e políticas também puderam ser sentidas. Essa estatística é subestimada. uma derramamento de petróleo já acontecido vez que está diretamente relacionada ao crescimento demográfico nos Estados Unidos. Antes pessoas tiveram de ser de 2015. tecnologias e mudanças frequentes nos processos produtivos vem a plataforma afundou exigindo maior atenção à avaliação do impacto ambiental na saú- a aproximadamente de.Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde São alguns desastres O Anuário Estatístico da Previdência Social de 2011 registrou.171 óbitos por acidentes de trabalho e 363. SANTANA. às questões sanitárias e ao aumento na produção de Dois dias depois da resíduos não orgânicos. químicos Louisiana. das cidades. ambientais conhecidos: por sua vez. Além dos prejuízos naturais. 17 óbitos. Neste sentido. em Minas Gerais. 1. outros grandes eventos e desastres tecnológicos monitoradas. 82. o ano de 2015 ficou Césio 137 de um marcado pelo rompimento da barragem de Mariana.107 inca- • A explosão de pacidades permanentes para o trabalho. o desenvolvimento de novas explosão. A epidemia de dengue. sendo lama pelo Rio Doce. como a dizimação da fauna marinha. FERRITE. entre 1988 e 2011 (BRASIL. Chernobyl. 2015). como o maior zika e chikungunya nos últimos anos é um bom exemplo disso. deixando um rastro de Goiânia contaminou 249 pessoas. contudo. que a maioria das doenças é cau- México se configurou sada ou influenciada por fatores ambientais. Tal avaliação é também usada para predizer os problemas de 80 km da costa da saúde que poderão advir do uso de novos agentes físicos. e biológicos ou tecnologias. • A disseminação do Com relação aos desastres socioambientais. 166 . 11 toneladas de peixes mortos. em 2011). considerando que grande 1986.265 que mais de 112 mil pessoas e mais de 35 cidades afetadas diretamente pelo desastre. soltou no ar uma quantidade de parte dos acidentes de trânsito está relacionada ao trabalho e não é elementos radioativos computada dessa forma. impactaram a saúde de milhares de pessoas no país. a exemplo dos acidentes com mototaxistas igual a de 200 bombas (BASTOS-RAMOS. de Hiroshima. ainda. Sul dos Estados Unidos.

esses eventos produzem um cada um dólar investido conjunto de consequências secundárias que ampliam o em prevenção de desastres naturais. mas fundamentalmente reduz as suas consequências negativas sobre as Quando um acidente ou desastre ocorre. afeta- das diretamente por tais eventos. feridos. por sua vez. os seus efeitos serão. a das consequências diretas. que além acordo com a ONU. ainda. Dimensione resposta e 7 dólares os custos e os recursos necessários para sanar os im. sentidos em distintas proporções na saúde públi. doen. o impacto de todos esses eventos na Saúde Pública do Brasil. muitas vezes. de riscos minimiza tes e desabrigados decorrentes de eventos de diferentes substancialmente os custos decorrentes magnitudes e os possíveis impactos nos serviços e infra- dos desastres e estruturas de saúde de uma localidade. pessoas. na reconstrução? Isso quer dizer que investir pactos desses eventos. Pondere. ficando impossibilita- Você sabia que. por número de pessoas afetadas. organizações e meio ca. 4 dólares vulnerabilidade alimentar devido à água e a alimentos são poupados na contaminados e meios de vida destruídos. de das de atuar nessas situações. Pense exclusivamente no âmbito em prevenção e gestão da saúde e considere o número de mortos. agora. preventivas e preparatórias que capacitem os seus profissionais para atuarem nessas situações e. 167 . Considere que as unidades de saúde e as equipes também são. Cabe ao Sistema Único de Saúde implementar. como a intensificação da exemplo. ações ambiente. Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde Imaginemos. ações que reduzam o impacto desses eventos na saúde das pessoas e populações. incontestavelmente. comunidades. fundamentalmente. acidentes.

