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Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Praia Grande

Do Estado de São Paulo

PRAIA GRANDE-SP
Professor Adjunto III
Física, Química, Biologia, Ciências Físicas e Biológicas,
Educação Artística, Educação Especial– DM/DI,
Educação Física, Geografia, História, Inglês,
Língua Portuguesa e Matemática

Edital de Abertura de Processo Seletivo - Nº 002/2017

DZ038-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Praia Grande


Do Estado de São Paulo

Cargo: Professor III (Física, Química, Biologia, Ciências Físicas e Biológicas, Educação Artística,
Educação Especial– Dm/Di, Educação Física, Geografia, História, Inglês,
Língua Portuguesa e Matemática)

(Baseado no Edital de Abertura de Processo Seletivo - Nº 002/2017)

• Língua Portuguesa
• Conhecimentos Gerais de Educação e Conhecimentos Específicos
• Sugestão Bibliográfica

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Diagramação
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Camila Lopes

Produção Editoral
Suelen Domenica Pereira

Capa
Joel Ferreira dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

Questões que possibilitem avaliar a capacidade de Interpretação de texto, conhecimento da norma culta na modalida-
de escrita do idioma e aplicação da Ortografia oficial; ............................................................................................................................ 01
Acentuação gráfica; ................................................................................................................................................................................................ 14
Pontuação; .................................................................................................................................................................................................................. 18
Classes gramaticais;................................................................................................................................................................................................. 21
Concordância verbal e nominal;......................................................................................................................................................................... 57
Pronomes: emprego e colocação e Regência nominal e verbal............................................................................................................ 62

Conhecimentos Gerais de Educação e Conhecimentos Específicos

O sistema escolar brasileiro segundo a legislação atual; ........................................................................................................................ 01


A construção do conhecimento; o processo de ensino e aprendizagem: a ação pedagógica; A avaliação da aprendiza-
gem. .............................................................................................................................................................................................................................. 17
Didática e Interdisciplinaridade. Conhecimentos Específicos da área de atuação. ....................................................................... 23
Sugestão Bibliográfica: Publicações do MEC para a área específica para a qual o candidato se inscreveu. ....................... 24
Constituição da República Federativa do Brasil - promulgada em 5 de outubro de 1988, Artigos 5°, 37 ao 41, 205 ao 214,
227 ao 229. ................................................................................................................................................................................................................ 24
Lei 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente; .............................................................................................................................. 74
Lei 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; Lei Federal n.º 13.005, de 25/06/14 – Aprova o Plano
Nacional de Educação. ........................................................................................................................................................................................113
Lei Federal nº 10.436, de 24/04/02 – Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. ....................................................114
Lei Federal nº. 13.146/15 – Estatuto da Pessoa com Deficiência. .......................................................................................................114
Decreto nº. 5.626/05 – Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). ................................................................................133
Decreto nº 7612/11 – Institui o plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – plano Viver sem Limi-
tes.................................................................................................................................................................................................................. 138
SUMÁRIO

Sugestão Bibliográfica

Resoluções da Câmara de Educação Básica – 2008 a2012...................................................................................................................... 01


Coleção Educação Especial na Perspectiva da inclusão Escolar, fascículo 2 - Deficiência Intelectual - MEC;.................76
Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade - Atendimento Educacional Especializado (AEE) - Deficiência
Mental – MEC....................................................................................................................................................................................................84
____________. Indagações sobre o Currículo: - Caderno 1 – Os Educandos, seus direitos e o Currículo – Arroyo, Miguel;.............. 103
Caderno 2 – Currículo e Desenvolvimento Humano – Elvira Souza Lima;.......................................................................................105
Caderno 3 – Currículo, Conhecimento e Cultura – Antonio Flávio Moreira e Vera Maria Candau;........................................106
Currículo e Avaliação – Claudia Moreira Fernandes e Luiz Carlos de Freitas..................................................................................107
______________. Os ciclos de aprendizagem. Um caminho para combater o fracasso escolar. Porto Alegre: Artmed,
2004........................................................................................................................................................................................................................ 109
BRASIL. Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008.......110
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. 21ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002......................................................................................116
GADOTTI, M. Educação Integral no Brasil: inovações em processo. São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire,
2009.............................................................................................................................................................................................................................121
GOMES, Adriana L. Limaverde, POULIN, Jean-Robert, FIGUEIREDO, Rita Vieira. Atendimento Educacional Especializado
do aluno com deficiência intelectual. São Paulo: Moderna, 2010.......................................................................................................122
GOMES, Adriana L.V; FERNANDES, A.C.; BATISTA, C.A.M; SALUSTIANO, D.A.; MANTOAN, M.T.E.; FIGUIREDO, R.V.
¨ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO Deficiência Mental¨, SEESP/MEC, UFC, 2007............................................122
HARGREAVES, A. O Ensino na sociedade do conhecimento: educação na era da insegurança. Porto Alegre: Artmed,
2004.............................................................................................................................................................................................................................122
HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover. Porto Alegre: Mediação, 2002................................................................................125
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO – Ensino Fundamental de Nove Anos – Orientações para a inclusão da criança de seis anos
de idade. Brasília: FNDE, Estação Gráfica, 2006..........................................................................................................................................128
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, UNESCO, 2000.......................................129
Os quatro pilares da Educação – MEC/UNESCO........................................................................................................................................129
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000..................................................................131
RIOS, T. A. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade. São Paulo: Cortez, 2001..............................134
ROPOLI, E. A.; MANTOAN, M. T. E.; SANTOS, M. T. C. T.; MACHADO, R. A educação especial na perspectiva da inclusão
escolar: a escola comum inclusiva, 2010, organização UFC - apoio MEC/SEESP...........................................................................136
STAINBACK, S. ¨INCLUSÃO¨, ArtmedEditora...............................................................................................................................................136
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002...........................................................................139
Tecnologia Educacional: Descubra Suas Possibilidades na Sala de Aula. Ligia Silva Leite- Editora Vozes...........................140
VASCONCELLOS, Celso S. Planejamento - Projeto de Ensino Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico, São Paulo:
Libertad, 2002..........................................................................................................................................................................................................140
VYGOTSKY, L.S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001........................................141
PORTUGUÊS

Questões que possibilitem avaliar a capacidade de Interpretação de texto, conhecimento da norma culta na modalidade
escrita do idioma e aplicação da Ortografia oficial; .................................................................................................................................. 01
Acentuação gráfica; ................................................................................................................................................................................................ 14
Pontuação; .................................................................................................................................................................................................................. 18
Classes gramaticais;................................................................................................................................................................................................. 21
Concordância verbal e nominal;......................................................................................................................................................................... 57
Pronomes: emprego e colocação e Regência nominal e verbal............................................................................................................ 62
PORTUGUÊS

Condições básicas para interpretar


QUESTÕES QUE POSSIBILITEM AVALIAR
A CAPACIDADE DE INTERPRETAÇÃO DE Fazem-se necessários:
TEXTO, CONHECIMENTO DA NORMA CULTA - Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros
literários, estrutura do texto), leitura e prática;
NA MODALIDADE ESCRITA DO IDIOMA E
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do
APLICAÇÃO DA ORTOGRAFIA OFICIAL; texto) e semântico;
Observação – na semântica (significado das palavras)
incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e cono-
tação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de lingua-
gem, entre outros.
É muito comum, entre os candidatos a um cargo públi- - Capacidade de observação e de síntese e
co, a preocupação com a interpretação de textos. Por isso, - Capacidade de raciocínio.
vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento
de responder às questões relacionadas a textos. Interpretar X compreender

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- Interpretar significa


nadas entre si, formando um todo significativo capaz de - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar - Através do texto, infere-se que...
e decodificar ). - É possível deduzir que...
- O autor permite concluir que...
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con- Compreender significa
dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que está escrito.
o relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma - o texto diz que...
frase for retirada de seu contexto original e analisada se- - é sugerido pelo autor que...
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-
inicial. ção...
- o narrador afirma...
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
rências diretas ou indiretas a outros autores através de ci- Erros de interpretação
tações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma de erros de interpretação. Os mais frequentes são:
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia - Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do con-
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, texto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas
na prova. - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um con-
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: junto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do
entendimento do tema desenvolvido.
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamen-
tais de uma argumentação, de um processo, de uma época - Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias con-
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais trárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivo-
definem o tempo). cadas e, consequentemente, errando a questão.
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança Observação - Muitos pensam que há a ótica do es-
ou de diferenças entre as situações do texto. critor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado prova de concurso, o que deve ser levado em consideração
com uma realidade, opinando a respeito. é o que o autor diz e nada mais.
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secun-
dárias em um só parágrafo. Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras pala- relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
vras. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se
vai dizer e o que já foi dito.

1
PORTUGUÊS

OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den-
dia-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com
e do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque-
verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é
também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a
semântico, por isso a necessidade de adequação ao ante- marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta.
cedente. (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Ja-
Os pronomes relativos são muito importantes na in- neiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que reduzido no qual o menino detém sua atenção é
existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, (A) fresta.
a saber: (B) marca.
(C) alma.
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden- (D) solidão.
te, mas depende das condições da frase. (E) penumbra.
- qual (neutro) idem ao anterior.
- quem (pessoa) 2-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois PE/2012)
o objeto possuído. O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a
- como (modo) totalidade do universo, toda a sociedade, a história, a con-
- onde (lugar) cepção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo,
quando (tempo) que se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É,
quanto (montante) de alguma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em
todos os seus níveis, uma espécie de segunda revelação do
Exemplo: mundo.
Falou tudo QUANTO queria (correto) Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
aparecer o demonstrativo O ).
Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações).
Dicas para melhorar a interpretação de textos
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente tex-
tual “O riso”.
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do
( ) CERTO ( ) ERRADO
assunto;
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
a leitura; 3-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2010)
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atin-
pelo menos duas vezes; giu pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge
- Inferir; uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; generalizado de energia no final de 2009.
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elé-
autor; trica (ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa es-
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor tatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de
compreensão; 900 km que separam Itaipu de São Paulo.
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de in-
cada questão; vestimentos e também erros operacionais conspiraram para
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. produzir a mais séria falha do sistema de geração e distri-
buição de energia do país desde o traumático racionamento
Fonte: de 2001.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta-
gues/como-interpretar-textos ções).
Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas
QUESTÕES do texto acima apresentado, julgue os próximos itens.
A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18
1-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo.
FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à ques- ( ) CERTO ( ) ERRADO
tão, considere o texto abaixo.
A marca da solidão 4-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a — Carta para o 9.326!!!
testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está
penumbra na tarde quente. em branco, e um outro pergunta:

2
PORTUGUÊS

— Quem te mandou essa carta? Meus amigos partem para as suas férias, cansados de
— Minha irmã. tanto trabalho; de tanta luta com os motoristas da contra-
— Mas por que não está escrito nada? mão; enfim, cansados, cansados de serem obrigados a viver
— Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando! numa grande cidade, isto que já está sendo a negação da
Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adap- própria vida.
tações). E eu vou para a Ilha do Nanja.
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as
O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto aci- férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio
ma decorre cresce como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já es-
A) da identificação numérica atribuída ao louco. tou vendo os pescadores com suas barcas de sardinha, e a
B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a carta
moça à janela a namorar um moço na outra janela de outra
no hospício.
C) do fato de outro louco querer saber quem enviou a ilha.
carta. (Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende.
D) da explicação dada pelo louco para a carta em branco. Adaptado)
E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.
*fissuras: fendas, rachaduras
5-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR – FGV
PROJETOS/2010) 6-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
– VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descrever a
Painel do leitor (Carta do leitor) maneira como se preparam para suas férias, a autora mos-
tra que seus amigos estão
Resgate no Chile (A) serenos.
(B) descuidados.
Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de (C) apreensivos.
salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo (D) indiferentes.
de uma mina de cobre e ouro no Chile. (E) relaxados.
Um a um os mineiros soterrados foram içados com su-
cesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cumprimen-
7-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
tando seus companheiros de trabalho. Não se pode esquecer
– VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar
a ajuda técnica e material que os Estados Unidos, Canadá e
China ofereceram à equipe chilena de salvamento, num ges- que, assim como seus amigos, a autora viaja para
to humanitário que só enobrece esses países. E, também, dos (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
dois médicos e dois “socorristas” que, demonstrando coragem (B) escapar do lugar em que está.
e desprendimento, desceram na mina para ajudar no salva- (C) reencontrar familiares queridos.
mento. (D) praticar esportes radicais.
(Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – pai- (E) dedicar-se ao trabalho.
nel do leitor – 17/10/2010)
8-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
Considerando o tipo textual apresentado, algumas ex- – VUNESP/2013) Ao descrever a Ilha do Nanja como um
pressões demonstram o posicionamento pessoal do leitor lugar onde, “à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio
diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais podem cresce como um bosque” (último parágrafo), a autora su-
ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO: gere que viajará para um lugar
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” (A) repulsivo e populoso.
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma (B) sombrio e desabitado.
mina de cobre e ouro no Chile.” (C) comercial e movimentado.
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...” (D) bucólico e sossegado.
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
(E) opressivo e agitado.
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, desce-
ram na mina...”
(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO – 9-) (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às Grandes metrópoles em diversos países já aderiram. E
questões de números 6 a 8. o Brasil já está falando sobre isso. O pedágio urbano divide
opiniões e gera debates acalorados. Mas, afinal, o que é mais
Férias na Ilha do Nanja justo? O que fazer para desafogar a cidade de tantos carros?
Prepare-se para o debate que está apenas começando.
Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as ma- (Adaptado de Superinteressante, dezembro2012, p.34)
las nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo faz,
pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissu- Marque N(não) para os argumentos contra o pedágio
ras* – sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre as urbano; marque S(sim) para os argumentos a favor do pe-
fissuras, as pedras soltas e as barreiras... dágio urbano.

3
PORTUGUÊS

( ) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o trans- 4-)


porte público e estender as ciclovias. Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais
( ) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas cida- aparece no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah,
des, que não resolveu os problemas do trânsito. porque nós brigamos e não estamos nos falando”.
( ) Se pegar no bolso do consumidor, então todo mun- RESPOSTA: “D”.
do vai ter que pensar bem antes de comprar um carro.
( ) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, estacio- 5-)
namento, revisão....e agora mais o pedágio? Em todas as alternativas há expressões que represen-
( ) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é tam a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da
investido no transporte público. Terra / Não se pode esquecer / gesto humanitário que só
( ) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pa- enobrece / demonstrando coragem e desprendimento.
gue pelo privilégio! RESPOSTA: “B”.
( ) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio
urbano melhorou. 6-)
“pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
fissuras – sem falar em bandidos, milhões de bandidos en-
A ordem obtida é:
tre as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...” = pensar
a) (S) (N) (N) (S) (S) (S) (N)
nessas coisas, certamente, deixa-os apreensivos.
b) (S) (N) (S) (N) (N) (S) (S)
RESPOSTA: “C”.
c) (N) (S) (S) (N) (S) (N) (S)
d) (S) (S) (N) (S) (N) (S) (N) 7-)
e) (N) (N) (S) (S) (N) (S) (N) Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta
da própria autora!
10-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ – RESPOSTA: “B”.
ADMINISTRADOR - UFPR/2013) Assinale a alternativa que
apresenta um dito popular que parafraseia o conteúdo ex- 8-)
presso no excerto: “Se você está em casa, não pode sair. Se Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.
você está na rua, não pode entrar”. RESPOSTA: “D”.
a) “Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come”.
b) “Quando o gato sai, os ratos fazem a festa”. 9-)
c) “Um dia da caça, o outro do caçador”. (S) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o trans-
d) “Manda quem pode, obedece quem precisa”. porte público e estender as ciclovias.
(N) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas ci-
dades, que não resolveu os problemas do trânsito.
Resolução (S) Se pegar no bolso do consumidor, então todo mun-
do vai ter que pensar bem antes de comprar um carro.
1-) (N) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, estacio-
Com palavras do próprio texto responderemos: o mun- namento, revisão....e agora mais o pedágio?
do cabe numa fresta. (N) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é
RESPOSTA: “A”. investido no transporte público.
(S) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pa-
2-) gue pelo privilégio!
Vamos ao texto: O riso é tão universal como a serie- (S) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio
urbano melhorou.
dade; ele abarca a totalidade do universo (...). Os termos
S - N - S - N - N - S - S
relacionam-se. O pronome “ele” retoma o sujeito “riso”.
RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “CERTO”.
10-)
3-) Dentre as alternativas apresentadas, a que reafirma a
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo ideia do excerto (não há muita saída, não há escolhas) é:
menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por “Se você está em casa, não pode sair. Se você está na rua,
“o qual”, portanto, trata-se de um pronome relativo (ora- não pode entrar”.
ção subordinada adjetiva). Quando há presença de vírgula, RESPOSTA: “A”.
temos uma adjetiva explicativa (generaliza a informação
da oração principal. A construção seria: “do apagão, que
atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados do país”);
quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe,
delimita a informação – como no caso do exercício).
RESPOSTA: “CERTO’.

4
PORTUGUÊS

NORMA CULTA ou seja, em que região do país nascemos, qual nosso ní-
vel social e escolar, nossa formação e, às vezes, até nossos
Norma culta ou linguagem culta é uma expressão em- valores, círculo de amizades e hobbies, como skate, rock,
pregada pelos linguistas brasileiros para designar o con- surfe, etc. O uso da língua também pode informar nossa
junto de variedades linguísticas efetivamente faladas, na timidez, sobre nossa capacidade de nos adaptarmos e si-
vida cotidiana, pelos falantes cultos, sendo assim classifica- tuações novas, nossa insegurança, etc.
dos os cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com A língua é um poderoso instrumento de ação social.
grau de instrução superior completo. Ela pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relaciona-
O Instituto Camões entende que a “noção de correção mento com as pessoas e com a sociedade em geral.
está [...] baseada no valor social atribuído às [...] formas [lin-
guísticas]. Ainda assim, informa que a norma-padrão do Língua Culta na Escola
português europeu é o dialeto da região que abrange Lis-
boa e Coimbra; refere também que se aceita no Brasil como O ensino da língua culta, na escola, não tem a finalida-
norma-padrão a fala do Rio e de São Paulo. de de condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa
família ou em nossa comunidade. Ao contrário, o domínio
Aquisição da linguagem da língua culta, somado ao domínio de outras variedades
linguísticas, torna-nos mais preparados para nos comuni-
Iniciamos o aprendizado da língua em casa, no conta- carmos. Saber usar bem uma língua equivale a saber em-
to com a família, que é o primeiro círculo social para uma pregá-la de modo adequado às mais diferentes situações
criança, imitando o que se ouve e aprendendo, aos poucos, sociais de que participamos.
o vocabulário e as leis combinatórias da língua. Um jovem
falante também vai exercitando o aparelho fonador, ou Graus de Formalismo
seja, a língua, os lábios, os dentes, os maxilares, as cordas
vocais para produzir sons que se transformam, mais tarde, São muitos os tipos de registro quanto ao formalismo,
em palavras, frases e textos. tais como: o registro formal, que é uma linguagem mais
Quando um falante entra em contato com outra pes- cuidada; o coloquial, que não tem um planejamento prévio,
soa, na rua, na escola ou em qualquer outro local, percebe caracterizando-se por construções gramaticais mais livres,
que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que repetições frequentes, frases curtas e conectores simples; o
falam de forma diferente por pertencerem a outras cidades informal, que se caracteriza pelo uso de ortografia simplifi-
ou regiões do país, ou por terem idade diferente da nossa, cada, construções simples e usado entre membros de uma
ou por fazerem parte de outro grupo ou classe social. Es- mesma família ou entre amigos.
sas diferenças no uso da língua constituem as variedades As variações de registro ocorrem de acordo com o grau
linguísticas. de formalismo existente na situação de comunicação; com
o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal
Variedades Linguísticas ou escrito; com a sintonia entre interlocutores, que envolve
aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade
Variedades linguísticas são as variações que uma lín- (domínio de um vocabulário específico de algum campo
gua apresenta, de acordo com as condições sociais, cultu- científico, por exemplo).
rais, regionais e históricas em que é utilizada.
Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde Atitudes não recomendadas
que cumpram com eficiência o papel fundamental de uma
língua, o de permitir a interação verbal entre as pessoas, Expressões Condenáveis
isto é, a comunicação.
Apesar disso, uma dessas variedades, a norma culta ou - a nível de, ao nível. Opção: em nível, no nível.
norma padrão, tem maior prestígio social. É a variedade - face a, frente a. Opção: ante, diante, em face de, em
linguística ensinada na escola, contida na maior parte dos vista de, perante.
livros e revistas e também em textos científicos e didáticos, - onde (quando não exprime lugar). Opção: em que, na
em alguns programas de televisão, etc. As demais varieda- qual, nas quais, no qual, nos quais.
des, como a regional, a gíria ou calão, o jargão de grupos - (medidas) visando... Opção: (medidas) destinadas a.
ou profissões (a linguagem dos policiais, dos jogadores de - sob um ponto de vista. Opção: de um ponto de vista.
futebol, dos metaleiros, dos surfistas), são chamadas gene- - sob um prisma. Opção: por (ou através de) um prisma.
ricamente de dialeto popular ou linguagem popular. - como sendo. Opção: suprimir a expressão.
- em função de. Opção: em virtude de, por causa de,
Propósito da Língua em consequência de, por, em razão de.

A língua que utilizamos não transmite apenas nossas Expressões não recomendadas
ideias, transmite também um conjunto de informações so-
bre nós mesmos. Certas palavras e construções que em- - a partir de (a não ser com valor temporal). Opção:
pregamos acabam denunciando quem somos socialmente, com base em, tomando-se por base, valendo-se de...

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PORTUGUÊS

- através de (para exprimir “meio” ou instrumento). Erros Comuns


Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, se-
gundo... - “Hoje ao receber alguns presentes no qual completo
- devido a. Opção: em razão de, em virtude de, graças vinte anos tenho muitas novidades para contar”. Temos aí
a, por causa de. um exemplo de uso inadequado do pronome relativo. Ele
- dito. Opção: citado, mensionado. provoca falta de coesão, pois não consegue perceber a que
- enquanto. Opção: ao passo que. antecedente ele se refere, portanto nada conecta e produz
- fazer com que. Opção: compelir, constranger, fazer relação absurda.
que, forçar, levar a. - “Tenho uma prima que trabalha num circo como má-
- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). gica e uma das mágicas mais engraçadas era uma caneta
Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também. com tinta invisível que em vez de tinta havia saído suco de
- no sentido de, com vistas a. Opção: a fim de, para, lima”. Você percebe aí a incapacidade do concursando ou
vestibulando organizar sintaticamente o período. Selecio-
com o fito (ou objetivo, ou intuito) de, com a finalidade de,
nar as frases e organizar as ideias é necessário. Escrever
tendo em vista.
com clareza é muito importante.
- pois (no início da oração). Opção: já que, porque, uma
- “Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto
vez que, visto que. de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de mel. “Tudo come-
- principalmente. Opção: especialmente, mormente, çou naquele baile de quinze anos”, “...é aos dezoito anos que
notadamente, sobretudo, em especial, em particular. se começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as
- sendo que. Opção: e. perspectiva que nos acompanham para sempre na estrada
da vida”. Você pode ter conhecimento do vocabulário e das
Expressões que demandam atenção regras gramaticais e, assim, construir um texto sem erros.
Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica ou refle-
- acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se xão expressões gastas, vulgarizadas pelo uso contínuo. A
- aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser boa qualidade do texto fica comprometida.
e estar, aceito - Tema: Para você, as experiências genéticas de clona-
- acendido, aceso (formas similares) – idem gem põem em xeque todos os conceitos humanos sobre
- à custa de – e não às custas de Deus e a vida? “Bem a clonagem não é tudo, mas na vida
- à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo tudo tem o seu valor e os homens a todo momento neces-
que, conforme sitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca
- na medida em que – tendo em vista que, uma vez que a todo instante”. É importante você escrever atendendo ao
- a meu ver – e não ao meu ver que foi proposto no tema. Antes de começar o seu texto
- a ponto de – e não ao ponto de leia atentamente todos os elementos que o examinador
- a posteriori, a priori – não tem valor temporal apresentou para você utilizar. Esquematize suas ideias, veja
- de modo (maneira, sorte) que – e não a se não há falta de correspondência entre o tema proposto
- em termos de – modismo; evitar e o texto criado.
- em vez de – em lugar de - “Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu pri-
- ao invés de – ao contrário de mo (...) mostrou que ele não era maligno”. Esta frase está
- enquanto que – o que é redundância ambígua, pois não se sabe se o pronome ele refere-se ao
- entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a fígado ou ao primo. Para se evitar a ambiguidade, você
deve observar se a relação entre cada palavra do seu texto
- implicar em – a regência é direta (sem em)
está correta.
- ir de encontro a – chocar-se com
- “Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas
- ir ao encontro de – concordar com
uma criança”. O conectivo mas indica uma circunstância de
- junto a – usar apenas quando equivale a adido ou oposição, de ideia contrária a. Portanto, a relação adver-
similar sativa introduzida pelo “mas” no fragmento acima produz
- o (a, s) mesmo (a, s) – uso condenável para substituir uma ideia absurda.
pronomes - “Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tem-
- se não, senão – quando se pode substituir por caso pestade sempre vem a bonança. Após longo suplício, meu
não, separado; quando se pode, junto coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava
- todo mundo – todos que só estaríamos separadas carnalmente”. Não utilize pro-
- todo o mundo – o mundo inteiro vérbios ou ditos populares. Eles empobrecem a redação,
- não-pagamento = hífen somente quando o segundo pois fazer parecer que seu autor não tem criatividade ao
termo for substantivo lançar mão de formas já gastas pelo uso frequente.
- este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a - “Estou sem inspiração para fazer uma redação. Es-
tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar e a que se crever sobre a situação dos sem-terra? Bem que o professor
está tratando) poderia propor outro tema”. Você não deve falar de sua re-
- esse e isso – referência longe do falante e perto do dação dentro do próprio texto.
ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tempo passado - “Todos os deputados são corruptos”. Evite pensamen-
próximo do presente, ou distante ao já mencionado e a tos radicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim,
ênfase). posições extremistas.

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PORTUGUÊS

- “Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas - Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os ócu-
coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar com a decisão los, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus
que você tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.
você sabe - todos sabem - ele pensa diferente. É bom a gente - Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles
pensar como vai fazer para, enfim, para ele entender a deci- não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você.
são”. Não se esqueça que o ato de escrever é diferente do Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, man-
ato de falar. O texto escrito deve se apresentar desprovido dou-me.
de marcas de oralidade. - Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a
- “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto:
mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humora- Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o
do (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-inten- ama.
cionado, mau jeito, mal-estar. - “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito:
- “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é
Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se
impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se
- “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir,
empregados.
também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia mui-
tas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais. - “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não
- “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. /
e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas es- Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-
peranças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / se com os amigos.
Restaram alguns objetos. / Sobravam ideias. - Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exi-
- Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser gem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao
sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer. cinema. / Levou os filhos ao circo.
- Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim - Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no
ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti. sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. /
- “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na Promoção implica responsabilidade.
frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás. - Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai.
- “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redun- Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via
dâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio de extinção. / Trabalho em via de conclusão.
exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido. - Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cida-
- “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra dãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores,
masculina, a menos que esteja subentendida a palavra escrivães, tabeliães, gângsteres.
moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, - O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gra-
a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter. túito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não
- “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implí- existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido,
cita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.
você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por - A última “seção” de cinema. Seção significa divisão,
que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião,
Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado. função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brin-
- Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exi- quedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do
ge a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos
Congresso.
com a: A medida não agradou (desagradou) à população. /
- Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra
Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao
cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas.
Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a
- Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa alface, a cal, etc.
a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: - “Por isso”. Duas palavras, por isso, como de repente
É preferível lutar a morrer sem glória. e a partir de.
- O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com - Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”,
vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum ris-
não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas de- co. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu
núncias. Não existe o sinal entre o predicado e o comple- nenhuma confusão.
mento: O prefeito prometeu novas denúncias. - A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se
- Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.
outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: - Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pro-
“paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” nome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se
(chuchu), “previlégio” (privilégio), “vultuoso” (vultoso), “cin- realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjun-
coenta” (cinquenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), ções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. /
“calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava
(bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “im- no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se
pecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro). faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

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PORTUGUÊS

- O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja - Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome
outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do
Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “ca- presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou parti-
beçário” (cabeçalho). cípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? /
- Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”).
onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente. /
apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos? Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”).
- “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a - Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco
pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a
/ Muito obrigados por tudo. exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substi-
- O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir.
tuído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a
Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha,
intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos deriva- (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distân-
dos: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predis- cia) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco
se, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc. menos de dez dias.
- Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio - Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o
louca, meio esperta, meio amiga. material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de
- “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.
tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / - A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz,
Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui. apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado
- A questão não tem nada “haver” com você. A ques- dizer: Deu “a luz a” gêmeos.
tão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da - Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Es-
mesma forma: Tem tudo a ver com você. távamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na
- A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular: sala.
A corrida custa 5 reais. - Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar)
- Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa
por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.
emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta con- - Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu.
cordância: Pediu emprestadas duas malas.
Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou
- Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar
contente porque ninguém se feriu.
de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.
- Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz a - O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O
concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde
(dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que por. Da mesma forma: empate por.
sempre vibravam com a vitória. - À medida «em» que a epidemia se espalhava... O cer-
- “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica ar- to é: À medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda
redondamento e não pode aparecer com números exatos: na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir
Cerca de 20 pessoas o saudaram. as leis, na medida em que elas existem.
- Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz - Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i
subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que não existe: Não queria que receassem a sua companhia.
seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só
a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente existe i quando o acento cai no e que precede a terminação
negar, vai deixar a empresa. ear: receiem, passeias, enfeiam).
- Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: - Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento.
Tinha chegado atrasado. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e
- Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando ex- vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele
presso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, põe, eles põem.
gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural
- A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda
é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.
com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito
- Queria namorar “com” o colega. O com não existe:
Queria namorar o colega. tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos me-
- O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá ses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia
entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-
(e não “junto ao”) Guarani. / Cresceu muito o prestígio do que-perfeito do indicativo.)
jornal entre os (e não “junto aos”) leitores. / Era grande a - Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes
sua dívida com o (e não “junto ao”) banco. / A reclamação o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz
foi apresentada ao (e não “junto ao”) Procon. (não se diz isso), vê-se-a, etc.
- As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina - Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos com-
em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma postos, só o último elemento varia: acordos político-par-
no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, tidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, me-
convidam-na, põe-nos, impõem-nos. didas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

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PORTUGUÊS

- Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa - A tese “onde”... Onde só pode ser usado para lugar: A
inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brin-
tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo cam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele
quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em que ele
mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos. canta... / Na entrevista em que...
- “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige - Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é co-
os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas municada, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa.
as contradições do texto. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão.
- Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse senti- Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os emprega-
do, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favore- dos da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a
ceu os jogadores. decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos
- Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale empregados.
a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / - “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa
As vítimas mesmas recorreram à polícia. transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflin-
- Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode gir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu.
empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: - A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de
Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos re- pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confun-
uniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos da também iminente (prestes a acontecer) com eminente
servidores (e não “dos mesmos”). (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).
- Vou sair “essa” noite. É este que designa o tempo no - Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o subs-
qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a tantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar):
semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que Espero que viajem hoje. Evite também “comprimentar” al-
estou lendo), este século (o século 20). guém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cum-
- A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singu- primentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Compri-
do (extenso) e cumprido (concretizado).
lar sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.
- O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado
- Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica
com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse
substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de
sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.
significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
- Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou
- Se eu “ver” você por aí... O certo é: Se eu vir, revir,
uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). Da
previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu
mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.
tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se
- “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo:
ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer),
Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é co-
predissermos. mum o erro de concordância quando o verbo está antes do
- Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as
conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras).
negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem - A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado:
essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio. palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância.
- Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “ade- Por isso: A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de
qua”, “adeque”, etc., mas apenas aquelas em que o acento agressões entre os funcionários foi punida (e não “foram
cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc. punidas”).
- Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pes- - O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato
soas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode, explodi- passou despercebido, não foi notado. Desapercebido sig-
ram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “ex- nifica desprevenido.
pluda”, substituindo essas formas por rebente, por exem- - “Haja visto” seu empenho... A expressão é haja vista e
plo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pes- não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esfor-
soas. Assim, não existem as formas “precavejo”, “precavês”, ços. / Haja vista suas críticas.
“precavém”, “precavenho”, “precavenha”, “precaveja”, etc. - A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo é:
- Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo re- A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que
cupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos ca- dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova
sos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, de que participou, o amigo a que se referiu, etc.
reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”, etc. - É hora «dele» chegar. Não se deve fazer a contração
- Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos
pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quisés- de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo
semos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos. tê-lo convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...
- O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem - Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pen-
possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação sou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com
ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor.
Continue, recue, atue, atenue. Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”).

9
PORTUGUÊS

- Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que defi- Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos
nem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 de origem árabe: cetim, açucena, açúcar
hora, já é meio-dia, já é meia-noite. *os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
- A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema Juçara, caçula, cachaça, cacique
métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 *os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu,
km (e não “kms.”), 5 m, 10 kg. uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço,
- “Dado” os índices das pesquisas... A concordância é esperança, carapuça, dentuço
normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resulta- *nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção /
do... / Dadas as suas ideias... deter - detenção / ater - atenção / reter - retenção
- Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa *após ditongos: foice, coice, traição
debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se *palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r):
sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção
Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-
se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mes- O fonema z:
ma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás. Escreve-se com S e não com Z:
- “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A *os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs-
meu ver, a seu ver, a nosso ver. tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês,
freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.
*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
ORTOGRAFIA tamorfose.
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis,
A ortografia é a parte da língua responsável pela gra- quiseste.
fia correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão *nomes derivados de verbos com radicais terminados
culto da língua. em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender -
As palavras podem apresentar igualdade total ou par- empresa / difundir - difusão
cial no que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo ten- *os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
do significados diferentes. Essas palavras são chamadas Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho
de homônimas (canto, do grego, significa ângulo / canto, *após ditongos: coisa, pausa, pouso
do latim, significa música vocal). As palavras homônimas *em verbos derivados de nomes cujo radical termina
dividem-se em homógrafas, quando têm a mesma grafia com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar
(gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo
gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, pa- Escreve-se com Z e não com S:
lácio ou passo, movimento durante o andar). *os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje-
Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem- tivo: macio - maciez / rico - riqueza
se observar as seguintes regras: *os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de
origem não termine com s): final - finalizar / concreto - con-
O fonema s: cretizar
*como consoante de ligação se o radical não terminar
Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substan- com s: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis +
tivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, inho - lapisinho
corr e sent: pretender - pretensão / expandir - expansão /
ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão O fonema j:
/ submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - im- Escreve-se com G e não com J:
pulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer *as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
- recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir gesso.
- consensual *estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim.
Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes deri- *as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com
vados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced, poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge.
prim ou com verbos terminados por tir ou meter: agredir Observação: Exceção: pajem
- agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão / *as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio,
ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão / litígio, relógio, refúgio.
regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer - *os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir.
compromisso / submeter - submissão *depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, sur-
*quando o prefixo termina com vogal que se junta com gir.
a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimé- *depois da letra “a”, desde que não seja radical termi-
trico / re + surgir - ressurgir nado com j: ágil, agente.
*no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem-
plos: ficasse, falasse Escreve-se com J e não com G:
*as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.

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PORTUGUÊS

*as palavras de origem árabe, africana ou exótica: ji- Prezado Usuário


boia, manjerona. ________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do
*as palavras terminada com aje: aje, ultraje. metrô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30,
começa o Sounderground, festival internacional que presti-
O fonema ch: gia os músicos que tocam em estações do metrô.
Escreve-se com X e não com CH: Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen-
*as palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba- tarão e divirta-se!
caxi, muxoxo, xucro. Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se
*as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J): preencher as lacunas, correta e respectivamente, com as
xampu, lagartixa. expressões
*depois de ditongo: frouxo, feixe. A) A fim ...a partir ... as
*depois de “en”: enxurrada, enxoval. B) A fim ...à partir ... às
Observação: Exceção: quando a palavra de origem C) A fim ...a partir ... às
não derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente) D) Afim ...a partir ... às
Escreve-se com CH e não com X: E) Afim ...à partir ... as
*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha. 04. (TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na se-
As letras e e i: guinte frase:
*os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é
Com “i”, só o ditongo interno cãibra. boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa-
*os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são geiros nos aeroportos.
escritos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os (B) Comete muitos deslises, talvez por sua espontanei-
verbos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui. dade, mas nada que ponha em cheque sua reputação de
- atenção para as palavras que mudam de sentido pessoa cortês.
quando substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (su- (C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do só-
perfície), ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expan- cio de descançar após o almoço sob a frondoza árvore do
dir) / emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de pátio.
estância, que anda a pé), pião (brinquedo). (D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa má-
goa pode estar sendo o grande impecilho na superação
Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portu- dessa sua crise.
gues/ortografia (E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta
quantia, mas não quiz ser taxado de conivente na conces-
Questões sobre Ortografia são de privilégios ilegítimos.

01. (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre 05.Em qual das alternativas a frase está corretamente
as frases que seguem, a única correta é: escrita?
a) Ele se esqueceu de que? A) O mindingo não depositou na cardeneta de pou-
b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distri- pansa.
bui-lo entre os presentes. B) O mendigo não depositou na caderneta de poupan-
c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas crí- ça.
ticas. C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans-
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações sa.
dos funcionários. D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou-
e) Não sei por que ele mereceria minha consideração. pansa.
02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alter- 06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) – VU-
nativa cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo NESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas
com a norma- -padrão. ela cresceu ... – está corretamente reescrito no plural, com o
(A) Os tabeliãos devem preparar o documento. verbo no tempo futuro.
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. (A) Mas elas cresceram...
(C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório lo- (B) Mas elas cresciam...
cal. (C) Mas elas cresçam...
(D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos. (D) Mas elas crescem...
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos! (E) Mas elas crescerão...

03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 07. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –


2013). Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para FUJB/2011) Assinale a alternativa em que a frase NÃO con-
informar os usuários sobre o festival Sounderground. traria a norma culta:

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PORTUGUÊS

A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios, (D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência
por isso posso me queixar com razão. dessa mágoa pode estar sendo o grande impecilho (empe-
B) Sempre houveram várias formas eficazes para ultra- cilho) na superação dessa sua crise.
passarmos os infortúnios da vida. (E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes dessa alta quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de coni-
que vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vente na concessão de privilégios ilegítimos.
vida.
D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento, 5-)
principalmente daqueles que procuram viver com dignida- A) O mindingo não depositou na cardeneta de pou-
de e simplicidade. pansa. = mendigo/caderneta/poupança
E) As dificuldades por que passamos certamente nos C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupans-
fazem mais fortes e preparados para os infortúnios da vida. sa. = mendigo/caderneta/poupança
D) O mendingo não depozitou na carderneta de pou-
GABARITO pansa. =mendigo/depositou/caderneta/poupança

01.E 02. D 03. C 6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas
04. A 05. B 06. E 07. E elas crescerão...
RESOLUÇÃO 7-) Fiz as correções entre parênteses:
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infor-
1-) túnios, por isso posso me queixar com razão.
(A) Ele se esqueceu de que? = quê? B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes
(B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para para ultrapassarmos os infortúnios da vida.
distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes. C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes
(C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos ex- que vermos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte
cessivos nas críticas.
de nossa vida.
(D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindi-
D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto so-
cações dos funcionários.
frimento, principalmente daqueles que procuram viver com
(E) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
dignidade e simplicidade.
E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) pas-
2-)
samos certamente nos fazem mais fortes e preparados
(A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = ta-
para os infortúnios da vida.
beliães
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
HÍFEN
= cidadãos
(C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório lo-
cal. = certidões O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = de- para ligar os elementos de palavras compostas (couve-flor,
graus ex-presidente) e para unir pronomes átonos a verbos (ofe-
receram-me; vê-lo-ei).
3-) Prezado Usuário Serve igualmente para fazer a translineação de pala-
A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me- vras, isto é, no fim de uma linha, separar uma palavra em
trô, a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa duas partes (ca-/sa; compa-/nheiro).
o Sounderground, festival internacional que prestigia os mú-
sicos que tocam em estações do metrô. Uso do hífen que continua depois da Reforma Or-
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen- tográfica:
tarão e divirta-se!
A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; 1. Em palavras compostas por justaposição que formam
antes de horas: há crase uma unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem
4-) Fiz a correção entre parênteses: para formam um novo significado: tio-avô, porto-alegrense,
(A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é luso-brasileiro, tenente-coronel, segunda-feira, conta-gotas,
boa a ansiedade com que enfrentam o excesso de passa- guarda-chuva, arco- -íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
geiros nos aeroportos. 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
(B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora-
espontaneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque) menina, erva-doce, feijão-verde.
sua reputação de pessoa cortês. 3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio e sem: além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-casa-
de descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza do, aquém- -fiar, etc.
(frondosa) árvore do pátio.

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PORTUGUÊS

4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algu- 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção
mas exceções continuam por já estarem consagradas pelo de composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedis-
uso: cor- -de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé- ta, etc.
de-meia, água-de- -colônia, queima-roupa, deus-dará. 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfei-
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio- to, benquerer, benquerido, etc.
Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações
históricas ou ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Al- Questões sobre Hífen
sácia-Lorena, etc.
01.Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- novo Acordo, está sendo usado corretamente:
per- quando associados com outro termo que é iniciado A) Ele fez sua auto-crítica ontem.
por r: hiper-resistente, inter-racial, super-racional, etc. B) Ela é muito mal-educada.
C) Ele tomou um belo ponta-pé.
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor, D) Fui ao super-mercado, mas não entrei.
E) Os raios infra-vermelhos ajudam em lesões.
ex- -presidente, vice-governador, vice-prefeito.
02.Assinale a alternativa errada quanto ao emprego do
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-:
hífen:
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc. A) Pelo interfone ele comunicou bem-humorado que
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abra- faria uma superalimentação.
ça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. B) Nas circunvizinhanças há uma casa malassombrada.
C) Depois de comer a sobrecoxa, tomou um antiácido.
10. Nas formações em que o prefixo tem como segun- D) Nossos antepassados realizaram vários anteproje-
do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, ele- tos.
tro-higrómetro, geo-história, neo-helênico, extra-humano, E) O autodidata fez uma autoanálise.
semi-hospitalar, super- -homem.
03.Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo prefixo do hífen, respeitando-se o novo Acordo.
termina na mesma vogal do segundo elemento: micro-on- A) O semi-analfabeto desenhou um semicírculo.
das, eletro-ótica, semi-interno, auto-observação, etc. B) O meia-direita fez um gol de sem-pulo na semifinal
do campeonato.
Obs: O hífen é suprimido quando para formar outros C) Era um sem-vergonha, pois andava seminu.
termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. D) O recém-chegado veio de além-mar.
E) O vice-reitor está em estado pós-operatório.
- Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mu-
dança de linha), caso a última palavra a ser escrita seja for- 04.Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro
mada por hífen, repita-o na próxima linha. Exemplo: escre- (avarento), copo de leite (planta) e pé de moleque (doce) o
verei anti-inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”. Na hífen é obrigatório:
linha debaixo escreverei: “-inflamatório” (hífen em ambas A) em nenhuma delas.
as linhas). B) na segunda palavra.
C) na terceira palavra.
Não se emprega o hífen: D) em todas as palavras.
E) na primeira e na segunda palavra.
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo
termina em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou
05.Fez um esforço __ para vencer o campeonato __.
“s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas consoantes: antir-
Qual alternativa completa corretamente as lacunas?
religioso, contrarregra, infrassom, microssistema, minissaia, A) sobreumano/interregional
microrradiografia, etc. B) sobrehumano-interregional
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre- C) sobre-humano / inter-regional
fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se com D) sobrehumano/ inter-regional
vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoes- E) sobre-humano /interegional
trada, autoaprendizagem, hidroelétrico, plurianual, autoes-
cola, infraestrutura, etc. 06. Suponha que você tenha que agregar o prefixo
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos sub- às palavras que aparecem nas alternativas a seguir.
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o h inicial: desu- Assinale aquela que tem de ser escrita com hífen:
mano, inábil, desabilitar, etc. A) (sub) chefe
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando B) (sub) entender
o segundo elemento começar com “o”: cooperação, coo- C) (sub) solo
brigação, coordenar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, D) (sub) reptício
etc. E) (sub) liminar

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PORTUGUÊS

07.Assinale a alternativa em que todas as palavras es- c) Não se usa o hífen em compostos que apresentam
tão grafadas corretamente: elementos de ligação.
A) autocrítica, contramestre, extra-oficial
B) infra-assinado, infra-vermelho, infra-som 5-) Fez um esforço sobre-humano para vencer o cam-
C) semi-círculo, semi-humano, semi-internato peonato inter-regional.
D) supervida, superelegante, supermoda - Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
E) sobre-saia, mini-saia, superssaia - Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma
letra com que se inicia a outra palavra
08.Assinale o item em que o uso do hífen está incor-
reto. 6-) Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também
A) infraestrutura / super-homem / autoeducação diante de palavra iniciada por r. : subchefe, subentender,
B) bem-vindo / antessala /contra-regra subsolo, sub- -reptício (sem o hífen até a leitura da pala-
C) contramestre / infravermelho / autoescola vra será alterada; /subre/, ao invés de /sub re/), subliminar
D) neoescolástico / ultrassom / pseudo-herói
E) extraoficial / infra-hepático /semirreta 7-)
09.Uma das alternativas abaixo apresenta incorreção A) autocrítica, contramestre, extraoficial
quanto ao emprego do hífen. B) infra-assinado, infravermelho, infrassom
A) O pseudo-hermafrodita não tinha infraestrutura C) semicírculo, semi-humano, semi-internato
para relacionamento extraconjugal. D) supervida, superelegante, supermoda = corretas
B) Era extraoficial a notícia da vinda de um extraterre- E) sobressaia, minissaia, supersaia
8-) B) bem-vindo / antessala / contrarregra
no.
C) Ele estudou línguas neolatinas nas colônias ultrama-
9-) D) O antissemita tomou um antibiótico e vacina an-
rinas.
tirrábica.
D) O anti-semita tomou um anti-biótico e vacina an-
tirrábica. 10-) C) O contrarregra comeu um contrafilé.
E) Era um suboficial de uma superpotência.

10.Assinale a alternativa em que ocorre erro quanto ao


emprego do hífen. ACENTUAÇÃO GRÁFICA;
A) Foi iniciada a campanha pró-leite.
B) O ex-aluno fez a sua autodefesa.
C) O contrarregra comeu um contra-filé.
D) Sua vida é um verdadeiro contrassenso. A acentuação é um dos requisitos que perfazem as re-
E) O meia-direita deu início ao contra-ataque. gras estabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se com-
põe de algumas particularidades, às quais devemos estar
GABARITO atentos, procurando estabelecer uma relação de familia-
ridade e, consequentemente, colocando-as em prática na
01. B 02. B 03. A 04. E 05. C linguagem escrita.
06. D 07. D 08. B 09. D 10. C À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a
prática de redigir, automaticamente aprimoramos essas
RESOLUÇÃO competências, e logo nos adequamos à forma padrão.

1-) Regras básicas – Acentuação tônica


A) autocrítica
C) pontapé A acentuação tônica implica na intensidade com que
D) supermercado são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá
de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba tônica.
E) infravermelhos
As demais, como são pronunciadas com menos intensida-
2-)B) Nas circunvizinhanças há uma casa mal-assom-
de, são denominadas de átonas.
brada.
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi-
cadas como:
3-) A) O semianalfabeto desenhou um semicírculo. Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a
4-) última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
a) pão-duro / b) copo-de-leite (planta) / c) pé de mo- Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai
leque (doce) na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato
a) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não – passível
apresentam elementos de ligação. Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica
b) Usa-se o hífen nos compostos que designam espé- está na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tím-
cies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, pano – médico – ônibus
raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação.

