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A NAÇÃO OMOLOKO

Certos da importância da cultura negra e ameríndia em nosso país, decidimos


compartilhar as informações que foram pesquisadas sobre o ritual religioso conhecido como
Nação de Omoloko. Como em todas os rituais que compõem a religião afro-ameríndia-
brasileira, há variações entre uma casa de culto e outra onde o ritual de nação Omoloko é
praticado.

A importância de se conhecer um pouco desse ritual está ligada a própria história do NEGRO e
do ÍNDIO em nosso país. Tradicionalmente européia, Santa Catarina registra em seu passado
histórico um forte domínio da cultura branca, a começar pelos próprios portugueses açorianos
que povoaram o litoral sul do Brasil, além é claro dos alemães e italianos, hoje fortemente
representados e reconhecidos em todo território nacional pelas festas de outubro.

Onde entram as parcelas Negra e Ameríndia na formação cultural do Sul do Brasil. Partindo
de uma pesquisa sobre a cultura afro-brasileira da Grande Florianópolis, decidimos tornar
público o material pesquisado, possibilitando uma viagem pela história que até pouco tempo
era contada sem a preocupação do registro formal, tão necessário para a sua permanência na
posteridade. Durante a pesquisa realizada sobre os rituais afro-brasileiros existentes na
Grande Florianópolis, identificamos a Umbanda como sendo a prática ritualística mais
tradicional ainda em atividade. Ela apresenta-se com diversas sub-denominações para seus
rituais entre as quais Umbanda de Omoloko. O Omoloko, apresenta-se como um segmento de
origem africana que surgiu no Brasil oriundo de uma miscigenação que ocorreu na época da
escravidão. Afinal, os rituais religiosos que encontramos atualmente nos terreiros são heranças
de um tempo onde a cultura negra era envolvida num sincretismo que unia os orixás africanos
aos santos católicos. Nas senzalas, a cultura negra ricamente representada era mantida de
forma original aos olhos dos negros e paramentada com formas e objetos que pudessem
satisfazer os interesses dos senhores donos das terras. Como relatam inúmeros autores que
escreveram sobre religião afro-brasileira, por baixo das imagens de santos católicos estavam
"assentados" os Orixás.

O Omoloko é originário do Rio de Janeiro, que também serviu de berço para o surgimento da
Umbanda, conforme relatam alguns estudiosos. No Rio de Janeiro, antes mesmo da origem
oficial da Umbanda (1908), já eram comuns práticas afro-brasileiras similares ao que hoje
conhecemos como Cabula e Omoloko. A cultura de um país é avaliada pelos reflexos
conjunturais das atividades: científicas, artísticas e religiosas de um povo. Evidentemente essa
cultura foi adquirida aos poucos, advindas de outras culturas através dos séculos. Segundo
Tancredo da Silva Pinto, Tatá Ti Inkice, em seu livro Culto Omoloko - Os Filhos de Terreiro -
Omoloko é uma palavra yoruba, que significa: Omo - filho e Oko - fazenda, zona rural onde
esse culto, por causa da repressão policial que havia naquela época, os rituais eram realizados
na mata ou em lugar de difícil acesso dentro das fazendas dos donos de escravos. Talvez por
causa disso hoje temos as denominações de “terreiro e roça” para os lugares onde os cultos
afro-brasileiros são realizados. Nesse culto os orixás possuem nomes yoruba (Nagô), até seus
Oriki (tudo aquilo que se relaciona ao Orixá) e seu Orukó (nome) são trazidos através do jogo
de búzios ou Ifá. Seus assentamentos parecem-se com os do candomblé Nagô. Os Exus
também são feitos de argila a semelhança de uma pessoa ou então simbolicamente em ferro.
Podemos relacionar o significado da palavra Omoloko também ao Orixá Okô, a deusa da
agricultura, que era adorado nas noites de lua nova pelas mulheres agricultoras de inhame.
Antigamente, o Orixá Oko era muito cultuado no Rio de Janeiro. Esse Orixá era assentado junto
com Oxossi, o que viria dar maior consistência a origem do culto Omoloko que é fortemente
influenciado por Oxóssi. O culto a Oxóssi é o que melhor marca o contexto religioso dos negros
afro-brasileiros, bastando que para isso notarmos o destaque dado ao culto de caboclo, que
está intrinsecamente ligado a Oxossi. Também segundo o Tatá Ti Inkice Tancredo da Silva
Pinto, considerado o organizador do culto Omoloko no Brasil, na África, os sacerdotes do culto
Omoloko realizavam suas liturgias em noites de lua cheia sob a copa de uma frondosa árvore
carregada de frutos parecidos com maçã. Segundo ele, o culto Omoloko chegou ao Brasil
proveniente do sul de Angola, onde era praticado por uma pequena nação pertencente ao
grupo Lunda-Quiôco que ficava as margens do rio Zambeze, que chamavam Zâmbi e que lhes
fornecia alimentação no período das cheias.

Quem foi Tancredo da Silva Pinto, considerado o organizador do culto Omoloko no Brasil?