dos seus impactos à saúde humana. e determinar as medidas preventivas necessárias. as avaliações de impacto sobre a saúde e análises de custo-benefício ajudam as autoridades de saúde pública a encontrar um balanço aceitável entre riscos à saúde e custos econômicos da prevenção. Investigamos. o processo de avaliação de riscos à saúde se refere a “[. distintos métodos de avaliação de risco são utilizados. ainda. uma vez que possibilitam a avaliação do risco centrada em uma po- pulação ou tipo de exposição específica e. os conceitos de exposição e dose são particularmente importantes.] um conjunto de procedimentos que possibi- litam avaliar e estimar o potencial de danos a partir da exposição a determinados agentes presentes no meio ambiente”. a avaliação da exposição envolve.. Para Freitas (2002. 228). Nessas análises. De acordo com Freitas (2002). De acordo com Bonita. físicos e/ou biológicos. A exposição possui duas dimensões: nível e duração do contato com o agente.. físico ou biológico em certas situações de exposição. os vários tipos de estimativas de exposição e dose têm sido utilizados para quantificar a relação entre o fator ambiental e o nível de saúde da população. a determinação ou 168 . por exemplo. os estudos epidemiológicos. quais riscos à saúde pode causar um determinado agente químico. a principal ênfase da epidemiologia ambiental e ocupacional tem sido na realiza- ção de estudos sobre as causas das doenças. principalmente análise quantitativas relativas à exposição e aos efeitos decorrentes do contato com agentes químicos. Tais análises permitem identificar os possíveis impactos dos fatores de risco ambiental e ocupacional sobre a saúde.Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde A Análise dos Riscos Ambientais e Ocupacionais sobre a Saúde Com relação aos estudos dos riscos ambiental e ocupacional sobre a saúde. Beaglehole e Kjellström (2010). Nesse sentido. Dessa forma. p. consequentemente.

da frequência. por exemplo. o nível de exposição e a dose podem ser estimados. da quantidade de pessoas expostas e a identificação das vias de exposição. O efeito varia desde uma pequena alteração fisiológica ou bioquímica até a doença grave ou morte. aos hábitos de trabalho. entre outros. enquanto o aumento da dose provoca efeitos mais severos como náusea. da duração. É relevante considerar que há variações na dose ou exposição entre os indivíduos. no estabelecimento de padrões de segurança. como a distribuição local do agente/poluente. devido a diferentes aspectos. 169 . Tomemos como exemplo a exposição ao CO2 (monóxido de carbono): uma baixa dose pode provocar dor de cabeça. a duração e a frequência da exposição? Se o fator ambiental em estudo é um agente químico. características pessoais. Algumas perguntas básicas que auxiliam na avaliação da expo- sição em seres humanos: ‰‰ Onde se encontra a substância? ‰‰ Como as pessoas se encontram expostas? ‰‰ Quais são as vias de exposição? ‰‰ Qual o grau de absorção pelas diversas vias de exposição? ‰‰ Quem está exposto? ‰‰ Há grupos de alto risco? ‰‰ Qual a magnitude. Seu objetivo é fornecer subsídios para a proteção e a promoção da saúde pública. A quantificação da dose é usada para estabelecer relações dose- -efeito e dose-reposta. Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde estimativa da magnitude. Para Bonita. a relação dose-efeito fornece informações úteis sobre os efeitos que devem ser prevenidos e sobre aqueles que podem ser usados para rastreamento. por meio da medida da sua concentração em fluídos orgânicos ou nos tecidos. inconsciência e até a morte. Beaglehole e Kjellström (2010).

conhecimento do meio físico. O processo de avaliação de riscos à saúde humana envolve a análise sobre o uso e ocupação do meio. como: ‰‰ Identificar e avaliar os riscos ambientais para a saúde que a tecnologia ou projeto em estudo poderá originar: ‰‰identificação de perigo. de modo a evi- tar a exposição de indivíduos e a ocorrência de efeitos adversos à saúde. como a proporção de indivíduos expostos que desenvolvem um efeito específico. FERNANDES. A dose-resposta é definida. conhecimento do contaminante e seu comportamento. entre outros. Na gestão de riscos em saúde é fundamental estabelecer os limiares para a re- lação dose-efeito e dose-resposta. e 170 . a relação dose-resposta descreve a proporção das respostas individuais em relação à intensidade da dose para um período espe- cífico de exposição (VEIGA. dados relativos à exposição. ‰‰avaliação da relação dose-resposta. informações toxicológicas. portanto.Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde Enquanto a relação dose-efeito descreve a intensidade de um efeito adverso em relação à intensidade da dose para um período es- pecífico de exposição (exemplo: número de cigarros/ano para risco de câncer). Existem várias etapas em uma avaliação global de risco ambiental. 1999). semelhantes ao que apresentamos nas Unidades anteriores. ‰‰avaliação de exposição. A probabilidade de uma substância produzir efeito ad- verso está relacionada com a sua potencialidade intrín- seca de produzir efeitos tóxicos e com a susceptibilidade da população exposta.

