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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO I

Prof. Rodrigo Gusmão de Paula

Goiânia
2006/2
CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO I - UCG
Prof. Rodrigo Gusmão de Paula

APRESENTAÇÃO

No processo de ensino-aprendizagem o
professor exerce o papel de mediador, facilitador, estimulador e
orientador.

Para exercer esse papel, ele traça metas e


estratégias que o levam a produzir instrumentos necessários à
consecussão da sua atividade.

E neste sentido, fomos elaborando sínteses de


vários autores sobre cada tema do curso de Direito Tributário, de forma
a construir sinopses que proporcionam uma visão clara, rápida e
didática acerca de cada um deles.

Apresentamos, assim, aos alunos este singelo


trabalho, que tem a pretensão apenas de facilitar a compreensão do
conteúdo do curso, e de proporcionar a recuperação rápida do
aprendizado construído em sala de aula e nas leituras dos autores
indicados.

Dando continuidade a esse processo de ensino-


aprendizagem, coloco este trabalho à apreciação dos alunos, para
sugestões, críticas ou observações, para que juntos cresçamos.

Rodrigo Gusmão de Paula

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CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO I - UCG
Prof. Rodrigo Gusmão de Paula

SUMÁRIO

1 – Atividade Financeira do Estado, 4


2 – Tributo
2.1 – Conceito, 6
2.2 – Espécies, 10
2.3 – Classificação, 13
3 – Direito Tributário, 20
3.1 Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, 22
4 – Fontes do Direito Tributário, 26
5 – Vigência e aplicação da legislação tributária, 27
6 – Obrigação Tributária, 29
7 – Fato Gerador, 30
8 – Sujeito Ativo
8.1 - Sujeito Ativo e Competência Tributária, 32
9 – Sujeito Passivo da Obrigação Tributária, 33
10 – Crédito Tributário, 35
11 – Suspensão, Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
11.1 - Suspensão do Crédito Tributário, 36
11.2 - Extinção do Crédito Tributário, 37
11.3 - Exclusão do Crédito Tributário, 40
12 – Garantias e Privilégios do Crédito Tributário, 41
13 – A Administração Tributária, 42
14 – Imposto, 43
Bibliografia, 45

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1 – ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO


1.1 – Histórico

Organização das sociedades


Surgimento do Estado
Constitucionalismo
Necessidade-fim
Necessidade-meio
Necessidades coletivas ≠ necessidades públicas Básicas Serviço público
Poder de polícia
Intervenção no domínio
econômico
1.2 – Conceito

“É a atuação estatal voltada para obter, gerir e aplicar os recursos financeiros necessários à
consecução das finalidades do Estado que, em última análise, se resumem na realização do bem
comum.” Kiyoshi Harada.

a) Receita

O que é entrada?
Entrada é o mesmo que ingresso e receita?
Entrada = Ingresso, mas nem sempre = Receita

Entrada Provisória caução


fiança
empréstimos públicos
empréstimo compulsório (alguns autores entendem que ele
não é tributo)

Definitiva = Receita Extorsão (exação violenta, imposto excessivo)


Tributos
Preços

b) Gestão

É toda a atividade de administração da receita frente às despesas, seguindo normas


constitucionais, administrativas, contábeis, orçamentárias e específicas de direito
financeiro.

Constituição da República (arts. 163 a 169)


Lei 4.320/64 (Estatui normas gerais de direito financeiro)
Lei Complementar 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal)

c) Despesa

“Aplicação de certa quantia, em dinheiro, por parte da autoridade ou agente público


competente, dentro de uma autorização legislativa, para execução de fim a cargo do
Governo.” Aliomar Baleeiro.

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A decisão de gastar é, fundamentalmente, uma decisão política.

Requisitos Vinculação constitucional. Ex.: art. 212 (educação);


Regra geral: não há vinculação das receitas
Autorização legislativa
Licitação
Empenho

1.3 – Receitas Públicas

 É a entrada definitiva nos cofres públicos de dinheiro e bens.

Classificação Quanto à periodicidade Ordinárias


Extraordinárias

Quanto à origem Originária Industrial


Patrimonial
Comercial

Derivada Tributo

Transferida Tributária (157 a 162)


Não tributária (volunt.)

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2 – Tributo

2.1 - Conceito

Introdução
A palavra tributo induz a pensar em uma relação jurídica de obrigação de dar dinheiro ao
Estado. Ocorre, entretanto, que tal obrigação pode originar-se de quatro situações distintas, das quais o
tributo é uma delas, conforme nos ensina o prof. Geraldo Ataliba1: a) multa; b) obrigação
convencional; c) indenização por dano e d) tributo. A primeira, é decorrente de uma sanção por prática
de ato ilícito. A segunda , é decorrente de uma obrigação ex voluntate, ou voluntária, ou
contratual. A terceira, nasce com a ocorrência de um fato ilícito que venha a trazer dano ao Estado. A
quarta é decorrente de uma imposição legal, independentemente da vontade das partes, sem caráter
punitivo, nem indenizatório, diferenciando-se da obrigacional, principalmente pelo aspecto legal
impositivo.

Vimos, aí, a diferenciação do tributo das outras obrigações para com o ente estatal. Mas,
ainda, resta definir expressamente como se dá essa relação de pagamento de tributo ao Estado. Paulo
de Barros Carvalho2, em uma pesquisa bastante conhecida, conseguiu elencar sete empregos da palavra
tributo pelos legisladores, pela doutrina e pela jurisprudência, os quais Octavio Campos Fischer3 nos
lembra, relacionando-os com os respectivos doutrinadores:

“a) ‘Tributo como quantia em dinheiro’ entregue ao Poder Público pelo


Contribuinte, é a noção adotada pelo art. 166 do CTN e, também, por autores
como Alfredo Augusto Becker e Heinrich Wilhelm Kruse;
b) ‘Tributo como prestação correspondente ao dever jurídico do sujeito
passivo’ é assim visto por Arnaldo Borges, José L. Perez de Ayala, Giuliani
Fourounge, Alberto Xavier, Dino Jarach, Zelmo Denari, Ricardo Lobo Torres e
Eduardo Ferreira Jardim;
c) ‘Tributo como direito subjetivo de que é titular o sujeito ativo’ é o
conceito adotado por Ernst Blumenstein, Rubens Gomes de Souza, Amílcar de
Araújo Falcão, Ruy Barbosa Nogueira, José J. Ferreiro Lapatza e José Eduardo
Soares de Melo;
d) ‘Tributo enquanto relação jurídica’ é o conceito de Geraldo Ataliba e de
Fernando Sainz de Bujanda;
e) ‘Tributo enquanto norma jurídica’ é a posição adotada pelo próprio Paulo
de Barros, como sendo uma concepção estática do referido instituto jurídico, e,
também, por José Roberto Vieira, Marco Aurelio Greco e Américo M. Lacombe;
f) ‘Tributo enquanto norma, fato e relação jurídica’, segundo Paulo de Barros
Carvalho, seria o conceito prescrito pelo art. 3º do Código Tributário Nacional, e
que exprime ‘toda a fenomenologia da incidência, desde a norma instituidora,
passando pelo fato concreto, nela descrito, até o liame obrigacional que surde à
luz com a ocorrência daquele evento’;
g) Enfim, ‘Tributo enquanto processo de positivação’, noção esta
desenvolvida por Souto M. Borges, no sentido de uma ‘cadeia de normas que
tem início no altiplano constitucional com regras de competência (entre elas as
de imunidades) e vão progredindo para baixo, em termos hierárquicos, passando
pela regra-matriz de incidência, até atingir frontalmente os comprtamentos
concretos que se consubstanciam numa efetiva prestação pecuniária’ “. (g.n.)

1
Hipótese de incidência tributária. 4. ed. São Paulo: RT, 1990, p. 33.
2
Curso de direito tributário. Pp. 16-20.
3
A contriuição ao pis. 1. ed. São Paulo: Dialética, 2000, p. 44.
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Em meio a essa divergência conceitual sobre tributo, surge um conceito legal, prescrito no
art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), que o faz, explicitamente. Parece, então, que toda a
confusão passaria a ser resolvida por ele. Ocorre, entretanto, que não é função do legislador definir ou
conceituar institutos jurídicos, mas dos operadores do direito, que realizam um exercício de
interpretação das normas, alimentando a ciência jurídica.

Surge, daí, uma questão que não parece estar pacífica entre os doutrinadores, que é a de se
tomar o conceito legal de tributo como preceito que deve ser seguido sem questionamentos, ou se ele
serve apenas como orientação didática.

Conceito legal X conceito doutrinário


Existem aqueles que, abraçando a primeira idéia, defendem que o conceito constante do
art. 3º do CTN, veio para pôr fim às divergências doutrinárias a seu respeito, as quais não são mais
úteis, após a vigência daquele dispositivo, devido o seu caráter impositivo. Dentre eles, destacam-se
Hugo de Brito Machado4, Luiz Emygdio F. da Rosa Jr5. e Régis F. de Oliveira e Estevão Horvath6,
conforme menciona Octavio Campos Fischer7. Hugo de Brito posiciona-se com estas palavras:

“Assim, já agora se mostra de nenhuma utilidade, no plano do direito positivo, o


exame dos diversos conceitos de tributo formulados pelos juristas e pelos
financistas. Prevalente o conceito legal, resta apenas analisá-lo, examinando os
seus diversos elementos, a saber:”

Parece-nos um tanto extremada a afirmação acima, porquanto, ao “analisar” o conceito


legal, o intérprete observará vários critérios de interpretação, os quais o levarão a considerações que
normalmente são contraditadas por outro intérprete, que alcança conclusões diferentes. Sendo, assim, é
de se concluir que, por mais expresso que o dispositivo legal seja, sempre existirá a possibilidade de
haver divergências de interpretação, como há no caso presente, o que mais adiante faremos exposição.

A outra corrente, defende que o referido conceito legal não pode ser visto senão como
orientação didática, pois cabe apenas à ciência jurídica a construção de conceitos. Geraldo Ataliba 8,
utilizando-se de expressão de Sainz de Bujanda (autor espanhol), repete, dizendo que tal dispositivo
não passaria de um “preceito didático”. Octavio Fischer9 nos lembra, ainda, que Marçal Justen Filho
fala em “conceito gentilmente sugerido”10.

Como fundamento dessa argumentação, Geraldo Ataliba explica que o conceito de tributo
do CTN é um conceito jurídico-positivo11 e, não, lógico-jurídico, isto é, que evolui no tempo, à medida

4
Cusro de direito tributário, 7ª ed. São Paulo: Malheiros, 1993, p. 40.
5
Manual de direito financeiro e direito tributário, 10ª ed. Rio de Janeiro: Renovar, 1995, pp. 190 e ss.
6
Manual de direito financeiro, 2ª ed. São Paulo: RT, 1997, p. 46.
7
A contribuição ao pis, 1. ed. São Paulo: Dialética, 2000, p.47.
8
Hipótese de incidência tributária, 4. Ed. São Paulo: RT, 1990, p. 29.
9
Op. cit., p. 48.
10
Sujeição passiva tributária. Belém: Cejup, 1986, p.82.
11
Op. cit., p. 37. “11.12 Juan Manuel Teran, insigne jurista mexicano, expõe com muita felicidade a distinção entre os
conceitos lógico-jurídicos (que são conceitos apriorísticos), fórmulas de apreensão de realidade jurídica genérica, e os
conceitos jurídico-positivos (conceitos a posteriori), que só podem ser construídos em face de um determinado sistema,
por terem sua validez restrita no tempo e no espaço (Filosofia del Derecho, México, pp. 81 e ss.), como é o conceito de
tributo do direito constitucional brasileiro, hoje.
11.13 O conceito de tributo é nitidamente um conceito jurídico-positivo. Há de ser formulado, hoje, de modo diverso,
relativamente ao passado. Sofreu evolução. Pode modificar-se e a até desaparecer. Aquele, aqui, vigente, pode não ser
extensível a todos os sistemas atuais. Sua compreensão é maior ou menor aqui e alhures. Como todo conceito jurídico-
positivo, é mutável, por reforma constitucional”
7
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que evolui a sociedade em que ele será aplicado, e, não, que seja um conceito aceito
independentemente de qualquer experiência, apriorístico.

