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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

CADERNO DE RESUMOS

Ensino, discursos e relações sociais:


contribuições teórico-metodológicas da
Linguística Aplicada na contemporaneidade
Organizadores:
Heloane Baia Nogueira
Rosivaldo Gomes
Suzana do Espírito Santo Barros

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Copyright © 2017, Autores

Reitora: Prof.ª Dr.ª Eliane Superti


Vice-Reitora: Prof.ª Dr.ª Adelma das Neves Nunes Barros Mendes
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Pró-Reitor de Gestão de Pessoas: Emanuelle Silva Barbosa
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Prof.ª Dr.ª Camila Maria Risso Sales
Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof.ª Dr.ª Helena Cristina Guimarães Queiroz Simões
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Pró-Reitor de Cooperação e Relações Interinstitucionais: Prof. Dr. Paulo Gustavo Pellegrino Correa

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Tiago Luedy Silva

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Elza Caroline Alves Muller Simone de Almeida Delphim Leal
Jacks de Mello Andrade Junior Simone Dias Ferreira
José Walter Cárdenas Sotil Tiago Luedy Silva

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

F692a
Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada / Heloane Baia Nogueira,
Rosivaldo Gomes, Suzana do Espírito Santo Barros (organizadores) – Macapá: UNIFAP, 2017.
Anais [recurso eletrônico] / I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada, 05 e
06 de outubro em Macapá, AP – UNIFAP, DEPLA, 2017.

ISSN: 2594-3928
Disponível em: https://www.pnaicunifap.wixsite.com/fepla
Universidade Federal do Amapá, Departamento de Letras e Artes

1. Linguística Aplicada. 2. Literatura e Linguística. 3. Letras e Artes. I. Universidade Federal do


Amapá. II. Título.
CDD: 410

Editora da Universidade Federal do Amapá


Site: www2.unifap.br/editora | E-mail: editora@unifap.br
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Macapá-AP, CEP: 68.903-419
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO........................................................................................................6
PROGRAMAÇÃO GERAL.........................................................................................10
RESUMOS DE CONFERÊNCIAS, MINICURSOS E MESAS-REDONDAS ..............12
CONFERÊNCIA DE ABERTURA ...............................................................................12
CONFERÊNCIA FINAL .............................................................................................13
MINICURSOS ...........................................................................................................14
MESAS-REDONDAS ................................................................................................17
RESUMOS DE COMUNICAÇÕES ORAIS EM GRUPOS DE TRABALHOS (GTS)..23

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

APRESENTAÇÃO

NEPLA

O Grupo - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada


(NEPLA/UNIFAP/CNPq), inicialmente, denominado de Grupo Gêneros textuais e
Práticas sociais de linguagem, foi criado em 2013, com a proposta de agrupar
pesquisas interessadas sobre ensino e aprendizagem de língua materna/portuguesa
a partir do construto teórico de gêneros textuais/discursivos na perspectiva do
Interacionismo Sociodiscursivo e na abordagem bakhtiniana, bem como tratar a
respeito da elaboração, avaliação, testagem de materiais didáticos, escrita em práticas
de letramento acadêmico e formação de professores.

Todavia, a partir de 2015, novos horizontes tanto teóricos quanto metodológicos


reconfiguram esses interesses primários de pesquisa (EVENSEN, 1998) e novos
grandes temas de interesse de pesquisa, já existentes, no campo da Linguística
Aplicada (LA), tais como (para citar alguns)

 Relações entre discurso e contexto social e processos identitário-discursivos em


práticas de letramento escolar e em redes sociais;
 Performances/performatividade de gênero, identidade, sexualidade e raça,
metanarrativas (não hegemônicas e totalizantes), análise de discursos;
 Narrativas literárias, representatividade e identidades;
 Representações identitárias, interculturalidade e multiculturalismo em materiais
didáticos;
 Tecnologias, ensino, novos (multi) letramentos e elaboração de materiais didáticos
digitais;
 Análise linguística, materiais escolares e usos;
 Multimodalidade, efeitos discursivos imagéticos e capacidades de leitura;
 Letramentos acadêmicos como práticas socioculturais situadas, entre outros.

passaram a ser convocados e discutidos no grupo a partir de pesquisas de Iniciação


Científica, Trabalhos de Conclusão de Cursos e de Monografias de especialização,
Dissertação de mestrado e Tese de doutorado.

Essa reconfigura-se, comum é necessária hoje à agenda da LA contemporânea, tem


evidenciado e buscado legitimar, a nosso ver, não só nesse campo, mas em diversas

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áreas, duas questões importantes ressaltadas tanto por Moita-Lopes (2009) quanto
Rojo (2006): o caráter inter(in)disciplinar das Ciências e as (re)configurações dos
saberes/conhecimentos e também as (re)configurações dos objetos estudos,
principalmente no sentido de se investigar problemas de uso da linguagem e de
discursos relacionados à privações sofridas, isto é, objetos que sejam socialmente
relevantes e contextualizados para a elaboração de conhecimento útil a participantes
sociais em contexto.

Nesse sentido, propõem os autores

Estamos diante de uma formulação de LA bem distante daquela centrada


no ensino e aprendizagem de Inglês e que, ao começar a se espraiar para
outros contextos, aumenta consideravelmente seus tópicos de
investigação, assim como o apelo de natureza interdisciplinar para
teorizá-los. Mas, no final do século XX e no início do século XXI, as
mudanças tecnológicas, culturais, econômicas e históricas vivenciadas
iniciam um processo de ebulição nas Ciências Sociais e nas
Humanidades, que começam a chegar à LA [...] É assim que chegamos à
formulação do que tenho chamado de uma LA Indisciplinar e outros de
antidisciplinar ou transgressiva (Pennycook, 2006) ou de uma LA da
desaprendizagem (Fabrício, 2006). É uma LA que deseja, sobremodo,
falar ao mundo em que vivemos, no qual muitas das questões que nos
interessavam mudaram de natureza ou se complexificaram ou deixaram
de existir. Como Ciência Social, conforme muitos formulam a LA agora,
em um mundo em que a linguagem passou a ser um elemento crucial,
tendo em vista a hiperssemiotização que experimentamos, é essencial
pensar outras formas de conhecimento e outras questões de pesquisa
que sejam responsivas às práticas sociais em que vivemos. É sobre essa
LA que desejo agora discutir. Ela é indisciplinar tanto no sentido de que
reconhece a necessidade de não se constituir como disciplina, mas como
uma área mestiça e nômade, e principalmente porque deseja ousar
pensar de forma diferente, para além de paradigmas consagrados, que
se mostram inúteis e que precisam ser desaprendidos (Fabrício, 2006)
para compreender o mundo atual (MOITA-LOPES, 2009, p. 18-19).

A questão é [em LA]: não se trata de qualquer problema – definido


teoricamente –mas de problemas com relevância social suficiente para
exigirem respostas teóricas que tragam ganhos a práticas sociais e a seus
participantes, no sentido de uma melhor qualidade de vida, num sentido
ecológico (ROJO, 2006, p. 258).

É seguindo, portanto, essas visões que o NEPLA apresenta como objetivo central
potencializar discussões a respeito tanto da área de ensino e aprendizagem de

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línguas(gem) quanto em relação a questões relativas a discursos e práticas sociais,


identidades ou políticas de identidade, gênero, raça e sexualidade, letramentos
acadêmicos e digitais, letramentos de reexistência, letramento literário e
representação e representatividade.

Para isso, o grupo abarca estudos desenvolvidos em 1)Análise Linguística e Ensino de


Língua Materna; 2) Análise, estudo e construção de materiais didáticos; 3) Avaliação
de Políticas Públicas Educacionais e Formação de Professores no contexto amazônico;
4) Discursos, performances de identidades, gêneros e sexualidades em letramentos
digitais; 5) Práticas de leitura e escritas em contexto escolar e acadêmico e 6)
Tecnologias digitais, língua(gem) na hipermídia, novos(multi)letramentos e ensino.

Essas linhas de pesquisa, hoje, contam com 3 (três) doutores, 3 mestres e 2


especialistas. Com relação aos alunos, o grupo conta com 4 (quatro) bolsistas de
Iniciação Cientifica PROBIC/PIBIC; 5 (cinco) bolsista de Iniciação Científica Voluntários
e 1 (uma) bolsista PIBEX, que desenvolvem trabalhos com temas diversos sob a
orientação dos professores pesquisadores participantes do grupo. O NEPLA está
localizado no Departamento de Letras Artes da UNIFAP, apresentando e
desenvolvendo projetos de pesquisas e atividades de extensão (Programa em
Letramento Acadêmico e Foconp - Formação continuada de professores - Linguagem
e tecnologias educacionais digitais).

É, portanto, com o vigor dos trabalhos desenvolvidos nesse grupo de pesquisa que
convidamos a comunidade acadêmica e externa para participarem do I Fórum de
Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (I FEPLA), idealizado, organizado,
promovido e coordenado pelo NEPLA.

Prof. Dr. Rosivaldo Gomes


Líder do Grupo de pesquisa – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Linguística
Aplicada (NEPLA/UNIFAP/CNPq).
Macapá- AP, 05 de outubro de 20117
Departamento de Letras e Artes da UNIFAP

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

FEPLA

O I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada constitui-se como


um evento vinculado ao grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos e Pesquisas em
Linguística Aplicada (NEPLA) da Universidade Federal do Amapá. Nesta primeira
edição, o evento apresenta como temática: Ensino, Discursos e Relações Sociais: entre
o ser e o fazer linguística aplicada na contemporaneidade e surge como uma proposta
extensionista que objetiva apresentar à comunidade acadêmica alguns dos resultados
dos trabalhos desenvolvidos no âmbito do referido grupo.

Além disso, objetiva-se apresentar algumas reflexões, bem como discussões a


respeito de questões relacionadas ao ensino, à aprendizagem e à formação de
professores tanto de língua materna quanto de língua estrangeiras, sendo
estabelecidos fios dialógicos com temas de relevância para academia e para a
formação de professores, tais como: gênero, diversidade tanto religiosa quanto
cultural, identitária e sexual e também discussões a respeito do uso de tecnologias
digitais no ensino, na formação de professores e como instrumentos de participação
e mobilização social.

O evento origina-se em 2016, a partir de uma proposta de trabalho apresentada aos


Colegiados dos Cursos de Letras Francês e Inglês da Universidade Federal do Amapá
e registrado como atividade de extensão (evento), no Departamento de Extensão da
Pró-reitora de Extensão e Ações Comunitárias (DEX/PROEAC) e apoiado pelo Edital
de PAEX/2017.

Nesta edição, o evento prestará homenagem à professora associada Dra. Regina Lúcia
da Silva Nascimentos, professora dos Cursos de Letras Português Francês e Português
Inglês e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do
Amapá pelas suas contribuições à educação superior amapaense em 36 anos de
atuação e por proporcionar muitas aprendizagens a todos que foram seus alunos.

Assim, o FEPLA caracteriza-se, portanto, como um evento de abrangência


regional que visa a integrar discussões a respeito de trabalhos desenvolvidos na área
de Linguística Aplicada na Região Norte em diálogo com outras áreas do campo,
como o da Educação e das Ciências Humanas Sociais e Aplicadas. O evento,
metodologicamente, contará com conferências, palestras, sessões de comunicação
em GTs e minicursos. Esperamos que todos apreciem e participem do evento.

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PROGRAMAÇÃO GERAL

PRIMEIRO DIA - 05/10 O ensino de línguas no contexto


amazônico e a formação de
> Manhã professores: contribuições da
Linguística Aplicada
Minicursos - 08h às 12h
Local: Bloco de letras Dr. Wagner Rodrigues Silva
Prof. do Programa de Pós-Graduação em Letras:
M1. Letramento literário: Ensino de Língua e Literatura
Secretário da Diretoria da Associação de
promovendo a leitura de literatura
Linguística Aplicada do Brasil - ALAB
em sala de aula do ensino médio
Evelen Lazamé e Débora Soares
Coffee break – 18h15
M2. Conhecendo a reforma do
ensino médio SEGUNDO DIA - 06/10
Joyce Vitória, Juliana Ribeiro, Luane
Coelho, Sarlene Pereira e Thayane > Manhã
Figueiredo
Grupos de Trabalho – 8h às 10 h
M3. Análise de discurso crítica: Local: salas do DEPLA
modelo tridimensional e interfaces
Marcus Vinícius Ribeiro e Prof. Dr. GT 1. Tecnologia e ensino
Rosivaldo Gomes Coordenadora: Eloiny Lazamé e
Rosivaldo Gomes
M4. Pós-colonialismo, discurso e
literatura GT 2. Letramento acadêmico:
Prof. Me. Marcos Paulo Torres Pereira contribuições da abordagem
sociorretórica de gêneros
> Tarde Coordenadoras: Beatriz Silva; Edilene
Chagas
Credenciamento – 16h
Local: Auditório do Departamento de GT 3. Práticas discursivas -
Letras e Artes da UNIFAP identitárias e (inter)culturais em
materiais didáticos de língua
Mesa de abertura – 17h portuguesa e em espaços sociais:
Visões a partir da análise crítica do
Conferência Inicial – 17h20 discurso
Coordenador: Marcus Vinícius Ribeiro
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GT 4. Documentos oficiais de língua Mediadora: Profa. Heloane Baia


portuguesa e ensino de língua Nogueira
materna: debates para além da
normatização 2. MESA REDONDA – 15 h
Coordenadora: Profa. Ma. Suzana Local: auditório do Depla
Barros
Sociabilidades, identidades e
escola: a educação indígena,
GT 5. Diversidade religiosa e
quilombola, religiosa, inclusiva e os
cultural na amazônia
letramentos escolares e não
Coordenadores: Prof. Dr. Marcos
escolares
Vinicius de Freitas Reis Fernanda
Profa. Dra. Piedade Lino Videira -
Santos
UNIFAP
Prof. Dr. Antonio Almir Silva Gomes -
GT 6. Formação inicial crítico-
UNIFAP
reflexiva de professores de língua
Prof. Dr. Marcos Vinicius de Freitas
estrangeira
Reis - UNIFAP
Coordenadora: Profa. Ma. Aldenice
Profa. Dra. Leila Rodrigues Feio –
de Andrade Couto
UNIFAP
GT 7. Discurso, gênero, sexualidade Mediador: Prof. Dr. Rosivaldo Gomes
e educação
Coordenadora: Profa. Dra. Martha Intervalo e coffee break – 16h30
Christina Ferreira Zoni do Nascimento
Atração Cultural
> Tarde
Palestra de Encerramento – 17 h
1. Mesa Redonda – 14 h Educação e literatura: intercursos
Local: Auditório do Depla entre o letramento literário e a
Linguística Aplicada
Informática educativa, redes Palestrante: Profa. Dra. Regina Lúcia
sociais, participação social e
da Silva Nascimento (Departamento
letramentos digitais no ensino
de Letras, Artes e
Prof. Dr. Rafael Pontes – UNIFAP
Jornalismo -Curso de Letras-Francês
Prof. Dr. Junot de Oliveira Maia – IFSP
– Inglês/ UNIFAP)
Prof. Dr. Rosivaldo Gomes – UNIFAP
Profa. do Programa de Pós-
graduação em Educação - PPGED

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

RESUMOS DE CONFERÊNCIAS, MINICURSOS E MESAS-REDONDAS

CONFERÊNCIA DE ABERTURA

O ENSINO DE LÍNGUAS NO CONTEXTO AMAZÔNICO E A FORMAÇÃO DE


PROFESSORES: CONTRIBUIÇÕES DA LINGUÍSTICA APLICADA

Prof. Dr. Wagner Rodrigues Silva (UFT/CNPq)

Compreendemos a Linguística Aplicada (LA) como um campo investigativo


indisciplinar, responsável pela construção de objetos de pesquisa complexos e
situados em distintas interações sociais mediadas por linguagens diversas. Nesta
conferência, problematizamos a relevância da produção cooperativa de saberes entre
universidades e escolas, identificada como um macro desafio para os linguistas
aplicados atuantes nas áreas de ensino de línguas e de formação de professores. Tais
profissionais não deveriam enveredar por práticas acadêmicas do paradigma
científico dominante, caracterizadas pela proposição de teorias disciplinares de
referência como respostas exclusivas às demandas enfrentadas por professores do
ensino básico. Para exemplificar o desafio destacado, compartilhamos experiências
vivenciadas na formação continuada de professores de língua, no Mestrado
Profissional em Letras (ProfLetras), ofertado na Universidade Federal do Tocantins
(UFT). Na ocasião, formador e professores participaram cooperativamente da
produção de materiais didáticos, numa pratica pedagógica orientada pela abordagem
do letramento científico (LC). Os estudos indisciplinares do LC, ainda em fase
preliminar de desenvolvimento no campo da LA, mostram-se promissores para o
fortalecimento da cooperação entre as duas agências de letramento mencionadas. A
título de ilustração do macro desafio instaurado, mencionamos algumas demandas
de trabalho instauradas para a LA a partir da elaboração da Base Nacional Comum
Curricular – BNCC (BRASIL, 2017), e dos objetivos sustentáveis da Agenda 2030,
elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Esta conferência traz alguns
resultados de investigações científicas desenvolvidas no grupo de pesquisa Práticas
de Linguagens – PLES (UFT/CNPq).

