Sie sind auf Seite 1von 100

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Programa de Graduação em Engenharia Eletrônica e de Telecomunicação

Fernando José de Souza Magalhães


Geocacio Viviano Nascimento de Souza
Helvécio de Almeida Júnior
Matheus Soares de Almeida

ELETROCARDIÓGRAFO PORTÁTIL

Belo Horizonte
2016
Fernando José de Souza Magalhães
Geocacio Viviano Nascimento de Souza
Helvécio de Almeida Júnior
Matheus Soares de Almeida

ELETROCARDIÓGRAFO PORTÁTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao


Programa de Graduação em Engenharia
Eletrônica e de Telecomunicação da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais, como
requisito para obtenção do título em
Engenharia Eletrônica e de Telecomunicação.

Orientador: Prof. Dr. Sady Antônio dos Santos


Filho

Área de concentração: Equipamentos


Hospitalares

Belo Horizonte
2016
Fernando José de Souza Magalhães
Geocacio Viviano Nascimento de Souza
Helvécio de Almeida Júnior
Matheus Soares de Almeida

ELETROCARDIÓGRAFO PORTÁTIL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao


Programa de Graduação em Engenharia
Eletrônica e de Telecomunicação da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais, como
requisito para obtenção do título em
Engenharia Eletrônica e de Telecomunicação.

Prof. Dr. Sady Antônio dos Santos Filho (Orientador – PUC Minas)

Prof. Dr. Gustavo Alcântra Elias (CEFET-MG)

Prof. Dr. Cláudio Dias Campos (PUC Minas)

Belo Horizonte, 18 de Junho de 2016.


RESUMO

Este relatório trata do projeto de um Eletrocardiógrafo Portátil de custo


relativamente baixo, que tem a função de fazer a aquisição do ECG, amplificar,
digitalizar, transmitir e exibir em uma tela de celular smartphone ou tablet os sinais
elétricos provenientes do coração em função do tempo, tornando possível detectar a
presença de patologias cardiovasculares no paciente pelo médico. Neste relatório estão
os métodos de desenvolvimento, resultados e conclusões obtidos na realização deste
projeto.

Palavras-chave: Eletrocardiógrafo Portátil. Aplicativo Android. Medicina.Aquisição de


biosinais. Eletrocardiograma.
ABSTRACT

This report deals with the design of an portable electrocardiograph with


relatively low cost, which has the function to acquire the ECG, amplify, digitize,
transmit and display on a screen of a smartphone or tablet the electrical signals from the
heart in the function of time, making it possible to detect the presence of cardiovascular
pathologies in the patient by the physician. In this report are the design methods, the
results and the conclusions findings obtained with the development of this project.

Keywords: Portable electrocardiograph. Android application. Medicine. Biosignals


acquisition. Electrocardiogram.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Fluxograma do processo utilizando o eletrocardiógrafo convencional ......... 15


Figura 2 - Fluxograma do processo proposto utilizando o eletrocardiógrafo portátil .... 15
Figura 3 - Esquema do sistema circulatório ................................................................... 20
Figura 4 - Processo de despolarização e repolarização de um conjunto de células........ 21
Figura 5 - Sistema de condução elétrica do coração ...................................................... 22
Figura 6 - Fluxograma dos passos para a contração e descontração do coração ............ 24
Figura 7 - Gráfico de um ECG ....................................................................................... 25
Figura 8 -Associação entre o coração e o eletrocardiograma ......................................... 26
Figura 9 - Distribuição dos eletrodos pelo triângulo de Einthoven ................................ 27
Figura 10 - Distribuição dos eletrodos: plano horizontal ............................................... 27
Figura 11 -Circuito equivalente da interface entre o eletrodo e o corpo humano .......... 30
Figura 12 -Tipos de eletrodos ......................................................................................... 32
Figura 13 - Eletrodo Descartável de Ag/AgCl ............................................................... 33
Figura 14 - Área de interferência .................................................................................... 35
Figura 15 - Efeitos dos ruídos e interferências nos sinal de ECG .................................. 36
Figura 16 - Representação genérica dos filtros .............................................................. 37
Figura 17 - Mecanismo de funcionamento de um filtro digital ...................................... 37
Figura 18 - Classificação e comportamento dos filtros .................................................. 38
Figura 19 - Esquemático simplificado do circuito de aquisição do ECG ....................... 38
Figura 20 - Comunicação entre dispositivos via Bluetooth ............................................ 41
Figura 21 - Gráfico comparativo entre as tecnologias de redes sem fio......................... 41
Figura 22 - Rede piconet ................................................................................................ 44
Figura 23 - Rede scatternet ............................................................................................. 44
Figura 24 - Algoritmo para o estabelecimento de uma conexão Bluetooth ................... 45
Figura 25 - Camadas da tecnologia Bluetooth................................................................ 46
Figura 26 - Gráfico Penetração de mercado de sistemas operacionais para smartphones
........................................................................................................................................ 48
Figura 27 - Elementos do sistema operacional Android ................................................ 49
Figura 28 - Aplicação do projeto .................................................................................... 50
Figura 29 - Diagrama de blocos do sistema ................................................................... 50
Figura 30 - Tela principal do aplicativo ......................................................................... 52
Figura 31 - Placa AD8232 Heart Monitor ...................................................................... 53
Figura 32 - Esquemático da placa AD8232 Heart Monitor ............................................ 53
Figura 33 - Diagrama de blocos do AD8232 .................................................................. 55
Figura 34 - Arquitetura do CI AD8232 .......................................................................... 56
Figura 35 - Módulo HC-05 ............................................................................................. 59
Figura 36 - Esquemático do HC-05 ................................................................................ 60
Figura 37 - Estrutura de um aplicativo desenvolvido pelo MIT App Inventor .............. 63
Figura 38 - Bloco de procedimento programado no MIT App Inventor ........................ 64
Figura 39 - Circuito esquemático do Eletrocardiógrafo Portátil .................................... 65
Figura 40 - Layout da Placa do Eletrocardiógrafo Portátil ............................................. 66
Figura 41 - Placa Roteada ............................................................................................... 67
Figura 42 - Placa finalizada ............................................................................................ 67
Figura 43 - Fluxograma de funcionamento do firmware ................................................ 68
Figura 44 - ECG Portátil com a caixa aberta .................................................................. 72
Figura 45 - ECG Portátil finalizado................................................................................ 72
Figura 46 - Tela de Configurações ................................................................................. 73
Figura 47 - Tela principal ............................................................................................... 73
Figura 48 - Selecionando um dispositivo Bluetooth ...................................................... 74
Figura 49 - Capturando um ECG.................................................................................... 74
Figura 50 - Tela de Medições ......................................................................................... 75
Figura 51 - Medindo a duração do Complexo QRS ....................................................... 76
Figura 52 - Medindo os batimentos por minuto ............................................................. 76
Figura 53 - Medindo os valores de pico a pico............................................................... 77
Figura 54 - Selecionando outro ECG salvo anteriormente ............................................. 78
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Descrição dos traçados do ECG ................................................................... 28


Quadro 2 - Principais características do Bluetooth ........................................................ 43
Quadro 3 - Pinos disponiveis para uso na placa Sparkfun ............................................. 54
Quadro 4 - Descrição dos pino HC-05 ........................................................................... 60
Quadro 5 - Comandos de configuração .......................................................................... 61
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Características de alguns sinais bioelétricos ................................................. 17


Tabela 2 - Faixa de frequência do sinal de ECG ............................................................ 29
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AC - Alternating Current (Corrente Alternada)


AD - Átrio direito
AE - Átrio esquerdo
AV - Nó atrioventricular
DC - Direct Current (Corrente contínua)
ECG - Eletrocardiograma
EEG - Eletroencefalografia
EMG - Eletromiografia
ERG - Eletrorretinografia
FCC – Federal Communications Commision (Comissão Federal de Comunicações)
FHSS - Frequency Hopping Spread Spectrum (Saltos em Frequência com Espectro
Espalhado)
FSK - Frequency Shift Keying (Chaveamento por Deslocamento de Frequência)
GFSK - Gaussian Frequency Shift Keying (Chaveamento por Deslocamento de
Frequência Gaussiano)
IA - Instrumentation Amplifier (Amplificador de Instrumentação)
IEEE – Institute of Electrical and Electronics Engineers(Instituto de Engenheiros
Eletricistas e Eletrônicos)
ISM - Industrial Sientific and Medical (Industrial, Científica e Médica)
L2CAP - Logical Link Control and Adaptation Protocol (Protocolo de Controle e
Adaptação de Enlace Lógico)
LA - Left Arm (Braço Esquerdo)
LED - Light Emitting Diode (Diodo Emissor de Luz)
LL - Left Leg (Perna Esquerda)
LSB - Least Significant Bit (Bit Menos Significativo)
MSB - Most Significant Bit (Bit Mais Significativo)
OHA - Open Handset Alliance
OMS - Organização Mundial da Saúde
PWM - Pulse Width Modulation (Modulação por Largura de Pulso)
RA - Right Arm (Braço Direito)
RF - Rádio Frequência
RFCOMM – Radio Frequency Communication (Comunicação por Rádio Frequência)
SA - Nó Sinoatrial
SAR - Successive Approximation ADC (Conversor Analógico-Digital por
Aproximação Sucessiva)
SDP - Service Discovery Protocol(Protocolo de Descoberta de Serviço)
SIG - Special Interest Group (Grupo de Interesse Especial)
SPP - Serial Port Profile (Perfil de Porta Serial)
TDD - Time Division Duplexing (Duplexação por Divisão do Tempo)
UART - Universal Assynchronous Receiver/Transmitter (Receptor/Transmissor
Universal Assíncrono)
VD - Ventrículo direito
VE - Ventrículo esquerdo
WLAN - Wireless Local Area Network (Rede Sem Fio em Área Local)
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 12
1.1 Justificativa ............................................................................................................. 12
1.2 Objetivos .................................................................................................................. 16
1.3 Estrutura do Trabalho ........................................................................................... 16
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................. 17
2.1 Sinais Bioelétricos ................................................................................................... 17
2.2 Eletrocardiograma.................................................................................................. 18
2.2.1 Sistema circulatório .............................................................................................. 18
2.2.2 Eletrofisiologia...................................................................................................... 20
2.2.3 Sinal do Eletrocardiograma ................................................................................. 25
2.3 Os princípios de medição do ECG ........................................................................ 29
2.3.1 Eletrodos ............................................................................................................... 30
2.3.2 Cabos ..................................................................................................................... 33
2.3.3 Ruídos e interferências ......................................................................................... 33
2.3.4 Filtros .................................................................................................................... 36
2.4 Preparação para o exame ...................................................................................... 39
2.5 Tecnologia Bluetooth .............................................................................................. 40
2.5.1 Características ...................................................................................................... 42
2.5.2 Arquitetura ............................................................................................................ 43
2.5.3 Camadas do Bluetooth.......................................................................................... 46
2.6 Sistema Operacional Android ............................................................................... 47
2.6.1 Vantagens para desenvolvimento de aplicativos para Android .......................... 47
2.6.2 Estrutura do sistema ............................................................................................. 48
3 DESCRIÇÃO DO ELETROCARDIOGRAFO PORTÁTIL ................................ 49
3.1 Módulo de captura do sinal ECG.......................................................................... 52
3.1.1 Placa AD8232 Heart Monitor .............................................................................. 52
3.1.2 Circuito Integrado AD8232 .................................................................................. 54
3.2 Módulo Bluetooth ................................................................................................... 58
3.2.1 Circuito Módulo HC-05........................................................................................ 59
3.2.2 Configurações do Módulo HC-05 ........................................................................ 60
3.3 Microcontrolador.................................................................................................... 61
3.3.1 Conversor Analógico/Digital ................................................................................ 62
3.3.2 Temporizador ........................................................................................................ 62
3.3.3 Módulo de comunicação serial ............................................................................ 63
3.4 MIT App Inventor ................................................................................................. 63
4 DESENVOLVIMENTO E MONTAGEM DO PROJETO ................................... 65
4.1 Desenvolvimento do firmware ............................................................................... 67
4.2 Desenvolvimento do aplicativo .............................................................................. 69
4.2.1 Tela inicial ............................................................................................................ 69
4.2.2 Tela de apresentação do ECG .............................................................................. 70
4.2.3 Tela de medições ................................................................................................... 70
4.2.4 Tela de configurações ........................................................................................... 71
5 RESULTADOS .......................................................................................................... 72
6 CONCLUSÃO............................................................................................................ 79
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 81
APÊNDICE A – PROGRAMA DO FIRMWARE DESENVOLVIDO ................... 86
APÊNDICE B – CRONOGRAMA DO TCC II ......................................................... 89
ANEXO 1 – FOLHA DA PLACA SPARKFUN AD8232 ......................................... 90
ANEXO 2 – FOLHA DE DADOS DO MODULO BLUETOOTH HC-
05(PARÂMETROS UTILIZADOS EM DESTAQUE)............................................. 95
ANEXO 3 – FOLHA DE DADOS DO MICROCONTROLADOR
MSP430G2553(PARÂMETROS UTILIZADOS EM DESTAQUE) ....................... 98
12

1 INTRODUÇÃO

Atualmente, o eletrocardiograma (ECG) é considerado um dos exames de


diagnósticos mais úteis na medicina, sendo capaz de diagnosticar diversas patologias
relacionadas ao coração. Desde a criação do eletrocardiógrafo em 1901, os avanços da
eletrônica e da medicina tornaram os equipamentos que fazem a aquisição do ECG cada
vez mais confiáveis e presentes em procedimentos de monitoramento de pacientes em
hospitais.
Nesse trabalho serão apresentados o desenvolvimento, a montagem, os
resultados e as conclusões obtidas com a construção do protótipo de um
eletrocardiógrafo portátil, que é um equipamento capaz de medir os pulsos elétricos
gerados na contração e relaxamento do coração e registrá-los ao longo do tempo. O
objetivo principal do trabalho é a construção de um sistema portátil de monitoramento
da saúde voltado para aferição dos sinais elétricos resultantes da atividade do coração.
O equipamento, também deve ter baixo custo e conectividade sem fio com um celular
smartphone ou tablet, de forma que o profissional da saúde possa realizar o exame de
eletrocardiograma no paciente com mais praticidade.
Todo o processo de desenvolvimento do relatório foi feito acompanhando o
cronograma presente no Apêndice A.

