Sie sind auf Seite 1von 3

PUBLICIDADE

SAI ÀS TERÇAS

30,00MT

Director: Lourenço Jossias | Editor: Nelo Cossa | Maputo, 09 de Dezembro de 2014 | Ano VIII | Nº 399

Sociólogo Carlos Serra contraria Sérgio Vieira sobre eleições

Cartão
amarelo
foi para
vários
alvos
No sector das PescasTrabalhadores
Funcionários denunciam ladrões à solta na
desmandos e directora vinga-se Cornelder
Esta edição contém Suplemento
|PUB
Terça-feira, 09 de Dezembro de 2014 Terça-feira, 09 de Dezembro de 2014

2| DESTAQUES DESTAQUES |3
Professor Carlos Serra analisa no Magazine as últimas eleições

“Provavelmente o cartão amarelo foi para vários alvos”


. O sociólogo opina que Dhlakama e a Renamo não podem nem viver nem
sair da memória do passado…
Nenhum partido poderá levantar de uma teoria que poderia
ter a seguinte formulação:
podem nem viver nem sair
da memória do passado. 
tenta-se invariavelmente
que sem educação cívica

Até que ponto ele foi dades o ceptro da vitória absoluta se não se consegue hege-
monia política imediata no
O presidente da Renamo
o eleitor não saberá o que
fazer, é considerado “na-
livre, justo e transpa- 4.Todos as mesas de voto Concorda que o povo para vários alvos. Nenhum é como que a exemplifica-
terreno das urnas, escolhe- turalmente” analfabeto;
O professor Carlos Serra, cientista por rente? têm irregularidades mostrou cartão amare- partido poderá levantar o ção moçambicana da tese
-se um outro terreno de no segundo caso, sustenta-
excelência, opina que provavelmente os -Três palavras de extre- lo a Frelimo nestas elei- ceptro da vitória absolu- combate. Este terreno de
de Clausewitz: a guerra (ou -se que certas regiões são
resultados das eleições de 15 de Outubro Fraude a sua ameaça) é a continui-
ma complexidade e propí- ções? ta, nenhum partido poderá combate tem dois níveis: o etnicamente fiéis a certos
poderão ter sido um “cartão amarelo para cias ao que chamo “teoria 1. Até aqui encontrámos reclamar-se de legitimidade nível da ameaça e o nível dade da política por outros partidos, Gaza ao Partido
do corvo”, vou tentar exem- - Também aqui pode- meios. Atrás de cada frase
vários alvos”. É uma opinião contrária a do 100 editais fraudulentos popular absoluta. da concretização. O presi- X, Sofala ao partido Y, etc.;
plificar: mos enveredar pelas teses sua sobre a paz, habita a ve-
seu conterrâneo, o veterano político Sér- 2.[É natural que todos preguiçosas da ciência dente da Renamo e o blogo no terceiro caso, sustenta-
emência implícita de uma -se que lá onde houve uma
gio Vieira, expressa em recente entrevista 1. Até aqui os corvos que os editais sejam infusa. Urge estudar a
hegemónico do seu partido
contei na Inhaca são negros O candidato da Rena- ameaça. história fundadora a car-
ao SAVANA, que entende que eles são um fraudulentos] são, ao mesmo tempo, (1) o
sério os fenómenos. mo reclama partilha
2.[É muito natural que cordão umbilical da guer- go do Partido X, é lá onde
cartão amarelo do povo exibido à Frelimo. 3. Nas eleições mo- Só para dar um exem- de poder. Como encara
Como interpreta o
todos os corvos da rilha ao nível da oratória, as pessoas votam maiori-
Dissertando ao nosso jornal sobre vários çambicanas tem plo da complexidade fenómeno Dhlakama,
Inhaca tenham a mes- a ideia de governo de (2) a memória dos acordos tariamente nesse partido;
assuntos, Serra também entende que tanto ma cor] havido processos do tipo de pressu- nomeadamente, as mul-
gestão? Justa ou não? de paz de 1992 que enten- no quarto caso, sustenta-
Dhlakama como a sua Renamo não podem 3.Os corvos da Inhaca têm fraudulentos postos e do tipos de tidões que arrasta des-
Quais as suas implica- dem não terem sido cum- -se que os eleitores dos co-
a mesma cor 4.Todos os editais votos que podemos de que saiu da parte in-
nem viver nem sair da memória do passado ções? pridos e (3) a dificuldade mícios são “hipnotizados”
4.Todos os corvos da Inha- eleitorais são frau- considerar num es- certa?
e o poder bicéfalo entre Guebuza e Nyu- -Reclamar partilha de em aceitar resultados elei- pelo líder carismático e que
ca são negros dulentos tudo a sério: (1) o
si é uma estrutura “que não nasce de um poder nada tem de espe- torais que não sejam os da -Essa questão permite isso significa que o amam
