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Curso Via Satélite Damásio de Jesus

PRÁTICA
CIVIL
Prof. Brunno Giancoli

Agosto 2007

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PARTE I – PROCESSO DE CONHECIMENTO
PETIÇÃO INICIAL

1- REQUISITOS - ELEMENTOS - DA PETIÇÃO INICIAL


(ART. 282 DO CPC)

I) O JUIZ OU TRIBUNAL A QUE É DIRIGIDA

Por meio do endereçamento ao órgão judiciário o autor estabelece a competência, seja do


juízo monocrático (como regra) como também a competência originária do Tribunal. É
importante verificar duas questões ao endereçar:
1) a competência material juiz cível, de família e sucessões (e verificar se a cidade eleita
pelo exame como a competente possui vara especializada)
2) se a ação for distribuída na cidade de São Paulo verificar a existência de foro regional.

A aferição da competência que será indicada através do endereçamento pode ser


estabelecida por meio de um critério de sete regras, o qual tem como objetivo a perfeita
identificação deste elemento na peça prática. Este critério é pautado por um mecanismo de
exclusão. Assim, identificada a solução de determinado critério, automaticamente o
candidato passará para o seguinte, ATÉ A PERFEITA DETERMINAÇÃO DA
COMPETÊNCIA. Vejamos:

1º. Competência internacional

O primeiro critério a ser verificado é se a competência será internacional. Ela ocorre nas
seguintes hipóteses:
a- Competência concorrente (artigo 88 do CPC): Ocorre quando tanto um juiz estrangeiro
como um juiz brasileiro são competentes para conhecer da ação.

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b- Competência exclusiva (artigo 89 do CPC): Ocorre quando só o juiz do Brasil for
competente para conhecer da demanda, exemplo bens imóveis situados no Brasil bens objeto
de inventário.
Verificando que a situação apresentada pela OAB é uma hipótese de competência exclusiva
ou concorrente da jurisdição brasileira (que será a regra no exame) deverá o candidato passar
para a análise do próximo critério.

2º. Competência Interna


Diz respeito à forma de divisão dos órgãos judiciários as suas funções, os quais tomam os
seguintes parâmetros:

a– Material (competência absoluta): o que determina a competência é a lide em questão.


Exemplo: A ação de separação judicial deve ser endereçada a Vara de Família (contudo é
importante que o candidato confirme esta informação na Lei de Organização Judiciária, pois
esta situação pode variar dependendo do Estado).
b- Funcional (competência absoluta): decorre da função do magistrado. É aferível sob a
ótica vertical (hierarquia – primeiro grau, segundo grau e tribunais superiores), como também
na ótica horizontal (assim, se a cautelar preparatória foi distribuída na 4ª Vara Cível, por lá
deverá correr a ação principal).
c- Territorial (competência relativa). É a competência de comarcas ou seções judiciárias.
d- Valor da causa (competência relativa). Decorre da competência entre a justiça comum e
os Juizados Especiais.

3º. Competência originária dos tribunais

Existem casos em que a competência se dará diretamente no Tribunal como competência


originária. Seja em relação à pessoa, seja em relação à hierarquia.

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4º. Competência da Justiça Especial

O quarto critério a ser verificado é o das justiças especializadas.

São situações de dificílima incidência no exame, mas sempre é importante atentar as


nuances de cada uma. No nosso sistema podemos enumerar três hipóteses:

a- Justiça do Trabalho (artigo 114, CF): Abrange todas as relações decorrentes do contrato
de trabalho, bem como questões afins (acidente de trabalho, dano moral por exemplo) que
foram acrescidas pela EC 45.
b- Justiça Eleitoral (artigo 121, CF): Competente para todas as questões que decorrem da
tramitação eleitoral. Desde a retirada do título de eleitor até a diplomação dos eleitos.
c- Justiça Militar (artigo 124, CF) : Afeta apenas aos crimes militares.

5º. Competência da Justiça Comum

A justiça comum é delimitada pela justiça federal e estadual. É de se verificar antes de tudo
se a justiça é federal (art. 109, CF) se negativo, aplica-se, por exclusão a justiça estadual.

6º. Competência Territorial

O artigo 94 do Código de Processo Civil estabelece a regra geral de que ações fundadas
em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis serão propostas no foro de domicílio
do réu. Os artigos 95 ao 100 do Código de Processo Civil estabelecem regras especiais .

7º. Competência de Foro

Em São Paulo existe um foro central e 12 foros regionais. O foro regional tem competência
ABSOLUTA:
a) Em razão do território
b) Pela matéria.

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c) Pelo valor da causa: Causas até 500 salários mínimos é competente o regional, mais de
500 salários, Foro Central.

NOTA IMPORTANTE: Para o exame da OAB o endereçamento não deve ser


abreviado!

MODELO DE ENDEREÇAMENTO JUSTIÇA ESTADUAL:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ___ Vara (Cível) do Foro (Central) da
Comarca de São Paulo - SP

MODELO DE ENDEREÇAMENTO JUSTIÇA FEDERAL:

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Seção Judiciária de São Paulo

II) QUALIFICAÇÃO DAS PARTES

Parte é quem pede e contra quem se pede determinada providência jurisdicional. Mais do
que uma exigência formal as partes determinam a legitimidade, requisito condicionante da
ação (art. 3º CPC). Para a individuação completa das partes a lei determina que lá esteja o
nome, prenome, estado civil, profissão, domicilio e residência do autor e réu.

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MODELO GERAL DE QUALIFICAÇÃO DE PESSOA NATURAL:

Fulano de Tal (nome completo), (nacionalidade), (estado civil), (profissão), cédula de


identidade RG n. _______, inscrito no CPF/MF sob o n._________, residente e domiciliado
na cidade de São Paulo (endereço completo), por seu advogado devidamente constituído
pelo instrumento de mandato anexo, nos termos do artigo 39 do CPC, (documento 1), que
recebe intimação em seu escritório (endereço completo), vem à presença de Vossa
Excelência com fundamento nos artigos (direito civil e processual), propor a presente ação
de ______(nome da ação)____, pelo rito _______, em face de (qualificação do réu que será
feita com as mesmas referências do autor: nome, nacionalidade, profissão, RG, CPF,
residência e domicílio, salvo se tiver “qualificação desconhecida”).

MODELO DE QUALIFICAÇÃO DE PESSOA NATURAL INCAPAZ:

Fulano de Tal (nome completo), (nacionalidade), menor incapaz, neste ato representado por
sua mãe/pai/tutor (observação: o representante legal do menor receberá qualificação
completa conforme modelo geral de pessoa natural)

Fulano de Tal (nome completo), (nacionalidade), maior incapaz, neste ato representado por
seu curador (observação: o curador receberá qualificação completa conforme modelo geral
de pessoa natural)

MODELO DE QUAL IFICAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA:

Empresa X, pessoa jurídica de direito privado, com sede na cidade de São Paulo (endereço
completo), inscrita no CNPJ/MF sob o nº _______ neste ato representada por seu diretor
(observação: o diretor receberá qualificação completa conforme modelo geral de pessoa
natural), conforme contrato social anexo (observação: A referência “contrato social”deverá
ser utilizada se a pessoa jurídica for sociedade limitada. Em se tratando de Sociedade
Anônima deve-se utilizar a expressão “estatuto social”).

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MODELO DE QUALIFICAÇÃO DE CONDOMÍNIO:

Condomínio X, situado na cidade de________, inscrito no CNPJ/MF sob o no.________,


neste ato representado por seu síndico (observação: o síndico do condomínio receberá
qualificação completa conforme modelo geral de pessoa natural), conforme ata de
assembléia anexa.

III) O FATO E OS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO

Todo pedido formulado pelo autor ao magistrado deve ter uma causa (uma origem fática), a
qual é deno minada no sistema jurídico de causa de pedir. Se todo direito subjetivo nasce
de um fato o peticionário deverá demonstrar a sua incidência sobre a lei abstrata para
conseguir um provimento que milite ao seu favor.

Uma vez apresentados os fatos deve o autor demonstrar as conseqüências jurídicas


decorrentes destes fatos, ou seja, o nexo de causalidade entre os fatos e o pedido. O
fundamento jurídico é, portanto, o vício que atinge a relação jurídica de direito material que
enseja ao titular de determinada tutela jurídica busque ao seu favor.

A fundamentação da peça é feita por meio da narrativa fática que motivou o ajuizamento da
demanda, somada à adequada previsão jurídica do pedido.

IV - PEDIDO COM SUAS ESPECIFICAÇÕES

Como o processo é o espelho do direito material, já que traduz os conflitos realizados por
essas relações materiais, podemos definir o pedido como o meio condutor de se projetar
para dentro do processo a referida pretensão que lá fora não foi cumprida.

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É evidente que também no sistema a possibilidade de formular pedidos de fundamentação
processual (assim é a ação rescisória o mandado de segurança contra ato judicial, a ação
anulatória a exceção de incompetência, a impugnação ao valor da causa dentre outros), mas
todos eles, por via obliqua, objetivam alguma pretensão no campo do direito material.

Tanto é assim (a realidade do direito material que nos conduz a idéia de disponibilidade do
direito) que o juiz deverá julgar nos estritos limites que a demanda é a ele apresentada (art.
128 e 460, CPC) que a doutrina denomina como adstrição da sentença ao pedido.

ESTRUTURA DO PEDIDO (ARTIGO 286 DO CPC)

Enuncia o artigo 286 que o pedido deverá ser certo ou determinado . Não resta a menor
dúvida na doutrina que os termos certeza e determinação são conjuntivos e não alternativos
já que um requisito depende do outro.

Pedido certo é aquele explicito, delimitado o que descreve com exatidão o bem jurídico que
lhe quer ver outorgado pelo Estado. Determinado é a extensão do pedido certo, o quantum
debeatur, a individuação do seu gênero e de sua quantidade. Essa regra perde sua
importância nas coisas certas (aquele imóvel, aquele contrato), pois elas bastam por si
mesmas para individuar o pedido. As incertas (que serão indicadas ao menos pelo seu
gênero e quantidade - CC 243 -) não.

Todavia, existem situações da qual o autor esteja impossibilitado de fixar o valor do bem
jurídico que pretende seja- lhe conferido, conquanto o queira. Por vezes a situação de fato
que se quer ver legitimada, por nuances diversas, impede que o autor fixe um valor exato
para a causa. Nem por isso a lei tolhe as partes de buscar suas pretensões em juízo até
mesmo para entrar em consonância com o artigo 459 § único do CPC. O pedido nesse caso
será certo, porém determinável. São denominadas vulgarmente pela lei de pedido genérico.
Não confundir essa espécie de pedido com os pedidos vagos, que por não preencher uma
exigência da lei é inepto em sua essência (condenação do réu “as penas da lei”, “ao que for
devido”, “pagar uma indenização”).

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Assim, pedido genérico é aquele que momentaneamente está impossibilitado de lhe fixar o
valor exato. Este ocorre em três situações:

1- Ações universais: O pedido nesse caso é cabível quando não for possível individualizar
os bens efetivamente pretendidos. É o caso da petição de herança, inventário ou mesmo a
doação de bens não discriminados (os que guarnecem tal residência, e.g), nesse caso não há
como saber a universalidade de bens que compõe o direito do titular conquanto ele tenha o
direito de receber os bens.

2- Ato ou fato ilícito indeterminado : Ocorrem nas ações de reparação de dano. Por vezes as
conseqüências do ato ilícito ainda não se definiram, e há de se somar os valores decorrentes
das conseqüências que se deram posteriormente ao ajuizamento da ação.

NOTA IMPORTANTE: No que diz respeito à determinação do pedido de dano


moral, a doutrina e a jurisprudência são vacilantes e ainda não existe um entendimento
pacificado sobre o assunto.

3- Comportamento a ser adotado pelo réu: A última hipótese de pedido genérico depende
não das circunstâncias de fato, mas de um ato do réu para que se fixe o valor. São os casos
clássicos das ações de prestação de contas, pois o réu será condenado no pagamento dos
valores apurados nas contas que ele mesmo apresentar (art. 918 CPC).

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MODELO GERAL DE ESTRUTURA DE PEDIDO:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se determinar que o
réu_______(especificação do pedido).

III) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

IV) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

V)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

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DICAS IMPORTANTES PARA A FORMULAÇÃO DO MODELO GERAL DE
ESTRUTURA DO PEDIDO:

É possível, por meio dos artigos do CPC, lembrar no exame a estrutura do pedido.Assim
leia o modelo acima e compare com os artigos a seguir:

Isto posto requer;

ITEM I DO MODELO:
Art. 222, F (citação por oficial) + Art. 297 (apresentar defesa) + Art. 219 (revelia)

ITEM II DO MODELO:
Art. 269 I (sentença que acolhe o pedido do autor – a procedência)

ITEM III DO MODELO:


Art. 20 (condenação em custas e honorários)

ITEM IV DO MODELO:
Art. 39 I (intimação do advogado)

ITEM V DO MODELO:
Art. 332 (provas)

VALOR DA CAUSA

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

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ESPÉCIES DE PEDIDO:

1- Pedido Cominatório (artigo 287): Ocorre nas obrigações de fazer e não fazer, (artigo 461
CPC), nas obrigações de entrega de coisa certa ou incerta (artigo 461-A) o réu poderá ser
obrigado (cominado) a pagar uma multa pecuniária por dia de não cumprimento.

MODELO GERAL DE PEDIDO COMINATÓRIO:

Isto posto requer;

I) Conforme modelo geral de estrutura de pedido

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se determinar que o réu
cumpra a obrigação específica de____________ sob pena de pagar multa pecuniária por
dia de não cumprimento a ser arbitrado por Vossa Excelência.

Observação: Demais itens conforme modelo geral de estrutura de pedido.

2- Pedido Alternativo (artigo 288): Neste caso o réu tem à sua disposição duas ou formas de
cumprir a obrigação. Como regra geral cabe ao devedor (via de regra o réu) a escolha das
prestações para cumprimento da obrigação alternativa (art. 252 do CC), se outra coisa não
se estipulou.

Os pedidos têm a mesma hierarquia, cabendo ao réu a escolha, porém quem os oferece é o
autor.

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MODELO GERAL DE PEDIDO ALTERNATIVO:

Isto posto requer;

I) Conforme modelo geral de estrutura de pedido

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se determinar que o réu
cumpra, a sua escolha (regra geral), a obrigação__________ ou a obrigação
____________.

Observação: Demais itens conforme modelo geral de estrutura de pedido.

3- Pedido Sucessivo (art. 289): São pedidos formulados em ordem de hierarquia. Neste
caso, ao contrário do alternativo existe uma escala de preferências, assim, há um pedido
chamado de principal e outro subsidiário.

M ODELO GERAL DE PEDIDO SUCESSIVO:

Isto posto requer;

I) Conforme modelo geral de estrutura de pedido

II) seja ao final a demanda julgada procedente para____________. Mas caso Vossa
Excelência não entenda cabível a pretensão já indicada requer seja, ao menos, a demanda
julgada procedente para_____________.

Observação: Demais itens conforme modelo geral de estrutura de pedido.

4- Pedido de Prestações Periódicas (art. 290): Decorre das relações de trato sucessivo, ou
seja, os casos em que o réu não deve apenas uma parcela para o autor, mas uma série, pois a
relação é contínua.

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Assim, casos como a consignação em pagamento (art. 890 CPC) e o pedido de alimentos –
sejam provisórios ou provisionais – tendo sido deferida a primeira parcela, as outras
implicitamente (daí o porquê a doutrina utiliza dessa terminologia para qualificar o referido
pedido) estarão agregadas ao pedido mesmo que não esteja constado expressamente na
petição inicial.

MODELO GERAL DE PEDIDO DE PRESTAÇÕES PERIÓDICAS:

Isto posto requer;

I) Conforme modelo geral de estrutura de pedido

II) seja ao final a demanda julgada procedente para determinar a fixação da parcela da
obrigação de_______________ no valor de R$____________e que este valor seja fixado,
também, para as demais que se vencerem no curso da lide.
Observação: Demais itens conforme modelo geral de estrutura de pedido.

5- Pedido Cumulado (art. 292): Ocorre quando se formula mais de um pedido ao judiciário
e se requer a apreciação de todos os pedidos. Todavia, para que os pedidos possam ser
formulados dentro do mesmo procedimento é necessário, nos termos do artigo 292:
a) que os pedidos sejam compatíveis entre si (mesma causa de pedir);
b) que para a apreciação de todos eles seja o mesmo juízo competente; e
c) corresponder ao mesmo procedimento.

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M ODELO GERAL DE PEDIDO CUMULADO:

Isto posto requer;

I) Conforme modelo geral de estrutura de pedido

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se determinar que o réu
cumpra a obrigação de __________ e a obrigação de ____________.

Observação: Demais itens conforme modelo geral de estrutura de pedido.

V – VALOR DA CAUSA

Os artigos 259 e 260 do Código de Processo Civil estabelecem os critérios para a fixação
do valor da causa.

VI – PROVAS

Nos termos do artigo 283 as provas documentais devem ser apresentadas desde já na
petição inicial. Todas as demais são protestadas para posterior produção.

NOTA IMPORTANTE: Não há pedido de provas em mandado de segurança (a


prova é pré-constituída), nos processos de execução (a parte já está munida de título
executivo), na ação monitória (pedido especial de provas).

VII – CITAÇÃO

Citação é o ato pela qual se trás o réu em juízo para se defender. Pode ser real por correio
ou pelo correio (artigo 222 CPC), em todo território nacional ou ficta quando então será
feita por edital ou por hora certa.

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NOTA IMPORTANTE: Todo pedido de citação na OAB deverá ser por
oficial de justiça, nos termos do artigo 222 alínea f, com os benefícios do artigo 172,
parágrafo 2º, do CPC. E isso porque se elimina eventual erro do examinando. Porque o
correio é a regra, sendo por exceção a citação por oficial. Mas se a parte requerer (alínea f)
será SEMPRE por oficial. Pra que se matar em frente ao Código. Peça sempre por oficial de
justiça.

Para verificar as hipóteses de citação por edital verificar o artigo 231, já para as hipóteses
de citação por hora certa verificar o artigo 224.

NOTA IMPORTANTE: A citação para outra cidade, como regra será pelo
CORREIO. A citação apenas se efetivará por Carta Precatória se se der por oficial de
justiça.

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PARTE II – PROCESSO DE CONHECIMENTO
PROCEDIMENTOS

RITO SUMÁRIO

Nos termos do artigo 275 cabe o rito sumário para duas situações distintas:

I – nas causas de até sessenta salários mínimos


II – nas causas de qualquer valor:

a) Contratos de arrendamento rural e parceria agrícola: Vêem


regulamentados pelo Estatuto da Terra (decreto 59.566/66);
b) Cobrança de condomínio: Qualquer quantia devida do condômino ao
condomínio. Não confundir com a cobrança executiva (artigo 585, IV) que é
cobrança do locador ao locatário em decorrência do contrato de locação;
c) Ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico (rural): É a ação de
indenização de um imóvel em relação a outro;
d) Ressarcimento por danos causados em acidentes de veículo (terrestre);
e) Cobrança de seguro por acidente ou ressarcimento de veículo : Alínea que
vem perdendo a eficácia com a possibilidade de se denunciar à lide no rito
sumário nos casos de seguro (artigo 280) ;
f) Cobrança de honorários de profissionais liberais desde que não haja
legislação específica dispondo o contrário : Cobrança de qualquer
profissional liberal (médico, dentista, mecânico) desde que o estatuto
relativo de classe não disponha de outra ação;
g) Demais casos em lei: podemos citar a adjudicação compulsória, o
usucapião especial (6969/81), a revisional de alugueres (8245/51), dentre
outros.

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A petição inicial segue os requisitos dos artigos. 282/283. Sua diferença reside na imediata
apresentação de rol de testemunhas, sob pena de preclusão bem como a indicação do
assistente técnico e dos quesitos, caso haja prova técnica a ser produzida. O réu será citado
para apresentar em de fesa em audiência e deverá ser citado ao menos 10 dias antes da
audiência.

No procedimento sumário não é admissível ação declaratória incidental, nem intervenção


de terceiros, salvo a assistência, o recurso de terceiro prejudicado e a intervenção fundada
em controle de seguro.

NOTA IMPORTANTE: As diferenças na petição inicial do rito sumário para o


rito ordinário residem em duas ordens: 1º) ao invés de se requerer a citação do réu para
apresentar defesa em quinze dias, deve se requerer seja citado para apresentar defesa em
audiência; 2º apresentar rol de testemunha bem como quesitos e assistente técnico se
houver.

MODELO GERAL DE PEDIDO PARA O RITO SUMÁRIO:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa em


audiência a ser designada por Vossa Excelência, sob pena de reputarem-se aceitos os
fatos alegados (artigo 319)

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de ______________

III) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

IV) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

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V)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Requer, nesta oportunidade a indicação do Assistente Técnico o Doutor ___________ que


irá acompanhar os trabalhos periciais até seus regulares termos.

Informa as testemunhas que serão ouvidas nos termos do artigo 407 do CPC:

Nome -
Qualificação completa –

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

Quesitos ao perito:

Questão 1
Questão 2
Questão 3

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PARTE III – PROCESSO DE CONHECIMENTO
MODALIDADES DE DEFESA

CONTESTAÇÃO

Base Legal – artigos 300-303


Prazo – 15 dias (regra)
Notas importantes – Não esquecer de observar quando da apresentação da defesa a regra
da eventualidade e o ônus da impugnação específica.

ESTRUTURA LÓGICA DA CONTESTAÇÃO:

Para estruturar bem uma peça de contestação é importante observar algumas regras de
estrutura da peça. Assim toda contestação conterá as fases que aqui se apresenta:

1- ENDEREÇAMENTO
2 – QUALIFICAÇÃO DAS PARTES
3 – FATOS
4 – PRELIMINARES
5 – MÉRITO
6 – QUESTÕES PREJUDICIAIS
7 – PEDIDO

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1 – ENDEREÇAMENTO

O endereçamento da contestação será sempre perante o juízo pela qual corre o processo.

2 – QUALIFICAÇÃO DAS PARTES

Segue a mesma ritualística que a inicial. Apenas, por completa desnecessid ade (e isso se
aplica também ao exame da OAB) não há necessidade de se deduzir a qualificação
completa (nome, prenome, endereço) se a inicial já o fez corretamente. Assim, não é
inapropriado colocar “Fulano de Tal, já qualificado nos autos do processo em epígrafe,
vem à presença de V. Excelência por seu advogado....”.

NOTA IMPORTANTE: A contestação não se interpõe ou propõe, mas se


APRESENTA. Assim, a parte vem “apresentar contestação pelos motivos abaixo
expostos.”.

3 – FATOS

Ao contrário do que se imagina os fatos vêm antes das preliminares. E isso porque muitas
“preliminares se confundem com o mérito” (vide as condições da ação). Assim é
importante para que o magistrado/examinador possa inferir a preliminar, conhecer dos fatos
do processo.

Os fatos se limitam a narrar o pedido do autor na inicial (ou do problema, quando se tratar
de peça prática). Assim não se deve emitir nenhum juízo de valor nos fatos, pois esta
argumentação será reservada ao capítulo do mérito. No máximo retire um pouco da força
argumentativa da inicial com as expressões “alegada dívida”, “suposto crédito”.

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4 - PRELIMINARES

Por raciocínio lógico, essa matéria virá antes da matéria de mérito. A estas matérias que são
susceptíveis de discussão chamamos de preliminares que, por definição legal, é a defesa
direta contra o processo. Sob a égide de um único artigo (301 CPC), o legislador
hospedou todas as preliminares que podem ser suscitadas pela parte e também conhecidas
de oficio pelo juiz, à exceção do compromisso arbitral (art. 301 §4º).

As preliminares no nosso sistema poderão ser dilatórias ou peremptórias conforme os


efeitos que elas incidirão no processo se acolhidas. As preliminares peremptórias ensejam a
extinção do feito. Os incisos III, IV, V, VI, IX e X do art. 301 do CPC prescrevem as
chamadas preliminares peremptórias. Já as dilatórias, visam somente corrigir algum vício
endoprocessual retardando a marcha do processo até que essa invalidade seja sanada. São
os casos dos incisos I, II, VII, VIII, XII.

Esta diferenciação será sobremodo importante para o entendimento de como montar uma
preliminar conforme se verá abaixo.

COMO SE MONTA UM PRELIMINAR:

Basicamente a estrutura da preliminar resolve-se por uma equação:

Artigo 301 inc___ + fundamentação jurídica + conseqüência (artigo 267 ou


regularização do feito).

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Assim imagine-se uma preliminar de ilegitimidade de parte (preliminar peremptória):

“Preliminarmente o réu é parte ilegítima para figurar no feito nos termos do artigo 301, X
do CPC. E isso porque conforme se verifica no contrato trazido ao processo é réu não
figura como locatário, mas sim terceira pessoa. Desta forma requer a extinção do processo
sem julgamento de mérito nos termos do artigo 267, VI”.

Agora uma preliminar dilatória:

“Preliminarmente este Juízo é absolutamente incompetente para conhecer do feito nos


termos do artigo 301, II do CPC. E isso porque a ação ora proposta versa sobre direito de
família e este juízo é de competência exclusiva cível. A incompetência material é absoluta,
não comportando derrogação por nenhuma das partes. Desta forma requer a remessa dos
autos para a vara cível competente”.