Tancredo da Silva Pinto, Tatá Ti Inkice, nasceu no dia 10 de agosto de 1904, no Município de
Cantagalo-RJ. Ainda na adolescência foi morar na cidade do Rio de Janeiro, na época Distrito
Federal. Seus pais eram Belmiro da Silva Pinto e Edwiges de Miranda Pinto, e seus avós
maternos eram Manoel Luiz de Miranda e Henriqueta Miranda. Seu avô fundou os primeiros
blocos carnavalescos da localidade Avança” e “Treme Terra” e o “Cordão Místico”, uma
mistura de caboclo com ritual africano, no qual uma tia sua chamada Olga saía fantasiada
como Rainha Ginga, rainha do antigo reino de Matamba. Em 1950, fundou a Federação
Umbandista de Cultos Afro-Brasileiros para resistir as grandes perseguições que a Umbanda
sofria em diversos Estados brasileiros. Fundou Federações nos Estados de Minas Gerais, Rio de
Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, entre outras, objetivando organizar e dar
maior respeitabilidade e personalidade aos cultos afro-brasileiros. Com o intuito de divulgar os
cultos afros, criou as festas religiosas de Yemanjá, no Rio de Janeiro; a festa a Yaloxá, em
Pampulha e Cruzandê, em Minas Gerais; a festa do Preto Velho, em Inhoaíba, homenageando
a grande yalorixá Mãe Senhora, na cidade do Rio de Janeiro; festa de Xangô em Pernambuco; o
evento “Você sabe o que é Umbanda?”, realizado no Estádio do Maracanã, na Administração
do Dr. Carlos Lacerda, e, finalmente a Festa da Fusão do Estado do Rio de Janeiro com o Estado
da Guanabara, realizada no centro da Ponte Rio-Niterói. Recebeu em Sessão Solene na Câmara
Estadual do antigo Estado da Guanabara e também da Câmara Municipal de Itaguaí, o Título
de Cidadão Carioca, pelos serviços prestados em favor do povo umbandista. Tancredo
escreveu mais de trinta obras literárias divulgando a Umbanda, entre elas: Iyao, Camba de
Umbanda, Catecismo de Umbanda, Negro e Branco na Cultura Religiosa Afro-Brasileira, As
Mirongas de Umbanda, Cabala Umbandista, Doutrina e Ritual de Umbanda no Brasil, Revista
Mironga, entre outras. Tancredo da Silva Pinto foi sepultado no dia 02 de setembro de 1979,
às 15:00hs, na quadra 70, carneiro 3810, no Cemitério de São Francisco Xavier, à Rua Pereira
de Araújo, nº. 44, no Rio de Janeiro-RJ. As despedidas ao corpo de Tancredo foram realizadas
no Ilê de Umbanda Babá Oxalufan, situado a Avenida dos Italianos nº.1120 em Coelho Neto,
onde seu corpo foi velado. No livro de registro de filhos de santo estão registrados mais de
3.566 filhos de santos que foram iniciados pelo Tatá Ti Inkice. O Sirum (Axexê), cerimônia de
encomenda do corpo de pessoa falecida foi realizado por José Catarino da Costa, conhecido
como Zé Crioulo, filho de Xapanam e confirmado como Ogan Kalofé no Terreiro de Tio Paulino
da Mata e Tia Olga da Mata.

O motivo que levou Tancredo a criar federações umbandistas para defender os direitos
dos cultos afro-brasileiros desenrolou-se na casa de santo de sua tia Olga da Mata. Estando em
casa de sua tia Olga da Mata, na Avenida Nilo Peçanha, 2.153, em Duque de Caxias, onde
funcionava o Terreiro São Manuel da Luz. Lá, Xangô manifestou-se e disse: “Você deve fundar
uma sociedade para proteger os umbandistas, a exemplo da que você fundou para os
sambistas, pois eu irei auxiliá-lo nessa tarefa”. Após esse fato, ele fundou a Confederação
Umbandista do Brasil, usando parte do pagamento recebido pelo direito autoral do samba
“General da Banda”, gravado por Bleckaute e ajudou a fundar em outros estados outras
federações umbandistas para defender os direitos dos cultos afro-brasilieiros. Segundo
Tancredo da Silva Pinto, a primeira sociedade umbandista criada para defender os direitos dos
umbandistas no Rio de Janeiro e no Brasil foi a União, fundada em 1941. Segundo ele, naquela
época, devido às perseguições policiais, os cultos eram acompanhados por bandolim,
cavaquinho e órgão, porque não era permitido tocar tambor (atabaques). No Rio de Janeiro, os
cultos afro-brasileiros foram professados dessa maneira até 1950. Coisa semelhante acontecia
nos terreiros de Umbanda em Florianópolis, onde as giras eram acompanhadas por palmas e
eram realizas quase sempre em horários alternados entre a tarde e à noite.

Em Belo Horizonte, foi institucionalizado o dia 10 de agosto como sendo o dia


consagrado a Nação Omoloko, conforme registro em Ata elaborada em reunião realizada à Rua
Conde Déu nº.422, Bairro Vera Cruz, Belo Horizonte, na sede da Fraternidade para Estudos e
Práticas Mediúnicas, presidida pelo Dr. Wamy Guimarães, Okala de Xangô e filho de santo do
Tatá Tancredo.

A bandeira que representa a Nação Omoloko acha-se em exposição na Tenda Espírita


Três Reis de Umbanda, à Rua Basílio de Brito, 43, Cachambi, Méier, Rio de Janeiro. Esta
bandeira, trazida da África pelo Dr. Antônio Pereira Camelo, foi enviada por um Tatá Zambura
da Guiné para que fosse entregue a Tancredo da Silva Pinto. A bandeira é na cor verde garrafa,
com o desenho de uma pena branca no centro e uma linha longitudinal branca partindo do
canto esquerdo superior para o canto direito inferior da bandeira, que mede
aproximadamente 50x50 de cumprimento e largura.

Pesquisas mais recentes dão conta de que a origem do nome Omoloko pode também
estar ligado ao povo Loko, que era governado pelo rei Farma, no Sertão de Serra Leoa. Ele foi o
rei mais poderoso entre todos os Manes. Sua cidade chamava-se “Lokoja” e localizava-se a
margem do Rio Mitombo, afluente do rio Bênue, que por sua vez é afluente do grande rio
Niger. Lokoja ficava próxima do reino Yoruba. O povo Loko também era conhecido pelos
nomes de Lagos, Lândogo e Sosso. O nome “Loko” foi primeiramente registrado em 1606.
Também há registro de desse povo com o nome de Loguro. Os Lokôs viveram até 1917 a
oriente dos Temnis de Scarcies. De acordo com pesquisas realizadas, a tribo Loko estava dívida
em tribos menores ao longo dos Rios Mitombo, Bênue e Níger, e no litoral de Serra Leoa. Em
1664, o filho do rei Farma foi batizado com o nome de D. Felipe. Evidentemente torna-se claro
que o princípio da sincretização afro-católica já acontecia na África antes da vinda dos
africanos ao Brasil. Acredita-se que a Tribo Loko pertencia a um grupo maior chamado Mane, e
que os povos dessa tribo vindos escravizados para o Brasil formaram o que hoje conhecemos
como Nação Omoloko. Os povos mane tinham por costume usar flechas envenenadas e arcos
curtos, espadas curtas e largas, azagaias, dardos e facas que traziam amarrados embaixo do
braço. Para combater o veneno de suas flechas, em caso de acidente, usavam uma bolsinha
com um antídoto. Avisavam os seus inimigos o dia em que iriam atacá-los através de palhas -
“tantas palhas, tantos dias para o ataque”. Traziam no braço e nas pernas manilhos de ouro e
prata. Também eram amigos dos brancos que invadiram a África Negra. Adoravam
assentamentos de deuses e ídolos de madeira em figura de homem e animais. Quando não
venciam as guerras açoitavam os ídolos e quando as batalhas eram vencidas eles ofereciam
aos deuses comidas e bebidas. Chamavam as mulheres de “cabondos” e tinham como marca a
ausência dos dois dentes da frente.