1.1 Justificativa

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define saúde como sendo “o completo


estado de bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de
enfermidade” (MARQUES; 2002, p. 369). Sendo assim, a saúde é um bem pleno para o
desenvolvimento do indivíduo e de toda sociedade, estando ligada a qualidade de vida,
devendo ser vista e tratada como um assunto de vital importância por todos.
As condições de saúde da população sempre foram um fator importante que
classifica o bem-estar das pessoas, as condições de vida no país e expectativa de vida da
população. Para isto, surge a necessidade de políticas e programas voltados à saúde. No
Brasil, por exemplo, os programas voltados à saúde sempre foram dependentes de
fatores econômicos e políticos e, até a metade do século XX, estes programas eram mais
focados no combate às doenças, em vez de promover a qualidade de vida (CARMO;
AZEREDO, 2014).
13

Levando em consideração que a população mundial está envelhecendo, existe


uma tendência que isso se torne um problema para os sistemas de saúde. Conforme
Renato Veras:

"O idoso consome mais serviços de saúde, as internações hospitalares são


mais frequentes e o tempo de ocupação do leito é maior quando comparado a
outras faixas etárias. Em geral, as doenças dos idosos são crônicas e
múltiplas, perduram por vários anos e exigem acompanhamento constante,
cuidado permanente, medicação contínua e exames periódicos." (VERAS,
2008).

Alinhado a este panorama, pode-se prever o aumento gradativo de ocupação dos


hospitais e postos de saúde, uma vez que, atento a perspectiva de aumento da população
idosa, os recursos da saúde pública serão mais exigidos, principalmente por essa parcela
da população em especial. Ligado a esse aumento no número de pacientes está a
necessidade de mais equipamentos médico-hospitalares e profissionais da saúde para
atender essa crescente demanda. Outro problema evidenciado é a dificuldade de
deslocamento e remanejamento do paciente entre diferentes hospitais.
As dificuldades de deslocamento das pessoas, principalmente as pessoas idosas
ou com mobilidade reduzida é um problema a ser observado. A ida a um consultório
médico, por exemplo, pode ser onerosa e cansativa, tornando-se desagradável. Devido à
correria do dia-a-dia e ao aumento do número de tarefas realizadas pela pessoa, é cada
vez menor a sua disponibilidade de tempo de ir a um consultório e fazer uma consulta
médica.
Atualmente, a indústria de dispositivos médicos teve um crescimento relevante
comparado às décadas anteriores, com esse avanço surgem novas técnicas, métodos e
recursos que permitem tratar de forma mais eficiente e cuidadosa a saúde do ser
humano. De acordo com David Prutchi e Michael Norris (2005), a principal razão para
este crescimento é o desejo de melhorar qualidade de vida das pessoas. Este crescimento
tem como consequência o aumento da demanda de cursos de engenharia voltados para a
área da saúde e também de empresas que desenvolvem equipamentos e circuitos para
uso didático e comercial.
Dentre os equipamentos médicos, existem aqueles que são voltados ao
monitoramento de sinais de saúde, onde o profissional da área utiliza estes
equipamentos para obter dados ou gráficos a partir desses sinais como, por exemplo, o
14

eletrocardiógrafo que mede os impulsos elétricos do coração, o aparelho de pressão


arterial que mede a pressão arterial (como o nome sugere) e o oxímetro que mede o
nível de oxigênio no sangue. Com as informações obtidas destes equipamentos, podem-
se evitar problemas de caráter emergencial, diagnosticar algumas doenças e monitorar o
paciente durante um tratamento médico.
Um eletrocardiógrafo, equipamento que faz o eletrocardiograma, custa em torno
de R$ 4.600,00 preço disponibilizado no sítio da BleyMed (2014), sendo esse valor
inacessível para grande parte da população, logo o mais comum é o paciente ir para uma
clínica, que realiza este exame. O paciente desembolsa por esse exame
aproximadamente R$ 43,00, preço ofertado pela Hermes Pardini (2015).
Este trabalho tem como objetivo o projeto e desenvolvimento de um dispositivo
para monitoramento de impulsos elétricos do coração, utilizando módulos dedicados à
captura e condicionamento elétrico desse sinal vital, para posteriormente enviar em um
meio sem fio os dados obtidos para um dispositivo portátil capaz de exibir o sinal do
eletrocardiograma. Este dispositivo poderá ser um celular smartphone ou tablet, que
atualmente são comuns e de baixo custo.
Esse sistema de monitoramento da saúde irá tornar a vida do paciente e do
médico mais prática e cômoda, otimizando o tempo e flexibilizando os deslocamentos.
O médico poderá acompanhar o estado de saúde do seu paciente de onde estiver e a
partir dos dados que receber remotamente poderá tomar decisões. Já o paciente poderá
ser monitorado e informado de sua saúde sem precisar sair de casa. O sistema de
monitoramento da saúde poderá contribuir na redução de custos dos exames médicos,
para a redução da lotação de hospitais e postos de saúde, bem como resolver a
dificuldade de deslocamentos dos pacientes, uma vez que os módulos que o compõem
são de fácil transporte.
A Figura 1 ilustra o processo convencional atual para a realização e avaliação de
um eletrocardiograma.
15

Figura 1 - Fluxograma do processo utilizando o eletrocardiógrafo convencional

Fonte: Elaborado pelos autores.

A Figura 2 mostra o novo cenário utilizando o sistema de monitoramento da


saúde.

Figura 2 - Fluxograma do processo proposto utilizando o eletrocardiógrafo portátil

Fonte: Elaborado pelos autores.

O desenvolvimento do projeto será realizado prevendo uma futura expansão dos


sinais vitais a serem analisados, com isso, futuramente podendo ser classificada como
uma solução integrada. Também poderá ser considerada a possibilidade de enviar os
dados via Internet para que o profissional da saúde possa fazer o monitoramento remoto
do paciente, no qual esse recurso possa ser interessante em modalidades de assistência
16

médica do tipo Home Care, onde as atividades do profissional da saúde são realizadas
em ambiente extra-hospitalar.

1.2 Objetivos

Este trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de um equipamento capaz


de realizar a aquisição e a transmissão em um meio sem fio dos sinais biológicos do
coração. O sinal transmitido por meio do protocolo de comunicação Bluetooth é
recebido pelo smartphone ou tablet que possuem sistema operacional Android.
São objetivos específicos deste trabalho:
a) Equipamento portátil, de fácil manuseio e de baixo custo;
b) Aquisição dos sinais biológicos usando uma derivação;
c) Transmissão dos sinais por meio da tecnologia Bluetooth;
d) Aplicativo interativo para visualização do gráfico ECG e com facilidade para
interpretação de informações;
e) Sinal ECG preciso e confiável.

1.3 Estrutura do Trabalho

Este relatório está dividido em cinco capítulos.


No segundo capítulo é apresentado a revisão bibliográfica com um breve estudo
dos sinais vitais e um estudo detalhado da fisiologia do coração, dando enfoque nos
sinais elétricos que são fonte de informação para o exame de eletrocardiografia.
Também será tratado neste capítulo o estudo da tecnologia Bluetooth, escolhida para
realizar a comunicação sem fio no projeto e o estudo do sistema operacional Android,
justificando sua escolha.
O terceiro capítulo trata da metodologia planejada para o desenvolvimento do
aplicativo e do sistema de captura do eletrocardiograma.
O quarto capítulo trata do desenvolvimento do projeto, abordando a construção
detalhada do protótipo com todas as suas etapas.
O quinto capítulo traz os resultados obtidos com os testes realizados em
laboratório e na Feira de Integração Curricular (FIC).
O sexto capítulo apresenta uma discussão sobre o processo de desenvolvimento
deste trabalho, apontando os problemas e propondo futuros aprimoramentos para o
projeto.
17

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Nesse capítulo serão mostrados os conceitos de fisiologia humana e tecnologias


de comunicação e tratamento de dados relevantes para o desenvolvimento do
eletrocardiógrafo proposto pelo projeto.

2.1 Sinais Bioelétricos

Os sinais bioelétricos são originados por estímulos gerados no corpo humano


através de reações eletroquímicas nas células e os efeitos dessas reações coordenam o
seu funcionamento. São fontes de estudo para diagnóstico, terapia e monitoramento de
pacientes os sinais bioelétricos do coração, do cérebro, da atividade muscular e dos
olhos. Assim de modo geral, os sinais bioelétricos são medidos e armazenados como
potenciais, tensões e campos elétricos gerados por nervos e músculos (BALBINOT;
BRUSAMARELLO, 2007). Os exames para avaliar o funcionamento e comportamento
de nervos e músculos específicos são de EEG (Eletroencefalografia), EMG
(Eletromiografia), EOG (Eletrooculograma) e ECG (Eletrocardiografia). Sendo este
último de interesse deste trabalho.
Os métodos para captação dos sinais bioelétricos são dos tipos invasivos e não
invasivos, onde essencialmente, necessita-se de diferentes tipos de eletrodos
posicionados em regiões específicas do corpo humano onde se desejam obter os sinais
bioelétricos citados para posteriormente serem amplificados, tratados e reproduzidos
adequadamente. Cada sinal bioelétrico possui características morfológicas (amplitude e
frequência) próprias. Pode-se sintetizar as características de alguns sinais bioelétricos
conforme a Tabela 1.

Tabela 1 - Características de alguns sinais bioelétricos


Sinal Faixa de frequência (Hz) Potencial (mV)
Eletroencefalograma 0,5 a 40 0,001 a 0,01
(EEG)
Eletromiografia (EMG de 20 a 2000 1 a 10
superfície)
Eletrocardiografia (ECG) 0,05 a 100 1a5
Eletrooculograma (EOG) 0,01 a 0,1 DC a 10
Fonte: Adaptado de WEBSTER; THAKON, 2000.
18

2.2 Eletrocardiograma

O eletrocardiograma é o “registro das atividades elétricas do coração”


(THALER, 2013), onde será observado o ciclo de despolarização e repolarização das
células miocárdicas, uma vez que as células marca passo e de condução não produzem
uma diferença de potencial suficiente para serem captadas pelos eletrodos. Com o ECG
é possível determinar a frequência cardíaca e respiratória, infarto, hipertrofia e outras
patologias relacionadas à ritmicidade (BRASIL, 2002).

2.2.1 Sistema circulatório

Segundo Dee Silverthorn (2010), o sistema circulatório pode ser simplificado


por tubos (vasos sanguíneos) cheios de líquido (sangue), conectados a uma bomba (o
coração). A pressão exercida pelo coração propele o sangue continuamente pelo sistema
circulatório. A principal função do sistema circulatório é o transporte de nutrientes,
oxigênio e resíduos pelo corpo. Os nutrientes são absorvidos pelo sangue no epitélio
intestinal e distribuído entre as células. O oxigênio é absorvido pelo sangue na
superfície de troca dos pulmões, e é distribuído entre todas as células, pois necessitam
de um fornecimento contínuo de oxigênio. Já os resíduos (dióxido de carbono e resíduos
metabólicos) são transportados para os pulmões e rins, onde são excretados e outros
resíduos vão para o fígado para serem processados antes de serem excretados pela urina.
O coração é uma bomba dupla, unidirecional e pulsátil, isso é possui dois
elementos bombeadores de sangue (bomba dupla), o sangue só circular em uma direção
(unidirecional) e ele bombeia o sangue em forma de rajadas (pulsátil) (BRASIL, 2003).
Sendo que o processo de bombeamento resultante de sucessivas contrações e
relaxamentos dos átrios e ventrículos
A Figura 3 mostra sistema circulatório de forma simplificada, dando ênfase ao
sentido de circulação do sangue e aos principais elementos desse sistema. Essa figura
mostra o coração como se você estivesse vendo-o de frente, logo o lado direito do
coração estará desenhado no lado esquerdo e vice-versa.
Pode-se observar que o sistema circulatório é composto por um circuito fechado,
onde se tem o seguinte percurso partindo do átrio esquerdo:
19

a) O sangue com baixo nível de oxigênio e alto nível de gás carbônico


(sangue venoso, coloração azulada) entra no átrio esquerdo pelas veias
cava superior e inferior;
b) O átrio esquerdo bombeia o sangue para o ventrículo esquerdo;
c) O ventrículo esquerdo bombeia o sangue para as artérias pulmonares e
por fim ao pulmão;
d) No pulmão é retirada boa parte do gás carbônico do sangue e é inserido
oxigênio no sangue (sangue arterial, coloração avermelhada);
e) O sangue arterial entra no átrio direito pelas veias pulmonares;
f) O átrio direito bombeia o sangue para o ventrículo direito;
g) O ventrículo direito bombeia o sangue para a artéria aorta, dessa se
ramifica artérias menores até os vasos capilares que atingem a cabeça,
encéfalo, braços, tronco, intestino, rins, fígado, pelve e pernas;
h) Os vasos capilares vão se agrupando, após o sangue ficar pobre em
oxigênio, e formando veias maiores até chegar às veias cava superior e
inferior.
20

Figura 3 - Esquema do sistema circulatório

Fonte: SILVERTHORN, 2010, p. 470.

2.2.2 Eletrofisiologia

A atividade elétrica do coração humano é causada por distúrbios no padrão


elétrico de suas células. Segundo Thaler (2013), as células cardíacas, quando em
repouso são polarizadas negativamente por íons internos pelas chamadas bombas de
membrana.
O processo chamado de despolarização faz com que a célula perca a polaridade
negativa, e este processo causa uma reação em cadeia que tende a despolarizar as
21

células adjacentes, até que as chamadas bombas de membrana provoquem o processo de


repolarização invertendo o fluxo de íons. A Figura 4 ilustra este processo.