14
PORTUGUÊS

Como podemos observar, os vocábulos possuem mais -- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para
de uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com quê? Repare que essa palavra apresenta as terminações
uma sílaba somente: são os chamados monossílabos que, das paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua
quando pronunciados, apresentam certa diferenciação UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais fácil a memo-
quanto à intensidade. rização!
Tal diferenciação só é percebida quando os pronun-
ciamos em uma dada sequência de palavras. Assim como -ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
podemos observar no exemplo a seguir: não de “s”: água – pônei – mágoa – jóquei

“Sei que não vai dar em nada, Regras especiais:


Seus segredos sei de cor”.
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
Os monossílabos classificam-se como tônicos; os de- abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
mais, como átonos (que, em, de). de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
Os acentos palavras paroxítonas.
* Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma
acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i», palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são
«u» e sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras acentuados. Ex.: herói, céu, dói, escarcéu.
Antes Agora
representam as vogais tônicas de palavras como Amapá,
assembléia assembleia
caí, público, parabéns. Sobre as letras “e” e “o” indica, além
idéia ideia
da tonicidade, timbre aberto.Ex.: herói – médico – céu (di-
geléia geleia
tongos abertos)
jibóia jiboia
apóia (verbo apoiar) apoia
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, paranóico paranoico
“e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.:
tâmara – Atlântico – pêssego – supôs Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acom-
panhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com – baú – país – Luís
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
Observação importante:
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi total- Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado hiato quando vierem depois de ditongo: Ex.:
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: Antes Agora
mülleriano (de Müller) bocaiúva bocaiuva
feiúra feiura
til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vo- Sauípe Sauipe
gais nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
Regras fundamentais: abolido. Ex.:
Antes Agora
Palavras oxítonas: crêem creem
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”, lêem leem
“o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – ci- vôo voo
pó(s) – armazém(s) enjôo enjoo
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se- - Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais
guidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER.
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se-
Repare:
guidas de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – com-
1-) O menino crê em você
pô-lo
Os meninos creem em você.
Paroxítonas: 2-) Elza lê bem!
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em: Todas leem bem!
- i, is : táxi – lápis – júri 3-) Espero que ele dê o recado à sala.
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum Esperamos que os garotos deem o recado!
- l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax – 4-) Rubens vê tudo!
fórceps Eles veem tudo!
- ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos

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PORTUGUÊS

* Cuidado! Há o verbo vir: 02. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-


Ele vem à tarde! LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013)
Eles vêm à tarde! Assinale a alternativa com as palavras acentuadas segundo
as regras de acentuação, respectivamente, de intercâmbio
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan- e antropológico.
do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru (A) Distúrbio e acórdão.
-im, con-tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz (B) Máquina e jiló.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti- (C) Alvará e Vândalo.
verem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha. (D) Consciência e características.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem (E) Órgão e órfãs.
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
As formas verbais que possuíam o acento tônico na 03. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE –
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) As pa-
“e” ou “i” não serão mais acentuadas. Ex.: lavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria” são acentuadas de
Antes Depois acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
apazigúe (apaziguar) apazigue ( ) CERTO ( ) ERRADO
averigúe (averiguar) averigue
argúi (arguir) argui 04. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS
GERAIS – OFICIAL JUDICIÁRIO – FUNDEP/2010) Assinale a
Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa afirmativa em que se aplica a mesma regra de acentuação.
do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo A) tevê – pôde – vê
vir) B) únicas – histórias – saudáveis
A regra prevalece também para os verbos conter, ob- C) indivíduo – séria – noticiários
ter, reter, deter, abster. D) diário – máximo – satélite
ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm 05. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
ele retém – eles retêm PE/2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego
ele convém – eles convêm do acento gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
(...) CERTO ( ) ERRADO
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que
antes eram acentuadas para diferenciá-las de outras seme- 06. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
lhantes (regra do acento diferencial). Apenas em algumas PE/2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência”
exceções, como: recebem acento gráfico com base na mesma regra de
A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do acentuação gráfica.
pretérito perfeito do modo indicativo) ainda continua sen- (...) CERTO ( ) ERRADO
do acentuada para diferenciar-se de pode (terceira pessoa
do singular do presente do indicativo). Ex: 07. (BACEN – TÉCNICO DO BANCO CENTRAL – CES-
Ela pode fazer isso agora. GRANRIO/2010) As palavras que se acentuam pelas mes-
Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou... mas regras de “conferência”, “razoável”, “países” e “será”,
O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da respectivamente, são
preposição por. a) trajetória, inútil, café e baú.
- Quando, na frase, der para substituir o “por” por “co- b) exercício, balaústre, níveis e sofá.
locar”, estaremos trabalhando com um verbo, portanto: c) necessário, túnel, infindáveis e só.
“pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex: d) médio, nível, raízes e você.
Faço isso por você. e) éter, hífen, propôs e saída.
Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
08. (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) São acen-
Questões sobre Acentuação Gráfica tuados graficamente de acordo com a mesma regra de
acentuação gráfica os vocábulos
01. (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA – A) também e coincidência.
VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as palavras B) quilômetros e tivéssemos.
são acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que C) jogá-la e incrível.
justificam, respectivamente, as acentuações de: década, D) Escócia e nós.
relógios, suíços. E) correspondência e três.
(A) flexíveis, cartório, tênis.
(B) inferência, provável, saída. 09. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
(C) óbvio, após, países. PE/2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de
(D) islâmico, cenário, propôs. acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
(E) república, empresária, graúda. (...) CERTO ( ) ERRADO

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PORTUGUÊS

GABARITO D) diário – máximo – satélite


Diário = paroxítona terminada em ditongo; máximo =
01. E 02. D 03. E 04. C 05. E proparoxítona; satélite = proparoxítona.
06. C 07. D 08. B 09. E
5-) Análise = proparoxítona / mínimos = proparoxíto-
RESOLUÇÃO na. Ambas são acentuadas pela mesma regra (antepenúlti-
ma sílaba é tônica, “mais forte”).
1-) Década = proparoxítona / relógios = paroxítona RESPOSTA: “ERRADO”.
terminada em ditongo / suíços = regra do hiato
(A) flexíveis e cartório = paroxítonas terminadas em 6-) Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; diá-
ditongo / tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida ria = paroxítona terminada em ditongo; paciência = paro-
de “s”) xítona terminada em ditongo. Os três vocábulos são acen-
(B) inferência = paroxítona terminada em ditongo / tuados devido à mesma regra.
provável = paroxítona terminada em “l” / saída = regra do RESPOSTA: “CERTO”.
hiato 7-) Vamos classificar as palavras do enunciado:
(C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após 1-) Conferência = paroxítona terminada em ditongo
= oxítona terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato 2-) razoável = paroxítona terminada em “l’
(D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona 3-) países = regra do hiato
terminada em ditongo / propôs = oxítona terminada em 4-) será = oxítona terminada em “a”
“o” + “s”
(E) república = proparoxítona / empresária = paroxíto- a) trajetória, inútil, café e baú.
na terminada em ditongo / graúda = regra do hiato Trajetória = paroxítona terminada em ditongo; inútil =
paroxítona terminada em “l’; café = oxítona terminada em “e”
2-) Para que saibamos qual alternativa assinalar, pri- b) exercício, balaústre, níveis e sofá.
meiro temos que classificar as palavras do enunciado Exercício = paroxítona terminada em ditongo; balaús-
quanto à posição de sua sílaba tônica: tre = regra do hiato; níveis = paroxítona terminada em “i +
Intercâmbio = paroxítona terminada em ditongo; An- s”; sofá = oxítona terminada em “a”.
tropológico = proparoxítona (todas são acentuadas). Ago- c) necessário, túnel, infindáveis e só.
ra, vamos à análise dos itens apresentados: Necessário = paroxítona terminada em ditongo; túnel
= paroxítona terminada em “l’; infindáveis = paroxítona
(A) Distúrbio = paroxítona terminada em ditongo;
terminada em “i + s”; só = monossílaba terminada em “o”.
acórdão = paroxítona terminada em “ão”
d) médio, nível, raízes e você.
(B) Máquina = proparoxítona; jiló = oxítona terminada
Médio = paroxítona terminada em ditongo; nível = pa-
em “o”
roxítona terminada em “l’; raízes = regra do hiato; será =
(C) Alvará = oxítona terminada em “a”; Vândalo = pro-
oxítona terminada em “a”.
paroxítona e) éter, hífen, propôs e saída.
(D) Consciência = paroxítona terminada em ditongo; Éter = paroxítona terminada em “r”; hífen = paroxítona
características = proparoxítona terminada em “n”; propôs = oxítona terminada em “o + s”;
(E) Órgão e órfãs = ambas: paroxítona terminada em saída = regra do hiato.
“ão” e “ã”, respectivamente.
8-)
3-) “Conteúdo” é acentuada seguindo a regra do hiato; A) também e coincidência.
calúnia = paroxítona terminada em ditongo; injúria = paro- Também = oxítona terminada em “e + m”; coincidência
xítona terminada em ditongo. = paroxítona terminada em ditongo
RESPOSTA: “ERRADO”. B) quilômetros e tivéssemos.
Quilômetros = proparoxítona; tivéssemos = proparo-
4-) xítona
A) tevê – pôde – vê C) jogá-la e incrível.
Tevê = oxítona terminada em “e”; pôde (pretérito per- Oxítona terminada em “a”; incrível = paroxítona termi-
feito do Indicativo) = acento diferencial (que ainda preva- nada em “l’
lece após o Novo Acordo Ortográfico) para diferenciar de D) Escócia e nós.
“pode” – presente do Indicativo; vê = monossílaba termi- Escócia = paroxítona terminada em ditongo; nós =
nada em “e” monossílaba terminada em “o + s”
B) únicas – histórias – saudáveis E) correspondência e três.
Únicas = proparoxítona; história = paroxítona termi- Correspondência = paroxítona terminada em ditongo;
nada em ditongo; saudáveis = paroxítona terminada em três = monossílaba terminada em “e + s”
ditongo.
C) indivíduo – séria – noticiários 9-) Pó = monossílaba terminada em “o”; só = monos-
Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; séria = sílaba terminada em “o”; céu = monossílaba terminada em
paroxítona terminada em ditongo; noticiários = paroxítona ditongo aberto “éu”.
terminada em ditongo. RESPOSTA: “ERRADO”.

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PORTUGUÊS

Ponto de Interrogação
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
PONTUAÇÃO;
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Aze-
vedo)

Os sinais de pontuação são marcações gráficas que Reticências


servem para compor a coesão e a coerência textual, além 1- Indica que palavras foram suprimidas.
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. Ve- - Comprei lápis, canetas, cadernos...
jamos as principais funções dos sinais de pontuação co-
nhecidos pelo uso da língua portuguesa. 2- Indica interrupção violenta da frase.
“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
Ponto
1- Indica o término do discurso ou de parte dele. 3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em - Este mal... pega doutor?
que se encontra.
- Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite. 4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
- Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava. - Deixa, depois, o coração falar...

2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr. Vírgula

Ponto e Vírgula ( ; ) Não se usa vírgula


1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma *separando termos que, do ponto de vista sintático, li-
importância. gam-se diretamente entre si:
- “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo - entre sujeito e predicado.
pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; Todos os alunos da sala foram advertidos.
os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) Sujeito predicado
2- Separa partes de frases que já estão separadas por
vírgulas. - entre o verbo e seus objetos.
- Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, monta- O trabalho custou sacrifício aos realiza-
nhas, frio e cobertor. dores.
3- Separa itens de uma enumeração, exposição de mo- V.T.D.I. O.D. O.I.
tivos, decreto de lei, etc.
- Ir ao supermercado; Usa-se a vírgula:
- Pegar as crianças na escola; - Para marcar intercalação:
- Caminhada na praia; a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
- Reunião com amigos. dância, vem caindo de preço.
b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
Dois pontos produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
1- Antes de uma citação c) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto: trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não
querem abrir mão dos lucros altos.
2- Antes de um aposto - Para marcar inversão:
- Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
tarde e calor à noite. Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fe-
chadas.
3- Antes de uma explicação ou esclarecimento b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
- Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, viven- pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
do a rotina de sempre. c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
maio de 1982.
4- Em frases de estilo direto - Para separar entre si elementos coordenados (dispos-
Maria perguntou: tos em enumeração):
- Por que você não toma uma decisão? Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
Ponto de Exclamação
1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, - Para marcar elipse (omissão) do verbo:
susto, súplica, etc. Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco.
- Sim! Claro que eu quero me casar com você! - Para isolar:
2- Depois de interjeições ou vocativos - o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasilei-
- Ai! Que susto! ra, possui um trânsito caótico.
- João! Há quanto tempo! - o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.

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PORTUGUÊS

Fontes: 04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012)


http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/ Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgu- a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!
la.htm b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da tran-
sação.
Questões sobre Pontuação c) Maria, você trouxe os documentos?
d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema.
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alter- e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimen-
nativa em que a pontuação está corretamente empregada, tação estranha.
de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, 05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.).
embora, experimentasse, a sensação de violar uma intimi- Assinale a alternativa em que a frase mantém-se correta
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando en- após o acréscimo das vírgulas.
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na
dona. pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrô-
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, nica ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de
embora experimentasse a sensação, de violar uma intimi-
onde o código foi acionado.
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando en-
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra-
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dos, recebem automaticamente, uma mensagem dizendo
dona. que a criança foi encontrada.
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega
embora experimentasse a sensação de violar uma intimida- primeiro às, areias do Guarujá.
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar (E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o te-
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. lefone de quem a encontrou e informar um ponto de re-
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e, ferência
embora experimentasse a sensação de violar uma intimi-
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, en- 06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramatical-
dona. mente correto, é necessário inserir sinais de pontuação.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, Assinale a posição em que não deve ser usado o sinal de
embora, experimentasse a sensação de violar uma intimi- ponto, e sim a vírgula, para que sejam respeitadas as re-
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, en- gras gramaticais. Desconsidere os ajustes nas letras iniciais
contrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua minúsculas.
dona. O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas
de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Pau-
02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 - ADAP- lo(A) o programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as
TADA) Jogadores de futebol de diversos times entraram em crianças utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B)
campo em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do os alunos ajudam a traçar ciclorrotas e participam de ati-
Campeonato Nacional em apoio à campanha que visa 4 re- vidades sobre cidadania e reciclagem(C) as escolas partici-
duzir o número de pessoas que não possuem o nome do pai pantes se tornam também centros de descarte de garrafas
em sua certidão de nascimento. (...) PET(D) destinadas depois para reciclagem(E) o programa
A oração subordinada “que não possuem o nome do possibilitará o retorno das bicicletas pela saúde das crian-
ças e transformação das comunidades em lugares melhores
pai em sua certidão de nascimento” não é antecedida por
para se viver.
vírgula porque tem natureza restritiva.
(Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117)
( ) Certo ( ) Errado
a) A
b) B
03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BN- c) C
DES/2012) Em que período a vírgula pode ser retirada, d) D
mantendo-se o sentido e a obediência à norma-padrão? e) E
(A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o
treino. 07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – VU-
(B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos es- NESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da
portes? pontuação.
(C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se (A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas
prepara para o evento. circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja ali-
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o apri- viada.
moramento do desportista. (B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, por-
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: que você está junto; com os outros motoristas cujos com-
judô, natação e canoagem. portamentos, são desconhecidos.

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PORTUGUÊS

(C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
ser uma extensão de nossa personalidade. embora , (X) experimentasse a sensação de violar uma in-
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; au- timidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando ,
mentar os níveis de estresse em alguns motoristas. (X) encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas a sua dona.
na rua, são as principais causas da ira de trânsito.
2-) A oração restringe o grupo que participará da cam-
08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS panha (apenas os que não têm o nome do pai na certidão
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU- de nascimento). Se colocarmos uma vírgula, a oração tor-
MARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo nar-se-á “explicativa”, generalizando a informação, o que
econômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame, dará a entender que TODAS as pessoa não têm o nome do
você aí desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada pai na certidão.
para te dizer, agora afasta que abriu o sinal.” RESPOSTA: “CERTO”.
No período acima, as vírgulas foram empregadas em 3-)
“Paciência, minha filha, este é [...]”, para separar (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o
(A) aposto. treino. = mantê-la (termo deslocado)
(B) vocativo. (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos es-
(C) adjunto adverbial. portes? = mantê-la (vocativo)
(D) expressão explicativa. (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se
prepara para o evento.
09. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL = mantê-la (explicação)
PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011) O perío- (D) Atualmente, várias áreas contribuem para o apri-
do corretamente pontuado é: moramento do desportista.
(A) Os filmes que, mostram a luta pela sobrevivência = pode retirá-la (advérbio de tempo)
em condições hostis nem sempre conseguem agradar, aos (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda:
espectadores. judô, natação e canoagem.
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en- = mantê-la (enumeração)
tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma
história ficcional.
4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou fal-
(C) A história de heroísmo e de determinação que nem
tante:
sempre, é convincente, se passa em um cenário marcado,
a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem!
pelo frio.
b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da
(D) Caminhar por um extenso território gelado, é correr
transação.
riscos iminentes que comprometem, a sobrevivência.
c) Maria, você trouxe os documentos?
(E) Para os fugitivos que se propunham, a alcançar a
d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema.
liberdade, nada poderia parecer, realmente intransponível.
e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma mo-
GABARITO vimentação estranha.

01. C 02. C 03. D 04. C 05. E 5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inade-
06. D 07. A 08. B 09.B quadas
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá
RESOLUÇÃO na pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem
eletrônica ao grupo ou acione o código na internet.
1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas (B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, pais de onde o código foi acionado.
embora, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastra-
intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando dos , (X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a dizendo que a criança foi encontrada.
sua dona. (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) che-
(B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa ga primeiro às , (X) areias do Guarujá.
e, embora experimentasse a sensação , (X) de violar uma
intimidade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando 6-)
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas
sua dona. de bambu para 4600 alunos da rede pública de São Pau-
(D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa lo(A). O programa desenvolve ainda oficinas e cursos para
e, embora experimentasse a sensação de violar uma inti- as crianças utilizarem a bicicleta de forma segura e corre-
midade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) ta(B). Os alunos ajudam a traçar ciclorrotas e participam de
encontrar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a atividades sobre cidadania e reciclagem(C). As escolas parti-
sua dona. cipantes se tornam também centros de descarte de garrafas

20
PORTUGUÊS

PET(D), destinadas depois para reciclagem(E). O programa Morfossintaxe do Adjetivo:


possibilitará o retorno das bicicletas pela saúde das crian-
ças e transformação das comunidades em lugares melhores O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função
para se viver. dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posi- como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito
ção (D), pois antecipa um termo explicativo. ou do objeto).

7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas: Adjetivo Pátrio (ou gentílico)
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas
circunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja ali- Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Ob-
viada. serve alguns deles:
(B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estresse,
porque você está junto; (X) com os outros motoristas cujos Estados e cidades brasileiros:
comportamentos, (X) são desconhecidos. Alagoas alagoano
(C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros Amapá amapaense
podem ser uma extensão de nossa personalidade. Aracaju aracajuano ou aracajuense
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; (X) Amazonas amazonense ou baré
aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. Belo Horizonte belo-horizontino
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas Brasília brasiliense
na rua, (X) são as principais causas da ira de trânsito. Cabo Frio cabo-friense
8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado Campinas campineiro ou campinense
para se dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo.
Adjetivo Pátrio Composto
9-) Fiz as marcações (X) onde as pontuações estão ina-
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro
dequadas ou faltantes:
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru-
(A) Os filmes que,(X) mostram a luta pela sobrevivência
dita. Observe alguns exemplos:
em condições hostis nem sempre conseguem agradar, (X)
África afro- / Cultura afro-americana
aos espectadores.
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes en-
América américo- / Companhia américo-africana
tre si, podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
história ficcional.
China sino- / Acordos sino-japoneses
(C) A história de heroísmo e de determinação (X) que Espanha hispano- / Mercado hispano-português
nem sempre, (X) é convincente, se passa em um cenário Europa euro- / Negociações euro-americanas
marcado, (X) pelo frio. França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
(D) Caminhar por um extenso território gelado, (X) é Grécia greco- / Filmes greco-romanos
correr riscos iminentes (X) que comprometem, (X) a sobre- Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
vivência. Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
(E) Para os fugitivos que se propunham, (X) a alcançar Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
a liberdade, nada poderia parecer, (X) realmente intrans- Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
ponível.
Flexão dos adjetivos

CLASSES GRAMATICAIS; O adjetivo varia em gênero, número e grau.


Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se


Adjetivo referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos
substantivos, classificam-se em:
Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mas-
característica do ser e se relaciona com o substantivo. culino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa,
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, per- mau e má, judeu e judia.
cebemos que, além de expressar uma qualidade, ela pode Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no fe-
ser colocada ao lado de um substantivo: homem bondoso, minino somente o último elemento. Por exemplo: o moço
moça bondosa, pessoa bondosa. norte-americano, a moça norte-americana.
Já com a palavra bondade, embora expresse uma qua- Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
lidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: ho-
mem bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino
portanto, não é adjetivo, mas substantivo. como para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher
feliz.

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PORTUGUÊS

Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no Comparativo


feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença
político-social. Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri-
buída a dois ou mais seres ou duas ou mais característi-
Número dos Adjetivos cas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de
igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe
Plural dos adjetivos simples os exemplos abaixo:
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo No comparativo de igualdade, o segundo termo da
com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou
substantivos simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e feli- quão.
zes, ruim e ruins boa e boas
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe-
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça rioridade Analítico
função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra No comparativo de superioridade analítico, entre os
que estiver qualificando um elemento for, originalmente, dois substantivos comparados, um tem qualidade supe-
um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: rior. A forma é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do
a palavra cinza é originalmente um substantivo; porém, se que” ou “mais...que”.
estiver qualificando um elemento, funcionará como adje-
tivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe-
cinza. rioridade Sintético
Veja outros exemplos:
Motos vinho (mas: motos verdes) Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su-
Paredes musgo (mas: paredes brancas). perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles:
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos). bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior,
grande/maior, baixo/inferior.
Adjetivo Composto Observe que:
a) As formas menor e pior são comparativos de supe-
É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor- rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, res-
malmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas pectivamente.
o último elemento concorda com o substantivo a que se b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações fei-
refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso
tas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-
um dos elementos que formam o adjetivo composto seja
se usar as formas analíticas mais bom, mais mau,mais gran-
um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto fica-
de e mais pequeno. Por exemplo:
rá invariável. Por exemplo: a palavra rosa é originalmente
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemen-
mentos.
to, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra pala-
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
vra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um
duas qualidades de um mesmo elemento.
substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará
invariável. Por exemplo: Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-
Camisas rosa-claro. ferioridade
Ternos rosa-claro. Sou menos passivo (do) que tolerante.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. Superlativo
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.
Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual- O superlativo expressa qualidades num grau muito ele-
quer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre vado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser ab-
invariáveis. soluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades:
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha
têm os dois elementos flexionados. Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade
de um ser é intensificada, sem relação com outros seres.
Grau do Adjetivo Apresenta-se nas formas:

Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a inten- Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de pa-
sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: lavras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por exem-
o comparativo e o superlativo. plo: O secretário é muito inteligente.
Sintética: a intensificação se faz por meio do acrésci-
mo de sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.

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PORTUGUÊS

Observe alguns superlativos sintéticos: ele pode estar demarcado por mais de uma palavra, que
benéfico beneficentíssimo mesmo assim não deixará de ocupar tal função. Temos
bom boníssimo ou ótimo aí o que chamamos de locução adverbial, representada
comum comuníssimo por algumas expressões, tais como: às vezes, sem dúvida,
cruel crudelíssimo frente a frente, de modo algum, entre outras.
difícil dificílimo Dependendo das circunstâncias expressas pelos ad-
doce dulcíssimo vérbios, eles se classificam em distintas categorias, uma
fácil facílimo vez expressas por:
fiel fidelíssimo
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de pressas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondi-
um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres. das, aos poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira,
Essa relação pode ser: em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
vão, e a maior parte dos que terminam em -”mente”: cal-
De Superioridade: Clara é a mais bela da sala. mamente, tristemente, propositadamente, pacientemente,
amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosa-
De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala. mente, generosamente

de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em


Note bem:
excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quan-
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
to, quão, tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo,
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
quase, de todo, de muito, por completo.
etc., antepostos ao adjetivo.
2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora,
duas formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes,
de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já,
radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo enfim, afinal, breve, constantemente, entrementes, ime-
ou érrimo. Por exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A diatamente, primeiramente, provisoriamente, sucessiva-
forma popular é constituída do radical do adjetivo portu- mente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente,
guês + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo. de vez em quando, de quando em quando, a qualquer
3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, preca- momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia
riíssimo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual,
as formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá,
desagradável hiato i-í. atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí,
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhu-
Advérbio res, adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, ex-
ternamente, a distância, à distancia de, de longe, de perto,
O advérbio, assim como muitas outras palavras exis- em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta
tentes na Língua Portuguesa, advém de outras línguas.
Assim sendo, tal qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
a ideia de proximidade, contiguidade. Essa proximidade de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum
faz referência ao processo verbal, no sentido de caracte- de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavel-
rizá-lo, ou seja, indicando as circunstâncias em que esse mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe
processo se desenvolve.
O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efe-
sentido de caracterizar os processos expressos por ele. tivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubi-
tavelmente (=sem dúvida).
Contudo, ele não é modificador exclusivo desta classe
(verbos), pois também modifica o adjetivo e até outro
de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
advérbio. Seguem alguns exemplos: mente, simplesmente, só, unicamente
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto,
você está até bem informado. de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, também
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o
adjetivo alheio, representando uma qualidade, caracte- de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
rística.
de designação: Eis
O artista canta muito mal.
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” mo- de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quan-
difica outro advérbio de modo – “mal”. Em ambos os do? (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade),
exemplos pudemos verificar que se tratava de somente para quê? (finalidade)
uma palavra funcionando como advérbio. No entanto,

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PORTUGUÊS

Locução adverbial Constatemos as circunstância


os em que os artigos se manifestam:
É reunião de duas ou mais palavras com valor de advér-
bio. Exemplo: - Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
Carlos saiu às pressas. (indicando modo) numeral “ambos”: Ambos os garotos decidiram participar
Maria saiu à tarde. (indicando tempo) das olimpíadas.

Há locuções adverbiais que possuem advérbios corres- - Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso
pondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza,
apressadamente. A Bahia...
Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de - Quando indicado no singular, o artigo definido pode
modo são flexionados, sendo que os demais são todos in- indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
variáveis. A única flexão propriamente dita que existe na
categoria dos advérbios é a de grau: - No caso de nomes próprios personativos, denotando
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe do artigo: O Pedro é o xodó da família.
- longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente -
inconstitucionalissimamente, etc.; - No caso de os nomes próprios personativos estarem
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto - os Incas, Os Astecas...
pertinho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho.
- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
Artigo para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (o
artigo), o pronome assume a noção de qualquer.
Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo, Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
indica se ele está sendo empregado de maneira definida ou Toda classe possui alunos interessados e desinteressados.
indefinida. Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o (qualquer classe)
gênero e o número dos substantivos.
- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa-
Classificação dos Artigos cultativo:
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo.
Artigos Definidos: determinam os substantivos de ma-
neira precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal. - A utilização do artigo indefinido pode indicar uma
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter
Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de é uns vinte anos.
maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei
um animal. - O artigo também é usado para substantivar palavras
oriundas de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de
Combinação dos Artigos tudo isso.
- Nunca deve ser usado artigo depois do pronome re-
É muito presente a combinação dos artigos definidos lativo cujo (e flexões).
e indefinidos com preposições. Veja a forma assumida por Este é o homem cujo amigo desapareceu.
essas combinações: Este é o autor cuja obra conheço.
- Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no
Preposições Artigos sentido de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme),
o, os a menos que venham especificadas.
a ao, aos Eles estavam em casa.
de do, dos Eles estavam na casa dos amigos.
em no, nos Os marinheiros permaneceram em terra.
por (per) pelo, pelos Os marinheiros permanecem na terra dos anões.
a, as um, uns uma, umas
à, às - - - Não se emprega artigo antes dos pronomes de trata-
da, das dum, duns duma, dumas mento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa
na, nas num, nuns numa, numas excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria.
pela, pelas - -
- Não se une com preposição o artigo que faz parte do
- As formas à e às indicam a fusão da preposição a com nome de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O
o artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é conhe- Estado de S. Paulo.
cida por crase.

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PORTUGUÊS

Morfossintaxe Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora,


quer...quer, já...já.
Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas
relações com o substantivo. Assim, nas orações da língua - CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às ora-
portuguesa, o artigo exerce a função de adjunto adnominal ções. Ex. Estudei muito, por isso mereço passar.
do substantivo a que se refere. Tal função independe da Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois
função exercida pelo substantivo: (depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
A existência é uma poesia.
Uma existência é a poesia. - EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex.
É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá
Conjunção fora.
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (an-
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações tes do verbo), porquanto.
ou dois termos semelhantes de uma mesma oração. Por
exemplo: Conjunções subordinativas
A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as
amiguinhas. - CAUSAIS
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que,
Deste exemplo podem ser retiradas três informações: uma vez que, como (= porque).
1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu as Ele não fez o trabalho porque não tem livro.
amiguinhas
- COMPARATIVAS
Cada informação está estruturada em torno de um verbo: Principais conjunções comparativas: que, do que, tão...
segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações: como, mais...do que, menos...do que.
Ela fala mais que um papagaio.
1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e
mostrou 3ª oração: quando viu as amiguinhas.
- CONCESSIVAS
A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que,
a terceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”.
mesmo que, apesar de, se bem que.
As palavras “e” e “quando” ligam, portanto, orações.
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, um
fato inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”.
Observe: Gosto de natação e de futebol.
Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são
estar cansada)
partes ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra
Apesar de ter chovido fui ao cinema.
“e” está ligando termos de uma mesma oração.
Morfossintaxe da Conjunção - CONFORMATIVAS
Principais conjunções conformativas: como, segundo,
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer- conforme, consoante
cem propriamente uma função sintática: são conectivos. Cada um colhe conforme semeia.
Classificação Expressam uma ideia de acordo, concordância, confor-
- Conjunções Coordenativas midade.
- Conjunções Subordinativas
- CONSECUTIVAS
Conjunções coordenativas Expressam uma ideia de consequência.
Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”,
Dividem-se em: “tanto”, “tão”, “tamanho”).
Falou tanto que ficou rouco.
- ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gos-
to de cantar e de dançar. - FINAIS
Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas tam- Expressam ideia de finalidade, objetivo.
bém, não só...como também. Todos trabalham para que possam sobreviver.
Principais conjunções finais: para que, a fim de que, por-
- ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de opo- que (=para que),
sição, de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada.
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contu- - PROPORCIONAIS
do, todavia, no entanto, entretanto. Principais conjunções proporcionais: à medida que,
quanto mais, ao passo que, à proporção que.
- ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância. À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.
Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.

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PORTUGUÊS

- TEMPORAIS A interjeição é um recurso da linguagem afetiva, em


Principais conjunções temporais: quando, enquanto, que não há uma ideia organizada de maneira lógica, como
logo que. são as sentenças da língua, mas sim a manifestação de um
Quando eu sair, vou passar na locadora. suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação
particular, um momento ou um contexto específico. Exem-
Diferença entre orações causais e explicativas plos:
Ah, como eu queria voltar a ser criança!
Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
(OSA) e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos de- Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
paramos com a dúvida de como distinguir uma oração hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição
causal de uma explicativa. Veja os exemplos: O significado das interjeições está vinculado à maneira
1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que
atropelado”: dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contex-
a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificati- to de enunciação. Exemplos:
va ou uma explicação do fato expresso na oração anterior. Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expres-
b) As orações são coordenadas e, por isso, independen- são na rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te
tes uma da outra. Neste caso, há uma pausa entre as ora- chamando! Ei, espere!”
ções que vêm marcadas por vírgula. Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado. em um hospital; significado da interjeição (sugestão): “Por
Outra dica é, quando a oração que antecede a OC (Ora- favor, faça silêncio!”
ção Coordenada) vier com verbo no modo imperativo, ela Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
será explicativa. puxa: interjeição; tom da fala: euforia
Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo im- Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
perativo) puxa: interjeição; tom da fala: decepção
2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra ci- As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
dade porque não havia cemitério no local.”
a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordina- 1) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria,
da (parte destacada) mostra a causa da ação expressa pelo tristeza, dor, etc.
verbo da oração principal. Outra forma de reconhecê-la é Você faz o que no Brasil?
colocá-la no início do período, introduzida pela conjunção Eu? Eu negocio com madeiras.
como - o que não ocorre com a CS Explicativa. Ah, deve ser muito interessante.
Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar
os mortos em outra cidade. 2) Sintetizar uma frase apelativa
b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente Cuidado! Saia da minha frente.
dependentes uma da outra. As interjeições podem ser formadas por:
Interjeição - simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô.
- palavras: Oba!, Olá!, Claro!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, - grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!,
sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre Ora bolas!
o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento A ideia expressa pela interjeição depende muitas ve-
sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas zes da entonação com que é pronunciada; por isso, pode
linguísticas mais elaboradas. Observe o exemplo: ocorrer que uma interjeição tenha mais de um sentido. Por
Droga! Preste atenção quando eu estou falando! exemplo:
No exemplo acima, o interlocutor está muito bravo. Oh! Que surpresa desagradável! (ideia de contra-
Toda sua raiva se traduz numa palavra: Droga! Ele poderia riedade)
ter dito: - Estou com muita raiva de você! Mas usou sim- Oh! Que bom te encontrar. (ideia de alegria)
plesmente uma palavra. Ele empregou a interjeição Droga!
As sentenças da língua costumam se organizar de for- Classificação das Interjeições
ma lógica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e
os distribui em posições adequadas a cada um deles. As in- Comumente, as interjeições expressam sentido de:
terjeições, por outro lado, são uma espécie de “palavra-fra- - Advertência: Cuidado!, Devagar!, Calma!, Sentido!,
se”, ou seja, há uma ideia expressa por uma palavra (ou um Atenção!, Olha!, Alerta!
conjunto de palavras - locução interjetiva) que poderia ser - Afugentamento: Fora!, Passa!, Rua!, Xô!
colocada em termos de uma sentença. Veja os exemplos: - Alegria ou Satisfação: Oh!, Ah!,Eh!, Oba!, Viva!
Bravo! Bis! - Alívio: Arre!, Uf!, Ufa! Ah!
bravo e bis: interjeição = sentença (sugestão): “Foi mui- - Animação ou Estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!,
to bom! Repitam!” Eia!, Ânimo!, Adiante!, Firme!, Toca!
Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... ai: interjeição = senten- - Aplauso ou Aprovação: Bravo!, Bis!, Apoiado!, Viva!,
ça (sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!” Boa!

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PORTUGUÊS

- Concordância: Claro!, Sim!, Pois não!, Tá!, Hã-hã! “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
- Repulsa ou Desaprovação: Credo!, Irra!, Ih!, Livra!, Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)
Safa!, Fora!, Abaixo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, - Na linguagem afetiva, certas interjeições, originadas
Ora! de palavras de outras classes, podem aparecer flexionadas
- Desejo ou Intenção: Oh!, Pudera!, Tomara!, Oxalá! no diminutivo ou no superlativo: Calminha! Adeusinho!
- Desculpa: Perdão! Obrigadinho!
- Dor ou Tristeza: Ai!, Ui!, Ai de mim!, Que pena!, Ah!,
Oh!, Eh! Interjeições, leitura e produção de textos
- Dúvida ou Incredulidade: Qual!, Qual o quê!, Hum!,
Epa!, Ora! Usadas com muita frequência na língua falada informal,
- Espanto ou Admiração: Oh!, Ah!, Uai!, Puxa!, Céus!, quando empregadas na língua escrita, as interjeições cos-
Quê!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Nossa!, Hem?!, tumam conferir-lhe certo tom inconfundível de coloquiali-
Hein?, Cruz!, Putz! dade. Além disso, elas podem muitas vezes indicar traços
- Impaciência ou Contrariedade: Hum!, Hem!, Irra!, pessoais do falante - como a escassez de vocabulário, o
temperamento agressivo ou dócil, até mesmo a origem
Raios!, Diabo!, Puxa!, Pô!, Ora!
geográfica. É nos textos narrativos - particularmente nos
- Pedido de Auxílio: Socorro!, Aqui!, Piedade!
diálogos - que comumente se faz uso das interjeições com
- Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!, Viva!,
o objetivo de caracterizar personagens e, também, graças à
Adeus!, Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Ô, Ó, Psiu!, Socorro!, Valha- sua natureza sintética, agilizar as falas. Natureza sintética e
me, Deus! conteúdo mais emocional do que racional fazem das inter-
- Silêncio: Psiu!, Bico!, Silêncio! jeições presença constante nos textos publicitários.
- Terror ou Medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh!
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis, isto morf89.php
é, não sofrem variação em gênero, número e grau como
os nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto Numeral
e voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al-
gumas interjeições sofrem variação em grau. Deve-se ter Numeral é a palavra que indica os seres em termos nu-
claro, neste caso, que não se trata de um processo natural méricos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os situa
dessa classe de palavra, mas tão só uma variação que a em determinada sequência.
linguagem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo, Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.
até loguinho. [quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
Locução Interjetiva Eu quero café duplo, e você?
...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”]
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma ex- A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
pressão com sentido de interjeição. Por exemplo : Ora bo- ...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequência
las! Quem me dera! Virgem Maria! Meu Deus! Ó de “fila”]
de casa! Ai de mim! Valha-me Deus! Graças a Deus! Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que
Alto lá! Muito bem! os números indicam em relação aos seres. Assim, quando
Observações: a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se
- As interjeições são como frases resumidas, sintéticas. trata de numerais, mas sim de algarismos.
Por exemplo: Ué! = Eu não esperava por essa!, Perdão! = Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a
ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala-
Peço-lhe que me desculpe.
vras consideradas numerais porque denotam quantidade,
- Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é o
proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década, dú-
seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras classes
zia, par, ambos(as), novena.
gramaticais podem aparecer como interjeições.
Viva! Basta! (Verbos) Classificação dos Numerais
Fora! Francamente! (Advérbios)
- A interjeição pode ser considerada uma “palavra-fra- Cardinais: indicam contagem, medida. É o número bá-
se” porque sozinha pode constituir uma mensagem. Ex.: sico: um, dois, cem mil, etc.
Socorro!, Ajudem-me!, Silêncio!, Fique quieto!
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série
- Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imitati- dada: primeiro, segundo, centésimo, etc.
vas, que exprimem ruídos e vozes. Ex.: Pum! Miau! Bumba!
Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc. Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a di-
visão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
- Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com
a sua homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria, Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos
tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois do” oh!” exclamativo seres, indicando quantas vezes a quantidade foi aumenta-
e não a fazemos depois do “ó” vocativo. da: dobro, triplo, quíntuplo, etc.

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PORTUGUÊS

Leitura dos Numerais

Separando os números em centenas, de trás para frente, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas e, no
início, também de dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vírgula; as unidades ligam-se pela conjunção “e”.
1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte e seis.
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.

Flexão dos numerais

Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas
em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número:
milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.

Os numerais ordinais variam em gênero e número:


primeiro segundo milésimo
primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e con-
seguiram o triplo de produção.

Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do
medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças
partes
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de senti-
do. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego dos Numerais

*Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo
e a partir daí os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo:

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)
*Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:

Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)


Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são lar-
gamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.
Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora participam das atividades
comunitárias de seu bairro.

Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.

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PORTUGUÊS

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normal-
mente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura
da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

Tipos de Preposição

1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, contra,
de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.

2. Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições: como, durante,
exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.

3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas:
abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de,
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

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PORTUGUÊS

A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto Dicas sobre preposição


pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concor-
dância em gênero ou em número. Ex: por + o = pelo por 1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome
+ a = pela. pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a”
Vale ressaltar que essa concordância não é caracterís- seja um artigo, virá precedendo um substantivo. Ele servirá
tica da preposição, mas das palavras às quais ela se une. para determiná-lo como um substantivo singular e femi-
Esse processo de junção de uma preposição com outra nino.
palavra pode se dar a partir de dois processos: A dona da casa não quis nos atender.
Como posso fazer a Joana concordar comigo?
1. Combinação: A preposição não sofre alteração. - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
preposição a + artigos definidos o, os termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
a + o = ao Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
preposição a + advérbio onde Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para pro-
a + onde = aonde curar um tratamento adequado.
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração.
- Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
Preposição + Artigos
lugar e/ou a função de um substantivo.
De + o(s) = do(s)
Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como
De + a(s) = da(s)
parte da família
De + um = dum
Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. /
De + uns = duns
De + uma = duma Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
De + umas = dumas
Em + o(s) = no(s) 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio
Em + a(s) = na(s) das preposições:
Em + um = num Destino = Irei para casa.
Em + uma = numa Modo = Chegou em casa aos gritos.
Em + uns = nuns Lugar = Vou ficar em casa;
Em + umas = numas Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
A + à(s) = à(s) Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
Por + o = pelo(s) Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
Por + a = pela(s) Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tra-
Preposição + Pronomes tamento.
De + ele(s) = dele(s) Instrumento = Escreveu a lápis.
De + ela(s) = dela(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + este(s) = deste(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + esta(s) = desta(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + esse(s) = desse(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + essa(s) = dessa(s) Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + aquele(s) = daquele(s) Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + aquela(s) = daquela(s) Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + isto = disto Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + isso = disso Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + aquilo = daquilo Fonte:
De + aqui = daqui
http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + aí = daí
De + ali = dali
Pronome
De + outro = doutro(s)
De + outra = doutra(s)
Em + este(s) = neste(s) Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou
Em + esta(s) = nesta(s) a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o
Em + esse(s) = nesse(s) de alguma forma.
Em + aquele(s) = naquele(s)
Em + aquela(s) = naquela(s) A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!
Em + isto = nisto [substituição do nome]
Em + isso = nisso
Em + aquilo = naquilo A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
A + aquele(s) = àquele(s) [referência ao nome]
A + aquela(s) = àquela(s) Essa moça morava nos meus sonhos!
A + aquilo = àquilo [qualificação do nome]

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PORTUGUÊS

Grande parte dos pronomes não possuem significados Os pronomes retos apresentam flexão de número, gêne-
fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro ro (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a prin-
de um contexto, o qual nos permite recuperar a referên- cipal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa
cia exata daquilo que está sendo colocado por meio dos forma, o quadro dos pronomes retos é assim configurado:
pronomes no ato da comunicação. Com exceção dos pro- - 1ª pessoa do singular: eu
nomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes - 2ª pessoa do singular: tu
têm por função principal apontar para as pessoas do dis- - 3ª pessoa do singular: ele, ela
curso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação - 1ª pessoa do plural: nós
no tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, - 2ª pessoa do plural: vós
os pronomes apresentam uma forma específica para cada - 3ª pessoa do plural: eles, elas
pessoa do discurso.
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. Atenção: esses pronomes não costumam ser usados
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala] como complementos verbais na língua-padrão. Frases como
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu até
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser evitadas
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se na língua formal escrita ou falada. Na língua formal, devem
fala] ser usados os pronomes oblíquos correspondentes: “Vi-o na
rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-me até aqui”.
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem Obs.: frequentemente observamos a omissão do prono-
se fala] me reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as pró-
prias formas verbais marcam, através de suas desinências,
as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras boa viagem. (Nós)
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência Pronome Oblíquo
através do pronome seja coerente em termos de gênero
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sen-
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado. tença, exerce a função de complemento verbal (objeto dire-
to ou indireto) ou complemento nominal.
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos-
Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
sa escola neste ano.
Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma va-
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
riante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica
adequada]
a função diversa que eles desempenham na oração: prono-
[neste: pronome que determina “ano” = concordância
me reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca
adequada]
o complemento da oração.
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor-
Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
dância inadequada]
a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
tônicos.
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos,
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
Pronomes Pessoais são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
fraca: Ele me deu um presente.
São aqueles que substituem os substantivos, indicando O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim con-
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve figurado:
assume os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”, - 1ª pessoa do singular (eu): me
“vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e - 2ª pessoa do singular (tu): te
“ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa - 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
ou às pessoas de quem fala. - 1ª pessoa do plural (nós): nos
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun- - 2ª pessoa do plural (vós): vos
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto - 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
ou do caso oblíquo.
Observações:
Pronome Reto O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se apre-
senta na forma contraída, ou seja, houve a união entre o
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen- pronome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por acompa-
tença, exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito. nhar diretamente uma preposição, o pronome “lhe” exerce
Nós lhe ofertamos flores. sempre a função de objeto indireto na oração.

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PORTUGUÊS

Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos Atenção: Há construções em que a preposição, apesar
diretos como objetos indiretos. de surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir
Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o
objetos diretos. verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combi- nome, deverá ser do caso reto.
nar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a formas Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
como mo, mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, lhas; Não vá sem eu mandar.
no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Obser-
ve o uso dessas formas nos exemplos que seguem: - A combinação da preposição “com” e alguns prono-
- Trouxeste o pacote? mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
- Sim, entreguei-to ainda há pouco. conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
- Não contaram a novidade a vocês? quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
- Não, no-la contaram. companhia.
No português do Brasil, essas combinações não são Ele carregava o documento consigo.
usadas; até mesmo na língua literária atual, seu emprego - As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
é muito raro. por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas todos, ambos ou algum numeral.
especiais depois de certas terminações verbais. Quando o Você terá de viajar com nós todos.
verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma Estávamos com vós outros quando chegaram as más no-
lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a terminação verbal tícias.
é suprimida. Por exemplo: Ele disse que iria com nós três.
fiz + o = fi-lo
fazeis + o = fazei-lo Pronome Reflexivo
dizer + a = dizê-la
São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as- nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo: da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
viram + o: viram-no expressa pelo verbo.
repõe + os = repõe-nos O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:
retém + a: retém-na
- 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
tem + as = tem-nas
Eu não me vanglorio disso.
Pronome Oblíquo Tônico
Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos
- 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com.
Assim tu te prejudicas.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função de
Conhece a ti mesmo.
objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica forte.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim con-
figurado: - 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo Guilherme já se preparou.
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo Ela deu a si um presente.
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela Antônio conversou consigo mesmo.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco - 1ª pessoa do plural (nós): nos.
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco Lavamo-nos no rio.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas
- 2ª pessoa do plural (vós): vos.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As - 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto. Eles se conheceram.
Elas deram a si um dia de folga.
- As preposições essenciais introduzem sempre pro-
nomes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do A Segunda Pessoa Indireta
caso reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso
da língua formal, os pronomes costumam ser usados des- A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se
ta forma: quando utilizamos pronomes que, apesar de indicarem
Não há mais nada entre mim e ti. nosso interlocutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. o verbo na terceira pessoa. É o caso dos chamados prono-
Não há nenhuma acusação contra mim. mes de tratamento, que podem ser observados no quadro
Não vá sem mim. seguinte:

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PORTUGUÊS

Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no
tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português
do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratar-
mos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado suposta-
mente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.
- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª
pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na
3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do
texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não
poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa pos-
suída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)

Note que: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam com
o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.

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PORTUGUÊS

Observações: No tempo:
Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar refere ao ano presente.
da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se
seu José. refere a um passado próximo.
Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam pos- está se referindo a um passado distante.
se. Podem ter outros empregos, como:
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
anos. la(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá
seus defeitos, mas eu gosto muito dela. - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
- o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
o pronome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
trouxe sua mensagem? Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela
que te indiquei.)
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- - mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas que
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e o procuraram ontem.
anotações. - próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram
o problema.
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblí- - semelhante(s): Não compre semelhante livro.
quos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-lhe - tal, tais: Tal era a solução para o problema.
os passos. (= Vou seguir seus passos.)
Note que:
Pronomes Demonstrativos
- Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em
Os pronomes demonstrativos são utilizados para expli-
construções redundantes, com finalidade expressiva, para
citar a posição de uma certa palavra em relação a outras
salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela,
ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de
essa é que dera em cheio casando com o José Afonso. Des-
espaço, no tempo ou discurso.
frutar das belezas brasileiras, isso é que é sorte!
No espaço:
- O pronome demonstrativo neutro ou pode represen-
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o
carro está perto da pessoa que fala. tar um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso
Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o em que aparece, geralmente, como objeto direto, predi-
carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da cativo ou aposto: O casamento seria um desastre. Todos o
pessoa que fala. pressentiam.
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que - Para evitar a repetição de um verbo anteriormente
o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com expresso, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo
quem falo. fazer, chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que
faz as vezes de): Ninguém teve coragem de falar antes que
Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo ela o fizesse.
quanto por meio de correspondência, que é uma moda- - Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa
lidade escrita de fala), são particularmente importantes o mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em
este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao primeiro lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram
emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. [ou então: este
pode causar ambiguidade. solteiro, aquele casado]
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar
informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da univer- - O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
sidade destinatária). irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Reafirmamos a disposição desta universidade em partici- - Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
par no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universida- com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta,
de que envia a mensagem). disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no
= naquilo)

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PORTUGUÊS

Pronomes Indefinidos negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade afirmati-


va, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade negativa;
São palavras que se referem à terceira pessoa do dis- alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e algo/nada,
curso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando que se referem à coisa; certo, que particulariza, e qualquer,
quantidade indeterminada. que generaliza.
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém Essas oposições de sentido são muito importantes na
-plantadas. construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu-
de que fazem parte:
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des-
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- prático.
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. Czrávamos no exterior.
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin- - Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa-
guém, outrem, quem, tudo. lavras:
Algo o incomoda? - como (= pelo qual): Não me parece correto o modo
Quem avisa amigo é. como você agiu semana passada.
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando po-
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser díamos jogar videogame.
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade - Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s). numa só frase.
Cada povo tem seus costumes. O futebol é um esporte.
Certas pessoas exercem várias profissões. O povo gosta muito deste esporte.
O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos,
ora pronomes indefinidos adjetivos: - Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos),
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
gente que conversava, (que) ria, (que) fumava.
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer,
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. Pronomes Interrogativos
Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco. São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
riáveis e invariáveis. Observe: referem- -se à 3ª pessoa do discurso de modo
impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, (e variações), quanto (e variações).
tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca, Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, ne- Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, preferes.
algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quan-
outras, quantas. tos passageiros desembarcaram.
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
algo, cada. Sobre os pronomes:
São locuções pronominais indefinidas:
O pronome pessoal é do caso reto quando tem função
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele quando desempenha função de complemento. Vamos en-
(que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, tender, primeiramente, como o pronome pessoal surge na
uma ou outra, etc. frase e que função exerce. Observe as orações:
Cada um escolheu o vinho desejado. 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
Indefinidos Sistemáticos lhe ajudar.
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, per- exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
cebemos que existem alguns grupos que criam oposição reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe”
de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm sen- exercendo função de complemento, e, consequentemente,
tido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm sentido é do caso oblíquo.

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PORTUGUÊS

Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, Ênclise


o pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta
devia ajudar.... Ajudar quem? Você (lhe). não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos áto-
nos. A ênclise vai acontecer quando:
Importante: Em observação à segunda oração, o em- - O verbo estiver no imperativo afirmativo:
prego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do ver- Amem-se uns aos outros.
bo intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo pode Sigam-me e não terão derrotas.
estar antes, depois ou entre locução verbal, caso o verbo - O verbo iniciar a oração:
principal (no caso “ajudar”) esteja no infinitivo ou gerúndio. Diga-lhe que está tudo bem.
Eu desejo lhe perguntar algo. Chamaram-me para ser sócio.
Eu estou perguntando-lhe algo.
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou - O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da pre-
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, posição “a”:
diferentemente dos segundos que são sempre precedidos Naquele instante os dois passaram a odiar-se.
de preposição. Passaram a cumprimentar-se mutuamente.
- Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu
estava fazendo. - O verbo estiver no gerúndio:
- Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreo-
que eu estava fazendo. cupada.
Despediu-se, beijando-me a face.
Colocação Pronominal
- Houver vírgula ou pausa antes do verbo:
A colocação pronominal é a posição que os pronomes Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no
pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao mesmo instante.
verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.
me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos.
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições
Mesóclise
na oração em relação ao verbo:
1. próclise: pronome antes do verbo
A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado
2. ênclise: pronome depois do verbo
no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
3. mesóclise: pronome no meio do verbo
A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela
se realizará)
Próclise
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: proposta a você)
- Palavras com sentido negativo:
Nada me faz querer sair dessa cama. Questões sobre Pronome
Não se trata de nenhuma novidade.
- Advérbios: 01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012).
Nesta casa se fala alemão. Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
Naquele dia me falaram que a professora não veio. está claro até onde pode realmente chegar uma política ba-
seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para
- Pronomes relativos: o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra.
A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje. É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram. e da água faça em si diferença, as companhias não podem
suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares por
- Pronomes indefinidos: tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portanto,
Quem me disse isso? elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim, ninguém
Todos se comoveram durante o discurso de despedida. encontrou até agora uma maneira de quantificar adequada-
mente os insumos básicos. E sem eles a maioria das políticas
- Pronomes demonstrativos: de crescimento verde sempre será a segunda opção.
Isso me deixa muito feliz! (Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, re-
- Preposição seguida de gerúndio: ferem- -se, respectivamente, a
Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais (A) dúvidas e preços.
indicado à pesquisa escolar. (B) dúvidas e insumos básicos.
(C) companhias e insumos básicos.
- Conjunção subordinativa: (D) companhias e preços do carbono e da água.
Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram. (E) políticas de crescimento e preços adequados.

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PORTUGUÊS

02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta
adap.). Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho gri- e respectivamente, considerando a norma culta da língua.
fado está corretamente substituído por um pronome em: A) a que … acaba … à
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo B) com que … acabam … à
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo- C) de que … acabam … a
lhes desalentado D) em que … acaba … a
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de E) dos quais … acaba … à
conhecê-lo?
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não 08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013-
parecia ser-lhe adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e res-
E) incomodaram o general... − incomodaram-no pectivamente, as lacunas do trecho.
______alguns anos, num programa de televisão, uma jo-
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). vem fazia referência______ violência______ o brasileiro estava
A substituição do elemento grifado pelo pronome cor- sujeito de forma cômica.
respondente, com os necessários ajustes, foi realizada de A) Fazem... a ... de que
modo INCORRETO em: B) Faz ...a ... que
A) mostrando o rio= mostrando-o. C) Fazem ...à ... com que
B) como escolher sítio= como escolhê-lo. D) Faz ...à ... que
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes. E) Faz ...à ... a que
D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada
lhes acrescentariam. 09. (TRF 3ª região- Técnico Judiciário - /2014)
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas. As sereias então devoravam impiedosamente os tripu-
lantes.
04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a ... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabe-
alternativa em que o pronome destacado está posicionado ça...
de acordo com a norma-padrão da língua. ... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta. Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família.
grifados acima foram corretamente substituídos por um
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais.
pronome, na ordem dada, em:
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha.
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança.
(B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes
(C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alterna-
(D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los
tiva cujo emprego do pronome está em conformidade com
(E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los
a norma padrão da língua.
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos.
(B) Nos falaram que a diplomacia americana está aba- 10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013-
lada. adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks. estabelecimentos felizmente comprovam os acontecimen-
(D) Conformado, se rendeu às punições. tos, e testemunhas vão ajudar a polícia na investigação.
(E) Todos querem que combata-se a corrupção. – de acordo com a norma-padrão, os pronomes que subs-
tituem, corretamente, os termos em destaque são:
06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale A) os comprovam … ajudá-la.
a alternativa correta quanto à colocação pronominal, de B) os comprovam …ajudar-la.
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. C) os comprovam … ajudar-lhe.
(A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
eles sejam sempre trazidos junto ao corpo. E) lhes comprovam … ajudá-la.
(B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situa-
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. GABARITO
(C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos
restituir um objeto à pessoa que o perdeu. 01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que 06. A 07. C 08. E 09. A 10. A
abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma ten-
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.

