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O Extermínio do Amanhã -

Parte 1
E S C R IT O P O R H É L IO A N G OT T I N E T O | 1 7 J A N E I R O 2 01 7

Considerações Preliminares

Julgo importante definir alguns termos que utilizo e explicitar as premissas e conclusões de
minhas primeiras observações[1] para auxiliar o leitor no seguimento do raciocínio exposto.
Também desejo, com isso, deixar bem claro os argumentos e fatos que eu julgo importantes a
ponto de serem contestados.

Devo ressaltar primeiro que se fala do aborto de fetos até doze semanas, embora os
defensores do aborto (doravante chamados de abortistas) muitas vezes defendam o aborto até
o momento do parto, e alguns ainda mais radicais defendam o homicídio infantil por qualquer
razão, desde que seja advinda do desejo materno de eliminar sua prole.

Não trato aqui do aborto em situações trágicas como estupro, risco de morte materna ou
deformações gravíssimas; temas estes que merecem uma discussão à parte e que extrapolam
as possibilidades da presente exposição.

Em relação à terminologia, chamo de abortistas todos aqueles favoráveis à liberação do aborto


conforme o desejo da mãe. Chamarei de aborteiros os médicos e demais técnicos que se
prontificam a executar o ato do aborto ou indicar fármacos abortivos.

Por fim, este texto é uma resposta a um artigo publicado no portal Academia Médica, pela
advogada Renata Rothbart.[2]

Argumentos e Fatos Básicos

A questão fundamental do aborto é a definição de quem podemos e de quem não podemos


matar.

A definição do valor e da dignidade da vida humana define toda a nossa civilização e nossa
visão de mundo. É uma questão central de nossa cultura.

A maioria do povo brasileiro é frontalmente contra a liberação do aborto, ao contrário da elite


abortista.[3]

Comparações entre fetos e segmentos do corpo humano, aglomerados celulares ou parasitas


são esdrúxulas.

O feto e o bebê são seres humanos, definidos biologicamente por meio da genética (herança
cromossômica mista advinda de genitores) e da embriologia. Logo, o estatuto humano dos
fetos e bebês é científico, empírico e inquestionável.[4]

O número comprovável de mortes maternas por abortos clandestinos no Brasil é muito menor
do que o divulgado pela propaganda abortista de má qualidade.

A disposição em exterminar a vida humana ou ser conivente com seu extermínio configura
falha moral grave, ou incapacidade cognitiva e imaginativa em acessar a esfera moral da
existência humana.[5]

Autorizar o homicídio de bebês e fetos não é uma questão de escolha, é uma questão de
destruição existencial do próximo, é o ápice do solipsismo irresponsável e egocêntrico. Permitir
tal ato atesta contra a sociedade como um todo, assim como permitir outros atos hediondos
como a tortura ou o estupro.

Um critério pragmático utilizado para definir morte por meio da cessação da atividade cerebral
em pacientes no fim de sua vida não pode ser um critério filosoficamente ou cientificamente
aceitável para definir o início ontológico da vida humana, repleta de possibilidades.

O debate acerca do aborto está repleto de falácias e truques erísticos de péssima qualidade.[6]

A Rotulação Odiosa

A erística é a arte de apelar para truques psicológicos numa discussão ou debate, configurando
ato inadequado. Renata Rothbart, em seu texto, comete alguns pontos erísticos os quais devo
começar a apontar antes de prosseguir.

Segundo ela,

Hoje, em meio a tantos fatos trágicos que acometeram nossa semana, trago um sopro de
esperança para os defensores das liberdades individuais, para as “mentes abertas”. Digo
mente aberta, não porque acho que todos devem ser favoráveis ao aborto, mas porque
normalmente as mentes abertas não impõem seus pontos de vista de maneira autoritária a
uma coletividade. Simplesmente respeitam.[7]

Ela consegue, em um breve parágrafo, utilizar o recurso conhecido como rotulação odiosa[8]
diversas vezes. Lendo seu texto é possível perceber que, para Renata, quem não concorda
com a iluminada perspectiva de exterminar vidas humanas tem a mente fechada, desrespeita
as liberdades individuais e impõem sua vontade de forma autoritária a uma coletividade. São
simplesmente desrespeitadores.

Creio que algo parecido pode ser dito a respeito dos abortistas e aborteiros. Não compreender
que uma vida humana tem valor é de um obscurecimento da consciência digno de nota. É um
tipo de cegueira existencial em relação à manifestação de valores. Mais do que desrespeitar
liberdades individuais, abortistas desrespeitam a existência de milhões de seres humanos,
assassinados dia após dia. Alguém pensa numa imposição de ponto de vista mais autoritária
que aquela que visa o extermínio de milhões de vidas humanas? É uma imposição autoritária a
uma enorme coletividade assassinada.

Renata apela a um voluntarismo seletivo, acusando os que discordam de terem a mente


fechada. Creio que o apelo à existência de um ser vivo é muito mais concreto e objetivo que o
triunfo das vontades. Se, para Renata, opor-se à vontade humana que deseja exterminar uma
vida humana é autoritarismo tacanho (de mente fechada), o que impede então o exercício da
vontade humana em atos menos definitivos como o estupro e a tortura?

Recuso a rotulação indevidamente imposta a um dos lados do debate. Ou, se devo aceitá-la,
demonstro que o abortista cabe ainda melhor na rotulação feita.

O Eufemismo e a Metonímia do Extermínio

Como todos aqueles que relativizam o valor da vida humana e apoiam o aborto, a autora faz
uso de incríveis malabarismos verbais para não ter que dizer a coisa às claras. Segundo ela,
não foi considerada crime, pela Primeira Turma, a “interrupção da gravidez até o terceiro mês
de gestação”.[9] Creio, sinceramente, que ela o faz por costume e por consagração do uso pelo
meio; mas é fato que estamos falando da destruição irreversível de uma vida humana,
expressão forte que é descrita de forma bem anódina e procedimental como interrupção da
gravidez.

É como anunciar para alguém prestes a ser torturado que tudo o que será feito consiste numa
extração técnica da verdade mediante a estimulação neural sensitiva.
O termo interrupção da gravidez pode ser utilizado, não me entendam mal. Mas é obrigatório
que todos entendam as reais consequências e a amplitude dessa intervenção num processo
fisiológico. Também é necessário que todos compreendam que estamos usando uma
metonímia, expressando um todo complexo ao utilizar a denominação de somente uma de
suas partes ou elementos constitutivos. Há diversos atos e consequências a serem
considerados: um procedimento invasivo no corpo da mãe que trará efeitos colaterais, a
destruição irreversível da vida humana, os efeitos psicológicos que acompanharão a mãe e a
família para sempre, a deturpação da profissão médica que se presta a eliminar vidas ao invés
de protegê-las e as consequências civilizacionais importantes que mudarão completamente a
forma de pensar e agir de toda a sociedade.

Todavia, alguém, neste momento, pode interpelar-me com a acusação de que também recorro
à metonímia ao denominar a situação que envolve o aborto de “extermínio da vida humana”.
De certa forma, procede a acusação. Porém, é uma metonímia de caráter muito mais objetivo e
inclusivo do que a realizada por abortistas em geral ao chamarem tudo pelo nome de
“interrupção da gravidez”. Extermínio da vida humana remete ao fato bruto e concreto, de
caráter objetivo e irreversível, explicitamente desejado pelo aborteiro e pelos abortistas. Nesse
sentido, falo de algo muito mais próximo da realidade do que alguém que recorre a um
adocicado eufemismo.

Falha formal e deficiência da dimensão normativa

Renata acerta em cheio ao explicar o contexto da decisão tomada pelo Supremo Tribunal
Federal. Segundo ela,

É, sem dúvida alguma, uma decisão histórica e controversa, pois como também li em alguns
comentários, na prática o STF legislou a respeito do tema, competência que via de regra
pertence ao Congresso Nacional. Mas é importante lembrar que a Corte Constitucional
Brasileira já havia “legislado” quando descriminalizou o aborto em caso de fetos anencefálicos,
em 2013.[10]

Dois erros não fazem um acerto, tampouco fazem uma tradição, a não ser que estejamos
falando de ser tradicional em cometer erros. Na concepção de Miguel Reale, a decisão
legisladora do Supremo Tribunal Federal poderia ser considerada falha no aspecto normativo,
configurando norma invalidada por erro formal.[11] Não estou em minha praia ao falar de
assuntos jurídicos, mas a própria Renata, aqui defendendo a liberação do aborto até à 12ª
semana, concorda que a decisão é, pelo menos, controversa. Também é possível perceber
que nossos supremos juízes estão fazendo carreira em decidir e legislar de forma
controversa.[12]

A Absolvição dos Aborteiros

A autora destaca a absolvição dos cinco aborteiros e de seus funcionários que trabalhavam em
uma clínica clandestina de aborto na cidade de Duque de Caxias. Ela vê com bons olhos essa
novidade, essa absolvição. Dois dos elementos absolvidos foram presos um ano após o aborto
em Caxias ao assassinarem Jandira dos Santos Cruz num novo aborto. Deram um tiro na
cabeça do cadáver da jovem mãe, esquartejaram o corpo e o queimaram para simular um
assassinato “comum”.[13]

Isso nos faz refletir sobre o caráter daqueles que executam o feto, ou o bebê, em alguns casos,
mundo afora. O exemplo da megaempresa Planned Parenthood, dos Estados Unidos, fundada
pela eugenista racista Margaret Sanger, é gritante. Eles simplesmente transformaram fetos em
mercadorias, vendidas pelo melhor lance à la carte.[14]

A Planned Parenthood realmente é a mega indústria do aborto.[15] Possui ramos ativistas em


termos legais e, inclusive, científicos, incluído seu braço destinado a publicar “ciência”, o
Instituto Guttmacher[16], responsável pelo artigo citado por Renata Rothbart como aquele que
“acaba com todos os argumentos de que a criminalização diminui as taxas de aborto”. Falarei
mais sobre esses conflitos de interesse adiante, ao comentar a respeito da qualidade do artigo
exibido pela apologista da liberação do aborto.

Alguns são mais iguais que outros

Para Renata, é inconstitucional que algumas mães façam aborto em clínicas clandestinas
privadas e outras sejam obrigadas a passar por consequências cruéis e desumanas. Tal fato
“viola o princípio da igualdade e da dignidade humana”[17].

É como se aqueles com dinheiro fossem transportados a maravilhosas clínicas onde aborteiros
capacitados fazem seus procedimentos avançados, isentos a complicações horrendas que
serão impostas às pobres mães que não podem contratar os serviços eficazes dos aborteiros
de qualidade. Concepção esta imediatamente desmentida ao observarmos os aborteiros
livrados pelo Supremo Tribunal Federal e como mascararam a morte para depois esquartejar e
queimar uma pobre mãe convencida de que matar sua prole seria algo correto.

Posteriormente, posso abordar as inúmeras complicações causadas pelo abortamento em


clínicas autorizadas e fiscalizadas, mesmo que seja o farmacológico. Neste momento, cabe
dizer que mesmo a mulher rica se expõe ao risco, embora o faça com instrumentos às vezes
melhores que aqueles utilizados pelas mulheres mais carentes.

Quanto à evocação do princípio da igualdade e da dignidade humana, é curiosíssimo notar


como o feto – humano – é excluído. É como George Orwell escreveu em sua obra A Revolução
dos Bichos: Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros.[18]

Seria mais acurado se os abortistas dissessem que seres humanos possuem dignidade de
acordo com o estágio etário em que se encontram. É claro que tal afirmação iria frontalmente
contra a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica, do
qual o Brasil é signatário), que afirma inequivocadamente que:

1 – Pessoa é todo ser humano;

2 – Toda pessoa tem o direito do reconhecimento de sua personalidade jurídica;

3 - Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela
lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida
arbitrariamente;

4 - Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido.[19]

Mas quando é hora de arrumar uma justificativa para o genocídio da geração seguinte, os
direitos humanos nem são tão humanos assim, certo? Ou, misteriosamente, só é humano
quem um grupo seleto de iluminados decide que é.

Notas:

[1] Internet, https://academiamedica.com.br/no-fundo-questao-e-sobre-quem-podemos-matar/

[2] Renata Rothbarth é advogada, Mestranda pela Universidade de São Paulo e Pesquisadora
no Centro de Estudos e Pesquisas em Direito
Sanitário. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-frente-ao-aborto/

[3] Como pode ser verificado em interessante pesquisa do instituto Datafolha de fevereiro de
2016, na qual a maior parte da população é contrária ao aborto mesmo em casos de
microcefalia confirmada no pré-natal. Entre a população de baixa renda, 63% dos entrevistados
são contra o aborto. Entre os de alta renda, 38% são contra o aborto. Em pessoas de todos os
níveis de escolaridade, a rejeição ao aborto nesses casos dramáticos segue com a maioria.
DATAFOLHA ISNTITUTO DE PESQUISA. Opinião sobre o vírus zika. PO813843. 24 e
25/02/2016 Internet, http://media.folha.uol.com.br/datafolha/2016/02/29/zika.pdf

[4] Algumas referências básicas para os realmente curiosos: CARLSON, B. M. Embriologia


humana e biologia do desenvolvimento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996; MOORE, K.
L. Embriologia básica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000; MOORE, K.
L. Embriologia clínica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008; GRIFFITHS, A. J.
F. Introdução à genética. 9. ed. . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008; PASTERNAK, J.
J. Uma introdução à genética molecular humana: mecanismo das doenças hereditárias. 2. ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007; THOMPSON, M. K. Thompson & Thompson
genética médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

Até mesmo os pensadores abortistas de renome internacional compreendem o estatuto


humano do feto e do embrião. Peter Singer afirma que “Neste sentido (determinado
cientificamente pelo exame da natureza dos cromossomos nas células dos organismos vivos),
não há dúvida de que desde o primeiro momento de sua existência um embrião concebido de
esperma e óvulos humanos é ser humano.” SINGER, Peter. Writings on an Ethical Life. New
York: Eco Press, 2000, p. 127.

[5] Dizer que não podemos acessar a esfera moral da realidade, ou que esta é subjetiva no
sentido de acusar irrealidade dos valores, é uma postura filosófica, jamais científica.
Abordagens filosóficas de grande qualidade, como aquelas feitas por Xavier Zubiri e Alfonso
López Quintás tratam bem da temática dos valores e de sua realidade.

[6] Para uma análise detalhada, ampla e hábil dos argumentos contra e a favor do
abortamento, recomendo a seguinte obra: KACZOR, Christopher. A ética do aborto. Direito das
mulheres, vida humana e a questão da justiça. São Paulo, SP: Edições Loyola, 2014.

[7] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-frente-


ao-aborto/

[8] SCHOPENHAUER, Arthur. Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão. Em 38
Estratagemas (Dialética Erística). Introdução, Notas e comentários: Olavo de Carvalho. Rio de
janeiro: Topbooks, 2003, p. 174.

[9] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-frente-


ao-aborto/

[10] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-


frente-ao-aborto/

[11] REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. Adaptado ao Novo Código Civil – Lei nº
10.406, de 10-1-2002. São Paulo: Editora Saraiva, 2009.

[12] Recomendo o artigo publicado pelo advogado Eduardo Luiz Santos Cabette, que possui
muito mais conhecimento jurídico e propriedade para tratar desse assunto do que eu, e fornece
uma análise muito justa e completa em: CABETTE, Eduardo Luiz Santos. Os Abortos do
STF. JUSBRASIL. Internet, http://eduardocabette.jusbrasil.com.br/artigos/416933697/os-
abortos-do-stf

[13] FANTI, Bruna. Sentença que absolve ato em até 12 semanas de gravidez divide
especialistas. O DIA. Internet, http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2016-12-01/decisao-do-stf-
sobre-aborto-em-caxias-provoca-polemica.html ; Encontrado o corpo da jovem Jandira Cruz
que buscou aborto clandestino. Bom Dia
RJ. Internet, https://www.youtube.com/watch?v=Z2T40ky2x7Y

[14] O horrível mercado de peças humanas pode ser conferido no site do The Center for
Medical Progress. Internet, http://www.centerformedicalprogress.org/

[15] Trato com mais detalhes acerca do sangrento e lucrativo negócio da Planned Parenthood
em: ANGOTTI NETO, Hélio. Máquina de Fazer Dinheiro. Seminário de Filosofia Aplicada à
Medicina. Internet, http://medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2016/11/maquina-de-fazer-
dinheiro.html

[16] Mais sobre o Instituto Guttmacher e os laços com a Planned Parenthood podem ser
encontrados em portais de informação do próprio Instituto e em dezenas de locais pela internet:
GUTTMACHER INSTITUTE. Partnerships &
Collaborations. Internet, https://www.guttmacher.org/about/partnerships-collaborations ;
GUTTMACHER INSTITUTE. Frequently Asked
Questions. Internet, https://www.guttmacher.org/guttmacher-institute-faq#5 ; BOMBERGER,
Ryan. You’ve Been Guttmacher’d: Planned Parenthood’s Baby.
Internet, http://www.lifenews.com/2011/09/06/youve-been-guttmacherd-planned-parenthoods-
baby/ ; NOVIELLI, Carole. How ‘independent’ is Guttmacher from Planned Parenthood?
Internet, http://liveactionnews.org/how-independent-is-guttmacher-from-planned-parenthood/

[17] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-


frente-ao-aborto/

[18] ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

[19] COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Convenção Americana sobre


Direitos
Humanos. Internet, https://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/c.convencao_americana.htm
O Extermínio do Amanhã -
Parte 2
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O Exemplo dos primos ricos

Uma das razões apontadas para reforçar a atitude de nossos juízes em optar pela progressiva
descriminalização do aborto é o “entendimento pacífico em países do hemisfério norte”[1],
como se ricos tomassem decisões melhores do que pobres ou menos ricos.

Isto é um non sequitur, uma falha lógica clássica. Do fato de ser rico não se deduz que eles
tomaram a melhor decisão.

Outro ponto não abordado no texto de Renata Rothbart: a legalização do aborto ainda segue
em ferrenha discussão nos Estados Unidos, por exemplo, desde a famigerada decisão tomada
em Roe VS Wade, em 1973, que foi precursora da liberação do aborto.[2] Ademais,
recentemente, o que se discute é a remoção de verbas federais destinadas às clínicas de
aborteiros, mostrando uma tendência de retroceder a política abortista em alguns pontos.[3]

Se alguém quer seguir tendências de países ricos, talvez seja mais defensável restringir o
aborto ou manter sua restrição por enquanto.

Legislando sobre a Realidade

Há teorias para tudo, desde as mais realistas até as mais estapafúrdias, compatíveis com
todos os gostos. Renata afirma que há várias correntes doutrinárias que pontuam sobre o início
da vida e a personalidade jurídica do feto. Até aí, tudo bem, embora tais conceitos estejam – ou
estavam, nesses tempos de incerteza – bem estabelecidos em nossa lei. A afirmação seguinte
é que chama a atenção:

(...) me parece mais realista a [corrente doutrinária] que sustenta que antes da formação do
sistema nervoso central e da presença de rudimentos de consciência – o que geralmente se dá
após o primeiro trimestre da gestação – não é possível falar-se em vida em sentido pleno.[4]

Antes de continuar, vamos combinar que o que deve parecer mais realista é aquilo que se
aproxima ao máximo da realidade empírica comprovável por observação autoevidente direta ou
por teoria mais plausível e confirmada em experimento reprodutível, certo?

Os critérios científicos e empíricos mais reprodutíveis e verificáveis indicam que não há um


estado de plenitude de vida demonstrável objetivamente. Isto é, nosso organismo - cérebro e
consciência incluídos - está em constante modificação, regeneração, degeneração e
adaptação, sendo que certos subsistemas, como o visual, por exemplo, continuam a se
desenvolver de forma intensa e radical durante anos após o nascimento.[5] Deveríamos então
massacrar crianças de seis anos por não possuírem vida e sentido pleno conforme critérios
encefálicos visuais?

E para cada organismo, extremamente complexo e único, há diferentes momentos de plenitude


em diferentes sistemas e funções!

Ademais, quando alguém pode com segurança definir o ponto de corte inicial para ousar
afirmar o que seria um rudimento de consciência? Se o feto humano adquire, eventualmente,
consciência passível de verificação por comunicação em determinado momento, e o feto do
tatu-bola jamais a adquire, há um “rudimento”, um tipo de potencial em ato ali manifestado, que
aponta claramente para o desenvolvimento progressivo de consciência, a ser sustentado e a
sofrer modificações pelo resto da vida. Apontar o dedo magicamente para um momento da vida
humana e afirmar ali a presença real de um divisor de águas, seja aos três meses de gestação,
seja aos seis anos de idade, seja aos noventa e seis anos, implica num nível de arbitrariedade
e falta de cautela insuportável.

E se alguém deseja manifestações de rudimentos de consciência ou desenvolvimento


neurológico, faria bem em informar-se um pouco melhor ou definir melhor seus critérios.

A partir da sétima semana após a concepção, por exemplo, o feto já reage a estímulos ao redor
da boca, afastando a cabeça; uma clara demonstração de aparato neurológico em
desenvolvimento. Na décima primeira semana, já está formada a estrutura para sensibilidade
cutânea do rosto, das mãos e dos pés. Um pouco mais tarde, na vigésima segunda semana, o
bebê reage até mesmo à música ambiente![6]

Decidir por atos irreversíveis em situações tão duvidosas, em si, já configura ato moral
reprovável. Sendo o abortamento irreversível e destrutivo, e existindo dúvidas acerca da
realidade que o abrange, a opção pela sua aplicação é eticamente insuportável.

Disso tudo eu concluo: não é possível falar de vida em pleno sentido a respeito de nenhum de
nós, nem de mim, nem da sra. Renata. Disso não se deduz jamais que mereçamos o
extermínio na mão de aborteiros assassinos.

Sem Pé nem Cabeça

A fala do Ministro Luís Roberto Barroso citada na apologia abortista é insustentável. Mais
um non sequitur,sem lógica e sem fundamento.

a mulher que se encontre diante desta decisão trágica – ninguém em sã consciência suporá
que se faça um aborto por prazer ou diletantismo – não precisa que o Estado torne a sua vida
ainda pior, processando-a criminalmente. Coerentemente, se a conduta da mulher é legit́ ima,
não há sentido em se incriminar o profissional de saúde que a viabiliza.[7]

Lamento informar ao ministro que ele vive num mundo alternativo, no qual a natureza humana
alternativa difere da realidade de diferentes civilizações humanas do planeta Terra, aqui da Via
Láctea mesmo.

Mulheres procuram o aborto pelas mais diferentes razões, incluídas as situações trágicas como
o estupro, o risco de vida materna e o diagnóstico de anencefalia, até situações corriqueiras
como falhas na anticoncepção e o receio de perder a aparência estética. Coisa que não é
novidade, haja vista o relato deAulus Gellius em sua clássica obra Noites Áticas, na qual
descreve a visão desfavorável que Favorinus (A.D. 80-150) tinha das mulheres que abortavam
para manter sua beleza.[8]

Para quem duvida da capacidade humana em fazer o mal, uma rápida procura em jornais e
reportagens mostrará uma bizarra e ampla coleção de fatos.[9]

O ser humano pode agir com base nos mais nobres e puros ideais, assim como também pode
tornar-se cruel e cínico ao extremo. Reconhecer que abortos podem ser realizados também por
motivos esdrúxulos não é ausência de sã consciência, é realismo. Chamar quem reconhece a
inclinação maligna de certas condutas de louco não parece digno, tampouco compatível, com o
ofício exercido pelo Sr. Barroso ou pela Sra. Renata, que o cita.

Falta de sã consciência é a afirmação de que “se a conduta da mulher é legítima, não há
sentido em se incriminar o profissional de saúde que a viabiliza.”

Na Constituição brasileira, o aborto não é legítimo de forma alguma. O Sr. Barroso está
realmente em uma realidade paralela. Mesmo nos casos em que não se prevê prisão, julga-se
que a pena não deve ser aplicada mediante o sofrimento pelo qual a mãe já passou. Quanto ao
aborteiro que executou o feto, há uma concepção de que o mal menor foi feito. De uma
possibilidade num mundo imaginário não se deve deduzir que aborteiros possam trabalhar
livremente.

Se um dia o aborto for legalizado de forma irrestrita no Brasil, pelos nossos legisladores, aí sim
a prática dos aborteiros será legítima.

Peço desculpas por falar de coisas tão óbvias, mas nesses nossos dias de inversão da
realidade, ter consciência parece ser elemento suficiente para que alguns achem que você não
está em “sã consciência”.

O Escotoma Negativo Abstrativo

Essa expressão que mistura termos emprestados da filosofia e da oftalmologia descreve o


seguinte fenômeno: É feito um recorte da realidade do qual se enfatiza somente um aspecto da
questão, instrumentalizado para apresentar um fato concreto sob a mais favorável perspectiva
possível, sutilmente obscurecendo os demais aspectos da realidade ao ponto de não percebê-
los mais. É como se intelectual ou moralmente optássemos por enxergar somente aquilo que
desejamos, é fazer uma abstração extremamente reducionista.[10]

Esse escotoma pode ser premeditado ou inadvertido. No caso da articulista Renata Rothbart,
há opção deliberada por enxergar somente um princípio envolvido na questão: o da autonomia.

Diz ela: “Não sou exatamente a favor do aborto, sou a favor da autonomia da mulher”.[11] Acho
curiosíssima essa dissociação de elementos concretos da realidade. Se tal artifício facilita em
muito o raciocínio lógico e fornece aparência de rigor, por outro lado serve como instrumento
de simplificação reducionista e tendenciosidade.

É como dizer coisas do tipo:

Não sou exatamente a favor do estupro, sou a favor de que cada um obtenha suas formas de
prazer.

Ou ainda:

Não sou a favor da tortura, sou a favor da obtenção da verdade.

A advogada Renata diz que foca a questão na mulher, pois é do sexo feminino que nascem os
bebês. Se fossem homens os gestantes, Renata afirma que defenderia a autonomia deles
também. Mesmo que se trocassem os sexos, o reducionismo em se abordar somente pelo lado
da autonomia fingindo que pouca importância tem a vida concreta do ser humano permanece
como fonte de importante escotoma abstrativo mental.

Falemos as coisas como são: busca-se a oportunidade de ter orgasmos – às vezes - em


relacionamentos sexuais despreocupados, nem que vidas tenham que ser sacrificadas para
isso. Não sou juiz da vida privada de ninguém, mas é preciso compreender que uma sensação
transitória não pode ser elevada acima de uma vida humana. Isso não é autonomia num
sentido socialmente aceitável, amplo e justo; isso é a autonomia libertina de um ao custo da
escravidão total ao ponto de se exterminar o outro.

Falta de Responsabilidade

No artigo abortista, lê-se que:

Fato é que a legislação vigente, que data da década de 1940, coloca barreiras ao direito de
autodeterminação, retirando da mulher a possibilidade de decidir de maneira livre sobre a
maternidade.[12]

Novamente a realidade sofre recortada. A mulher exerceu sua autodeterminação de forma


muito clara quando optou por ter uma relação sexual sem os devidos cuidados, engravidando
logo após.
Antes que o policiamento ideológico pró-aborto se erga furioso, estou falando de mães que
querem matar seus filhos até doze semanas da concepção. Não falo aqui das exceções como
o caso de estupro ou risco de vida materna.

Qualquer adulto minimamente maduro reconhece que cada decisão nossa traz consequências.
A autonomia é exercida na escolha da atitude que desencadeia as consequências, mesmo que
não possamos escolher escapar das consequências.

Abortismo em busca de evidências

Com muito otimismo, a Sra. Renata afirma que:

Um estudo recente publicado na Revista Lancet acaba com todos os argumentos de que a
criminalização diminui as taxas de aborto. Pelo contrário, enquanto a taxa anual de abortos em
países onde o procedimento pode ser realizado legalmente é de 34 a cada 1 mil mulheres em
idade reprodutiva, nos países em que o aborto é criminalizado, a taxa sobe para 37 a cada 1
mil mulheres. Logo, ninguém deixa de fazer aborto porque é proibido – no Brasil muito menos.

A fé no estudo publicado no periódico Lancet é curiosa, já que nem os autores do artigo citado
têm tanta confiança assim de que alcançaram conclusões capazes de “acabar com todos os
argumentos”, e afirmam por diversas vezes que se basearam em estimativas, aproximações e
pressuposições para cobrir lacunas de informação. Obrigados pela cautela do mundo científico,
os autores do artigo citado por Renata afirmam sobriamente que informações advindas de
países em desenvolvimento são escarças e de baixa confiabilidade, apelando para a hipotética
realização de maiores pesquisas no setor ao fim do artigo.[13] Também usam metodologias
baseadas em publicação do próprio local onde trabalham. Tais metodologias incluem diversas
formas de interpretação de dados baseadas, por exemplo, na suspeita de que quem responde
está mentindo acerca de ter feito aborto ou não, partindo para estimativas que inflam o número
de abortos realizados. Ademais, os cálculos baseiam-se, em sua origem, em dados
governamentais advindos de locais que lidam com as consequências e complicações do
abortamento induzido.[14]

Quanto ao possível conflito de interesse no artigo citado, seus autores declaram não existir,
mesmo sendo eles comprometidos com a causa abortista até à medula enquanto membros
do Alan Guttmacher Institute, órgão nascido como braço científico da megaempresa
abortista Planned Parenthood. Maior conflito de interesse que esse é impossível.[15] É um
instituto claramente engajado na causa abortista e que prega a destinação de verbas públicas
para a máquina de extermínio.

Em relação aos dados, mesmo que suponhamos que sejam honestos, é curioso notar que as
leituras foram feitas de 1990 em diante, sendo que o aborto foi legalizado em diversos países
décadas atrás, como o que ocorreu nos Estados Unidos no famoso caso Roe X Wade, de
1973.

De 1970 à 1980, abrangendo a época de legalização do aborto, o número de abortos


realizados a cada 1000 nascimentos vivos ascendeu de 52 a 359, um aumento de cerca de
600%. O número bruto de abortos após a legalização em 1973 saltou de 615.831 para
1.297.606.[16]

Na Espanha, após a instituição da Ley Orgánica 9 de 1985, o número de abortos induzidos no


ano seguinte foi de 16.206. Antes da legalização era de 411. Se vocês acham que era pequeno
por não ser reportado, veja que dez anos depois, na situação de aborto legalizado e
regularmente reportado, o número de abortos induzidos superou 50.000 casos anuais.[17]

Neste momento alguém poderia dizer que esses abortos que surgiram eram clandestinos,
somente não eram contabilizados. Essa hipótese não se sustenta de forma alguma, já que o
crescimento do número de abortos ocorreu de forma contínua por anos seguidos após o fim da
restrição. A desculpa de que casos não reportados vieram à tona só cabe, parcialmente, ao
primeiro ano após a legalização, supondo que a propaganda abortista maciça não tenha tido
nenhum efeito psicológico junto à mudança legislativa convencendo imediatamente mais mães
a abortarem seus filhos.

Causa estranheza perceber que a casuística reportada pelo artigo citado começa seu relatório
somente na década de noventa, ainda mais quando se observa certa estabilização do número
de abortos após uma década de legalização e se sabe da vertiginosa queda de natalidade nos
países desenvolvidos que legalizaram o aborto, de forma geral, nas décadas anteriores.[18] O
recorte feito pelos autores do artigo é algo que beira o criminoso, a mais cínica militância
pseudocientífica. Usar esse artigo para arrogar autoridade e impor uma decisão em relação à
questão da legalização do aborto é suicídio intelectual.

Dessas informações é impossível afirmar que tal artigo destrói completamente os argumentos
que ligam legalização ao aumento do número de abortos. A afirmação de Renata foi um blefe
misturado a umargumentum ad verecundiam, um apelo à autoridade[19] de um periódico de
renome. Ademais, o próprio artigo não coloca o foco de sua pesquisa no fato de o aborto estar
ou não estar legalizado.

Questionada um pouco sobre seu artigo destruidor de argumentos contrários, a senhora


Renata manda uma “carteirada” e afirma que só no Lancet existem outros 985 artigos sobre
“Abortion Social Issues”. Poderiam ser milhões de artigos, números de trabalhos publicados
não garantem a verdade, como ela bem sabe ou devia saber. Mais um blefe e mais
um argumentum ad verecundiam. Que feio.

É curioso que a Renata afirme que sou extremamente ingênuo por apresentar dados do
DATASUS informando o baixíssimo número de mortes causadas por tentativa de abortamento
no Brasil em 2014[20], com a explicação de que estatísticas de aborto em países que
restringem sua prática não podem ser confiáveis. Digo que é curioso, pois o artigo científico
que Renata usa para acabar com todos os argumentos pró-vida de que há associação entre
restrição legal e redução de abortos, baseia-se em dados governamentais, incluindo
inferências sobre países com restrição de abortos baseados em informes diversos, incluídos
aqueles do governo.

Resumindo:

1 – O artigo citado não destrói argumento nenhum;

2 – O abortista, de forma geral, seleciona o que lhe convém para apresentar como prova;

3 – Há conflitos de interesse e falhas graves no artigo citado.

O blefe não colou. O artigo citado não refuta nada, tampouco destrói argumento algum.

O Estado falsamente neutro

Uma concepção kantiana muito comum em nossos dias é a de que um estado secular mantém
sua postura imparcial frente às religiões que são exercidas em privado pelas pessoas.

Renata Rothbart afirma que:

Em temas moralmente controvertidos, um Estado de Direito não deve tomar partido e impor
uma visão, mas sim permitir que os indivíduos façam suas escolhas pessoais de maneira
autônoma.[21]

Há uma série de confusões nessa afirmação. O Estado, neste caso a nossa elite judiciária
representada pelo Supremo Tribunal Federal, não ficou imparcial de forma alguma. A questão
não é simplesmente se podemos ou não fornecer o aborto. A verdadeira questão é qual o ser
humano que o Estado tem autorização para eliminar e quais habitantes estão fora da
possibilidade de serem exterminados.
Ou se protege a vida humana em todas as suas manifestações e a vida é sagrada, ou não.
Quando o aborto deixa de ser crime, voltamos ao tempo pré-hipocrático no qual médicos
oficialmente eliminavam vidas humanas.

Permitir o aborto não é permanecer neutro deixando cada um fazer o que quiser. Deixar cada
um fazer o que quiser é claramente assumir uma posição e deixar bem claro os critérios que
fundamentam o valor – ou a falta de valor – que damos à vida humana.

O que os juízes fizeram não foi manter a neutralidade. Eles assumiram a posição que
desrespeita a vida humana, os valores do povo brasileiro e toda a maioria religiosa - e também
não religiosa - que abomina o extermínio de vidas humanas.[22] Eles são parte de um
calculado e bem arquitetado retrocesso de milhares de anos que desvaloriza novamente a vida
humana e nos destitui de conquistas culturais e jurídicas que fundaram nossa civilização.

Notas:

[1] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-frente-


ao-aborto/

[2] UNITED STATES SUPREME COURT. ROE v. WADE, (1973). No. 70-18. Argued:
December 13, 1971. Decided: January 22, 1973. Internet, http://caselaw.findlaw.com/us-
supreme-court/410/113.html

[3] CONGRESS.GOV. All Bill Information (Except Text) for H.R.3134 - Defund Planned
Parenthood Act of 2015. Internet, https://www.congress.gov/bill/114th-congress/house-
bill/3134/all-info

[4] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-frente-


ao-aborto/

[5] RIZZO, Joseph F. “Embriology, Anatomy, and Physiology of the Afferent Visual Pathway.” In:
MILLER, Neil R.; NEWMAN, Nancy J. Walsh & Hoyt’s Clinical Neuro-
Ophthalmology 6th edition. 3 vols. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p. 3-82.

[6] Uma rápida introdução às características fetais, em linguagem bem acessível e contendo
informações científicas amplamente fundamentadas em bibliografia adequada, pode ser
encontrada em BELLIENI, Carlo. Se não é um ser humano... O feto: um novo membro da
família. São Paulo: Edições Loyola, 2008.

[7] HABEAS CORPUS 124.306. RIO DE


JANEIRO. Internet, https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.p
df

[8] ABORT73. Ancient Abortion History. A look at the methods and perceived morality of
abortion in the ancient
world. Internet, http://abort73.com/abortion_facts/ancient_abortion_history/

[9] PAVÃO, Gabriela; CASTRO, Nadyenka. Casal confessa tortura de menino em rituais de
magia negra, diz delegada. G1. Internet, http://g1.globo.com/mato-grosso-do-
sul/noticia/2016/02/casal-confessa-tortura-de-menino-em-rituais-de-magia-negra-diz-
delegada.html ; MARQUES, Eliete. Criança de 5 anos é morta em suposto ritual satânico em
RO, diz polícia. G1. Internet, http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2014/04/crianca-de-5-anos-
e-morta-em-suposto-ritual-satanico-em-ro-diz-policia.html

[10] ANGOTTI NETO, Hélio. Bioética e guerra cultural III: o escotoma negativo abstrativo. Mídia
Sem Máscara. Internet, http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/15261-2014-06-13-20-
43-29.html
[11] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-
frente-ao-aborto/

[12] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-


frente-ao-aborto/

[13] “Reliable estimates of abortion incidence in the developing world are scarce and additional
research in this area is needed to improve our ability to monitor and more accurately estimate
trends in this region.” Gilda Sedgh, Jonathan Bearak, Susheela Singh, Akinrinola Bankole,
Anna Popinchalk, Bela Ganatra, Clémentine Rossier, Caitlin Gerdts,Özge Tunçalp, Brooke
Ronald Johnson Jr, Heidi Bart Johnston, Leontine Alkema. ‘Abortion incidence between 1990
and 2014: global, regional, and subregional levels and trends’. Lancet, vol. 388, 2016, p. 258-
267.

[14] SINGH, Susheela; REMEZ, Lisa; TARTAGLIONE, Alyssa. Methodologies for Estimating
Abortion Incidence and Abortion-Related Morbidity: A Review. New York: Guttmacher Institute,
2010: 71-98.
Internet, https://www.guttmacher.org/sites/default/files/pdfs/pubs/compilations/IUSSP/abortion-
methodologies.pdf

[15] Recomendo aos leitores que investiguem por si mesmos as ligações entre o Guttmacher
Institute e a Planned Parenthood. Uma rápida busca na internet poderá revelar bastante coisa,
inclusive se feita no próprio portal do Alan Guttmacher Institute. Alguns dados extras seguem
abaixo.