Entretanto, não se pode desconsiderar o caráter normativo do referido dispositivo, que


impõe caracteres consonantes com a Constituição de 1988, e, por isso, recepcionado por ela, e, ainda,
delimita as ações do poder tributante. Octavio Fischer12 bem coloca a questão:

“Por certo que, à luz da boa ciência do Direito Tributário, os equívocos que esse
conceito trouxe são criticáveis. Todavia, deve-se tentar compreender que quem
faz ciência não é o legislador e, o que é mais importante, que este não legisla
para o cientista, de modo que, dentro do contexto jurídico pátrio, sendo o
conceito em questão direcionado, isto sim, para os órgãos aplicadores do direito,
ele é de uma importância extrema.
Serve, então, de norte seguro contra as arbitrárias investidas do Poder Público, na
sua ganância de arrecadar mais e mais, sem freios e racionalidade.”

Posto isso, vemos que o conceito legal de tributo, constante do art. 3º do CTN tem caráter
normativo, trazendo elementos considerados necessários e outros desnecessários, assim entendendo a
doutrina moderna. Faz-se mister, pois, conhecer as expressões do conceito legal de tributo, para poder-
se verificar os seus equívocos.

Conceito legal de tributo


Conforme o disposto no art. 3º do CTN:

“Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo


valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída
em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”

Analisando cada uma das expressões desse conceito, devemos seguir o pensamento
daqueles que defendem o conceito legal como prevalente, o que faremos considerando os
apontamentos de Hugo de Brito Machado13:

a) Toda prestação pecuniária. Toda refere-se às prestações pecuniárias que observem aos
demais elementos do conceito. Prestação pecuniária é aquela em que a pessoa
obrigada entrega ao Estado os meios financeiros que lhe cabem, para que este realize
os seus objetivos.
b) Compulsória. Obrigação derivada da lei.
c) Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. Mesmo esse autor que defende o
conceito legal, admite que esta expressão nada tem de significação, posto que, pelo
exposto na letra “a” acima, o direito tributário brasileiro não admite o tributo in natura
e in labore, ou seja, pago com coisas ou com trabalho. Entende, pois, que esta
expressão “serve apenas para colocar o conceito de tributo em harmonia com a
possibilidade excepcional de extinção do crédito respectivo mediante dação em
pagamento, ...”
d) Que não constitua sanção de ato ilícito. O tributo é obrigação decorrente de lei e, não,
penalidade por prática de ato ilícito. A hipótese de incidência nunca poderá ser um ato
ilícito, mas o fato que permitirá a subsunção da hipótese de incidência pode ser um ato
ilícito.
e) Instituída em lei. Somente a lei pode instituir tributo.

12
Op. cit., p. 48.
13
Op. cit., p.40.
8
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f) Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. O tributo somente


pode ser cobrado mediante observação, pela autoridade administrativa, das normas
legais que regulam a sua cobrança, sem qualquer discricionariedade. É o princípio da
legalidade e o poder vinculado do Direito Administrativo.

Crítica ao conceito legal


Conforme dissemos acima, o referido conceito, perante a moderna doutrina, é muito
criticado, tendo como principais observações as seguintes:

a) A palavra “toda” é desnecessária, posto que uma definição só pode se referir a todas as
situações14;
b) “Compulsória” é utilizada com redundância, pois a prestação a que ela se refere
somente pode ser compulsória, como corrige Paulo de Barros15;
c) Segundo Luciano Amaro, as expressões “em moeda” e “ou cujo valor nela se possa
exprimir” cometem dupla redundância, pois o caráter pecuniário a que se referem já
está incluso no início do dispositivo. Por outro lado, segundo Paulo de Barros 16, elas
teriam ampliado a compreensão do objeto da prestação, já que todos os bens podem
avaliados economicamente, inclusive o trabalho humano, o que descarta esta hipótese
Hugo de Brito Machado;
d) “Que não constitua sanção de ato ilícito” é a parte do conceito mais aceita, porém,
Octavio Fischer17 nos lembra que Arnaldo Borges considera-a como a mais imprecisa
do conceito, e Edvaldo Brito sustenta a sua revogação diante do inciso II do § 4º do art.
182 da Constituição Federal, porquanto este dispositivo autoriza a progressão de
alíquota do imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana, desde que o
proprietário não obedeça à função social da propriedade que a Constituição apregoa.
Não é válida esta observação, principalmente porque os tributos não tem apenas caráter
fiscal, mas também, extrafiscal, de controle das atividades sociais e econômicas
mediante exação, que redistribua a renda e a justiça social;
e) A expressão “instituída em lei” também é desnecessária, posto que nenhuma relação
jurídica existe se não prevista em lei18;
f) “E cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” é expressão que,
usando as palavras de Luciano Amaro19, não traduz todos os entes do polo ativo, nem
alcança todos os lançamentos, mas apenas aqueles praticados de ofício, e estes já são
vinculados por lei.

Conclusão
Conclui-se, assim, que o conceito legal, constante do art. 3º do CTN está em pleno vigor,
porque de acordo com o Sistema Tributário insculpido na Constituição Federal, não obstante as
incorreções ou impropriedades acima reveladas, não se permitindo, em decorrência, qualquer
elaboração conceitual contrária a ele ou fora dele.

14
AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. p. 19.
15
Teoria da norma tributária, p. 63
16
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. P.25
17
Op. cit., p.48
18
Ibidem. p. 27
19
Direito tributário brasileiro. p. 22.
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2.2 - Espécies de tributos

Introdução
A classificação das espécies tributárias é um tema não menos contraditório na doutrina do
que o do conceito de tributo. Em um levantamento realizado pelo prof. Luciano Amaro20 podemos
antecipar a grande controvérsia entre os autores a respeito da classificação das espécies de tributos:

Rubens Gomes de Souza Impostos, taxas e contribuições como gêneros de tributos.


Pontes de Miranda Impostos e taxas, em função da possibilidade de distinguir as
pessoas a quem o tributo aproveita.
Alfredo Augusto Becker Impostos e taxas, distingüindo-se pela base de cálculo.
Geraldo Ataliba Vinculados e não-vinculados
Ives Gandra da S. Martins Impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos
Celso Ribeiro Bastos compulsórios e contribuições especiais.
Hugo de Brito Machado
Min. Moreira Alves
Fabio Fanuchi Impostos, taxas, contribuições e empréstimo compulsório.
Paulo de Barros Carvalho Imposto, taxa e contribuição de melhoria, sendo que o
empréstimo compulsório pode assumir qualquer uma delas e
as contribuições ou são impostos ou taxas.
Roque Carrazza Impostos, taxas e a contribuição de melhria: as outras espécies
se enquadram numa dessas três.
Hamilton Dias de Souza Imposto, taxa e contribuições
José Afonso da Silva Impostos, taxas, contribuições e empréstimo compulsório, que
equivale a contrato público.
Luciano Amaro Impostos, taxas (de serviço, de polícia, de utilização de via
pública – pedágio, de melhoria), contribuições (sociais,
econômicas e corporativas, todas com destinações específicas)
e empréstimo compulsório, que não considera como receita.

Nota-se, pois, que a discussão aprofundada sobre o tema demanda um espaço bem maior
do que dispomos neste curso. Motivo pelo qual, trataremos sobre os conceitos mais utilizados de cada
uma dessas classificações, sem, no entanto, prejudicar a compreensão do que seja cada uma delas.

Segundo aquele autor, a Constituição Federal não se preocupou em definir as espécies


tributárias, até porque não é atribuição dela estabelecer essa classificação, limitando-se a arrolá-las21:

a) impostos (arts. 153/154 – União, 155 – Estados/DF, 156 – Municípios/ DF;


b) taxas (art. 145, II);
c) contribuição de melhoria (art. 145, III);
d) pedágio (art. 150, V);
e) empréstimos compulsórios (art. 148);
f) contribuições sociais (art. 149);

20
Ibidem, p.p. 63 e ss.
21
Direito tributário brasileiro. p. 28.
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g) contribuições de intervenção no domínio econômico (art. 149);


h) contribuições de interesse de categorias profissionais/econômicas (art.149);
i) contribuição para custeio de sistemas de previdência e assistência social, em benefício
dos servidores dos Estados, Distrito Federal e Municípios (art. 149, parágrafo único);
j) contribuição para custeio do serviço de iluminação pública (art. 149-A).

O Código Tributário Nacional elenca no seu art. 5º apenas os impostos, as taxas e


contribuições de melhoria. O conceito de imposto foi prescrito no art. 16 do mesmo diploma legal e o
de contribuição de melhoria no art. 81, enquanto o conceito de taxas encontra-se no art. 79 e no art.
145 da Constituição Federal. Vejamos, pois, cada um deles.

Imposto
Segundo o art. 16 do CTN, imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma
situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.
Quer isto dizer, que o imposto é aquele tributo cuja obrigação não está relacionada de
forma alguma com a atividade do Estado para com o contribuinte. Este deve, simplesmente pelo fato
de ter cometido um fato que gera a incidência de uma hipótese prevista na lei como capaz de criar a
obrigação tributária.

Dois critérios são utilizados para se analisar a classificação de tributos, quais sejam: a
vinculação quanto a atividade estatal do fato gerador e fato gerador propriamente dito, conforme nos
ensina Sacha Calmon Navarro Coelho22. Assim, são vinculados os tributos que exigem uma atividade
estatal diretamente oferecida ao contribuinte, e não-vinculados aqueles que não oferecem qualquer
atividade estatal relacionada diretamente com o contribuinte. Através da análise do fato gerador,
verifica-se se o tributo está ou não vinculado a uma atuação estatal específica, relativamente ao
contribuinte.

Taxa
A taxa, por sua vez é um tributo vinculado, pois necessita de uma atuação estatal no
exercício do poder de polícia ou pelo fornecimento, efetivo ou potencial, de serviços públicos
específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição (art. 145, II da CF/88, art.
77 do CTN).

Merece esclarecimento o que vem a ser exercício do poder de polícia. O poder de polícia é
o poder que o Estado tem de regrar o exercício individual de direitos no interesse da coletividade.

A prestação de serviços públicos é uma atuação estatal consistente na execução de um


serviço público diretamente ao contribuinte, que paga um valor pelo serviço. Diferente, pois, de preço
público, que é uma obrigação instituída por contrato, onde há autonomia de vontade para contratar.
Não se pretendendo receber mais o serviço pode-se rescindir o contrato, bem como a obrigação de
pagar o preço. Já a taxa é instituída por lei, sendo que utilizado ou não um serviço posto pela
administração pública é devida a taxa, conforme nos ensina Sacha Calmon23 e Luciano Amaro24.

O Ministro Moreira Alves, em palestra no X Simpósio Nacional de Direito Tributário,


conforme nos noticia Luciano Amaro, apresentou a seguinte discriminação entre taxa e preço: “a)
serviços ínsitos à soberania (como o serviço judiciário, a emissão de passaporte), que ensejariam taxas
22
Curso de direito tributário brasileiro. 4. ed. p.p. 398 e ss.
23
Curso de direito tributário. p.p. 414 e ss.
24
Direito tributário brasileiro. p. 40.
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somente pela utilização efetiva; b) serviços essenciais ao interesse público, cuja prestação é do
interesse geral (por exemplo, serviço de esgoto, coleta de lixo), em relação aos quais a taxa é cobrada
quer o contribuinte se sirva da atividade, quer não (utilização efetiva ou potencial); c) finalmente, fora
do campo das taxas, serviços públicos não essenciais (por exemplo correios), que seriam remunerados
por preços públicos.”

Contribuição de melhoria
A contribuição de melhoria é o tributo que decorre de atuação estatal de realização de uma
obra pública a qual proporcione, para os proprietários de imóveis adjacentes, uma valorização de suas
propriedades.