07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013).


Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ-
tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______
prazo.

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PORTUGUÊS

RESOLUÇÃO devoravam - verbo terminado em “m” = pronome oblí-


quo no/na (fizeram-na, colocaram-no)
1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primei- impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto;
ro, não está claro até onde pode realmente chegar uma “lhe” é para objeto indireto
política baseada em melhorar a eficiência sem preços ade- convencer - verbo transitivo direto = pede objeto direto;
quados para o carbono, a água e (na maioria dos países “lhe” é para objeto indireto
pobres) a terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
preços do carbono e da água faça em si diferença, as com-
panhias não podem suportar ter de pagar, de repente, di- 10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabeleci-
gamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer mentos felizmente comprovam os acontecimentos, e teste-
preparação. Portanto, elas começam a usar preços-som- munhas vão ajudar a polícia na investigação.
bra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma- felizmente os comprovam ... ajudá-la
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos. (advérbio)
E sem eles a maioria das políticas de crescimento verde
sempre será a segunda opção. Substantivo

2-) Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Subs-
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los tantivo é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os denominam os seres. Além de objetos, pessoas e fenômenos,
desalentado os substantivos também nomeiam:
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de -lugares: Alemanha, Porto Alegre...
conhecê-las ? -sentimentos: raiva, amor...
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não -estados: alegria, tristeza...
parecia sê-lo -qualidades: honestidade, sinceridade...
-ações: corrida, pescaria...
3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las
Morfossintaxe do substantivo
4-)
(A) Ela não se lembrava do caminho de volta. Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em ge-
(B) A menina tinha se distanciado muito da família. ral exerce funções diretamente relacionadas com o verbo:
(C) A garota disse que se perdeu dos pais. atua como núcleo do sujeito, dos complementos verbais
(E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança (objeto direto ou indireto) e do agente da passiva. Pode ain-
da funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
5-) aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do objeto ou
(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos. como núcleo do vocativo. Também encontramos substan-
(B) Falaram-nos que a diplomacia americana está aba- tivos como núcleos de adjuntos adnominais e de adjuntos
lada. adverbiais - quando essas funções são desempenhadas por
(D) Conformado, rendeu-se às punições. grupos de palavras.
(E) Todos querem que se combata a corrupção.
Classificação dos Substantivos
6-) 1- Substantivos Comuns e Próprios
(B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação
de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila, com
(C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Bra-
restituir um objeto à pessoa que o perdeu. sil, toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
(D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que cidade (em oposição aos bairros).
abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma ten- Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas e
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos. edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada cidade.
Isso significa que a palavra cidade é um substantivo comum.
7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
produtos de que não necessitam e acabam tendo uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, ho-
de pagar tudo a prazo. mem, mulher, país, cachorro.
Estamos voando para Barcelona.
8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma
jovem fazia referência à violência a que o brasileiro O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es-
estava sujeito de forma cômica. pécie cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Pró-
Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular prio: é aquele que designa os seres de uma mesma espécie
9-) de forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.

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PORTUGUÊS

2 - Substantivos Concretos e Abstratos Substantivo coletivo Conjunto de:


assembleia pessoas reunidas
LÂMPADA MALA alcateia lobos
acervo livros
Os substantivos lâmpada e mala designam seres com antologia trechos literários selecionados
existência própria, que são independentes de outros seres. arquipélago ilhas
São substantivos concretos. banda músicos
bando desordeiros ou malfeitores
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que banca examinadores
existe, independentemente de outros seres. batalhão soldados
Obs.: os substantivos concretos designam seres do cardume peixes
mundo real e do mundo imaginário. caravana viajantes peregrinos
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, cacho frutas
Brasília, etc. cáfila camelos
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- cancioneiro canções, poesias líricas
ma, etc. colmeia abelhas
chusma gente, pessoas
Observe agora: concílio bispos
Beleza exposta congresso parlamentares, cientistas.
Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual. elenco atores de uma peça ou filme
esquadra navios de guerra
O substantivo beleza designa uma qualidade. enxoval roupas
falange soldados, anjos
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que fauna animais de uma região
dependem de outros para se manifestar ou existir. feixe lenha, capim
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser flora vegetais de uma região
observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa frota navios mercantes, ônibus
ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para girândola fogos de artifício
se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo horda bandidos, invasores
abstrato. junta médicos, bois, credores, examinadores
Os substantivos abstratos designam estados, qualida- júri jurados
des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser legião soldados, anjos, demônios
abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado), leva presos, recrutas
rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento). malta malfeitores ou desordeiros
manada búfalos, bois, elefantes,
3 - Substantivos Coletivos matilha cães de raça
molho chaves, verduras
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra multidão pessoas em geral
abelha, mais outra abelha. ninhada pintos
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. penca bananas, chaves
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- pinacoteca pinturas, quadros
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, quadrilha ladrões, bandidos
mais outra abelha... ramalhete flores
No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural. rebanho ovelhas
No terceiro caso, empregou-se um substantivo no sin- récua bestas de carga, cavalgadura
gular (enxame) para designar um conjunto de seres da repertório peças teatrais, obras musicais
mesma espécie (abelhas). réstia alhos ou cebolas
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. romanceiro poesias narrativas
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mes- revoada pássaros
mo estando no singular, designa um conjunto de seres da sínodo párocos
mesma espécie. talha lenha
tropa muares, soldados
turma estudantes, trabalhadores
vara porcos

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PORTUGUÊS

Formação dos Substantivos Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes

Substantivos Simples e Compostos Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar no-


mes de seres vivos, geralmente o gênero da palavra está
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a relacionado ao sexo do ser, havendo, portanto, duas for-
terra. mas, uma para o masculino e outra para o feminino. Obser-
O substantivo chuva é formado por um único elemento ve: gato – gata, homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito
ou radical. É um substantivo simples. - prefeita
Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam
Substantivo Simples: é aquele formado por um único uma única forma, que serve tanto para o masculino quanto
elemento. para o feminino. Classificam-se em:
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja - Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré
elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. fêmea.
- Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pes-
Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou soas: a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio,
mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo. o ídolo, o indivíduo.
- Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pes-
Substantivos Primitivos e Derivados soas por meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a
doente, o artista e a artista.
Meu limão meu limoeiro,
meu pé de jacarandá... Saiba que: Substantivos de origem grega terminados
em ema ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o
O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de sistema, o sintoma, o teorema.
nenhum outro dentro de língua portuguesa. - Existem certos substantivos que, variando de gênero,
variam em seu significado: o rádio (aparelho receptor) e a
Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de rádio (estação emissora) o capital (dinheiro) e a capital (ci-
nenhuma outra palavra da própria língua portuguesa. O dade)
substantivo limoeiro é derivado, pois se originou a partir
da palavra limão. Formação do Feminino dos Substantivos Biformes

Substantivo Derivado: é aquele que se origina de ou- - Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno -
tra palavra. aluna.
- Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao
Flexão dos substantivos masculino: freguês - freguesa
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- três formas:
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por - troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
exemplo, pode sofrer variações para indicar: - troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
Plural: meninos Feminino: menina -troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho
Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão -
Flexão de Gênero sultana
- Substantivos terminados em -or:
Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar - acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há - troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz
dois gêneros: masculino e feminino. Pertencem ao gênero
masculino os substantivos que podem vir precedidos dos - Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: cônsul
artigos o, os, um, uns. Veja estes títulos de filmes: - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque -
O velho e o mar duquesa / conde - condessa / profeta - profetisa
Um Natal inesquecível - Substantivos que formam o feminino trocando o -e
Os reis da praia final por -a: elefante - elefanta

Pertencem ao gênero feminino os substantivos que po- - Substantivos que têm radicais diferentes no masculino
dem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
A história sem fim
Uma cidade sem passado - Substantivos que formam o feminino de maneira es-
As tartarugas ninjas pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores:
czar – czarina réu - ré

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PORTUGUÊS

Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido,
Epicenos: a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
- São geralmente masculinos os substantivos de ori-
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
para indicar o masculino e o feminino. telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o traco-
para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha- ma, o hematoma.
mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras
macho e fêmea. Gênero dos Nomes de Cidades:
A cobra macho picou o marinheiro.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.
A histórica Ouro Preto.
Sobrecomuns:
A dinâmica São Paulo.
Entregue as crianças à natureza.
A acolhedora Porto Alegre.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo mas- Uma Londres imensa e triste.
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: Gênero e Significação:
A criança chorona chamava-se João.
A criança chorona chamava-se Maria. Muitos substantivos têm uma significação no masculi-
no e outra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que
Outros substantivos sobrecomuns: à frente da tropa, indica os movimentos que se deve realizar
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa em conjunto; o que vai à frente de um bloco carnavalesco,
criatura. manejando um bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de marca um limite ou proibição de trânsito), o cabeça (che-
Marcela faleceu fe), a cabeça (parte do corpo), o cisma (separação religiosa,
dissidência), a cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza
Comuns de Dois Gêneros: (a cor cinzenta), a cinza (resíduos de combustão), o capital
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. (dinheiro), a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a
coma (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? coro), a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usa-
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma do na administração da crisma e de outros sacramentos), a
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a cura
A distinção de gênero pode ser feita através da análise (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta
do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti- planície de vegetação), o guia (pessoa que guia outras), a
vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem guia (documento, pena grande das asas das aves), o gra-
- uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran- ma (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (funcionário
cês - repórter francesa
da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamentos), o lente
- A palavra personagem é usada indistintamente nos
(professor), a lente (vidro de aumento), o moral (ânimo), a
dois gêneros.
moral (honestidade, bons costumes, ética), o nascente (lado
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada pre-
ferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens os onde nasce o Sol), a nascente (a fonte), o maria-fumaça
personagens dos contos de carochinha. (trem como locomotiva a vapor), maria-fumaça (locomoti-
b) Com referência a mulher, deve-se preferir o feminino: va movida a vapor), o pala (poncho), a pala (parte anterior
O problema está nas mulheres de mais idade, que não acei- do boné ou quepe, anteparo), o rádio (aparelho receptor), a
tam a personagem. rádio (estação emissora), o voga (remador), a voga (moda,
popularidade).
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
fotográfico Ana Belmonte. Flexão de Número do Substantivo
Observe o gênero dos substantivos seguintes:
Em português, há dois números gramaticais: o singular,
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que
(pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica
maracajá, o clã, o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o do plural é o “s” final.
soprano, o proclama, o pernoite, o púbis.

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PORTUGUÊS

Plural dos Substantivos Simples - Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
“n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – feitos
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
- cânones. numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural
em “ns”: homem - homens. - Flexiona-se somente o segundo elemento, quando
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plu- formados de:
ral pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raí- verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
zes. palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
Atenção: O plural de caráter é caracteres. alto- -falantes
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexio-
nam-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quin- - Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando
tais; caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e ma- formados de:
les, cônsul e cônsules. substantivo + preposição clara + substantivo = água-
de-colônia e águas-de-colônia
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de substantivo + preposição oculta + substantivo = cava-
duas maneiras: lo-vapor e cavalos-vapor
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis substantivo + substantivo que funciona como determi-
nante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba
-relógio - bombas-relógio, notícia-bomba - notícias-bomba,
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas homem-rã - homens-rã, peixe-espada - peixes-espada.
maneiras: répteis ou reptis (pouco usada).
- Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de - Permanecem invariáveis, quando formados de:
duas maneiras: verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os sa-
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o ca-rolhas
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
- Casos Especiais
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam inva- o louva-a-deus e os louva-a-deus
riáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres
- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural o joão-ninguém e os joões-ninguém.
de três maneiras.
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações Plural das Palavras Substantivadas
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
- Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: no plural, as flexões próprias dos substantivos.
o látex - os látex. Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
Plural dos Substantivos Compostos Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou
-A formação do plural dos substantivos compostos de- “z” não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui-
pende da forma como são grafados, do tipo de palavras tos seis e alguns dez.
que formam o composto e da relação que estabelecem
entre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam- Plural dos Diminutivos
se como os substantivos simples: aguardente/aguarden-
tes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malme- Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final
quer/malmequeres. e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos pãe(s) + zinhos = pãezinhos
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e animai(s) + zinhos = animaizinhos
discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: botõe(s) + zinhos = botõezinhos
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
farói(s) + zinhos = faroizinhos
tren(s) + zinhos = trenzinhos

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PORTUGUÊS

colhere(s) + zinhas = colherezinhas Particularidades sobre o Número dos Substantivos


flore(s) + zinhas = florezinhas
mão(s) + zinhas = mãozinhas - Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
papéi(s) + zinhos = papeizinhos norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas - Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
funi(s) + zinhos = funizinhos as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos - Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do sin-
pai(s) + zinhos = paizinhos gular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, bom
pé(s) + zinhos = pezinhos nome) e honras (homenagem, títulos).
pé(s) + zitos = pezitos - Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas com
sentido de plural:
Plural dos Nomes Próprios Personativos Aqui morreu muito negro.
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas improvisadas.
sempre que a terminação preste-se à flexão.
Os Napoleões também são derrotados. Flexão de Grau do Substantivo
As Raquéis e Esteres.
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir as
Plural dos Substantivos Estrangeiros variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
- Grau Normal - Indica um ser de tamanho considerado
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es- normal. Por exemplo: casa
critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exce- - Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho
to quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os do ser. Classifica-se em:
jazz.
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjeti-
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acor- vo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
do com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indica-
jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons,
dor de aumento. Por exemplo: casarão.
os réquiens.
Observe o exemplo:
- Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
Este jogador faz gols toda vez que joga.
do ser. Pode ser:
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Plural com Mudança de Timbre Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indica-
dor de diminuição. Por exemplo: casinha.
Certos substantivos formam o plural com mudança de
timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato Verbo
fonético chamado metafonia (plural metafônico).
Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pes-
Singular Plural soa, número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros
corpo (ô) corpos (ó) processos: ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover);
esforço esforços ocorrência (nascer); desejo (querer).
fogo fogos O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os
forno fornos seus possíveis significados. Observe que palavras como cor-
fosso fossos rida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo ao de
imposto impostos alguns verbos mencionados acima; não apresentam, porém,
olho olhos todas as possibilidades de flexão que esses verbos possuem.
osso (ô) ossos (ó)
ovo ovos Estrutura das Formas Verbais
poço poços
porto portos Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode
posto postos apresentar os seguintes elementos:
tijolo tijolos - Radical: é a parte invariável, que expressa o significa-
do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am.
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol- (radical fal-)
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc. - Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica
Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: fala-r
de molho (ó) = feixe (molho de lenha). São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar), 2ª
- Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I - (partir).

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PORTUGUÊS

- Desinência modo-temporal: é o elemento que de- ** Todos os verbos que indicam fenômenos da natu-
signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar,
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.) amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói,
falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.) “Amanheci mal- -humorado”, usa-se o verbo “ama-
nhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo impessoal,
- Desinência número-pessoal: é o elemento que de- empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal
signa a pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (sin- para ser pessoal.
gular ou plural):
falamos (indica a 1ª pessoa do plural.) Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu)
falavam (indica a 3ª pessoa do plural.) Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados
(compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, ** São impessoais, ainda:
pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”,
apesar de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em 1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando
algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc. tempo: Já passa das seis.
2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas de, indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blas-
fêmias.
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura 3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem re-
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento ferência a sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda,
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-
exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai se, tais verbos, então, pessoais.
no radical, mas sim na terminação verbal: opinei, aprende-
4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de
rão, nutriríamos.
“ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Classificação dos Verbos
Dá para me arrumar uns trocados?
Classificam-se em:
* Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conju-
gam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências
plural.
normais de sua conjugação e cuja flexão não provoca al-
A fruta amadureceu.
terações no radical: canto cantei cantarei cantava As frutas amadureceram.
cantasse.
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera- Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como
ções no radical ou nas desinências: faço fiz farei verbos pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadu-
fizesse. receu bastante.
Entre os unipessoais estão os verbos que significam vo-
- Defectivos: são aqueles que não apresentam con- zes de animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodilo,
jugação completa. Classificam-se em impessoais, unipes- cacarejar: galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo
soais e pessoais:
* Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Nor- Os principais verbos unipessoais são:
malmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os 1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser
principais verbos impessoais são: (preciso, necessário, etc.):
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos
** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali- bastante.)
zar-se ou fazer (em orações temporais). Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam) É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão) 2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, segui-
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) dos da conjunção que.
Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de
** fazer, ser e estar (quando indicam tempo) fumar.)
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil. Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo
Era primavera quando a conheci. Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
Estava frio naquele dia. Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.

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PORTUGUÊS

* Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:
- verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que
provavelmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.

- verbo computar. Este verbo teria como formas do presente do indicativo computo, computas, computa - formas de
sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o uso efetivo de
formas verbais repudiadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que, com o desenvolvimento
e a popularização da informática, tem sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.

- Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma
ocorrer no particípio, em que, além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas
(particípio irregular). Observe:

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais,
ides, fui, foste, pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal,
quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar as moscas.


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

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PORTUGUÊS

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

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PORTUGUÊS

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mes-
ma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:

- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abs-
ter-se, ater- -se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade
já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

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PORTUGUÊS

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) Formas Nominais


tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for-
verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula mas que podem exercer funções de nomes (substantivo,
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas
com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de refor- nominais. Observe:
ço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo.
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de
respectivos pronomes): substantivo. Por exemplo:
Eu me arrependo Viver é lutar. (= vida é luta)
Tu te arrependes É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen-
Vós vos arrependeis te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por
Eles se arrependem exemplo:
É preciso ler este livro.
- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos Era preciso ter lido este livro.
em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o obje-
to representado por pronome oblíquo da mesma pessoa - Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três
do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não
ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou tran- apresenta desinências, assumindo a mesma forma do im-
sitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
pronomes mencionados, formando o que se chama voz 2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu)
reflexiva. Por exemplo: Maria se penteava. 1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós)
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode 2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós)
ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo: 3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles)
Maria penteou-me.
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma
Observações: boa colocação.
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes
oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem - Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo
função sintática. ou advérbio. Por exemplo:
- Há verbos que também são acompanhados de pro- Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ad-
nomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente vérbio)
pronominais, são os verbos reflexivos. Nos verbos refle- Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de ad-
xivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa jetivo)
idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exem- Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em
plo: curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exem-
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me plo:
(objeto direto) - 1ª pessoa do singular Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
Modos Verbais - Particípio: quando não é empregado na formação
dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gê-
pelo verbo na expressão de um fato. Em Português, exis- nero, número e grau. Por exemplo:
tem três modos: Terminados os exames, os candidatos saíram.

Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu sem-


pre estudo. Quando o particípio exprime somente estado, sem ne-
nhuma relação temporal, assume verdadeiramente a fun-
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Tal- ção de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a alu-
vez eu estude amanhã. na escolhida para representar a escola.

Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda


agora, menino.

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PORTUGUÊS

Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos.
Veja:
1. Tempos do Indicativo

- Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.

- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.

- Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.

- Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha estudado as
lições quando os amigos chegaram. (forma composta) Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma simples).

- Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.

- Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se eu tivesse
dinheiro, viajaria nas férias.

2. Tempos do Subjuntivo

- Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o
jogo.
Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por
exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do campeonato.

- Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.
Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier à
loja, levará as encomendas.

Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

49
PORTUGUÊS

Pretérito mais-que-perfeito

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª/2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

50
PORTUGUÊS

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-
se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa
correspondente.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

51
PORTUGUÊS

Observações:

- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.

- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - ASSISTENTE SOCIAL JUDICIÁRIO - VUNESP/2012) Assinale a
alternativa em que todos os verbos estão conjugados segundo a norma-padrão.
(A) Absteu-se do álcool durante anos; agora, voltou ao vício.
(B) Perderam seus documentos durante a viagem, mas já os reaveram.
(C) Avisem-me, se vocês verem que estão ocorrendo conflitos.
(D) Só haverá acordo se nós propormos uma boa indenização.
(E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos eletrônicos.

02. (TRT/AL - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014)


... e então percorriam as pouco povoadas estepes da Ásia Central até o mar Cáspio e além.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em:
(A) ... e de lá por navios que contornam a Índia...
(B) ... era a capital da China.
(C) A Rota da Seda nunca foi uma rota única...
(D) ... dispararam na última década.
(E) ... que acompanham as fronteiras ocidentais chinesas...

03. (TRF - 2ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2012) O emprego, a grafia e a flexão dos verbos estão corretos em:
(A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty não prescindiram e não requiseram mais do que o esquecimento
e a passagem do tempo.
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge do es-
quecimento, em 1974.
(C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a importância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, sobreviram
longos anos de esquecimento.
(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos atro-
pelos do turismo selvagem.
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para que obtesse, agora em definitivo, o prestígio de um polo turístico
de inegável valor histórico.

04. (TRF - 3ª REGIÃO - ANALISTA JUDICIÁRIO - FCC/2014) Tinham seus prediletos ...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em:
(A) Dumas consentiu.
(B) ... levaram com eles a instituição do “lector”.
(C) ... enquanto uma fileira de trabalhadores enrolam charutos...
(D) Despontava a nova capital mundial do Havana.
(E) ... que cedesse o nome de seu herói...

05.(Analista – Arquitetura – FCC – 2013-adap.). Está adequada a correlação entre tempos e modos verbais na frase:

52
PORTUGUÊS

A) Os que levariam a vida pensando apenas nos valores Assinale a alternativa que, respectivamente, substitui o
absolutos talvez façam melhor se pensassem no encanto verbo haver pelo verbo existir, conservando o tempo e o
dos pequenos bons momentos. modo.
B) Há até quem queira saber quem fosse o maior ban- (A) Existe – existe
dido entre os que recebessem destaque nos popularescos (B) Existem – existirão
programas da TV. (C) Existirão – existirá
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos- (D) Existem – existirá
tam tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tenha (E) Existiriam – existiria
aspirações a ser metafísica.
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levarem em 10. (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu- ... pois assim se via transportado de volta “à glória que foi
par-se com os degraus da notoriedade. a Grécia e à grandeza que foi Roma”.
E) Quanto mais aproveitássemos o que houvesse de O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
grande nos momentos felizes, menos precisaríamos nos grifado acima está em:
preocupar com conquistas superlativas.
a) Poe certamente acreditava nisso...
b) Se Grécia e Roma foram, para Poe, uma espécie de
06. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO –
casa...
FCC/2012) ...Ou pretendia.
c) ... ainda seja por nós obscuramente sentido como
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
grifado acima está em: verdadeiro, embora não de modo consciente.
a) ... ao que der ... d) ... como um legado que provê o fundamento de nos-
b) ... virava a palavra pelo avesso ... sas sensibilidades.
c) Não teria graça ... e) Seria ela efetivamente, para o poeta, uma encarnação
d) ... um conto que sai de um palíndromo ... da princesa homérica?
e) ... como decidiu o seu destino de escritor.
GABARITO
07. (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014) É importante
que a inserção da perspectiva da sustentabilidade na cultu- 01.E 02. B 03. D 04. D 05. E
ra empresarial, por meio das ações e projetos de Educação 06.B 07. E 08. C 09. D 10.B
Ambiental, esteja alinhada a esses conceitos.
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o RESOLUÇÃO
verbo grifado na frase acima está em:
(A) ... a Empresa desenvolve todas as suas ações, polí- 1-) Correção à frente:
ticas... (A) Absteu-se = absteve-se
(B) ... as definições de Educação Ambiental são abran- (B) mas já os reaveram = reouveram
gentes... (C) se vocês verem = virem
(C) ... também se associa o Desenvolvimento Susten- (D) Só haverá acordo se nós propormos = propusermos
tável... (E) Antes do jantar, a criançada se entretinha com jogos
(D) ... e incorporou [...] também aspectos de desenvol- eletrônicos.
vimento humano.
(E)... e reforce a identidade das comunidades. 2-) Percorriam = Pretérito Imperfeito do Indicativo
A = contornam – presente do Indicativo
08. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JA- B = era = pretérito imperfeito do Indicativo
NEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIO-
C = foi = pretérito perfeito do Indicativo
TECONOMIA – FGV PROJETOS /2014) Na frase “se você
D = dispararam = pretérito mais-que-perfeito do Indi-
quiser ir mais longe”, a forma verbal empregada tem sua
cativo
forma corretamente conjugada. A frase abaixo em que a
E = acompanham = presente do Indicativo
forma verbal está ERRADA é
(A) se você se opuser a esse desejo. 3-) Acrescentei as formas verbais adequadas nas ora-
(B) se você requerer este documento. ções analisadas:
(C) se você ver esse quadro. (A) A revalorização e a nova proeminência de Paraty
(D) se você provier da China. não prescindiram e não requiseram (requereram) mais do
(E) se você se entretiver com o jogo. que o esquecimento e a passagem do tempo.
(B) Quando se imaginou que Paraty havia sido para
09. (PREFEITURA DE SÃO CARLOS/SP – ENGENHEIRO – sempre renegada a um segundo plano, eis que ela imerge
ÁREA CIVIL – VUNESP/2011) Considere as frases: (emerge) do esquecimento, em 1974.
I. Há diversos projetos de lei em tramitação na Câmara. (C) A cada novo ciclo econômico retificava-se a impor-
II. Caso a bondade seja aprovada, haverá custo adicional tância estratégica de Paraty, até que, a partir de 1855, so-
de 5,4 bilhões de reais por ano. breviram (sobrevieram) longos anos de esquecimento.

53
PORTUGUÊS

(D) A Casa Azul envidará todos os esforços, refreando 10-) Foi = pretérito perfeito do Indicativo
as ações predatórias, para que a cidade não sucumba aos a) Poe certamente acreditava = pretérito imperfeito do
atropelos do turismo selvagem. Indicativo
(E) Paraty imbuiu da sorte e do destino os meios para b) Se Grécia e Roma foram = pretérito perfeito do In-
que obtesse, (obtivesse) agora em definitivo, o prestígio de dicativo
um polo turístico de inegável valor histórico. c) ... ainda seja = presente do Subjuntivo
d) ... como um legado que provê = presente do Indi-
4-)Tinham = pretérito imperfeito do Indicativo. Vamos cativo
às alternativas: e) Seria = futuro do pretérito do Indicativo
Consentiu = pretérito perfeito / levaram = pretérito
perfeito (e mais-que-perfeito) do Indicativo Vozes do Verbo
Despontava = pretérito imperfeito do Indicativo
Cedesse = pretérito do Subjuntivo Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para
5-) indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente da
A) Os que levam a vida pensando apenas nos valores ação. São três as vozes verbais:
absolutos talvez fariam melhor se pensassem no encanto
dos pequenos bons momentos. - Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação
B) Há até quem queira saber quem é o maior bandido expressa pelo verbo. Por exemplo:
entre os que recebem destaque nos popularescos progra- Ele fez o trabalho.
mas da TV. sujeito agente ação objeto (paciente)
C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gos-
tem tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tem - Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a
aspirações a ser metafísica. ação expressa pelo verbo. Por exemplo:
D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levassem em O trabalho foi feito por ele.
conta nossa condição de mortais, não precisariam preocu- sujeito paciente ação agente da pas-
par-se com os degraus da notoriedade. siva
6-) Pretendia = pretérito imperfeito do Indicativo - Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agen-
a) ... ao que der ... = futuro do Subjuntivo te e paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo:
b) ... virava = pretérito imperfeito do Indicativo O menino feriu-se.
c) Não teria = futuro do pretérito do Indicativo
d) ... um conto que sai = presente do Indicativo
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com
e) ... como decidiu = pretérito perfeito do Indicativo
a noção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao
outro)
7-) O verbo “esteja” está no presente do Subjuntivo.
(A) ... a Empresa desenvolve = presente do Indicativo
Formação da Voz Passiva
(B) ... as definições de Educação Ambiental são = pre-
sente do Indicativo
(C) ... também se associa o Desenvolvimento Sustentá- A voz passiva pode ser formada por dois processos:
vel... = presente do Indicativo analítico e sintético.
(D) ... e incorporou [...] = pretérito perfeito do Indicativo
(E)... e reforce a identidade das comunidades. = presen- 1- Voz Passiva Analítica
te do Subjuntivo.
8-) Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio
(A) se você se opuser a esse desejo. do verbo principal. Por exemplo:
(B) se você requerer este documento. A escola será pintada.
(C) se você ver esse quadro.= se você vir O trabalho é feito por ele.
(D) se você provier da China.
(E) se você se entretiver com o jogo. Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado
da preposição por, mas pode ocorrer a construção com
9-) Há = presente do Indicativo / haverá = futuro do a preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de sol-
presente do indicativo. dados.
Ao substituirmos pelo verbo “existir”, lembremo-nos de - Pode acontecer ainda que o agente da passiva não
que esse sofrerá flexão de número (irá para o plural, caso esteja explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
seja necessário): - A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar
I. Existem diversos projetos de lei em tramitação na Câ- (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma-
mara. ção das frases seguintes:
II. Caso a bondade seja aprovada, existirá custo adicio- a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)
nal de 5,4 bilhões de reais por ano. O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indi-
Existem / existirá. cativo)

54
PORTUGUÊS

b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) Saiba que:


O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo)
- Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexi-
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) vos, são chamados neutros.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) O vinho é bom.
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume Aqui chove muito.
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte: - Há formas passivas com sentido ativo:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio) Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva
analítica com outros verbos que podem eventualmente - Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo:
funcionar como auxiliares. Por exemplo: A moça ficou mar- Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
cada pela doença. Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
2- Voz Passiva Sintética - Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido
cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o su-
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com
jeito é paciente.
o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE.
Chamo-me Luís.
Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso. Batizei-me na Igreja do Carmo.
Destruiu-se o velho prédio da escola. Operou-se de hérnia.
Vacinaram-se contra a gripe.
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva
sintética. Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf54.php
Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz la-
tina de paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacio- Questões sobre Vozes dos Verbos
nam com o significado sofrimento, padecimento. Daí vem
o significado de voz passiva como sendo a voz que expres- 01. (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) A frase
sa a ação sofrida pelo sujeito. Na voz passiva temos dois que admite transposição para a voz passiva é:
elementos que nem sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE (A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.
e AGENTE DA PASSIVA. (B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma gran-
de diversidade de fenômenos.
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva (C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade,
a própria sociedade e seu instrumento de unificação.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs- (D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida (...).
tancialmente o sentido da frase. (E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e
da falsa consciência.
Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto 02. (TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) ... a Co-
reia do Norte interrompeu comunicações com o vizinho ...
A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Pas- Transpondo a frase acima para a voz passiva, a forma ver-
siva) bal corretamente obtida é:
Sujeito da Passiva Agente da Passiva
a) tinha interrompido.
b) foram interrompidas.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o
sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo c) fora interrompido.
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo. d) haviam sido interrompidas.
Observe mais exemplos: e) haveriam de ser interrompidas.
- Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos 03. (FCC-TRE-Analista Judiciário – 2011) Transpondo-se
mestres. para a voz passiva a frase Hoje a autoria institucional en-
frenta séria concorrência dos autores anônimos, obter-se-á
- Eu o acompanharei. a seguinte forma verbal:
Ele será acompanhado por mim. (A) são enfrentados.
(B) tem enfrentado.
Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, (C) tem sido enfrentada.
não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: (D) têm sido enfrentados.
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado. (E) é enfrentada.

55
PORTUGUÊS

04. (TRF - 5ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – 09. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – CASA CI-
FCC/2012) Para o Brasil, o fundamental é que, ao exercer a VIL – EXECUTIVO PÚBLICO – FCC/2010) Transpondo a frase
responsabilidade de proteger pela via militar, a comunida- o diretor estava promovendo seu filme para a voz passiva,
de internacional [...] observe outro preceito ... obtém-se corretamente o seguinte segmento:
Transpondo-se o segmento grifado acima para a voz (A) tinha recebido promoção.
passiva, a forma verbal resultante será: (B) estaria sendo promovido.
a) é observado. (C) fizera a promoção.
b) seja observado. (D) estava sendo promovido.
c) ser observado. (E) havia sido promovido.
d) é observada.
e) for observado. 10. -) (MPE/PE – ANALISTA MINISTERIAL – FCC/2012)
Da sede do poder no Brasil holandês, Marcgrave acompa-
05. (Analista de Procuradoria – FCC – 2013-adap) Trans- nhou e anotou, sempre sozinho, alguns fenômenos celestes,
pondo- -se para a voz passiva a frase O poeta teria sobretudo eclipses lunares e solares.
aberto um diálogo entre as duas partes, a forma verbal re-
sultante será: Ao transpor-se a frase acima para a voz passiva, as for-
A) fora aberto. mas verbais resultantes serão:
B) abriria. a) eram anotados e acompanhados.
C) teria sido aberto. b) fora anotado e acompanhado.
D) teriam sido abertas. c) foram anotados e acompanhados.
E) foi aberto. d) anota-se e acompanha-se.
e) foi anotado e acompanhado.
06.(SEE/SP – PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA II E PRO-
FESSOR II – LÍNGUA PORTUGUESA - FCC/2011) ...permite GABARITO
que os criadores tomem atitudes quando a proliferação
de algas tóxicas ameaça os peixes. 01. B 02.B 03. E 04.B 05. C
A transposição para a voz passiva da oração grifada 06. E 07. D 08. D 09.D 10.C
acima teria, de acordo com a norma culta, como forma
verbal resultante:
RESOLUÇÃO
(A) ameaçavam.
(B) foram ameaçadas.
1-)
(C) ameaçarem.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.
(D) estiver sendo ameaçada.
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma
(E) forem ameaçados.
grande diversidade de fenômenos.
07. (INFRAERO – ENGENHEIRO SANITARISTA – - Uma grande diversidade de fenômenos é unificada e
FCC/2011) Transpondo-se para a voz passiva a frase Um explicada pelo conceito...
figurante pode obscurecer a atuação de um protagonista, a (C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda-
forma verbal obtida será: de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação.
(A) pode ser obscurecido. (D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da
(B) obscurecerá. vida (...).
(C) pode ter obscurecido. (E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido
(D) pode ser obscurecida. e da falsa consciência.
(E) será obscurecida.
2-) ... a Coreia do Norte interrompeu comunicações
08.(GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PRO- com o vizinho = voz ativa com um verbo, então a passiva
CON – ADVOGADO – CEPERJ/2012) “todos que são impac- terá dois: comunicações com o vizinho foram interrompi-
tados pelas mídias de massa” das pela Coreia...
O fragmento transcrito acima apresenta uma constru-
ção na voz passiva do verbo. Outro exemplo de voz passiva 3-) Hoje a autoria institucional enfrenta séria concor-
encontra-se em: rência dos autores anônimos = Séria concorrência é en-
A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões frentada pela autoria...
de compra de uma família”
B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do 4-) a comunidade internacional [...] observe outro pre-
mercado para a persuasão do público infantil” ceito = se na voz ativa temos um verbo, na passiva tere-
C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as mos dois: outro preceito seja observado.
crianças brasileiras nas práticas de consumo.”
D) “Elas são assediadas pelo mercado” 5-) O poeta teria aberto um diálogo entre as duas par-
E) “valores distorcidos são de fato um problema de or- tes = Um diálogo teria sido aberto...
dem ética”

56
PORTUGUÊS

6-) Quando a proliferação ameaça os peixes = voz ativa 3) Quando o sujeito é representado por expressões par-
Quando os peixes forem ameaçados pela proliferação... titivas, representadas por “a maioria de, a maior parte de,
= voz passiva a metade de, uma porção de” entre outras, o verbo tanto
pode concordar com o núcleo dessas expressões quanto
7-) Um figurante pode obscurecer a atuação de um com o substantivo que a segue: A maioria dos alunos resol-
protagonista. veu ficar. A maioria dos alunos resolveram ficar.
Se na voz ativa temos um verbo, na passiva teremos 4) No caso de o sujeito ser representado por expres-
dois; se na ativa temos dois, na passiva teremos três. Então: sões aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”,
A atuação de um protagonista pode ser obscurecida por o verbo concorda com o substantivo determinado por elas:
um figurante. Cerca de mil candidatos se inscreveram no concurso.
8-) 5) Em casos em que o sujeito é representado pela ex-
A) “As crianças brasileiras influenciam 80% das deci- pressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais
sões de compra de uma família” = voz ativa de um candidato se inscreveu no concurso de piadas.
B) “A publicidade na TV é a principal ferramenta do
Observação:
mercado para a persuasão do público infantil” = ativa (ver-
- No caso da referida expressão aparecer repetida ou
bo de ligação); não dá para passar para a passiva
associada a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo,
C) “evidenciaram outros fatores que influenciam as
crianças brasileiras nas práticas de consumo.” = ativa necessariamente, deverá permanecer no plural:
D) “Elas são assediadas pelo mercado” = voz passiva Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram na
E) “valores distorcidos são de fato um problema de or- campanha de doação de alimentos.
dem ética” = ativa (verbo de ligação); não dá para passar Mais de um formando se abraçaram durante as soleni-
para a passiva dades de formatura.
9-) o diretor estava promovendo seu filme = dois ver-
bos na voz ativa, três na passiva: seu filme estava sendo 6) Quando o sujeito for composto da expressão “um
produzido. dos que”, o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi
10-)Marcgrave acompanhou e anotou alguns fenô- um dos que atuaram na Copa América.
menos celestes = voz ativa com um verbo (sem auxiliar!),
então na passiva teremos dois: alguns fenômenos foram 7) Em casos relativos à concordância com locuções pro-
acompanhados e anotados por Marcgrave. nominais, representadas por “algum de nós, qual de vós,
quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário
nos atermos a duas questões básicas:
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL; - No caso de o primeiro pronome estar expresso no
plural, o verbo poderá com ele concordar, como poderá
também concordar com o pronome pessoal: Alguns de nós
o receberemos. / Alguns de nós o receberão.
Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos - Quando o primeiro pronome da locução estiver ex-
referindo à relação de dependência estabelecida entre um presso no singular, o verbo permanecerá, também, no sin-
termo e outro mediante um contexto oracional. Desta fei- gular: Algum de nós o receberá.
ta, os agentes principais desse processo são representados
pelo sujeito, que no caso funciona como subordinante; e o 8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo pro-
verbo, o qual desempenha a função de subordinado. nome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do
Dessa forma, temos que a concordância verbal caracte-
singular ou poderá concordar com o antecedente desse
riza-se pela adaptação do verbo, tendo em vista os quesi-
pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para
tos “número e pessoa” em relação ao sujeito. Exemplifican-
do, temos: O aluno chegou atrasado. Temos que o verbo ela. / Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela.
apresenta-se na terceira pessoa do singular, pois faz refe- 9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
rência a um sujeito, assim também expresso (ele). Como palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que
poderíamos também dizer: os alunos chegaram atrasados. antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós que toma-
Casos referentes a sujeito simples mos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo.
1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com
o núcleo em número e pessoa: O aluno chegou atrasado. 10) No caso de o sujeito aparecer representado por ex-
2) Nos casos referentes a sujeito representado por subs- pressões que indicam porcentagens, o verbo concordará
tantivo coletivo, o verbo permanece na terceira pessoa do com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa
singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos. porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão
Observação: da diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão.
- No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto
adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular ou Observações:
poderá ir para o plural: - Caso o verbo apareça anteposto à expressão de por-
Uma multidão de pessoas saiu aos gritos. centagem, esse deverá concordar com o numeral: Aprova-
Uma multidão de pessoas saíram aos gritos. ram a decisão da diretoria 50% dos funcionários.

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PORTUGUÊS

- Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no sin- Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos de-
gular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da dire- mais termos da oração para que concordem em gênero e
toria. número com o substantivo. Teremos que alterar, portanto,
- Em casos em que o numeral estiver acompanhado de o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome. Além disso,
determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural: temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira.
Os 50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria.
11) Nos casos em que o sujeito estiver representado Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o prono-
por pronomes de tratamento, o verbo deverá ser empre- me concordam em gênero e número com o substantivo.
gado na terceira pessoa do singular ou do plural: Vossas - A pequena criança é uma gracinha.
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.
Majestades gostaram das homenagens. Vossa Majestade
agradeceu o convite.
Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à
regra geral mostrada acima.
12) Casos relativos a sujeito representado por substan-
tivo próprio no plural se encontram relacionados a alguns a) Um adjetivo após vários substantivos
aspectos que os determinam: - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o
- Diante de nomes de obras no plural, seguidos do ver- plural ou concorda com o substantivo mais próximo.
bo ser, este permanece no singular, contanto que o predi- - Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
cativo também esteja no singular: Memórias póstumas de - Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
Brás Cubas é uma criação de Machado de Assis. - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural
- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo tam- masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
bém permanece no plural: Os Estados Unidos são uma po- - Ela tem pai e mãe louros.
tência mundial. - Ela tem pai e mãe loura.
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que - Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoria-
mente para o plural.
ele nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados
- O homem e o menino estavam perdidos.
Unidos é uma potência mundial. - O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
Casos referentes a sujeito composto b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
- Adjetivo anteposto normalmente concorda com o
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas mais próximo.
gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, es- Comi delicioso almoço e sobremesa.
tando relacionado a dois pressupostos básicos: Provei deliciosa fruta e suco.
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as
demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. - Adjetivo anteposto funcionando como predicativo:
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
na 2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são Estavam feridos o pai e os filhos.
primos. Estava ferido o pai e os filhos.

c) Um substantivo e mais de um adjetivo


2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer an- - antecede todos os adjetivos com um artigo.
teposto ao verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
dois filhos compareceram ao evento.
- coloca o substantivo no plural.
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao ver- Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.
bo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo ou d) Pronomes de tratamento
permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai e seus - sempre concordam com a 3ª pessoa.
dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos. Vossa Santidade esteve no Brasil.
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com
mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singu- e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
lar: Meu esposo e grande companheiro merece toda a felici- - Concordam com o substantivo a que se referem.
dade do mundo. As cartas estão anexas.
A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinô-
Obrigado, disse o rapaz.
nimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo
poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de - Após essas expressões o substantivo fica sempre no
meu esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha pre- singular e o adjetivo no plural.
miação é fruto de meu esforço. Renato advogou um e outro caso fáceis.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.

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PORTUGUÊS

g) É bom, é necessário, é proibido Questões sobre Concordância Nominal e Verbal


- Essas expressões não variam se o sujeito não vier pre-
cedido de artigo ou outro determinante. 01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A con-
Canja é bom. / A canja é boa. cordância verbal e nominal está inteiramente correta na
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença. frase:
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A en- (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores
trada é proibida. que determinam as escolhas dos governantes, para confe-
rir legitimidade a suas decisões.
h) Muito, pouco, caro (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem
- Como adjetivos: seguem a regra geral. ser embasados na percepção dos valores e princípios que
Comi muitas frutas durante a viagem. regem a prática política.
Pouco arroz é suficiente para mim. (C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadeiro
Os sapatos estavam caros. regime democrático, em que se respeita tanto as liberda-
- Como advérbios: são invariáveis. des individuais quanto as coletivas.
Comi muito durante a viagem. (D) As instituições fundamentais de um regime demo-
Pouco lutei, por isso perdi a batalha. crático não pode estar subordinado às ordens indiscrimi-
Comprei caro os sapatos. nadas de um único poder central.
(E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados
i) Mesmo, bastante para o momento eleitoral, que expõem as diferentes opi-
- Como advérbios: invariáveis niões existentes na sociedade.
Preciso mesmo da sua ajuda.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego. 02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de con-
cordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas
- Como pronomes: seguem a regra geral. em:
Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa lei-
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
tura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimora-
mento intelectual, estão na capacidade de criação do autor,
j) Menos, alerta
mediante palavras, sua matéria-prima.
- Em todas as ocasiões são invariáveis.
B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre
Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas. delineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor
ao ultrapassar os limites da época em que vivem seus au-
k) Tal Qual tores, gênios no domínio das palavras, sua matéria-prima.
- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas,
com o consequente. lhe permitem criar todo um mundo de ficção, em que per-
As garotas são vaidosas tais qual a tia. sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos. leitores, numa verdadeira interação com a realidade.
D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei-
l) Possível tor somente se realiza plenamente caso haja afinidade de
- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “me- ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o
lhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as ex- crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura.
pressões. E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que
A mais possível das alternativas é a que você expôs. constitui leitura obrigatória e se tornam referências por seu
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da em- conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época.
presa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas 03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para
da cidade. responder à questão.
m) Meio _________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
- Como advérbio: invariável. está claro até onde pode realmente chegar uma política ba-
Estou meio (um pouco) insegura. seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para
- Como numeral: segue a regra geral. o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É
Comi meia (metade) laranja pela manhã. verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono e
da água em si ___________diferença, as companhias não po-
n) Só dem suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares
- apenas, somente (advérbio): invariável. por tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portan-
Só consegui comprar uma passagem. to, elas começam a usar preços- -sombra. Ainda assim,
- sozinho (adjetivo): variável. ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar
Estiveram sós durante horas. adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria
das políticas de crescimento verde sempre ___________ a se-
Fonte: http://www.brasilescola.com/gramatica/concor- gunda opção.
dancia-verbal.htm (Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)

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PORTUGUÊS

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, 07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res- Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas
pectivamente, com: em:
(A) Restam… faça… será (A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel
(B) Resta… faz… será sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir
(C) Restam… faz... serão dessas criações poéticas tão originais.
(D) Restam… façam… serão (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status
(E) Resta… fazem… será atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje
nas melhores universidades do país.
04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alterna- (C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que
tiva em que o trecho a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles
– Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma- mesmos requizessem o respeito que faziam por merecer.
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.– (D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização e
está corretamente reescrito, de acordo com a norma-pa- a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser
drão da língua portuguesa. resultado do puro e simples desconhecimento.
(A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os proble-
até agora uma maneira adequada de se quantificar os in-
mas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de
sumos básicos.
representatividade.
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási-
cos ser quantificados. 08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
(C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou Observam-se corretamente as regras de concordância ver-
até agora uma maneira adequada para que os insumos bá- bal e nominal em:
sicos sejam quantificado. a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofistica-
trou até agora uma maneira adequada para que os insu- das às mais humildes, são cada vez mais comuns nos dias
mos básicos seja quantificado. de hoje.
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- b) A importância de intelectuais como Edward Said e
trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
os insumos básicos. polêmicas de seu tempo, não estão apenas nos livros que
escreveram.
05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATIVO c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre
- VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto: árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto so-
I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota nega- frimento, estejam próximos de serem resolvidos ou pelo
tiva... menos de terem alguma trégua.
II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classi-
ficação do continente americano (2,0)... d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a ver-
Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e dade, ainda que conscientes de que esta é até certo ponto
II, a concordância segue as mesmas regras, na ordem dos relativa, costumam encontrar muito mais detratores que
exemplos, em: admiradores.
(A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o pró- e) No final do século XX já não se via muitos intelectuais
ximo ano. Será que alguém tem opinião diferente da maio- e escritores como Edward Said, que não apenas era notícia
ria? pelos livros que publicavam como pelas posições que co-
(B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas.
rajosamente assumiam.
Vêm pessoas de muito longe para brincar de quadrilha.
(C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase
09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
todos quiseram ficar até o nascer do sol na praia.
(D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas O verbo que, dadas as alterações entre parênteses propos-
também existem umas que não merecem nossa atenção. tas para o segmento grifado, deverá ser colocado no plural,
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam. está em:
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas)
06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) (B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do pla-
Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e locais de neta)
peregrinação. (C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O
O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plural consumo mundial de barris de petróleo)
caso o segmento grifado seja substituído por: (D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se
(A) Há folheteiros que no custo da matéria-prima... (Constantes aumentos)
(B) A maior parte dos folheteiros (E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es-
(C) O folheteiro e sua família forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças
(D) O grosso dos folheteiros climáticas)
(E) Cada um dos folheteiros

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PORTUGUÊS

10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) Assi- 3-) _Restam___dúvidas


nale a alternativa em que a concordância das formas ver- mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água
bais destacadas está de acordo com a norma-padrão da em si __faça __diferença
língua. a maioria das políticas de crescimento verde sempre
(A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higieni- ____será_____ a segunda opção.
zação subterrânea. Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tanto
(B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os tra- no plural quanto no singular. Nas alternativas não há “res-
balhadores da área de limpeza. tam/faça/serão”, portanto a A é que apresenta as opções
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos adequadas.
riscos de se contrair alguma doença.
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
4-)
sete da manhã, eu já estava fazendo meu serviço.
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, (A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
começou a adotar medidas mais rigorosas para a proteção trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os
de seus funcionários. insumos básicos.
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
GABARITO trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási-
cos serem quantificados.
01. A 02. A 03. A 04. E 05. A (C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
mos básicos sejam quantificados.
RESOLUÇÃO (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
1-) Fiz os acertos entre parênteses: mos básicos sejam quantificados.
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
que determinam as escolhas dos governantes, para confe-
rir legitimidade a suas decisões. trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem os insumos básicos. = correta
(deve) ser embasados (embasada) na percepção dos valo-
res e princípios que regem a prática política. 5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos
(C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um ver- aos itens:
dadeiro regime democrático, em que se respeita (respei- (A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém
tam) tanto as liberdades individuais quanto as coletivas. tem (singular)
(D) As instituições fundamentais de um regime demo- (B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural)
crático não pode (podem) estar subordinado (subordina- (C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quiseram
das) às ordens indiscriminadas de um único poder central. (plural)
(E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) volta- (D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem
dos (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex- umas (plural)
põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade.
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas
2-)
as formas estão no plural)
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa lei-
tura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimora- 6-)
mento intelectual, estão na capacidade de criação do autor, A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto
mediante palavras, sua matéria-prima. = correta “folheterios”)
B) Obras que se consideram clássicas na literatura sem- B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional)
pre delineiam novos caminhos, pois são capazes de encan- C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto)
tar o leitor ao ultrapassarem os limites da época em que D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional)
vivem seus autores, gênios no domínio das palavras, sua E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular
matéria-prima.
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, 7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta:
lhes permite criar todo um mundo de ficção, em que per- (A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a conside-
sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os rar o cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capa-
leitores, numa verdadeira interação com a realidade. zes de fruir dessas criações poéticas tão originais.
D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei-
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status
tor somente se realizam plenamente caso haja afinidade
de ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje
crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura. nas melhores universidades do país.
E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que (C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que
constituem leitura obrigatória e se tornam referências por a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles
seu conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de épo- mesmos requizessem (requeressem) o respeito que faziam
ca. por merecer.