5 - MATÉRIA DE MÉRITO

A definição de mérito no nosso conceito é a pretensão posta em juízo sobre um dado direito
material, já que o conceito de mérito é mais claramente visto (o seu julgamento ou não) nas
hipóteses dos artigos 267 e 269 que à evidência deflagram o final do processo.

É errado pensar que a matéria de mérito se dirige contra o pedido diretamente, pois a defesa
de mérito ataca a sustentação do pedido, os argumentos e fatos que dão base à pretensão – a
causa de pedir remota e próxima. São elas, portanto:

a) Defesa de mérito direta : Ocorre quando o réu ataca diretamente os fatos que
fundamentam o pedido, negando-os. Nesse caso o réu não apresenta um direito próprio,
mas conseqüências jurídicas diversas daquelas pretendidas com base no mesmo fato (não
comprei, não contratei), desta forma como o fato se mantém controverso cabe mesmo ao
autor provar a sua existência.

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b) Defesa de mérito indireta : Na defesa de mérito indireta o réu não nega os fatos
constitutivos do direito do autor, mas impõe outros fatos; impeditivos, modificativos ou
extintivos a fim de impedir que o réu logre êxito na sua demanda. Os contra- fatos que a
parte poderá apresentar podem ser:

Extintivos – que visam expurgar do mundo jurídico os fatos que o autor pretende ver
acolhido. É o caso da prescrição.
Modificativos – visam alterar as conseqüências jurídicas dos fatos trazidos pelo
autor. Assim se a parte alega a compensação, ela não nega o fato constitutivo – o
crédito do autor – mas impõe outro que é um crédito seu contra o mesmo que quer ver
compensado (art. 368 CC).
Impeditivos – nesse caso pretende o réu, mesmo aceitando os fatos do autor, obstar a
produção dos seus efeitos. É o caso da exceptio non adimpleti contractus (art. 476
CC) da qual nos contratos bilaterais de vencimento simultâneo, uma das partes não
pode exigir o implemento da outra se não cumprir a sua parte na avença. Essa
argumentação pode ser usada pelo réu para conseguir retardar a produção dos efeitos
da pretensão.

6 – QUESTÕES PREJUDICIAIS

D ENUNCIAÇÃO DA LIDE – é possível denunciar ao réu denunciar a lide nas hipóteses do


artigo 70 do CPC. O caso mais comum é o réu, demandado em ação de responsabilidade
civil decorrente de acidente de veiculo automotor, denuncia a seguradora.

CHAMAMENTO AO PROCESSO – é possível chamar ao processo os demais coobrigados da


relação jurídica de direito material que não foram trazidos ao processo. As hipóteses de
chama mento (fiança/solidariedade) estão no artigo 77 do CPC.

PRESCRIÇÃO – A prescrição não é matéria preliminar, pois a sua decretação acarreta o


encerramento do processo com julgamento de mérito nos termos do artigo 269, IV do CPC.

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P EDIDO CONTRAPOSTO – É a reconvenção dentro da própria defesa. Utilizada somente em
alguns casos que o sistema veda a reconvenção, como o rito sumário, o JEC e as
possessórias.

7 - PEDIDO

O pedido da contestação se limita a pedir que o juiz acolha a (s) preliminar (es) argüida (s)
e no mérito que seja o pedido julgado improcedente. Requer produção de provas. Custas e
honorários para que sejam arcados pelo autor.

EXCEÇÕES RITUAIS (Incompetência, Impedimento e Suspeição)

Base Legal – artigos 304-314


Prazo – 15 dias contados da data em que se tomou ciência do fato
Notas importantes – nas exceções de impedimento e suspeição o réu (excepto) é o próprio
juiz.

Conforme visto, a contestação é forma de defesa do réu contra o pedido do autor


objetivando, no mais das vezes, uma sentença de improcedência. Todavia o rol das defesas
processuais não se exaure naquelas enumeradas no artigo 301. Existem defesas processuais
outras como a continência (artigo 104, CPC), a impugnação ao valor de causa (artigo 261,
CPC) e as exceções rituais.

EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA – É sabido que a competência é instituto criado para


distribuir e organizar os órgãos do poder judiciário de suas funções. Este incidente se
destina a suscitar somente a incompetência relativa (territorial), pois a absoluta (que versa
sobre a matéria e a função), por ter natureza de objeção, deve ser argüida em preliminar de
contestação (artigo 301, II CPC). A exceção será apresentada em petição escrita com os
documentos necessários para se provar a juridicidade daquilo que se alega. É necessário
indicar o foro competente (art. 307 CPC). Abre-se vista ao excepto para se manifestar em
10 dias sobrevindo decisão nos outros dez dias.

25
EXCEÇÃO DE IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO – As definições de impedimento e
suspeição estão respectivamente catalogadas nos artigos 134 e 135 do CPC. O vocábulo
‘parcialidade’ não se apresenta como o mais adequado para afastar o juiz do julgamento de
um dado processo, pois incide numa conotação subjetiva, da qual o juiz “seja parcial” o que
não é verdade. Desta forma o legislador criou situações de direito material (e.g. parentesco)
e processual (e.g quando foi advogado no processo) para que ele fique obstado de julgar a
causa. O critério deve ser tomado objetivamente, ou seja, se o juiz recair numa das
hipóteses enumeradas pelo legislador deve ser proibido de julgar a causa,
independentemente de se perquirir se há o interesse no litígio ou não.

A petição deve estar instruída com os documentos que comprovem as alegações deduzidas
e rol de testemunhas (art. 312 CPC). Recebida a exceção o juiz poderá reconhecer seu
impedimento ou suspeição e remeter os autos, em decisão irrecorrível, ao seu substituto
legal. Contrariu sensu poderá, em não concordando, apresentar suas razões em dez dias
(nos mesmos moldes do artigo 312 CPC) sendo endereçada a superior instância para
julgamento. Em sendo procedente a exceção no tribunal, haverá deliberação sobre quais
atos do processo serão invalidados, bem como determinará as custas processuais a serem
pagas pelo juiz substituído. Ao juiz é vedado recorrer desta decisão. Todavia caberão
recursos para o STJ e STF da decisão que julgar a exceção improcedente, desde que,
evidentemente, preenchidos os pressupostos de sua admissibilidade. O impedimento poderá
ser argüido após o trânsito em julgado por meio de ação rescisória (art. 485, II, CPC).

26
RECONVENÇÃO

Base Legal – artigos 315-318


Prazo – 15 dias, concomitante com a contestação (art. 299)
Notas importantes – réu reconvinte (autor da reconvenção) e autor reconvindo (réu da
reconvenção)

A reconvenção é uma demanda dentro de um processo pendente, apresentada juntamente


com a contestação. Requisitos da reconvenção:

1) endereçado ao próprio juiz da causa por prevenção


2) a distribuição será por dependência ao processo principal
3) por garantia é necessário qualificar (novamente) as partes por se tratar de uma ação
(exigência do artigo 282, II, CPC)
4) o reconvinte deverá requerer a intimação do reconvindo na pessoa do seu advogado
para apresentar defesa em 15 dias.

São requisitos especiais da reconvenção:

Quanto à legitimidade - sabido é que somente o réu poderá reconvir (artigo 315, CPC). Não
pode ser o autor legitimado extraordinário já que se estaria demandando em nome alheio e,
portanto, não poderá responder aos termos da demanda do réu (reconvenção).

Compatibilidade de procedimento – A reconvenção como processo destinado à obtenção de


uma sentença é instituto especifico das ações cognitivas de jurisdição contenciosa, não se
admitindo nos processos executivo, monitório, cautelar e de jurisdição voluntária. Nos
procedimentos especiais segue-se a regra do princípio da legalidade ampla (a parte poderá
fazer tudo aquilo que a lei não veda – art. 5º, II, CF), ou seja, é cabível a reconvenção
desde que não ocorra uma dessas situações: a) seja incompatível com a estrutura do
procedimento (falência, inventário); b) quando o procedimento tiver previsão de pedido
contraposto (possessórias, prestação de contas) e c) quando não comportar o contra-ataque

27
(ex. conversão de separação judicial em divórcio). Mas como regra principal, basta
verificar se o procedimento adquire o rito ordinário a partir da apresentação da defesa. Se
sim, a reconvenção é cabível.

Juízos competentes – mais um requisito que se faz necessário é de que o juiz que conhece
da causa originária deve ser competente para conhecer da reconvenção sob pena de ferir
regra de competência absoluta (rectius – funcional e material).

Procedimento – A reconvenção deverá ser apresentada simultaneamente com a defesa


(artigo 299, CPC), sob pena de preclusão consumativa.

AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL

Base Legal – Art. 5o. e 325 do CPC


Prazo – 10 dias para o autor e 15 para o réu a partir do momento da apresentação da defesa.
Notas importantes – Por ter natureza de ação deve ser elaborada com observação do art.
282 do CPC.

O artigo 297 não faz menção à ação declaratória incidental como forma de defesa do réu.
Todavia é modalidade de resposta cuja previsão fica diferida para os artigos 5º e 325 do
CPC. Difere-se no procedimento da ação declaratória do artigo 4º CPC, já que não
depende, em especial, de questão subordinada para que possa ser julgada em caráter
prejudicial.

Uma vez proposta ação declaratória incidental, os limites da coisa julgada se estenderão
também a ela (artigo 470, CPC). Sem a sua propositura, ela se limita a ficar na parte de
fundamentação da sentença (art. 469, CPC).

28
São requisitos da ação declaratória incidental:

a) a existência de questão prejudicial: Por questão prejudicial entende-se nas questões que,
por influenciar na decisão subseqüente, devem ser julgadas antes. b) litigiosidade – o fato
gerador da ADI é a controvérsia, o surgimento da questão que só aparece com a
apresentação da contestação.

b) competência absoluta do juiz: conforme visto, a declaratória incidental utiliza-se do


mesmo pórtico procedimental que a reconvenção e, portanto, haverá julgamento conjunto
com a causa originária (artigo 318, CPC).

c) procedimento: O artigo 325, aparentemente restringe a legitimação da ADI para o autor,


o que é falso e já devidamente afastado pelo ordenamento. O artigo 5º arreda essa suposta
dúvida franqueando a qualquer das partes o manuseio da requestada ação sempre que “no
curso do processo, se tornar litigiosa a relação jurídica de cuja existência ou inexistência
depender o julgamento da lide”.

IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA

Base Legal – Art. 261 do CPC


Prazo – 15 dias da juntada do mandado
Notas importantes – a impugnação ataca o valor atribuído à causa e não o pedido
formulado. Logo a impugnação poderá até ser utilizada para aumentar o valor.

Da mesma for ma que a ação declaratória incidental o artigo 297 não faz menção à
impugnação ao valor da causa. Essa modalidade de resposta, todavia, vem disciplinada no
artigo 261 do código. Trata-se de uma hipótese privativa do réu (e demais legitimados
conforme se verá abaixo) para o fim de se adaptar o valor da causa (seja para mais, seja
para menos) às regras pertinentes aos artigos 259 e 260 que disciplinam o valor na inicial.

29
Trata-se de incidente processual e não uma nova ação. Será autuada em apenso ao processo
principal (salvo no Juizado especial que será apresentada na mesma peça da contestação –
art. 30, L.9099/95) e, como apenso que é, da decisão acerca do pedido de impugnação é
cabível o recurso de agravo já que se trata de decisão interlocutória.

Quanto ao processamento, será apresentada no prazo de defesa, ou seja, 15 dias no rito


ordinário e no rito sumário em audiência. A sua interposição não suspende o processo e o
autor será intimado, na pessoa do seu advogado para se manifestar em cinco dias. A não
impugnação presume-se aceito o valor da causa tal qual estipulado (art. 261, § único, CPC)
o que nos faz crer que ao juiz seja vedado conhecer de oficio do valor sem que a parte tenha
suscitado, salvo se desse conhecimento resultar a modificação territorial ou o rito, já que
um dos critérios tanto de um, quanto do outro é o valor da causa.

30
PARTE IV – AÇÕES DE RITO ESPECIAL
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO
Base Legal – Art. 334 e ss. do CC e Arts. 890 e ss. do CPC

Procedimento – Rito Especial

Notas – Na ação de consignação o autor é o devedor, como regra geral, ou um terceiro


interessado na extinção da obrigação. O réu sempre será o credor seja ele certo ou incerto.

Nomenclatura – Autor e réu

O art. 335 do Código Civil elenca as principais hipóteses que possibilitam ao credor liberar-
se da obrigação por meio do pagamento por consignação. Registre-se, porém, que o art. 335
não é taxativo. Tanto isso é verdade que o próprio Código Civil traz outras situações que
permitem a consignação (arts. 341 e 342), como também a legislação complementar
(Decreto-Lei n. 58/37, art. 17, parágrafo único; Lei n. 492/37, arts. 19 e 21, III, etc.)

As principais hipóteses são:

a) Se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação
na forma devida;

b) Se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condições devidos;

c) Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em


lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;

d) Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;

e) Se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

Procedimento da Ação de Consignação em Pagamento

Trata-se de um rito especial previsto nos arts. 890 e seguintes do CPC.

Foro Competente

O art. 891 do CPC determina que a consignação será requerida no lugar do pagamento.
Portanto, a definição de competência da consignatória sofre variações de acordo com a
natureza do bem objeto do depósito judicial.

31
Legitimidade

Legitimado ativo para a propositura é o devedor e ao juridicamente interessado no


pagamento da dívida. Legitimado passivo será o credor conhecido, aquele que alegue
possuir tal condição ou, ainda, sendo ele desconhecido, o credor incerto, a ser citado por
edital (CPC, art. 231, I), em seu favor intervindo, se for o caso, o curador de ausentes (CPC,
art. 9o , II).

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos do art. 282 e 283 do CPC, a petição inicial deve conte pedido expresso
para que o juiz autorize o depósito judicial do bem, o qual, uma vez deferido, deve se
realizar em cinco dias (art. 893, I do CPC). Quando as prestações forem periódicas, uma
vez consignada a primeira, pode o devedor continuar a consignar.

É importante observar, finalmente, que se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a


escolha couber ao credor, ou seja, o réu, o autor deverá requerer na citação que o primeiro
efetue a escolha no prazo de cinco dias.

Valor da Causa

Na ação de consignação em pagamento, o valor da causa depende do objeto do pagamento.


Se o bem tiver valor certo, este será o valor da causa. Tratando-se de consignação.
Tratando-se de consignação de dívida que vence em parcelas, o valor da causa será o valor
das parcelas vincendas até o limite de uma anuidade (arts. 258/260 do CPC).

32
MODELO DE PEDIDO DE AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO:

Isto posto requer;

I) Se digne V. Excelência em determinar o depósito da (quantia / coisa) devida no prazo de


cinco dias, e que se deferido, seja permitido os sucessivos depósitos enquanto se vencerem
as parcelas no curso da lide.

II) a citação do réu por oficial de justiça para, em querendo, proceda ao levantamento da
quantia / coisa depositada ou em querendo apresente defesa no prazo de 15 dias, sob pena
de reputarem-se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se declarar a extinção do
débito por meio dos depósitos ora efetivados.

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI) Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

33
AÇÕES POSSESSÓRIAS

Base Legal – Art. 1210 e ss. do CC e Arts. 920 e ss. do CPC

Procedimento – Rito Especial (Força Nova) e Rito Ordinário (Força Velha)

Notas – O objeto das ações possessórias é a posse e não a propriedade.

Nomenclatura – Autor e réu

Dispõe o art. 1.210 do Código Civil que o possuidor tem direito a ser mantido na posse, em
caso de turbação, restituído, no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo
receio de ser molestado. Pela leitura desse dispositivo se vê que a proteção da posse guarda
um componente de estabilidade social. Portanto, os instrumentos de proteção possessória
são, sem dúvida, formas de impedir a ruptura da paz social, daí porque sua violação atinge
o respeito à personalidade humana.

Somente a posse justa desfruta da proteção das ações possessória. O art. 1.200 do Código
Civil afirma que a posse justa é aquela que não for violenta, clandestina ou precária. A
posse é violenta quando o possuidor sabe que a coisa não é sua e dela se apossa assim
mesmo. A posse é clandestina quando adquirida sub-repticiamente, como no caso do
proprietário de um imóvel rural que muda a localização das cercas divisórias, com prejuízo
para o vizinho. E a posse diz-se precária quando decorre de um título jurídico, como a
locação, que deixou de ter validade, ou em comodato de prazo já expirado.

As ações possessórias no regime do CPC são as de manutenção e reintegração de posse


(CPC, arts. 926 a 931) e o interdito proibitório (arts. 932 e 933). Importante observar,
quanto à ação de imissão de posse, prevalece o entendimento de que tem natureza
petitória 1.

Características das Ações Possessórias

Por tratar-se de um procedimento especial, as ações possessórias possuem algumas


características que merecem destaque:

a) Fungibilidade das Ações Possessórias – Contemplada no art. 920 do CPC significa a


possibilidade que o juiz possui de conhecer e decidir de pedido diverso daquele
originariamente formulado pelo autor.

b) Natureza Dúplice das Ações Possessórias – Assegura o art. 922 do CPC ao réu, nos
interditos possessórios, o direito de usar a própria contestação para alegar que a sua posse
foi ofendida, e demandar, contra o autor, a proteção possessória.

1
“A ação de imissão na posse tem índole petitória e não possessória. Caso de não-aplicação do art. 923 do
CPC. Prescrição aquisitiva consumada antes da arrematação e subseqüente pedido de imissão” (STJ, Resp
35975/RJ, 3a . Turma, Rel Min. Cláudio Santos).

34
c) Natureza Executiva do Procedimento Interdital – As ações possessórias possuem
natureza executiva, tendo em vista que a decisão proferida pelo juiz, quando acolhida,
ordena a expedição de um mandado a ser cumprido coativamente pelos órgãos auxiliares do
juízo contra aquela que atentou contra a posse do autor.

d) Possibilidade de Cumulação de Pedidos – Muito embora o pedido possessório se


restrinja as mandados de reintegração, de manutenção ou de proibição contra o que agride
ou ameaça agredir a posse do autor, permite a lei processual, especificamente no art. 921 do
CPC, a cumulação de outros pedidos. As cumulações possíveis são: a) perdas e danos,
desde de que a lesão tenha ocorrido concretamente e comprovada durante a instrução da
causa; b) cominação de pena para caso de nova turbação ou esbulho; e c) desfazimento de
construção ou plantação.

Procedimento das Ações Possessórias

As ações possessórias possuem ritos distintos que variam de acordo com o momento da
propositura. Se intentadas dentro de um ano e dia contados a partir da turbação ou do
esbulho, conhecida como possessória de força nova, o procedimento é o especial (art. 926 e
seguintes). Se a propositura ocorrer após esse período, caracterizando, assim, a possessória
de força velha, observar-se-á o rito ordinário (art. 924).

Foro Competente

A propositura da ação possessória, seja qual for o procedimento, é o foro da situação da


coisa (art. 95 do CPC), salvo aquelas que tiverem por objeto bens móveis. Neste caso
aplicar-se-á a regra geral do art. 94.

É importante notar, que os Juizados Especiais Cíveis Estaduais também têm competência
para o processamento e julgamento de ações possessórias (arts. 3o ., IV e 4o ., da Lei
9.099/95).

Legitimidade

Legitimado ativo para a propositura dos interditos possessórios é o possuidor, direto ou


indireto. Não tem essa legitimidade o fâmulo da posse, ou seja, aquele que somente a
conserva em nome do verdadeiro possuidor e em cumprimento de ordens ou instruções suas
(Código Civil, art. 1.198). Da mesma forma, carece de legitimidade o simples detentor
(Código Civil, art. 1.208).

Legitimado passivo é aquele que praticou a ofensa à posse, ainda que também seja
possuidor (Ex.: Se o locador esbulha a posse do locatário, este promoverá, em face daquele,
a ação de reintegração).

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos do art. 282 do CPC a inicial possessória deverá demonstrar os
requisitos do art. 927. Tratam-se de requisitos específicos, os quais o autor deverá

35
demonstra-los, na narrativa dos fatos e comprova- los documentalmente, com o objetivo de
permitir tanto a avaliação da adequação do procedimento eleito. Frise-se que esses
requisitos se prestam para a análise da concessão, pelo juiz, sendo o caso, da medida
liminar.

Assim, cumpre ao autor provar:

a) A Posse – via de regra demonstrando o título que o habilite a qualidade de possuidor.

b) A turbação ou o esbulho praticado pelo réu – Esta é a prova central de qualquer interdito.
O dano deve ser narrado detalhadamente na petição inicial com todos os seus elementos de
caracterização.

c) A data da turbação ou do esbulho – Trata-se de um requisito de regularidade


procedimental. O autor indica o momento do dano provocado pelo réu (esbulho ou
turbação) para justificar o procedimento que ele adotou, ou seja, se se trata de ação de força
velha ou de força nova.

d) A continuação da posse, embora turbada ou ameaça, nos casos de manutenção ou


interdito proibitório.

Concessão Liminar da Tutela Possessória

A concessão da medida liminar nas ações possessórias poderá ocorrer em dois momentos
distintos:

a) Concessão de medida liminar inaudita altera parte – A concessão da medida sem a


prévia participação do réu dependerá da comprovação do autor dos requisitos específicos
das ações possessórias (art. 927).

b) Concessão de medida liminar após a audiência de justificação prévia – Caso o autor não
consiga demonstrar os requisitos do art. 927, o juiz determinará a realização de uma
audiência de justificação, citando o réu para comparecer à audiência (art. 928, segunda
parte). Realizada a audiência e acolhida a justificação, o juiz determinará a imediata
expedição do mandado competente.

Valor da Causa

Nas ações possessórias, o valor da causa deve ser equivalente ao do bem objeto do litígio.
Tratando-se de bem imóvel, deve-se utilizar a estimativa oficial para lançamento do
imposto (IPTU), ordinariamente denominado “valor venal”.

36
M ODELO GERAL DE PEDIDO DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS:

Isto posto requer;

I) Seja concedida liminarmente a reintegração / manutenção da posse do autor, tendo em


vista o preenchimento dos requisitos previstos no art. 927 do CPC, expedindo-se o
competente mandado para o cumprimento da decisão.

II)Posteriormente, a citação, por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa


no prazo de 05 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 930 do
CPC)

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se tornar definitiva a liminar
ora concedida por ocasião da propositura da ação.

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

37
SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA

Base Legal – Arts. 1.572 e 1.573 do Código Civil. Art. 34 da Lei no. 6.515/77-LDi

Procedimento – Ordinário

Notas – Nas comarcas onde existe organizada Vara de Família, o endereçamento a elas
deve ser dirigido.

Nomenclatura – Requerente e Requerido

A separação judicial é uma das hipóteses de dissolução do casamento. Nesta hipótese


extintiva não ocorre o desfecho do vínculo matrimonial, o que impede os cônjuges de
contrair novas núpcias. Importante observar, que o gênero “judicial” da separação admite
duas espécies: consensual (ou, por mútuo consentimento – art. 1.574 do CC) e a litigiosa
(ou, não consensual – art. 1.572).

Procedimento da Ação de Separação Litigiosa

Segundo o art. 34 da Lei do Divórcio, a ação de separação litigiosa deve seguir o rito
comum ordinário.

Foro Competente

Esta ação deve obedecer ao disposto no art. 100, I, do CPC, ou seja, é competente o foro da
residência da mulher.

Legitimidade

Trata-se de uma ação personalíssima, daí porque apenas o cônjuge prejudicado poderá
propô-la contra o cônjuge faltoso. Mas, em caso de incapacidade a lei admite a propositura
da ação por curador, ascendente ou irmão.

Valor da Causa

Havendo bens a serem partilhados pelos cônjuges, o valor da causa, na ação de separação,
deve ser a somatória dos valores dos referidos bens. Não havendo bens e cientes da
obrigatoriedade de atribuição de um valor à causa (art. 258, CPC), o autor tem autonomia
para fixar valor segundo critérios subjetivos próprios, desde que compatível com as
circunstâncias gerais do caso.

38
MODELO DE PEDIDO AÇÃO DE SEPARAÇÃO LITIGIOSA:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

II) a intimação do representante do Ministério Público para intervir no feito até o seu final

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se decretar da separação do
casal, por culpa exclusiva do réu, expedindo-se o competente mandado para o Cartório de
Registro Civil, e declarando que (uso do nome, direito de visita, pensão alimentícia,
partilha dos bens – conforme o caso concreto)

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI) Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

39
AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO

Base Legal – Arts. 1.580, parágrafo 2o do Código Civil. Art. 40 da Lei no. 6.515/77-LDi

Procedimento – Ordinário

Notas – Nas comarcas onde existe organizada Vara de Família, o endereçamento a elas
deve ser dirigido.

Nomenclatura – Autor e réu

Assim como a separação judicial, o divórcio também é uma hipótese de dissolução do


casamento. Contudo, este mecanismo dissolutório atinge definitivamente o vínculo
matrimonial. Destarte, basta alegar e comprovar a separação de fato do casal por dois anos
ou mais, não havendo necessidade de ser declinada a causa dessa separação.

Procedimento da Ação de Divórcio Litigioso

Segundo o art. 34 da Lei do Divórcio, a ação de divórcio litigioso deve seguir o rito comum
ordinário.

