You are on page 1of 14

Estudos Teológicos foi licenciado com uma Licença Creative Commons –

Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada

A LÍDER DOS MUCKER NA NARRATIVA JESUÍTICA DE AMBRÓSIO SCHUPP
E A PRODUÇÃO DE UMA MEMÓRIA SOBRE A PERSONAGEM
CENTRAL DO CONFLITO1

The leader of the Mucker in the narrative by the Jesuit Ambrose Schupp
 

               Daniel Luciano Gevehr2 Resumo: O artigo analisa o contexto e as condições em que foram produzidos os primeiros   .

              !      "#  $ %  .

quando o    . que chegou ao Brasil em 1874.  &  '(' pelo padre jesuíta alemão Ambrósio Schupp.

Palavras-chave: Jacobina.! ) ! !% !      *   interpretações por parte de Schupp e como este acabou difundindo uma determinada visão sobre Jacobina. Ambrósio Schupp. Abstract: The present article analyses the context and the conditions of the production *   + . Representação Social.

com . Contato: danielgevehr@hotmail. 1 O artigo foi recebido em 28 de agosto de 2011 e aprovado em 14 de abril de 2012 com base nas avaliações dos pareceristas ad hoc. Father Ambrose Schupp. Sua área de pesquisa concentra-se na investigação da história das mulheres no contexto da imigração e sobre as imagens e representações produzidas sobre a imigração alemã no Rio Grande do Sul. produced in the late nineteenth century by the German Jesuit. %               Mentz Maurer. Ambrósio Schupp. Social Representation. We focused the analysis of the book “The Muckers”. 2 Doutor em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Brasil. São Leopoldo/RS. Taquara/RS. who arrived in )  -/25 6      6 !  # %% 6   6  6 +    9  6    * : %%9 %  6        %  *   !    *   Keywords: Jacobina. É professor nas Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT). Brasil.

as primeiras representações difundidas sobre ela reproduziram um imaginário associado ao fanatismo religioso e ao desre- gramento moral. Dessa forma. seu corpo? São perguntas para as Y &  !!  ! % . A líder dos Mucker na narrativa jesuítica de Ambrósio Schupp Introdução ( !     %!       - bina. Como seriam seu rosto. questionando o processo que envolveu a construção de sua personagem. a obra de Schupp3 desempenhou papel fundamental. despertando o imaginário da população acerca de como seria a imagem real de Jacobina. Também sabemos pouco sobre as características físicas de Jacobina. Sobre  X  % %!      X %  ! !  Y  fontes às quais temos acesso falavam apenas de um lado da história. ou seja. daqueles que lutaram contra Jacobina. em razão de não termos qualquer retrato4 seu. Nesse processo. o que torna sua personagem ainda mais enig- mática. seus cabelos.

  Y   & .   !  Y   [ feitas sobre ela são bastante distintas.

desde criança. Hillebrand apontava seu marido João Jorge Maurer como o responsável pela doença da mulher. Se- gundo o médico. esses transtornos teriam provocado uma verdadeira mania religiosa e um sonambulismo espontâneo. ele a obrigava a praticar char- 3 \!] : %%   !  \!  ! ^_  !  -/5` { .5 Segundo os diagnósticos do Dr. Jacobina apresentava.       - guido aprender a ler e escrever. já que. segundo seu entendimento. João Daniel Hille- brand. quando iniciou a leitura e interpretação da Bíblia. sinais de transtornos nervosos que haviam se agravado em sua fase adulta.

.

Concomitante a essa função. em 1904. assumiu a direção do Seminário Episcopal e. Em 1901. Chegou ao Brasil em 10 de outubro de 1874. exerceu o cargo de padre no Rio Grande do Sul nas capelas de São Leopoldo. Lomba Grande. um pouco após o término do    | %! -_   ) }     %*    {& | Senhora da Conceição.   na Universidade de Würzburg. em São Leopoldo (RS). transferiu-se para Rio Grande. para   &  ! ~ Y  \%]   . Sapiranga e Mundo Novo. Hamburgerberg.

sabe-se que nasceu em data desconhecida do mês de junho de 1842.!  ! %* no Ginásio São Luís. em Pelotas (RS). vindo a falecer em 1914. na localidade de €!    ! %  | €! ‚ƒ:„ † . 4 Em relação a ela.

     ! ! \&    †  Y &!     ! !  .

    * .

quando foi descoberta. pelas * .! ! `5    -/‡5  {! Evangélica de Hamburgo Velho/RS. Foi assassinada em 02 de agosto de 1874. onde viria a se casar com João Jorge Maurer.

 !   ~  ! *   %&  ! ˆ\ ‰  *.

\ Š Y  *. cuja autenticidade é amplamente questionada. Y representaria Jacobina é aquela atribuída ao casal Maurer.

Essa *.       !    \  }‹   uma imagem concreta de Jacobina Mentz Maurer torna sua personagem ainda mais misteriosa.

com o professor Hardes Fleck. sobre quem pouco sabemos. 5 Jacobina aprendeu a ler em alemão já adulta.     %    !  * ! %‹ †! ~ %  .  & ! !% % ! % !% % * !  Œ personagem.

 ! * ! %  .