Entendem alguns autores, dentre eles, e mais destacado, Sacha Calmon25, que a omissão no
art. 145, III da Constituição Federal, da valorização do imóvel do proprietário beneficiado com a obra,
permite que o legislador ordinário crie esse tributo tendo por base de cálculo seja o custo da obra, seja
a mais-valia causada no imóvel do particular.

Octavio Fischer26, faz um comparativo entre taxa e contribuição de melhoria e assim,


conclui:

“Frise-se bem, que, ao contrário das taxas, à configuração da contribuição de


melhoria não basta que a sua hipótese tributária descreva uma atuação estatal
qualquer. Primeiro, esta atuação não poderá ser uma prestação de serviços
públicos, nem o exercício do poder de polícia e nem, muito menos, a simples
construção de uma obra pública. A hipótese tributária da contribuição de
melhoria somente poderá descrever uma atuação estatal/realização de obra
pública que cause mais-valia em imóvel do contribuinte, nestes termos:
Se o Estado realizar o fato ‘construir uma obra que valorize o imóvel do
contribuinte X’, nascerá uma relação jurídica pela qual o Estado deverá exigir
daquele um determinado valor calculado sobre a referida valorização.”

Conclusão
Vimos acima as principais espécies tributárias, porque elencadas, expressamente, na
Constituição Federal como tributos (art. 145). Classificação essa que ninguém discorda. Porém, os
outros tributos relacionados no início deste título, por não terem sido tratados na CF/88, tal como os
impostos, as taxas e a contribuição de melhoria, recebem uma variedade de classificações pelos
doutrinadores, conforme vê-se daquele quadro comparativo.

A seguir veremos um quadro onde consta cada uma das espécies de tributos, sua previsão
legal, características, exemplos, comentários e o quadro comparativo entre os autores da classificação
dos tributos, com algumas observações.

25
Ibidem, p. 413.
26
A contribuição ao pis. p. 62.
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2.2 CLASSIFICAÇÃO
Impostos União (arts. 153 a 154) Art. 16 Não há atividade estatal
Estados e DF (art. 155) específica dirigida ao
Municípios e DF (art. 156) contribuinte (Não vinculado)

Taxas (art. 145, II) Art. 77 Há uma atividade estatal - De polícia - Art. 78 do CTN;
específica dirigida ao - Os direitos dos particulares afetam os interesses
contribuinte (Vinculado) da coletividade, sofrem limites e restrições de
ordem pública;
- Exercício do poder de polícia;
- Atividade do Estado que verifica o
cumprimento das exigências legais pertinentes e
concede a licença, a autorização, o alvará etc.
- Ex.: Taxa de Licença para Funcionamento
Taxa de Fiscalização de portos
Taxa de Fiscalização Ambiental

- De serviço - Serviço público divisível;


- A atuação do Estado na prestação de um
serviço, específico e divisível, efetiva ou
potencialmente, ao contribuinte;
- Arts. 77 a 80 do CTN
- O que importa é a divisibilidade, e não a
especificidade do serviço.
- Ex.: Taxa Judiciária (Custas)

- Taxa e Preço - Taxa (obrigação instituída por lei)


Público - Preço Público (obrigação instituída por
contrato)
- Súmula 545/STF
- Ex.: Correios (preço público)

Contribuição de Melhoria art. 145, III Arts. 81 - Decorre da atuação estatal de realização de uma obra pública de que decorra, para os proprietários de
e 82 imóveis adjacentes, uma valorização de suas propriedades;
- A valorização é a medida da melhoria;

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Pedágio art. 150, V - Não é preço público e nem taxa de serviço;


- Atuação estatal específica;
- É cobrado pelo tráfego pela via pública;
- Não se liga ao efetivo dispêndio com restauração, mas com conservação;
- O fato gerador é a utilização da via pública;
- É uma modalidade de taxa não relacionada na CF

Empréstimo compulsório União (art. 148) - É um ingresso temporário de recursos nos - Casos - Despesas extraordinárias, decorrentes de
cofres do Estado; calamidade pública e de guerra externa efetiva ou
- Criado por Lei Complementar; iminente;
- Não há qualquer relação com o conceito - Investimento público de caráter urgente e de
de taxa ou imposto; relevante interesse nacional;

Contribuições sociais União (arts. 149 e 195) - Somente a União pode criá-las; -Para a Seguri- - do empregador (I)
- Caracterizam-se pela destinação; dade Social (art. - do empregado (II)
195) - concurso de prognósticos (III)

Contribuições de intervenção no União (art. 149, caput, § 2º) - Destinam-se a instrumentar a atuação da União no domínio - Ex.: Lei 10.336/01
domínio econômico econômico, financiando os custos e encargos pertinentes.

Contribuições de interesse das União (art. 149) - São destinadas ao custeio das atividades das instituições - Ex.: Anuidade da OAB
categorias profissionais ou fiscalizadoras e representativas de categorias econômicas ou
econômicas profissionais;
- O fato gerador é o exercício de atividade profissional ou
econômica

Contribuição para custeio de Estados (art. 149, § 1º)


sistemas de previdência e
assistência social, em benefício
dos servidores dos Estados, DF
e Municípios

A DOUTRINA
 Rubens Gomes de Souza - Impostos;
- Taxas;
- Contribuições

 Pontes de Miranda - Impostos;

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- Taxas
Critério: possibilidade de distinguir as pessoas a quem o tributo aproveita

 Alfredo Augusto Becker - Impostos;


- Taxas.
Critério: base de cálculo

 Geraldo Ataliba - Vinculados;


- Não vinculados.
Critério: regra-matriz

 Ives Gandra - Impostos;


 Celso Ribeiro Bastos - Taxas;
 Hugo de Brito Machado - Contribuições de melhoria;
 Ministro Moreira Alves - Empréstimo Compulsório;
- Contribuições especiais.

 Fábio Fanucchi - Impostos;


- Taxas;
- Contribuições;
- Empréstimo Compulsório.

 Paulo de Barros Carvalho - Impostos;


- Taxas;
- Contribuição de melhoria
Obs.: o Empréstimo Compulsório pode assumir qualquer uma delas e as contribuições ou são impostos ou taxas.

 Roque Carrazza - Impostos;


- Taxas;
- Contribuição de Melhoria;
Obs.: as outras espécies se enquadram numa das três

 Hamilton Dias de Souza - Imposto;


- Taxa;
- Contribuições.

 José Afonso da Silva - Imposto;


- Taxa;
- Contribuições.

15
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- Empréstimo compulsório = contrato público

 Luciano Amaro - Impostos;


- Taxas: de serviço, de polícia, de utilização de via pública (pedágio) e de melhoria.
- Contribuições: sociais, econômicas e corporativas
Obs.: Empréstimo compulsório não é receita

 Octavio Campos Fischer - Impostos;


- Taxas;
- Contribuição de Melhoria
Obs.: O empréstimo compulsório e as contribuições especiais podem assumir a feição ou de imposto ou de taxa

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Outras classificações foram desenvolvidas para demonstrar, sob critérios específicos, as várias
características dos tributos, além do critério científico da regra-matriz:

TRIBUTO

Prestação resultante de
obrigação jurídica unilate-
Natureza
ralmente estabelecida pelo
Jurídica Estado, mediante expressa
disposição de lei.

Classificação Qual critério?


- Utilidade?
- Finalidade?
- Materialidade?
-Competência?

É necessário fixar primeiramente um critério


único para estabelecer-se uma classificação
de qualquer objeto de observação científica.

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TRIBUTO

Classificação

“O cientista do Direito não pode classificar


as espécies tributárias misturando os
critérios que tem ao seu dispor.” (Octavio
Campos Fischer).

 Impostos;
 Taxas;
 Contribuição de melhoria;
 Pedágio;
 Empréstimos compulsórios;
 Contribuições Sociais;
 Contribuições de intervenção no domínio
econômico;
 Contribuições de interesse das
categorias profissionais ou econômicas;
 Contribuições para seguridade dos
servidores dos Estados, DF e Municípios;
 Contribuição para o custeio do serviço de
iluminação pública.

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TRIBUTO

Classificações

Federais Fiscal
Estaduais Parafiscal
Municipais

Sujeito Ativo
Competência
Direto
Fiscal Indireto
Extrafiscal
Relação com o sujeito passivo
Finalidade
Fixos Regressivos
Variáveis Progressivos

Dimensão econômica Quanto à onerosidade


do Fato Gerador
Seletivos
Monofásico Não Seletivos
Plurifásico
Quanto à essencialidade
Fases do processo produtivo
Vinculado
Não Vinculado

Regra-matriz
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3 - Direito Tributário

Direito Positivo “É o complexo de normas jurídicas válidas num dado país.”


“... um plexo de proposições que se destinam a regular a conduta das pessoas,
nas relações de inter-humanidade.” Paulo de Barros Carvalho
 Objeto: comportamento humano
 Linguagem: prescritiva
 Lógica: Deôntica (lógica do dever-ser, lógica das normas)
 Proposições: Válidas ou não-válidas.
Se dirigem para a região material da conduta.

Ciência do Direito “À Ciência do Direito cabe descrever esse enredo normativo, ordenando-o,
declarando sua hierarquia, exibindo as formas lógicas que governam o
entrelaçamento das várias unidades do sistema e oferecendo seus conteúdos
de significação.” Paulo de Barros Carvalho

 Objeto: direito positivo.


 Linguagem: descritiva  transmite conhecimentos;
 comunica informações;
 explica como as normas se relacionam e como
elas regulam a conduta humana.
 sobrelinguagem.
 Lógica: Apofântica (lógica das ciências, lógica alética ou lógica
clássica)

 Proposições: - verdadeiras ou falsas


- simplesmente descrevem seu objeto, sem nele interferir.

A LINGUAGEM DO LEGISLADOR E A LINGUAGEM DO JURISTA

 Os textos legislativos, ou seja, o direito positivo, são construídos por pessoas que utilizam de
linguagem técnica (“discurso natural” com expressões de cunho científico).
 O legislativo, em sentido amplo, é constituído de pessoas de diversas origens e classes sociais,
trazendo consigo suas experiências, suas expectativas, seus desejos etc.
 Por conta disso, vemos as atecnias, impropriedades, deficiências, ambigüidades nos textos legais.
A linguagem do cientista do Direito é científica, porque emite proposições descritivas que se
harmonizam com os sistemas concernentes à lógica clássica.
 Desta forma, temos um processo de formalização da linguagem à medida que se busca as estruturas
lógico-formais até alcançar, dentro do Direito, a Linguagem da Lógica Jurídica, onde os conceitos são
unívocos, e, não plurissignificativos, como no plano da linguagem do Direito Positivo. Ver diagrama
elaborado por Paulo de Barros Carvalho:

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Linguagem da Lógica Jurídica Unívoca D


F E
O S
R F
M O
A Linguagem da Teoria Geral do Científica R
L Direito M
I A
Z Científica
A
Linguagem da Ciência do Direito L
I
Ç Z
à A
O
Linguagem do Direito Positivo Técnica Ç
Ã
O

 A cognoscência que cada indivíduo tem faz a diferença na formação do juízo ao se ler um texto do
direito positivo.
 A norma jurídica é exatamente o juízo (ou pensamento) que a leitura do texto provoca em nosso
espírito.”
 Sendo assim, é difícil de ser ver um texto do direito positivo que, em si mesmo, consegue transmitir a
integridade existencial de uma norma jurídica.
 Existem enunciados expressos e enunciados implícitos.
 O sistema do direito positivo abriga antinomias, as quais só desaparecem, ou se agravam, com a
expedição de outras regras.
 No plano científico não há contradição entre as múltiplas proposições descritivas.
 Cada uma das ciências jurídicas corresponde um método de investigação, mas vale para a Ciência do
Direito, exclusivamente, a ordem jurídica posta.
 A ordenação jurídica é una e indecomponível, ou seja, não se pode conhecer regras jurídicas de forma
isolada, mas em harmonia com todo o sistema.
 “Direito Tributário positivo é o ramo didaticamente autônomo do direito, integrado pelo conjunto
das proposições jurídico-normativas que correspondam, direta ou indiretamente, à instituição,
arrecadação e fiscalização de tributos.”
 “À Ciência do Direito Tributário compete descrever esse objeto expedindo proposições declarativas
que nos permitam conhecer as articulações lógicas e o conteúdo orgânico desse núcleo normativo,
dentro de uma concepção unitária do sistema jurídico vigente.”