Foro Competente

Esta ação deve obedecer ao disposto no art. 100, I, do CPC, ou seja, é competente o foro da
residência da mulher.

Legitimidade

Trata-se de uma ação personalíssima, daí porque apenas o cônjuge poderá propô-la. Mas,
em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador, ascendente ou
irmão.

Valor da Causa

Havendo bens a serem partilhados pelos cônjuges, o valor da causa, na ação de divórcio
litigioso, deve ser a somatória dos valores dos referidos bens. Não havendo bens e cientes
da obrigatoriedade de atribuição de um valor à causa (art. 258, CPC), o auto r tem
autonomia para fixar valor segundo critérios subjetivos próprios, desde que compatível com
as circunstâncias gerais do caso.

40
M ODELO DE PEDIDO DE AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

II) a intimação do representante do Ministério Público para intervir no feito até o seu final

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se decretar o divórcio do
casal, expedindo-se o competente mandado para o Cartório de Registro Civil, e
declarando que (uso do nome, direito de visita, pensão alimentícia, partilha dos bens –
conforme o caso concreto)

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

41
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE

Base Legal – Art. 1.606 e 1.516 do Código Civil e Lei no. 8.560/92

Procedimento – Ordinário

Nomenclatura – Autor Réu

Aspectos Específicos sobre a Prova de Paternidade

Com o exame DNA, é possível afirmar-se a paternidade com um grau praticamente


absoluto de certeza.

É necessário frisar que ninguém pode ser constrangido a fornecer amostras do seu sangue
para a realização da prova pericial. No entanto, a negativa do réu pode levar o juiz, a quem
a prova é endereçada, a interpreta-la de forma desfavorável àquele, máxime havendo outros
elementos indiciários. A súmula 301 do STJ afirma: “Em ação investigatória, a recusa do
suposto pai a submeter-se ao exame DNA induz presunção júris tantum de paternidade”.

Procedimento da Ação de Investigação de Paternidade

A ação de investigação de paternidade segue o rito comum ordinário, tendo em vista que se
trata de ação de estado.

Foro Competente

O domicílio do réu, conforme regra geral do art. 94 do CPC, é o foro competente da ação
de investigação de paternidade, salvo se houver pedido cumulado de alimentos. Neste
último caso, a ação será ajuizada do domicílio do autor, nos termos do art. 100, II do CPC

Legitimidade

A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho.


O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, por isso, a ação é privativa
dele. Se menor será representado pela mãe ou tutor.É de se admitir o litisconsórcio ativo
facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto
genitor. Se a mãe do investigante é menor, relativa ou absolutamente incapaz, poderá ser
representada ou assistida por um dos seus genitores, ou por tutor nomeado especialmente
para o ato, a pedido do Ministério Público, que zela pelos interesses do incapaz.

Se o filho morrer antes de inicia-la, seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o
ajuizamento, salvo se “ele morrer menor e incapaz (CC, art. 1.606). Se já tiver sido
iniciada, têm eles legitimação para “continuá -la, salvo se julgado extinto o processo” (art.
1.606, parágrafo único).

42
A doutrina reconhece legitimidade ao nascituro para a propositura da ação de investigação
de paternidade, representado pela mãe, não só em face do que dispõe o parágrafo único do
art. 1.609 do Código Civil, como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos
direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança, consagrada na própria
Constituição Federal.

Também não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de
paternidade em face do pai biológico, de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse
pessoal.

A lei n.8.560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público, na
qualidade de parte, havendo elementos suficientes, quando o oficial do Registro Civil
encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai, fornecidos pela mãe ao registrar o filho
(art. 2o , parágrafo 4o .), ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente
à sua promulgação. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do
Parquet, na defesa dos interesses do investigando.

A legitimidade passiva recai no suposto pai (ou na suposta mãe, dependendo de quem está
sendo investigado, muito embora a ação de investigação de maternidade seja rara) Se o
demandado já for falecido, a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. Havendo
descendentes ou ascendentes, o cônjuge do falecido não participará da ação, se não
concorrer com estes à herança, salvo como representante do filho menor.

Deverá a viúva ser citada como parte, todavia, sempre que for herdeira, seja por inexistirem
descendentes e ascendentes (CC, art. 1.829, III), seja por concorrer com eles à herança (art.
1.829, I e II). Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos, a ação deverá ser movida
contra eventuais herdeiros, incertos e desconhecidos, citados por editais.

Valor da Causa

Se a ação não estiver cumulada com alimentos e também não envolver questões
patrimoniais, o autor tem autonomia para fixar valor segundo critérios subjetivos próprios
(art. 258, CPC), desde que compatível com as circunstâncias gerais do caso.

43
MODELO DE PEDIDO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

II) a intimação do representante do Ministério Público para intervir no feito até o seu final

III) os benefícios da justiça gratuita, pois o autor se declara pobre no sentido jurídico do
termo, conforme declaração anexa

IV) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se declarar a paternidade da
autora em face do réu, que passará a chamar-se____________

V) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

VI) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VII)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas, em especial perícia técnica DNA.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

44
INVENTÁRIO NA FORMA DE ARROLAMENTO SUMÁRIO

Base Legal – Art. 2.015 do Código Civil e art. 1.031 e seguintes do CPC

Procedimento – Jurisdição Voluntária.

Notas – No caso de arrolamento, todos os herdeiros, e respectivo cônjuge, deverão passar


procuração para o Advogado

Nomenclatura – De Cujus; Inventariante; Herdeiros.

Com a abertura da sucessão instaura-se entre os herdeiros um condomínio sucessório, um


estado de comunhão que cessará com a partilha. O inventário é feito para descrever e
avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros.

O inventário, na forma de arrolamento sumário, pode ocorrer quando todos os herdeiros


forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus.
Neste caso, deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha, consistindo este na boa
partição da herança, dando-se em bens, a cada um dos herdeiros, uma soma de valores
correspondentes a seu direito hereditário, formando-se quinhões em partes iguais, sob pena
de ser a partilha anulada, determinando-se que outra seja feita.

O procedimento simplificado do arrolamento terá cabimento também no caso de herdeiro


único (art. 1.031, parágrafo 1o .).

Procedimento do Inventário na forma de Arrolamento Sumário

A petição inicial do arrolamento sumário deverá seguir as regras do art. 1.032 e seguintes
do CPC, acompanhada da certidão de óbito e do comprovante de recolhimento de custas, se
devidas (CPC, art. 1.034, parágrafo 1o .), contendo histórico elaborado em consonância com
o disposto no art. 993, I a II, do CPC.

Foro Competente

O último domicílio do autor da herança é o foro competente para a ação de inventário, na


forma de arrolamento sumário, consoante art. 96 do CPC e art. 1.785 do CC.

Nos parágrafos do art. 96 do CPC estão previstos os foros subsidiários, quais sejam: a) o da
situação dos bens, se o autor da herança não tinha domicílio certo, e b) o do lugar do óbito,
se o autor da herança não tinha domicílio certo e possuía bens em lugares diferentes.

Por fim, é bom atentar que compete à Justiça Brasileira, com exclusão de qualquer outra, o
processamento de inventário de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja
estrangeiro e tenha residência fora do território nacional.

45
Legitimidade

Tem legitimidade para requerer o inventário e partilha, via de regra, aquele que esteja na
posse e administrador do espólio, também conhecido como administrador provisório. O art.
988 do CPC também atribui legitimidade concorrente às pessoas que enuncia, ainda que
não estejam na posse e administração do espólio. Contudo, na hipótese do arrolamento
sumário, todos os herdeiros, em conjunto, deverão requerer a abertura do inventário.

Requisitos Específicos da Petição Inicial

A petição inicial será formulada em nome de todos os interessados, e será acompanhada da


certidão de óbito; conterá a descrição de valor dos bens do espólio bem como a declaração
dos títulos dos herdeiros. Nela se fará, ainda, a designação do inventariante, e formular-se-á
o pedido de sua nomeação.

Vale lembrar, inclusive, que serão exigidos com a inicial os comprovantes de quitações dos
impostos anteriores à sucessão.

Valor da Causa

Na ação de inventário, feita na forma de arrolamento sumário, o valor da causa será


equivalente à soma do valor atribuído aos bens deixados pelo de cujus, sejam móveis,
sejam imóveis (art. 258 cc art. 1.032, III, CPC).

46
MODELO DE PEDIDO DE ARROLAMENTO SUMÁRIO:

Isto posto requer;

I) A nomeação da primeira qualificada para o cargo de inventariante, sob compromisso

II) A homologação da partilha conforme apresentada com a conseqüente expedição dos


mandados e alvará pertinentes para a transferência dos bens aos herdeiros

III) Expedição do competente formal de partilha

IV) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

47
AÇÃO DE ALIMENTOS

Base Legal – art. 1.694 e seguintes do CC. Lei no. 5.478/68 (Alimentos) e Lei no.9.278/94

Procedimento – Rito Especial da Lei no. 5.478/68 (Alimentos)

Notas – O filho não reconhecido não pode postular alimentos segundo o rito especial. Deve
faze-lo por via ordinária, preferencialmente na investigatória de paternidade

Nomenclatura – Autor (alimentando) e réu ( alimentante)

Todo o indivíduo tem direito à subsistência. Contudo, aquele que não pode garantir sua
própria mantença, caberá à sociedade, através de órgãos estatais ou entidades, desenvolver
um mecanismo de assistência. Também ao organismo familiar esse dever assistencial é
delegado, impondo aos parentes do indivíduo necessitado, o dever de proporcionar-lhe as
condições mínimas de sobrevivência.

Diante disso, o art. 1.694 do CC prevê a exigência de alimentos, entre parentes, cônjuges e
companheiros, para viver de modo compatível com sua condição social. Alimentos, na
linguagem jurídica, tem uma conotação amplíssima, que não pode ser reduzida à noção de
mero sustento (alimentação), mas envolve, também, vestuário, habitação, saúde, lazer,
educação, profissionalização, etc.

Procedimento da Ação de Alimentos

Rito especial previsto na lei 5.478/68. Contudo o filho não reconhecido deve postular a
obrigação alimentar pela via ordinária, preferencialmente na investigatória de paternidade.

Também se postulam por via ordinária a pretensão do devedor à exoneração da prestação


alimentícia, bem como o pedido de restauração da prestação alimentar.

Foro Competente

Segundo norma do art. 100, II, do CPC, o foro competente para se ajuizar a ação de
alimentos é o do domicílio ou residência do alimentando. Todavia, o alimentando, por
conveniência, pode optar pelo foro do domicílio do réu, regra geral, consoante art. 94 do
CPC, visto que a competência prevista no art. 100 é relativa.

Legitimidade

Autor da ação é o credor da pensão alimentícia, ou seja, a pessoa que se acha


impossibilitada de, por si mesma, atender a suas necessidades para sobreviver. Como réu
figurará o indivíduo ligado ao autor pelo parentesco, casamento e pela União Estável, salvo
as outras hipóteses estranhas ao direito de família que ensejam a obrigação alimentar.

48
Na hipótese de alimentos decorrentes do parentesco, deverão figurar no pólo passivo os
parentes segundo a regra do art. 1.697 do CC. Se o parente convocado não estiver
habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. 1.698 do CC), poderá chamar outros
parentes, de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. Os outros
são, então, chamados em caráter complementar, como ocorre nas ações de neto chamando o
avô para complementar a impossibilidade econômica manifestada pelo pai.

Por fim, é importante lembrar, que tratando-se de menores o Ministério Público é parte
legítima tanto para ajuizar ação de alimentos como para postular execuções de prestações
alimentícias em favor da criança ou adolescente, conforme interpretação do art. 201, III, da
Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Caberá ao autor, além dos requisitos do art. 282 do CPC, demonstrar os requisitos
indicados nos arts. 2 o e 3o da Lei 5.478/68, a saber:

a) Exposição sumária dos fatos que demonstram as necessidades do autor;

b) Parentesco ou a obrigação de alimentar existente entre o autor e o réu;

c) Indicação de quanto o réu aufere por mês aproximadamente e os recursos que dispõe
para suportar a obrigação alimentar;

d) Apresentação de três vias da petição inicial.

Fixação dos Alimentos Provisionais

Pode o juiz, verificando que a petição inicial está devidamente instruída com os
documentos comprobatórios da obrigação alimentar, fixar alimentos provisórios (art. 4o . da
Lei 5.478/68), levando em consideração as necessidades do alimentando e a possibilidade
do alimentante, determinando a forma de pagamento ou desconto da pensão alimentícia.
Esta importância servirá para a mantença do alimentando servirá para sua mantença na
pendência da lide, partindo do pressuposto da necessidade de obter desde logo o
indispensável à subsistência.

Da decisão que fixa alimentos provisionais cabe agravo de instrumento.

Valor da Causa

Segundo o art. 259, inciso VI, do CPC, o valor da causa, na ação de alimentos, deve ser o
equivalente à soma de 12 (doze) prestações mensais pedidas pelo autor. Se o alimentando
pleitear uma porcentagem sobre os rendimentos do alimentante, cujo valor total é
desconhecido no mo mento da interposição da ação, deve-se lançar como valor da causa
uma importância meramente estimativa, tendo em vista que toda causa deve
necessariamente ser atribuído um valor (art. 258, CPC).

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MODELO DE PEDIDO DE AÇÃO DE ALIMENTOS:

Isto posto requer;

I) A concessão de alimentos provisórios a serem arbitrados por V. Excelência, com base


nas provas trazidas com a inicial e que sejam devidos em quanto se vencerem as parcelas
no curso da lide.

II) a citação do requerido por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa e
audiência, sob pena de reputarem-se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se condenar o requerido ao
pagamento dos alimentos definitivos no valor de R$......(por extenso)

IV) seja o requerido condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por
Vossa Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

50
AÇÕES LOCATÍCIAS
DAS AÇÕES DE DESPEJO

Base Legal – Artigo 59 e seguintes da Lei 8.245/91

Procedimento – Ordinário com as modificações da Lei 8.245/91

Nomenclatura – Autor e Réu

Seja qual for o fundamento do término da locação, a ação de do locador para reaver o
imóvel, com exceção das hipóteses de desapropriação, é a de despejo. A ação de despejo é
especifica do locador para reaver a coisa locada, embora possa ser deferida ao proprietário.
Trata-se do meio processual pelo qual se desfaz o vínculo contratual, obrigando o locatário
a desocupar o imóvel.

Procedimento das Ações de Despejo

A lei do inquilinato informa nos arts. 59 e seguintes que as ações de despejo terão o rito
ordinário, com algumas alterações previstas em lei.

Foro Competente

Por força do art. 58 da lei do inquilinato as ações de despejo devem ser propostas no foro
do lugar da situação do imóvel (inciso II). Trata-se, no entanto, de competência relativa,
tanto que a lei se refere à possibilidade de foro de eleição.

Legitimidade

Tem legitimidade ativa aquele que figura na qualidade de locador, bem como seus
sucessores. No pólo passivo da ação figurará o inquilino e seus eventuais sucessores.

Concessão Liminar de Desocupação nas Ações de Despejo

O parágrafo 1o . do art. 59 da lei do inquilinato permite em cinco hipóteses o despejo


liminar, com desocupação em quinze dias, sem conhecimento do réu, mediante depósito de
caução em dinheiro. São as hipóteses:

a- Descumprimento do mútuo acordo (art. 9o ., inciso I), celebrado por escrito a assinado
pelas partes e por duas testemunhas, no qual tenha sido ajustado o prazo mínimo de seis
meses para desocupação, contado da assinatura do instrumento;

b- O disposto no inciso II do art. 47, havendo prova escrita da rescisão do contrato de


trabalho ou sendo ela demonstrada em audiência prévia;

51
c- O término do prazo da locação para temporada, tendo sido proposta a ação de despejo
em até trinta dias após o vencimento do contrato;

d- A morte do locatário sem deixar sucessor legítimo na locação, de acordo com o referido
no inciso I do art. 11, permanecendo no imóvel as pessoas não autorizadas por lei;

e- A permanência do sublocatário no imóvel, extinta a locação, celebrada com o locatário.

Cumpre observar que a caução é legal e de cunho processual. Desempenha um papel


específico no processo, qual seja, acautelar o direito do réu quanto a possível prejuízo. Pela
sua natureza, é prestada no próprio bojo do processo de conhecimento.

Finalmente, deve-se lembra que a desocupação liminar não se insere propriamente nos
poderes gerais de cautela do juiz. Tal medida liminar está tratada fora do processo cautelar
propriamente dito. É providência determinada pelo juiz mediante depósito da caução, nos
próprios autos do processo de conhecimento. A execução dessa liminar processa-se de
plano, mediante simples mandado judicial.

momento devido para pedir a desocupação liminar, antes do conhecimento da parte


contrária, é com a inicial ou até a citação do réu. Para isso, o pedido de liminar deve
acompanhar a inicial ou estar inserido nela, com o comprovante da caução. Não pleiteada aí
a desocupação, deverá o autor aguardar a sentença de procedência, para então pedir a
execução provisória.

Valor da Causa

Para as ações de despejo o valor da causa será o correspondente a doze meses de aluguel
(art. 58, III da lei do inquilinato). Para sua determinação deve-se tomar como parâmetro o
último aluguel vigente, ainda que haja pedido de majoração na renovatória e na revisional.
Quando se tratar de despejo decorrente de extinção do contrato de trabalho (art. 47, II), o
valor a ser atribuído será de três salários vigentes quando do ajuizamento.

DESPEJO POR DENÚNCIA VAZIA

O despejo por denúncia vazia é aquele que permite ao locador denunciar o contrato de
locação, firmado por escrito e com prazo igual ou superior a 30 meses, sem ter que
justificar seu pedido, nos termos do art. 46 da lei do inquilinato. Daí porque da expressão
“vazia”, pois o pedido não está relacionado a uma conduta específica do locatário, mas sim
ao simples término da relação locatícia.

Assim, terminado o prazo do contrato, o seu simples decurso interpela o devedor. O termo
final do prazo constitui o devedor em mora. Portanto, não é o locatário surpreendido com a
ação de despejo movida contemporaneamente à extinção do prazo contratual. Co ntudo,
caso o contrato já esteja vigorando por prazo indeterminado (parágrafo 1o . do art. 46), o
locador deve notificar o inquilino para que desocupe o imóvel no prazo de 30 dias. A
notificação, neste caso, é imprescindível, sendo que na sua omissão há carência de ação.

52
Cabe observar, na hipótese de contrato por prazo indeterminado, que a ação de despejo
deve ser proposta em seguida ao escoamento do prazo de notificação, caso contrário
perderá a eficácia. Há que se entender como razoável que o despejo seja ajuizado 30 dias
após o decurso de prazo concedido na notificação.

Por fim, é bom lembrar que o art. 47, inciso V também traz uma hipótese de denúncia vazia
para as locações ajustadas verbalmente ou por escrito e com prazo inferior a trinta meses.
Nesta hipótese, se a vigência ininterrupta da locação ultrapassar 05 anos, o imóvel pode ser
retomado por esta modalidade de despejo, mediante prévia notificação. Outra situação é a
descrita no parágrafo único do art. 50, o qual dispõe sobre a prorrogação do contrato de
locação por temporada. Caso isso ocorra a denuncia ocorrerá após 30 meses do início da
relação contratual, exigindo, também, a notificação prévia.

DESPEJO POR DENÚNCIA CHEIA

O despejo por denúncia cheia ou motivada é aquele cujas possibilidades de retomada do


imóvel estão indicadas nos incisos do art. 47 da lei do inquilinato. Nestes casos não há
necessidade de notificação prévia do inquilino

As hipóteses de denúncia motivada são:

a) Casos de desfazimento da locação do art. 9 o ;


b) Desocupação do imóvel por extinção do contrato de trabalho;
c) Uso próprio e uso residencial de ascendente ou descendente (Art. 47, III);
d) Demolição e edificação ou realização de obras aprovadas pelo Poder Público (Art. 47,
IV).

DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO

O despejo por falta de pagamento é de fato uma das modalidades de despejo por denúncia
motivada. Contudo, em razão da sua importância prática a lei do inquilinato dedicou-lhe
um tratamento mais específico.

A lei do inquilinato permite expressamente (art. 62, I) a cumulação do pedido de despejo


com o de cobrança de aluguéis. A inicial deve vir acompanhada com o cálculo
discriminado do valor do débito. Com isto se permite que o devedor purgue a mora ou se
defenda de parcelas discutíveis incluídas na inicial. Poderá o devedor evitar a rescisão,
requerendo, no prazo da contestação, autorização para pagamento do débito atualizado. O
devedor deve fazer pedido expresso nesse sentido. Esse pagamento de que fala a lei se
constitui na purgação da mora.

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M ODELO DE PEDIDO DE DESPEJO POR DENÚNCIA VAZIA:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim determinar a rescisão do
contrato de locação, determinando-se o imediato despejo do inquilino, expedindo-se, para
tanto, o competente mandado.

III) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

IV) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

V)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

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MODELO DE PEDIDO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem-se aceitos os fatos alegados (artigo 319), ou, no mesmo
prazo, requeira a purgação da mora.

II) a intimação de___________, residente na_______________, na qualidade de fiadores


do contrato de locação, para que tomem ciência da presente ação.

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim determinar a rescisão do
contrato de locação, determinando-se o imediato despejo do inquilino, expedindo-se, para
tanto, o competente m andado.

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)


(nome do advogado)
(OAB do advogado)

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AÇÃO REVISIONAL DE ALUGUEL

Base Legal – Art. 19 e 68 a 70 da lei do inquilinato (L. 8.245/91)

Procedimento – Rito Sumário

Notas – A ação revisional pode ser proposta tanto pelo locador como pelo locatário

Nomenclatura – Autor e Réu

A ação revisional tem como finalidade recolocar o valor do aluguel do imóvel num patamar
adequado do mercado imobiliário. Presume-se que quando foi contratada a locação o preço
estava de acordo com esse mercado. No decorrer da locação pode haver alteração do seu
justo valor, justamente porque a médio e lo ngo prazo o simples reajuste pelos índices de
inflação, torna irreal o valor do aluguel. Além disso, pode o aluguel estar fora do valor do
preço real retributivo pelo uso e gozo do imóvel.

Cumpre observar que a ação revisional pode ser proposta tendo como objeto um contrato de
locação residencial como não-residencial, protegido ou não pela ação renovatória.

Prazo para a Ação Revisional de Aluguel

O art. 19 da lei do inquilinato impõe um prazo mínimo que deve ser observado para que a
ação revisional possa ser intentada, qual seja três anos contados a partir da vigência do
contrato ou do acordo realizado entre as partes. Não há necessidade que o acordo seja feito
de modo formal. Pode ser provado por outros meios de prova (ex. Recibos).

Note-se que mesmo sendo o contrato superior a três anos, é esse o período mínimo para a
propositura da ação, ainda que o contrato esteja em pleno vigor.

Procedimento da Ação Revisional de Aluguel

Trata-se de procedimento especial disciplinado pelo art. 68 e seguintes da lei do inquilinato.

Foro Competente

Por força do art. 58 da lei do inquilinato as ações de despejo devem ser propostas no foro
do lugar da situação do imóvel (inciso II). Trata-se, no entanto, de competência relativa,
tanto que a lei se refere à possibilidade de foro de eleição.

Legitimidade

Depende do interessado na revisão do contrato. Pode figurar no pólo ativo tanto o locador
como o locatário e, portanto, o pólo passivo será preenchido pela outra parte da relação
contratual.

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Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos do art. 276 e 282 do CPC, a petição inicial deverá indicar o valor do
aluguel cuja fixação é pretendida (art. 68, I da lei do inquilinato). Portanto, está incompleta
a inicial sem esse requisito, não podendo ser admitida.

Pedido de Aluguel Provisório

O autor poderá formular pedido de aluguel provisório nos termos do art. 68, II da lei do
inquilinato. Assim, ao proferir o despacho inicial, se houver o requerimento, o juiz fixará o
valor do aluguel provisório que será devido desde a citação até a sentença transitada em
julgado (art. 69 da lei do inquilinato), cujo arbitramento deve observar a limitação legal,
qual seja, 80% do pedido.

A lei do inquilinato é clara ao estabelecer que o aluguel provisório será fixado tendo em
vista elementos fornecidos pelo autor ou por ele indicados. Esse aluguel provisório sofrerá,
no curso da ação, os reajustes periódicos fixados no próprio contrato ou na lei, evitando-se
que fique defasado pelo curso do processo. O não pagamento desse aluguel também torna o
locatário inadimplente, autorizando a ação de despejo por falta de pagamento.

Valor da Causa

Para a ação revisional de aluguel o valor da causa será o correspondente a doze meses de
aluguel (art. 58, III da lei do inquilinato). Para sua determinação deve -se tomar como
parâmetro o último aluguel vigente, ainda que haja pedido de majoração na renovatória e na
revisional.

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MODELO DE PEDIDO AÇÃO REVISIONAL DE ALUGUEL:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se revisar o contrato de
locação, ajustando-o o aluguel ao valor de R$____________________________.

III) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

IV) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

V)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

58
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO DE ALUGUEL E ACESSÓRIOS DA
LOCAÇÃO

Base Legal – Art. 67 da lei do inquilinato (L. 8.245/91)

Procedimento – Rito Especial

Nomenclatura – Autor e Réu

Trata-se de uma modalidade específica de consignação em pagamento própria da lei do


inquilinato. Daí porque as regras sobre a ação de consignação em pagamento prevista nos
art. 890 e seguintes do CPC se aplicam subsidiariamente.

Procedimento da Ação

A lei do inquilinato prevê um rito especial para esta ação, nos termos do art. 67.

Foro Competente

A ação de consignação de aluguel deve ser ajuizada no foro da situação do imóvel,


conforme previsto no art. 58, II da lei do inquilinato, salvo se outro houver sido eleito no
contrato de locação.

Legitimidade

Como regra geral é o locatário que figura no pólo ativo da ação. Contudo, um terceiro,
interessado ou não, desde que atendidas as regras gerais subjetivas do pagamento pode
valer-se da consignação de aluguel e acessórios da locação. Nessa hipótese temos como
exemplo clássico a consignação proposta pelo fiador.

No pólo passivo, a regra geral é que aquele que pode dar quitação válida deve ser
demandado na consignação. Assim sendo, podem figurar o credor (via de regra o locador) e
seu procurador. Divide-se a jurisprudência acerca da possibilidade de ser movida a
consignatória contra a administradora do imóvel. No entanto, tendo poderes para receber o
pagamento dos alugueis, pode ser demandada.

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos do art. 282 do CPC, a ação de consignação de aluguel e acessórios da
locação exige que o autor especifique na petição inicial os aluguéis e acessórios da locação
com indicação dos respectivos valores (art. 67, I).

59
Determinada a citação do réu o autor tem o dever de depositar a importância consignada na
petição inicial. Entende-se implícito o pedido consignatório dos aluguéis e parcelas que se
vencerem no curso da tramitação do processo. Não é necessário pedido expresso nesse
sentido.

Valor da Causa

Para a ação de consignação de aluguel e acessórios da locação o valor


da causa será o correspondente a doze meses de aluguel (art. 58, III da lei do inquilinato).
Para sua determinação deve-se tomar como parâmetro o último aluguel vigente.

60
M ODELO DE PEDIDO DE AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO DE ALUGUEL E
ACESSÓRIOS DA LOCAÇÃO:

Isto posto requer;

I) Se digne V. Excelência em determinar o depósito da (quantia / coisa) devida no prazo de


cinco dias, e que se deferido, seja permitido os sucessivos depósitos enquanto se vencerem
os alugueis no curso da lide.

II) a citação do réu por oficial de justiça para, em querendo, proceda ao levantamento dos
alugueis depositados ou em querendo apresente defesa no prazo de 15 dias, sob pena de
reputarem-se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se declarar a extinção do
débito locatício por meio dos depósitos ora efetivados.

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)


(nome do advogado)
(OAB do advogado)

61
AÇÃO RENOVATÓRIA

Base Legal – Art. 51 e seguintes e 71 e seguintes da Lei 8.245/91

Procedimento – Especial nos termos do artigo 71 da Lei 8.245/91

Nomenclatura – Autor e Réu

A renovação compulsória do contrato de locação não residencial, por meio da ação


renovatória, tem como base o direito de inerência do locatário no ponto comercial (também
chamado de direito à tutela do ponto comercial). Este direito exterioriza-se na relação entre
a atividade desenvolvida pelo locador empresário e a localização do estabelecimento, a qual
determina a formação da freguesia e do aviamento da empresa. Daí porque é possível
afirmar o ponto como um direito autônomo do próprio direito de propriedade.

Portanto, assegurada em dadas condições a renovação do contrato de locação não


residencial, a lei do inquilinato visou garantir e proteger ao empresário o desfrute do ponto
comercial, o qual integra seu estabelecimento empresarial.

Procedimento da Ação Renovatória

A lei do inquilinato prevê um rito especial para esta ação, nos termos do art. 71, o qual
deverá observar os requisitos do art. 282 do CPC.

Foro Competente

A ação renovatória deve ser ajuizada no foro da situação do imóvel, conforme previsto no
art. 58, II da lei do inquilinato, salvo se outro houver sido eleito no contrato de locação.

Legitimidade

O locatário empresário (pessoa natural ou pessoa jurídica) é o titular por excelência da ação
renovatória. Ao seu lado, também estão legitimados:

a) Os cessionários ou sucessores da locação (art. 51, parágrafos 1o. e 3o.);


b) O sublocatário da totalidade ou de parte do imóvel (art. 51, parágrafo 1o.)
c) A sociedade de que faça parte o lo catário, se o contrato de locação autorizar que a ela
seja transferido o estabelecimento comercial (art. 51, parágrafo 2o.)
d) O sócio remanescente da sociedade empresária, no caso de dissolução da sociedade ou
de morte de um dos sócios, se continuar no mesmo ramo de atividade (art. 51, parágrafo
3o.)
e) Os estabelecimentos industriais e as sociedades simples de fins lucrativos (art. 52,
parágrafo 4o.).

62
Importante notar, que se a ação for proposta pelo sócio - locatário, deverá a sociedade
comparecer aos autos para confirmar o propósito de ocupar o imóvel, caso seja deferida a
retomada.

O sujeito passivo da ação renovatória é o locador, seja qual for sua condição jurídica em
relação ao imóvel locado, ou seja, proprietário, condômino, usufrutuário, credor anticrético,
compromissário -comprador, fiduciário, etc.

No caso de sublocação, o sublocador, originário ou sucessivo, é também sujeito passivo da


ação.

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos exigidos pelo art. 282 do CPC, a petição inicial da ação renovatória
deve encerrar as exigências descritas nos incisos do art. 51 e 71 da lei do inquilinato. São
elas:

a) Contrato Escrito com Prazo Determinado (Art. 51, I) – Não haverá direito a renovação se
não houver contrato de locação não residencial escrito. Do mesmo modo, não pode ser
renovado compulsoriamente o contrato que vige por prazo indeterminado.

b) Prazo Mínimo da Relação Locatícia (Art. 51, II) – A lei impõe que o prazo mínimo da
relação contratual estabelecida entre as partes seja de no mínimo 05 anos para a propositura
da ação renovatória. Não se trata de um único contrato de 05 anos, mas sim a somatória de
todos os períodos da locação, desde que essa contagem se dê de forma ininterrupta. Com
isso a lei do inquilinato sacramentou o instituto da acessio temporis.

c) Exploração Trienal do Comércio e Indústria (Art. 51, III) – Deve o autor demonstrar a
exploração ininterrupta de no mínimo de três anos do mesmo ramo de atividade, justamente
para comprovar a existência de um ponto comercial estabilizado que, presumivelmente,
formou uma clientela. Esse triênio não pode ser completado no curso da ação, sob pena do
autor ser declarado carecedor da mesma. A soma de prazos explorativos do mesmo ramo de
atividade só se permite na cessão ou sucessão na locação e no estabelecimento empresarial.
Nunca no caso de sublocação, cujo prazo não se soma ao do locatário, em hipótese alguma,
para totalizar o triênio previsto pela lei.

Por exigir a continuidade da exploração do mesmo ramo, a lei não impede que o locatário
amplie seu estabelecimento, passando a negociar com artigos afins, ou a exercer atividades
industriais análogas ou complementares do ramo principal.

A prova de exploração do mesmo ramo de atividade deve acompanhar a petição inicial.


Exibem-se, como princípio de prova, por exemplo, os recibos de impostos relacionados
com as atividades comerciais ou industriais, assim como através de provas documentais
(ex. contratos de prestação de serviço), perícia e testemunha.

63
d) Exato Cumprimento do Contrato (Art. 71, II) – A prova do exato cumprimento do
contrato se faz com a juntada dos recibos de aluguel e de impostos, taxas, seguros e demais
contribuições que, recaindo sobre o imóvel, sejam de responsabilidade do inquilino. Cabe
ainda ao autor, em relação ao aluguel, demonstrar o correto cumprimento dessa obrigação
ao último mês vencido.

e) Prova da Quitação de Impostos e Taxas (Art. 71, III) – Com a inicial deve o autor juntar
o comprovante de pagamento dos impostos e taxas a seu cargo. Incluem-se as despesas de
condomínio que competem ao locatário.

f) Indicação Clara e Precisa das Condições Oferecidas para a Renovação (Art 71, IV) –
Deve o autor apresentar uma proposta idônea para a renovação do contrato de locação, ou
seja, de acordo com a rea lidade do mercado. A proposta de renovação pode vir no bojo da
petição, ou em documento à parte.

g) Indicação de Fiador para Garantia do Cumprimento do Contrato (Art. 71, V, VII) – Deve
vir com a inicial documento idôneo do fiador, responsabilizando-se pelo contrato, com a
autorização do cônjuge se for o caso, para não tornar a garantia nula. Não se esqueça que as
garantias locatícias não se resumem à fiança (art. 37). Pode o autor apresentar caução ou
seguro fiança. Em todos os casos será examinada a idoneidade da garantia.

Eventualmente se a ação for proposta pelo cessionário ou sucessor da


locação, estes deverão instruir a inicial com essa prova (art. 71, VII). Sem essa prova o
autor nessas condições se sujeitará a um decreto de ilegitimidade de parte.

Valor da Causa

Para a ação de consignação de aluguel e acessórios da locação o valor da causa será o


correspondente a doze meses de aluguel (art. 58, III da lei do inquilinato). Para sua
determinação deve-se tomar como parâmetro o último aluguel vigente.

64
MODELO DE PEDIDO DE AÇÃO RENOVATÓRIA:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

II) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se renovar o contrato firmado
entre o autor e o réu, tendo em vista o cumprimento do disposto no art. 51 e 71 da Lei
8.245/91, nas seguintes condições____________(indicar as bases contratuais conforme o
problema)

III) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

IV) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

V)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

65
USUCAPIÃO DE BENS IMÓVEIS

Base Legal – Artigos 1.238 e seguinte do C.C.

Procedimento – Art. 941 e seguintes do CPC

Notas – O autor da ação deve demonstrar a sua qualidade de possuidor de boa-fé

Nomenclatura – Autor e réu

A usucapião, também chamada de prescrição aquisitiva, é um dos modos de aquisição de


propriedade e de outros direitos reais suscetíveis de exercício continuado (entre eles, as
servidões e o usufruto) pela posse prolongada no tempo. O fundamento da usucapião está
assentado no princípio da utilidade social, na conveniência de se dar segurança e
estabilidade à propriedade, bem como de se consolidar as aquisições e facilitar a prova do
domínio.

Pressupostos da Usucapião

Os pressupostos da usucapião são:

a- Coisa Hábil (res habilis) - . É o bem suscetível de usucapião. Assim, os bens fora do
comércio e os bens públicos são se sujeitam a usucapião. A jurisprudência consolidou-se
nesse sentido, coforme se verifica pela Súmula 340 do STF: “Desde a vigência do Código
Civil (1916), os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos
por usucapião”.

b- Posse (Possessio) – Exige a lei que a posse seja mansa e pacífica, ou seja, que ela venha
sendo exercida pelo possuidor, sem qualquer oposição por parte do proprietário do bem ou
de terceiro. A posse deve ser ainda ser justa, pois a violência e a clandestinidade, equanto
perdurem, impedem a ocorrência da usucapião, ao passo que a precariedade o impossibilita
permanentemente. A boa-fé do possuidor também é exigida quando se tratar de usucapião
ordinário.

c- Tempo – A posse deve ser exercida por todo lapso temporal de modo contínuo conforme
a hipótese específica, sem interrupção ou impugnação.

Procedimento da Usucapião

O art. 941 a 945 do CPC trata do processamento da ação de usucapião de terras


particulares. Serão processados no rito sumário a usucapião especial urbana e rural, em
razão da incidência da lei 6.969/81.

66
Foro Competente

A ação de usucapião deverá ser proposta no foro da situação do imóvel, no juízo


especializado (Vara de Registros Públicos), se houver.

Legitimidade

Em relação à legitimidade ativa, diz a lei (CPC art. 941), que a usucapião compete ao
possuidor.

Sendo vários os possuidores de uma só gleba, sem posse localizada individualmente, o caso
será de composse, hipótese em que, sendo comum a posse, só em conjunto os
compossuidores poderão exercer a pretensão de usucapir. Na constância do casamento a
regra é ser comum a posse entre os cônjuges, de sorte que a ação de usucapião é de ser
proposta em nome de ambos os consortes. Neste caso, a mulher é litisconsorte necessário
na ação de usucapião intentada pelo marido.

O espólio do possuidor também tem legitimidade para propor ação de usucapião.

Em relação ao pólo passivo da ação de usucapião, afirma-se que a relação processual se


aperfeiçoa com a citação dos réus certos e incertos. Certos são as pessoas em cujo nome o
imóvel estiver transcrito no Registro Imobiliário e os confinantes do prédio usucapiendo
(CPC art. 942). Já os incertos se dividem em: ausentes, ou seja, as pessoas conhecidas, com
interesse na causa, cujo paradeiro se ignora; e os incertos, os quais, por sua vez, são todos
aqueles cuja existência é possível mas não conhecida. Nesta hipótese temos, por exemplo, o
proprietário ou o condômino sem título transcrito no Registro de Imóveis.

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos do art. 282 do CPC, a petição inicial deve conter:

a) Descrição do imóvel usucapiendo, mediante instrução documental de sua planta;


b) Certidão do Registro de Imóveis, visando à apuração da identidade do proprietário do
bem;
c) Certidões negativas da existência de ação possessória que tenha por objeto o bem
usucapiendo, em razão da vedação contida no art. 923 do CPC.
d) Pedido de citação pessoal daquele em cujo nome esteja registrado o imóvel usucapiendo,
dos confinantes e do eventual possuidor do bem, mais a citação editalícia dos réus em lugar
incerto e dos eventuais interessados (CPC, art. 942); e
e) A intimação dos representantes da Fazenda Pública da União, do Estado (ou do Distrito
Federal) e do Município onde se situa o imóvel.

Valor da Causa

Por aplicação analógica ao art. 259, VII do CPC o valor da causa nas ações de usucapião é
o valor venal do imóvel.

67
MODELO DE PEDIDO DE AÇÃO DE USUCAPIÃO:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 dias, sob pena de reputarem-se aceitos os fatos alegados (artigo 319). Requer, da
mesma forma, a citação dos confinantes nos termos do art. 942 do CPC, determinando a
expedição de edital para os réus incertos.

II) Requer a intimação das Fazendas, bem como do Ministério Público nos termos dos arts.
943 e 944 do CPC.

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se declarar a propriedade do
autor sobre o imóvel, com a expedição de mandado para o respectivo registro na
matrícula.

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.
Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

68
EMBARGOS DE TERCEIROS

Base Legal – Arts. 1.046 e seguintes do CPC

Procedimento – Especial

Notas – Distribuição por dependência

Nomenclatura – Embargante e Embargado

Introdução

Os embargos de terceiros podem ser vistos como um remédio processual que a lei dispõe
àquele que sofre turbação ou esbulho na posse de seus bens por ato de apreensão judicial,
em casos como o de penhora, arresto, seqüestro, alienação judicial, arrecadação,
arrolamento, inventário, partilha, etc. Os embargos se prestam para tutelar uma posição
jurídica material autônoma, distinta e incompatível com aquela que envolve os primitivos
litigantes.

Prazo para a Oposição dos Embargos

Dois são os momentos fixados pelo CPC para a oposição dos embargos de terceiro:
tratando-se de turbação ou esbulho resultante de ato de constrição em processo de
conhecimento, é possível sua oposição a qualquer tempo, enquanto não transitada em
julgado a sentença, já no processo de execução poderão ser opostos até cinco dias após a
arrematação, adjudicação ou remição, mas antes da assinatura da respectiva carta, inclusive
no período de férias forenses.

Foro Competente

Nos termos do art. 1.049 do CPC, é competente para o processamento dos embargos o juiz
que ordenou a apreensão do bem, vale dizer, aquele que determinou a expedição do
mandado de penhora ou de apreensão.

Legitimidade

O art. 1.046 do CPC indica que está legitimado ativamente a opor os embargos de terceiro
todos aquele que, não sendo parte no processo, sofrer turbação ou esbulho de seus bens, por
ato de apreensão judicial.

Existem pessoas que conservam a legitimidade para os embargos, embora tenham


participado do processo primitivo:

a) O substituto processual;
b) O assistente, que figura no processo, mas defende direito apenas do assistido;

69
c) O que figurou como parte no processo, mas defende bens que pelo título de sua aquisição
ou pela qualidade em que os possuir, não podem ser atingidos pela apreensão judicial (art.
1.046, parágrafo 2o.).
c) A mulher casada que, na execução do marido, foi intimada da penhora, e nos embargos
defende, em nome próprio, sua meação, os bens dotais,os próprios e os reservados (art.
1.046, parágrafo 3o.).

Sujeitos passivos dessa ação são todos os que, no processo originário, têm interesse nos
efeitos da medida impugnada. Diante dessa circunstância, não há nada que impeça o
litisconsórcio passivo entre todos os sujeitos do processo primitivo

Requisitos Específicos da Petição Inicial

A petição inicial dos embargos deve satisfazer as exigências do art. 282. Para a obtenção de
medida liminar, a inicial será instruída com documentos que comprovem sumariamente a
posse do embargante, sua qualidade de terceiro e rol de testemunhas, se necessário (art.
1.050 do CPC).

Valor da Causa

O valor da causa é o dos bens cuja posse ou domínio disputa o embargante. Tratando-se de
bem imóvel, deve-se utilizar a estimativa oficial para lançamento do IPTU, ordinariamente
denominado “valor venal”.

70
MODELO DE PEDIDO DE EMBARGOS DE TERCEIROS:

Isto posto requer;

I) A expedição liminar de mandado de manutenção / restituição em favor do embargante,


requerendo desde a juntada da inclusa guia de depósito no valor dos bens a título de
caução

II) o sobrestamento do feito nos termos do artigo 1052 do CPC até decisão final da
presente ação.

III) a citação do embargado por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no
prazo de 10 dias, sob pena de reputarem -se aceitos os fatos alegados (artigo 319)

IV) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se determinar a decretação
da posse em definitivo em favor da embargante.

V) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

VI) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VII)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.
Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)


(nome do advogado)
(OAB do advogado)

71
AÇÃO MONITÓRIA

Base Legal – Arts. 1.102a e seguintes do CPC

Procedimento – Procedimento especial

Nomenclatura – Autor e Réu

A ação monitória compete a quem pretender, com base em pro va escrita sem eficácia de
título executivo, pagamento de soma em dinheiro, entrega de coisa fungível ou de
determinado bem móvel. O procedimento monitório substitui a ação de conhecimento, se o
credor assim desejar. Assim, de acordo com este instituto, credor, em determinadas
circunstâncias, pode pedir ao juiz, ao propor a ação, não a condenação do devedor, mas
desde logo a expedição de uma ordem ou mandado para que a dívida seja saldada no prazo
estabelecido em lei.

Procedimento da Ação Monitória

O CPC, arts. 1.102a e seguintes, prevê procedimento especial para ação monitória.

Foro Competente

A ação monitória deve ser ajuizada, de regra, no foro do domicílio do réu (art. 94, CPC).

Legitimidade

Tem legitimidade ativa todo aquele que se apresentar como credor da obrigação de soma
em dinheiro, de coisa fungível ou de coisa certa móvel; tanto o credor originário, como o
cessionário ou sub-rogado. Podem usar, ativamente, o procedimento monitório tanto as
pessoas físicas como as jurídicas, de Direito Público ou Privado.

Sujeito Passivo da ação monitória é aquele que figura co obrigado ou devedor por soma de
dinheiro, coisa fungível ou coisa certa móvel. O mesmo se diz de seu sucessor universal ou
singular.

Em relação às pessoas jurídicas de direito privado, não há restrição alguma quanto ao


emprego da ação monitória, sendo possível utiliza- la também contra os sócios, sempre que
configurada sua responsabilidade solidária ou subsidiária, segundo o direito material.

Havendo vários coobrigados, solidariamente responsáveis pela dívida, a ação monitória


torna-se manejável contra todos, em litisconsórcio passivo, ou contra cada um deles
isoladamente, visto que o litisconsórcio, na espécie, não é necessário.

72
Requisitos Específicos da Petição Inicial

A petição inicial tem de atender os requisitos do art. 282 do CPC, além de outros requisitos
especiais. Estes dizem respeito ao objeto da monitória (pagar soma de dinheiro ou entregar
coisa fungível ou coisa móvel determinada, visto que a utilização da via monitória é restrita
às situações puramente patrimoniais), quanto os atinentes à documentação exigida por lei.

Exige o art. 1.102a do CPC, que a petição inicial da ação monitória seja instruída com a
“prova escrita” do direito do autor. É grande a variedade da prova documental hábil a
instruir a petição inicial. Entre eles, os mais comuns são:
a) Títulos de crédito prescrito. Nesse sentido, o STJ editou a súmula 299: “É admissível a
ação monitória fundada em cheque prescrito”;
b) Títulos de crédito sem algum requisito exigido em lei (ex. duplicata sem aceite)
c) O documento assinado pelo devedor, mas sem testemunhas;
d) Confissões de dívida carentes de testemunhas instrumentárias;
e) Acordos e transações não homologados;
f) As cartas ou bilhetes de que se possa inferir confissão de dívida;
g) Documentos desprovidos de duas testemunhas (contrato de abertura de crédito); e
h) Carta confirmando a aprovação do valor do orçamento e a execução dos serviços.

Valor da Causa

Na ação monitória, o valor da causa deve ser equivalente ao valor total da dívida cobrada
ou do bem cuja entrega se busca.

73
MODELO DE PEDIDO DE AÇÃO MONITÓRIA:

Isto posto requer;

I) A expedição de mandado monitório, determinando a citação do réu para que no prazo


de 15 dias (pague / cumpra) o mandado sob pena de conversão em título executivo nos
termos do artigo 1102 B do CPC.

II) Em querendo, poderá o réu em igual prazo apresentar embargos.

III) Caso o mandado não seja cumprido espontaneamente requer seja o réu condenado,
nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa Excelência (artigo 20, CPC)

IV) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

V) com a eventual oposição de embargos protesta provar o alegado por todos os meios de
prova em direito admitidos que ficam desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________ (valor do mandado)

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

74
PARTE V – PROCESSO CAUTELAR
Sinteticamente, as medidas cautelares são meios pelos quais, diante de uma situação
perigosa, o direito processual elimina a possibilidade ou a probabilidade de um dano, o qual
prejudicará um fato ou um direito de um litigante. Daí porque é possível afirmar, que o
processo principal tem por escopo a definitiva composição da lide, enquanto o cautelar
apenas visa afastar situações de perigo para garantir o bom resultado daquela mesma
composição da lide.

No dizer de Humberto Theodoro Júnior “o processo principal busca tutelar o direito, no


mais amplo sentido, cabendo ao processo cautelar a missão de tutelar o processo, de modo
a garantir que o seu resultado seja eficaz, útil e operante (...) O poder instrumental
manipulado pela parte na ação cautelar não assenta na pretensão material, que é objeto
do processo chamado principal, mas na necessidade de garantir estabilidade ou
preservação de uma situação de fato e de direito sobre a qual vai incidir a prestação
jurisidicional” 2 . Com isso, a sentença proferida em processo cautelar não faz coisa julgada
material, pois é característico das cautelares como provimento emergencial de segurança, a
possibilidade de sua substituição (art. 805 do CPC), modificação ou revogação, a qualquer
tempo (art. 807).

REQUISITOS DA TUTELA CAUTELAR

Dois são os requisitos que a parte deverá demonstrar: o “fumus boni iuris” e o “periculum
in mora”.

O “Fumus Boni Iuris”

Para o ingresso de uma medida cautelar há uma plasibilidade do direito invocado, ou seja, a
simples narração feita pelo requerente da ação permite ao juiz reunir elementos de
convencimento suficientes. Conclui-se, assim, que a medida cautelar é um instrumento
necessário, pois sem ela não possibilidade de êxito na composição definitiva da lide.

O fumus boni iuris é um simples indício, um ligeiro grau de aparência do direito alegado.
Justamente porque é o direito de ação, como direito a um processo eficaz, que se defende
no processo cautelar. Para aferir o preenchimento desse requisito, o juiz bão faz um exame
aprofundado da relação jurídica sub judice. Portanto, Incertezas ou imprecisões a respeito
do direito material do requerente não podem assumir a força de impedir- lhe o acesso à
tutela cautelar.

O “Periculum in Mora”

Trata-se de uma probabilidade de dano, de um temor que venha faltar circunstâncias


favoráveis à própria tutela, ou seja, um prejuízo ao interesse processual do requerente. Com

2
THEODORO Júnior, Humberto.Curso de Direito Processual Civil – Processo de Execução e Processo
Cautelar. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.407/409.

75
isso, toda vez que houver possibilidade de dano a uma parte, em decorrência da demora no
curso do processo principal, haverá periculum in mora.

A configuração do perigo depende da cumulação de três elementos, a saber: a) receio


fundado, ou seja, uma ameaça ligada a uma situação objetiva, demonstrável concretamente;
b) perigo de dano próximo ou iminente, o qual provavelmente ocorra durante o curso do
processo principal; e c) dano de difícil reparação ou irreparável, fato este que justifica a
urgência da tutela pretendida.