Palavras-chave: Escola. Universidade. Letramento científico. Indisciplinaridade.


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CONFERÊNCIA FINAL

LITERATURA, LINGUÍSTICA APLICADA E EDUCAÇÃO: ÁREAS QUE SE CRUZARAM


NA MINHA HISTÓRIA DOCENTE

Profa. Dra. Regina Lúcia da Silva Nascimento (UNIFAP)

O propósito deste texto é socializar como foi construída a história de minha


identidade profissional. Contornar essa trajetória, sem dúvida, é uma oportunidade
que tenho para narrar como a minha vivência pessoal e os conhecimentos produzidos
ao longo da Graduação em Letras, do Mestrado em Linguística Aplicada e do
Doutorado em Educação foram relevantes na minha formação acadêmica e,
consequentemente no fazer pedagógico adotado em sala de aula. É importante
ressaltar que foi no decorrer da Pós-Graduação, que pude rever a minha ação
pedagógica no que tange ao processo de ensino e aprendizagem de Literatura no
âmbito do Ensino Superior. Os estudos, os debates, as reflexões e as ações foram
portas que se abriram para a construção de um suporte teórico-metodológico
ancorado em pesquisadores como: Abreu (2000), Azevedo (2004), Bakhtin (2000),
Bardin (2009), Bordini e Aguiar (1988), Candido (2000), Eco (1993), Pacheco (2004),
Soares (2004), Signorini (2000), Terzi (1995), Freire (1987), Guimarães (2012),Saviani
(2008), Silva (2004), dentre outros, que concorreram para compreender que, mesmo
a Literatura, uma manifestação artística assentada na plurissignificação da palavra,
pode contribuir para que o leitor discuta, a partir do contato efetivo com o texto
literário, acontecimentos da sociedade. Para tal, é preciso investir na formação do
educador e reconhecer a importância do seu papel no processo de ensino e
aprendizagem, porque quem ensina tem a necessidade de aprender primeiro, a fim
de não se tornar um mero coadjuvante, um simples repetidor de conteúdo, dentro de
um processo, no qual precisa ser um sujeito com o compromisso e a responsabilidade
de formar não somente leitores, mas também cidadãos conscientes de que os
conhecimentos produzidos vão além do espaço acadêmico.

Palavras-chave: Interação. Leitura. Formação.

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MINICURSOS

M1 - LETRAMENTO LITERÁRIO: PROMOVENDO A LEITURA LITERÁRIA EM SALA


DE AULA DO ENSINO MÉDIO

Ministrantes: Profa. Esp. Évelen Lazamé e Profa. Débora Soares

Resumo: A presente proposta para minicurso tem como objetivo explanar e refletir
acerca da importância do uso do texto literário completo nas aulas de literatura,
baseando-se, especificamente, na obra O Cortiço, de Aluísio de Azevedo. Este foco de
estudo teve seu despertar com a experiência das pesquisadoras na disciplina Estágio
Supervisionado em Literatura na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), onde se
percebeu que o ensino de literatura no ensino médio ao se limitar ao estudo da
literatura com foco na leitura fragmentada de obras, cronologia literária e dados
bibliográficos dos autores, torna o ensino da disciplina engessado e, muitas vezes,
sem valor para os alunos, deixando de lado a razão de ser do estudo literário que diz
respeito à leitura de obras completas. Diante disso, o minicurso propõe aos
graduandos e profissionais na área de letras alguns mecanismos que podem propiciar
ao educando o contato profundo com o texto literário, e não apenas com fragmentos
deste, e possibilidades de aproveitar ao máximo das potencialidades dessas obras
criando condições para que o despertar de interesse do aluno pela literatura seja uma
busca plena de sentido para esse tipo de texto, para o próprio aluno, e para a
comunidade a qual todos estão inseridos. A pesquisa teve como quadro teórico,
autores que abordam a leitura e a leitura literária como uma atividade relevante para
o ambiente escolar e a sociedade, tais como: Jouve (2002); Rouxel (2013), Zilberman
(2008); Cândido (2000); Cosson (2014); Lajolo (1991). O minicurso está organizado,
portanto, em dois momentos. No primeiro, discute-se a respeito da leitura literária na
escola, como as ministrantes trabalharam com o texto literário durante a pesquisa
realizada e os resultados encontrados. Após, esse momento de discussão acerca do
trabalho, pretendem-se propor uma atividade na qual os participantes produzirão
uma proposta de trabalho com um texto literário (poema, conto, novela), o qual será
dado pelas ministrantes do minicurso, para oportunizar aos ouvintes possibilidades
de compartilharem os conhecimentos apreendidos.

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M2 - CONHECENDO A REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Ministrantes: Joyce Vitória, Juliana Ribeiro, Luane Coelho, Sarlene Pereira e Thayane
Figueiredo

Resumo: A presente proposta de minicurso tem como tema a Reforma do Ensino


Médio. Ao se analisar acerca dessa temática, notou-se a importância de investigar as
transformações que ocorreram nesse nível de ensino. O objetivo é mostrar como se
deu a implementação do Ensino Médio e as reformas ao longo dos anos no Brasil e
apresentar as mudanças ocorridas a partir da aprovação da Lei nº 13.415 de 16 de
fevereiro de 2017, e ainda analisar as consequências dessa lei. Assim, serão abordados
os documentos oficiais que acompanham tais mudanças no ensino. Pretende-se ainda
esclarecer todo o processo de tramitação de uma lei, tomando por base a Lei da Nova
Reforma, e ainda mostrar seus pontos relevantes, bem como aqueles considerados
polêmicos. Posto isso, espera-se compartilhar com a comunidade acadêmica as
leituras e esclarecer dúvidas a respeito dessa temática, o que ela traz de novidade, o
que permanece, e principalmente os pontos mais delicados que precisam ser
trabalhados cuidadosamente, a fim de que não haja más interpretações, afinal, o
objetivo principal é esclarecer o funcionamento do Novo Ensino Médio.

M3 - ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA: MODELO TRIDIMENSIONAL E


INTERFACES

Ministrantes: Marcus Vinícius Ribeiro e Prof. Dr. Rosivaldo Gomes

Resumo: O campo de estudos linguísticos, inserido em perspectivas interdisciplinares


ou transdisciplinares, que tomam o discurso e as práticas sociais como centro de
discussões, têm oferecido relevo a investigações de caráter crítico, que estão
preocupadas em dialogar suas teses com teorias das ciências sociais que tratam o
funcionamento da linguagem em processos políticos e ideológicos. No escopo desses
tipos de estudos/pesquisas inscrever-se/encontra-se a Análise de Discurso Crítica
(ADC), disciplina com amplo escopo de aplicação e que se constitui, como propõem
Fairclough (2001, 2011); Resende e Ramalho (2005) um modelo teórico-metodológico
aberto ao tratamento de diversas práticas na vida social. Nesse aspecto, situada na

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

interface entre a Linguística Crítica e a Ciência Social Crítica, a ADC procura


estabelecer um quadro teórico-analítico capaz de mapear a conexão entre relações
de poder, recursos discursivos selecionados por pessoas ou grupos sociais e aspectos
ideológicos. A ACD, nesse sentido, propõe que se possa compreender o discurso
tanto como reprodutor quanto transformador de realidades sociais e o sujeito da
linguagem (dialógico e social) tanto propenso ao modelamento ideológico e
linguístico quanto agindo como transformador de suas próprias práticas discursivas,
contestando e reestruturando assim a dominação e as formações ideológicas
socialmente empreendidas nas diversas práticas de letramentos socioculturais. Neste
minicurso, portanto, objetiva-se apresentar um panorama histórico desses trabalhos,
suas ramificações nas distintas vertentes, bem como suas aplicações e interfaces no
campo das Ciências Humanas e Sociais e suas relações com outras áreas de
conhecimento de forma inter e transdisciplinar, como os estudos dos Letramentos,
principalmente os Letramentos Críticos e Multiletramentos Críticos, Estudos Culturais
e Políticas de Identidade, gênero e sexualidades. Ao final, propõe-se pontuar algumas
possibilidades de aplicação – não de forma diretiva – desses construtos teórico-
epistemológicos a objetos de pesquisas tais como: questões relacionados a materiais
didáticos; discursos sobre gênero, sexualidade, performances discursivo-identitárias
em redes sociais e em práticas do letramento escolar.

M4 - PÓS-COLONIALISMO, DISCURSO E LITERATURA

Ministrante: Prof. Me. Marcos Paulo Torres Pereira

Resumo: O minicurso Pós-colonialismo, discurso e literatura tem por objetivo debater


a fragmentação e o apagamento identitário característico às interações praticadas
pelas nações europeias nas sociedades por elas colonizadas no período moderno.
Para tanto, tomaremos a literatura pós-colonial como corpus de análise, buscando
reconhecer a matéria de alteridade pela qual as culturas se reconhecem através
daquilo que é projetado, referenciado e efabulado, transformado em discurso
combativo àquele que, como arma de colonização, desenvolvia-se a partir da
valorização extrema aos valores do colonizador, capturando não somente o corpo do
colonizado, mas seu espírito, no calar de sua identidade.

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MESAS-REDONDAS

MESA REDONDA 1

Local: Auditório do Depla


Mediadora: Profa. Esp. Helone Baia Nogueira – IFAP

INFORMÁTICA EDUCATIVA, REDES SOCIAIS, PARTICIPAÇÃO SOCIAL E


LETRAMENTOS DIGITAIS NO ENSINO

DEBATEDOR 1: Prof. Dr. Junot de Oliveira Maia (IFSP)


Relacionando ensino e participação cidadã: inspirações a partir dos fogos
digitais

Resumo: Desde o século XIX, quando surgiram as primeiras favelas na cidade carioca,
regimes hegemônicos de letramentos têm sido os principais responsáveis pela
produção e circulação de enunciados que agem criminalizando os moradores desses
territórios. Ao se articularem, textos decorrentes desses regimes compõem uma trama
textual poderosa que marginaliza o favelado, principalmente no que tange a
relacionar sua existência e suas práticas sociais a eventos de violência. Tais regimes,
contudo, são confrontados por escritas produzidas a partir de letramentos de
sobrevivência, aqui entendidos como práticas de escrita capazes de originar
enunciados combativos às narrativas dominantes que insistem em apartar os cariocas
segundo uma lógica perversa de cidade partida entre civilização e barbárie. Esse
embate discursivo se intensifica consideravelmente a partir do advento das
tecnologias digitais, que, conectadas, ampliam as possibilidades de comunicação
interpessoal, de circulação de enunciados e de articulação entre agentes sociais para
fins de ampliação de participação cidadã. No Complexo do Alemão, contexto em que
realizo minha etnografia de fronteira, os fogos digitais são a forma encontrada por
dois moradores, Mariluce Mariá e Cléber Santos, de enunciar modos de sobreviver e,
além disso, buscar iniciativas mais contundentes de participação cidadã efetiva.
Pretendo, assim, refletir sobre como a experiência dos fogos digitais pode trazer
inspirações interessantes para a viabilização de práticas de ensino mais autônomas e
menos artificiais, principalmente no que tange a possibilidades de agência e de
formação crítica.
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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

DEBATEDOR 2: Prof. Dr. Rosivaldo Gomes


Abrindo a caixa de pandora em tempos digitais: tecnologias, ensino, novos
(multi)letramentos e materiais didáticos digitais

Resumo: Nesta mesa, objetivo discutir o tema em questão, resgatando para isso a
metáfora/mito de Caixa de Pandora, em dois direcionamentos, quais sejam: a) o papel
e lugar das tecnologias digitais, dos novos (multi)letramentos e ensino de leitura e b)
materiais didáticos digitais: desafios, possibilidades e projeções. Para tratar desses
subtemas, parto, inicialmente, de recortes de alguns dados de minha tese de
doutorado sobre leitura, multiletramentos e materiais didáticos impressos e digitais
de língua portuguesa do ensino médio (GOMES, 2017a). Busco problematizar, para
nessa primeira instanciação teórico-analítica, questões relacionadas ao trabalho com
o ensino e a aprendizagem de leitura a partir de “novas propostas de materiais
didáticos digitais” que foram/estão sendo oferecidos pelo Ministério da Educação,
bem como por portais de editoras que apresentam obras (livros impressos e obras
digitais) aprovadas pela avaliação do PNLD. Já para tratar do segundo ponto,
apresento algumas reflexões sobre a experiência de elaboração de materiais didáticos
digitais, que estão sendo produzidos em com coautoria com os alunos bolsistas do
Grupo de pesquisa NEPLA/UNIFAP/CNPq. A intensão é discutir alguns desafios,
potencialidades e projeções tanto sobre a produção quanto no que diz respeito ao
uso desses materiais nas práticas, considerando o que tem sido proposto quando se
fala sobre “trazer as tecnologias digitais para o contexto das práticas do letramento
escolar para o ensino e aprendizagem de língua portuguesa”. Por fim, sinalizo que,
para se pensar e reconhecer a necessidade da “concretização” de um webcurrículo no
espaço da escolar, tal como proposto por Almeida e Silva (2011) e Almeida e Valente
(2012, 2014), a partir das Tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC),
três pontos são relevantes: 1) reconhecimento de que a caixa de pandora precisa ser
aberta em tempos digitais, ou seja, as TIDIC precisam de fato serem incorporadas ao
currículo, considerando-se as diversas práticas de novos (multi)letramentos -
multimodais/multissemióticos - quanto críticos, reflexos e protagonistas que essas
tecnologias podem oferecer, mas cabe também reconhecermos também a limitação
ou a não existência de um “parque tecnológico em nas escolas públicas brasileiras”,
o que inevitavelmente implica em 2) repensamos o que se tem compreendido como
currículo e materiais didáticos e 3) repensamos a formação inicial do professores no
18
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

que tange a construtos teóricos-metodológicos envolvidos na elaboração e uso de


materiais didáticos em tempos de cultura e letramentos digitais.

DEBATEDOR 3: Prof. Dr. Rafael Pontes Lima (UNIFAP/SETEC)


O ensino e a aprendizagem significativa das operações com frações: sequência
didática e o uso de tecnologias digitais para alunos do Ensino Fundamental II

Resumo: A palestra apresentará os resultados alcançados na Tese de Doutorado que


teve como tema "O ensino e a aprendizagem significativa das operações com frações:
Sequência didática e o uso de tecnologias digitais para alunos do Ensino Fundamental
II", a qual objetivava analisar a aprendizagem de crianças do 6o ano do Ensino
Fundamental sobre as operações com frações por meio de uma sequência de
atividades mediadas pelo professor com o uso de um software educacional. Foram
analisados os instrumentos e atividades pedagógicas realizadas pelos professores e
os livros didáticos para o ensino de frações. Como respaldo teórico para construção
e análise da sequência didática revisamos a história dos números racionais e seus
significados; nos apoiamos nas concepções da teoria sócio - histórica de Vygotsky e
o conceito de zona de desenvolvimento proximal, a perspectiva da aprendizagem
significativa a teoria das situações didáticas e o aprendizado a partir da resolução de
problemas. Investigamos o processo de ensino e aprendizagem de frações a partir da
opinião docente e discente. Construímos um conjunto de atividades para o ensino
das operações com frações a partir de situações problemas. Desenvolvemos o
software educacional para o ensino das operações com frações por meio do
significado de parte-todo. Aplicamos a sequência didática a 40 alunos do 6o ano do
Ensino Fundamental da Escola Estadual Antônio Lima Neto na cidade de Macapá/AP
e avaliamos qualitativa e quantitativamente a produção dos alunos na realização da
sequência didática. Os alunos do 6o ano que participaram da sequência didática
foram submetidos a testes diagnósticos e inicialmente mostraram ter pouco ou
nenhum conhecimento sobre as operações com números fracionários. Após a
aplicação da sequência didática, na mediação do professor e o uso do software
educacional FRACTRON, para resolver as atividades de adição, subtração,
multiplicação e divisão de frações, aplicamos um pós-teste para avaliarmos o
desempenho dos alunos. Os resultados foram relevantes e mostraram que os alunos
conseguiram construir e aplicar as regras produzidas para a resolução das atividades

19 19
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

e alcançaram um aumento médio no índice de acertos 70% comparando com o pré-


teste. Os alunos também apresentaram evolução na capacidade de interpretação dos
enunciados e na produção dos textos das regras das operações com frações. Desta
forma, concluímos que a tese foi comprovada, pois de fato o uso de uma sequência
didática elaborada com atividades, que propõem a resolução de problemas com
números fracionários e aplicada pela mediação do professor e o uso de um software
educacional, possibilita uma aprendizagem significativa e potencializa os
conhecimentos prévios do aluno, considerando sua zona de desenvolvimento
proximal, sobre a habilidade de realizar operações com frações para alunos do 6º ano
do Ensino Fundamental.