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3.1 - LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR


• São o conjunto de princípios e normas que disciplinam os balizamentos da competência tributária;
• Os limites da competência tributária não se resumem aos que estão definidos no texto constitucional, mas também em
normas infraconstitucionais;
• As limitações demarcam, delimitam, fixam fronteiras ou limites ao exercício do poder de tributar;

• Princípio da • Art. 150, I, CF/88


legalidade tributária e • Consagrado desde a Constituição Inglesa de 1215;
tipicidade • Justiça e segurança jurídica;
• A lei deve esgotar os dados necessários à identificação do fato gerador da obrigação tributária e à
quantificação do tributo;
• A lei é pressuposto necessária e indispensável de toda a atividade administrativa;

• Princípio da Tipicidade • “deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo


(numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja
ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação
tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo.”
• Tipicidade cerrada

• criação de tributo • Lei Ordinária


• Lei Complementar

• Reserva de lei material ⇒ comando abstrato, geral e impessoal;


• Reserva de lei formal ⇒ competência legislativa (exceção: somente alíquotas do IPI, II, IE e IOF)

Princípio da • Art. 150, III, “a”;


Irretroatividade • Impropriedade da expressão “fato gerador”, que só pode se referir a lei que aumenta tributo e não a
que crie tributo. Mais correto, então, é “fato pretérito”;
• Dirigida ao legislador e ao aplicador da lei;
• Lei interpretativa não pode criar ou aumentar tributo;
• Aplica-se também aos tributos cujo fato gerador é periódico. Ex.: IR.

Princípio da • art. 150, III, “b”; art. 104, III do CTN;


Anterioridade • Proíbe cobrar tributo no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que o
instituiu ou aumentou;
• Exercício financeiro = exercício/ano civil ⇒ 1º/01 a 31/12 ⇒ L. 4.320/64, art. 34;
• Exceção: IPI, II, IE, IOF, Empréstimo compulsório por motivo de guerra externa ou calamidade
pública e contribuições sociais para a seguridade social (art. 195, § 6º) e Imposto Extraordinário;
• Fato gerador que se completa num período também exige lei anterior ao início do primeiro
período;
• A anterioridade não exige apenas lei anterior ao exercício em que o tributo será arrecadado, mas,
sim, lei anterior ao exercício de ocorrência dos fatos materiais.
• Anterioridade nonagesimal: Art. 195, § 6º da CF

Princípio da Isonomia • É dirigido ao aplicador da lei e ao legislador;


ou Igualdade • É uma garantia ao indivíduo e não ao Estado;
Tributária
• Princípio da Uniformidade • Art. 151, I – uniformidade dos tributos federais em todo o
território;
• Art. 151, II – veda tributação da renda das obrigações da dívida
pública dos Estados, DF e Municípios;
• Art. 152 – veda aos Estados, DF e Municípios estabelecer
diferenciação tributária entre bens e serviços de qualquer natureza
em razão da procedência ou destino.

Princípio da • Art. 145 (Capacidade Econômica e Personalização)


Capacidade • Proteção ao contribuinte
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Contributiva
• Capacidade Econômica “Real possibilidade de diminuir-se patrimonialmente, sem destruir-se
e sem perder a possibilidade de persistir gerando a riqueza de lastro à
tributação”. Geraldo Ataliba.

• Personalização ⇒ Adequação do gravame fiscal às condições pessoais de cada contribuinte;


• Deve ser aplicado aos impostos reais e indiretos;
• A expressão “sempre que possível” aplica-se tanto à capacidade econômica quanto à
personalização

• Proporcionalidade • o gravame deve ser diretamente proporcional

• Progressividade

• Seletividade

• Aplica-se a todos os tributos e não só a impostos (art. 145, § 1º)

Princípio da vedação • Atua em conjunto com o da capacidade contributiva;


de tributo • Tem como objetivo evitar que o Estado anule a riqueza privada através do tributo;
confiscatório • Não há critério na CF quanto ao limite que caracteriza o confisco
• Art. 150, IV

Princípio da liberdade • Art. 150, V;


de tráfego • Veda tributo que onere o tráfego interestadual ou intermunicipal de pessoas ou de bens;
• Protege a liberdade de locomoção;
• O gravame tributário seria forma de limitar o tráfego;

Princípio da • Art. 150, § 5º;


transparência dos • Quer que o consumidor de bens e serviços seja esclarecido acerca dos impostos que incidam sobre
impostos essas utilidades;

Princípios e regras • Não cumulatividade • PIS/PASEP (Lei 10.637/2002);


específicos de • IPI (Art. 153, § 3º, II);
determinados • ICMS (art. 155, § 2º, I);
impostos • Impostos de competência residual da União (art. 154, I);
• Certas contribuições sociais (art. 195, § 4º, c/c art. 154, I);
• Permite que o tributo seja compensado com o que tenha incidido nas
operações anteriores;

• Seletividade • Obrigatória para o IPI (art. 153, §3º,I);


• Permitida para ICMS (art. 155, § 2º, III);
• Sobre grandes fortunas (art. 155, VII);

• Imposto de Renda • Generalidade (todas as pessoas), universalidade (todas as manifestações


de renda) e progressividade (alíquotas maiores quanto maior a
capacidade econômica do contribuinte);
• Art. 153, § 2º, I;
• O imposto deve incidir sobre todas as pessoas e todas as manifestações
de renda, incidindo com alíquotas tanto maiores quanto maior for a
capacidade econômica do contribuinte.

• Progressividade • No IPTU atua como sanção (art. 156, § 1º c/c art. 182, § 4º, II), no Estatuto
da Cidade (Lei 10.357/2001);
• No ITR atua em função da produtividade da terra e da sua função social;

Princípios tributários • art. 170, IX; • art. 172; • art. 173, § 1º e § 2º; • art. 174; • art. 179; • art. 182, § 4º, II;
decorrentes da ordem
econômica
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Imunidades • Fundamenta-se na preservação de valores que a CF reputa relevantes;


• A constituinte exclui do campo tributário aquelas situações sem as quais ele não quer que incida
este ou aquele gravame fiscal;
• Imunidade atua no plano da definição da competência e isenção atua no plano do exercício da
competência;
• É definida em função de condições pessoais de quem venha a vincular-se;

• Subjetiva • Situações pessoais do sujeito que se vincularia;

• Objetiva • Em função do objeto suscetível de tributação;


• Certas peculiaridades da situação objetiva;

• As imunidades na seção • Imunidade • Art. 150, VI, “a”


das limitações do poder Recíproca • Não impede incidência de impostos indiretos,
de tributar como IPI e ICMS;
• Estende-se às autarquias e fundações públicas,
150, § 2º.

• Art. 150, VI, “c” • “sem fins lucrativos, atendido os requisitos da


lei” aplica-se apenas às instituições de educação
e de assistência social;
• “requisitos da lei”: lei entende-se por lei
complementar, porque a Seção II é da
competência de Lei Complementar

• Art. 14 do CTN • Não distribuição dos lucros


ou participação do
resultado;
• Aplicação integral no país
dos recursos de
manutenção dos objetivos
institucionais;
• Superávit não é lucro;
• O §1º é uma aberração,
porque não pode a
autorização suspender o
“benefício”, mas deixar de
aplicar a imunidade,
porque não atendidos os
requisitos;

• Outras Imunidades • art. 153, § 2º, II • quem aufere penalidade não recebe rendimento
revogado pela “do trabalho”;
EC 20 • Aposentados maiores de 65 anos;

• art. 153, § 3º, III • o IPI não incidirá sobre produtos destinados ao
exterior;

• art. 153, § 4º • o ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais


familiares;

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• art. 155, § 2º, X • o ICMS não incidirá sobre produtos


industrializados, destinados ao exterior, exceto
os semi-elaborados (“a”);
• o ICMS não incidirá sobre operações que
destinem a outros estados petróleo e derivados e
energia elétrica (“b”);
• o ICMS não incidirá sobre o ouro (“c”)
redundância, porque o art. 153, § 5º, já diz
que só incidirá o IOF.

• art. 155, § 3º • Só incide o II, IE e ICMS sobre operações


relativas a energia elétrica, telecomunicações,
derivados de petróleo, combustíveis e minerais
do país;

• art. 156, § 2º, I • ITBI, itervivos, não incide sobre patrimônio de


pessoa jurídica em realização de capital, ou em
fusão, incorporação, cisão ou extinção, salvo ...

• art. 156, § 3º, II • Exclusão da incidência do ISS sobre serviços


para o exterior, através de LC;

• art. 155, § 2º, XII • Exclui incidência do ICMS nas exportações para
exterior de serviços e produtos definidos em
LC, além dos do inciso X, “a”;

• Outras imunidades fora • art. 195, § 7º ⇒ Contribuição social para entidades beneficentes;
do Sistema Tributário
• art. 5º, XXXIV ⇒ sobre petição aos poderes públicos;
•art. 5º, LXXIV ⇒ sobre serviços públicos de assistência jurídica;
• art. 5º, LXXVI ⇒ sobre registro civil de nascimento e óbito;
• art. 5º, LXXVII ⇒ sobre habeas corpus e habeas data;
• art. 184, § 5º ⇒ impostos federais, estaduais e municipais sobre
transferência de imóveis desapropriados para
reforma agrária

Limitações de • Tributos federais • art. 153, § 5º • alíquota mínima de 1% para imposto sobre ouro;
alíquotas

• Tributos estaduais • determinado • art. 155, § 1º IV – transmissão causa mortis;


pelo Senado • art. 155, § 2º, IV – ICMS (operação interestadual);
• art. 155, § 2º, V, “a” – ICMS (operações internas);
• art. 155, § 2º, V, “b” – ICMS (conflito);
• art. 155, § 2º, VI a VIII

• Tributos municipais • art. 156, § 3º, I • Lei Complementar para fixar alíquotas máximas

Limitações quanto à • art. 145, § 2º • Veda utilização de base de cálculo própria de impostos para exigência
base de cálculo de taxas;

• art. 154, I • Impostos de competência residual não podem ter base de cálculo nem
fato gerador próprios dos impostos discriminados na CF;

• art. 195, § 4º • IDEM

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4 - Fontes do Direito Tributário


Fonte material e Fonte formal
Constituição Federal • Não cria tributos, mas define competências;
• Disciplina a estruturação sistemática; Fonte formal principal
• Disciplina o modo de expressão do Direito Tributário Fonte formal complementar

Emendas Constitucionais • Incorporam-se à CF com igual hierarquia; Instrumentos/fontes primárias


Instrumentos/fontes secundárias

Leis Complementares • Requerem maioria absoluta de votos na Câmara e no Senado (art. 69, CF);
• Dispor sobre conflitos de competências (art. 146, I);
• Regular limitações constitucionais do poder de tributar (art. 146, II)
• Normas gerais de Direito Tributário (art 146, III);
• Criação de certos tributos - art. 148 (Empréstimo Compulsório)
- art. 153, VII (Imposto Sobre Grandes Fortunas)
- art. 154, I (outros impostos)
• O CTN é formalmente lei ordinária e materialmente lei complementar;

Leis Ordinárias • É através dela que se exerce a competência tributária;


• É o veículo legislativo que cria o tributo;

Leis Delegadas • Elaboradas pelo Presidente da República sobre matérias específicas. objeto de delegação
por ato do Congresso Nacional (art. 68, CF);
• Podem ser utilizadas para instituição de tributos;

Medidas Provisórias • Tem força de lei ordinária;


• Podem ser utilizadas em matéria tributária (art. 62, § 2º, CF)

Tratados Internacionais • “...está para a lei interna assim como a norma especial está para a norma geral.” Luciano
Teoria Monista (Kelsen): Amaro
- Tratado predomina
• Não instituem tributos;
sobre direito interno;
Teoria Monista (Wenzel): • Não revoga lei interna, mas cria situação de exceção;
- Constituição valida • O CTN não tem hierarquia suficiente para impor a força dos tratados.;
tratado; • O art. 98 do CTN tem caráter meramente didático;
Teoria Dualista: harmonia • Preceito de tratado prevalece sobre lei estadual ou municipal que contrapõe-se a ele.
entre eles. • A lei não tem poder de afastar dispositivos de tratado.