PODER GERAL DE CAUTELA

Além dos procedimentos cautelares específicos, também chamados nominados, a lei


processual, no art. 798 admite a possibilidade de concessão de providências inominadas
para coibir qualquer situação de perigo que possa comprometer a eficácia e utilidade do
processo principal. Esse poder de suprir as lacunas das medidas específicas previstas no
CPC é conhecido, doutrinariamente, como poder geral de cautela.

O poder geral de cautela tem finalidade supletiva, buscando complementar o sistema


protetivo de direitos, ou seja, trata-se de uma atividade destinada a evitar um perigo
proveniente de um evento possível ou provável, que possa suprimir ou restringir os
interesses tutelados pelo direito.

PROCEDIMENTOS CAUTELARES ESPECÍFICOS

ARRESTO

Base Legal – Arts. 813 a 821 do CPC

Notas – O arresto tem como base a discussão de crédito.

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

Trata-se de uma medida cautelar para garantir uma futura execução por quantia certa,
consistente na apreensão de bens indeterminados do patrimônio do devedor. Para que se
postule o arresto é necessário que a dívida já exista, embora não seja necessário que ela
esteja vencida.

Competência

Conforme a regra do art. 800 do CPC, a competência para o arresto é do juízo da causa
principal, ou seja, da execução. Em casos excepcionais de urgência, o arresto pode ser
admitido pelo juízo da situação dos bens.

76
Procedimento

Processa-se o arresto segundo o procedimento comum das medidas cautelares, previsto nos
arts. 802 e 803. Para provar que estão preenchidos os requisitos para a concessão do arresto,
o credor poderá valer-se de prova documental, ou de justificação prévia.

Legitimação

Pode ingressar com o arresto aquele que tem legitimação para a execução por quantia certa.
A legitimação passiva é daquele que deve ocupar posição de devedor na execução por
quantia certa ou ao que foi condenado nos casos de sentença e laudo arbitral mencionados
no parágrafo único do art. 814.

Requisitos Específicos

Além dos requisitos gerais das medidas cautelares, a concessão do arresto depende do
atendimento cumulativo de dois requisitos específicos enumerados no art. 814 do CPC, a
saber:

a) Prova de dívida líquida e certa – Cabe ao interessado provar a existência da dívida. Este
requisito corresponde ao chamado fumus boni iuris, justamente porque somente deve
demonstrar esta qualidade em juízo para que possa manejar o arresto cautelar.
b) Prova documental ou justificação da existência de alguma das situações previstas no art.
813 – Este requisito reporta-se ao periculum in mora, ou seja, as situações que autorizam a
admitir o fundado temor de que a garantia da futura execução pode desaparecer, frustrando-
lhe a eficácia e utilidade. Resumidamente, os permissivos legais do arresto se fundam no
receio de fuga ou insolvência do devedor, na ocultação ou dilapidação de bens ou de outro
artifício tendente a fraudar a execução e nos casos especificados em lei. É importante
observar que as situações de perigo enumeradas nos incisos do art. 813 não são taxativas,
mas exemplificativas.

Caução

A prova documental do perigo de dano e sua justificativa podem ser dispensadas se o


requerente prestar caução, nos termos do art. 816, II do CPC. Quando isso ocorre, cabe ao
juiz indicar o montante da caução (valor), e a espécie dela (real ou fidejussória), bem como
o modo de presta- la.

Bens Arrestáveis

Objeto do arresto são os bens patrimoniais do devedor, móveis ou imóveis, desde que
satisfeito o requisito da penhorabilidade, porquanto seu fim é converter-se, posteriormente,
em penhora. O interesse do requerente tutelado pela via do arresto não diz respeito,
propriamente, ao bem constrito, mas ao valor que ele representa.

77
Valor da Causa

O valor da causa deve ser correlato à questão tratada,ou seja, deve expressar o valor
estimado dos bens a serem arrestados. Porém, se esta estimativa não for possível, o
requerente tem autonomia para fixa-lo segundo critérios subjetivos próprios, desde que
compatível com as circunstâncias gerais do caso (art. 258, CPC).

SEQÜESTRO

Base Legal – Arts. 822 a 825 do CPC

Notas – O seqüestro tem como base a discussão de bens específicos objeto de litígio

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

O seqüestro consiste na apreensão de coisa determinada, a qual é objeto de um litígio.


Muito embora existam pontos em comum com o arresto, com ele não se confunde. O
arresto recai sobre bens quaisquer, bastantes para a garantia da futura execução por quantia
certa, convolando-se, futuramente, em penhora. Já o seqüestro é uma medida de apreensão
sobre uma coisa específica, justificada pelo temor de seu perecimento ou deterioração.
Além disso, o seqüestro não será convolado em penhora, para futura alienação do bem, mas
garantirá a posterior entrega a quem vencer a ação principal.

O seqüestro supõe dúvida sobre o direito material da parte e perigo de desaparecimento da


coisa, daí porque existe o tanto o seqüestro preparatório como o seqüestro incidente.
Finalmente, é importante observar que o art. 822 apenas enumera de forma exemplificativa
as hipóteses de cabimento.

Competência

Conforme a regra do art. 800 do CPC, a competência para o seqüestro é do juízo da causa
principal. Extraordinariamente, do relator, se o processo já estiver no Tribunal.

Procedimento

Nada há de específico no procedimento do seqüestro, que segue, no que couber, o


procedimento adotado pelo CPC para a cautelar de arresto.

78
Legitimação

A legitimidade ativa do seqüestro é daquele que possui interesse sobre determinado objeto
em litígio. As principais hipóteses estão indicadas no art. 822 do CPC (rol exemplificativo):

a) Sobre bens móveis, semoventes ou imóveis, quando lhes for disputada a propriedade ou
a posse, havendo fundado receio de rixas ou danificações. A litigiosidade refere-se tanto à
ação já posta como ao caso ainda a ser submetida à apreciação judicial.

b) Sobre frutos e rendimentos do imóvel reivindicado, se o réu, depois de condenado por


sentença, ainda sujeita a recurso, os dissipar. O seqüestro aqui pressupõe:
1- Sentença que condenou o réu em ação reivindicatória;
2- Pendência de recurso ou possibilidade de sua interposição;
3- Risco de dissipação dos frutos e rendimentos, isto é, das rendas civis (foros, aluguéis,
etc.)

c) dos bens do casal, nas ações de separação e de anulação de casamento, se o cônjuge os


estiver dilapidando. Aquele que não tem a posse do patrimônio comum ou de alguns bens
dele pode prevenir-se contra a malícia ou o desequilíbrio emocional do outro cônjuge,
valendo-se do seqüestro dos referidos bens para assegurar a justiça e utilidade prática da
futura partilha.

A legitimidade passiva é a pessoa que causa temor ao requerente em relação ao objeto


litigioso.

Requisitos Específicos

Além dos requisitos gerais das medidas cautelares, a concessão do arresto depende do
atendimento cumulativo de dois requisitos específicos, a saber:

a) Temor de dano jurídico iminente – Relacionado ao periculum in mora, este requisito


impõe a demonstração de algum dos fatos arrolados no art. 822 do CPC, ou qualquer outra
situação que evidencie a necessidade de proteção para evitar danos à coisa litigiosa.

b) O interesse na preservação da situação de fato – Correspondente ao fumus boni iuris, diz


respeito ao interesse do requerente sobre a coisa, muito embora não haja uma solução
definitiva sobre ela.

Bens Seqüestráveis

Objeto do seqüestro são as coisas móveis, imóveis e os semove ntes. É possível também que
esta medida recaia sobre títulos de crédito, assim como ações de sociedade anônima.

Valor da Causa

O valor da causa deve ser correlato à questão tratada, ou seja, deve expressar o valor
estimado dos bens a serem seqüestrados. Porém, se esta estimativa não for possível, o

79
requerente tem autonomia para fixa-lo segundo critérios subjetivos próprios, desde que
compatível com as circunstâncias gerais do caso (art. 258, CPC).

CAUÇÃO

Base Legal – Arts. 826 a 838 do CPC

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

A caução é uma espécie de garantia para o cumprimento de uma obrigação. A caução


cautelar, cujo objetivo tanto pode ser o de prestar como o de exigir, funciona como um
mecanismo de prevenção.

BUSCA E APREEN SÃO

Base Legal – Arts. 839 a 843 do CPC

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

Trata-se de uma medida cujo objeto é a procura e a conseqüente entrega de uma coisa ou de
uma pessoa (art. 839 do CPC).

Com relação às pessoas, somente tendem ser objeto de busca e apreensão civil os incapazes
(menores e interditos), porque só estes se sujeitam à guarda e poder de outros. Quando o
guardião legal de um menor precisa de uma ordem judicial para que um terceiro lhe
devolva a criança, poderá socorrer-se de medida cautelar de busca de menor. A ocorrência
mais comum envolve ex-cônjuges, quando um deles, após ter retirado o menor para
eventual visita, recusa-se a devolve- lo. Pode, também, acontecer o contrário, a recusa do
guardião em entregar o menor no dia marcado para visita, justificando o ajuizamento da
mesma medida cautelar.

A medida de busca e apreensão pode apresentar-se como simples meio de execução de


outras providências cautelares (ex. arresto), não obstante possa, também, ser um fim
exclusivo (ex. documentos em poder de pessoa indevida).

80
EXIBIÇÃO

Base Legal – Arts. 844 a 845 do CPC

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

A medida de exibição tem como objetivo permitir ao requerente o contato físico direto,
visual, sobre a coisa. O direito à exibição se relaciona, via de regra, à constituição de prova.

A ação cautelar de exibição será, em regra, preparatória, pois se a necessidade de obter


exibição surgir no curso do processo, bastará o interessado valer-se do incidente na forma
do art. 355 e seguintes do CPC.

PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS

Base Legal – Arts. 846 a 851 do CPC

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

Há um momento processual adequado para a produção de provas. Contudo, é possível que a


demora traga perigo para determinada prova, o que permitirá que a sua produção seja
antecipada, ou seja, quando houver fundado receio de que venha tornar-se impossível ou
muito difícil a verificação da prova de certos fatos na pendência da ação.

São provas que permitem a antecipação: o interrogatório da parte, a inquirição das


testemunhas e o exame pericial (CPC, art. 846). Embora o referido art. Não mencione,
também é admissível a antecipação de inspeção judicial.

81
ALIMENTOS PROVISIONAIS

Base Legal – Arts. 852 a 854 do CPC

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

Trata-se de uma medida cautelar relacionada com as ações de alimentos que tramitam pelo
rito ordinário, sem possibilidade de concessão de liminar de alimentos provisórios.

Importante lembrar que os alimentos provisionais não se confundem com os provisórios.


Aqueles constituem objeto da ação cautelar, e estes, decisão proferida no bojo da ação de
alimentos de rito especial.

Requisitos Específicos

A medida cautelar de alimentos provisionais subordina-se aos pressupostos comuns das


cautelares, bem como a demonstração dos requisitos do art. 854 do CPC, a saber: a)
necessidades do alimentando; e b) possibilidade de pagamento do alimentante.

Valor da Causa

O valor da causa deve ser correlato à questão tratada,ou seja, deve expressar o valor
pretendido pelo alimentando. Porém, se esta estimativa não for possível, o requerente tem
autonomia para fixa- lo segundo critérios subjetivos próprios, desde que compatível com as
circunstâncias gerais do caso (art. 258, CPC).

ARROLAMENTO DE BENS

Base Legal – Arts. 855 a 860 do CPC

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

Esta medida tem por finalidade deixar registrada a existência de determinados bens,
protegendo-os de extravio ou dissipação. O objetivo da medida não é constatar a existência
dos bens para, posteriormente, transferi- los em depósito.

Requisitos Específicos

Além dos requisitos gerais das medidas cautelares, a concessão do


arresto depende do atendimento cumulativo de dois requisitos específicos, a saber:

82
a) Interesse do requerente na conservação dos bens –. Este requisito corresponde ao
chamado fumus boni iuris, justamente porque o interesse pode decorrer de direito próprio
sobre o bem já constituído ou que deva ser declarado em ação própria (art. 856, parágrafo
1o .).

b) Fundado receio de extravio ou dissipação dos bens – Este requisito reporta-se ao


periculum in mora, ou seja, fatos concretos apurados na conduta daquele que detém os bens
que causam o temor.

JUSTIFICAÇÃO

Base Legal – Arts. 861 a 866 do CPC

Nomenclatura – Requerente e Requerido

Conceito e Cabimento

A justificação consiste em documentar, por meio de testemunhas, a existência de algum


fato ou relação jurídica, que poderá ser utilizada em processo futuro. Trata-se de medida de
constituição avulsa de prova, sem o caráter de prevenção que se nota nas antecipações
cautelares de prova e sem a acessoriedade que é essencial a estas, posto que a justificação
pode simplesmente servir como documentação exaurindo em si mesma sua finalidade
processual.

Assim, não há necessidade de demonstrar fumus boni iuris e periculum in mora, como na
ação cautelar de produção antecipada de provas. Nem há necessidade de propositura de
ação principal.

83
M ODELO GERAL DE PEDIDO DAS MEDIDAS CAUTELARES:

Isto posto requer;


I) a concessão de medida liminar inaudita pars para o fim de se determinar o (arresto,
seqüestro, busca e apreensão, exibição) _____________, determinando a ex pedição de
oficio / alvará para ____________

II)com a concessão da medida, requer a citação do requerido por oficial de justiça para
apresentar, em querendo, defesa no prazo de 5 dias, sob pena de reputarem-se aceitos os
fatos alegados (artigo 319)

III) seja ao final a demanda julgada procedente tornando definitiva a liminar ora
concedida

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

VII) (em sendo cautelar preparatória) Informa a este juízo que no prazo de 30 dias irá
propor a competente ação de_______________ nos termos do artigo 806 do CPC.

Atribui-se à causa o valor de R$________ (valor da causa principal ou do bem de que


deseja assegurar)
Termos em que, pede deferimento
São Paulo (data)
(nome do advogado)
(OAB do advogado)

84
PARTE VI – RECURSOS

APELAÇÃO

Base Legal – artigos 513-521 do CPC


Prazo – 15 dias
Notas importantes – atenção nos artigos 515 §3º e 518 §1º do CPC

A apelação é o recurso cabível contra as sentenças. A apelação, consoante se depreende do


artigo 513 é cabível tanto para as sentenças com resolução de mérito como para aquelas em
que não há sua resolução (as chamadas sentenças terminativas).

É cabível em qualquer sentença. Há, porém, duas exceções à regra: 1) No JEC, o recurso
contra sentença é inominado para o colégio recursal. 2) artigo 34 da L. 6830/80 (execução
fiscal). O prazo para apelação é de 15 dias (artigo 508):

Nos termos do artigo 514 a apelação deverá conter:

1)Nome e qualificação das partes


2)Fundamentos de causa e efeito (causa de pedir)
3) Pedido de nova decisão (que pode ser tanto de reforma quanto invalidação).

A apelação sempre versará sobre uma reforma ou invalidação. Ocorre reforma quando o
acórdão do Tribunal substitui a sentença de mérito. Diferente é a invalidação. Na
invalidação o Tribunal não tem a possibilidade de simples substituição da sentença de
mérito. O Tribunal ao receber as razões recursais e verificando pela sua pertinência,
determinará a anulação (= invalidação) da sentença para que seja proferida uma nova.

85
Efeitos

Toda apelação vem recebida no duplo efeito, vale dizer, devolutivo e suspensivo. Assim, a
apelação não só devolve a matéria ao tribunal (importante esquecer que o devolver que ai
se refere é ao judiciário) como também suspende a eficácia da decisão. Assim, a sentença
não produzirá efeitos no mundo dos fatos enquanto a apelação não for julgada pelo
Tribunal.

Todavia, o próprio artigo 520 excepciona algumas sentenças, retirando- lhes o efeito
suspensivo, assim permitindo a execução provisória do julgado (se houver). Assim só são
recebidas no efeito devolutivo as sentenças que:

I - Homologar divisão ou demarcação de terras.


II – condenar em alimentos
III – decidir processo cautelar
IV - Embargos à execução rejeitados liminarmente ou improcedentes.
V - Procedente a instituição de arbitragem
VI - Confirmar em sentença, a antecipação dos efeitos da tutela

NOTA IMPORTANTE: Na prova importante requerer que a apelação “seja


recebida nos seus regulares efeitos ” salvo nos casos do artigo 520.

Tantum Devolutum Quantum Apellatum

Os artigos 515 c/c 505 do CPC consagram este principio da qual o Tribunal ficará limitado
à vontade do apelante em impugnar a sentença e o recorrente não poderá impugnar senão
aquilo que foi decidido (não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao
juízo inferior).

86
Dicas importantes:

Nos casos de indeferimento da petição inicial a sentença cabe apelação. Todavia comporta
juízo de retratação pelo magistrado em 48 horas sem abertura de vistas para contra-razões.

A apelação é composta basicamente de três partes:

a) “O trata-se” – É a localização do processo, ou seja, um breve resumo dos fatos.


b) “A respeitável decisão de folhas” – Um breve resumo da decisão ou sentença que se quer
atacar.
c) “Merece reforma” – Os motivos do recurso.

MODELO DE PEDIDO NA APELAÇÃO:

Isto posto requer;

I) Seja recebida a apelação nos seus regulares efeitos devolutivo e suspensivo (no seu
regular efeito devolutivo, art. 520,_) e ao final seja dado provimento para o fim
de_______________.

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

87
AGRAVO DE INTRUMENTO E RETIDO

Base Legal – artigos 522-529 do CPC


Prazo – 10 dias
Notas importantes – efeito suspensivo ou ativo. Regras importantes para peça: artigo 524,
III e 526

Recurso cabível contra as decisões interlocutórias, ou seja, atos pelo qual o juiz, no curso
do processo, resolve questão incidente (artigo 162, parágrafo 2º). Questões incidentes são
aquelas que não tem caráter de sentença (v. g magistrado recusa a juntada de um dado
documento ou a oitiva de uma testemunha), mas é ato vocacionado a causar prejuízo,
portanto existe interesse em recorrer.

A nova Lei. 11.187/06, limitou a opção do agravante quando da interposição do recurso.


Hoje, com a nova sistemática recursal, o agravo retido é obrigatório contra todas as
decisões interlocutórias. Não existe mais a opção tal qual se via pelo regime antigo.

Todavia o agravo de instrumento ainda é cabível em algumas hipóteses expressamente


previstas em Lei. Assim no artigo 522 encontramos a situação do agravo de instrumento
quando:

1) ocasionar lesão grave ou de difícil reparação. São as decisões de urgência que incidem
perecimento de direito. As liminares são um bom exemplo de decisões recorríveis pelo
agravo de instrumento.
2) inadmissão de apelação
3) efeitos em que a apelação será recebida

Não apenas nesses casos. A nova Lei de execução em seus artigos 475-H e 475-M, §3º
prevêem a possibilidade exclusiva do agravo de instrumento da decisão que:

88
1) julgar a fase de liquidação de sentença
2) julgar o incidente de impugnação (desde que seja rejeitado, pois se acolhido será
sentença apelável).

Ainda, mesmo não tendo previsão legal e a despeito da lei expressamente enumerar os
casos de cabimento do agravo, é pacífico na doutrina o cabimento de agravo de instrumento
(exclusivamente) no processo de execução. E isso porque, não haverá uma sentença de
mérito da qual poderá subir para o Tribunal o agravo retido em aderência ao recurso de
apelação, motivo este que por exclusão [e obrigatoriamente] será cabível pela forma de
instrumento.

AGRAVO RETIDO

O agravo é retido porque ao invés de se dirigir diretamente ao Tribunal para o julgamento


imediato, o recurso é dirigido ao próprio juiz da causa permanecendo retido nos autos para
que dele o Tribunal conheça preliminarmente por ocasião do julgamento da apelação. O
agravo retido será oral (se a decisão for proferida em audiência – mais uma obrigatoriedade
da nova lei).

O prazo de interposição é de 10 dias e também o é para contra- minuta, podendo o juiz se


retratar. A finalidade do agravo retido não é a imediata reforma da decisão, mas sim
impedir a sua preclusão. Para que o agravo seja conhecido é indispensável que o agravante
reitere-o nas futuras razões ou contra-razões de apelação sob pena de desistência tácita do
recurso. Se não houver apelação ou esta tiver sido inadmitida, o agravo não será apreciado,
pois segue a sorte do recurso principal.

AGRAVO DE INSTRUMENTO

Adotada a modalidade por instrumento, o recurso será processado fora dos autos da causa
em que se deu à decisão impugnada formando um instrumento que conterá as razoes mais
as cópias de determinadas peças dos autos necessárias para o julgamento. O artigo 524 diz

89
que a petição de agravo será dirigida diretamente ao Tribunal competente, contendo:

1- Exposição do fato e do direito


2- Razoes do pedido de reforma
3- Nome e endereço completo dos agravados (agravante e agravado) – não esquecer desta
informação na peça!

Já o artigo 525 indica qua is as cópias que deverão instruir o recurso do agravante:

1- Obrigatoriamente com a decisão agravada, certidão de intimação desta decisão e as


procurações dos advogados.
2- Facultativamente com outras peças que o agravante entender úteis.

Efeitos

Via de regra o agravo é recebido no seu efeito devolutivo (ao contrário da apelação).
Todavia poderá ser conferido efeito suspensivo ou o que a doutrina denomina de efeito
‘ativo’ (antecipar os efeitos da tutela recursal).

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M ODELO DE PEDIDO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO:

Isto posto requer;

I) Seja recebido o presente agravo no seu regular efeito devolutivo com a concessão do
efeito suspensivo / ativo e ao final seja dado provimento para o fim de_______________.

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

M ODELO DE PEDIDO NO AGRAVO RETIDO:

Isto posto requer;

I) Seja recebido o presente agravo no seu regular efeito devolutivo, e não sendo o caso de
retratação (art. 523, § 2o . do CPC) seja apreciado em preliminar de apelação por ocasião
de seu processamento e ao final seja dado provimento para o fim de_______________.

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

91
EMBARGOS INFRINGENTES

Base Legal – artigos 530-534 do CPC


Prazo – 15 dias
Notas importantes – é cabível somente contra decisão de apelação e ação rescisória.

Nos termos do artigo 530, cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime:

I . Houver reformado em grau de apelação a sentença de mérito.


II . Houver julgado procedente a ação rescisória.

No primeiro caso, podemos ver que o legislador limitou a abrangência de cabimento dos
embargos. Antes da reforma de 2001, qualquer tipo de sentença impugnada por apelação,
cabia embargos, agora apenas as que resolvem o mérito (já com a nova definição da lei). As
sentenças terminativas (as que ocorrem a extinção pelo artigo 267) impugnadas por
apelação não cabem embargos infringentes. No segundo caso, o legislador também
estabeleceu restrições, visto que agora só cabem embargos infringentes se a ação rescisória
for julgada procedente e não como antes da reforma que independia do resultado.
O prazo dos embargos é de 15 dias contados da intimação do acórdão no D.O.

Objeto e extensão

Os embargos somente atacam a conclusão (parte dispositiva) do acórdão, de modo que não
lhe é licito atacar a fundamentação. Os caminhos diferentes tomados pelo juiz para chegar à
conclusão não ensejam embargos. Com isso nos permite falar, outrossim, que os embargos
estão restritos à matéria exclusivamente de divergência (onde não houver unanimidade).

Efeitos dos embargos:

Afora o efeito devolutivo, a lei admite (no seu silêncio) o efeito suspensivo, que possui o
condão de obstar a eficácia do acórdão embargado em apelação ou ação rescisória. Uma

92
dica para prova: Os embargos infringentes somente terão efeito suspensivo se a apelação
atacada também o tiver. Assim, se a apelação vinha com duplo efeito (artigo 520, caput), os
embargos permanecerão suspendendo a eficácia da decisão. Agora se a apelação era uma
das hipóteses dos incisos do artigo 520, os embargos, igualmente não suspenderão o
acórdão.

MODELO DE PEDIDO NOS EMBARGOS INFRINGENTES:

Isto posto requer;

I) Sejam recebidos os presentes embargos nos seus regulares efeitos devolutivo e


suspensivo (no seu regular efeito devolutivo, art. 5203 ,_), sendo sorteado um novo relator
para julgamento do recurso conforme dispuser o regimento interno do tribunal e ao final
seja dado provimento para o fim de_______________.

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

3
O efeito dos embargos será o mesmo da apelação que o precede.

93
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Base Legal – artigos 535-538 do CPC


Prazo – 5 dias
Notas importantes – não há preparo, não há contra-razões, efeito interruptivo

A finalidade precípua dos embargos é esclarecer ou integrar uma decisão que padece de
algum vício de conteúdo.

O artigo 535 do CPC disciplina que cabem embargos de declaração quando:


I – houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição;
II – for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal.

Pode-se dizer então que os embargos são um recurso de fundamentação vinculada, pois
suas hipóteses de cabimento estão previamente enumeradas no CPC.

A decisão é omissa quando o juiz não se manifestar sobre argumentos deduzidos pelo autor
ou pelo réu. Obscuridade é a difícil compreensão do texto decisório. Seja porque a decisão
está ininteligível seja porque está mal redigida. Há contradição quando a decisão traz
proposições conflitantes entre si. Assim, se numa dada sentença o magistrado fundamenta
como certa a vitória do autor pelos motivos ali esposados, não poderá no dispositivo julgar
o pedido improcedente.

