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AULA 3 – DIREITO INTERNACIONAL

RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL (CONTINUAÇÃO)


2.3.3Definir como a responsabilidade internacional será implementada
A característica fundamental é que a implementação do direito internacional ocorre de
forma descentralizada, a sociedade internacional é uma sociedade anárquica - princípio da
igualdade soberana.
Enquanto regra é o próprio Estado vitimado aquele que pode tomar medidas para a
implementação.
O atual direito internacional permite que os Estados lesados por violações das normas
internacionais possam recorrer a mecanismos individuais de implementação de suas normas.
Em direito internacional, a implementação pode ser unilateral.
O direito internacional permite que os Estados possam recorrer a atos de retaliação, a
medidas de coerção que não envolvam o uso da foça para promover a mudança de
comportamento do Estado violador.
Os atos de retaliação que podem ser empregados para garantir a implementação do
direito internacional dividem-se em duas categorias:
• retorções;
• contramedidas.

a)Retorção
Atos de retorção envolvem atividades sempre permitidas em direito internacional. Esses
atos, embora sejam utilizados para promover mudança de comportamento, não exigem a
verificação de um ilícito anterior. Ex.: rompimento de relações diplomáticas, cancelamento de
emissão de vistos, suspensão de ajuda econômica, retirada de um país em desenvolvimento do
sistema de preferência do GATT.

b)Contramedidas
Antigamente eram chamadas de represálias. É necessária a verificação de um ilícito
anterior para que as contramedidas possam ser invocadas. Elas procuram forcar a mudança de
comportamento.
Princípio da Igualdade Soberana: Estados são juridicamente iguais entre si. Um Estado
não pode punir outro Estado que esteja violando o direito internacional. Segundo o artigo 51 do
Projeto de 2001, as contramedidas precisam ser estritamente proporcionais: o Estado que sofre
a violação não pode causar ao Estado violador um prejuízo maior do que aquele que está
sofrendo. (A contramedida não tem natureza punitiva, mas sim instrumental.)
As contramedidas precisam ser reversíveis. Elas devem ser retiradas quando o ilícito
cessar. Havendo a implementação do direito internacional, as contramedidas precisam ser
retiradas imediatamente. Ex.: embargos econômicos, congelamento de bens; suspensão de
tratados.
Em direito internacional, podem haver sanções punitivas em que certas normas
internacionais podem ser descumpridas sem a preocupação com a proporcionalidade. Isso
demanda a verificação de relação vertical entre os participantes. Tais relações são encontradas
hoje no contexto de certas organizações internacionais. Mediante o consentimento dos
membros de certas organizações, ao ingressarem em seu tratado, eles podem ser objeto de
punição (ex.: cláusula democrática do Mercosul). Estados sempre têm relação horizontal.
O Conselho de Segurança da ONU no contexto da manutenção da paz e da segurança
pode emitir resolução obrigatória mesmo para Estados não membro da ONU (Artigo 2, 61 da
Carta ONU)

16. A Organização fará com que os Estados que não são Membros das Nações Unidas ajam de acordo com esses Princípios em
tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais.
JURISDISÇÃO
Jurisdição é termo normalmente empregado em direito internacional para descrever os
poderes e, também, os limites a tais poderes de um Estado sobre pessoas, sobre bens e sobre
fatos ou eventos.
Em primeiro lugar, esses poderes podem estar relacionados a competência legislativo
para produzir leis aplicáveis a essas pessoas, bens e fatos ou eventos – jurisdição legislativa.
Em segundo lugar, esses poderes podem estar relacionados à competência dos tribunais
internos para julgar pessoas, bens e fatos ou eventos – jurisdição judicial.
Por fim, esses poderes de um Estado podem estar relacionados à autoridade que seus
agentes e órgãos possuem para recorrer à força física quando necessário à aplicação das leis e
dos julgamentos – jurisdição implementadora2.
O direito internacional raramente obriga aos Estados em seu interior a estabelecer e
exercer jurisdição.
Há, todavia, alguns tratados atualmente que obrigam os Estados a fixar e a exercer
jurisdição. Um exemplo é a Convenção de 1984 contra à tortura. Com base nessa Convenção, os
Estados-partes precisam legislar proibindo a tortura em seu território. Ao ingressar na
Convenção, o Brasil criou a lei 9455/97. Essa Convenção é exemplo de tratado que consagra o
princípio aut dedere, aut judicare (o Estado ou extradita, ou julga).
O direito internacional, todavia, impõe diversos limites à jurisdição dos Estados. Isso
porque a noção de soberania em direito internacional não é mais absoluta, e sim relativa.
Quando trabalhamos com a jurisdição implementadora percebemos que ela é por
excelência uma jurisdição territorial.
Quando trabalhamos com as jurisdições legislativa e judicial normalmente são
territoriais, mas admite-se em diversos casos a extraterritorialidade.
Em matéria civil, o direito internacional é bastante flexível. As jurisdições legislativa e
judicial podem ser extraterritoriais quando existir elemento que conecte aquela situação ao
Estado em questão. No novo CPC, nos artigos 21, 22 e 23, encontramos as hipóteses de
jurisdição dos tribunais brasileiros quando a situação envolve direito internacional privado. Para
saber qual lei é mais adequada, buscamos na LINDB que diz que a lei aplicável é a lei do local do
contrato.
Existem alguns princípios de jurisdição criminal eu o direito internacional autoriza aos
Estados empregar:
• princípio da territorialidade: os Estados podem julgar os crimes ocorridos em seu
território; segundo o artigo 6º no Código Penal, um crime é cometido no Brasil quando
a ação ou o resultado se dão em nosso território;
• princípio da nacionalidade (ativa ou passiva): se o autor do crime é nacional do Estado,
o Estado em questão pode julgá-lo; se a vítima do crime é nacional do Estado, o Estado
em questão pode julgar o autor do crime;
• princípio protetivo: crimes no estrangeiro que afetem a soberania ou o interesse
nacional também permitem o exercício de jurisdição
• princípio da universalidade ou da jurisdição universal: permite que qualquer Estado
possa exercer jurisdição sobre um crime mesmo que praticado no exterior por um crime
(ex.: crime de pirataria - artigo 100 da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar)

Defende-se atualmente que certos crimes da maior gravidade em direito internacional


permitam a aplicação desse princípio segundo o costume internacional (crime contra a
humanidade, de guerra e de genocídio).
Um crime em direito internacional

2 Enforcement jurisdiction
Leituras Obrigatórias:
Celso – Capítulo XXXII
Guido – Capítulo 12 (págs. 273-274 – imunidades das OIs)
Accioly – Parágrafos 2.9, 2.9.1, 2.9.2, e 2.9.4
Rezek – Parágrafos 89 e 92

Leituras Avançadas:
Amaral Júnior – Parágrafos 12.1 e 12.2.
Mazzuoli – Parágrafo 1 da Seção IV do Capítulo II da Parte II
Portela – Subparágrafo 8.4 e Parágrafo 9 (sem os subparágrafos) do Capítulo V da Parte I

Leitura complementar em língua estrangeira:


Lowe/Staker (in Evans) - Chapter 11.