elementos da avaliação do risco e de gerenciamento do risco em saúde: Figura 24: Elementos da Avaliação do Risco e Gerenciamento do Risco Fonte: Adaptada de Porto e Freitas (1997) De modo geral. Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde ‰‰caracterização de riscos. no esquema a seguir. ‰‰ Determinar medidas de prevenção e redução de riscos. ‰‰ Analisar o tipo de efeito e consequências sobre a saúde que cada agente poderá ocasionar. as avaliações de impacto em saúde são usadas para prever o provável impacto à saúde das principais intervenções do homem sobre a natureza. Observe. Os estudos permitem a identificação das ações preventivas necessárias e facilitam a avaliação de quais são 171 .

aos quais o trabalhador fica exposto durante o exercício de suas atividades profissionais esporádica ou frequentemente. econômicos. No site do Ministério da Saúde é possível encontrar os pro- tocolos e as listas de notificação de doenças como instru- mentos de ações de saúde pública. produtivos. 172 . Compete ao Sistema Único de Saúde. as lesões por aci- dentes estão entre os importantes problemas de saúde causados por fatores existentes no local de trabalho. entretanto. entretanto. físicos e ambientais. a OMS tem desenvolvido uma série de normas para a qualidade da água e do ar. Os diferentes métodos apresentados durante o curso podem ser utilizados para identificação dos fatores ambientais associados a esses acidentes.Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde as que têm maior probabilidade de serem efetivas em cada contexto social determinado. No que concerne à saúde do trabalhador. integrando análises quantitativas e qualitativas. e limites máximos de exposição ocupa- cional. as normas e os protocolos existentes. que essas metodologias precisam ser aperfeiçoadas de modo a envolver a participação dos trabalhadores. biológicos e físicos. A partir da abordagem de avaliação de riscos e da determinação dose-resposta. tecnológicos. químicos. A classificação baseia-se nos elementos. Eles consideram que os problemas ambientais e de saúde do trabalhador caracterizam-se pela inter-relação de processos sociais. Os planos de gestão de riscos em saúde devem estar em consonância com a legislação. a revisão periódica da listagem oficial das doenças originadas ao processo de trabalho. Porto e Freitas (1997) advertem.

do trabalho. a atuação na área da Saúde do Trabalhador deve Controle Social ser realizada não apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). do SUS. a que a saúde coletiva reabilitação de função e readaptação profissional. tendo este amparo legal e constitucional. no desenvolvimento de cenários de epide- mia em determinada região. por meio de Como dissemos anteriormente. à econômico e ambiental administração e planejamento em saúde e à área das ciências sociais que possam acarretar em saúde. mas em É a descentralização do Estado motivando conjunto com outros setores do poder público. devendo este: Trata-se da participação social na gestão pública. considerando a prevenção. em colaboração com pessoas e grupos a so- a sociedade e com os trabalhadores por meio do Controle Social. a cura. cos. busca-se melhorar as condições de ções dentro da iniciativa privada. este campo objetiva pre. Sendo assim. consequências prejudiciais a ele. dos pro. e autora deste livro. Vale ressaltar servar a saúde dos trabalhadores. II – Executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológi- Fonte: Elaborado pela ca. com as características da região. o processo de saúde e projeções feitas através doença do trabalhador é compreendido amplamente a par- da associação dos dados tir do ambiente de trabalho e dos fatores de risco. 173 . Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde Saúde Coletiva Consiste em um movi- Saúde do Trabalhador: reduzir riscos mento sanitário de cará- e promover saúde ter social que surgiu no SUS. cuja abordagem saúde pública. Além de promover também possui aplica- um ambiente e trabalho adequado. socioeconômicos com cessos de trabalho envolvidos e das condições gerais de os dados epidemiológi- vida do trabalhador. lucionar problemas so- De acordo com a Constituição Federal. é competência ciais. é possível elaborar uma eficiente política de prevenção de acordo Integrada a outras ciências da saúde. abrangendo também fatores relativos à epidemiologia. A saúde busca ir além das questões de engenharia de segurança e medicina coletiva identifica vari- áveis de cunho social. Fonte: Portal trabalho e as condições de vida do trabalhador. reduzindo as possíveis Educação (2014). artigo 200. bem como as de saúde do trabalhador. esse movimento é composto da integração das ciências sociais A Saúde do Trabalhador é um campo da saúde coletiva que com as políticas de envolve práticas interdisciplinares e intersetoriais.

