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Teologia Brasileira - Artigo: A importância da Hermenêutica Bíblica - Parte 1 Page 1 of 5

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A importância da Hermenêutica Bíblica - Parte 1 Corpo editorial Edição atual
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Palestra proferida no Seminário Teológico do Betel Brasileiro na ocasião do lançamento da obra: A Espiral Hermenêutica (Edições Vida
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Começarei falando da necessidade da hermenêutica bíblica. Como Osborne em seu livro A Espiral História da igreja

Hermenêutica, eu acredito sim que o propósito da hermenêutica é nos levar finalmente à pregação da
Palavra de Deus. Contudo, antes de pregarmos, precisamos interpretar as Escrituras. Não é simplesmente
abrir a Bíblia e dizer o que ela está dizendo. Nem todo mundo se apercebe do fato de que a leitura de
qualquer texto sempre envolve um processo de interpretação. Ou seja, não é possível compreender um Palavra:
texto, qualquer que seja, sem que haja antes um processo interpretativo ― quer esse texto seja um jornal, OK
quer seja a Revista Veja, quer seja a Bíblia. A leitura sempre envolverá um processo de interpretação ―
ainda que esse processo seja inconsciente e nem sempre as pessoas estejam alertas para o fato de que Articulista:
um processo de compreensão está em andamento. A Bíblia é um texto. Ela é a Palavra de Deus, mas ela Alcindo Almeida OK
é um texto. Como tal, ela não foge a essa regra.

Cada vez que abrimos a Bíblia e a lemos procurando entender a mensagem de Deus para anunciá-la em
nossa pregação, nos engajamos em um processo de interpretação, de maneira consciente ou não. Como
Palavra de Deus, a Bíblia deve ser lida como nenhum outro livro, já que ela é única. Não há outra Palavra 1º Educação Teológica e Missão: uma
resposta ao artigo de Jung Mo Sung
de Deus. No entanto, como ela foi escrita por seres humanos, deve ser interpretada como qualquer outro por: Franklin Ferreira
livro. Nesse sentido, a Bíblia se sujeita a regras gerais da hermenêutica e da interpretação, que fazem
parte daquilo que é lógico e tem sentido dentro da nossa realidade. Ou seja, quando nós refletimos no fato 2º Desintoxicação Sexual
por: Augustus Nicodemus
de que a Bíblia é um texto ― sujeita a regras gerais de interpretação ―, temos um texto que está distante
de nós por causa da sua idade, das línguas originais, do diferente contexto cultural. Tudo isso faz com que 3º Batman - Cavaleiro das trevas: Uma
análise teo-referente
a leitura da Bíblia requeira um esforço consciente de interpretação. É diferente, por exemplo, de você por: Rômulo A. T. Monteiro

pegar a Revista Veja ou Estadão e ler. Quando você se aproxima da Bíblia, está se aproximando de um
4º Aborto de Anencéfalos: A presença
velada do totalitarismo
texto antiquíssimo que foi produzido em outro contexto e em línguas, que não são faladas atualmente.
por: Jonas Madureira
Além disso, foi escrito para responder a perguntas que nem sempre são as mesmas perguntas de hoje.
Daí a necessidade de interpretação de todo um processo consciente de hermenêutica. 5º Opor:pastor do século 21
Isaltino G. Coelho Filho

Dessa forma, desejo falar desse fenômeno que nós chamamos de distanciamento, a partir de duas
perspectivas. Primeiro, a Bíblia como um texto, como um livro, não caiu pronta do céu — embora se
pensasse assim em determinada época. Ela foi escrita por pessoas diferentes, em épocas diferentes,
línguas e lugares distintos. Por isso, é um texto distante de nós. Aqui é que entra o que os teóricos da
hermenêutica chamam de distanciamento. No caso da Bíblia, esse distanciamento aparece em algumas
áreas.

O primeiro distanciamento é o temporal. A Bíblia está distante de nós há muitos séculos. Seguindo a
postura do cânon tradicional, o último livro foi escrito por volta do final do século I da Era Cristã. Para os
liberais, o último livro teria sido escrito no século II, mas normalmente a data que se atribui é a do final do
século I ― o que, portanto, nos separa temporalmente da Bíblia cerca de 2 milênios. Assim, não devemos
pensar que um livro de 2000 anos pode ser lido como quem lê a Revista Época, em que a última edição
saiu no sábado passado. Há esse fenômeno do distanciamento temporal, que precisa ser levado em
consideração.

Em segundo lugar, há um distanciamento contextual. Os livros da Bíblia foram escritos para atender a
determinadas situações. Várias delas já se perderam no passado. Por exemplo, o uso do véu não é um
problema nosso aqui no Brasil. O ataque do próprio gnosticismo nas igrejas da Ásia Menor, o contexto de
invasão do profeta Habacuque, o propósito de Marcos, a antipatia dos judeus para com os ninivitas na
época de Jonas, todas essas situações distintas produziram a literatura que depois se tornou canonizada,
e que nós chamamos de Escritura. Várias dessas situações nos são estranhas, não existem hoje. Dessa

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forma, além de ser um livro que foi escrito há 2000 anos, foi um livro escrito para atender a determinados
problemas que não são os mesmos enfrentados hoje.