1 p.!  !   *  Y   )    hinos em alemão. Estudos Teológicos São Leopoldo v. 52 n. 2012 159 . 158-171 jan./jun.

Daniel Luciano Gevehr latanismo. Além disso. \   !   %. ele era descrito pela maioria das pessoas de sua época como al- guém que não gostava de trabalhar.

já que é apontado ˆ. cunhado de Jacobina. A deno- minação de “Doutor Maravilhoso” surgiu entre as pessoas que procuravam ajuda com ele e acabou se tornando bastante conhecida na colônia. mui- tos outros personagens envolvidos. em torno de Jacobina e João Jorge Maurer que se deu a organização do grupo dos Mucker. casado com sua irmã Catarina Mentz. Sobre a atuação de Klein restam muitas dúvidas. no entanto. Há. Maurer tinha aprendido a manipular ervas medicinais. dentre os quais um nos chama a atenção. Foi. Referimo-nos a João Jorge Klein. portanto. que eram empregadas no prepa- ro de chás e remédios para a cura de várias doenças que assolavam os colonos.

Publicado por Carlos von Koseritz em seu 6 Apud DOMINGUES. Na publicação do artigo “A Fraude Mucker na Colônia Alemã. essas publi- cações acabaram desempenhando papel preponderante na difusão de um determinado imaginário7 sobre a líder dos Mucker. Dreher. Uma Contri- buição para a história da cultura da germanidade daqui”8. das Letras. 1 p. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. Carlos von. 2012 .l. Moacyr. 1875. Uma contribuição para a história da cultura da germanidade daqui. Esses diferentes escritos nos permitem entender como o pensamento de Schupp em relação à Jacobina encontrava adeptos em seu tempo. 158-171 jan.    6 no como “mentor intelectual” do grupo. encontramos a primeira imagem idealizada de Jacobina. 7 CARVALHO.]. Trad.n. José Murilo de. 8 KOSERITZ. escritos. A Fraude Mucker na Colônia Alemã. de Martin N. 160 Estudos Teológicos São Leopoldo v. avaliarmos a publicação de outros escritos que se faziam presentes nesse contexto. inicialmente. 1990. [s. São Leopoldo: Rotermund. Consequentemente. 1977. p.]: [s. se faz necessário. Koseritz Kalender. Os precursores da (des)construção da imagem da líder dos Mucker Para melhor compreendermos o papel desempenhado por Ambrósio Schupp na difusão de imagens e representações sobre Jacobina. São Paulo: Cia. 7. embora dia de seu casamento (original do Museu essa sua atuação seja desacreditada em seus Histórico “Visconde de São Leopoldo”). 52 n./jun. de 1875. A Nova Face dos Muckers.

o movimento não se enquadrava na realidade da colônia !  : ”%  Y ~. o artigo procurava alertar as pessoas para os fatos que ocorriam. consistindo num “ato de denúncia” em relação ao grupo que se organizava no morro Ferrabraz. A líder dos Mucker na narrativa jesuítica de Ambrósio Schupp “Koseritz Kalender”. Para Koseritz.

por ele denominada de “agourenta Ordem de Jesus”. Koseritz tece críticas severas a eles.K. sendo responsabilizada pelos acontecimentos que assolavam a colônia: Uma mulherzinha doida. O alvo preferido por Koseritz. histérica como Jacobina Maurer teria sido simplesmente ri-   ! ~!   % Y  }! !    !- cabros. o que expõe a rivalidade existente na época entre ca- tólicos e protestantes.10 Em sua exposição. haveremos de chocar novamente os mais amplos círculos.” será novamente o alvo da baba piedosa que espirra do alto dos púlpitos de !  . Apresentando os Mucker como fanáticos religiosos e avessos aos avanços da ciência. o autor também aproveita para atacar de forma direta a ação da Companhia de Jesus. O agourento “S. no entanto. baseada na mais ínti- ma convicção.v. Para ele. Sabemos de sobejo que com a publicação desta nossa opinião. Jacobina representava a demência religiosa que havia se instaurado na colônia. foi Jacobina Mentz Maurer. na medida em que não praticavam os valores da verdadeira germanidade.   ‰ • " * !   sobre nosso progresso e que são motivo das mais sérias preocupações para o futuro”9.

– isso.[–   ~   !Y %%  %  Y do mesmo. pois cumprimos nosso dever. \ Y. pouco importa. contudo. dizemos a verdade e esclarecemos os leitores a respeito das verdadeiras causas da fraude Mucker nas colônias11.