planalto. observe: ‰‰ Fortalecer a Vigilância em Saúde do Trabalhador e integrá-la aos demais componentes da Vigilância em Saúde. de e implementando-a em todos os níveis de atenção do SUS. em: <http://www. outras providências. constitucionais sobre Saúde do Trabalhador. a organização e o funcionamento (PNST). 2017. aposentado ou desempregado. regulamenta saúde dos trabalhadores e à redução da morbimortalidade decorrente os dispositivos dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos. Objetivos da Política Nacional de Saúde do Trabalha- dor e da Trabalhadora (PNST) Podemos listar alguns dos objetivos da PNST. de sua forma de inserção no mercado de trabalho. ‰‰ Promover a saúde e os ambientes e processos de tra- balho saudáveis. de forma que consi- Leia esta lei na íntegra dera todos os trabalhadores. formal ou informal. cooperativados. avulso. independentemente de sua localização. A PNST pauta-se nos princípios do SUS. autônomo. alinhando-a com as demais políticas existentes Lei n. 174 . assalariado. Acesso em: 13 fev. da reabilitação e da vigilância na área de saúde. público ou privado. 200) O Ministério da Saúde coordena a execução da política que dá conta dessas necessidades.gov. nele com- preendido o do trabalho. definindo os princípios. que estabe- e recuperação da lece a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora saúde. doméstico. dispõe sobre as condições para a ações de promoção. conforme disposto no inciso V do artigo 16 da Lei n. estagiário. aprendiz. proteção Em 2012. estadual e municipal.823. 8. as diretrizes e as estratégias nas três dos serviços esferas de gestão do SUS – federal. (BRASIL. 1. promoção.Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde VIII – Colaborar na proteção do meio ambiente. de seu vínculo empregatício. urbana ou rural. parágrafo A ênfase é colocada na vigilância. htm>.br/ ccivil_03/leis/L8080. No seu artigo 6º.080. 8. visando à promoção e à proteção da 3º. 1998.080/90. para o de- correspondentes e dá senvolvimento das ações de atenção integral à Saúde do Trabalhador. art. A redução 19 de setembro de de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho se dá por meio de 1990. temporário. foi publicada a Portaria GM/MS n.

tanto técnicos quanto profissionais do SUS. ‰‰ Estruturação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) no contexto da Rede de Atenção à Saúde: ações com a APS. Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) devem ofertar o suporte técnico para essas ações. privilegiando as ações de vigilância como disposto na normativa. Para tanto. Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde ‰‰ Ampliar o entendimento da Saúde do Trabalhador como ação transversal. ‰‰ Incluir nas análises de situação de saúde e nas ações de promoção da saúde a categoria trabalho. dos trabalha- dores e do controle social. ‰‰ Desenvolvimento e capacitação de recursos humanos. 175 . à Urgência e Emergência e Atenção Especializada (Ambulatorial e Hospitalar). bem como organizar e sistematizar informações e ter um papel facilitador da capacitação para o controle social. os CERESTs precisam se integrar à rede de serviços bá- sicos de saúde. ‰‰ Fortalecimento e ampliação da articulação Intersetorial. identificando a relação saúde- -trabalho em todos os pontos da rede de atenção. ‰‰ Identificar a situação do trabalho dos usuários nas ações e serviços de saúde e considerar o trabalho das pessoas e suas consequências nas intervenções em saúde. Principais Estratégias de Implantação da PNST Veja a seguir as principais estratégias de implantação da PNST: ‰‰ Análise do perfil produtivo e da situação de saúde dos trabalhadores. ‰‰ Estímulo à participação da comunidade. ‰‰ Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas.