Neste tipo de indução, pressuposto de que dar conta de algumas teses
conflito político, mas da sua prevenção, E o de- cial nem de especificamen- sua vitória. São como que e nele votarão ou votaram;
comum em muitas análises a taxa de participa- preguiçosas, típicas da ci- no quinto caso, os eleito-
que não visa a desconcentração, mas a e generalizações, estamos sempenho ção é tão mais ele- te moçambicano. Porém, o fac-símile daquele herói
manutenção do poder”. Leia a interessante dos órgãos de um filme de Charlie Cha- ência infusa, correntes nos res são transformados em
perante um pensamento vada quanto mais é preciso considerar uma
plin que, apanhado por uma media, a saber: meros números, em meras
entrevista. que, filiando a "prova" na de admi- fortemente afecta- característica: a de que a
tempestade de neve quando percentagens, evacuados
confiança acordada à pre- nistração dos forem os inte- Renamo entra na exigência - A tese do eleitor caren-
missa hipotética (a prio- dormia na sua cabana, vê- das diferenças sociais e das
eleitoral? resses dos votantes a partir da pressão de um te de educação cívica
sas suposições, com a reali- ri) 2, estabelece, com pre- -se de repente na borda de singularidades. Cinco teses
exército guerrilheiro pri- - A tese do eleitor etnica-
M L. Jossias e
A. Nhantumbo dade e com a suspeita, com a tensão apodíctica, a conclu- -Falta- (voto de interesse);
(2) o pressuposto de vado, tem à retaguarda de um precipício. Ao acordar, mente teleguiado
produzidas no conforto dos
gabinetes e dos pontos de
emoção e com a serenidade, são 4. -me mui- quer sair. Mas se avança
com o fixo e com o volátil. que a taxa de partici- vista, omissos da opinião
Como avalia o recen- É esse tipo de indução ta infor-
Falta-me a problemática e a pação é tão mais ele- dos eleitores.
te processo eleitoral em que irriga muitas das ge- mação,
panóplia de métodos e técni- vada quanto mais for-
Moçambique? neralizações que efectua- falta-me As multidões habita-
cas que apliquei quando es- mos no dia-a-dia, na rua e tes forem as pressões
-Primeiro do que tudo, traba- ram os comícios de Nyu-
tudei as eleições autárquicas nos jornais. É, sem dúvida, sociais exercidas sobre
permita-me dizer duas coi- de 1998. O processo eleitoral lho de si, Dhlakama e Simango.
um dos mais interessan- os votantes no sentido
sas de precaução. A primei- deste ano mostra, ao mesmo t e r - Eram de alguma maneira
tes campos da cognição da participação (voto
ra: não tenho vocação para a tempo, que o país foi capaz reno, transversais, em busca do
humana. Formamos tota- de compromisso); (3)
prática quer da ciência infu- de realizar as eleições (lado falta-me espectáculo de cada um de-
lidades unitárias a partir o pressuposto de que a
sa quer dos exercícios à nha- positivo) e que enfrentou presença e ob- les, da teatrocracia (para
de fragmentos conhecidos preferência expressa pelos
messuro, para cada pergunta muitos problemas para que para darmos vida ao que usar um termo de Georges
que me for feita deverei co- servação nesses e des- eleitores exprime, também,
elas corressem normalmente não conhecemos, ao que Balandier) da propaganda
locar a ressalva de que não ses órgãos. O que parece ser a influência da propaganda
(lado negativo). Um traba- não investigámos, sem nos política. Em meio a tanta
possuo trabalho de pesquisa lho em profundidade deve generalizado a nível de certos eleitoral (voto de persua-
interrogarmos sobre a pos- coisa que se repete diaria-
para me sentir confortável contemplar e cruzar seis ní- sibilidade objectiva de o sectores produtores de opinião são); (4) o pressuposto de
mente, a tanta chateza, um
com a resposta. A segunda veis de pesquisa e análise: as desconhecido ser diferente, pública é que eles trabalharam que os eleitores estavam candidato assume sempre,
coisa: por isso, tudo o que se eleições na óptica dos eleito- desviante. Pessoas, países, mal, que eles foram e são um desgostosos com a "perda
segue pertence rigorosamen- a nível popular - especial-
res, as eleições na óptica dos partidos, grupos de futebol, braço da Frelimo. de sentido" causada pela mente quando as carências
Fotos: Nilton Cumbe