     }  — .

ainda. ajoelhadas12. 1875./jun. Para ele. tornar pública a origem familiar da líder dos Mucker: Todas as mulheres da família Mentz eram mais ou menos levadas ao excesso e propen- sas ao entusiasmo religioso. 10 Lembramos que essa publicação ocorreu em meio às comemorações do 50º jubileu da cidade de São Leopoldo. segundo ele. segundo Koseritz. Jacobina jamais teria alcançado o prestígio e a credibilidade que teve entre seus adeptos. 1 p. e exercícios religiosos permanentes – uma espécie de epidemia de reza – as forçavam a permanecer. por horas. logo iriam criticar suas opiniões. se a população da colônia não ti- vesse vivido no desamparo religioso. eram alusivas à coragem alemã e pelo trabalho alemão. 52 n. Koseritz procurou. 1875. Estudos Teológicos São Leopoldo v. 6. 1875. p. 2012 161 . Koseritz ressaltou. 5. p. 9 KOSERITZ. sua inconformidade com o pensamento das autoridades religiosas que. 1. 158-171 jan. Ainda como exemplo da exaltação da germanidade. de forma irônica. que. Koseritz refere-se aos imigrantes e seus descendentes como por- tadores do cerne operoso da natureza alemã e de natureza sadia da raça alemã. pois sua fantasia fora abarrotada desde a juventude com leitura da Bíblia. 12 KOSERITZ. 11 KOSERITZ. p.  !   !- prego do diminutivo mulherzinha. Jacobina é descrita como uma desajustada social- mente e responsável por atos macabros.

mais tarde. que somados à sua compleição física e atributos teriam a tornado uma desequilibrada: Às conseqüências dessa educação pode ter sido acrescida em Jacobina Maurer predis- posição física a casos de histeria que. suas características psicológicas foram atribuídas a “uma certa tradição” das mulheres da família Mentz. Daniel Luciano Gevehr Interessante observar que. degenerou em sobreexcitação nervosa ligada a sintomas de sonambulismo. no entanto e por outro lado. hoje está comprovado Y      !  !!  Y . ao colocá-la inserida no seio de uma família. A leitura e a interpretação da Bíblia teriam sido as causas do fanatismo e do seu excesso de devoção.

13 Vale ressaltar que a questão de gênero aparece como um elemento desquali- . pois só assim pode ser explicada a curiosa mistura de ex- cessos sensuais e terríveis crueldades que conquistaram esta mulher no último estágio de sua vida notoriedade tão detestável. - nerou em ninfomania formal.

A conduta da família Mentz e a educação *! Y  !  .       % ! "!  $ de quem eram esperadas determinadas características psicológicas.

    .

  % ! ! ! Y % ! ~.

Para ele. João Jorge era um charlatão. que ganhava dinheiro com a ignorância das pessoas que se dirigiam ao Ferrabraz em busca de cura e salvação. \ %    !  — } %% . apesar das tentativas dos mais esclarecidos de impedir que muitos se diri- gissem à casa do casal Maurer: “De nada adiantou. Na versão de Koseritz. Koseritz destacou também a atuação conjunta de Jacobina e João Jorge Mau- rer.     histeria de Jacobina. charlatões jamais lutam em vão contra a burrice e Hansjörg (João Jorge em alemão) breve se tornou médico muito procurado”14.

contudo. sob o título “Marpingen15 und der Ferrabraz”. Jacobina desempenhava o papel de guia espiritual e acorrentava as pessoas através da leitura e interpretação da Bíblia. que enganava as pessoas. A atitude de Jacobina foi associada ao ambiente    X  %  *!   X  Œ ‹   !% . Koseritz chegou a acusar Maurer de não ter cura- do ninguém. Jacobina é descrita por Koseritz como mensageira da palavra de Cristo. Jacobina não passava de uma enganadora. Na versão publicada em 1880. Para o autor. que se dizia proferir palavras di- vinas aos seus adeptos do Ferrabraz. reforçando a representação de João Jorge Maurer como charlatão.  já que muitos dos que se dirigiam à casa de Maurer levavam dinheiro como forma de pagamento pelo atendimento. No artigo de Koseritz.

6. 6. p. 1966. 1875. 2. São Leopoldo: Rotermund./jun.  que a privavam do conhecimento mínimo das leis que regem o universo.) 162 Estudos Teológicos São Leopoldo v. (Marpingen é traduzido por Leopoldo Petry como sendo um lugarejo da Alemanha. O episódio do Ferrabraz: os mucker. 15 KOSERITZ. 170-173. ed. João Jorge 13 KOSERITZ. p. 52 n. 1 p. Carlos von. 2012 . p. In: PETRY. 1875. Marpingen und der Ferrabraz. 158-171 jan. Leopoldo. 14 KOSERITZ.

apesar de ignorante. ten-   . foi descrito nesse artigo como “trapaceiro e vadio que. João Jorge Maurer também foi alvo de críticas severas. por sua vez. provocara viver à custa da ignorância e estupidez de seus semelhantes”16. Assim como Jacobina. A líder dos Mucker na narrativa jesuítica de Ambrósio Schupp Maurer.

a personagem Jacobina surgiu num contex-   *!  !  ‹   !   . interpretando-a como produto da ignorância. Para ele. Koseritz concluiu seu artigo enumerando os motivos que teriam levado à for- mação dos Mucker no Ferrabraz.  ! %  %  ! %   — comparou a ação de curandeiro de Maurer a outras tantas existentes na história mun- dial.

Exploração sistemática se seu estado por trapaceiros movidos por interesses particu- lares. Fanatismo religioso que se desenvolvia entre os freqüentadores da casa da sonâmbula. como doença contagiosa. ƒ % .  Y *- mou todos os crédulos em potencial: Superirritação de uma mulher sonâmbula.

  %  *Yš !     -  .