à vigilância dos ambientes. apesar das conquistas realizadas. ainda. um problema ainda não superado é a frag- mentação das responsabilidades institucionais entre os ministérios da saúde. Dessa forma. Para o autor. Aspecto primordial da PNST está nas ações coletivas voltadas à promoção. o que minimiza o seu impacto de atuação e dificulta que se tornem referência nos serviços de Saúde do Trabalhador. que o campo da Saúde do Tra- balhador ainda apresenta problemas crônicos.Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde Lacaz (2016) adverte. têm priorizado a assistência e pouco se articulam à rede de atenção básica. Torna-se primordial a avaliação constante das práticas de saúde. contudo. e à intervenção sobre os fatores determinan- tes da saúde dos trabalhadores. Assim. bem como a organização de uma rede de atenção em diferentes níveis de atuação e esferas governamentais. de modo a considerar tanto os co- nhecimentos técnicos como os diversos saberes dos trabalhadores. à prevenção. de pessoas capacitadas e de uma atuação multiprofissional e interdisciplinar capaz de agir a partir de uma perspectiva multidimensional. 176 . por sua vez. Os CERESTs. para que se possa atender ao que está previsto na Política Nacional de Saúde do Trabalhador. da atenção básica à reabili- tação. processos e atividades de trabalho. a ênfase vai além do planejamento de ações assistenciais ou de resposta aos acidentes e doenças relacionados ao trabalho. é necessário um conjunto de mudanças nos pro- cessos de trabalho em saúde. do trabalho e da previdência social. que atuam mediante ações supostamente complementares e muitas vezes concorrentes. A operabilidade da política depende.

determinar como as medidas preventivas. serão desenvolvidas. o número de notificações de acidentes de trabalho. Devem. por exemplo. Trata-se de um documento planejado. devemos levantar informações sobre doenças e acidentes relacionados ao trabalho. Fique à vontade para entrar em contato com o seu tutor. o sistema de saúde precisa elaborar os seus planos de contingência. 2002). particularmente as medidas específicas para reduzir exposições. Esses planos devem conter as informações sobre os principais riscos à saúde do trabalhador. dentre outras ações. se precisar de ajuda. planejar e executar ações de vigilância nos locais de trabalho. como está o seu entendimento? Estamos quase chegando ao final deste curso. você precisa entender bem o que estamos tratando para poder concluir este curso com excelência. as possíveis causas. visando a estabelecer relações entre situações de risco observadas e o agravo que está sendo investigado. os encaminhamentos realizados. ainda. Planos de Contingência em Saúde Assim como as empresas necessitam desenvolver os seus pro- gramas de gerenciamento de risco e planos de emergência. que visa a discriminar as ações 177 . Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde No nível local (BRASIL. e as ações necessárias para a redução dos riscos. Essas ações são fundamentais para a elaboração de planos de gestão de riscos à saúde do trabalhador em âmbito municipal. acompanhar a emissão do CAT pelo em- pregador. de modo a estarem aptos para enfrentar situações de emergência e desastres. discriminando as res- ponsabilidades e as funções do setor de saúde e dos demais setores da gestão pública municipal. E então.

‰‰ áreas vulneráveis. O Plano de Contingência é um documento em que estão defi- nidas as responsabilidades estabelecidas de uma organização para atender a uma emergência e contém informações detalhadas sobre as características da área envolvida. responsabilidades e contatos. Apresenta as informações detalhadas sobre a área envolvida e pode ter diferentes níveis de abrangência. do local à global. ‰‰ dimensionamento dos recursos que podem ser mo- bilizados. ‰‰ organização para controle de emergências com a dis- criminação de funções. ‰‰ gerenciamento do plano. Ele deve ser elaborado com antecipação. materiais e serviços envolvidos. ‰‰ abrangência do plano e caracterização dos recursos humanos. organizar. Dessa forma. controlar e enfrentar eventos adversos. 178 .Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde de monitoramento e resposta frente a diferentes cenários de emergên- cia ou desastre. portanto. orientar e padronizar as ações necessárias para responder. no mínimo. entidade ou indivíduo. assim como planos focados em emergência específicas. O Plano de Contingência deve contemplar. em diferentes níveis de atuação. ‰‰ hipóteses acidentais. É um documento desenvolvido com o intuito de treinar. previamente à situação crítica. das análises dos riscos que podem afetar à saúde das populações e impactar o setor de saúde. dentro do nível de abrangência do plano. ‰‰ atividades do local de implantação. bem como resultar da associação entre organizações públicas e privadas. Tais planos resultam. é possível elaborar plano de contingência para cada unidade de saúde. com a discriminação de ações e responsabilidades de cada ór- gão. os se- guintes requisitos: ‰‰ campo de aplicação/contexto de risco.