MESA-REDONDA 2

Local: auditório do Depla


Mediador: Prof. Dr. Rosivaldo Gomes
SOCIABILIDADES, IDENTIDADES E ESCOLA: A EDUCAÇÃO INDÍGENA,
QUILOMBOLA, RELIGIOSA, INCLUSIVA E OS LETRAMENTOS ESCOLARES E NÃO
ESCOLARES

DEBATEDOR 1: Profa. Dra. Piedade Lino Videira – UNIFAP


O papel e a importância da educação quilombola no contexto da formação de
professores

Resumo: A proposta de diálogo que apresento ao I Fórum Regional de Estudos e


Pesquisas em Língua Aplicada, especificamente para a mesa de debate que versará
sobre a temática: Sociabilidades, Identidades e Escola: a educação indígena,
quilombola, religiosa e os letramentos escolares e não escolares, visa suscitar o debate
sobre a Resolução nº 8, de 20 de novembro de 2012- que define Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica, a qual
representa uma política pública educacional relevante para a promoção do debate
racial em âmbito escolar, tratando especialmente do atendimento educacional das
populações quilombolas rurais e urbanas em suas mais variadas formas de produção
cultural, social, política e econômica, conforme postula o inciso III do Art. 1º da
referida Lei. Para tanto, os profissionais que atuam na educação e laboram em

20
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

instituições escolares localizadas em Quilombos 1 devem compreender o processo de


luta histórica desses povos pelo direito a terra, pela defesa de seu território o qual
engloba a propriedade da terra e, também, de todos os elementos que marcam e
singularizam à memória coletiva, às identidades, às práticas culturais, às
sociabilidades, os acervos e repertórios orais, os festejos, usos, tradições e demais
elementos que conformam o patrimônio cultural das comunidades quilombolas.
Portanto, nesse hiato, a educação ofertada em escolas quilombolas deve ser
necessariamente, diferenciada e baseada na perspectiva crítica da educação, a fim de
contribuir com uma escolarização emancipatória e de qualidade para os/as
herdeiros/as desses territórios, visando o empoderamento e o protagonismo desses
grupos, bem como o fortalecimento de suas lutas e a instrução da comunidade
quanto à defesa de seus direitos como quilombolas, constitucionalmente adquiridos.

DEBATEDOR 2: Prof. Dr. Antonio Almir Silva Gomes – UNIFAP


Educação escolar indígena e não indígena: ponto de convergência, o PB

Resumo: Do ponto de vista legal, é perfeitamente possível contrastar os sistemas


educacionais escolares não indígena e indígena, uma vez que a este, através da LEI
No 10.172, de 9 de janeiro de 2001, é garantido o direito a “regimentos, calendários,
currículos, materiais pedagógicos e conteúdos programáticos adaptados às
particularidades étno-culturais e linguísticas”, bem como “suas línguas maternas e
processos próprios de aprendizagem”. Um tema, no entanto, permite aproximar os
dois sistemas: a presença do Português Brasileiro (PB) em seus interiores como língua
de instrução. Embora exceções sejam atestadas, em boa parte das escolas indígenas
do país o PB ocupa tal função, seja por que o professor das séries a partir do segundo
ciclo do Ensino Fundamental é não indígena, seja porque a própria comunidade elege
esta língua para as atividades de ensino na escola, dentre inúmeros outros aspectos.
Um fato inerente ao PB na escola indígena é o que se convencionou chamar
“Português Indígena”, cuja natureza estrutural contrasta com o que se convencionou
chamar “Português Culto/Padrão”. Meu propósito nesta apresentação é chamar a
atenção para a natureza estrutural do “Português Indígena” (Cf. Gomes, 2012),

1
Vide o Art. 1º da Resolução nº 8, de 20 de novembro de 2012- que define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Escolar Quilombola na Educação Básica.

21 21
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

assemelhando-a a outras modalidades de português. Como consequência, uma


questão rotineira quando se pensa em ensino de PB nas escolas não indígenas
permeia esta apresentação, qual seja: o que fazer na escola indígena com a
modalidade de português que a circunda?

DEBATEDOR 3: Prof. Dr. Marcos Vinicius de Freitas Reis – UNIFAP


Religião, politica e educação: experiência da formação docente ensino religioso
(EAD) no estado do Amapá

Resumo: O objetivo deste trabalho é analisar o projeto elaborado pela Universidade


Federal do Amapá com o intuito de formação para professores de ensino religioso no
Estado do Amapá. O projeto foi aplicado na modalidade de educação a distância e
tinha por meta proporcionar conteúdos do que é o ensino religioso, legislação e
histórico desta disciplina e a realidade deste componente curricular no Estado do
Amapá. O projeto teve 100 alunos e foi realizado no inicio de 2017 por um grupo de
pesquisadores vinculados ao grupo de pesquisa CEPRES (Centro de Estudos Políticos,
Religião e Sociedade). O final do projeto culminou no I Encontro Estadual para
Professores de Ensino Religioso do Estado do Amapá.

Debatedor 4: Profa. Dra. Leila Rodrigues Feio - UNIFAP


Projeto “Serviço de Atendimento Psicopedagógico” (SAPE) da Universidade
Federal do Amapá (UNIFAP)

Resumo: A criação do Projeto “Serviço de Atendimento Psicopedagógico” (SAPE) da


Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) consiste no Atendimento psicológico,
pedagógico, psicopedagógico a Educandos com deficiência, transtornos, dificuldades
específicas e/ou emocionais que incidam sobre seu desempenho e/ou rendimento
acadêmico. Em geral, os núcleos de inclusão atendem o público-alvo da educação
especial, e neste sentido, agregar um Serviço a mais neste Núcleo seria de grande
relevância, pois se ampliariam os atendimentos do referido núcleo. Assim, a ampliação
seria a criação de um Serviço que atendesse não somente a demandas específicas,
mas a todos os acadêmicos que necessitassem de apoio psicopedagógico, quer seja
de ordem cognitiva, emocional ou comportamental. O atendimento se estende a

22
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

docentes que buscam esclarecimentos acerca do manejo com essa demanda. O


Objetivo consiste em proporcionar atendimento psicológico e pedagógico ao
estudante por meio de ações e projetos específicos de acompanhamento, que
garantam o acolhimento de suas demandas básicas com vistas ao bom desempenho
acadêmico e profissional. O atendimento é realizado individualmente ou em
pequenos grupos, tendo por base a análise e modificação construtiva do
comportamento, assim como as adaptações curriculares e metodológicas que
facilitem a comunicação, a interação e o processo de aprendizagem. Os resultados
mostram a melhoria na qualidade das relações interpessoais e a inclusão plena da
pessoa com necessidades específicas. Proporcionar atendimento público de
qualidade ao maior número de acadêmicos da Unifap, e inseri-los no contexto social
produtivo constitui a primazia do Serviço de Atendimento Psicopedagógico.

RESUMOS DE COMUNICAÇÕES ORAIS EM GRUPOS DE TRABALHOS (GTS)

GT 1. TECNOLOGIA E ENSINO
Coordenadores: Eloiny Lazamé Nobrega e Rosivaldo Gomes

A LINGUAGEM HIPERMIDIÁTICA E OS NOVOS (MULTI)LETRAMENTOS NA


HIPERMODERNIDADE
Eloiny Lazamé 2
Rosivaldo Gomes 3
Resumo: Com a hipermodernidade (LIPOVETSKY, 2004) e a emergência dos novos
letramentos contemporâneos (LANKSHEAR; KNOBEL, 2012), novos desafios
fundamentados em práticas letradas específicas que envolvem o uso de tecnologias
digitais, gradativamente, estão sendo postos a educação. Tais desafios incluem o
trabalho com os textos/enunciados criados a partir das tecnologias digitais e que se
concretizam de novas maneiras, combinando multissemioticamente uma variedade
de linguagens (verbal, visual, sonoro, animado), constituindo assim a hipermídia que
cria novas práticas letradas de leitura e produção (produsagem) e obedece a um novo
ethos e a novas mentalidades (LANKSHEAR; KNOBEL, 2012). Sabemos que o trabalho

2
Acadêmica do Curso de Letras Inglês do Departamento de Letras e Artes da Universidade Federal do Amapá. Bolsista do Núcleo
de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA/UNIFAP/CNPq). Email: eloine_lazame@hotmail.com
3
Prof. adjunto do departamento de Letras e Artes da Universidade Federal do Amapá – Campus Marco Zero. Doutor em
Linguística Aplicada. Email: rosivaldounifap12@gmail.com

23 23
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

com esses textos podem ser propulsores, além do letramento digital, de outros
letramentos, tais como: o letramento multimodal/multissemiótico ou
multiletramento, o letramento crítico e o letramento protagonista, que por fazerem
parte da sociedade atual são tão necessários aos nossos alunos. Neste sentido, a
questão que se coloca é: como trabalhar em sala de aula com os letramentos digitais
a partir de textos hipermidiáticos a fim de desenvolver o letramento
multimodal/multissemiótico, o letramento crítico e o letramento protagonista não só
do aluno? Buscando responder a este questionamento, este trabalho segue o
seguinte percurso: a princípio apresentaremos o que entendemos como linguagem
hipermidiática (SIGNORINI, 2011; SANTAELLA, 2014) e o que de fato ela envolve. Em
seguida, destacamos o conceito, as características e a importância do trabalho em
sala de aula com práticas de letramentos digitais (LANKSHEAR; KNOBEL, 2012; ROJO,
2013) através de textos hipermidiáticos, tendo em vista o desenvolvimento de outros
letramentos que dele emergem, tais como: o letramento multimodal/multissemiótico
ou multiletramento, o letramento crítico e o letramento protagonista. Encerramos,
discutindo como a escola pode fazer face aos letramentos digitais, a partir do trabalho
com Pedagogia dos Multiletramentos (ROJO, 2012), na direção da formação de alunos
críticos. Tendo em vista essas discussões, desejamos fomentar a criação de novas
propostas de ensino que considerem as novas tecnologias digitais e os novos
letramentos como meio para produção de leitura e escrita de textos hipermidiáticos,
levando em consideração que esses possuem potencial para atender necessidades
sociais postas aos alunos e aos professores no contexto em que vivemos.
Palavras-chave: Linguagem hipermidiática. Multiletramentos. Ensino de língua
materna.

Humor, multimodalidade e construção de sentidos: práticas de novos


(multi)letramentos com o gênero discursivo meme nas aulas de língua
portuguesa
Prof. Dr. Rosivaldo Gomes 4
Prof. Esp. Heloane Baia Nogueira 5

4
Doutor em Linguística Aplicada/IEL-UNICAMP e pós-doutorando em Educação pelo Departamento de Pesquisa e Pós-
graduação da Universidade Federal do Amapá (DPG/UNIFAP). Professor adjunto de Língua Portuguesa e Didática das Línguas
do Departamento de Letras e Artes/Cursos de Letras Francês e Inglês da UNIFAP. E-mail: rosivaldounifap12@gmail.com.
5
Mestranda do Programa de Pós-graduação de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Amapá.
Professora substituta de Língua Portuguesa e Literatura do Instituto Tecnológico Federal do Amapá (IFAP). Email:
helobaia84@gmail.com.
24
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Resumo: Neste trabalho, apresentamos algumas análises de produções digitais


multimodais do gênero discursivo meme, realizadas por alunos do Instituto Federal
Tecnológico Federal do Amapá (IFAP), durante uma oficina de produção textual. Mais
especificamente, buscamos discutir de que maneira a constituição
multimodal/multissemiótica, realizada pelos alunos participantes da oficina, em suas
produções, contribui para a construção de efeitos de sentidos dos exemplares do
texto produzido. Para definição de gênero discursivo, ancoramos na perspectiva
bakhtiniana tratando, a partir das categorias definidoras de Bakhtin (2003[1952-
3/1979]) – conteúdo temático/axiológico, estrutura composicional e estilo. É a partir
também desse construto teórico que caracterizamos o meme enquanto um gênero
discursivo multimodal/multissemiótico criado a partir práticas que envolvem novos
(multi)letramentos. Para fundamentação do trabalho, nossas abordagens tomam por
base alguns pressupostos teóricos dos Multiletramentos (COPE; KALANTZIZ, 2006
[2000]), dos Novos Letramentos (COIRO, KNOBEL, LANKSEHEAR, LEU, 2008;
LANKSHEAR, KNOBEL (2007), bem como autores brasileiros que têm desenvolvido
pesquisas no campo da educação linguística e da Linguística Aplicada considerando
as tecnologias digitais da informação e comunicação e a Pedagogia dos
Multiletramentos (ROJO, 2012, 2017, ROJO; BARBOSA, 2013, 2014; ROJO, 2017;
GOMES, 2017). A análise, caracterizada como qualitativa-interpretativista e feita à luz
dos princípios da pedagogia dos multiletramentos e do paradigma aprendizagem
interativa, colaborativa e protagonista (LEMKE, 2010[1998]), evidencia que ao
propomos aos alunos que se colocarem no lugar de “lautor” (ROJO, 2012, 2017) ou
de “produsuário” (BRUNS, 2009) de seus próprios discursos, houve engajamentos
desses na construção dos memes a partir de designs digitais disponíveis, sendo que
os alunos mobilizaram conhecimentos práticos e competência técnica para
compreensão da produção funcional da ferramenta para elaboração do gênero, mas
também mobilizaram letramentos críticos no momento da escolha desses designs
disponíveis que constituíram do redesign, de uma produção de sentidos
transformados e transformadores.

Palavras-chave: Novos (multi)letramentos. Práticas digitais. Gênero meme.

25 25
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Uso de tecnologias digitais no ensino de língua portuguesa com o gênero notícia


digital6
Daniel de Almeida Brandão 7
Rosivaldo Gomes 8
Resumo: A acelerada expansão das Tecnologias Digitais da Informação e
Comunicação (TDIC) já está sendo refletida na educação e exigindo dos professores
ampliações metodológicas e novos saberes profissionais (TARDIF, 2002) e, impondo,
assim, a necessidade de mudanças nos métodos de trabalho, gerando também
modificações no funcionamento das instituições e no sistema educativo (ALMEIDA;
VALENTE, 2012,). Diante disso, cria-se a necessidade de elaboração de materiais
didáticos digitais interativos (MDDI), que possam ajudar na composição dessas
tecnologias ao currículo. Assim, propormos, por meio de um projeto de iniciação
científica, desenvolvido na Universidade Federal do Amapá, pesquisar as
possibilidades do uso de tecnologias digitais no ensino de Língua Portuguesa com o
gênero discursivo notícia digital. O referido projeto caracteriza-se como um projeto
piloto, vinculado ao projeto maior intitulado “Práticas discursivas na construção de
gêneros em sistema escolar e redes sociais”. A proposta é a criação de protótipos
digitais interativos para serem testados dentro do ambiente escolar. Os dados
discutidos estão organizados a partir de ações que serão aplicadas no segundo
semestre do ano de 2017, em uma escola de rede pública de Macapá. Para a
elaboração das etapas e metodologia fundamentamo-nos no campo da Linguística
Aplicada Indisciplinar/Transgressiva/da Desaprendizagem (MOITA-LOPES, 2006;
PENNYCOOK, 2006; FABRÍCIO, 2006). A abordagem de pesquisa será, portanto,
qualitativo interpretativista, sendo realizada uma pesquisa-ação/participativa
(ANDRÉ, 1995; THIOLLENT, 2011; BARBIER, 2002; EGG, 1990). Além dessas bases,
nosso projeto fundamenta-se nos paradigmas da aprendizagem curricular e
paradigma da aprendizagem interativa (LEMKE, 2010). Dessa forma, objetivamos

6
Este trabalho constitui-se como uma pesquisa financiada pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC –
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ).
7
Acadêmico do Curso de Letras Francês 2015.2 da Universidade Federal do Amapá- AP. Membro do grupo de Pesquisa
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA) da Universidade Federal do Amapá.
danielbrandcsa@gmail.com
8
Prof. adjunto dos Cursos de Letras Português Francês e Português Inglês do Departamento de Letras e Artes da Universidade
Federal do Amapá. Doutor em Linguística Aplicada. Coordenador do projeto de pesquisa e líder do Grupo de Pesquisa Núcleo
de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA/CNPq-UNIFAP) da Universidade Federal do Amapá.
rosivaldounifap12@gmail.com
26
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

tanto a elaboração quanto a testagem desses materiais, a fim de obter resultados que
possam auxiliar na discussão sobre o uso das TDIC no currículo escolar a partir de
materiais didáticos digitais interativos no ensino de Língua Portuguesa.

Palavras-chave: Tecnologias. Gênero notícia digital. Materiais.