Decreto • É lei material e tem força equivalente à da lei formal;

Resolução • Limitar alíquotas de certos impostos estaduais (art. 155, § 1º, IV; § 2º, IV e V)
• Possui esfera específica de competência

Decretos Legislativos • Aprovação de tratados internacionais (art. 69, I, CF);

Convênios • Podem ser celebrados, observando-se a Lei Complementar 24/75;


• Competência dada pelo art. 155, § 2º, XII, “g”, CF;

Decretos Regulamentares • Não podem inovar em matéria sujeita à reserva da lei; • Regulamento de Execução;
• Art. 49, V, CF, Poder Regulamentar • Regulamento autônomo;

Normas complementares • Tratam de esclarecimentos de normas tributárias;


• O contribuinte, observando-as, está resguardado de boa-fé, caso elas venham a ser
declaradas ilegais ou inconstitucionais;
• Art. 100 do CTN • I – Atos normativos expedidos pela autoridade administrativa;
• II – As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição
administrativa a que a lei atribua eficácia normativa;
• III – Práticas reiteradamente observadas pela autoridade
administrativa.

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5 - Vigência e Aplicação da legislação tributária


Vigência = validade formal = obrigatoriedade
Eficácia = aplicação
Vacância (vacatio legis) = período entre publicação e vigência da lei

Início da vigência  Determinado pela lei


 45 dias (art. 1º, LICC)
 1º dia do exercício seguinte  majoração ou instituição;
quando a lei se refere a impostos  novas hipóteses de incidência;
sobre o patrimônio ou a renda.  extinção ou redução de isenções
(art. 104, CTN)

 Na data da publicação:  Atos normativos expedidos pelas


(art. 103, I, CTN) autoridades administrativas

 30 dias da data da publicação:  As decisões dos órgãos


(art. 103, II, CTN) singulares ou coletivos de
jurisdição administrativa;

 Na data prevista:  os convênios entre União,


(art. 103, III, CTN) Estados, DF e Municípios;

Extinção da vigência  Revogação  Quanto à forma  expressa


 tácita

 Quanto ao conteúdo  integral = ab-rogação


 parcial = derrogação
 modificação = sub-rogação

Início da Aplicação  Deve-se observar  o ato jurídico perfeito;


(art. 106, CTN) (art. 6º, LICC e art.  o direito adquirido;
5º, XXXVI, CF)  a coisa julgada.

 Imediatamente aos fatos geradores futuros e pendentes

Retroatividade  Ato ou fato pretérito não  deixe de defini-lo como infração;


(Art. 106, CTN) definitivamente julgado  deixe de tratá-lo como contrário a
quando qualquer exigência de ação ou omissão;
 comine penalidade menos severa.

 em qualquer caso quando  a lei for expressamente interpretativa

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INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO

Obs.: O Direito Tributário não possui uma técnica específica de interpretação, apesar do art. 107 do CTN

Hipótese mal Hipótese não


escrita pensada
Hierarquia ? Não

• Extensiva
• Literal/gramatical • Analogia
• Lógica •Princípios gerais de D.
• Sistemática • Restritiva (infrações e penalidades) ? Tributário
• Histórica • Princípios gerais de D.
• Finalística/Teleológica • Estrita (hipótese de incidência) Público
• Equidade (justiça)
Taxativa? Não.
E os Princípios G. de Direito

lei lacunosa

Hermenêutica
INTERPRETAÇÃO ≠ INTEGRAÇÃO
Ciência da
Interpretação

Busca-se
Identificar o preencher o
sentido e o alcance
vácuo da lei.
da norma.
PERSEGUEM A IDENTIFICAÇÃO
DA MELHOR QUALIFICAÇÃO
JURÍDICA PARA DETERMINADO
FATO

INTERPRETAÇÃO ECONÔMICA: Contraria o art. 109 do CTN. Preocupa com o conteúdo econômico do fato.

ABUSO DE FORMA: Utilização de forma jurídica atípica para realização de negócio jurídico.
Ex.: Doação em vez de Compra e Venda / Permuta em vez de Compra e Venda

ABUSO DE DIREITO: Procedimentos legais com fins outros diferentes daqueles normalmente utilizados.

SIMULAÇÃO: Não correspondência entre o negócio praticado e o formalizado.


Art. 149, VII do CTNEx.: Compra e Venda  Doação (ocultando o pagamento)
Doação  Compra e Venda (devolvendo-se o preço)
DISSIMULAÇÃO: Art. 116, § único = simulação relativa

EVASÃO (ilícito) X ELISÃO (lícito)

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: É o planejamento dos atos frente à legislação tributária;


Se proibido afronta a certeza e a segurança do direito.

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6 - A OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA

• Obrigações em ⇒ Fontes ⇒ legais;


geral ⇒ contratuais;
⇒ decorrentes de ato ilícito;

• Natureza Jurídica ⇒ de direito público ⇒ obrigação ex lege (dispensa o concurso da vontade do obrigado)
⇒ o seu nascimento prescinde da vontade da parte que se obriga
⇒ basta a ocorrência do fato previamente descrito na lei para que surja a
obrigação

• Conceito ⇒ “... é a relação jurídica em virtude da qual o particular (sujeito passivo) tem o dever de prestar
dinheiro ao Estado (sujeito ativo), ou de fazer, não fazer, não fazer ou tolerar algo no interesse da
arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e o Estado tem o direito de constituir contra o particular
um crédito.” (Hugo de Brito Machado)

• Acepção ⇒ obrigação como relação jurídica

• Formas ⇒ dar, fazer ou não-fazer (Hugo de Brito acrescenta a de tolerar)

• Objeto ⇒ prestação de natureza tributária

• Conseqüência ⇒ o crédito é indisponível pela autoridade administrativa

• Modalidades ⇒ Principal ⇒ natureza patrimonial


⇒ obrigação de dar
⇒ objeto: pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária
⇒ Obr. Trib. = hipótese de incidência (fonte formal) + fato gerador (fonte
material)
Art. 113 do CTN
⇒ Acessória ⇒ natureza não patrimonial
⇒ obrigação de fazer
⇒ objeto: prestação positiva ou negativa
⇒ existe para viabilizar o cumprimento da obrigação principal (Hugo de B.
Machado)
⇒ é instrumental e não dependente da principal, podendo existir sem esta, ou seja,
ela existe pela simples possibilidade de existência da principal. (Luciano
Amaro)
⇒ art. 113, § 3º - “Na verdade o inadimplemento de uma obrigação acessória não
a converte em obrigação principal. Ela faz nascer para o fisco o direito de
constituir um crédito tributário contra o inadimplente,...”. Hugo de Brito
Machado

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7 – FATO GERADOR
• Da Obrigação Principal ⇒ CTN, art. 114
⇒ Características • situação ⇒ fato ou conjunto de fatos

• definida em lei ⇒ prescrição legal do fato

• necessária ⇒ somente se prevista em lei nasce a obrigação

• suficiente ⇒ basta ocorrer a situação para surgir a obrigação

• Da Obrigação Acessória ⇒ CTN, art. 115


⇒ legislação, e não apenas a lei
O Prof. Luciano Amaro defende a expressão
• Hipótese de Incidência ⇒ prescrição/descrição contida na lei fato gerador nos dois sentidos, mas, para
fins didáticos, entende que possa ser assim
≠ utilizado.
• Fato Gerador ⇒ é a concretização da hipótese de incidência

• Validade do ato jurídico ⇒ art. 82, C.C. (“A validade do ato jurídico requer agente capaz (art. 145, I), objeto lícito e forma
prescrita ou não defesa em lei (arts. 129, 130 e 145)”). Ato Nulo ou Anulável.
⇒ não importa para o Direito Tributário
⇒ na hipótese de incidência não pode conter descrição de ato ilícito

• Consumação do Fato ⇒ situação de fato (art. 116, I, CTN);


Gerador ⇒ situação jurídica ⇒ Condicional ⇒ Suspensiva ⇒ dá-se início os efeitos do negócio jurídico;
(art. 116, II, CTN) ⇒ no momento em que se realiza a condição;
⇒ art. 117, I, CTN

⇒ Resolutiva ⇒ a partir da prática do ato ou celebração do


negócio;
⇒ desfazimento do ato ou negócio jurídico

• Elementos ⇒ materialidade ⇒ aspectos que dão plenitude ao fato gerador

⇒ subjetivo ⇒ Sujeito Ativo


⇒ Sujeito Passivo

⇒ valorativo ⇒ Base de Cálculo ⇒ nos tributos fixos não há base de cálculo

⇒ Alíquota ⇒ “quantum debeatur” ⇒ ad valorem


⇒ específica (cifra) – valor fixo

⇒ espacial ⇒ solução de conflito de normas e conhecimento da abrangência territorial

⇒ temporal ⇒ identificação da lei aplicável e prazos para cumprimento de obrigações

• Classificação ⇒ Quanto à sua estrutura ⇒ simples (um só elemento)


⇒ complexos (combinação de vários elementos ou condições)

⇒ Quanto à formação ⇒ instantâneos: consuma-se num dado momento (IR, ICMS, IOF, ITBI)
no tempo ⇒ periódicos: quando sua realização se põe ao longo de um espaço de tempo (IR);
⇒ continuados: renova-se em cada exercício financeiro (IPTU, IPVA, ITR)

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• Interpretação do Fato ⇒ Independe ⇒ da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes (art.118, I)
Gerador ⇒ da natureza do seu objeto (art. 118, I, in fine)
⇒ dos seus efeitos (art. 118, II)

• Presunções ⇒ Humanas ⇒ sempre admitem prova em contrário;

⇒ Legais ⇒ relativas (juris tantum): admite prova em contrário


⇒ absolutas (juris et de jure): - não admite prova em contrário (art. 185 do CTN)
- a conseqüência do fato conhecido é provável, mas a
lei recusa a prova em contrário.

• Ficção Jurídica ⇒ não há dúvida sobre o fato real, mas a lei o nega;
⇒ “utilização privativa pelo legislador”;
⇒ “a lei atribui a certo fato características que, sabidamente, não são reais”;
⇒ não se confunde com a presunção absoluta;
⇒ “a lei nega a realidade fática e constrói uma realidade jurídica diversa daquela”;
⇒ “não cabe sequer cogitar-se de prova em contrário”;
⇒ “é legítimo somente quando a verdade legal não esteja em confronto com norma superior”;

• “Se o emprego dessas técnicas implicar afronta, ainda que indireta, a qualquer princípio constitucional, ele deve ser
repelido...”
• “Em suma, aquilo que o legislador não puder fazer diretamente (porque não esteja na sua esfera de competência ou porque
fira preceito de norma superior), ele igualmente não pode fazer, de modo indireto, mediante utilização (que, nessas
circunstâncias, se revelará artificiosa) das presunções ou ficções.” (art. 110 do CTN)

• Não Incidência ⇒ pura e simples ⇒ ou tout court: o fato simplesmente não é referido na lei

⇒ imunidade ⇒ o fato é excluído da competência tributária

⇒ isenção ⇒ o fato é excluído da incidência do tributo - em razão da pessoa


- em razão da região
- em razão dos fatos
- em razão dos bens

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8 – SUJEITO ATIVO

8.1 – SUJEITO ATIVO e COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA

• Conceito ⇒ É a aptidão para criar tributos

• Classificação ⇒ Privativa ⇒ É aquela atribuída com exclusividade a um ou outro ente político;

⇒ Residual ⇒ É aquela atribuída à União atinente aos outros impostos que podem ser criados sem
situação não prevista na CF (art. 154, I, CF)

⇒ Comum ⇒ É aquela atribuída a todos os entes políticos, referente às taxas e contribuições de


melhoria.