Em Florianópolis, talvez o único terreiro de Nação Omoloko existente na cidade seja a


Tenda Espírita de Umbanda Juraciara, onde ritual de feitura é proveniente de uma pequena
tribo chamada Arigole, que conforme pesquisas bibliográficas pertencia ao grande grupo dos
Lunda-Quiôco. Contudo, o ritual de maneira geral, sofreu, como todos os outros no Brasil,
influências dos Cultos Yoruba e Gêge na culinária, na liturgia dos rituais sagrados aos orixás, a
introdução de novos Orixás ao cultos, no vocabulário.... Os africanos yoruba foram um dos
últimos grupos afro a vir para o Brasil. Talvez por causa deste fato sua cultura religiosa
predominou sobre as demais, influenciando às culturas minoritárias já existentes,
escravizadas, aqui no Brasil. A Tenda Espírita de Umbanda Juraciára funciona na Ilha de Santa
Catarina, hoje também conhecida como “Ilha da Magia” em Florianópolis, e é proveniente da
Tenda Espírita de Umbanda São Sebastião que ficava no continente, no Bairro de Coqueiros,
também em Florianópolis. Este terreiro foi um dos primeiros a ser estruturado em hierarquia
sacerdotal em Florianópolis. A Yalorixá da Casa chamava-se Juracema Rodriguês, e era
proveniente do Rio Grande do Sul, feita no ritual de Nação (Batuque).

O SIGNIFICADO DO TERMO OMOLOKO

Algumas vezes tenho sido inquirido com a pergunta: “Omoloko é Umbanda ou


Candomblé? “ A resposta só poderia ser uma única: Omoloko é ambas. Umbanda porque
aceita em seus rituais o culto ao Caboclo e ao Preto-Velho. Candomblé porque cultua os Orixás
africanos com suas cantigas em Yoruba ou Angola, pois como já disse anteriormente esse ritual
foi fortemente influenciado pelas duas culturas. Como pode-se ver, o ritual Omoloko não
poderia ser encaixado no grupo dos Candomblés chamados tradicionais, aqueles que cultuam
somente orixás africanos, pelo motivo de que no Omoloko são cultuados os Caboclos e Pretos-
Velhos. Porém pode ser encaixado nos candomblés não-tradicionais, isto é, aqueles que
cultuam orixás africanos e Caboclos e Pretos-Velhos. Também como pode-se notar, a Nação
Omoloko poderia ser encaixada no grupo chamado Umbanda, uma vez que se cultua Caboclos
e Pretos-Velhos, entidades genuinamente de Umbanda e há uma forte sincretização católica.
Ele encaixa-se também como Umbanda quando se refere a um grande grupo religioso, a
Religião de Umbanda. Então nesse momento o povo de Omoloko se auto intitula umbandista,
cujo culto é voltado aos Caboclos e Pretos-Velhos e que sigam a doutrina de amor ao próximo.

OS SACRIFÍCIOS E OFERENDAS NA NAÇÃO OMOLOKO.

Uma forte característica de alguns rituais africanos é a realização de sacrifício de animais


flores para os Orixás, herança trazida pelos negros escravos e mantida ainda hoje no Brasil,
principalmente nos terreiros de Candomblé. Essas atividades são geralmente realizadas em
sessões internas envolvendo apenas os membros efetivos dos terreiros (filhos de santo), sem
espectadores (assistência) externos. Nessas cerimônias só é permitido a presença de iniciados
no culto e que tenham um grau hierárquico dentro do terreiro. Dentre os animais utilizados
nas chamadas oferendas ou obrigações, são utilizadas aves (galinha, patas...) e animais
quadrúpedes (cabras, bodes, coelhos, carneiro...). Entretanto essas atividades chamadas de
"Obrigação de Santo" só acontecem em casos de iniciação sacerdotal ou em outras ocasiões
muito especiais. A importância e necessidade desses rituais está no fato de se acreditar na
troca de energias entre os seres humanos e os outros seres da natureza, pois somos, todos,
parte da natureza e precisamos reavivar dentro de nós o Orixá que todos trazemos como
herança da própria África e recarregar nossa energia espiritual. Sacrifica-se um animal para
que através do plasma sanguíneo possa o Orixá tomar forma e assim passar a coabitar no
corpo físico e espiritual do futuro filho de santo. Era assim que os nossos ancestrais faziam na
África e assim o fazemos aqui no Brasil, pois essa é a nossa forma mais próxima de mantermos
viva essa força maior e de grande ligação ancestral, que é o Orixá Divinizado em pensamento e
forma..." É nesse momento que o Orixá do médium é invocado e se faz presente,
possibilitando uma maior interação entre o iniciado e o Orixá dono de sua cabeça (Ori ®
Cabeça / Xá ® guardião).

Inúmeras são as bibliografias que de alguma forma questionam o uso de obrigações em que
são utilizados animais como oferendas. É muito comum relacionar a prática de sacrifício de
animais a fase primitiva dos negros oriundos do continente africano. Talvez, fosse essa a
linguagem usada por aqueles que num passado histórico, condenaram a prática afro/religiosa,
alegando um primitivismo que não cabia a "nova" fase do país em formação e com forte
predomínio da cultura branca européia. É claro que, visto de um ângulo que não seja o
africano, essas obrigações parecem ser retrógradas, tendo em vista a atual "modernização"
com a qual convivemos. Porém, percebe-se uma certa convicção quanto ao "cortar" para o
Orixá.