te ao campo das hipóteses, a órgãos eleitorais, as eleições igrejas, movimentos so- multiplicidade de "vozes
um vaivém, a um fio condu- Falta muita pesquisa e são muitas e os sonhos pou-
na óptica do Tribunal Cons- ciais, eleições, não importa de comando"; (5) o pressu-
tor, a uma charneira entre titucional, as eleições na óp- certamente falta muita capa- cos - o papel de um messias
o quê nem quem, são moti- posto da abdicação de vo-
uma reflexão teórica por aca- tica dos partidos políticos, as profano que promete endi-
vo para a formação perma- cidade de categorização dos tar expresso no voto omis-
bar e uma pesquisa empírica eleições na óptica dos jorna- nente de totalidades unitá- reitar o mundo e torná-lo
vários problemas surgidos. Por so. Neste tipo de situação,
por realizar. E, especialmen- listas nacionais e estrangei- rias por indução abusiva, a melhor.
te, nada do que disser tem a exemplo: problemas decorren- os votos brancos e os votos
ros e as eleições na óptica partir de a priori do género Porém, no caso de
ver com a leitura política, de tes de deficiente formação es- nulos são especialmente
dos observadores nacionais apresentado. Dhlakama, tenho por hipó-
acento moral, da luta entre e estrangeiros. A verdade do colar, problemas de má prepa- significativos, não tanto
o lobo mauzão e os porqui- Vou tentar ampliar a “te- ração, problemas decorrentes porque as pessoas sejam tese que uma das razões da
que foi o processo eleitoral
nhos inocentes. oria do corvo”, aproximan- de doença, problemas logísticos tecnicamente ignorantes, presença das “suas” multi-
deste ano depende absoluta-
do-se do tema da pergunta, dões tem a ver com percep-
Sobre o recente processo mente das respostas encon- diferenciados segundo as re- mas porque elas escolhem
como segue: ção popular de que ele foi
eleitoral: tal como nas elei- tradas ao nível desse polie- giões, problemas de fraude ao deliberadamente ou deixar
dro. Regra geral, a avaliação Nyusi vai enfrentar o problema do duplo poder, Carlos Serra um guerreiro vencedor, um
ções anteriores, estivemos (e Irregularidades nível dos caciquismos locais, o voto em branco ou votar
estamos ainda) confrontados que tem sido feita no país é guerreiro que pôs o Estado
1. Até aqui encontrámos problemas de ausência de fis- em dois ou mais partidos. um boletim de voto uma ka- - A tese do eleitor prisio-
com o que se passou e com o pecaminosamente unilate- para o lado do precipício, em dificuldades, um guer-
irregularidades em 100 me- cais, problemas decorrentes de lashnikov. neiro da história fundadora
que julgamos que se passou, ral, monofactorial e fruto de Repare que houve uma a cabana tomba; se recua e reiro que foi uma espécie de
sas de voto opções dos eleitores, etc. Temos - A tese do eleitor-multidão
com os eleitores eles-mesmo emoção e paixão. Por regra abstenção de cerca de 50% e Afonso Dhlakama afir- pretende sair, a tempestade Robin Hood moçambicano
2.[É natural que todos as hipnotizado pelo líder
e com os eleitores das nossas muitos tomam a emoção por tendência para confundir tudo que foi apenas uma peque- ma-se como a vertente guer- aguarda-o. O herói de Cha- que ama o povo e que por
mesas de voto tenham - A tese do eleitor-estatís-
concepções e dos nossos pre- realidade e verdade, confun- irregularidades] e atribuir apenas ao fenómeno na, muito pequena parte do reira retroalimentada da plin não pode nem habi- isso passou dificuldades no
juízos, com os factos de ter- dem juízos de valor com juí- país que votou. Provavel- tica
3. Nas eleições moçambica- X o que pertence a uma cadeia luta política moçambicana, tar a cabana nem deixá-la. “mato”, etc. Mas tudo isso
reno e com os factos das nos- zos de facto. nas tem havido irregulari- de fenómenos Y,Z…n. mente o cartão amarelo foi como o produtor implícito Dhlakama e Renamo não No primeiro caso sus- tem de ser investigado.
Terça-feira, 09 de Dezembro de 2014