- Provável exagero de dados ao lidar com estatísticas do


aborto: http://www.discoverthenetworks.org/Articles/Getting%20Desperate%20at%20Guttmach
er.html

- Relatos de que verbas federais podem promover o


aborto: http://www.discoverthenetworks.org/Articles/Howard%20Deans%20Abortion%20Contort
ions.html

- A antiga tendência do instituto de publicar na Lancet incluindo dados e estimativas


controversas: http://www.discoverthenetworks.org/Articles/Too%20Much%20of%20a%20Bad%
20Thing%20Can.html

- Uma crítica à manipulação de dados que os próprios autores do artigo citado mencionam com
parte da metodologia da pesquisa:
http://www.catholicnewsagency.com/news/proabortion_guttmacher_institute_produces_bogus_
abortion_statistics/

- Ligações com a Bill and Melinda Gates Foundation, uma organização promotora de uma
agenda política bem especifica:
http://www.discoverthenetworks.org/viewSubCategory.asp?id=1741

[16] Como pode ser visto nos relatórios do Center for Disease
Control. Internet, https://en.wikipedia.org/wiki/Abortion_statistics_in_the_United_States

[17] Conforme dados do Ministerio di Sanidad, disponíveis


em: https://es.wikipedia.org/wiki/Aborto_en_Espa%C3%B1a

[18] Sugiro que os interessados procurem informações precisas em um dos vários sites
disponíveis sobre o assunto.

Internet, http://data.worldbank.org/indicator/SP.DYN.CBRT.IN?end=2014&locations=US&start=
1960

[19] SCHOPENHAUER, Arthur. Op. cit., p. 163-172.


[20] Confira o número você mesmo: abra o site www.datasus.gov.br, clique em
INFORMAÇÕES DE SAÚDE, depois clique em ESTATÍSTICAS VITAIS - MORTALIDADE E
NASCIDOS VIVOS, depois clique novamente em ÓBITOS MATERNOS - DESDE 1996 e
selecione abaixo deste item a opção BRASIL POR REGIÃO E UNIDADE DA FEDERAÇÃO. No
quadro maior que se abre selecione os seguintes campos: Em Linha, selecione: CATEGORIA
CID 10 (CID significa Código Internacional de Doenças); Em Coluna, selecione: TIPO CAUSA
OBSTÉTRICA; Em Periodo, selecione: 2002 (depois 2003 e 2004); Em Seleções disponíveis,
selecione: GRUPO CID10 -> GRAVIDEZ QUE TERMINA EM ABORTO.

[21] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-


frente-ao-aborto/

[22] Diversas pesquisas nos últimos anos têm mostrado a ampla rejeição da sociedade
brasileira ao abortamento de seus filhos. Um exemplo relativamente recente é a pesquisa feita
pelo instituto Paraná Pesquisas, revelando um índice de rejeição ao aborto de 78% entre as
mulheres. Pesquisa disponível em: http://www.semprefamilia.com.br/wp-
content/uploads/2016/12/ParanaPesquisas-relatoriocompleto-11dez2016.pdf
O Extermínio do Amanhã -
Parte 3
E S C R IT O P O R H É L IO A N G OT T I N E T O | 2 0 J A N E I R O 2 01 7

O pior cego moral é aquele que não quer enxergar

A Sra. Renata está tranquila, pois não vê razão para temer distorções das magníficas
propostas de legalização do aborto.

Não vejo razão alguma para temer a diminuição das taxas de fecundidade ou a banalização da
prática. Pelo contrário, penso que com o enfrentamento de fatores sociais e econômicos que
dão causa à gravidez indesejada, além do avanço de políticas públicas de educação sexual
eficazes, se tornará medida excepcional.[1]

Um pouco de conhecimento histórico nos ajudaria e entender que o mal pode sim ser
banalizado.[2] E se há receio de que usem o aborto de forma banal, por que a insistência em
legalizá-lo? Estaria aí um sentimento residual de que exterminar fetos é moralmente reprovável
a ponto de não se desejar permitir fazê-lo por qualquer razão que seja?

Ademais, se o feto não for humano, ou se alguém defender a hipótese de que podemos
sacrificar alguns humanos sem maiores problemas morais, por que não empalhar fetos e
utilizá-los como decoração? Por que não criar iguarias com fetos, fazer um strogonoff fetal? Por
que não mantê-los vivos para enfiar dezenas de tubos e fazer fantásticos experimentos
científicos? Por que não comprar fetos para colher órgãos e criar uma fazenda de
transplantes? Ou ainda, por que não utilizar o feto para um sacrifício num ritual macabro? Sem
o status moral que preserva suas vidas, cedo ou tarde, virarão objetos.

Confiar que ninguém banalizará a prática é de uma cegueira histórica e de um otimismo


irresponsáveis.

Por fim, já que Renata vê com bons olhos a educação das mães e medidas de caráter cultural
sem ter que recorrer ao aborto legal, por que não buscar os bons resultados da experiência do
Chile, que alcançou uma redução do número de abortos após leis restritivas ao lado de
medidas sociais de qualidade?[3]

Eugenia e o fim dos comedores inúteis

A história realmente nos deixou um longo legado de lições que demonstram claramente o pior
e o melhor que a natureza humana pode produzir. Quando se fala das sucessivas
desvalorizações da vida humana, por exemplo, há uma ampla fonte de experiências prévias
que deve ser abordada.

Matar fetos e bebês não é, de fato, nenhuma novidade. Desde os sacrifícios rituais na
antiguidade dedicados a Moloch – uma versão antiga da Planned Parenthood? – até o
homicídio eugenista de crianças fracas na antiga Esparta, sempre existiram ameaças à vida
humana em sua manifestação mais inocente e frágil.

Manifestações mais recentes ocorreram nos regimes totalitários, nos quais os “comedores
inúteis” deveriam ser sacrificados pelo bem da coletividade. Esse sacrifício individual
promovido pelo “bem da humanidade” foi, sem dúvida, a maior causa de sofrimento e morte na
história da humanidade, como bem demonstra Joseph Rummel em suas estatísticas sobre os
massacres promovidos pelos regimes comunistas e nazistas.[4]
Infelizmente, o ser humano continuará a ser valorizado ou desvalorizado de acordo com sua
“utilidade” ou sua possibilidade de obter ou fornecer prazer. É uma tendência de se abandonar
a concepção de direitos universais, derivada da imagem digna da humanidade que a religião
legou à nossa civilização. E atentem para o seguinte fato: muitos que defendem a vida humana
nem são religiosos, e explicam a intuição moral que os obriga a resguardar a vida do feto ou do
bebê por diversas outras razões.

Renata Rothbart acerta na mosca ao avisar que a relativização do crime promovida pela
Primeira Turma será um precedente importante na decisão sobre abortar ou não os fetos
contaminados pelo vírus Zika e com a probabilidade aumentada de nascerem com
microcefalia.

Finalmente, destaco que, embora essa decisão seja apenas um precedente e não se aplique
obrigatoriamente a outros casos, o entendimento da Primeira Turma deverá ser lembrado num
julgamento previsto para o próximo dia 7 de dezembro, quando todos 11 ministros da Corte
debaterão no plenário se o aborto pode ser descriminalizado quando a gestante estiver
contaminada com o vírus da zika.[5]

Observações Finais da Réplica

O texto de Renata Rothbart não é, em nada, surpreendente. Ela reproduz, talvez com a melhor
e mais equivocada das intenções, o politicamente correto que foi enfiado goela abaixo na
população brasileira durante as últimas décadas com o apoio de verbas bilionárias de
organismos internacionais. Não a considero ingênua – como ela considera a mim -, somente
entendo que houve um apagamento moral e cognitivo intencional de algumas esferas da
realidade, comum a determinados grupos.[6] Não a conheço pessoalmente, e mesmo que a
conhecesse, não cabe julgá-la enquanto pessoa. Porém, cabe julgar a apologia à legalização
ao aborto, ato em si maligno, objetivamente e essencialmente ligado à defesa da destruição de
uma criatura humana inocente.

O que se observa não é o choque entre duas agendas políticas, embora a política seja um
aspecto sempre presente nas relações humanas dentro de uma sociedade em larga escala. O
que se observa é a colisão de duas visões de mundo que se estranham há milênios.[7]

O texto em defesa do pensamento abortista - mesmo que apresente um discreto resquício de


moralidade ao afirmar que não é pró-aborto, mas entende o extermínio do feto como
instrumento contra algo pior – é típico representante da elite progressista munida de idéias
secularizantes que nasceu com o iluminismo mais radical.

A minha perspectiva, junto com a perspectiva da maior parte da população brasileira, encaixa-
se confortavelmente no polo oposto ao imanentismo utilitarista.

Não nutro ilusões bobas, e não tenho lá grandes esperanças de que possamos ainda salvar a
geração seguinte do extermínio em massa do abortismo e das mãos sangrentas de milhares de
aborteiros ávidos pelo lucro da morte. O trabalho da riquíssima elite intelectual que relativiza a
vida segue avançado e encontra oposição fraca e desunida. Aos borbotões, os valores da
civilização são radicalmente alterados pelas mais toscas obras de engenharia social, que
geraram textos e pensamentos como os da Sra. Renata aos milhões, no mundo todo.

O revestimento de tais idéias com conceitos pseudocientíficos também não é novidade, e


milhões de pessoas observam abobalhadas as estatísticas manipuladas por instituições pró-
aborto como o Alan Guttmacher Institute, braço “científico” da Planned
Parenthood especialmente designado para dar credibilidade ao abortismo.

Seria realmente maravilhoso que todos pudessem adquirir conhecimentos profundos em


Medicina Baseada em Evidências e estatística médica para que analisassem por si mesmos as
publicações científicas. Contudo, é utópico achar que teremos milhões de analistas científicos –
incluindo advogados – capacitados para desmascarar as manipulações que abundam por aí.
Quanto à vulgar rotulação odiosa e condescendente, na qual o lado oposto tem a mente
fechada ou é ingênuo, realmente em nada faz avançar o debate de qualidade. Todavia, não se
deve esperar muito do ambiente letrado brasileiro em geral. Renata somente reproduz aquilo
que lhe foi ensinado: utilizar dados de trabalho sem conhecer a base filosófica, política e
metodológica[8], achar que o lado oposto são trevas em relação às luzes da própria opinião[9],
posar com ares de grande autoridade científica lançando blefes[10] e fazer uso de figuras de
linguagem e de chavões[11]. Tenho certeza de que ela é plenamente capaz de superar o
ambiente depressivo que oprime o Brasil e nos lança para os últimos lugares em educação e
para os primeiros lugares em mortes violentas.

Notas:

[1] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-frente-


ao-aborto/

[2] ARENDT, Hannah; Eichmman em Jerusalém: Um relato sobre a banalidade do mal.


Tradução: José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

[3] KOCH, E. ‘Epidemiología del aborto y su prevención en Chile’. Rev Chil Obstet Ginecol. vol.
7(5), 2014, p.351-360. Internet, http://www.revistasochog.cl/files/pdf/EDITORIAL50-e0.pdf ;
KOCH, E; THORP, J; BRAVO, M; GATICA, S; ROMERO, C. X.; AGUILERA, H; AHLERS, I.
Women's education level, maternal health facilities, abortion legislation and maternal deaths: a
natural experiment in Chile from 1957 to 2007. PLoS ONE. Vol. 7(5), 2012, p.36613.
DOI:10.1371/journal.pone.0036613. Internet,

http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0036613

[4] RUMMEL, Joseph. Freedom, Democracy, Peace; Power, Democide, and


War. Internet, https://www.hawaii.edu/powerkills/

[5] ROTHBART, Renata. Internet, https://academiamedica.com.br/autonomia-da-mulher-frente-


ao-aborto/

[6] HAIDT, Jonathan. The Righteous Mind. Why good people are divided by politics and
religion. New York: Pantheon Books, 2012.

[7] WIKER, Benjamin. Darwinismo Moral: Como nos tornamos hedonistas. São Paulo: Paulus,
2011.

[8] Há excelentes obras para o desenvolvimento das habilidades em julgar trabalhos.


Recomendo as seguintes leituras básicas para o interessados em manipular artigos científicos
de forma minimamente adequada:

HULLEY, Stephen B; CUMMINGS, Steven R; BROWNER, Warren S; GRADY, Deborah G;


NEWMAN, Thomas B. Delineando a Pesquisa Clínica 4ª edição. Porto Alegre: ARTMED, 2015.

FLETCHER, Robert H; FLETCHER, Suzanne W. Epidemiologia CLínica. Elementos Essenciais


4ª edição. Porto Alegre: ARTMED, 2006.

GUYATT, Gordon; RENNIE, Drummond; MEADE, Maureen O; COOK, Deborah J. Diretrizes


para a Utilização da Literatura Médica. Manual para Prática Clínica da Medicina Baseada em
Evidências 2ª edição. Porto Alegre: ARTMED, 2011.

[9] Acusação de ingenuidade alheia ao utilizar dados oficiais do governo enquanto ela mesma
utiliza dados tendenciosos e inflados com fundamentação original em... dados oficiais do
governo!
[10] Citação inadequada de artigo científico sem a crítica adequada, ou a relativização científica
do conhecimento exibido.

[11] “Não sou contra o aborto, sou a favor da autonomia da mulher”, por exemplo. Este e outros
chavões foram especialmente desenvolvidos por militantes aborteiros e abortistas com o intuito
específico de afrouxar a legislação que protege a vida humana e facilitar o trabalho das clínicas
aborteiras. Sugiro a leitura da obra daquele que foi considerado o Rei do Aborto, Bernard
Nathanson.

Bibliografia:

ABORT73. Ancient Abortion History. A look at the methods and perceived morality of abortion in
the ancient world. Internet, http://abort73.com/abortion_facts/ancient_abortion_history/

ANGOTTI NETO, Hélio. Bioética e guerra cultural III: o escotoma negativo abstrativo. Mídia
Sem Máscara. Internet, http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/15261-2014-06-13-20-
43-29.html

ANGOTTI NETO, Hélio. Máquina de Fazer Dinheiro. Seminário de Filosofia Aplicada à


Medicina. Internet, http://medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2016/11/maquina-de-fazer-
dinheiro.html

ANGOTTI NETO, Hélio. No Fundo, a Questão é Sobre quem Podemos Matar. Academia
Médica. Internet, https://academiamedica.com.br/no-fundo-questao-e-sobre-quem-podemos-
matar/

ARENDT, Hannah; Eichmman em Jerusalém: Um relato sobre a banalidade do mal. Tradução:


José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

BELLIENI, Carlo. Se não é um ser humano... O feto: um novo membro da família. São Paulo:
Edições Loyola, 2008.

BOM DIA RJ. Encontrado o corpo da jovem Jandira Cruz que buscou aborto
clandestino. Internet, https://www.youtube.com/watch?v=Z2T40ky2x7Y

BOMBERGER, Ryan. You’ve Been Guttmacher’d: Planned Parenthood’s


Baby. Internet, http://www.lifenews.com/2011/09/06/youve-been-guttmacherd-planned-
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A questão do aborto (por Ron Paul)

A questão do aborto sempre dividiu amargamente populações de vários países. É


um triste espetáculo, principalmente quando consideramos que o fato de uma
política social ficar a cargo do estado, principalmente em nível federal, já é uma
violação das liberdades individuais de qualquer cidadão. É igualmente triste
perceber que um grande número de indivíduos acredita que sua liberdade
depende exclusivamente de leis estatais, seja do Supremo Tribunal ou de qualquer
outra instância pública.

Não há qualquer argumento que justifique haver um “direito ao aborto” patrocinado


pelo governo. A federalização da lei do aborto, permitindo-o ou proibindo-o,
baseia-se unicamente nas idéias sociais e políticas criadas pelos tribunais estatais.

Portanto, o governo federal não tem qualquer autoridade para regular a questão do
aborto. Por que ao menos não deixar a cargo das legislaturas estaduais ou
municipais decidirem sobre política social? Certamente as pessoas em ambos os
lados do debate sobre o aborto sabem que é muito mais fácil influenciar o governo
em níveis estaduais e municipais. A federalização das questões sociais,
originalmente propugnadas pela esquerda, mas hoje amplamente adotadas pela
direita, simplesmente impede que os estados aprovem leis que reflitam mais de
perto as visões de seus cidadãos. Ao aceitarmos a federalização da lei do aborto
– bem como de qualquer outra lei – perdemos a capacidade de aplicar os padrões
da comunidade local às questões éticas.

Aqueles que defendem uma cultura pró-vida têm de aceitar que nunca
conseguiremos convencer toda uma nação a concordar conosco. Uma cultura pró-
vida pode ser construída apenas de baixo para cima, começando em nível local e
dali aumentando seu escopo de influência, de pessoa para pessoa. Há muito
temos encarado a batalha como sendo algo puramente político, mas nenhuma
vitória política pode mudar uma sociedade já degradada. Nenhuma decisão do
Supremo Tribunal, contra ou a favor, pode instituir o respeito pela vida. E nenhum
juiz de um Supremo Tribunal pode salvar nossas liberdades se nós mesmos não
estivermos dispostos a lutar por elas.

Uma postura libertária contra o aborto

Minha posição pró-vida foi fortalecida pela minha própria experiência como
obstetra. Creio sem qualquer sombra de dúvida que um feto é uma vida humana
merecedora de proteção legal, e que o direito à vida é a base de qualquer
sociedade moral. A questão do aborto forjou minha crença de que a lei e a
moralidade devem se cruzar para proteger os mais vulneráveis entre nós. E se há
alguma função para o estado, esta deveria ser a proteção dos direitos naturais dos
indivíduos.

Mas será que ter essa postura antiaborto é inerentemente inconsistente com a
filosofia libertária? Muitos libertários parecem acreditar que sim. O aborto, de
acordo com eles, é uma moralidade legislativamente forçada e defendida por
conservadores pró-estado que querem impor sua fé e sua moral sobre o resto de
uma sociedade avessa a isso. E mais: eles dizem que essa postura é estatista e
totalitária, pois invalida o direito da mãe em terminar sua gravidez. Sendo assim, o
estado estaria sobrepujando os direitos dos pais e decidindo pela mãe – contra
sua vontade – que ela deve sim trazer uma criança ao mundo.

Mas seria isso mesmo? Sustento que não, em absoluto. Ao invés de ser uma
emancipadora manifestação da liberdade de escolha pessoal contra a intrusão
governamental, o “direito” ao aborto é em si uma medida estatista totalmente
consistente com a ideologia esquerdista que pretende ditar como a sociedade e o
governo devem funcionar. Essa postura em nada ajuda a promover a causa da
liberdade. Ao contrário, ela faz com que os princípios da liberdade e da
responsabilidade pessoal fiquem anos-luz atrasados. A postura pró-vida é muito
mais consistente com o ideal libertário do que a postura alternativa acima
delineada.

Dado que muito material já foi escrito debatendo quando a vida de fato começa,
seria tolice gastar tempo sobre o assunto neste espaço. Direi apenas que aqueles
que argumentam que um feto em desenvolvimento não é de maneira alguma um
ser humano têm muita evidência científica contra eles. Já está bem documentado
que há um coração batendo após 18 dias de fertilização e que a formação de
ondas cerebrais já ocorre após um mês e meio (tenha em mente também que a
maioria dos abortos ocorre bem depois desses desenvolvimentos).

Longe de ser apenas uma “bolha de carne” ou um acessório sem vida dentro de
uma mulher, os defensores do aborto cada vez mais estão sendo confrontados
com a inerente humanidade do feto em desenvolvimento. Tentar determinar um
tempo preciso para o início da vida ignora várias evidências científicas que
mostram justamente que todos os ingredientes necessários para isso já são
apresentados logo no início da gravidez. A idéia comumente aceita para se
decretar o status de vida é aquela que compara o feto a um humano
completamente desenvolvido (ou, utilizando o argumento mais extremo dos
abortistas, que a vida começa realmente apenas quando o bebê já saiu
completamente do corpo da mãe durante o parto). Isso é uma
irresponsabilidade. Longe de ser apenas uma bolha de carne, ou uma simples
forma de vida análoga a uma bactéria ou a uma fruta em crescimento, uma
abordagem moral e filosófica mais responsável seria ver aquilo que está dentro do
útero como sendo aquilo que realmente é: um ser humano em desenvolvimento.

Considerando-se tudo isso, a sanção estatal do aborto nada mais é do que uma
troca de direitos. Lembre-se que, como foi dito, o aborto é defendido por alguns
como um caminho para a liberação e para a responsabilidade pessoal da mãe. O
argumento é que nem o estado nem qualquer outro ser humano (especialmente os
homens) têm o direito de dizer à mãe o que fazer com seu próprio corpo. Parece
correto, certo? Nem tanto.

Tal postura convenientemente ignora o fato de que dentro da mãe jaz uma
entidade que é completamente distinta dela. (O argumento de que o aborto é
legítimo pois a criança depende da mãe para sua sobrevivência não precisa ser
limitado ao útero; ele pode facilmente ser estendido a crianças recém-nascidas e
até mesmo a incapacitados e idosos). Portanto, está havendo uma troca de
liberdades e direitos. A mãe está ganhando direitos e privilégios especiais ao
mesmo tempo em que a criança está perdendo seus direitos. Um lado está
ganhando à custa do outro. Esse arranjo em nada difere das várias outras
invenções esquerdistas e estatistas que prejudicam alguns para o benefício de
outros.

É de se pensar como exatamente esse arranjo é libertário e pró-liberdade. Ao dar


às mães o direito aprovado pelo estado de terminar uma gravidez está-se
ignorando os direitos e interesses das outras partes envolvidas na
questão. Primeiro, essa medida anula completamente o poder de decisão do
homem na questão (ainda que reconhecidamente a maioria dos homens que
engravidam essas mulheres nada mais são do que “doadores de esperma”, por
assim dizer, mas esse nem sempre é o caso). Segundo, há uma anulação
completa da vida da criança em gestação, em meio a evidências cada vez mais
conclusivas de que aquilo que está no útero é de fato uma vida. Mas como ese
bebê foi concebido em um momento inoportuno, azar o dele. Ele simplesmente
não tem direitos. Esse não parece ser um conceito muito libertário.

E quanto à liberdade pessoal e à responsabilidade? Mais uma vez, percebe-se


que aqueles que defendem o aborto em termos da liberdade pessoal estão vendo
apenas um lado da história. Eles não têm qualquer problema em negar o direito à
vida e à liberdade da criança que está no útero (baseando-se, veja bem, não em
filosofia, ciências biológicas ou na razão moral, mas apenas em argumentos
políticos e sociológicos).

Já é hora de os defensores da liberdade e da responsabilidade pessoal colocarem


mais pressão sobre as pessoas promíscuas e sexualmente irresponsáveis para
que elas tomem medidas adequadas para evitar a gravidez. É moral e
intelectualmente injusto fazer com que uma criança indesejada carregue o fardo
pelas ações irresponsáveis de terceiros. Ao passo que os libertários diriam
corretamente que não é função do estado tentar corrigir o comportamento e as
atitudes equivocadas dos outros, também não faz sentido que o estado sancione
leis agressivas e contra a vida que irão punir inocentes pelos erros de seus
pais. Isso não é nada libertário. Trata-se de uma liberdade seletiva, que utiliza
agressão contra crianças indefesas.

Isso nos leva à consideração final: o aborto viola o princípio da não-agressão. A


mãe (ou os pais), normalmente como resultado da própria irresponsabilidade, toma
(tomam) a decisão unilateral de acabar com uma vida. A criança obviamente não
tem voz nessa questão. Os pais abortistas e o estado tomam a decisão pela
criança, e prematuramente terminam sua vida. De novo, não é uma atitude muito
libertária.

A questão política

Entretanto, esse embate não deve se dar no campo político. Sabemos que a
moralidade é algo que deve ser intrínseca às leis, não importa o que os
secularistas digam. Mas a moralidade não é intrínseca à política. A política nada
mais é do que um mecanismo de se obter poder sobre as vidas das pessoas
através do poder estatal. A política é a rejeição da santidade da vida. Assim, é um
erro supor que uma cultura pró-vida possa ser implantada por meio da persuasão
política ou do poder governamental. O respeito pela vida humana se origina de
indivíduos agindo de acordo com sua consciência. A moralidade não é algo que
pode ser imposto. Uma consciência pró-vida é estimulada pela religião, pela
família e pela ética, não pelo governo. A história já nos ensinou que os governos
esmagadoramente violam a santidade da vida humana; eles nunca a defendem.

A idéia de que um estado todo-poderoso e centralizado deva fornecer soluções


monolíticas para os nossos dilemas éticos é completamente descabida e
equivocada. As decisões, como foi dito, devem ser tomadas
descentralizadamente, em nível local ou, no máximo, estadual. Entretanto,
atualmente estamos sempre procurando uma solução federal para todo e qualquer
problema social, ignorando os saudáveis limites que devem ser impostos a um
governo federal, solapando assim nossas liberdades. O resultado é um estado
federal que crescentemente vai tomando decisões ao estilo “tudo ou nada”,
alienando grandes segmentos da população.

Como libertário, defendo a causa pela vida não apenas em termos morais e
espirituais, mas também filosoficamente, utilizando os princípios da não-agressão
e da liberdade individual. Um governo que sanciona o aborto sanciona a agressão
(não à toa, o aborto foi a política de todos os países comunistas), dando direitos e
privilégios a alguns (as mães) enquanto injuria e tira os direitos de outros (as
crianças não-nascidas). Essa troca de direitos, bem como a agressão patrocinada
pelo estado, não é algo libertário, como a maioria dos libertários “mainstream”
presume. Trata-se unicamente do modelo-padrão estatista que determina como a
sociedade e o governo devem funcionar. Tal postura é, em última análise, injusta,
imoral e destrutiva.

Esse conceito tem muito mais em comum com a filosofia da esquerda


intervencionista do que com a filosofia da liberdade. E não há nada de libertário
nisso.
A Vida, o Planeta e o Aborto
Ogeni Luiz Dal Cin

A maior pressão internacional para legalizar o aborto e fomentar sua prática generalizada
decorre, em última análise, de um imperativo cósmico de redução da população. E essa
imposição se alia ao paradoxal “absoluto”, dentro do reino do relativismo, isto é, ao “direito
humano da mulher sobre seu corpo”. Assim, esta poderá livrar-se do “incômodo” indesejado de
ter outra vida humana dentro de si em gestação. De fato, a vida humana em gestação já foi
reduzida a zero em muitos países e a vida humana “inútil” poderá também ser destruída pela
eutanásia.

O discurso do aquecimento global é mais um argumento, agora cósmico, para reduzir a


população. Ora, a matéria, que ninguém sabe ao certo o que é, é, para o novo “iluminismo”, a
única realidade existente. Mesmo sendo um existente não sabido, agem seus acólitos como
profetas desse não sabido, acreditando que o que ainda não se sabe, saber-se-á, pois é
apenas uma questão de tempo e de ciência. O Planeta-matéria passa a ser o único deus. Essa
a fé dos materialistas que não sabem sequer o que é a matéria em si, sua origem e seu fim.
Nessa contraditoriedade, gestam-se as forças da morte da vida humana, surge a “cultura da
morte”.

O antropocentrismo direcionado a mergulhar sempre mais fundo na imanência, que se


organiza a partir da Idade Moderna, caminhou, no que se refere ao sentido da existência
humana, para um Planetacentrismo materialista, tornando-nos seres descartáveis, produtos
destruidores do criador. O personalismo, no sentido de ter a pessoa humana como centro e fim
de toda ordem humana e natural, está sendo empurrado para fora da história humana, o
homem vai abdicando de ser o sujeito da História.

A vida humana está se tornando cega, surda e muda, indiferente ao avanço das forças da
morte. Por isso, a vida humana vai soçobrando, por etapas. Sem nenhum direito absoluto em si
mesmo, nem mesmo o da própria vida, é possível ainda construir a democracia para as
gerações futuras?

A liberdade sexual tornou-se o orgasmo da nossa civilização, diluindo a família e adentrando


no casamento de homossexuais. O uso de drogas passa a ser mais uma fonte de prazer do
que um perigo à saúde pública.

No meio de tudo isso, a saudade de Deus, que emerge da visão materialista, faz com que
se escolha o “Planeta” como o novo Deus e Senhor da Vida. Só que esse “Deus” está a exigir
de seus ministros sacrifícios de vidas humanas, a fim de que lhe seja aplacada a ira. Os
profetas de plantão desse novo deus proclamam que a população humana deve ser reduzida,
sob pena de todos sermos castigados. Impõe-se, assim, legalizar formas de ceifar vidas sem
incidir em crime. Diviniza-se o Estado, que passa a ter direito à vida de seus súditos. Sim, o
Estado enquanto eco do Planeta, o Planeta que se consubstancia no transcendente absoluto.
Reinventa-se, por essa via, o “cosmologismo”, pálida imagem dos gregos antigos da fase
mitológica, no qual o homem é apenas parte do cosmos, que só vive enquanto estiver para o
cosmos.

Enquanto tal ambiente é criado, surge a voz de um epígono do Planeta Terra, o aspirante
ao posto da Casa Branca, que promete lutar pela salvação de todos. Diante desses Estados
Unidos tão desacreditados, o fulgente candidato quer redimir a imagem do seu país e
apresentar o caminho para a humanidade, promovendo ações para diminuir o aquecimento
global, cujo encaminhamento supõe a redução da população. Daí a pressão para legalizar o
aborto e a eutanásia. É claro, contudo, que quem vai pagar o preço é o próprio ser humano,
pois seu direito de viver é relativizado. Em verdade, os valores morais, há muito, vêm sendo
considerados relativos, despidos, portanto, de força social. Objetivamente, nada mais valem,
igualando-se a meros preconceitos. Os valores passam a ser considerados formas de
discriminação. Por isso, quanto menos valores têm a pessoa, mais “moderna” ela é. A própria
lei esvazia-se do valor de que deve ser guardiã, transformando-se em mero regramento formal.
Consagra-se o formalismo jurídico. O honesto, porque se guia por valores, vai se tornando
sinônimo de bobo.

O pretenso remédio do relativismo, para o agir humano, é o veneno capaz de reduzir a


população, seguindo o princípio de que quanto menos comensais, mais prazer, mais fartura e
menos poluição haverá.

A História, contudo, pode trazer em seu bojo efeitos colaterais contrários aos pretendidos.
Ora, os que crêem no Deus da Vida e Senhor do Planeta, mesmo com a legalização de ações
contra a vida, continuarão gerando, com responsabilidade, seus filhos. Enquanto as forças da
morte pugnam em reduzir a vida, as forças da vida buscarão mantê-la em plenitude. O
resultado não será outro. Os filhos da vida dominarão a Terra. É que a ideologia da redução da
vida humana sobre a Terra poderá produzir um grande genocídio demográfico de si mesma, de
sua crença, de seu deus. A vida sairá vitoriosa, pois vencerá a própria morte.
___________________________________________

- Artigo enviado por um consulente do site Montfort.


- O autor é filósofo e advogado.
A visão de São Tomás de
Aquino sobre o aborto
Na Idade Média Tomás de Aquino[i], um dos grandes pensadores da
humanidade, debateu e condenou o aborto. Inicialmente afirma-se que
Tomás de Aquino não escreveu um livro ou tratado sobre a problemática
do aborto. Acima de tudo Tomás é um pensador preocupado com as
questões metafísicas e éticas que envolvem o ser humano. Por isso,
grande parte de sua obra versa sobre esses temas. No entanto, ele
deixou, ao longo de sua vasta obra, referências diretas e explícitas sobre
o aborto.

No entanto, Tomás de Aquino distingue o aborto em duas categorias,


sendo elas: o aborto natural e o aborto voluntário. No aborto natural o
próprio organismo humano, por motivos diversos e expressamente
médicos, expulsa, antes do tempo, o feto e, com isso, promove a morte
do mesmo. Já o aborto voluntário[ii] é quando o indivíduo procura, de
forma artificial e propositadamente, expulsar o feto de dentro do ventre
materno, antes do momento apropriado para o nascimento e, com isso,
provocar a morte do mesmo. Na perspectiva do Aquinate, o aborto
voluntário trata-se de uma forma de assassinato e de um tipo de
esterilização parcial, pois apesar do indivíduo continuar, na maioria dos
casos, podendo engravidar e ter outros filhos, a gravidez interrompida
artificialmente não gera nenhum filho.

Sem contar que Tomás de Aquino condena o uso do veneno da


esterilidade, ou seja, dos anticoncepcionais que ou impedem a gravidez
ou então, quando esta já está em pleno processo de desenvolvimento,
impedem o desenvolvimento do feto e, com isso, provocam a realização
de um aborto voluntário. Para ele[iii] quem procura tais métodos anti-
natalidade, que atuam contra a natureza, mesmo sendo legalmente
casados não podem receber o nome de cônjuges, pois não buscam
conscientemente a realização plena do casamento, a qual se dá com a
concepção e o nascimento dos filhos. Uma família só está totalmente
formada quanto existe os cônjuges e os filhos. Impedir, por meio do
aborto ou outro método anti-natalidade, o nascimento dos filhos é impedir
o desenvolvimento natural da própria família.

No caso explicito do aborto, Tomás de Aquino afirma que de “nenhum


modo é lícito matar ao inocente [o feto ainda no ventre da mãe]”[iv]. Além
disso, ele afirma que o que “fere a mulher grávida faz algo ilícito, e, por
esta razão, se disso resulta a morte da mulher ou do feto animado, não
se desculpa do crime de homicídio, sobretudo, quando a morte segue
certamente a esta ação violenta”[v].

Para ele a prática abortiva trata-se, pois, de um pecado gravíssimo,


porque não mata somente o corpo, mas também a alma. É uma prática
que se enquadra dentro do mandamento bíblico que determina: “Não
Matarás” (Êxoto 20, 13; 23, 7; Deuteronômio 5, 17). Em suas palavras:
“alguns matam somente o corpo, mas outros matam a alma, tolhendo-a
a vida da graça, ou seja, arrastando-a ao pecado mortal; outros, porém,
matam a ambos, o corpo e a alma: são os suicidas e aqueles que matam
as crianças que ainda não nasceram [por meio da prática do aborto]”[vi].
Em Tomás de Aquino o aborto é uma das possibilidades de manifestação
do homicídio qualificado, ou seja, é quando há um assassinato, neste caso
do feto, com a clara intenção de cometer um crime.

Em grupos e ambientes que defendem o aborto e dentro de setores que,


dentro da Igreja, se alto proclamam
de progressistas, modernos e vanguarda teológica; é comum se
encontrar um tipo de argumentação que afirma, dentre outras coisas, que
Tomás de Aquino vê o aborto apenas como um ato antiético, mas que não
chega a condenar a sua prática. Essa afirmação é uma tentativa de se
buscar algum fundamento, mesmo que indireto, para se defender o
aborto. O problema é que esse tipo de fundamentação é superficial e, em
grande medida, falta de uma leitura mais atenta e analítica da obra do
Aquinate. Se a obra de Tomás de Aquino for lida com atenção se verá que
ele coloca dentro do mandamento do “Não Matarás” o aborto. Para ele o
aborto é um assassinato de uma pessoa e, por isso, deve ser evitado de
todas as formas.

Sobre a perspectiva do aborto na Idade Média a Declaração sobre o aborto


provocado, da Congregação para a Doutrina da Fé, afirma: “É certo que,
na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma
espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se
fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções
penais. Excelentes autores houve que admitiram, para esse primeiro
período, soluções casuísticas mais suaves do que aquelas que eles davam
para o concernente aos períodos seguintes da gravidez. Mas, jamais se
negou, mesmo então, que o aborto provocado, mesmo nos primeiros dias
da concepção fosse objetivamente falta grave. Uma tal condenação foi de
fato unânime”[vii].

[i] Sobre a reflexão de Tomás de Aquino sobre o aborto, recomenda-se


consultar: SANTOS, Ivanaldo. Tomás de Aquino e o aborto. In: Teologia
em Questão, v. X, p. 43-62, 2012; FAITANIN, Paulo. Acepção teológica de
pessoa em Tomás de Aquino. In: Aquinate, Niterói, Rio de Janeiro, v. 3,
p. 47-58, 2006.

[ii] AQUINO, Tomás. In IV Sent., d. 31, q.2, a.3, exp.

[iii] AQUINO, Tomas. In IV Sent., d. 31, q.2, a.3, exp.

[iv] AQUINO, Tomas. S. Theo., II-II, q. 64, a.6, e.

[v] AQUINO, Tomás. S. Theo., II-II, q. 64, a.8, ad2.

[vi] AQUINO, Tomás. In decem pracetis, a.7.

[vii] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTIRNA DA FÉ. Declaração sobre o aborto


provocado. Cidade do Vaticano, 18 de novembro de 1974, n. 7.
A lógica do aborto pode e deve ser refutada nos seus
próprios termos.

O Orlando Braga é que não devia fazer isto. É desonestidade. Começa por falar do Código
Penal, diz que a "pena de prisão" deve ser reintroduzida na lei (para as mulheres que
abortam portanto) para sugerir que eu, com a declaração que citou no seguimento, quero ir
mais além e defendo a "punição mortal".

Se o Orlando Braga, por algum motivo parvo e fútil, gostasse de implicar com o Cardeal
Arinze, também acusaria este sacerdote católico de querer combater o mal do aborto
matando todos os que o defendem ou praticam. Aqui está ele a combater o utilitarismo
abortista sem o "devido asco":

Não querendo correr o risco de confundir ainda mais o Orlando, fica o aviso: no video acima,
o Cardeal Arinze está apenas a usar, de maneira retórica, a lógica da argumentação
abortista contra o aborto. Não está a mandar fuzilar ninguém.

No texto anterior ao citado pelo Orlando, alertei para não se confundir a elite abortista,
assassinos verdadeiros, com " o simples ignorante que nunca pensou muito sobre o assunto
e repete os chavões que lhe ensinaram, nem com a grávida confusa, desfavorecida e
pressionada a matar o seu filho" http://libertoprometheo.blogspot.pt/2013/11/o-falso-debate-
abortofilo-2.html . Por isso não vale a pena destacar esta frase,

« Portanto, argumento que todas as circunstâncias que justificam a matança de um cão


raivoso, justificam a matança de um infanticida. »

, fingindo ser uma declaração literal a favor da pena de morte, e abate sumário, para toda e
qualquer pessoa que seja a favor ou faça um aborto.

Sim, o exercício retórico que proponho é uma argumentação utilitarista - o Orlando descobriu
a pólvora! Serve para chocar e confrontar o teórico pro-infanticídio com a sua própria lógica.
Mudam-se os termos e mantém-se a forma.

Estou a falar de pessoas que acham legítimo debater o aborto assumindo sem eufemismos
que abortar é matar uma criança. Por arrasto acabam a defender o direito a matar também
os nascidos. Daí, digo que só faz sentido debater com quem assume querer matar crianças,
fazendo a defesa do direito a matar quem assume essa vontade.

Referi-me à pena de morte para infanticidas como discussão legítima, segundo os


pressupostos do debate abortófilo, que pode e deve ser levantada:
« Se o direito a matar crianças pode ser discutido e argumentado em nome da liberdade de
expressão (como alegavam os autores do artigo e seus apoiantes), então o direito a matar
defensores do infanticídio tem de ser considerado uma discussão ainda mais legítima.»
Também podia ter usado aqui o raciocínio do Cardeal Arinze: não sou a favor de matar os
teóricos do infanticídio, mas acho que devemos deixar isso à escolha de cada um!
_____________

Sei que o Orlando Braga acha que um cristão não pode ser a favor da pena de morte. É-me
indiferente, não lhe reconheço autoridade para dizer o que é ou deixa de ser cristão. Seja
como for, o texto que ele comenta não pretendia apresentar excelentes argumentos a favor
da pena de morte, mas sim uma contra-argumentação específica.
Se fosse para apresentar uma boa defesa da pena de morte, não diria que um infanticida é
comparável a um cão raivoso pois este não tem culpa, responsabilidade, livre-arbítrio ou
consciência dos seus actos. Por exemplo.