ETAPAS EVOLUTIVAS DE UM FILHO DE SANTO NA NAÇÃO OMOLOKO

Na Nação Omoloko, a primeira obrigação que um filho de santo faz é o EBÓ. O que é
Ebó? Ebó é uma obrigação de limpeza material e espiritual. É uma obrigação muito simbólica,
pois marca a passagem dele da vida mundana para ingressar na vida espiritual onde será
iniciado para ser um sacerdote de culto afro-brasileiro. Após o filho de santo fazer o Ebó ele
passa a ter o nome de “Abiã”, aquele que foi iniciado. Após o Ebó o filho de santo fica
recolhido no Roncó por um período de 24 horas. Para repousar sua mente e corpo. Isolando
ele poderá ter o seu primeiro contato íntimo com o seu orixá.
A segunda obrigação que o filho de santo fará é a COFIRMAÇÃO DE BATISMO. Nesta
obrigação o filho de santo fica escolhe um padrinho e uma madrinha que representarão seu
padrinho de batismo, se estes não puderem comparecer à cerimônia. No Omoloko acredita-se
que o Batismo é realizado uma única vez na vida e pode ser feito em qualquer, realizado
quando a criança nasce, mas ele poderá ser reforçado ou confirmado no terreiro. Nesta
obrigação o filho de santo recebe a sua primeira guia, a guia branco-leitoso de Oxalá. Nesta

Obrigação o filho de santo não precisa ficar recolhido no Roncó; ele terá apenas que guardar
sua cabeça do sol e do sereno durante 24 horas.

A terceira obrigação é a CATULAÇÃO. Nesta obrigação o Abiã que está sendo iniciado é
recolhido ao Roncó durante 24 durante. Catulação significa “Abrimento de Coroa” e a sua
finalidade é abrir a passagem da mediunidade do abiã. Ou seja, tornar o filho de santo mais
receptivo para receber as vibrações dos Orixás. A catulação é acompanhada de um
sacudimento (ebó de limpeza) que é realizado antes do filho de santo ser recolhido ao Roncó e
é feito um jogo de búzios para verificar o Orixá do filho que será recolhido.

A quarta obrigação é o CRUZAMENTO. A finalidade do Cruzamento é fechar o corpo do abiã


contra todas as formas de energias negativas. Ela inicia com um sacudimento (ebó) e um
banho de ervas de preferência de ervas do Orixá do abiã, se já se tiver certeza se o mesmo é
realmente o dono do Ori do abiã que está em obrigação. Nesta obrigação o abiã é recolhido
também por 24 horas ao Roncó. Em sua saída do Roncó ele receberá a sua segunda guia, a guia
do Orixá dono do Ori.

A quinta obrigação é chamado OBORÍ. Esta obrigação serve para reforçar as energias do filho
de santo e realizar o assentamento em apotí do primeiro orixá do iyaô e o recebimento de sua
2ª guia. A guia de seu primeiro orixá, ou seja, o dono do orí. O Obori divide-se em três tipos:
Obori frio, feito com água e comidas dos orixás; Obori de dois pés - feito com aves; Obori de 4
pés - feito com animal quadrúpede. Esses Oborís serão aplicados pelo sacerdote conforme a
necessidade e condições gerais do abiã. Nesta obrigação o abiã será recolhido também por 24
horas, mas terá um resguardo e a ser cumprindo em sua casa (dormir na esteira, usar branco,
não pegar sereno nem sol desnecessariamente...) por um período de quinze (15) dias. Após
essa obrigação, o filho de santo passa a ser chamado de iyaô, aquele que foi entregue ao
Orixá, e também dará uma pequena festa em homenagem ao seu Orixá e a sua ascensão
dentro do ritual.

A sexta obrigação é chamada de SETE LINHAS. Esta obrigação é precedida de um ebó e


será concluída com o assentamento do segundo orixá do iyaô e com o recebimento da 3ª guia.
A guia do seu segundo orixá, ou seja, o orixá de “juntó” e receberá também a Guia de Sete
Linhas, que é um colar que representará a sua posição dentro do ritual por sua confecção
específica e pela forma que ela é usada. Na Obrigação de Sete Linhas o iyaô ficará recolhido no
Roncó durante três (3) dias e terá que cumprir um resguardo de 30 dias domingo na esteira,
usando branco, não pegando sol e sereno desnecessário.... Nesta fase o iyaô receberá o título
Babakekerê ou Yákekerê. E passará a ser chamado pelo Sunan referente ao seu primeiro orixá.
Nesse estágio o Babákekerê ou Yákekerê já poderá iniciar filhos de santo, mas sob a supervisão
obrigatória do seu Babalorixá ou Yálorixá.

A sétima obrigação e última é a CAMARINHA. Nesta última obrigação o Babákekerê /


Yákekerê receberá o grau de Babalorixá ou Yálorixá, podendo agora iniciar seus próprios filhos
de santo e abrir sua própria casa de santo. Neste estágio o filho de santo, já Babalorixá /
Yálorixá, poderá iniciar seus filhos sem a presença obrigatória do seu Babalorixá / Yálorixá, mas
deverá sempre respeito e obediência ao seu iniciador e com a casa de santo de onde se
originou. Nesta obrigação o filho de santo será recolhido no roncó do terreiro durante sete (7)
dias; receberá seu Colar de Ifá; sua Guia de Babalorixá/Yálorixá que tem característica de uso e
confecção especial; terá de cumprir novamente mais vinte e um (21) dias de resguardo. Nessa
fase o filho de santo poderá assentar seu orixá em ferro, se o desejar ou então deixá-lo no
apotí, se assim o preferir. Essa obrigação inicia com um ebó e se concluirá com uma grande
festa de comemoração.