⇒ Extraordinária ⇒ É aquela atribuição à União, para instituir impostos extraordinário,


compreendidos ou não em sua competência tributária (art. 154, II, CF).

⇒ Críticas a essa classificação ⇒ não é científica, mas didática;


⇒ não se pode contrapor a competência privativa à residual, porque
esta sendo privativa da União não seria residual;
⇒ uma vez que taxas e contribuições de melhoria só podem ser
criadas pelos entes que prestam o serviço, a classificação de
competência comum aplica-se a todos os tributos em espécie.

• Critérios de par- ⇒Prestação que lastreia o ⇒ serviço público = taxa


tilha da competên- tributo ⇒ poder de polícia = taxa
cia ⇒ via pública = pedágio
⇒ realização de obra = contribuição de melhoria

⇒Tipificação de situações ⇒ União (arts. 153, 154) ⇒ não exaustivas


materiais ⇒ Estados e DF (art. 155) ⇒ taxativa
⇒ Municípios e DF (art. 156) ⇒ taxativa
⇒ Este critério á afastado no caso de guerra

⇒ Empréstimo Compulsório ⇒ Sem definição de critério foi atribuído à União

⇒ Por destinação ⇒ Contribuições Sociais ⇒ Estas recebem situações materiais


exemplificativas. Art. 195.
⇒ Contribuições econômicas
⇒ Contribuições Corporativas

• Exercício da ⇒ A CF/88 não cria tributos, mas outorga poderes para tal;
Competência ⇒ A lei ordinária é o veículo idôneo para criação de tributo;
Tributária ⇒ A competência tributária é indelegável;
⇒ Não é permitido modificar conceitos de direito privado para ampliar a competência tributária. Isto
também se aplica para o Direito Público.

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9 – SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA


• Da obrigação Principal ⇒ É a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.

• Da obrigação Acessória ⇒ É a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto.

• Espécies ⇒ Sujeição Passiva Direta: CONTRIBUINTE (originária)


⇒ Sujeição Passiva Indireta: RESPONSÁVEL (derivada)

• Capacidade Tributária ⇒ Independe ⇒ da capacidade civil das pessoas naturais


Passiva (Art. 126 do CTN) ⇒ da limitação ou privação de direitos da pessoa natural
⇒ de estar a pessoa jurídica regularmente constituída

• Domicílio Tributário ⇒ Eleito pelo contribuinte ou responsável


(Art. 127 do CTN) ⇒ Recusa do domicílio pela autoridade administrativa ⇒ impossibilidade ou dificuldade da
arrecadação ou fiscalização de
tributo
⇒ Pessoas Naturais ⇒ residência habitual ou
⇒ centro habitual de sua atividade

⇒ Pessoas Jurídicas de Direito Privado ⇒ o lugar da sua sede


⇒ o de cada estabelecimento

⇒ Pessoas Jurídicas de Direito Público ⇒ qualquer de suas repartições

⇒ Na falta dos itens acima ⇒ o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou
fatos que deram origem à obrigação

• Responsabilidade Legal ⇒ O terceiro responsável tem vínculo com o fato gerador


Tributária

⇒ Por transferência ⇒ é aquela que se dá após o fato gerador


⇒ espécies ⇒ solidariedade
⇒ sucessão
⇒ responsabilidade de terceiros

⇒ Solidariedade ⇒ Natural: interesse comum (Ex.: co-propriedade)


⇒ Legal: designada pela lei
Arts. 124 e 125 do ⇒ Efeitos ⇒ o pagamento por um dos obrigados
CTN aproveita aos demais
⇒ a isenção ou remissão exonera todos
⇒ interrupção da prescrição a favor ou
contra alcança os demais

⇒ Sucessão ⇒ arts. 129 a 133, CTN


⇒ na alienação: o adquirente
⇒ no leilão: o preço sub-roga-se
⇒ o espólio
⇒ o sucessor e cônjuge meeiro

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⇒ Responsabilidade de ⇒ pais
Terceiros ⇒ tutores ou curadores
⇒ administradores
⇒ o inventariante
⇒ o síndico e o comissário
⇒ os tabeliães e escrivães e demais
serventuários de ofício
⇒ os sócios
⇒ Condições:
- impossibilidade de o Estado exigir
diretamente do contribuinte
- que o terceiro intervenha no ato tributável
ou seja omisso a ele

⇒ Por Substituição ⇒ ou sujeição passiva indireta por substituição;


⇒ o Estado elege um terceiro para substituir o contribuinte natural;
⇒ amenizar dificultadores de arrecadação e evitar a evasão fiscal;
⇒ o substituto é como um agente indireto do Fisco;
⇒ é feito antes de ocorrido o fato gerador
⇒ Ex.: IRRF

⇒ Responsabilida- ⇒ arts. 136 a 138, CTN;


de por infrações ⇒ independe da intenção do agente ou do responsável;
da legislação ⇒ princípio da objetividade ⇒ considera-se o critério objetivo da
tributária infração penal
⇒ exceções: art. 137
⇒ presunção
⇒ personificação
⇒ exclusão

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10 - CRÉDITO TRIBUTÁRIO
• Conceito ⇒ É a relação jurídica obrigacional entre credor (Sujeito Ativo) e devedor (Sujeito Passivo), cujo
objeto é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária
⇒ Consubstancia-se na qualificação e na quantificação da obrigação fiscal

• Natureza Jurídica ⇒ Subjetiva de direito público

• Constituição ⇒ Através do lançamento


⇒ Competência privativa da autoridade administrativa

• Fontes ⇒ Lei
⇒ Fato Gerador
⇒ Lançamento

• Lançamento • Conceito: art. 142, CTN (atividade administrativa plenamente vinculada)

• Funções ⇒ valoração quantitativa e qualitativa do evento


⇒ verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente
⇒ determinar a matéria do tributo
⇒ calcular o montante do tributo
⇒ identificar o sujeito passivo
⇒ aplicar a penalidade cabível, quando for o caso

• Natureza Jurídica ⇒ Declaratória e não constitutiva ⇒ Constitutiva do crédito tributário e


declaratória da obrigação

• Efeitos ⇒ Constituição do crédito tributário, provisoriamente


⇒ Reporta-se à legislação da data da ocorrência do fato gerador
⇒ Delimitador entre a decadência e a prescrição

• Revisão ⇒ só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública
(art. 149, § único) ⇒ erro de fato

• Alteração ⇒ por impugnação do S. Passivo


(art. 145, CTN) ⇒ em virtude de recurso de ofício
⇒ por iniciativa de ofício da autoridade administrativa

• Modificação ⇒ Erro de fato: conhecimento errado quanto aos fatos


nos critérios ⇒ Erro de direito: lançamento ilegal por ignorância ou equivocada compreensão
jurídicos da lei
(art. 146, CTN) ⇒ É o ato pelo qual a autoridade administrativa muda a interpretação ou escolhe
outra dentre as alternativas que possui

• Modalidades ⇒ Direto ou de Ofício ⇒ normalmente nos tributos diretos (IPTU, ITR, IPVA)
(art. 149, CTN) ⇒ situações duráveis ou permanentes
⇒ Meios ⇒ investigação real
⇒ por presunção
⇒ por indícios

⇒ Por Declaração ⇒ feito pelo Fisco com a colaboração do S. Passivo


ou Misto ⇒ declaração do S. Passivo ou de Terceiro
(art. 147, CTN) ⇒ Ex.: I.R., ITR
⇒ retificação da declaração só mediante comprovação do erro

⇒ Por ⇒ contribuinte paga antecipadamente o tributo cujo montante será


posteriormente homologado pelo Fisco
Homologa ⇒ a lei deve atribuir ao S. Passivo a obrigação de recolher o tributo
ção sem prévia homologação
Art. 150, ⇒ extingue-se o crédito sob condição resolutória da homologação
CTN ⇒ prazo para a homologação: 5 anos

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11.1 - SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO


(Arts. 151 a 155-A)
• Conceito ⇒ É a dilação de prazo concedida pelo credor ao devedor para pagamento de uma dívida (Dicionário Aurélio Buarque)
⇒ É a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por um determinado período de tempo
⇒ Não alcança a obrigação acessória (art. 151, § único), a não ser que haja suspensão específica para ela.

• Causas (art. 151) ⇒ Moratória ⇒ Concessão de medida liminar em mandado de


⇒ Depósito do montante integral do crédito tributário segurança
⇒ Reclamações e recursos nos processos administrativos ⇒ Concessão de medida liminar ou de tutela antecipada,
tributários em outras ações judiciais
⇒ Parcelamento
• Conseqüências ⇒ Sujeito Ativo fica impedido de cobrar o Crédito Tributário
⇒ Prorroga o momento do lançamento no caso do lançamento por homologação
⇒ Suspende o curso da prescrição
• Moratória ⇒ É a dilação, prorrogação ou adiamento do prazo para pagamento do crédito tributário concedida pelo Sujeito Ativo
⇒ Formas ⇒ Caráter Geral ⇒ Pelo Sujeito Ativo competente
(por lei) ⇒ Pela União em relação aos tributos dos Estados, DF e Municípios
⇒ Caráter Individual ⇒ Por despacho, fundamentado em lei autorizativa;
⇒ não gera direito adquirido (art. 155);
⇒ revogável a qualquer momento, desde que o sujeito passivo tenha
dado motivo por dolo (art. 155, I) ou culpa (art. 155, II)
⇒ Requisitos: ⇒ prazo de duração; ⇒ número de prestações e vencimentos;
(art. 153) ⇒ condições, quando em caráter individual; ⇒ garantias, quando em caráter individual;
⇒ os tributos a que se aplica;

⇒ Abrangência ⇒ determinada região do território do sujeito ativo (art. 152, § único);


⇒ determinada classe ou categoria de sujeitos passivos (art. 152, § único);
⇒ créditos definitivamente constituídos à data da lei ou do despacho (art. 154)
⇒ Restrições ⇒ Não aproveita aos casos de dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo;
⇒ Em caráter individual não gera direito adquirido(art. 155);
• Depósito ⇒ É medida preparatória, preventiva ou de segurança
⇒ Ocorre quando o sujeito passivo deposita o montante do crédito, eximindo-se dos juros, multa e correção
monetária, caso seja vencido no processo administrativo tributário ou na justiça;
⇒ É uma faculdade dada ao Sujeito Passivo, ou seja, voluntário;
⇒ Súmula 112/STJ: somente suspende se no montante integral e em dinheiro

⇒ Administrativo ⇒ Lei 9.703/98 e Decreto 3.717/01


⇒ Decreto 70.235/72 (art. 33, § 2º) e Decreto-Lei 822/69

⇒ Judicial ⇒ Ação declaratória de inexistência de relação jurídica tributária


⇒ Ação anulatória de débito fiscal
⇒ Consignação em pagamento
• Reclamações e ⇒ Art. 5º, XXXV, CF União (Decreto-Lei 822/69, Decreto 70.235/72)
Recursos ⇒ Impugnação/defesa/reclamação de 1º grau; Estado de Goiás (Lei 12.935/96)
⇒ Recursos em 2º grau.

• Liminar em ⇒ Concessão de liminar, garantindo o direito do sujeito passivo de não pagar um crédito tributário exigido;
Mandado de ⇒ Súmula 266/STF: não cabe mandado de segurança contra lei em tese;
Segurança ⇒ Mandado de Segurança Preventivo não ofende a Súmula 266, pois busca evitar a lesão a direito, por justo receio,
tendo em vista a obrigatoriedade do art. 142.