_____________

PS. Quem lhe disse que "esta gente", eu, voto? Um mapa astral?
Lógica do abortismo
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 14 de outubro de 2010

O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais


provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da
mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da
discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte
soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite.
Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem
podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida
transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem
cinqüenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica
como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio
premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada
é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo. À luz da razão, nenhum
ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato
que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um
homicídio. Mais ainda: entre a prudência que evita correr o risco desse
homicídio e a afoiteza que se apressa em cometê-lo em nome de tais ou
quais benefícios sociais hipotéticos, o ônus da prova cabe, decerto, aos
defensores da segunda alternativa. Jamais tendo havido um abortista
capaz de provar com razões cabais a inumanidade dos fetos, seus
adversários têm todo o direito, e até o dever indeclinável, de exigir que
ele se abstenha de praticar uma ação cuja inocência é matéria de
incerteza até para ele próprio.

Se esse argumento é evidente por si mesmo, é também manifesto que a


quase totalidade dos abortistas opinantes hoje em dia não logra
perceber o seu alcance, pela simples razão de que a opção pelo aborto
supõe a incapacidade – ou, em certos casos, a má vontade criminosa –
de apreender a noção de "espécie". Espécie é um conjunto de traços
comuns, inatos e inseparáveis, cuja presença enquadra um indivíduo,
de uma vez para sempre, numa natureza que ele compartilha com
outros tantos indivíduos. Pertencem à mesma espécie, eternamente,
até mesmo os seus membros ainda não nascidos, inclusive os não
gerados, que quando gerados e nascidos vierem a portar os mesmos
traços comuns. Não é difícil compreender que os gatos do século XXIII,
quando nascerem, serão gatos e não tomates.

A opção pelo abortismo exige, como condição prévia, a incapacidade ou


recusa de apreender essa noção. Para o abortista, a condição de "ser
humano" não é uma qualidade inata definidora dos membros da
espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante,
aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Quem decide
se o feto em gestação pertence ou não à humanidade é um consenso
social, não a natureza das coisas.

O grau de confusão mental necessário para acreditar nessa idéia não é


pequeno. Tanto que raramente os abortistas alegam de maneira clara e
explícita essa premissa fundante dos seus argumentos. Em geral
mantêm-na oculta, entre névoas (até para si próprios), porque
pressentem que enunciá-la em voz alta seria desmascará-la, no ato,
como presunção antropológica sem qualquer fundamento possível e,
aliás, de aplicação catastrófica: se a condição de ser humano é uma
convenção social, nada impede que uma convenção posterior a
revogue, negando a humanidade de retardados mentais, de aleijados,
de homossexuais, de negros, de judeus, de ciganos ou de quem quer
que, segundo os caprichos do momento, pareça inconveniente.

Com toda a clareza que se poderia exigir, a opção pelo abortismo


repousa no apelo irracional à inexistente autoridade de conferir ou
negar, a quem bem se entenda, o estatuto de ser humano, de bicho, de
coisa ou de pedaço de coisa.

Não espanta que pessoas capazes de tamanho barbarismo mental


sejam também imunes a outras imposições da consciência moral
comum, como por exemplo o dever que um político tem de prestar
contas dos compromissos assumidos por ele ou por seu partido. É com
insensibilidade moral verdadeiramente sociopática que o sr. Lula da
Silva e sua querida Dona Dilma, após terem subscrito o programa de
um partido que ama e venera o aborto ao ponto de expulsar quem se
oponha a essa idéia, saem ostentando inocência de qualquer
cumplicidade com a proposta abortista.
Seria tolice esperar coerência moral de indivíduos que não respeitam
nem mesmo o compromisso de reconhecer que as demais pessoas
humanas pertencem à mesma espécie deles por natureza e não por
uma generosa – e altamente revogável – concessão da sua parte.

Também não é de espantar que, na ânsia de impor sua vontade de


poder, mintam como demônios. Vejam os números de mulheres
supostamente vítimas anuais do aborto ilegal, que eles alegam para
enaltecer as virtudes sociais imaginárias do aborto legalizado. Eram
milhões, baixaram para milhares, depois viraram algumas centenas.
Agora parece que fecharam negócio em 180, quando o próprio SUS já
admitiu que não passam de oito ou nove. É claro: se você não apreende
ou não respeita nem mesmo a distinção entre espécies, como não seria
também indiferente à exatidão das quantidades? Uma deformidade
mental traz a outra embutida.

Aristóteles aconselhava evitar o debate com adversários incapazes de


reconhecer ou de obedecer as regras elementares da busca da verdade.
Se algum abortista desejasse a verdade, teria de reconhecer que é
incapaz de provar a inumanidade dos fetos e admitir que, no fundo,
eles serem humanos ou não é coisa que não interfere, no mais mínimo
que seja, na sua decisão de matá-los. Mas confessar isso seria exibir um
crachá de sociopata. E sociopatas, por definição e fatalidade intrínseca,
vivem de parecer que não o são.
Precisamos falar das mentiras sobre a legalização
do aborto
Há anos o movimento abortista utiliza jogos linguísticos para manipular a
opinião pública

"Mas a hora vem, a hora chegou, em que a vocação da mulher se realiza em plenitude (...)
Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as
mulheres iluminadas do espírito do Evangelho tanto podem ajudar para que a humanidade
não decaia" [1]. Assim se expressavam os padres conciliares ao término do Concílio
Vaticano II, vislumbrando o sublime chamado da mulher perante a sociedade: a irradiação
do amor. Mas essa, infelizmente, parece não ser a proposta de alguns meios de
comunicação, que rezam mais na cartilha das grandes empreiteiras do aborto que nas
máximas do decálogo.

Na sua edição de novembro, a revista TPM lançou uma campanha humilhante na internet,
a fim de despertar um famigerado debate a respeito da legalização do aborto [2]. Com a
hashtag #precisamosfalarsobreaborto, a publicação incentivou seus leitores a postarem
supostos números e pesquisas sobre o tema nas redes sociais, além de fotos com o cartaz
do movimento. À ideia, como era de se esperar, somaram-se vozes de alguns artistas já
nacionalmente conhecidos por suas posições, no mínimo, controversas.
Um dos sinais de decadência de uma sociedade, dizia o filósofo Mário Ferreira dos
Santos, é quando, em assuntos importantes, a população passa a dar ouvidos a artistas e
atletas [3]. A revista TPM é a mesma que em 2007, durante a visita do Papa Bento XVI ao
Brasil, fazia chacota de católicos e cristãos dizendo-se "super a favor do amor. Mas, sim, a
gente já deve ter feito várias piadas sobre casamento" [4]. Na reportagem agora em
questão, o auge da vigarice intelectual sai da boca de um comediante — sim, segundo a
TPM, alguém muito relevante para palpitar neste assunto: "Um dia, espero, ainda vamos
achar a proibição do aborto um absurdo, assim como achamos um absurdo a escravidão
ou o holocausto". Esta é a lógica da delinquência: impedir que um bebê seja assassinado
pela própria mãe é o mesmo que segregar negros e brancos ou mandar judeus para
câmaras de gás. Eis os nossos "formadores de opinião". Eis a voz de quem encontra eco
nos meios de comunicação brasileiros.

Prestem atenção: aborto significa retalhar uma vida indefesa. E, vá lá, ainda que não se
pudesse dizer com toda certeza se o embrião em desenvolvimento é ou não um ser
humano — embora os estudos de embriologia já não manifestem qualquer dúvida sobre a
humanidade do feto —, seríamos do mesmo modo obrigados a optar pela via da
prudência, isto é, a preservação da vida, pois existiria a possibilidade de se tratar de um
ser humano. Olavo de Carvalho está certo quando diz: "À luz da razão, nenhum ser
humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe
dizer, com segurança, se é ou não um homicídio" [5]. A lei moral exige isso. Os defensores
do aborto, por outro lado, não só se recusam a admitir um debate franco a respeito do
início da vida, mas também, não se sabe com que autoridade, assumem a
responsabilidade de escolher quem merece ou não viver. Isso não é diálogo, isso é
imposição, como bem observou o editorial do jornal Gazeta do Povo: apesar do título, a
campanha da revista pede debate, "mas não dá espaço aos argumentos pró-vida e já
indica qual deveria ser o seu resultado: o apoio à descriminalização" [6]. Não é preciso ser
nenhum filósofo para perceber a trapaça.

TPM diz: "A cada dois dias uma brasileira morre em decorrência de um aborto ilegal". É
falso. Segundo dados do próprio SUS — os quais podem ser acessados por qualquer
indivíduo que tenha acesso à internet —, o número de mortes anuais por aborto ilegal no
Brasil não chega a cinquenta [7]. No ano de 2012, foram registradas 69 mortes por aborto:
13 foram espontâneos, 11 para a classificação "outros tipos de aborto", 40 por razões "não
especificadas" e apenas 5 por falhas durante o procedimento. Outra mentira que se
costuma aventar: o número de abortos ilegais é consequência da legislação vigente, que
restringe a prática. Ora, seguindo esse raciocínio, teríamos de descriminalizar o homicídio
por causa dos 60 mil assassinatos que ocorrem todos os anos no Brasil. Trata-se,
evidentemente, de uma grande boçalidade. A Rússia, onde o aborto é legalizado desde a
era soviética, viu-se obrigada a impor limites à sua atual legislação, dada a quantidade
absurda de abortamentos realizados no país: o número de abortos é maior que o de
nascimentos [8].

De fato, o principal entrave para estas discussões é justamente o lobby que se faz em cima
de números e pesquisas duvidosas. Há anos o movimento abortista utiliza jogos
linguísticos para manipular a opinião pública. Na década de 1970, o falecido médico
americano Bernard Nathanson — até então conhecido como o "rei do aborto" — ficou
horrorizado ao perceber, por meio do ultrassom, o que ocorria com o feto durante a
operação. A sua descoberta resultou no famoso documentário "O grito silencioso" [9].
Anos mais tarde, ele revelaria a farsa a respeito dos números de abortos clandestinos nos
Estados Unidos [10]:
É uma tática importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticavam um milhão de
abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam de cem mil, mas
esse número não nos servia e multiplicamos por dez para chamar a atenção. Também
repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se
aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número
era muito pequeno para a propaganda. Esta tática do engano e da grande mentira se se
repete constantemente acaba sendo aceita como verdade.

Com efeito, a revista TPM presta um enorme desserviço à sociedade brasileira, sobretudo
às mulheres, ao reproduzir dados e opiniões de ONGs que, sabe-se muito, são, no mais
das vezes, grandes parceiras das fundações internacionais — cujas intenções são,
inegavelmente, o controle da natalidade [11]. Primeiro, é um atentado à soberania
nacional. Segundo — e mais importante —, um crime contra a dignidade humana.
Raciocinem: que mais pode gerar gravidezes indesejadas e, por conseguinte, abortos —
sejam legais sejam ilegais — que o estímulo à "cultura do descarte", como denuncia o
Papa Francisco? A própria revista TPM admite: "nunca fomos a favor de casar virgem". O
Brasil segue na lista dos países onde os jovens iniciam a vida sexual mais cedo. Ora, o
recorde não se deve a outra coisa senão à so called "educação sexual". Desde o ensino
fundamental, os adolescentes são ensinados a se considerarem uma espécie de
mercadoria para comprar e vender. E a mídia em geral é a principal promotora desse tipo
de comportamento, incentivando a pornografia, o adultério, relações promíscuas etc. Eles
inoculam o veneno para sugerirem o remédio.
Ademais, diferentemente da propaganda que se faz, é preciso frisar que a legalização do
aborto não se trata de uma iniciativa em defesa das mulheres pobres. Ao contrário, é uma
clara vertente da ciência eugenista. Basta lembrar, por exemplo, o projeto macabro
idealizado pela senhora Margaret Sanger, a fundadora da poderosa Federação
Internacional de Paternidade Planejada (IPPF). Ela dizia: "Nós queremos exterminar a
população negra" [12]. Hoje, nos Estados Unidos, 40% das gravidezes de mulheres negras
terminam interrompidas graças a essa política [13]. Diga-se o óbvio: não são os pró-vida
que se assemelham aos nazistas.

O lamentável caso de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, a jovem de 27 anos que veio a
falecer após complicações durante um aborto clandestino, tendo depois o corpo mutilado
pelos assassinos, apenas elucida o que João Paulo II já havia observado na Carta
Apostólica Mulieris Dignitatem [14]:
O fato narrado no Evangelho de João pode apresentar-se em inúmeras situações
análogas em todas as épocas da história. Uma mulher é deixada só, é exposta diante da
opinião pública com "o seu pecado", enquanto por detrás deste "seu" pecado se esconde
um homem como pecador, culpado pelo "pecado do outro", antes, co-responsável do
mesmo. E, no entanto, o seu pecado escapa à atenção, passa sob silêncio: aparece como
não responsável pelo "pecado do outro"! Às vezes ele passa a ser até acusador, como no
caso descrito, esquecido do próprio pecado. Quantas vezes, de modo semelhante, a
mulher paga pelo próprio pecado (pode acontecer que seja ela, em certos casos, a culpada
pelo pecado do homem como "pecado do outro"), mas paga ela só e
paga sozinha! Quantas vezes ela fica abandonada na sua maternidade, quando o homem,
pai da criança, não quer aceitar a sua responsabilidade? E ao lado das numerosas "mães
solteiras" das nossas sociedades, é preciso tomar em consideração também todas aquelas
que, muitas vezes, sofrendo diversas pressões, inclusive da parte do homem culpado, "se
livram" da criança antes do seu nascimento. "Livram-se": mas a que preço? A opinião
pública de hoje tenta, de várias maneiras, "anular" o mal deste pecado; normalmente,
porém, a consciência da mulher não consegue esquecer que tirou a vida do próprio filho,
porque não consegue apagar a disponibilidade a acolher a vida, inscrita no seu "ethos"
desde o "princípio".

Infelizmente, essa opinião pública denunciada pelo Santo Padre é a mesma a


instrumentalizar a morte de Jandira para a causa abortista. Assim, induzem muitas
mulheres ao erro, submetendo-as à pressão machista, a qual, vejam só, as feministas
juram combater. No documentário Blood Money, há vários depoimentos de mulheres que se
submeteram a um aborto e ainda hoje vivem as sequelas físicas e psíquicas do crime [15].
A Igreja não é alheia a esse sofrimento. É justamente por conhecer o coração das
mulheres que o Magistério se manifesta inegociavelmente a favor da vida. Já ficou
provado: aborto não é solução. É, antes, um dos problemas. Por isso, mais do que falar
sobre aborto, é preciso falar das mentiras que geralmente estão associadas às suas
propostas de legalização. A revista TPM precisa descobrir isso.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

1. Mensagem do Concílio Vaticano II às mulheres


2. Precisamos falar sobre aborto in TPM
3. DOS SANTOS, Mário Ferreira. Invasão vertical dos bárbaros. São Paulo: É Realizações,
2012.
4. Papa Bento XVI in TPM
5. Olavo de Carvalho, A lógica do aborto, in Diário do Comércio (14 de outubro de 2010).
6. Precisamos mesmo falar sobre aborto in Gazeta do Povo (23 de novembro de 2014).
7. Dados do Sistema Único de Saúde. Aprenda a pesquisar essas informações neste vídeo: Em
45 segundos…
8. Rússia aprova restrições ao aborto para tentar debelar colapso populacional, in Zenit (03
de dezembro de 2013).
9. O grito silencioso
10. Eu fiz cinco mil abortos
11. AV.25: A nova estratégia mundial do aborto. Veja também: Fundação Ford e Anis.
12. Margaret Sanger: "We want to exterminate the Negro Population." Her wish is coming
true, in LifeNews.
13. The Negro Project
14. João Paulo II, Carta Apostólica Mulieris Dignitatem (15 de agosto de 1988), n.14. Veja
também: Ex de Jandira é indiciado por apoio a aborto no Rio.
15. Blood Money: aborto legalizado
Aborto: a quem
interessa?
Maria José Miranda Pereira
promotora de Justiça do Tribunal do Júri de Brasília (DF), membro da Associação Nacional
Mulheres pela Vida

"Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos: nenhum país já reduziu o
crescimento de sua população sem recorrer ao aborto" (Relatório Kissinger, p. 182).

Uma pesquisa da Sensus realizada em abril de 2005 a pedido da Confederação


Nacional de Transportes (CNT) revelou que 85% dos brasileiros são contrários à
prática do aborto. Mesmo em caso de violência sexual, 49,5% são contrários, enquanto
43,5% são favoráveis e 7% não responderam [1].

A Folha de S. Paulo recentemente mostrou sua admiração pela "queda abissal" (sic) da
aprovação pública ao aborto:

"Um dos aspectos que mais atraíram a atenção das pessoas ouvidas pela Folha a
respeito dos resultados das chamadas ´questões morais´ da pesquisa Datafolha foi a
queda abissal no índice de moradores de São Paulo que apóiam a legalização do
aborto. Saiu de 43% em 1994, quando a maioria da população se declarava a favor
da descriminalização, para 21% em 1997, já em segundo nas opções, para apenas
11% na pesquisa atual..." [2].

Paradoxalmente, estamos vendo parte do governo e de ONGs feministas numa busca


frenética da liberação total do aborto. Por iniciativa do governo federal, foi instalada
uma Comissão Tripartite para rever a legislação punitiva de tal crime. A Comissão foi
composta por três partes: a primeira, abortistas do Poder Executivo; a segunda,
abortistas do Poder Legislativo; a terceira, abortistas das ONGs financiadas com
muitos dólares "representando" (?) a sociedade civil. Lamentavelmente, a Associação
Nacional Mulheres pela Vida não foi convidada. O anteprojeto (ou "proposta
normativa") resultante do trabalho de tal Comissão dificilmente poderia ter saído pior.

No dia 27 de setembro de 2005, a secretária especial de políticas para mulheres Nilcéia


Freire, diretamente subordinada ao Presidente da República, entregou à Câmara dos
Deputados a "proposta normativa" que "estabelece o direito à interrupção voluntária
da gravidez, assegura a realização do procedimento no âmbito do sistema único de
saúde, determina a sua cobertura pelos planos privados de assistência à saúde e dá
outras providências" [3].
Segundo o texto da justificação, "a grande inovação da proposta [...] diz respeito à
consagração da interrupção voluntária da gravidez como um direito inalienável de
toda mulher [grifo nosso], prevista no primeiro artigo da proposição".

Diz o mesmo texto que o anteprojeto "propõe ampla descriminalização do


procedimento [grifamos], com exceção daquele provocado contra a vontade da
mulher. Dessa forma, revoga os artigos 124 a 128 do Código Penal, exceto o art.
125..."

Em outras palavras: o anteprojeto revoga todas as hipóteses de crime de aborto


previstas no Código Penal, com apenas duas exceções: quando o aborto é praticado
contra a vontade da gestante e quando do aborto resulta lesão corporal ou morte da
gestante. De acordo com a proposta, a criança por nascer deixa de ter qualquer
proteção penal. Só a gestante é considerada sujeito de direitos.

O artigo 3° estabelece condições para que o aborto seja feito: até doze semanas de
gestação (três meses) por simples deliberação da gestante; até vinte semanas de
gestação (cinco meses) se a gravidez resultou de crime contra a liberdade sexual (entre
os quais, o estupro); até nove meses, se houver "grave risco à saúde da gestante";
também até nove meses em caso de má-formação fetal. As previsões, portanto, são
amplíssimas.

E se alguém descumprir essas condições? Por exemplo: se uma gestante de oito meses
decidir esquartejar seu bebê simplesmente porque não quer dar à luz, o que
acontecerá? Nada. Absolutamente nada. Desde que o aborto seja feito com seu
consentimento, nem ela nem o médico responderão criminalmente.

Ou seja: as pouquíssimas restrições impostas pelo artigo 3° na verdade são nulas.


Sabedores de que a população repudia com mais veemência o aborto quando feito
contra um bebê no final da gestação, querem enganar a sociedade, deixando-a acreditar
que o aborto por livre vontade da mãe só poderia ser feito até três meses, quando, em
verdade, sua inobservância não trará qualquer sanção penal. Em outras palavras: o
anteprojeto libera totalmente o aborto no País.

A quem isso interessa?

É de causar perplexidade o que está no artigo 4°: os planos privados de saúde serão
obrigados a cobrir as despesas com aborto. Poderão eles excluir procedimentos
obstétricos, mas não poderão excluir "os necessários à interrupção voluntária da
gravidez realizada nos termos da lei" (sic). Pasmem! Para o governo, o aborto
provocado é mais importante que o nascimento! A morte tem prioridade sobre a vida!
A quem isso interessa?

Mortes maternas

Uma das fraudes mais utilizadas para defender a legalização do aborto é dizer que
muitas gestantes morrem por causa de "abortos mal feitos". A solução seria legalizar
tal prática, que garantiria às grávidas o acesso ao "aborto seguro". Raciocínio análogo
levaria à conclusão de que seria necessário legalizar o roubo, a fim de evitar que
ladrões inexperientes, atuando à margem da lei, acabassem morrendo em "roubos mal
feitos". Por uma questão de isonomia, todos teriam direito a um "roubo seguro".

Deixando de lado, porém, o mérito de tal argumento pró-aborto, examinemos quantas


mulheres morrem a cada ano em decorrência de abortos. Centenas de milhares?
Dezenas de milhares? Alguns milhares? Nada disso. Veja-se a tabela abaixo, extraída
do Departamento de Informação e Informática do SUS - DATASUS [4]:

Número de mulheres mortas em gravidez que terminou em aborto

Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

146 163 119 147 128 148 115

Como se percebe, o número anual de mortes maternas em decorrência do aborto não


chega a duzentos! E este número pode ser reduzido a zero se o governo, ao invés de
incentivar, combater a prática do aborto.

Uma outra fraude correlata é a afirmação de que, nos países em que o aborto é legal, a
morte materna é bem menor do que nos outros, onde ele é proibido.

Ora, "mais de 59% das mortes maternas do mundo ocorrem nos países que têm as leis
menos restritivas. Na Índia, por exemplo, onde existe uma legislação que permite o
aborto em quase todos os casos desde 1972, é onde mais mortes maternas ocorrem. A
cada ano, registram-se cerca de 136.000 casos, equivalentes a 25% do total mundial,
que para o ano 2000 se calculou em 529.000" [5].

"Nos países desenvolvidos também se pode ver que não há uma correlação entre a
legalidade do aborto e os índices de mortalidade materna. A Rússia, com uma das
legislações mais amplas, tem uma taxa de mortalidade materna alta (67 por 100.000
nascidos vivos), seis vezes superior à média. Em contraste, a Irlanda, onde o aborto é
ilegal praticamente em todos os casos, possui uma das taxas de mortalidade materna
mais baixas do mundo (5 por 100.000 nascidos vivos), três vezes inferior à do Reino
Unido (13 por 100.000 NV) e à dos Estados Unidos (17 por 100.000 NV), países onde
o aborto é amplamente permitido e os padrões de saúde são altos" [6].

A quem, portanto, interessa legalizar o aborto?

Para esclarecer o que está por trás de tudo isso, convém que leiamos um documento,
hoje não mais confidencial, de 10 de dezembro de 1974, de autoria do então secretário
de Estado Henry Kissinger, intitulado National Security Study Memorandum
200 (abreviadamente NSSM 200): Implications of Worldwide Population Growth
for US Security and Overseas Interests . Em bom português: Memorando de
Estudo de Segurança Nacional 200: Implicações do Crescimento Populacional
Mundial para a Segurança e os Interesses Ultramarinos dos Estados Unidos. O
documento, conhecido como Relatório Kissinger, foi entregue pelo Conselho Nacional
de Segurança dos Estados Unidos ao presidente americano Gerald Ford. Somente em
1989 a Casa Branca desclassificou o documento, que agora é de domínio público.
Nesse relatório afirma-se que o crescimento da população mundial é uma ameaça para
os Estados Unidos, e que é preciso controlá-la por todos os meios: anticoncepcionais,
esterilização em massa, criação de mentalidade contra a família numerosa,
investimento maciço de milhões de dólares em todo o mundo.

Henry Kissinger percebeu o que há quatro milênios o Faraó do Egito já percebera: a


população é fator de poder. Seu simples crescimento numérico já é assustador:

"Eis que o povo dos filhos de Israel tornou-se mais numeroso e mais poderoso do que
nós. Vinde, tomemos sábias medidas para impedir que ele cresça´. [...]. Então o Faraó
ordenou a todo o seu povo: ´Jogai no Rio [o Nilo] todo menino que nascer. Mas deixai
viver as meninas´" [7].

Para tentar impedir o crescimento demográfico dos países pobres, mantendo-os sob o
domínio econômico e político dos países desenvolvidos, já se realizaram várias
Conferências Mundiais: em Bucareste, Romênia (1974), na cidade do México (1984) e
no Cairo (Egito, a terra do Faraó!) em 1994.

O Relatório Kissinger concentra seu plano de controle demográfico em treze países-


chave, entre os quais, o Brasil:

"A assistência para o controle populacional deve ser empregada principalmente nos
países em desenvolvimento de maior e mais rápido crescimento onde os EUA têm
interesses políticos e estratégicos especiais. Estes países são: Índia, Bangladesh,
Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas, Tailândia, Egito, Turquia,
Etiópia e Colômbia" [8].

O disfarce do controle demográfico foi cuidadosamente planejado:

"Os EUA podem ajudar a diminuir as acusações de motivação imperialista por trás do
seu apoio aos programas populacionais declarando reiteradamente que tal apoio vem
da preocupação que os EUA têm com:

a) o direito de cada casal escolher com liberdade e responsabilidade o número e o


espaçamento de seus filhos e o direito de eles terem informações, educações e meios
para realizar isso; e

b) o desenvolvimento social e econômico fundamental dos países pobres nos quais o


rápido crescimento populacional é uma das causas e consequência da pobreza
generalizada" [9].

É forçoso reconhecer que a afirmação repetida de tais inverdades acabou penetrando


nas mentes brasileiras, que não enxergam a torpe motivação imperialista das políticas
antinatalistas. A instrumentalização das mulheres também está prevista no Relatório
Kissinger, motivo pelo qual os grupos feministas são sobejamente financiados por
instituições de controle demográfico:

"A condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos países subdesenvolvidos
são de extrema importância na redução do tamanho da família. Para as mulheres, o
emprego fora do lar oferece uma alternativa para o casamento e maternidade
precoces, e incentiva a mulher a ter menos filhos após o casamento... As pesquisas
mostram que a redução da fertilidade está relacionada com o trabalho da mulher fora
do lar..." [10].

Na Conferência de Pequim (ou Beijing) sobre a Mulher, de 1995, investiu-se


enormemente, em nível internacional, para compelir os países a legalizarem o aborto,
reconhecendo-o como um "direito da mulher". De fato, o Relatório Kissinger
considera o aborto como crucial para o controle demográfico. Eis suas palavras
textuais:

"Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos: nenhum país já reduziu o
crescimento de sua população sem recorrer ao aborto" [11].

Em Brasília, atua um eficiente "lobby" pró-aborto chamado CFEMEA (Centro


Feminista de Estudos e Assessoria). Essa ONG monitora cuidadosamente as
proposições legislativas do Congresso Nacional e está sempre alerta para as estratégias
mais favoráveis para a aprovação de projetos pró-aborto. Vejamos o que o CFEMEA
diz de si mesmo:

"Desde 1992, o Centro Feminista desenvolve o Programa Direitos da Mulher na Lei e


na Vida, [...]. O Programa assumiu a feição de Implementação das Plataformas de
Beijing´95 e Cairo´94 no Brasil em 1995. Para realizar este trabalho, o CFEMEA
conta com o apoio de organizações da cooperação internacional" [12] (grifo nosso).

As organizações da cooperação internacional que financiam o CFEMEA - e também


vários outros grupos pró-aborto - são, entre outras, a Fundação Ford, a Fundação Mac
Arthur, o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) e o Fundo das Nações
Unidas para a Mulher (UNIFEM). Isso explica porque as feministas, embora em
número reduzidíssimo, conseguem tanto espaço nos meios de comunicação social,
dando a entender que representam o pensamento "da mulher".

O imenso empenho do governo em favorecer o aborto pode ser explicado, em parte,


pela submissão aos organismos multilaterais de crédito, como o Banco Mundial e o
Fundo Monetário Internacional. De fato, tais instituições financeiras "condicionam
toda ajuda econômica externa ao cumprimento de metas demográficas pautadas em
cada empréstimo" [13].

Está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal a famosa Argüição de


Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54 (ADPF 54), que pretende que a
Suprema Corte declare, com eficácia contra todos e efeito vinculante, que o aborto de
bebês anencéfalos não constitui aborto, mas mera "antecipação terapêutica de parto"
(ATP, na linguagem dos abortistas). Convém lembrar que, em tal ação, o Instituto
ANIS, uma ONG pró-aborto muito atuante, já na petição inicial, oferece-se para ser
admitido no feito como "amicus curiae". Por coincidência, o ANIS [14], dirigido pela
antropóloga Débora Diniz, é financiado pelas Fundações Ford e Mac Arthur, que
também financiam o CFEMEA.

O plano de se obter a liberação do aborto eugênico (apelidado, eufemisticamente, de


ATP) por via judicial não é novo. Periodicamente o Fundo das Nações Unidas para a
População (FNUAP) publica um relatório ("inventory") acerca dos projetos de
população ("population projects") em todo o mundo, Na edição de 1996, na seção
relativa ao Brasil, tal documento relatava uma doação da Fundação Mac Arthur de
US$ 72.000 para "promover a discussão e demonstrar, com base em julgamentos
anteriores, que se pode obter decisão da Justiça para interromper a gravidez no caso
de sérias anomalias do feto. Duração: três anos. 1996-1999" [15].

É impossível, nesse curto espaço, enunciar todas as estratégias e desmascarar todas as


fraudes empregadas para obter o domínio político de nosso país, impedindo que o
Brasil gere brasileiros. Aos interessados em aprofundar o tema, recomendo o excelente
livro do jurista argentino Jorge Scala, intitulado "IPPF: a multinacional da morte",
recentemente traduzido para o português. A IPPF (Federação Internacional de
Planejamento familiar) é a maior rede privada de controle de natalidade, com sede em
Londres e filiais espalhadas em cerca de 180 países, entre os quais o Brasil, cuja filial
chama-se BEMFAM. A IPPF dispõe no Brasil de um braço legislativo chamado Grupo
Parlamentar de Estudos em População de Desenvolvimento (GPEPD), um poderoso - e
bem financiado - lobby composto de parlamentares encarregados de transformar em lei
os planos antinatalistas.

De lege ferenda

Na qualidade de mulher e de promotora de justiça, constato que, de todos os crimes


contra a vida, o aborto é o mais paradoxal, o mais covarde de todos os assassinatos. Os
meios empregados são insidiosos ou cruéis, Incluindo envenenamento,
tortura ou asfixia (art. 121, §2°, III, CP). O ofendido sempre é
absolutamente indefeso (art, 121, §2°, IV, CP). É praticado contra um descendente (art.
61, II, e, CP), contra uma criança (art. 61, II, h, CP) e, muitas vezes, por um médico
que tem por ofício o dever de defender a vida (art. 61, II, g, CP). No entanto, a pena é
ridiculamente pequena. Tão pequena que o autor pode beneficiar-se da suspensão
condicional do processo (art. 89 da Lei 9099/1995). Embora o aborto seja a violação
do mais precioso bem jurídico - a vida - praticado contra o mais inocente e indefeso
dos entes humanos - a criança por nascer - ele não foi até hoje colocado na lista dos
crimes considerados hediondos (Lei 8072/1990).

Se as feministas, instruídas por seus financiadores, têm sua "proposta normativa" para
a revisão da lei penal do aborto, eu também tenho a minha. É uma sugestão simples
que, se acolhida, colocará o Brasil na vanguarda da defesa dos direitos humanos:

Os artigos que incriminam o aborto (124 a 128) poderiam todos ser excluídos do
Código Penal sem nenhum prejuízo para a tutela do nascituro, contanto que o caput do
artigo 121 sofresse uma ligeira alteração:

Art. 121- Matar alguém, fora ou dentro do organismo materno.


Assim haveria total equiparação entre nascidos e nascituros quanto à violação do
direito à vida, acabando-se, de uma vez por todas, com qualquer forma de preconceito
de lugar (dentro ou fora do organismo materno). Essa nova redação incriminaria
também quem concorresse, por ação ou omissão, para a morte do bebê. A modalidade
culposa do aborto seria também punível, admitindo-se, porém, o perdão judicial (art.
121, §5°, CP). Obviamente qualquer aborto doloso seria, então, homicídio qualificado,
o que desestimularia os matadores de criancinhas a abrir o lucrativo negócio de uma
clínica de abortos. O que vem ocorrendo, entretanto, é uma extrema eficiência das
estratégias dos aguerridos lutadores pelo "direito" ao aborto, que tão bem dissimulam o
verdadeiro propósito, propagandeando a "nobre intenção de ajudar a mulher".

Notas
1.
Disponível em < http://www.sensus.com.br/doc/PN19042005.doc >
2.
DÁVILA, Sérgio. MANIR, Mônica. Posições extremadas sobre aborto e maconha surpreendem estudiosos. Folha de
S. Paulo. São Paulo, 25 jan. 2004, Folha Especial.
3.
A íntegra do anteprojeto está disponível em < http://200.130.7.5/spmu/docs/proposta%20normativa.pdf >
4.
Acessível a qualquer internauta em < http://www.datasus.gov.br >
5.
Observatorio Regional para la Mujer de América Latina y el Caribe (ORMALC). Falsas creencias sobre el aborto y
su relación con la salud de la mujer. Septiembre 2005. p. 3. Tradução nossa. Disponível em <
http://www.lapop.org/pdf/dossieraborto.pdf >
6.
Idem.
7.
Êxodo 1,8-10.22.
8.
NSSM 200, Implications of Worldwide Population Growth for US Security and Overseas Interests, páginas 14 e 15,
parágrafo 30. Tradução nossa.
9.
NSSM 200, p. 115. Tradução nossa.
10.
NSSM 200, p. 151. Tradução nossa.
11.
NSSM 200, p. 182. Tradução nossa.
12.
Ver < http://www.cfemea.org.br/quemsomos/apresentacao.asp >
13.
SCALA, Jorge. IPPF: a multinacional da morte. Anápolis: Múltipla Gráfica, 2004. p.16.
14.
Ver < http://www.anis.org.br/parceiro/parceiro.cfm >
15.
Fonte oficial: FNUAP - Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World – 1996.
Tradução nossa.
Planned Parenthood: aborto,
racismo e eugenia
E S C R IT O P O R S T E V E MO S H E R | 3 0 MA R Ç O 2 01 1

Front Royal, Virginia (pop.org/Notícias Pró-Família): Todos nós vimos as gravações. Funcionários da
Federação de Planejamento Familiar (Planned Parenthood) foram recentemente pegos em vídeo se
engajando em atividades ilegais: colaborando com o tráfico sexual de menores de idade, acobertando
estupro estatutário e até mesmo treinando meninas menores de idade a evitar revelar a idade dos
homens adultos que as engravidaram.

Sabemos também que a Planned Parenthood é - sempre foi e sempre será - uma organização de
aborto. Seus médicos aborteiros cometeram 337 mil abortos em 2009, ou mais de um para cada quatro
abortos feitos nos EUA durante o curso daquele mesmo ano. De cada 100 mulheres grávidas que
entram numa clínica da Planned Parenthood, 98 saem com o útero vazio. Em conclusão, sabemos que
o negócio de aborto da Planned Parenthood é muito, muito lucrativo. Essa organização faz um "negócio"
de um bilhão de dólares por ano. Só o aborto representa mais de um terço desse rendimento, muito
embora apenas uma de cada 10 pacientes chegue até eles atrás de aborto. Outro terço do rendimento
vem de você e de mim na forma de verbas e contratos governamentais. Como consequência dessa
exploração, essa organização construiu aproximadamente um bilhão em ativos, tornando-a uma das
mais ricas companhias "sem fins lucrativos" da história dos EUA, ao mesmo tempo em que ela
empobreceu mais o resto de nós ao eliminar milhões de pessoas da nossa população. Mas o que talvez
você não saiba é que a Planned Parenthood dos Estados Unidos é um grande protagonista no
movimento internacional de controle populacional em sua própria força. A cada ano essa organização
manda dezenas de milhares de dólares ao exterior para financiar campanhas de aborto, sem mencionar
iniciativas legais e sociais para pressionar em favor da legalização do aborto em países com leis pró-
vida, tais como as Filipinas.

Nisso a organização continua a seguir nos passos de sua fundadora, Margaret Sanger, que tinha total
desprezo pelas "raças asiáticas", conforme ela e seus amigos do movimento eugênico as chamavam.
Durante sua vida inteira, ela propôs que o número de asiáticos fosse drasticamente reduzido. Mas as
preferências de Sanger iam além de raça. Em seu livro de 1922 "Pivot of Civilization" (Eixo da
Civilização) ela descaradamente recomendou o extermínio de "ervas daninhas... que invadem o jardim
humano"; a segregação dos "retardados e dos desajustados"; e a esterilização das "raças
geneticamente inferiores". Foi mais tarde que ela selecionou os chineses como alvo de sua atenção,
escrevendo em sua autobiografia sobre "a incessante fertilidade dos milhões de [chineses que] se
espalham como praga".
Não dá para se duvidar que Sanger teria ficado descontroladamente entusiasmada com a política de um
só filho da China, pois seu livro "Code to Stop Overproduction of Children" (Código para Deter a
Produção Excessiva de Bebês), publicado em 1934, decretou que "nenhuma mulher poderá ter o direito
legal de ter um bebê sem autorização oficial... nenhuma autorização oficial será válida para se ter mais
que um bebê". Quanto à eliminação seletiva que o governo da China faz de bebês deficientes e
abandonados, ela teria ficado encantada que Pequim tivesse dado ouvidos às recomendações que ela
vinha fazendo por décadas exatamente em favor de tais políticas eugênicas.

Sanger não era alguém de sutilezas em tais questões. Sem rodeios, ela definiu o "controle da
natalidade", um termo que ela havia inventado, como "o processo para extirpar indivíduos fisicamente
desqualificados" com o objetivo de "criar um super-homem". Ela muitas vezes opinava que "a coisa mais
misericordiosa que uma família grande pode fazer para seus bebês é matá-los" e que "todos os nossos
problemas são a consequência do excesso de procriação na classe operária". Gente, ela estava se
referindo a você e a mim.