OS ORIXÁS NO CULTO DE OMOLOKO

Quem são os Orixás? Esta é uma pergunta que a maioria das pessoas que frequentam
cultos afro-brasilieiros fazem a si mesmos e a outros. Orixás são entidades espirituais, dizem
uns. Orixás são forças da natureza, dizem outros. Orixás são espíritos de mortos que
dependendo do lugar onde morreu pode retornar na forma espiritual como Ogum, se morreu
em batalhas, Povo d`Água se morreu no mar, rio ou lago, ou ainda “orixás são os Encantados”,
dizem outros. Todas as alternativas podem estar certas, contudo elas sofrem o inconveniente
de ser muito superficiais, haja vista que o orixá deve ser algo muito mais complexo. Para os
seguidores dos rituais de Omoloko e Almas e Angola, os orixás além de simples forças da
natureza ou entidade espirituais, dividem-se em duas categorias - Orixá Maior e Orixá Menor.

Orixá Maior é aquela entidade celeste que faz com que a natureza tenha movimento,
se transforme e gere vida. Os orixás maiores são os responsáveis diretos, que encarregados
Olorum/Zambi faz com que as menores partículas atômicas tenham energia e faz fluir a vida
cósmica no universo. É a essência da vida. Por exemplo, Iemanjá é responsável pelo formação
e manutenção da vida marinha, Xangô é o responsável pela energia do trovão que desencadeia
as tempestades que limpam a atmosfera, Nanã faz com que a chuva que cai na terra gere nova
vida orgânica, Inhansã é a responsável pela limpeza do ar atmosférico e com seus ventos
espalha a vida como pólens, Exú é o Orixá responsável pelo desejo sexual que gera vida nas
espécies sexuadas. O Orixá Maior é pura energia, não passou pelo processo de encarnação
como seres humanos. Ele é pura energia cósmica, a força vital que tem origem em
Olorum/Zambi e que faz com que a mecânica do universo oscile entre o caos e a ordem
gerando vida. Eles são chamados apenas pelo primeiro nome, Ogum, Xangô, Oxum, Omulu... O
Orixá Maior é uno e onipresente. É aquela entidade celeste que faz com que a natureza tenha
movimento, se transforme e gere vida. Os orixás maiores são os responsáveis diretos, que
encarregados Olorum/Zambi faz com que a menor partícula atômica tenha energia e faz fluir a
vida cósmica no universo. É a essência da vida. Por exemplo, Iemanjá é responsável pelo
formação e manutenção da vida marinha, Xangô é o responsável pela energia do trovão que
desencadeia as tempestades que limpam a atmosfera, Nanã faz com que a chuva que cai na
terra gere nova vida orgânica, Inhansã é a responsável pela limpeza do ar atmosférico e com
seus ventos espalha a vida como pólens, Exú é o Orixá responsável pelo desejo sexual que gera
vida nas espécies sexuadas. O Orixá Maior é pura energia, não passou pelo processo de
encarnação como seres humanos. Ele é pura energia cósmica, a força vital que tem origem em
Olorum/Zambi e que faz com que a mecânica do universo oscile entre o caos e a ordem
gerando vida. Eles são chamados apenas pelo primeiro nome, Ogum, Xangô, Oxum, Omulu... O
Orixá Maior é uno e onipresente.

Orixás Menores são aquelas entidades espirituais que fazem a mediação entre o ser
humano e o Orixá Maior. Os orixás menores são, conforme as diversas lendas, espíritos de
antigos reis e heróis africanos, índios, orientais, etc. Em essência, os orixás menores podem ser
qualquer ser humano. Por exemplo, as lendas de Xangô e Ogum. Esses seres humanos comuns,
por terem sido abençoados com poderes sobrenaturais concedidos pelos Orixás Maiores,
tornaram seres humanos especiais dotados de superpoderes físicos ou mentais para proteger
seu povo, e após a sua morte voltam a ter contato com os seres humanos comuns na forma de
orixás menores. Essas pessoas receberam poderes diretamente do Orixá Maior, e tornaram-se
semideuses aqui na Terra, como por exemplo o Hércules da mitologia grega. O Orixá Maior
recebe sua energia cósmica diretamente da fonte, Olorum/Zambi. O orixá menor possui o
mesmo nome do Orixá Maior de onde provem seus poderes, acompanhado de um sobrenome.
Por exemplo, Ogum Beira-Mar, Inhalosin, Iemanjá Obáomi, Xangô Kaô...A este segundo nome
chamamos de dijina ou sunam do Orixá. Assim podemos ter vários oguns, Xangôs, Oxossi,
iemanjás... Da mesma forma seriam os Pretos-Velhos, cujo nome pode não exprimir a
verdadeira entidade espiritual, pois o fato de entidade se manifestar como preto-velho não
quer dizer que ela necessariamente tenha que ter sido negro e escravo e o caboclo tenha que
ser obrigatoriamente o espírito de um índio brasileiro. Os orixás menores, passaram pelo
processo da reencarnação, mas são espíritos dotados de poderes sobrenaturais concedido
pelo Orixá Maior e que por isso possuem uma grande luz e compreensão espiritual e tem seu
poder ampliado agora que não mais carrega o fardo do corpo físico, por isso não necessitando
mais passar pelo processo da reencarnação para evoluir. É isto que diferencia os eguns
(espírito de morto que possui compreensão ou luz espiritual, mas ainda poderá passar, se
necessário, por outras reencarnações por ainda estar ligado ao mundo material) e kiumbas
(espírito de morto que ainda não alcançou a luz espiritual, as nem compreende que ele já vive
em outra dimensão e que seu corpo carnal não mais existe). É isso que diferencia o Orixá
Menor dos demais seres espirituais que ainda não foram tocados pela energia do Orixá Maior.
As energias concedidas ao orixá menor também provem de Zambi/Olorum; entretanto, ela é
canalizada a ele através do Orixá Maior, que é o elo de ligação entre eles, da mesma forma que
o orixá menor é o elo de ligação entre o ser humano e o Orixá Maior. Dessa forma o Orixá
Maior pode ser comparado grosseiramente a uma válvula que regula o fluxo de energia entre
Zambi /Olorum e o orixá menor, podendo dessa forma reduzir, aumentar ou até mesmo retirar
os poderes do orixá menor. No Omoloko, crê-se que são esses espíritos, os orixás menores que
se manifestam nos omo-orixás (médiuns). E somente em momentos muitíssimos especiais é
que o filho de santo poderá realmente ser tocado de forma muito rápida e superficial pelo
Orixá Maior. O culto do orixá menor está ligado ao antigo culto dos antepassados e que nos foi
legado pela cultura Banto; enquanto o culto ao Orixá Maior está ligado ao culto das forças da
natureza e nos foi legado pelos iorubanos e gêges. É importante frisar que na própria África
esses dois cultos se mesclam e se completam; da mesma forma que eles se completam aqui no
Brasil.
Dias da Semana, Cores e Símbolos dos Orixás e Entidades na Nação Omolokô.