61
PORTUGUÊS

(D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desva-


lorização e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica PRONOMES: EMPREGO E COLOCAÇÃO E
só pode (podem) ser resultado do puro e simples desco-
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
nhecimento.
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que
os problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados
à falta de representatividade. “Caro Candidato, o tópico: Pronomes: emprego
e colocação, foi abordado na íntegra em: Classes
8-) Fiz as correções entre parênteses: gramaticais;”
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofis- REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
ticadas às mais humildes, são (é) cada vez mais comuns
(comum) nos dias de hoje. Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
b) A importância de intelectuais como Edward Said e que ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus comple-
Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões mentos. Ocupa-se em estabelecer relações entre as pala-
polêmicas de seu tempo, não estão (está) apenas nos livros vras, criando frases não ambíguas, que expressem efeti-
que escreveram. vamente o sentido desejado, que sejam corretas e claras.
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre
árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto Regência Verbal
sofrimento, estejam (esteja) próximos (próximo) de serem
(ser) resolvidos (resolvido) ou pelo menos de terem (ter) Termo Regente: VERBO
alguma trégua.
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a ver- A regência verbal estuda a relação que se estabelece
dade, ainda que conscientes de que esta é até certo ponto entre os verbos e os termos que os complementam (obje-
relativa, costumam encontrar muito mais detratores que tos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos
admiradores. adverbiais).
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos in- O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nos-
telectuais e escritores como Edward Said, que não apenas sa capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de
era (eram) notícia pelos livros que publicavam como pelas conhecermos as diversas significações que um verbo pode
posições que corajosamente assumiam. assumir com a simples mudança ou retirada de uma pre-
posição. Observe:
9-) A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar,
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) =
contentar.
“há” permaneceria no singular
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar
(B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do pla-
agrado ou prazer”, satisfazer.
neta) = “sabe” permaneceria no singular
Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O
“agradar a alguém”.
consumo mundial de barris de petróleo) = “dá” permane-
ceria no singular
Saiba que:
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no
O conhecimento do uso adequado das preposições é
custo da matéria-prima... Constantes aumentos) = “reflete”
passaria para “refletem-se” um dos aspectos fundamentais do estudo da regência ver-
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esfor- bal (e também nominal). As preposições são capazes de
ços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças cli- modificar completamente o sentido do que se está sendo
máticas) = “pressiona” permaneceria no singular dito. Veja os exemplos:
Cheguei ao metrô.
10-) Fiz as correções: Cheguei no metrô.
(A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular) No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no se-
(B) Ainda existe muitas pessoas = existem gundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos ris- oração “Cheguei no metrô”, popularmente usada a fim de
cos indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão culto da
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era língua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem
sete da manhã = eram divergências entre a regência coloquial, cotidiana de al-
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, guns verbos, e a regência culta.
começou = começaram Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos
de acordo com sua transitividade. A transitividade, porém,
não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de
diferentes formas em frases distintas.

62
PORTUGUÊS

Verbos Intransitivos mes o, os, a, as como complementos de verbos transitivos


indiretos. Com os objetos indiretos que não representam
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
- Consistir - Tem complemento introduzido pela prepo-
- Chegar, Ir sição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver- iguais para todos.
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para - Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-
indicar destino ou direção são: a, para. mentos introduzidos pela preposição “a”:
Fui ao teatro. Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Adjunto Adverbial de Lugar Eles desobedeceram às leis do trânsito.
- Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
Ricardo foi para a Espanha.
posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
Adjunto Adverbial de Lugar
quem” ou “ao que” se responde.
- Comparecer Respondi ao meu patrão.
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por Respondemos às perguntas.
em ou a. Respondeu-lhe à altura.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o úl- Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto
timo jogo. quando exprime aquilo a que se responde, admite voz pas-
siva analítica. Veja:
Verbos Transitivos Diretos O questionário foi respondido corretamente.
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
Os verbos transitivos diretos são complementados por
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição - Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre- tos introduzidos pela preposição “com”.
gar esses verbos, devemos lembrar que os pronomes oblí- Antipatizo com aquela apresentadora.
quos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses prono- Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
mes podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas nam para uma minoria privilegiada.
verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos.
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa-
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abandonar,
abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem desta-
adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar, que, nesse grupo: Agradecer, Perdoar e Pagar. São verbos
condenar, conhecer, conservar,convidar, defender, eleger, es- que apresentam objeto direto relacionado a coisas e obje-
timar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, proteger, to indireto relacionado a pessoas. Veja os exemplos:
respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar. Agradeço aos ouvintes a audiência.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente Objeto Indireto Objeto Direto
como o verbo amar:
Amo aquele rapaz. / Amo-o. Paguei o débito ao cobrador.
Amo aquela moça. / Amo-a. Objeto Direto Objeto Indireto
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. - O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
com particular cuidado. Observe:
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses ver- Agradeci o presente. / Agradeci-o.
bos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
adnominais). Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Verbos Transitivos Indiretos
Informar
Os verbos transitivos indiretos são complementados por - Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exigem indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
uma preposição para o estabelecimento da relação de re- Informe os novos preços aos clientes.
gência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos
pessoa que podem atuar como objetos indiretos são o “lhe”, preços)
o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam os prono-

63
PORTUGUÊS

- Na utilização de pronomes como complementos, veja AGRADAR


as construções: - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. nhos, acariciar.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou so- Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
bre eles) quando o revê.
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. /
os seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
- Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
Comparar agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as introduzido pela preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento
O cantor não lhes agradou.
indireto.
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma ASPIRAR
criança. - Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspi-
rar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
Pedir - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na como ambição: Aspirávamos a melhores condições de vida.
forma de oração subordinada substantiva) e indireto de (Aspirávamos a elas)
pessoa. Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é
Pedi-lhe favores. pessoa, mas coisa, não se usam as formas pronominais áto-
Objeto Indireto Objeto Direto nas “lhe” e “lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela
(s)”. Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. Aspiravam a ela)
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
ASSISTIR
Objetiva Direta
- Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
tar assistência a, auxiliar. Por exemplo:
Saiba que: As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
- A construção “pedir para”, muito comum na lingua- As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua
culta. No entanto, é considerada correta quando a palavra - Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
licença estiver subentendida. ciar, estar presente, caber, pertencer. Exemplos:
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa. Assistimos ao documentário.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz Não assisti às últimas sessões.
uma oração subordinada adverbial final reduzida de infini- Essa lei assiste ao inquilino.
tivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é
- A construção “dizer para”, também muito usada po- intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
pularmente, é igualmente considerada incorreta. lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
conturbada cidade.
Preferir CHAMAR
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indi- - Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
reto introduzido pela preposição “a”. Por Exemplo: licitar a atenção ou a presença de.
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá chamá-la.
Prefiro trem a ônibus. Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado
sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil - Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apre-
vezes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo sentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo
prefixo existente no próprio verbo (pre). preposicionado ou não.
A torcida chamou o jogador mercenário.
Mudança de Transitividade X Mudança de Significado A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
Há verbos que, de acordo com a mudança de transitivi-
dade, apresentam mudança de significado. O conhecimento CUSTAR
das diferentes regências desses verbos é um recurso linguís- - Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
tico muito importante, pois além de permitir a correta inter- valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial:
pretação de passagens escritas, oferece possibilidades ex- Frutas e verduras não deveriam custar muito.
pressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais, estão: - No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
ou transitivo indireto.

64
PORTUGUÊS

Muito custa viver tão longe da família. VISAR


Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjeti- - Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
va rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
Intransitivo Reduzida de Infinitivo O homem visou o alvo.
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela O gerente não quis visar o cheque.
atitude.
Objeto Oração Subordinada Substantiva Subjeti- - No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
va objetivo, é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
Indireto Reduzida de Infinitivo O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
que atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado público.
por pessoa. Observe: ESQUECER – LEMBRAR
Custei para entender o problema. - Lembrar algo – esquecer algo
Forma correta: Custou-me entender o problema. - Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

IMPLICAR No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,


- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e
implicavam um firme propósito. exigem complemento com a preposição “de”. São, portan-
b) Ter como consequência, trazer como consequência, to, transitivos indiretos:
acarretar, provocar: Liberdade de escolha implica amadure- - Ele se esqueceu do caderno.
cimento político de um povo. - Eu me esqueci da chave.
- Eles se esqueceram da prova.
- Como transitivo direto e indireto, significa compro- - Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões
econômicas. Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transi-
gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
tivo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com
clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de
quem não trabalhasse arduamente.
Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
- Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
PROCEDER
- Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter
cabimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se,
O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e
agir. Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado
indireto (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de al-
de adjunto adverbial de modo.
guma coisa).
As afirmações da testemunha procediam, não havia
como refutá-las. SIMPATIZAR
Você procede muito mal. Transitivo indireto e exige a preposição “com”: Não sim-
- Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo- patizei com os jurados.
sição” de”) e fazer, executar (rege complemento introduzi-
do pela preposição “a”) é transitivo indireto. NAMORAR
O avião procede de Maceió. É transitivo direto, ou seja, não admite preposição: Ma-
Procedeu-se aos exames. ria namora João.
O delegado procederá ao inquérito.
Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.
QUERER
- Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter OBEDECER
vontade de, cobiçar. É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com
Querem melhor atendimento. a preposição “a” (obedecer a): Devemos obedecer aos pais.
Queremos um país melhor. Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode
- Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, ser usado na voz passiva: A fila não foi obedecida.
estimar, amar.
Quero muito aos meus amigos. VER
Ele quer bem à linda menina. É transitivo direto, ou seja, não exige preposição: Ele viu
Despede-se o filho que muito lhe quer. o filme.

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PORTUGUÊS

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome.
Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vá-
rios nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa,
nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes:
todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os atenta-
mente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.

Substantivos

Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de


Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por
Adjetivos

Acessível a Diferente de Necessário a


Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios

Longe de Perto de

Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

Questões sobre Regência Nominal e Verbal

01. (Administrador – FCC – 2013-adap.).


... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras ciências ...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está empregado em:
A) ...astros que ficam tão distantes ...
B) ...que a astronomia é uma das ciências ...
C) ...que nos proporcionou um espírito ...
D) ...cuja importância ninguém ignora ...
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ...

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PORTUGUÊS

02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- (D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam ra-
adap.). pidamente seu espaço na carreira científica, ainda que o
... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos avanço seja mais notável em alguns países – o Brasil é um
filhos do sueco. exemplo – do que em outros.
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de com- (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapida-
plementos que o grifado acima está empregado em: mente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o avan-
A) ...que existe uma coisa chamada exército... ço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exem-
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? plo) do que em outros.
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia...
D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro... 06. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assina-
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atre- le a alternativa correta quanto à regência dos termos em
vimento. destaque.
(A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.).
responsabilidade pelo problema.
... constava simplesmente de uma vareta quebrada em
(B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter
partes desiguais...
se perdido.
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que
(C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho
o grifado acima está empregado em:
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a de um índio na porta do prédio.
extremos de sutileza. (D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado perdido de sua família.
nos troncos mais robustos. (E) A família toda se organizou para realizar a procura
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso- à garotinha.
rientam, não raro, quem...
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho 07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013). Assinale
na serra de Tunuí... a alternativa que completa, correta e respectivamente, as
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o lacunas do texto, de acordo com as regras de regência.
gentio, mestre e colaborador... Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já
assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.). corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que a
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que mídia pode exercer sobre os jovens.
o da frase acima se encontra em: A) dos … na
A) A palavra direito, em português, vem de directum, B) nos … entre a
do verbo latino dirigere... C) aos … para a
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das D) sobre os … pela
sociedades... E) pelos … sob a
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado
pela justiça. 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspi- Públicas – VUNESP – 2013). Considerando a norma-padrão
rações da justiça... da língua, assinale a alternativa em que os trechos desta-
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o
cados estão corretos quanto à regência, verbal ou nominal.
sentimento de justiça.
A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais de
dez mil tomadas.
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2012) Assinale a alter-
B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver
nativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa
Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
nominal e à pontuação. C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapida- criar logotipos e negociar.
mente, seu espaço na carreira científica ainda que o avan- D) O taxista levou o autor a indagar no número de to-
ço seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exem- madas do edifício.
plo, do que em outros. E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor repa-
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam ra- rasse a um prédio na marginal.
pidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o
avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um 09. (Assistente de Informática II – VUNESP – 2013). As-
exemplo!, do que em outros. sinale a alternativa que substitui a expressão destacada na
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam ra- frase, conforme as regras de regência da norma-padrão da
pidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o língua e sem alteração de sentido.
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de
exemplo, do que em outros. direitos dos trabalhadores domésticos.

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PORTUGUÊS

A) da 5-) A correção do item deve respeitar as regras de pon-


B) na tuação também. Assinalei apenas os desvios quanto à re-
C) pela gência (pontuação encontra-se em tópico específico)
D) sob a (A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam,
E) sobre a (B) Não há dúvida de que (erros quanto à pon-
tuação)
GABARITO (C) Não há dúvida de que as mulheres, (erros quanto
à pontuação)
01. D 02. D 03. A 04. A 05. D (E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapi-
06. A 07. C 08. A 09. C damente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o
avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um
RESOLUÇÃO exemplo) do que em outros.
6-)
1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das ou- (B) A menina tinha o receio de levar uma bronca por ter
tras ciências ... se perdido.
Facilitar – verbo transitivo direto (C) A garota tinha apenas a lembrança do desenho de
A) ...astros que ficam tão distantes ... = verbo de liga- um índio na porta do prédio.
ção (D) A menina não tinha orgulho do fato de ter se perdi-
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... = verbo do de sua família.
de ligação (E) A família toda se organizou para realizar a procura
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo tran- pela garotinha.
sitivo direto e indireto
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro = 7-) Os estudos aos quais a pesquisadora se reportou
verbo transitivo indireto já assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
nos filhos do sueco. A pesquisa faz um alerta para a influência negativa
Pedir = verbo transitivo direto e indireto que a mídia pode exercer sobre os jovens.
A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = tran-
sitivo direto 8-)
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? =verbo de B) O autor fez conjecturas sobre a possibilidade de ha-
ligação ver um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia... C) Centenas de trabalhadores estão empenhados em
=verbo intransitivo criar logotipos e negociar.
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevi- D) O taxista levou o autor a indagar sobre o número de
mento. =transitivo direto tomadas do edifício.
E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor re-
3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada parasse em um prédio na marginal.
em partes desiguais...
Constar = verbo intransitivo 9-) Muitas organizações lutaram pela igualdade de
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado direitos dos trabalhadores domésticos.
nos troncos mais robustos. =ligação
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso-
rientam, não raro, quem... =transitivo direto
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho
na serra de Tunuí... = transitivo direto
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o
gentio, mestre e colaborador...=transitivo direto

4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...


Lidar = transitivo indireto
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das
sociedades... =transitivo direto
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado
pela justiça. =ligação
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspira-
ções da justiça... =transitivo direto e indireto
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sen-
timento de justiça. =transitivo direto

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PORTUGUÊS

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES (D) Um levantamento, (X) mostrou que os adolescentes


americanos, (X) consomem (X) em média (X) 357 calorias
1-) (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC/ diárias dessa fonte.
SP – ADMINISTRADOR - VUNESP/2013) Assinale a alter- (E) Um levantamento mostrou que os adolescentes
nativa correta quanto à concordância, de acordo com a americanos, (X) consomem (X) em média (X) 357 calorias
norma-padrão da língua portuguesa. diárias, (X) dessa fonte.
(A) A má distribuição de riquezas e a desigualdade
social está no centro dos debates atuais. RESPOSTA: “C”.
(B) Políticos, economistas e teóricos diverge em re-
lação aos efeitos da desigualdade social. 3-) (TRT/RO E AC – ANALISTA JUDICIÁRIO –
(C) A diferença entre a renda dos mais ricos e a dos FCC/2011) Estão plenamente observadas as normas de
mais pobres é um fenômeno crescente. concordância verbal na frase:
(D) A má distribuição de riquezas tem sido muito a) Destinam-se aos homens-placa um lugar visível
criticado por alguns teóricos. nas ruas e nas praças, ao passo que lhes é suprimida a
(E) Os debates relacionado à distribuição de rique- visibilidade social.
zas não são de exclusividade dos economistas. b) As duas tábuas em que se comprimem o famige-
rado homem-placa carregam ditos que soam irônicos,
Realizei a correção nos itens: como “compro ouro”.
(A) A má distribuição de riquezas e a desigualdade so- c) Não se compara aos vexames dos homens-placa
cial está = estão a exposição pública a que se submetem os guardadores
(B) Políticos, economistas e teóricos diverge = divergem de carros.
(C) A diferença entre a renda dos mais ricos e a dos mais d) Ao se revogarem o emprego de carros-placa na
pobres é um fenômeno crescente. propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma de-
(D) A má distribuição de riquezas tem sido muito criti- monstração de mau gosto.
cado = criticada e) Não sensibilizavam aos possíveis interessados
(E) Os debates relacionado = relacionados em apartamentos de luxo a visão grotesca daqueles ve-
lhos carros-placa.
RESPOSTA: “C”.
Fiz as correções entre parênteses:
2-) (COREN/SP – ADVOGADO – VUNESP/2013) Se- a) Destinam-se (destina-se) aos homens-placa um lu-
guindo a norma-padrão da língua portuguesa, a frase gar visível nas ruas e nas praças, ao passo que lhes é supri-
– Um levantamento mostrou que os adolescentes ame- mida a visibilidade social.
ricanos consomem em média 357 calorias diárias dessa b) As duas tábuas em que se comprimem (comprime)
fonte. – recebe o acréscimo correto das vírgulas em: o famigerado homem-placa carregam ditos que soam irô-
(A) Um levantamento mostrou, que os adolescentes nicos, como “compro ouro”.
americanos consomem em média 357 calorias, diárias c) Não se compara aos vexames dos homens-placa a
dessa fonte. exposição pública a que se submetem os guardadores de
(B) Um levantamento mostrou que, os adolescentes carros.
americanos consomem, em média 357 calorias diárias d) Ao se revogarem (revogar) o emprego de carros
dessa fonte. -placa na propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma
(C) Um levantamento mostrou que os adolescentes demonstração de mau gosto.
americanos consomem, em média, 357 calorias diárias e) Não sensibilizavam (sensibilizava) aos possíveis in-
dessa fonte. teressados em apartamentos de luxo a visão grotesca da-
(D) Um levantamento, mostrou que os adolescentes queles velhos carros-placa.
americanos, consomem em média 357 calorias diárias
dessa fonte. RESPOSTA: “C”.
(E) Um levantamento mostrou que os adolescentes
americanos, consomem em média 357 calorias diárias, 4-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011)
dessa fonte. Assinale a palavra que tenha sido acentuada seguindo a
mesma regra que distribuídos.
Assinalei com um “X” onde há pontuação inadequada (A) sócio
ou faltante: (B) sofrê-lo
(A) Um levantamento mostrou, (X) que os adolescentes (C) lúcidos
americanos consomem (X) em média (X) 357 calorias, (X) (D) constituí
diárias dessa fonte. (E) órfãos
(B) Um levantamento mostrou que, (X) os adolescentes
americanos consomem, em média (X) 357 calorias diárias Distribuímos = regra do hiato
dessa fonte. (A) sócio = paroxítona terminada em ditongo
(C) Um levantamento mostrou que os adolescentes (B) sofrê-lo = oxítona (não se considera o pronome
americanos consomem, em média, 357 calorias diárias des- oblíquo. Nunca!)
sa fonte. (C) lúcidos = proparoxítona

69
PORTUGUÊS

(D) constituí = regra do hiato (diferente de “constitui” – 7-) (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
oxítona: cons-ti-tui) ... valores e princípios que sejam percebidos pela so-
(E) órfãos = paroxítona terminada em “ão” ciedade como tais.
Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo
RESPOSTA: “D”. passará a ser, corretamente,
(A) perceba.
5-) (TRT/PE – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2012) (B) foi percebido.
A concordância verbal está plenamente observada na (C) tenham percebido.
frase: (D) devam perceber.
(A) Provocam muitas polêmicas, entre crentes e (E) estava percebendo.
materialistas, o posicionamento de alguns religiosos e
parlamentares acerca da educação religiosa nas escolas ... valores e princípios que sejam percebidos pela so-
públicas.
ciedade como tais = dois verbos na voz passiva, então te-
(B) Sempre deverão haver bons motivos, junto
remos um na ativa: que a sociedade perceba os valores e
àqueles que são contra a obrigatoriedade do ensino re-
princípios...
ligioso, para se reservar essa prática a setores da inicia-
tiva privada.
(C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do tex- RESPOSTA: “A”
to, contra os que votam a favor do ensino religioso na
escola pública, consistem nos altos custos econômicos 8-) (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
que acarretarão tal medida. A concordância verbal e nominal está inteiramente cor-
(D) O número de templos em atividade na cidade de reta na frase:
São Paulo vêm gradativamente aumentando, em pro- (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e
porção maior do que ocorrem com o número de escolas valores que determinam as escolhas dos governantes,
públicas. para conferir legitimidade a suas decisões.
(E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes
como a regulação natural do mercado sinalizam para as devem ser embasados na percepção dos valores e prin-
inconveniências que adviriam da adoção do ensino reli- cípios que regem a prática política.
gioso nas escolas públicas. (C) Eleições livres e diretas é garantia de um verda-
deiro regime democrático, em que se respeita tanto as
(A) Provocam = provoca (o posicionamento) liberdades individuais quanto as coletivas.
(B) Sempre deverão haver bons motivos = deverá haver (D) As instituições fundamentais de um regime de-
(C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do texto, mocrático não pode estar subordinado às ordens indis-
contra os que votam a favor do ensino religioso na escola criminadas de um único poder central.
pública, consistem = consiste. (E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados
(D) O número de templos em atividade na cidade de para o momento eleitoral, que expõem as diferentes
São Paulo vêm gradativamente aumentando, em proporção opiniões existentes na sociedade.
maior do que ocorrem = ocorre Fiz os acertos entre parênteses:
(E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação como (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e va-
a regulação natural do mercado sinalizam para as inconve- lores que determinam as escolhas dos governantes, para
niências que adviriam da adoção do ensino religioso nas
conferir legitimidade a suas decisões.
escolas públicas.
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes de-
vem (deve) ser embasados (embasada) na percepção dos
RESPOSTA: “E”.
6-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011) valores e princípios que regem a prática política.
Segundo o Manual de Redação da Presidência da Repú- (C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um ver-
blica, NÃO se deve usar Vossa Excelência para dadeiro regime democrático, em que se respeita (respei-
(A) embaixadores. tam) tanto as liberdades individuais quanto as coletivas.
(B) conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais. (D) As instituições fundamentais de um regime demo-
(C) prefeitos municipais. crático não pode (podem) estar subordinado (subordina-
(D) presidentes das Câmaras de Vereadores. das) às ordens indiscriminadas de um único poder central.
(E) vereadores. (E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) vol-
tados (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex-
(...) O uso do pronome de tratamento Vossa Senhoria põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade.
(abreviado V. Sa.) para vereadores está correto, sim. Numa
Câmara de Vereadores só se usa Vossa Excelência para o seu RESPOSTA: “A”.
presidente, de acordo com o Manual de Redação da Presidên-
cia da República (1991).
(Fonte: http://www.linguabrasil.com.br/nao-tropece-de-
tail.php?id=393)
RESPOSTA: “E”.

70
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

O sistema escolar brasileiro segundo a legislação atual; ........................................................................................................................ 01


A construção do conhecimento; o processo de ensino e aprendizagem: a ação pedagógica; A avaliação da aprendiza-
gem. .............................................................................................................................................................................................................................. 17
Didática e Interdisciplinaridade. Conhecimentos Específicos da área de atuação. ....................................................................... 23
Sugestão Bibliográfica: Publicações do MEC para a área específica para a qual o candidato se inscreveu. ....................... 24
Constituição da República Federativa do Brasil - promulgada em 5 de outubro de 1988, Artigos 5°, 37 ao 41, 205 ao 214,
227 ao 229. ................................................................................................................................................................................................................ 24
Lei 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente; .............................................................................................................................. 74
Lei 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; Lei Federal n.º 13.005, de 25/06/14 – Aprova o Plano
Nacional de Educação. ........................................................................................................................................................................................113
Lei Federal nº 10.436, de 24/04/02 – Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. ....................................................114
Lei Federal nº. 13.146/15 – Estatuto da Pessoa com Deficiência. .......................................................................................................114
Decreto nº. 5.626/05 – Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). ................................................................................133
Decreto nº 7612/11 – Institui o plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência – plano Viver sem Limi-
tes.................................................................................................................................................................................................................. 138
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

TÍTULO III
O SISTEMA ESCOLAR BRASILEIRO Do Direito à Educação e do Dever de Educar
SEGUNDO A LEGISLAÇÃO ATUAL
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública
será efetivado mediante a garantia de:
I educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro)
LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada da seguinte
forma: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. a) pré-escola; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
b) ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 12.796, de
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- 2013)
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: c) ensino médio; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
II educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco)
TÍTULO I anos de idade; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
Da Educação III atendimento educacional especializado gratuito aos
educandos com deficiência, transtornos globais do desen-
Art. 1º A educação abrange os processos formativos volvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal
que se desenvolvem na vida familiar, na convivência huma- a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente
na, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos na rede regular de ensino; (Redação dada pela Lei nº 12.796,
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas de 2013)
manifestações culturais. IV acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se de- médio para todos os que não os concluíram na idade pró-
senvolve, predominantemente, por meio do ensino, em pria; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
instituições próprias. V acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesqui-
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo sa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
do trabalho e à prática social. VI oferta de ensino noturno regular, adequado às con-
dições do educando;
TÍTULO II VII oferta de educação escolar regular para jovens e
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional adultos, com características e modalidades adequadas às
suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspi- que forem trabalhadores as condições de acesso e perma-
nência na escola;
rada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidarie-
VIII atendimento ao educando, em todas as etapas da
dade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento
educação básica, por meio de programas suplementares de
do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e
material didático-escolar, transporte, alimentação e assis-
sua qualificação para o trabalho.
tência à saúde; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguin-
IX padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos
tes princípios:
como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de in-
I igualdade de condições para o acesso e permanência
sumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de
na escola;
ensino-aprendizagem.
II liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a X – vaga na escola pública de educação infantil ou de
cultura, o pensamento, a arte e o saber; ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda
III pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de
IV respeito à liberdade e apreço à tolerância; idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de 2008).
V coexistência de instituições públicas e privadas de Art. 5o O acesso à educação básica obrigatória é direi-
ensino; to público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de
VI gratuidade do ensino público em estabelecimentos cidadãos, associação comunitária, organização sindical, en-
oficiais; tidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda,
VII valorização do profissional da educação escolar; o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo.
VIII gestão democrática do ensino público, na forma (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; § 1o O poder público, na esfera de sua competência fe-
IX garantia de padrão de qualidade; derativa, deverá: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
X valorização da experiência extra-escolar; I recensear anualmente as crianças e adolescentes
XI vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as em idade escolar, bem como os jovens e adultos que não
práticas sociais. concluíram a educação básica; (Redação dada pela Lei nº
XII consideração com a diversidade étnico-racial. (In- 12.796, de 2013)
cluído pela Lei nº 12.796, de 2013) II fazer-lhes a chamada pública;
III zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência
à escola.

1
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Públi- IV-A  estabelecer, em colaboração com os Estados, o
co assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obri- Distrito Federal e os Municípios, diretrizes e procedimentos
gatório, nos termos deste artigo, contemplando em segui- para identificação, cadastramento e atendimento, na edu-
da os demais níveis e modalidades de ensino, conforme as cação básica e na educação superior, de alunos com altas
prioridades constitucionais e legais. habilidades ou superdotação; (Incluído pela Lei nº 13.234,
§ 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste de 2015)
artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, V coletar, analisar e disseminar informações sobre a
na hipótese do § 2º do art. 208 da Constituição Federal, educação;
sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspon-   VI assegurar processo nacional de avaliação do ren-
dente. dimento escolar no ensino fundamental, médio e superior,
§ 4º Comprovada a negligência da autoridade compe- em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando
tente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório, a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do
poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. ensino;
§ 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade VII baixar normas gerais sobre cursos de graduação e
de ensino, o Poder Público criará formas alternativas de pós-graduação;
acesso aos diferentes níveis de ensino, independentemente   VIII assegurar processo nacional de avaliação das
da escolarização anterior. instituições de educação superior, com a cooperação dos
Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrí- sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de
cula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) ensino;
anos de idade. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) IX autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e
Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de edu-
seguintes condições: cação superior e os estabelecimentos do seu sistema de
I cumprimento das normas gerais da educação nacio- ensino. (Vide Lei nº 10.870, de 2004)
nal e do respectivo sistema de ensino; § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Na-
cional de Educação, com funções normativas e de supervi-
II autorização de funcionamento e avaliação de quali-
são e atividade permanente, criado por lei.
dade pelo Poder Público;
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a
III capacidade de autofinanciamento, ressalvado o pre-
IX, a União terá acesso a todos os dados e informações
visto no art. 213 da Constituição Federal.
necessários de todos os estabelecimentos e órgãos edu-
cacionais.
TÍTULO IV
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão
Da Organização da Educação Nacional
ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal, desde que
mantenham instituições de educação superior.
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu- Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de:
nicípios organizarão, em regime de colaboração, os respec- I organizar, manter e desenvolver os órgãos e institui-
tivos sistemas de ensino. ções oficiais dos seus sistemas de ensino;
§ 1º Caberá à União a coordenação da política nacional II definir, com os Municípios, formas de colaboração na
de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e oferta do ensino fundamental, as quais devem assegurar a
exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo
relação às demais instâncias educacionais. com a população a ser atendida e os recursos financeiros
§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organi- disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público;
zação nos termos desta Lei. III elaborar e executar políticas e planos educacionais,
Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) em consonância com as diretrizes e planos nacionais de
I elaborar o Plano Nacional de Educação, em colabo- educação, integrando e coordenando as suas ações e as
ração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; dos seus Municípios;
II organizar, manter e desenvolver os órgãos e institui- IV autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e
ções oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territó- avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de edu-
rios; cação superior e os estabelecimentos do seu sistema de
III prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ensino;
ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimen- V baixar normas complementares para o seu sistema
to de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário de ensino;
à escolaridade obrigatória, exercendo sua função redistri- VI assegurar o ensino fundamental e oferecer, com
butiva e supletiva; prioridade, o ensino médio a todos que o demandarem,
IV estabelecer, em colaboração com os Estados, o Dis- respeitado o disposto no art. 38 desta Lei; (Redação dada
trito Federal e os Municípios, competências e diretrizes pela Lei nº 12.061, de 2009)
para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino VII assumir o transporte escolar dos alunos da rede es-
médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos míni- tadual. (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003)
mos, de modo a assegurar formação básica comum; Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as
competências referentes aos Estados e aos Municípios.

2
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da
I organizar, manter e desenvolver os órgãos e institui- gestão democrática do ensino público na educação básica,
ções oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguin-
às políticas e planos educacionais da União e dos Estados; tes princípios:
II exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; I participação dos profissionais da educação na elabora-
III baixar normas complementares para o seu sistema ção do projeto pedagógico da escola;
de ensino; II participação das comunidades escolar e local em con-
IV autorizar, credenciar e supervisionar os estabeleci- selhos escolares ou equivalentes.
mentos do seu sistema de ensino; Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades esco-
V oferecer a educação infantil em creches e pré-esco- lares públicas de educação básica que os integram progressivos
las, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão fi-
atuação em outros níveis de ensino somente quando esti- nanceira, observadas as normas gerais de direito financeiro público.
verem atendidas plenamente as necessidades de sua área Art. 16. O sistema federal de ensino compreende: (Re-
de competência e com recursos acima dos percentuais mí- gulamento)
nimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção I as instituições de ensino mantidas pela União;
e desenvolvimento do ensino. II as instituições de educação superior criadas e mantidas
VI assumir o transporte escolar dos alunos da rede mu- pela iniciativa privada;
nicipal. (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003) III os órgãos federais de educação.
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito
por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor Federal compreendem:
com ele um sistema único de educação básica. I as instituições de ensino mantidas, respectivamente,
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal;
normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a in- II as instituições de educação superior mantidas pelo Po-
cumbência de: der Público municipal;
I elaborar e executar sua proposta pedagógica; III as instituições de ensino fundamental e médio criadas
II administrar seu pessoal e seus recursos materiais e e mantidas pela iniciativa privada;
financeiros; IV os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal,
III assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas respectivamente.
-aula estabelecidas; Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de
IV velar pelo cumprimento do plano de trabalho de educação infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada,
cada docente; integram seu sistema de ensino.
V prover meios para a recuperação dos alunos de me- Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem:
nor rendimento; I as instituições do ensino fundamental, médio e de edu-
VI articular-se com as famílias e a comunidade, criando cação infantil mantidas pelo Poder Público municipal;
processos de integração da sociedade com a escola; II as instituições de educação infantil criadas e mantidas
VII informar pai e mãe, conviventes ou não com seus pela iniciativa privada;
filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a fre- III – os órgãos municipais de educação.
quência e rendimento dos alunos, bem como sobre a exe- Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis
cução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Re-
pela Lei nº 12.013, de 2009) gulamento) (Regulamento)
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao I públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas,
juiz competente da Comarca e ao respectivo representante mantidas e administradas pelo Poder Público;
do Ministério Público a relação dos alunos que apresen- II privadas, assim entendidas as mantidas e administra-
tem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do das por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.
percentual permitido em lei. (Incluído pela Lei nº 10.287, Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadra-
de 2001) rão nas seguintes categorias: (Regulamento) (Regulamento)
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I particulares em sentido estrito, assim entendidas as que
I participar da elaboração da proposta pedagógica do são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou
estabelecimento de ensino; jurídicas de direito privado que não apresentem as caracterís-
II elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a pro- ticas dos incisos abaixo;
posta pedagógica do estabelecimento de ensino; II comunitárias, assim entendidas as que são instituídas
III zelar pela aprendizagem dos alunos; por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas ju-
IV estabelecer estratégias de recuperação para os alu- rídicas, inclusive cooperativas educacionais, sem fins lucrativos,
nos de menor rendimento; que incluam na sua entidade mantenedora representantes da
V ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, comunidade; (Redação dada pela Lei nº 12.020, de 2009)
além de participar integralmente dos períodos dedicados III confessionais, assim entendidas as que são insti-
ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento pro- tuídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais
fissional; pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e
VI colaborar com as atividades de articulação da escola ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior;
com as famílias e a comunidade. IV filantrópicas, na forma da lei.

3
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

TÍTULO V IV poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos


Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensi- de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamen-
no to na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes,
CAPÍTULO I ou outros componentes curriculares;
Da Composição dos Níveis Escolares V a verificação do rendimento escolar observará os se-
guintes critérios:
Art. 21. A educação escolar compõe-se de: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do
I educação básica, formada pela educação infantil, en- aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os
sino fundamental e ensino médio; quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre
II educação superior. os de eventuais provas finais;
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos
CAPÍTULO II com atraso escolar;
DA EDUCAÇÃO BÁSICA c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries me-
Seção I diante verificação do aprendizado;
Das Disposições Gerais d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de pre-
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desen- ferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo
volver o educando, assegurar-lhe a formação comum indis- rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições
pensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios de ensino em seus regimentos;
para progredir no trabalho e em estudos posteriores. VI o controle de frequência fica a cargo da escola, con-
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em sé- forme o disposto no seu regimento e nas normas do res-
ries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular pectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de
de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na setenta e cinco por cento do total de horas letivas para
idade, na competência e em outros critérios, ou por forma aprovação;
diversa de organização, sempre que o interesse do proces- VII cabe a cada instituição de ensino expedir históricos
so de aprendizagem assim o recomendar. escolares, declarações de conclusão de série e diplomas ou
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive certificados de conclusão de cursos, com as especificações
quando se tratar de transferências entre estabelecimentos cabíveis.
situados no País e no exterior, tendo como base as normas § 1º A carga horária mínima anual de que trata o inci-
curriculares gerais. so I do caput deverá ser ampliada de forma progressiva,
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculia- no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, devendo
ridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério os sistemas de ensino oferecer, no prazo máximo de cinco
do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o anos, pelo menos mil horas anuais de carga horária, a par-
número de horas letivas previsto nesta Lei. tir de 2 de março de 2017. (Incluído pela Lei nº 13.415, de
Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e 2017)
médio, será organizada de acordo com as seguintes regras § 2o Os sistemas de ensino disporão sobre a oferta de
comuns: educação de jovens e adultos e de ensino noturno regular,
I a carga horária mínima anual será de oitocentas horas adequado às condições do educando, conforme o inciso VI
para o ensino fundamental e para o ensino médio, distri- do art. 4o. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
buídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo traba- Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades res-
lho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, ponsáveis alcançar relação adequada entre o número de
quando houver; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) alunos e o professor, a carga horária e as condições mate-
II a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a riais do estabelecimento.
primeira do ensino fundamental, pode ser feita: Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino,
a) por promoção, para alunos que cursaram, com apro- à vista das condições disponíveis e das características re-
veitamento, a série ou fase anterior, na própria escola; gionais e locais, estabelecer parâmetro para atendimento
b) por transferência, para candidatos procedentes de do disposto neste artigo.
outras escolas; Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino
c) independentemente de escolarização anterior, me- fundamental e do ensino médio devem ter base nacional
diante avaliação feita pela escola, que defina o grau de de- comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino
senvolvimento e experiência do candidato e permita sua e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diver-
inscrição na série ou etapa adequada, conforme regula- sificada, exigida pelas características regionais e locais da
mentação do respectivo sistema de ensino; sociedade, da cultura, da economia e dos educandos. (Re-
III nos estabelecimentos que adotam a progressão re- dação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
gular por série, o regimento escolar pode admitir formas § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abran-
de progressão parcial, desde que preservada a sequência ger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da
do currículo, observadas as normas do respectivo sistema matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e
de ensino; da realidade social e política, especialmente do Brasil.

4
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 2o O ensino da arte, especialmente em suas expres- § 1o O conteúdo programático a que se refere este ar-
sões regionais, constituirá componente curricular obrigató- tigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que
rio da educação básica. (Redação dada pela Lei nº 13.415, caracterizam a formação da população brasileira, a partir
de 2017) desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história
§ 3o A educação física, integrada à proposta pedagógi- da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos
ca da escola, é componente curricular obrigatório da edu- indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o
cação básica, sendo sua prática facultativa ao aluno: (Reda- negro e o índio na formação da sociedade nacional, resga-
ção dada pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) tando as suas contribuições nas áreas social, econômica e
I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a política, pertinentes à história do Brasil. (Redação dada pela
seis horas; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) Lei nº 11.645, de 2008).
II – maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro
10.793, de 1º.12.2003) -brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão minis-
III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, trados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial
em situação similar, estiver obrigado à prática da educação nas áreas de educação artística e de literatura e história
física; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) brasileiras. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de ou- Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica
tubro de 1969; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) observarão, ainda, as seguintes diretrizes:
V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) I a difusão de valores fundamentais ao interesse social,
VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem
1º.12.2003) comum e à ordem democrática;
§ 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as II consideração das condições de escolaridade dos alu-
contribuições das diferentes culturas e etnias para a forma- nos em cada estabelecimento;
ção do povo brasileiro, especialmente das matrizes indíge- III orientação para o trabalho;
na, africana e européia. IV promoção do desporto educacional e apoio às prá-
§ 5o No currículo do ensino fundamental, a partir do ticas desportivas não-formais.
sexto ano, será ofertada a língua inglesa. (Redação dada Art. 28. Na oferta de educação básica para a população
pela Lei nº 13.415, de 2017) rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações ne-
§ 6o As artes visuais, a dança, a música e o teatro são cessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e
as linguagens que constituirão o componente curricular de de cada região, especialmente:
que trata o § 2o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº I conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às
13.278, de 2016) reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural;
§ 7o A integralização curricular poderá incluir, a critério II organização escolar própria, incluindo adequação do
dos sistemas de ensino, projetos e pesquisas envolvendo calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições
os temas transversais de que trata o caput. (Redação dada climáticas;
pela Lei nº 13.415, de 2017) III adequação à natureza do trabalho na zona rural.
§ 8º A exibição de filmes de produção nacional cons- Parágrafo único. O fechamento de escolas do campo,
tituirá componente curricular complementar integrado à indígenas e quilombolas será precedido de manifestação
proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obri- do órgão normativo do respectivo sistema de ensino, que
gatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais. (Incluído considerará a justificativa apresentada pela Secretaria de
pela Lei nº 13.006, de 2014) Educação, a análise do diagnóstico do impacto da ação e a
§ 9o Conteúdos relativos aos direitos humanos e à pre- manifestação da comunidade escolar. (Incluído pela Lei nº
venção de todas as formas de violência contra a criança 12.960, de 2014)
e o adolescente serão incluídos, como temas transversais,
nos currículos escolares de que trata o caput deste artigo, Seção II
tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 Da Educação Infantil
(Estatuto da Criança e do Adolescente), observada a produ-
ção e distribuição de material didático adequado. (Incluído Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educa-
pela Lei nº 13.010, de 2014) ção básica, tem como finalidade o desenvolvimento in-
§ 10. A inclusão de novos componentes curriculares de tegral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos
caráter obrigatório na Base Nacional Comum Curricular de- físico, psicológico, intelectual e social, complementando a
penderá de aprovação do Conselho Nacional de Educação ação da família e da comunidade. (Redação dada pela Lei
e de homologação pelo Ministro de Estado da Educação. nº 12.796, de 2013)
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) Art. 30. A educação infantil será oferecida em:
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamen- I creches, ou entidades equivalentes, para crianças de
tal e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obriga- até três anos de idade;
tório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indíge- II pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco)
na. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). anos de idade. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído
com as seguintes regras comuns: (Redação dada pela Lei nº como tema transversal nos currículos do ensino fundamen-
12.796, de 2013) tal. (Incluído pela Lei nº 12.472, de 2011).
I avaliação mediante acompanhamento e registro do Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é
desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, parte integrante da formação básica do cidadão e constitui
mesmo para o acesso ao ensino fundamental; (Incluído pela disciplina dos horários normais das escolas públicas de en-
Lei nº 12.796, de 2013) sino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cul-
II carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, tural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de pro-
distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de traba- selitismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
lho educacional; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedi-
III atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas mentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso
diárias para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão
integral; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) dos professores. (Incluído pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
IV controle de frequência pela instituição de educação § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, cons-
pré-escolar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta tituída pelas diferentes denominações religiosas, para a
por cento) do total de horas; (Incluído pela Lei nº 12.796, de definição dos conteúdos do ensino religioso. (Incluído pela
2013) Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
V expedição de documentação que permita atestar os Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental in-
processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança. cluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala
(Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) de aula, sendo progressivamente ampliado o período de
permanência na escola.
Seção III § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das
Do Ensino Fundamental formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei.
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progres-
Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração
sivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de
de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos
ensino.
6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do
cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
Seção IV
I o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo
Do Ensino Médio
como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita
e do cálculo;
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica,
II a compreensão do ambiente natural e social, do siste-
ma político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se com duração mínima de três anos, terá como finalidades:
fundamenta a sociedade; I a consolidação e o aprofundamento dos conheci-
III o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, mentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando
tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades o prosseguimento de estudos;
e a formação de atitudes e valores; II a preparação básica para o trabalho e a cidadania
IV o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser
solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de
assenta a vida social. ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o en- III o aprimoramento do educando como pessoa hu-
sino fundamental em ciclos. mana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regu- autonomia intelectual e do pensamento crítico;
lar por série podem adotar no ensino fundamental o regi- IV a compreensão dos fundamentos científico-tecnoló-
me de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do gicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com
processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas a prática, no ensino de cada disciplina.
do respectivo sistema de ensino. Art. 35-A. A Base Nacional Comum Curricular defini-
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em rá direitos e objetivos de aprendizagem do ensino médio,
língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a conforme diretrizes do Conselho Nacional de Educação,
utilização de suas línguas maternas e processos próprios de nas seguintes áreas do conhecimento: (Incluído pela Lei nº
aprendizagem. 13.415, de 2017)
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o en- I linguagens e suas tecnologias; (Incluído pela Lei nº
sino a distância utilizado como complementação da apren- 13.415, de 2017)
dizagem ou em situações emergenciais. II matemática e suas tecnologias; (Incluído pela Lei nº
§ 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obri- 13.415, de 2017)
gatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das crianças III ciências da natureza e suas tecnologias; (Incluído
e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de pela Lei nº 13.415, de 2017)
13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do IV ciências humanas e sociais aplicadas. (Incluído pela
Adolescente, observada a produção e distribuição de mate- Lei nº 13.415, de 2017)
rial didático adequado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007).

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 1o A parte diversificada dos currículos de que trata V formação técnica e profissional. (Incluído pela Lei nº
o caput do art. 26, definida em cada sistema de ensino, de- 13.415, de 2017)
verá estar harmonizada à Base Nacional Comum Curricular § 1o A organização das áreas de que trata o caput e das
e ser articulada a partir do contexto histórico, econômico, respectivas competências e habilidades será feita de acordo
social, ambiental e cultural. (Incluído pela Lei nº 13.415, de com critérios estabelecidos em cada sistema de ensino. (Re-
2017) dação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 2o A Base Nacional Comum Curricular referente ao I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
ensino médio incluirá obrigatoriamente estudos e práticas II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
de educação física, arte, sociologia e filosofia. (Incluído pela III – (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.684, de
Lei nº 13.415, de 2017) 2008)
§ 3o O ensino da língua portuguesa e da matemática § 2º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
será obrigatório nos três anos do ensino médio, assegu- § 3o A critério dos sistemas de ensino, poderá ser com-
rada às comunidades indígenas, também, a utilização das posto itinerário formativo integrado, que se traduz na com-
respectivas línguas maternas. (Incluído pela Lei nº 13.415, posição de componentes curriculares da Base Nacional Co-
de 2017) mum Curricular BNCC e dos itinerários formativos, conside-
§ 4o Os currículos do ensino médio incluirão, obriga- rando os incisos I a V do caput. (Redação dada pela Lei nº
toriamente, o estudo da língua inglesa e poderão ofertar 13.415, de 2017)
outras línguas estrangeiras, em caráter optativo, preferen- § 4º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
cialmente o espanhol, de acordo com a disponibilidade de § 5o Os sistemas de ensino, mediante disponibilidade de
oferta, locais e horários definidos pelos sistemas de ensino. vagas na rede, possibilitarão ao aluno concluinte do ensi-
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) no médio cursar mais um itinerário formativo de que trata
§ 5o A carga horária destinada ao cumprimento da Base o caput. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
Nacional Comum Curricular não poderá ser superior a mil § 6o A critério dos sistemas de ensino, a oferta de forma-
e oitocentas horas do total da carga horária do ensino mé- ção com ênfase técnica e profissional considerará: (Incluído
dio, de acordo com a definição dos sistemas de ensino. (In-
pela Lei nº 13.415, de 2017)
cluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
I a inclusão de vivências práticas de trabalho no setor
§ 6o A União estabelecerá os padrões de desempenho
produtivo ou em ambientes de simulação, estabelecendo
esperados para o ensino médio, que serão referência nos
parcerias e fazendo uso, quando aplicável, de instrumentos
processos nacionais de avaliação, a partir da Base Nacional
estabelecidos pela legislação sobre aprendizagem profissio-
Comum Curricular. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
nal; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 7o Os currículos do ensino médio deverão conside-
II a possibilidade de concessão de certificados interme-
rar a formação integral do aluno, de maneira a adotar um
trabalho voltado para a construção de seu projeto de vida diários de qualificação para o trabalho, quando a formação
e para sua formação nos aspectos físicos, cognitivos e so- for estruturada e organizada em etapas com terminalidade.
cioemocionais. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 8o Os conteúdos, as metodologias e as formas de ava- § 7o A oferta de formações experimentais relacionadas
liação processual e formativa serão organizados nas redes ao inciso V do caput, em áreas que não constem do Catálo-
de ensino por meio de atividades teóricas e práticas, provas go Nacional dos Cursos Técnicos, dependerá, para sua con-
orais e escritas, seminários, projetos e atividades  on-line, tinuidade, do reconhecimento pelo respectivo Conselho Es-
de tal forma que ao final do ensino médio o educando de- tadual de Educação, no prazo de três anos, e da inserção no
monstre: (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos, no prazo de cinco
I domínio dos princípios científicos e tecnológicos que anos, contados da data de oferta inicial da formação. (Incluí-
presidem a produção moderna; (Incluído pela Lei nº 13.415, do pela Lei nº 13.415, de 2017)
de 2017) § 8o A oferta de formação técnica e profissional a que
II conhecimento das formas contemporâneas de lin- se refere o inciso V do caput, realizada na própria instituição
guagem. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) ou em parceria com outras instituições, deverá ser aprovada
Art. 36. O currículo do ensino médio será composto previamente pelo Conselho Estadual de Educação, homolo-
pela Base Nacional Comum Curricular e por itinerários for- gada pelo Secretário Estadual de Educação e certificada pe-
mativos, que deverão ser organizados por meio da oferta los sistemas de ensino. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância § 9o As instituições de ensino emitirão certificado com
para o contexto local e a possibilidade dos sistemas de en- validade nacional, que habilitará o concluinte do ensino mé-
sino, a saber: (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) dio ao prosseguimento dos estudos em nível superior ou
I linguagens e suas tecnologias; (Redação dada pela Lei em outros cursos ou formações para os quais a conclusão
nº 13.415, de 2017) do ensino médio seja etapa obrigatória. (Incluído pela Lei nº
II matemática e suas tecnologias; (Redação dada pela 13.415, de 2017)
Lei nº 13.415, de 2017) § 10. Além das formas de organização previstas no art.
III ciências da natureza e suas tecnologias; (Redação 23, o ensino médio poderá ser organizado em módulos e
dada pela Lei nº 13.415, de 2017) adotar o sistema de créditos com terminalidade específica.
IV ciências humanas e sociais aplicadas; (Redação dada (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) 
pela Lei nº 13.415, de 2017)

7
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 11. Para efeito de cumprimento das exigências cur- Art. 36-C. A educação profissional técnica de nível mé-
riculares do ensino médio, os sistemas de ensino poderão dio articulada, prevista no inciso I do caput  do art. 36-B
reconhecer competências e firmar convênios com institui- desta Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº
ções de educação a distância com notório reconhecimento, 11.741, de 2008)
mediante as seguintes formas de comprovação: (Incluído I integrada, oferecida somente a quem já tenha con-
pela Lei nº 13.415, de 2017) cluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de
I demonstração prática; (Incluído pela Lei nº 13.415, de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica
2017) de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuan-
II experiência de trabalho supervisionado ou outra do-se matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº
experiência adquirida fora do ambiente escolar; (Incluído 11.741, de 2008)
pela Lei nº 13.415, de 2017) II concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino
III atividades de educação técnica oferecidas em outras médio ou já o esteja cursando, efetuando-se matrículas
instituições de ensino credenciadas; (Incluído pela Lei nº distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela
13.415, de 2017)  Lei nº 11.741, de 2008)
IV cursos oferecidos por centros ou programas ocupa- a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as
cionais; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)  oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei
V estudos realizados em instituições de ensino nacio- nº 11.741, de 2008)
nais ou estrangeiras; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)  b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se
VI cursos realizados por meio de educação a distância as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela
ou educação presencial mediada por tecnologias. (Incluído Lei nº 11.741, de 2008)
pela Lei nº 13.415, de 2017)  c) em instituições de ensino distintas, mediante convê-
§ 12. As escolas deverão orientar os alunos no proces- nios de intercomplementaridade, visando ao planejamento
so de escolha das áreas de conhecimento ou de atuação e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado.
profissional previstas no caput. (Incluído pela Lei nº 13.415, (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profis-
de 2017)
sional técnica de nível médio, quando registrados, terão
validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de es-
Seção IV-A
tudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº 11.741,
Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio
de 2008)
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional
técnica de nível médio, nas formas articulada concomi-
Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste
tante e subsequente, quando estruturados e organizados
Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção
educando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões de certificados de qualificação para o trabalho após a con-
técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) clusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracteri-
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho ze uma qualificação para o trabalho. (Incluído pela Lei nº
e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser 11.741, de 2008)
desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino
médio ou em cooperação com instituições especializadas Seção V
em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de Da Educação de Jovens e Adultos
2008)
Art. 36-B. A educação profissional técnica de nível mé- Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada
dio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estu-
Lei nº 11.741, de 2008) dos no ensino fundamental e médio na idade própria.
I articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente
11.741, de 2008) aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os es-
II subsequente, em cursos destinados a quem já tenha tudos na idade regular, oportunidades educacionais apro-
concluído o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.741, de priadas, consideradas as características do alunado, seus
2008) interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cur-
Parágrafo único. A educação profissional técnica de ní- sos e exames.
vel médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso
2008) e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações
I os objetivos e definições contidos nas diretrizes curri- integradas e complementares entre si.
culares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se,
Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) preferencialmente, com a educação profissional, na forma
II as normas complementares dos respectivos sistemas do regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
de ensino; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exa-
III as exigências de cada instituição de ensino, nos mes supletivos, que compreenderão a base nacional co-
termos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº mum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estu-
11.741, de 2008) dos em caráter regular.