As fanfictions (contos digitais) no ensino da escrita nas aulas de língua


portuguesa
Fernando Lucas Sena Cohen (UEAP) 9
Resumo: Nos últimos anos, vemos que os avanços das tecnologias de comunicação
tem assumido um papel muito importante nas atividades das sociedades
contemporâneas, demandando que as instituições de ensino repensem o processo de
ensino-aprendizagem haja vista que os indivíduos destas sociedades precisam
conhecer e produzir práticas de (multi)letramentos, dentre eles o letramento digital,
a fim de que possam ser autores de suas práticas por meio de conhecimentos,
incluindo o digital (COPE; KALANTZIS, 2009; ROJO, 2013). Assim, na sociedade
contemporânea as pessoas interagem por meio de textos, geralmente escritos, que
permeiam entre os espaços online e offline (BARTON; LEE, 2015). Diante deste
contexto, observa-se que há gêneros discursos que deixaram de existir ou são escritos
por meio de outras ferramentas, tendo alterado sua forma de leitura (jornal digital),
produção (da carta para o e-mail) e circulação (do impresso para o digital), dando
lugar a novas formas de interação, modificando a natureza de gêneros já existentes
ou surgindo outros e novos gêneros discursivos (ROJO, 2013). Por isso, com este
trabalho pretende-se discutir como as fanfictions (contos digitais) podem ser
utilizadas no ensino da escrita nas aulas de língua portuguesa e respectivas literaturas.
Assim sendo, esta pesquisa é voltada para o ensino da escrita nas aulas de língua
portuguesa em turmas de ensino médio de uma escola pública de Macapá. Desta
forma, os dados estão sendo gerados através de entrevista individual e semi-
estruturada com uma professora participante combinada com observação, com
características etnográficas, junto a uma turma de 2º ano do ensino médio da rede
pública de ensino, cujos dados serão transcritos e analisados de modo
interpretativista. Além disso, pretende-se desenvolver, após a observação, junto com

9
Acadêmico do 7º semestre do curso de Licenciatura em Letras Português/Inglês e respectivas Literaturas da Universidade do
Estado do Amapá. E-mail: cohen.fernando@hotmail.com

27 27
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

a professora, uma sequência de atividades envolvendo o gênero discursivo


“fanfictions”. A partir do exposto, os dados que dispomos nos permitem perceber que
oportunizar a interação em ambientes online no ensino da escrita nas aulas de língua
portuguesa proporciona aos alunos produzir e negociar significados na sociedade
contemporânea.

Palavras-chave: Letramento digital. Fanfictions. Interação online.

Concepções de professores acerca do letramento tecnológico como ferramenta


ao ensino e aprendizagem
Pábula Nataély Ferreira Corrêa 10
Resumo: É de extrema importância levar em conta que a tecnologia faz parte do
contexto atual contemporâneo e deve ser ressignificado no trabalho pedagógico
escolar, sabendo que o uso das novas tecnologias educacionais como ferramenta
didática no processo de ensino e aprendizagem proporcionará aos alunos novos
desafios, de reconstrução de conhecimentos já existentes e incentivos para
construção de novos. Diante disso, há de se perguntar: Como incorporá-las em sua
prática pedagógica de forma significativa e não apenas como mais uma ferramenta
para motivar a sua aula ou transmitir conteúdos? Sabendo que o ambiente dispõe de
tecnologias como TV, vídeo, DVD, retroprojetores, projetor de multimídia e
laboratórios conectados à internet, porém “sozinhas não mudam a escola, porém
trazem diversas maneiras de apoio ao professor e motivação diferenciada ao
alunado.” OBJETIVO: Verificar quais meios tecnológicos estão sendo utilizados como
ferramentas no processo educacional e de que maneira estão sendo repassados.
MÉTODO: Pesquisa de cunho descritivo, realizada através de questionário com
perguntas abertas e fechadas. A amostra foi composta por 7 professores de Língua
Portuguesa, Língua Inglesa e Educação Física do Ensino Fundamental e Médio no
período Matutino e Vespertino de 01 Escola Estadual do Município de Santana-AP. As
informações foram analisadas, tanto pelo aspecto quantitativo como qualitativo.
RESULTADOS: Percebeu-se que a maioria do corpo docente considera as novas
tecnologias digitais e os novos letramentos como meio importantes para o uso de
textos (diversos gêneros) multissemióticos e hipermidiáticos, porém ainda deixam a

10
Graduanda em Licenciatura em Letras/UNIFAP. Email: nana05_ferreira@hotmail.com
28
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

desejar, demonstrando que, na maioria das vezes, os professores utilizam mais os


conteúdos de forma tradicional, através de meios impressos, outros apresentam
oralmente trabalhos e por fim ha aqueles que conseguem fazer um link ensino e
aprendizagem com meio virtual. O aluno ainda precisa compreender que pode ser
trabalhado o multiletramento em sala de aula, principalmente da maneira mais
atrativa possível, utilizando a tecnologia como ferramenta. Para isso, faz-se necessário
que o corpo docente possua formação continuada adequada, para assim inserir as
diversas possibilidades educacionais tecnológicas, dessa maneira fazendo valer os
conteúdos ministrados de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais e a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, demonstrando que trabalhar a linguagem
formal e internetês (linguagem do meio virtual) não se foge do contexto educacional.
CONCLUSÃO: A pesquisa demonstrou que na comunidade docente há um diferencial,
devido às diversas possibilidades de repassar os conteúdos, seja através de leitura,
escrita, pesquisa, poesias, músicas e dramatizações, vídeos etc. No entanto,
evidenciou-se que a prática docente necessita ser aprimorada para que se torne
atraente ao aluno e seus conteúdos significativos. Principalmente ao se falar de
letramento digital, visto que a comunidade escolar discente os utiliza cada vez mais,
fora e dentro do ambiente escolar.

Palavra Chave: Multiletramento. Ensino Digital. Ensino e Aprendizagem.

“Sempre passo pra eles construírem diálogos”: o ensino da escrita em aulas de


E/LE
Janilza Soares Ribeiro (UEAP) 11
Lílian Latties dos Santos (UEAP) 12
Resumo: Com esta pesquisa pretende-se verificar como a escrita é ensinada nas aulas
de espanhol como língua estrangeira (doravante ELE), de modo a oportunizar a
produção de textos multimodais em língua espanhola, uma vez que tal prática de
letramento é necessária para a participação dos sujeitos na sociedade

11
Bolsista PROBICT/CNPq 2017/2018 do projeto “O ensino multimodal de leitura e da produção escrita em aulas de Espanhol
como Língua Estrangeira”. Acadêmica do 7º semestre do curso de Letras Português/Espanhol e respectivas Literaturas na
Universidade do Estado do Amapá (UEAP). E-mail: jannilza.soares@hotmail.com.
12
Coordenadora do projeto de pesquisa “O ensino multimodal de leitura e da produção escrita em aulas de Espanhol como
Língua Estrangeira”. Professora auxiliar no curso de Letras na Universidade do Estado do Amapá (UEAP). E-mail:
lilian.santos@ueap.edu.br.

29 29
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

contemporânea. Assim sendo, destaca-se que os novos letramentos surgem na


sociedade contemporânea com as novas tecnologias e, consequentemente,
demandam da escola mudanças quanto à forma de ensino (ROJO, 2012), visando à
constituição de sujeitos autônomos por meio da escrita e da leitura (KLEIMAN, 2014).
Além disso, com a pedagogia de multiletramentos, desenvolvida pelo grupo de Nova
Londres, entende-se que os textos são naturalmente multimodais – ou seja,
relacionam cores, escrita, fontes, imagens e sons – e que, consequentemente, o ensino
de línguas deva ocorrer a partir da leitura e da produção de gêneros discursivos
multimodais, incluindo os produzidos em ambientes digitais (COPER; KALANTZIS,
2010; ROJO, 2012). Desta forma, a pesquisa em questão é voltada para o ensino da
escrita nas aulas de ELE em uma turma de ensino médio de uma escola da rede pública
do município de Macapá, sendo desenvolvida através de pesquisa-ação, na qual os
dados estão sendo gerados a partir de/o: a) entrevista individual e semi-estruturada
(já realizada com a professora participante); b) observação (em andamento) das aulas
de ELE e; c) desenvolvimento de uma sequência de atividades que oportunize o ensino
da escrita por meio da produção de textos multimodais, a ser planejada com a
professora da escola. Assim, a partir dos dados que dispomos, analisados de forma
interpretativista, pode-se perceber que a escrita ainda é trabalhada, a partir de um
único gênero discursivo, para o ensino de gramática e correção ortográfica.
Entretanto, pretende-se que tal realidade se transforme com o planejamento e
desenvolvimento da sequência didática juntamente com a professora.

Palavras-chave: multiletramentos; ensino da escrita; língua espanhola.

Objetos (digitais) de aprendizagem, multiletramentos e capacidades de leitura:


por uma educação responsiva à contemporaneidade
Ana Rafaela 13
Rosivaldo Gomes 14

13
Bolsista do Programa Voluntário de Iniciação Cientifica da Universidade Federal do Amapá (PROVIC/UNIFAP). Acadêmica do
Curso de Letras/Francês e membro Núcleo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA/UNIFAP/CNPq). Email:
anaazvd17@outlook.com
14
Doutor em Linguística Aplicada/IEL-UNICAMP e pós-doutorando em Educação pelo Departamento de Pesquisa e Pós-
graduação da Universidade Federal do Amapá (DPG/UNIFAP). Professor adjunto de Língua Portuguesa e Didática das Línguas
do Departamento de Letras e Artes/Cursos de Letras Francês e Inglês da UNIFAP e líder do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos
e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA/UNIFAP/CNPq). Email: rosivaldounifap12@gmail.com.
30
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Resumo: Diante das inovações tecnológicas existentes, houve projetos que


elaboraram materiais didáticos interativos com o intuito de inovar no
ensino/aprendizagem de alunos e professores. Esses materiais podem ser
caracterizados como Objetos de Aprendizagem (OA) ou como Objetos Digitais de
Aprendizagem (ODA). Com o intuito de discutir o papel desses objetos/materiais
pedagógicos para o ensino de Língua Portuguesa, no ensino fundamental II, será feito
um estudo sobre o possível mapeamento dos aspectos utilizados por meio de
materiais interativos para o ensino, instigação e efetivação do trabalho com
capacidades de leitura. Nossa pesquisa guia-se pelo questionamento sobre como
ocorre a relação entre objetos digitais como instrumentos para um ensino interativo
x um ensino dito tradicional? Nesse viés, o objetivo deste trabalho é apresentar os
encaminhamentos metodológicos a serem realizados para o desenvolvimento da
pesquisa, que se caracteriza qualitativa-interpretativista, do tipo documental (ANDRÉ,
1995). Para fundamentação teórica quanto aos OA/ODA usaremos Leffa (2006),
Nukácia (2009, 2010), Gomes (2017), Willey (2000, 2007), Chinaglia (2016). Para nossas
análises quanto às capacidades de leitura, são mobilizadas as discussões sobre leitura
a partir de Koch e Elias (2006a), Rojo (2004, 2007), Kleiman (1989, 2004) e Leffa (1996,
1999). É relevante ressaltar que os OA/ODA precisam ser produzidos de maneira
equilibrada, de modo a delegar atribuições para cada componente do material e
permitir que o conjunto de conhecimentos (linguístico, computacional, estatístico, de
arte, etc.) seja utilizado em prol de alunos e professores com a perspectiva de novas
concepções interativas de ensino de língua portuguesa. Nesse sentido, relevantes são
as discussões da pedagogia dos multiletramentos proposta pelo Grupo de Nova
Londres (COPE; KALANTIZIS et al, 2000), já que esses objetos apresenta-se como
multissemióticos e constituem e podem favorecer novas práticas de leitura e escrita
considerando suas configurações digitais, as novas práticas de (multi)letramentos que
são requeridas agora para a escola contemporânea e para os alunos. O intuito é,
portanto, ressaltar aspectos contribuintes que, no caso de lacunas, possam integram
o material didático digital e demonstrar o que há, o que não há, quais alterações,
refacções e elaborações são necessárias para que o material didático seja um
instrumento de recorrente utilização em sala de aula.

Palavras-chave: Materiais didáticos; Objetos de aprendizagem; Leitura; Língua


portuguesa.

31 31
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Leitura e produção do gênero notícia digital e o uso de tecnologias na educação


de jovens e adultos: uma proposta de ensino

Marinete dos Santos Pereira15


Rosivaldo Gomes 16
Resumo: A partir da introdução de novas tecnologias em sala de aula, a escola tem se
tornado um locus privilegiado de pesquisas que buscam discutir, verificar
possibilidades, bem como usos e impactos que as tecnologias digitais têm nos
processos de ensino e aprendizagem. Nesse sentido, apoiando-nos na teoria dos
Multiletramentos proposta por pesquisadores do Grupo de Nova Londres
(KALANTZIS; COPE, 2004/2007, 1996) e por Rojo (2012, 2013), o objetivo pesquisa é
apresentar uma proposta didática para se trabalhar com o gênero notícia digital,
envolvendo as Tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC) em turmas
da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para a realização deste trabalho,
fundamentamo-nos, metodologicamente na modalidade de pesquisa-ação (ANDRÉ,
2005), de base qualitativa-interpretativista, situada no campo da Linguística aplicada
Interdisciplinar (MOITA-LOPES, 2009, 2009; ROJO, 2001, 2006). Os dados discutidos
são parte de uma pesquisa maior do Curso de Especialização em Produção de
Materiais didáticos para Mediadores de Leitura para Educação de jovens e Adultos,
realizada na Universidade Federal do Amapá. O foco da pesquisa incide sobre a
produção o gênero discursivo notícia digital e o desenvolvimento de capacidades de
multiletramentos e novos letramentos – digitais – na produção desse gênero. A
investigação empírica do estudo revela que os alunos conseguem mobilizar
capacidades diversas tanto em relação à produção escrita para elaboração do gênero,
bem como outras linguagens/semioses (visuais e sonoras) para a construção de
efeitos de sentido pretendidos na transmissão da informação.

Palavras-chave: EJA. Tecnologias. Ensino. Notícia digital.

15
Especialista em Informática na Educação-UNINTER/IBPEX; Especialista em Mídias na Educação-UNIFAP: Especialista em
Produção de Material Didático e Formação de Mediadores de Leitura para a Educação de Jovens e Adultos (PROMAD/UNIFAP);
Especialista em Gestão Escolar-UNIFAP Licenciada em Filosofia da Educação pela Universidade Estadual do Ceará-UECE;
Acadêmica do Curso de Licenciatura em Informática no Instituto Federal do Amapá- IFAP; Professora de 1º ao 5º Ano do Ensino
Fundamental do Município de Porto Grande-AP.
16
Professor doutor em Linguística Aplicada e adjunto do Departamento de Letras da Universidade Federal do Amapá.
32
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Literatura e escola: multiletramentos em literatura digital através do conto


realista
Inara Lopes da Silva 17
Rosivaldo Gomes 18
Resumo: A possibilidade de desenvolver pensamentos críticos, reflexão além do que
socialmente nos condicionam reflexões sociais, a literatura tem servido como deleite.
Essas e outras são algumas das funções, dentre as diversas, que a leitura pode nos
proporcionar. O fato é que, comumente, percebe-se o desestímulo pelas práticas
escolares da leitura bem como dos gêneros literários, sobretudo pela falta de
remodelação de conteúdos e de didática, gerando, como consequência, o
desinteresse dos alunos. Tendo em vista isso, e a influência que as mídias têm sobre
os estudantes, e o despertar para aprender Literatura e, mais que isso, o gosto pelo
ato de ler por meio dos objetos digitais, o objetivo desta pesquisa é investigar se há
materiais didáticos digitais utilizados no ensino médio nas aulas de Literatura e
também analisar de que forma a tecnologia, se utilizada em sala de aula, tem
implicado na aprendizagem dos alunos no ensino dessa disciplina. Neste projeto,
fundamentamo-nos em Almeida e Silva (2011),Bordini e Aguiar (1993), Almeida e
Valente (2012) dentre outros mais, com o intuito de abordar a Literatura como função
social, letramento literário e seus afins por meio do conto Realista. Além dessa base
teórica, lançaremos mão das discussões sobre multiletramentos a partir das
discussões feitas pelo Grupo de Nova Londres (COPE; KALANTIZIS et al, 2000),
considerando que a literatura, por possuir plurissignifações, configura-se também
como um eixo de ensino que tem exigido dos alunos práticas tanto de leitura quanto
de escrita que não se predem mais à historiografia literária e que existem
multiletramentos e integração de linguagens. Para a elaboração das etapas e
metodologia, fundamentamo-nos no campo da Linguística Aplicada
Indisciplinar/Transgressiva/da Desaprendizagem (MOITA-LOPES, 2006; PENNYCOOK,
2006; FABRÍCIO, 2006). A abordagem de pesquisa será, portanto, qualitativo

17
Bolsista do Programa Voluntário de Iniciação Cientifica da Universidade Federal do Amapá (PROVIC/UNIFAP). Acadêmica do
Curso de Letras/Francês e membro Núcleo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA/UNIFAP/CNPq). Email:
Inaralopesmd@gmail.com.
18
Doutor em Linguística Aplicada/IEL-UNICAMP e pós-doutorando em Educação pelo Departamento de Pesquisa e Pós-
graduação da Universidade Federal do Amapá (DPG/UNIFAP). Professor adjunto de Língua Portuguesa e Didática das Línguas
do Departamento de Letras e Artes/Cursos de Letras Francês e Inglês da UNIFAP e líder do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos
e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA/UNIFAP/CNPq). rosivaldounifap12@gmail.com.

33 33
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

interpretativista, sendo realizada uma pesquisa-ação/participativa (ANDRÉ, 1995;


THIOLLENT, 2011; BARBIER, 2002; EGG, 1990). Além dessas bases, nosso projeto
fundamenta-se nos paradigmas da aprendizagem curricular e paradigma da
aprendizagem interativa (LEMKE, 2010). Partindo disso, proporemos um conjunto de
recursos educacionais digitais para a produção de textos literários.