Sanger frequentemente dava destaque para racistas e eugenicistas em sua revista, Birth Control
Review (Examinando o Controle da Natalidade). Lothrop Stoddard, que era um dos colaboradores e
também atuava na diretoria da entidade de Sanger, escreveu em seu livro "The Rising Tide of Color
Against White World-Supremacy" (A Crescente Maré de Negros Contra a Supremacia do Mundo dos
Brancos) que "temos de nos opor, de forma decidida, à infiltração asiática de áreas da raça branca e à
inundação asiática das áreas não brancas, mas igualmente regiões não asiáticas habitadas pelas raças
realmente inferiores". Cada edição de Birth Control Review vinha repleta de tais ideias.
Mas Sanger não estava contente em meramente publicar propaganda racista; a revista também fazia
propostas de políticas concretas, tais como a criação de "comunidades de retardados", a produção
forçada de filhos por parte dos indivíduos "qualificados" e a esterilização compulsória e até mesmo a
eliminação dos "desqualificados".

As próprias opiniões racistas de Sanger eram males diferentes em seu ultraje. Em 1939 ela e Clarence
Gamble fizeram uma proposta infame chamada "Birth Control and the Negro" (O Controle da Natalidade
e os Negros), que afirmava que "as áreas mais pobres, principalmente no Sul... estão produzindo de
forma alarmante mais do que sua parte [merecida] de futuras gerações". A "religião de controle da
natalidade" dela, conforme ela escreveu, "aliviaria o peso financeiro de se cuidar, com verbas públicas...
de bebês destinados a se tornarem uma carga para si mesmos, para suas famílias e no final das contas
para a nação".

A guerra dos EUA contra a Alemanha, junto com as narrativas sombrias de como os nazistas estavam
colocando em prática as teorias dela sobre "ervas daninhas humanas" e "raças geneticamente
inferiores", apavoraram Sanger, que mudou o nome e a retórica de sua organização. O "controle da
natalidade", com seu tom de coerção, virou "planejamento familiar". Os "desqualificados" e os
"deficientes" se tornaram meramente "os pobres". A Liga Americana de Controle da Natalidade virou a
Planned Parenthood dos Estados Unidos.

Depois da morte de Sanger em 1966, a Planned Parenthood se sentiu tão confiante em que tinha de
forma segura enterrado seu passado que começou a se gabar do "legado de Margaret Sanger". E
começou a entregar de modo esperto prêmios batizados com o nome de Maggie [o diminutivo do nome
dela] para inocentes que muitas vezes não tinham a menor suspeita das reais opiniões dela. A primeira
pessoa a receber tal prêmio foi Martin Luther King - que claramente não tinha ideia alguma de que
Sanger havia inaugurado um projeto para "libertar" o povo dele - "libertá-los" de sua própria
descendência. "Nós não queremos que vaze a informação de que queremos exterminar a população
negra e o pastor evangélico é o homem ideal para dissipar confusões se algum membro mais rebelde da
população negra chegar a suspeitar [de nossas intenções]", Sanger havia antes escrito para Gamble.

A boa notícia é que a aura de respeitabilidade de Sanger - e a da Planned Parenthood - finalmente se


desgastaram.

É hora de cortar para sempre do orçamente federal essa organização racista, sugadora de dinheiro e
que só pensa em aborto.

Nota:

1. Para mais detalhes, veja o documento em inglês "Defunding Planned Parenthood Fact Sheet"
desenvolvido pela Fundação Chiaroscuro.

Tradução: Julio Severo

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/want-to-stop-abortion-not-


to-mention-racism-and-bigotry-defund-planned-pare
O aborto como estratégia de
controle social
E S C R IT O P O R H E R ME S R OD R I GU E S N E R Y | 2 5 MA R Ç O 20 1 3

Como vemos, a “conjura contra a vida” é um processo de um poderoso sistema (cultural, político e
econômico) que age sem que muitos não se dêem conta de estarem sendo vítimas de alienação e
manipulação.

A decisão do Conselho Federal de Medicina em dar apoio à liberação da prática do aborto até a 12ª
semana faz parte de uma estratégia conhecida, que visa aos poucos, avançar ainda mais na
flexibilização, até chegar ao 9º mês. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal autorizou o aborto em
casos de anencefalia. Fizemos vigília de oração às portas do STF, e em entrevista ao G1 dissemos, na
ocasião: "O Congresso não foi omisso em relação ao tema. Já votaram em consonância com o povo,
contra o aborto. Começa por anencefalia, depois má-formação e então chega ao aborto aos nove
meses." Diante da perspectiva de aprovação do novo Código Penal (que visa ampliar os casos de
aborto não punidos pela lei,) os promotores do aborto (conforme as diretrizes do PNDH3) querem
chegar a total legalização do aborto no Brasil. Ainda por ocasião da vigília diante do STF afirmamos: "Se
aprovar a ADPF-54, o Supremo Tribunal Federal poderá estar decretando em nosso País, uma nova
“matança dos inocentes”, na medida em que colabora com os organismos internacionais e agências da
ONU, que há anos vem pressionando para impor a legalização do aborto no Brasil e em toda a América
Latina. Querem transformar o crime do aborto em direito humano". Agora, o Conselho Federal de
Medicina (esquecendo-se do juramento de Hipócrates (1) colabora para a pressão pela legalização
gradual do aborto no Brasil, isso quando as pesquisas de opinião demonstram a crescente reprovação
do povo brasileiro pela prática do aborto. O fato é que a pressão pelo aborto vem de fora e há tempos,
num processo que inclui o aborto como estratégia de controle social.

Conjura contra a vida


Há décadas querem impor e generalizar a prática do aborto nos países da América Latina, torná-lo
inclusive um direito humano, o direito da mulher torturar e matar um ser humano inocente e indefeso
dentro de seu próprio ventre, o direito de eliminá-lo com substâncias salinas, succioná-lo, quebrar-lhe os
ossos e privá-lo do direito de nascer e ser acolhido como pessoa. Para isso, os promotores do aborto
usam de todos os artifícios e ardilosidades, ocultando pérfidas intenções e interesses sombrios.
A questão do aborto está inserida no contexto do controle demográfico. Os especialistas que fundaram o
Conselho Populacional da ONU (em 1952), entre eles, Warren Thompson, já indicavam o aborto como
estratégia pragmática para conter e até diminuir as populações pobres do mundo. “O extermínio de
milhões de nascituros – reconheceu recentemente o papa Bento XVI – em nome da luta à pobreza,
constitui na realidade, na eliminação dos mais pobres dentre os seres humanos”.

O Conselho Populacional da ONU funcionou como cabeça pensante para gestar a implantação do
aborto no mundo, estabelecendo uma política global de controle populacional, em fases distintas. A
primeira (1952-1959) teve como mentor o eugenista Frederick Osborn, que investiu no desenvolvimento
do DIU. Depois (1959-1968), com o demógrafo Frank Notestein, o Conselho Populacional recebeu apoio
da Fundação Ford, que se destacou no financiamento do controle populacional, período este em que
foram implantadas fábricas de DIU nos países asiáticos.

Na terceira fase, sob a influência da Fundação Rockefeller, foi feito um forte lobby junto ao governo
federal norte-americano para incluir o controle demográfico mundial como um problema de segurança
interna dos EUA, resultando, com isso, no documento conhecido como Relatório Kissinger, afirmando
explicitamente que “jamais nenhum país conseguiu diminuir a taxa de crescimento populacional sem ter
recorrido ao aborto”.

Na quarta fase (de 1978 até hoje), houve uma mudança de estratégia. O que antes era pesado
investimento na contracepção, hoje os abortistas passaram a investir na modificação da moral sexual,
pois o movimento populacional não conseguia ganhar espaço no governo norte-americano, nem dentro
da ONU. Com a mudança de paradigma cultural, buscou-se atacar a moral do aborto, para viabilizar sua
aceitação junto à opinião pública. Daí os investimentos na dissidência da Igreja Católica, no movimento
homossexual, na educação sexual liberal, etc. A partir de então, a mídia deu evidência cada vez maior
ao feminismo radical, especialmente após as Conferências Populacionais promovidas pela ONU, de
Bucareste, do México, do Cairo e de Pequim. Hoje, há uma forte pressão dentro da ONU, para
reconhecer o aborto como direito humano, intensificando a pressão sobre os governos da América
Latina para a sua legalização. Em 2003, mais de 700 OnGs financiadas para promoverem o aborto no
mundo, reuniram-se em Londres, estabelecendo a meta de tornar o aborto legal e disponível em todo o
mundo, até 2015. O governo brasileiro firmou compromisso com essas metas e está condicionado por
elas para fazer de tudo para legalizar o aborto, o quanto antes.

Como vemos, a “conjura contra a vida” é um processo de um poderoso sistema (cultural, político e
econômico) que age sem que muitos não se dêem conta de estarem sendo vítimas de alienação e
manipulação. Agora, temos a oportunidade – com a Campanha São Paulo pela Vida, projeto de
iniciativa popular que visa incluir o direito a vida desde a concepção na Constituição do Estado de São
Paulo, continuar trabalhando na defesa do direito à vida dos milhões de excluídos, barbaramente
torturados e assassinados, para atender a lógica perversa dos poderosos, que agem contrariando o
princípio universal de que a plenitude da vida é um direito de todos e um bem para todos.

1 - Nota de Heitor De Paola:


A escola hipocrática separou a medicina da religião e da magia, afastou as crenças em causas
sobrenaturais das doenças e fundou os alicerces da medicina racional e científica. Ao lado disso, deu
um sentido de dignidade à profissão médica, estabelecendo as normas éticas de conduta que devem
nortear a vida do médico, tanto no exercício profissional, como fora dele). No texto original: ‘Aplicar os
tratamentos para ajudar os doentes conforme minha habilidade e minha capacidade, e jamais usá-los
para causar dano ou malefício. Não dar veneno a ninguém, embora solicitado a assim fazer, nem
aconselhar tal procedimento. Da mesma maneira não aplicar pessário (dispositivo circular para cobrir o
colo do útero a fim de impedir a fecundação) em mulher para provocar aborto’. O Juramento original foi
modificado pela Declaração de Genebra da Associação Médica Mundial, substituindo o trecho sobre
aborto para: "Eu manterei o máximo respeito pela vida humana".
O bom combate em defesa da
vida
E S C R IT O P O R H E R ME S R OD R I GU E S N E R Y | 1 3 J U N H O 2 0 15

Por isso os meios de comunicação de massa e as escolas [não só públicas] fazem todo um
trabalho de colonização das consciências [é a doutrinação ideológica] para que haja uma
aceitação da cultura da morte, sem que as pessoas se dêem conta de que estão
sendo manipuladas e agindo contra o que naturalmente elas jamais fariam se não estivessem
sendo condicionadas culturalmente a isso.

Exmo. Sr. Senador Paulo Paim, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado
Federal, Profª. Fernanda Takitani, Dr. Gollop, Dra. Lenise Garcia, membros da mesa, e
demais presentes.

Estando de volta a esta Casa Legislativa, novamente no Senado, para, mais uma vez, fazer a
defesa da vida desde a concepção, que é o propósito do Movimento Legislação e Vida1, da
Diocese de Taubaté, fundado por nosso Bispo Dom Carmo João Rhoden, e que há dez anos2,
junto com outras entidades e grupos, especialmente a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-
Família, que aqui representamos nesta audiência pública, inúmeras vezes vindo ao
Congresso Nacional para trazer informações aos parlamentares, exortando-os a decidirem em
favor da vida e da família3, cujo combate pela vida tem se intensificado a cada dia, conforme
S. João Paulo II expos na sua memorável encíclica Evangelium Vitae, dizendo que há um
combate de mentalidades, cujo drama tem se agudizado em nossos dias, um conflito entre a
cultura da morte e a cultura da vida. "Existe uma crise profunda da cultura"4, uma "conjura
contra a vida"5, com circunstâncias dramáticas e terrificantes, que "tornam por vezes
exigentes até o heroísmo as opções de defesa e promoção da vida"6. A vida humana tem um
valor sagrado, que deve ser respeitado e salvaguardado, em todas as circunstâncias, desde a
concepção até a morte natural. A questão do aborto é a ponta do iceberg. Sabemos que há
um holocausto silencioso, vitimando milhares de seres humanos, a cada dia, em todas as
partes do planeta, vidas ceifadas ainda no ventre materno, do modo mais cruento e doloroso,
pois o inimigo de Deus tem sede do sangue inocente.

"Estamos todos na realidade presos pelas potências que de um modo anônimo nos
manipulam"7, afirmou Bento XVI. Estas potências que atuam "de modo anônimo"8 tem
expressão nos centros privados do poder e em grandes fundações internacionais 9, na vasta
rede de OnG's feministas que defendem os direitos sexuais e reprodutivos, em agências da
ONU, e em tantos governos locais, como aqui, o governo brasileiro, cumprindo a agenda
desses organismos, a agenda antinatalista e antifamília do Foro de São Paulo, dos partidos
políticos de esquerda, especialmente o PT, que expulsou dois parlamentares deste
Congresso Nacional, Luiz Bassuma10 e Henrique Afonso, por não aceitarem essa ideologia
inumana e terem sido a voz dos nascituros indefesos, nesta Casa de Leis.

Sr. Presidente,

Na Câmara dos Deputados, quando aqui estive, em dezembro de 201311, disse que as
fundações internacionais usam as ONGs para seus fins, da forma mais pragmática. Fazem
isso aqui no Brasil: agências da ONU, a Fundação MacArthur, a Fundação Ford, a lista é
enorme, fazem ingerência em nosso País, e o governo brasileiro apoia e repassa recursos
para essas Ongs, sob a orientação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, recursos para
os fins de aborto e tudo mais. E mais uma vez afirmamos que isso deve ser motivo de se abrir
a CPI do Aborto, para ver quem estão sendo beneficiados, quem estão recebendo para
trabalhar contra a população brasileira.

Tudo isso tem uma história bem documentada, mas ainda conhecida por poucos. Trata-se de
um processo por etapas. Primeiramente, desde os anos 50, o período do chamado
"planejamento familiar", "um eufemismo de anticoncepcionismo"12, com programas gestados
em países desenvolvidos, nos centros privados de estudo e pesquisa sobre demografia e
população. Depois, essa fase foi superada para introduzir uma nova estratégia que chegou
aos dias de hoje, com a chamada ideologia de gênero, o "conceito-chave da reengenharia
social e anti-cristã para subverter o conceito de família"13.

Importante lembrar aqui uma publicação na revista Science14, em novembro de 1967, de


Kingsley Davis, [diretor do Centro Internacional de Pesquisas Populacionais e Urbanas, da
Universidade da Califórnia, em Berkeley], que chamou a atenção para uma nova estratégia
muito mais sutil e sofisticada, para a eficácia da cultura da morte e para que o aborto
acabasse sendo aceito com menos resistência como o meio mais eficaz de controle
populacional. E para isso, seria preciso "descontruir a linguagem, os relacionamentos
familiares, a reprodução, a sexualidade, a educação, a religião e a cultura, entre
outros"15. Para ele, “a técnica de limitação demográfica concentrada no fornecimento de
anticoncepcionais com programas patrocinados pelos organismos de saúde pública”16, não
seria eficiente, para "influir na maioria dos determinantes da reprodução humana"17. O
neomalthusianismo, que está aí até hoje na agenda de gênero e do ecologismo da ONU,
aparece também em Davis, quando se refere às metas de "crescimento zero como objetivo
final"18 com a ideia de que "qualquer ritmo de crescimento, se contínuo, acabará por esgotar a
terra”19. Isso é uma falácia. Para Davis, naquela época, o controle demográfico era ainda
"inaceitável para a maioria das nações a para a maioria das comunidades religiosas e
atinentes.”20 Então, como fazer para viabilizar o controle no "tamanho da família", para que os
"casais em seu próprio interesse controlem automaticamente a população em benefício da
sociedade"21, na ótica da referida agenda? O insight de Davis então foi captado, e a partir dos
anos 70-80, mais ainda nos anos 90, depois das grandes conferências internacionais da
ONU, se tornou esse movimento cultural e político global, com força econômica e tecnológica,
para pressionar governos e instituições, pelo desmonte da família. As ideias de Davis foram
operacionalizadas pela Fundação Ford, a partir do documento “Saúde Reprodutiva: Uma
Estratégia para os anos 90”22. A própria IPPF acatou “as ideias básicas contidas no trabalho
de Kingsley Davis23, e depois, "a orientação geral de todas as agências envolvidas com
planejamento familiar, demografia e aborto passaram a seguir cada vez
mais ostensivamente as linhas gerais das recomendações”24 de Kingsley Davis.

Seria preciso - para ele - então influir na consciência, manipular as consciências, colonizá-las
ideologicamente, neutralizando as resistências a esta agenda, que insiste no “aborto
provocado”25 como “um dos meios mais seguros de controlar a reprodução"26 e garantir não
apenas a redução dos índices de natalidade, como também a pulverização e atomização da
própria estrutura familiar. Foi então preciso responder à questão: "porque as mulheres
desejam tantos filhos e como se pode influir sobre este desejo?”27Isso não era só “uma
questão tecnológica. A tarefa do controle populacional então se torna simplesmente a
invenção de um instrumento que seja aceitável”28.

Então, sr. presidente, a cultura da morte passou a ser também uma política de educação. Foi
a partir de Davis, que Adrianne Germain, sua aluna, percebeu que era preciso uma
estratégia de longo prazo, a partir da educação: “Nenhuma compulsão poderá ser usada,
porque o movimento está comprometido com a livre escolha, porém filmes sobre sexo,
posters, histórias em quadrinhos, conferências públicas, entrevistas e discussões são
permitidos. Estes proporcionam informações e supostamente modificam os valores”29. Aí
está a crise profunda da cultura, o combate de mentalidades, que a questão do aborto está
inserida. “Considera-se que o esforço foi coroado de êxito quando a mulher decide que deseja
apenas um determinado número de filhos e emprega um anticonceptivo efetivo” 30. Por isso os
meios de comunicação de massa e as escolas [não só públicas] fazem todo um trabalho
de colonização das consciências [é a doutrinação ideológica] para que haja uma aceitação da
cultura da morte, sem que as pessoas se dêem conta de que estão sendo manipuladas e
agindo contra o que naturalmente elas jamais fariam se não estivessem
sendo condicionadas culturalmente a isso. E para tais objetivos, tais ideologias visam
mesmo “controle de seres humanos"31, daí a nova forma de totalitarismo. Foi o que sugeriu
Kingsley Davis: “Mudanças suficientemente básicas para afetar a motivação de ter filhos
seriam mudanças na estrutura da família, no papel das mulheres e nas normas sexuais”32. É
preciso o "controle da motivação pela sociedade"33, para que o aborto pudesse ser
praticado sem remorsos de consciência. E fazem tudo isso também com várias retóricas, que
fazem parte dessa agenda, por exemplo, também a da defesa ambiental, da paz e dos diretos
humanos, pois “o mandamento ecologista de controlar a natalidade para salvar o planeta” 34 é
“próprio do paradigma do desenvolvimento sustentável”35. Ora, "não é o assassinato de
milhões de inocentes o maior ataque à paz e aos direitos humanos?"36 Esta cultura da morte
é a perversão dos próprios direitos humanos, pois o primeiro e principal de todos os direitos
humanos é o direito à vida, desde a concepção.

E agora, essas agências da ONU, com estas ideologias, estão, fazendo pressão, cada vez
mais, promovendo eventos, a própria UNESCO, a Religions for Peace, a Aliança de
Civilizações, todos juntos fazendo pressão, também junto à Igreja, intensificando os esforços
por esta agenda. O Al Gore, por exemplo, “propôs um rigoroso controle de natalidade em
nível mundial, sob o pretexto de preservar os recursos do planeta”37. A Organização inglesa
Optimum Population Trust propôs “universalizar o controle obrigatório da população, dizendo:
'a cada sete dólares em anticoncepcional evita-se a emissão de uma tonelada de
CO2.”38 Outra grande falácia! E tudo isso com a retórica de combater a pobreza, quando, na
realidade, sr. Presidente, querem é combater os pobres, especialmente dos países
subdesenvolvidos e condená-los ao subdesenvolvimento. Pois essas agencias da ONU estão,
de todas as formas, em todas as partes, até aonde não deviam estar, investindo pesado e
pressionando para que a moral cristã seja flexibilizada, para não haver mais nenhuma
resistência a este projeto de “reengenharia anti-cristã da sociedade”39.

E aí, para concluir esta minha colocação, sr. Presidente, demais membros da mesa, quero
lembrar também da situação dos países desenvolvidos que adotaram essa agenda, e que
hoje o movimento lá fora é muito grande por buscar reverter as legislações abortistas, pelos
efeitos perversos [desumanos e de desagregação social], de uma agenda que
comprovadamente não garante desenvolvimento [humano e social], pelo contrário, a crise
atual dos Estados Unidos (que legalizou o aborto em 1973) e da Europa, e mesmo do Japão
(em que o aborto é legalizado desde 1949) e de tantos outros países desenvolvidos, mostra o
equívoco desta agenda que aceita o aborto como estratégia de controle populacional [o
aborto químico, a pílula abortiva, tudo isso que é terrível, por cometer o assassinato de seres
humanos inocentes e indefesos, e também de causar danos à saúde da mulher,
principalmente pobre e negra, de violentá-la enquanto pessoa humana], estratégia essa de
liquidação da família, e que nós temos o dever de rechaçar, pois a família é a primeira e
principal instituição humana.
E mais: a ideologia laicista, que visa minar a moral cristã, está impregnada na agenda das
agências da ONU, das Fundações internacionais e das forças políticas do internacionalismo
de esquerda. E tais organismos e grupos sabem da força civilizatória do cristianismo, do
cristianismo como promotor da liberdade, da liberdade com responsabilidade e compromisso
com a vida, do cristianismo como força promotora do verdadeiro desenvolvimento humano e
social, que começa na estrutura natural da família, constituída por homem e mulher, aberta à
fecundidade. É o que reconhece os mais sérios especialistas da atualidade, que dizem: “é
na erosão do casamento e da família, afirma o Dr. Mitch Peralstein, que está a raiz do declínio
do desempenho educacional e econômico das crianças norte-americanas criadas em famílias
desestruturadas”40, principalmente nas famílias monoparentais. “Pearlstein argumenta que
a fragmentação da família não só inibe o crescimento normal e a educação das crianças, mas
também tem um efeito deletério sobre a economia em geral”41. Ou ainda em “Family Structure
and Income Inequality in Families with Children: 1976 to 2000”, publicada na revista
"Demography", em 2006, Molly A. Martin “estima que 41% da desigualdade econômica entre
1976-2000 foi decorrente da alteração da estrutura familiar”42. Portanto esta agenda
antinatalista e antifamília não são promotoras do desenvolvimento humano e social.

O que fazer diante disso?

Há muitas iniciativas que podem e devem ser feitas, principalmente no campo da educação,
em todos os níveis, para vencermos a batalha em favor da vida e da família; mas no campo
legislativo, temos o Estatuto do Nascituro em tramitação, e outros projetos de lei nesse
sentido, estivemos aqui e apresentamos ao senador Magno Malta, que através da Frente
Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, possa encaminhar a PEC pela Vida, para que
nós possamos resistir à cultura da morte, afirmando a cultura da vida, explicitando no texto
constitucional, no art. 5º da Constituição Federal, a inviolabilidade da vida humana, desde a
concepção. A exemplo do que já fez a Hungria43, e vários estados do México, alguns até dos
EUA e outros, temos esperança de ver aprovada a PEC pela VIDA em nossa Carta Magna,
porque o ser humano já é pessoa e já possui dignidade, desde o primeiro instante, com a
concepção. Podemos vencer a cultura da morte e afirmar a cultura da vida, a partir dessa
decisão, nesta Casa de Leis. Por isso, caro Senador, pode ter a certeza de que “uma das
tarefas mais nobres”44, em meio aos tantos desafios de hoje, “consiste em permanecer
firmemente ao lado da vida, encorajando aqueles que a defendem e edificando com eles uma
verdadeira cultura da vida”45.

Muito obrigado!

Este foi o pronunciamento do prof. Hermes Rodrigues Nery, diretor da Associação Nacional
Pró-Vida e Pró-Família e coordenador do Movimento Legislação e Vida, no Senado Federal,
sobre a questão do aborto, em audiência pública, realizada na Comissão de Direitos
Humanos, em 28 de maio de 2015. Clique aqui para assistir no YouTube.

Notas:

1. http://fidespress.com/brasil/o-desafio-de-conjugar-legislacao-e-vida/
2. http://www.zenit.org/pt/articles/legislacao-e-vida-no-brasil
3. http://juliosevero.blogspot.com.br/2008/05/foi-uma-vitria-e-tanto-nunca-vi-isso.html
4. Evangelium Vitae, 11
5. Evangelium Vitae, 12
6. Evangelium Vitae, 11
7. Bento XVI, Jesus de Nazaré, v. 1, p. 35, 3ª reimpressão, Editora Planeta do Brasil, São Paulo,
2008
8. Ibidem.
9. http://www.amazon.com/Foundations-Influence-Rene-A-Wormser/dp/0925591289
10. http://jesus-logos.blogspot.com.br/2009/09/carta-ao-amigo-luiz-bassuma-de-hermes.html
11. https://www.youtube.com/watch?v=97EnsLrN64Q
12. Kingsley Davis, Política Populacional: os programas atuais terão sucesso?, publicado na
revista Science, em 10 de novembro de 1967. http://www.aborto.com.br/historia/ha7-3.htm
13. Juan Cláudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal, p. 42, ed. Ecclesiae, Campinas,
2012.
14. http://www.sciencemag.org/content/158/3802/730.citation
15. Oscar Alzamora Revoredo, Ideologia de Gênero: Perigos e Alcance, Léxicon – termos
ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, Pontifício Conselho para a
Família, p. 499; Edições CNBB, 2007
16. http://www.sciencemag.org/content/158/3802/730.citation
17. Ibidem.
18. Ibidem.
19. Ibidem.
20. Ibidem.
21. Ibidem.
22. http://www.votopelavida.com/fundacaoford1990.pdf
23. http://www.aborto.com.br/historia/ha7-1.htm
24. http://www.aborto.com.br/historia/ha7-1.htm
25. http://www.aborto.com.br/historia/ha7-4.htm
26. Ibidem
27. http://www.aborto.com.br/historia/ha7-5.htm
28. Ibidem.
29. Ibidem.
30. Ibidem.
31. Ibidem.
32. Ibidem.
33. Ibidem.
34. Juan Cláudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal, p. 57, ed. Ecclesiae, Campinas,
2012.
35. Ibidem.
36. Ib. p. 60.
37. Ib. p. 55.
38. Ib. pp. 55-56.
39. Ib. p. 57.
40. http://www.thedailybeast.com/articles/2012/04/11/book-review-mitch-pearlstein.html
41. Ibidem.
42. https://muse.jhu.edu/login?auth=0&type=summary&url=/journals/demography/v043/43.3martin
.pdf
43. http://noticiasprofamilia.blogspot.com.br/2011/05/sancionada-nova-constituicao-da-
hungria.html
44. L’Osservatore Romano, 24.10.1998, p. 6.
45. Ibidem.
Horror absoluto: o genocídio
silencioso
E S C R IT O P O R H E IT OR D E P A OLA | 26 A B R I L 20 1 3

Cesse tudo o que a antiga


Musa canta
Que um horror mais alto se alevanta
Paródia de Camões

Um velho ditado diz que os mortos terão sua vingança. Haverá sangue, dizem. O sangue dos
mortos será o sangue da vingança. Sabe-se que algumas lápides já se movem e as árvores
falam para trazer os culpados à justiça. Os astutos assassinos foram expostos pelos místicos
presságios nos sinais dos abutres e das gralhas.
Shakespeare, "Macbeth," Ato 3, Sena 4. (1)

Crianças decapitadas, corpos cortados e acondicionados em jarras, algumas nascidas vivas de


uma tentativa de aborto. Campos de concentração nazistas? Gulags? Coréia do Norte? Não,
não estou falando de horrores do passado nem de países totalitários. Falo do que vem
ocorrendo no país mais desenvolvido do planeta, os Estados Unidos da América (2) e suas
‘Casas da Morte’, clínicas abortistas perfeitamente legais. Você nunca ouviu falar sobre isto?
Não é sua culpa. A mídia está evitando falar destes horrores desde o início do julgamento por
assassinato do abortista Dr. (?) Kermit Gosnell, da clínica Women’s Medical Society de
Philadelphia, Pennsylvania.

Já fiz posts em meu blog citando um estudo da revista Journal of Medical Ethics e a posição da
organização abortista Planned Parenthood. O assassinato de bebês já fora do útero é
defendido com o argumento de que ‘se a mãe queria abortar e o aborto falhou e o bebê nasceu
vivo, é seu direito decidir, junto com seu médico e o plano de saúde, se o bebê deve sobreviver
ou ser sacrificado’.

É exatamente atrás deste eufemismo de ‘direito da mulher’ que se esconde o maior, mais cruel,
sórdido e covarde genocídio da história humana: o genocídio oculto dos abortos. Leio no Mídia
sem Máscara que só na China, entre 1971 e 2010, 336 milhões de crianças foram abortadas,
196 milhões de esterilizações foram realizadas e inseridos 403 milhões de dispositivos intra-
uterinos. Claro, com a outra deslavada desculpa malthusiana de controle populacional.

O horror dos horrores!


Durante este julgamento, uma testemunha, a médica assistente Kareema Cross, que trabalhou
na clínica por quatro anos e meio, relatou diversos casos de bebês nascidos vivos terem suas
nucas cortadas seccionando a medula. Um dos casos é o mais chocante de todos. A seguir o
relato da testemunha:

P (Perguntas da Promotora Joanne Pescatore): ‘Você viu alguns destes bebes se mexendo?’

R – ‘Sim, e uma destas vezes no vaso sanitário. O bebê estava como que “nadando”,
basicamente tentando sair e se salvar. Então Adrienne Moton, empregada da clínica pegou o
bebê e cortou a sua nuca enquanto a mãe ainda estava na sala’

Outro caso relatado:

R – ‘Shayquana Abrams e cegou à clínica em julho de 2008 grávida e enorme. Quando o bebê
nasceu ela dormia. Como o bebê nasceu vivo, o Dr. Gosnell colocou-o num saco plástico do
tamanho de uma caixa de sapatos. Como ele era muito grande, nunca tinha visto um tão
grande, seus pés e braços saíam para fora do saco’.
P- ‘O bebê ainda respirava?’

R – Sim, o Dr. o cortou sua nuca imediatamente, mas não fez sucção para extrair o cérebro –
normalmente o Dr. Gosnell não succiona. Eu chamei pessoas para ver e fotografar. O bebê
aninhou-se em posição fetal e deitou de lado. Eu deveria levá-lo para o freezer, mas o zelador
reclamou e ele ainda estava lá no dia seguinte. O Dr. Gosnell disse, irônico, que o bebê era tão
grande que poderia ir ao ponto ônibus ou fazer compras sozinho’.

Cross acrescentou ter visto pelo menos dez bebês ainda vivos e respirando ter sua espinha
dorsal cortada pelo Dr. Gosnell.

Baby Boy A, morto depois de ter nascido vivo e ter a medula espinhal cortada na clínica
do Dr. Kermit Gosnell. (AP)

O julgamento de Gosnell, de 72 anos, na Corte de Philadelphia já está na sua quinta semana.


Ele é acusado por sete assassinatos de primeiro grau (sete bebês), a morte de uma mãe em
terceiro grau (Karnamaya Mongar, refugiada butanesa de 41 anos, que morreu de uma
monstruosa overdose de drogas causada por negligência) e também por infanticídio,
conspiração, aborto com mais de 24 semanas (limite pela lei da Pennsylvania), abuso de um
cadáver, corrupção de menores e outras ofensas.

Os cúmplices do morticínio

1 - O silêncio cretino da mídia

O presidente do Media Research Center e outros líderes assinaram uma carta pedindo que as
redes de TV e jornais parassem de censurar a cobertura do julgamento. A ABC, uma empresa
Disney, fez um verdadeiro blackout em seus programas principais (Good Morning
America e World News). A NBC fez apenas uma pergunta durante uma entrevista com Obama
no programa Today de 17 de abril, à qual ele saiu pela tangente. Só a CBS noticiou a história
no This Morning do dia 15 de abril, mas desde então nada mais. A Promotoria terminou a
acusação no dia 18, e a defesa, por decisão do réu, não apresentou nenhuma testemunha,
sem uma simples menção ao fato em nenhum programa. Esperam-se as alegações finais para
o próximo dia 28/04. Obviamente, a mídia esquerdista não quer que estas notícias apareçam;
assim não expõem ao público americano às horrorosas e horripilantes práticas abortistas. Isto
poderia despertar o senso de decência do povo americano e levar ao fim destas práticas. Mas
isto seria a oposição a tudo o que deseja a mídia.

Jornalistas conservadores e pró-vida cobriram o horripilante caso desde a prisão de Gosnell


mais de dois anos atrás. Através das redes sociais conseguiram divulgar notícias verdadeiras
sobre este festim diabólico. Mas a mídia mainstream deu preferência às notícias de outros
crimes, publicou as velhas acusações da ‘guerra do Partido Republicano contra as mulheres’,
tornaram a incansável cruzadista pelo controle populacional, Sandra Fluke, numa verdadeira
Florence Nightingale. Apelaram com fotos das crianças assassinadas na escola de Sandy
Hook, ignorando as mais indefesas vitimadas por Gosnell.

Conor Friedersdorf do esquerdista Atlantic admitiu finalmente: ‘isto deveria ser reportagem de
primeira página’. Após incansável campanha pró-vida pelo Twitter o New York Times
relutantemente mandou um repórter ao julgamento. Mas, acrescenta Michelle Malkin, isto é
muito mais do ‘que media-malpractice’. Na verdade é um pesadelo em conseqüência
de malpractice (3) médica e ideológica.

Uma pesquisa Lexis-Nexis (4) mostra que nenhuma das três redes principais de TV tinha
publicado qualquer informação referente ao julgamento nos últimos três meses. A única
exceção foi a jornalista do Wall Street Journal, Peggy Nonan, que conseguiu roubar um
segmento do Meet the Press.

Mas não só a mídia tem interesse em sepultar as notícias junto com as pequenas vítimas.
2- As poderosas organizações abortistas e os órgãos de fiscalização

A Planned Parenthood diz agora que está ‘chocada’ com os horrores da casa da morte de
Philadelphia. A espantosa inação da maior provedora de abortos da Nação, juntamente com
outras clínicas e grupos ‘pro-choice’ (pelo ‘direito de escolher’), fala muito mais alto do que
suas palavras já atrasadas no tempo, como bem destaca Michelle Malkin (5). Acrescentem-se
clínicas abortistas em Virginia e Washington, D.C. e os ativistas religiosos de esquerda e
comunidades de imigrantes que ‘dão assistência’ aos refugiados a preços accessíveis usando
fundos governamentais para ‘serviços de saúde reprodutiva’, isto é, ‘moedoras de fetos’. As
‘pacientes’, inclusive adolescentes, são ‘tratadas’ por pessoal incompetente sem qualificação
profissional. Foram relatados vários casos de perfuração uterina e intestinal.

O Grande Júri da Pennsylvania concluiu que ‘os inspetores governamentais, ao concederem


licença para Gosnell, praticamente se tornaram seus cúmplices no comportamento criminoso’.
As autoridades do Departamento de Estado da Pennsylvania receberam inúmeras denúncias
da ‘clínica’, incluindo sujeira, más condições de esterilização, instrumentos cirúrgicos sem
assepsia, funcionários sem licença, sedação sem assistência, aborto em adolescente abaixo
da idade mínima e super prescrição de analgésicos – e repetidamente optaram por nada fazer!

Como Michelle Malkin já havia denunciado em 2011, os médicos de hospitais vizinhos que
diversas vezes atenderam mães com graves complicações pós-aborto no ‘açougue’ do Dr.
Gosnell, nada fizeram. Inspetores da National Abortion Federation, que alega seguir rígidas
normas de fiscalização declararam que a câmara de horrores do Dr. Gosnell é ‘a pior clínica de
aborto de todas as inspecionadas’ – mas nada fez!

O Grande Júri também revelou que os burocratas da administração republicana do governador


Tom Ridge concluíram que o aumento de inspeção poderia ‘criar uma barreira para o direito
das mulheres que buscam aborto e é melhor deixar as clínicas fazerem o que quiserem’!
Quanta grana não estará rolando das verbas governamentais para financiamento de abortistas
para as mãos dos ‘inspetores’?

Malkin finaliza dizendo que esta indiferença não é exceção, como alegam alguns, mas ‘o
âmago da existência da indústria abortista’!

3 – Barack Hussein Obama

Alan Keyes (ver nota 1) informa que Obama, quando senador no Illinois, se opôs a uma lei que
garantia que as crianças que nascessem vivas de uma tentativa de abortá-las teriam os
mesmos cuidados de saúde que as demais, nascidas normalmente. Como resultado de suas
atitudes ‘eu (Keyes) e outros notamos que ele contemplava um infanticídio, ao invés de
retroceder um mínimo de seu apoio fanático aos assim chamados direitos de aborto’. Como o
dia da votação da lei se aproximava, Obama maliciosamente evitava declarar sua opinião,
advogando pela ‘competência da classe médica’ e sugerindo que a lei poria em dúvida o
profissionalismo dos médicos:

Essencialmente eu penso... que a única razão plausível para esta legislação seria se houvesse
uma suspeita de que um médico que fez a avaliação do caso e decidiu que o feto não é viável
ou que a saúde da mãe está em jogo saberá o que fazer. Se tiver errado e o feto era viável, o
médico não deveria tomar medidas médicas para salvar a criança. Se alguém achar que seja
possível fazer isto, então talvez esta lei fizesse sentido.

Mais surpreendente era que Obama estava insensível sobre a pena de morte para bebês que
sobrevivessem aos ‘cuidados’ do médico escolhido para assassiná-lo.

Citando também o silêncio da mídia, Keyes afirma que ele existe porque as pessoas têm culpa
e vergonha do que fazem, do contrário divulgariam ao máximo as peripécias assassinas do Dr.
Gosnell.

Por que escrevi este artigo?


Porque penso que é necessário despertar a indignação contra estes atos criminosos! Porque
creio que existem muitas pessoas que, embora não apóiem, encontram-se mesmerizadas pela
apresentação dos assassinatos como ‘direitos das mulheres’ e que podem mudar de idéia.
Porque é necessário que se diga explicitamente que a descriminalização do aborto até 12
semanas é apenas um pretexto para mais tarde estender o tempo e aprovar qualquer aborto.
Porque este pretexto serve apenas para desensibilizar as pessoas para chegarmos a açougues
como o Dr. Gosnell e da Planned Parenthood. Porque, como se diz lá na minha terra, porteira
por onde passa boi, passa boiada e, aceitando agora a tese ‘racional’ do 'direito das mulheres',
segundo uma esdrúxula argumentação eivada de mentiras, em breve estaremos assistindo às
tortuosas expansões de tais ‘direitos’, como já se faz nos EUA com as falhas de aborto. Porque
bebês e fetos estão sendo guardados em freezers, e para quê? Não será para planos de
manipulação genética mais terríveis ainda? Porque, finalmente, estes seres indefesos precisam
de quem os defendam dos desatinados assassinos.