8
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: CAPÍTULO IV


I no nível de conclusão do ensino fundamental, para os DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
maiores de quinze anos;
II no nível de conclusão do ensino médio, para os maio- Art. 43. A educação superior tem por finalidade:
res de dezoito anos. I estimular a criação cultural e o desenvolvimento do
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos espírito científico e do pensamento reflexivo;
educandos por meios informais serão aferidos e reconheci- II formar diplomados nas diferentes áreas de conhe-
dos mediante exames. cimento, aptos para a inserção em setores profissionais e
para a participação no desenvolvimento da sociedade bra-
CAPÍTULO III sileira, e colaborar na sua formação contínua;
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL III incentivar o trabalho de pesquisa e investigação
Da Educação Profissional e Tecnológica científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tec-
(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) nologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo,
desenvolver o entendimento do homem e do meio em que
Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cum- vive;
primento dos objetivos da educação nacional, integra-se IV promover a divulgação de conhecimentos culturais,
aos diferentes níveis e modalidades de educação e às di- científicos e técnicos que constituem patrimônio da huma-
mensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação nidade e comunicar o saber através do ensino, de publica-
dada pela Lei nº 11.741, de 2008) ções ou de outras formas de comunicação;
§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica V suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento
poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibi- cultural e profissional e possibilitar a correspondente con-
litando a construção de diferentes itinerários formativos, cretização, integrando os conhecimentos que vão sendo
observadas as normas do respectivo sistema e nível de en- adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do
sino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) conhecimento de cada geração;
§ 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá
VI estimular o conhecimento dos problemas do mun-
os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
do presente, em particular os nacionais e regionais, prestar
I – de formação inicial e continuada ou qualificação
serviços especializados à comunidade e estabelecer com
profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
esta uma relação de reciprocidade;
II – de educação profissional técnica de nível médio;
VII promover a extensão, aberta à participação da po-
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
pulação, visando à difusão das conquistas e benefícios re-
III – de educação profissional tecnológica de gradua-
sultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tec-
ção e pós-graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
nológica geradas na instituição.
§ 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de
graduação e pós-graduação organizar-se-ão, no que con- VIII atuar em favor da universalização e do aprimora-
cerne a objetivos, características e duração, de acordo com mento da educação básica, mediante a formação e a capa-
as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Con- citação de profissionais, a realização de pesquisas pedagó-
selho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, gicas e o desenvolvimento de atividades de extensão que
de 2008) aproximem os dois níveis escolares. (Incluído pela Lei nº
Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em 13.174, de 2015)
articulação com o ensino regular ou por diferentes estra- Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes
tégias de educação continuada, em instituições especiali- cursos e programas: (Regulamento)
zadas ou no ambiente de trabalho. (Regulamento)(Regula- I cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes
mento) (Regulamento) níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação pro- aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino,
fissional e tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalen-
objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para te; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007).
prosseguimento ou conclusão de estudos. (Redação dada II de graduação, abertos a candidatos que tenham con-
pela Lei nº 11.741, de 2008) cluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classi-
Art. 42. As instituições de educação profissional e tec- ficados em processo seletivo;
nológica, além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos III de pós-graduação, compreendendo programas de
especiais, abertos à comunidade, condicionada a matrícula mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfei-
à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao çoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em
nível de escolaridade. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de cursos de graduação e que atendam às exigências das ins-
2008) tituições de ensino;
IV de extensão, abertos a candidatos que atendam aos
requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de
ensino.

9
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 1º. Os resultados do processo seletivo referido no § 1o As instituições informarão aos interessados, antes
inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos de cada período letivo, os programas dos cursos e demais
pelas instituições de ensino superior, sendo obrigatória a componentes curriculares, sua duração, requisitos, qualifi-
divulgação da relação nominal dos classificados, a respec- cação dos professores, recursos disponíveis e critérios de
tiva ordem de classificação, bem como do cronograma das avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condi-
chamadas para matrícula, de acordo com os critérios para ções, e a publicação deve ser feita, sendo as 3 (três) primei-
preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. ras formas concomitantemente: (Redação dada pela lei nº
(Incluído pela Lei nº 11.331, de 2006) (Renumerado do pa- 13.168, de 2015)
rágrafo único para § 1º pela Lei nº 13.184, de 2015) I em página específica na internet no sítio eletrônico
§ 2º No caso de empate no processo seletivo, as ins- oficial da instituição de ensino superior, obedecido o se-
tituições públicas de ensino superior darão prioridade de guinte: (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015)
matrícula ao candidato que comprove ter renda familiar a) toda publicação a que se refere esta Lei deve ter
inferior a dez salários mínimos, ou ao de menor renda fa- como título “Grade e Corpo Docente”; (Incluída pela lei nº
miliar, quando mais de um candidato preencher o critério 13.168, de 2015)
inicial. (Incluído pela Lei nº 13.184, de 2015) b) a página principal da instituição de ensino superior,
§ 3o O processo seletivo referido no inciso II conside- bem como a página da oferta de seus cursos aos ingres-
rará as competências e as habilidades definidas na Base santes sob a forma de vestibulares, processo seletivo e ou-
Nacional Comum Curricular. (Incluído pela lei nº 13.415, de tras com a mesma finalidade, deve conter a ligação desta
2017) com a página específica prevista neste inciso; (Incluída pela
Art. 45. A educação superior será ministrada em insti- lei nº 13.168, de 2015)
tuições de ensino superior, públicas ou privadas, com varia- c) caso a instituição de ensino superior não possua sí-
dos graus de abrangência ou especialização. (Regulamen- tio eletrônico, deve criar página específica para divulgação
to) (Regulamento) das informações de que trata esta Lei; (Incluída pela lei nº
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, 13.168, de 2015)
bem como o credenciamento de instituições de educação d) a página específica deve conter a data completa de
superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodi- sua última atualização; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015)
camente, após processo regular de avaliação. (Regulamen- II em toda propaganda eletrônica da instituição de en-
to) (Regulamento) (Vide Lei nº 10.870, de 2004) sino superior, por meio de ligação para a página referida no
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências inciso I; (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015)
eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere III em local visível da instituição de ensino superior e
este artigo, haverá reavaliação, que poderá resultar, con- de fácil acesso ao público; (Incluído pela lei nº 13.168, de
forme o caso, em desativação de cursos e habilitações, em 2015)
intervenção na instituição, em suspensão temporária de IV deve ser atualizada semestralmente ou anualmente,
prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento. de acordo com a duração das disciplinas de cada curso ofe-
(Regulamento) (Regulamento) (Vide Lei nº 10.870, de 2004) recido, observando o seguinte: (Incluído pela lei nº 13.168,
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo de 2015)
responsável por sua manutenção acompanhará o processo a) caso o curso mantenha disciplinas com duração di-
de saneamento e fornecerá recursos adicionais, se necessá- ferenciada, a publicação deve ser semestral; (Incluída pela
rios, para a superação das deficiências. lei nº 13.168, de 2015)
§ 3o No caso de instituição privada, além das sanções b) a publicação deve ser feita até 1 (um) mês antes do
previstas no § 1o deste artigo, o processo de reavaliação início das aulas; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015)
poderá resultar em redução de vagas autorizadas e em c) caso haja mudança na grade do curso ou no corpo
suspensão temporária de novos ingressos e de oferta de docente até o início das aulas, os alunos devem ser comu-
cursos. (Incluído pela Lei nº 13.530, de 2017) nicados sobre as alterações; (Incluída pela lei nº 13.168, de
§ 4o É facultado ao Ministério da Educação, mediante 2015)
procedimento específico e com aquiescência da institui- V deve conter as seguintes informações: (Incluído pela
ção de ensino, com vistas a resguardar os interesses dos lei nº 13.168, de 2015)
estudantes, comutar as penalidades previstas nos §§ 1o e a) a lista de todos os cursos oferecidos pela instituição
3o deste artigo por outras medidas, desde que adequadas de ensino superior; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015)
para superação das deficiências e irregularidades constata- b) a lista das disciplinas que compõem a grade curricu-
das. (Incluído pela Lei nº 13.530, de 2017) lar de cada curso e as respectivas cargas horárias; (Incluída
§ 5o Para fins de regulação, os Estados e o Distrito Fe- pela lei nº 13.168, de 2015)
deral deverão adotar os critérios definidos pela União para c) a identificação dos docentes que ministrarão as au-
autorização de funcionamento de curso de graduação em las em cada curso, as disciplinas que efetivamente minis-
Medicina. (Incluído pela Lei nº 13.530, de 2017) trará naquele curso ou cursos, sua titulação, abrangendo a
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, in- qualificação profissional do docente e o tempo de casa do
dependente do ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias docente, de forma total, contínua ou intermitente. (Incluída
de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado pela lei nº 13.168, de 2015)
aos exames finais, quando houver.

10
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveita- III um terço do corpo docente em regime de tempo integral.
mento nos estudos, demonstrado por meio de provas e Parágrafo único. É facultada a criação de universidades es-
outros instrumentos de avaliação específicos, aplicados pecializadas por campo do saber. (Regulamento) (Regulamento)
por banca examinadora especial, poderão ter abreviada a Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às
duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições:
sistemas de ensino. I criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e progra-
§ 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, mas de educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às
salvo nos programas de educação a distância. normas gerais da União e, quando for o caso, do respectivo
§ 4º As instituições de educação superior oferecerão, sistema de ensino; (Regulamento)
no período noturno, cursos de graduação nos mesmos II fixar os currículos dos seus cursos e programas, obser-
padrões de qualidade mantidos no período diurno, sendo vadas as diretrizes gerais pertinentes;
obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas, ga- III estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa
rantida a necessária previsão orçamentária. científica, produção artística e atividades de extensão;
Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhe- IV fixar o número de vagas de acordo com a capacidade
cidos, quando registrados, terão validade nacional como institucional e as exigências do seu meio;
prova da formação recebida por seu titular. V elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em
§ 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão consonância com as normas gerais atinentes;
por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por ins- VI conferir graus, diplomas e outros títulos;
tituições não-universitárias serão registrados em universi- VII firmar contratos, acordos e convênios;
dades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. VIII aprovar e executar planos, programas e projetos de
§ 2º Os diplomas de graduação expedidos por univer- investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em
sidades estrangeiras serão revalidados por universidades geral, bem como administrar rendimentos conforme dispo-
públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equi- sitivos institucionais;
valente, respeitando-se os acordos internacionais de reci- IX administrar os rendimentos e deles dispor na forma
prevista no ato de constituição, nas leis e nos respectivos es-
procidade ou equiparação.
tatutos;
§ 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expe-
X receber subvenções, doações, heranças, legados e coo-
didos por universidades estrangeiras só poderão ser reco-
peração financeira resultante de convênios com entidades
nhecidos por universidades que possuam cursos de pós-
públicas e privadas.
graduação reconhecidos e avaliados, na mesma área de
§ 1º Para garantir a autonomia didático-científica das uni-
conhecimento e em nível equivalente ou superior.
versidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa
Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão
decidir, dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre:
a transferência de alunos regulares, para cursos afins, na
(Redação dada pela Lei nº 13.490, de 2017)
hipótese de existência de vagas, e mediante processo se- I criação, expansão, modificação e extinção de cursos;
letivo. (Redação dada pela Lei nº 13.490, de 2017)
Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão II ampliação e diminuição de vagas; (Redação dada pela
na forma da lei. (Regulamento) Lei nº 13.490, de 2017)
Art. 50. As instituições de educação superior, quando III elaboração da programação dos cursos; (Redação dada
da ocorrência de vagas, abrirão matrícula nas disciplinas pela Lei nº 13.490, de 2017)
de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem IV programação das pesquisas e das atividades de exten-
capacidade de cursá-las com proveito, mediante processo são; (Redação dada pela Lei nº 13.490, de 2017)
seletivo prévio. V contratação e dispensa de professores; (Redação dada
Art. 51. As instituições de educação superior creden- pela Lei nº 13.490, de 2017)
ciadas como universidades, ao deliberar sobre critérios e VI planos de carreira docente. (Redação dada pela Lei nº
normas de seleção e admissão de estudantes, levarão em 13.490, de 2017)
conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do en- § 2o As doações, inclusive monetárias, podem ser dirigidas
sino médio, articulando-se com os órgãos normativos dos a setores ou projetos específicos, conforme acordo entre doa-
sistemas de ensino. dores e universidades. (Incluído pela Lei nº 13.490, de 2017)
Art. 52. As universidades são instituições pluridisci- § 3o No caso das universidades públicas, os recursos das
plinares de formação dos quadros profissionais de nível doações devem ser dirigidos ao caixa único da instituição,
superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo com destinação garantida às unidades a serem beneficiadas.
do saber humano, que se caracterizam por: (Regulamento) (Incluído pela Lei nº 13.490, de 2017)
(Regulamento) Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público
I produção intelectual institucionalizada mediante o gozarão, na forma da lei, de estatuto jurídico especial para
estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, atender às peculiaridades de sua estrutura, organização e fi-
tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regio- nanciamento pelo Poder Público, assim como dos seus planos
nal e nacional; de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. (Regulamen-
II um terço do corpo docente, pelo menos, com titula- to) (Regulamento)
ção acadêmica de mestrado ou doutorado;

11
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribui- § 3º A oferta de educação especial, dever constitucio-
ções asseguradas pelo artigo anterior, as universidades pú- nal do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos,
blicas poderão: durante a educação infantil.
I propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos edu-
administrativo, assim como um plano de cargos e salários, candos com deficiência, transtornos globais do desenvolvi-
atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos dis- mento e altas habilidades ou superdotação: (Redação dada
poníveis; pela Lei nº 12.796, de 2013)
II elaborar o regulamento de seu pessoal em conformi- I currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e
dade com as normas gerais concernentes; organização específicos, para atender às suas necessida-
III aprovar e executar planos, programas e projetos de des;
investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em II terminalidade específica para aqueles que não pu-
geral, de acordo com os recursos alocados pelo respectivo derem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino
Poder mantenedor; fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração
IV elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; para concluir em menor tempo o programa escolar para os
V adotar regime financeiro e contábil que atenda às superdotados;
suas peculiaridades de organização e funcionamento; III professores com especialização adequada em nível
VI realizar operações de crédito ou de financiamento, médio ou superior, para atendimento especializado, bem
com aprovação do Poder competente, para aquisição de como professores do ensino regular capacitados para a in-
bens imóveis, instalações e equipamentos; tegração desses educandos nas classes comuns;
VII efetuar transferências, quitações e tomar outras IV educação especial para o trabalho, visando a sua
providências de ordem orçamentária, financeira e patrimo- efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condi-
nial necessárias ao seu bom desempenho. ções adequadas para os que não revelarem capacidade
§ 2º Atribuições de autonomia universitária poderão de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação
ser estendidas a instituições que comprovem alta qualifica- com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que
ção para o ensino ou para a pesquisa, com base em avalia-
apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, in-
ção realizada pelo Poder Público.
telectual ou psicomotora;
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu
V acesso igualitário aos benefícios dos programas so-
Orçamento Geral, recursos suficientes para manutenção e
ciais suplementares disponíveis para o respectivo nível do
desenvolvimento das instituições de educação superior por
ensino regular.
ela mantidas.
Art. 59-A.   O poder público deverá instituir cadastro
Art. 56. As instituições públicas de educação superior
nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação
obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegura-
da a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que matriculados na educação básica e na educação superior, a
participarão os segmentos da comunidade institucional, fim de fomentar a execução de políticas públicas destina-
local e regional. das ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocupa- alunado. (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015)
rão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegia- Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com
do e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedi-
e modificações estatutárias e regimentais, bem como da mentos para inclusão no cadastro referido no caput deste
escolha de dirigentes. artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os
Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políti-
o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas sema- cas de desenvolvimento das potencialidades do alunado
nais de aulas. (Regulamento) de que trata o caput serão definidos em regulamento.
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino
CAPÍTULO V estabelecerão critérios de caracterização das instituições
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação
exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os e financeiro pelo Poder Público.
efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar ofe- Parágrafo único. O poder público adotará, como alter-
recida preferencialmente na rede regular de ensino, para nativa preferencial, a ampliação do atendimento aos edu-
educandos com deficiência, transtornos globais do desen- candos com deficiência, transtornos globais do desenvolvi-
volvimento e altas habilidades ou superdotação. (Redação mento e altas habilidades ou superdotação na própria rede
dada pela Lei nº 12.796, de 2013) pública regular de ensino, independentemente do apoio às
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio es- instituições previstas neste artigo. (Redação dada pela Lei
pecializado, na escola regular, para atender às peculiarida- nº 12.796, de 2013)
des da clientela de educação especial.
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes,
escolas ou serviços especializados, sempre que, em função
das condições específicas dos alunos, não for possível a sua
integração nas classes comuns de ensino regular.

12
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

TÍTULO VI § 3º A formação inicial de profissionais de magistério


Dos Profissionais da Educação dará preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fa-
zendo uso de recursos e tecnologias de educação a distân-
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação esco- cia. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009).
lar básica os que, nela estando em efetivo exercício e ten- § 4o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Mu-
do sido formados em cursos reconhecidos, são: (Redação nicípios adotarão mecanismos facilitadores de acesso e
dada pela Lei nº 12.014, de 2009) permanência em cursos de formação de docentes em nível
I – professores habilitados em nível médio ou superior superior para atuar na educação básica pública. (Incluído
para a docência na educação infantil e nos ensinos funda- pela Lei nº 12.796, de 2013)
mental e médio; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) § 5o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municí-
II – trabalhadores em educação portadores de diploma pios incentivarão a formação de profissionais do magistério
de pedagogia, com habilitação em administração, plane- para atuar na educação básica pública mediante programa
jamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes
bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas matriculados em cursos de licenciatura, de graduação ple-
mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) na, nas instituições de educação superior. (Incluído pela Lei
III – trabalhadores em educação, portadores de diplo- nº 12.796, de 2013)
ma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou § 6o O Ministério da Educação poderá estabelecer nota
afim. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) mínima em exame nacional aplicado aos concluintes do
IV profissionais com notório saber reconhecido pelos ensino médio como pré-requisito para o ingresso em cur-
respectivos sistemas de ensino, para ministrar conteúdos sos de graduação para formação de docentes, ouvido o
de áreas afins à sua formação ou experiência profissional, Conselho Nacional de Educação CNE. (Incluído pela Lei nº
atestados por titulação específica ou prática de ensino em 12.796, de 2013)
unidades educacionais da rede pública ou privada ou das § 7o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
corporações privadas em que tenham atuado, exclusiva- § 8o Os currículos dos cursos de formação de docen-
mente para atender ao inciso V do caput do art. 36; (Incluí- tes terão por referência a Base Nacional Comum Curricular.
do pela lei nº 13.415, de 2017) (Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) (Vide Lei nº 13.415,
V profissionais graduados que tenham feito comple- de 2017)
mentação pedagógica, conforme disposto pelo Conselho Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se re-
Nacional de Educação. (Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) fere o inciso III do art. 61 far-se-á por meio de cursos de
Parágrafo único. A formação dos profissionais da edu- conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou superior,
cação, de modo a atender às especificidades do exercício incluindo habilitações tecnológicas. (Incluído pela Lei nº
de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes 12.796, de 2013)
etapas e modalidades da educação básica, terá como fun- Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada
damentos: (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) para os profissionais a que se refere o  caput, no local de
I – a presença de sólida formação básica, que propicie trabalho ou em instituições de educação básica e superior,
o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de incluindo cursos de educação profissional, cursos superio-
suas competências de trabalho; (Incluído pela Lei nº 12.014, res de graduação plena ou tecnológicos e de pós-gradua-
de 2009) ção. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
II – a associação entre teorias e práticas, mediante es- Art. 62-B. O acesso de professores das redes públicas
tágios supervisionados e capacitação em serviço; (Incluído de educação básica a cursos superiores de pedagogia e
pela Lei nº 12.014, de 2009) licenciatura será efetivado por meio de processo seletivo
III – o aproveitamento da formação e experiências an- diferenciado. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017)
teriores, em instituições de ensino e em outras atividades. § 1º Terão direito de pleitear o acesso previsto
(Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) no  caput  deste artigo os professores das redes públicas
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educa- municipais, estaduais e federal que ingressaram por con-
ção básica far-se-á em nível superior, em curso de licen- curso público, tenham pelo menos três anos de exercício
ciatura plena, admitida, como formação mínima para o da profissão e não sejam portadores de diploma de gra-
exercício do magistério na educação infantil e nos cinco duação. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017)
primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em ní- § 2o  As instituições de ensino responsáveis pela ofer-
vel médio, na modalidade normal. (Redação dada pela lei ta de cursos de pedagogia e outras licenciaturas definirão
nº 13.415, de 2017) critérios adicionais de seleção sempre que acorrerem aos
§ 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Mu- certames interessados em número superior ao de vagas
nicípios, em regime de colaboração, deverão promover a disponíveis para os respectivos cursos. (Incluído pela Lei nº
formação inicial, a continuada e a capacitação dos profis- 13.478, de 2017)
sionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). § 3o Sem prejuízo dos concursos seletivos a serem de-
§ 2º A formação continuada e a capacitação dos pro- finidos em regulamento pelas universidades, terão priori-
fissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecno- dade de ingresso os professores que optarem por cursos
logias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de licenciatura em matemática, física, química, biologia e
de 2009). língua portuguesa. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017)

13
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão: TÍTULO VII


(Regulamento) Dos Recursos financeiros
I cursos formadores de profissionais para a educação
básica, inclusive o curso normal superior, destinado à for- Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação
mação de docentes para a educação infantil e para as pri- os originários de:
meiras séries do ensino fundamental; I receita de impostos próprios da União, dos Estados,
II programas de formação pedagógica para portadores do Distrito Federal e dos Municípios;
de diplomas de educação superior que queiram se dedicar II receita de transferências constitucionais e outras
à educação básica; transferências;
III programas de educação continuada para os profis- III receita do salário-educação e de outras contribui-
sionais de educação dos diversos níveis. ções sociais;
Art. 64. A formação de profissionais de educação para IV receita de incentivos fiscais;
administração, planejamento, inspeção, supervisão e orien- V outros recursos previstos em lei.
tação educacional para a educação básica, será feita em Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de
cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós- dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, vinte e cinco por cento, ou o que consta nas respectivas
nesta formação, a base comum nacional. Constituições ou Leis Orgânicas, da receita resultante de
Art. 65. A formação docente, exceto para a educação impostos, compreendidas as transferências constitucionais,
superior, incluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas na manutenção e desenvolvimento do ensino público.
horas. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí-
superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritaria- pios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não será
mente em programas de mestrado e doutorado. considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo,
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por uni- receita do governo que a transferir.
§ 2º Serão consideradas excluídas das receitas de im-
versidade com curso de doutorado em área afim, poderá
postos mencionadas neste artigo as operações de crédito
suprir a exigência de título acadêmico.
por antecipação de receita orçamentária de impostos.
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valoriza-
§ 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes
ção dos profissionais da educação, assegurando-lhes, in-
aos mínimos estatuídos neste artigo, será considerada a re-
clusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira
ceita estimada na lei do orçamento anual, ajustada, quan-
do magistério público:
do for o caso, por lei que autorizar a abertura de créditos
I ingresso exclusivamente por concurso público de pro-
adicionais, com base no eventual excesso de arrecadação.
vas e títulos; § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas
II aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive e as efetivamente realizadas, que resultem no não atendi-
com licenciamento periódico remunerado para esse fim; mento dos percentuais mínimos obrigatórios, serão apu-
III piso salarial profissional; radas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro.
IV progressão funcional baseada na titulação ou habili- § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do
tação, e na avaliação do desempenho; caixa da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu-
V período reservado a estudos, planejamento e avalia- nicípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela
ção, incluído na carga de trabalho; educação, observados os seguintes prazos:
VI condições adequadas de trabalho. I recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de
§ 1o A experiência docente é pré-requisito para o exer- cada mês, até o vigésimo dia;
cício profissional de quaisquer outras funções de magis- II recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigési-
tério, nos termos das normas de cada sistema de ensino. mo dia de cada mês, até o trigésimo dia;
(Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) III recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao
§ 2o Para os efeitos do disposto no  § 5º do art. 40 e final de cada mês, até o décimo dia do mês subsequente.
no  § 8o do art. 201 da Constituição Federal, são conside- § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a cor-
radas funções de magistério as exercidas por professores reção monetária e à responsabilização civil e criminal das
e especialistas em educação no desempenho de ativida- autoridades competentes.
des educativas, quando exercidas em estabelecimento de Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e de-
educação básica em seus diversos níveis e modalidades, senvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas
incluídas, além do exercício da docência, as de direção de à consecução dos objetivos básicos das instituições edu-
unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pe- cacionais de todos os níveis, compreendendo as que se
dagógico. (Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) destinam a:
§ 3o A União prestará assistência técnica aos Estados, I remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente
ao Distrito Federal e aos Municípios na elaboração de con- e demais profissionais da educação;
cursos públicos para provimento de cargos dos profissio- II aquisição, manutenção, construção e conservação de
nais da educação. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) instalações e equipamentos necessários ao ensino;
III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados
ao ensino;

14
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

IV levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas vi- § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e
sando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à 2º, a União poderá fazer a transferência direta de recursos
expansão do ensino; a cada estabelecimento de ensino, considerado o número
V realização de atividades-meio necessárias ao funcio- de alunos que efetivamente frequentam a escola.
namento dos sistemas de ensino; § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser
VI concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas exercida em favor do Distrito Federal, dos Estados e dos
públicas e privadas; Municípios se estes oferecerem vagas, na área de ensino
VII amortização e custeio de operações de crédito desti- de sua responsabilidade, conforme o inciso VI do art. 10
nadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo; e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número inferior à sua
VIII aquisição de material didático-escolar e manuten- capacidade de atendimento.
ção de programas de transporte escolar. Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no ar-
Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e de- tigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento
senvolvimento do ensino aquelas realizadas com: pelos Estados, Distrito Federal e Municípios do disposto
I pesquisa, quando não vinculada às instituições de en- nesta Lei, sem prejuízo de outras prescrições legais.
sino, ou, quando efetivada fora dos sistemas de ensino, que Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às esco-
não vise, precipuamente, ao aprimoramento de sua qualida- las públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias,
de ou à sua expansão; confessionais ou filantrópicas que:
II subvenção a instituições públicas ou privadas de cará- I comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam
ter assistencial, desportivo ou cultural; resultados, dividendos, bonificações, participações ou par-
III formação de quadros especiais para a administração cela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto;
pública, sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos; II apliquem seus excedentes financeiros em educação;
IV programas suplementares de alimentação, assistência III assegurem a destinação de seu patrimônio a outra
médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Po-
formas de assistência social; der Público, no caso de encerramento de suas atividades;
V obras de infraestrutura, ainda que realizadas para be-
IV prestem contas ao Poder Público dos recursos re-
neficiar direta ou indiretamente a rede escolar;
cebidos.
VI pessoal docente e demais trabalhadores da educação,
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser
quando em desvio de função ou em atividade alheia à ma-
destinados a bolsas de estudo para a educação básica, na
nutenção e desenvolvimento do ensino.
forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de
Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e de-
recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares
senvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos
da rede pública de domicílio do educando, ficando o Poder
balanços do Poder Público, assim como nos relatórios a que
se refere o § 3º do art. 165 da Constituição Federal. Público obrigado a investir prioritariamente na expansão
Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritaria- da sua rede local.
mente, na prestação de contas de recursos públicos, o cum- § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão
primento do disposto no art. 212 da Constituição Federal, poderão receber apoio financeiro do Poder Público, inclu-
no art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitó- sive mediante bolsas de estudo.
rias e na legislação concernente.
Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Dis- TÍTULO VIII
trito Federal e os Municípios, estabelecerá padrão mínimo Das Disposições Gerais
de oportunidades educacionais para o ensino fundamental,
baseado no cálculo do custo mínimo por aluno, capaz de Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colabo-
assegurar ensino de qualidade. ração das agências federais de fomento à cultura e de as-
Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo sistência aos índios, desenvolverá programas integrados de
será calculado pela União ao final de cada ano, com validade ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngue
para o ano subsequente, considerando variações regionais e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes ob-
no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. jetivos:
Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados I proporcionar aos índios, suas comunidades e povos,
será exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação
de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas
§ 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fór- e ciências;
mula de domínio público que inclua a capacidade de atendi- II garantir aos índios, suas comunidades e povos, o
mento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado, do acesso às informações, conhecimentos técnicos e científi-
Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e cos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas
do desenvolvimento do ensino. e não-índias.
§ 2º A capacidade de atendimento de cada governo será Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os
definida pela razão entre os recursos de uso constitucional- sistemas de ensino no provimento da educação intercultu-
mente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ral às comunidades indígenas, desenvolvendo programas
ensino e o custo anual do aluno, relativo ao padrão mínimo integrados de ensino e pesquisa.
de qualidade.

15
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 1º Os programas serão planejados com audiência das  Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº
comunidades indígenas. 11.788, de 2008)
§ 2º Os programas a que se refere este artigo, incluí- Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, ad-
dos nos Planos Nacionais de Educação, terão os seguintes mitida a equivalência de estudos, de acordo com as normas
objetivos: fixadas pelos sistemas de ensino.
I fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua mater- Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser
na de cada comunidade indígena; aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respecti-
II manter programas de formação de pessoal especia- vas instituições, exercendo funções de monitoria, de acordo
lizado, destinado à educação escolar nas comunidades in- com seu rendimento e seu plano de estudos.
dígenas; Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação pró-
III desenvolver currículos e programas específicos, ne- pria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e
les incluindo os conteúdos culturais correspondentes às títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino
respectivas comunidades; que estiver sendo ocupado por professor não concursado,
IV elaborar e publicar sistematicamente material didá- por mais de seis anos, ressalvados os direitos assegurados
tico específico e diferenciado. pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Dispo-
§ 3o No que se refere à educação superior, sem prejuízo sições Constitucionais Transitórias.
de outras ações, o atendimento aos povos indígenas efe- Art. 86. As instituições de educação superior constituídas
tivar-se-á, nas universidades públicas e privadas, mediante como universidades integrar-se-ão, também, na sua condi-
a oferta de ensino e de assistência estudantil, assim como ção de instituições de pesquisa, ao Sistema Nacional de Ciên-
de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas cia e Tecnologia, nos termos da legislação específica.
especiais. (Incluído pela Lei nº 12.416, de 2011)
Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de TÍTULO IX
9.1.2003) Das Disposições Transitórias
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de no-
vembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. (Incluí-  Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se
do pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) um ano a partir da publicação desta Lei.
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimen- § 1º A União, no prazo de um ano a partir da publica-
to e a veiculação de programas de ensino a distância, em ção desta Lei, encaminhará, ao Congresso Nacional, o Plano
todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação Nacional de Educação, com diretrizes e metas para os dez
continuada. (Regulamento) (Regulamento) anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura Educação para Todos.
e regime especiais, será oferecida por instituições especifi- § 2º (Revogado). (Redação dada pela lei nº 12.796, de
camente credenciadas pela União. 2013)
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realiza- § 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, suple-
ção de exames e registro de diploma relativos a cursos de tivamente, a União, devem: (Redação dada pela Lei nº 11.330,
educação a distância. de 2006)
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de I (revogado); (Redação dada pela lei nº 12.796, de 2013)
programas de educação a distância e a autorização para a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
ensino, podendo haver cooperação e integração entre os c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
diferentes sistemas. (Regulamento) II prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e
§ 4º A educação a distância gozará de tratamento dife- adultos insuficientemente escolarizados;
renciado, que incluirá: III realizar programas de capacitação para todos os pro-
I custos de transmissão reduzidos em canais comerciais fessores em exercício, utilizando também, para isto, os recur-
de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros sos da educação a distância;
meios de comunicação que sejam explorados mediante au- IV integrar todos os estabelecimentos de ensino funda-
torização, concessão ou permissão do poder público; (Re- mental do seu território ao sistema nacional de avaliação do
dação dada pela Lei nº 12.603, de 2012) rendimento escolar.
II concessão de canais com finalidades exclusivamente § 4º (Revogado). (Redação dada pela lei nº 12.796, de
educativas; 2013)
III reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a
Público, pelos concessionários de canais comerciais. progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino
Art. 81. É permitida a organização de cursos ou insti- fundamental para o regime de escolas de tempo integral.
tuições de ensino experimentais, desde que obedecidas as § 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao
disposições desta Lei. Distrito Federal e aos Municípios, bem como a dos Estados
Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas aos seus Municípios, ficam condicionadas ao cumprimento
de realização de estágio em sua jurisdição, observada a lei do art. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais per-
federal sobre a matéria. (Redação dada pela Lei nº 11.788, tinentes pelos governos beneficiados.
de 2008)

16
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Art. 87-A. (VETADO). (Incluído pela lei nº 12.796, de 2013) Defendemos que uma proposta curricular que atenda ao
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu- ciclo de alfabetização passa necessariamente pela distribui-
nicípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às ção gradual das capacidades ao longo dos três anos, sem
disposições desta Lei no prazo máximo de um ano, a partir que se tenha uma sobrecarga em determinado ano e, sim,
da data de sua publicação. (Regulamento) (Regulamento) uma organização coerente e adequada aos conhecimentos e
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos à idade dos alunos.
e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respec- As reflexões sobre planejamento e organização de uma
tivos sistemas de ensino, nos prazos por estes estabelecidos. proposta de alfabetização que contemple esse aprendizado
§ 2º O prazo para que as universidades cumpram o dispos- devem possibilitar ao professor uma visualização mais clara
to nos incisos II e III do art. 52 é de oito anos. dos objetivos de seu trabalho em sala de aula e das metas
Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham que deve procurar atingir, nos três anos do ciclo de alfabe-
a ser criadas deverão, no prazo de três anos, a contar da pu- tização.
blicação desta Lei, integrar-se ao respectivo sistema de ensino. Uma proposta envolve um processo permanente de
Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o re- experimentação e reflexão na ação pedagógica, para a me-
gime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas lhoria da qualidade da educação brasileira. Entendemos que
pelo Conselho Nacional de Educação ou, mediante delega- as práticas de ensino e as experiências dos professores são
ção deste, pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino, imprescindíveis e podem favorecer a ampliação dos referen-
preservada a autonomia universitária. ciais teóricos e culturais dos docentes e de sua autonomia no
Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. trabalho no ciclo de alfabetização.
Art. 92. Revogam-se as disposições das  Leis nºs 4.024, Uma proposta para o ciclo de alfabetização precisa levar
de 20 de dezembro de 1961, e 5.540, de 28 de novembro de em consideração alguns princípios, entre eles, destacamos:
1968, não alteradas pelas Leis nºs 9.131, de 24 de novembro
de 1995 e 9.192, de 21 de dezembro de 1995 e, ainda, as Leis O aprendizado e a progressão da criança dependem:
nºs 5.692, de 11 de agosto de 1971 e 7.044, de 18 de outubro Do processo por ela desenvolvido;
de 1982, e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e Do patamar em que ela se encontra;
quaisquer outras disposições em contrário. Das possibilidades que o ambiente escolar lhe propicia.
Brasília, 20 de dezembro de 1996; 175º da Independên-
cia e 108º da República. A proposta pedagógica deve valorizar:
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO A interpretação das capacidades da criança pelo pro-
Paulo Renato Souza fessor, através de critérios capazes de sinalizar progressivos
Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.12.1996 avanços no processo de alfabetização.

Também é necessário ter a clareza dos conceitos de al-


A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO; O fabetizar e letrar:
PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM: Alfabetizar não se reduziria ao domínio das “primeiras
letras” (alfabetizar);
A AÇÃO PEDAGÓGICA; A AVALIAÇÃO DA
Saber utilizar a língua escrita nas situações em que esta é
APRENDIZAGEM. necessária, lendo e produzindo textos (letrar);
Ter clareza sobre capacidades e conhecimentos que pre-
cisam ser desenvolvidos para que uma criança seja conside-
Atualmente, as discussões que envolvem o ciclo de alfabe- rada alfabetizada;
tização e o Ensino Fundamental de nove anos passam por re- Saber como distribuí-los ao longo dos três anos iniciais
flexões e questionamentos que estão diretamente relacionados da Educação Fundamental;
às atividades que precisam ser desenvolvidas no espaço escolar. Saber o que cada criança deve ser capaz de realizar a
Ao defendermos a entrada da criança de seis anos no primeiro cada período do Ciclo de Alfabetização.
ano do ciclo de alfabetização, estamos defendendo que não se
trata apenas de incluir os meninos e as meninas na escola, mas Como planejar projetos didáticos e sequências didáticas
encontrar novas linguagens, novas categorias, novas estratégias ao longo de três anos de forma integrada entre os anos e as
para enfrentar formas inéditas de exclusão que, hoje, se produ- diferentes áreas de conhecimento?
zem e se reproduzem. E uma das maiores exclusões do sistema Os materiais didáticos e de apoio pedagógico levam em
educacional brasileiro é de crianças e jovens que não têm domí- conta o ciclo de alfabetização?
nio e fluência das habilidades da leitura e da escrita. Nesta edição temática, pretende-se focalizar a discussão
Partindo do princípio de que orientações curriculares são e a análise de propostas de planejamento e organização de
“conhecimentos” e não podem designar “conteúdos”, cujo rotinas, que possam colaborar com o trabalho de gestores
termo é restrito, nossa opção teórico-metodológica é por e professores alfabetizadores. Além disso, pretende-se apre-
“capacidades”, termo amplo o suficiente para abranger todos sentar relatos de professoras que planejam e organizam suas
os níveis de progressão, desde os primeiros atos motores até rotinas de forma integrada, com diferentes áreas de conhe-
a leitura e a produção textual. Uma proposta curricular de cimento. Pretende-se, ainda, mostrar a importância de orga-
alfabetização ancorada nas capacidades diz respeito àquilo nizar diferentes agrupamentos nos três anos, adequando os
que uma pessoa precisa saber para ser alfabetizada. modos de organização do ciclo aos objetivos pretendidos.

17
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Sequência didática para desenvolver a leitura e Vamos discutir aqui as atividades pedagógicas da lei-
produção de gêneros textuais tura e da escrita desenvolvidas em turmas do primeiro ano
do Ensino Fundamental. Sequências didáticas/atividades
O objetivo do segundo texto da edição temática é pedagógicas são todas as estratégias didáticas usadas em
apresentar uma prática escolar de leitura e produção escri- sala de aula para mobilizar os processos de aprendizagem
ta de uma professora do 3º ano ciclo de alfabetização do dos aprendizes.
Ensino Fundamental. Procura-se evidenciar os procedimen- Elas operacionalizam os procedimentos de ensino para
tos metodológicos utilizados pela professora, as interações que as metas de aprendizagem estabelecidas no planeja-
estabelecidas com/entre os alunos, as oportunidades de mento de ensino do professor sejam alcançadas. No que se
aprendizagem geradas pelos eventos de letramento. O refere à aprendizagem inicial da língua escrita, é possível
evento de letramento analisado trata da elaboração de um dizer que há uma demanda por atividades pedagógicas
texto descritivo, que teve como foco a produção do gênero específicas e adequadas aos seus três níveis de ensino da
perfil. São analisadas e comentadas as etapas do trabalho alfabetização e do letramento:
com os alunos em sala de aula e mostrados os textos pro- Sistema de escrita,
duzidos por alguns deles ao final deste interessante evento Leitura e produção de textos escritos,
de letramento. Usos sociais da língua escrita.

As histórias em quadrinhos (hqs) nas sequências Dessa forma, o conjunto de atividades que compõem
didáticas (sd): o prazer no fazer, ensinar e aprender a rotina escolar das crianças nos anos iniciais do Ensino
Fundamental se caracteriza pela diversidade das atividades
Para a autora do terceiro texto da edição temática, propostas em sala de aula. A organização que se dará às
“as HQs cumprem com diferentes funções da leitura: la- atividades de alfabetização e de letramento deve obedecer
zer, humor, informação e, ainda, são uma forma prazerosa a dois critérios didáticos: a sequência das atividades e a
para quem ensina e para quem aprende.” A autora destaca, integração entre elas.
também, que “a combinação atrativa da linguagem visual São exemplos de atividades pedagógicas: os jogos e
e verbal e a rápida comunicação podem fazer parecer que brincadeiras pedagógicos, os exercícios individuais, a pro-
as HQ são apenas um artefato de diversão, mas elas não dução coletiva de textos escritos, a leitura autônoma e co-
são apenas isto e podem se tornar um grande aliado do letiva de textos, as rodas de leitura, a confecção de livros
professor em seu trabalho com linguagem, história, geo- infantis, a produção de jornal e informativos escolares etc.
grafia, matemática, etc.” Após analisar as HQs e incluir vá- Esse texto está organizado em duas partes. Na primeira
rios e sugestivos exemplos deste gênero textual, a autora será discutida a relação entre as atividades pedagógicas e
mostra como desenvolver a SD com os alunos, ressaltando os procedimentos de ensino. Na segunda parte serão dis-
que, nesta etapa, é feita a apresentação da proposta e, em cutidos, a partir de exemplos de planejamentos de ensino
seguida, o trabalho com os módulos – também conhecidos para uma turma do primeiro ano, os dois critérios de orga-
como oficinas – com sugestões de atividades. Esses módu- nização das atividades pedagógicas.
los/oficinas deverão propor situações didáticas desafiado-
ras e desconhecidas dos alunos. Procedimentos de ensino e atividades pedagógicas:
a operacionalização do planejamento de ensino
Sequências e atividades pedagógicas para alfabe-
tização As metas gerais de aprendizagem em alfabetização
e letramento, nos anos iniciais do Ensino Fundamental,
O primeiro texto da edição temática apresenta as se- abrangem a compreensão do princípio da base alfabética
quências didáticas/atividades pedagógicas, que são to- do sistema de escrita; a apreensão das regras ortográficas
das as estratégias didáticas usadas em sala de aula para das palavras; a aquisição da fluência no processo de leitura;
mobilizar os processos de aprendizagem dos aprendizes. o desenvolvimento das habilidades de leitura, resultantes
Segundo a autora do texto: “Elas operacionalizam os pro- da compreensão do funcionamento da modalidade escrita;
cedimentos de ensino para que as metas de aprendizagem o desenvolvimento das habilidades de produção de textos
estabelecidas no planejamento do professor sejam alcan- escritos e a identificação e apropriação dos usos sociais da
çadas”. língua escrita.
“Dessa forma, o conjunto de atividades que compõem Para cada uma dessas metas gerais de aprendizagem
a rotina escolar das crianças nos anos iniciais do Ensino devem ser estabelecidos os objetivos específicos de ensi-
Fundamental se caracteriza pela diversidade das ativida- no para cada ano e turma dos anos iniciais, levando-se em
des propostas em sala de aula.” A autora apresenta, como conta a trajetória e o nível de aprendizagem dos alunos.
exemplos de atividades pedagógicas: os jogos e brinca- A partir daí, torna-se necessário definir os procedimentos
deiras pedagógicos, os exercícios individuais, a produção de ensino e as atividades pedagógicas que irão operacio-
coletiva de textos escritos, a leitura autônoma e coletiva de nalizar o plano de ensino. O esquema abaixo representa o
textos, as rodas de leitura, a confecção de livros infantis, a modelo desse sistema didático.
produção de jornal e informativos escolares etc.

18
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Metas gerais de aprendizagem em Alfabetização e Letramento


Objetivos Específicos de Ensino
Procedimentos de Ensino
Atividades Pedagógicas

Esquema: Sistema didático do planejamento de ensino

Os procedimentos de ensino-aprendizagem – formas de proceder que alunos e professores adotam para aprender e
ensinar no contexto escolar (Monteiro, 2010) – pode ser compreendido como ações cognitivas que permitem ao aprendiz
refletir sobre os conteúdos escolares, através dos encaminhamentos de ensino planejados pelos professores.
Na alfabetização e no letramento, os procedimentos de ensino estão relacionados ao desenvolvimento da consciên-
cia metalinguística, que se refere à capacidade de manipular e refletir sobre a estrutura da língua (Maluf, 2006; Roazzi &
Carvalho, 1991). A consciência metalinguística abrange diferentes estruturas linguísticas: o fonema e a sílaba (consciência
fonológica); a palavra (consciência de palavra); a frase (consciência sintática) e o texto (consciência discursiva).
No eixo da escrita e da leitura relacionadas ao processamento da palavra, os procedimentos de ensino estão relacio-
nados ao desenvolvimento da consciência fonológica e da consciência de palavra, à compreensão da relação entre a lin-
guagem oral e escrita, à automatização do reconhecimento da palavra escrita, ao desenvolvimento da escrita ortográfica.
Podemos citar como exemplos de procedimentos nesse eixo de trabalho a leitura do próprio nome e de nomes dos colegas
em listas de nomes; a leitura de palavras e frases pelas crianças com o objetivo de desenvolver a fluência; a leitura de pe-
quenos textos com autonomia, a escrita compartilhada e autônoma de palavras e frases.
No eixo da produção e leitura de textos escritos, os procedimentos devem possibilitar o desenvolvimento das estra-
tégias de compreensão e produção de textos, a ampliação do vocabulário pelo aluno e a compreensão de textos curtos
lidos pela professora e com autonomia, a produção compartilhada de textos adequados ao gênero, aos objetivos, ao leitor
visado (planejamento, produção e revisão). As perguntas de compreensão de textos diversos (identificação do assunto, lo-
calização de informações explícitas, interpretação, avaliação) que podem ser propostas em conversas coletivas sobre textos,
livros e revistas lidos e as atividades de leitura de pequenos textos e de livros com poucos textos, a produção compartilhada
de textos (toda a turma, pequenos grupos e duplas de alunos) são procedimentos comuns na rotina escolar das crianças
que estão em processo de aprendizagem inicial da língua escrita.
O exemplo de planejamento apresentado a seguir mostra como o sistema didático funciona, tendo-se como referência
o eixo de ensino sistema de escrita.

“A consciência metalinguística abrange diferentes estruturas linguísticas: o fonema e a sílaba (consciência fonológica);
a palavra (consciência de palavra); a frase (consciência sintática) e o texto (consciência discursiva)”.

Exemplo 1

Sistema didático do planejamento de ensino para uma turma do 1º ano crianças em processo de compreensão do
princípio alfabético do sistema de escrita.

Nível de Ensino Meta Geral Objetivos Específicos Procedimentos de Ensino


Identificação de número de sílabas de
palavras.
As crianças devem ser ca-
Compreender o Prin-
pazes de analisar palavras Comparação de Palavras quanto ao ta-
Sistema de escrita. cípio alfabético do
orais e escritas, com base manho, com base no número de sílabas.
sistema de escrita.
em suas unidades silábicas.
Identificação de palavras que começam
com a mesma sílaba.

19
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Atividades didáticas

1. Brincadeira de contar sílabas de palavras: as crianças em trio passam um toquinho de madeira a cada sílaba das
palavras sorteadas pela professora – nomes de frutas: banana, maçã, abacaxi, laranja, uva. A professora registra em um
cartaz, em frente de cada palavra escrita, a quantidade de sílabas de cada palavra. Nessa atividade as crianças poderão
contar e comparar a quantidade de sílabas das palavras selecionadas.

2. As crianças são orientadas a comparar novamente o número de sílabas de duas palavras (boneca e bola) e contar
o número de letras das palavras, que estarão escritas no quadro da sala. As crianças serão orientadas a identificarem
a sílaba “bo” nas duas palavras. Depois da atividade oral, as fichas das duas palavras serão exploradas em pequenos
grupos com as seguintes orientações: 1. fazer um desenho para cada uma delas em uma folha de papel ofício; 2. colorir
de vermelho as sílabas iguais no início das palavras; 3. dizer outras palavras que comecem com a sílaba “bo”, como a
sílaba colorida nas duas palavras.

A rotina de trabalho escolar e as atividades propostas em sala de aula são fundamentais para a aprendizagem dos alu-
nos. Mas, tendo-se como referência o sistema didático de planejamento de ensino, elas precisam estar associadas às metas
de aprendizagem e aos procedimentos de ensino definidos do planejamento geral para cada turma. Atividades propostas
aleatoriamente, sem que se tenha clareza do seu papel pedagógico, não resultam em aprendizagem para as crianças.
As atividades descritas no exemplo 1 nos mostram como se pode planejar e desenvolver atividades equivocadas, que
pouco irão acrescentar aos conhecimentos dos alunos. A professora, ainda que tenha pautado seu planejamento nas metas,
não apresentou um bom planejamento. Ao trazer este “modelo”, a intenção foi contrapor este exemplo aos outros exem-
plos que se seguem, por acreditar que planejamentos como estes estão muito presentes nas salas de aula das turmas de
alfabetização.
Os critérios de organização das atividades pedagógicas

Conforme foi dito anteriormente, as atividades didáticas devem ser planejadas de acordo com os níveis de ensino da
língua escrita: sistema de escrita, leitura e produção de textos escritos e uso social da língua escrita. A diversidade de ati-
vidades pedagógicas propostas em sala de aula precisa se apresentar para as crianças de modo organizado e coeso. Isso
pode ser garantido se forem observados dois critérios didáticos: a sequência das atividades e a integração entre elas.
A sequência das atividades garante que as ações de aprendizagem sejam contínuas, ou seja, que partam consecuti-
vamente umas das outras, permitindo o aprofundamento e a ampliação do conhecimento dos alunos. A integração diz
respeito ao relacionamento entre as ações pedagógicas, visando dar unidade às temáticas abordadas em sala de aula e à
exploração de determinados recursos pedagógicos e materiais escritos.
Vamos nos valer novamente da análise de exemplos de planejamento de ensino nos quais esses critérios foram adota-
dos pela professora.

Exemplo 2
Planejamento de ensino para uma turma do 1º ano crianças em processo de compreensão do princípio alfabético do
sistema de escrita

Nível de Ensino Meta Geral Objetivos Específicos Procedimentos de Ensino


As crianças devem expressar opinião
sobre a obra, A princesa que escolhia,
demonstrando compreensão dotexto
lido pela professora. Participação em eventos
de leitura em sala de aula,
Título: A princesa que escolhia nos quais é preciso ouvir
Apreciar uma com atenção leitura oral da
Leitura.
narrativa literária. Autora: Ana Maria Machado. professora e participar de
conversas e atividades sobre
Ilustradora: Graça Lima. a história lida em sala de
aula.
Editora: Nova Fronteira

Ano de publicação: 2011 (2ª edição)

20
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Atividades pedagógicas

1. Roda de leitura do livro A princesa que escolhia. A leitura será realizada em dois dias seguidos. No primeiro dia,
após a leitura de parte do livro, as crianças serão estimuladas a expressar suas opiniões sobre o livro (observando
ilustrações, formato, cores etc.) e sobre a história (respondendo a perguntas de compreensão).
No segundo dia, para se retomar a leitura, os alunos serão estimulados a fazer o reconto da parte lida no dia
anterior, tendo-se o livro como recurso para a memória da narrativa e a elaborarem hipóteses para o desfecho da
história.