Palavras-chave: Literatura; Leitura; Materiais didáticos; Realismo brasileiro.

GT 2. PRÁTICAS DISCURSIVAS - IDENTITÁRIAS E (INTER) CULTURAIS NOS


MATERIAIS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA: VISÕES A PARTIR DA
ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO

Práticas discursivas críticas no livro didático de língua portuguesa: relação


ensino-sociedade
Marcus Vinícius Ribeiro Puresa (NEPLA - UNIFAP) 19
Orientador: Prof. Dr. Rosivaldo Gomes (NEPLA- UNIFAP) 20

Resumo: O livro didático é uma ferramenta fundamental de ensino usado pelos


professores em práticas de letramento na sala de aula. Mediante tal importância,
atualmente há diversas pesquisas e discussões devido às escolhas e propostas
apresentadas no livro didático, que além da prática de linguagem, transportam
discursos que se estabelecem no contexto educacional por meio de práticas
discursivas, intimamente ligados às estruturas sociais existentes. Nesse sentido, o
presente trabalho é resultado de pesquisas de iniciação cientifica que aborda os
materiais didáticos de Língua Portuguesa, o qual está vinculado a um projeto maior
intitulado Práticas Discursivas na construção de gêneros discursivos em sistema
escolar e redes sociais. O referencial teórico está fundamentado nas discussões da
Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001; 2005; RIOS, 2014; RESENDE,
RAMALHO, 2006; MAGALHÃES, 2005) abordando o papel de significação
representativa dos discursos, levando em consideração seus efeitos constitutivos de

19
Graduando do 9º semestre do curso Licenciatura plena em Letras Português/Francês na Universidade Federal do Amapá. É
membro do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (NEPLA/CNPq-UNIFAP). E-mail:
m.vinicius.ribeiro91@gmail.com.
20
Professor efetivo de Língua Portuguesa do colegiado do curso Licenciatura em Letras Português/Francês da Universidade
Federal do Amapá. Doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Coordenador do Núcleo
de Pesquisa em Linguística Aplicada – (NEPLA/CNPq- UNIFAP). E-mail: rosivaldounifap12@gmail.com.
34
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

identidade e relações sociais mediante textos nos livros didáticos. Esta pesquisa
sustenta-se nas discussões da Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 2006), sendo
realizada uma análise documental de um conjunto de corpus, os quais foram extraídos
conteúdos escritos/multimodais e atividades de leitura e interpretação de texto do
livro volume 3 da coleção mais distribuída para a rede púbica de ensino (PNLD 2015):
Português Linguagens (William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães). Os
resultados dos dados obtidos apresentam textos que, mesmo com a força do
processo de didatização, trazem discussões interessantes acerca de discursos
amplamente abordados socialmente, trazendo aspectos históricos em contextos
particulares que influenciam nas práticas discursivas e sociais, proporcionando ao
aluno como sujeito a reflexão acerca da representatividade discursiva existente que
constitui e constrói a sociedade.

Palavras-chave: Discurso; Livro didático; Prática discursiva; Sociedade.

Literatura gay como visibilidade à comunidade LGBTTT


Ingrid Lara de Araújo Utzig 21
Rodrigo Almeida Ferreira 22
Yurgel Pantoja Caldas 23
Resumo: Aos poucos, a comunidade LGBTTT recebe destaque nos meios sociais e de
comunicação. Particularmente no Brasil, país movido à cultura de massa, é possível
notar a presença desse público nos canais televisivos com frequência. Este artigo
buscou discutir a existência e validade de uma Literatura Gay, ao conceituar e
contextualizar historicamente as primeiras manifestações escritas a respeito desses
registros no Brasil, mostrando também a realidade da produção nacional
contemporânea. Além disso, debateu-se a diferenciação entre Literatura Gay e
homoerótica, analisando também a presença e a importância da temática queer
dentro da Literatura Infantil, tendo em vista a promoção da tolerância à diversidade e
à expressão de múltiplas identidades, considerando que a leitura é um elemento

21
Especialista em Língua Inglesa pelo Instituto de Ensino Superior do Amapá (IESAP) e licenciada plena em Letras/Inglês pela
Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Professora de Língua Inglesa no Instituto Federal do Amapá (IFAP), campus Macapá.
E-mail: ingrid.utzig@ifap.edu.br.
22
Licenciado pleno em Letras/Inglês pela UNIFAP. Email: ferreira.rodrigo23@gmail.com.
23
Professor orientador. Pós-Doutor pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL); Doutor em Estudos Literários
pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Mestre em Estudos Literários pela UFMG; graduado em Letras pela
Universidade Federal do Pará (UFPA). Professor da UNIFAP. E-mail: yurgel@uol.com.br

35 35
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

influenciador na formação da criança. A partir disso, foi possível perceber se há um


engajamento ou comprometimento da literatura gay com a causa da comunidade
LGBTTT, a fim de garantir uma conscientização de cunho político-social, ou se esta
literatura se manifesta apenas através de um foco para um público específico e
marginalizado. Para investigar essas questões norteadoras, utilizou-se o método de
pesquisa bibliográfica, contrapondo as concepções de teóricos como Elenilson
Nascimento, Roberto Dias Muniz, Lúcia Helena da Silva Joviano, Moriconi, Everton
Silva e outros autores. Após a realização do estudo, notou-se que a existência da
Literatura Gay é, acima de tudo, um veículo de visibilidade à comunidade LGBTTT,
contribuindo para a democratização do acesso à temática queer. Constatou-se que a
presença da Literatura Gay também é válida em obras infantis, posto que é
indispensável o contato da criança com esse assunto, a fim de garantir o
desenvolvimento integral de um sujeito crítico e questionador do status quo da
sociedade heteronormativa pós-moderna, que ainda está em processo de construção
do rompimento com sexualidades pré-moldadas.

Palavras-chave: Comunidade LGBTTT. Literatura Gay. Temática Queer. Literatura


Infantil. Visibilidade.

“E puta escolhe? Tu é fresco? Melhor coisa é olhar mina cm roupa bem curta” -
performances de gênero e sexualidade em redes sociais: apontamentos entre a
análise de discurso crítica e a teoria queer
Jonny Euripedes Mamedio Siqueira 24
Rosivaldo Gomes 25
Resumo: Neste trabalho, apresentamos resultados da pesquisa de iniciação cientifica
intitulada “Problematizando o sujeito social: por uma análise performática dos
discursos de identidades, gênero e sexualidade em letramentos digitais de
comunidades do facebook” (SIQUEIRA; GOMES, 2017), desenvolvida na Universidade
Federal do Amapá. Pretendemos trazer discussões sobre performances discursivas de
identidades, gênero e sexualidade segundo os estudos da Teoria Queer e possíveis
relações com a Análise de Discurso Crítica (ADC). A constituição da pós-modernidade

24
Bolsista de Iniciação Científica/UNIFP. Acadêmico do Curso de Ciências Sociais da UNIFAP.
25
Doutor em Linguística Aplicada e prof. do Departamento de Letras e Artes/UNIFAP.
36
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

ou modernidade reflexiva (HALL, 1992; BAUMAN, 2001, 1998; GIDDENS, 1991) tem
marcado cada vez mais mudanças de diversas ordens e tem desestabilizado
metanarrativas (LYOTARD, 1993; SILVA, 1994) que caracterizaram/caracterizam
discursos totalizantes, generalistas, dominantes e homogeneizadores (MOITA LOPES,
2002, 2003) ainda vigentes. Nesse viés, o presente estudo tem como objetivo central
analisar duas postagens de uma página – Orgulho de ser hetero – da rede social
facebook, buscando entender como são construídas algumas performances de
gênero e sexualidade nessa página. Os dados foram gerados a partir de uma pesquisa
de base etnográfica virtual/netnográfica, realizada de agosto de 2016 a agosto de
2017, sendo o corpus da análise constituído por dois posts de 2017.
Metodologicamente, situamo-nos no campo da Linguística Aplicada
Indisciplinar/transgressiva/da desaprendizagem (MOITA-LOPES, 2006; PENNYCOOK,
2006; FABRÍCIO, 2006). Para análise, lançamos mão de categorias teórico-analíticas
tais como práticas discursivas/axiologias/concretas/dialógicas; relações de discurso,
poder, sexualidade e gênero e teoria social (crítica) de discurso (BAKHTIN (2003[195-
2/3/1979, 1926; BUTLER, 1993, 2004a, 2004b; FAIRCLOUGH, 2001, 2003). Pelos
contextos de interação analisados, os resultados demonstram que determinadas
ordens do discurso se relacionam e estabelecem certas performances de identidade,
sexualidades relacionadas à heteronormatividade e pouco desestabilizam certos
sentidos sobre essas performances pelo viés discursivo.

Palavras-chave: Facebook. Identidades. Discursos. Gênero. Sexualidade.

Análise enunciativo-discursiva em comentários de notícias entre usuários na


página da revista veja na rede social facebook
Willian Gonçalves da Costa 26
Rosivaldo Gomes 27
Resumo: Este trabalho apresenta dados iniciais de uma pesquisa de iniciação
cientifica, desenvolvida na Universidade Federal do Amapá, cujo objetivo geral é
analisar o processo enunciativo - discursiva em comentários de interactantes em uma
página de notícia da Revista VEJA da rede social facebook e, mais especificamente,

26
Bolsista voluntário de Iniciação Científica e membro do NEPLA/UNIFAP. Acadêmico de Letras Inglês do Dep.. de Letras e Artes
da Universidade Federal do Amapá – DEPLA/UNIFAP. Email: williancosta.doc@gmail.com.
27
Doutor em Linguística Aplicada e professor do Departamento de Letras e Artes da UNIFAP. rosivaldo@unifap.br.

37 37
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

intentamos discutir, a partir dos conceitos de polifonia e heteroglassia (BAKHTIN,


1998 [1934-1935]), como ocorre o processo de interação-discursiva nessa página de
notícia. Fundamentamos nosso estudo com base nas discussões de gêneros do
discurso, enunciados concretos, contexto extraverbal e apreciação valorativa
(BAKHTIN, 2003 [1952/3]; VOLOSCHINOV/BAKHTIN, 1926; PEREIRA, RODRIGUES,
2014; BRAITH, 2005). Considerando que tratamos a respeito de construções
discursivas em redes sociais, válidas para este trabalho as discussões de Santaella
(2014) e Recuero (2010) a respeito dessas redes. A pesquisa situa-se no campo da
Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 2006; FABRÍCIO, 2006), sendo realizada a partir
da abordagem qualitativo-interpretativista do tipo pesquisa etnográfica virtual
(AMARAL et al., 2008), realizada na página da Revista VEJA online. O corpus
delimitado para esta análise é de uma notícia xxxxxx, publicada no dia xxxxx e os 40
primeiros comentários referentes à postagem da referida notícia. A partir dos critérios
de análises elaborados com base nos referenciais teóricos (COSTA, 2017), os dados
mostram que apenas a presença de marcadores conversacionais, nas publicações em
comentários não são suficientes para a compreensão do processo de interação e do
“quer-dizer” enunciativo desses interlocutores, o que implica a retomada ao contexto
e aos horizontes constitutivos (espacial e temporal) dessas construções dialógicas
heteroglassícas.

Palavras-chave: Discursos. Rede social facebook. Gênero comentário.

GT 3. LETRAMENTO ACADÊMICO: CONTRIBUIÇÕES DA ABORDAGEM


SOCIORRETÓRICA DOS GÊNEROS
Coordenadoras: Beatriz Silva e Edilene Chagas

A sociorretórica do gênero resumo acadêmico: caminho para o letramento


acadêmico
Beatriz Magalhães 28
Edilene Picanço 29
Martha Zoni 30

28
Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UNIFAP, biamagsilva94@gmail.com.
29
Monitora do Programa em Letramento Acadêmico/UNIFAP, edilenechagas2013@gmail.com
30
Prof.ª Dra. do Colegiado de Letras da Universidade Federal do Amapá, mcfzoni@hotmail.com
38
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Resumo: Este trabalho parte de uma pesquisa maior intitulada Retextualização e


Movimentos Retóricos na Construção de Gêneros Discursivos e objetiva descrever os
caminhos percorridos na pesquisa com as praticas de leitura e escrita de gêneros
acadêmicos, com destaque para o Resumo Acadêmico (ABSTRAC) no Programa de
extensão em Letramento Acadêmico, e em como essas práticas auxiliaram os
ingressantes nesse rito de passagem dos estudos vistos em nível básico para os
estudos mais avançados, como requerem as práticas letradas na Universidade. O
referencial teórico de base utilizou os autores Bakhtin (2003), Bazerman (1994), Miller
(1984), Marcuschi (2003), Motta-Roth e Hendges (2010) e Swales (1990). John Swales
contribui de forma particular para esse trabalho pelo fato de utilizar a abordagem
sociorretórica para o ensino de gêneros do contexto acadêmico. Os dados foram
coletados nos meses de junho a setembro de 2016, na turma de Letras Libras
Português 2016 na execução da primeira etapa de trabalho do Programa em
Letramento Acadêmico, que visou a inserção de alunos ingressantes no ambiente
acadêmico por meio do ensino de movimentos retóricos proposto por Swales (1990),
sobre a sociorretórica, uma vez que a utilização de movimentos retóricos na escrita
de gênero possibilita que o texto tenha uma melhora aceitação por parte do leitor.
Além de propiciar a quem escreve o texto destreza na elaboração do discurso. Para a
triangulação dos dados, utilizou-se como instrumento notas de campo, textos dos
acadêmicos e questionário aplicado aos alunos e professores. E para a análise do
corpus utilizou-se o quadro de movimentos retóricos adaptado de Motta-Roth e
Hendges (2010). Os resultados preliminares da pesquisa demonstraram que as
práticas desenvolvidas na produção do gênero em muito contribuíram para o avanço
na progressão da escrita, do gênero Resumo Acadêmico, dos acadêmicos
ingressantes no primeiro semestre do curso de Letras Libras Português.

Palavras-chaves: Letramento Acadêmico, Sociorretórica, Resumo Acadêmico.

Verbos de dizer em resenhas produzidas por acadêmicos de graduação: uma


análise das produções de alunos ingressantes do curso de letras
Karen de Souza Oliveira31
Martha Zoni 32

31
Acadêmica do Curso de Letras Português/Francês da Universidade Federal do Amapá- Campus Marco Zero.
32
Prof.ª Dra. do Colegiado de Letras da Universidade Federal do Amapá, mcfzoni@hotmail.com

39 39
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo analisar o emprego de verbos de


dizer para introduzir a voz do outro em resenhas acadêmicas produzidas por alunos
ingressantes no primeiro semestre de 2016 do Curso de Letras Libras Português da
Unifap. É importante esclarecer a importância do contexto em que se trabalha o
gênero resenha acadêmica, pois para Swales (1990), que trabalha com a Sociorretórica
dos Gêneros, não é possível compreender o texto unicamente diante de análises de
elementos linguísticos. Visto que o texto precisa ser considerado em seu contexto e
para produzir no contexto acadêmico a compreensão sobre o texto em si não é
suficiente. A partir dessa perspectiva o autor direciona ao que se trata o conhecimento
de gênero em espaço acadêmico, o qual é usado neste trabalho. A análise de verbos
de dizer em resenhas produzidas por alunos do primeiro semestre do curso de Letras
Libras Português está baseada em discussões teóricas alicerçadas nas classificações
de verbos utilizados por Motta-Roth & Hedges (2010). Faz-se necessário também
utilizarmos estudiosos que pesquisam o discurso relatado, como Authier-Revuz
(2004) e Maingueneau (2001), e que nos permitem maior entendimento acerca das
formas do discurso direto e do discurso indireto. Para análise dos textos, neste
trabalho, utilizaremos como metodologia a análise documental (IGLESIAS; GÓMEZ,
2004), compreendida como um conjunto de operações intelectuais e tem como
finalidade descrever e representar os documentos de maneira unificada e sistemática
para facilitar sua recuperação. Os textos, que serão analisados, tratam-se de um total
de 50 resenhas produzidas no primeiro semestre de 2016 no período de setembro a
dezembro de 2017.

Palavras-chave: Resenha Acadêmica. Sociorretórica. Verbos de dizer. Discurso direto


e indireto.