Notas:

1 Citado por Alan Keyes em Dr. Gosnell and Obamas heart of Stone. Tradução livre da versão
em Inglês atual (as duas versões podem ser comparadas
em http://nfs.sparknotes.com/macbeth/page_118.html).

2 Alguém poderá mostrar a incoerência entre o que eu defendi em A Excepcionalidade


Americana e o que falo aqui. Devo lembrar, porém que nem o bem nem o mal estão isolados,
ambos vêm juntos e se os EUA são um país baseado no Cristianismo, não espanta que o
germe destrutivo do anti-cristianismo esteja lá, até mais desenvolvido do que em outros lugares
porque enfrenta uma resistência maior.

3 Malpractice significa negligência, mas é amplamente usado para erros médicos em geral, por
incompetência, negligência ou falha ética. No caso é usado por Malkin para significar
negligência criminosa.

4 LexisNexis Group é um provedor de serviços legais de pesquisa de documentos legais e


jornalísticos em computadores. Em 2006 a empresa já tinha o maior banco de dados
eletrônicos para informação públicas e jurídicas.

5 Death Doc Kermit Gosnell’s Co-Conspirators - Deadly indifference to protecting life is at the
core of the abortion industry.
Nelson Mandela e o aborto
E S C R IT O P O R B L OG C ON T R A O A B OR T O | 0 6 D E ZE MB R O 2 0 13

Que ainda em vida Nelson Mandela tenha se tornado uma referência ética, não me surpreende... Não por
quem ele fosse, mas por quem dá tais títulos nos dias atuais. Aos "santos" dos dias atuais — gente como
Al Gore, Bill Gates, Steven Jobs e outros mais — basta-lhes apenas agradar ao mundo. Mandela, sai
deste mundo e mesmo antes de sair já constava nos livros de história como um santo destes "santos".

Sinto discordar da onda de unanimidade que provavelmente varrerá nossa imprensa e principalmente a
mídia social, alvo fácil de todo pensamento politicamente correto produzido atualmente.

Mandela e seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), por décadas têm uma relação muito
próxima ao Partido Comunista da África do Sul, que, como é corriqueiro entre os esquerdistas, encara o
aborto como direito da mulher, sem, claro, fazer qualquer referência à humanidade do bebê em gestação.
Eis um trecho do posicionamento deste partido em relação ao assunto:

"O Partido Comunista da África do Sul acredita que toda mulher tem direito ao controle sobre seu
próprio corpo e também direito a tomar decisões independentes sobre sua vida reprodutiva.
Somado a isto, toda mulher deveria ter o direito a escolher se ou não deseja terminar uma
gravidez."

Já Mandela, que sempre direcionou politicamente o CNA, deu a seguinte declaração sobre o aborto:

"As mulheres têm o direito de decidir o que querem fazer com seus corpos."

Tanto a declaração do Partido Comunista Sul-Africano como as palavras de Nelson Mandela reverberam
o discurso do abortismo internacional, que se lixa para os "corpos" dos bebês em gestação, seres
humanos como qualquer um de nós.

Mas Mandela não ficou apenas nas palavras... Após ganhar a histórica eleição na qual foi eleito
presidente em 1994, Mandela e seu então ministro da Saúde, Nkosazana Dlamini-Zuma, apresentaram
ao parlamento de seu país um projeto de legislação, posteriormente aprovado, que tornou
a legislação sul-africana relacionada ao aborto uma das mais liberais do mundo. Adicionado a isto,
Mandela, seu partido e coligados tiveram um preponderante papel na confecção da nova constituição sul-
africana, por ele assinada em 1996, que deu relevante papel aos "direitos reprodutivos", um conhecido
eufemismo para abortos, esterilizações, etc.

Para se ter uma idéia da liberalidade da legislação introduzida por Mandela, até 12 semanas de
gestação nem mesmo é necessário um médico para fazer o procedimento, sequer uma enfermeira,
bastando para tanto uma simples parteira. Mais um detalhe: o acesso ao aborto é garantido para
mulheres de qualquer idade, mesmo menores. Resultado disto? O número de abortos na África do Sul
teve um aumento gigantesco enquanto que, bem ao contrário do que previam os abortistas, também
o número de mortes maternas teve aumento.

Esta é a obra de Nelson Mandela em relação aos seres humanos mais fragilizados que estão entre nós,
os não-nascidos. Suas ações tiveram, têm e terão um efeito desastroso para seu país e para a
humanidade em geral. Se muitas mulheres se vêem pressionadas e em momento de desespero e falta de
perspectiva recorrem ao aborto, é exatamente esta mulher que deveria ser amparada pela sociedade. E
são políticos como Nelson Mandela, que têm os instrumentos para minimizar este drama e escolhem não
agir assim, preferindo muito mais o caminho fácil dos tais "direitos reprodutivos" enquanto lavam as mãos
pelo sangue derramado dos inocentes, qual um Pilatos do mundo pós-moderno.
Uma boa mãe apóia um bom
aborto
E S C R IT O P O R FE L IP E M E LO | 04 N OV E MB R O 2 0 15

Não há, na visão do abortista, nada intrinsecamente valioso na vida humana. A vida de uma pessoa não
tem valor por si mesma, mas por elementos extrínsecos a ela

O aborto é, sem dúvida, a maior calamidade humana de todos os tempos.

Não conheço Rita Lisauskas. Fiquei sabendo de sua existência através de um blog no site do jornal O
Estado de S. Paulo intitulado “Ser mãe é padecer na internet”. Para seu último texto do blog, Rita
escolheu uma bela manchete: “Sou mãe e a favor do aborto”. Curioso. Resolvi ler o texto, (in)felizmente.
E, após ter me deparado com uma porção considerável de afirmações perigosas, para dizer o mínimo,
resolvi escrever um punhado de comentários. Eles estão abaixo em itálico, e se referem sempre aos
grifos em vermelho que fiz ao texto original.

"Eu nunca fiz um aborto. E se você não quiser fazer um aborto, também não é obrigada a fazer.
Mas todas as mulheres que querem abortar e têm dinheiro vão à clínicas chiquérrimas onde são
tratadas com todo o respeito, higiene e com que há de mais moderno inventado pela medicina.
Também são servidos cafés e petit-fours “Está boa a temperatura do ar condicionado, Dona
Mariana?” [1]

[1] Para alguém que nunca abortou, Rita Lisauskas parece conhecer bem como é uma chiquérrima clínica
de aborto. Ou isso, ou se trata apenas de um recurso meramente retórico para o que virá a seguir.

"Tenho algumas amigas que já abortaram. Não foi uma escolha fácil para nenhuma delas. Mas tudo foi
feito com segurança. Uma delas porque achou que não tinha estrutura financeira e emocional para ter um
filho. Mas há mulheres que abortam porque são vítimas de estupro. Outras simplesmente porque não
se veem como mães e querem dar outro rumo para vida. [2] Algumas foram abandonadas pelo
parceiro idiota, homens que usam e abusam do direito de praticar um aborto às avessas,
simplesmente fugindo do mapa e fingindo que o problema não é com eles. [3] Foram lá e fizeram.
Sentiram culpa? Algumas sim, outras não. Saíram de lá vivas e saudáveis? Saíram."

[2] Notamos que tudopode servir de justificativa para o aborto – desde violência sexual, um crime bárbaro
que deixa seqüelas físicas e psicológicas profundas, até o simples “ah, não estou afim de ser mãe”.
Olhando por esse lado, é difícil não perguntar: mulheres que decidiram abortar “simplesmente porque não
se veem como mães e querem dar outro rumo para vida” realmente tiveram de fazer uma escolha difícil?

[3] Uma das comparações mais estapafúrdias feita pelas feministas, das mais perspicazes às mais
pedestres, é entre o aborto praticado pela mulher e o abandono praticado pelo homem diante de uma
gravidez indesejada. Abandonar uma mulher grávida, que carrega seu próprio filho no ventre, é um ato de
covardia indesculpável. Nisso, todos concordamos. Mas, por mais covarde que seja, ele não se compara
à crueldade que é matar uma criança ainda no ventre materno. A desproporção entre os dois atos é
tamanha que misturar as duas coisas propositadamente é um sinal claro de desonestidade intelectual.

"As mulheres que não têm dinheiro para um aborto na clínica chiquérrima parecem não ter direito
ao próprio corpo [4], ainda que sofram com os mesmos dilemas. Não têm estrutura emocional e
financeira. Foram estupradas. Não se veem como mães. Abandonadas pelo parceiro que virou as costas
para ela, praticando o aborto masculino socialmente aceito. Elas, como não têm dinheiro, como o
Estado lhes vira as costas e a opinião pública aponta o dedo (Vagabunda! Na hora de abrir as
pernas não pensou nas consequências, né?), compram um remedinho abortivo no mercado negro e
sangram até a morte. Ou vão naquela clínica suja da periferia que mais parece um açougue. E morrem."
[5]

[4] Toda e qualquer pessoa, homem ou mulher, tem direitos sobre si mesmo, inclusive sobre seu próprio
corpo. Uma coisa, entretanto, que sempre fica clara na argumentação feminista é que a criança que se
encontra no ventre materno é, também, parte do corpo da mulher. A criança em gestação não é vista
como um outro ser humano completamente diferente: seu status, para o discurso feminista, é ou de um
apêndice desagradável que pode ser removido, ou de um parasita asqueroso que precisa ser eliminado.

[5] O nível de sociopatia dessas afirmações beira o delírio. Provavelmente Rita Lisauskas deve
desconhecer a centenas de iniciativas particulares, muitas delas de cunho religioso, que acolhem
mulheres vítimas de violência e que, mesmo sem se verem em condições materiais ou psicológicas de
levarem adiante da gravidez, decidem não fazer aborto. Nenhuma dessas mulheres é tida por vagabunda
porque “não fechou as pernas”.

"As complicações do aborto já são a quarta causa de morte materna no Brasil [6]. É uma questão de
saúde pública. E não precisa ser nenhum gênio para descobrir que não são as mulheres da clínica do
cafezinho e do petit-four que são mutiladas ou morrem. São as mulheres desesperadas e sem dinheiro.
Pobres. Da periferia. São aquelas que não têm com quem contar."

[6] Além de não fornecer qualquer tipo de fonte para fornecer esse dado, Rita Lisauskas apenas repete
um dos velhos ritornellos de quem defende o aborto. As informações mais recentes disponibilizadas pelo
Ministério da Saúde são do ano de 2011, e lá consta que o número de óbitos maternos em decorrência de
aborto correspondeu a 8,4% do total de óbitos maternos, totalizando 135 vítimas. Se Lisauskas tem fontes
mais atualizadas e corretas, jamais saberemos: ela as omitiu em favor de um efeito retórico emocional.

"Quem diz que é contra o aborto porque é “a favor da vida” não pensa na vida dessas mulheres. A
vida delas vale menos que a de alguém que não nasceu? [7] Se esse bebê nascer sem amor, sem
grana, sem pai, sem estrutura, sem escola, sem apoio, sem o direito a uma família (já que família agora é
só a formada com pai e mãe, né Congresso Nacional), o que será dele?"

[7] Aqui, vemos a recorrência de mais um jogo retórico mentiroso de palavras que visam apenas a criar
um efeito emocional forte, mas que tem quase nenhuma correlação com a realidade. Uma coisa que Rita
Lisauskas parece ignorar é que o próprio aborto fragiliza profundamente a mulher: a ocorrência de auto-
lesões propositadas aumenta em 70% (cf. Anne C. Gilchrist, “Termination of Pregnancy and Psychiatric
Morbidity”. Psychological sequelae of abortion – The myths and the scientific facts. Berna, 2011); a
chance de uma mulher que abortou cometer suicídio aumenta em 6 vezes (cf. Mika Gissler, Elina
Hemminki, Jouko Lonnqvist. “Suicides after pregnancy in Finland, 1987–94: register linkage study”. BMJ
1996; 313:1431); e que o aborto está relacionado ao desenvolvimento de transtornos mentais e
comportamentais, como abuso de drogas, ansiedade, depressão, além de ideação e tentativa de suicídio
(Mota, Natalie P, BA; Burnett, Margaret, MD, FRCPC; Sareen, Jitender, MD, FRCPC. “Associations
Between Abortion, Mental Disorders, and Suicidal Behaviour in a Nationally Representative Sample”.
Canadian Journal of Psychiatry 55.4 [Apr 2010]: 239-47).

"Se é contra a sua religião, não faça. Mas não queira que sua fé decida o que outra mulher deve ou não
fazer. Se você não pretende criar o filho de ninguém, se não será você quem dirá a criança que não tem
comida em casa, se não será você quem vai reconhecer os traços de um estuprador no rosto dela, se não
será você quem irá aguentar os nove meses de uma barriga indesejada, se não será você quem irá
explicar aos vizinhos que não, “não, não sou casada”, “não, esse filho não tem pai”, “não, não sou
vagabunda”, “não, eu fui estuprada”, “não, eu não estava vestida para ser estuprada”, “não, não usei
camisinha”, você não tem direito a opinar sobre a gravidez alheia. E mesmo se respondeu “sim” a
alguma das questões acima, também não tem o direito de querer obrigar ninguém a levar uma
gravidez indesejada adiante."[8]

[8] Na visão dos defensores do aborto irrestrito, ninguém, absolutamente ninguém tem o direito de dizer à
mulher grávida: “Olha, o que você carrega no ventre é uma criança, um ser humano diferente de você, e
aborto é a mesma coisa que assassinato.” É o império do subjetivismo. Mesmo que um exército de
geneticistas, obstetras, ginecologistas e embriologistas defenda isso e forneça toneladas de evidências
científicas sólidas, eles são apenas opressores. O que importa é que matar a criança que se carrega no
ventre deve ser um direito humano (!!!), uma garantia inalienável de cada mulher.

"Já foi provado: a legalização diminui o número de mortes maternas. Dê uma olhada no nosso vizinho,
Uruguai, que jogou o número de mortes de mulheres que abortam próximo a zero. Também diminuirá o
número de mulheres que buscam o Sistema Único de Saúde todos os anos para se recuperar de abortos
mal feitos. O aborto seguro tem de estar disponível a todas que vão recorrer a ele, porque você querendo
ou não, Eduardo Cunha esperneando ou não, as mulheres vão procurar o procedimento como opção
para interromper uma gravidez indesejada." [9]
[9] O argumento acima poderia muito bem ser utilizado para, por exemplo, descriminalizar o latrocínio.
Afinal, a existência de uma lei que puna o latrocínio não impede que ele seja cometido. O mesmo se
estende para o assalto a mão armada, o homicídio, até mesmo a corrupção. A lógica é: se a lei não
impede que o crime seja cometido, então, vamos abolir a lei.

"O que o Congresso tenta empurrar-nos garganta abaixo é um retrocesso. Mulheres tendo de provar
que realmente foram estupradas. Pílulas do dia seguinte proibidas. Cadeia para quem explicar para
a mulher que o corpo é dela e que a escolha é dela." [10]

[10] Mentiras que já foram suficientemente expostas em meu último artigo.

"Eu amo o meu filho. Porque eu quis ser mãe dele. Lutei para engravidar dele, inclusive. Reservei o
melhor de mim para criá-lo. Uma criança só devia vir ao mundo se for desejada." [11]

[11] “Uma criança só devia vir ao mundo se for desejada”. Essa afirmação possui a quintessência do
totalitarismo abortista: se eu quero, deixo nascer; se eu não quero, mato. Não há, na visão do abortista,
nada intrinsecamente valioso na vida humana. A vida de uma pessoa não tem valor por si mesma,
mas por elementos extrínsecos a ela – e, neste caso, o mero desejo de outrem de que ela possa nascer.

Quando lançamos o olhar para o século XX, vemos que foi nele que surgiram as ideologias mais
mortíferas de toda a história humana, sistemas filosóficos e políticos que, quando tomaram o poder,
dedicaram-se a eliminar deliberada e meticulosamente vidas humanas. O Holocausto nazista, o
Holodomor ucraniano, o “Grande Salto Adiante” chinês, os gulags soviéticos, todos eles nos legaram uma
montanha com centenas de milhões de cadáveres. Nenhuma dessas tragédias, entretanto, pode ser
comparada em escala e em crueldade ao assassinato de uma criança em desenvolvimento,
perfeitamente inocente, completamente frágil, no ventre materno.

O aborto é, sem dúvida, a maior calamidade humana de todos os tempos.


400 milhões de abortos na
China: Esse é o futuro "verde"
proposto na COP21?
E S C R IT O P O R LU IS D U F A U R | 02 D E ZE MB R O 20 1 5

O governo da China comunista informou por meio do jornal oficial Diário do Povo que todo ano
pratica 13 milhões de abortos. Desses, 62% são feitos em mulheres com idade entre 20 e 29
anos, na maioria solteiras, segundo a agência ACIPrensa.

Os dados são do Centro de Investigação de Tecnologia da Comissão Nacional de Planificação


Familiar e da Saúde. O mesmo órgão apontou que entre 2006 e 2010 a China gastou 402,5
milhões de dólares para distribuir anticonceptivos no país.

Qi Rongyi, médico chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia num hospital de


Tianjin, disse que na realidade “o número de abortos poderia ser muito maior”, pois “as
estatísticas não incluem os abortos realizados em clínicas ilegais”.

A sinistra mistura de socialismo, dirigismo e paganismo fez aumentar em 30% o número de


adolescentes menores de 16 anos que abortam.

Há 35 anos entrou em vigência a “política do filho único”, estratégia comunista muito prezada
pelos ecologistas inimigos do crescimento da espécie humana.

Nesse período foram mortos 400 milhões de bebês antes de nascer.

No trabalho 'Isto é pelas crianças perdidas na China', Steven Mosher pediu orações “por elas e
pelas suas mães, muitas das quais foram levadas às clínicas da carnificina, ditas de saúde, do
Estado pela força ou sob ameaças para provocar nelas abortos que nunca desejaram e que
agora lamentam profundamente”.

Mosher deplorou que o resto do mundo não queira ouvir a trágica lição chinesa. “Ainda quando
a fecundidade das mulheres continua se reduzindo perigosamente em dúzias de países, o mito
da superpopulação subsiste nas mentes e nas decisões concretas”, na esfera dos governos,
ONGs e até de episcopados e altos eclesiásticos.

“As políticas públicas que sabotam vida humana estão em crescimento”, acrescenta Mosher.
Um exemplo típico está nas propostas defendidas por ONGs e governos na reunião da COP21
em Paris para supostamente combater o “aquecimento global”.

Ele convidou a todos a se unirem “numa gesta histórica para deter essa matança”.

Em 2013 a presidente de Direitos da Mulher sem Fronteiras, Reggie Littlejohn, denunciou que
“alguns abortos forçados são tão violentos que morrem as próprias mães (…) junto com seus
bebês”, e que as esterilizações forçadas “causam complicações de saúde para o resto da vida”.

Littlejohn que a política oficial marxista induz o aborto seletivo por sexo e o resultado é que “por
volta de 37 milhões de homens chineses nunca poderão se casar, porque suas eventuais
futuras esposas foram eliminadas de forma seletiva”.

O desequilíbrio demográfico “promove de maneira poderosa a trata de mulheres e a escravidão


sexual” na China e nos países do sudeste da Ásia que imitam essa política marxista.
O Departamento de Estado dos EUA reconhece que o socialismo na China produz “o índice
mais alto de suicídio feminino do mundo, aproximadamente 590 mulheres por dia”.
“O aborto forçado destrói as mulheres psicologicamente”, explicou Littlejohn. Na China hoje há
“119 meninos que conseguiram nascer para cada 100 meninas sobreviventes”. O fato somado
aos baixos índices de fertilidade — “1,5 a 1.7 filhos por mulher” — criou uma sociedade que
“está envelhecendo”.

Lili Zeng moradora da província de Guangdong, sul da China, contou para o site de notícias chinês
Tianya, que “dois dias antes de nascer meu bebê, sete funcionários da planificação familiar me
prenderam e me forçaram a aborta-lo com uma aplicação, porque eu não tinha uma permissão oficial de
nascimento”.

Essa licença é exigida pela recentíssima modificação da “política do filho único” que agora tolera dois mas
só com aprovação do governo.
Abortistas na ONU miram
mulheres africanas
E S C R IT O P O R R E B E C C A OA S | 07 O U T U B R O 2 0 13

“Quantas mulheres inférteis o Fundo de População da ONU está ajudando?

Não é uma pergunta que o Dr. Babatunde Osotimehin estava esperando num debate
televisionado sobre crescimento da população mundial. O diretor do FNUAP murmurou: “um
número considerável.” O outro membro da mesa-redonda não ficou satisfeito. “Seria correto
dizer que é zero?” insistiu o Prof. Matthew Connelly.

A pergunta de Connelly ilustra a combinação desconfortável entre o movimento feminista


mundial e o movimento de controle populacional, que viram na promoção da contracepção um
ponto em comum. Para as feministas, o planejamento familiar (isto é, evitar filhos) é um meio
das mulheres realizarem suas aspirações; para os ambientalistas, é um modo de garantir
menos pessoas.

Enquanto as mulheres desejam famílias menores, os interesses dos dois movimentos


coincidem. Mas e quanto às mulheres que querem filhos? Essa pergunta cada vez mais se
centra no continente africano. Dados de pesquisas globais mostram que as mulheres africanas
querem mais filhos do que as mulheres em outros países do mundo — acima de cinco filhos
por mulher na África subsaariana. Tal aceitação cultural de filhos pode agravar a tristeza de
mulheres que sofrem do emergente problema da infertilidade na África, o qual é muitas vezes o
resultado de infecções tratáveis. Essa questão permanece em grande parte negligenciada
como uma prioridade de desenvolvimento.

A África está atrás do resto do mundo em pobreza, saúde materno-infantil e infraestrutura


geral. Osotimehin a descreve como o “campo de testes final” para as iniciativas de
desenvolvimento.

Aproximadamente vinte anos atrás, a ONU realizou uma conferência mundial no Cairo que
estabeleceu uma agenda global de desenvolvimento. Agora essa agenda está se aproximando
de um importante aniversário e ocasião para revisão. Nesta semana, a África realizará a última
de uma série de conferências regionais para debater prioridades de desenvolvimento para
além de 2014.

Os grupos feministas visaram cada uma dessas conferências regionais para alcançar o que
não conseguiram no Cairo: o estabelecimento de um direito internacional ao aborto. Uma
organização feminista descreveu suas prioridades como “acesso ao aborto seguro e legal,
contracepção moderna e educação sexual abrangente.”

Autoridades governamentais se queixaram de que as conferências da América Latina e Ásia-


Pacífico foram “sequestradas” para promover o aborto e direitos sexuais.

A reunião regional final será em Addis Abeba, Etiópia. Na semana passada uma conferência de
jovens realizada na mesma cidade divulgou uma lista de “prioridades dos jovens africanos.” A
cerimônia de abertura apresentou uma palestrante da Federação Internacional de
Planejamento Familiar exortando os participantes a colocar forte ênfase nos serviços de saúde
sexual e reprodutiva.

O documento de jovens pediu que os governos removessem as restrições legais ao aborto e


garantissem acesso “seguro e abrangente” ao aborto.

Um das maiores razões dadas para promover o aborto e o planejamento familiar na África é o
elevado índice de mortes maternas e infantis. Embora os grupos feministas e de controle
populacional prescrevam aborto e contraceptivos como uma solução principal, menos bebês
não tornarão o parto mais seguro para mães ou crianças. Sem melhor infraestrutura de
assistência de saúde e acesso a transporte adequado — que são responsáveis pela grande
melhoria nos resultados de saúde materna em outras regiões como a América Latina — as
mulheres e as crianças continuarão a sofrer e morrer no parto.

A Fundação Gates também está mirando a África. Em novembro, a capital da Etiópia realizará
uma conferência complementar à Cúpula de Planejamento Familiar de Londres onde os líderes
mundiais se comprometeram a dar bilhões de dólares para garantir que as mulheres tenham as
famílias que querem — enquanto isso significar ter menos filhos.

Do ‘Friday Fax’ do C-FAM.


Aborto: não basta ser contra
E S C R IT O P O R LU C A S G. FR E I R E | 29 MA IO 2 01 4

Como você enxerga a gravidez, o bebê em formação? Como é a sua linguagem? Negativa?
Você usa termos como “gravidez indesejada” ou coisa do tipo para rotular certas situações? Ou
será que você a enxerga sob a ótica da Palavra de Deus?

Entre nossos políticos e burocratas, assistentes sociais e ativistas, militantes e intelectuais,


existe uma tendência a tratar o aborto como prática normal, e sua liberalização como um alvo
desejável. O aborto que se pretende legalizar no Brasil é um tipo de homicídio. Os que
desejam sua legalização querem que o governo promova aquilo que é mau e dificulte aquilo
que é bom. Nessa inversão de vida e morte, a mulher que teme a Deus nada contra a corrente
da sociedade contemporânea. Faz ela muito bem.

Porém, sua estratégia muitas vezes é incompleta. É que, em diversas ocasiões nosso combate
ao mal deixa a desejar, não vai além do básico. Para não dizer falso testemunho contra o
próximo, basta fechar a boca. Para defender a honra do seu próximo, em palavra e
pensamento, é preciso um esforço consideravelmente maior. Na luta contra o pecado, a
tendência é pensar que basta não fazer o mal. É muito mais difícil ir além, promovendo
ativamente o bem que esse pecado fere.

Além disso, é fácil e cômodo cruzar os braços e condenar, na vida dos outros, um tipo de
pecado que você jamais planejou cometer. Muita gente nas igrejas critica o traficante de
drogas. Um número significativamente menor denuncia o uso trivial do nome de Deus no dia-a-
dia. No combate ao aborto, não basta se abster de matar. Se parar por aí, você corre o risco de
ignorar um outro lado desse pecado: a promoção da vida.

Já faz algum tempo que a noção de dignidade da vida humana, criada à imagem e semelhança
de Deus, tem sido ignorada pela nossa sociedade. Como reverter essa situação? “Um ponto de
partida para promover a vida”, diz minha esposa, que completou um treinamento para lidar com
mulheres que estão pensando em abortar, “é mudar o conceito das pessoas a respeito do que
é um bebê”. Hoje, uma gravidez é vista mais como um novo orçamento, e um bebê como uma
nova variável nos cálculos da família.

Um antídoto a isso é absorver, novamente, a visão bíblica da vida humana e de sua


multiplicação. Crescer e multiplicar é uma forma de resposta ao mandato cultural que Deus nos
deu, registrado em Gênesis. É uma das missões que se deve buscar, com a ajuda divina, no
casamento, conforme a forma litúrgica da celebração do matrimônio nos ensina. É uma bênção
de Deus, conforme lemos nos Salmos e na história de várias mulheres piedosas como Sara e
Ana.

Escravo no Egito, o povo de Deus via à sua volta uma cultura pagã que encarava os filhos mais
ou menos como a nossa cultura os enxerga hoje. Sabe-se que a contracepção era praticada
entre os egípcios da antiguidade. Não temos certeza quanto à frequência dessa prática, mas
sabemos que, lá e no deserto, Israel teve contato com culturas que viam o crescimento
populacional como algo negativo – uma percepção cristalizada nos mitos da antiga
mesopotâmia.

Hoje, com base na visão da vida humana como uma variável desafiadora no orçamento, como
estraga-prazeres, como atraso de carreira, muita gente pensa no aborto como uma possível
saída. Outros, querendo mostrar algum vestígio de consciência, optam pelo argumento do
“coitado”. Coitado do bebê que vai nascer neste mundo, cheio de desastres humanos e
naturais, cheio de violência e miséria, cheio de desespero. Seria melhor nem ter nascido!

Mas isso, além de loucura fria e calculista, é um argumento sem base. A Bíblia nos conta que o
povo de Israel, mesmo sofrendo o jugo da escravidão, cresceu e se multiplicou a ponto de
fazer tremer de medo os seus escravizadores egípcios. A Bíblia exalta o heroísmo das
parteiras hebreias que resistiram à política de genocídio de bebês imposta por Faraó. E isso
para ficar só no Antigo Testamento.

Pergunto: e você? Como você enxerga a gravidez, o bebê em formação? Como é a sua
linguagem? Negativa? Você usa termos como “gravidez indesejada” ou coisa do tipo para
rotular certas situações? Ou será que você a enxerga sob a ótica da Palavra de Deus? A sua
atitude pessoal e até mesmo o seu modo de falar têm um grande peso. E das duas, uma: ou
elas reproduzem o que nossa sociedade anticristã propõe, ou nadam contra a maré,
promovendo a vida segundo a visão cristã.

Em mais de uma ocasião, presenciei a mesma triste conversa. Fala-se duma família mais
humilde. A mãe “está grávida de novo!” E então, alguém diz: “Será que ela não sabe? É tanta
irresponsabilidade!” E, com isso, fica a implicação de que o ciclo de pobreza dessa família será
perpetuado pela nova vida que está para chegar. Certa vez, vi uma irmã em Cristo criticar
assim a mulher de família pobre que está “grávida de novo”. Isso me deixou com tanta
vergonha!

Esse tipo de opinião reflete exatamente o que a Bíblia rejeita como paradigma para enxergar a
vida humana preciosa. Primeiro, trata-se de uma visão extremamente materialista. A criança é
reduzida a um problema, ou a um exemplo de “ignorância” dos pais. Segundo, ela é reduzida a
uma variável, que os pais fracassaram em “controlar”. Terceiro, ocorre uma inversão de
valores. Obedecer a voz de Deus, crescendo e multiplicando, é visto como “irresponsabilidade”.
Nada disso é opinião digna duma pessoa que se diz cristã. Pelo contrário, isso beira a desejar
que aquela criança não existisse. Isso beira a um “aborto no coração”.

Pode ser que você não pense nem fale assim a respeito da sua própria gravidez ou da
gravidez de outras mulheres. Ótimo. Mas, em todo o caso, fica aqui o lembrete: a cada opinião
que é dada, um sistema de pensamento é reproduzido. Esse sistema afirma a verdade de
Deus ou a nega. Talvez haja algo a mais que você possa fazer ao ouvir uma conversa desse
teor, ou talvez você possa promover a vida humana de outras formas mais ativas.

O caso de famílias carentes é um caso que demanda atenção especial. Uma gravidez em
condições de penúria pode ser extremamente preocupante, não somente do ponto de vista
financeiro como também médico e psicológico. Só que isso não significa necessariamente que
toda família nessa situação deva se portar de forma negativa. “Uma das coisas que às vezes é
difícil perceber”, diz minha esposa, “é que, em casos onde se sofre tanta tristeza na vida, um
filho é um presente precioso para trazer conforto e consolo”.

Refletir uma percepção bíblica do valor da vida é um grande passo na direção certa. Outro
passo é preocupar-se, de coração, com a causa da proteção da vida. De preferência, procure
saber a respeito de organizações cristãs que têm essa missão: orfanatos, creches ou hospitais.
Procure doar seu tempo, atenção e dinheiro em apoio. Caso você seja profissional da saúde,
por que não entrar em contato com outras pessoas que compartilham a mesma fé e os
mesmos princípios, buscando um projeto comum de promoção da vida?

A ação cristã em isolamento muitas vezes é pouco efetiva e tem pequeno alcance. Daí a
necessidade de se associar. Na luta contra o aborto, é verdade que um grupo grande de
cristãos já percebeu essa realidade e tem buscado na militância e na cobrança política evitar o
assassinato de milhares e criancinhas. Porém, um outro lado da nossa responsabilidade é
justamente a missão positiva de promover a vida, indo além do comportamento e linguagem
individuais.

Uma associação efetiva de cristãos na luta pela promoção da vida deve se pautar pela lógica
própria desse tipo de organização. Ela terá uma missão bem explícita, esclarecendo quais são
as suas ferramentas: treinamento de conselheiros, levantamento de fundos, assistência local a
famílias necessitadas, parceria com planos e instituições de saúde, e assim por diante. Essa
associação não será eficaz se for vista como uma empresa ou, por outro lado, como um braço
da igreja institucional. Ela será inócua se não tiver uma filosofia bem explicada a respeito da
vida humana e dos métodos que devem ser usados para sua promoção. Ela será deformada
em sua missão caso se dedique somente a pressionar o poder público.
Existem, pelo mundo, várias organizações e movimentos promovendo a causa abortista.
Vemos alguns exemplos em nosso próprio país. A efetividade desses inimigos da vida e
amigos da agressão é espantosa. Nós contamos com armas especiais, que não se resumem
ao plano humano. Só que, nesse plano, ainda estamos engatinhando. A atitude e linguagem
que você tem é um bom começo. A associação formal e informal dará um impulso ainda maior
à nossa incipiente resposta. O exército abortista é bem articulado e profissionalizado. Chegou a
hora de pagar na mesma moeda, dentro dos parâmetros que Deus nos permite e nos ordena
seguir. Participe ativamente da causa da promoção da vida. Ela é boa, e Deus é bom. Ele se
alegrará com sua fidelidade.
Aborto: ódio à vida e à lógica
E S C R IT O P O R GA B R IE L D E A R R U D A C A S T R O | 0 5 D E ZE MB R O 20 1 5

Toda filosofia que atribui a um ser humano o direito de decidir sobre a humanidade do outro
traz em si a raiz do genocídio e da autodestruição.

Por trás da nuvem de fumaça criada por grupos favoráveis ao aborto com chavões como “o
direito da mulher sobre o próprio corpo”, resta uma questão primordial e que gira em torno do
seguinte corolário:

Toda vida humana inocente deve ser protegida


O bebê em gestação é humano, vivo e inocente
Todo bebê em gestação deve ser protegido

Quem pretende debater o tema com rigor e seriedade precisa apreciar essa questão antes de
qualquer outra.

Se o bebê em gestação não é vivo nem humano, desnecessário discutir exceções: o aborto
deve ser completamente legalizado, da mesma forma que a extração de dente e a cirurgia de
apendicite.

Acontece que, graças ao mapeamento do DNA, aos novos métodos de ultrassom e às


pesquisas comprovando que os bebês em gestação sentem dor e reagem à voz da mãe, não
há espaço para manobras argumentativas. Hoje sabemos com clareza aquilo que, na
Antiguidade ou na Idade Média, podia-se apenas especular: o único marco lógico para o início
da vida é a concepção. Já na concepção há vida e autonomia. Há individualidade e, portanto,
inviolabilidade.

É por isso que muitos apóstolos do aborto preferem centrar seus ataques na premissa maior do
corolário acima. A premissa de que toda vida humana inocente é inviolável.

Mas esse ataque tem consequências tenebrosas. Sabendo que o bebê em gestação é uma
vida humana, não podemos tolerar que eles sejam esquartejados sem abrir mão da própria
inviolabilidade da vida. Como consequência, se aceitamos que nem toda vida humana inocente
deve ser protegida, é ilógico defender apenas a legalização do aborto. Tão válido quanto isso
será o extermínio de recém-nascidos, idosos e deficientes por motivos pueris como a vontade
da família ou um potencial sofrimento.

É nesse ponto que o problema central surge com clareza: estamos diante de uma escolha
civilizacional. Seremos o tipo de sociedade que protege ou o que sacrifica seus mais fracos?

Não é uma pergunta retórica. Richard Dawkins e Peter Singer, por exemplo, na condição de
ícones do materialismo contemporâneo, apoiam a aceitação do infanticídio como consequência
lógica da legalização do aborto.

A verdade, entretanto, não pode ser ocultada. Toda filosofia que atribui a um ser humano o
direito de decidir sobre a humanidade do outro traz em si a raiz do genocídio e da
autodestruição.

A eliminação dos mais fracos é um sintoma de anomalia em uma sociedade tanto quanto a
automutilação é um sintoma de distúrbios mentais em um indivíduo.

As justificativas apresentadas pelos defensores do aborto não são mais do que diferentes
disfarces para a loucura e o ódio à vida. Aos que conhecem essa verdade, é dever moral
proclamá-la de forma persistente e incansável. Sem condescender e sem capitular.
O aborto e a engenharia das
mariposas
E S C R IT O P O R C R IS T IA N D E R OS A | 1 6 A G O S T O 2 0 12

O desafio do controle demográfico mundial não poderia ser vencido a longo prazo pela pressão
sobre os governos, mas somente através de uma revolução cultural de natureza sexual. Com
as feministas trabalhando pela causa, a pressão aos governos tornava-se indireta e muito mais
eficiente.

Quando os estudos demográficos chegaram no Brasil, por meio de institutos europeus e norte-
americanos, na década de 1950, o viés controlista, isto é, a idéia de controlar o crescimento da
população, contava com grande desaprovação interna e até temor do imperialismo do mundo
desenvolvido, tanto da direita quanto da esquerda. Hoje este medo está superado e toda a
imprensa, assim como o sistema educacional, espalha o consenso internacional dessa
“sustentabilidade” pelo preço da morte de seres humanos.

Mas engana-se quem pensa que o perigo populacional é meramente quantitativo. A eugenia ou
seleção artificial dá o tom do consenso anti-populacional desde sua origem. Entre as propostas
liberais do welfare norte-americano, capitaneado pela esquerda daquele país, estava a
eugenia, pronta e intacta trazida por intelectuais europeus, fundadores da maioria das
fundações fomentadoras das pesquisas populacionais. Intelectuais como George Bernard
Shaw, John Maynard Keynes, Julian Huxley, Sidney Webb (patrono dos socialistas fabianos) E.
A. Ross, e Margareth Sanger, fundadora da liga que posteriormente se tornou a instituição
abortista Planned Parenthood, são os verdadeiros artífices do pensamento progressista norte-
americano, cuja herança maldita permanece intocada dentro do partido democrata. Lembremos
aos desavisados que a famosa seita racista Ku-Klux-Klan era composta por membros do
partido de Al Gore, Obama e Clinton, personalidades idolatradas pela imprensa norte-
americana e internacional.

Qualquer estudante de ensino médio em suas mais altas digressões adolescentes brada em
reclamação à superlotação de seres humanos no planeta, ao que culpa o calor, as marés, os
maus tratos aos animais, a violência, o preconceito, a intolerância, suas decepções na vida e
toda sorte de desconfortos emocionais que venham a se manifestar em seu corpo mal formado
ou em sua mente mal informada. A culpa provém inicialmente dos seus pais e vai ganhando
corpo até somar-se a toda a humanidade e sua vil prática reprodutiva.

A atual tese da necessidade do controle populacional, chamada neomalthusianismo, nasceu de


dentro da teoria da transição demográfica, fruto de estudos estatísticos iniciados na metade do
século XX, mas que foram sutilmente tempererados com a tese eugênica, resultado de uma
interpretação positivista da natureza. Essa mudança de mentalidade está ligada ainda hoje ao
movimento ambientalista que propõe ações humanas a serem aplicadas para um maior
controle do meio ambiente e da natureza física descontrolados pela própria ação humana.
Enquanto inicialmente se pretendia estudar sem julgar os resultados, eis que surgem os
neomalthusianos para alertar-nos do perigo das altas taxas de fecundidade na população.