ORIXÁ CORES SÍMBOLO DIA FESTIVO


Ogum Branco, verde e vermelho Espada ou lança 23 de abril
Oxossi e Odé Verde e branco Arco e flecha 20 de janeiro
Omulu Preto e branco xaxará, cruz, pemba 16 de agosto
Obaluayê Preto, branco e vermelho xaxará, cruz, pemba 16 de agosto
Arco com 7 flechas e um
Ossanhe Verde claro 13 de dezembro
pombo no centro, folha
Oxumarê Amarelo e branco Serpento ou arco-íris 24 de agosto
Nanãburoquê Roxo ou lilás Obiri, vassoura, caracol 26 de julho
Obá Vermelho e amarelo Espada e escudo 25 de novembro
Oxum Azul claro Abebê, estre 08 de dezembro
Iemanjá Azul claro e branco, cristal Peixe, lua 02 de fevereiro
Oxé (machado alado),
Xangô Marrom 24 e 29 de julho
pedra, meteorito
Inhansã / Oyá Amarelo Espada e raio, cálice 04 de dezembro
Irokô / Lokô Cinza e branco Árvore 19 de abril
27 de setembro e
Ibejí / Erê Azul ou rosa Folha
25 de outubro
Pachorô, cruz com raios,
Oxalá Branco leitoso 25 de dezembro
cálice, pilão, sol
Preto e branco ou contas de
Pretos-Velhos Cruz, cachimbo, rosário 13 de maio
lágrimas de nossa senhora
Caboclos Verde escuro ou verde e branco Arco e flecha 20 de janeiro

A HIERARQUIA SACERDOTAL NO CULTO OMOLOKO

A hierarquia sacerdotal da Nação Omoloko segue a mesma estrutura dos grupos


Yorubá:

Þ Babalorixá ou Yálorixá: sacerdote ou sacerdotisa, mais conhecidos como pai de santo ou mãe
de santo, é a autoridade máxima no culto ao orixá;

Þ Yákèkèrè e Babákèkèrè: filho de santo com obrigação de “Sete Linhas”.

Þ Dagã: a pessoa que tem mais tempo de iniciação dentro do terreiro;

Þ Ogã Nilú e Ogã Kalofé: tocador de atabaque. Pessoa que dá início à maioria dos cânticos aos
orixás nas giras (atualmente esses dois cargos têm sido ocupados por uma mesma pessoa);

Þ Axogun: pessoa que, nas obrigações, sacrifica os animais;


Þ Yábasé ou Yábá: cozinheira das comidas sagradas dos orixás;

Þ Combono: pessoa que nas giras atende aos Orixás;

Þ Exi-de-Orixá: filho de santo em geral;

Uma peculiaridade do culto Omoloko é que nele não existe o grau de “Mãe ou Pai
Pequeno", como há em outros cultos afro-brasileiro. Para um iniciado tornar-se Babálorixá ou
Yálorixá ele precisa ser iniciado nas sete obrigações que compõem a hierarquia sacerdotal,
abrir seu próprio terreiro e ter seus próprios filhos de santo. Esse direito é adquirido quando o
filho de santo faz a última obrigação que é chamada de “Camarinha”, na qual o filho de santo
é iniciado e ao seu término recebe o direito de “criar” (iniciar) outros filhos de santo. Se esse
filho de santo continuar no terreiro onde ele foi feito ele será chamado de Babákekerê ou
Yákekerê – aquele que pode iniciar outros filhos de santo mas não possui ainda o seu próprio
terreiro -. Ele ainda não recebeu o Deká. Entretanto, se ele for abrir o seu próprio terreiro para
iniciar seus próprios filhos de santo, então ele receberá de seu Babálorixá ou Yálorixá o Deká e
passará a ser chamado de Babálorixá ou Yálorixá pelas demais pessoas. Portanto, na Nação
Omoloko o título de “Mãe Pequena ou Pai Pequeno; Mãe Grande ou Pai Grande” não existe,
pois ele está condicionado ao pai de santo/mãe de santo ao abrir o seu próprio terreiro e ter
os seus próprios filhos de santo. Na hierarquia da nação Omoloko o grau de Babákekerê ou
Yákekerê está logo abaixo do de Babálorixá/Yálorixá, entretanto ele não pode ser comparado
ao grau de “Pai/Mãe Pequeno(a) que há em outros rituais, pois na Nação Omoloko não existe
uma obrigação específica para estes cargos como há no Ritual de Umbanda e Almas de Angola,
por exemplo

ORGANIZAÇÃO E MANUTENÇÃO DOS TERREIROS

Caminham juntas duas formas de organização dentro dos terreiros de Omoloko, uma
seguindo o ritual religioso e outra referente a parte burocrática e administrativa .

A parte religiosa segue uma organização que vai desde a forma arquitetônica até as atividade
anuais praticadas.

Cangira: fica na entrada do terreiro, e é onde está assentado o Exu da casa.

Casa das Almas: localizada geralmente fora do terreiro. e é onde está o assento das Almas

(Pretos-Velhos). Nessa casa encontram-se imagens de preto-velhos.

Cozinha do Santo: local onde são preparados as comidas dos orixás e a comida para os
participantes comerem em dias de festas e obrigações.

Salão: é o local mais amplo onde são realizados os trabalhos espirituais. Nesse salão
destaca-se o altar, onde ficam imagens de Orixás, Caboclos e Pretos-Velhos e, em alguns
terreiros também são colocados imagens de santos da religião católica. Na maioria dos
terreiros é contruída uma pequena cerca de madeira ou muro para separar o salão onde os
filhos de santo giram da área da assistência.