br/bvs/publicacoes/ plano_contingencia_ A comunicação de risco é compreendida como um compo.gov. Pública por Agentes Químico.pdf>. 179 . Recentemente.pdf>. Biológico. 2017. Acesso ‰‰ Plano de Contingência para Emergência em Saúde em: 13 fev. plano_contingencia_ vem divulgando diferentes planos de continência.gov. Acesso nente da governança do risco. 2017. ‰‰ Plano de Contingência para Emergência em Saúde br/bvs/publicacoes/ Pública por Seca e Estiagem. bem como as decisões. assim como para resposta e recuperação pós-emergência. emergencia_saude_ inundacao. Refere-se ao ato de transmissão de em: 13 fev. as ações ou as políticas destinadas a gerir ou controlar os riscos para a saúde ou o ambiente. ‰‰ alertar o público para um risco específico. Acesso Pública por Inundação. em: 13 fev. este plano em: <http:// bvsms. ‰‰ garantir o fluxo de informações sobre as pessoas afetadas. como estes: emergencia_saude_ quimico. a organização. o Ministério da Saúde. Radiológico Você pode conhecer e Nuclear.saude. informações entre as partes sobre os níveis de riscos para a saúde ou para o ambiente. por meio do Departa.saude. br/bvs/publicacoes/ mento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. plano_contingencia_ emergencia_seca_ ‰‰ Plano de Contingência para Emergência em Saúde estiagem. Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde Você pode conhecer este plano em: <http:// bvsms.saude. Você pode conhecer este plano em: <http:// Comunicação de Risco e Saúde bvsms. Tem. 2017. o papel substancial de mobilizar e motivar as pessoas a se engajarem em comportamentos protetivos.gov. o público e as demais partes envolvidas. Uma eficiente comunicação de riscos possibilita: ‰‰ melhorar a gestão de riscos.pdf>. também. e nas demais ações de redução de riscos que se queira implementar. ‰‰ disponibilizar as informações necessárias para a pre- venção e controle dos riscos.

‰‰ dissipar rumores e desinformação. ‰‰ informar acerca do plano de contingência ou do plano de resposta. instalações. adotados no gerenciamento da crise. focada no que ele sabe. Uma comunicação de riscos eficiente utiliza uma linguagem adequada ao público-alvo. vulnerabilidades e possíveis consequências). 180 . dando ênfase. Durante situações de emergência. os responsáveis pela sua gestão. A comunicação de risco viabiliza a troca interativa de infor- mações durante todo o processo de análise de riscos entre as pes- soas encarregadas da avaliação dos riscos. ‰‰ informar sobre o que ainda precisa ser feito e de quem são as responsabilidades.Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde ‰‰ divulgar os planos de gestão de riscos e planos de contingência. a comunicação deverá: ‰‰ informar sobre o que ocorrido. quando e como) e os fatores de risco envolvidos (causas. descrevendo a situação (onde. a comunidade acadêmica e outras partes interessadas. ‰‰ abordar os temas de interesse da população. contextualizando a situação de risco. às informações preventivas. os níveis de aceitabilidade e as consequências envolvidas. ‰‰ promover a confiança nas organizações envolvidas. ‰‰ informar sobre os recursos alocados e as medidas adotadas para reduzir os danos e gerenciar a resposta ao evento. a indústria. meio ambiente e pes- soas afetadas pelo evento. a população. ‰‰ esclarecer como está organizada a gestão da ocorrência. ‰‰ caracterizar a área. ‰‰ informar o impacto do evento nas condições sanitárias da área afetada e/ou nos serviços de saúde. sempre que possível.