É notável o quanto os estudos demográficos no Brasil e demais países latinoamericanos, bem


como o grande montante de investimento nestas áreas, foi impulsionado pelo aumento da
preocupação internacional com o crescimento populacional. John D. Rockefeller, quando
percebeu a resistência e o temor dos cientístas da sua própria fundação, resolveu criar o
Population Council, a partir do qual foi seguido por outras entidades como a Fundação Ford.
Em um ambiente científico cheio de preocupações e cautelas – muito devido a má fama das
engenharias populacionais após o nazismo e comunismo – surgia um movimento amplamente
dedicado à engenharia populacional e ao controle do crescimento capitaneado por um grande
número de fundações e empresas. Foram estas fundações e empresas as propagadoras do
lobby controlista e intervencionista do homem para a sociedade.

A grande revolução no controle populacional teria se dado, segundo o demógrafo George


Martine, presidente Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), com a estréia no
campo populacional da United States Agency for International Development (Usaid), já em
1965. A partir de então, os esforços de controlar a população mundial ganharam maior
agressividade e medidas práticas mais efetivas. Em 1969, foi criado o Fundo de População das
Nações Unidas (FNUAP) que rapidamente passou a ser o organismo responsável pelos
“programas de população” da ONU. Não é coincidência que nesta época os grandes
defensores do controle populacional fossem os biólogos e ecologistas, que entraram de cabeça
nas teses neomalthusianas.

Um dos mais conhecidos ecologistas que defende o controle populacional como solução é Paul
Ehrlich que, em seu livro de 1995, orgulha-se de ter conseguido uma transição fácil do estudo
das populações de mariposas ao estudo das populações humanas. Embora saiba-se que
Ehrlich fosse especialista em mariposas e não em seres humanos, seus estudos ganharam
tanto respeito que fizeram dele um especialista em crescimento sustentável. A aplicação das
teorias sobre mariposas para os seres humanos deu-se rápida, sem necessidade de maiores
esclarecimentos. Seu livro mais famoso e polêmico foi o Population Bomb (1968), mas em seu
livro mais recente ele afirma que se a taxa de fecundidade e natalidade não cair, a de
mortalidade terá de aumentar. Nada mais adequado às mariposas.

A simplicidade da tese neomalthusiana tornou-a tão atraente não só a cientistas mas à opinião
pública e políticos dos países desenvolvidos, o que possibilitou deixar a tese eugênica de fora
das campanhas publicitárias até que este tabu fosse rompido. É claro que o controle
populacional deveria ser aplicado aos países pobres, afinal são eles que se “reproduzem como
coelhos, espalhando seus genes podres pela sociedade”, como disse Margareth Sanger, a
feminista “mãe do aborto”.

A cruzada mundial pela redução da fecundidade deveria ganhar tanta importancia que muitos
países desenvolvidos investiram pesadamente nos estudos em demografia nos países
subdesenvolvidos. Isso explica o rápido investimento internacional nessas áreas de pesquisa
no Brasil e outros países. O plano de longo prazo, para a redução populacional do terceiro
mundo, foi levado a cabo lentamente e só agora seus frutos aparecem mais claramente.

A partir do Relatório Kissinger, a redução populacional em países do terceiro mundo, tornou-se


uma questão de segurança nacional para os EUA. A Usaid patrocinou e iniciou a distribuição
de centenas de milhares de aparelhos para a prática do aborto em mais de setenta países, na
maioria dos quais o aborto não era legal, e a implantação de redes de clínicas de abortos em
vários deles. O diretor da Usaid afirmava que, com os recursos disponibilizados pelo
Congresso Americano, "os maiores já liberados em toda a história americana para qualquer
programa de ajuda externa com exceção do plano Marshall", ele poderia diminuir
drasticamente a taxa de crescimento populacional de qualquer país em 5 anos e, se utilizasse
também o aborto, em apenas 2 anos.

Quando muitos países subdesenvolvidos passaram a defender que a melhor forma de controle
populacional seria o desenvolvimento econômico e não o aborto ou contracepção, somado a
uma perda de espaço das teses abortistas no governo norte-americano, a partir da década de
1970, John Rockefeller finalmente entendeu que a melhor estratégia era a militância política
através da emancipação da mulher. Usando dos movimentos feministas para trabalhar o seu
lobby, a fundação Rockefeller foi a pioneira na estratégia da modificação da moral sexual
popular. Em outras palavras, o desafio do controle demográfico mundial não poderia ser
vencido a longo prazo pela pressão sobre os governos, mas somente através de uma
revolução cultural de natureza sexual. Com as feministas trabalhando pela causa, a pressão
aos governos tornava-se indireta e muito mais eficiente. Só em conjunto com essa estratégia
era possível estabelecer alguma pressão eficiente sobre governos.

Uma grande pressão é iniciada também no aspecto das humanidades, por meio dos estudos
de comunicação de massa e controle mental do Instituto Tavistock e as fundações
internacionais. A escola sociológica dos estudos culturais deu um impulso a mais na causa
feminista ao trazer a novidade do relativismo cultural, trazido da antropologia, em oposição às
teses moralistas dos frankfurtianos. Ao invés de luta de classes, estes estudos inauguraram a
luta cultural, impulsionados pelos estudos de Antônio Gramsci. A nova face do marxismo
cultural agora buscava a satisfação dos desejos que se manifestavam nas culturas. A mulher
passa a ser uma “classe” oprimida, tal como todo tipo de fantasia sexual considerada
socialmente reprovável pela opressão do sistema capitalista e, é claro, da cultura judaico-cristã.

Em 1996, sob a coordenação do Fundo de Atividades Populacionais da ONU e contando com a


presença dos diversos comitês de direitos humanos da ONU e das novas ONGs recém criadas,
ocorreu a informalmente famosa reunião fechada de Glen Cove, na qual estabeleceu-se um
plano de pressão gradual da ONU sobre os vários países do mundo e especialmente da
América Latina no sentido de acusá-los de violarem os direitos humanos ao não legalizarem o
aborto.

Engana-se quem pensa que o Brasil começou a trabalhar pelo aborto no governo Lula.
Seguindo a orientação das entidades internacionais, o Brasil conta com membros dessas
entidades já há bastante tempo. O médico Aníbal Faúndes, representante para o Brasil do
Conselho Populacional desde 1977, parece ter dado os primeiros passos para o que seria
posteriormente um protocolo de cuidados pré-aborto, com o que se fecharia o conceito de um
serviço para garantir um aborto seguro, apesar de ilegal. Este declarava à imprensa em 1994
que ensinava, no Hospital das Clínicas de Campinas, as gestantes a utilizarem o misoprostol,
uma droga conhecida também como Citotec, para provocarem um aborto seguro.

As fundações e empresas familiares como os Rockeffeler tiveram, portanto, não só um papel


de destaque nos financiamentos de pesquisas demográficas no Brasil, como trabalham ainda
hoje incessantemente para a popularização de seus ideais anti-populacionais, baseados em
premissas eugênicas e economicistas. Mas estas ideias estão longe de serem simplesmente
frutos malditos de mentalidade tecnicista e de fé no poder transformador do homem,
pressupostos erguidos pelo humanismo histórico. Tais ideias têm, em sua essência, a
despersonalização do homem e a transformação em objeto. Não é só a mulher que vai virar
objeto de prazer dos homens (eximindo-os de arcar com o fardo de seus atos), mas o próprio
homem, enquanto feto e portanto inacabado, torna-se objeto técnico e um mero número que
pesa na conta do estado e na consciência de uma elite intelectual. Afinal, qual a diferença entre
um feto e uma criança nos primeiros meses? Ambos não estão plenamente prontos.

A engenharia das mariposas de Ehrlich, sofre um pequeno revés, ao ser aplicada aos homens
enquanto objetos coletivos, mas não à sua individualidade e direito à vida. Hoje as mariposas
têm mais direito à vida do que fetos humanos, considerados “coisas”. A luta contra a “mulher-
objeto”, tida como mote do feminismo, trouxe a possibilidade do “homem-objeto”, não
meramente enquanto gênero masculino, mas de toda a espécie.
Microcefalia como sentença de
morte, segundo Débora Diniz
E S C R IT O P O R GE OR GE M A Z Z A MA T OS | 2 9 J A N E IR O 2 0 16

O ser que mais sofre com o aborto é o próprio feto assassinado, sem qualquer meio de defesa,
embora se saiba que a mulher que aborta sofre dores físicas e psíquicas profundas.

O direito constitucional à "saúde", nos moldes referidos pela antropóloga, é um direito à


"saúde" apenas da mãe. E é uma sentença de morte para o bebê.

Os que acompanham, participam ou são vinculados a grupos de pesquisa e instituições pró-


vida já vêm discutindo há algum tempo que toda a estratégia abortista iniciada em meados dos
anos 60, fim dos anos 70, é desenvolvida de modo incansável para alargar e ampliar as
possibilidades do aborto, principalmente em países que ainda o proíbem ou limitam os casos
legalmente. O trabalho é tão fortemente direcionado para a via legislativa quanto se aperfeiçoa
pela via social/judicial. Neste último caso, mesmo que adormecidos após novas conquistas, os
movimentos pró-aborto esforçam-se para alagar a quantidade de categorias que devem ser
legalizadas.

A última "grande" conquista dos movimentos CONTRA A VIDA, a favor da morte, foi a
permissividade da realização do aborto em casos de fetos anencéfalos, nos idos de 2012.
De lá pra cá, o casulo do movimento pró-aborto permaneceu em seus movimentos, mas sem
desabrochar mais visivelmente à sociedade em geral ou trazendo discussão ao
cenário político-judicial de maior envergadura. Os movimentos pró-vida sempre permaneceram
atentos pois, qualquer nova oportunidade que surgisse, os pró-aborto reapareceriam
implantando a dúvida na sociedade, buscando a ampliação dos casos possíveis para
cometimento do aborto, prática usual destes movimentos, muito bem subsidiada por poderosas
instituições internacionais.

Sem nenhuma surpresa para os pró-vida, matéria publicada nesta data no jornal Folha de São
Paulo [1] e intitulada "Grupo prepara ação no STF por aborto em casos de microcefalia"
cristaliza o quem vem se afirmando neste texto: os movimentos pró-aborto irão pleitear na
Corte Suprema do Judiciário Brasileiro (STF) a legalização jurisprudencial do aborto para casos
de fetos microcefálicos, decorrentes da contaminação da mãe/feto pelo vírus Zika, transmitido
pelo mosquito aedes aegypti. Entretanto, os argumentos utilizados pela Sra. Débora Diniz,
entrevistada na reportagem, para sustentar tal legalização, são estritamente falaciosos,
covardes, inverídicos, desumanos.

O primeiro e mais covarde argumento utilizado por Débora é que hoje há uma epidemia do
vírus Zika e que, por si só, "isso torna a necessidade de providências mais urgentes". Era de se
esperar de uma antropóloga, que estuda em profundidade o humano, que busca conhecê-lo,
atitude e discurso de modo a tentar salvaguardá-lo da extinção. Isto posto, as "providências
urgentes" deveriam ser a ampliação do combate mais efetivo ao mosquito transmissor, a busca
por uma vacina reparadora, a conscientização social generalizada, o direcionamento prioritário
de recursos para estas ações e, em ultima ratio, quando não haja qualquer outra possibilidade
de proteção para o feto, fornecer o adequado tratamento e todo o suporte para os acometidos
pela doença, principalmente nascituro e mãe. Mas não! A proposição da "antropóloga" é matar
um ser indefeso, pelo único motivo deste nascer com deficiência no tamanho natural do
cérebro, embora existam relatos diversos de fetos microcéfalos que se desenvolveram com
capacidade corporal plena [2] [3] [4]. A própria Sra. Débora confirma: "sabemos que a
microcefalia típica é mal incurável, irreversível, mas o bebê sobrevive". Mesmo confirmando,
indiretamente, que a legalização de aborto para o caso de fetos microcéfalos assemelhar-se-á
à prática de homicídio, a Sra. Débora ainda sustenta tal argumento.

Prossegue a antropóloga declarando absurdamente que, como o Estado Brasileiro não foi
capaz de conter o surto epidêmico de Zika, as mulheres brasileiras não podem
ser "penalizadas pelas consequências de políticas públicas falhas", donde se "legitima" a
possibilidade de aborto, já que estas mulheres não podem ser privadas do "direito de escolher
sobre a própria vida". Quanta incoerência! O ser que mais sofre com o aborto é o próprio feto
assassinado, sem qualquer meio de defesa, embora se saiba que mulher que aborta sofre
dores físicas e psíquicas profundas. Obviamente, a mãe deve receber todo o suporte quando
diagnosticado a contaminação por Zika, mas se pleitear o aborto como "direito da mulher de
escolher sobre a própria vida"? Que direito há um ser sobre o corpo do outro? Há duas vidas
em análise: a mãe e o feto. Não há qualquer direito da mulher sobre o corpo que dentro dela
cresce e amadurece, que é o feto! Um absurdo!

Ainda prossegue a dita antropóloga afirmando que a legalização do aborto em casos de fetos
microcéfalos é primordial para suportar um direito constitucional à saúde das mulheres. O
direito constitucional à saúde identificado pela antropóloga, contrariamente ao que ela propõe,
deve ser analisado na perspectiva de dar, aos dois personagens principais e objetos da
gravidez, quais sejam, mãe e filho(s) e/ou filha(s), saúde plena para que um proceda com a
gravidez até seu término natural, que é dar à luz; ao outro, que este, mesmo acometido da
microcefalia, nasça com o máximo de saúde possível, para que tenha uma vida com menores
restrições. O direito constitucional à "saúde", nos moldes referidos pela antropóloga, é um
direito à "saúde" apenas da mãe. E é uma sentença de morte para o bebê. Não há saúde onde
há morte, pois aquela é inerente à vida.

Notem que, novamente, a dita antropóloga sequer se refere ao feto que será assassinado.
Para além, continua enfatizando que para esses casos, não é justo que as mães que têm
recursos financeiros apropriados consigam abortar seus fetos microcéfalos em clínicas ilegais e
que, do outro lado da pirâmide social, mulheres pobres não tenham o direito, já que "autorizar o
aborto não é levar as mulheres à fazê-lo". Seguindo a linha do atual Governo, a antropóloga
considera imbecilizados imensa parcela da sociedade brasileira ao afirmar tamanha atrocidade
verbal. É óbvio que se o Estado autorizar este tipo de aborto, os movimentos CONTRA A VIDA
serão os primeiros a direcionar mães de fetos microcéfalos a clínicas de aborto ilegais. A ideia
dos movimentos pró-aborto é a redução dos nascimentos, secundando a importância social da
mulher.

Camufladas em inócuas cobranças de ações governamentais de forma a ampliar "ações de


vigilância sanitária para erradicar definitivamente o mosquito e ações que garantam a
inclusão social de crianças com deficiência ou má-formação por conta da doença", o
movimento pró-aborto, na realidade, almeja implantar "políticas públicas de direitos sexuais
e reprodutivos para as mulheres", dentre eles, o aborto.

Temos nossas dúvidas se as assertivas ministeriais de que "estamos perdendo a guerra contra
o mosquito" já não seja o passo inicial para, ante a inépcia e inefetividade do Estado, resolver-
se o problema de fetos microcefálicos abortando-os. É o uso, em alto grau, do utilitarismo
hegeliano de que, em outros termos, para combater a microcefalia matam-se os fetos que dela
se acometem, ao invés de extinguir essa possibilidade e apenas centrar esforços para aniquilar
o mosquito transmissor.

Essa mesma teoria utilitarista será o embasamento teórico para, em breve, assistirmos a
pedidos de legalização de aborto em casos de fetos com Síndrome de Down, ou
os desprovidos de um ou mais membros, ou os desprovidos de órgãos não vitais, tudo em prol
de uma processo mais amplo de fortalecimento do novo paradigma da "saúde reprodutiva"
das mulheres.

Mas para Débora Diniz, a microcefalia é a sentença de morte para mais de 3.400 fetos!

Fontes:
[1] http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/01/1734795-grupo-prepara-acao-no-stf-por-
aborto-em-casos-de-microcefalia.shtml
[2] http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160108_mae_microcefalia_recife_cc
[3] http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160107_mae_microcefalia_manaus_cc
[4] http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151201_microcefalia_depoimento_rb.shtml
Contextualização da Defesa da Vida no Brasil: como foi planejada a introdução da cultura da
morte no país (Livro).
Dr. Jérôme Lejeune: “Desde a
concepção, você é um ser humano”
Dr. Jérôme Lejeune – Médico Pediatra Francês. Professor de Genética da Faculdade de
Medicina de Paris. Doutor Honoris Causa, da Universidade de Navarra, Buenos Aires e de
Dusseldorf, na Alemanha. Membro da Academia Francesa e da Academia Real da Suécia de
Medicina. Expert em efeitos biológicos da radioatividade atômica. Descobriu a
anomalia cromossômica que dá origem à trissomia 21 (Síndrome de Down).

Frases do Dr. Lejeune:


1. “Não vejo qualquer circunstância que justifique matar um inocente, e se não me engano,
no Brasil não existe a pena de morte para os culpados. Se não há pena de morte para os
culpados, não vejo razão para se instituir uma pena de morte para os inocentes”.
2. “O estupro é um crime, mas não cometido pela criança. Quem deveria ser castigado é
aquele que cometeu o estupro. O Estado, se fosse verdadeiramente civilizado, deveria dizer:
“O homem que gerou esta criança não é digno de ser reconhecido como pai. Por conseguinte
a criança que foi concebida é órfã no sentido legal”. Assim essa criança deveria ser adotada
pelo Estado, para que a mulher estuprada pudesse ver seu filho sob a tutela do Estado, pois
é obrigação do Estado proteger as crianças”.
3. “Aqueles que pretendem legalizar o aborto procuram fazer com que a sociedade considere
as crianças como “pesos”, como alguém que está “demais”, para que, então, os parlamentares
admitam votar uma lei permitindo matar as crianças, o que é totalmente absurdo”.
4. “Não há diferença entre a pessoa que você era no momento da fecundação do óvulo de
sua mãe e a pessoa que você é hoje. Desde a concepção, você é um Ser Humano”.

5. “Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não poderia tornar-se
um, pois nada é acrescentado a ele”.
6. “Penso pessoalmente que diante de um feto que corre um risco, não há outra solução
senão deixá-lo correr esse risco. Porque, se se mata, transforma-se o risco de 50% em 100%
e não se poderá salvar em caso nenhum. Um feto é um paciente, e a medicina é feita para
curar… Toda a discussão técnica, moral ou jurídica é supérflua: é preciso simplesmente
escolher entre a medicina que cura e a medicina que mata”.
7. “A sociedade não tem que lutar contra doença, matando o doente”.
8. “Um único critério mede a qualidade de uma civilização: o respeito que ela prodiga aos
mais fracos de seus membros. Uma sociedade que esquece disso está ameaçada de
destruição. A civilização está, muito exatamente, no fornecer aos homens o que a natureza
não lhes deu. Quando uma sociedade não admite os deserdados, ela dá as costas à
civilização”
9. “Logo que os 23 cromossomos paternos trazidos pelo espermatozóide e os
23 cromossomos maternos trazidos pelo óvulo se unem, toda informação necessária e
suficiente para a constituição genética do novo ser humano se encontra reunida”.
10. “O fato de que a criança se desenvolve em seguida durante 9 meses no seio de sua mãe,
em nada modifica sua condição humana”.
11. “Assim que é concebido, um homem é um homem”.
12. “Não quero repetir o óbvio, mas na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os
23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os
dados genéticos que definem o novo ser humanos já estão presentes. A fecundação é o
marco da vida”.
13. “Se logo no início, justamente depois da concepção, dias antes da implantação,
retirássemos uma só célula do pequeno ser individual, ainda com aspecto de amora
poderíamos cultivá-la e examinar os seus cromossomos. E se um estudante, olhando-a ao
microscópio não pudesse reconhecer o número, a forma e o padrão das bandas desses
cromossomos, e não pudesse dizer, sem vacilações, se procede de um chimpanzé ou de um
ser humano, seria reprovado. Aceitar o fato de que, depois da fertilização, um novo ser
humano começou a existir não é uma questão de gosto ou de opinião”.
14. “A natureza humana do ser humano, desde a sua concepção até sua velhice não é uma
disputa metafísica. É uma simples evidência experimental”.
15. “No princípio do ser há uma mensagem, essa mensagem contém a vida e essa mensagem
é uma vida humana”.
O feto é um ser humano?
No dia 03 de fevereiro de 2013, o site Aldeia publicou uma matéria muito interessante com
citações dos médicos desde o século XIX, mostrando que o feto é um ser humano. Vale a
pena conhecer. As citações são de livros americanos e de outros países. Vejamos:

“Zigoto. Esta célula resulta da fertilização de um oócito por um espermatozoide e é o início


de um ser humano… Cada um de nós iniciou a sua vida como uma célula chamada zigoto.”
(K. L Moore.The Developing Human: Clinically Oriented Embryology (2nd Ed., 1977),
Philadelphia: W. B. Saunders Publishers)

“Da união de duas dessas células [espermatozoide e oócito] resulta o zigoto e inicia-se a vida
de um novo indivíduo. Cada um dos animais superiores começou a sua vida como uma única
célula.” (Bradley M. Palten, M. D., Foundations of Embryology (3rd Edition, 1968), New York
City: McGraw-Hill.)

“A formação, maturação e encontro de uma célula sexual feminina com uma masculina, são
tudo preliminares da sua união numa única célula chamada zigoto e que definitivamente
marca o início de um novo indivíduo”. (Leslie Arey, Developmental Anatomy (7th Edition,
1974). Philadelphia: W. B. Saunders Publishers)

“O zigoto é a célula inicial de um novo indivíduo.” (Salvadore E. Luria, M. D., 36 Lectures in


Biology. Cambridge: Massachusetts Institute of Technology (MIT) Press)

“Sempre que um espermatozoide e um oócito se unem, cria-se um novo ser que está vivo e
assim continuará a menos que alguma condição específica o faça morrer:” (E. L. Potter, M. D.,
and J. M. Craig, M. D Pathology of lhe Fetus and lhe Infant, 3rd Edition. Chicago: Year Book
MedicaI Publishers, 1975.)

“O zigoto (…) representa o início de uma nova vida.” (Greenhill and Freidman’s, Biological
Principies and Modern Practice of Obstetrics)
Em 1971, o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA pediu a mais de duzentos cientistas, entre
os mais prestigiados especialistas americanos, que elaborassem um relatório sobre o
desenvolvimento embrionário. Esse documento diz o seguinte:

“Desde a concepção a criança (1) é um organismo complexo, dinâmico e em rápido


crescimento. Na sequência de um processo natural e contínuo o zigoto irá, em
aproximadamente nove meses, desenvolver-se até aos trilhões de células do bebê recém-
nascido. O fim natural do espermatozoide e do óvulo é a morte, a menos que a fertilização
ocorra. No momento da fertilização um novo e único ser é criado, o qual, embora recebendo
metade dos seus cromossomos de cada um dos progenitores, é completamente diferente
deles”. (Amicus Curiae, 1971 Motion and Brief Amicus Curiae of Certain Physicians, Professors
and Fellows of the American College of Obstetrics and Gynecology, Supreme Court of the
United States, October Term, 1971, No. 70-18, Roe v.Wade, and No. 70-40, Doe v. Bolton.)

Em 1981, o Senado dos EUA estudou a chamada “Human Life Bill”. Ao todo foram feitos
cinquenta e sete depoimentos. No final, o relatório oficial dizia o seguinte:

“Médicos, biólogos e outros cientistas concordam em que a concepção marca o início da


vida de um ser humano – um ser que está vivo e que é membro da nossa espécie. Há uma
esmagadora concordância sobre este ponto num sem-número de publicações de ciência
médica e biológica.” (Report. Subcommittee on Separation of Powers to Senate Judiciary
Committee 5-158. 97th Congress. 1st Session 1981. p. 7.).

Conclusão: A partir do momento da concepção, do ponto de vista biológico, temos um ser


vivo. Este ser vivo está individualizado. Este ser vivo pertence a uma espécie definida: a
espécie à qual pertencem todos os seres humanos.

Baruch Brody, em Abortion and the Sanatity of Human Life, (MIT Press, 1975), afirma que
enquanto não conseguir distinguir feto de criança rejeitará a palavra feticídio usando
indistintamente a palavra homicídio.
Meu corpo, minhas regras?
Não podemos ser omissos. Eliminar a vida é um pecado que brada justiça aos Céus!
Alguns atores da Rede Globo gravaram um vídeo promovendo o aborto, o assassinato de
crianças inocentes e indefesas. O vídeo, de extremo mal gosto, extremamente forçado e
artificial, espalha mentiras sobre o que ensina a fé cristã e insiste na tese criminosa de que o
aborto é um ato legítimo, quando nossas leis e nosso povo em sua maioria o condenam.

A vida humana começa com o embrião; e isso é um dado científico. Segundo o maior
geneticista do século XX, Dr. Jérôme Lejeune, que descobriu a Síndrome de Down, o embrião
é um ser humano pois nele já estão todas as informações genéticas da vida desta pessoa.

É triste verificar que alguns artistas, usando de sua imagem popular para penetrar nos lares,
utilizem de um meio tão poderoso como a mídia para difundir a morte de seres inocentes,
indefesos, que um dia poderiam caminhar, pensar, sorrir e abraçar seus pais.

Argumentam falsamente que a mulher tem direito a seu corpo; tem sim, e deve cuidar bem
dele, afinal ele é Templo sagrado da Santíssima Trindade, mas jamais isso pode lhe dar o
direito de tirar a vida de uma criança no seu ventre, que não faz parte do seu corpo; é um
outro corpo; uma vida independente; uma nova vida.

Será que é papel de um(a) artista defender o assassinato de crianças no ventre das próprias
mães? A vida de um bebê deve ser protegida em todas as circunstâncias. Sabemos que hoje
uma criança que nasce prematura, com 12 semanas de gestação já sobrevive. É bom papel
de artista difundir uma “cultura de morte”?

Gostaria que, sobretudo, os atores que participaram da gravação deste vídeo, pensassem um
pouco na grandeza da mulher que gera um filho; nada há de mais belo e importante na face
da terra. Um filho é imagem do Deus Criador, por isso ele pensa, ama, sorri, abraça, chora,
canta, estuda, raciocina, faz planos… Um dia Deus vai lhes perguntar o que vocês fizeram
destas vidas que Ele quis que viessem a este mundo.

Vocês sabiam que “Mulheres que se submetem a abortos têm 30% mais chance de terem
problemas mentais do que as mulheres que nunca passaram por isso, segundo uma pesquisa
publicada na última edição da publicação científica British Journal of Psychiatry?
(http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid286567,0.htm)
Vocês sabiam que “65% das mulheres que abortam sofre sintomas de estresse pós-
traumático depois de submeter-se à operação, conforme manifestou a psiquiatra e membro
do Comitê de Direito a Viver (DAV), Carmen Gómez-Lavín? (ACI).

Sabiam que 68% defendem que aborto continue crime no Brasil Segundo Datafolha? “Sua
Pesquisa revela que taxa dos que querem que o aborto continue sendo crime está em
ascensão: era de 63% em 2006, ante 65% em 2007.” (Folha de São Paulo, 06/04/2008 –
Cotidiano).

Sabiam que a “Pioneira do aborto”, nos EUA, Jane Roe, que foi usada em 1973 para aprovar
o aborto, pela Suprema Corte, se arrependeu profundamente do que fez? (cf. Jornal “El
Mundo”, “A pioneira do aborto arrependida”, dezembro de 2003).

Não se omita, não caia nesse pecado; participe, proteste contra o extermínio de milhões de
crianças por suas próprias mães.
O Embrião Humano é pessoa, sim
senhores
Originalmente, no mundo antigo, pessoa significava a máscara do ator que representava uma
personagem ou o papel do indivíduo nas representações sociais, sempre algo exterior.
Aparência. Tanto num caso como noutro, pessoa era pura exterioridade, o que aparecia para
os outros, ocultando a verdadeira subjetividade, o fundamento do ser.

Com o cristianismo, a pessoa passa a significar o próprio conteúdo substancial escondido


atrás das aparências exteriores e das representações teatrais ou sociais do ser humano. É a
essência substancial constitutiva do ser humano, a fonte da dignidade.

A mudança do conteúdo do conceito de pessoa deu-se em razão do esforço teológico cristão


de chegar a compreender um pouco mais a respeito do Deus revelado: um só Deus em três
Pessoas da mesma natureza. E como o homem foi criado “à imagem e semelhança” desse
Deus, o conceito de pessoa passa a ser a chave definidora do ser humano também, através
da filosofia antropológica. Ora, essa ‘imagem e semelhança’ está sob a máscara, não é a
máscara; a máscara expressa, mas não esgota a absoluta dignidade constitutiva da ontologia
subjetiva da pessoa humana. Ou seja, a pessoa humana transcende a todos os demais seres
e não pode ser violada por nenhum poder humano, porque ela traz em sua substância uma
constituição ontológica que não decorreu exclusivamente do humano ou da natureza, mas
do Criador. Sem Deus não há como salvar o homem. Nossa Constituição foi promulgada ‘sob
as bênçãos de Deus’, mantendo-se dentro da tradição personalista que plasmou nossa
história.

Nesse sentido, pouco importam a exterioridade, as diferenças, as fases da vida, a idade, pois
o que importa, antes de tudo, é que há uma pessoa, ser original que transcende o mero dado,
fundamento ôntico da igualdade, cuja substância é de natureza racional, não querendo
significar, com isso, que a racionalidade deva estar em ato o tempo todo e em todas as suas
etapas de desenvolvimento. Desde que haja uma vida de natureza humana, não importa o
grau de desenvolvimento em que se encontra, nem o grau de consciência própria, aí há uma
pessoa humana portadora de uma dignidade absoluta, cujo dever do Estado é de zelar,
defender, proteger e promover as condições de seu desenvolvimento. Naturalmente, então,
o direito à vida estende-se da concepção até a morte natural, protegida pelo “não matarás”
garantido pelo Estado. É antinatural aceitar que a régua do tempo ou o período de
desenvolvimento da pessoa, independentemente dos nomes que lhes são dados, tornem-se
critérios legais concedentes de poder absoluto ao Estado para reduzir ou aniquilar o direito
à vida da pessoa humana.

O interesse de controlar o direito à vida da pessoa humana, ditado por interesses


multinacionais, financiando a propaganda do aborto, subjugando a alma nacional, é prática
de eugenia da natureza humana dos excluídos sociais porque visa, em concreto, por meio de
clínicas abortivas, instaladas preferencialmente nas periferias das grandes cidades, a controlar
a demografia dos pobres e dos negros, como declarou, nessa senda, a Deputada Fátima
Pelaes.

Mas os políticos alheios à defesa da soberania nacional nesta grave questão dos nascituros,
não investigam a entrada do dinheiro destinado à promoção de crimes contra a natureza
humana dos nascituros, nem se preocupam com a discriminação, que daí pode decorrer,
em relação aos pobres e negros, cuja população subliminarmente passaria a ser melhor
controlada. Será que preferem, ao invés, proteger interesses escusos? O que é que faz
compensar tais omissões? Por que os políticos não querem discutir o problema com os
seus eleitores, enganando-os depois? Por que aquela mídia preconceituosa em relação ao
direito à vida dos nascituros parte da crença de que todo aquele que defende a vida da
natureza humana desde a concepção, defende apenas uma ideia religiosa, sem respaldo na
realidade, como se matar nascituros humanos não tivesse nada a ver com o direito à vida e
como se a religião não fosse um fato natural do homem? Os promotores da morte dos
nascituros e a preconceituosa mídia têm suas crenças centradas em que quem defende a
vida dos nascituros são pessoas preconceituosas. Ora, o suprassumo dos preconceitos é o
preconceito daquele que se julga não ter preconceito. Como não admitem a defesa do
direito à vida dos nascituros, do alto de sua prepotência, declaram que todos os demais são
preconceituosos. Não bastasse isso, por que falsificar dados para criar uma falsa justificativa
para matar os nascituros humanos? Mas igual decreto de morte não pode ser aplicado a
alguns animais irracionais (criminalização da destruição de ovos de tartaruga). Ou seja:
nenhum nascituro humano teria o direito à vida, enquanto alguns animais o teriam
garantido pelo Estado, com a força da lei. Colocam-nos abaixo dos animais em valor e
dignidade. Bem, até o direito de mentir para melhor promover o aborto é mais importante
que o direito à vida dos nascituros! Por que romper a multissecular história da pessoa
humana fundadora da cultura ocidental para justificar uma escusa prática de eugenia dos
excluídos sociais? Ora, se as pesquisas atestam que mais de 70% dos brasileiros são
francamente contra o aborto, por que, mesmo assim, uma pequena minoria, sem
legitimidade popular, a serviço de interesses internacionais escusos tudo fazem para
introduzir o aborto? Por que temem tanto uma CPI do aborto? Por que não revelam suas
razões de fato, não as aparentes? A verdade sempre estará do lado da vida, a mentira do
lado da morte. Logicamente, quem condena o nazismo, não pode justificar o direito de
matar nascituros humanos, renovação do holocausto. E, paradoxalmente, “todos os que são
a favor do aborto já nasceram”.

O embrião humano é uma pessoa humana, sim senhor. Não é o Estado que faz a pessoa
humana; a pessoa humana inicia-se na concepção. Fora dessa perspectiva antropológica
personalista, o Estado torna-se um ditador, um senhor prepotente da pessoa humana e dos
seus direitos. E, sem o primado da pessoa humana, todos os demais direitos passam a
depender da vontade volúvel que se instala no exercício do Poder político.
MANIFESTO CONTRA O ABORTO –
POSIÇÃO OFICIAL DOS MÉDICOS DA
AMERGS

Prezado senhores

Recebi a notícia através da mídia quanto a circular 46/2012 onde informa que “Por
maioria, os Conselhos de Medicina concordaram que a Reforma do Código Penal,
que ainda aguarda votação, deve afastar a ilicitude da interrupção da gestação em
uma das seguintes situações: a) quando “houver risco à vida ou à saúde da
gestante”; b) se “a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do
emprego não consentido de técnica de reprodução assistida”; c) se for
“comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis
anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por
dois médicos”; e d) se “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação”.”
No primeiro momento acreditei que fosse uma notícia falsa, dessas tantas circurlam na
internet, dado ao absurdo da proposta. Depois acabei perplexo, como muitos colegas,
ao ser confirmada a veracidade da notícia.
Gostaria de trazer alguns questionamentos ao CFM e que elas fossem respondidas.
Primeiramente me senti desrespeitado pelo CFM ao tomar essa medida de apoio
a Reforma do Código Penal Brasileiro (PLS 236/2012) sem um debate a nível nacional
envolvendo todos médicos. Principalmente frente a um assunto de tanta magnitude e
complexidade.
Segundo, os dados que embasam a decisão não informa as referências científicas e
desconsideram os dados técnicos mais atuais, em especial os estudos realizados que
demonstram que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna. Além
disso a posição tomada pelo CFM atenta contra um dos mais importante papéis do
médico que é de defender a vida, principalmente a mais frágil, aquela que não pode se
defender sozinha.

É lamentável que o CFM entre nessa tentativa se criar fato político que
favoreça a descriminalização do aborto no Brasil. Além das pesquisas
demonstrarem que a maioria esmagadora da população brasileira é contra o
aborto, as justificativas e argumentos em sua defesa não encontram respaldos
científicos, sendo em sua maioria superficiais, utilitaristas e baseados em
interesses econômicos.

As estratégias que buscam confundir a população e evitar o debate dentro dos


critérios científicos são inúmeras. Uma delas foi a criação do termo “pré-embrião” em
1986 por Anne McLaren, para designar os embriões que ainda não haviam sido
implantados no útero e assim tentar justificar métodos abortivos de interrupção da
gravidez. Entretanto, o fato é que para a ciência médica a vida inicia com a
fecundação, não existindo dúvidas quanto a isso. Em todos os livros de
embriologia médica encontramos que a vida começa com a fecundação não
havendo distinção em qualquer de sua fase:

“A maioria do nosso grupo não conseguiu encontrar, entre a fecundação e o nascimento,


um ponto no qual fosse possível dizer: aqui não está uma vida humana”.[1]

“Médicos, biólogos e outros cientistas concordam que a concepção marca o início da


vida do ser humano – um ser que está vivo e é membro da nossa espécie. Sobre este
ponto existe uma concordância esmagadora num sem-fim de artigos científicos na área
de medicina e da biologia.” (97th Congress, 1st Session)[2]

A fase de zigoto, o embrião, feto, passando pelo nascimento até chegarmos à fase
adulta fazem parte da nossa evolução ontogenética. Embora essas fases de
desenvolvimento sejam divididas é sempre o mesmo indivíduo igualmente identificável
biologicamente ao longo de toda a sua existência, sendo um ser único e distinto: “O tipo
genético – as características herdadas de um ser humano individualizado – é
estabelecido no processo da concepção e permanecerá em vigor por toda a vida
daquele indivíduo” (Shettles e Rorvik)[3]. Portanto, em qualquer fase em que ocorrer
a interrupção do processo embriológico a partir da fecundação será sempre um
aborto.
Outro argumento utilizado é que o aborto é uma questão de saúde pública já que
sua legalização evitaria inúmeras mortes maternas supostamente causadas pelo aborto
ilegal, ao mesmo tempo em que daria a mulher o direito de escolha. A tese que o aborto
clandestino é uma das grandes causas da mortalidade materna não tem respaldo
científico e nem das próprias estatísticas do Ministério da Saúde, ao contrário, o
aborto legalizado é que é uma das maiores causas de mortalidade
materna. Embora a maior parte das mortes relacionadas com o aborto legal não sejam
classificadas oficialmente como tal, ele é constatado como a quinta causa de morte
materna no E.U.A. Um estudo finlandês de 1997 bem documentado, financiado pelo
Governo, mostrou que as mulheres que abortam têm quatro vezes maior
probabilidade de morrer no espaço de um ano do que as mulheres que dão à luz.[4]

Recentemente a revista científica PLOS ONE publicou um artigo intitulado


“Women’s Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and
Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007”, demonstrando
que a legalização do aborto não diminuiu a mortalidade materna, contrariando o
argumento invocado em favor da legalização do aborto. O estudo evidenciou que
a causa da mortalidade está vinculado ao nível educacional das mulheres e
dificuldades de atendimento médico. [5]

O Journal of American Physicians and Surgeons (Revista de Médicos e Cirurgiões


dos Estados Unidos) publicou um estudo realizado por Patrick Carrol intitulado “A
Epidemia do Câncer de Mama” onde se demonstra que o aborto “é um dos principais
responsáveis pelo do câncer de mama“.[6] O estudo também demonstra que o aborto
antes do nascimento do primeiro filho é altamente cancerígeno.