Figura 4 - Processo de despolarização e repolarização de um conjunto de células

Fonte: Adaptado de THALER, 2013, p. 11.

Pela Figura 4, o processo de despolarização inicia-se a partir de uma única célula


(A). A despolarização se propaga nas células adjacentes (B), até que todas as células
estejam despolarizadas (C). A repolarização acontece espontaneamente nas células,
retornando-as à polaridade de repouso de cada célula (D).
De acordo com Thaler (2013), no coração existem as células marca passo, as
células de condução e as células miocárdicas.
As células marca passo provocam uma despolarização espontânea, que se
propaga em todo o coração e iniciam o ciclo de sístole. Estas células se localizam no nó
sinoatrial que está no átrio direito do coração, e o sinal elétrico é propagado na direção
dos ventrículos.
As células de condução compõem o sistema de condução elétrica do coração,
funcionando como circuitos elétricos que conduzem o sinal elétrico proveniente das
células marca passo. Quanto mais distante o local a ser atingido pelo sinal elétrico, mais
22

tempo ele irá levar para chegar. Então, pela Figura 5 pode-se interpretar a ordem de
contração dos músculos do coração através das setas vermelhas.

Figura 5 - Sistema de condução elétrica do coração

Fonte: Potter et al., 2009, p. 909.

O nó sinoatrial (SA) ou nodo sinoatrial é composto por várias células marca


passo que ora estão carregadas negativamente e ora ficam descarregadas, sendo que esse
processo é cíclico e é executado por vários anos.
Os músculos átrio (AD e AE) e o ventricular (VD e VE) são compostos por
células miocárdicas que ficam carregadas negativamente até que alguma célula vizinha
descarregue fazendo com que ela também descarregue e após um tempo de
aproximadamente 200ms voltem a carregar. As células miocárdicas apresentam no seu
interior duas proteínas em abundância: actina e miosina. Quando as células miocárdicas
são despolarizadas, isso é, descarregam, as células liberam em seu interior cálcio que
faz a mediação entre a actina e a miosina, fazendo com que essas interajam levando a
contração celular. Agora se as células miocárdicas estão polarizadas, isso é, carregadas,
23

elas param de liberar cálcio, a actina e a miosina param de interagir e a célula volta a
relaxar.
O nó atrioventricular (AV) ou nodo atrioventricular conduz a despolarização dos
átrios para os ventrículos, já que não há um condutor direto entre eles, porém o nó AV
cria um retardo na transmissão do sinal, isso é, quando chega um pulso de
despolarização para o nó AV esse sinal não consegue passar imediatamente, esse atraso
é importante para que os átrios não contraiam no mesmo instante que os ventrículos. Os
ramos de feixe de His e a Rede de Purkinje conduzem a despolarização vinda do nó AV
para a parte inferior dos ventrículos direito e esquerdo.
A Figura 6 mostra um fluxograma com a sequência de passos iniciando com a
contração dos átrios até a descontração dos ventrículos.
24

Figura 6 - Fluxograma dos passos para a contração e descontração do coração

Fonte: Elaborado pelos autores.

Na Figura 6, os eventos que estão na mesma linha horizontal ocorrem quase no


mesmo instante, como por exemplo, enquanto as células miocárdicas dos átrios estão se
polarizando as células miocárdicas dos ventrículos estão se despolarizando.
25

2.2.3 Sinal do Eletrocardiograma

A Figura 7 apresenta o gráfico de um ECG comum com os nomes dos seus


segmentos e intervalos principais.

Figura 7 - Gráfico de um ECG

Fonte: THALER, 2013, p. 29.

Antes do início da onda P, existe um tempo não registrado no gráfico que


corresponde à onda de despolarização enviada pelas células marca passo localizadas no
nó sinoatrial. A onda P representa a resposta das células miocárdicas nos átrios do
coração, identificando que elas estão se contraindo. O segmento PR é o tempo
necessário para a onda de despolarização atingir as células miocárdicas dos ventrículos,
e também dos átrios se relaxarem. O complexo QRS corresponde à despolarização
ventricular. Ele possui uma grande amplitude, pois a massa muscular dos ventrículos é
maior em relação aos átrios. Por fim, a onda T corresponde à repolarização dos
ventrículos (THALER, 2013).
A Figura 8 ilustra os músculos do coração de acordo com as ondas do
eletrocardiograma.
26

Figura 8 -Associação entre o coração e o eletrocardiograma

Fonte: Adaptado de PEREIRA, 2008, pp. 7-9.

O eletrocardiograma é medido através de eletrodos em diferentes posições


chamadas de derivações. Dependendo da posição dos eletrodos no corpo, o registro
elétrico feito por eles será diferente. Atualmente, existem 12 derivações que definem a
posição e orientação dos eletrodos no corpo de forma que alguns aspectos elétricos do
coração ficam mais evidentes que os outros. Então, a padronização das derivações
permite a comparação de exames feitos em condições diferentes (THALLER, 2013).
No ECG o registro da atividade elétrica do coração, representada por um vetor, é
feito através de eletrodos. Esses eletrodos medem as alterações do vetor elétrico gerado
pelos processos de despolarização e repolarização. Durante a despolarização e a
repolarização, a diferença de potencial nas células cardíacas gera um campo elétrico que
é percebido pelo eletrodo. O campo elétrico gerado na repolarização é o oposto do
campo gerado na despolarização (BRASIL, 2002).
Pode-se medir o campo elétrico com o eletrocardiógrafo em qualquer parte do
corpo. Os eletrodos são colocados sobre a pele de modo que sejam influenciados pelo
campo gerado pelas correntes ionizantes.
De acordo com Ramos e Sousa (2007) a distribuição dos eletrodos pelo corpo
humano é realizada seguindo o chamado triângulo de Einthoven. Datado de 1912, esse
triangulo é equilátero e imaginário distribuído conforme mostra a Figura 9. Tem-se três
derivações: LI, LII e L III, e três eletrodos que são distribuídos sobre os pulsos (RA e LA)
e no tornozelo esquerdo (LL). Essas derivações estão no plano frontal, eletrodos
colocados sobre elas captam a diferença de potencial entre certas partes do corpo e o
coração.
27

Figura 9 - Distribuição dos eletrodos pelo triângulo de Einthoven

Fonte: BRASIL, 2002, p. 340.

As derivações de Einthoven se somaram as derivações de Charles Wolferth e


Francis Wood, totalizando nove derivações. Os eletrodos são distribuídos pelo corpo
conforme essas derivações. Nas derivações, existe um eletrodo em cada um dos braços,
um na perna esquerda, seis distribuídos no peito e um eletrodo adicional na perna direita
servindo de referência. O eletrodo de referência é utilizado para diminuir possíveis
interferências externas (BRASIL, 2002, p. 341).
A Figura 10 mostra as outras seis derivações que estão situadas sobre o tórax.
Elas são identificadas por V1, V2, V3, V4, V5 e V6, estão sobre o plano horizontal. Os
eletrodos colocados nestas derivações captam a diferença de potencial entre o tórax e o
centro elétrico do coração (RAMOS; SOUSA, 2007).

Figura 10 - Distribuição dos eletrodos: plano horizontal

Fonte: RAMOS; SOUSA, 2007, p. 5.

O Quadro 1 mostra o formato do complexo PQRST dependendo das derivações


utilizadas e informa segundo as alterações na onda as possíveis anomalias associadas.
28

Quadro 1 - Descrição dos traçados do ECG


TRAÇADO INTERPRETAÇÃO NORMAL ALTERAÇÕES
E ANOMALIAS
Onda P Vem antes do complexo QRS, é geralmente Onda invertida pode ser uma
representa a arredondada e para cima. Tem amplitude condução retrógada na junção
despolarização normal de 2 a 3mm de altura. Tem duração atrioventricular em direção aos
atrial de 0,06 a 0,12s. Possui deflexão positiva nas átrios. Onda com entalhes ou
derivações I, II, aVF e V2 a V6, nas aumentada e apiculadas pode
derivações III e aVL pode sofrer variações. representar hipertrofia ou aumento
É invertida na derivação aVR e bifásica na atrial. Onda variável pode indicar
derivação V1. que o impulso está vindo de
diferentes locais. Onda ausente
pode significar condução por
outro trajeto (ritmo juncional ou
fibrilação atrial).
Intervalo P-R É o intervalo de tempo que vai do início da Intervalos longos pode indicar
representa a onda P ao início da onda R. Possuí duração atraso na condução através dos
condução máxima de 0,12 a 0,20s. átrios ou junção SA. Ex.:
atrioventricular intoxicação por digoxina,
(começo da bloqueio cardíaco. Intervalos
despolarização curtos indicam que o impulso teve
atrial até começo origem em outro local com
da exceção do nó SA. Ex.: arritmias
despolarização funcionais e síndromes de pré-
ventricular) excitação.
Complexo QRS Tem uma duração normal de 0,06 a 0,10s e Ausência de complexo pode
representa a uma amplitude de 5 a 30mm de altura (onda indicar bloqueio AV ou parada
despolarização R). Possui deflexão negativa nas derivações ventricular. Complexo alargado
dos ventrículos aVR e V1 a V3 e deflexão positiva nas pode indicar atraso na condução
derivações I, II, III, aVL, aVF e V4 a V6. ventricular.
Onda Q Despolarização Septal. Deflexão negativa Ondas profundas e largas pode
tendo profundidade maior que 0,5mm, e indicar infarto no miocárdio.
menor que 1mm com duração máxima de
0,04s.
Onda R Despolarização ventricular. Deflexão Onda R com entalhe pode
positiva. significar bloqueio de ramo.
Onda S Deflexão negativa seguinte a onda R. Observar o complexo QRS.
Despolarização da região basal posterior do
ventrículo esquerdo.
Onda T Tem configuração arredondada e suave Onda irregular pode indicar que
representa a sendo geralmente positiva nas derivações I, uma onda P está escondida no seu
repolarização II e V3 até V6 e invertida na derivação aVR, interior (o impulso teve origem
dos ventrículos nas outras derivações é variável. Possui uma em um local acima dos
amplitude de 0,5mm nas derivações I, II e ventrículos). Ondas em forma de
III. E uma amplitude de até 10mm nas tenda, altas ou apiculadas indicam
derivações precordiais. lesão miocárdica ou hipercalemia.
Ondas invertidas nas derivações I,
II ou V3 até V6 pode significar
isquemia miocárdica.
Segmento S-T Localiza-se desde a onda S até o início da Qualquer alteração pode indicar
onda P. Geralmente não é nem positivo e lesão miocárdica.
nem negativo e pode variar em algumas
derivações de menos 0,5mm a mais 1mm.
Intervalo Q-T Localiza-se desde o início do complexo Duração anormal pode indicar
mede a despol. e QRS até o final da onda T. Normalmente problemas miocárdicos. Intervalos
repol. dos varia de 0,36 a 0,48s dependendo da idade, curtos pode indicar intoxicação
ventrículos sexo e frequência cardíaca. por digoxina ou hipercalcemia.
Fonte: Adaptado de LIMA, 2010, p. 143.
29

Conforme descrito, cada sinal bioelétrico possui características próprias. Com


isso, na Tabela 2 pode-se sintetizar as componentes em frequência dos diferentes
estímulos no coração. Tendo em vista que o ECG é um exame exploratório da atividade
cardiovascular, de acordo com o posicionamento dos eletrodos no corpo do paciente,
será observado e avaliado o funcionamento do coração como um todo.
A Tabela 2 apresenta as faixas de frequência num exame não invasivo utilizando
eletrodos de superfície para captar os sinais desejados.

Tabela 2 - Faixa de frequência do sinal de ECG


Aplicações Faixa de frequência
Eletrocardiograma (ECG): potencial Frequências cardíacas 0,5 - 3,5 Hz
cardíaco detectado com eletrodos de (intervalo R-R)
superfície colocados no tórax, costas
e/ou membros Variabilidade R-R devido a 0,01 - 0,04 Hz
termo regulação
Variabilidade R-R devido à 0,04 - 0,15 Hz
dinâmica do barorreflexo
Variabilidade R-R devido à 0,15 - 0,4 Hz
respiração
Complexo P, QRS, T 0,05 - 100 Hz
Potencial tardio ventricular 40 - 200 Hz
Exigência de largura de 0,67 - 40 Hz
banda para ECG clínico/
monitores de frequência
Fonte: Adaptado de WEBSTER, 2000, p. 42.

Para realizar a captura do sinal elétrico do coração, é necessário o


eletrocardiógrafo. Este equipamento deve capturar e amplificar o sinal do ECG
rejeitando ruídos biológicos e ambientais com uma proteção elétrica tanto para o
paciente quanto para o circuito (BRASIL, 2002).

2.3 Os princípios de medição do ECG

Os processos de medição do ECG e de demais sinais bioelétricos, em geral, são


bastante complicados de serem obtidos. Os princípios e práticas para tanto, são bastante
meticulosos e cada parte constituinte deste processo impacta diretamente nos seus
resultados. Atentos a essa realidade, serão descritos as definições, características e
funções dos itens a seguir como forma de compreender, precaver e contornar problemas
que poderão surgir ao longo deste trabalho.
30

2.3.1 Eletrodos

No processo inicial de captação do ECG, necessitou-se primeiramente dos


eletrodos para tal finalidade. Os Eletrodos são os componentes que em contato/inserção
com a pele do paciente irão conduzir/propagar os estímulos dos sinais bioelétricos aos
cabos. O tipo de eletrodo utilizado determina o método e o tipo do exame, podendo ser
evasivo ou não invasivo. Entende-se por evasivo conforme o dicionário PRIBERAM,
"que penetra o organismo ou em parte dele". Já o método não invasivo por sua vez, não
gera nenhum desconforto e incomodo ao paciente, muito menos alguns tipos de reações
adversas. O procedimento utilizado em exames de ECG é essencialmente do tipo não
invasivo.
Considerando um exame do tipo não invasivo, pode-se representar a conexão
entre o eletrodo e a pele por um circuito elétrico. A Figura 11 apresenta um circuito
equivalente onde cada elemento do circuito está aproximadamente no mesmo nível que
as camadas físicas que estão no lado esquerdo da figura.
Figura 11 - Circuito equivalente da interface entre o eletrodo e o corpo humano

Fonte: Adaptado de WEBSTER, 2010, p. 207.