e são desenvolvidas por meio de estratégias de comunicação de risco. 2017. br/forum/webinars-anteriores/153-webinar-plano-comunicacao-riscos- -saude>.html>.. Podemos acrescer a essas ações a aplicação de medidas e meios de proteção eficazes de modo a evitar os danos à saúde do trabalhador. Acesso em: 30 jan. legislação e proce- dimentos com foco na prevenção de acidentes.. „„ Também gostaríamos de sugerir um vídeo que aborda a comunicação de riscos em saúde. de acordo com as diretrizes da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS). 2017. a comunicação de risco tem um papel estratégico no gerenciamento de risco e. 181 .br/bvs/saudelegis/ gm/2012/prt1823_23_08_2012. „„ Conheça na íntegra a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora acessando: <http://bvsms. Unidade 5 – Estratégia de Implantação de Planos de Gestão de Riscos com Foco na Gestão Pública da Saúde As ações de prevenção a acidentes baseiam-se essencialmente na informação. Acesso em: 30 jan. na garantia da saúde do trabalhador. Uma vez que essas ações demandam o apoio e a participação ativa dos trabalhadores.saude. cabe ao setor de saúde criar políticas públicas. Complementando.gov. consequentemente. na formação e na sensibilização dos trabalhadores.com. que pode ser acessado em: <http://www. Além de controlar os fatores de risco e realizar diagnósticos precoces.ods2030.

cujos limiares devem ser determinados de modo a evitar a ocorrência de efeitos adversos à saúde. Por outro lado. deve se considerar. no que diz respeito mais direta- mente à saúde do trabalhador. você deve ter observado que não há uma estratégia única ou mesmo uma diretriz geral ou política unificada do Sistema Único de Saúde acerca de como aplicar as metodologias de gestão de riscos nos diferentes âmbitos e setores da saúde. dose- -efeito e dose-resposta são particularmente importantes. apresentamos a você as diretrizes já assumidas em âmbito nacional por meio da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Traba- lhadora (PNST) que tem como seus objetivos promover a saúde e ambientes e processos de trabalho saudáveis. a avaliação de fatores de risco à saúde e a existência de metodologias específicas para este fim. No que se refere ao desenvolvimento de planos de gestão de riscos no contexto da Saúde Pública. onde se insere também a saúde do tra- balhador. Assim. 182 . optamos por iniciar esta Unidade tratando das especificidades do processo de análise de riscos sobre a saúde. por um lado.Resumo RESUMO A principal finalidade desta Unidade foi salientar a importância dos planos de gestão de riscos para a Saúde Pública. De fato. na qual salientamos que a avaliação dos riscos à saúde objetiva avaliar e estimar o potencial de danos a partir da exposição a determinados agentes presentes no ambiente. Nessas análises os conceitos de exposição.

Se precisar de ajuda. entre em contato com seu tutor. O nosso objetivo é que você saiba da existência dessa ferramenta de planejamento e de alguns planos já elaborados e disponibilizados pelo Ministério da Saúde. que possibilite envolver todas as partes interessadas nas ações de redução de riscos necessárias. Sucesso! 183 . por fim. Atividades de Aprendizagem Lembre-se de que a PNST define as principais diretrizes a serem implementadas. falamos brevemente sobre os planos de contingên- cia em saúde. Agora vá ao Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem (AVEA) para realizar as atividades propostas para você. Esperamos que você tenha aproveitado este curso e que possamos juntos atuar para promover ambientes e proces- sos de trabalho seguros e saudáveis a todos. falamos sobre a comu- nicação de riscos para que você não finalizasse esse curso sem compreender que faz parte do processo de gestão de riscos elaborar um plano adequado de comunicação. que se assemelham em vários aspectos aos Planos de Ação Emergencial citados na primeira unidade deste curso. apontando-nos o desafio que é dar continuidade a estas ações nas diferentes esferas de governo. Muito rapidamente. Como ferramenta interessante com vistas a reduzir os impactos das emergências e desastres sobre o setor de saúde.

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