4| DESTAQUES
Nenhum partido poderá levantar o ceptro da vitória absoluta
Ao aclamar Dhlaka- culo emocional que cria com nal? co e/ou verbal, do (s) adversá- marcada pela aprova-
ma, acha que os moçam- o povo (especialmente o mais rio (s). Violência a montante ção das chamadas leis de
-Certamente haverá que
bicanos estarão efecti- humilde, o mais deserdado), que gera violência a jusante. mordomias para Chefes
ter cautelas, múltiplas caute-
vamente a desenvolver é um líder que fala várias lín- Quanto mais conhecermos de Estado e deputados,
las, a vários níveis do nosso
uma cultura de amor à guas nacionais, isso atrai ra- as causas da violência social depois de terem sido con-
social. Quando analisamos a
guerra, como defendem pidamente multidões. Acres- - no caso vertente, política -, testadas pela sociedade
violência política, a regra con-
alguns círculos? ce que as multidões destas mais capazes seremos de a civil e consequentemente
siste em vê-la expressa de for-
eleições podem ter uma liga- prevenir. A violência social devolvidas para reexame.
-O grande problema é ma física, digamos que mate-
ção particular com o facto de não se combate com cruzadas Que impacto político isto
que não estudamos o real rial: agressões, destruições e
ele e a sua elite militar terem de falsa moral nem com tira- terá? Virão mudanças,
funcionamento da Renamo, tiros. É nesse sentido que os
deliberadamente produzido - das de criminalização barata, por exemplo, do parla-
não estudamos a sua base órgãos de informação repor-
como já alguém sustentou - o mas com o conhecimento ri- mento?
social, melhor, as suas ba- tam que a campanha eleitoral
desenho estratégico de uma goroso e honesto das infra-
ses sociais. Precisamos de foi pacífica ou violenta. Por -Chefes de Estado e de-
guerrilha de “pobres” con- -estruturas sociais e mentais
alguém que faça hoje aquilo exemplo, é nesse quadro que putados terão melhores ní-
tra “ricos”, o desenho de um que a ela conduzem ou po-
que nos anos 80 do século aqui e acolá se lê e se diz que, veis de vida, bem melhores
“lutador pelas massas” capaz dem conduzir. De nada serve
passado fez o antropólogo no geral, a campanha eleitoral do que aqueles que já têm.
de pôr em cheque o exército mostrar continuamente em
francês Christian Geffray: deste ano em Moçambique foi Isso não é, em si, um proble-
governamental, o desenho de inúmeras instâncias de deba-
estudá-la. Aclamar Dhlaka- pacífica. ma. O problema está quando
um messias profano capaz de te e persuasão que a violência
ma – líder vincadamente po- se absolutizam determinadas
compreender os deserdados Porém, a violên- é desnecessária e nociva, se
pulista - pode nada ter a ver categorias sociais e se esque-
e de lhes dar um futuro cheio cia política tem múlti- não forem continuamente de-
com amor à guerra, mas com cem outras, como se as cate-
de coisas boas, um desenho plas formas de expressão. sarmadas as condições sociais
amor à paz. Ou pode ter a ver gorias escolhidas foram, em
que Dhlakama terá levado, A violência verbal, a violên- que continuamente armam
com a crença popular de que si, portadoras do direito na-
como trunfo, para a campa- cia expressa sob forma de as mentes. O problema não
ele se tornou um “defensor
nha eleitoral. palavras, pode ser tão vio- consiste apenas em desarmar tural exclusivo ao mérito e ao
dos pobres”. O presidente da
lenta ou mais do que a clás- as  kalashnikov físicas, mas, lugar cimeiro no sacrífico pelo
Renamo é um exímio cultor Que conjecturas equa-
sica violência física. E pode, também, as kalashnikov sim- país. Algum deputado falou,
do espectáculo político, é um ciona para o pós-anúncio
até, ser bem mais letal. bólicas, as palavras. por exemplo, sobre a condição
líder cujo programa de gover- dos resultados finais pelo
Afirmar, por exemplo, que social dos professores, espe-
nação habita quase só o vín- Conselho Constitucio- O problema fundamen-
a vitória do partido A deve cialmente dos professores do