31

Nesta figura, o eletrodo é representado pelo potencial de meia célula e pela


associação RC de Rd e Cd. O potencial de meia célula Ehc surge entre o eletrodo e o gel
condutor, e é determinado pelo material do metal do eletrodo, a concentração dos íons
na solução do gel e a temperatura, assim como outros fatores secundários. Cd representa
a capacitância entre a interface do eletrodo e do gel, enquanto que a resistência Rd
representa a resistência parasita nesta interface. Os valores destes componentes são
determinados pelo material do eletrodo e sua geometria, assim como o material e a
concentração do gel.
A resistência em série Rs é a resistência efetiva associada com os efeitos do
interfaceamento do gel entre o eletrodo e a pele. A epiderme possui uma membrana
chamada de stratum corneum, que é formada por camadas de células mortas compostas
por queratina que por sua vez são semipermeáveis a íons, de forma que existe uma
diferença na concentração iônica nesta membrana. Esta diferença de concentração
iônica cria a diferença de potencial Ese.
A camada da epiderme possui também uma impedância elétrica que se comporta
como um circuito paralelo RC formado por Ce e Re. Para 1 cm2 de pele, esta impedância
varia de 200kΩ em 1 Hz até 200Ω em 1MHz. A derme e a camada subcutânea sob a
epiderme se comportam geralmente como resistências puras, gerando potenciais
desprezíveis.
Como a membrana stratum corneum possui impedância variável, seu efeito pode
ser minimizado com sua remoção na área de contato com o eletrodo. Entre as maneiras
de realizar isto, pode-se esfregar um pedaço de algodão com acetona na pele do
paciente. Isto irá diminuir os efeitos de Ese, Ce e Re melhorando a estabilidade do sinal,
mas a membrana stratum corneum pode se regenerar em um período de até 24h.
Os dutos e glândulas sudoríparos também influenciam na interface entre o
eletrodo e a pele, representados por Rp e Cp e um potencial Ep que é causado pela
diferença de potencial entre o canal dos dutos sudoríparos e a derme e as camadas
subcutâneas (WEBSTER. 2010).
Os eletrodos disponíveis para uso são constituídos de variados tipos de
materiais, formatos e características específicas. Cada tipo de eletrodo possui um
determinado valor comercial de acordo com o que foi descrito anteriormente. Na Figura
12 pode-se visualizar os mais variados tipos de eletrodos.
32

Figura 12 - Tipos de eletrodos

Fonte: Adaptado de WEBSTER; THAKON, 2000.

De modo geral, os eletrodos podem ser reutilizáveis, descartáveis, de superfície


ou de agulha. O eletrodo em a) na Figura 12 é do tipo de superfície, adere a pele devido
ao adesivo e também deve ser descartado após o uso. Tem como base condutora um
disco de Ag/AgCl (Prata/Cloreto de Prata) e uma fina camada de gel condutor neste
disco. Este é conectado ao cabo através de um plug pressão, garra ou jacaré apropriado.
O eletrodo em b) difere do em a) por ser reutilizável e de material emborrachado. Tem
a forma de uma concha, sendo necessária a utilização de gel condutor nesta saliência,
além de, um adesivo para prendê-lo ao corpo do paciente. Em c) temos um eletrodo
com disco de ouro ou pode ser totalmente de Ag (Prata), que é reutilizável e também
deve ser depositado gel condutor em sua saliência. Ele é fixado no corpo do paciente
por sucção. Em d) tem-se o eletrodo de bioimpedância que é constituído por uma
camada adesiva condutiva de polímeros e abaixo desta outra camada de alumínio. E por
fim, em e) tem-se o eletrodo do tipo agulha, que é introduzido na pele do paciente. Este
eletrodo deve ser descartado após o uso e é tipicamente utilizado em exames de EMG.
Dos eletrodos descritos previamente, o ECG pode utilizar os eletrodos em a), b) e c)
destacados na Figura 12.
33

No trabalho em questão será adotado o eletrodo de superfície descartável de


Ag/AgCl para realizar o exame de ECG. A Dormed (2016) comercializa esse tipo de
eletrodo da MediTrace ao preço de R$52,00 o pacote com 100 unidades. Na Figura 13
pode-se visualizar o eletrodo.

Figura 13 - Eletrodo Descartável de Ag/AgCl

Fonte: DORMED, 2016.

2.3.2 Cabos

Os cabos conduzem os sinais bioelétricos captados pelos eletrodos até a unidade


de processamento desses sinais, sendo este, responsável por amplificar, filtrar,
digitalizar e transmitir o sinal para ser reproduzido no monitor em que possa ser
interpretado/visualizado por um profissional da saúde.
Em suma, os cabos utilizados dever ser blindados e em alguns casos especiais
podem possuir um circuito adicional de pré-amplificação do sinal no mesmo.

2.3.3 Ruídos e interferências

Os sinais bioelétricos em geral, estão sujeitos a diversos tipos de ruídos e


interferências advindos de várias fontes. Atrelado a essa situação e ainda devido aos
sinais possuírem características como baixa amplitude e frequência elétrica e
componente DC, a sua aquisição torna-se uma tarefa difícil e complexa de ser obtida
34

com êxito. Para tanto, deve-se conhecer, identificar e avaliar os efeitos que surgem ou
podem surgir nos sistemas eletrônicos de aquisição dos sinais biológicos.
De acordo com John Webster (2010), quando um sinal biopotencial é
mensurado, existem as entradas desejadas, as entradas interferentes e as entradas
modificadoras. As entradas desejadas são os sinais que o instrumento médico irá medir,
enquanto que as entradas interferentes são os sinais que inadvertidamente afetam o
instrumento como consequência do método de aquisição do sinal. As entradas
modificadoras são sinais indesejados que indiretamente afetam a saída quando a
performance ou condição do instrumento é alterada.
No sistema de aquisição do eletrocardiograma mostrado na Figura 14 por
exemplo, a entrada desejada é a tensão do eletrocardiograma 𝑣𝑒𝑐𝑔 que surge entre os
dois eletrodos na superfície do corpo. As entradas interferentes podem ser
exemplificada pelo ruído causado pelo acoplamento capacitivo dos cabos e pelo ruído
de 60Hz induzido na área sombreada pelos campos magnéticos no ambiente criados
pela corrente alternada da rede elétrica. Por fim, as entradas modificadoras podem ser
exemplificadas pela variação da impedância da conexão entre o eletrodo e a pele (Z1 e
Z2) e pela orientação dos cabos do paciente. Se o plano dos cabos dos eletrodos está em
paralelo com o campo magnético, a interferência é zero. Se o plano dos cabos estiverem
perpendiculares ao campo magnético, a interferência magnética será máxima
(WEBSTER, 2010).
35

Figura 14 - Área de interferência

Fonte: Adaptado de WEBSTER, p. 13.

Pela figura, observa-se que as tensões desejadas e interferentes estão em série,


de forma que ambas surjam na entrada do amplificador diferencial. Para reduzir ou
eliminar os efeitos das entradas interferentes e modificadoras, o projeto do instrumento
de medição pode ser alterado ou então novos componentes podem ser dimensionados
para minimizar os efeitos das entradas não desejadas (WEBSTER, 2010).
Dentre os principais ruídos e interferências que podem degradar o sinal de ECG,
pode-se visualiza-los na Figura 15.
36

Figura 15 - Efeitos dos ruídos e interferências nos sinal de ECG

Fonte: Adaptado de WEBSTER; THAKON, 2000.

Na Figura 15 em a) pode-se perceber o efeito de falha na conexão entre a


interface pele-eletrodo. Onde, a falha na conexão dos cabos com o eletrodo ou a falta de
aderência do mesmo a pele acarreta no aparecimento de um offset ou salto no sinal
reproduzido no monitor de ECG ou na folha de papel milimetrado. Em b) ocorre o
efeito da contaminação do sinal de ECG com o de EMG. Enquanto em c), pode-se ter a
presença da indução magnética entre os cabos devido a existência de enlace magnético
proveniente da interferência de RF (Rádio Frequência) e/ou a introdução de 60Hz e suas
subportadoras provenientes da rede de alimentação da concessionária de energia
elétrica.

2.3.4 Filtros

"Os filtros são usados para deixar passar as frequências que contêm informações
desejadas e rejeitar as frequências restantes" (BOYLESTAD, 2004). Baseado nesta
afirmação pode-se sintetizar de forma geral que os filtros são caraterizados pela
capacidade de condicionamento de sinais elétricos, preservando e/ou modificando suas
características morfológicas (amplitude e frequência) desejadas e/ou indesejadas.
Assim, o efeito da inserção de filtro(s) em circuito(s) eletroeletrônico(s) resulta na
37

atenuação de características indesejadas do sinal elétrico ao passo de reforçar as de


interesse. Com isso, tem-se um sinal de entrada Vi(s) sofrendo efeitos da inserção do
filtro e tendo como resultado Vo(s). Pode-se demonstrar esquematicamente a inserção
do(s) filtro(s) conforme a Figura 16.

Figura 16 - Representação genérica dos filtros

Fonte: Adaptado de SEDRA; SMITH, 2000, p. 1084.

Os filtros podem ser caracterizados como passivos, ativos e digitais. Segundo


Simon Haykin e Barry Van Veen (2001), diz-se que um filtro é passivo quando sua
composição é feita inteiramente de elementos passivos de circuitos (isto é, resistores,
capacitores e indutores). Para os filtros ativos adicionam-se aos componentes passivos
transistores e/ou amplificadores operacionais. Enquanto "um filtro digital usa
computação para implementar a ação de filtragem que deve ser executada num sinal de
tempo contínuo" (HAYKIN; VEEN, 2001). O mecanismo de funcionamento do filtro
digital pode ser visualizado na Figura 17.

Figura 17 - Mecanismo de funcionamento de um filtro digital

Fonte: Adaptado de HAYKIN; VEEN, 2001, p. 513.

De modo geral, os filtros podem ser classificados como Passa-Baixas, Passa-


Altas, Passa-Faixa e Rejeita-Faixa conforme a Figura 18. Onde os índices (a), (b), (c) e
(d) apresentam o comportamento ideal desses filtros destacados anteriormente em razão
da faixa de passagem e bloqueio aplicados ao sinal desejado.
38

Figura 18 - Classificação e comportamento dos filtros

Fonte: Adaptado de SEDRA; SMITH, 2000, p. 1085.

Após esta introdução acerca dos filtros, suas características, classificações e


comportamentos, deve-se aplicar estes conceitos no condicionamento de sinais
bioelétricos. Assim, para o condicionamento do sinal elétrico da atividade cardíaca tem-
se o esquemático simplificado do circuito na Figura 19 para captação do ECG.

Figura 19 - Esquemático simplificado do circuito de aquisição do ECG

Fonte: Adaptado de BRONZINO; NAGEL, 2000.

Na Figura 19 pode-se dividir em 4 estágios o processo de captação do ECG.


Nessas etapas, tem-se exemplificado a interface pele eletrodo, condução dos sinais
bioelétricos pelos cabos até o primeiro estágio de pré-amplificação, em seguida, tem-se
o segundo estágio de filtragem que corresponde a um filtro Passa-Altas, depois o
terceiro estágio de amplificação e por último, o quarto estágio com o filtro Passa-
Baixas.
39

Os filtros utilizados no processo de captação e condicionamento do sinal de


ECG devem estar sintonizados na faixa de frequência característica desse sinal,
conforme apresentado na Tabela 2. Assim, o segundo estágio é responsável pela
primeira filtragem do sinal (PA) e está sintonizado na frequência de corte igual ou
inferior a 0,05Hz. Segundo Bronzino e Nagel (2000), este filtro tem a finalidade de
eliminar ruídos de baixa frequência e componente DC do sinal de ECG. Enquanto o
quarto estágio que corresponde ao segundo processo de filtragem (PB), está sintonizado
na frequência de corte igual ou superior a 100Hz.
Deve-se ressaltar também que mesmo não estando inserido no esquemático
simplificado da Figura 19, pode-se fazer necessário a adoção de um filtro Rejeita-Faixa
(RF) para atenuar a interferência de 60Hz advinda da rede de alimentação da
concessionária de energia elétrica. Esse artifício pode ser implementado mediante a
filtragem digital através de algoritmos implementados em microcontroladores, em
detrimento do projeto de filtros ativos, dado que, a filtragem digital pode ser modificada
e adaptada de acordo com a necessidade de aplicação e os resultados esperados.