Pressupostos

Os embargos têm cabimento contra qualquer decisão e em qualquer grau de jurisdição pelo
simples motivo de que a parte tem direito a uma decisão clara (art. 93, IX CF). O prazo de
interposição é de cinco dias dirigida ao juiz ou relator do julgado. Não há preparo. O juiz

94
ou relator receberá as razoes dos embargos e, sem audiência da outra parte, decidirá em 5
dias.

Além dos efeitos normais (devolutivo e suspensivo) os embargos são dotados de efeito
interruptivo. Por este efeito entende-se que da interposição dos embargos interrompem a
contagem de prazo para outros recursos. A interrupção começa a correr da data do
ajuizamento dos embargos e permanece até a decisão que o decidir. Assim, da decisão dos
embargos o recorrente terá o prazo integral para recorrer.

MODELO DE PEDIDO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO:

Isto posto requer;

I) Sejam recebidos os presentes embargos no seu regular efeito devolutivo com a


interrupção da contagem de prazo para outros recursos (art. 538 do CPC) e ao final seja
dado provimento para o fim de se afastar (obscuridade / contradição) ou suprir (omissão).

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

95
RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO

Base Legal – artigos 102, III e 105, III da CF. artigos 541-545
Prazo – 15 dias
Notas importantes – prequestionamento / repercussão geral

Para que se possa entender a finalidade do recurso especial e do recurso extraordinário,


deve se ter em mente que a lei, qualquer que seja seu sentido ou alcance, deve incidir e ser
aplicada de modo uniforme para todos aqueles que fiquem sujeitos à sua disciplina. Todo
ordenamento jurídico deve respeitar o principio de que a lei há de ser igual para todos
evitando divergências e antagonismos nas decisões proferidas pelos tribunais no que diz
respeito à aplicação de uma mesma lei em casos similares.

Em nosso sistema processual, a preservação do principio da unidade do ordenamento


jurídico conta com dois instrumentos de padronização: o expediente técnico denominado
uniformização da jurisprudência (artigo 476 CPC) utilizada quando a divergência da
aplicação da lei se der em órgãos fracionários do mesmo Tribunal; e o Recurso Especial e
Extraordinário quando tal divergência ocorrer entre Tribunais diferentes. É dizer que ao
invés de se preocupar com a solução conferida ao caso concreto pelas instâncias ordinárias,
a finalidade desses recursos é assegurar que a Lei Federal e a Constituição, por serem leis
que devam ter o mesmo teor e a mesma aplicabilidade em todo o território nacional, sejam
uniformes em todos os casos que necessitam de sua incidência.

Cabimento

Quanto ao Recurso Extraordinário (artigo 102, III da CF), admite-se nas causas julgadas
pelos Tribunais em única ou última instância quando a decisão recorrida:

a- Contrariar dispositivo da constituição federal (afrontar norma constitucional


expressamente apontada).
b- Declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei

96
c- Julgar válida lei ou ato do governo local contestado em face da CF
d- Julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Quanto ao Recurso Especial (artigo 105, III da CF) admite-se nas causas decididas por
tribunais em única ou última instância quando a decisão recorrida:

a- Contrariar tratado de lei federal ou negar-lhe vigência (contrariedade de lei é, além de


negar vigência, também interpretar erroneamente).
b- Julgar válido ato ou lei de governo local contestado em face de lei federal (é uma espécie
de negativa de vigência ou contrariedade à lei federal. Se a decisão recorrida afirmou a
validade de lei ou ato local (Estadual ou Municipal) que está em confronto com norma
federal, é porque deixou de aplicá-la).
c- Der à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

Pressupostos

Cabível contra decisão de acórdão (em apelação, agravo, ação rescisória e embargos
infringentes), só poderá ser veiculada matéria de direito (aplicação da lei no caso
concreto), e a matéria deverá ser prequestionada, ou seja, nos termos da súmula 282 do
STF a matéria que será objeto de apreciação na instância especial deverá ter sido ventilada
e decidida pelos órgãos inferiores.

Regulamentando o parágrafo 3º. do art. 102 da CF, o legislador infraconstitucional editou a


lei no. 11.418/06, tornando efetiva a previsão constitucional, para incluir requisito
específico de admissibilidade do recurso extraordinário ao rol dos requisitos existentes. A
técnica em exame importa a inclusão dos arts. 543-A e 543-B ao CPC.

Esses arts. tratam da chamada repercussão geral, a qual pode ser entendida como a
relevância da matéria constitucional versada no recurso extraordinário, ou seja, como o
julgado recorrido e o que vier a ser proferido pelo STF repercutem na sociedade. À luz do
parágrafo 3º, a admissibilidade do recurso extraordinário dependerá da verificação de que,

97
efetivamente, a decisão do recurso alcançará outras situações semelhantes, ou contribuirá
para a solução uniforme da questão constitucional em causa.

Efeitos

Ambos recursos serão recebidos apenas no seu efeito devolutivo, não impedindo a
execução do acórdão em 1º grau (artigo 587).

Poderá, todavia, ser apresentada medida cautelar no tribunal para requerer o trancamento
do recurso. Isso se demonstrado os requisitos específicos inerentes às medida de urgência
(fumus boni iuris e periculum in mora).

Processamento

a) O (s) recurso(s) é (são) dirigido(s) ao presidente ou vice presidente do tribunal recorrido


b) Recebida a petição no Tribunal, o recorrido é intimado para apresentar contra-razoes e o
próprio Tribunal verifica a admissibilidade do recurso.
c) caso sejam interpostos os dois recursos, será apreciado ab initio o recurso especial no
STJ para depois ser apreciado o recurso extraordinário no STF. Poderá o ministro do STJ
entender que a matéria do recurso extraordinário seja prejudicial quando, em despacho
irrecorrível, remeterão os autos para apreciação inicial do STF.
d) da decisão que não conhecer do recurso especial ou recurso extraordinário, caberá
agravo de instrumento no prazo de 10 dias (artigo 544 CPC).

98
MODELO DE PEDIDO PARA RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO:

Isto posto requer;

I) Seja recebido o presente recurso no seu regular efeito devolutivo e ao final seja dado
provimento para o fim de_______________.

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

99
PARTE VII – EXECUÇÃO
EXECUÇÃO DE TÍTULOS JUDICIAIS

Até antes da vigência da Lei nº 11.282/2005, sistema para obtenção da tutela jurisdicional
era constituído de dois processos autônomos: o de cognição, da qual o juiz conhecia dos
fatos trazidos aos autos pelas partes e reconhecia, por meio de sentença, uma determinada
pretensão aduzida pelo autor em face do réu, e a fase de execução.

Sendo a sentença condenatória (aquela que condena o réu ao cumprimento de uma


determinada obrigação de pagar, fazer ou não fazer ou de entrega) caberia a este cumprir
voluntariamente o objeto da decisão.

Entretanto, embora o Estado-Juiz tenha cumprido com parte da tutela jurisdicional


postulada pelo autor, dando fim ao processo de conhecimento, nem sempre o réu tem o
hábito de cumprir voluntariamente o comando da sentença condenatória, transitada em
julgado.

Assim, pretendendo o autor ver seu direito satisfeito, caberia a ele provocar novamente o
Poder Judiciário, agora (e somente) para executar o título judicial (sentença).

Com o advento da nova lei de execução, o legislado criou um único processo para aglutinar
as fases de conhecimento e execução. E isto porque, embora a fase de cognição termine
com a sentença transitada em julgado, somente uma fase processual termina, pois o
processo só tem seu fim após a fase de prestação jurisdicional executiva.

Diante dos pressupostos da execução e dos requisitos do título executivo, a sentença, na


fase de execução, deve apresentar liquidez, certeza e exigibilidade. Ocorre que, muitas
vezes, a sentença não se encontra líquida para instaurar-se a fase de cumprimento da
sentença.

100
Assim, o exeqüente deve iniciar o procedimento de liquidação da sentença (art. 475-
A e ss. do CPC), que dependendo da matéria objeto da condenação, pode ser por simples
cálculo aritmético, por artigo ou por arbitramento.

Se a execução depender de simples cálculo aritmético, teremos a consumação da liquidez e


o executado será intimado para pagamento em 15 dias (art. 475-J, do CPC).

Por outro lado, necessitando a liquidação de dilação probató ria em razão de fatos novos,
iniciar-se-á a liquidação por artigos, que originará uma decisão de homologação da
liquidação e conseqüente intimação do executado para pagamento em 15 dias (art. 475-J,
do CPC).

A liquidação por arbitramento ocorrerá na hipótese de escolha pelas partes (exeqüente e


executado) de um perito que determinará o “quantum” relativo ao objeto da matéria
condenada, em que após a apresentação do laudo pericial, o Juiz irá homologá-lo,
conferindo liquidez a sentença com conseqüente intimação do executado para pagamento
em 15 dias (art. 475-J, do CPC).

A fase de cumprimento da sentença somente pode ser provocada após 15 dias do trânsito
em julgado, caso o condenado não tenha satisfeito espontaneamente o objeto da
condenação.

Nas sentenças condenatórias em quantia certa ou já fixada em liquidação, a execução será,


portanto, integrada, se apresentando como um prolongamento do processo de
conhecimento, correndo nos mesmos autos e sem nova citação, a exemplo do que ocorre no
Juizado Especial Cível (Lei 9.099/95).

Havendo sentença transitada em julgado, a execução será definitiva, iniciada por meio de
simples petição em que deve expor o objeto da condenação, a data do trânsito em julgado e
o descumprimento do objeto da condenação por parte do réu.

101
No pedido deve-se mencionar o acréscimo de 10% (dez por cento) sobre o valor da
condenação, substituindo -se o anterior pedido de citação do réu pela intimação do
executado, seja na pessoa de seu advogado, representante legal ou pessoalmente, por
mandado ou pelo correio, ou via imprensa oficial, se dirigido ao advogado.

O autor deve requerer ainda a penhora e avaliação dos bens do devedor. Se o exeqüente não
requerer o cumprimento da sentença num prazo de seis meses, o processo será arquivado
podendo ser desarquivado a pedido da parte, com a provocação do cumprimento da
sentença (art. 475-J, § 5º).

Quando a execução decorre de uma sentença condenatória cível, o juízo competente para o
seu processamento é aquele que julgou a causa no primeiro grau de jurisdição (art. 475-P,
do CPC). Entretanto, inovou a lei quando permitiu ao exeqüente optar pelo juízo do local
onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo atual domicílio do executado, casos
em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem (inciso II, do art.
475-P, do CPC). Trata-se de medida de economia processual, pois evita a remessa de cartas
precatórias a serem cumpridas quando o executado possui bens a serem penhorados ou
reside em outra comarca.

Na fase executória, admite-se também a chamada execução provisória, cabível quando


houver recurso em andamento, ao qual não foi atribuído efeito suspensivo. A execução
provisória segue os mesmos moldes da definitiva, correndo por conta e responsabilidade do
exeqüente, já que irá responder por reparação de danos se a sentença for reformada.

A ordem de preferência dos bens penhoráveis sofreu algumas alterações com a nova lei, de
maneira que os veículos automotores, após o dinheiro, assumiram a segunda posição, dado
a sua liquidez e facilidade de comercialização.

A nova redação possibilita ainda a chamada “penhora on line”, realizada diretamente pelo
juiz no sistema Bacen Jud, bloqueando imediatamente, com acesso pela internet, verbas

102
depositadas ou aplicadas pelo executado, sem que se tenha o efetivo acesso ao montante
depositado ou aplicado, de maneira que não se pode falar em quebra de sigilo.

A partir da intimação o executado tem o prazo de 15 dias para apresentar impugnação à


execução, que será admitida apenas nas hipóteses previstas no art. 475-L, do Código de
processo Civil, independentemente da garantia do juízo, já que ao se requerer o
cumprimento da sentença, o primeiro ato a ser expedido é o mandado de penhora e
avaliação (§ 3º, do art. 475-J, do CPC).

Em respeito ao princípio do contraditório, ao exeqüente será dada oportunidade de se


manifestar em face da impugnação apresentada, também no prazo de 15 dias.

Se a impugnação for acolhida o processo é extinto (§ 3º, do art. 475-M, do CPC), caso
contrário, segue seu trâmite normal até a satisfação integral do objeto exeqüendo.

EXECUÇÃO DE TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS:

Os títulos executivos extrajudiciais são todos os previstos no art. 585 do Código de


Processo Civil, tais como o cheque, a nota promissória, a letra de câmb io, a duplicata etc.

O processo de execução tem início com a petição inicial acompanhada do título executivo,
seguindo-se a citação do devedor para que, em 24 horas, pague o que deve ou nomeie bens
à penhora, garantindo o juízo. Não efetuado o pagamento, o oficial de justiça irá penhorar
tantos bens quantos forem necessários para pagamento da dívida, na qual se inclui o
principal, juros, custas e honorários advocatícios (art. 659, do CPC).

Alguns bens não podem ser penhorados, tais como os bens de família (Lei nº 8.009/90), os
salários em geral, os depósitos de poupança até o limite de 40 salários mínimos etc.
Entretanto, se o próprio devedor nomear à penhora bem de família, entende-se que ele
renunciou à impenhorabilidade desse bem.

103
No processo de execução, como em qualquer outra modalidade processual, aplica-se o
princípio constitucional do contraditório, de maneira que o executado pode opor-se à
execução por meio de embargos, no prazo de 15 dias, contados da data da juntada aos autos
do mandado de citação (art. 738, do CPC).

A petição inicial dos embargos deve obedecer aos requisitos do art. 282 do CPC, indicando,
inclusive, o valor da causa, já que os embargos são ação autônoma. Os incisos do art. 739
do CPC enumeram as situações em que os embargos serão rejeitados liminarmente. A
rejeição liminar ocorrerá quando eles forem interpostos ou quando a petição inicial for
indeferida, nos casos previstos no art. 295 do CPC.

A Lei 11.382/2006, ao contrário do que previa o sistema anterior, propiciou ao executado


uma ampla defesa na execução, já que dispensou a segurança do juízo para a
admissibilidade dos embargos. É o que prevê o art. 736 do CPC, quando dispõe, in verbis,
que “o executado, independentemente de penhora, depósito ou caução, poderá opor-se à
execução por meio de embargos.”

O prazo para embargar é individual, mesmo diante da existência de vários executados


(litisconsórcio), como se observa da redação do § 1º do art. 738 do CPC. Portanto, o prazo
para oferecimento dos embargos, para cada um dos executados, terá início a partir da
juntada aos autos do mandado de citação de cada um deles, não sendo aplicada a regra de
que o prazo terá curso a partir da juntada aos autos do último mandado de citação
devidamente cumprido, salvo se os litisconsortes forem casados, hipótese em que o prazo
para embargar terá início a partir do momento que o último mandado de citação for juntado
aos autos.

No sistema introduzido pela nova lei, os embargos não mais terão efeito suspensivo,
visando a celeridade da satisfação do direito material. Entretanto, prevê a lei,
excepcionalmente, a possibilidade de se atribuir efeito suspensivo aos embargos, desde que
estejam presentes os requisitos necessários para a concessão da medida de urgência de
natureza cautelar (fumus boni júris e periculum in mora) (§ 1º do art. 739-M, do CPC).

104
Não se verificam os efeitos da revelia nos embargos do devedor, de maneira que a falta de
impugnação aos embargos não fará presumir verdadeiros os fatos alegados na petição
inicial.

Os embargos podem ainda ser classificados em parciais e subjetivamente restritos. Os


embargos parciais (§ 3º do art. 739-A, do CPC), são os que tem relação com apenas parcela
do objeto da execução, dizendo respeito, desta forma, à parte incontroversa do direito. Os
embargos subjetivamente restritos (§ 4º do art. 739-A, do CPC) são cabíveis quando existir
litisconsórcio passivo na execução e apenas um dos executados, ou alguns deles, ajuizar
ação incidental de embargos. Se o juiz conceder efeito suspensivo aos mesmos, deverá
observar se a suspensão da execução será total ou parcial, não suspendendo o processo de
execução no que diz respeito a todos os executados quando o fundamento dos embargos
disser respeito ou for capaz de atingir, apenas e de forma exclusiva os embargantes.

No prazo dos embargos o devedor pode requerer o parcelamento do débito em até seis
parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e juros de 1% (um por cento) ao mês. O
devedor deve reconhecer o crédito em execução e depositar em conta do juízo 30% (trinta
por cento) do valor do débito.

De acordo com o parágrafo primeiro do art. 475-A, caso seja a proposta deferida pelo juiz,
poderá o exeqüente levantar o depósito, ficando suspensos os autos executivos até que o
executado cumpra integralmente com os pagamentos. Em caso de mora, de quaisquer das
parcelas, vencem-se automática e antecipadamente as demais, incidindo multa de 10% (dez
por cento) sobre o montante em aberto, ficando vedada a oposição de embargos. Sendo
indeferida pelo juiz a proposta do executado, o depósito permanecerá em conta do juízo,
prosseguindo-se os atos executivos.

Preceitua o art. 740 do Código de processo Civil que “recebidos os embargos, será o
exeqüente ouvido no prazo de 15 (quinze) dias; a seguir, o juiz julgará imediatame nte o

105
pedido (art. 330) ou designará audiência de conciliação, instrução e julgamento, proferindo
sentença no prazo de 10 (dez) dias”.

106
PARTE VIII – AÇÕES ESPECIAIS
M ANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL

Base Legal – Art. 5o., inciso LXIX da CF. Lei no. 1.533/51

Procedimento – Lei 1.533/51 e CF e Art. 5o., inciso LXIX

Notas – O pedido de mandado de segurança está contido no art. 7o . da Lei 1.533/51.


Finalmente, é importante destacar que não há pedido de provas.

Nomenclatura – Impetrante, Impetrado e Autoridade Coatora.

O mandado de segurança é um meio constitucional (também chamado de remédio


constitucional) posto à disposição de toda pessoa física ou jurídica para a proteção de
direito individual ou coletivo, líquido e certo, não amparado por hábeas corpus ou hábeas
data, lesado ou ameaçado de lesão, por autoridade, seja de que categoria for e sejam quais
forem as funções que exerça. O mandado de segurança é previsto expressamente na
Constituição Federal em seu art. 5o ., LXIX, inserido no Capítulo I (Dos direitos e deveres
individuais e coletivos) do Título II (Dos direitos e garantias fundamentais). O inciso LXX
do mesmo dispositivo constitucional reconhece expressamente a viabilidade de o mandado
de segurança ser impetrado sob a forma coletiva.

O conteúdo do mandado de segurança é sempre uma prestação imperativa da autoridade,


qualquer que seja, apontada pelo Judiciário como responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder. Esta prestação visa a proteção de determinado direito líquido e certo do impetrante.
A certeza e a liquidez de um direito deve ser entendida como aquele que se apresenta
manifesto na sua existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercido no momento
da impetração, noutras palavras, o direito invocado há de vir expresso em norma legal e
trazer em si todos os requisitos e condições de sua aplicação.

Procedimento do Mandado de Segurança

O mandado de segurança encontra a sua principal disciplina na lei 1.533/51, sendo regido
subsidiariamente pelo CPC, como ocorre com todo procedimento especial.

Foro Competente

A competência para processar e julgar o mandado de segurança é definida em função da


hierarquia da autoridade legitimada a praticar a conduta, comissiva ou omissiva.

Legitimidade

Sujeito ativo é o titular do direito líquido e certo, não amparado por hábeas corpus ou
habeas data. Tanto pode ser pessoa natural como jurídica, nacional ou estrangeira,

107
domiciliada ou não em nosso País. Também possuem legitimidade ativa as universalidades
reconhecidas por le i (espólio, massa falida, entre outras) e os órgãos públicos
despersonalizados, mas dotados de capacidade processual.

Sujeito passivo é a autoridade coatora que pratica ou ordena concreta e especificamente a


execução ou inexecução do ato impugnado, responde pelas suas conseqüências
administrativas e detenha competência para corrigir a ilegalidade, podendo a pessoa
jurídica de direito público, da qual faça parte, ingressar como litisconsorte.

Poderão ser sujeitos passivos do mandado de segurança os praticantes de atos ou omissões


revestidos de força jurídica especial e componentes de qualquer dos poderes, de autarquias,
de empresas públicas e sociedades de economia mista exercentes de serviços públicos e,
ainda, de pessoas naturais ou jurídicas de direito privado com funções delegadas do Poder
Público (ex. concessionárias de serviços de utilidade pública).

Prazo para Impetração do Mandado de Segurança

O prazo para impetração do mandado de segurança é de 120 dias, a contar da data em que o
interessado tiver conhecimento oficial do ato a ser impugnado. Este prazo é decadencial do
direito à impetração, e, como tal, não se suspende nem se interrompe desde que iniciado.

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos do art. 282 do CPC a petição inicial do mandado de segurança deve
cumprir as exigência descritas no art. 6o . da Lei 1.533/51.

Pressupostos para Concessão da Liminar

Determina o art.7o. da lei 1.533/51 que ao despachar a inicial o juiz deve decidir sobre a
concessão, ou não, da medida liminar. O inciso II do referido dispositivo exige a
concorrência obrigatória de dois pressupostos para legitimar a concessão da medida. São os
pressupostos:

a) Fundamento relevante – No mandado de segurança o pedido de liminar deve ter como


base um altíssimo grau de probabilidade de que a versão dos fatos, tal qual narrada e
comprovada pelo impetrante, tendo em vista que a comprovação de direito líquido e certo
pressupõe a apresentação de prova pré-constituída dos atos e dos fatos alegados.

O fundamento relevante pode ser entendido como um estágio mais intenso do fumus boni
iuris que autoriza a liminar nas cautelares (CPC, art. 804) e da prova inequívoca da
verossimilhança da alegação que trata o art. 273 do CPC, quando regula a antecipação da
tutela. Isso porque, nesses casos, é possível, se necessária, a realização de dilação
probatória, o que não pode ocorrer em se tratando de mandado de segurança.

b) Ineficácia da medida – Por periculum in mora ou ineficácia da medida deve-se entender


a necessidade da prestação da tutela de urgência antes da concessão final da ordem, sob
pena de se comprometer o resultado útil do mandado de segurança.

108
Valor da Causa

O autor deve indicar o valor da causa que, na falta de uma regra específica (art. 259, CPC),
deve expressar, tanto quanto possível, a importância da questão tratada na ação.

MODELO DE PEDIDO MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL:

Isto posto requer;

I) Seja concedida a segurança liminarmente e sem a oitiva da outra parte para o fim de se
determinar_____________________, requerendo a expedição de ofício/alvará
ao____________________.

II) Requer, ademais, a notificação da autoridade coatora para que preste informações no
prazo de 10 dias, nos termos do art. 7o, I da LMS

III) Requer, ainda, a intimação do MP para, em querendo, intervir no feito.

IV) Ao final seja julgado procedente o pedido formulado, tornando definitiva a segurança
ora concedida

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________


Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

109
AÇÃO RESCISÓRIA

Base Legal – Art. 485-495 do CPC

Procedimento – Específico endereçado ao Tribunal Competente

Notas – Somente se aplica aos casos expressamente previstos no art. 485 do CPC (rol
taxativo).

Nomenclatura – Autor e Réu

O trânsito em julgado da sentença impede a discussão do objeto da lide no mesmo


processo, além de criar um óbice para que outras demandas sejam propostas, versando
sobre a questão decidida. Contudo, essa decisão pode ser atacada pela chamada ação
rescisória que é uma ação autônoma de impugnação, cujo objetivo é a desconstituição de
sentença transitada em julgado, postulando o desfazimento da coisa julgada material, quer
por motivos de invalidade, quer por motivos de injustiça.

Não se trata de um recurso, porque estes já foram esgotados, mas de uma ação autônoma,
de cunho cognitivo e natureza desconstitutiva, que procura desfazer o julgado.

Foro Competente

A ação rescisória constitui demanda de competência originária de tribunal. Dessa forma, as


ações rescisórias serão processadas da seguinte forma:
a) Supremo Tribunal Federal – Processa e julga as ações rescisórias de seus próprios
julgados (CF/88, art. 102, I, j).

b) Superior Tribunal de Justiça – Processa e julga as ações rescisórias de seus próprios


julgados (CF/88, art. 105, I, e)

c) Tribunais Regionais Federais – Processa e julga as ações rescisórias de seus próprios


julgados (CF/88, art. 108, I, b) e as decisões de mérito dos juízes federais transitadas em
julgado. No caso de sentença proferida por juiz estadual investido de jurisdição federal
(CF/88, art. 109, parágrafo 3o .), a competência também será do Tribunal Regional Federal
da respectiva região.

d) Tribunais Estaduais - Processa e julga as ações rescisórias de seus próprios julgados


(CF/88, art. 125, parágrafo 1o .) e as decisões de mérito dos juízes estaduais transitadas em
julgado.

Legitimidade

Tem legitimidade para propor ação rescisória quem foi parte no processo ou seu sucessor a
título universal ou singular, como também o terceiro juridicamente interessado (CPC, art.

110
487). Ainda que a parte tenha sido revel no processo originário, lhe é conferida
legitimidade para propor ação rescisória.