GT 4. DOCUMENTOS OFICIAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA E ENSINO DE LÍNGUA


MATERNA: DEBATES PARA ALÉM DA NORMATIZAÇÃO
Prof. Ma. Suzana Barros do Espírito Santo

Resumo: O ensino de língua portuguesa nas escolas da educação básica do Brasil


segue determinadas parametrizações no que respeita a proposta organizacional dos
conteúdos, dos objetivos de ensino e dos direitos de aprendizagem. Nesse sentido, o
Parâmetro Curricular Nacional – PCN (1998) visa instituir novas formas de conduzir o

40
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

ensino e aprendizagem da leitura, escrita, oralidade e análise linguística a partir do


estudo dos gêneros textuais, assim como, nesse viés, atualmente, tem-se a construção
e, possivelmente, a implementação de uma Base Nacional Comum Curricular – BNCC,
uma exigência do Plano Nacional de Educação (PNE) por meio da Lei Federal nº
13.005, que objetiva equalizar o currículo escolar, em dada medida. Voltada
especificamente para a fase final da Educação Básica tem-se as Diretrizes Curriculares
Nacionais para o Ensino Médio – DCNEM (1998), que expressam um conjunto de
normatizações para assegurar a formação comum a todos os estudantes do país. Ao
tomar como referência essas bases legais, propomos que sejam debatidas, neste
grupo de trabalho, as relações e implicações para o ensino de língua materna e para
a formação discente, o diálogo com diretrizes municipais e estaduais, a
fundamentação em demais legislações, como LDB 9294/96, OCN (2006), lei nº 13.415,
de 16 de fevereiro de 2017, MP 746/2016 (versa sobre a reforma do Ensino Médio),
além de discutir, a partir das orientações oficiais, as políticas de formação docente,
tão fundamentais nesse processo de execução dos documentos curriculares. Destarte,
serão aceitos trabalhos direcionados para tais questões.

Ensino médio integral: o imediatismo em busca de um ensino que renove a


educação brasileira
Joyce Vitória Martins Cruz 33
Resumo: O objetivo deste trabalho é analisar a implantação das escolas em tempo
integral e está centrado na discussão de como essa implantação está ocorrendo e a
forma pela qual se deu sem um amplo debate que englobasse o tema com
especialistas na área de educação e a sociedade em geral. Trata-se de uma pesquisa
qualitativa interpretativista, de parte documental e coleta de dados em campo. Para
tanto, buscou-se analisar como a implantação está ocorrendo no contexto atual e
mais propriamente em uma escola da rede pública de ensino de Macapá, no estado
do Amapá, por meio de diálogo com um docente de uma escola em tempo integral.
Além disso, foi realizada a análise de documentos oficiais, sendo eles, a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação (LDB, 1996), Plano Nacional de Educação (PNE, 2014)
e a Portaria do MEC n°1.145, de 10 de outubro de 2016, que institui o Programa de

33
Acadêmica do Curso de Letras Francês da Universidade Federal do Amapá.

41 41
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral, a partir dos quais buscamos


informações que nos permitem compreender a nova carga horária, as matérias que
agora podem fazer parte da matriz curricular dos estudantes, dentre outros aspectos.
Os referenciais teóricos aqui utilizados serão os documentos oficiais citados acima.
Esta pesquisa justifica-se pela relevância em trazer ao debate as ações do Governo
Federal que mostraram-se arbitrárias e sem a aprovação pela maioria da sociedade
civil. Ainda que a ideia do Estado seja transformar a educação para que essa se renove
e atenda às necessidades dos alunos, ouvir o anseio deles e dos profissionais que
lidam com a realidade precária e o descaso com ensino no País, possivelmente seria
a maneira mais coerente e democrática para amenizar as mazelas do ensino no Brasil,
porque tais parâmetros até aqui tomados mostram-se paliativos e não encaram os
problemas com a seriedade que requerem.

Palavras-chave: Escola em Tempo Integral; Ensino Médio; Governo Federal.

Orientações dos pcn para o ensino da análise linguística no ensino fundamental:


análise a partir do gênero tirinha
Paulo Herculano Ribeiro Santos 34
Orientadora: Ma. Suzana Espírito Santo Barros 35

Resumo: A pesquisa em fase de desenvolvimento, tem como intuito observar como


se apresentam as propostas de práticas de análise linguísticas(AL) em livros didáticos
(LD), em específico, as atividades desenvolvidas a partir do gênero textual tirinha,
tendo em vista que as pesquisas sobre discurso, gênero e texto estão sendo
associadas à AL. As atividades que envolvem uma reflexão sobre o uso da língua são
direcionadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 1998) de Língua
Portuguesa (LP), os quais norteiam para a articulação do eixo uso-reflexão-uso. Para
isso, é analisado o livro do 6º da coleção Português Linguagens, utilizado em escolas
da rede pública de ensino do estado do Amapá. Como nossa linha de pesquisa é o
ensino e aprendizagem de LP, elegemos como embasamento teórico os estudos
sobre gêneros textuais (BAKHTIN, 1997) a partir da orientação teórico-metodológica
do interacionismo sociodiscursivo (BRONCKART, 1999) que propõem abordagens
quanto à análise de gênero aplicadas ao ensino; e das bases da teoria da Análise

34
Discente do curso Letras Português-Inglês da Universidade Federal do Amapá / lano.paulo@gmai.com.
35
Docente do curso Letras Português-Inglês da Universidade Federal do Amapá / letrassu@gmail.com.
42
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Linguística (AL), (REINALDO; BEZERRA, 2013) e ainda (MENDONÇA, 2006), que


conduzem o estudo e a necessidade de se debater AL principalmente no que
concerne os LD, entre outros. Adotamos a metodologia documental, de caráter
qualitativo, que nos possibilitará analisar como se dão as propostas de AL na vertente
epilinguística, compreendendo que este aspecto de AL permite comparar e refletir
sobre o uso das línguas e suas competências por meio de comparação entre textos.
À vista disso, pretendemos verificar se há divergências ou convergências quanto a
prática de AL proposta pelos PCN e as abordagens apresentadas no livro didático,
tendo como norte o uso do gênero tirinha, que geralmente está presente no processo
de elaboração de atividades no LD. A prática de AL permite um acesso amplo ao texto,
explorando-o em todos os seus aspectos, não deixando de lado o estudo da
gramática, que vem neste caso auxiliar no ensino de AL.

Palavras-Chave: Análise Linguística. Gêneros Textuais. Tirinha. Livro didático.

Gêneros discursivos nos livros didáticos de língua portuguesa: a construção da


análise linguística
Ivan Coelho Teixeira36
Suzana do Espírito Santo Barros 37

Resumo: O referido trabalho visa analisar o processo de construção da Análise


Linguística (AL) em materiais didáticos de língua portuguesa dos três últimos anos do
ensino médio, para isso será utilizado os livros didáticos com a finalidade observar se
esses materiais auxiliam o trabalho da prática de análise linguística e se eles
possibilitam ao aluno o desenvolvimento das competências e habilidades
asseguradas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de língua portuguesa (PCN,
2000). Desse modo, o referencial teórico pauta-se em estudos que contribuíram para
a prática de análise linguística, visto que esta engloba outras áreas, bem como teorias
da linguagem, a fim de auxiliar o aluno em uma produção textual coerente e coesa,
sobretudo objetiva, entre esses estudos estão os da análise linguística como um
método que auxilia no uso e reflexão da linguagem através das competências
epilinguísticas e metalinguísticas (BEZERRA; REINALDO, 2013); (GERALDI, 1997),
apoia-se também nos estudos dos gêneros discursivos como um fenômeno social,

36
Acadêmico do Curso de Letras da Universidade Federal do Amapá- Campus Marco Zero.
37
Docente do curso Letras Português-Inglês da Universidade Federal do Amapá / letrassu@gmail.com.

43 43
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

histórico e ideológico (BAKHTIN, 2003), bem como nos estudos do Interacionismo


Sociodiscursivo (ISD) acerca dos gêneros do discurso como uma avaliação das
atividades de linguagem de um coletivo organizado (BRONCKART, 1996). A pesquisa
situa-se no campo da Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 2006), sendo realizada a
partir do método de abordagem qualitativo-interpretativista e pesquisa do tipo
bibliográfica. A metodologia dá-se através da análise de uma coletânea de livros
didáticos dos três últimos anos do ensino médio, dos quais será selecionado um
gênero em cada livro; 1° ano (conto), 2° ano (romance) 3° ano (editorial). Uma vez que
a pesquisa está no início, os resultados esperados serão a contribuição da análise
linguística como método de ensino flexível da gramática e o uso reflexivo da
linguagem, ou seja, para além da normatização.

Palavras-chave: Gêneros Discursivos. Livros Didáticos. Análise Linguística.


Linguagem.

Transdisciplinaridade e interdisciplinariedade: a proposta do PCN e a


(in)adequação do livro didático
Andrey Duarte Ferreira38
Yasminy Silva de Moraes39

Resumo: Diante das exigências da sociedade atual, o mundo passou e passa por
inúmeras transformações, e neste cenário a educação possui um papel fundamental.
O objetivo geral deste trabalho é analisar a presença da Interdisciplinaridade e
Transdisciplinaridade no Livro Didático (LD) do Ensino Médio, especificamente na área
de Linguagens, Códigos e suas tecnologias, verificando se está de acordo com as
orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, 2000). Trata-se de uma
pesquisa bibliográfica e de análise documental visando conceituar os termos
Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade utilizando não somente as definições
trazidas pelos Parâmetros, mas também as ideias de autores como Campos (2014) e
Piaget (1972). A proposta dos PCN do Ensino Médio, quando diz respeito a
Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade como recursos complementares para

38
Acadêmico do Curso de Letras Português e Francês da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP. Email:
andrey.duarte10@hotmail.com.
39
Acadêmica do Curso de Letras Português e Francês da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP. Email:
moraesyasminy.ym@gmail.com.
44
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

ampliar as inúmeras possibilidades de interação entre disciplinas e entre as áreas nas


quais essas venham a ser agrupadas. Por meio da análise do livro Novas Palavras, dos
autores Emília Amaral, Mauro Ferreira, Ricardo Leite e Severino Antônio, percebemos
que o LD faz uso da Transdisciplinaridade e Interdisciplinaridade, estando, portanto,
de acordo com o que os PCN propõem. O interesse da investigação partiu da
relevância do papel da educação na vida do ser humano, pois promove o
desenvolvimento do indivíduo, inserindo-o no meio social como um ser pensante,
capaz de interagir com outros indivíduos e que quando colocado diante de
determinadas situações-problema tem condições necessárias para solucioná-las.
Outro fator relevante é que os PCN vêm com as propostas de reforma curricular para
o Ensino Médio que se pautam nas constatações sobre as mudanças no
conhecimento e seus desdobramentos, no que se refere à produção e às relações
sociais de modo geral. É um documento que permite-nos perceber que a educação
brasileira tem sido uma preocupação constante de grandes pesquisadores e
idealizadores, assim como também, de muitos professores da educação básica.

Palavras-chave: Transdisciplinaridade. Interdisciplinaridade. Livro Didático.

Pensando a base nacional comum curricular discussão para além da redação do


documento
Luciana Nunes Ferreira Chagas
Universidade Federal do Amapá

Resumo: Este trabalho foi realizado com base na análise da terceira versão do
documento normativo Base Nacional Comum Curricular e da leitura de artigos dos
seguintes autores: Sandra Mara Corazza (2016), Elizabeth Macedo (2014), Claúdia
Maria Mendes Gontijo (2015), Luiz Antônio Cunha (2017), tem como objetivo
despertar um novo olhar sobre a BNCC, um olhar não só no texto do documento, mas
o que vem por trás das belas palavras que o constitui. Desta maneira, foram
verificados os conceitos de igualdade e de equidade trazidos pela BNCC e os sentidos
literais destas palavras; a participação de agentes inseridos na BNCC e os agentes que
participaram de forma ativa nos eventos relacionados a construção deste documento;
a influência catastrófica da PEC (55) que reduz os investimentos na educação de forma
tão drástica por um período tão longo que faz parecer ser uma tentativa clara de
sucateamento da educação pública brasileira haja vista que não se pode sustentar o

45 45
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

mínimo necessário para mantê-las funcionando, tomamos como exemplo a redução


dos investimentos na Universidade Federal do Amapá - UNIFAP cujo o informe foi
dado pela própria reitoria. Tal tentativa pode ser um pretexto para a possível
privatização da educação brasileira com a desculpa de oferecer uma educação de
qualidade. Outro ponto abordado por este trabalho foi a relação da BNCC com a
Reforma da Educação, mais especificamente a Reforma do Ensino Médio, que torna
evidente a separação entre o Ensino Técnico e o Ensino Médio falsa separação nos
itinerários formativos específicos propostos pela BNCC retoma uma clara concepção
que há ensino Médio com preparação para o Ensino Superior para uns, e formação
para o mercado de trabalho para outros, o que não garante a inserção deste. Assim,
concluímos que não se deve permitir que as interferências e os interesses dos agentes
sociais privados prevaleçam em nossas políticas públicas na área da educação
brasileira.

Palavras-chave: Base Nacional Curricular Comum. Agentes sociais privados. Políticas


públicas de educação.

GT 8. DIVERSIDADE RELIGIOSA E CULTURAL NA AMAZÔNIA


Coordenadores: Prof. Dr. Marcos Vinicius de Freitas Reis e Profa. Dra. Fernanda Santos

Jesuítas e indígenas em fronteira: as missões no extremo norte da América do


Sul (século XVIII)
Bruno Rafael Machado Nascimento

Resumo: A comunicação apresenta uma análise da atuação das missões jesuíticas


francesas durante a primeira metade do século XVIII na região do rio Oiapoque, atual
fronteira entre Brasil e Guyane (Guiana francesa). O território em questão estabelecia
a fronteira entre Portugal e França, no extremo Norte da América do Sul. Tal fronteira
poderia ser considerada permeável e fluída, pois segundo as cartas dos religiosos
(principais fontes), etnias indígenas do lado português fugiam da escravidão e pediam
proteção às missões francesas. Essas reduções foram inspiradas na prática da
Província Jesuítica do Paraguai e os religiosos sofreram diversas dificuldades, como
por exemplo, as variedades das línguas, a pobreza da região, o pouco apoio financeiro
da Coroa francesa e principalmente as estratégias dos diversos povos que foram
“reduzidos”. A brevidade delas demonstra as vicissitudes, mas através da

46
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

documentação, em uma leitura histórica e antropológica, percebe-se o quanto os


padres da Companhia de Jesus tiveram que se submeter às necessidades indígenas,
também. Assim, os religiosos não só tentaram catequizar, mas no Oiapoque também
foram “catequizados”, “convertidos”, a fim de poderem viver na “selva” hoje conhecida
como Floresta Amazônica.

As representações do sebastianismo no tambor de mina 40


Paula Mariana Guedes Campos 41
Resumo: Este trabalho discute as representações do sebastianismo no Tambor de
Mina. Assim, para uma melhor compreensão das origens do sebastianismo em
Portugal, utilizam-se, como principais bases teóricas, as obras O Sebastianismo –
História Sumária (1987), de José van den Besselaar, e Império dos sonhos: narrativas
proféticas, sebastianismo e messianismo brigantino (2010), de Luís Filipe Silvério Lima.
A partir dessa compreensão histórica, aborda-se o sebastianismo nos poemas
Mensagem (2007), de Fernando Pessoa, e O Rei que Mora no Mar (2002), de Ferreira
Gullar. Além disso, para a discussão acerca do sebastianismo na encantaria,
empregam-se os conceitos de encantaria, especialmente no Tambor de Mina,
propostos por Mundicarmo Ferreti (2008) e por Sergio Ferreti (2013). Espera-se, com
essa pesquisa, ampliar o conhecimento do sebastianismo por meio de novas visões,
refletindo-se sobre a correlação de diversas vertentes históricas, literárias e religiosas
nas letras luso-brasileiras. Este trabalho pretende contribuir para a aproximação dos
estudos literários aos estudos religiosos, tratando-se de ambos como formas válidas
de conhecimento acadêmico. A pesquisa procura, enfim, apontar as relações do
sebastianismo com o Tambor de Mina no Brasil.

Palavras-Chave: Sebastianismo. Encantaria. Tambor de Mina.

40
Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na Universidade Federal do Amapá para o curso de Licenciatura Plena
em Letras-Português-Inglês, como requisito básico para obtenção de nota na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso, sob
a orientação do prof. Marcelo Lachat e Co-orientação do prof. Me. Vinicius Freitas.
41
Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Letras-Português-Inglês da Universidade Federal do Amapá.
paulaguedes87@gmail.com.

47 47
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

“Mas na getsemani encontrei algo que em nem uma outra consegui encontrar...
familia”: juventude(s) e pentecostalismo as percepções e experiências de jovens
assembleianos em uma igreja pentecostal
Cleiton de Jesus Rocha 42

Resumo: O trabalho tem como objetivo analisar como a Igreja Assembleia de Deus-
A Pioneira Congregação Getsêmani, que tem atuação no Bairro perpetuo socorro,
elaboram meios e “estratégias” para cooptação de jovens a religiosidade pentecostal,
assim como, tentar descrever como os jovens que fazem parte da igreja pensam a si
mesmo no campo evangélico. A problemática da pesquisa é a seguinte: Qual o motivo
dos jovens aderirem à religiosidade pentecostal? Quais são as estratégias que a Igreja
Assembleia Deus- Getsêmani utiliza-se para cooptação de fies a sua religiosidade? E
o que os incentiva a continuidade ao movimento pentecostal? Nesse sentido, utilizo-
me como metodologia a descrição etnográfica e observação participante como
recurso para coleta dos dados, assim como, as entrevistas semiestruturadas. Como
base de referencial teórico trabalho com a definição conceitual de “juventude(s)” da
Regina Novaes que concebe a juventude enquanto uma invenção e construção Sócio-
Histórica que está em constante negociação e sobre o pentecostalismo parto da
perspectiva do Ronaldo Almeida que pensa o pentecostalismo (s) enquanto um
processo que está em expansão de sua cosmologia, de seus significados e
reflexibilidade das suas fronteiras, assim o pentecostalismo consegui tornar-se
dinâmico e heterogêneo. Em resultados preliminares, é possível perceber como as
suas redes de relações e sua “identidade” religiosa é produzida, do qual são
identificáveis redes de relações familiares pentecostais estabelecidas na igreja e no
bairro que dialogam entre si, desta forma o “espaço religioso” e o “espaço familiar”
acabam por confundir-se, sendo que muito desses jovens tem alguma ligação de
parentesco, articulada endogenamente dentro de um conjunto de trocas materiais-
emotivas e substanciadas no estabelecimento de uma rede de proteção com o
objetivo de aproximá-los as propostas das instituições pentecostais. Desta maneira, o
artigo busca refletir sobre a relação entre religião e juventude (s), assim como da
presença pentecostal em Bairros periféricos na cidade de Macapá-Amapá.