• Liminar ou tutela ⇒ outras ações judiciais ⇒ Anulatória de débito fiscal


antecipada em ⇒ Cautelar
outras ações ⇒ Repetição de Indébito Tributário
judiciais ⇒ Lei 6.830/80
• Parcelamento ⇒ Não exclui a incidência de juros e multas, salvo disposição de lei em contrário;
⇒ Aplicam-se as disposições da Moratória

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11.2 - EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO


(Arts. 156 a 174)

• Conceito ⇒ É a satisfação do direito de crédito do sujeito ativo pelo sujeito passivo

• Formas (art. 156) ⇒ Pagamento ⇒ Conversão do depósito em renda


⇒ Compensação ⇒ Pagamento antecipado e homologação
⇒ Transação ⇒ Consignação em pagamento
⇒ Remissão ⇒ Decisão administrativa irreformável
⇒ Prescrição e Decadência ⇒ Decisão judicial passada em julgado
⇒ Dação em pagamento

• Conseqüências ⇒ não pode mais ser revisto (art. 149 do CTN)


⇒ Extinguindo o crédito tributário extingue-se a obrigação principal (art. 113, § 1º, CTN)
⇒ Há situações em que a obrigação extingue-se antes de constituir-se o crédito tributário (decadência, remissão e
compensação)

• Pagamento ⇒ “é a entrega ao sujeito ativo, pelo sujeito passivo ou por qualquer outra pessoa em seu nome, da quantia
correspondente ao objeto do crédito tributário” Hugo de Brito Machado
⇒ a imposição de penalidade não afasta a obrigação de pagamento do tributo (art. 157, CTN)
⇒ Presunção de pagamento: não ocorre nem com pagamento total, nem com pagamento parcial (art. 158, CTN)
⇒ Lugar do Pagamento: no domicílio do sujeito passivo (art. 159, CTN)
⇒ Tempo do Pagamento: o previsto na legislação ou 30 dias depois da data em que se considera o sujeito
passivo notificado do lançamento
⇒ Juros de mora: são devidos quanto ao crédito não pago, independentemente do motivo, à taxa de 1% ao mês;
não são devidos na pendência de consulta (art. 161, CTN)
⇒ Forma: em moeda, cheque, vale postal ou estampilha (art. 162, CTN)
⇒ Imputação de pagamento: existindo vários créditos tributários contra o sujeito passivo e este paga sem
identificar qual está pagando, pode o sujeito ativo imputar o pagamento (art. 163, CTN)

• Compensação ⇒ art. 170, CTN (é encontro de contas entre credor e devedor recíprocos)
⇒ depende de lei autorizativa (Ex.: União – Lei 8.383/91, art. 66)
- reciprocidade das obrigações
- liquidez das dívidas
requisitos:
- exigibilidade das prestações Paulo de Barros Carvalho
- fungibilidade das coisas devidas

• Transação ⇒ art. 171, CTN


⇒ só mediante lei autorizativa e em processo litigioso judicial a autoridade pode transigir

• Remissão ⇒ art. 172, CTN (remitir = perdoar)


⇒ a lei pode autorizar ⇒ circunstâncias ⇒ situação econômica do sujeito passivo;
⇒ ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto a
matéria de fato:
⇒ à diminuta importância do crédito tributário;
⇒ a considerações de eqüidade, em relação com as características
pessoais ou materiais do caso;
⇒ a condições peculiares a determinada região do território da
entidade tributante
⇒ a lei pode determinar sem que haja necessidade de ato de autoridade administrativa

• Conversão de ⇒ art. 164, § 2º, CTN


Depósito em Renda ⇒ o valor depositado judicial ou administrativamente é entregue ao Fisco, convertendo-se em receita pública

• Pagamento ⇒ art. 156, VII


antecipado e ⇒ É o caso de lançamento por homologação, no qual ocorre uma antecipação do pagamento, cuja
homologação ulterior homologação pode ser expressa ou tácita. A homologação é que dá definitividade ao
pagamento antecipado.

• Consignação em ⇒ art. 164, CTN


Pagamento ⇒ ação judicial que visa proteger o direito do sujeito passivo de pagar o crédito tributário

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⇒ Casos: - recusa de recebimento;


- subordinação do recebimento ao pagamento de outro tributo ou penalidade ou obrigação acessória;
- subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento
legal;

• Decisão ⇒ art. 156, IX


Administrativa ⇒ a decisão não extingue o crédito tributário, mas declara a inexistência do direito ao crédito, revogando ou
irreformável anulando o ato de lançamento, por inocorrência do fato gerador ou por vício formal na constituição do crédito,
respectivamente.

• Decisão Judicial ⇒ art. 156, X


passada em julgado ⇒ a decisão não extingue o crédito tributário, mas declara a inexistência do direito ao crédito

• Dação em ⇒ art. 156, XI


pagamento ⇒ forma recente de extinção do crédito tributário, acrescida pela Lei Complementar nº 104/2001;
⇒ Não obstante sua inclusão recente no rol, os tribunais, bem como os órgãos fazendários já vinham aceitando-a
como forma de que quitação do crédito tributário.
⇒ A lei a que se refere é a específica de cada tributo;
⇒ O imóvel deve estar livre de quaisquer ônus reais e perfeitamente identificado e registrado em cartório de
registro de imóveis.

• Decadência ⇒ É o período de tempo que o sujeito ativo tem para constituir o crédito tributário pelo lançamento;
(art. 173)
⇒ Contagem do prazo de 5 ⇒ Inciso I – a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
anos lançamento poderia ter sido efetuado;
⇒ Inciso II – cria a suspensão e a interrupção do prazo decadencial;
⇒ art. 150, § 4º - contado da ocorrência do fato gerador.
⇒ Não atinge o lançamento por homologação, porque neste caso a homologação sempre ocorre (tácita ou
expressa)
⇒ Parágrafo único –

• Prescrição ⇒ É o período de tempo que o sujeito ativo tem para cobrar o crédito tributário não satisfeito pelo sujeito
(art. 174) passivo;
⇒ Início ⇒ Após o lançamento ⇒ Aliomar Baleeiro, Ives Gandra da Silva Martins, Fábio Fanucchi,
Carlos da Rocha Guimarães, Alberto Xavier, Eduardo Marcial
Ferreira Jardim;
⇒ Após decisão definitiva ⇒ Hugo de Brito Machado, Bernardo Ribeiro de Moraes, Edvaldo
de recurso administrativo Brito, Sebastião de Oliveira Lime, Sacha Calmon Navarro
Coelho, Carlos Mário da Silva Velloso, José Carlos Graça
Wagner, Ricardo Lobo Torres;
⇒ Após a inscrição na ⇒ Zelmo Denari;
Dívida Ativa

⇒ Interrupção ⇒ art. 174, § único (é o reinício da contagem do prazo no seu todo)


⇒ I – pela citação pessoal feita ao devedor;
⇒ II – pelo protesto judicial;
⇒ III – por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
⇒ IV – por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do
débito pelo devedor.

• Repetição do ⇒ O CTN usa inadequadamente as expressões tributo, sujeito passivo e fato gerador, pois se há direito a
Indébito Tributário repetição é porque não havia ocorrido fato gerador, nem teria sido constituído crédito tributário, nem surgiria o
sujeito passivo;
⇒ Ocorre, sim, o pagamento de um valor sob a falsa idéia de estar extinguindo um crédito tributário.
⇒ O que norteia a existência desta previsão legal é o princípio do não locupletamento sem causa, que no caso
seria do sujeito ativo;
⇒ O solvens, ou quem entrega o valor a título de pagamento, pode ser tanto contribuinte, quanto responsável.
⇒ A amplitude da restituição em ser total ou parcial posta pelo CTN é imprópria, porque se há restituição, esta
somente pode ser total, porque o que não se pode devolver é devido.

⇒ Prova do erro: ⇒ No direito privado ⇒ deve ser demonstrada;

⇒ No CTN ⇒ basta provar que não existia a obrigação;


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⇒ Matéria de fato: comprova-se o fato;


⇒ Matéria de direito: demonstra-se o direito.

⇒ Tributos ⇒ art. 166, CTN


Indiretos ⇒ Não provando o contribuinte que não transferiu para terceiro a exação, ou que o terceiro
o autoriza reivindicar o indébito, ou que tenha devolvido a terceiro o indébito, não tem
direito à restituição;
⇒ Súmula 546/STF
⇒ Não há direito à restituição o contribuinte, porque melhor o Estado colupletar-se em
proveito da comunidade do que o particular em proveito próprio

⇒ Prazos ⇒ 5 anos ⇒ da extinção do crédito tributário


⇒ da decisão definitiva judicial ou administrativa

⇒ 2 anos ⇒ da decisão administrativa que denegar a restituição

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11.3 - EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO


(arts. 175 a 182)

• Conceito ⇒ Exclui a incidência da norma tributária sobre fato típico tributário

• Isenção ⇒ É sempre decorrente de lei


⇒ As regras de isenção não comportam interpretações ampliativas nem técnicas de
integração;
⇒ Princípio da Anterioridade ⇒ art. 178, CTN
⇒ art. 104, III, CTN
⇒ art. 150, III, “b”, CF

⇒ Quanto à forma ⇒ caráter geral ⇒ não depende de requerimento ou ato administrativo

⇒ caráter ⇒ há necessidade de verificação pela autoriadade


específico administrativa dos requisitos e condições
estabelecidas na lei.
⇒ Quanto à natureza ⇒ onerosas ou condicionadas
⇒ simples

⇒ Quanto ao prazo ⇒ indeterminado


⇒ por prazo certo

⇒ Quanto à área ⇒ amplos


⇒ restritas ou regionais

⇒ Quanto ao elemento ⇒ objetivas = fato gerador


⇒ subjetivas = condições pessoais do destinatário
⇒ mistas

• Anistia ⇒ relativo a penalidades ainda não constituídas em crédito tributário


⇒ impede o surgimento do crédito tributário

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12 – GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO


(Arts. 183 a 193 do CTN)

• Noção  O CTN busca proteger o crédito tributário evitando a frustração de sua cobrança
em caso de execução fiscal;
 Outorga ao crédito tributário privilégios em relação a outros créditos;
 As vantagens concedidas não podem ser dispensadas pelas autoridades
administrativas;

• Responsabilidade patrimonial  Atinge até os bens gravados com cláusula de inalienabilidade e


impenhorabilidade, desde que decorram por disposição de vontade.
pelo crédito tributário
 Não atinge os bens considerados impenhoráveis por disposição legal, tal como o
(Art. 184) da Lei 8.009/80.
Exceções: (denunciadas por Hugo de Brito Machado)
- as contribuições previdenciárias relativas à remuneração devida aos que
trabalham na própria residência (art. 3º, itens I e IV da Lei 8.009);
- dos impostos, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar
(ex.: IPTU);
- aquele que, sabendo-se insolvente, adquire de má-fé imóvel mais valioso para
transferir a residência familiar, desfazendo-se ou não da moradia antiga (ar.t
4º da Lei 8.009).

• Presunção de Fraude  A doutrina é dividida quanto ao momento que inicia-se a verificação de fraude: a
partir da inscrição na Dívida Ativa ou a partir da citação em processo de
(art. 185)
execução fiscal;
 A presunção de fraude só pode ser considerada se o devedor põe em risco a
satisfação do crédito tributário, ou seja, se ele reserva bens suficientes à
satisfação do crédito tributário, não se pode falar em presunção de fraude o ato
de alienação ou de gravação de inalienabilidade ou impenhorabilidade de seus
bens.