2.4 Preparação para o exame

A correta preparação para o exame pode ajudar a mitigar alguns efeitos


indesejados que podem afetar o sinal de ECG. Conforme mencionado anteriormente, os
efeitos dos ruídos e interferências podem ser minimizados mediante a adoção de
algumas contra medidas. Como por exemplo:
a. Retirada do excesso de pelos nas regiões de fixação dos eletrodos
e limpeza prévia do local com álcool, por exemplo, para melhorar condução
elétrica da interface pele-eletrodo;
b. Posicionar os eletrodos em regiões do corpo com menor
intensidade muscular no torso, mãos e pernas. Para minimizar a contaminação
do sinal de ECG com o de EMG;
c. O paciente deverá estar em repouso para realização do exame.
40

2.5 Tecnologia Bluetooth

O Bluetooth é uma tecnologia de redes sem fio, destinada a ser segura, simples e
ubíqua. Segundo o sítio da própria tecnologia, atualmente existem bilhões de
dispositivos que fazem uso do Bluetooth (BLUETOOTH, 2015).
O desenvolvimento da tecnologia iniciou-se em meados do ano de 1994, pela
empresa Ericsson e foi impulsionado pela crescente necessidade de conectar
dispositivos eletrônicos sem fio com uma solução de baixo custo (RAPPAPORT, 2009).
Para agilizar o desenvolvimento da tecnologia, em 1998 foi criado um consórcio
entre várias empresas formando o SIG (Special Interest Group, Grupo de Interesse
Especial em tradução literal) para desenvolver normas e tecnologias para o Bluetooth. O
SIG definiu o nome da tecnologia Bluetooth em homenagem ao rei dinamarquês Harold
Blaatand (Bluetooth, em inglês) que no século X uniu a Dinamarca e a Noruega. Dentre
as empresas que constituíam o consórcio inicialmente destacam-se a Ericsson, IBM,
Toshiba, Nokia e Intel (FOROUZAN, 2008).
O Bluetooth está classificado como rede local sem fio WLAN (Wireless Local
Area Network), pois conecta vários dispositivos diferentes a curta distância. Apesar de
estar classificado como um WLAN, o padrão IEEE 802.15 classifica o Bluetooth como
uma rede pessoal PAN (Personal Area Network) sem fio considerando que opera em
áreas do tamanho de uma sala (FOROUZAN, 2008).
Eduardo Tude (2013) diz que as aplicações do Bluetooth podem ser divididas
em controle de mídia, controle de sistemas de comunicações e outras facilidades, como
por exemplo, transferência de arquivos entre dois dispositivos.
A Figura 20 mostra diversos dispositivos eletrônicos representando algumas das
aplicações possíveis com a tecnologia Bluetooth.
41

Figura 20 - Comunicação entre dispositivos via Bluetooth

Fonte: CONCEIÇÃO JÚNIOR, 2012, p. 13.

A Figura 21 apresenta um gráfico comparativo entre o Bluetooth e outras


tecnologias de redes sem fio, levando em conta a distância de alcance e a taxa de
transferência de dados. Apesar da tecnologia Bluetooth ter uma baixa taxa de
transferência e curta distância de alcance em relação às outras tecnologias, os próprios
desenvolvedores do Bluetooth afirmam que a tecnologia foi desenvolvida para ter a
capacidade de realizar transmissões de dados e voz simultaneamente (BLUETOOTH,
2015).

Figura 21 - Gráfico comparativo entre as tecnologias de redes sem fio

Fonte: CONCEIÇÃO JÚNIOR, 2012.


42

2.5.1 Características

Conforme Rappaport (2009), o Bluetooth opera na banda ISM de 2,4GHz


(2.400-2.483,5 MHz) e usa esquema de salto de frequência TDD para cada canal de
rádio. Cada canal de rádio Bluetooth tem uma largura de banda de 1MHz e saltos a uma
taxa de aproximadamente 1.600 vezes por segundo. As transmissões são realizadas em
slots de 625 microssegundos com um único pacote transmitido em um único slot.
A banda ISM é destinada para aplicações industriais e médicas (Industrial
Sientific and Medical), mas em 1985 o órgão regulador da área de telecomunicações e
radiodifusão FCC nos Estados Unidos desvencilhou parte do espectro desta banda para
aplicações livres, sem necessidade de licenciamento de utilização e introduziu normas
para limitar a potência de transmissão e técnicas de modulação (BEZERRA, 2014).
Para evitar a interferência com dispositivos nesta banda, o Bluetooth utiliza o
método de espalhamento espectral de saltos de frequência FHSS (Frequency Hopping
Spread Spectrum) na camada física onde ocorre a mudança constante da portadora em
diferentes canais de frequência.
A distância de transmissão do Bluetooth é de acordo com a classe, que por sua
vez é definida de acordo com a aplicação. Atualmente existem três classes
(BLUETOOTH, 2015):
a) Classe 1 - Distância de até 100 metros;
b) Classe 2 - Distância de até 10 metros;
c) Classe 3 - Distância de até 1 metro.
A modulação do Bluetooth é do tipo GFSK, que corresponde a uma modulação
de chaveamento por frequência FSK (Frequency Shift Keying) com filtragem gaussiana.
Nesta modulação, o bit 1 é representado por um desvio de frequência acima da
portadora e o bit 0 é representado por um desvio abaixo da portadora (FOROUZAN,
2008).
É importante citar que cada dispositivo Bluetooth possui um endereço único de
48 bits registrado durante o processo de fabricação. Porém, o usuário pode atribuir um
nome virtual ao dispositivo de forma que ele fique mais fácil de identificar (HUANG;
RUDOLPH, 2007).
As principais características do Bluetooth estão resumidas no Quadro 2.
43

Quadro 2 - Principais características do Bluetooth

Fonte: Adaptado de YOUNG, 2006, p. 588.

2.5.2 Arquitetura

Na arquitetura da rede Bluetooth, os dispositivos são definidos como mestres ou


escravos, onde a comunicação ocorre apenas entre um dispositivo mestre e outro
escravo (TUDE, 2013). Os dispositivos escravos na rede devem sincronizar seus clocks
e sequências de saltos com o dispositivo mestre (FOROUZAN, 2008).
A arquitetura da rede Bluetooth possui dois tipos de redes: piconet e scatternet.
Em uma rede piconet, um dispositivo mestre gerencia até sete dispositivos
escravos. Podem também existir mais oito dispositivos escravos na piconet, porém eles
devem estar em estado ocioso, sem poder realizar comunicação com o dispositivo
mestre (FOROUZAN, 2008). A Figura 22 apresenta o conceito de uma rede piconet.
44

Figura 22 - Rede piconet

Fonte: TUDE, 2013.

Se duas ou mais redes piconets forem combinadas, elas formam uma rede
scatternet. Em uma rede scatternet, um dispositivo escravo de uma rede piconet pode
ser o mestre de outra rede piconet, podendo inclusive ser um intermediador de
comunicação entre as duas redes (FOROUZAN, 2008). A Figura 23 mostra a estrutura
de uma rede scatternet.

Figura 23 - Rede scatternet

Fonte: TUDE, 2013.

Para a conexão entre dois dispositivos é necessário que o dispositivo mestre faça
uma série de funções. A Figura 24 mostra o algoritmo para o estabelecimento de uma
conexão Bluetooth do ponto de vista do dispositivo mestre.
45

Figura 24 - Algoritmo para o estabelecimento de uma conexão Bluetooth

Fonte: Adaptado de HUANG; RUDOLPH, 2007, p. 4.

A possibilidade de ser possível escolher um protocolo de transporte é devido às


diferentes necessidades das aplicações em que o Bluetooth pode ser aplicado.
Basicamente, os protocolos podem garantir ou a entrega dos pacotes (protocolo
RFCOMM) ou um baixo atraso na transmissão (protocolo L2CAP) dependendo da
aplicação (HUANG; RUDOLPH, 2007).
Para definir em qual porta será feita a comunicação entre os dispositivos, a
estação primária utiliza o protocolo SDP (Service Discovery Protocol, Protocolo de
Descoberta de Serviço em tradução literal) para identificar que tipo de serviço a estação
secundária irá utilizar para então retornar a ela o número da porta em que a
comunicação será feita (HUANG; RUDOLPH, 2007).
46

2.5.3 Camadas do Bluetooth

O Bluetooth pode ser estruturado em três grupos de camadas: o grupo de


protocolo de transporte que é responsável por estabelecer e gerenciar as conexões dos
aparelhos, o grupo de protocolo de middleware que é composto por protocolos
terceirizados e de indústrias e também dos criados pelo SIG. O grupo de protocolo de
middleware é responsável por fazer a transmissão de dados através dos protocolos que
ele suporta. Acima dos dois grupos anteriores está o grupo de aplicação, que representa
as aplicações que farão uso da conexão Bluetooth (WELLS, 2004).
A Figura 25 apresenta as camadas do Bluetooth com alguns de seus protocolos
utilizados.

Figura 25 - Camadas da tecnologia Bluetooth

Fonte: Adaptado de WELLS, 2004, p. 33.

A camada de rádio corresponde aos equipamentos transceptores da tecnologia,


que possuem as especificações de acordo com a seção 2.3.1.
A camada de banda base define como os dispositivos irão se localizar e realizar a
conexão com outros dispositivos e também os métodos de processamento de pacotes,
estratégias de correção e detecção de erros, encriptação e transmissão e retransmissão de
pacotes (WELLS, 2004).
A camada de gerenciamento de enlace realiza tarefas como o gerenciamento da
alocação de banda, reserva de tráfego de áudio, autenticação, encriptação de dados e
controle de uso de potência (WELLS, 2004).
A camada L2CAP (Logical Link Control and Adaptation Protocol, Protocolo de
Controle e Adaptação de Enlace Lógico em tradução literal) corresponde à interface
47

entre os protocolos das camadas superiores com os das camadas inferiores. Esta camada
é capaz de multiplexar os protocolos de camadas superiores permitindo múltiplos
protocolos e aplicações serem executados em uma mesma interface (WELLS, 2004).
Conforme Forouzan (2008), as camadas superiores à camada L2CAP recebem
protocolos específicos que são definidos de acordo com as aplicações dessas camadas.

2.6 Sistema Operacional Android

O sistema operacional Android foi inicialmente desenvolvido pela empresa


Android Inc., que em 2005 foi comprada pela companhia multinacional Google
(Gomes, Fernandes, & Ferreira, 2012). Em 2007, o sistema foi divulgado para o mundo
por um grupo formado por empresas líderes do mercado de tecnologia móvel, chamado
de Open Handset Alliance (OHA). A Open Handset Alliance é formada por
aproximadamente 87 empresas do mercado de telefonia celular e é liderada pela
Google. Entre as empresas que compõem a OHA estão a Motorola, LG, Acer, Intel,
Dell, Sony Ericsson, Samsung, Toshiba, Telefônica e Nvidia. Os objetivos principais da
OHA ao desenvolver o sistema operacional Android eram criar uma plataforma aberta,
única, moderna e flexível capaz de satisfazer os usuários, formando um padrão para
atender as tendências do mercado. (LECHETA, 2010).
Paul Deitel (2013) afirma que o Android se destaca entre os outros sistemas
operacionais para dispositivos portáteis por ter um código-fonte aberto e gratuito, o que
permite ao desenvolvedor um acesso direto aos recursos do sistema operacional.

Segundo Ricardo Lecheta (2010):

O Android é a nova plataforma de desenvolvimento para aplicativos móveis


como smarthphones e contém um sistema operacional baseado em Linux,
uma interface visual rica, GPS, diversas aplicações já instaladas e ainda um
ambiente de desenvolvimento bastante poderoso, inovador e flexível. [...] (p.
20).

2.6.1 Vantagens para desenvolvimento de aplicativos para Android

Com ponto de vista no mercado atual, Reto Meier (2009) cita alguns motivos
para incentivar o desenvolvimento de aplicativos Android, dentre eles: crescimento da
venda de dispositivos móveis, ausência de taxas de licenciamento, poderosas
ferramentas de desenvolvimento gratuitas e grande comunidade de desenvolvedores. O
48

desenvolvimento de aplicativos para Android não possui tantas restrições comparando-


se com outros sistemas operacionais proprietários para dispositivos móveis como iOS e
Windows Phone.
De acordo com a empresa de pesquisas International Data Corporation (2015), o
mercado de venda de smartphones tem crescido 13% ao ano até o segundo quadrimestre
de 2015 com o sistema operacional Android com um percentual de penetração de
mercado de 82,8%, seguido pelo sistema iOS com uma penetração de mercado de
13,9%. A Figura 26 apresenta um gráfico, onde observa-se que nos últimos anos o
sistema operacional Android esteve com uma penetração de mercado maior que a dos
outros sistemas para smartphones.

Figura 26 - Gráfico Penetração de mercado de sistemas operacionais para


smartphones

Fonte: INTERNATIONAL DATA CORPORATION, 2015.

Já Pereira e Silva (2009), mencionam como vantagens as próprias características


do sistema, considerando que ele é uma tecnologia completa porque contém programas,
sistema operacional, aplicativos, middleware e interfaces para usuários. Também
comentam que a plataforma foi construída com base no kernel (núcleo do sistema) do
Linux e possui um conjunto de ferramentas que ajudam no desenvolvimento de
projetos.

2.6.2 Estrutura do sistema

O sistema operacional Android pode ser representado através de elementos,


como mostra a Figura 27. No nível mais baixo, está o Kernel Linux (núcleo do sistema)
49

que executa serviços fundamentais para o funcionamento do dispositivo em que está


instalado, atuando como uma abstração entre o hardware e os softwares de aplicação.
As bibliotecas reúnem um conjunto de informações utilizadas pelo sistema para
controlar os serviços dos aplicativos como imagens, banco de dados, áudio, entre
outros.
O Runtime Android utiliza recursos fornecidos pela biblioteca para poder
executar aplicativos, gerenciando o tempo e a execução deles.
O elemento Framework de aplicação fornece recursos para os aplicativos. Estes
recursos são utilizados pelos desenvolvedores para poder desenvolver os aplicativos.
A camada de aplicação executa os aplicativos, sendo assim a interface entre o
usuário e o sistema (MEIER, 2009).

Figura 27 - Elementos do sistema operacional Android

Fonte: Adaptado de MEIER, 2009, p. 13.

3 DESCRIÇÃO DO ELETROCARDIOGRAFO PORTÁTIL

Esta unidade aborda a descrição dos módulos e componentes que compõem o


Eletrocardiógrafo Portátil. O projeto integra os módulos ECG, bluetooth e o smartphone
ou tablet através de um microcontrolador e um aplicativo desenvolvido com a finalidade
50

de apresentar o eletrocardiograma para o usuário. A Figura 28 apresenta um exemplo de


aplicação do projeto e a Figura 29 apresenta o diagrama de blocos do projeto.

Figura 28 - Aplicação do projeto

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 29 - Diagrama de blocos do sistema

Fonte: Elaborado pelos autores.