Palavras-chave: Juventude (s). Pentecostalismo. Redes familiares.

42
Graduando do curso de licenciatura em sociologia na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Participou do Programa de
Educação Tutorial (PET). Pesquisador e Membro do Centro de Estudos políticos, religião e sociedade (CEPRES). Bolsista de
Iniciação cientifica modalidade- PROBIC E-mail: clei2014cs@hotmail.com.
48
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

A escrita de missionação sobre a amazônia no século XVII


Fernanda Santos 43

Resumo: No século XVII o interesse de viajantes na América Portuguesa se


multiplicou. Dentre muitos viajantes, os missionários das Ordens religiosas foram
aqueles que produziram contínuos escritos e coletâneas de cartas edificantes,
publicadas em pequenos opúsculos ou reunidas e publicadas em grandes coletâneas.
A prática da escrita transforma as Ordens em “intermediários representacionais”,
homens que moldavam as percepções seguintes, através dos seus relatos (METCALF,
2009, p. 311). Esta pesquisa pretende dar conta de alguns relatos dos missionários
sobre a Amazônia, um dos territórios que mais suscitou a observação e a curiosidade
dos viajantes, ao longo dos séculos. Tantos os jesuítas do Maranhão quanto os do
Pará entenderam que era importante reunir o governo temporal dos indígenas ao
governo espiritual da Igreja católica. Nesta conjuntura, surge a figura já afamada do
padre Antônio Vieira, jesuíta português, constituindo-se de inegável importância no
século XVII, no quadro das letras e da história. A nível da literatura cronística de
viagens, a Amazônia aparece largamente documentada nos escritos do padre João
Filipe Bettendorf, que chega ao Maranhão em 1661 e escreve sua Crônica da Missão
dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão em 1699. Outras Ordens
religiosas chegam ao Maranhão, tais como a Ordem dos Capuchinhos, Mercenários e
Franciscanos. Os capuchinhos franceses são os que mais produzem escritos, no
séculos XVII, que circulam pela Europa. A primeira a vir a público, em 1612, foi obra
de Claude d’Abbeville, intitulada L’Arrivéeê des peres capucins en l’Inde nouvelle,
appelée Maragnon, e a obra frei Ives d’Evreux, Voyages dans le nord du Brésil fait
durant les années 1623 et 1614, impressa, e não publicada, em 1615. Os relatos de
Yves D’Evreux, Arsène de Paris, Louis de Pezieu e, sobretudo, de Claude d’Abbeville
são, todavia, os últimos escritos publicados por estrangeiros com temáticas ligadas à
exuberâncias dos habitantes e da terra.

Palavras-chave: Missionação. Amazônia. Ordens religiosas. Companhia de Jesus.

43
Professora Adjunta no colegiado de Letras-Santana, UNIFAP. Doutora em História, pela UFSC. Email: fercris77@gmail.com

49 49
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Política e religião: participação política dos católicos carismáticos do brasil


Marcos Vinicius de Freitas Reis 44

Resumo: O objetivo deste trabalho é analisar o comportamento político-partidário


dos políticos vinculados à Renovação Carismática Católica (RCC). A escolha desse
segmento religioso deve-se ao número razoável de políticos eleitos para o poder
executivo e legislativo e ser a RCC um dos setores mais expressivos do catolicismo. A
questão central é entender as razões pelos quais esse movimento entra no cenário
político brasileiro e como é estabelecido o seu apoio para os políticos. Foram
levantados material de propaganda e artigos de jornais, e realizadas entrevistas
semiestruturadas com políticos, padres, coordenadores e participantes.

Palavras-chave: Renovação Carismática Católica, Partidos Políticos, Representação


Política, pluralismo, Democracia.

GT 9. FORMAÇÃO INICIAL CRÍTICO-REFLEXIVA DE PROFESSORES DE LÍNGUA


ESTRANGEIRA
Coordenadora: Profa. Ma. Aldenice de Andrade Couto

O livro didático como ferramenta de ensino e aprendizagem de uma língua


estrangeira: análise de um livro de inglês
Leonardo Jovelino Almeida de Lima – UFPA 45
Resumo: Os livros didáticos correspondem a importantes ferramentas para a
aprendizagem de uma língua estrangeira. Cada vez mais, o livro passa a ser difundido
nos cursos, como uma forma apoiar o professor em sala de aula e contribuir para que
o aluno desempenhe um papel mais autônomo no processo de aquisição de uma
segunda língua. Marcuschi (2008) afirma em suas pesquisas sobre análise de livros
didáticos de línguas, que, ainda hoje, persiste o fato de que muitas atividades de
compreensão escrita se resumem em ‘perguntas e respostas’, e poucas são as
atividades de reflexão sobre o conteúdo e as ideias do texto. Demonstra-se assim, a
importância de os livros didáticos se apresentarem apropriados para os ambientes de
aprendizagem, contribuindo para que os alunos se desenvolvam melhor na língua

44
Professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Doutor em Sociologia pela
UFSCAR. Coordenador do Grupo de Pesquisa CEPRES - Centro de Estudos Políticos, Religião e Sociedade. E-mail:
marcosvinicius5@yahoo.com.br
45
Email: leolimamat@hotmail.com.
50
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

alvo. Diante do exposto, esta pesquisa tem como objetivo evidenciar a análise do livro
English ID (2013), conforme especificações do Programa Nacional do Livro Didático
(PNLD). As especificações aqui trabalhadas são baseadas nas seguintes questões: a)
Qual a abordagem que o livro dá par ao ensino de língua inglesa? b) São apresentados
textos de tipos e gêneros diferentes? c) Os textos são representativos da
heterogeneidade cultural e linguística, variedades e registros? d) O trabalho com a
compreensão escrita envolve atividades de pré-leitura e pós-leitura? e) O trabalho
com a compreensão escrita exige que o aprendente faça uso de estratégias? Esta
análise partiu do pressuposto de que considerável número de livros didáticos não
está apto para desempenhar um papel eficiente no ensino e aprendizagem de uma
língua estrangeira, não colaborando para as tarefas do professor e para a autonomia
dos alunos, na condição de aprendentes. Neste sentido, para o livro aqui analisado,
considera-se o mesmo uma adequada ferramenta para as aulas de inglês, entretanto,
entende-se que ele necessita de algumas modificações/atualizações, principalmente
quanto as situações de: ausência de autenticidade dos textos disponíveis, falta de
heterogeneidade cultural e linguística, ausência de atividades de pós leitura mais
eficazes e voltadas para a reflexão e pensamento crítico do aluno, e falta de atividades
que permitam a utilização de estratégias consideradas importantes para a
aprendizagem.

Palavras-chave: Livro didático. Língua inglesa. Ensino e aprendizagem.

Formação inicial crítico-reflexiva de professores de língua estrangeira em um


contexto de fronteira
Aldenice de Andrade Couto (NAPPLE-UNIFAP) 46
Resumo: A presente proposta de pesquisa tem por escopo analisar o uso de gêneros
discursivos escritos/orais como propiciador do engajamento dos alunos na língua
francesa, visando ao desenvolvimento de uma interação crítico-reflexiva em uma
instituição de ensino superior de Macapá, estado do Amapá. O estudo visa, também,
identificar de que maneira a língua estrangeira pode (re)construir a identidade dos
alunos, futuros professores de francês, bem como discutir e refletir sobre o papel do
professor no curso de Letras-Francês. O arcabouço teórico desta investigação está

46
Email: nicecouto@unifap.br.

51 51
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

alicerçado na teoria dos gêneros discursivos de Bakhtin (1988, 2003), o qual propõe a
linguagem como um fenômeno social, histórico e ideológico. O referencial teórico se
pauta também na perspectiva da formação crítico-reflexiva de Giroux (1998), cuja
proposta deve ser pensada como o ato de transformar e recriar as práticas docentes,
superar a incerteza da identidade profissional, de fundamentar os referenciais da
atividade e buscar o reconhecimento social do serviço realizado, vinculando-se aos
atuais ideais da sociedade; e em Perrenoud (2002), segundo o qual a formação de
profissionais reflexivos deve se tornar um objetivo explícito e prioritário em um
currículo de formação de professores em vez de ser apenas uma familiarização com
a futura prática, a experiência poderia, desde a formação inicial, assumir a forma
simultânea de uma prática real e reflexiva. Esta investigação se alicerça, ainda, na
teoria das identidades sociais no domínio da contemporaneidade, o que significa
dizer que são fragmentadas, cambiantes e multifacetadas, presentes nos textos de
Hall (2002, 2003); Silva (2012); Woodward (2012) e Mastrella-de-Andrade (2013). A
metodologia utilizada neste estudo é de cunho qualitativo e interpretativista, cujo
processo implica, não apenas o contexto e o grupo-alvo, porém, contempla a atuação
da pesquisadora, a qual organiza e conduz as situações de interações no contexto
pesquisado. A referida pesquisa é desenvolvida por meio da Pesquisa-Ação,
embasada sobretudo em Barbier (2006) e El Andaloussi (2004). Os dados são
levantados por intermédio dos seguintes instrumentos de pesquisa: diário de
itinerância dos participantes, diário de itinerância da professora-pesquisadora,
questionário inicial, questionários focalizados e produção dos participantes. Os
resultados preliminares apontam que os gêneros discursivos usados por meio de
sequências didáticas contribuem para uma aprendizagem significativa e crítico-
reflexiva.

Palavras-chave: Formação inicial crítico-reflexiva. Gêneros discursivos. Ensino-


aprendizagem do Francês Língua Estrangeira. Sequência Didática.

52
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

A língua francesa como disciplina optativa: o que dizem as leis?


Luane dos Santos Coelho 47
Sarlene do Rosário Pereira 48
Resumo: Este artigo é resultado de uma pesquisa que busca mostrar a importância da
inserção da Língua Francesa como língua estrangeira no ensino médio no Estado do
Amapá, frente à nova proposta exposta em dispositivo na Lei de Reforma do ensino
médio que enfatiza a obrigatoriedade do Inglês e outra, preferencialmente o
Espanhol, ao destacar esta como disciplina optativa, preferencial, mediante
disponibilidade de oferta, locais e horários definidos pelo sistema de ensino.
Proposição esta, que se revela ofensiva a realidade do Estado, tendo em vista o espaço
geográfico no qual se encontra localizado, além dos inúmeros fatores que
possibilitam influenciar uma valorização em elevar o Francês como disciplina
preferencial nessa região do Brasil. Para tanto, buscou-se analisar documentos legais
como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) atual lei nº 9394 de 20
de dezembro de 1996 e as anteriores Lei nº 4.024 de 20 de dezembro de 1961 e Lei
nº 5692 de 11 de agosto de 1971, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e a lei
de reforma do ensino médio de 2017, Lei nº 13.415, objetivando mostrar como os
documentos legais tratam a inserção de línguas estrangeiras no currículo do Ensino
Médio e analisar como se tem dado a incorporação da disciplina de língua francesa
no Amapá, especificamente no contexto da reforma atual. Este estudo surgiu
mediante observações de que não há uma pesquisa voltada para as análises de
documentos legais nessa perspectiva de considerar o francês relevante para o
currículo escolar, nesse contexto. Portanto, constatamos que é perceptível nos
documentos oficiais o desprestigio a oferta do Francês em face do Inglês e Espanhol.
Diante disso, é de fundamental importância traçar novos estudos e discussões a partir
deste trabalho, no sentido de reconhecer e lutar-se pelo destaque da oferta da língua
francesa nas escolas do Amapá.

Palavras-chave: Língua Francesa. Ensino Médio. Lei de Reforma. Disciplina optativa.


Amapá.

47
Acadêmica do curso de Letras Português-Francês pela Universidade Federal do Amapá. E-mail: luanescoelho@gmail.com.
48
Graduada em História pela Universidade Federal do Amapá. Acadêmica do curso de Letras Português-Francês pela
Universidade Federal do Amapá. E-mail: sarlenehistoria@gmail.com.

53 53
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

A (re)construção identitária de acadêmicos de francês língua estrangeira: por


uma formação crítico-reflexiva mediada por filmes
Janaina Oliveira da Costa (UNIFAP) 49
Profª. Mª. Aldenice Couto (UNIFAP) 50
Resumo: Este trabalho objetiva analisar como os filmes tematizando a questão acerca
do professor podem influenciar ou não na (re)construção das identidades dos
estudantes de Letras Português-Francês, futuros professores de LE, sob a perspectiva
da prática crítico-reflexiva. De acordo com Pereira (2014), a utilização de filmes pode
colaborar com a prática crítico-reflexiva, na medida em que a apresentação de filmes
contendo professores como personagens pode desencadear uma mudança na
construção das identidades dos futuros professores de língua, além de contribuir para
que o professor consiga lidar com a complexidade da vida real. Desta forma, o
referencial teórico será pautado nos estudos de Couto (2015), Pereira (2014), segundo
os quais apontam as questões identitárias como um processo dialógico, construindo
o indivíduo na aprendizagem de uma LE. Para os autores, as identidades estão
imbricadas no discurso e sendo a LE um veículo que viabiliza novos discursos
corrobora, portanto para a construção de novas posturas sociais, visto que é através
da língua que as identidades são (re)construídas . O referencial teórico pautar-se-á
também na teoria das identidades sociais encontradas nos estudos de Hall (2002,
2003); Silva (2012); Woodward (2012) e Mastrella-de-Andrade (2013). A metodologia
utilizada nesta investigação será de cunho qualitativo e interpretativista, baseando-se
em uma perspectiva sócio interacionista através da Pesquisa Ação, que segundo
(BARBIER, 2007 apud PEREIRA, 2014, p. 20) é uma metodologia que está alinhada com
a perspectiva sócio discursiva e dialógica da linguagem. Os instrumentos utilizados
para a coleta de dados serão entrevista focalizada (coletiva) e diários de bordo/
reflexivos (FLICK, 2009 apud PEREIRA, 2014, p.20). Assim, espera-se com os resultados,
apresentar contribuições tanto para a área da língua estrangeira, em especial do
francês, como para formação de professores de FLE, estabelecendo novas discussões
sobre aspectos envolvendo as noções de gêneros discursivos, ensino-aprendizagem
de línguas estrangeiras e formação crítico-reflexiva. Além disso, busca-se contribuir

49
Bolsista Voluntária no Programa de Iniciação Científica (PROVIC). E-mail: janacosta8078@gmail.com.
50
Email: nicecouto@unifap.br
54
I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

no sentido de apresentar a ampliação de novas práticas pedagógicas contemplando


os gêneros discursivos, em especial o gênero filmes.

Palavras-chave: Formação Crítico- Reflexiva. Gênero Filme. Identidades. Francês


Língua Estrangeira.

GT 10 – DISCURSO, GÊNERO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO


Coordenadora: Profa. Dra. Martha Christina Ferreira Zoni do Nascimento

Marcas indenitárias do empoderamento feminino na escrita de Emily Dickinson:


uma abordagem discursiva
Marcus Vinícius Souza e Souza 51
Ydoreh Gomes Borges52
Resumo: O presente trabalho se propõe a analisar dois poemas da escritora norte
americana Emily Dickinson (1830 – 1886), sendo eles: “My Life had stood - a Loaded
Gun” e “I’m “wife” – I’ve finished that –”, pelo viés da linguística aplicada, mostrando
a função social de interação que a linguagem exerce. Além disso, se visa mostrar como
ocorre a construção das marcas identitárias e do empoderamento feminino a partir
da vertente discursiva de Foucault (1996). Também será mostrada a voz feminina
como ferramenta para romper com os padrões do século XIX, período em que a figura
feminina é posta como inferior em relação à musculina, posto que a mulher era vista
como o ser do lar, da mesma forma que tinha como tarefa a criação dos filhos. Porém,
Dickinson vai além, de maneira que chegue, se apropriar do discurso poético para
expor sua ideologia, que mostra contrariedade a ideia de casamento, defendendo o
pensamento de que a mulher pode ser independente, mas admite que nessa época
era a forma que a mulher tinha para não ser excluída socialmente. Para a
fundamentação dessa pesquisa, buscaremos analisar os referidos textos literários pelo
viés discursivo e embasar discussões teóricas acerca da relação entre os gêneros, que
será apreciada nos estudos de Campos (1992), assim como Wiechmann (2012) e
Daghia (2008), que discorrem acerca escrita de Dickinson, em que caracterizaremos

51
Especialista em Produção de Material Didático e Formação de Mediadores de Leitura para a Educação de Jovens e Adultos.
Acadêmico do 9º semestre do curso de licenciatura em Letras Português e Inglês pela Universidade Federal do Amapá. Bolsista
pelo programa de iniciação cientifica (PIBIC – CNPQ). E-mail: marcus-vinicius-s@hotmail.com.
52
Acadêmica do 5º semestre do curso de licenciatura em Letras Português e Inglês pela Universidade Federal do Amapá. E-mail:
ydorehborges@gmail.com.