 ! ! Y   %‰   %    — %- sentou suas ideias como “a” versão dos fatos. 17 No século XIX. portanto. as narrativas de Carlos von Koseritz exerceram um papel de fundamental importância no processo de construção das representações de Jacobina. autor respeitado por grande parte de seus leitores. É preciso considerar. antes de tudo. De acordo com os estudos do sociólogo francês Pierre Bourdieu18 %! . que Koseritz era tido como um intelectual em sua época e.

especialmente por ter sido o primeiro a escrever              %  . suas ideias acabaram se sedimentando no imaginário social da população.! Y —  ! "$ % - munidade a falar em nome do grupo. Com isso.

172./jun. 173.  &  '(' Consideramos também necessária a análise do relatório escrito por Dantas19 ! -/22 !  Y   % %     *!    %     *  %[    |  de Dantas. 2001. de Santiago Dantas. Ligeira Notícia sobre as Operações Militares contra os Muckers na Província do Rio Grande do Sul. foi destacada a atuação 16 KOSERITZ. 1966. 4. 1877. Rio de Janeiro. Estudos Teológicos São Leopoldo v. 17 KOSERITZ. 19 AHRS. Francisco C. 2012 163 . na maioria das vezes. 1 p. O poder simbólico. p. Maço 152. A ênfase dada a essas descrições fez com que Dantas não se preocupasse em evidenciar o papel de- sempenhado por Jacobina. 18 BOURDIEU. sendo que. 158-171 jan. Pierre. p. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 52 n. prevalece o ponto de vista de um militar preocupado com a descrição do cenário e das ações militares que envolveram o combate dos Mucker. 1966. ed.

Ele teria sido. segundo a versão apresentada por Dantas. Daniel Luciano Gevehr de seu marido João Jorge Maurer. o grande responsável pela organização do grupo. {! }!%  Y .

Comparada a uma pira gigante. devido à ação mi- litar bem-sucedida. Leo- poldo uma seita religiosa que se baseava em arbitrárias interpretações dos Livros San- tos. denominou-a de casa Maurer. Depois que a casa começou a arder. à vista das provi- dencias tomadas para o completo cerco. que se evadisse um só mucker. não diminui a sua participação na organização do grupo. o coronel Genu-   ! . sendo que. sendo que Dantas.!! %!  ‰      introdução. no entanto. A casa Maurer. Discutiam os teólogos a questão da crença. é apresentada ao leitor como um símbolo da destruição dos Mucker. A ausência nominal de Jacobina. seu nome se torna ausente: João Jorge Maurer e sua mulher Jacobina haviam organizado no município de S. ao referir-se à casa do casal. a casa incendiada pelos soldados era motivo de comemoração de mais uma etapa na luta contra os Mucker: A casa Maurer se transformara em pira gigantesca. onde se imolavam vítimas os adep- tos da nova crença. em que Jacobina foi citada nominalmente. debaixo do ponto de vista em que escrevo pouco importa20. não julgando. numa referência a João Jorge e Jacobina. no decorrer de sua narrativa. no entanto.

já que as vítimas ! ! Y! % * % . é enfatizado e é associado ao terror.    \ %    !%   21. O cenário. mais uma vez.

22 DANTAS. 8. Além disso.22 20 DANTAS. sem remorsos. sem que ao menos na hora do sacrifício vissem a seu lado. a atuação do coronel Genuíno Sampaio será enaltecida. 4. 158-171 jan. falso apostolo que as conduzíra ao abismo. nem sequer teve coragem vulgar do bandi- do. a conduta assumida por Maurer teria provocado o massacre de seus adeptos: Assim foi – Maurer e seus adeptos. 52 n. Fugiu e.. em nome de Deus. haviam tomado tais proporções que a ação militar se fez necessária. se- gundo Dantas. que no derradeiro transe faz-se voar na explosão de barril de pólvora com toda a sua tropa. 21 DANTAS.! Œ   ˆ œ! %    !Š  •   %     !- ceram atenção especial por parte de Dantas. 164 Estudos Teológicos São Leopoldo v.. p. quiseram e. 1877. 2012 . marcados pelo fanatismo e pelo fervor religioso. 1877. deixou entregue ao vencedor quase todos os que o seguiam. Os tempos muito difíceis. 2. 1 p. p. innocentes creaturas se imolaram./jun. 1877. p. Miserável!.

tendo sido apre- sentada ao exercer um papel de líder religiosa ao lado do marido João Jorge Maurer. que teve ação destacada. sua preocupação em evidenciar a existência de dois grupos rivais. percebemos. A líder dos Mucker na narrativa jesuítica de Ambrósio Schupp Nota-se que. Jacobina esteve praticamente só. ainda. De um lado    . nessa narrativa. Na análise da narrativa de Francisco Dantas.