Abaixo estão descritos o funcionamento de cada bloco do diagrama.


a) Módulo de captura de ECG
O módulo ECG, por meio dos eletrodos conectados ao paciente, faz a captura
dos sinais elétricos do coração. Os sinais elétricos são amplificados pelo circuito
bioamplificador do módulo, porque os pulsos elétricos gerados pela contração e
relaxamento do músculo cardíaco possuem baixas amplitudes, da ordem de poucos
milivolts. Os sinais amplificados são disponibilizados na saída do módulo para em
51

seguida serem processados e transmitidos. O módulo ECG possui uma derivação e


permite identificar quando algum destes eletrodos estão desconectados.
b) Microcontrolador
O microcontrolador é responsável por receber os sinais elétricos do módulo ECG
e fazer o tratamento para transmissão. Toda a lógica de controle está programada nele.
A programação no microcontrolador também define a taxa de dados utilizada para
amostragem e o tempo de varredura do sinal para ser enviado ao aplicativo.
c) Módulo transmissor Bluetooth
O módulo transmissor Bluetooth recebe os dados processados pelo
microcontrolador e os envia para o smathphone ou tablet. A comunicação entre o
módulo Bluetooth e o microcontrolador é serial full-duplex.
d) Alimentação
A alimentação dos módulos é feita por uma bateria de celular que está
embarcada no Eletrocardiógrafo Portátil. A bateria alimenta os módulos com uma
tensão contínua de aproximadamente 4,0V, quando a mesma está carregada.
e) Receptor
O receptor, que pode ser um smartphone ou tablet, recebe os dados transmitidos
pelo módulo Bluetooth e mostra por meio de um aplicativo desenvolvido na plataforma
MIT APP Inventor o gráfico do eletrocardiograma. Por meio do receptor o usuário
interage com o Eletrocardiógrafo Portátil.
f) Aplicativo

O aplicativo recebe os dados do eletrocardiograma e apresenta o gráfico de


forma consistente para que não ocorram erros de interpretação. Em princípio, o
aplicativo oferecerá recursos como:
a) Inserir o nome do paciente;
b) Ajustar parâmetros de visualização na tela;
c) Fazer medições de tempo e amplitude;
d) Parar a forma de onda que está sendo visualizada no Eletrocardiógrafo;
e) Salvar a imagem da tela contendo a forma de onda do eletrocardiograma.

A Figura 30 apresenta a tela principal do aplicativo, sendo que nessa tela é feito
o gráfico do ECG.
52

Figura 30 - Tela principal do aplicativo

Fonte: Elaborado pelos autores.

3.1 Módulo de captura do sinal ECG

O módulo de captura do sinal ECG desenvolvido neste trabalho consiste na


placa de aquisição do ECG baseada no circuito integrado AD8232 do fabricante
Sparkfun.

3.1.1 Placa AD8232 Heart Monitor

A placa AD8232 Heart Monitor da fabricante Sparkfun, consiste de um sensor


de batimento cardíaco que mede a atividade elétrica do coração e a frequência cardíaca.
A atividade elétrica capturada pelo sensor pode ser mapeada e utilizada para o
condicionamento do sinal ECG. A Figura 31 mostra a placa para captura do sinal ECG.
53

Figura 31 - Placa AD8232 Heart Monitor

Fonte: Adaptado de SPARKFUN, 2016.

O esquemático da placa pode ser analisado conforme mostra a Figura 32.


Basicamente ela consiste no circuito integrado AD8232, responsável por fazer o
condicionamento do sinal ECG.
Figura 32 - Esquemático da placa AD8232 Heart Monitor

Fonte: SPARKFUN, 2016.


54

Na placa nove pinos são disponibilizados com a finalidade de integração com


outras placas e sistemas de desenvolvimento. Os pinos com suas respectivas descrições
são mostradas no Quadro 3.

Quadro 3 - Pinos disponiveis para uso na placa Sparkfun


Pino Função
𝑳𝑨 (Left Arm) Recebe o sinal do eletrodo conectado ao braço esquerdo.
𝑹𝑨 (Right Arm) Recebe o sinal do eletrodo conectado ao braço direito.
𝑹𝑳 (Right Leg) Recebe o sinal do eletrodo conectado à perna direita.
𝑶𝑼𝑻𝑷𝑼𝑻
Saída do sinal para ser tratado por outro sistema.
(Output Signal)
Permite indentificar a desconexão do eletrodro no braço direito.
𝑳𝑶 − (Leads Off
Nível alto no pino indica eletrodo conectado e nível baixo
Comparator Output)
indica eletrodo desconectado.
Permite indentificar a desconexão do eletrodro no braço
𝑳𝑶 + (Leads Off
esquerdo. Nível alto no pino indica eletrodo conectado e nível
Comparator Output)
baixo indica eletrodo desconectado.
̅̅̅̅̅̅
𝑺𝑫𝑵 (Shutdown
Desliga o módulo quando recebe nível baixo.
Control Input)
𝟑, 𝟑𝑽 Alimentação da placa
GND (Ground) Terra da placa.
Fonte: Elaborado pelos autores.

A placa possui as seguintes características:

a) Tensão de alimetação de 3,3𝑉;


b) Saída analógica;
c) Indicador de LED;
d) Detecção de eletrodo desconectado;
e) Aquisição do sinal ECG por meio de uma única derivação.

3.1.2 Circuito Integrado AD8232

O circuito integrado AD8232 é um condicionador de sinal para sinais biológicos


que foi projetado para extrair, amplificar e filtrar os sinais de ruídos causados por
movimento e por eletrodos que estão distantes do corpo. O fabricante sugere que o
circuito integrado possa ser aplicado para a aquisição de sinais biológicos, monitores de
batimento cardíaco ou monitores de eletrocardiograma portáteis.
O circuito integrado AD8232 suporta dois ou três eletrodos para a aquisição dos
sinais e suporte para a criação de um filtro passa-faixas, associando um filtro passa-altas
55

interno em série com um filtro passa-baixas externo, criado a partir de um amplificador


operacional que é disponibilizado no chip.
O AD8232 internamente é construído por um amplificador de instrumentação
(IA), um amplificador operacional (A1), um amplificador driver perna direita (A2), um
buffer de referência (A3), um circuito de detecção de eletrodo desconectado (C1 e C2) e
um circuito de recuperação rápida para melhorar a resposta do sinal obtido pelo
amplificador de instrumentação. A Figura 33 mostra o diagrama em blocos do CI
AD8232

Figura 33 - Diagrama de blocos do AD8232

Fonte: ANALOG DEVICES, 2013.

A arquitetura detalha dos circuitos eletrônicos que formam o AD8232 é ilustrada


pela Figura 34. Uma descrição sobre a operação dos circuitos é feita abaixo.
56

Figura 34 - Arquitetura do CI AD8232

Fonte: Adaptado de ANALOG DEVICES, 2013.

a) O amplificador de instrumentação (IA)


O amplificador de instrumentação (IA, do inglês Instrumentation Amplifier) é
formado por dois amplificadores de transcondutância (GM1 e GM2), por um
amplificador de bloqueio DC (HPA) e por um circuito integrador. GM1 gera uma
corrente proporcional à tensão presente em suas entradas. Esta corrente realimenta GM2
até uma tensão igual aparecer em suas entradas, a corrente na saída equipara-se a gerada
pelo GM1. A diferença gera uma corrente de erro que integrada e a tensão resultante
aparece na saída do amplificador de instrumentação.
A realimentação do IA é aplicada por meio do GM2 de duas maneiras distintas:
pelos resistores (𝑅 𝑒 99𝑅) que formam um divisor de tensão e definem um ganho igual
a 100 e pelo HPA, que integra qualquer desvio do nível de referência DC.
Um multiplicador de tensão (charge pump) aumenta a tensão de alimentação
para os amplificadores de transcondutância. Esse circuito permite aumentar a faixa de
rejeição de modo comum do amplificador de instrumentação e também previne a
saturação dos amplificadores de transcondutância.
b) O amplificador operacional (A1)
O amplificador operacional (A1) é um amplificador de propósito geral, que pode
ser utilizado para proporcionar um ganho ao sinal e também para realizar a função de
filtro passa-baixas.
57

c) Amplificador driver pena direita (A2)


Este amplificador recebe inverte o sinal de modo comum que está presente nas
entradas do amplificador de instrumentação. Quando este sinal é injetado no paciente,
ele contraria as variações da tensão de modo comum, melhorando a rejeição desta
tensão pelo sistema.
d) Buffer de Referencia (A3)
O buffer de referência cria um terra virtual entre a tensão de alimentação do
AD8232 e o terra do sistema. Os sinais presentes na saída do amplificador de
instrumentação são referenciados por este terra virtual. nível da tensão de referência é
definido no pino REFIN, e está tensão está disponível no pino REFOUT para circuitos
de filtro ou para conversores analógico-digitais.
e) Circuito de retorno rápido (fast restore)
Este circuito é utilizado para reduzir o tempo de atraso gerado na condução dos
sinais pela placa de aquisição ECG. Esse atraso se deve baixa frequência de corte
utilizado em filtros passa-altas em aplicações de ECG.
A função de retorno rápido é implementada com o uso de um comparador de
janela conectado na saída do amplificador de instrumentação. Este comparador detecta
uma condição de saturação na saída do amplificador de instrumentação quando sua
saída é menor que 50mV ou maior que a tensão de alimentação menos 50mV.
Se está havendo saturação do amplificador de instrumentação e se os dois
eletrodos estão conectados ao paciente, o comparador aciona um circuito temporizador
que automaticamente fecha as chaves S1 e S2 que conectam resistores de 10kΩ ao
circuito externo do filtro passa altas, aumentando a sua frequência de corte. Se a
condição de saturação permanecer após o tempo determinado, o ciclo se repete, caso
contrário o circuito integrado retorna ao estado normal de operação. Se algum eletrodo
estiver desconectado, este circuito não é acionado.
f) Detecção de eletrodo desconectado
O circuito para a detecção de eletrodo desconectado pode funcionar de dois
modos: detecção por corrente contínua ou por corrente alternada. Existem dois modos
de detecção de eletrodos desconectados, que podem ser configurados através do pino
AC/DC no AD8232.
No modo de detecção por corrente contínua é necessário que cada entrada do
amplificador de instrumentação tenha um resistor de pullup conectado à fonte do
circuito integrado. Cada entrada do amplificador de instrumentação possui um
58

comparador onde são comparadas a tensão no pino do eletrodo com a tensão da fonte
menos o valor de 0,5V. Se o eletrodo não está conectado, o resistor de pullup envia a
tensão da fonte para o comparador, levando sua saída para o nível alto. Se o eletrodo
estiver conectado, a tensão que será comparada é a do sinal enviado pelo eletrodo, que
deve ser menor que 0,5V fazendo com que o comparador envie o sinal de saída para
baixo. Somente no modo de detecção por corrente contínua é possível identificar qual
eletrodo foi desconectado.
No modo de detecção por corrente alternada é necessário ligar um resistor em
cada entrada do amplificador de instrumentação com o pino REFOUT ou com o pino
RLD para manter as entradas do IA na faixa de rejeição de modo comum dele. O
AD8232 envia uma pequena corrente de 100kHz em cada entrada do amplificador de
instrumentação, de modo a fazer esta corrente fluir nos resistores externos provocando
uma tensão diferencial nas entradas, que são identificadas por um detector de
sincronismo e comparadas com uma tensão de 0,7V. Se os eletrodos estiverem
desconectados, o pino LOD+ vai para o nível alto, e se estiverem conectados, este pino
vai para o nível baixo. Neste modo não é possível identificar qual eletrodo está
desconectado, e apenas o pino LOD+ é utilizado para identificar a desconexão de
eletrodos, enquanto que o pino LOD- fica sempre em nível baixo.
As características técnicas citadas anteriormente encontram-se mais detalhadas
na folha de dados do AD8232 que se encontra no Anexo 1.

3.2 Módulo Bluetooth

O módulo Bluetooth utilizado no projeto foi o HC-05. O módulo vem com


configurações de acesso à rede Bluetooth padronizadas pelo fabricante, mas podem ser
alteradas através da interface de comunicação serial do módulo. Possui várias funções
de fácil configuração, suporta tanto o modo mestre como escravo, pode ser configurado
por meio de comandos AT e utiliza o protocolo porta serial SPP (Serial Port Profile)
para transmitir os dados. O HC-05 permite configurações básicas como: modificar a
senha de segurança, a taxa de transmissão e alterar o nome ID (de identificação) do
dispositivo Bluetooth. A Figura 35 mostra o módulo Bluetooth HC-05.
59

Figura 35 - Módulo HC-05

Fonte: FILIPEFLOP, 2015.

O módulo possui um LED (Light Emitting Diode) que indica se está pareado
com outro dispositivo, LED picando de forma rápida indica que não está pareado e
LED picando lentamente indica que o está pareado. O HC-05 opera na classe 2 da rede
Bluetooth, ou seja, possui capacidade de alcance de até . O dispositivo vem configurado
com o nome HC-05 e com a chave de segurança 1234 .
As características técnicas citadas anteriormente encontram-se mais detalhadas
na folha de dados do HC-05 que se encontra no Anexo 2.
A vantagem do uso desse módulo é que ele praticamente já vem pronto para ser
utilizado em uma conexão Bluetooth, além disso possui a mesma faixa de operação do
microcontrolador que foi utilizado no projeto.

3.2.1 Circuito Módulo HC-05

O Esquemático do módulo HC-05 é mostrado pela Figura 36, são utilizados


nesse dispositivo somente os recursos de envio e recepção de dados e um LED que
indica o seu estado de operação.
60

Figura 36 - Esquemático do HC-05

Fonte: GUANGZHOU HC INFORMATION TECHNOLOGY, [20--].

O Quadro 4 traz a descrição dos pinos utilizados para o desenvolvimento do


trabalho.

Quadro 4 - Descrição dos pinos HC-05


Nome do Pino Descrição
UART-TX Saída de dados
UART-RX Entrada de dados
3,3V Alimentação
GND Terra do módulo
Fonte: Elaborado pelos autores.