A legitimidade passiva na ação rescisória deve observar o capítulo da decisão que se busca
rescindir, para identificar quem é o titular atual do direito ali certificado. A doutrina
entende que todos os partícipes da relação processual base devem ser citados, como
litisconsortes necessários, já que o acórdão proferido atingirá a esfera jurídica de todos.
Porém, se o objeto da ação rescisória só disser respeito a algum ou alguns dos participantes
do processo originário, somente esses devem ser citados como litisconsortes necessários.

Requisitos de Admissibilidade da Ação Rescisória

a) Sentença de Mérito – Apenas os acórdãos e as sentenças de mérito são rescindíveis. A


meramente terminativa não faz coisa julgada material, mas apenas formal, o que não
impede que a questão seja novamente levada a juízo em outra demanda. Desse modo, não
cabe rescisória contra sentenças proferidas em procedimento de jurisdição voluntária, nem
em ação de alimentos, que julguem improcedentes a ação popular ou a ação civil pública
por insuficiência de provas. Também não cabe ação rescisória contra a sentença que
extingue o processo de execução e sentenças proferidas nas ações cautelares, porque elas
não se revestem da autoridade da coisa julgada material, salvo se o juiz reconhecer a
prescrição ou decadência.

b) Preenchimento de um dos pressupostos objetivos elencados no art. 495 – A ação terá,


obrigatoriamente, como fundamento um dos 09 incisos do referido dispositivo. Cada uma
das hipóteses corresponde a uma causa de pedir suficiente para fundamentar a rescisão do
julgado.

c) Observância do prazo para ajuizamento – Deverá ser ajuizada, nos termos do art. 495 do
CPC, no prazo de 02 anos, contados do trânsito em julgado da decisão. Trata-se de prazo
decadencial, cabendo ao tribunal conhecer de ofício a situação que retrate ter sido a
rescisória intentada além do prazo ali previsto.

Requisitos Específicos da Petição Inicial

Além dos requisitos do art. 282 do CPC, incumbe ao autor demonstrar aqueles contidos no
art. 488 do mesmo diploma processual, ou seja, deve o autor a) cumular ao pedido de
rescisão, se for o caso, o de novo julgamento da causa e b) depositar a importância de 5%
(cinco por cento) sobre o valor da causa, a título de multa, caso a ação seja, por
unanimidade de votos, declarada inadmissível, ou improcedente. É bom lembrar que a falta
de depósito rende ensejo, inclusive, ao indeferimento da petição inicial.

Valor da Causa

Doutrina e jurisprudência assentaram o entendimento, segundo o qual o valor da causa, nas


ações rescisórias, equivale ao da ação originária, corrigido monetariamente.

111
MODELO DE PEDIDO DE AÇÃO RESCISÓRIA:

Isto posto requer;

I) a citação do réu por oficial de justiça para apresentar, em querendo, defesa no prazo de
15 a 30 dias a ser arbitrado por este E. Tribunal sob pena de reputarem-se aceitos os fatos
alegados (artigo 319)

II) Requer, nos termos do art. 488, II do CPC, a juntada de guia de depósito de 5% sobre o
valor da causa.

III) seja ao final a demanda julgada procedente para o fim de se determinar a rescisão da
sentença (sendo o caso da questão da questão requerer, também, a formulação de pedido
de nova decisão).

IV) seja o réu condenado, outrossim, nas custas e honorários a serem arbitrados por Vossa
Excelência (artigo 20, CPC)

V) Informa que as intimações deverão ser intimadas ao Dr... no endereço___________

VI)Protesta Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos que ficam
desde já requeridas ainda que não especificadas.

Atribui-se à causa o valor de R$________

Termos em que, pede deferimento

São Paulo (data)

(nome do advogado)
(OAB do advogado)

112
PARTE IX – EXERCÍCIOS
PERGUNTA 01- Horácio propõe contra Aldo ação de reintegração de posse, pelo rito
ordinário. Em contestação, Aldo alega a ilegitimidade do autor, pois só quem poderia
propor a demanda seria o seu pai, legítimo proprietário e possuidor do imóvel (arts. 926;
267, inc. VI, CPC). No mérito, alega que estaria na posse de forma regular em razão de
comodato. O juiz de primeiro grau rejeita a alegação de ilegitimidade, tendo Aldo
interposto agravo na forma retida. Meses depois, a demanda vem a ser julgada procedente,
tendo Aldo interposto apelação, requerendo que o Tribunal conheça preliminarmente do
agravo retido. Ao julgar a apelação, o Tribunal de Justiça de São Paulo nega provimento
por maioria de votos ao agravo retido, apreciado preliminarmente e, por unanimidade de
votos, nega provimento à apelação, tendo apreciado integralmente todas as questões
debatidas.

QUESTÃO: Como advogado de Aldo, interponha o recurso cabível.

PERGUNTA 02- Francisco propôs ação renovatória de contrato de locação em face dos
irmãos Antônio e Pedro, proprietários do imóvel alugado. Os locadores contestaram a ação,
cada qual por seu próprio advogado, concentrando as defesas no valor do aluguel ofertado
pelo inquilino. A ação foi julgada inteiramente procedente e a oferta do locatário foi
acolhida para a data inicial do novo quinqüênio. A sentença foi publicada há vinte e sete
dias. Antônio e Pedro protocolaram seus recursos de apelação há dois dias. O juiz indeferiu
os recursos, sustentando serem intempestivos, declarando o trânsito em julgado da decisão
e determinando ao autor que formulasse os requerimentos pertinentes, para dar andamento
ao processo em sua fase de execução.

QUESTÃO: Considerando que os pedidos de reconsideração da decisão que não recebeu os


recursos foram indeferidos, por falta de amparo legal e considerando que a ação renovatória
foi processada e julgada numa das varas cíveis da cidade de Santos – interponha, como
advogado de um dos locadores, o recurso cabível, visando, especificamente, a reforma da
decisão que indeferiu os recursos.

PERGUNTA 03- Gilberto, casado pelo regime da comunhão parcial de bens, antes da Lei
nº 6.515/77, com Luciana, emprestou um imóvel residencial que recebera por partilha nos
autos do inventário de seu pai a Marcelo, celebrando contrato escrito de comodato com
prazo determinado de duração fixado em 24 meses. Findo, há seis meses, o prazo avençado,
Marcelo não desocupou o imóvel nem atendeu à notificação que lhe endereçou o
proprietário, continuando, até hoje, a ocupá-lo gratuitamente.

QUESTÃO: Sabendo-se que o referido imóvel está localizado na Comarca do Guarujá; que
as partes residem na cidade de Santos; que o contrato não tem foro de eleição; e que
Marcelo é viúvo, mas era casado com Adriana pelo regime da comunhão total de bens à

113
época da celebração do contrato; proponha a medida judicial visando à restituição do
imóvel ao comodante.

PERGUNTA 04- "A sociedade "Polux Engenharia e Comércio Ltda.", que tem por
atividade a construção e venda de imóveis, celebrou contrato de compromisso de compra e
venda de um apartamento com Caio. Antes de obter a posse do imóvel, Caio deixou de
pagar as parcelas do preço ajustado. Assim, a "Polux Engenharia e Comércio Ltda."
notificou Caio regularmente, nos termos do Decreto-Lei nº 745/69, para os fins de
constituí-lo em mora, transcorrendo o prazo da notificação in albis. Em seguida, moveu
ação pelo rito ordinário, visando à rescisão do contrato, invocando para tanto cláusula
contratual que prevê a devolução, ao comprador, de 80% das quantias pagas, permitindo-se
a retenção pela vendedora dos restantes 20% a título de multa penal. A ação tramitou
perante a 41ª Vara Cível Central de São Paulo, foro competente. Caio apresentou tão
somente contestação, confessando o inadimplemento e sustentando que a cláusula em
questão era abusiva. A sentença julgou parcialmente procedente a ação, para declarar
rescindido o contrato de compromisso de compra e venda e condenar a Autora a devolver
as quantias pagas em sua inteireza, por considerar a cláusula contratual abusiva, conforme a
previsão do art. 51, II, do Código de Defesa do Consumidor.

QUESTÃO : Como advogado(a) da Autora, manipule o instrumento processual adequado à


defesa dos direitos da cliente.

PERGUNTA 05- João e Maria são casados pelo regime da comunhão parcial de bens
desde agosto de 1996. Não possuem filhos e a casa onde residem, no bairro de Santo
Amaro, é de propriedade comum do casal, tendo sido adquirida em fevereiro de 1997. Nos
últimos meses, João, desempregado, passou a adotar conduta extremamente violenta com
Maria. Freqüentemente, chega em casa tarde da noite e bêbado, causando arruaça na
vizinhança e acordando Maria aos berros. Na última semana, após algumas ameaças,
agrediu Maria com utensílios domésticos, o que tornou insustentável o convívio do casal,
com o inevitável rompimento da relação conjugal.

QUESTÃO : Na qualidade de advogado de Maria, proponha a ação judicial cabível para


defender seus interesses e afastá-la imediatamente do convívio de João. Considere, para
esse efeito, que Maria pretende permanecer residindo no imóvel do casal.

PERGUNTA 06- Júlio, Rubens e Marco Aurélio envolveram-se em acidente de trânsito da


espécie comumente conhecida como "engavetamento", no qual Marco Aurélio abalroou o
veículo conduzido por Rubens, que por sua vez colidiu com o dirigido por Júlio, utilizado
para transporte autônomo de passageiros ("lotação"). Marco Aurélio encontrava-se, na
ocasião, em velocidade acima da permitida para o local do acidente e seu veículo, conforme
atestado em vistoria levada a cabo pelo órgão competente, não estava com o sistema de
freios em ordem. Rubens, por sua vez, observava regularmente as leis de trânsito e seu
veículo estava em perfeitas cond ições, mas ainda assim atingiu Júlio. Por causa dos danos
causados a seu veículo, Júlio moveu ação, pelo rito próprio, contra Rubens, objetivando o
recebimento da indenização correspondente.

114
QUESTÃO: Na qualidade de advogado de Rubens, atue em seu favor oportunamente.
Considere que a ação tramita perante a 2a Vara Cível da Comarca de Santos, local do
acidente.

PERGUNTA 07- Romálio contratou, para auxiliá- lo no gerenciamento de seu patrimônio


pessoal, os serviços da Canarinho Contabilidade Ltda. O contrato previra a possibilidade de
sua denúncia unilateral, por qualquer das partes, "mediante a concessão de um pré-aviso de
30 (trinta) dias". Frustrados seus planos profissionais para o futuro próximo, Romálio
resolveu, por conveniência própria, denunciar o contrato, convocando os representantes
legais da Canarinho Contabilidade Ltda. e entregando- lhes carta, mediante recibo,
notificando-os de sua intenção. Passados trinta dias, Romálio procurou a Canarinho
Contabilidade Ltda. em sua sede (local do pagamento, segundo o contrato), para viabilizar
o pagamento da última parcela e, para sua surpresa, a sociedade negou-se ao recebimento
porque pretendia indenização maior, por lucros cessantes.

QUESTÃO : Na qualidade de advogado de Romálio, diligencia no afã de seus interesses.


Atente que Romálio é domiciliado no Rio de Janeiro, ao passo que a Canarinho
Contabilidade Ltda. tem sede em São Paulo, no bairro da Liberdade. O valor pretendido
pela Canarinho é de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

PERGUNTA 08- Com o propósito de realizar sua convenção anual, no próximo mês de
junho, a Opticom Informática Ltda. reservou 50 (cinqüenta) apartamentos no Hotel Bem-
Estar Ltda., localizado em Santos. A contratação foi realizada no mês de janeiro, por meio
de troca de correspondência, tendo o Hotel enviado seu orçamento, por escrito, e a Opticom
Informática aceitado integralmente os termos ali propostos, por igual via. No orçamento, o
Hotel ressalvou que os apartamentos estariam automaticamente reservados mediante
aceitação da proposta e, caso a Opticom Informática desistisse da reserva, que o fizesse
mediante prévio aviso com o mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias de antecedência, sob
pena de arcar com o valor correspondente a 20% (vinte por cento) do preço total ajustado, a
título de cláusula penal. Em maio, a menos de 30 (trinta) dias do evento, a Opticom
Informática resolveu cancelá-lo, alegando razões de conveniência empresarial, e recusa-se a
pagar qualquer quantia ao Hotel, porque este não teria tido prejuízo.

QUESTÃO : Na qualidade de advogado do Hotel Bem Estar Ltda., opere em favor deste.
Anote que o preço contratado importava em de R$ 100.000,00 (cem mil reais).

PERGUNTA 09- Dagoberto é beneficiário de duplicata de prestação de serviços emitida


por Afonso contra Carlino, no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), cujo
vencimento ocorreu em 20 de setembro de 2002. Dagoberto recebeu a cártula por endosso
em preto, diretamente do sacador, e tem em seu poder o respectivo comprovante de
prestação de serviços, devidamente assina-do pelo sacado. A duplicata não foi aceita por
Carlino, embora se saiba que ele não se opôs expressamente a essa providência. Vencido o
título e não pago, Dagoberto promoveu o protesto no dia 15 de dezembro de 2002.

QUESTÃO : Na qualidade de advogado de Dagoberto, aja em seu proveito. Considere que


Dagoberto e Afonso residem em São Paulo, ao passo que Carlino é domiciliado em Santos,
praça de pagamento do título.

115
PERGUNTA 10- Antônio, domiciliado em São Paulo e proprietário de um sítio em
Jundiaí, emprestou-o a Benedito, que não tinha onde morar com sua família, sem contrato
escrito, para que lá ficasse por 3 anos. Decorrido esse prazo, e após a devida interpelação,
Benedito recusa-se a sair do sítio, sob alegação de que havia plantado muitas árvores e que
tinha até colhido seus frutos, necessitando ficar no imóvel por mais um ano, dizendo, ainda,
que se Antônio tomasse alguma providência, alegaria posse velha e usucapião e conseguiria
a propriedade do sítio.

QUESTÃO: Prepare a ação cabível a ser proposta por Antônio, utilizando-se das
circunstâncias narradas.

PERGUNTA 11- Ana, modelo profissional, residente em Manaus, viajou para São Paulo,
para o casamento de sua filha. Para lavar, pintar seus cabelos e realizar um penteado para o
casamento, Ana procurou os serviços de João Macedo, cabeleireiro e dono do salão de
beleza “Hair”, sediado na cidade de São Paulo, que lhe cobrou R$ 500,00 (quinhentos
reais) pela prestação do serviço. Após lavar os cabelos de Ana, João aplicou- lhe uma tintura
da marca francesa ABC, importada pela empresa Brasil Connection Ltda. sediada na cidade
de Curitiba (PR). Meia hora após a aplicação da tintura, Ana sofreu uma reação alérgica,
que demandou atendimento médicohospitalar, no valor de R$ 1.000,00, bem como dois
dias de absoluto repouso que impossibilitou sua presença no casamento de sua filha. Além
disso, perdeu grande parte de seu cabelo, tendo permanecido com manchas em seu rosto,
por dois meses, perdendo um ensaio fotográfico, para o qual já havia sido contratada, pelo
valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Posteriormente constatou-se que a tintura
utilizada continha substâncias químicas extremamente perigosas à vida e à saúde das
pessoas e que a fabricante ABC já havia sido condenada pela justiça francesa a encerrar a
fabricação e comercialização do produto.
Indignada com os danos sofridos, Ana procura um advogado para pleitear o devido
ressarcimento.

QUESTÃO: Como advogado(a) de Ana, promova a demanda cabível.

PERGUNTA 12- Arlindo Luz é empregado da Metalúrgica Boa Esperança, fabricante de


Peças para Automóveis. Foi contratado em julho de 1990, e em abril de 2004 sofre acidente
do trabalho. A empresa providencia todos os documentos necessários, tanto para
comunicação ao órgão previdenciário, como para o tratamento de saúde. Em agosto de
2005, Arlindo recebe alta médica, mas está incapacitado para as funções que vinha
exercendo na empresa. Ainda sem retornar ao trabalho, se dá conta de que o INSS lhe paga
auxílio doença, tendo entendido aquela Instituição que não houve acidente do trabalho, mas
sim doença profissional. Pretendendo rever o benefício e o enquadramento da função,
decide ingressar com a respectiva ação, pois o INSS alega que não há qualquer situação
para ser corrigida, pois tudo foi feito com base nos laudos médicos e documentos passados
pelo seu empregador. Além de sentir-se prejudicado pelo enquadramento equivocado e
pagamento a menor daquilo que teria direito, Arlindo tem necessidade de receber
tratamento fisioterápico que lhe vem sendo negado em razã o da afirmação da entidade de
que teria se recuperado. O fato é que, segundo se constata nos atestados particulares, a

116
demora no tratamento poderá ocasionar- lhe, quiçá, a perda definitiva do membro atingido.
Arlindo reside em São Bernardo do Campo (SP) e procura um advogado para agir em sua
defesa, de modo a assegurar-lhe, não só a discussão pelo benefício buscado, como também
a garantia do tratamento fisioterápico.

QUESTÃO: Elabore a petição inicial.

PERGUNTA 13- João Antunes, casado com Beatriz Valença, compra um imóvel junto à
CEF, em leilão de imóveis, por ela realizado, que passaram à sua propriedade em razão do
não pagamento do contrato de financiamento dos anteriores proprietários. O casal paga pelo
imóvel a importância de R$ 208.000,00 e, diante da quitação do valor, recebe a chave do
imóvel com a respectiva escritura pública. O imóvel situa-se em Bauru, e o negócio
concretiza-se em junho de 2005. Em julho de 2005, quando decidem tomar posse do
imóvel, lá encontram residindo o anterior proprietário, Sr. Arruda Albuquerque, sua esposa
Naifa Tâmela e dois filhos, um com 18 e outro com 16 anos. Frustradas todas as tentativas
para desocupação voluntária do imóvel, João e Beatriz não conseguem tomar posse do que
é deles e temem perder, inclusive, a quantia paga pelo imóvel. Procuram um advogado para
ver efetivado o contrato e ter garantido o direito de tomar posse do imóvel ou, caso isso não
seja deferido, que o valor pago seja restituído.

QUESTÃO: Como advogado de João e Beatriz, proponha a ação cabível.

PERGUNTA 14- Antônio alugou de Benedito um imóvel residencial situado na cidade de


Campinas, celebrando contrato escrito de 48 meses de duração. Decorridos 36 meses, o
aluguel pago por Antônio a Benedito tornou-se muito alto (R$ 5.000,00) em relação aos
aluguéis de imóveis existentes na região, com as mesmas dimensões, que estão sendo
oferecidos à locação entre os valores de R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00. Benedito se recusa a
reduzir o valor do aluguel.

QUESTÃO:- Como advogado do locatário e sabendo-se que: a) Benedito tem domicílio em


São Paulo, no bairro de Pinheiros, enquanto que Antônio reside em Limeira; b) Antônio é
casado com Maria pelo regime de comunhão de bens e Benedito é viúvo; c) o contrato não
tem foro de eleição; d) Benedito é usufrutuário do imóvel locado, pertencendo a nua
propriedade a seu filho, menor impúbere, José; proponha a ação visando a redução do valor
do aluguel a nível de mercado.

PERGUNTA 15- Modestino celebrou com a sociedade Mercator Leasing S/A., um


contrato de arrendamento mercantil, tendo por objeto uma máquina copiadora importada,
cujo pagamento dar-se- ia em vinte e quatro prestações mensais e consecutivas, reajustáveis
a cada doze meses, de acordo com o INPC. Depois de uma forte oscilação das taxas de
câmbio, a sociedade Mercator enviou a Modestino uma notificação extrajudicial, noticiando
um aumento de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o valor da última prestação recebida, já
vigente a partir da próxima parcela, independentemente dos reajustes anuais, com base em
cláusula contratual dispondo que a arrendadora poderia aumentar o valor das parcelas, caso
viesse a ocorrer desvalorização no câmbio. Modestino não concordou com o aumento
imposto pela sociedade e, ao tentar pagar a parcela vencida na data de ontem, teve a sua
oferta, feita com base no valor sem o aumento, recusada pela arrendadora. Depositou a

117
prestação que entendia devida em conta bancária por ele aberta em nome da arrendadora e,
ato contínuo, enviou- lhe notificação noticiando o depósito efetuado. A arrendadora,
também por escrito, manteve a recusa, sustentando estar correto o valor por ela exigido e
ser insuficiente a quantia depositada por Modestino.

QUESTÃO: Como advogado de Modestino, sabendo: a) que as parcelas deveriam ser pagas
na sede da sociedade, no bairro de Pinheiros, em São Paulo; b) que Modestino é
domiciliado em Santos; c) que o valor do contrato é de R$ 10.000,00, o de cada prestação,
antes do aumento, de R$ 416,00 e, depois, de R$ 520,00 – proponha a medida judicial apta
a liberá-lo da obrigaçã

PERGUNTA 16- Renata, divorciada, atualmente residindo na cidade de Campinas, vendeu


a Gilberto e a sua mulher Adriana, um apartamento situado em São Paulo, no bairro de
Pinheiros, no Condomínio XYZ. Lavraram a devida escritura pública de compra e venda,
mas os adquirentes não a levaram a registro, muito embora tenham entrado na posse do
imóvel e nele estejam residindo. Participaram de duas assembléias condominiais e Gilberto
chegou a candidatar-se ao cargo de síndico, mas foi derrotado.
Passando por dificuldades financeiras, Gilberto e Adriana deixaram de pagar o rateio das
despesas de condomínio dos últimos três meses, montando seu débito a R$ 2.200,00.

QUESTÃO: Como advogado do Condomínio, proponha a medida judicial visando ao


recebimento do crédito.

PERGUNTA 17- Aurélia dirigia seu automóvel pela Avenida Paulista, em São Paulo,
quando uma viatura da Polícia Militar, sem a sirene ou as luzes de advertência ligadas, em
alta velocidade, abalroou o seu veículo, atirando-o contra um poste. O veículo de Aurélia
ficou completamente destruído, sem a menor possibilidade de ser consertado. Aurélia, que
não tinha seguro, ficou ferida no acidente e acabou sendo hospitalizada e submetida a duas
cirurgias corretivas no joelho, sendo necessária, ainda, uma terceira, que se realizará no
próximo mês. Abandonou o estágio profissional que fazia em escritório de advocacia onde
seria aproveitada como advogada e acabou perdendo o Exame de Ordem, exatamente
porque, na data de sua realização, estava hospitalizada.

QUESTÃO: Sabendo-se que Aurélia é domiciliada em Santos; que o seu veículo era novo,
adquirido há poucos dias; e que a viatura da Polícia Militar era então dirigida pelo soldado
Gilberto, lotado no Batalhão sediado em Campinas, acione a providência judicial cabível,
objetivando a mais completa reparação do dano causado a Aurélia.

PERGUNTA 18- A Creche Primeira Infância, mantida pela Associação dos Moradores do
Bairro Pinheirinho, da Comarca de São João dos Pinhais, atende a população carente da
região em que se situa. Em virtude do não pagamento das 3 (três) últimas faturas de
consumo mensal, o fornecimento de água para a creche foi suspenso pela Companhia
Bandeirante de Águas – CBA, concessionária local do serviço de abastecimento de água e
esgoto. Buscando a reativação do fornecimento, a mantenedora ajuizou ação de rito
ordinário com pedido de antecipação de tutela em face da CBA. Após a apresentação da
contestação, o MM. Juízo da 1ª Cível daquela comarca, acolhendo as alegações defensivas,

118
houve por bem indeferir a tutela antecipada, sob o fundamento de que a prestação de
serviço de abastecimento de água insere-se no bojo de uma relação de natureza contratual
bilateral, razão pela qual justifica-se a suspensão do fornecimento no caso de não
pagamento das faturas mensais.

QUESTÃO: Como advogado da autora, providencie a medida adequada para obter, de


imediato, a reativação do fornecimento de água para a creche, considerando que a decisão
denegatória da tutela antecipada foi publicada na imprensa oficial há 6 (seis) dias.

PERGUNTA 19- Antônio é credor de Benedito, pelo valor de R$ 140.000,00 (cento e


quarenta mil reais), por força de contrato de mútuo celebrado há 30 (trinta) dias e com
vencimento no próximo dia 30. Sabe-se que Benedito, que reside na Comarca de Santos -
SP, tenciona mudar de Estado e está oferecendo à venda seus bens. Antônio, inclusive, teve
acesso a uma proposta de venda escrita, em que Benedito oferece a Caio um de seus
imóveis, localizado na Comarca de Guarujá - SP, pelo valor de R$ 120.000,00 (cento e
vinte mil reais). Ao que consta, esse imóvel é o bem de maior valor de Benedito e a venda
pode comprometer sua solvabilidade. Além disso, seu valor real de mercado deve superar
R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais).

QUESTÃO : Como advogado de Antônio, exerça o instrumento judicial adequado para


inibir a dilapidação do patrimônio de Benedito e assegurar o recebimento do crédito
decorrente do mútuo. Considere, para tanto, que o contrato de mútuo foi devidamente
formalizado.

PERGUNTA 20- A empresa FOENUS TERRAE LTDA. emprestou à empresa GENS


PATRIAE S/A a quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais), para pagamento em 180 dias,
com juros de 30% ao ano. Ao final do prazo estipulado, a mutuária efetuou o pagamento do
valor histórico acrescido de 6% a título de juros.
Inconformada com o pagamento parcial, a mutuante sacou uma duplicata em face da
devedora, exigindo a diferença relativa aos juros, e levou o título a protesto por falta de
aceite. A GENS PATRIAE S/A acaba de receber a notificação do cartório de protesto,
determinando seu comparecimento, em 48 horas, para saldar a dívida em questão ou
explicar a razão da recusa.