2. No terceiro dia, a professora irá propor a produção de um álbum de princesas: as crianças terão oportunidade de
participar da produção coletiva de pequenos textos descrevendo as características das princesas dos contos de fada
e de histórias que atualizam esses contos a partir de seus personagens.

3. Tendo como referência a produção coletiva do álbum, a professora selecionará 2 ou 3 palavras que comecem com
uma mesma sílaba para propor atividades de análise de palavras, conforme procedimentos de ensino definidos no
nível do sistema de escrita do plano de ensino. As atividades podem ser realizadas no terceiro ou no dia da semana.

A presença da roda de leitura do livro na rotina escolar dos alunos é um estímulo à prática de leitura como entreteni-
mento e exercício à liberdade de pensamento. É possível observar que o planejamento da leitura do livro prevê ações nas
quais não apenas o texto escrito é objeto de reflexão, mas também o livro passa a ser foco da atenção das crianças – as
crianças serão estimuladas a expressar suas opiniões sobre o livro (observando ilustrações, formato, cores etc.) e sobre
a história (respondendo a perguntas de compreensão). As práticas efetivas de leitura em sala de aula que aproximam as
crianças dos materiais de escrita são extremamente importantes para a formação de novos leitores.
A interrupção e a retomada da leitura junto aos alunos, usando-se a estratégia do reconto e da antecipação da história
mediada pelas ilustrações do livro, favorecem o desenvolvimento de capacidades de interpretação do texto escrito. A pro-
posta de elaboração coletiva de pequenos textos descritivos para a produção de um “álbum de princesas” contribui para
o desenvolvimento de capacidades de produção de textos escritos. As propostas que tomam o texto como unidade do
trabalho pedagógico são fundamentais para que as crianças aprendam não apenas a construir significados para os textos
escritos que leem e organizar o discurso escrito na produção textual, mas também para que elas observem semelhanças e
diferenças entre o texto escrito e o oral.
Por fim, atividades de análise de palavras com base nos procedimentos de ensino definidos no nível do sistema de
escrita – ganham significado quando são selecionadas dentre aquelas usadas na produção textual coletiva. A análise de
palavras, visando à compreensão do sistema de escrita e à aprendizagem das correspondências entre letras e sons, precisa
ser proposta de forma sistemática, observando-se os avanços das crianças ao longo do processo de alfabetização.
A contextualização e a exploração lúdica das palavras são princípios da abordagem didática nesse nível de ensino, que
deve considerar ainda os aspectos linguísticos definidos como objeto de aprendizagem para as crianças.
A sequência das três atividades pedagógicas propostas nesse planejamento permite o engajamento das crianças em
ações relacionadas entre si que favorecem o desenvolvimento de aprendizagens em diferentes eixos de ensino. Dessa
forma, observa-se que a organização das ações correspondentes ao procedimento definido no planejamento baseia-se na
integração das ações das crianças como critério de organização das atividades pedagógicas.

21
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Exemplo 3
Planejamento de ensino para uma turma do 1º ano crianças em processo de compreensão do princípio alfabético do
sistema de escrita

Objetivos Procedimentos
Nível de Ensino Meta Geral
Específicos de Ensino
Identificação das sílabas de
palavras compostas por sílabas
cv e ccv, oralmente.
As crianças devem ser
capazes de identificar
Compreender o princípio Associar as Sílabas identificadas
sílabas de palavras,
Sistema de escrita. alfabético do sistema de oralmente aos seus
oralmente e por escrito,
escrita. correspondentes na escrita.
compostas por sílabas cv
e ccv.
Identificação de palavras
compostas das mesmas sílabas
das palavras analisadas.

Atividades pedagógicas

1. Jogo das sílabas: A professora seleciona 10 palavras compostas por sílabas cv e ccv. Exemplos: pedra – cobra. As
crianças, de posse de cartões com imagens correspondentes às palavras selecionadas, devem encontrar o cartão
com a imagem que representa a palavra composta por uma sílaba sorteada pela professora.

2Ao final do jogo, as crianças devem escolher duas palavras. A professora confecciona fichas de palavras para que
as crianças possam observar a escrita das palavras escolhidas por elas, fazendo o reconhecimento, com ajuda da
professora, das sílabas escritas correspondentes às sílabas orais sorteadas.

3Jogo de encontrar palavras: as crianças recebem uma cartela com várias palavras escritas. Elas devem encontrar
palavras escritas com as mesmas sílabas das palavras escolhidas na atividade anterior.

Podemos observar nessa sequência de atividades que dirigem a atenção das crianças para um tipo de sílaba a conti-
nuidade de ações voltadas para a análise da estrutura silábica ccv. Na primeira atividade, identificam-se oralmente sílabas
desse tipo em várias palavras. Na segunda, estabelece-se a relação entre sílaba oral e sua forma escrita em duas palavras.
Por último, identificam-se as sílabas escritas nas duas palavras escolhidas pelas crianças em outras palavras escritas listadas
pela professora. Essa organização tende a oferecer oportunidade para que as crianças ampliem a possibilidade de reconhe-
cimento da estrutura silábica em estudo em outras palavras e aprofundem seus conhecimentos sobre as correspondências
letra-som.

As sequências das atividades apresentadas neste texto tiveram como objetivos mostrar que se pode fazer um bom ou
mau trabalho didático na aquisição do sistema de escrita alfabética com sequências específicas para esta aquisição. Um
bom trabalho com sequências didáticas voltadas para a aquisição do sistema alfabético precisa ser planejado em uma inte-
ração dialógica com as crianças, em que elas sejam desafiadas a resolver seus conflitos cognitivos sobre a língua. De pouco
adianta ter metas e objetivos específicos se as propostas de sequências didáticas não passam de meras atividades avulsas
e desconexas do mundo e do saber das crianças.

22
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

11. Produto final: escolher um produto final forte para


DIDÁTICA E INTERDISCIPLINARIDADE. dar visibilidade aos processos de aprendizagem e aos con-
teúdos aprendidos.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS DA ÁREA DE
ATUAÇÃO. 12. Avaliação: prever os critérios de avaliação e regis-
trar a participação de cada um ao longo do trabalho.

Projeto didático é um tipo de organização e planeja- Importância da Culminância


mento do tempo e dos conteúdos que envolve uma situa-
ção-problema. Seu objetivo é articular propósitos didáticos São duas as funções principais das cerimônias de fe-
(o que os alunos devem aprender) e propósitos sociais (o chamento de um projeto didático: dar ao aluno visibilidade
trabalho tem um produto final, como um livro ou uma ex- para o processo de aprendizagem pelo qual passou e apre-
posição, que vai ser apreciado por alguém). Além de dar sentar o trabalho da turma para a comunidade e os pais,
um sentido mais amplo às práticas escolares, o projeto evi- que são estimulados a perceber o avanço de seus filhos.
ta a fragmentação dos conteúdos e torna a garotada cor- O evento só cumprirá esses dois papéis se estiver pre-
responsável pela própria aprendizagem. vista a exposição dos objetivos de cada atividade realiza-
da, dos registros das várias versões do produto final e das
fotos que ilustram o processo. Fazer uma festa bonita não
Os projetos estão mais populares do que nunca. Redes
deve ser a maior preocupação da escola- como é bastante
de todo o país incentivam o trabalho com essa modalidade
comum -, mas o mínimo de organização precisa ser garan-
e algumas escolas preveem no currículo os que serão rea-
tido.
lizados durante o ano. Sem despender muito tempo nessa tarefa, professo-
Os projetos podem ser planejados e organizados de res e gestores precisam tomar uma série de providências,
inúmeras formas, porém algumas ações são fundamentais: como conseguir microfones para as apresentações orais,
organizar as cadeiras para os convidados e distribuir pelo
1. Tema: delimitar e conhecer bem o assunto que será espaço reservado para o evento suportes para expor os tra-
estudado e pesquisá-lo previamente. balhos. “Não é correto transformar a culminância na gran-
de estrela de um projeto. O mais atrativo é o caminho pelo
2. Objetivos: escolher uma meta de aprendizagem qual todos passaram e as realizações das crianças”, explica
principal e outras secundárias que atendam às necessida- Maria Alice Junqueira. Alerta: a participação dos alunos na
des de aprendizagem culminância deve ter caráter pedagógico, incluindo a de-
finição de critérios para a exposição do material, e não na
3. Conteúdos: ter clareza do que as crianças conhecem produção de enfeites, o que não se relacionam a nenhum
e desconhecem sobre o tema e o conteúdo do trabalho. objetivo.

4. Tempo estimado: construir um cronograma com Avaliação dos Estudantes


prazos para cada atividade, delimitando a duração total do
trabalho. No caso dos projetos, são três os eixos de aprendiza-
gem que podem ser considerados na avaliação:
5. Material necessário: selecionar previamente os re-
cursos e materiais que serão usados, como sites e livros de - o conteúdo;
consulta. - o aprofundamento no tema;
- a aproximação com a prática social relacionada ao
6. Apresentação da proposta: deixar claro para a sala os produto final.
objetivos sociais do trabalho e quais os próximos passos.
As respostas dadas pelos alunos ao longo do processo
dão pistas sobre o que já foi compreendido e no que ainda
7. Planejamento das etapas: relacionar uma etapa à ou-
é preciso avançar, assim como os momentos de sistema-
tra, em uma complexidade crescente.
tização dos conteúdos - quando a turma define com suas
palavras os conceitos estudados. Para Delia Lerner, o pro-
8. Encaminhamentos: antecipar quais serão as pergun- cesso permite diminuir a incerteza do professor e do aluno
tas que você fará para encaminhar a atividade. porque nele se passam a limpo os conteúdos ensinados e
aprendidos. Outra boa estratégia é, no fim de cada ativida-
9. Agrupamentos: prever quais momentos serão em de, fazer uma análise das produções, que funcionam como
grupo, em duplas e individuais. um retrato da aprendizagem até aquele ponto. O conjunto
delas pode revelar os avanços e os problemas enfrentados
10. Versões provisórias: revisar o que a garotada fez e por cada um. Da mesma maneira, o produto final, em suas
pedir novas versões do trabalho. sucessivas versões, também mostra o percurso pelo qual o
aluno passou.

23
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Os projetos possibilitam ainda uma avaliação do traba- b) Universalidade: os direitos fundamentais perten-
lho do professor e indicam em que pontos sua condução cem a todos, tanto que apesar da expressão restritiva do
precisa ser ajustada. Um meio de fazer isso é pensar nos caput do artigo 5º aos brasileiros e estrangeiros residentes
objetivos de ensino e nas condições didáticas oferecidas. no país tem se entendido pela extensão destes direitos, na
A análise das produções realizadas e das respostas dadas perspectiva de prevalência dos direitos humanos.
pelos estudantes no desenvolvimento do projeto também c) Inalienabilidade: os direitos fundamentais não
pode ser vista sob a ótica do ensino. Algumas questões que possuem conteúdo econômico-patrimonial, logo, são in-
norteiam as análises: a forma de conduzir o trabalho foi transferíveis, inegociáveis e indisponíveis, estando fora do
adequada? Foram feitas intervenções sempre que necessá- comércio, o que evidencia uma limitação do princípio da
rio? As atividades responderam ao objetivo de cada etapa? autonomia privada.
Os materiais usados foram adequados? O tempo previsto d) Irrenunciabilidade: direitos fundamentais não po-
foi suficiente? Esse tipo de reflexão tem uma importância dem ser renunciados pelo seu titular devido à fundamenta-
formativa única para o professor e pode impactar positiva- lidade material destes direitos para a dignidade da pessoa
mente a prática cotidiana. (Adaptação Nova Escola). humana.
e) Inviolabilidade: direitos fundamentais não podem
deixar de ser observados por disposições infraconstitucio-
nais ou por atos das autoridades públicas, sob pena de nu-
SUGESTÃO BIBLIOGRÁFICA: PUBLICAÇÕES DO
lidades.
MEC PARA A ÁREA ESPECÍFICA PARA A QUAL O f) Indivisibilidade: os direitos fundamentais compõem
CANDIDATO SE INSCREVEU. um único conjunto de direitos porque não podem ser ana-
lisados de maneira isolada, separada.
g) Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não
se perdem com o tempo, não prescrevem, uma vez que são
Prezado Candidato, o tema acima supracitado foi sempre exercíveis e exercidos, não deixando de existir pela
disponibilizado no tópico “Sugestão Bibliográfica”
falta de uso (prescrição).
h) Relatividade: os direitos fundamentais não po-
dem ser utilizados como um escudo para práticas ilícitas
ou como argumento para afastamento ou diminuição da
SUGESTÃO BIBLIOGRÁFICA: PUBLICAÇÕES DO
responsabilidade por atos ilícitos, assim estes direitos não
MEC PARA A ÁREA ESPECÍFICA PARA A QUAL O são ilimitados e encontram seus limites nos demais direitos
CANDIDATO SE INSCREVEU. igualmente consagrados como humanos.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL - PROMULGADA EM 5 DE OUTUBRO Vale destacar que a Constituição vai além da proteção
DE 1988, ARTIGOS 5°, 37 AO 41, 205 AO 214, dos direitos e estabelece garantias em prol da preservação
227 AO 229. destes, bem como remédios constitucionais a serem utili-
zados caso estes direitos e garantias não sejam preserva-
dos. Neste sentido, dividem-se em direitos e garantias as
O título II da Constituição Federal é intitulado “Direitos previsões do artigo 5º: os direitos são as disposições de-
e Garantias fundamentais”, gênero que abrange as seguin- claratórias e as garantias são as disposições assecuratórias.
tes espécies de direitos fundamentais: direitos individuais e O legislador muitas vezes reúne no mesmo dispositivo
coletivos (art. 5º, CF), direitos sociais (genericamente pre- o direito e a garantia, como no caso do artigo 5º, IX: “é livre
vistos no art. 6º, CF), direitos da nacionalidade (artigos 12 e a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de
13, CF) e direitos políticos (artigos 14 a 17, CF). comunicação, independentemente de censura ou licença”
Em termos comparativos à clássica divisão tridimen- – o direito é o de liberdade de expressão e a garantia é a
sional dos direitos humanos, os direitos individuais (maior vedação de censura ou exigência de licença. Em outros ca-
parte do artigo 5º, CF), os direitos da nacionalidade e os sos, o legislador traz o direito num dispositivo e a garantia
direitos políticos se encaixam na primeira dimensão (direi- em outro: a liberdade de locomoção, direito, é colocada
tos civis e políticos); os direitos sociais se enquadram na se- no artigo 5º, XV, ao passo que o dever de relaxamento da
gunda dimensão (direitos econômicos, sociais e culturais) e prisão ilegal de ofício pelo juiz, garantia, se encontra no
os direitos coletivos na terceira dimensão. Contudo, a enu- artigo 5º, LXV1.
meração de direitos humanos na Constituição vai além dos Em caso de ineficácia da garantia, implicando em vio-
direitos que expressamente constam no título II do texto lação de direito, cabe a utilização dos remédios constitu-
constitucional. cionais.
Os direitos fundamentais possuem as seguintes carac- Atenção para o fato de o constituinte chamar os remé-
terísticas principais: dios constitucionais de garantias, e todas as suas fórmulas
a) Historicidade: os direitos fundamentais possuem de direitos e garantias propriamente ditas apenas de di-
antecedentes históricos relevantes e, através dos tempos, reitos.
adquirem novas perspectivas. Nesta característica se en- 1 FARIA, Cássio Juvenal. Notas pessoais tomadas
quadra a noção de dimensões de direitos. em teleconferência.

24
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Direitos e deveres individuais e coletivos 3) Direitos e garantias em espécie


Preconiza o artigo 5º da Constituição Federal em seu
O capítulo I do título II é intitulado “direitos e deveres caput:
individuais e coletivos”. Da própria nomenclatura do capí-
tulo já se extrai que a proteção vai além dos direitos do Artigo 5º, caput, CF. Todos são iguais perante a lei, sem
indivíduo e também abrange direitos da coletividade. A distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei-
maior parte dos direitos enumerados no artigo 5º do texto ros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
constitucional é de direitos individuais, mas são incluídos do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
alguns direitos coletivos e mesmo remédios constitucionais propriedade, nos termos seguintes [...].
próprios para a tutela destes direitos coletivos (ex.: manda-
do de segurança coletivo). O caput do artigo 5º, que pode ser considerado um
dos principais (senão o principal) artigos da Constituição
Federal, consagra o princípio da igualdade e delimita as
1) Brasileiros e estrangeiros
cinco esferas de direitos individuais e coletivos que mere-
O caput do artigo 5º aparenta restringir a proteção
cem proteção, isto é, vida, liberdade, igualdade, segurança
conferida pelo dispositivo a algumas pessoas, notadamen-
e propriedade. Os incisos deste artigos delimitam vários
te, “aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País”.
direitos e garantias que se enquadram em alguma destas
No entanto, tal restrição é apenas aparente e tem sido in- esferas de proteção, podendo se falar em duas esferas es-
terpretada no sentido de que os direitos estarão protegi- pecíficas que ganham também destaque no texto consti-
dos com relação a todas as pessoas nos limites da sobera- tucional, quais sejam, direitos de acesso à justiça e direitos
nia do país. constitucionais-penais.
Em razão disso, por exemplo, um estrangeiro pode in-
gressar com habeas corpus ou mandado de segurança, ou - Direito à igualdade
então intentar ação reivindicatória com relação a imóvel Abrangência
seu localizado no Brasil (ainda que não resida no país). Observa-se, pelo teor do caput do artigo 5º, CF, que o
Somente alguns direitos não são estendidos a todas as constituinte afirmou por duas vezes o princípio da igual-
pessoas. A exemplo, o direito de intentar ação popular exi- dade:
ge a condição de cidadão, que só é possuída por nacionais
titulares de direitos políticos. Artigo 5º, caput, CF. Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei-
2) Relação direitos-deveres ros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
O capítulo em estudo é denominado “direitos e garan- do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
tias deveres e coletivos”, remetendo à necessária relação propriedade, nos termos seguintes [...].
direitos-deveres entre os titulares dos direitos fundamen-
tais. Acima de tudo, o que se deve ter em vista é a premissa Não obstante, reforça este princípio em seu primeiro
reconhecida nos direitos fundamentais de que não há di- inciso:
reito que seja absoluto, correspondendo-se para cada di-
reito um dever. Logo, o exercício de direitos fundamentais é Artigo 5º, I, CF. Homens e mulheres são iguais em direi-
limitado pelo igual direito de mesmo exercício por parte de tos e obrigações, nos termos desta Constituição.
outrem, não sendo nunca absolutos, mas sempre relativos.
Explica Canotilho2 quanto aos direitos fundamentais: “a Este inciso é especificamente voltado à necessidade de
igualdade de gênero, afirmando que não deve haver ne-
ideia de deveres fundamentais é suscetível de ser entendi-
nhuma distinção sexo feminino e o masculino, de modo
da como o ‘outro lado’ dos direitos fundamentais. Como
que o homem e a mulher possuem os mesmos direitos e
ao titular de um direito fundamental corresponde um de-
obrigações.
ver por parte de um outro titular, poder-se-ia dizer que o
Entretanto, o princípio da isonomia abrange muito
particular está vinculado aos direitos fundamentais como mais do que a igualdade de gêneros, envolve uma pers-
destinatário de um dever fundamental. Neste sentido, um pectiva mais ampla.
direito fundamental, enquanto protegido, pressuporia um O direito à igualdade é um dos direitos norteadores
dever correspondente”. Com efeito, a um direito funda- de interpretação de qualquer sistema jurídico. O primeiro
mental conferido à pessoa corresponde o dever de respeito enfoque que foi dado a este direito foi o de direito civil,
ao arcabouço de direitos conferidos às outras pessoas. enquadrando-o na primeira dimensão, no sentido de que a
todas as pessoas deveriam ser garantidos os mesmos direi-
tos e deveres. Trata-se de um aspecto relacionado à igual-
dade enquanto liberdade, tirando o homem do arbítrio dos
demais por meio da equiparação. Basicamente, estaria se
2 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito cons- falando na igualdade perante a lei.
titucional e teoria da constituição. 2. ed. Coimbra: Almedi-
na, 1998, p. 479.

25
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

No entanto, com o passar dos tempos, se percebeu que - Direito à vida


não bastava igualar todos os homens em direitos e deveres Abrangência
para torná-los iguais, pois nem todos possuem as mesmas O caput do artigo 5º da Constituição assegura a prote-
condições de exercer estes direitos e deveres. Logo, não ção do direito à vida. A vida humana é o centro gravitacio-
é suficiente garantir um direito à igualdade formal, mas nal em torno do qual orbitam todos os direitos da pessoa
é preciso buscar progressivamente a igualdade material. humana, possuindo reflexos jurídicos, políticos, econômi-
No sentido de igualdade material que aparece o direito à cos, morais e religiosos. Daí existir uma dificuldade em con-
igualdade num segundo momento, pretendendo-se do Es- ceituar o vocábulo vida. Logo, tudo aquilo que uma pessoa
tado, tanto no momento de legislar quanto no de aplicar e possui deixa de ter valor ou sentido se ela perde a vida.
executar a lei, uma postura de promoção de políticas go- Sendo assim, a vida é o bem principal de qualquer pessoa,
vernamentais voltadas a grupos vulneráveis. é o primeiro valor moral inerente a todos os seres huma-
Assim, o direito à igualdade possui dois sentidos notá- nos4.
veis: o de igualdade perante a lei, referindo-se à aplicação No tópico do direito à vida tem-se tanto o direito de
uniforme da lei a todas as pessoas que vivem em socieda- nascer/permanecer vivo, o que envolve questões como
de; e o de igualdade material, correspondendo à necessi- pena de morte, eutanásia, pesquisas com células-tronco e
dade de discriminações positivas com relação a grupos vul- aborto; quanto o direito de viver com dignidade, o que
neráveis da sociedade, em contraponto à igualdade formal. engloba o respeito à integridade física, psíquica e moral,
incluindo neste aspecto a vedação da tortura, bem como
Ações afirmativas a garantia de recursos que permitam viver a vida com dig-
Neste sentido, desponta a temática das ações afirmati- nidade.
vas,que são políticas públicas ou programas privados cria- Embora o direito à vida seja em si pouco delimitado
dos temporariamente e desenvolvidos com a finalidade de nos incisos que seguem o caput do artigo 5º, trata-se de
reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou um dos direitos mais discutidos em termos jurisprudenciais
de uma hipossuficiência econômica ou física, por meio da e sociológicos. É no direito à vida que se encaixam polêmi-
cas discussões como: aborto de anencéfalo, pesquisa com
concessão de algum tipo de vantagem compensatória de
células tronco, pena de morte, eutanásia, etc.
tais condições.
Quem é contra as ações afirmativas argumenta que,
Vedação à tortura
em uma sociedade pluralista, a condição de membro de
De forma expressa no texto constitucional destaca-se
um grupo específico não pode ser usada como critério de
a vedação da tortura, corolário do direito à vida, conforme
inclusão ou exclusão de benefícios. Ademais, afirma-se que
previsão no inciso III do artigo 5º:
elas desprivilegiam o critério republicano do mérito (se-
gundo o qual o indivíduo deve alcançar determinado cargo
Artigo 5º, III, CF. Ninguém será submetido a tortura nem
público pela sua capacidade e esforço, e não por pertencer a tratamento desumano ou degradante.
a determinada categoria); fomentariam o racismo e o ódio;
bem como ferem o princípio da isonomia por causar uma A tortura é um dos piores meios de tratamento de-
discriminação reversa. sumano, expressamente vedada em âmbito internacional,
Por outro lado, quem é favorável às ações afirmativas como visto no tópico anterior. No Brasil, além da disciplina
defende que elas representam o ideal de justiça compen- constitucional, a Lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997 define
satória (o objetivo é compensar injustiças passadas, dívidas os crimes de tortura e dá outras providências, destacando-
históricas, como uma compensação aos negros por tê-los se o artigo 1º:
feito escravos, p. ex.); representam o ideal de justiça dis-
tributiva (a preocupação, aqui, é com o presente. Busca- Art. 1º Constitui crime de tortura:
se uma concretização do princípio da igualdade material); I - constranger alguém com emprego de violência ou
bem como promovem a diversidade. grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:
Neste sentido, as discriminações legais asseguram a) com o fim de obter informação, declaração ou confis-
a verdadeira igualdade, por exemplo, com as ações afir- são da vítima ou de terceira pessoa;
mativas, a proteção especial ao trabalho da mulher e do b) para provocar ação ou omissão de natureza crimi-
menor, as garantias aos portadores de deficiência, entre nosa;
outras medidas que atribuam a pessoas com diferentes c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
condições, iguais possibilidades, protegendo e respeitando II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autori-
suas diferenças3. Tem predominado em doutrina e jurispru- dade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso
dência, inclusive no Supremo Tribunal Federal, que as ações sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo
afirmativas são válidas. pessoal ou medida de caráter preventivo.
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
3 SANFELICE, Patrícia de Mello. Comentários aos 4 BARRETO, Ana Carolina Rossi; IBRAHIM, Fábio
artigos I e II. In: BALERA, Wagner (Coord.). Comentários Zambitte. Comentários aos Artigos III e IV. In: BALERA, Wag-
à Declaração Universal dos Direitos do Homem. Brasília: ner (Coord.). Comentários à Declaração Universal dos Di-
Fortium, 2008, p. 08. reitos do Homem. Brasília: Fortium, 2008, p. 15.

26
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa Consolida-se a afirmação simultânea da liberdade de
presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico pensamento e da liberdade de expressão.
ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto Em primeiro plano tem-se a liberdade de pensamento.
em lei ou não resultante de medida legal. Afinal, “o ser humano, através dos processos internos de
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, reflexão, formula juízos de valor. Estes exteriorizam nada
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na mais do que a opinião de seu emitente. Assim, a regra
pena de detenção de um a quatro anos. constitucional, ao consagrar a livre manifestação do pensa-
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou mento, imprime a existência jurídica ao chamado direito de
gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se opinião”5. Em outras palavras, primeiro existe o direito de
resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos. ter uma opinião, depois o de expressá-la.
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: No mais, surge como corolário do direito à liberdade
I - se o crime é cometido por agente público; de pensamento e de expressão o direito à escusa por con-
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, por- vicção filosófica ou política:
tador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta)
anos; Artigo 5º, VIII, CF. Ninguém será privado de direitos por
III - se o crime é cometido mediante sequestro. motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação
ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação al-
dobro do prazo da pena aplicada. ternativa, fixada em lei.
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de
graça ou anistia. Trata-se de instrumento para a consecução do direito
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a assegurado na Constituição Federal – não basta permitir
hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regi- que se pense diferente, é preciso respeitar tal posiciona-
me fechado. mento.
Com efeito, este direito de liberdade de expressão é
- Direito à liberdade
limitado. Um destes limites é o anonimato, que consiste na
O caput do artigo 5º da Constituição assegura a pro-
garantia de atribuir a cada manifestação uma autoria cer-
teção do direito à liberdade, delimitada em alguns incisos
ta e determinada, permitindo eventuais responsabilizações
que o seguem.
por manifestações que contrariem a lei.
Tem-se, ainda, a seguinte previsão no artigo 5º, IX, CF:
Liberdade e legalidade
Prevê o artigo 5º, II, CF:
Artigo 5º, IX, CF. É livre a expressão da atividade inte-
lectual, artística, científica e de comunicação, indepen-
Artigo 5º, II, CF. Ninguém será obrigado a fazer ou dei-
xar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. dentemente de censura ou licença.

O princípio da legalidade se encontra delimitado nes- Consolida-se outra perspectiva da liberdade de expres-
te inciso, prevendo que nenhuma pessoa será obrigada a são, referente de forma específica a atividades intelectuais,
fazer ou deixar de fazer alguma coisa a não ser que a lei artísticas, científicas e de comunicação. Dispensa-se, com
assim determine. Assim, salvo situações previstas em lei, relação a estas, a exigência de licença para a manifestação
a pessoa tem liberdade para agir como considerar conve- do pensamento, bem como veda-se a censura prévia.
niente. A respeito da censura prévia, tem-se não cabe impe-
Portanto, o princípio da legalidade possui estrita rela- dir a divulgação e o acesso a informações como modo de
ção com o princípio da liberdade, posto que, a priori, tudo controle do poder. A censura somente é cabível quando
à pessoa é lícito. Somente é vedado o que a lei expres- necessária ao interesse público numa ordem democrática,
samente estabelecer como proibido. A pessoa pode fazer por exemplo, censurar a publicação de um conteúdo de
tudo o que quiser, como regra, ou seja, agir de qualquer exploração sexual infanto-juvenil é adequado.
maneira que a lei não proíba. O direito à resposta (artigo 5º, V, CF) e o direito à in-
denização (artigo 5º, X, CF) funcionam como a contrapar-
Liberdade de pensamento e de expressão tida para aquele que teve algum direito seu violado (no-
O artigo 5º, IV, CF prevê: tadamente inerentes à privacidade ou à personalidade)
em decorrência dos excessos no exercício da liberdade de
Artigo 5º, IV, CF. É livre a manifestação do pensamen- expressão.
to, sendo vedado o anonimato.

5 ARAÚJO, Luiz Alberto David; NUNES JÚNIOR, Vi-


dal Serrano. Curso de direito constitucional. 10. ed. São
Paulo: Saraiva, 2006.

27
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Liberdade de crença/religiosa Liberdade de informação


Dispõe o artigo 5º, VI, CF: O direito de acesso à informação também se liga a uma
dimensão do direito à liberdade. Neste sentido, prevê o ar-
Artigo 5º, VI, CF. É inviolável a liberdade de consciên- tigo 5º, XIV, CF:
cia e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção Artigo 5º, XIV, CF. É assegurado a todos o acesso à in-
aos locais de culto e a suas liturgias. formação e resguardado o sigilo da fonte, quando neces-
sário ao exercício profissional.
Cada pessoa tem liberdade para professar a sua fé
como bem entender dentro dos limites da lei. Não há uma Trata-se da liberdade de informação, consistente na
crença ou religião que seja proibida, garantindo-se que a liberdade de procurar e receber informações e ideias por
profissão desta fé possa se realizar em locais próprios. quaisquer meios, independente de fronteiras, sem interfe-
Nota-se que a liberdade de religião engloba 3 tipos rência.
distintos, porém intrinsecamente relacionados de liberda- A liberdade de informação tem um caráter passivo, ao
des: a liberdade de crença; a liberdade de culto; e a liberda- passo que a liberdade de expressão tem uma caracterís-
de de organização religiosa. tica ativa, de forma que juntas formam os aspectos ativo
Consoante o magistério de José Afonso da Silva6, entra e passivo da exteriorização da liberdade de pensamento:
na liberdade de crença a liberdade de escolha da religião, não basta poder manifestar o seu próprio pensamento, é
a liberdade de aderir a qualquer seita religiosa, a liberdade preciso que ele seja ouvido e, para tanto, há necessidade
(ou o direito) de mudar de religião, além da liberdade de de se garantir o acesso ao pensamento manifestado para
não aderir a religião alguma, assim como a liberdade de a sociedade.
descrença, a liberdade de ser ateu e de exprimir o agnos- Por sua vez, o acesso à informação envolve o direito de
ticismo, apenas excluída a liberdade de embaraçar o livre todos obterem informações claras, precisas e verdadeiras a
exercício de qualquer religião, de qualquer crença. A liber- respeito de fatos que sejam de seu interesse, notadamente
dade de culto consiste na liberdade de orar e de praticar
pelos meios de comunicação imparciais e não monopoli-
os atos próprios das manifestações exteriores em casa ou
zados (artigo 220, CF). No entanto, nem sempre é possível
em público, bem como a de recebimento de contribuições
que a imprensa divulgue com quem obteve a informação
para tanto. Por fim, a liberdade de organização religiosa
divulgada, sem o que a segurança desta poderia ficar pre-
refere-se à possibilidade de estabelecimento e organização
judicada e a informação inevitavelmente não chegaria ao
de igrejas e suas relações com o Estado.
público.
Como decorrência do direito à liberdade religiosa, as-
Especificadamente quanto à liberdade de informação
segurando o seu exercício, destaca-se o artigo 5º, VII, CF:
no âmbito do Poder Público, merecem destaque algumas
previsões.
Artigo 5º, VII, CF. É assegurada, nos termos da lei, a pres-
tação de assistência religiosa nas entidades civis e mili- Primeiramente, prevê o artigo 5º, XXXIII, CF:
tares de internação coletiva.
Artigo 5º, XXXIII, CF. Todos têm direito a receber dos
O dispositivo refere-se não só aos estabelecimentos órgãos públicos informações de seu interesse particular,
prisionais civis e militares, mas também a hospitais. ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no pra-
Ainda, surge como corolário do direito à liberdade reli- zo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas
giosa o direito à escusa por convicção religiosa: cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e
do Estado.
Artigo 5º, VIII, CF. Ninguém será privado de direitos por
motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou po- A respeito, a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011
lítica, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do
a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alterna- art. 5º, CF, também conhecida como Lei do Acesso à Infor-
tiva, fixada em lei. mação.
Não obstante, estabelece o artigo 5º, XXXIV, CF:
Sempre que a lei impõe uma obrigação a todos, por
exemplo, a todos os homens maiores de 18 anos o alis- Artigo 5º, XXXIV, CF. São a todos assegurados, indepen-
tamento militar, não cabe se escusar, a não ser que tenha dentemente do pagamento de taxas:
fundado motivo em crença religiosa ou convicção filosó- a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa
fica/política, caso em que será obrigado a cumprir uma de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
prestação alternativa, isto é, uma outra atividade que não b) a obtenção de certidões em repartições públicas,
contrarie tais preceitos. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de in-
teresse pessoal.
6 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu-
cional positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.

28
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Quanto ao direito de petição, de maneira prática, cum- Prevê o artigo 5º, LXVII, CF:
pre observar que o direito de petição deve resultar em uma
manifestação do Estado, normalmente dirimindo (resol- Artigo 5º, LXVII, CF. Não haverá prisão civil por dívi-
vendo) uma questão proposta, em um verdadeiro exercí- da, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário
cio contínuo de delimitação dos direitos e obrigações que e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário
regulam a vida social e, desta maneira, quando “dificulta a infiel.
apreciação de um pedido que um cidadão quer apresen-
tar” (muitas vezes, embaraçando-lhe o acesso à Justiça); Nos termos da Súmula Vinculante nº 25 do Supremo
“demora para responder aos pedidos formulados” (admi- Tribunal Federal, “é ilícita a prisão civil de depositário infiel,
nistrativa e, principalmente, judicialmente) ou “impõe res- qualquer que seja a modalidade do depósito”. Por isso, a
trições e/ou condições para a formulação de petição”, traz única exceção à regra da prisão por dívida do ordenamento
a chamada insegurança jurídica, que traz desesperança e é a que se refere à obrigação alimentícia.
faz proliferar as desigualdades e as injustiças.
Dentro do espectro do direito de petição se insere, por Liberdade de trabalho
exemplo, o direito de solicitar esclarecimentos, de solicitar O direito à liberdade também é mencionado no artigo
cópias reprográficas e certidões, bem como de ofertar de- 5º, XIII, CF:
núncias de irregularidades. Contudo, o constituinte, talvez
na intenção de deixar clara a obrigação dos Poderes Públi- Artigo 5º, XIII, CF. É livre o exercício de qualquer tra-
cos em fornecer certidões, trouxe a letra b) do inciso, o que balho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações
gera confusões conceituais no sentido do direito de obter profissionais que a lei estabelecer.
certidões ser dissociado do direito de petição.
Por fim, relevante destacar a previsão do artigo 5º, LX, O livre exercício profissional é garantido, respeitados
CF: os limites legais. Por exemplo, não pode exercer a profissão
de advogado aquele que não se formou em Direito e não
foi aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil;
Artigo 5º, LX, CF. A lei só poderá restringir a publicida-
não pode exercer a medicina aquele que não fez faculdade
de dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou
de medicina reconhecida pelo MEC e obteve o cadastro no
o interesse social o exigirem.
Conselho Regional de Medicina.
Logo,o processo, em regra, não será sigiloso. Apenas
Liberdade de reunião
o será quando a intimidade merecer preservação (ex: pro-
Sobre a liberdade de reunião, prevê o artigo 5º, XVI, CF:
cesso criminal de estupro ou causas de família em geral) ou
quando o interesse social exigir (ex: investigações que pos-
Artigo 5º, XVI, CF. Todos podem reunir-se pacificamen-
sam ser comprometidas pela publicidade). A publicidade é te, sem armas, em locais abertos ao público, independen-
instrumento para a efetivação da liberdade de informação. temente de autorização, desde que não frustrem outra re-
união anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
Liberdade de locomoção apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
Outra faceta do direito à liberdade encontra-se no ar-
tigo 5º, XV, CF: Pessoas podem ir às ruas para reunirem-se com de-
mais na defesa de uma causa, apenas possuindo o dever
Artigo 5º, XV, CF. É livre a locomoção no território de informar tal reunião. Tal dever remonta-se a questões de
nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos segurança coletiva. Imagine uma grande reunião de pes-
termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus soas por uma causa, a exemplo da Parada Gay, que chega
bens. a aglomerar milhões de pessoas em algumas capitais: seria
absurdo tolerar tal tipo de reunião sem o prévio aviso do
A liberdade de locomoção é um aspecto básico do di- poder público para que ele organize o policiamento e a as-
reito à liberdade, permitindo à pessoa ir e vir em todo o sistência médica, evitando algazarras e socorrendo pessoas
território do país em tempos de paz (em tempos de guerra que tenham algum mal-estar no local. Outro limite é o uso
é possível limitar tal liberdade em prol da segurança). A de armas, totalmente vedado, assim como de substâncias
liberdade de sair do país não significa que existe um direito ilícitas (Ex: embora a Marcha da Maconha tenha sido auto-
de ingressar em qualquer outro país, pois caberá à ele, no rizada pelo Supremo Tribunal Federal, vedou-se que nela
exercício de sua soberania, controlar tal entrada. tal substância ilícita fosse utilizada).
Classicamente, a prisão é a forma de restrição da liber-
dade. Neste sentido, uma pessoa somente poderá ser pre- Liberdade de associação
sa nos casos autorizados pela própria Constituição Federal. No que tange à liberdade de reunião, traz o artigo 5º,
A despeito da normativa específica de natureza penal, re- XVII, CF:
força-se a impossibilidade de se restringir a liberdade de
locomoção pela prisão civil por dívida. Artigo 5º, XVII, CF. É plena a liberdade de associação
para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar.

29
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

A liberdade de associação difere-se da de reunião por - Direitos à privacidade e à personalidade


sua perenidade, isto é, enquanto a liberdade de reunião é
exercida de forma sazonal, eventual, a liberdade de asso- Abrangência
ciação implica na formação de um grupo organizado que Prevê o artigo 5º, X, CF:
se mantém por um período de tempo considerável, dotado
de estrutura e organização próprias. Artigo 5º, X, CF. São invioláveis a intimidade, a vida
Por exemplo, o PCC e o Comando vermelho são asso- privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
ciações ilícitas e de caráter paramilitar, pois possuem armas direito a indenização pelo dano material ou moral decorren-
e o ideal de realizar sua própria justiça paralelamente à es- te de sua violação.
tatal.
O texto constitucional se estende na regulamentação O legislador opta por trazer correlacionados no mesmo
da liberdade de associação. dispositivo legal os direitos à privacidade e à personalida-
O artigo 5º, XVIII, CF, preconiza: de.
Reforçando a conexão entre a privacidade e a intimida-
Artigo 5º, XVIII, CF. A criação de associações e, na for- de, ao abordar a proteção da vida privada – que, em resu-
ma da lei, a de cooperativas independem de autorização, mo, é a privacidade da vida pessoal no âmbito do domicílio
sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. e de círculos de amigos –, Silva7 entende que “o segredo
da vida privada é condição de expansão da personalidade”,
Neste sentido, associações são organizações resultan- mas não caracteriza os direitos de personalidade em si.
tes da reunião legal entre duas ou mais pessoas, com ou A união da intimidade e da vida privada forma a pri-
sem personalidade jurídica, para a realização de um obje- vacidade, sendo que a primeira se localiza em esfera mais
tivo comum; já cooperativas são uma forma específica de estrita. É possível ilustrar a vida social como se fosse um
associação, pois visam a obtenção de vantagens comuns grande círculo no qual há um menor, o da vida privada, e
em suas atividades econômicas. dentro deste um ainda mais restrito e impenetrável, o da
Ainda, tem-se o artigo 5º, XIX, CF: intimidade. Com efeito, pela “Teoria das Esferas” (ou “Teoria
dos Círculos Concêntricos”), importada do direito alemão,
Artigo 5º, XIX, CF. As associações só poderão ser com- quanto mais próxima do indivíduo, maior a proteção a ser
pulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas conferida à esfera (as esferas são representadas pela intimi-
por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito dade, pela vida privada, e pela publicidade).
em julgado. “O direito à honra distancia-se levemente dos dois an-
teriores, podendo referir-se ao juízo positivo que a pessoa
O primeiro caso é o de dissolução compulsória, ou seja, tem de si (honra subjetiva) e ao juízo positivo que dela fa-
a associação deixará de existir para sempre. Obviamente, é zem os outros (honra objetiva), conferindo-lhe respeitabi-
preciso o trânsito em julgado da decisão judicial que as- lidade no meio social. O direito à imagem também pos-
sim determine, pois antes disso sempre há possibilidade sui duas conotações, podendo ser entendido em sentido
de reverter a decisão e permitir que a associação continue objetivo, com relação à reprodução gráfica da pessoa, por
em funcionamento. Contudo, a decisão judicial pode sus- meio de fotografias, filmagens, desenhos, ou em sentido
pender atividades até que o trânsito em julgado ocorra, ou subjetivo, significando o conjunto de qualidades cultivadas
seja, no curso de um processo judicial. pela pessoa e reconhecidas como suas pelo grupo social”8.
Em destaque, a legitimidade representativa da associa-
ção quanto aos seus filiados, conforme artigo 5º, XXI, CF: Inviolabilidade de domicílio e sigilo de correspon-
dência
Artigo 5º, XXI, CF. As entidades associativas, quando ex- Correlatos ao direito à privacidade, aparecem a invio-
pressamente autorizadas, têm legitimidade para represen- labilidade do domicílio e o sigilo das correspondências e
tar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. comunicações.
Neste sentido, o artigo 5º, XI, CF prevê:
Trata-se de caso de legitimidade processual extraordi-
nária, pela qual um ente vai a juízo defender interesse de Artigo 5º, XI, CF. A casa é asilo inviolável do indivíduo,
outra(s) pessoa(s) porque a lei assim autoriza. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do mo-
A liberdade de associação envolve não somente o di- rador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para
reito de criar associações e de fazer parte delas, mas tam- prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
bém o de não associar-se e o de deixar a associação, con-
forme artigo 5º, XX, CF:
7 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu-
Artigo 5º, XX, CF. Ninguém poderá ser compelido a as- cional positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006.
sociar-se ou a permanecer associado. 8 MOTTA, Sylvio; BARCHET, Gustavo. Curso de di-
reito constitucional. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

30
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

O domicílio é inviolável, razão pela qual ninguém pode “A manifestação do pensamento é livre e garantida
nele entrar sem o consentimento do morador, a não ser em nível constitucional, não aludindo a censura prévia em
EM QUALQUER HORÁRIO no caso de flagrante delito (o diversões e espetáculos públicos. Os abusos porventura
morador foi flagrado na prática de crime e fugiu para seu ocorridos no exercício indevido da manifestação do pensa-
domicílio) ou desastre (incêndio, enchente, terremoto...) ou mento são passíveis de exame e apreciação pelo Poder Ju-
para prestar socorro (morador teve ataque do coração, está diciário com a consequente responsabilidade civil e penal
sufocado, desmaiado...), e SOMENTE DURANTE O DIA por de seus autores, decorrentes inclusive de publicações inju-
determinação judicial. riosas na imprensa, que deve exercer vigilância e controle
Quanto ao sigilo de correspondência e das comunica- da matéria que divulga”9.
ções, prevê o artigo 5º, XII, CF: O  direito de resposta é o direito que uma pessoa
tem de se defender de críticas públicas no mesmo meio
Artigo 5º, XII, CF. É inviolável o sigilo da correspondência em que foram publicadas garantida exatamente a mes-
ma repercussão. Mesmo quando for garantido o direito
e das comunicações telegráficas, de dados e das comunica-
de resposta não é possível reverter plenamente os da-
ções telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial,
nos causados pela manifestação ilícita de pensamento,
nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
razão pela qual a pessoa inda fará jus à indenização.
investigação criminal ou instrução processual penal.
A manifestação ilícita do pensamento geralmente cau-
sa um dano, ou seja, um prejuízo sofrido pelo agente, que
O sigilo de correspondência e das comunicações está pode ser individual ou coletivo, moral ou material, econô-
melhor regulamentado na Lei nº 9.296, de 1996. mico e não econômico.
Dano material é aquele que atinge o patrimônio (ma-
Personalidade jurídica e gratuidade de registro terial ou imaterial) da vítima, podendo ser mensurado fi-
Quando se fala em reconhecimento como pessoa pe- nanceiramente e indenizado.
rante a lei desdobra-se uma esfera bastante específica dos “Dano moral direto consiste na lesão a um interesse
direitos de personalidade, consistente na personalidade ju- que visa a satisfação ou gozo de um bem jurídico extrapa-
rídica. Basicamente, consiste no direito de ser reconhecido trimonial contido nos direitos da personalidade (como a
como pessoa perante a lei. vida, a integridade corporal, a liberdade, a honra, o decoro,
Para ser visto como pessoa perante a lei mostra-se a intimidade, os sentimentos afetivos, a própria imagem)
necessário o registro. Por ser instrumento que serve como ou nos atributos da pessoa (como o nome, a capacidade, o
pressuposto ao exercício de direitos fundamentais, asse- estado de família)”10.
gura-se a sua gratuidade aos que não tiverem condição de Já o dano à imagem é delimitado no artigo 20 do Có-
com ele arcar. digo Civil:
Aborda o artigo 5º, LXXVI, CF:
Artigo 20, CC. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à
Artigo 5º, LXXVI, CF. São gratuitos para os reconheci- administração da justiça ou à manutenção da ordem públi-
damente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nas- ca, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a
cimento; b) a certidão de óbito. publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma
pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem pre-
O reconhecimento do marco inicial e do marco final juízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra,
da personalidade jurídica pelo registro é direito individual, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins
não dependendo de condições financeiras. Evidente, seria comerciais.
absurdo cobrar de uma pessoa sem condições a elabora-
- Direito à segurança
ção de documentos para que ela seja reconhecida como
O caput do artigo 5º da Constituição assegura a pro-
viva ou morta, o que apenas incentivaria a indigência dos
teção do direito à segurança. Na qualidade de direito in-
menos favorecidos.
dividual liga-se à segurança do indivíduo como um todo,
desde sua integridade física e mental, até a própria segu-
Direito à indenização e direito de resposta rança jurídica.
Com vistas à proteção do direito à privacidade, do di- No sentido aqui estudado, o direito à segurança pes-
reito à personalidade e do direito à imagem, asseguram-se soal é o direito de viver sem medo, protegido pela soli-
dois instrumentos, o direito à indenização e o direito de dariedade e liberto de agressões, logo, é uma maneira de
resposta, conforme as necessidades do caso concreto. garantir o direito à vida.
Com efeito, prevê o artigo 5º, V, CF:

Artigo 5º, V, CF. É assegurado o direito de resposta,


proporcional ao agravo, além da indenização por dano ma- 9 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucio-
terial, moral ou à imagem. nal. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2011.
10 ZANNONI, Eduardo. El daño en la responsabili-
dad civil. Buenos Aires: Astrea, 1982.

31
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Nesta linha, para Silva11, “efetivamente, esse conjunto Com efeito, a proteção da propriedade privada está li-
de direitos aparelha situações, proibições, limitações e pro- mitada ao atendimento de sua função social, sendo este o
cedimentos destinados a assegurar o exercício e o gozo de requisito que a correlaciona com a proteção da dignidade
algum direito individual fundamental (intimidade, liberda- da pessoa humana. A propriedade de bens e valores em
de pessoal ou a incolumidade física ou moral)”. geral é um direito assegurado na Constituição Federal e,
Especificamente no que tange à segurança jurídica, como todos os outros, se encontra limitado pelos demais
tem-se o disposto no artigo 5º, XXXVI, CF: princípios conforme melhor se atenda à dignidade do ser
humano.
Artigo 5º, XXXVI, CF. A lei não prejudicará o direito ad- A Constituição Federal delimita o que se entende por
quirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. função social:

Pelo inciso restam estabelecidos limites à retroativida- Art. 182, caput, CF. A política de desenvolvimento urba-
de da lei. no, executada pelo Poder Público municipal, conforme dire-
Define o artigo 6º da Lei de Introdução às Normas do trizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno
Direito Brasileiro: desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o
bem-estar de seus habitantes.
Artigo 6º, LINDB. A Lei em vigor terá efeito imediato e
geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido Artigo 182, § 1º, CF. O plano diretor, aprovado pela Câ-
e a coisa julgada. mara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado mil habitantes, é o instrumento básico da política de desen-
segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. volvimento e de expansão urbana.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o
seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles Artigo 182, § 2º, CF. A propriedade urbana cumpre sua
cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condi- função social quando atende às exigências fundamentais de
ção pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. ordenação da cidade expressas no plano diretor13.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão
judicial de que já não caiba recurso. Artigo 186, CF. A função social é cumprida quando a
propriedade rural atende, simultaneamente, segundo crité-
- Direito à propriedade rios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes
O caput do artigo 5º da Constituição assegura a prote- requisitos:
ção do direito à propriedade, tanto material quanto intelec- I - aproveitamento racional e adequado;
tual, delimitada em alguns incisos que o seguem. II - utilização adequada dos recursos naturais disponí-
veis e preservação do meio ambiente;
Função social da propriedade material III - observância das disposições que regulam as rela-
O artigo 5º, XXII, CF estabelece: ções de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprie-
Artigo 5º, XXII, CF. É garantido o direito de proprie- tários e dos trabalhadores.
dade.
Desapropriação
A seguir, no inciso XXIII do artigo 5º, CF estabelece o No caso de desrespeito à função social da proprieda-
principal fator limitador deste direito: de cabe até mesmo desapropriação do bem, de modo que
pode-se depreender do texto constitucional duas possibili-
Artigo 5º, XXIII, CF. A propriedade atenderá a sua fun- dades de desapropriação: por desrespeito à função social e
ção social. por necessidade ou utilidade pública.
A Constituição Federal prevê a possibilidade de desa-
A propriedade, segundo Silva12, “[...] não pode mais ser propriação por desatendimento à função social:
considerada como um direito individual nem como institui-
ção do direito privado. [...] embora prevista entre os direitos Artigo 182, § 4º, CF. É facultado ao Poder Público mu-
individuais, ela não mais poderá ser considerada puro di- nicipal, mediante lei específica para área incluída no plano
reito individual, relativizando-se seu conceito e significado, diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do
especialmente porque os princípios da ordem econômica solo urbano não edificado, subutilizado ou não utiliza-
são preordenados à vista da realização de seu fim: assegu- do, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena,
rar a todos existência digna, conforme os ditames da jus- sucessivamente, de:
tiça social. Se é assim, então a propriedade privada, que, I - parcelamento ou edificação compulsórios;
ademais, tem que atender a sua função social, fica vincula- II - imposto sobre a propriedade predial e territorial ur-
da à consecução daquele princípio”. bana progressivo no tempo;
11 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu- 13 Instrumento básico de um processo de planejamen-
cional positivo... Op. Cit., p. 437. to municipal para a implantação da política de desenvolvimen-
12 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitu- to urbano, norteando a ação dos agentes públicos e privados
cional positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2006. (Lei n. 10.257/2001 - Estatuto da cidade).