Ritmo dos pontos: (música religiosa) é marcado por três atabaques: Lé (tambór grande),
Rum (tambor médio) e Rumpi (tambor pequeno). Além dos atabaques há um agogô
(instrumento de metal que emite som semelhante ao do sino) e maracas (tipo de chocalho que
contem dentro lágrimas de nossa senhora e por fora é recoberto por uma rede confeccionada
com a mesma semente, que emite um som semelhante ao chiado.

Organização: Durante as sessões os filhos de santo são organizados de acordo com a sua
graduação hierárquica a partir do de altar em direção a porta de saída do terreiro, formando
dois semi-círculos que começam do altar, com os mais graduados e termina no lado oposto
com os menos graduados ou iniciantes. Durante a sessão os filhos de santo formam dois
círculos, um dentro do outro. No círculo interno ficam os filhos de santo com graduação de
Babálorixá/Yálorixá e Babákekerê/Yákekerê, e no círculo externo ficam os demais filhos de
santo. Quando os orixás se manifestam os componentes do círculo interno passam a compor
também o círculo externo. O círculo interno é substituído pelos orixás que vão se
manifestando.

Horário: Com relação ao horário, os terreiros obedecem a determinação do responsável pelo


terreiro. No caso da Tenda Espírita de Umbanda Juraciára as gíras normais iniciam às 20:00 e
terminam às 22:00 horas, e em dias de festividades as atividades terminam às 23:00 horas.

A organização burocrática, fica a cargo de uma diretoria composta por presidente, secretário e
tesoureiro, além do conselho fiscal, que desempenham todas as funções burocráticas e
administrativas que já tão bem conhecemos. Muitos terreiros tem CGC e alguns são
reconhecidos como de utilidade pública (municipal, estadual e federal). Não sendo uma
associação com fins lucrativos, a única fonte de renda dos terreiros é através de uma
mensalidade cobrada dos médiuns para a manutenção geral do terreiro. Os próprios médiuns
fazem a manutenção do terreiro, seja na limpeza ou mesmo na conservação das instalações
físicas. Em alguns casos são contratados serviços profissionais, principalmente quando se trata
de uma construção para aumento das instalações físicas. Como os terreiros são construídos a
partir de doações e geralmente são construídos no próprio terreno junto a casa do Pai ou Mãe
de Santo. Poucos são os terreiros que funcionam em terreno próprio, se é que há algum.

O ASPECTO ECOLÓGICO E O PAPEL SOCIAL

Atualmente, a maioria dos terreiros têm desempenhado um papel social e ecológico muito
ativo dentro da sociedade brasileira. Em Florianópolis, muitos terreiro têm elaborado
campanhas de solidariedade em época de festas tais como Natal e Páscoa. Alguns promovem
suas festas dentro da própria comunidade onde estão localizados e outros atuam junto a
creches, orfanatos e asilos, levando presentes, cestas básicas etc. Programas de cursos
diversos são desenvolvidos e aplicados durante o ano, tendo por finalidade facilitar a vida da
comunidade, além de palestras de conteúdo diversos. Em relação ao aspecto ecológico nota-se
o nascimento de uma consciência atuante em relação a preservação do meio-ambiente e da
natureza. Realmente, nota-se que os cultos afro-brasileiros estão despertando para uma nova
realidade.
ORIGEM DO OMOLOCÔ
Nós estamos à procura de alguma coisa há mais que nos mostrem mais luz.
Apesar de conhecermos a metade de UM todo, sobre as procedências dos cultos afros; suas
Nações ou lugares, ainda é pouco. Aqui apresentamos também mais um tema sobre as
Entidades Espirituais, que se denominam Orixás ou Santo Africano, que nada tem a ver com
Santo Católico. Nossos antepassados (sacerdotes) chegados da África, usaram de um
estratagema, contra os Senhores de Escravos, afim de dar sobrevivência e continuidade à
nossa religião, para isso, em cada culto ou nação, seus sacerdotes, dentro de seus rituais,
assimilaram por Sincretismo, o Santo Africano ao Santo Católico. Entretanto os segredos
religiosos e cabalísticos dos cultos, não podiam ser revelados. Só podiam ser transmitidos
oralmente, aos poucos, aos iniciados idôneos que se submetiam às provas do ritual, buscando
a sua vocação de conhecimento espiritual e de fé. Compreendamos, portanto, a necessidade
que temos de empregar parte da etnologia e da geografia, para mostrar os lugares de origem
dos cultos ou tribos, e destas, as Entidades (Orixás). Assim temos a antiga Nação Angola. Este
Estado era limitado pelo Norte pela África astral inglesa, à leste e ao sul, pela possessão alemã.
Naquela época, o Território de Cabinda (Angola), separou-se do Estado Independente do
antigo Congo, o qual era dividido em 6 (seis) distritos: Congo (antigo território de Cabinda),
Loanda, Benguela, Mossamedes, Lunda-Quiôco e Huile. Este Estado apresentava como cidades
principais: São Paulo de Luanda, Cabinda, Ambriz, Novo Redondo, Benguela, Mossamedes e
Porto Alexandre. A sua superfície era de 1.300.000 milhões de quilômetros quadrados. Até o
ano de 1918, esta antiga nação possuía uma população de 4 milhões e 120 mil habitantes,
todos negros da raça bantos. O Ritual religioso do Culto Omolocô, se origina das tribos Lunda-
Quiocôs. Todos os Espíritos evolutivos pretos-velhos que baixam nos terreiros umbandistas,
pertenceram às tribos de Lunda-Quiocôs do Culto Omolocô, e seus lugares de origem, como
seja: João Benguela, Pai Mossamedes, Pai Alexandre, Maria Redonda, Pai Cabinda, Pai Ambriz,
Pai Luanda, etc. Temos também os bantos da África Oriental, de Dar-es-Salam, Quiloa,
Bagamoyo, Tanga, Pangani; pertencentes principalmente à costa oriental. Essas tribos são
cruzadas com um forte elemento asiático. Elas estão situadas no continente, ao sul da Ilha de
Zanzibar, que foi à tempos atrás governada por um sultão árabe. Por esse motivo a Nação
Omolocô, amalgamou-se e tornou-se uma Nação Eclética, com um ritual sempre cruzado, com
suas raízes: Gêge, Quêto (reino iorubano do Sudeste da República do Benim, na fronteira com
a Nigéria - África), Nagô, Angola, Almas (Iorubá), assim como com o Oriente, de origem
asiática. Os Terreiros de Omolocô têm sempre uma puxada para o ritual de suas raízes, ou
Nação Raiz, porém no fundo, as formas de iniciação, e de trabalhos são sempre seguindo uma
mesma diretriz.
A CRENÇA RELIGIOSA DO OMOLOCÔ, SOBRE A FORMAÇÃO DA TERRA