 %  ! *   Y ! Π!        * .

que acabou levando- o à morte. Nesse contexto recriado por Dantas.  Y % ! *     e dos colonos que se viam atacados pelos Mucker. Genuíno Sampaio foi apresentado como “distinto coronel Genuíno”23. dada a sua atuação em combate. o coronel Genuíno Sampaio aparece como personagem de destaque. de- !    ž  *     Ÿ Y  %.

 entre os mais destacados militares brasileiros. que combateu os Mucker. Ambrósio Schupp e a produção (e difusão) de uma memória sobre Jacobina Concordando com a visão detratora dos Mucker apresentada por Koseritz e ž  % ~ \!] : %% . As ações militares de Genuíno foram ressaltadas na narrativa de Dantas. em que se sobressai a bravura do coronel destemi- do e determinado. Jacobina encontrava-se no lado oposto  ]  !   %  &    % % * ocorridos no Ferrabraz.

apresentando-os como “o casal misterioso do Ferrabrás [que] se deixou penetrar e possuir dessa convicção”25. a grande responsável pela difusão do imaginário negativo em relação à Jacobina26. uma vez que se tratava da única obra existente até !  &  '' Y   *! % . certamente. ao aliar a cura de doenças à prática religiosa. A obra pu- blicada por Schupp foi.! !   "#  $24. que Jacobina e João Jorge Maurer eram os principais responsáveis pela formação do gru- po.

De forma semelhante a Koseritz. teriam resultado do desamparo e da ignorância dos moradores da localidade. que não teriam outra pretensão senão a de enganar os colonos com supostas curas milagrosas realizadas por Maurer através de palavras da Bíblia proferi- das por Jacobina. segundo ele. que.     ˆ Para o autor. o mistério envolvia os personagens João Jorge Maurer e Jacobina Mentz Maurer27. Nesse contexto  . Schupp apresentou Jacobina como a principal responsável pelos acontecimentos do Ferrabraz.

d. 24 SCHUPP. portanto. p. Isto é./jun. 158-171 jan. 3. 52 n.d. [s. 1 p.]. Porto Alegre: Selbach & Mayer. 27 Uma análise atenta de sua obra aponta para o entendimento do “lugar de enunciação”.    !%   %%     %  23 DANTAS. realiza sua investigação a partir do olhar de religioso. 25 SCHUPP. ed. 2012 165 . [s. Os Muckers.]. representante da igreja. Schupp é padre da ordem dos jesuítas e. Ambrósio. 1877. Estudos Teológicos São Leopoldo v. 6. 42. o que facilitava a leitura da obra por parte da população que morava na região do Vale do Sinos e seus arredores. 26 Vale lembrar que a obra de Schupp circulava pela região nas versões em língua alemã e portuguesa. p.

Procurou também apresentar Jacobina como uma mulher dotada de capacidades limitadas – e praticante de atos criminosos –. Daniel Luciano Gevehr e ao ditar regras de convívio do grupo. ! .

     %!•   !   %]% .

    % % Y          ~–  ! Y !  !  .

assim também ela devia ser salva pelo sangue das crianças de tenra idade.  mesmo a todas as crianças menores de cinco anos. pois assim como o Salvador fora salvo pelo sangue dos recém-nascidos.28 Schupp manteve a versão detratora iniciada com os artigos de Koseritz ao res-  Y    .

           % amante. Na descrição de uma Jacobina totalmente fora de si. De !   Š    ƒ* %   . toda escabelada. percebe-se a intenção do autor de “explorar” o horror e o medo dos leitores: Jacobina. o olhar desvairado. precipita-se para fora da choupana.

a um tempo. ele considerou que João Jorge Klein havia sido o mentor intelectual do grupo. enquanto Jacobina havia sido seu maior símbolo. bramindo como um tigre. Schupp referiu-se a João Jorge Klein.  : %%  %%   % .31 Apesar desses personagens terem sido destacados por Schupp.29 De forma muito semelhante. esse era um “personagem misterioso”30. apontado pela opinião pública como autor dos boatos. parecia querer defendê-la de todos os lados. Para o au- tor. planos e manobras que envolviam o grupo.    %  {!    louco.

      ! dos desatinos praticados por Jacobina. perceberam o “ridículo do conciliábulo fanático do Ferrabrás”32. imediatamente. que teria aguçado seus sentimentos. †!     !!   . provocan- do a reação dos colonos. que.

Os Mucker eram os representantes das ideias fanatizadas de Jacobina.   }‹    - pos na área colonial: os Mucker e os Ímpios. constatou-se a ple-  . e os Ímpios eram os representantes dos bons costumes e da sensatez. Além dessa referência à existência de dois grupos rivais.

   !   %  ( .

d. 30 SCHUPP. [s.]. p. em especial.]. 31 Acredita-se que Schupp tenha utilizado a expressão “personagem misterioso” porque João Jorge Klein ainda estava vivo na época em que publicou sua obra. [s. [s. 29 SCHUPP. na segunda edição de sua obra. 277. o da repressão aos Mucker. 32 SCHUPP./jun. evidenciando a posição favorável a um dos grupos envolvidos. 75.d. 1 p. p. na 28 SCHUPP. p. percebe-se que Schupp ressaltou a atuação policial.d.]. p. 51.      da expressão “nosso delegado”. 2012 . 52 n.]. 299.d. 166 Estudos Teológicos São Leopoldo v. Reforçando essa posição. 158-171 jan. [s.

o chefe de polícia capitão Dantas e o subdelegado Cristiano Spindler. integrado por muitos de seus entrevistados: (. valorizando a versão do gru- po dos Ímpios. tais como o delegado Lúcio Schreiner. não havia vínculo algum sagrado. Para eles..) as coisas lá no Ferrabrás tinham chegado ao extremo: ali imperava a mais infrene devassidão.. A líder dos Mucker na narrativa jesuítica de Ambrósio Schupp qual insere imagens das autoridades policiais. e a pena recusava-se a reproduzir aqui o que a população de colônia conta- va dos Muckers. e até as relações entre pais  .33 Ao ter se referido ao nosso delegado. Schupp se colocou do lado do delegado Lúcio Schreiner e daqueles que combateram os Mucker.