32
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

III - desapropriação com pagamento mediante títulos A desapropriação por utilidade ou necessidade pú-
da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo blica deve se dar mediante prévia e justa indenização em
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em dinheiro. O Decreto-lei nº 3.365/1941 a disciplina, delimi-
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor tando o procedimento e conceituando utilidade pública,
real da indenização e os juros legais14. em seu artigo 5º:

Artigo 184, CF. Compete à União desapropriar por in- Artigo 5º, Decreto-lei n. 3.365/1941. Consideram-se ca-
teresse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural sos de utilidade pública:
que não esteja cumprindo sua função social, mediante a) a segurança nacional;
prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, b) a defesa do Estado;
com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no c) o socorro público em caso de calamidade;
prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua d) a salubridade pública;
emissão, e cuja utilização será definida em lei15. e) a criação e melhoramento de centros de população,
seu abastecimento regular de meios de subsistência;
Artigo 184, § 1º, CF. As benfeitorias úteis e necessárias f) o aproveitamento industrial das minas e das jazidas
serão indenizadas em dinheiro. minerais, das águas e da energia hidráulica;
g) a assistência pública, as obras de higiene e decora-
No que tange à desapropriação por necessidade ou ção, casas de saúde, clínicas, estações de clima e fontes me-
utilidade pública, prevê o artigo 5º, XXIV, CF: dicinais;
h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos;
Artigo 5º, XXIV, CF. A lei estabelecerá o procedimento i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou
para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, logradouros públicos; a execução de planos de urbanização;
ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua
em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constitui- melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a cons-
ção. trução ou ampliação de distritos industriais;
j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo;
Ainda, prevê o artigo 182, § 3º, CF: k) a preservação e conservação dos monumentos his-
tóricos e artísticos, isolados ou integrados em conjuntos
Artigo 182, §3º, CF. As desapropriações de imóveis ur- urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a
banos serão feitas com prévia e justa indenização em di- manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou ca-
nheiro. racterísticos e, ainda, a proteção de paisagens e locais par-
ticularmente dotados pela natureza;
Tem-se, ainda o artigo 184, §§ 2º e 3º, CF: l) a preservação e a conservação adequada de arqui-
vos, documentos e outros bens moveis de valor histórico ou
Artigo 184, §2º, CF. O decreto que declarar o imóvel artístico;
como de interesse social, para fins de reforma agrária, auto- m) a construção de edifícios públicos, monumentos co-
riza a União a propor a ação de desapropriação. memorativos e cemitérios;
n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de
Artigo 184, §3º, CF. Cabe à lei complementar estabe- pouso para aeronaves;
lecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de na-
para o processo judicial de desapropriação. tureza científica, artística ou literária;
p) os demais casos previstos por leis especiais.

Um grande problema que faz com que processos


14 Nota-se que antes de se promover a desapropria-
que tenham a desapropriação por objeto se estendam é
ção de imóvel urbano por desatendimento à função social é
a indevida valorização do imóvel pelo Poder Público, que
necessário tomar duas providências, sucessivas: primeiro, o
geralmente pretende pagar valor muito abaixo do devido,
parcelamento ou edificação compulsórios; depois, o estabe-
lecimento de imposto sobre a propriedade predial e territorial necessitando o Judiciário intervir em prol da correta ava-
urbana progressivo no tempo. Se ambas medidas restarem liação.
ineficazes, parte-se para a desapropriação por desatendimen- Outra questão reside na chamada tredestinação, pela
to à função social. qual há a destinação de um bem expropriado (desapro-
15 A desapropriação em decorrência do desatendimen- priação) a finalidade diversa da que se planejou inicial-
to da função social é indenizada, mas não da mesma maneira mente. A tredestinação pode ser lícita ou ilícita. Será ilícita
que a desapropriação por necessidade ou utilidade pública, quando resultante de desvio do propósito original; e será
já que na primeira há violação do ordenamento constitucional lícita quando a Administração Pública dê ao bem finalida-
pelo proprietário, mas na segunda não. Por isso, indeniza-se de diversa, porém preservando a razão do interesse pú-
em títulos da dívida agrária, que na prática não são tão valori- blico.
zados quanto o dinheiro.

33
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Política agrária e reforma agrária VI - o cooperativismo;


Enquanto desdobramento do direito à propriedade VII - a eletrificação rural e irrigação;
imóvel e da função social desta propriedade, tem-se ainda VIII - a habitação para o trabalhador rural.
o artigo 5º, XXVI, CF: § 1º Incluem-se no planejamento agrícola as atividades
agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras e florestais.
Artigo 5º, XXVI, CF. A pequena propriedade rural, as- § 2º Serão compatibilizadas as ações de política agríco-
sim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não la e de reforma agrária.
será objeto de penhora para pagamento de débitos decor-
rentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os As terras devolutas e públicas serão destinadas confor-
meios de financiar o seu desenvolvimento. me a política agrícola e o plano nacional de reforma agrá-
ria (artigo 188, caput, CF). Neste sentido, “a alienação ou a
Assim, se uma pessoa é mais humilde e tem uma pe- concessão, a qualquer título, de terras públicas com área
quena propriedade será assegurado que permaneça com superior a dois mil e quinhentos hectares a pessoa física
ela e a torne mais produtiva. ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de
A preservação da pequena propriedade em detrimento prévia aprovação do Congresso Nacional”, salvo no caso de
dos grandes latifúndios improdutivos é uma das diretrizes- alienações ou concessões de terras públicas para fins de
guias da regulamentação da política agrária brasileira, que reforma agrária (artigo 188, §§ 1º e 2º, CF).
tem como principal escopo a realização da reforma agrária. Os que forem favorecidos pela reforma agrária (ho-
Parte da questão financeira atinente à reforma agrária mens, mulheres, ambos, qualquer estado civil) não pode-
se encontra prevista no artigo 184, §§ 4º e 5º, CF: rão negociar seus títulos pelo prazo de 10 anos (artigo 189,
CF).
Artigo 184, §4º, CF. O orçamento fixará anualmente Consta, ainda, que “a lei regulará e limitará a aquisição
o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o ou o arrendamento de propriedade rural por pessoa física
montante de recursos para atender ao programa de reforma ou jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que depen-
agrária no exercício. derão de autorização do Congresso Nacional” (artigo 190,
CF).
Artigo 184, §5º, CF. São isentas de impostos federais, es-
taduais e municipais as operações de transferência de imó- Usucapião
veis desapropriados para fins de reforma agrária. Usucapião é o modo originário de aquisição da pro-
priedade que decorre da posse prolongada por um lon-
Como a finalidade da reforma agrária é transformar go tempo, preenchidos outros requisitos legais. Em outras
terras improdutivas e grandes propriedades em atinentes à palavras, usucapião é uma situação em que alguém tem a
função social, alguns imóveis rurais não podem ser abran- posse de um bem por um tempo longo, sem ser incomo-
gidos pela reforma agrária: dado, a ponto de se tornar proprietário.
A Constituição regulamenta o acesso à propriedade
Art. 185, CF. São insuscetíveis de desapropriação para mediante posse prolongada no tempo – usucapião – em
fins de reforma agrária: casos específicos, denominados usucapião especial urbana
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida e usucapião especial rural.
em lei, desde que seu proprietário não possua outra; O artigo 183 da Constituição regulamenta a usucapião
II - a propriedade produtiva. especial urbana:
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à
propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento Art. 183, CF. Aquele que possuir como sua área urbana
dos requisitos relativos a sua função social. de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco
anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para
Sobre as diretrizes da política agrícola, prevê o artigo sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio,
187: desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou
rural.
Art. 187, CF. A política agrícola será planejada e exe- § 1º O título de domínio e a concessão de uso serão
cutada na forma da lei, com a participação efetiva do setor conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, indepen-
de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, dentemente do estado civil.
bem como dos setores de comercialização, de armazena- § 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo pos-
mento e de transportes, levando em conta, especialmente: suidor mais de uma vez.
I - os instrumentos creditícios e fiscais; § 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usu-
II - os preços compatíveis com os custos de produção e a capião.
garantia de comercialização;
III - o incentivo à pesquisa e à tecnologia; Além dos requisitos gerais (animus e posse que seja
IV - a assistência técnica e extensão rural; pública, pacífica, ininterrupta e contínua), são exigidos os
V - o seguro agrícola; seguintes requisitos específicos:

34
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

a) Área urbana – há controvérsia. Pela teoria da locali- Uso temporário


zação, área urbana é a que está dentro do perímetro urba- No mais, estabelece-se uma terceira limitação ao di-
no. Pela teoria da destinação, mais importante que a locali- reito de propriedade que não possui o caráter definitivo
zação é a sua utilização. Ex.: se tem fins agrícolas/pecuários da desapropriação, mas é temporária, conforme artigo 5º,
e estiver dentro do perímetro urbana, o imóvel é rural. Para XXV, CF:
fins de usucapião a maioria diz que prevalece a teoria da
localização. Artigo 5º, XXV, CF. No caso de iminente perigo públi-
b) Imóveis até 250 m² – Pode dentro de uma posse co, a autoridade competente poderá usar de propriedade
maior isolar área de 250m² e ingressar com a ação? A juris- particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior,
prudência é pacífica que a posse desde o início deve ficar se houver dano.
restrita a 250m². Predomina também que o terreno deve
ter 250m², não a área construída (a área de um sobrado, Se uma pessoa tem uma propriedade, numa situação
por exemplo, pode ser maior que a de um terreno). de perigo, o poder público pode se utilizar dela (ex: montar
c) 5 anos – houve controvérsia porque a Constituição uma base para capturar um fugitivo), pois o interesse da
Federal de 1988 que criou esta modalidade. E se antes coletividade é maior que o do indivíduo proprietário.
de 05 de outubro de 1988 uma pessoa tivesse há 4 anos
dentro do limite da usucapião urbana? Predominou que Direito sucessório
só corria o prazo a partir da criação do instituto, não só O direito sucessório aparece como uma faceta do direi-
porque antes não existia e o prazo não podia correr, como to à propriedade, encontrando disciplina constitucional no
também não se poderia prejudicar o proprietário. artigo 5º, XXX e XXXI, CF:
d) Moradia sua ou de sua família – não basta ter posse,
é preciso que a pessoa more, sozinha ou com sua família, Artigo 5º, XXX, CF. É garantido o direito de herança;
ao longo de todo o prazo (não só no início ou no final).
Logo, não cabe acessio temporis por cessão da posse. Artigo 5º, XXXI, CF. A sucessão de bens de estrangei-
e) Nenhum outro imóvel, nem urbano, nem rural, no ros situados no País será regulada pela lei brasileira em be-
Brasil. O usucapiente não prova isso, apenas alega. Se al- nefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não
guém não quiser a usucapião, prova o contrário. Este re- lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
quisito é verificado no momento em que completa 5 anos.
Em relação à previsão da usucapião especial rural, des- O direito à herança envolve o direito de receber – seja
taca-se o artigo 191, CF: devido a uma previsão legal, seja por testamento – bens
de uma pessoa que faleceu. Assim, o patrimônio passa
Art. 191, CF. Aquele que, não sendo proprietário de imó- para outra pessoa, conforme a vontade do falecido e/ou
vel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos inin- a lei determine. A Constituição estabelece uma disciplina
terruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não específica para bens de estrangeiros situados no Brasil, as-
superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu segurando que eles sejam repassados ao cônjuge e filhos
trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adqui- brasileiros nos termos da lei mais benéfica (do Brasil ou do
rir-lhe-á a propriedade. país estrangeiro).
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiri-
dos por usucapião. Direito do consumidor
Nos termos do artigo 5º, XXXII, CF:
Além dos requisitos gerais (animus e posse que seja
pública, pacífica, ininterrupta e contínua), são exigidos os Artigo 5º, XXXII, CF. O Estado promoverá, na forma da
seguintes requisitos específicos: lei, a defesa do consumidor.
a) Imóvel rural
b) 50 hectares, no máximo – há também legislação que O direito do consumidor liga-se ao direito à proprieda-
estabelece um limite mínimo, o módulo rural (Estatuto da de a partir do momento em que garante à pessoa que irá
Terra). É possível usucapir áreas menores que o módulo ru- adquirir bens e serviços que estes sejam entregues e pres-
ral? Tem prevalecido o entendimento de que pode, mas é tados da forma adequada, impedindo que o fornecedor se
assunto muito controverso. enriqueça ilicitamente, se aproveite de maneira indevida da
c) 5 anos – pode ser considerado o prazo antes 05 de posição menos favorável e de vulnerabilidade técnica do
outubro de 1988 (Constituição Federal)? Depende. Se a consumidor.
área é de até 25 hectares sim, pois já havia tal possibilidade O Direito do Consumidor pode ser considerado um
antes da CF/88. Se área for maior (entre 25 ha e 50 ha) não. ramo recente do Direito. No Brasil, a legislação que o re-
d) Moradia sua ou de sua família – a pessoa deve morar gulamentou foi promulgada nos anos 90, qual seja a Lei nº
na área rural. 8.078, de 11 de setembro de 1990, conforme determinado
e) Nenhum outro imóvel. pela Constituição Federal de 1988, que também estabele-
f) O usucapiente, com seu trabalho, deve ter tornado ceu no artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais
a área produtiva. Por isso, é chamado de usucapião “pro Transitórias:
labore”. Dependerá do caso concreto.

35
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Artigo 48, ADCT. O Congresso Nacional, dentro de cento ano seguinte à divulgação da obra se esta for de natureza
e vinte dias da promulgação da Constituição, elaborará có- audiovisual ou fotográfica. Estes, por sua vez, abrangem,
digo de defesa do consumidor. basicamente, o direito de dispor sobre a reprodução, edi-
ção, adaptação, tradução, utilização, inclusão em bases de
A elaboração do Código de Defesa do Consumidor foi dados ou qualquer outra modalidade de utilização; sendo
um grande passo para a proteção da pessoa nas relações que estas modalidades de utilização podem se dar a título
de consumo que estabeleça, respeitando-se a condição de oneroso ou gratuito.
hipossuficiente técnico daquele que adquire um bem ou “Os direitos autorais, também conhecidos como co-
faz uso de determinado serviço, enquanto consumidor. pyright (direito de cópia), são considerados bens móveis,
podendo ser alienados, doados, cedidos ou locados. Res-
Propriedade intelectual salte-se que a permissão a terceiros de utilização de cria-
Além da propriedade material, o constituinte protege ções artísticas é direito do autor. [...] A proteção consti-
também a propriedade intelectual, notadamente no artigo tucional abrange o plágio e a contrafação. Enquanto que
5º, XXVII, XXVIII e XXIX, CF: o primeiro caracteriza-se pela difusão de obra criada ou
produzida por terceiros, como se fosse própria, a segunda
Artigo 5º, XXVII, CF. Aos autores pertence o direito ex- configura a reprodução de obra alheia sem a necessária
clusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas permissão do autor”16.
obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
- Direitos de acesso à justiça
Artigo 5º, XXVIII, CF. São assegurados, nos termos da lei: A formação de um conceito sistemático de acesso à
a) a proteção às participações individuais em obras justiça se dá com a teoria de Cappelletti e Garth, que apon-
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, in- taram três ondas de acesso, isto é, três posicionamentos
clusive nas atividades desportivas; básicos para a realização efetiva de tal acesso. Tais ondas
b) o direito de fiscalização do aproveitamento eco- foram percebidas paulatinamente com a evolução do Di-
nômico das obras que criarem ou de que participarem aos reito moderno conforme implementadas as bases da onda
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações anterior, quer dizer, ficou evidente aos autores a emergên-
sindicais e associativas; cia de uma nova onda quando superada a afirmação das
premissas da onda anterior, restando parcialmente imple-
Artigo 5º, XXIX, CF. A lei assegurará aos autores de in-
mentada (visto que até hoje enfrentam-se obstáculos ao
ventos industriais privilégio temporário para sua utiliza-
pleno atendimento em todas as ondas).
ção, bem como proteção às criações industriais, à proprie-
Primeiro, Cappelletti e Garth17 entendem que surgiu
dade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
uma onda de concessão de assistência judiciária aos po-
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvi-
bres, partindo-se da prestação sem interesse de remunera-
mento tecnológico e econômico do País.
ção por parte dos advogados e, ao final, levando à criação
de um aparato estrutural para a prestação da assistência
Assim, a propriedade possui uma vertente intelectual
pelo Estado.
que deve ser respeitada, tanto sob o aspecto moral quanto
Em segundo lugar, no entender de Cappelletti e Garth18,
sob o patrimonial. No âmbito infraconstitucional brasileiro,
a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, regulamenta os veio a onda de superação do problema na representação
direitos autorais, isto é, “os direitos de autor e os que lhes dos interesses difusos, saindo da concepção tradicional de
são conexos”. processo como algo restrito a apenas duas partes indivi-
O artigo 7° do referido diploma considera como obras dualizadas e ocasionando o surgimento de novas institui-
intelectuais que merecem a proteção do direito do autor ções, como o Ministério Público.
os textos de obras de natureza literária, artística ou científi- Finalmente, Cappelletti e Garth19 apontam uma ter-
ca; as conferências, sermões e obras semelhantes; as obras ceira onda consistente no surgimento de uma concepção
cinematográficas e televisivas; as composições musicais; mais ampla de acesso à justiça, considerando o conjunto
fotografias; ilustrações; programas de computador; coletâ- de instituições, mecanismos, pessoas e procedimentos uti-
neas e enciclopédias; entre outras. lizados: “[...] esse enfoque encoraja a exploração de uma
Os direitos morais do autor, que são imprescritíveis, ampla variedade de reformas, incluindo alterações nas for-
inalienáveis e irrenunciáveis, envolvem, basicamente, o di- 16 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fun-
reito de reivindicar a autoria da obra, ter seu nome divul- damentais: teoria geral, comentários aos artigos 1º a 5º da
gado na utilização desta, assegurar a integridade desta ou Constituição da República Federativa do Brasil, doutrina e ju-
modificá-la e retirá-la de circulação se esta passar a afron- risprudência. São Paulo: Atlas, 1997.
tar sua honra ou imagem. 17 CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à
Já os direitos patrimoniais do autor, nos termos dos ar- Justiça. Tradução Ellen Grace Northfleet. Porto Alegre: Sér-
tigos 41 a 44 da Lei nº 9.610/98, prescrevem em 70 anos gio Antônio Fabris Editor, 1998, p. 31-32.
contados do primeiro ano seguinte à sua morte ou do 18 Ibid., p. 49-52
falecimento do último coautor, ou contados do primeiro 19 Ibid., p. 67-73

36
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

mas de procedimento, mudanças na estrutura dos tribunais - Direitos constitucionais-penais


ou a criação de novos tribunais, o uso de pessoas leigas
ou paraprofissionais, tanto como juízes quanto como de- Juiz natural e vedação ao juízo ou tribunal de ex-
fensores, modificações no direito substantivo destinadas ceção
a evitar litígios ou facilitar sua solução e a utilização de Quando o artigo 5º, LIII, CF menciona:
mecanismos privados ou informais de solução dos litígios.
Esse enfoque, em suma, não receia inovações radicais e Artigo 5º, LIII, CF. Ninguém será processado nem sen-
compreensivas, que vão muito além da esfera de repre- tenciado senão pela autoridade competente”, consolida o
sentação judicial”. princípio do juiz natural que assegura a toda pessoa o direito
Assim, dentro da noção de acesso à justiça, diversos de conhecer previamente daquele que a julgará no processo
aspectos podem ser destacados: de um lado, deve criar-se em que seja parte, revestindo tal juízo em jurisdição com-
o Poder Judiciário e se disponibilizar meios para que todas petente para a matéria específica do caso antes mesmo do
as pessoas possam buscá-lo; de outro lado, não basta ga- fato ocorrer.
rantir meios de acesso se estes forem insuficientes, já que
para que exista o verdadeiro acesso à justiça é necessário Por sua vez, um desdobramento deste princípio encon-
que se aplique o direito material de maneira justa e célere. tra-se no artigo 5º, XXXVII, CF:
Relacionando-se à primeira onda de acesso à justiça,
prevê a Constituição em seu artigo 5º, XXXV: Artigo 5º, XXXVII, CF. Não haverá juízo ou tribunal de
exceção.
Artigo 5º, XXXV, CF. A lei não excluirá da apreciação do
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Juízo ou Tribunal de Exceção é aquele especialmente
criado para uma situação pretérita, bem como não reco-
O princípio da inafastabilidade da jurisdição é o prin- nhecido como legítimo pela Constituição do país.
cípio de Direito Processual Público subjetivo, também
cunhado como Princípio da Ação, em que a Constituição Tribunal do júri
garante a necessária tutela estatal aos conflitos ocorrentes A respeito da competência do Tribunal do júri, prevê o
na vida em sociedade. Sempre que uma controvérsia for artigo 5º, XXXVIII, CF:
levada ao Poder Judiciário, preenchidos os requisitos de
admissibilidade, ela será resolvida, independentemente de Artigo 5º, XXXVIII. É reconhecida a instituição do júri,
haver ou não previsão específica a respeito na legislação. com a organização que lhe der a lei, assegurados:
Também se liga à primeira onda de acesso à justiça, a) a plenitude de defesa;
no que tange à abertura do Judiciário mesmo aos menos b) o sigilo das votações;
favorecidos economicamente, o artigo 5º, LXXIV, CF: c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos
Artigo 5º, LXXIV, CF. O Estado prestará assistência jurí- contra a vida.
dica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiên-
cia de recursos. O Tribunal do Júri é formado por pessoas do povo, que
julgam os seus pares. Entende-se ser direito fundamental
O constituinte, ciente de que não basta garantir o o de ser julgado por seus iguais, membros da sociedade e
acesso ao Poder Judiciário, sendo também necessária a não magistrados, no caso de determinados crimes que por
efetividade processual, incluiu pela Emenda Constitucional sua natureza possuem fortes fatores de influência emocio-
nº 45/2004 o inciso LXXVIII ao artigo 5º da Constituição: nal.
Plenitude da defesa envolve tanto a autodefesa quanto
Artigo 5º, LXXVIII, CF. A todos, no âmbito judicial e ad- a defesa técnica e deve ser mais ampla que a denominada
ministrativo, são assegurados a razoável duração do pro- ampla defesa assegurada em todos os procedimentos judi-
cesso e os meios que garantam a celeridade de sua trami- ciais e administrativos.
tação. Sigilo das votações envolve a realização de votações
  secretas, preservando a liberdade de voto dos que com-
Com o tempo se percebeu que não bastava garantir põem o conselho que irá julgar o ato praticado.
o acesso à justiça se este não fosse célere e eficaz. Não A decisão tomada pelo conselho é soberana. Contu-
significa que se deve acelerar o processo em detrimento do, a soberania dos veredictos veda a alteração das deci-
de direitos e garantias assegurados em lei, mas sim que sões dos jurados, não a recorribilidade dos julgamentos do
é preciso proporcionar um trâmite que dure nem mais e Tribunal do Júri para que seja procedido novo julgamento
nem menos que o necessário para a efetiva realização da uma vez cassada a decisão recorrida, haja vista preservar
justiça no caso concreto. o ordenamento jurídico pelo princípio do duplo grau de
jurisdição.

37
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Por fim, a competência para julgamento é dos crimes dolo- Não obstante, preconiza ao artigo 5º, XLIII, CF:
sos (em que há intenção ou ao menos se assume o risco de pro-
dução do resultado) contra a vida, que são: homicídio, aborto, Artigo 5º, XLIII, CF. A lei considerará crimes inafiançáveis e
induzimento, instigação ou auxílio a suicídio e infanticídio. Sua insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfi-
competência não é absoluta e é mitigada, por vezes, pela pró- co ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os de-
pria Constituição (artigos 29, X / 102, I, b) e c) / 105, I, a) / 108, I). finidos como crimes hediondos, por eles respondendo os man-
dantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
Anterioridade e irretroatividade da lei
O artigo 5º, XXXIX, CF preconiza: Anistia, graça e indulto diferenciam-se nos seguintes ter-
mos: a anistia exclui o crime, rescinde a condenação e extingue
Artigo5º, XXXIX, CF. Não há crime sem lei anterior que o totalmente a punibilidade, a graça e o indulto apenas extin-
defina, nem pena sem prévia cominação legal. guem a punibilidade, podendo ser parciais; a anistia, em regra,
atinge crimes políticos, a graça e o indulto, crimes comuns; a
É a consagração da regra do nullum crimen nulla poena anistia pode ser concedida pelo Poder Legislativo, a graça e o
sine praevia lege. Simultaneamente, se assegura o princípio da indulto são de competência exclusiva do Presidente da Repú-
legalidade (ou reserva legal), na medida em que não há crime blica; a anistia pode ser concedida antes da sentença final ou
sem lei que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, e depois da condenação irrecorrível, a graça e o indulto pressu-
o princípio da anterioridade, posto que não há crime sem lei põem o trânsito em julgado da sentença condenatória; graça e
anterior que o defina. o indulto apenas extinguem a punibilidade, persistindo os efei-
Ainda no que tange ao princípio da anterioridade, tem-se tos do crime, apagados na anistia; graça é em regra individual e
o artigo 5º, XL, CF: solicitada, enquanto o indulto é coletivo e espontâneo.
Não cabe graça, anistia ou indulto (pode-se considerar que
Artigo 5º, XL, CF. A lei penal não retroagirá, salvo para o artigo o abrange, pela doutrina majoritária) contra crimes de
beneficiar o réu. tortura, tráfico, terrorismo (TTT) e hediondos (previstos na Lei
nº 8.072 de 25 de julho de 1990). Além disso, são crimes que
O dispositivo consolida outra faceta do princípio da ante- não aceitam fiança.
rioridade: se, por um lado, é necessário que a lei tenha defini- Ainda, prevê o artigo 5º, XLIV, CF:
do um fato como crime e dado certo tratamento penal a este
fato (ex.: pena de detenção ou reclusão, tempo de pena, etc.) Artigo 5º, XLIV, CF. Constitui crime inafiançável e impres-
antes que ele ocorra; por outro lado, se vier uma lei posterior critível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra
ao fato que o exclua do rol de crimes ou que confira trata- a ordem constitucional e o Estado Democrático.
mento mais benéfico (diminuindo a pena ou alterando o regi-
me de cumprimento, notadamente), ela será aplicada. Restam Por fim, dispõe a CF sobre a possibilidade de extradição de
consagrados tanto o princípio da irretroatividade da lei penal brasileiro naturalizado caso esteja envolvido com tráfico ilícito
in pejus quanto o da retroatividade da lei penal mais benéfica. de entorpecentes:

Menções específicas a crimes Artigo 5º, LI, CF. Nenhum brasileiro será extraditado, salvo
O artigo 5º, XLI, CF estabelece: o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilí-
Artigo 5º, XLI, CF. A lei punirá qualquer discriminação cito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei.
atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.
Personalidade da pena
Sendo assim confere fórmula genérica que remete ao A personalidade da pena encontra respaldo no artigo 5º,
princípio da igualdade numa concepção ampla, razão pela XLV, CF:
qual práticas discriminatórias não podem ser aceitas. No en-
tanto, o constituinte entendeu por bem prever tratamento Artigo 5º, XLV, CF. Nenhuma pena passará da pessoa do
específico a certas práticas criminosas. condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decre-
Neste sentido, prevê o artigo 5º, XLII, CF: tação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas
aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
Artigo 5º, XLII, CF. A prática do racismo constitui crime patrimônio transferido.
inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos
termos da lei. O princípio da personalidade encerra o comando de o cri-
me ser imputado somente ao seu autor, que é, por seu turno,
A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 define os crimes a única pessoa passível de sofrer a sanção. Seria flagrante a in-
resultantes de preconceito de raça ou de cor. Contra eles não justiça se fosse possível alguém responder pelos atos ilícitos de
cabe fiança (pagamento de valor para deixar a prisão provi- outrem: caso contrário, a reação, ao invés de restringir-se ao
sória) e não se aplica o instituto da prescrição (perda de pre- malfeitor, alcançaria inocentes. Contudo, se uma pessoa deixou
tensão de se processar/punir uma pessoa pelo decurso do patrimônio e faleceu, este patrimônio responderá pelas reper-
tempo). cussões financeiras do ilícito.

38
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Individualização da pena Vedação de determinadas penas


A individualização da pena tem por finalidade concre- O constituinte viu por bem proibir algumas espécies de
tizar o princípio de que a responsabilização penal é sempre penas, consoante ao artigo 5º, XLVII, CF:
pessoal, devendo assim ser aplicada conforme as peculia-
ridades do agente. Artigo 5º, XLVII, CF. não haverá penas:
A primeira menção à individualização da pena se en- a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos
contra no artigo 5º, XLVI, CF: termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
Artigo 5º, XLVI, CF. A lei regulará a individualização da c) de trabalhos forçados;
pena e adotará, entre outras, as seguintes: d) de banimento;
a) privação ou restrição da liberdade; e) cruéis.
b) perda de bens;
c) multa; Em resumo, o inciso consolida o princípio da humani-
d) prestação social alternativa; dade, pelo qual o “poder punitivo estatal não pode aplicar
e) suspensão ou interdição de direitos. sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana ou que
lesionem a constituição físico-psíquica dos condenados”20 .
Pelo princípio da individualização da pena, a pena deve Quanto à questão da pena de morte, percebe-se que o
ser individualizada nos planos legislativo, judiciário e exe- constituinte não estabeleceu uma total vedação, autorizan-
cutório, evitando-se a padronização a sanção penal. A in- do-a nos casos de guerra declarada. Obviamente, deve-se
dividualização da pena significa adaptar a pena ao conde- respeitar o princípio da anterioridade da lei, ou seja, a le-
nado, consideradas as características do agente e do delito. gislação deve prever a pena de morte ao fato antes dele ser
A pena privativa de liberdade é aquela que restringe, praticado. No ordenamento brasileiro, este papel é cumpri-
com maior ou menor intensidade, a liberdade do condena- do pelo Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.001/1969),
do, consistente em permanecer em algum estabelecimento que prevê a pena de morte a ser executada por fuzilamento
prisional, por um determinado tempo.
nos casos tipificados em seu Livro II, que aborda os crimes
A pena de multa ou patrimonial opera uma diminuição
militares em tempo de guerra.
do patrimônio do indivíduo delituoso.
Por sua vez, estão absolutamente vedadas em quais-
A prestação social alternativa corresponde às penas
quer circunstâncias as penas de caráter perpétuo, de traba-
restritivas de direitos, autônomas e substitutivas das penas
lhos forçados, de banimento e cruéis.
privativas de liberdade, estabelecidas no artigo 44 do Có-
No que tange aos trabalhos forçados, vale destacar
digo Penal.
que o trabalho obrigatório não é considerado um trata-
Por seu turno, a individualização da pena deve também
se fazer presente na fase de sua execução, conforme se de- mento contrário à dignidade do recluso, embora o trabalho
preende do artigo 5º, XLVIII, CF: forçado o seja. O trabalho é obrigatório, dentro das condi-
ções do apenado, não podendo ser cruel ou menosprezar
Artigo 5º, XLVIII, CF. A pena será cumprida em estabe- a capacidade física e intelectual do condenado; como o
lecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, trabalho não existe independente da educação, cabe in-
a idade e o sexo do apenado. centivar o aperfeiçoamento pessoal; até mesmo porque o
trabalho deve se aproximar da realidade do mundo exter-
A distinção do estabelecimento conforme a natureza no, será remunerado; além disso, condições de dignidade e
do delito visa impedir que a prisão se torne uma faculdade segurança do trabalhador, como descanso semanal e equi-
do crime. Infelizmente, o Estado não possui aparato sufi- pamentos de proteção, deverão ser respeitados.
ciente para cumprir tal diretiva, diferenciando, no máximo,
o nível de segurança das prisões. Quanto à idade, desta- Respeito à integridade do preso
cam-se as Fundações Casas, para cumprimento de medida Prevê o artigo 5º, XLIX, CF:
por menores infratores. Quanto ao sexo, prisões costumam
ser exclusivamente para homens ou para mulheres. Artigo 5º, XLIX, CF. É assegurado aos presos o respeito
Também se denota o respeito à individualização da à integridade física e moral.
pena nesta faceta pelo artigo 5º, L, CF:
Obviamente, o desrespeito à integridade física e mo-
Artigo 5º, L, CF. Às presidiárias serão asseguradas con- ral do preso é uma violação do princípio da dignidade da
dições para que possam permanecer com seus filhos duran- pessoa humana.
te o período de amamentação. Dois tipos de tratamentos que violam esta integridade
estão mencionados no próprio artigo 5º da Constituição
Preserva-se a individualização da pena porque é toma- Federal. Em primeiro lugar, tem-se a vedação da tortura e
da a condição peculiar da presa que possui filho no perío- de tratamentos desumanos e degradantes (artigo 5º, III,
do de amamentação, mas também se preserva a dignidade CF), o que vale na execução da pena.
da criança, não a afastando do seio materno de maneira
precária e impedindo a formação de vínculo pela amamen- 20 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito
tação. penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. v. 1.

39
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

No mais, prevê o artigo 5º, LVIII, CF: Presunção de inocência


Prevê a Constituição no artigo 5º, LVII:
Artigo 5º, LVIII, CF. O civilmente identificado não será
submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses Artigo 5º, LVII, CF. Ninguém será considerado culpado
previstas em lei. até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

Se uma pessoa possui identificação civil, não há por- Consolida-se o princípio da presunção de inocência,
que fazer identificação criminal, colhendo digitais, fotos, pelo qual uma pessoa não é culpada até que, em definitivo,
etc. Pensa-se que seria uma situação constrangedora des- o Judiciário assim decida, respeitados todos os princípios e
necessária ao suspeito, sendo assim, violaria a integridade garantias constitucionais.
moral.
Ação penal privada subsidiária da pública
Nos termos do artigo 5º, LIX, CF:
Devido processo legal, contraditório e ampla defesa
Estabelece o artigo 5º, LIV, CF:
Artigo 5º, LIX, CF. Será admitida ação privada nos cri-
mes de ação pública, se esta não for intentada no prazo
Artigo 5º, LIV, CF. Ninguém será privado da liberdade ou
legal.
de seus bens sem o devido processo legal.
A chamada ação penal privada subsidiária da pública
Pelo princípio do devido processo legal a legislação encontra respaldo constitucional, assegurando que a omis-
deve ser respeitada quando o Estado pretender punir al- são do poder público na atividade de persecução criminal
guém judicialmente. Logo, o procedimento deve ser livre não será ignorada, fornecendo-se instrumento para que o
de vícios e seguir estritamente a legislação vigente, sob interessado a proponha.
pena de nulidade processual.
Surgem como corolário do devido processo legal o Prisão e liberdade
contraditório e a ampla defesa, pois somente um procedi- O constituinte confere espaço bastante extenso no ar-
mento que os garanta estará livre dos vícios. Neste sentido, tigo 5º em relação ao tratamento da prisão, notadamente
o artigo 5º, LV, CF: por se tratar de ato que vai contra o direito à liberdade.
Obviamente, a prisão não é vedada em todos os casos, por-
Artigo 5º, LV, CF. Aos litigantes, em processo judicial ou que práticas atentatórias a direitos fundamentais implicam
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o na tipificação penal, autorizando a restrição da liberdade
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a daquele que assim agiu.
ela inerentes. No inciso LXI do artigo 5º, CF, prevê-se:

O devido processo legal possui a faceta formal, pela Artigo 5º, LXI, CF. Ninguém será preso senão em fla-
qual se deve seguir o adequado procedimento na aplica- grante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
ção da lei e, sendo assim, respeitar o contraditório e a am- autoridade judiciária competente, salvo nos casos de trans-
pla defesa. Não obstante, o devido processo legal tem sua gressão militar ou crime propriamente militar, definidos em
faceta material que consiste na tomada de decisões justas, lei.
que respeitem os parâmetros da razoabilidade e da pro-
porcionalidade. Logo, a prisão somente se dará em caso de flagran-
te delito (necessariamente antes do trânsito em julgado),
ou em caráter temporário, provisório ou definitivo (as duas
Vedação de provas ilícitas
primeiras independente do trânsito em julgado, preenchi-
Conforme o artigo 5º, LVI, CF:
dos requisitos legais e a última pela irreversibilidade da
condenação).
Artigo 5º, LVI, CF. São inadmissíveis, no processo, as pro- Aborda-se no artigo 5º, LXII o dever de comunicação
vas obtidas por meios ilícitos. ao juiz e à família ou pessoa indicada pelo preso:
Provas ilícitas, por força da nova redação dada ao arti- Artigo 5º, LXII, CF. A prisão de qualquer pessoa e o lo-
go 157 do CPP, são as obtidas em violação a normas cons- cal onde se encontre serão comunicados imediatamente ao
titucionais ou legai, ou seja, prova ilícita é a que viola regra juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele
de direito material, constitucional ou legal, no momento indicada.
da sua obtenção. São vedadas porque não se pode aceitar
o descumprimento do ordenamento para fazê-lo cumprir: Não obstante, o preso deverá ser informado de todos
seria paradoxal. os seus direitos, inclusive o direito ao silêncio, podendo
entrar em contato com sua família e com um advogado,
conforme artigo 5º, LXIII, CF:

40
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Artigo 5º, LXIII, CF. O preso será informado de seus di- 5) Tratados internacionais incorporados ao ordena-
reitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe mento interno
assegurada a assistência da família e de advogado. Estabelece o artigo 5º, § 2º, CF que os direitos e garan-
tias podem decorrer, dentre outras fontes, dos “tratados
Estabelece-se no artigo 5º, LXIV, CF: internacionais em que a República Federativa do Brasil
seja parte”.
Artigo 5º, LXIV, CF. O preso tem direito à identificação Para o tratado internacional ingressar no ordenamen-
dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório to jurídico brasileiro deve ser observado um procedimento
policial. complexo, que exige o cumprimento de quatro fases: a ne-
gociação (bilateral ou multilateral, com posterior assinatura
Por isso mesmo, o auto de prisão em flagrante e a ata do Presidente da República), submissão do tratado assina-
do depoimento do interrogatório são assinados pelas au- do ao Congresso Nacional (que dará referendo por meio
toridades envolvidas nas práticas destes atos procedimen-
do decreto legislativo), ratificação do tratado (confirmação
tais.
da obrigação perante a comunidade internacional) e a pro-
Ainda, a legislação estabelece inúmeros requisitos para
mulgação e publicação do tratado pelo Poder Executivo21.
que a prisão seja validada, sem os quais cabe relaxamento,
Notadamente, quando o constituinte menciona os tratados
tanto que assim prevê o artigo 5º, LXV, CF:
internacionais no §2º do artigo 5º refere-se àqueles que
Artigo 5º, LXV, CF. A prisão ilegal será imediatamente tenham por fulcro ampliar o rol de direitos do artigo 5º, ou
relaxada pela autoridade judiciária. seja, tratado internacional de direitos humanos.
O §1° e o §2° do artigo 5° existiam de maneira originá-
Desta forma, como decorrência lógica, tem-se a previ- ria na Constituição Federal, conferindo o caráter de prima-
são do artigo 5º, LXVI, CF: zia dos direitos humanos, desde logo consagrando o prin-
cípio da primazia dos direitos humanos, como reconhecido
Artigo 5º, LXVI, CF. Ninguém será levado à prisão ou pela doutrina e jurisprudência majoritários na época. “O
nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, princípio da primazia dos direitos humanos nas relações
com ou sem fiança. internacionais implica em que o Brasil deve incorporar os
tratados quanto ao tema ao ordenamento interno brasilei-
Mesmo que a pessoa seja presa em flagrante, devido ro e respeitá-los. Implica, também em que as normas vol-
ao princípio da presunção de inocência, entende-se que tadas à proteção da dignidade em caráter universal devem
ela não deve ser mantida presa quando não preencher os ser aplicadas no Brasil em caráter prioritário em relação a
requisitos legais para prisão preventiva ou temporária. outras normas”22.
Regra geral, os tratados internacionais comuns ingres-
Indenização por erro judiciário sam com força de lei ordinária no ordenamento jurídico
A disciplina sobre direitos decorrentes do erro judiciá- brasileiro porque somente existe previsão constitucional
rio encontra-se no artigo 5º, LXXV, CF: quanto à possibilidade da equiparação às emendas consti-
tucionais se o tratado abranger matéria de direitos huma-
Artigo 5º, LXXV, CF. O Estado indenizará o condenado nos. Antes da emenda alterou o quadro quanto aos trata-
por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do dos de direitos humanos, era o que acontecia, mas isso não
tempo fixado na sentença. significa que tais direitos eram menos importantes devido
ao princípio da primazia e ao reconhecimento dos direitos
Trata-se do erro em que incorre um juiz na apreciação
implícitos.
e julgamento de um processo criminal, resultando em con-
Por seu turno, com o advento da Emenda Constitucio-
denação de alguém inocente. Neste caso, o Estado inde-
nal nº 45/04 se introduziu o §3º ao artigo 5º da Consti-
nizará. Ele também indenizará uma pessoa que ficar presa
além do tempo que foi condenada a cumprir. tuição Federal, de modo que os tratados internacionais de
direitos humanos foram equiparados às emendas consti-
4) Direitos fundamentais implícitos tucionais, desde que houvesse a aprovação do tratado em
Nos termos do § 2º do artigo 5º da Constituição Fe- cada Casa do Congresso Nacional e obtivesse a votação em
deral: dois turnos e com três quintos dos votos dos respectivos
membros:
Artigo 5º, §2º, CF. Os direitos e garantias expressos nesta
Constituição não excluem outros decorrentes do regime e
dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacio-
nais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 21 VICENTE SOBRINHO, Benedito. Direitos
Fundamentais e Prisão Civil. Porto Alegre: Sérgio An-
Daí se depreende que os direitos ou garantias podem tonio Fabris Editor, 2008.
estar expressos ou implícitos no texto constitucional. Sen- 22 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito
do assim, o rol enumerado nos incisos do artigo 5º é ape- Internacional Público e Privado. Salvador: JusPodi-
nas exemplificativo, não taxativo. vm, 2009.

41
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Art. 5º, § 3º, CF. Os tratados e convenções interna- de 1948. Como crimes contra a humanidade são citados:
cionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em assassinato, escravidão, prisão violando as normas inter-
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três nacionais, violação tortura, apartheid, escravidão sexual,
quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalen- prostituição forçada, esterilização, etc. São crimes de guer-
tes às emendas constitucionais.  ra: homicídio internacional, destruição de bens não justifi-
cada pela guerra, deportação, forçar um prisioneiro a servir
Logo, a partir da alteração constitucional, os tratados nas forças inimigas, etc.”.
de direitos humanos que ingressarem no ordenamento ju-
rídico brasileiro, versando sobre matéria de direitos huma- Direitos sociais
nos, irão passar por um processo de aprovação semelhante A Constituição Federal, dentro do Título II, aborda no
ao da emenda constitucional. capítulo II a categoria dos direitos sociais, em sua maioria
Contudo, há posicionamentos conflituosos quanto à normas programáticas e que necessitam de uma postura
possibilidade de considerar como hierarquicamente cons- interventiva estatal em prol da implementação.
titucional os tratados internacionais de direitos humanos Os direitos assegurados nesta categoria encontram
que ingressaram no ordenamento jurídico brasileiro ante- menção genérica no artigo 6º, CF:
riormente ao advento da referida emenda. Tal discussão se
deu com relação à prisão civil do depositário infiel, prevista Artigo 6º, CF. Art. 6º São direitos sociais a educação, a
como legal na Constituição e ilegal no Pacto de São José saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transpor-
da Costa Rica (tratado de direitos humanos aprovado antes te, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção
da EC nº 45/04), sendo que o Supremo Tribunal Federal à maternidade e à infância, a assistência aos desampa-
firmou o entendimento pela supralegalidade do tratado de rados, na forma desta Constituição. 
direitos humanos anterior à Emenda (estaria numa posição
que paralisaria a eficácia da lei infraconstitucional, mas não Trata-se de desdobramento da perspectiva do Estado
revogaria a Constituição no ponto controverso). Social de Direito. Em suma, são elencados os direitos huma-
nos de 2ª dimensão, notadamente conhecidos como direi-
tos econômicos, sociais e culturais. Em resumo, os direitos
6) Tribunal Penal Internacional
sociais envolvem prestações positivas do Estado (diferente
Preconiza o artigo 5º, CF em seu § 4º:
dos de liberdade, que referem-se à postura de abstenção
estatal), ou seja, políticas estatais que visem consolidar o
Artigo 5º, §4º, CF. O Brasil se submete à jurisdição de
princípio da igualdade não apenas formalmente, mas ma-
Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifes-
terialmente (tratando os desiguais de maneira desigual).
tado adesão.
Por seu turno, embora no capítulo específico do Título
 
II que aborda os direitos sociais não se perceba uma intensa
O Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional foi regulamentação destes, à exceção dos direitos trabalhistas,
promulgado no Brasil pelo Decreto nº 4.388 de 25 de se- o Título VIII da Constituição Federal, que aborda a ordem
tembro de 2002. Ele contém 128 artigos e foi elaborado em social, se concentra em trazer normativas mais detalhadas
Roma, no dia 17 de julho de 1998, regendo a competência a respeitos de direitos indicados como sociais.
e o funcionamento deste Tribunal voltado às pessoas res-
ponsáveis por crimes de maior gravidade com repercussão 1) Igualdade material e efetivação dos direitos so-
internacional (artigo 1º, ETPI). ciais
“Ao contrário da Corte Internacional de Justiça, cuja ju- Independentemente da categoria de direitos que este-
risdição é restrita a Estados, ao Tribunal Penal Internacional ja sendo abordada, a igualdade nunca deve aparecer num
compete o processo e julgamento de violações contra indi- sentido meramente formal, mas necessariamente material.
víduos; e, distintamente dos Tribunais de crimes de guerra Significa que discriminações indevidas são proibidas, mas
da Iugoslávia e de Ruanda, criados para analisarem crimes existem certas distinções que não só devem ser aceitas,
cometidos durante esses conflitos, sua jurisdição não está como também se mostram essenciais.
restrita a uma situação específica”23. No que tange aos direitos sociais percebe-se que a
Resume Mello24: “a Conferência das Nações Unidas so- igualdade material assume grande relevância. Afinal, esta
bre a criação de uma Corte Criminal Internacional, reunida categoria de direitos pressupõe uma postura ativa do Es-
em Roma, em 1998, aprovou a referida Corte. Ela é perma- tado em prol da efetivação. Nem todos podem arcar com
nente. Tem sede em Haia. A corte tem personalidade inter- suas despesas de saúde, educação, cultura, alimentação e
nacional. Ela julga: a) crime de genocídio; b) crime contra moradia, assim como nem todos se encontram na posição
a humanidade; c) crime de guerra; d) crime de agressão. de explorador da mão-de-obra, sendo a grande maioria da
Para o crime de genocídio usa a definição da convenção população de explorados. Estas pessoas estão numa clara
23 NEVES, Gustavo Bregalda. Direito Internacional posição de desigualdade e caberá ao Estado cuidar para
Público & Direito Internacional Privado. 3. ed. São Paulo: que progressivamente atinjam uma posição de igualdade
Atlas, 2009. real, já que não é por conta desta posição desfavorável que
24 MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito se pode afirmar que são menos dignos, menos titulares de
Internacional Público. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2000. direitos fundamentais.

42
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Logo, a efetivação dos direitos sociais é uma meta a ser Com efeito, deve ser preservado o mínimo existencial,
alcançada pelo Estado em prol da consolidação da igual- que tem por fulcro limitar a discricionariedade político-ad-
dade material. Sendo assim, o Estado buscará o crescente ministrativa e estabelecer diretrizes orçamentárias básicas a
aperfeiçoamento da oferta de serviços públicos com quali- serem seguidas, sob pena de caber a intervenção do Poder
dade para que todos os nacionais tenham garantidos seus Judiciário em prol de sua efetivação.
direitos fundamentais de segunda dimensão da maneira
mais plena possível. 3) Princípio da proibição do retrocesso
Há se ressaltar também que o Estado não possui ape- Proibição do retrocesso é a impossibilidade de que
nas um papel direto na promoção dos direitos econômicos, uma conquista garantida na Constituição Federal sofra um
sociais e culturais, mas também um indireto, quando por
retrocesso, de modo que um direito social garantido não
meio de sua gestão permite que os indivíduos adquiram
pode deixar de o ser.
condições para sustentarem suas necessidades pertencen-
tes a esta categoria de direitos. Conforme jurisprudência, a proibição do retrocesso
deve ser tomada com reservas, até mesmo porque segun-
2) Reserva do possível e mínimo existencial do entendimento predominante as normas do artigo 7º,
Os direitos sociais serão concretizados gradualmente, CF não são cláusula pétrea, sendo assim passíveis de alte-
notadamente porque estão previstos em normas progra- ração. Se for alterada normativa sobre direito trabalhista
máticas e porque a implementação deles gera um ônus assegurado no referido dispositivo, não sendo o prejuízo
para o Estado. Diferentemente dos direitos individuais, que evidente, entende-se válida (por exemplo, houve alteração
dependem de uma postura de abstenção estatal, os direi- do prazo prescricional diferenciado para os trabalhadores
tos sociais precisam que o Estado assuma um papel ativo agrícolas). O que, em hipótese alguma, pode ser aceito é
em prol da efetivação destes. um retrocesso evidente, seja excluindo uma categoria de
A previsão excessiva de direitos sociais no bojo de uma direitos (ex.: abolir o Sistema Único de Saúde), seja dimi-
Constituição, a despeito de um instante bem-intencionado nuindo sensivelmente a abrangência da proteção (ex.: ex-
de palavras promovido pelo constituinte, pode levar à ne- cluindo o ensino médio gratuito).
gativa, paradoxal – e, portanto, inadmissível – consequên- Questão polêmica se refere à proibição do retrocesso:
cia de uma Carta Magna cujas finalidades não condigam se uma decisão judicial melhorar a efetivação de um direito
com seus próprios prescritos, fato que deslegitima o Poder social, ela se torna vinculante e é impossível ao legislador
Público como determinador de que particulares respeitem
alterar a Constituição para retirar este avanço? Por um lado,
os direitos fundamentais, já que sequer eles próprios, os
a proibição do retrocesso merece ser tomada em conceito
administradores, conseguem cumprir o que consta de seu
Estatuto Máximo25. amplo, abrangendo inclusive decisões judiciais; por outro
Tecnicamente, nos direitos sociais é possível invocar lado, a decisão judicial não tem por fulcro alterar a norma,
a cláusula da reserva do possível como argumento para a o que somente é feito pelo legislador, e ele teria o direito
não implementação de determinado direito social – seja de prever que aquela decisão judicial não está incorporada
pela absoluta ausência de recursos (reserva do possível fá- na proibição do retrocesso. A questão é polêmica e não há
tica), seja pela ausência de previsão orçamentária nos ter- entendimento dominante.
mos do artigo 167, CF (reserva do possível jurídica).
O Ministro Celso de Mello afirmou em julgamento que 4) Direito individual do trabalho
os direitos sociais “não pode converter-se em promessa O artigo 7º da Constituição enumera os direitos indi-
constitucional inconsequente, sob pena de o Poder Públi- viduais dos trabalhadores urbanos e rurais. São os direitos
co, fraudando justas expectativas nele depositadas pela co- individuais tipicamente trabalhistas, mas que não excluem
letividade, substituir, de maneira ilegítima, o cumprimento os demais direitos fundamentais (ex.: honra é um direito no
de seu impostergável dever, por um gesto irresponsável de espaço de trabalho, sob pena de se incidir em prática de
infidelidade governamental ao que determina a própria Lei assédio moral).
Fundamental do Estado”26.
Sendo assim, a invocação da cláusula da reserva do Artigo 7º, I, CF. Relação de emprego protegida contra
possível, embora viável, não pode servir de muleta para
despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de
que o Estado não arque com obrigações básicas. Neste
lei complementar, que preverá indenização compensatória,
viés, geralmente, quando invocada a cláusula é afastada,
entendendo o Poder Judiciário que não cabe ao Estado se dentre outros direitos.
eximir de garantir direitos sociais com o simples argumen-
to de que não há orçamento específico para isso – ele de- Significa que a demissão, se não for motivada por justa
veria ter reservado parcela suficiente de suas finanças para causa, assegura ao trabalhador direitos como indenização
atender esta demanda. compensatória, entre outros, a serem arcados pelo empre-
25 LAZARI, Rafael José Nadim de. Reserva do possí- gador.
vel e mínimo existencial: a pretensão de eficácia da norma
constitucional em face da realidade. Curitiba: Juruá, 2012, p.
56-57.
26 RTJ 175/1212-1213, Rel. Min. CELSO DE MELLO.