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

as marcas identitárias pelo traço de discernimento dessa poeta em relação as demais


escritoras, pois, ela passa a utilizar excessivamente hifens em sua escrita com a
finalidade de dar ênfase e sentido em palavras isoladas, motivo pelo qual ela se
destaca, em vista de não ser comum nessa época uma escritora inovar na produção
literária, fator que inicialmente era percebido como erro gramatical, e posteriormente
é percebido como recurso do estilo de escrita de Emily Dickinson.

Palavras – chave: Construção identitária. Discurso. Empoderamento feminino.


Gêneros.

Bom-crioulo: a figura do negro homossexual na sociedade do século XIX


Mayck Bastos Louchard 53
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Regina Lúcia da Silva Nascimento 54
Resumo: O presente trabalho faz parte de estudos realizados no grupo de pesquisa
Literatura, Educação, História e Sociedade vinculado ao Colegiado de Licenciatura em
Letras, da Universidade Federal do Amapá e tem como foco discutir a presença da
figura do negro homossexual na sociedade do século XIX. Para tal, escolhemos Bom-
Crioulo (1983), de Adolfo Caminha, obra cuja temática principal gira em torno da
história de Amaro, negro, fugitivo, ex-escravo e homossexual que está em busca de
sua identidade. Nesse percurso, vive uma intensa relação amorosa com Aleixo,
homem branco que foge de casa e é companheiro de trabalho de Amaro na Marinha.
Sabemos que os negros foram escravizados no Brasil, desde a colonização até a lei da
Abolição da Escravatura, em 1888. Os negros, enquanto escravos, eram tidos pelos
brancos como objetos, que em muitas circunstâncias eram usados como forma de
satisfação sexual por seus donos, os brancos, suportando relações hetero e
homossexuais por muito tempo e contra a vontade. Conforme leituras acerca desse
assunto, constatamos que a homossexualidade era tradada na sociedade da época
como um vício e/ou desvio da natureza. Nesse sentido, o termo utilizado para
caracterizar essa conduta foi homossexualismo, haja vista ser considerada, na
perspectiva determinista, uma doença. É provável que essa concepção tenha

53
Acadêmico de Licenciatura em Letras Português-Inglês na Universidade Federal do Amapá e membro do Grupo de Pesquisa
Literatura, Educação, História e Sociedade. E-mail: mayckblouchard@gmail.com.
54
Possui Mestrado em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (2001) e Doutorado em Educação por meio
do DINTER UNIFAP/UFU (2013). Atualmente é Adjunto 604 da Universidade Federal do Amapá. Tem experiência na área de
Letras, com ênfase em Literatura Brasileira e Leitura Literária. E-mail: relusilvanas@gmail.com.
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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

colaborado para o romance supracitado ser alvo de severas críticas pelo fato de ter
como personagem principal um negro, e, além disso, homossexual.

Palavras-Chave: Negro; Homossexualidade; Preconceito; Identidade; Sociedade.

O patriarcalismo e a desigualdade de gênero: uma leitura de Lucíola de José de


Alencar
Amanda Karoline do Rosário Feio 55
Naiara Teles de Lemos 56
Regina Lúcia da Silva Nascimento 57

Resumo: Entendemos que um dos objetivos do processo de ensino e aprendizagem


de Literatura é a formação do leitor. Em vista disto, ao escolhermos uma obra literária
para ser lida e discutida em sala de aula, devemos explorar as situações problemas
que o texto nos propõe, com o objetivo de contextualizá-las e relacioná-las ao
cotidiano, tendo em vista que a experiência literária, isto é, o contato efetivo com o
texto, contribui para a construção do pensamento crítico dos alunos. Entretanto,
mediante a escolarização dos saberes gerada no espaço escolar, observamos que
existe uma forma inadequada de lidar com a leitura de uma obra literária, haja vista
que as especificidades da linguagem desta manifestação artística e o seu papel na
formação do leitor não são levados em consideração na produção de conhecimentos
significativos, uma condição muito importante para a relação do educando com a
sociedade, porque, a nosso ver, contribui para a reflexão e a ação dentro do círculo
social em que se encontra. Sob essa perspectiva, é fundamental compreendermos que
a ação de ler um texto literário, vai além de apontamentos sobre estilos de época e a
análise estrutural, por exemplo, a fim de não esvaziar as possibilidades do discurso
poético, frente a essas atividades, que impedem a interação entre o educando e o
texto. Por esta razão, consideramos relevante a prática da leitura e do debate em sala
de aula, de romances como Lucíola, de José de Alencar, pelo fato de compreendermos
que a discussão sobre temas, como a submissão, o silenciamento da mulher e o
discurso patriarcal presentes no contexto do século XIX, podem alavancar uma atitude
crítica, mediante os sentidos construídos, os quais são relevantes para a socialização

55
E-mail: amandaaakarol@gmail.com
56
E-mail: naiaradelemos21@gmail.com
57
E-mail: relusilvanas@gmail.com

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

e a ampliação da consciência e da visão de mundo. Para referendar a nossa


concepção relacionada ao processo de ensino e aprendizagem de Literatura,
apoiamo-nos nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006) e nos estudos
de Azevedo (2004), Cosson (2006), Candido (2000), Soares (1999), Lajolo (2000) e
Pacheco (2004). Baseamo-nos também em Beauvoir (2004), Butler (2003) e Scott
(1989), sobre a desigualdade de gênero e a submissão feminina.

Palavras-chave: Literatura. Leitura. Interação. Leitor.

Recata e do lar: análise discursiva do artigo de veja e da letra do Aviões do Forró


Martha Christina Ferreira Zoni do Nascimento 58
Resumo: O presente artigo parte de uma pesquisa que está vinculada ao Núcleo de
Estudos e Pesquisa em Linguística Aplicada – NEPLA/Unifap e procura problematizar
os conceitos “recatada” e “do lar” veiculados em dois textos diferentes: um artigo
publicado na Revista Veja em abril de 2016 e a letra de música do grupo Aviões do
Forró. A análise desses dois conceitos tem como viés a Análise do Discurso Francesa
e se pauta nos fundamentos teóricos apontados por Foucault (1996, 1997, 1999),
sobretudo no que se refere à teoria microfísica do poder que o compreende como
sendo produzido [o poder] a cada instante e em todo lugar, formando regimes de
verdade e vontades de saber. Assim, é fundamental discutir os discursos que se
produzem e são veiculados relativos à sexualidade humana, suas manifestações e as
relações de gênero implicadas, visto que representam modos de pensar de
determinada sociedade. Também nos pautamos nos estudos do silêncio de Orlandi
(1997) a partir do momento em que defende que o silêncio não é a ausência de dizer,
mas a plenitude de significações. Por fim, os estudos de ethos trazidos por Amossy
(2000), Heine (2007), Discini (2008), Maingueneau (2008) completam a base teórica
de nosso trabalho. Interessa-nos, aqui, a noção de imagem de si. O ethos está na
pessoa construída no próprio discurso; é a imagem de um autor discursivo. Essa
relação marca o jeito individual do ser social. Pela perpectiva da Análise do Discurso,
ao se pegar uma palavra para si, tomamos a criação de uma imagem de si; isto é, as
palavras/expressões assumem traços semânticos a partir da imagem que queremos

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Professora doutora da Classe de Assistente da Universidade Federal do Amapá – Departamento de Letras e Artes.
Pesquisadora integrante do NEPLA/Unifap. E-mail: mcfzoni@hotmail.com
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formar delas e a partir de determinadas condições de produção. A análise dos dados


toma como ponto de partida as condições de produção desses dois vocábulos
(“recatada” e do “lar”) para mostrar que, a depender do sujeito que a enuncia e da
materialidade discursiva em que se apresenta, os sentidos podem ser outros, mas
igualmente pejorativos em relação à figura do feminino em nossa sociedade ainda
hoje.

Palavras-chave: Análise do Discurso Francesa. Silêncio. Ethos.

Bajubá: “linguagem” como traço identitário do segmento LGBT


Eline Samara de Souza Santos 59
Ioleni Ribeiro de Moraes 60
Orientador: Silvagne Duarte 61
Resumo: Partindo de pressupostos teóricos que articulam o estudo sobre sexualidade
(FOUCAULT, 1998: FRY; MACRAE, 1985), gênero (BUTLER, 2003; MISKOLCI, 2012;
PESSES; MARTIN, 2005), identidade (MOITA LOPES, 2002, 2006) e Análises do Discurso
Crítica, doravante ADC (FAIRCLOUGH, 2001; RESENDE; RAMALHO, 2006; MELO, 2009),
essa pesquisa tem por objetivo apresentar a construção de identidade como aspecto
relevante para estudos em Linguística Aplicada (LA), para tanto será feita uma análise
do bajubá, linguagem originada pela união de várias línguas africanas com português
brasileiro, que passou a ser utilizada, inicialmente, pelas travestis que frequentavam
os terreiros de Candomblé, proporcionando, assim, a adoção de alguns termos, que
associados a elementos da língua portuguesa deram origem a uma linguagem
intitulada Bajubá a qual, posteriormente, passou a ser utilizada por grande parte da
comunidade LGBT como prática discursiva, socioculturalmente construída, que atua
como mecanismo de defesa, resistência, bem como autoafirmação da identidade
social e linguística de um segmento historicamente oprimido e estigmatizado. O
Bajubá ultrapassa as fronteiras da identificação LGBT e se difunde em ambientes
diferentes de sua origem, logo, o que era para ser um código restrito ao grupo,
proferido com a intenção de não ser compreendido pelos demais, em épocas de

59
Email: eline_sss@hotmail.com
60
Email: iolenimoraes@bol.com.br
61
Professor de Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP. E-mail: silvagne_duarte@unifap.br e
ventrueic@bol.com.br

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repressão, atualmente, faz parte também do discurso de diversos indivíduos que não
se enquadram, necessariamente, ao segmento LGBT, porém de alguma forma se
identificam com a linguagem característica desse grupo. Para o desenvolvimento da
pesquisa, ocorreu a aplicação de questionários, além de observação e gravação de
entrevistas, com 6 pessoas da Federação Amapaense de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis e Transexuais (FALGBT) e 4 pessoas da Universidade Federal do Amapá
(Unifap). Através desses instrumentos de pesquisa, constatou-se, nas análises de
dados, a relação entre o bajubá e os componentes linguísticos de ritos afro-
brasileiros, bem como foi possível ratificar que essa linguagem apresenta-se como
construção identitária LGBT, no qual os permite uma livre interação e dinâmica de
sociabilidade, nos mais diferentes assuntos e ambientes, sem que possam ser
compreendidos por determinados indivíduos que estão próximos.

Palavras-chave: Linguagem. Bajubá. Práticas Discursivas. Identidade. LGBT.

Ethos feminino em contos de fada: uma análise discursiva da construção do bem


e do mal
Ruanna Fonseca da Silva 62
Martha Christina Ferreira Zoni do Nascimento 63

Resumo: o presente trabalho tem por objetivo analisar, por meio da materialidade
discursiva, como se constroem os ethos de princesas, mães e madrastas nos contos
de fadas de Charles Perroult, sobretudo nos contos As Fadas e A Cinderela. Nossa
hipótese é a de que os conceitos de bem e de mal, nos contos analisados, são
construídos não apenas para firmar valores gerais da sociedade, mas também para
conformar a mulher de seu papel de submissão na sociedade da época. A pesquisa
tem caráter qualitativo-interpretativista. Os dados coletados são analisados pelo
paradigma teórico-metodológico da Análise do Discurso Francesa (ORLANDI, 1996).
A construção da análise se pauta nas condições de produção dessas obras. Também
são analisados os aspectos do ambiente onde as personagens estão inseridas; isso
inclui analisar a personalidade, cor da roupa, as falas, como são vistas e chamadas
pelos demais personagens. A base teórica que fundamento o trabalho Heini (2007),
Discini (2008), Maingueneau (2008), Amossy (2000), Coelho (1991). O conceito de

62
Acadêmica do Curso de Letras Português Francês da UNIFAP. E-mail: ruannafonsecadasilva@gmail.com.
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Professora Doutora da Classe de Assistente da UNIFAP. E-mail: mcfzoni@hotmail.com.
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ethos é fundamental para a análise dos dados. No que se refere ao ethos na


perspectiva da Análise do Discurso (AD), Heine (2007.41) diz que “o ethos se refere a
texto orais e escritos, em que os enunciadores fornecem uma imagem de si através
do discurso”. Quer dizer que os participantes do discurso criam sua própria imagem
dentro dele. Assim, entende-se que o discurso traz consigo marcas do enunciador e
do coenunciador. Segundo Discini (2008), o ethos está na pessoa construída no
próprio discurso; é a imagem de um autor discursivo. Essa relação de ethos marca o
jeito individual do ser social. É a partir das discussões de Maingueneau (2008) que o
conceito de ethos é ampliado e recuperado pela Análise do Discurso. O ethos
representa, agora, situações discursivas variadas, que estão nos enunciados escritos,
orais, na modalidade verbal, visual ou verbo-visual e pode estar representando uma
pessoa ou mesmo várias instituições. A partir desses conceitos e delimitações do que
pode ser considerado ethos, Amossy (2000) traz conceito mais profundo de ethos
dentro da análise do discurso. Ela diz que pegar uma palavra para si, provoca a criação
de uma imagem de si. A análise dos dados ainda está em fase preliminar e os
resultados, portanto, ainda são incipientes.

Palavras-chave: Ethos feminino. Contos de Fadas. Análise do Discurso.

“Você acha engraçado?” “Eu não.”: uma análise semântica-discursiva das


expressões pejorativas para a comunidade LGBT
Silvagne Vasconcelos Duarte 64

Resumo: A proposta de comunicação pretende analisar as expressões pejorativas


atribuídas para comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e
Transgêneros) sob o viés da semântica discursiva para identificar possíveis traços
preconceituosos por meio de “brincadeiras”, sem a autorização de membros externos
a esta comunidade, o que tem se revelado em uma forma de discriminação camuflada,
ou não, através do riso, da ironia, do humor, da ambiguidade, entre outros recursos
semânticos. Para fundamentar o trabalho, traremos à baila teóricos, que discutem
sobre Gênero, Sexualidade e Identidade, como: Luiz Paulo Moita Lopes (2002; 2006),
Judith Butler (1993) e Michel Foucault (1976); autores da semântica que abordam
acerca de alguns recursos de construção de sentido (Ironia, Vagueza, Ambiguidade,

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Professor de Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Amapá – Unifap. E-mail: silvagne_duarte@unifap.br e
ventrueic@bol.com.br

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I Fórum Regional de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada

Metáforas, Pejoratividade, etc), tais como: Rodolfo Ilari (2002, 2009), Luciano Amaral
Oliveira (2008), Márcia Cançado (2012), Celso Ferrarezi Junior e Renato Basso (2013);
e da Análise de Discurso Crítica como um construto teórico metodológico para
diversas práticas discursivas na vida social que marcam relações de poder, de
ideologias e de grupos sociais, a fim de disponibilizar uma visão crítica através da
discursividade identitária, a saber: Norman Fairclough (2001, 2011), Resende e
Ramalho (2005). As expressões pejorativas foram coletadas através de relatos de
experiências vivenciadas por membros da comunidade LGBT, que ao discorrer sobre
o fato expuseram as sensações sentidas na situação, ou seja, um “desconforto”, certo
“constrangimento”, algo “desagradável”, uma homofobia “escamoteada”. Além
daquelas elencadas pelos indivíduos LGBT, utilizaremos expressões vinculadas à
Internet, slogans, estampas de camisas, entre outros meios de comunicação que
consubstanciarão o referido estudo. Assim, tentaremos observar/identicar, semântica
e discursivamente, onde mora(m) o(s) sentido(s) pejorativo(s), ou não, das expressões
direcionadas para este público, que muitas vezes servem para reforçar uma sociedade
injusta e desigual, em que a questão da sexualidade, do gênero e da identidade é
pouca debatida nas escolas e na sociedade civil em geral, pois não discutir tal temática
contribue para que práticas discriminatórias continuem acontecendo e reforcem um
pensamento patriarcal/heteronormativa, em que não há espaço para a pluralidade,
para diversidade sexual.

Palavras-chave: Expressões Pejorativas. Comunidade LGBT. Análise Semântica-


Discursiva. Preconceito. Diversidade Sexual.

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