  !     %   %}[ ¡! !% %  *   Y  ! ! .

]. Schupp des- creve a relação conturbada entre Jacobina e João Jorge Maurer. os Mucker. O autor destacou ainda que Rodolfo Sehn ha- via deixado sua esposa para viver ao lado de Jacobina. estando relegado a um segundo plano pela esposa. sua verdadeira paixão. à execução de suas ordens. Como fator desen- cadeador da desunião do casal. prestando-se. Para Schupp. a principal responsável por todos os acontecimentos. ainda na prática dos crimes mais hedion- dos. Para fundamentar essa percepção. [s. p. incondicional. 168. Schupp apresenta o grupo Mucker vivendo em desacordo com as regras aceitáveis de convívio social adotadas pelos demais moradores da Colônia Alemã de São Leopoldo. de um modo cabal.d. João Jorge Maurer há muito não desempenhava o pa- pel de marido. Também o assassinato da família Kassel. elimina- vam todos os seus inimigos e dissidentes36. Schupp ampliou sua avaliação a todos que viviam no Ferrabraz. foi mencionado pelo autor para reforçar a construção de uma representa- ção detratora de Jacobina. 34 SCHUPP. ao viverem em total desregramento familiar e ao praticarem rituais próprios de fanatismo religioso. cada vez mais. 35 SCHUPP. naquele contexto. 147.34 Na passagem. fanática. 36  ! Y : %% Š %  *![  |  — ‚.d. por ordem de Jacobina. [s.d. e Jacobina havia se aproveitado disso. sendo apontada como uma mulher de vida desregrada e fora de si. p. p. o seu intento: dia a dia. Esse caráter pode ser melhor compreendido na passagem abaixo: 33 SCHUPP. [s. atribuindo um comportamento belicoso e agressivo ao grupo. o autor apresentou Rodolfo Sehn como um “obcecado pela paixão”35 que nutria por Jacobina. 155. os seus adeptos iam perdendo. todo sentimento de pudor. ocorrido na noite do dia 14 de junho de 1874. Jacobina era. A partir dessa descrição.]. A falta de orientação e de esclarecimento tinha favorecido a adesão de alguns colonos. De acordo com o jesuíta. do que tirando todo freio ao mais sórdido e mais indômito dos vícios? O que é certo é que Jacobina lograra. o fanatismo religioso e o desregramento das relações familia- res foram consequências da doutrina imposta aos colonos do Ferrabraz por Jacobina. Segundo o autor.   fazer dos seus prosélitos instrumentos dóceis. com uma submissão cega.].

     - vente da chacina) encontradas nos autos do processo e em outros entrevistados. 158-171 jan. 52 n. Estudos Teológicos São Leopoldo v./jun. 1 p. 2012 167 . aos quais não se refere nominalmente.

Daniel Luciano Gevehr Na colônia. De todos os pontos acudiram colonos ao teatro do negro atentado. as ocorrências37. para averiguarem. estão afastadas umas das outras. cada qual não pensava senão na possibilidade de lhe cair em casa o raio da desgraça que fulminara a família Kassel. # * ‚„ * % : %% % . na sua maior parte. por seus próprios olhos. o pânico foi ainda maior do que na cidade: ali como as casas.

   !  líder espiritual do grupo e responsável pelos atos criminosos praticados pelos Mucker tornaram-se perceptíveis no uso que faz de palavras e de frases de forte impacto. como podemos ver nos trechos que destacamos. : %%      Ÿ :!% . Nessa mesma linha interpretativa.

Schupp recriou o ambiente de rivalidade existente entre os dois personagens para. Para tanto. construir a imagem de Genuíno Sampaio. mesmo podendo recusar tal empreendimen- to. Termos utilizados como vigoroso. a incitação do medo foi um recurso retórico bastante empregado por Schupp em sua   ! %]  *      %     ambiente de hostilidade existente na colônia. sua obra desempenhou um papel fundamental na construção de uma imagem positiva de Genuíno. ao mesmo tempo em que se valeu de sua rival. Ao contrário de Jacobina. em seguida. Como aponta em sua narrativa. agiu em nome de sua honra militar para livrar os colonos do domínio de Jacobina. As descrições do ambiente foram empregadas como um recurso narrativo para dar a sensação de realidade e enfatizar o grau de medo e miséria em que se encontra- vam os colonos do Ferrabraz. Além disso. daquele que. que vivia sob o domínio de uma liderança feminina. no que se realizava. serviram de contraponto à representação de Jacobina em sua obra. por iniciativa de Jacobina. Jacobina. Jacobina era a personagem eleita em sua obra para dar ênfase às cenas de horror vivenciadas no Ferrabraz. corajoso e resoluto tornam compreensíveis os objetivos de sua narrativa. Esse foi representado com características que evidenciam suas qualidades físicas e morais. neste caso. disseminando um ambiente de “orgia de sangue nas picadas”39. Cabe destacar o fato de que. em nosso entendimento. Genuíno Sampaio representava o grande salvador da população do Ferrabraz.! Y     %  momento em que as atividades do grupo liderado por Jacobina no Ferrabraz foram associadas a verdadeiros atos de barbárie. que procurava cons- truir a imagem do salvador. para ~. uma “festa de sangue”38. Schupp procurou apresentar o personagem dotado de virtudes que. Nesse sentido. o Ferrabraz havia se transformado num cenário de horror.