3.2.2 Configurações do Módulo HC-05

As configurações dos parâmetros do HC-05 são feitas por meio da interface


UART (Universal Assynchronous Receiver/Transmitter, ou Receptor/Transmissor
Universal Assíncrono em tradução livre) que envia comandos AT ao módulo. Para
habilitar a configuração, o módulo deve receber um comando AT e responder com um
"OK". Após esta resposta, os comandos de configuração são enviados até que o
dispositivo esteja totalmente configurado e pronto para desempenhar a sua função. Os
61

comandos recebidos são armazenados em na memoria Flash. O Quadro 5 mostra os


principais comandos para configuração do módulo.

Quadro 5 - Comandos de configuração


Comando Função
AT Inicia configuração
AT+ROLE = 1 Opera no modo mestre
AT+ROLE = 0 Opera no modo escravo
AT+UART Configura a taxa de banda
AT+NAME Configura o nome do módulo
AT+PSWD Configura a chave de segurança
Fonte: Elaborado pelos autores.

O Módulo HC-05 foi utilizado no projeto com as configurações de fábrica:

a) 8 bits de dados;
b) Sem paridade;
c) 9600bps.

3.3 Microcontrolador

Para esse projeto foi escolhido trabalhar com o microcontrolador


MSP430G2553, pois arquitetura e programação do firmware se assemelham muito ao
microcontrolador estudado no curso, assim ficou mais fácil a transição entre eles.
As características técnicas citadas a seguir encontram-se mais detalhadas na
folha de dados do MSP430G2553 que se encontra no Anexo 3.
Desse microcontrolador, usou-se os seguintes recursos:

a) Conversor Analógico/Digital;
b) Temporizador;
c) Módulo de comunicação serial;
d) Comunicação através dos pinos de entrada/saída.
62

3.3.1 Conversor Analógico/Digital

O módulo de conversão de analógico para digital do microcontrolador


MSP430G2553 possui 8 canais de conversão multiplexados em um conversor do tipo
SAR (Successive Approximation ADC, ou Conversor Analógico-Digital por
Aproximação Sucessiva em tradução livre) com resolução de 10 bits (TEXAS
INSTRUMENTS, 2013).
O conversor do tipo SAR, basicamente, inicia o processo de conversão
comparando o sinal de entrada amostrado com o resultado da conversão de digital para
analógico de um registrador de deslocamento que inicialmente possui o bit MSB (Most
Significant Bit, ou Bit Mais Significativo em tradução livre) ligado, se o sinal de entrada
for menor que o segundo, o registrador de deslocamento irá desligar o bit MSB, caso
contrário o registrador de deslocamento manterá o bit ligado e em ambas as situações o
registrador de deslocamento ligará o segundo bit menos significativo, converterá esse
resultado para analógico e fará uma nova comparação com o sinal de entrada repetindo
o processo até atingir o bit LSB (Least Significant Bit, ou Bit Menos Significativo em
tradução livre), sendo esse último valor armazenado no registrador de deslocamento o
resultado final do conversor (SICA, 1996).

3.3.2 Temporizador

O módulo temporizador do microcontrolador utilizado pode ser utilizado como


comparador, como saída PWM (Pulse Width Modulation, ou Modulação por Largura de
Pulso em tradução livre) e como temporizador, que será o nosso caso (TEXAS
INSTRUMENTS, 2013).
Sendo utilizado como temporizador, um contador com resolução de 16 bits é
conectado à saída de um divisor de frequência e a entrada desse divisor pode ser
conectada ao clock principal do microcontrolador ou numa fonte secundária. Esse
contador é constantemente comparado com um registrador, também de 16 bits, que é
parametrizado via firmware, quando o valor do contador se iguala ao valor do
registrador, pode ser configurada uma interrupção no firmware ou simplesmente o
ligamento de um bit em um registrador de função especial (TEXAS INSTRUMENTS,
2013).
63

3.3.3 Módulo de comunicação serial

O módulo de comunicação serial do nosso microcontrolador pode ser


configurado para vários modos de comunicação, sendo que o modo utilizado nesse
projeto será o UART (TEXAS INSTRUMENTS, 2013). O modo UART tem como
principais características:

a) Possuir 7 ou 8 bits de dados por pacote;


b) Paridade par, ímpar ou sem paridade;
c) Ter registradores separados para transmissão e recepção;
d) Começar a transmissão pelo LSB ou MSB;
e) Possui configuração fina de Baud rate.

3.4 MIT App Inventor

O MIT App Inventor é uma ferramenta de programação visual utilizada para


desenvolver aplicativos para o sistema operacional Android. A principal vantagem
desta ferramenta é que substitui a complexa programação na linguagem Java por blocos
visuais que se encaixam de forma a estabelecer uma lógica de funcionamento.
A programação no MIT App Inventor é baseada na estrutura da Figura 37

Figura 37 - Estrutura de um aplicativo desenvolvido pelo MIT App Inventor

Fonte: Adaptado de Wolber et al., 2014, p. 2015.

Os componentes são elementos utilizados pelo programa do aplicativo, e os


procedimentos são eventos e funções que determinam como o aplicativo irá se
comportar. A programação feita no MIT App Inventor é dividida em duas janelas, uma
64

para a edição dos componentes e outra para a edição dos procedimentos, que
corresponde a programação do aplicativo. O aplicativo ainda pode ser dividido em
várias telas, onde cada uma terá seus próprios componentes e procedimentos.
Por utilizar uma linguagem visual, o MIT App Inventor simplifica a
programação devido à utilização de blocos que se encaixam como peças de um quebra-
cabeças. A Figura 38 apresenta um bloco de procedimento utilizado no aplicativo
desenvolvido, onde quando um botão é pressionado, uma variável global e o texto deste
botão são alterados, e depois é realizada a chamada de uma função.

Figura 38 - Bloco de procedimento programado no MIT App Inventor

Fonte: Elaborado pelos autores.


65

4 DESENVOLVIMENTO E MONTAGEM DO PROJETO

Em posse do diagrama em blocos desse projeto foi possível desenvolver o


circuito esquemático da Figura 39.

Figura 39 - Circuito esquemático do Eletrocardiógrafo Portátil

Fonte: Elaborado pelos autores.


Onde o diodo D1 reduz a tensão da fonte para aproximadamente 3,3V, os
capacitores C1 e C2 deixam a tensão mais estável e eliminam possíveis ruídos de alta
frequência, respectivamente e R1 e C3 servem para resetar o microcontrolador durante
a energização do equipamento.
Sabendo que o módulo Bluetooth quando pareado drena uma corrente de 35mA,
que a placa de aquisição do ECG drena uma corrente de 1mA e que o microcontrolador
drena uma corrente de 3mA, será possível calcular a potência que esse circuito necessita
em regime permanente, dada por:
𝑃𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 = (35𝑚𝐴 + 1𝑚𝐴 + 3𝑚𝐴) ∗ 4𝑉
𝑃𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 = 156𝑚𝑊
Como a bateria utilizada possui uma carga de 1300mAh, essa bateria nesse
circuito terá uma autonomia igual a:
1300𝑚𝐴ℎ
𝑡𝑎𝑢𝑡𝑜𝑛𝑜𝑚𝑖𝑎 =
(35𝑚𝐴 + 1𝑚𝐴 + 3𝑚𝐴)
𝑡𝑎𝑢𝑡𝑜𝑛𝑜𝑚𝑖𝑎 = 33ℎ 𝑒 15𝑚𝑖𝑛
66

Se em cada utilização do equipamento forem gasto 15min, o mesmo conseguirá


atender:
60𝑚𝑖𝑛
𝑁𝑝𝑎𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 = (33ℎ ∗ + 15min)/15min
1ℎ
𝑁𝑝𝑎𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 = 133 𝑝𝑎𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠
O próximo passo para o desenvolvimento desse projeto foi fazer o layout e o
roteamento da placa, como mostram as Figuras 40 e 41.

Figura 40 - Layout da Placa do Eletrocardiógrafo Portátil

Fonte: Elaborado pelos autores.


67

Figura 41 - Placa Roteada

Fonte: Elaborado pelos autores.

A Figuras 42 mostra a placa com os componentes soldados.

Figura 42 - Placa finalizada

Fonte: Elaborado pelos autores.

4.1 Desenvolvimento do firmware

Para desenvolver o firmware foi escrito um código baseado no fluxograma da


Figura 43.
68

Figura 43 - Fluxograma de funcionamento do firmware

Fonte: Elaborado pelos autores.


69

O código desenvolvido, basicamente fica aguardando o smartphone ou tablet


enviar comando “10”, significando que esses necessitam de dados para desenhar o
gráfico na tela, logo, quando o microcontrolador recebe este comando ele começa a
executar um ciclo que se repete 2000 vezes:
a) Verificar se o conversor analógico/digital terminou a conversão e captar o
resultado da conversão;
b) Desprezar os dois bits menos significativos do resultado para deixar o
resultado da conversão mais imune a ruídos de alta frequência e baixa
amplitude;
c) Inverter o crescimento do resultado da conversão, isso é, quanto mais
próximo de zero maior é a amplitude do sinal convertido. Esse ajuste foi
necessário, porque a função que desenha gráficos no aplicativo trabalha com
o eixo “y” crescendo para baixo;
d) Transmitir serialmente o dado;
e) Aguardar até que se complete 2ms para repetir o ciclo.

4.2 Desenvolvimento do aplicativo

O aplicativo desenvolvido para funcionar em conjunto com o circuito de


aquisição e transmissão de dados foi feito utilizando quatro telas, cada uma com uma
função principal: tela inicial, tela para de apresentação do gráfico do ECG, tela de
configuração e tela de medições. Todas as telas foram adaptadas para a resolução de um
tablet. As telas estão descritas a seguir.

4.2.1 Tela inicial

A tela inicial surge quando o aplicativo é aberto pelo usuário, apresentando o


título do trabalho, os nomes dos componentes do grupo e do orientador do trabalho e
também a logomarca da universidade e da divisão de engenharia.
A programação nesta tela foi feita de forma que assim que o aplicativo abre, são
contados cinco segundos e automaticamente o aplicativo abre a tela de apresentação do
eletrocardiograma.
70

4.2.2 Tela de apresentação do ECG

A tela de apresentação do ECG foi programada para realizar a conexão com o


circuito de aquisição e transmissão, e com os dados recebidos o gráfico do ECG é
traçado ponto a ponto na tela.
A tela foi criada de forma a ser intuitiva e com foco no gráfico do ECG, que
ocupa toda a largura da tela.
O gráfico do ECG é traçado em um componente chamado canvas, que no MIT
APP Inventor é uma área definida pelo programador para criar ou animar elementos
gráficos. Após a conexão com o circuito de aquisição e transmissão ser realizada, o
aplicativo fica atualizando o gráfico do ECG a cada 2ms com os dados recebidos. O
local do gráfico possui uma grade e sua respectiva escala escrita sobre ele, assim como
o nome do paciente e a data e hora do exame.
Nesta tela é possível salvar o gráfico criado em um arquivo que será armazenado
no dispositivo móvel, com este arquivo é possível realizar medições de tempo e
amplitude em outra tela do aplicativo.

4.2.3 Tela de medições

A tela de medições foi criada para realizar a medição de tempo e amplitude com
mais precisão nos gráficos de ECG criados no aplicativo. O método de medição foi
baseado nos cursores dos osciloscópios digitais, onde o usuário seleciona e posiciona os
cursores e a medição é dada em função da diferença que existe entre eles. Para facilitar
a medição, foi adicionada uma opção em que o usuário pode realizar a medição do
último gráfico de ECG salvo no aplicativo.
Quando um gráfico de ECG é escolhido pelo usuário, a imagem correspondente
preenche o fundo de um componente canvas onde são traçados as linhas dos cursores
sobre a imagem.
O posicionamento dos cursores foi programado de duas formas, uma onde eles
podem ser posicionados com o toque na tela e outra com o uso de botões, de forma que
eles se desloquem apenas 1 pixel realizando um posicionamento mais fino.
A diferença dos cursores é multiplicada por uma constante que representa o
valor da tensão ou amplitude correspondentes a um pixel do gráfico, e este valor é
apresentado em forma de texto acima do gráfico de ECG. Para a medição de tempo, foi
71

adicionada o cálculo de batimentos por minuto, que está em função do tempo medido
pelos cursores.

4.2.4 Tela de configurações

Para organizar o aplicativo, foi necessário criar uma tela de configurações, onde
é possível alterar os dados que são apresentados no gráfico do ECG.
Nesta tela, é possível alterar o nome do paciente, a derivação que está sendo
medida e as cores que serão utilizadas no gráfico, sendo uma opção com tons claros e
outra com tons escuros.
Os dados são armazenados na memória do dispositivo, para que quando o
usuário abra a tela de apresentação do ECG eles sejam recuperados para serem
apresentados no gráfico.
72

5 RESULTADOS

As Figuras 44 e 45 mostram as fotos do ECG Portátil já montado na sua caixa e


com os cabos dos eletrodos conectados.

Figura 44 - ECG Portátil com a caixa aberta

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 45 - ECG Portátil finalizado

Fonte: Elaborado pelos autores.

As Figuras de 46 até 54 mostram fotos das telas do aplicativo durante o


funcionamento do ECG portátil.
73

Figura 46 - Tela de Configurações

Fonte: Elaborado pelos autores.

Ao abrir o aplicativo e selecionar a opção de configurações é possível alterar o


nome do paciente, a derivação que será medida e a cor do fundo e do traço do ECG,
assim como mostra a Figura 46. Ao fim desses ajustes, acionando o botão para salvar, o
aplicativo retorna para a tela principal.

Figura 47 - Tela principal

Fonte: Elaborado pelos autores.


74

Figura 48 - Selecionando um dispositivo Bluetooth

Fonte: Elaborado pelos autores.