O Dr. Joel Brind, diretor do Instituto de Prevenção do Câncer de Mama em Nova


Iorque, um dos maiores especialistas na relação entre o aborto e o câncer de mama,
realizou uma meta-análise de 23 estudos publicados sobre o assunto, 18 dos quais
documentam uma relação entre o aborto e o câncer de mama.[7]

De acordo com o livro Breast Cancer (Câncer de mama), do Dr. Chris Kahlenborn,
a mulher que realiza um aborto tem 2 vezes mais probabilidade de sofrer o câncer de
mama.[8]
Karen Malec, Presidente da Coalition Abortion/Breast Cancer (Coalizão do Câncer
Aborto/Mama) comentou o estudo e indicou que “já é tempo dos cientistas admitirem
publicamente o que privadamente já sabem entre eles: que o aborto incrementa os
riscos de contrair câncer de mama. Também é tempo para que detenham as
investigações tergiversadas para proteger os estabelecimentos médicos de julgamentos
maciços contra as práticas médicas”.[9]

Estatísticas disponíveis sugerem que cerca de 10 mulheres morrem todos os anos


de gravidez ectópica relacionada ao aborto.

Portanto, o aborto, além de ser uma grande violência contra a vida da criança, é
também contra a mulher. Ele é responsável por inúmeros traumas às mulheres que o
praticam. Infelizmente a esmagadora maioria desconhece os efeitos prejudiciais
psicológicos e físicos do aborto, havendo poucas informações sobre o assunto e um
nítido interesse em escondê-los.

Um estudo realizado nos Estados Unidos (EUA) pela Dra. Priscilla Coleman,
professora de Desenvolvimento Humano e Estudos Familiares da “Bowling Green State
University”, com 1.000 adolescentes com gravidez inesperada constatou que as
adolescentes que procederam ao aborto manifestaram cinco vezes mais
necessidade de ajuda psicológica do que as que tiveram seus filhos.[10]Outro
estudo similar publicada em Londres no “Journal of Child Psychiatry and Psychology
realizado pelo psicólogo e epidemiologista David Fergusson com 1.265 mulheres, das
quais 500 engravidaram pelo menos uma vez aos 25 anos, 90 delas interromperam a
gravidez através do aborto. Destas, 42% sofreram depressão, tendências suicidas,
abuso de drogas e álcool, demonstrando que é o aborto e não a gravidez que
causam problemas mentais.[11]

Em outro estudo, Coleman observou uma relação entre abuso e maus tratos
infantis 2,4 vezes maiores por mães que se submeteram a um aborto induzido na sua
vida pregressa. As Mulheres que abortam consomem álcool e drogas para superar
trauma apresentando cinco vezes mais probabilidades de consumir drogas e álcool do
que uma mulher que não abortou. Logo, ao contrário do que dizem os apologistas do
aborto que é melhor para a mulher dar cabo de filhos “não desejados” ainda intra-útero,
do que tê-los, o aborto acarreta em maior risco de violência para com outros filhos
“desejados” que essa mulher possa vir a ter alongo de sua vida. As evidências
demonstram que o sofrimento para manter a gravidez ”não desejada” é muito menor ao
trauma psíquico que o aborto provoca. As incompreensões e críticas da sociedade
passam, assemelham-se a um barulho produzido por uma notícia que se espalha e
perde-se, mas um aborto fica gravado na história e na psique da mulher para sempre.
[12]

A situação é tão grave devido às conseqüências danosas provocadas pelo aborto


à saúde mental nos países onde ele foi legalizado que o Royal College of Psychiatrists,
a associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses, após afirmar que as mulheres que
abortam arriscam a ter graves problemas de saúde mental, como a depressão profunda,
alertaram que a mulher deve ser comunicada para os riscos caso opte pela interrupção
da gravidez. [13]

Com esses dados caem por baixo os argumentos utilizados para justificar qualquer
razão psicológica para a interrupção da gravidez, assim como também não existem
justificativas médicas para a interrupção da gravidez normal.

O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas


para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente.

O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte


real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.

As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou


escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo
vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).

O psiquiatra Tonino Cantelmi e a psicóloga clínica Cristina Carace, responsáveis


pelo Centro para Tratamento da Síndrome Pós-Aborto com sede em Roma na Itália,
publicaram uma matéria chamando a atenção para o aumento dos transtornos
psicológicos como repercussões do aborto provocado. Eles afirmam que os efeitos
psicológicos do aborto “são extremamente variados e não parecem estar determinados
pela educação recebida ou pelo credo religioso”.
Esclarecem que «A reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto
involuntário é diferente»; está relacionada com as características de cada um desses
dois sucessos: “o aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o
IVE (aborto provocado interrompendo o desenvolvimento do embrião ou do feto e
extraindo-o do útero materno) contempla a responsabilidade consciente da mãe” e que
“O vínculo mãe-feto começa imediatamente depois da concepção, também nas
mulheres que projetam abortar, enquanto os processos psicológicos substantivos a esta
relação precoce são inconscientes e vão além do controle consciente da mãe.”[14]

Aqueles que defendem o aborto afirmam que a admissão da culpa não é


necessária e que se uma mulher se sente culpada é porque alguém “colocou a culpa
nela”, mostrando uma profunda falta de entendimento dos aspectos psicológicos
envolvidos e da real complexidade do ato abortivo, que aliado ao discurso em defesa do
aborto, leva a uma negação ou uma projeção desses fatores. O fato é que as próprias
mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não foi gerada de fora para
dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surgiu e
cresceu em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo.

Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves, que em muitos
países onde ele é legalizado, foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo
aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo
Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do
Aborto) na Espanha, que orientam e alertam sobre as conseqüências prejudiciais do
aborto.

O aborto não é definitivamente uma “solução fácil” como afirmam muitos, mas um
grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

Nos estados Unidos muitas mulheres perceberam estes fatos, e formaram a


Coalisão Nacional de Mulheres pela Vida (National Women’s Coalition for Life).

Gosto de trazer o exemplo dessas organizações femininas para refutar aqueles


argumentos que dizem que para o homem é fácil ir contra o aborto. As mulheres, na
verdade, são as principais vítimas e as que mais lutam contra o aborto.
Os casos relatados por essas mulheres são surpreendentes e servem de profundo
alerta aos que defendem a legalização do aborto.

Um dos relatos encontrados é de Maria Esperanza Puente que abortou há mais


dez anos o seu segundo filho numa clínica espanhola. Até hoje ela sofre da síndrome
pós-aborto e afirma: “Sou porta-voz das vítimas do aborto porque sou vítima. Nunca
ninguém me informou das conseqüências psicológicas que ia sofrer após abortar”.[15]

Puente diz que embora passado tanto tempo ainda não consegue esquecer o
trauma sofrido: “As meninas mais jovens, lembro que choravam baixinho, sem fazer
ruído. Ninguém comentava nada com ninguém e reinava o silêncio, quando no seu
interior gritava muito forte: não quero! Mas são gritos de afogados, que não escuta nem
quem está ao lado, só nós ouvimos”, relatando o que acontecia na clínica abortista.
Puente entrou na sala de cirurgia para que lhe praticassem a intervenção que segundo
ela foi “rápida e muito agressiva” e recorda: “o curioso é como antes do aborto não lhe
deixam ver a tela da ecografia, se por acaso nos arrependemos quando já estamos na
maca, dá no mesmo… Eu estava olhando para o teto dizendo pare! Mas sem gritar.
Queria sair a correndo dali, mas não pude.” Maria Esperanza Puente lembra que o seu
filho “foi colocado num recipiente de cristal e deixado ao lado, sendo visto, em seguida
a enfermeira leva o pote. Nesse momento é como se lhe arrancassem com ele a vida”.
Ao se referir à síndrome pós-aborto, Puente assegura que não consegue se perdoar e
esquecer, revivendo o aborto em qualquer situação: “Algumas jovens vêem uma criança
de quatro anos, que é a idade que deve ter o seu filho, e se põem a chorar”.

Nesse período só a Associação de Vítimas do Aborto lhe prestou ajuda. “Os


médicos do Estado não oferecem ajuda, o Estado não informa, os meios de
comunicação manipulam. Lançam a mensagem de que abortar é liberdade, é progresso,
de que não faz mal”, afirmou Puente.

Como esses existem inúmeros relatos feitos por mulheres vitimadas pelo aborto.
Para servir de base ao nosso estudo, vou descrever mais um caso que foi divulgado
pela Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) da Espanha.
A mulher identificada como Lúcia L. ficou grávida aos 17 anos de idade e abortou
quando estava com seis meses de gestação: “Não nos explicaram nada mais sobre o
desenvolvimento fetal, o procedimento, a duração da operação, riscos físicos e
psicológicos, só que era com anestesia geral e que era muito simples”, lembrou. O relato
é estremecedor… “Não sei como meu filho morreu, se o mataram na sala de cirurgia,
ou se nasceu vivo e o deixaram morrer depois, não sei”, relata. A mulher confessa que
“dos 17 aos 23 anos esqueci tudo, acredito que era muito forte e minha mente bloqueou
em um mecanismo de negação. Em minha casa não se voltou a falar disso, nem com
meu namorado que agora é meu marido. Aos 23 anos comecei a passar mal, com
ansiedade, depressão e transtornos da alimentação, mas nunca atribuí ao aborto, não
reconhecia que alguém tivesse morrido naquele dia. Com essa idade eu pensava que
se meu filho nascesse, este era um bebê, mas que se não nascesse, não era um ser
vivo ainda e não podia acreditar que um médico fosse capaz de matar alguém ou de
fazer algo que te prejudicasse. Eu pensava que se pudesse fazer, o aborto não podia
ser errado. Lúcia relata que visitou psicólogos “dos 23 anos até os 28; nenhum soube
me dizer o que acontecia com o pesar que eu sempre contava do aborto. De repente,
um dia falando com meu namorado da possibilidade de nos casarmos e sermos pais,
tudo estalou: compreendi que tinham matado meu filho e que meu filho tinha
morrido”.[16]

Os relatos de Maria Esperanza Puente e de Lúcia descrevem bem a síndrome


pós-aborto. São mulheres que tentaram ignorar os efeitos do aborto e acabam
provocando o surgimento tardiamente dos sintomas emocionais e de difícil
solução.

Entretanto, nada disso é dito às mulheres que vão abortar, sobre os muitos efeitos
prejudiciais psicológicos e físicos do aborto.

Muitos dos que defendem o aborto argumentam que o aborto deveria ser uma
escolha para a mulher, quando na verdade, a grande maioria das mulheres que
abortam o faz por não ter escolha, por não receberem o apoio e o auxílio
necessário para manter a gravidez. Muitas delas são levadas ao aborto por falta
do apoio da família, pela pressão da sociedade ou imposição do seu companheiro.

Estudos de mulheres que fizeram aborto, (veja, por exemplo, o livro do Dr. David
Reardon, Aborted Women, Silent No More)[17], mostram que o aborto não é uma
questão de dar a mulher uma “escolha”. É, tragicamente, uma situação em que as
mulheres sentiram que não tinham NENHUMA ESCOLHA, sentiram que ninguém se
importava com elas e com seu bebê, dando-lhes alternativa alguma a não ser o aborto.
A mulher se sente rejeitada, confusa, com medo, sozinha, incapaz de lidar com a
gravidez – e, no meio disto tudo, a sociedade lhe diz, “Nós eliminaremos o seu problema
eliminando o seu bebê. Faça um aborto. É seguro, fácil, e uma solução legal”. E é
exatamente nesses países em que o aborto foi legalizado onde existem os maiores
índices de ocorrências graves de problemas físicos e Síndrome Pós-Aborto.

O valor de uma sociedade se mostra pela sua capacidade de amparar os mais


fracos!

Espero que o CFM responda aos meus questionamentos ao mesmo que reveja a
sua posição que tem gerado tanta indignação entre nós os médicos pela forma como foi
conduzido essa questão.

Gilson Luis Roberto – Médico (autor da carta)


CRM/RS 18.749

Todos os demais médicos da AMERGS subscrevem-na.

REFERÊNCIAS

[1] Willke & Willkke, Handbook on Abortion 1971,1975,1979 Editions, Ch 3, Cincinati:


Hayes Publishing Co.

[2] Cf Report, Subcommittee on Separation of Powers to Senate Judiciary Committee S-


158, 97th Congress, 1st Sessio 1981, p.7.

[3] Cfr. Landrum B. Shettles, MD, and David Rorvik, “Human Life Begins ai Conception”,
em “Rites of Life”, Grand Rapids (MI), Zondervan, 1983, Cfr Pastuszek, “Is Fetus
Human?” p.5.
[4] “The Post-Abortion Review”, Vol. 8, No. 3, Jul.-Set. 2000 Elliot Institute, PO Box 7348,
Springfield, IL 62791-7348

[5] KOCH, A. e colaboradores. “Women’s Education Level, Maternal Health Facilities,


Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to
2007”. Revista Digital PLOS ONE. Artigo acessado
em http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0036613

[6] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal causador do câncer
de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver o estudo, em inglês,
acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf

[7] Brind, Joel. Early Reproductive Events and Breast Cancer: A Minority
Report. Acessado em http://www.bcpinstitute.org/nci_minority_rpt.htm

[8] Kahlenborn, Chris. Breast Cancer: Its Link to Abortion and Birth Control Pill. OMS:
Dayton, EUA, 20[9] WASHINGTON DC, (ACI). Estudo revela que aborto é principal
causador do câncer de mama. http://www.acidigital.com/noticia.php?id=11487. Para ver
o estudo, em inglês, acesse: http://www.jpands.org/vol12no3/carroll.pdf

[10] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do


aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_deco
rrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf

[11] SPRINGFIELD, 25 Jan. 06 (ACI).- Mulheres que abortaram consomem álcool e


drogas para superar trauma. http://www.defesadavida.com.br/noticias_100206.htm

[12] Moura, Emanuelle Carvalho. Aspectos Psicológicos decorrentes do


aborto. http://providafamilia.org/site/_arquivos/2008/325__aspectos_psicologicos_deco
rrentes_do_aborto_em_gravidez.pdf

[13] ANSA. Psiquiatras Afirmam que o Aborto Causa Risco à Saúde Mental da
Mulher. http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/rubriche/entrevistas/2008031616533461
6131.html
[14] Encontrado em http://www.zenit.org/article-16303?l=portuguese

[15] Associação Portuguesa de Maternidade e Vida. ESPANHA: Mulher que abortou o


seu segundo filho vira líder pró-
vida. http://www.maternidadevida.org/noticias.php?id=328

[16] AVA (Asociación de Víctimas del Aborto). Lucía L., española: “Yo aborté con 26
semanas de embarazo en el centro de abortos El Bosque en Madrid” Disponível
em: http://www.noticias.info/archivo/2006/200611/20061101/20061101_236581.shtm

[17] Reardon, D. Aborted Women: Silent No More, Chicago, Loyola University Press,
1987
Uma poderosa argumentação laica e
ateia contra o aborto
Kristine Kruszelnicki | Ago 11, 2014

A defesa humanista da vida, sólida e convincente, pode


ser a melhor maneira de tocar alguns segmentos da
sociedade

“Podem mesmo existir ateus pró-vida?“, perguntou Marco Rosaire Rossi na revista The
Humanist. “E qual é o próximo passo? Agnósticos que defendem o desígnio inteligente
do universo? Ou que tal laicos a favor da sharia?”.

Os ateus podem não ter um papa, mas, aos olhos de muitos deles, existe uma espécie de
“dogma” a que todos os “bons ateus” devem aderir: ser ateu é ser a favor do aborto. Se
você não cumpre esse dogma, será denunciado como “um religioso disfarçado”.
Quando eu participei de uma rodada de debates da Convenção Ateia Norte-Americana
de 2012, junto com um agnóstico e um ateu da Secular Pro-Life, um popular blogueiro
ateu nos acusou abertamente de “ter mentido que éramos ateus”.
Há uma óbvia relutância em aceitar que existem pessoas pró-vida que não são religiosas.
Mas nós existimos. Discordamos um pouco em nossas abordagens e filosofias, mas os
nossos números incluem pensadores ateus como Robert Price, autor do livro “The Case
Against the Case for Christ“, o escritor “libertário” civil Nat Hentoff, filósofos como Arif
Ahmed e Don Marquis e ativistas liberais antibelicistas, como Mary Meehan, para citar
alguns.
O escritor ateu Christopher Hitchens, quando perguntado em um debate de janeiro de
2008 com Jay Wesley Richards se era contrário ao aborto e membro do movimento pró-
vida, respondeu:
“Eu já tive muitas discussões com alguns dos meus colegas materialistas e secularistas
sobre este ponto, mas acho que, se o conceito de ‘criança’ significa alguma coisa, o
conceito de ‘criança ainda não nascida’ também pode significar algo. Todas as
descobertas da embriologia, que têm sido muito consideráveis na última geração,
parecem confirmar aquela opinião, que eu acho que deve ser inata em todos nós. É
inato no juramento de Hipócrates. É o instinto de qualquer um que já viu um ultrassom.
Portanto, a minha resposta é ‘sim’“.
O grupo dos laicos pró-vida inclui ateus e agnósticos, ex-cristãos, conservadores, liberais,
veganos, gays, lésbicas e também os pró-vida de fé, que entendem a força dos argumentos
laicos junto ao público laico.
A seguinte argumentação laica contra o aborto é uma perspectiva e não representa
nenhuma organização específica.
1. Aborto, uma questão complexa: mas complexa em que sentido?
O aborto é uma questão emocionalmente complexa, envolta em situações de sofrimento
que provocam a nossa simpatia e compaixão, mas não é uma questão moralmente
complexa: afinal, se o não-nascido não é um ser humano igualmente digno da nossa
compaixão e apoio, então não é necessária nenhuma justificativa para o aborto: as
mulheres podem manter total autonomia sobre os seus corpos e tomar as suas próprias
decisões quanto à gravidez. Porém, se o ainda não-nascido já é um ser humano, então
nenhuma defesa do aborto é moralmente válida caso não sirva para justificar igualmente,
em circunstâncias semelhantes, o extermínio da vida de qualquer outra criança ou de
qualquer outro ser humano já nascido.
Será que mataríamos uma criança de dois anos de idade porque o pai a abandonou de
repente nos braços da mãe desempregada e porque é preciso aliviar o orçamento da mãe
e impedir a criança de crescer na pobreza? Será que exterminaríamos uma criança em
idade pré-escolar por causa de indícios de que ela sofreria abusos dentro do próprio lar?
Se o ainda não-nascido é realmente um ser humano, temos um dever social de encontrar
formas de compaixão que ajudem as mulheres sem que essa ajuda implique a morte de
um para resolver os problemas da outra.
2. Ciência x pseudociência
Embora alguns defensores do aborto tenham acusado as pessoas pró-vida de se apoiarem
numa espécie de pseudociência, o fato é que as evidências científicas apoiam fortemente
a argumentação pró-vida de que o embrião e o feto humanos são membros biológicos da
espécie humana.
O livro “The Developing Human: Clinically Oriented Embryology” [“O
Desenvolvimento Humano: Embriologia Clinicamente Orientada”], do Dr. Keith L.
Moore, usado em escolas médicas do mundo todo, é apenas um dos recursos científicos
que confirmam esta consideração. Ele afirma:
“O desenvolvimento humano começa na fecundação, que é o processo durante o qual
um gameta masculino ou espermatozoide se une a um gameta feminino ou ovócito
(óvulo) para formar uma célula nova e única, chamada zigoto. Esta célula totipotente
altamente especializada é o marco inicial da vida de cada um de nós como indivíduos
únicos“.
Diferentemente de outras células que contêm DNA humano, como as células de esperma,
de óvulos e de pele, por exemplo, o embrião resultante da fecundação tem a completa e
inerente capacidade de se impulsionar ao longo de todas as fases do desenvolvimento
humano, desde que sejam mantidas a sua nutrição e a sua proteção adequada. Por outro
lado, o esperma e o óvulo são partes diferenciadas de outros organismos humanos, cada
um com a sua própria função específica. Após a fusão, ambos deixam de existir em seus
estados atuais e o resultado é uma entidade nova e completa, com um comportamento
único direcionado ao amadurecimento humano. Do mesmo modo, as células da pele
contêm informação genética que pode ser inserida dentro de um óvulo enucleado e
estimulada para criar um embrião, mas só o embrião possui a capacidade inerente e
autodirigida ao desenvolvimento humano completo.
3. Definindo o que é ser pessoa
A questão da pessoalidade, ou seja, de se definir o que é uma pessoa, sai do reino da
ciência e adentra no reino da filosofia e da ética moral. A ciência define o que é o ainda
não-nascido, mas não pode definir as nossas obrigações para com ele. Afinal, o não-
nascido é uma entidade humana muito diferente das entidades humanas que vemos ao
nosso redor.
Será que um ser minúsculo, menos desenvolvido, com uma localização diferente e com
um grau próprio de dependência tem algum direito à pessoalidade e à vida? Talvez a
pergunta mais importante seja: essas diferenças são moralmente relevantes?
Se esse fator é irrelevante para a pessoalidade de outros seres humanos, também não
deve ter influência sobre a pessoalidade do não-nascido. Afinal, as pessoas pequenas ou
mais baixas são menos importantes que as pessoas maiores ou mais altas? Um
adolescente que pode se reproduzir é mais digno de viver do que uma criança que ainda
não sabe nem caminhar? Mais uma vez: se esses fatores não são relevantes para fazer
com que uma pessoa seja “mais pessoa” do que a outra depois do nascimento, também
não devem importar no caso dos seres humanos em fase de desenvolvimento anterior ao
nascimento.
Pode-se argumentar, com razoabilidade, que nós ampliamos os direitos das pessoas com
base na sua idade e no desenvolvimento das suas capacidades. Mesmo assim, o direito
de viver e de não ser assassinado é diferente das permissões sociais que concedemos com
base nas competências adquiridas e no grau de maturidade, como é o caso do direito de
dirigir um carro ou de votar. O direito de dirigir nos é negado antes dos 18 anos; mas essa
negação não nos assassina nem nos impede, por conseguinte, de algum dia adquirir o
nível de maturidade necessário para que aquele direito nos seja concedido.
Da mesma forma, a consciência e a autoconsciência, muitas vezes propostas como
critérios para que alguém seja definido como pessoa, apenas identificam fases do
desenvolvimento humano. A consciência não existe no vácuo: ela só existe como parte
do todo maior de um ente vivo. Falar de um ente humano que ainda não tem consciência
é falar de um ente dentro do qual existe o potencial inerente de adquirir consciência e
sem o qual a consciência nunca poderia surgir, justamente porque ela só pode existir
como parte desse ente.
Nat Hentoff, que abraça o ateísmo, destaca:
“Salta-se um ponto crucial quando se diz que o extermínio [de um ser] pode ocorrer
porque o seu cérebro ainda não funcionou ou porque essa ‘coisa’ ainda não é uma
‘pessoa’. Se a vida é cortada na quarta semana ou na décima quarta, o fato é que a
vítima é alguém da nossa espécie e o foi desde o seu início”.
A capacidade intrínseca de exercer todas as funções humanas encontra-se dentro do
embrião, porque ele é um ente humano inteiro. Assim como não se jogam fora as bananas
verdes junto com as podres só porque nenhum dos dois conjuntos de bananas tem função
atual como alimento, também não se pode descartar um feto que ainda “não tem função”
do mesmo modo que se “descarta” uma pessoa que sofreu morte cerebral e que, portanto,
perdeu permanentemente a possibilidade de “ter função”. Exterminar um feto porque
ele ainda não atingiu um determinado nível de desenvolvimento é ignorar que um ser
humano, nessa fase do desenvolvimento humano, está funcionando precisamente do
jeito que um ser humano nessa idade e nesse estágio é biologicamente programado para
funcionar.
4. Localização e dependência singular
Apelando para a Declaração Universal dos Direitos Humanos para dar suporte à sua
opinião de que “os seres humanos, como pessoas, são os nascidos”, Rossi declara: “O fato
é que o nascimento nos transforma. Ele simultaneamente nos torna indivíduos e
membros de um grupo e, portanto, aplica a nós a proteção dos nossos direitos“.
Esta afirmação é grosseiramente falaciosa.
Em primeiro lugar, “aquilo que é” não representa necessariamente “aquilo que deve ser”.
O fato de que as convenções sociais sobre o que é ser pessoa desconsiderem o não-
nascido não é nenhuma surpresa (nem é a matéria em questão).
Em segundo lugar, o nascimento não possui esses poderes mágicos de transformação. Ao
nascer, um ser humano em desenvolvimento muda de localização, começa a receber
oxigênio e nutrientes de um modo novo e a interagir com um número maior de outros
seres humanos. Mas uma simples passagem pelo canal vaginal não muda a natureza
essencial do ente em questão.
O especialista em bioética Peter Singer concorda com os pró-vida neste ponto. Ele
argumenta:
“Os grupos pró-vida estavam certos sobre uma coisa: a localização do bebê dentro ou
fora do útero não faz muita diferença moral. Não podemos, de forma coerente,
sustentar que não há problema algum em matar um feto uma semana antes do seu
nascimento e, ao mesmo tempo, dizer que deve ser feito de tudo para manter o bebê
vivo depois que ele nasceu“.
(Singer, porém, argumenta em seguida que, uma vez que não há diferença significativa
entre um feto em final de gestação e um recém-nascido, o infanticídio seria justificado).
O nascimento é, sem dúvida, um momento importante em nossas vidas, mas não é o
nosso primeiro momento.
E quanto à dependência? Um feto é, certamente, muito mais dependente da mãe do que
será em qualquer outro momento da vida. Mas será que os seres humanos dependentes
não são seres plenamente humanos? A dependência de um gêmeo siamês do coração ou
dos pulmões do irmão o desqualifica em termos de grau de pessoalidade? Podemos matar
adultos severamente dependentes de outros humanos? Podemos matar crianças que não
conseguem levantar a cabeça, que dirá alimentar-se, proteger-se ou sair andando por
conta própria?
Se o problema é o que Rossi chama de “dependência absoluta das nossas mães”, mais
uma pergunta deve ser feita: por que a dependência de uma única pessoa significaria que
não se é valioso ou digno de vida e de proteção? Se uma criança rebelde se escondesse no
iate de um estranho, tornando-se temporariamente dependente dos recursos desse
marinheiro solitário, seria justificável que o marinheiro a jogasse ao mar em águas
infestadas de tubarões e alegasse que, sendo dependente dele, essa criança não era um
ser plenamente humano?
Além disso, será que é verdadeira característica de um povo civilizado a ideia de que
quanto mais vulnerável e dependente é um ser humano, mais justificável é a sua morte?
Será que essa ideia de que “poder gera direitos” é a melhor ideia que podemos ter, como
pessoas modernas e sofisticadas, diante de um ser vulnerável e de uma mulher em crise?
5. Estupro e autonomia corporal
Nada traz mais emotividade ao debate já emocional do aborto do que a questão do
estupro. É essencial, porém, que não se confunda o repúdio ao estupro e o desejo de
consolar a vítima com a questão fundamental de saber se a crueza da situação justifica
um homicídio. Se o não-nascido é um ser humano, as circunstâncias da sua concepção
não têm influência alguma sobre o seu direito de não ser exterminado.
A obra “Unplugging the Violinist” [“Desconectando o Violinista“], de Judith Jarvis
Thompson, ilustra o dilema da autonomia corporal sugerindo razões para o aborto em
casos de estupro. Trata-se da história fictícia de uma pessoa sequestrada por amigos de
um violinista agonizante, necessitado de um rim, e forçada a permanecer ligada a ele
durante nove meses para salvar a sua vida.
Thomson não consegue reconhecer, porém, que a relação entre um não-nascido e sua
mãe é diferente da união artificial entre um estranho e outro. O feto não é um intruso.
Ele está no lugar de direito de um ser humano nessa idade e nesse estágio de
desenvolvimento. Ao contrário dos rins, que existem para o corpo da mulher, o útero
existe e se prepara todo mês para receber o corpo de outra pessoa. A mulher tem direito
sobre o seu corpo, mas o feto também tem direito ao útero que é seu lar biologicamente
determinado.
Além disso, ao reconhecer as responsabilidades biológicas com que evoluímos como
espécie, nós entendemos que, se, por um lado, nem sempre temos obrigações morais
para com estranhos, por outro lado somos obrigados a prover o sustento básico e a
proteção da nossa própria prole biológica.
Uma mãe que já está amamentando não pode alegar “autonomia corporal” e abandonar
o bebê no porão enquanto sai para viajar; a mãe grávida tampouco pode abandonar a sua
responsabilidade por uma criança humana dependente dela. A vítima de estupro não
escolheu e foi injustamente colocada nesta posição, mas a sua obrigação fundamental
para com a sua prole humana, dependente dela, não é menos real do que a obrigação do
marinheiro que encontra um passageiro clandestino a bordo de seu iate.
O aborto não se limita a “desconectar um estranho agonizante”. O aborto extermina
ativamente um ser humano saudável, que está em união naturalmente dependente com
a sua mãe, de acordo com o que é próprio da sua idade e estágio de desenvolvimento.
Rebecca Kiessling, que foi concebida num estupro, declara: “Eu posso não parecer a
mesma pessoa de quando tinha quatro anos, ou de quando tinha quatro dias, ou de
quando ainda era uma não-nascida no ventre da minha mãe, mas eu já era
inegavelmente eu mesma e [em caso de aborto] teria sido assassinada [pelo crime do
meu pai]“.
O aborto não desestupra uma mulher nem a ajuda a se recuperar dessa violência. Puna-
se o estuprador, não o seu filho.
6. Pessoalmente pró-vida, mas não favorável a mudar a lei?
Por fim, alguns responderão ao ônus da ciência e da razão dizendo-se “pessoalmente a
favor da vida”, mas favoráveis a manter o aborto legalizado para garantir que ele seja
feito de modo seguro. Sem dedicarmos tempo a contrastar as estatísticas de abortos
legais contra abortos ilegais, ou os números de abortos realizados ilegalmente em clínicas
médicas, ou o papel dos antibióticos para tornar o aborto seguro, a questão é,
necessariamente: seguro para quem?
Se alguém é “pessoalmente contra” porque acha que o aborto extermina vidas humanas,
não faz sentido dizer que o extermínio da vida humana deve permanecer legal a fim de
salvar vidas. Legais ou ilegais, todos os abortos matam. Às vezes, a mãe; mas sempre o
filho.
Conclusão
A escritora feminista Frederica Matthews-Green afirmou certa vez que “nenhuma
mulher quer o aborto do mesmo jeito que ela quer uma casquinha de sorvete ou um
Porsche. Ela quer o aborto do jeito que um animal preso numa armadilha quer
amputar a própria perna“. O desafio para a nossa sociedade em constante evolução é
este: vamos dar à mulher uma serra e ajudá-la a amputar a sua perna? Ou somos sábios
e capazes o suficiente para encontrar formas criativas de retirar a armadilha sem destruir
a perna durante o processo, especialmente quando essa “perna” é um ser humano?
A sociedade pode continuar a induzir as mulheres a irem contra a sua própria prole não-
nascida. Ou pode começar a falar de escolhas reais, de soluções reais e de compaixão real,
conforme sugerido por grupos como as Feministas pela Vida. A filosofia laica pró-vida
implica incluir os membros menores e mais frágeis da nossa espécie em vez de excluir o
dependente e o vulnerável dos direitos à pessoalidade e à vida. Nós evoluímos como
espécie e nos tornamos uma comunidade complexa e interdependente, que está
gradualmente se livrando de preconceitos como o racismo, o sexismo e as discriminações
baseadas em habilidades.
Bem que podemos nos livrar também da discriminação letal baseada em idade e em
estágio de desenvolvimento humano.
De acordo com a Aliança Pró-Vida de Gays e Lésbicas, “nenhum de nós é
verdadeiramente livre até que todos nós sejamos livres, com todos os nossos direitos
intactos e garantidos, inclusive o direito fundamental de viver sem ameaça nem
assédio“.
Podemos fazer coisas melhores do que o aborto.
Três razões médicas para ser a favor da
Vida e contra o aborto
1 – Uma mulher normal, com uma gravidez normal e com um feto, em desenvolvimento,
normal, não é uma pessoa doente. Por isso, ao Médico apenas cabe uma intervenção de
vigilância que, em muitos países, é feita por Enfermeiras especializadas e o Médico só é
chamado a intervir quando há risco de doença e a gravidez passa a ser classificada como
gravidez de risco. Portanto, destruir um feto em desenvolvimento não é um acto médico,
porque a gravidez não é uma doença. Nenhum Médico o pode praticar em circunstância
nenhuma.

2 – E se a mulher grávida pedir o abortamento ao Médico, invocando motivos sociais ou


económicos e declarando que não pode suportar mais o estado de gravidez e que quer
que o seu filho seja retirado do útero e morto? O Médico terá de lhe responder que não
pode dar satisfação ao seu pedido porque a função que lhe cabe desempenhar como
Médico e a sua competência específica só podem estar ao serviço do diagnóstico e
tratamento de doentes.
Se a causa do pedido de abortamento não é uma doença mas uma carência financeira ou
um abandono e marginalização social, é às estruturas de protecção e segurança social e
familiar, públicas ou privadas, que compete eliminar as causas do pedido de abortamento.
Se o Médico acolhesse o pedido e praticasse o crime do abortamento, ofendendo as
disposições do seu Código de Deontologia, não iria resolver nada; os ditos motivos sociais
e/ou económicos ficariam na mesma ou piores do que estavam antes do abortamento. Este
teria sido um crime inútil e deixava a porta aberta para novo pedido de abortamento algum
tempo depois.
Os poucos estudos que há sobre abortamento clandestino, mas registado, mostram que
estes motivos sócio-económicos, que os defensores do abortamento à vontade da mulher
grávida sempre invocam como a grande causa para o abortamento, são mencionados em
cerca de 3 % dos casos.

3 – O Médico não pode praticar o abortamento não só por estas duas razões, mas ainda
por outras de natureza médica. O Médico sabe que esta intervenção abortiva sobre o corpo
da mulher grávida, além de provocar, obviamente, a morte do feto, tem riscos importantes
para a mãe, tanto no acto de fazer o abortamento como no futuro, no que se refer à sua
saúde geral e à sua saúde sexual. Mesmo o chamado “abortamento seguro” pode
complicar-se com infecção uterina e das trompas, com septicemia, com esterilidade pós-
abortamento, com depressão moderada ou grave; em casos raros até com suicídio da mãe
que se fez abortar.
Relativamente à maior incidência de cancro da mama nas mulheres que fizeram um ou
mais abortamentos há grande polémica sobre os resultados publicados, mas os mais fiáveis
indicam que tal maior risco é uma realidade com valor estatístico.
Cabe ao médico, contudo, acolher as mulheres que se fizeram abortar, sem qualquer
discriminação, tratar as alterações patológicas de que sofram, físicas e/ou psicológicas, e
promover a informação necessária para que aquela pessoa não volte a encontrar-se na
situação que a levou a fazer-se abortar.
(Daniel Serrão)
O zika vírus e a reascensão da eugenia
Muito antes de juristas brasileiros virem em defesa do aborto de microcefálicos, Adolf Hitler já os
tinha incluído em seus programas de extermínio.

Não é novidade o pedido que alguns juristas e acadêmicos de Direito farão à Suprema
Corte brasileira, requerendo um suposto "direito ao aborto" de crianças com microcefalia. Na
década de 1930, na Alemanha, o programa nazista de extermínio de crianças deficientes
(a Kinder-Euthanasie) incluía, entre as doenças genéticas passíveis de execução, a síndrome
de Down, a paralisia, a hidrocefalia e, também, a microcefalia [1]. A princípio, o objetivo era
matar as crianças com até 3 anos de idade. Mais tarde, o plano de Adolf Hitler se estenderia
também aos adultos.
Certamente, Ana Carolina Cáceres – a brasileira de 24 anos, portadora de microcefalia, que se
graduou recentemente em jornalismo – não teria sobrevivido ao regime nazista. Como ela,
tampouco teriam passado as irmãs Ana Victória (16) e Maria Luiza (14), também portadoras
da síndrome. Fossem concebidas hoje, porém, a vida dessas mulheres estaria em risco
muito mais cedo: elas poderiam ser descartadas antes mesmo de nascerem.
Fora ou dentro do útero, no entanto, meses ou anos depois da concepção, são realidades
meramente circunstanciais. Nada disso muda a essência do que os promotores do aborto,
aproveitando-se do pânico gerado em torno do zika vírus, pretendem advogar junto ao
Supremo Tribunal Federal: a ideia de que alguns seres humanos são mais dignos de viver
do que outros.
O nome disso é eugenia.
Dar um novo nome às coisas não altera a sua substância, pelo que "saúde reprodutiva",
"direito de escolha" e "controle de natalidade" não passam de eufemismos construídos
para disfarçar a realidade.

Nem pode mudá-la o fato de algumas pessoas aparentemente esclarecidas estarem do


lado de lá. Na verdade, quando o eugenismo surgiu na Europa, ainda no final do século
XIX, muitos nomes de peso também deram sua aprovação à ideia, chegando a defendê-la
pública e notoriamente: Winston Churchill, H. G. Wells e Bernard Shaw são apenas alguns
exemplos. Francis Galton, um homem inteligente, responsável por cunhar a expressão
"eugenia", chegou a falar dela como uma espécie de "nova religião". O entusiasmo pela
coisa só pareceu cessar após a Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas viram a que
tudo isso realmente levava: pilhas de cadáveres em campos de concentração.

A essência dessa forma de pensamento, todavia, não está por trás só do pedido do aborto
de microcefálicos, mas de todo o movimento pela legalização do aborto.
Como se sabe, o problema de quem defende essa prática não é com esta ou aquela má
formação específica. Seja sob um viés feminista – como o defendido pela antropóloga
Débora Diniz –, seja sob uma ótica aparentemente social – como a colocada pelo dr. Drauzio
Varella –, o que se pretende é o aborto total, sem exceções. Por isso, perderíamos muito de
nosso tempo tentando defender apenas os fetos microcefálicos quando, na verdade, quem
está ameaçado em seu direito à vida são todos os nascituros, portadores ou não de
microcefalia, sem ou com deficiência.
São eles as verdadeiras vítimas da eugenia moderna. Tratados como "cidadãos de
segunda categoria" simplesmente porque não podem ser vistos – ainda que a ciência
confirme a sua humanidade, desde a concepção. Considerados "indignos de viver" porque
submetidos a uma liberdade total e irrestrita por parte da mulher – que deixa de arbitrar
sobre o seu corpo para ter poder de vida e de morte sobre o próprio filho. Ameaçados,
enfim, pelos próprios juristas e acadêmicos de Direito, que, passando por cima da lei
natural e das leis de nosso país [2], deixam sem proteção a vida dos membros mais
indefesos da nossa sociedade.
Tudo isso, aliado ao silêncio cúmplice de todos, forma um cenário que a humanidade já
conheceu antes: tragicamente, os nossos tempos não são diferentes dos que precederam
a barbárie nazista.
Mas, assim como algumas vozes se levantaram corajosamente contra a eugenia, antes
mesmo que ela fosse aplicada na prática, também nós precisamos dar o nosso "grito" de
alerta, antes que seja muito tarde. Como escreve o escritor britânico G. K. Chesterton, em
seu livro profético Eugenics and other evils ("Eugenia e outros males"),
"A coisa mais sábia do mundo é gritar antes de ser ferido. Não é bom gritar depois,
especialmente depois que você foi ferido de morte. As pessoas falam sobre a impaciência
das multidões, mas os bons historiadores sabem que maior parte das tiranias só foi possível
porque os homens reagiram muito tarde. Geralmente, é essencial resistir a uma tirania
antes que ela exista. E não é resposta alguma dizer, com um vago otimismo, que a
conspiração apenas está no ar. Um golpe vindo de um machado só pode ser evitado
enquanto ainda está no ar." [3]

Por enquanto, parece que a conspiração está apenas no ar. Mas, de notícia em notícia, já é
possível antever o golpe de machado que se aproxima de nossas cabeças. O alvo, leitor, são
homens e são mulheres, são pobres e são ricos, são brancos e são negros – em suma, são
os nossos filhos. Se não lutarmos por eles, ninguém o fará por nós.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Referências

1. LIFTON, Robert Jay. The Nazi Doctors: Medical Killing and the Psychology of Genocide. Basic
Books, 2000, p. 52.
2. Cf., v.g., Constituição Federal, art. 5.º, caput; Código Civil (Lei 10.406/02), art. 2.º etc.
3. CHESTERTON, Gilbert K. Eugenics and Other Evils. London: Cassell and Company, 1922, p.
3.
Aborto: Que diz a ciência?
No século XIX descobriu-se que a partir da concepção tínhamos um novo ser humano e
que, por isso, o aborto consistia em matar deliberadamente um ser humano inocente.
Interessa, pois, saber se desde então foi feita alguma descoberta científica que anulasse ou
questionasse as descobertas desse século.
Os livros a seguir citados são usados em cerca de 80% das Faculdades de Medicina dos
Estados Unidos da América e em muitos outros países do mundo. Os sublinhados foram
acrescentados ao texto.