Em terceiro lugar, há o distanciamento cultural. O mundo que os escritores da Bíblia viveram não existe
mais. Ele está em um passado distante, com suas características, sua cosmovisão, seus costumes,
tradições e crenças. Nós vivemos hoje em um Brasil de tradição ocidental, influência europeia, americana
e uma série de outras influências de um mundo completamente estranho àquele em que viveram os
autores do Antigo Testamento e do Novo Testamento.
Em quarto lugar, temos o distanciamento linguístico. As línguas em que a Bíblia foi escrita também não
mais existem. Já não se fala mais o hebraico bíblico, o grego koiné ― mesmo nos países onde a Bíblia foi
escrita. Então, essas línguas já não são mais faladas ou conhecidas, a não ser através de estudo.

Em quinto lugar, nós temos o distanciamento autorial. Nós devemos ainda reconhecer que teríamos uma
compreensão mais exata da mensagem se os autores da Bíblia estivessem vivos. Eu, por exemplo,
gostaria de pegar o celular e ligar para Pedro e perguntar para ele o que ele quis dizer quando afirma que
Jesus foi pregar aos espíritos em prisão, ou ligar para Paulo e perguntar o que ele quis dizer quando ele
fala dos que se batizam pelos mortos, ou ainda o que Mateus quis dizer quando registrou a frase em que
Jesus afirma que não cessariam de percorrer todas as cidades de Israel antes que viesse o Filho do
homem. Eu gostaria de pegar o celular ou mandar um e-mail para os autores da Bíblia e tirar algumas
dúvidas. Isso não é possível a não ser que você seja espírita e faça uma sessão de invocação de mortos.

Portanto, esse distanciamento faz com que os pregadores, antes de qualquer coisa, sejam hermeneutas.
Eles têm que ser intérpretes. Eles têm que estar conscientes de que estão transmitindo o sentido de um
texto antiquíssimo e distante de nós em uma realidade completamente diferente. É nesse ambiente que
nós afirmamos que interpretar é tentar transpor o distanciamento em suas várias formas de chegar ao
sentido original do texto ― à intenção do autor ― com o objetivo de transmitir o significado para os dias de
hoje. É aqui que reside a tarefa hermenêutica.

Por outro lado, a Bíblia também é um livro divino, e esse fato faz com que também o fenômeno do
distanciamento apareça. Por exemplo, o distanciamento natural: a distância entre Deus — o autor último
das Escrituras — e nós é imensa. Ele é Senhor, o criador de todas as coisas no céu e na terra. Nós somos
suas criaturas imitadas, finitas. A nossa condição de seres humanos impõe limites à nossa capacidade de
entender e compreender as coisas de Deus, ainda que reveladas em linguagem humana. Existe um
distanciamento natural entre nós e o texto bíblico pelo fato de que ele é a Palavra de Deus, é a revelação
de Deus. Ele é “totalmente outro”, a alteridade de Deus. A diferença entre Deus e nós faz com que a sua
revelação careça de estudo, de aproximação da maneira certa.

Além do distanciamento natural existe o distanciamento espiritual, porque somos criaturas pecadoras,
caídas, e o pecado impõe limites ainda maiores à nossa capacidade de interpretação da Bíblia. É o que
nós chamamos de limitações epistemológicas. O pecado afetou não somente a nossa vontade, não
somente os nossos desejos, a nossa capacidade de decidir, mas também afetou a nossa capacidade de
compreender as coisas de Deus. Isso explica a grande diferença de interpretação que existe entre crentes
verdadeiros que estão salvos pela graça de Deus em Cristo Jesus, mas simplesmente não conseguem
concordar na interpretação de determinadas passagens.

Há também o distanciamento moral, que é a distância existente entre seres pecadores e egoístas, e a pura
e santa Palavra de Deus que nós pretendemos entender e pregar. Essa corrupção acabou introduzindo à
interpretação da Bíblia motivações incompatíveis com ela. Por exemplo, a Bíblia já foi usada para: justificar
a escravidão; provar que os judeus deveriam ser perseguidos; provar que os judeus deveriam ser
defendidos; provar que os protestantes brancos são uma raça superior; executar bruxas; impedir o
casamento de padres; justificar o aborto; justificar a eutanásia; justificar e promover os relacionamentos
homossexuais; proibir a transfusão de sangue. O catálogo é imenso do que tem sido usado como
motivação de agendas diversas e variadas.

Tudo isso evidencia que não é tão simples assim o que a maioria das pessoas pensa sobre “como” pregar
a Bíblia.

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AUTOR

Augustus Nicodemus
É paraibano e pastor presbiteriano. É bacharel em teologia pelo
Seminário Presbiteriano do Norte (Recife), mestre em Novo Testamento
pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor
em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA),
com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). Foi professor
e diretor do Seminário Presbiteriano do Norte (1985-1991), professor de
exegese do Seminário JMC em São Paulo, professor de Novo Testamento
do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (1995-2001),
pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife (1989-1991) e pastor da
Igreja Evangélica Suiça de São Paulo (1995-2001). Atualmente é chanceler
da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja
Presbiteriana de Santo Amaro. É autor de vários livros, entre eles O que
você precisa saber sobre batalha espiritual (CEP), O culto espíritual
(CEP), A Bíblia e Sua Familia (CEP) e A Bíblia e Seus Intérpretes (CEP). É
casado com Minka Schalkwijk e tem quatro filhos Hendrika, Samuel,
David e Anna.

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