Para iniciar o exame, deve-se apertar o botão para conectar com algum
dispositivo Bluetooth (Figura 47) e selecionar o HC-05 (Figura 48) que o nome do
Bluetooth do Eletrocardiógrafo Portátil.

Figura 49 - Capturando um ECG

Fonte: Elaborado pelos autores.

Imediatamente, após a conexão o aplicativo começará a exibir na tela o ECG do


paciente. Quando o médico desejar fazer alguma medição, basta acionar o botão para
salvar o eletrocardiograma e abrir a tela de Medições como mostra a Figura 49.
75

Figura 50 - Tela de Medições

Fonte: Elaborado pelos autores.

Na tela de medições, basta clicar na tela principal que a última tela salva irá ser
exibida (Figura 50).
76

Figura 51 - Medindo a duração do Complexo QRS

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 52 - Medindo os batimentos por minuto

Fonte: Elaborado pelos autores.


77

Em posse do ECG é possível medir a duração de qualquer intervalo da tela,


como o tempo do complexo QRS (Figura 51) ou o número de batimentos por minuto do
paciente (Figura 52). Para isso basta arrastar um dos cursores para o início da medição e
o outro cursor para o fim da mesma medição.

Figura 53 - Medindo os valores de pico a pico

Fonte: Elaborado pelos autores.

Também é possível medir a tensão em cada ponto do ECG, usando os cursores


horizontais, para indicar a referência e o ponto de medição (Figura 53).
78

Figura 54 - Selecionando outro ECG salvo anteriormente

Fonte: Elaborado pelos autores.

Caso seja necessário abrir um ECG antigo, basta clicar no botão abrir imagem e
selecionar o arquivo desejado (Figura 54).
79

6 CONCLUSÃO

Avaliando o trabalho como um todo é possível concluir que:

a) O Eletrocardiógrafo desenvolvido possui dimensões bem reduzidas


(20cmx12cmx6cm), pesando aproximadamente 100g e sem nenhuma
conexão com a rede elétrica, logo pode-se afirmar que o mesmo é bem
portátil;
b) Se for levando em conta apenas o custo dos materiais utilizados para o
desenvolvimento do protótipo, o mesmo custou aproximadamente R$
300, portanto o protótipo teve um custo bem barato;
c) A proposta inicial era provar que era possível captar o ECG e mostrá-lo
num dispositivo, assim como foi demonstrado nesse trabalho;
d) O aplicativo desenvolvido possui uma interface de fácil compreensão e
com recursos de medições precisos que facilitam muito a interpretação
do ECG;
e) O resultado do ECG apresentou várias distorções e ruídos, que podem
ser justificados pela largura de banda do filtro utilizado no módulo de
aquisição do ECG. O filtro passa-baixa desse módulo foi calibrado para
ter uma frequência de corte igual a 40Hz, sendo que nas bibliografias
estudadas a recomendação era 100Hz (WEBSTER, 2000);
f) Como a placa de aquisição fornece um ganho ao sinal do ECG captado,
as amplitudes medidas no aplicativo são múltiplos da amplitude real.
Para obter o valor real de amplitude é necessário calibrar o equipamento
desenvolvido com um eletrocardiógrafo de referência.

Possíveis melhorias no protótipo:

a) O microcontrolador entre duas leituras do canal analógico fica cerca 1ms


ocioso, podendo esse tempo ser usado para a implementação de um filtro
digital rejeita-faixas na frequência de 60Hz;
b) Consultando a folha de dados do AD8232 (circuito integrado que
amplifica e filtra o sinal do ECG) foi encontrado os resistores e
capacitores que atuam no filtro passa-baixa de 2ª ordem, logo é possível
recalcular os mesmos e substitui-los de modo a obter uma frequência de
corte de 100Hz;
80

c) É possível acrescentar mais uma placa de aquisição de ECG para


aumentar o número de derivações que esse protótipo consegue obter;
d) Também é possível indicar no aplicativo que os eletrodos estão
desconectados.

Apesar do sinal captado ainda não está de acordo com o ECG teórico, os
resultados obtidos como um todo foram bem satisfatórios e realizando as correções
citadas anteriormente é possível conseguir resultados melhores.
81

REFERÊNCIAS

ANALOG DEVICES. Single-Lead, Heart Rate Monitor Front End. 2013.


Disponível em: <http://www.analog.com/media/en/technical-documentation/data-
sheets/AD8232.pdf>. Acesso em: 3 mar. 2016.

BLEYMED. Eletrocardiógrafo ECG-12-ECAFIX. 2014. Disponível em:


<http://www.bleymed.com.br/parceiro/4/produto/448eletrocardiografo3canaise12deriva
coes/?utm_source=google&utm_medium=googleshopping&utm_campaign=feedxml&g
clid=CKKavKehq8gCFciBkQodjngNyA >. Acesso em: 5 out. 2015.

BOYLESTAD, Robert L. Introdução à análise de circuitos. 10a ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2004. 828 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Manual de Primeiros


Socorros. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2003. 206 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão de Investimentos em Saúde.


Equipamentos médico-hospitalares e o gerenciamento da manutenção:
Capacitação a distância. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. 709p.

BRONZINO, Joseph D; NAGEL, Joachim H. The Biomedical Engineering


Handbook: Biopotential Amplifiers. Estados Unidos: CRC Press LLC, 2000.

CARMO, Elza Lucia Camargo do; AZEREDO, Fernando Antônio Barros de. A Saúde
no Brasil. 2014. Disponível em: <http://www.sanacruz.br/ojs/index.php/JICEX/
article/view/682/838>. Acesso em: 8 out. 2015.

CONCEIÇÃO JÚNIOR, André Lisboa da. Redes sem Fio: Protocolo Bluetooth
Aplicado em Interconexão entre Dispositivos. Disponível em: <http://www.teleco.
com.br/pdfs/tutorialredespbaid.pdf>. Acesso em: 2 nov. 2015.

CORSCIENCE. EMB1: ECG Micro Board. 2014. Disponível em:


<http://www.corscience.de/fileadmin/user_upload/Produkte_Neu/EKG/Flyer/CS60278
D-en_EMB1.pdf>. Acesso em: 29 out. 2015.
82

DEAL EXTREME. CJMCU-8232 AD8232 ECG Electrocardiogram Heart Pulse


Measuring Physiological Monitoring Sensor Module. 2015. Disponível em:
<http://www.dx.com/p/cjmcu-8232-ad8232-ecg-electrocardiogram-heart-pulse-
measuring-physiological-monitoring-sensor-module-389334#.VjIL2NKrSUk>. Acesso
em: 9 mar. 2016.

DEITEL, Paul J. et al. Android para programadores: uma abordagem baseada em


aplicativos. Porto Alegre: Bookman, 2013. 481 p.

FERREIRA, Celso; PÓVOA, Rui. Cardiologia para o clínico geral. São Paulo:
Atheneu, 1999. 640p.

FILIPEFLOP. Tutorial Módulo Bluetooth Com Arduino. 6 jul. 2015. Disponível em:
<http://blog.filipeflop.com/wireless/tutorial-modulo-bluetooth-com-arduino.html>.
Acesso em: 17 mar. 2016.

FOROUZAN, Behrouz A.. Comunicação de dados e redes de computadores. 4. ed. São


Paulo: Mcgraw Hill, 2008. 1134 p.

GOLDWASSER, Gerson P. O eletrocardiograma orientado para o clinico geral.


2.ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2002. 328 p.

GOMES, Rafael Caveari; FERNANDES, Jean Alves R.; FERREIRA, Vinicius Corrêa.
Sistema operacional Android. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2012. 31 p.

GUANGZHOU HC INFORMATION TECHNOLOGY. HC Serial Bluetooth


Products: User Instructional Manual. [20--]. Disponível em:
<http://www.tec.reutlingen-university.de/uploads/media/DatenblattHC-05_BT-
Modul.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2016.

GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. et al. Tratado de fisiologia médica. 11. ed. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2006. 1115p.
83

HERMES PARDINI. Help de Exames. 2015. Disponível em: <http://www.hermes


pardini.com.br/helpexames/helpexames.do?acao=inicio&perfil=C>. Acesso em: 13 out.
2015.

HUANG, Albert; RUDOLPH, Larry. Bluetooth Essentials for Programmers. 1. ed. New
York: Cambridge University Press, 2007. 210 p.

KAYKIN, Simon; VEEN, Barry Van. Sinais e Sistemas. Porto Alegre: Bookman,
2001. 668 p.

LECHETA, Ricardo R. Google Android: aprenda a criar aplicações para dispositivos


móveis com Android SDK. 2 ed. São Paulo: Novatec, 2010. 607 p.

LIMA, Orcélia P. S. C. Leitura e interpretação de exames em enfermagem. 3.ed.


Goiânia: AB Editora, 2010. 168 p.

MARQUES, Marcos Antônio Pereira. Saúde e Bem Estar Social. Disponível em:
<http://books.scielo.org/id/sfwtj/pdf/andrade-9788575413869-45.pdf>. Acesso em: 12
out. 2015.

MASSACHUSETTS INSTITUTE OF TECHNOLOGY. About Us. 2015. Disponível


em: <http://appinventor.mit.edu/explore/about-us.html>. Acesso em: 2 nov. 2015.
MEIER, Reto. Professional Android Application Development. Indianapolis (EUA):
Wiley Publishing, 2009. 434 p.

MONTES, Ricardo. Cuidados humanos de saúde básicos. Sinais vitais. Vila Real,
Portugal: Escola Secundária Morgado Mateus, 2009. 6 p.

PEREIRA, Adriel Erich. Eletrocardiografia (ECG) remota via rede sem fio com
interface XBee. Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 2008. 76 p.

PEREIRA, Lúcio Camilo Oliveira; SILVA, Michel Lourenço da. Android para
desenvolvedores. Rio de Janeiro: Brasport, 2009. 221 p.
84

POTTER, Patricia Ann; PERRY, Anne Griffin; ANTLE, Denise E. Fundamentos de


enfermagem. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. 1480 p.

PRUTCHI, David; NORRIS, Michael. Design And Development of Medical


Electronic Instrumentation: a pratical perspective of the design, construction and test
of medical devices. Estados Unidos: John Wiley & Sons, 2005. 461 p.

RAMOS. A. P.; SOUSA. B. S – Eletrocardiograma: princípios, conceitos e


aplicações. 2007. Disponível em: <http://www.centrodeestudos.org.br/pdfs/ecg.pdf>.
Acesso em: 10 out. 2015.

RAPPAPORT, Theodore S. Comunicações sem fio: Princípios e Práticas. 2. ed. São


Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. 391 p.

REBOUÇAS FILHO, Pedro Predosa. Microcontroladores PIC – Linguagem C


utilizando CCS para leigos. Ceará: Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Ceará, 2014. 208 p.

SEDRA, S. Adel; SMITH, Kenneth. Microeletrônica. 4a ed. São Paulo: Pearson


Education do Brasil, 2000. 1267 p.

SERPEJANTE, Carolina. Eletrocardiograma: exame detecta arritmias cardíacas.


2015. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/saude/tudo-sobre/18275-
eletrocardiograma-exame-detecta-arritmias-cardiacas>. Acesso em: 16 out. 2015.

SICA, Carlos. Conversor A/D e D/A. Disponível em


<http://www.din.uem.br/sica/material/adda/adda.html>. Acesso em: 04 jun. 2016

SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia humana: Uma abordagem integrada. 5.ed. Porto


Alegre: Artmed, 2010. 957p.

SOARES, Matheus; ALMEIDA, Helvécio; MAGALHÃES, Fernando; VIVIANO,


Geocacio. Trabalho de Conclusão de Curso I: Eletrocardiógrafo Portátil. 2016. 59p.
85

SNELLEN, H.A. History of cardiology. Rotterdam: Donker Academic Publications,


1984. 191 p.

SPARKFUN. SparkFun Single Lead Heart Rate Monitor - AD8232. 2016.


Disponível em: <https://www.sparkfun.com/products/12650>. Acesso em: 29 maio
2016.

TEXAS INSTRUMENTS. Mixed Signal Controller. 2013. Disponível em:


<http://www.ti.com/lit/ds/symlink/msp430g2553.pdf>. Acesso em: 29 mar. 2016.

THALER, Malcolm S. ECG essencial: Eletrocardiograma na prática diária. 7.ed. Porto


Alegre: Artmed, 2013. 344 p.

VERAS, Renato. Envelhecimento Populacional: Desafios e Inovações Necessárias


para o Setor Saúde. <http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=186>. Acesso
em: 12 out. 2015.

WEBSTER, John G. MEDICAL INSTRUMENTATION: Application and Design. 2010

WEBSTER, John G; THAKON, Nitish V. Mesurement, Intrumentation and Sensors


Handbook: Biopotentials and Electrophysiology Mensurement. Estados Unidos: CRC
Press LLC, 2000.

WIKIPÉDIA. Artéria pulmonar. 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/


Art%C3%A9ria_pulmonar>. Acesso em: 16 out. 2015.
WOLBER, D., ABELSON, H., SPERTUS, E., LOONEY, L. (2014). App Inventor 2:
Create Your Own Android Apps. 2a edição. Sebastopol: O’Reilly Media.

YOUNG, Paul H. Técnicas de Comunicação Eletrônica. 5. ed. São Paulo: Pearson,


Prentice Hall, 2006. 676 p.
86

APÊNDICE A – PROGRAMA DO FIRMWARE DESENVOLVIDO


87
88
89

APÊNDICE B – CRONOGRAMA DO TCC II


90

ANEXO 1 – FOLHA DA PLACA SPARKFUN AD8232


(PARÂMETROS UTILIZADOS EM DESTAQUE)
91
92
93
94
95

ANEXO 2 – FOLHA DE DADOS DO MODULO BLUETOOTH HC-


05(PARÂMETROS UTILIZADOS EM DESTAQUE)
96
97
98

ANEXO 3 – FOLHA DE DADOS DO MICROCONTROLADOR


MSP430G2553(PARÂMETROS UTILIZADOS EM DESTAQUE)
99