• Concurso de preferências  O crédito tributário tem preferência a qualquer outro tipo de crédito, não
importando a data em que ele foi constituído, i.e., mesmo que tenha sido
(Art. 187)
constituído antes do crédito tributário;
 Exceção: crédito trabalhista

• Encargos da massa falida e do  Trata-se das obrigações surgidas após a decretação da falência e, não, as
anteriores, que são da empresa falida, pois a massa falida assuma nova
concordatário
personalidade, podendo realizar atos de lucratividade e negócios jurídicos.
(Art. 188)  Os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos depois da
decretação da falência, ou de concessão de concordata, gozam de preferência
absoluta, ainda que não vencidos;
 preferem inclusive às demais dívidas da massa;
 para contestá-los, a massa falida, ou o concordatário precisa garantir a instância,
o que poderá fazê-lo depositando o valor correspondente, e se não puder garantir
a instância, por esta ou outra forma, reservará bens suficientes à extinção total do
crédito e seus acréscimos;
 o representante da Fazenda Pública credora deve ser ouvido a respeito da
natureza e do valor dos bens reservados.

• Inventário e arrolamento.  O inventariante deve informar todas as dívidas do autor da herança e de seu
espólio;
Liquidações de pessoas
 As fazendas públicas (federal, estadual e municipal) são intimadas a se
jurídicas manifestarem nesses processos;
(Art. 189)

• Exigências de quitações 
(Art. 192)
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13 - A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
(Arts. 194 a 200)

• Fiscalização ⇒ A legislação ordinária regulará em caráter geral ou específico a competência e os poderes da


autoridade administrativa em matéria de fiscalização;
⇒ São aplicáveis a todas as pessoas naturais ou jurídicas;
⇒ Não terá aplicação qualquer dispositivo legal que limite ou exclua o direito do Fisco de
examinar livros, arquivos, mercadorias, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais e
livros contábeis do sujeito passivo;
⇒ Os livros fiscais e contábeis devem ser guardados por 5 anos desde a data do último registro
neles anotado.

• Dívida Ativa ⇒ É o registro inscrito na repartição administrativa de crédito tributário vencido;


⇒ Dá ao crédito tributário a presunção relativa de certeza e liqüidez e tem o efeito de prova pré-
constituída;
⇒ É ato de controle da legalidade do crédito tributário, porque concretizado somente após
esgotado o procedimento administrativo tributário, caso o sujeito passivo impugne.
⇒ Termo de inscrição ⇒ nome do devedor;
⇒ o domicílio ou residência;
⇒ a quantia devida;
⇒ a maneira de calcular os juros de mora;
⇒ a origem e natureza do crédito;
⇒ o dispositivo legal em que se fundamenta;
⇒ a data da inscrição;
⇒ o nº do processo administrativo, se for o caso;
⇒ o livro e a folha de inscrição

⇒ Certidões Negativas de Débito ⇒ A certidão poderá ser exigida como forma de prova de
quitação com o Fisco;
⇒ Deve ser requerida pelo interessado e fornecida em 10
dias;
⇒ A emissão de Certidão Negativa que prejudicar o Fisco,
acarretará em responsabilidade pela dívida, além da
criminal e funcional contra o funcionário que a expediu;
⇒ Dispensa-se a certidão negativa nos casos em que o ato
seja imprescindível para se evitar a caducidade de direito;
⇒ Tem o mesmo efeito a certidão positiva que apresente:
a) créditos lançados e ainda não vencidos;
b) créditos em cobrança judicial, cujo juízo já esteja
garantido com penhora ou depósito judicial;
c) créditos suspensos, conforme possibilidades do CTN;

⇒ Sites na Internet fornecedores de Certidões Negativas:


União http://www.pgfn.fazenda.gov.br
Receita Federal http://www.receita.fazenda.gov.br
INSS http://www.dataprev.gov.br
Fazenda Estadual http://www.sefaz.go.gov.br
Fazenda http://www.goiania.go.gov.br
Municipal
(Goiânia)

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15 – Imposto
(Conteúdo extraído da obra do Prof. Walter Paldes Valério, indicada na Bibliografia)
• Conceito ⇒ “É o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer
atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.” Walter Paldes Valério

• Fundamentos ⇒ Teoria da Troca: o imposto é a retribuição dos serviços públicos (PROUDHON);


Econômicos- ⇒ Teoria do Prêmio de seguro: o imposto é o prêmio de um seguro obrigatório (GIRARDINI);
financeiros ⇒ Teoria do Benefício: o imposto é justo, desde que cada um pague de acordo com o proveito
recebido pelo serviço prestado pelo Estado.
⇒ Teoria do Sacrifício: o imposto significa um sacrifício, sendo cobrado igualmente de todos.
(Stuart Mill);
⇒ Teoria das Faculdades: o imposto representa uma participação dos cidadãos nos gastos
públicos, na proporção de suas faculdades contributivas (ADAM SMITH, HARVEY
WALKER, SELIGMAN)

• Características ⇒ O seu fato gerador é sempre uma situação presumida pelo legislador como reveladora de
capacidade contributiva do cidadão;
⇒ Não corresponde, para o obrigado, uma atividade estatal específica relativa ao contribuinte.

• Regras Clássicas ⇒ Justiça: contribuição proporcional à capacidade contributiva;


⇒ Certeza: conhecer antes o valor a pagar, evitando o arbítrio;
⇒ Comodidade: facilitar para o contribuinte o pagamento do tributo;
⇒ Economia: tributos que não exijam administração dispendiosa;

• Generalidade ⇒ Caráter geral: ⇒ princípio da generalidade;


⇒ deve alcançar a todos;
⇒ tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais

⇒ Caráter Uniforme ⇒ princípio da uniformidade;


⇒ é a medida na qual o contribuinte deve pagar.

• Classificação Critério da reper- Critério do Lançamento Critério da temporalidade da


cussão econômica hipótese de incidência ou fato
gerador
Contribuinte legal determinação prévia pe- São aqueles cujos fatos geradores
DIRETOS não passa adiante o la atividade administra- são permanentes ou que se
valor do imposto tiva do quantum a pagar repetem periodicamente.
O valor do imposto Iniciativa do contri- São aqueles cujos fatos geradores
INDIRETOS é repassado até buinte legal – autolan- são instantâneos ou que possam
chegar no con- çamento – homologação ser isolados no tempo;
tribuinte de fato. posterior pelo Fisco. intermitente.

⇒ Reais: ⇒ São aqueles que se referem à coisa sobre s qual incide o fato gerador,
abstraindo-se a pessoa que a possui;

⇒ Pessoais ⇒ São aqueles que se referem à pessoa, considerando-se suas atividades como
fato gerador;

⇒ Fixos ⇒ São aqueles cujo valor a pagar é fixo e constitui alíquota (ISSQN);

⇒ Proporcionais ⇒ São aqueles cuja alíquota é determinada variando-se apenas o valor da


matéria tributada (ITBI, ICMS, IPI);

⇒ Progressivos ⇒ A alíquota varia conforme varia o valor da matéria tributável, de forma


ascendente;
⇒ Progressão simples ⇒ É uma escala onde cada faixa possui sua alíquota
independente das outras faixas;

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⇒ Progressão graduada ⇒ É uma escala onde cada faixa possui sua alíquota
mas que constitui apenas uma parcela do imposto
devido.

⇒ Regressivos ⇒ São aqueles cobrados em percentuais descentes em relação à matéria


tributável
⇒ Regressão graduada

⇒ Outras ⇒ sobre o capital;


⇒ sobre a renda;
⇒ sobre o consumo;

• Efeitos Econômicos ⇒ Incidência Jurídica

⇒ Incidência Econômica ⇒ Percussão: É o ato inicial e a incidência é o ato final,


alcançando pessoa não cogitada pelo legislador;
⇒ Repercussão: É o processo de transferência da carga tributária até
alcançar o consumidor final, onde realmente
ocorrerá a incidência.
⇒ Incidência final: É quando se finda o processo de transferência da
carga tributária, caindo sobre alguém que não mais
poderá passar adiante;

⇒ Evasão ⇒ É o modo de evitar, retardar ou diminuir a carga tributária


Forma legal: ⇒ O legislador se encarrega (incentivos)

⇒ Sonegação fiscal;
⇒ retardamento até que o Fisco autue.

⇒ Difusão ⇒ É a repartição da carga tributária entre os contribuintes de fato e


legal;

⇒ Amortização

⇒ Absorção ⇒ Ocorre quando o titular do bem durável suporta totalmente o


imposto;

⇒ Capitalização ⇒ Ocorre quando o Fisco reduz ou extingue a alíquota de imposto


sobre bem rentável, proporcionando ao seu titular um ganho.

⇒ Elisão

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Bibliografia
BÁSICA

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.


MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense;
Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66)
COMPLEMENTAR

AMARO, Luciano da Silva. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1997
ATALIBA, Geraldo. Noções de Direito Tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais;
_______. Hipótese de incidência tributária, SP: RT, 1991;
BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 11. ed.,
1999
_______. Limitações constitucionais ao poder de tributar, 7. ed. RJ: Forense, 1997;
BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário, SP: , 1992;
BORGES, José Souto Maior. Lançamento tributário. RJ: Malheiros, 1999;
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 12. ed. São Paulo: Saraiva,
1999.
CARRAZA, Roque Antônio. Curso de direito constitucional tributário, 10ª ed., SP: RT,
1997.
COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Comentários à constituição de 1988 – sistema
tributário. RJ: Forense, 2000.
_______. Curso de direito tributário brasileiro. 2. ed., RJ: Forense, 1999;
DECOMAIN, Pedro Roberto. Crimes Contra a Ordem Tributária. Santa Catarina:Obra
Jurídica;
DENARI, Zelmo. Decadência e Prescrição Tributárias. Rio de Janeiro: Forense;
FANUCCHI, Fábio. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Resenha Tributária;
LIMA, Arnaud de Abreu. Do Processo Tributário. São Paulo: Resenha Tributária;
MARTINS, Ives Gandra da Silva. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva.
NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva;
SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de Legislação Tributária. Rio de Janeiro:
Financeiras;
TORRES, Ricardo Lobo, Tratado de Direito Constitucional Financeiro e Tributário (os
direitos humanos e tributação). Rio de Janeiro: Renovar, 1999, v. III;
_______. Curso de direito financeiro e tributário. RJ: Renovar, 1993;
VALÉRIO, Walter Paldes. Programa de Direito Tributário: parte geral. Porto Alegre:
Sulina;
XAVIER, Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo
tributário. RJ: Forense, 1997.

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INTERNET

Escritórios:

http://www.jus.com.br - Jus Navigandi;


http://www.direitonaweb.adv.br - Direito na WEB;
http://www.tributarista.com.br - Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário;
http://www.haradaadvogados.com.br - Escritório do Prof. Kiyoshi Harada;
http://www.hugomachado.adv.br - Escritório do Prof. Hugo de Brito Machado
http://www.iga-idepe.org.br – Instituto Geraldo Ataliba
http://www.uj.com.br - Universo Jurídico
http://www.conjur.com.br – Consultor Jurídico
http://www.pinheironeto.com.br – Pinheiro Neto Advogados
http://www.dji.com.br – DJI – Direito & Justiça Informática Ltda.
http://www.oab-go.com.br - Ordem dos Advogados do Brasil no Estado de Goiás
http://www.argumentum.com.br – Argumentum Jurídico
http://www.cbeji.com.br/br – Centro Brasileiro de Estudos Jurídicos da Internet

Governo:

http://www.pge.go.gov.br/ - Procuradoria Geral do Estado de Goiás


hhtp://www.pgfn.fazenda.gov.br – Procuradoria Geral da Fazenda Nacional
http://www.sefaz.go.gov.br – Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás
http://www.goiania.go.gov.br – Prefeitura Municipal de Goiânia
http://www.receita.fazenda.gov.br – Receita Federal
http://www.planalto.gov.br – Presidência da República
http://www.goias.gov.br – Governo do Estado de Goiás
http://www.senado.gov.br – Senado Federal
http://www.camara.gov.br – Câmara dos Deputados

Tribunais:

http://www.stf.gov.br – Supremo Tribunal Federal


http://www.stj.gov.br – Superior Tribunal de Justiça
http://www.trf1.gov.br – Tribunal Regional Federal da 1ª Região
http://www.tj.go.gov.br – Tribunal de Justiça do Estado de Goiás

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