tal no pós-eleições tem a ver ensino primário e secundário?
ser "retumbante e asfixiante"
com a luta por recursos de Pensou nisso, preocupou-se
(sic), como foi publicamente
Guebuza recebeu de Samora a expresso numa rede social, é
poder e prestígio, com a sua
partilha. O processo nego-
com isso, levou os pares a preo-
impetuosidade e de Chissano a frieza uma forma absoluta de vio-
lência violenta.
cial decorrente no Centro In-
cuparem-se com isso?
ternacional de Conferências E o estatuto para o lí-
Como avalia libertação nacional e a Afirmar publicamente que Joaquim Chissano tem a ver der do segundo partido
a governação do nova geração dirigente, o "já ganhei" ou que "já ganhá- absolutamente com isso. A mais votado com assento
Presidente Guebuza? próximo Chefe de Estado, mos" antes que se vote e se Renamo quer ter acesso a es- parlamentar (líder da opo-
Filipe Nyusi, não será uma sição)?
-Esta é mais uma conheçam os resultados ou ses recursos a todos os níveis,
réplica dos presidentes
questão onde, nos media, antes que o Conselho Consti- a começar pelos aparelhos de -Há duas maneiras de en-
anteriores, tentará criar
os juízos de valor ocupam tucional valide os resultados, segurança. Em Tete, há dias, carar esse estatuto: uma, no
o seu estilo próprio, a
o lugar dos juízos de facto. é bem mais do que um exer- segundo o “Notícias”, Dhlaka-
sua linguagem, os seus sentido de que ela é um produ-
Tentou deixar o seu selo cício de valentia balofa, é um ma terá afirmado o seguinte:
clichés, o seu modelo de to da luta dos sectores mais
na governação, tentou exercício de violência violen- “Desde as primeiras eleições
ministros e vice-ministros combativos da oposição; outra,
distinguir-se de Samora e ta. presidenciais, a Frelimo sem-
(provavelmente muito no sentido de que ela é uma
de Chissano. Porém, tenho pre me roubou, agora basta.
tecnocratas), etc. Porém, Por isso é sempre impor- concepção maquiavélica desti-
para mim que ele é produto Temos que governar juntos
vai enfrentar o problema tante conhecer e analisar as nada a silenciar os protestos
de uma mestiçagem este país. Temos que compar-
do duplo poder, sobre relações sociais que geram as dos líderes da oposição mais
política, recebeu de tilhar a riqueza resultante da
o qual escrevi o ano múltiplas formas de violência combativa. Talvez o citado es-
Samora a impetuosidade exploração dos recursos natu-
passado, ele será a coluna social e, em particular, de vio- tatuto seja um filho de ambas,
e de Chissano a frieza rais em curso no país”.
de uma presidência à lência política, as múltiplas um filho especial de duas mães
com a qual acalma a
primeira. Provavelmente
Jano, com duas cabeças, formas de aniquilamento, físi- Semana passada foi (passe a expressão). M
uma dirigente a nível
a sua história passará PUB
partidário (por Guebuza),
por quatro níveis: (1)
outra dirigida a nível
enquanto organizador
estatal (por ele, Nyusi).
de um partido-malha
Estrutura de poder que
cerradamente inserido em
não nasce de um conflito
todas as células do país,
político, mas da sua
(2) enquanto produtor de
prevenção; que não visa
uma espécie de pequena
a desconcentração, mas
burguesia rural, filha
a concentração de poder.
dos “sete milhões”, (3)
Esta presidência político-
enquanto produtor de
estatal à Jano pode ter dois
uma uma linguagem sui
objectivos: por um lado,
generis (pátria amada,
rejuvenescer a presidência
pérola do Índico, pátria de
estatal, antepondo-a
heróis, etc.) e (4) enquanto
aos adversários fortes,
presidente da Frelimo,
jovens e inteligentes de
que, afinal, durante mais
partidos em ascensão;
alguns anos, vai continuar
por outro, mantê-la sob
a ser um Chefe do Partido-
controlo da malha do
Estado, um Chefe de
partido e, em particular,
Estado-sombra.
das determinações
Que desafios para permanentes de um
o próximo Chefe de veterano da saga da luta
Estado? de libertação, sob pano
de fundo da Comissão
-Charneira entre
Política.
os pais fundadores da