QUESTÃO: Como mandatário da GENS PATRIAE S/A, empreenda a atuação necessária,


considerando que a credora localiza-se em São Paulo, no subdistrito de Pinheiros.

PERGUNTA 21- Caio prometeu vender a João imóvel de sua propriedade, por intermédio
de compromisso particular celebrado em agosto de 2000. João recebeu a respectiva posse,
mas não a propriedade, que lhe deveria ser transmitida após o pagamento de todas as
parcelas do preço. Contudo, João deixou de solver as parcelas em outubro de 2001, o que
motivou Caio a mover ação de rescisão contratual, precedida de notificação extrajudicial
em que aquele foi constituído em mora. Recentemente, Caio soube que o imóvel fora
penhorado em execução movida por Tadeu em relação a João, e que irá à primeira praça na
próxima semana.
QUESTÃO : Na qualidade de advogado de Caio, promova a medida judicial para
salvaguardar seus direitos sobre o imóvel. Considere que a ação de rescisão contratual

119
tramita perante a 50.º Vara Cível Central de São Paulo, ao passo que a execução contra
João, perante a 10.ª Vara Cível Regional de Santo Amaro.

PERGUNTA 22- Mefistófeles e Aristides são sócios da Comércio de Alimentos


Peloponeso Ltda., sociedade empresária cujos atos constitutivos, apesar de assinados, não
foram levados a registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP. Aristides,
administrador da sociedade, negociou junto ao Atacadista Central Ltda. gêneros
alimentícios no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), mas não honrou o pagamento, apesar
de a sociedade possuir recursos em caixa para tal. A respectiva duplicata foi sacada pelo
credor e está agora sendo executada, acompanhada do comprovante de entrega das
mercadorias. Em razão de a sociedade ser irregular, a execução foi movida contra os sócios,
contra quem também foi sacada a duplicata. Recentemente, Mefistófeles foi intimado da
penhora de bens de sua propriedade para pagamento integral da dívida. O mandado de
intimação foi juntado aos autos há 5 (cinco) dias.

QUESTÃO: Como advogado de Mefistófoles, atue na defesa de seus interesses. A


execução tramita perante a 45.ª Vara Cível Central de São Paulo.

PERGUNTA 23- Empresa de Cosméticos Cara-Pintada, situada na cidade de Osasco (SP)


é fabricante de toda a linha de maquilagem Beija-Flor e fornece produtos para MM Loja de
Departamentos, localizada em São Paulo (SP). Suzana Costa adquire o kit vendido pela loja
contendo batom, sombra, rímel, perfume, cremes para o corpo e rosto e paga pelo produto
R$ 1.000,00. Todavia, o uso dos produtos provoca séria alergia em Suzana que se vê
obrigada a custear um tratamento dispendioso, necessitando de internação hospitalar e
repouso de duas semanas. Ingressa com ação de reparação de danos contra as empresas e
obtém a condenação solidária que as obriga à indenização de R$ 300.000,00 em razão dos
danos morais e materiais sofridos. A ação é proposta em Santos (SP), local onde reside
Suzana. Na fase de execução definitiva do julgado, tem-se conhecimento que as empresas
confundiram seus patrimônios com os dos sócios, baixaram suas portas e encerraram suas
atividades de modo irregular. O Juiz, aplicando o art. 28 do Código de Defesa do
Consumidor entende por bem desconsiderar a pessoa jurídica, ordenando que a execução
prossiga contra seus sócios, entendendo que todos eles são responsáveis secundários pela
dívida. Tal decisão foi proferida em janeiro de 2005. No ato de penhora, é apreendido um
imóvel residencial situado em São Paulo, na Vila Olímpia, avaliado em R$ 400.000,00 de
propriedade de Adriana Cruz, que vive em regime de união estável há três anos com Paulo
Torto, sócio que detém 80% do capital social da 1a empresa e 40% da 2a. Adriana adquiriu
o imóvel quando era namorada de Paulo Torto em 2001, através de doação que ele lhe fez.
Após o nascimento dos filhos gêmeos, hoje com dois anos, gravou o imóvel com usufruto
em favor deles.

QUESTÃO: Como advogado(a) de Adriana e dos filhos menores, promova a ação cabível,
observando que Paulo e dois filhos menores do casal residem no mesmo imóvel.

120
PARTE X – GABARITO EXERCÍCIOS
PERGUNTA 01:

O recurso cabível é o recurso especial que deve ser interposto perante o Tribunal de Justiça,
alegando violação a dispositivos infra-constitucionais, arts. 926 e 267, inc. VI, CPC (art.
105, inc. III, “a”, CF), requerendo o seu conhecimento e remessa ao STJ para a apreciação
do mérito, com a finalidade de reformar o V. acórdão. Deve ainda demonstrar que os
dispositivos legais foram devidamente prequestionados e que não é necessária a
reapreciação das provas (súmulas 5, 7 e 282).

PERGUNTA 02:

Deverá ser interposto agravo de instrumento contra o despacho que não recebeu os recursos
de apelação, por meio de petição de interposição protocolada diretamente junto ao Tribunal
de Justiça, recurso esse a ser fundamentado e processado nos termos dos artigos 522 e
seguintes do Código de Processo Civil.

O recurso de agravo independe de preparo, mas é necessária a indicação das peças


trasladadas e a identificação dos advogados dos litigantes.
No mérito o recurso deverá sustentar a tempestividade do recurso de apelação do
Agravante, por força do disposto no artigo 191 do Código de Processo Civil.
Ao final deverá haver expresso pedido de provimento do recurso, para o fim de reforma da
decisão recorrida e, conseqüentemente, para receber-se a sua apelação, determinar-se o seu
processamento e posterior encaminhamento ao próprio Tribunal de Justiça.
É necessário formular o pedido de liminar para dar efeito suspensivo ao Agravo, de modo a
impedir a imediata execução da sentença, uma vez que o novo aluguel poderá ser exigido
desde logo.
Mencionar a providencia prevista no artigo 526 CPC e sua ulterior comunicação ao
Tribunal competente.

PERGUNTA 03:

Deverá ser proposta ação de reintegração de posse, por Gilberto (que é o signatário do
contrato) contra Marcelo (que é quem detém a posse direta do imóvel), com fundamento
nos artigos 1248 e seguintes e 499, 507 e 523, todos do Código Civil, a ser processada na
forma dos artigos 920 e seguintes do Código de Processo Civil, com pedido de liminar com
base no artigo 928 do mesmo diploma.
O foro competente é o da situação do bem (art. 95 ou art. 100, "d", do Código de Processo
Civil) e o valor da causa, segundo a jurisprudência, deve ser o equivalente ao valor venal do
bem (assim entendido o do correspondente lançamento fiscal – RT 666/108), ou mesmo um
terço desse valor (JTA 89/172).
Poderá haver pedido de indenização, se for alegada a deterioração do imóvel (art. 515 do
Código Civil e art. 921, I, do Código de Processo Civil) ou de cobrança de valor

121
correspondente ao aluguel após a caracterização do esbulho (art. 921, II, do Código de
Processo Civil).
O esbulho está caracterizado pela não devolução do imóvel após a notificação de denúncia
do comodato.
O pedido deve ser o de procedência da ação, com a confirmação da liminar concedida,
declarando-se o autor reintegrado de forma definitiva na posse do imóvel e condenando o
réu no pagamento dos valores correspondentes aos eventuais pedidos cumulados, custas e
honorários.

PERGUNTA 04:

Recurso de apelação, dirigido ao Juízo da 41ª Vara Cível Central de São Paulo, com os
requisitos do art. 514 do Código de Processo Civil. De preferência, deverá requerer juntada
da guia de recolhimento do preparo.
No recurso, o candidato deverá, cumulativamente:
(a) argüir a nulidade do provimento condenatório, já que ausente recovenção nesse sentido.
O candidato deverá argumentar com os princípios do contraditório e da inércia processual,
dentre outros, além de invocar, exemplificativamente, as disposições dos arts. 2º, 128 e 460
do Código de Processo Civil.
(b) sustentar que a cláusula não é abusiva, já que prevista explicitamente pelo art. 53 do
Código de Defesa do Consumidor; além disso, poderá sustentar que a cláusula é razoável,
não se justificando sequer a redução proporcional prevista pelo art. 924 do Código Civil.

PERGUNTA 05:

O candidato deverá propor ação cautelar de separação de corpos, com fundamento no art.
7º, §1º, da Lei nº 6.515/77 e nos arts. 796 e segs. do Código de Processo Civil, perante
algum dos Juizos de Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro. O pedido
deverá incluir o requerimento de concessão de medida liminar, para a expedição de alvará
de separação de corpos que impeça João de se aproximar de Maria ou da residência do
casal, podendo, se for o caso, ressalvar dia e hora para João retirar seus pertencentes
pessoais. O candidato deverá, ainda, indicar como ação principal a ação de separação
judicial, a ser proposta em 30 (trinta) dias a partir da efetivação da liminar.

PERGUNTA 06:

O candidato deverá oferecer contestação, podendo sustentar preliminarmente sua


ilegitimidade passiva, pois o verdadeiro causador do dano foi Marco Aurélio. No mérito,
deverá alegar a inexistência do dever de indenizar, tanto pela não-caracterização da culpa,
pois conduzia seu veículo sem incorrer em imprudência ou imperícia, quanto do nexo de
causalidade, pois o acidente foi causado exclusivamente por ato de terceiro.
Não poderá haver denunciação da lide a Marco Aurélio, art. 280, I, do Código de Processo
Civil.

122
PERGUNTA 07:

Propositura de ação de consignação em pagamento perante Vara Cível Central de São


Paulo (local do cumprimento da obrigação), nos termos dos arts. 890 e segs. do Código de
Processo Civil.
A causa de pedir deverá versar a respeito da recusa injustificada da Canarinho
Contabilidade Ltda. ao recebimento da parcela final, por estar em desacordo com os termos
contratuais, o que viabiliza a consignação do pagamento (Código Civil, art. 973, I). A
inicial deverá conter os requerimentos constantes do art. 893 do Código de Processo Civil e
o pedido incluirá a procedência da ação para declarar extinta a obrigação. O valor a ser
consignado deverá ser necessariamente estimado, em face do problema apresentado,
inclusive para fixação do valor da lide (STJ "in" JTJ 157/233).

PERGUNTA 08:

Propositura de ação monitória, perante Vara Cível da Comarca de Santos (local do


cumprimento da obrigação – CPC, art. 100, IV, d ), visando ao recebimento da multa penal
equivalente aos 20% (vinte por cento) do preço total combinado. A ação monitória
justifica-se pela presença de prova escrita da obrigação (correspondência), sem a eficácia
de título executivo.
No mérito, o candidato deverá sustentar a licitude e razoabilidade da cláusula penal, em
face dos arts. 916 e segs. do Código Civil, e disposições do Código de Defesa do
Consumidor, principalmente sob o aspecto de que não é necessária a alegação de prejuízo
pelo credor (art. 927). Eventualmente, admitir-se-á ação de conhecimento com as
considerações concernentes a esta variação.

PERGUNTA 09:

Propositura de execução por quantia certa contra devedor solvente, por Dagoberto, em face
exclusivamente de Carlino, nos termos dos arts. 585, I, do Código de Processo Civil, e 15 e
segs. da Lei nº 5.474/68. A execução não deve ser movida contra Afonso, uma vez que o
protesto posterior a 30 dias do vencimento do título opera a perda do direito de regresso
contra o endossante, consoante dispõe o art. 13, § 4º, da Lei nº 5.474/68; por se tratar de
perda de direito, sequer se admitirá ação monitória contra Afonso. A execução deve ser
movida perante algumas das varas cíveis de Santos (domicílio do devedor e local de
pagamento do título) e explicitar na cobrança, amparar-se esta nos requisitos do art. 15 da
Lei de Duplicatas.

PERGUNTA 10:

Antonio deverá promover ação de reintegração de posse, com pedido liminar, cumulada
com perdas e danos, regido pelo Rito Especial previsto nos artigos 926 a 931 do CPC. Por
tratar-se de litígio fundado em direito real sobre imóvel, a competência para intentar a
referida ação, será do Foro da cidade de Jundiaí, conforme determina o artigo 95 do CPC.
O pedido de Antonio será a reintegração na posse direta do imóvel, uma vez que entre ele e
Benedito foi realizado um contrato verbal de comodato, artigo 579 do CC, contrato que, por

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disposição legal, determina que o comodatário, não poderá utilizar-se da coisa de forma
adversa da contratada, artigo 582 do CC.
Antonio deve demonstrar a posse de má- fé de Benedito, uma vez que promoveu a
interpelação, ao término do contrato, motivo esse que enseja o pedido de liminar, por tratar-
se de posse nova, datada de menos de ano e dia.
O pedido de perdas e danos, também, será pertinente, devendo Antonio solicitar ao Juiz de
Direito que condene Benedito ao pagamento dos lucros cessantes, no valor equivalente ao
aluguel do imóvel, a partir do momento do esbulho, e pelo prazo que permanecer
indevidamente com a posse do imóvel. Solicitar a procedência da ação, para lhe ser
devolvida a posse direta sobre o imóvel.
A ação deve ser promovida em face de Benedito e de sua cônjuge ou companheira, se for o
caso (se casado for ou viver em união estável), (art. 10, parágrafo 2º, do CPC).
O(s) réu(s) deverá(ão) ser condenado(s) à desocupação do prédio, ao pagamento das perdas
e danos, custas e honorários advocatícios, conforme artigo 20, parágrafo 3º, do CPC.
O valor da causa será atribuído, genericamente, para efeitos fiscais.

PERGUNTA 11:

Trata-se de ação de indenização, pelo rito ordinário, a ser promovida pelo consumidor,
contra o fabricante e/ou contra o importador do produto, que responderão
independentemente da existência de culpa (art. 12, Lei nº 8.078/90) pelo defeito do
produto, podendo ser pleiteada indenização por danos morais (ausência no casamento; dano
à saúde e dano estético) e materiais (danos emergentes – R$ 1.500,00 - e lucros cessantes -
R$ 50.000,00). Se demandar o fabricante, terá que pedir a expedição de carta rogatória,
para a citação do mesmo. O Foro para a propositura da demanda é o do domicílio do
consumidor (Manaus), nos moldes do artigo 101 do Código de Defesa do Consumidor, não
se podendo desprezar a propositura perante o domicílio do réu (Curitiba), já que o autor tem
a faculdade, e não o dever, de promover a demanda em seu domicílio. Se a demanda for
ajuizada na Comarca de Manaus (domicílio do consumidor) pode ser requerida citação do
réu por correio ou por carta precatória para Curitiba (art. 221, I e II e arts. 200, 201 e 202
do CPC).
A demanda não poderá ser ajuizada contra o prestador de serviços (Hair is on Ford ou
João), porque, além de não haver defeito de serviço, estão perfeitamente identificados o
fabricante e o importador do produto defeituoso, não sendo aplicáveis ao caso os arts. 13 e
14 do CDC.

PERGUNTA 12:

Ação Acidentária com pedido de tutela antecipada– procedimento sumário – (art. 129, ii l.
8213/91 c/c art. 275, cpc). competência: justiça comum.
réu- INSS. tutela antecipada: para o inss garantir o tratamento fisioterápico. Pedido:
manutenção do tratamento fisioterápico e revisão do benefício com pagamento das
diferenças que advierem do novo enquadramento.

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PERGUNTA 13:

Ação de Imissão na Posse contra os ocupantes do imóvel e denunciação da lide em face da


CEF. Atentar para o foro da propositura da ação (bauru) e para a formação do pólo passivo,
pois as partes são casadas e a ação de imissão é petitória (art. 10, CPC).

PERGUNTA 14:

Deverá ser proposta ação revisional de aluguel, pelo locatário Antônio (sem a presença da
mulher) contra o locador Benedito (José, nu proprietário e parte ilegítima) , no foro da
situação do imóvel (Campinas), atribuindo-se à causa o valor correspondente a 12 vezes o
aluguel vigente (ou seja, R$ 60.000,00), também podendo ser considerado correto o valor
dado à causa com base no valor do aluguel pretendido (ou seja, 12 vezes o aluguel
proposto).
O fundamento legal da ação está no artigo 19 da Lei nº 8.245/91, o rito deverá ser o
sumário (art. 68 da Lei nº 8.245/91, combinado com os artigos 275 e seguintes do Código
de Processo Civil).
Deverá haver expressa menção ao valor do aluguel pretendido (art. 68, I, da Lei nº
8.245/91), expresso requerimento de designação de audiência, expresso requerimento de
restituição das diferenças acumuladas a partir da citação (art. 69 da Lei nº 8.245/91) e
poderá ser requerida a fixação de aluguel provisório, fazendo-se menção aos elementos
apresentados para justificar esse pedido.
Deverá ser requerida Carta Precatória para a citação do Réu, que reside em outra Comarca e
deverá ser requerida a produção de prova pericial.

PERGUNTA 15:

Modestino deverá propor contra a sociedade Mercator uma ação de consignação em


pagamento, com fundamento no artigo 973, I, do Código Civil, a ser processada na forma
dos artigos 890 e seguintes do Código de Processo Civil. Competente é o foro do lugar do
pagamento (São Paulo, Foro Regional de Pinheiros), nos termos dos artigos 976 do Código
Civil e 891 do Código de Processo Civil e o valor da causa é o correspondente a doze vezes
o valor da prestação que o autor considera devida (art. 260 do Código de Processo Civil).
Os requerimentos que deverão constar da petição inicial estão nos artigos 892 e 893 do
Código de Processo Civil. Não deverá ser requerida audiência de oblação nem o
deferimento de prazo para efetuar o depósito da importância consignada.

PERGUNTA 16:

O Condomínio XYZ deve propor ação de cobrança de despesas de condomínio, com


fundamento no art. 12 da Lei nº 4.591/64, pelo rito sumário (art. 275, II, b, do Código de
Processo Civil), em face de Gilberto e Adriana, a ser distribuída no Foro Regional de
Pinheiros, em São Paulo (domicílio dos réus), atribuindo-se à causa o valor do débito (R$
2.200,00).
Muito embora haja divergência jurisprudencial a respeito do polo passivo – entendendo
alguns julgados que a ação deve ser proposta contra a titular do domínio (Renata) e outros
que a ação deve ser proposta contra os adquirentes, quando inegável é o conhecimento, por

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parte do condomínio, a respeito da aquisição – a tendência atual está direcionada à Segunda
opção, ou seja, à propositura da ação contra Gilberto e Adriana, uma vez que, no caso
proposto, não há como se negar que o condomínio tem conhecimento da aquisição.
No entanto, se o examinando propuser a ação contra a titular do domínio, desde que no
corpo da peça justifique a sua posição, não deverá ser desqualificado apenas por essa razão,
recomendando-se seja aceita peça corretamente justificada.
A propositura da ação contra a titular do domínio e contra os adquirentes, em litisconsórcio
passivo, está errada.
O pedido deverá ser o de procedência da ação com a condenação do condômino ao
pagamento do principal, acrescido da multa convencional, dos juros de mora, das custas do
processo e de honorários advocatícios.
Deverá ser requerida a citação do réu para comparecer à audiência de que trata o artigo 277
do Código de Processo Civil, para nela oferecer contestação, sob pena de sofrer os efeitos
da revelia.
Se houver pedido de produção de prova testemunhal, o respectivo rol deverá estar na
petição inicial (art. 276 do Código de Processo Civil).

PERGUNTA 17:

Aurélia deverá propor ação de reparação de dano causado em acidente de veículos (com
fundamento no art. 159 do Código Civil), pelo rito sumário (art. 275, II, d, do Código de
Processo Civil), em face da Fazenda do Estado de São Paulo, perante uma das Varas da
Fazenda Pública da Capital.
A propositura da ação contra Gilberto, funcionário público que dirigia o veículo, não é a
melhor solução em virtude da incerteza do recebimento do crédito.

O pedido de procedência da ação deve englobar:

Os danos emergentes (perda do veículo, pelo seu valor de mercado, podendo até justificar-
se a pretensão pelo valor de um veículo novo; reembolso das despesas médicas havidas
com a hospitalização; reembolso das despesas com as duas cirurgias sofridas) – valores
esses, certos e determinados.

O pagamento das despesas necessárias à realização da futura cirurgia, cujo valor também
poderá estar orçado e, assim, certo e determinado.

O pagamento, a título de lucros cessantes, daquilo que deixou de receber em função da


atividade profissional interrompida, mais os meses em que não poderá exercer a profissão
pela perda do exame de habilitação – valores que também poderão ser certos e
determinados.

O pagamento de indenização por dano moral, justificando-se o seu cabimento em função do


sofrimento a que foi submetida a autora – cujo valor deverá ser arbitrado pelo juiz (embora
possa ser estimado pela vítima).

O pagamento das verbas sucumbenciais e dos juros de mora a contar da citação. As verbas
deverão ser corrigidas monetariamente a partir dos respectivos desembolsos.

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Deverá ser requerida a citação da Fazenda, na pessoa do Procurador do Estado de São
Paulo, para comparecer à audiência de que trata o artigo 277 do Código de Processo Civil,
para nela oferecer contestação, sob pena de sofrer os efeitos da revelia.
Se houver pedido de produção de prova testemunhal – e deve haver para a prova da culpa
do motorista, a fim de que possa ficar caracterizada a responsabilidade objetiva do Estado –
o respectivo rol deverá estar na petição inicial (art. 276 do Código de Processo Civil).
O valor da causa é a soma de todos os pedidos.

PERGUNTA 18:

O examinando deverá apresentar agravo de instrumento com pedido de efeito ativo. Do


ponto de vista formal, o recurso deverá conter petição de interposição e minuta das razões
de reforma da decisão, além da indicação do nome e endereço dos advogados constantes do
processo.
No mérito, deverá sustentar que a suspensão do fornecimento de água constitui forma
oblíqua de cobrança de crédito, impondo ao consumidor uma situação de constrangimento,
que é vedada pelo art. 42 da Lei nº 8.078/90.
Deverá argumentar também a impossibilidade da suspensão do fornecimento, por se tratar
de serviço público essencial, nos termos do art. 22 do mesmo diploma legal.
A fundamentação do pedido de efeito ativo deverá enfocar a necessidade urgente da
religação da água, que é vital para a higiene e saúde das crianças, salientando que, do
contrário, a creche deverá paralisar suas atividades em prejuízo da comunidade local.

PERGUNTA 19:

O examinando deverá ajuizar Ação Cautelar de Arresto, com fundamento nos arts. 813, I e
III do Código de Processo Civil, invocando a condição de credor de Antonio. Deverá
requerer medida liminar, para que sejam expedidos os competentes mandados judiciais para
os Cartórios de Registro de Imóveis, em que estejam matriculados os imóveis de
titularidade de Benedito, registrando-se o arresto junto às respectivas matrículas, nos
termos dos arts. 167, 5 e 239 da Lei de Registros Publicos. Deverá indicar como ação
principal a de cobrança do crédito, que poderá adotar a via executiva. A ação deverá ser
ajuizada na Comarca de Santos-SP.

PERGUNTA 20:

O examinando deverá ajuizar perante uma das varas cíveis do foro Regional de Pinheiros
ação cautelar de sustação de protesto. Deverá sustentar que, nos termos da Lei nº 5.474/68,
a duplicata é título causal, só podendo ser extraída para documentar o crédito decorrente de
compra e venda ou prestação de serviços. Ou seja, não é hábil para representar um crédito
decorrente de mútuo. Além disso, deverá demonstrar a inexigibilidade do valor estampado
no título, tendo em vista que representa juros superiores ao dobro da taxa legal, em violação
ao art. 1º do Decreto 22.626/33. Deverá ainda indicar a ação principal de declaração de
inexistência de relação jurídica cambial que a obrigue ao pagamento daqueles valores.

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PERGUNTA 21:

Oposição de embargos de terceiro, com fulcro nos arts. 1046 e seguintes do Código de
Processo Civil, para defesa do direito de propriedade de Caio. Os embargos deverão ser
movidos perante o juízo da execução com pedido de suspensão do processo executivo e,
ainda de desconstituição do ato constritivo praticado. No mérito, deverá o candidato
sustentar que João não tem direito de propriedade sobre o imóvel, em razão de não a ter
recebido e da rescisão do contrato de compromisso de compra e venda do imóvel.

PERGUNTA 22:

Oposição de embargos à execução, dirigidos ao juízo da execução, observados os requisitos


do art. 282 do Código de Processo Civil. Deverá o candidato sustentar que a
responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais, nas sociedades em comum, é subsidiária,
pois primeiro deverão ser excutidos os fundos sociais (Código Civil, art 1.024). Apenas
responde em caráter solidário com a sociedade o sócio que contratou em seu nome (Código
Civil, art. 990), no caso Aristides. Como a sociedade tem fundos em caixa suficientes para
o pagamento da dívida, Mefistófeles pode argüir o benefício de ordem.

PERGUNTA 23:

Embargos de Terceiros. Atenção para a representação dos menores na peça.

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