2012 .d. p. Schupp 37 SCHUPP. 38 SCHUPP. [s.d. 180. 39 SCHUPP. que foi reconhecida pela população./jun. [s. para tornar sua narrativa o mais verossímil possível. [s. p. que atribuiu a ele a condição de verda- deiro herói. 221.]. 168 Estudos Teológicos São Leopoldo v.d. A ênfase dada à atuação de Genuíno favoreceu a construção de uma imagem de salvador.].]. 158-171 jan.   [  Ÿ # !  !   % : %%   caso. 1 p. 52 n. Paralelamente ao destaque dado à atuação de Genuíno Sampaio. 217. p.

A líder dos Mucker na narrativa jesuítica de Ambrósio Schupp destaca outro personagem. Pedro Schmidt. que    !  . como era conhecido em toda a região. chamado pelo autor de Pedro Serrano. Serrano participou ativamente do combate contra os Mucker. servindo especialmente de guia para as tropas do exército.

   †     % .

 * ! descrita: \Y !!  ! *  Y % * ! ! .

conseguira trocá-lo por outro e pusera-se de novo a caminho. as casas ! ! %    ˆ   !  . Chegado a São Leopoldo. facilmente as suas informações encontraram crédito. mas. dirigindo-se ao colono mais pró- ximo. Com efeito.   : †! Hamburgerberg cansara o animal que montava.

as novas aterradoras do Serrano. à pressa. voltou o Serrano. {! . O chefe de polícia não hesitou em dar-lhe o auxílio pedido e. para o teatro do crime40.! !   * sinistro. conseguindo este.

   : & % ! ! !!  ! %- cupado com a segurança da colônia. dadas as evidências de fumaça que vinham do Ferrabraz. O autor construiu a imagem de um personagem que. assim como Genuíno Sampaio. lutou ao lado das autorida- des contra os Mucker. De acordo com Schupp. dessa for- ma. as narrações sobre o teatro do crime e as cenas que foram relatadas por Serrano tiveram o crédito da população e das autoridades de São Leopoldo. \ . que. em razão disso. deixando de lado seus próprios afazeres. que aceitaram sua versão. A população e as autoridades de São Leopoldo reconheceram. juntou-se às autoridades no combate contra os Mucker. Serrano como um personagem que praticou atos heroicos.

O ambiente de hostilidade ganha destaque na narrativa de Schupp. amparando a investida. Cabe lembrar que foi em consequência desse ataque dos Mucker que Genuíno veio a falecer. pelo sentimento de vingança dos Mucker. mas guardam o passo. O ataque que o acampamento das tropas imperiais sofreu teria sido provocado. A notícia da morte do coronel é descrita a partir do profundo sentimento de consternação e de comoção que provocou: \      Ÿ   . ao informar que “os fanáticos não vacilam. Aos brados de: – Abaixo os miseráveis! Morram os assassinos! – os sol- dados avançam sempre”41. Sua morte foi interpretada por Schupp como mais uma demonstração da violência e do fanatismo dos Mucker. despertado pelas ações rea- lizadas por Genuíno Sampaio. muitos colonos se ofereceram para ajudá-lo no combate aos Mucker. segundo ele.   %%  ¢ !  [  Ÿ :!% foi – de acordo com Schupp – tanta que.

52 n. [s. 1 p. Estudos Teológicos São Leopoldo v. 41 SCHUPP. 158-171 jan. p. 241. Leopoldo a chegada do corpo de Genuíno.!     ! | !  tarde foram transportados para a capital o cadáver e os feridos. não menos aterradora foi a impressão que causou em Porto Alegre: aqui . nem sequer se suspeitava 40 SCHUPP.d.].]. 262. p./jun. 2012 169 . [s.d. Se profundo tinha sido o abalo que produziu em S.

Daniel Luciano Gevehr a triste ocorrência. Um frêmito de dor derivou pelas ruas. indo repercutir em todos os  Y   Y % |  ! X ^-  ~  X Š .

