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De vitória marcante a derrota esmagadora: a expedição romana de 811 e a emboscada de Han

Krum

Durante o reinado de Constantino V (r. 741-775), depois da estabilização da fronteira oriental


do Império, Roma voltou à carga nos Balcãs e atacou duramente o Canato Búlgaro assim como
as “Sklaviniai” em várias expedições entre 759 e 774 que consolidaram a posição romana na
zona e puseram em fortes dificuldades as elites búlgaras, que quase colapsaram sob o peso da
máquina romana. Estas vitórias substanciais deste imperador infelizmente não puderam ser
continuadas após a sua morte devido à reactivação da guerra romano-árabe em 776, durante
o reinado do filho Leão IV, e as constantes disputas políticas durante os reinados de
Constantino VI e da sua mãe Irene. Apesar de progressos importantes no Sul dos Balcãs e do
restabelecimento da ligação terrestre entre Constantinopla e Tessalónica, já no relativo aos
búlgaros houve vários reveses, nomeadamente em 788 com a emboscada feita ao exército de
Philetos e na batalha de Markellai em 792, e as comunidades na zona de fronteira viram-se sob
constante ataque dos “bárbaros”.

Em 802, cinco anos após Constantino VI ter sido cegado pela sua própria mãe e esta se ter
tornado a primeira imperatriz reinante de România, depois uma série de constantes intrigas à
volta da sua sucessão, o “logothetes tou genikon” (uma espécie de ministro das finanças)
Nicéforo assumiu o poder e baniu Irene para a ilha de Lesbos, de onde ainda tentou voltou ao
poder com a ajuda do general Aécio antes de morrer em finais do ano. O novo imperador
romano tinha uma série de assuntos para resolver: um exército indisciplinado e ainda a sofrer
os efeitos das purgas de Irene, falta de dinheiro nos cofres imperiais, o tributo humilhante
pago ao Califa abássida Harun al-Rashid desde 796, o controlo romano ou a falta dele nas
regiões interiores dos Balcãs e a questão do “status” de Carlos Magno após a sua coroação
como “Imperator Romanorum” no dia de Natal de 800.

Estas questões foram sendo mais ou menos resolvidas ao longo dos anos seguintes de forma
ágil por Nicéforo, que, depois de a frente oriental se ter acalmado em 807, reformou o Estado
romano com uma série de reformas geralmente populares e eficazes, embora Teófano o
Confessor as chame de “dez vexames” devido ao seu ódio face às suas políticas. Algumas delas
foram a criação dos primeiros “themata” e a criação de vários exércitos nos Balcãs à medida
que foi reestabelecendo a autoridade imperial em várias zonas da actual Grécia como o
Peloponeso e na Trácia, continuando aqui o trabalho feito nos anos iniciais da regência de
Irene, a deportação de povoadores vindos da Anatólia, a refundação de bispados, a
reconstrução de fortes e cidades na Trácia e a imposição da ordem romana sobre as tribos
eslávicas na zona de ninguém romano-búlgara. Esta actividade levou possivelmente a ataques
do “khan” búlgaro em resposta a esta nova agressividade romana e consequentemente ao
reatar de hostilidades entre o Canato e o Império. Uma expedição inicial de Nicéforo contra os
búlgaros em 807 não deu grandes resultados devido a uma conspiração no exército descoberta
em Adrianopólis e outra expedição em 808 não teve resultados de monta, mas

Fontes bibliográficas:
Haldon, John; Brubaker, Leslie. “Byzantium in the Iconoclast Era: a History, c. 680-850”

Sophoulis, Panos. “Byzantium and Bulgaria, 775-831”. Brill, Leiden, 2012;

Teófano o Confessor