 “Zigoto. Esta célula resulta da fertilização de um oócito por um espermatozóide e é o início


de um ser humano… Cada um de nós iniciou a sua vida como uma célula chamada zigoto.”
(K. L Moore. The Developing Human: Clinically Oriented Embryology (2nd Ed., 1977),
Philadelphia: W. B. Saunders Publishers)”Da união de duas dessas células [espermatozóide e
oócito] resulta o zigoto e inicia-se a vida de um novo indivíduo. Cada um dos animais
superiores começou a sua vida como uma única célula.” (Bradley M. Palten, M. D.,
Foundations of Embryology (3rd Edition, 1968), New York City: McGraw-Hill.)”A formação,
maturação e encontro de uma célula sexual feminina com uma masculina, são tudo
preliminares da sua união numa única célula chamada zigoto e que definitivamente marca o
início de um novo indivíduo “. (Leslie Arey, Developmental Anatomy (7th Edition, 1974).
Philadelphia: W. B. Saunders Publishers)”O zigoto é a célula inicial de um novo indivíduo.”
(Salvadore E. Luria, M. D., 36 Lectures in Biology. Cambridge: Massachusetts Institule of
Technology (MIT) Press)”Sempre que um espermatozóide e um oócito se unem, cria-se um
novo ser que está vivo e assim continuará a menos que alguma condição específica o faça
morrer:” (E. L. Potter, M. D., and J. M. Craig, M. D Palhology of lhe Fetus and lhe lnfant, 3rd
Edition. Chicago: Year Book MedicaI Publishers, 1975.)
“O zigoto (…) representa o início de uma nova vida.” (Greenhill and Freidman’s, Biological
Principies and Modem Practice of Obstetrics)
Como já se disse o valor científico destas afirmações é inquestionável, pois constam dos livros
adoptados pela maioria das Faculdades de Medicina dos EUA.

 Em 1971 o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA pediu a mais de duzentos cientistas, entre
os mais prestigiados especialistas americanos, que elaborassem um relatório sobre o
desenvolvimento embrionário. Esse documento diz o seguinte:
“Desde a concepção a criança (1) é um organismo complexo, dinâmico e em rápido
crescimento. Na sequência de um processo natural e contínuo o zigoto irá, em
aproximadamente nove meses, desenvolver-se até aos triliões de células do bebé recém-
nascido. O fim natural do espermatozóide e do óvulo é a morte, a menos que a fertilização
ocorra. No momento da fertilização um novo e único ser é criado, o qual, embora recebendo
metade dos seus cromossomas de cada um dos progenitores, é completamente diferente
deles”. (Amicus Curiae, 1971 Motion and Brief Amicus Curiae of Certain Physicians, Professors
and Fellows of the American College of Obstetrics and Gyneco1ogy, Supreme Court of the
United States, October Term, 1971, No. 70-18, Roe v. Wade, and No. 70-40, Doe v. Bolton.)
Em 1981 o Senado dos EUA estudou a chamada Human Life Bill. Para o efeito ouviu durante
oito dias os maiores especialistas do mundo na questão (americanos e não só). Ao todo
foram feitos cinquenta e sete depoimentos. No final, o relatório oficial dizia o seguinte:
 “Médicos, biólogos e outros cientistas concordam em que a concepção marca o início da
vida de um ser humano – um ser que está vivo e que é membro da nossa espécie. Há uma
esmagadora concordância sobre este ponto num sem-número de publicações de ciência
médica e biológica.” (Report. Subcommittee on Separation ofPowers to Senate Judiciary
Committee 5-158. 97th Congress. 1st Session 1981. p. 7.) Sublinhados nossos.

Conclusão
1. A partir do momento da concepção, do ponto de vista biológico, temos um ser vivo. A
expressão “ser vivo”, aparece nesta frase com o mesmo valor e significado com que aparece
na frase “A Rainha de Inglaterra, do ponto de vista biológico, é um ser vivo”.
2. Este ser vivo está individualizado.
3. Este ser vivo pertence a uma espécie definida: a espécie à qual pertencem todos os seres
humanos. Portanto,
4. A partir do momento da concepção, do ponto de vista biológico, temos um ser vivo,
individualizado e humano. Estas palavras têm todas exactamente o mesmo valor e significado
com que aparecem na afirmação “A Rainha de Inglaterra, do ponto de vista biológico, é um
ser vivo, individualizado e humano”.
Está completamente fora de dúvidas que o aborto mata um ser humano. Aos defensores do
aborto resta explicar como se pode defender a morte arbitrária de seres humanos inocentes.
(1) No original: “From conception the child (…)”. Muitas pessoas pretendem que o aborto não
mata um bebé: o que mata é um feto. É curioso notar que duzentos especialistas americanos
elaboraram um texto onde começam por se referir à “criança” e não ao feto ou ao zigoto.
Também no livro de Baruch Brody, Abortion and the Sanatity of Human Life, MIT Press, 1975,
ele afirma que enquanto não conseguir distinguir feto de criança rejeitará a palavra feticídio
usando indistintamente a palavra homicídio.

(João Araújo, Aborto Sim ou Não?)


terça-feira, junho 04, 2013

Quando começa a vida? A Ciência já respondeu há


tempos...

A defesa da vida, cujos maiores inimigos atuais são os favoráveis ao aborto, passa
pela compreensão de quando inicia a vida humana. A resposta a esta pergunta é
dada pela própria ciência biológica, através da Embriologia Humana, e não é
necessário que se recorra a argumentos teológicos para lidar com a questão. O objeto
da Teologia, que também é uma ciência, é outro, apenas isto. O mesmo acontecendo
com a Filosofia, o Direito, etc.. - são ciências, com seus objetos próprios, mas que
não têm a contribuir para a questão do conhecimento de quando inicia a vida
humana.

A questão do aborto está diretamente ligada a esta compreensão do início da vida


humana. É exatamente neste ponto, no início de uma nova vida, que a retórica
abortista mais se sente à vontade para dar vazão ao seu discurso de termos
pejorativos ao nascituro: “amontoado de células”, “simples tecido”, “parasita”, etc.
Esta fase da vida humana é a mais fácil de ser utilizada por estes grupos para seus
rotulamentos. Tais termos são usados com um único objetivo: desumanizar o
nascituro, negando-lhe aquilo que já está presente desde sua concepção e que lhe é
mais importante, sua humanidade.

Porém, dizer que o fruto da concepção não é uma vida humana, como inúmeros
abortistas dizem, não encontra qualquer respaldo científico. O afirmado pela
Embriologia Humana é exatamente o contrário, que a vida humana tem seu início na
concepção. As citações abaixo, em tradução livre, são retiradas de livros que são
referência na área de Embriologia Humana.
Keith Moore and T. V. N. Persaud, The Developing Human: Clinically Oriented
Embryology (6th ed. only) (Philadelphia: W. B. Saunders Company, 1998):

"O desenvolvimento humano é um processo contínuo que inicia quando um oócito


(óvulo) de uma fêmea é fertilizado pelo esperma (ou espermatozóide) de um macho"

"... mas o embrião começa a se desenvolver logo que o oócito é fertilizado" (p. 2)

"Zigoto: esta célula resulta da união de um oócito e um esperma. Um zigoto é o início


de um novo ser humano (ou seja, um embrião)." (p. 2)

"O desenvolvimento humano inicia na fertilização, processo durante o qual o gameta


masculino ou esperma (...) une-se com um gameta feminino ou oócito (...) para
formar uma célula única, chamada zigoto. Esta célula altamente especializada e
totipotente marca o início de cada um de nós como um ser individual" (p. 18)

William Larsen, Human Embryology (New York: Churchill Livingstone,


1997):

"Neste texto iniciamos nossa descrição do desenvolvimento humano com a formação


e diferenciação das células femininas e masculinas ou gametas, que unir-se-ão na
fertilização para iniciar o desenvolvimento embrionário de um novo indivíduo. (...) A
fertilização ocorre nas Trompas de Falópio (...) resultando na formação de um zigoto
contendo um único núcleo diplóide. Considera-se que o desenvolvimento embrionário
inicia-se neste ponto" (p. 1)
"Este momento da formação do zigoto pode ser considerado como o início ou
momento zero do desenvolvimento embrionário" (p. 17)

Ronan O'Rahilly and Fabiola Muller, Human Embryology & Teratology (New
York: Wiley-Liss, 1994):
"A fertilização é uma etapa importante, pois, sob condições normais, um novo e
distinto organismo humano é assim formado" (p. 5)

"A fertilização é o processo de eventos que inicia quando um espermatozóide faz


contato com um oócito (...)" (p. 19)

"O zigoto (...) é um embrião unicelular" (p. 19)

Ou seja, a ciência, representada aqui pela Embriologia Humana, já sabe muito bem
quando uma nova vida é iniciada: na concepção, na fertilização, que nada mais é que
o encontro entre os gametas masculino e feminino. É neste exato ponto que a ciência
pode dizer que há a formação de um novo ser humano.

Não existe dúvida quanto a isto, mas o que há atualmente é uma tentativa de
politização da questão, criando-se figuras estranhas ao processo, tal como um
estágio de “pré-embrião”, para que o aborto torne-se aceitável, mesmo nas primeiras
etapas da gravidez.

Então, quando um abortista vier com um discurso de que não se sabe quando a vida
começa como forma de preparar o terreno para sua defesa do aborto, é só dizer-lhe
que a ciência já deu esta resposta há tempos e que ele deveria se atualizar. Se ele o
fizer e não mudar de opinião, pode-se bem ver o quanto ele se importa com a vida
humana. Mas se ele nem mesmo procurar se inteirar sobre o assunto, é para se
perguntar quem afinal são os obscurantistas?
O COMEÇO DA VIDA

A ciência e o direito não sustentam a


idéia do aborto
17 de dezembro de 2005, 7h00

Por Aleksandro Clemente


Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1.135/91, de autoria do ex-
deputado Eduardo Jorge e da ex-deputada Sandra Starling, cuja atual relatora é a
deputada Jandira Feghali do PC do B/RJ, que visa legalizar o aborto no Brasil.
Dentre outras coisas, o projeto prevê a liberalização do aborto até a 12ª semana da
gravidez, sem que a gestante apresente qualquer justificativa. Prevê ainda que os
hospitais públicos realizem o aborto mediante simples consentimento da gestante ou
de seu responsável legal.

O assunto é delicado, e exige uma análise sobre vários ângulos: político, social,
jurídico, moral, religioso, filosófico etc. No entanto, gostaria de tecer alguns
comentários acerca das questões jurídicas que envolvem o tema, sobretudo no
tocante ao direito à vida.

O direito à vida é um direito fundamental do homem; é dele que decorrem todos os


outros direitos. O direito à vida é também um direito natural, inerente à condição de
ser humano. Por isso, a Constituição Federal do Brasil declara que o direito à vida é
inviolável. Diz o artigo 5º da Constituição: “Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida...”.

Sabemos que todos os direitos são invioláveis; não existe direito passível de
violação. Mas a Constituição Federal fez questão de frisar a inviolabilidade do
direito à vida exatamente porque esse é um direito fundamental. E é importante
lembrar que a Constituição Federal é a Lei Maior do país, à qual deve se reportar
todas as demais leis. Além disso, os direitos previstos no artigo 5º da Constituição
Federal são “cláusulas pétreas”, isto é, são direitos que não podem ser suprimidos da
Constituição, nem mesmo! por emenda constitucional.

Mas não só a Constituição Federal do Brasil declara a inviolabilidade do direito à


vida, como também os acordos internacionais sobre Direitos Humanos que o Brasil
assinou afirmam ser a vida inviolável. O principal desses acordos é Pacto de São
José da Costa Rica, que em seu artigo 4º prevê: “Toda pessoa tem o direito de que se
respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei, em geral, desde o
momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”. O
Pacto de São José da Costa Rica entrou para o ordenamento jurídico brasileiro
através do Decreto 678/1992 e tem força de norma constitucional, vale dizer, deve
ser obedecido por todas as demais leis do país, tal como a Constituição Federal.

Se é indiscutível que a vida é um direito fundamental, e que a Constituição Federal e


o Pacto de São José da Costa Rica o declara inviolável, só nos resta saber quando
começa a vida. E para isso nos valemos da ciência.
Cientificamente, a vida começa na concepção, isto é, no momento em que os
gametas masculinos (espermatozóide) entram em contato com os gametas femininos
(óvulo). Isso ocorre já nas primeiras horas após a relação sexual. É nessa fase, na
fase do zigoto, que toda a identidade genética do novo ser é definida. A partir daí,
segundo a ciência, inicia a vida biológica do ser humano. Todos fomos concebidos
assim. O que somos hoje, geneticamente, já o éramos desde a concepção.

É baseado nesse dado científico acerca do início da vida que o Pacto de São José da
Costa Rica afirma que a vida deve ser protegida desde a concepção. E mesmo que
não o dissesse expressamente, isso seria óbvio, pois a lei deve expressar a verdade
das coisas, e se vale da ciência para formular seus preceitos. Ademais, reconhecendo
que a vida começa na concepção, também o Código Civil Brasileiro, de acordo com
a Constituição Federal e com o Pacto de São José da Costa Rica, afirma em seu
artigo 2º que: “A personalidade civil da pessoa começa com o nascimento com vida;
mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. Ora, se a lei põe
a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro, parece óbvio que ela põe a
salvo também o mais importando desses direitos, que é o direito à vida. Seria
contraditório se a lei dissesse que todos os direitos do nascituro estão a salvo menos
o direito à vida.

O direito à vida do nascituro é tão evidente, que o atual Código Penal prevê punição
para aqueles que atentem contra a vida do embrião. O crime de aborto, em suas
várias modalidades, está previsto nos artigos 124 a 127 do Código Penal e contém
penas que vão de um a 10 anos de prisão. E o mais interessante é que o crime de
aborto está previsto no Título I da Parte Especial do Código Penal, que trata dos
“Crimes Contra a Pessoa”, e no capítulo I daquele título que trata dos “Crimes
Contra a Vida”, o que demonstra claramente que a lei brasileira reconhece o embrião
como uma pessoa viva!

Assim, com base científica e jurídica, nenhuma lei que vise legalizar o aborto no
país pode ser aprovada. Se isso acontecer, estaremos violando a Constituição
Federal e os Pactos Internacionais que o Brasil se obrigou a cumprir, sobretudo no
que diz respeito aos direitos humanos. É nesse contexto é que deve ser analisado o
Projeto de Lei 1.135/91.

O Problema é que, na realidade, o Brasil é um país inconstitucional, onde não se


respeitam os direitos e garantias expressos na Lei Maior. Por isso, cabe citar aqui
uma frase do filósofo Montesquieu, extraída do livro O Espírito das Leis, que diz:
“Tal é o efeito das más leis, que é preciso fazer leis ainda piores para conter o mal
das primeiras”.
Concluo dizendo que, se os parlamentares e o povo brasileiro não se preocuparem
em aprovar leis que verdadeiramente promovam a felicidade e o engrandecimento
do ser humano, sem violar os direitos fundamentais expressos na constituição, a
sociedade brasileira está fadada ao fracasso.
Estudos sobre as seqüelas psicológicas do aborto

Medo, ansiedade, dor e culpa são apenas alguns dos sentimentos que muitas mulheres que
já se submeteram à violenta prática do aborto referem ter com freqüência. Em muitos
casos torna-se necessário recorrer a tratamento psiquiátrico para fazer em face de estes
sentimentos. E esta realidade está documentada em inúmeros artigos científicos.
Um estudo retrospectivo com cinco anos de duração realizado em duas províncias
canadianas expôs uma utilização de serviços médicos e psiquiátricos significativamente
mais elevados por parte de mulheres que já tinham sido sujeitas ao aborto. Ainda mais
significativo foi o fato de 25% das mulheres sujeitas ao aborto freqüentarem consultas de
psiquiatria, comparadas com 3% das mulheres do grupo de controlo. (1)
Os investigadores que estudam as reações pós-aborto nas mulheres referem apenas um
sentimento positivo: alívio. Este sentimento é compreensível uma vez que uma grande
percentagem de mulheres referem estar sob grande pressão para realizar o aborto. Este
sentimento momentâneo de alívio é frequentemente seguido por um período que os
psiquiatras designam de “paralisia” ou “dormência” pós-aborto.
Um estudo realizado em 1980 em pacientes submetidas a aborto mostrou que, durante há
primeira semana após o aborto, entre 40 a 60% das mulheres questionadas referiram
reações negativas. Dentro de um prazo de oito semanas após o aborto, 55% expressou
culpa, 44% queixaram-se de distúrbios nervosas, 36% de distúrbios no sono, 31% tinham
remorsos em relação à decisão de abortar e 11% tinha sido prescrita com medicamentos
psicotrópicos pelo médico de família. (2)
Com especial risco de vir a sofrer problemas do foro psiquiátrico estão às adolescentes,
mulheres separadas ou divorciadas, e mulheres com um editorial de mais de um aborto.
Como muitas mulheres acabam por utilizar a repressão como meio de lidar com o que
sente, a procura de ajuda psiquiátrica pode ocorrer muito depois do aborto ter sido
realizado. Estes sentimentos reprimidos, no entanto, podem induzir doenças
psicossomáticas ou psiquiátricas noutras áreas da sua vida.
Uma sondagem realizada a 260 mulheres (3), muitas das quais procuravam informação
sobre aconselhamento pós-aborto e que já se tinham submetido à pelo menos um aborto
enquanto adolescentes mostrou que de uma forma geral estas mencionaram ter:
“flashbacks” relativos ao momento do aborto
Crises de histeria
Sentimento de culpa
Medo do castigo de Deus
Receio pelas suas próprias crianças
Agravamento de sentimentos negativos no aniversário da data do aborto ou quando
exposta a propaganda a favor da liberdade de escolha (do aborto)
Interesse excessivo em mulheres grávidas e em bebês
Visões ou sonhos com a criança abortada
Consciência de terem falado com a criança abortada antes do aborto.

Mulheres que tinham um historia de mais de um aborto induzido referiram com mais
freqüência:
Um período de forte alívio após o aborto
Uma história de abuso sexual enquanto crianças
Ódio aos homens que as engravidaram
Ter terminado o relacionamento com o seu parceiro após o aborto
Dificuldade em manter e desenvolver relacionamentos pessoais
Ter adotado um comportamento promíscuo
Ter-se tornado auto-destrutiva
Começar ou aumentar a utilização de drogas depois do aborto
Sentimentos de ansiedade
Medo de Deus
Medo de outra gravidez
Medo de ter de recorrer a outro aborto
Efeitos emocionais tão severos impeditivos de qualquer atividade em casa, no trabalho
ou de qualquer relacionamento pessoal
Ter experimentado um esgotamento nervoso algum tempo após o aborto induzido.

1. Report of the Committee on the Operation of the Abortion Law (1977). Ottawa: Supply
and Services, pp.313-321.
2. Ashton, J.R. (1980). The Psychosocial Outcome of Induced-Abortion. British Journal
of Obstetrics and Gynaecology 87(12):1115-1122.
3. Reardon, D. (1994). Psychological Reactions Reported After Abortion. The Post-
Abortion Review 2(3):4-8.

Stresse Pós-aborto

Os danos psicológicos mais sérios que as mulheres que se submetem a um aborto induzido
experimentam podem ser englobados numa condição designada de Síndrome Pós-Aborto
(SPA). Esta condição faz parte da classe mais abrangente de desordens designadas de
Desordens de Stress Pós-Traumático. O SPA pode ser descrito nos seguintes
componentes básicos (1) :

Exposição ou participação numa experiência de aborto, que é compreendida como a


destruição traumática e intencional da sua própria criança não nascida
Reviver de uma forma negativa e não controlada o momento do aborto (“flashback”)
Tentativas mal sucedidas de evitar ou negar recordações dolorosas do aborto, resultando
na perda de reação
Experiências de sintomas associados que não estavam presentes antes do aborto,
incluindo culpa
Através de um processo de negação, as vítimas do SPA inibem o processo natural de
mágoa e desgosto pela morte de um filho e frequentemente negam a sua responsabilidade
no aborto. A negação ou supressão bloqueia, por sua vez, o processo e cura e a
possibilidade de perdão a si mesma e outros envolvidos na sua decisão e no seu aborto.
O trauma manifesta-se geralmente numa disfunção na área psicológica, física ou
espiritual.

O stress psicológico como conseqüência de um aborto parece ser maior do que antes se
pensava. Um estudo recente que incluiu 331 mulheres russas e 217 mulheres americanas
que se submeteram a um aborto parece demonstrar essa realidade (2). Entre outras coisas,
este estudo revelou que:

65% das mulheres americanas sondadas experimentou múltiplos sintomas de desordem


de stress pós-traumático, os quais atribuíam ao seu aborto.
64% das mulheres americanas sentiram-se pressionadas por outros a escolher o aborto,
em comparação com 37% das mulheres russas.
De um modo geral, as mulheres referiram mais reações negativas do que positivas.
A reação positiva mais mencionada foi o alívio, mas apenas 7% das mulheres russas e
14% das americanas a mencionaram.
As mulheres americanas eram mais propensas a atribuir aos seus abortos pensamentos
subseqüentes de suicídio (36%), um aumento de consumo de drogas e álcool (27%)
problemas sexuais (24%), problemas relacionais (27%), sentimento de culpa (78%) e
incapacidade de auto-perdão (24%).
Aproximadamente 2% das mulheres americanas atribuíram ao seu aborto uma
hospitalização psiquiátrica subseqüente.

Aborto e trauma

A experiência do aborto pode ser traumática para as mulheres por variadas razões. Muitas
são forçadas a fazê-lo pelos maridos, namorados, pais ou outros (casos recentes
reportados nas notícias mostram que muitas prostitutas são obrigadas pela “entidade
empregadora” a submeter-se a abortos sempre que engravidam). Se a vida destas
mulheres é caracterizada pelo abuso resultante do domínio forçado por parte de outra
pessoa (o marido será um exemplo freqüente em Portugal), a sujeição a um aborto não
desejado pode ser encarada como a humilhação ou violação final.

Outras mulheres, independentemente das razões que as levam a sujeitar-se a um aborto,


podem ainda encarar esta prática como a morte violenta do seu próprio filho. Algumas
mulheres chegam mesmo a referir que a dor provocada pelo procedimento do aborto,
aliada ao fato de ser infligida por um estranho de mascara, poder ser comparada a uma
violação ou invasão do seu corpo. (1)

Alguns sintomas referidos por mulheres sujeitas a um ou mais abortos são: pensamentos
recorrentes sobre o aborto ou a criança abortada, sensações momentâneas em que a
mulher relembra ou sente algum aspecto relacionado com a sua experiência do aborto,
pesadelos sobre o aborto ou a uma criança abortada, reações de angústia intensa ou
depressão no aniversário da data do aborto.

Para além das muitas formas da reação de trauma conseqüentes de um aborto induzido,
estas variam também no tempo. Muitas mulheres experimentam um período inicial de
remorsos e mais tarde encontram algum alívio emocional, enquanto que outras mulheres
lidam bem com a situação após o aborto e só mais tarde experimentam problemas
emocionais. Num estudo realizado entre 260 mulheres que experimentaram reações
negativas pós-aborto, entre 63 a 76% referiram a existência de um período em que
negaram quaisquer sentimentos negativos relacionados com o aborto. O período médio
de negação apresentado como conclusão deste estudo foi de 63 meses. (2)
Muitas mulheres que se submetem a um aborto chegam a sofrer daquilo que se designa
desordem de stress pós-traumático. Um estudo realizado mostrou que 1,4% das mulheres
que se sujeitam a um aborto nos EUA sofrem desta desordem como resultado do seu
aborto e que, de um modo geral, os sentimentos negativos aumentavam e a satisfação com
a escolha diminuía com o passar do tempo. (3) No entanto, este estudo também
demonstrou que grande parte das mulheres não experimenta problemas psicológicos ou
arrependimento em relação ao seu aborto num período de dois anos pós-aborto. Apesar
da percentagem de mulheres afetadas por esta desordem ser baixa, só nos EUA este
número abrange cerca de 18.200 novos casos anualmente, o que implica mais de meio
milhão desde que o aborto foi legalizado em 1973.

Outro estudo realizado na Suécia a partir de entrevistas feitas a mulheres no período de


um ano após se terem submetido a um aborto, revelou que cerca de 60% das mulheres (de
uma amostra de 854) experimentaram stress emocional após o aborto. (4) Em 16% das
mulheres este stress foi classificado como “severo”, tornando necessários cuidados
psiquiátricos. Cerca de 70% das mulheres também referiram não voltar a considerar o
aborto induzido como opção se fossem novamente confrontadas com uma gravidez não
desejada.

Aborto e depressão

Um estudo recente sugere que as mulheres que abortam na sua primeira gravidez não
desejada têm maior propensão para o suicídio, aumento do abuso de drogas e para a
depressão clínica, do que mulheres que levam a sua gravidez não intencional até ao fim.
Este estudo publicado num prestigiado jornal científico de medicina, foi levado a cabo
por uma organização Norte Americana de investigação e educação que estuda as
complicações pós-aborto e fornece programas de aconselhamento para as mulheres. Os
dados deste estudo foram retirados de um estudo nacional sobre os jovens americanos que
teve início em 1979. Um subconjunto de 4.463 mulheres foi sondado em 1992 sobre
assuntos como a depressão, intenção de gravidez e resultado da mesma. (1)

Uma das conclusões do estudo foi que oito anos após o aborto induzido, as mulheres
casadas tinham 138% mais probabilidades de estar em elevado risco de depressão clínica
do que as mulheres que levaram a sua gravidez não planeada/intencional até ao fim.

Outro estudo recentemente publicado revela o risco significativo de episódios


psiquiátricos associados ao aborto induzido (2). A equipa de investigadores que efetuou
este estudo comparou os tratamentos psiquiátricos entre mulheres que se tinham
submetido um aborto induzido e mulheres que tinham levado a gravidez até ao fim. Esta
informação foi obtida através do exame de registros médicos de cerca de 173.000
mulheres da Califórnia de estratos econômicos baixos. De modo a excluir diferenças
induzidas pela saúde psicológica das mulheres antes destes episódios, não foram
consideradas todas as mulheres que se tinham submetido a qualquer tratamento
psiquiátrico no ano anterior ao resultado da gravidez. O estudo revelou que cerca de 63%
das mulheres tinham maior probabilidade de receber tratamento psiquiátrico num período
de 90 dias após um aborto do que numa gravidez levada até ao fim. Para além disso, taxas
significativamente mais elevadas de tratamentos de saúde mental subseqüentes persistem
ao longo dos quatro anos de dados examinados para as mulheres que se submeteram a um
aborto. O aborto estava mais fortemente associado com tratamentos subseqüentes para
depressão neurótica, desordem bipolar e desordens esquizofrênicas.

A mesma equipa de cientistas publicou outro estudo baseado em 56.741 pacientes que
mostrou que as mulheres que se submeteram a um aborto têm 2,6 vezes mais
probabilidades de serem hospitalizadas para tratamento psiquiátrico no período de 90 dias
após o aborto ou nascimento (em relação a mulheres que dão à luz). Neste estudo o
diagnóstico mais comum foi à psicose depressiva. (3)

Um estudo comparativo realizado entre aproximadamente 1.900 mulheres que na sua


primeira gravidez se submeteram a um aborto induzido ou levaram a gravidez até ao fim,
revelou que aquelas que decidiram terminar a gravidez com um aborto, tinham 65% mais
de probabilidade de estar no risco elevado de depressão clínica. (4)

Na WWW: (CNSNews)

Aborto e ansiedade

Quando comparadas com mulheres que levam a sua gravidez não intencional até ao fim,
as que abortam uma gravidez não intencional têm maior probabilidade de experimentar
problemas subseqüentes de ansiedade. Esta constatação é o resultado de um estudo
recente (1) publicado num jornal científico dedicado a desordens ligadas com a ansiedade,
realizado entre 10,847 mulheres com idades entre os 15 e os 34 anos que experimentaram
uma primeira gravidez não intencional e sem qualquer historia de ansiedade. Os
investigadores que realizaram este estudo descobriram que as mulheres que decidiram
abortar tinham 30% maior probabilidade de mencionar sintomas subseqüentes associados
a um diagnostico de desordem generalizada de ansiedade.

Esta ligação não deve ser ignorada no tratamento de mulheres com problemas de
ansiedade. O principal autor deste estudo refere que “o nosso estudo sugere que os
profissionais de saúde que tratam de mulheres com problemas de ansiedade poderão achar
útil inquirir acerca da história reprodutiva das suas clientes (…) As mulheres que lutam
com questões por resolver relacionadas com um aborto no passado poderão beneficiar
significativamente de aconselhamento que foque este problema.”

Aborto e tentativas de suicídio

Uma investigação levada a cabo na Finlândia identificou uma forte associação estatística
entre o aborto e o suicídio. A taxa de suicídio num período de um ano após o aborto era
três vezes superior a todas as mulheres de uma forma geral, sete vezes superior à taxa
verificada entre mulheres que tinham levado a gravidez até ao fim, e quase duas vezes
superior à taxa entre mulheres cuja gravidez tinha sido interrompida por causas naturais.
As tentativas de suicídio pareceram ter particular incidência entre adolescentes sujeitas a
um aborto. (1)
Outro estudo recente realizado por investigadores ingleses em mulheres entre os 15 e os
49 anos refere que “o aumento do risco de suicídio após um aborto induzido pode ser uma
conseqüência de próprio procedimento (...) e os dados sugerem que uma deterioração na
saúde mental pode ser um aspecto conseqüente do aborto induzido”. (2)

Em muitos casos, a tentativa de suicídio ou o ato consumado é intencionalmente ou


subconscientemente planeado para coincidir com o aniversário da data do aborto ou da
data em que supostamente o bebê deveria nascer (3). Também têm sido registradas
tentativas de suicídio entre os parceiros masculinos após a realização do aborto das suas
parceiras.

Aborto e disfunção sexual

Um estudo mostra que entre 30% a 50% das mulheres que abortam referem experiências
de disfunção sexual, tanto de curta ou longa duração, com início imediato após o aborto
(1). Estes problemas podem incluir: perda de prazer durante o ato sexual, aumento de dor,
aversão ao sexo ou ao homem de uma forma geral ou desenvolvimento de um estilo de
vida promíscuo.

Aborto e desordens alimentares

Pelo menos para algumas mulheres, o stress pós-aborto está associado a desordens
alimentares como a bulimia e a anorexia nervosa. (1)

BULIMIA: desordem alimentar caracterizada pela ingestão de alimentos geralmente


seguida pela auto-indução do vomito.

ANOREXIA: perda de apetite que resulta na incapacidade do paciente se alimentar; a


anorexia nervosa é uma condição psicológica na qual se verifica uma recusa prolongada
de alimentos.

Aborto, divórcios e problemas crônicos de relacionamento


Mulheres que se submeteram a um aborto demonstram maior propensão para
relacionamentos mais curtos e para o divórcio (1). Este fato pode dever-se a baixa auto-
estima, menor confiança nos homens, disfunções sexuais, abuso de drogas ou álcool,
incidência elevada de depressões, ansiedade, e temperamento instável. Mulheres que se
submeteram a mais de um aborto (cerca de 45% nos EUA- Facts in Brief: Induced
Abortion. The Alan Guttmacher Institute, 1996.) têm maior probabilidade de se tornarem
mães solteiras e de necessitar de assistência social.

Um estudo francês realizado em 1996 entre mulheres que se submeteram a mais de um


aborto revelou que este grupo tinha sido caracterizado por parceiros instáveis e por um
sentimento de ambivalência entre o desejo de engravidar e o não querer ter filhos (2). Os
autores deste estudo concluíram que existe uma precariedade psico-social real entre a
população estudada e que esta tinha bom conhecimento dos métodos contraceptivos.

O aborto induzido parece deteriorar de um modo geral o relacionamento homem/mulher.


Relacionamentos conflituosos, causais ou sem compromisso são particularmente
susceptíveis de quebrar após um aborto. Em casos que os casais não se separam são
geralmente referidos problemas de comunicação, disfunções sexuais e isolamento. (3)
O bebê que está mudando o debate sobre o aborto
Abortado espontaneamente com apenas 19 semanas de vida, Walter
sobreviveu pouco tempo fora do útero. O suficiente para gerar comoção e
marcar vidas.

"Amontoado de células"; "Tecido"; "Apenas um feto". Essas são expressões comuns usadas
pelas pessoas favoráveis ao aborto para descrever o nascituro, a fim de diminuir a
humanidade dessas novas vidas. Porém, o modo como as pessoas rotulam os nascituros
não é o que os define, e isso está comprovado pela vida de uma pequena criança. No verão
de 2013, Walter Joshua Fretz nasceu com apenas 19 semanas de gestação. Ele viveu por
poucos momentos, mas sua vida tem tido um impacto duradouro.

Os pais de Walter, Lexi e Joshua Fretz, mãe e pai de duas meninas (que acolheram sua
terceira filha, Mia, no último mês de Setembro), aguardavam ansiosamente a chegada do
seu novo bebê, quando, de acordo com o blog de Lexi, ela começou a ter sangramentos.
Isso não era algo incomum para ela durante a gestação, mas, quando o sangramento se
tornou rosa, ela ficou mais preocupada e ligou para sua parteira, que a aconselhou a ir para
uma Unidade de Emergência (Emergency Room, em inglês).
Na sala de emergência, várias gestantes chegaram depois dela e foram levadas diretamente
para a enfermaria. Mas, uma vez que Lexi ainda não tinha completado 20 semanas – ela
estava com 19 semanas e 6 dias – as normas do hospital requeriam que ela permanecesse
na emergência. Cerca de uma hora depois, Lexi foi capaz de ouvir as batidas do coração de
seu bebê e se sentiu aliviada, mas, enquanto aguardava um ultrassom, começou a sentir as
familiares dores de parto. Quase cinco horas depois de chegar ao hospital, Lexi deu à luz
seu filho, Walter Joshua Fretz. Ela escreve:

Eu estava chorando bastante naquele momento, mas ele era perfeito. Ele estava
completamente formado e tudo estava no lugar; eu podia ver o seu coração batendo em
seu pequenino peito. Joshua e eu o seguramos e choramos por ele e olhamos para o nosso
filho perfeito e pequenino.

A próxima decisão de Joshua parecia natural e insignificante, mas acabaria se tornando um


divisor de águas e até mesmo um salva-vidas para muitas pessoas. Ele foi para o carro
pegar a câmera de Lexi para tirar fotos de seu filho. A princípio, isso não era o que Lexi
queria, mas as fotos de Walter logo se espalharam por toda a Internet. As fotos alcançaram
mães enlutadas e ajudaram-nas na perda de seus próprios bebês, e foram usadas para
ajudar mulheres a escolher a vida para seus filhos não nascidos.

Lexi recebeu muitas mensagens positivas e compartilhou algumas, incluindo as seguintes:


Acabo de encontrar as imagens de Walter... Eu estou grávida e em uma situação bem ruim
esta semana. Fiz meu primeiro ultrassom na semana passada e ele é um menino também.
Mas, esta semana, comecei a rezar por um aborto espontâneo ou para decidir acabar [com
a gravidez], já que o seu pai está fugindo de toda a responsabilidade. Eu pedi a Deus para
me dar um sinal hoje de que ficaríamos bem, ou eu iria em frente e procuraria um aborto
amanhã. Algumas horas depois, eu vi o link no Facebook. Fez-me ir às lágrimas. Mas, o mais
importante, me fez entender, sem nenhuma dúvida, que eu não posso fazer isso a ele.

Eu costumava acreditar que havia razões para justificar alguns abortos. (...) Mas, agora,
olhar Walter ali, deitado no seu peito, me traz vergonha por minhas opiniões passadas e
desgosto por cada mulher que decide abortar sem entender o valor da vida que traz dentro
de si.

Eu sempre pensei que era uma escolha da mulher interromper uma gravidez! Novamente,
falta de entendimento, pensar, ou melhor, ser levada a pensar que, nesse estágio, uma
mulher poderia abortar um feto (um aglomerado de células!) Quão errada eu estava!!!
Estou feliz porque você escolheu compartilhar sua história e as belas fotos desse momento
tão triste da sua vida! Foi uma lição para mim!

Estou grávida há 8 semanas e por 3 delas eu fiquei em profunda agonia, sem saber se
mantinha ou abortava o bebê (não estou numa boa situação para ter crianças no
momento), mas você pôs a minha vida em perpectiva. Eu posso amar este bebê e "me virar"
e isso basta para mim agora. Eu vou manter essa criança que estou carregando e guardá-la
para a eternidade.

Essas fotos de Walter revelam a humanidade da criança não nascida. Elas provam, sem
sombra de dúvidas, que se trata de uma pessoa, e não de uma partícula ou de um monte
de tecido. O que levanta a questão: Por que é legalmente permitido acabar com a vida de um
ser humano não nascido?
"Só porque a criança na barriga da mãe não pode ser vista por nós, isso não significa que
ela seja um pouco de células", escreve Lexi. "Walter estava perfeitamente formado e era
muito ativo no útero. Se ele tivesse apenas mais algumas semanas, teria tido uma chance
de lutar na vida. (...) Em meio a toda a nossa dor, fico feliz porque algo de bom pode sair
disso. Rezo para que o Senhor continue usando as fotos de Walter para impactar a muitos."
BIBLIOGRAFIA E LIVROS CONTRA O ABORTO

Blood Money – Aborto Legalizado (DOCUMENTÁRIO)


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