Sabemos que a crença religiosa, varia de culto para culto, no entanto temos a nossa e como tal
daremos aos nossos irmãos de santo e aos neófitos, e leigos que não professam os cultos
Afros, como os malungos (camaradas, companheiros), o dever de entenderem e passarem à
frente, para que todos tenham o real conhecimento da fé dos filhos do Omolocô.

Antes, permitam que possamos lhes dizer que acreditamos firmemente que, os demais
planetas componentes dos vários sistemas, são habitados, porém ignoramos a forma e os
caracteres dos seres que neles vivem e por isso, temos a obrigação de explicar como para nós
do Omolocô, surgiram os habitantes do planeta terra, ou seja o Planeta Presídio em que
vivemos. Quando da criação deste planeta, houve por bem à ZÂMBI, de convocar para uma
reunião, em seu palácio, Exu e Pamboinzila, para que esses Orixás, pudessem contar as boas
novas do novo planeta. Instados a se pronunciarem, Exu e Pomba-gira não se fizeram de
rogados e contaram que era necessário que os espíritos que na terra vagavam sem forma e
sem se conhecerem, como simples espirais de fumaça, deveriam espiar seus débitos,
materializados, já que , como dissemos acima, não passavam de simples espirais de fumaça
sem se conhecerem e sem saber os resultados dos seus castigos. Inteligentemente, sugeriram
Exu e que cada um dos Espíritos da Natureza, isto é, os Orixás, que sabemos são estacionários,
tivessem um pouco mais de paciência e fornecessem os elementos químicos e os alimentos
para esses espíritos, ficando Exu e Pamboinzila, com a responsabilidade de arrebanharem em
outros planetas, espíritos também castigados e trazerem esses espíritos para a terra e se
juntarem aos que aqui se encontravam. Após muita delonga, resolveu ZÂMBI, aceitar a
sugestão de Exu e Pamboinzila, ficando no entanto cada Orixá presente, com a preocupação
da devolução dos elementos químicos e dos alimentos, pois como é entendido por todos nós,
donde se tira e não se repõe, esgota-se as reservas, sugerindo então Omolu uma nova reunião
para posterior deliberação. Houve nova reunião e depois de falarem a cerca do plano de Exu e
Pamboinzila, ficou assentado e consentido que isso seria feito, faltando no entanto saberem,
como poderiam eles resgatar os elementos químicos e os alimentos. Diante de tão grave
preocupação, Olodum (que comanda os Elementais) que à tudo assistia calado, resolveu se
pronunciar e o fez de maneira inteligente, dizendo à todos os presentes que não se
preocupassem, pois ele devolveria os alimentos e as essências químicas. Com o
pronunciamento de Olodum, ficaram todos calmos e descansados e imediatamente aprovaram
a idéia de Exu e Pamboinzila. Recebendo estão essa incumbência, partiram Exu e Pamboinzila
em busca de novas camadas de espíritos em outros planetas, e em lá chegando, enganaram
como lhes é próprio, com promessas de rápidos resgates de débito espiritual e anunciando
que a terra era o lugar ideal para todos, um verdadeiro paraíso, e que eles lhes podiam
acompanhar, pois não se arrependeriam. Iludidos com Exu e Pamboinzila e acreditando ser a
terra realmente um paraíso, embarcaram eles nos dragões voadores de Exu e Pamboinzila e
rumaram imediatamente para a terra. Quanta decepção e desilusão, quanta lágrima
derramada, pois aqui chegados, deu-se o fenômeno da materialização e puderam eles
enxergarem e sentirem já agora, na própria carne, pois receberam as essências químicas e as
formas humanas, espetáculos deprimentes como crimes de todas as espécies, e coisas que
sinceramente nos enoja, como taras, fobias que se manifestam nos infelizes. O Orixá TEMPO
teve a missão de transportar os bons e os maus e muito ajudou a trazer as camadas inferiores
e que até hoje procuram não se amoldarem como também se aperfeiçoarem e isto caros
Irmãos, temos conseguido, haja visto que o progresso que ai esta e jamais poderá por alguém
ser contestado. Somos por conseguinte, espíritos evolutivos e como tal devemos nos
comportar e nos educar para vidas futuras, e voltarmos um dia, quem sabe quando, ao nosso
sistema de origem com a graça e a infinita sabedoria de Zâmbi em toda sua Corte Celeste.
Veremos que a nossa fé tem base sólida, pois o negro nesta leva, agiu justamente no
continente , que mais se assemelha, ou seja a África e o branco na Europa, etc. Para finalizar,
Irmãos devemos, cada vez mais nos amoldarmos para estarmos preparados para o regresso e
que cremos será triunfal. Devemos entender que Omolu é o encarregado da vida e da morte
material, e Olodum o encarregado de devolver aos espíritos da natureza (os Elementais) os
restos mortais da matéria que se transformarão em essências químicas na forma de fogos-
fátuos e que todos do Culto Omolocô sabem respeitar, pois esse fenômeno é a ligação e o sinal
de Olodum com os demais Orixás, cumprindo ele com respeito o trato feito na reunião da
Corte Celestial de Zâmbi. Por essa razão, ficaram Exu e Pamboinzila como agentes mágicos
Universais e até hoje, intermediários entre os homens e os Orixás.