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Artigo 7º, II, CF. Seguro-desemprego, em caso de de- Artigo 7º, VI, CF. Irredutibilidade do salário, salvo o
semprego involuntário. disposto em convenção ou acordo coletivo.

Sem prejuízo de eventual indenização a ser recebida O salário não pode ser reduzido, a não ser que anão
do empregador, o trabalhador que fique involuntariamente redução implique num prejuízo maior, por exemplo, de-
desempregado – entendendo-se por desemprego invo- missão em massa durante uma crise, situações que devem
luntário o que tenha origem num acordo de cessação do ser negociadas em convenção ou acordo coletivo.
contrato de trabalho – tem direito ao seguro-desemprego,
a ser arcado pela previdência social, que tem o caráter de Artigo 7º, VII, CF. Garantia de salário, nunca inferior
assistência financeira temporária. ao mínimo, para os que percebem remuneração variável.
Artigo 7º, III, CF. Fundo de garantia do tempo de ser- O salário mínimo é direito de todos os trabalhadores,
viço.
mesmo daqueles que recebem remuneração variável (ex.:
baseada em comissões por venda e metas);
Foi criado em 1967 pelo Governo Federal para pro-
teger o trabalhador demitido sem justa causa. O FGTS é
Artigo 7º, VIII, CF. Décimo terceiro salário com base
constituído de contas vinculadas, abertas em nome de
cada trabalhador, quando o empregador efetua o primeiro na remuneração integral ou no valor da aposentadoria.
depósito. O saldo da conta vinculada é formado pelos de-
pósitos mensais efetivados pelo empregador, equivalentes Também conhecido como gratificação natalina, foi
a 8,0% do salário pago ao empregado, acrescido de atua- instituída no Brasil pela Lei nº 4.090/1962 e garante que
lização monetária e juros. Com o FGTS, o trabalhador tem o trabalhador receba o correspondente a 1/12 (um doze
a oportunidade de formar um patrimônio, que pode ser avos) da remuneração por mês trabalhado, ou seja, consis-
sacado em momentos especiais, como o da aquisição da te no pagamento de um salário extra ao trabalhador e ao
casa própria ou da aposentadoria e em situações de dificul- aposentado no final de cada ano.
dades, que podem ocorrer com a demissão sem justa causa
ou em caso de algumas doenças graves. Artigo 7º, IX, CF. Remuneração do trabalho noturno
superior à do diurno.
Artigo 7º, IV, CF. Salário mínimo, fixado em lei, nacio-
nalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades O adicional noturno é devido para o trabalho exercido
vitais básicas e às de sua família com moradia, alimenta- durante a noite, de modo que cada hora noturna sofre a
ção, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, trans- redução de 7 minutos e 30 segundos, ou ainda, é feito
porte e previdência social, com reajustes periódicos que acréscimo de 12,5% sobre o valor da hora diurna. Consi-
lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vincula- dera-se noturno, nas atividades urbanas, o trabalho reali-
ção para qualquer fim. zado entre as 22:00 horas de um dia às 5:00 horas do dia
Trata-se de uma visível norma programática da Cons- seguinte; nas atividades rurais, é considerado noturno o
tituição que tem por pretensão um salário mínimo que trabalho executado na lavoura entre 21:00 horas de um dia
atenda a todas as necessidades básicas de uma pessoa e às 5:00 horas do dia seguinte; e na pecuária, entre 20:00
de sua família. Em pesquisa que tomou por parâmetro o horas às 4:00 horas do dia seguinte.
preceito constitucional, detectou-se que “o salário mínimo
do trabalhador brasileiro deveria ter sido de R$ 2.892,47 Artigo 7º, X, CF. Proteção do salário na forma da lei,
em abril para que ele suprisse suas necessidades básicas e
constituindo crime sua retenção dolosa.
da família, segundo estudo divulgado nesta terça-feira, 07,
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Quanto ao possível crime de retenção de salário, não
Socioeconômicos (Dieese)”27.
há no Código Penal brasileiro uma norma que determina a
Artigo 7º, V, CF. Piso salarial proporcional à extensão e ação de retenção de salário como crime. Apesar do artigo
à complexidade do trabalho. 7º, X, CF dizer que é crime a retenção dolosa de salário,
o dispositivo é norma de eficácia limitada, pois depende
Cada trabalhador, dentro de sua categoria de empre- de lei ordinária, ainda mais porque qualquer norma penal
go, seja ele professor, comerciário, metalúrgico, bancário, incriminadora é regida pela legalidade estrita (artigo 5º,
construtor civil, enfermeiro, recebe um salário base, chama- XXXIX, CF).
do de Piso Salarial, que é sua garantia de recebimento den-
tro de seu grau profissional. O Valor do Piso Salarial é esta- Artigo 7º, XI, CF. Participação nos lucros, ou resul-
belecido em conformidade com a data base da categoria, tados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente,
por isso ele é definido em conformidade com um acordo, participação na gestão da empresa, conforme definido em
ou ainda com um entendimento entre patrão e trabalhador. lei.
27 http://exame.abril.com.br/economia/noticias/salario-
-minimo-deveria-ter-sido-de-r-2-892-47-em-abril

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

A Participação nos Lucros e Resultado (PLR), que é tritiva de seu teor, tendo como parâmetro o fato de que
conhecida também por Programa de Participação nos Re- o trabalho em turnos ininterruptos é por demais desgas-
sultados (PPR), está prevista na Consolidação das Leis do tante, penoso, além de trazer malefícios de ordem fisio-
Trabalho (CLT) desde a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro lógica para o trabalhador, inclusive distúrbios no âmbito
de 2000. Ela funciona como um bônus, que é ofertado pelo psicossocial já que dificulta o convívio em sociedade e com
empregador e negociado com uma comissão de trabalha- a própria família.
dores da empresa. A CLT não obriga o empregador a forne-
cer o benefício, mas propõe que ele seja utilizado. Artigo 7º, XV, CF. Repouso semanal remunerado, pre-
ferencialmente aos domingos.
Artigo 7º, XII, CF. Salário-família pago em razão do
dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei. O Descanso Semanal Remunerado é de 24 (vinte e
quatro) horas consecutivas, devendo ser concedido prefe-
Salário-família é o benefício pago na proporção do rencialmente aos domingos, sendo garantido a todo traba-
respectivo número de filhos ou equiparados de qualquer lhador urbano, rural ou doméstico. Havendo necessidade
condição até a idade de quatorze anos ou inválido de qual- de trabalho aos domingos, desde que previamente auto-
quer idade, independente de carência e desde que o salá- rizados pelo Ministério do Trabalho, aos trabalhadores é
rio-de-contribuição seja inferior ou igual ao limite máximo assegurado pelo menos um dia de repouso semanal re-
permitido. De acordo com a Portaria Interministerial MPS/ munerado coincidente com um domingo a cada período,
MF nº 19, de 10/01/2014, valor do salário-família será de dependendo da atividade (artigo 67, CLT).
R$ 35,00, por filho de até 14 anos incompletos ou inválido,
para quem ganhar até R$ 682,50. Já para o trabalhador que Artigo 7º, XVII, CF. Gozo de férias anuais remuneradas
receber de R$ 682,51 até R$ 1.025,81, o valor do salário- com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal.
família por filho de até 14 anos de idade ou inválido de
qualquer idade será de R$ 24,66. O salário das férias deve ser superior em pelo menos
um terço ao valor da remuneração normal, com todos os
Artigo 7º, XIII, CF. duração do trabalho normal não su- adicionais e benefícios aos quais o trabalhador tem direi-
perior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, to. A cada doze meses de trabalho – denominado período
facultada a compensação de horários e a redução da jorna- aquisitivo – o empregado terá direito a trinta dias corridos
da, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. de férias, se não tiver faltado injustificadamente mais de
cinco vezes ao serviço (caso isso ocorra, os dias das férias
Artigo 7º, XVI, CF. Remuneração do serviço extraor- serão diminuídos de acordo com o número de faltas).
dinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do
normal. Artigo 7º, XVIII, CF. Licença à gestante, sem prejuízo
do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte
A legislação trabalhista vigente estabelece que a du- dias.
ração normal do trabalho, salvo os casos especiais, é de
8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) semanais, O salário da trabalhadora em licença é chamado de
no máximo. Todavia, poderá a jornada diária de trabalho salário-maternidade, é pago pelo empregador e por ele
dos empregados maiores ser acrescida de horas suple- descontado dos recolhimentos habituais devidos à Previ-
mentares, em número não excedentes a duas, no máximo, dência Social. A trabalhadora pode sair de licença a partir
para efeito de serviço extraordinário, mediante acordo in- do último mês de gestação, sendo que o período de licen-
dividual, acordo coletivo, convenção coletiva ou sentença ça é de 120 dias. A Constituição também garante que, do
normativa. Excepcionalmente, ocorrendo necessidade im- momento em que se confirma a gravidez até cinco meses
periosa, poderá ser prorrogada além do limite legalmente após o parto, a mulher não pode ser demitida.
permitido. A remuneração do serviço extraordinário, des-
de a promulgação da Constituição Federal, deverá cons- Artigo 7º, XIX, CF. Licença-paternidade, nos termos fi-
tar, obrigatoriamente, do acordo, convenção ou sentença xados em lei.
normativa, e será, no mínimo, 50% (cinquenta por cento)
superior à da hora normal. O homem tem direito a 5 dias de licença-paternidade
para estar mais próximo do bebê recém-nascido e ajudar a
Artigo 7º, XIV, CF. Jornada de seis horas para o traba- mãe nos processos pós-operatórios.
lho realizado em turnos ininterruptos de revezamento,
salvo negociação coletiva. Artigo 7º, XX, CF. Proteção do mercado de trabalho da
mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei.
O constituinte ao estabelecer jornada máxima de 6 ho-
ras para os turnos ininterruptos de revezamento, expres- Embora as mulheres sejam maioria na população de
samente ressalvando a hipótese de negociação coletiva, 10 anos ou mais de idade, elas são minoria na população
objetivou prestigiar a atuação da entidade sindical. Entre- ocupada, mas estão em maioria entre os desocupados.
tanto, a jurisprudência evoluiu para uma interpretação res- Acrescenta-se ainda, que elas são maioria também na po-

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

pulação não economicamente ativa. Além disso, ainda há O adicional de periculosidade é um valor devido ao
relevante diferença salarial entre homens e mulheres, sen- empregado exposto a atividades perigosas. São conside-
do que os homens recebem mais porque os empregadores radas atividades ou operações perigosas, aquelas que, por
entendem que eles necessitam de um salário maior para sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco
manter a família. Tais disparidades colocam em evidência acentuado em virtude de exposição permanente do tra-
que o mercado de trabalho da mulher deve ser protegido balhador a inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; e a
de forma especial. roubos ou outras espécies de violência física nas atividades
profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. O valor
Artigo 7º, XXI, CF. Aviso prévio proporcional ao tem- do adicional de periculosidade será o salário do empre-
po de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos gado acrescido de 30%, sem os acréscimos resultantes de
da lei. gratificações, prêmios ou participações nos lucros da em-
presa.
Nas relações de emprego, quando uma das partes de- O Tribunal Superior do Trabalho ainda não tem enten-
seja rescindir, sem justa causa, o contrato de trabalho por dimento unânime sobre a possibilidade de cumulação des-
prazo indeterminado, deverá, antecipadamente, notificar tes adicionais.
à outra parte, através do aviso prévio. O aviso prévio tem
por finalidade evitar a surpresa na ruptura do contrato de Artigo 7º, XXIV, CF. Aposentadoria.
trabalho, possibilitando ao empregador o preenchimento
do cargo vago e ao empregado uma nova colocação no
A aposentadoria é um benefício garantido a todo tra-
mercado de trabalho, sendo que o aviso prévio pode ser
balhador brasileiro que pode ser usufruído por aquele que
trabalhado ou indenizado.
tenha contribuído ao Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS) pelos prazos estipulados nas regras da Previ-
Artigo 7º, XXII, CF. Redução dos riscos inerentes ao
dência Social e tenha atingido as idades mínimas previstas.
trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segu-
Aliás, o direito à previdência social é considerado um direi-
rança.
to social no próprio artigo 6º, CF.
Trata-se ao direito do trabalhador a um meio ambiente
do trabalho salubre. Fiorillo28 destaca que o equilíbrio do Artigo 7º, XXV, CF. Assistência gratuita aos filhos e
meio ambiente do trabalho está sedimentado na salubri- dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de ida-
dade e na ausência de agentes que possam comprometer de em creches e pré-escolas.
a incolumidade físico-psíquica dos trabalhadores.
Todo estabelecimento com mais de 30 funcionárias
Artigo 7º, XXIII, CF. Adicional de remuneração para as com mais de 16 anos tem a obrigação de oferecer um es-
atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da paço físico para que as mães deixem o filho de 0 a 6 meses,
lei. enquanto elas trabalham. Caso não ofereçam esse espaço
aos bebês, a empresa é obrigada a dar auxílio-creche a mu-
Penoso é o trabalho acerbo, árduo, amargo, difícil, mo- lher para que ela pague uma creche para o bebê de até 6
lesto, trabalhoso, incômodo, laborioso, doloroso, rude, que meses. O valor desse auxílio será determinado conforme
não é perigoso ou insalubre, mas penosa, exigindo atenção negociação coletiva na empresa (acordo da categoria ou
e vigilância acima do comum. Ainda não há na legislação convenção). A empresa que tiver menos de 30 funcionárias
específica previsão sobre o adicional de penosidade. registradas não tem obrigação de conceder o benefício. É
São consideradas atividades ou operações insalubres facultativo (ela pode oferecer ou não). Existe a possibilida-
as que se desenvolvem excesso de limites de tolerância de de o benefício ser estendido até os 6 anos de idade e
para: ruído contínuo ou intermitente, ruídos de impacto, incluir o trabalhador homem. A duração do auxílio-creche
exposição ao calor e ao frio, radiações, certos agentes quí- e o valor envolvido variarão conforme negociação coletiva
micos e biológicos, vibrações, umidade, etc. O exercício de na empresa.
trabalho em condições de insalubridade assegura ao traba-
lhador a percepção de adicional, incidente sobre o salário Artigo 7º, XXVI, CF. Reconhecimento das convenções e
base do empregado (súmula 228 do TST), ou previsão mais acordos coletivos de trabalho.
benéfica em Convenção Coletiva de Trabalho, equivalen-
te a 40% (quarenta por cento), para insalubridade de grau Neste dispositivo se funda o direito coletivo do tra-
máximo; 20% (vinte por cento), para insalubridade de grau balho, que encontra regulamentação constitucional nos
médio; 10% (dez por cento), para insalubridade de grau artigo 8º a 11 da Constituição. Pelas convenções e acor-
mínimo. dos coletivos, entidades representativas da categoria dos
trabalhadores entram em negociação com as empresas na
28 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de Direi- defesa dos interesses da classe, assegurando o respeito aos
to Ambiental brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. direitos sociais;
21.

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Artigo 7º, XXVII, CF. Proteção em face da automação, Artigo 7º, XXX, CF. Proibição de diferença de salários,
na forma da lei. de exercício de funções e de critério de admissão por motivo
de sexo, idade, cor ou estado civil.
Trata-se da proteção da substituição da máquina pelo
homem, que pode ser feita, notadamente, qualificando o Há uma tendência de se remunerar melhor homens
profissional para exercer trabalhos que não possam ser de- brancos na faixa dos 30 anos que sejam casados, sendo
sempenhados por uma máquina (ex.: se criada uma máqui- patente a diferença remuneratória para com pessoas de
na que substitui o trabalhador, deve ser ele qualificado para diferente etnia, faixa etária ou sexo. Esta distinção atenta
que possa operá-la). contra o princípio da igualdade e não é aceita pelo consti-
tuinte, sendo possível inclusive invocar a equiparação sala-
Artigo 7º, XXVIII, CF. Seguro contra acidentes de tra- rial judicialmente.
balho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização
a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. Artigo 7º, XXXI, CF. Proibição de qualquer discrimina-
ção no tocante a salário e critérios de admissão do trabalha-
Atualmente, é a Lei nº 8.213/91 a responsável por tratar dor portador de deficiência.
do assunto e em seus artigos 19, 20 e 21 apresenta a defi-
nição de doenças e acidentes do trabalho. Não se trata de A pessoa portadora de deficiência, dentro de suas li-
legislação específica sobre o tema, mas sim de uma norma mitações, possui condições de ingressar no mercado de
que dispõe sobre as modalidades de benefícios da previ- trabalho e não pode ser preterida meramente por conta de
dência social. Referida Lei, em seu artigo 19 da preceitua sua deficiência.
que acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do
trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do traba- Artigo 7º, XXXII, CF. Proibição de distinção entre traba-
lho, provocando lesão corporal ou perturbação funcional lho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais
que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou respectivos.
temporária, da capacidade para o trabalho.
Os trabalhos manuais, técnicos e intelectuais são igual-
Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) é uma contri-
mente relevantes e contribuem todos para a sociedade,
buição com natureza de tributo que as empresas pagam
não cabendo a desvalorização de um trabalho apenas por
para custear benefícios do INSS oriundos de acidente de
se enquadrar numa ou outra categoria.
trabalho ou doença ocupacional, cobrindo a aposentadoria
especial. A alíquota normal é de um, dois ou três por cen-
Artigo 7º, XXXIII, CF. proibição de trabalho noturno,
to sobre a remuneração do empregado, mas as empresas
perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qual-
que expõem os trabalhadores a agentes nocivos químicos, quer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na
físicos e biológicos precisam pagar adicionais diferencia- condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.
dos. Assim, quanto maior o risco, maior é a alíquota, mas
atualmente o Ministério da Previdência Social pode alterar Trata-se de norma protetiva do adolescente, estabele-
a alíquota se a empresa investir na segurança do trabalho. cendo-se uma idade mínima para trabalho e proibindo-se
Neste sentido, nada impede que a empresa seja res- o trabalho em condições desfavoráveis.
ponsabilizada pelos acidentes de trabalho, indenizando o
trabalhador. Na atualidade entende-se que a possibilidade Artigo 7º, XXXIV, CF. Igualdade de direitos entre o tra-
de cumulação do benefício previdenciário, assim compreen- balhador com vínculo empregatício permanente e o tra-
dido como prestação garantida pelo Estado ao trabalhador balhador avulso.
acidentado (responsabilidade objetiva) com a indenização
devida pelo empregador em caso de culpa (responsabilida- Avulso é o trabalhador que presta serviço a várias em-
de subjetiva), é pacífica, estando amplamente difundida na presas, mas é contratado por sindicatos e órgãos gestores
jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; de mão-de-obra, possuindo os mesmos direitos que um
trabalhador com vínculo empregatício permanente.
Artigo 7º, XXIX, CF. Ação, quanto aos créditos resultantes A Emenda Constitucional nº 72/2013, conhecida como
das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco PEC das domésticas, deu nova redação ao parágrafo único
anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de do artigo 7º:
dois anos após a extinção do contrato de trabalho.
Artigo 7º, parágrafo único, CF. São assegurados à cate-
Prescrição é a perda da pretensão de buscar a tutela ju- goria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos
risdicional para assegurar direitos violados. Sendo assim, há nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI,
um período de tempo que o empregado tem para requerer XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições
seu direito na Justiça do Trabalho. A prescrição trabalhista é estabelecidas em lei e observada a simplificação do cum-
sempre de 2 (dois) anos a partir do término do contrato de primento das obrigações tributárias, principais e acessórias,
trabalho, atingindo as parcelas relativas aos 5 (cinco) anos decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os
anteriores, ou de 05 (cinco) anos durante a vigência do con- previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como
trato de trabalho. a sua integração à previdência social.

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

5) Direito coletivo do trabalho A respeito, conferir a Lei nº 7.783/89, que dispõe sobre
Os artigos 8º a 11 trazem os direitos sociais coletivos o exercício do direito de greve, define as atividades essen-
dos trabalhadores, que são os exercidos pelos trabalha- ciais, regula o atendimento das necessidades inadiáveis da
dores, coletivamente ou no interesse de uma coletivida- comunidade, e dá outras providências. Enquanto não for
de, quais sejam: associação profissional ou sindical, greve, disciplinado o direito de greve dos servidores públicos, esta
substituição processual, participação e representação clas- é a legislação que se aplica, segundo o STF.
sista29. O direito de participação é previsto no artigo 10, CF:
A liberdade de associação profissional ou sindical tem
escopo no artigo 8º, CF: Artigo 10, CF. É assegurada a participação dos trabalha-
dores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos
Art. 8º, CF. É livre a associação profissional ou sindi- em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam
cal, observado o seguinte: objeto de discussão e deliberação.
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para
a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão Por fim, aborda-se o direito de representação classista
competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a no artigo 11, CF:
intervenção na organização sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização Artigo 11, CF. Nas empresas de mais de duzentos empre-
sindical, em qualquer grau, representativa de categoria gados, é assegurada a eleição de um representante destes
profissional ou econômica, na mesma base territorial, que com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento
será definida pelos trabalhadores ou empregadores interes- direto com os empregadores.
sados, não podendo ser inferior à área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interes- Nacionalidade
ses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em O capítulo III do Título II aborda a nacionalidade, que
questões judiciais ou administrativas; vem a ser corolário dos direitos políticos, já que somente um
nacional pode adquirir direitos políticos.
IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em
Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que liga
se tratando de categoria profissional, será descontada em
um indivíduo a determinado Estado, fazendo com que ele
folha, para custeio do sistema confederativo da representa-
passe a integrar o povo daquele Estado, desfrutando assim
ção sindical respectiva, independentemente da contribuição
de direitos e obrigações.
prevista em lei;
Povo é o conjunto de nacionais. Por seu turno, povo
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se
não é a mesma coisa que população. População é o conjun-
filiado a sindicato;
to de pessoas residentes no país – inclui o povo, os estran-
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas
geiros residentes no país e os apátridas.
negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser vo- 1) Nacionalidade como direito humano fundamental
tado nas organizações sindicais; Os direitos humanos internacionais são completamente
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicali- contrários à ideia do apátrida – ou heimatlos –, que é o in-
zado a partir do registro da candidatura a cargo de direção divíduo que não possui o vínculo da nacionalidade com ne-
ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, nhum Estado. Logo, a nacionalidade é um direito da pessoa
até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta humana, o qual não pode ser privado de forma arbitrária.
grave nos termos da lei. Não há privação arbitrária quando respeitados os critérios
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se legais previstos no texto constitucional no que tange à perda
à organização de sindicatos rurais e de colônias de pes- da nacionalidade. Em outras palavras, o constituinte brasilei-
cadores, atendidas as condições que a lei estabelecer. ro não admite a figura do apátrida.
Contudo, é exatamente por ser um direito que a nacio-
O direito de greve, por seu turno, está previsto no ar- nalidade não pode ser uma obrigação, garantindo-se à pes-
tigo 9º, CF: soa o direito de deixar de ser nacional de um país e passar a
sê-lo de outro, mudando de nacionalidade, por um processo
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos conhecido como naturalização.
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e Prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos em
sobre os interesses que devam por meio dele defender. seu artigo 15: “I) Todo homem tem direito a uma naciona-
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais lidade. II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua na-
e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis cionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade”.
da comunidade. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos apro-
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às funda-se em meios para garantir que toda pessoa tenha
penas da lei. uma nacionalidade desde o seu nascimento ao adotar o cri-
tério do jus solis, explicitando que ao menos a pessoa terá a
29 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional nacionalidade do território onde nasceu, quando não tiver
esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. direito a outra nacionalidade por previsões legais diversas.

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

“Nacionalidade é um direito fundamental da pessoa Tradicionalmente, são possíveis dois critérios para a atri-
humana. Todos a ela têm direito. A nacionalidade de um buição da nacionalidade primária – nacional nato –, notada-
indivíduo não pode ficar ao mero capricho de um governo, mente: ius soli, direito de solo, o nacional nascido em território
de um governante, de um poder despótico, de decisões do país independentemente da nacionalidade dos pais; e ius
unilaterais, concebidas sem regras prévias, sem o contra- sanguinis, direito de sangue, que não depende do local de
ditório, a defesa, que são princípios fundamentais de todo nascimento mas sim da descendência de um nacional do país
sistema jurídico que se pretenda democrático. A questão (critério comum em países que tiveram êxodo de imigrantes).
não pode ser tratada com relativismos, uma vez que é mui- O brasileiro nato, primeiramente, é aquele que nasce
to séria”30. no território brasileiro – critério do ius soli, ainda que fi-
Não obstante, tem-se no âmbito constitucional e in- lho de pais estrangeiros, desde que não sejam estrangeiros
ternacional a previsão do direito de asilo, consistente no que estejam a serviço de seu país ou de organismo inter-
direito de buscar abrigo em outro país quando naquele do nacional (o que geraria um conflito de normas). Contudo,
também é possível ser brasileiro nato ainda que não se te-
qual for nacional estiver sofrendo alguma perseguição. Tal
nha nascido no território brasileiro.
perseguição não pode ter motivos legítimos, como a práti-
No entanto, a Constituição reconhece o brasileiro nato
ca de crimes comuns ou de atos atentatórios aos princípios
também pelo critério do ius sanguinis. Se qualquer dos pais
das Nações Unidas, o que subverteria a própria finalidade
estiver a serviço do Brasil, é considerado brasileiro nato,
desta proteção. Em suma, o que se pretende com o direi- mesmo que nasça em outro país. Se qualquer dos pais não
to de asilo é evitar a consolidação de ameaças a direitos estiverem a serviço do Brasil e a pessoa nascer no exte-
humanos de uma pessoa por parte daqueles que deve- rior é exigido que o nascido do exterior venha ao território
riam protegê-los – isto é, os governantes e os entes sociais brasileiro e aqui resida ou que tenha sido registrado em
como um todo –, e não proteger pessoas que justamente repartição competente, caso em que poderá, aos 18 anos,
cometeram tais violações. manifestar-se sobre desejar permanecer com a nacionali-
dade brasileira ou não.
2) Naturalidade e naturalização
O artigo 12 da Constituição Federal estabelece quem b) Brasileiros naturalizados
são os nacionais brasileiros, dividindo-os em duas catego-
rias: natos e naturalizados. Percebe-se que naturalidade é Art. 12, CF. São brasileiros: [...]
diferente de nacionalidade – naturalidade é apenas o local II - naturalizados:
de nascimento, nacionalidade é um efetivo vínculo com o a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalida-
Estado. de brasileira, exigidas aos originários de países de língua
Uma pessoa pode ser considerada nacional brasileira portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto
tanto por ter nascido no território brasileiro quanto por e idoneidade moral;
voluntariamente se naturalizar como brasileiro, como se b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, resi-
percebe no teor do artigo 12, CF. O estrangeiro, num con- dentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze
ceito tomado à base de exclusão, é todo aquele que não é anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que
nacional brasileiro. requeiram a nacionalidade brasileira.

a) Brasileiros natos A naturalização deve ser voluntária e expressa.


Art. 12, CF. São brasileiros: O Estatuto do Estrangeiro, Lei nº 6.815/1980, rege a
questão da naturalização em mais detalhes, prevendo no
I - natos:
artigo 112:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil,
ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam
Art. 112, Lei nº 6.815/1980. São condições para a con-
a serviço de seu país;
cessão da naturalização:
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou I - capacidade civil, segundo a lei brasileira;
mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço II - ser registrado como permanente no Brasil;
da República Federativa do Brasil; III - residência contínua no território nacional, pelo
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de prazo mínimo de quatro anos, imediatamente anteriores
mãe brasileira, desde que sejam registrados em reparti- ao pedido de naturalização;
ção brasileira competente ou venham a residir na Repú- IV - ler e escrever a língua portuguesa, consideradas as
blica Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, condições do naturalizando;
depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade bra- V - exercício de profissão ou posse de bens suficientes à
sileira. manutenção própria e da família;
VI - bom procedimento;
VII - inexistência de denúncia, pronúncia ou condenação
30 VALVERDE, Thiago Pellegrini. Comentários aos ar- no Brasil ou no exterior por crime doloso a que seja comi-
tigos XV e XVI. In: BALERA, Wagner (Coord.). Comentários nada pena mínima de prisão, abstratamente considerada,
à Declaração Universal dos Direitos do Homem. Brasília: superior a 1 (um) ano; e
Fortium, 2008, p. 87-88. VIII - boa saúde.

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CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Destaque vai para o requisito da residência contínua. Outras exceções são: não aceitação, em regra, de brasi-
Em regra, o estrangeiro precisa residir no país por 4 anos leiro naturalizado como membro do Conselho da Repúbli-
contínuos, conforme o inciso III do referido artigo 112. No ca (artigos 89 e 90, CF); impossibilidade de ser proprietário
entanto, por previsão constitucional do artigo 12, II, “a”, se de empresa jornalística, de radiodifusão sonora e imagens,
o estrangeiro foi originário de país com língua portuguesa salvo se já naturalizado há 10 anos (artigo 222, CF); possi-
o prazo de residência contínua é reduzido para 1 ano. Daí bilidade de extradição do brasileiro naturalizado que tenha
se afirmar que o constituinte estabeleceu a naturalização praticado crime comum antes da naturalização ou, depois
ordinária no artigo 12, II, “b” e a naturalização extraordiná- dela, crime de tráfico de drogas (artigo 5º, LI, CF).
ria no artigo 12, II, “a”.
Outra diferença sensível é que à naturalização ordinária 3) Quase-nacionalidade: caso dos portugueses
se aplica o artigo 121 do Estatuto do Estrangeiro, segun- Nos termos do artigo 12, § 1º, CF:
do o qual “a satisfação das condições previstas nesta Lei
não assegura ao estrangeiro direito à naturalização”. Logo, Artigo 12, §1º, CF. Aos portugueses com residência
na naturalização ordinária não há direito subjetivo à na- permanente no País, se houver reciprocidade em favor de
turalização, mesmo que preenchidos todos os requisitos. brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao bra-
Trata-se de ato discricionário do Ministério da Justiça. O sileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.
mesmo não vale para a naturalização extraordinária, quan-
do há direito subjetivo, cabendo inclusive a busca do Poder É uma regra que só vale se os brasileiros receberem o
Judiciário para fazê-lo valer31. mesmo tratamento, questão regulamentada pelo Tratado
de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Fe-
c) Tratamento diferenciado derativa do Brasil e a República Portuguesa, assinado em
A regra é que todo nacional brasileiro, seja ele nato ou 22 de abril de 2000 (Decreto nº 3.927/2001).
naturalizado, deverá receber o mesmo tratamento. Neste As vantagens conferidas são: igualdade de direitos ci-
sentido, o artigo 12, § 2º, CF: vis, não sendo considerado um estrangeiro; gozo de direi-
tos políticos se residir há 3 anos no país, autorizando-se
Artigo 12, §2º, CF. A lei não poderá estabelecer distin-
o alistamento eleitoral. No caso de exercício dos direitos
ção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos ca-
políticos nestes moldes, os direitos desta natureza ficam
sos previstos nesta Constituição.
suspensos no outro país, ou seja, não exerce simultanea-
mente direitos políticos nos dois países.
Percebe-se que a Constituição simultaneamente esta-
belece a não distinção e se reserva ao direito de estabele-
4) Perda da nacionalidade
cer as hipóteses de distinção.
Algumas destas hipóteses de distinção já se encontram Artigo 12, § 4º, CF. Será declarada a perda da nacio-
enumeradas no parágrafo seguinte. nalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença ju-
Artigo 12, § 3º, CF. São privativos de brasileiro nato dicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;
os cargos: II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República; a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela
II - de Presidente da Câmara dos Deputados; lei estrangeira;
III - de Presidente do Senado Federal; b) de imposição de naturalização, pela norma estrangei-
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; ra, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como con-
V - da carreira diplomática; dição para permanência em seu território ou para o exercício
VI - de oficial das Forças Armadas; de direitos civis.
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
A respeito do inciso I do §4º do artigo 12, a Lei nº 818,
A lógica do dispositivo é a de que qualquer pessoa no de 18 de setembro de 1949 regula a aquisição, a perda e
exercício da presidência da República ou de cargo que pos- a reaquisição da nacionalidade, e a perda dos direitos po-
sa levar a esta posição provisoriamente deve ser natural do líticos. No processo deve ser respeitado o contraditório e
país (ausente o Presidente da República, seu vice-presiden- a iniciativa de propositura é do Procurador da República.
te desempenha o cargo; ausente este assume o Presiden- No que tange ao inciso II do parágrafo em estudo,
te da Câmara; também este ausente, em seguida, exerce percebe-se a aceitação da figura do polipátrida. Na alínea
o cargo o Presidente do Senado; e, por fim, o Presidente “a” aceita-se que a pessoa tenha nacionalidade brasileira
do Supremo pode assumir a presidência na ausência dos e outra se ao seu nascimento tiver adquirido simultanea-
anteriores – e como o Presidente do Supremo é escolhido mente a nacionalidade do Brasil e outro país; na alínea “b”
num critério de revezamento nenhum membro pode ser é reconhecida a mesma situação se a aquisição da nacio-
naturalizado); ou a de que o cargo ocupado possui forte nalidade do outro país for uma exigência para continuar
impacto em termos de representação do país ou de segu- lá permanecendo ou exercendo seus direitos civis, pois se
rança nacional. assim não o fosse o brasileiro seria forçado a optar por uma
31 FARIA, Cássio Juvenal. Notas pessoais tomadas nacionalidade e, provavelmente, se ver privado da naciona-
em teleconferência. lidade brasileira.

50
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

5) Deportação, expulsão e entrega c) Princípio da Retroatividade dos Tratados: O fato de um


A deportação representa a devolução compulsória de tratado de extradição entre dois países ter sido celebrado
um estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma ir- após a ocorrência do crime não impede a extradição.
regular no território nacional, estando prevista na Lei nº d) Princípio da Comutação da Pena (Direitos Humanos):
6.815/1980, em seus artigos 57 e 58. Neste caso, não hou- Se o crime for apenado por qualquer das penas vedadas pelo
ve prática de qualquer ato nocivo ao Brasil, havendo, pois, artigo 5º, XLVII da CF, a extradição não será autorizada, sal-
mera irregularidade de visto. vo se houver a comutação da pena, transformação para uma
A expulsão é a retirada “à força” do território brasi- pena aceita no Brasil.
leiro de um estrangeiro que tenha praticado atos tipifica-
dos no artigo 65 e seu parágrafo único, ambos da Lei nº 7) Idioma e símbolos
6.815/1980: Art. 13, CF. A língua portuguesa é o idioma oficial da
República Federativa do Brasil.
Art. 65, Lei nº 6.815/1980. É passível de expulsão o es- § 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a
trangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a seguran- bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
ça nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade ou § 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios pode-
moralidade pública e a economia popular, ou cujo proce- rão ter símbolos próprios.
dimento o torne nocivo à conveniência e aos interesses na-
cionais. Idioma é a língua falada pela população, que confere
Parágrafo único. É passível, também, de expulsão o es- caráter diferenciado em relação à população do resto do
trangeiro que: mundo. Sendo assim, é manifestação social e cultural de uma
a) praticar fraude a fim de obter a sua entrada ou per- nação.
manência no Brasil; Os símbolos, por sua vez, representam a imagem da na-
b) havendo entrado no território nacional com infração ção e permitem o seu reconhecimento nacional e internacio-
à lei, dele não se retirar no prazo que lhe for determinado nalmente.
para fazê-lo, não sendo aconselhável a deportação; Por esta intrínseca relação com a nacionalidade, a pre-
c) entregar-se à vadiagem ou à mendicância; ou visão é feito dentro do capítulo do texto constitucional que
d) desrespeitar proibição especialmente prevista em lei aborda o tema.
para estrangeiro.
Direitos políticos
A entrega (ou surrender) consiste na submissão de um Como mencionado, a nacionalidade é corolário dos di-
nacional a um tribunal internacional do qual o próprio país reitos políticos, já que somente um nacional pode adquirir
faz parte. É o que ocorreria, por exemplo, se o Brasil en- direitos políticos. No entanto, nem todo nacional é titular de
tregasse um brasileiro para julgamento pelo Tribunal Penal direitos políticos. Os nacionais que são titulares de direitos
Internacional (competência reconhecida na própria Consti- políticos são denominados cidadãos. Significa afirmar que
tuição no artigo 5º, §4º). nem todo nacional brasileiro é um cidadão brasileiro, mas so-
mente aquele que for titular do direito de sufrágio universal.
6) Extradição
A extradição é ato diverso da deportação, da expulsão 1) Sufrágio universal
e da entrega. Extradição é um ato de cooperação interna- A primeira parte do artigo 14, CF, prevê que “a soberania
cional que consiste na entrega de uma pessoa, acusada ou popular será exercida pelo sufrágio universal [...]”.
condenada por um ou mais crimes, ao país que a reclama. Sufrágio universal é a soma de duas capacidades eleitorais,
O Brasil, sob hipótese alguma, extraditará brasileiros natos a capacidade ativa – votar e exercer a democracia direta – e a
mas quanto aos naturalizados assim permite caso tenham capacidade passiva – ser eleito como representante no modelo
praticado crimes comuns (exceto crimes políticos e/ou de da democracia indireta. Ou ainda, sufrágio universal é o direito
opinião) antes da naturalização, ou, mesmo depois da na- de todos cidadãos de votar e ser votado. O voto, que é o ato
turalização, em caso de envolvimento com o tráfico ilícito pelo qual se exercita o sufrágio, deverá ser direto e secreto.
de entorpecentes (artigo 5º, LI e LII, CF). Para ter capacidade passiva é necessário ter a ativa, mas
Aplicam-se os seguintes princípios à extradição: não apenas isso, há requisitos adicionais. Sendo assim, nem
a) Princípio da Especialidade: Significa que o estrangei- toda pessoa que tem capacidade ativa tem também capa-
ro só pode ser julgado pelo Estado requerente pelo crime cidade passiva, embora toda pessoa que tenha capacidade
objeto do pedido de extradição. O importante é que o ex- passiva tenha necessariamente a ativa.
traditado só seja submetido às penas relativas aos crimes
que foram objeto do pedido de extradição. 2) Democracia direta e indireta
b) Princípio da Dupla Punibilidade: O fato praticado Art. 14, CF. A soberania popular será exercida pelo sufrá-
deve ser punível no Estado requerente e no Brasil. Logo, gio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para
além do fato ser típico em ambos os países, deve ser puní- todos, e, nos termos da lei, mediante:
vel em ambos (se houve prescrição em algum dos países, p. I - plebiscito;
ex., não pode ocorrer a extradição). II - referendo;
III - iniciativa popular.

51
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

A democracia brasileira adota a modalidade semidire- 4) Elegibilidade


ta, porque possibilita a participação popular direta no po- O artigo 14, §§ 3º e 4º, CF, descrevem as condições de
der por intermédio de processos como o plebiscito, o refe- elegibilidade, ou seja, os requisitos que devem ser preen-
rendo e a iniciativa popular. Como são hipóteses restritas, chidos para que uma pessoa seja eleita, no exercício de sua
pode-se afirmar que a democracia indireta é predominan- capacidade passiva do sufrágio universal.
temente adotada no Brasil, por meio do sufrágio univer-
sal e do voto direto e secreto com igual valor para todos. Artigo 14, § 3º, CF. São condições de elegibilidade, na
Quanto ao voto direto e secreto, trata-se do instrumento forma da lei:
para o exercício da capacidade ativa do sufrágio universal. I - a nacionalidade brasileira;
Por seu turno, o que diferencia o plebiscito do refe- II - o pleno exercício dos direitos políticos;
rendo é o momento da consulta à população: no plebis- III - o alistamento eleitoral;
cito, primeiro se consulta a população e depois se toma a IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
decisão política; no referendo, primeiro se toma a decisão V - a filiação partidária;
política e depois se consulta a população. Embora os dois VI - a idade mínima de:
partam do Congresso Nacional, o plebiscito é convocado, a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente
ao passo que o referendo é autorizado (art. 49, XV, CF), am- da República e Senador;
bos por meio de decreto legislativo. O que os assemelha é b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de
que os dois são “formas de consulta ao povo para que de- Estado e do Distrito Federal;
libere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado
constitucional, legislativa ou administrativa”32. Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
Na iniciativa popular confere-se à população o poder d) dezoito anos para Vereador.
de apresentar projeto de lei à Câmara dos Deputados,
mediante assinatura de 1% do eleitorado nacional, distri- Artigo 14, § 4º, CF. São inelegíveis os inalistáveis e os
buído por 5 Estados no mínimo, com não menos de 0,3% analfabetos.
dos eleitores de cada um deles. Em complemento, prevê o
artigo 61, §2°, CF:
Dos incisos I a III denotam-se requisitos correlatos à
nacionalidade e à titularidade de direitos políticos. Logo,
Art. 61, § 2º, CF. A iniciativa popular pode ser exercida
para ser eleito é preciso ser cidadão.
pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei
O domicílio eleitoral é o local onde a pessoa se alista
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacio-
como eleitor e, em regra, é no município onde reside, mas
nal, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não me-
pode não o ser caso analisados aspectos como o vínculo
nos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
de afeto com o local (ex.: Presidente Dilma vota em Porto
3) Obrigatoriedade do alistamento eleitoral e do Alegre – RS, embora resida em Brasília – DF). Sendo assim,
voto para se candidatar a cargo no município, deve ter domi-
O alistamento eleitoral e o voto para os maiores de cílio eleitoral nele; para se candidatar a cargo no estado,
dezoito anos são, em regra, obrigatórios. Há facultativi- deve ter domicílio eleitoral em um de seus municípios; para
dade para os analfabetos, os maiores de setenta anos e os se candidatar a cargo nacional, deve ter domicílio eleitoral
maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. em uma das unidades federadas do país. Aceita-se a trans-
ferência do domicílio eleitoral ao menos 1 ano antes das
Artigo 14, § 1º, CF. O alistamento eleitoral e o voto são: eleições.
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; A filiação partidária implica no lançamento da candi-
II - facultativos para: datura por um partido político, não se aceitando a filiação
a) os analfabetos; avulsa.
b) os maiores de setenta anos; Finalmente, o §3º do artigo 14, CF, coloca o requisi-
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. to etário, com faixa etária mínima para o desempenho de
cada uma das funções, a qual deve ser auferida na data da
No mais, esta obrigatoriedade se aplica aos nacionais posse.
brasileiros, já que, nos termos do artigo 14, §2º, CF:
5) Inelegibilidade
Artigo 14, §2º, CF. Não podem alistar-se como eleitores Atender às condições de elegibilidade é necessário
os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obri- para poder ser eleito, mas não basta. Além disso, é preciso
gatório, os conscritos. não se enquadrar em nenhuma das hipóteses de inelegi-
bilidade.
Quanto aos conscritos, são aqueles que estão prestan- A inelegibilidade pode ser absoluta ou relativa. Na
do serviço militar obrigatório, pois são necessárias tropas absoluta, são atingidos todos os cargos; nas relativas, são
disponíveis para os dias da eleição. atingidos determinados cargos.
32 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional
esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

52
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

Artigo 14, § 4º, CF. São inelegíveis os inalistáveis e os São inelegíveis absolutamente, para quaisquer cargos,
analfabetos. cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o se-
gundo grau ou por adoção, dos Chefes do Executivo ou
O artigo 14, §4º, CF traz duas hipóteses de inelegibili- de quem os tenha substituído ao final do mandato, a não
dade, que são absolutas, atingem todos os cargos. Para ser ser que seja já titular de mandato eletivo e candidato à
elegível é preciso ser alfabetizado (os analfabetos têm a reeleição.
faculdade de votar, mas não podem ser votados) e é preci-
so possuir a capacidade eleitoral ativa – poder votar (inalis- Artigo 14, §8º, CF. O militar alistável é elegível, aten-
táveis são aqueles que não podem tirar o título de eleitor, didas as seguintes condições:
portanto, não podem votar, notadamente: os estrangeiros I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afas-
e os conscritos durante o serviço militar obrigatório). tar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado
Artigo 14, §5º, CF. O Presidente da República, os Go- pela autoridade superior e, se eleito, passará automatica-
vernadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e mente, no ato da diplomação, para a inatividade.
quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos
mandatos poderão ser reeleitos para um único período sub- São inelegíveis absolutamente, para quaisquer cargos,
sequente. os militares que não podem se alistar ou os que podem,
mas não preenchem as condições do §8º do artigo 14, CF,
Descreve-se no dispositivo uma hipótese de inelegibili- ou seja, se não se afastar da atividade caso trabalhe há
dade relativa. Se um Chefe do Poder Executivo de qualquer menos de 10 anos, se não for agregado pela autoridade
das esferas for substituído por seu vice no curso do man- superior (suspenso do exercício das funções por sua au-
dato, este vice somente poderá ser eleito para um período toridade sem prejuízo de remuneração) caso trabalhe há
subsequente. mais de 10 anos (sendo que a eleição passa à condição de
Ex.: Governador renuncia ao mandato no início do seu inativo).
último ano de governo para concorrer ao Senado Federal e
Artigo 14, §9º, CF. Lei complementar estabelecerá
é substituído pelo seu vice-governador. Se este se candida-
outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação,
tar e for eleito, não poderá ao final deste mandato se ree-
a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade
leger. Isto é, se o mandato o candidato renuncia no início
para exercício de mandato considerada vida pregressa do
de 2010 o seu mandato de 2007-2010, assumindo o vice
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições con-
em 2010, poderá este se candidatar para o mandato 2011-
tra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício
2014, mas caso seja eleito não poderá se reeleger para o
de função, cargo ou emprego na administração direta ou
mandato 2015-2018 no mesmo cargo. Foi o que aconteceu
indireta.
com o ex-governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia,
que assumiu em 2010 no lugar de Aécio Neves o governo O rol constitucional de inelegibilidades dos parágrafos
do Estado de Minas Gerais e foi eleito governador entre do artigo 14 não é taxativo, pois lei complementar pode
2011 e 2014, mas não pode se candidatar à reeleição, con- estabelecer outros casos, tanto de inelegibilidades absolu-
correndo por isso a uma vaga no Senado Federal. tas como de inelegibilidades relativas. Neste sentido, a Lei
Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, estabelece
Artigo 14, §6º, CF. Para concorrerem a outros cargos, casos de inelegibilidade, prazos de cessação, e determina
o Presidente da República, os Governadores de Estado e do outras providências. Esta lei foi alterada por aquela que
Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respecti- ficou conhecida como Lei da Ficha Limpa, Lei Complemen-
vos mandatos até seis meses antes do pleito. tar nº 135, de 04 de junho de 2010, principalmente em seu
artigo 1º, que segue.
São inelegíveis absolutamente, para quaisquer car-
gos, os chefes do Executivo que não renunciarem aos seus Art. 1º, Lei Complementar nº 64/1990. São inelegíveis:
mandatos até seis meses antes do pleito eleitoral, antes das I - para qualquer cargo:
eleições. Ex.: Se a eleição aconteceu em 05/10/2014, neces- a) os inalistáveis e os analfabetos;
sário que tivesse renunciado até 04/04/2014. b) os membros do Congresso Nacional, das Assembleias
Legislativas, da Câmara Legislativa e das Câmaras Muni-
Artigo 14, §7º, CF. São inelegíveis, no território de ju- cipais, que hajam perdido os respectivos mandatos por in-
risdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos fringência do disposto nos incisos I e II do art. 55 da Cons-
ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presiden- tituição Federal, dos dispositivos equivalentes sobre perda
te da República, de Governador de Estado ou Território, do de mandato das Constituições Estaduais e Leis Orgânicas
Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dos Municípios e do Distrito Federal, para as eleições que
dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular se realizarem durante o período remanescente do mandato
de mandato eletivo e candidato à reeleição. para o qual foram eleitos e nos oito anos subsequentes ao
término da legislatura;

53
CONHECIMENTOS GERAIS DE EDUCAÇÃO E CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

d) os que tenham contra sua pessoa representação jul- i) os que, em estabelecimentos de crédito, financiamento
gada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada ou seguro, que tenham sido ou estejam sendo objeto de pro-
em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de cesso de liquidação judicial ou extrajudicial, hajam exercido,
apuração de abuso do poder econômico ou político, para a nos 12 (doze) meses anteriores à respectiva decretação, car-
eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem go ou função de direção, administração ou representação,
como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes; enquanto não forem exonerados de qualquer responsabili-
(Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010) dade;
e) os que forem condenados, em decisão transitada em j) os que forem condenados, em decisão transitada em
julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral,
condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por
o cumprimento da pena, pelos crimes: (Redação dada pela doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha
Lei Complementar nº 135, de 2010) ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas
1. contra a economia popular, a fé pública, a administra- eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diplo-
ção pública e o patrimônio público; (Incluído pela Lei Com- ma, pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição; (Incluído
plementar nº 135, de 2010) pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o k) o Presidente da República, o Governador de Estado e
mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falên- do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Na-
cia; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010) cional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa,
3. contra o meio ambiente e a saúde pública; (Incluído das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos
pela Lei Complementar nº 135, de 2010) desde o oferecimento de representação ou petição capaz de
4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositi-
liberdade; (Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010) vo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei
5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Muni-
condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exer- cípio, para as eleições que se realizarem durante o período
cício de função pública; (Incluído pela Lei Complementar nº remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8
135, de 2010) (oito) anos subsequentes ao término da legislatura; (Incluído
6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; pela Lei Complementar nº 135, de 2010)
(Incluído pela Lei Complementar nº 135, de 2010) l) os que forem condenados à suspensão dos direitos
7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida
tortura, terrorismo e hediondos; por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade
8. de redução à condição análoga à de escravo; (Incluído administrativa que importe lesão ao patrimônio público e
pela Lei Complementar nº 135, de 2010) enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em
9. contra a vida e a dignidade sexual; e (Incluído pela Lei julgado até o transcurso do prazo de