à mão. e. ricamente coberto de crepe. por . à frente do cortejo. ! - minável préstilo fúnebre. era conduzido. um caixão mortuário. como talvez jamais se viu igual em Porto Alegre.

que envolveu o sepultamento. O falecimento de Genuíno vem reforçar a imagem heroica do personagem.   !  %  }&  Era o ataúde do Coronel Genuíno42. acompanhado de todo o clero. vinha o bispo da diocese. já que a mesma se deu em combate. seguindo-   . realizado em Porto Alegre. Sua atuação corajosa no combate contra Jacobina e seus adeptos acabou sendo legitimada através do ritual. Na passagem abaixo. Schupp procurou enfatizar a simbo- logia presente no ritual de sepultamento: Imediatamente após.

representantes das diversas corporações civis. negociantes.   %   !    *   %‰   *- chando a procissão fúnebre. %   % .

sentindo o coração apertado pelos mais negros pressentimentos. marejaram as lágrimas. entoou o Bispo o “De profundis”. estavam comovidas e sensibilizadas com a morte de Genuíno. Um estremecimento de dor percorreu toda aquela multidão. a comoção e   ! ! % % |Y }    . segundo ele. e a muitos. Schupp enfatiza o sentimento de dor.43 Fica evidente a intenção do narrador ao descrever o ritual de sepultamento do coronel: a de ressaltar a participação de diversas autoridades e da população da capital que.! ! ! !%   %% {   !& Œ beira da sepultura que devia guardar os despojos mortais do malogrado militar. Na descrição que faz do sepultamento.

Seus restos mortais foram enterrados juntamente com os demais Mucker em uma vala comum. por quem muitos agora choravam na capital do Estado. localizada próximo de sua residência. onde hoje encontramos a estátua construída em homenagem a Genuíno. ao pé do morro Ferrabraz.  como a origem de todo mal e também da morte do Coronel.  . A líder dos Mucker. ao contrário de Genuíno não teve nenhum ritual de sepultamento.

273. Assim ocorreu com a obra de Schupp. 1 p. [s. 2012 .].d.]. [s. 170 Estudos Teológicos São Leopoldo v./jun.   O processo que envolve a difusão dos imaginários sociais sobre os Mucker permite-nos avaliar a importância desempenhada pelos escritos de uma época e como esses acabam repercutindo no meio em que circulam. um jesuíta alemão que acabou sendo responsável – em grande parte – pela 42 SCHUPP. p. 52 n. 43 SCHUPP. 158-171 jan. 273.d. p.

líder  % !   !  ! !  Š  . principalmente. A líder dos Mucker na narrativa jesuítica de Ambrósio Schupp construção de uma narrativa sobre os Mucker e. sobre Jacobina.

  &  '(' \ !%£     : %% ~.

Š  % %    %- !  Y   *! % .

  ]    ! % %! porque foi a publicação mais difundida no meio social e que foi diversas vezes reedi-  ž *! %! .

\ !!  Y  *      .! Y    : %% *    *- são de imagens e representações sobre a líder dos Mucker. Jacobina Mentz Maurer.

Colocou em relevo. quando surgiriam outras versões sobre a história    ! !   !%} † !    Jacobina como única culpada pelos acontecimentos do Ferrabraz. sua condição de gênero. fato que foi empregado como prerrogativa para justi- . ainda.   & pelo menos meados do século XX.

A Nova Face dos Muckers. das Letras. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. Pelos Caminhos de Jacobina• !!]  ! ‚„. São Leopoldo: Rotermund. CARVALHO.       AMADO. ed.   % "$ ! % ! !  Y   }  !- ção alemã no sul do Brasil. 1977. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. AHRS. GEVEHR. 4. O poder simbólico. Pierre. 1990. já em tempos de crise do império no Brasil. Rio de Janeiro. Maço 152. DOMINGUES. São Paulo: Símbolo. Ligeira Notícia sobre as Operações Militares contra os Muckers na Província do Rio Grande do Sul. BOURDIEU.      a revolta dos “Mucker”. Moacyr. São Paulo: Cia. Daniel Luciano. de Santiago Dantas. José Murilo de. 1978. Janaína. 1877. Francisco C. 2001.

PETRY. Centro de Ciências Humanas. Mary del (Org. 1 p. Koseritz Kalender. Estudos Históricos. 158-171 jan. esquecimento. Leopoldo. 7. São Leopoldo. 2003. SCHUPP. Leopoldo.l. n. KOSERITZ. Dreher.d. JODELET.]. [s. História cultural: experiências de pesquisa. 3. ed. Rio de Janeiro. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em História. 1989. UNISINOS. Porto Alegre: UFRGS. Uma contribuição para a história da cultura da germanidade daqui. v. Os Muckers. São Leopoldo: Rotermund.]. 1875. 2004. 1966. Ambrósio. O Episódio do Ferrabraz: os mucker. Memória. 52 n. Porto Alegre: Selbach & Mayer. POLLACK. [s.). In: PETRY. 2. 2007. Carlos von. Rio de Janeiro: EDUERJ. Marpingen und der Ferrabraz. 2. Denise (Org. 2001. 2007.). p. PESAVENTO. 170-173. História das mulheres no Brasil. Sandra J. Trad. 1966. A Fraude Mucker na Colônia Alemã. São Paulo: Contexto. de Martin N. silêncio. ed./jun.n. As representações sociais. 2012 171 . 3. (Org.]: [s. ed. 2. Michael. PRIORE. São Leopoldo: Rotermund. ed.- cados. _______. O episódio do Ferrabraz: os mucker. Estudos Teológicos São Leopoldo v.).